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Dezembro de 2016 Ano 10 - Nº 110

GERAL

INFORMATIVO

Reformas na aposentadoria A PEC 287 altera a idade mínima para a posentadoria em 65 anos, para homens e mulheres, além de outras regras restritivas.

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ATAPNH - Associação dos Trabalhadores Aposentados e Pensionistas de Novo Hamburgo Páginas 4 e 5

ABr

Diretiva antecipada de vontade: o direito de escolha do paciente "A vida é viver"

Ferreirra Gullar

No dia 4 de dezembro de 2016, morreu na cidade do Rio de Janeiro, em decorrência de vários problemas respiratórios, o poeta Ferreira Gullar, um imortal na Academia Brasileira de Letras. A morte dele abriu a discussão sobre o direito do paciente de recusar tratamento, seja ele procedimento de ventilação mecânica (uso de respirador artificial), tratamento (medicamentoso ou cirúrgico) doloroso ou extenuante ou mesmo a reanimação na ocorrência de parada cardiorrespiratória. Para Ferreirra Gullar "A vida é viver" e assim pediu à sua esposa Claudia Ahimsa: "Se você me ama, não deixe fazerem nada comigo. Me deixe ir em paz. Eu quero ir em paz". O apelo para que a sua agonia não se pro-

longasse foi atendido e dois dias depois, ele morreu. Pela Resolução 1.995/2012 do Conselho Federal de Medicina (CFM), o registro da diretiva antecipada de vontade pode ser feita pelo médico assistente em sua ficha médica ou no prontuário do paciente, desde que expressamente autorizado por ele. Não são exigidas testemunhas ou assinaturas, pois o médico – pela sua profissão – possui fé pública e seus atos têm efeito legal e jurídico. O registro em prontuário não poderá ser cobrado, fazendo parte do atendimento. Para o presidente do CFM, Roberto Luiz d’Avila, a diretiva antecipada de vontade é um avanço na relação médico-paciente. Segundo ele, esse procedimento está diretamente relacionado à possibilidade da ortotanásia (morte sem sofrimento), prática validada pelo CFM na Resolução 1.805/2006, cujo questionamento sobre sua legalidade foi julgado improcedente pela Justiça. Esta disposição antecipada de vontade também pode ser feita em cartório, sendo denominada Escritura Pública de Disposição Antecipada de Vontade, e tem como objetivo orientar os médicos sobre as escolhas relativas a procedimentos médicos e terapêuticos a que eventualmente precise ser submetido. Tudo de acordo com preceitos contidos em nossa Constituição e nas normas do Código de Ética Médica, vigente no Brasil. Nesse instrumento, a pessoa também pode nomear um representante, a quem caberá decidir tudo em relação ao tratamento médico dela, inclusive autorizar procedimentos médicos.


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OPINIÃO

Os mais pobres podem viver até dez anos a menos

Leandro Minozzo

Fin te ano! Cumôia! E acóra, o guê a chênde fáiz gôn o Pêls Nícãl? Tís guê essíst, ô nôn tís? Êiz a guesdôn... A indernéd e os zelulár tôn avacalhãnto o pôn velhinho, uma vêiz. Dá tifízil as múti e os pápa esgontê tos pirú, gue os bressênt vên tô chópin e nôn tô pôn velhinho. Na vertáde, é gúlba tésta cherassôn gue zê techô levá bêla decnolochía em tetrimênt tá guldúra e imachinassôn tôs pequeno. As griãns é gue esgólhem o gue guéren canhá e vôn chúndo na lócha e zemãnas ânts to Nadál. A Hulda e eu ressolvêmo gondinuá gôn a dratissôn: fassêmo os tôce enfeidáto brás griãns, potãmo o binheirinho na zála... máiz áls vêis zê nota um pirú olhãnto te láto e rindo... êsde a chênde chá bertêu! Eu lamênt ísdo, máiz é bôrgue tô ált e zô ortotóx, fassê o guê, nôn é? Máin Cott, o guê foi ésda logúra no fúspál? Múits nôn vôn costá te lê ísdo, máiz eu ách gue as bezôa tôn malúc. É um chôgo, um tiverdimênt. Derminô, fíca felís e zégue en frênt. Máiz nôn, brezíssa, critá e jorá gômo griãns! Brezíssa testruí, zê cãnha ô zê bérde, non imbórda! Dên gue pepê adé caí! Dên gue pricá gôn a família ô gôn os amíco! Ísdo é zautável? Chúra? Eu fígo felís guãnto vêcho uma bazeáta bela melhoria to Prassíl, bêlo fín tá ropalhêra, gôn zíngo mil bezôa. Guê maravílha. E fígo esdarezíto guê nún chôgo dên máiz te zinguênda mil! Alcúma gôissa dá eráda nésda eguassôn. O bróbrio povo mósdra gue nôn zê imbórta gôn a ropalhêra, o guê êls guéren é o Põn e o Zírgo. E é o gue vôn dê, adé a górta arebentá! Felís? Tôis mil e tsassét!

Nutrólogo e Clínico Geral - CREMERS 32053

Em tempos de uma reforma previdenciária polêmica, e desenhada sem discussão, é importante que os defensores ou estudiosos do envelhecimento se posicionem. Considero importante mudarmos alguns aspectos da previdência, mas não em fazê-lo sem uma ampla discussão. Também acho errado importar informações e dados epidemiológicos de países desenvolvidos; afinal, somos um país ainda em desenvolvimento, com graves e seculares diferenças sociais. Em alguns estados, por exemplo, a expectativa de vida não chega aos 68 anos. Aprendi no estudo da Geriatria e Gerontologia que o envelhecimento é heterogêneo e complexo, logo, jamais devemos agrupar os idosos apenas por sua data de nascimento. Há idosos de 75 anos ainda em condições laborais e há aqueles com menos de 65 anos já adoecidos e sem quaisquer capacidades de contribuir com o mercado de trabalho e muito menos de se manterem sem a previdência. As pesquisas em envelhecimento apontam para um grande número de idosos com dependência funcional em nosso país. São pessoas que não conseguem ir ao médico sozinhas, sair de casa, ir ao banco e, em casos mais delicados, nem mesmo cuidar de si em termos de alimentação e higiene. Há, de maneira clara, com a reforma apresentada um grave risco de empobrecimento de idosos e aumento na vulnerabilidade social de quase toda uma faixa etária. Deixo, com esse breve comentário, um dado interessante e recente: uma pesquisa americana

mostrou que as pessoas mais pobres chegam a viver dez anos a menos do que as mais ricas. Como ficarão os idosos com dependência funcional? Como ficarão os agricultores, com baixa escolaridade e maior adoecimento? Será justo o que acontecerá com os idosos do Brasil? Será justo que os mais pobres sejam tratados da mesma forma que os mais ricos? Não poderíamos ampliar a discussão e a ela incorporar tanto conhecimento que se tem sobre o envelhecer? Um abraço, Leandro.

CLOSSÁRIO Ách - acho Esgontê - esconder Múti - mãe Ált - velho Essíst - existe Ortotóx - ortodoxo Ânts - antes Fúspál - futebol Pêls Nícãl Bezôa - pessoas Gôn - com - Papai Noel Bôrgue - por que Gondinuá - continuar Pepê - beber Bressênt - presentes Górta - corda Pricá - brigar Canhá - ganhar Griãns - criança Testruí - destruir Cherassôn - geração Guesdôn - questão Tetrimênt Chôgo - jogo Gúlba - culpa detrimento Chúra - jura Guldúra - cultura Tiverdimênt Critá - gritar IJorá - chorar divertimento Cumôia - bom dia Lamênt - lamento Tôce - doces Dratissôn - tradição Láto - lado Tsassét - dezessete Eguassôn - equação Lócha - loja Zautável - saudável Ésda - esta Logúra - loucura Zinguênda Esdarezíto Máin Cott cinquênta estarrecido Meu Deus Zírgo - circo

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GERAL

REFORMA CONTRA TODOS nimo. A PEC barra a acumulação de pensão e aposentadoria. Quem está aposentado e passa a ser apto a receber pensão por morte deve optar pelo maior benefício. Paulo André Fernandes Solano Advogado - OAB/RS 56.724

O governo federal enviou a proposta de reforma da Previdência Social ao Congresso Nacional.

A PEC 287 altera os requisitos para o recebimento de aposentadoria, as regras do pagamento de pensões por morte, extingue a acumulação de benefícios, modifica regras dos servidores públicos, endurece a situação dos produtores rurais, dentre inúmeras alterações. O presidente da Câmara deseja aprovar o projeto em março de 2017 e após, remeter ao Senado. A principal mudança proposta pelo governo é o estabelecimento da

Idade mínima de 65 anos para que os segurados do INSS e os servidores públicos recebam a aposentadoria. A regra valeria tanto para homens com idade igual ou menor que 50 anos e para mulheres que tiverem menos de 45 anos na data da promulgação da Emenda. O governo propõe estabelecer 25 anos como tempo mínimo de contribuição para que o beneficiário tenha direito à aposentadoria – isso tanto para homens quanto para mulheres. E ainda, os homens com idade acima dos 50 anos e mulheres com mais de 45 anos para alcançar o mesmo valor do benefício original, deverão cumprir pedágio de 50% do tempo que, na data da promulgação das novas regras, faltaria para completar o número de meses de contribuição que garante esse valor original.

Por exemplo: uma mulher com 45 anos de idade e 29 anos de contribuição terá de contribuir por mais um ano e meio e não mais apenas um ano. Sendo que o cálculo do valor do benefício será de 51 A proposta do governo muda o cálculo da pensão por morte estabelecendo que o cônjuge terá direito a 50% da aposentadoria que o falecido recebia, com previsão de acréscimo de 10 pontos percentuais por dependente. A pensão também ficaria desvinculada dos ajustes ao salário mí-

Os trabalhadores do campo passarão a se aposentar com, no mínimo, 65 anos de idade e 25 anos de contribuição. A contribuição passa a ser individual e obrigatória. Também haverá uma regra de transição para os produtores rurais que tiverem mais de 50 anos, no caso dos homens, ou mais de 45 anos, no caso das mulheres. Os grandes prejudicados com a PEC são os servidores públicos que terão a limitação no valor do seu benefício pelo teto do INSS, sendo que os

Estados e municípios terão prazo de dois anos para criar programa de Previdência complementar atingindo aos servidores contratados após a criação dos fundos. Quanto aos policiais civis, policiais militares e bombeiros, a transição para as novas regras de aposentadoria será estabelecida por cada estado. Esses profissionais entrarão nas regras gerais da reforma, de idade mínima de 55 anos e de pelo menos 25 anos de contribuição, mas o prazo para isso será definido pelos governos estaduais. Leitores, estamos diante da maior restrição de Direitos no campo previdenciário! A fúria arrecadatória do governo faz com que direitos históricos sejam desrespeitados e novas aberrações estejam em construção! O trabalho será árduo para aqueles que desejarem combater essa PEC da morte! Não podemos esmorecer, tampouco afrouxar as ações!


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SAÚDE


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SAÚDE

Os cuidados com a pele dos idosos

A pele é constantemente exposta a fatores como raios solares e poluição que, associados ao envelhecimento, prejudicam a sua vitalidade. Na terceira idade, é preciso ter mais atenção, já que o órgão fica mais fino e com menos elasticidade. Confira alguns cuidados que devem ser mantidos. O dano causado pelos raios solares ultravioletas é cumulativo e mais perigoso, portanto, para os idosos. É muito frequente o aparecimento de manchas e lesões provocadas pela exposição ao sol. Dessas, a mais grave é o câncer de pele, o que torna indispensável proteção com filtros solares.

O ideal é utilizar um filtro com fator de proteção acima de 30 e reduzir ao máximo o tempo de exposição ao sol, repetindo sua aplicação sempre que esse tempo ultrapassar uma hora. Também se deve optar por horários em que os efeitos são menos nocivos, como início da manhã até às 10 horas e final da tarde, após as 16 horas. Outra dica muito importante é associar ao filtro, o uso de boné, chapéu, óculos e sombrinha, pois o rosto é a parte mais delicada e deve estar sempre bem protegida. A pele do idoso é naturalmente mais seca e menos elástica. A dica - e isso vale também para os homens - é passar hidratante para pele seca logo após o banho sobre todo o corpo ainda úmido, para aumentar a absorção do creme. Beber bastante água todos os dias faz com que você realiza, se faz muito ou pouco esforço que o organismo fique mais equilibrado, mais físico e se trabalha exposto ao sol ou na sombra. resistente, funcionando melhor em todas as suas áreas. Adriana Seibert de Oliveira O organismo, recebendo pouca água, fica dewww.ipasemnh.com.br sidratado. Cansaço, indisposição, pele seca, cabelos secos, dores de cabeça, problemas digestivos, inflamações, cistites, formação de cálculos (pedras), alterações da pressão arterial, da circulação, do sistema hormonal, irritabilidade e insônia são alguns exemplos do que pode acontecer para quem bebe pouca água. Você deve beber de dois a quatro litros de água por dia. Nunca menos de dois litros. A quantidade depende da temperatura do dia, da atividade

MAIOR DE 60 DEZEMBRO 2016  

Jornal dirigido à Terceira Idade na Grande Porto Alegre

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