Issuu on Google+


REANIMATO R NÚMERO 2 – 01/12/2012 Revista oficial da ACADEMIA DE LITERATURA FANTÁSTICA DO BRASIL

Presidente

Rynaldo Papoy

Vice-presidente

Rafael Razador

Consultores

Hélio Crespo Nuno Amado


Capa

www.facebook.com/marcio.marchini

Editorial Rynaldo Papoy Gostei de ter lido o editorial do Rafael Razador antes de ter escrito o meu, porque inspirou-me a escrever este.


Este é o segundo número da revista Reanimator, mais uma vez lançada com alguns dias de atraso e, desta vez, o motivo é que estou sem internet em casa. O que não é novidade. Infelizmente, não sou desonesto a ponto de quebrar a senha dos roteadores dos vizinhos, embora eu tenha descoberto hoje que isto é possível. No mês passado, consegui quebrar o bloqueio da GVT, mas agora eles reforçaram a segurança. Para falar a verdade, nem estou muito interessado neste papo de internet, principalmente redes sociais. Redes sociais são um atraso de vida monstruoso. Já tentei entender por que o pessoal posta e compartilha tanta merda, mas não cheguei à conclusão nenhuma. Minha mãe, que é sempre inteligente e intuitiva, me disse que na vida real é a


mesma coisa. As pessoas também fofocam sobre a vida dos outros. A vizinha que engravidou de outro homem que não o marido, etc. Isto é muito normal. No Facebook, não será diferente. O pessoal vai continuar compartilhando mentiras e desgraças. Cachorrinho mutilado. Isto que me enlouquece mais. O engraçado é que não é gente burra que compartilha merda. É gente inteligente, formada, com curso superior, às vezes pósgraduação. Recentemente, inverteram uma frase da Ministra Marta Suplicy. Marta disse que a falta de repasse de direitos autorais aos compositores menos conhecidos gera um mar de músicos decadentes. Uma militante do PT do Rio de Janeiro ficou revoltada: “Marta chamou os músicos de decadentes”. Fez um abaixo-assinado que está rolando na internet, com milhares de assinaturas contra a ministra. Felizmente, Marta


nem respondeu ao abaixo-assinado, por um motivo muito simples: ela não usa redes sociais. Muitas pessoas dispensam as redes sociais. Li uma entrevista com Zezé di Camargo, dizendo que também não gosta de redes sociais, porque a quantidade de fãs que lhe escrevem é igual a quantidade de pessoas que o odeiam e o “mandam se foder”, nas palavras dele. Outra coisa que me aborrece nas redes sociais é quando você acha uma pessoa do seu passado, que prezava muito, gostava muito dela, e ela te despreza. Ou recusa-se a te adicionar, sem motivo algum ou adiciona, mas não responde a nenhuma mensagem sua. E os religiosos de má-fé? Consegue imaginar isto? Religioso de má-fé? “Se ama a Jesus, compartilha, se ama a Satanás, fica só olhando”. Nem sempre são religiosos legítimos. Há alguns


trolls também, tão antigos quanto a internet, gente que gosta de perder tempo falando merda, como aqueles que informaram que o Enem havia sido cancelado e, depois, responderam, com muita propriedade: “Quem é que fica de madrugada na internet, se de manhã vai prestar o Enem?” No final, acabei chegando à conclusão de que rede social é um terreno para pessoas fracassadas e deprimidas. Se você é feliz e bem-sucedido, vai perder tempo na internet [mais especificamente, em redes sociais] por que? E quem já foi casado com gente viciada em internet sabe o que estou falando. Quatro horas da manhã, você querendo dormir agarradinho ou dar umazinha e sua mina está pendurada no computador. Quando não dá um flagrante nela trocando sacanagens pelos instant messengers.


Na internet, porém, baixo livros fantásticos, que é o nosso objetivo. Eu nunca havia lido a série “Torre Negra”, de Stephen King. Estou fazendo isto agora. É bem diferente de tudo o que li de King até hoje. O livro “O Pistoleiro”, o primeiro, é bem esquisito, o povo falando um monte de maluquices. King teve a idéia de escrever este livro depois de ler “O Senhor dos Anéis” e assistir a “O Bom, o Mau e o Feio”, no cinema. Resolveu misturar as duas coisas. Faroeste com Terra Média. Vamos ver o que dá. Também estou relendo “O Mestre e Margarita”, de Mikhail Bulgakov. Eu li este livro quando criança. Dizem que era o livro favorito de Mick Jagger e Josef Stalin. Outros livros que leio: “A Memória de Shakespeare”, de Jorge Luís Borges, um de meus autores favoritos e um dos maiores


escritores de todos os tempos, criador da literatura pós-contemporânea [na minha opinião]. Uma literatura que não distingue mais a ficção da não-ficção. Também leio os livros de Paulo Setúbal, sobre os bandeirantes. Ganhei do Itaú Cultural, porque Olavo Setúbal era filho ou neto de Paulo Setúbal. O bandeirantismo foi parcialmente baseado na lenda do Eldorado. Uma lenda indígena sobre uma montanha cheia de ouro ou prata ou esmeraldas [dependendo da versão de cada índio], que lançou vários bandeirantes Brasil adentro, aumentando o território do país e exterminando várias tribos. De fato, muitas riquezas foram encontradas, no caminho, e há quem diga que há tesouros escondidos por aí, talvez aqui mesmo em Guarulhos, talvez embaixo da minha casa. Eu queria achar um livro definitivo sobre a Teogonia indígena, mas acho que não


existe. Há uma mistureba fenomenal, feita por Câmara Cascudo e outros, misturando mitos brasileiros nativos, com portugueses e africanos. Nosso saci-pererê é um frankenstein. Sem contar que não existem apenas as lendas tupi-guaranis, mas milhares de outras. Um dia alguém vai fazer uma enciclopédia geral de mitos nativos-brasileiros [sem misturar com portugueses e africanos, por favor]. NOVA DIRETORIA Realizamos algumas mudanças na diretoria da ALFB. O novo vice-presidente é o poeta gaúcho Rafael Razador, que lançou o primeiro livro com o selo “ALFB”. Eliminei o Conselho de Ética, que deverá ser criado só daqui um ano, quando conhecermos melhor as pessoas e saber


quem é que se adequada exatamente neste quesito. Na Reanimator 3, a ser lançada em 01/01/2013, vamos confirmar as regras e a diretoria para os próximos dois anos. Também vamos aguardar a definição da World Expo. Se ela for realizada em São Paulo, em 2020, nosso primeiro congresso brasileiro será realizado em Belo Horizonte, em 2014, junto à semi-final da Copa do Mundo. Se São Paulo não for escolhida sede da World Expo, o primeiro congresso será em São Paulo, coincidentemente à outra semi-final da Copa, lá no Fielzão, em Itaquera. Sou amplamente favorável à popularização da literatura fantástica e acho que os gringos todos vão adorar um evento destes junto a uma semi-final da Copa.


Quanto ao primeiro congresso lusófono, poderá ser no Rio de Janeiro, em 2016, por ocasião das Olimpíadas ou em Lisboa, no mesmo ano. Mas ainda há tempo para se definir isto. A responsabilidade pelo congresso brasileiro é totalmente minha, que sou o presidente da Academia, portanto, não precisam se preocupar. O congresso lusófono são outros 500.


Editorial Rafael Razador Vice-presidente da ALFB No meio de todo o lixo que nos é empurrado, existe algo de bom. Deve ser apenas filtrado. O ano novo aproxima-se, mas antes teremos o Natal, “época das compras”, consumismo


absoluto. Promoções e mais promoções, manipulação, clara enganação. Lixo e mais lixo sendo empurrado goela abaixo, liguem o filtro e vejam o que é necessário ou não. Para que nos serve o ultimo modelo de televisão, se o antigo ainda funciona e se faz a mesma coisa que o novo faz, assistir porcaria, para não dizer outra coisa, daqui a pouco querem um modelo que sirva cafezinho no sofá... de que serve o último modelo de celular se esta coisa deveria ser usada apenas para falar, está certo que hoje em dia navega-se na internet. Aquele sapato novo todo o mês, ai não entra apenas o Natal, (vou arrumar briga, quase certo) mas compra-se porque a moda mudou, que lindo isso! Mesmo sabendo que o antigo é mais confortável, mas não a moda mudou. O antigo fica lá guardado, sabe-se que a moda vai e vem sempre,


mas ai compra-se um novo parecido com o antigo um ano depois, então por que não doar o antigo? Não quero generalizar, longe disso, espero que entendam. Mas o mundo de hoje tornou-se um consumismo desenfreado e quem paga o pato todo é a natureza e nós também, neste caso. Que tal este ano não comprar nada do que não precisamos, doar o que não mais usamos e esquecer aquela viagem que vai deixar endividado até a metade do ano também? Ou comprar um livro e presentear alguém, colocar dentro deste mesmo livro um bilhete, escrito assim: Desejo-te um feliz natal e um ano novo cheio de inspiração e amor, deixo meus votos de paz do fundo do meu coração, mas tenho um pedido a te fazer, meu


querido amigo, como ganhastes este livro, meu pedido é que compre um outro livro e presenteie outro amigo. Dentro deste livro, coloque um bilhete com o mesmo pedido que te faço. Como saber se algo do gênero daria ou não certo sem antes tentar? Obrigado por lerem a revista Reanimator e um Feliz Natal e Próspero Ano Novo a todos. https://www.clubedeautores.com.br/bo ok/137525--Eu_Por_Eu_Mesmo Com revisão de Rynaldo Papoy e Fabiele Favero, capa de Gerson Taffarel, o primeiro livro a ter a ALFB citada... Todos do grupo podem lançar os seus livros e colocarem o banner da ALFB uma divulgação extra para o grupo e propaganda para todos os


escritores e demais participantes das outras รกreas que abrange a ALFB. Um ajudando o outro e todos crescendo juntos e fortes, assim que as coisas devem ser... Abraรงos Rafael Razador

DESTAQUES DA REANIMATOR 2 + Entrevista com o ilustrador Leonardo Maciel. + Poesia de Marcelo Riboni. + Poesia de Beto Souza. + Poesia de Flavius Agamenon.


+ Início do romance em capítulos de Matheus Ferraz, “O Ciclo de Vênus”.

Leonardo Maciel

“Desde pequeno queria trabalhar com quadrinhos, mas sendo filho de dois funcionários


públicos, cresci num ambiente em que sobreviver disso era considerado impossível.

Fui estudar arquitetura e do meio do curso em diante comecei a conhecer algumas pessoas que trabalhavam com ilustração, o que me fez voltar a correr atrás do meu velho sonho de trabalhar com desenhos. Consegui pegar alguns trabalhos como ilustrador em paralelo ao meu trabalho como arquiteto e percebi que eu teria que optar por uma das duas áreas pra continuar evoluindo. Decidi me mudar pra São Paulo, onde eu poderia me distanciar da arquitetura e ficar mais próximo do mercado de ilustração. Pra isso, juntei


dinheiro por um ano e meio em um trabalho como arquiteto (que eu odiava) e utilizei esse dinheiro pra me manter por uns meses em São Paulo e pagar um curso de ilustração.

Embora o curso tenha sido bem ruim, serviu pra fazer meus primeiros contatos no mercado, conseguir meus primeiros trabalhos e conhecer alguns ilustradores fodas que são meus amigos até hoje, como o Kris Zullo, o Guazzelli e o Bernardo França. Desde então tenho vivido de ilustração comercial, tanto editorial quanto publicitária.


Como vida de ilustrador freelancer não é fácil, principalmente pra quem está começando, aproveitei uma época de poucos trabalhos pra começar a fazer minha webcomic de tiras em quadrinhos, o Nabunda Nada. Fazer uma tira em quadrinhos pra internet era um sonho antigo. Além das tiras nacionais que cresci lendo (Fradim, Chiclete com Banana, Piratas do Tietê) acompanho as webcomics gringas desde seu surgimento e consolidação em 96, 97 e vi isso se desenvolver em um negócio próprio lá fora. Hoje, embora eu sobreviva da ilustração e de dar aulas de desenho, me considero mais cartunista que ilustrador. O Nabunda Nada tem tido um bom crescimento, então minha intenção é começar a ter um retorno financeiro com o site e


quem sabe um dia poder viver desse trabalho e deixar as ilustrações de lado. Além das tiras, tenho intenção de começar a fazer quadrinhos mais longos também, lançar algumas graphic novels próprias que não sejam necessariamente de humor. Bem, 2013 promete.


Marcelo Riboni https://www.facebook.com/marcelo.riboni Poeta sem sentido, escreve com repulsa pelo ser humano. Contato - Marcelo_kurdt@ hotmail.com.

Ac ndo um ci arro e pe so P sso faz r isso de ou ra m neira


Ol o as l tras e pen o Po so f zer isso de fo ma in eira As let as me o ham de v lta e di em: De xa a po sia em paz rapaz.

Um cigarro queimando no cinzeiro Escrevendo "Eu te amo" na fumaça. A tristeza queima o coração em brasa, E vem a saudade para o doce abraço De lágrimas e arrependimento. Um gole do pior veneno


Amar alguĂŠm pensando que seu amor Vai te amar do mesmo jeito.

Beto Souza [ declaro guerra ] declaro guerra; a vida que passou sem ao menos me dar chance de lutar


declaro guerra; a os tolos que se acham os donos da razao declaro guerra; a minha ignorância de ainda ter esperança declaro guerra; a um amor que ainda me resta declaro guerra; a seu despreza de nao compreender declaro guerra; a nossa luta de ser cegos de amor declaro guerra; aos dias que nao voltam


a velhice me traz paz e me torna em capaz de ser jovem de novo .....

Flavius Agamenon Peregrinando entre penhascos e desfiladeiros Escondidos na Negra e vasta Escurid책o de seu myself


Uma estrada de espinhos Deste coração aflorou Um caminho sombrio E atormentador Se odiando E querendo a Sua própria vida Tirar Sem saber para onde ir Neste leito deprimente Só tem uma companhia A amada solidåo Nascemos sós e morreremos sós Que medo e este ?


De se ver só? Medo da própria companhia? Vagando noites a dentro Na imensidåo da internet Atras de palavras que deseja ler Uma criança ela encontrou E depositou toda sua ilusão Rogai agora ao inferno Somente para o agradar Gelado e o sono debaixo da terra. Onde guardarei Nossas lembranças e saudades


Em cima de um leito fúnebre. Desolaçåo e egoismo Såo as únicas palavras Que ela conhece. É nunca mais se socializou. Desejando estuprar os anjos. Na malevolente arca de seus pensamentos impuros. Nostalgica e incompreenciva. Ela só vai te sugar. Os seus telefonemas nåo atenderás. Sua propria sede ó destruirá. E quando voce repara Estará: seduzido, sucumbido e escravisado.


Como simbolo de sua conquista. A sua humilhação a alimentará. Ohhh doce veneno. De sua bruxa Que veio-lhe sacrificar. Incessantes espasmos de euforia. Pernas molhadas e tremulas. Sorrindo com seu sangue na boca. O seu gozo e um jubilo sem fim. Você suplicará Por um golpe misericordioso Mas com toda sua frieza Ela te deixará sofrer lentamente Ate que suas veias se sequem.


Ela assistirá você agonizar. E com um lindo sorriso. O seu corpo irá deixar. Enquanto no sábado ao meio dia. Ela acorda com uma ressaca fúdida. Em algum canto da cidade o seu corpo.


O CLICLO DE VĂŠNUS Romance de Mateus Ferraz


Escutem agora esta história, que vai além de tudo o que já foi sonhado pela mente humana. Este é o mundo de Vênus, um mundo dominado por Ciclopes e monstros, um mundo aonde ninguém jamais ousou ir. Há muito tempo, antes que os macacos se pusessem de pé, uma raça antiga visitou o planeta Terra, e plantou lá a semente de sua ressurreição. Eles vieram de Vênus, um planeta que entrou num sono profundo de milhões e milhões de anos, até que os seres humanos vieram ressuscitá-lo.


Na era humana, em que a raça dominava o planeta com suas construções e monumentos, uma equipe de pesquisadores encontrou uma ilha no Oceano Pacífico onde se erguia um templo colossal e estranhas árvores brotavam. Um enorme poço se erguia no centro desta ilha, e ao cair lá, um membro da equipe deu sua própria alma como fagulha para a ressurreição do planeta Vênus. A Luz de Lázaro, um enorme feixe luminoso saído do poço, cruzou o espaço e atingiu Vênus, que em uma questão de minutos voltou a ser o que era há tantas eras.


Rios brotaram onde brotavam antes, as ĂĄrvores cresceram onde antes cresciam e cada ser vivo retomou seu curso exatamente de onde havia parado antes. O planeta estava vivo de novo, e habitado pelos seres mais bizarros. Foi neste mundo que nasceu Apale

CapĂ­tulo 1 Primeira aventura


Meu nome é Apale. Este é um nome que nasceu sem significado, mas que vai morrer com um. Duvido que minha mãe, quando me jogou naquela latrina assim que eu nasci, poderia desconfiar de quem eu viria a ser, ou do rumo que a minha vida iria tomar a partir do momento em que deixei de caminhar pelas ruas destas nojentas cidades do Pólo Norte Venusiano para conquistar o resto do planeta. Eu vivi naquelas ruas imundas durante toda a minha infância, antes de ser um mito, antes de me tornar o primeiro homem a atravessar a Floresta da Travessia Eterna, que toma conta da maior parte


deste planeta. Dizem que ninguém, nem mesmo os camponeses que vivem naquele inferno verde, era capaz de penetrar naquela floresta e sair vivo do outro lado. Bem, mas não vamos nos apressar, porque há um caminho a ser percorrido até chegar nessa história, e eu não sou um homem de cortar caminho. Vamos falar da minha juventude então. Minha mãe me abandonou numa latrina, isso eu já disse, e eu nunca soube que ela era. Fui encontrado pelo limpador de fossa, que me resgatou e cuidou de mim até que eu tivesse idade o suficiente para ser vendido como escravo. E vou dizer que este foi um gesto de bondade para um


habitante daquela cidade onde eu nasci. Me vendeu para Yulack, o líder local dos trombadinhas. Trabalhei por cinco anos, afanando bolsas, até que o pobre Yulack foi capturado pelo governador e enviado para o Coliseu local. Não vou mentir dizendo que chorei muito, na verdade me infiltrei entre os pagantes para ver o filho da mãe sendo devorado pela marmota gigante. Foi um espetáculo curioso. Ver aquele homem que gostava de bater em mim e nos meus amigos, vê-lo, dizia eu, enquanto era despedaçado pelas garras afiadas daquele monstro venusiano me fez ver como ele não era a figura ameaçadora que ele gostava de pintar.


Enfim, após a morte de Yulack, eu me vi livre para fazer o que bem entendesse da minha vida. Eu era um rapaz de doze anos ainda, mas já era um homem. Sabia como me virar, era ágil quando tinha que fugir, me escondia a ponto de ficar praticamente invisível. Era capaz de passar dias nas sombras, morar no esgoto, entrar nas fortalezas que muitos ladrões mais velhos não conseguiriam nem chegar perto. Havia visto de tudo mais do que muitos que andavam pelas mesmas ruas do que eu. No lugar de me juntar aos outros meninos salteadores que caminhavam pela cidade, eu resolvi viver por conta própria,


sem dividir meus feitos com ninguém. Os monarcas locais não gostavam disso, até porque um ladrãozinho solitário era mais difícil de pegar do que um bando. Eu me tornei o maior meliante daquela cidade, e muitos guardas quando eram questionados sobre quem os havia enganado, descreviam um homem alto e musculoso ou um monstro ágil como o diabo. Certo dia, quando num descuido, fui pego entre vinte guardas do governador, ninguém quis me levar a julgamento por medo da vergonha pública. Lá estava, seu inimigo público nº. 1: um rapazinho que estava com as primeiras espinhas ainda despontando no rosto. O


veredicto do governador foi me mandar para o exílio pelo resto da minha vida. Isso foi uma boa notícia, pois eu já havia decidido que aquela cidade era pequena demais para mim. Vênus era muito grande, e eu tinha a liberdade de ir aonde quisesse. Me colocaram na primeira diligência para fora da cidade, com duas moedas de ouro e o aviso de que, se voltasse, seria jogado ao novo monstro que haviam comprado. Assim, entrei na carruagem, sem destino específico. Estava feliz o bastante de poder dar o fora da região pobre do Pólo Norte, e encontrar um local com bolsas


mais gordas para roubar. Seria bom. Passamos dias correndo por aqueles caminhos, enquanto eu sentia que meu passado ia ficando cada vez mais longe, num lugar aonde eu jamais voltaria. Era a primeira vez que eu saía da minha cidade, e a visão da pradaria imensa, sem nada além das plantas verdes e do céu púrpura, foi para mim como ver outro planeta. Pela primeira vez, minha vista não estava tapada pelos morros e casas que normalmente se erguiam entre mim e o resto do mundo. Pela primeira vez, eu pensei que poderia levar uma vida tranqüila.


Mas não tardou para que a má sorte viesse para me pôr em encrencas. Estávamos a meio caminho, os cavalos nos puxando pela imensa pradaria coberta de névoa, quando uma flecha veio cortando o ar e acertou nosso cocheiro. Ele tombou para trás, com a seta fincada bem em sua garganta. Logo se aproximou um grupo de dez homens mascarados, que assumiram as rédeas e pararam nossa diligência. Eu e os outros passageiros segurávamos a respiração, pois aqueles eram, com certeza, os temidos ladrões da pradaria. Cada um deles usava uma máscara que imitava o rosto dos Ciclopes, a raça que tanto medo causava


em cada homem e mulher que vivia em Vênus. – Para fora. – disse o líder. Todos nós descemos da carruagem, cautelosos, e fizemos uma fila lado a lado. O vento cortava nossos rostos, e mesmo acostumado ao frio como eu era, não pude deixar de tremer. Mas desta vez não era por causa do vento. Os ladrões do bando dos Cara de Ciclope eram conhecidos como os mais cruéis da estepe, e considerando que a região era um antro dos tipos mais venenosos, isso era dizer bastante. Eles nos observavam,


enquanto todos jogavam seus sacos de moedas à sua frente. Um deles recolhia as moedas, e o chefe caminhava a nossa frente, nos observando pelo único olho de vidro em sua máscara. Sua voz soava abafada através do couro que cobria sua cabeça. – É claro, – disse ele. – que nós não estamos aqui hoje para roubar um pouco de ouro de alguns viajantes. Esta é apenas uma compensação pelo trabalho que estamos tendo. Hoje nós estamos aqui porque queremos alguém especial. Um de vocês.


Ele nos olhava um por um. As mulheres choravam e os homens faziam o possível para não demonstrar que estavam desabando de medo. Eu tentava permanecer parado. – Acontece, – continuou o líder. – que nós atacamos algumas horas atrás uma outra diligência, e essa tinha alguma coisa de valor. Nós encontramos um baú enorme, cheio de pedras graúdas dentro. Mas nós não encontramos a chave. Passamos horas tentando abrir, mas tudo indica que o baú seja feito de madeira de Milo tratada, e nós poderíamos atirá-la num maldito vulcão que nada iria acontecer. Nós sabemos que esta


diligência tem a chave. Aquele de vocês que estiver com ela, entregue agora, e nós vamos deixar vocês irem. É claro que ninguém acreditou nem por um momento nesta última frase. Assim que aquele que estivesse com a chave a entregasse, todos seríamos cortados ao meio ali mesmo, sem cerimônia nenhuma. Não por sermos perigosos demais para continuar vivos ou porque poderíamos pôr em risco o esconderijo dos ladrões da pradaria, mas simplesmente para a diversão dos assaltantes. Minutos se passaram, enquanto todos olhavam trêmulos para aquela máscara de


Ciclope, incapazes de dizer alguma coisa. O líder continuava nos encarando. – Ninguém? Bem, acho que nós vamos ter que abrir suas tripas e procurar a chave lá dentro. – Está comigo! Todos os olhos se viraram na minha direção. Os ladrões olharam com curiosidade para aquele menino que havia acabado de dizer a última frase. O bando se reuniu ao meu redor. Eu enfiei a mão no bolso e puxei uma grande chave dourada. Eu havia roubado aquela chave do bolso do cocheiro assim que entrei na diligência, e como parecia feita de ouro,


eu achei que valeria alguma coisa. Era por isso que ela estava comigo agora. – Realmente, estes ricaços continuam me surpreendendo. – observou o líder. – Agora estão colocando meninos para carregar seus pertences. Tudo bem, rapazes, podem liquidar estes palhaços, e vamos abrir o nosso baú. – Mas há uma coisa que vocês não sabem. – eu disse. Os bandidos, que estavam a meio caminho de desembainhar suas espadas, pararam. Mais uma vez, eu tinha a atenção de todos. Era a minha vez de dizer alguma coisa, e era melhor dizer


algo que valesse a pena, ou todos seríamos mortos em alguns instantes. – Fale de uma vez, garoto. Não temos a noite inteira. – O baú… – comecei eu, tremendo. – vocês precisam de mim. – E por quê? – Porque eu estou em sintonia com ela. Esta era uma história que eu ouvia muito no lugar de onde eu vim. Dizia-se que a árvore de Milo, além de ser capaz de alimentar e curar ferimentos, podia entrar em sintonia com a mente daquele que bebesse sua seiva. Era assim que as imensas naves de madeiras podiam ser


controladas apenas com a força da mente, trazendo as pessoas de um pólo a outro, por cima da imensa Floresta da Travessia Eterna. Era esta a estratégia dos donos de cargas preciosas: escolher um mensageiro para entrar em sintonia com seu baú, de modo que se a pessoa morresse, o baú permaneceria selado para sempre. – Ótimo, – disse o líder. – então, garoto, você vai abrir o baú para nós. Os outros não servem de nada. Vamos fatiálos.


– Não, vamos fazer uma troca. – eu disse. – Deixe que vão, e eu abro para vocês. – Eu acho que não. – Se matarem um só deles, não vão conseguir me fazer abrir o baú. – Garoto, já ouviu falar de uma coisinha chamada “tortura”? – E você, já ouviu falar de uma coisinha chamada “suicídio”? – Que diabos... Tudo bem, nós vamos mantê-los vivos por agora. Mas só porque você me lembra de quando eu era pivete. Rapazes, tragam o baú.


Dois dos bandidos montaram nos seus cavalos e se foram para buscar o precioso baú. O resto do bando nos cercava, impedindo que tentássemos escapar. Os passageiros continuavam caídos, temerosos. Pareciam todos pessoas pacatas e tranqüilas, que jamais haviam pegado em uma faca fora da cozinha. Os bandoleiros eram homens enormes e fortes, carregavam espadas e clavas pesadas. Eram do tipo acostumado a derrubar caravanas inteiras, massacrar seus passageiros e pilhar o ouro. Não eram muito sutis, nem muito espertos. Por isso, ninguém percebeu quando eu roubei uma adaga da bota de um deles.


Logo voltaram os dois, carregando um baú pesado no lombo de seus cavalos. Atiraram-no ao chão, levantando a poeira. O líder dos bandoleiros me cutucou com a ponta de sua espada. – Pronto, moleque. Faça-nos ricos. Eu me ajoelhei perante o baú, com a chave dourada em minhas mãos. O vento soprava ainda mais forte do que antes, e as nuvens pareciam correr no céu roxo. Uma tempestade estava vindo. Eu aproximei a chave da fechadura, e ela entrou. Então girei, e ouvi o clique da tranca se abrindo. Ninguém estava tão surpreso quanto eu naquele momento, e


eu entendi que o cocheiro era o verdadeiro guardião do baú, e que ele ainda estava vivo, mesmo com a flecha atravessando sua garganta. E também fui o único que não ficou paralisado quando a tampa do baú se ergueu, e aquilo saiu de lá. Todos os bandoleiros pareceram abandonar sua postura imponente quando os primeiros tentáculos saíram do baú. Abandonaram também suas armas pesadas para facilitar a corrida. Quando aquela coisa enorme e molenga estava rastejando para fora de sua prisão, e eles entenderam que aquela caixa era o abrigo de um monstro ao invés de pedras


preciosas, já era tarde para a maioria, que estava sendo agarrada e puxada para a ponta daqueles tentáculos moles. As ventosas se agarravam neles, e sugavam tudo em questão de segundos, atirando ao chão apenas os esqueletos em suas couraças de couro. Eu, naquele momento, já estava a mais de duzentos metros dali, correndo como o diabo. O monstro já havia sugado todos os passageiros, e a maioria dos bandoleiros estava ocupado demais fugindo para prestarem atenção em mim. Eu, que já havia corrido mais na minha vida do que qualquer um daqueles brutamontes pesadões acostumados com


os seus cavalos, fui mais rápido que o monstro, e quando ele se saciou com os passageiros e voltou para dentro do baú, eu já havia sumido de sua vista. Aparentemente, o Coliseu tinha perdido sua nova atração.

DESTINO: CENTRO DA GALÁXIA Conto de ficção científica de Rynaldo Papoy.


Observamos que o raio-X não era uniforme. Havia uma flutuação, como se houvesse um objeto gigantesco interferindo na emissão de raio-x do Grande BuracoNegro do Centro da Galáxia. De longe, parecia estático. Ou seguindo a mesma rotação do GBNCG. Mas quando ampliamos sinteticamente a imagem, percebemos que o objeto de 6.000 km de extensão havia deixado um rastro contrário ao sentido de rotação do buraco-negro, o que nos pareceu bastante estranho. Tudo bem que há muitos corpos celestes que giram ao redor de outros em sentido oposto, mas presumíamos que um objeto sugado por um buraco-negro fosse girar no mesmo sentido do ralo gravitacional, em velocidade absurdamente alta. O mais estranho de tudo era o fato de que o movimento havia sido abortado e agora o objeto estava entregue à força gravitacional do GBNCG e ficaria girando por ali durante milhões de anos, até ser esmagado completamente.


Tivemos sorte em descobrir este objeto misterioso dentro do GBNCG. Sendo um supermassivo buraconegro com um Horizonte de Eventos maior do que o nosso Sistema Solar, estivesse o objeto do outro lado, dificilmente saberíamos de sua existência, já que o seu período de translação seria de mais de 1.000 anos terrestres. Mas o que seria este objeto? O mais provável é que seria apenas um asteróide pertencente a algum Sistema Solar próximo, que havia sido capturado pelo buraco-negro, entre outros que já deveriam ter sido sugados ou que estavam a caminho. Prova de que o buracão galáctico estava interessado em devorar as estrelas vizinhas, da região também conhecida como Sagitário A. No fundo, todos pensávamos a mesma coisa, mas não tínhamos coragem de admitir: talvez o objeto fosse uma espaçonave inacreditavelmente grande, que havia caído por acidente no Horizonte de Eventos e não havia conseguido sair dali.


Como uma civilização extraterrestre tão avançada, capaz de construir uma nave de 6.000 km, havia cometido a barbeiragem de não perceber o buraco negro e ser aprisionada por ele? Fomos até lá. Eu e meus colegas do Instituto enviamos a sonda I.T.A. 5.3 e a estacionamos a uma distância segura, 1 ano-luz do GBNCG. Nunca tínhamos visto um buraco negro supermassivo tão de perto. Sua invisibilidade era o que mais se via ali, pois a mancha negra gerada no espaço era milhares de vezes maior do que qualquer estrela. A expressão “buraco negro” era totalmente apropriada, pois a imagem da não-imagem era como um gigantesco furo no espaço. Efeito potencializado pelo fato de que o centro da galáxia tinha muito mais estrelas concentradas no espaço do que na nossa periferia, onde se localizava o Sistema Solar.


O GBNCG, que logo batizamos de “Caçapa”, só podia ser “visto” sinteticamente, através da análise do espectro eletromagnético emitido por ele. E lá estava a coisa de 6.000 km, como um tumor que não conseguiu se auto-extirpar. Testaríamos a nossa nova invenção. Mandaríamos uma sub-sonda para dentro do Horizonte de Eventos, que transmitiria informações por sub-ondas. Não poderíamos estragar nossa sonda I.T.A 5.3 de 600 milhões de dólares, pois o Instituto não nos financiaria outra nem tão cedo. Quando a Sub entrou no H.E., começou a transmitir. Tivemos uma nova concepção de buraco negro, que não poderia mais ser chamado de “buraco negro”, mas “buraco fractal”. Pois embora a luz não pudesse escapar do buraco negro, ela ficava dando voltas nele, até ser sugada. E um buraco negro absorvia luz de todo o Universo.


Portanto, o espetáculo fractal seria eterno, até que toda a luz do Universo se esgotasse, o que não iria acontecer jamais. O objeto misterioso de 6.000 km estava ali. De fato, era uma nave espacial gigantesca. Jamais imaginamos que alguém construiria uma nave daquele tamanho. Uma nave quase do tamanho de um pequeno planeta. Mas a imagem da nave estava bastante distorcida, devido à gravidade do buraco-negro, que causava aquele efeito fractal. A Sub entrou cautelosamente na nave, sempre nos transmitindo as imagens em forma de sub-ondas. A radiação do GBNCG havia matado a todos, por isso a super nave estava à deriva. Os milhões de tripulantes da nave eram parecidos com espermatozóides. Um corpo sem braços ou pernas ou cabeça, unido a uma longa cauda.


Estavam esparramados pelos corredores, grudados nas paredes, queimados e semi-esmagados. Muitos estavam lesionados, com suas tripas caindo para fora do corpo. Os compartimentos da nave eram difíceis de ser decifrados. Difícil saber onde era a proa, a popa, o motor, a sala de comando. Muito menos sabíamos como procurar a caixa-preta da nave, ou diário de bordo, para saber o que havia acontecido com ela. Durante várias semanas, a Sub passeou por dentro da nave, tentando achar alguma explicação. Como é que aqueles seres registravam seu pensamento? Com certeza o conhecimento daquele povo estaria registrado em algum lugar, só não sabíamos onde. 17 anos depois, percebemos que outra nave gigantesca, idêntica à primeira, estava se aproximando da Caçapa.


Aquilo não parecia um acidente, mas um suicídio. Mandamos a I.T.A 7.2 até lá. Nosso objetivo era alertá-los sobre o perigo de entrar no Horizonte de Eventos de um buraco-negro. Ao chegar perto, descobrimos como eles se comunicavam: através de linguagem de sinais formados pelas caudas. Para quem achava que extraterrestres comunicavam-se por telepatia, isto seria uma surpresa. Em alguns dias, conseguimos traduzir a maior parte dos sinais e tentaríamos conversar com eles, projetando sinais parecidos, através da I.T.A 7.2. -

Viemos em paz. Somos da Terra, um planeta pertencente ao Sistema Solar, na periferia da Via Láctea. De que planeta vocês são?

-

Planeta 1. O último planeta em que vivemos, antes do renascimento. Nosso povo passa por cinco

planetas que são como estágios evolutivos. Depois do 1, temos que partir para o Fim, onde nossa vida é purificada e renascemos outra vez no planeta 6.

Eles nos mostraram o Sistema Solar deles. Era

exatamente SO-2, a estrela que orbita a Caçapa.


Mas não estávamos entendendo a conversa deles. Perguntamos por que estavam se atirando no buraco negro. Eles nos responderam novamente que todos os anos [equivalente a 17 anos terrestres], os mais velhos do Planeta 1 partiam para o buraco negro, onde acreditavam que reencarnariam no Planeta 6. Era bem óbvio entender que se você vive ao lado de um buraco negro como a Caçapa, vai crescer acreditando que é uma espécie de divindade. Tentamos explicar aos espermatozóides de SO-2 que estavam equivocados. Havíamos encontrado a nave anterior deles e não apenas os colegas deles estavam mortos, como tentaram voltar, fugindo do buraco negro. Sem sucesso. -

Seres da Terra, vocês não são os primeiros nem serão os últimos a tentar mudar nosso destino. Nós fazemos isto há tanto tempo que não sabemos

quando começou o hábito de partir para o Fim.

Acreditamos que esta atividade sempre existiu, desde o início da nossa vida.


Projetamos a eles as imagens dos mortos, mas mantiveram-se impassíveis. -

Sentimos que sua intenção é boa, seres da Terra. Como também foi a de outros que nos visitaram no passado. Mas partir para o Fim e renascer é como uma função vital. Jamais foi diferente. Jamais

alguém de nossa espécie permaneceu no Planeta 1. Todos embarcaram e partiram. Sempre foi assim e continuará assim para sempre.

Sem ter como dissuadi-los, despedimo-nos e acompanhamos sua jornada. Da mesma maneira que a nave anterior, ao chegar no Horizonte de Eventos todos se desesperaram e tentaram mudar o curso da nave, para retira-la do buraco negro. Gritaram por socorro, imploraram para que os ajudássemos, mas não sabíamos como retirar uma espaçonave de 6.000 km de dentro de um buraco-negro. Agora nós sabemos. Fizemos experiências com outras embarcações de SO-2, que ainda estavam


girando no Horizonte de Eventos. Encontramos mais de 2 mil veículos suicidas, provando que eles faziam aquilo há mais de 34 mil anos. A I.T.A 9.1 vai esperar apenas que eles nos peçam ajuda para sair da Caçapa e os retiraremos de lá. Vamos ensinar aos colegas de SO-2 que nós não nos ajoelhamos frente à matéria. Que nós temos alma e controlamos nosso destino.


Reanimator 2