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“(…) Adorava admirar a beleza das coisas, descortinar no imperceptível, através do que é diminuto, a alma poética do universo. A poesia da terra nunca morre. (…)”

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a poesia da terra nunca morre

João Pedro Trindade

16.01 — 21h30 Até 19.02

Ciclo: Poético ou Político Curadoria de João Baeta

Fernando Pessoa, “Páginas Íntimas e de Autointerpretação” De todas as coisas que vemos num dia, quantas delas tomamos por coisas vulgares? Quanta poesia nos passa por debaixo dos olhos quando estes se mantêm, de forma compulsiva, a um nível superior do chão? Talvez o fascínio que acontece, sem que entendamos porquê, resida aqui, na inesperada delicadeza daquilo que esteve sempre lá. Poderemos dizer que alguém que caminha de olhos no chão é alguém que procura saber onde pousam os seus pés, se o caminho é certo; de olhos postos no chão também andarão aqueles que evitam confronto, aqueles cujos pensamentos não os deixam levantar a cabeça, aqueles que tentam a sorte na esperança de encontrar uma nota esquecida, e ainda aqueles para quem o chão passou a ser lugar de recolha. A recolha de João Pedro Trindade, calada e persistente, não acontecepor capricho mas antes porque a sua natureza assim o pede.

O olhar projecta-se numa espécie de bengala que encontra o seu sustento no chão. - dá-se a imagem; o silêncio de quem caminha entre uma tarefa e outra onde tantas vezes o tempo que sobra para contemplação é esse mesmo, o do caminho - de novo a imagem. Quantas vezes tomei os meus olhos por superficiais ao ver o que os olhos do João captavam: imaginando-nos de olhos postos na mesma superfície, pergunto-me se ainda assim seria possível resgatar o que ele resgataria. Aí reside a sua poesia, na capacidade de colher e consequentemente de transformar os ínfimos detalhes dos nossos dias. Rita Senra

João Pedro Trindade (Aveiro, 1990) vive e trabalha no Porto. Tem vindo a colaborar em projectos de desenvolvimento e divulgação cultural como a Painel (2012/2014) e Nartece (2015/2017), integrando actualmente a equipa do projecto Sismógrafo. Enquanto autor, tem vindo a fazer uso de meios como a pintura, a escultura e a instalação na investigação e produção do seu trabalho. Desde 2016, exerce funções de assistente de produção oficinal na companhia de Teatro de Marionetas do Porto. Licenciou-se em Artes Plásticas - Pintura, pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto.

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Sun over the mist, a grain of sand, a drop of water | João Tabarra Ciclo "A Política das Imagens" com curadoria de João Baeta

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