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As Sacerdotizas, A Face Sombria. *Z de diferenciação.

Projeto de 2000...

Escrito por: Cristiane O. Franco. Pseudônimo: SafiraCris

Siga o Facebook, As Sacerdotizas A Face Sombria e saiba mais.

Sua vida é um reflexo de seus medos, Seus sonhos podem te provar isso. - Safira Marini.


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Sinopse: As Sacerdotizas é um conto onde as gêmeas Safira e Patrícia seguem por lados diferentes da vida, uma envolvida por um poder vermelho que ela não tem controle e que fere as pessoas, a outra descobre com 20 anos que é uma Sacerdotisa e que possui o poder de controlar o ar, devido sua instabilidade psicológica seu poder não é completo e ela tem que superar seus temores para que este poder possa se tornar pleno. Ela é recrutada pela Sancraly antiga chamada Amy Herly cujo poder é controlar o gelo e o objetivo é reunir novamente as Sacerdotisas para salvar os seres indefesos do planeta, nenhumas das cinco Sacerdotisas descobertas sabem ao certo qual é o objetivo de Amy. Enquanto as Sacerdotisas crescem no aprendizado de seus poderes. Tom e James lutam contra suas diferenças. Tom é um Humehah uma espécie que vive no planeta Lifety, um planeta que vive em guerra com o planeta Soyerius Aurora, o planeta onde o James um Hécra nasceu e viveu até a adolescência. Mesmo com seu planeta em guerra os dois optaram por viver suas vidas normalmente no planeta Terra. James é um colecionador de qualquer tipo de objetivo histórico seja planetário ou interplanetário. E Tom um famoso guitarrista da banda Hypnosis Destruction. Os dois têm uma íntima ligação com as gêmeas Patrícia e Safira. Tom é apaixonado por Patrícia e tenta salvá-la do seu poder, e James se enrola com Safira, e não sabe exatamente o que sente por ela, acabando complicando a vida dela mais do que deveria. As Sacerdotizas te levará a descobrir, aventuras fora do nosso sistema solar, conhecendo os três principais planetas com suas diferenças, Lifety o planeta de citrino e montanhas flutuantes, Austem o planeta de cúpulas onde os habitantes vivem em montanhas sendo ameaçados por pássaros gigantes, e o mais temido de todos Soyerius Aurora, o planeta do poderoso soberano Soyer Lúcifer, ao qual domina todo o universo conhecido e explora todo o universo desconhecido.


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Junto com as Sacerdotisas que vivem na terra e dominam os poderes da natureza, fogo, água, ar, terra, planta e gelo, entre outros poderes a ser descobertos. Espero que gostem; Desejo um bom divertimento.

Antes de Ler, leia: Escrito, Diagramado e ilustrado por:

SafiraCris

Copyright ©2013 SafiraCris. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste livro pode ser utilizada ou reproduzida sob quaisquer meios existentes sem autorização por escrito dos editores. Este livro é uma obra de ficção. Nomes, personagens, empresas, organizações, lugares, acontecimentos e incidentes são todos produtos da imaginação do autor ou usados de modo ficcional. Qualquer semelhança com pessoas reais, vivas ou mortas, acontecimentos ou lugares é mera coincidência. *Erros por gentileza informar ao autor, não foi editado ou corrigido por ninguém, seja o primeiro e ajude uma iniciante na causa da literatura fantástica.


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Um Suspiro no escuro T

odos dizem que para curar um mal mental é necessário

um profissional que tenha um conhecimento elevado sobre a mente humana, mas se... Esse profissional não conhece nem a metade sobre aquilo que ele acredita saber. E se o conhecimento sobre a mente humana estiver dentro de um Black Mirror bem escondido. E para acessá-lo você precisa deixar sua sanidade na porta de entrada... Meu nome é Safira Marini, há três anos eu vim para o Brasil por causa de um evento inesperado. Meu pai verdadeiro era um produtor de maçãs, tínhamos uma casa isolada em Candriai um pouco distante dos pomares de macieiras. Minha mãe foi naturalizada no Brasil, e por isso falo fluentemente a língua. Até três anos atrás, eu não tinha nenhum conhecimento sobre a vida deles. Meu passado, meu presente, meu futuro, mudou quando eu completei 17 anos. No fundo eu sabia que aquele relógio não pertencia a ele, mas criei um conto de fadas envolvendo meu verdadeiro pai e aquela peça encontrada em uma gaveta falsa no velho


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guarda-roupa que meu pai usava para guardas suas roupas de homem do campo. A história era o seguinte, quando eu era pequena antes dos sete anos de idade, ele me chamou em seu quarto, onde ele se sentou na cama colocando as botas velhas cheias de lama seca que costumava seguir viagem para o Campo VitaliApple. Ele me fez sentar no colo dele e me mostrou o belo relógio em prata com uma pedra preciosa no centro na cor turquesa, que brilhava a luz do sol nascente daquela manhã; Uma manhã escura em minhas lembranças. Disse para eu guardar com carinho que era um presente passado de geração a geração. Eu o peguei com minhas leves e pequenas mãos, e abracei meu pai com carinho, logo em seguida desci de seu colo correndo com o relógio na mão para mostrar a minha mãe que estava na cozinha fazendo uma deliciosa torta de maçã. Claro que essa história é mentira, é algo contado para enganar minha pobre mente e disfarçar todo o sofrimento que passei. A fazenda VitaliApple realmente existe, estava com esse nome nos documentos que recebi da polícia com uma foto do meu pai e minha mãe, tão antiga que quase mal da para reconhecê-los. O relógio foi encontrado com os pertences assim que a casa foi fechada para investigação. Junto da caixa havia duas escovas uma marrom e uma branca, uma delas tinha meu nome talhado à mão por alguma pinça ou material pequeno para talhar. E o outro parece estar raspado não dando para identificar o nome escrito... Uma letra é reconhecível e me dá a pista de que aquela escova não poderia ser minha. A inicial P... Hoje eu estou vivendo no Brasil com a minha tia, mas meu passado é meu pesadelo... Às vezes acordo achando que algum monstro quer me pegar, os olhos de insanidade daquele homem ainda me perseguem. Estou tentando superar, tenho que lidar com um psiquiatra, com minha tia chata, com a investigação ainda em aberto, e a pressão da


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sociedade me dizendo que eu deveria ser uma garota normal, trabalhando e estudando como as outras. Poderia, mas... Aquela noite está cheia de mistérios para desvendar, e este relógio leva-me muito mais profundo em minha mente do que eu realmente queria ir. Como uma ‘‘garota normal’’ eu conheci um homem estranho semana passada. Com um misterioso sorriso enigmático e penetrante, olhos verdes claros, porém com uma presença tremendamente irritante do tipo que você quer vasculhar todas as células de seus ossos para saber mais sobre ele. Mas ele não dá qualquer tipo de abertura, deixando-me confusa e perdida. Aquele indigesto veio somente com um objetivo em minha vida, quebrar as minhas preocupações atuais e substituir por outras. Por enquanto sou apenas uma mocinha sem emprego por causa das causas de ‘’J’’. Um leve e gracioso sorriso zombador corre nos lábios vermelhos rubi da menina-mulher que conta sua história. Observando o céu naquela noite, sem vento e sem nuvens, tentando chegar ao fundo daquela escuridão e achar a estrela mais perdida entre as estrelas mais brilhantes. Essa seria ela, tentando encontrar um espaço nos olhos de quem observa. Tentando buscar sua existência, tentando produzir um sopro de vida. Um leve e gracioso sorriso zombador corre nos lábios vermelhos rubi da menina-mulher que conta sua história. Observando o céu naquela noite, sem vento e sem nuvens, tentando chegar ao fundo daquela escuridão e achar a estrela mais perdida entre as estrelas mais brilhantes. Essa seria ela, tentando encontrar um espaço nos olhos de quem observa. Tentando buscar sua existência, tentando produzir um sopro de vida.


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A Garota Rebelde O

Lady Devil Bar é o bar mais badalado e procurado

pelos amantes do Rock; Fica no coração dos bares animados de São Paulo. Na sua entrada logo se vê um grande letreiro vermelho piscante e animado com as curvas de uma sedutora mulher tocando uma guitarra, com chifres de demônio e um rabo que seguia a mesma balada. Dentro era um ambiente escuro com piso e paredes pretas que brilhavam refletindo a luz vermelha do bar, o chão com ladrilhos em luz, e grandes arcos de luz em cada porta de entrada. Tocava animadamente Motorhead – Ace of Spades. As dançarinas exibiam suas curvas sedutoramente vestidas como Demôninhas sexys no pole dance. Em uma mesa animada um grupo gritava batendo com as mãos sobre ela aumentavam cada vez mais o som – Vira! Vira! Vira! A garota que estava virando uma garrafa de Vodka animadamente vestia uma calça apertada em vinil, all star preto de couro cano baixo, uma blusa branca da banda White Snake e jaqueta de couro preta de ombros nus com rebites enfeitando. Com seu cabelo liso castanho escuro caindo em


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sua cintura como um lago cintilante, virava a garrafa com facilidade arqueando o corpo e a cabeça para cima acompanhando o líquido ardente que solvia. Ao terminar, com um entusiasmo de uma leoa voraz, bate a garrafa na mesa dizendo – Me vê a próxima!!! Os amigos já bêbados em empolgação gradativa abrem outra garrafa a entregando, e ela vira com a mesma facilidade como água gelada para quem estava no deserto do Saara. Ouvem-se gritos em couro que vinha daquela animada mesa em comemoração a atitude e ousadia da garota. Sem querer ficar para trás, os amigos a acompanham festejando pela noite sem limites aos desejos da carne humana. A Música acaba dando espaço a uma nova banda que estava fazendo sucesso no mundo inteiro com letras em inglês, a banda havia nascido na Califórnia, e o som pesado com influência de Groove metal, Heavy e outros sons. A Banda tinha por nome Hypnosis Destruction. Assim que começa o som, surpreende a garota que levanta seus braços ao ar em sinal de alegria, e sobe na mesa dançando ao som da pesada e animada música. Um homem alto, forte com lábios apertados, semblante caído, óculos escuros, trajando roupas escuras; Passa pela mesa onde ela dançava despreocupadamente, fitando-a com espreito. Ninguém nota aquele homem estranho que parece ter saído de uma cena de um filme de mafiosos. A garota que dançava muito menos, para ela o sentimento naquele momento era que o mundo explodisse que as pessoas desintegrassem que suas preocupações evaporassem, e ela estaria ali, entre o vínculo do nada e do prazer, apreciando a destruição em câmera lenta, apenas aproveitando a destruição daquilo que não a importava. Poderia até ser qualquer um que apenas se surpreendeu com a atitude exagerada dela. Se ele não tivesse enviado um sinal em código para outro homem um pouco distante que


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liga seu celular pesquisando a foto da garota tirado aparentemente em outro dia e confirmando algo. Por volta das seis da manhã o bar já estava fechando e o grupo cantando e cruzando as pernas saem felizes se segurando um aos outros formando uma tremenda fileira de frente desajeitada que pareciam enfrentar toda a lei da gravidade. Logo atrás se camuflando na névoa baixa daquela manhã os dois homens agora juntos, silenciosamente acompanham o grupo como leopardos prontos para capturar sua presa. O grupo de amigos estava tão fora de órbita, que sequer perceberiam se o próprio demônio os seguissem. Quando se aproximaram de um lugar menos movimentado das ruas vazias do domingo nublado e de uma névoa baixa que turvava a visão à frente. Um dos homens se aproxima da garota sorrateiramente, colocando a mão em sua boca com um pano embebido em Éter, ela já estava embriagada pela bebida e sequer sente o analgésico fazer efeito. Em seu estado, já estava desligada do mundo real há muito tempo, o esforço seria mínimo. Assim que a presa fora imobilizada o caçador a arrasta para fora do grupo com uma rapidez profissional. Alguns amigos chegam a perceber um deles tenta defendê-la levando um soco de um dos homens e cai como um saco de batatas no chão. Sumindo no enevoado, os homens levam a garota que agora estará fadada a um destino imprescindível.


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O Espetáculo Vai Começar It all begins in Italy...

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o Teatro Alla Scala de Milano na Italy, uma das casas

de ópera mais famosas do mundo, estava apresentando uma famosa peça de Shakespeare chamada Il Mercante di Venezia. Assim que a peça termina algumas pessoas saia do teatro incluindo um homem vestido elegantemente, que respira o gostoso ar fresco sentindo-se a vontade com aquele ambiente magnífico todo adornado de monumentos neoclássicos esculpidos pelo grande arquiteto Giuseppe Piermarini. Não era a primeira vez que aquele elegante homem estivera naquele teatro, suas passagens por lá são tão antigas quanto alguns possam imaginar. Seus olhos claros que contemplam aquela maravilhosa tarde eram de um Crisoprásio em verdes cristalinos, seu cabelo negro dançava desorientadamente com o ar frio que anunciava que talvez uma chuva leve à noite caísse para acalmar a tarde abafada. Tira seus óculos escuros do bolso de seu terno bem alinhado, protegendo seus olhos da luz solar. Ele, alto com corpo definido, cria um sorriso de satisfação em seus lábios que parecia ir além daquele agradável tempo, talvez denotasse


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alguma vitória pessoal. Rodando as chaves de seu carro em seu dedo com precisão segue até sua Ferrari F-458 cor vermelha, o ronco do potente motor se faz e ele segue para seu destino circulando a praça dos monumentos em direção ao hotel onde estava hospedado. Chegando à porta do Luxuoso hotel The Westin Palace, estaciona seu veiculo na frente do hotel, sendo recebido pelo chofer, que pega as chaves e conduz o veículo até a garagem. Passa pela luxuosa recepção onde os tons de amarelo dourado em um requintado estilo medici toma conta do ambiente. Sendo bajulado pelos recepcionistas sobe apressado os ignorando, aquela bajulação o deixava incomodado, mas não tinha como evitá-la, a Itália era sua sublime preferência quando viajava, a história, elegância na arquitetura, na arte o deslumbrava, e ele sempre vinha com frequência sendo já conhecido ali como o famoso colecionador dono de obras raras, havia boatos até que ele tinha um museu onde guardava as peças mais raras existentes que até mesmo a humanidade não tinha conhecimento, mas isso, achava eles, era apenas uma história para aumentar sua popularidade. Chegando a porta da suíte que estava hospedado, ele era um homem que preferia sempre o conforto do conhecido. Pedirá ao hotel para reserva uma suíte particular para ele, e aquele era seu intocado canto, que estava decorado com seu gosto pessoal. Na porta encontra dois homens com semblantes fechados, que peculiarmente eram os mesmos homens da noite anterior ao rapto da garota no Brasil. Não se sabe os segredos que aqueles homens mal encarados compartilhavam com aquele misterioso homem, mas fora o suficiente para ele usar de uma atitude estranha. Em primeiro pergunta suavemente com uma calma espantadora – Ela saiu do suíte? Um deles com o queijo levantado e olhar fixo no homem a sua frente o responde com firmeza – Não, ninguém saiu,


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podemos ir agora ou irá nos contratar como babá de uma drogada! O mesmo sorriso de satisfação se mantém no canto de seus lábios que se aproxima dos dois homens fortes em sua frente sem se sentir intimidado – Vá bene. – Confirma ele em italiano. Os homens achando que estavam dispensados seguem em frente, mas as mãos do frio homem agarram a face dos dois com tremenda agilidade e força, uma misteriosa e poderosa energia vermelha corre em suas mãos como faíscas elétricas, seus olhos também ficam dominados por essa energia vermelha e os dois grandes, mas indefesos homens na presença daquele que atacava caem ao chão desmaiados. Sorrindo como se achasse os homens patéticos abre a porta da sua suíte entrando como se nada estivesse acontecido. Assim que a porta bate, os homens acordam se assustando, levantando do chão com as mãos na cabeça, sentindo um dor incomoda parecendo que acabaram de receber uma lavagem cerebral. E nada se lembram, nem mesmo como chegaram ali. Dentro da luxuosa suíte presidencial segue para a adega que ficava na sala, pegando uma taça cristalina a preenche com uma bela garrafa de Ceretto Barolo Bricco Rocche 1985, um vinho bem encorpado cai na taça que ele leva a sua boca suavemente sentindo seu cheiro de pétalas de rosa, e caramelo, ele prova e sente uma acidez firme. Notas de frutas vermelhas e maduras, tabaco e ameixa do jeito que seu paladar fino estava acostumado. Sua respiração estava pesada, algo estava o incomodando. Coloca a taça na mesa da adega e vai direto para seu quarto subindo as escadas de madeira rústica com um tapete vinho de veludo. Indo para o quarto que fica no 2° andar. Abre a porta suavemente sem fazer barulho, ao entrar no quarto vê uma moça deitada em sua cama de acolchoados de seda em cor vinho, deitada belamente coberta pela seda.


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Ele senta-se ao seu lado, olhando seu rosto sujo e seus cabelos embaraçados. Observa-a com muito desejo, passa seus dedos no macio lábio inferior de sua boca. Um anel destacava-se no seu dedo indicador, aparentava ser um anel antigo de família ao qual possuía um símbolo, um S invertido entre outros detalhes, era desenhado em ouro e se posicionava em cima de uma pedra vermelha sangue. Ele pega nos cabelos castanhos escuros dela que desliza em seus dedos caindo na cama suavemente. A moça acorda se espreguiçando como se estivesse acordando de um sono longo de dias. Ela abre os olhos com dificuldade, os protegendo dos raios solares, e os esfrega, quando consegue enxergar um pouco melhor, vê um rosto estranho, um homem com pele branca, lábios vermelhos e olhos verdes claros, olhando-a como se a desejasse mordendo suavemente os lábios. ‘’A primeira vista ele parecia um vampiro Vitoriano, mas seria loucura um vampiro nos dias de hoje? Tá bem que ultimamente até mula sem cabeça tenho visto com os tipos de drogas que uso, mas... Estou me sentido sóbria, não estou louca ainda. Aliás, que lugar estranho é esse? E que olhos são esses que me consomem. Mas quem é ele?’’ Seus olhos se encontram e um sorriso perverso se faz no canto de seus lábios dizendo: - Hum! Você me dá sede... - Dizendo isto se levanta da cama saindo do quarto deixando-a sozinha. Ela então entra em desespero levantando-se rapidamente passando as mãos no cabelo, angustiada tenta reconhecer o lugar, mas não se lembra de nada e uma baita, dor dá pontadas em sua cabeça o que a faz cair pesadamente na cama e ficar olhando para o teto. -Onde estou... O que me meti dessa vez? Um estalo de medo vem a ela e ela se questiona:


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-Será que esse homem realmente é um vampiro? Ele disse (Ela o imita com uma voz amedrontadora), ‘‘ Você me dá sede’’ Ai meu Deus ele está me guardando para mais tarde, vai me sugar! Agitada, ela corre até a janela e faz correr as grossas cortinas escuras. Nota o sol e olhando para baixo vê que está muito longe do chão. - Esse prédio deve ter no mínimo uns dez ou mais andares, mas estava entrando luz aqui pela outra janela do quarto que estava com a cortina aberta... Se ele fosse um vampiro ele não ficaria exposto à luz do sol? Ai! Mas se ele for uma nova espécie de vampiro? O que eu fiz dessa vez? Talvez não fosse a primeira vez que Patrícia se encontrava em uma situação esquisita e tão pouco alucinava com um evento paranormal. Talvez fosse sua válvula de escape; Só se sabe que diante da estranha situação o jeito era correr. Apavorando-se ela tropeça nos objetos do quarto, um pouco tonta e com dor de cabeça, abre uma porta que havia no quarto e se surpreende com um banheiro enorme. Olhando para o quarto depois para o banheiro; QuartoBanheiro novamente, fica espantada com tanto luxo. Entra boquiaberta vendo vários espelhos enfeitando a parede com desenhos de cinza e preto que compunha uma arte moderna. Olhando seu reflexo em vários ângulos segue perplexa até o mais próximo, ao se olhar vê uma bruxa com cabelo cheio de nós e rosto todo sujo pela maquiagem preta, seus olhos inchados, e borrados, eles que eram olhos de um verde escuro brilhante e um centro parecendo um anel dourado. Revirando o armário acha um pente e tenta se pentear, sentindo dor ao tentar desembaraçá-lo. Seu cabelo um liso falso qualquer coisa os deixavam um trapo. Acha um sabonete de marca que ela nunca havia visto, e começa a lavar o rosto esfregando os olhos algumas vezes para tentar tirar a maquiagem á prova d água que não saía. Arruma a bagunça que fez no banheiro, calça seu all star de couro


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preto velho e vai até a porta que o homem saiu, abrindo-a, se admira com o enorme e luxuoso apartamento, seus olhos mesclados chegam a brilhar maravilhada, nunca tinha visto algo tão magnífico. Segue até a beirada do segundo andar empolgada como uma criança que acabará de conhecer um parque de diversões; Observando a linda sala aconchegante que tinha uma vista privilegiada do andar de cima, desce as escadas admirando o lustre brilhante do teto que pareciam cristais muito reluzentes, tinha tantos detalhes que ela se perde por alguns momentos até lembrar que estava com um vampiro e precisava correr. Procura à porta de saída, desconfiada sem fazer muito barulho, a encontrando segue em passos silenciosos e quando pega na maçaneta redonda cinzenta para rodá-la, ouve uma respiração profunda. Se virando devagar seu coração acelera na mesma batida da sua angústia, olhando para o sofá com estofado preto confortável vê o homem sentado tomando um copo de whisky com um semblante assustadoramente calmo. Quando ele delicadamente a pergunta: - Aonde vai Signorina? – Esbanjando um sotaque italiano no final da frase. Apertando o cenho abismada, não ouve sua pergunta já o fazendo outra: - Quem é você? - Eu quem pergunto, Chi sei tu? – Usando de seu italiano parecendo querer atordoá-la. Ela faz uma expressão de incompreensão e o diz sem graça - É me desculpe se me envolvi com você de alguma forma... Apesar de eu não me lembrar, é que... Bem, estou indo, até mais! -Espere! – Chama em atenção, parecendo levar aos lábios um sorriso zombador. - Aonde vai?


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- Vou para casa. -Sim, mas você mora aqui na Itália? – O sorriso zombador brinca em seus lábios. -Itália? Como assim? – Fica confusa, mas sua desesperada vontade de ir embora não a deixa ver claramente. - Estou indo até. No minuto que volta a pegar na maçaneta cinzenta novamente, ela lança lhe um olhar suspeito, ele continua calmo agora com o sorriso escondido em um copo de whisky pela metade. Ela não tem um bom pressentimento sobre aquilo, porém com sua determinação ou desespero que aquele pesadelo terminasse aperta a maçaneta a girando e saindo do apartamento. Quando a porta se fecha sente-se aliviada, pensa brincando com sua imaginação: ''No mínimo esse cara deve ser da Máfia... - Ela conclui -... Da Máfia vampiresca!'' – Um sorriso se faz em seus lábios. Seguindo rapidamente para o elevador mais próximo o aguarda inquieta, com medo de algum fantasma existente somente na sua cabeça. A porta se abre e ela rapidamente aperta para seguir ao térreo; Sozinha dentro do elevador nota que são muitos andares até o chão, ela pensa consigo mesma angustiada e aliviada por não ter sido morta ou algo assim, ''Tenho que parar com isso ou vou acabar morta jogada em um rio por um estripador de órgãos que vai me estuprar e me estripar!'' O elevador abre no Térreo e ela vê um enorme prédio que a assusta: ''Nossa esse cara deve ser rico!'' Andando espantada com o tamanho e a expendida beleza do hotel, se sente em um castelo de ouro. Sequer nota os olhares dos hospedes do hotel em sua direção. Encontrando a grande porta de saída corre até ela, já fitando alguns carros parados na frente. Quando sai já visualiza


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alguns carros escrito taxi e segue até eles procurando o motorista, acha um homem conversando com outro e o pergunta o interrompendo: - Moço que parte de São Paulo é essa? O senhor com baixas sobrancelhas grisalhas e arredias franze o cenho não conseguindo compreender e a pergunta em um italiano experiente: – Tu sei una turista in Brasile? Fazendo uma expressão azeda de quem não entendia bulhufas do que ele estava dizendo o pergunta - Moço onde eu estou? O senhor olha ao seu redor, avistando seu amigo e o chama. O amigo se aproxima e os dois conversam em italiano – Turistica Brasiliana! Este um homem mais jovem de seus 43 anos com sotaque em italiano e um português entendível se dirige a ela – Ciao. Onde a Signorina deseja ir? Posso mostrá-la a cidade se desejar? Porém Patrícia não entende estava apenas querendo um ponto seguro um lugar para fugir e acabar com aquela agonia em seu peito o mais rápido possível. Volta a insistir na pergunta - Senhor pode-me dizer onde estou? Ele sorri afavelmente não se familiarizando com o motivo da pergunta e a responde sentindo a angustia dela – A Signorina está em Milano. - Milano? Que parte é essa de São Paulo? - São Paulo? Não Ragazza aqui é a Itália. Sua respiração prende na hora, seus olhos se arregalam o susto toma conta dela e o pensamento é imediatamente direcionado ao homem vampiresco no hotel:


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''O que aquele homem me falou foi verdade, estou mesmo na Itália!'' -Signorina, vai querer ir para algum lugar? - Pergunta o taxista. Se tocando que ele ainda a olhava esperando alguma resposta, fica sem graça, levando sua mão ao cabelo e coçando a cabeça pergunta – Eu... Existe algum aeroporto por aqui?... Que seja barato? – Complementa sem a menor noção de onde iria tirar dinheiro para uma passagem aérea. -Si! I’ aeroporto de Milano te custará 30 euros a corrida. Ainda sem graça e perdida coloca as mãos nos bolsos procurando sua carteira, não conseguindo encontrar, pasma lembra-se que poderia ter deixado no hotel e sua documentação estava dentro dela. Em um surto sai correndo deixando o taxista sem compreensão; E corre até o hotel, seu objetivo era o elevador, mas na maratona da vida o obstáculo estava à frente, um homem com uniforme do hotel a barra falando italiano o tempo inteiro parecendo muito bravo. Ela tenta se soltar, mas ele aperta seu braço para não escapar, irritada ela insiste para ele a soltar, mas quanto mais pedia mais ouvia os esbravejos italiano e mais aquilo ia a irritando. Houve um momento de desatenção do funcionário do hotel e uma agilidade conhecida das ruas que Patrícia o derruba com um soco. Todos os refinados senhores e senhoras que acompanhavam a cena anormal para o cotidiano deles. Ficam horrorizados quando o funcionário vai ao chão o susto é imediato. Antes que a situação ficasse extrema se apresenta um homem com a aparência séria e formal, com uma calma organizadora, contém com facilidade a fúria da garota, segurando levemente em seu ombro. Enquanto seguranças corriam para o local, e outros funcionários, acudiam o que estava no chão. Ele que era gerente do hotel se desculpa de imediato:


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- Mi dispiace, os modos do meu recepcionista, ele é novo e não sabe lidar com alguns tipos de situação. O que posso ajudá-la? - Ah que ótimo você fala minha língua. - Recebemos muitos Brasileiros, falar sua língua é uma cortesia para nós. – Diz cortesmente. - Tenho que pegar minha carteira! - Signorina está acompanhada por algum hóspede? - É sim... E Não. Só esqueci minha carteira com meus documentos no quarto dele. – Diz sem jeito. - Tem o nome do hóspede? - É... Não. Ele aperta os lábios - Bem Signorina, não posso deixá-la entrar a menos que eu confirme com o hospede que estava o acompanhando. - Eu não sei, estava no décimo andar, tinha um quarto luxuoso, era alto, bem vestido, pele clara, olhos bem verdes e cabelo escuro até a metade de seu pescoço - Passa as mãos no cabelo sentindo um mal estar por ter reparado tantos detalhes. - Compreendo - Ele ri denotando um sorriso fugaz nos lábios - Creio que está falando do Sr. Henphins. Eu sinto muito, mas não posso deixá-la passar, um homem como ele não receberia uma moça... – Ele faz uma pausa para disfarçar seu preconceito quanto a vestias dela, querendo parecer delicado empurra suavemente suas costas, tentando retirá-la do hotel com discrição, pegando em seu braço a puxa – Me acompanhe, irei mostrá-la a saída. Só que Patrícia estava mais do que acostumada com a hostilidade daquele tipo de gente que a via com olhos de


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profundo desprezo, mascarados em polida simpatia. Então protesta: - Ei pare! Deixe-me em paz! Eu quero minha carteira, como vou embora? -Não posso acreditar nessa mentira Ragazza! Tentando evitar mais vexame olha em sinal para os seguranças que estava acompanhando tudo próximo deles passando o rádio e verificando a todo o momento a situação de normalidade do hotel. Quando eles se aproximam dela. Ela vendo que seria expulsa sem nenhum direito a defesa toma uma ação inesperada. Conseguindo soltar-se do gerente e esquiva-se deles, corre com toda sua agilidade para o elevador. Os seguranças correm atrás e até o gerente tenta a segurar, mas não a alcança, Patrícia tinha uma experiência imprescindível em correr das pessoas o mais rápido possível. As portas se fecham rapidamente antes que alguém pudesse alcançá-la, indo para o último andar. Ela respira fundo aliviada tentando organizar suas ideias. Seu coração está disparado e não consegue controlar sua respiração eufórica, já estava até começando a gostar daquele tipo louco de aventura e adrenalina. Chegando ao décimo andar, segue imediatamente para o quarto do homem. Porém o Gerente já havia passado um rádio para um segurança que fazia a ronda do décimo andar. Aproximando-se da porta do estranho, respira fundo pensando em toda loucura que havia passado em toda sua vida. E que essa era uma das mais loucas, e sempre a extasiava. Quando levanta sua mão para bater na porta, o segurança a segura e passa o rádio ao gerente dizendo que a encontrou. Ela se debate tentando se soltar e consegue mordê-lo, ele com raiva a segura com força torcendo seus braços para trás de suas costas deixando-a imobilizada. Mesmo fazendo movimentos acrobáticos para se soltar, ele era mais forte e nada adiantava.


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- Eu quero minha carteira seu idiota me solte! – Grita ela. O gerente chegando rapidamente diz – Certo Malandrina. Acompanhe-me! - Ele pega no braço dela e a puxa. - Me solta! Eu só quero minha carteira!- Grita ela tentando se soltar. – Nesse momento já estavam os seguranças dos andares de baixo, o que estava fazendo a ronda no andar de cima e o gerente, todos falando alto e puxando a garota que gritava para eles a soltarem. O homem abre a porta perguntando com naturalidade Por que essa gritaria na porta da minha suíte? – Olhando aquele acúmulo todo em sua porta, não deixa de denotar uma expressão de admiração pelo alvoroço que garota recémchegada já havia feito na vida dele. Olhando para os seguranças, volta seu olhar para o gerente que tentava se desculpar com ele; E depois segue o olhar a garota, vai até ela pegando em seu braço e a puxa para dentro da suíte. O Gerente tenta se explicar, mas recebe a porta em sua cara, olhando para os seguranças que esperavam suas ordens, respira fundo frutado e diz – Alla fine il, cliente ha sempre ragione! Dentro da suíte ela volta sua revolta ao estranho homem perdendo todos seus medos e alucinações anteriores – Qual o problema com os funcionários desse hotel? – Respira fundo tentando se acalmar e pergunta menos alterada –... Deixei minha carteira em seu quarto, posso pegar? Ele sorri e tira a carteira do bolso de sua calça a entregando. Pegando com o semblante desconfiado algo a desconfortava na presença daquele homem, era um homem


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jovem e muito sombrio. Olhando dentro da carteira, logo uma expressão de tristeza se faz, - Aff... - Suspira ela - Sem nenhum centavo, que dureza, além de tudo, sem dinheiro. Tudo bem... - Se conformando -... Vou embora mesmo assim, dou um jeito... Espera! -Diz prestando atenção em tudo a sua volta, - Como eu vim parar na Itália? – Se auto questiona com tom enfático, em seguida volta à pergunta ao homem à sua frente - Foi você quem me trouxe? - Eu? - Diz ele rindo com um tom sarcástico eminente – Não, você acordou aqui na minha cama. - Como eu acordei na sua cama? Quero explicações, você me raptou foi isso?- Pergunta indignada. Dando risada achando algo engraçado, ela o olha como se nada estivesse tão engraçado assim. - Bem, talvez sim. – Responde suavemente. Na mesma hora ela arregala os olhos prende a respiração e um frio percorre sua espinha, havia perguntado, mas sequer notou o que a resposta poderia representar. Como nota, não tenho dinheiro, meu sangue é ruim, e não sou bonita o suficiente para ser prostituta, por favor, não roube meus órgãos! – Diz em suplica nada racional. Ele gargalha - Realmente não está passando bem. Não vou fazer nada com você, foi você quem se ofereceu no bar para vir comigo. Seu coração se preenche de dúvida, não se lembrava de nada, então era difícil achar argumentos naquele momentoEu? Mas... Eu quis vir para a Itália? -Sim Miss! Te Conheci no bar e você praticamente se jogou em cima de mim, achei que era uma prostituta, você insistiu tanto que achei que não seria ruim uma companhia. – Ele parecia zombar dela a cada palavra que saía de sua boca. Ela inocente e desorientada não percebia. A Garota fica


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sem palavras, - Certo eu me meti nessa confusão peço desculpa se fui inconveniente, vou dar um jeito de ir embora. Adeus. Henphins fica impressionado com a auto conformação daquela garota. Pelos trajes ela parecia uma garota largada sem educação, mas resolve explorar aquele algo ‘’novo’’ para ele. Tentando mantê-la por perto, quando ela se vira para sair é segurada por ele, sem entender se vira novamente perguntando- O que foi? Com um sorriso enigmático diz - Eu te levo para casa. - Como assim? - Te levo para sua casa no Brasil. Não vai conseguir sair daqui sem visto e sem dinheiro. Soltando um suspiro de pesar fala seriamente – Olha, eu não sei como vou sair daqui, só sei que na Itália não posso ficar, então estou indo! - Não vai querer minha ajuda? – Diz achando a atitude dela estranha. Era verdade que ela vagaria sem rumo por aí. Mas estava muito envergonhada e com o orgulho ferido para tentar pedir ajuda. – Não, eu me viro sozinha, já estive em situações piores- Ela pensa alto - Claro que nesta situação nunca... Mas... - Tudo bem, mas não posso deixar você ir, pois você me deve. – Ele parecia tentar segurá-la. - Como? – Pergunta em tom indignado. - Sim, Miss. - Diz ele seguindo para o Balcão da adega – Paguei bebidas para você, te dei dinheiro para as drogas, te livrei de uma baita briga no bar e te trouxe para a Itália, somando tudo isso, você me deve cada valor. Franzindo o cenho diz revoltada - Que tipo de mercenário é você? Como pode me cobrar isso! E eu briguei?


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Tudo bem bebidas, drogas, mas até briga?- Levando às mãos a cabeça que estava rodando com tantas coisas e ainda por mais que tentava lembrar nada vinha a sua mente, fala murmurando – Puta Merda! Como posso passar dos limites assim? Henphins enche uma taça com whisky que estava na adega da sala e toma em um gole, logo em seguida ele enche uma outra taça com água e coloca cubos de gelo que estava em um pote de inox perto do Whisky e dá para a Garota Tome não serei mais responsável por suas loucuras, até você ir para o Brasil, cuidarei de você. Seu rosto ruboriza automaticamente se questiona se sentindo estranha – Responsável? - Em sua mente vem logo uma sensação esquisita, '' Nunca ninguém foi responsável por mim... '' Pensa, sendo interrompida por Henphins que entrega a taça com água e com a sua taça cheia de Whisky estende a ela brindando: - Pleasure meu nome é James Henphins!- Tomando o whisky em um saboroso gole, olhando com seus olhos verdes claros penetrantes entre a taça para os olhos misturados da garota que brilhava um verde curioso. Ele pergunta - E qual é seu nome? Involuntariamente se engasga com a água - Como? Eu não falei nem mesmo meu nome? Que vagabunda que sou, me oferecendo a vampiros em um bar que nem me lembro de como cheguei, fazendo coisas que nem me lembro de ter feito e não digo nem sequer meu nome? – Respirando fundo estende sua mão - Meu nome é Patrícia! Esperando um simples aperto de mão sente que ele eleva a mão dela próximo de seus lábios quentes e a beija- É um Prazer Patrícia! Em um choque daquele algo novo tira sua mão imediatamente ficando vermelha - Não é para tanto...


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Sorrindo delicadamente, seguindo de um sorriso irônico ele pergunta – Em meu país natal as damas se apresentam com seu nome completo e sobrenome. Qual seu sobrenome? Patrícia logo se surpreende e não sabe bem o que dizer. Ela fica em silêncio e ele a encara aguardando a resposta. Com um suspiro profundo responde – Não tenho um sobrenome... - Como, não tem pais? - É... Não. - Entendo... – Ele muda de assunto - Tenho que fazer algumas coisas, se precisar de algo, minha... Bem tem alguém aqui para ajudá-la o nome dela é Larice, só chamá-la, ela dará o que precisa. - Espere! Você vai me deixar sozinha aqui? - Não se preocupe... - Diz ele colocando a taça no balcão e pegando as chaves da suíte para sair - A Larice te ajudará ela é confiável. Vendo o sair fica desconfortável com a imensidão do Apartamento. Coloca a taça delicadamente no balcão da adega e olhando para a enorme escada que o sol brilhava através de uma grande janela, se aproxima semicerrando os olhos incomodada com o brilho do sol das 12:00 hs, observando a paisagem da Linda Itália, uma cidade que a causa um conforto e uma sensação esquisita ao mesmo tempo. ''Ou sou uma garota de sorte, ou essa é a cagada mais doida que já tive em toda minha vida''.


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Um homem de Segredos Obscuros ‘’Será muito difícil me envolver nesse assunto. Fantasmas passados retornaram para me atormentar, apesar de diversas vezes eu tentar conversar com o James e o implorar para não cutucar está ferida, ele não me ouviu, achou um novo hobby para se ‘’entreter’’; Como se brincar de humano já não o consumisse todo seu tempo. Acontece que desde aquele dia, eu nunca mais conseguir restabelecer o contato amigável que tínhamos. ’’

J

ames Henphins sai do hotel e na portaria fala com o

Gerente que foi responsável pelo tumulto com a Patrícia - Se ela precisar de algo a trate bem, e a atenda, ok! - Usa de tom de autoridade. O gerente em desarranjo tenta se desculpar por mais cedo, mas ele da de ombros o ignorando. Seguindo até a portaria. O funcionário do hotel se aproxima dizendo que seu carro estava pronto, James gira as chaves em seu dedo indicador animado, caminhando até sua Ferrari F458 Cor vermelha, entra nela ligando o motor


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potente e da à partida saindo pela cidade de Milão. O ronco do motor cobre as ruas principais com pouco movimento por onde ele passava. Dirige alguns quilômetros até encontrar um famoso bar, chamado de Bar Basso, que ficava não muito longe de onde estava hospedado em Milão. Lá ele encontra um ambiente amistoso, com as luzes alaranjadas dos lustres que imitavam um ambiente antigo e harmonioso; Senta-se no balcão de madeira em mogno, que lembrava muito móveis antigos. O bar inteiro parecia ter saído dos anos 30. O bartender o atende, ele pede um coquetel de vermute italiano vermelho, logo lhe prepara um belo e complexo coquetel com pedras de gelos e rodelas de limão o compondo. O serve com estilo e James o aprecia tranquilamente, aquele gosto de uma boa mistura de vinho com ervas o fazia deduzir que aquela bebida em especial tinha sido envelhecida por um bom tempo em barris de carvalho, os melhores drinks já faziam parte de seu paladar, e não deixava de saciar sua busca por novos sabores. O bartender o oferece o famoso Aperitivi, que nada mais era, que um show de comida em forma de aperitivos de graça. Mas ele recusa dizendo que apenas a bebida estava de bom grado. Tomando tranquilamente sua bebida mais ‘’suave’’ do dia. Percebe quando um homem senta-se ao seu lado. Com longo cabelo loiro, pele clara e macia; Lábios levemente avermelhados e olhos lindamente verdes mesclados, por um tipo de heterocromia, (uma anomalia genética), cujo seus olhos ficavam mesclados pelo verde e no centro um arco intrínseco cor mel, se alguém encarasse bem fundo em sua íris iria perceber desenhos totalmente exóticos para um humano comum. Os dois aparentam não se conhecer, mas um forte clima se fazia entre eles quando o homem entrou. Senta-se com uma presença imponente e pede um drink perguntando ao Bartender em italiano: -Vou pedir um drink da casa, qual tu sugeres?


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Ele o responde em Italiano muito simpático – Signor lhe recomendo um aperitivi Negroni, é o mais famoso e o senhor irá apreciar. -Me parece bom, aceito. - II Signore deseja o Aperitivi como acompanhamento? -Obrigado. Somente a bebida está de bom tamanho. Henphins o olha de soslaio, com um sorriso de canto parecendo zombar do jeito indiferente do homem. Ele mantinha um capacete preto fosco com designer moderno entre uma das suas mãos, parecendo pronto para sair a qualquer momento. Vestia uma jaqueta preta imitando couro justa de motociclista, com uma camisa branca por de baixo que havia um desenho de uma banda chamada Hypnosis Destruction, que compunha a imagem de um homem com a feição de loucura, segurando um relógio como se quisesse hipnotizar alguém. Seu Aperitivi logo chega, em um copo com um guardanapo abaixo; Uma rodela de laranja, gim, e gelo, em uma bebida vermelho-laranja. Uma pergunta liga os dois aparentes desconhecidos: - Realmente trouxe a garota? - Sim, está em meu apartamento. - E o que pretende fazer com ela? - Ainda não sei, vou me divertir um pouco dando um de bom garoto, e brincar um pouco com ela. – Um tom malicioso percorre os lábios dele. O homem toma o Drink em um gole descendo com acidulado por sua garganta parecendo não gostar do que Henphins o diz. Tentando parecer indiferente responde: -Faça como quiser, mas tome cuidado.·.


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- Hum... – Sorri Henphins em tom zombeteiro - Com quem meu Amigo Lenoy? - Irei á suíte onde está hospedado essa semana, me trate realmente como um ''amigo''! - Amigo? - Questiona Henphins com sarcasmo. – Espere! Mas você não é meu tio? Por que se for, é melhor me repreender agora, por que o que eu pretendo fazer com essa garota, não é um joguinho para crianças. – Sua voz muda para frieza Lenoy semicerra os olhos o respondendo – Sabe que considero você acima de qualquer título. Espero que pense com cuidado o que suas atitudes irão representar. - Se levanta bruscamente pegando as chaves da moto que havia colocado no balcão. Henphins o vê saindo e termina sua bebida dizendo ainda com ironia - Te espero em Breve, ''Tio''. Patrícia está ouvindo Hangar 18 Megadeth, que tocava no seu celular dentro Banheiro, tomava Banho cantando e dançando animadamente. Parecia se conformar com a situação e já estava bem despreocupada e muito feliz com a ducha quente e confortável que a relaxava. -♪♫ Foreign life forms inventory Suspended state of cryogenics Selective amnesia's the story Believed foretold but who'd suspect The military intelligence Two words combined that can't make sense Possibly I've seen to much Hangar 18 I know too much.♪♫


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Quando ouve alguém chamando na porta do banheiro, ela baixa o som e desliga o chuveiro, ouvindo uma voz feminina a perguntando: -Quem está ai? Patrícia se apavora, colocando a toalha e responde rapidamente - Sou eu Pati! -Ela não ouve mais barulho e pergunta - Você ainda está ai? -Sim... - Diz a voz feminina do outro lado da porta Estou arrumando o quarto. Abrindo a porta timidamente se depara com uma mulher linda que com um sorriso esplendoroso a diz - Trouxe roupas limpas para você. Patrícia pega as roupas envergonhada e fica observando a mulher. Ela trajava um lindo vestido azul royal que caia como um fino véu no chão, do vestido continuava com uma saia curta marcada no corpo que deixava aparente suas longas pernas de cor negra, sua silhueta era de um gracejo irresistível, seu colo com seios medianos e bem marcados com cristais que reluziam a luz do lustre do quarto. Até mesmo seu cabelo negro era em estilo irrefutável em fartos cachos que caia em seus seios, mas o que chamou mais a atenção de Pati foi seu olhar em duas brilhantes pedras de topázios azuis que com a pele negra ficava mais aparentes e brilhantes. Ela nota o olhar fixo de Patrícia em sua direção e franzindo o cenho pergunta - O que foi? - Nada. – Responde Pati saindo do transe, mas ainda a olhando. - Se precisa de algo, fala logo que eu faço. - Você é linda! – Diz espontaneamente - Você é a Larice? - Sim sou? – Diz ela dobrando as roupas. - E você é namorada do James?


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Ela estranha a pergunta e responde imediatamente Claro que não. - Mas, tão linda... Já namorou com ele? - Claro que não! – Diz indignada. - Mas... Ele não se referiu a você, como amiga. Já sei, você tem um romance secreto? Larice para de organizar as roupas e fica de frente a Pati respirando profundamente - Menina você é muito curiosa. James trás muitas meninas como você aqui, então vou cuidar de você, você vai embora e não me faça mais perguntas. Um silêncio se faz por alguns segundos até Pati quebrálo com outra pergunta - Então você tem um amor secreto por ele, e tem ciúmes de outras garotas que vem aqui? Larice respira fundo novamente - Aff... Onde o James te achou? Sou a irmã do James. – Responde. Patrícia surpreende-se ficando em silencio morrendo de vergonha tentando soar um leve ‘’Desculpe-me’’ Baixinho. Larice não se aborrece, apenas sorri parecendo achar Pati engraçadinha e continua -... De qualquer forma, James vai dar uma festa para seus amigos. Preciso que você vista aquele vestido que deixei na sua cama e se porte. Não sei o que o James te disse, mas ele é um homem muito rico e gosta de passar uma boa impressão para a Elite humana. – Patrícia percebe que ela fala como se não fizesse parte daquilo, e fica mais desconfiada ainda com sua hipótese do Vampirismo Você quer ser a irmã sumida, a amiga dele, ou a amiga de um amigo? – Continua Larice. - Quero ser a namorada! – Responde enfaticamente. Larice lança um olhar admirado - Como pode decidir assim garota? Como você é estranha. Bem, ele irá escolher quando for á apresentar, somente fique bonita. E tente não


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falar muito na hora que os amigos dele estiverem aqui, deixe que ele te conduza. Pati estranha à sugestão dela, isso parecia ser habitual para Larice. James vem, trás garotas, finge que são amigas ou namoradas e depois as abandona. Tudo era um jogo para ele afinal? Eis que ela não estava com vontade de perguntas complicadas naquele momento. Olhando em direção à cama vê um lindo vestido vermelho em Tafeta, com a parte de cima em tomara que caia, e a cintura bem marcada. E o admira. Pegando o vestido se mede em um grande espelho negro no quarto que não parecia fazer parte da decoração. Larice a observa com brilho nos olhos, e a diz com sinceridade: -Eu particularmente adoro vermelho. Escolhi este, mais pensando em meu gosto pessoal do que o seu... Mas espero que goste. - Larice sai do quarto a deixando sozinha. Em seus pensamentos diz: ‘’Que lindo’’; respira fundo. ‘’Um Sonho, não acredito que depois de tudo... ’’. Ela desce os olhos ao chão soltando o vestido que cai suavemente aos seus pés, e seus olhos se enchem de tristeza. Percebendo sua imagem no espelho negro, passa as mãos levemente em sua moldura, reparando os detalhes dele e as imagens envolventes que havia entalhado. ‘’Sonhos, são só sonhos não são? Terei que acordar cedo ou tarde. Tenho duas opções, fazer como se isso fosse meu último suspiro de felicidade e não me importar. Ou ser totalmente fria e ficar trancada neste quarto pensando em meus pesares... ’’. Ficando em silêncio olha sua imagem no espelho e vê uma linda garota abatida pelos pesares da vida, e se pergunta baixinho; ‘’sempre curtir coisas piores, o que pode acontecer de tão ruim dessa vez?’’ – Um sorriso de prazer corre em seus lábios vermelho vinho. Pegando o vestido do chão, vai até a cama para guardá-lo. Um gato negro com olhos brilhantes em uma luz vermelha aparece no espelho se transformando em um vulto monstruoso com olhos amedrontadoramente vermelhos, grandes dentes e grandes garras em formas desordenadas.


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Quando Pati volta novamente para se encarar no espelho, o vulto havia sumido. A noite chega, Larice deslumbrante como sempre em um lindo e luxuoso vestido dourado que brilhava com seus movimentos serpenteados, recebe os convidados de James, chamando a atenção até dos mais exigentes com sua beleza exótica e cheio de vida, incluindo o Sr. Lenoy ao vê-lo dá lhe um longo abraço, como se ele fosse também alguém estimado de sua família e diz contente - Já fez as pazes com James? Ele apenas negativa a cabeça. Lenoy estava incomodado; Algo o perturbava algo muito antigo que virá do túmulo mais obscuro de seus pensamentos. - Certo Tomy ao menos seja mais carismático. - Diz o chamando pelo apelido carinhoso que só ela sabia. - Cadê a Garota? - O novo brinquedo do James? Está se trocando logo desce. Inquieto pensa em sair dali para tomar um ar fresco, quando de relance ao olhar para a escada vê algo totalmente inquietante. Descendo as escadas em passos curtos e tímidos vem Patrícia, vestida com o longo e leve vestido vermelho, cabelo levemente preso, com alguns fios caindo em seu ombro nu. Maquiagem escura e bem feita o suficiente para deixá-la com um olhar fatal. Seus lábios eram de um vinho alucinante que deixa Tom aturdido quando ela levemente os aperta com impaciência. Os convidados a olham curiosos, inevitavelmente ela fica vermelha não estava acostumada com tantos olhares em sua direção. Desce as escadas rapidamente procurando alguém conhecido. Ela que sempre era a esquecida da sociedade, nunca poderia se acostumar com todos aqueles olhares voltados para si. Logo é surpreendida por Lenoy que estende a mão em sua direção. Em surpresa, seu coração acelera,


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estava tão confusa que sequer presta a atenção no homem em sua frente. Entregando a mão a ele, talvez por impulso do momento ou nervosismo, sente algo quente uma vida sem igual naquela mão macia. Em seguida sente um beijo suave em sua mão. Dessa vez ela não reclama da cortesia, mas fica impressionada com a figura bela e imponente em sua frente. Parecia um príncipe saindo direto dos contos de fadas só faltava o cavalo branco: - Me chamo Tom Lenoy, você deve ser a senhorita Pati..., Senhorita Patrícia? É isso? Ela aperta seus olhos o encarando. O olhar dele era encantador e penetrante. Só que, logo sua pupila dilata ficando cheio de vida, seu coração dispara, e sua mão começa a ficar trêmula; Nesse momento ela a tira rapidamente para que ele não percebesse. Seus pensamentos estavam à milhão. ‘’Não acredito que eu estou... Não acredito... Eu morri só pode, não pode ser que depois de tanto tempo, passando por tantas coisas ruins, isso pode estar acontecendo e tudo junto... ’’ Ela percebe que ele a olhava ‘’ vou agir com naturalidade ele não deve gostar de fãs histéricas, vou fingir que não o conheço. ’’ - Sim... Pode me chamar de Pati... – Sua voz se altera ficando exasperada, a sala parece esta mais cheia do que a realidade. Ela sente o ambiente quente e frio ao mesmo tempo. Começa a tentar se controlar, direcionando o assunto a algo diferente - Você é amigo do James? – Diz querendo parecer natural, mas mexendo no cabelo o tempo inteiro. Tom mantém-se quieto, preferindo não responder, Pati percebendo o desconforto dele, deixa a pergunta de lado. James não demora muito a chegar, e cumprimenta a todos. Notando Pati com Tom, vai até eles e sarcasticamente diz – ah! Irmãozinho vejo que já conheceu está bela mulher chamada Patrícia. O que achou dela?


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Patrícia toma um susto com a aparição repentina. James a deixava nervosa, mas não tanto quanto Tom; Então foi um alívio ele ter aparecido, um efeito praticamente anulava o outro. Ela pensa desconcertada. ‘’Irmão? Acho que eles não têm uma relação muito boa, por isso não me falou que era irmão do James... Espera, ele perguntou o que ele achou de mim? Vou ter um troço... ’’ Pati se segura para não pular de euforia, para ela o verdadeiro compositor, cantor e guitarrista estava em sua frente, o homem da sua vida estava em sua frente. Mas algo a desagradou, Tom não responde e vira as costas para os dois sem falar nada. James vendo a feição de descontentamento de Pati aproveita a deixa para irritá-la - Acho que ele não gostou muito de você, Pa.ti.– Diz ele levando uma taça de vinho à boca. Ela não entende - De mim? – ‘’Que impressão eu causo?’’ – pensa sentindo um aperto no peito. James a observando percebe que ela ficou desanimada, e sorri ironicamente entre a taça cheia de vinho, – Se você não fosse uma drogada, talvez causasse algum efeito em mim, e eu poderia a salvar de si mesma. Arregalando os olhos assusta-se com aquelas palavras que a ferem, não gostava de sua situação ou do que era, dizia sempre que era culpa da vida e do azar que estava em cima de sua cabeça desde quando nasceu, em silêncio, pensa que ela não era o suficiente para causar algo em Tom e que talvez nunca fosse capaz de conquistá-lo por ser pobre e ter vícios que lhe cause algum tipo de repulsa. Tom Lenoy, o guitarrista integrante da banda que ela mais amava Hypnosis Destruction. Nunca lerá nenhuma crítica ruim sobre ele ou algo que pudesse colocá-lo em pé de igualdade com ela, na sua visão ele era o homem perfeito. Pensava Pati. Que ao cair à ficha, percebe que James ainda


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estava a encarando e o responde de forma fria – Salvar-me? Sinto muito senhor, mas não preciso de sua ajuda! James se surpreende levantando uma sobrancelha com a determinação dela; Mas sem cair do trono, lança lhe um leve sorriso irônico, pega em sua mão e a cumprimenta dizendo – My Lady, está esplêndida esta noite. – E sai indo cumprimentar os convidados. Murmurando consigo mesma indignada diz - Salvar-me? Como se ele não tivesse seus defeitos! Acha que todo ser humano é perfeito, só se ele não fosse... Mas se ele fosse um vampiro seria perfeito? - Ela começa a viajar em sua mente novamente - Será que o irmão dele também é vampiro? Olhando bem ele tem a pele branca e pálida e toca bem, voz suave hipnotizadora... Larice a interrompe dizendo - Está falando sozinha garotinha? Levando um leve susto direciona seu olhar assustado a ela, Pati a acha magnífica como sempre, até pensa que um pouco de lesbianismo podia a acometer, Larice tinha um charme sem igual, e sente-se pequena mediante a elegância dela, logo responde com determinação como se aquele fato fizesse toda importância em sua vida - Não me chame de garotinha, tenho 20 anos. - Tudo bem. – Diz manejando sua mão esquerda levemente que estava junto ao corpo, em apoio à causa dos 20 anos de maturidade. - Então a senhorita poderá tomar uma taça de vinho. - Larice pega duas taças de vinho de um garçom que servia os convidados, e entrega para ela, - Cheers a idiotice humana. - Ela toma um gole e se retira. Pati fica sem decifrar com a taça na mão, e vai até o grande terraço do apartamento. Olhando admirada a cidade à noite com suas belas luzes em tons de vermelho, azul e amarelo. A luz da lua ilumina esplendidamente os prédios, e o clima de cidade grande com os carros ainda passeando nas ruas e praças de


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Milão pairam no ar. Ao longe as luzes dos bares noturnos, e a movimentação de pessoas na rua, que quase não eram visíveis do décimo andar. Dentro da Suíte estava com uma música clássica ao fundo que vinha da festa dos convidados requintados de James. Apesar dela particularmente preferi um som mais pesado de Heavy metal. Por um breve momento se sente a vontade naquele lugar. Olhando para a taça novamente, divisa o vinho que balançava suavemente, sua boca começa a salivar e ela sente a memória do gosto forte do vinho seco em sua garganta, olhando hipnotizada para o balançar do líquido encorpado em sua taça, começa a analisar se tudo aquilo valia a pena e se deveria tomar aquele veneno em sua mão; Quando James aparece e rouba a taça dela tomando um gole do vinho: - Hum... Que vinho doce, deve ser o doce néctar de sua boca que escorreu nele. Pati se assusta com a chegada repentina de James e ri o achando idiota. Toma a taça de sua mão e com cara de desagrado responde – Eu não tomei o vinho ainda... E este vinho é seco seu babaca. – Decidindo tomar, vira o vinho em um único gole. James a observa e sorri suavemente: - Gostou da paisagem? – Pergunta. Ela fica um tempinho sem o responder, apenas sente o vinho descer por sua traqueia, e o gosto permanecer por alguns segundos em sua língua, aquela sensação era divina, não conseguia se imaginar sem aquilo. Ficando confortável, olha suavemente para a lua que brilhava no céu, e balança a cabeça positivamente. James que estava encostado no parapeito de apoio do terraço, caminha até ela, tocando em seu rosto suavemente, seu olhar profundo vai de encontro com o dela e a faz uma pergunta um pouco sinuosa: – Se quiser você pode morar aqui? - Não posso. - Responde o olhando seriamente - Tenho que voltar para o Brasil, tem pessoas lá me esperando.


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- Pessoas? - Pergunta James intrigado. - Sim, não posso ficar aqui. - Está falando da sua família? Pati rapidamente se silencia, preferindo não responder. - Está bem, vamos fazer um trato, já que você me deve, você permanece algumas semanas aqui. Isso quita o débito comigo e depois te levo de volta para sua casa, para as ‘’pessoas’’ que você diz que estão te esperando. Ela levanta uma sobrancelha desconfortável, e pergunta - De quanto é essa dívida? James sorrindo responde - Uma semana e você a quita. Tom os interrompe avisando que o jantar está servido, James percebe que o aviso era uma desculpa para deixá-lo sozinho com Pati e sai sem fazer cerimônias. Pati mantém a cabeça baixa com o olhar triste, Tom se aproxima perguntando - O James a fez algo? Elevando seu olhar indo de encontro ao dele, força um sorriso e tenta ser agradável - Ah! Não, é que me lembrei de algo... - De qualquer maneira, tome cuidado com o James, e se precisar pode contar comigo. - Diz deixando-a sozinha. O que a deixa pesarosa, ele estava sendo tão frio e distante que a deixava com a sensação de que ele não gostava da presença dela. Olhando o céu pela última vez, sai, seguindo para a mesa enorme e luxuosa de jantar, com as pessoas estranhas e chiques que ela nunca tinha visto antes em um ambiente hostil que ela não fazia parte. Na mesa de jantar estão todos reunidos. James antes de pedir para servi o jantar, oferece um brinde - Brindemos a maravilhosa companhia de vocês!


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Todos aplaudem e brindam - E mais um coisa... Continua James – A senhorita Hévi, que está aqui esta noite conosco, a linda dama diabólica de vermelho, que nos acompanha nesse maravilhoso jantar. – Sorri ele cruelmente. Os convidados olham para Patrícia sem entender por que James se referia a ela como diabólica, mas acham que talvez fosse uma forma pessoal e carinhosa de chamá-la, e brindam mesmo assim. Pati surpreende-se, ele a deu outro nome e ainda a chamou de Diabólica. Fica em dúvida se seria o fato dela gostar de Heavy Metal. Mas prefere não questionar. Tom o fita friamente, parecendo prestar atenção em cada movimento dele. Já James devolve aquele olhar com um sorriso sútil e provocativo. Depois de toda a encenação da alta sociedade, que Pati admirada observava e não conseguia compreender algumas atitudes. As moças elegantes sorrindo com suas taças de champanhe a mão, parecendo dizer confidências aos ouvidos dos homens, um mais elegante que o outro. O senhor Henphins cercado de mulheres que pareciam o cobiçar, o Senhor Lenoy indiferente, às vezes alguém vinha conversar com ele, mas logo saía, pois grande parte dos convidados já estavam bêbados. Larice que havia sumido, e Pati no canto da sala tomando taças e taças de vinho que os garçons entregavam, até que uma hora sem perceber já estava no terraço virando uma garrafa, sem se preocupar com aquele povo metido que não lhe dizia respeito. Em um piscar de olhos Pati se vira ouvindo um barulho de garrafa quebrando, e fita um homem somente de gravata e cueca branca mexendo no som e gritando – Ei James! Não tem uma balada aqui? Só tem rock? James sorri pegando o controle do som e coloca Combichrist - What The Fuck Is Wrong With You? – Equilibrado? – Pergunta ele, que segue para duas garotas já


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seminuas que começam a dançar animadamente. Pati observa com assombro no olhar – Quando que o purismo da alta sociedade se tornou pecaminoso? – Se pergunta sem compreender nada. Os senhores certinhos bons ouvintes de música clássica; Dançavam, trocando as belas taças de cristal, por garrafas e goles no gargalo. Os lindos vestidos de gala se tornam roupas de baixo. E as lindas damas com passos combinados no salão, dançam descabeladamente ao som da música. Pati toma abismada sua garrafa de vinho e pensa alto – Esse é o encanto dos vampiros? – Percebendo que o vinho acabou, sai procurando uma bebida mais forte, quando sente uma mão a puxando; Se assusta, mas não tem tempo de fazer objeções, a levando para um quarto solitário, fecha a porta a trancando. Pati encontra Tom em sua frente com um olhar preocupado, que a diz com a voz baixa – Você tem que sair daqui agora mesmo. Pati não compreende – Por quê? Agora que está ficando divertido. - Isso não é diversão Patrícia, você não conhece o James, não sabe o que ele quer com você. - Ele somente quer que eu quite uma dívida de bar com ele. Provavelmente está usando isso como desculpa para ter uma companhia. -Errado! Você não percebeu como ele te olha, às coisas que ele te fala? Ele está brincando com você, e pretende fazer algo de ruim. Por que acha que um homem na posição do James, iria querer uma companhia ou inventar uma dívida? Só para mantê-la por perto? E por quê? Pati pensa e o responde com outra pergunta – E você Tom? O que é dele? Se você é irmão dele como ele diz, deve saber me responder essa pergunta melhor do que ninguém. -Infelizmente dessa vez eu não sei, eu... – Tom parece não querer dizer algo –... Eu te levo para sua casa.


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-Eu não tenho casa. Para falar a verdade, James me caiu como uma luva... Não me importo o que ele queira comigo, algumas oportunidade devem ser aproveitadas. – Sorri ela confiante de que poderia dominar a situação. Tom segura em seu braço seriamente a alertando - Você não sabe o que está dizendo! -E você não sabe o que passei! Essa é a melhor oportunidade que essa porcaria de vida poderia me dar. – Responde friamente saindo da sala e o deixando sozinho. Tom morde os finos lábios, aturdido e intrigado com algo. Na sala a festa rolava a solta, e Pati dança se divertindo e procurando algo para beber. James a puxa para si, toma um gole da garrafa de whisky que estava em sua mão e em seguida a beija passando a bebida para ela. Pati sente o néctar do whisky descer como fogo por sua garganta e sorri prazerosamente passando a língua em seus lábios se deliciando. James sempre provocativo a pergunta – Era isso que estava procurando? -Dê-me a garrafa e te direi? -Não. – Diz Tomando outro gole parecendo a instigar – Se quiser vai ter que tomar de mim! Ela tenta tomar a garrafa de whisky, avançando sua mão rapidamente na direção dela. Mas, ele sorrateiro desvia. Ela o persegue, quase caindo no vestido que não estava acostumada a usar. James sobe ás escadas correndo, quase derrubando o whisky; Pati segurando o longo vestido com dificuldade, tentando o alcançar. Ela ouve uma porta bater e segue até ela, com receio de abrir, mexe na maçaneta devagar, quando sente as mãos dele a puxando para dentro. Fechando a porta, a encosta na parede, suavemente, segurando seu cabelo com uma de suas mãos fortes, onde denotava suaves veias eriçadas de ardor. Seus lábios quentes


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e úmidos percorrem pela extensão da boca ao seu pescoço. Pati geme de vontade e passa suas mãos suavemente pelas costas largas dele, onde suas unhas com esmalte preto as agarram com vontade. Ela se entrega aos encantos dele facilmente a mistura de bebidas já havia subido a sua cabeça, e sua razão já não mais comandava. O corpo quente dele e os ardentes beijos estavam apurando seus sentidos e mexendo com partes que a tempo ela não sentia. Ele em um fogo ardente de vitalidade vai tirando sua roupa, junto com a dela com facilidade, parecia ter uma experiência nata nisto. Pati tenta falar com ele em meio aos beijos ardentes – O que quer fazer comigo, Hem... Senhor Henphins? James tira o vestido beijando os macios e excitados seios – O que acha que quero com você, senhorita diabólica? -Por que me chama de diabólica? Meu gosto pessoal tem algo a ver com seu julgamento?- Diz ainda em meio ao encanto dele, mas sentindo uma sensação incomoda. -Não... Mas, seu passado sim. – Sentindo sua calcinha de renda preta descer levemente por suas pernas, nuas. Extremamente incomodada, por algum motivo, arregala seus olhos e se esquivar dele. James é empurrado por ela, e leva sua mão ao seu cabelo negro que ele joga para trás com o peitoral nu sem camisa, a aprecia intrigado e sorrindo a pergunta – O que foi? Toquei em algum ponto que não era para ser tocado? -Não sei James, eu não sei o que você quer comigo! Eu não sou uma prostituta se acha que sou. Fiz algumas coisas que não me orgulho no passado, mas isso não vem ao caso. Se quer me dar tudo isso, a suíte, os presentes, o luxo, eu não me importo. Para quem viveu em uma casa velha na periferia de São Paulo, isso é um grande sonho. Mas se quer algo a mais, se quer me ferir se sabe algo do meu passado e quer usar isso contra mim, é melhor me deixar em paz!


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O sorriso irônico não deixa os lábios de James que sem delongas, abre a porta dizendo – Boa noite senhorita. Pati apeta os lábios confusa, coloca sua roupa de qualquer jeito, e sai com uma olhadela rápida de suspeita. Chegando ao quarto de hóspedes onde estava acomodada. Fecha a porta com rispidez, e a tranca se certificando que está trancada. Caminhando e respirando fundo em passos lentos em direção à cama, pensa no que havia acontecido. Percebe uma camisola sobre a cama e imagina que a Larice pode ter deixado para ela. Tira seu vestido vermelho que cai em seus pés, e sai deles com delicadeza, ficando apenas de lingerie preta bordada de uma marca Italiana que Larice havia comprado para ela. Pega a camisola a colocando que desliza em seu corpo dando um excelente caimento. Solta seu cabelo que caem suavemente pelo seu corpo, e olhando-se no espelho negro no centro do quarto, se sente um lixo, ‘’o que estou fazendo? Essa não sou eu. ’’ Fechando as cortinas do quarto, apaga as luzes indo se deitar. Remoendo tudo que estava passando, sem perceber pega no sono. Acordando assustada, percebe que as grossas cortinas haviam se tornado leves cortinas vermelhas e estavam balançando com um vento assustador vindo das grandes janelas do quarto que impossivelmente estavam todas abertas. O espelho negro parecia emitir uma luz estranha arroxeada que intercalava com o azul, como uma luz vinda de uma nebulosa morta, não que Pati soubesse o que era uma nebulosa. Quando olha para um canto do quarto, enxerga uma mulher com o mesmo vestido de gala que ela estava na festa seguindo até ela em passos elegantes e lentos, quando mais se aproximava a luz escura da noite reflete em sua face coberta por uma máscara branca que cobria somente seus olhos e deixava a boca em evidência, com um belo e brilhante batom vermelho, um sorriso amedrontador escorre por


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aqueles lábios que parar no canto de sua boca e permanecer ali em superioridade. Acordando em um impulso, agora no que parecia a realidade, percebe que tudo não passou de um sonho e que o quarto estava do jeito que estava antes, e o espelho nada refletia, somente a escuridão. Fica um pouco incomodada com aquele estranho enorme e sombrio espelho decorando seu quarto, mas logo espanta seus pensamentos voltando a acomodar-se na cama tentando pegar no sono novamente.


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Jogo Sangrento P

or um longo corredor negro eu caminho. Não há

portas. Não há fim. Não há luz. A sensação que tenho é que meus pés não estão firmes. Caminho em um monte de nada, mas não tenho escapatória, me arrasto segurando nas grossas paredes e sinto os cacos de vidro enfincados sobre o concreto que à medida que vou segurando rasga minha pele e deixa minhas mãos banhadas em sangue. E quando mais eu caminho dentro para o fundo da escuridão, mais o sinto apertar. Às vezes, por um breve momento, pareço ouvir alguma voz me guiando, tento a alcançar, mas, é como se minha mente me enganasse para que eu permaneça viva. Não existe mais nada aqui a não ser um longo abismo escuro e meus pensamentos mais sombrios.

A

Manhã na Itália se inicia esplêndida como o dia

anterior. O sol nasce forte como nunca, manchando o céu com sua vitalícia cor laranja deixando até mesmo algumas nuvens rosa de algodão doce no céu.


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No quarto do 10º andar do Westin Palace, a grande janela começa a receber os primeiros raios solares do dia, mas as grossas cortinas impediam de penetrar no interior. Patrícia acordar assustada. O motivo de seu repentino e forçado acordar foi algumas batidas leves na porta. Seu corpo estava mais pesado do que nunca, sua cabeça parecia uma discoteca de batidas interminavelmente irritantes. A ressaca da noite anterior bateu em sua porta. Praticamente se arrastando pelo chão, ainda de pijama, segue até a porta, seus pés estavam tão pesados e sua mente com tanta bagunça, que ela mesma estava desorientada para onde ia, seguindo por completo e puro instinto. Quando abre a porta os raios do sol da sala irrompem seus olhos a incomodando. Criando uma expressão de desagrado logo vai se acostuma com a claridade, vendo em sua frente uma senhorita com aparência muito simpática a olhando, com grandes olhos, cabelo preso em coque e vestida com o uniforme do hotel. Pati não a indaga de nada apenas espera ela dizer algo, ainda tentava equilibrar seus pensamentos e sentindo sua cabeça pesada. Ela tentando esforça-se diz em italiano, mas esforçando um português - II caffè è servito Signorina. Pati entende café e senhorita ou senhora, agradece deixando a porta aberta e segue até o banheiro, a empregada do hotel entra para arrumar seu quarto. Olhando sua face no espelho até ri de si mesma, estava tão acostumada a ver aquele cabelo esvoaçado, e aqueles olhos pretos de maquiagem, que seria estranho se acordasse um dia com a cara limpa, acharia que mudou de corpo na noite anterior. Escovando seus dentes pensa assuntos aleatórios: ‘‘O jeito que ela fala italiano é gostoso de ouvir, gostaria de saber falar outras línguas, a Itália parece me trazer uma


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memoria estranha, algo que parece que está perdido dentro de mim... Hoje terei que encarar o senhor James e saber o que aquele homem quer comigo... - Terminando de escovar os dentes, segue até seu armário, tinha tantas roupas, diferente de quando morava no Brasil e tinha que fazer mágica com as peças velhas sem combinação que tinha. Porém, talvez por costume, pega uma camisa preta comum, veste uma calça jeans que cai bem em suas curvas magras. E coloca seu all star de sempre. Olha no incomodante espelho negro, e se sente satisfeita. Com cabelo em coque e cara limpa sai deixando a senhorita arrumando o quarto e desce às escadas a procura de um café bem forte para afastar aquela sensação horrível de ressaca. Quando chega ao último degrau olha a sala onde ocorreu a festa da noite anterior e fica boquiaberto com o que vê. No lustre decorações inusitadas de calcinha, cuecas, e até sapatos pendurados. No chão, garrafas e mais garrafas com corpos, taças, tudo misturado e quebrando, formando um grande quebra cabeça para se separar. Peças de roupas eram o que não faltavam, parecendo um rito de quem ia embora com menos peças de roupas possíveis. ‘‘Uau!’’ – Pensa ela – ‘‘De todas as festas que fui essa com certeza foi a mais pervertida, coitada da pobre empregada do hotel que terá que arrumar tudo isso. ’’ Antes de entrar na copa, sente um cheio gostoso e forte de café e segue seu cheiro como nos desenhos animados, quando o personagem segue o rastro da fumaça deliciosa chegando a levitar no ar. Quando entra, primeiramente com uma fitada involuntária vê James sentado à mesa calmamente tomando sua xicara de café Corretto, com um toque suave de licor e lendo o jornal do dia escrito totalmente em italiano.


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Larice também sentada à mesa comendo uma refeição composta de frutas e pães suco e chá, Pati simplesmente estranha o uso de talheres como garfo e faca e sua maneira fina de portar-se a mesa. Estava deslumbrante e radiante como sempre, com uma linda roupa branca que compunha um macacão social que caia em seu corpo como um manto sagrado, salto alto 15 cor creme em rendas, e seu cabelo estava esvoaçado para cima em black power o que deixava seu longo e fino pescoço límpido aparente. Larice era muito bonita, Pati achava que ela a lembrava muito uma princesa da realeza, igual nos filmes que assistia, só que moderna. E o que a deixa mais incomodada Tom Lenoy tomando o café expresso italiano em sua pura forma, seriamente sem a olhá-la ou dizer algo. ‘’Por mais que o clima naquela mesa estava estranhamente pesado, eu não me deixei levar, aquela mesa era um sonho, tantas variedades de comidas, eu que sempre nesse horário estava na lanchonete do El Coprino, o senhor Coprino era uma mistura de espanhol e Brasileiro e esse era o sobrenome dele, com 1 real eu comia um pão de queijo com café amago no copo descartável. Eu sempre pedia mais açúcar, mas ele me dizia que com mais açúcar adicionava 50 centavos, um puta mão de vaca. E óbvio que não ia perder essa oportunidade, café de graça e grande variedade de comida! Sentei-me a mesa, dizendo um suave e alegre bom dia. Fui respondida por todos, Larice indiferente, James sem me olhar e Tom parece me observar como se observava um tigre na selva curiosamente afastado. Fiz meu prato com tudo que achei gostoso e coloquei muito café sem me preocupar com modos, quem era rico e frescurento eram eles e não eu. Hum... Aquele sabor e aroma. Uma deliciosa mistura de Café e muito chocolate, e aquele leve gosto de café, Simplesmente me apaixonei, depois descobri que o nome dele se chama Café Capcioc.’’


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Para quebrar o clima pesado perguntei – E ai James quais seus planos? James a olha entre o jornal com um sorriso intrigante, leva sua xícara a boca e a responde – Vejo que está gostando de ficar aqui Patrícia, para quem estava apressada em partir. -Ah sim, não tenho pressa. Para falar a verdade, se divirta o quanto quiser comigo, já que você deve ser um riquinho solitário que deve estar carente de atenção. – Responde o provocando. James ri sutilmente, Tom levanta uma sobrancelha perplexo, junto com Larice que encara Patrícia espantada e depois joga o olhar para Tom não esperando a atitude dela. -Muito conveniente Miss. Mas como pode observar, eu não tenho carência alguma, muito pelo contrário, tenho tudo que quero. Por outro lado, não posso dizer o mesmo de você, que deve estar querendo aproveitar a situação ao máximo não é? Já que não tem família no Brasil, e é uma pobre drogada que vive nos bares se alcoolizando e quem sabe fazendo coisas piores. Pati semicerra os olhos com rispidez, sentindo-se ofendida, levanta-se com fúria e o indaga– Ok senhor James! Qual é a sua? Eu não vim por conta própria para a Itália com você. Sequer me lembro de tê-lo visto no bar. Como vim parar aqui? E o que realmente você quer comigo? James aperta os olhos sem deixar o sorriso sádico de lado e a responde friamente – Você sabe muito bem, o que quero com você. -Não! –Grita ela perdendo a paciência, fazendo Tom e Larice se assustarem – Eu não sei o que você quer comigo, pare de jogar comigo! Pare com esse sorriso idiota, como sabe da minha vida?


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Tom se levanta incomodado e vai até ela a pedindo – Pati não adianta discutir com ele, venha comigo? Pati afasta Tom agressivamente, encarando James esperando ele dizer algo concreto. Larice solta um grande suspiro de indignação e se levanta da mesa dizendo - Dá para pararem de lavar roupa suja enquanto eu tomo meu café. - Ela se vira para James que parece não está preocupado ou abalado continuava tomando seu café como se nada tivesse acontecido. – James, eu não me importo com o que você faz. Já é crescido o suficiente para receber lição de moral, só te peço para deixar sua obsessão de lado ou isso irá te afundar meu irmão. – Ela fita Patrícia rapidamente, decidindo não dizer nada a ela, e sai levando algo para comer. Tom um pouco incomodado em se sentir impotente diante da situação, deixa Pati que não aceita o convite dele e segue Larice os deixando sozinhos. Pati ainda encarava James bufando, esperando uma resposta concisa. James calmamente a responde – Você se lembra do seu passado? Pati franze o cenho não compreendendo – De que passado? Do que fala? -De quem você foi, e do que fez? Pati morde os lábios e apertar as mãos inconscientemente, uma lembrança esquecida e angustiante que envolvia sangue e uma desgraça aparece rapidamente em suas lembranças perdidas. Imediatamente responde fingindo não saber de nada – Não, eu não me lembro de nada. -Enquanto você estiver aqui comigo, tente se recordar do seu passado, e ai saberá por que estou fazendo isso com você. – Diz seriamente se levantando da mesa. Pati não


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compreende. Ele passa por ela a deixando com um calafrio estranho. Olhando firmemente para a mesa, respira fundo tentando afastar aquela lembrança ruim. Olha para trás como se tivesse concluído algo, não vê mais James e pensa algo, criando um sorriso desafiador nos lábios: - Já que quer jogar, vamos ver o quanto aguenta Senhor Henphins!


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Linda Italy o inicio de Tudo E

m algum Lugar da Itália onde os campos são mais

verdes, cheio de árvores florescentes da primavera. Um doce e suave vento vindo das montanhas próximas sopram as árvores banhando os trabalhadores mais cansados que cultivavam no sol ardente os pomares da grande fazenda de macieiras, VitaliApple. Não muito longe dali; Em uma pequena província acima das montanhas, chamada Candriai. Uma adolescente de 17 anos balança em uma grande árvore que recebia o vento gelado junto com outras árvores ao redor que peneiravam a luz do sol, enfeitando a grama verde com desenhos de sombras das folhas ao chão. Com um vestido azul Marinho, e um grande laço vermelho rodeando sua cintura, seus pés com um all star vermelho cano baixo, tocando o chão à medida que se balançava mais alto, sentia o vento em seu cabelo castanho soprando e levando-os para longe. Seus olhos estavam fechados contemplando aquele ar refrescante em sua face, e a paz daquele lugar era tão


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impressionante que os cantos dos pássaros eram uma poesia interminável. Poderia ficar para sempre ali se não fosse um cutucão repentino que a fez retornar para a realidade. Assustada, vira-se rapidamente esperando o pior. Quando seu corpo relaxa, seus olhos verdes com um arco dourado no meio voltam a seu estado normal, sua respiração acompanha o rosto familiar em sua frente relaxando. Seu melhor amigo a olhava com um sorriso divertido. - O que faz sozinha aqui? - Pergunta o amigo que ria do susto que ela havia tomado. - Nada, apenas estava me distraindo um pouco, às vezes não tenho nada para fazer e venho aqui pensar. - Ela falava em um ligeiro, quase nem notado sotaque Italiano. O amigo falava da mesma forma que ela, às vezes ela tinha a impressão de que ele imitava seu modo de falar. Mas nunca teve curiosidade de perguntá-lo onde ele havia aprendido o português. -Vamos para a cidade, quero te levar ao cinema? -Não... Não estou muito afim, ultimamente estou muito triste. Parece que um vazio me engole por dentro... -Aconteceu alguma coisa com alguém importante para você? -Não... Está tudo bem. – Responde tentando forçar um sorriso. Apesar da amiga está bem mais triste que o comum, o entusiasmado garoto, que parece ser bem mais velho que ela, a puxa sem perder as esperanças: - Vamos! Vamos sair! Que depressão é essa?


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Torcendo os lábios com demasiada angustia, tenta suprir aquele aperto esquisito no peito e se levanta, agora pisando com seu all star no chão firmemente. Ele carinhosamente, com seu cabelo ruivo brilhante que dançava ao vento amistoso da tarde, seus olhos azuis claríssimos que brilhavam acompanhando as luzes harmoniosas do ambiente. Estende sua mão a ela, que relutante acaba a pegando. Ele a conduz pelo caminho arborizado animadamente, logo seu contagio alegre passa como uma energia boa nas mãos dela que segurava as deles fortemente. Correndo felizes, pareciam até dois namorados de mãos dadas. Isso era o que ele queria acreditar, pois era apaixonado por ela, porém a jovem era dispersa e nunca percebia esse amor oculto. A pequena província de Candriai. Tinha poucas casas em estilo quase padrão, cerca baixa, varanda com parapeitos de madeira, algumas com flores enfeitando as janelas; Muitas montanhas, e uma bela paisagem de céu limpo, com nuvens de colunas que enfeitavam o céu criando grandes variações de altura. Nesses casos raros para bons videntes, conseguese observar o quão distante o céu estava de nós. O Centro de Trento, não muito distante de Candriai, é uma cidade histórica e arquitetônica, onde há muitos monumentos, museus e igrejas. Lá, caso os moradores de Candriai quisesse sair da pacata cidade poderia viajar com algumas horas de carro e visitar a cidade, abastecer suas geladeiras ou dar uma passeada no cinema. Mas a Jovem não estava afim, ao final ela acaba ficando sentada em uma grama baixa, onde poderia contemplar ao longe a cidade de Trento, sentindo o vento suave acariciar sua face. - Tenho vontade de sair daqui um dia, ir para outro país. - Diz à garota que olhava para o céu e as nuvens se


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movimentando com o vento forte. Ela sente a brisa no rosto fechando os olhos brevemente. O rapaz a observa com olhos curiosos, parecia que por dentro ao fundo de seus sentimentos queria compreender, e desvendá-la como se ela fosse um cubo cheio de faces e combinações: - Você está estranha, sempre esta animada e agora fica triste e pensativa... Ela o pergunta parecendo não ouvir o que ele diz - Você acredita em destino? O garoto coça a cabeça e respira fundo inquieto, parecendo não compreender aquela filosofia toda - Por que está perguntando isso? -Não... É que eu estou acreditando em passado, no presente e futuro, em pessoas especiais, em pessoas que amamos em outras vidas e o que buscamos nessa... Levantando uma sobrancelha impressionado, coloca a mão na testa dela com ar zombeteiro - Você não está bem não é? -Estou. – Diz ela animada - Só estou pensativa hoje, acontece que sinto falta de algo e não sei o que é?... -Não se preocupe, eu estou aqui, sinta falta de mim. - Engraçadinho! -Diz ela o dando um leve empurrão. Ele cai levemente para trás sorrindo, e se aproxima dela com segundas intenções, porém, ela estava tão longe que não percebe. Tirando alguns fios de cabelo castanho que voava para seus lábios rosados, passa sua mão levemente pelo seu rosto macio, seu olhar denunciava algum sentimento de perda, mas era impossível desvendá-los. Ele então a diz: -Posso te contar uma história?


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-É mais uma daquelas histórias da sua terra natal? -Não. – Ri ele – É sobre uma aventura. – Diz animado. -Ah, Tayler! É mais uma das suas aventuras fora deste planeta? -Essa é legal. -Sim, muito legal e mentirosas também! – Sorri, parecendo que só as histórias dele, ou a intenção de contálas já mudava seu humor. -Bem, essa é uma história linda, você vai até sonhar com ela. -Eu aposto! – Desafia. -Ok, vamos ver senhorita Safira. – Essa história não se passa aqui na terra... -Como todas. – Diz ela interrompendo. -Dá para ficar quieta e ouvir? -Sim, - Concorda torcendo os lábios descrentes. - Um bravo cavaleiro da ordem dos cavaleiros vermelhos, ousou prometer a uma bela jovem que iria dar-lhe a mais bela, rara e divina flor, das mais belas flores existentes. Era a Daisy vita eterna, (Margarida da vida eterna). Ela somente nascia no jardim do Éden, do poderoso e impetuoso El Elah. O cavaleiro saiu em sua jornada em busca da Daisy, e finalmente utilizando seu cavalo negro que poderia romper as estrelas em uma velocidade estupenda. Encontra o planeta Belatrix, o único planeta que poderia abrigar o jardim do Éden. Porém o Bravo cavaleiro teria que ser astuto e rápido. Ele teria que descer com seu cavalo, entrar no jardim e roubar a Daisy, saindo de lá rapidamente. Pois se ele


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encontrasse com El Elah, ele poderia o cegar com seu poder acima de todas as espécies. Ele faz uma pausa para tomar saliva a sua garganta e ela o diz indiferente - Sua história esta parecendo uma versão da bíblia interplanetária, com exceção desse planeta Belatrix, que me parece uma montagem ordinária da sua mente fantasiosa. -Pare de me interromper Safira, e pare de ser cabeça dura. Abra sua mente para o fantástico, ao menos uma vez. -Ok, Ok! – Diz tentando ser mais paciente. Ele aperta os lábios indignado com a resistência dela, e continua sua história -... O cavaleiro então contemplou o jardim do Éden, era imenso e maravilhoso. O brilho daquele jardim deixava seus olhos surpreendidos, existiam tantas espécies ali, e as montanhas, nossa, como eram brilhantes e lindas. Naquele planeta tudo fugia a regra da existência. Ele, um cavaleiro que nunca havia visto tal sublime paisagem, e jamais contemplado a natureza em sua pura forma, ficou soberbo com aquilo, queria morar e morrer ali com sua bela dama. Mas não podia, tinha que ser rápido e pegar a Daisy. Ele não sabia onde procurar, somente havia escutado histórias, e nunca havia confirmado se eram reais, apenas queria impressionar sua bela dama. Procurando pela Daisy. Acaba encontrando quatro maravilhosos rios que se cruzam entre si, cada um deles com brilho e cores diferentes. Quando se cruzavam, brilhavam mais intensamente, sem misturar suas cores, formando braços que pareciam proteger seu centro. E quando olhou ao centro, viu o que nenhum mortal poderia ver. Uma grande e esplêndida árvore do fruto de ouro. Era a grande macieira da cobiça, e porque cobiça? Por que seus frutos seduziam com puro ouro, os nobres dos mais nobres cavaleiros. O cavaleiro contemplado com aquele brilho e magnificência se aproxima da árvore, deixando seu cavalo a


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margem de um dos rios, bebendo da água verde pale e límpida, seguiu até ela, atravessando e se banhando no encontro dos rios, a água parecia lavar lhe alma, e o brilho dela o cegava trazendo um banho de felicidade ao cavaleiro. Quando finalmente se aproxima da grandiosa árvore, em seu pé, encontra a Daisy, brilhando um branco puro. Desce suas mãos para pegá-la, mas antes que seus dedos a tocassem, seu olhar é direcionado para o brilho de um fruto de ouro. O cavaleiro que estava arqueado pronto para pegá-la, se levanta olhando para o fruto o cobiçando. Uma bela maçã de ouro brilhava tanto e era tão polida, que seu reflexo se jazia nela. Então o cavaleiro pensou: ‘‘Eu posso comprar o universo com os frutos dessa macieira. ’’ -... Antes que diga algo, comprar o universo só foi uma forma de expressão. -Tá! Não falei nada, estou quietinha ouvindo. -Quando o cavaleiro preenche suas mãos com as maçãs, o céu que estava iluminado pelos dois sóis, começa a ficar com nuvens negras e pesadas. O cavaleiro corre até seu cavalo com as maçãs, mas quando o alcança, seu cavalo estava caído ao chão morto, provavelmente envenenado com a falsa água cristalina. O cavaleiro não sabia, mas havia tocado no fruto amaldiçoado e agora teria que arcar com as consequências. Foi então, que um estrondo se ouviu, o céu rugiu, e o cavaleiro estremeceu. Quando achava que o pior iria o acontecer, tudo começa a se desfazer em sua frente. Os frutos ficam podres, criando larvas e insetos em suas mãos. O céu se desfaz em pedaços, os rios evaporam. E ele, não vê mais nada, estava tudo escuro, o cenário não estava mais lá, não existia mais nada, apenas o cavaleiro e sua consciência.


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-E o que aconteceu com ele? – Pergunta ela, parecendo mais interessada. -Nada! O cavaleiro descobriu que ele nunca havia existido. -Como? – Questiona indignada. - A bela dama era o motivo; A Daisy o objetivo, O Jardim do Éden era o lugar que ele estava, a maçã sua ganância, e o El Elah era o homem que o prendia a Belatrix, ele nunca havia existido, entendeu? -Não. E dessa vez a história não teve graça. Você está contando metáforas, cadê o final feliz? Cadê o objetivo da história. -Safira, só os sábios compreendem. -Está me chamando de burra? -Estou dizendo que só os sábios compreendem – Diz ele apertando suas bochechas que estavam inchadas com raiva da pior história que já ouviu. Tayler se levanta com um sorriso satisfeito e diz algo ao vento – Você é minha bela dama agora. Safira pergunta o que ele havia dito, mas ele a olha sorrindo e não a responde. Quando Um carro preto se aproxima dos dois, Safira olha como se conhecesse e levanta apressadamente. Quando o vidro fumê baixa e um senhor com a aparência colérica, a chama: - Safira! O que faz com esse moleque? - Ela se despede do rapaz dando um beijo em sua bochecha, o que deixa o homem furioso e sai correndo até o carro entrando. - O que estava fazendo com aquele? - Pergunta furioso. - Só estava conversando papà.


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- Já falei que não quero você conversando com ele! Ela não o responde. E os dois partem. O pai fita o rapaz que aperta os olhos parecendo não se intimidar por ele. Á noite em sua casa, ela penteia os cabelos na penteadeira, com uma escova de madeira branca, já com seu pijama de dormir. Seu quarto ficava no último andar e tinha uma varanda enorme com uma grande janela que tinha uma vista maravilhosa de árvores e montanhas. Ela gostava de se pentear a luz da lua, ouvia o barulho dos grilos, e o som do vento na floresta. Estava muito triste e não sabia o porquê, ela gostava do seu pai, mas odiava algumas atitudes dele. Depois que sua mãe morreu de forma violenta, quando ela tinha apenas sete anos, ele nunca mais foi o mesmo. Ela não se lembrava da morte da sua mãe, era muito pequena e estava dormindo quando houve o ocorrido; Isso foi o que seu pai a contou, pois esse parecia estranhamente ser o único episódio de sua vida que estava em branco na sua cabeça. Seu pai a contou como sua mãe foi vítima de um estripador que a matou a sangue frio, não contou detalhadamente, pois não queria assustá-la, mas em seu enterro o caixão não fora aberto devido à dilaceração do corpo. Ela repentinamente pega a escova a observando, passa a mão em seu cabo sentindo a falta de algo ali, havia seu nome escrito, porém, faltava alguma coisa, mas não consegue saber o que poderia ser. Distraída não percebeu que alguém entrou em seu quarto pela janela aberta e colocou a mão em seus olhos, com voz doce e meiga pergunta - Adivinha quem é? - Hum... Não sei? -Diz ela rindo - Acho que é o Tayler? Ele tira as mãos dos olhos dela e fala desanimado - Ah! Não tem graça você acerta todas. - Claro só você que sobe minha janela a noite com perigo do meu pai te dar um tiro de espingarda. - Você melhorou?


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- Sim. - Seu pai é um chato e ele me odeia, ele acha que você nunca vai crescer e se casar comigo. Ela dá risadas - Claro acho que esse é o medo dele. - Vamos fugir e dar um passeio? - Não Tayler. Sei o que você quer, e não posso. Já falei que neste momento não quero namorar com ninguém. - Não é namorar Safira, Eu só estou te convidando para ver a bela noite de luar. Ela desvia seu olhar, observando a luz forte da lua entrando por sua janela, ele vê a oportunidade e pega em sua mão dizendo: - Queria muito que você me amasse... Mas, tenho medo que isso um dia aconteça... – Dizia com o olhar distante e triste. Safira percebe e retorna seu olhar com carinho para ele, um sorriso pacificador vem aos seus lábios – Não importa o que aconteça, hoje, amanhã ou no futuro, eu sempre estarei com você. E você sabe que depois do meu pai, você é a pessoa mais importante em minha vida. Dê tempo ao tempo Tayler. – Sorri afetuosamente mexendo seus dedos nas mãos dele tentando o passar seus sentimentos. -Tempo... – Diz respirando profundamente – É algo que não temos. – Sorri se conformando com algo. - Estou indo. Amanhã vamos nos ver? – Pergunta mudando seu humor repentinamente. - Claro que sim, no mesmo horário, no mesmo parque. Ele faz sinal de tudo bem e sai pela janela do quarto, ela o acompanha olhando pela varanda, descia se agarrando nas madeiras e blocos como um gato habilidoso, sem fazer sequer um barulho, corre pelo quintal e pula a cerca baixa de madeira. Safira soltando um suspiro de alívio. Olha as


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estrelas, algo a incomoda e uma dor em seu peito se faz, parecia que as respostas de algo que ela não sabia vinham das famosas e temáticas estrelas que eram alvos dos contos mais loucos de Tayler. Mas o que era? Pensava ela. Deitando em sua cama fala consigo mesma - Não é isso que quero agora, preciso de uma pessoa... Que não é ninguém que eu conheça, talvez seja desta vida ou de outra... Pela manhã em um restaurante em Trento; Safira estava entediada no carro. Seu pai havia a dito que queria comprar o café da manhã. Em Candriai tinha lojas pequenas, mas o suficiente para comprar o café da manhã, ela não sabia o motivo absurdo que faria o viajar tanto para Trento. Deixando ela no carro entra no restaurante, mais um motivo para deixá-la com a pulga atrás da orelha, pois se compra café da manhã em mercearias ou padarias. Ela se recosta no banco de trás relaxadamente, soltando um suspiro aborrecido. O pai entra no restaurante e vai em direção a um homem misterioso sentado em uma mesa com roupas negras e um chapéu de comandante que caia um pouco em seu rosto o escondendo. Furioso dirige-se a ele dizendo – Mande-o afastar-se dela! O homem toma seu café tranquilamente e o perguntaPreocupado com algo? - Sim, vocês estragarão meus planos! - Seus planos? – Ri friamente – Eu não me preocuparia se eu fosse você, seus dias estão contados. - O que quer dizer? – Pergunta, observando que calmamente o homem cortava com firmeza um belo pedaço de torta de maçã que estava em seu prato, e instintivamente imagina talvez por uma breve loucura, sua cabeça ali. - Quer dizer que logo fará um serviço especial para mim. – Diz comendo o saboroso pedaço ainda quentinho. E o pai


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observa cada eloquência.

gesto

dele

que

gesticulava

com

muita

- Não me importo com o que me mande fazer, contudo que não me tire à garota. - A garota não está na minha lista de prioridades, o que faz ou deixa de fazer com ela não é um problema meu. O pai de Safira o encara com olhar de repulsa e medo, ele parecia tranquilo tomando seu café e comendo sua torta, mas a escuridão que o acompanhava ia além de seus trajes ou sua postura. Saindo às pressas de lá não ousa olhar para trás. O medo havia o consumido. O Homem com aparência sombria sussurra: - Não deveria confiar em mim, ser insignificante. Assim que o pai de Safira sai, o homem se levanta com o chapéu baixo e deixa notas para pagar o café. Notando o carro parado em frente ao restaurante, vê a adolescente apoiada na janela com olhar aborrecido. O homem a encara na medida em que ela o encarava. Safira sente-se incomodada, uma sensação fria e esmagadora percorre seu peito, sem entender quem era aquele homem medonho, rapidamente fecha o vidro fumê, a fim de amenizar a situação. Apenas um sorriso sinistro corre nos lábios do sombrio homem.


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O Fogo chama-se Pink E

xistem alguns conflitos que são inevitáveis, por

exemplo, amar ou não amar a humanidade. Na cabeça de algumas pessoas, existe aquele ‘’bem social’’, aquilo que você precisa fazer para poder conviver bem com as outras pessoas, e têm pessoas que vão além, como Pink, que sempre ajuda os mais necessitados. Ela tinha um dom único e que na sociedade atual estava escasso, ‘‘se colocar no lugar dos outros’’, tão profundamente que poderia sentir cada vida arder em seu peito. Como moça de causas próprias, ela não faz distinção de o que é desejável e aceitável dentro da sociedade; Está mais preocupada com seus próprios ideais. Por isso hoje, nesta tarde ensolarada, Pink sai ao meio dia de seu cursinho popular, onde aos 19 anos busca escolher uma profissão para ser uma voluntária em ajuda humanitária. Exclusivamente hoje. Ela está em um conflito extremo e pessoal. Alguns dias atrás, ela presenciou uma senhora que, sempre antes de entrar em seu cursinho que começava às 8h,


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ela a levava alimentos. Essa senhora carregava duas crianças, uma em seu colo e a outra sempre agarrada por uma de suas mãos. E sempre no mesmo ponto pedia dinheiro ou alimentos, e Pink com muito prazer a ajudava. Mas um dia, Pink vê uma das crianças na rua, com pés descalços e roupas rasgadas pedindo dinheiro sozinho. Então foi conversar com ela: - E ai garoto, por que está com essa boca toda suja de terra? -Desculpa Tia, é que achei uma bolacha no meio da calçada cheia de terra... – Responde quase que envergonhado pelo seu ato. - Já disse para me esperar não é? Olha o que eu trouxe para você hoje... – Com um tom suave quase de mandona, mas que queria o passar tranquilidade, tira um grande pacote de bolachas de sua bolsa que faz os olhos do garoto brilhar. – Tenho mais coisas cadê sua mãe e seu irmão? -Ela não é minha mãe... – Um tom de inocente revolta soa em suas palavras. Pink franze o cenho – O que ela é de vocês então? - Ela só é uma mulher que nos obriga a pedir moedas na rua, para depois ficar com tudo e deixar Victor e eu passar fome. ‘’Victor era o mais novo e este era o Raul o mais velho com grandes olhos jabuticaba que sempre me chamava atenção, com a boca suja de terra e olhar vago de desistência, de alguém que não sabia lutar, que estava perdido. Eram essas pessoas que eu sempre quis ajudar, que meus instintos, sempre falaram mais alto. Mas nesse dia eu iria descobrir o lado negro dos sonhos mais inocentes. ’’


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Pink então pede a essa criança que a leve até a mulher. Entrando em uma comunidade local, Pink com muito medo, mas mantendo-se firme, segue a criança que com os mesmos pés descalços já calejados, corre entre o esgoto a céu aberto e asfalto quebrado, com muita habilidade, havia perigos ali como cacos, pregos ou pedras para cortá-lo, mas ele ignorava estes detalhes como se seus pés fossem donos do chão imprevisível. Quando a criança para. Pink já estava exausta de correr atrás dela, buscando o ar, a criança a aponta uma casa velha de madeira. Pink percebe o olhar de medo de Raul e seus pés se afastarem devagar de lá como se um grande monstro vivesse dentro daquela casa. Pegando na mão de Raul para dá-lo coragem, dá passos a frente, sentindo o medo do garoto e o tomando como seu, quando sente as mãos deles escorregar como macarrão cozido por suas mãos, e quando olha para trás vê o garoto com a mesma agilidade correr o mais longe o possível dali. Antes que gritasse por seu nome, ele já havia sumido e ela estava sozinha. Continuando seu insistente objetivo, crente que o fato dela já ter ajudado a mulher algumas vezes, não teria o porquê, esta mulher a fazer algum tipo de mal. Antes de entrar na casa, ela ouve um barulho e se esconde rapidamente, talvez por instinto próprio ou medo muito aflorado, pois nunca esteve naquela situação. A mesma mulher sai da casa empurrando outro garoto que Pink ainda não conhecia e batia nele com uma cinta, mas não como um pai bate em uma criança para castigá-lo, e sim como o próprio Jesus fora punido. E Pink vê as marcas por todo o corpo da criança de surras mais antigas. O garoto tentava correr, mas ela o segurava e batia mais e mais, e ele apenas gritava e chorava pedindo desculpas. O motivo, à mulher gritava aos berros para todos ouvir. ‘’ Você não trouxe dinheiro hoje, seu Merda!’’.


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‘‘Que tipo de monstro era aquele? Bater em uma criança por que não lhe trouxe dinheiro?’’ Não demora muito até Pink perceber que se tratava de seres inescrupulosos que usavam ou raptavam crianças para virarem pedintes de rua. Ela então perdendo o medo, tira o quanto de fotos consegue com seu celular, e até filma a tal mulher espancando uma das crianças. Mas para sua surpresa. Quando vai a delegacia denunciar, o policial faz pouco caso de sua denúncia. E o motivo Pink descobrirá com uma amiga que faz trabalhos voluntários nessa comunidade. Os policiais têm acordos ilícitos com esta favela. Tudo, tudo mesmo, dentro dela é permitido por debaixo dos panos da ‘’lei’’. Aqueles olhos jabuticaba, remelados daquele garoto que parecia a implorar uma nova vida, ficarão marcados em sua carne. E Pink apenas uma mortal, com medos de um ser humano comum, não podia fazer nada a não ser observar. ‘’Observar... Até quando?’’ Suas mãos atadas diante de uma sociedade que esqueceu o valor da vida, e sua determinação em mudar aquilo através dos olhos da lei, a deixou frustrada e sem esperanças. Talvez Pink sozinha não seja capaz de mudar uma formiga de lugar. Caminhando desanimada na rua, com seus cadernos em mãos, os que estavam mais pesados do que o de costume, apenas pensando distraída, olhando para o sol forte que brilhava quase a cegando, desce sua cabeça ao chão e nota seus pés com sua sapatilha confortável, que estavam cansados. Pés tão jovens e tão cansados, mas será que era sua mente que estava tão cansada, tão jovem e tão cansada. Quais conflitos são tão grandes para uma jovem de 19 anos se sentir tão cansada. Será que estes mesmos conflitos


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afetaria um adulto de 40 anos? Será que uma jovem não conseguiria saber o suficiente sobre a vida, e que estes conflitos seriam apenas banais e passageiros? Foi quando atravessando a rua, vê um homem cego do outro lado tentando atravessar. Em outros dias, ela correria para ajudá-lo. Mas só hoje, somente hoje, iria dar um descanso a sua mente. ‘’Vamos ver que rumo à vida toma, sem minha interferência. ’’Pensa ela. Mas a vida estava disposta a prega-lhe uma peça, o homem começa a atravessar no sinal vermelho, e Pink olha descrente aquilo. ‘’Não, Não... – Nega ela – A vida não pode estar me testando. Não hoje!’’ Mas estava, o homem que atravessa sacudia uma bengala negra com um detalhe peculiar esculpida em sua ponta, um tigre negro com olhos de diamantes vermelhos. Pink dá um sobre salto correndo com toda sua força na direção dele e antes que o pior aconteça, lança seu corpo na direção do homem o jogando para a calçada bruscamente. Seus livros e cadernos voam longe, a buzina desesperada do carro que passava soa os deixando atordoados, e algumas pessoas inevitavelmente que passavam por perto olham aturdidos. Indignada pela peça que a vida a deu, mas aliviada pela vida do homem, levanta-se do chão, seu sangue estava tão quente que sequer percebe seu braço todo ralado que raspou no concreto quente da rua. Levantando o homem do chão como primeira prioridade, o pergunta aliviada se ele estava bem. Conseguindo o encarar nota um homem jovem, que não poderia ter mais de 26 anos, com cabelo negro, em estilo Elvis penteado para trás, de terno comum preto, pele branca e seus olhos cobertos por óculos negros que lhe caiam bem. Robusto e agradável aos


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olhos de uma jovem. Porém este mesmo não a responde deixando um vácuo no ar. Mesmo assim ela insiste. Depois de levantá-lo, pega seus livros do chão, o homem o máximo que faz é pegar sua bengala que Pink o entrega e sair caminhando como se nada estivesse acontecido; Ela depois de recolher os livros ainda corre em sua direção o guiando cuidadosamente. ‘‘Oh estupida Pink, por que não perde essa mania!’’ – Pensa brigando consigo mesma. Percorre quase todo o caminho o acompanhando. E na metade para quebrar o clima e fazer sua mente julgadora se calar, acaba o perguntando: -Você está realmente bem? -Sim estou. - Responde ele sem muita animação na voz. ‘‘Sequer diz obrigado. ’’ – Pensa ainda com o peso de suas decisões nas costas. Pelo caminho em silêncio o acompanha até chegar à portaria de um apartamento pequeno e novamente volta a perguntá-lo: - Quer que eu o acompanhe até sua casa? - Não. - Responde secamente. Respira fundo desejando ir logo para casa, aquele cara era o tipo de pessoa que ela manter-se-ia bem longe, antipático, mal educado e frio. Defeitos que Pink não suportava nas pessoas. Prefere não se aproximar, virando as costas para sair ajeitando seus materiais no braço, Quando ouve algo sem esperar: - Ei! Está ai ainda?


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Ela abre a boca para responder, mas logo em seguida fecha ficando quieta, diante da dureza dele prefere não manter contato algum. Quando ouve um sonoro e agradável ''Obrigado'' vindo dele. Pink sente uma mistura de surpresa e perplexidade. Olhando o homem entrando entrar no apartamento uma súbita curiosidade bate nela. Percebendo uma senhora de idade seguindo para entrar no prédio, corre até ela a chamando: - Ei senhora? - Sim? – Responde a simpática e cansada senhora de cabelos brancos acinzentados. - Pode me responder quem é aquele homem que acabou de entrar? - Aquele? Ah sim, seu nome é Jack, ele está morando aqui há alguns meses. - Mas por que ele é assim? - Cego? - Bem, iria dizer arrogante. - Ele não fala com os vizinhos, já fui ao apartamento dele levar um pedaço de bolo, mas ele bateu a porta na minha cara. Ele não pede ajuda de ninguém, e não tem família para ajudá-lo. Eu acho que ele está com algum problema para se adaptar com a cegueira, acho até, que não faz muito tempo que ele está cego. Ficando quieta sai às pressas; A senhora com suas roupas combinadas de cores leves e chinelinho combinando, observa a correr, apertando as mãos enrugadas tentando compreender aquela pressa toda, antes de continuar seu caminho faz uma reflexão. ‘‘ Talvez só ao longo da vida, no final dela, quando não temos nada a perder, é que nos


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lembramos de ir mais devagar. ’’ Pensa a senhora satisfeito pelo seu pensamento sensato. Do outro lado do muro, o senhor seco de nome Jack, entra no apartamento e joga as chaves na mesa central da sala acertando seu alvo com perfeição, tira os óculos e revela ter um belo par de olhos azuis como turmalina, deixando os óculos na mesma mesa, sorri satisfatoriamente, joga a bengala no ar e a pega com precisão dizendo – *Stenis Erto!(Dia de sorte)*outra língua. Já no final da tarde, deitado na cama, passava com o dedo no touch de sua Tablet as notícias do dia e ria descontroladamente por algum motivo sem sentido. Quando ouve um barulho vindo da sala da porta de entrada se abrindo e fechando em seguida. Levanta-se rapidamente surpreso, seus olhos azuis se acendem com um tipo de luz vermelha que os domina. Pegando com agilidade sua bengala, seus poderes que correm as visíveis veias de sua mão em um líquido luminoso vermelho, se une a bengala a energizando-a, e o inocente objeto se transforma em uma espada de duas lâminas em cada extremidade. Esconde-se em posição de ataque com uma habilidade de um tigre experiente. Pink entra e fecha a porta vendo a casa toda bagunçada e uma trilha de louças quebradas no chão, ela se assusta achando que algo de ruim poderia ter acontecido e chama Jack. Ele reconhece sua voz, sorri aliviado, voltando ao normal, sua arma branca logo volta a ser uma bengala comum. Então, caminha até a cozinha apoiando-se na parede denotando uma aparente normalidade. Pink o vê bem e fica feliz. - Desculpa invadir sua casa. Suspira aliviada. - O que quer? -Pergunta rispidamente. - Vim te resplandecente.

ajudar.

Responde

em

um

sorriso


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- Não preciso de ajuda. E como entrou? Eu me lembro de ter trancado a porta! Seu sorriso evapora e ela aperta os lábios respondendo – Isso não importa. -Claro que importa! – Fala em tom autoritário – Você invadiu minha casa, posso denunciá-la agora mesmo para a polícia! – Ele vai tateando os móveis a procura do celular. Pink nota o celular próximo ao seu pé e o pega o entregando – Tome. Eu só estou aqui para te ajudar. -Você é surda? Ouviu que eu não preciso de ajuda! – Eleva a voz friamente pegando o celular que ela lhe entregava. Pink torce os lábios o respondendo indiferente - Eu sei, mas não ligo. – Não se importando com o desprezo e raiva dele prende o longo cabelo cacheado e negro em um coque onde alguns fios escapam caindo em seu pescoço pálido, coloca um avental que trazia em sua bolsa e começa a organizar o apartamento. Jack olha aquilo perplexo não entende e a questiona. - O que está fazendo? Saia daqui! - Não saio pode ficar quietinho ai. Jack negativa a cabeça não acreditando naquilo e questiona – Ganhei uma empregada agora? Pink vira-se para ele recolhendo os pratos quebrados e pergunta – O que fez aqui? Deu uma festa? Encostando-se com cuidado próximo ao armário da cozinha decorada em preto e branco, comenta para si em tom sarcástico ‘’ bem que eu queria. ’’. -Você comeu alguma coisa hoje? -Isso é o resultado da minha tentativa. – Responde ele que sorri estranhamente. -Não faz muito tempo que você ficou cego, não é?


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-Como você é esperta, percebeu isso agora?- Usa de ironia. Pink abre sua bolsa e tira um sanduíche de presunto, queijo branco, salada e tomate fresquinho envolto em um papel vegetal e o entrega – Tome é meu lanche do cursinho iria volta à tarde para estudar, mas decidi passar aqui para te ajudar. – Ela coloca em sua mão, e Jack sorri zombando dela – Você costuma ajudar qualquer um que você acha por aí? Que Patética! Pink o fulmina com o olhar - Patético é quem tenta atravessar uma avenida movimentada sem experiência e com arrogância o suficiente para não pedir ajuda a ninguém que estava por perto. Jack levanta uma de suas sobrancelhas receoso e deixa o sanduíche dela no armário dizendo – Tome seu lanche e vá estudar, você tem um futuro brilhante como a idiota que tentará mudar a humanidade, fazendo atos de bondade como ajudar um cego sendo a empregada dele. – Ele sorri entre os lábios e sai deixando Pink na cozinha; Ela que pegava os cacos dos pratos no chão o olha com fúria – Idiota! Pegando os cacos, Pink encara um em específico, nada de especial, era mais um caco entre os vários que estavam quebrados no chão, e se imagina sendo aquele caco, sendo controlado por mãos maiores, e nada podia fazer a não ser cumprir seu destino, e quando este caco fosse separado de sua junção ou função, ele seria descartado assim como os demais, seria intitulado sem valor nenhum. Jack ouve a porta bater fortemente e sorri se divertindo com a situação. Ele vai até a porta e procura como Pink conseguiu entrar, logo não nota sinais de arrombamento, e vai até a síndica a questionando – Você deu a chave do meu apartamento para aquela garota?


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A senhora que era síndica e que Pink havia conversado no dia anterior o responde preocupada – Sim, você parecia precisar de ajuda e aquela garota pareceu ser tão gentil. Ele sorri e agradece saindo. A senhora não entende nada. Quase anoitecendo Pink retorna trazendo potes com comida caseira, ela mesma havia feito panquecas. Quando ela abre a porta utilizando a chave reserva que havia conseguido com a síndica, Jack a surpreende com sua bengala pronto para atacá-la. Ela grita com o susto e derruba tudo no chão. Ele ri, e Pink vê sua comida feita com tanto esforço toda esparramada no chão, ela respira lentamente com ��dio e pergunta revoltada – Por que está rindo? Ele para de ri, buscando o ar e responde mecanicamente – O que faz aqui de novo? - Fiquei pensando que você não iria comer nada descente, então vim aqui trazer algo para você! Entre os óculos escuros que nada via de sua expressão, nota sua feição de desânimo. Ela começa a limpar a comida no chão e Jack fala tentando mostrar indiferença – Eu estava indo comer fora. -Que bom... – Diz ela triste – Pelo menos não vai passar fome. Pode ir, não quero te atrapalhar prometo que irei terminar aqui e vou embora e não te incômodo mais. Franzindo o cenho intrigado a pergunta – Por que está tão interessada em me ajudar? -Não sei por que estou preocupada com um cego idiota como você... Jack da risada – Como? Está me ajudando só porque quer me ajudar, ou por que sou cego?


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-Talvez eu tenha esse mau Jack, acabo me envolvendo com pessoas erradas, sejam cegos ou qualquer um. – Um ar ali na sua fala denotava certo ressentimento do evento anterior. -Estava brincando com você de manhã, não te acho uma patética por ajudar as pessoas. Só uma Tola! – Ele ri uma risada cínica. Pink o olha com raiva e pergunta – O que te aconteceu para você ser tão arrogante e mesquinho assim? Ele responde na defensiva-Está bem, parei! Quer ir jantar comigo? Pink estranha o convite o respondendo – Realmente não quero te incomodar. -Mas já incomodou, vamos? – Diz ele estendendo a mão para ela. Ela pega em sua mão e ele complementa – E, eu preciso de alguém que me guie até lá. Pink segura à mão dele não acreditando no tipo de pessoa que ela foi se envolver. Logo eles pegam um taxi e vão para um restaurante e churrascaria no centro da cidade, não era um escolhido a dedo, mas o mais perto que tinha da casa de Jack. Já com os pedidos em mesa, Pink observa Jack cortar a carne com dificuldade, e o pergunta – Não quer ajuda? Ele sorri respondendo secamente – Pode cuidar da sua comida e me deixar em paz. -Você não deixou o garçom cortar a carne em pedaços, assim fica difícil, você não deixa ninguém te ajudar! -Se eu soubesse que você viria aqui como minha supervisora, eu não tinha te chamado. – Jack chama o garçom novamente e o pede para trazer uma garrafa de vodka, Pink franze o cenho apenas observando e come sua comida sem incomodá-lo mais. Quando o garçom chega com


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a garrafa, Jack encara Pink e pede para o garçom – Pode abrila? O garçom abre a garrafa e quando ia servi-lo na taça, ele o impede e pede a garrafa, com ela na mão, ele a leva a boca no gargalo. Pink arregala os olhos não acreditando naquilo e começa a dar risadas. Jack logo a responde – Você queria que eu pedisse ajuda, eu pedi. Agora também não estou mais com fome, essa... – Diz ele mostrando a garrafa para ela –... É minha janta. Pink ri não o respondendo e ele questiona – Qual seu nome? -Pink Luny. – Responde ela. - O meu você sabe através da síndica e da chave que você pegou com ela, sem minha autorização. -Sim... – Responde continuando a comer sua refeição. -Está acostumada a ficar entrando em apartamentos de estranhos assim? -Na realidade você é o primeiro, às vezes fico me perguntando por que entro na vida de pessoas que não merecem ser ajudadas. -Hum... – Diz ele em tom de quem sabe de algo – Você tem cara de uma mocinha que parece querer ajudar a humanidade? -Não tenho perfil para isso, sou solitária assim como você, não faço amizade facilmente. Digamos que eu não atraia as pessoas. -Você as expulsa da sua vida, assim como eu? -Sim... Mas, às vezes é sem querer; Acho que talvez a pergunta que você me fez seja respondida agora, talvez esteja te ajudando porque você é um espelho meu. Talvez eu esteja


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me olhando e tentando reparar o que eu não consigo em mim. Jack da risada alto, algumas pessoas que estavam no restaurante os olham estranhando. -Você não faz ideia de quem eu sou pequena! Pink torce os lábios respondendo – Claro que faço! Arrogante, metido, mesquinho, frio, se acha o poderoso acima de todos! -Acho que sou isso mesmo e esqueceu bonitão, atraente, e estonteante! – O sorriso cínico brinca em seus lábios. Pink gargalha não acreditando, todos os fitam novamente estranhando as gargalhadas que vinham daquela mesa. -Não vou contrariar, vai que é doença. -Tenho uma proposta para você Pink, seja minha escrava sexual e nos daremos bem? Pink segura o queixo não acreditando no que ouviu – Certo! – Ela se levanta – Chega! Sou legal, mas nem tanto, Até! – Jack a fita saindo sem perder seu sorriso cínico e toma um gole da garrafa de vodka. Fora do restaurante, ela caminha sozinha pela rua, pensando alto, ‘’como fui me meter com um tipo desses, ele não tem nada parecido comigo, é só um estúpido arrogante. ’’ Ouvindo um barulho de helicóptero e vários carros de bombeiros, polícia e ambulâncias passando por ela. Com curiosidade corre na direção deles para ver o que havia acontecido, logo a frente havia ocorrido um grave acidente com uma carreta e um ônibus. Os bombeiros tentavam apagar o fogo que estava constante e alto, e tentavam salvar as pessoas presas no ônibus, o motorista da carreta havia morrido pela frente da cabine que estava esmagada, havia


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atingido a lateral do ônibus, o fazendo inclinar e formar um quase V. Pink fica apavorada com a cena, corre o mais próximo o possível, ficando em um local fora da visão de todos. Ela fecha os olhos se concentrando e respirando fundo para se acalmar, consegue sentir que havia cinco pessoas ainda presas dentro do ônibus; O fogo não tinha chegado até elas. Pink diferentemente das adolescentes de sua idade, não era uma garota comum, ela tinha além do dom de se colocar no lugar dos outros, outro dom mais poderoso ainda, o dom de controlar o fogo. Era algo recente e algo que ela rejeitava, por não entender por que ela tinha que ser diferente das demais garotas; Por outro lado muitas outras queriam ser diferente igual a ela. Ela, somente queria ser normal, porque em sua vida normal já se achava muito diferente. Talvez isso fosse uma característica importante para ter o que ela tinha, ou talvez fosse só um privilégio do destino. Naquele momento, somente naquele momento, ela queria sentir que o que estava ardendo dentro dela, fosse algo importante para aquelas pessoas preste a morrerem dentro daquele ônibus. Ela então se concentra e começa a repetir a si mesma – Tem que dar certo, tem que dar certo! – Erguendo sua mão direita próxima à altura da sua cabeça começa a espremer sua mão como se pegasse o fogo que estava queimando e o esmagasse para ele se extinguir. Ela força usando toda a energia de seu corpo, seus olhos ficam possuídos por uma luz branca involuntária, ela tenta fazer com que o fogo apagasse, mas nada acontece. A energia que iluminava seus olhos começa a tomar conta do seu corpo, logo começa a falhar se apagando aos poucos, Pink grita parecia que aquilo estava a consumindo. Ela não desiste e começa a forçar mais e mais. O fogo explode aumentando seu tamanho assustando todos os bombeiros que tentavam apagar e os passageiros ainda presos dentro do ônibus, que começam a gritar mais alto pedindo socorro. Pink para entrando em pânico, pois estava somente piorando a situação, quando ouve uma voz familiar:


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– Eu disse que dar uma de salvadora da humanidade era uma tolice! Pink se vira assustada vendo Jack atrás dela, não entendendo nada o questiona preocupada – Mas... Mas... Como me encontrou tão rápido? -Assim que saiu do restaurante te segui! Veja e aprenda com o mestre! – Ele entrega seus óculos escuros para ela, o que a surpreende. Analisando a área, logo nota o helicóptero parado do outro lado da avenida em um campo aberto. Seus olhos começam a ficar possuídos pela energia vermelha que começa a tomar conta de todo seu corpo passando por suas veias. Pink fica impressionada com aquilo nunca tinha visto isso antes. Jack usando seu poder faz a energia vermelha tomar conta da hélice do helicóptero, ela começa a rodar rapidamente e os pilotos ficam desesperados não entendendo o que estavam acontecendo, pois o helicóptero estava desligado. De repente a Hélice se solta do helicóptero, e começa a girar no ar. Todos que estavam no local não acreditam no que viam. Pink vê Jack a controlando com facilidade. A Hélice gira em direção ao fogo o fazendo aumentar. Ele diz a Pink - Se girá-la dessa forma, você estragará tudo. Mas se você fizer isto! – Ele com seu poder faz a Hélice girar em uma velocidade fantástica, logo apagando todo o fogo com facilidade. Pink fica boquiaberta com a cena. Jack ainda controlando a Hélice depois que apaga o fogo, a faz fundir-se com o helicóptero, fazendo parte do mesmo sem dano algum como se junta-se a matéria em seu estado anterior. Ele caminha até Pink e a diz com um sorriso zombeteiro – Precisa treinar mais pequena. Pink espantada tenta entender e antes que ela pudesse formular algo, olha ao seu redor Jack não estava mais lá. Olhando para os óculos dele ainda em suas mãos, mantém-se com o olhar perplexo e varias perguntas rodando em sua cabeça.


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Na manhã seguinte, Pink estava em sua casa solitariamente como em todas as manhãs, olhando pela janela o brilho do sol que era o único a fazê-la companhia em todas as manhãs. O sol já estava chegando ao topo e ela sente a sua energia e pergunta – Por que o sinto tão bem e não consigo ter controle? Em um acesso de impulso involuntário. Ela então pega suas chaves e sua bolsa, tranca sua casa e sai em direção à casa de Jack. Chegando vê a porta do apartamento aberta e estranha. Empurrando a porta com cuidado chama por Jack. Acaba sentindo um cheiro bom de alguma coisa no forno e vai até a cozinha. Jack estava cozinhando e a pergunta – Demorou hoje pequena, o que houve? Pink fica sem palavras, logo cerra os olhos e respira fundo tentando colocar suas ideias no lugar e o questiona irritadamente – Por que você fingiu que era cego? -Por que foi a única maneira de me aproximar de você. -Como? – Franze o cenho. -Você é muito difícil Pink, vi semana passada aquele rapaz tentando puxar conversa com você, em menos de 1 minuto você o fez sair correndo. Se eu chegasse a você como o ‘’bom samaritano’’ você me expulsaria. Toda mulher é assim gosta de um homem desafiador como eu. -Desafiador? – Questiona ela rindo – Não me faça rir, você está mais para um babaca que está se achando. -Babaca ou não, conseguir manter você próxima a mim por mais de 1 minuto e ainda você veio a mim novamente. Pink estava cheia de perguntas, mas logo foca nas mais relevantes – Viu? Como assim! Você estava me seguindo? -Só um pouquinho. Vi você usando seu poder em um parque alguns meses atrás e achei interessante, eu não imaginava que seres como vocês tinham poderes assim.


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Como fazem, usam alguma tecnologia, ou é poder natural assim como o meu? Pink mantém-se em silêncio por alguns segundos, as palavras dele jogadas ao ar, sem cautela alguma a causa um grande assombro. Quando o alarme do forno a faz se assustar. Jack fica intrigado a observando, mas vai até o forno dizendo – Fiz uma lasanha, você parece obcecada por alimentação, então decidi que iria cozinhar para você ficar feliz. -Eu? Ficar feliz? – zomba ela. -Sim. Abro um vinho e você me conta mais sobre seus poderes. -Espere! – Diz ela incomodada – Eu não quero falar sobre isso. - E por que não? -Por que é algo pessoal, eu... Eu... - Ela fica confusa – Me deixe em paz! - Sem motivo algum sai correndo tentando se afastar dele, saindo da cozinha e atravessando a sala de entrada quando chega à porta ela se fecha violentamente e a energia vermelha domina a porta não deixando Pink sair. -O que está fazendo? – Grita ela – Me deixe sair! Jack termina de colocar a mesa e a chama da cozinha – Venha comer minha maravilhosa e deliciosa lasanha! Pink vai até a cozinha com raiva e diz em tom alto da voz – Está brincando comigo não é? Eu disse que não quero! Jack gargalha comicamente – Você que entrou nessa pequena. Eu não te obriguei, agora vai ter que aguentar. -Pare de me chamar de pequena! E se eu soubesse não tinha te ajudado. Realmente sou uma tola por confiar nas pessoas.


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-Hm... Entendo. Bem, pelo menos você admitiu que eu estava certo. – Ele serve a lasanha e Pink fica cada vez mais irritada. Ele conseguia a tirar do sério muito facilmente, o que poucos conseguiam. -Vamos começar por coisas irrelevantes para mim e relevantes para sua espécie. Conte-me, sobre sua vida, sua família, o que faz em seu cotidiano e etc... -Só pode ser brincadeira isso? – Pergunta ela tentando controlar sua raiva. - Sim é um jogo e você só sai daqui quando responder minhas perguntas e comer a lasanha que fiz para você. – Diz com uma calma cômica terrível. Pink senta-se á mesa torcendo os lábios indignada. Jack a serve com uma taça de seu melhor vinho e senta-se tranquilamente tomando-o e esperando ela falar. Pink olha para o prato com lasanha sem fome alguma e Jack a pergunta – Prefere falar na mesa ou prefere que comamos e depois conversamos? -Prefiro terminar logo com essa tortura e nunca mais te ver. -Hm... Agora você que está sendo hostil. Toquei em algum ponto ao qual você se sensibilizou, ou você só simpatiza com pessoas cegas? Pink o lança um olhar mortal e responde com fúria – Vamos começar pelo o que é relevante a você! Não sei de onde esse poder veio, não sei o que é, e raramente consigo o controlar, muitas vezes sai do meu controle como ontem à noite. Não! Não é nenhuma tecnologia, isso vem de mim, faz parte de mim! E por que discrimina dizendo ‘’ minha espécie’’? -Por que vocês são humanos os homo sapiens, e eu sou outra espécie.


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-Outra espécie? – Ri Pink zombando dele – Conta outra! Jack sorri se deliciando com a descrença de Pink e pergunta – Foi alguém que te deu esse poder? -Eu falo sério quando eu digo que não sei de onde veio ou por que eu sou assim! -Seus pais têm poderes? -Não! Meu pai morreu quando eu era pequena de câncer e minha mãe é dona de hotéis, morávamos em porto rico e minha mãe veio ao Brasil por influência de seu novo namorado que a fez abrir um hotel aqui. Minha mãe e meu pai são pessoas comuns, só eu que sou a esquisita. – Respira entediada. Jack ri satisfeito – Ser mais poderoso do que os outros ao seu redor é ser esquisito? Você poderia dominar este planeta se quisesse. -Eu? – Ri zombando – Muita dor de cabeça. -Então você não é uma ameaça. Existe mais de vocês? -Não que eu saiba. – Estranha. Jack destranca a porta liberando seu poder,– Pode ir embora se quiser; Obrigado por suas informações. -Espere só isso? E você como conseguiu seus poderes? - A espécie do meu planeta nasce com uma linhagem de poder. Pink ri incrédula – Você está falando sério? Você é um ser de outro planeta? -Sim. O que há de estranho nisso? -Você não é verde! – Ri -Eu teria que ser verde?


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-Todos aqui imaginam um Et, verde com grandes olhos, baixinho, e que diz, ‘’ Et, Casa!’’ – zomba ela. Jack a observa sem compreender e responde – Isso é alguma alucinação da sua espécie? -Não isso é um filme de Steven Spielberg. Apesar de que aquele Et tinha uma cor esquisita. -Há entendo é normal sua espécie criar ilusões para definir seres que eles nunca viram antes, como minha espécie frequentemente viaja por galáxias, conhecemos uma grande variedade de espécies diferentes. -Tem mais? – Questiona ela surpreendida. -Tanto que ainda não temos noção sobre tudo que existe, mesmo nós que somos exploradores do universo. -Uau...! – Diz ela ficando um tempo pensativa, até que nota que estava fugindo dele anteriormente - Bem senhor Et, estou indo até. -Chame-me somente de Jack! Jack Stribold a seu dispor pequena.- Ele cumprimenta com seus olhos azuis flamejantes que deixam Pink aturdida. -E você pare de me chamar de pequena, meu nome é Pink Luny. Jack sorri, vendo-a ir embora, logo se levanta rapidamente e segura em seu braço, Pink se assusta com a ação, ele segura onde ela tinha se ralado no dia em que eles se conheceram, quando ele tira a mão o machucado havia sumido. Pink olha não acreditando e ele diz: – Te devo essa! -Como? Co, mo fez isso? Ele mostra sua mão que segurava uma espécie de rede de finos poros elétricos que quase era invisível a olha nu. –


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Essas belezuras tecnológicas do meu planeta, podem restaurar o dano nos ossos, carne e pele de qualquer ser vivo. Pink olha perplexa, ainda sem cair à ficha. ''Como o sol ela era; Queimava com toda sua fúria tudo que se aproxima ao seu redor. Mas ainda sim queria com toda a sua força esquentar seres que precisavam da sua energia. ''


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Uma proposta Envenenada P

ulando na cama do quarto ouvindo Deep Purple,

Smoke on the Water, com o som que vinha de seu celular velho, mas com as melhores trilhas do metal. Toda descabelada, aproveitando ao máximo o colchão macio que parecia a fazer flutuar, cantando desafinadamente, mas em sua cabeça acreditando que tinha uma grande vocalista de Rock and roll. A vida lhe parecia bela ao som daquela música e suas preocupações voavam para longe com ela. Quando como ao som de um vinil violado, é interrompida por alguém que acabará de entrar pela porta. Se assustando, para de pular na cama, sentando-se nela comportadamente como se nada estivesse acontecendo. E desliga o celular. - Estou vendo que você está se sentindo em casa? – Pergunta James com um sorriso sinuoso como se estivesse acabado de pegar alguém no flagra. - Quer sair comigo? - Pergunta ele. - Decidiu ser bonzinho comigo?


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- Não fiz nada que a pudesse incomodar, só estou sendo cordial. - Hum, huh! – Usa de ironia calçando seu all star. - Se quiser ficar trancada ai, escutando rock, não sou eu quem irá te atrapalhar. - Tá senhor James, eu vou, o Tom também vai? Ele se aproxima dela provocativo - Por que a pergunta? Está interessada nele? Ruborizando responde instantaneamente - Não! Como ele é seu irmão achei que ia. James se aproxima mais dela que estava sentada na cama e se curvando a sua altura para encará-la de frente, a pergunta com um olhar tentador: – Tenho uma proposta para você. Pati torce os lábios não compreendendo, e ele continua – Você poderia ser minha e te darei tudo que sempre quis o que acha? -Do que está falando, e a grande coisa ruim que eu te fiz no passado? A propósito tem a ver com crianças? -Crianças? – Estranha - Não, tem a ver com adultos. Eu posso enterrar isso, já faz muito tempo, não me afeta mais como afetava antes. – Denota um suave tom de quem escondia algo. -Bem, e como seria este ser sua? Seria igual os vampiros? James ri – Vampiros? Não My Darling seria como... – James tira algo do seu bolso, Pati vê uma caixinha vermelha de veludo, ele abre tirando uma linda aliança de ouro branco, com uma pedra de rubi redonda no meio e em volta com pequenos cristais de diamante - Você ficará linda com isto.


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Olhando admirada e atordoada pergunta - Você é louco, isso é de verdade? - Sim claro. - Já sei está brincando comigo não é? - Claro que não. - Olha... - Diz olhando para a aliança indecisa - Se me der isso, eu vou vender comprar minha passagem de volta e vai sobrar dinheiro para eu gastar em outras coisas. - Você quem sabe. - Ele pega a mão direita dela e no dedo do compromisso coloca a aliança - A partir de agora você será minha namorada o que acha? Uma sensação horrível toma conta dela, olha desacreditada para a aliança no dedo - Você é realmente louco, tome cuidado com suas brincadeiras, pode acabar machucando alguém ou se machucando. - Eu nunca perco nada Patrícia. Ela levanta sua cabeça que olhava para o anel, seus olhos o encaram parecendo hipnotizada pelo encanto dos vampiros, ou apenas pelo encanto de um homem muito charmoso que conseguia a conquistar com o que ela nunca teve acessível em sua vida. Sem ela perceber, talvez extasiada pelo momento, ele pega em seu rosto delicadamente e a beija, seu beijo vai a envolvendo de uma forma tão profunda que ela sequer percebe, quando se toca que sua língua já estava envolvida de mais com a dele, e seu corpo ia se inclinando para a direção da cama; O empurra com o sentimento de não conseguir se controlar. - Você é doido mesmo James! Estou muito curiosa para saber onde isso tudo vai dar. - Você não está diferente do que eu esperava... Pati aperta o cenho não compreendendo - Às vezes você fala como se eu fosse outra pessoa. - Diz com vergonha


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daquele momento embaraçoso - Vou me arrumar e já estou indo, Aliás, onde você arrumou aquelas roupas feminina a maioria me serve? - Tenho fetiche por roupas femininas e compro um monte. - Pare de ser mentiroso! A Larice disse que você trás um monte de mulheres aqui. - Está com ciúmes? - Não, só não quero ficar vestindo roupas de outras mulheres; E por que vou sentir ciúmes de você? Não gosto de você! - Tudo bem senhorita, a Larice que comprou as roupas. Te espero lá em baixo Hévi... Ele fecha a porta, e ela mostra a língua, parando e pensando alto - Ele me chamou de outro nome de novo? – Ignorando, começa a escolher as roupas no guarda roupa Até parece, para quem só tinha trapos, isso é um guarda roupa divino. Parecia que ela queria ignorar o mundo, os avisos estranhos, ignorar tudo que lhe fazia mal e somente prestar atenção no que tinha as mãos, naquele momento em especial; Porém algo não queria ignorá-la, algo queria que ela se mantivesse em alerta, então escolhendo as peças no guarda roupa, percebe que uma peça começa a tremer, mas não era a peça, tirando sua mão debaixo dela, nota que a mão pálida com unhas em esmalte preto tremia como um aviso de que algo faltava, de que ela estava esquecendo nesses últimos dias de algo muito importante. Derrubando a roupa no chão, perdendo o controle de si, pensa quase que indignada, ‘‘ Já faz dias que eu não... – Respira fundo agoniada – Quem quero enganar sou uma drogada desgraçada. Nada vai mudar isso, nem mesmo um riquinho metido como o James, muito menos


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ele... ’’ – Eleva suas mãos tremulas a boca tentando conter um choro, criando um nó sufocante em sua garganta. Caminhando pelo quarto o desejo a consumia, ela procura no meio de suas coisas algum pino ainda com alguma cocaína restante, mas não encontra, e um desespero toma conta dela, passando as mãos em seu cabelo, anda pelo quarto tentando controlar aquela vontade absurda e repentina. Não conseguindo mais se controlar começa quebrar as coisas do quarto acreditando que isso tiraria aquele mal de dentro do seu corpo. Vendo uma bola de metal que fazia parte do enfeite dentro de um recipiente, ela o pega, e faz movimentos jogando para o ar a fim de acertar alguma coisa. Segura a bola entre suas mãos a apertando como se quisesse que aquele descontrole passasse, acaba visualizando refletido na bola embaçada, sua face, seu cabelo armado e seus olhos pedintes e desesperados, sua respiração se acelera em raiva. E quando olha o alvo perfeito aquele maldito espelho que havia a assombrado por toda sua estadia naquele hotel. Mira no espelho com toda sua fúria. E pronta a acertá-lo, e acabar com sua angústia, antes que jogasse a bola, vê algo que a assombra. Uma mulher igual a ela refletida no espelho, porém mais velha com a aparência destruída pelas drogas. A mulher se arrasta colocando suas mãos no espelho e chamando seu nome. Ela assustada cai para trás se arrastando no chão tentando fugir daquele fantasma e gritando a si mesma – Não! Deixe-me em paz, me deixe em paz! James a aguarda na sala tomando uma taça de Glenfiddich 50 Year Old, ele ouve o barulho, mas não sobe para ver, pensativo: ''Hévi não importa quantas vidas você venha sua loucura sempre vai te acompanhar. Minha vingança tem um doce gosto de justiça, nem que para isso eu tenha que te destruir quantas vezes for preciso. ’’


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Alguns minutos se passam, e Pati desce já pronta, esfregando os olhos para James não percebe que ela acabou de ter uma crise, provavelmente ele deve ter ouvido o barulho, pensa ela, mas mesmo assim iria fingir que não aconteceu nada - A Larice é um gênio, ela fez uma combinação glamorosa para mim, veja corselete curto com uma blusa preta por baixo bem colada, uma longa saia que deixa as pernas a mostra calça estilo vinil e uma bota muito louca com rebites de enfeite. Amei! Um leve sorriso se faz nos lábios de James que percebendo sua atuação e a responde parecendo indiferente Não me importo com essas combinações femininas, me importo com o que tem por baixo. - Um sorriso pervertido acompanha seus lábios – Agora vamos? - Pare de falar bobagens James! - Vou te levar a um lugar especial. - Que Lugar? Quero ir para casa. - Você vem para a Itália, um país diferente com outros costumes, e não quer conhecê-lo? - Quero... Mas não quero conhecer esse lugar especial seu. - Posso te garantir que é um lugar lindo e você como minha namorada deve confiar em mim. - Essa história de namorada já está me cansando, eu não aceitei seu pedido. - Aceitou meu beijo e aceitou meu anel, então considero aceito. - Seu beijo, você me pegou desprevenida e seu anel, já falei que vou vendê-lo e ir embora! Levantando-se do sofá se aproxima dela devagar e a encara como se a desafiasse. Ela, não conseguia olhar para


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aqueles olhos verdes claros sem ficar ruborizada. James a beija novamente, Pati não faz nada ele era sedutor conseguia lançar um encanto nela difícil de recusar. Seus lábios descolam suavemente e ele fala - Não te disse que você aceitou meu beijo. Ficando quieta, tenta entender seus sentimentos. - Vamos! Vou te mostrar aquele lugar. James segue na frente e Pati caminha atrás se arrastando com as bochechas inchadas, seu andar pesado denunciava seu cansaço, mas não tinha nada a ver com o lugar que James ia a levar, os beijos e provocações dele ou qualquer coisa que estivesse relacionada com sua infortuna sorte. O que estava a cansando eram os sonhos amedrontadores, e a visões, nada comuns. Para quem em suas viagens alucinógenas via unicórneos rosas, e agora começará a ver uma mulher assombrosa de máscara, imagens de seu futuro em um espelho, e sensações horríveis de quem estava sendo vigiada. Aquela brisa ruim, nunca a tinha acometido até então. Os dois fazem uma viagem de carro até os campos de colheita da Itália, Pati fica a viagem toda quieta, olhando a paisagem linda dos campos, seus pensamentos eram perguntas cotidianas de quanto estava sóbria: Quanto ela se curaria daquele mal que a tirou tanto no passado e que parecia lhe tirar e lhe destruir cada dia mais, e qual seria o preço que ela pagaria para poder se livrar daquilo ou seu destino certamente era uma passagem para a cova tragicamente que fora amaldiçoada a ela desde quando nascerá. Trinta minutos depois de viagem saindo da rodovia e seguindo por uma estrada apertada e silenciosamente vazia, os dois param de frente a um campo enorme, James sai do carro, e com o vento forte bagunçando seu cabelo, olha para os campos sem fim, sentindo a brisa fria do vento arrepiar os pelos de sua pele. Pati olha a planície dourada com vegetação baixa, pronta para o plantio, àquela pequena estrada era tão


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vazia que a trazia um arrepio estranho. E o pergunta sem querer descer do carro – Por que parou aqui? James parecendo diferente a chama com carinho – Venha apreciar comigo? Descendo do carro, bate a porta emburrada, não estava a fim de nada naquele dia, mas pensa que talvez um ar fresco iria espantar seus pensamentos assombrosos, e caminha pela grama que afundava seus pés com dificuldade até ele, quando se aproxima, James a puxa para si que cai facilmente em seu abraço e olhando a paisagem a diz – É lindo aqui não é? Pati não compreende levantando uma sobrancelha de dúvida vê o braço dele envolto ao corpo pequeno dela, e se permite olhar a paisagem por alguns minutos sem desconfiança. – Eu nunca tinha visto uma paisagem tão pura assim. – Responde admirada pela beleza dos campos, o sol já se pondo manchando a tarde presenteando o céu com um laranja forte, e a vegetação do campo começará a ficar alaranjadas acompanhando a cor do céu. - Gosto da brisa da Itália, é um vento suave sem igual, parece que só aqui me sinto bem de verdade. Pati observa a face calma de James, talvez naquele curto momento ele parecesse estar revelando quem realmente era para ela, sem sorrisos irônicos ou jogos sem sentido, o puro e quem sabe apaixonado James e acaba talvez por calor do momento ou brecha dele o pergunta - James você realmente gosta de mim, ou só está brincando comigo? Ele volta seu olhar para ela carinhosamente com o cabelo arredio pelo vendo forte - Um dia você teve dois poderes: O poder de me amar e o poder de me fazer te odiar. Pati aperta o cenho sem entender inocentemente - Quando eu fiz você me odiar?

e

pergunta


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James sorri, continuando - Minha cara, você talvez nunca saiba, hoje qual você escolhe? Ela não conseguia tirar os olhos dele o sorriso dele havia mudado de irônico para um sorriso leve e carinhoso, sua feição calma a transmitia algum tipo de conforto e proteção que ela talvez nunca tivesse, com muita dificuldade o responde baixinho: -Se eu pudesse escolher? Talvez... Escolhesse o poder de fazer você me amar... O sorriso irônico retorna aos seus lábios, ele parecia ter conseguia algum tipo de vitória pessoal sobre a declaração dela. Trazendo-a para seus braços a beija. Seu beijo penetra fundo tão fundo que começa a roubar uma estranha energia que parecia vindo dela, seu objetivo inicial era trazer lembranças desagradáveis a mente dela, e fazê-la se lembrar de quem ela realmente era, para depois a destruir. James podia fazer isso, seu poder era constituído de muitas habilidades, apenas uma lembrança, se ele a fizesse lembrarse de um mal que ela tivesse feito, ele então poderia a julgar e poderia se vinga sem ressentimento algum. Mas aquela estranha energia que saia dela, parecia uma proteção contra isso, algo inesperado, algo que não queria que Patrícia se lembrasse de seu passado. E a energia passa a ele e ele a sente como um doce e misterioso néctar que o consome e aumenta seu poder, era diferente de tudo que ele já havia experimentado uma doce energia conhecida. Ele se deleita dela até o limite de sua capacidade. E quando termina sentindo se forte e estranhamento revigorante, vê Pati desfalecida em seus braços. Fecha seus olhos a fim de sentir todo aquele novo poder correndo em suas veias, mas não espera que ao fechar os olhos visões começam a chamá-lo, abre os olhos perturbado dando passos para trás como se elas tivesse lhe causado um grande impulso, franze o cenho aturdido. E devagar vai fechando seus olhos novamente, Quando vê claramente em sua frente como se ele estivesse no


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local, logo não sente mais que sua matéria estivesse nos campos e sim dentro de um quarto antigo, aquele cenário não era muito estranho, era como se ele visse um quarto típico de casa italiana do interior onde tinha muita concentração de campos, simples, com leve cortina fechando a janela, guarda roupa de madeira escura, piso de madeira, uma penteadeira em tom escuro, com um banco pequeno estampado em flores roxas, quando olha para a cama também de madeira em tome escuro, se aproxima dela vendo uma garota deitada na casa, vestindo uma camisola branca, ele cerra o olhar se espantando, era igual a ela, igualzinha, nada mudava a não ser que parecia um pouco mais jovem, como se a época que ele estava ali não batesse com a atual. Sente algo estranho ao vê-la pensa em tocá-la, a fim de comprovar se era uma ilusão ou se seu corpo teria sido transportado pelo tempo, através do estranho e novo poder. Quando um barulho de risadas vem do andar de baixo, estava à noite, ele desce as escadas da casa, visualizando o cenário, aquela era a visão mais real que ele já teve em toda sua vida. E encontra um senhor assistindo TV, o senhor que parece perceber uma presença, mas não vê nada em sua sala, assistia a um programa de humor, ele encara o senhor que era sinistro e repulsivo, quando ouve uma voz que não sabe de onde vem que diz “Vim cobrar seu contrato.”. O Homem parece se indignar, mas logo é possuído por uma luz vermelha que brilha em seus olhos na sala escura iluminada apenas pela tevê que deixa ele mais sinistro ainda. E responde parecendo ecoar para o nada: “Sim senhor”. James abre os olhos, parecendo ressuscitar de um longo e real sonho, e vendo que ainda está parado nos campos segurando Pati desmaiada. Aperta os lábios se perguntando – O que foi isso? Quem era aquela garota? E que contrato é esse? – Pega Pati facilmente no colo como uma pluma e a leva até seu carro luxuoso, a coloca no banco de trás com cuidado deixando à deitada, e tira fios de cabelo que caia em seu rosto, pensando “Era muito parecida com ela” Fecha a porta


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de trás e olha para o campo novamente sentindo o vento em sua face, quando perto de seus olhos passa uma semente de dente de leão voando em sua direção, ele a pega com cuidado, e olha nas redondezas, mas nem sinal de nenhuma planta como essa parecia ter por ali. A admira em sua mão e joga no vento novamente, que voa sumindo na imensidão do campo, entra em seu veículo e sai de lá cantando pneu na estrada vazia que ecoa por toda a planície. Chegando a seu apartamento carregando Pati; A arrumadeira abre a porta estranhando a situação. Ele sobe as escadas com a Pati no colo e vai em direção ao quarto, quando Tom aparece saindo da cozinha comendo um chiacchiere que é um pastel crocante frito e polvilhado com açúcar e o pergunta - O que houve? - James com arrogância o responde: -Você á perdeu! Ela agora é minha... - E continua subindo as escadas, Tom sem entender sobe as escadas atrás deles e no quarto dela, James coloca Pati na cama que está desmaiada em um sono profundo. - James, não entendi! O que fez com ela? James vai até Tom arrumando a gola da sua camisa preta que destacava seus finos cabelos de ouro provocativamente, dizendo em tom cinicamente de voz como sempre fazia - Você só precisa saber caro ''irmão'' que agora ela é minha, e eu consegui o que eu queria, de agora em diante ela sofrerá cada segundo que me fez sofrer. Tom aperta os lábios com desprezo e o pergunta incisivamente - Não entendo! O que exatamente fez a ela? - Simples, quando quiser algo fique perto, tente pelo menos fingir que se importa.


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- Não gosto de jogar seus jogos James, ao contrário de você eu respeito o sentimento dos outros e não quero brincar com os sentimentos dessa moça. - Você sabe de minhas intenções para com ela e mesmo assim a deixa em minhas mãos, o que pretende? - Eu sei que conhecendo você como conheço, não vai fazer nada de mal a ela! James sorri friamente dizendo - Não diga isso a alguém rancoroso como eu, minha sede de vingança é muito maior que meus princípios, a propósito, enterrei meus princípios há muito tempo atrás. James sai deixando um ar de provocação e desce as escadas despreocupado, enquanto Tom o fita descer e diz alto para James ouvir – O James que conheci não era assim! James sorri friamente e o responde – Passou muito tempo fora de casa irmãozinho! ''Quão obscura e fria pode ser alguém marcado pelo ódio, quando cutucamos demais feridas elas aparecem, posso dizer que eu e ela temos muitas feridas, que uma hora pode causar uma grande inflamação. ’’

O

sol nasce irradiante naquela manhã, aquela estação

estava sendo bem aproveitada para diversão e muito banho nos canais de Veneza. James estava tomando café com Tom, o ambiente estava muito silencioso, Tom não estava a fim de falar e James estava lendo jornal tomando o café tranquilamente sem se importar com nada. A arrumadeira vai até o quarto chamar Pati para tomar café, ela abre a porta vendo Patrícia encarar o grande espelho com moldura negra. Ela olhava-se fixamente se arrumando


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com um vestido negro longo, já estava maquiada com batom bordô, olhos com maquiagem escura, cabelo bem arrumado e preso de um jeito elegante, ela ajeitava o vestido e parecia que a vida anteriormente em seus olhos havia se extinguido. A arrumadeira estranha e a chama: -Signorina Patrícia, il caffè è pronto! Pati a observa pelo reflexo do espelho e sai do quarto em passos lentos, sem falar nada, parecia que estava em transe. Chegando à cozinha, Tom a olha surpreendido, com tanta beleza e obscuridade ao mesmo tempo, um longo e profunda troca de olhares se dar entre os dois, e Tom nota o brilho diferente nos olhos dela. James não para de ler seu jornal e a pede que se sente para o café. Se servindo, toma seu café quieta, Tom curioso à pergunta: - Está bem Pati? Ela lança lhe um olhar vago e frio entre sua xícara e continua tomando o café o ignorando. - É questão de Tempo. - Diz James quebrando o silêncio. - Tempo de Que?- Questiona Tom com voz agressiva. - Em pouco tempo esse poder que há nela a tomará por completo. - Poder? Do que está falando James. Que poder é esse? - Não Sabia? Que essa garota além de ser uma velha conhecida nossa, ainda tem um poder desconhecido. - Do que está falando? Ele provoca, pois sabia que Tom sentia algo por ela Ontem quando a beijei, o beijo dela foi tão doce, tão profundo


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que me envolveu e logo percebi que esse poder que existe dentro dela é um poder grande que vai afundá-la sem eu precisar fazer absolutamente nada. Tom esmurra na mesa agressiva - Você se acha muito esperto James, já te disse, isso não é um jogo, eu não vou sacrificar a vida dessa garota só para uma vingança inútil de anos atrás! - Vingança inútil? - Ri James indignado - Me admira que ainda você goste dela depois dela praticamente o fazer de idiota e quase o matar! - Ao contrário de você, não guardo remorsos e sei que essa garota em minha frente não é a mesma mulher que me fez mal, e mesmo se fosse, eu faria tudo de novo para tentar salvá-la e não condená-la a um inferno, só para satisfazer um ego egoísta! - Ela se condenou ao inferno quando cruzou meu caminho! Você deve estar querendo ser o bonequinho masoquista dela novamente não é? - James o provoca. - Não sou mais o inocente desmemoriado Edward Halkins, que você conheceu caro irmão, sei me cuidar muito bem e tenho a total ciência que posso ajudar essa garota. Agora olhe você James, está paranoico, você não é o James que eu conheço, que eu considero meu irmão. Ela não tem culpa, não é a mesma pessoa! -Quem garante? Quem garante que essa garota não irá crescer e se tornar uma Hévi e fazer o tanto de vítimas que ela achar conveniente. E se esse poder dentro dela fizer um estrago muito maior do que possamos conter? Já pensou quantas vidas serão perdidas por causa dela? A Hévi humana era destrutível, e mesmo assim, sabe-se como me causou uma grande dor de cabeça que jamais irei esquecer. Agora me responde como ela fez isso? E se sei lá... – Diz ele já perdendo o rumo de seu raciocínio – Ela tiver só trocado de corpo, e essa besteira de reencarnação não existir!


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Tom traga o ar respirando profundamente tentando formular uma resposta, mas antes que ela respondesse repentinamente as coisas da mesa começam a tremer a xícara de café do James que estava sobre a mesa, cai se repartindo em pedacinho no chão. Tom se assusta e perguntando de onde estava vindo aquilo. Um sorriso se faz nos lábios de James, como se quisesse demostrar que estava certo e continua lendo o jornal despreocupado na mesa. Pati mantinha-se com a cabeça baixa sentada na cadeira. Tom estranha e a chama, sem obter resposta imagina que ela poderia ter desmaiado e olha para James que ri cinicamente não ligando para nada, enquanto as coisas começam a tremer cada vez mais forte. Preocupado vai até ela, coloca sua mão no ombro dela, e levanta sua cabeça com cuidado, quando se assusta ao ver a energia vermelha possuindo os olhos dela, ele volta seu olhar para James o questionando – Ela tem o mesmo poder que o seu? James não responde, e um forte vento de energia vermelha começa a derrubar todas as louças da mesa do café da manhã. James se levanta ao ver que a mesa começa a tremer descontroladamente. Tom sente aquela energia sair dela, e sente sua pele queimar se afastando, ao contrario de James, que a energia não o afetava em nada. Pati mantém-se sentada na cadeira e os móveis começam a se mover; Uma cadeira voa em direção a Tom, ele desvia dela, o objeto vai em direção à parede se quebrando em pedacinhos. As outras cadeiras seguem em outras direções, quebrando o vidro da cozinha. A mesa se move e tomba no chão, tudo começa a se quebrar e o vento de energia fica tão forte que começa a explodir os objetos criando um show de liquido, cacos e pedaços de objetos pelo ar. Porém nada fazia Pati se mover da cadeira. Tom não sabe o que fazer e a olha espantado nunca tinha visto algo como aquilo, devido o poder ter aumentado, ele é obrigado a se proteger ou sua pele queimaria, e usa de uma fina camada de


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poder que protege sua pele o fazendo ficar com uma energia azul por todo o corpo. James caminha até Pati, desviando dos objetos que estão sendo jogados pelo vento de energia, se algum objeto se aproximasse de mais, logo era repelido para outra direção com um simples toque do poder dele. Ele chega até Pati e a levanta da cadeira, segurando seu queixo como uma marionete. Tom observa, não imaginava o que poderia ser aquilo, talvez um poder de controle do James. Pois nem mesmo Tom sabia até onde ia o poder dele. Ela está um pouco mole e parece estar em transe, a energia a consumia, mas parecia fora de controle. Ele então, para provocar mais James, á beija suavemente, fazendo toda aquela energia vermelha correr para seu corpo, estava a drenando. A energia nada afetava James, já Tom a sentia como uma fina faca cortando sua pele e queimá-la ao mesmo tempo. Depois de alguns segundos, o vento forte para e os objetos que estavam voando descontroladamente pelo ar caem no chão; Pati automaticamente desmaia no colo de James, que a segura para não cair no chão. Tom aturdido sem compreensão, pois nunca tinha presenciado tanta energia junta pergunta: - O que fez com ela? Como fez isso? James rindo fala – Não fiz absolutamente nada. O poder que existe nela simplesmente vem até mim, me deixar mais forte e nossa... - Diz ele lambendo os lábios - É tão doce, nunca senti um poder assim. - Então é esse seu objetivo, deixar ela inconsciente para ela manifestar esse poder oculto e você roubá-lo? - Não estou roubando, ele simplesmente doa-se para mim. O importante é que estou adorando ver a Hévi nesse estado, o importante é que agora, ela está em meu controle, eu farei o que for preciso.


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O desejo de Tom era sumir dali e deixar James fazer o que ele bem entendesse, porém por mais que ele lutasse ele sentia algo por ela, e não queria ver James a destruir. James não sabia, mas um laço de compromisso com algo maior prendia Tom a tudo aquilo: – Certo James! Vamos entrar em um acordo? - Acordo? Você, querendo fazer acordos comigo, qual? Estou curioso? - Eu quero a Pati! James levanta uma sobrancelha impressionado depois gargalha, quando consegue parar de ri o pergunta - O que? Pode repeti que eu não ouvi? - Eu a quero! - Pois então venha pegá-la? – Provoca. - Não é isso James, eu quero uma aposta. - Ah... Gostei, qual? - Se eu conseguir a fazer voltar ao normal e deter esse poder que você libertou eu fico com ela. Se eu não consegui ela é toda sua e você faz o que quiser. James pensa e diz animado, mas adverte - Ótima ideia! Mas vou lhe dizendo, não fui eu que liberei esse poder, já existia nela e se manifestou. Você sabe como ninguém se esse poder dela for o mesmo que o meu, o quanto ele pode te prejudicar. -Sei, mas como disse não sou o Edward, os anos que fiquei longe de você me deram grande experiência para saber lidar com seu poder perfeitamente. -Ótima noticia Tom! Você tem um dia, para fazer isso. - Um dia? – Questiona Tom revoltoso - Preciso de uma semana?


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James pensa - Tudo bem duvido você conseguir. No sétimo dia, você dará adeus a ela, por que não me importo com as consequências esse mal não andará mais sobre a terra em circunstância alguma. James a pega no colo desmaiada e sobe as escadas com ela. Tom passa a mão no cabelo preocupado, e vê Pati subindo com James lindamente desmaiada e sente um aperto no coração, como se a vida dela estivesse escorrendo por entre seus dedos novamente. Mais um dia se renova na Itália, só que agora era um dia com objetivo, Tom estava disposto a fazer o que fosse precisa para salvar Pati, ele estava unido por uma promessa que havia feito desde o dia que soubera que Hévi havia retornado na forma de uma garota de 20 anos, e estava disposto a fazer de sua vida uma vida melhor do que fora séculos atrás. A campainha da suíte de James toca a empregada que estava provisoriamente sendo providenciada pela suíte do hotel, vai atender, quando vê Tom na porta com malas entrando a pergunta - Onde está o James? A empregada responde que ele está no quarto. Tom deixa as malas na sala e sobe correndo as escadas, batendo forte no quarto de James, ele abre a porta com aspecto de cansado e diz sonolento - Por que está me acordando as cinco da manhã? - Vim para ficar, vou ficar aqui os sete dias. - Grande coisa! Faça o que você quiser agora me deixe em paz... - Voltarei aqui às dez horas da manhã, tenho que resolver algumas coisas. James não dá atenção batendo a porta na cara de Tom que sorri, apenas estava provocando James como nos velhos


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tempos. Passando pela porta de Pati, fica pensativo, como se quisesse abrir e ver se ela estava bem, mas passa direto descendo apressado, quando a empregada o para na sala segurando seu braço, Tom a olha vendo o medo em seus olhos, quando ela diz baixinho - Signori attenzione,il signor James, Ele quer fazer qual cosa di brutto con la signorina! Entendendo a origem do medo dela já que James era esquisito paras as pessoas comuns, responde caridosamente tentando a acalmar - Não se preocupe. Enquanto eu estiver aqui ele não fará mal algum a ninguém! Tom sai do apartamento, enquanto a empregada o olha saindo sem perceber que James a olha do andar de cima com um olhar sinistro. Ela se vira preocupada e com uma expressão de espanto e horror vê James a olhando. À noite, a suíte de James está silenciosa e todas as luzes apagadas. Pati caminha descalça apenas de camisola preta sobre a sala escura iluminada pela luz da lua vindo da grande janela da sala, o vento fraco batia na grande cortina vermelha de cetim da janela semiaberta, ela segue até a cozinha e se depara com uma cena horrenda, a empregada está deitada sobre a mesa cheia de sangue, rosto desfigurado e língua para fora com os olhos arregalados. Ela vai até a empregada com a feição serena como se nada estivesse acontecendo, e se aproxima do corpo pegando um pouco do sangue e experimentando, um sorriso faz se em seus lábios como se estivesse gostado. James aparece de um canto escuro da cozinha e se aproxima falando baixinho em seu ouvido - Gostou? É sangue fresco, vai adorar vê como a morte é deliciosa, como eles morrem como eles sofrem e o medo deles da morte. Mas acho que você já conhece isso não? Está em seu sangue em sua história. Eu só preciso cutucar sua ferida para abri-la. E você mostrará quem é de verdade. - Ele acaricia sua orelha com a boca - Quando tudo isso acabar você será minha, pois não pretendo deixá-la ir tão cedo, um futuro de sofrimento te espera... – Ele escorrega sua mão pelo


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braço nu dela segurando seu pulso fortemente a encarando com olhos com uma luz vermelha sinistra que brilhava no escuro, e morde seus lábios com sorriso de certa satisfação e vitória. “James estava a transformando, ele queria provocá-la, queria a fazer lembrar-se de um passado que não pertencia à vida atual dela, ele não imagina o erro que estava cometendo a raiva e vingança o cegava, e ele queria mais.”.


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Um poder desconhecido U

m olhar frio e longínquo sobre a paisagem do terraço

do Hotel Westin Palace, a noite amena com poucas estrelas e sem lua, quase não ilumina o céu, já as luzes da cidade ainda as 19:00H ganhavam a noite, dando um ar vivo e de plena atividade. Algo inteiramente forte tinha mudado Patrícia, sua vida parecia ter se extinguido de seu corpo e se tornado um saco vazio pronto para algo sombrio se apoderar. James, porém não estava abalado, nada tinha mudado a não ser sua felicidade sobre uma vitória pessoal; Ele a abraça no terraço como se fosse seu dono, e sussurra palavras que parecem não chegar a ela: - Gostava de você quando era louquinha e falava sem freio algum. Mas tudo tem seu preço e você está pagando o seu. Imaginei que iria encontrar você como era antes, fria, calculista e sedenta por sangue, talvez você ainda esteja apenas acordando e eu seja o cavaleiro vermelho que irá enfiar uma espada em seu coração e livrar o mundo do seu mal novamente. - Um sorriso de satisfação faz em seus lábios -... Drogada, alcoólatra; Até queria acreditar realmente em uma força punidora do universo, assim eu teria certeza que aquilo que fazemos, sempre retornará para nós de alguma


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forma. Mas é bom deixar como está não vou querer o universo me punindo. - James sorri, enquanto aperta mais seu abraço, como uma boneca um fantoche em suas mãos, ela não esboçava reação alguma, retira delicadamente o cabelo dela deixando aparente seu magro pescoço, seu nariz percorre a linha da sua jugular, enquanto sentia o aroma doce de seu perfume. - Por outro lado, - Continua ele - algo ainda me faz querer cavar mais fundo... Puxando o cabelo dela de modo ao pescoço ficar levantando, percorre com seus lábios até a orelha e abrindo sua boca com seus dentes bem desenhados para mordê-la, quando ouve a campainha da casa. Pousando sua boca semiaberta na orelha dela, morde os lábios reprimindo seu desejo - Quem será agora? – Pergunta incomodado, deixando Pati que não denota nenhuma reação, seguindo para atender a porta. Pati sinistramente sai de seu estado letárgico e sorri parecendo esconder algo. Quando abre a porta tem a surpresa de encontrar Tom do outro lado: - O que quer agora? - Quero a chave do apartamento! E a Pati está bem? - Está ótima Tom, melhor do que nunca! A cópia está no chaveiro pode ficar; Quero ver até onde isso vai dar, se ela fizer com você o que fez da última vez, eu não vou te ajudar. - Pode ficar despreocupado, agora sei me cuidar sozinho. James chama Patrícia para a sala que caminha lentamente até eles, pegando no rosto dela fala - Veja Tom, como ela não tem mais expressão, como está dominada pelo poder. Tom olha para Pati realmente com os olhos sem vida e diz confiante – A farei voltar ao seu estado normal.


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James não se importa e continua ironicamente - Você sabia que matei a emprega? Se você for à cozinha vai encontrar o corpo dela sendo devorado por corvos. O sorriso confiante de Tom se evapora e questiona achando que era alguma brincadeira sem graça de James Corvos? É algo tipo a ''hora do terror''? -Vá à cozinha e veja. - o desafia. Tom desconfiado segue pensando em comprovar a mentira dele. Chegando a cozinha quando abre a porta de vidro, se depara com um corpo em decomposição na mesa, cheia de corvos com olhos vermelhos que brilhavam no escuro, ele toma um tremendo susto e sai de lá olhando seriamente para James que ri sadicamente dizendo: – O banquete está servido! Tom parte para cima dele com fúria o dando empurrões - Por que fez isso? James o provoca - Eu falei para você, depois que você foi embora, eu não sou mais seu ‘’irmão’’, você escolheu seu lado e eu o meu! Tom começa a perder a paciência – Eu prometi que nada iria acontecer a ela! – Respirando aceleradamente passa as mãos no cabelo apertando seus passos na sala, sem conseguir controlar sua raiva diante do sorriso de provocação de James; Seus olhos se preenchem com uma luz de energia azul que deixa suas veias salientes acompanhando as batidas aceleradas de seu coração, impulsiona seu corpo á frente para atacar James, mas visualiza Pati próximo dele parecendo concluir algo, aperta seus punhos tentando jogar toda sua raiva para eles - Não consigo acreditar que fez isso? – Pergunta indignado - Ela era uma boa pessoa não fez nada de mal a você! Não sei que lixo se tornou, mas isso que estou vendo em minha frente nunca foi o amigo e irmão que conheci anos atrás!


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-Tom, - Responde James que não se abala, sorrindo com frieza – Como disse o James ou Davi do passado morreu, o que está agora em sua frente está no comando aqui e pode fazer o que ele quiser como... – James direciona seu olhar para Pati com seus olhos dominados pela luz vermelha – Pati vá ao térreo e suba no parapeito. Pati ao comando de James segue até o Terraço onde o vento começa a fazer seu cabelo voar para o oeste, com sua bota pesada negra de couro, coloca o primeiro pé na primeira grade do parapeito, seguido do outro e se equilibrando com quase nenhuma dificuldade, logo está totalmente em cima do parapeito, o vento bate fortemente em seus cabeços assobiando com fúria devido à altura ao qual estava e a cidade agora ao fundo parecia pequena. Nenhum pingo de vertigem ou medo possui cai sobre Patrícia, ela simplesmente fica parada aguardando o comando de James. - É com você Tom? Se eu a mandar pular, ela vai pular. Tom o olha furioso – Não entendo por que está fazendo isso, o que quer provar James? - Tom tudo que eu fiz foi por vingança, não me afetará em nada eu matá-la, assim minha vingança se concluirá! - Já disse que ela não é a Hévi James! – Tom Altera sua voz nervoso. - Ela é Tom, e eu vou livrar o mundo desse mal! – James começando a criar um tipo de incomodo raivoso em seu peito ao se lembrar do passado – Depois que você foi embora, ela retornou vindo direito do inferno para me atormentar e quase me matou! Você não sabe de nada que ela fez a mim! Você é o único ingênuo nessa história que ainda consegue ser enganado por ela! -Mas ela não é a mesma pessoa! – Tom fica irritado por ele não conseguir compreender isso.


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-Quem garante isso? – Grita James com raiva seguida de risos descontrolados. Tom começa a ficar com medo da atitude dele e pergunta – James quanto desse poder você sugou dela? -Por que quer saber Tom, está interessado no poder dela? Siga como nos velhos tempos se delicie dela, não será a primeira vez que compartilhamos a mesma mulher! -Não! – Diz Tom seguindo em direção a Pati e James diz alto o provocando – Não a toque ou a farei pular! -Sabe que antes dela cair no chão eu a salvarei. – Diz chegando próximo, olhando nos olhos de Pati que estavam sem vida, energizando seu poder tocando nela e leva um empurrão do poder dela que o afasta. - Esse poder é estranho! – Diz concluindo algo. - Desça Pati! – Pede ele sem obter resposta. James ria sem razão alguma – Não vai conseguir nada Tom, ela é o puro mal! Tom o olha de lado seriamente, e some do local em uma energia azul, antes que o James pudesse fazer algo, ele reaparece em sua frente energizando seu peito com uma força enorme que faz James cair para trás e bater com toda a força na parede a rachando. James sente uma dor horrível no peito seguido de um grito de dor – Que merda é essa Tom? – Grita ele com raiva. Tom o observa aguardando algo. James se levanta vendo seu peito queimado e sua roupa destruída – Qual o problema com você porque fez isso? Tom não o responde sem tirar os olhos de Pati que ainda estava se equilibrando sem nenhuma dificuldade no parapeito. James olha em direção ao terraço e pergunta – O que ela está fazendo?


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Tom sorri – Como pensei... – Ele caminha até Pati novamente dizendo – Seu jogo acabou pode descer você não engana mais ninguém. A expressão volta ao olhar de Pati que preenche seus olhos com uma luz vermelha, um sorriso maldoso se faz em seus lábios e ela diz sinistramente – Quando você me notou garoto? Tom cerra os olhos a encarando profundamente respondendo – Assim que me encarou na cozinha, tive um treinamento muito específico sobre controle mental, sei identificar alguém que esteja controlado a quilômetros de distância. -Controle mental? – Ri uma risada longa e sinistra – Garoto esperto. Mas creio que isso seja maior do que sua limitada mente pode imaginar. Você quer mesmo salvar essa garota Tom? -É você Hévi? – Pergunta ele. - Hévi?– Ri ela – Hévi era uma patética, - Ela morde o lábio inferior de sua boca com batom vinho – Vocês tem muito que aprenderem ainda, você nunca terá essa garota, ela é a chave da minha libertação. – Ela ri, quando Tom percebe que seus pés estão se afastando do parapeito, antes que ele pudesse fazer algo, ela se joga com os braços aberto como um pássaro pronto para voar do décimo andar. James arregala seus olhos. E Tom rapidamente, desaparece, reaparecendo no ar e a pegando no colo que já cai desmaiada, ele desaparece retornando a suíte trazendo o corpo de Pati desmaiado em seu colo. -O que foi isso? – Questiona James sem compreender. -Você realmente estava brincando com um poder que vai muito além de você e eu James. – o alerta seriamente. -Do que está falando? Ela não está possuída pela Hévi?


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-Eu não sei, eu não sei o que você fez com essa garota e muito menos posso saber o que é isso que está a possuindo. Esse poder te intoxicou, nunca mais beba uma gota dele entendeu! -Espera! O que exatamente aconteceu? -Você queria uma vingança contra a Hévi, e isso que está dentro dela sabia, a partir do momento que você tomou o poder dela, o efeito disso estava agindo em sua mente, se aproveitando de sua fraqueza para brincar com você. James ri controlando?

não

acreditando

A

Hévi

estava

me

-Ela não é a Hévi, e agora não sei mais nem se é a Pati... -O que vai fazer com ela? – Questiona confuso. -Irei cuidar dela, observá-la, tenho que saber o que está fazendo isso e até quanto ela é responsável por isso. Tom sobe as escadas levando Pati. E por fim da um último aviso – Ela agora é minha responsabilidade James, você não tocará em mais nenhum fio de cabelo dela. James torce os lábios dando de ombros, segue até a adega da sala e preenche uma taça de whisky, tentando afastar as lembranças horríveis que insistiam em cutucar sua mente, lembranças de sangue, lembranças de morte e sofrimento.


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Continua em:

A Hist贸ria da Condessa Hevi Alenck


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Projeto de As Sacerdotizas A Face Sombria 1º Parte