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quarta-feira, 30 de maio DE 2012

O melhor da

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PRODUzido por RUSSIA BEYOND THE HEADLINES

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Extremo Oriente russo

Sete metrôs paulistanos

Palco da próxima cúpula da Apec, Vladivostok vive onda de investimentos bilionários à beira do Pacífico

Moscou quer construir mais 125 km de metrô e chegar a 452 km até o ano 2020

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Publicado e distribuído com The New York Times (EUA), The Washington Post (EUA), The Daily Telegraph (Reino Unido), Le Figaro (França), La Repubblica (Itália), El País (Espanha), Folha de S.Paulo (Brasil), The Economic Times (Índia), La Nacion (Argentina), Süddeutsche Zeitung (Alemanha), The Yomiuri Shimbun (Japão) e outros grandes diários internacionais

notas

Ministérios Com mudança de 75% em relação à estrutura anterior, novo gabinete tem ministro de 29 anos

Novo governo rejuvenesce

Cartões bancários no combate à corrupção

Gabinete de ministros foi aprovado por presidente no último dia 21, com a criação de quatro novos ministérios. Das agências de notícias

O “Fundo de Luta Contra a Corrupção”, instituição criada pelo blogueiro oposicionista Aleksêi Naválni, fechou acordo com um banco emissor de cartões bancários cobranded - que levam o logotipo de empresa associada e podem ser usados em qualquer estabelecimento credenciado com a bandeira do cartão. Segundo o porta-voz do blogueiro, o fundo receberá 1% de todas as transações efetuadas com o cartão. Entreanto, a porcentagem será descontada do banco, e não do proprietário do cartão. De acordo com as estimativas da agência de marketing “Radar”, cerca de quatro milhões de pessoas podem vir a encomendar a novidade. Os co-branded são muito populares na Rússia e na Europa, e representam até 60% dos cartões bancários em alguns países europeus. Lenta.ru

© ekaterina shtukina_ria novosti

Em segredo por longo tempo, a chefia dos ministérios russos sob o novo premiê Dmítri Medvedev foi revelada no último dia 21 de maio. A composição do governo anterior foi alterada em 75%, e a idade média dos chefes de ministérios baixou para 48 anos. O ministro das Comunicações, por exemplo, sequer completou 30 anos. Segundo as autoridades, o mistério para divulgação se deveu à reforma do governo e à necessidade de profunda avaliação dos candidatos. Apenas cinco ministros do governo anterior mantêm postos: Serguêi Lavrov, das Relações Exteriores; Anatóli Serdiukov, da Defesa; Aleksander Konovalov, da Justiça; Vitáli Mutko, dos Esportes; e A n t o n S i l u a n o v, d a s Finanças. Além disso, há dois novos ministérios - do Desenvolvimento do Extremo Oriente e do Governo Aberto, e o da Saúde e Desenvolvimento Social foi dividido em dois.

Primeiro-ministro Dmítri Medvedev cumprimenta ministros. Apos nomeação, apenas cinco ministérios mantiveram chefia anterior.

Trigo Rússia já exportou 25 milhões de toneladas

Após recorde de exportação, grão russo mira Brasil víktor kuzmin

especial para gazeta russa

photoxpress

A produção de grãos é um dos setores da economia russa que ganhou com a transição do socialismo para o capitalismo. Depois de décadas de experiência socialista, foram necessários 10 anos para que o país recuperasse o status de grande potência agrícola perdido na era soviética e se tornasse, de importador líquido de grãos, um dos maiores exportadores mu nd iais de tr igo e de cevada. A exceção foi 2010, quando a Rússia foi oficialmente transferida da categoria de países importadores para a de exportadores em uma reunião do IGC (Conselho Internacional de Grãos). No mesmo ano, porém, uma grande seca destruiu um terço da safra de grãos do país, e Moscou decretou embargo às vendas de trigo para o exterior, provocando assim uma significativa alta dos preços no mercado mundial. “O preço da tonelada subiu em cerca de US$ 150. O retorno da Rússia ao mercado mundial, em julho de 2011, também foi acompanhado de

País retoma intenção de aumentar exportações à América Latina. Aventado em 2010, plano foi malogrado nesse ano por embargo a exportação de grãos.

flutuações significativas de preços. Após o levantamento do embargo, o preço da tonelada diminuiu em US$ 100”, diz o diretor executivo da União Nacional de Produtores de Grãos, Aleksêi Smorodov. O recorde de exportação de grãos foi batido já em abril de 2012, segundo o diretor do departamento de análise dos mercados do Instituto de Conjuntura do Mercado Agrícola, Oleg Sukhanov. A Rússia conseguiu recuperar sua posição em mercados tradicionais como o Oriente Médio, Ásia Central, Norte da África e penetrar em novos merca-

Rumo à América Latina

Especialistas dividem-se quanto à possibilidade de a Rússia passar a exportar grãos para a América Central e do Sul, mencionada pelas autoridades do país desde em 2010. Anatóli Vorônin, por exemplo, acredita que o mercado brasileiro é muito interessante para a Rússia, considerando que o país poderia exportar para o Brasil cerca de dois milhões de toneladas de grãos. O mercado da América Central e do Sul é pouco explorado por exportadores russos, e as vendas realizadas anteriormente foram intermitentes. A região é continua na página 4

Herói, assassino ou atração turística? Sessenta por cento dos russos veem Stálin como um tirano cruel e, paralelamente, um herói reformista que venceu o nazismo.

Calendário de negócios

Vladímir Ruvínski

especial para gazeta russa

O professor de história Stefan Botchkariov lembra com frequência de uma aula sobre Iossif Stálin que deu há vários anos, bem no dia que a diretora da escola decidiu acompanhar a classe. “Segui o livro à risca, falando sobre a repressão, quando a diretora me interrompeu e parou a aula”, relembra. “Ela não gostou do fato de Stálin ser apresentado sob uma perspectiva negativa.” Botchkariov, que agora trabalha em um colégio particular em Moscou, disse que sua aula provocou um escândalo e por isso acabou pedindo as contas. Sessenta anos após sua morte, o líder soviético ainda é amaldiçoado, adorado e até capitalizado na Rússia. Membros do Partido Comunista marcham carregando sua

Depois da ausência do presidente russo Vladímir Pútin na última reunião do G8 nos EUA, entre 18 e 19 de maio, Barack Obama afirmou que não irá à reunião da Apec, em Vladivostok, na Rússia. Dmítri Medvedev, atual premiê, representou a Rússia no G8, quando Pútin, recém-empossado, afirmou estar ocupado com a formação do novo governo. O próximo encontro dos presidentes deve acontecer na reunião de cúpula do G20, em junho, no México. Maria Azálina

itar-tass

Rússia está prestes a ocupar um lugar entre três maiores exportadores mundiais de grãos. Próximo passo é conquistar a América Latina.

dos do Sudeste Asiático e da Europa. De acordo com dados relativos ao final de abril, o maior importador de grãos russos foi o Egito, com 6,8 milhões de toneladas, seguido pela Turquia, com 2,5 milhões, União Europeia, com 2,1 milhões, e Arábia Saudita, com dois milhões. “Para retornar ao mercado mundial após o levantamento do embargo, tivemos que vender nossos grãos a preços mais baixos. Mas isso d u r o u p o u c o ”, d i z Smoródov. No entanto, a Rússia não conseguiu restaurar completamente seu status. Até o Egito, o maior importador de grãos russo, age com cuidado e faz compras em pequenos lotes, devido ao risco, segundo o analista da Holding Financeira Internacional F I B O G r o u p , A n at ó l i Vorónin. De acordo com ele, o país continua perdendo em licitações internacionais para os EUA, que oferecem preços FOB (“free on board”, ou seja, isento de logística e seguros) da tonelada de trigo por US$ 12 a US$ 14 a mais que a Rússia.

G8 e Apec trazem à tona intrigas entre líderes

Stálin segura Guélia Markízova, cujo pai, acusado de espionagem, foi preso e morto

imagem e atores fantasiados de Stálin tiram fotos com os visitantes da cidade próximo aos pontos turísticos. Mas o que aconteceu com Botchkariov se torna cada vez menos comum – e menos aceitável. Na última década, caíram para 30% os russos que têm uma atitude positiva em relação ao líder, segundo pesquisa do Centro Levada.Questionados se gostariam de viver sob o regime de Stálin hoje, apenas 3% dos entrevistados responderam que sim. continua na página 3

14° Neftegaz - Equipamentos e Tecnologias para petróleo e gás De 25 a 29 de junho, Expocentre, Moscou-Rússia

Um dos principais eventos do setor na Rússia, a feira possibilita o estabelecimento de contatos e relações comerciais diretas com líderes em produção na Europa, Ásia e América. A Neftegaz também traz a oportunidade de conhecer novos projetos em primeira mão. ›› www.neftegaz-expo.ru/en

Enercon 2012 - Conferência de Desenvolvimento INOVATIVO em Petróleo e Gás De 25 a 28 de junho, Expocentre, Moscou-Rússia

Terceira edição da conferência internacional focada sobretudo nas tendências russas em petróleo e gás, modos de mobilização de recursos intelectuais e administrativos e inovações no setor. ›› www.enercon-ng.ru/en/

leia no site

entrevista

“Brics não é instrumento de governança” Encarregado das relações russas no grupo Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), Serguêi Riabkov, rebate críticas ao grupo e seu uso pelos russos “como contrapeso nas relações com o Ocidente”, de acordo com alguns cientistas políticos.

Vice-ministro russo das Relações Exteriores, Riabkov sublinha ainda que, apesar da busca por institucionalização, seu modelo informal e não burocratizado é consenso no momento.

Bolshoi celebra 12 anos no Brasil com balé “Giselle”

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Opinião

Gazeta Russa

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PROTESTOS VIRAM À ESQUERDA Dmítri Oréchkin

analista político

A

s expectativas sociais e as boas intenções do atual governo russo parecem divergir, e as diferenças já podem ser observadas no cotidiano. Enquanto os manifestantes entendem perfeitamente que a questão não está nos planos do governo de aumentar a idade de aposentadoria nem reivindicam aumentos salariais, os que não participam dos protestos têm dificuldade em compreender o que falta àqueles que se manifestam. Embora as condições de vida em grandes cidades russas, inclusive na capital, sejam muito melhores do que na província, Moscou tem sido tomada por movimentos populares. O problema, contudo, não tem a ver com o crescimento da renda per capita, mas sim com a ausência de informações transparentes, mobilidade social, urbanização e acesso à educação. Parece que quanto pior estiverem as coisas, melhor é o c e n á r io pa r a o at u a l regime. Independentemente de suas preferências ideológicas, as pessoas tendem a se fixar em locais caracterizados pelo crescimento econômico, diversidade e liberalização. Como a cidade é um espaço público marcado por uma variedade quase ilimitada de grupos e interesses, a união das massas populares para uma ação coordenada só é possível em situações extraordinárias. É preciso, por exemplo, acontecer algo fora do comum

dmitri divin

para que os torcedores de futebol dos eternos rivais CSKA e Spartak, famosos por violentas brigas entre si, deem as mãos e saiam para protestar. Porém, quanto mais complexo é um espaço social, maior é o número de papéis desempenhados por uma pessoa e, portanto, mais sensível ela estará às ações do governo do país. A lógica é bastante simples: um fanático por futebol pode ser programador, empresário, pai de família ou roqueiro. Mas à medida que suas ocupações entrarem em conflito com as iniciativas das autori-

Enquanto parte da elite cultural sai de cena, partidários da esquerda radical aderem mais e mais dades, ele reagirá participando dos protestos. Na manifestação do dia 6 de maio, um dia antes da posse do presidente Vladímir Pútin, ficou evidente uma mudança na composição social dos seus integrantes. Entre os mani-

festantes prevaleceram, como antes, uma maioria moscovita, com formação superior. Paralelamente, houve um aumento expressivo do percentual de jovens ativistas provenientes de São Petersburgo, Voronej, Perm, Iekaterimburgo e M i nsk, capita l da Bielorrússia. Mas muitos representantes da elite cultural russa, como os escritores Boris Akúnin e Liudmila Ulítskaia e o apresentador de TV Leonid Parfionov, deixaram de participar ao perceber que tais formas de diálogo com o governo não faziam sentido.

Este era exatamente o objetivo do regime. Ainda assim, o resultado obtido não foi o esperado. Os protestos não pararam e se tornaram ainda mais radicais. Seus idealizadores saíram das ruas, mas as ruas não ficaram vazias e acabaram sendo invadidas pelos seguidores de Serguêi Udaltsov, ativista da esquerda radical cuja popularidade cresceu rapidamente nos últimos meses. Como resultado, as demonstrações deram uma sensível guinada à esquerda, e não será nada fácil inverter esse processo. Aqueles que não quise-

rem seguir os esquerdistas, deverão buscar um novo meio de protestar. À semelhança da televisão moderna, os protestos de rua estão se segmentando. Cada um protesta a sua maneira. Também é possível identificar a consolidação de diferentes grupos sociais de posição mais primitiva e radical. Não é difícil prever que a próxima ação em massa reunirá principalmente jovens dos subúrbios e será ignorada pelos demais cidadãos e intelectuais de boa fé. Essa parcela da sociedade não tem interesse algum em

ouvir Udaltsov nem o ex-vice-premiê Boris Nemtsov e o ativista anticorrupção Aleksêi Naválni, líderes da oposição extraparlamentar. Eles já disseram tudo o que desejavam, mas seus apelos não foram atendidos. E o que fazer agora? Invadir as ruas, brigar com a polícia, lançar garrafas e queimar pneus. Pelo menos esse foi o roteiro aplicado à citada manifestação no centro de Moscou: histeria, confrontos e policiais atingidos com pedras na cabeça. Ao contrário das expectativas, a irritação social não vem diminuindo. As esperanças da liderança do país de que na primavera muitos potenciais manifestantes preferissem ir para suas datchas (as casas de campo russas) a participar dos protestos falharam. Mesmo assim, acredita-se que os protestos provavelmente perderão a consolidação e acabarão diluídos com base em outras concepções. No dia 13 de maio, por exemplo, Moscou presenciou uma passeata de leitores e escritores. Jovens manifestantes ostentando fitas brancas participaram de várias caminhadas e os forasteiros presentes na capital para integrar o evento regressaram a suas cidades entusiasmados, com ideias claras sobre o que fazer. O problema real, contudo, está na liderança do país, que ainda tende a se fechar em si mesma, um sinal extremamente negativo pa ra o futuro. Dmítri Oréchkin é membro do Conselho do Presidente da Rússia para Desenvolvimento da Sociedade Civil e Direitos Humanos

equilíbrio, segundo guru do BRIC Jim O’Neil

economista

A

creditamos que o equilíbrio de poderes na economia global vá mudar completamente em um futuro próximo. O surgimento de “mercados em crescimento” levará a um aumento substancial da riqueza nesses países. Mas, primeiro, deixe-me citar alguns números. Segundo estimativas do departamento de análise econômica do banco Goldman Sachs, em 2050 os países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) e os Estados Unidos serão as maiores enconomias do mundo. Segundo as previsões dos nossos especialistas da Goldman Sachs, no ano citado o

Produto Interno Bruto do grupo Next-11 (México, Coreia do Sul, Indonésia, Turquia, Irã, Egito, Nigéria, Bangladesh, Paquistão, Filipinas e Vietnã) vai ultrapassar o dos EUA e será o dobro do da

Economia global crescerá 4,3% anuais até o final desta década e o BRIC vai impulsionar isso União Europeia. Esses números permitem ver uma das maiores mudanças no equilíbrio da economia global.

Forte crescimento global

Para os próximos anos, espera-se um crescimento da

economia global, com taxas de crescimento acima da média. Isso é um dos fatoreschave para mudanças nos mercados mundiais. De acordo com a Goldman Sachs, a economia global vai crescer cerca de 4,3% anuais até o final desta década. A taxa é significativamente maior que a média observada ao longo das últimas três décadas. Acreditamos que os quatro países do BRIC e outros mercados emergentes serão as principais forças para garantir a atividade econômica em geral. Hoje, é comumente aceito que as taxas de crescimento do BRIC vão diminuir. Além disso, o termo “mercados emergentes” não significa que as economias desses países estão em constante e ininterrupto crescimento.

No futuro, esses países devem passar por vários ciclos econômicos, assim como quaisquer outros. No entanto, segundo estimativas recentes, oito mercados emergentes (Brasil, Rússia, Índia, China e os quatro países mais fortes do Next-11, ou seja, México, Indonésia, Coreia do Sul e Turquia) garantirão crescimento econômico de 15 tr i l hões de dóla res até 2020. É claro que é impossível prever com precisão o desenvolvimento econômico mundial até 2050. As tendências já se mostram bastante propensas a mudanças bruscas. Quase todos os mercados emergentes apresentam um saldo demográfico positivo e, assim, no futuro, será preciso combater o problema do rendimento do trabalho, que vai

modelar a economia desses países. Especialistas esperam que o crescimento econômico dos países asiáticos nas próximas décadas seja determinado pelo surgimento de uma jovem classe média urbana com alto poder aquisitivo. Isso aumentará a demanda por bens de consumo e produtos de luxo. O departamento de gestão de recursos da Goldman Sachs acredita que, juntos, esses oito mercados em crescimento poderão aumentar o consumo global em cerca de 800 bilhões de dólares por ano até 2025.

Equilíbrio na renda

De acordo com nossos cálculos, em cerca de dois ou três anos, o poder adquisitivo total dos países do BRIC será comparável ao da zona do euro. Em 2050, os países do G7 con-

tinuarão sendo os mais ricos do mundo, mas a diferença de renda será redu zida consideravelmente. Estimamos que em 2050 a renda per capita na Rússia e na Coreia seja apenas ligei-

Em 2050, países do G7 ainda serão os mais ricos, mas renda dos emergentes será equiparável à desses ramente inferior à da zona do euro. Então, o Brasil poderá se tornar mais rico que a China, e a Nigéria, país mais populoso da África, e equiparar-se à Índia. O crescimento mais significativo da renda per capita

deve acontecer em Bangladesh, Paquistão e Vietnã. É provável que, nesse mesmo período, a renda per capita no Vietnã seja 17 vezes maior que a atual. Países com rápido crescimento estão se tornando uma alternativa cada vez mais real para investidores que querem abandonar mercados desenvolvidos, com suas baixas taxas de crescimento, dívidas significativas e envelhecimento populacional. Mesmo considerando que todos os mercados emergentes precisam de estabilidade para alcançar o referido sucesso, seu potencial é incrível e eles podem atingir as taxas de crescimento previstas. Jim O’Neill é presidente da Goldman Sachs e cunhou o termo “BRIC” em 2001

A melhor combinação para o petróleo Mikhail Deliáguin

economista

A

estatização do setor de petróleo virou tendência após a crise ocorrida entre 1997 e 1999. Logo no início dos anos 2000, analistas se surpreenderam com o aumento dos estoques e da produção de petróleo em empresas públicas e, em contrapartida, a diminuição do número de companhias privadas no setor. Isso trouxe novamente à tona a questão sobre a melhor

forma de propriedade e ajudou a entender que a opinião generalizada sobre a eficácia superior das companhias privadas só faz sentido quando se trata de empresas de pequeno e médio porte. Uma análise comparativa da eficácia de empresas públicas e privadas feita em 1997 na Rússia mostrou que as últimas eram relativamente pouco mais eficazes que as premeiras. Foram também comparadas companhias privadas dos setores mais rentáveis com as públicas de setores econômicos cujo potencial de lucro era

reduzido. Pelo estudo, concluise que a propriedade privada na Rússia é muito menos eficiente do que a propriedade pública. Ainda assim, a tese de que uma empresa baseada na propriedade privada é mais eficiente foi defendida durante muito tempo não só devido a preconceitos ideológicos, como também por interesses políticos do governo. Uma greve em uma companhia estatal, por exemplo, representa uma crise política, enquanto uma crise em uma empresa privada é uma boa oportunidade para o Estado

demonstrar sua autoridade e influência. Mesmo um liberal tão obstinado como o economista Jeffrey Sachs reconheceu que o principal ingrediente para o sucesso são as condições institucionais, e não as formas de propriedade em si, depois de analisar o sucesso da economia estatizada da China. Na verdade, o ideal é quando essa forma está determinada por tecnologias e pelo princípio geral da harmonização de interesses entre a iniciativa pr ivada e a população.

No exterior, o Estado deve promover, em primeiro lugar, os interesses do empresariado nacional, apoiando e orientando sua expansão. Em seu próprio território, onde não há necessidade de uma atitude agressiva, o governo deve promover, em primeiro luga r, os i nteresses da população. As petrolíferas que operam no território nacional em benefício de seu povo são, de um modo geral, propriedades do Estado – não só em países emergentes, mas também em

iorsh

nações desenvolvidas como a Noruega, por exemplo. Já a extração de petróleo em território estrangeiro exige uso de empresas privadas. Isso facilita a expansão do setor privado nacional no exterior e é importante do ponto de vista prático: o país detentor de jazidas destinadas à exploração aceitará me-

lhor a presença de uma empresa estrangeira privada para não correr o risco de perder sua soberania. No fim das contas, o setor como um todo irá ganhar muito mais que perder com tais restrições. Mikhail Deliáguin é diretor do Instituto de Problemas da Globalização

As matérias publicadas na seção “Opinião” expõem os pontos de vista dos autores, e não necessariamente representam a posição editorial da Gazeta Russa ou da Rossiyskaya Gazeta

expediente presidente do conselho: aleksandr gorbenko (Rossiyskaya Gazeta); Diretor-Geral: pável negóitsa (RG); Editor-Chefe: Vladislav Frónin (RG) ENDEReÇO DA SEDE: RUA PRAVDY, 24, BLOCO 4, 12º ANDAR, MOSCOU, RÚSSIA - 125993 WWW.RBTH.RU E-mail: BR@RBTH.RU TEL.: +7 (495) 775 3114  FAX: +7 (495) 775 3114 Editor-chefe: EVGuêNi ABOV; editor-executivo: Pável Golub;

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Política e Sociedade

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Rússia repensa figura de Stálin CONTINUAÇÃO DA PÁGINA 1

80 ANOS DEPOIS DO “GRANDE TERROR”

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No exterior há a ideia de que a sociedade russa está dividida em estalinistas e antiestalinistas. Essa concepção, entretanto, está desatualizada. Sessenta por cento dos russos têm duas imagens aparentemente incompatíveis de Stálin na cabeça: ao mesmo tempo que o veem como um tirano cruel que aniquilou milhões de pessoas, acreditam ter sido um governador sábio que levou a URSS à prosperidade. No Ocidente, Stálin é lembrado mais pela coletivização forçada que realizou na agricultura, levando à fome e milhões de mortes, e pelo Grande Terror, durante o qual milhares foram executados e outros milhões enviados aos campos de trabalho escravo, onde outros tantos morreram. Na Rússia, sua lembrança é mais complexa. Para alguns, é impossível separá-lo da vitória contra o fascismo. “Na sociedade russa, não há uma compreensão racional do papel de Stálin”, diz Boris Dúbin, diretor de pesquisa sociopolítica do Centro Levada. Ao mesmo tempo que as conquistas da URSS sob o governo de Stálin são usadas como justificativa para suas ações, o terror dos crimes contra o povo atenta contra os russos que desejam se orgulhar do passado.

6% 37%

10

Qual sua percepção sobre Stálin?

7% 32%

Positiva Neutra Negativa Não sei

25%

13%

30% 10% 14%

Você sabe se algum de seus parentes sofreu repressão nos anos 1930 e 40? Sim, soube a partir de arquivos familiares Sim, mas não sei detalhes Nenhum deles sofreu repressão Não sei/Sem resposta

46%

FONTE: LEVADA

A dor da recordação é tão intensa que a amnésia tem sido a principal resposta das pessoas ao tema, segundo especialistas. “Isso acontece como forma de apagar a memória da natureza repressiva do regime totalitarista, mortes em massa, os gulags (campos de trabalho forçado), a deportação de povos inteiros, para não falar no massacre ucraniano,

Boris Drozdov, cujo pai e avô foram vítimas do regime de Stálin, conversou com a Gazeta Russa sobre a repressão sofrida pela família. VLADÍMIR RUVÍNSKI

Boris Drozdov, 78, começou a pesquisar há cerca de dez anos o destino de seu avô, Aleksêi, um advogado bolchevique, e de seu pai, Pável, um contador que passou mais de uma década em campos de trabalho forçado. Como tantos outros, o avô de Boris foi acusado de atividades contrarrevolucionárias na Crimeia, em território hoje ucraniano. Em 1921, Aleksêi foi executado, 18 dias após sua prisão. Seu pai começou a trabalhar aos 15 anos. “Primeiro foi enfermeiro, mas era um garoto errante e trabalhava onde quer que encontrasse emprego”, relembra Boris. Pável acabou preso em junho de 1924, também sob a acusação de conspiração, e foi sentenciado a três anos em um campo de trabalho forçado. Mesmo libertado dentro desse período, Pável continuou vivendo ali, como muitos outros ex-prisioneiros, para erguer a fábrica de papel local, onde trabalhava como conta-

AFP/EASTNEWS

Comunistas mais velhos ainda veneram Stálin e carregam sua imagem em protestos

ENCARREGADO DAS RELAÇÕES DIPLOMÁTICAS RUS-

KATERINA LABÉTSKAIA VIP-PREMIER

A adesão da África do Sul ao grupo Bric colocou um ponto final nas discussões sobre a validade do grupo,

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ITAR-TASS

SAS NO GRUPO FALA SOBRE SUAS PERSPECTIVAS Podemos dizer que o Brics se tornou um instrumento de governança global? Não, o Brics não é um mecanismo de governança global nem busca esse objetivo. No momento, trata-se apenas de um catalisador das reformas que vêm acontecendo. Apesar de três dos sete bilhões de habitantes da Terra serem cidadãos dos países do Brics

Drozdov tenta esclarecer o lado assustador do regime

dor. “Acho que foi por isso que meu pai sobreviveu”, conta Boris. Mesmo com os documentos espalhados por toda ex-União Soviética, Boris conseguiu dar continuidade à pesquisa com a ajuda da ONG de defesa dos direitos humanos “Memorial”.

Pai, treze anos depois

Boris nasceu em 1934 em Moscou, enquanto seu pai estava em Vladivostok, no extremo Oriente russo. Novas represálias tiveram início nesse ano, mas a onda de terror não atingiu sua família até o começo de 1937. Nessa época, o chefe dos contadores foi preso. “Meu pai não foi para prisão pois tinha que escrever o relatório anual.

Mas os países-membros do Brics têm intenção de tornálo um órgão oficial? Temos propostas concretas sobre esse assunto, expostas, aliás, pelo presidente russo, Dmítri Medvedev, em Nova Déli. Porém, não estamos impondo nada a ninguém e entedemos o desejo de nossos parceiros de permanecer, por enquanto, com uma configuração informal e não burocratizada. Acreditamos, contudo, que o desenvolvimento institucional continuará.

“Desenvolvimento institucional do Brics continuará” que ainda enfrenta críticas constantes. Enquanto cientistas políticos continuam divergindo em relação à importância da sigla no cenário político internacional, o responsável pela diplomacia russa nos Brics, Serguêi Riabkov, defende as posições do grupo e faz algumas considerações sobre seu presente e futuro.

VLADIMIR RUVINSKY

ESPECIAL PARA GAZETA RUSSA

ENTREVISTA SERGUÊI RIABKOV

Vice-ministro das Relações Exteriores, Serguêi Riabkov, contesta críticas à validade do grupo e afirma que Brics é catalisador de reformas.

rença, mas o abandono das tentativas de entender quem Stálin realmente era”, conclui o diretor do Levada, Lev Gudkov. Um esforço genuíno para lidar com a questão dos crimes de Stálin aconteceu em 2011 sob o governo do presidente Dmítri Medvedev. “Isso é, em essência, mais uma tentativa de perpetuar a memória das vítimas da repressão política do que uma cruzada contra a estalinização”, explica Mikhail Fedotov, chefe do comitê ministerial de direitos humanos da Rússia, órgão que iniciou a campanha. O comitê apoia a criação de memoriais para as vítimas da repressão em Moscou e São Petersburgo, e também propôs a criação de um Instituto Nacional da Memória.

“Não restou ninguém para contar a história às novas gerações”

Nas escolas e nas ruas

A mentalidade dividida sobre esse mito pode ser sentida até hoje nas salas de aula. Os livros didáticos de história publicados nos últimos anos não buscam refletir sobre os crimes de Stálin, referindo-se a ele apenas como um gestor eficiente. “Dos meus quase 15 anos como professor, tenho a impressão de que Stálin é a principal figura na história da Rússia do século 20 aos olhos da grande maioria dos estudantes”, diz Botchkariov. “E, não raro, essa imagem esbarra na aura de grandeza heroica.” A pedido da Gazeta Russa, o professor pediu a seus alunos que fizessem redações sobre Stálin. O estudante Evguêni N., cujo sobrenome foi omitido, escreveu: “Acho que o terror de Stálin ficará marcado na mente das pessoas por um bom tempo”. “O mito foi cultivado nas décadas de 1960 e 70, quando

que é praticamente inexistente na consciência pública”, afirma Dúbin. “Na Rússia, a lembrança do terror foi varrida para um canto distante, até porque não há monumentos, placas memoriais, museus sobre o tema”, acrescenta Arsêni Roguínski, diretor da Sociedade Memorial, que presta assistência a prisioneiros políticos do regime soviético. De acordo com ele, hoje as pessoas estão menos interessadas em seus parentes que morreram vítimas da repressão política que na década de 1990. A porcentagem de pessoas que se dizem indiferentes a Stálin e suas ações cresceu de 12% em 2001 para 47% em 2012, de acordo com dados do Centro Levada. “Não é exatamente indife-

Amnésia coletiva

36%

44%

os russos estavam ainda mais divididos”, afirma Boris Drozdov, 78, cujo pai foi enviado a um campo de trabalho forçado e o avô, executado (ver ao lado). “Quem saiu ileso da repressão via Stálin como um gênio. Mas os que foram esmagados pela máquina da repressão o veem como o mal personificado”, completa.

Segundo Riabkov, grupo se mantém “não burocratizado”

e 25% do PIB mundial ser produzido pelas economias do grupo, não podemos encarar essa estrutura como um legítimo mecanismo de governança internacional. Além disso, atualmente 80% das questões de sua

agenda são econômicas e só 20% se referem à política internacional. O principal fórum que coordena as questões econômicas em escala global ainda é o G20, e o Brics continua trabalhando dentro dessa esfera.

Qual sua opinião sobre as declarações de que a Rússia usa o Brics como contrapeso em suas relações com o Ocidente? Temos trabalhado para obter um efeito sinérgico e, assim, para que nossas posturas sobre determinado assunto sejam acolhidas por nossos parceiros. Se analisarmos as resoluções aprovadas pelas reuniões dos ministros das Relações Exteriores do G8 em Washington e do Brics em Nova Déli, veremos que elas consagram, por nossa insis-

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Ele tinha uma caligrafia bonita e todos os relatórios eram publicados com sua letra”, recorda. Em 1938, assim que seu pai terminou o serviço, foi preso novamente. “Soube que meu pai estava vivo somente em 1951, quando o libertaram”, diz. Pável recebeu, então, uma permissão para levar sua família a Kolimá, no nordeste do país, onde estava exilado. “Minha mãe e todos nós fomos para lá. Houve uma disputa para pegar o barco a vapor, e a espera poderia chegar a um ano. Quando desembarcamos, havia três homens nos esperando. Olhei para eles e perguntei à minha mãe qual deles era meu pai, pois havia 13 anos que não o via” Em 1956, três anos após a morte de Stálin, Pável foi reabilitado. Segundo Boris, as atrocidades cometidas por Stálin superam os pontos positivos. “Alguém precisa esclarecer as coisas de uma vez por todas”, diz. “As construções foram realizadas às custas dos prisioneiros e a vitória na guerra se deve ao povo. É uma pena que haja poucas vítimas das represálias ainda por aí. Não há ninguém para contar às novas gerações a história verdadeira”, finaliza.

tência, soluções negociadas com base nos princípios de reciprocidade e gradualismo. Como é a relação do Brics com outros organismos internacionais dos quais seus países-membros fazem parte, como Ibas (Índia, Brasil e África do Sul) ou G8? A parte russa encara tranquilamente as atividades do Ibas, não havendo nada que possa interferir na agenda da Rússia ou dos Brics. Que tipo de relação os Brics mantêm com países não integrantes do bloco, tais como Argentina, por exemplo? A Argentina é um parceiro de diálogo dos países do Brics no âmbito do G20. Não temos, por enquanto, modelos fixos de contato com as nações que não fazem parte do bloco, mas gostaria de salientar que a Rússia tem defendido a criação de um ‘sistema de alcance’, considerando necessário iniciar uma conversa entre o Brics e outros organismos multilaterais. O diálogo individual com outros países é o próximo passo.

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Incentivo Cúpula da Apec vem gerando investimentos bilionários na litorânea Vladivostok e onda de construções no Extremo Oriente russo

Pontes para a prosperidade +7 hrs

Artiom Zagorodnov gazeta russa

Colônias e guindastes

Historicamente, a migração gradual da Sibéria por colonizadores vindos de outras regiões mais povoadas da Rússia até chegar a Vladivostok não foi muito diferente do processo migratório nos Estados Unidos no século 19, decor-

Moscou

6,3 mi*

9. 288 k m China

Mongólia

* 4,5% da população russa rente da ideia de que esses deveriam se expandir por todo o continente. Nos dias de hoje, Vladivostok resplandece com guindastes espalhados pelo centro montanhoso, refletindo os bilhões de dólares que o governo federal está injetando na cidade para a cúpula da Apec, agendada para setembro. A estreita e esburacada estrada do aeroporto, além de ampliada, foi elevada até três metros em alguns trechos, transformando-se em uma moderna via expressa com

Governo federal investiu US$ 6,3 bilhões na preparação da cidade para cúpula da Apec quatro pistas, e a inauguração do novo aeroporto também está prevista para este verão. Dois hotéis Hyatt estão sendo construídos, e os monumentos, ruas e fachadas foram restauradas. Um dos projetos mais impressionantes em fase de conclusão é a ponte para a Rúski, a ilha mais próxima de Vladivostok. A ponte de três quilômetros de comprimento, parcialmente suspensa por mastros apoiados em duas ilhas artificiais, começou a ser erguida menos de três anos atrás. O mastro central alcança uma altura de 320 metros. Ao ser concluída, o resultado da gigantesca obra no valor

de um bilhão de dólares será a mais longa ponte estaiada do mundo. “Diversas companhias internacionais abandonaram a licitação, dizendo que não era possível cumpri-la, e uma empresa de Omsk acabou assumindo o contrato. A tecnolog i a e o c o n h e c i m e nt o desenvolvido por eles neste projeto será aplicado em outros lugares do país e até mesmo no exterior”, conta Aleksandr Ognévski, secretário de imprensa do Ministério de Desenvolvimento Regional.

Ilha universitária

A Ilha Rúski servirá de palco para a futura cúpula, depois da qual abrigará o campus da Universidade Estatal do Extremo Oriente. “A Rússia passa por um declínio demográfico e universidades de todo o país estão enfrentando uma diminuição no número de alunos”, diz Vladímir Mikluchévski, 44 anos, governador e, até recentemente, reitor da universidade. “É por isso que estamos estudando mercados como a China, Indonésia e Vietnã para atrair estudantes”, completa. As autoridades esperam que o impressionante campus e generosos subsídios estatais oferecidos pelas universidades federais atraiam mentes brilhantes do mundo inteiro e estabeleçam diversos cursos fortes em áreas como biomedicina e tecnologia da informação. Há ainda planos de estabelecer um parque tecnológico

afiliado à universidade.“A cúpula da Apec terá um impacto direto no desenvolvimento de Vladivostok”, disse Mikluchevski à Gazeta Russa. “Os 200 bilhões de rublos [cerca de US$ 6,3 bilhões] de recursos federais investidos aqui vão melhorar a infraestrutura, sem a qual haveria uma barreira para futuros investimentos. Isso também colocará Vladivostok no mapa do mundo e tornará a cidade conhecida por todos os membros da Apec”, completa Nos últimos 20 anos, 300 mil pessoas partiram para regiões mais hospitaleiras da Rússia ou para o exterior – isso representa metade da já pe que n a popu l aç ão de Vladivostok. “A maior parte da infraestrutura da cidade está em ruínas, e o segredo para fazer com que as pessoas queiram viver aqui não está na construção de pontes que não levam a lugar nenhum”, diz Víktor Lárin, diretor do Instituto de História, Arqueologia e Etnologia dos Povos do Extremo Oriente.

Torre Eiffel russa para chinês ver Fornecendo matéria-prima e consumindo industrializados, cidade na fronteira russochinesa quer se reinventar para ampliar negócios. vladímir bartov

especial para gazeta russa

A cidade de Blagoveschensk, no Extremo Oriente russo, presenciou um show de fogos de artifício na noite após Vladímir Pútin ser eleito presidente, em março deste ano. Mas os fogos não partiram da Rússia. Eles foram lançados da margem sul do rio Amur, que separa Blagoveschensk da cidade chinesa de Heihe. O atual presidente russo proporcionou um aumento de cinco vezes no comércio bilateral durante a última década, alcançando a marca dos 70 bilhões de dólares. A maior parte do crescente comércio entre os dois vizinhos trata-se da matéria-prima exportada da Rússia e dos

alamy/legion media

A paisagem de Vladivostok está sendo transformada como parte dos preparativos para a próxima cúpula de Cooperação Econômica ÁsiaPacífico (Apec), que incluem a bilionária construção de duas novas pontes ligando o centro da cidade a uma península e a uma ilha. Porém, os moradores da cidade, que passa por grandes dificuldades econômicas, estão preocupados com o que vai acontecer quando os recursos federais chegarem ao fim. Em 1959, após uma visita à Califórnia, o líder soviético Nikita Khruschov convocou os moradores da cidade a transformá-la em uma “São Francisco russa”. Meio século depois, os líderes russos esperam realizar esse antigo sonho por meio de melhorias na cidade em preparação para sediar a cúpula da Apec no segundo semestre deste ano. As semelhanças entre as duas cidades são evidentes para o visitante de primeira viagem: edifícios e ruas contornam os morros ao redor da Baía do Chifre de Ouro, bondes percorrem as principais vias da cidade, turistas passeiam pela crescente Chinatown e há um porto em expansão no Pacífico. Vladivostok possui até mesmo um clima político de tendências liberais. Enquanto pela média nacional Vladímir Pútin angariou 63,75% dos votos nas últimas eleições, ali o atual presidente alcançou apenas 47,5%.

Ponte na baía do Chifre de Ouro conecta o centro de Vladivostok a uma península

O distrito do Extremo Oriente

itar-tass

Evento mais importante do Pacífico muda cenário de Vladivostok, que deve se tornar centro universitário e parque tecnológico.

Posto na fronteira entre a Rússia e a China

produtos industrializados importados da China. O contato entre russos e chineses tornase cada vez mais frequente devido à ausência de visto para grupos turísticos locais. Igor Gorevoi, o recém-nomeado ministro da economia para a Região do Amur, diz querer atrair 100 milhões de potenciais turistas que ascenderam economicamente e moram no outro lado do rio. Segundo ele, os chineses veem

os russos como um povo europeu e estão afoitos para “visitar a Europa”. “Se criarmos algumas imitações da torre Eiffel, do Big Ben e alguma infraestrutura básica para férias familiares, eles ficarão ansiosos para vir”, afirma.“Seus produtos são mais baratos e melhores. Mas também temos vantagem competitiva ao oferecer aquilo que eles não conseguem produzir”, arremata.

O centro de Vladivostok está separado das outras áreas da cidade pela Baía do Chifre de Ouro. A nova ponte foi projetada para aliviar congestionamentos lori/legion media

Infraestrutura Prefeitura vai investir US$ 3,2 bilhões anuais até 2020 em projeto de expansão

Exportação de grãos deve crescer

Metrô moscovita irá superar 450 km Prefeitura ampliará sistema de transportes para alcançar novos bairros. Rede vai ganhar 125 km e 37 estações, chegando a 452 km. irina reznik Gazeta.ru

A prefeitura de Moscou acaba de divulgar um programa de expansão do metrô, que será concluído até 2020. “Durante os próximos 8 anos, o metrô de Moscou será ampliado em 50% e os congestionamentos nas linhas irão diminuir. Isso é o mínimo necessário para o desenvolvimento da cidade”, declarou o prefeito de Moscou, Serguêi Sobiánin, no início de maio. No segundo semestre de 2011, a prefeitura da capital aprovou um programa para desenvolvimento do sistema de transporte que já incluía a expansão e construção de novas linhas. Planejava-se, então, construir 75 quilômetros de metrô, 37 novas estações e 5

linhas adicionais. Mas, de acordo com o vice-prefeito em políticas de planejamento, Marat Khusnúllin, devido à contínua expansão da cidade foi necessário refazer o projeto. De acordo com o novo documento, até 2020 a prefeitura planeja abrir 70 novas estações, construir 42 quilômetros de linhas novas e expandir em 83 quilômetros as linhas já existentes.“Com a ampliação das linhas metropolitanas, passaremos a ter 452 quilômetros, e o número de estações chegará a 252”, disse o viceprefeito. Segundo Khusnúllin, uma nova linha de metrô em forma de aneltambém aliviará o tráfego nas linhas existentes e permitirá que os passageiros cheguem mais rápido ao centro da cidade. Entretanto, o pesquisador Nikolái Zalésskin, do Instituto de Economia e Política de Transporte, está convencido de que o programa deve tomar

outra direção.“É preciso também construir novas linhas de transporte ferroviário regional e conexões entre os diferentes tipos de transporte”, afirma Zalésski.

Khusnúllin reconhece que os projetos ainda são dificultados pela escassez de trabalhadores qualificados e de verbas. Só no primeiro semestre de 2012, a cidade já gastou

mais de 100 bilhões de rublos (R$ 6,5 bilhões) em novas construções e na reforma do metrô. A cifra é quase o dobro do valor gasto em todo o ano de 2011.

Expansão do metrô até 2020 Usuários por ano (milhões de passageiros) 4000

Extensão de linhas de metrô por habitante (km/mil pessoas)

3500

0.16 0.14

3000

0.12

2500

0.10

2000

0.08

1500

0.06

1000

0.04

500

0.02

0

Moscou

Londres

Fonte: metro.sp.gov.br, Censo IBGE 2010, divulgação

2012

Nova York

2020

Paris

São Paulo

0

continuação da página 1

dominada pelos maiores produtores mundiais, EUA e Argentina, que oferecem preços mais baixos. Enquanto uma tonelada de trigo americano custa cerca de US$ 255 e de argentino, US$ 245, a Rússia cobra US$ 270 pela mesma quantidade. No entanto, de acordo com Aleksêi Smorodov, com a globalização crescente do mercado de alimentos, a distância e os custos de transporte deixarão de influenciar na exportação de grãos. Os principais parâmetros serão demanda e preço. “A dependência de condições climáticas favoráveis é um fator importante para a safra e, consequentemente, para seu preço. Por isso, as vendas de grãos russos à Ásia e à América Latina são possíveis”, diz Smoródov. Segundo o vice-premiê russo Víktor Zubkov, as co-

lheitas vão permanecer no mesmo nível do ano passado e não ultrapassarão os 94 milhões de toneladas. O político também destacou que as regiões sul do país têm poucas chuvas e as áreas com cultivo de beterraba sacarina, trigo de inverno e trigo forrageiro estão em mau estado. Smorodov, por sua vez, acredita que serão colhidas, no máximo, 90 milhões de toneladas de trigo neste ano. Mesmo assim, a quantidade será, em sua opinião, suficiente para satisfazer as necessidades internas do país e manter as exportações na faixa dos 25 a 27 milhões de toneladas no ano agrícola de 2012/2013. De acordo com o programa nacional de desenvolvimento do setor agrícola para o período de 2013 a 2020, a produção bruta de grãos deverá aumentar em cerca de 30%, alcançando os 125 milhões de toneladas.

SUPLEMENTOS E EDITORIAS ESPECIAIS SOBRE A RÚSSIA SÃO PRODUZIDOS E PUBLICADOS Por RUSSIA BEYOND THE HEADLINES, UMA DIVISÃO DO JORNAL ROSSIYSKAYA GAZETA (RÚSSIA), NOS SEGUINTES VEÍCULOS: FOLHA DE S.PAULO, BRASIL ● EL OBSERVADOR, URUGUAI ● LA NAcION, ARGENTINA ● THE WASHINGTON POST E THE NEW YORK TIMES, ESTADOS UNIDOS ● THE DAILY TELEGRAPH, REINO UNIDO ● LE FIGARO, FRANÇA ● SÜDDEUTSCHE ZEITUNG, ALEMANHA ● EL PAÍS, ESPANHA ● LA REPUBBLICA, ITÁLIA ● LE SOIR, BÉLGICA ● DUMA, BULGÁRIA ●GEOPOLITICA, SÉRVIA ● AKROPOLIS, GRÉCIA ● ECONOMIC TIMES, ÍNDIA ● YOMIURI SHIMBUN, JAPÃO ● CHINA BUSINESS NEWS, CHINA ● SOUTH CHINA MORNING POST, CHINA (HONG KONG). E-mail br@rbth.ru. Mais informações em http://gazetarussa.com.br/quemsomos a Folha de s.paulo é publicada pela Empresa Folha da Manhã S.A., à AL. BARÃO DE LIMEIRA, 425, são paulo-sp, brasil, Tel: 55 11 3224 3222 O Suplemento “Gazeta Russa” é distribuído nas áreas metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, com circulação de 128.469 exemplares (IVC março 2012 – média mensal)

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