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íNDICE

10 Workshop

FISH IN BRAZIL 2019 WORKSHOP

14 Estética Body Lift

6 18 Alerta

As trágicas histórias dos brasileiros que morrem na fronteira do México com os EUA

Alimente-se melhor durante o verão O verão exige uma preocupação maior com uma alimentação balanceada, saudável e refrescante.

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Mercado imobiliário

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Tendências

Comportamento vivermagazine

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Cinema

Agenda VIVER

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Editorial "O que você gostaria de ser quando você crescer?”

Dilla Campos Publicadora vivermagazine vivermagazine

Se hoje alguém me perguntasse: “o que você gostaria de ser quando você crescer?”, eu certamente diria: Eu gostaria de ser uma mensageira de boas notícias. Isso pode parecer meio piegas ou até meio infantil, mas, depois de 16 anos vivendo aqui, vendo o movimento das pessoas ao meu redor que estão vivendo em função de sobreviver ao dia de hoje, sem muitas esperanças de que irão alcançar o que vieram buscar, na tão famosa terra dos sonhos, me sinto muito mal quando tenho que vir aqui e falar de coisas ruins ou tristes. Eu queria mesmo era levar alegria, consolo e contentamento para dentro de suas casas. Ainda estamos no meio do ano e as notícias de pessoas mortas ou presas na fronteira dos Estados Unidos com o México não param de chegar. Homens, mulheres e crianças escrevendo uma história de capítulos intensos de tragédia e dor, um cenário bem diferente do que o que escutamos quando estamos em nossos países de origem. Por que será que a maioria das pessoas que moram aqui, não falam a verdade para quem está fora? Que necessidade incontrolável é essa de querer passar o tempo todo a imagem de que a vida de imigrante é fácil, linda e que há flores, cores e sabores ao longo do caminho por onde passamos?

EDIÇÃO E PUBLICAÇÃO Edilânia Bento vivermagazine@gmail.com DIREÇÃO DE ARTE / PROJETO GRÁFICO Saulo Oliveira / S2dm.com contact@s2dm.com COLUNISTAS Dilla Campos Maitê Hammound (Psicóloga) Tracie Kincle (Advogada) Fernanda Hottle (Advogada) Daniel Ortiz (Advogado) REVISÃO Eliania Bento COLABORADORES Alex Campos Kamilla Oliveira Consulado Geral do Brasil em Atlanta Cesar Restrepo (Empreendedores Latinos) FOTOGRAFIA Dilla Campos Indy Zanardo Juliana Frary PARA ANUNCIAR 770.953.4250 vivermagazine@gmail.com www.vivermagazine.com DISTRIBUIÇÃO All Metro Atlanta Area GDL Distribution & Logistics, LLC Phone: (678) 887-2391 Joanita Bonilla

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Já passou da hora de nós imigrantes, falarmos a verdade em nossas conversas com familiares e amigos, conscientizando-os de que o país das maravilhas não existe, ou que pelo menos,...não existe mais! Incentivar alguém a jogar tudo para cima e encarar uma travessia ilegal é falta de responsabilidade. Permitir que familiares façam isso com crianças, é insanidade total. Se já era difícil no passado, eu diria que hoje os riscos de não dar certo são ainda maiores. Mesmo que as pessoas consigam entrar, a vida delas não será um mar de rosas, existe uma descriminação e preconceito muito grande para com o imigrante ilegal, existem leis muito duras que agora mais do nunca, estão sendo colocadas em prática. Sem contar o número de crianças separadas de suas famílias, algumas perdidas, outras presas, já traumatizadas. Tudo isso é muito triste. Não estou aqui julgando ninguém, ao contrário, sou solidária a todos os que estão sofrendo neste momento, mas, não poderia deixar de alertar o nosso povo, sobre a gravidade e os riscos de imigrar ilegalmente, principalmente nos dias de hoje. Vivemos um tempo novo, tempo de aprender que o jeitinho brasileiro só funciona lá. Aqui, as coisas são muito diferentes. Se você está passando por momentos difíceis, tenha fé, coloque a sua vida nas mãos de Deus e confie, que no final, tudo terminará bem. Até a próxima! Dilla Bento

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CAPA

Alimente-se melhor durante o verão

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ossas nutricionistas prepararam um material com informações importantes e dicas para melhorar a qualidade dos alimentos e das bebidas que ingerimos. Acredite: comer bem é fácil e o resultado pode ser notado por todos à sua volta. Então vamos lá: descubra uma atividade física agradável para perder calorias e siga as recomendações das nutricionistas do Einstein: - Estabeleça uma rotina na alimentação 6

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Foto: Micheile Henderson

O verão exige uma preocupação maior com uma alimentação balanceada, saudável e refrescante.

- Não esqueça de manter adequada a ingestão de água (cerca e 2 litros/dia) para uma boa hidratação do corpo e um bom funcionamento intestinal - Tenha horários regulares e não esqueça de fracionar as refeições em porções menores - Abuse das saladas (folhas, frutas e legumes) - Prefira assados, grelhados e cozidos ao invés de frituras e empanados

- Evite doces e guloseimas - Prepare os sanduíches sem maionese, molhos cremosos ou queijos gordurosos - Substitua o sorvete cremoso por picolé de frutas - Abuse das frutas, que são uma boa opção durante o intervalo das refeições principais - Dê preferência ao óleo de girassol ou de canola e, para o tempero de saladas, utilize azeite de oliva extra virgem - Inclua na alimentação diária alimentos vivermagazine.com


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ricos em fibras, como milho, aveia, feijão e outras leguminosas (ervilha, lentilha, grão de bico), palmito, ameixa seca, frutas na forma natural, verduras e legumes

Hidratação Com a chegada do verão e o aumento da temperatura, nosso corpo perde mais líquido – por meio do suor – e nossa necessidade de repor água, vitaminas e sais é bem maior. Principalmente nessa época do ano, devemos aumentar a ingestão de líquidos, evitando tomar água apenas quando estivermos com sede. A sede já é um sinal de que o nosso corpo está desidratado e, possivelmente, com o funcionamento das células e dos órgãos prejudicado. Alguns alimentos precisam aparecer em maiores quantidades e frequência no verão – como frutas, legumes e verduras, pois são ótimas fontes de vitaminas, minerais e fibras alimentares. Frutas, assim como verduras, possuem

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maior quantidade de água, são mais refrescantes e fáceis de ser digeridas. As mais indicadas são: abacaxi, melão, melancia, laranja, pêssego, uva e coco verde, em razão do alto teor de líquidos e da capacidade de repor eletrólitos (principalmente sódio e potássio). Além de água, também podemos tomar chás e sucos. Vale lembrar que os sucos são ótimas fontes de vitaminas e minerais, porém alguns são altamente calóricos. Então, o ideal é não acrescentar açúcar. Em relação aos chás, prefira os claros (de ervas), que são mais hidratantes.

Saladas Aumente o consumo de saladas cruas – ótimas fontes de vitaminas e fibras – e evite acrescentar produtos como maionese, queijos cremosos e molhos industrializados, devido ao alto valor calórico e à quantidade de gordura que apresentam. O ideal é que estes molhos sejam substituídos por limão, azeite de oliva extra virgem e ervas, como

manjericão, hortelã e alecrim.

Comida de praia O melhor é evitar o consumo de alimentos vendidos por ambulantes. Eles geralmente apresentam condições higiênico-sanitárias inadequadas e estão em má conservação, levando à contaminação por bactérias. Alimentos como pastel, outros salgados e frituras apresentam em sua composição gordura, sal e carboidratos refinados que são prejudiciais à saúde. O ideal é levar de casa frutas de fácil manuseio e pouca manipulação, como banana, pêra, pêssego, ameixa e maçã (em utensílios que mantenham uma temperatura adequada). Biscoitos de polvilho também são uma boa opção e água é fundamental. Se preferir comprar algo na praia, escolha o coco verde. Ele ainda é "a melhor pedida". Sucos também são bons, por serem fontes de vitaminas e minerais, além de bem refrescantes e ótimos para hidratação.

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WORKSHOP

FISH IN BRAZIL 2019 WORKSHOP

Foto: 123RF

No último 17 de junho aconteceu um importante fato para o turismo do Brasil, que foi o início da isenção de visto para os turistas estadunidenses, canadenses, australianos e japoneses que desejam visitar o Brasil.

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isenção de visto para estrangeiros é uma demanda antiga da indústria brasileira de turismo, mas que até agora nunca tinha saído do papel, principalmente devido a questões políticas, onde se acreditava que essa medida violaria o princípio da reciprocidade na política externa e enfraqueceria o Brasil diante desses países.A experiência nos mostra que quando americanos, japoneses, canadenses e australianos ficaram isentos de vistos, entre 1º de junho e 18 de setembro de 2016, estimulando o turismo relacionado às 10

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Olimpíadas do Rio, os números do 475 mil turistas enviados em 2017, Ministério do Turismo brasileiro último ano com dados disponíveis. mostraram que 163.000 visitantes Assim, foi com esse cenário, dos quatro países viajaram para que no último dia 8 de Julho o Brasil naquele período, com uma Consulado-Geral do Brasil em alta de 55,3% em relação ao Atlanta realizou o workshop FISH mesmo período de 2015. Segundo IN BRAZIL 2019, para a difusão a pasta, o número de chegadas de do turismo e especialmente estadunidenses cresceu 47%, o de da pesca esportiva no Brasil. O japoneses, 61%, o de canadenses, workshop foi dirigido a agentes 84% e o de australianos, 107% e operadores de turismo de . Estima-se que esses países aventura e a lojas especializadas gastaram US$ 167 milhões no em pesca esportiva, anunciando Brasil durante esse período de o fim da exigência de vistos para isenção.Sabe-se também que os turistas dos EUA.O Brasil, com estadunidenses são o segundo sua enorme extensão territorial, maior grupo de visitantes possui uma majestosa rede fluvial, estrangeiros no Brasil, com 7,2% um litoral extremamente longo, de participação nas passagens e Lady Gaga de 4.655 milhas de extensão, e vivermagazine.com


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Chamber of Commerce of the Southeast): Lucia Jennings Especialistas que engrandeceram o workshop, apersentando informações ricas e precisas:

KELVEN LOPES • • •

uma fauna aquática com uma diversidade inigualável de peixes. Com esse perfil, o Brasil constitui um dos melhores países para a prática da pesca esportiva, que precisa ser conhecida e divulgada em todo o mundo. Por sua vez, a América do Norte possui um grande público de entusiastas da pesca esportiva, o que a torna um grande e importante mercado potencial para ser explorado pelo Brasil neste setor, tanto aqui nos EUA como também no Canadá. No workshop FISH IN BRAZIL 2019 foram apresentadas pelo Sr. Antonio Kaupert Jr., do SECOM do Consulado do Brasil em Atlanta, as 4 regiões de pesca esportiva mais importantes do Brasil (Pantanal, Araguaia-Tocantins, Amazônia e costa litorânea) com detalhes de geografia, clima, hidrografia, flora e fauna, culminando com as principais espécies de peixes esportivos de cada uma dessas regiões. Na sequência, o Sr. Kelven Lopes, consultor de turismo de pesca esportiva na América do Sul, detalhou tecnicamente cada 12

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uma das principais espécies de peixes esportivos do Pantanal, Araguaia-Tocantins e Amazônia, finalizando com apresentação da modalidade de pesca com mosca na selva (jungle fly-fishing). Após o almoço, o Sr. Johnny Hoffmann, figura pública do setor de pesca esportiva no Brasil, discorreu e apresentou vídeos sobre as emoções da pesca das diferentes espécies de peixes da Amazônia, com as excelentes estruturas logísticas e turísticas hoje disponíveis. O workshop teve, ainda, uma exibição de vídeo sobre a pesca oceânica e sua estrutura turística no litoral do Espírito Santo, estado que detém atualmente os recordes mundiais de pesca dos marlins branco e azul. Ao final do workshop foi realizado um coquetel, com oferta de fam trips aos presentes. Parceiros que colaboraram para que o workshop fosse realizado: ES DESTINATIONS: Cida Barfield & Neal Barfield BACC-SE (Brazilian-American

Graduado em Zootecnia e Mestrado em Zootecnia Consultor de pesca esportiva do governo federal há 14 anos Autor de artigos para revistas especializadas em pesca esportiva no Brasil

Diretor da IGARAPESCA, empresa de consultoria em turismo de pesca, há 2 anos, regulando o turismo de pesca esportiva em Terras Indígenas e Unidades de Conservação

Autor da lei que criou a categoria de profissão de Guia de Turismo de Pesca

Guia especializado em pesca com mosca na selva (jungle fly fishing)

JOHNNY HOFFMANN •

Guia de pesca esportiva na Amazônia há 12 anos

Apresentador do programa de TV Momento da Pesca desde 2004

Apresentador e idealizador do canal A Liga da Pesca no Youtube, que traz conteúdo sobre equipamentos, eventos, técnicas, novidades, meio ambiente e gastronomia

Consultor de marcas de equipamentos de pesca esportiva na América do Sul

Autor de artigos para revistas especializadas em pesca de 1997 a 2010

Proprietário do canal Johnny Hoffmann no Youtube, doando 100% da receita para o Hospital do Câncer de Barretos, no interior de São Paulo vivermagazine.com


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Estética

Body Lift Uma cirurgia que une diversos tipos de lifting para melhorar do contorno corporal

O que é body lift

O body lift é um grupo de cirurgias plásticas que melhoram o contorno corporal em diversas regiões tais como: braços, mamas, tórax, abdômen, coxas, nádegas. Normalmente elas são indicadas após grande perda de peso, em que ocorre uma flacidez acentuada do corpo. As cirurgias de contorno corporal são diversas e são feitas desde a metade do século passado, mas ganharam mais notoriedade apos a década de 80. Nos últimos anos a indicação tem aumentado conforme a necessidade dos pacientes. Outros nomes Dependendo das partes do corpo em 14

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que o procedimento é feito, ele pode ser chamado de upper body lift (lifting da região superior do corpo), lower body lift (lifting da região inferior do corpo) ou total body lift (lifting da face, mamas, braços, coxas e abdômen com remodelação das nádegas). Quem é o profissional apto a fazer o body lift? Um procedimento como o body lift deve ser feito por um cirurgião plástico da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Indicações do body lift Os body lifts são indicados para pacientes que passaram por grande pesa de peso, como após a realização de

uma cirurgia bariátrica, mulheres após a gravidez ou pessoas que desejam uma melhora do contorno corporal. Pré-requesitos para o body lift É importante que o paciente que deseja se submeter ao body lift atenda aos seguintes pré-requesitos: • Peso estável por pelo menos 1218 meses consecutivos. Não serão operados pacientes com flutuação constante de peso • Pacientes submetidos à cirurgia bariátrica devem ter liberação do seu cirurgião geral. De maneira geral, espera-se a perda de 40% do peso para que o procedimento estético-funcional possa ser realizado após 12 a 18 meses de estabilidade do peso vivermagazine.com


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número de procedimentos numa mesma etapa cirúrgica. Ou seja, as mamas e braços podem ser operados numa mesma cirurgia pela técnica do upper body lift; o abdome, lifting de coxas e remodelamento de nádegas são tratados numa única etapa no lower body lift. Em algumas situações, o paciente pode ser tratado por completo em todas as suas deformidades pós grande perda de peso na técnica do total body lift. De modo geral, os liftings remodelam a pele, retornando-a para sua posição original e retirando a flacidez. Por se tratar de uma cirurgia grande e que envolve várias partes do corpo, o body lift é uma cirurgia que requer anestesia geral. Tempo médio da cirurgia Varia conforme o numero de áreas operadas. Pode ser de 3 a 8 horas.

• Gestantes que não tiveram complicações anestésicas durante o parto e que pararam de amamentar há pelo menos seis meses • Acompanhamento antes e depois da cirurgia com nutricionista, endocrinologista e clínico geral. Se necessário, solicita-se suporte psicológico • Pacientes com alta motivação, emocionalmente estáveis, otimistas e realistas com a limitação do procedimento. A cirurgia propõe restaurar a naturalidade do equilíbrio corpóreo ao indivíduo e não uma mudança radical ou irreal • Pacientes não fumantes ou que parem de fumar até um mês antes da cirurgia e em definitivo durante todo o processo de recuperação cirúrgico. O tabagismo aumenta cerca de quatro vezes as chances de ocorrer complicações pós operatória • Pacientes que não tenham infecção ou doença dermatológica ativa na área a ser operada • Pacientes saudáveis que não tenham contraindicações médicas para serem submetidos a procedimento cirúrgico • Pacientes sem dificuldades para cicatrização. Como é feito o body lift A tendência atual é realizar o maior 16

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Pré-operatório do body lift A melhor época para fazer a plástica depois da bariátrica é quando se está próximo(a) de alcançar o peso ideal e se mantém estável por pelo menos 3-6 meses. Isto ocorre, em média, entre 12 e 18 meses decorrido o procedimento bariátrico ou após 12 meses de emagrecimento monitorado sem cirurgia. As pacientes que desejam realizar a plástica depois do parto devem esperar pelo menos seis meses do término da amamentação. Não recomendamos que a plástica seja feita no mesmo tempo do parto. Este momento é mágico e toda atenção e dedicação deve estar voltada para o recém-nascido e saúde da mãe. A plástica depois da gravidez precisa ser feita no futuro, quando os níveis hormonais já tiverem voltado à normalidade. A importância de se obter um índice de massa corporal (IMC) adequado para ser submetido à plástica após obesidade se deve por alguns motivos. Quanto menor o IMC, menor o risco de complicações. Também é notório que durante fases precoces de grande perda de peso, o indivíduo fica num balanço nutricional negativo impróprio para se recuperar de uma cirurgia. E por último, o resultado estético da plástica após grande perda de peso é de melhor qualidade se estiver próximo do peso ideal.

Pós-operatório do body lift É muito importante ter um seguimento rigoroso com o cirurgião plástico após esse tipo de cirurgia. O pós-operatório pode durar de três a seis semanas, dependendo de quantas áreas serão operadas. Nesse período é importante o uso de antibióticos, analgésicos e antiinflamatórios de acordo com a orientação do médico. Também é necessário o uso de cintas compressivas nas áreas operadas e repouso domiciliar pelo tempo que o cirurgião plástico determinar. Drenagem linfática pode ser indicada, desde que feita de forma correta. Complicações possíveis do body lift Entre as complicações do body lift encontramos sangramento, infecção, trombose venosa profunda, cicatriz de má qualidade, entre outras. Felizmente, são pouco frequentes e minimizadas com uma boa equipe cirúrgica e hospital de qualidade. Antes e depois do body lift Após três e quatro semanas o inchaço melhora e é possível ver diferenças no contorno corporal do paciente. É esperado que o corpo apresente menos flacidez. Infelizmente as cirurgias de body lift costumam deixar cicatrizes, pois são feitas incisões na pele. As cicatrizes variam em tamanho e qualidade, e normalmente o médico tentará realizar a menor cicatriz possível e em locais em que não seja possível vê-las, como a parte interna dos braços e coxas. Alie o body lift com? Reeducação alimentar Alimentarse de forma correta é essencial para manter a estabilidade do peso. O efeito sanfona é prejudicial à saúde e também aos resultados do body lift. Além disso, é importante ter uma alimentação fracionada (comendo de 3 em 3 horas), evitar álcool e gorduras saturadas e mastigar lentamente, para ter mais saciedade. Prática regular de atividade física Os exercícios físicos são importante para a manutenção dos resultados de um body lift e do peso perdido. Além disso, eles evitam a flacidez muscular, trazendo melhor contorno corporal.

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Alerta

As trágicas histórias dos brasileiros que morrem na fronteira do México com os EUA

Por BBC Brasil

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essa ligação, ele relata os casos com que teve de lidar ao longo de sua carreira, misturados aos detalhes de sua própria jornada atípica, de imigrante ilegal a empresário. "Tinha tudo para ser mais um no sistema carcerário dos Estados Unidos, como vários dos meus amigos de escola", diz ele. Mas se tornou cidadão americano, estudou, ascendeu socialmente. Tiago se comove ao lembrar de algumas famílias que atendeu, especialmente aquelas cujos parentes morreram tentando atravessar de forma clandestina a fronteira do México com os Estados Unidos. 18

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Foto: Mayron Oliveira

Toca o telefone de uma empresa de serviços funerários sediada no estado de Massachussetts, nos Estados Unidos. Uma voz masculina jovem atende. É Weverton Tiago Silva Prado, 33. As ligações para a empresa caem direto no seu celular pessoal. A empresa ajuda a fazer a repatriação de corpos de brasileiros que morrem no exterior. Tiago é um dos sócios e acompanha de perto os casos mais sensíveis.

Só em 2018, 283 pessoas de diversas nacionalidades morreram nessa travessia - e esse não foi o pior ano. No início de julho de 2019, uma menina identificada pela família como brasileira desapareceu nas águas do Rio Grande. Ela estava com a mãe. Até hoje o corpo não foi encontrado. O número oficial de brasileiros que morrem ou desaparecem na fronteira não representa a realidade, segundo o próprio Itamaraty. Nos últimos cinco anos, há registro de apenas três casos de desaparecimento e dois falecimentos confirmados de brasileiros na tentativa de travessia da fronteira terrestre entre o México

e os Estados Unidos. Houve, ainda, o desaparecimento de um grupo de 19 pessoas em travessia pelo mar, em 2016. Mas esse número, diz o governo, é apenas indicativo, pois o registro é resultado de informações enviadas voluntariamente por autoridades estrangeiras ou por familiares e amigos dos brasileiros. É possível que haja incidentes que não tenham sido comunicados ao Itamaraty e, portanto, a quantidade provavelmente é maior, diz o órgão. Os familiares aparecem nesta reportagem com informações e nomes alterados. Em alguns casos, por serem eles mesmos imigrantes vivermagazine.com


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Foto: Max Bohme

ilegais, temem ser identificados pelas autoridades e deportados. Em outros, têm medo de retaliação de coiotes - como são chamados aqueles que organizam as travessias ilegais pela fronteira. Há também casos em que querem evitar que o resto da família reviva o trauma da perda. Suas histórias revelam o que motiva brasileiros a deixar o país e encarar os riscos da travessia e o desconhecido num lugar novo, além de como são organizadas as viagens, o que pode dar errado e como isso tudo é vivido pelas pessoas que estão no Brasil ou aguardam seus maridos, sobrinhos, primos nos Estados Unidos.

"É como entrar numa guerra"

Tanto Tiago quanto outras pessoas que lidam com imigrantes ilegais dizem que muitos têm ilusão de que a travessia da fronteira é "simples", como era há décadas atrás, mas desde o atentado às Torres Gêmeas, em 2001, o governo reforçou a segurança nas fronteiras e nos 20

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últimos anos tem tentando dificultar a entrada de ilegais, o que tem acarretado numa série de mortes. Além disso, dizem, a fronteira se tornou mais perigosa com o acirramento de conflitos ligados ao tráfico de drogas. "Um senhor do interior entraria desavisado numa favela do Rio de Janeiro sem saber de nada? Não entraria. Mas é esse tipo de perigo que ele corre ao tentar atravessar a fronteira", diz Tiago. "Já me aconteceu de não conseguir tirar um corpo do México porque o lugar onde ficava a funerária do lado mexicano estava em meio a uma guerra entre policiais e traficantes. A gente sofrendo para ajudar a família e o corpo lá". Isso aconteceu, por exemplo, no caso de Wesley, um dos brasileiros mortos na fronteira nos últimos cinco anos. Seu corpo foi achado no Rio Grande, do lado mexicano e só foi enviado ao Brasil semanas depois. "Quanto mais tempo passávamos sem o corpo, mais a dor aumentava", lembra um tio. A causa de sua morte até hoje não é

clara. Os parentes suspeitam que ele tenha sido assassinado pelos coiotes. "Se a pessoa tem algum conflito com eles, se não quer carregar drogas ou algo assim, eles matam", diz o tio. Ele próprio já havia feito a travessia da fronteira pelo Rio Grande, anos antes de seu sobrinho morrer no mesmo lugar. "[Na minha região, no interior do Brasil] você sempre conhece alguém que traz [brasileiros ilegalmente para os Estados Unidos]. Mas eu não tinha ideia do que era [a viagem]. A gente só vê o perigo quando já está na estrada", diz ele, que segue como imigrante ilegal. Ele e outros contam que os grupos que organizam as travessias clandestinas são compostos por diversas pessoas e, em geral, o migrante só conhece uma ponta da cadeia. Silvio embarcou no Brasil em um avião rumo ao México. Lá, foi recebido por um agente local, que depois o encaminhou a outro e assim foi até chegarem no deserto. A travessia pelo rio durou cerca de 15 minutos, mas foi aterrorizante para Silvio. No escuro da noite, uma pessoa do seu grupo de cerca de 50 migrantes foi levada pela correnteza e morreu afogada. "Eles [os coiotes] não estão nem aí. Se alguém fica para trás, morre lá e pronto", diz.

"Sonho americano é só isso, um sonho"

O primo de Andrea passou mal no deserto, já do lado americano da fronteira, e foi deixado para trás. Seu corpo foi achado no dia seguinte por oficiais americanos. Gerson trabalhava num supermercado na pequena cidade de onde vem a família. Perdeu o emprego e começou a se organizar para tentar a vida nos Estados Unidos. Fez contato com uma pessoa que já havia organizado travessias de conhecidos dele e rumou para o México. Andrea, que já vivia ilegalmente nos Estados Unidos, estava apreensiva durante a viagem do primo. Pediu que ele a avisasse, por telefone, a cada passo que desse. "Disse para ele: 'se você sumir, eu tenho que procurar por você. Se você vivermagazine.com


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Foto: Robert Hickerson

sumir, ninguém vai avisar que você sumiu'", conta ela. Quando ele chegou a uma cidade fronteiriça do México, num sábado, a procurou, dizendo que os coiotes avaliaram que aquele não seria um bom dia para fazer a travessia, pois havia muitos guardas pelo caminho. Avaliariam a situação no dia seguinte. O domingo passou sem qualquer notícia de Gerson. Andrea achou que ele estivesse em contato com outros parentes ou que não tivesse deixado o México ainda. Apenas na segundafeira recebeu a ligação da pessoa que havia organizado a viagem, dizendo que Gerson havia sofrido um acidente na travessia e estava morto. Andrea emigrou para os Estados Unidos fugindo do ex-marido. "Não vim pelo sonho americano, vim obrigada", diz ela. "Voei de São Paulo para o Peru. De lá, voei para Cancún, de Cancún, para a Cidade do México, da Cidade do México para Mexicali (cidade fronteiriça). Ali, atravessei a pé a fronteira e me entreguei às autoridades. Eles olharam minha documentação e me liberaram", diz ela. Mais tarde, deu entrada num pedido de asilo ao governo americano. Quando seu primo morreu, Andrea assinou um documento se responsabilizando pelo envio do corpo ao Brasil. Um conhecido disse a ela que, ao se apresentar às autoridades, poderia chamar atenção para o fato de 22

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que era também uma imigrante ilegal e isso talvez provocasse um processo de deportação, o que não aconteceu, ou pesar negativamente no seu pedido de asilo. "Mas eu nem pensei nisso. Nessas horas você não tem muito tempo para pensar. E não tem que pensar, mesmo. O que eu ia fazer, deixar meu primo lá, morto? A mãe dele ficou uma semana sem falar quando soube que ele tinha morrido. Ela tinha que enterrar o filho dela." Ela mesma também sofreu. "Eu tive que ir ao médico, tomei remédio para dormir por muito tempo. Quando dormia, sonhava com ele. A verdade é que me senti culpada. Culpada porque não mandei mensagem para ele naquele dia. Se eu soubesse que ele estava atravessando, eu poderia avisar a patrulha, e ele seria preso, mas talvez estivesse vivo'". "Ele tinha o que todos têm, o sonho americano. O sonho de que você vai conseguir adquirir imóveis e coisas que você não consegue no Brasil, porque tem pouco emprego, o salário mínimo não dá para viver e, no interior, quando você tem emprego, ganha só um salário mínimo. É aí que bate o desespero. Mas não passa disso, um sonho. Você até consegue juntar algum dinheiro, mas isso custa a sua vida, porque você vai ter dois empregos, vai dormir quatro horas por noite, e aí a sua vida passou.

Quem vive o sonho americano não vive. Na grande parte dos casos, não vai acontecer, e você pode morrer tentando", diz Andrea. Enviando corpos de volta ao Brasil A empresa de Tiago, a Padref, cuida da parte burocrática e prática do envio do corpo ao Brasil. Ela foi aberta depois que o próprio passou por duas perdas - um primo que morreu num acidente de carro e um conhecido que se matou após ser demitido. Nesses casos, Tiago observou que companhias que faziam esse serviço muitas vezes cobravam preços exorbitantes dos estrangeiros. "Percebi que poderia ter um lucro pequeno e entregar um serviço importante para a comunidade brasileira", diz ele. A Padref cobra entre 5,5 mil e 10 mil dólares pelo serviço. Outra empresa consultada pela BBC, a G7 Mortuary Shipping, no entanto, cobra entre 4 mil e 8 mil. Tanto ele quanto pessoas de outras companhias de repatriação de corpos ouvidas pela BBC News Brasil dizem que não é raro encontrar casos em que essas organizações cobram preços exorbitantes de estrangeiros, muitas vezes desesperados e desinformados. "Imigrante não costuma ter tanto dinheiro guardado, então isso gera ainda mais sofrimento, porque a família não consegue enterrar o parente, às vezes tem que fazer vaquinha, e o trauma aumenta", diz ele. Seu tio, que vive no Brasil, faz parte de um sindicato de funerárias de Goiás, por isso ele já tinha algum conhecimento sobre o ramo. Assim como o Itamaraty, Tiago também diz que o número de brasileiros mortos na fronteira é maior do que o que indicam os dados oficiais. "Os motivos que levam os parentes a não registrarem essas mortes são vários - falta de conhecimento, a burocracia envolvida, a questão do idioma, o medo dos oficiais de imigração", opina. As mortes na fronteira são especialmente penosas porque com frequência a família fica sem respostas. "Fazemos a identificação por uma aliança ou uma tatuagem, mas a causa da morte fica faltando", lamenta. vivermagazine.com


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Mercado imobiliÁRIO

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clima de incertezas sobre a imigração está gerando muita ansiedade em todos. Relatórios de pessoas sendo deportadas, ou famílias sendo separadas aparecem nas notícias todos os dias. Uma das consequências de tudo isso são pessoas perdendo, às vezes, o patrimônio de uma vida inteira. Grande parte dessas perdas podem ser evitadas, como veremos abaixo.

Quem tem direito a ser dono de imóveis na Georgia? A resposta a essa pergunta pode vir como choque, entretanto ela é simples: Todo mundo. Não existe nada na lei da Geórgia que proíba alguém de ser dono de imóveis. O seu país de origem, o seu local de residência, seu tipo de visto, ou ausência de visto, nada disso influencia na sua capacidade de comprar, manter ou vender imóveis na Geórgia. Na realidade, 24

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Foto: Dreamstime.com

O que acontece com a sua propriedade, caso você seja deportado?

é lei federal (Fair Housing Act) que ninguém pode ser discriminado na hora da compra ou aluguel de imóveis devido à raça, cor, credo, país de origem (nacionalidade), gênero, estado familiar, ou necessidades físicas ou mentais.

concederem empréstimos para compra de imóveis. Esse é um item separado e as regras que regem empréstimos para obtenção de imóveis não têm nada a ver com as regras que ditam quem pode ou não pode ser dono de imóveis.

Portanto, se você se encaixa em qualquer uma das opções abaixo, você pode comprar, manter, e vender imóveis na Geórgia: - Reside fora dos EUA; - Reside dentro dos EUA e: - Tem visto válido (trabalho, estudante, visitante, religioso, científico, diplomata, etc) - Tem visto expirado - Tem visto válido, mas passou da data de ir embora - Não tem visto nenhum - Veio pelo México - Tem Green Card - Não tem Green Card - É cidadão Americano Naturalizado

Em quais situações podese perder um imóvel na Geórgia?

Lembrando que o fato de você ter o direito de ser dono de imóveis na Geórgia, não obriga os bancos a

- Falta de pagamento de dívidas associadas ao imóvel. Alguns exemplos de dívidas que se não forem pagas podem resultar na perda do imóvel: - Empréstimo (hipoteca) - Impostos (IPTU) - Construtores (pessoas que tenham realizado serviços de construção na propriedade e não foram pagas. Nesse caso a casa pode ser perdida somente se o valor da dívida for igual ou superior ao valor de mercado da casa e/ ou um juiz determinar que ela seja entregue para o construtor como ressarcimento) vivermagazine.com


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Foto: Shutterstock.com

- Abertura de falência (cada caso é diferente e o tipo de falência, e/ ou um juiz pode determinar se a pessoa irá ou não perder o imóvel por consequência da falência) - Diversas situações legais onde a propriedade é o foco da disputa. Notem que nenhuma dessas possibilidades menciona imigração ou estado imigratório. Ou seja, o estado imigratório de alguém não constitui motivo para a perda dos imóveis dessa pessoa. Apesar de não ser possível perder uma propriedade devido ao estado imigratório, o que é feito depois que uma emergência acontece devido ao estado imigratório é crucial para proteger o seu patrimônio.

O que fazer se for preso e não puder voltar para casa? Caso seja preso o mais importante é fazer planos para manter todas as dividas relacionadas a propriedade pagas. Dependendo da severidade da situação e da quantidade de 26

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tempo que se espera que a pessoa fique na prisão sem resolução definitiva, a melhor opção talvez seja alugar a casa por um curto período de tempo. Um corretor especializado em gerenciamento de propriedades pode arranjar para que a casa seja alugada mobiliada, ou que os móveis e pertences pessoais sejam transferidos para um storage. Dessa maneira, o aluguel recebido irá manter qualquer divida que a casa tenha, como empréstimos, impostos, água, luz, e etc, pagas. Além disso, se a pessoa for solta, ela pode voltar para casa.

O que fazer se for deportado? Nesse caso existem várias opções: - Pode-se alugar a casa e o aluguel ser usado para pagar o empréstimo e outras despesas mensais da casa. - Pode-se vender a casa. O dono da casa não precisa estar presente no país para que o imóvel seja vendido. Desde que o dono da casa tenha como dar autorização para a venda, a venda pode ser efetuada sem a presença física dele. Aqui na Geórgia TODAS as vendas de imóveis precisam ser efetuadas

por um advogado. Isso quer dizer que o dono, mesmo não estando presente, pode assinar a procuração para qualquer pessoa presente nos EUA (até mesmo o advogado que estiver efetuando a venda) para que essa pessoa assine a transferência de escritura e outros documentos concluindo a venda. O advogado, por sua vez, irá quitar todas as dívidas da casa no momento que os documentos de venda são assinados, e irá transferir todo o dinheiro restante da venda para a conta do dono da casa. Essa conta pode ser nos EUA, ou em qualquer outro país do mundo, incluindo o Brasil. Esse processo garante que o dinheiro chegue nas mãos do dono da propriedade independentemente se a pessoa esta fisicamente presente nos EUA ou não.

O que fazer se você decidir voluntariamente a sair do país? As mesmas opções acima estão disponíveis nesse caso também. Em conclusão, mesmo que a sua situação imigratória seja incerta, você tem direitos. Tudo aquilo que você conquistou continua sendo seu, e você tem opções para proteger seu patrimônio. Caso você se encontre em uma situação difícil como as mencionadas acima, entre em contato comigo ou com o seu corretor de confiança e discuta todas as suas opções. Abandonar o seu imóvel, ou entrega-lo ao banco deveriam ser a última alternativa. Como sempre, estou aqui para te auxiliar a atingir seus objetivos. Caso tenha dúvidas ou precise de ajuda, por favor entre em contato comigo no 843-267-4165 (WhatsApp ok), ou através do live@mgnfinehomes.com . Também pode me seguir nas redes sociais para mais dicas e informações (Leah Nascimento ou MGN Fine Homes). Até a próxima, Leah Nascimento, Corretora de Imóveis.

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TENDênCIAS

Café com manteiga está a conquistar os Estados Unidos. Mas será mesmo saudável?

Foto: Jason Wong

Pode parecer estranho, mas juntar duas colheres de sopa de manteiga ao café é uma tendência nos Estados Unidos. O criador do "Bulletproof Coffee” diz que o hábito faz maravilhas à saúde.

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omeçar o dia com uma xícara de café cheia de manteiga é algo que não passa pela cabeça de muita gente. Exceto nos Estados Unidos da América. A moda de juntar colheres de manteiga ao café já se tornou tendência e os criadores defendem que a receita, chamada “Bulletproof Coffee”, torna o corpo mais saudável. O primeiro impulso é de repulsa. Café com manteiga não parece ligar de maneira nenhuma. Só que entre os corajosos que tentaram a mistura em casa há muitos que já não passam sem ela. A receita, chamada “Bulletproof Coffee” (em português, café à prova de bala) foi criada por Dave Asprey, 28

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norte-americano especialista em segurança computacional em Silicon Valley, e faz parte da empresa The Bulletproof Executive, que defende que é possível fazer melhorias no corpo e na mente com pequenas mudanças diárias. Para começar o dia de forma mais enérgica e saudável, de acordo com Dave Asprey, tudo o que é preciso fazer é juntar, num liquidificador, grãos de café, uma ou duas colheres de sopa de manteiga sem sal, proveniente de animais que comem erva em vez de soja ou milho e óleos MCT (Triglicéridos de Cadeia Média) encontrados no óleo de coco e óleo de palma. De acordo com Dave Asprey, com o novo hábito matinal o funcionamento do cérebro deverá

mudar para melhor e o organismo passará a perder gordura sem esforço. “O ‘Bulletproof Coffee’ é uma ótima maneira de obter gorduras saudáveis logo pela manhã”, defende Kerry Bajaj, health coach no Eleven Eleven Wellness Center, em Nova Iorque. As gorduras saudáveis vão “fornecer energia”, o que é bom para a “função cognitiva” e para o “sistema hormonal”, disse à revista Women’s Health. A tendência é tão popular que até já chegou à NBA. A CBS Sport dá conta de que alguns jogadores da equipa de basquetebol norte-americana Los Angeles Lakers incorporaram o café com manteiga na sua nova dieta saudável. “A cafeína dilata os vasos sanguíneos e leva a gordura até ao cérebro”, explica o jogador da NBA Chris Kaman, sobre a sua opção de pequeno-almoço. O “Bulletproof Coffee” é a estrela da dieta, e do modo de vida, defendidos por Dave Asprey, de 44 anos. Desde que decidiu aplicar mudanças na sua vida, Dave afirma ter perdido 45 quilos “sem contar calorias nem com exercício excessivo”. Além da perda de peso, conta, no seu site, que usou “técnicas para aumentar o QI do seu cérebro em 20 pontos, e baixou a idade biológica enquanto aprendia a dormir de forma mais eficiente em menos tempo”.

Quanto mais bizarra a dieta, mais atrai a atenção “Taxativamente, a minha resposta é não”, disse o Professor Nuno Borges quando questionado sobre se os benefícios apregoados pelo criador do “Bulletproof Coffee” fazem sentido do ponto de vista nutricional. Para o nutricionista, e membro da direção da Associação vivermagazine.com


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Portuguesa de Nutricionistas, o princípio baseado no benefício dos triglicéridos de cadeia média, as gorduras MCT são, de fato, distintas do ponto de vista da absorção. No entanto, não parecem trazer vantagens, nem mesmo para atletas. O mesmo defende o nutricionista Pedro Carvalho. Num dos poucos estudos feitos sobre os MCT,

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demonstrou-se “um efeito benéfico com a suplementação diária de 30ml óleo de coco na diminuição do perímetro da cintura em mulheres com obesidade”, escreveu no jornal Público. No entanto, a melhoria média foi de de 1,4 cm, “na prática quase insignificante e quase dentro do erro técnico de medida aceitável”, e “o mesmo óleo de coco aumentou os triglicéridos e o colesterol e deixou inalterável a razão entre o “mau” (LDL) e o “bom” (HDL) colesterol”. Nuno Borges desmonta também a explicação dada pelo jogador Chris Kaman. “A cafeína contrai os vasos sanguíneos, e não o contrário. Pode dilatar alguns vasos musculares, mas a maior parte contrai. Além disso, o cérebro não gasta gordura, gasta essencialmente glicose”, pelo que fornecer gordura ao cérebro não deverá melhorar a função cognitiva. Mais: os atletas necessitam ingerir mais hidratos de carbono, e não mais gordura. Há ainda a questão das calorias contidas na manteiga adicionada ao café. “O conteúdo energético do

café muda com mais 200 ou 300 calorias extra, que depois têm de ser compensadas no resto da comida”. Caso as colheres de manteiga sejam adicionadas à dieta sem que depois não sejam feitas reduções ao longo do dia, engordar será inevitável. É verdade que começar o dia com um “Bulletproof Coffee” reduz a sensação de fome até à hora de almoço, mas Nuno Borges explica que isso se deve à energia, e não à receita. “Se a pessoa comer um pão com queijo e uma maçã são as mesmas calorias e também não vai ter fome, para além de que ingere menos gordura. O que tira a fome é a energia”. Sabores à parte, o nutricionista não espera “nenhum benefício” da tendência que está a conquistar os cidadãos dos Estados Unidos, país muito afetado pela obesidade. “Quanto mais bizarras as dietas, mais atraem as pessoas, pelo que é preciso ter muito bom senso” na hora de adotar uma dieta, avisa Nuno Borges. “É preciso interpretálas com o pé atrás”.

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comportamento

Porque perdemos (e como mantemos) amigos ao longo da vida?

Por observador.pt

Foto: Dario Valenzuela

Ter bons amigos é sinónimo de saúde física e mental. De felicidade também. Mas nem todas as amizades foram feitas para durar. Viver é perder e ganhar amigos. E mantê-los pode ser um desafio.

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stamos em 1971, ou em 1972, numa pastelaria no centro de Lisboa, na Almirante Reis, do lado esquerdo de quem sobe em direção ao Areeiro. Fernando espera há uma hora e meia por Carlos. Na rua faz vento e há muito que o café esfriou. Como não há dinheiro para mais, resta esperar e recordar as vezes que jogaram tênis juntos, as 32

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confidências partilhadas e o momento em que ambos perceberam que eram os primeiros grandes amigos um do outro. “Ele nunca apareceu. Esperei mais de uma hora, mas ele não apareceu”. Trinta anos separam este episódio do próximo. Fernando está num jantar de amigos, e a nostalgia ataca-o inesperadamente. Depois de

perguntar pelo amigo a conhecidos, o número de telefone de Carlos chega-lhe às mãos. Pondo a conversa em dia, há tanto por dizer: casamentos, filhos e carreiras por contar. O telefone toca e do outro lado surge uma voz familiar. “Afinal, ele esteve na pastelaria. Chegou a atrasado. Nessa época não existiam telefones móveis e não me conseguiu avisar”, conta. vivermagazine.com


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"As pessoas não são todas iguais e as expectativas não são as mesmas. O elemento principal é mesmo a comunicação.” Carolina Justino, psicóloga clínica

O que faz uma amizade durar uma vida?

As adversidades podem separar as pessoas ou, então, torná-las mais cúmplices. Uma amizade duradoura depende essencialmente do respeito mútuo e da capacidade que um tem de desculpar e/ou compreender o outro, já garantiu o psiquiatra Fernando Almeida. Caso contrário, a ruptura é o caminho mais fácil a seguir. Ser amigo, diz o profissional, é responder adequadamente às insuficiências 34 VIVER

Foto: Helena Lopes

O desencontro aconteceu novamente e 30 anos e a amizade foi reatada. As famílias ficaram amigas e as férias em conjunto tornaram-se uma realidade. Ainda na semana passada, Fernando celebrou os 65 anos do amigo. À pergunta “como manter uma amizade”, o Google disponibiliza 14.600.000 respostas, entre artigos publicados em meios internacionais, páginas de caráter duvidoso e fóruns que a internet ainda não desatualizou. À medida que vamos avançando na linha cronológica, é possível que laços que um dia julgamos inabaláveis escorreguem vida fora. Quantos de nós perderam contato com amigos de infância ou com pessoas que, em diferentes momentos, foram das mais importantes? E quantos de nós mantiveram o grupo coeso que, volta e meia, ainda consegue reunir-se para um brunch domingueiro ou um copo ao final da tarde? Manter amizades ao longo da vida parece uma proeza. dos outros, ter em conta as suas capacidades, atributos e limitações, e “não esperar dele aquilo que ele não pode dar”. Não falamos de amigos imaginários, dados à infância, ou de amigos coloridos, que têm encontros sexuais ocasionais, sem qualquer tipo de compromisso, antes de amizades que marcam personalidades e alteram rumos. A psicóloga clínica e psicoterapeuta Carolina Justino compara as amizades ao cultivo. A palavra cuidar é repetida ao longo do discurso, que também mete pragas. “Tal como as amizades, as plantas também enfraquecem. As pessoas não são todas iguais e as expetativas não são as mesmas. O elemento principal é mesmo a comunicação”. Na sua opinião, as pessoas devem mostrar-se tal como são e, ao mesmo tempo, ver o outro pelo que ele realmente é. “O segredo para que as relações se mantenham passa por sabermos dizer o que não gostamos, o que dá uma verdadeira hipótese ao outro de se explicar. Nunca vamos

agradar a todos e não vamos ficar com todos os amigos durante toda a vida. Existe um processo de seleção. Há pessoas com quem é mais fácil manter a relação. As pessoas são muito diferentes mas, dentro das diferenças, as relações vivem do que existe em comum.” Investigadores têm demonstrado que tendemos a escolher amigos que são muito parecidos conosco — idade, raça, religião, estatuto socioeconômico, nível de escolaridade e inclinação política semelhantes. A tendência pode não se verificar quando falamos de amigos de infância, cuja única vontade é “ter alguém com quem brincar no recreio”. M*, hoje com 30 anos, ainda preserva o mesmo grupo de amigas de infância — algumas delas conhece desde os 3 anos de idade; outras, desde os 6. “Crescemos juntas, partilhamos quase tudo, primeiros amores, primeiras desilusões, bebedeiras, férias…”, conta. As amigas cresceram em direções diferentes e até se distanciaram fisicamente. “Diria que não são as pessoas com quem vivermagazine.com


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mais me identifico em termos de características ou interesses, mas acho que, no essencial, temos os mesmos valores. É das coisas que mais me orgulho e de que mais estou grata. Quando se fala em amor para a vida toda, acho que é isto.” As relações de amizades que estabelecemos na infância são substancialmente diferentes das que se seguem vida fora. “Em miúdos, há contextos que nos une, as relações são mais profundas, tem potencial para marcar. E temos tendência a alimentar as relações que nos marcam”, assegura Carolina Justino. A psicóloga diz ainda que, à medida que nos tornamos adultos, perdemos a espontaneidade. Em criança é relativamente fácil fazer amigos — na maior parte dos casos, basta responder afirmativamente à pergunta “Quer brincar comigo?”. “Os adultos pensam demais. Tornamse complicados. Acho mesmo que devemos alimentar a criança que há em nós. A vida social é mais fácil quando mantemos a curiosidade de uma criança e temos facilidade em aceitar convites e novas experiências.” Iam beber, jogar à bola e andar na praia. Os pais de J.* conheciam o rapaz desde o primeiro dia de faculdade. E no dia a seguir a esse. E assim sucessivamente. Os dois rapazes tornaram-se inseparáveis. Partilhavam confidências, falavam sobre miúdas e sobre problemas familiares, e tinham “aventuras atrás

Investigadores têm demonstrado que tendemos a escolher amigos que são muito parecidos conosco — idade, raça, religião, estatuto socioeconômico, nível de escolaridade e inclinação política semelhantes. 36

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de aventuras”, lembra. As coisas mudaram quando J. começou a trabalhar. “Passei a não conseguir estar com ele tanto tempo como antes, a não atender ou responder às mensagens no momento. Ele não soube entender isso. Cobrava-me o fato de não estar tão disponível como antes.” Passaram-se meses assim até que, um dia, o amigo deixou pura e simplesmente de responder às mensagens e às chamadas de J.. Há sensivelmente dois anos que “fez blackout”. “Hoje olho para esses momentos com alguma nostalgia, pensando que gostava de não o ter perdido, mas tenho de pensar em mim. A amizade não é este estado de quase sequestro.” “O grupo de amigos tem um papel fundamental quando estamos crescendo”, esclarece Carolina Justino. Assim que entramos na adolescência, o grupo serve para “experimentar” uma série de competências que vamos usar no futuro, atua como uma incubadora: “Há medida que entramos na vida adulta, o grupo deixa de ter essa função”. E caso ele não contribua para o bom desenvolvimento de algumas pessoas, o que acontece? “É preciso ter um papel crítico e perceber quais são as pessoas e os contextos que são bons para nós. Temos de saber escolher.” A forma de manter amizades varia, curiosamente, consoante o sexo. Enquanto os homens precisam de se encontrar, estar cara-a-cara, e partilhar atividades em conjunto, as amizades femininas dependem mais de longas conversas ao telefone, que conseguem servir de ponte perante distâncias físicas. Essa é, pelo menos, a conclusão de um estudo citado, em fevereiro de 2017, pelo jornal The Guardian.

Voltar ao índice Mais conhecidos e menos amigos A forma como comunicamos uns com os outros alterou-se significativamente nos últimos anos. As redes sociais e os smartphones que permitem a sua utilização ajudaram a “espalhar os

afetos”, dividindo-os entre muitas pessoas e emagrecendo amizades. O The New York Times escrevia em maio aquilo que já todos sabemos, mas que tendemos a esquecer: a quantidade de interações aumentou substancialmente, mas a qualidade das mesmas diminuiu. Os longos telefonemas entre amigos pela noite dentro são, possivelmente, coisa do passado. E as saídas são agora interrompidas pelas InstaStories e pelos feeds que precisam de ser constantemente alimentados. A psicóloga Cláudia Morais já antes disse ao Observador que o mundo virtual pode funcionar como uma plataforma para a exposição de pessoas mais inseguras, até porque existe, nesse contexto, maior facilidade em lidar com a rejeição (se for caso disso). Assim, “as pessoas menos competentes socialmente acabam por ter a sensação de pertença”, assegura a psicóloga. Mas fica o aviso: “Pode acontecer expor-me mais do que devia e criar, assim, uma falsa segurança. Posso confiar em quem não me dê provas concretas de que seja uma pessoa confiável”. Nunca estivemos tão conectados e, ao mesmo tempo, tão sós. “Não sabemos o que veio antes, se o uso de redes sociais ou a sensação de isolamento social”, chegou a dizer Elizabeth Miller, professora de Pediatria da Universidade de Pittsburgh, à BBC. Miller é coautora de um estudo que mostrou que passar mais de duas horas por dia em redes sociais duplica a probabilidade de alguém se sentir isolado. “Em termos de mortalidade, a solidão é uma assassina”, frase de Andrea Bonior, autora da obra “The Friendship Fix”. Segundo um estudo recente realizado pela Red Cross, em parceria com a Co-op, mais de nove milhões de adultos no Reino Unido dizem sentir-se muitas vezes ou sempre sozinhos. O número avassalador levou Theresa May, primeira-ministra britânica, a nomear uma “ministra da solidão”. vivermagazine.com


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“Poucos mas bons”, será a resposta mais vezes repetida quando a pergunta é “Quantos amigos tem?”. As amizades tidas como vitais, aquelas que têm um maior impacto na nossa saúde e na nossa felicidade, não se multiplicam. Para Robin Dunbar, psicólogo evolucionista da Universidade de Oxford, cada pessoa precisa de três a cinco amigos deste calibre para melhorar o seu bemestar. O psicólogo chegou ainda a definir o limite cognitivo de pessoas com as quais um só indivíduo consegue manter relações estáveis — o nosso cérebro não é capaz de manter uma conexão com mais de 150 amigos (família incluída). Este é o mesmo psicólogo que assegura que, em média, perdemos duas amizades quando entramos numa relação amorosa — o mesmo acontece relativamente a outras decisões importantes, como mudar de cidade ou ser promovido — e que é mais fácil fazermos amigos quando estamos na casa dos 20.

Porque é tão difícil fazer novos amigos em adulto?

“Quer ser meu amigo?”. A pergunta acontece em contexto de recreio, quando a nossa idade ainda só tem uma casa decimal. Fazê-la enquanto adulto soa e é estranho. A verdade é que não é nada fácil fazer novos amigos a partir de determinada idade, por indisponibilidade física e/ou mental. Um estudo publicado em abril deste ano, da Universidade do Kansas, mostrou que para duas pessoas se tornarem amigas precisam de passar 90 horas juntas; para ficarem melhores amigas é preciso que partilhem um total de 200 horas. É por volta dos 25 anos que homens e mulheres conseguem assegurar o número máximo de conexões sociais. À medida que as prioridades da vida adulta entram em ação, fica mais difícil fazer novos amigos. As carreiras e a vida romântica e familiar tendem a sobrepor-se ao convívio social. Ser mais confiante, encontrar uma paixão em comum, fazer perguntas e não esperar demasiado são algumas das sugestões da psicóloga clínica Linda 38

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Blair para fazer amigos mais tarde na vida. Nesse sentido, há quem recorra a aplicações de encontros em busca de novas amizades. O conceito até pode soar estranho mas, a julgar por este artigo publicado no Washington Post, a tática até funciona. Em 2012, um artigo do The New York Times dedicava-se a explorar o motivo porque é tão difícil fazer amigos a partir dos 30 anos — a idade, meramente simbólica, pretende indicar o início da vida adulta e o começo de responsabilidades diárias que, mais e mais, afastam-nos da mesa de bar preferida, ao estilo “Foi Assim que Aconteceu”. Aos 30 e aos 40, e por aí adiante, pessoas nunca antes vistas continuam a entrar na nossa vida, mas não por razões que consigamos controlar — trabalho, filhos e redes sociais são exemplo disso. Amigos como os que fizemos na primeira classe, no liceu ou na faculdade, daqueles em quem nos apoiamos quando se instala uma crise, nem vê-los. “À medida que as pessoas se aproximam da meiaidade, os dias de exploração jovial, quando a vida se assemelhava a um grande encontro às cegas, escasseiam”, escreve o autor do artigo já citado. As prioridades mudam e as pessoas são bem mais criteriosas em relação aos amigos que querem ter/manter. Laura L. Carstensen, professora de psicologia e diretora fundadora do Stanford Center on Longevity, na Califórnia, realizou estudos focados

"À medida que as pessoas se aproximam da meia-idade, os dias de exploração jovial, quando a vida se assemelhava a um grande encontro às cegas, escasseiam." The New York Times

nos grupos de pares e percebeu que as pessoas tendem a interagir com cada vez menos gente à medida que avançam a passos largos para a meia-idade. Esta ideia é complementada com outra: estas mesmas pessoas ficam ainda mais próximas dos amigos que já têm no seu círculo social. Segundo o artigo já citado, Carstensen sugere que as pessoas têm uma espécie de “alarme interno” que é acionado nos grandes momentos da vida, tal como celebrar 30 anos, que as deixa alerta — chega de exploração, está na hora de focar no aqui e agora (muito ao estilo mindfulness). O tema da amizade já na vida adulta — ou a caminho dessa fase — é também explorado na televisão. Exemplo disso são duas séries que, apesar de retratarem duas gerações diferentes, ganharam público mundial pela familiaridade dos temas. Falamos de “Friends”, que já leva mais de 20 anos em cima, e de “Foi Assim que Aconteceu”, bem mais recente.

No trabalho: amizade ou networking?

Ter amigos no trabalho pode não só ser essencial para a nossa felicidade, como ser um fator de sucesso na carreira. Um inquérito realizado pela página Comparably, noticiado em março pela CNBC, mostrava que mais de metade dos inquiridos — para cima de 33 mil — tinham grandes amigos no local de trabalho. Se 60% das mulheres garantiu ter um amigo próximo no trabalho, 56% dos homens admitiu ter melhores amigos nas mesmas circunstâncias. Em abril deste ano, também o Financial Times dedicava um artigo à importância de amigos no ambiente de trabalho, pessoas que podem até ser parceiros e aliados quando o momento ou a situação o exige. Outra ideia interessante é o fato de, por vezes, e dependendo da idade, a vida laboral e social fundirse numa só, com os colegas a tornarem-se em amigos para a vida. Felicidade e saúde à parte, ter vivermagazine.com


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amigos em contexto laboral — algo difícil de conseguir se existir dificuldade em ultrapassar a conversa de circunstância — permite que sejamos sete vezes mais propensos a envolvermo-nos no trabalho. Altos níveis de produtividade e de satisfação no escritório são também variáveis em jogo. Para Eric Barker, autor do livro “Barking up the wrong tree: The surprising science behind why everything you know about success is (mostly) wrong”, fazer amigos no trabalho é uma boa solução para combater a solidão, uma vez que, à partida, são pessoas com quem passamos muito tempo e temos interesses em comum.

Como manter os amigos que valem a pena? Investigadores da Universidade de Notre Dame e da Pontifícia Universidade Católica do Chile debruçaram-se sobre a persistência das relações e, para o efeito, analisaram dados de quase 2 milhões de pessoas e de 8 milhões de chamadas telefônicas realizadas no decorrer de um ano. A conclusão foi aparentemente clara: a cola que mantém uma relação unida é a reciprocidade — já devolveu aquela chamada em falta? Eric Baker, já acima citado, explicava numa coluna de opinião na revista Time, em março de 2014, que, apesar de todos reconhecermos a importância de uma amizade, tomamos os nossos amigos por

Se 60% das mulheres garantiu ter um amigo próximo no trabalho, 56% dos homens admitiu ter melhores amigos nas mesmas circunstâncias. 40

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De acordo com um estudo de 2010 citado pelo The New York Times, publicado originalmente no Journal of Health and Social Behavior, fortes ligações na esfera social conseguem reforçar o sistema imunitário, aumentar a longevidade e diminuir o risco de ter algumas doenças crónicas. garantidos. “À medida que criamos famílias, negligenciamos amigos. Não nos esforçamos o suficiente para fazer e manter amigos.” Os dados jogam a favor do autor: se em 1985 a maioria das pessoas afirmava ter três amigos próximos, em 2004 o número mais vezes repetido foi zero. Ser tolerante, perceber que as pessoas não são todas iguais e que, quando ficamos magoados, o essencial é falar com o outro é meio caminho andado para sermos considerados bons amigos. Comunicação e tolerância, assegura a psicóloga clínica Carolina Justino, são fundamentais para manter amizades. Mas ter disponibilidade emocional para relatar o que nos magoa também implica que o outro saiba escutar: “Não conseguimos controlar tudo, mas temos de fazer a nossa parte e dizer o que sentimos. Se somos ou não compreendidos… a ideia é dizer sempre o que sentimos de forma amigável”. Metermo-nos na pele do outro e sermos empáticos também são conselhos chaves. Mas talvez o mais importante seja arranjarmos tempo para os amigos e fazermos coisas em conjunto. Ainda de

acordo com esta coluna de opinião, que cita vários estudos de âmbito acadêmico, casar e ter filhos não chega para sermos felizes e, num prazo de sete anos, o mais provável é perdermos metade dos nossos amigos. À parte de todos os benefícios imediatos associados a uma amizade sólida — incluindo momentos de confidência, de aconselhamento ou felicidade pura –, são vários os estudos que revelam que os laços entre amigos chegam a ser críticos para mantermos uma boa saúde física e mental. De acordo com um estudo de 2010 citado pelo The New York Times, publicado originalmente no Journal of Health and Social Behavior, fortes ligações na esfera social conseguem reforçar o sistema imunitário, aumentar a longevidade e diminuir o risco de ter algumas doenças crônicas. Outra investigação, publicada na PLOS One, diz que os amigos protegem a nossa saúde tanto quanto deixar de fumar e muito mais do que fazer exercício. Outros estudos revelam ainda que as pessoas solitárias têm duas vezes mais probabilidades de virem a morrer de doenças coronárias do que as que têm um círculo de amigos consistente. Como se mais números fossem precisos, a ciência assegura ainda que amigos felizes aumentam em 15% a hipótese de sermos felizes também. vivermagazine.com


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Cinema

The Kitchen Estreia: dia 9 Gênero: Ação, Crime, Aventura Classificação: R

Dora and the Lost City of Gold Estreia: dia 9 Gênero: Aventura, Família Classificação: PG

The Art of Racing in the Rain Estreia: dia 9 Gênero: Comédia, Drama Classificação: PG

After the Wedding Estreia: dia 9 Gênero: Drama Classificação: PG-13

Brian Banks Estreia: dia 9 Gênero: Biografia, Drama, Esporte Classificação: PG-13

The Peanut Butter Falcon Estreia: dia 9 Gênero: Aventura Classificação: PG-13

The Angry Birds Movie Estreia: dia 16 Gênero: Animação, Comédia, Aventura, Família Classificação: PG

Good BoyS Estreia: dia 16 Gênero: Aventura, Comédia Classificação: R

The Informer Estreia: dia 16 Gênero: Crime, Drama Classificação: R

47 Meters Down: UncageD Estreia: dia 16 Gênero: Aventura, Drama, Horror, Supense Classificação: PG-13

Playmobil: The Movie Estreia: dia 16 Gênero: Crime, Drama, Mistério, Suspense Classificação: R

Where'd You Go, Bernadette Estreia: dia 16 Gênero: Comédia, Drama, Mistério Classificação: PG-13

Awake Estreia: dia 16 Gênero: Ação, Crime, Suspense Classificação: R

Angel Has Fallen Estreia: dia 23 Gênero: Ação Classificação: R

Overcomer Estreia: dia 23 Gênero: Drama Classificação: PG

Brittany Runs a Marathon Estreia: dia 23 Gênero: Drama Classificação: R

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Agenda

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ATLANTA UNITED FC VS. NEW YORK CITY FC Mercedes-Benz Stadium 1 AMB Dr NW Atlanta, GA 30313 www.mercedesbenzstadium.com

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DOGGY CON Woodruff Park 91 Peachtree St NW Atlanta, GA 30303 www.atlantadowntown.com

DINOSAUR BIRTHDAY BASH 767 Clifton Rd NE Atlanta, GA 30307 www.fernbankmuseum.org

Até 18 AGO

Até 10 NOV MEGABUGS Stone Mountain Park 1000 Robert E. Lee Drive Stone Mountain, GA 30083 www.stonemountainpark.com

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JONAS BROTHERS: HAPPINESS BEGINS TOUR State Farm Arena 1 State Farm Dr Atlanta, GA 30303 www.jonasbrothers.com/tour

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MONSTER FISH Fernbank Museum of Natural History 767 Clifton Rd NE Atlanta, GA 30307 www.fernbankmuseum.org

13 a 15 ATLANTA BRAVES VS NEW YORK METS SunTrust Park 755 Battery Ave. Atlanta, GA 30339 www.mlb.com

17 a 18 PAW PATROL LIVE! Fox Theatre 660 Peachtree Street, NE Atlanta, GA 30308 www.foxtheatre.org

Até 2 Set DOC MCSTUFFINS AT CHILDREN'S MUSEUM OF ATLANTA Children's Museum of Atlanta 275 Centennial Olympic Park Drive, Atlanta, GA 30313 www.childrensmuseumatlanta.org

15 ATLANTA FALCONS VS. NEW YORK JETS Mercedes-Benz Stadium 1 AMB Dr NW Atlanta, GA 30313 www.atlutd.com

24 THE AFRICA EXPO-ATL Grace United Methodist Church 458 Ponce De Leon Ave NE Atlanta, GA 30308 www.theafricaexpolive.com

Até 31 AGO LEGO NINJAGO: MASTER WU'S MISSION 3500 Peachtree Rd. Suite G-1 Atlanta, GA 30326 www.atlanta. legolanddiscoverycenter.com

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