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Instantes revista

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Biblioteca Escolar/Centro de Recursos Educativos

Escola Secundรกria Manuel Teixeira Gomes


2 Instantes 2009 2 Portimão prepara o futuro 3 Gula não temos 4 Palavra da Presidente 5 Editorial 6 Casa da Ciência e da Tecnologia na Feira da Ciência e Tecnologia da Lousã

31

Semana da Leitura: encontro com a escritora Graça de Sousa

33 Quem sou eu? 34 Amizade

35 Clube de Matemática 36 Exposição: Estou nas nuvens 37 Children and TV: friends or enemies? 38 Às vezes tens medo de tentar

8 Visita à estação meteorológica da ESMTG

39 O rapto de Prosérpina

10 Ser professor

40 A minha relação com a Filosofia

12 My new school: first impressions

42 Proteger, inovando

12 Poema de uma vida

43 O mundo do espectáculo…

13 Chegar a ti

44 Vindos dos fundos dos tempos…

14 Cale-se!

46 Olimpíadas da Teixeira Gomes

15 Life

47 A ESMTG na Finlândia

17 Semana do Voluntário

48 Visita de estudo a Lisboa

20 Hino do estudante da ESMTG

50 Associação de Pais

21 A mensagem

51 Deutsche Texte

22 Visitas de estudo – 9.º ano

52 Eu e a Filosofia

23 Primeiro dia do resto da minha vida

53 OAC

27 Dia da Europa

55 Mostrengus

28

56 Violência no namoro

Biblioteca: guardar memórias, traçar futuros

Sumário

7 Pontuação

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PORTIMÃO prepara o futuro Dr. Manuel da Luz Presidente da Câmara Municipal de Portimão

Portimão foi o primeiro Município da Região do Algarve a elaborar uma Agenda 21 Local, um importante instrumento estratégico para o desenvolvimento sustentável e harmonioso que se pretende. Mas, a Agenda 21 não é um fim em si. É, antes pelo contrário, uma etapa num processo continuado e participado que até agora envolveu mais de 3.000 pessoas e que, para atingir os objectivos para os quais trabalhamos, deverá continuar a mobilizar de maneira activa, eficaz e empenhada todas as forças vivas do Município. A Agenda 21 Local para Portimão representa um compromisso consubstanciado num conjunto de acções estratégicas, a levar a efeito nas áreas consideradas prioritárias para a melhoria contínua do Município nas vertentes social, ambiental e económica. Mais concretamente, ambiente, uso do solo, cidadania e turismo são as linhas de orientação estratégica traduzidas num plano de acção para os próximos anos.

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GULA NÃO TEMOS

Gonçalo Duarte e Diogo Elias | 10.º K

Gula Não Temos Orações não Fazemos Na amizade confiamos Çsssss Ao ouvido falamos Lado a lado andamos Orações não fazemos

De manhã Acordamos Imediatamente Despertamos Obviamente Gula não temos Ganância não temos Obviamente a amizade celebraremos

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Colaboraram neste número: Alunos do 10.º A Alunos do 12.º D Amélia Taveira Ana Gabriel Ana Paula Ana Paula Candeias Anna M. António Reis Associação de Pais Bruno Silva Carlos Martins Catarina Pereira Débora Oliveira Diogo Elias Diogo Saraiva Eduardo Pedro Elsa Meira Equipa da Biblioteca Escolar Gonçalo Duarte Feliciana Ramos Fernanda Marcelino Grupo de Geografia Helena Soares Imogénia Cristina Inês Metello Isabel Máximo Ismael Miguel Jefferson Souza Joana Cerqueira João António João Santana Marques Jorge Cabral Lázaro Fernandes Liah Lua Lisandro Teixeira Lívio Nunes Luís Pinto Salema Magno Azevedo Manuel da Luz Mariana Lima Mathilde Major Mónica Naliana Martins Patrícia Jorge Paula Barradas Paula Leitão Pedro Freitas Professores do projecto OAC Raquel Duarte Raquel Santos Renato Belindró Ricardo Carneiro Ricardo Silva Rosa Sobral Rosário Cristóvão Silvana Bernardes Sónia Baiona Sofia Fortunato Soraia Sales Viktória Nestserava

Propriedade: Escola Secundária de Manuel Teixeira Gomes | Av. S. João de Deus |8500 - Portimão Tiragem: 500 exemplares Impressão: Grafiluc

Palavra da presidente Elsa Meira | Pres. Cons. Exec. O nosso colega Luís Salema solicitou-me que elaborasse, na qualidade de Presidente do Conselho Executivo, um texto a incluir na nossa revista. Procurei, dentro de mim, um ou mais momentos que merecesse

uma

atenção

e

um

carinho

especial

e,

naturalmente, pudesse, a partir daí, alinhar palavras, construir parágrafos, concretizar um bom texto sobre a nossa escola. Num determinado dia, decidi escrever sobre o nosso pessoal não-docente. O texto incidiria sobre o passeio que a tantos marcou e que a mim me sensibilizou particularmente. Seria um texto muito bonito. Afinal, o nosso pessoal nãodocente esteve connosco e nós, Conselho Executivo, passámos com ele um dia muito especial. Noutro dia, entendi que deveria escrever sobre os nossos professores. Escreveria sobre um dos vários momentos em que, ao longo do ano, mostrámos a forma digna como desempenhamos uma das profissões mais exigentes. Mais recentemente, escolhi escrever sobre os nossos alunos. Reconheceria, como várias vezes tenho feito, instantes em que foram particularmente notadas as qualidades dos nossos jovens e a importância que tem um professor, na vida pessoal e escolar de um aluno. Finalmente, cheguei a um ponto em que não encontrei saída. Deixaria fora do texto o espaço, o som, o cheiro, a luz que são a nossa escola e que contribuem, também, para os instantes que aqui se vivem? Que escola é esta, assim, assumidamente distinta, que dificulta e quase torna impossível escrever sobre um único momento porque, de imediato, nos vêm à memória tantos outros? Fica o texto possível, mergulhado numa imensidão de gratos sentimentos e na convicção de que terá sempre a Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes o melhor de cada um de nós e, já agora, o melhor que tenho conseguido oferecer-lhe.

Coordenação: Luís Pinto Salema Arranjo gráfico: Luís Pinto Salema

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EDITORIAL Há um ano atrás, saía o primeiro número da revista Instantes. Na sua génese, estão os sonhos de uma equipa, constituída pelos professores responsáveis pela Biblioteca Escolar. Lançaram-se, assim, as sementes de um projecto que, neste ano lectivo, viu a sua continuidade garantida. Aos poucos, a comunidade escolar começa a registar os muitos instantes que fazem da Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes uma instituição de referência. Neste ano lectivo, as temáticas ligadas ao ambiente mereceram especial atenção, na nossa escola. Foram vários os projectos e as iniciativas que se centraram nesta área, envolvendo os professores e os alunos. Conferências, encontros com escritores, actividades desportivas, representações teatrais, encontros multiculturais e projectos internacionais foram algumas das actividades que envolveram professores, alunos, auxiliares de acção educativa e elementos que, apesar de externos à escola, estão cada vez mais presentes, na sua vida. No final de Abril, a realização da Feira Educativa – Portimão 2009 constituiu mais um momento importante para a afirmação da escola. Foram, sem dúvida, instantes de cultura, de aprendizagem, de recreio, de partilha e de formação para toda a cidade. Adivinham-se, agora, novos instantes: a comemoração dos 25 anos da escola, nas actuais instalações, e a celebração do dia do patrono, 27 de Maio, data que assinalará, também, o início das iniciativas que pretendem celebrar os 150 anos do nascimento de Manuel Teixeira Gomes. Neste número, mais uma vez, mostram-se instantes vividos dentro e fora da sala de aula, instantes que marcam o viver e o sentir de uma escola onde se guardam memórias e traçam futuros…

Luís Pinto Salema

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Casa da Ciência e da Tecnologia Na Feira da Ciência e da Tecnologia da Lousã

Ismael Miguel e Magno Azevedo | 11.º I

A Casa da Ciência e da Tecnologia foi convidada

para

representar

a

Escola

Secundária Manuel Teixeira Gomes na Feira da Ciência e da Tecnologia, promovida e dinamizada pela Câmara Municipal da Lousã. O

nosso

stand

apresentou

diversificadas

experiências, dirigidas aos mais novos, assim como os nossos espantosos robots. Para além das engenhocas idealizadas pelos nossos

colegas,

constantemente apresentações

estavam

a

projectados temáticas

ser as

igualmente

elaboradas pelos nossos colegas das turmas 11.º H e 11.º I (e de turmas de anos anteriores). Concluindo o maravilhoso fim-de-semana, ainda tivemos tempo para ir passear a Tomar (comendo uns doces conventuais do outro mundo), visitando a cidade e o famoso Convento de Cristo de Tomar (ligado aos Templários), com a sua janela manuelina. Neste evento participaram as alunas da Sala de A brincar, a brincar (Soraia, Andreia, Lena, Mariana, Ticha e Ana – 12.º K e 12.º J) e os alunos da Sala de Robótica (Ismael e Magno – 11.º I).

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PONTUAÇÃO Rosa Sobral | CNO – nível básico

Hoje que voltei à escola, algo novo vou aprender. Também quero recordar, o que já começava a esquecer.

Se tenho que pontuar, uma carta ou um poema. Pôr as vírgulas no lugar, torna-se um problema.

Fico mesmo atrapalhada, sem saber onde as pôr. Já não me lembro de nada, ajudem-me por favor.

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Visita à meteorológica da ESMTG

estação

Débora Oliveira e Liah Lua | 11.º D

Na aula de Geografia do dia 26 de Janeiro, realizou-se uma visita à Estação Meteorológica da nossa escola, guiada pelos professores Isabel Pereira e Francisco Pereira, durante a qual nos foi explicado o funcionamento da estação que se situa no jardim da escola, junto ao bloco B. A Estação Meteorológica é composta por um conjunto de sensores electrónicos, alojados num espaço ao ar livre, vedado, que medem de forma permanente e automática a pressão atmosférica, a temperatura, a humidade, a precipitação, a radiação solar e o vento. O professor Francisco começou por nos mostrar como funcionava o pluviómetro, aparelho que mede todas as formas

de

precipitação,

também

designado

por

udómetro. É constituído por uma espécie de funil que contém uma colher onde se acumula água. Quando esta

acumula

uma

determinada

quantidade

de

precipitação, move-se, despejando o seu conteúdo, accionando, desta forma, um sinal eléctrico que é convertido em valores (mm) de precipitação. Este valor é registado e convertido num ficheiro de dados, sendo

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depois transferido para um computador ligado à estação. De seguida, mostrou-nos o interior do abrigo meteorológico onde está o sensor da pressão atmosférica e a unidade de aquisição de dados, que é o coração de todo o sistema e onde estão ligados todos os sensores. Da Estação Meteorológica sai, ainda, um cabo de comunicação que se liga a um computador, dedicado à Estação, que faz a gestão de todos os sensores. Este sistema, por sua vez, está conectado com um servidor web que permite a actualização dos valores meteorológicos, na página da net da nossa escola.

Mostrou-nos, depois, os sensores da temperatura e da humidade relativa, que se encontram juntos num só aparelho exterior, protegidos por um mini-abrigo meteorológico. Num ponto mais elevado, encontra-se o sensor da radiação solar que está exposto a sul para captar o máximo de radiação. Finalmente, chamou-nos à atenção para a torre eólica, localizada no terraço do bloco B, onde está instalado o sensor de vento. Este permite a medição do vento instantâneo e da rajada sob duas formas – velocidade e direcção do vento. Este sensor teve que ser relocalizado várias vezes, para pontos

sucessivamente mais altos, para evitar

interferências de obstáculos envolventes. A aula continuou no auditório onde nos foi apresentado um quadro síntese com valores extremos de temperatura, precipitação e vento, registados em Portugal, a que se seguiu o visionamento de um documentário-vídeo sobre “Situações extremas – Furacões”.

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Ser professor Discurso proferido na cerimónia de abertura do ano lectivo Imogénia Cristina| Docente da ESMTG (aposentada)

Já fez dois anos que me aposentei.

A

notícia

chegou no fim de Agosto de 2006. Recebi-a com uma sensação de alívio. Finalmente,

libertava-me

das aulas! Esta sensação prolongouse durante o primeiro ano de aposentada. No ano que passou, senti saudades de dar aulas, da partilha de conhecimentos, experiências e emoções que está presente no acto de ensinar/aprender. Sonhei algumas vezes com uma sala cheia de alunos e vi-me satisfeita porque tinha conseguido ensinar, tinha dado e tinha recebido e houve em mim um estado de plenitude que se prolongou para além do sonho. O acto de ensinar é um belo acto de altruísmo, o professor dá o que recebeu de outros ou o que ganhou com as suas vivências, o seu esforço e mesmo com alguns, com muitos sacrifícios. E quer que o aluno, a criança, o jovem, se enriqueçam, aprendendo o que lhes é ensinado e ganhem asas para aprender por si, para serem úteis e felizes no seu relacionamento com os outros, no mundo em que vivem. Quando comecei a dar aulas, era fácil ensinar. Havia professores motivados e alunos também motivados. Os pais eram bons colaboradores dos professores e entendiam que só deste modo ajudariam os seus filhos. Os casos de indisciplina eram raros e a profissão de professor era respeitada por todos. Hoje, muita coisa mudou e nem sempre para melhor. É certo que a sociedade evoluiu e que quem ensina tem que acompanhar as exigências dos novos tempos, mas não responsabilizemos os professores por tudo o que acontece de mal na educação, no nosso país! Assiste-se, nos nossos dias, a uma burocratização da profissão. Os professores vêem-se envolvidos em papéis, legislação nova a sair em catadupa, que é preciso conhecer,

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documentos para preencher por tudo e por nada, reuniões para isto e para aquilo e, muitas vezes, perguntam-se:”Como vou arranjar tempo para preparar as aulas e ser bom professor?”. Com a massificação do ensino, a população escolar também mudou. Se há alunos interessados, há outros para quem a escola é um lugar que frequentam obrigados pela família, que não tem onde colocá-los. Por isso, sentem-se desagradados e revoltam-se contra os professores que, para eles, são o símbolo da instituição onde não querem estar. Alguns, questionados sobre o que a escola tem de bom, respondem que é o convívio, razão pela qual faltam às aulas. Portanto, é a escola que não tem dado resposta aos interesses destes alunos, possibilitando-lhes as competências necessárias para o bom exercício de uma profissão a par dos conhecimentos básicos para se integrarem na sociedade. Como pode o professor promover o sucesso do aluno, impedir que abandone a escola ou falte às aulas, se a escola não o motiva? Não nos podemos esquecer que ele é apenas uma peça do puzzle educativo […]. Ser professor, em Portugal, nas condições presentes, não é fácil, é muito mais difícil do que foi, para mim, durante muitos anos. Quero, no entanto, e para terminar, fazer-vos um pedido: sejam solidários, não deixem que se criem divisões e intrigas entre vós, não desanimem, esforcem-se por exercer com dignidade e amor uma profissão tão extraordinária como a vossa, como a nossa. O que seriam os povos sem os seus mestres? Eu continuo a ser uma de vós e sê-lo-ei enquanto a vida mo permitir. Obrigada pelo convite, colega Elsa, e obrigada, colegas, por me terem ouvido. Um bom ano lectivo para todos!

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My new school: first impressions Viktória Nestserava |10.º G

My first impression about this school was really good. I actually expected to see a big modern school but I think it was even bigger than I expected. I loved the school because it is quite spacious and there are many places where we can just sit with our friends and be comfortable to communicate or play any game. I liked every one of my teachers, because I found them really qualified, in love with their job and full of life. I liked my class too; they are all nice and funny. They seem to be helpful and kind people. For all these reasons I’m very excited about studying here.

Poema de uma vida Lívio Nunes e Lisandro Teixeira | 10.º K

Lavou pratos Incendiou a casa Lavrou a terra

Saiu com meninas

Inaugurou uma festa

Ajudou malfeitores

Vestiu algo

Não obedeceu a ninguém

Invejou tudo e todos

Destruiu a propriedade alheia

Oh! Viveu!

Oh! Morreu!

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CHEGAR A TI Paula Leitão | 12.º B

Tento chegar até ti, mas não consigo. Tento alcançar o céu, mas não me deixam. Sinto a batida… sinto os compassos. Não da música, mas do coração. Tento inspirar o sentimento mas apenas consigo expirar o pouco que ainda me resta. Peço o impossível, que ultrapassa a fantasia e vai para além dos sonhos que nunca serão vividos. A nostalgia dos momentos persegue-me e obriga-me a querer voltar ao que fui. Ao que um dia fomos, apenas por breves instantes. A alegria de saber que, um dia, a tristeza se irá embora, desvanece-se, pois a tristeza teima em querer ficar. Quando eu chorava, esperava que alguém me aconchegasse e dissesse, um dia será possível. Eu esperei, mas continuei a chorar. Um dia apareceu alguém e disse-me o que queria ouvir. Mas eu não acreditei, e continuei a chorar. A saudade tornou-se uma brincadeira de crianças. Uma brincadeira que tive que aprender. Uma brincadeira que se tornou constante, e monótona. O toque que costumava embalar-me, nos braços que se tornaram distantes, passou a ser incerto. A incerteza consome-me. O céu ficou mais distante. A música parou…

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Cale-se ! Soraia Sales | 10.º Q Mentiras, ilusões, sonhos… Cale-se quem me deu a vida! Quem pôs a bater meu coração, Quem me deixou desprotegida… Mentiras sem compaixão E uma complicada despedida! Cale-se, cale-se, cale-se! Sofrimento, desinteresse e humilhação Por quem minha vida foi despida Perante uma grande desilusão Cale-se quem me deu a vida!

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LIFE

Sofia Fortunato | 10.ยบ F

Sometimes the knowledge of the stars and the seas is bigger than the one about life itself.

Childhood is a bed of roses, but as the teenage years pass by, the curtain falls and life reveals itself as it really is: harsh and cold. And as the years go through, a poker face, almost impossible to read, is acquired as a shield to help to support all those ordinary days that make a lifetime. Every single day is like a Russian roulette, without being able to predict how it will be like,

needing

a

compass

for

guidance.

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Sometimes the knowledge of the stars and the seas is bigger than the one about life itself. Life which is a constant struggle, that does nothing but to tire us out and, by this time, the sweet illusions from childhood are long gone and are nothing but sweet innocent memories, replaced by the real facts. And this is life- a cold heartless b****, always willing to take someone down. Among all the moments that make a lifetime, there are those special moments that have the strength to make a smile break even through the most persistent poker face: a dream trip with that “special one”, dancing through the night under the stars, long after the luau has ended and looking at the stars pulled down from the midnight sky in the eyes of the other half of yourself, just by being close to you. That day when everything goes wrong and you get home and he gets on his knees and asks you to be his for the rest of your lives. When you’re down, your friends give you all the care and attention, pulling you up on your feet again and telling you that even angels fall. When you hold your newborn child in your arms for the first time or the first time he smiles at you. And this is life in all its plenitude. Life is not a card game nor even a Russian roulette, so there’s no need for a poker face, because every cloud has a silver lining.

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SEMANA DO VOLUNTÁRIO Testemunho de vida Associação Deficientes Motor de Portimão

Opiniões dos alunos Catarina Pereira | 11. º A

Mais do que um testemunho, encarei aquele momento como uma lição, uma prova de que existem perigos por vezes causados por nós mesmos. Senti um arrepio, emocionei-me e, acima de tudo, entendi o valor de cada palavra, de cada sentimento presente no olhar… A desilusão de uma vida perdida, ou, digamos, talvez, o começo de uma vida inesperada. Quando o Presidente da Associação de Deficientes Motor de Portimão nos contou a sua história, na terceira pessoa, entendi que se tratava da sua própria vida, da tragédia que o marcou, para sempre, por um dia mal sucedido, devido a um acontecimento escusado.

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Ao ouvir a sua história, e ao ter a confirmação de que aquela pessoa era a personagem principal, uma lágrima deslizou na minha face, um arrepio forte trespassou-me, como se houvesse uma grande corrente de ar, porque eu senti algo mais, eu senti mais do que as palavras. Vi naquela pessoa várias provas: - a de que a vida é valorizada depois de perdida; - as pessoas perdem tempo e chateiam-se com a mais ínfima coisa; - o querer e a força de vontade superam, por vezes, a sabedoria; - a vida é muito curta para nela terem lugar nuvens negras; - a vida é uma corrida com várias barreiras para sobrepor, vários buracos para saltar…; - a vida é para se viver, independentemente do que ocorre, ao passar certos obstáculos; - basta querer, basta amar! - a teimosia nem sempre é má. Por último, mas não menos importante, a prova de que, na vida, fecha-se uma porta, abre-se uma janela, nasce um novo dia, uma nova luz, uma nova esperança… uma nova vida! Novas visões, novas perspectivas, novas lutas, novos obstáculos… Depois de explicar o que senti e o modo como interpretei cada palavra, cada olhar, cada movimento, julgo que é perceptível o quanto foi do meu agrado estar presente nesta actividade do Projecto de Voluntariado JA, junto daqueles GRANDES senhores… daqueles Vencedores! Obrigada!

Eduardo Pedro | 11.º A Por vezes não medimos as consequências e só damos verdadeiramente importância à vida quando algo de terrível nos acontece. Então, surge um teste à nossa capacidade de ultrapassar os problemas que nós próprios criámos.

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Foi o que aconteceu ao Presidenta da ADMP que, não medindo o risco, entrou numa “corrida” de carros, apenas para provar ao outro, e talvez a si próprio, que era capaz, numa atitude egoísta e irresponsável, pondo em risco a própria vida. A disputa não correu bem e teve um acidente que não o matou por pouco, mas que o deixou numa situação de luta consigo próprio, para corrigir o erro cometido e voltar a ser independente. Hoje em dia, ainda tem as marcas bem presentes no seu corpo, andando numa cadeira de rodas ou apoiado numa bengala. A sua fala ficou também afectada, devido à sua atitude inconsciente. Contudo, considera-se vitorioso, pois conseguiu superar momentos muito difíceis, como deixar de falar e de andar, sempre insistindo e nunca desistindo. Este lutador assume actualmente um papel dinamizador na Associação de Deficientes Motor de Portimão e a sua vida serve para alertar os jovens e como um exemplo de apoio e de esperança a todos os que estão numa situação tanto ou mais difícil do que a dele.

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Hino do estudante

da ESCOLA SECUNDÁRIA MANUEL TEIXEIRA GOMES

Isabel L. Máximo| Auxiliar de Acção Educativa

Somos estudantes Presenças constantes De uma escola Projectada para formar Jovens para o futuro Com porvir seguro Numa missão peculiar Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes Entre todas é e será a melhor Tem natos professores Que apelidamos «stôres» Que ensinam com empenho e rigor!

A sua valência Sempre em evidência Nos transmite orgulho Brio e confiança Quando estudamos E formalizamos Objectivos, sonhos Risos de esperança É moderna e bela Nossa lua, estrela Tem o dom De acalentar os corações Propensa ao amor Tem espaços, luz e cor As flores dos seus jardins Miram paixões!...

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A mensagem Joana Cerqueira | 10.º B

Se vivessem esta dor, esta agonia Todo o dia. Pensar se não seria a última vez Que o vosso filho vos via,

Eu sou a mensageira,

Se não houvesse esperança

O bardo, a voz.

Nem razão para alegria?

Eu sou a conselheira Com uma mensagem para vós.

E se nada houvesse Que pudessem fazer?

Olhem à volta...

Assistir às mortes

Digam-me, o que vêem, então?

Uma por uma

Guerra, revolta...

E ter que ficar a ver?

E no meio disto, o que é que vocês são?

A impotência, o não poder nada fazer!

Fome, doença, Crianças a chorar

Uma mãe que tem de ficar calada Ao ver o filho morrer!...

Porque não há ninguém para as amar...

Vejam! Está ali!

E convosco? Nem há parecença!

Não é uma história de embalar!

Vós chorais por qualquer ninharia: "Não era este o almoço que eu queria!" "

É a realidade! Abram os olhos! Nós é que estamos a sonhar!

Não recebi pelo Natal

TU!

Aquele presente fenomenal!"

Chateias-te com os teus pais

Essas crianças

Sem verdadeira razão,

Não têm Natal, nem vão almoçar!

Se pensasses que não os vias mais,

Elas começam a chorar

Chateavas-te na mesma, ou não?

Porque todas as esperanças Se estão a desmoronar.

E VOCÊS PAIS, E se os vossos filhos não têm vintes?

Mas elas olham à volta

Qual é o problema?

E dão graças pelo que têm,

Não têm vintes, mas têm vida!

Pelo pouco que comem

E saúde! E dinheiro para estudar!

Por cada esperança que vêem.

Qual é mesmo o dilema?

Suas mães Clamam por paz Para que os filhos nunca sofram Com o que a guerra faz.

Amem-se, parem de complicar! A minha mensagem é simples e pura: A minha mensagem é o amor. Ele é a única cura

Seus pais (os que vivem), também.

Para toda esta dor.

Alguns sem um pé,

Enquanto os nossos irmãos

Outros sem uma mão

Estão a sofrer,

Mas o que todos têm, sem excepção

Temos que dar as mãos

É dor, agonia, medo e horror no seu coração.

E algo fazer.

Pensem vocês como seria Se temessem pelos que amam Dia após dia,

Porque somos nós: eu e tu e tu e ele Que temos esse poder! (poema apresentado nas Olimpíadas da E.S.M.T.G.)

Se de cada vez que alguém saísse Não soubessem se voltaria,

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Visitas de estudo

Prof. Ana Paula Candeias

MOSTEIRO DOS JERÓNIMOS

No dia 7 de Janeiro de 2009, as professoras de Português do 9.º Ano, das turmas A e B, dos Cursos de Educação e Formação, Ana Paula Candeias e Felismina Roque, acompanhadas pelos docentes Elsa Oliveira, Margarida Sequeira e Miguel Franco, realizaram uma visita de estudo a Lisboa – Mosteiro dos Jerónimos. Alunos e docentes assistiram “in loco” à peça de teatro Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente. A visita procurou sensibilizar os alunos para aspectos relacionados com o texto dramático.

ROTA DA CORTIÇA

No dia 19 de Fevereiro de 2009, a professora Elsa Oliveira, acompanhada pela professora Ana Paula Candeias, realizou uma visita de estudo à Rota da Cortiça – São Brás de Alportel, com a turma do 9.º ano do Curso de Educação e Formação. O objectivo da visita foi dar a conhecer o mundo empresarial corticeiro assim como a importância da indústria corticeira no Algarve. Os alunos foram, também, sensibilizados para a protecção, preservação e conservação da Natureza.

Instantes | 22


Primeiro dia do resto da minha vida

Texto: Trabalho vencedor do Prémio Literário do Concurso não à SIDA sim à vida

Patrícia Jorge | 12.º B Ilustração: Trabalho vencedor do Concurso Multimédia Não à SIDA, sim à vida (p. 22)

Ana Paula, Ana Gabriel e Mónica | 11.ºJ Imagens: Cartazes elaborados pelos alunos do 12. º D

Estar aqui dói-me. E eu estou aqui há novecentos anos. Não cresci nem mudei. Apodreci. Doem-me as próprias raízes que criei. (Canto Peninsular, Manuel Alegre)

Pelos dias que passam, nem o sol de Agosto me faz renascer as alegrias. A brancura das quatro paredes que me encerram faz-me doer o olhar, faz-me crescer

um

rio

de

angústia.

Bons

tempos, os de folia. Vivia o mundo a cantar os bens da vida. Recordo-os, agora, com nostalgia, querendo voltar a sentir aquela brisa na face, aquele calor, aquela vida que me foi tirada. Não nego. Fiquei triste e desiludida com a minha sentença. Algo tão cruel, como

castigo

de

um

acto

tão

inocente. É claro que já me tinham falado dos riscos que corria, mas nunca pensei que isso me pudesse acontecer, a mim, uma simples rapariga do secundário. De início, pensei que não se perderia muito, afinal de contas, a minha crise existencial fazia-me acreditar que ninguém gostava de mim e, como tal, talvez esse juízo final fosse o mais justo. Depois, comecei a perder a vida, aos pouco, e só muito depois percebi que até uma flor murcha, com as pétalas a cair e o

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caule a apodrecer, pode ter os seus momentos de brilho…Nunca nos podemos esquecer do cheiro suave que ela exalava e da sua beleza incondicional. Novembro. Decido sair com umas amigas. Dentro da discoteca, estava calor, estava muita gente, estava muito alegre. Dancei. Bebi. Dancei, dancei, bebi, bebi, bebi. Conheci pessoas das quais não lembro a cara nem o nome. Suponho que algumas me tenham oferecido bebidas ou que eu simplesmente as tenha bebido de copos algures perdidos em cima da mesa e do balcão. Depois, tudo ficou turvo e a última coisa de que me lembro foi de acordar algumas horas depois, já fora da discoteca. Elas diziam coisas que eu não entendia. Perguntavam-me onde tinha a cabeça para ter ido com ele, se eu estava doida. Fiquei confusa e adormeci mais uma vez. Acordei mais tarde numa sala branca, numa cama estreita e com um tubo a sair-me do braço. Na cama ao lado, havia um velhote a dormir. Olhei pela janela, ao fundo da sala, e vi a minha mãe a falar com uma das minhas amigas. Ela olhou para mim e veio a correr beijar-me, “Vai correr tudo bem, já passou”, disse-me. Eu estava mais confusa do que nunca, mas, por mais perguntas que fizesse, não obtinha resposta de ninguém. Mais tarde, chegou o médico. Pediu-me que lhe contasse tudo o que tinha acontecido, na noite anterior. Ao fazê-lo, apercebi-me de que não me lembrava da maior parte das coisas. Comecei a ficar assustada, a cabeça começou a doer-me. Não queria pensar mais… A verdade é que nem uma réstia de confusão surgia na face daquele médico. Isso irritou-me. Queria ficar sozinha, queria dormir. Depois de um longo silêncio, ele próprio relatou os acontecimentos. Depois de falar com as minhas amigas, percebeu que me tinham administrado, sem eu saber, a chamada “droga da violação” (esta era pelo menos a sua melhor teoria) e fora isso que provocara a minha amnésia. A partir daí, apenas me viram ir embora

com

um

rapaz mais velho e encontraram-me, horas depois, perto da

discoteca,

sentada no chão e completamente inconsciente.

Instantes | 24


Comecei

a

chorar

descontroladamente. Ele disse que não me preocupasse, que já me tinham feito vários exames, que eu tinha que ser positiva. Quis ficar sozinha, não quis pensar na história que realmente preenchia aquele buraco negro na minha cabeça. Continuei à espera de uma boa notícia. Se, de facto, fosse violação eu corria muitos riscos. O engraçado, é que eu nunca pensei no mais importante: SIDA. No final do dia, fui autorizada

a

sair

do

hospital;

tinha

realmente sido violada. Teria que voltar alguns

meses

mais

tarde,

para

ser

submetida ao teste do vírus de HIV. Não fui à escola durante algumas semanas. O facto de a gravidez ser uma possibilidade, amedrontava-me de uma maneira horrível. Depois de algum tempo, fui contactada para realizar mais exames. Os resultados saíram algum tempo depois. O pesar que sentia, atenuou-se a partir do momento em que soube que não estava grávida. Para dizer a verdade, essa era a minha maior preocupação. A possibilidade de ser portadora do vírus da SIDA não me assustava muito porque, pensava eu, muito pouca gente era portadora. Apesar de tudo, vivi esses meses com aquele aperto desagradável na garganta, com o coração acelerado e com a cabeça nas nuvens. O meu mundo tinha ruído. Pensando bem, talvez tenha sido melhor eu não me lembrar mesmo de nada. Assim, podia imaginar que as coisas se tinham passado de uma maneira menos “complicada” ou, então, podia apenas pensar que tudo não passava de um pesadelo. Uma certa tarde, fui ver o correio, tal como fazia todas as outras tardes. Uma carta do hospital pedia-me que me dirigisse a esse estabelecimento para uma consulta urgente. No dia seguinte, segui, sozinha. Esse foi o primeiro dia de uma vida que alguém escolheu por mim, de uma vida que eu nunca imaginara ou desejara. Eu descobri que tinha “Síndroma de Imunodeficiência Adquirida”ou seja, SIDA. Apesar de tudo, naquele momento, sorri. No momento mais difícil da minha vida, eu sorri. Por que haveria de chorar? Teria tanto tempo para o fazer… Sei que, no fundo, a culpa também foi minha, se, naquela noite que a angústia me levou a esquecer, não tivesse sido irresponsável, se tivesse bebido um pouco menos, teria prestado mais atenção àquilo que me rodeava. Se nem sequer tivesse saído de casa, hoje, não estaria fraca, magra e quase sem vida, presa por uma doença incurável.

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No entanto, após os longos meses de convivência com esta doença, aprendi que, muito provavelmente, não irei morrer amanhã e, como tal, é melhor aproveitar o dia de hoje, normalmente, como fazia antes. Voltei a sair, até já bebi “um copo” com uns amigos. Voltei a sorrir, voltei a amar um pouco mais. No fundo, fui eu que criei estas raízes que me prendem à SIDA. Dói-me estar presa a ela, cada mês parece um ano. No entanto, mesmo sabendo que o meu prazo é mais reduzido que o das outras pessoas, sinto-me feliz por ter amigos e família que me amam e, apesar de tudo, por ainda aqui estar, junto deles.

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9 de Maio DIA DA EUROPA Prof. Feliciana Ramos

Mais um ano passou e aí temos, novamente, o DIA DA EUROPA, 9 de Maio. Por que se escolheu este dia para o DIA DA EUROPA? Desde 1985 que a CEE/União Europeia comemora a 9 de Maio o Dia da Europa. Este dia, juntamente com a bandeira, o hino, a moeda e o lema “Juntos na diversidade”, constituem os símbolos da União Europeia e caracterizam a sua identidade política. A escolha deste dia para essa comemoração teve origem no facto de ter sido a 9 de Maio de 1950 que Robert Schuman, ministro dos Negócios Estrangeiros de França, proferiu à imprensa, no Salon de l`Horloge du Quai d`Orsay, uma célebre declaração (redigida por Jean Monnet) que ficou conhecida como “Declaração Schuman”. Nesta declaração, Schuman exortava à salvaguarda da paz mundial e, particularmente, à reconciliação franco-alemã, através da colocação, em comum, de produções de base e da instituição de uma Alta Autoridade, cujas decisões ligariam estes dois países e outros que a ela aderissem. Seria, por assim dizer, a primeira pedra na construção de uma “federação europeia”, indispensável à preservação da paz. Na sequência das posições defendidas por Schuman, foi criada, em 1951, pelo Tratado de Paris, a primeira organização de integração europeia com seis países, a CECA - Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (extinta em 2001,) à qual aderiram a França, a Alemanha, a Itália, a Bélgica, a Holanda e o Luxemburgo e, seis anos depois, em 1957, com a assinatura do Tratado de Roma, a criação da CEE (Comunidade Económica Europeia) e da EURATOM (Comunidade Europeia de Energia Atómica) com os mesmos seis países. Na Cimeira Europeia (Conselho Europeu) de Milão, de 1985, os chefes de Estado e de Governo ali reunidos, conscientes da importância daquele dia para o início do processo de construção europeia, decidiram consagrar o dia 9 de Maio como o DIA DA EUROPA. A integração europeia começou com seis países; passou a ter nove, em 1973, e 10, em 1981; em 1986 eram 12; em 1995 contava com 15; em 2004 vieram mais dez (o maior alargamento de sempre) e passaram a ser 25; em 2007, aderiram mais 2. No princípio, eram apenas seis! Agora, existe a “Europa dos vinte e sete. E não devemos ficar por aqui… Há “lista de espera” para entrar! Estados-Membros da União Europeia, por ordem de alargamentos: França, Alemanha, Itália, Bélgica, Holanda, Luxemburgo; Reino Unido, Irlanda, Dinamarca; Grécia; Portugal, Espanha; Áustria, Suécia, Finlândia; Polónia, República Checa, Eslováquia, Hungria, Eslovénia, Estónia, Letónia, Lituânia, Malta, Chipre; Bulgária, Roménia.

In: Aprender a Europa – Centro de Informação Europeia Jacques Delors (texto adaptado)

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BIBLIOTECA: Guardar memórias… Traçar futuros.

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Equipa da Biblioteca Escolar

A Biblioteca Escolar (BE) assume-se como um espaço central da escola. O apoio ao curriculum, os projectos e as parcerias, a promoção da leitura e as actividades de gestão diária constituíram as quatro grandes linhas estruturantes da sua actuação, ao longo do ano lectivo. O apoio ao curriculum concretizou-se através da disponibilização de um fundo documental que se quis permanentemente actualizado, procurando ir ao encontro das diferentes disciplinas. Durante este ano lectivo, deram entrada, no espólio da Biblioteca Escolar, cerca de três centenas de documentos, em formato de livro impresso e electrónico. Para além disso, foram adquiridas várias publicações periódicas (cerca de vinte títulos, com diferentes periodicidades, nomeadamente jornais diários, semanários, revistas de actualidade científica e cultural e algumas revistas especializadas). O apoio ao curriculum concretizou-se, ainda, na disponibilização do parque informático, para a realização de várias actividades, nomeadamente, na Área de Projecto. Foram, ainda, disponibilizadas sessões de tutoria, na disciplina de Matemática, para os alunos que apresentaram maiores dificuldades. O apoio aos diferentes projectos da escola foi uma constante, quer através da aquisição de obras, relacionadas com temáticas ambientais, quer na impressão de cartazes e de folhetos. Coube, ainda, à equipa da BE elaborar

alguns cartazes promotores de vários eventos da escola. Estabeleceram-se parcerias com a Câmara Municipal de Portimão e a Câmara Municipal de Coimbra para trazer à escola uma exposição sobre Miguel Torga. O trabalho colaborativo com a Biblioteca Municipal permitiu o apoio no tratamento técnico documental e na concretização de actividades de promoção da leitura. Essas parcerias estenderam-se, ainda, à livraria Teorema, aquando da realização da Feira do Livro e ao grupo de teatro da escola, Teatro da Caverna, um colaborador sempre presente em muitas actividades da BE, na Semana da Leitura e ao longo do ano lectivo. A equipa promoveu várias iniciativas destinadas à promoção da leitura, com a colaboração do Teatro da Caverna, a Biblioteca Municipal Manuel Teixeira Gomes e a Direcção Regional de Educação do Algarve. A escola recebeu a visita de Afonso Dias e do grupo Experiment’Arte, que proporcionaram a várias turmas da escola espectáculos de poesia. Para além destas sessões, realizou-se um encontro com a escritora Graça de Sousa. A exposição sobre Miguel Torga, a constituição de montras de livros temáticas, a História de Um Minuto e a elaboração e distribuição de marcadores de livros foram outras formas de promover a leitura, junto de toda a comunidade. A promoção da leitura fez-se, ainda, através de actividades como «Um escritor à tua porta», «Os Lusíadas manuscritos» ou o tradicional concurso literário «Quem conta um conto…», aberto às duas escolas secundárias da cidade.

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Ao longo do ano lectivo, seleccionaramse notícias de jornal, sobre as temáticas do livro e da leitura, actualizou-se a página web da BE, realizaram-se exposições temporárias de fotografia, de marcadores de livros e de postais antigos e assinalaram-se várias efemérides, quer através de cartazes, quer recorrendo ao blogue da escola. Editou-se, ainda, o boletim «TXG», com uma síntese das principais actividades da BE. Este ano, a sua periodicidade foi semestral. Para além das actividades mais visíveis, a equipa, através do seu coordenador, esteve sempre presente nas reuniões mensais realizadas em diferentes escolas dos concelhos de Portimão e de Monchique, com os professores bibliotecários dessas escolas, com membros da Direcção regional de Educação do Algarve e com bibliotecários das Bibliotecas Municipais de Portimão e de Monchique. Essas reuniões visaram, sempre, a partilha de informação e de experiências, contribuindo para a formação e para o enriquecimento profissional dos diversos intervenientes. As actividades de gestão e de organização da BE mereceram particular atenção, por parte da equipa. Para além das reestruturações que se operaram, na sala de leitura, foi criado um Gabinete de Apoio à Biblioteca, destinado às actividades de catalogação, ao arquivo de documentos e à realização de reuniões de trabalho.

Projecto Educativo e no Projecto Curricular. Os membros da equipa elaboraram, ainda, vários relatórios, quer por solicitação interna, quer externa. O coordenador da BE frequentou o Mestrado em Gestão da Informação e Bibliotecas Escolares, da Universidade Aberta. A BE colaborou activamente na Feira Educativa - Portimão 2009, sendo de realçar o trabalho realizado pelas funcionárias, na reprodução e na preparação de materiais. São essas funcionárias que asseguram, diariamente, o atendimento ao público e a disponibilização de vários suportes logísticos. Para além disso, procedem à recolha criteriosa de informação essencial para a realização de tratamentos estatísticos. A BE pretendeu, assim, ajudar a traçar o futuro dos alunos da nossa escola, apoiando-os nas suas actividades curriculares e proporcionando um conjunto de actividades culturais que contribuiu para o enriquecimento dos discentes. Ao longo do ano, guardar memórias, traçar futuros foi um lema que esteve sempre presente na vida da escola e na actuação da Biblioteca Escolar e da sua equipa.

Melhorou-se a sinalética da BE e conceberam-se ou reestruturaram-se vários documentos: o guia de utilizador, o manual de procedimentos, a política de desenvolvimento da colecção e o plano de actividades. Todos estes documentos procuraram ir ao encontro das grandes linhas que norteiam a actuação da escola, constantes no

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SEMANA DA LEITURA ENCONTRO COM A ESCRITORA GRAÇA DE SOUSA

Renato Belindró | 11.º C

Arrumo a mochila hoje de manhã. Estou feliz com a ideia de que não vou ter uma aula hoje, e ao mesmo tempo aborrecido ao pensar que terei de assistir a uma palestra enfadonha apresentada por uma escritora de quem nunca ouvi falar: Graça de Sousa, autora de A Valsinha. Chego ao auditório da escola e penso: «Bolas, esquecime de trazer algo para me entreter. Ah!... e comida!» E então sento-me para ouvir Graça de Sousa a discursar. Graça de Sousa, ao contrário do esperado, não me aborreceu. Longe disso. Ao invés de falar sobre os contos que escreveu, decide narrar-nos a história da sua vida. Escolha sensata, pois parece que Graça de Sousa viveu uma vida bastante interessante. Dessa vida surgiram as ideias para as suas histórias. Contou-nos as suas aventuras e desventuras em Angola, as suas brincadeiras de infância, como alfabetizou um negro e como agiu perante o terrorismo que invadiu o seu país.

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Não foi uma palestra aborrecida. Foi uma empolgante lição de história. A Graça de Sousa tiro o meu chapéu. Conseguiu entreter-me durante hora e meia, quando eu achava que apenas a televisão tinha esse efeito sobre mim. E agora mal posso esperar para ler A Valsinha. Porque se for cativante como a sua palestra, estou à espera de quê?

Gostei desta experiência, porque, tal como muitos outros colegas, não sabia que existiam escritores na cidade onde moro, o que é, para mim, motivo de orgulho. […] podemos referir Graça de Sousa como alguém que representa a nossa cidade na escrita portuguesa. Jorge Cabral | 11. ºC

Pedro Freitas | 11º C

O contacto pessoal com alguém que vivenciou várias experiências traumatizantes, alertando-nos para os perigos existentes, é muito importante. Tal como Graça de Sousa nos relatou, o perigo pode aparecer quando menos esperamos. A segurança é algo ilusório. A escritora relatou-nos, na primeira pessoa, a tranquilidade total e a inocência que viveu, até aos 14 anos, o despertar para a realidade e o terror vivido em Angola. Para além disso, Graça de Sousa transmitiu-nos o poder que uma só pessoa pode ter, no Mundo, com as suas acções, realizadas em diversos lugares (Angola, Bélgica e Portugal). O mais importante, nesta palestra, penso eu, foi ver alguém que testemunhou factos dramáticos sempre com um sorriso na cara.

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Quem sou eu? Inês Metello | 10.º G “Eu” é uma palavra que muito nos diz, mas que poucos conseguem definir. Segundo o dicionário, é um simples pronome pessoal da primeira pessoa do singular, é o que constitui a individualidade, a personalidade de quem fala, a consciência. Para mim, o “eu” é tudo isso, e Eu sou um pedaço de nada, um conjunto de tudo, uma pequena parte de um grande aglomerado de coisas. Todo o “eu” tem defeitos, pois todos os “eu” são “alguém”, e Eu, tal como Tu, Ele, Vós e Eles, tenho defeitos de alguém. Defeitos como a inveja secreta, a raiva inconsciente, o ciúme puro do meu desejo mais ardente. Eu sei o que sou, ou talvez nem saiba. Sei o quero, mas nem sempre sei como o ter. Sei que, do meu ponto de vista, sou cândida e inocente e que, do ponto de vista de outros, sou apenas diferente. Tudo depende dos distintos “eu” que observam o meu Eu. Sei ser e sentir, amar e perdoar e, com isto, permitir a existência da minha pessoa. Sei o meu nome, idade e naturalidade. Não sei porque vim Eu, e não outro “eu” qualquer. Porque tenho esta consciência e não outra. Eu sou Eu, e mais ninguém. Quem sou Eu? Apenas Eu, e Eu “Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.” Afinal, o que define o “eu”? Os seus pensamentos, talvez. Mas assim, como é que a olho nu se conseguem distinguir as diferentes mentalidades? Não se consegue. Apenas através da escrita, da fala, da arte. Mas, por vezes, as mentalidades não são compreendidas como deviam ou existem pensamentos que não são expressos. Daí, por mais que eu me confesse a alguém e diga o que me venha na alma, haverá sempre algo que não será dito e ficará silenciado nas profundezas das ideias. Só Eu sei o que penso, e muitas vezes não me fio no meu pensamento. Pode parecer louco, pode ser diferente, pode estar errado. Eu sou o meu pensamento e o meu pensamento representa-me a mim. Por isso, eu sou insegura, louca, diferente e, tal como toda a gente, também erro. Eu sou tudo isso e, no entanto, não sou nada. Mas como tudo é alguma coisa suponho que seja algo. Talvez um pensamento de alguém ou apenas uma Inês-Ninguém.

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Amizade Diogo Saraiva | 10ยบ R

Mais um segundo, Eu vejo. Mais uma hora, Eu espero. Passa um ano, Eu desejo Paz e sentimento A todas as pessoas Que conheci E senti Que gostam de mim Como sou, E eu agradeรงo Retribuindo tudo O que o meu interior Tem para dar O meu afecto, carinho A minha companhia, A minha simpatia, E vou contente, Porque caminho Pela vida fora Encontrando Boa Amizade Que nunca irei esquecer Que nรฃo vou perder. Instantes | 34


Alguns

PROBLEMAS

ESMTG Portimão

DA QUINZENA Profs. João Santana Marques e António Reis

Dois operários constroem um muro em 4 dias. Um deles, trabalhando sozinho, constrói o mesmo muro em 5 dias.

Duas famílias de agricultores tinham num pote, em conjunto, 10 litros de azeite. Como pretendiam dividir o azeite em duas

Em quantos dias, o outro operário,

partes iguais, usaram duas conchas; uma

trabalhando sozinho, conseguirá

com capacidade de 7 litros e a outra com

executar a mesma tarefa ?

capacidade de 3 litros. Explica como vão conseguir efectuar a divisão.

No lago L o nenúfar N duplica, diariamente, a sua área, levando 30 dias a cobrir o lago.

Duas plantas iguais a N quantos dias levarão para cobrir o lago L ?

A,B,C,D,E,F,G,H

Que letra está dois lugares para a direita da letra imediatamente à

esquerda da

letra que está três lugares para a direita da letra imediatamente à esquerda da letra E ? Instantes | 35


EXPOSIÇÃO

ESTOU NAS NUVENS EXPOSIÇÃO

ESTOU NAS NUVEN Profs. do grupo de Geografia

Decorreu de 20 a 27 de Março, na Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes, a exposição fotográfica “Estou nas Nuvens”. Esta exposição foi organizada pelo grupo de professores de Geografia e teve como objectivo celebrar a entrada da Primavera e o Dia Meteorológico Mundial. Estiveram presentes na exposição 82 fotografias de 48 participantes: 24 destes participantes eram alunos e ex-alunos, 19 eram professores e 4 eram Encarregados de Educação. Das 82 fotografias expostas, 77 eram fotografias na categoria de Autor (fotografias concebidas pelos próprios) e as 5 restantes eram fotografias da categoria FotoNet (fotografias seleccionadas a partir de sites da internet). O grupo de Geografia ficou muito sensibilizado com o elevado número de participantes e com a qualidade dos trabalhos fotográficos, presentes na exposição. Sendo assim, o grupo irá concretizar um evento semelhante, na Primavera de 2010, com um tema que se espera que mobilize toda a comunidade educativa.

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Children and TV – friends or enemies? Inês Metello | 10.º G

Almost every child has a little box called TV in their bedrooms, or at least in their homes, and put it on some kind of altar right in the centre of the room. But is television a child’s best friend or worst enemy? On the one hand television helps them staying informed on current affairs and learning things about our society. There are a lot of educational programmes and news channels they can watch. Moreover, this way they are easily entertained by watching cartoons or other programmes, so parents do not have to spend money on videogames or taking them to the cinema. Finally, they also improve skills like multitasking. Nowadays, most children are now capable to watch TV and perform several tasks at the same time. On the other hand, there are a lot of violent programmes and films on television and all this blood and violence can make them aggressive or wanting to imitate what they see. Not to mention that if they sit all day and do not do much exercise, they can become couch potatoes or get some disease like obesity. Last but not least, too much television will create a communication barrier in the family. As far as I’m concerned, television is good for children, but they have to be supervised so that they do not watch it for long hours, and parents should also restrict some programmes. So, watch television….but wisely.

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Às vezes tens medo de tentar… Anna M. | 10.º F

Às vezes tens medo de tentar. Estarei certa ou errada? Estás com receio de ao arriscar, errar Mas isso não te levará a nada. Viver não é só acertar. É aprender, cair, e voltar a tentar. Mesmo quando ao cair, fizeres uma ferida Para cada situação há a sua saída. Mas se não experimentares, nunca saberás. Nunca vais cair, nunca vais viver, nem aprenderás. Ganhar não é só vencer. É também aproveitar a noite e esperar pelo amanhecer. Quando está escuro, estás triste e isolado. Mal aparece o sol, já te sentes menos magoado. Mas quando aprenderes a viver cada instante Verás que tal como o dia, a noite é importante. E agora, estou certa ou errada? Faz uma escolha, mesmo que não seja acertada. Se perderes, ganharás, embora logo não o vejas. E no final serás tu o vencedor, mesmo que vencido sejas.

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O RAPTO DE PROSÉRPINA Naliana Martins | 10.º F

Conta o mito que Prosérpina, para os gregos Perséfone, era filha de Ares, deusa das colheitas, protectora dos campos. Certo dia, a bela rapariga colhia flores, com as suas amigas, quando Plutão, enamorado com a sua beleza, raptou-a e levou-a consigo, para o seu reino subterrâneo. A mãe de Prosérpina, desesperada, procurou-a por toda parte, e não encontrando a querida filha, refugiou-se numa profunda tristeza. A amargura da deusa transformou em desertos gelados prados e campos outrora fecundos e verdejantes. Júpiter, tendo em vista que essa situação poderia reflectir-se nos mortais, resolveu intervir junto ao seu irmão, deus dos infernos. Pediu, então, a Mercúrio que fosse até os infernos e encontrasse uma solução. Este conseguiu estabelecer um acordo: Prosérpina passaria uma metade do ano com o seu marido e a outra metade com a sua mãe. Dessa forma, quando Prosérpina se encontrava na terra, com sua mãe, os campos floresciam e as árvores enchiam-se de frutos. Porém, quando descia para o mundo subterrâneo, com Plutão, a terra mergulhava, novamente, numa profunda tristeza. Este mito tenta explicar a constante mudança e renovação da natureza e a sucessão das estações do ano.

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Prof. Paula Barradas No princípio era a Dúvida. Não, bem sei que no iniciozinho era a Palavra, mas a Palavra não encerrava grandes problemas e por isso saltei à frente. Saltei e bati, com quanta força tinha saltado, nessa coisa espantosa que é a dúvida, que se multiplica, subdividindo-se noutras dúvidas como se de um pequeno ser se tratasse. Comigo foi assim. Um dia, quando ainda mal dominava as palavras e esfolava os joelhos por não dominar também outras áreas de conhecimento empírico, dei comigo a interrogar-me sobre coisas que ninguém parecia capaz de me responder. Seriam as quedas um castigo como me dizia a minha mãe? De onde vinha a dor? Por que razão deveria dar ouvidos aos adultos quando os via a fazer precisamente o que me diziam para não fazer? Porque é que a morte deixa as pessoas tristes se nos dizem que os que partiram foram para o céu e toda a gente quer ir para lá?... Por esta altura, estava completamente submersa em dúvidas e foi assim que, por ter pouco o que fazer, e não gostar da insegurança em que as dúvidas me lançavam, que comecei a perguntar

desalmadamente,

secando

quem me rodeava. Foi a fase de

preparação,

um

a seguir: aprendi a ler e descobri que os livros para a grande maioria me colocava e para pensei fazer. Foi uma descobertas e a vida A dada altura achei que que os meus amigos nem que surgiam iam obtendo respostas

a

paciência

de

da Procura e uma espécie

A minha relação com a Filosofia

estágio para o que viria pouco tempo depois tinham das

respostas

questões

outras

que

época

que

nunca de

corria-me de feição. sabia

imenso,

coisas

desconfiavam e as dúvidas prontas, os livros, os pais, os

professores e os amigos, actuavam como pensos rápidos que colocamos sobre rasgos que queremos esquecer que existem. A dúvida morreu, viva a sabedoria. Fiz esta experiência de ignorância quando pensava ter encontrado a sabedoria. Ignorava que, uns bons séculos antes, um Sócrates qualquer havia dito ser um ignorante mas que, ainda assim, sabia coisas que os outros desconheciam. Cativou-me, a mim e aos meus 15 anos de experiência. A filosofia entrou na minha vida com a graciosidade de um comboio desgovernado e fez estragos no ego. Então, eu não podia saber tudo? Havia perguntas a que ninguém podia responder? Afinal, há Homens de idade avançada que ainda guardam

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mais questões do que respostas? E eu, como fico nisto tudo? Parecia uma tragédia grega e era precisamente de gregos que se tratava…Fiquei temporariamente céptica e perdida. Quando nos perdemos, devemos voltar atrás, para reencontrarmos o caminho e foi isso que fiz. Inverti a marcha, voltei ao início. À dúvida? Sim, mas também à Palavra. Às vezes é preciso reaprender tudo e é nas palavras que tudo começa. Deslumbrei-me com o poder das palavras, com o rigor e a precisão matemática com que podem explicar o mundo mas fiz muito mais que isso. Viciei-me na dúvida, não nas perguntas inconsequentes mas nas consequências de cada resposta, e não busquei tratamento. É importante perceber que este percurso foi feito num modo semi-alucinado de quem vê o mundo através de um caleidoscópio e tenta perceber qual é exactamente a imagem real. A dada altura resolvi que iria ser uma “duvidadora” profissional e mergulhei na filosofia, convicta de que ser filósofo seria uma profissão. No final, percorri todas as cadeiras de um curso, já não para ter uma

profissão,

mas

para

aprender

a

conseguir

defender

as

minhas

opiniões,

fundamentando-as e arranjando argumentos para defendê-las, sem unhas e sem dentes mas com a razão. Hoje, mais do que uma profissão, tenho uma atitude. Hoje sou eu quem guia o comboio, aquele que um dia pensei que ia desgovernado e, quando consigo “atropelar” alguém, fico feliz. Provavelmente, um dia conseguirá guiar o seu.

Proteger, inovando Bruno Silva, Carlos Martins, Jefferson Souza, João António e Sónia Baiona | 12.º A

Na Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes, foi construído, na época do Natal, um presépio, com materiais reciclados, que esteve exposto no Bloco D. Esta iniciativa realizou-se no âmbito do Projecto O.A.C. – Observatório das Alterações Climáticas, com a participação de alunos da turma A do 12º ano. Esta turma debruçou-se sobre o tema “Ambiente”, na Área de Projecto. O presépio com materiais reciclados teve como objectivo sensibilizar a comunidade escolar para a importância da reciclagem e mostrar, de uma maneira engraçada, como se pode aproveitar o “lixo” lá de casa, poupando dinheiro e energia.

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O mundo do espectáculo atrás das cortinas

Mathilde Major | 10.º Q Posso considerar-me uma actriz amadora. Embora tenha feito um papel secundário na peça A Arca, quero falar um pouco sobre a experiência que é pertencer a um grupo de teatro. É importante que haja um bom espírito de equipa entre actores e actrizes, pondo de parte ninharias e rivalidades. O que conta é o espectáculo, o objectivo para o qual todos trabalhámos. Durante as representações, também o comportamento correcto do público é fundamental, para que possa deliciar-se com todo aquele nosso esforço, ensaiado e vivido vezes sem conta. Todos nós temos um lado um pouco “palhaço”, que pode ser o nosso lado cómico, e um outro, mais interessante, o mágico, que utilizamos para (re)criar as personagens dos textos. Nas sessões de dramatização e de ensaios, normalmente nas tardes de quarta-feira, exploramos esse nosso lado mágico quando preparamos uma peça... Um bom actor deve procurar enriquecer o seu trabalho constantemente. Os guiões são apenas o ponto de partida. Como um mapa, localizam as personagens na peça. Nos exercícios dramáticos, os actores procuram visitar as ruas de uma cidade em imaginação, observam-nas, vivem-nas. Fazem o mesmo com as personagens. Há sempre algo que se pode mudar e melhorar. Não é fácil estar inserida num elenco. É preciso paciência, força de vontade e, sobretudo, persistência. Apesar do esforço, o resultado final e o facto de trabalhar em algo de que gosto muito - a representação - deixam-me feliz. Nunca me arrependi de ter entrado na “Caverna”. Há anos que procurava algo relacionado com a representação. Este “clube” é um refúgio para mim, cheio de gente simpática, carismática, gira, criativa, enfim, gente que reúne tudo o que uma equipa de interpretação precisa para enriquecer e apresentar peças de qualquer género. Talvez um dia todos, incluindo os nossos professores, estejam interessados em fazer um musical. Eu mal posso esperar por um dia assim!

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Vindos dos fundos dos tempos, lá das profundezas dos Infernos … Prof. Rosário Cristóvão

Não fosse eu professor e não saberia explicar o que me aconteceu, numa noite cálida de inverno, assolado por uma terrível insónia. Ali estava eu, de papo para o ar, de olhos arregalados e pregados no tecto do quarto, adivinhando os mínimos ruídos da casa, do prédio, da rua, do bairro, do fim do bairro, do fim do mundo, do limite extremo da galáxia, quando uma claridade atravessou, instalou-se e disse no interior da minha mente: - Purga-te de toda a tua maldição! O sacrifício da tua insónia é o começo da tua purificação. És professor! Maldito! Silêncio. Fiquei perdido de medo. A aterradora claridade ofuscava-me a visão e ensurdecia-me a audição. Aquela espécie de luz tinha mais som que qualquer voz, mais força que qualquer outra coisa conhecida no mundo. De repente, disse novamente: - És professor! Toda a miséria do mundo a ti se deve! Salva-te e salvarás o mundo! Abdica, maldito! E desapareceu! Fez-se novamente escuridão no interior da minha mente. Sentia a cama a abanar, qual tremor de coração em exercício! Nunca na minha vida tinha visto, sentido ou ouvido qualquer coisa minimamente parecida com aquilo. Mas a violência da minha insónia não me deixava dúvida – eu não estava a dormir, não tinha sonhado!

Instantes | 43


Racionalista convicto, vasculhei toda a história do saber, da filosofia, da física, da química, da matemática, e de todas as ciências afins. Reli mentalmente todos os compêndios eruditos. Nada me explicava o sucedido. Seria um delírio esquizofrénico? Mas uma pessoa sempre tem o seu orgulho e não é por uma coisa destas que se dá logo como maluco! Continuei. Dada a insuficiência das teorias racionalistas, decidi abrir caminho para outro lado, já menos conhecido por mim, mas sempre seria de tentar – a superstição. Alma do outro mundo? Mas não tinha visto alma alguma (como seria uma alma, que cor teria? Teria cheiro?)! Estava quase a desistir, quando decidi voltar à minha convicta natureza racionalista e encalhei no meu bom companheiro de jornada, Descartes. Senti-me a enregelar! Paralisei por completo! Eu, humilde servo das ideias, humilde aprendiz do saber, tinha sido escolhido, sabe-se lá por que desígnios, para depositário de uma raríssima aparição de uma ideia clara e distinta. Era isso que me tinha acabado de acontecer. Uma ideia clara e distinta tinha acabado de aterrar dentro da minha cabeça, tinha-me feito num oito e, depois disto, abalou sem pedir desculpa! Sempre há destas, entram, fazem o servicinho todo, vão-se embora e nem deixam um cartão para lhes telefonarmos mais tarde! Mas esta, eu tinha-a apanhado! Esbanjou para dentro de mim todo o charme da sua verdade e sumiu-se na escuridão! Isso já eu tinha topado, a convencida! Mas aquilo da purificação, de eu ser professor, da maldição, dos males do mundo, é que eu não tinha percebido mesmo nada! Afinal, sempre me tinham dito que ser professor era um acto de amor, semelhante ao acto de curar um paciente ou ao curar de uma alma que se confessa arrependida dos seus pecados. Mas agora não estava a conseguir compreender! Mas uma coisa é certa, não há argumentação possível contra uma evidência, contra uma ideia clara e distinta! Racionalista convicto, tinha de aceitar e dedicar todo o sacrifício da minha insónia à fundamentação de tal evidência! O mundo deu som de si – o vizinho de cima, que lava janelas e ganha mais do que eu, a contar pela frota estacionada à porta de casa, tem o horrível hábito de acordar com um despertador que mais parece o som dos travões dos autocarros. Olhei o relógio. Seis da matina. Senti-me intimamente privilegiado, pois naquele dia, só teria de entrar para as aulas das onze e trinta. Mais umas horas de reflexão! O som do meu despertador era nitidamente diferente do som do meu vizinho de cima. Eu tinha gravado uma área de Mozart. Questionei-me se aquele sujeito saberia quem era Mozart. Comecei a sentir o início de um interminável complexo de culpa. Era o início da minha purificação! Fora eu e todos os outros professores, das gerações antes da minha e toda a minha geração, que não tendo divulgado a música de Mozart, permitíamos agora que alguém acordasse ouvindo os travões dos autocarros.

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Passei para o andar em frente da minha porta. Aquele sujeito de bigode fininho e que cumprimentava a vizinhança a olhar para o tapete da entrada, sovava a mulher quase sempre nos dias ímpares do mês, sem antes não se esquecer de a avisar para chorar baixinho. Fora eu e todos os outros professores, das gerações antes da minha e toda a minha geração, que não tendo conseguido explicar o que é o respeito e o amor à humanidade, tínhamos deixado que aquele baixote fosse maior nos dias de luta. Ainda havia mais andares naquele prédio! E estava a gostar de os visitar! No último andar, havia uma loira espampanante, que não se coibia de se encostar bem a mim, entalados no elevador, roçando tudo o que havia para roçar, em hora de ponta, ora de manhã, ora ao fim do dia. Fora eu e todos os outros professores, das gerações antes da minha e toda a minha geração, que não tendo conseguido explicar o que é a beleza, tínhamos deixado que alguém confundisse encanto com vulgaridade. No rés-do-chão, vivia quem se gabava de dizer que era generoso, não se lembrando, no entanto, de olhar para as suas mãos, de imediatamente fiadas nos bolsos, sinal de quem esconde alguma coisa, alguma coisa que afinal não quer dar. Fora eu e todos os outros professores, das gerações antes da minha e toda a minha geração, que não tendo conseguido explicar o que é a generosidade, tínhamos deixado que alguém confundisse generosidade com mentira. No segundo andar, vivia a intelectual erudita, devoradora de livros e coleccionadora de frases e de ideias. Fora eu e todos os outros professores, das gerações antes da minha e toda a minha geração, que não tendo conseguido explicar o que é a aprendizagem e o amor ao saber, tínhamos deixado que alguém confundisse a aprendizagem com diarreia mental. No quarto andar vivia uma beata que coleccionava talões de desconto do supermercado e horários das missas, de verão e de inverno. Fora eu e todos os outros professores, das gerações antes da minha e toda a minha geração, que não tendo conseguido explicar o que é a santidade, tínhamos deixado que alguém confundisse a religiosidade com dependência. Na cave, vivia o jovem rebelde, todo atarraxado em piercings e tatuagens, como se furando o corpo e decorando-o com desenhos psicadélicos, afirmasse um mundo novo. Fora eu e todos os outros professores, das gerações antes da minha e toda a minha geração, que não tendo conseguido explicar o que é a harmonia, tínhamos deixado que alguém confundisse identidade e ostentação. No meu andar, mesmo ali, naquela casa apenas habitada por mim, vivia um professor que só naquela noite de insónia, conseguiu ver, como uma ideia clara e distinta, aquilo que não vem contado em qualquer texto religioso. Afinal, a história do pecado original não estava totalmente contada. Eva seduziu Adão. Sim, já sabemos. O que não sabemos, é que isso foi uma prova de avaliação. Digamos, uma espécie de prova para

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dispensar da oral. É que por detrás de uma das árvores do paraíso, estava um professor escondido, que ensinando a sua fiel aluna, levou-a a encetar todos os pecados do mundo. No meu andar, mesmo ali, naquela casa, apenas habitada por mim, vivia um professor que numa noite de insónia viu a razão da miséria do mundo: batalhões de professores, clones desse professor original, escondido na árvore do paraíso, dedicam-se a enganar o mundo, e o mundo, tão ingénuo como Adão e Eva, aprende todos os pecados, e se afasta para sempre da virtude original! Afinal, no paraíso, eram três.

Olimpíadas da Teixeira Gomes Prof. Amélia Taveira Nos dias 25, 26 e 27 de Março decorreram as Olimpíadas da Teixeira Gomes. Organizado e pela Associação de Estudantes, este evento constou de 5 provas de cariz diferente e aliciante: Desporto, Criatividade, Leitura, Cultura Geral e Quebra-tolas. A prova de Desporto incluiu as duas modalidades anunciadas: o jogo da corda e a escalada. Na prova de Criatividade, valia tudo: teatro, curta-metragem, música, ou vídeo, por exemplo. Na prova de Leitura, leu-se um poema do próprio participante ou de um autor à escolha. A prova de Cultura Geral consistia em responder acertadamente às questões formuladas e a de Quebra-tolas centrava-se na resolução de “casos-problema”. Participaram 8 turmas e o prémio estipulado, um torneio de Paintball, foi ganho pela turma C do 12.º ano. Os momentos divertidos foram imensos mas foram destacados dois pela Associação dos Estudantes: a introdução de uma prova desportiva surpresa, “Missão Impossível” e a criação/ensaio de um “Grito de Guerra”, episódio barulhento e animado. A Casa da Ciência e da Tecnologia sentiu todo o orgulho, ao colaborar nesta iniciativa da Associação de Estudantes. Todo o apoio que possa ser prestado a actividades que promovam e desenvolvam o sentir colectivo e o enriquecimento académico é pouco. Que de boas ideias e do árduo trabalho nasçam acontecimentos que possam vir a ser uma tradição, na nossa escola.

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A ESMTG na Finlândia Profs. Amélia Taveira, Fernanda Marcelino e Raquel Santos

Estas duas imagens têm, cada uma delas, uma história e como a essência da Casa da Ciência e da Tecnologia (CCT) é estabelecer pontes, é claro que as duas estão relacionadas. Vamos começar pelo princípio. Como todos sabem, a primeira actividade realizada pela CCT, neste ano lectivo, foi aceitar a proposta sugerida pelo projecto ENO Environment, patrocinado pela ONU (UNEP – United Nations Environment Programme), e plantar uma árvore, ao meio-dia de 22 de Setembro. Essa árvore está registada para perfazer o número de 100 milhões a plantar até 2017. A árvore plantada é uma alfarrobeira já que, segundo estudos efectuados pela Universidade do Algarve, é a espécie que capta maior quantidade de CO 2 . O lema do nosso projecto incita-nos a aceitar desafios. Passo a passo (traduções, artigos científicos, entrevista ao Presidente da Câmara Municipal de Portimão, Dr. Manuel da Luz, teatro sobre alterações climáticas, dramatizado perante 3 turmas de duas escolas de ensino pré-escolar da nossa cidade, entre outros), fomos construindo um volume de trabalho suficientemente grande para ser significativo. Por não termos deixado passar em branco nenhuma das actividades propostas, surgiu-nos o convite para integrar a ScieFest – Festa da Ciência. Apesar das diferenças que, de facto, existem entre povos, usos, costumes, culturas, modos de estar e de pensar a vida,

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é comum o desejo de partilha de tudo aquilo que nos possa tornar mais felizes… A Ciência foi o pretexto. A organização do evento (que nos perguntava, em Março, a que horas chegava o nosso comboio) avisou-nos que os Estados Unidos da América nos brindariam com a presença do último homem que tinha andado na Lua. Uma das muitas fotografias que nos mostrou ficou célebre por ter sido a primeira fotografia do planeta Terra visto do espaço – o lindo planeta azul tinha sido fotografado por ele próprio. Mesmo antes de se ter disposto a responder às questões da numerosa assistência pediu desculpa por não querer tirar fotografias nem autografar nenhum livro ou caderno. Henry Schmith abriu uma excepção: deixou-se fotografar com as duas alunas portuguesas que, deslumbradas, lhe ofereceram o postal que exibia a bela imagem… Das condições (físicas) fabulosas que sustentam o sistema educativo de referência da Europa não cabe aqui falar… Há um artigo sobre matemática (de um dos livros de Jorge Buesco) que afirma que bastam seis passos para qualquer pessoa “chegar” a qualquer outra. À Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes bastaram dois para chegar à LUA!

Visita de Estudo a Lisboa Ricardo Carneiro | 11.º H Ricardo Silva | 11º I

Desta vez, o trabalho que a Casa da Ciência e da Tecnologia nos propôs foi colaborar com alunos de outras turmas e de outras áreas e a nossa contribuição era apresentar, em suporte informático, os trabalhos que eles, por sua vez, tinham realizado. Fizemos vários posters, filmes e jogos. Isto tudo para concorrermos, em nome da escola, à Mostra de Trabalhos Por um Mundo Sustentável – Desenvolvimento e Recursos, do Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento. O filme que tentámos realizar não tinha qualidade suficiente para ser apresentado publicamente e representar a nossa escola. Foi pena, pois seria muito interessante: mostrava os alunos do 11.ºA a trabalhar e mostrava a Daphnia no monitor ligado ao microscópio a ser exposta às drogas (cafeína, nicotina e álcool)… Não desistiremos! Colegas do 10.º G e do 10.º L contribuíram para um jogo (QI geográfico). Os trabalhos que podíamos apresentar tinham que incidir na Cooperação Portuguesa com os Países em Desenvolvimento (em particular de língua portuguesa) e nós

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enviámos trabalhos para todos temas possíveis, excepto o de Recursos Agrícolas. Os temas eram: Água e combate à pobreza, Energia e energias alternativas e desenvolvimento sustentável, Gestão dos recursos, Recursos agrícolas e desafio Alimentar, Saúde e desenvolvimento Humano e Objectivos de desenvolvimento do milénio. Os trabalhos foram seleccionados e expostos na FIL pelo Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento. No dia 28 de Abril, as turmas 11.º A, H e I (que têm que diminuir a sua pegada ecológica…) foram visitar a exposição. Sabe muito bem ver os nossos trabalhos e o nome da escola exposto num lugar tão distante… Nas horas que nos restaram, visitámos o Centro Cultural de Belém, os seus maravilhosos jardins, recantos, lojas e exposições (a sorte estava do nosso lado e a entrada era livre…). Ah! E os pastéis de nata são melhores do que em Portimão. Os 30 melhores trabalhos apresentados serão publicados em livro editado pelo IPAD. Desejem-nos sorte…… Lista de cartazes enviados e respectivas turmas: - A Maçã (em português e em inglês) – com o 12º K - O Sabão, com o 11.ºA - A Pegada Ecológica das Turmas 11º A, H e I - A Água, com o 10.º G e 11.º A - Comparação das temperaturas do mês de Abril de 2008 com a média dos anos de 19411970, com o 11.º A - Os 8 objectivos do Milénio, com o 10 º G - O 7.º objectivo do Milénio, com o 11º A - A Daphnia

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Será que o futuro

ASSOCIAÇÃO DE PAIS

está na família? A evolução, os avanços tecnológicos e o desenvolvimento do conhecimento tornaram-se um desafio imparável na luta por um nível, cada vez maior, de qualidade de vida. Este desenvolvimento e crescimento acelerado tem como horizonte o bemestar dos indivíduos e da sociedade. Mas, no contexto actual, esse bem-estar é traduzido pela satisfação das necessidades materiais, situação que vai dando lugar a uma despersonalização e desumanização da vida actual. A sociedade está em permanente mudança. Os indivíduos estão cada vez mais afastados um dos outros, as relações inter-pessoais são cada vez mais efectuadas através das novas tecnologias, fragilizando as relações humanas ao ponto de assistirmos a relações impessoais e distantes. Deste contexto, sobressai uma valorização dos valores materiais com prejuízo dos valores humanos, dando lugar a uma forma de estar e de sentir a vida totalmente egocêntrica e despersonalizada. Quando nos focalizamos no processo educativo dos nossos filhos, verificamos que é nas escolas que esta mutação social assume os maiores contornos. Deparamo-nos com a violência nas Escolas, com o insucesso escolar, com o desrespeito e a falta de reconhecimento de autoridade, com o desinteresse e a desmotivação dos alunos e professores. Em suma, deparamo-nos com uma Escola desumanizada. É necessário inverter esta tendência. O que fazer? Por onde começar? Sendo a família um micro-sistema da sociedade, por que não começar por aí? A família tem que se assumir como o principal responsável pela educação dos filhos, sendo este um dever da família contemplado na Constituição. Cabe, pois, à família a satisfação das necessidades dos seus educandos. Estas necessidades não são só as físicas. São também as psicológicas, que irão permitir valorizar e reforçar os valores humanos e ajudá-los a desenvolver sentimentos de confiança e de bem-estar, indispensáveis a uma gestão saudável das emoções. Desta forma, será possível favorecer e desenvolver uma auto-estima positiva e a conquista de um nível de maturidade fundamental à entrada na vida adulta. Está, assim, nas mãos e ao alcance dos pais o controlo do ambiente disfuncional, despersonalizado e desumano vivido nas escolas. Os pais têm que se aproximar dos seus filhos e viver a vida com eles. A presença parental no quotidiano dos filhos será, sem dúvida, o primeiro passo para a humanização da Educação, da Escola, da Sociedade e para a conquista de um futuro melhor.

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Deutsche Texte Raquel Duarte | 11.º F Liebe Ana, vielen dank für deinen Brief. Ich will dir schon seit Wochen schreiben aber ich habe immer so wenig Zeit. Im Brief hast du geschrieben, du möchtest mehr über Weihnachten wissen. Wir feiern Weihnachten am 25. Dezember wie du. Hier haben wir andere Traditionen. Am Heiliganbend , treffen sich die Portugiesen mit ihren Familien. Zum Abendessen, essen sie Stockfisch und für Dessert essen sie “Aletria” oder “Farófias”. Die Tische sind immer voll von Süßigkeiten. Es gibt “Rabanadas”, “Tronco de Natal”, “Pastéis de batata-doce” und viele andere. Um Mitternacht öffnen die Kinder die Geschenke. Sind sie immer sehr zufrieden. Am 25. Dezember kommt,die Familie zusammen und es ist ein Tag in der Familie. Die Kinder spielen mit den Geschenke, die sie bekommen haben. Ich liebe den Weihnachten, aber hier haben wir vielen Traditionen. In Deutschland haben sie andere, schöne und wichtige Traditionen. Wie ist dein Weihnachten in Deutschland? Silvana Bernardes | 11.º F

Nasci na província, naquela sobre a qual se costuma dizer, para lá do Marão mandam os que lá estão; longe dos grandes centros urbanos e culturais, onde o silêncio das pedras e a dureza da vida, moldam as pessoas, ensinando-lhes que a vida é dura. Sendo de

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um meio rural onde as pessoas pouco se preocupam com a instrução e a cultura, mas com os trabalhos do campo, não era fácil e normal, sair daquele meio antes de ir cumprir o serviço militar. Eu experimentei bastante cedo essa dureza e por isso, ao terminar a escola primária, quando me colocaram a questão, se queria estudar mais, não hesitei, pois era a maneira de poder fugir àquela vida dura.

Eu e a filosofia

Prof. Lázaro Fernandes Com dez anos, saí da aldeia e fui estudar, para longe da família e dos amigos, coisa que não era tão habitual e normal, como nos dias de hoje; ainda não se tinha dado a democratização do ensino. Eram poucos os que continuavam a estudar depois da escola primária. Eu tive essa sorte e fui para um colégio interno dos Salesianos, onde recebi muita da formação que tenho e que dificilmente teria adquirido se não tivesse passado por esses colégios. Os anos foram passando e os estudos avançando até que um dia achei que aquilo não era o que eu queria fazer e, como tinha completado os dois anos de Filosofia, propedêuticos do curso de Teologia, achei por bem continuar a fazer a licenciatura em Filosofia, para não deitar fora aqueles dois anos. Nos dias de hoje, sou professor de Filosofia, mas confesso que nem sempre tive esse sonho e também não foi um sonho de criança que me trouxe até aqui, como por vezes acontece com certas pessoas. Ao longo dos anos de estudante e depois como professor houve filósofos que me marcaram, nomeadamente Sócrates, o da Grécia antiga. Sócrates foi uma figura carismática, por isso, seguiam-no muitos jovens atenienses, e enigmática, ao mesmo tempo, pois não deixou nada escrito, mas influenciou a filosofia posterior, através das suas conversas na praça pública, onde criticava o amor das riquezas e das honras e o desprezo da virtude. O que me marcou, sobretudo, foi a atitude perante a condenação, que transparece na Apologia de Sócrates e a arte do diálogo. Ele é mestre na arte de filosofar, pois em vez de ensinar coisas, ele próprio parecia querer aprender com o seu interlocutor. Hoje, os alunos habituam-se a aprender e quando iniciam a filosofia também querem aprender filosofia, como se houvesse uma filosofia. Mas isso é impossível, os jovens devem aprender a filosofar e Sócrates pode ser um bom mestre. A pedagogia socrática começa com o colocar de questões. Alegava, humildemente, nada saber. No entanto, no decorrer do diálogo, levava frequentemente os adversários a reconhecer os pontos fracos das suas reflexões. Ao fingir a ignorância, obrigava os seus oponentes a usarem a razão, a retirar qualquer coisa de si. É sobretudo por esta arte do diálogo, a “maiêutica”, por meio da qual levava os discípulos a descobrir as verdades que pretendia incutir-lhes, que sempre o admirei e me parece uma forma excelente de filosofar e aprender a filosofar.

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OAC Professores do projecto O projecto “ OBSERVATÓRIO DAS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS NA ESCOLA SECUNDÁRIA MANUEL TEIXEIRA GOMES – O REENCONTRO

COM O

PLANETA, que envolve dez professores das mais diferentes áreas

disciplinares ( Física e Química – 3 professores; e um das seguintes disciplinas : Filosofia, Inglês, Informática, Francês/Português, Geografia Biologia e Economia), cuja Coordenação está a a cargo dos Professores Luis Gonçalves e Miguel Sequeira, é um projecto que , no contexto da Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes, tem como horizonte de actuação a responsabilidade da comunidade e a de cada um de nós na resposta ao desafio que as alterações

climáticas

significam

hoje

para

o

planeta,

nomeadamente:

* o que podemos fazer para compreender o seu principal efeito – o aquecimento global ** procurar agir sobre os seus riscos mais significativos no nosso quotidiano, para que possamos reencontrar o planeta. O “rosto” do projecto é a página web: oac.esmtg.pt, apresentada à comunidade no dia 10 de Dezembro de 2008, acessível a partir da intranet da ESMTG ou com o auxílio de qualquer motor de busca, que é actualizada com regularidade. No espaço físico escolar, o projecto dinamiza a vitrine “ OAC “ no primeiro andar do Bloco B, junto à sala de professores, com notícias, apelos ou reportagens ligados à questão das alterações climáticas e ao seu combate. Esta deve ser uma das prioridades nos tempos que passam, mais ainda quando vivemos sob o signo de Copenhaga 2009, momento que se deseja crucial para o futuro do planeta, aquando da substituição do Protocolo de Quioto, com a colaboração de toda a comunidade internacional. O projecto entra “portas adentro” da sala de aula de cada uma das áreas disciplinares envolvidas e disso é dada informação e formação na página web, concretamente no espaço “A Produção – Sala de Aula “ e no espaço “ Ágora” nas suas diferentes secções. Do Plano de Actividades do OAC, no ano lectivo 2008/2009, para a comunidade escolar, foram realizadas as seguintes iniciativas: - Presépio Ecológico, no Natal de 2008, colocado no átrio do Bloco D, construído com a utilização de material reciclável.

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- Sinalização, para toda a comunidade escolar, do “ CountDown “ para Copenhaga 2009, com a colocação do mesmo, temporariamente, na página da escola (www.esmtg.pt) e de forma permanente, até ao final do prazo, no oac.esmtg.pt. - Semana das Alterações Climáticas - de 16 a 27 de Março de 2009, animada por diversas manifestações, em torno das alterações climáticas, de que sobressaíram: - A exposição “ Quo Vadis, Terra ?” no átrio e vitrines do Bloco D; - Exposição de trabalhos dos alunos, ligados à temática da água e das alterações climáticas, de diferentes turmas dos professores envolvidos no projecto, que, posteriormente, foram colocados on line no site oac.esmtg.pt; - Montra de actividades de Física e Química e Biologia, levada a cabo pelos alunos e apresentada à comunidade, nos laboratórios do Bloco D; - Momento do “Pinguim”, levado a cabo pelos alunos do 12.º A, como chamada de atenção para os efeitos das alterações climáticas nos pólos; - Ciclo de vídeos sobre o aquecimento global, as suas consequências para o planeta, a responsabilidade humana nas alterações climáticas e as alternativas que se oferecem para um combate sereno e eficaz, por um planeta mais verde. - Plantação da “Laranjeira OAC” como forma de compensação das emissões de dióxido de carbono produzidas pela actividade “Semana(s) das Alterações Climáticas”. - Celebração dos “Dias OAC” – Dia Mundial da Água, Dia Mundial da Terra e Dia Mundial da Árvore. Porque a luta por um planeta mais verde continua, o Projecto OAC procurará marcar presença nas actividades que ainda vierem a acontecer na ESMTG, procurando levar a sua “ Carta a Garcia” ...

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MOSTRENGVS Tradução para Latim de Mariana Lima | 12.º F

O mostrengo que está no fim do mar

Mostrengus, qui in finibus maris est

Na noite de breu ergueu-se a voar;

Nocte pice nigriore se sustulit uolans,

A roda da nau voou três vezes,

Circa nauem ter uolauit,

Voou três vezes a chiar,

Ter uolauit stridens

E disse: «Quem é que ousou entrar

Et dixit: «Quis in meis recessibus

Nas minhas cavernas que não desvendo,

Quos non ostendo intrare audet

Meus tectos negros do fim do mundo?»

Mei nigra tecta finis orbis ?»

E o homem do leme disse, tremendo:

Et homo gubernaculis dixit, tremens:

«El-Rei D. João Segundo!»

«Rex Johannes II !»

«De quem são as velas onde me roço?

«Quidam alicuius sunt uela ubi me frico?

De quem as quilhas que vejo e ouço?»

Quidam carinas quas uideo et audio?»

Disse o mostrengo, e rodou três vezes,

Dixit mostrengus et ter uolauit

Três vezes rodou imundo e grosso.

Volauit ter immundus et crassus,

«Quem vem poder o que só eu posso,

«Qui uenit posse quod solo ego possum,

Que moro onde nunca ninguém me visse

Habito ubi nunquam et quisquam me uideret

E escorro os medos do mar sem fundo?»

Et sine depressibus maris metos stillo?»

E o homem do leme tremeu, e disse:

Et homo gubernaculis tremuit, et dixit:

«El-Rei D. João Segundo!»

«Rex Johannes II !»

Três vezes do leme as mãos ergueu,

Ter e gubernaculo manus erigit

Três vezes ao leme as reprendeu,

Ter ad gubernaculum illas reprehendit

E disse no fim de tremer três vezes:

Et post ter tremeuisse dixit:

«Aqui ao leme sou mais do que eu:

«Hic gubernaculo plus quam me sum:

Sou um povo que quer o mar que é teu;

Sum populus qui uult mare quod tuus est

E mais que o mostrengo, que me a alma teme

Et plus quam mostrengus qui meum animum timet

E roda nas trevas do fim do mundo,

Et in tenebris finis orbis uolat

Manda a vontade, que me ata ao leme,

Voluntas impera, quae gubernaculum me adstringet

De El-Rei D. João Segundo!»

Regis Johannis II!»

Fernando Pessoa

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Teatro/ Debate

Violência no Namoro Foi interessante ver as diferentes formas de reagir perante a mesma situação levando-nos a reflectir.

10.º A

Gostei da interacção entre actores e alunos, levando estes últimos a perceberem algumas das razões que levam aos conflitos no namoro.

Achei muito interessante a forma como foi apresentada e encenada esta peça que alerta para a violência no namoro, levando-nos a reflectir para este problema.

Apesar de ser teatro, espelhou bem a realidade, abrindo os olhos dos adolescentes para uma verdade que os pode vitimar.

A violência no namoro é uma brutalidade, onde o sexo feminino é a principal vítima. Acho que é uma coisa horrível, e o homem devia mudar para o bem da sociedade.

A participação no teatro/debate levou-nos a tirar algumas conclusões relativamente à existência da violência no namoro. Pudemos reflectir sobre o modo como as relações se podem degradar, e a interacção com os actores permitiu que os acontecimentos se tornassem mais pessoais, levando os alunos a procurar diferentes soluções para os problemas que iam surgindo, revelando diferentes reacções. Instantes | 56


Traçamos futuros. Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes – Portimão | Avenida S. João de Deus TELEFONE: 282 450 410 | FAX: 282 415 049 | geral@esmtg.pt | www.esmtg.pt

Revista Instantes - ESMTG  

revista 02 Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes Biblioteca Escolar/Centro de Recursos Educativos Instantes 2 2009 31 Semana da Leitura: e...