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A primeira e Ăşnica novela mexicana baseada em True Blood! Por We Love True Blood


Escravos do Amor – Primeira Temporada

Sumário Capítulo 01 ..........................................................................................................................3 Capítulo 02 ........................................................................................................................ 16 Capítulo 03 ........................................................................................................................ 30 Capítulo 04 ........................................................................................................................ 42 Capítulo 05 ........................................................................................................................ 54 Capítulo 06 ........................................................................................................................ 66 Capítulo 07 ........................................................................................................................ 81 Capítulo 08 ........................................................................................................................ 99 Capítulo 09 ...................................................................................................................... 113 Capítulo 10 ...................................................................................................................... 129 Capítulo 11 ...................................................................................................................... 146 Capítulo 12 ...................................................................................................................... 164 Capítulo 13 ...................................................................................................................... 183 Capítulo 14 ...................................................................................................................... 202 Capítulo 15 ...................................................................................................................... 222 Capítulo 16 ...................................................................................................................... 239 Trilha Sonora da Primeira Temporada (com link para download) ......................................... 256


Escravos do Amor – Primeira Temporada

Capítulo 01 Pagando bem, que mal tem! EVERYBODY wants to see ANYBODY fuck


Escravos do Amor – Primeira Temporada

Começava mais um dia quente na agitada cidade Vale de Los Sanguijuelas. Sookita estava sentada em sua cozinha com uma pilha de contas em cima da mesa, enquanto Jason estava sentado na outra ponta com os pés para cima e sua atenção voltada para o celular. “Sook, deixe essas contas pra lá, não se estresse à toa...Por que não manda seu noivo rico pagar? Larga mão de ser tapada. Nem parece que é minha irmã.” “Por Deus, Jason Ricky, eu já disse para você que o meu relacionamento com Bill não está baseado em interesses. Eu não sou uma mulher mantida. Sou uma pessoa saudável, e posso muito bem trabalhar para pagar as minhas contas. Mas esse mês, as coisas saíram um pouco do controle...droga... eu não sei o que fazer.” Jason abre um sorriso irônico e responde: “Não é sua culpa que nossa avó morreu e deixou essa hipoteca pra pagar. Desculpe, Sook, mas eu não moro mais aqui e não posso te ajudar nessa...” Sookita lançou ao seu irmão um olhar de choque, misturado com pura tristeza. Ela sabia que Jason Ricky não ganhava uma fortuna como policial, mas o mínimo que ela esperava dele, era pelo menos apoio, frente a situação. Ela trabalhava desde os 16 anos, sempre tinha ajudado nas contas da casa, nunca tinha faltado nada a eles. Mas depois que sua avó morreu, as coisas mudaram drasticamente. Para Jason nem tanto, já o que ele mais sabia fazer era galinhar e viver estupidamente. “Sabe...por que você não procura outro emprego? Um que pague melhor?” Sookita olhou chocada de novo: “Outro emprego? E deixar Sam na mão? Eu não penso assim. Sam sempre foi muito bom para mim, eu não posso simplesmente largá-lo desta forma.” Sookita trabalhava como garçonete, no bar mais famoso da cidade, o Tequilla’s. Sam era seu patrão, e foi quem deu o seu primeiro emprego, desde então eles haviam se tornado grandes amigos. O boato que corria na cidade que ele era apaixonado por Sookita, mas ela não acreditava nisso, as pessoas só estavam sendo maldosas como de costume. “Então procure um emprego em outro turno. Sei lá, em um posto de gasolina, agência funerária ou quem sabe você pode falar com o Lafayette Escobar.. Eu soube que ele está contratando.” Ele disparou, e então soltou uma gargalhada. “Eu gosto de trabalhar honestamente Jason, Lafayette é meu amigo mas não estou disposta a ser mulher de vida fácil. Não estou tão desesperada assim.” Respondeu irritada.


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“Engraçado, eu conheço várias pessoas que gostam de levar essa vida fácil... inclusive...” Jason se calou, e então mudou de assunto: “Bem, tenho que ir agora. Eu posso vê se consigo algum emprego para você de estagiária lá na delegacia.” Ele se levanta da cadeira, acena um adeus e sai pela porta da cozinha. Sookita balançou a cabeça em desaprovação, trabalhar com Jason seria a última coisa que ela gostaria na face da Terra. “Deus que me livre!” Ela observou a mesa distraidamente, e quando os seus olhos passaram pelo visor de seu celular, ela reparou que estava atrasada para o seu turno no bar. E este não é um bom momento para faltar ao trabalho, ela pensou consigo mesma. Jogou as contas rapidamente dentro da “Caixinha da Desgraça” como ela gostava de chamar onde guardava os papéis importantes e correu para colocar seu uniforme. -------------------------Chegando ao Tequilla’s, Sookita começa a atender as mesas completamente desanimada. Era um dia comum e de pouco movimento no bar. O que era bom, pois só assim sua mente telepática tinha um pouco de descanso. De repente ela notou a presença de sua melhor amiga Tara, que estava atendendo outra mesa. Discretamente Sookita acenou para que ela se aproximasse. “Tara, você sabe se aquela padaria lá do Seu Alberto está contratando?” Tara não segurou a risada comentado: “Pelo amor de Deus, né? Trabalhar para aquele velho louco não dá. Ele adora apalpar as moças que trabalham lá... se a jamanta da mulher dele tiver uma crise de ciúmes, te coloca no olho da rua sem pensar duas vezes. Não acho que fazer boquete naquele velho valha à pena...”. Tara fez uma cara de nojo. Sookita balançou a cabeça tentando apagar a cena de sua mente. Que jeito horrível de começar o dia. “Tara, como você sabe de tudo isso? Por acaso fez isso quando trabalhou lá? Nunca vi você reclamar do salário...” “Eu tenho contatos Sook, não sou antissocial como você, tenho amigos.” “Não precisa pegar pesado, Tara. Eu gosto de ser sua amiga e Bill já é todo o conforto que preciso, não quero outras pessoas a minha volta.” “No dia que eu encontrar um namorado e dizer ‘ele é meu conforto’ você pode me internar. Quero alguém que faça direito. Isso basta!”


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Sookita ficou sem graça lembrando-se de sua condição de virgem, pura e casta... Será que ela nunca iria desenrolar com Bill? Só beijar não a satisfazia como antes, Bill era respeitoso até demais. Só que Tara não precisava saber disso. “Tara, e aquela boate?”, ela perguntou envergonhada. “Qual Boate?” “Aquela do martelo... não sei bem o nome.” Sookita lançou um olhar confuso para a amiga. “Ah, claro...Santo Martillo?” “Essa mesmo! Será que estão contratando garçonetes? Estava pensando em dar uma passada por lá, sabe, como quem não quer nada...” “Humm, não acho uma boa ideia, lá só trabalha mulheres lindas e perfeitas como o dono.” Tara fez uma careta de desaprovação. “Não que você seja feia, mas, não somos beldades. Uma vez eu tentei um emprego lá e não foi o melhor dia da minha vida, não gosto de lembrar. “ Ele não pode ser tão perfeito assim... E se for deve ser o nojo em pessoa, diferente do meu Bill que é o homem mais doce que já conheci.” Sookita suspirou na lembrança do seu amado e doce Bill. Tara não é chegada em políticos e não suporta o envolvimento de sua melhor amiga com o prefeito da cidade. Sookita é inocente demais e é um joguete fácil na mão de homens poderosos como Bill de La Veja, pensou preocupada. “Sook, você precisa encontrar alguém que faça seu sangue ferver, sentir comichão no meio das pernas...Até hoje não entendo como você foi se envolver com o prefeito da cidade. Achei que sua avó tinha ensinado os fatos da vida...” Sookita estava sem paciência e nem perdeu tempo respondendo a amiga, ela já estava cansada de escutar o fato de Bill não ser isso ou aquilo...ela sabia muito bem com quem estava se envolvendo, e não era com esse homem terrível que a Tara tanto gostava de pintar. “Tara, você está desviando do assunto. Então, não tenho chances nem na padaria do velho e muito menos como garçonete. Obrigada pela ajuda, agora não sei o que fazer.” Tara olhou para os lados, deu uma olhada na amiga e pensou que está na hora de Sookita se divertir um pouco.


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“Pode ser que garçonete não seja seu futuro. Lá eles contratam dançarinas para a noite, de repente você pode arriscar. E eles não são tão exigentes com quem faz pole dance por lá.” “Pole o que?”, Sookita ficou confusa por alguns instantes. “Socorro, Sook...não sabe o que é pole dance? É segurar no pau e dançar até o chão...”, Tara ficou exasperada com a ingenuidade da amiga. “Isso foi obsceno! Vou fingir que não ouvi, achei que lá era diferente do local do seu primo Lafayette.” “Meu Deus, Pole Dance é uma dança! Não falei pau tipo pinto, caralho. Um mastro, pronto...melhorou?” “Eu entendi perfeitamente, você sabe que não sou acostumada com essas coisas. Minha avó era muito religiosa e devota da Virgem de Guadalupe. E mais uma vez você sabe bem que estudei até em colégio de freira” Sam se aproximou das duas, cruzou os braços e disse: “Por acaso eu pago vocês para os clientes receberem magicamente os pedidos?” Sookita deu um pulo de susto, estava tão perdida em sua conversa com Tara que nem percebeu a aproximação de seu patrão. “Desculpe, Sam. Isso não vai mais acontecer, prometo.” Sookita respondeu rapidamente. Tara observou seu patrão e fez uma careta seguida de um “Dane-se o Sam” enquanto o mesmo se afastava. Sookita perguntou pela última vez: “Tara, você ainda não disse com quem eu preciso falar para tentar alguma coisa na boate?” “Eu vou falar, mas o que acontecer daqui pra frente, é problema teu, não venha me culpar depois. Eu avisei. Você tem que procurar a gerente, Pam Izabelita Lerõnho.” “Certo, vou procurá-la e depois te conto o que aconteceu.” “Ah... vista algo sexy, coloque uma peruca, e uma maquiagem chamativa. Não é bom aparecer com sua cara lá e depois ser reconhecida. Inventa um nome de guerra. E é bom tentar ser outra garota também, porque esse seu jeito Carola não atrairá nem o velho com o maior tesão desta cidade.” Sookita deu uma tapa de brincadeira na amiga. Tara se assustou com o som do seu celular, e o tirou rapidamente do bolso. Ao ver do que se tratava, ela


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ficou imediatamente acuada e pediu que sua amiga cuidasse de suas mesas. Ela já estava acostumada, toda vez que isso acontecia Tara ficava estranha e logo dava uma desculpa para sair o mais rápido possível do recinto... Não ousava ler a mente da amiga, achava que seria invasão demais. “Ah... Tara já é bem grandinha, sabe se cuidar sozinha. Tenho os meus próprios problemas agora.” Ela murmurou se dirigindo até a cozinha, para pegar mais um pedido, agora bem atrasado. ----------------------------Horas depois, Sookita limpou o suor da testa, tirou o avental e se ajeitou para deixar o bar. Finalmente seu turno estava chegando ao fim. Havia feito muita confusão com as mesas após o papo que teve com Tara, não parava de pensar em que roupa iria vestir, a peruca que iria comprar para ir até a boate Santo Martillo. Estava também nervosa por ter que falar com Pam mais tarde, a gerente da boate. Jogou um beijo para Tara e outro para Sam, correu para a porta do bar dando um encontrão em Jessica, a vampira cria de seu namorado Bill. Disse com pressa após beijar o rosto da moça ruiva: “Desculpe, Jessica, hoje não vou poder te atender. Depois nos falamos.” Jessica olhou para Sookita a medindo de cima a baixo e retrucou: “Não tem problema, não vim aqui para te ver.” Lançou um olhar fulminante na direção de Sam. Enquanto Sook sai pela porta sem entender nada. Jessica balançou os cabelos ruivos de um lado para o outro avançando na direção do balcão onde Sam estava trabalhando. Deixou a mostra o decote generoso, fazendo pressão com os braços nas laterais para os peitos parecerem maiores do que realmente são. “Boa noite, Sam. Está muito ocupado?” “Boa noite... sim, estou muito ocupado.” Ele olhou em volta para os fregueses que se amontoavam no balcão pedindo tequila e cerveja. “Não dá para perceber?”, indagou irritado. Jessica não se intimidou, jogou os cabelos para trás atraindo olhares de vários homens, deixando um pouco a mostra parte de suas presas de vampira. “Não quero atrapalhar, mas o prefeito pediu para te entregar um recadinho.” Obviamente era mentira, mas Sam só iria descobrir depois.


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Ele estendeu para ela um bloquinho de notas: “Está bem, anote aí o recado, depois eu vejo o que fazer.” E se afastou na direção de outros clientes. Jessica soltou um suspiro de irritação jogando o bloco longe, sua tática não estava dando certo. Esse idiota só tinha olhos para a tapada da Sookita Montegenegro, o que aquela vaca tem que eu não tenho? Já chega o Bill babando nessa loira aguada, pensou consigo mesma. Tara que estava observando toda a cena e se aproximou da ruiva no balcão: “Hey, toma um TruBlood aí para acalmar a piriquita” e jogou um frasco de sangue sintético para a vampira que pegou rapidamente começando a tomar em seguida. O celular de Tara tocou e ela atendeu: “Oi, demorou para ligar. Eu vou, já falei...e eu tenho muita escolha? Sim.... Sook? Nem pensar, a pobre vai tentar lá no Santo Martillo. Eu avisei, claro que avisei...Eu estou esperando ela voltar chorando...o Eric? Espero que não cruze o caminho dela. Sim...sim...entendi.” Tara se afastou caminhando na direção da cozinha ainda ao telefone. “Eu escutei certo? Sookita e boate? Não posso perder isso de jeito nenhum.” A vampira sorriu. Não demorou muito, a ruiva saiu correndo em velocidade vampírica do bar.” ------------------------------Depois de comprar uma peruca vermelha como sangue numa lojinha de Fantasias, Sookita voltou para casa completamente animada, ela tinha certeza que o emprego estaria no papo. Talvez ela não fizesse tanto sucesso com os homens, mas não era tão feia a ponto de assustar a clientela. Sem falar no fator força de vontade, que não faltava neste momento. Estava em seu quarto, ela se lembrava de outros momentos na sua vida que foram complicados. Nem tudo tinha sido fácil. Teve a péssima fase da adolescência, as incontáveis provas de matemática e trabalhar no bingo da igreja tendo que ensinar velhinhos a jogar. Aquela boate não seria tão péssima assim, ela tiraria de letra, igual fez em tudo na vida. Pensou um pouco mais animada. Deu uma última olhada no espelho de seu quarto, balançou a cabeça e foi na direção do banheiro. Após tomar um longo banho quente, ter esfregado cada pedaço de pele com uma esponja vegetal, ter feito esfoliação no rosto, raspado as pernas e axilas, Sookita partiu para uma das escolhas mais difíceis na noite, uma roupa para arrasar na boate.


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Quando reparou que não tinha nada para vestir que fosse apropriado para uma boate, toda a alegria de antes sumiu. Será que Tara poderia emprestar? Foi aí que a campainha soou, tirando-a de seu momento de crise. “Sério? Isso é hora para aparecer aqui em casa? Se for o Jason Ricky eu vou matá-lo...”. Ao chegar à porta da frente, Sookita percebeu que seu visitante não era Jason. Bill, o seu namorado tinha vindo visitá-la. Ela sorriu, respirou fundo e abriu a porta. “Bill, que surpresa agradável! O que te traz aqui tão tarde, meu amor?” “Eu sou um vampiro Sookita, eu só tenho a noite.” Que pergunta mais estranha, ele pensou. “Ah claro, que cabeça a minha! Então... a que devo a surpresa?” “Ué, não posso visitar a minha bela e imaculada namorada? Faz tempo que você não me faz agrados, eu sinto falta de ser mimado... Aliás, você não vai me convidar para entrar?” “Er.. desculpe querido, é que eu não estou me sentindo muito bem hoje, saí do trabalho com dores de cabeça e um pouco tonta. Estava tomando um banho quente para vê se melhorava, mas acho que não surtiu muito efeito. Você me perdoa? Passo na sua casa amanhã, assim que anoitecer, prometo.” “Tudo bem. Eu não ia demorar mesmo, tenho coisas importantes a fazer. Vejo você amanhã.” Com isso, Bill beijou Sookita na testa, e voltou para o seu carro. Em poucos segundos tudo o que restou foi à poeira. Ela não gostava de mentir para ele, sentia-se mal por conta disso, ainda mais ele sendo tão bom para ela. O amava tanto, mas precisava muito do emprego, tinha dívidas para pagar e não queria depender dele para isso. Subiu novamente até o quarto. Depois de vasculhar todo o seu guarda-roupa, ela desistiu de procurar a roupa adequada e decidiu ligar para sua amiga Tara. “Alô”, disse Tara do outro lado da linha. “Tara? Sou eu, Sookita. Eu comprei a peruca que você disse, mas não tenho roupa para bancar a dançarina de ‘pole dança”... Sei lá, aquilo que você disse hoje... nessa boate. Por favor, me ajude!”


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“Claro que você não tem. Por que diabos não virou freira ainda?”, perguntou Tara com irritação. “Também não é assim, simplesmente não gosto de roupas apertadas e chamativas... não fazem meu estilo.” “Venha na minha casa agora que eu vejo se tem algo apropriado para você vestir, e que não pareça tão vulgar pro seu rostinho de Barbie” Ouviu Tara gargalhando. Ficou irritada por alguns momentos. “Estou indo, até daqui a pouco.” “Ok, estou te esperando Barbie do Convento!” --------------------------A visita no apartamento de Tara foi rápida, já estava ficando tarde e a boate ia abrir em poucas horas. Voltou para casa, Sookita se vestiu rapidamente, fez uma maquiagem que combinasse com a roupa. Colocou um sobretudo, pois não ousava andar com aquela roupa na rua. Pegou a sua peruca vermelha e partiu em direção ao centro da cidade onde se localizava a boate Santo Martillo. Será que Tara deu o endereço certo? Ou estava perdida? Era número 1.535 ou 1.355. Não se lembrava mais, pensou começando a se preocupar. Após virar o carro numa rua, Sookita avistou um prédio de esquina, iluminado com luzes neons e repleto de pessoas na entrada. Não tinha dúvidas de que ali era a boate. Ela também reparou na quantidade de carros no estacionamento próximo ao local. “Ótimo...logo hoje a boate vai estar lotada!”, murmurou com irritação. Estacionou numa rua ao lado. Não tinha dinheiro para pagar os estacionamentos com preços abusivos do centro. Não tinha receio de seu carro ser roubado, era tão velho. Desceu do carro, tirou o sobretudo jogando no banco de trás. Respirou fundo e caminhou de forma confiante até a entrada do local, pelo menos tentou, mas torceu o pé algumas vezes por causa do salto alto. Olhou em volta esperando que ninguém tivesse reparado. Enquanto esperava pacientemente na fila, ela aproveitou e retocou sua maquiagem no espelhinho que trazia na bolsinha. De repente ela percebeu que alguém estava falando. “Olá neném! Você deve ser carne nova no pedaço, eu nunca vi uma carinha mais angelical e um corpinho mais suculento do que esse seu por aqui. Tem um ID com você boneca?”


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Sookita ficou olhando perdida para o vampiro tatuado a sua frente, podia ver as presas dele, deveria ser um tipo de porteiro, ou coisa assim. Ela ia tirar sua carteira de motorista do bolso para mostrar, quando lembrou que não podia relevar sua identidade, era muito arriscado. Então ela pensou rapidamente em uma mentira. “Infelizmente eu deixei na minha outra bolsa, percebi isso quando ainda estava no carro. Mas você não vai impedir de uma garota ter um pouco de diversão vai?” O vampiro barbudo e tatuado olhou a bela garota nos olhos, e percebeu que o mínimo de problema que ela poderia criar lá dentro seria ficar bêbada e tirar a própria roupa. E isso ele não iria querer perder. Então disse: “Ok, você pode entrar. Mas eu posso saber ao menos o seu nome, gostosa?” “Claro, é Alice Fontenele. E obrigada. Você é um vampiro muito bom. Muito bom.” Sookita sorriu o seu sorriso mais sincero. Ao adentrar no recinto ela ficou completamente desnorteada, mas afinal, o que era aquilo? Nunca em sua vida tinha presenciado algo tão obsceno. Homens dançando de forma exagerada, cabelos exóticos, mulheres com saias minúsculas, quase mostrando o útero e garçonetes extremamente lindas... lindas não, perfeitas. Sookita estava chocada e fascinada ao mesmo tempo. Não demorou muito para começar a ser notada pela multidão, os homens lançavam olhares de cobiça e as mulheres de desdém. Alguma delas assim como os homens, quase a comeram com os olhos. Nesse lugar até as mulheres a desejavam, parecia o inferno na terra. Sua avó jamais aprovaria essa sua conduta, pensou assustada. Ela tentou despitar os olhares indo em direção ao barman que mais parecia um ator de filmes eróticos. “Olá moço, com licença?”, perguntou timidamente. “Sim?”, disse ele medindo Sookita. “Procuro por Pam, a gerente deste lugar. Sabe dizer onde posso encontrá-la?” “Humm, melhor ir até o escritório. Ela vai te receber, eu acho. Mas do que se trata a visita? Por acaso você é o jantar da minha chefe?”, soltou ele com sarcasmo. “Não, estou à procura de um emprego” Neste momento Sookita começou a ficar nervosa, será que ela iria virar jantar ao final do expediente?


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“Ah sei, vai lá... aquela porta preta a sua esquerda”. Mais uma, meu Deus, o que será que essas caipiras ainda tentam por aqui? Pensou o barman balançando a cabeça. “Oh, muito obrigada”, ela respondeu num fio de voz. ---------------------------Pam estava irritada com Eric, mais uma vez ele iria se atrasar para a noite de hoje e sem dar maiores explicações. Passou a mão nos cabelos loiros brilhantes tão bem tratados, e ligou novamente no celular de seu patrão. E nada, a ligação teimava em cair na caixa postal. Pam não tinha a mínima ideia de onde ele poderia estar. Será que estava comendo alguma mulher? Pensou nervosamente, estava cansada de ter que lidar sozinha com os problemas da boate. Ouviu uma batida na porta. “Entre” Disse numa voz entediada, provavelmente era mais alguma chateação, tudo para deixar a noite melhor ainda. Quando se deparou com uma moça usando uma peruca vermelha ridícula, uma maquiagem pesada e uma roupa digna de prostíbulo. “Veio no lugar errado, querida”, Pam falou cinicamente. “Não, senhorita... senhorita Lerõnho”. Sookita rezou para ter acertado o sobrenome da vampira. “Estou aqui procurando emprego” “Não fazemos programa aqui” Pam chegou perto da moça e a conduziu para a saída da sala. “Programa? Não entendi... estou aqui para dançar. Vocês contratam para dançar a noite, não?”, perguntou esperançosa. “Contratamos... e já encerramos por hoje”. Pam balançou a cabeça e mais uma vez lembrou-se dessa péssima ideia de terceirização de dançarinas. “Senhorita, eu preciso muito do emprego.”,Sookita juntou às mãos como se fosse rezar. Pam observou a moça com atenção sorrindo por alguns instantes. De repente, a noite não ficaria tão ruim, e iria se divertir com essa coitada tentando dançar


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e a futura irritação de seu patrão que odeiava caipiras dançando para os clientes. E pior a moça nem conseguia caminhar direito com salto alto. “Hum, podemos fazer um teste. Mas, se não der certo, não quero mais ver sua cara por aqui.” E mostrou as presas para a jovem. Sookita pulou de felicidade quase caindo em cima da vampira que a jogou de encontro à porta com cara de nojo. “Vá antes que eu mude de ideia” Deu um sinal para acompanharem a moça até o lugar desejado. Fechou a porta e soltou uma gargalhada. “Eric irá ficar louco quando colocar os olhos nessa idiota!” -----------------------------Jason dirigia a toda velocidade para o ponto de encontro com os traficantes de V. É ilegal, mas Jason nunca quisera ser policial, na verdade o que ele desejou era sair logo de casa. Até que a polícia pagava relativamente bem. Mas, a sua vida desregrada começou a cobrar um preço alto e amigos espertos daqui, uma propina ali. Ele desceu do carro, ajeitou a arma na cintura. Gostava de sentir o peso dela, a arma o deixava mais poderoso. Só que Jason começou a suar frio, ele estava com uma maldita dor de barriga, daquelas de virar as tripas, por isso queria pegar logo o sangue e se mandar. O galpão estava cheio de mesas espalhadas com vários vampiros deitados em macas e praticamente secos de tanto sangue que retiraram. Acenou para um dos seus amigos e perguntou ansioso: “Está tudo pronto? Estou com pressa.” “Quase pronto, cara. Senta aí, pega um pouco de V e relaxa.” O rapaz franzino jogou uma pequena ampola para ele. Jason apertou a barriga, se demorasse mais um pouco iria desmaiar. “Por favor, bicho...Onde fica o banheiro? Preciso dar uma cagada urgente...” O rapaz apontou para um conjunto de escritórios do outro lado do amplo galpão. Jason foi em disparada. Abriu a porta do banheiro, mal viu a privada. Abaixou as calças quase chorando de emoção. “Maldita guacamole da barraquinha.”, falou em voz alta. Minutos depois, uns gritos ecoavam pelo galpão, gritos de pavor, não era coisa de doidões viajando no V. Jason se aprumou, abriu uma frestinha da porta com


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a arma empunhada e espiou. Seus olhos não acreditam no que viram. Um vampiro alto, alto até demais, forte e com cabelos loiros quase na altura dos ombros simplesmente estava estraçalhando as pessoas no local. Era uma confusão de braços, pernas e cabeças para todos os lados, a velocidade do vampiro era tanta que a cabeça de Jason começou a rodar. Não sabia se era pavor ou uma simples tontura. Agarrou com força o cano da arma, e rezou baixinho para o vampiro não reparar que ele estava no banheiro. Nesse momento até ficou feliz pela dor de barriga e pelo cheiro que estava li, talvez isso desviasse o olfato do assassino cruel lá fora. Quando a matança parecia ter chegado ao fim, e seus amigos estavam todos em pedacinhos. Jason reparou que o vampiro estava de costas para o banheiro, parado não muito longe dali, observando o local, procurando mais uma vítima. Jason pensou em atirar, já que ele tinha uma boa mira, por isso tinha passado com facilidade nos treinamentos para policial. Arrumando toda a coragem que ainda restava, nesse caso era matar ou morrer. Abriu a porta do banheiro devagar, sem chamar a atenção do vampiro e o atingiu com um tiro certeiro na nuca. Jason beijou a arma dizendo aliviado: “Sorte que essa belezinha tem bala de prata” Passou rapidamente pelo vampiro caído no chão, pegou todo o suprimento de sangue que tinha no galpão e se mandou para o carro. Saiu dirigindo como um louco pela rua. Pegou o celular e falou numa voz desesperada: “Lafa, acho que fiz merda”


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CapĂ­tulo 02 Perto Demais Lying's the most fun a girl can have without taking her clothes off


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Eric passou a mão na nuca, onde o tiro havia acertado. Não viu quem fez isso e soltou um urro enfurecido. Estavam procurando esses traficantes de V fazia meses, o vampiro viking trucidou todos em segundos, ou melhor, quase todos, um conseguiu fugir. Parecia até coisa de cinema ruim, pensou Eric. Olhou em volta para toda aquela bagunça de corpos estraçalhados. Lambeu os dedos da mão direita que estavam com sangue enquanto caminhava pelo local procurando alguma pista do futuro morto que o atingiu com uma bala certeira. O celular vibrou no seu bolso, Eric o pegou com a mão esquerda que estava limpa depois daquela matança. Franziu o cenho diante das várias ligações não atendidas de Pam. Chutou longe um braço, saindo em seguida do galpão. Ligou para um número desconhecido dizendo: “Podem vir limpar a bagunça.” Desligou o celular. Não iria informar ainda que um humano espertinho escapou de suas mãos, não queria ver o sorriso largo do prefeito com essa notícia, pois seria capaz de decepar a cabeça dele. E não valia a pena enfrentar uma pena de morte por causa daquele imbecil. Já teve penas de mortes demais nesses seus mil anos vagando por aí, e até o momento havia escapado de todas. Trabalhava para a Autoridade fazia certo tempo. Não precisava de dinheiro e nem de glória, fazia pela diversão e obviamente para fugir da rotina, estar em pé por tanto tempo tem seu preço. O lado ruim era lidar com políticos como Bill, e reis e rainhas pirados dos vampiros. Pensou que a idade deveria trazer junto um pouco de loucura. Ele ainda estava bem, pelo menos era o que acreditava. Desde que os vampiros “saíram do limbo”, os negócios prosperaram, ainda mais para um vampiro esperto como Eric. Montar uma boate de vampiros para humanos ou vice-versa foi uma boa sacada para uma cidade tipicamente religiosa e antiquada como Vale de Los Sanguijuelas. Afinal, cidades assim são perfeitas para vampiros se divertirem, onde tem muito puritanismo é onde tem mais sacanagem por baixo. E ele gostava de uma boa sacanagem acima de tudo.

Precisava trocar de roupa, estava cheio de sangue e miolos alheios. Levantou voo literalmente até a sua boate. Pousou meia hora depois na entrada dos fundos, não estava com vontade de chutar as cabeças de mulheres e homens que se jogavam aos seus pés todos os dias, nem isso iria melhorar seu humor hoje. ----------------------------------A moça apertava o braço de Sookita enquanto a conduzia até a pista de dança, mal conseguia ficar em pé. Maldito salto alto, pensou com raiva. A boate estava lotada, tanto embaixo quanto no mezanino. O lugar era realmente grande e


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decorado de maneira extravagante. A moça parou em frente de um pole dance da casa, mandou a outra que estava dançando lá sair e jogou Sookita com tudo na direção do mastro. “Se vira, gatinha!”, após dizer isso saiu dando risadas. Sookita ficou imóvel sentindo vontade de chorar, todo mundo era arrogante e autoritário naquela boate. Observou a sua volta, várias pessoas estavam paradas esperando ela dançar, inclusive no mezanino quase em cima de sua cabeça. A moça ao lado em outro pole dance se esfregava no mastro, enrolava as pernas nele, descia até o chão, subia, fazia mil coisas. Ela apertou com força o mastro e não sentiu vontade de passar a língua naquilo, ou muito menos se esfregar, parecia meio sem higiene. E se pegasse alguma doença? Soltou um longo suspiro. Sua mente começou a ser invadida pelos pensamentos dos humanos no local: “Essa aí é bonita, mas sem graça.”, “ Tem celulite!”, “Quanto ela cobra por hora? Será muito?”, “Bem vagabunda”, “Essa já agüenta!”, “Nem peito tem, como escolheram essa caipira?”, e outras delicadezas. Não estava acostumada em ouvir coisas tão baixas sobre sua pessoa, a maioria que frequentava o bar do Sam não pensavam essas coisas. Esfregou as têmporas e levou um tapa na bunda, olhou assustada em volta. A moça que a levou até lá estava gritando para que dançasse, e parecia bem irritada. Sookita tentou ignorar os pensamentos alheios em sua mente. Imaginou que todos estavam pelados, dizem que ajudava nos momentos de tensão como falar em público, iria colocar a prova se era realmente verdade. -----------------------------------Jessica entrou na boate sem problemas, era uma das vantagens de ser filha do prefeito, pois fazia o que bem queria nessa cidadezinha patética. Menos conseguir dar para Sam, esse ainda não tinha caído nas suas garras. Como era metamorfo não podia ser hipnotizado, ela pensou. Usava um vestido preto brilhante, colado no corpo que fazia um bonito contraste com seus cabelos ruivos. Mas não estava lá para se divertir, queria saber o que Sookita iria aprontar por ali. Seus olhos observavam atentamente o local, fazia tempo que queria descobrir alguma sujeira da preciosa loirinha e a colocar no seu devido lugar. De preferência, bem longe da cidade, de Bill e Sam. Não gostava de concorrência e Sookita era uma bastante irritante, uma barata que precisava ser esmagada sem piedade. Perdida em pensamentos não reparou quando um rapaz forte, alto e bonito conseguiu se aproximar e cochichar algo para a vampira. Jessica fez uma cara de nojo, não gostaria de chupar esse babaca, o sangue dele deveria estar cheio de anabolizantes. Só que antes de empurrar o rapaz para longe, Jessica viu uma moça totalmente desengonçada, usando uma peruca ruiva, saltos altíssimos e uma


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roupa pra lá de chamativa. Se a vampira ainda tivesse um coração, estaria disparado nesse momento. O que a louca da Sookita estava fazendo ali? Era dançarina? Aquela ridícula? Pensou Jess num misto de confusão e curiosidade. A ruiva puxou o rapaz forte para um canto, precisava chegar o mais perto que podia, mas sem ser vista. Queria descobrir tudo, até estava se sentindo uma espiã. Achou uma poltrona vaga que dava perfeitamente para ela e o fortão. E o melhor é que não estava longe de Sookita. Jessica conseguiria assistir e ouvir perfeitamente. Sentou-se com o rapaz e fez um sinal para o garçom. O idiota tomava uma bebida, e Jess se divertia com a falta de coordenação da namorada de seu pai no pole dance, nunca tinha visto dançarina pior. Não negava que a moça era bonita, mas parecia tão cafona ali em cima, tão sem estilo, tão sem razão de existir. Sem dúvida era a primeira vez dela lá, não poderia ser contratada e dançar daquele jeito, só se a boate virou casa de Stand-up Comedy. Olhou para o rapaz que a acompanhava, até que dava para o gasto, era bem bonito. Puxou o braço dele com força, e cravou os dentes no pulso dele que soltou um gemido, de medo ou prazer, não dava para definir. A vantagem da boate era poder se alimentar sem censuras e não precisar ter que fugir para algum beco escuro. Jessica notou um volume na calça do rapaz. Parou de sugar, o sangue escorria pela sua boca e pescoço. “Está excitadinho...depois eu dou uma mordidinha aí e veremos se continuará desse jeito”, ela deu um sorriso de canto em seguida mostrando as presas. O rapaz se encolheu, não gostaria de ter aquela experiência. Bateu certo arrependimento por ter abordado a vampira ruiva. Será que valia a pena arriscar seu bem mais precioso por uma ruiva gostosa? Ele pensou infeliz. -------------------------------------Eric abriu a porta do escritório com violência, hoje nada acalmaria a sua irritação, nem mesmo Pam conseguiria. A vampira se encontrava sentada na cadeira dele atrás da mesa. “Finalmente chegou, vejo que seu ânimo não está dos melhores!”, Pam tentou amenizar o clima pesado após a chegada de seu chefe e maker. “Não é nada demais, apenas mais burradas da Autoridade.” “Ora, com aquele Bill de La Vega cuidando da cidade, você queria o quê?” “O prazer dele é me ferrar, já sei disso. Adora me enviar para os buracos... para limpar a sujeira.”


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“Sim, isso eu já sei. E tudo sempre ocorre como o esperado. Eu te conheço, o que houve dessa vez pra te deixar assim?” “Sempre dá certo porque sou eficiente, porra.” Ele passou a mão nos cabelos loiros, irritado. “Algum espertinho conseguiu me atingir um tiro na nuca, e se mandou com toda a mercadoria.” “A pessoa que fez isso não sabe que será um homem morto amanhã? Como ainda existe gente tão estúpida? Humanos...tsc...tsc”, Pam comentou com desdém. Eric caminhava de um lado para o outro no escritório, falando baixinho. Pam nada entendia, mas sentia que ele estava prestes a explodir. E nesses momentos era melhor ficar bem longe, geralmente era sangue para todos os lados. “Não é melhor trocar de roupa, Eric? Você está cheirando como se um cachorro tivesse feito xixi em suas roupas...”, ela tampou o nariz com nojo. Eric não pensou duas vezes, jogou a jaqueta em cima da mesa, tirou a camisa preta colada ao corpo com um rasgo numa velocidade incrível. Com essa mesma velocidade tirou as botas e a calça preta e antes de tirar a cueca voltou-se para ela. “Tem alguma cueca minha aí sobrando?”, perguntou com um sorriso sacana. Pam tentou desviar o olhar. Já havia visto Eric nu antes, mas nada a preparava para aquela visão. Só de olhar para aquele corpo ela sentia tudo da mesma forma. Não adiantava se passar por lésbica, não adiantava transar com homens gostosos e mulheres igualmente gostosas. Nada superava aquilo. Imaginava passando a língua pelo peito definido, apertando as coxas grossas e brincando com o todo-poderoso... Ela procurou numa das gavetas, tentando recuperar a normalidade de antes. “Aqui está sua cueca... vista logo antes que alguém entre nesta sala!”, disse Pam enciumada ao imaginar alguma mulher vendo aquele Deus Viking Loiro. Jogou na direção dele a cueca boxer preta. “Desde quando ficou puritana, Pam? Já me viu pelado tantas vezes, já era para estar acostumada.”. “Eu estou, você sabe muito bem que não é dessa fruta que eu gosto”, ela respondeu pensando como era boa mentirosa.


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Pam virou-se de costas, não aguentaria fingir diante... diante...daquela coisa...não estava preparada para esse tipo de emoção hoje. Ouviu a risada de Eric, pelo menos ele ficou animado com a situação. Voltou-se para ele após ter certeza de que estava vestido e, assim não correria mais risco de sucumbir. “Vou dar uma olhada no que está rolando na boate e depois vou me preocupar com o imbecil que me acertou”. Pam ficou aliviada ao ouvir aquilo, e abriu a porta do escritório. Eric saiu em seguida cumprimentando o barman com um aceno de cabeça. Pelo menos a casa estava cheia, pensou ele. Mas seu olhar foi para um canto da boate, perto do mezanino, havia uma aglomeração de pessoas e quando viu o que estava acontecendo, a irritação que sentiu antes voltou em segundos. Olhou raivoso para Pam que estava ao seu lado, ela balançou a cabeça e disse: “Não sei de nada...”, ela sabia, obviamente. Deixou a moça desengonçada dançar ali propositalmente. No fundo adorava deixar Eric nervosinho, ainda mais quando ele sumia e não dava sinal por horas. “Você sabe como são essas coitadinhas? Elas sonham em dançar em sua boate e para você.”, segurou o riso. Eric observpu a moça extremamente perdida com o pole dance, não sabia se segurava no mastro, se rebolava, se dançava. Além do que tentava se equilibrar nos saltos altos. Fora a roupa de prostituta. Ali não era o puteiro da cidade. A dançarina usava um shorts preto de couro bem curtinho, mais um movimento e o útero poderia aparecer. Não que ele se importasse de vê algo mais, só que não queria aquele tipo de gente dançando na sua boate. O top preto cheio de brilhantes, mal segurava os peitos dela e formava um x do top até o shorts. Ainda tinha a peruca ruiva toda despenteada. Será que ela havia se vestido no escuro, ou coisa assim? E pior, como ousava dançar ridicularmente na frente de todos? Ele balançou a cabeça raivoso. “O que essa coisa está fazendo na minha boate?”, gritou para Pam. “Você sabe bem que não contratamos qualquer uma para dançar aqui.” “É só tira-la daí, se quiser eu mesma faço isso.” Precisava extravasar as sensações que sentiu antes em alguma coisa, e de preferência machucando alguém, pensou Pam. “Não será necessário. Eu mesmo terei o prazer de fazer isso.” disse caminhando na direção da moça.


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-----------------------------------Ela sentiu vontade de matar e esquartejar Tara. Era totalmente culpa de sua amiga por estar nessa enrascada. Mal conseguia parar em pé com aqueles saltos enormes. A peruca deixava seus cabelos grudando e a maquiagem ardia os seus olhos. Não acreditava que pudesse ter sido tão burra. Sookita estava entrando em desespero, as coisas não estavam saindo como ela havia planejado. E agora o que ela deveria fazer? Sair chorando e correndo dali? Ou ficar e se humilhar até o fim? Pensou confusa. Ela olhava em volta e sentia que todo mundo estava rindo de sua cara. Jamais imaginou que seria tão difícil dançar, ela até tentou imitar as outras dançarinas, mas nem chegou perto. Será que ela não conseguia ser sensual, pelo fato de ser virgem? Ou por que não tinha feito nada mais sexy na vida, além de trocar beijos castos com seu namorado Bill? Talvez estivesse mesmo no momento de pensar seriamente em ir mais fundo com seu amado. Só depois do casamento. Não iria contra a criação de sua avó, homens gostam de mulheres puras e por isso os casamentos dão certo. Tentou tocar no chão e empinar o bumbum, mas ficou ofegante. Sentia-se fora de forma, estava tão arrependida de não fazer mais os exercícios matinais. E no fundo ela tinha medo de que aquele shortinho rasgasse e ela ficasse nua na frente de todos, claro que muitos ali comemorariam, os pensamentos deles deixavam evidentes. Ela sentiu seu rosto queimar de vergonha, só de imaginar Bill descobrindo que ela fez algo tão impuro. Quando Sookita estava prestes a desistir, seus olhos já marejados de lágrimas. Sentiu uma mão enorme e fria apertando fortemente seu braço e a puxando de cima do pequeno palco como se ela fosse uma boneca de pano. Não conseguiu entender o que estava acontecendo, as pessoas em volta pareciam chocadas. Estava sendo puxada por alguém bem alto. Tentou se desvencilhar sem sucesso. “Por favor, não fiz nada!”, disse desesperada. O homem alto, muito alto por sinal, parou olhando diretamente nos olhos de Sookita. Ela se encolheu de medo diante daquele olhar, nunca tinha visto algo assim antes, tão distante e com uma raiva profunda. Ele se abaixou, pegou no pé direito dela com firmeza e jogou longe o sapato, fez o mesmo com o outro pé, quase acertando um pobre cliente que dançava feliz ali perto. Sem a mínima dificuldade a levantou do chão colocando nos seus ombros. Muita gente parou para observar a cena inusitada, um gigante loiro carregando nos ombros uma mocinha indefesa, parecia algo direto do tempo das cavernas.


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Sookita batia os pés no peito do vampiro com força e arranhava as costas dele tentando sair. “Me solta, me larga, seu animal!” gritou alto. E nada. Ele continuou abrindo caminho entre as pessoas, até que escancarou a porta do escritório em que ela esteve anteriormente. Ela bateu a cabeça no batente soltando um gemido de dor. O vampiro não pareceu se importar, e a jogou com força no chão. -----------------------------------------Jessica estava tendo a noite mais divertida de sua vida, vendo Sookita dar vexame e desse jeito ter algo podre para jogar na cara da princesinha de Bill. Não poderia ser melhor. Ainda sugava o sangue do musculoso gostoso, pelo menos ele só gemia e não falava nada. Não aguentava papo de rato de academia, além do que muitos tinham pinto pequeno, pensou maldosamente. Ela quase engasgou com o sangue quando viu Eric pegando Sookita pelo braço e a carregando pela boate, levantou de um pulo. Sua noite estava ficando cada vez melhor. Eric Henrique Colunga era maldoso ao extremo, adorava se divertir com a miséria alheia e com as mulheres que cruzavam em seu caminho. Jessica o evitava quando ele encontrava Bill, admitia que sentia medo daquele vampiro mais do que qualquer outra coisa. E ele não era nada confiável, pois ela tinha certeza de que um dia ele mataria seu querido pai. E não iria permitir isso, portanto apenas observava aquele monstro de longe. Quando fosse o momento certo de atacar ele nem iria perceber. “Deveria parar com as “bombas”, querido...seu sangue estava com um gosto péssimo e sem dúvida nem iria ter espaço para eu morder no seu pintinho...”, soltou uma gargalhada e largou o rapaz com um olhar apavorado no sofá. Caminhou entre as pessoas, evitando ser vista por Eric e reparou no desespero de Sookita sendo levada daquela maneira. Ele entrou no escritório, fechando a porta em seguida. Jessica quase soltou um grito de raiva, daria tudo para saber o que estava acontecendo. Por sorte, o bar ficava ao lado do escritório, bastava ficar por ali fingindo beber um Tru Blood. Escutaria a conversa e ninguém desconfiaria. Como era inteligente, pensou feliz. --------------------------------Jason dirigia a toda velocidade, nem sabia direito o que estava fazendo. Apenas sabia que estava apavorado com o que tinha acabado de acontecer. Atirou num vampiro e isso não significava coisa boa, e o que iria fazer com todo aquele sangue que roubou? Os traficantes estavam mortos, aparentemente


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não viriam atrás. Ele estava com medo daquele vampiro, não o tinha matado, e isso era a pior parte. Toda aquela matança que ele fez estava gravada na sua mente, tudo muito nítido. Estacionou em frente ao La Puta Madre, Lafayette o estava esperando. Entrou rapidamente empurrando algumas mulheres que estavam no seu caminho. O quarto de Lafayette ficava nos fundos. Jason queria se livrar logo da mercadoria, por isso abriu a porta de uma vez. Lafayette que estava sentado em frente à penteadeira deu um salto: “Oh, meu pai do céu... quer me matar do coração entrando dessa maneira?”, ele colocou a mão no peito ofegante. “F...foi mal, Lafa! Eu não queria te assustar...é que estou com um pouco de pressa, entende?” “O que aprontou dessa vez, fofo? Espero que não tenha engravidado alguma garota por aí. Não faço mais aborto, já vou avisando...” “Não é nada disso. Sei me cuidar com essas coisas.”, Jason lançou um olhar de pânico para Lafayette.“Eu trouxe o seu presente, hum? Aquele que você estava esperando tem uma semana.” De vez em quando Jason não confiava na “privacidade” da sala de Lafa, e tentava falar em códigos só para prevenir. Lafayette sentou novamente diante da penteadeira passando um pouco de blush nas bochechas. Esperou Jason se acalmar por alguns minutos e disse: “Querido, não lembro de presente nenhum. Só se for aquele anel de brilhantes ou aquela Ferrari que você prometeu...” “Oh... na verdade, eu acho que o quê eu tenho aqui para você, vale mais do que isso!”. Ele tomou uma respiração funda e continuou: “Vamos direto ao assunto. Trouxe aquele carregamento de V que você solicitou. E alguma coisa me diz que este é dos BONS. Quase dei a minha vida por estas belezinhas aqui.” “Explica direito essa última parte. Você quase deu a sua vida? Fico até emocionada. Você sabe que eu te daria algo também...só bastava pedir”, piscou para Jason. “Sei bem, mas no momento a minha agenda está meio lotada.”, forçou um sorriso. “O que eu estou querendo te dizer, é que eu quase fui morto nesta brincadeirinha. Acho que este sangue deve ser muito bom porque apareceu um vampiro muito grande, e muito forte para me impedir de levá-los. Ou mexemos


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com a gente dele, ou acordou realmente de mau humor hoje.”, disse de uma vez recuperando o fôlego no final. “Como é? O vampiro por acaso era loiro e gostosão?”, perguntou engolindo em seco. “Oh merda...vai dizer que ele é amigo seu? Sim, ele era loiro, alto, devia ser do tamanho deste armário aqui”, disse apontando para o armário ao lado. “Na verdade ele parecia àqueles caras de cabelão e capacete de chifres, não lembro o nome agora, parece aqueles de Heavy Metal...” “Socorro, socorro...vou comprar uma passagem para Aruba ou um outro lugar que tenha muito sol. Agora você nos meteu numa encrenca enorme, seu idiota!” Lafayette se aproximou de Jason dizendo: “Senão fosse pelo seu pinto, eu já tinha te delatado pra me livrar do problema. Você tem sorte.” “Mas qual é o problema? Ele é um Rei, um policial ou coisa do tipo?” “Você é um policial, tapado e nem sei como conseguiu esse cargo. Ele é o filho da puta do Eric Henrique Colunga, um dos vampiros mais velhos do país e se ele está atrás de quem trafica V, estamos realmente ferrados.” “PUTA QUE PARIU! Estamos ferrados, Lafa. Eu não quero morrer. Eu sou muito novo e gostoso para morrer. E agora o que faremos com este V? O que faremos com as nossas vidas?” “Eu sou gostoso e muito jovem para morrer também. E você é policial, puta merda, pense em alguma coisa. Só sei que não quero esse V aqui. Leve isso embora, deixe a poeira baixar.” “Cristo! Só se... só se eu escondesse na casa da minha irmã Sookita.” “Tá doido? E se ela denunciar a gente? Você sabe muito bem que ela é bem “certinha.”. “Merda! Eu vou pensar em alguma coisa. Espere a minha ligação.” “Quero isso bem longe daqui. Esconde bem o seu rastro.” Jason saiu do Puta Madre com certeza de apenas uma coisa: estava fudido. E no mau sentido da palavra.


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---------------------------------------Ela pensava desesperada no erro que tinha cometido. Jamais faria algo escondida novamente. Nunca mais mentiria para Bill ou para qualquer outra pessoa. Só queria sair viva daquele lugar. Ela se debatia contra o homem grande e loiro que a carregava nos ombros, mas nada conseguiu fazer com que ele parasse. Eric a jogou no chão como se fosse um saco de batatas.Ele olhou com desprezo para ela que agora estava com sua peruca despenteada, e com o rosto manchado de preto. Pensou que seriam manchas de lágrimas misturadas com o que as fêmeas chamam de rímel. Ele andou lentamente até sua imponente e rica poltrona, se sentou. Olhou para a moça ruiva e disse: “Quem te deu permissão de se prostituir aqui na minha boate?” “Pro...prostituir? PROSTITUIR? Olha senhor, eu não sei quem você é, mas certamente o senhor não tem direito de me chamar de prostituta.” “Eu sou o dono dessa boate.”, deu um murro na mesa. Ela desviou o olhar, esse deve ser o cara que Tara falou, pensou nervosamente. “Eu não sabia que as coisas por aqui eram assim. Vim procurar emprego porque estou realmente necessitada, tenho contas para pagar e...” Eric não deixou Sookita terminar a frase e retrucou: “Pode ir parando por aí, você pensa que a minha boate é o Retiro dos Artistas? Eu não dou a mínima para os seus problemas pessoais.” “Eu não estou pedindo nada demais. Só quero que você me dê um emprego. Por favor, eu preciso muito disso.” “Essa sua carinha de pobre coitada não vai me convencer a nada. Primeiro de tudo, essa sua roupa vulgar não está ajudando nenhum pouco. Segundo que aqui nós só contratamos pessoas qualificadas e pelo o que eu pude constatar ao assistir a sua dança ridícula é que nem perto da academia de dança você passou.” “Senhor, por favor... já que não posso ser dançarina, me deixe pelo menos ser


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garçonete. Neste serviço eu juro que tenho alguma experiência”, disse Sookita pensando que talvez como garçonete pudesse dar certo. Eric deu um risinho de sarcasmo e disse: “Não, minha cara, aqui não contratamos pessoas da sua laia. Não gostamos de caipiras por aqui. Sem falar dessa sua maquiagem toda borrada na cara... não quero meus fregueses fugindo de medo.” Nessa hora ele se aproximou de Sookita com uma velocidade incrível para observá-la melhor. E foi exatamente neste momento que ela realmente viu com quem estava lidando, que homem era aquele? Ela fitou os olhos absurdamente azuis do vampiro. “Tire essa maquiagem horrível, mulher!” Sookita não escutou uma palavra do que ele disse, estava completamente perdida olhando para o rosto dele. Santa Virgenzinha, Tara não estava mentindo quando disse que Eric Colunga era um homem incrivelmente bonito, ela pensou, imaginando a penitência que iria pagar mais tarde por achar outro homem bonito que não o seu Bill. “Você é surda também?”, perguntou um Eric já bem irritado: “Já disse, tire essa porcaria de maquiagem antes que eu mesmo faça isso sozinho. É isso ou você terá que dançar para mim nesta sala.”, e soltou um sorriso que faria qualquer mulher suspirar. Ela saiu do devaneio onde se encontrava. Voltou-se para aquele homem com olhar gélido e esbravejou: “Não vou tirar coisa nenhuma, já disse qual foi a minha intenção ao vir aqui! Não vou mais ficar escutando o senhor me humilhar desse jeito, estou indo embora deste lugar, agora!” “Como hoje estou bonzinho, resolvi te dar a chance de uma audição exclusiva comigo. Prometo que vai doer só um pouco...” e mais uma vez o sorriso matador de adolescentes, mulheres e idosas surgiu em seu rosto sacana. Sookita entrou em pânico ao imaginar que estava muito próxima de ser atacada por aquele vampiro, e por um momento até ficou feliz com isso. O que está acontecendo com ela? Balançou a cabeça em negação. “Não tenho medo de você, só porque é dono disso tudo aqui. Eu achei que ainda existiam pessoas boas nesse mundo, e que os vampiros merecessem uma chance também. Só que me enganei.”


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“Chega de conversa fiada, vou sentar aqui e esperar o seu show particular. Se eu gostar, de repente... te pago a noite de hoje. Mas pela última vez, tire a maquiagem!” Já não tinha conseguido dançar nada na frente daquelas pessoas, imagine na frente deste vampiro. Pelo menos estava sem os saltos, uma pena que Tara iria ficar sem eles. Mas, não iria perder a viagem e muito menos se deixar intimidar dessa maneira, poderia não ser a perfeição das outras mulheres. Não era a caipira que ele pensou que fosse. Sookita pensou ganhando confiança. “Não dá para tirar a maquiagem, não tenho nenhum lenço aqui.” “Use seu top, não se preocupe, eu não vou ficar tímido, já vi muitos peitos antes.” Sookita arregalou os olhos de susto, definitivamente não estava preparada para enfrentar um ser daqueles. E não tiraria a roupa de jeito nenhum, só para o seu amado Bill quando chegasse o momento. “Vai ter que me aturar com a cara toda borrada. Não vou tirar meu top por nada neste mundo.” “Você definitivamente é a dançarina mais puritana que já apareceu por aqui, e só por isso já perderia a chance do emprego. Não sei por que ainda estou perdendo meu precioso tempo com você. Dance logo de uma vez, estou entediado com essa conversa mole.” Eric se sentou numa poltrona preta que ficava em frente a sua mesa e esperou. Neste momento, ela viu um pequeno lenço em cima da mesa, o pegou antes que o vampiro desistisse de ver sua performance. Não perderia a chance de provar que tinha um pouco de valor. Limpou o rosto da melhor forma possível enquanto Eric a observava com olhar de quem não estava esperando coisa boa. Ele se arrependeu de ter pedido tal coisa, pois o lenço ao invés de melhorar acabou piorando o rosto da caipira. Agora ela estava parecendo uma integrante da banda Kiss, pensou maldosamente. O momento tinha chegado, não tinha para onde fugir. De certa maneira queria impressioná-lo e quem sabe ele até pagasse alguma coisa. Não poderia pior mais ainda. Ela foi pro meio do escritório ficando de costas para Eric. Respirou fundo, tentou se lembrar como as outras dançarinas da boate faziam e começou a sua


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performance. Tentou girar sendo sexy, só conseguiu tropeçar torcendo o pé, mas conseguiu disfarçar. Passou a mão em seu decote, e as pulseiras ficaram presas no tecido do top. No desespero ela puxou com tanta força que fez um pequeno rasgo. Agora ela estava mancando, com o top furado e com a cara toda manchada. Sookita se balançava para os lados, para trás e para frente, tentado rebolar. Nem ousava fazer contato visual com Eric. Passava as mãos pelo seu corpo timidamente, ensaiou alguns passinhos de ballet e de salsa. Até a dança do robô ela tentou, mas foi interrompida por um barulho vindo de Eric. O vampiro estava rindo dela descaradamente, ele se dobrava em sua cadeira de tanto rir. Ela nunca se sentiu tão humilhada em toda sua vida. “Tudo bem, eu vou embora! Você já me humilhou o bastante aqui.” disse Sookita entre lágrimas. E saiu do escritório de Eric, sem olhar para trás...


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Capítulo 03 O Poderoso Chefão It's not personal. It's strictly business.


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Já era tarde da noite, mas a reunião de Bill de La Vega com a Autoridade e estava longe de ter seu fim. O vampiro, conhecido por sua tranquilidade, agora estava impaciente. Será mesmo que esta reunião era tão urgente assim? Pensou com desgosto. Ele batia com a caneta na mesa, vagava seu olhar pelo escritório, brincava com os botões do paletó. Tudo isso tentado se entreter e não morrer de tédio. Como seria se um vampiro tão poderoso feito ele, morresse de tédio? Riu com este último pensamento. Seus pensamentos foram interrompidos pelo toque do seu celular. Bill lançou um olhar para Alcide, seu chefe de segurança, e fez um movimento com a cabeça indicando para que ele o acompanhasse lá fora. Alcide rapidamente se levantou e saiu. Bill pediu licença para os outros presentes na reunião: “Desculpem-me, mas é minha filha ao telefone. Se eu não atendo, já imaginam?!”, abriu um sorriso encantador se retirando da sala. Voltou-se para o celular que piscava a foto de Jessica no visor. Ele atendeu rapidamente, pois algo ruim poderia estar acontecendo à sua querida filha. Tinha receio de sua menina estar solta pela noite da cidade, por sorte Jess era uma vampira, e a tequila não faria nenhum “estrago” a ela. “Ohhh...Olá minha querida! O que você precisa? Qualquer coisa por você.” “Bill, você não acre...ta...en...do”, a ligação parecia “picotada”. “Como? Jessica, não consigo te ouvir direito! Você está bem?” “Eric está com ela...vaga...b...da...kita” Bill balançou a cabeça sem entender o que estava acontecendo. Ela não parecia em perigo, mas também poderia estar em uma enrascada. “Eric? Eu só conheço um Eric. O que você está fazendo com ele? Eu já disse que lhe quero bem longe daquele vampiro!”, Bill apertou o celular com raiva. Era obrigado a conviver com Eric, mas não admitia sua família envolvida com o vampiro. “Eu sabia...ela tá te....pai! Arghhhhh!” “Ela? Ela quem Jessica? Eu exijo respostas!” Mas já era tarde, a ligação tinha caído, deixando Bill ainda mais confuso. “Mas que droga foi essa? O que esta menina estava tentando me dizer? Será que ela está em perigo?”


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Nesse momento, Alcide que estava um pouco afastado dando privacidade a Bill se aproximou dizendo: “Jessica em perigo? Não se preocupe, chefe. Vou lá e encho de porrada em quem estiver ameaçando a Menina.”, disse bufando de raiva. Bill fez um sinal com a mão para Alcide se acalmar. Alcide era alto, forte, parecia um típico lenhador, e a barba por fazer ajudava a completar o visual rústico. Mas sua característica principal era ser um Lobisomem. Tradicionalmente vampiros não são muito amigos de lobisomens, mas claro que existiam as suas exceções e isso ocorria com Bill e Alcide que tinham uma amizade de longa data. “Não precisa usar de violência, meu caro Alcide. Você sabe que sou a favor da paz, ainda mais entre vampiros e humanos.”, Bill disse numa voz controlada. “Sim, senhor, eu sei disso. Mas, quando é a família do senhor Bill...meu sangue ferve. Vocês foram bons demais pra mim quando precisei e sempre irei retribuir.”. Bill ficou um pouco sem graça, não gostava do excesso de zelo do lobo em certos momentos. O rapaz era devotado demais, já disse em alguns momentos que morreria por Bill e Jessica, e o vampiro acreditava que o caminho não era bem assim. E lembrou rapidamente do dia em que conheceu Alcide e o salvou da morte certa. “Eu sei disso, Alcide, sou muito grato pelo seu respeito. Vá até o Santo Martillo, Jessica citou Eric, provavelmente está naquela boate de baixo nível.” Alcide acenou positivamente com a cabeça e saiu em disparada pelo corredor. Bill abriu a porta do seu escritório, caminhou até a sua mesa e disse para os presentes na sala: “Não era nada grave, coisas de vampiras jovens.”, os outros na sala deram risadas. “Onde estávamos? Sim, sobre os traficantes de V.” -------------------------------------Tara estava pintando as unhas dos pés de vermelho carmim, pensando em quão bonita elas estavam agora. Era uma noite de festa na Fraternidade onde morava, o que significava que ela estaria impecável até mais tarde. A TV estava ligada na Televisa, passando a 50° reprise de “A Usurpadora”, sua novela preferida. Sempre sonhou em ser como Paola Bracho. Tão esperta e requintada. Pensou Tara, imitando os trejeitos da personagem. Seus devaneios foram interrompidos por uma batida na porta. Irritada com a interrupção, Tara gritou: “Vá embora Lafayette! É meu dia de folga...hoje eu só quero me divertir!”


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“Tara? Tara, por favor, você poderia abrir a porta?! Sou eu, Sookita...”. Tara jogou o esmalte longe e correu para a porta, a voz de Sookita parecia chorosa e sempre ficava preocupada com sua amiga. Por sorte, a festa ainda não havia começado, as meninas estavam se trocando no quarto e os rapazes estavam comprando as bebidas. Abriu a porta, Sookita entrou com a maquiagem toda borrada, misturada com lágrimas, descalça e a peruca desgrenhada. Tara bem que tentou, mas não conseguiu segurar o riso. A amiga estava parecendo um espantalho. Ela gargalhava alto, e entre risos conseguiu falar: “O que...ahahahahahhaa....o que diabos aconteceu...hahahaha... com você, criatura?” “Aquele monstro...o tal dono da boate...Eric Henrique Colunga.”, Sookita deu um grito de raiva jogando a peruca longe. Uma das meninas assustada com o grito saiu do quarto usando apenas calcinha e sutiã. “Tara, você está bem? Nós ouvimos gritos, pelo amor de Deus, quem diabos é essa?”, a moça perguntou numa voz afetada. “Está tudo bem. Só é a minha amiga Sookita Montenegro, que veio me fazer uma surpresa. Podem terminar de se vestir, eu vou já”. Com isso a moça loira e esquelética retornou ao quarto, também entre gargalhadas fazendo um comentário maldoso sobre a aparência de Sookita. “O que eu te falei? Eu avisei, não avisei? Se você escutasse a sua amiga aqui, não se meteria em confusão desse tipo.”, Tara falou para Sook. “Eu sei, eu sei...mas eu precisava tentar! Você sabe como eu sou. Agora eu me arrependo amargamente por ser tão teimosa.” “O que aconteceu? Ele te maltratou? Te expulsou de lá?”, Tara perguntou preocupada. “Tara, meu pai do céu e senhor todo poderoso, e se Bill descobrir? O que farei da minha vida? Desgraçada por um vampiro sacana como Eric Henrique.” “Não me diga...que ele te mordeu? Sookita, como você pôde deixar isso acontecer?!” “NÃO! Claro que ele não me mordeu, eu preferia morrer a deixar ele fazer isso.” “Então, o que ele fez para desgraçar a sua vida? Por acaso tirou a sua virgindade?”


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“Claro que não! Ele me humilhou, me fez dançar aquela dança horrível do pole dance só pra ele, e ainda zombou de mim...” “Peraí, deixa ver se entendi. Eric Colunga te fez dançar pra ele? Comigo ele não teve todo esse apreço. Expulsou-me de lá como um cachorro sarnento... Acho que ele gostou de você, Sookita”, disse Tara querendo cair na risada novamente. “Gostou de mim? Eric Colunga é um monstro! Ele jamais iria gostar de uma garota como eu, me chamou até de caipira e que não trabalhava com pessoas da minha laia.”, disse com um tom de amargura. “Na parte do ‘caipira’ eu infelizmente vou ter que concordar com ele, mas isso você já sabe. Só não entendi esse tom de tristeza... por acaso ficou triste por ele não te querer, Sookita?”, Tara debochou. “Eu me recuso a responder essa pergunta!”, Sookita se sentiu ofendida, será que estava tão acostumada assim a ser o centro das atenções? As pessoas com quem convivia a consideravam linda e pura, e ela gostava disso. Não era hipócrita ao ponto de dizer que achava ruim essa imagem. Só que dessa vez tinha sido diferente, aquele vampiro maligno não pensava a mesma coisa, pensou com desprezo. “Vai me dizer que você não gostou da aparência dele, hein? É um sacana, já sabemos... mas não deixa de ser um PUTA de um gostoso. Odeio admitir isso.”. “Não gosto de loiros! E nem se ele fosse o homem mais lindo do mundo eu sentiria alguma atração.” Ela respondeu com convicção. “Mas pelo que contou, não vi nada demais e muito menos a desgraça da sua vida. A festa que logo mais vai rolar aqui faria mais estragos em sua pureza...”, Tara sorriu, adorava provocar a inocência de sua amiga, uma pessoa não poderia ser tão pura assim. “Ah, Tara, às vezes me pergunto por que sou sua amiga...poxa, estou preocupada com Bill. Ele não pode descobrir essa loucura que fiz. Eu não faço loucuras.” “Fazer loucuras de vez em quando não faz mal, é uma maneira de você se sentir viva. De qualquer maneira, acho que deve ir pra casa, descansar e ir trabalhar calmamente no Sam. Se eu não tivesse a festa aqui, eu iria dormir com você, mas tenho que ficar de olho nas coisas, senão...o apartamento vira um chiqueiro.” Sookita concordou cabisbaixa. -------------------------------------


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Após a saída da moça de maneira destrambelhada de seu escritório. Eric parou de rir, caminhou até a porta, não havia mais sinal da louca por lá, pelo jeito tinha mesmo fugido de medo. E ele só tentou ajudar, nada mais, pensou com um leve sorriso. Em seguida, apontou para Pam e a chamou com um sinal. Voltou-se na direção de sua mesa, e encostou nela cruzando os braços. Pam entrou rapidamente e perguntou curiosa: “O que você fez com a caipira, Eric? A ‘comeu’ como se fosse seu jantar? Capaz de dar indigestão.”, deu uma gargalhada. “Engraçadinha, é você quem seleciona as minhas opções de jantar...e sabe o quanto sou exigente. Não tire o foco do assunto.” falou severamente. Pam concordou com a cabeça e não disse nada, esperou ele continuar. “Não quero mais esse tipo de gracinha acontecendo aqui na minha boate, você é a gerente e tem obrigação de zelar pelos clientes. O seu luxo e o meu é pago por eles. Posso ser um vampiro velho, mas não se fica rico nesse mundo sendo apenas antigo...”, ele a encarou. “Sim, Eric”, Pam disse num fio de voz. “De qualquer maneira, quero que descubra quem é aquela moça...” “Por quê? Pra que? Ela jamais irá voltar aqui, você a assustou o suficiente, não é?”, tentava convencê-lo a desistir dessa ideia estranha. “Eu sou um vampiro justo, ela dançou pra mim e merece ser paga.” “Eric, poupe-me, desde quando você se preocupa com isso? Não estou entendendo seu interesse repentino naquele...naquele estrupício.” “Pam, você foi a responsável pelo ocorrido, agora se vire. Descubra sobre a moça e eu vou pagar o que é devido.”, ele disse impaciente. “Sim, eu vou procurá-la.”, abaixou a cabeça concordando e saiu do escritório batendo a porta com raiva. Eric ficou pensativo por alguns minutos, até que seu celular tocou, fez uma careta diante do nome que o visor mostrava. “Bill, que honra receber sua ligação em meu humilde celular.”, disse com desdém. “Hoje não irei, a operação saiu conforme o esperado... Amanhã a noite eu tenho alguns minutos para perder, irei ate aí...Sim...não sei...Jessica? Nunca vi mais gorda...entendido.”. Desligou com raiva e afundou em sua cadeira novamente perdido em pensamentos.


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-----------------------------Jessica não conseguiu falar com Bill, a recepção de seu celular estava horrível, deveria ser culpa dessa boate. E por conta disso, perdeu Sookita de vista. Agora não sabia o que fazer. Observou Eric chamando Pam, e resolveu ficar ainda lá por alguns minutos e escutar a conversa. Um momento depois, Pam saiu com raiva do escritório, parecia um touro de tanto que bufava. Jessica abriu um sorriso, pelo jeito Sookita tinha uma nova inimiga e estava curiosa com o interesse de Eric em descobrir mais sobre a mesma. Tentou mais uma vez ligar para Bill, mas o celular não atendia, provavelmente ele estaria em alguma reunião. Não tinha mais nada para fazer ali, agora iria embora e pensar no que fazer com o tanto de informação que teve hoje. Claro, que sua meta principal era destruir a reputação de Sookita, mas como? Foi caminhando para a saída, quando bateu com tudo num peito forte e gritou: “Hey, seu idiota, saí da minha frente antes que eu te force a uma doação de sangue.” Alcide recuou chocado e respondeu: “Menina Jessica, que agressividade é essa? Vim aqui pra te buscar.” “Alcide, você não é minha babá! Eu não tenho uma desde que eu era uma humana inútil. Você é o capacho do meu pai, e por isso não precisa grudar em mim feito uma sanguessuga. Na verdade, eu sou uma sanguessuga, então se quiser continuar a viver essa sua vidinha medíocre, é melhor sair da frente. Obrigada!” “Mas, Menina Jessica, minha vida é para a sua proteção e de seu pai. Você é importante demais para ficar andando por aí sozinha. Daqui em diante vou com você para todos os lados. Vou continuar dormindo o dia todo, como já faço, mas a senhorinha ficará embaixo das minhas asas.”, ele sorriu emocionado. “Tudo bem, mas pare de encher meu saco!” Quase gritou com o lobisomem. “Você está na limousine?” “Sim, estou!” “Então, levante o vidro e não troque nenhuma palavra comigo durante o caminho até em casa.” “Sim, Menina...sim, senhora!”. Jessica passou por Alcide e o empurrou com força para o lado. O lobisomem abaixou a cabeça e seguiu a moça parecendo desolado. ------------------------------------


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Sookita acordou com os olhos inchados de tanto chorar na noite passada, não conseguia parar de pensar no que tinha acontecido. Cada vez que se lembrava das risadas de Eric, seu corpo fervia de raiva. E ela tinha vontade de matá-lo. Não, ela tinha vontade era de sumir. Sorte que nunca teriade vê-lo novamente, e que este episódio infeliz só ficaria entre ela e Tara. Deu uma arrumada rápida na casa que herdou de sua avó, e só de lembrar a hipoteca que ainda tinha para pagar no fim do mês sentiu mais calafrios do que tinha sentido ontem no escritório de Eric Henrique. O que ela não conseguia entender, era como alguém que viveu tantos anos, viu muitas coisas, conheceu tanta gente, poderia ser tão...tão...tão estúpido. Por que ele não poderia ser um vampiro bom, igual ao seu namorado Bill? Balançou a cabeça espantando esses pensamentos, a noite iria encontrar Bill e tudo estaria resolvido. Com pouco entusiasmo subiu para seu quarto, para tomar um banho e vestir seu uniforme de trabalho. Sookita se lembrava da época que Sam tinha pedido para as garçonetes escolherem um traje oficial de trabalho. Ele dizia que o Tequila’s tinha crescido, e por isso os funcionários deveriam andar uniformizados. Naquela época foi uma briga só. As outras garçonetes queriam shorts jeans e tênis, mas Sookita foi totalmente contra. Mesmo Vale de Los Sanquijuelas sendo uma cidade muito quente, ela evitava ao máximo tamanha exposição. Foi aí que telepata sugeriu que ela e suas colegas usassem vestidos de verão, e sapatilhas nos pés. Seu amigo Sam ficou muito feliz com a ideia, e a adotou, despertando a ira das outras garçonetes, inclusive de Tara. As palavras exatas de sua amiga foram: “Ai! Como você consegue ser tão brega, Sookita? É por isso que vai morrer virgem...não sabe nem se vestir.” Depois de vestida, Sookita se admirou no espelho. Como ela adorava seu vestido rodado amarelo ouro e suas sapatilhas vermelhas. Sem falar no toque muito feminino da flor em seu cabelo. Danem-se os outros. Eu me sinto muito bem assim. Falou para si mesma, tentando soar confiante. Minutos depois, estava dirigindo para seu trabalho oficial, já que sua carreira de dançarina não tinha sido lá das melhores. Não conseguia tirar da cabeça, por mais que tentasse...tudo voltava como um filme, daqueles de humor negro. Evitou Tara o dia todo, não estava com vontade de encarar a cara de deboche de sua amiga. Quase no fim do expediente, Sam reparou que Sookita estava distante demais e a chamou em seu escritório: “Sook, o que está acontecendo? Você errou vários pedidos, quase derrubou os nachos no colo de um cliente. Andou bebendo o estoque de tequilas, foi?” Ele tentou fazer uma piada, para alegrar a moça. “Não, Sam”, ela se sentou na cadeira com um ar cansado. “Eu estou com alguns problemas, tentei um segundo emprego, mas não deu muito certo.”


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“Você está precisando de dinheiro? Por que não pede para seu namorado prefeito, Sookita?”, ele disse enciumado. “Oh, Sam, até você falando essas coisas! Qual é o problema de todo mundo?”, ela começa a chorar copiosamente. Sam rapidamente se aproximou de Sookita e a tomou nos braços, tentando consolar sua amiga e funcionária favorita. Ela por sua vez encostou a cabeça no peito de Sam e deixou as lágrimas rolarem livremente. Sam tomado pela paixão de ter Sookita tão perto e vulnerável, levantou levemente o queixo da moça com a sua mão direita. Beijou os lábios dela de maneira apaixonada, forçando a sua língua com vontade, tentando com que ela correspondesse ao seu beijo com a mesma intensidade. Sookita apavorada com o beijo repentino tentou empurrar Sam, mas não conseguiu. Sentiu a língua dele molhada tentando abrir seus lábios. Mexeu a cabeça de um lado para o outro, mas ele não a soltava. Até que deu uma joelhada entre as pernas de seu patrão. Sam soltou Sookita e caiu gemendo de dor no chão. Ela ficou chocada diante da cena e saiu correndo do escritório passando como uma louca por Tara e quase derrubando a amiga. Tara viu a amiga saindo pálida do escritório de Sam e correu atrás para descobrir o que aconteceu. Segurou a moça pelo braço quando estava entrando no carro e disse: “O que houve? Parece que viu um fantasma.” Sookita respirou fundo e sussurrou para a amiga: “Sam estava descontrolado! Eu não sei o que diabos deu nele...ele me beijou a força.” “Sookita, amiga, isso é abuso sexual. Quem Sam pensa que é para fazer isso? Você tem que processar ele, eu vou como sua testemunha e melhor, você vai ganhar uma grana com isso. Vi muito em filmes de Hollywood.” “Não, Tara! Eu não posso fazer isso com Sam...” Tara interrompeu a fala da amiga e disparou: “Já sei, já sei...ele sempre foi muito bom para você, é seu amigo e blá blá blá...caí na real, Sookita!” “Exatamente, não posso fazer isso...mas, acho que vou pedir demissão.”


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“Ah, você não tem jeito, quer realmente ser canonizada.”, Tara disse balançando a cabeça em reprovação. “Não quero pensar mais nisso hoje, Tara, nem insista. Logo mais vou encontrar o Bill, vou para casa me arrumar.” Entrou em seu carro velho e saiu em disparada no máximo que o carro agüentou. -----------------------------------------Bill de La Vega estava andando de um lado para outro em seu escritório, fazia mais de trinta minutos que esperava por Eric, já estava impaciente e irritado. Toda vez que convocava esse vampiro ordinário algo do tipo acontecia, parecia que ele gostava de provocar sua autoridade. Só porque era dono do Santo Martillo e muito mais antigo que ele. Eric Colunga se achava o rei do pedaço, sendo que o Prefeito era ele. “Filho da puta! Próxima vez que ele fizer isso eu mando fechar aquele estabelecimento vagabundo que ele chama de boate.”, disse Bill em voz alta. Quando já estava pensando em ligar novamente e lembra-lo do compromisso, sua secretária entra e avisa: “Sr. Bill, o senhor Eric Colunga.” “Não precisa me apresentar, Bill sabe muito bem quem sou eu”, disse Eric adentrando a sala sem ser convidado. Bill balançou a cabeça em desagrado após essa rude entrada de Eric em sua sala. Sentou-se na cadeira tentando manter a confiança e não demonstrar tanto a sua bronca, acima de tudo devia respeitar a vontade da Autoridade. “Bem, Eric, finalmente nos agraciou com sua presença. Poderia se sentar e contar como foi a sua missão com os traficantes?”, Bill cruzou os braços esperando Eric se explicar. “Não acredito que você me fez vir até aqui pra contar algo que eu poderia ter dito muito bem ao telefone. Sabe, prefeito, a visão do seu bigode não é muito agradável aos meus olhos...”, disse Eric debochando. “Mas já que estou aqui, posso adiantar que a missão foi um sucesso”, mentiu. Bill passou mão no bigode pensando que não tinha nada demais com esse visual, Sookita achava muito elegante. Bill estufoua o peito para impor presença na sala e disse: “Foi realmente um sucesso? Nossa inteligência no local notou que todo carregamento de V desapareceu. Como explica isso, Senhor James Bond?”


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Eric arregalou os olhos desconcertado com a afirmação de Bill. Não tinha para onde fugir, teria que assumir o fracasso de sua missão e depois meteria um soco no rosto do prefeito quando este sorrisse em alegria. “Eu fui atingido, uma outra pessoa entrou no local e atirou em minha cabeça... eu sei que foi uma pessoa que não estava no galpão no momento do ataque. Me atingiu pelas costas e levou toda a mercadoria.”, disse Eric sem se abalar. “Como é bonito quando a verdade aparece. Então, não é tão perfeito assim como gosta de demonstrar por ai.”, Bill bateu palmas. “Tirando esse pequeno incidente, a missão ocorreu como esperada, todos estão mortos. Eu nunca disse por aí que sou perfeito, as pessoas falam por mim, Senhor Prefeito.”, respondeu Eric tentando se controlar. “A Autoridade não ficou satisfeita com seu desempenho, eles me responsabilizaram por seu fracasso. Só que eu não cairei sozinho, você virá junto comigo.” “O fraco sempre tenta levar alguém com ele, bem típico mesmo de você, de La Vega.” Bill deu um soco na mesa e se levantou de maneira ameaçadora, apontando a mão na direção do outro vampiro. “Eu posso te destruir se quiser, Eric Colunga. Basta eu estalar os dedos e você some do mapa.” “Gostaria de ver você tentando isso sem ter a Autoridade grudada no seu rabo. Eu sei muito bem que sem isso, você não ousaria chegar perto de um vampiro como eu... nós dois sabemos disso.”, Eric respondeu de forma ameaçadora. “Como sempre subestimando o próximo. Se você fosse tão bom, não seria subordinado a mim. De qualquer maneira, está dispensado por hoje. Pode ir, ande logo...”, Bill abanou a mão na direção da porta. Eric estava a um passo de esmagar Bill de La Vega com suas próprias mãos e acabar de uma vez com essa maldita Autoridade, mas ele sabia que as consequências seriam severas. Por isso se controlou ao máximo e tentou levar como sempre fazia, na esportiva. “Tem certeza que vai me mandar embora sem antes apresentar sua nova namoradinha? Faz tempo quero conhecê-la... sabe como é, ela ainda não passou pelo meu ‘crivo’”. “Não vou tolerar suas provocações de baixo nível. Sou acima de tudo isso.”, Bill avisou a secretária para chamar a segurança e retirar Eric do prédio.


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“Não precisa apelar... já estou saindo”, disse Eric pensando onde seria o local mais adequado para matar Bill sem deixar rastros. Talvez em seu porão, numa noite regada a muita prata e objetos pontiagudos. Eric abriu a porta saindo raivoso do escritório. ----------------------------Sookita subiu pelo elevador até o andar da sala do prefeito, seu namorado. Tentava manter a naturalidade, estava bonita e bem virginal, da maneira que ele gostava tanto. Havia deixado de lado o incidente na boate e o ocorrido com o seu patrão Sam. Agora era o momento de focar em Bill, passar algumas horas agradáveis, e quem sabe, tentar algo mais caliente. Estava de saco cheio da perseguição de Tara, iria provar que tinha sangue quente. Finalmente o elevador chegou ao andar, alias tudo era ricamente decorado, Bill tinha muito requinte. Caminhava torcendo as mãos no colo, respirava para manter a calma, sorte que Bill não lia seus pensamentos e nem ela os dele. Quando estava quase virando a curva no fim do corredor, de repente, algo passou ao seu lado, um vulto grande e loiro. Ela ficou paralisada por alguns segundos, reconheceria aquele cheiro em qualquer lugar, aquele cheiro de vampiro, mas totalmente diferente de Bill. Olhou rapidamente para trás e viu Eric quase no fim do corredor do outro lado. Sentiu calafrios pelo corpo e correu na direção do escritório de Bill antes que fosse vista. O que Eric estava fazendo ali? Será que contou tudo para Bill? Como ele descobriu? Eram tantas perguntas, a cabeça dela começou a girar. ---------------------------------Eric parou de repente no fim do corredor, sentiu algo estranho...e olhou para trás.


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CapĂ­tulo 04 Instinto Selvagem You wanna play hard, come on.


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Eric parou no fim do corredor, sentiu que passou por alguma coisa, só que foi tão rápido que não conseguiu focar direito. Olhou para trás e não viu nada. Se fossem os seguranças do prefeito boiola, provavelmente teriam reagido, pensou Eric. Caminhou novamente por aonde veio, farejou um perfume feminino de cheiro adocicado. Deu de ombros imaginando que deveria ser da secretária. Não queria passar nem mais um minuto naquele prédio e partiu para sua boate Santo Martillo. Chegou a seu escritório pouco tempo depois, ainda relembrando a reunião com Bill e o resultado desastroso. Quem aquele imbecil pensa que é para tratá-lo daquela forma? Procurou se acalmar e pensou que sua vingança contra Bill seria algo muito bem arquitetado, pois como todos sabem, vingança é um prato que se come frio. Estava tão perdido em pensamentos contra o prefeito que nem percebeu Pam olhando pra ele entediada. “Se você ainda fosse humano já teria morrido de uma úlcera, Eric. Faz dois dias que só te vejo irritado”, disse Pam. “Não pergunte!”, ele falou para encerrar o assunto, não estava a fim de discutir mais nada que envolvesse Bill de La Vega. Só existia uma coisa no momento que poderia fazê-lo esquecer do ocorrido por um tempo, e claro que Eric Colunga estava pensando em mulheres. Mulheres lindas, sangue e sexo. Ele precisava disso com urgência, se esperasse mais um pouco seria capaz de destruir sua boate e todo mundo que estava nela. O que não seria muito bom para os negócios. “Estou faminto, traga-me alguma coisa.”, ordenou Eric. “Vou pegar seu Tru Blood.”, disse Pam em tom irônico. “Ótimo, você sabe onde me encontrar... mas faça isso logo, não estou com paciência para esperar.”, ele avisou. Pam olhou com raiva, sempre tinha que caçar mulheres para Eric se alimentar. Era uma alimentação bem completa, sangue era só fichinha. Depois tinha que hipnotizar algumas das moças para não se lembrarem do ocorrido e saírem por aí dizendo que foram “comidas” pelo vampiro mais popular da cidade. Mas ela não deixaria isso barato, sabia muito bem o que fazer nesses momentos. Ontem tinha sido aquela dançarina da peruca ruiva e hoje quem escolheria? Apesar de tudo, era o preço que pagava por se fingir de lésbica. Maldita hora em que jamais assumiu seus sentimentos. O jeito era ficar ao lado dele sofrendo, seria pior ter que se afastar para sofrer mais ainda.


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Pam não demorou muito tempo para encontrar a moça ideal para seu chefe. Essa parecia perfeita, pensou com um sorriso de alegria depois de vasculhar toda a rua. Caminhou até a jovem e com um simples olhar fez a mesma caminhar junto dela até a boate. Sem mais delongas, Pam mandou a moça entrar no escritório, sentou-se e disse para si mesma: “Coma essa, seu cachorro!”. Não se passaram nem trinta segundos quando um urro enfurecido de Eric estrondou por toda a boate: “PAM IZABELITA LERÕNHO! O QUE SIGNIFICA ISSO?” Ela soltou uma sonora gargalhada, muitos se voltaram para ela no bar onde estava sentada esperando calmamente a reação de seu patrão. Entrou devagar no escritório e a moça estava seminua, com um sorriso de orelha a orelha, se esfregando em Eric. Pam havia escolhido uma moça magrela, com cabelos loiros sujos, um rosto encovado e mal vestida, o oposto do que normalmente Eric gostava. “Por acaso você está me gozando?”, ele perguntou tentando se desvencilhar do abraço insistente da moça. “Ah, Eric, dá uma chance, ontem você não foi tão exigente com aquela dançarina. Deixa eu te apresentar”, virou-se para a moça e perguntou: “Hey, qual o seu nome mesmo? Esqueci...” A moça continuou abraçando Eric de maneira possessiva, não queria largar do vampiro um minuto sequer, tentou beijar o pescoço, mas ele desviou no mesmo instante. Respondeu para Pam num tom de voz bastante excitado: “Meu nome é Manuelita, eu moro aqui ao lado, sempre quis entrar aqui dentro desse lugar chique”. Eric estava impaciente e irritado. Dessa vez a moça tentou beijá-lo na boca, ele não pensou duas vezes e a jogou nos braços de Pam ordenando: “Tire ela daqui imediatamente! E quando quiser ajudar ao próximo, mande para o prefeito da cidade, ele sim gosta de fazer caridade.” Ainda rindo Pam tirou a moça do escritório. Pediu ao segurança que a levasse para fora e a hipnotizasse, não queria uma estranha dessas rodeando a boate todos os dias. Apontou para uma garçonete de confiança chamada Paola, e disse para a moça ir até o escritório de Eric. Essa aí sem dúvida era do gosto dele.


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Eric já estava considerando sua noite perdida, depois da conversa com Bill tudo estava nebuloso, e Pam ainda encontrava formas de irritá-lo ainda mais. Nem tinha jogado pedra na cruz, seu maker tinha feito isso na época e ele nem lá estava, mas pelo jeito pagava os pecados mesmo assim. Estava absorto nos pensamentos, quando uma de suas garçonetes mais bonitas entrou no recinto. Suas presas ficaram expostas no mesmo instante, passou a língua sobre elas enquanto observava a moça desfilando até ele. Era alta, morena, lábios carnudos e vermelhos, e com curvas que um homem adoraria se perder. Eric pegou a moça pelos braços, deu uma leve mordida no pescoço e lambeu o sangue que escorreu pelo colo da moça, parando perto dos peitos. Paola segurou nos cabelos loiros dele com força e soltou um gemido. Eric sorriu, em seguida apertando um botão em cima da mesa. No canto esquerdo um quadro bastante caro por sinal, se movimentou junto da parede, e um compartimento secreto abriu. Ela arregalou os olhos assustada, nunca imaginou que Eric tinha um local daqueles no escritório. “É aí que você destrói o sonho de todas as mulheres?” “Você por acaso é virgem?”, perguntou Eric com um olhar sacana. “Claro que não, mas é que...” “Então posso afirmar que não vou destruir seus sonhos, minha querida”, respondeu ele interrompendo a moça. Não queria mais enrolações, a noite já havia sido enrolada demais. Sem cerimonia, tirou a mini blusa dela e rapidamente o sutiã também estava no chão. Eric adorava a habilidade que tinha em desabotoar peças de roupas femininas, anos e anos de treinamento. Apertou os peitos da moça com uma das mãos, aprovou, pois eram naturais. Odiava os artificiais, não dava para morder, estouravam e já tinha tido situações constrangedoras quando era novidade. O sangue continuou escorrendo pelo pescoço da moça, o peito já estava rubro. Eric começou a sugá-los com vontade. Paola sentiu as pernas bambas e caiu na cama, nem teve tempo de observar o quarto, apenas sentiu que caiu em algo macio, mesmo se tivesse batido no chão, estava amortecida de tesão. Ele observou a moça em cima da cama, excitada e estendendo os braços pra ele, implorando por mais. Tirou à camiseta preta, a calça jogou do outro lado do quarto. Não era todo dia que estava com cueca, então já estava preparado. E mais uma vez ela arregalou os olhos quando viu Eric nu, sentiu vontade de pegar uma fita métrica e medir o pinto dele, será que entraria? Pensou animada. Estava prestes a descobrir, finalmente após anos servindo mesas e clientes esnobes, estava se deitando com o vampiro mais cobiçado.


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Eric virou a moça de quatro na cama, agora não estava mais com sede de sangue, estava com sede de outra coisa. Colocou uma mão no quadril dela e com a outra segurou seus cabelos, quando iria começar o serviço... Uma imagem veio na sua cabeça, à moça desengonçada de ontem, dançando. Ele parou, balançou a cabeça, mas a imagem não ia embora. O que estava acontecendo? De repente ele olhou para baixo e não estava mais animado, tinha brochado. Não acreditava no que estava vendo, simplesmente não levantava mais. Mesmo com uma mulher linda, de quatro na sua frente e pedindo para que a possuísse... Nada. E a imagem da moça dançando ridiculamente ficava na sua mente, como foi pensar naquela coisa sem graça justo agora? “Maldita dançarina”, ele gritou nervoso. “Eric, o que houve?”, perguntou Paola impaciente. “Hoje não dá mais, não quero”, tentou disfarçar. “Como assim? Você começou...agora termina!”, ela se virou na cama e viu o brinquedinho todo mole, sem vida. “Não acredito, o todo-poderoso Eric Henrique Colunga...brochou? E justo comigo?” “Já disse que perdi a vontade.”, ele falou completamente desconcertado, nunca imaginou que uma dançarina ridícula faria isso com sua reputação. Tudo estava dando errado esses dias, desde que aceitou aquele trabalho com os traficantes. Levantou a moça da cama, segurou-a pelos ombros e a hipnotizou. Mandou que vestisse a roupa e jamais lembrasse que esteve lá. Era a primeira vez que aquilo tinha acontecido com ele, não gostaria de uma garçonete espalhando para todo mundo. Pior ainda seria aguentar as perguntas de Pam sobre o porquê dele mesmo ter hipnotizado a garota, afinal esse era o trabalho dela. Eric nunca precisou perder tempo com esse tipo de coisa. Agora lá estava ele, brochado, lembrando-se da dançarina e completamente arruinado moralmente... não tinha mais dúvidas, a dançarina tinha jogado alguma praga. Mais do que nunca queria descobrir quem era aquela doida de ontem. Não acreditava que tinha consciência pesada pelo tratamento que deu a ela, ele não tinha remorso e muito menos compaixão. Iria pagar de uma vez o que devia e estaria livre daquelas imagens. Se fosse religioso, iria procurar um padre para se benzer. ----------------------------------


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Sookita estava desesperada, será que Eric a tinha visto? Correu o mais rápido possível para se esconder daquele vampiro amaldiçoado, apesar dele não fazer a menor ideia de quem fosse, pensou aliviada. Ele jamais a reconheceria, ontem usou peruca e a maquiagem borrada escondeu seus traços, pelo menos acertou em alguma coisa. Foi em direção à sala de Bill e falou com a secretária, que em seguida deu sinal verde pra entrar, seu amado já estava esperando por ela. “Minha querida, entre, estava ansioso esperando por esse momento”, disse Bill com um sorriso, se aproximando de sua namorada e dando um beijo casto em sua testa. Ela sempre gostou do modo que Bill levava o relacionamento deles, parecia mesmo que ele esperava pelo casamento para consumar a relação. Mas no fundo já estava ficando cansada de esperar. Há muito tempo escutava Tara e outras amigas comentando o quanto era bom fazer sexo, e não teria problema em fazer isso com o homem da sua vida, pensou. “Também estava ansiosa para te ver, meu querido”, em vez de se afastar colou seus lábios no dele. Bill retribuiu o beijo lentamente, ficou até surpreso com a atitude, pois ela nunca tomou a iniciativa de beijá-lo. Segurou-a pelos ombros e a conduziu até o sofá. Ela estava ofegante, excitada, queria colocar pra fora tudo o que sentiu ontem, mas não podia. “Seu bigode faz uma cosquinha engraçada.”, ela sorriu envergonhada. “Isso porque você não viu o que ele pode fazer em outras partes do seu corpo, e não estou falando de cosquinha”, disse Bill sedutor passando a mão em seu bigode. “Nossa, Bill, se você encostar nessas partes acho que farei xixi de tanto rir...”, ela deu um tapinha nele. “É por isso que gosto de você, Sook, sempre tão ingênua” “Sim, Bill, eu sou ingênua, mas meu coração agora está acelerado, não consigo me conter.”, ela pegou a mão dele e colocou em seu peito para ele sentir os batimentos. “Se eu ainda fosse humano tenha certeza que meu coração também estaria assim.” Sookita não se conteve mais, jogou Bill para trás no sofá espaçoso subindo em cima dele.


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“Me faça mulher, Bill, quero ser só sua.” diz ofegante, beijando-o no pescoço. “Você já é minha mulher, querida.”, respondeu Bill, entendendo muito bem o que ela estava pedindo, empurrando-a levemente do contato íntimo. Sookita não entendeu a reação de Bill, levantou-se e tirou o vestido branco florido que usava. Ficando apenas de calcinha e sutiã. “Meu corpo não te agrada, né? O que tem de errado comigo? Por favor, me diz.”. Bill ficou impressionado com a visão, Sookita escondia suas curvas muito bem por trás dos vestidos floridos e castos que ele gostava tanto. Porém, ele teria que dar um basta nisso antes que fosse tarde. “Não é isso, querida. Eu te desejo muito, mas quando era humano sempre sonhei em casar com uma mulher que fosse pura e virgem, isso até o casamento. Posso ter me transformado em vampiro, mas meus pensamentos são os mesmos. Você não é mulher de uma noite só, eu te quero por inteiro sim, mas precisamos esperar. Sua avó também gostaria disso, tenho certeza.” Ela respirou fundo, sabia que estava com o rosto todo vermelho pela vergonha. Bill era o sensato da relação, e ela estava desgraçando a memória de sua avó agindo como uma mulher qualquer. Culpa daquele vampiro que a deixou sem moral. Bill estendeu o vestido para ela. “Desculpe, o sonho da minha avó era-me ver casando de branco, pois representaria a minha pureza, igual a ela quando se casou. Ela sempre me pediu e por isso aprovou você como meu futuro marido. Eu jamais deveria ter esquecido isso.”. Ela vestiu novamente o vestido evitando olhar para ele. Bill se levantou, foi até sua mesa e pediu para a secretária trazer um chá e bolachinhas. E sentou-se novamente com Sookita no sofá, passou o braço sobre os ombros dela e disse carinhosamente: “Minha querida, você está muito tensa, posso sentir... conte-me o que te aflige.” --------------------------------Jessica abriu a porta de seu quarto com força, já havia dormido muito, e iria encontrar com Bill para contar tudo o que viu sobre Sookita na boate. Sorriu imaginando a cara de horror de seu papai querido. Mas, antes que pudesse comemorar, deu de cara com Alcide apoiado na parede defronte ao seu quarto. “O que você está fazendo aqui, estrupício?”


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Alcide engoliu em seco criando coragem para responder: “Menina Jessica, estou aqui para te vigiar. Seu pai me pediu e continuarei mesmo se ele ordene que não faça mais isso.” “Só me faltava essa, agora eu tenho uma sombra! Saiba, seu saco de pelos, que eu NÃO GOSTO dessa perseguição.”, disse Jéssica irritada. “Não precisa me ofender por eu ser um lobisomem. Eu não fico mais cheirando a lobo, tomo banho todo dia e passo perfume. Você vivia espirrando perfume em cima de mim quando me via.” ele disse baixinho. “Pena que não percebi para mim você continua fedendo a cachorro molhado.” “Desculpe, Menina Jessica. Tentarei não tomar mais chuva, e vou usar mais perfume ainda. Afinal, vou ficar sempre do teu lado agora.”, ele disse esperançoso. Jessica olhava pra ele com cara de nojo, detestava esse capacho idiota, seu pai nunca deveria ter aceitado um lobisomem em sua família. Muito pior, um lobisomem guarda-costas. “Por acaso, você sente tesão por mim, Alcide? Quer me foder?”, ela perguntou se aproximando de maneira provocante. Alcide arregalou os olhos e disse: “Claro que não, Menina Jéssica, você é minha protegida, eu jamais sentiria algo parecido... é como se fosse minha filha.”, respondeu com remorso, não tinha coragem de admitir que sentia algo a mais por ela, seria uma traição para seu chefe e amigo Bill, e Jessica jamais daria uma chance a ele. Ela só saia com homens ricos e bem apessoados. E ele estava longe disso. “Você não me engana, meu caro, um dia eu bato uma punheta pra você ficar feliz... cachorrinho!”, ela chegou perto ameaçando beijá-lo. “Não, não, Menina Jessica, não se aproxime!”, diz Alcide desesperado virando-se. Ficou parado de costas para ela enquanto balançava a cabeça em negação. Jessica não conseguiu conter a risada diante da situação, o lobo era mesmo um idiota completo. Sempre pensou que ele tivesse um parafuso a menos... “Não vou te morder, seu besta. Acho que nem é macho, de repente deve ser apaixonado pelo Bill.”, ela soltou uma gargalhada maldosa. Ele voltou-se novamente para Jessica e dessa vez se aproximou


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ameaçadoramente, a diferença de altura era evidente, ela parecia indefesa perto daquele gigante de quase 1,93m. “Nunca mais repita algo assim, nunca mais. Suas maldades corroem a alma.” “Bicha...você é uma bicha...”, Jessica falou caçoando, ficando nas pontas dos pés para encará-lo. “Está me forçando a fazer algo que não quero”, ele disse entre dentes como se falasse consigo mesmo. Puxou a vampira de encontro ao seu peito... “Vamos, sua bicha, prove que é macho”, ela ria sem parar. Alcide a beijou com violência, puxando os cabelos ruivos da vampira, forçando a cabeça dela para trás. Em seguida começou a beijar o pescoço dela, murmurando palavras incompreensíveis. Rasgou a camiseta de uma banda de rock que ela estava usando, expondo os peitos. Nesse momento, Jessica o empurrou longe e disse feliz: “Ainda não provou que é macho, cachorrinho. E agora me deve uma camiseta, era a minha preferida.”. Abriu a porta e entrou novamente no seu quarto. Alcide sentou-se no chão, encostado na parede, colocou as mãos no rosto dizendo: “O que foi que eu fiz...Menina Jessica...me perdoe...” -------------------------------------Trabalhar e ser cria de Eric Henrique tinha lá suas vantagens. Dinheiro, pessoas bonitas e luxo não faltavam na vida de Pam, mas em certos momentos ela se arrependia de toda essa regalia. Na grande maioria das vezes quando era convocada por Eric para realizar certas “missões”. E essa particularmente não parecia nem um pouco interessante. Como ele estava distraído com Paola, e demoraria horas e horas para ficar disponível novamente, resolveu encontrar de uma vez e pagar o que era devido à moça de ontem. Por conta disso, Pam estava em frente aquele puteiro vagabundo, mais conhecido como La Puta Madre. Foi o primeiro lugar que passou por sua cabeça quando pensou na dançarina. Por que Eric queria gratificar aquela mulherzinha? Ela não tinha dançado nada na noite anterior e muito menos impressionado alguém com sua beleza. Ele estava estranho desde que voltou da última missão, parecia afobado, confuso, raivoso, e isso não era algo normal.


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Entrou pela porta dos fundos, pois vampiros não entravam no local, o dono que é uma bicha cafona tinha medo de vampiros estragando seu estabelecimento. Como Pam não queria arrumar briga com humanos insignificantes, resolveu relevar e precisava descobrir logo quem era a tal Alice da peruca ruiva. Lafayette a estava esperando do lado de fora, não queria esses vampiros invadindo seu espaço. E estava com um nó na garganta, afinal Pam trabalhava para Eric, o vampiro que o imbecil do Jason atirou. Será que estava lá para interrogá-lo e matá-lo? Pior, ele estava desarmado, não tinha como se defender. “Você é Lafayette Escobar?”, perguntou Pam entediada. “Está falando com ele, madame.”, respondeu fingindo serenidade. “Não vou ficar enrolando, não quero perder tempo por aqui. Estou a procura de uma dançarina, acho que ela só pode trabalhar por aqui... “ Ele respirou aliviado, pelo jeito ainda não sabiam do envolvimento deles com o V e o tiro em Eric. Pelo menos seu corpo lindo iria sair ileso essa noite, pensou feliz. “Não trabalhamos com dançarinas aqui, vampira. Somos uma casa de entretenimento adulto.” “Tanto faz, ela não sabia dançar nada mesmo, disse para o nosso segurança que se chamava Alice Fontenele. Tem alguma beldade com esse nome por aqui?” Lafayette não precisou pensar muito, não existia nenhuma Alice trabalhando ali. “Infelizmente não temos nenhuma garota com esse nome por aqui, e conheço todas as minhas meninas.” “Não poderia ao menos perguntar? Não estou afim de vasculhar seu galinheiro e falar com todas as suas crias”. Pam já estava perdendo a paciência, não tinha vocação pra detetive. “Posso encontrar a garota pra você.”, disse Lafayette pensando na quantidade de dinheiro que circulava na boate Santo Martillo, Eric era um vampiro antigo e bastante rico. “Humm, está começando a melhorar. E eu posso saber como milady pretende fazer isso?” “Oh, querida, eu não posso revelar todos meus preciosos métodos, o que


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posso lhe dizer é que eu sou digamos assim... um profissional. Você vai ter que confiar.” “Pois bem, se conseguir fazer isso será muito bem recompensado, sabe disso não é?” “Estou completamente ciente, madame. Agora só preciso saber tudo sobre essa garota, me conte cada detalhe...” Ela sorriu satisfeita, finalmente alguém para ajudá-la nessa busca sem sentido. “Bom ela era uma bagunça total! Tão caipira quanto as suas prostitutas, eu imagino...”.Pam começou a relatar. -----------------------------------------Sookita voltou para sua casa, estava cansada e triste por ter tentado algo mais íntimo com Bill e não ter conseguido muita coisa. Realmente ele era o homem certo para casar. Sua avó ficaria muito feliz se ainda fosse viva. Respirou fundo e abriu a porta da frente. Entrou e levou um susto ao vê seu irmão Jason esparramado no sofá bebendo uma cerveja. “Jason! Já disse que não quero que você entre sem avisar aqui em casa. Quase me matou de susto.” “Êpa, êpa! Essa casa é da vovó, então tecnicamente também é minha...” “Mesmo? Na hora de me ajudar a pagar a hipoteca você não se lembra disso. Vamos, diga logo o que você quer. Sabe que eu não tenho dinheiro, né?” “Quanta humilhação! Não, não quero seu rico e suado dinheiro, vim aqui por que preciso conversar com você.” “Ai meu Deus, é sobre mulher? Alguma perdida ficou grávida? Vou logo avisando que não estou pronta para ser tia.” “Será que nunca vai me levar a sério? Sookita, isso é grave!”, falou Jason exasperado. “Você é policial, foi treinado para situações complicadas. Não entendo o que pode ser tão grave...” “Você não gostará do que vou dizer, sei que vai me recriminar, mas eu só tenho você nesse momento. Espero que me entenda, pois apesar de tudo, sou seu irmão.” Sookita sentou-se ao lado de Jason, tentou ser compreensiva, pegou a mão dele e colocou entre as suas.


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“Diga Jason, estou aqui.”. “Eu atirei num vampiro poderoso chamado Eric Henrique Colunga e roubei o V dos traficantes que ele foi matar... sou um traficante de V, Sookita.”, ele disse afobado. Sookita levantou como se tivesse visto um fantasma, deu um sonoro tapa na cara dele e gritou: “Jason, vou te esfolar vivo...”


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CapĂ­tulo 05 Entrando Numa Fria Let's not make it a nightmare.


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Sookita não conseguiu acreditar no que tinha ouvido de seu irmão, parecia que tudo caminhava para Eric Henrique Colunga. Seria uma punição que estava sofrendo por ter enganado Bill? Por ter agido como uma moça de pouca classe? Sem dúvida precisava ir à igreja se confessar e pagar penitência, pensou tristemente. “Sook, por favor, minhas bolas estão em jogo nesse momento. Esse vampiro vai me procurar, os vampiros devem estar me farejando, eu não sei o que fazer.”, ele disse passando a mão na bochecha vermelha por causa do tapa que levou de sua irmã. “Você é um homem da lei. Como foi se envolver com esse tipo de coisa? Não deveria parecer um foragido, deveria é prender os bandidos. Vovó está se revirando no túmulo de decepção e você vem falar de suas bolas?” “Não tenho tempo para te explicar isso agora, a cagada já está feita e se você não me ajudar, vou virar comida de vampiro em dois tempos.” “Justo com aquele Eric? Ele é odioso, monstruoso e perverso. É o diabo em pessoa.” “Desde quando você sabe tudo isso sobre Eric? Achei que sua vida era trabalhar, amar e rezar...”, ele não conteve uma risadinha. “Isso não é da sua conta”, respondeu Sookita desconversando. “O fato é... como um policial foi se envolver numa tramoia dessas. Estou decepcionada... muito.” “Eu sei, estou desesperado... eu jamais teria te revelado sobre o tráfico se não estivesse sem alternativas. Me sinto um pouco mal...”. “Um pouco mal? Acho que quando criança você deve ter batido a cabeça, só pode. Não consigo encontrar uma explicação. E claro, você quer que eu te ajude como? Te entregando pra policia? Estou a um passo de fazer isso, não me provoque muito.”. “Você é namorada do prefeito, tem uma certa influência, qualquer coisa que possa fazer por mim vai valer... qualquer coisa.” “Você é louco de pensar que irei envolver Bill nessa sujeira. Ele é um vampiro, Jason, que parte você não entendeu...”, ela deu uma batida com a mão na cabeça do irmão.


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“Tudo bem, Sook, nem sei por que vim pedir sua ajuda... perdi meu tempo.”, disse Jason se retirando da casa de sua irmã. “Ah, meu deus”, ela disse exasperada. “Volte aqui, seu tonto”. Jason estava abrindo a porta quando ouviu o pedido de sua irmã, começou a chorar e correu para os braços dela, entre soluços ele dizia: “Estou com os dias contados, eu sinto isso...sou jovem demais pra morrer, tenho toda uma vida pela frente. Eu prometo que jamais farei bobagem assim, vou ser correto daqui pra frente. Juro.” “Jason, eu só acreditaria se você confessasse isso para o Padre João Antônio Maria. Acho que você só entrará na linha se seguir o caminho da retidão.” “Eu vou, me confesso, viro um novo homem... mas por favor, me ajude!” “O que eu posso fazer por você? Sabe que não posso falar com o Bill, peça qualquer outra coisa...” “Preciso de ajuda para esconder o que peguei, depois eu me livro desse V quando a poeira baixar.” “Deixe eu ver se entendi, você quer esconder o V aqui na minha casa, acertei?” perguntou Sookita com olhar zangado. “Não sei, apenas tenho que me livrar dessa coisa toda. Não vou poder vender, porque podem me rastrear, não sei...só quero me livrar disso.” “Não posso esconder o V aqui, Jason. Serei sua cúmplice no tráfico e isso só vai piorar nossa situação.” “Não tem aquela fazenda abandonada do velho Ramirez que morreu ano passado? Ele não tinha parentes, nem nada, lá está abandonado.”, ele disse parando de chorar. “Sim, está abandonada. Acho que você poderia esconder lá temporariamente até achar um local melhor.” Sookita balançou a cabeça em reprovação ao seu irmão, levantou-se do sofá e disse:


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“Vou preparar um chá para te acalmar.”. -----------------------------------------------Sam estacionou em frente à casa antiga da família Montenegro. Olhou em volta e percebeu que o terreno estava em silêncio, exceto pelos insetos que faziam barulho. Será que Sookita não estava em casa? Resolveu tentar a sorte, pois precisava mesmo falar com sua funcionaria e amiga. Na verdade, não sabia se ela ainda o queria como amigo, depois dele ter a agarrado contra a sua vontade. Respirou fundo para criar coragem e apertou a campainha. Nada, ninguém respondeu. Mas ele não ia desistir tão fácil e apertou de novo. Escutou passos e esperou... Sookita abriu a porta rapidamente. Ela estava vestindo shorts e uma camiseta cor de rosa, tinha os cabelos molhados. Sam não podia deixar de notar que ela segurava o pente em uma das mãos. Ele ficou atordoado com essa visão, ela era mais bonita do que ele lembrara, e os cabelos molhados prontos para serem massageados, dava um toque todo especial. “Oi, Sookita!” diz Sam timidamente. “Oi” “Posso entrar?” “O que você quer aqui, Sam?”, falou rispidamente. “Precisamos conversar, você sabe.” “O que eu sei Sam, é que esperava aquilo de qualquer homem, menos de você. Como pode? Depois de tantos anos de lealdade...você sabe que eu sou uma mulher comprometida...”. “Eu sei, querida, me desculpe.” Sam a interrompeu rapidamente, “Eu não havia planejado aquilo, simplesmente aconteceu...”. “Aconteceu, e não tem mais volta, Sam. Acho que eu não conseguirei mais olhar para você da mesma forma de antes. Confiança é igual a um cristal, depois de quebrado não se pode mais colar os pedacinhos...ele não volta a ser o que era antes. E é isso o que esta acontecendo com nós.”


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“Mas, me perdoe, eu sou apenas um homem.” “Eu não acredito que você disse isso, Sam. Você é homem? E o que diz de meu namorado que além de homem é vampiro, e nunca, NUNCA faria algo assim; Ele sim é um homem...porque tem caráter.” “Não ouse me comparar com ele, Sookita.” “Ouso sim. E tem mais, eu me demito!” “NÃO! Você não pode fazer isso. Eu preciso de você...quer dizer, o Tequila’s precisa de você.”. “Ah, estou certa que você pode arranjar uma para ficar no meu lugar. Quer uma dica? Inclua o teste do sofá para a seleção, daí você mata dois coelhos com uma cajadada só.”. E com isso Sookita bateu a porta, deixando Sam totalmente desolado em frente a sua casa. ------------------------------------Bill de La Vega estava em seu escritório revisando mentalmente como seria sua conversa com a Autoridade. Todo o cuidado era pouco quando se tratava deles, e sempre gostava de deixar tudo pronto, era perfeccionista quando se tratava de assuntos políticos. Nesse momento sua filha Jessica entrou na sala feito um furacão. “Jess, será que dar pra bater a porta? Não foi assim que eu te eduquei.”. “O assunto é grave demais para esperar, pai. Preciso te contar uma coisa... é melhor você sentar.”. Bill não estava com paciência para as birras de sua filha no momento, amava sua Jess com todas as forças, mas muitas vezes ela exagerava.Tinha certeza que esse assunto tão importante não passava de mais uma futilidade. “Humm, do que se trata?”, perguntou Bill sem demonstrar interesse. “Sookita, claro. Pai, sua namoradinha perfeita não é nada disso que mostra para você. É uma vagabunda!”


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“Agora não Jéssica, eu tenho uma reunião muito importante hoje, estou sem tempo para esse papinho... tenho certeza que ela é uma pessoa honesta.” “Você não vai nem me escutar? Eu tenho provas!”, disse gesticulando sem parar. “Sei, sei, e onde estão essas provas?”, perguntou impaciente. “Existe prova maior do que a palavra da sua filha? Eu vi com meus próprios olhos. Sookita estava ontem no Santo Martillo dando uma de stripper.”. Bill pegou o telefone de sua sala e pediu para sua secretária chamar seu fiel escudeiro Alcide. Não acreditava em uma palavra de Jéssica, mas para demonstrar que ao menos se importava com o assunto, perguntaria para Alcide para confirmar o óbvio. “Por que você mandou chamar aquele idiota?”, alfinetou Jess. “Vou confirmar o que você me disse.”, respondeu Bill com tranquilidade. Neste momento Alcide entrou na sala com olhar desconfiado. Passou por Jessica sem encarar a vampira nos olhos, estava constrangido desde o último encontro entre os dois. Sua situação piorava a cada minuto, ele não conseguia mais resistir ao charme dela. Ainda estava trabalhando para Bill porque seria muita falta de consideração a tudo que ele já tinha feito por ele. “Alcide, o que aconteceu na noite anterior quando foi buscar minha filha no Santo Martillo? Jessica fez acusações muito graves contra minha namorada. Gostaria de saber o que você presenciou no lugar além de depravação?”, perguntou Bill encarando seu Chefe de Segurança. “Ele não viu. Como pode acreditar mais nesse aí do que em mim?”, ela fez um gesto raivoso com as mãos na direção do lobo. “Fiquei quieta!”, Bill interrompeu a vampira. Alcide engoliu em seco, ele não podia confirmar nada, a única coisa que fez na noite anterior foi entrar na boate e pegar a moça. Estava tão determinado que nem percebeu a presença de mais ninguém no local. Menina Jessica costumava tomar toda a sua atenção. “Não vi nada, Senhor Bill. Quando fui buscar a Menina Jéssica na boate, ela estava sozinha, nenhum sinal de Dona Sookita.”.


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“ELA ESTAVA LÁ! NÃO ESTOU MENTINDO!”, agora ela estava gritando. “Jessica, não é a primeira vez que você tenta denegrir a imagem de minha querida Sookita. Eu entendo que é ciúmes, afinal, ela é a minha primeira namorada oficial em muitos anos. É uma adaptação difícil, mas eu te amo do mesmo jeito de antes, querida.”. “Não é ciúmes, Bill. Acredite em mim pelo menos uma vez.”, ela continuou gritando batendo com força na mesa quase partindo no meio. Alcide ficou assustado com a reação da vampira e a segurou pelos braços antes que a situação fugisse ao controle. “Alcide, leve Jessica para passear e tomar ‘ar’ fresco. Eu preciso fazer algumas ligações e tenho uma reunião importante.”, ele se aproximou de Jessica e a beijou no rosto. A vampira estava com os olhos injetados de ódio, seu pai não acreditou em uma só palavra do que ela tinha dito. Não sabia porque ainda perdia tempo com essas coisas, Bill precisava ver com os próprios olhos para acreditar. E foi nessa hora que ela percebeu que estava fazendo tudo errado. Não adiantava tentar separar Sookita de Bill, tinha que destruir a reputação da moça de uma vez por todas, e quem sabe ele acabaria entendendo o recado... Alcide saiu arrastando Jessica da sala... -----------------------------------Eric pousou em frente à mansão colonial aonde aconteceria à reunião com a Autoridade. Eles tinham sido bastante enfáticos sobre a importância desse encontro, e provavelmente fariam algumas ameaças para provarem que ainda mandavam em tudo. Ele não gostava de bater de frente com esses chefões, estava estabilizado com seu negócio, não queria arrumar briga, ter uma sentença de morte nas costas e fugir novamente de país. Estava no México fazia um tempo porque havia aprontado muito na Europa no passado. Reparou nos carros estacionados e os motoristas parados esperando o fim da reunião. Nem todo mundo podia voar igual a ele, isso levava anos e anos de treinamento... e era uma das vantagens em ser tão antigo. Seu maker era ainda mais poderoso, mas fazia séculos que não o via.


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Uma linda mulher o recebeu na porta, Eric a encarou e reparou em como rebolava enquanto o levava até a reunião. Balançou a cabeça para se distrair diante da visão, não queria entrar excitado no local. Apesar de que tinha descoberto uma nova arma para ‘amolecer’ o seu amigo nas horas impróprias. É, foi suficiente para se distrair da moça, pensou Eric. A mulher pediu permissão para entrar e avisou sobre sua chegada. Como era esperado o prefeito de La Vega já estava lá paparicando algum mané que dava corda para suas conversas enfadonhas. “Ora, ora, vejam quem chegou...”, disse Bill. “Boa Noite, excelentíssimos. Bill...”, disse Eric com um ar debochado. “Agora não Eric, não temos tempo para suas palhaçadas...sente-se logo, para que possamos começar a reunião.”, ordenou Bill. “Sim, senhor Prefeito. Estou aqui para cumprir suas ordens.”, comentou de maneira afetada. “Pode até parecer, senhores, mas não temos todo tempo do mundo.”, disse severamente um dos vampiros acabando de vez com a discussão. Havia uma mesa oval no meio da sala, a decoração era sóbria e simples. Eric sabia que ali não era a sede da Autoridade, apenas uma de suas inúmeras propriedades. Três vampiros já estavam sentados, todos jovens, bem vestidos e com cara de poucos amigos. Então um deles disse: “Eric Henrique Colunga, fomos informados que o senhor falhou em sua missão. Correto?” “Não, não está correto! Eu não falhei, eu nunca falho. O que aconteceu foi apenas um imprevisto, apenas um desgraçado conseguiu fugir. Eu matei todos os outros.” “A questão é se um escapou, houve um erro da sua parte e isso terá consequências. Não podemos arriscar dessa maneira, a polícia não pode saber de nosso envolvimento com esses traficantes humanos, de La Vega sabe muito bem disso, e o senhor também.”, voltou-se novamente para Eric. “Isso não irá se repetir, garanto aos senhores.”, o vampiro loiro disse


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rapidamente. O outro vampiro pareceu não levar muito seriamente a palavra de Eric e comentou rispidamente: “Os dois sabem bem que se falharem mais uma vez, terão que prestar contas com os grandões. Nós viemos apenas para dar um puxão de orelha e resolver esse problema dos traficantes de uma vez por todas.”. “Então vamos direto ao ponto, como Eric será punido?”, interveio Bill. “Bill, você é superior dele... se ele cai, você também vai pro mesmo buraco. Não vamos punir os dois no momento. Pois, não acabamos ainda com essa história toda.”, disse o terceiro vampiro. “Isso não pode acontecer. Ele não será punido?”, disse o prefeito visivelmente alterado. “Obrigado pela misericórdia, senhores, muito gentil da parte de vocês.”, falou Eric docemente. “Não temos tempo para a briga infantil de vocês dois. Não nos interessa se brigam pra provarem qual dos dois é o mais bonito, o mais rico... vão engolir essa rixa e compensarem o quanto gastamos com vocês.”, continuou o primeiro vampiro ignorando a resposta do Eric. “Então se ele não será punido, gostaria de entender o motivo da reunião, poderiam me explicar?”, Bill tentava disfarçar a frustração. “Acalme-se prefeito, não vamos nos apressar, nunca fazemos uma reunião sem motivo. Você sabe bem que raramente nos reunimos com nossos subalternos.”. Os três vampiros deram risadas. Bill deu um sorrisinho tentando disfarçar o ódio que sentia por dentro, ele era muito melhor que todos naquela sala, pensou erguendo a cabeça. Um dia seria membro importante da Autoridade e finalmente teria o devido respeito. Seus planos caminhavam para isso. Eric Colunga só conseguiu rir de tudo aquilo, ele sabia que essa última palavrinha tinha deixado o prefeito irritado. Nunca se importou com nada daquilo.


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“Senhores, por favor, temos muito que conversar.”, disse o segundo vampiro. --------------------------------Sentada em frente à televisão, Sookita comia uma barra de chocolate enquanto assistia a reprise de “Uma linda mulher”. Ela estava triste lembrando-se do ponto final que dera em sua amizade com Sam. Lembrou-se da sua condição de desempregada e tomou um gole demorado da garrafa de Coca-Cola que estava na mesa. No momento em que a personagem de Julia Roberts apareceu na tela com sua peruca loira e sua roupa colada, Sookita relembrou sua passagem humilhante pelo Santo Martillo. Veio em sua mente aquele vampiro enorme e loiro que destruiu suas esperanças de ganhar o dinheiro da hipoteca. Com essa lembrança ela sentiu-se mais ainda depressiva. Não entendia como havia chegado naquele estágio, tudo estava uma bagunça em sua vida, em algum momento perdeu o controle e reparou nisso tarde demais. Desempregada, humilhada, sem amigos e com um namorado que não queria fazer amor com ela. Qual pecado grave tinha cometido? Pensou bebendo mais ainda refrigerante, nesse momento nem a celulite que ganharia a incomodava. Foi aí que o seu celular tocou. Sookita correu para atender, pois sua intuição dizia que poderia ser Bill. E quando olhou no visor, acertou, deveria ser o universo conspirando ao seu favor. “Oi meu querido, estou aqui. Aconteceu alguma coisa?”, disse tentando disfarçar sua voz triste. “Agora? Sim, é tarde...estava quase indo dormir. Irei sim, vou demorar um pouco para me arrumar. Claro...pode deixar. Também te amo.” Desligou e foi correndo se arrumar. Bill queria falar algo urgente e só sendo ao vivo. Será que queria sexo? Pensou animada. ------------------------------------Já era tarde da noite e Bill de La Vega não estava conseguindo racionar muito bem, será que havia entendido direito? Anos atrás já havia feito algumas missões junto de Sookita, inclusive foi assim que se apaixonaram, mas agora a situação era outra. Ele tentou intervir nas ordens, porém foi sumariamente ignorado por todos e obrigado a concordar com tudo. Ainda estava revisando o que diria para ela e como faria para protegê-la do perigo que estava por vir.


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Sookita entrou sem avisar, seu aspecto era de quem não estava bem. Mas, Bill não reparou, estava sentado visivelmente preocupado. “Bill, o que houve? Achei que você estaria ocupado hoje.”, ela disse timidamente. “Sook, por favor, sente-se... tenho algo muito importante para falar.”, disse com uma voz sombria. “Assim você está me assustando... diga logo, não quero sentar.” Sookita estava começando a se preocupar, o que haveria de tão ruim para deixar seu ele daquela maneira? Será que ele não a queria mais? Só podia ser isso, ela estava prestes a levar um fora. “Bem, você foi convocada pela Autoridade para realizar uma missão.” Respirou aliviada, não era tão grave como pensou que fosse. Perder a amizade de Sam já tinha sido duro demais. Não suportaria perder o amor de Bill também. “Fazia tempo que não me chamavam, deve envolver humanos, não é?”, ela perguntou. “Sim, mas não é só isso. Nós precisamos conversar seriamente sobre outra coisa... mais precisamente sobre a pessoa que vai te acompanhar nessa missão.”. “Não será você? Sempre fizemos juntos das outras vezes.”, perguntou Sookita confusa. “Sim, minha querida, eu sei. Só que dessa vez é diferente... infelizmente não posso largar meus deveres como prefeito. Eles designaram outra pessoa. E eu te peço para esconder o nosso relacionamento, pode ser perigoso para nós dois.”. “Não entendo...” Antes que pudesse continuar, a porta se abriu e Eric Colunga entrou no escritório dizendo:


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“Ah, então é essa a telepata que irá me acompanhar?” Sookita estava de costas, não demorou dois segundos para reconhecer aquela voz infernal que estava povoando seus pesadelos desde aquele dia. Sentiu um frio na barriga, tudo começou a rodar. Olhou rapidamente na direção de Eric e desmaiou.


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Capítulo 06 A Noviça Rebelde Somewhere out there is a lady who I think will never be a nun.


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Eric estava a caminho do escritório para conhecer sua companheira de missão. Perguntava-se o porquê de um parceiro, além do mais uma humana, ele mesmo poderia tomar conta de tudo sozinho, humanos só atrapalhavam. Definitivamente não tinha escolha sobre aquilo, pelo menos era uma mulher, o que não era de todo ruim, ele pensou. Escutou vozes do outro lado da porta e resolveu interromper, adorava irritar o prefeito, era seu passatempo favorito. Era uma diversão ver a cara de Bill toda vez que ele entrava sem avisar em seu escritório. Ao entrar notou que Bill não estava sozinho, havia uma moça loira de costas para a porta, ao menos deste ângulo ela parecia apresentável, concluiu Eric. Após a sua entrada triunfal não esperou o que aconteceu em seguida. A tal moça ao escutar sua voz caiu flácida no chão, como uma boneca de pano. Bill não estava entendendo nada, ficou desesperado ao ver Sookita no chão desmaiada, o que tinha acontecido? Pensou correndo para ela. “Meu deus, Sookita?”. “Oh de La Vega, se acalme, não deve ser nada demais. Eu costumo causar esse tipo de reação nas mulheres. Bom, normalmente é na hora do sexo, essa foi a primeira vez que alguém desmaiou só ao me ver... realmente, sou irresistível.”, debochou Eric, tentando não rir da situação. “Você quer que eu a acorde? Posso beijá-la como se fosse A Bela Adormecida...” “Saia de perto de Sookita.”, falou Bill enfurecido. “Sookita? Que diabos de nome é esse?”, perguntou Eric. “Será que dar pra você calar a boca e pegar uma água?” Bill levantou Sookita nos braços e a colocou no sofá do escritório, estava muito preocupado, será que ela estava doente? Eric não gostava de obedecer a ninguém, muitos menos ao prefeitinho, mas viu que não tinha jeito e não queria estender aquela situação. Por isso pegou um copo que estava na mesa, caminhou até o lavabo que ficava no canto esquerdo e encheu com água de torneira. “Vê se acorda logo ela, não tenho a noite toda.”.


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Bill jogou um pouco de água no rosto de Sookita. A moça abriu os olhos assustada e se sentou rapidamente no sofá, estava processando o que tinha acontecido. Estava no escritório de Bill quando Eric abriu a porta e invadiu o espaço. Iria participar de uma missão, mas dessa vez seria com outra pessoa. Chegou à conclusão de que a missão seria com Eric Colunga, e ela estava preste a desmaiar novamente. Não merecia isso, estava tudo dando errado ultimamente, pensou. “Você está bem? O que aconteceu?”, perguntou Bill preocupado. “Eu... eu estou bem, me desculpe pelo transtorno... senti uma tontura. Não sei o que aconteceu”, tentou explicar ao mesmo tempo em que evitava o olhar intenso de Eric. “Eu sei o que aconteceu.”, disse Eric piscando para a loira. “Eric, já chega!”, Bill disse severamente, se virou novamente para Sookita e perguntou: “Venha, fique de pé, temos muito que resolver. Você acha que consegue?”. “Já disse que estou bem, Bill”. Ela se levantou alisando sua roupa tentando manter o resto de sua dignidade. “Bem, como eu estava dizendo antes do Sr. Colunga invadir minha sala de forma mal educada...”, disse Bill lançando um olhar de desprezo pra Eric. “Eu não o conheço... nunca vi antes na vida.”, falou apressadamente, com medo de que Eric a reconhecesse e mudou um pouco o tom de voz. Ficou feliz por ter usado peruca e a cara toda borrada naquele dia. Tara até que foi uma boa amiga. “Sim, você não teria motivo para conhecê-lo. Ambos são de níveis de educação diferentes.”, Bill comentou olhando de lado para o outro vampiro. “Er...Sou Sookita Montenegro”, não ousou olhar para ele, até achou que enrolou para falar seu nome. “O prazer é todo meu Sookita. ”, disse Eric entoando o nome da moça de forma debochada. “Por favor, me chame de Eric...e já que vamos participar dessa missão juntos, ao meu ver já somos íntimos”, ele se aproximou dela.


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Sookita sentiu o tom de gozação e mesmo assim não conseguiu deixar de se arrepiar quando escutou essa última frase. Estava perdida. Não saberia lidar com esse vampiro. Eric era um galanteador, cínico, debochado e odioso, tudo o que ela mais abominava. “Bill, não acho correto participar de uma missão com um vampiro que mal conheço. Como confiar nele?”, se afastou de Eric o quanto pode, praticamente parou do outro lado da longa mesa de seu namorado. “Você sempre julga as pessoas tão rápido? Por acaso, foi para a escola dominical conhecendo todos os santinhos que lá estudavam?”, ele notou o crucifixo que ela carregava no peito e lançou um olhar irritado. Ela percebeu para onde foi o olhar dele e segurou com força o colar dado pela querida avó. “Todos que conheci na igreja eram pessoas valorosas e corretas.”, Sookita disse dando de ombros. Eric abriu os braços, olhando em seguida para Bill, falando de maneira exasperada: “Você me arrumou uma carola para me acompanhar na missão? Até nisso você quer me ferrar? Não tenho saco pra ser babá de freira.”. “Eu não sou nenhuma freira, só o oposto das garotas que você está acostumado a sair.” “E como tem tanta certeza disso, Senhorita Montenegro? Por acaso você conhece as mulheres com quem saio?”, perguntou Eric, perdendo a paciência. “Não sei, estou supondo, pelo seu jeito...”, ela apontou para ele e se arrependeu do que falou anteriormente, não poderia cometer esses deslizes. Antes que Eric respondesse, Bill fez um gesto e comentou: “Sookita é uma moça de muitas qualidades e a principal é a telepatia, como você já estava sabendo, meu caro. E Eric é um vampiro de poucas qualidades, mas a principal é a violência com que trata seus inimigos. Os dois terão que aprender a conviverem, para o bem de todos nós.”, odiava ter que dizer aquelas coisas, mas a sua pele estava em risco, tinha que se salvar acima de


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tudo. Ela balançou a cabeça em negativa, jamais participaria da missão junto de Eric. E infelizmente iria desapontar seu amado Bill. “Bill, eu não posso. Não ficarei ao lado de alguém que despreza minhas crenças.”, forçou algumas lágrimas, mas por dentro sorria feliz pela mentira que tinha dito. Sorte que Eric a odiou por ser religiosa, era o motivo que precisava para cair fora dessa missão fracassada. Com certo sentimento de vitória, Sookita saiu da sala em desabalada corrida. Eric e Bill ficaram parados sem entender exatamente a reação da moça. “Pelo menos eu não terei que me explicar com a Autoridade”, Eric disse sorrindo. “Se você fosse mais educado do que esse brucutu que é, ela não ficaria amedrontada. Um macaco teria mais modos...”. “E vossa senhoria, não se parece com nenhum lorde inglês.” “Por favor, vá embora...que eu irei tentar convencê-la em aceitar a missão e encarar essa sua cara mais tarde...”, Bill disse indicando a porta para Eric. “Tenha uma noite adorável.” Eric fez uma mesura exagerada e saiu. Bill sentou-se pesadamente em sua cadeira, pegou o telefone e discou um número: “Está cada vez mais complicado...”, disse numa voz grave. -------------------------------Sam estava em seu escritório tentando organizar as contas do mês do Tequila’s. Estava pensando no gasto feito com bebidas que incrivelmente ultrapassara os gastos em energia, água e manutenção do local. Quando foi que os habitantes de Vale de Los Sanguijuelas começaram a beber tanto? Será que essas pessoas não tinham mais nada em suas vidas, além de sair para beber, beber, beber...beber até ficar inconsciente? Apesar de que não poderia reclamar, isso ajudava muito no faturamento. Sam deu graças por ser uma pessoa sem vícios. Bom, na verdade ele tinha um


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vicio, uma obsessão...Sookita Montenegro. Ficou triste ao lembrar que tinha ultrapassado dos limites e agarrado a moça com força. Ele se aproveitara dela, enquanto a coitada estava desesperada. Lembrou-se de como os lábios de Sookita eram colados aos seus, seu corpo voluptuoso em seus braços, como os seios dela ficaram pressionados em seu peito. Como ele queria enfiar a mão naquele decote, beijar-lhe o pescoço. Só de pensar nisso ele estava ficando excitado. Mas agora Sookita estava com ódio dele e deixou bem claro que jamais trabalharia novamente juntos. Uma moça tão boa e pura como ela nunca perdoaria um deslize daqueles. Neste momento Sam escutou uma batida na porta. Quem diabos seria a essa hora? Pensou chateado. “Quem é?” perguntou secamente. “Sou eu, Tara.”, respondeu a voz. “Tara! Pensei que você tivesse ido embora. Já passou da hora de moças de família estarem na cama.”, disse ironicamente, pois sabia que Tara poderia ser tudo menos uma moça de família. Mas quando a porta se abriu, a mulher que apareceu não foi Tara, e sim Jessica. Aquela vampira ruiva e sobrenaturalmente atraente. E filha do prefeito, isso esse lembrava bem. Hoje ela estava especialmente mais bonita, com um vestido minúsculo, colado e de cor branca, deixando sua pele mais brilhante e destacando seus cabelos rubros. Vinha com saltos altíssimos, deixando suas pernas longas e perfeitas. O membro de Sam saltou, excitado com a mulher em sua frente. Normalmente ele não dava muita atenção para Jessica, mas hoje ela estava diferente. Isso juntando com alguns meses sem transar, e a frustração sexual causada pelo ‘fora’ que Sookita dera nele faziam uma combinação perigosa. “Olá Jessica, ou devo dizer Tara? Estamos fechados à uma hora.” Sam não sabia por que ela havia se passado por sua funcionária. Será se ela dissesse quem realmente era ele não a atenderia? Que ideias estavam


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passando na cabeça daquela vampira? “Eu sei.” disse Jessica de forma calma. “Então, o que eu posso fazer por você?”, ele agora estava bem curioso. “Na verdade, Sam, tem várias coisas que você poderia fazer por mim”, ela disse olhando diretamente nos olhos dele. Depois seus olhos desceram pelo corpo dele. Ela lambeu os lábios e adentrou mais o escritório. Sam sabia que não sentia nada por aquela mulher, ou melhor, por aquela vampira. Nada mesmo, na verdade nem a conhecia direito, mas estava há tanto tempo sem sexo e ela parecia tão gostosa naquela roupa, claramente com segundas intenções. Excitado ele resolveu jogar o jogo dela. “Várias? Então não podemos perder tempo jogando conversa fora.” Nesse momento Jessica voou para Sam, montando nele. Começou a beijá-lo de maneira enlouquecida, dando pequenas mordidas em sua boca Ele respondia seus beijos com vontade, mas não queria ser mordido de jeito nenhum. A única coisa que queria era sexo. “Jessica...por favor, não me morda. Você pode fazer o que quiser comigo, mas não me morda...”, disse Sam, numa voz estrangulada de prazer. “Hum...não vou te morder”, gemeu alto e completou: “Mas se mudar de ideia, é só pedir.” Nessa hora Sam jogou Jessica sobre a mesa do escritório, libertou os seios da vampira, que pareciam querer saltar do vestido por vontade própria. Lambeu cada mamilo lentamente e Jessica foi à loucura. Ela mal podia acreditar que um dos seus maiores sonhos estava finalmente acontecendo. E sem precisar hipnotizar Sam para isso. Sorriu com satisfação. Reparou que ele andava esquisito fazia uns dias, ela sempre o observava, e claro não perdeu tempo em aproveitar a oportunidade certa de atacá-lo. Sam colocou a mão entre as pernas da ruiva, com um movimento brusco rasgou sua calcinha. Jessica gritou num misto de prazer e felicidade. Ela começou a desfazer as calças de Sam, arrancando o cinto, e abrindo o zíper...o membro dele saltou para fora. Jessica o acariciou por um tempo, mas o prazer era demais para esperar.


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Então ela implorou: “Sam! Foda-me.”. Sem mais delongas, Sam a penetrou até o fim. Ficando cego de tanto prazer, seu cérebro quase desligou por causa da sensação. Sam fazia rápido e com força, precisava deste orgasmo desesperadamente. Pegou um seio com a boca e começou a sugar, mas não eram estes seios que ele tanto desejava. Não era esta mulher que ele tanto queria vê se contorcendo de prazer embaixo dele. Ela não era para ser ruiva e fatal, e sim loira e lindamente inocente. Ansiava por outra mulher, sem perceber gemeu seu nome: “Oh..oh Sookita! Oh Sook, isso é tão bom.” Quando notou que chamou a mulher errada, pelo nome errado, já era tarde demais. Jessica paralisou debaixo de Sam. Tinha escutado certo? Sookita? Seu pai já a havia repreendido sobre a maldita, e nem transando com Sam, se aproveitando da sua vulnerabilidade conseguiu se livrar dela. “Como ousa me comparar àquela cafona, caipira e virgem? Como?” Jessica pegou Sam pelo pescoço e o jogou no outro lado da sala. Correu para ele e colocou suas presas para fora. “Você vai se arrepender amargamente disso seu idiota! Eu me dando para você com todo amor e lembra-se de Sookita?”, ela mordeu o pescoço de Sam com força, rasgando sua carne. ----------------------------------Lafayette desceu a ladeira perto do prédio onde Tara morava, já era tarde da noite. Seus sapatos Louboutin altíssimos batiam com força na calçada, às vezes tropeçava quando um dos saltos teimava em se enroscar num buraco. Falou sozinho em voz alta: “Paguei uma fortuna nessas belezinhas”. Puxou com força a perna esquerda e quase gritou com o pequeno risco no


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salto preto. Não gostava de vir na parte pobre da cidade, mas hoje era dia de folga de sua prima e precisava ter uma conversa com ela sobre um assunto que o perseguia fazia um dia. E ele odiava ter que pensar muito sobre alguma coisa, não podia perder tempo em sua vida atribulada. Rebolava enquanto caminhava, podia-se ver a bunda arrebitada pra cima e pra baixo num legging bem justo, quase transparente. Tinha orgulho de seu corpo bem definido, amava exibi-lo o quanto podia. Estava quase na entrada do prédio quando começou a ouvir uns gritos do outro lado da rua: “Aqui não é lugar de bicha querendo dar a bunda.”, o rapaz gargalhou junto de seus amigos bombadinhos que escutavam música no porta-malas de um carro antigo. Lafa virou delicadamente, jogou a echarpe dourada que usava para o outro lado, deu alguns passos e disse: “Pra você, meu amor, eu dou a bunda de graça...”, os amigos do rapaz deram gritinhos tirando sarro do provocador. Ele deu de ombros e subiu as escadas. Já estava acostumado com as provocações. Sorte que Tara morava no segundo andar. Bateu na porta da prima com uma pose irritada, estava demorando demais para atender. Bateu mais uma vez, estava fazendo um calor infernal que iria destruir sua maquiagem. “Já vou, inferno. Dá pra ter um pouco de paciência?”, gritou Tara, irritada. Nem no dia de folga ela tinha paz e com a sorte que tinha esta visita deveria ser justamente para ela, pensou de forma amargurada. Ao abrir a porta se deparou com seu primo Lafayette com os braços cruzados e uma sobrancelha levantada. Ele foi logo dizendo: “Finalmente! Pensei que vocês tinham morrido ou algo assim...vai dizer que estavam todas trancadas em um quarto fazendo uma orgia sexual? Até de folga você é uma vadia?” “Cala esta boca, Lafayette. Os vizinhos podem te ouvir, já está tarde e as paredes são de papel. Diz logo o que você quer...” “Não precisa ficar nervosinha, amada. Só não quero você levando trabalho para as horas vagas.”, ele lançou um olhar de nojo para a sala bagunçada. “Aliás, já pode aproveitar os dias de folga e limpar este muquifo.”


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“Você vai ficar aí me insultando ou vai dizer logo o que diabos você quer aqui?” “Não me recordo de ter sido convidada a entrar. Você quer que eu crie raízes aqui no corredor?” “Já vi que esta será uma longa noite. Entre logo de uma vez.” Lafa entrou procurando um lugar decente para sentar no sofá. Foi se acomodando e sentiu que havia sentado em algo, imediatamente se levantou e olhou para o objeto em questão, a ação quase o fez desmaiar. Ele havia sentado em uma calcinha fio dental. “Que nojo...que nojo...que nojo...se ela estiver suja eu juro que mato de porrada vocês três. Se eu pegar alguma doença, até uma coceira qualquer...Tara, tira isso daqui!” “Eu não. Isso não é meu, não uso uma calcinha do tamanho de uma lona de circo, me respeite. Eu sou uma P.” “P só se for de Piranha. Por via das duvidas vou ficar de pé, assim vou logo embora deste chiqueiro.”, ele se levantou e ficou num canto da sala perto da porta. “Como hoje é a sua folga, tive que vir até aqui para te perguntar. Espero que seja a minha salvação, priminha.”. “Salvação? Do que você está falando? Vai-me dizer que está apaixonado mais uma vez por algum traficante loiro escândalo que namora alguma celebridade?”. “Não, agora sou comprometido, achei um bofe bem melhor. Você sabe que tenho um gosto excelente, né. Mas, não é disse que quero falar. Perguntei para as outras meninas lá no serviço e ninguém sabe de nada, só falta você. Por acaso, conhece alguma Alice que é dançarina no Santo Martillo?”. Tara ficou surpresa diante da pergunta, demorou alguns minutos deixando o primo irritado propositalmente. “Alice...hum, talvez eu conheça sim! Eu sei que vou me arrepender disso, mas por que você quer saber?” ---------------------------------


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Eric navegava na internet procurando por informações de Sookita Montenegro, não confiava nas habilidades de convencimento do prefeito babão e ele iria cuidar de toda essa confusão. O seu também estava na reta e teria que convencer a freirinha idiota de que ele não a comeria na missão como se fosse o lobo mau da historinha. Não iria pedir para Pam fazer esse serviço porque não queria entrar em detalhes sobre os motivos e ela já estava na procura da dançarina que o tinha deixado brocha. Afastou os pensamentos, não era uma boa hora para lembrar-se desse desastre, pensou Eric. Será que Sookita já tinha escutado algo sobre ele? Pelo o que ela disse, ele não parecia um total desconhecido, e não estava surpreso, sabia de sua fama e como ela se propagava por aí. Já havia lidado com modelos, princesas, prostitutas, mães de família, ninfetas... Mas nunca com uma carola. Estava pensando como faria para convencê-la de que era um vampiro confiável e evitar que trouxesse problemas durante a missão. “Sabia que tinha alguma coisa, ela não poderia ser tão desconhecida assim.”, disse Eric em voz alta quando encontrou um artigo antigo sobre um concurso realizado no colégio de freiras Madre Consuelita. Sookita tinha ganhado o prêmio de melhor aluna, mas não por boas notas, e sim por uma gincana bíblica. Inclusive tinha uma foto da uma jovem Sookita, loirinha segurando um troféu no formato de uma cruz sorrindo como se tivesse entrado na porta do céu. Só podia ser piada, ele realmente estava enfrentando uma santa. Talvez ele pudesse ganhá-la contando sobre sua vida, afinal ele tinha 1000 anos e durante esse tempo já havia morado em vários lugares diferentes, entre eles, Jerusalém. Ou inventado que viu a crucificação do ídolo dela, ele sabia ser criativo quando era necessário. Ainda não sabia por que estava pensando tanto antes de agir, nunca fazia isso mesmo. Convenceria esta santa a participar nem que no fim precisasse usar suas habilidades de vampiro. Eric Colunga era mestre em convencer garotas, mesmo que estas fossem fanáticas religiosas. --------------------------------------Alcide abriu a porta do escritório de Sam com tanta força que a tirou do lugar, ouviu os gritos de Menina Jessica do lado de fora, e achou que estivesse em perigo. Já fazia uns dois dias que a seguia para baixo e para cima, ordens de


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Senhor Bill. Estava cansado, o prefeito dava bem menos trabalho do que sua filha, que basicamente aprontava todas as noites alguma loucura nova. Como hoje Menina Jéssica disse estar afim de sexo, e o considerava uma bicha, iria procurar outro para se acalmar. Alcide resignado teve de ficar esperando ao lado de fora do bar do moço de nome Sam. Tendo que escutar a vampira copulando de maneira exagerada. Mas, quando os gritos de prazer se tornaram raivosos, ele sabia que algo estava acontecendo. Após abrir a porta ficou horrorizado com a cena, Sam completamente nu e estirado no chão com o rosto pálido e Menina Jessica também nua em cima dele se alimentando do pescoço. Alcide não pensou duas vezes, agarrou a vampira pela cintura e a puxou utilizando toda a força sobrenatural que tinha. Jessica tentou evitar o puxão, mas foi pega de surpresa e não teve como reagir. Um pedaço de carne do pescoço de Sam estava em sua boca quando Alcide a sacudiu em direção ao carro. Jogou a moça nua no banco de trás e saiu dirigindo com rapidez. Estava tão nervoso que dirigia como um louco na rua. Menina Jessica começou a gritar enfurecida no bando de trás. “Imbecil, cachorro imbecil...eu iria matar aquele vagabundo sem amor. Por que me tirou de lá?”. “Exatamente por isso, Menina Jessica. Para não deixa-la cometer mais uma besteira.”, ele comentou olhando pelo retrovisor encontrando o olhar raivoso dela. “Vou quebrar a janela e sair do carro, terminar o serviço. Você não pode me deter.”. Após dizer isso, Jessica forçou os pés na janela esquerda quebrando o vidro facilmente. Alcide brecou o carro, rapidamente pegou uma corrente de prata no porta-luvas, segurou Jessica por um braço antes que ela voasse pela janela e com a outra mão enrolada com a corrente, desferiu um poderoso soco na cara dela. “Desculpe Menina Jessica. Amanhã seu lindo rosto estará como antes.”. A vampira estava desacordada com o antes belo rosto banhado de sangue e desfigurado pelo soco.


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--------------------------------Sookita terminava de assistir a reprise do novo episódio de The Vampire Diaries, não conseguia decidir se gostava mais de Damon ou Stefan, sentia algo pelos dois...um mais malvado e o outro mais bonzinho, um complementava o outro. Balançou a cabeça sentindo pena de Elena, a personagem principal do seriado. Quando olhou para o relógio ao lado sofá, tomou um susto, quase três da manhã. Tinha que dormir pra ir trabalhar. Não, não tinha mais emprego, havia lembrado amargamente, ainda não estava acostumada com issp. E pior ainda tinha recusado a missão oferecida por Bill e deveria ter uma boa grana envolvida. Foi na cozinha para pegar um copo com água antes de subir para dormir como fazia todos os dias, mas o barulho de alguém batendo a porta, a fez mudar de direção. Quem será a esta hora? Será Bill? Ele ligaria antes se tivesse algum problema. Sookita ajeitou o cabelo, apertou as bochechas para ficar com um rubor natural. Soltou um botão da camisola e foi até a porta para encontrar seu amado. Abriu a porta de uma vez e quase gritou com a visão, quem estava lá do outro lado com cara de tédio não era Bill e sim Eric Henrique Colunga. “Você só pode estar de brincadeira! O que você está fazendo em minha casa a esta hora? Aliás, como você sabe que eu moro aqui?”, disparou Sookita. “Uma pergunta de cada vez querida, Sookita.”. Eric pronunciou o nome dela num tom de gozação. “Vá embora, não temos o que conversar.” Ela começou a fechar a porta. Eric segurou com uma das mãos e empurrou delicadamente. “Eu sei seu endereço porque liguei para a Autoridade e pedi. E nem me deixaram esperando na linha. São eficientes, deveria tentar usar o serviço também.”, deu uma piscadela para ela. “Não me interessa.”, Sookita dessa vez esqueceu-se de empurrar a porta e entrou correndo dentro de casa como se estivesse fugindo do diabo em pessoa.


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Eric estava decidindo se ria ou mandava essa moça direto para o hospício, isso não era comportamento de gente normal. “Podemos ficar brincando de gato e rato até o amanhecer, eu tenho paciência.”. Ele encostou-se ao batente da porta cruzando os braços e as pernas, começando a assoviar. “Podemos sim, não sou eu quando amanhecer pegará fogo e virará pó. Não vou te convidar parar entrar aqui em casa, jamais.” “Em algum momento eu pedi para entrar? Sookita, vamos ser racionais. Eu só quero conversar.”, dessa vez ele não usou da ironia ao pronunciar o nome dela. “Conversar? Exatamente sobre o quê?” “Sobre a vida sexual das tartarugas... é claro que é sobre a missão.”, falou Eric irritado. “Eu acho que deixei bem claro meu ponto de vista. Não vou a lugar nenhum com você.” “Deixe de ser infantil e...”. “Infantil? Como você ousa aparecer na minha porta às três da manhã e ainda me chamar de infantil? Não acha que isso é muito estúpido mesmo para você, o Rei do mundo?”, agora o seu sangue fervia. “Me desculpe. É que você me tira do sério, e olha que sou um vampiro muito paciente. Vamos tentar do começo...” Eric suspirou dramaticamente e falou: “Olá Sookita. Eu poderia entrar para conversar com você, por favor?”. “Humm... bem, nós podemos conversar aqui mesmo, você aí na varanda e eu confortável aqui dentro. Mas diga logo o que você quer porque eu trabalho cedo amanha.”, mentiu Sookita. “Sim, não quero atrapalhar o seu sono. Mas, eu gostaria de me desculpar sobre o que aconteceu hoje no escritório do prefeito.”, estava morrendo de raiva em ter de fingir uma doçura que não tinha. “Desculpado, agora pode ir.”, ela disse tentando encerrar o assunto. Eric não se moveu, iria convencer aquela telepata idiota nem que fosse a última coisa que faria.


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“Espero que possa me acompanhar na missão, sua presença é essencial para o sucesso da mesma.”. “Não vou, não vou na companhia de uma pessoa que não aceita a minha fé.”, Sookita sorria por dentro imaginando o quanto estava se saindo bem com essa lorota. “Mas, eu não duvido de sua fé, Sookita. Eu perdi a fé com todos esses anos vagando pelo mundo, não sei se sabe, cheguei a testemunhar a crucificação de seu senhor.”, ele não acreditava naquelas baboseiras que estava dizendo, forçou o rosto mais sofrido que podia. “Você viu mesmo? Não acredito...”. “Eu vi, vi com esses olhos que a terra há de comer. Por isso eu perdi a fé na humanidade.”, ele ajoelhou-se no chão dramaticamente, cobrindo o rosto com as mãos. Sookita ficou penalizada diante daquela cena, será que dizia mesmo a verdade? Saiu pela porta e foi na varanda consolá-lo. “Não fique assim, deve ter sido traumatizante mesmo.”, ela batia levemente nas costas dele. Eric forçava lágrimas de sangue escorrendo pelo seu rosto e continuou em sua grande atuação, estava até merecendo um Oscar honroso. “Não me julgue, por favor. Ensine-me a ter fé novamente.”, estava quase vomitando com tanta besteira. Ela ajoelhou-se ao lado dele compadecida e cheia de ternura. “Se é tão importante assim, e como acredito sempre nas pessoas, talvez eu vá... talvez.”, não sabia se ainda podia confiar inteiramente no vampiro. De repente, ouvi um barulho perto da varanda. Antes que pudesse fazer qualquer movimento, escutou a voz de Bill: “O que significa isso?”.


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CapĂ­tulo 07 Esposa de M entirinha I was never married to him. All a big lie I made up..


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Bill de La Vega estava cansado de pensar em tantos problemas, e para completar tinha que dar um jeito de convencer Sookita. Só precisava fazer isso logo, e se fosse preciso ele usaria e abusaria de seu charme. Até compreendia sua amada não querer fazer parte de nada que envolvesse Eric Henrique, no mínimo ela deveria ter escutado histórias chocantes sobre o vampiro nórdico. E como boa puritana, não havia gostado nem um pouco. Terminar sua noite na casa de Sookita era o melhor que faria, aproveitaria o momento e explicaria os motivos por esconder seu relacionamento com ela de Eric. Só não esperava que outra pessoa já tivesse pensado a mesma coisa, pois quando foi se aproximando da varanda não acreditou em que seus olhos estavam vendo, não era possível. O momento de matar um certo vampiro tinha chegado, pensou Bill. “O que significa isso?”, ele perguntou flagrando Eric ajoelhado e Sookita o consolando. “Bill?” Eric e Sookita disseram ao mesmo tempo. “Eu estava indo dormir, quando o Senhor Colunga bateu em minha porta e...”. Ela tentou se explicar, mas foi cortada por Eric. “E, Sookita sendo uma dama adorável, veio me dar uma mãozinha.” O vampiro olhou diretamente para ele dando o seu melhor sorriso falso. “E o que são essas lágrimas, Eric? Por acaso, assistiu o desenho Bambi?”, ele tentou ignorar o fato de sua namorada perigosamente perto de um Eric se fingindo de coitado. “Bill, você está sendo injusto. Eric estava me contando sobre o momento em que se tornou uma ovelha desgarrada do rebanho do Senhor.”, ela disse olhando em seguida para Eric. “Sookita, por favor, não acredito que seja tão ingênua. Obviamente ele está fazendo tipo. Tem séculos de atuação nas costas.”, o prefeito deu uma risadinha. Sookita caminhou na direção de Bill dando as costas para Eric. Estava vermelha de raiva por ter sido repreendida dessa maneira pelo seu namorado.


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“O que você tem com isso? Que eu saiba você não é nada meu...”, sabia que iria magoa-lo dizendo isso. Mas, não havia esquecido que ele tinha pedido para não assumirem o relacionamento perante a Autoridade. “Foi o que falei, Sookita. As pessoas não acreditam em mim, perdi a fé e junto dela a minha reputação. Sou uma desgraça para todos nesse mundo.”, ele se levantou ainda com os olhos marejados de sangue. Sookita voltou-se furiosa para Bill dizendo: “Está vendo, Bill? Não se pode duvidar dessa maneira das pessoas. Eu cometi o pecado de julgar o Senhor Colunga sem antes saber o que ele realmente sofria.”. Bill olhou para o vampiro que estava em pé encostado num dos pilares da varanda. Conforme Sookita falava, Eric sorria debochando. O prefeito não aguentou tanta besteira, empurrou Sookita com força saltando na direção de Eric desferindo um poderoso soco no queixo dele. Eric caiu forçosamente no chão. Um soco de Bill não teria efeito nenhum, mas ele precisava ganhar a confiança da moça mais tonta que encontrou nos últimos tempos, pensou alegre. Sookita colocou as duas mãos no rosto ao ver Eric caído e machucado no chão. Estava chocada com a reação raivosa de Bill. Havia aprendido desde pequena que todos mereciam uma segunda chance e o Padre João Antônio Maria sempre dizia para arrebanhar as ovelhas perdidas e levar de volta para o Senhor Todo Poderoso. “Bill? Está louco?”, ela gritou desesperada. Bill estava prestes a pular em cima de Eric que estava no chão para continuar a briga. Ele não se moveu após ouvir o grito de sua namorada. “Desculpe Sookita. Eu perdi a cabeça.”, começou a se afastar do vampiro no chão. “Odeio brigas, odeio gritaria. Eu aceito essa porcaria de missão de uma vez por todas para vocês deixarem de agir como loucos.”, ela caminhou na direção da porta batendo com força. Eric levantou-se num pulo. Bill se afastou na direção de seu carro, iria pegar o dossiê da missão para Sookita.


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“Gostou da minha atuação, prefeito? Graças ao meu poder de sedução a missão está salva e o seu rabo também.” “O nosso rabo, se não estou enganado, você está tão ferrado quanto eu. Agora se manda, tenho assuntos a discutir com Sookita sobre a missão.”, ele faz um sinal com a mão indicando para Eric ir embora. “Por favor, faça isso mesmo. Já cansei de bancar o sofredor por meia hora.”. “Espero que sua atuação continue tão boa assim na missão. Um dia ela irá descobrir o manipulador desgraçado que você é, e não será por mim.” “Claro que irá, farei questão disso. Apenas quando tudo terminar e ela não servir pra mais nada.”. Após dizer isso, Eric levantou voo e partiu em direção a sua boate. Bill balançou a cabeça reprovando as palavras de Eric, era um caso perdido e não seria ele que iria consertar. Pegou o dossiê no banco de trás, avisou seu motorista que logo iria embora. Caminhou novamente para a casa de sua namorada, bateu várias vezes na porta, sem obter resposta. Ela estava chateada mesmo, pensou empertigado. Jogou o dossiê por baixo da porta e disse: “Querida, espero que me entenda e perdoe. Leia o dossiê.” Voltou-se para o carro. Deu instruções para o motorista levá-lo para a cidade vizinha. Tinha um encontro importante. ---------------------------------Lafayette só faltou sacudir sua prima, ela sabia quem era a tal dançarina e ele precisava desesperadamente dessa informação. “Louca, se você sabe, desembucha de uma vez. Quero saber todos os detalhes sórdidos dessa vagabunda.”. Tara engoliu em seco se arrependendo por ter falado sem pensar, estava com receio de entregar sua amiga dessa maneira, não sabia o que Lafa pretendia. E seu primo não era de muita confiança. “Só te conto, se você disser o motivo de querer saber sobre ela.”


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Lafa andou irritado pela sala, não estava querendo dividir a grana com sua prima. Muito menos falar quem estava interessado na informação. “Se você abrir a boca como já está acostumada há fazer todo dia. Vou te dar uma boa grana, e sei que você precisa, senão nem trabalharia pra mim nas horas vagas.” “Ninguém aqui sabe disso. Cale a boca, pelo amor...” “Ah, suas amiguinhas não sabem que é puta? Seria expulsa daqui? Bom saber disso. De repente me deu vontade de falar alto. Puta...puta...puta.”, ele rodava pela sala falando propositalmente alto. “Lafa, se você não fosse parente, eu teria te jogado pela janela. Você sabe que faço porque não tenho como pagar a faculdade com o que ganho no bar. Quando te pedi ajuda, você me mandou chupar pinto.” “Meu amor, chupar pinto dá muito dinheiro e não reclama que seu padrão de vida melhorou muito com o que te pago. Agora desembucha que te dou uma graninha extra.” “Ai, meu deus. Deveria ter ficado quieta que eu ganhava mais.” “Ganhava nada, priminha. Fale de uma vez, anda...” Tara respirou fundo, era tão esperta em sair das situações que se metia, só que agora envolvia outra pessoa. Andava de um lado para o outro sob o olhar atento de Lafayette, que estava em ponto de explodir de raiva. “É a Sookita.” “O que?”, ele gritou horrorizado: “Sookita também é puta como você e não estou sabendo?”. “Ela não é puta, seu grosseiro. Ela tentou arrumar um emprego lá de garçonete, eu tirei sarro de que ela não conseguiria. E foi de dançarina.”, balançou a cabeça tristemente. “Dançarina? Não é a toa que estão atrás dela, deve ter espantando toda a clientela.”, ele deu uma gargalhada. “Poxa, Lafa. Eu jamais deixaria Sookita se corromper, achei que uma diversão não faria mal e você sabe o quanto ela precisa.”


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“Estou chocada, nunca imaginaria a santinha fazendo algo assim...o mundo acho que irá acabar mesmo.”. “Mas, quem quer saber dela? Ela corre algum risco?”, perguntou preocupada. “Não, de repente querem contrata-la para animadora de festas. Eu vou saber, doida. Só quero saber do dinheiro que vão me pagar.” Lafa abriu a porta do apartamento e saiu batendo com força os saltos no chão. “Espero que você não a prejudique, por favor, eu imploro.” “Não se preocupe, amada. Com uma amiga como você, quem precisa de inimigos. Depois te mando o dinheiro”, ele jogou um beijo, em seguida desceu as escadas. Tara ficou parada sem saber o que fazer. Não se julgava uma amiga ruim, ou será que era mesmo? Fechou a porta, e correu desesperada pela sala em busca de seu celular. Precisava fazer alguma coisa. Avisar Sookita? --------------------------------Sam acordou com uma baita dor de cabeça, estava pelado, coberto de seu sangue e com um pedaço de carne faltando do pescoço. Aos poucos se lembrou do acontecido da noite anterior. Jessica o atacou enquanto faziam sexo, ele havia dito o nome de Sookita, e ainda não acreditava que tinha feito isso. No fundo entendia o ataque que sofreu, ele odiaria se estivesse com Sookita e ela dissesse o nome de outro. Nem sabia quem o tinha salvado e muito menos o motivo de Jessica não terminar o serviço. Ainda estava se recompondo, por sorte iria demorar em abrir o bar, no relógio ainda era sete da manhã. E nenhum funcionário o veria daquele jeito. Pegou uma toalha que sempre deixava por ali para algumas eventualidades. Limpou o melhor que pode o sangue, não queria assustar nenhum funcionário. A mordida de Jessica ainda era evidente, pegou o kit de primeiro socorros numa das gavetas, e vendo seu reflexo pela janela foi fazendo o curativo. Se alguém perguntasse inventaria que se machucou numa pescaria noturna. Estava acostumado em perder as suas roupas, afinal, era um metamorfo, e não poderia se transformar estando vestido. Procurava por suas roupas que estava


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cada uma num canto da sua sala. Até que não foi de todo ruim o corpo de Jessica de encontro ao seu, ela era maravilhosa, apesar de extremamente fria, e ele não costumava sair com vampiras. Antes de colocar a sua cueca, a porta do escritório abriu num estrondo. Sam pulou de susto e era Tara do outro lado o encarando chocada. “Sam...desculpe entrar dessa maneira. Não sabia que dormia aqui pelado.”, ela desviou o olhar bem devagar, enquanto observava o tamanho do membro dele, não parecia nada mal, pensou sorridente. “Tara, meu Deus. Esqueci de tirar a sua chave, dessa vez não esquecerei mais. Dá pra sair, enquanto me visto.” Ela fechou a porta novamente, ficou esperando no corredor. Alguns minutos depois ele saiu com o cabelo desgrenhado e um humor de cão. “O que você quer aqui tão cedo? Seu turno não começa agora.” “O que aconteceu com você? Parece que foi atropelado...”, ela questionou vendo o curativo mal feito no pescoço dele. “Não é nada, fui pescar a noite, você sabe que eu gosto. Bebi umas e tropecei numa pedra.”, ele colocou a mão no curativo e fez uma leve careta de dor. “Mas, você não respondeu a minha pergunta.” “Acho que Sookita está correndo algum perigo. Liguei a noite toda e ela não me atendeu.” “Como assim? Que tipo de perigo?”, ele perguntou preocupado. “Não posso falar e estou com medo de terem feito alguma coisa pra ela.” “E você só fala isso agora? Se alguém fizer algo com ela, eu matarei sem pensar duas vezes.” “Isso mesmo, Sam. É esse o espírito.”, Tara falou feliz, imaginando se ele tinha forças para matar vampiros. Não falou nada sobre isso, era de dia e vampiros não caminhavam no sol. “Vamos logo lá, não podemos perder tempo.” Os dois correram para a caminhonete de Sam. Tara só confiava nele para ajudar em relação a Sookita, mesmo ele a tendo beijado a força. Tara sabia


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que ele amava a sua amiga acima de tudo. Por outro lado Jason era egoísta e tapado demais para qualquer coisa, pior que era policial, tinha horror de imaginar que tipo de crime ele combatia. Só esperava encontrar a sua amiga viva e bem. ------------------------------------Sookita estava deitada em seu confortável sofá enquanto tomava um café forte, suas olheiras essa manhã estavam péssimas, não tinha dormido bem, quem conseguiria? Pensou a moça. Depois da visita inesperada de Eric Colunga e Bill tentou dormir, mas sem sucesso. Revirou sem parar na cama de um lado para o outro. Até que desistiu, resolvendo ler sem vontade o relatório da viagem. O relatório só serviu pra deixar Sookita mais tensa com a situação, nem tinha começado o segundo parágrafo quando viu que deveria se disfarçar de esposa. Ela e Eric se passariam por recém-casados numa lua de mel em um hotel caríssimo, um disfarce, enquanto procuravam pelos responsáveis pelo tráfico de V. Pelo menos ela poderia desfrutar das regalias. Já que não era acostumada com luxos, apesar de namorar um vampiro rico. Iria para Tijuana, uma cidade grande na fronteira com os Estados Unidos. Um templo da perdição, com cassino e uma vida noturna exuberante. Quando era adolescente, todos os seus amigos sonhavam em badalar em Tijuana, odiavam a vida noturna fraca do Vale. Sookita sempre quis distância de um lugar assim, sua avó deixou claro que lá só vivia prostitutas e homens prontos para desvirginar as meninas do interior. Sookita interrompeu seus pensamentos quando escutou batidas em sua porta. Estava cedo demais para ter visitas, quem mais além dela também teria caído da cama? Vampiros não eram, porque era de manhã, respirou aliviada. Abriu a porta sem vontade e antes de dizer alguma palavra, Sam entrou como doido e a agarrou pelos ombros: “Está tudo bem? Não foi atacada”, estava gritando com o rosto vermelho. “Sam? O que... atacada? Do que você está falando?”, perguntou Sookita assustada. Antes que Sam respondesse, Tara entrou pela porta parando ao seu lado com um olhar assustado.


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“Desculpe Sook. Eu achei que você poderia estar em perigo, liguei a noite toda e você não atendeu.” Sookita se desvencilhou das mãos de Sam com um safanão e respondeu a amiga num tom de voz irritado: “Eu? Em Perigo? Tara, eu fui dormir cedo e o celular descarregou.”, mentiu mais uma vez, estava chocada com a sua nova habilidade de mentir tão bem. “Tara, por que Sookita estaria em perigo mesmo?” Agora era Sam que não estava entendendo nada, ficou tão preocupado com sua amiga que nem pensou duas vezes antes de agir. Tara engoliu em seco, não queria expor Sookita na frente de Sam com a história de Lafa. Odiava como agia sem pensar quando ficava com medo. E ainda precisava disfarçar seus pensamentos para não serem “lidos” pela amiga telepata. “Ah, sabe como é... fiquei com medo de Bill ter perdido o controle e atacado Sookita.”. “Eu não acredito que vocês vieram bater na minha na minha porta a essa hora da manhã por que eu não atendi o maldito celular. Tara, o que tá acontecendo com você? Eu já sou adulta, sabia?”. “Desculpe, desculpe, você sabe que sempre tive receio do seu namoro com Bill.” “Eu não sei de nada sobre isso. Apenas vim aqui porque Tara me assustou.” Sam balançou a cabeça não querendo se intrometer entre as duas. Em menos de dois dias já tinha se colocado num mar de situações embaraçosas envolvendo Sookita. “Já que Sook está bem, acho melhor ir embora. Ainda preciso abrir o bar... os clientes me esperam.”, disse Sam caminhando para saída. Sookita voltou-se na direção de Sam e o segurou pelo braço. “Obrigada por ter vindo, mesmo não sendo verdade o perigo. Fico feliz de ter um amigo como você.”


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Sam respondeu com um aceno de cabeça tentando ignorar o toque dela em seu braço. Tentou ignorar também ser mencionado como amigo. Desceu a pequena escada da varanda, encostou-se ao carro esperando por Tara. Tara sabia que fez besteira, mais uma vez colocou Sookita numa enrascada. Sabia dos sentimentos de Sam pela moça e usou isso sem pensar por um minuto que ele poderia sofrer em sempre ser rejeitado. Ela não dava uma dentro, pensou com cara feia. Sookita respondeu num aceno de cabeça para Tara, havia escutado o pensamento de que a amiga havia envolvido Sam sem motivo. “Sorte que leio seus pensamentos. Alguns que me deixa ouvir, espertinha. Você fez toda essa confusão por causa do Bill? Ou toda essa preocupação tem outro motivo que você não quer me contar?” “Não, Sook. Eu admito que fiquei com medo de você ter voltado na boate.”, tentou ser convincente e limpar a mente de qualquer pensamento que levasse a Lafa. “Nunca mais irei voltar lá, Tara. Não se preocupe quanto a isso.”, sentiu um frio na barriga ao imaginar o que teria que fazer junto de Eric, e não era uma sensação muito boa. “Sim, amiga, eu confio no seu senso moral das coisas.”, e dessa vez Tara não foi irônica. “Além do que eu irei viajar alguns dias, vou visitar uns parentes da minha avó. Uma tia está doente, quer me ver.”, esperava que Tara acreditasse na mentira. “Por quanto tempo ficará fora da cidade?”, perguntou Tara curiosa. “Ainda não sei, vai depender de como minha tia ficar... se ela melhorar eu posso voltar logo”, pelo menos das outras vezes Tara nunca questionou as suas “viagens” de visitas aos parentes que jamais existiram. Com isso Tara se despediu da amiga e pediu desculpas mais uma vez pelo ‘mal entendido’. Estava aliviada, mesmo se seu primo contasse sobre Sookita eles não poderiam encontrá-la, pelo menos não agora. Sua amiga não sabia, mas essa viagem surpresa havia saído melhor que a encomenda. E nem queria saber quem seriam esses parentes, apenas ela deveria ficar bem longe da cidade mesmo.


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Poderia respirar novamente por um tempo, só se preocuparia depois que ela voltasse. Abriria o jogo e dividiria o dinheiro que Lafa ganhará pela informação. Caminhou na direção do carro e Sam estava carrancudo. Tara baixou a cabeça, não o encarou, passando direto e sentando no banco do passageiro da caminhonete. Sam entrou em seguida dizendo: “Você nunca mais me fará passar por idiota como hoje, Tara”. Acelerou o carro partindo em disparada pela estradinha de terra. ------------------------------Pam caminhava pela boate, observava cada canto e dava ordens para deixarem tudo arrumado. Hoje receberiam um DJ conhecido da Capital e não queria nada saindo errado quando o show começasse a meia noite. Não pensou muito em Eric quando levantou no inicio da noite. Ele estava distante, quieto, pra cima e pra baixo conversando com o prefeito. Não gostava quando a Autoridade ficava em cima de seu querido patrão. Não se ressentia por ficar de lado nesses momentos, mas de vez em quando gostaria de saber o que acontecia e no que Eric se envolvia. Já fuçou em vários documentos, mas tudo estava criptografado, ele não deixava nada escapar. Não pretendia ir ainda até o escritório. Ele que a chamasse. Logo mais iria pressionar o cafetão sobre a tal dançarina e não queria ouvir reprimenda de Eric por não ter descoberto nada ainda. Eric estava absorto lendo o relatório da missão, nem estava preocupado com toda a movimentação da boate com a vinda do DJ que Pam contratou, apenas deu o dinheiro para o desenrolar da festa. Sua atenção no momento estava totalmente voltada para a missão, dessa vez tudo teria que sair como o esperado, mais um vacilo com a Autoridade e sua cabeça estaria rolando. Esperava ao menos que a telepata ajudasse em alguma coisa. Todo esse trabalho para se passar por marido seria mais difícil que resolver a própria missão. Aquilo era ridículo, ele não era James Bond e muito menos aquela caipira uma Bond Girl. Sem contar sua nova faceta de ‘cristão’ em busca de fé. Levantou-se de sua cadeira, foi até a porta e pediu para chamarem Pam. Precisaria informar sobre a viagem que iria fazer, já estava se preparando para os xingamentos que iria ouvir por conta disso. Ele não gostava de comentar sobre a sua relação com a Autoridade, não queria ela envolvida nessas coisas. Preservava muito o companheirismo de Pam, pois sentia carinho por ela.


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Sentou-se novamente na cadeira, jogou as pernas em cima da mesa. Estava lendo a última página do relatório quando Pam entrou na sala. “Achei que não iria me chamar hoje.”, ela disse fazendo biquinho. Eric levantou o olhar do papel e respondeu: “Sempre irei te chamar, minha querida.” e lançou um sorriso na direção da vampira. Pam desabou na cadeira, tinha que fingir qualquer sentimento para não demonstrar o quanto o carinho dele a afetava. “Eu vou viajar para Tijuana. Ficarei fora alguns dias, estarei resolvendo alguns negócios com fornecedores da boate.” “O que? Vai me deixar aqui sozinha cuidando de tudo? De novo? Odeio quando faz essas viagens estranhas.”, ela bateu a mão com raiva na mesa. “Pode xingar, já estava esperando essa reação. As vezes você parece mais minha esposa do que amiga.”, ele gargalhou. Pam estava furiosa, mais uma vez ele sairia da cidade e ela ficaria mofando naquela boate. Um dia deixaria tudo e cuidaria de sua própria vida, pensou. Mas ela sabia que isso era mentira, nunca teria coragem de abandonar Eric, ele tinha feito muito por ela durante todos esses anos juntos. “Se um dia me casasse com você pediria o divórcio em três meses.”, respondeu Pam irritada. “Você sabe o que eu penso sobre casamento, nunca faria uma loucura dessas, você me enchendo já basta.” “Eric, não adianta me distrair. Você estará indo trabalhar para a Autoridade, não é?” “Você é realmente minha esposa. Sim, irei...mas por sorte será em Tijuana, terei muita comida grátis para saborear.” “Eu sabia, você nunca me enganou.... vai sozinho?”. Ela já imaginava a resposta, mas não custava perguntar. Morreria de ciúmes se ele fosse


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acompanhado de alguma vampira da Autoridade. “Vou sozinho, claro. Você sabe que odeio companhia. Vou terminar o mais rapidamente e voltarei. Você nem irá sentir a diferença.”. Mentiu, era tão bom nisso que se achava até mais convincente contando a mentira do que a verdade. “Espero mesmo... e antes que pergunte, acho que tive progresso sobre a dançarina.”. “Ah é?”, ele respondeu sem prestar muita atenção. “Você ainda quer saber quem é? Não parece muito interessado?” “Sim, me avise quando descobrir o nome da pessoa.” Após dizer isso, ele chegou perto de Pam, levantou- a da cadeira e deu um demorado abraço e um beijo no rosto. “Tenho que me despedir direito da esposa, né?” “Você é tão irritante quando quer.”, ela ficou séria por alguns segundos e depois sorriu. Saiu do escritório balançando os cabelos. Uma hora depois, Eric carregava a sua mala quando entrou em seu Lamborghini Gallardo amarelo e preto. Jogou a mala no banco do passageiro, ligou o rádio, deu uma olhada no retrovisor e partiu em alta velocidade até o ponto de encontro. -----------------------------Bill estava pensativo em seu escritório, logo mais teria reuniões intermináveis com seus assessores, alguns deputados e congressistas sobre alguns problemas de violência de grupos extremistas contra vampiros. Mas sua cabeça só conseguia focar em Sookita, só de imaginar sua namorada com Eric, seu sangue fervia de ódio. Não poderia se dar ao luxo de deixá-los sozinhos nessa missão, e como bom estrategista Bill já tinha pensado em tudo. Antes que pudesse continuar só com seus pensamentos, Alcide adentrou a sala e se postou em pé frente à mesa. “Senhor Bill, estou aqui, em que posso ser útil?”


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Às vezes a subserviência de Alcide o irritava, não sabia se era o jeito matuto do lobisomem, ou todos tinham medo de vampiros ou ainda era aquele papo de tê-lo salvado anos atrás. Bill deu de ombros quando lembrou que nem tinha feito nada demais. “Como está Jessica? Não a vi ontem.” “Está muito bem, Senhor Bill. Eu estou cuidando dela como pediu. Não está se metendo em encrencas.” “Fico aliviado, pois precisarei de você em outro serviço. Preciso que seja discreto sobre isso que vou te pedir, quanto mais conseguir não ser notado, melhor.” “Sem dúvida, estarei pronto para o que for.” “Sookita, minha namorada, saíra numa missão perigosa para a Autoridade sem a minha presença. Gostaria que você a vigiasse, de longe, sem o vampiro que a acompanha desconfiar.” “Desculpe a pergunta Senhor Bill, mas já que a Dona Sookita vai acompanhada de um vampiro, por que ela precisaria da minha proteção?” Bill não esperava esse tipo de pergunta vinda do lobo, até que ele não era tão tapado assim, pena que descobriu isso na pior hora. Teria que explicar sobre Eric Colunga de qualquer forma. “Bem, o vampiro que irá acompanhá-la não é digno de confiança, e eu gostaria muito que você desse cobertura a ela. Sookita é muita ingênua, acredita demais nas pessoas e pode acabar se magoando por causa disso.” “Entendo, vou fazer o possível para não ser descoberto. Pode ficar tranquilo que não vou deixar nada de ruim acontecer a Dona Sookita.” “Muito bem. Eles vão partir hoje a noite, você pode ir pela manhã, vou te passar todas as instruções.” ------------------------------------Sookita estava parada fazia meia hora ao lado do hipermercado da cidade esperando por Eric, perto de um ponto de ônibus vazio. E ao mesmo tempo discava desesperada no celular tentando encontrar seu irmão. A rua estava


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praticamente deserta, de vez em quando algum homem mal encarado passava e a encarava, ela até tinha esquecido que era quase dez da noite. Usava o seu melhor vestido, e nem entendia o motivo de usar algo assim, não era por causa do vampiro, claro. Mas, era um vestido bonito, florido e bem comportado, na altura do joelho. Seus cabelos loiros estavam soltos e as duas malas que levaria para a viagem estavam no chão. Acabou levando coisas demais. Pegou um espelhinho em sua bolsa e deu uma ajeitada na maquiagem. E ao mesmo tempo soltou uma praga por fazer isso, qual era o motivo de tanta arrumação? Para sua sorte, o celular tocou, o nome de Jason piscou na tela, atendeu rapidamente antes que ele desligasse. “Jason...sim, sou eu. Não estou em casa, não estou...é surdo? Estou indo viajar por alguns dias. Vou voltar...logo...sim...eu acho...logo...já falei. Você quer ficar na minha casa? Não tem a sua? Ah...está fugindo dos vampiros que querem te matar...Eu sei...já me disse. Sim, eles não vão te matar...eu não vou deixar. Apesar de idiota, é meu irmão...escutou bem...idiota...você é...mas é meu irmão, não te escolhi, né. Vou viajar pra te ajudar. Não sei como, mas vou tentar...e trate de ser um policial decente, é a última vez que te ajudo...última, isso mesmo. Agora tenho que ir, beijos...eu te amo...” Após se despedir de seu irmão, lembrou que nem conversou com Bill e não estava com vontade, ainda sentia com um pouco de raiva. Ligaria quando chegasse a Tijuana. Quando estava guardando o celular em sua bolsa, um rapaz se aproximou. “Sabe as horas, gatinha?” Sookita observou o rapaz meio mal vestido com uma voz sacana e um olhar distante. “São dez horas.”, respondeu rapidamente. “Como sabe? Não vi você olhando no relógio.” Sookita tentou se afastar na calçada, mas bateu na parede do hipermercado. O rapaz não perdeu tempo e avançou na direção da bolsa, puxando-a com violência. Estava sendo assaltada, nunca tinha passado por algo parecido na vida, seu coração estava na boca, suas pernas tremiam e nem queria imaginar


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se ele estava armado. Tentou se livrar do rapaz tropeçando nas malas, caindo no chão. Em seguida sentiu o peso do bandido em cima de si. “Está facilitando meu serviço, gostosa. Nem queria te comer, vou ser obrigado.” Começou a gritar desesperada, isso não podia estar acontecendo. O brilho de uma faca surgiu diante dos seus olhos. “Cale a boca ou te furo toda, vagabunda.” Ele encostou a faca no seu pescoço com a mão esquerda, e com a outra estava arriando as calças, ela sentiu algo duro entre as suas pernas. O maldito vampiro estava atrasado, e a deixou nessa situação desesperadora. De repente ouviu um grito e não era o seu, e muito menos sentia o peso do bandido em cima de seu corpo. A faca foi jogada longe por alguém. Sem muita coragem virou para o lado cerrando os olhos, e deparou-se com Eric erguendo o rapaz com uma mão, rasgando a garganta do pobre com as unhas da outra mão que estava livre. Antes de o sangue jorrar por todo o lado, Eric jogou o bandido de encontro à parede como se fosse um boneco. “Sorte dele que estou bem alimentado.”, em seguida estendeu a mão para Sookita. “Vejo que terei que protegê-la o tempo todo.”. Sookita deu um tapa na mão estendida, levantando sozinha. Retirava a sujeira do vestido, evitando olhar para o bandido no outro canto da calçada. “Ele está morto?”, perguntou num fio de voz. “Não, abri a garganta para ele respirar melhor.”. “Daqui pra frente, e se quiser se tornar um cristão reformado. É melhor evitar matar as pessoas.” “De nada, Sookita” “Talvez se você não tivesse se atrasado mais de meia hora, isso não teria acontecido e o rapaz ainda estaria vivo”. “Fico feliz em ajudar”, respondeu Eric com sarcasmo, poderia muito bem ter assistido aquela telepata imbecil ser estuprada, teria lucrado mais. “De qualquer forma, obrigada por ter me ajudado”


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“Sim, sim, vamos indo. Ainda temos quatro horas de viagem pela frente.” Eric caminhou até o carro deixando a telepata irritante para trás. Abriu a porta pra cima e sentou de cara fechada, discou o celular e pediu para a Autoridade dar sumiço no corpo. Sookie tentou se recompor, pegou as duas malas, foi caminhando com dificuldade. Eric não era do tipo cavalheiro. Ficou com os olhos arregalados quando viu o carrão amarelo e preto parado perto da calçada. Parecia saído diretamente de um clipe de rapper americano. Aqueles cheios de mulheres de aparência duvidosas em volta de um cantor sentado no capô de um carrão desses. Bateu timidamente na janela do carro, o vampiro desceu o vidro e disse irritado: “O que foi?” “Aonde guardo as minhas malas?” Eric levantou a porta do Lamborghini sem vontade, estava com a sua mala na mão, deu a volta pela frente do carro, pegou também as malas de Sookita e as jogou no porta-malas. Entrou novamente, abrindo em seguida a outra porta para ela. Sookita nunca viu uma porta de carro abrir pra cima daquele jeito, e ficou mais chocada ainda o quanto o carro era baixo e apertado. Parecia de outro mundo. Ela xingou baixinho por estar de saia, como iria fazer para entrar naquele carro e aquele maldito vampiro a encarando. Tentou colocar primeiro uma perna, baixou a cabeça e bateu na porta. Afastouse embaraçada, ouviu Eric soltar uma risadinha. Isso a enfureceu. Colocou a perna esquerda de uma vez, e foi escorrendo dentro do carro, fazendo um contorcionismo com o corpo e a cabeça. Respirou aliviada quando conseguiu a façanha de entrar num carro daqueles e antes que pudesse devolver a risada para Eric, notou que se vestido tinha subido quase até a cintura e estava expondo suas pernas e a sua calcinha branca. Seu rosto estava pegando fogo, nenhum outro homem tinha visto as suas partes baixas, apenas Bill e só uma vez. Não teve coragem de olhar para Eric.


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Não ousava olhar para ele, não sonhava, queria sumir, queria um buraco abrindo e a levando para longe dali. Levantou um pouco e puxou a saia de uma vez. Ficou parada olhando para a rua, como se tudo dependesse daquilo. “Quantos anos você tem?”, perguntou Eric “26... por quê?”, ela respondeu intrigada com a pergunta. “Se não tivesse visto parte do seu corpo agora, diria que tem 60.” “O que você quer dizer com isso?” perguntou Sookita chocada e ofendida “Por acaso sua avó te deixou essa calcinha de herança?” Sookita puxou mais ainda o vestido para baixo, definitivamente nunca tinha passado tanta vergonha na vida. “Não é da sua conta.”. “Claro que é. Você agora é minha esposa. Quando chegarmos a Tijuana comprarei umas calcinhas mais ousadas, você nunca mais irá se apresentar a mim com esse tipo de coisa.”, brincou Eric. Sookita abriu a boca para responder, quando ele jogou uma aliança em seu colo. Ela colocou no dedo, a mão tremendo e com receio do que viria pela frente.


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CapĂ­tulo 08 Contato de Risco Don't tell me what we're supposed to do!


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À noite em Vale de Los Sanguijuelas estava calma. Novidade seria se ela estivesse agitada, pensou Jason enquanto estacionava sua caminhonete em frente à casa de sua falecida avó, que agora era ocupada por sua irmã Sookita. A viagem dela para Tijuana tinha facilitado suas ideias sobre o que fazer com o V. Há dias Jason Ricky estava procurando um lugar para esconder a mercadoria roubada, não achou seguro deixar no sítio vizinho que estava desocupado. Escolheria algum canto no jardim de sua avó e deixaria o V ali por um tempo, sua irmã nem iria desconfiar quando voltasse de viagem. No jardim de sua avó seria perfeito, pois nenhum vampiro ou humano desconfiava de Sookita na cidade, ela sempre foi um exemplo de honestidade, bondade e puritanismo, o contrário dele. Às vezes se perguntava como ela poderia ser sua irmã. Eram tão diferentes em personalidade, desde pequeno Jason sempre tentou tirar proveito de tudo e de todos, e Sookita sempre estava lá para protegê-lo quando exagerava. Pegou a pá que tinha levado, retirando com cuidado a roseira que estava ali num canto do jardim. Em seguida removeu a terra até formar um buraco fundo o suficiente para esconder todo o V. Pegou o isopor relativamente grande e contendo uma boa fortuna se fosse vendido, Jason pensou infeliz. Colocou no buraco e tampou rapidamente recolocando a roseira no lugar. Deu alguns retoques para evitar que a terra parecesse removida, saiu do jardim batendo a pá nas botas para retirar o excesso. Entrou na caminhonete, deu uma última olhada e foi ao encontro de Lafa. --------------------------------Um pouco distante do local, Sam observava a casa de Sookita, ainda não tinha engolido aquela história de Tara. Ela não teria feito todo aquele escândalo por nada, foi muito estranho, ele realmente acreditou que Sookita poderia estar em perigo. Não conseguia tirar da cabeça que tinha algo que não cheirava bem nessa história toda, até fechou o bar um pouco mais cedo para dar uma espiada em Sookita e confirmar que tudo estava certo. Já tinha se humilhado o suficiente esses dias, dessa vez resolveu ser precavido e apareceu em forma de cachorro. Poderia correr mais rapidamente, seu olfato e visão mais apurados, conseguiria farejar se algum vampiro estivesse por perto. Apenas não ousaria chegar perto de Sookita para questionar mais sobre qualquer coisa, preferia manter uma distância segura.


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Ficou ali por um tempo, só observando. Quando a caminhonete de Jason apareceu e cortou o clima calmo do lugar. Ele parecia apressado, passou com muita velocidade e estacionou quase em cima do canteiro de flores. Estranhou o fato de Jason não usar seu uniforme da policia, muito menos o carro também. Sempre achou o rapaz esquisito, não entendia como podia ser policial. Só no México esse tipo de coisa acontecia, pensou pesaroso. Estava um pouco longe, não conseguia ver com clareza. Aproximou-se devagar para evitar que Jason percebesse que estava sendo observado. Pelo jeito Sookita não estava mesmo em casa, e o rapaz caminhou para o canteiro com uma pá e carregando uma enorme caixa de isopor. Enterrou rapidamente a caixa no jardim, foi cuidadoso com a roseira, e Sam coçou a cabeça sem entender nada. Na verdade estava retirando uma pulga, essa era a parte ruim de ser cachorro. Esperou Jason terminar de enterrar a caixa e ir embora para se aproximar melhor, estava muito curioso, não fazia ideia do que fosse aquilo. Chegando à roseira, Sam usou seu olfato aguçado para sentir alguma coisa, o cheiro era um pouco metálico, forte, parecia sangue, mas não era humano. Transformou-se em humano e começou a retirar a roseira com cuidado, não queria deixar pistas que teria descoberto o ‘segredo’ de Jason. O pior era fazer isso pelado, mesmo com todo o cuidado, alguma parte de seu corpo sempre acabava suja, principalmente seu pinto. E por sorte, Jason não tinha enterrado tão fundo assim. Finalmente tinha conseguido chegar a tal caixa, Sam retirou do buraco com todo o cuidado e abriu, parecia muito frágil. Havia centenas de pequenos frascos contendo sangue, e só poderia ser de vampiro. Ele reconheceria na hora se fosse de humano. Não entendia o motivo de Jason ter posse de algo assim. O que significaria? Algum tipo de tráfico? Ali em Vale? Uma cidade tão tranquila. Balançou a cabeça em negação. Sam sabia que se tratava de algo muito perigoso, começou a enterrar o estoque de V rapidamente, até que conseguiu deixar parecido como estava antes, delicadamente recolocou a roseira e saiu do local antes que fosse pego por mais alguém que estivesse de passagem pelo local. ---------------------------------Sookita observava a aliança com interesse em seu dedo anelar, sempre se


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imaginou casando com alguém quando era criança, sonhava com príncipes encantados em seus cavalos brancos e todas essas coisas bobas. Mas nunca imaginou que um dia casaria de mentira com alguém, muito menos com um vampiro cínico e irritante como Eric. Não se sentia experiente o suficiente para lidar com um ser como ele. Desejou ser um pouco sacana como Tara e ter respostas na ponta da língua. “Nós não poderíamos ser irmãos ou amigos passando férias? Por que recémcasados?”, perguntou Sookita, enquanto Eric desviava de um carro em alta velocidade. “Não tenho nada a ver com isso. Deve ser coisa do Bill, ele é tão romântico.”, soltou uma gargalhada. “Será que você não consegue responder nada sem usar e abusar desse sarcasmo?”, perguntou irritada. Eric desviou de outro carro dando uma buzinada, só tinha carro velho nessas pistas. Demorou um pouco para responder a pergunta dela, pois estava atento a estrada. Ele não morreria em um acidente, mas ela sim. “Sabia que esse carro pode atingir até 325 km/h? É tão bom quanto voar, eu garanto.”, ele respondeu distraído. Sookita notou que ele não estava a fim de conversar seriamente, resolveu entrar na onda também, não passaria por tapada na frente dele. “Estou vendo, vejo que é um desperdício de dinheiro, carro que só pode ocupar duas pessoas e super apertado, típico.” Ele aumentou o rádio, uma música de rock pesado tocava e o vocalista dava os maiores berros possíveis. “Desculpe, não estou conseguindo te ouvir direito.”, ele respondeu continuando concentrado na estrada. Sookita mudou a estação da rádio para uma local onde só tocavam músicas religiosas, se estava sendo ignorada, precisava agir da mesma forma e irritar aquele vampiro maldito. “Agora sim, me sinto em casa”, disse ela sem se importar com a cara horrorizada de Eric.


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“Não sei por que te pedi em casamento, não consigo entender onde estava com a cabeça.” “Boa lembrança. Eu só me casaria com um cristão de bom comportamento e temente a Deus. Falando nisso, pelo o que me lembro, você queria voltar a ser cristão... ou já desistiu?” Eric estava gostando de brincar com ela, por que logo agora a telepata tinha que se lembrar disso? Pensou irritado. Não teria feito todo aquele teatro na frente da casa dela se não estivesse disposto a enganá-la até o fim. Ficou pensando para responder a última pergunta, ele não era de recuar e não queria a missão fracassada. E pelo jeito essa Sookita só funcionava no tranco. “Claro, claro, como fui esquecer-me disso? Basta você usar as futuras calcinhas que te comprarei, que ser cristão será facinho.” “Não estou brincando, Eric. Estou começando a achar que o prefeito Bill tinha razão sobre você, estava só me enganando... Ele sim merece a minha consideração, é um homem digno e sempre ajuda as pessoas.”, falou com uma voz de lamento. Eric freou de repente, quase bateu num caminhão que estava mais vagaroso na pista. Parou o carro no acostamento, se aproximou de Sookita e disse num tom de voz sério: “Não quero saber se Bill é isso ou aquilo. Estou preocupado com o meu rabo e o seu agora. Eu serei o cristão que você tanto deseja. Só pare de falar tanta merda...”, ele colocou a mão na boca. “Desculpe...última palavra feia que falo na sua frente.” Lançou um olhar frio na direção dela, voltou a sua atenção para o carro, ligou o motor e novamente partiu em alta velocidade. Sookita tinha finalmente encontrado o ponto fraco dele, Eric odiava seu namorado, sentimento que Bill respondia da mesma forma. Ainda não sabia o porquê de tanto ódio entre os dois, Eric era um vampiro muito difícil de lidar, isso estava na cara, mas nada que uma conversa não pudesse apaziguar, pensou confiante. Porém, o que realmente a deixou curiosa foi o fato de ele comentar que os dois estariam em perigo se a missão desse errado. Coisa que ela com certeza não


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havia sido informada. Gostaria de perguntar melhor, mas no momento Eric não responderia nada. Estava com o rosto franzido e com cara de poucos amigos. Recostou-se no banco desconfortável, iria cochilar um pouco, faltavam ainda umas três horas de viagem. ------------------------------Jessica estava sentada na sala de sua casa assistindo um filme qualquer, nem prestava muita atenção. Ainda sentia ódio profundo de Sam e Alcide. Maldito lobo burro que não a deixou matar Sam. Sookita estava em todos os lados, até na boca de Sam. Não acreditava que ele também era apaixonado por ela, o que esses caipiras viam nessa sem sal? Sookita não era nenhuma beldade, pelo contrário, era tão brega que ardia os olhos. Sentiu que alguém se aproximava por trás, se fosse Alcide aproveitaria o momento e mataria aquele lobo imundo, fedido e imbecil, só conseguia sentir coisas ruins quando pensava nele. Estava com mais raiva do capacho de Bill do que de Sam. Felizmente não era ele, e sim Bill. “Jessica, quero conversar com você, posso?” “Claro, com você estou sempre disposta, apesar de não acreditar em mim..”, respondeu com pesar. “Jessica, minha querida, certas coisas você não entende.”, ele se sentou ao lado dela no sofá. Ela aproveitou o momento e abraçou seu maker, ele poderia não acreditar agora, mas um dia seu querido pai saberia quem era Sookita, só este pensamento conseguiu deixa-la um pouco feliz. “Do que se trata? Você vai viajar?” “Não vou, Jessica. Mas Alcide irá viajar alguns dias e você ficará sem a proteção dele.” Jessica pulou de alegria na sala, jogou o controle remoto longe. “Não acredito...finalmente estarei livre daquele idiota. Obrigada.”, ela deu vários beijos na bochecha de Bill.


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Bill já esperava essa reação, só conseguiu sorrir ao vê-la tão feliz e satisfeita, até entendia a repulsa que Jéssica sentia pelo capataz, ele apesar de prestativo conseguia ser muito irritante com tanta bajulação. Todavia era Alcide quem tomava conta de sua filha, pois Jéssica sozinha era quase a mesma coisa que o furacão Katrina, fazia estragos enormes. “Sim, mas isso não significa que você estará livre para aprontar por aí.”, ele disse severamente. “Com certeza, querido pai, você sabe como sou obediente. Só uma coisa, pra onde o Alcide irá?” “Isto felizmente não é da sua conta, minha querida.”, respondeu docemente. “É melhor você ir dormir, o sol está quase nascendo. Bons sonhos”, disse enquanto se retirava da sala. “Pode não ser da minha conta, mas eu vou descobrir de qualquer forma.”, falou em voz alta. --------------------------------Lafayette ainda estava saboreando a informação passada por Tara, era bom demais para ser verdade. Será que contaria para Jason? Seria divertido jogar na cara que a irmãzinha dele não era tão santa assim. Não sabia também se daria logo a informação pra vampira da boate, tentaria arrancar mais alguma coisa e gastaria toda a grana com novas putas para seu bordel, o que aumentaria ainda mais seu lucro. Daria um pouco para Tara não ficar enchendo o saco. Jason abriu a porta sem bater pegando Lafa se trocando. Entrou, sentou-se na ponta da cama e ficou olhando o outro se trocar. “Vejo que não te ensinaram educação, amado”, brincou Lafa. “Acabei de fazer uma coisa horrível...” “Será que você não consegue aparecer por aqui e me contar algo bom? Estou cansada de só ouvir seus problemas, Jason.” “Eu também escuto sempre os seus problemas, inclusive já te livrei de vários com a policia. Não se esqueça disso.”


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“Amadinho, eu sei. Mas, você sempre faz coisas erradas, todas as vezes. Se fosse coisas erradas comigo, eu ficaria bem mais feliz.”, chegou perto de Jason e alisou o cabelo dele. “Lafa, por favor, não estou no clima agora.” “Ultimamente você nunca está no clima. Não aceita nada que eu faça para você.”, Lafa se afastou e sentou-se em frente a penteadeira. “Diga logo o que é dessa vez”. “Eu escondi o V no jardim lá na casa da minha avó. Não tinha como me livrar daquilo. Deixei lá até tudo acalmar.”, disse de uma vez. Lafa bateu com a mão na testa e disse: “Por acaso a sua irmã sabe disso?” “Er...eu...bem...eu contei sobre o V, mas ela não sabe que está escondido lá. Está viajando.” “Jason, como pode ser tão estúpido. Justo para a sua correta irmã...não acredito nisso. Você não citou meu nome, não é?” Antes que Jason pudesse responder, um toque foi ouvido na porta. Lafa já estava vestido, perfumado, maquiado e pronto para enfrentar mais uma noite. “Patrão, tem uma vampira te esperando no escritório.”, disse uma moça alta, loira e extremamente bonita. ‘Vampira? Você está negociando com vampiros Lafayette?”, perguntou Jason preocupado. “Não é o que você pensa, não tem nada a ver com nosso V.”, não iria contar ainda que envolvia Sookita. “Não gosto quando me deixa de fora das coisas, Lafa.” “Amado, depois eu te conto em detalhes. Deixa-me ir encontrar com ela, não é muito paciente.”, deu um beijo no rosto de Jason e saiu do quarto. -------------------------------------Pam estava tão entediada aquela noite que poderia assistir uma corrida de


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caramujos na TV e conseguir achar interessante. Toda vez que Eric viajava era sempre assim, não só pelo fato de gostar dele, mas também por se divertir com sua presença. Já estava esperando o cafetão há mais de 5 minutos naquele lugarzinho que ele chamava de bordel, mais um pouco perderia a paciência de uma vez. A porta se abriu e Lafayette entrou pedindo desculpas, Pam apenas o olhou, não se moveu para dar passagem a ele. “Se puder me dar licença?”“, Lafa perguntou envergonhado. Pam o encarou novamente e depois de dois longos minutos, finalmente abriu passagem no pequeno espaço que ele chamava de escritório. “O que devo a honra de sua visita?”, ele disfarçou sentando-se atrás de sua mesa. “Você sabe muito bem porque estou aqui, não lembro direito do seu nome...”, ela fez uma careta. “Lafayette Escobar, prazer...”, respondeu ironicamente. “Ah sim, mas isso não importa. Quero saber se tem novidades sobre o que eu estava procurando?” “Tenho, porém antes preciso de uma informação.” “Informação? Eu já contei tudo. O que mais você quer saber para descobrir quem é a vagabunda?”, Pam estava realmente perdendo a paciência. “A informação, madame, é o por que de você procurar essa pessoa e o que pretendem fazer com ela quando descobrirem sua identidade. Não quero ser responsável por um assassinato ou nada parecido, portanto, é melhor falar logo.” “Não sabia que um cafetão tinha tanto senso de moralidade assim.”, ela balançou a cabeça. “Não fico por aí mordendo os pescoços alheios e jogando na sarjeta como se não valessem nada.” Pam se aproximou da mesa dizendo:


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“Quer experimentar como é?”, agarrou o pescoço de Lafa, roçando o dente saliente na carne dele. “Não, por favor, me deixe em paz.”, gritou desesperado. Não queria seu pescoço destroçado pela vampira. “Acho que chegamos num entendimento.”, arranhou levemente o dente na carne de Lafa, um filete de sangue escorreu, Pam lambeu e o soltou. “Apenas quero uma garantia, a pessoa que conhece a dançarina não quer falar.” “Humanos são tão medrosos, é chocante imaginar que são a espécie dominante...ainda.”, ela frisou o ainda. “O que essa pessoa quer?” “De que não farão nada com a moça e mais dinheiro, obviamente.”, ele deu um sorrisinho. “Mais dinheiro, esqueci que o medo se transforma rapidamente em ganancia. Mas quero negociar diretamente com sua informante.”, Pam cruzou os braços. “Acho que ela não vai querer, tem medo de vampiros.” “Não quero saber, quero me encontrar com a pessoa o mais rapidamente. E se recusar, é seu corpo que será jogado na sarjeta...não brinque muito.”, abriu a porta e antes de sair: “Leve-a na boate, não quero pisar novamente nesse antro.”, bateu a porta. ---------------------------Era quase fim de madrugada, Alcide estava em seu apartamento arrumando a mala para a longa viagem que teria pela frente. Não sabia exatamente o motivo de vigiar a namorada do prefeito, talvez fosse ciúmes ou excesso de zelo, de qualquer maneira o pedido foi feito e ele iria cumprir. Teria que disfarçar seus quase 2 metros de altura, e não seria muito interessante se transformar em lobo num local como Tijuana, chamaria uma atenção desnecessária. Apesar de que todos esses anos como Chefe de Segurança haviam ensinado como reconhecer o perigo e disfarçar também. Levaria apenas uma mala, andava de um lado para o outro no quarto minúsculo carregando as suas roupas. Sairia logo que amanhecesse, ficaria


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hospedado num hotel nos arredores do centro e perto o suficiente do cassino. Antes que pudesse continuar em sua tarefa, com um movimento em suas costas, Alcide foi jogado em cima da cama e seu pescoço foi imobilizado por uma mão fria. “Achou que iria escapar de mim, cachorrinho?” ---------------------------Finalmente estavam chegando em Tijuana, Eric sorriu. Já conseguia até vislumbrar as luzes da cidade. Pelo menos seria divertido. Aquela telepata não estragaria seu humor por nada nesse mundo, mal sabia ela que a cidade era um paraíso para os vampiros, pensou enquanto observava Sookita dormindo em seu carro. Até que fisicamente ela não era de se jogar fora, tinha o rosto bonito, e por incrível que pudesse parecer, o corpo também. Se não fosse aquela calcinha brochante ele poderia até se excitar com a visão. Contudo toda a sua beleza física desaparecia com sua personalidade de carola. Não sabia como poderia existir pessoas assim, o mundo foi feito para se divertir e ter prazer. Problemas faziam parte da vida, tanto para humanos como vampiros. O Hotel Cassino era perto da entrada da cidade e Sookita continuava adormecida, estava quase acordando a telepata quando ela abriu os olhos de repente, como se tivesse levado um susto. “Já chegamos? Sinto que não dormi nem meia hora... ainda estou exausta.”, disse ela com a voz grave. Era estranho acordar e encarar um vampiro como aquele, sentiu um frio na espinha. “Pelo susto que levou ao acordar, pensei que tivesse esquecido a Bíblia em casa.”, respondeu com um sorriso encantador. Sookita não tinha dormido bem, estava um pouco tensa e queria muito que a missão não fosse com aquele vampiro, mas tinha uma coisa nele que sempre chamava sua atenção. Tudo bem que a beleza dele ajudava muito em tudo isso, Eric Colunga era um homem incrivelmente bonito, mas seu sorriso era algo inexplicável, Sookita ficou tão desconcertada que nem ao menos se importou com a piadinha infame sobre a Bíblia. Não gostava de se sentir assim perto dele, não podia esquecer como ele a tratou na boate e que seu irmão Jason corria perigo também. Estava numa


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enrascada. “Não, eu tive um pesadelo.” “Deu para perceber, você roncou muito.” Sookita o encarou boquiaberta. Sentiu o rosto ficar vermelho, deveria parecer um pimentão. “Eu ronquei? Mas, eu não faço isso.”, respondeu dando de ombros. “Como vai saber? Você estava dormindo e eu bem acordado. Parecia uma sinfonia.” Sookita sentiu vontade de socar a cara dele, imaginou ele morrendo de maneiras cruéis. “Não vamos chegar logo nessa porcaria de hotel?” “Já chegamos”, ele parou o carro numa entrada luxuosa. A porta do carro subiu e uma mão surgiu para Sookita. Dessa vez ela não teve dificuldade, o porteiro ajudou-a com maestria. O outro levou as malas. Ela ficou parada chocada com tanta eficiência. Antes que pudesse se mover, Eric a puxou com a mão, deu um abraço e um selinho. “Finalmente chegamos, meu amor.” Sookita engasgou com o acontecido, suas pernas não se moviam. Eric a estava arrastando para o Hall do hotel. Havia espelhos nas paredes e ela pode pela primeira vez reparar em seu rosto pálido, olhar apavorado. Parecia que tinha visto um fantasma. Um homem parecendo um pinguim, usando um terno chique apareceu e os cumprimentou: “Senhor e Senhora Castela”, Eric respondeu friamente. “Oh, sim, Senhor Castela. Fomos informados de sua chegada. O quarto está preparado, a vedação é automática com a luz do sol, os notebooks já estão com acesso à internet. Qualquer outra coisa é só pedir que atenderemos o mais rapidamente.”, o homem apertou a mão de Eric.


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“Sim, quero que todos os desejos de minha amada esposa sejam atendidos.”, ele a beijou na testa. Sookita odiou como ele estava atuando bem até demais. Ela sorriu timidamente e o homem respondeu: “Sim, Senhor Castela.” Eric a arrastou novamente até o elevador. Assim que a porta fechou, Sookita o empurrou com raiva. “Obrigada por ser aproveitar de mim.”, ela cruzou os braços. “Eu? Aproveitando? Achei que éramos recém-casados. Você parecia que estava caminhando em direção a forca.” “Não precisa ficar me agarrando o tempo todo e muito menos me chamando de Amor”, ela fez um biquinho. “Eu estou fingindo, não se preocupe, não tenho o mínimo interesse em você.” “É...é bom mesmo”, respondeu rapidamente encerrando o assunto. Os dois subiram emburrados até o décimo quinto andar, apenas a música do elevador podia ser ouvida. As portas se abriram e Sookita continuou séria, foi seguindo caminho até o quarto dos dois com Eric à frente. Eric abriu a porta do quarto, entrando em seguida, nem esperou sua esposa. Sookita deixou o rapaz que já estava lá esperando com as malas entrar antes dela. O rapaz voltou uns segundos depois com uma gorjeta polpuda na mão e fez um aceno com a cabeça para ela. Ao entrar quase desmaiou com o que viu. O quarto era enorme, com uma sala de estar, de televisão e um barzinho num canto perto da varanda. Parecia coisa de cinema, não acreditava no que seus olhos estavam vendo. Sua casa parecia pequena. O tapete luxuoso, até os quadros na parede, tudo de extremo bom gosto. Uma abertura no lado esquerdo, uma grande abertura por sinal dava para um quarto espaçoso, com uma cama king, e mais uma televisão enorme numa das paredes, com direito a closet e um banheiro.


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Demorou alguns minutos para reparar que só havia uma cama e nada mais, uma enorme de casal. E que estava com um lençol branco, com pétalas de rosa vermelha em formato de coração em cima. Ao lado do coração uma bandeja com uma taça cheia de alguma bebida e outra com sangue, e uma travessa de morangos rosadinhos. Eles tinham pensado em tudo. Afinal, era um casal em lua-de-mel. Só que ela não esperava que a farsa fosse tão longe assim, uma coisa era fingir perante os outros, outra era dormir na mesma cama. “Achei que seriam duas camas. Não entendi”. “Um casal em lua-de-mel, num quarto com duas camas. Ninguém iria desconfiar.”, ele respondeu caminhando pela sala. “Não vou dormir com você na mesma cama, já basta ter que fingir na frente dos outros.”, ela disse se afastando o máximo possível dele parando perto da varanda. “Você fingir? Minha cara, você estava parecendo uma múmia. Ou uma vítima de um serial-killer, menos uma esposa feliz. Vai ter que melhorar muito, quem sabe umas aulinhas.” “Não quero saber disso, apenas não vou dormir na mesma cama.”, bateu um dos pés no chão. “Não tem problema, fique a vontade com o sofá.” Eric caminhou em direção ao quarto, retirou a bandeja da cama colocando no criado-mudo. Bebeu a taça de sangue num gole só e murmurou alguma coisa inaudível. Começou a tirar a roupa jogando na poltrona perto da cama, ficando apenas de cueca preta. Voltou-se para a porta que dividia o quarto com a sala, e foi fechando aos poucos, lançando um olhar para Sookita dizendo: “Tenha uma boa noite...bons sonhos.”. E fechou a porta. O único som no quarto foi da proteção da janela sendo fechada. Sookita evitou olhar para ele, sentou-se no sofá e respirou profundamente.


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CapĂ­tulo 09 O Pai da Noiva Well, that's the thing about life, is the surprises, the little things that sneak up on you and grab hold of you!


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Jessica estava sentada em cima de Alcide na cama e o afundava cada vez mais no colchão velho e mal cheiroso. Nem estava se importando com o dia amanhecendo, só queria descobrir o motivo de Bill mandar o capanga para fora da cidade. Não ligava para o lobo, mas ligava para o que seu pai fazia. Apertou o pescoço do homem, sentiu as veias pulsando em sua mão e disse: “Desembuche logo o motivo de sair da cidade”. Ela apertou mais ainda o pescoço dele. “Não sei do que você está falando Menina Jessica...” “Você sabe que posso quebrar seu pescoço num piscar de olhos. Acho bom não me enrolar. Já está amanhecendo.”, ela gritou. “Você não precisa fazer isso...vamos sentar e conversar. Por favor...” tentou argumentar o lobisomem. “Vai se fazer de difícil? Veremos quem pode mais.” Ainda segurando o pescoço dele com uma mão, levantou o quadril e com a outra mão abriu a calça jeans de Alcide. “Ou é do meu jeito ou do seu...” “O que você vai fazer? O que você pensa que está fazendo...pare com isso!” Alcide não acreditava no que estava acontecendo, tentou se soltar começando a se debater. Jessica baixou a calça e a cueca dele sem problemas, dessa vez usando as duas mãos. “Ué, eu não te excito? Na verdade, parecia bem maior com a calça jeans”, ela balançou a cabeça conforme passava a mão no membro do lobo. “Não vai crescer?”, e soltou uma gargalhada. “Isso não é linguajar para uma moça como você, e estas atitudes muito menos... eu exijo que me solte, agora mesmo! Não quero lhe machucar...”. “Você realmente não me conhece, eu sempre consigo o que quero.”, ela abaixou a cabeça até ficar bem perto do ventre dele e deu uma demorada lambida no membro amolecido.


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Alcide deixou escapar um gemido alto que só serviu para estimular mais a vampira. Jessica sentiu a excitação dele, poderia até ouvir o coração disparando, o peito subindo e descendo por conta da respiração acelerada. A vontade de mordê-lo era enorme, e ela não poderia fazer isso, mas o sexo desviava a sua atenção do sangue, precisava de sexo. “Vai continuar sofrendo desse jeito? Vou lhe dizer uma coisa, se não me contar o que quero, vou dizer para meu amado pai que fui estuprada, quero vê se ele irá ficar do seu lado desta vez”. Alcide suspirou, evitou olhar para a vampira. Não iria trair a confiança de seu patrão e Menina Jessica não tinha motivo para toda essa insistência, mais uma vez estava brincando com os seus sentimentos. Provocando, tirando-o do sério. Apenas ela conseguia essa proeza. Ele balançou a cabeça em negativa. Jessica o encarou furiosamente: “Você não irá viajar, pois não colocará os pés fora dessa espelunca.” Jessica segurou o rosto de Alcide com força e o encarou dizendo algumas palavras. Em seguida sorriu de satisfação. -------------------------------Sookita acordou como se tivesse passado a noite em cima de uma cama de pregos, cada parte de seu corpo doía ou fazia algum barulho estranho. Parecia mais uma velha de 90 anos do que uma jovem de 20 e poucos. O sofá do quarto parecia tão confortável, só que dormir nele não era muito agradável. Havia dormido com a roupa da viagem, estava com um gosto desagradável na boca, o cabelo despenteado e o pior era que o banheiro ficava no quarto onde o vampiro estava dormindo graciosamente. Soltou um palavrão alto, olhou para o relógio do seu celular e ainda nem era 5 da tarde. “Até a minha mala ficou lá...”, falou em voz alta. Suspirou caminhando na direção da varanda que estava protegida com a vedação contra o Sol. Apertou o botão na parede e a proteção começou a subir e o sol quente e delicioso entrando pela janela. Sentou-se numa cadeira na espaçosa varanda, observando ao longe a praia lotada. O mar azul reluzia conforme o sol batia nas ondas. E ela estava presa naquele quarto junto daquele vampiro.


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Quando criança foi várias vezes para Acapulco com os vizinhos, sua avó não gostava da agitação das cidades praianas. Adorava nadar e não seria nada ruim perder algumas boas horas naquelas águas. Olhou com raiva na direção do quarto, nada daquela porta abrir. Entrou novamente, pegou uma bebida do frigobar e algumas guloseimas. A Autoridade que pagasse tudo. Estava nessa porcaria de missão obrigada, pensou irritada. O sol estava começando a se por, Sookita resolveu tentar acordar Eric de alguma maneira, não iria ficar disfarçando mais o gosto ruim na boca com bala de hortelã. Precisa escovar os dentes, trocar de roupa. Não sonharia em bater na porta e dar de cara com aquele sorriso cínico. Não iria dar o gostinho de vitória para ele. Sentou-se no sofá, e sentiu calafrios ao lembrar-se do dia mal dormido que teve. Suas costas estalaram com a lembrança e seu pescoço também. Pegou o controle da televisão, colocou na Televisa bem na hora da novela Amorcito Corazón1. Por sorte era uma cena dramática, Adelita, a freira, estava se despedindo, e todo mundo chorando sem parar. Seria perfeito para irritar o vampiro. Sookita aumentou o volume, só se escutava vozes, gritos e choros exagerados, como toda boa novela, ela pensou feliz. Ela acompanhava pouco essa novela, estava irritada pela demora dele em acordar. Olhava toda hora para janela, o sol já estava começando a ir embora. E olhava em seguida para a porta e nada. Até que após 15 longos minutos, a porta dupla do quarto foi escancarada e um Eric sonolento e ainda usando apenas a cueca preta falou irritado: “Dá para baixar o volume dessa droga?”, ele passou a mão nos cabelos loiros tentando arrumá-los. Sookita tentou evitar olhar, mas o inusitado da cena falou mais forte. Será que Bill tinha um corpo como aquele? Eric parecia uma escultura grega, tudo milimetricamente no lugar, não tinha gordura nenhuma naquele corpo. As coxas grossas, os pelos claros no peito... O p... melhor parar de pensar. Foco, foco, ela pensava. Aquele lá era o Eric, ele era tudo, menos de seu interesse. Bill sim era o seu foco principal, o seu amado Bill. Colocou um sorriso falso no rosto, desligou a televisão e respondeu: 1

A novela realmente existe e passa no horári o das 18hs.


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“Desculpe, não tive intenção de acordá-lo. Espero que tenha dormido bem.”, enfatizou o bem no fim da frase. “Muito bem. Já de você não posso dizer o mesmo. Parece que foi atropelada por um caminhão.”, ele a olhou debaixo para cima. “Se não fosse tão puritana, poderia ter dormido ao meu lado sem maiores problemas.”, ele deu de ombros. “Nem quero discutir esse assunto, fico com prazer no sofá.”, como doeu dizer isso, pensou mordendo os lábios, só de imaginar outro dia dormindo ali. Ele parecia não se importar com sua presença, foi em direção ao banheiro, fechou a porta e Sookita ouviu o barulho do chuveiro sendo ligado. Sem perder tempo, invadiu o quarto e morreu de inveja daquela cama enorme, desarrumada e convidativa. Será que custava muito dormir ali com ele? Poderia colocar uma barreira de travesseiro entre os dois, sentou-se na cama e soltou um gemido ao sentir o colchão delicioso. Iria encostar a cabeça no travesseiro um pouquinho, só para testar se era bom também. Sem perceber Sookita cochilou deitada de lado com uma perna em cima da cama e outra fora. Acordou novamente assustada sentindo algo pingando em seu rosto, quando abriu os olhos deu com Eric perigosamente perto, apenas com uma toalha em volta da cintura, e completamente molhado. Alguns pingos continuavam caindo em seu rosto, Sookita limpou rapidamente, colocou as mãos no peito dele o empurrando gentilmente. Levantou-se num pulo. “Estou vendo como o sofá te fez bem. Se não fosse tão teimosa.”, ele balançou a cabeça. “Vá se arrumar temos muito que fazer hoje.”, ele disse apontando na direção do banheiro. Sookita quase saiu correndo de perto de Eric, ele definitivamente estava disposto a dificultar a sua vida. Pegou sua mala e frasqueira, entrou no banheiro e bateu a porta com força. Tomou um longo banho, com direito a depilação e a esfoliação na pele. Lavou bem os cabelos, os secou com o secador do hotel, passou hidratante, deu uma ajeitadinha na sobrancelha e quando ia tirar o robe para colocar a lingerie. Eric abriu a porta do banheiro de supetão vestindo impecavelmente um smoking. “Eric! Pelo amor de Deus, o que você acha que está fazendo? Eu estou nua.


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Saía daqui, agora” “Não, minha querida, você não está nua, na verdade está usando este robe cafona de hotel. E você poderia terminar logo com isso?” “Eu não me importo com o que você pensa, achei que já soubesse disso. Agora você pode me dar um pouco de privacidade, por favor?” “Não...” “Será que ouvi direito? Você disse Não?” “Ouviu sim, eu não vou sair até nós resolvermos algumas coisas pendentes sobre a missão.” Ela suspirou resignada, apertando o cinto do robe com força em torno do corpo: “Diga logo, faço qualquer coisa para você me deixar em paz.” Ele recostou-se calmamente na porta, ignorando o olhar frio de Sookita e começou a falar: “Você sabe bem que não podemos deixar passar nada nessa festa hoje. Será o casamento da filha do Senador Morales, se leu bem o relatório também sabe que se passará por uma amiga de infância da moça. Não é para deixar buraco e muito menos parecer uma múmia quando eu chegar perto de você.”, mostrou a aliança no dedo dele. “Não se esqueça, minha amada”. “Eu nem imaginava que o Senador era envolvido com essas coisas, ele é futuro candidato a presidência.” “Por isso estou nessa missão. Só eu sou capaz de matá-lo sem deixar pistas.” Sookita quase engasgou quando ouviu isso, não tinha nada sobre assassinar o Senador Antonio Hernandez Morales no relatório, tinha certeza disso, pois tinha lido várias vezes e em detalhes. “Ma...matar...mas não tinha isso no relatório?”, ela indagou num fio de voz. “Não no seu, mas no meu sim. Você acha que eu participaria de uma missão tola fingindo de casado para caçar alguns traficantes de V?”


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“Não estou preparada para esse tipo de coisa. Bill não mencionou que seria tão arriscado.” “Se ele dissesse, você não viria. De repente, ele não parece tão correto assim.”, ele deu uma risadinha. “Mas...mas...era para descobrirmos quem são os traficantes que fornecem V para Vale...eu não li errado.” “Sim, eu faço questão de descobrir quem fornece e quem compra. Principalmente para matar o maldito que atirou em mim na missão passada e me jogou nessa fogueira.”, ele passou a mão na nuca ao lembrar o tiro que levou. Sookita ficou pálida. Ele realmente pretendia matar Jason Ricky se descobrisse. Sentou-se na beirada da banheira para disfarçar seu horror. Havia esquecido que o resultado do que descobrissem em Tijuana poderia levar diretamente para seu irmão. “Por que atiraram em você?” Ele deu um soco na porta, quase a rachando no meio: “Porque eu invadi o esconderijo de um dos traficantes, era para matar todos em retaliação ao que estavam fazendo com o V. Um espertinho se escondeu, deu um tiro pelas minhas costas, e fugiu com toda a mercadoria.” Jason não mentiu, infelizmente. Agora ela estava perdida. Como fazer para que não descobrissem sobre ele? Sua cabeça estava doendo, não sabia como agir. Eram muitas informações, ainda mais o futuro assassinato do Senador, um dos mais poderosos e influentes, dono de uma fortuna em minérios. “Como o Senador Morales é envolvido com tráfico de V?”, perguntou tentando não deixar transparecer seu pavor. “Cocaína não rende mais para os americanos, hoje em vida o V é mais valioso e vantajoso de distribuir. O que vai para o Vale é apenas o resto...o bom atravessa a fronteira de Tijuana com San Diego. O Senador não fez fortuna sendo um bom cidadão, mas tendo antigamente estreita relação com os cartéis do tráfico de drogas e agora com a moda da vez, sangue de vampiro.”, ele fez uma careta.


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“Então é pior do que eu pensava.”, disse Sookita. “A boa notícia é que eu vou resolver tudo, com sua preciosa ajuda”. Eric deu um sorriso que faria qualquer pessoa tremer nas bases. “Seu vestido está em cima da cama. A Autoridade não poupou despesas dessa vez.”, ele saiu do banheiro caminhando em direção a porta do quarto. Fechou rapidamente e sumiu do outro lado. Sookita desabou no chão do banheiro. Maldita hora que caiu no papo de Eric, justo ele. Como acreditou que ele queria reencontrar a fé? Como foi estúpida...ou quis acreditar mesmo? ------------------------------------Sookita ainda olhava-se assustada no espelho do closet, a cabeleireira tinha acabado de deixar o quarto. Seu cabelo estava preso num lindo coque moderno, seu rosto maquiado sem excessos, totalmente diferente de quando foi na boate. E o vestido vermelho era o mais lindo que já tinha visto, estilo sereia com drapeados até abaixo da cintura. Ela não se lembrava de já ter se sentido tão bonita, em toda sua vida! Só estava incomodada com o decote tomara que caia, não era acostumada com essas coisas, ficava toda hora puxando para cima. Inclusive, sentia medo de tropeçar no vestido e cair. Por sorte não estava usando um salto tão alto, era médio, seus pés e coluna agradeceriam ao final da festa. Pela primeira vez não estava se sentindo inferior ao vampiro que a esperava lá fora. Não faria feio, sentia uma ponta de orgulho por aparecer dessa maneira na frente dele. Respirou fundo, abriu a porta dupla do quarto, desceu com cuidado os degraus em frente e discretamente procurou Eric com o olhar. Ele não estava ali, Sookita ficou desapontada e irritada ao mesmo tempo por sentir isso. Sookita encontrou Eric ao lado do elevador, encostado na parede. Ele mexia no seu celular, visivelmente entediado. Quando ela se aproximou ele apenas balançou a cabeça positivamente, mas não disse uma palavra. Eric apertou o botão do elevador. Sookita tentava não pensar no quanto estava desconsertada, pelo menos alguma coisa esperava ele dizer, mesmo que fosse alguma grosseria. Entraram em silêncio no elevador, estavam indo para o lobby, a festa


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aconteceria num luxuoso salão ao lado do cassino. Ela arrumava de vez em quando o decote, fazia falta ter peitos maiores, ela pensou. Olhou de canto de olho para Eric, ele estava impassível teclando no celular. “Vai ficar mexendo toda hora nesse decote?”, ele comentou repentinamente. Sookita sentiu o coração disparar ao ouvir a voz dele e respondeu sem pensar: “Eu não estou acostumada em me vestir assim.” Ele apenas balançou a cabeça novamente. A porta do elevador se abriu e mais pessoas entrara, tiveram que se afastar para o canto. Sookita estava preocupada em alguém pisar na cauda do vestido e estragar tudo. Eric apertava a sua cintura com uma das mãos, reparou no quanto eram grandes. Chegaram ao lobby, caminharam até a recepção, ele ainda a segurando na cintura, conduzindo-a pelo caminho. Ele murmurou baixinho no seu ouvido antes de entraram no salão: “Lembre-se somos Julian e Ramona Castela.” “Quero descobrir quem foi o gênio que me deu esse nome.”, fez uma careta. “Deve ter sido Bill.” O segurança confirmou o nome dos dois numa listagem, só faltava ter revista de tanta segurança que tinha no local. Reparou que alguns estavam armados, notou pelo olhar que Eric também percebeu. Sookita ficou boquiaberta com o luxo da festa, o local era enorme, com uma pista de dança no meio do salão. Ao redor muitas mesas redondas para seis pessoas, com decorações de flores de todos os tipos. Lustres que pareciam de filmes em vários pontos no teto jogavam uma luz discreta, dando um clima intimista, apesar do número enorme de convidados. Havia gente para todos os lados. E percebeu o motivo de Eric não ter dado a mínima para como estava vestida, tinha mulheres magníficas desfilando pelo salão com corpos a La Jennifer Lopez. Ele a puxou na direção do bar que ficava perto do DJ que ainda não estava tocando, afinal os noivos não haviam chegado. Pediu alguma coisa para o bartender, ela não ouviu direito com todo o burburinho de pensamentos alheios em sua mente. Ele estendeu para ela uma taça com sal na borda e uma bebida


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meio amarelada. “Beba. Está parecendo Alice no País das Maravilhas”. Sentiu um geladinho da bebida descendo pela garganta e o gosto salgadinho nos lábios. Nunca tinha provado algo tão saboroso antes, sua avó não deixava que bebesse. Jason sempre fez escondido. Sookita não tinha coragem de mentir para sua avó naquela época, só havia bebido cerveja algumas vezes e algumas tequilas por insistência de Tara. Isso era totalmente novo para ela. “Hum, o que é isso?” “Frozen Margarita, as mulheres que saio sempre pedem isso. Serve para quebrar o gelo.”, ele riu. Sookita deu de ombros, não queria saber detalhes da longa lista amorosa dele. “Você não parece ser o tipo que precise quebrar o gelo.”, comentou com desdém. “Como tipos com você sim.”, ele estendeu outra taça. “Não comece Eric, ou devo dizer, marido?” “Agora está entrando no clima, estou gostando de ver.”. Ele sorriu enquanto a observava bebendo a segunda taça. Sookita bebeu de uma vez a bebida que continuava descendo deliciosa por sua garganta, estava até assustada por agir dessa maneira. Seria a tensão da situação? Por estarem em território desconhecido com todos aqueles seguranças? Acompanhava com o olhar os outros convidados da festa que desfilavam como se estivessem numa passarela. Reparou que muitas mulheres lançavam olhares cobiçosos para Eric, o seu marido de mentirinha. Não conseguia evitar “ouvir” os pensamentos delas, algumas o achavam gostoso, outras queriam dormir com ele, e ficavam chocadas por ele ter a companhia de uma “loira tão sem graça”. Talvez bebesse outra taça para não ser obrigada a ouvir em detalhes os desejos sexuais alheios, ainda mais envolvendo Eric. ------------------------------------


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“Eric, cadê a noiva? Eu quero ver a noiva. Será que o noivo é bonito? Será que eles se amam como nas novelas? Cadê eles? Cadê?” “Acho melhor você parar de beber, pelo jeito não é muito acostumada.”, ele tirou a quarta taça da mão dela. “Nãooooo! Me dá isso aqui... você não manda em mim, você não é...” “O quê, seu pai? Controle-se, as pessoas já estão olhando pra nós”. Esta última parte Eric cochichou no ouvido de Sookita. “Isso faz cócegas Eric...para!” “Eu achando que uma bebidinha iria te fazer sair do estado Madre Teresa, mas não imaginava que iria diretamente para Lindsay Lohan.”, ele balançou a cabeça, segurando o braço dela com força. “Lindsay quem? Não conheço não...é o nome da noiva?”. “Deixe pra lá. O importante é que você tente se recompor. Como irá me ajudar se não consegue nem mais colocar um pé na frente do outro?”, disse rispidamente. Eric começou a se afastar do bar trazendo Sookita junto de si. Ela estava com o rosto vermelho, os olhos estalados e rindo por qualquer coisa. “Eric? Eric? Olha pra mim...olha...está vendo aquela ruiva ali, aquela ali com os peitos enormes? Ela esta pensando em fazer um negócio chamado boquete em você...quer pegar no seu...como é? Pau...acho que é isso.... E quando a gente chegou aqui, tinha uma pensando em um tal de 69. Será que ela acha que aqui é um cassino? O cassino fica do outro lado, não é? E por que você tem que ir junto? Você é um bom jogador?” Ele agora corria pelo salão com ela indo na direção do banheiro feminino. Várias pessoas viraram o rosto quando ouviram a palavra boquete. Justo quando não podiam chamar a atenção. Sabia que tinha sido um erro trazer essa telepata junto, ele não precisava desse estorvo numa missão tão importante. No momento que chegaram à porta do banheiro, várias mulheres saíram apressadas. Eric olhou na direção da entrada e os noivos haviam chegado empolgados. A maioria das pessoas se afastaram e foram na direção deles.


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Eric abriu a porta do banheiro com uma mão, segurando Sookita com a outra. Não tinha ninguém. Entrou com ela, por sorte havia um sofá no meio do enorme banheiro. Sentou Sookita ali e em seguida trancou a porta do local. “Se eu jogar água na sua cara a maquiagem vai sair toda...não vai ficar bonito de se ver.” Sookita estava pálida, dizendo que queria vomitar, colocava a mão na testa. Eric obviamente já tinha visto mulheres bêbadas, a maioria no Santo Martillo, mas nunca viu uma mulher se embriagar em tão curto espaço de tempo. Eric não sabia muito como proceder em situações como esta, os seus funcionários eram quem cuidavam neste tipo de assunto humano em seu estabelecimento. Tentava se lembrar de como eles faziam quando foi interrompido por Sookita. “Eu não consigo respirar direito, este vestido está me matando... Acho que vou desmaiar.” “O que você quer que eu faça? Quer ficar nua aqui no banheiro?”, ele abriu os braços. “Ficar nua....daria tudo para ficar nua agora. Me sentir livre, sem nada me sufocando. Eric, você pode abrir meu zíper...pode? O vampiro demorou um pouco para entender o que ela queria. Agora ele serviria para abrir o zíper. Horas atrás ela estava revoltada pela possibilidade de dormirem na mesma cama. “Anda logo, anda...”, ela batia no peito parecendo que estava sufocando. Eric sentou-se ao lado de Sookita no sofá, virou ela de costas para ele abrindo lentamente o zíper que terminava um pouco abaixo da cintura. Ela respirou aliviada, quase gritou de felicidade. “Não imaginava que ficar bonita machucava tanto.” Sookita estava usando um corpete preto de renda por baixo do vestido. Eric não pode negar que a visão era bem interessante. Na verdade, ela parecia uma outra mulher neste momento, sem toda aquela mascara de mulher pura e perfeita. Seminua, com o rosto corado e um leve suor se formando em seu colo. Ele sentiu uma excitação em seu corpo, se fosse em outro momento não estaria perdendo tempo com seus pensamentos.


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Ela se assustou quando se viu num dos espelhos do banheiro. Parecia uma qualquer, uma leviana, igual aquelas moças que abominava quando saíam bêbadas do bar do Sam. “Meu Deus, nunca mais irei beber na vida. Olha o meu estado. Padre Antônio jamais me perdoaria se me visse assim.”, ela choramingou. Isso foi o suficiente para que Eric despertasse do transe que se encontrava. Como ele poderia ter esquecido que ali na frente dele estava Sookita Montenegro, a mulher mais certinha das redondezas. De repente ouviram uma batida na porta, Sookita deu um salto e começou a se arrumar desesperadamente. Eric levantou-se também e a puxou pelo ombro, ele podia sentir a respiração dela no seu peito, se encararam por alguns segundos. Virou-a de costas mais uma vez e fechou o zíper rapidamente. “Estou me sentido melhor, só preciso um pouco de ar puro.”, disse envergonhada. Caminharam na direção da porta, Eric destrancou e deu com vários olhares irritados de outras mulheres plantadas ao lado de fora esperando para entrarem no banheiro. Sookita saiu em seguida sentindo o sangue queimar o seu rosto de tanta vergonha. Eric a puxou pela cintura e disse em voz alta: “Ela não consegue se saciar tem que ser até no meio de uma festa.”, ele a beijou no pescoço e saíram pela porta. “Eu não a culpo, é só olhar para você.”, uma mulher disse, mas a esta altura Eric já estava longe e não saberia identificar quem havia dito isso. “Aquela mulher estava dando em cima de você na minha cara. Não vai fazer nada?”, ela ainda tentou brincar sentindo-se feliz por conta de toda bebida que tomou. “Sookita você precisar manter o foco. A missão, lembra? Pois é...acho melhor você ir dar uma voltinha lá no jardim, que irei procurar o senador, dar uma checada no ambiente. Já houve distrações demais por hoje.”, ele disse a frase final de maneira severa. Ela reparou que os noivos estavam no centro da pista de dança, dançando uma valsa. E os convidados em volta aplaudindo. Assistiu até o final, e perdeu


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Eric de vista. A noiva, sua suposta “amiga de infância”, parecia muito feliz. Agora a bebedeira já havia passado um pouco, mas ainda sentia uma zonzeira. Tinha que se manter firme para caminhar. Havia portas duplas de vidro que davam para um bonito jardim, o hotel era realmente um luxo, e sem dúvida não era para o seu bico. Pensou em como Bill estaria agora, fazia um tempo que não pensava nele, sentia-se culpada, nem tinha ligado para ele. Nunca tinha feito isso antes, a missão exigia muito de sua atenção, mas quando voltasse o recompensaria. O jardim estava vazio, afinal, todo mundo estava na festa. Sookita respirou o ar profundamente, sentiu o cheiro das flores, da noite, o luar batendo calmamente em seu corpo. Caminhou por uma das trilhas toda arborizada com vários bancos e flores de vários tipos parecidas com as da mesa na festa. Já estava por ali fazia um tempinho, quando começou a fazer o caminho de volta bateu de frente com alguém. Ouviu uma reclamação, se afastou e deu de cara com o Senador Morales. Sentiu vontade de desmaiar de susto. Ele estava segurando um cigarro e disse alegremente: “Não é toda vez que dou sorte de topar com uma mulher tão bonita enquanto venho fumar escondido.” “Oh, desculpe Senhor...eu não queria interromper.” “Senhor está no céu, pode me chamar de Antonio. Acho que nunca a vi antes, é parente do noivo?” Ela engoliu em seco, agora era o momento que estava esperando, mas não imaginava que seria sozinha com o senador. E onde estaria seu marido? Pensou olhando para os lados. “Não, não, sou amiga da noiva. Sou Ramona...” “Ah, realmente, minha filha tem muitas amigas. Mas raramente esqueço das amigas bonitas dela.”, ele deu uma piscadinha. Sookita não acreditava que ele estava dando em cima dela desse jeito, sem disfarçar. Os pensamentos dele não eram muito agradáveis, ele a estava imaginando amarrada numa cama, com chicotes, dando tapas. Ele usando uma roupa preta, colante no corpo. Quase fez uma careta de nojo. Mais do que nunca desejava a presença de Eric.


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“Ah, desculpe, mas sou amiga de infância...acho que o senh...Antonio não iria lembrar.” Ela o observou melhor, ele deveria ter quase uns 60 anos. Não era gordo, era alto, não tanto quanto Eric, mas tinha uma certa presença, como todo homem no poder. Era moreno, os cabelos bem cortados e curtos, um bigode estilo do Bill, pelo jeito era mania de político. “Nunca é tarde para se conhecer alguém, espero que retome a amizade com minha filha quando ela voltar da lua-de-mel.” “Ramona também está em lua-de-mel.”, Sookita estremeceu quando ouviu a voz de Eric. Ele chegou sorrateiramente por trás do Senador. Será que estava ali fazia algum tempo? Ela ponderou. “E o senhor é?”, o senador já não aparentava mais o jeito amigável de antes. “Julian Castela, marido de Ramona Castela”, ele apontou na direção dela. “Parabéns aos dois pombinhos.”, disse para Eric e Sookita. “Obrigado, Senador Morales, desejamos o mesmo para a sua filha.”, Eric retrucou. Antes que pudessem continuar, uma mulher apareceu ali chamando o senador para fazer o brinde aos noivos, o jantar seria servido em seguida. “Espero que gostem da festa. E foi um prazer conhecer uma amiga de infância de minha amada filha.”, ele pegou a mão de Sookita e a beijou longamente. Acenando a cabeça para Eric e saindo em seguida. “O que ele queria com você Sookita?” Eric foi logo perguntando assim que o senador se afastou. “Não gostei de “ler” os pensamentos dele. Envolviam sexo e comigo.”, ela sentiu um calafrio. “Pelo menos nos apresentamos para ele, você se saiu bem. Ele pareceu bastante interessado”, Eric deu um tapinha nas costas dela.


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“Não do jeito que eu gostaria.”, ela disse tristemente. ---------------------------------O jantar tinha sido delicioso, agora estavam na sobremesa. Sookita nunca tinha comido algo tão bom antes, tão requintado. Desse jeito ia ficar mal acostumada. Havia outros vampiros na festa, assim como Eric, se alimentaram de TruBlood. Estavam numa mesa com outros dois casais, mais velhos que não paravam de falar. Eric como sempre se saía bem nessas situações, inclusive contando como conheceu sua “amada esposa”, Sookita apenas sorria e concordava com a cabeça. Distraidamente ela olhava para os casais no salão dançando e interagindo. Sentiu uma ponta de inveja e vontade de dançar um pouco, gostaria de deslizar pelo salão com aquele vestido lindo, não imaginava quando usaria algo assim novamente. Lançou um olhar para Eric e pelo jeito ele havia entendido o que ela desejava. Ele disse sussurrando em seu ouvido: “Você sabe, pelo bem da missão. Todos os casais já dançaram ou estão dançando. Vamos?” Ela concordou com a cabeça, ele se levantou da mesa, pegou na mão dela e a conduziu até a pista. O Senador Morales acompanhava Sookita e Eric com o olhar, estava intrigado com aqueles dois. Sua filha não recordava de ter sido amiga de uma moça chamada Ramona. Pensou por alguns minutos, observando os dois dançando. Chamou seu assistente pessoal e fez um pedido: “Quero que descubra tudo sobre Julian e Ramona Castela.”


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Capítulo 10 Ela é o Diabo Some women are born beautiful. They make it look easy!


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Pamela Izabelita tambolirava com os dedos na mesa de Eric. Tudo parecia vazio e sem graça sem seu patrão desfilando por ali, dando ordens com aquela voz potente e sorrindo para ela. Trabalhar em dias assim era sempre insuportável. Está certo que ela aproveitava para aprontar coisas que deixariam Eric fulo da vida, mas a graça mesmo era seu maker com raiva. Era diversão garantida. Evitou várias vezes ligar para o celular dele, porém sua saudade era tão grande que ela não resistiu e mandou uma mensagem, perguntando se tudo estava indo bem. Assim como quem não quer nada, pois acreditava que tinha liberdade para fazer isso. Pam ficou esperando como uma idiota. Olhava para a tela do celular a todo minuto, não conseguia se afastar dele, apesar de precisarem dela na boate. Lá fora o som estava rolando alto e por um tempo já. Neste momento a tela piscou. Pam quase derrubou o celular na empolgação para apertar o botão. Finalmente, Eric havia respondido sua mensagem. Ele dizia: “Até agora tudo está indo como planejado! Como vão as coisas no Martillo? Você já o faliu? rs” Pam digitou rapidamente: “Tá tudo muito chato sem vc por aqui! Espero que não demore muito para voltar!” Alguns minutos depois Eric respondeu: “Já deu tempo de sentir minha falta? Aonde estão aquelas suas amizades deliciosas? Se é que você entende?” Ela suspirou antes de responder, maldita hora que tinha inventado que era lésbica, pensou infeliz. “Uma está aqui comigo em sua mesa, querido. Vc sabe que não sou de perder tempo. E sei que vc não é de perder tempo tb. Já jantou aí em Tijuana?”, sentiu uma pontada de ciúmes após mandar a mensagem. “Se isso te serve de consolo, a minha companheira de missão não é nem um pouco divertida! Na verdade não passa nem perto! Se visse o tamanho das


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calcinhas que ela usa, cairia para trás!” Esse foi o estopim, Pam não aguentou de ciúmes, e escreveu tremendo: “Vc está com uma mulher na missão????Disse que estaria sozinho!!!!!” Ele respondeu em seguida, não deu tempo nem de Pam remoer a sua raiva. “Acho que esqueci, não achei importante. E nunca pensei que diria isso, mas não estou interessado nela. Tem algo que não me atrai...e falando no diabo, devo dizer na Beata aqui vem ela. Tenho que ir. Tome cuidado, me ligue se acontecer algo.” Sentiu um certo alivio ao ler a mensagem, era uma a menos que deveria se preocupar. Despediu-se dele: “Logo mais terei notícias da tal dançarina, se você ainda se lembrar... beijossssss.” Segundos depois a curta resposta dele: “Ainda quero saber.” Agora Pam se animou um pouco. Eric estava bem e ainda a adorava, foi como tirar um peso de suas costas. Recostou-se na cadeira dele e lembrou-se da primeira vez que o viu em sua curta vida, há muito tempo, quando ela tinha seus 20 e poucos: Era o ano de nosso senhor de 1792 na cidade de Valência, bastante conhecida por seu passado glorioso na busca pelo Ouro Valenciano e anos de dominação dos mouros. Na época em que Pam lá viveu a cidade não tinha mais mouros e muito menos ouro, estava cheia de estrangeiros, trambiqueiros e tipos estranhos, inclusive vários inimigos do Rei Carlos IV. Pam ajudava na taverna de seu tio, às vezes dançava flamenco para os beberrões, outras vezes servia as mesas e muitas outras bebia tanto que chegava a cair no chão. E também apostava as suas roupas para conseguir um dinheiro extra nas mesas de jogos. Não era pobre e estava longe de ser, sua mãe era prima da Rainha Maria Luísa de Bourbon que governava a Espanha junto de seu amante, já que o Rei era estúpido demais e aceitava essa condição de submissão.


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Sua mãe sempre dizia que o lugar de Pam era com ela na corte, e por isso tratou logo de arranjar um casamento com um Conde qualquer. O problema era que de nobre o homem só tinha o título, comprado em mesas de jogos, e não passava de um velho gordo e esclerosado. Ela tinha total pavor da ideia de casar com um homem assim que não a faria feliz na cama, e a exploraria como uma empregada. E o título não a ajudaria em nada perante a nobreza, estaria presa durante anos num casamento que só beneficiaria a sua mãe, afinal, o velho tolo era sentado em dobrões. Abandonou a capital e sua mãe para sempre. Por isso achou melhor usar de seus talentos natos que eram sua beleza etérea e sua paixão pelo flamenco. Foi em uma dessas noites, em que Pamela dançava euforicamente dentro da taverna que tudo aconteceu. Havia dias que ouvia conversas sobre um tal homem de gelo que estava vagando por Valência, muitos tinham medo, afinal, nunca tinham visto um ser tão alto, pálido e loiro. Diziam que descendia de Vikings e estava por ali procurando encrenca. Ou era tudo especulação, e ela não ousava dizer nada sem botar os olhos no homem. Naquela noite usava o tradicional vestido vermelho de babado com detalhes em preto, batia seu sapato de salto no chão e acompanhava com a castanhola. A música tomava conta de seu corpo, se perdia no som do violão e no grito das pessoas, seu mundo se resumia aquele lugar. Girava sem parar, saltava e batia vigorosamente no chão. Parou de dançar numa pose com a mão apontada para cima, sorridente e cheia de aplausos. Seu peito arfava por conta da dança, tentava recuperar o fôlego, quando sentiu um olhar em suas costas, não era apenas um olhar, era o olhar. Sentiu percorrer todo o seu corpo, terminando com um arrepio em sua nuca. Nunca tinha sentido algo parecido, virou-se e começou a procurar o causador daquela sensação em seu corpo, parecia que aquele olhar havia dançado junto dela. A taverna estava cheia, as mesas ocupadas, o bar lotado, pediu uma caneca de cerveja para seu tio e ele estendeu dizendo que ela dançou maravilhosamente aquela noite. Sentou-se numa mesa e bebia de cabeça baixa, quando novamente sentiu o olhar, dessa vez ergueu a cabeça olhando diretamente para um canto mal iluminado da taverna.


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O olhar dele brilhava e a encarava com a mesma intensidade de antes, ela reparou que era um homem grande... Ele parecia que estava procurando... Caçando...e ela seria a presa? -----------------------------------Bill dirigia pela estrada de maneira cuidadosa, havia recebido uma mensagem de Jessica dizendo que iria viajar com algumas amigas, e ficaria fora uns dias. Nem poderia pedir para Alcide ir junto, pois ele já estava fazendo outra coisa. Teria que confiar nessas amigas de Jessica, aliás, estava espantado, pois nem sabia que sua filha tinha amigas. A vampira era sempre preocupação e confusão. Ainda não havia entrado em contato com Sookita, nem tinham se despedido um do outro. Não queria nem imaginar que a estava perdendo, e por isso teria que tomar uma atitude drástica quando ela voltasse. Já não bastava ela estar em companhia de Eric Henrique, ele tinha que estar longe dela neste momento? Esperava que Alcide conseguisse acompanhá-los de perto, e por isso tinha passado todo o cronograma da missão. Bill sabia de coisas que nem Eric estava preparado. Essa era uma das vantagens de trabalhar junto da Autoridade. Eric era apenas um peão. Bill sim era importante para todo aquele esquema, não era prefeito à toa. E quem sabe um dia almejaria algo até maior. Chegou ao seu destino, estava cansado desses encontros em lugares estranhos e fora da cidade. Já havia dito que não precisavam disso, não estavam sendo seguidos. Desceu do carro, olhou para os lados para confirmar que não tinha nada de diferente nas redondezas. Pegou o celular e digitou uma mensagem para Sookita. Ela deveria estar ocupada com a festa de casamento. Sem dúvida só responderia no dia seguinte. Ficaria ansioso esperando pela resposta. Estava com saudades dela. Caminhou até a entrada da casa velha, abriu a porta e disse: “Não fui seguido.” --------------------------------


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Jessica deu um tapa na cara de Alcide para que ele acordasse e disse: “Já avisei meu amado pai de que saí em viagem com as minhas amigas. É tarde demais...”, ela gargalhou. Ele olhou em volta, não estava mais em seu apartamento. Estava num local tão simples quanto, um motel de beira de estrada. “Você me obrigou a te trazer, não acredito que fez isso comigo, Menina Jessica.” “Eu não sabia que funcionava em você, resolvi testar e tiramos umas fotos lindas.”, ela passou o dedo pela tela do celular e observava as fotos em que tirou nua na cama ao lado de Alcide. Inclusive em algumas posições sugestivas. “Eu não traí a confiança de seu pai. Você sabe que fiz por conta da sua chantagem.”, ele balançou a cabeça. “Ele não ficaria contente em receber essas fotinhas sacanas.”, ela mostrou o celular para Alcide. Ele virou a cabeça, não queria ver Menina Jessica nua, por sorte não se lembrava exatamente do ocorrido, ela o havia hipnotizado e o fez tirar fotos constrangedoras. Quando voltou ao normal estavam no caminho para Tijuana. “Pena que ainda não consegui tirar o seu motivo para viagem. Pelo jeito lobos burros como você não respondem totalmente ao meu charme.”, ela digitou algo no celular: “Melhor dizer de uma vez, ou mandarei para meu papai essa foto romântica de sua cara no meio das minhas pernas.” Alcide sentiu vontade de dar novamente um soco em Jessica como aquele dia no bar de Sam. Não costumava perder a razão, mas ela estava passando dos limites. “Eu imagino que deve ser por conta de Sookita, por isso todo esse mistério idiota.” Ele engoliu em seco e respondeu: “Sim, estou aqui para vigiar Sookita.”, ele caminhou na direção da janela, puxou a cortina e ficou observando lá fora. Não adiantava mais esconder, já


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estavam em Tijuana e não queria seu amor transformado em ódio por Menina Jessica. Nem sabia o porquê sentia isso, ela era o diabo em pessoa. “Eu sabia, eu sabia, eu sabia! Nunca erro quando é com aquela imbecil.”, ela deu um soco no ar. Alcide não queria trair Bill, mas também não queria ser acusado falsamente de algo que não fez. E a vampira não hesitaria em destruir a sua reputação. “Já tem o que gostaria, poderia apagar essas fotos?” “Claro que não, quero guardar de lembrança a única vez que você chegou perto de uma mulher.”, ela gargalhou novamente. Ele voltou-se para a vampira, seu olhar era de dor e perguntou baixinho: “Você ficará aqui o tempo todo comigo?” Ela sentou-se na cama. “Se é para ficar nesse lugar nojento, pelo menos é mais limpo que a sua casa.” Alcide cobriu a distância dos dois com um passo e agarrou pelo braço: “Por que é sempre tão ruim? Parece até que tem o diabo no corpo.” “Se me contar o que Sookita faz aqui em Tijuana prometo que ficarei boazinha.”, ela fez um aceno positivo com a cabeça. “Está numa missão para a Autoridade junto de Eric Henrique Colunga.” Jessica deu um grito, Alcide a largou de susto e fez o nome da cruz. “Agora entendi o motivo de meu pai ter te mandado para cá”, ela deu um pulo: “Essa história só fica melhor.” Será que Eric já sabia que Sookita era a dançarina daquele dia? Jessica não havia esquecido o ocorrido. Se ele não soubesse, de repente poderia ficar sabendo. Seu pai tinha medo de que algo poderia acontecer entre Eric e Sookita, por isso o idiota do lobo estava ali rodeando.


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Tinha feito o certo em vir junto de Alcide para Tijuana. Tirou a blusa sem se importar com o lobo, deixou os peitos expostos e disse: “Vou tomar banho, depois vamos dar uma voltinha.” -------------------------------------Sookita estava dançando fazia mais de uma hora, algumas vezes com Eric, depois com outros convidados da festa. Evitaram chegar perto da noiva por conta da cara do senador que não parecia muito contente. Eric chamava muita atenção, Sook pensou enquanto o observava dançando com uma bonitona. Ela estava acompanhada de um dos homens mais bonitos do casamento, isso se não fosse o mais bonito. Mas não iria se deslumbrar com isso, beleza não era tudo. Ainda preferia Bill sem pensar duas vezes. Era romântico, decente e seria um futuro bom marido. Antes que pudesse continuar perdida em seus pensamentos, Eric surgiu na sua frente estendendo a mão: “Que tal me conceder a honra da última dança da noite?”, disse ele com um sorriso encantador. Na hora que chegaram ao centro da pista, a música que tocava era lenta, muito lenta, terrivelmente lenta para desespero de Sookita. Não queria dançar tão perto dele, as outras músicas não foram tão lentas assim e nem chegou a encostar-se a ele. Eric apertou o corpo contra o dela, segurando forte em sua cintura. Apoiou uma das mãos perto da bunda de Sookita que congelou, parecia que até sentia a mão gelada dele ali através do tecido. Ela tentou passar as mãos pelo pescoço dele, mas sem sucesso, era muito alto. Deixou as mãos apoiadas no peito dele. “Por que é tão santinha, Sookita?”, ele sussurou em seu ouvido. Ela estremeceu, por que isso o incomodava tanto? Pensou. “Sou o que sou”, ela respondeu virando o rosto para o outro lado e empinando seu nariz orgulhosamente. Eric aproximou os lábios do pescoço dela e o cheirou sentindo a veia pulsando sem parar, o sangue quente correndo ali tão desenfreado. Eric não perdeu mais tempo e beijou o pescoço dela. Ela sentiu os lábios frios em sua pele


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quente, e segurou o gemido o máximo que pode. Sook quis sair dali desesperadamente, mas não podia reagir, afinal, eram casados. Não queria pensar no arrepio que estava sentindo e por alguns momentos se arrependeu de ter cedido tanto a ele nessa festa. Sem dúvida era culpa da bebida. Só podia ser... Sentiu a cabeça girar e disse baixinho: “Estou cansada, meus pés estão me matando. Além do que você já chamou demais a atenção por hoje.” Ele concordou com a cabeça, terminaram de dançar. Voltaram para a mesa, se despediram de alguns convidados e caminharam na direção da saída. Sookita sentiu o olhar do senador em suas costas, os pensamentos dele estavam gravados na sua mente. Balançou a cabeça tentando esquecer as imagens perturbadoras. “Meus pés estão...não sou acostumada com salto.”, ela disse enquanto esperavam o elevador. “Então tire, não temos que fingir mais por hoje.” A porta do elevador se abriu, Eric entrou primeiro e ela entrou depois caminhando com dificuldade. Ele revirou os olhos diante da cena, e assim que a porta fechou, encostou Sookita na parede do elevador e tirou os sapatos dos pés dela. Ela quase gritou de alegria, já estava sentindo as bolhas enormes na sola de seu pé. “Eric, acho que não estou me sentindo muito bem... está tudo girando”, disse enquanto colocava a mão na testa. “Avisei para não beber aqueles coquetéis que serviram no jantar. Você ainda não tinha se recuperado.” Ela desabou no chão do elevador, por sorte estavam sozinhos, já eram quase quatro horas da manhã. “Não quero estragar esse vestido tão bonito...”, disse chateada. Eric revirou os olhos novamente, só faltava essa para encerrar a noite.


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“Sookita, o vestido continua intacto. Não se preocupe que a Autoridade paga tudo, você poderia até queimar se quisesse.” Olhou para ele sorrindo e pediu ajuda para levantar. Eric a levantou sem dificuldades. Ela mal conseguia ficar em pé, a cabeça rodava, e nem queria pensar em como iria caminhar até o quarto. Ser carregada pelo vampiro não era uma opção. A porta abriu, Eric foi caminhando sem esperar por Sookita. Já estava colocando a chave na porta quando percebeu que ela não estava atrás dele. Virou a cabeça e se deparou com sua esposa de mentirinha se segurando nas paredes, parecia mais perdida do que cego em tiroteio, sem falar que andava feito uma pessoa de idade avançada. Eric sentiu uma vontade incontrolável de rir da situação bizarra na qual estava. “Nunca mais vou usar salto na vida, e muito menos dançar com eles.”, ela jogou longe um dos pares que segurava na mão. “Vamos parar com o dramalhão, acho que você andou assistindo muita novela na Televisa.” Eric não esperou Sookita responder, caminhou na direção dela e em seguida a levantou do chão como se fosse uma pluma. Ela soltou um gemido num misto de alívio e surpresa. “Agora você geme, espertinha.”, ele disse com desdém. “Os sapatos...”, ela gritou na direção dos sapatos que estavam no chão. “Deixe essa merda aí. Estava choramingando até agora.” “Não podemos deixar pistas, estamos numa missão, esqueceu?” “Acho que estar aqui com você, é um bom lembrete disso.” Ela ficou quieta e deixou-se ser carregada, resolveu não dizer mais nada. Bastava ela começar a falar que ele ficava irritado. Eric abriu a porta do quarto com um pontapé, já tinha destrancado antes. Passou pela sala de estar, entrou no quarto e a colocou em cima da cama. Deu meia volta, demorou alguns segundos e voltou com os sapatos.


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“Satisfeita?” “Obrigada” “Vá dormir, amanhã a noite temos muito o que fazer.” “Mas...mas...” “Sem mas...quando voltar eu dormirei no sofá, não vou aguentar esse seu olhar assustado.” “Pra onde você pensa que vai uma hora dessas?”, perguntou Sookita preocupada. “Estou com fome, ao menos que você me deixe chupar seu pescoço, vou procurar outra que o faça.”, ela arregalou os olhos e ele soltou uma gargalhada: “Estou brincando, querida esposa. Não vou te trair.” Saiu em seguida a deixando sozinha no quarto. Deitou na cama ainda com o vestido, depois o tiraria, nem sabia como faria isso, mas daria um jeito. Estava cansada, apenas queria ter um bom dia de sono numa cama de verdade. -------------------------------------Ele voltou por várias noites, sempre sentado no mesmo lugar escuro, apenas com aqueles olhos quase vermelhos a seguindo por todo o canto. Sentia curiosidade e pavor ao mesmo tempo, não sabia exatamente definir, apenas queria olhar diretamente no rosto dele e saber o que a caçava tanto todas as noites na taverna. Após umas duas semanas, algumas mortes estranhas acontecendo na cidade, pessoas foram atacadas por animais selvagens, algo não muito comum por ali. Pam caminhava pelas ruas sujas e desertas de Valência. Aquele homem misterioso não tinha aparecido dessa vez. Ela ficou desapontada, até bebeu bastante para esquecer essa história confusa. Quando estava perto de casa, duas mãos a agarraram e a puxaram para um beco escuro, será que era o dia de sua morte? Ser atacada nessas ruas só significava isso. Foi jogada de encontro à parede e se deparou com dois homens, um portava uma faca a ameaçando. O outro tentava rasgar o seu vestido. Pam paralisou pelo horror, nunca ia embora sozinha, só dessa vez por


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estar distraída e bêbada. Antes que fizesse qualquer movimento, algo passou voando pela cabeça dos dois homens e os jogou longe, Pam apenas ouviu os gritos horrorizados deles ao fundo. Começou a correr no sentido contrário, não queria encontrar a coisa que os atacou. Mas não foi muito longe, pois a coisa passou também por cima de sua cabeça e aterrissou em sua frente. Soltou um grito de susto. Até que os olhos que a perseguiram todo aquele tempo estava bem a sua frente. “Não vai me agradecer?”, ele disse numa voz rouca. “Agra...gra...decer?”, perguntou num fio de voz. Ele caminhou para perto, e pela primeira vez ela pode ver o rosto dele. Era loiro, estava de cabelos amarrados, vestia-se como um nobre, até usava uma capa. Mas o rosto dele, aquele sorriso de canto, os olhos profundos que perfuravam a alma. Pam sabia que jamais seria a mesma depois daquele noite, havia encontrado o seu nobre ou a sua perdição. Em todos esses anos ao lado de Eric não sabia ainda a resposta. Depois daquela noite nunca mais se separaram, ele não era nobre e estava bem longe disso. Estava roubando algumas fortunas da região e ela o ajudou em todos os golpes. Ela já sabia da condição dele de morto-vivo, não tinha medo e não tinha mais do que fugir, também almejava essa “vida” ao lado dele. Tiveram um curto caso. Pam desistiu de tentar algo a mais porque Eric era extremamente volúvel e mulherengo, do mesmo jeito que era sedento por sangue, era sedento por mulheres. Ela jamais seria feliz sabendo que ele estaria em várias camas e depois voltaria para a dela cheirando a outras mulheres. Quando ele a transformou foi a melhor sensação de sua vida, morrer sendo sugada por ele e depois reviver nos braços dele, era tudo o que desejava. Ela viveu e morreu por Eric, e não se arrependia da escolha que havia feito. Pam tinha certeza que nunca iria encontrar nada melhor no mundo do que a sensação de estar nos braços de Eric, de ser beijada por aqueles lábios tão experientes que contavam histórias quando a beijava. Eric seria sempre o seu único amante, pois homem nenhum se comparava a ele. Nem nobre, nem plebeu. Ela deixou as ruas escuras de Valência para trás quando passou a vagar pelo mundo com ele.


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Enxugou as lágrimas de sangue que teimavam em escorrer pela sua face. Fazia tempo que não se lembrava de quando o conheceu, não havia esquecido um detalhe, mas sentia um gosto amargo pelo passado que tiveram. Por isso, escondia essas lembranças no fundo de sua mente. Não gostava de se sentir vulnerável. O que a consolava era que em todos esses anos juntos, Eric jamais a trocou por outra mulher ou a deixou de lado por isso. Apesar de não levarem uma vida íntima, ela era e sempre seria a única mulher da vida dele também. O telefone tocou, não era Eric e sim Lafayette Escobar dizendo que levaria a pessoa amanhã no Martillo. Era para Pam o desculpar e poupar a vida dele por mais 24 horas. Sorte que ela estava emotiva e deu uma segunda chance. O que ela não fazia por Eric? Pensou balançando a cabeça. ------------------------------------Lafayette estava cedo esperando por Tara do lado de fora da faculdade. Não poderia esperar mais um dia, já havia despistado Jason na noite anterior, mas Tara estava sumida ou escondida. Não queria encontrá-lo. Por sorte Pam o havia poupado por ter furado o encontro, e ele quase ajoelhou e agradeceu todos os santos após desligar o telefone quando terminou a conversa com a vampira. Eram quase nove e meia da manhã quando viu Tara caminhando pela alameda em frente à faculdade, carregava alguns livros e estava sozinha. Lafa correu na direção dela, dessa vez ele não estava chique, usava um tênis e roupas comuns, pelo menos não tinha conhecidos naquela região. “Está me evitando, priminha?”, ele perguntou de supetão. Tara deu um pulo por conta do susto e respondeu apertando os livros no peito: “Lafa, pelo amor, assim você me mata de susto. Não estou te evitando, estou estudando.” “Estudando? Bem, isso é novidade. Tanto faz...a questão é que estou te procurando desde ontem, passei o dia todo ligando e você não atendendo. Nem seu patrão tinha notícias suas, aliás ele disse que também está querendo falar com a senhorita.”


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“Lafa não quero saber de seus problemas, já basta o que você me faz passar todas as noites. Cansei de receber os piores clientes, ainda mais aqueles velhos fedidos e barrigudos.”, ela fez uma cara de nojo. “Ah, mas neste caso eu acho que você ficará bem interessada. Tem dinheiro envolvido, e cá entre nós você está precisando, amada, suas roupas já não são mais aquelas maravilhas.” “É ainda aquela história da Sookita? Achei que já tinha resolvido a essa altura.” “Eu não sou tão gananciosa assim, quer dizer, na maioria das vezes. Eu também fiquei preocupada se ela não correria perigo.”, ele disse empinando o peito orgulhoso. “Acredito...”, ela disse incrédula. “De qualquer maneira, eu piorei as coisas, admito. Agora a testa de ferro do Eric Colunga quer te encontrar, conversar diretamente e ouvir de sua boca quem é a moça.” “Não entendo o motivo. Não imaginei que Sookita causaria uma impressão e tanto lá no Santo Martillo.” “Eu muito menos, apenas quero lucrar o que puder com essa história.” “Estou vendo toda a sua preocupação com Sookita.”, ela suspirou. “Meu Deus, Sookita é a sua amiga, não minha. Você vai lá comigo resolver de uma vez por todas? Metade da grana é sua, prometo.” Tara pensou por alguns minutos deixando Lafayette nervoso. “Tara, ande logo. Não aguento ficar vestido dessa maneira, sem alguém me ver...Jesus Cristinho.”, ele fez o nome do pai. “Eu vou com você, mas será nos meus termos, eu irei resolver as coisas com a vampira.” Ele começou a beijar o rosto da prima sem parar, estava exultante. “Obrigada, queridinha, sabia que você é linda? Sabia que não me


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decepcionaria.” Tara deu de ombros empurrando Lafa para longe. “Me pegue em casa...não vou ficar andando de ônibus tarde da noite.” Lafa concordou e jogou um beijo estalado para Tara conforme se afastava. Ela balançou a cabeça caminhando na direção da próxima aula. Apenas não queria a sua amiga prejudicada, estava com saudades daquela virgenzinha. ------------------------------------Sookita estava neste momento numa floresta, o lugar era realmente lindo e tranquilo, a sensação era de respirar a própria paz. Nem acreditou que finalmente estava livre de Eric. Era bom demais pra ser verdade. Agora ela já podia seguir sua vida normal no Vale e ser eternamente feliz com seu amado Bill. “Sookita, é isso mesmo que você quer?”, perguntou uma voz familiar. “Quem é? Apareça, eu estou te ouvindo...”, disse ela assustada olhando em volta. “Você sabe muito bem quem é.” “Apareça! Por que nunca consigo me livrar de você, Eric?”, disse desesperada. “O sonho é seu, não estou aqui por vontade própria, existe um motivo pra isso... e acho que você sabe qual é.” Após dizer isso ele apareceu entre as árvores, estava diferente, não usava as habituais roupas pretas. Eric estava com um ar angelical, usava roupas brancas e seus cabelos loiros estavam soltos ao vento, ele parecia mais bonito do que nunca. “Não sei do que você está falando. Vá embora, me deixe em paz!”, disse nervosa. Ele se aproximava cada vez mais dela, seu rosto estava sereno e ele parecia feliz. Até que ficou cara a cara com Sookita. O homem que estava à frente dela não parecia nada com o que ela conhecia.


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“Estou aqui para te mostrar o quanto está enganada sobre mim.” “Enganada sobre o que? Que você é melhor do que aparenta? Fica usando essa pose de vampiro poderoso, mas não fundo é tão humano quanto eu.” Ele sorriu, no começo o sorriso parecia tímido, mas depois foi mudando juntamente com sua expressão. O ar angelical foi desaparecendo aos poucos. A floresta foi escurecendo, assim como a roupa dele. Ela ouvia gritos ao longe, e a lua crescia no céu. “Eu estava certo mesmo.” “Do que você está falando?” “Você deseja sentir minhas presas no seu pescoço, deseja que eu possua seu corpo, que faça o que Bill não tem coragem de fazer.” Sookita tentou se afastar, mas ele a puxou e cravou as presas no seu pescoço. O sangue era sugado lentamente, ela sentiu o seu corpo enfraquecendo...o demônio estava possuindo o seu corpo, com mais e mais força. “Preparada?”, ele deixou de sugar e perguntou. Ela balançou a cabeça confirmando. “Hora de morrer, Sookita.”, e ele mordeu novamente o seu pescoço. Ela sentiu um arrepiou em todo o seu corpo, seus olhos foram se fechando aos poucos e o sangue deixando seu corpo para sempre. Estava morrendo...e não havia um céu do outro lado. Quando abriu os olhos e encarou o teto respirou aliviada por tudo ter sido um sonho, seu coração acelerado indicava o pesadelo que teve. Não poderia deixar Eric dominar a sua vida e seus sonhos desse jeito, ele era tudo menos um anjo como fingiu no sonho e aquele dia na sua casa. E ela odiava por ter tido um pesadelo tão estúpido quanto esse. Olhou o relógio na cabeceira, ainda marcando três e meia da tarde. Não era acostumada com esses horários, estava vivendo como uma vampira, e não gostava nada disso. Ainda estava morrendo de sono.


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Se virou para continuar dormindo quando deu de cara com o rosto de Eric colado ao seu.


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Capítulo 11 Um Segredo entre Nós Seems like yesterday I lay down next to your boots and I prayed For your anger to end Oh Father I have sinned


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Sookita sentiu um frio na barriga, não acreditava no que estava vendo. Tentou sacudir a cabeça, de repente ainda estava sonhando. Mas sem sucesso, Eric continuava deitado ao seu lado e dormindo como uma pedra ou um morto, apesar de que ele era morto mesmo. Ela jogou o lençol em cima dele, pronta para sair correndo da cama, quando reparou que não estava mais usando o vestido de festa. Passou a mão pelo seu corpo e usava apenas o sutiã tomara-que-caia e uma calcinha minúscula que foi obrigada a usar por conta do vestido. Até seu corpete tinha sido tirado. Ela tinha certeza que tinha ido dormir com o vestido, quanto a isso não tinha dúvidas. Estava tão cansada após a festa, apenas se lembrava de Eric sair do quarto e desabou na cama em seguida. A cor fugiu do seu rosto ao imaginar que ele tirou a roupa dela, e se tinham feito alguma coisa e ela não se lembrava? Será que o sonho tinha sido real? Ele a teria mordido? Pensou em pânico. Correu na direção do banheiro, fitou-se no espelho, observando o pescoço, aparentemente estava tudo normal. Um alivio tomou conta do seu corpo, mas estava com um aparência horrível, cansada, sentia uma vontade enorme de beber muita agua, sua garganta estava seca. Voltou caminhando devagar para o quarto, evitando de olhar na direção da cama, e se ele estivesse nu? Nem queria pensar nisso. Deu a volta na cama parando ao lado do vampiro, era estranho observar alguém dormindo que não respirava. E se ela aproveitasse o momento de total dormência dele e o esbofeteasse na cara por todos os constrangimentos que ele a fez passar? E se ele acordasse e mordesse, ele poderia fazer isso? Bom, era melhor nem tentar, pensou Sookita. Resolveu arriscar em levantar o lençol, rezando baixinho para ele estar vestido. Ele estava dormindo de barriga pra cima. Sookita pegou o lençol e levantou devagar, abaixou a cabeça perto dele para olhar melhor. Respirou aliviada quando notou que ele usava uma cueca. Antes que pudesse se afastar, sentiu o olhar dele, tinha acordado. E ela estava lá, naquela posição constrangedora, apenas de calcinha e sutiã espiando o corpo dele. “Eu...desculpe...não sei o que aconteceu...”, balbuciou algumas palavras


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confusas. Ele a encarou e disse: “Sookita...”, e fechou os olhos novamente. “Eric? Eric?” Não ousou chegar perto e sacudi-lo. Bill havia dito uma vez que os vampiros quando dormem, só acordam por algo realmente importante, e apenas por alguns segundos. Por isso, são alvos fáceis quando dormem e evitam revelarem sobre suas casas. Não estava preparada para enfrentá-lo, ainda mais vestido daquela maneira. Ainda sentia aquela sensação de frio na barriga, não era muito cristão o que tinha feito. Tinha ficado meio bêbada, foi carregada por ele, e acabou dormindo na mesma cama e em trajes sumários. Foi para o closet, trancou a porta, respirou fundo e colocou um vestido simples. Precisava encontrar alguma igreja para se confessar. Sua avó jamais aprovaria esse tipo de comportamento. Na verdade ela deve ter se revirado em seu túmulo várias vezes durante a noite passada. -----------------------------Sam estava sentado em seu escritório, o movimento aquele dia estava fraco, alias como em todos os outros dias. Os negócios não andavam muito bem. Nem poderia pagar como gostaria seus funcionários. Ainda tinha a falta de Sookita em sua vida diária, teria que dar um jeito dela voltar a trabalhar no bar. Não conseguia ficar um dia sem vê-la, ainda mais se controlar ao lado dela. Tara abriu a porta do escritório sentando com má vontade na cadeira em frente à mesa e disse emburrada: “O que você quer, Sam?” “Quero saber o que está acontecendo com Sookita? Você aquele dia fez o maior drama e passei vergonha por conta disso.” “Pelo amor, você sempre passa vergonha quando o assunto é Sookita. Eu apenas fiquei preocupada com ela, nada demais e como sei que você é louco por ela.”, ela deu de ombros.


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“Você não sabe de nada, gosto dela como amiga. E fico preocupado com minha amiga.” “Obrigada por ter ido aquele dia, mas ela está viajando. Você pode perguntar quanto voltar.” Ele encarou Tara, ficou pensativo por alguns segundos e perguntou: “Para onde ela foi?” “Visitar uns parentes, acho que em Acapulco...”, Sookita não tinha dado muitos detalhes e se tivesse não iria contar para ele. “Foi sozinha? Sem Bill?” “Claro que foi. Não tinha motivo para o prefeito ir junto. Você me chamou aqui só pra isso?”, respondeu irritada. “Na verdade, outro dia sem querer, eu fui até a casa de Sookita...” Tara o interrompeu: “Foi lá para vigiá-la?”, balançou a cabeça. “Nada disso, fiquei preocupado com aquele seu ataque do outro dia. Fui averiguar se estava tudo bem.”, ele fez um gesto com a mão. “Só que vi algo interessante. Jason estava enterrando algo no jardim.” “E daí? Aquele lá é pancada da cabeça, você sabe disso.” “Um pancada enterrando um monte de frascos cheios de sangue de vampiro?” “Jason só se mete em confusão, isso porque é policial. Não faço ideia do que seja e por que eu saberia?” “Ele vive grudado naquele seu primo Lafayette. Achei que poderia estar envolvida em alguma coisa.” Ela levantou com raiva encarando Sam:


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“Só porque eu tenho personalidade, não significa que me envolvo nas baixarias de Jason e Lafa.” “Então tem alguma coisa aí...estão traficando sangue de vampiro? Achei que isso era coisa de cidade grande.” “Não quero saber, Sam. Acho melhor você ir falar para o prefeito.” Caminhou na direção da porta e disse: “Ah, eu hoje vou sair mais cedo. Tenho um encontro importante mais tarde.” Sam concordou com a cabeça, sabia que Tara trabalhava algumas noites para Lafayette. Não achava correto, mas não podia pagar melhor, então ficava quieto. Sentou-se na cadeira e meditou se deveria ou não contar para o prefeito. Ele era o namorado de Sookita, poderia ter interesse em cuidar disso. --------------------------------------Sookita ajeitou a barra de sua saia e fechou mais o decote, tinha que estar muito decente ao entrar na igreja. Depois dos acontecimentos dos últimos dias, ela já não tinha mais tanta segurança e desconfiava que seus pecados estivessem escritos em sua testa, para que todos pudessem ver. Só de pensar nisso, já estava ficando vermelha. Caminhou até o altar, parou em frente à cruz e se benzeu. Olhou em volta procurando o confessionário, e quando o avistou quase correu em sua direção. Precisava confessar logo tudo, só assim, sabendo que Deus a havia perdoado é que poderia seguir em frente. Provavelmente era a igreja principal da cidade. Não precisou andar muito para encontrar, mas por sorte estava meio vazia naquele horário. Entrou numa das cabines de madeira. Ajoelhou-se no genuflexório, sentiu a madeira fria. Evitou ler os pensamentos do padre, não achava que era correto. Concentrou-se em seus problemas. O padre abriu a portinhola e disse: “Estou aqui, minha filha.” “Perdoe-me Padre, porque eu pequei.”


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“O que você fez? Estamos na Casa de Deus, tudo aqui é perdoado.”, ele disse numa voz bondosa. “Eu conto com isso Padre porque sei que Deus entenderá minha aflição.” “Não tema nada, minha filha. Diga o que te aflige.” “Padre, eu estou junto de gente muito perigosa, não sei como isso foi acontecer, na verdade eu sei, eu fiz por amor...por amor. Agora estou tendo que fingir ser uma outra pessoa, conspirar e mentir. Sem falar que dormi com outro homem, é claro que ainda sou pura igual a Nossa Senhora, mas não sei se ele aproveitou-se de mim, ou se eu fiz algo mais devido à bebida, e agora não lembro. Padre o que devo fazer?” Algumas lágrimas escorreram pelo seu rosto, ela abriu sua bolsa e tirou um lenço de papel. Após enxugar as lágrimas, assoou o nariz, assustando até o padre. “Acalme-se, minha filha. Deus perdoa tudo. Por isso, está aqui nesse momento se confessando. Se arrependendo de seus pecados. O justo é se afastar de tudo que a está desviando do caminho de Nosso Senhor.” “Obrigada. Eu preciso que Deus me perdoe, eu preciso.” “Mais alguma coisa que gostaria de confessar, minha filha?” “Sim...eu tenho um namorado sabe, e ele quer esperar até a noite de núpcias do nosso casamento para poder me fazer sua, mas eu.. tentei seduzir ele, tentei fazer com que ele fizesse amor comigo...eu sou uma pessoa ruim, não mereço um homem tão bom. Ainda bem que ele colocou juízo em minha cabeça, e me manteve pura e intacta como deve ser.” “O seu namorado é um homem sério, temente a Deus, sabe que o correto é procriar apenas depois do casamento. Espero minha filha, que o ouça mais vezes. ” “ Padre, infelizmente eu nunca terei um filhinho com a cara e os olhos de meu amado Bill...porque ele é um vampiro! Mas é o vampiro mais decente e digno que já caminhou neste mundo. Totalmente diferente do vampiro que eu dormi que é um narcisista, fútil, manipulador e sórdido. Como eu pude deixar ele me carregar nos braços, como?”


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Sookita escutou um barulho do outro lado, o padre se movimentava de maneira nervosa, parecia bater os pés no chão de madeira. “Peço que se retire da casa de Nosso Senhor. Não aceitamos adoradores do diabo aqui entre nós. Não perdoamos quem vaga junto dos sanguessugas.”, a voz dele tremia. “Mas...mas Deus ama a todos os seus filhos...por favor Padre, aceite minha confissão.”, ela dizia desperadamente. “Não terá ave-marias e pais-nossos o suficiente para você rezar. Se ainda existisse a Santa Inquisição, a fogueira seria o melhor lugar para pessoas como você e esses mortos-vivos. ” Ele saiu do confessionário, abriu a porta onde Sookita estava e disse numa voz raivosa: “Saia daqui e se tiver vergonha na cara nunca mais pise na Casa de Deus.” Ainda atônita e trêmula, Sookita abriu a porta do confessionário e correu até a saída da igreja, sem olhar para trás. --------------------------------Jessica terminava de chupar pelo canudinho o resto de TruBlood da garrafa. Havia acordado faz uma hora, ainda estava sentada na cama e Alcide do outro lado numa poltrona com o cenho franzido. “Por que está com essa cara de panaca?”“, ela disse para provocá-lo. “Não vou fazer o que me pediu.” “Qual o problema de ligar para meu pai dizendo que viu Sookita mui amiga do vampiro bonitão?” “Menina Jessica, não foi isso que vimos. E estava meio longe.” “Achei que bichos peludos como você tinham boa visão. Eu vi muito bem da distância que estávamos lá no Cassino. Eles foram juntinhos para o elevador.”, tentou parecer convincente. Alcide soltou um suspiro mexendo-se toda hora na poltrona.


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“Ele foi à frente e largou ela pra trás. Eu não faria algo assim, eu respeito às moças que me acompanham.”, falou num tom sério. “Ah, sei bem. Você é muito respeitoso.”, ela pegou o celular que estava na cômoda, demorou alguns minutos procurando algo, jogando em seguida no colo dele. Alcide virou a cabeça, nem precisava olhar para ter certeza de que era mais uma foto comprometedora. Não sabia quanto tempo aguentaria em ser chantageado. E o quanto tempo Jessica iria esconder isso de Bill. “Qual é a sua intenção com isso? Não entendo...”. Ele passou a mão nos cabelos que estavam um pouco oleosos pela falta de banho. Desde que chegaram Alcide não teve tempo de se arrumar direito. Na noite anterior já tiveram que sair com pressa na tentativa de observar o que aconteceu na festa de casamento. Pelo menos não tinha falhado com seu patrão. Jessica levantou da cama e no mesmo instante estava ao lado do lobo. Chegou perto do ouvido dele sussurrando: “Eu quero destruir Sookita. Ela tem as duas coisas que mais aprecio na vida. O amor de meu pai e Sam. E se meu pai é burro o suficiente para não enxergar. Farei que veja o que está embaixo do nariz dele.” Um arrepiou percorreu o corpo dele conforme ela falou. Sentiu-se mais ainda desconfortável, como ela o deixava perdido, e com vontade de fazer loucuras. “Mas não deve jogar o Senhor Bill contra o Vampiro Eric. Eles já não se dão bem, pode sair morte.” “É o que pretendo...quem sabe não será a de Sookita? Uma vampira pode sonhar...”, cutucou Alcide e apontou na direção do celular dele. Alcide discou o número a contragosto e esperou ansiosamente seu patrão atender do outro lado. “Depois vá tomar um banho.”, Jessica disse tampando o nariz. -----------------------------------


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Mal tinha começado a noite e Pam já estava no escritório de Eric Henrique, totalmente imersa na contabilidade do Santo Martillo. Esta, sem dúvida era pior parte de seu cargo de sócia e gerente do clube. Claro que a melhor parte era poder monitorar Eric de perto. Já havia desligado o computador e iria se dirigindo para o bar, quando alguém bateu à porta. “Carmelita o que foi agora? Alguma outra ninfeta entrou sem o tapado do Frederico perceber?” “Senhorita Lerõnho, é Lafayette Escobar e acompanhante.” ‘Oh...sim, podem entrar.”, ela fez um movimento displicente com a mão. Lafayette abriu a porta com uma expressão nervosa no rosto. Tara entrou em seguida, timidamente. “ Boa noite, madame. Essa é a minha amiga Tara.”, apontou na direção da prima. “Claro...”, Pam sempre foi curta e grossa. Não gostava de perder tempo com formalidades. Tara fez um cumprimento com a cabeça mas não disse nada. Lafayette queria acabar logo com aquilo e enfiar a mão na grana. “Bem...e agora?”, ele perguntou para a vampira. “Desembuche de uma vez. Quem é a moça?”, disse meio impaciente. Tara postou-se em frente a Lafayette e falou numa voz firme: “Eu digo. Com uma condição e não será por dinheiro.” Lafa arregalou os olhos, sentiu vontade de socar a sua prima. Como não era por dinheiro? Tudo era por dinheiro. Pam sentou-se na ponta da mesa olhando interessada para a moça. Parecia corajosa pelo menos, diferente do outro idiota, pensou. “Qual é a sua condição?”


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Lafayette estava quase explodindo de desespero, mas não se movia para não irritar a vampira. Tara respondeu calmamente: “Eu e minha amiga trabalharmos aqui de garçonete. Sabemos que vocês pagam bem, as gorjetas são ótimas e já temos experiência anterior.” Pam soltou uma gargalhada, não imaginava que a conversa tomaria esse rumo. Lafa ficou pálido, sentiu o mundo girando, não acreditava no que tinha ouvido. “Hum...a outra amiga seria a dançarina?” “Sim, Sookita Montenegro.” “Tara, meu Deus que está no céu, o que você está fazendo?”, ele estava desesperado. Pam voltou-se para ele dizendo: “Cale a boca, antes que eu te machuque.”, olhou novamente para Tara. “Gostei da sua atitude, se considere empregada. Quanto à outra, só se meu patrão permitir.” Lafayette desabou no sofá que ficava encostado na parede em frente à mesa. Estava sem forças, não acreditava que tinha sido traído por Tara dessa maneira. Sua prima não continha a felicidade, pelo jeito não trabalharia mais para ele. “Fale com Carmelita, passe os seus dados. Você ficará num período de teste de uma semana, se for bem o emprego é seu em definitivo.” “Obrigada, obrigada. Espero que seu patrão aprove a minha amiga, ela é muito competente.” “Deu para perceber.”, Pam gargalhou novamente, a noite estava realmente muito boa. “Agora podem sair, estou muito ocupada.” “Mas...e a minha recompensa?”, Lafa disse num tom esperançoso. “Ah, você poderá beber de graça aqui por uma semana. Espero que aproveite


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bem.”, a vampira disse empurrando os dois pela porta. Caminhou até a mesa, pegou o telefone e discou. -------------------------Sookita caminhava pelas ruas de Tijuana, irritada. No inicio tinha chorado e se sentido triste, mas agora todo aquele desamparo e descontentamento tinha se tornado raiva e indignação. Nunca poderia imaginar que um homem de Deus faria isso com ela, uma pessoa tão cristã e devota. Aos seus olhos, o Criador amava a todos, mesmo eles não estando vivos como o resto da população. Claro que existiam vampiros ruins, assim como existiam pessoas ruins, e Bill obviamente não se encaixava nesta parcela. A única coisa que ela tinha certeza agora era de que a culpa das pessoas julgarem tão mal a raça vampírica, devia à existência de exemplares como Eric Henrique. Um ser tão baixo e mesquinho, que nunca em toda sua existência havia se preocupado com alguém que não fosse ele mesmo. Tudo o que ele queria das pessoas era apenas seu sangue, na verdade queria seus corpos também. E ele era tão profano, tão primitivo... Tão Eric. Se ela não podia fazer com que as pessoas enxergassem a bondade de vampiros como Bill. Ela pelo menos iria ensinar a vampiros ruins que nem tudo estava perdido, que Deus também os ama e eles podem se arrependerem de seus pecados, afinal eles ganharam uma segunda chance, ainda dava tempo de se tornarem seguidores da palavra do Senhor. E ela já sabia por onde, ou melhor, por quem começar. Só que este vampiro não seria alvo de sua compaixão... Eric acordou de seu sono profundo, e descobriu que estava sozinho na cama. Não ficou tão surpreso, pois sabia que Sookita sendo como é, daria logo um jeito de se afastar. Ele recordava vagamente dela mexendo nele, não sabia exatamente para o que, perguntaria isso mais tarde. Pelo menos não enfiou uma estaca em seu coração, o que já era um avanço, pensou ele Levantou e foi imediatamente procurar por sua parceira de missão. Bateu à porta do banheiro, mas ninguém respondeu, olhou no sofá e ela não estava dormindo ali, nem vendo Tv, assim como também não estava na varanda do quarto. Onde diabos ela estaria? Voltou no quarto, vestiu a calça de um moletom cinza e aproveitou para pegar seu celular. Foi logo mandando uma SMS para Sookita:


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“Onde você está? Por que saiu? Esqueceu que não podemos nos arriscar? Volte imediatamente para o quarto...eu não estou de brincadeira.” Assim que enviou a mensagem, escutou o celular apitando. Obviamente Sookita tinha saído sem o celular. Bufando de raiva, Eric pegou o celular dela que estava em cima da mesinha de centro na sala e olhou as mensagens. Antes da sua tinha uma de Bill: “Sookita, como estão às coisas? Está conseguindo aturar Eric? Beijo.” Ele procurou na caixa de saída por alguma resposta, não tinha nada. Não gostaria de admitir, mas ficou curioso com o que ela poderia responder. Beijo? Que tipo de intimidade o prefeito tinha com a telepata? Estava começando a formular teorias em sua cabeça quando escutou a porta sendo aberta. Sookita abriu a porta com violência, seu rosto estava vermelho, lágrimas escorriam pelas bochechas. Ela parou alguns segundos antes de fechar a porta com um pontapé. Em alguns passos chegou perto de Eric desferindo um tapa com toda a força que tinha. Uma marca de mão se formou no rosto pálido dele. “Hey, pra que isso? Eu só estava dando uma olhada no seu celular, não é nada demais.”, ele jogou o celular no sofá. Ela ficou meio sem entender, enquanto olhava seu celular ser jogado no sofá por ele. “Além de tirar a minha roupa, ainda mexe no meu celular? Você que acabar com a minha vida? É isso? Este é o seu plano maligno?”, ela disse raivosa. “Eu quis te deixar confortável. Você ficou sem ar por causa dele na festa. Eu estava sendo solidário, cara Sookita.” o vampiro deu um sorriso. Mas a telepata não estava para joguinhos, ela queria acabar com a raça dele. “Você me enganou aquele dia na minha casa. Eu fui solidária com você, não o contrário. Tentei acreditar na sua bondade. Que você poderia ser uma boa pessoa.” Eric segurou uma risada, não seria um bom momento para se divertir à custa


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dela. “Achei que já tínhamos resolvido esse assunto. Foi você quem quis acreditar, eu não menti em nada. Você veio porque quis. Que fique bem claro.” Sookita não respondeu aos insultos de Eric, ao invés disso pegou o vaso que decorava a sala e arremessou na direção do vampiro. Eric desviou sem dificuldade, foi até ela e colocou as mãos em seus ombros apertando fortemente. “Pare de se comportar como uma menina mimada. Saía desse seu mundinho cor-de-rosa, Sookita.”, ele a largou. “Não encoste suas mãos em mim. Nunca mais, está entendendo?” “Como quiser, Milady! Agora vá tomar banho, temos que trabalhar. A missão não se resolverá sozinha.” Sookita enxugou as lágrimas e caminhou para o banheiro fechando a porta do quarto atrás de si. Duas horas depois Eric dirigia o carro velozmente pelas ruas de Tijuana. Sookita continuava calada, sem total vontade de conversar. Ela queria apenas que tudo aquilo acabasse logo e ela pudesse voltar para sua vida pacata, junto de Bill, é claro. Passava mentalmente na cabeça o que fariam na boate. Eric disse que era um inferninho qualquer e um dos prováveis passadores de V para os traficantes de Vale de los Sanguijuelas frequentava o local. Sabiam apenas o biótipo físico do rapaz, cheio de piercings e tatuagens. Só que Sookita iria descobrir quem era através da telepatia. Depois Eric o pegaria, em seguida o hipnotizaria e assim, conseguiria as informações necessárias. Sentia calafrios de pensar no que teria pela frente, e o medo latente do nome de Jason surgir na boca de algum deles. O que ela faria? Não bastava tudo que passou hoje, ainda teria que passar por mais essa situação, ainda mais ao lado de Eric. Ele parou o carro num estacionamento de uma movimentada avenida. Mais uma vez teve dificuldades de descer do carro, dessa vez estava usando um pretinho básico, bem justo, mas não muito curto. E evitou o salto alto, usava uma sapatilha estilo bailarina, achou que tinha ficado bonita. Maquiagem


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discreta, cabelos presos num rabo de cavalo. Caminhavam distantes um do outro num beco escuro, Sookita estava sentindo um pouco de medo, e se Eric a atacasse? Se vingasse pelo que falou pra ele mais cedo? Tentou tirar esses pensamentos de sua mente. Ele não fazia esforço para quebrar o clima chato e não seria ela quem quebraria também. Perdida nos seus pensamentos confusos, não reparou que Eric não estava mais ao seu lado. Olhou ao redor e nada dele, só o escuro em sua volta. Antes que pudesse perceber, Sookita não sentia mais o chão. Sentiu um frio intenso na barriga, parecido quando andava na Roda Gigante em Acapulco. Ela se sentia leve. Mas... como assim? Estava voando? Sim, ela estava voando. Sookita entrou em desespero e começou a gritar. “Ah, Meu Deus! Eric me põe no chão, agora mesmo! Esta tentando me matar?” Eric a segurava pela cintura de costas para ele, sempre pressionando contra o corpo dele para que não caísse. Estavam pairando bem alto sobre a cidade. “Não, apenas estou bancando o Superman para a minha Lois Lane.”, ele sorriu. “Fique tranquila que eu não vou te soltar.” “É tudo tão bonito aqui de cima. As luzes da cidade...” Um pouco mais calma. Sookita ficou maravilhada conforme o luar batia nas ondas do mar ao longe. Tijuana parecia tão tranquila, como se tudo fosse sempre em paz. “Eu gostaria de pedir desculpas pelo meu comportamento no hotel. Não foi correto o que fiz com você.” Ela sentiu o rosto corar, sorte que estava de costas para ele. Estava tão confusa e surpresa com a atitude dele que nem conseguiu responder. “Saiba que não faço isso com todas as mulheres que saio. É muito cansativo carregar outra pessoa junto de mim. Só faço quando vale a pena.”, ele deu um sorriso de canto. Nesse momento Eric a virou de frente para ele apertando mais ainda as mãos em volta da cintura. Ela estava tão bonita sem aquele jeito puritano, parecia à mesma moça que o deixou desconsertado no banheiro durante a festa.


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“Sei que você me proibiu de toca-la...” Antes que Sookita pudesse responder, eles já estavam no chão novamente. Ela queria que tivesse durado muito mais, muitas horas. A sensação lá em cima era maravilhosa. Parecia que tinha apagado todo o sofrimento que teve hoje. Ela o encarou, mesmo estando escuro, conseguia ver nitidamente os olhos azuis dele. “Obrigada, foi uma das melhores sensações da minha vida.” Ele confirmou com a cabeça e indicou o caminho para a boate. Havia uma porta no fim do beco e o barulho do outro lado era bem alto. Sookita ainda estava pensando no que tinha acontecido, será que ele estava mesmo arrependido? Ou queria salvar o resto da missão? O local estava lotado, quente, um ambiente pesado e sufocado. Uma banda estava tocando, várias mesas, muita gente bebendo. O bar não tinha espaço. A maioria lá se vestia de preto, com cabelos moicanos, piercings, as mulheres de batom preto. Sookie balançou a cabeça em reprovação. Eric disse baixinho: “Sei que será difícil para você se concentrar com todo esse barulho. Só tínhamos a indicação desse lugar e uma descrição física básica do cara pelo nosso informante. Estou vendo que será a mesma coisa que achar uma agulha num palheiro.” Sookita reparou que todo mundo parecia igual. O celular de Eric tocou, ele não atendeu. Ficou imaginando quem poderia ser àquela hora e ela ainda nem havia respondido a mensagem de Bill. Sentaram-se numa mesa de canto, Eric foi ao bar pedir um TruBlood e uma cerveja. Pelo jeito ele pensava que ela gostava mesmo de beber. Começou a ouvir a mente de quem estava por ali, uma confusão de pensamentos, todo tipo de coisa. Sexo, drogas, violência, morte, vampiros...alguns vampiros estavam ali, pois em alguns deles Sookita não conseguia captar os pensamentos. Eric voltou com a bebida, parecia tão gelada e convidativa a cerveja. Sookita bebeu um gole e fez uma careta, meio azeda. Ele bebeu o sangue sintético de


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uma vez só, parecia meio tenso. Alguns pensamentos ficaram mais claros em sua mente, um em particular. Conseguiu ouvir algo sobre V, dinheiro, retirada, entrega. Vinha de um rapaz alto, bonito, usando uma jaqueta de couro, calça jeans e muitos piercings. Batia meio com a descrição, assim como muitos outros. Mas era dele quem sentiu isso. Alguns nomes surgiram, Cardoso, Velasquez, Albuquerque...Sookita tossiu quando ouviu isso. Era o sobrenome de Jason. Não poderia ser coincidência. Não poderia entregar seu único irmão, Eric descobriria rapidamente e o mataria sem piedade. Pensou nas palavras do padre. A vida de seu irmão valeria menos que a de um vampiro? Apontaria a pessoa errada, não tinha jeito. Teria que sabotar a missão dessa vez. Mas depois faria Jason pagar cada centavo do que estava passando nesse momento. “Descobriu alguma coisa?”, perguntou Eric a olhando com curiosidade. “Acho que sim.”, ela confirmou com a cabeça. “Quem é?” “Aquele ali no canto esquerdo do palco. O de cabelo azul.”, pegou um rapaz qualquer. Parecia sobre influência de drogas. Não falaria nada coerente para o vampiro. “Tem certeza?”, perguntou ansioso. “Absoluta, eu li os pensamentos dele sobre entrega e retirada de V.”, sentiu uma pontada de culpa, mas não podia correr riscos. O celular de Eric tocou novamente e mais uma vez ele não atendeu. “Vou lá pega-lo. Encontre-me do lado de fora.” Sookita levantou da cadeira tremendo, nem terminou de tomar a cerveja. Foi caminhando para a saída, por sorte não atraiu muito a atenção, era comum demais ali. Respirou aliviada quando saiu do local, ar fresco. Mesmo que tudo ainda estivesse numa penumbra. Não tinha ninguém por ali. Caminhou um pouco no beco esperando por ele. Aproveitou e respondeu a mensagem de Bill. Escreveu que tudo estava ocorrendo bem, sentia falta dele.


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Notou que tinha também uma mensagem irritada de Eric, era por isso que estava mexendo no seu telefone naquela hora. Ele não demorou a sair com o rapaz que balbuciava palavras desconexas. “Tem certeza que é esse mesmo?” Ela apenas confirmou. Eric encostou o rapaz na parede e o hipnotizou. “Onde você irá retirar o V?” “Que? V, eu quero...comprar.....quero....sim” O rapaz não falava de maneira coerente. Eric o cheirou e sentiu sangue de vampiro no rapaz. O informante deixou claro que o rapaz não era viciado, a pista era quente. Sookita observava de longe apreensiva. Logo ele descobriria que era o cara errado. “Você tomou V hoje?” “Muito bom, cara. Quer um pouco também?” Eric esmurrou a parede, largou o rapaz que caiu no chão. Foi até Sookita. “Você se confundiu. Esse imbecil é viciado em V, não é o traficante que procuramos.” “Não sei, era muito barulho. Acho que me confundi mesmo.” “Você me deu certeza, Sookita. Não se brinca com essas coisas, não temos tempo a perder.” “Não farei isso na próxima vez.”, ela disse fingindo confiança. “Você me obrigou a fazer isso...” Eric foi à direção do rapaz, o pegou pelos ombros e Sookita só ouviu o clique do pescoço quebrando. Com uma mão ele matou o viciado. Largando o corpo perto de uma lixeira.


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Ela quase gritou em desespero: “Por que fez isso? Meu Deus, Meu Deus...”, o que ela tinha feito, era apenas um inocente. “Não poderia deixar um viciado desses andando por aí. E você não cometerá mais erros também.” Antes que ela pudesse falar alguma coisa. O celular de Eric tocou mais uma vez e dessa vez ele atendeu irritado: “Pam, o que você quer? Estou ocupado, não percebeu?” Sookita ainda pensava no pobre rapaz morto por sua causa. Valia a pena tirar uma vida inocente a troco de outra? Não sabia mais o que fazer. Estava com medo de enlouquecer nessa missão e nunca mais ser a mesma. “Sei, sobre isso...trabalho? Se você achou certo...não vou discutir. A outra também quer? Aquela lá não, só mande o dinheiro...estará de bom tamanho. Eu sei que foi difícil conseguir a informação... sim, já sei. Agora me diga de uma vez, quem é a moça?” De repente ele ficou quieto...


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CapĂ­tulo 12 Aconteceu Naquela Noite Your ego is absolutely colossal.


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Sookita ainda não estava acreditando no que tinha acontecido. Aquele pobre rapaz tinha morrido por sua causa. Ela não imaginava que Eric mataria o rapaz daquela maneira. Ele a estava punindo por ter errado e ela não podia fazer nada. Jason ainda vinha em primeiro lugar e prometeu proteger o irmão. Só estava esperando o momento de Eric pedir pra ela voltar e dessa vez, indicar o homem certo, o que iria fazer? Não poderia voltar lá e escolher mais uma pobre alma para ser morta pelo impiedoso vampiro. Não teria estômago para encarar novamente o que tinha visto. Não estava acostumada com mortes e desde que passou a andar com Eric, esse já era a segunda pessoa que ele matava. Tudo bem que o outro foi para salvá-la, mesmo assim ainda era uma vida. Apesar de que é irônico um vampiro poupando um humano, talvez só Bill fizesse isso. Eric falava irritado no telefone, ela evitou ficar perto, mas ouviu o que ele dizia. Conforme ele foi falando ao telefone, ela ficava mais confusa ainda. Ele estava procurando alguém, uma moça. Será que tinha a ver com a missão? De repente ele se calou. “Aconteceu alguma coisa?”, perguntou Sookita preocupada. Ele não respondeu de imediato, olhou rapidamente para ela como se nunca tivesse visto antes. Se ele não fosse vampiro, poderia jurar que ele estava vermelho de raiva. Ele abria e fechava as mãos como se fosse socar alguém ou alguma coisa. “Vamos embora”, disse num tom de voz cortante. Passou por Sookita velozmente, ela ficou sozinha no beco escuro e o morto caído no chão. A telepata sentiu um arrepio na nuca, não queria ficar ali e não entendia o que havia acontecido com ele. Pelo menos não teria que voltar na boate e escolher uma nova pessoa ou a verdadeira. Talvez a Autoridade tivesse chamado à atenção dele. Começou a andar rapidamente no beco, queria logo uma fonte de iluminação que não fosse apenas o luar. O carro estava no estacionamento. A avenida continuava “fervilhando” por causa da vida noturna da cidade, ele com certeza já estava esperando Sookita dentro daquele carro de pessoas exibicionistas. Ela foi se aproximando e a porta do passageiro se abriu, indicando que ele já estava mesmo lá dentro. Estava tensa, não fazia ideia do que estava acontecendo, boa coisa não seria, pensou. Entrou lentamente e viu que ele


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continuava de cara fechada, se tivesse com algum problema seria bom dizer logo. “Eric, o que aconteceu? Pensei que fossemos voltar para a boate, a ligação que você recebeu tinha algo com a missão?” Ele continuava evitando de olhar para Sookita, soltou um resmungo sufocado e socou o volante do carro. “Se quiser continuar viva, é melhor calar a boca.” Sookita quis sair correndo do carro, estava apavorada, mas era tarde demais. Ele já dirigia a toda velocidade pela avenida. Só restou colocar o cinto de segurança e rezar para ficar viva até chegarem ao hotel. ---------------------------------Pam não estava acreditando, depois de tanto esforço procurando essa maldita dançarina e testado sua paciência diversas vezes por algo tão superficial e idiota, tinha sido completamente ignorada por Eric. Como se seu esforço todo não tivesse feito diferença alguma para aquele vampiro playboy que ela chamava de maker. Desligar o telefone daquela maneira na sua cara? A noite estava estragada por conta disso. Nem imaginava em que aquela Sookita Montenegro poderia ser do interesse dele, pela amiga que foi ali, não era grande coisa e Pam lembrava vagamente da dançarina estúpida. Pegou o telefone e ligou novamente para ele, agora caía apenas na caixa-postal. Ele realmente só podia estar de brincadeira. Pam sentou-se na cadeira, abriu seu notebook e pesquisou por Sookita. Quem era essa garota que deixou seu patrão agindo estranhamente? Pelo que viu era apenas uma certinha sem graça como tantas moças que vinham na boate, nem melhor e nem pior. Teve uma ideia, já que a tal amiga da dançarina certinha iria trabalhar na boate, quem sabe não contaria algumas coisas sobre a moça. Principalmente alguns podres, pensou sorridente. De repente a noite não ficou tão ruim assim. Aquela dançarina seria um jantar fácil tanto para ela quanto Eric. Saiu do escritório, chamou Carmelita para confirmar quando a moça começaria a trabalhar. Precisava se distrair sem seu patrão por perto, ainda mais ele


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agindo tão esquisito naquela viagem para a Autoridade. -----------------------------Sookita entrou no quarto do hotel ainda calada, estava com mil coisas na cabeça, uma delas envolvia devolver a resposta de Eric a altura. Não se lembrava de ter feito nada para o mesmo agir daquela forma. Além de ficar aturando Eric Colunga ainda tinha que lidar com sua bipolaridade? Assim era demais. Não estava nessa missão para ser tratada dessa maneira, ainda mais sem motivo. Fora tudo que já tinha acontecido entre os dois, ele até havia pedido desculpas horas atrás. Não entendia essa súbita mudança de atitude. Ele só poderia ter fingido naquele momento com medo dela atrapalhar a missão. Eric imediatamente procurou sua taça com sangue humano fresco que o hotel oferecia como cortesia. Tomou num gole só para não cometer alguma atrocidade nos próximos minutos. “Agora você já pode me dizer o que está acontecendo”, disse Sookita em tom autoritário, no mesmo instante se arrependeu do que disse. Não parecia ter sido uma boa ideia verbalizar dessa maneira, dentro de sua cabeça tudo pareceu tão perfeito. Eric andou pela sala como se fosse um tigre enjaulado, seu olhar estava distante, não focava em nada, muito menos em Sookita. “Você é a última pessoa que pode exigir qualquer coisa, senhorita Montenegro.” “O que quer dizer com isso?” Eric finalmente parou em frente a ela, a diferença de altura era absurda entre os dois. O vampiro baixou a cabeça para encara-la diretamente nos olhos. “Desde quando trabalha como dançarina, senhorita Montenegro?” Sookita gelou com a pergunta e tentou responder num tom que soasse sincero: “Sou garçonete, nunca trabalhei como dançarina, mas disso você já sabe.”, respondeu tentando ignorar o fato que estava prestes a ser descoberta.


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Eric não se afastou, continuava na mesma posição. Sookita estava incomodada com tanta proximidade. “Eu sei o quanto é manipuladora. Achou que essa sua pose de puritana iria durar muito tempo? Pensou que seu segredinho sujo estaria guardado para sempre?” “Não sei do que você está falando”, agora ela estava desesperada, não sabi a como sairia dessa. “Continua se fazendo de idiota. Antes eu até acreditei que você fosse, agora esse seu teatrinho não funciona mais. Pare de ser hipócrita.” Ele fazia um esforço para não explodir e colocar tudo a perder. Continuava falando friamente e a encarando. Sua vontade era colocar a mão em volta daquele pescoço. “Não sou hipócrita, você precisa me entender, eu fiz aquilo porque precisava do dinheiro. Não sou prostituta, eu juro”, agora Sookita estava quase chorando. “Suas lágrimas não irão me comover. Aliás, já estou cansado delas. Você chora por qualquer coisa.”, ele se afastou um pouco e disse irritado: “Imagino o quanto deve ter rido as minhas custas enquanto eu jurava que você era uma santinha. Não é todo mundo que me engana assim e continua vivo.” Sookita sentia-se mal com tudo aquilo, queria que um buraco abrisse no chão e a sugasse. Estava temendo pela própria vida. Eric já era violento demais quando estava calmo, imaginava se sentindo enganado. “Por isso a senhorita desmaiou aquele dia no escritório do prefeito. Bill também sabe dessas suas aventuras noturnas? Notei que vocês dois são muito próximos, de repente ele é seu cafetão.” “Não ouse falar dele. Ele nunca me tratou mal. Eu posso ter te enganado, mas não merecia a humilhação que você me fez passar naquele dia.”, ela segurou choro o quanto pode, não queria que ele estivesse certo, que ela chorava mesmo por qualquer coisa. “Não aceito prostitutas no meu estabelecimento. E eu trato quem eu quiser lá da maneira que bem entender. Por mim, tipos como você jamais pisariam lá.”, ele deu uma risada.


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“Não sou prostituta! Com certeza você sempre teve tudo o que quis, por isso que é mesquinho, egoísta e cínico desse jeito. Você não tem ideia de como aquilo foi difícil pra mim, eu nunca nem tinha visto uma roupa daquelas, imagine vestir.” Eric fez um movimento com a mão, agora estava de costas para ela, ele encarava a noite lá fora pela janela da varanda. “Pare com suas mentiras. Não me venha com o papo de moça cristã, santinha e boazinha. E virgem...virgem, não me faça rir, Sookita.”. Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, Eric a pegou no colo e segundos depois ela estava na cama sentindo o peso dele em cima. Ele a cheirava passando a língua devagar no pescoço dela. Arranhou com a pontinha dos caninos e um filete de sangue surgiu. “Será que é virgem mesmo, prostituta?”, ele disse. “Quanto cobra por seu programa? Eu pago bem... até hoje quero te pagar por aquela dancinha do robô no meu escritório.” “Me solte seu imundo, não coloque as mãos em mim!”, Sookita gritava em agonia, dessa vez não teria muita sorte, perderia sua virgindade de maneira sórdida. E não seria com seu precioso Bill. Sentia tudo travado e dolorido. Eric passou a mão pelo corpo de Sookita com possessividade. Em seguida, ergueu o vestido dela, pegou a calcinha com uma mão na intenção de rasgar para penetra-la. “Eric, por favor, não faça isso. Eu imploro.”, Sookita tentava se soltar sem sucesso. O vampiro ignorou os lamentos dela e disse com escárnio: “Pensou mesmo que eu sentiria algum tesão por você?” Ele levantou, pegou a carteria no bolso de trás da calça, tirou um maço de dinheiro. “Eu até teria te contratado como garçonete. Mas você quis o caminho mais fácil...” Jogou o dinheiro em cima dela, parecia uma boa soma.


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“Pelos serviços prestados.” E saiu do quarto. A cabeça de Sookita girava, seu corpo estava tremendo. Como ele descobriu? Por quê? Não tinha motivo de ele querer saber sobre a dançarina. Ele realmente estava certo quando disse que ela imaginava que jamais seria descoberta. Apenas Tara sabia...será que amiga havia traído sua confiança dessa maneira? Tentava chorar, não conseguia mais. Não tinha mais estoque de lágrimas para verter. Apenas queria sumir daquele hotel e nunca mais colocar os olhos em Eric na vida. Odiava mais do que nunca aquele vampiro. Não acreditava que em alguns momentos sentiu uma sensação boa ao lado dele. Nem parecia o mesmo da festa ou do voo de momentos atrás. Ela não o havia enganado, não tinha necessidade de contar a história da dançarina para ninguém, a primeira humilhação que passou com ele, e nunca sonharia que seria a primeira de muitas. Sookita pegou o celular pensando em ligar para Bill e contar tudo. Mas não tinha forças para fazer isso naquele momento e não queria imaginar a reação dele diante do acontecido. Queria dormir, acordar no dia seguinte imaginando que tudo não passava de um pesadelo, igual ao da noite passada. Aquele sonho quase se tornou realidade, sentiu um calafrio. -----------------------------Jessica estava do outro lado da rua, parada entre algumas barracas de comida, cheio de pedestres passando de um lado para o outro. Alcide estava ao seu lado parecendo infeliz. Ele não falava nada, limitava-se a balançar a cabeça em concordância com o que a vampira dizia. Ela observava a movimentação de Sookita e Eric com extremo cuidado, aproveitando seus reflexos de vampira conseguia visualizar no escuro sem dificuldades, apesar da distância conseguiria escutar alguma coisa quando falassem. “O que você está esperando Menina Jéssica? A senhorita Sookita é uma moça muito boa, não faria nada com o Sr. Colunga.”


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“Cale a boca, não deixei que falasse ainda. Não se esqueça que agora é meu escravo particular.”, olhou de lado com um sorriso nos lábios. De repente, Eric e Sookita voaram, ela sabia que vampiros antigos poderiam voar, mas nunca tinha visto nada assim antes. Eric não era de todo ruim assim. Jessica não resistia ao poder, e se alguém tinha poder era aquele vampiro. Tentou escutar o que diziam, mas apenas ouviu algumas palavras misturadas com as falas de quem passava perto dela. “Não te falei, cachorrinho. Ele está totalmente comendo ela.”, ela vibrou. “Ela não fez nada, não tem culpa... o que será que esse vampiro quer com ela?”, o instinto protetor de Alcide aflorou. Jessica deu um tapa na cabeça dele. “Acorda, idiota. Ele obviamente quer provocar meu amado papai usando Sookita. Não estava esperando essa atitude do Colunga. Mexer com mulher do inimigo e superior a ele. Oh, droga!”. Jessica não pensou a frente das coisas, estava confusa com o acontecido. Odiava e queria destruir Sookita, mas não queria seu pai humilhado por Eric. E tendo a namorada dele roubada pelo inimigo número 1 não estava em seus planos. O que fazer? Pensou preocupada. “Será que ele sabe que Sookita é namorado do meu papis? Será? Será?”, ela sacudiu o lobo. “Tenho certeza que não, se ele soubesse que Dona Sookita é comprometida jamais faria isso Menina Jessica.” “Acho incrível que você seja chefe de segurança do meu pai. É tão burro. Não posso deixar Eric sair por cima. Você irá ligar para o meu pai e dizer que Eric e Sookita brigaram.” “Mas...mas, Menina...eles não brigaram. Seu pai ficará confuso, um dia estão bem e no outro não.” “Não quero saber. Faça agora...ande, minha paciência está se esgotando.” Deu um chute numa lata de lixo que parou longe, muitos olharam curiosos para ela. Tudo estava caminhando tão bem para a destruição de Sookita. Eric tinha


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que estragar tudo sendo o príncipe encantado. Os dois estavam entrando na boate. Jessica não sentiu mais vontade de observar o resto. “Vamos embora. Preciso jantar alguém. Seu sangue é nojento demais para mim, cachorrinho.” Alcide a seguiu infeliz pela rua e cada vez mais confuso com aquela história toda. Sentia pena de seu patrão. --------------------------------------Eric Colunga estava furioso com o rumo que sua situação com Sookita havia tomado, não estava nem perto de concluir a missão e teria que ficar aturando aquela telepata mentirosa por onde fosse. Sentia vontade de cometer alguma loucura, mas não poderia. Precisava fazer alguma coisa para se livrar dela. Como ele pode se deixar enganar todo esse tempo? O que ele ainda não se perdoava, como não percebeu que ela era a dançarina? Sookita não fazia ideia do prejuízo moral que tinha dado a ele, além de ter enganado fingindo ser uma beata ainda tinha sido responsável pelo primeiro momento “brochado” da pósvida dele. No fundo tinha acreditado que ela era mesmo uma moça pura, praticamente uma candidata à canonização. Talvez por isso não associou com a dançarina, não tinha como ligar as duas pessoas. Além do que ela estava disfarçada, e nem era criativa. Ele já tinha visto esse filme em Uma Linda Mulher. E nesse caso o final não seria feliz. Havia terminado de tomar sangue de uma modelete enquanto transava com ela no banheiro feminino do cassino. Não teve vontade de sair procurando por aí, bastou dez minutos no cassino para encontrar o que queria. “Não tão forte assim, loiro. Desse jeito vai me quebrar.”, ela disse numa voz distante. Eric demorou em perceber que ela falava, sua cabeça estava longe dali. Só queria gozar. Limpou o sangue da boca. Ignorou o pedido da moça e continuou como estava fazendo. “Loirão, pega o número do meu celular. Ficarei por aqui até o fim de semana. Quando você precisar é só ligar.”


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Ela disse enquanto limpava entre as pernas. Eric concordou com a cabeça após fechar o zíper da calça. A modelete limpou o suor do rosto, o sexo tinha sido ótimo, apesar de meio violento demais para o seu gosto. Mas não era todo dia que encontrava um vampiro daqueles. Só estava acostumada com seus colegas de profissão gays. “Meu nome é Lara.” “Okay”, ele disse saindo do banheiro. Estava decidido, ligaria para Autoridade e pediria o afastamento de Sookita da missão. Ela não estava servindo pra nada mesmo, pelo contrário, até o momento só tinha atrapalhado, ele poderia muito bem resolver tudo isso sozinho. Voltou para seu apartamento e viu que a porta do quarto ainda estava fechada, melhor mesmo, não estava a fim de encarar a telepata tão cedo. Pegou seu smartphone, já estava discando o número quando alguém bateu delicadamente na porta. Quem poderia ser? Não deveria ser a tal moça do banheiro, ele não disse em qual quarto estava. Caminhou em direção à porta e abriu, era um mensageiro do hotel. “Sim?”, disse Eric. “Convite para o Sr. Castela e esposa.”, o rapaz fez uma reverência desajeitada. “Obrigado”, Eric pegou o envelope, deu uma gorjeta para o rapaz e fechou a porta. Ele abriu o envelope e leu rapidamente, era um convite do Senador Morales para um jantar privativo em seu apartamento na cobertura. Finalmente as coisas estavam começando a melhorar, teria uma chance de um encontro privado com o Senador. E se aproximar do alvo. Pena que teria que arrastar a carola hipócrita junto de si. Ele se aproximou da porta dupla que estava fechada. Deu uma batida forte o suficiente para acordar Sookita. “Amanhã temos um jantar marcado com o Senador. Fomos convidados. Infelizmente não consegui me livrar de você ainda.”, ele falou sem se importar com a porta fechada.


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“Entre, a porta está aberta.”, disse Sookita num fio de voz. Ele abriu a porta sem vontade, não tinha paciência para mais uma dose de choro, drama que Sookita adorava fazer. “Escutou o que eu disse? Ou terei que repetir de novo?”, notou que ela estava com os olhos inchados e vermelhos. No mínimo tinha derramado um pequeno rio de lágrimas em cima da sua cama. “Escutei, só quero saber o que você quis dizer com ‘se livrar de mim’. O que pretende?”, perguntou Sookita. O vampiro estava pensando em matá-la após a missão? Pensou preocupada. “Eu iria pedir para a Autoridade te afastar da missão. Até agora você não teve utilidade nenhuma.”, ele deu de ombros. “Sabe que não pode fazer isso, eu sou tão importante para a missão quanto você. Diga-me, o que te fez mudar de ideia?”, estava profundamente ofendida. E ela ainda precisava do dinheiro. O dinheiro que ele jogou em cima dela de maneira grosseira iria doar para a igreja. “Não entendeu a parte que teremos um jantar com o Ilustríssimo Senador Morales. Ou terei que desenhar?” “Nem quero saber como conseguiu isso, mas entendi muito bem e estou cansada de você. Por favor saia do quarto, quero dormir.” “Sem problemas, minha cara. Não tinha intenção de dormir junto. Já tenho companhia.” Ele saiu e fechou a porta do quarto atrás de si. ---------------------------Sookita terminava de pentear o cabelo, dessa vez estava usando-o diferente. Resolveu penteá-lo para trás, deixando um leve topete em cima. Olhava para o vestido dourado que trajava curto e moldava perfeitamente no seu corpo. Estava surpresa com a criatividade da Autoridade, sempre que precisava sair uma roupa era providenciada. Ajeitou a alça esquerda do vestido que teimava em ficar caindo pelo seu braço.


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“Pronta?”, perguntou Eric pelo reflexo do espelho. Foi duro para ela admitir, mas ele estava muito bonito. Usava uma calça preta, uma camisa azul marinho e um blazer por cima. “Sim”, ela respondeu pegando a bolsa em cima da cama passando por ele ao sair do quarto. “Não preciso avisar novamente que ainda somos casados.” “Infelizmente. Sou obrigada a lembrar disso todo momento.”, disse amargurada. “E o sexo nem foi bom para compensar...”, ele disse. “Não fizemos sexo.”, bateu o pé de raiva. “Ah sim, tinha esquecido desse detalhe. Acho que confundi com outra.” Sookita deu de ombros, não queria saber sobre as conquistas amorosas dele. Ele pelo jeito não tinha perdido tempo. “Só espero que seja discreto e não deixe ninguém do hotel perceber.” “Ciúmes?” “Ah, por favor...anda logo.” Ela abriu a porta do quarto e o esperou no corredor. Eric demorou ainda alguns minutos para sair. Sookita teve certeza que ele fez isso para irrita-la. Não tinha motivo para demorar. Estava bufando de raiva por esperar quando ele surgiu. Trancou a porta do quarto e saíram juntos caminhando até o elevador. Como hoje estava sendo diferente do dia da festa, estavam tão amigáveis. Agora voltaram ao normal, ela pensou. “Quem sabe você poderá distrair o senador com sua dança enquanto eu bisbilhoto o quarto dele?” “Será que você poderia parar de falar nisso? Estamos numa missão importante que no momento eu gostaria muito que terminasse.”


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“Sim, senhorita.”, ele fez uma reverência quase encostando no chão. Minutos depois estavam em frente a porta do senador, Sookita sentiu um frio na barriga. Eric a segurava na cintura, aquele contato a deixou mais tensa ainda. Não queria mais ter que fingir a esposa apaixonada. Um homem vestido um terno abriu a porta dando passagem para os dois. Ela não acreditava no luxo do quarto, se o deles era grande, o do senador era enorme. Tinha dois andares, um mezanino, uma sala de estar com uma tv que mais parecia uma tela de cinema. O homem os conduziu a sala de jantar que tinha uma mesa redonda grande, bonita e ricamente decorada. O senador estava sentado, prontamente levantou cumprimentando Eric com um forte aperto de mão e dando um beijo demorado no rosto de Sookita. Sentiu nojo após aqueles lábios grudentos se afastarem de sua bochecha, sem querer pressionou a mão fria de Eric. “Está é minha adorada esposa Carlota, aquele é meu assessor Juan Carlos. Sintam-se bem vindos.” Eric cumprimentou a mulher com um beijo na mão e o homem com um rápido aperto de mão. Sookita apenas balançou a cabeça em cumprimento. Não queria entrar na cabeça da mulher, mas foi obrigada, aqueles pensamentos suicidas e infelizes iria estragar a noite. A esposa odiava o marido, sonhando em como escaparia dele um dia. O assessor pensava numa mulher e na casa onde morava na Cidade do México. Pelo menos os dele não eram coisas ruins. Novamente sentiu náuseas com os pensamentos grotescos do senador, ele a via nua, machucando-a, humilhando-a. Eric percebeu que Sookita estava estranha, apertou a mão dela e disse baixinho no ouvido dela: “Acalme-se, ninguém irá te fazer mal.” Sentaram em seguida na mesa redonda, Sookita ao lado do senador. Eric em frente à esposa dele e o assessor entre os dois. “Aceita TruBlood, Julian?”, o senador perguntou numa voz cortante para Eric. “Sim, o que tiver estará bom para mim.” “Quero que saiba, caro Julian, sou um grande apoiador da causa dos vampiros.


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Contem comigo para o que precisarem.” voltou-se na direção de Sookita. “Para nós teremos um jantar maravilhoso preparado pelo meu Chef Alberto. Espero que goste da culinária francesa.” Sookita sorriu para o senador, e sentiu novamente o pensamento pesaroso de Carlota. “Eu e minha esposa gostaríamos de saber o motivo de tão honrado convite?”, Eric perguntou friamente para o senador. “Como não iria estreitar relações com uma amiga tão estimada de minha filha Vitória. E um passarinho me contou que o senhor está no ramo de energia renovável. Isso muito me interessa, ainda mais com a minha futura candidatura a presidência do nosso glorioso país.”, ele piscou para o assessor. A história inventada pela Autoridade tinha funcionado. Eric imaginava que o senador poderia buscar informações sobre ele e Sookita. Notou que o homem estava especialmente interessado nela, igual aquele dia na festa. Apenas não sabia novamente se deveria usar isso a favor da missão. Eric mais uma vez saiu-se maravilhosamente bem. O senador estava interessado em como Eric tinha sido transformado, quando e quantos anos tinha. Disse mais uma vez que era um entusiasta de vampiros, sendo que fazia questão de saber a história quando encontrava um. Sookita inventou histórias sobre quando estudou no jardim de infância com Vitória. Aparentemente tinham acreditado, a esposa apenas balançava a cabeça em concordância. Após uma hora e meia foram para a espaçosa sala de estar. O senador mostrou vídeos tediosos de sua campanha política. Sookita estava ficando com sono e encontrou o olhar entediado de Eric. Carlota se manifestou pela primeira vez dizendo: “Ramona, gostaria de tomar um pouco de ar. Vamos deixar os homens falando de negócios.” Sookita levantou-se rapidamente, não via a hora de deixar aquele ambiente pesado e os pensamentos do senador bem longe de sua cabeça. “Não, querida esposa, fique em companhia de Juan e nosso estimado Julian. Eu farei companhia para Ramona.”, ele disse com um sorriso.


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Sookita sentiu os joelhos tremerem, Eric apenas observou a cena, não podia fazer nada. O senador a pegou pelo braço levando até o terraço. A noite estava linda, iluminada, pena que seu companheiro não era o ideal. “Sabia que temos uma piscina no terceiro andar? Se quiser vir nadar um dia para se refrescar desse calor. Ficarei ainda uma semana por aqui.”, ele disse amigavelmente. Os pensamentos dele não eram tão ruins naquele momento, parecia mais calmo e Sookita sentiu-se mais tranquila. “Obrigada pelo convite. Falarei para o meu marido.” “Não, minha querida. O convite é só para você.”, ele sorriu. Ela segurava na murada de pedra, olhou para baixo, era alto demais, afinal, estavam na luxuosa cobertura. De repente sentiu o senador a pressionando com o corpo, ele estava excitado, podia sentir perto das costas o membro pressionando, pressionando...ele a segurou pela cintura. “Seu marido é sortudo, ele parece não dar valor a flor delicada que tem em casa.”, ele lambeu a orelha de Sookita. Não conseguiu se afastar, ele não deixou, ainda a pressionava contra a mureta. Tentava passar a mão por baixo do vestido, os dedos tocando a calcinha dela. Sookita queria gritar, mas não podia, iria colocar tudo a perder. Os pensamentos dele voltaram, viu homens fazendo mal para Eric. Será que iria tentar matá-lo? Não poderia prever o futuro, apenas ler o que a mente dele desejava, e sem dúvida esse homem perigoso iria fazer algo ruim com Eric. “Acho melhor voltarmos. Meu marido ficará preocupado.” Ele a soltou acreditando que tinha conseguido alguma coisa. Beijou a mão de Sookita. “Garanto que se quiser poderá ser muito feliz ao meu lado. Saiba que eu posso oferecer tudo o que uma formosa dama como você precisa.” Sookita estava tremendo e apavorada por dentro, mas reuniu todas suas força


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para não entrar em desespero e tentar aparentar segurança. Ela tirou a mão com desprezo, deu de ombros e voltou quase correndo para a sala. Sentia o rosto queimando, o cabelo bagunçado. Eric a encarou, sabia que tinha acontecido alguma coisa, pois sua parceira estava muito pálida. Aproximou-se dela, beijou a testa e voltou-se para os outros. “Acho que já está tarde para a minha esposa, ela não aguenta a noite tão bem quanto eu.”, sorriu falsamente. “É uma pena. Estávamos nos divertindo tanto. Mas tenho certeza que nos veremos em breve.” disse o senador. Eric e Sookita despediram-se de todos rapidamente, ela evitou o olhar do senador e da esposa dele. Caminharam em silêncio até o elevador, Eric não falou nada e muito menos perguntou. Quando entraram no quarto ele disse: “O que aconteceu quando saíram da sala? Ele te fez alguma coisa.” “Nunca senti tanto nojo em minha vida, odeio aquele homem!”, disse ela com o rosto franzido. “Melhor ficar longe dele, Sookita. É apenas um aviso.”, disse preocupado. “Não tive como, você viu. Mas da próxima vez já estarei preparada, não vou mais cair nessa.” “Não terá próxima vez, você não irá mais chegar perto dele. Vou ter que matálo, você sabe bem disso.” “Que esse dia chegue logo, quero esse senador morto.” “Nossa, que mudança. Dias atrás você ficou horrorizada quando eu falei sobre isso.”, ele deu um sorriso de canto. “Dias atrás ele não tinha abusado de mim. Você pode matá-lo quando quiser.” “O seu desejo é uma ordem.”, ele fez novamente uma reverência.


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“Acho que ele quer te matar. Vi nos pensamentos dele.” “Jura? Estou realmente impressionado. Não confundiu dessa vez?”, disse com sarcasmo. “Não estou brincando. Eu vi nos pensamentos dele. Acho melhor tomar cuidado.”, ela bocejou. “Eu te avisei, não diga que não falei depois. Vou dormir, quero tirar o dia de hoje da minha cabeça.” “Será que poderia dormir no sofá? Tenho companhia hoje.”, perguntou de maneira cínica “Companhia? Você só pode ter enlouquecido, eu sou sua esposa!”, disse com a voz alterada. “De repente minha esposa gosta de um menage. Não seria nada mal.”, ele piscou. Sookita escutou uma leve batida na porta, arregalou os olhos para ele. Eric caminhou na direção da porta e abriu. Uma moça alta, magra, de longos cabelos loiros o beijou na boca e entrou sorridente. Sookita sentou-se no sofá para não demonstrar o ódio que sentia. “Lara, essa é a minha irmã mais nova, Ramona. Fofinha, não é?” Lara respondeu numa voz afetada: “Uma graça. Estou indo para o quarto, não demore.” Eric foi até o quarto, pegou um lençol e um travesseiro, voltando em seguida para sala estendendo para Sookita. “Tenha uma boa noite, irmãzinha.” -----------------------------------------Estava tampando os ouvidos com o travesseiro, não aguentava mais os gemidos altos da loira aguada. Já havia se passado duas horas desde que entraram no quarto e a maldita não calou mais a boca, pensou irritada. E ela


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parecia gostar tanto, não seria possível ter duas horas de prazer ininterruptos ou seria? Não ousaria perguntar também. Pelo menos tinha esquecido um pouco do senador com todo a bronca que sentia agora de Eric. Ele a estava humilhando propositalmente, nem deveria ter avisado do perigo que ele corria com o senador. “Dane-se”, falou em voz alta. Sookita nunca tinha desejado a morte de ninguém, a primeira pessoa em especial era o maldito senador. Realmente a missão estava tendo um efeito devastador na vida dela. Ela nunca mais seria a mesma, tinha certeza disso. Começou a chorar sem perceber. Deu um pulo quando o seu celular tocou: “Alô?” “Sookita, meu amor. Está tudo bem com você?” “Bill, meu amado, Bill. Estou com tantas saudades.”, ela fungou. “Eric está te tratando bem? Estou preocupado.” “Estou bem. Ele não me incomoda mais, é um nada pra mim.” “Espero que me conte tudo quando voltar. Se ele fizer alguma coisa para você, nem sei o que farei.”, a voz de Bill tremeu. “Não vejo a hora que tudo termine. Quero ficar junto de você logo. Preciso tanto de você ao meu lado.” tentou soar convincente para si mesma ao dizer isso. “Por que choras, querida?”, ele ouviu ela fungando várias vezes. “Sinto a sua falta...”, tinha que ser verdade. “Logo você estará aqui. Conseguiram algum progresso?” Sookita comentou rapidamente o acontecido, omitindo algumas partes, principalmente os seus problemas com Eric, não queria irritar Bill.


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“Acredito na sua telepatia, querida. Sei que conseguirá a informação para a Autoridade. Você nunca os decepcionou antes.”, ele tentou encorajá-la. “Quanto ao senador, deixe Eric agir sozinho. Não quero que nada aconteça com você.” Sookita se despediu de Bill, tentando sentir o coração mais calmo e nada. Até que o barulho irritante no quarto parou. A porta abriu. Sookita rapidamente fingiu que estava dormindo. Reparou de canto de olho que Eric saiu nu pela porta, apesar do escuro não tinha como negar, viu algo meio pontudo. Sabia bem o que era. Fechou os olhos como se tivesse visto um monstro. -----------------------------Bill desligou o telefone preocupado passando a mão em seu bigode, sempre fazia isso quando estava nervoso. Alcide não tinha mentido, a situação não parecia boa. E ele tinha notado outra coisa ainda em Sookita. Discou novamente um número, esperou alguns segundos e falou: “Sou eu, eu sei...eu sei, mas eu tive que ligar agora. Eu terei que agir, não tenho mais como, não tem jeito....eu sei....eu sei. Claro que você quer isso, obviamente. Acho que ela está apaixonada...”


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Capítulo 13 À Beira do Abismo You've forgotten one thing - me.


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Sookita estava deitada na beirada da piscina do hotel, refletindo sobre os últimos dias. Fazia uns três dias que curtia sozinha os luxos oferecidos no lugar. Tratamentos de pele, massagens, inclusive algumas prometiam diminuir a quantidade de celulite, aparentemente estava funcionando, ou ela estava fingindo acreditar. Também já se passavam três dias que não conversava com Eric, ele praticamente passava a noite ignorando a existência dela, quando falava era sempre de forma sarcástica. Agora ele tinha parado de vez. Sookita nunca se sentiu tão só em toda a sua vida, nem quando sua querida avó morreu ela havia sentido este vazio completo. Naquele tempo tinha Tara e Sam que ajudavam a encarar a realidade e seguir em frente, até mesmo Bill deu sua contribuição. Obviamente aquele vampiro sórdido não sabia o que era isso, e muito menos saberia o que é consolar ou ajudar alguém, pensou ela resignada. Pelo menos estava passando dias diferentes do que estava acostumada, sem se preocupar com contas a pagar ou servir clientes chatos no bar. Só era ruim ser ignorada, ficar horas e horas muda sem ter o que conversar, no fundo até sentia falta das discussões que tinha com Eric. Os poucos momentos que o via eram antes dele sair à noite e antes do amanhecer quando voltava para dormir. Nesse ponto ela sempre saía do quarto, não dividia mais a cama com ele e tampouco tinha visto novamente a moça loira de outro dia. Não sabia se ele estava ocupado com a missão ou embaixo da saia da magricela. Não que se importasse com isso, mas do mesmo jeito que ele disse várias vezes desejar o fim da missão, ela também desejava o mais rapidamente para se livrar daquela agonia. Levantou-se da espreguiçadeira, sentiu um pouco de ardência nas costas, havia ficado umas boas duas horas tomando sol e reparou que estava começando a anoitecer, era o momento de voltar para seu calvário. Iria ser ignorada e provavelmente, menosprezada por Eric Henrique. Caminhou calmamente até sua suíte, esperava que Eric já tivesse saído pra não ter que encará-lo mais uma vez. Quando Sookita chegou à suite, foi diretamente para o banheiro, pois precisava urgentemente de um banho. Entrou no quarto para pegar seu material necessário e deu de cara com Eric se vestindo. Seu torso estava nu e ela não pode de deixar de reparar, mais uma vez, o quanto ele era bonito. Ele a encarou intrigado, como se quisesse falar, mas estivesse sendo impedido por alguma coisa.


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Sookita passou direto por ele em direção ao banheiro, quando estava fechando a porta ele disse: “Sookita, espere. Nós precisamos conversar.” “Eu vou tomar banho, quando terminar nós conversamos.”, respondeu com indiferença. “Não, precisa ser agora. É importante.”, ele insistiu. Sookita suspirou, o que poderia ser importante nessa altura do campeonato? No mínimo ele diria que ia mudar de quarto, ou pior, pegar suas coisas e se mudar de vez para a suíte da modelete. “Estou ouvindo...” “Durante esses três dias eu estive muito empenhado na missão, descobri muitas coisas que possam levar ao suspeito. Preciso da sua ajuda para interrogar um Lobisomem.” “Engraçado, por que hoje você precisa de mim? Não estava tudo correndo maravilhosamente bem sem a minha ajuda?”, questionou Sookita com sarcasmo. Eric pegou a camiseta em cima da cama vestindo rapidamente. Sookita arregalou os olhos diante da rapidez, nunca iria se acostumar com esses ‘poderes’ vampíricos. “Obviamente que sim, mas preciso de sua ajuda. Vai me fazer implorar?”, ele falou jocosamente. “Sabe que estou aqui pra isso, claro que vou com você. Só achei estranho o seu súbito interesse...” “Menos mal, não preciso jurar de novo que serei um bom menino.”, ele juntou as mãos em forma de oração. Sookita sorriu diante da faceta de ‘bom menino’, afinal de contas estava feliz por ele ter finalmente lembrado dela. Não que se importasse com a atenção dele, mas esses dias sem comunicação haviam deixado a telepata muito carente.


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“Vou só tomar banho, você me espera?”, perguntou antes de fechar a porta esperando pela resposta. “Se quiser posso ficar de guarda dentro do banheiro, pra que nada de mal te aconteça...”, disse em tom galante. Ela fechou a porta num piscar de olhos, não queria correr riscos dele realmente ter falado sério. Encostou-se a porta, sentia-se feliz pelo clima não estar tão ruim mais. Ele parecia que tinha deixado para trás a história da dançarina. Pelo menos estava um pouco como antes, menos assustador. -------------------------------------------Dessa vez não teve problemas em sair do carro com aquela porta esquisita, estava até se acostumando. Vestia uma calça jeans, uma blusinha preta básica e usava um rabo de cavalo, não precisava se arrumar toda para um interrogatório. Desejava apenas que o lobisomem nada soubesse ou ela não conseguisse ler a mente dele, não era com todos que conseguia. Caminhavam lado a lado pela rua, não era um local escuro, parecia que estavam no subúrbio. Casas bonitas, mas com cercas enormes, guardas nas ruas e outras proteções. Tijuana não era realmente um local seguro, ainda mais para os moradores, diferente de Vale, pensou Sookita. “Eric, não é certeza que conseguirei ler a mente desse lobisomem. Não são todos, alguns ficam bloqueados.” Ele voltou-se para ela e disse: “Por que será que não estou espantado?”, perguntou de forma irônica. Sookita olhou pra ele com raiva, será que seria julgada pelo ‘erro’ da boate pelo resto de sua existência? Pensou balançando a cabeça. Já estava cansada de ser tratada como inútil. “Vai ficar chorando ainda sobre o que aconteceu na boate? Eu errei, pronto...podemos seguir em frente.”, disse ela sentindo-se corajosa. Eric sorriu diante da resposta dela e deu de ombros. “Sua cor está diferente. Parece meio alaranjada.”, ele a encarou.


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“Tomei sol hoje, por quê? Já sei... estou parecendo um E.T.”, diz ela sem paciência. “Não, pelo contrário. Está bonita, posso sentir o cheiro do sol na sua pele.”, ele fez um movimento como se cheirasse o ar. Sookita ficou corada, não esperava que ele fosse elogia-la, olhou pra ele com olhar sereno e sorriu. Pararam em frente uma mansão. Os muros eram altos, de pedras e havia uma cerca elétrica. Eric pegou Sookita pela cintura e num salto já estavam do outro lado. “Meu Deus, estamos invadindo uma propriedade...nunca cometi tantos delitos na vida nesses últimos dias.” “Bla...bla...bla...nem vou passar sermão sobre viver a vida.”, ele a puxou para um canto e percorreram um caminho no meio do jardim. “Estou escutando latidos de cachorro. Melhor irmos embora.”, ela disse com medo. “Estou esperando por isso mesmo.”, ele disse com um sorriso. Estavam na lateral da mansão, apenas o luar iluminava. De repente algo escuro pulou na frente dos dois, antes que Sookita gritasse, Eric tapou a boca dela com a mão. Um lobo enorme rosnava, baba escorria entre os dentes a mostra. Mas a ameaça não durou muito, diante de uma assustada Sookita, surgiu um homem alto, moreno e completamente nu. Ela não desviou o olhar, observava o corpo perfeito, os músculos em evidência... nem Eric era tão definido assim. Demorou um pouco mais quando seu olhar chegou abaixo da cintura. Eric a virou de costas dizendo baixinho: “Melhor não ter pensamentos impuros, mocinha.”, ele deu uma risadinha. “Além do que nem é tão grande assim.” Sookita deu um safanão nele e voltou-se novamente na direção do lobisomem.


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“Sou bem grandinha, não preciso de sua preocupação.” “Trouxe o seu jantar, vampiro?”, o lobisomem falou pela primeira vez, uma voz rouca e assustadora. “Não ouse encostar nela. Não quero lutar com um homem pelado.”, ele fez uma careta. “Como se eu quisesse ficar cheirando a morto.”, o lobo também fez uma careta. “Não quero perder meu tempo aqui. Você sabe o que quero.”, o vampiro diz sério. “Eu já falei o que sabia.” Sookita começou a receber vislumbres da mente do lobisomem bonitão, não olhava mais para o corpo dele senão perderia o foco. Eric estava impaciente ao seu lado, com um olhar severo. Imagens de homens trocando mercadorias surgiram na mente dela. Alguns policiais, seu coração quase parou, um deles parecia ser Jason. Eric estava na pista certa, ela teve vontade de gritar. “Os caras são policiais, já falei, Vampiro. De várias cidades.”, disse o lobisomem. Sookita balançou a cabeça em negativo para Eric, ela teria que mentir novamente. E confiaria que ele não se envolveria numa briga com um homem nu. “Tem certeza do que está dizendo, lobo? Sabe que não gosto de ser enganado.” O homem parecia impaciente agora. Queria terminar logo a conversa. “Cara, estou em horário de serviço. Melhor saírem da propriedade. Não tenho motivo pra enganar, sei como vocês vampiros tratam nossa raça.”, ele cuspiu no chão. Sookita estava pálida, o lobisomem estava realmente sendo sincero, mas Eric não poderia saber disso. Ele ter a pista da policia seria fácil encontrar o


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estúpido do Jason, ela pensou preocupada. Tinha que imaginar alguma coisa rapidamente. “Quero saber se tinha policias do Vale de Los Sanguijuelas. Só isso me interessa.”, aproximou-se do homem. “Sim, essa cidade também está dentro.” Ela sentiu que irá desmaiar, por sorte ele não deve conhecer seu irmão de nome, apenas esteve presente na troca do V por dinheiro. Mais uma vez ela negou com a cabeça para Eric que ficou tenso. Antes que pudessem continuar, uivos começaram a ser ouvidos de todos os lados. O vampiro segurou na mão de Sookita. “Vamos, terminamos aqui.” disse para ela. “Vou te poupar dessa vez por está nu e ter companhia, mas saiba que em outra oportunidade você não me escapa.”, lançou um último olhar para o homem. Estavam do outro lado do muro, fora da mansão. Apenas os uivos eram ouvidos ao longe, de lamento por não terem lutado como gostariam. Sookita sentia calafrios, queria ir embora dali o mais rapidamente. Caminhavam na direção do carro. Eric estava impaciente, olhava toda hora para ela. Sookita tentava manter um ar sereno, como se não estivesse escondendo um monte de mentiras. As mãos estavam frias, às vezes sua mente ficava confusa, mas tinha que elaborar a melhor mentira que podia. Assim que entraram no carro, ele começou a dirigir velozmente como sempre fazia, ela já estava acostumada com isso. Estranhamente acostumada... “O que você viu na mente dele?” Ela engoliu em seco e começou a grande atuação, estava até achando que tinha talento como atriz. “Ele estava mentindo, Eric. Não sabia nada, estava apenas dizendo aquilo para não ser morto. Queria se ver livre da sua presença.” “Ele não parecia que estava mentindo, eu só levei você lá porque queria a confirmação final. Tinha certeza que estava na pista certa.”


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“Mas não foi isso que vi. Sinto te desapontar. Eu também gostaria muito que fosse verdade.”, ela disse. Eric ficou confuso, ele tinha certeza absoluta que estava no caminho certo, como agora tudo tinha voltado para a estaca zero? Era muita falta de sorte, e o Lobisomem parecia que estava mesmo disposto a colaborar, desde o início pareceu sincero. Não podia ser verdade, seu esforço de três longos dias tinha sido em vão. Estava pensando seriamente em desistir da maldita missão, estaria ele ficando ultrapassado? Pensou desapontado. -------------------------------------Jessica estava deitada entre os dois homens na cama do motel onde dividia com Alcide. O lobo não estava por perto, provavelmente fazia a vigília de Sookita. Jessica não se importava tanto mais, só não queria seu pai fazendo papel de bobo por Eric. Ainda queria destruir a telepata, mas não levando Bill junto. Seu plano estava nebuloso, precisava espairecer e nada melhor do que sangue, sexo e homens. Bebia o sangue do pescoço de um, enquanto o outro a penetrava. De vez em quando parava de beber o sangue para gemer, não podia negar que tinha escolhido bem os rapazes. Ela tinha um gosto impecável, sempre escolhia os bem-dotados, até parecia que tinha um radar para isso. “Agora é a sua vez, depois quero vocês dois juntos...adoro olhar”, ela começou a chupar o peito do outro, sangue escorria em abundância pelo peito do rapaz. De repente a porta foi escancarada, um Alcide observava a cena chocado. “Santa mãe de Deus, Menina Jessica, o que é isso?”, ele perguntou colocando a mãos no rosto em desespero. Jessica estava nua na cama com dois homens, em poses sugestivas. “Você não disse que tinha namorado.”, um dos rapazes falou. Jessica ficou de pé na cama, apontou para Alcide e gritou: “Sai daqui, imbecil. Está atrapalhando a minha diversão.” “Cale-se! Você ultrapassou todos os limites, nunca vi algo tão abominável. Estou muito decepcionado com você, Menina Jessica.”, disse ele vermelho de


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raiva. “Como ousa falar assim comigo? Sabe bem que está abaixo dos meus pés. Saia antes que fique pior para o seu lado.” Ela se aproximou de Alcide. “Ah não ser que queira ser comido pelo meus amiguinhos.”, ela deu uma risada sarcástica. Alcide olhou pra ela com desprezo e reunindo toda a sua força, deu um tremendo tapa no rosto de Jessica. O rosto pálido da vampira imediatamente ficou marcado com a mão do lobo. A violência foi tanta que ela caiu no chão em choque. Não conseguia se mover. Em seguida ele voltou-se na direção dos rapazes, puxou um da cama e desferiu um poderoso soco na cara do rapaz, depois fez o mesmo com o outro. Pegou a roupa deles, jogou para fora do quarto e os expulsou com pontapés. “Não voltem mais aqui.”, ele gritou raivoso fechando a porta num estrondo. Ela ainda estava no chão com a mão no rosto, observando boquiaberta a cena. Alcide olha pra ela novamente com desprezo, estava na hora dessa vampira mimada escutar umas verdades, não importava mais o emprego, ele já estava pensando na melhor forma de pedir demissão para seu patrão. Mesmo que isso fosse difícil, considerava muito Bill. “Eu imaginando que sentia amor por você... estava louco, você não vale nada!”, disse ele com o rosto franzido. “Pensei que fosse capaz de mudar, de ser uma pessoa diferente... de ser como seu pai. Um homem bom. Mas não, você não passa de uma meretriz, Menina Jessica.” “Não tem o direito de falar isso...eu tenho as fotos...”, ela disse baixinho. “Pode mandar, eu digo pro seu pai que foi tudo um plano seu, e tenho quase certeza que ele vai acreditar em mim. Bill sabe muito bem como você é mimada, egoísta e manipuladora!”. “Ele é meu pai, vai acreditar em mim. Em mim...”, ela bateu no peito. “Que seja, de qualquer forma vou pedir demissão.. não aguento ficar mais um


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minuto ao seu lado, você me enoja.” Ela se levantou, o rosto ainda com a marca do tapa que levou. “Não adianta fugir, Alcide. Eu irei te caçar e acabar com você se contar alguma coisa do que viu aqui para meu pai!”, ela balançou os peitos, ainda estava nua. “Não vou perder meu tempo com isso, pode ficar tranquila. Seu pai vai descobrir por contra própria o quanto é sórdida.”, disse ele se voltando para a saída. “Estou fora, vou embora para Vale. Já comprovamos que Sookita está bem, o Sr. Colunga está cuidando muito bem dela.” Alcide pegou a sua bolsa praticamente intocada, havia feito pouca troca de roupas. Jessica o sufocava. Não olhou para ela quando saiu pela porta. Jessica pegou o abajur ao lado da cama e jogou na direção da porta. “Covarde, maldito, viado! Vou acabar com você.”, lágrimas de sangue escorriam por seu rosto. -----------------------------------------Sookita se sentia a pior pessoa do mundo, como ela pode fazer uma coisas dessas? Uma pessoa tão devota, religiosa e correta. Não era justo o que estava fazendo com a missão por causa das burradas de Jason. Estava realmente muito mal, felizmente Eric havia acreditado nas palavras dela. O Vampiro não conseguia esconder a decepção. Sentiu um peso no coração ao vê-lo daquela forma, não sabia como conseguia mesmo depois de toda a humilhação que tinha passado. Era algo estranho até pra ela. Todas as evidências levavam ao seu irmão. Não tinha dúvidas disso, e não queria correr riscos. A única saída era matar o maldito Senador, de todos por ali ele parecia ser o único que não sabia da existência de Jason. De alguma maneira, Eric estava na pista certa dos policiais, ele era realmente bom no que fazia. Se um dia descobrisse a verdade, não pouparia a vida de Jason e muito menos a dela por ter mentido tanto, e de forma tão descarada. Mais uma vez existia uma mentira entre os dois e dessa vez era caso de vida ou morte. Entraram no quarto, Eric estava quieto, pensativo. A mente de Sookita estava fervilhando, não conseguia focar em nada. Caminhou as cegas até a sala de


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estar, bateu com o joelho na mesa de centro e a taça de sangue do vampiro que estava em cima caiu no chão espalhando por toda sala caco de vidro e sangue humano. “O que eu fiz!”, ela diz numa voz estrangulada. Sookita ficou de joelhos tentando catar os cacos como podia, cortou o dedo sem perceber. Soltou um palavrão quando sentiu o corte e colocou o dedo cortado na boca para estancar o sangue. “Sou tão desajeitada. Não sei o que está acontecendo...”, deu um sorriso de canto. “Venha cá, me deixe ver sua mão. O corte pode ter sido profundo.”, disse ele demonstrando preocupação. “Acho melhor não. Você é um vampiro...meu sangue...lembro do que aconteceu em Twilight.” “Também não é pra tanto, sei muito bem me controlar diante de sangue. E eu não brilho no sol.”, disse ofendido. “Não sabia que vampiros assistiam filmes de vampiros.” “Por favor, Sookita. Humanos não assistem filmes com humanos?”, ele balançou a cabeça. “Não tenha medo.” Ele pegou a mão dela, observou o pequeno corte no dedo indicador, não parecia grave. A mão dela tremia. “Nem está mais sangrando. Foi um corte pequeno. Não precisará do meu sangue.”, o resto da mão estava banhada do sangue da taça. “Já que você me deixou com fome...” Sookita sentiu vontade de gritar, empurrar o vampiro e sair correndo. Estava prestes a levar uma mordida, mas estranhamente as suas pernas não obedeciam. Ele levou a mão até os lábios, só que não mordeu, os caninos não fizeram nenhuma ação dessa vez. Apenas a língua dele limpando todo o sangue. Ele saboreava cada gota de sangue que ali estava, afinal sentia fome e ela havia derrubado toda a taça no chão, não custava aproveitar o que tinha ali


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bem a frente. Sookita ficou estática, estava deixando ele lamber sua mão e não fez nada para impedir, realmente estava ficando louca. Aquilo conseguiu deixar sua respiração acelerada, nem sabia o motivo, estaria com falta de ar? Um misto de medo e excitação percorreu o seu corpo. “Por que estava tão nervosa?”, ele perguntou após terminar de lamber o sangue. “Nervosa? Estou normal...”, disse ela ainda meio desorientada. “Notei que você ficou estranha depois do encontro com o lobisomem... dessa vez eu não matei ninguém na sua frente.” “É coisa de sua cabeça, Eric. Deve ser a fome...”. A excitação que estava sentindo começou a passar rapidamente e apenas medo sobrou. Ele desconfiava de alguma coisa? Mordeu os lábios com esse pensamento. “Sookita, seja sincera comigo, tem algo que eu ainda não saiba sobre você?”, perguntou ele cauteloso. “Encare como sua chance de se redimir comigo.” Ela retirou a mão da dele se afastando. “Não tenho nada a esconder. Quem mentiu para você foi o lobisomem. Como confiar em alguém nu?”, deu uma risada nervosa. Ela não tem nada a esconder, afinal, está sabotando a missão, é irmã de um dos traficantes e namora Bill. Pensou sentindo vontade de gritar. “Por isso mesmo estou pedindo pra você ser sincero comigo. Estou confiando na sua palavra, Sookita. Posso?” “Sim, claro.”, nesse momento queria continuar viva. Diria qualquer coisa para contentá-lo. Ele começou a caminhar em direção a porta do quarto, iria sair novamente. “Talvez eu tenha exagerado naquela história da dançarina. Não sou de segundas chances, mas irei acreditar em sua palavra por conta dessa sua santidade toda. Uma moça tão religiosa, não iria mentir tanto.”, piscou para ela. Ela acenou com a cabeça. Pensando em seguida se a altura da varanda era o


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suficiente para ela pular e sumir dali. Será que era realmente tão religiosa assim? Alguma coisa estava errada e ela não sabia o que. “Só peço que fique no quarto durante a noite. Estarei ocupado essa noite e amanhã. Não poderei te proteger se algo sair errado. Pelo menos aqui estará segura. A Autoridade agirá rapidamente para te ajudar.” “Por quê? Você tem algum plano em mente?”, perguntou Sookita curiosa. “Será melhor você não se envolver dessa vez. Mexi com pessoas que não deveria.”, disse isso já abrindo a porta da suíte. “Eric!”, chamou Sookita preocupada. Ela iria dizer para ele ter cuidado, mas já havia saído. Definitivamente estava tudo complicado, como sempre. Ouviu uma batida na porta. ---------------------------------Jessica nunca sentiu tanto ódio antes de alguém, talvez de Sookita, mas Alcide estava também no topo de sua lista. Imaginava várias torturas e sofrimentos para aquele lobo maldito. Vestiu-se sem vontade, pegou qualquer roupa, arrumou a mala. Antes que fosse sair, reparou que não encontrava mais o celular. Revirou o bagunçado quarto, procurou em cada canto, e nada, seu celular não estava mais ali. “Puta merda!”, gritou no quarto vazio. Será que Alcide tinha pegado durante a confusão de antes? Seria tão esperto assim? Ela pensou desesperada. Os caras que tinha transado não tinham motivo para roubar. Só podia ter sido o idiota mesmo. Pelo menos teria um motivo para agir contra ele, depois diria que ele se matou porque a amava e ela o rejeitou. Ficava tão feliz quando tinha essas ideias brilhantes, ela rodopiou pelo quarto sujo. Saiu do local. Caminhou relutante na direção de um ponto de ônibus, sua carona tinha ido embora. Odiava andar junto dos outros mortais, sentar perto, jogar conversa fora. “Sabe qual ônibus passa na rodoviária?”, seu dinheiro não dava para pegar um


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avião, Bill não a deixava andar com cartão de crédito. Seu pai era bem sovina quando queria. Quase um Tio Patinhas, ela sorriu. “Linha 101, mocinha.”, a senhora respondeu com doçura. Jessica deu de ombros. Pelo menos teria o que pensar na viagem. Ainda mais como faria para Eric não roubar Sookita de seu pai. Não imaginava ter que fazer isso, mas seria necessário. Teria que adiar temporariamente os planos de destruição que tinha planejado para Sookita. Após meia hora esperando, a Linha 101 finalmente surgiu. Jessica entrou no ônibus, deu uma olhada geral. Só tinha pessoas feias e sujas. Preferiu ficar em pé, sem encostar-se em nada. -------------------------------------Sookita caminhou em direção a porta, seria Eric? Ele teria entrado sem bater, com toda certeza. Abriu a porta e não tinha ninguém, havia somente um buquê de flores com um cartão no chão. Ela pegou e entrou novamente em sua suíte. Por um momento pensou que as flores poderiam ser de Bill. Infelizmente estava enganada, mais uma vez o Senador Morales estava mandando convite para um encontro na noite seguinte. Só que dessa vez não incluía Eric. Ele gostaria que Sookita fosse sozinha encontrá-lo em sua suíte. Tinha uma surpresa para ela. Sentiu náuseas ao pensar que tipo de ‘surpresa’ seria essa. Seria a sua chance de redenção se matasse o senador? Eric estava envolvido em outras coisas, disse que havia mexido com pessoas erradas. Provavelmente ainda não iria matar o senador. Ele deveria ainda estar na pista de Jason. Seria uma maneira de não se sentir tão culpada com o que estava fazendo e para a Autoridade a morte do senador seria mais valiosa. Nunca havia sonhado em matar alguém. Mas não se sentia tão má assim em imaginar o senador morrendo de alguma maneira. Só não sabia como faria isso, estava pensando como poderia matá-lo sem deixar rastros. E o melhor lugar para encontrar sobre o assunto seria a internet. Sorte que tinha um notebook ali só para ela fornecido pelo hotel, o de Eric estava desligado. Digitou: ’como matar alguém’ no site de busca.


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“Isso, digite isso mesmo...já começou errado.”, falou sozinha. Digitou: ‘como machucar alguém’ e balançou a cabeça em negativo, muito vago. Digitou: ‘tipos de veneno’. Pelo menos era o que faziam nos filmes ou nos livros de Agatha Christie. Lembrou que já tinha lido um livro dela sobre isso, qual era mesmo o nome? Ficou pensativa. Muitos resultados apareceram. Precisamente mais de 800.000 resultados. Sentiu desanimo e começou a imaginar tudo aquilo uma loucura. Realmente parecia uma doida de um filme de mistério. Digitou: ‘Agatha Christie veneno’ e lá estava o nome, “Um Brinde de Cianureto”. Ela sabia que tinha algo relacionado. Já tinha lido o livro, como poderia ter esquecido? A morte de Rosemary após beber champanhe numa festa. E o culpado tinha sido o cianureto. Não seria uma morte feia e violenta. E também seria difícil encontrar o culpado. Ele cairia duro como pedra. “Obrigada, Agatha.”, disse olhando pra cima. Sookita abriu o sistema de e-mails da Autoridade. Não era o sistema comum, utilizavam criptografia avançada para os emails não serem rastreados. Não parecia muito avançado, mas era eficiente. Bill usou muito nas missões anteriores e ela também chegou a usar. Pediu cianureto em nome de Eric para ter mais credibilidade. Não era muito comum vampiros confiarem em humanos. Terminou de escrever, ficou olhando para a tela, assim que enviasse não teria mais volta. Apertou send... Uma hora depois uma discreta batida na porta e um envelope foi jogado embaixo da porta. -----------------------------Eric estava sentado num canto do bar, observava um grupo de vampiros. Já havia se alimentado. Lara estava sendo bem proveitosa esses dias. Inclusive para tirar os seus pensamentos de outros problemas. Sookita era o maior deles, isso porque ele imaginou que seria fácil de lidar. Nada nessa missão


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estava sendo fácil. Quando estava na pista certa, voltava à estaca zero. Esperava que a telepata não tivesse errado novamente. Não poderia falhar mais uma vez com a Autoridade. Senão teria uma longa sessão de tortura pela frente. Para a felicidade de seus inimigos, principalmente o prefeito. Ele mesmo já havia torturado muitas pessoas, sabia como as regras eram feitas, por isso não questionava. Ele fazia parte do esquema. Obviamente que ser torturado não estava nos seus planos, era essencial dar um fim satisfatório a missão. Matar o senador era o principal, tinham que tirar do mapa um dos maiores inimigos dos vampiros, não poderiam deixar a ascensão dele ao poder continuar. Os traficantes de Vale seriam apenas o bônus merecido por essa missão complicada. Ajeitou-se na cadeira, estava desconfortável, um dos problemas por ser grande demais. O grupo de vampiros que estava seguindo continuava jogando conversa fora no bar. Sabia que aqueles vampiros vendiam o próprio sangue, queria descobrir para quem e onde a transação ocorria. Eric não aguentava mais de tédio, deveria ter trazido Sookita junto para o tempo passar mais rápido. Sempre discutiam o que ajudaria naquele momento. Lembrou-se do que iria fazer e viu que seria ilógico trazer a telepata, sorriu só de imaginar a reação dela. Finalmente os vampiros se levantaram caminhando para a saída. Ele mantinha uma distância segura para que não percebessem que estavam sendo seguidos. Caminhavam devagar numa rua deserta, já era bem tarde e desde que os vampiros saíram da toca, a maioria dos humanos não se sentiam confortáveis andando até tarde nas ruas. Após meia hora de caminhada, ele sentiu que estava sendo intensamente observado, pelo cheiro eram humanos. Continuou fingindo que não sabia, estava curioso para saber o que aconteceria. Ao virar a esquina, algo passou zunindo perto de seu ouvido, antes que pudesse reagir estava no chão recebendo chutes de todos os lados. Sua garganta queimava, uma corrente de prata estava enrolada nela. Pararam de bater, um dos humanos pressionou o peito do vampiro com a bota. “Você só tem tamanho. Achei que era mais forte.”, ele gargalhou dando um chute na cara de Eric.


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“O que vocês querem?”, perguntou cuspindo sangue da boca. “Você saberá logo logo.”, disse o homem. “Levem esse traste daqui.”. Dois homens pegaram a ponta da corrente começando a puxar. Eric estava sendo arrastado pelo asfalto. -------------------------------------Sookita teve um sono agitado, não parava de pensar na pequena cápsula de cianureto que estava na sua bolsa. Como faria? Jogaria na bebida? Ela teria que fingir que estava interessada no senador, nem gostaria de pensar no que teria que fazer para encontrar o momento certo de envenená-lo. Olhou no relógio eram quase 10 da manhã. Havia dormido tanto assim? Virouse para o lado e Eric não estava lá. Ele pelo jeito não havia voltado, o sofá também estava vazio. O vampiro só poderia estar dormindo com a magrela, pensou irritada. O dia passou devagar, ela ficou o tempo todo na suíte. Repassava em sua cabeça pela milésima vez como colocaria o veneno no copo de bebida. Chegou a fazer alguns experimentos com os copos do barzinho ali na sala de estar. Não poderia falhar dessa vez. Usava um vestido verde com um decote generoso, sentia-se quase nua. O senador iria gostar da visão. Onde estaria Eric? Já era noite e nem sinal dele. Disse que estaria ocupado, para ela não sair do quarto. Mas fazia isso pelo bem da missão, e aliviar a consciência, pelo menos um pouco. Não queria pensar como reagiria quando o senador caísse morto aos seus pés. Já havia visto a morte duas vezes antes na missão, mas havia sido culpa de Eric. Depois de hoje talvez nunca mais pudesse pisar numa igreja. O pensamento a deixou triste. Pegou a bolsa e saiu para o encontro. Minutos depois batia na porta do Senador Morales. Suas mãos tremiam, estava tão acostumada com Eric ao seu lado nesses momentos. Dessa vez ela estava a um passo do abismo. “Entre, minha querida. Grato por ter aceitado o meu humilde convite.”, ele a comeu com os olhos. Sookita se encolheu pensando na besteira que estava fazendo. Quase deu


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meia volta e saiu correndo pelo corredor. “Meu marido teve um probleminha para resolver.” “Espero não estar atrapalhando a sua lua-de-mel.”, ele disse falsamente. “Não se preocupe, a companhia do senhor é muito agradável.”, disse sedutora. “Senhor está no céu, não se esqueça”. Foram na direção da sala, um filme antigo passava na tela plana. Sookita sentou-se no sofá fingindo interesse no que ele dizia, mas seus pensamentos estavam distantes. Esperava o momento certo de agir. Pressionou a bolsa com força no colo. “Aceita beber algo, querida?”, ele perguntou. Sookita respondeu rapidamente. “Claro. Posso preparar? Faço questão.”, disse docemente. Ele confirmou com a cabeça indicando a direção do bar. Ela caminhou com dificuldade, o momento estava chegando. “O que deseja?”, ela perguntou. “Uísque, por favor. O de 21 anos.”, ele deu uma risadinha. “Cowboy, querida. O gosto é especial demais para misturar com gelo. Sirva para você também.” Sookita tremeu quando pegou a garrafa com o rótulo azul. Serviu um copo para ele, o cianureto já estava aberto em sua mão. O frasco era bem pequeno, derramou o líquido incolor no copo cheio. Serviu em seguida para si e voltou para a sala. Estendeu o copo para ele, e apertou o seu. Mas antes que ele bebesse e morresse, Sookita começou a suar frio, não queria ver a cena dele ali caindo morto. “Vou ao banheiro, estou um pouco tonta com o cheiro desse uísque. Muito forte.”, ela se abanou colocando o copo em cima da mesinha em frente ao sofá.


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“Sim, querida, você parece um pouco pálida.” Correu para o banheiro, jogou água no rosto e espero longos 10 minutos, os maiores da sua vida. Saiu devagar do banheiro, respirando fundo e se preparando para a cena de morte. Quase desmaiou quando viu o senador em pé e completamente vivo. “Não bebeu ainda?”, ela perguntou num fio de voz. “Esperei você para brindarmos.”, ele sorriu. O copo dela ainda estava na mesinha da sala, ele ainda segurava o dele. Aproximou o copo do dele, sua mão tremia. “A nossa amizade.”, ele piscou para ela, em seguida levou o copo à boca. Sookita bebeu o uísque de uma vez, queria por um fim naquela agonia. O líquido desceu queimando em sua garganta. No mesmo instante ela foi sentindo uma fraqueza, sua cabeça começou a rodar, seus joelhos não estavam respondendo mais. O que estava acontecendo? Ele tinha trocado as bebidas? Como poderia ter sido tão estúpida? Deus do céu... Ela estava morrendo... Caiu no chão. Tudo se apagou.


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CapĂ­tulo 14 Gritos e Sussurros Look at yourself in the mirror. You are beautiful... but you have changed.


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Eric estava vendado, sentia que estava sendo arrastado por um terreno pedregoso, passava a mão para ter certeza de que tinha terra fofa no local. Antes de ser arrastado novamente, Eric já tivera alguns km dentro da van até o local. O cheiro indicava algum tipo de floresta, não ouvia barulho de carros, ou vozes de pessoas, apenas de seus sequestradores idiotas. Constatou não haver algum vampiro entre eles, pois ouvia o batimento cardíaco de todos. “O que faremos com esse cara? Ele é grande demais, não aguento mais arrastar.”, um deles disse pesaroso. “Não sei, só sei que não podemos deixá-lo escapar. Continue puxando esse porra.”, o outro respondeu com total desdém. Eric não sentia medo e muito menos receio, tudo tinha saído conforme o planejado. O sequestro, até que tinha ocorrido cedo, ele achava que eles iram demorar mais uns dias para agir. Já esperava que os capangas do Senador fossem tentar pegá-lo de alguma maneira. Eles pensaram que Eric não passava de um vampiro qualquer, informação dada pelo próprio Senador Morales que também tinha sido enganado. Fazia dias que ele, propositalmente, perguntava sobre o Senador Morales para vários traficantes de V. Pretendia atrair a atenção do senador e com isso teria sua chance de matá-lo, exterminando os seus capangas e incitando uma vingança de traficantes. Resolveu que não usaria a forma de matar de um vampiro, pretendia disfarçar quebrando pescoços e atirando com as próprias armas dos inimigos. “Chegamos, finalmente!”, o rapaz que puxava Eric deu um chute no vampiro. “Amarrem ele no porão, lá é escuro, não corremos o risco desse porra morrer queimado pelo sol.”, o chefe deles deu as ordens. Eric não se movimentava, fingia que estava desmaiado, tudo isso para enganar os futuros capangas mortos. Daqui algumas horas estariam mesmo. Só aguardava ansioso a vinda do senador, sabia que ele gostava de interrogar e machucar pessoalmente seus prisioneiros, ele era sado-masoquista, como Sookita tinha visto na mente dele anteriormente. Já não sentia mais o chão de terra, agora estava em algo frio. Imaginou ter sido arrastado ainda por alguns metros. Depois o levantaram, o empurrando escada abaixo. Não soube precisamente quantos degraus rolou. Sua cabeça estava girando, seu corpo começava a dar sinais de fraqueza, ele precisava se alimentar. Infelizmente não poderia estragar o plano, teria que esperar a chegada do senador. Apesar de ser vampiro, e ter toda aquela história de imortalidade, Eric sentia dores por todo o corpo. Suas costas estavam esfoladas por ter sido arrastado, um braço quase tinha sido quebrado. E a prata em seu pescoço só piorava a situação.


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Ele estava sentado no chão, à corrente em seu pescoço foi presa numa viga e seus dois braços também foram acorrentados em prata. Depois de um tempo os sequestradores tiraram a venda de seu rosto e Eric pode enxergar mais uma vez seus captores. Havia uns cinco ali o encarando com cara de poucos amigos, pronto para matá-lo. “Preciso de sangue...”, Eric disse numa voz baixa. “Ele quer sangue...vocês ouviram?”, um rapaz jovem e magro, que aparentava ser o chefe abriu os braços e disse: “Algum voluntário?”, deu uma gargalhada. “Se precisam de mim vivo...”, o vampiro comentou. “Claro que precisamos de você vivo.”, ele deu um tapa na cabeça de Eric. “Peguem TruBlood pra esse porra!” Um outro rapaz meio desengonçado subiu a escada correndo. Eric olhou desafiador para o “poderoso chefinho” que comandava todos ali. Ele ficaria por último, sentiria um prazer imenso em matá-lo. “Para quem trabalham? Posso pagar o dobro se me soltarem.”, Eric perguntou fingindo interesse em escapar. “Somos muito bem pagos. Não se preocupe, conhecerá nosso Patrão.”, respondeu rapidamente o rapaz. “Vão me matar depois?” “Assim que ele estalar o dedo. Só se quiser brincar com você antes. Não sei se faz o tipo dele.”, os outros deram risadas. O rapaz desengonçado voltou com a garrafinha de TruBlood, quase caiu no último degrau da escada. “Idiota, tome cuidado com essa merda.”, o chefe disse para o rapaz medroso que concordou com a cabeça. O chefe abriu a garrafa e fez um gesto como se fosse colocar diretamente na boca de Eric, em seguida jogou todo o conteúdo da garrafa no rosto do vampiro. Todos ao redor gargalharam da situação. Eric estava pensando seriamente em acabar com todos eles ali mesmo, esperaria o Senador sozinho. “Agora você pode se alimentar.” O rapaz disse saindo em seguida, os outros o seguiram. A porta foi trancada e a escuridão tomou conta do local. Eric lambia como podia o sangue em seu rosto, pois precisava de qualquer gota para se manter forte. Agora ele só teria que esperar pacientemente pelo momento certo.


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----------------------------------Sookita sentia seu corpo balançando, sua cabeça rodava e ela estava enjoada. Estaria no céu? Seu corpo dolorido indicava que não, estava muito sonolenta e não conseguia abrir os olhos. Fez um esforço imenso para abrir os olhos, a imagem ainda estava desfocada, mas conseguiu visualizar uma pessoa bem a sua frente sentada. Ainda não acreditava que continuava viva, tinha certeza que o Senador havia trocado os copos. Será que a pessoa seria Eric a livrando do perigo? Teria ele matado o Senador? Sua alegria caiu por terra ao se deparar com o homem ainda bem vivo. O Senador Morales a encarava com um meio sorriso. “O que você fez comigo?”, perguntou Sookita. “Nada, minha querida, apenas evitei que você cometesse um crime.” Sookita foi voltando à realidade, ela estava sendo levada para algum lugar, pois estavam dentro de uma limusine e pelo balanço do carro não seria um local nada agradável. “Pra onde está me levando? Não pode fazer nada comigo, meu marido vai descobrir o que fez!”, disse ela tentando não entrar em pânico. “Não acho que te devo respostas. Foi realmente muito rude tentar me matar daquela maneira.” “Não tentei te matar. Não sei do que está falando. Fui eu quem acabou desmaiada na sua sala, não é?”, ela tentava ganhar tempo. Onde estaria Eric? Pensou desesperada. “Vamos parar com esse joguinho. Sei farejar mentira de longe. Eu vi você colocando algo na minha bebida, minha cara.”, ele sorriu triunfante. Sookita estava pálida de medo, não havia morrido envenenada. Mas, seu plano fora um fracasso. Realmente arriscou demais e não queria pensar no quanto havia colocado tudo a perder. O senador provavelmente, já tinha tudo planejado antes mesmo dela pensar em matá-lo, ela deveria ter seguido o conselho de Eric e não ter saído da suíte. Agora lá estava completamente encurralada e sem seu parceiro para ajudá-la. “Se você encostar em mim, será um homem morto!” “Quem falou em encostar? Tenho outros planos para você...bem mais interessantes.” Ela olhou pesarosa pela janela, a limusine estava numa estradinha de terra, sem nenhuma civilização por perto. Apenas o farol iluminava o caminho.


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Sookita não imaginava que horas poderiam ser e não perguntaria para ele. Estaria sendo levada para a sua morte? Não ousava ler a mente do senador, não queria ter a constatação de seus medos. “Não quero morrer.”, disse num fio de voz. “Gostaria de te prometer algo diferente. Desculpe-me.”, ele abriu as mãos balançando a cabeça em negativo. Seria morta da forma mais cruel possível, tinha certeza disso, pensou com o coração acelerado. Ela queria chorar, mas nem isso estava conseguindo. O jeito mesmo era rezar e esperar um milagre. Nunca mais iria olhar novamente para Bill, ou ouvir as bobagens de Jason, as baixarias de Tara, ou sentir o carinho de Sam. Tudo estava desmoronando, e dessa vez não era culpa de Eric. Ela tinha se colocado nessa enrascada, só podia culpar a si mesma. “Chegamos, querida. Deixe-me ajudá-la a descer do carro.” Ele pegou a sua mão conduzindo para fora do carro. Sookita enfiou o pé na terra fofa, estava escuro, apenas uma luz poderia ser vista ao longe. Seus joelhos tremiam, imaginava se sua vida passaria diante de seus olhos. Sentiu um cano pressionando as suas costas. “Sou um homem precavido. Se tentar escapar, não vou sentir pena e te poupar.”, ele cochichou em seu ouvido. Sookita já imaginava que seria torturada até a morte, se ele só quisesse matála teria feito há muito tempo. Só pensava no quanto sofreria até tudo acabar. Por um momento pensou em correr, porém lembrou que o Senador com certeza queria alguma coisa, daria um tiro em sua perna e ela ficaria lá agonizando até perder a vida de uma vez. Permaneceu calada, não tinha mais o que pensar diante da morte certa. Só queria que tudo acabasse logo. Caminhavam por uma estradinha péssima de terra com várias pedras. Só havia mato em volta, pois uma floresta circundava a fazenda. A telepata não tinha mais dúvidas de que era uma fazenda abandonada e bastante antiga. Havia resquícios de antigas plantações. Via as várias janelas azuis nas enormes paredes brancas. Era imponente, apesar da má condição. Uma parte desmoronando de tão velha.


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Ele a empurrou pela porta, Sookita quase caiu no chão. “Levem-na daqui. Ainda não chegou a hora dela”, ele a beijou na testa. Sookita foi levada para o segundo andar, o local não tinha móveis, ela só via entulhos por onde caminhava. O rapaz abriu uma porta e a jogou no chão. ----------------------------------Eric estava repassando mentalmente o que faria com cada um dos homens que o prenderam naquele porão fétido. Não conseguiu dormir adequadamente sentado no chão desconfortável, seu corpo estava pior que no dia anterior. Suas feridas não haviam cicatrizado como esperava, pois não havia se alimentado corretamente. Mas ainda estava forte o suficiente para agir e dar um fim no senador. Seus olhos estavam acostumados com a escuridão. Não sabia quanto tempo havia se passado, ninguém mais entrou no porão. Ouvia passos em cima, algumas vozes distantes. A porta se abriu, uma pequena porção de luz entrou no porão. O chefe desceu as escadas acompanhando do rapaz desengonçado. Começaram a retirar a corrente do corpo do vampiro. Levantaram Eric com violência, a corrente de prata continuou em seu pescoço. Cada vez mais sentiu enterrando em sua carne. “Vamos, nosso patrão está te esperando.”, deu uma risada maldosa. Foi chutando o vampiro conforme subiam a escada. Agora Eric via pela primeira vez o lugar onde estava sendo mantido em cativeiro. Havia uma ampla sala vazia, apenas com uma lareira em pedaços. O chão era de terra batida vermelha, típica de haciendas, deveriam estar nos arredores de Tijuana, perto da fronteira americana. Havia sete homens armados, além do chefe e o rapaz desengonçado. Uma cadeira estava no meio da sala. Eric sentou-se ali, e o chefe ficou atrás segurando a sua corrente. De vez em quando puxava forçando a cabeça do vampiro para trás. Longos minutos depois o Senador Morales entrou na sala vestindo um terno


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impecável, parou em frente a Eric e disse: “Estou decepcionado, Senhor Castela. Não esperava que estivesse atrás de mim.”, olhou para os capangas. “Por que ele está todo sujo de sangue? Matou alguém?” O chefe respondeu prontamente: “Não, senhor. Isso é TruBlood. O vampiro está bem fraco.” “Ótimo. Não é mesmo para oferecer resistência.”, ele caminhou pela sala. “Agora, conte-me, para quem trabalha?” “Não.”, Eric cuspiu sangue na direção do sapato do senador. “Não está em posição de provocar, Senhor Castela. Não sou tão bonzinho como aparento.”, deu uma risada. “Mais uma vez, para quem trabalha?” O chefe deu um tapa em sua cabeça apertando com força a corrente. Eric estava calculando o momento certo de matar o rapaz que o segurava, em seguida quebraria o pescoço do senador. Para isso precisava irritá-lo, tirar o foco do ambiente, e distrair os outros capangas com a discussão. “Prefiro morrer a dizer.”, Eric disse desafiador. “Espero que não seja de algum grupo extremista contra a doação de sangue por vampiros. Não tenho culpa se a sua raça se vende por tão pouco. Não pretendo exterminá-los, vocês hoje em dia rendem mais do que cocaína. Não pense que pretendo matá-lo. Longe disso, você irá doar seu sangue, várias e várias vezes.”, o senador se aproximou de Eric. “Seu nome nem deve ser Julian Castela. Meus homens descobriram que não é dono de empresa nenhuma. Minha filha não conhece a sua esposa. Saiba, eu sempre estive de olho em você.” “Já desconfiava naquele dia do jantar?”, perguntou Eric. “Claro. Sua história não batia. Ninguém conhecia nenhum Castela dono de empresa de energia renovável. Quando você começou a perguntar sobre minha pessoa para meus fornecedores, o sinal vermelho acendeu. Agora, vamos parar com o papo furado. Diga de uma vez quem é e para quem trabalha?”


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Eric permaneceu calado, colocou a mão na corrente pronto para puxar o chefe e mordê-lo. O senador estendeu a mão e disse: “Ele não vai falar sem ser forçado. Tragam a moça...” O vampiro ficou estático ao observar Sookita sendo jogada aos pés do senador. Morales a agarrou pelo cabelo, ela gritou desesperada de dor. Seu cabelo foi puxado até se levantar completamente. “Eu esperava não usar sua linda esposa, mas fui obrigado.” Ela chorava, olhava apavorada para Eric. Ele estava ensanguentado, parecia muito machucado. Os dois iriam morrer, ela pensou. “Agora, com calma, vamos começar novamente. Quem é você e para quem trabalha? Cada minuto que demorar em responder, eu começarei a machucar a sua amada esposa.”, o senador puxou com mais força o cabelo de Sookita. Pela primeira vez em muito tempo Eric não sabia como agir. Todo o plano em sua cabeça colapsou. Não esperava que o senador fosse usar Sookita. Era para a Autoridade estar de olho nela em sua ausência. Se ela fosse raptada do hotel, eles deveriam saber. Algo de errado deveria ter acontecido. Ele normalmente não daria a mínina para humanos, mas não queria a morte de Sookita em suas costas. “Tic-tac...tic-tac...”, o senador dizia zombeteiro. Sookita queria gritar para Eric falar tudo de uma vez e dar um fim naquela agonia. “Não sabia que seria tão burro em usar a sua esposa para me matar.” “Não mandei ela fazer nada. Minha esposa não sabe nada do que acontece.” “Oh, parece James Bond. O veneno usado por ela não parecia coisa de amador. Apesar de que ela agiu como amadora, não é, minha querida?”, ele puxou o rosto de Sookita e a beijou nos lábios, forçando a língua dentro da boca dela. Ela cerrou os lábios, mas ele mordeu com força arrancando sangue. Ela gritou mais uma vez de dor. Eric não poderia mais matar o senador, Sookita corria o risco de ser atingida


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por algum tiro dos capangas armados. Teriam que fugir dali. Pelo menos eles acreditavam que ele fosse um vampiro fraco e isso daria algum tipo de vantagem. “Ele não vai falar...pelo jeito não ama tanto a esposa.”, fez uma cara triste. “Peguem-na, vocês dois aí...abram as pernas dela.” Sookita entrou em desespero e começou a se debater conforme foi agarrada pelos dois homens, um a segurou pelos braços e o outro começou a abrir as pernas. O senador se aproximou com uma faca, ergueu o vestido de Sookita e cortou a calcinha. “Não vou enfiar meu pau nela. Vou foder ela com essa faca e depois cada um dos meus homens irá estuprá-la.” O senador se aproximou das pernas abertas dela, estava nua da cintura para baixo, nunca sentiu tanto horror. Ele iria enfiar a faca dentro dela? Como? Pedia a ajuda de Deus em pensamento. O senador aproximou a faca das suas coxas e cortou sua perna direita, o sangue começou a escorrer. “Eric, por favor... não deixe ele fazer isso!", ela gritou com todas as forças que ainda sentiu em seu corpo. O vampiro puxou de uma vez a corrente de prata, o chefe foi parar em seu colo. As presas de Eric brilharam quando ele cravou no pescoço do rapaz, sugou o sangue com raiva e prazer, sentindo invadir cada parte de seu corpo. “Não deixem ele me pegar, não deixem ele me pegar!”, o senador gritava desesperado. Os dois homens que seguravam Sookita a soltaram instantaneamente e se colocaram em frente ao senador, o empurrando na direção do outro cômodo. Eric usou o chefe como proteção até chegar perto de Sookita. Os homens começaram a atirar no corpo do rapaz que estava sendo usado como escudo. O senador não era mais visto na sala. O vampiro jogou o corpo na direção de um dos atiradores, pegou Sookita pelo braço, correndo na direção da porta. Levou vários tiros nas costas conforme saíam da sala, mas conseguiu proteger Sookita deles. Deu um poderoso chute na porta, e saiu para a noite. Os capangas continuavam atrás atirando. Eric


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agarrou Sookita e alçou vôo. -------------------------------Meia hora depois Eric caiu no jardim da casa que tinha alugado na cidadezinha de Rosamar, perto de Tijuana. Cheio de turistas americanos que passavam férias curtindo as praias, era um local perfeito para se esconder temporariamente. Continuar em Tijuana seria perigoso, ainda mais depois de quase matar um senador. Havia alugado a casa antes de iniciar a missão, tinha planejado em detalhes a fuga que fariam da cidade. Só que nada saiu como esperava. Sookita rolou ao lado do vampiro após a queda que tiveram. Pelo menos a grama evitou que o estrago tivesse sido maior. Não acreditava que tinham escapado, parecia bom demais para ser verdade. Olhou para Eric, não conseguiu esconder uma careta de horror. Se não fosse vampiro, Sookita juraria que ele estava prestes a morrer. Sangue escorria de seu nariz, orelhas, os olhos estavam injetados, a pele parecia escamosa, mais pálida do que de costume. Não sabia o que fazer, não iria conseguir carregá-lo. Sentou-se no gramado, observou a sua volta, estavam no jardim de uma casa. Não parecia que estava habitada, nenhuma luz acendeu lá dentro e nem alarme tocou. Os portões estavam fechados, eram pretos, separados por muros brancos. A casa também era toda branca, possuía dois andares, com janelas grandes em formatos quadrados e arredondados. Com duas varandas em cada lado no segundo andar, estilo moderno, ela nunca tinha visto nada parecido em sua cidade. Essa casa deveria custar uma fortuna. Conseguiu escutar o barulho das ondas do mar, estavam perto de uma praia. Sookita voltou-se pra ele e disse: “Eric... você está bem?”, perguntou Sookita com cautela. “Diga-me como posso ajudá-lo.” “Peg...pe...g...”, ele não conseguiu falar direito. Forçou a voz. “Pegue...a chave dentro do vas...o...lado...por...ta.” Sookita correu o mais rápido que pode e procurou a chave no vaso, demorou alguns segundos e encontrou. Finalmente abriu a porta da casa e voltou para ajudá-lo. “Pronto, já abri a casa... o que faço agora?”, ela estava totalmente perdida.


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“Me ajude a levantar.”, ele estava sentado no jardim. Ela chegou perto colocando o braço esquerdo dele em volta de seu ombro. Ele demorou um pouco até firmar os pés no chão. Sookita cambaleou com o peso dele apoiando no seu. Quase caíram novamente. “Nossa...preciso respirar...você é muito pesado.”, ela disse após saírem do jardim em direção a entrada da casa. Foram entrando lentamente, Eric caminhava com dificuldade, mas evitava de jogar o peso do corpo em cima dela. Sookita respirava pesadamente, queria chegar logo na sala. Após passarem a entrada, ela já havia deixado a luz acesa. Quando chegaram à sala, mesmo com pressa de colocar Eric em algum lugar, Sookita não pode deixar de reparar no luxo do ambiente. Se por fora a casa parecia surreal, por dentro era ainda mais espetacular. Ela avistou no meio da sala um sofá redondo branco enorme, e pensou ser um ótimo lugar para acomodar Eric. “Não vou conseguir subir com você, acho melhor te deixar aqui...parece ser confortável.”, ela tentou explicar ao vampiro. Ele respondeu com um gemido abafado. “Meu Deus, Eric, você precisa se alimentar urgentemente. Tem algum TruBlood na casa?” Ele balançou a cabeça e respondeu com dificuldade: “Não...vou precisar de sangue humano.”, ele a encarou. O sofá branco estava completamente sujo de sangue. Sookita nem queria imaginar como limparia aquilo. Ainda bem que a Autoridade se encarregava de tudo e sempre cuidava desse tipo de coisa. “S-sangue hu-humano?”, respondeu baixinho, só ela estava ali de humana. Engoliu em seco, não iria pensar nisso agora, precisaria tirar aquele sangue dele antes de qualquer coisa. O cheiro não estava bom... “Vou procurar uma tesoura para tirar a sua camiseta.”, ela disse caminhando em direção a saída da sala. Não teria como tirar com ele naquele estado.


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“Rasga...rasga de uma vez.”, ele comentou puxando o colarinho com a mão frouxa, o rasgo foi abaixo do peito. “Tá bom...” ela fez o que ele pediu, rasgou a blusa até embaixo, revelando seus ferimentos. Seu peito estava com vários buracos de bala, suas costas estavam quase em carne viva e mesmo tendo se alimentado do chefe, a aparência dos ferimentos ainda era péssima, sinal de que ele não havia regenerado. Eric olhava lentamente para o sangue que escorria da perna de Sookita, o senador a tinha cortado com a faca, bem ali. Não era abundante, mas para um vampiro necessitado de sangue, seria o suficiente para um ataque. Seria melhor limpar aquilo e limpar o sangue dele também, pensou temerosa. Sookita demorou alguns minutos para achar o banheiro no andar de baixo. A casa era realmente grande. Abriu e fechou várias portas, até que o encontrou. Limpou o ferimento com uma toalha, colocou um algodão com esparadrapo. Pegou outra toalha, pois precisaria limpar o vampiro, não poderia deixá-lo daquela maneira. Precisaria de um balde com água limpa para terminar o serviço. Dessa vez não demorou para encontrar a área de serviço, ficava no quintal. Por sorte estava com a chave da casa. Pegou o balde, encheu com água e voltou correndo para a sala. Primeiramente limpou o rosto dele, depois fez o mesmo com o corpo. As feridas continuavam sangrando, mas pelo menos ele estava um pouco limpo. “Sookita, não é de limpeza que estou precisando agora...”, disse ele olhando nos olhos dela. “Agradeço sua preocupação, mas preciso me alimentar.” Ela suspirou, pelo menos o cheiro tinha melhorado. “Eu achei a cozinha...essa casa é enorme. Não tem nada lá de comida, você precisa se alimentar e eu também. Além do que precisamos de roupa...e eu...”, ela não quis mencionar que estava sem calcinha, seria lembrar da situação dolorosa que vivenciou. Preferiu se concentrar em ajudar o vampiro. “Foda-se a roupa, traga-me alguém... encontre algum mendigo na rua e diga que vai alimentá-lo... qualquer coisa, eu faço ele esquecer depois.”, ela arregalou os olhos. “Não tenho forças para matar ninguém.” “Preciso de dinheiro, carro...tanta coisa”, ela colocou a mão na cabeça.


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“Tem um carro na garagem, deve ter dinheiro lá. Deixei preparado para a viagem de volta e para qualquer imprevisto, como o de hoje.”, ele fez uma careta de dor com o esforço de falar. “Vá logo, não sei mais quanto tempo vou aguentar.” “Eu volto logo, prometo!”, disse ela sem saber onde e como ia conseguir convencer alguém a ser drenado. Bancar a boa samaritana em plena madrugada não ia colar muito para qualquer pessoa, mesmo sendo um pobre mendigo faminto. Trancou a casa, ainda podia ouvir os gemidos de dor dele. A garagem se abriu, um Lexus 2010 estava ali estacionado. O utilitário era um carro popular nos Estados Unidos, e lá em Rosamar era comum para os turistas. Sookita nunca tinha dirigido um carro moderno como aquele, além de que era automático e tinha GPS. Já havia visto no carro de Bill, mas dirigir era outra coisa. Procurou por um supermercado no POI do GPS, torceu para ter algum 24 horas na região. Não demorou muito e piscou na tela um Walmart em Hacienda Dorada, ficava uns dez minutos de carro. Ligou o carro, apertou o botão na chave da casa para a abertura do portão. Pegou a estrada na direção de Ensenada-Tijuana. Nunca imaginou que dirigir um carro automático fosse tão maravilhoso. O duro depois seria voltar para seu carrinho velho, pensou triste. ------------------------------Durante o caminho Sookita pensou no que deveria comprar e como faria para encontrar o tal mendigo, ou qualquer louco disposto. Deixou pra pensar nisso depois e se concentrou na direção. Como Eric disse, havia uma boa quantidade de dinheiro no carro, suficiente para comprar o necessário e até mais coisas se ela precisasse. Ele realmente era muito eficiente, pensou Sookita. Se não fosse por ele, ela provavelmente estaria morta uma hora dessas, aquele senador sórdido não teria poupado sua vida por muito mais tempo. Depois de tudo que Eric fez por ela, Sookita ainda teve coragem de deixá-lo sozinho, não queria admitir para si mesma, mas ela estava apavorada. Ele poderia muito bem atacá-la, vampiros não costumam pensar quando estão com fome.


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Chegou ao supermercado era quase duas da manhã. Ela foi direto para a seção de roupas, precisava urgentemente de uma calcinha. Não demorou muito escolhendo, pegou um pacote com três calcinhas de cores variadas. Comprou uma camiseta básica e uma calça de moletom. Fez o mesmo para Eric, pegou o maior número que encontrou, afinal, ele era bem grande. Deixaria a calcinha para vestir no carro mesmo, não poderia perder tempo. Jogou tudo no carrinho. O local não estava tão vazio como imaginou, pelo jeito as pessoas gostavam de fazer compras naquele horário. Pegou comida congelada, alguns salgadinhos, um suco. Ainda comprou duas garrafas de TruBlood, mesmo ele dizendo que não adiantava. Assim que virou deu de cara com a seção de bebidas e várias marcas de tequila. Respirou fundo, sabia mais ou menos o que teria que fazer, bastava apenas à coragem, e ela infelizmente só teria isso bebendo, lembrou-se da festa do casamento. Pegou a Tequila Don Julio, foi na direção do caixa. Colocou as compras no banco de trás, abriu as calcinhas pegando uma. Olhou em volta, não tinha ninguém. Vestiu rapidamente, sentiu um incomodo quando a calcinha ficou justa na parte de trás. Culpou por ter pegado na pressa, pensou irritada. Resolveu abrir a tequila, teria que tomar um gole. Bebeu na boca da garrafa vários goles, tossiu e engasgou, mas não parou. ------------------------------Sookita não tinha ideia de como havia chegado a casa, na verdade devia isso à mulher falante do GPS que indicou o caminho de volta. Pegou as compras, e a deliciosa garrafa de tequila que estava quase na metade. Jogou as compras em cima da mesa de jantar que ficava perto de uma janela redonda. Eric não disse nada. Sookita se aproximou e ele estava de olhos fechados. Será que tinha morrido? Ela voou pra cima dele, sacudindo e gritando: “Eric...Eric...Eric...eu não quis demorar. Não morra, pelo amor de Deus!”, disse ela enquanto batia no rosto dele com as duas mãos. “Se continuar me batendo desse jeito, não vou durar muito.”, ele disse friamente. “Nossa, menino...que susto me deu, achei que tinha passado desta pra


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melhor.”, ela disse cambaleando. Eric arregalou os olhos, não estava entendendo nada. “Trouxe alguém para me alimentar?”, ele ergueu a cabeça e notou que não tinha ninguém ali além dela. Ela levantou a mão: “Será eu mesma...sei que não é grande coisa, mas você me salvou, essa coisa...aí...”, ela apontou para ele. “Vou te doar o meu sangue...como boa cristã!”. “Vejo que precisou de uma ajuda não muito divina pra conseguir fazer isso.”, disse Eric, se não estivesse tão acabado estaria rindo da situação. Ela cambaleou novamente, mexeu na calcinha conforme andava na direção da mesa de jantar. “Essa calcinha está me apertando, tenho que mexer toda hora.”, ela pegou a garrafa da mesa. Mesmo bêbada, sentia uma tremedeira no corpo, nunca havia doado sangue antes, nem com agulha. “Largue essa bebida, Sookita. Não vou te machucar.” Ela voltou-se na direção dele. Caminhou novamente até o sofá, colocou a garrafa na mesinha. “Como eu faço? Te dou meu pescoço?” “Se aproxime um pouco mais que eu te mostro como faz.”, ele disse gentilmente enquanto sentava no sofá com dificuldade. Sookita sentou-se ao lado dele oferecendo o pescoço, em seguida mudou de ideia e ficou de pé. Depois abaixou apenas a cabeça na direção dele afastando o cabelo. “Está bom assim?” “Não...capaz de espirrar pra todo lado. Não quero desperdiçar.”, respondeu irritado. Ela suspirou longamente, puxou o vestido na altura das coxas sentando-se no


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colo dele, ficando de frente pro vampiro, apoiando os joelhos no sofá. “Eric... vai doer?”, ela perguntou numa voz mole. “Um pouco, no início...”, ele aproveitou para puxar a cintura dela, aproximando ainda mais seu quadril dele. Sookita segurou nos ombros nus dele esperando o rasgo em seu pescoço provocado pelas presas. A bebida estava deixando o meio de suas pernas meio formigando, pensou confusa. Gemeu quando sentiu as presas geladas rasgarem sua pele quente. Sentiu Eric sugando devagar seu pescoço, as pontas dos dedos dele massageando a nuca. Ela não sabia se era o efeito da bebida ainda, mas o contato dos lábios dele no seu pescoço aumentou o formigamento entre as pernas. Sookita instintivamente começou a se mover em cima dele conforme a sugava, parecia que estavam em sintonia. Sentiu algo crescendo entre suas coxas. Eric estava excitado. Sookita estava ofegante, seu peito arfava com os movimentos que fazia. Uma sensação maravilhosa surgiu entre as pernas... aumentou o ritmo, movia para frente e para trás o seu quadril. De repente ele parou de sugar, lambeu o pescoço puxando a cabeça dela para trás. Eric a encarou, Sookita devolveu o olhar desesperadamente. Não parava de se mover, o vampiro pareceu surpreso por alguns segundos. Segurou com a outra mão o pescoço dela, mas não mordeu. Aproximou-se da boca, vagarosamente passando a língua nos lábios de Sookita. Percebeu a urgência dos movimentos dela, ele queria beijá-la. E ela também queria aquele beijo. Eric colou os lábios no dela de uma vez. Sookita deixou a língua dele invadir a sua boca. Sentiu o gosto da saliva misturada com o seu sangue, seu prazer só aumentou. Ela acompanhava o movimento do quadril conforme a língua dele se movia, primeiro lentamente...depois gradativamente aumentando a intensidade. Eric interrompeu o beijo e olhou pra ela. “Sookita...não faça isso...não sei o quanto vou me controlar.”, ele disse numa voz rouca. “Não quero parar...não quero nunca...”, ela agarrou o cabelo dele com força. “Morda mais...por favor!”


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As presas surgiram novamente e desceram no pescoço, dessa vez com mais força. Ele ergueu a pélvis para ajudá-la na movimentação. Ela nem sentia mais a sua calcinha atrapalhando. Não sentia nada a sua volta...apenas a sensação entre as suas pernas, só isso a consumia. O vampiro segurava o cabelo dela com uma mão, e a outra segurava na cintura de Sookita forçando o movimento para baixo. Ela gemeu ao sentir a mão dele no seu corpo. Continuou se movimentando, queria mais e mais...queria beijá-lo novamente, o queria dentro dela. Ela desceu a mão na direção da calça dele. Não sabia se deveria descer o zíper, seria muito perigoso? Pensamentos loucos surgiram na sua mente. Eric parou de sugar mais uma vez, passava a língua do queixo dela até o vão entre os seios. Subiu e desceu várias vezes ao perceber que ela estava gostando. Ela puxou a cabeça dele pelos cabelos, o formigamento entre as pernas aumentava a cada segundo conforme se mexia em cima do membro dele. Sua mente estava distante, luzes piscavam conforme fechou os olhos. Arqueou o corpo para trás explodindo num grito sufocado, nunca havia sentido algo mais delicioso na vida. Seu corpo todo vibrou, cada célula pareceu querer saltar... “Vou gozar!”, ele disse num sussurro. Ela levantou de uma vez ao ouvir isso, ainda tremia sem parar. Olhou para o corpo dele, havia uma mancha na calça. Ela imaginava o que era, tinha feito aquilo nele. Ele parecia mais forte. Arrumou o vestido como pode, seu rosto estava vermelho e ela sentia o suor escorrendo. Sookita saiu correndo como louca na direção do banheiro, sentia uma vergonha intensa. Trancou a porta, sentou-se no chão com a cabeça entre as mãos. “O que eu fiz?”, disse em voz alta. --------------------------------Eric ainda saboreava em seus lábios o gosto do sangue de Sookita. Era diferente do que já tinha experimentado por aí, tinha algo especial, ele não conseguia definir. Não era por ela ser virgem, disso ele tinha certeza, pois já havia bebido sangue de incontáveis virgens, inclusive desvirginando todas. Sookita pelo jeito não entraria para sua lista.


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Sua força estava voltando aos poucos, seus ferimentos não pareciam tão graves mais. Ao levantar, as balas de prata caíram no chão. Ele até contou os vários tiros que levou. Esticou os braços, ela realmente havia sumido. Deveria estar em algum canto chorando por ter gozado. Pelo menos para ele tinha sido muito bom, não se sentia nem um pouco culpado. Se tivesse tido a chance, teria terminado o serviço. Deu uma volta pela casa tentando encontrar a telepata e viu que uma das portas estava fechada, ela havia se trancado no banheiro. Eric sorriu diante da situação, ela era tão ingênua assim? Pelo o que tinha presenciado a pouco, não parecia. Foi em direção a porta e forçou o trinco. “Sookita... o que está fazendo? Abra a porta...”, disse gentilmente. “Vai embora.”, ela murmurou. “Não adianta se esconder para sempre...não se culpe por sentir prazer. Gozar é tão natural quanto respirar para vocês, humanos.” “Por favor, quero ficar sozinha... me deixe em paz.”, disse ela com a voz fraca. Ele balançou a cabeça, não queria entrar numa discussão religiosa que sexo era só para procriação. Ainda não estava totalmente recuperado, queria dormir apenas. Subiu para o segundo andar, entrou no quarto principal. Apertou o botão da vedação na parede, e as persianas começaram a se fechar. Ele desabou na cama, só iria pensar nos problemas quando acordasse na noite seguinte. ---------------------------------Sookita dormiu dentro do banheiro, precisamente na banheira. Não ousou sair e encarar o vampiro. Não tinha coragem, não achava normal o que tinha feito. Havia traído Bill e sua avó. Não foi dessa maneira que sua avó a criou, não era uma garota fácil que se esfregava em outros homens. Como ela pode fazer aquilo? Só podia ter sido culpa da bebida. Levantou-se da banheira com dores no corpo, pelo menos não sentia mais a sensação no meio das pernas. Ficou tensa de imaginar perder o controle novamente daquela maneira. Não necessitava desse tipo de prazer, ele estava errado. Ela era feliz como estava.


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Como em tão pouco tempo fez tantas coisas horríveis? Pensou desconsolada. Bill jamais poderia saber, e ela ficaria o mais longe possível de Eric. Não queria mais vê-lo na frente. Abriu a porta devagar, ainda era dia, ele estava dormindo. Caminhou até a sala, lançou um olhar na direção do sofá, ele não estava lá. Lembrou-se do ocorrido de ontem à noite, seu rosto ficou quente. Colocou a mão no pescoço e lá estava a marca das presas dele. Teria que comprar uma echarpe para esconder, ou colocar uma maquiagem. Seria vergonhoso demais os outros verem isso. Após tomar banho, comer um pouco, resolveu olhar pela casa onde ele poderia estar dormindo. A falta de luz do sol a incomodava, não parecia dia. A parte de cima era tão grande quanto embaixo, havia três quartos, abriu um por um, até encontrá-lo no maior. Aproximou-se da cama, ele dormia profundamente. Sentiu um arrepio no corpo quando o viu, colocou a mão no mesmo instante no pescoço. Não queria aquelas imagens na cabeça, ela se movendo, ele a beijando. Balançou a cabeça e saiu do quarto. Encostou-se na porta, tinha que voltar ao normal, não poderia agir daquela maneira cada vez que o visse. “Eu o odeio...”, disse em voz baixa. Ainda demoraria a escurecer para irem embora. Ela o ficou esperando na sala, usava as roupas que comprou no supermercado. Assistiu vários documentários no canal educativo, todos sobre procriação dos animais africanos. “Meu Deus...é um complô!” “O que?” Ela deu um salto ao ouvir a voz dele. Olhou de canto, ele usava as roupas que ela tinha comprado. Parecia meio desengonçado e relaxado até demais, como se tivesse feito sexo. Ela quis gritar e sumir dali. “Vejo que está interessada em aprender mais...”, ele apontou para a tela da tv. Ela desligou na hora, levou a mão ao pescoço, queria esconder a mordida dele. “Quando nós vamos embora? Quero voltar para o Vale.”, disse ela tentando mudar de assunto.


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“Estou pronto, podemos ir agora.”, disse ele dando de ombros. “Você está com a marca da mordida... eu posso tirar.” Ele falou enquanto se aproximava dela. “Não...não quero mais nada de você.”, ela segurava o pescoço com força. “Cuidado, desse jeito você vai se enforcar.”, ele deu uma risada. “Eu não vou te morder, já tive o suficiente ontem.” “Nao quero lembrar disso.” “As marcas demorarão pra sair. Vai continuar lembrando por vários dias.” Ela não queria continuar lembrando do acontecimento. Resolveu aceitar a sugestão dele. Seria o último contato que teriam. “Tudo bem... mas por favor, faça logo” Ele deu uma mordida no dedo indicador, o sangue começou a escorrer, rapidamente encostou no pescoço dela dando uma leve esfregada. Ele se afastou, olhou para o pescoço e confirmou com a cabeça. Sookita ficou excitada com o toque dele, um simples toque, o corpo dela parecia em polvorosa. Ela foi até o banheiro, olhou no espelho, não havia mais nada no pescoço. Teve a terrível constatação de que a bebida não foi a culpada do acontecido.


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CapĂ­tulo 15 Simplesmente Complicado Is it really necessary for you to always say no before you say yes?


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Já havia se passado duas semanas desde que o viu pela última vez em sua varanda. A viagem de volta fora silenciosa, ele não falou e ela nem se moveu. Sookita não se recordava de uma viagem tão tensa antes, teve a sensação que só voltou a respirar quando finalmente colocou os pés em casa. Não teve coragem de dizer nada, o orgulho também ajudou. E iria dizer o que? Sobre o prazer que sentiu e a culpa depois do acontecido? Pensou pela milésima vez. Eric disse apenas um adeus e saiu cantando os pneus, como sempre em alta velocidade. Vendo o carro se afastar naquele dia sentiu algo estranho, uma pressão no peito, um vazio se formando. Tantas coisas tinham acontecido, ela levou vários dias pensando, e até fugindo de todos que conhecia. Havia descoberto muito sobre si mesma, coisas escondidas, que julgava nem existirem. Toda noite se tocava pensando nele. Não conseguiu evitar, ao fechar os olhos, tudo surgia em flashs, às sensações voltavam, seu corpo vibrava e só aplacava quando movia a mão entre as pernas. O problema era sempre a culpa após o prazer, depois Bill aparecia em sua mente, ela soube que algo estava errado. Essas duas longas semanas que se passaram não foram nem de longe as melhores de sua vida, apesar de estar em casa, não conseguia mais se sentir confortável com as visitas de seu namorado. Bill estava estranhamente mais carinhoso com ela, e ela não sabia explicar o porquê de não conseguir apreciar isso tão bem como antes. Era tudo o que queria, o carinho dele. Bill evitava de perguntar sobre a missão, provavelmente já sabia que tinha saído errado. Ele não comentou e ela não disse nada. Essa noite ele viria, disse que precisavam conversar sobre um assunto desagradável. Ela não imaginava o que poderia ser. Pegou uma xícara de café e foi sentar-se na varanda. Tara estava trabalhando no Santo Martillo, perguntou se Sookita iria aceitar trabalhar lá, afinal, a amiga tinha conseguido com Pam em troca do nome da dançarina. Sookita negou qualquer possibilidade de trabalhar, ainda mais olhando Eric todos os dias, seria complicado. Tara não insistiu, mas vivia comentando sobre o que acontecia no local, inclusive como Eric era um ótimo patrão. A telepata não evitou invadir os pensamentos da amiga e descobriu o quanto Tara estava empolgada com o novo patrão, não era surpresa, ele deveria ter esse efeito em todas. Jason, o grande causador de seus problemas atuais, apareceu algumas vezes. Ficou imensamente grato por não ter sido descoberto, prometeu um lindo


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presente para a irmã pelo esforço que fez. Sookita balançou a cabeça, disse que não queria nada, apenas que seu irmão se afastasse dos problemas. “Palavra de escoteiro, não farei mais nada.”, ele disse no dia que se encontraram. Ela queria muito acreditar que fosse verdade. Mas enquanto andasse com Lafayette Escobar os problemas não acabariam. Outra coisa que a incomodava, era o fato de nunca mais ter ido à igreja desde a volta da viagem. Não teve coragem desde que foi expulsa pelo padre em Tijuana. Não queria se confessar e dizer que teve prazer em cima de um vampiro. Provavelmente seria excomungada. E evitava sempre que podia de pensar no Senador Morales, sentia calafrios de lembrar o que aconteceu. De repente foi interrompida de seus devaneios com a chegada de Bill. Alcide estava junto, os dois desceram do carro. Bill se aproximou dela e deu um leve beijo na boca. O lobo ficou postado perto da porta. “Alcide, fico feliz em saber que continua com Bill.”, Sookita disse tentando se alegrar. “Sim, Dona Sookita. Bill insistiu que precisava de minha proteção. Ainda mais com os ataques contra vampiros acontecendo em vários lugares.” “Não posso perder funcionários leais como Alcide. Só confio nele para proteger Jessica.” “Por favor, vamos entrar.”, disse na direção dos dois. “Não, Dona Sookita. Ficarei aqui de guarda.”, o lobo ficou sério. Bill passou por Alcide fazendo um sinal com a cabeça, entrou com Sookita na sala fechando a porta em seguida. “Aceita um TruBlood?”, ela ofereceu. “Não, minha querida. Já me alimentei.”, ele sentou-se no sofá. Sookita sentou-se do outro lado, estava nervosa com o rumo que a tal conversa pudesse tomar. “Bem, o que você tinha para me dizer?”, perguntou fingindo naturalidade.


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“Eu evitei comentar sobre o que aconteceu em Tijuana. Não queria que lembrasse desnecessariamente da violência que sofreu.”, ele se aproximou segurando na mão dela. “Infelizmente você terá que depor perante a Autoridade.” “Depor? Não entendo, por que vou precisar depor depois de tudo o que aconteceu?” “Sookita, coisas graves aconteceram nessa missão. Eric falhou terrivelmente. Algo que nunca ocorreu antes. Ele nos expôs ao não matar o Senador Morales.” Sookita olhou pra Bill com pesar, ela sabia que grande parte da culpa dele tinha sido por falhas dela mesma. Conseguiu estragar completamente a missão, e agora ela e Eric teriam que pagar muito caro. “O que vai acontecer comigo? Nós dois falhamos, Eric não teve culpa sozinho. E agora eles querem meu depoimento... o que vou fazer?”, disse ela tentando não se desesperar. “Eric já assumiu a culpa sozinho. Disse que pediu para você envenenar o Senador, usando o desejo do mesmo por você. A Autoridade quer apenas a sua confirmação.” “Mas, Bill, eu fiz por conta própria. Eric não me pediu nada.” “Sookita, para seu próprio bem é melhor não dizer nada. Eric não deveria ter te envolvido dessa maneira. O prudente é confirmar a versão dele.”, Bill apertou a mão dela. “Mas... e Eric? O que vão fazer com ele? Não acho justo ele pagar por todo o erro sozinho.” “Ele sofrerá represálias pelo que aconteceu.”, ele respondeu friamente. “Que tipo de punição?”, perguntou ela, sentindo um aperto no peito. “Certas coisas vocês humanos não entenderiam. Diriam que somos bárbaros.” Sookita levou as mãos ao rosto assustada, a culpa era toda dela. Eric seria punido de forma cruel e ela não poderia fazer nada para impedir. Pior, teria que


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mentir deixando a sentença cair sobre ele. “Não se culpe, minha querida. Eric está acostumado com essas coisas.”, ele a abraçou. “Bill, eu gostaria de ficar sozinha... preciso pensar um pouco.” “Eu entendo que é muita informação de uma vez. Apenas quis te avisar de sua convocação. Conversei com Eric, ele não sabe que estou te contando isso.”, ele a beijou nos lábios. Levantou-se em seguida caminhando na direção da porta. Lançou um último olhar e saiu na noite. Entrou no carro, Alcide o acompanhou sentando no banco da frente. Bill levantou o vidro de comunicação com o motorista. Não queria que ouvissem a sua conversa. Discou um número no celular. “Algo aconteceu nessa missão. Eu não quis insistir. Sim, mas não é prudente agora. Entendo...” Ele desligou o celular e ficou pensativo. -----------------------------------Desde tão esperada chegada de Eric, Pam andava quase nas nuvens, tamanha era sua felicidade. Não estava mais aguentando o tédio naquela boate, cada noite que passava parecia sem fim, os dias se arrastavam sem seu maker por perto. Apenas Eric não parecia tão envolvido quanto antes. Ele não comentou nada da tal missão, e ela não quis perguntar. Só que a situação ultimamente estava insustentável, ele só ficava na boate calado e resmungando pelos cantos, bebendo sangue, e sempre com uma companhia feminina diferente. Pam sabia que ele estava enfrentando problemas com a Autoridade, mas ele agia como se nada estivesse acontecendo. Isso a deixava tensa e irritada. Não queria Eric sofrendo nas mãos dos vampiros idiotas da Autoridade, queria fazer algo para ajudar. O Santo Martillo estava cheio aquela noite, como sempre, ela pensou um pouco animada. Disso não poderia reclamar. Caminhou na direção dos locais reservados da boate, os clientes pagavam mais para ficar ali e ter momentos privativos, no caso de vampiros para beberem sangue de fangbangers. Um dos sofás ficava num canto meio escuro, era longo e convidativo. Eric


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estava lá, ela viu ao longe os cabelos loiros brilhando. Uma moça igualmente loira de cabelos curtos estava sentada ao lado dele, com os pés em cima do colo do vampiro. Conforme se aproximava ela o viu se alimentando do pulso direito dela, segurava com uma mão, a outra mão estava ocupada apalpando o seio da moça por baixo da blusa. Pam pigarreou para deixar claro que estava no ambiente. Eric levantou a cabeça devagar, o olhar vago e deu um sorriso. A moça não gostou da interrupção e disse: “Não pare, estava tão bom”, não deixando ele tirar a mão de seu seio. “Cai fora!”, Pam disse raivosa na direção da moça. “Anda logo, o show acabou.” Eric se afastou da moça, limpou a boca com uma das mãos. Fez um movimento de cabeça para ela sair. A fangbanger levantou-se olhando feio para Pam e foi embora. Pam esperou ficarem sozinhos para poderem conversar. Voltou-se na direção dele, cruzou os braços e disse: “Eric, o que está acontecendo?” “Lá vem você com esse olhar inquisidor. Você sabe o que está acontecendo.” “Eu nunca sei de nada!”, ela explodiu. “Antes era aquela história da dançarina, depois essa missão, agora Bill te visitando várias vezes. E essa sua cara não ajuda também.” “Talvez o fato de saber que estou ferrado com a Autoridade ajude a entender um pouco essa minha cara, ou não?”, respondeu em tom irônico. “E por que fica agindo dessa forma? Você não é assim... ou melhor, não era.” “Porque tudo deu errado na maldita missão. Eu tinha tudo planejado e nada saiu como eu quis. Simples, não tem segredo.”, disse irritado. “E o que deu errado? A sua companheira de viagem atrapalhou?” Eric levantou-se do sofá, sem olhar pra Pam começou a caminhar pelo local na direção do escritório, ela teve a impressão que ele estava criando coragem


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para contar alguma coisa. Ele fez um sinal e ela o seguiu. Fechou a porta quando entraram no escritório dele. “Ela me fez de idiota desde o começo.”, parecia que estava falando pra si mesmo. Pam arregalou os olhos, não era acostumada a ouvir essas coisas dele. “Você? Idiota? O que ela fez para te deixar assim?”, perguntou sentindo o ciúme crescer. “Ela era a dançarina. A telepata que foi comigo na missão.” Pam começou a gargalhar, se ainda fosse viva estaria sem ar. Nem em um milhão de anos esperava ouvir algo assim, ela pensou. “Vocês homens não aprendem nunca, são tão desatentos.”, gargalhou mais ainda. “Não me diga que descobriu naquele dia que te liguei?” “O que você acha? Ainda não entendi de onde veio tanta graça.” cruzou os braços com raiva. “Desculpe-me, mas não deu para resistir. Realmente fez papel de idiota.” ela respondeu. “Depois vocês foderam sem parar e por isso a missão fracassou...” “Ha ha ha, muito engraçado!”, respondeu sorrindo ironicamente. “Deu tudo errado porque ela não seguiu as minhas instruções, agiu precipitadamente por conta própria.” “Você realmente mudou, achei que não iria deixar essa passar. Afinal, você ficou meio obcecado em descobrir quem era.”, falou séria. “Só queria pagá-la devidamente, não vejo nada demais nisso. Seu ciúme às vezes te cega.” “Não, não venha com essa, espertinho. Querendo mudar o foco, é você com problemas, não eu.”, ela sorriu. “Pelo menos você não tem uma louca apaixonada te perseguindo. Algumas ainda continuam aparecendo por aqui.” “Sim, me sinto tão bem em saber disso!”, ele sentou-se na cadeira defronte a mesa.


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“Então quer dizer que você e a dançarina estão ferrados com a Autoridade. Já que ela agiu por conta própria, não entendo por que você está levando a culpa?.” “Pam, não quero falar sobre isso! Eu fiz o que fiz, pronto. Eu era responsável pela missão, portanto a culpa é minha.” “Está me dizendo que assumiu toda a culpa? O que deu em você?”, perguntou quase aos gritos. “Sim, já está feito.”, respondeu simplesmente. “Tudo por causa daquela dançarina?” “Pam, por favor, não quero mais falar sobre esse assunto. Está encerrado.”, disse isso caminhando em direção a saída. Pam saiu raivosa do escritório atrás dele. Não aceitava Eric levando a culpa por causa de uma qualquer. Aquela dançarina já tinha atrapalhado demais. A boate continuava cheia, Pam olhou em volta procurando pela garçonete amiga da moça. Avistou Tara do outro lado, fez um movimento com a mão. Assim que Tara se aproximou, Pam perguntou amigavelmente: “Tara, como era o nome daquela sua amiga? Lembro que você pediu para ela trabalhar aqui.” ------------------------------------Sam observava a caixa cheia de frascos de V em cima de sua mesa. Havia tomado à decisão de tirar aquilo do jardim de Sookita. Não acreditava na falta de responsabilidade de Jason ao colocar algo perigoso daquele jeito perto da irmã. Não tinha mais visto Sookita desde aquele dia que foi lá com Tara, sua necessidade de vê-la era grande, mas tinha que evitar qualquer maneira. Ficou pensando no momento certo de oferecer o emprego dela de volta. Tara havia dito que ela ainda estava desempregada. Pelo menos seria uma tentativa de reparar o erro que cometeu ao beijá-la. Voltou-se para seu maior problema naquele momento. Estava em dúvida entre falar com Bill ou chamar Jason para conversarem seriamente. Pensou por


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alguns minutos coçando a barba por fazer. Não tinha intimidade para se aproximar de Bill dessa maneira e talvez pudesse irritar Sookita. Resolveu procurar Jason, afinal, poderia dar uma chamada no idiota do rapaz, ele tinha intimidade pra isso, pensou. Pegou o telefone da mesa, procurou na caderneta o número de Jason. Discou o número, segurava ansioso no telefone, sua mão estava suando. “Jason? É Sam...sim, estou bem, obrigado. Estou ligando porque precisamos conversar. Gostaria que fosse o mais rápido possível. É algo de seu interesse. Sim, se puder vir hoje ainda. Pra mim não é tarde, sim...até mais.” Desligou o telefone, estava feito, não tinha mais volta. Escondeu a caixa num compartimento secreto que tinha no chão do escritório, não confiava muito em seus funcionários. Escondia ali o dinheiro do dia, só confiava em Sookita. O bar já estava fechado, esperaria pacientemente pelo rapaz. Pegou uma bebida bebendo de uma vez. -----------------------------------------Tara chegou cedo à casa de sua amiga Sookita, sentiu o cheiro de café assim que abriu a porta da sala. Estava virando uma rotina divertida passar todas as manhãs por lá, conversavam e depois Tara voltava para os estudos. “Sookita? O café está com um cheiro delicioso.”, disse entrando na cozinha. “E você como sempre chega na hora certa”, respondeu Sookita com um sorriso. Não havia dormido bem na noite anterior, não conseguiu parar de pensar um minuto sequer na sentença de Eric. Mesmo Bill dizendo que ele estava acostumado, ela não se conformava, estava se martirizando pensando em tudo que aconteceria com o vampiro. Tara serviu-se de uma xícara, pegou um pedaço de pão e se jogou na cadeira. “Não acredito ainda que você não queira trabalhar junto comigo. Está tão chato sem você ao meu lado. Eles pagam super bem...pelo menos te animaria um pouco, está meio pálida!”, estava tentando convencer a amiga mais uma vez.


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“Tara, quantas vezes vou precisar dizer que não quero o emprego? Chato é essa sua insistência...”, disse Sookita revirando os olhos. “Só estava querendo ajudar, não falarei mais nisso. Pronto, pode ficar calma.”, fez uma careta. “De qualquer maneira, a filha de seu namorado está por lá toda noite desde que Eric voltou de viagem.” “Jessica? Mas o que ela anda fazendo por lá? Além de caçar, é claro.” Tara deu de ombros: “Sei lá, só sei que está sempre perto de Eric...deve ser mais uma atrás do pau do vampiro...”, Tara deu risada com a cara horrorizada da amiga. “Ah, por favor, até eu estou se ele der uma chance.” “Não fale assim... nem todas as mulheres do mundo se encantam por ele.”, “Oh, claro...afinal, você tem William Compton de La Vega...” “Sim, eu tenho meu querido Bill. Ele para mim já basta.”, disse sem muita convicção. “Lembrei, sabe quem perguntou de você pra mim na boate ontem?”, Sookita balançou a cabeça. “Pam Izabelita Lerõnho, ela queria saber por que você não quis trabalhar com eles.” “O que você respondeu?”, perguntou preocupada. “Eu botei a culpa no Bill...falei que seu namorado, Bill, o prefeito, não deixava você trabalhar numa boate. Apesar de você não falar, acho que esse é o motivo mesmo.” “VOCÊ DISSE O QUE? Meu deus... Tara, o que você fez?”, disse ela com as duas mãos na cabeça. “Não tinha o direito de expor minha vida pra ela!” “Pelo amor, Sookita. Não acho que você deve esconder tanto assim esse namoro, afinal, ele é o homem de sua vida. Não vi nada demais.” “Eric não podia saber disso, Deus do céu... o que ele vai pensar de mim agora? Você me colocou numa enrascada Tara!” Tara quase cuspiu o café que bebia na mesa após ouvir Sookita dizer isso.


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“Acho que perdi alguma coisa... volta um pouco aí, minha filha! Eric não poderia saber? Como assim?”, ela estava confusa. Sookita suspirou profundamente, não tinha mais motivos para mentir. Um dia Tara acabaria descobrindo o que aconteceu, o mais sensato seria contar logo a verdade. “Essa viagem que eu fiz há duas semanas, não foi para visitar parentes. Eu estava numa missão importante para a Autoridade.... com Eric Colunga.” Ela contou todo o ocorrido na missão por quase uma hora, não omitiu nenhum detalhe. Tara pareceu que iria explodir de excitação conforme ouviu, de vez em quando soltou algumas frases, só faltou pegar uma pipoca e comer como se estivesse assistindo um filme. “Você gozou em cima dele...eu me matando de trabalhar na boate e você brincando em cima do pau mais concorrido da cidade.”, ela gargalhou. “Isso não me orgulha nenhum pouco, e não vejo graça...” disse Sookita completamente corada. “Eu deveria dar uma festa, você finalmente deixou de ser pura. E não foi com Bill...é muito bom pra ser verdade.”, ela deu um tapinha na amiga. “Não sei que parte você não entendeu, Tara. Eu ainda sou virgem e pretendo perder com meu amado Bill.” “É mesmo? Por que o desespero por eu ter contado para a talzinha lá que Bill é seu namorado? E Eric não pode saber disso?” “Sim, não podia. Bill me pediu para não contar nada, porque isso poderia prejudicar a missão de alguma forma. Eles não se dão muito bem...” Tara levantou-se da cadeira, pareceu irritada. “Será que eu tenho que te ensinar tudo? Cai na real, Sookita. Você está tão apaixonada por meu patrão que nem sabe mais como esconder.” Sookita abriu e fechou a boca várias vezes, parecia que não sabia muito bem o que dizer, ainda não estava acreditando no que sua amiga tinha dito.Tara só podia ser louca, pensou.


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“Olhe o que você está dizendo, isso não faz o menor sentido. Por que eu estaria apaixonada por Eric? Que absurdo...” “Eu não sei como não notei antes. O seu jeito distante, sua irritação com qualquer coisa, falando pouco de seu amado Bill. Achei que você estava de TPM, mesmo que longa...nem imaginava que poderia ser uma nova paixão. Prazer em te conhecer, nova Sookita.”, ela sentou-se novamente. “Não posso estar apaixonada por ele, eu o odeio!”, disse irritada. “Bla...bla...bla...eu te perdoo, amiga. Nem deve saber o que é estar apaixonada. Mas te garanto, todo esse comichão que você sente...é paixão, e não por seu querido Bill.” “Tudo bem, admito que ando sentindo coisas estranhas por ele ultimamente... mas isso não quer dizer que esteja apaixonada. Ainda sinto um forte carinho por Bill.”, disse um pouco confusa. “Acho que é o máximo que você irá admitir. Se você tivesse me contado antes, eu não teria dito nada. Quem mandou não confiar na amiga aqui.”, fez um biquinho. “Me desculpe, mas era algo extremamente sigiloso. Não posso sair por aí contando.” “Bom, eu preciso ir agora. Pense bem no que eu falei, quando você chegar à mesma conclusão que eu, precisaremos sentar e ter uma longa conversa.”, Tara olhou pesarosa para a amiga. Não queria dizer o quanto Eric não era certo pra ela, e o quanto um vampiro como aquele só se aproveitaria da situação, como ele fez na missão. Sookita continuou pensativa na cozinha, não soube precisamente quanto tempo ficou parada pensando e evitando chegar a tal conclusão de Tara. Ouviu uma batida na porta, seu coração saltou, quem poderia ser aquela hora do dia? Pensou. Correu até a porta dando de cara com um dos assessores diurnos de Bill. Ele segurava um arranjo de flores. Entregou para ela e saiu. Ela cheirou as flores, e notou que havia um bilhete. Abriu com as mãos tremendo, Bill a convidava para uma noite junto dele e de Jessica. Ele tinha uma surpresa. Ela não fazia ideia do que poderia ser, estava curiosa. Seria


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uma boa distração depois da conversa complicada que teve com Tara. Não queria pensar em Eric pelo resto do dia e muito menos se estaria apaixonada. -----------------------------------------Sookita estava terminando de se arrumar, usava um vestido com estampa floral um pouco acima do joelho e sapatilhas vermelhas. Se olhou no espelho e pensou o quanto aquele tipo de roupa agradava seu namorado, na verdade ela própria estava começando a se cansar. Se não estivesse tão dura financeiramente faria compras. E dessa vez escolheria roupas mais ousadas. Precisava mudar um pouco, como muitas coisas em sua vida. Entrou em seu carro velho e foi dirigindo calmamente até a casa de seu namorado. Pensou na conversa que teve com Tara mais cedo, ainda não sabia exatamente o que sentia, precisava encontrar Eric novamente para ter certeza de alguma coisa. Se quando o visse ainda sentisse igual da última vez, teria sérios problemas pela frente. Nem percebeu quando chegou em frente a casa de Bill de tão distraída que estava, ficou surpresa por não ter batido o carro. A imponente mansão estava toda acesa, os jardins na frente da casa como sempre impecáveis. Não conseguiu imaginar morando naquele local, era suntuoso demais para o gosto dela. Assim que desceu do carro deu de encontro com Bill. Ela se assustou, ele a segurou nos braços parecendo ansioso. “Escutei de longe seu carro, querida. Temos que pensar em comprar um novo para você.”, ele disse beijando uma das mãos dela. “Oh, Bill...”, foi apenas o que ela conseguiu dizer. Ele a conduziu para a entrada da mansão. Ela não falou mais nada, pois tinha uma difícil decisão para tomar e não poderia adiar mais. Seu relacionamento com Bill terminaria hoje, não poderia continuar enganando-o daquela maneira. Seus pensamentos estavam divididos, ele não merecia ser tratado dessa maneira. Ao entrarem na sala, Jessica estava sentada no sofá com uma expressão tediosa. Alcide se encontrava em pé do outro lado da sala. Em alguns momentos adoraria ler a mente de vampiros para saber o que Jessica estaria pensando.


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“Boa noite, Jessica.”, aproximou-se e deu um beijo no rosto gelado da vampira. “Olá, Alcide.”, fez um sinal com a cabeça na direção dele. “Boa? Só se for pra você.”, Jessica respondeu friamente. Alcide devolveu o aceno de cabeça. “Sookita, não repare nos modos de Jessica. Você sabe como adolescentes são temperamentais.” Jessica olhou furiosa para o seu pai. Queria pular no pescoço dele por humilhála daquela maneira na frente da outra. “Não tem problema. Eu entendo essas coisas, já passei por isso.”, disse humildemente. “Jessica, se precisar de alguma coisa, pode sempre falar comigo.” “Ah, sim... Pai, anda logo com isso. Tenho que ir para o Santo Martillo.” Alcide ficou inquieto após ouvir isso, o mesmo efeito em Sookita. Bill revirou os olhos. “Ultimamente você não sai daquele lugar. Sorte que tenho Alcide te acompanhando.” Sookita pensou imediatamente em Eric após ouvir o nome da boate. Nem queria imaginar o que Jessica fazia tanto lá. Ela era uma vampira bonita e sedutora, sem dúvida seria do gosto dele. “Espero que não se importe com a presença de Alcide nesse momento íntimo, querida.”, disse para Sookita. “Ele já é parte da família.” Ela apenas concordou. Não estava entendendo o rumo daquela conversa. Jessica soltou uma risadinha. De repente, Bill se ajoelhou diante dos pés dela. Sookita sentiu a cor fugir de seu rosto, imaginava o que viria pela frente. “Sookita, meu amor, gostaria de ser minha esposa?” Ela tossiu após ouvir isso, esperou durante meses por esse momento e agora não sabia o que responder. Ele ficou lá parado por alguns minutos com o braço


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estendido e o anel brilhante na delicada caixinha. Aquilo deveria valer uma fortuna, ela pensou. “Bill...eu não sei o que responder...você me pegou de surpresa.” “Eu espero por um sim, apenas isso.”, ele disse esperançoso. Ela olhou para Jessica, a vampira a encarava com os olhos faiscando. Alcide permaneceu quieto, atento a tudo. “Não posso fazer isso...não agora...me perdoa, Bill...por favor.”, Sookita foi se afastando na direção da porta. Bill estava boquiaberto com a reação ao pedido. Ele partiu atrás dela. Sookita correu na direção do carro, não conseguiu colocar a chave direito para abrir a porta, suas mãos tremiam. “Sookita, não precisa ir embora desse jeito. Seu jantar nem foi servido ainda.”, ele se aproximou com cautela. “Sei que me precipitei. Mas não posso mandar no meu coração.” “Era tudo que eu queria ouvir, mas não nesse momento.” Ela finalmente abriu a porta do carro, entrou e saiu em disparada no máximo que seu carro aguentava. Bill deu um soco de raiva no ar. Tinha estragado tudo com sua precipitação, talvez tenha colocado tudo a perder. --------------------------------------Jessica deu um pulo do sofá após seu pai e Sookita saírem da sala. Ela tinha certeza de que a chata iria aceitar correndo o pedido de Bill, pensou irritada. Odiava Sookita, mas não queria seu pai fazendo papel de idiota e sendo trocado por Eric. Claramente era o que poderia acontecer. Apesar de que nenhuma vez Sookita foi ao Santo Martillo e nem Eric foi procurá-la. Ela esteve por lá todas as noite de olho nele, sabia cada passo que ele dava. Agora era o momento de colocar em prática o próximo passo de seu plano. Teria que ter muito jogo de cintura para lidar com o que poderia vir pela frente, inclusive à ira de seu pai. “Cachorro, não precisa ir comigo hoje na boate. Sua proteção não será


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necessária.” “Jessica, eu não faço isso porque quero. Atendo ao pedido de seu pai.”, ele não conseguia mais chamá-la de Menina desde o acontecido em Tijuana. “É melhor você ficar por aqui e consolar meu papai. Ele deve estar arrasado com o fora que levou.” Ele caminhou ameaçadoramente na direção dela, não tinha mais medo das palavras cortantes que saíam da boca da vampira. “Melhor ficar quieta, Jessica. Você não manda em mim.” “Desde que bateu em mim aquele dia você ficou todo macho. Pelo jeito gosta mesmo de bater em mulher.”, ela deu risada. “Você não é mulher, é a cria do Diabo.”, ele disse amargurado. “Mulher é como Dona Sookita.” “Então, fique com ela, seu idiota. Estou perdendo tempo com esse papo furado.”, ela foi até a porta. “Pode vir junto, mas se eu ficar com dois caras de novo, espero que não estrague a minha diversão.” ----------------------------------------Sookita dirigia as cegas, sua mente estava em polvorosa. Tinha dito não para Bill, basicamente colocando um fim no relacionamento, tudo por causa de uma conversa com Tara. Tinha ficado tão em dúvida que não sabia mais o que queria. Pensou tantas vezes no casamento com ele, agora que o pedido tinha sido feito, ela tinha fraquejado. Deu um soco na direção, o carro quase saiu da estradinha. Por que tinha sucumbido ao vampiro daquele jeito? Eric não era tudo aquilo, talvez a adrenalina de ter sido quase morta. Tinha que ter uma explicação. Mas, por que se tocava todas as noites? Isso ela não sabia responder e talvez jamais encontrasse uma resposta. Tinha que encontrá-lo de qualquer maneira e colocar um ponto final naquela história. Ela tinha que saber qual o sentimento carregava por ele. Desejo? Paixão? Ou apenas curiosidade? Pensou nervosamente. Corria o risco de fazer papel de idiota, mas não poderia ficar sentada em casa, fugindo do mundo e desgraçando a sua vida por ser covarde em assumir o que sentia.


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Dirigiu para o acostamento e freou o carro de repente. Pegou o celular discando o número de Tara, ela saberia se Eric estava na boate. O celular tocou, tocou, tocou e nada. Discou mais uma vez e Tara não atendeu. Colocou o carro em movimento, seu coração estava disparado, sentia as pernas tremendo. Era agora ou nunca.


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CapĂ­tulo 16 Fim de Caso Love doesn't end, just because we don't see each other.


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Eric estava deitado na cama de seu loft, lia um livro sobre os assassinatos de Jack, o estripador e as teorias que apontavam para um homem da nobreza ser o famoso serial killer. Fazia horas que se encontrava entretido com a narrativa. Não foi para a boate, tirou a noite de folga. Precisava descansar antes de toda a encrenca que estava por vir com a Autoridade nos dias seguintes. Colocou o livro de lado quando ouviu um barulho na porta de entrada. Levantou-se com preguiça da cama, vestia apenas uma cueca boxer um pouco gasta, caminhou até a beirada do mezanino, e deparou-se com Pam batendo os saltos em seu piso de madeira. “Algum problema na boate?”, ele disse sem vontade de estender a conversa. “Não, está tudo na mais perfeita ordem.”, respondeu rapidamente. “Deixei Carmelita cuidando de tudo durante minha ausência.” Ele não se moveu, apoiou a mão na borda de ferro e perguntou: “Então o que faz aqui?” “Acho melhor você descer daí primeiro, é capaz de cair com o que tenho pra contar.”, disse Pam com uma risada. “Acredito que nada me fará cair daqui. Estou bem aqui em cima e no meu dia de folga.”, enfatizou a última palavra. “É sobre a sua querida dançarina...”, Eric bateu uma das mãos onde estava segurando. Sem dúvida sua noite estava estragada. “O que? Você a contratou pra dançar na boate?”, disse irônico. “Ainda prezo pela minha vida pós-morte.” respondeu também em tom irônico. ”Eu tive uma conversa com a amiga dela, descobri que sua querida dançarina é nada mais nada menos que a namorada do prefeito.” Ele ficou em silêncio por alguns minutos, seu rosto estava sem expressão alguma. Com uma voz distante comentou: “Não tenho nada a ver com isso. Não entendi a urgência de vir aqui me contar.” “Não sei se percebeu, mas você foi um completo babaca ao bancar o bom samaritano com essa garota.” Ele desceu velozmente a escada, agarrando Pam pelo braço. Estava furioso, se ainda fosse vivo, seu rosto estaria completamente vermelho.


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“Você veio aqui jogar isso na minha cara por diversão?” “Claro que não, apesar de você merecer! Só estou tentando te ajudar a entender o que realmente aconteceu nessa maldita missão. Todos esses anos de convivência e você nunca falhou em nada, por que agora isso aconteceu?” Apertou mais ainda o braço dela, talvez quisesse passar toda a raiva que sentia para a pessoa mais próxima. Seus pensamentos estavam confusos. Mais uma vez ele fez papel de idiota, pensou furioso. “Está insinuando o que? Ela fez proposital?”, a voz dele soou pesarosa. “Ela não teria inteligência suficiente para tal, e também não teria motivos. Está na cara que foi armação de Bill. Ele usou essa idiota para te passar a perna... e conseguiu!” Eric se afastou de Pam, observou a noite através das longas janelas. Não queria admitir que ela pudesse estar certa. Tudo havia saído tão errado, alguma coisa tinha que ter acontecido, algo que ele nem imaginava. Ficou desconfiado durante a missão que poderia existir algo entre ela e Bill, mas não que fosse namorada dele. “Não acredito que Bill seja tão inteligente para isso também.” “Agora isso não importa, você precisa desfazer essa burrada. Diga a Autoridade que ela teve culpa e agiu por conta própria.” “Agora é tarde demais. Além do que isso soaria covarde perante eles. Não vou dar essa satisfação para Bill...e ela.” “Já fez isso, Eric. Os dois devem estar rindo de você nesse momento.”, falou com tristeza tentando a todo custo convencê-lo a dizer a verdade. Voltou-se para ela, não a encarou. Olhava em outra direção. “Não cometerei novamente esse erro. Tenha certeza disso!”, a voz continuava distante. “Tudo bem, mas pense melhor no que eu falei.” “Estou sentindo daqui o seu prazer com toda essa história. E novamente você... é até divertido.”, ele sorriu sarcástico. “Não sinto prazer em vê-lo desse jeito. Sei que está com raiva, mas é melhor descontar tudo isso nos verdadeiros responsáveis.” disse ela com pesar. “Bem, eu vou voltar para a boate.” Eric acenou com a cabeça na direção dela. Começou a subir novamente a escada para o seu quarto no mezanino.


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“Tranque a porta quando sair.” Deitou-se na cama, pegou o livro, abriu na página que estava lendo. Quando ouviu a porta bater, jogou o livro longe quase abrindo um buraco na parede. --------------------------------Jason andava de um lado a outro em sua casa, esperava ansioso a chegada de Lafayette. Não quis ir ao bordel para não levantar muita suspeita. A conversa com Sam o tinha deixado nervoso e mais uma vez perdido. Só Lafa tinha boas ideias para saírem dessa enrascada. De vez em quando pensava o quanto tinha sido burro de se envolver com o tráfico de V, mas a ganância falou mais alto. E Lafa quando queria sabia convencer como ninguém, pensou. Ouviu uma batida de leve na porta, correu na direção abrindo de uma vez. Soltou um suspiro de alivio quando viu Lafa lá parado. O puxou para dentro e disse: “Estamos ferrados de novo.” Lafayette abaixou os óculos escuros olhando Jason com desdém. Caminhou pela sala, fez uma cara de nojo com a sujeira do lugar. “Pela sua urgência achei que queria um boquete.”, ele deu uma risadinha. “Qual é a encrenca dessa vez? Não me diga que é ainda aquele V?” Jason colocou as mãos na cabeça antes de responder. “Ai, Lafa, Lafa...Sam Antonio Real, o patrão da minha irmã, sabe sobre o nosso V.” “Não, não...amado, não tenho nada com isso. E eu sei quem ele é, não precisa falar o nome completo.” “Não tire o corpo fora. Faz tempo que estou nessa pra você vender no puteiro. Estávamos lucrando muito.” “Eu sei.”, Lafa suspirou. “Ele te ameaçou?” Jason sentou-se no sofá desolado. “Eu achei que sim. Ele me fez prometer não fazer mais isso que poderia prejudicar minha irmã. Ele descobriu sem querer no jardim, sentiu um cheiro num dia que foi lá. Associou que fosse eu o culpado daquilo estar lá enterrado.” “Claro que inteligente como é, assumiu que fosse seu mesmo... imagino.” “O que eu deveria fazer? De Sookita que não era, ele me colocou na parede,


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Lafa.”, Jason fungou querendo chorar. “Disse que iria entregar o V para Bill.” Lafayette retirou os óculos e ficou boquiaberto. “Agora entendo seu desespero. Justo para o bondoso prefeito Sam irá entregar.” “O que vamos fazer?”, ele começou a chorar. “Só eu penso por aqui?”, balançou a cabeça vendo Jason chorar. “Temos que pegar aquele V dele de qualquer jeito e dar um sumiço pra valer dessa vez. Não posso deixar nada na sua mão, tudo saí errado.” “Pegar como? Ele deve ter escondido no bar, eu acho.” “Não seremos nós que iremos fazer isso. Conheço algumas pessoas que podem fazer o servicinho e dar um susto nele.” “Você ira matá-lo?” Lafa revirou os olhos. “Tenho que falar devagar para você entender, amado. Esses caras vão tocar o terror no bar...pegar o V se estiver lá...recado dado para Sam, que não se mexe com quem não deve.” Jason apenas concordou, continuou fungando. Lafa se aproximou levantando o queixo do rapaz com a ponta dos dedos. “Agora pode parar de chorar... logo tudo estará resolvido.” Após dizer isso se ajoelhou entre as pernas de Jason, abriu lentamente o zíper da calça jeans dele, dizendo: “Pronto, vou te acalmar um pouco. Acomode-se.” -------------------------------Jessica dirigia para a boate, olhou pelo retrovisor e viu Alcide atrás na caminhonete velha. Achou que teria se livrado do lobo após o acontecido em Tijuana, mas seu pai não deixou ele se demitir, e o colocou novamente como babá dela. Aumentou o volume do rádio, cantava alguma música pop grudenta. Não deixaria Alcide irritá-la essa noite. Virou a esquina, freou o carro em frente do estacionamento, desceu entregando a chave para o valet. “Hey, não roube nada, hein!”, disse irritada.


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O rapaz fez um sinal com a cabeça concordando, quando a vampira virou de costas, ele fez uma careta. Jessica caminhou até a boate, notou que a rua estava cheia, como todas as noites. Eric tinha um negócio próspero, não podia negar. Alcide a seguia uns metros atrás, Jessica balançou os cabelos, e continuou caminhando displicente, como se não ligasse para ele ali. Já havia uma fila enorme ao lado de fora, os pobres mortais que teriam a sorte de entrar no local. Ela não precisava disso, bastava aparecer lá e as portas se abriam. Essa era a vantagem de ser filha do prefeito, nada estava fora dos limites. Desde que Eric voltou da missão e ela passou a observá-lo, Jessica conseguiu se infiltrar no grupinho de amigos dele na boate. Fez amizade com uma vampira rica do círculo dele, a moça adorou saber que ela era filha do prefeito, foi um pulo para chegar perto de Eric. Jessica quando queria sabia ser bem agradável e acima de qualquer suspeita. Ela estancou alguns metros antes de chegar à entrada quando se deparou com Sookita esperando do lado de fora. Não queria ser vista por ela, escondeu-se atrás de um muro para que pudesse observar a movimentação. Ficou furiosa ao imaginar que Sookita deixou o seu pai para vir ao encontro de Eric. A moça andava de um lado para o outro, parecia ansiosa, será que estava esperando o vampiro? De repente, Jessica viu uma garçonete do Santo Martillo conversando com ela. Pelo jeito eram amigas, foi uma surpresa para a vampira, que continuou espiando a conversa toda. Tentou ouvir, mas estava longe, não conseguiu focar a audição nas duas. Alguns minutos depois, Sookita se despediu da garçonete com um beijo e foi embora. Jessica saiu do esconderijo, olhou para trás e reparou que Alcide também acompanhou tudo. Passou pelo segurança da boate com um aceno de mão. O lugar estava cheio, barulhento, não demorou em encontrar a sua amiga na área reservada. Não havia sinal de Eric por lá, justo hoje, ela pensou desanimada. ----------------------------------------------Sookita acordou e sentou-se lentamente na cama. Sua cabeça estava confusa devido aos acontecimentos da noite anterior. Mal podia acreditar que Bill a havia pedido em casamento, e ela sequer tinha dado uma resposta decente a ele. Na verdade, nunca havia passado por sua cabeça que ela um dia fugiria de seu grande amor, como fugiu ontem. Há alguns meses, ela morreria de felicidade diante a tal pedido, mas agora... não parecia certo. Alguma coisa tinha mudado. Ou será que estava realmente ficando louca? Para piorar a situação, ela tinha ido parar no Santo Martillo, atrás de Eric Henrique. Após chamar em vão inúmeras vezes, finalmente, Tara havia


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atendido o celular. O barulho na boate estava insuportável àquela noite, Tara só conseguiu entender que Sookita estava do lado de fora e queria falar com ela. Poucos minutos depois ela apareceu e a telepata soube que Eric não havia aparecido para trabalhar naquela noite. Voltou para casa ainda mais perdida. Enquanto ia recordando as emoções e acontecimentos da noite passada, ela também escovou os dentes e desceu para tomar café da manhã. Preparou umas torradas, pegou um copo de suco de laranja e sentou-se à mesa da cozinha. Mais uma vez seus pensamentos começaram a vagar e foram parar em Eric, especificamente no encontro que ela estava decidida a ter com ele de noite. Não conseguia parar de pensar nele, estava quase virando uma obsessão. Só tinha certeza de uma coisa, não deixaria Eric levar a culpa sozinho pelos erros dela. E tentaria explicar sobre seu relacionamento com Bill, talvez ele nunca a perdoasse por mais uma mentira. Esperava a chegada de Tara, a amiga passava por lá todos os dias para o café da manhã. Precisava desabafar com ela, pedir algum conselho também, afinal, amigas serviam para isso. Não demorou muito e Tara apareceu na porta da cozinha. Disse um Oi e foi se servindo de suco e das torradas. “Nunca imaginei que te veria no Martillo... achei que não queria saber do meu patrão gostosão!”, disse após se sentar na cadeira do outro lado da mesa. “Bill me pediu em casamento.”, disse de uma vez. Dessa vez, Tara cuspiu o suco de laranja no chão. “Tenho que tomar cuidado pra vir aqui, acho que na próxima não sairei viva. Quase morri aqui.”, ela limpou a boca com o guardanapo. Aproveitou e passou no chão. “E obviamente você irá me chamar para ser dama de honra.” “Eu não consegui aceitar... estou muito confusa. Não sei o que fazer, Tara.” Tara colocou o copo na mesa, não queria mais arriscar e engasgar toda vez. Sookita agora era cheia de surpresas. “É por culpa do loirão?” “Eu.... não sei, mas acho que sim.” respondeu sem olhar pra ela. “Pensei muito no que você me disse ontem, realmente meus sentimentos por Bill mudaram.” “Eu sabia que você iria se tocar que o almofadinha não era o ideal. Demorou, hein!”, ela suspirou. “Por que fui me apaixonar por ele? Eric nunca vai querer uma moça como eu.” “Você está de mal a pior. Bill é tão tedioso quanto um filme mudo...e Eric, é o


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oposto, é aquele filme de ação sem parar. Acho melhor não se envolver com Eric, ouça a sua amiga aqui.” Sookita não conseguiu esconder a decepção, seus olhos estavam marejados, não sabia mais o que fazer ou pensar. Desejou não ter participado da missão com Eric, sua vida estava tão tranquila e pacata. Só Bill importava naquele tempo. Porém nesse momento ela não conseguia mais se ver junto dele, o que estava acontecendo com ela? “Não falei que quero me envolver com ele, Tara. Talvez eu esteja presa nele por causa da situação toda que ocorreu na missão...talvez seja culpa.” “Se fosse isso você não teria esquecido o Sr. Belezura em dois tempos. Eric é lindo, independente e completamente promíscuo. Não serve para você.” “Eu sei, estou cansada de saber. Eu me odeio tanto por ter sucumbido dessa maneira. Como eu fui me apaixonar por um vampiro daqueles? Não entendo...” “Porque ele te mostrou o que é ser uma mulher, e não uma planta! Tenho certeza que Bill nunca fez nada parecido... ou fez?” “É diferente, Bill me respeitava. Você disse que Eric é promíscuo mesmo...” “Sook, só não quero você sofrendo por um vampiro como meu patrão. Apenas isso, tome cuidado com o que irá fazer. Bill não serve, mas Eric também não. Arrume um outro vampiro que seja uma mistura dos dois. Ou quem sabe Sam?”, ela deu risada. “Você está certa. Preciso parar de pensar nele, tenho que focar em outras coisas... um emprego para começar. Talvez aceite trabalhar com o Sam novamente, sinto que fui dura com ele, me arrependo.” “Só espero que fique firme em sua decisão e não cometa o erro de voltar para o prefeito.” Sookita sorriu tentando transparecer sinceridade. Sabia que Tara estava certa, mas ainda precisava falar com Eric, não teria paz enquanto não fizesse isso. Mesmo correndo todos os riscos e jogando sua dignidade fora, não poderia mais esperar. Tara deu um beijo em seu rosto e foi embora. -----------------------------Bill ainda não tinha digerido o Não de Sookita. Tinha quase certeza de que Eric estava envolvido nisso, alguma coisa aconteceu na missão, talvez só descobrisse quando ela fosse depor perante a Autoridade. Ele sabia que não era a atitude certa, mas insistiu para que Sookita contasse a eles o que ocorreu realmente naqueles dias em Tijuana. Os Inquisidores já estavam prontos para pegarem Eric, Bill adiou o máximo que pode. Não pelo vampiro, no fundo estava se divertindo com tudo, mas por Sookita.


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Não queria ela na mira da Autoridade, só julgava necessário descobrir o que realmente aconteceu e nem ela e muito menos Eric iriam contar de boa vontade. Ele achava estranho Colunga ter assumido a culpa daquela maneira, ele era tudo, menos dado a feitos heroicos. Consultou o celular, não tinha nenhuma mensagem. Chegou à casa de Sookita, não avisou que iria. A noite estava muito bonita, ouviu ao longe o som de alguns animais noturnos. Bateu na porta dela, esperou ansioso pela resposta. Sookita demorou um pouco para atender, quando ela abriu a porta fez uma expressão de surpresa. Ela estava arrumada, parecia que ia sair. “Cheguei num momento ruim?” “Não... claro que não. Por favor, entre.” “Não vou demorar, estou vendo que irá sair.”, tentou não soar irritado. “Vou ao Tequilla’s, preciso falar com o Sam.”, mentiu. “Entendo. Não quero te atrapalhar.”, ele não entrou, continuou na varanda. “Vim aqui para te avisar que seu depoimento foi marcado para daqui a dois dias. Eu virei te buscar, não quero que vá sozinha.” “Não sabia que seria tão rápido, nem sei se estou preparada para esse depoimento. Agradeço sua preocupação.” “Sookita, não quero nada estranho entre nós. Sei que não aceitou o meu pedido, eu fui precipitado. Mas não quero perdê-la.”, ele disse segurando as mãos dela entre as suas. “Eu aceito o que você quiser oferecer.” Sookita soltou as mãos da dele rapidamente, não queria que pensasse que ela tinha mudado de ideia, ainda pretendia manter sua palavra. “Eu sei Bill, não se preocupe com isso. Preciso pensar melhor na sua proposta...”, disse tentando encerrar o assunto. “Eu a deixarei pensando esses dias, não vou te importunar.”, ele a beijou no rosto. “Até mais, querida.” Ela sentiu um misto de culpa e alívio, não o estava enganando mais, só que gostaria também de retribuir todo o carinho que ele dava. Ele foi embora, ela entrou novamente e terminou de se arrumar. Sentiu um frio na barriga ao lembrar que iria encontrar Eric depois de tanto tempo. -----------------------------------Tara serviu os drinks numa mesa de canto cheia de rapazes metidos e musculosos, um deles fez um comentário racista...que estava surpreso por


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contratarem negras. Ela engoliu em seco e não reagiu, não iria perder um emprego bom por causa de um ignorante qualquer. Levantou a cabeça indo até o bar para pegar novos pedidos. Ela reparou que Eric já estava por lá, na sua área reservada com vários vampiros, todos esnobes, pensou dando de ombros. A filha do prefeito era uma das mais animadas, de vez em quando jogava um charme para os outros vampiros do grupo, principalmente para seu patrão. Tara admitiu que sentia um pouco de medo dele, talvez pela presença forte e a cara de poucos amigos, definitivamente ele não era do tipo simpático. Quando se encaminhava para a próxima mesa, reparou na chegada de Sookita. Controlou-se para não derrubar a bandeja que segurava. A louca realmente não tinha levado a conversa que tiveram a sério. Tara olhou na direção de Eric, o vampiro estava bem animado...com outras mulheres, até demais. Não queria Sookita se humilhando daquela maneira. Colocou a bandeja numa mesa qualquer, foi na direção da amiga e a puxou pelo braço. “O que está fazendo aqui? Pirou?”, perguntou falando alto demais. “Tara, me larga. Está me machucando.”, tentou se livrar com um safanão. “Estou procurando Eric.” “Quem é você e o que fez com minha amiga?”, perguntou ironicamente. “Não brinque agora, por favor, não pense que foi fácil tomar essa decisão.” “Se você está aqui, não deve ter sido mesmo.”, olhou em volta. “Acho melhor você ir, Eric não está aqui hoje também.” Sookita suspirou exasperada tentando se desvencilhar da amiga. “Pelo jeito ele nunca está por aqui. Ou você está mentindo?” Tara sentiu vontade de gritar com ela, como poderia ser tão tonta, pensou irritada. Mas antes que abrisse a boca para responder, ouviu um barulho a suas costas. Virou-se dando de cara com Pam de braços cruzados. “O que está acontecendo?”, perguntou para Tara. “Nada não, minha amiga veio me dar um recado e já estava se retirando.”, respondeu empurrando Sookita na direção da saída. “Quero falar com Eric...”, ela disse bem alto para Pam ouvir. Pam revirou os olhos, mais uma louca apaixonada por Eric aparecendo por lá. Quando ficariam livres disso? Só se ele fechasse o zíper da calça mais vezes,


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em vez de comer qualquer uma. “Eric não fala com qualquer uma, querida.”, Pam disse soltando uma risada. “Não sou qualquer uma, por favor avise para ele que Sookita Montenegro está aqui. É urgente.” Pam a encarou de cima a baixo, observou a moça sem a peruca e aquela maquiagem cafona, e algo estalou em sua mente vampírica, algo não muito bom. “O prefeito morreu? Isso seria uma urgência.” Tara sentiu uma dor no estômago como se tivesse levado um soco, a humilhação de sua amiga já havia começado. Sookita resolveu ignorar a provocação: “Eu realmente preciso falar com ele, se não quiser me mostrar, vou sozinha.” disse ela enquanto se desviava de Pam procurando por Eric no Santo Martillo. A vampira não se intimidou, puxou Sookita pelo braço e impediu que continuasse caminhando. “Se é tão importante assim, levarei até ele.”, sorriu de canto. “Você, volte a trabalhar.”, falou para Tara. Com um aceno Pam caminhou na frente dela. Sookia ouviu pensamentos de todos os tipos na boate cheia, tentou bloquear como pode. Sentiu seu coração querendo saltar do peito, um frio na barriga e respirava fundo para o que encontraria pela frente. Depois pediria desculpas para Tara, mas a amiga hoje não foi de grande ajuda. Talvez estivesse certa do que disse antes, mas Sookita queria pagar para ver. De repente era uma nova Sookita mesmo. A vampira parou, não havia tanta gente mais a volta, o som continuava alto. Sookita parou atrás, não ousou se mover antes de Pam falar que podia. “Fique aqui.”, disse simplesmente e partiu na direção do grupo sentado no sofá. Ela o viu, depois de duas longas semanas. Sentiu o rosto queimar com a visão dele sentado no sofá sorrindo, os cabelos penteados para trás, meio molhados. As longas pernas separadas, ele estava sentado meio displicente conversando com outras pessoas. Estava mais bonito do que nunca, como seria possível? Pensou Sookita sentindo o coração acelerado. Sem perceber, ela começou a arrumar o vestido preto que usava, um dos que usou na missão, pelo menos manteve os vestidos comprados pela Autoridade. Ajeitou o cabelo não desviando o olhar um segundo dele. Depois percebeu que tudo tinha começado ali, naquela boate, quando o viu pela primeira vez. Sorriu


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lembrando-se da confusão que foi, tudo com ele sempre foi dessa maneira, complicado. Olhou para uma dançarina que estava no mesmo lugar que ela dançou naquela fatídica noite. Sookita nunca imaginou que tudo mudaria na sua vida depois que o conhecesse. Jurou que o odiaria, na cabeça dela não tinha como se apaixonar por um homem como aquele, tão cruel... mas, nem tanto em alguns momentos. Ele era extremamente bonito, não podia negar. Só que apenas a beleza não a prenderia ou deixaria como está se sentindo. Havia uma conexão entre eles, e nem ela sabia ainda como explicar, só falando com ele para saber se sentia o mesmo que ela. Pam se aproximou dele, cochichou algo no ouvido e apontou na direção de Sookita. Ele desviou para o lado e a encarou diretamente nos olhos. Ela percebeu que ele não sorria mais ou parecia descontraído, o olhar dele era frio, como se nunca a tivesse visto antes na vida. Ela quis correr até ele e gritar que tudo era um engano, que no final tudo daria certo. Só que o desprezo contido naquele olhar a fez visualizar o ódio que emanava dele. Quase se virou e saiu correndo do lugar, mas isso seria covardia de sua parte e ela não fugia dos problemas, sua avó havia ensinado bem sobre isso. Mesmo tremendo sustentou o olhar dele. Ergueu a cabeça um pouco em sinal de desafio. Para sua surpresa, ele desviou o olhar, recostou-se novamente no sofá, falou algo para Pam e fez um sinal com a mão. Pela primeira vez ela reparou nos acompanhantes dele, havia umas cinco pessoas, pela palidez todos vampiros, ela imaginou. Havia duas moças, bem bonitas e para horror de Sookita, era Jessica quem estava ao lado de Eric. Por sorte, a moça não a tinha visto ainda. Pam estava voltando em sua direção com um sorriso mordaz no rosto bonito. “Ele disse que não tem nada para conversarem.” “Acho que ele não entendeu, é importante. Vou até ele.”, Sookita insistiu. Pam a parou antes de continuar na direção de Eric. Os outros vampiros que o acompanhavam repararam nas duas. Os olhos de Jessica brilharam quando viu Sookita, ela realmente estava correndo atrás de Eric. Iria cortar as asinhas dela, pensou Jessica maldosamente. “Nossa, o que a noiva do meu pai está fazendo aqui?”, ela perguntou para Eric. “Não me interessa!”, ele respondeu simplesmente. “Seu pai vai se casar com aquela moça sem graça?”, a vampira morena e amiga recente de Jessica perguntou. “Ele deu um anel lindo para ela. Eu até me emocionei, foi tão romântico.”, ela


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mentiu descaradamente. “Ela chorou tanto, coitadinha.” Jessica se aproximou mais ainda de Eric no sofá, logo daria o golpe de misericórdia no coração de Sookita. Reparou que ele estava tenso, as mãos fechadas como se quisesse socar alguma coisa. “Você parece irritado?”, perguntou para ele. “É impressão sua.”, ele olhou na direção de Pam e Sookita. Todos olhavam para ela, como se fosse uma atração de circo, sem dúvida comentavam dela, sorte que não tinha escutado nada. Sookita sentiu os olhos encherem de lágrimas, mas não queria chorar na frente dele. Jamais faria isso novamente. Ele a encarava mais uma vez, dessa vez a desafiava. Ela não insistiu em continuar caminhando até ele, parou e esperou. Em seguida, Sookita viu Jessica o puxar delicadamente pelo pescoço e roçando a língua na boca dele. Eric continuava olhando para ela, mesmo enquanto tinha a língua de outra perto. Foram os segundos mais longos que Sookita presenciou, ainda mais após ele corresponder ao carinho da vampira, e a beijar longamente. Ela desviou o olhar quando viu a língua dele na boca de Jessica. Era o suficiente, não precisava de mais provas sobre o que ele sentia. Pam exibiu um sorriso triunfante e antes de Sookita se afastar, ela disse: “Mande lembranças para o prefeito.” Alcide observou toda a cena calado, mais uma vez servindo de guarda-costas, estava chocado com a maldade de Jessica. Não poderia deixar aquilo impune. Saiu da boate indo atrás de Sookita. ----------------------------------Ela nem soube como saiu da boate, não enxergava nada por causa das lágrimas, por que sentia aquela dor horrível no peito? Só sentiu algo parecido quando sua avó morreu. Por sorte não encontrou Tara, não queria ouvir a reprimenda da amiga. E estava chovendo, tudo conspirou contra naquele dia. Caminhava encolhida na direção de seu carro, tinha estacionado longe, sentiu vergonha de aparecer lá com aquela coisa velha. A chuva caía forte, por isso nem sabia o quanto era as suas lágrimas ou a chuva caindo no seu rosto. A rua estava vazia, era tarde da noite. Não acreditava o quanto tinha sido burra e irresponsável. Não tinha uma nova Sookita, nem nada. Apenas uma idiota atrás de um homem bonito. Ouviu um barulho de carro ao seu lado, continuou caminhando na calçada, quando o som da buzina obrigou a parar. Olhou de lado e para sua surpresa, Alcide estava ali na caminhonete. Ele abriu a porta e gritou:


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“Entre aí, te levarei até sua casa.” “Meu carro...”, ela balbuciou. “Depois eu vou buscar. Vamos, entre. Vai pegar um resfriado.” Ela entrou na caminhonete, infelizmente não conseguiu forçar um sorriso para ele. “Desculpe, vou molhar tudo.”, disse com a voz distante. “Não tem problema.” “Como sabia que era eu?” “Bem, Dona Sookita. Não queria falar...eu estava na boate.”, ele ficou vermelho ao dizer isso. “O que exatamente você viu?”, perguntou sem olhar pra ele. “Eu vi tudo.” Sookita não conseguiu esconder o quanto estava arrasada, olhou para Alcide com os olhos vermelhos e disse com a voz tremendo: “Sou muito burra... como fui acreditar que Eric teria sentimentos?” “Não sei sobre isso, Dona Sookita. Ele não parecia muito interessado em Jessica.”, ele disse tentando animá-la e a ele também, os dois sofriam pelo acontecido. Ele também gostaria de não ter sido tão burro e amar Jessica como amava. “A culpa é minha, eu paguei pra ver. E confirmei o que no fundo já sabia.”, disse sem conseguir parar de chorar. “Não chore, Dona Sookita. Talvez não seja da maneira como está pensando.” “É muito pior...” “Nem tudo é tão ruim, o Senhor Bill gosta muito de você.”, ele disse relutante. Alcide estava certo, de todas as pessoas do mundo, Bill era a que mais se importava com ela. E ela ainda teve coragem de recusá-lo, como poderia ser tão estúpida? Ele era o homem da sua vida, o que provava que todo esse interesse em Eric só podia ser uma doença. Sookita nunca havia se interessado por ninguém tão cruel, não era normal. “Alcide, leve-me até Bill.”, limpou as lágrimas, ajeitando-se no banco.


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“Tem certeza? O Senhor Bill é bom demais, não merece ser usado.” “Jamais faria isso com ele, Bill é o homem da minha vida.”, agora mais do nunca ela acreditava nisso. “Por favor, me leve até lá.” Alcide não falou mais nada, não pretendia mandar no coração alheio, apenas não queria seu patrão sendo usado. Mas, confiaria em Dona Sookita, ele pensou enquanto dirigia para a mansão de Bill. ------------------------------Bill estava em seu escritório particular preenchendo uns papéis, havia a inauguração de uma nova escola e seu assessor diurno iria em seu lugar, afinal, não daria para ele ir durante o dia. Abriu o notebook, mandou vários emails, inclusive alguns da Autoridade. Sentiu-se satisfeito pelo fracasso da missão ter caído inteiramente nas costas de Eric, até o momento ele estava livre. Ouviu o barulho da caminhonete de Alcide, estranhou pelo horário. Jessica estaria voltando tão cedo para casa? Alguma coisa tinha acontecido? Pensou preocupado. Saiu do escritório, foi caminhando velozmente até a entrada. Quando abriu a porta, deu de cara com Sookita subindo as escadas da entrada correndo. Ela pulou em seus braços, o beijou na boca. Ele não negou, beijou de volta. Um beijo demorado e delicado. O bigode dele fez cócegas no rosto dela. “Bill, eu aceito casar com você.”, ela disse emocionada. “Não precisa chorar, minha querida. Vamos entrar, está toda molhada”, ele acenou para Alcide e caminhou para dentro com ela. “Por que mudou de ideia tão rapidamente?” Ela recuperou o fôlego, ainda estava processando o que tinha acabado de fazer. Não queria mais sentir aquela dor no peito, precisava de algo maior do que tudo aquilo. O casamento com Bill seria o que precisava para ser a antiga Sookita novamente. “Eu te amo e quero casar com você. Eu usei o tempo que você me deu e cheguei a essa conclusão”, disse o abraçando. “Fico feliz em ouvir isso, eu sabia que você precisava de um tempo.”, ele a beijou na testa. “Por que Alcide te trouxe?” “Meu carro quebrou, ele me deu carona. Dei muita sorte de encontrá-lo saindo do Santo Martillo.” Ele franziu o cenho após ouvir o nome da boate de Eric.


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“Você foi à boate de Eric? Achei que tinha ido ao bar de Sam.”, ele a questionou. Ela engoliu em seco, tinha esquecido totalmente do que disse pra ele antes. “Eu fui, claro. Mas, Tara me chamou lá para conversar rapidamente. Sabe, assunto de mulher.”, ela piscou para ele. “Claro, eu imagino. Venha no escritório para eu te dar a aliança, agora oficialmente.” Ele a puxou pela mão até o escritório. Foi até a mesa, abriu uma gaveta e tirou a caixinha de lá. Caminhou novamente até ela, ajoelhou-se no chão e disse: “Sookita, quer se casar comigo?” “Sim, sim!”, ela gritou para ele. Bill colocou o enorme anel de brilhantes no dedo dela. O diamante brilhava conforme ela virava a mão. Ele a abraçou forte, a beijou novamente. “Daremos uma festa de noivado enorme, quero anunciar para todo mundo.” Ela apenas sorriu, acreditava que tinha feito a coisa certa. Sempre quis casar com Bill, era o correto. Sua avó queria isso também, um bom homem para ela. Seria feliz e esqueceria Eric para sempre. Esqueceria que um dia se apaixonou por aquele vampiro insolente. E que por sorte não desgraçou a sua vida.

EPÍLOGO O Senador Morales estava numa longa reunião com seu staff, definiam diretrizes para a campanha presidencial que faria durante o ano. Deixaria o cargo em alguns meses para se concentrar na campanha, tendo como mote principal uma série de leis contra os vampiros. Ele não havia se esquecido um minuto sequer do que tinha acontecido em Tijuana. Não aceitava que o vampiro e a moça tinham escapado impunemente. Ele não costumava perder e ser enganado daquela maneira. O nome que ela gritou aquele dia estava em sua mente, quase como uma obsessão...Eric. O que deixou claro que o vampiro realmente estava disfarçado. Nessas duas últimas semanas usou de todos os recursos que dispunha para encontrar esse vampiro maldito. Havia hierarquias entre os vampiros, e o dinheiro tudo comprava. E alguém iria abrir a boca, cedo ou


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tarde. Teve que engolir o seu orgulho e aceitar a ajuda de outros vampiros na busca. Não tinha dúvidas que Eric tinha intenção de matá-lo, afinal, ele era um grande opositor dos vampiros. Um de seus funcionários chamou a sua atenção, estava distraído, sempre quando pensava nesse assunto, tudo ao seu redor sumia. Encerrou a reunião, em seguida Juan Carlos, seu assessor principal, apareceu na sala. Parecia animado, segurava um papel na mão. “O que foi?”, o senador perguntou preocupado. “Acho que descobrimos quem é o vampiro!”


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Trilha Sonora da Primeira Temporada (com link para download) Download da Trilha Sonora Cap 01 - Alanis Morissette -You Learn Cap 02 - Incubus - Nice to Know You Cap 03 - The Naked and Famous - Young Blood Cap 04 - Gorillaz - Latin Simone (Que Pasa Contigo) Cap 05 - The Police - Every Little Thing She Does Is Magic Cap 06 - InMe - Under Dose Cap 07 - Katy Perry - Fingerprints Cap 08 - R.E.M. - Imitation Of Life Cap 09 - The XX - Crystalized Cap 10 - Adele - Rumor Has It Cap 11 - Roxette - Watercolours In The Rain Cap 12 - Jack White - Love Is Blindness Cap 13 - Foo Fighters - The Pretender Cap 14 - Saving Abel The Sex Is Good Cap 15 - Oasis - Talk Tonight Cap 16 - Jack off Jill - Clear Hearts, Grey Flowers

Escravos do Amor  

Escravos do Amor , primeira novela mexicana baseada em True Blood !!! Por We Love True Blood

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