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SABRINA HANZMANN Confira mais trabalhos da fotógrafa no site flickr.com/sabrinahpg

Editorial #1 -- Ano 1 -- Julho 11 Eperument venihilit, to omnimincius, aliquib eritecabo. Et qui ut et fugiam voluptatust rem nonserum vellendi que nem expe delitaquo blab ilitatin repelessi voluptature volene prem es aut eos que nonsece rspicias dolecupturia et libus sa volor sunt quod ut ulles rerione dolut quidem imi, tes repeliq uiamet ut pera aribus aut esed estene dolo eseque nimporaeptae voluptae maximusa ea dolorepel mini cus dolorerorest lautem ratibust, sitiiss imporiore cullab ipsus, sint reperes num et untem entiae od quiam fuga. Nam, iliquist eum simus que sus iundit, quae. Et ped mo blam, od earcim ad quae quatur? Os es vellab id ut quatem volorectiis net quat a voluptatiis ut latur, officiate nati dolupta qui sequi sin recte velendae invellaborem cus erion nis molupta tioneserum et volent eiunt, expera dolecae cturioresti. Ignis aut quis apicips andenim enturib usante magnitate porpora aspel et od qui delitat uritatquae ne culparchicit laccus dolectem voloreh enimusd andus. Andanden ihicipid quae sape de enihici dellupt aturitias moluptaspiet ommo blaboreic tem hita volescia voluptatior anis samus doluptaque ent. Occupta tquiam iliam dolut voluptatis moluptatio. Beremporum, quid quia quatibere, omnimin vellupta sit hilitatur, simet as ut ut aut error ratur molupta tenditaquia simolup taspidRum qui reheni corporrovit. At praecestia sincti autenim ra consequi idOluptatur mo volorem dolupta dis dest, tem quatius, tota cus ex ea con consent orecae voluptam qui omnihil is ut mo experum que sit ab ium et quis cor am reribus. Epudit eaquas autates sitatur reperchit alitatum qui blacese nonserio volecero beristiassi corerup tatese int vero et fugias dusciente et rernam facepe et magnihi litiatem eiumqui aditios necero odigent arum, totatem.

Expediente DIREÇÃO: Kento Kojima Pablo Rocha Rafael Rocha

REDAÇÃO: Bruno Felin Ana Malmaceda Gustavo Foster

COMERCIAL: Pablo Rocha pablo@yeah.com.br Silvana Fuhman silvana@yeah.com.br

ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO: Júlia Alves a.julia@yeah.com.br

EDIÇÃO: Fernando Corrêa nando@yeah.com.br DIREÇÃO DE ARTE: Rafael Rocha rafarocha@yeah.com.br DESIGN: Douglas Gomes ASSIT. DE CRIAÇÃO Cristiano Teixeira

REVISÃO: Fernanda Grabuska fernanda@yeah.com.br DISTRIBUIÇÃO: Ricardo Carvalho ricarvalho@yeah.com.br PROJETOS: Leandro Pinheiro leandro@yeah.com.br


Sumário

Nota Novidades

Marcelo Camelo

Lollapalooza

Objetos O que se usa

CD’s Shows

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Pequenas notas Novas Internet Novas Bandas

DVD’s e Livros

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#1

Paul McCartney estará no Brasil. Pare tudo o que você estiver fazendo agora, largue a revista e entenda: Paul MacCarteney fará shows no Brasil. Sim. Numa redção de música como a YEAH!, não espere uma reação diferente: todos ouviram RAM até doer os ouvidos e sonharam com o dia que Paul is Live, mágico disco ao vivo do ex-Beatle, seria concretizado em terras tupiniquins. É difícil o texto não começar com um “Querido diário” seguido de gritos e corações. Apenas o provável setlist já estremesse: “The long and Winding Road”, “Black Bird”, “Dance Tonight”, “Live and Let Die”, “Something”, “And I Love Her”, “Back in the U.S.S.R.”, “Drive my Car”, “Jet”. A lista vai longe. Enfim, depois de muito planejamento e espera de alguns (já que o Festival Planeta Terra acontece no mesmo mês), está confirmado shows em Porto Alegre, no Estádio Beira-Rio no dia 7 de novembro, e São Paulo nos dias 10 e 11 do mesmo mês, no Estádio do Morumbi. O show deve ter um quê de retrospectiva. Antes de subir ao palco, dois telões mostram uma seleção de imagens do artista durante as cinco décadas de sua carreira, com a trilha sonora de todas as épocas. O concerto dura em torno de três horas, e começa com um hit de Paul com o The Wings: “Venus em Mars/Rock Show”. No ano dos shows gringos no Brasil, Paul torna o clichê de “fechar com chave de ouro” menos intragável.

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NOTAS __É YEAH! NO AÇORIANOS | O Açorianos de Música é uma premiação anual da Secretaria de Cultura de Porto Alegre, que consagra músicos no Rio Grande do Sul. E NOIZE foi o veículo homenageado na edição de 2011. A coisa não para aí: nosso diretor de arte, Rafa Rocha, foi premiado pelo projeto gráfico do disco homônimo da Apanhador Só. A menção honrosa e o prêmio vêm em boa hora: já se vão mais de 3 mil páginas produzidas em quatro anos na batalha, mais ou menos 1.500 dias dedicados ao nobre ofício de ouvir, pensar, refletir, conhecer, lembrar e falar de música. Por isso, humildemente aceitamos a premiação como justa e merecida. Mas não podemos esconder o sorriso no canto da boca, o orgulho da equipe, os planos de futuro imediato e a certeza de que o melhor da festa ainda vai chegar.

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__OSAMA IS DEAD | Barack Obama avisou: o terrorista de nome parecido com o seu morreu metralhado por tropas americanas. Os noticiários de todo o mundo não hesitaram em passar os detalhes adiante: Bin Laden estaria escondido em uma fortaleza em Abbotabad, no Paquistão. A operação se desenrolava desde o fim de 2010 e culminou no assassinato do terrorista pelas tropas de Obama enquanto o presidente e uma cúpula seleta do governo assistiam a tudo da Casa Branca. Ainda segundo os americanos, o corpo de Osama foi jogado no mar, e as fotos do cadáver não serão divulgadas para, em suma, não jogar mais lenha na fogueira da Al-Qaeda – que, nem precisamos dizer, está em chamas prometendo revanche. Agora, acreditar em tudo que diz a Casa Branca só depende de você.


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ASSISTA

Buraka Som Sistema | Hangover _A galera em Luanda preserva a felicidade vivendo no ritmo do kuduro intergalático de “Hangover”. A produção é dos Buraka com Stereotype será lançada pelo site enfuchada.com Tags: buraka hangover

Arcade Fire | Girls Just Wanna Have Fun _É normal se perguntar o que ouvem os artistas cool. Este vídeo do Arcade Fire tocando o clássico de Cyndi Lauper corrobora um velho palpite: escutam de tudo, como eu e você. Tags: arcade fire cyndi

O verdadeiro casamento real _Enquanto William, Kate e cia. encenavam aquela cerimônia sem graça, uma galera mucho loca gravava mais um vídeo da T-Mobile feito sob medida para se tornar um viral. Os atores-sósias quase fazem você acreditar que a família real se diverte. Tags: tmobile royal wedding

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OUÇA Darwin Deez Ele não é exatamente uma novidade, mas não tinha como deixar de falar sobre Darwin Deez, depois de mencioná-lo várias vezes aos amigos que ignoravam sua existência. Deez foi indicado ao VMB 2010 como aposta internacional, mas perdeu para School of Seven Bells. Adoro música feliz e Darwin Deez sabe como fazê-la. Se o nome dele ainda soa estranho, procure por “Constellations” e “Radar Detector”– com certeza você já ouviu as músicas, mas não sabia de quem eram. Ele surgiu em 2007, mas somente em 2010 lançou seu primeiro álbum homônimo, que fala sobre os altos e baixos da paixão. Virou o queridinho da vez das publicações americanas de música, com um disco sem grandes produções, embalado por sua voz doce e melódica, acompanhada de guitarras dançantes. Pude conferir seu show ao vivo, que éa tradução perfeita para tudo que ele produz. Simpático, acessível e risonho, ele vai fazendo mashups entre suas músicas. Entra sempre alguma música pop e então a banda inicia uma performance à parte. Para ter uma ideia, uma das músicas que tocaram era da Enia, emendando com Beastie Boys. Não tem como não curtir, dançar, cantar. Se alguém fez uma banda para se divertir, com certeza esta pessoa é Darwin Deez. Resta torcer para que o moço de cachinhos e faixa na testa nos divirta algum festival brasileiro. Escute: http://darwindeez.com/

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THE DONKEYS Origem: San Diego, EUA Som: O álbum novo, Born with Stripes, é a nova trilha sonora aqui de casa, trazendo um clima de verão em meio ao avanço do inverno. Diferentemente dos conterrâneos de San Diego, The Donkeys produz um rock com uma pegada anos 60, com influências folk e blues, mas sem deixar de lado o ar surfista californiano. O som do quarteto lembra Pavement, especialmente em “I Like The Way You Walk” e “Ceiling Tan”, do novo álbum. A NME escreveu que o álbum também está no repeat por lá. Escute: myspace.com/thedonkeys

MAYER HAWTHORN

Origem: Los Angeles, EUA Som: O nerd que tem soul e toca no Brasil em janeiro é uma das apostas da Stones Throw. Pode não ter vozeirão negro, mas tem a alma. Escute: myspace.com/ mayerhawthorn THE LEONESOME DUO

MAPUCHE Origem: Florianópolis, Brasil Som: O músico Isaac Varzim, metade do Superpose, acaba de lançar seu projeto solo, o Mapuche. O projeto já surge com o álbum de estreia Sanctity, com músicas introspectivas, orgânicas, arranjos delicados, bases eletrônicas, violões, bandolins e até saxofone marcando algumas canções. O álbum nos deliciou e surpreendeu aqui em casa, tanto que já está no repeat há alguns dias. Vale ficar de olho, Varzim aparentemente tem muito a mostrar. Escute: mapucheways.com

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Origem: São Paulo, BRA Som: Dos balcãs e dos norteamericanos vêm o folk, o bluegrass e o country. O Lonesome Duo se apropria disso em canções simples mas bem compostas. Escute: myspace.com/ thelonesomeduo


SHOWS The National - Citybank Hall SP O vocalista Matt Berninger agarra o pedestal e o microfone e como se eles pudessem fugir a qualquer momento. As luzes de trás do palco revelavam os integrantes da banda em sombras desenhadas para o público, imerso na atmosfera grave e triste do show. O disco High Violet, de 2010, é a maior fonte do repertório, mas a banda se mostra trava e no início, não oferece algo muito diferente de uma audição do álbum em casa. O público parece não se importar e a cada intervalos berra pedidos de músicas diversos a galerinha “hipster” de camisa xadrez também aproveia para gritar “Seus lindos!”, “Todos chora!” [sic] e outros bordões do Twitter. As duas guitarras, teclado e sopros ás vezes são demais para as canções pouco complexas, deixando os músicos - além do quinteto, há dois instrumentistas convidados - apenas por conta do objetivo que parece ser o principal do show: “criar um clima”. Mas em alguns momentos a formação é conta certa para embalar músicas sublimes como “Conversation 16”. Em “Squalor Victoria “, Berninger troca por alguns instantes a frieza e a voz grave por gritos histéricos que caberiam melhor em um show de hardcore. O clima começa a lembrar mais o caloroso show da banda no Tim Festival de 2008. Talvez tenha sido o vinho que eles tomaram no palco ou uma explosão calculada, mas os arrombos de Berninger começaram a se tornar mais constantes até que em “Mr. November”, já no Bis, ele se empolga e desce para o públicopara cantar junto com ele. “Terrible Love”, ele leva carregado pelos fãs. A euforia é finalizada com o momento mais inesperado do show. Eles pedem silêncio para o público e com todos os instrumentos desligados, começam a tocar a balada “Vanderlyle Crybaby Geeks”, de High Violet. O público acompanha em coro, muitos com os olhos marejados.

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Coachella -Indio, California, EUA São três dias com 30 e todos graus na nuca. São 36 horas de música ininterrupta. De Erykah Badu a Arcade Fire, de Mumford & Sons a Kanye West. Depois de tudo isso, o difícil é escolher os 8 melhores momentos. 1- The Drums - O primeiro ótimo show teve tudo o que um ótimo show precisa: volume, talento e um vocalista desmiolado. Tudo isso em uma pequena tenda onde dava até pra ver o cabelo do Jonathan Pierce ficar parecido com o do Alfalfa, dos Batutinhas. 2 - Tame Impala - Com direito a canguru inflável na plateia, os australianos usaram só metade do palco pra descer a lenha a um público menor do que o que eles mereciam. 3 - Black Keys - Nem só de alegria vive o Coachella. Apesar de um show impecável, o Black Keys sofreu com problemas técnicos nas primeiras três músicas. Com um som baixo e sem telão, ficou difícil acompanhar o

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show num palco principal lotado. Apesar dos contratempos iniciais, a dupla compensou as falhas no restante do set. 4- The National + Broken Social Scene Apesar de dias diferentes, as duas bandas tocaram no mesmo momento: durante o pôr-do-sol desértico. Não à toa, metade da plateia do National desviou os olhos do palco por alguns minutos e Kevin Drew, do BSS, introduziu uma de suas músicas com um feliz “let’s bring this sun down”. 5- Arcade Fire - É óbvio que esse show deveria ter fechado o festival. Não só pela pirotecnia dos balões que mudavam de cor, mas também pela plateia que parecia acompanhar uma missa. Nada contra o Kanye, mas o Coachella merecia terminar com um “amém”. 6 - Twin Shadow - Dono de um dos melhores discos que ninguém ouviu no ano passado, George Lewis Jr. juntou uma banda e trocou os sintetizadores por guitarras pesadas. Por sorte, ele manteve a voz. 7– The Strokes - Com um Casablancas disparando frases sem sentido e um novo disco bem mais ou menos, é surpreendente que o Strokes tenha feito um dos melhores shows do último dia do festival. 8 - Não dá pra ver tudo - No Coachella, sempre tem alguma coisa incrível acontecendo: Ariel Pink tocando de costas pra plateia, Cee-Lo Green sendo expulso do palco ou os fogos de artifício do Kanye. Mesmo com a sensação de ter perdido muitos momentos, duvido que exista uma alma que não tenha saído lavada do deserto.. Guilherme Rech


Capa Entrevista

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MAr celo Cam elo

por Luiz Ribeiro


Marcelo Camelo é um homem de passos largos e quase rápidos. Emenda uma conversa na outra, dá voltas, muda, volta ao início. “Qualquer assunto é assunto”. Ri largo. Embora não tanto. Gosta de gente, boteco e teorias conspiratórias. Acaba de lançar seu segundo disco solo, Toque dela+1, por selo próprio - Zé Pereira – em parceria com a Universal Music. Gravou novamente com a banda Hurtmold e chamou o piano de Marcelo Jeneci para algumas faixas. Em três músicas, toca todos os instrumentos sozinho. Em todas elas, mostra quem é e onde pisa. É um fim de manhã com sol morno, ele chega para um chopp em um bar semivazio perto de onde mora, em São Paulo. Tem lugar pra você na mesa. Chopp com colarinho ou sem? Criar sozinho. Criar com hermanos. A diferença fundamental é que eu já conheço meus amigos do Los Hermanos há muito tempo, aprendi a tocar com eles, então quando eu fazia a música eu já imaginava eles tocando, já sabia de saída as músicas que não iam rolar. A banda tinha uma coisa estética já – por mais que mudasse muito –, mas era um cacoete, era uma relação de carreira. Agora eu me sinto livre pra escolher dentro das músicas que eu faço, porque no Los Hermanos tinha músicas que acabavam não servindo pra gente, daí eu acabava não dando muita atenção para elas. Hoje em dia eu me sinto mais livre pra caminhar sobre esse aspecto de musicalidade, de timbre de música e tal, me sinto mais à

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“Hoje em dia eu me sinto mais livre pra caminhar sobre esse aspecto de musicalidade, de timbre e de música. Me sinto mais à vontade na prática.”

vontade na prática. E isso traz uma coisa de interiorizar e você leva isso pra outros lugares da nossa observação, enfim me sinto livre pra sei lá, fazer um xaxado, saca? Quem vê a música. O primeiro disco eu fiz muito em contato com os amigos e fui mostrando os trechos, como eu tava no Rio, eu encontrava com eles lá em casa e ia mostrando. Mas como a ideia agora é mudar o método, o jeito de fazer eu não mostrei pra quase ninguém. Pra Malu, sim. Como a gente tá sempre junto, a gente acompanha o nascimento das ideias um do outro, é tudo muito próximo. Parceria em Toque Dela O Hurtmold+2 tocou em várias faixas, foi bem legal. Mas eu participo bastante dos arranjos, eu fico com umas coisas na cabeça e dirijo bastante. Eu me envolvo bastante assim, gosto de tocar várias coisas, mas é muito bom tocar com gente que nem o Hurtmold porque os caras tocam pra caralho, né? Você dá uma idéia e só de o cara tocar pra te perguntar se é


veio pra fazer esse trabalho comigo. Enfim, acabei compondo muita música ao longo desse ano. No final, acaba não sendo só um trabalho de peneira, é meio no feeling de o que cabe no disco.

isso mesmo ele já melhora mil vezes o que você queria. Como defini o repertório Fiz umas quatorze músicas ao todo (NR: São dez músicas no CD) e fiz outras que não serviram e tal, mas no meio do caminho eu parei pra fazer trilha sonora pro negócio lá da Globo – a mini série Afinal o QueQuerem as Mulheres –, compus várias músicas, gravei, arranjei, um trabalho colossal e os caras acabaram usando pouquíssimo do négocio, e eu vou acabar dando uso pra outras coisas dessas músicas. Mas deu um trabalho filha da puta. Chamei o Rob Mazurek+3, que é um cara de Chicago que toca cordas e

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Influência caseira A música funciona também como uma forma de sentimento, né? Que nem uma pintura, um quadro, tudo expressa algum tipo de sentimento. Tudo que gira em torno desse caminho, o sentimento e o desdobramento dele caminha pra você melhorar o seu aparelho perceptor, sua linguagem cognitiva. Nesse sentido a influência é meio com os amigos que a gente (NR:Mallu e ele) tem em comum e tal, como em outros trabalhos, vocês que estão aqui me entrevistando, as coisas que vocês trazem pra entrevista e as coisas que vocês carregam de informação pra vocês, são fruto de coisas que os amigos trouxeram, das conversas que vocês tiveram com outras pessoas. E quando você tem uma mulher, uma companheira, ela também faz parte desse mundo. Eu tive a sorte de começar com os Hermanos e aprender muita coisa, não só pela genialidade individual deles – supostamente de nós todos –, mas do aprendizado coletivo.Uma coisa que você [percebe] ali junto com todo mundo. Qual o papel do baixo na composição, o que a bateria pode acrescentar, que tipo de jogo que dá pra fazer entre a guitarra e a bateria, sabe? Essas coisas todas vocêaprende jogando ali no dia a dia. adj. e s.m. Diz-se de, ou pessoa sujeita


a distrações; abstraído; entretido; ocupado; descuidado. Os processos todos, de escolha, de filtro, de peneira, o objeto que eu uso hoje em dia é a distração, é meio que não estar atento à parada, à escolha em si. E já foi ao contrário, o negócio do peso da escolha é uma coisa que eu quero voltar a fazer, e eu tô tentando fazer sem o peso dela. Por isso que quando você me pergunta o porquê de uma coisa muito específica, eu nunca sei direito o que responder, tipo na hora que eu escolhi eu não fiz questão de escolher um motivo, é tudo na base do insight. Eu não escolho pensando em depois como é que eu vou justificar certa coisa ou certa música.

A extensão da arte Acho que hoje as pessoas consomem música no audiovisual. Isso é muito próprio da música. Quando você ouve uma coisa, imaginar ela visualmente faz parte, a imagem é música, e a música é imagem. Eu tenho uma certa dificuldade porque eu assumi uma narrativa que contempla minha própria narração das coisas, sabe? Minha linguagem narrativa é meio.... eu senti muita identificação quando li os textos de uma portuguesa que se chama Maria Gabriela Lançol. Ela escreve um pouco do jeito que eu acho que eu escrevo também, não é uma observação narrativa do mundo, é como se o mundo estivesse em mim. Não sei explicar direito. Mas é como se a minha escrita levasse em conta só aquilo que eu sinto, e como eu vejo o mundo. Eu

Discografia Básica 1.

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tenho meio dificuldade de enxergar o visual fora disso, eu tendo a enxergar coisas análogas ao meu próprio olhar sobre o mundo.

4. 1. Tame Impala Antares, Mira, Sun 2. The Weeknd House of Baloons 3. Roberto Carlos Em ritmo de aventura 4. Beastie Boys Hot Sauce Committee

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Coletivo A coisa da banda te coloca mais a par de uma necessidade coletiva, você fica mais emparelhado com o coletivo, te coloca de igual pra igual com os outros, e isso tem seus aspectos positivos e negativos, já que no individual você se cobra das próprias expectativas. Na prática isso [carreira solo] me faz ter mais tempo sobrando, eu posso me dedicar à fotografia, ao cinema, a tocar um monte de instrumentos. Do Los Hermanos pra cá eu aprendi a tocar um monte de coisa, comprei um monte de instrumento. Eu gosto muito do clarone, eu acho um instrumento bonito. É um clarinete baixo. Bateria eu sempre gostei, sempre toquei. (NR: em várias músicas


de Toque dela a bateria é muito bem marcada.) Eu guardo uma bateria em casa pra na hora do Garage Band+4. Dá pra compor tendo uma bateria em casa. Instrumentos O baixo eu acho meio misterioso, sabe? Eu gosto muito. Mas nunca senti firmeza no meu jeito de tocar baixo, e nesse disco pela primeira vez eu me permiti tocar e gostei bastante. Gostei muito de poder tocar baixo, bateria e guitarra, de ter construído a estrutura da música compondo assim. Primeiro lugar O disco que eu mais gosto na minha vida, o meu Chega de Saudade, o melhor disco já feito pela humanidade, se eu tivesse que eleger algum – apesar de odiar essa coisa de eleger, porque quando você elege você tira todos os que são bons do caminho –, é o disco da Guiomar Novaes, o ultimo disco que ela gravou em vida, que é surreal. Twitter Não tenho interesse nenhum em ficar no twitter o dia todo. É uma falta de interesse pessoal mesmo, não é nada contra

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ninguém ou método. Mas eu não tenho opinião fixa sobre nada cara. Mas eu mudei muito, assim, minha maior distração é comer na frente do computador assistindo ao documentaryheaven.com. Twittar coisas que eu leio, vejo, eu atá faria, mas eu tenho uma falta de interesse sobre a ferramenta mesmo. Gravando sem gravadora A gravadora tem muito pouca força hoje em dia dentro da obra de um artista. Estar sem gravadora significa pagar do seu próprio bolso o custo da feitura de um disco, e não é barato. Estar com ela significa um parceiro pra ajudar a pagar uma coisa que não é barata. Se você for buscar gente sem gravadora no Brasil, são pessoas que num modo geral tem outros empregos e conjugam sua vida a ter a música como uma parte. A não ser que o cara vá pra uma coisa de música experimental e vá pra um museu e tal, talvez consiga. É lei Eu tenho uma relação meio conturbada com a Lei Rouanet, sabe? Desde que a


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Capa

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LOLLA PALO OZA Chi le

por Raquel Andrade


Passou pelo evento - que não foi realizado entre 1987 e 2004 - um pouco do melhor punk rock, hip hop e rock alternativo dos últimos 20 anos, sempre com espaço para a música eletrônica e para performaces artísicas. Bandas como Pearl Jam, The Cure, Soundgarden, tiveram a carreira marcada por passagens no Lollapalooza. Farrel poderia ter armado um circo em Buenos Aires, São Paulo ou Rio de Janeiro. Mas preferiu dar a Santiago, a honra de sediar sua primeira edição internacional, nos dias 2 e 3 de abril. O line-up que sofreu algumas baixas como The Strokes e Yeah Yeah Yeahs, apresentou mais de 60 bandas em duas noites, assistidas por cerca de 120 mil pessoas. Ao escolher o Parque O’Higgins como reduto para sua empreitada politicamente correta, os produtores conseguiram um lugar central, arborizado e de fácil acesso. Um pouco como é a versão original e atual do Lollapalooza, no Grant Park, em Chicago. Respeitando a fórmula da versão americana, o evento chileno ofereceu atividades para crianças, que tinha entrada livre e um palco chamado Kidzapalooza. Visto por certos ângulos, parecia uma grande festa familiar: milhares de pessoas sentadas vendo os shows, pais e filhos dançando ao som de bandas legais e um desfile de camisetas de rock para todos os gostos. O discurso sobre sustentabilidade tentava se concretizar em um espaço reservado para ONGs, grupos de apoio ao meio ambiente e mais de mil voluntários

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que trataram de coletar todo o lixo reciclável gerado nos dois dias. Nos dias dos shows, metrôs e trens funcionaram até mais tarde para atender ao público do evento. A venda de bebidas alcóolicas eram restritas à área VIP e a praça de alimentação oferecia boas opções de comida, porém com preços elevados. Em um setor do parque, em meio a um lindo jardim, haviam redes penduradas para quem quisesse relaxar - foi um dos pontos mais concorridos do festival, que foi brindado com dois dias de céu azul,

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muito sol e temperatura alta. Dentro do parque O’Higgins há um campo gigante, onde foram instalados os palcos principais. O piso de concreto aumentou mais ainda a sensação de calor. O primeiro grande palco era o Coca-Cola Stage, que recebeu The Killers, o rapper Kanye West, The National, 30 seconds to Mars, Flaming Lips, Los Bunkers (artistas locais muito populares), Mala Rodrigues (hip hop espanhol). No segundo maior, o Claro Stage, teve Deftones, Janes Addiction, Ben Harper, Sublime with Rome, Cypress Hill e Steel Pulse.


Para os fãs de música eletrônica, não faltaram opções: o LG Stage trouxe Fat Boy Slim, Empire of the Sun, Joachin Garraud, New Kids on the Noise, Perryety vs. Chris Cox, Toy Selectah, Boys Noise, Armin Van Buuren, Fishspooner, Ghostland Observatory, os locais DJ Raff, Latin Bittman, Matanza, Javier Mena e o argentino Zeta Bosio. O palco mais alternativo, o Tech Stage, uma arena coberta para cerca de 1.500 pessoas, foi também o mais complicado. No sábado tocaram CSS, Datarock,

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Edward Shape & The Magnetic Zeros (com muitos problemas de som), os ótimos locais Devil Presley, Astro, Denver, Anita Tijoux e os colombianos do Bomba Estereo. No domingo, o line-up tinha Cat Power, Cold War Kids, The Drums, Devendra Banhart, os locais Como Asesinar a Felipe, Fother Muckers, Mundano e os sensacionais The Ganjas. Só não estava previsto o imenso sucesso dessas atrações alternaivas; multidoões ficaram de fora sem poder ver nada e houve a necessidade de intervenção policial para evitar que o tumulto fosse mais sério. Enquanto isso no palco


principal, sobrava espaço. O jornal chileno El Mercúrio perguntou a Perry Farrell sobre o transtorno e recebeu um vago “imprevistos sempre acontecem”. Perry Farrell valorizou a escolha chilena ccontando que “buscar um sócio é como encontrar a cara-metade, você tem que ter olhos abertos e enxergar além”. Em Santiago, os parceiros são Sebastián de La Barra e Maxi del Río, da Lotus Produciones. Gente jovem que produz showa internacionais e que também organizou a versão do festival brasileiro Maquinaria em 2010 em Santiago. Perry foi apresentado à Sebastián no sul da Califórnia, e entrou em sintonia com o chileno, que medita, faz ioga e ,claro, também é louco por música. Sem ocorrências graves, o evento reuniu shows de primeiro nível e proporcionou uma agradável experiência multicultural. Americanos, canadenses, australianos, brasileiros e todos os sutaques hispânicos possíveis eram ouvidos no parque O’Higgins. A fila gigante para a retirada dos tickets adiquiridos por internet - todos já pagos - foi um dos poucos inconvenientes a ser aprimorados, junto com a engenharia de som e sinalização do lugar. Mas o saldo do Loollapalooza Chile é superpositivo, tanto que os organizadores já confirmaram: ano que tem mais.

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Baru LHO ETER no


“É melhor ser inocente do que ser amargo e cínico”. Com esta frase, Jonathan Poneman defende seu método de trabalho – mesmo depois de anos à beira da falência, no comando de uma empresa que lidou de maneira desordenada com a falta de grana nos anos 80 e o excesso dela no início dos 90. O americano de 51 anos nasceu na chuvosa Toledo, em Ohio, e cresceu na mais chuvosa ainda Seattle, em Washington, onde fundou com o amigo Bruce Pavitt a gravadora Sub Pop, símbolo do movimento grunge dos anos 90. Guitarras distorcidas e camisas de flanela não são mais a base dos produtos do selo, cujos sucessos mais recentes vão do duo de músicos comediantes Flight of the Conchords aos barbudos folk do Fleet Foxes. Mas a base da ruína e da glória da Sub Pop continua intacta: a bagunça. “A Sub Pop era – e ainda é – caótica”, admite Poneman, “mas a repetição deixa o caos um pouco mais familiar.” Abraçar a inocência de maneira mais madura é a forma com que a maioria dos sobreviventes da revolução grunge toca suas vidas. Em 1991, eles tomaram à força o poder da música pop com álbuns como Badmotorfinger, do Soundgarden, Ten, do Pearl Jam e especialmente Nevermind, do Nirvana. “Smells Like Teen Spirit”, a canção do Nirvana que abriu as portas do mainstream, foi gravada há exatos 20 anos, em maio de 1991. O reinado foi curto – e desastroso, terminando com o suicídio de Kurt Cobain, em 5 de abril de 1994–, mas marcou para sempre a cultura pop. “As pessoas da cena que eram mais jovens

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certamente eram inocentes”, diz Jonathan Poneman, que já tinha 31 anos quando o Nirvana trouxe “Smells Like Teen Spirit” ao mundo. Mas “esse é o curso natural da vida”, ele acredita. Pat Smear é um dos músicos que estiveram próximos de Kurt Cobain antes de sua morte. Guitarrista das turnês do Nirvana até o fim da banda, ele é um pouco mais velho do que a média de idade da geração grunge, hoje quarentona. Aos 51 anos, o atual guitarrista dos Foo Fighters tem uma visão parecida com a de Poneman: “Eu diria que todo mundo está mais maduro. Antes era uma loucura, éramos novas bandas tentando nos encontrar, hoje é mais normal, fazemos mais coisas normais. A vida hoje é mais fácil”. “Como no começo de todos os movimentos musicais importantes, a inocência provavelmente é um fator muito importante – um senso de ‘nós contra o mundo’ e ‘se estivermos juntos, podemos fazer a mudança’. E é isso que fez do grunge uma coisa original e, sem dúvida, o último movimento musical que não foi pré-fabricado”, define Greg Prato, autor do livro Grunge Is Dead, lançado nos EUA em 2009, ainda sem versão em português. O título é baseado em uma camisa que Kurt Cobain usava em 1992 com a profética frase: “O grunge está morto”. Greg entrevistou mais de 100 músicos e pessoas que circulavam na cena de Seattle antes e durante o furacão grunge, incluindo o vocalista do Pearl Jam, Eddie Vedder, e até Duff McKagan, que fez parte de algumas bandas pioneiras da cena de Seat-

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tle nos anos 80, antes de se mudar para Los Angeles e virar baixista do Guns´n Roses. O autor resume a história com um discurso já desgastado quando se fala no assunto, mas não deixa de sintetizar o que aconteceu: “Era tudo pela música, uma comunidade de músicos que se recusou a aceitar a merda que o rádio comercial e a MTV estavam empurrando pela garganta do público o tempo todo”.


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Reviews Discos The Vaccines What Did You Expect From The Vaccines?

Os quatro garotos mais hypados de Londres pegaram carona nos mimos que receberam da crítica britânica e não esperaram para lançar seu primeiro disco - que saiu muito antes do que se imaginava. What Did You Expect From The Vaccines? vem com músicas curtas e mostra que a banda é boa para fazer mais com menos: o hit “Wreckin’ Bar”, por exemplo, dura pouco mais de um minuto e, mesmo sem ter tempo para um refrão, é indiscutivelmente catchy. A pegada 1970 da música, meio Ramones, aparece no disco conversando com indie-pop e postpunk, relembrando The Smiths e Joy Division – e, trazendo as referências para os anos 2000, impossível não lembrar do White Lies em três ou quatro faixas. O indie-rock britânico acaba de estender sua sobrevida. Alex Correa

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Fleet Foxes Helplessness Blues Típica banda deslocada no seu tempo e espaço, o Fleet Foxes poderia muito bem figurar como uma atração de luxo do Jurassic Park. O sexteto de Seattle segue produzindo madeira de lei num mercado que se acostumou a lançar fórmica vagabunda. A fórmula é a mesma do ótimo début de 2008: arranjos muito bem pensados, vocalizações de inflar o peito de Brian Wilson, suítes e capa feita sob encomenda para o mercado do vinil. Tivesse sido lançado em 1970, Helplessness Blues estaria no topo dos preferidos daquele seu tio riponga fissurado em Byrds e CSNY. Longe de ser um álbum difícil, traz um repertório de melodias que te exige toda a atenção do mundo. E do jeito que andam as coisas, é o melhor elogio que se pode fazer. Fernando Halal

the strokes Angels Em 2003, uma revista-pôster questionava: “Strokes: a salvação do rock?”. Em 2011, exigir um Is This It? é tão útil quanto pensar sobre a pergunta da revista. Encrustrados em riffs das bandas que os sucederam, os Strokes lançam Angles, um álbum de experimentos com música eletrônica mergulhado em sonoridades nostálgicas. Os anos oitenta em “Machu Pichu”, assim como os noventa em “Two Kinds Of Happiness”, parecem transbordar das nove músicas. As mudanças mais claras em Angles possuem uma relação íntima com o disco solo de Julian Casablancas, Phrazes for the Young. Para os que gostariam de algo mais próximo dos primeiros discos, há “Under Cover of Darkness”, tão igual aos Strokes antigos que chega a soar como cópia. Ana Malmaceda


PETER BJORN AND JOHN Gimme Some Submersos no alvoroço da estrondosa “Young Folks” (a do assovio!), o trio sueco desviou a rota nos álbuns seguintes – igual a um mergulhador que, no fundo e sufocado, retorna à superfície sem fôlego. Respirados, a hora é de imergir novamente. De cara, “Tomorrow Has To Wait” e “Dig a Little Deeper” parecem chicletes recheados de versos curtos e de simples assimilação. Indie radiofônico em estado químico, sem soar tépido ou indolente. “Breaker Breaker”, em poucos segundos de duração, dá o recado. Mesmo curtas (beiram os três minutos), as faixas são traçadas com destreza: modernices se misturam a timbres crus e lo-fi, que corroboram a imagem de “pop hypezinho”, apesar do paradoxo. Em breve, na casa noturna mais próxima. Nicolas Gambin the Kills Blood Pressures Depois de se aventurar com Jack White no ótimo Dead Weather, Alison “VV” Mosshart retoma a parceria original com Jamie “Hotel” Hince em seu quarto trabalho de estúdio. Destacar apenas um momento desse novo álbum do mais talentoso duo do rock atual (sim, o Black Keys perde na comparação) é tarefa minuciosa, mas de raro prazer. Seria a irresistível levada reggae de “Satellite”? Os hipnóticos refrões de “Heart is a Beating Drum” e “Baby Says”? Talvez o respiro e a leveza da curtinha “Wild Charms”? Quem sabe a guitarrinha de “DNA” ou o insuspeitado lado crooner de Alisson na dramática “The Last Goodbye”? Encerrada a audição, a certeza em Blood Pressures é uma só: o Kills definitivamente não consegue fazer discos meia-boca. Fernando Halal

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TA POR VIR .: 6 de junho_Arctic Monkeys | Suck It and See “Brick by Brick” circula por aí há algum tempo. 30 segundos de “Don’t Sit Down ‘Cause I’ve Moved Your Chair” já vazaram. Ótimo título, ótimas guitarras. Se ao descartar a expertise de Josh Homme a banda indicou um retorno aos tempos de acordes limpinhos, os aperitivos sonoros servidos até agora sugerem o contrário – ao que parece, um Alex Turner mais pesado ainda está por vir. Será? .: 29 de agosto_CSS | La Liberación Há algumas semanas, antes de embarcar para o grandioso Coachella, Lovefoxxx e cia soltaram: La Liberación, sua aguardada terceira bolacha, está saindo do forno. Eles estão há três anos em silêncio. Não vivem mais sob os holofotes. E eles têm novidades - sai a lendária Sub Pop, entra a Cooperative Music Network. O que vem pela frente ainda é segredo, mas o duo Ratatat e o figuraça Bobby Gillespie, vocalista do Primal Scream, são atrações garantidas.


Reviews Livros ZEITOUN Dave Eggers Companhia das Letras Em 2005, quando o furacão Katrina atingiu a costa sul dos EUA, ventos de 300 km/h destruiram casas, fazendas, cidades e maataram centenas de pessoas. Milhares delas, sem ter para onde ir, se abrigaram em acampamentos improvisados, pelo governo norteamericano. O socorro às vítimas foi um fracasso. Em Nova Orleans, a intempérie em si causou danos de fácil reparação. O rompimento dos diques em torno da cidadade, no entanto, foi uma tragédia: a água alcançou até 4 metros de altura em alguma ruas. Abdulrahman Zeitoun, um sírio radicado nos Esados Unidos, pôs-se a ajudar as vítimas navegando em um pequeno boe. Até que ele foi preso por suspeita de terrorismo. O governo Bush acreditava que por estar fragilizada, a região serviria de palco para Al Qaeda, uma ideia tão absurda quanto a arbitrária prisão de Zeitoun, que, sem comunicação com a família, era dado como desaparecido ou morto. Eggers conta a história real cin ares de thriller e cumpre o papel de dar voz a um injustiçado.

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Tanto faz & Abacaxi Reinaldo Moraes Companhia das Letras Reediatos agora em volume único, os dois primeiros livros do autor paulistano revelam a gênese do tom escatológico que o tornou cult com Pornopopéia. Em Tanto Faz, Moraes se confunde com o recém-trintão em andanças literário-existenciais na boemia de Paris, costuradas pelo apetite sexual insaciáveis pelas “beibes” das redondezas do Sena - intratado sobre um macho alfa real (não o “coxinha” politicamente correto de capa de revista). É também uma resposta qualificada e oportuna às listas de mais vendidos, infestados de autoajuda neo feminista 2.0, com uma matilha de homens babões à mercê de mulheres “poderosas”. A distância da terra natal ainda provoca um olhar reflexivo sobre o ponto de virada dos anos 80 das tomadas de posição na ditadura - resistentes apesar de já mal das pernas, até chegar a indiferença da classe média em formação.

os últimos mafiosos John Follain Larousse Se a história dos Corleones não é novidade, o livro do jornalista John Follain, que foi correspondente de jornais americanos na Itália, é o primeiro a descortinar em uma linguagem jornalistica eficiente a personalidade das principais figuras do clã que ficou conhecido como mais violento da máfia - tanto pelas execuções de outros, quanto pela guerra travada contra o Estado, angariando diversos “cadávers iliustros”. Por meio de depoimentos de arrependidos e entrevistas com autoridades policiais, o autor consegue desvendar o mosaico que envolve a história da sangrenta, desde seu nascedouro até sua queda, no final dos anos 2000. Traições, assassinatos, sequestros, intimidações, todos os ingredientes são detalhados. é notável como a organização manteve-se agindo sob a ignorãncia velada do Estado, que se recusava sequer a adimitir sua exixtencia, sendo que ela já operava na Sicília desde o início do século 20.


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Reviews DVDs SENNA Asif Kapadia Universal Refleir sobre a devoção que o Brasil dedicava a Ayrt on Senna traz à toa um sentimento “tão anos 90”. Sua morte abrupta, ao vivo, em 1‘ de maio de 1994, encerrou um culto sem procedentes e deixou orfã uma nação carente de ídolos e boas notícias. “Ele era o que o Brasil tinha de bom”, lamenta uma fã em certo momento de Senna, o documentário. Habilmente construída com depoimentos off, trechos de corrida (algumas narradas por Galvão Buenp) e -as cerejas do bolo- cenas de reuniões de pilotos, pinçadas dos arquivos secretos da Formula 1, a obra é um documento de impacto, que tira do limbo detalhes que a memória pública deixou passar. Um de seus méritos, aliás, é escancarar os bastidores do esporte, com sequências que detalham a rivalidade tragicômica de Ayrton e Alain Prost e a relação desgastada com o presidente da FIA, Jean-Marie Beleste. Algumas cenas são de natureza tão absurda que parecem forjadas. O fator melodrama está presente, claro: é indiscritível a agonia de se acompanhar as horas finais de Senna.

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Frank Zappa The Torture Never Stops (ST2/Eagle) Graças a sua gananciosa família, resquícios arqueológicos do velho Frank são verozmente escavados das profundesas, como este impecável registro da turnê de 1981 capturada na noite de Halloween, no Palladium, em Nova Iorque. Zappa estava lançando um de seus grandes trabalhos You Are What You Is, e são intrincados e complexos temas deste álbum que ilustram boa parte da divertida e extremamente bem ensaiada apresentação. A trupe que o acompanhava naquele período é de tirar o chapéu, com dois grandes vocalistas (Ray White e Bobby Martin), dois novos talentos (Scott Thunes e Chad Wackerman), dois veteranos figuraças (Ed Mann e Tommy Mars) e até aquele que seria o maior guitar heroe dos anos seguintes, Steve Vai. Uma versão editada foi transmitida pela MTV norte-americana. Mas aqui o show aparece na íntegra e sem censura, durando quase duas horas. THEREMIN - UMA ODISÉIA eLETRONICA Magnus Opus Léon Theremin foi uma das figuras mais fascinantes da do século 20. Nascido na Rússia, se mudou para os Estados Unidos e se enturmou no jet set de Nova Iorque. Theremin era inventor e foi responsável por um dos primeiros instrumentos eletrônicos conhecidos, que acabou ganhando seu nome. O teremim, que é operado sem contato físico - a pessoa que o toca usa as vibrações das mãos - paassou a ser usado em trilhas de filmes de horror e ficção. O som lúgubre do instrumento apareceu em clássicos como O dia em que a terra parou, Farrapo Humano e Quando fala o coração. Mais tarde, o instrumento foi incorporado ao som no rock, especialmente por grupos psicodélicos e de rock progressivo. Mas a saga de Léon Theremin não acaba por aí. Ele voltou para sua terra natal e foi trabalhar para a KGB, desenvolvendo equipamentos para espionagem. No final de sua vida, voltou para o Ocidente para ser reverenciado com um autentico inovador.


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Objetos de Desejo

Poucas coisas são tão práticas para uma viagem, festa na casa de um amigo ou mesmo para animar o universo particular do seu quarto as doking stations. Os mais recentes lançamentos desse gênero são os modelos DS1100, DS3000 e DS7550 da Philips. Os aparelhos oferecem adaptadores especiais para acoplar iPhones e iPods, além de possuir entradas auxiliares Optas milloreres es quam, to volupitation con cuptatium eiuntur rae vellitat. Ut pa cus ducia conest, custendignam ipsam quam raeruptas acea volupta que lam, odi quuntotam velest, con recus quias repremo dipsantium ni doluption consequam eumqui remos duciasp iendaecea diaspidi quistet autae dit excest, nobis exceaquam, qui dolut odi invelicatis dit qui cum erchit maiorrum as quo et, quis denderem sapedignat remqui beat aut de pliqui ipsam, odit et ea sam vendunteces et, odis comnihitis doluptatur, aut aut auda et unt aut eossiti onsediti iliquia nimpos est reptat abor solorer spelecae site non plabori stotatur, quae. Itatet at quam inum eaqui te lauda volente nitia voluptatur sed qui cum facit, quis rerum ut mo berum di doluptas deliae cum si ra velente eveles con renem quiat. Lectaec ullaute que moloreh enimill aborae et et antores mollacc ullore, nim fugiat repernam ipsum faccum harcit, non pa voluptatur? Aqui intore, arumque pre min porecae. Ignatur iaeprenihil eum fugit, cusa volore sus nonsers pellacest res quis molorrum

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ESTILO no Lollapalooza Chile

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FOTOS

//os melhores shows do mês\\

VAMPIRE WEEKEND Circo Voador CCS


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Yeah Revista