Page 1

VIVER

6


6

VIVER


Agosto 2017

Conteúdo

6

Atualizações de status

8

vivermagazine.com

14

28

Qual é a melhor idade para se ter filhos? No caso de países como o Reino Unido, mais de 50% dos bebês nascem de mulheres acima de 30 anos. No Brasil, esse índice também tem aumentado - segundo o IBGE, até 2005, 13% das mulheres tinham filhos entre os 30 e 34 anos; agora, esse número chega a mais de 20%.

Entrevista com Marcos e Belutti No ano passado, vocês fizeram a primeira turnê pelos Estados Unidos, quando se apresentaram em diversos estados, inclusive na Geórgia. O BR Day marca a estreia de vocês em Nova York? Qual a expectativa para o show?

18

Contagem regressiva para o BR Day New York 2017 Uma vez por ano, Nova York amanhece verde e amarela para celebrar a cultura e o espírito brasileiros. É o dia oficial de abraçar conterrâneos, cantar junto, sentir saudade de quem não está por perto e de festejar nossas origens.

34

42 CURIOSIDADES

46 VARIEADES

O que se sabe sobre a capacidade militar da Coreia do Norte O anúncio de que a Coreia do Norte testou com sucesso seu segundo míssil de longe alcance em menos de um mês redobrou os temores sobre a real capacidade militar do país, um dos mais isolados do mundo.

48 CINEMA

49 AGENDA

VIVER

SAÚDE

Como a reforma trabalhista pode afetar os sindicatos e seus 150 mil funcionários "Ai, moça, em novembro ninguém sabe. Talvez a gente nem esteja mais aqui", diz a recepcionista do departamento de homologação do Sindicato da Construção Civil de São Paulo (Sintracon-SP), quando questionada sobre sua expectativa em relação à nova legislação trabalhista, que entra em vigor no fim deste ano.

30

63


EDITORIAL

Dilla Campos Publicadora

Dá para acreditar que já estamos no mês de agosto? Não né! Talvez por que nossas cargas horarias de trabalho sejam puxadas demais e por correr depressa atrás dos nossos objetivos, sem perceber vamos permitindo que muitas coisas fiquem para amanhã, e amanhã permitimos que fiquem para depois, e depois... O dia acaba, a semana acaba, o mês acaba...o ano acaba rápido demais. Não deu tempo de ligar para aquele amigo, não deu para fazer aquele curso de inglês, não sobrou tempo para conhecer o aquário ... Não me diga que você ainda não conhece o Aquário de Atlanta? O maior aquário do mundo aqui pertinho de você e você ainda não tirou um tempinho para conhecelo, isto é inadmissível sabia? São mais de 100.000 criaturas do mar em 10 milhões de litros de água marinha. É citado, muitas vezes, como o aquário mais mágico do planeta. O Georgia Aquarium é o maior tanque de peixe do planeta e é lar para mais de 500 espécies marinhas. Enfim, citei o aquário mas poderia citar no mínimo 10 outras coisas que com certeza você (e eu) estamos sempre deixando para “amanhã”. Eu sei que o coração do imigrante (em geral) vive apertado, apreensivo e angustiado preocupado com nossos amigos e familiares que vivem à espera de uma solução para o problema da imigração. É frequente identificar no rosto de imigrantes que estão aqui a 8,10,20 anos, um embargo na fala, um

VIVER

EDIÇÃO E PUBLICAÇÃO Dilla Campos vivermagazine@gmail.com

olhar de insegurança e sinais nítidos de depressão, pânico e outras doenças desenvolvidas pelos constantes medos e angustias de serem separados de suas famílias, presos e deportados. Mas precisamos reagir, encontrar meios de distrair um pouco e acreditar no poder da oração, do mover de Deus para que tudo termine bem. O conforto de uma palavra amiga, de um conselho, de apoio e solidariedade é essencial para manter a nossa comunidade calma e esperançosa neste momento. Se você pode, tire um tempo para ser solidário, convide quem não pode dirigir para dar um passeio. Faça o favor de leva-lo ao médico, ao oculista, ao psicólogo ou simplesmente ao supermercado. Coloque-se no lugar dessas pessoas e perceba o quanto você pode ser útil. Eu gostaria de convidá-lo a se distrair um pouco e principalmente, a colocar tudo (eu disse TUDO) nas mãos do Pai, faça o que estiver ao seu alcance e descanse Nele. Lembre-se que um pai sempre quer o melhor para seu filho! Se a sua situação for melhor, ou um pouco melhor, do que a do seu amigo, vizinho ou alguém por perto, seja humano. Não cabe a nós o julgamento, o preconceito ou a batida do martelo com relação ao futuro das pessoas. Para isto existem as Leis, o Juízes e o nosso Presidente! A nós, cabe a tarefa de esperar, orar e confiar que eles sejam guiados, movidos pelo Espírito Santo por Deus! Até a próxima

REVISÃO Eliania Bento

DIREÇÃO DE ARTE PROJETO GRÁFICO Saulo Oliveira S2dm.com contact@s2dm.com

COLABORADORES Kamilla Oliveira Alex Campos Consulado Geral do Brasil em Atlanta Cesar Restrepo (Empreendedores Latinos)

COLUNISTAS Dilla Campos Maitê Hammound (Psicóloga) Tracie Kincle (Advogada) Fernanda Hottle (Advogada) Daniel Ortiz (Advogado)

FOTOGRAFIA Dilla Campos Indy Zanardo Alcides Notaro Juliana Frary

PARA ANUNCIAR 770.953.4250 vivermagazine@gmail.com www.vivermagazine.com DISTRIBUIÇÃO All Metro Atlanta Area GDL Distribution & Logistics, LLC Phone: (678) 887-2391 (Joanita Bonilla) Junte-se à nós! facebook.com/vivermagazine © 2017 - Viver Magazine - Todos os direitos reservados.

A Viver Magazine é uma publicação independente com a finalidade de informar a comunidade brasileira e divulgar produtos e serviços que sejam de interesse dessa comunidade. As informações aqui veiculadas são resultado da demanda de nossos leitores e variam de acordo com a atualidade, podendo ser alteradas sem aviso prévio. Esta é uma publicação aberta a participação de leitores e da comunidade brasileira em geral, na qual encorajamos e agradecemos. A publicação de conteúdo e fotografias enviadas para a redação está sujeita a aprovação e disponibilidade de espaço e não é prometida ou garantida.Os anúncios aqui contidos, bem como seus conteúdos são de responsabilidade de cada anunciante. A diversificação e conteúdo dos artigos são de responsabilidade de seus autores e não refletem necessariamente a opinião desta publicação. Todo e qualquer conteúdo e anúncio aqui contidos são de propriedade da Viver Magazine e não devem ser reproduzidos total ou parcialmente. A versão impressa desta publicação é gratuita, assim como nossa versão online. Outros veículos de comunicação online na qual fazemos parte estão à disposição de nossos anunciantes e da comunidade em geral no Facebook e em nosso portal: www.vivermagazine.com. É proibida qualquer reprodução impressa ou digital, cópia do conteúdo, matérias, anúncios ou elementos visuais, bem como do projeto gráfico apresentados na Viver Magazine com base na LEI DE DIREITOS AUTORAIS Nº 9.610, DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998, com respaldo internacional.

6 4


VIVER

5 6


IMIGRAÇÃO Por: Tracie Klinke 678.713.4255 www.klinkeimmigration.com

Atualizações de status

VIVER

No mês passado, tive a sorte de conhecer alguns dos melhores e mais brilhantes defensores e discutir com eles sobre “U visas” (disponíveis para vítimas de certos crimes). Falamos sobre o atraso, as tendências de adjudicação, as novas formas e o que acontece com os candidatos U com ordens de remoção. Gostaria de compartilhar alguns destaques dessa conversa. A lista de atraso / espera Como sabemos, USCIS só pode emitir 10,000 U visas por ano. No entanto, 50 mil ou mais aplicações são arquivadas a cada ano. Isso levou a uma longa lista de espera de pessoas que receberam ações diferidas enquanto esperavam a exibição de vistos cada novo ano fiscal. Existem 168.000 casos U pendentes. Isso inclui pessoas que estão na lista de espera e casos que não foram examinados, bem como aplicações principais e derivadas. Existem apenas 60 juízes treinados para lidar com esses casos. Fazendo algumas matemáticas rápidas, significa que cada oficial é responsável por 2800 casos. Eu imagino que é bastante irresistível. Agora, o USCIS diz que estão trabalhando em casos que foram arquivados em ou antes de 25 de agosto de 2014. Isso é certo - quase três anos atrás. Desde abril de 2015, a tabela de processamento de vistos U só avançou três meses. O USCIS informou-nos que atualmente existem apenas 6

7.000 pessoas na lista de espera. Suponho que a boa notícia é que, se você foi colocado na lista de espera e concedeu o status de ação diferida, você poderá converter para o status de U atual a partir de outubro de 2017 com o novo ano fiscal. A má notícia é que ainda deixa 161,000 pedidos U pendentes. Tendências de Adjudicação O USCIS tomou uma posição mais estrita quando se trata de U candidatos de visto com histórico criminal. O adjudicatário quer ver reabilitação. Mesmo que um caso fosse encerrado, mesmo que, antes da concessão do visto U, o USCIS tenha emitido pedidos de provas para demonstrar que o requerente merece discrição. Felizmente, a maioria dos casos parece ser aprovada, mas está causando atrasos desnecessários. Novos formulários de inscrição U O formulário I-918B que as agências de aplicação da lei devem preencher como parte do pedido de visto U sofreu uma grande revisão recentemente. Mais objetivo, ele se livrou de "outro" ao pedir ao oficial de certificação que classificasse o crime qualificado. Isso poderia dificultar a obtenção da assinatura necessária porque os certificadores podem se sentir constrangidos ou verificar um crime que não se encaixa realmente o que aconteceu. Muitos certificadores gostaram desses "outros" porque

permitiram que assinassem o formulário e esclarecessem a situação O formulário I-918A é para familiares do aplicante e também tem uma nova mudança. No passado, se os familiares do candidato estavam fora dos Estados Unidos, eles não precisavam assinar o formulário. O USCIS agora exige a assinatura original dos familiares - tornando-o mais caro e demorado para os candidatos. U requerentes com ordens de remoção Se alguém aplicar para o status de U enquanto estiver em processos de remoção, pode ser difícil permanecer nos Estados Unidos enquanto o pedido aguarda julgamento. Até recentemente, ter uma aplicação U pendente foi suficiente para que o ICE exercesse discrição e permitisse que alguém ficasse nos Estados Unidos. Infelizmente, estamos vendo cada vez menos estadias de remoção concedidas desde a política da ICE neste momento, é que os requerentes de visto U são "bem-vindos esperar lá fora". Há muitas pequenas mudanças acontecendo todos os dias que afetam nossos clientes. Nós não sabemos o que o futuro trará, mas podemos prometer que vamos lutar, para forçar o USCIS e o ICE a aderir à lei e a continuar defendendo a política de imigração justa e de bom senso.


VIVER

7 6


BRAZILIAN DAY Otaviano Costa, Claudia Leitte, Sorriso Maroto e Marcos e Belutti falam da expectativa em participar do grande encontro na Sexta Avenida, no dia 3 de Setembro Por: Mariana Castro / mariana@pellicano.com

Contagem regressiva para o BR Day New York 2017

VIVER

Sorriso Maroto Crédito: Marcos Hermes

Uma vez por ano, Nova York amanhece verde e amarela para celebrar a cultura e o espírito brasileiros. É o dia oficial de abraçar conterrâneos, cantar junto, sentir saudade de quem não está por perto e de festejar nossas origens. Sob o tema “Ser brasileiro é simplesmente ser”, o BR Day reúne milhares de pessoas na Sexta Avenida e comprova que quem participa do show uma vez retorna todos os anos. E assim será no dia 3 de setembro, com o disputado lineup para a edição do BR Day 2017. Claudia Leitte, Sorriso Maroto e a dupla sertaneja Marcos e Belutti formam o time 8 6

de ouro escalado para esta edição do evento, que entrará em campo sob o comando do apresentador Otaviano Costa. A emoção de conduzir o show no ano passado foi tão grande que ele pediu para voltar. É o que conta Otaviano Costa sobre a alegria de poder subir novamente no palco do BR Day. “Assim que o show terminou, eu tive a certeza de que queria estar ali de novo e, de fato, pedi para voltar. Mas também fiquei muito feliz em saber que o público fez o mesmo pedido!”, brinca o apresentador do ‘Vídeo Show’. “Foi muito bacana aquela troca de energia e muito

gostoso o contato com tantos brasileiros”, relembra Otaviano, que já está se preparando para a próxima edição do show. “O público pode esperar um cara ainda mais carregado de boas energias. Também não tenho dúvidas de que Marcos e Belutti, Claudia Leitte e o Sorriso Maroto vão iluminar o palco do evento para que os brazucas que estarão conosco na festa se sintam ainda mais conectados com a nossa terrinha querida”, antecipa. O astral e toda a efervescência de Claudia Leitte prometem grande show na Sexta Avenida com sua mistura única de beats


VIVER

9 6


VIVER

Otaviano Costa Crédito: Globo/Sergio Zalis

eletrônicos com os batuques do Axé. “Eu adoro a vibe do BR Day e a oportunidade de poder levar a energia brasileira, que é esfuziante, para o público que sente tanta saudade do Brasil. É sempre muito especial poder participar dessa grande festa e estou feliz em poder voltar mais uma vez", festeja a cantora, que já participou do BR Day New York em 2006, quando integrava o grupo Babado Novo. Em carreira solo desde 2008, Claudia Leitte segue conquistando fãs por onde passa e promete mais uma vez encantar tanto os fãs brasileiros quanto o público nova-iorquino. Com quase 20 anos de estrada, o grupo carioca Sorriso Maroto leva para Nova York o romantismo de sua mais recente turnê “De Volta Pro Amanhã”. Para o vocalista Bruno Cardoso, participar do BR Day é a realização de um sonho. “O evento traz na música um grande momento de conexão, o que é muito importante para os brasileiros que sentem falta do país. E, nesse ano, o Sorriso será um desses elos entre o amor e a música. Será um momento 6 10

Marcos e Belutti Crédito: Bruno Fioravanti

Claudia Leitte Crédito: André Schiliró

único", comenta. Marcos e Belutti, que há nove anos vêm conquistando um espaço cada vez maior no cenário musical brasileiro, também celebram a realização desse mesmo sonho. “Nós sempre acompanhamos os artistas cantando na Sexta Avenida e a vontade de um

dia também cantar ali estava guardada em nossos corações”, festeja Marcos. Já Belutti conta que o show em Nova York ganhará um repertório especial. “Como esta será a nossa primeira participação no BR Day, vamos preparar um repertório diferente do que fazemos na turnê “Acredite”. Vamos levar nossos hits que não podem faltar, como “Domingo de Manhã” e “Aquele 1%”, e ainda resgatar sucessos antigos da nossa música sertaneja, os famosos ‘modões’. Também vamos apresentar músicas que estão tocando bastante por aqui e que o pessoal de lá também conhece", revela. O BR Day New York é produzido pelo The Brasilians, com apoio da TV Globo. O evento, que já levou para a cidade shows de artistas brasileiros consagrados como Ivete Sangalo, Olodum, Fábio Jr. e Daniel, promete repetir mais um ano de sucesso no dia 3 de setembro, na Sexta Avenida, a partir de 11h30.


VIVER

11 6


12 6

VIVER


VIVER VIVER Agosto 2016 613


COMPORTAMENTO

Qual é a melhor idade para se ter filhos?

VIVER

Foto: Image Bank

Não há dúvidas entre os cientistas de que a fertilidade natural vai diminuindo progressivamente ao longo da vida. Apesar disso, é cada vez mais comum nas sociedades ocidentais as pessoas terem filhos mais tarde.

No caso de países como o Reino Unido, mais de 50% dos bebês nascem de mulheres acima de 30 anos. No Brasil, esse índice também tem aumentado segundo o IBGE, até 2005, 13% das mulheres tinham filhos entre os 30 e 34 anos; agora, esse número chega a mais de 20%. Cresce também o número de bebês que nascem de mães acima dos 35 anos, quando a fertilidade feminina é bem menor. E não são só elas que "sofrem" os efeitos do tempo nesse quesito. Homens também têm 14 6

sua fertilidade diminuída após os 35 anos - e, de acordo com estudos recentes, na medida em que os pais têm filhos quando estão mais velhos, aumenta a chance de os bebês nascerem com problemas. No entanto, formar uma família não é apenas uma questão de fertilidade. Os fatores sociais e econômicos também têm um papel importante. Por isso, a BBC consultou cinco especialistas de diferentes áreas sobre qual seria a melhor idade para começar uma família, levando em consideração

questões biológicas, sociológicas, planejamento familiar e diferenças de gênero. 1. Perspectiva biológica Sarah Matthews, consultora de ginecologia no Hospital Portland, de Londres, e especialista em fertilidade, considera que, levando em conta apenas a biologia, a idade com menor risco de complicações na gravidez e no pós-parto é entre 25 e 29 anos. Ela afirma que há muita falta de informação sobre fertilidade. As escolas que oferecem aulas


VIVER VIVER Agosto 2016 615


VIVER

de educação sexual, segundo a especialista, se concentram geralmente na prevenção da gravidez, e, por isso, muitos homens e mulheres entram na idade adulta sem ter nenhuma informação sobre fertilidade. "Às vezes, recebo mulheres de 48, 49 anos que chegam à consulta com um novo companheiro, mas, como a menstruação delas está um pouco irregular, querem entender o que está acontecendo. E ficam completamente chocadas quando eu digo que elas estão entrando na menopausa e, por isso, já não podem mais ter filhos", contou. "Os tratamentos de fertilidade in vitro podem aumentar as chances de se conceber, mas não podem fazer o relógio voltar para trás." 2 - Perspectiva social A socióloga Melinda Mills, da Universidade de Oxford, no Reino Unido, afirma que, do ponto de vista social, há mais benefícios quando os casais escolhem ter filhos mais tarde. "Entendo e concordo com a perspectiva biológica, mas, pela perspectiva demográfica, o que vemos nos estudos é que, quando os casais retardam a formação de uma família, há um aumento de renda para eles de cerca de 10% por cada ano postergado. Isso é notável." "Por isso, diria que a melhor idade seria 30 anos ou um pouco mais." Ela cita vantagens: há estudos que mostram que os filhos de mulheres mais velhas atingem níveis educacionais melhores e têm um desenvolvimento cognitivo maior. Os motivos para isso não estão na idade, mas, em geral, na questão socioeconômica. Os pais tendem a ter uma maior estabilidade em seus empregos e a ter condições financeiras 16 6

melhores quando são velhos, por conta da experiência que acumularam no mercado de trabalho. 3 - Perspectiva de Gênero Para Sophia Walker, líder do Partido da Igualdade das Mulheres no Reino Unido, "nunca há um bom momento para ter filhos". Isso porque, para as mulheres, "existem barreiras estruturais que fazem com que ter filhos seja uma decisão muito, muito difícil", afirma Walker, que também é mãe. "Pensava que teria muitas opções e, depois que tive filhos, descobri que não era assim, tudo se tornou muito pior. E nenhum dos homens com quem eu trabalho parece viver os mesmos problemas na paternidade." Walker cita o custo de creches para as crianças, a diferença salarial entre homens e mulheres e o impacto nas carreiras das mães pela falta de flexibilidad para dividir as tarefas nos cuidados dos filhos como fatores que têm um grande impacto sobre a decisão de se ter filhos ou não. Ela ressalta que, enquanto essas questões não forem resolvidas, o tema da natalidade seguirá afetando a economia dos países e, principalmente, a situação da mulher na sociedade. 4 - Perspectiva demográfica Heather Joshi, especialista em demografia econômica na Universidade de Londres, também diz que "não há idade ideal": "Acho que a melhor resposta para isso é: quando você se sentir pronta." "Não acredito que há muitas mulheres com menos de 20 anos de idade que estejam prontas como as de 30. Mas as mulheres com 30 anos enfrentam a questão biológica, de ser mais díficil engravidar conforme ficam

mais velhas", pontua. Por outro lado, Joshi observa que casais mais jovens acabam não conversando sobre suas intenções de formar uma família na primeira fase da relação, quando ainda estão na casa dos vinte anos. É comum que eles descubram depois que têm expectativas diferentes - e isso acaba retardando o momento em que terão filhos. 5 - Perspectiva de planejamento familiar Adam Balen, especialista em medicina reprodutiva da Universidade de Leeds e diretor da Sociedade Britânica de Fertilidade, afirma que "a fertilidade natural vai piorando com a idade tanto nas mulheres, quanto nos homens". "Mas é claro que o efeito maior ocorre nas mulheres, que nascem com um número determinado de óvulos e os vão perdendo ao longo da vida", diz. "É difícil precisar qual seria a idade em que a fertilidade começa a diminuir de forma mais rápida e, obviamente, também há fatores genéticos envolvidos." Em geral, quando perguntam qual seria a idade ideal para ter filhos, as pessoas estão pensando em ter mais do que um. Há estudos recentes interessantes sobre isso: uma pesquisa feita na Holanda, por exemplo, concluiu que, se uma mulher quer ter 90% de chance de ter uma família com três filhos, ela precisa começar a tentar quando ainda tem 23 anos de idade. Se ela quiser dois, o ideal seria começar quanto tem por volta de 27 anos. E, se quiser somente um, pode começar a tentar quando tiver 32.


VIVER

17 6


REFORMA TRABALHISTA

Como a reforma trabalhista pode afetar os sindicatos e seus 150 mil funcionários

VIVER

Foto: Image Bank

"Ai, moça, em novembro ninguém sabe. Talvez a gente nem esteja mais aqui", diz a recepcionista do departamento de homologação do Sindicato da Construção Civil de São Paulo (Sintracon-SP), quando questionada sobre sua expectativa em relação à nova legislação trabalhista, que entra em vigor no fim deste ano.

Em dois meses, caso o texto aprovado em 11 de julho no Senado não seja alterado por Medida Provisória, a contribuição sindical obrigatória deixa de existir - e, com ela, a principal fonte de financiamento para muitas das entidades que representam tanto empresas quanto trabalhadores. Essas organizações empregam atualmente 153,5 mil pessoas com carteira assinada no país, mostram os dados da Relação 18 6

Anual de Informações Sociais (Rais) e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Os sindicatos de trabalhadores, destino dos R$ 2,6 bilhões arrecadados em 2016 com o desconto de um dia de trabalho de todos os funcionários com carteira assinada do país, respondem por 76,5% do total de vagas, 117,6 mil. As entidades patronais, que receberam R$ 1,3 bilhão

da contribuição recolhida diretamente das empresas, somam 35,9 mil funcionários. Passada a reforma, dizem especialistas em mercado de trabalho e sindicalismo, o número de trabalhadores em sindicatos no Brasil tende a encolher, de um lado, porque muitas entidades terão de se reestruturar para sobreviver com um orçamento menor e, de outro, porque centenas de sindicatos deixarão de existir.


VIVER

19 6


VIVER

A extinção do imposto terá maior impacto sobre cerca de 7 mil dos quase 12 mil sindicatos de trabalhadores do país, diz o consultor sindical João Guilherme Vargas Netto, já que cerca de 5 mil entidades representam funcionários públicos e da zona rural e têm grande parte das receitas garantidas por mensalidade paga pelos afiliados. Daqueles 7 mil, ele afirma, 4 mil são sindicatos "de carimbo", que não negociam melhores salários ou melhores condições de trabalho para suas bases e existem exclusivamente por causa do imposto. "Esses tendem a desaparecer", ele diz. Da forma como foi instituído, em 1937, o imposto sindical tende a provocar a dependência do sindicalismo em relação ao Estado e o distanciamento em relação aos trabalhadores que representam, afirma Andréia Galvão, professora do departamento de ciência política da Unicamp. Assim, a mudança trazida pela reforma poderia estimular um sindicalismo mais independente e mais representativo, ela diz. Sem a garantia de recursos financeiros, os sindicatos precisariam se preocupar mais com o trabalho de base, já que passariam a depender de suas próprias forças, isto é, de seus filiados e suas contribuições voluntárias. A reestruturação do movimento sindical, acrescenta Vargas Netto, vai levar a um reagrupamento das entidades, com demissões e corte de áreas que não sejam fundamentais. "É claro que os sindicatos mais ativos, que têm uma tradição de luta, não terão vida fácil", diz a cientista política. "O sindicalismo é um movimento vital para organizar e representar os 20 6

interesses dos trabalhadores. O Brasil possui sindicatos importantes em categorias como bancários, petroleiros, metalúrgicos, químicos, professores e diversas carreiras na função pública." Além da extinção do imposto, essas entidades enfrentarão desafios colocados por outros artigos da reforma que, afirma Galvão, enfraquecem o sindicalismo. Entre eles, estão a possibilidade de negociação individual de aspectos importantes da relação de trabalho sem assistência sindical, a representação dos trabalhadores no local de trabalho independentemente dos sindicatos, com a formação de comissões de empregados com atribuições que hoje são das entidades - e que, em sua avaliação, podem sofrer interferência das empresas -, e a não obrigatoriedade de que as rescisões contratuais sejam homologadas nos sindicatos.

O fim da homologação

Os departamentos de homologação serão afetados não apenas pelo fim da contribuição sindical. O artigo 477 da nova lei acaba com a autenticação hoje obrigatória nos sindicatos dos desligamentos de funcionários com mais de um ano trabalho. No Sintracon-SP, essa área emprega dez pessoas: duas recepcionistas - entre elas a que conversou com a reportagem -, uma coordenadora e sete atendentes, que registram 3,5 mil documentos por mês. Uma delas é Mônica Vieira Dourado Lourenço, que, depois de quase dois anos e meio na entidade, voltou a cadastrar o currículo em sites de recrutamento. "A gente aproveita quando

os funcionários de RH das empresas vêm fazer homologação para perguntar se lá tem vaga, mas a construção também está passando por um momento ruim", acrescenta. Ela decidiu procurar outro emprego ainda antes da iminência da aprovação da reforma trabalhista, porque deseja trabalhar com algo mais próximo de sua área de formação, em recursos humanos. Mas admite que é crescente o número de colegas que, com medo de perder o emprego no fim deste ano, também buscam recolocação. "No mínimo o número de funcionários vai cair", diz a coordenadora do departamento, a advogada Natália Cardoso de Oliveira Santos. O sindicato foi seu primeiro emprego, que assumiu em 2013, logo após ser aprovada no exame da ordem. A reunião com a direção de entidade sobre o que deve acontecer após novembro ainda não aconteceu. No pior cenário, a área deixaria de existir. Para ela, o fim da homologação obrigatória deve causar prejuízo também aos trabalhadores. Entre os funcionários da construção civil, ressalta, que em geral têm menos anos de estudo, é comum o desconhecimento sobre os direitos que o empregado tem quando é desligado da empresa. "Nós esbarramos com irregularidades todos os dias". Não raro, conta Mônica, que trabalha diretamente com as homologações, são descontados como falta os dias que os funcionários permanecem em casa a pedido da própria empresa, nos intervalos entre uma obra e outra. Também há casos em que a companhia, sob a alegação de que fará o pagamento em dinheiro da


VIVER

6


VIVER

rescisão, faz depósito bancário de um envelope vazio na conta do empregado. "Tem gente que não sabe que tem direito a férias, aos 40% de multa sobre o saldo do FGTS, e só descobre quando chega aqui." Quando a nova legislação trabalhista entrar em vigor, em novembro, a homologação passará a ser feita diretamente pelos empregadores. "Não há previsão quanto à necessidade de presença de um advogado para dar assistência ao empregado", afirma Carlos Eduardo Vianna Cardoso, sócio do setor trabalhista do Siqueira Castro Advogados. Como o documento servirá como um comprovante de quitação pelos valores nele indicados, o especialista recomenda que, caso o empregado entenda que há algo errado, não assine e procure um advogado para eventualmente cobrar a diferença.

crise", ele afirma. Para se adaptar à nova realidade financeira, o sindicato cortou um terço dos funcionários, de pouco mais de 300 em 2014 para 200. Entre os demitidos estavam os 20 médicos e 12 dentistas do centro de saúde, que ocupa parte dos quatro andares do prédio e está sendo completamente desativado neste mês. Os filiados ao sindicato passarão a ser atendidos pela rede do Serviço Social da Construção (Seconci). Para Ramalho, que está à frente da entidade desde 1999, há 18 anos, "o imposto sindical morreu e tinha que morrer mesmo". Ele acredita que os sindicatos deveriam ser mantidos por uma contribuição discutida em assembleia com os trabalhadores, que julgariam o resultado da campanha salarial e, a partir daí, definiriam o percentual a ser descontado dos salários.

Crise

Reação dos sindicatos

Há mais de dois anos, as entidades sindicais enfrentam restrições orçamentárias. Com a queda no número de trabalhadores formais por causa da recessão - são 3 milhões de vagas com carteira assinada a menos só no biênio 20152016 -, os recursos vindos da contribuição despencaram para uma série de entidades. No Sintracon-SP, a receita total recuou de R$ 60 milhões em 2014 para R$ 40 milhões neste ano, conta o presidente da entidade, Antônio de Sousa Ramalho, deputado estadual pelo PSDB. Cerca de 10% do orçamento vem do imposto sindical. O restante, da mensalidade paga pelos associados, de R$ 35. "A construção perdeu quase um milhão de empregos durante a 6 22

Essa é uma das modificações que as centrais sindicais têm tentado negociar com o governo, diz o diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Clemente Ganz Lúcio, e que poderiam ser implementadas através de Medida Provisória. "É preciso garantir um financiamento associado ao bem público que o sindicato cria", ressalta, referindo-se aos ganhos resultantes das campanhas salariais, que atingem todos os trabalhadores de cada categoria - mesmo aqueles que, depois da lei, decidirem não contribuir. Além disso, as entidades consideram fundamental que se retire o poder de negociação que foi concedido às comissões de funcionários que passarão a

ser eleitas dentro das empresas. A avaliação é que uma série de atribuições que hoje são prerrogativa dos sindicatos passam a ser desempenhadas por trabalhadores que, muitas vezes, estão suscetíveis a pressão dos empregadores. "Isso quando falamos apenas dos sindicatos, mas há outros pontos que precisam de limite imediato, como o trabalho intermitente", acrescenta Ganz Lúcio.

Entidades Patronais

NAs entidades patronais também serão afetadas pelo fim do imposto sindical. Na Confederação Nacional do Comércio (CNC), a contribuição representa 12% da receita, que deve chegar a R$ 450 milhões neste ano, conforme a proposta orçamentária divulgada no fim do ano passado. Através de sua assessoria de imprensa, a entidade afirma que o recurso "é importante para o fortalecimento da atuação efetiva das entidades sindicais na representação das categorias econômicas a elas filiadas", mas destaca que tem trabalhado em busca da "autossustentabilidade, ampliando a arrecadação com a oferta de produtos e serviços aos empresários e a administração eficiente dos recursos". A Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) também buscará aumentar a fatia das receitas com serviços. Atualmente, a contribuição responde por 16% do orçamento. A entidade, que defende o fim da obrigatoriedade do imposto sindical, afirma que "a modernização da legislação trabalhista passa também pelas entidades sindicais, tanto as de trabalhadores quanto as patronais".


VIVER

23 6


VIVER

24 24 6 VIVER | Fevereiro 2016


VIVER

VIVER | Outubro 2015

25 625


VIVER

26 6 VIVER Julho 2016


VIVER VIVER Julho 2016 627


MÚSICA

VIVER VIVER

Entrevista com Marcos e Belutti

1) No ano passado, vocês fizeram a primeira turnê pelos Estados Unidos, quando se apresentaram em diversos estados, inclusive na Geórgia. O BR Day marca a estreia de vocês em Nova York? Qual a expectativa para o show? Sim, fizemos a nossa primeira turnê nos Estados Unidos no ano passado, que foi muito especial. Foi muito bacana e a nossa primeira participação no BR Day também será especial e importante pois participar do evento era um sonho pra gente. Sabemos que alguns dos principais artistas brasileiros tocaram no palco no BR Day e, para nós, essa oportunidade é de uma responsabilidade enorme. Esperamos poder estar à altura e poder fazer o nosso melhor show para o público que também espera assistir shows maravilhosos do Sorriso Maroto e da Claudia Leitte. Que nós possamos fazer o show que eles esperam e merecem! 28 6

2) Como foi a recepção dos fãs que vivem fora do Brasil e que, mesmo à distância, acompanham o trabalho de vocês? Foi maravilhoso e confesso que nós não esperávamos a recepção que tivemos. Não sabíamos até que ponto essas pessoas conheciam o nosso trabalho e as nossas músicas. A gente imaginava até que fossem conhecer “Domingo de Manhã” e “Aquele 1 %”. Mas aí você chega na cidade e vê o público cantando outras músicas, dançando e curtindo o show. Em alguns momentos parecia que estávamos nos apresentando no Brasil. Também percebemos muito a saudade que esse público tem do Brasil e de estar com as suas famílias. Queriam tocar na gente, tirar foto, estar perto e conversar. Nós fomos muito bem recebidos, com muito carinho e foi muito gostoso. 3) Quando se apresentaram em Atlanta, conseguiram passear

um pouco pela cidade? Nós passeamos por Atlanta, conhecemos ruas muito charmosas e enfrentamos um pouco de frio. Também conhecemos algumas lojas, gostamos muito. Atlanta é uma cidade que temos vontade de voltar, não só para cantar, mas para curtir também.   4) O BR Day reúne brasileiros de diversas regiões dos Estados Unidos. Muitos seguem para NY em caravanas e madrugam na cidade para acompanhar de perto a festa. Como é para vocês receber esse tipo de carinho? É muito legal e muito especial. A gente sabe que essa galera que madruga e vai de outras cidades rumo à Nova York para acompanhar o BR Day busca, de certa forma, matar um pouco a saudade do Brasil e da música brasileira. É um dia de encontros, de festejar e curtir essa grande festa. Esperamos proporcionar para o público exatamente isso e fazer o show que eles merecem.   5) Vocês podem mandar uma mensagem para os seus fãs que vivem nos EUA? Para todos os nossos fãs que vivem nos Estados Unidos, que curtem a gente mesmo à distância, e acompanham as nossas músicas pelas plataformas digitais e pela rádio: um grande beijo e o nosso muito obrigado por curtirem o nosso trabalho e de certa forma por acabarem divulgando a gente aí também. Nosso muito obrigado pelo carinho, por irem aos nossos shows quando estamos em turnê e agora também no BR Day. Obrigado por tudo que vocês fazem pela gente.


VIVER VIVER

29 6


MUNDO

O que se sabe sobre a capacidade militar da Coreia do Norte

VIVER

O anúncio de que a Coreia do Norte testou com sucesso seu segundo míssil de longe alcance em menos de um mês redobrou os temores sobre a real capacidade militar do país, um dos mais isolados do mundo.

O governo norte-coreano afirmou que o lançamento, ocorrido na última sexta-feira, foi uma "advertência" aos Estados Unidos e sua vontade de impor novas sanções contra Pyongyang, ao mesmo tempo em que reforçou que responderá a qualquer intervenção de Washington. Analistas dizem que esse segundo teste foi mais poderoso do que o primeiro, em 4 de julho, já que dessa vez o míssil poderia atingir o leste dos Estados Unidos, como a cidade de Nova York, por exemplo. Em retaliação, o governo americano subiu o tom e enviou bombardeiros para a Península da Coreia, onde foram feitos 30 6

exercícios militares conjuntos com caças japoneses. Para a embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Nikki Haley, o tempo de falar sobre a Coreia do Norte "acabou" e a China tida como um dos raros países a manter relações próximas com o vizinho comunista - precisa "agir". "Não é apenas um problema dos Estados Unidos. Isso exigirá uma solução internacional", disse ela em sua conta oficial no Twitter. Mas qual é a real capacidade militar da Coreia do Norte? Em primeiro lugar, não se sabe o verdadeiro alcance desses mísseis intercontinentais, ou seja, se poderiam atingir os EUA, como advoga a Coreia do Norte.

Além disso, restam dúvidas sobre se o país conseguiria evitar que os projéteis explodam ao entrar novamente na atmosfera terrestre. A única certeza é de que o arsenal de mísseis norte-coreano avançou nas últimas décadas, de foguetes de artilharia criados a partir de modelos da 2ª Guerra Mundial para mísseis de médio alcance capazes de atingir alvos no Oceano Pacífico. Agora, a Coreia do Norte parece focada em construir mísseis de longa distância, que teriam o potencial de atingir a parte continental dos Estados Unidos. Dois tipos de mísseis balísticos intercontinentais (ICBM), conhecidos como KN-08 e KN-14, vêm sendo exibidos em paradas militares desde 2012. Carregados e lançados da traseira de um caminhão modificado, o KN-08 teriam um alcance de 11,5 mil km, enquanto o KN-14, de 10 mil km. ICBM Os mísseis balísticos intercontinentais são vistos com preocupação porque permitem a um país manejar um significativo poder de fogo contra um oponente do outro lado do planeta. O único motivo para gastar dinheiro, tempo e esforço em construí-los é para poder usar armas nucleares. Durante a Guerra Fria, Rússia e Estados Unidos buscaram formas diferentes para proteger e lançar tais mísseis, que foram escondidos em silos, caminhões pesados e submarinos. Todos os ICBMs seguem um


VIVER

31 6


VIVER

modelo parecido. Os mísseis são alimentados por combustível sólido ou líquido, e saem da atmosfera rumo ao espaço. A carga do projétil normalmente uma bomba termonuclear - então entra novamente na atmosfera e explode ora acima ou diretamente sobre o seu alvo. Alguns ICBMs consistem em "Mísseis de Reentrada Múltipla Independentemente Direcionados" (MIRV, na sigla em inglês). Os MIRVs são projéteis lançados em terra ou mar (de um submarino) o qual, após ativar sua pós-combustão e deixar a atmosfera, fragmentamse em diversas partes com orientação independente, atingindo múltiplos alvos e causando maior impacto pela alta velocidade atingida, confundindo os sistemas de defesa. Durante a Guerra Fria, o alcance e o potencial de destruição dos ICBMs foram considerados chave para o conceito de "Destruição mútua assegurada" (MAD, na sigla em inglês), doutrina de estratégia militar pela qual o uso maciço de armas nucleares por um dos lados acabaria por resultar na destruição de ambos - agressor e defensor. Arsenal O programa de mísseis da Coreia do Norte começou com os Scuds (míssil balístico móvel, de origem soviética, com curto alcance), importados do Egito em 1976. Mas, menos de dez anos depois, em 1984, o país já estava construindo sua própria versão do projétil, chamada de Hwasong. Tais mísseis têm um alcance estimado de cerca de 1 mil km, e carregam ogivas convencionais, químicas ou possivelmente biológicas. Em uma análise publicada em abril de 2016, o Instituto Internacional para Estudos Estratégicos, think tank global especializado em conflitos militares e políticos, avaliou que 32 6

esses projéteis podem "atingir todo o território da Coreia do Sul e grande parte do Japão". As relações entre as duas Coreias são tensas e se mantêm, tecnicamente, em constante alerta de guerra. Os Hwasong-5 e Hwasong-6, também conhecidos como Scud-B e Scud-C, contam com alcances de 300 km e 500 km respectivamente, segundo o Centro de Estudos de Não Proliferação de Armas dos Estados Unidos. Ambos os mísseis já foram testados e utilizados - inclusive, o Hwasong-6 já foi vendido ao Irã. Já os Nodong têm médio alcance. Desenhados com base no Scud, mas 50% maiores e com motores mais poderosos, podem atingir alvos a até mil quilômetros de distância. No entanto, uma variante desse projétil desenvolvida em outubro do ano passado poderia alcançar 1,6 mil quilômetros. Nesse caso, representaria um risco real para as bases americanas na ilha de Okinawa, no sul do Japão. Os Musudan, por sua vez, são mísseis de alcance intermediário, testados várias vezes. Mas as estimativas sobre seu alcance variam. A inteligência de Israel afirma que eles atingem alvos a até 2,5 mil quilômetros de distância, enquanto a Agência de Defesa de Mísseis dos Estados Unidos calcula que cheguem a 3,2 mil quilômetros. Outras fontes dizem que podem alcançar 4 mil quilômetros. De qualquer modo, os Musudans - também conhecidos como Nodong-B - poderiam ameaçar a Coreia do Sul e o Japão. E, caso a última estimativa seja verdadeira, chegariam, inclusive, à base americana de Guam, na Micronésia. Além disso, a Coreia do Norte afirma ter testado um "míssil balístico de médio a grande alcance", o Pukguksong, em agosto de 2016, lançado a partir de um submarino. Em fevereiro deste ano, país voltou a realizar testes desses mísseis, desta vez

partindo da terra. O governo norte-coreano diz que usa combustível sólido, o que faz o lançamento desses mísseis ser mais rápido. O alcance deles, porém, ainda é desconhecido. A Coreia do Norte também possui em seu arsenal os chamados mísseis multietapa (mísseis lançados em duas ou mais partes - ou "etapas"e cada uma delas têm seus próprios motores e propulsores). O Taepodong-1, conhecido como Paektusan-1 no país, foi o primeiro míssil multietapa do país, testado em 1998 como lançador espacial. A Federação Americana de Ciências (FAS, na sigla em inglês), um centro de estudos independente, acredita que o Tapodong-1 estava composto em sua primeira etapa por um míssil Nodong e na segunda por um Hwasong-6. Depois desse, veio o Paektusan-2, que também é um míssil de duas ou três etapas, mas com avanços significativos. Tais projéteis foram testados várias vezes na última década. Seu alcance é calculado entre 5 mil e 15 mil quilômetros. A Coreia do Norte se refere ao lançador do Taepodong-2 como "Unha", que significa galáxia, em coreano. Ele foi utilizado com sucesso em fevereiro de 2016 para lançar um satélite. Apesar desse tipo de lançamento ter uma trajetória distinta - e seus foguetes serem otimizados para um propósito diferente -, a tecnologia básica utilizada é a mesma. Isso inclui a estrutura, os motores e o combustível. Se tiver seu lançamento bemsucedido, o Taepodong-2 chegará ao alcance máximo estimado, o que significa que poderia ir até a Austrália e partes dos Estados Unidos além de outros países dentro desse perímetro. Atualmente, acredita-se que a Coreia do Norte tenha um arsenal de mil mísseis, com capacidades distintas.


VIVER

6


SAÚDE

Epidemia de drogas: opioides causam um '11 de Setembro' em mortes a cada três semanas nos EUA

VIVER

Uma comissão nacional criada por Donald Trump quer que o presidente declare emergência nacional para combater a epidemia de drogas que assola o país.

A comissão bipartidária diz que essa medida forçaria autoridades a dar prioridade a atenção e financiamento de ações de combate à crise, marcada pelo consumo abusivo de opioides. O controle do abuso de drogas foi uma das principais promessas de campanha de Trump. Após eleito, ele instalou a Comissão para o Combate à Toxicodependência e à Crise de Opioides, composta por legisladores dos partidos Democrata e Republicano e 6 34

presidida pelo governador de Nova Jersey, o republicano Chris Christie. "Com em média 142 americanos morrendo por dia, os Estados Unidos estão enfrentando um número de fatalidades igual a um 11 de Setembro a cada três semanas", escreveram os autores do texto. A comissão descobriu que um terço dos americanos recebeu prescrição de opioides em 2015. Os opioides são drogas

quimicamente semelhantes que interagem com os receptores opioides de células nervosas no corpo e no cérebros. Podem ser substâncias proibidas, como heroína, ou analgésicos prescritos, como morfina, codeina, fentanil e oxicodona. O relatório também recomenda que médicos restrinjam a prescrição de medicamentos opioides e aumentem o acesso a técnicas alternativas de tratamento da dor. O documento foi divulgado pela comissão através do Twitter.


Desde 1999, o número de mortes causadas pelo consumo de opioides quadruplicou, segundo a comissão, citando dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês). Dirigindo-se a Trump, a comissão diz: "Sua declaração (de emergência nacional) permitiria que seu gabinete desse passos mais ousados e forçaria o Congresso a focar no financiamento e no empoderamento ainda maior do braço executivo para lidar com estas perdas de vidas". "Também iria acordar cada americano a este simples fato: se esta praga ainda não atingiu você ou sua família, sem uma ação incisiva de todos, ela em breve atingirá." "Você, senhor presidente, é a única pessoa que pode trazer intensidade a essa emergência

e acreditamos que você tenha a vontade de fazer isso e de agir imediatamente", acrescenta. A comissão diz ainda que médicos devem criar novas formas de tratar os cerca de 100 milhões de adultos americanos (de acordo com o relatório do Instituto de Medicina das Academias Médicas) que sofrem de dor crônica. Mas pesquisadores acreditam que médicos não conhecem as melhores práticas para tratar a dor e frequentemente optam por medicamentos opioides, como Percocet and OxyContin, este último comercializado no Brasil. Na última semana, um médico no Estado de Indiana foi morto pelo marido de sua paciente depois de se recusar a lhe prescrever opioides. Pacientes que deixaram de receber a prescrição algumas

vezes recorrem às ruas para buscar heroína, que, em algumas cidades, pode ser mais barata que cerveja. A heroína, segundo a polícia, é muitas vezes misturada com fentanil, um poderoso analgésico que teria causado várias mortes por overdose. A comissão também recomenda um acesso facilitado a Naloxona, um spray nasal que funciona como antídoto de emergência e pode reverter a overdose. Eles também cobram financiamento a programas de monitoramento de drogas, para garantir que os pacientes não estejam armazenando ou revendendo medicamentos. Resta saber se Trump irá seguir as recomendações da comissão. O relatório completo será divulgado em outubro.

VIVER

6 35


36 6

VIVER


VIVER

37 6


38 6

VIVER


VIVER

39 6


VIVER

Anuncie na Viver Magazine. Ligue 770.953.4250

40 6


VIVER

41 6


CURIOSIDADES

O que faz o mel ser 'eterno' e não estragar?

VIVER

Estima-se que foi pintada há cerca de 8 mil anos, prova de que, ao menos desde então, nós nos arriscamos para conseguir essa delícia que as abelhas produzem com a ajuda das flores.

E o mais assustador é que, se o autor dessa pintura oito milênios atrás tivesse deixado um pote de mel no mesmo lugar, é muito provável que ele ainda estivesse bom para comer - no caso, o professor Jaime Garí Poch, que descobriu as cavernas onde estava a pintura no início do século 20, teria sido o agraciado com o pote. Mas o que tem no mel para que se mantenha fresco por tanto tempo? 42 6

Em toda parte

Ao longo da história, a humanidade já se alimentou, se banhou e até se tratou com mel. Em uma tábua de argila de Nippur, o centro religioso dos sumérios no Vale do rio Eufrates, que data aproximadamente do ano 2000 a.C., há uma receita escrita para cuidar de machucados desta forma: "Moer até que a areia do rio vire pó (faltam algumas palavras) e amassar com água e mel, azeite

puro e óleo de cedro e colocar quente sobre a ferida". No Antigo Testamento, a terra de Israel é chamada "terra que corre leite e mel". Depois, no Novo Testamento, conta-se que João Batista comia gafanhotos com mel silvestre. O grande guerreiro cartaginês Aníbal deu ao seu exército mel e vinagre quando cruzaram os Alpes em elefantes para lutar contra Roma. Para a medicina chinesa, o mel tem uma característica equilibrada (não é


yin nem yang) e atua de acordo com os princípios do elemento Terra, entrando no pulmão, no baço e nos canais intestinais, segundo textos antigos. Durante a dinastia Zhou Oriental (770-256 a.C.), um dos manjares reservados para a realeza era uma mistura de mel com larvas de abelha. Nas Poesias de Chu, uma antologia antiga (século 11 a.C-223 a.C.), se fala de vinho e mel. E, no antigo Egito, os faraós partiam para outro mundo carregados de mel. Arqueólogos modernos encontraram uma vez ou outra nas antigas tumbas egípcias vasilhas de mel de milhares de anos que estavam perfeitamente conservadas. São poucos os alimentos que sobrevivem com o passar do tempo. As batatas dessecadas dos incas são um exemplo, mas, diferentemente do mel, elas foram processadas. Se você encontra sal ou arroz seco em

uma tumba antiga, no meio do nada, é provavel que você consiga utilizá-los para preparar um prato sem problemas. Mas a diferença está aí: você precisará preparar algo. O mel guardado de maneira apropriada dura por um tempo indefinido, e, se você encontra um pote em uma tumba no meio do nada, supostamente pode se lambuzar com ele.

Como é possível?

A "magia" acontece por uma série de fatores que operam na mais perfeita harmonia. O mel é um açúcar, e os açúcares são higroscópicos. Isso significa que eles têm pouca água, mas podem absorver a umidade se expostos a ela. São raros os microorganismos que podem sobreviver em um ambiente assim. Para que algo estrague, é preciso haver algo que gere esse processo - mas o mel é um "hospedeiro" ruim para

eles, então, costumam se manter longe dele. Ao mesmo tempo, o mel é extremamente ácido. Seu pH fica entre 3 e 4,5 (7 seria neutro), e essa acidez mata microorganismos. Quando as abelhas fazem o mel, elas coletam com o néctar das flores e, depois, o regurgitam no favo. Ao fazer isso, há uma mistura com uma enzima que elas têm no estômago, a glicose oxidase. O néctar se decompõe em ácido glucônico e peróxido de hidrogênio, a famosa água oxigenada, muitas vezes usada para limpar feridas por matar bactérias e que protege o mel de coisas que queiram "crescer" nele. Assim, esse "tesouro dourado" é eterno por ser extremamente doce e ácido, o que impede que qualquer bicho sobreviva além disso, tem um antiséptico natural.

VIVER

43 6


44 6

VIVER


VIVER

ANUNCIE NA VIVER MAGAZINE 770-953-4250 45 6


VARIEDADES

Michael Kors Lauryn Large Shoulder Tote $156.93 macys.com

Boys Hi-Top Rockstar Sneaker $20.97 childrensplace.com

Ray-Ban Chris Square Sunglasses $140 dillards.com

Sidekicks Backpack $18.99 www.ebags.com

Nikon - D3400 DSLR $599.99 bestbuy.com

CARTE BOOT $79.95 dsw.com

J World Sprinkle Kids Backpack $28.99 walmart.com

Amazon Echo Black $179.99 amazon.com Hornet Swarm Roller Coaster 617 Pieces Building Set $24.98 toysrus.com Stride Rite Made 2 Play Phibian MJ $37.95 zappos.com

VIVER

Bird Stripe Dress $20.99 gymboree.com

46 6


VIVER

47 6


VIVER

] NOS CINEMAS

COLUMBUS Estreia: dia 4 Gênero: Romance Classificação: R

FUN MOM DINNER Estreia: dia 4 Gênero: Comédia Classificação: R

KIDNAP Estreia: dia 4 Gênero: Suspense Classificação: R

THE DARK TOWER Estreia: dia 4 Gênero: Horror, Ficção Científica Classificação: R

WIND RIVER Estreia: dia 4 Gênero: Ação, Aventura, Suspense Classificação: R

CATASTRÓPICO Estreia: dia 11 Gênero: Ação, Aventura, Comédia Classificação: R

THE GLASS CASTLE Estreia: dia 11 Gênero: Documentário Classificação: PG-13

THE NUT JOB 2: NUTTY BY NATURE Estreia: dia 11 Gênero: Animação, Comédia Classificação: PG

WHOSE STREETS? Estreia: dia 11 Gênero: Documentário Classificação: R

SHOT CALLER Estreia: dia 18 Gênero: Drama, Suspense Classificação: R

THE LEGO NINJAGO MOVIE Estreia: dia 22 Gênero: Ação, Aventura, Animação Classificação: PG

STRONGER Estreia: dia 22 Gênero: Drama Classificação: R

ALL SAINTS Estreia: dia 25 Gênero: Drama Classificação: PG-13

TULIP FEVER Estreia: dia 25 Gênero: Drama, Romance Classificação: R

BEACH RATS Estreia: dia 25 Gênero: Drama Classificação: R

THE ONLY LIVING BOY IN NEW YORK Estreia: dia 11 Gênero: Drama Classificação: R

48 6


Agosto

AGENDA Até 29 Set

Até 3 Set

ATLANTA SUMMER WINE FESTIVAL City Winery 650 North Avenue Atlanta, GA 30308 atlantawinefestivals.com

COCKTAILS IN THE GARDEN Atlanta Botanical Garden 1345 Piedmont Ave NE Atlanta, GA 30309 atlantabg.org

ANDY WARHOL AT THE HIGH MUSEUM OF ART High Museum of Art 1280 Peachtree Street NE Atlanta, GA 30309

13

16

25

BRIDAL EXTRAVAGANZA OF ATLANTA 200 Peachtree 200 Peachtree St. NW Atlanta, GA 30303 beabride.net

PEACHFEST 2017 FlatironCity 84 Peachtree St NW Atlanta, GA 30303 peachfest.org

AQUA VINO Georgia Aquarium 225 Baker Street Atlanta, GA 30313

26

30

Até 28 Dez

GERMAN BIERFEST Woodruff Park 84 Peachtree St NE Atlanta, GA 30303 germanbierfest.com

WHALE SHARK DAY Georgia Aquarium 225 Baker Street NW Atlanta, GA 30313 georgiaaquarium.org

TODDLER THURSDAYS AT THE HIGH MUSEUM OF ART ATLANTA High Museum of Art 1280 Peachtree Street NE Atlanta, GA 30309

Até 30 Dez

Até 29 Out

Até 26 Nov

FROG FEEDING Atlanta Botanical Garden 1345 Piedmont Ave NE Atlanta, GA 30309 atlantabg.org

THE CURIOUS GARDEN Atlanta Botanical Garden 1345 Piedmont Ave NE Atlanta, GA 30309

MERRY GO ZOO High Museum of Art 1280 Peachtree Street NE Atlanta, GA 30309 www.high.org

VIVER

12

49 6


50 6

VIVER


VIVER

51 6


6

VIVER

Viver Magazine August 2017  

The most popular Magazine among the Brazilian Community living in Atlanta, Georgia, United States.

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you