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NA TERCEIRA IDADE DISTRIBUIÇÃO GRATUITA | CIRCULAÇÃO MENSAL

Janeiro 2015 | Ano 8 ‐ Nº 89

www.sabervivernaterceiraidade.com.br

PERFIL

SAÚDE

Jorge Ondere: paixão por Hamburgo Velho

Caminhos para uma aposentadoria feliz

Funcionário aposentado dos Correios, hoje com 80 anos, ele destaca a família e demonstra todo o seu carinho pelo bairro histórico.

Dr. Leandro Minozzo aborda o conceito de aposentadoria fracassada e debate as causas e consequências do problema entre os idosos.

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Lar São Vicente de Paula: duas décadas acolhendo idosos carentes

Doença isquêmica do coração é a que mais mata idosos no país

Lar que atende idosos carentes em Novo Hamburgo precisa de ajuda para continuar realizar sua missão assistencial.

Problema cardíaco lidera ranking de mortes, em especial entre os maiores de 70 anos. Levantamento publicado em dezembro também alerta para crescimento de óbitos por Alzheimer e diabetes.

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OPINIÃO

Para se envergonhar Foi denúncia no programa Fantástico, da Rede Globo. Um esquema criminoso, antiético e imoral, envolvendo cirurgias para colocação de próteses, vem movimentando milhões de reais no país. O golpe envolve fabricantes, revendedores, advogados, médicos e hospitais. Poucos são os inocentes, muitas são as vítimas. E como não poderia deixar de ser, quando o assunto é prótese, os idosos estão entre os principais atingidos pelo esquema. Entre outros absurdos revelados pela reportagem, pacientes em idade avançada foram expostos a riscos desnecessários, pois seu quadro de saúde não exigia a prótese e, mesmo assim, em nome do lucro fácil, a cirurgia foi realizada. Em inúmeros casos, idosos enfrentaram o baque emocional de um procedimento delicado de saúde, passaram pela angústia e ansiedade da intervenção, pela própria cirurgia em si e pela sempre difícil reabilitação. E tudo isso não por uma necessidade médica, mas para encher o bolso de muita gente. É desumano pensar que tantas pessoas enriqueceram às custas da saúde, da vida e da morte de outras. É ainda mais cruel se deparar com a realidade de que médicos, que juraram lutar pelo bem-estar de seus pacientes e serem incansáveis na manutenção da vida, agora viraram às costas para ela. O que esperar do futuro de um país onde a vida humana tem tão pouco valor? O que resta se não se envergonhar, mais uma vez, do que maus brasileiros são capazes de fazer? É imperioso que a Justiça faça a sua parte e mande para a cadeia, de forma exemplar, todos os envolvidos. Tão importante quanto, os órgãos de classe devem abandonar o corporativismo e expulsar médicos e advogados que descumpriram com o juramento que fizeram em suas respectivas faculdades e que agora mancham tão belas profissões. A máfia das próteses é um verdadeiro escândalo para se envergonhar. Que o episódio sirva de lição, para que jamais a saúde e a vida dos idosos no país voltem a ser relegadas ao segundo plano.

Stend Cardíaco

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Capúnga Cumôia! Eu chá fui en múidos páiles na minha víta e chá bardizipêi te múidas zacanách gue fássen bros amíco e adé bros inimíco (goitádo têsdes). Máiz ésda hisdória un amíco gondô gue agondezêu há máiz te drinda ãno, na golônia, ájo gue en Arôio Veáto (hôche Brezitênt Luzên). Naguéla éboga non dinha panhêro gômo hôche, gôn vásso e gácha te tesgárca. era uma gassínha, máiz ô menos guatráta, te un médro e meio e un médro e oidênda te aldúra. Zó dinha uma dábua gôn un lôch to damãnho te un óch, na barêde, um brégo gôn uns petás te chornál ô uns milha chtótsa e empácho dinha un purác, onte figáva armazenáto o “brodút”. Naguéla localitáde dinha un gára muido ját, un vertatêro murínha, gue dinha o abelíto te “Capunga Chnís” (imachína o típ), e un tia a dúrma ressolveu abrondá gôn êl, nun páile. Azín gue o páile gômezáva, êl figáva nervozo brá dirá uma mêtchia brá tanzá e dinha gue í brimêro no panhêro, quétse, no capúnga, brá aliviá a paríga gue dáva toêndo. Endôn, un pôc ãnts, un crúp foi lá adrás to zalôn e emburô a gassínha uns tôis médro brá dráis! En menos te zíngo minút veio o “Capunga Chnís” gorêndo bêla drílha, êndre a mazéga, e guãndo esbichô o prázo brá apri a bórda, gaíu e chá dáva afuntádo adé os choêlho no cháis! Gláro gue non teve páile brá êl, gue bazô a nôide no chôpa, bôrgue a muti non techô êl endrá en gássa. Main Cott, nen brá un inimíco te dôta víta eu ia fassê uma gôissa tésdas!

CLOSSÁRIO Abrondá - aprontar Afuntádo - afundado Agondezêu aconteceu Aldúra - altura Amíco - amigo Armazenáto armazenado Arôio Veáto - Arroio Veado Azín - assim Bardizipêi - participei Barêde - parede Bórda - porta Brezitênt Luzên – Presidente Lucena Brodút - produto Bros – para os Capúnga – banheiro,

casinha Cháis - merda Chnís - boca Choêlho - joelho Chôpa - galpão Chornál - jornal Chtótsa - sabugo Crúp - grupo Cumôia – bom dia Dráis - trás Drinda - trinta Éboga - época Emburô - empurrou Empácho - embaixo Endrá - entrar Esbichô - espichou Fassê - fazer Fássen - fazem Gássa - casa

Gassínha - casinha Gláro - claro Gôissa - coisa Goitádo - coitado Gômezáva começava Gômo - como Gondô - contou Gorêndo - correndo Guatráta - quadrada Hisdória - história Hôche - hoje Imachína - imagina Inimíco - inimigo Ját - chato Lôch - buraco Main cott – Meu Deus Máiz - mas Médro - metro

Pousada para o Idoso

Polaca

Mêtchia - menina Milha - milho Minút - minuto Muti - mãe Óch - bunda Oidênda - oitenta Petás - pedaço Prázo - braço Quétse – quer dizer Taquéla - daquela Techô - deixou Tésdas - destas Têsdes - destes Tesgárca - descarga Toêndo - doendo Vertatêro - verdadeiro Zacanách sacanagem Zíngo - cinco

A convivência é o nosso melhor remédio!

Se você tem alguém que é muito especial, deixe que a gente cuida para você! Rua Japão, 434 - Rincão - Novo Hamburgo - Fones: 9951.9801 - 4121.0090


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GERAL

Idosos em alerta para a saúde cardíaca iStock, Getty Images

Doença isquêmica do coração é a que mais mata; óbitos por Alzheimer e diabetes crescem provocaram mais mortes no país em 2013 do que em 1990. O crescimento chegou a 200% e 143%, respectivamente. De acordo com o levantamento, a expectativa de vida para mulheres brasileiras é 78,4 anos e, para os homens, 71,6 anos. Em 1990, a expectativa de vida das mulheres que viviam no país era 73 anos e dos homens, 65,5 anos. Dos 188 países incluídos no estudo, o Brasil ficou com a 75ª posição no ranking de expectativa de vida para mulheres e na 80ª posição para homens. “Com o aumento da expectativa de vida, aumentam as doenças relacionadas ao tempo de vida, como a esclerose múltipla, que está registrando mais casos no Brasil. O mieloma, um tipo de câncer da medula óssea, também está associado a pessoas mais idosas. Temos menos mortes por infarto, AVC (acidente vascular cerebral) e câncer, mas vão aparecendo essas outras causas”, alerta Paulo Lotufo, professor da Universidade de São Paulo e um dos autores do estudo. Em 2013, a doença isquêmica do coração matou 182.560 brasileiros e ficou à A doença isquêmica do coração, o derrame e a pneumonia são as principais causas de morte no Brasil. Juntas, as três doenças respondem por 32% dos frente do derrame (143.771 mortes) e da pneumonia (70.074). Diabetes, em 5º óbitos registrados no ano passado. Os dados fazem parte de um estudo (56.018 óbitos) e a doença de Alzheimer, em 7º (47.776 mortes) são outras condições que preocupam, por atingir em grande parte os maiores de 60 anos. publicado em dezembro pelo periódico The Lancet. Entre indivíduos com 70 anos ou mais, a doença isquêmica do coração é a que mais mata. O estudo revela também que a doença de Alzheimer e o diabetes

Projeto cria serviço de apoio à 3ª idade Está em análise na Câmara dos Deputados o projeto de lei que cria o Serviço de Atenção ao Idoso e de Apoio aos Familiares em Domicílio. A proposta, de autoria do deputado Rogério Carvalho (PT-SE), assegura, na própria residência do idoso, o atendimento às necessidades da vida diária que não puderem ser asseguradas por familiares. Entre os serviços que deverão ser prestados, estão cuidados psicossociais na execução das atividades cotidianas, além de serviços domésticos, como limpar, lavar, cozinhar e cuidar da higiene pessoal. O projeto também prevê atendimento em Centros de Dia e Noite, para oferecer atenção integral durante o período diurno ou noturno. Esses centros deverão ter enfoque em aconselhamento, prevenção, reabilitação e orientação. A proposta será analisada de forma conclusiva pelas comissões de Seguridade Social e Família; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

RS terá semana contra a violência aos idosos

Com informações da Agência Brasil

marca o dia mundial em alusão à causa. Devem ser realizadas ações de conscientização, com foco na prevenção e combate à violência cometida contra as pessoas idosas. “Este tipo de violência atinge todas as classes sociais, mas pesquisas comprovam que ocorre principalmente no âmbito familiar”, afirma Burmann.

Lei dispensa idoso de perícia no INSS

Em dezembro, a Assembleia Legislativa aprovou a realização de uma semana de enfrentamento à violência contra idosos. O projeto, de autoria do deputado Gerson Burmann (PDT), prevê que atividades sejam realizadas por volta de 15 de junho, data que

Foi sancionada no último dia de 2014 a Lei Federal 13.063, que dispensa o aposentado por invalidez da realizar perícia periódica depois dos 60 anos. A nova regra beneficia idosos com dificuldades de locomoção, que precisavam se deslocar a perícia mesmo já tendo direito ao benefício por idade. Só ficam mantidas as perícias periódicas para os aposentados que comprovam necessidade de assistência permanente e que por isso recebem um adicional de 1/4 do benefício; ou aqueles que pedem a perícia porque desejam voltar ao trabalho. Também ficam mantidas as perícias determinadas pela Justiça.


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ESPECIAL

Vovôs e vovós entre amigos Saiba como é a rotina dos internos de um dos mais tradicionais lares de idosos de Novo Hamburgo Quando se fala em acolhida na terceira idade, o Lar São Vicente de Paula é referência não apenas em Novo Hamburgo, onde está instalado, como em todo o Vale do Sinos. A distinção não se dá por acaso: história, tradição e cuidados de primeira classe com os idosos são a marca da instituição, que pertence à comunidade e é mantida em muito devido ao seu trabalho, materializado pelos esforços de voluntários diversos. O Lar foi criado para ser uma instituição de amparo aos maiores de 60 anos. Surgiu da necessidade de preencher uma lacuna na assistência aos idosos carentes de Novo Hamburgo. A preocupação com um público muitas vezes esquecido e relegado ao abandono permanece desde a sua fundação, com todo o trabalho tendo como base três pilares: respeito, cuidado e afeto. Em 2014, o São Vicente completou 20 anos de atividades, data só alcançada por seguir à risca uma palavra-chave fundamental: parceria. Seus diretores destacam que esse é o segredo para o bom andamento da casa e da qualidade dos serviços prestados aos idosos. É com o auxílio de parceiros sensíveis às causas sociais e ao trabalho voluntário, sempre consciente e eficaz, que os idosos podem ser amparados e ter a vida digna que merecem.

Manutenção Denise Giacomet, atual vice-presidente do Lar São Vicente de Paula, explica que os recursos para a sua manutenção vem de diferentes fontes, a começar pela Prefeitura, com verba para 12 idosos. Uma série de eventos promovidos pela Instituição e a ajuda da comunidade e suas doações complementam o aporte financeiro necessário. “É importante salientar que o valor recebido, tanto de pensões como da Prefeitura, custeia somente parte da necessidade mensal do idoso. Por isso, o Lar faz tantas promoções para manutenção da casa”, explica ela. “Sem os eventos que a diretoria e os voluntários promovem mensalmente, não teríamos como manter o Lar aberto”, completa.

nidade, o Lar São Vicente de Paula precisa muito de todo o auxílio que recebe, seja ele diretamente financeiro ou pelo envolvimento voluntário em suas atividades. Para toda doação, é fornecido recibo ao doador e o valor entra na contabilidade para prestação de contas. O atual período, contudo, é de escassez financeira O Lar São Vicente para a instituição. Entre os meses de dezembro a maré o único do ço, os valores recebidos diminuem, podem ocorrer atrasos nos repasses da Prefeitura e poucos são os município que acolhe eventos realizados, o que dificulta muito o cumprimento das obrigações. idosos carentes Diante das angústias do momento, o São Vicente A arrecadação é utilizada para o pagamento de não apenas abre as portas para receber doadores intetodas as despesas, inclusive trabalhistas. São 34 fun- ressados em conhecer o trabalho, como convida para cionários envolvidos com o trabalho na instituição. isso. “Queremos que a comunidade conheça a realidaAlém deles, há despesas diversas, incluindo impostos. “A diretoria não é remunerada. Trabalham como de do Lar São Vicente e que possa ajudar com contribuições em dinheiro para manutenção da casa, pois voluntários em prol da casa”, conta. Além da doação do terreno para a fundação do como tantas empresas, estamos passando por dificulLar, a Prefeitura segue dando uma contribuição dades financeiras. Graças a Deus, estamos com importante para a sua manutenção, embora não exer- nossas contas rigorosamente em dia, mas está sendo ça função na administração do espaço voltado ao muito difícil essa tarefa”, diz. O Lar São Vicente é o único do município que bem-estar dos idosos. acolhe idosos carentes. Seu público é basicamente formado por pessoas que não possuem condições de Doar é vital arcar com despesas maiores em outros lares. Tal cenáComo toda entidade mantida pelas mãos da comurio reforça muito a importância de ajudar para que o trabalho possa continuar. A comunidade já auxilia bastante com donativos de alimentos, produtos de limpeza e de higiene, bem como roupas e sapatos. Outra forma de ajuda se dá com os voluntários, que participam não só dos eventos e atividades, como também passam algum tempo conversando a dando carinho e atenção aos vovôs e vovós. “Apesar de o Lar ser carente, nós nos orgulhamos muito do trabalho realizado em prol dos idosos, primando no atendimento e focando nas necessidades de todos. Tudo é feito pelos idosos e para eles, pois como diz nosso slogan: Fazer o bem é tudo de bom”, conclui.

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SABER VIVER NA TERCEIRA IDADE | JANEIRO 2015 |5

ESPECIAL

Saiba mais sobre o Lar São Vicente de Paula

A ins tuição São atendidos no Lar São Vicente de Paula 49 idosos em regime integral, com idade que variam entre 65 a 97 anos e que recebem abrigo, alimentação, vestuário e toda assistência na área da saúde. A instituição é mantida por doações da comunidade, parcerias e trabalhos voluntários, além do auxílio do poder público. O Lar, no entanto, é da comunidade e não pertence à Prefeitura Municipal.

Sua história Em 16 de outubro de 1989, um grupo de pessoas de vários segmentos da sociedade, percebendo a necessidade de preencher uma lacuna na assistência aos idosos carentes de Novo Hamburgo, fundou a Instituição de Amparo e Assistência ao Idoso. O Lar foi construído em duas etapas: inicialmente, o prédio de 1.248 m² teve lançada a sua pedra fundamental em 29 de junho de 1991, em terreno cedido em comodato pela Prefeitura Municipal. Em 30 de julho de 1994, houve o ingresso dos primeiros idosos e foi nessa mesma data que a instituição passou a se chamar “Lar São Vicente de Paula”. O nome foi dado em homenagem ao santo do Século XVI, fundador da Ordem dos Lazarasistas, pregador da caridade e da paciência, cuja data comemorativa ocorre em 27 de setembro.

As origens Em suas origens, o Lar não foi adquirido. Na verdade, esclarece Denise, a comunidade comprou a ideia que, na década de 90, foi apresentada por pessoas interessadas em ter um local para abrigar idosos carentes de Novo Hamburgo. A união seguiu para a construção do prédio e, enfim, a criação da instituição. “O terreno em que o Lar está é da Prefeitura Municipal, cedido ao Lar em regime de comodato. O Lar for construído com a ajuda de empresários, políticos da época e da comunidade”, conta.

Infraestrutura atual O Lar está instalado em um sítio muito arborizado e com um clima bastante agradável. Possui uma ampla área de lazer, refeitório, cozinha equipada, dispensa, lavanderia industrial, salas de tv, sala de computação, salão de eventos, ambulatório, consultório médico e ambiente de fisioterapia. Ainda conta com três televisores, três computadores e um piano como forma de lazer para os internos. As acomodações se dividem em 15 dormitórios com três camas e uma enfermaria com duas camas. Todos eles são divididos em setor feminino e setor masculino.

Serviços Prestados - O Lar São Vicente de Paula possui o serviço de enfermagem 24 horas que é oferecido aos seus internos; - Duas vezes por semana, ocorrem visitas do médico que é cedido pela

Prefeitura. A presença do especialista na instituição também acontece quando solicitada; - Há uma série de atividades físicas oferecidas e que são proporcionadas e acompanhadas pelos professores e pelos alunos dos cursos de Fisioterapia, Farmácia, Fonoaudiologia e de Educação Física da Universidade Feevale; - Odontologia, recreação, acompanhamento pessoal e lazer também são oferecidos; - Além dos voluntários, a instituição conta com 34 funcionários, entre eles, profissionais de Enfermagem, Nutrição, Psicologia, serviços gerais, cozinha, coordenadoria e secretaria; - Há também espaço para a cultura: alunos de diversas escolas da região visitam o Lar São Vicente e promovem no local apresentações diversas, como dança, coral, aulas de computação, pintura, rodadas de cartas e bingos, entre outras; - Quem também marca presença no espaço são voluntários que oferecem os serviços de e cabeleireiro, manicure e pedicure; - Uma máquina para a confecção de fraldas foi recebida através de doação. Com ela, as fraldas são confeccionadas na própria instituição, gerando mais economia e maior conforto no caso de emergências.

Quem faz o Lar São Vicente Presidente: Elizabete Willrich Dilkin 1ª Vice Pres.: Denise Oppitz Giacomet Stork 2ª Vice Pres.: Ana Maria Vanzella Secretária: Seila Maria Acauan Hartz 1ª Vice Secr.: Sandra Maria Bondan dos Reis 2ª Vice Secr.: Clarice Brun Souza Tesoureira: Carla Inês Brock 1ª Vice Tes.: Hedi Maria Exner Tôrres 2ª Vice Tes.: Nadia Terezinha de Souza


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SAÚDE INFORMATIVO

Aposentadoria fracassada: Guarde esse conceito Dr. Leandro Minozzo

Os cuidados com a pele dos idosos

A

pele é constantemente exposta a fatores como raios solares e poluição que, associados ao envelhecimento, prejudicam a sua vitalidade. Na terceira idade, é preciso ter mais atenção, já que o órgão fica mais fino e com menos elasticidade. Confira alguns cuidados que devem ser mantidos. O dano causado pelos raios solares ultravioletas é cumulativo e mais perigoso, portanto, para os idosos, é muito frequente o aparecimento de manchas e lesões provocadas pela exposição ao sol. Dessas, a mais grave é o câncer de pele, o que torna indispensável proteção com filtros solares. O ideal é utilizar um filtro com fator de proteção acima de 30 e reduzir ao máximo o tempo de exposição ao sol, repetindo sua aplicação sempre que esse tempo ultrapassar uma hora. Também se deve optar por horários em que os efeitos são menos nocivos, como início da manhã até às 10 horas e final da tarde, após às 16 horas. Outra dica muito importante é associar ao filtro o uso de boné, chapéu, óculos e sombrinha, pois o rosto é a parte mais delicada e deve estar sempre bem protegida. A pele do idoso é naturalmente mais seca e menos elástica. A dica - e isso vale também para os homens - é passar hidratante para pele seca logo após o banho sobre todo o corpo ainda úmido para aumentar a absorção do creme. Beber bastante água todos os dias faz com que o organismo fique mais equilibrado, mais resistente, funcionando melhor em todas as suas áreas. O organismo, recebendo pouca água, fica desidratado. Cansaço, indisposição, pele seca, cabelos secos, dores de cabeça, problemas digestivos, inflamações, cistites, formação de cálculos (pedras), alterações da pressão arterial, da circulação, do sistema hormonal, irritabilidade e insônia são alguns exemplos do que pode acontecer para quem bebe pouca água. Você deve beber de dois a quatro litros de água por dia. Nunca menos de dois litros. A quantidade depende da temperatura do dia, da atividade que você realiza, se faz muito ou pouco esforço físico e se trabalha exposto ao sol ou na sombra.

CRM 32053

Eu costumo u lizar o termo aposentadoria fracassada na lista de problemas durante as anamneses, as entrevistas médicas, dos pacientes no consultório. O que eu via como aposentadoria fracassada? Muito longe do mero aspecto financeiro, eu via pessoas deslocadas. Talentos adormecidos por força burocrática ou por crenças erradas. Desperdício. Vazio existencial. Na medida em que passei a atender pessoas que vivenciam sua aposentadoria de maneiras extremamente positivas, esse diagnóstico de aposentadoria fracassada foi tornando-se mais claro e mais preciso. Há formas boas de encarar a aposentadoria e formas não tão boas, mas que não causam tanto sofrimento. Mas há a forma ruim, aquela que reflete problemas pré-aposentadoria ou causa problemas após o fim da vida profissional. Em inglês, se fala em “retirement regrets and mistakes” (arrependimentos e erros na aposentadoria). Em muito, o conceito se assemelha às características da aposentadoria fracassada, que são: - Redução no convívio social; - Piora nos relacionamentos familiares; - Falta do sentimento de utilidade; - Sedentarismo físico e mental; - Descontrole financeiro; - Lamúria. A aposentadoria é mesmo uma fase da vida complicada e exigente. Basta qualquer um desses itens estar presente que a qualidade de vida de quem se aposenta fica em cheque. O primeiro item que caracteriza a aposentadoria fracassada é a redução no convívio social - situação que pode ser agravada quando outra característica do fracasso na aposentadoria acontece, que é a piora nos relacionamentos familiares. A restrição da vida ao aposento nos apequena como seres humanos e, além disso, nos expõe a atritos familiares constantes. Sem esquecer de tudo o que a solidão e o isolamento podem também causar. Outra característica da aposentadoria fracassada é a falta de sentimento de utilidade. Ele é ainda mais grave em pessoas em plena saúde e disposição mental. Quando um adulto na meia ou terceira idade afir-

Dr. Leandro Minozzo CREMERS 32053

Diretora – Presidente: Eneida Genehr Diretor de Administração: Geraldo de Araújo Jornalista: Adriana Seibert de Oliveira www.ipasemnh.com.br

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ma que se sente inútil, as chances dele apresentar um transtorno de humor são significativas. Seguem como características da aposentadoria fracassada dois tipos de sedentarismo: o físico e o mental. Aquele que não faz nada, só fica em casa olhando televisão, futricando na timeline do Facebook, que não gosta de ler, não faz cursos e passa grande parte do dia sentado definitivamente não vive a aposentadoria da forma mais adequada. Continuando, é claro que o descontrole financeiro também sinaliza uma aposentadoria fracassada. Há, para a maioria, uma redução nos rendimentos que, com inflações específicas - como a da saúde, que é maior do que a geral - acabam tendo poder de compra ainda menor com o passar dos anos. Quaisquer situações de vulnerabilidade financeira têm impacto significativo na redução da qualidade de vida. Acho interessante comentar uma pesquisa feita por telefone com 1.001 adultos entre 44 a 71 anos, nos Estados Unidos, cujo resultado mostrou que 61% dos entrevistados temiam mais ficar sem dinheiro na aposentadoria do que a própria morte. O medo de ficar pobre na aposentadoria superou o de morrer! Por último, a lamúria. No consultório, encaro a lamúria como escudo e tento conhecer quem está por trás e os motivos que a trazem à cena. Mas para quem não tem essa vocação clínica, os familiares ou amigos, por exemplo, o que a lamúria provoca é uma natural repulsa. Ninguém gosta de quem só reclama. Incluí esse estilo de vida e de discurso, de queixar-se sempre, por ser um sinal muito óbvio de desajuste e porque ele por si só causa prejuízos diretos em domínios fundamentais para o bem-estar, como relacionamentos familiares e sociais. Uma pessoa que não toma para si a responsabilidade sobre seus atos dificilmente enfrentará bem um momento de forte estresse, que é a aposentadoria e não tomará as atitudes necessárias para enfrentá-la. (*) Mestre em Educação | Clínico Geral - Especialização em Geriatria PUCRS | Pós-graduado em Nutrologia pela ABRAN

Clínica Geral Envelhecimento Saudável Nutrólogo Novo Hamburgo- RS Nações Unidas, 2475 / 202 Bairro Rio Branco


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PERFIL

VARIEDADES

Jorge Ondere Filho

Jorge Ondere Filho, 80 anos, tem na história da família de imigrantes alemães e na dedicação de toda uma vida o amor por Hamburgo Velho, o bairro histórico de Novo Hamburgo. Atualmente aposentado, após longa carreira nos Correios, ele divide suas impressões e expectativas, sempre valorizando a cidade onde mora e destacando a família que construiu em um casamento de quase 60 anos com

Elaine Denise Von Berg Ondere. Quem sou: filho de Jorge Ondere e Erika Roessler Lanzer Ondere. Johann Peter Schmitt, meu trisavô, foi o primeiro imigrante que chegou a Hamburg Berg (Hamburgo Velho), onde construiu sua casa e entreposto comercial - hoje, o museu Casa SchmittPresser. O que faço: hoje, aposentado. Minhas atividades começaram em 1950, na Empresa de Correios e Telégrafos, em Hamburgo Velho, e logo passei a gerente. Também fui chamado para gerenciar a agência de Campo Bom e, em seguida, de Sapiranga. Mais tarde, fui transferido para a agência de Vacaria, onde fiquei um ano. Mais tarde, mudei para o INSS, onde me aposentei, desempenhando toda minha vida profissional, junto com minha esposa, na função pública federal. Um orgulho: como gerente da agência dos correios de Hamburgo Velho, introduzi todos os anos, durante a Semana da Pátria, o hasteamento da bandeira nacional, através de colégios convidados, quando os alunos participavam deste momento

Acupuntura

cívico, incentivando o amor e o respeito à pátria. Durante os sete dias da semana, cada colégio enviava uma turma para entoar o hino nacional juntamente com autoridades de Novo Hamburgo. Um desejo: poder comemorar com minha querida esposa, Elaine, as bodas de diamante, em 25 de maio de 2017. Uma lição que aprendeu: não confiar em políticos brasileiros. Uma lição que ensinou: passar às novas gerações patriotismo, caráter e honestidade, sem esquecer da dedicação à família. A família é o núcleo estável da sociedade. O que não sai da memória: meu feliz casamento com minha esposa, meus quatro filhos e seis netos. O que mais gosto em minha cidade é: o passado foi árduo, mas havia cultura, progresso e educação. Hoje: uma vergonha. Futuro: incerto. O que falta em minha cidade é: políticos competentes e honestos. Mais segurança, mais limpeza, menos vândalos e mais respeito.

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FREDERICO E MANUELA

E

le era filho único, estudava engenharia e adorava surfar. Ela tinha uma irmã gêmea, era recém formada em biologia e muito romântica. Os dois se conheceram numa escola pública da cidade onde moravam, onde faziam trabalhos voluntários para entretenimento das crianças. Portanto, ambos tinham encantamento por fazer o bem ao próximo. Daí surgiu um belo romance, e os dois decidiram morar juntos. Alugaram um apartamento no Centro da cidade, próximo do trabalho dele, longe do trabalho dela, mas perto das casas dos pais de ambos. Custeavam conjuntamente as despesas para sua manutenção e subsistência, e tudo que adquiriam era fruto do esforço comum. Para formalizar sua relação, firmaram uma escritura pública de declaração de união estável, confirmando e documentando a escolha do regime de bens da comunhão parcial para reger as suas relações patrimoniais, na forma da lei e como de fato já acontecia. Nesse regime de bens, comunicam-se os bens adquiridos onerosamente na constância da união, o que significa dizer que os bens que são comprados por qualquer um pertencem a ambos os conviventes. Já os bens que, por exemplo, algum deles receber por doação ou por herança, pertencem exclusivamente a quem os recebeu, dando-se a esses o nome de bens “particulares”. Atualmente, também no casamento civil, o regime legal de bens é o da comunhão parcial, exceto se os futuros cônjuges convencionarem diferentemente, escolhendo outro regime, como, por exemplo, o regime da comunhão universal de bens, onde tudo é de ambos, exceto se algum patrimônio, recebido por doação ou herança, for clausulado, expressamente, com INCOMUNICABILIDADE, quando pertencerá exclusiva-

mente a quem o recebeu, não entrando na comunhão de bens. Para Frederico e Manuela, o regime da comunhão parcial de bens parecia o mais adequado, pois o patrimônio que porventura recebessem de suas respectivas famílias, segundo entendiam, deveria pertencer com exclusividade ao filho ou herdeiro que o recebesse - ele ou ela, de forma a preservar a continuidade da titularidade do bem no seio familiar, em caso de eventual separação. Assim também queriam que ocorresse com o patrimônio construído por eles em relação aos seus futuros filhos. Pensando nisso, por volta dos quarenta anos de idade, fizeram testamentos recíprocos, nos quais um legou para o outro a sua parte disponível e também clausulou a sua herança com INCOMUNICABILIDADE. As disposições feitas nos testamentos significaram que, ao falecer um dos dois companheiros, o sobrevivente ficaria com 25% da meação do falecido, que, acrescido aos seus 50%, totalizaria 75%. Os outros 25% do morto, por sua vez, seriam divididos entre os filhos e o companheiro sobrevivente, na forma da lei. E toda a parcela objeto da herança ficaria protegida com a cláusula de INCOMUNICABILIDADE, visando preservar o patrimônio no seio familiar, independentemente do regime de bens de casamento contraído pelos sucessores, ainda que fosse o da comunhão universal de bens. Frederico e Manuela sempre foram determinados e organizados, dando às suas relações patrimoniais definições prévias que evitaram discussões vãs e prejudiciais à convivência familiar. Assim, oportunizaram ao amor um lugar pleno e independente de qualquer outro setor de suas vidas. Texto é de autoria de Dra. Simone Bonalume, Tabeliã Substituta do TABELIONATO FISCHER

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