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Vide bula


editora multifoco Simmer & Amorim Edição e Comunicação Ltda. Av. Mem de Sá, 126, Lapa Rio de Janeiro - RJ CEP 20230-152 capa Aline Marion foto de orelha / tratamento da imagem Tati Mahal / Alexander C. Dias diagramação Fernanda Hubacher revisão Walmir Vitoreli Fracari Vide Bula - 1a Edição Março de 2010 WANGLER, Renan ISBN:

Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução deste livro com fins comerciais sem prévia autorização do autor e da Editora Multifoco.


VIDE BULA Renan Wangler

Rio de Janeiro, 2009


Sumário Agradecimentos............................................ 13 Apresentação ............................................... 15 Prefácio ....................................................... 17 Bomba T ..................................................... 19 Vida ............................................................ 20 Canabis ....................................................... 21 Surreal ......................................................... 23 Senhores Do Futuro .................................... 24 Revolta ............................................. ........... 26 Anjos Caídos ............................................... 27 Menina ........................................................ 28 Anos Dourados ............................................ 29 Poder ........................................................... 31 Anos ........................................................... 33 História Nacional ........................................ 35 Espero ......................................................... 37 Felicidade Ébria ........................................... 38 Desigual ...................................................... 39 Elipse Contínua ........................................... 40 Barreiras ...................................................... 42 A Prova ....................................................... 44 Rio ............................................................. 45 Sexo, Drogas E Rock´n Roll ........................ 46 Ditado ......................................................... 47 Quem Sou Eu? ............................................ 48 Encontros ............................................... 49 Amor Materno “Reflexão Incompleta” ........ 50 Força Juvenil ................................................ 51 Flor Do Reggae ...........................................52 Inspiração Amorosa ..................................... 54 3³=27........................................................... 55 Dois Em Um ................................................56


Pobre Escritor ...............................................58 A Milhas Por Segundo ..................................60 [...] ............................................................. 61 Reflexão Tardia ............................................ 62 Perfeição ...................................................... 64 Marcha Fúnebre ...........................................65 Vida Pequena ............................................... 66 Sentido Humano ..........................................67 Verdade? ...................................................... 68 Um Dia De Sol ............................................69 A Folha ........................................................70 O Mar ..........................................................71 Paz ............................................................... 72 Preguiça De Viver I .......................................73 Rei Dragão .................................................. 75 Amor Real ...................................................76 Paradoxo Da Vida .........................................78 Sol ............................................................... 79 Inferno ......................................................... 80 Racionais ..................................................... 82 Preguiça De Viver II ..................................... 83 O Beijo Da Morte ....................................... 84 Dança Das Almas ......................................... 85 Morte .......................................................... 86 Decepções ....................................................87 Hipocrisia Natural ........................................88 Promessas .....................................................90 Pai ............................................................... 92 Ausência ...................................................... 93 Esfinge ......................................................... 94 Semente ....................................................... 95 Morador De Rua ......................................... 96 Volta ............................................................ 97


Zé Da Cana ................................................. 98 Horizonte Negro ......................................... 100 Das Sombras ................................................ 101 Nova Vida .................................................... 102 Normalidade Métrica .................................. 103 Ansiedade .................................................... 104 Mil Faces ..................................................... 105 Poesia Romântica ........................................ 106 Mães ............................................................ 107 Vinte Um .................................................... 108 Um Sonho .................................................. 119 Fim Dos Tempos .......................................... 110 Tédio ........................................................... 111 Miguel ......................................................... 112 Acróstico I (Miguel) ..................................... 113 Acróstico II (Nascer) .................................... 114 Tal Como Deus ........................................... 115 Anjos Não Choram ..................................... 116 Minha Luta .................................................. 117 Frases I ........................................................ 118 Frases II ....................................................... 119 Preciso de Ti ................................................ 120 Acróstico III (Televisão) ............................... 121 Canto Aos Poetas ......................................... 122 Versos de Momento ..................................... 123 Frases III ...................................................... 124 Frases IV ...................................................... 125 Frases V ........................................................126 Frases VI ....................................................... 127 Frases VII ..................................................... 128 Frases VIII .................................................... 129 Mãe África ................................................... 130 Poesia De Ônibus ......................................... 131


Minha Poesia ................................................ 132 Mármore ...................................................... 133 Em Um Celular ........................................... 134 Verso Perfeito ............................................... 135 Punk Boy ..................................................... 136 Acróstico IV (Cumplicidade) ........................ 137 Acróstico V (Fatalismo) ................................. 138 Vazio ............................................................ 139 Nostalgia ......................................................140 Parasita De Um Apaixonado ......................... 141 Artesão De Sonhos ....................................... 142 Uma Troca De Olhares ................................. 143 Poeta ............................................................144 Só ................................................................ 145 Como Ser Pai ............................................... 144 Águas ........................................................... 147 Bem-Vindo À Selva ...................................... 148 Olhos De Um Cidadão ................................ 149 Acróstico VI (Vide Bula) ...............................150 Acróstico VII (Paz) ........................................151 Acróstico VIII (Amor) ...................................149 Lábios De Ouro ........................................... 153 Menina Bia .................................................. 154 Bar Do Cais ................................................. 155 Um Ano ...................................................... 156 Menino Rei .................................................157 Meus Sentimentos ........................................ 158 Incógnita ......................................................159 Dialética do Auto Conhecimento ................. 160 O Esquilo e a Nós Perdida ............................162 O Beija-Flor e o Dragão ...............................163 Uma Cerveja Bem Gelada ............................ 164 Índice remissivo ............................................168


“Pois todos os homens vivem pela verdade e precisam expressar-se. No amor, na arte, na avareza, na política, no trabalho, nos jogos, estudamos como exprimir nosso doloroso segredo. O homem é apenas sua metade, a outra é sua expressão”. Ralph Waldo Emerson. Em “O Poeta” de 1844.


“Celebro a mim mesmo e canto o meu ser, E o que eu assumir você vai assumir, Pois cada átomo que a mim pertence Também pertence a você”. Walt Whitman. Em “Canção a Mim Mesmo” de 1855.


Agradecimentos

Sou grato primeiramente a minha família pela inspiração

diária, apoio e respeito, que me fazem vencer a batalha que é viver. Ensinando-me que eu sou o que há de melhor em mim assim como eu sou. (Suziene, Beatriz e Miguel). Sou grato a minha mãe, irmãs e sobrinhos pelo apoio e inspiração, me educando e forjando meu caráter, mesmo em uma família desmembrada. (Maria José, Denize, Rose, Arthur e Joyce). Sou grato aos meus amigos/irmãos pelos seus incentivos, inspiração e ajuda no livro, pela parceria em outros trabalhos que me fazem querer cada vez mais escrever. (Luan Yannick e Thyago Telles). Sou grato pelo o apoio e incentivo para a publicação deste livro e para meu desenvolvimento na arte da escrita do amigo Alexander Chrysóstomo. Sou grato pela grande ajuda na revisão e nas críticas construtivas que enriqueceram esse livro do mais novo amigo Walmir V. Fracari R.W.

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Apresentação

Neste que é meu primeiro livro, vocês encontrarão poe-

mas, letras de música, reflexões e frases, frutos de muita observação e reflexão sobre a vida e as pessoas. O livro está organizado em ordem de confecção, ou seja, o leitor poderá acompanhar minha evolução ou derrocada nas páginas desse livro. Aqui verão que a vida é cíclica, cheia de momentos de alegria e de tristeza, que nada é para sempre, vivemos em um constante movimento. Neste livro, há dúvidas, questões e ideias que todos provavelmente têm ou um dia já tiveram. Essa obra como diz o título é uma bula dos seres humanos que visa esboçar um pouco a cabeça complexa dos mesmos através desse exemplar humilde e defeituoso que vos escreve. Em razão da grande variedade de assuntos incluídos nessa obra, ela contém um índice de assuntos para consultas rápidas. ∞ As pessoas crescem e se desenvolvem graças a interferências de outras, seja educando, desvirtuando ou avaliando nossos feitos. Então peço que ao terminarem de ler este livro, me ajudem a crescer. Para elogios, críticas, opiniões e erratas mandem-me um e-mail para: [renanwangler@ymail.com]. ∞ Agradeço pela atenção e desejo a todos uma boa leitura.

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Prefácio

Quando conheci o Renan ainda éramos adolescentes, es-

tudantes do 1º ano do ensino médio em um colégio estadual na zona da Leopoldina, no Rio de Janeiro. Na época tínhamos pouco em comum, mas o acaso nos colocou próximos, graças à localização de nossas moradas. Ele me escutou comentar que morava na Cidade Alta (Comunidade no subúrbio do Rio de Janeiro) com os demais colegas de sala, quando veio falar comigo. Ainda nos primórdios, com o rock se embrenhando por nossas células, surgiu a Elipse Contínua na tentativa de compor uma banda, que hoje chamamos carinhosamente de banda imaginária, nenhuma apresentação, pouquíssimos ensaios, nenhum deles em estúdio. Não posso dizer que foi um completo fiasco, pois muito de nossa criatividade literária foi despertada nessa oportunidade. Desde então, muito fomos influenciados um pelo outro. Na literatura, na música, nos objetivos, nas possibilidades, na moral, na ética... Enfim, em todos os aspectos consideráveis da vida e até mesmo os nem tão consideráveis assim, não tornamo-nos espelho um do outro, mas fortalecemos nossas próprias personalidades e características a partir do contato mútuo. Eu, Renan e Thyago, outro amigo apresentado naquela época cujo vínculo de amizade permanece vivaz até hoje, sempre nos influenciamos mutuamente, da melhor e da pior forma possível. E hoje, cada um ao seu estilo, ainda escrevemos. A obra que aqui se apresenta é fruto de uma personalidade que (ao contrário da minha e do Thyago) é extremamente estável, escrevendo com uma freqüência absurda a despeito das adversidades que a vida de um trabalhador impõe; fruto do cuidado com a própria obra, que preservou os primeiros versos escritos, produzidos para serem musicados, fruto de uma 17


mente multidirecional, que trata do amor e da afetividade, mas tambÊm de política e sociedade, navegando com segurança em qualquer desses temas.

Luan Yannick

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Bomba “T” Minha primeira música feita dentro de um ônibus para minha pseudobanda a “Elipse Contínua”.

A vida nos ensina a viver.

Com a vida aprendemos a crescer. O caminho da existência a gente faz. O crescimento traz a dor no coração. Na minha vida, não preciso de você. Você pra mim, “tanto fez e tanto faz”. O amor que eu tinha já acabou. A traição é uma bomba que destrói. Eu já tô cheio! Suas desculpas não me afetam mais. Eu já tô cheio! O seu amor eu não quero mais.

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Vida

O que é a vida?... A não ser uma estrada que nos leva a

morte.

A morte não é fim e sim a chegada da corrida, onde o campeão não é quem chega primeiro e sim quem encontra o melhor percurso chegando por último. Nessa corrida quem corre é o tempo. E nós, máquinas sedentas, pensantes e ignorantes querendo aventuras e êxtase na estrada, vivemos tentando retardar o tempo. Oh! Vida maldita, onde as emoções das aventuras nos levam através de um desvio nos aproximando da morte. Não devemos lutar contra o tempo, mas sim seguir a estrada. Desviando sim! Pois se não aproveitarmos cada curva fechada, a vida passa, o tempo ganha. Aproveite a vida senão a estrada acaba sem você ver.

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Canabis “Se alguém não está disposto a aceitar seu ponto de vista, tente ver o ponto de vista dele”. Provérbio Libanês.

Canabis Erva natural, De procedência normal. Onde na vida natural, Livra-nos de todo mal. Mal do meridiano. Mal do fulano. Mal do beltrano. Mal do cotidiano. Males da vida normal. Sativa. Ativa na vida. Ativa na mente. Ativa na lida. Ativa o que sente. Sentidos aguçados. Sentidos mareados. Sentidos avoados. Sentidos atados. Todos os sentidos realçados. 21


Marihuana. Te tira da cama. Te leva pra fama. Te enche de grana. Te livra da violência urbana. Tanta violência. Tanta exigência. Tanta falta de coerência. Cadê a inocência. Cadê a inocência das crianças, cadê? Selva urbana! Selva da erva puritana. Selva urbana! Selva da grande marihuana.

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Surreal

Surreal no mundo letal.

É o esconderijo do medo Urbano. Sentimental eu sou um tanto. Sofro. Mas o tempo não é mais o mesmo. Quero viver no caos selvagem. Na eterna viagem ao sol. Ciclo. Existo. Não sinto o Ar. Vivo conflitos do ser que já foi. Saco a espada e golpeio a mim mesmo. Vejo o céu se abrir alto forte e brutal. Forças me jogam ao fundo do mal. Não vivo conflitos. Não sou ninguém. Ciclo. Inexisto. Não sinto o ar.

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Senhores do Futuro

Viva a vida, viva a história. Busque sempre a vitória.

Vamos juntos, sempre em paz. Nós não somos animais. Veja a vida, compare a história. Sangue e morte não é vitória. A desunião destrói a vida. É um tiro certo bem no coração. Vamos Jovens, futuro da nação. Vamos todos mudar o rumo da canção. Vida sem guerra, sem lamento. Não somos frutos do sofrimento. Pedimos paz para o mundo inteiro. Nós não nascemos do dinheiro. Nada mais vai nos corromper. Vamos atentos para vencer. Qual é a emoção desse país. Que vive cego e infeliz. Vamos Jovens, futuro da Nação. Vamos todos mudar o rumo da nação. 24


Vamos todos na intenção. De mudar a vida de toda nação. Sinto a força dessa nação. Que só carece de educação. Todos juntos buscando a glória. Para mudar o rumo desta história. Vamos jovens, futuro da nação. Vamos todos mudar o rumo da canção.

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Revolta “Os poderosos podem matar uma, duas ou até três rosas, mas jamais poderão deter a primavera”. Che Guevara.

Sozinho no meu quarto,

Penso no que pensar. Se o mundo em minha volta, Tenta me fazer pensar. Em um mundo sem revolta, Minha revolta aí está. Sigo na vertente, De um povo tão carente. Que sofre no curral. Que sente um punhal nas suas costas.

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Anjos CaĂ­dos

Anjos morrem por baixo das asas.

Anjos caem dos cachos de Deus. Anjos brancos negros se tornam. Embaixo das asas que hĂĄ tempos se escondem. Morte e vida! Anjos da lida. Morte e vida! Anjos do mal. Um dia fui anjo, mas hoje mortal. Caio um tanto e me afundo no mal. Morte e vida! Anjos da lida. Morte e vida! Anjos do mal. Sinto na pele a causa perdida. Perco a vida na alma maldita.

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Menina

Tu és a flor do deserto.

Que floresce em belos campos. Uma imensa porta aberta. Para um mundo de encantos. A luz sobre as sombras. A felicidade de um instante. Que revigora a jornada. Tu tens A glória de um anjo. Todo o encanto. É a menina que me faz feliz. O fogo nas águas. Pouco a pouco diluído. Pelas chuvas das estradas. Até a ressurreição da Fênix. Que renasce de um gesto. De afeição e de carinho. Tu tens, A glória de um anjo. Todo o encanto. É a menina que me faz feliz. Florescendo terras secas. Transformando em belos campos. Com a semente na história. Na esperança de um encontro. 28


Anos Dourados

Desde que nascemos, Vivemos no presídio Dos cuidados banais.

Vivendo como loucos. Libertos, somos poucos. Desfrutando dos perigos fatais. Somos rebeldes, rebeldes, rebeldes sem causa. Rebeldes, rebeldes, rebeldes sem causa. Ouvimos rock, batemos cabeça. Enchemos a cara só pra ficar legal. Saímos à noite pra dar um rolê. A noite acaba só não ficamos de pé. A “mulé” passa e “nois chega no papo”. - Você tá sozinha, então fica na minha. E a coisa rola “nois” leva pro canto. O “bagulho” esquenta, nós não somos santos. Somos rebeldes, rebeldes, rebeldes sem causa. Rebeldes, rebeldes, rebeldes sem causa. Família chata, não desce da barca. Perturba “pacas” só pegam no pé. São os cuidados do amor fraternal. Mas “é a vida” está tudo normal. 29


E a vida passa, crescemos em paz. E a roda gira. Tornamo-nos os pais. Bem preocupados com os revoltados filhos: Rebeldes, rebeldes, rebeldes sem causa. Rebeldes, rebeldes, rebeldes sem causa.

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Poder “Se quiser por a prova o caráter de um homem dê a ele poder” Abraham Lincoln.

Poder! Quero poder.

E que o mundo vá se fuder. Capital do capitalismo. Capital do egoísmo, É o corte mundial. Que retalha todo o bom senso. Penso no senso social, No sistema Mundial. Fora a política ocidental, E viva a vida livre! Viva a Liberdade! Fraternidade! E Igualdade! Revolução! Revolucionários que mudam a vida. De todos os otários. Que em vez de se unir. Aceitam tudo calados, E como viciados. Só correm atrás de todo: Poder! Quero poder. E que o mundo vá se fuder. O dinheiro me dá poder. E que o mundo vá se fuder.

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Larga o vício! E pensa no próximo, Politizado ou não. Não olhe pra cima! Olhe pro lado! Olhe pra baixo! Olhe pro seu irmão! Político safado, Corrompido, monopolizado. Lembra do povo martirizado. O povo está ferrado. Livra-te da forca. Que o povo tem força. Teu tempo está contado. Vão te pegar. Vão te ferrar. E vai chegar o fim de todo: Poder! Quero poder. E que o mundo vá se fuder. O dinheiro me dá poder. E que o mundo vá se fuder.

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Anos Crise existencial dos 18 anos

Medida do tempo.

Referente à idade. Na cabeça, Impõe-nos dificuldade. Reflito o passado. Penso no futuro. Mas o presente, Continua ausente. Será que valeu a pena? Será que tudo deu certo? Se vão os bons tempos. Chegou o fim da brincadeira. E vêm os protestos. E a comunhão com a vida alheia. Mutações e mudanças, De um ser humano. A mente mudando, E a cultura, caçando. Descoberta nos erros, Da infância liberta. Ou aprisionado no elo, De uma família com zelo.

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Mas quando chega a hora, Preparados ou n達o. Todos s達o jogados, Para uma vida de p辿s no ch達o.

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História Nacional

Rubro é

o sangue. Deste povo varonil. Rubro é o sangue. Desta terra do Brasil. A união racial, Numa fusão total. Tribos e clãs, Juntos nos divãs. Nasce sobre Júbilo. Uma indecência flamejante. Surgem do Oriente, Invadem povos inocentes. Catequizando à navalha, E explorando essa gentalha. Desde a descoberta, Recursos para a nação, Alheia. Terrinha dos infernos. Terrinha das riquezas. Porto seguro dos invernos, Cheios de aguilhões. Que hoje abrigam multidões. De centenas aos bilhões, Devendo a extorsão. 35


Juros variáveis, Com base de pernas frágeis. Sentindo a cor da rejeição. Tanto Sacrifício. Por meios inconsequentes. Com um povo tão carente, De igualdade social, De conhecimento racional, De uma força revolucional.

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Espero “O coração do homem é como um moinho que trabalha sem parar. Se não há nada para moer, corre o risco de triturar a si mesmo”. Martin Lutero

Hoje eu estou,

Sozinho sem você. Vivendo a te esperar, Querendo só te ter. E o tempo já passou. Não consigo mais me ver. Não dá mais para viver. Só quero te esquecer. Minha vida já se esgota. Na ponta de uma adaga. Que vence meu sofrer. Esperando te esquecer. Essa angústia que me mata. Como um veneno que se propaga. Esperando te esquecer. Vivendo sem você. Esperando te esquecer. Querendo só morrer.

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Felicidade Ébria

Eu me sinto um nada.

Não ando em linha reta. Tudo que era certo. Hoje não acerto. Eu me sinto um bosta. - Vê se não me encosta. Não me deram a receita, De minha vida estreita. Mas toda sexta feira. A esperança é uma besteira. A derrota aqui na testa, Como macaco na floresta. Amanhã é outro dia. Amanhã eu vou vencer (será?). Amanhã tudo de novo. Amanhã eu vou mudar. Do apogeu e da queda, O que restou? Só um enjoo na garganta. E mais um copo de álcool.

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Desigual

Escravos do medo, todos somos. Escravos do medo social urbano. E a Política? Não está resolvendo nada, Resolvendo nada não. E a Justiça? Estão todos no leilão, Quem paga mais não vê prisão. E a globalização? Mantém a desunião. Quem tem verba na ladeira, Quem não tem indo ao chão. Andando com os pés no chão, Seguindo a estrada. Cheia de pedras, pregos e vidros. Dificuldades de um mundo corrompido.

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Elipse Contínua “Quando a lua está cheia, ela começa a minguar”. Provérbio Japonês.

Original? Não! Tudo banal. Nesse mundo da moda, O futuro. Reflete o passado. O novo é o cover. Com os ideais. Sempre de lado. Nada se cria, Nada se perde, Tudo modifica. Nada se cria, Nada se perde, Tudo se copia. E a tecnologia. E o homem do futuro. O clone de todo jeito. É o homem perfeito. O mundo é uma elipse, Que continua a girar. O vivo não morre, O morto não revive. E a elipse da vida, Continua a girar. 40


Nada se cria, Nada se perde, Tudo modifica. Nada se cria, Nada se perde, Tudo se copia. Hoje eu copio, Amanhã sou clonado. E o mundo da voltas, Está tudo fadado. A vida é uma elipse, Uma elipse contínua. Nada se cria, Nada se perde, Tudo modifica. Nada se cria, Nada se perde, Tudo se copia. O feio, o zelo, O belo, o fraco, Tudo é copiado. O bem, o mal, O medo, o fatal, Tudo é copiado. A arte, a música, A tela, a tv, Tudo é copiado. 41


Barreiras “Vida é agradável e a morte é tranquila. O problema é a transição”. Isaac Asimov.

Destinadamente nascemos.

Fatalmente morremos. A partir do início até o fim, Muros são quebrados. E barreiras ultrapassadas. Após o nascimento Cada dia é uma descoberta, Cada som, cada luz, cada meta. Tocar, andar, correr, falar, pular. Cada momento nos liberta. Funções hormonais, Mutações anormais. Até o descobrimento, Do grande e fatal sentimento. A paixão, o amor, A culpa, a dor. Com isso a adolescência. E o final da inocência. Depois a liberdade parcial. A ética e a barreira social, Familiar e emocional A responsabilidade. A visão, a amizade. O pensamento no futuro. A realidade do presente. A liberdade de dar a vida, Gerá-la, Criá-la, respeitá-la, Ajudá-la a transpor dificuldades. 42


Sem tirar possibilidades. Do inĂ­cio ao fim, Transpor barreiras. A cada hora, a cada dia, a cada vida.

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A Prova “O melhor educador é o que conseguiu educar a si mesmo”. Provérbio Oriental.

Andamos por aí,

Formulando varias questões, Referentes à vida. Onde as alternativas, Vivem a se confrontar. Para ser a resposta exata. A qual o tempo dirá. Tempo que corrige, mas não explica. Aonde erramos? Qual caminho devemos seguir Para no final da prova Terminarmos com a nota dez? Será que você sabe qual é a melhor alternativa? Será que sabe a resposta da questão? Seja prudente, Pois as alternativas estão aí. A roleta da vida foi lançada. E só você sabe do que sua vida precisa. Só você aposta e determina, Qual é a alternativa vencedora. A qual se tornará a resposta da questão.

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Rio “O que é um Rebelde? Um homem que diz Não!”. Albert Camus.

Brasil, Rio de Janeiro, Zona norte, Cordovil. Estou aqui.

Criminalidade o ano inteiro. Na paz armada que ninguém viu. Eu vivo aqui. A vida do subúrbio. A voz do povo humilde. Distorcida pela ignorância. Deste mesmo povo inútil. Eu não sou ignorante. Sou da raridade humilde. Da raridade intrigada. Da raridade revoltada. Que já cansou dessa jogada.

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Sexo, Drogas e Rock’ n Roll

Sexo, Drogas e Rock’ n Roll

O lema dos antepassados. O lema da geração coca-cola. Hoje marginalizado. Com a moral estampada na cara. Sexo! - Faça sempre sexo seguro. Drogas! - Somente lícitas e com moderação. Rock’ n Roll! - Que fale de amor! Que fale do Tempo! Política Não! Sexo! Drogas! E Rock’ n Roll! Cadê a diversão? Cadê o protesto? Cadê a animação? Onde está todo o resto? Sexo! Drogas! E Rock ‘n Roll! Sexo! - Use sempre camisinha. Drogas! - Menos de cinco gramas não é crime. Rock’ n Roll! - Cante! Pule! Roda! E Grita: Sexo! Drogas! E Rock’ n Roll! 46


Ditado “Penso, Logo Existo”. René Descartes.

D itando os ditos populares

Eu dito a sabedoria E mando a todos os lares Como um canto de Harmonia. Nos pensamentos pulsantes, Penso no coração a pulsar. Corações alegres, tristes, Vivendo intrigante a pular A vida do pensador, Buscando a cultura. Na mente o vazio e a dor, Onde a cultura é a cura. Pensar é mudar de plano. Navegar no mundo de Platão. É voar de um jeito plano. Ter o mundo ao alcance da mão. Sentir a expansão do conhecimento É abrir a cabeça e estufar o peito Olhar a cultura e seu movimento E tirar a mente do leito. Buscar a cultura De popular a erudita, Para evoluir a mente imatura E entender essa vida finita. 47


Quem Sou Eu? reflexão para o perfil do orkut

Sou um visionário auspicioso de temperamento brando e

espírito errante. Sou proveniente do subúrbio da classe assalariada que labuta nesta sociedade errônea, porém abundantemente provida de cultura pela qual tenho um nobre fascínio.

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Encontros

Os encontros e desencontros da vida, Assemelham-se ao fogo. Desde o primeiro olhar, O primeiro sinal, O primeiro toque, O primeiro beijo, É ascendida a chama E como todo fogo Tende a queimar Até que as chuvas da vida, Como a distância e o tempo O apague Porém a chama alimentada Pelos bons sentimentos Como carinho, respeito e amizade, Supera quaisquer dificuldades Intensificando-se cada vez mais Entrando e se alojando no coração, Transformando-se em outros fogos, Tal como o desejo e a paixão Chegando às vezes ao ápice De ternura e carinho, Envolvendo e consolidando o amor, Que expulsa toda e qualquer solidão De dentro do coração. Só lá restando a felicidade.

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Amor Materno “Reflexão Incompleta”

O que será o amor?

Pensando bem eu não sei. Metaforicamente falando, Parece-me uma flor púrpura, Que se encontra no mais alto cume. Alto, belo, e perigoso cume. No qual a queda pode ser fatal. O mundo utópico da bondade extrema, Gira em torno do amor. Da flor fatal de difícil acesso. Quebro esse paradigma quando penso No puro amor maternal, Um amor incondicional. Sem barreiras. Como pensar em amor fatal, perigoso. Lembrando do amor de mãe, Qual é o perigo?

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Força Juvenil

Cortaram minhas asas. Tiraram minha vida. Roubaram o meu pão. Privaram-me da saída.

No sistema Insustentável. Tiraram o meu chão. No sistema da miséria. Violentando o povão. Sinta a força Juvenil! Sinta a força do BRASIL! Vocês querem o poder. Nós queremos união. Vocês visando o dinheiro E nós querendo uma nação. Mas vocês esquecem, Que nós somos a juventude. Nós temos o poder E decidimos o futuro. Dou-te todo o meu sangue, Mas te monstro o poder. Na união do povo humilde O caminho pra vencer.

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Flor do Reggae “Natureza é a Arte de Deus”. Dante Alighieri.

Me regue com um sublime amor.

Me regue na natureza pura. Me regue de luz e de calor. Me regue no embalo desse fervor. Me regue no reggae na luz da lua. É a flor do reggae que hoje atua. Em um coração simples sonhador A flor... Do reggae. Me regue de canto e harmonia. Me regue de paz Interior. Me regue com a presença tua. Me regue desse sublime amor. Me regue no reggae na luz da lua. É a flor do reggae que hoje atua. Em um coração simples sonhador. A flor... Do reggae. Me regue no brilho das alturas. Me regue com todo esse esplendor. Me regue no som dos atabaques. Me regue no embalo desse fervor. Me regue no reggae na luz da lua. É a flor do reggae que hoje atua. Em um coração simples sonhador. A flor... Do reggae. 52


Na luz... Da lua. A flor... Atua. No ardor... Do amor. Me regue no reggae na luz da lua É a flor do reggae que hoje atua, Em um coração simples sonhador. A flor... Do reggae.

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Inspiração Amorosa

A vida

Brinca com a gente Num encontro Planta a semente. Na união de duas vidas, Uma corrente, Que sela o amor No peito da gente. Amar é um rio De plena água quente, Que nos adormece E nos energiza, Cultivando a semente Da flor mais bonita.

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3³ = 27

Eu tenho três amigos,

Com três hábitos em comum Sexo, drogas e rock ‘n roll. Respeitando três poderes. Vendo a globalização, Que financia três nações. Mas na cabeça a lição, Da França a revolução Mostrou pro mundo três lições, Liberdade, fraternidade e igualdade. Três ao cubo é vinte e sete! Dando vinte e sete voltas no meu eixo Eu vejo o meu mundo girar. Respiro vinte sete e aperto o peito E viajo no meu mundo planar. Apertando vinte e sete com emoção Eu viajo parado com sorriso no lábio. Vivenciando essa grande diversão, Brindando por Baco com o vinho na mão. Três ao cubo é vinte e sete! Liberdade, fraternidade e igualdade. Três ao cubo é vinte e sete! Amizade, respeito e humildade. Três ao cubo é vinte e sete!

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Dois em Um

Você tão esperta E eu desligado. Você tão vivida E eu iniciado.

Você racional E eu tão sensível. Você tão correta E eu irresponsável. Você tão ativa E eu meio autista. Você uma diva E eu um Artista. Nós dois somos um, Igual não há nenhum. Eu inconsequente E você coerente. Eu sem suporte E você tão forte. Eu vivo sonhando E você pés no chão. Eu me perdendo E você me encontrando.

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Eu sou doente E você é a cura. Eu sou carente E você tão madura. Eu tão ingênuo E você desconfiada. Eu a partida E você a chegada. Nós dois somos um, Igual não há nenhum. Você é a ação E eu a reação. Eu a canção E você a inspiração. Você a cantora E eu o compositor. Você baterista E eu arranjador. Você me conserta E eu te completo. Você é tão certa E eu incompleto. Nós dois somos um, Igual não há nenhum.

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Pobre Escritor

Estrela cadente

No embalo da dança. Cheia de luz, força, Brilho e esperança. Chama ardente De Intenso calor. Seu corpo no meu Demonstrando o amor. A neve do inverno, O sol do verão. Toda beleza Num só coração. A teus pés eu estou, A teus pés sei o que sou. Um pobre escritor, Desfrutando do amor. O vento do Outono, A flor da estação. Poema divino, Uma constelação. Água da fonte, Tua voz é tão clara. Guardo-te e afago. Tu és jóia rara. 58


Tua boca de ouro, A riqueza da alma. No céu tu és estrela, No chão minha Amada. A teus pés eu estou, A teus pés sei o que sou. Um pobre escritor, Desfrutando do amor.

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A Milhas Por Segundo “As lágrimas são a linguagem muda da dor”. Voltaire

Cada segundo é uma vida,

A milhas por minuto. Cada viagem entre cometas, A milhas por minuto. A vida é um transe, A milhas do planeta. Eu corri pro meu quarto e cantei pro espelho. Eu sou um avião calado, Cantando sou mais que um morcego. A milhas por segundo, Eu estou nesse planeta. Eu sou um dragão de pêlo, À tarde eu te desejo, Hoje o dragão não tem pêlo, A milhas por segundo. De longe eu vejo o meu dedo, Por mais de um segundo. Viajo bem dentro do matinho, A milhas por segundo. Dando 27 voltas no planeta Eu volto pra esse mundo. Eu subo dentro do cavalo, Eu entro num cometa. Pessoas falando ao meu lado, A milhas por segundo. Mas volto pro mundo chato, Em algumas eras. Nessa vida sincera. 60


... Hoje eu fui ao inferno e voltei, Eu perdi a vida E no fim ressuscitei.

Brinquei de pique com a morte, Eu pulei corda diante do abismo. Nadei num rio de piranhas, Coloquei a cabeça na boca do leão, Nadei sangrando por entre tubarões.

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Reflexão Tardia

Às margens do paraíso

Eu paro e reflito. Será que fui correto? E na mente paira a dúvida, Pois entre acerto e erros Não sei a diferença. Mas volto ao dilema. Será que ajudei a mudar o mundo? Será que serei lembrado, Por um belo ato Ou por alguma descoberta? Logo eu me despeço. Em plena juventude. Não tive tempo para agir conscientemente Estou certo que fiz amigos E espero tê-los ajudado, No longo curto caminho da vida, Pois a amizade fortalece a alma. Alma que é purificada pelo amor. Volta-me a reflexão. E com ela a inquisição, No qual tenho a minha certeza. Será que amei e fui amado? E de prontidão eu digo: Sim! Amei a menina de lábio de ouro. Amei e fui amado. E deixei a dor e o vazio em seu peito, Mas como amar purifica, Se na despedida deixa a dor? E que egoísta pareço eu em partir cândido 62


E deixar a dor e um lugar vazio, Em um coração que habitei, Com exatidão e pureza. Oh! Bela menina, Queria eu ficar E olhar outra vez seus olhos E beijar a riqueza de seus lábios. Mas a decisão não é minha, É de algo maior que me quer. Talvez ajudando como outrora me ajudou, Oh! Menina, Sinto em dizer, Mas as portas já se abriram E a luz me chama. Fique em paz, Que eu sentirei saudades.

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Perfeição “A terra é mais nobre que o mundo que colocamos sobre ela”. J. B. Priestley

Perfeição,

É o modo de dizer, Como eu vejo você. Imperfeição, Todos procuram em você, Tentando te entender. Mas o erro fatal é a ignorância. A nossa ignorância Destrói tudo em você. Você nos dá: Comida, luz e abrigo. E eu a assassinar. Natureza! E essa aqui é por você. Planeta terra! Essa eu fiz foi para você Oh! Universo! Tudo isso por você.

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Marcha Fúnebre

A marcha vai passando pela rua.

A marcha vem descendo a ladeira. O coro das choronas a gritar. O coro das choronas a cantar. A dor do adeus está na cara. O medo do adeus está na fala. Com todos os sentimentos a lhe dar. Muitas condolências a lhe mostrar. O cheiro de morte além das flores. Exalando a carne entre clamores. Versos do padre a recitar. O discurso do amigo a declamar. A casa dos mortos, tão sombria. A casa dos mortos está tão fria. Os mortos em sua casa a observar. O corpo no jazigo a descansar. A sete palmos, futuro não há. A alma do seu corpo se destaca. O inferno e os céus a disputar. E um novo plano a encontrar. A morte é tão simples e pacata. A morte é uma vida desencarnada. E todo martírio a terminar. E toda a ascensão a começar. 65


Vida Pequena

Sigo minha pequena vida.

Fazendo meus pequenos atos. Criando meus pequenos versos. Tocando minhas pequenas notas. Mas sonho em um dia ser grande E tocar minhas mãos nas nuvens E voar como um passarinho, Nas barbas do vento amigo. Mas a verdade é que ainda sou criança. Nesse mundo fraco de esperança, Remoendo meus pequenos medos. No solo no trabalho duro. Lutando por um belo futuro.

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Sentido Humano

Vou lhe contar

O que nenhum ábaco já contou. Algo que afeta o céu e o inferno, Que nasce e morre na Terra. É tudo que não se vê, É parte do que se sente No órgão docente, De forma irreverente. Na penumbra do espírito, a luz. O grito no ouvido do surdo. A cor no olhar do cego. A pureza magoada Do fruto celeste. É o amor humano terrestre.

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Verdade?

Da extinção dos desejos,

Nasce a dúvida latente. Nas formas de entendimento De figuras e entes. A questão do amor, Oriunda da religião. Da criação do mundo Dos macacos ao pó. Com a força divina Em tudo que existe, Da natureza natural Ou em cárcere fétido, No interior mais profundo Do cérebro humano.

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Um dia de Sol

Mais um dia de sol.

É o sol que me aquece e me guarda. O sol que me guarda e me aquece. Que me da força e me engrandece. Nessa luminosidade, Que só produz felicidade. Até quando Viver, Até quando morrer, De dia recarrego, Para a noite resistir, Sinto-me um anjo feliz Enquanto ainda vivo. Nessa luminosidade, Que só produz felicidade. Nessa luminosidade. Mais um dia de sol.

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A Folha

A folha solta,

Seca e voa, Gira e dança, Ao vento desce, Ao vento sobe, Baila na dança Do vento no ar. Na brisa tranquila, No sopro sutil. A terra ela alcança, Na terra descansa E com barulho estridente, Num surto de raiva O pé a esmaga.

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O Mar

O mar vem e vai,

Com ondas ma atrai,

Como um beijo me molha, Contando-me histórias De navios e embarcações. Da África, negros aos milhões, Para as correntes de uma nação. Da casa grande a nobreza, Da senzala a riqueza. Na beleza cultural, De um povo sensacional.

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Paz

O que é a paz?

Ausência de querra, De conflitos? Como paz se a vida é um conflito. A natureza é feita de opostos, Que vivem em harmonia. Mas a humanidade Escolhe um lado e cria a desordem, Entram em guerra para chegar à paz. Na paz, se incomodam e entram em guerra. É tudo um ciclo de altos e baixos: Paz, guerra; Noite, dia; Chuva, sol;Vivo, morto. Quando começa a paz? E quando termina a guerra? É tudo um ciclo, Não há diferença é tudo um só.

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Preguiça de Viver I

Gotas de chuva,

Juntam-se com orvalho. Montam um cenário, Cinza e sem cor. Nas ruas o nada, Junto com o orvalho. E no céu o que restou? Um cinza sem cor. Os pássaros mudos, O silêncio incomoda, O vento transborda A tristeza e o pavor. Assim eu acordo, Não saio da cama. Eu ligo o rádio, Uma canção de quem ama. Levanto cansado, Às cegas me asseio. Alimento meu corpo E a dúvida no meio. O que fazer? Será que eu vou saber? Quem é que vai me dizer? O que devo fazer? 73


O futuro está longe. Os dias se arrastam. O presente cansado. Em um dia escuro. Vontade não falta, Querer; quero muito. Com metas variadas, Em uma longa jornada. O que vou fazer? Esperar ou tentar? Lutar ou descansar? Correr ou sentar? Parece tão óbvio. Mas é uma incógnita. Não sei o que pensar, Nem como ficar.

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Rei Dragão

Sigo o ciclo

Sagrado e servil. Sirvo ao cerco Da seita hostil. Monstro sagrado, Repúdio do mal. Sinto no sangue A força e o sinal. Mostra-te a face Da fera voraz. Suba no salto E segregue os mortais. Exílio fadado, Julgado animal. Vá para os céus E se torne Imortal. Draco! Venha, oh rei dragão. Draco! Nos leve em suas mãos.

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Amor Real

Mostre o seu amor pela vida, Busque no tempo A descoberta perdida. Sinta o fervor No sangue constante. Ame o próximo, Agnóstico ou ator. A descrença do crente Não move moinhos. A loucura no fardo, No largo louvor. Ame e cante Os cânticos mortais. O tesouro guerreiro No tempo ecoou. Do templo do rei As histórias contou. O amor sagrado E o fruto fadado. Sinta no coração O sangue real. 76


O amor ĂŠ o poder Que aos fracos mostrou. Pare, veja! E sinta a vida.

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Paradoxo da Vida

O bom é sempre mal. O bem, letal. Se te faz bem, Não me faz mal.

O sempre que nunca é. O nada que lhe faz bem. É tudo um tanto imundo. Vejo o tempo estacionado, Com o juiz emocionado. Vendo o sol escurecido, Dentro do suco mordido. É o tudo igual a nada. É o dia na alvorada. O anoitecer no meu dizer. Na altura do instante de chegada. No alvoroço da partida Antecipada. É o bem e o mal, É o tudo e o nada. O sentimento interrompido, É o desejo com rancor, No fogo do amor.

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Sol

Oh! Sol

Astro rei, O sistema Joga-se a teus pés. Via-me em torno de ti, A girar, Na dança dos planetas. Entre tuas gloriosas irmãs. Quando tu emprestaste Teu calor e energia, À menina de lábios de ouro, Que outrora penetrou em minha vida. Nos olhos dela vi teu calor, Incandescendo minh’alma, Pondo meu corpo em torpor. Hoje presto reverências a ti, Pois sob seu brilho Colho os frutos de um belo amor.

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Inferno

O pior inferno

Não é o inferno de fogo. É o inferno de gelo, É o inferno do frio do teu olhar. O martírio da angústia É dor pouca, Perto do martírio da dúvida, Da dor de querer e não poder. Ter sede vendo a água, Sem poder beber. Ter fome vendo o pão, Sem poder comer. Olhar seus doces lábios a falar, Sem poder beijá-los. Sentir seu corpo em um abraço E não poder lhe amar. Ver a esperança morrer A cada momento. Olhar a vida se esvair Com o tempo. Sentir no mundo um vazio, Equivalente ao vazio do coração Sem amor; Sem carinho. Sem a vida que só você pode me dar. 80


O inferno não é nada, Perto de estar na terra De frente para o céu E não poder descansar eternamente.

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Racionais

Sinto-me capaz de viver.

Sinto-me capaz de crescer, Mas os juros da vida São variáveis. Os juros da vida São intocáveis. Somos todos normais. Somos meros mortais. Somos todos normais. Somos racionais. Então pense... Pense na vida, Pense no que sente, Pense no futuro Trilhando o presente. Por isso pense, e sinta!

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Preguiça de Viver II

Despertei, não levantei. Escutei e não falei. Eu pensei e não agi.

A vida está promissora. Elevador já está subindo. Não tenho porque sorrir. Não quero mais dizer nada. Nem estou a fim de escrever. Tocar só para me esquecer. Não quero me ver agora. Escutar está um pé no saco. Estou triste até para discutir. Pensar está ficando chato. Tenho preguiça de sentir. Não falo nada. Nem penso nada. Não sei se quero existir.

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O Beijo da Morte

E hoje eu ouço,

As vozes da morte. Sinto seu cheiro de flores E seu toque ártico. A muito que não encontro Aquela menina desatinada, Que por tempos tomou meu peito, Pulsando e dançando. Ó vida! Onde está o teu encanto, Tua beleza e teu calor. Que outrora me emocionou. Mas hoje não há pranto nem amor. Só a escuridão me restou, aqui. Onde a morte me beijou.

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Dança das almas

Alto ao longe,

Faz-se minha morada. Tão perto do céu, Tão longe daqui. Meu corpo aqui jaz, Mas minha alma Entre os mundos viaja. O frio e a dor não se cansam De molestar minha lembrança, Rasgando suas imagens Na tela de minha mente. Mas sei que vou tê-la, Tão cedo a vida queira Deixar-lhe na sarjeta. Daí dançaremos juntos A última valsa, No salão das almas perdidas.

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Morte “Morrer é o apagar da lâmpada ao nascer do dia e não o apagar do sol”. Tagore.

O inevitável vai acontecer.

Os tambores da passagem Já estão rufando. Deixarei o mundo carnal E voltarei às idéias. Com a forma de lembrança, E lá vou viver eternamente. Lá, onde fica o berçário de tudo, E o túmulo de todos. Quando dizem: Que do pó viestes E para o pó voltastes. Eu acredito além. Dá idéia viestes E para a idéia voltastes. O corpo físico é uma capa Para a verdadeira essência de tudo, Mas a vida termina. A passagem está aberta E o novo mundo há tempos esquecido, Voltarei a ver, Nítido, claro e certo. Essa é a verdade da vida. Estamos aqui em um jogo, Acumulando conhecimento Assim como pontos. Guardando-os para o grande acerto de contas Do fim da humanidade carnal. 86


Decepções

Hoje a tristeza me agarra

E me força para baixo. Quando não sou o que espero, Quando não a faço feliz. Ainda me lembro do sorriso Dos momentos de amor, Hoje eu temo a tristeza Naqueles olhos. Eu fantasio remédios, É o pouco que me restou Da esperança de reaver Os momentos felizes, Do meu corpo no seu Sem me preocupar com o prazer E a tranquilidade do amor. E agora o que restou? Uma tristeza amarga Que me afoga e me cansa. Tenho certeza do amor, Que temos entre nós dois Mas temo que esse amor Se desgaste com as decepções.

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Hipocrisia Natural Reação em cadeia a uma viagem de metrô.

Ética! Moral!

O que seriam elas sem os bancos laranja desrespeitados, e povoado por nós, a raça humana, tão ética, moralista e hipócrita! Mas como ética se hipócrita? E Como Hipócrita se ética? Todos somos humanos, com nossos anseios, medos, dúvidas e vícios. Duvidamos de nós mesmos. Pensamos em nós mesmos. Ao dar uma flor, inevitavelmente pensamos no carinho que vamos receber em troca desse ato, somos inconscientemente individualistas. Quando damos uma esmola não pensamos no pobre, mas como somos nobres por esse belo ato. Quando visamos a “moral”, não lembramos de nossos erros escondidos no passado, no cárcere da memória. Ética e moral são artigo de amostra. Inconscientemente agimos naturalmente em primeira pessoa. Eu faço, eu quero, eu sinto. É um dogma: “A hipocrisia idiossincrática do ser humano”. Somos criados assim assistindo exemplos de nossos pais e do resto da sociedade, que sem perceber herdam de seus antepassados.

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Mas esse não é o fim, há aqueles que mudam seus paradigmas lutando e tornando-se mais verdadeiros. Então há esperança, podemos nos conscientizar e olhar para si não como um todo, mas como parte de um mundo real e verdadeiro.

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Promessas

Promessas mentiras, Promessas em vão. Promessas mentiras, Promessas ao chão.

Na torre, na vila, No clube no campo. Na vida perpétua. Ninguém mais é santo. Andando nas ruas Nos vales, estradas. Percebo a tristeza Na sala em um altar. A fome de visita E a pobreza amiga Traz o jantar. Do pão e da farinha Restam as migalhas. Conte-me onde está Nossa prima esperança, Lá atrás que diziam Que ela nunca se cansa. Mas hoje enterrada Nos fundos descansa. E onde foi parar 90


A menina infância, Não tem mais papel Na novela futuro. Na TV já se vê, A rejeição ao saber. E de quatro em quatro anos, Nós vemos as mesmas: Promessas mentiras, Promessas em vão. Promessas mentiras, Promessas ao chão. É A história perpétua, A história imutável, A história ingrata, A história incansável, A história de intriga, A história da morte, É a história daqui.

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Pai... “Acreditar que basta ter filhos para ser pai é tão absurdo quanto acreditar que basta ter instrumentos para ser músico”. Mansour Chalita.

O sol raiou no horizonte

Trazendo a beleza das cores. Não sei bem o que fiz, Mas fiz de bom grado. E hoje, recebo-te ao mar. Como ondas a me banhar De luz e de calor. Assim como aprendi com meu pai, Na sua ausência a minha força E mantendo a esperança De ao teu lado estar. E as águas rolaram, E hoje me fiz homem Graças a teu desprezo.

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Ausência “A arte faz apenas versos: somente o coração é poeta”. André Chénier.

A fonte secou,

A inspiração acabou. As densas brumas Inebriaram minha mente, Apagaram a luz de meus olhos, Escurecendo minha visão, Ataram meus pés e mãos E gelaram meu toque E minha criação. Não há mais vida em minha poesia Só há no meu coração.

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Esfinge

Tu não me reconheces,

Não sabes quem sou? E nem tão pouco donde vim E ainda atravessas meu caminho? Atentas-te, Pois já dinamitei montanhas, Voei sobre rios E atravessei o fogo. Vivo duelos mortais diariamente, Entre eu e eu mesmo E ainda hei de triunfar com uma lança em meu peito. Mas pra você mostro minha presa E com presteza lhe digo: - Decifra-me ou te devoro!

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Semente “De ao seu filho raízes e mais tarde asa”. Provérbio Judaico.

A árvore encantada já foi germinada. Dentro em breve nascerá Do ventre de minha amada, Minha vida vai se multiplicar. Eu sol, ela lua. Em um eclipse a encantar. Na terra nua e crua, Uma flor a desabrochar. Será um cravo robusto Nas mãos de um rude Com elegância e atitude Arrebatando donzelas no susto? Ou será uma rosa azul No alto daquele monte, No qual ao pé passam os viajantes, Causando um suspiro nos amantes? Tento entender como um fruto, Muda e encanta o mundo Do pai sol e da mãe terra Simplesmente ao sair dela.

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Morador de Rua

Estou no olho da rua

Só com a viola na mão E a geladeira vazia Não tenho arroz nem feijão. Bem que a patroa dizia Não dá pra viver contigo Largou-me na Bahia Não quis minha companhia. Ai... Assim não dá mais. Joguei tudo pro alto. Ando descalço no mato. Durmo no chão da cidade. Perdi minha identidade. Hoje às dez da manhã Toco minha vida daqui. Contando essa história, Que nunca sai da memória. Hoje eu moro na rua, Sob o brilho da lua Com essa dor que cantei Marcado na carne crua.

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Volta Arriscando no samba

No marasmo da vida eu te vi E lhe dei a mão. Ao te ver levantar e sorrir, Senti grande emoção.

Nas histórias que ouvi mergulhei, Vi paixões ilusões e sonhei, Mas teu passado não nega Nunca foi uma mulher que se entrega. Te contei minha vida perdida. Dividi meus segredos do coração. Te dediquei minha vida, Mas não pude evitar a separação. Volta... Vem viver uma nova paixão. Volta... Abra as portas do seu coração.

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Zé da Cana Olha o partido alto...

Zé...

Toma um litro de cana, E continua em pé. Zé... Na quebrada do morro, Não mete a colher. Zé... No gole do santo, Mostra que tem fé. Zé da cana é partideiro, Diz que um dia chega à fama. Bate tan-tan bate no pandeiro, Quem tem gana não se engana. (Porque) Zé da cana nunca foi bandido, Só joga no bicho. Zé da cana bebe o dia inteiro, E não cai no lixo. Zé... Toma um litro de cana, E continua em pé. Zé... Na quebrada do morro, Não mete a colher. Zé... No gole do santo, 98


Zé da cana é líder nato, Desde os tempos de internato. Dava cedo um pulo no muro, Para a noite voltar maduro. Zé da cana é malandro esperto, Nunca foi mané. Zé da cana, grande versador, Que tem samba no pé.

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Horizonte Negro “Hipócrita é o homem que matou os pais e pede clemência alegando ser órfão”. Abraham Lincoln.

Raiou o sol no horizonte negro, Das mini-incertezas humanas, Mãe das grandes atribulações.

Hoje seus olhos vão ver, A real verdade analítica. O fim não ilusório está próximo. O fim do medo de sentir e viver, A maldade inata do ser humano. O fim da hipocrisia do bem e do mal, Como verdadeiro divisor das águas.

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Das Sombras

O escuro é revelador, nos expõem aos nossos medos.

Libera a imaginação atentando a audição e ludibriando a visão. Escuto o silêncio em meio ao som da rua, sinto um golpe frio na espinha com o uivo aterrorizante do vento na janela entreaberta. É madrugada, a chuva insistente no toldo, cortada por raios e trovões, anunciando o mal na mente mortal. Uma forma bizarra na janela, das sombras um vulto que se move em um segundo, a campainha toca, o que será a tal hora? O medo domina, a persistência assusta. O que fazer? Abro a porta e vejo... Que não passa de mais um pesadelo.

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Nova Vida “O que é mais difícil não é escrever muito; É dizer tudo escrevendo pouco”. Júlio Dantas.

Vida gera vida.

Felicidade, medo, ansiedade. Amor, carinho e vida. Vida gerando vida. Presente, responsabilidade, futuro. Beleza, vida, amor.

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Normalidade Métrica

Oh! Tarde sem encanto,

Que penso em mim só. Vivo preso em um canto, Atado como um nó. Longe da métrica, certa e voraz. Sigo caminhos alternativos. Cantos a céu aberto, Onde o horizonte é o limite, Do pensamento volátil. Vivo conflitos complexos, Reais e normais, Entre os seres carnais. Luto por mim, E pelos que quero muito bem, Hoje e sempre. Alguns poucos amigos, Familiares próximos, Minha mulher e meus filhos.

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Ansiedade “O que esta fora de vista perturba mais a mente dos homens do que aquilo que pode ser visto”. Júlio César.

É a dor da espera,

Do susto, Do gosto pelo novo, Do botão de rosa, Abrindo para ver o mundo. É o instante infinito, Entre o arremesso e a cesta, Do chute e o grito de gol, Da luz amarela e a largada da corrida, É o momento exato da ultrapassagem, É voar em queda livre. É esperar o resultado, Que vai mudar sua vida. É esperar um filho. É a véspera da felicidade eterna.

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Mil Faces “Homem, conheça a ti mesmo e conhecerás o Universo”. Sócrates. “Vencer a si próprio é a maior das vitórias” Platão.

Todos os dias,

Digladio comigo, Lutando para ser, O meu eu lírico. Não sei quem sou. Eu de mil formas, Ou mil em um corpo. O pai de família. O saudoso da infância. O super sincero. O antisocial. O adolescente chapado. O estudante livre. O ser incompreendido. O socialista inconformado. Dentre várias mil faces, Quem sou agora, O bêbado, O louco ou o são. Mais um ser sem importância, Nesse grande mundo. 105


Poesia Romântica

Oh! Menina dos lábios de ouro, O que vistes em mim? Um reles escravo de tua beleza. Sou indigno de teu amor.

Tenho a maior devoção a ti, Que operas meu calejado coração, Que és teu e de mais ninguém. Oh! Diva de temperamento forte, Tens a força explosiva de um titã, Com a sutileza de uma rosa. Sinto a luz reluzente de teus olhos, E viajo dentro deles, Como um mergulho no paraíso. Tu és única, ó rosa vermelha. Querida e bela rainha. Tu tens em mim, Um bobo de bom grado.

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Mães “Deus não poderia estar em toda a parte, então fez as mães”. Provérbio Judeu.

A beleza extrema da natureza.

Tudo surge delas. Nada é igual a elas. Só a elas amamos com mais força. Tão belas meigas e fortes. Suportam os seus males, E de seus filhos com candura. Sofrem pelos filhos, Para tê-los, cuidá-los e encaminhá-los. Toda a mulher que gera uma vida, Tem uma luz que a torna perfeita. As mães são a chave de tudo. Oh! Mãe terra. Mãe natureza. Nós te amamos.

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Vinte e Um Resposta à poesia Mil faces “Quem olha para fora, sonha. Quem olha para dentro, desperta”. Carl Jung.

Hoje vivo um marco.

Chegou o fim da infância. Já passou a festa jovem. Hoje encarno o juiz. Vivo o pai, O pilar de ordem familiar. Mais do que nunca, hoje, Sou a cabeça de um corpo, Penso no presente visando o futuro. Para muitos, é tempos de festas e orgia, Mas para mim, graças ao grande arquiteto, Feliz vivo a paz, guerreando por meu lar. Hoje eu sou “Um por todos”, E não mais “todos por um”.

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Um Sonho “Um homem é o tamanho de seu sonho”. Fernando Pessoa.

Viagens oníricas,

Um deslumbre de um futuro próximo. Visões fantásticas, De uma vida em regozijo máximo. Do ventre vi a luz, Lentamente delineando suas formas. Hoje a esperança me conduz, Velejando em águas mornas. Amamos-te e esperamos, Como uma dádiva divina. Ansiamos-te e admiramos, Como uma obra traquina. Volto ao ventre a lhe conduzo. Desde já te dou minha vida. Guio-te e o introduzo, No mundo, essa selva ferida. Em um sonho te vi, E bobo contemplei. E um sonho a seguir, Com certeza realizarei.

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Fim dos Tempos “O melhor profeta do futuro é o passado”. Lorde Byron.

Na tela em branco o futuro.

Um horizonte imaturo. Como quero mudar o mundo, E não ver minha prole nesse imundo. Vou escrever vendo, lendo e vendo, Se tenho idéia do que estou dizendo, Junto à emoção à viola, Tentando tirar alguma esmola. O mendigo na praça. As crianças cantando. A igreja em sua graça. O mundo desmoronando.

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Tédio “Só há duas opções nesta vida: se resignar ou se indignar. Eu vou me resignar nunca”. Darcy Ribeiro.

Somos revolucionários,

Vivendo nesse marasmo, Das idéias provincianas. Ideais esquecidos, Reivindicados e indecisos, Na mente torpe do cidadão. Politicamente incorretos, Vivemos na corda bamba, Entre a cruz e a espátula.

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Miguel “Fazer um filho é fácil difícil é ser pai”. Wilhelm Busch.

No frio da madrugada,

Seu choro ecoou. Felicidade plena, Que nunca senti. Êxtase e euforia, Sentimentos que guardo na memória. Ao te ver ao lado de tua mãe, Não pude pensar, Parei bobo a admirar. No minuto seguinte o frio acabou. Correr, pular foi o que quis. Foi assim quando descobri, Que no mundo meu sangue proliferou.

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Acr처stico I (Miguel)

Milagre divino.

Intensa manh찾. Guardo a vis찾o. Urgente rubor. Estava tranquilo. Ligeiro menino.

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Acr贸stico II (Nascer)

Naquela manh茫 me viu nos seus olhos. Adormeci meus temores. Sonhei acordado. Cansado e calado. Enquanto te vejo em meu colo. Rico eu sou de intenso prazer.

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Tal Como Um Deus

Há momentos que me sinto Deus.

Forte herói, tenaz combatente. Único dentre os mortais. Tenho a força de Hércules, A persistência de Ulisses; E a coragem de Jasão. Vejo em mim o brilho imortal. Nesses momentos, vivo Zeus, Pai imponente e Justo. Rápido e próspero como Hermes e seu caduceu, Possuo a sabedoria de Atenas, Carrego o calor do sol, Tal como Apolo e sua lira. Sou Único dentre as matas como a caçadora Diana. Sinto o poder de alimentar o mundo, Como Ceres, a mãe zelosa. Sinto-me embriagado, Como em uma festa bacal. Nesses momentos, me sinto Deus. Quando os olhos do meu filho, Procuram os meus.

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Anjos Não Choram

Anjos não choram,

A dor de um coração partido. Anjos não sentem, O frio de estar sozinho. Anjos são livres do amor. Anjos são livres do ardor. Anjos não sorriem, Na presença de um amigo. Anjos não sentem, O calor de um carinho. Anjos são livres do amor. Anjos são livres do ardor. Anjos não têm alma, Não vivem, não morrem. Anjos não têm calma, Não se tocam não se amam. Anjos cantam sem paixão. Anjos voam sem intensão. Anjos vivem na luz, Sem enxergar a própria sombra.

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Minha Luta

Há muito que não entro, Em viagens etílicas. Há muito que não vejo, O mundo rodar. Há muito que não levo, O dedo à garganta. Há muito que não sinto, Meu corpo desequilibrar.

Há muito não celebro a vida. Há muito não canto o canto dos loucos. Vivo a seriedade do cotidiano. Vivo a loucura do ser humano. O pensar até dizer: Chega! O desbravar a noite escura. Essa é a vida adulta. Essa é minha conduta. Essa é a vida adulta. Essa é a minha luta.

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Frases I

“O pensamento é traiçoeiro, tanto constrói degraus, quanto cava seu buraco”.

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Frases II “O pensamento é um caminho estreito, rente ao precipício da insanidade”.

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Preciso de Ti A Suziene Rodrigues Chrysóstomo

Nos maus momentos, é que vemos quem somos.

Nos maus momentos, é que vemos quem amamos. Sinto deficiências em meu ser. Sinto que necessito de você. Vejo angústia em meu passado, Mas ao seu lado me sinto amado. Amo! No calor de seus braços. Vivo! Um novo presente em seus laços. Na tua boca de ouro, minha querida, Ouvi palavras e aprendi o que é a vida. Vi a dor da perda em meu calcanhar. Ali percebi onde quero sempre estar. Minha existência, sem você não há. O medo da perda me fez encontrar, O real motivo para aqui eu ficar. Eu sou o seu apoio, o seu chão. Você é minha vida, meu pendão. Em você estão minhas raízes. Com você não tenho limites. Com você sou mais forte. Hoje eu sei que tenho sorte, De tão cedo encontrar minha alma, No seu coração, na sua alma. Pois somos um coração, uma espada. Que luta pela vida, pela paz esperada. E hoje eu grito para o mundo ouvir: Com toda certeza “EU PRECISO DE TI”. 120


Acróstico III (Televisão)

Ter,

Evolução, Liberdade, Explicação. Ver, Ilusão, Saudade. Altruísta, Ocupação.

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Canto Aos Poetas

Ode à métrica literária,

Dos compositores de sonhos. Benditos sois vós. Entre os mortais. Bendito és o fruto de tua imaginação. Versos que inebriam a alma. Contos que arrepiam a espinha. Arte, na mais pura definição. Não imaginais o poder de tuas mentes. Tens o poder de criar um mundo próprio, E de dar a vida aos mortos. Enviando luz à escuridão, Das cabeças vazias. Sois Deuses da criação. Canto aos poetas de alma pura. Salve a poesia e o poder da criatura.

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Versos de Momento

Ouçam os cânticos da vida.

As notas doces, finas e pálidas. Cantam histórias erguidas, No sangue da vitória querida. Páginas de um livro escrito pelo vento. Folhas molhadas por lágrimas e lamentos. Frases versadas em um rico movimento. Traços marcados na face dos tempos. Riam das tristezas passadas. Sofram pela alegria esperada. Essas são as metas do encantamento. Rente a fogueira do pensamento. Rindo da criação emocionada. Danço ao som dos versos deste momento.

123


Frases III

“Ser criança é viver em um sonho prestes a acordar.”

124


Frases IV

“O sono é a busca do ser humano pela essência da vida”.

125


Frases V

“Meu pensamento é o meu guia na floresta da vida e da morte”.

126


Frases VI

“A poesia é um reflexo do mundo idiossincrático do poeta”.

127


Frases VII “Ter um amigo é ter uma consciência externa”.

128


Frases VIII

“A vida é como uma montanha russa, você pode gritar a cada altos e baixos ou simplesmente curtir a emoção”.

129


Mãe África

Nos porões das grandes embarcações,

Acorrentados, viemos de além mar, Como produtos exportados da mãe áfrica. Braços fortes, pilares da nação. Capoeira samba, umbanda. A cultura no sangue de primeira. Oh! Mãe África. Dai-nos benção para a vida inteira.

130


Poesia do Ônibus

De dentro do ônibus, Vejo a vida passar. Dentro do ônibus, Sinto a terra girar.

Nessa pista irregular, Trepidam meus sonhos. Ao passo que o ônibus arranca, Sonhar é meu acalanto. Olhando para dentro, Vidas, únicas e iguais. Olhando para fora, Violência, entre mortais. O ônibus é revelador, Na vida de um sonhador. O ônibus é amedrontador, Na vida de um amador.

131


Minha Poesia

Em minhas palavras,

Nem sempre há nexo. É como um estranho sexo. Onde o falo da imaginação, Fecunda a razão, Gerando inspiração. Assim nasce minha poesia, Em um momento de anestesia, Após um gozo, em harmonia.

132


Mármore

Em mármore,

É lapidado meu coração ocioso. Belo, duro e impermeável. Resistente armadura, Que a vida me arrumou. Cansado, acordo a pensar, O que trará o futuro?

133


Em Um Celular

Era um dia frio,

Leve e vazio. Quando eu encontrei, Seu belo corpo no cio. Os nossos dedos, Entrelaçavam-se, E nossos corpos, Encurralavam-se. Os nossos olhos, Admiravam-se, E nossos gestos, Arrepiavam-nos. Então eu vi a luz clarear você. Era um brilho intenso, raro de ver. Era um sinal divino dizendo que é você. A chama rara, bela e difícil de crer. Daí o sol vermelho escureceu. Rodei quase um ano sem te ver. Quando achei que iria esquecer, Então você em um instante apareceu. Em um celular, Em uma mensagem anônima. Em um celular, Uma parafernália eletrônica, Reencontrei o meu amor... 134


Verso Perfeito

Acho que encontrei,

Aquele verso perfeito. Será que errei, Ou é puro esquecimento. Será que usei, Aquele falso trejeito, Ou então pensei, Em coisas de momento. Aonde andará você. Diga-me como devo escrever. As coisas que não lembro me fazem querer. De novo encontrar você. Acho que encontrei, Aquele falso trejeito. Será que eu pensei, Em um puro momento. Será que errei, Em um esquecimento, Ou então usei, Aquele verso perfeito.

135


Punk Boy

Ele pensava em sua vida,

E não via solução. Será que ele era cego, Ou era pura irritação. Ele andava distraído, Querendo chamar atenção, Com seu cabelo espetado, Calça apertada e um meião. Ele estava informado, De cada confusão. Para ele sua gangue, Era proteção. O álcool, a erva, o pó, Os tinham como irmão. Então algo de estranho aconteceu. Ele sentiu a dor cortante da traição. Uma garrafa na sua nuca, Da onde tinha proteção. O álcool, a erva, o pé, Já não lhe davam emoção. Era um sujo, viciado, Que ninguém dava atenção. Deitado na sarjeta fria, Encontrou a solidão. O vermelho dos seus pulsos, Jorravam como uma procissão. Ele enxergou no suicídio, Sua única solução. Pensando em sua vida, Questionou: “Valeu ou Não?”. 136


Acróstico IV (Cumplicidade)

Caminho no qual,

Um ser humano galga. Marcando sua existência em harmonia Pessoal vivendo pelos demais. Liberando paz no coração. Interagindo com o mundo. Caminhando de mãos dadas. Indo sempre em frente. Dedicado a entender e sempre, Amar o próximo, sendo capaz de Dar a vida, Eternizando a amizade.

137


Acróstico V (Fatalismo)

Fatal é a força da vida,

Antagonista e traiçoeira. Tudo tem seu fim, Através do marco de Livres pensamentos, Isolando possibilidades. Solidificando o fluir da mente. Matando nossos sonhos. Onde fatalmente morremos.

138


Vazio

O vazio é a ausência de inspiração. Nehuma força de expressão, No coração de um nobre cidadão.

139


Nostalgia

Procuro belas palavras,

Para escrever meus versos. Após não encontrá-las, Eu paro, penso e confesso, Há muito que não danço com as letras. Revivo velhas canções, Mas não as produzo. O passado é belo, porém o futuro, incerto.

140


Parasita De Um Apaixonado

Estou em você,

Mas não sinto sua dor. Não sei o porquê, Enfraqueceu seu calor. Tu pouco comes. Por onde andas? O que tu fazes? Não mais à vida cantas. Eu te quero bem. Tu não podes morrer, Pois sem você, não consigo viver. Não se entregue, ânimo! Não me deixe na dor, Não assim, por um outro amor.

141


Artesão de Sonhos

O que será o sonho?

Desejo Embutido; Lembrança do passado, Ou um vislumbre do futuro? Sonhando crio imagens. Histórias com desfechos, Trajetórias e gêneses. Sonhando viajo no inconsciente, Em mundos de criação própria, Onde eu sou o artesão, O avaliador e o algoz. Vivo o passado, Reflito o presente, E testo o futuro. Desejo, lembrança e futuro. Tudo ao meu bel prazer.

142


Uma Troca de Olhares

Em uma troca de olhares. O tempo para, Em puro deleite. Poesia osmótica.

Versos do coração, Transbordam do olhar. Um símbolo de desejo, Afeição e ternura. Cada fração de segundo, É uma vida a dois. Uma troca de olhares. Sensações e magia, Compensados em um momento, Uma troca de olhares.

143


Poeta

Em uma vigĂ­lia eterna.

Oh! Alma de sonhador. Nesse mundo de pouco amor.

144


Só...

Às vezes me sinto só.

Como um brinquedo na estante. Como uma canoa no oceano. Como uma agulha no palheiro. Eu quero seu amor. Você diz que me quer. Mas me sinto como um cantor, De uma plateia sonolenta. Aqui estou só, Mesmo acompanhado. Aqui estou só, Triste e magoado.

145


Como Ser Pai

A receita de como ser pai é bem simples;

Pegue a relação sua com o seu pai, observe os seus erros e também os dele. Nunca repita os erros de seu pai, afinal você sofreu com isso e sabe que não é legal. Procure entender os erros de seus filhos, lembre-se! Você já foi criança, se você errou, porque seu filho não pode errar? Adicione a seguir uma bela dose de amor, em seguida compreensão e companheirismo. Essa receita rende uma ótima amizade com seus filhos. OBS.: Se você teve um pai ausente, seje o mais presente possível, nunca perca a oportunidade de estar com seus filhos, pois você sabe a falta que um pai faz.

146


Águas

Águas no mar;

Calor a elevar; Águas no céu; E o frio a condensar; Águas ao chão; É a chuva a precipitar.

147


Bem-vindo à selva

Bem-vindo à selva.

Selva dos homens de fogo, Onde o chumbo canta, Ecoando na carne do povo. Bem-vindo à selva. Porém com cuidado, Pois quem pisa fora da faixa, Tomba! Sem ser viciado. Do alto do morro. Do asfalto seguro. Um dueto de fogo, Onde canta o chumbo dos homens. Bem-vindo à selva. Vivemos em um paiol, Se houver uma fagulha alemã, Explode-se a guerra.

148


Olhos de Um Cidadão

Nos olhos de uma cidadã,

Eu vi o cansaço da labuta diária. Eram olhos de uma alma irmã, Vivendo em situação precária. Naqueles olhos eu vi o peso da vida, Ferida no caos que é sobreviver. Eu tive minha esperança partida, Pelo vislumbre da dor do outro ser. Ali caí de meu altar, Dos sonhos inalcançáveis, Com lágrimas prestes a rolar, Por seres humildes e notáveis. Assim aprendi o valor da vida. Em um lampejo de emoção, Após uma imagem perdida, Nos olhos de um cidadão.

149


Acr贸stico VI (Vide Bula)

Ver,

Identidade. Desenvolvendo, Entidades. B谩sica, Universalidade. Leitura, Atividade.

150


Acr贸stico VII (Paz)

Permanente, Amor, Zeloso.

151


Acr贸stico VIII (Amor)

Artista,

Milagroso. Onipresente, Riqueza.

152


Lábios de Ouro

Como és doce e enamorado, A riqueza de teus lábios. Gosto de amor renovado, Sentimento ativo, revelado.

Amo-te agora e sempre, Como um servo que se posta, A Deusa de seus devaneios, Quando meu corpo no seu encosta. Beijos de ouro em meu caminho, Presentes de afeto e carinho, Amor no coração como em um ninho, Após teu beijo, perco-me em desalinho. Ações e reações idênticas, Beijos e mais beijos em seqüências, Desejos e paixões em ardência, Sentimento vivo em abundância.

153


Menina Bia A minha enteada, afilhada e filha, menina Bia

Rica tu és, menina Bia,

De beleza infantil. A luz de teus olhos me alumia, Nem o céu és tão belo em seu anil. Tu trazes a felicidade às pessoas, Com uma leve fagulha de teu olhar. Desejo a ti aventuras boas, Espaços a céu azul para te encantar. Dedico a ti esse poema adocicado. Espero junto a ti ter paz e alegria Minha querida, menina Bia, Pois sempre estarei ao teu lado.

154


Bar do Cais

Vai ser perfeito amor.

Vamos transar a noite inteira. Logo após o whisky no bar do cais. E do cigarro proibido no beco ali atrás. Seremos livres quando estivermos a sós. Vai ser perfeito amor. Vamos transar quando estivermos a sós. Logo após o whisky do beco ali atrás. E do cigarro proibido no bar do cais. Seremos livres a noite inteira. Vai ser perfeito amor. Vamos transar no beco ali atrás. Logo após do whisky a sós. E do cigarro proibido a noite inteira. Seremos livres quando estivermos no bar do cais.

155


Um Ano

Um ano se passou do primeiro dia que te vi.

Desde então eu só faço é sorrir. Um ano de luta pelo lugar ao sol. Quanto mais trabalho para te dar sustento, Menos de sua companhia, me contento. Teu sorriso em minha chegada é meu acalanto. Sofro diariamente em partir e deixar-te a chorar. Se antes me sentia Deus a seu olhar, Hoje sou o bobo da corte para te alegrar. Um ano de felicidades me mostrando como ser pai. Um ano de alegrias mesmo depois que a ficha cai. Hoje vivo cada segundo te observando a crescer. Moldando com carinho o caráter que vai ter. Esse foi o primeiro de muitos anos que terá. Muitos anos que irei de perto admirar. Até o dia que minha vida acabar.

156


Menino Rei Ao meu sobrinho Arthur

Hei, Menino!

Hei, Arthur! Menino rei. Arthur divino... Traquina, Oh menino. Traquina juventude. Como o beijo da menina, Em uma bela atitude. Energia ImpossĂ­vel. Pulsante alegria, Desse rei incansĂĄvel. Da meninice a magia. Reina a euforia, Da juventude infantil. DĂĄ-me um ar de nostalgia, De um passado sutil.

157


Meus Sentimentos À tia de uma amiga

Ela morreu,

Partiu, Faleceu. Ditongos terminados em ‘u’. Mas porque não dizer ‘galgou ao céu’. Mais uma vez a morte, Falta de sorte, Um corte, Na linha da vida. Eu quero é mais amor. Assim furta-cor, Para me recompor, Da grande ferida. Como dizia a canção, Em um tom de exclamação, Ditando a condição, De ser um eterno aprendiz. Eu sei que o sentimento não pára. Há momentos que a dor estala, E não há como confortá-la. Mas o importante agora é andar. Para um dia voltar a ser feliz.

158


Incógnita A minha professora de Filosofia do primeiro período

A morte,

Uma incógnita. Não sabemos Quando; Onde; Ou como; Nem para onde vamos; E se lá ficamos; Ou se logo voltamos; Só sabemos que não adianta fugir, Ou se esconder, Que um dia ela chega. E de repente nos acha.

159


Dialética do Auto Conhecimento

Sou um tanto mórbido... E positivista. Meio depressivo... E otimista. Seria eu estranho, Ou só um artista?

Sou um tanto ameaçador... E ingênuo. Meio tímido... E extrovertido. Seria eu amigável, Ou um ser incompreendido? Sou um tanto triste... E feliz. Meio inquieto... E pensativo. Seria eu um sábio, Ou um mero aprendiz? Sou um tanto sarcástico... E amoroso. Meio irritante... E sutil. Seria eu virtuoso, Ou um ser vil?

160


Sou um tanto racional... E impulsivo. Meio preguiçoso... E adaptável. Seria eu repulsivo, Ou confiável? Sou um tanto explosivo... E paciente. Meio sugestivo... E consciente. Seria eu inteligente, Ou um inconsequente? Sou um tanto desligado... E responsável. Meio rancoroso... E cândido. Seria eu bendito, Ou vitorioso? Sou um tanto questionador... E conformado. Meio ocioso... E atleta. Seria eu um gênio, Ou um simples poeta?

161


O Esquilo e a Nós Perdida

Pobre esquilo este aqui.

Deseja a nós da árvore logo ali. Não sabe ele que sua árvore é frondosa. Parece-lhe que a de lá é mais gostosa. Junta forças e pula com furor. O receio aperta e vem o temor. E no alto vê sua árvore, seu lar. Lembrando que lá é onde queria estar. No alto, bem perto ele pensa e recorda, Que para saltos assim não há mais volta, Pois agora já é tarde, e se a madeira estiver quebrada. Assim descobriu como sua vida acaba. Bem perto dali ele abre suas patas, Certo de que sua ambição era errada. Planando ele anseia sua chegada, A sua árvore, que sempre será sua morada.

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Beija-Flor e Dragão

O silêncio transborda a paz, Nos olhos de quem vê, O brilho que o sol faz, Simplesmente ao nascer.

A dança das folhas ao vento. No som ritmado dos gravetos. A paz, um beija-flor em movimento, Invade a cidade e seus guetos. A paz do campo encontra a cidade em balburdia. O beija-flor e o dragão do caos em um duelo. A paz beija o dragão demonstrando astúcia. O Beijo doce arrebata o dragão como um martelo. Juntos rodam no som do silêncio. E todos ouvem de novo os entes perdidos. Seres mágicos invadem a cidade e o palácio. Celebrando a volta da paz e do amor esquecidos.

163


Uma Cerveja Bem Gelada

Rio de Janeiro, segunda feira. Último dia de um feriadão.

Sol de meados trinta e sete graus, um calor dos infernos. Volta de viagem em família após duas noites mal dormidas, um cansaço acumulado. Depois de viagem de barca e de ônibus, após carregar três bolsas pesadas e uma mochila de roupas que eu sabia que não seriam todas usadas, eu necessitava chegar ao saudoso bar da esquina e pedir: Uma cerveja bem gelada. Assim o fiz, e fui tomar minha merecida cerveja, sozinho. Ao mesmo tempo em que meus primeiros goles refrescaram e aliviaram meu corpo cansado, os segundos revelaram minha situação, tendo em vista que o primeiro... É mágico... A cerveja antes amarga desce como um gracejo de Zéfiros transformando todo o inferno de brasa em doces brisas do campo. Mas estou só. Eu, vinte e dois anos, embora viva uma vida séria de responsabilidades, aquém de uma pessoa de minha idade, no canto do bar ao lado de um senhor solitário, feições cansadas e poucos cabelos brancos, em um silêncio deprimente, mesmo como som da Junk Box tocando músicas desconhecidas do Michael Jackson. Ao fim do primeiro copo eu paro e observo o ambiente. Além de mim e o senhor, no bar há jovens possivelmente menores de idade, bebendo e jogando sinuca, a mesma sinuca que tanto joguei em outras ocasiões, confesso ter amargado derrotas em maior proporção do que vitórias. Ainda no bar havia adultos mais velhos que eu tomando suas cervejas no seu point natural de todo fim de semana se refrescando como uma mangueira e escutando a Junk Box, com eles uma mulher grávida entediada observando o movimento. E ainda algumas figuras cativas do bar, tal como meu vizinho flamenguista, gente fina, em seu momento relax e o alcoólatra trabalhando para a dona do bar para bancar sua cachaça. 164


E voltei a me observar no canto sozinho. Mais uma vez me senti um velho solitário como o senhor ao meu lado, apressei meus goles, e o senhor com o copo cheio, aquele do início e eu no fim do segundo, pedindo para acabar com aquela tortura, me afastei do senhor, mas a tristeza me acompanhou, ao terminar meu terceiro copo, que desceu mais rápido que o segundo, eu vi o senhor pedindo mais uma, sinal de que a angústia estampada na sua face ia continuar e eu pedindo para minha garrafa acabar só querendo chegar em casa para relatar a alguém minha tragédia. Ao tirar a garrafa da camisinha, contatei ser o derradeiro gole e uma réstia de esperança me veio enquanto o empurrei com pressa garganta abaixo aquele último gole, e para vocês leitores lhe digo: Beber sozinho é uma experiência horrível...

165


Indice Remissivo vide bula Alternativas, 44 Amizade, 55, 128, 137 Amor, 28, 49, 50, 54, 56, 58, 67, 68, 76, 78, 79, 106, 120, 134, 141, 152, 153, Anjos, 27, 116 Ansiedade, 104 Auto Conhecimento, 23, 33, 48, 94, 105, 108, 160 Bebida, 38, 98 Brasil, 35, 45 Criança, 124 Cultura, 47, 130 Desigualdade, 39 Deus, 115 Dor, 37, 80, 85, 96, 141 Dragão, 75 Drogas, 21, 46, 136 Escuro, 101 Felicidade, 69, 112 Filho, 95, 112, 113, 115, 156 Futuro, 24, 110, 133 Guerra, 72 Hipocrisia, 88, 100 Idade, 33, 108, 156 Indignação, 26, 45, 111 Juventude, 24, 29, 33, 124, 136, 154, 157 Leitura, 150 Liberdade, 155 Loucura, 60 Mãe, 107


Malandro, 98 Mentiras, 90 Morte, 62, 65, 84, 86, 138, 158, 159 Mudanças, 40 Natureza, 52, 64, 69, 70, 147 Nascimento, 114 Negros, 71, 130 Olhos, 143, 149 Ônibus, 131 Pai, 92, 146 Paz, 72, 151, 163 Pensamento, 47, 82, 118, 119, 126 Poder, 31, 51, Poesia, 93, 122, 123, 127, 132, 135, 139, 140 Revolução, 26, 35, 51 Separação, 97 Solidão, 37, 145, 164 Sonho, 109, 125, 142 Televisão, 121 Traição, 19, 162, 136 Tristeza, 38, 61, 73, 83, 87 Vida, 20, 42, 44, 66, 96, 102, 117, 123, 129, 136, 149 Violência, 45, 148


Este livro foi composto em Garamond Premier Pro pela Editora Multifoco e impresso em papel Offset 75 g/m²


Vide Bula: Notas, Versos & Pensamentos