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• GESTÃO DE RESÍDUOS • TECNOLOGIA • SUSTENTABILIDADE

Ano 1 • no 1 • Junho/Julho 2009

CONSUMO CONSCIENTE

Engenharia Ambiental

Dicas de compras que ajudam a preservar o planeta

Opção profissional ou preservação obrigatória?

CASA COR Sustentabilidade com requinte e conforto

Entrevista Olavo Alberto Prates Sachs da AESABESP

ESPECIAL

Ano 1 • no 1 • Junho/Julho 2009 •

VISÃO AMBIENTAL

Visão Ambiental e Abrelpe fazem parceria para publicação de caderno sobre Resíduos Sólidos

ÁGUA

NOSSO BEM MAIOR


SUMÁRIO

6 MATÉRIA DE CAPA

Água - Nosso bem maior

34

Caderno de Resíduos

20

Engenharia Ambiental

Profissão do futuro ou conseqüência do passado?

10 Mercado

Ambiental Expo - uma nova economia baseada na sustentabilidade

14 Especial

Casa Cor 3009 - Decoração sem agredir o meio ambiente

22 Visão Ambiental

50 Debate Virtual

33 Visão Política

54 Evento

44 Destaque

56 Investimentos

Paraquedismo - Uma relação direta com a natureza Por Laércio Benko Lopes ISO 14000 - Compromisso com o futuro

24 AESABESP

45 Visão Histórica

26 Evento

Por Antoninho Marmo Trevisan

46 Certificação

SPFW - O luxo consciente

Intelbras - Sinônimo de inovação e competitividade

27 Visão Econômica

49 Visão Legal

Por Welinton dos Santos

VISÃO AMBIENTAL • JUNHO/JULHO • 2009

32 Eco Estilo

Por Rose Gottardo

Entrevista com o presidente Dr. Olavo Alberto Prates Sachs



Parceria da ABRELPE e Visão Ambiental traz informações sobre o setor

30 Consumo Consciente

Por Carlos Silva Filho

Dicas de compras que ajudam a preservar o ambiente

Responsabilidade sobre os resíduos sólidos II Fórum de Riscos

Bolsa Eletrônica de Resíduos FIESP

57 Visão Social

Por Emiliano Milanez Graziano da Silva

58 Agenda / Radar

Eventos e contatos das empresas, participantes e colaboradores desta edição

com 28 Entrevista Eduardo Jorge Secretário do Meio Ambiente de São Paulo


EXECUTIVO EDITORIAL Nilberto Machado EXECUTIVO FINANCEIRO José Antonio Gutierrez EDITORA-CHEFE Susi Guedes PROJETO GRÁFICO e DIREÇÃO DE ARTE Flora Rio Pardo JORNALISTAS Arielli Secco e Marta Régia Vieira REVISÃO Tathiana Barbar COLABORADORES Célia Regina Salles, Tathiana Ribeiro da Silva, Paulo César Lamas (tratamento de imagens) COLUNISTAS DESTA EDIÇÃO Antoninho Marmo Trevisan, Carlos Silva Filho, Emiliano Milanez Graziano da Silva, Laércio Benko Lopes, Rose Gottardo e Wellinton dos Santos PUBLICIDADE Ruth Budrewicz PRODUÇÃO Jurema Jardin JORNALISTA RESPONSÁVEL Susi Guedes – MTB 44447/SP PERIODICIDADE – Bimestral TIRAGEM – 6.000 EXEMPLARES IMPRESSÃO – VOX EDITORA

ATENAS EDITORA Rua José Debieux, 35 Cj. 42 Santana – São Paulo/SP – CEP – 02038-030 Fone: 55-11- 2659-0110 www.rvambiental.com.br ATENDIMENTO AO LEITOR F. 55-11- 2659-0110 leitor@rvambiental.com.br As opiniões pessoais publicadas nos artigos autorais são de responsabilidade exclusiva dos colaboradores independentes. Capa: imagem água - Adam/SXC e globo - Sachin Ghodke/SXC Fotomontagem por design.flora@gmail.com

Conhecimento é a base para a preservação Tornar as coisas palpáveis, trazê-las à vida, fazê-las atraentes e interessantes, é sinônimo de realizar sonhos. Ao se fazer uma revista sobre meio ambiente, um assunto que parece tão distante da realidade, piegas para alguns, chato para outros, insignificante para muitos, pensa-se em consciência, em amor à natureza, em responsabilidade ambiental e social, e todos os outros clichês que estamos habituados a associar ao tema. Fazer uma revista diferenciada foi o ponto de partida da VISÃO AMBIENTAL, pensamos que era preciso trazer à realidade um assunto abstrato, aproximar o imaterial do cotidiano, falar de assuntos técnicos de forma leve, e mostrar que em tudo há algo de meio ambiente. Com base nisso, sem arrogância, mas com profissionalismo, pegamos para nós a tarefa de desmistificar o assunto e trabalhamos no sentido de concretizar este desejo. Empresas e entidades do setor participaram conosco desta ideia, ajudando a torná-la real. Foi conversando com representantes delas que percebemos a necessidade de aproximar o segmento empresarial e entidades do setor de resíduos e afins, da sociedade em geral, mostrando que uma atitude consciente parte de todos, e que de nada adiantam novas tecnologias e equipamentos de última geração se, na outra ponta, os cidadãos não tiverem acesso à informação, e esta informação precisa ser passada de forma atraente. Esta é a proposta da VISÃO AMBIENTAL, somos gratos ao setor por nos ter feito perceber esta necessidade, e contamos com todos para manter a revista neste patamar de qualidade. Encontrar o ponto de equilíbrio entre a notícia e a estética visual, a parte técnica e o lúdico, a realidade e a beleza, foi nosso desafio, pois nosso intuito é atingir uma ampla gama de leitores que se interessem pelo meio ambiente de várias formas, que possam enxergar a VISÃO AMBIENTAL como opção de leitura e consulta para negócios, conhecimento e lazer, com textos de fácil entendimento, diagramação moderna e informação atualizada e isenta. Nesta edição tratamos de assuntos diversos, que esperamos sejam do agrado de nossos leitores. A Água é tema de reflexão, Casa Cor mostra como luxo, conforto e sustentabilidade podem conviver, Eco Estilo coloca a paixão pelo esporte em parceria com o amor à natureza, Mercado de Trabalho informa sobre engenharia ambiental, Matérias sobre Certificação dão exemplos e subsídios técnicos, um Debate Virtual coloca em discussão a destinação dos resíduos sólidos, nossos articulistas descrevem sua visão do meio ambiente sob aspectos diferenciados, e no Caderno de Resíduos, que nesta edição tem o apoio ABRELPE, temos entrevista e cobertura de eventos do setor, variedade de temas e enfoques para agradar nosso leitor. A VISÃO AMBIENTAL pretende informar, entreter e servir de canal de comunicação entre o setor e a sociedade. Por isso nossos leitores, anunciantes, parceiros e colaboradores terão sempre um espaço aberto para sugerir, opinar, reclamar e participar da forma que considerar mais adequada, e é isso que esperamos. Além da publicação impressa, temos nosso portal com a versão digital da revista, complemento de matérias, informações diversas e um canal de comunicação sempre aberto, visite e participe www.rvambiental.com.br. Boa Leitura! Nilberto Machado, José Antonio Gutierrez e Susi Guedes

VISÃO AMBIENTAL • JUNHO/JULHO • 2009

EXPEDIENTE




CAPA

A água não vai acabar, mas pode tornar-se indisponível. Fazer bom uso da água existente é o grande desafio da humanidade

ÁGUA

VISÃO AMBIENTAL • JUNHO/JULHO • 2009

Por Susi Guedes



Líquido Vital, H2O, essência da vida, 70% do corpo humano, 70% do planeta Terra - que, por justiça, deveria então ser Planeta Água, salgada, doce, insípida, incolor, inodora, pura, gaseificada, turva, clara, tratada, limpa, poluída, da fonte, quente, congelada, potável, mineral, contaminada... ou simplesmente ÁGUA... seja qual for a designação, característica, ou denominação que se dê a ela, há consenso de que seja nosso bem maior. Não se trata de um bem finito, pelo menos não em sua quantidade – calcula-se que sejam 1,4 bilhões de km³, que se mantém praticamente inalterada há milhões de anos, o que muda em relação a estes recursos hídricos são, principalmente, a qualidade e a possibilidade de que sejam potáveis ou tratáveis. A demanda aumenta juntamente com a população mundial, e em direta proporção tem também aumentado de forma assustadora o mau uso dado à água, e o desprezo à condição primeira que é a preservação. Erroneamente a humanidade em geral tem a ideia de que por se tratar de um recurso natural, renovável pelo ciclo hidrológico, a água nunca vai faltar, esquecendo-se de que a escassez ou falta dela não se restringe à quantidade de água existente, mas à possibilidade de uso da mesma. Com custo altíssimo e muitas vezes inviabilidades técnicas, o tratamento da água se torna cada vez mais, uma necessidade e um problema para a humanidade, equacionar isso tudo de forma a encontrar soluções, passa por muitas

situações que vão da conscientização e necessidade de pesquisas científicas até a legislação e atuação rígida no cumprimento dela. O uso inadequado e o consumo exagerado não são fatores limitantes da quantidade de água no planeta, mas sim fator adicional que implica num círculo vicioso onde a água usada inadvertidamente e erroneamente terá que ser tratada ou terá seu uso inviabilizado, e as consequências disso é que são desastrosas. O entendimento básico necessário é de que a água uma vez poluída por produtos domésticos, resíduos industriais, acidentes naturais, ou causados pela ação direta do homem, mesmo sendo tratada, deixa resíduos nocivos ao meio ambiente, e vai se deteriorando, apesar de continuar a existir, ela tem descontinuada a sua via útil para suprir várias das necessidades humanas. O ciclo hidrológico que permite que a água em seus vários estados possa transitar pelo planeta, tem sido usurpado em sua condição primeira em várias destas fases, desde as nascentes que mínguam em função do assoreamento e desmatamento, passando pelos rios que viraram depósito de resíduos de todo o tipo, até a própria chuva que completa o ciclo e tem sido afetada em sua frequência e quantidade, em função do aquecimento global, entramos então num ciclo que antes era virtuoso e passa a ser vicioso onde o tratamento fica cada vez mais difícil e caro, inviabilizando sua concretização em muitos casos. A água própria para o consumo humano precisa apresentar características específicas de pureza, para evitar possíveis doenças e re-

ações adversas causadas pela ingestão de água contaminada; para se chegar a um resultado satisfatório sem alterar suas características, as estações de tratamento se utilizam de formas diversas para conseguir um resultado final adequado, transformando água insalubre em água potável. Se tomarmos uma empresa mundialmente reconhecida por sua qualidade e excelência, como é o caso da SABESP – Empresa de Saneamento Básico de São Paulo, são verificadas dez fases de tratamento para que água chegue potável e saborosa ao seu destino, todas as fases que compõem este processo exigem rigoroso controle na dosagem e utilização de produtos químicos que acompanham os parâmetros de qualidade; estas fases são: pré-cloração, pré-alcalinização, Fator pH, coagulação, floculação, decantação, filtração, pós-alcalinização, desinfecção, fluoretação; de acordo com a entidade estes processos garantem a qualidade absoluta da água que nestas condições seria plenamente compatível para consumo. Além destes processos pro-

SXC

Nosso bem maior


ETA – Estação de Tratamento de água do Guraú - Sistema Cantareira

caso da troca iônica ou osmose reversa tratamse pequenas ou grandes quantidades; tendo uma água ultrapura como resultado. ÁGUA NO BRASIL Encontra-se em terras brasileiras uma das maiores reservas hídricas mundiais, contando com cerca de 15% da água doce superficial disponível no planeta, temos ainda um dos mapas hidrogeológicos e hidroquímicos mais privilegiados do mundo, com abundância de água,

Odair Marcos Faria / Divulgação SABESP

Final do esgoto tratado

Terras brasileiras possuem uma das maiores reservas hídricas mundiais, com cerca de 15% da água doce do planeta

e água de qualidade, porém nossos aquíferos, nem sempre são acessíveis, e um país com dimensões continentais nem tem como ter esta distribuição de forma igualitária, na região norte temos 68% da água e apenas 7% da população do país, já o nordeste com 29% da população, usufrui de 3%, e o sudeste com 43% de toda a população brasileira, conta com apenas 6% da água disponível, isto consiste num problema de logística e distribuição complexo, e de difícil solução. Juntamente com Argentina, Paraguai e Uruguai, o Brasil partilha do Aquifero Guarani, que se estende por uma área de 1,2 milhões de km², sendo que 2/3 se encontram em território nacional. Este aquifero deveria ser uma reserva natural do precioso liquido, porém pesquisas recentes constatam que o mesmo está passando por transformações e contaminações que podem comprometê-lo. ÁGUA NO MUNDO Além do Brasil; China, Rússia e Canadá são os países que basicamente “controlam” as reservas de água fresca mundial, o que não significa garantia de

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Odair Marcos Faria / Divulgação SABESP

fissionais utilizados em estações de tratamento há outras formas tidas como de “purificação da água” para torná-la própria para consumo humano, algumas caseiras, e outras que implicam em tecnologia de ponta, entre elas estão: Filtração: Processo rústico para a retirada de partículas suspensas do meio aquoso, como por exemplo, num coador de café. Adsorção: Para partículas muito pequenas presentes na água e que não são eliminadas por filtração, consiste no emprego de um filtro de carvão ativo, no qual ficam aderidas estas micro partículas. Esterilização: A eliminação dos agentes nocivos como bactérias, por exemplo, é feita pela cloração ou fervura da água. Ouro, prata, sais ou óxido de prata, além de luz ultravioleta são também excelentes agentes bactericidas, mas no caso dos metais nobres, o custo normalmente inviabiliza o processo. Dessalinização: Feita por osmose reversa através de membranas e com auxílio de pressurizadores, ou troca iônica onde resinas sintéticas absorvem os sais, fazendo esta troca quimicamente. Água destilada ou desmineralizada: Em pequena escala, pode ser obtida por destilação, no




CAPA

Túnel Reservatório de água – Morro Santa Terezinha (Morro de Santos e São Vicente)

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A imensa quantidade de água que vimos no “planeta azul” é um engano, 97,5% são águas salgadas e 2,5% são águas doces



água abundante a toda a sua população local; há extrema irregularidade e desigualdade no aproveitamento e distribuição destes recursos, os fatores que levam a isso são diversos, e nem sempre dependem da vontade humana, as decisões são pontuais e autônomas, já que a soberania de cada país no uso, distribuição e preservação de seus recursos hídricos, deve sempre ser respeitada.

A imensa quantidade de água que vimos no nosso “planeta azul” é um engano, porque desta imensidão, 97,5% são águas salgadas e apenas 2,5% são águas doces. Do total de água doce: 69,5% não são acessíveis, pois se encontram nas calotas polares, em forma “neve eterna” em montanhas muito altas, ou em solos congelados; 30,1% estão embaixo da terra, em lençóis freáticos; 0,4% estão na superfície da terra, isso levando-se em conta além de rios e lagos, também a neblina e a umidade do solo. A ONU – Organização das Nações Unidas, através da FAO – Organização para Alimentação e Agricultura, criou um tipo de classificação que vai da escassez e água insuficiente, até uma linha de conforto onde se encontra o Brasil por exemplo.O cálculo é feito por uma equação que considera fatores de volume de água renovável e o tamanho da população, partindo de um mínimo de 1 milhão de litros de água para cada pessoa. Na posição de escassez entendem-se os países onde há menos de 1 milhão de litros por pessoa anualmente, entre 1 milhão e 1,7 milhão, seriam os países da categoria “água no limite”, apenas um pouco melhor que a anterior que seria uma das piores situações. No grupo mais privilegiado encontra-se o Brasil com mais de 10 milhões de litros de água doce disponível por habitante anualmente, este cálculo, porém, não

CONSUMO Para se calcular a quantidade diária de água que um ser humano necessita para viver adequadamente, alguns parâmetros são utilizados, alguns consideram apenas as necessidades primárias e fisiológicas como água para beber, cozinhar e higiene pessoal, outros adicionam

CONSUMO DOMÉSTICO DE ÁGUA POR ATIVIDADE Atividade Quantidade (em litros) Descarga no vaso sanitário tradicional

10 a 16

Minuto no chuveiro

15

Lavar roupa no tanque

150

Lavar as mãos Lavar roupa com máquina de lavar

3a5

Lavar louça em lava-louça Escovar os dentes com água escorrendo Lavagem do automóvel com mangueira Fonte: Consumo Sustentável Manual de educação (MMA/IDEC)

150 20 a 25 11 100 SXC

Odair Marcos Faria / Divulgação SABESP

SXC

SITUAÇÃO DA

leva em conta as diRESERVA DE ÁGUA ficuldades e muitas DOCE POR PESSOA vezes, impossibiliNO MUNDO dades de acesso a Ano Quantidade esta água. 1950 16,8 mil m3 Atualmente vi1998 7,3mil m3  vem no pior grupo 2018 (projeção) 4,8mil m3  mais de 500 milhões de pessoas moraFonte: UNESCO doras de regiões como o norte da África no Egito, Líbia e Argélia, e na Península Arábica, onde estão Arábia Saudita, Síria e Jordânia. Com cerca de 1 bilhão de habitantes, a Índia está no grupo de “água no limite”, e com mais de 1 bilhão de habitantes, a China se enquadra no grupo de “água insuficiente”. Pelos cálculos da ONU o ano 2050, será marcado pelo aumento da população mundial que terá atingido 8,9 bilhões de pessoas, destas, 4 bilhões viverão em condições precárias, por fazerem parte do pior grupo, o de escassez crônica de água, podendo sofrer com problemas de saúde pública e impossibilidade de crescimento econômico, causados pela falta ou inviabilidade de acesso à água.


Odair Marcos Faria / Divulgação SABESP

Se houvesse um “tribunal da água”, certamente não haveria absolvição para a humanidade; nossa pena seria a “de morte”

simples gastos advindos do uso desta água. As projeções não são otimistas e preveem que em 2025, 2,43 bilhões de pessoas estarão privadas do acesso à água passível de uso humano, o que se esquece é que uma das grandes causas desta escassez é o mau uso e o desperdício, usando o Brasil como parâmetro, se tem a impressionante marca de desperdício de 40% da água tratada, e a necessidade básica diária de 40 litros é ignorada, o brasileiro chega a uma média de consumo de 200 litros/dia. Muito além de ser uma substância química formada por átomos de hidrogênio e oxigênio, a água é imprescindível para a sobrevivência do planeta; o que observamos é que as atitudes humanas, ou a falta delas no trato com a água,

ALERTA

• 65% das internações hospitalares no Brasil,

principalmente de crianças, são causadas por doenças de veiculação hídrica. • 1 kg de agrotóxico contamina 1 bilhão de litros de água • Diarréia e as infecções parasitárias estão em segundo lugar como maior causa de mortalidade infantil no Brasil. • Apesar dos esforços, são poucas as indústrias brasileiras que tratam seus despejos antes de devolvê-los à natureza. • A energia proveniente das hidroelétricas é considerada limpa, mas em muitos casos causa imenso impacto ambiental. • São Paulo e algumas outras cidades do globo têm uma descarga de efluentes do mesmo volume que o fluxo natural dos rios que as atravessam.

SXC

ainda a limpeza de roupas e objetos pessoais bem como a dos ambientes. Em função disso existe grande variação das quantidades, entre 25 e 50 litros diários, o que resultaria num consumo da ordem de 9.125 a 18.250 litros por pessoa/ano. Estes cálculos caem por terra se analisarmos a real disponibilidade atual, e as projeções feitas pela UNESCO para os próximos anos, o que pode ser observado na tabela que apresenta uma grande disparidade entre ideal e real. Além dos consumos tidos como primários, há outras necessidades que não podem ser ignoradas, e exigem ainda mais água para a sobrevivência e crescimento econômico. A vida em sociedade e as necessidades da vida moderna abrangem vários outros itens, como a agricultura, sistemas de saúde, limpeza pública, equipamentos domésticos como: máquinas de lavar roupa e louças, cuidados com animais de estimação, carro, e tantas outras atividades cotidianas que vão além do hábito, já se incorporaram a uma nova realidade. No Brasil o consumo de água é considerado exagerado e a destinação deste consumo costuma ter um certo padrão, variável de acordo com a região, atividade econômica, população e prioridades, mas, de forma geral, a média nacional de direcionamento deste consumo é de cerca de 59% na agricultura, 22 % no uso doméstico e o setor comercial, e 19% no setor industrial. A Análise destes dados deve ponderar uma equação importante sobre este consumo, é preciso considerar a geração de riqueza, ou os

podem ser consideradas insanas, e as consequências destes atos levam à reflexão sobre o direito humano à água, o poder de uso que mantemos em nossas mãos não está sendo acompanhado da devida responsabilidade, e se houvesse um “tribunal da água”, certamente não haveria absolvição para a humanidade, mas se o tribunal não existe de fato, a natureza, por si, já está dando sinais de sua sentença. Cabe refletir se vale a pena cumprir a “pena de morte” decretada por nós mesmos, ou se ainda podemos mudar nosso status de réus. Veja em nosso portal a Declaração Universal Dos Direitos Da Água, definida pela ONU num ato em Paris, com o intuito de harmonizar e conscientizar a humanidade no sentido de preservação. Fontes: www.geologo.com.br, www. comciencia.com.br, www.uniagua.org. br, www.abas.org.br, www.abinam.com. br, www.sabesp.com.br, www.moderna.com.br, www.amigodaagua.com. br, www.environmental-expert.com, UNESCO, Divisão de Desenvolvimento Sustentável do Departamento de Economia e Questões Sociais da Organização das Nações Unidas.

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Barragem Pedro Beicht – Sistema Alto de Cotia




MERCADO

Ambiental Expo

Négocios Verdes

Uma nova economia baseada na sustentabilidade

VISÃO AMBIENTAL • JUNHO/JULHO • 2009

Divulgação

Reunir num mesmo espaço empresas e entidades públicas e privadas com interesses comuns nos chamados “negócios verdes”, onde a preocupação com o meio ambiente é item fundamental para qualquer acordo, parceria ou negociação, foi o intuito geral da AMBIENTAL EXPO, promovendo o encontro estes expositores com público interessado no tema, em conhecimento e geração de novos negócios, o resultado pode ser percebido pela visitação expressiva, pela promoção de intenso network, e pelo volume de negócios concretizados. Promovida pela Reed Exhibitions Alcântara Machado e a ABDIB -Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústria de Base, a AMBIENTAL EXPO - Feira Internacional de Soluções para S aneamento Básico e Meio Ambiente é a versão latino-americana da Pollutec (www.pollutec.com), maior evento do mundo voltado ao meio ambiente que acontece na França. Segundo dados da ABDIB, nos próximos 10 anos serão investidos 21,5 bilhões/ano em meio ambiente e projetos renováveis, é a Economia Verde (Nova) X Economia Velha (fóssil) Vários setores da indústria no mundo sofrem pressões para que a produção de máquinas, equipamentos e o próprio ambiente das fábricas estejam mais preocupados e adaptados às questões ligadas ao meio ambiente, isso tem direcionado os projetos, diretrizes e foco de muitas delas, que já buscam novos caminhos de marketing e posicionamento estratégico para não ficarem de fora desta

Divulgação

Por Susi Guedes

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nova economia. Conforme dados fornecidos pelo evento, essa nova preocupação fez surgir consumidores cada vez mais exigentes e preocupados com seu bem-estar e o meio ambiente. Diante desta constatação, surge a “Economia Verde” ou a nova economia em todo o mundo, que, ao contrário da velha economia, chega motivada pela inovação e novos incentivos. Com foco em tecnologias limpas e energias renováveis, os investimentos mundiais na economia verde cresceram 30% no segundo trimestre de 2009 em relação ao primeiro deste ano. Além disso, a “Economia Verde” deve gerar um número de empregos significativos, que ainda estão embrionários ou não existem na economia brasileira. A adoção de tecnologias verdes irá promover uma revolução no mercado de trabalho em um futuro muito próximo. O volume de investimentos previsto no mer-

Acima, abertura oficial da 1ª Edição da Ambiental Expo. Ao lado, Ilha da França, parceira oficial do evento

Segundo dados da ABDIB, nos próximos 10 anos serão investidos 21,5 bilhões/ano em meio ambiente e projetos renováveis


Divulgação

cado de soluções ambientais justifica que haja um evento deste gênero onde são discutidos e demonstrados sistemas, soluções, inovações e tendências para prevenção, tratamento e correção de impactos ambientais nos segmentos de Ar, Saneamento, Solo, Ruído, Resíduo, Energia e Construção Sustentável. Já em sua primeira edição a AMBIENTAL EXPO contou com a participação de 100 marcas do Brasil, França, Itália e Alemanha, entre elas Odebrecht, Comgás, Sabesp, Caixa, Perenne, Minerbo, Clarus, todas atentas a um mercado que, segundo dados de um estudo inédito da ABDIB, deve receber investimentos públicos na ordem de R$ 200 bilhões em 10 anos, designados para os segmentos de saneamento básico, gestão de resíduos e energias alternativas, (vide quadro abaixo).

PROJEÇÃO DOS INVESTIMENTOS PÚBLICOS EM 10 ANOS SETOR

R$ bilhões/ano

Energias alternativas

4,0

Destinação de resíduos Água e Esgoto

4,0 13,5

TOTAL

21,5

DESTAQUES HEXA EFICIÊNCIA ENERGÉTICA - sistema de iluminação por LED´s com alimentação solar ou eólica, reduz o consumo de energia elétrica entre 45% e 95%, não emitem radiação UV, não atraem insetos, são quase totalmente recicláveis e não utilizam o mercúrio. MIZUMO - referência nacional em Estações Compactas de Tratamento de Esgoto Sanitário - Filtros Bags, que garantem padronização, alta eficiência, rigoroso controle de qualidade e polimento adequado ao efluente tratado; e Cabine Acústica, cuja finalidade é a de reduzir o índice de ruídos dos equipamentos eletromecânicos.

RL HIGIENE- serviços que visam tornar as operações de limpeza profissional e descarte mais ecoeficientes nas empresas, coleta, descontaminação e reciclagem de todos os componentes das lâmpadas fluorescentes; o serviço de uso racional da água, por meio de um projeto totalmente customizado; e coprocessamento, serviço que consiste em uma técnica segura e ecoefetiva para o descarte dos panos descartáveis aplicados na limpeza segura das áreas de produção, utilizando estes panos como combustível para a queima nos fornos de fabricação do cimento, e os resíduos da combustão são incorporados no próprio processo de produção. SOFTBRASIL – empresa especializada em comunicação via GPRS, oferece para o segmento de saneamento básico um conjunto de produtos e soluções de gerenciamento energético, automação, telemetria, entre outros, composto por hardware e software. TECITEC - bag desidratador, que consiste em um desaguador de polpa ou lodos de tanques, lagoas, piscinas, reservatórios ou qualquer forma de acúmulo ou estocagem, proveniente de estações de tratamento de água e esgotos. EUROAIR BRASIL – projeta e fabrica equipamentos para aspiração e retenção de poluentes O CONGRESSO AMBIENTAL EXPO 2009 privilegiou temas inéditos focados no aspecto macroeconômico do meio ambiente e sua relação com as esferas governamentais e temas verticalizados para cada segmento da Feira, com apresentação de cases de sucesso, soluções e tendências. Sob a coordenação técnica da ABDIB, o Congresso foi desenvolvido com a participação ativa do conselho consultivo, formado pelas seguintes entidades: CNI, ABCON, ABCE (Energia), ABCE (Engenheiros), ASFAMAS, AESBE, SELURB, CBIC e SINAENCO e contou com palestrantes internacionais, tais como: Christian Elichegaray - Gerente do Departamento

O evento traduz a necessidade e preocupação abrangentes de entidades e governos em encontrar soluções e colocá-las em prática de Monitoramento da Qualidade do Ar da ADEME; Frédérik Meleux - INERIS; Jacques Moussafir - Presidente Diretor-Geral da ARIA Technologies; Paul Procee - Banco Mundial; Serge Aflalo - Diretor Internacional da Environnment SA; Arnaldo Jardim - Deputado Federal e membro do Grupo de Trabalho responsável pela proposta de Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). O evento traduz a necessidade e preocupação abrangentes de entidades e governos em encontrar soluções e colocálas em prática no sentido de preservação do planeta com tecnologia avançada e geração de negócios.

VISÃO AMBIENTAL • JUNHO/JULHO • 2009

Panorâmica da Feira

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RODANDO TECNOLOGIA CO

COLETA Nテグ AGRESSIVA E EFICIENTE


M SOLUÇÕES INOVADORAS

Rua César Cavassi, 74 Jd. do Lago - São Paulo - SP cep: 05550-050 55-11-3783-7800 rodotec@rodotecltda.com.br www.rodotecltda.com.br


ESPECIAL Decoração sem agredir ao meio ambiente. Aqui destacamos alguns dos 124 ambientes da mostra.

CASA COR 2009

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Sustentabilidade - parceira do bom gosto

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de moradia, lazer, trabalho, convívio, com identidade, beleza e conforto. Mostramos aqui alguns exemplos de espaços que encontraram no todo ou em

detalhes maneiras de demonstrar que sustentabilidade não é apenas um conceito distante, pode e deve passar a fazer parte de nossas vidas.

Divulgação

Em sua 23ª. edição, a CASA COR 2009 incorpora duas novas mostras ao já consagrado evento; CASA HOTEL e CASA KIDS, complementando-se na arte de decorar, estes espaços apresentam soluções, sugestões e inovações tecnológicas no sentido do bem morar e bem viver, contando ainda com o suporte do tema SUSTENTABILIDADE, que incita criadores, empresas e visitantes em geral, a repensarem sua maneira de agir e interagir com a natureza. Esta edição impressiona pela beleza de seus espaços, a integração de situações cotidianas com espaços comerciais, abrangendo ideias para empreendedores de vários segmentos como restaurantes e hotéis, e evoca a conscientização ambiental como base de seus projetos. Sustentabilidade não passa necessariamente por materiais inusitados, mas eventualmente pela utilização inusitada que pode ser dada aos mesmos, com criatividade e coerência, o que pode fazer com que objetos e materiais comuns passem a ser soluções interessantes e inteligentes para construção e decoração. Soluções encontradas pelos arquitetos e empresas participantes, colocam em pauta a questão da nova postura que se pode ter quando da concepção de projetos ligados à construção e decoração, esta mostra amplia em vários aspectos a visão restrita e muitas vezes equivocada que se poderia ter a respeito do uso consciente dos materiais ecologicamente corretos, sejam eles ao natural ou industrializados, os quais podem muito bem associar sustentabilidade e requinte em espaços concebidos para que uma postura consciente possa ser inserida em ambientes

LOFT SUSTENTÁVEL

Em um ambiente de 240m² com uma proposta 100% sustentável, o projeto possui sua base estrutural de “Steel Frame”, os fechamentos de paredes internas, externas e telhas são feitos com placas de material reciclado, produzidos pela Tetra Pak, produzido a partir da reciclagem de embalagens longa vida e são desenvolvidos com 75% de material renovável, certificado pelo FSC. No revestimento de piso, paredes e móveis foram usados madeira de demolição; produto 100% reciclado, re-

cuperado de casarões antigos e, após receber o devido tratamento, transforma-se em pisos e revestimentos com qualidade, durabilidade e filosofia sustentável. Os tapetes e tecidos foram feitos com matérias-primas que contribuem significativamente no processo de reaproveitamento de resíduos que aleatoriamente são jogados na natureza. Helena Viscome idealizadora do espaço, optou pelo aquecimento solar de água e instalou um reservatório, receptor de águas pluviais de pias e de

drenagem de jardim, para que a água recebida seja tratada e reutilizada para jardinagem e vasos sanitários.Por ser um espaço inspirado na preservação do meio ambiente, a profissional também optou pelo uso de bicicletas, um símbolo da sustentabilidade. “O ciclismo tem se mostrado uma das melhores e mais saudáveis alternativas de transporte. A iniciativa ambiental de estimular o uso da bicicleta é apontada como necessária para a melhoria do sistema de transporte”, conclui.


para palestras e apresentações, pode ser aproveitado para as pessoas relaxarem ou meditarem”, afirma. A parte central do AUDITÓRIO é coberta por madeira de manejo florestal certificada pelo FSC, a qual une piso e teto. Pedras verdes naturais - Greenstone vindas da Ásia compõem uma das paredes, com queda e espelho d’água. Há também iluminação cênica, piso em porcelanato rústico e uma escultura da artista Bia Doria, todos componentes pensados na ideia de intimidade sem perder a funcionalidade.

Divulgação

Um auditório capela, esta é a proposta apresentada por Ricardo Rossi em sua estreia no Casa Hotel. O ambiente possui duas áreas: de um lado, poltronas confortáveis. Do outro, toras de madeira provenientes de manejo florestal certificada pelo FSC (Forest Stewarship Council) e um piano de cauda marcam a descontração do espaço. Ao centro, o palco representa um altar, e pode ser usado para shows intimistas, casamentos ou outros fins. Segundo Rossi: “a ideia é mostrar um local multiuso, quando ele não for utilizado

SUITE STUDIO –CARLOS MIELE O estilista que inspirou Moema Wertheimer e Márcia Bueno Netto a criarem este ambiente é muito ligado a sustentabilidade, ele utiliza materiais ecologicamente corretos em várias de suas coleções, desde “fuxicos” feitos de sobras de tecidos, até jeans feitos com fibras PET, ou com algodão orgânico e sem a utilização de água no processo. O ambiente não poderia ser mais coerente na escolha de materiais, peças e parceiros. Piso da Interface FLOOR, empresa que quer

se tornar resíduo-zero, e de porcelanato da Portobello, empresa voltada ao aproveitamento sustentado dos recursos naturais utilizados no processo fabril. A mesa de reunião é feita de uma tora única vinda de área certificada. O vidro (100% reciclável) é usado em detalhes, banheiro e até no guarda-roupa. O deck no banheiro é de bambu – que dispensa o desmatamento. Na sala de reunião, o tapete é de pele de vaca. A parede em frente à cama é revestida

de pastilhas de mamona, e o móvel para apoio da mala é feito de caixotes de madeira obra de Leonardo Bueno. Uma escultura de Pedro Petry feita com sobras de raízes e troncos enfeita o espaço, e a cadeira de trabalho é de material reciclável. A mesa de centro é de Domingos Totora, que reutiliza sacos de cimento para criar móveis diferenciados. Já a mesa lateral do designer Sergio Fahrer, é feita de alumínio reciclado de fuselagem de avião.

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Divulgação

Salvatore Bussaca

AUDITÓRIO

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ESPECIAL

CASA COR 2009

CAFÉ NEXTEL BY DULCA

Fotos: Marco Antonio

SALA DE JANTAR

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qualquer tratamento passa a ser uma parte “viva” que muda com o tempo. Outro ponto interessante do projeto foi a utilização da técnica de lambe-lambe para forrar uma das paredes, sem química nenhuma; e uma geladeira vintage, customizada pela fashion designer Adriana Barra.

Fran Parente

VISÃO AMBIENTAL • JUNHO/JULHO • 2009

Francisco Cálio precisava equacionar a questão de amplitude num espaço com 5m de pé direito, a inusitada e impactante luminária em dimensões reais de um cavalo, feita em madeira chamou atenção pela imponência e criatividade, o piso todo em madeira de demolição sem

novável, inéditos tecidos para revestimento, espelhos com baixa concentração de metais pesados, tapetes de mão-deobra artesanal reproduzidos em estilo clássico e madeiras de manejo sustentável e de demolição certificadas, com total reaproveitamento dos materiais após o evento.

Divulgação

Café Nextel by Dulca, do arquiteto Fábio Galeazzo, tem o tema “Maria Antonieta em tempos sustentáveis” e mostra personagens históricos e costumes da nobreza francesa reeditados. Ele utilizou materiais de última geração produzidos de modo ecologicamente correto, entre eles a resina re-

LAVANDERIA

Ana Cristina Barbosa e José Queijo Félix são parceiros neste ambiente, de acordo com Felix, as ações sustentáveis serviram de base para a elaboração do projeto e podem ser percebidas também na ambientação do espaço. “Na parede de vidro transparente, por exemplo, distribuímos diversas pedras de sabão produzidas com a

reutilização do óleo de cozinha. Para alguns pode parecer algo apenas decorativo, mas a nossa missão é conscientizar as pessoas da importância do uso correto das matérias-primas, contribuindo com a preservação do meio ambiente”, complementa. Outro destaque é a escotilha de uma máquina de lavar que traz a sensação de vivenciar o espaço como

se estivesse dentro de uma lavanderia submersa de bolhas de sabão. Bacias e baldes de alumínio e os prendedores de madeira remetem à infância de muitos, quando eram poucos os materiais ecologicamente incorretos, portanto a preocupação com o meio ambiente era presente, mesmo que a maioria das pessoas não se desse conta.


BANGALÔ

de taubilha industrializada também em madeira certificada. A sala de banho ganhou banheira inglesa, da Interbagno; e a cozinha rústica é da Viking. Passadeiras ‘jogim’, da by Kamy, um tipo de manta que os orientais assentam no chão para fazer refeições ou mesmo como cortina para forrar tendas nas áreas desérticas, foram usadas para um ar intimista.

Rômulo Fialdini

Ambiente inspirado nos bangalôs das ilhas Maldivas, com cara rústica, aconchegante, sem perder a elegância. Dado Castello Branco fez as paredes e as tesouras do teto em madeira, e a guarnição do forro em bambu, além do piso, utilizando-se de madeira certificada de reflorestamento da Casa Fortaleza, que imita a de demolição. Encimando a edificação, um telhado

por conta de uma figura masculina, em tamanho real, totalmente revestida em couro. As arquitetas levaram o tema sustentabilidade em conta ao reaproveitar elementos de outras mostras nesta edição, como a porta de vidro de correr, o ripado em madeira preso à parede, o vaso sanitário, e algumas luminárias de embutir, este mesmo sentido elas pretendem passar aos seus clientes.

VISÃO AMBIENTAL • JUNHO/JULHO • 2009

a outra para a pia. A exatidão da geometria foi retratada na paginação do piso, em madeira maciça de reflorestamento e porcelanato, a exuberância da natureza está representada, tanto no revestimento das paredes quanto na nova interpretação de elementos orgânicos transformados em objetos de arte, caso do lustre, com argolas douradas mescladas com capim dourado. Uma surpresa fica

Fotos: João Ribeiro

BANHEIRO PÚBLICO MASCULINO

A convivência harmoniosa entre a natureza e a precisão das formas geométricas foi a inspiração de Cris Paola e Dani Barella para a criação do Banheiro Masculino, no Casa Hotel, resultando num ambiente capaz de criar uma atmosfera aconchegante, visualmente simples e dividido em duas partes, separadas por uma porta de correr feita em vidro: uma delas foi reservada para a cabine sanitária e

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ESPECIAL

CASA COR 2009

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LOJA/ SHOP DO MAM

O ferro é uma das estrelas do projeto de Solange Marchezzini, 260 quilos do material estão espalhados em 16 m²., o material aparece em placas que funcionam como revestimento de parede e em peças originais como a mesa Pisa e o tapete Régua. A primeira, confeccionada em discos inclinados de ferro e com iluminação interna de leds, é inspirada na famosa torre italiana. O tapete Régua traz 54 barras de ferro aplicadas ao couro bovino. Graças a diferentes técnicas de oxidação do ferro (exposição à intempérie ou de reagentes que podem ser remanejados e não poluem a natureza), com acabamento em cera de carnaúba, foi possível obter uma gama de texturas

diferenciadas - aparência de mármore, por exemplo. Outra curiosidade é que o ferro está dentro dos parâmetros de sustentabilidade: é extraído da natureza, reciclável, tem alta durabilidade, inclusão social e um ótimo custo/benefício. Solange também recorreu a outros materiais recicláveis, como o papel extraído do bagaço da cana-de-açúcar (novidade no mercado) e o papel alumínio, que, ao ser enrolado, substitui os cristais nos lustres e luminárias. Para aumentar o espaço, ela encomendou o grafite de Eduardo Kobra, que num painel gigante, reproduz parte da vista do MAM de São Paulo com o Jardim das Esculturas de Burle Marx, grande homenageado desta edição da Casa Cor.

Calebe Simões

o término da mostra. Já o piso de carpete da InterfaceFlor, tem uma base de material reciclado com superfícies de nylon e outra de fibras naturais, como a lã.

Divulgação

ANTIQUÁRIO BEGAN

Ricardo Caminada e Luciana Pastore provam que é possível usar produtos ecologicamente corretos até em ambientes sofisticados. A seda das paredes poderá ser reaproveitada após

exatamente para integrar o ‘Jardim da Vila com Piscina’, de Gilberto Elkis. Por sua vez, uma das soluções mais inovadoras foi aferida através da matéria-prima natural utilizada no revestimento interno da piscina – a pedra vulcânica Batu Hijau, de coloração esverdeada, originária da Indonésia. Além disso, instalou um pequeno jardim interno e o coroou com um espelho d’água e carpas.

Fotos: Rômulo Fialdini

SPA DECA E JARDIM COM PISCINA

Ambientes que se integram em conceitos de conforto, sustentabilidade e acessibilidade. As instalações do Spa são concebidas para associar a qualidade dos serviços oferecidos ao conforto. Piso, móveis e forro usam madeira certificada e para fugir das fórmulas já concebidas e resgatar o aspecto zen do Oriente, Dado Castello Branco fez a fachada com seixo verde, proveniente da Indonésia,


REFÚGIO DO VELEJADOR

RESTAURANTE BADEBEC

O restaurante Badebec, com projeto de Mariana Albuquerque, traz para o evento móveis e objetos ecologicamente corretos e que contribuam em sua essência para a preservação do meio ambiente e sustentabilidade. Designers de móveis e objetos, artistas plásticos, paisagista, grafiteiro, fotógrafo e até trabalhos de comunidades compuseram o espaço, destaque para a base da mesa e apoio e do buffet compostos por um bloco de latinhas de alumínio compactadas e por tambores e latinhas refrigerados. Tudo para propiciar ao visitante muita arte de diversas formas e tornar a visita gastronômica ao Badebec ainda mais prazerosa e interessante.

Para Clélia Regina Ângelo, o processo de criação levou em conta, inclusive, fornecedores e parceiros para que participassem com ela os que tivessem a mesma consciência ambiental até no processo de fabricação. Ela escolheu luminárias com LED que proporcionam uma grande economia de energia e tem longa duração, o sofá de fibra

de palmeira da Amazônia Móveis; revestimento feito com lona artesanal lançada pela JRJ Tecidos com maciez extra no toque; mesas de centro e aparador feitos com madeira certificada da Tora Brasil; e bancos de madeira de demolição da Amazônia Móveis, com almofadas de tecidos 100% algodão confeccionadas pela Futon and Home.

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VARANDA DO AUDITÓRIO

João Ribeiro

Divulgação

Rômulo Fialdini

O Refúgio do Velejador merecidamente conquistou o prêmio de sustentabilidade. Áreas espaçosas e integradas, aconchegantes e com muito verde, tiveram mobiliários em madeira sustentável, fibras e materiais naturais. Para completar, um veleiro estacionado no píer, homenagem ao marido da arquiteta, o velejador Beto Pandian. Dos 36 itens sustentáveis do espaço, destacamos: piso em réguas de concreto que imitam madeira, tecidos reciclados de lonas de caminhão, bicas acionadas por energia solar, mochila com placas solares para notebook, madeiras certificadas, madeiras de reaproveitamento nos mobiliários, luminárias e escultura. “Para mim, este conceito não é modismo, é uma urgência cultural, que veio para ficar e deve fazer parte das nossas vidas. Temos a obrigação de difundir essa nova forma de pensar e agir”, sintetiza a arquiteta Débora Aguiar sobre o tema sustentabilidade.

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MERCADO DE TRABALHO Com mais de uma década de existência, o engenheiro ambiental é um profissional que une desenvolvimento e meio ambiente

Engenharia Ambiental

Profissão do futuro ou conseqüência do passado?

VISÃO AMBIENTAL • JUNHO/JULHO • 2009

Ilustração: design.flora@gmail.com

Por Arielli Secco

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A humanidade passou por períodos de descobertas, de invenções e de crescimento desenfreado. Hoje, as prioridades tomaram outros rumos e assuntos referentes ao impacto ambiental causado por essa expansão são temas frequentes de pesquisas e noticiários. Até quando teremos água? Por quanto tempo ainda poderemos contar com os recursos naturais? Será que a matéria prima de tudo o que necessitamos se fará presente daqui alguns anos? Isso tudo se reflete no mercado de trabalho e no modo de viver das pessoas. Ontem, falava-se em prédios, grandes construções, rodovias e shoppings. Hoje, pensa-se em como recuperar o que já foi perdido. Esse tipo de reflexão abre espaço para uma profissão considerada nova por trabalhar uma visão voltada exclusivamente a questões ambientais: a Engenharia Ambiental. O curso foi criado pela Resolução 447, de 22 de setembro de 2000, e tem sido visado como o formador da profissão do futuro. O coordenador do curso de Engenharia Ambiental da Universidade do Sul de Santa Catarina, Roque Alberto Sánchez D’Alotto, explica: é uma questão de evolução e amadurecimento da humanidade, e o perfil desse profissional segue a tendência dos últimos anos. “É o contexto que está convergindo para que neste momento o engenheiro ambiental seja importante”, opina Roque, que considera radical a conscientização – principalmente nos países Ocidentais – sobre a importância das questões ambientais no desenvolvimento da sociedade. Alguns conhecimentos que fazem parte da formação desse profissional já eram apli-


FUNÇÕES DE UM ENGENHEIRO AMBIENTAL Falar em meio ambiente é estabelecer relações de conceitos entre todos os elementos presentes na natureza, inclusive nós, humanos. Por isso, um engenheiro ambiental é imprescindível no momento de prezar pelo melhor encaminhamento dessas relações. Ele é o profissional responsável por exercer atividades como monitoramento das águas e do ar, fiscalização e assessoria ambiental de indústrias e empresas, execução e implantação de projetos sustentáveis, gestão ambiental, recuperação de áreas, geoprocessamento, pesquisas e estudos de impactos ambientais. Durante o curso – que geralmente tem duração de cinco anos –, as disciplinas envolvem áreas diversas como biologia, cartografia, legislação e direito ambiental, física e matemática. Pode-se considerar, então, que mesmo sendo classificado como um curso das ciências exatas, a Engenharia Ambiental aplica noções de ciências humanas na formação do profissional. O perfil do aprendizado é abrangente. Roque D’Alotto comenta que essa característica reflete na heterogeneidade do corpo docente: “Temos engenheiros civis, engenheiros agrônomos, cartógrafos, químicos e advogados lecionando no curso”. Tal integração também deve ser levada em conta no mercado de trabalho, já que várias ações necessitam da atuação conjunta de profissionais diferentes. O coordenador cita o exemplo de um

MÉDIA SALARIAL Um engenheiro ambiental ganha cerca de R$ 3.000,00, dependendo da região em que atua. (Fonte: Guia de Carreiras do G1)

REQUISITOS Ter interesse pelo meio ambiente, gostar de cálculo, ter competência e conhecimento técnico, estar atualizado.

ONDE ESTUDAR? Universidade de São Paulo, Universidade de Santo Amaro (UNISA), Universidade Brás Cubas – Mogi das Cruzes, Fund. Mun. de Ens. de Piracicaba, Universidade Metropolitana de Santos, Universidade São Marcos, Universidade de Taubaté.

trabalho de realocação de núcleos urbanos supondo o caso de formação de reservatórios de usinas hidrelétricas. “O reassentamento da população atingida considera aspectos físicos, bióticos, sociais, econômicos e históricos”, explica Roque. Ele completa ressaltando que, em uma situação como essa, o engenheiro ambiental deve atuar junto a sociólogos, engenheiros civis etc. Apesar do reconhecimento do curso pelo Ministério da Educação e da associação da profissão ao Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura, estudantes e professores notam a falta de informação por parte da sociedade como obstáculo para a valorização do engenheiro ambiental. Daniele Baroni, aluna da 5ª fase do curso na UNISEP (PR), afirma que muitas empresas consideram esses profissionais como concorrentes, justamente por desconhecerem as vantagens que o conhecimento do engenheiro ambiental pode agregar ao mundo dos negócios. “Por ser uma profissão nova, o desconhecimento das pessoas sobre nossa função talvez seja a maior dificuldade no mercado de trabalho”, afirma Daniele. A estudante já trabalhava na área de topografia e optou pela profissão para ampliar seu campo de atuação profissional. Giovana Schrader, estudante da 8ª fase de Engenharia Ambiental na Unisul, por sua vez, tem objetivos diferentes para o seu futuro. Ela conta que sempre foi apaixonada por animais e quer aplicar seu conhecimento em projetos de ONGs e instituições de preservação ambiental. Para ela, o obstáculo da profissão são as barreiras políticas, econômicas e culturais. “Por mais que você queira melhorar o mundo, tem sempre alguém querendo impedir”, desabafa Giovana. Mesmo que a consolidação desses profissionais ainda seja uma questão de amadurecimento, a abertura do mercado de trabalho é ampla e promissora para quem já está preparado. Roque D’Alotto garante: oportunidades existem tanto em centros urbanos quanto em áreas e municípios afastados e localizados no interior do país. “Há uma demanda bastante focalizada onde se tem obras de magnitude, por exemplo: duplicação de uma rodovia, construção de uma hidrelétrica, implantação de uma unidade de conservação e assim por diante”, detalha o coordenador. Ele pontua também que o profissional pode optar pela carreira autônoma ou acadêmica. PROFISSIONAL DE DESTAQUE Bernadete Batalha Batista conclui o curso ain-

“Por ser uma profissão nova, o desconhecimento das pessoas sobre a função da profissão talvez seja a maior dificuldade no mercado de trabalho” Daniele Baroni 5ª fase de Eng. Ambiental

da no primeiro semestre de 2009, mas já tem tudo para se tornar uma profissional de sucesso no mercado. Aos 43 anos, ela conta com orgulho os resultados que tem obtido com os Blocos Verdes. Mas, o que é isso? A ideia surgiu quando ela planejava temas para seu trabalho de conclusão de curso. “Eu estava caminhando com meu filho na praia e ele cortou o pé. Aí eu vi aquele monte de resíduo na praia. Como a universidade já tinha alguns estudos sobre a resistência das conchas de ostras e mariscos, pensei na mistura desses resíduos com as conchas”, conta Bernadete. Era o início dos Blocos Verdes, que são blocos de construção produzidos pela combinação desses materiais. Não foi fácil encontrar quem apostasse no projeto, mas com o passar do tempo a estudante conseguiu apoio de empresas e de bolsas de pesquisa para prosseguir com a ideia. A produção ainda é artesanal, mas a meta de Bernadete é, agora, produzir os Blocos Verdes em escala industrial para atender as encomendas.

VISÃO AMBIENTAL • JUNHO/JULHO • 2009

cados em outros cursos, como Agronomia, Engenharia Florestal e Geologia. Porém, o coordenador destaca o fato de que o Engenheiro Ambiental estuda aspectos variados do meio ambiente de forma aprofundada.

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VISÃO AMBIENTAL

Rose Gottardo

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No dia 27 de abril comemoramos timidamente os 10 anos da Lei 9795/99 que intitula a Política Nacional de Educação Ambiental – PNEA. Para explicá-la vamos revisitar alguns aspectos  que influenciaram a elaboração da lei. A Conferência de Tbilisi, marco da Educação Ambiental - EA no mundo, ocorrida de 14 a 26 de Outubro de 1977, em Tbilisi na Geórgia, denominada  “Primeira Conferência Inter-Governamental sobre EA,  suas recomendações constituem a principal fundamentação para os programas educacionais na área. No Brasil, em 1988, a Constituição Federal, no Art nº 225, estabeleceu um capítulo inteiramente dedicado ao meio ambiente, que a colocou entre as leis mais completas do mundo, no que se refere à área ambiental e cria a obrigatoriedade da “...Educação Ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública”, como  responsabilidade do Poder Público. A  EA proposta pela CF trata de EA formal (dentro da escola) e não-formal (fora da escola). Promulgada em 27/04/1999,  a Política Nacional de Educação Ambiental - PNEA, Lei nº 9795/99,  regulamentada somente em 25/06/2002, pelo Decreto nº 4281. A PNEA definiu seus princípios, objetivos e finalidades, além das atribuições das organizações governamentais e não governamentais; incorporando a dimensão ambiental na formação, especialização e atualização dos educadores em todos os níveis de ensino e dos profissionais de todas as áreas.   Essa Lei representa um forte instrumento para que a EA seja cumprida,  pois ela corrobora as recomendações da Conferência de Tbilisi, mas até agora não constatamos nenhum  progresso na sua aplicabilidade. A EA que defendemos é uma educação política, crítica, libertadora e emancipatória, que para ser legítima acredita no empoderamento da sociedade para decidir conscientemente. Podemos citar duas fontes importantes de empoderamento: a escola e a mídia, induzindo a

participação da sociedade nos processos decisórios. Um dos instrumentos eficazes para reverter esta situação é a EA que estimula a formação de sociedades  justas e ecologicamente equilibradas, atuando na qualidade de vida e no exercício da cidadania de cada indivíduo, parte integrante do processo. A temática pode ser implementada no currículo escolar, por Temos pouco a comemorar, principalmeio de atividades, projetos, vimente na área formal o que vemos sitas,  mas  nunca são ações pontuais, sem reflexão críticomo disciplina, contemplando a ca, que possibilite ao  educando quesLei 9795/99 e as tionar, entender e propor soluções grandes confe rências nacionais e internacionais.  A temática ambiental exige  interdisciplinaridade, uma disciplina, isoladamente, não dá conta da complexidade da questão. A PNEA diz que a EA tem que ser trabalhada em todos os níveis de ensino, mas infelizmente,   não é o ROSE GOTTARDO é mestre que observamos  nos currículos ou na prática em Educação, pós-graduada universitária, com exceção de cursos ambientais em Educação Ambiental pela específicos. FSP-USP. Coordenadora do MBA em Gestão Ambiental do Inst. Temos pouco a comemorar, principalmente Nacional de Pós Graduação. Foi na área formal o que vemos são ações pontuais, Diretora de Educação Ambiental sem reflexão crítica, que possibilite ao  educando das Sec. de Educação e do Verde questionar, entender e propor soluções. Pequee Meio Ambiente da Pref. de nos avanços  na Educação não-formal,  como São Paulo. Sócia da Economni a UMAPAZ (Univ. do Meio Ambiente e Cultura Consultoria e Projetos Ambientais. rosegottardo@terra.com.br para Paz), que oferece, gratuitamente, formação para  interessados na área ambiental. Como educadora, luto por  investimentos significativos   na formação continuada, para educadores ou cidadãos comuns, pois o tema é emergente e primordial. Sugiro uma maior atuação do MEC na  fiscalização das universidades, para  que profissionais de qualquer área introduza a vertente ambiental no exercício da sua função. Com cidadãos empoderados, emancipados e participantes  podemos promover, hoje, um mundo mais sustentável  para as futuras gerações.

Divulgação

VISÃO AMBIENTAL • JUNHO/JULHO • 2009

10 anos da Política Nacional de Educação Ambiental-PNEA


ENTREVISTA Entrevista com Dr. Olavo Alberto Prates Sachs

Conhecimento

compartilhado

Aliado da preservação ambiental Por Susi Guedes

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Fotos: Divulgação/AESABESP

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Falar sobre recursos hídricos, saneamento básico, tratamento de água e esgoto, e seus resíduos, é algo de interesse público, mas que aos ouvidos de leigos, às vezes, tem o tom de assunto chato, monótono e distante. Em entrevista concedida pelo Dr. Olavo Alberto Prates Sachs, esta conotação muda totalmente, pois o fascínio deste profissional da AESABESP pelo assunto é contagiante, mudando o tom e tornando tudo muito atraente, principalmente quando fala sobre os projetos da associação, as preocupações e soluções buscadas, tendo como prioridade extrema, conscientização, educação e ações que criem o interesse pelo tema. Com foco especial nas novas gerações, para ele, a mudança na forma de pensar é fundamental: “Antes era pensamento comum que água suja se trata, hoje a idéia é que haja conscientização para não sujar a água, isso dá menos trabalho, menor custo, e diminui o impacto ambiental”. Segundo o Dr. Olavo, novas tecnologias que auxiliam no tratamento, controle, preservação Abertura oficial do Encontro Técnico da AESabesp, em 2008, com personalidades do setor de saneamento

e novas utilizações para os resíduos, estão surgindo o tempo todo, desde as mais complexas até coisas simples, como o reaproveitamento do lodo que antes era apenas resíduo, tanto do tratamento da água quanto do esgoto, e agora em alguns casos já pode ser utilizado como combustível, fertilizante para reflorestamento e alguns tipos de cultivo (desde que não haja contato direto do substrato com o alimento a ser consumido), bem como matéria prima para a construção, dando mais leveza e diversidade de opções para a usual brita, além destas, há outras novas destinações úteis ao que antes eram apenas resíduos, demonstrando que algumas empresas, a exemplo da SABESP, usam seu expertise em benefício do meio ambiente e do cidadão, indo além da sua função original, adaptando-se aos novos tempos e inovando, sob a visão ampla das necessidades futuras. Diante de todas estas inovações e desafios, A FENASAN e o XX ENCONTRO TÉCNICO, promovidos pela AE-

Estande da Sabesp, em 2008, que apresentou processos de saneamento e meio ambiente adotados na Companhia

Olavo Alberto Prates Sachs é diretor Cultural da AESABESP promotora da FENASAN


Visita ao Rio Tietê

engenheiros, químicos, biólogos, geógrafos, arquitetos, geólogos e profissionais de áreas distintas como, por exemplo, setor administrativo, social e jurídico, também interessados e preocupados com o meio ambiente. Tornou-se OSCIP em 2008 e passou a aceitar também associados que não tenham feito parte do quadro da SABESP, para incorporar seu quadro e agregar valor e conhecimento aos projetos de responsabilidade ambiental e social. www.aesabesp.com.br Nosso entrevistado: Engenheiro Sanitarista pela Faculdade de Ciências Tecnológicas da PUC – Campinas (1985). Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho pela FAAP (1990). MBA pelo Instituto de Tecnologia MAUA (2003). Mestre em Tecnologia Ambiental pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo – IPT (2005). Professor do curso de Engenharia e Segurança do Trabalho da UNICAMP, desde 1992. Engenheiro especialista da SABESP desde 1986, com experiência nas áreas de planejamento, projeto, operação, administrativa e manutenção, trabalhando atualmente na Divisão de Operação de Água Oeste – MOEG e Diretor Cultural da AESABESP (promotora da FENASAN), desde 2005.

A AESabesp conta com uma visitação diária de 3 a 4 mil pessoas, que contemplam tecnologias de todo o mercado.

A AESABESP, tem como objetivo a integração dos associados, a difusão e o intercâmbio de tecnologia e conhecimento SERVIÇOS FENASAN – XX Feira Nacional de Saneamento e Meio Ambiente XX – ENCONTRO TÉCNICO AESABESP DATA: 12,13, 14 de agosto de 2009 – das 13:00 às 20h. LOCAL: EXPO CENTER NORTE – Pavilhão Amarelo – Av. Otto Baumgart, 1.000- São Paulo / SP INFORMAÇÕES ADICIONAIS e CREDENCIAMENTO: www.fenasan.com.br F. 11-3871.3626

Os expositores encontram um público qualificado na Fenasan, formado por técnicos, executivos e dirigentes do setor

VISÃO AMBIENTAL • JUNHO/JULHO • 2009

SABESP, e realizado pela entidade em parceria com a SABESP, se apresentam comoponto de encontro para a troca de informações e interesses comuns, como bem expressa nosso entrevistado; “compartilhar conhecimento é a maior arma que podemos ter na busca de soluções ágeis e eficientes para os problemas a serem enfrentados na preservação do meio ambiente” A FENASAN e o ENCONTRO TÉCNICO, com seus expositores, palestras, debates, e pela grande possibilidade de networking, se mostram como excelente opção para se tomar contato com os lançamentos do setor, adquirir conhecimento, fazer contatos e negócios, e já é tida como referência no segmento. Tendo como tema geral “Sustentabilidade, caminho para universalização do saneamento ambiental”, esta edição é marcada pela incorporação do meio ambiente ao nome e ao conceito do evento, conseguindo assim se posicionar de forma mais concreta na sua vocação original. Sobre a AESABESP: Fundada em 1986, a Associação dos Engenheiros da SABESP tem como objetivo a integração dos associados, a difusão e o intercâmbio de tecnologia e conhecimento. Abriga

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EVENTOS

Evento sustentável está na moda

Detalhe do Lustre: 2,4 mil garrafas pet e leds formam o lustre central

O Luxo consciente

VISÃO AMBIENTAL • JUNHO/JULHO • 2009

FOTOS: IWI ONODERA

Conexão wireless, e computadores disponíveis aos visitantes

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O maior evento de moda da América Latina lança tendências não apenas em roupas, calçados, maquiagem e cabelo, costuma ser pioneiro também em atitudes, e é com esta vocação de contemporaneidade que SÃO PAULO FASHION WEEK já vem há muitas edições atuando de forma a dar o exemplo no sentido de preservação do meio ambiente. Entre as ações desta edição, estão as que já aconteceram anteriormente, tais como cenário geral do prédio da Bienal feito com papelão, lixeiras para coleta seletiva e compromisso carbono zero, além do evento de maneira geral, muitos desfiles também utilizaram em seus cenários materiais recicláveis ou reaproveitáveis como papelão, madeira e tecidos. A sala de imprensa dá o exemplo não imprimindo releases ou fotos, disponibiliza todo o material num hot site de acesso exclusivo à imprensa ou cede as

imagens que podem ser salvas no pen drive do jornalista interessado. Aos que poderiam imaginar que ações sustentáveis empobreceriam o evento, a moda mostra que até o luxo pode contribuir para o bem do meio ambiente, 5 km de tecido formam cortinas imensas em um dos andares, criando um clima intimista e sedutor inspirado na França, país homenageado nesta edição, um lustre deslumbrante tomou os 3 pavimentos do prédio da bienal, e tamanha a perfeição da peça que visto de longe, ninguém ousava imaginar que fosse feito por leds e garrafas pet, mais precisamente 2,4 mil delas. Um mural pintado no decorrer do evento homenageou looks ícones da moda, os artistas Base V, Rodrigo Bueno e Pipa, customizaram três réplicas de peças clássicas da alta costura francesa: New Look de Christian Dior, Smoking (desfile 1967) de Yves Saint Laurent e um Vestido Trapézio de Pierre Cardin, diariamente todos os artistas foram montando ao fundo um painel com a mesma ilustração usada nas réplicas, e um tipo de instalação usando madeira e outros materiais também recicláveis formando um lindo cenário. Entender o conceito de sustentabilidade e utilizá-lo de forma criativa, bela e inusitada, é uma vocação não exclusiva da moda, mas que certamente a moda como manifestação de arte assumiu para si.

Reciclagem é palavra de ordem

Inspiração na natureza e material orgânico ajudam a compor painel

O prédio da Bienal é revestido com cenário de papelão


VISÃO ECONÔMICA

Welinton dos Santos

ALERTA DO MEIO AMBIENTE

VISÃO AMBIENTAL • JUNHO/JULHO • 2009

WELINTON DOS SANTOS é Economista, Delegado Municipal do Corecon -SP Caçapava

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São inúmeros os avisos de alerta do meio am- em altas temperaturas, além de criar programas biente, mas nada ficou tão claro para o povo bra- de sustentabilidade da vida. sileiro como o verão 2008 / 2009, quando muitas Investir em tecnologia de alimentos; estudo de cidades entraram em estado de calamidade pública, preservação da vida; mecanismos alternativos de em razão de efeitos do clima. energia e uso; utilização consciente dos bens; políO que está ocorrendo no Brasil, já ocorre no tica de reaproveitamento de materiais e estudos da mundo todo, excesso de frio em alguns locais, de- vida vegetal, como os do Projeto Genoma, deve ser sertificação de áreas, altas temperaturas, mudanças incentivada para que possa haver a possibilidade de de estações e volatilidade de temperaturas num sobrevivência da população no planeta. Atualmente curto espaço de tempo, dentre outros. com toneladas de CO2 jogada no meio ambiente Como o Sr. James Eprhraim Lovelock, o Ghandi e a poluição das águas e do solo, a sobrevivência da Ciência, título atribuído pela New Scientist, cien- do Homem na Terra está em processo de extinção, tista respeitado mundialmente, coeste tipo de economia capitalista menta na sua Teoria de Gaia: “O Plaprecisa de mudança rápida ou o “O Planeta neta Terra é um super-organismo Caos prevalecerá. Terra é um vivo que reage às ações realizadas Tecnologia verde, como sabão superorganismo biodegradável, equipamentos elepelos seres vivos, nossa biosfera é um sistema vivo, capaz de gerar, vivo que reage às trônicos verdes, energia sem fio, manter e regular suas próprias reciclagem, energia solar e eólica, ações realizadas condições ambientais. reuso da água, tratamento de esOs refugiados ambientais fo- pelos seres vivos, gotos, filtros de contenção de CO2 ram percebidos em Minas Gerais, fábricas e veículos, precisam nossa biosfera é das Santa Catarina, Rio de Janeiro e São ser financiadas pelos governos. Paulo, ou seja, o Planeta passa por um sistema vivo” Outro fator preocupante é o um processo de readequação, o volume de resíduos gerado por Homem prejudicou em muito o sistema natural da cada habitante do planeta. Precisamos transformar vida. As calotas de gelo do Ártico estão 33% meno- isto em energia e recuperar as áreas degradadas, res do que em 1979, isto representará em alguns este tipo de trabalho demandará um volume anos aumentos na temperatura em escala crescen- enorme de esforços científicos, operacionais te, bem mais rápido do que estão sendo anunciado e financeiros, que podem gerar milhões de pelos governos à população do mundo. emprego no mundo. A devastação provocada por efeitos climáticos O ecossistema terrestre está desequilicomeça a nos assustar, com chuvas muitos fortes no brado, provocando as mudanças climáticas Brasil, as quais, os sistemas urbanos não conseguem percebidas nos últimos dois anos, a transfordar vazão no tempo de sua projeção. mação destes efeitos será ainda maior nos Ciclones e pequenos terremotos começam próximos, portanto, vamos nos empenhar a ser percebidos no Brasil, a elevação da tem- em dar a nossa contribuição ao Plaperatura tornará inviável o plantio em diversas neta que é responsabilidade de áreas do mundo em vários locais no Planeta a cada um. água desaparecerá. O alerta do meio ambiente A sociedade como conhecemos hoje mudará virá com questões mais profunem função das condições climáticas do futuro, bem das, desde estudos geológicos como movimento de ajustes de clima voltarão de várias cidades no Brasil e no para as cidades, o que pode provocar escassez mundo, que começam a sofrer de alimentos. a transformação do seu habiPrecisamos preparar a Humanidade para o fu- tat até a forma como veremos turo, ver quais os tipos de alimentos se mantem o clima em nossa vida.

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ENTREVISTA Entrevista com Eduardo Jorge Martins Sobrinho

SÃO PAULO De ‘cidade cinza’ a ‘cidade verde’!

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Ilustração: Ilker/SXC

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O Secretário Municipal do Verde e Meio Ambiente de São Paulo, Eduardo Jorge Martins Alves Sobrinho, fala sobre a atual situação do meio ambiente na cidade Médico sanitarista, preocupado com os efeitos do aquecimento global e os altos níveis de poluição como causadores de dezenas de enfermidades na população, fala sobre seu empenho em transformar a “cidade cinza”, numa cidade um pouco mais “verde”. Quais são as suas expectativas e o que destaca com relação à PMMC- Política Municipal de Mudança do Clima?

Eduardo Jorge é Secretário Municipal do Verde e Meio Ambiente de São Paulo

Eduardo Jorge – É um avanço o executivo propor e o legislativo aprovar uma lei municipal sobre o Clima e o Aquecimento Global; é a primeira lei brasileira deste tipo, e tem mais de 50 artigos, dando diretrizes para o ordenamento urbanístico, habitação, transporte, saúde, meio ambiente, energia, etc, situando São Paulo na época da eficiência energética, da economia verde, do século XXI. O licenciamento de novas obras públicas e privadas condicionado a um inventário de emis-

sões, a um plano de reciclagem de lixo ou uma ampliação da exigência de permeabilidade; bem como a diretriz para uma cidade compacta, com melhor aproveitamento do sistema de transporte público; reocupação do centro e centro expandido, limitação do crescimento nas regiões periféricas e de proteção aos mananciais, já são resultados práticos no direcionamento de uma cidade energeticamente eficiente e mais humana. Para 2012 há uma meta de redução de 30% das emissões

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Por Marta Régia Vieira


áreas de proteção usando viaturas, motos, barcos e helicópteros junto com fiscais da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, Secretaria do Meio Ambiente do Estado, Departamento de Uso do Solo Metropolitano e Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental. Há também ações práticas como retirada de mais de 250 toneladas de lixo da represa Guarapiranga, trabalho permanente executado pela Sabesp, Limpurb e Subprefeituras, além de parques existentes e em fase implantação ao redor da represa. O que a Prefeitura está fazendo no sentido de conscientizar a população da importância da coleta seletiva? O que ainda falta? Eduardo Jorge – De 2005 para 2009 a coleta seletiva oficial cresceu de 0,5 % para 7%. Precisamos crescer mais investindo mais em divulgação do programa junto à população.  Existe algum projeto que incentive o uso de meios de locomoção não poluente em São Paulo? Isso seria viável? Eduardo Jorge – A Prefeitura tem investido na bicicleta como meio de transporte. Em 2006 criou o Pró-Ciclista, grupo intersecretarial responsável por pensar o uso da bicicleta como meio de transporte. Há agora a possibilidade de transportar a bicicleta em vagões nos trens da CPTM e do Metrô; e possibilidade de deixar a bicicleta em segurança em estações do metrô onde funciona também o empréstimo de bicicleta a partir de uma parceria entre o Instituto Parada Vital, a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente e o Metrô, com patrocínio da Porto Seguro. Hoje a cidade conta com: 19 Km de ciclovia em parques municipais; 14,8 Km em ruas; 16,1 Km em obras; 112,9 Km em projeto, em diferentes etapas A Prefeitura prepara em conjunto com o governo estadual, duas grandes ciclovias: uma ao longo do Rio Pinheiros e outra na APA do Rio Tietê.  O que é um parque linear? Existe projeto para implantação de 25 desses parques em toda a cidade. Haverá tempo hábil para que eles comecem a funcionar ainda na sua administração? Eduardo Jorge – Recuperar fundos de vales dos rios e córregos da cidade por meio da implantação de áreas de lazer, saneamento e limpeza dos rios; este é o objetivo primeiro dos chamados Parques Lineares. Sua implantação propicia a conservação das Áreas de Proteção Permanente e minimizará os efeitos negativos das enchentes, além

“São Paulo é uma cidade nacional, uma cidade mundial. Ela tem responsabilidades e obrigações com todo o conjunto de nosso país e com as outras nações” de representarem expansão da área verde na cidade, contribuirão para melhorar a permeabilidade do solo. Os parques irão também reduzir áreas de risco, na medida em que evitarão a construção de habitações irregulares nas áreas de várzea dos córregos. Atualmente já estão implantados sete destes, e mais de 20 estão em diferentes fases de implantação. Existem articulações internacionais no sentido de preservação do meio ambiente, como a Iniciativa do Ar Limpo, ICLEI (Governos Locais pela Sustentabilidade), C-40 (Climate Leadership Group), Fundação Clinton e o PNUMA. Fale sobre essas iniciativas. Eduardo Jorge –São Paulo é uma cidade nacional, uma cidade mundial. Ela tem responsabilidades e obrigações com nosso país e com as outras nações. A primeira coisa a fazer é trabalhar a própria casa. Isso que vem sendo feito permite que a cidade seja reconhecida com destaque em fóruns internacionais como ICLEI e C-40. São Paulo, em 2006, foi eleita para a direção mundial do ICLEI e reeleita em 2009. Foi também escolhida como uma das sete cidades que coordenam o C-40 e será a sede do próximo encontro deste fórum em 2011.

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de gases de efeito estufa na cidade. A meta é audaciosa ou São Paulo consegue alcançar essa redução? Quais as atitudes recomendadas pela PMMC no intuito de atingir esses 30%? Eduardo Jorge –Desde 2005 São Paulo procurou neutralizar as emissões do biogás em aterros sanitários. Com a inauguração da segunda usina de captação no Aterro São João em 2008 estamos neutralizando, já em 2009, cerca de 20% das nossas emissões de gases de efeito estufa e ainda gerando energia elétrica. Se trabalharmos na área da energia e transporte com a substituição do uso do combustível  fóssil, certamente poderemos cumprir nossa meta proposta, e ainda repercutir na saúde humana.  Como funcionam as usinas de biogás dos Aterros São João e Bandeirantes e quanto eles trazem de benefício para São Paulo? Eduardo Jorge –As usinas captam o biogás, principalmente o metano, e o transformam em energia que é repassada e abastece cerca de 600 mil pessoas. Qualquer cidade pode fazer isto, mesmo as pequenas podem se reunir em consórcio e aplicar esta solução mitigadora.  Esses aterros comercializam créditos de carbono na bolsa de valores. Como funciona isso? Eduardo Jorge – A cidade conseguiu que este processo fosse reconhecido por órgãos da ONU encarregados de avaliar a eficiência de mitigação de emissões de gases de efeito estufa. Assim, a Prefeitura pode fazer o primeiro leilão dos lotes de crédito de carbono na bolsa de valores; já arrecadou R$ 7 milhões, que estão sendo utilizados em projetos ambientais e urbanísticos.  Existe alguma ação específica da Prefeitura no sentido de promover o desenvolvimento sustentável nas áreas de mananciais? Eduardo Jorge – Sim, a Operação Defesa das Águas, lançada há dois anos. A Operação teve início nas regiões das represas Guarapiranga e Billings, estendida para proteger a biodiversidade da serra da Cantareira, e em seguida para a Zona Leste, enfrentando a degradação da várzea do rio Tietê. São medidas para impedir novas invasões e depredações dos mananciais e das matas da cidade, e recuperar as áreas anteriormente ocupadas de forma irregular. O resultado já é visível, com ocupações irregulares às margens da represa Guarapiranga tendo sido congeladas, novas construções demolidas, e conscientização da população, que denuncia os vendedores de lotes ilegais. A Guarda Ambiental faz rondas diárias nas

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CONSUMO CONSCIENTE

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Cadeira Pontaccio da Saccaro – Aliando o lado lúdico dos trançados a uma linha criativa, esta cadeira consegue unir a modernidade do aço com a delicadeza artesanal do trabalho com as fibras de bananeira - que é reaproveitada. A peça é decorativa, confortável, e impõe elegância mesmo na simplicidade. www.saccaro.com.br

O setor de construção civil está se adaptando aos conceitos de sustentabilidade. A BASF tem investido em processos e produtos que seguem critérios de sustentabilidade e contribuem para a conservação do meio ambiente. A Suvinil, marca de tintas imobiliárias da BASF, é a primeira a ter produtos atestados de acordo com os critérios do LEED (Liderança em Energia e Design Ambiental), conceito criado pelo US Green Building Council (Conselho de Construções Verdes dos EUA) para empreendimentos sustentáveis. Isto possibilitará maior fluidez ao crescente mercado de construções sustentáveis, reduzindo custos de concepção, implantação e operação de Green Buildings. www.suvinil.com.br

Bacia Deca com sistema Dual Flux - sistema com duplo acionamento de água, liberando três litros ou descarga completa, dependendo da necessidade de uso. Esta solução evita desperdício, gerando economia de água da ordem de 40%. A troca pode ser feita de forma muito simples e rápida, evitando quebra-quebra e dores de cabeça. www.deca.com.br

Conforto e design economizando madeira, este foi o conceito na criação da Linha Ibiza, que utiliza menor quantidade de matéria-prima do que outros produtos similares existentes no mercado, fabricada com madeira 100% certificada, a chaise é destaque da coleção. “Buscamos a maior otimização possível da matéria-prima, para evitar desperdícios e gerar menos resíduos, aproveitamos sobras para confecção de algumas partes”, explica Marina Otte, designer com mestrado em Engenharia Ambiental, criadora da linha. www.butzke.com.br

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A Faber Castell é líder mundial na fabricação de lápis de madeira para vários segmentos; a linha escolar sempre apresenta novidades estéticas e funcionais. Todos os lápis são fabricados com madeira reflorestada e certificada pelo FSC (Forest Stewardship Council), isso faz com que o prazer de escrever tenha também uma conotação ecológica. ­www.fabercastel.com.br

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A Newcolor Etiquetas pesquisou materiais diferentes, inusitados e que virariam lixo, como: pneus, latinhas, casca de ovo, de cebola entre outros, e deu aplicações diferenciadas a eles, utilizando-os em tags, e etiquetas de marcas e designers conhecidos. A empresa tem parcerias com entidades sociais as quais colaboram com a criação, matéria-prima e produção; buscando assim alternativas para preservar o meio ambiente e apoiar essas instituições. Dentre os diversos processos de criação e fabricação interessantes, destaca-se o que utiliza casca de cebola, feito pela Associação dos Ex-Presidiários, que utilizam a mesma técnica da fabricação artesanal do papel. www.newcolor.com.br


Deca Filtros Twin – Uma solução integrada, que elimina garrafas pet da natureza, uma vez que evita a necessidade de consumo de águas embaladas. Os produtos contam com a tecnologia exclusiva da 3M Carbon Block, um sistema filtrante a base de carvão sintetizado que absorve o cloro por completo, além de retirar odores e o aspecto turvo da água. www.deca.com.br

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Iniciado em 2007, o Projeto Ecoshoes é uma realização do Instituto by Brasil em parceria com a PUC-RS. O Ecoshoes ganhou visibilidade entre as empresas do setor de componentes, que reconhecem a importância da sustentabilidade. Dispostas a reorganizar e reestruturar sua sistemática para a inclusão do plano ecologicamente correto proposto pelo projeto, 16 empresas associadas da Assintecal e mais 2 calçadistas participam do Ecoshoes, projeto financiado pelo Sebrae e pela FINEP, e apoiado pela Apex–Brasil. Os chamados “calçados verdes”, inserem o conceito de sustentabilidade à moda. Walter Rodrigues é um dos pioneiros a aderir e inserir os calçados em seus desfiles. www.assintecal.org.br

Os revestimentos da Solarium são ecologicamente corretos, por seu processo de fabricação não ser poluente, as placas cimentíceas curam sem auxílio de fornos, não utilizando nenhuma fonte de energia extra, e não expelindo gazes poluentes na atmosfera. Além disto, são utilizados materiais reciclados na sua composição e durante sua fabricação não geram nenhum tipo de substrato. www.solariumrevestimentos.com.br

ão aç ulg Div

A marca Goóc, pioneira a desenvolver calçados reciclados de borracha de pneu, aposta numa nova estratégia de negócios para os próximos cinco anos. O Projeto 2014 Goóc, que já recebeu investimento de dois milhões de reais, prevê produção de 20 milhões de pares de Eco Sandals – ou SPR (sandália de pneu reciclado) – até o final de 2014; esta iniciativa espera gerar mais de 3 mil empregos, além de revitalizar a indústria de vulcanização, que está com mais de 70% de sua capacidade ociosa. www.gooc.com.br

“Sustentabilidade e Temas Fundamentais de Direito Ambiental”, é uma publicação coletiva sobre o tema. Conceituados profissionais comprometidos com o Direito Ambiental, reúnem-se, sob a organização de José Roberto Marques, Promotor de Justiça. “A Jurisprudência do Tribunal de Justiça de São Paulo em Matéria Ambiental – Tomo II”, é organizada pelo desembargador aposentado do Tribunal de Justiça de SP e mestre em Direito Ambiental pela PUC – SP, Gilberto Passos de Freitas, o livro apresenta novas pesquisas jurisprudenciais realizadas no banco de dados do Tribunal de Justiça de São Paulo. www.millenniumeditora.com.br

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Fa ze r m o d a , proteger o meio ambiente e gerar renda, são alguns dos benefícios levantados a partir do reaproveitamento dos banners que a UNINOVE doa à ONG Eides desde 2008. A ideia partiu de um aluno da instituição. Até então, o destino dos banners era um estoque ou o próprio lixo. Hoje, o material informativo é transformado em bolsas e sacolas. www.uninove.com.br

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“Quem ama Cuida”, este princípio costuma reger esportistas que escolhem a natureza como cenário de suas práticas esportivas. Quem se lança no espaço em queda livre milimetricamente planejada tem que gostar muito de adrenalina e liberdade e ter coragem para que num tempo muito limitado esteja solto no vento em descida vertiginosa, tudo em troca da sensação de liberdade e pelo privilégio de apreciar a natureza por um outro ângulo. A contemplação da natureza tem sido ponto de prazer e de tristeza também, porque cada vez mais é possível perceber a devastação e o pouco caso com o meio ambiente, e os cenários têm se modificado a cada ano, o que leva praticantes deste esporte a preocuparem e decidirem tomar atitudes. Alguns depoimentos de Juliana Sé, membro do Comitê de Pilotagem de Velames, uma das modalidades esportivas da Confederação Brasileira de Paraquedismo (CBPQ) e Instrutora do Centro de Paraquedismo de Boituva, expressam bem o fascínio pelo esporte e as preocupações ambientais. O primeiro salto de Juliana foi em 1992 e de lá pra cá nunca mais parou, nem quando grávida, destemida, saltou até o 6º. mês de gestação. “No início queremos vencer nossos limites, sentir aquela adrenalina do salto, depois é o prazer de voar mesmo, o vôo livre é o grande momento, quando podemos nos movimentar em todas as direções e criar uma coreografia sem obstáculos. A sensa-

ção é muito parecida com os movimentos na água”, filosofa Juliana, que morou fora do Brasil por 10 anos, experimentando a sensação de voar em outros países. Mas a relação do paraquedismo com a natureza vai além do visual e da contemplação. Para que os saltos possam acontecer com segurança os paraquedistas dependem totalmente das condições climáticas e, por isto, sabem o quão devastadoras podem ser as ações do homem sobre o meio ambiente. Ventos, formação de nuvens, aquecimento do planeta, tudo isto pode influenciar neste esporte, assim como a devastação e a poluição que são possíveis observar lá de cima. Acostumada com paisagens tipicamente brasileiras, cheias de água e muito verde, Juliana ficou muito impressionada quando saltou sobre o deserto. “Eu fiquei chocada com a falta do verde, com a aridez.” A irresponsabilidade brasileira com o nosso verde também foi motivo de tristeza em alguns dos saltos de Juliana. “Uma vez presenciei, lá de cima, uma grande queimada numa extensa área de floresta. Fiquei incomodada, pois o fogo deixa uma fenda enorme. Infelizmente, esta não foi a única cena de degradação da natureza que já presenciei voando, há muito lixo nas praias e manchas de óleo no mar, já observei isso mais de perto na Ilha de Itaparica/BA e na praia de Itaguá, em Ubatuba/SP. Esta agressão me fez rever seus conceitos ambientais. Outros esportes como surf, mergulho, canoagem, rapel, também são ligados à

Sabiá salta na Praia de Pipa, RN

natureza, mas acaba faltando a estes esportistas a iniciativa de buscar uma forma de auxiliar o planeta. “Temos planos de fazer uma campanha para a compensação de emissão de gases de efeito estufa através do plantio de árvores em Áreas de Preservação Permanente, para cumprirmos a nossa parte nesta luta. Estou certa de ter a adesão dos mais de 2.300 membros da Confederação Brasileira de Paraquedismo que, assim como eu, são conscientes de suas responsabilidades ambientais e queremos deixar um planeta saudável para as futuras gerações.” “A minha preocupação com o meio ambiente e com o mundo que pretendo deixar aumentou quando tive meu filho. O Brasil é um país lindo, é uma obra de arte! Precisamos conservá-lo, mas este não é um problema só nosso, do brasileiro. É mundial! A Terra clama por respeito, para que a liberdade de um salto de paraquedas possa ser sentida em toda a sua plenitude nos próximos séculos, por muitas gerações!”

Wan der A rmbr ust

Uma relação direta com a natureza

Salto na Florida, EUA - Juliana Sé Grávida de 6 meses

O

Flávio Santoro

ECO ESTILO


VISÃO POLÍTICA

Laércio Benko Lopes

sem o suporte financeiro e tecnológico, as consequencias são queimadas para mais pastagens e arrendamento da terra para pecuaristas, não será esta uma prática planejada e orquestrada? Afinal aonde se separa a política dos interesses econômicos que elegem com seu capital, nossos governantes e legisladores, da vontade e da melhoria das condições de vida do nosso povo? Política e meio ambiente são inseparáveis, a vontade e os interesses financeiros descontrolados e irresponsáveis tem que ser deSerá que as empresas continuarão  tidos, sob pena a existir num futuro em que não haja de termos mundialmente uma o meio  ambiente? nova categoria de refugiados; “os refugiados do clima”, que estarão buscando preservar suas vidas. Vide as enchentes no norte, furações no sul, secas pelo país; não precisamos de mais leis, e sim de manter e aplicar as que possuímos; não se pode estabelecer leis ambientais estaduais em detrimento das federais ou dar mais importância aos interesses econômicos predatórios. “Por que esta questão especificamente com a legislação ambiental? Porque é que as outras LAÉRCIO BENKO LOPES legislações (fiscal, laboral, comercial, civil, etc.) é advogado Tributarista, também não podem pôr em risco a viabilidade e dirigente regional do das empresas e só a ambiental é que pode? Partido Verde Será que a legislação ambiental, ao contrário das outras, não serve para proteger valores reais? E se as leis ambientais não servirem exatamente para atrapalhar a vida das empresas que estiverem dispostas a violá-las, servem para quê? “sic Portanto devemos aprender com as lições do passado e não repeti-las insistentemente; enfim, cabe a pergunta : será que as  empresas  continuarão  a existir  num futuro em que não haja o meio  ambiente? Divulgação

Precisamos voltar ao passado para entender melhor esta questão; o Brasil desde seus primórdios foi vitima da exploração econômica de suas riquezas naturais, primeiro o pau-brasil depois o ouro e a prata, e finalmente a monocultura agrícola. AS AÇÕES E CONSEQUENCIAS: 1º - O desmatamento de praticamente toda a mata atlântica, cujo foco era madeiras nobres como o pau-brasil, a coroa portuguesa precisava fortalecer sua economia e firmar-se como potência naval; resultado: recurso esgotado, perdas irreparáveis para o ecossistema e o início da consciência predatória que se arrasta até os nossos dias. 2º - A exploração do ouro, prata e pedras preciosas em Minas Gerais provocou devastação florestal que transformou o estado num grande serrado, inadequado até para a pecuária, pois sua topografia é predominantemente montanhosa, resultado: recursos esgotados sem continuidade de outras atividades produtivas sustentáveis. 3º- A monocultura do café em São Paulo, e da cana-de-açucar no Nordeste teve o mesmo efeito, criando oligarquias, concentração de renda e devastação. 4º- O ciclo da borracha no norte, que devido a biopirataria transferiu nossa riqueza para Ásia. Este histórico situa a origem de nossa consciência e visão estreita sobre o planejamento futuro de nossa economia e a atuação política, social e ambiental. Algumas perguntas são muito importantes neste momento onde as sequelas ambientais deixam marcas profundas e irreversíveis em nosso país e no mundo. O modelo extrativista e descontrolado escolhido por nós, vale a pena?O Brasil quer continuar a ser uma nação agrícola, pecuarista e mineraria ao invés de uma nação tecnológica?Exportar minério e soja, ou produtos com valor agregado e tecnologia que geram empregos em massa? Criar mais pastagens devastando o que resta de nosso bioma, ou investir em tecnologia de maior produtividade pecuária?  A política de assentamento rural no Norte do Brasil é inviável, pois coloca famílias nas terras

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O interesse econômico e a preservação da vida

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CADERNO DE RESÍDUOS

APRESENTAÇÃO O CADERNO DE RESÍDUOS é um espaço de nossa publicação que conta com informações técnicas, entrevistas, cobertura de eventos, e outros dados de interesse do setor de forma mais direcionada. Ao inserirmos um caderno especial para o tema, pensamos em abrir espaço para compartilhar conhecimento específico, tornando-o acessível e democrático; este espaço é aberto a entidades que desejem se comunicar com nossos leitores de forma ampla, e divulgar seu trabalho junto ao setor e à população em geral. Esta edição tem o apoio ABRELPE - Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, com nova diretoria e isenção, se posiciona no sentido de dar acesso às informações sobre a entidade e o setor, visando com esta atitude repercutir ciência, conhecimentos gerais e dados que sirvam de subsídio à evolução do segmento. Assim como a ABRELPE, outras entidades poderão solicitar participação publicitária no CADERNO DE RESÍDUOS, desde que haja sintonia entre a entidade participante, o conteúdo da publicação, e o interesse maior, que é possibilitar ao nosso leitor o acesso à pesquisa, soluções, informações pertinentes, novas tecnologias, equipamentos e afins, VISÃO AMBIENTAL • JUNHO/JULHO • 2009

promovendo uma sinergia benéfica entre todos os envolvidos.

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Nesta edição do CADERNO DE RESÍDUOS com o apoio ABRELPE, temos os seguintes destaques: • APRESENTAÇÃO DA ENTIDADE • ENTREVISTA COM O PRESIDENTE DA ENTIDADE • COBERTURA DA CONFERÊNCIA BEACON – ISWA – RESILIMP • 8ª. CONFERÊNCIA PRODUÇÃO MAIS LIMPA As matérias e assuntos abordados aqui, não são exclusivamente da entidade apoiadora, tratam de forma abrangente assuntos de interesse do setor.


Uma entidade consciente e atuante Fundada em 1976, e referência na gestão de resíduos sólidos, a ABRELPE - Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais tem como objetivo fundamental promover o desenvolvimento técnicooperacional do setor de limpeza pública e gestão de resíduos sólidos, dentro dos princípios da preservação ambiental e do desenvolvimento sustentável. A ABRELPE é uma associação civil sem fins lucrativos, que congrega e representa as empresas que atuam nos serviços de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos. Com mais de 30 anos de atuação, colabora efetivamente com os setores público e privado, promovendo a permanente troca de informações, estudos e experiências destinadas ao desenvolvimento do setor, representa e defende seus associados junto às dinâmicas de mercado e órgãos do poder público, e é uma entidade enga-

jada em incentivar a sociedade a buscar soluções para a correta gestão de seus resíduos. Além de sua atuação institucional e social para o equacionamento das demandas decorrentes da gestão de resíduos, desenvolve e cultiva o relacionamento com diversas entidades, associações técnicas e empresariais, universidades e entidades de pesquisa do Brasil e do exterior, do setor de resíduos e de outros setores vinculados ao meio ambiente. No contexto internacional, é a representante oficial da ISWA - International Solid Waste Association, no Brasil há 15 anos. Dar acesso amplo e irrestrito às informações sobre a entidade e o setor, visando compartilhar conhecimento que sirva de subsídio à evolução do segmento, utilizando-se de meios de comunicação que possam atingir a uma gama maior de leitores, que não apenas os profissionais da área, passou a ser uma das prioridades da entidade.

Dentro de uma proposta diferenciada de democratização do conhecimento, nesta edição da VISÃO AMBIENTAL, a ABRELPE disponibiliza informações sobre a entidade através de seu presidente, colocando-se como elo que possibilitará que profissionais e leigos, empresas e cidadãos comuns, pesquisadores e envolvidos em situações que necessitem de solução, tenham acesso a informações pertinentes, pesquisas, novas tecnologias, equipamentos e afins, isso permitirá que a entidade se aproxime de novos interessados no assunto, promovendo benefícios amplos a todos os envolvidos.

QUADRO ADMINISTRATIVO ABRELPE • Presidente: João Carlos David • Vice-Presidente - Limpeza Pública: Alberto Bianchini • Vice-Presidente- Resíduos Especiais: Oswaldo Darcy Aldrighi • Diretor Secretário: José Carlos Ventri • Diretor Tesoureiro: Edison Gabriel da Silva • Diretor Administrativo: Gilberto Belleza • Diretor de Marketing: Ricardo Gonçalves Valente • Diretor Técnico: Carlos Alberto Almeida Jr. CONSELHO FISCAL • Efetivos: Ivan Valente Benevides, Raul Vasconcellos e Marcos Sinigói • Suplentes: Maurício Bisordi e Edson Rodriguez • Conselho Consultivo: Eloy Veja, Conrado de Carvalho Alves, Luiz Carlos Scholz e Eduardo Castagnari

VISÃO AMBIENTAL • JUNHO/JULHO • 2009

ASSOCIADOS • Aborgama do Brasil Ltda. • Ambiental Saneamento e Concessões Ltda • Ambiental Tecnologia E Tratamento Ltda • Boa Hora Central de Tratamento de Resíduos Ltda. • Cavo Serviços e Saneamento S.A. • Clean Gestão Ambiental • Constroeste Construtora e Participações Ltda. • Construtora Marquise Ltda. • Contemar Ambiental • Corpus Saneamento e Obras Ltda. • Delc Ambiental • Ecosystem Serviços Urbanos Ltda. • Embralixo Empr. Bragan. De Var. E Col. Lixo Ltda. • Empresa Tejofran de Saneamento e Serviços Gerais • Engetécnica Ltda. • Enob Ambiental Ltda. • Eppo Ambiental Ltda. • Forty Construções e Engenharia Ltda. • Grupo Leão & Leão • Jotagê -Engenharia, Comércio e Incorporações Ltda. • Limpel Limpeza Urbana Ltda. • Litucera Limpeza e Engenharia Ltda. • Locanty Com. Serviços Ltda. • Locavargem S/C Ltda. • MB Engenharia e Meio Ambiente Ltda. • Mosca Grupo Nacional de Serviços Ltda. • Qualix Serviços Ambientais Ltda. • Quitaúna Serviços Ltda. • Sanepav Saneamento Ambiental Ltda. • Serquip Serviços, Construções e Equipamentos Ltda. • Silcon Ambiental Ltda. • Sterlix Ambiental Tratamento de Resíduos Ltda. • TB Serviços, Transporte, Limpeza e Gerenciamento • Tecipar - Engenharia e Meio Ambiente Ltda. • Terraplena Ltda. • Torre Empreendimentos Rural e Construção Ltda. • Transresíduos Transportes de Resíduos Industriais • Tratalix Ambiental Ltda. • Unileste Engenharia S.A. • Vega Engenharia Ambiental S.A. • Viasolo Engenharia Ambiental S.A. • Vital Engenharia Ambiental S.A. • Viva Ambiental e Serviços Ltda.

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CADERNO DE RESÍDUOS

Entrevista com João Carlos David

Conquistas, desafios

e projetos

Em entrevista exclusiva, o presidente da ABRELPE fala sobre a entidade

VISÃO AMBIENTAL • JUNHO/JULHO • 2009

REVISTA VISÃO AMBIENTAL – Entre as conquistas obtidas desde a fundação da entidade, há algo que mereça destaque ? João Carlos David - Creio que a conquista de uma participação ativa e estrategicamente posicionada no estabelecimento de alianças e parcerias com os órgãos públicos no âmbito municipal, estadual e federal e a atuação em conjunto com outras entidades correlatas do setor, seja um avanço de atitude e mentalidade, que tem nos trazido ótimos resultados.

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RVA – Quais considera serem os grandes desafios na área de Gestão de Resíduos Sólidos no Brasil? J. C. David – Nossa base jurídica está entre as melhores e mais atualizadas do mundo; contudo ainda necessitamos de uma fiscalização e penalização mais sólidas e eficazes. A ABRELPE tem firmado convênios com uma série de órgãos com o objetivo de fomentar as melhores práticas em termos de gestão ambiental principalmente com municípios, os quais necessitam de apoio tecnológico para realizar as mudanças. Nesse sentido, firmamos Acordos de Cooperação Técnica com diversas entidades, a saber, o IBAM – Instituto Brasileiro de Administração Municipal, a Caixa Econômica Federal e, mais recentemente, com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Rio de Janeiro. Além desses Acordos de Cooperação, temos desenvolvido diversas ações conjuntas com o Ministério do Meio Ambiente, Banco Mundial, Secretaria Estadual de Meio Ambiente de São Paulo, entre outros. Outro ponto muito importante para nós, em atuação conjunta com a ABETRE – Asso-

ciação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos, SELURB – Sindicato Nacional das Empresas de Limpeza Urbana, ABLP – Associação Brasileira de Resíduos Sólidos e Limpeza Pública e, em coesão com a ABDIB – Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias de Base, é a participação ativa na elaboração da Política Nacional de Resíduos Sólidos, onde o setor privado precisa e deve ser ouvido para que não se cometam enganos e extrapolações em uma lei cujo objetivo maior é nortear todas as demais, sejam elas estaduais e/ou municipais e propiciar avanços no setor.

Divulgação/ Abrelpe

Por Marta Régia Vieira

João Carlos David: participação ativa na elaboração da Política Nacional de Resíduos Sólidos


RVA – Sendo a ISWA tão importante, o que significou a Conferência Internacional ocorrida no Brasil no início de maio? J. C. David –A ISWA – International Solid Waste Association é a principal associação mundial para o setor de resíduos sólidos, com representação em mais de 70 países, configurando-se como o principal fórum de discussão, contatos e trocas de experiência do setor no âmbito internacional, sendo um exemplo de esforços para a modernização e atualização tecnológica da gestão de resíduos sólidos. A ABRELPE, além de representante da ISWA no Brasil desde 1996, ocupa a Diretoria para a América Latina, na pessoa do nosso Vice Presidente Alberto Bianchini. Com isso temos contribuído decisivamente para a disseminação de informações atualizadas e adequadas acerca da gestão de resíduos, com informações oriundas de diversas regiões do planeta. Uma das formas de desempenharmos tal atividade é através de eventos, tal como a Conferência Internacional ISWA Beacon, que foi muito produtiva, com palestras importantes e atuais em termos de Gestão de Resíduos Sólidos, além da participação de vários palestrantes estrangeiros, o que confere ao evento importância e representatividade. RVA – Produzimos 170 mil toneladas de resíduos sólidos urbanos, mas apenas 140 mil são coletadas e mais de 60% deste volume não tem destino final adequado. O que considera ser a saída para reverter este panorama? J. C. David – Sem dúvida a principal palavra neste contexto é CONSCIENTIZAÇÃO, seja da população, seja dos governantes, seja dos le-

gisladores. Enfim, a responsabilidade é de todos nós, sem exceção. Não podemos simplesmente achar que o problema é do nosso vizinho. Neste sentido, temos colaborado muito com os resultados positivos oriundos do setor. Nós editamos o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil desde 2003, o que nos dá maior clareza de onde estamos e para onde necessitamos ir. Temos a certeza de que somente com o conhecimento amplo da situação poderemos planejar e implementar as soluções adequadas que, realmente, resolvam os problemas atualmente enfrentados. Precisamos, ainda, melhorar e difundir a coleta seletiva, o aproveitamento dos RSU-Resíduos Sólidos Urbanos como fonte de energia alternativa e limpa, muito difundida na Europa e Estados Unidos, a reutilização, reciclagem e reaproveitamento dos resíduos, e sobretudo, temos que diminuir a geração. O consumidor precisa atuar firme neste sentido, pois, cada um de nós, estatisticamente, gera 800 gramas de resíduos diariamente (segundo dados do panorama 2008, a geração média per capita no Brasil é de 1,080kg/hab/dia). Nós devemos ser os fiscais do meio ambiente, consumindo menos, com responsabilidade e, principalmente, prestigiando as empresas que atuam de forma sustentável. RVA – Outro problema preocupante para o meio ambiente e para a saúde pública são os resíduos de Serviços de Saúde. Nem todos têm o destino final que deveria. A solução disso depende muito mais de uma conscientização da população? Como o poder público poderia colaborar para isso? J. C. David – Com relação à Gestão dos Resíduos de Serviços de Saúde concordo que é um tema muito importante tanto para o Meio Ambiente quanto de Saúde Pública. Eu me atrevo a dizer que um dos melhores modelos em termos de Gestão destes resíduos é o da Capital Paulista (a Prefeitura Municipal admite que esta Gestão seja de sua responsabilidade). Sendo assim, ela faz o gerenciamento através das duas concessionárias que são responsáveis pela coleta, tratamento e destinação final dos

“A ABRELPE tem firmado convênios com uma série de órgãos com o objetivo de fomentar as melhores práticas em termos de gestão ambiental.”

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RVA – Quais são seus planos à frente da ABRELPE para os próximos anos? J. C. David – Pretendo profissionalizar a administração da ABRELPE, anseio compartilhado com a maioria de nossos associados. Acreditamos que com essa medida nossa associação se tornará ainda mais eficaz e, sobretudo, atuará com maior transparência e vigor defendendo o meio ambiente e as ações do setor privado, sem o qual a situação dos resíduos sólidos no Brasil estaria caótica.

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mesmos. O que realmente é necessário, contudo, é eliminarmos a possibilidade de utilização de valas sépticas em aterros sanitários e adotarmos os tratamentos dos resíduos de forma a torná-los inertes e, consequentemente, sem risco de contaminação, seguindo orientação da OMS. Temos várias tecnologias atualmente empregadas no Brasil e devidamente licenciadas, desde ETD- Desativação Eletro-térmica, Microondas, Autoclave ou Incineração, com capacidade instalada para tratar a totalidade dos resíduos gerados pelos estabelecimentos de saúde do país.

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RVA – O que fazer para amenizar a situação dos aterros municipais, que já estão, praticamente, com sua capacidade esgotada? Novas tecnologias se fazem necessárias? J. C. David – Nossa posição sobre os aterros sanitários mantém-se alinhada à posição quanto aos serviços de Limpeza Pública. Defendemos arduamente a participação e atuação do setor privado, somando esforços com o poder concedente, para uma atuação consistente e sustentável. Temos vários exemplos de investimentos do setor privado nestes empreendimentos de sucesso em aliança ou não com o setor público, contudo, sabemos que o setor privado dispõe de conhecimento técnico, capital para investir nestes empreendimentos e de forma alguma pode deixar de cumprir as exigências legais e ambientais, com o risco das sanções cabíveis nestes casos. Nesse sentido, os números já mostram uma relativa melhora na adequação da destinação de resíduos no Brasil, justamente em virtude da operação de novas centrais de recebimento de resíduos implantadas pela iniciativa privada, justamente para mitigar esse problema que maldosamente afeta as nossas cidades. Além disso, há um movimento no sentido de desenvolvimento de empreendimentos que visem à reutilização dos resíduos como fonte alternativa de energia, um tema ainda pouco explorado no Brasil o qual, certamente, terá eficácia caso haja uma regulamentação e apoio por parte dos governantes. Os custos ainda são altíssimos. RVA – Qual a sua opinião com relação ao trabalho dos catadores e das cooperativas de

reciclagem? Falta estrutura? J. C. David – Os catadores de materiais recicláveis constituem-se num enorme contingente de pessoas que, por um motivo ou outro, viram nessa tarefa uma solução para o seu problema econômico. As iniciativas atualmente desenvolvidas, apesar de válidas, não podem ser tomadas como a solução para a questão da coleta seletiva e da reciclagem no Brasil, por inúmeros fatores: apóiam-se na miséria humana, explorando a mão-de-obra dessas pessoas menos favorecidas, que não contam com nenhum tipo de proteção, seguridade e nem perspectiva; são iniciativas muitas vezes informais e, por isso, carecem de gestão, não se configurando como um processo perene e estruturado que resolva o problema; e não há estímulo à formalização desse trabalho, mediante a criação de uma “indústria” da reciclagem, com o estabelecimento de estrutura formal e, portanto, detentora de direitos e deveres. Acima de tudo são iniciativas muitas vezes sem continuidade, que não estão estruturadas com uma visão geral do ciclo desses materiais, mas são movidas unicamente por interesses econômicos imediatos que, ao menor sinal de alteração do cenário, são descontinuadas ou redirecionadas, deixando o setor carente nesse segmento. Por exemplo, antes da crise econômica mundial, o valor dos materiais recicláveis tinha um patamar num valor que foi reduzido consideravelmente após esse cenário. Isso ocasionou uma grande modificação nesse segmento de coleta de recicláveis pelos catadores, que simplesmente deixaram de coletar diversos tipos de materiais que antes tinham a reciclagem como destino.

João Carlos David é administrador de empresas com pós-graduação em Marketing. É diretor comercial da Cavo Serviços e Saneamento S.A. desde junho de 2005; foi gerente comercial da Alcan Alumínio do Brasil Ltda. por cinco anos e atuou como Sr. Industry Manager Coating por 11 anos na Dow Chemical Inc. É membro do Comitê Estratégico de Sustentabilidade Empresarial – AMCHAM. Assumiu a presidência da ABRELPE no último dia 31 de março, e exercerá o cargo pelos próximos três anos.

“Há um movimen­ to no sentido de desenvolvimento de empreendi­ mentos que visem à reutilização dos resíduos como fonte alternativa de energia”


8ª Conferência Municipal

Acervo RVA

Sonia Mele

Produção Mais Limpa Cidade de São Paulo

Auditório – Memorial da América Latina

Por Marta Régia Vieira A 8ª Conferência Municipal Produção Mais Limpa Cidade de São Paulo, que aconteceu no último dia 26 de maio, no Memorial da América Latina, em São Paulo, reuniu mais de 2.500 pessoas ao longo do dia, e contou com a presença de diversas autoridades municipais, estaduais e da iniciativa privada, entre eles o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab; o Secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Francisco Graziano Neto; e os Secretários Municipais do Verde e do Meio Ambiente, Eduardo Jorge Mar-

tins Alves Sobrinho; da Saúde, Januário Montone; da Educação, Alexandre Alves Schneider; e dos Esportes, Lazer e Recreação, Walter Meyer Feldman; além do Presidente da Confederação Nacional de Serviços (CNS), Luigi Nesse. O idealizador do evento é o vereador Gilberto Natalini (PSDB/SP), um médico altamente engajado em causas ambientais há mais de 30 anos, que apresentou o projeto criando a Conferência Municipal de Produção Mais Limpa (P + L) em 2001, objetivando estruturar uma iniciativa pioneira na cidade partindo de um tema desenvolvido pelo Programa das Nações

“A sociedade precisa cobrar de seus governantes, criticar, propor, participar, para que, juntos, pos­ samos encontrar alternativas efica­ zes e urgentes”

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Cerimonial de Abertura da 8ª Conferência Municipal PML– Cidade de São Paulo Saúde e Ambiente: impacto das mudanças climáticas

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Acervo RVA

Prefeito de São Paulo Gilberto Kassab e Secretário do Verde e Meio Ambiente Eduardo Jorge aplaudem o Vereador Gilberto Natalini (idealizador do Evento)

Sonia Mele

Unidas para o meio ambiente. Entre os resultados desta iniciativa de Natalini estão os projetos de lei assinados pelo vereador, que instituem no município a reutilização de água não potável para lavagem e irrigação de espaços públicos e o reaproveitamento de material de entulho na produção de asfalto. Trata-se de uma estratégia preventiva que permite às empresas aumentarem a eficiência dos recursos naturais, através da minimização ou reciclagem dos resíduos gerados, produzindo mais e poluindo menos. “Há oito anos debatemos temas de muita pertinência em uma época em que muito se fala sobre preservar o meio ambiente. Além de promover uma conscientização, a Produção Mais Limpa também tem o objetivo de discutir medidas viáveis para contornar o problema ambiental no plano municipal. O diferencial da Conferência é que procuramos atingir todo o tipo de público: população, leigos, especialistas, profissionais liberais, imprensa, educadores, estudantes, políticos e empresários”, diz Natalini. Nesta edição, a P + L trouxe à tona o tema “Saúde e Ambiente: impactos das mudanças climáticas”, que foi a grande manivela que moveu o dia de palestras e mesas redondas, onde foram abordados os riscos que o desequilíbrio ambiental representa à saúde pública, entre eles as enchentes e a alta incidência de doenças como a dengue, a malária e a leptospirose. Com este intuito, a programação do evento tratou de vários temas: Saúde Ambiental, Desenvolvimento, Saúde e Ambiente, São Paulo e suas Águas e São Paulo e suas Áreas Verdes: abordagem urbanística, aspectos econômicos e de saúde pública. Durante o evento a preocupação crescente com duas grandes crises que o mundo enfrenta: a financeira e a ambiental, ficaram evidentes. O Prefeito Kassab foi um dos que abordou a questão e acredita que a crise do meio ambiente é, sem dúvida, a mais séria e mais grave, sendo merecedora da atenção de todo o planeta. “A sociedade precisa cobrar de seus governantes, criticar, propor, participar, para que, juntos, possamos encontrar alternativas eficazes e urgentes”, disse o Prefeito em seu discurso de abertura. Dados e pesquisas foram mostrados, traçando um panorama de sobrevida e preocupação

caso medidas urgentes não comecem a ser aplicadas para reverter a tendência de degradação. Nesse sentido, importantes colaborações foram trazidas. Soluções inteligentes e iniciativas criativas foram apresentadas por representantes da iniciativa privada, que trouxeram sua colaboração no sentido de mostrar que quando se quer, é possível! Alternativas para economia e reaproveitamento da água, estratégias para transformar locais contaminados ou abandonados em praças e áreas de convivência para a sociedade, soluções práticas para reflorestar e transformar cidades de pedra em cidades mais verdes. Estes foram alguns dos principais assuntos abordados durante o dia de discussões no Memorial. Tudo alinhavado por uma exposição de artes feita de materiais reciclados reaproveitados na confecção de peças artísticas, sacolas, enfeites etc.; uma homenagem ao meio ambiente, na pessoa de um cantador e um pequeno intervalo durante a tarde de palestras para a prática de ginástica de relaxamento. O evento se encerra com a leitura da Carta Compromisso (veja íntegra em nosso portal www.rvambinetal.com.br ) que sela a luta constante em busca dos resultados que devem ser alcançados até a próxima Conferência, no ano que vem.

Parceiros do Evento

HISTÓRICO

anteriores: Temas de edições s Cidade – Política 2002 - A Saúde da Públicas stria Cidade e na Indú 2003 - A P + L na ilidade ab nt ste Su tas para 2004 - Ferramen biental 2005 - Gestão Am Sólidos 2006 - Resíduos to Global en cim ue 2007 - Aq Paulo: a Cidade de São 2008 - O Etanol e e Oportunidade. Suas Perspectivas


Abrelpe e ISWA

Na busca de um mundo melhor

DISCUSSÕES FUNDAMENTAIS Um dos principais temas abordados durante a abertura da Conferência diz respeito à formulação legislativa que, segundo Bianchini, está aquém daquilo que é necessário. O primeiro projeto sobre o tema dos resíduos sólidos no país

“Precisamos da ajuda do Homem branco para defender o meio ambiente”

Palestra do Cacique Raoni que respondeu as perguntas da plateia e solicitou o apoio da população para a preservação das reservas indígenas

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Assuntos como os novos modelos sustentáveis implantados em outros países na área de coleta seletiva e reciclagem, o aproveitamento energético e a comercialização de créditos de carbono, e outras novidades da área de resíduos sólidos foram os destaques da Conferência Internacional ISWA Beacon e da V Resilimp – Feira Internacional de Resíduos Sólidos e Serviços Públicos. Realizada em conjunto pelo Grupo CIPA Feiras e Congressos e pela ABRELPE – Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, a feira movimentou cerca de R$ 25 milhões em negócios ao reunir vários elos desse segmento, oferecendo produtos, serviços, soluções, tendências e tecnologia. Novidades como um caminhão de coleta seletiva com emissão de ruídos reduzida e aumento de 15% de produtividade; um sistema de trituração interna de resíduos sólidos com redução de volume dos mesmos e a entrega do Troféu Eco-Cidade à cidade de Porto Alegre/RS – foram algumas das atrações da feira,ocorrida entre os dias 5 e 7 de maio, em São Paulo, que já tem data marcada pra próxima edição 27 a 29/ 04 / 2010. Já a Conferência, promovida pela segunda vez no Brasil pela ISWA – International Solid Waste Association ofereceu 21 palestras, e contou com renomados preletores que trataram de limpeza urbana, resíduos de serviços de saúde, resíduos industriais e reciclagem. Entre os participantes e palestrantes, tivemos a presença de André Franco Montoro Filho - Presidente do Instituto Etco, Atilio Savino - Diretor Presidente da ISWA, Antonis Mavropoulos - Diretor do Comitê Técnico Científico da ISWA e Bertus van Heugten - Chairman do Comitê de Coleta e Transporte da ISWA e Professor da Unesco. “Além de sensibilizar a sociedade sobre o tema, o encontro foi excelente para troca de experiências e para trazer novas visões, conceitos e realidades”, disse o presidente interino da

Abrelpe, Alberto Bianchini. De acordo com Carlos Silva Filho, coordenador do Departamento Jurídico e de Relações Institucionais da Abrelpe, a semente foi lançada para dar continuidade à ampliação e aprimoramento das ações voltadas ao setor. “Promover o desenvolvimento desse setor é a missão ABRELPE, pensamos nisso ao planejar o evento; e acreditamos que esse desenvolvimento só pode ser alcançado conhecendo o setor – por isto nós fazemos a publicação do panorama dos resíduos sólidos no Brasil; e disseminando informações, porque só a partir do momento em que o público e os atores do setor as recebem, podem buscar as opções mais adequadas às realidades de cada município”, resume o coordenador.

Acervo RVA

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Abertura da Conferência Internacional ISWA-Beacon V Feira Internacional de Resíduos Sólidos e Serviços Públicos-Resilimp Apresentação de Cristiana Lobo da Globo News

data de 1991, mas pouco se avançou em termos legislativos sobre a questão. Devido à falta de legislação federal, tem se proliferado pelo país legislações estaduais tentando nortear o assunto, o que só remedia e não resolve efetivamente. “Nós temos hoje em São Paulo, uma política estadual de resíduos sólidos já aprovada, com a qual nós da ABRELPE colaboramos bastante, além da valiosa participação do Deputado Arnaldo Jardim na Assembléia, porém a lei foi aprovada há dois anos e não foi regulamentada até hoje”, lamenta Bianchini. Segundo ele, esta lei está servindo de base para nortear a política nacional, que está em discussão hoje em Brasília e que é aguardada ansiosamente pelo setor, mas os entraves são tantos que até os mais otimistas ficam céticos sobre a sua aprovação. “A sistemática de reciclagem brasileira começou totalmente errada. Estamos criando a favela dos resíduos sólidos, quando pessoas trabalham na informalidade, sem direitos nem garantias. Enquanto os governos rotulam o trabalho dos catadores como inclusão social, dignidade e cidadania, eu chamo isso de ‘desinclusão’, pois essas pessoas não têm sequer uma luva, uma bota, uma máscara, que são condições mínimas de trabalho e saúde. Eles não têm FGTS, férias, INSS, ou seja, não têm nada. É tudo absoluta-

Ronaldo Be nelli

Ronaldo Benelli

“A sistemática de reciclagem brasileira começou totalmente errada. Estamos criando a favela dos resíduos sólidos”

Participantes da Conferência Internacional ISWA-Beacon-Resilimp

mente informal. Por isto, a importância deste evento que busca alternativas, novas idéias, e conhecimento de exemplos trazidos da União Européia, que servem de estímulo e incentivo para que as coisas comecem a mudar no Brasil”, sugere Bianchini. O ciclo de palestras foi aberto por André Franco Montoro Filho, que falou sobre ética, o Cacique Raoni Metuktire, chefe Caiapó e Presidente do Instituto Raoni sobre a luta e defesa do meio ambiente, declarou em nome da nação indígena que: “Precisamos da ajuda do Homem branco para defender o meio ambiente”. Assuntos diversos ligados ao tema preencheram a agenda, tais como: política de resíduos para o Brasil; sistema de destinação final de embalagens de fitossanitários; manufatura reversa. Tivemos exemplos do exterior para a nossa política de resíduos, perspectivas no setor de reciclagem de Eletroeletrônicos; tecnologias para coleta e transporte de resíduos e materiais recicláveis; compostagem de matéria orgânica na Itália e tendências no setor de reciclagem na Turquia; foram alguns dos destaques.

PANORAMA 2008 Em pesquisa recente, o Departamento de Meio Ambiente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha identificou que o mercado brasileiro é o maior da América Latina. Tanto no setor privado quanto no setor público, o mercado de gerenciamento de resíduos vem crescendo em média 5% ao ano, e, segundo o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2008, publicado pela ABRELPE, o setor movimentou cerca de R$ 17 bilhões. Segundo o Panorama o Brasil gerou em 2008 mais de 165 mil toneladas /dia de resíduos urbanos, isso dá quase 1 k de geração por habitante/dia. A boa notícia em 2008 é sobre a destinação final dos resíduos, segundo Carlos. “Mais de 50% dos resíduos urbanos


RECICLAGEM NO BRASIL “A coleta seletiva é o grande gargalo para a reciclagem.” A afirmação é unânime entre as associações que congregam as empresas dos segmentos mais diretamente envolvidos na fabricação de embalagens e produtos potencialmente recicláveis: alumínio, aço, pet, vidro, celulose e plástico. A mesa redonda contou com a presença de Henio de Nicola, da ABAL-Associação Brasileira do Alumínio; Hélio Cepollina, da Abeaço-Associação Brasileira da Embalagem de Aço; Auri César Marçon, da Abipet-Associação Brasileira da Indústria do PET; Stefan David, da Abividro-Associação Técnica Brasileira das Indústrias Automáticas de Vidro; Pedro Vilas Boas, da Bracelpa-Asso-

ciação Brasileira de Celulose e Papel; e Silvia P. Rolim, da Plastivida-Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos. Segundo Henio da Abal, o Brasil continua à frente de países considerados de primeiro mundo na reciclagem de latas de alumínio. “O Brasil está à frente de países como China e Estados Unidos na reciclagem em latas de alumínio – reciclamos 96,5% do que é consumido, um aumento em comparação a 2006, que foi de 94,4%”, afirma. Mesmo reciclando quase 100% do material, ainda foi necessária a importação de 100 mil toneladas de alumínio para suprir a demanda do último ano, demonstrando que o consumo se supera a cada ano. Ainda segundo Nicola, a reciclagem de alumínio dá condições de vida a 180 mil famílias no País. Se com o alumínio os números da reciclagem quase chegam a 100%, com o papel acontece o contrário, devido à falta de cuidado na separação dos materiais recicláveis e ao seu baixo valor comercial. “A desoneração da cadeia do papel é desestimulante para a reciclagem”, disse Vilas Boas, da Bracelpa. De acordo com a Abividro, várias iniciativas são desenvolvidas visando alavancar a reciclagem do vidro no Brasil e esse incentivo à reciclagem tem se transformado em ferramenta de combate às falsificações e ao reuso indevido das embalagens, pois empresas ilegais compram os recipientes, garrafas e frascos descartáveis para acondicionar produtos falsificados como perfumes e bebidas. Já com relação à reciclagem de PET, Marçon, da Abipet, falou da diversidade dos mercados para PET reciclado, que tem a maior demanda na indústria têxtil. “A demanda de PET reciclado no Brasil é muito alta e, por ser um material resistente, desenvolveu habilitações para uso em vários segmentos. A indústria do PET tem mais de 300 empresas de reciclagem que fornecem materiais para muitas indústrias que dependem do material para produzir.” O QUE FALTA? A unanimidade foi quanto à questão do que falta para incrementar a reciclagem no país. Segundo os representantes, a tributação excessiva na cadeia do alumínio, por exemplo, que tem índice de sonegação alto, é um dos pontos cruciais para melhorar ainda mais a reciclagem do

“Nós, da Abrelpe, defendemos o binômio público e privado: de um lado o poder público capa­ citado; e de outro lado o parceiro privado investindo, mo­dernizando e executando os serviços”

material. A falta de incentivo aos catadores e a falta de políticas públicas atuantes, no sentido de promover uma coleta seletiva eficiente, foram pontos cruciais apontados por todos, assim como a falta de uma política de educação ambiental; menos de 5% dos Municípios brasileiros tem coleta seletiva. Outra questão discutida foi a queda do preço dos materiais recicláveis, devido à crise financeira mundial, “No final de 2007, o quilo do alumínio para o catador saía por R$ 4,00, hoje é de R$ 2,20, o preço do alumínio cai na bolsa de Londres, afeta todo mundo e desestimula os catadores”, exemplifica Nicola. Na cadeia do papel a diferença é ainda mais gritante: o catador recebia R$ 0,15 pelo quilo do produto, hoje recebe R$ 0,05, segundo informou Vilas Boas.

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gerados tiveram uma destinação adequada. Essa melhora veio graças às unidades que foram implantadas pela iniciativa privada para suprir esse déficit”, explica. Outro dado relevante do Panorama mostra que mais de 50% dos municípios brasileiros tem alguma iniciativa no sentido de realizar a coleta seletiva. Esse número pouco representativo é fruto de dois problemas considerados muito graves no setor público: a falta de recursos e de estrutura técnica capacitada para lidar com os problemas e com as demandas atuais da gestão de resíduos. Tomando Curitiba como exemplo, vemos a educação ambiental como princípio eficaz, com 1.828.092 habitantes a cidade investiu na reeducação com ideias, ideais e sensibilização ambiental. A cidade hoje conta com100% de seu território atendido pela reciclagem, com uma geração de 2.354 t/dia de lixo e reciclagem de 554 t/dia. A ABRELPE oferece excelente benefício aos gestores ambientais municipais no sentido de capacitá-los gratuitamente. “Nós, da ABRELPE, defendemos o binômio público e privado: de um lado o poder público capacitado, conhecedor do setor e dos problemas seria responsável pela delegação e fiscalização do serviço; e de outro lado o parceiro privado investindo, modernizando e executando os serviços, recebendo o valor fixado pelo serviço que prestaria”, argumenta Carlos tentando encontrar alternativas para a constante falta de recursos do poder público.

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DESTAQUE Empresas que buscam certificação ambiental conquistam mercado e melhoram sua imagem colaborando com o meio ambiente

ISO 14000 - Compromisso com o futuro

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Divulgação

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Foi na década de 90 que a International Organization for Standardization (ISO) constatou a necessidade de desenvolver normas que abordassem as questões ambientais para padronizar processos, produtivos ou não, de empresas que utilizassem recursos obtidos da natureza e/ou causassem algum dano ambiental decorrente de suas atividades. Com esse objetivo, em 1993, a ISO criou o comitê TC 207, que lançou a série de normas ISO 14000, estabelecendo diretrizes na área de controle ambiental. Dessa forma nasceu a mais conhecida delas, a ISO 14001 criada com a meta de desenvolver o sistema de gestão ambiental das organizações, ajudando-as a identificar, priorizar e gerenciar seus riscos ambientais. Quais são os benefícios em se estabelecer uma política ambiental? Inúmeros! A demonstração de compromisso com o meio ambiente melhora a confiança de clientes, investidores e da comunidade em geral. Proporciona uma melhoria no controle de custos por meio da conservação de matériasprimas e energia. Reduz o RAUL LÓIS CRNKOVIC é engenheiro consultor, graduado em engenharia e administração, pós-graduado em MBA e mestrado no Brasil, com cursos de especialização nos EUA

Shlom it Wolf / SXC

Por Raul Lóis Crnkovic

risco de incidentes, das taxas de financiamentos e seguros. O controle das emissões ambientais contribui positivamente para o lucro econômico e aumento da competitividade. A demonstração de um enfoque ambiental responsável vem se tornando um diferencial. Organizações comprometidas com o meio ambiente preferem fazer negócios com empresas que tenham assumido o mesmo compromisso ambiental. A ISO 14001 foi desenvolvida com objetivo de uma economia sustentável, onde é ressaltada a necessidade das organizações estabelecerem parâmetros para a área ambiental. A norma se aplica a qualquer tipo de empresa, independente de seu segmento econômico e/ou objetivo social. Para a obtenção e manutenção do certificado ISO 14001 a organização deve procurar uma empresa de consultoria, especializada em certificação ambiental e da qualidade. Um engenheiro qualificado efetuará visitas para avaliação e análise técnica, com objetivo de fazer um levantamento inicial da situação da empresa. Concluída essa etapa, será executado um projeto e traçado um cronograma de tarefas a serem executadas. O projeto abrangerá todos os requisitos da certificação, onde a empresa terá que demonstrar a capacidade de

avaliar e planejar suas atividades, produtos e serviços; adotar procedimentos padrões e planos de ação para eliminar ou diminuir os impactos ambientais sobre o meio ambiente; bem como possuir pessoal devidamente treinado. Concluído o projeto, o SGA terá sido implantado, a empresa estará atendendo a legislação ambiental e pronta para receber a certificação.

“A demonstração de compromisso com o meio ambiente melhora a confiança de clientes, investidores e da comunidade”


VISÃO HISTÓRICA

Antoninho Marmo Trevisan

Divulgação

O setor sucroalcooleiro teve grandes avanços nas sete décadas nas quais contou com forte participação de agentes privados, quase sempre com a intervenção do Estado. Surge, no entanto, uma pergunta: será possível no atual ambiente econômico, político e social do mundo globalizado assegurar a sustentabilidade de uma atividade com grandes impactos? A resposta depende da capacidade de o Estado e os agentes privados juntos estabelecerem uma visão de futuro – um objetivo – e trabalharem para assegurar sua realização. A experiência mostra que esta não é tarefa trivial. No entanto, deixar de lado a sua elaboração seria um erro fatal. A formulação dessa visão deve partir do conceito de sustentabilidade. Entretanto, e m p r i m e i ro lugar, deve-se avaliar que a dinâmica econômica do setor

sucroalcooleiro ainda é determinada pelas traje- Europa no início do século X e, anos mais tarde, tórias altamente correlacionadas da produção e considerado uma especiaria. Portugal, no início do consumo de açúcar e de álcool. Além disso, apesar Século XV, já dominava sua produção. Em 1516, fodas atuais vantagens econômicas, o volume de in- ram implantados os primeiros núcleos açucareiros vestimentos necessário a sua preservação é ainda no Brasil. O beneficiamento no País fez com que os gigantesco, e está relacionado à disponibilidade portugueses se tornassem os grandes supridores de terras – sem comprometer outras culturas, ou mundiais. A boa adaptação às terras do Brasil foi a áreas ocupadas por recursos naturais intocados –, força motriz da cana-de-açúcar, que chegou a ser à oferta de infra-estrutura de armazenamento e chamado na época de “ouro branco” pela riqueza transporte e à construção de novas usinas para o que gerava. Todavia, choques internos e externos processamento da cana. fizeram com que, a partir A boa adaptação às terras da segunda metade do SéAssim, a sustentabilidade sistêmica depende XVII, a produção fosse do Brasil foi a força motriz culo da sustentabilidade de reduzida: desorganização cada uma das empresas da cana-de-açúcar, que do mercado, concorrênda cadeia produtiva. cia antilhana – subproduto chegou a ser chamada Chamamos a atenção das invasões holandesas para esses pontos porque ao Brasil –, queda do prede “ouro branco” a análise histórica do ço no mercado europeu, desenvolvimento econômico brasileiro, desde retração das exportações e aumento do custo o Descobrimento, pode ser caracterizada pela com a mão-de-obra escrava, o que acabou por exploração impiedosa, em ciclos sobrepostos, reduzir a rentabilidade dos engenhos. Apesar de recursos naturais relativamente abundantes. das vantagens competitivas, não se conseguiu Assim, exploramos o pau-brasil, depois o açúcar, assegurar a sustentabilidade. o ouro, o café e a borracha. Em cada ciclo, Agora, nesse novo boom da cana-de-açúcar, a economia crescia de maneira acelerada, é preciso estabelecer nesse setor padrões de para depois entrar em colapso, deixando excelência atrelados à sustentabilidade sociosequelas socioeconômicas. Uma avaliação ambiental. É necessário manter o respeito pleno dos erros e acertos de mais de quatro sécu- às prerrogativas legais dos colaboradores, com los de exploração desses recursos poderia adequada remuneração do capital e visão mais ser resumida em uma expressão, senão ampla da estratégia empresarial do negócio. inovadora, ao menos cândida: “É a Deve-se contemplar, ainda, o relacionamento sustentabilidade, estúpido”. com a comunidade em que a organização atua, O açúcar foi introduzido na visando ao seu desenvolvimento educacional e econômico, e o adequado relacionamento com os trabalhadores do setor. ANTONINHO MARMO TREVISAN Além disso, o item sustentabilidade tem tamé empresário e educador, bém componentes importantes de interface com presidente do Conselho Consultivo da BDO Trevisan, o consumo de energia das propriedades, a utilida Trevisan Consultoria e zação dos subprodutos para produção interna Gestão, da Trevisan de insumos e o destino dos resíduos gerados Escola de Negócios e nas usinas. Membro do Conselho As exigências de adequação já começaram. de Desenvolvimento Devemos pensar que estamos no Século XXI. Econômico e Social (CDES)

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Sustentabilidade do ouro branco

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CERTIFICAÇÃO Preservar o meio ambiente é sinônimo de inovação e competitividade para uma das maiores empresas de telecomunicações do país

Intelbras muda depois de

certificação ambiental

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De Graham Bell ao ano de 2009, ter um telefone passou a ser cada dia mais importante. É a ele que recorremos em casos de emergência, de saudade, de negócios ou de um simples contato. Pensar em segurança também é fundamental. O crescimento do setor de segurança eletrônica em 2008 foi de 13% de acordo com a ABESE (Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança) e segue essa média desde 1999. Sobre computadores e aparelhos informatizados os comentários são dispensados quando observamos o que acontece ao nosso redor, já que é cada vez mais frequente a presença dessas máquinas no cotidiano das pessoas. Mas, afinal, o que pretende essa matéria que começa o texto falando em meio ambiente e continua com Graham Bell, segurança eletrônica e aparelhos de informática? Simples – e é essa palavra que deve ser lembrada até o último ponto do texto. A Intelbras, sediada em São José/SC, é uma prova de que tudo isso pode, sim, estar em sintonia. Localizada no Distrito Industrial do município, a empresa é uma entre cerca de vinte e seis indústrias que tornam a região um destaque no estado. Uma pesquisa da Univali (Universidade do Vale do Itajaí) publicada pelo Engema (Encontro Nacional sobre

Gestão Empresarial e Meio Ambiente) em 2007 alerta para a necessidade de um controle mais rigoroso do poder público sobre as atividades desempenhadas pelas indústrias de São José, principalmente no que condiz à gestão dos resíduos resultantes da produção. De lá para cá a situação não mudou. O secretário de Desenvolvimento Econômico da cidade, Édio Osvaldo Vieira, afirma que não existe nenhum programa ou projeto por parte das políticas públicas que envolva industrialização e sustentabilidade em prol de melhorias no meio ambiente e comunidade. “Existe apenas a fiscalização das atividades e a exigência de toda regulamentação necessária”, completa Édio Vieira. Diante disso, cabe às indústrias da região a conscientização e a articulação de ideias visando a práticas ecologicamente corretas. A Intelbras é uma das únicas empresas do

“Começamos fazendo reciclagem. O papel recolhido era utilizado pela entidade Promenor, em que jovens reciclavam o papel para ser vendido” Elisa Sperber

Elisa Lutz Sperber, coordenadora de Gestão de Qualidade e Meio Ambiente da Intelbras

Fotos Arieli Secco

VISÃO AMBIENTAL • JUNHO/JULHO • 2009

Por Arielli Secco


Distrito Industrial com a certificação da norma ISO 14001. Essa postura inovadora na região ainda é recente, mas já favoreceu a empresa com um prêmio pelas ações que cumpre a favor da natureza. Elisa Lutz Sperber é coordenadora de Gestão de Qualidade e Meio Ambiente e afirma que as ações da empresa voltadas à questão ambiental integram uma nova visão principalmente no setor de produção. Elisa trabalha há 16 anos na Intelbras. Ela lembra que tudo começou com a coleta e reciclagem de papel, entre os anos de 2002 e 2003. “Todo o papel recolhido era utilizado por uma entidade chamada Promenor, em que jovens faziam a coleta interna e reciclavam o papel para ser vendido”, detalha a coordenadora. Paralelo a isso, houve uma reeducação ambiental dos colaboradores da empresa. Todos passaram a perceber uma significativa economia resultante de pequenas mudanças, como o uso controlado de materiais e aparelhos eletrônicos na área administrativa. Esse processo evoluiu para um plano de ação estruturado com a decisão de implementar a ISO 14001 na Intelbras em 2006. MUDANÇAS COM A CERTIFICAÇÃO A ISO 14001 foi o fator determinante para a organização da matriz em favor da adequação de algumas etapas de fabricação dos produtos. No início do processo, todos os funcionários

Setor de produção da Intelbras

eternos responsáveis em caso de vazamentos e acidentes ambientais. Por isso, a Intelbras já estuda a possível substituição de baterias com níquel cádmio por baterias compostas por níquel metal-hidreto, menos tóxicas e agressivas ao meio ambiente. Em contrapartida, a solda já é um caso que tem solução: o resíduo sólido da queima é devolvido aos fornecedores, que industrializam esse material e o transformam novamente em barras de solda. A Intelbras

“Embora haja um procedimento especial no tratamento de lixo tóxico, os aterros industriais são uma bomba relógio para o meio ambiente” Fernando Santanna

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Organização dos resíduos da produção

passaram por um treinamento que valorizava a colaboração individual no processo. O ambiente de trabalho ganhou novos elementos: lixeiras seletivas foram distribuídas em todos os corredores e galpões. A empresa conta com o Programa Intelbras de Preservação Ambiental, que recebeu o prêmio Meio Ambiente Max Hablitzel, também em 2006. Desse Programa fazem parte a coleta seletiva interna, palestras e eventos para os colaboradores, monitoramento de águas, controle de emissões atmosféricas e a destinação correta dos resíduos feita em parceria com a Brooks Ambiental, uma empresa terceirizada. “A partir da ISO 14001, começamos a ter um controle efetivo de tudo o que sobra da produção e hoje conseguimos reciclar cerca de 50% dos resíduos que obtemos e que antes tinham como destino aterros industriais”, explica Elisa. É uma quantificação expressiva, já que grande parte dos resíduos sólidos da empresa é eletroeletrônica e classificada como contaminada. Alguns materiais ainda não têm como destino a reciclagem. O caso mais crítico para a empresa é o das pilhas e baterias, que continuam sendo transportadas a aterros industriais de Blumenau e Joinville. O professor Fernando Santanna, coordenador do Laboratório de Gestão Ambiental na Indústria da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), alerta para as complicações que podem ser ocasionadas pela utilização de aterros. “Embora haja um procedimento especial no tratamento de lixo tóxico, os aterros industriais não deixam de ser uma bomba relógio”. Ele explica que as empresas e indústrias geradoras desse lixo são

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CERTIFICAÇÃO

arca apenas com as despesas desse processo de industrialização. Isso gera economia para a empresa, já que o valor é inferior ao das barras comuns. O mesmo acontece com o material das carcaças de aparelhos que não passam pelo controle de qualidade. Elas são recolhidas, moídas e transformadas novamente em resina para serem reutilizadas em outras peças.

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INTEGRAÇÃO E INSTRUÇÃO O ponto forte da conscientização ambiental na Intelbras é a comunicação entre o setor de Gestão da Qualidade e Meio Ambiente e os demais colaboradores. Palestras e eventos sobre a importância de se preservar a natureza são frequentes e têm o objetivo de estender as ações da empresa à comunidade. E isso funciona. Pedro Paulo Machado, por exemplo, trabalha na separação e organização dos resíduos e confirma: “Depois de assistir a algumas palestras, comecei a separar o lixo em casa sempre que posso!”. As dicas relacionadas aos cuidados com o meio ambiente passaram a ser assunto constante nas reuniões mensais das equipes. De acordo com Elisa, a mudança de hábito das pessoas foi uma das maiores dificuldades nesse processo, mas algumas diferenças já são notadas no ambiente de trabalho. É o caso dos copos de plástico descartáveis que foram trocados por xícaras levadas

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Estandes na Semana Interna de Saúde, Segurança e Meio Ambiente. Uma forma de conscientizar e entreter os colaboradores

pelos próprios funcionários. São medidas simples que geram um resultado significativo. PARA O BEM DE TODOS Em junho, durante a Semana Interna de Saúde, Segurança e Meio Ambiente, uma campanha aliou sustentabilidade e causas sociais em uma parceria entre a Intelbras e a Brooks Ambiental. O objetivo era que os colaboradores trouxessem de suas casas o máximo de material reciclável que conseguissem. Tudo o que foi arrecadado será vendido e o dinheiro revertido em doações no dia das crianças. Se a experiência der certo, Elisa garante que se tornará uma campanha anual. O evento também contou com estandes da Brooks e da Comcap (Companhia Mellhoramentos Capital), de Florianópolis, além de exposições sobre energia renovável e tratamento de efluentes e compostagem com equipes da Eletrosul e da Universidade Federal de Santa Catarina, entre outras atividades. Com a ISO 14001, a Intelbras tem a responsabilidade de monitorar e exigir a regularidade de todos os serviços terceirizados. Uma auditoria anual garante a integridade da certificação. “O grande benefício da empresa é justamente a consciência de colaborar com o meio ambiente, o futuro e sua sustentabilidade. Os recursos naturais são escassos e precisamos deles”, opina a coordenadora

QUANTIDADE DE RESÍDUOS SÓLIDOS OBTIDOS ATÉ JUNHO DE 2009 Papel - 65.270 kg Plástico - 12.427 kg Metais/sucata - 19.330 Kg Borra solda - 1.355 Kg Borra injeção (plástico) - 66.200 Kg

QUANTIDADE DE RESÍDUOS SÓLIDOS OBTIDOS EM 2008 Papel - 133,7 toneladas Plástico - 42,3 toneladas Metais/sucata - 5,9 toneladas Borra de solda - 5,9 toneladas Borra de injeção - 53,3 toneladas (para reciclagem) A meta para 2009 é aumentar a relação de resíduo reciclado/ resíduo gerado

de Gestão de Qualidade e Meio Ambiente. O professor Fernando Santanna conclui ao aconselhar membros dos setores comercial e industrial: “o melhor é agir preventivamente, melhorando a questão econômica, estratégica e cidadã da indústria ao promover a sustentabilidade”.


VISÃO LEGAL

Carlos Silva Filho

Gestão de resíduos sólidos urbanos:

caminhos para a solução Com a publicação da Lei nº 11.079/2004 o Brasil ganhou um importante instrumento para a viabilização de investimentos em serviços de infra-estrutura não somente na esfera federal, mas também para os estados e municípios, principalmente para projetos que envolvem o setor de saneamento ambiental, aí incluída a gestão dos resíduos sólidos urbanos. As Parcerias Públicoprivadas são uma nova opção de contratação dos serviços de limpeza urbana e podem se configurar numa excelente oportunidade para o desenvolvimento desse setor com benefício para toda a sociedade, mas, para tanto, alguns aperfeiçoamentos se fazem necessários, pois a limitação no comprometimento de receitas configura-se como óbice para aplicação efetiva dessa solução por parte dos Municípios.

CARLOS SILVA FILHO é advogado, pós-graduado em Direito Administrativo e Econômico pela Universidade Mackenzie

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A gestão dos resíduos sólidos urbanos passa necessariamente por uma capacitação institucional, além de um indispensável apoio financeiro e técnico

Divulg ação

Verifica-se que a questão dos resíduos sólidos é muito ampla e requer certos cuidados ao ser analisada, pois sempre acaba envolvendo toda uma sociedade em seus hábitos e costumes. A gestão dos resíduos sólidos urbanos passa necessariamente por uma capacitação institucional, além de um indispensável apoio financeiro e técnico. Trata-se de uma utilidade oferecida ao cidadão, que envolve aspectos de saúde pública, de conservação de bens públicos, de qualidade de vida, de meio-ambiente, de importância urbanística. Desta maneira, nota-se a importância do encaminhamento de soluções adequadas para toda a população, o que, sem dúvidas, irá acarretar mudanças econômicas e culturais na atual sociedade. É premente a necessidade da realização de estudos e investimentos que possibilitem a universalização dos serviços de coleta, transporte e, principalmente, disposição de resíduos sólidos; o correto gerenciamento dos mesmos em todas as etapas; a recuperação das áreas degradadas e a implantação e operação de novos locais para destinação dos resíduos gerados, conforme as características e os costumes de cada local. Os serviços de gestão de resíduos sólidos urbanos (serviços de limpeza urbana), que incluem, basicamente, os serviços de coleta, transporte e disposição dos resíduos sólidos domiciliares; a varrição de vias e logradouros públicos, juntamente com a coleta, transporte e disposição dos resíduos dela provenientes; a operação de unidades de transferência e dos aterros sanitários, dentre outros, podem ser prestados diretamente pelos Municípios, ou indiretamente, através da contratação de terceiros. Nesse último caso as formas tradicionais de execução indireta dos serviços de gestão de resíduos sólidos urbanos são a terceirização e a concessão, sendo que a primeira ainda é a mais utilizada atualmente e a segunda figura como uma tendência em franco crescimento junto aos Municípios.

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DEBATE VIRTUAL

Atitude pessoal, educação, leis rígidas e postura consciente são senso comum na busca de soluções para a destinação de nossos resíduos

Responsabilidade sobre resíduos sólidos

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Divulgação

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A produção de bens de consumo, sejam eles de primeira necessidade, úteis ou supérfluos, implica em resíduos de diversos tipos. A destinação dada a eles é hoje em alguns aspectos um problema que precisa ser solucionado levando-se em conta vários fatores, atualmente isto acabou sendo uma responsabilidade compartilhada, onde prefeituras, indústrias, cooperativas de reciclagem e até catadores de rua fazem sua parte, seja por imposição de lei, estatuto da empresa, consciência ambiental ou necessidade.

Tramita no congresso um projeto de lei que visa normatizar a questão, uma comissão suprapartidária cuida do assunto de forma isenta, no intuito de servir de guia para um tema de interesse comum; algumas soluções permanentes ou temporárias já foram encontradas, mas ainda há muito que se discutir com relação à responsabilidade sobre coleta e destinação destes resíduos; principalmente os industriais que possam agredir de forma mais nociva o meio ambiente, quem deveria arcar com este ônus é a equação que se tenta solucionar. A Coluna DEBATE VIRTUAL apresentou o assunto em forma de perguntas a 4 pessoas de di-

Eduardo Paulo F. S. Costa, 21 anos, estudante da 2ª fase de Engenharia Civil da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

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Por Susi Guedes

ferentes áreas profissionais e de atuação, cada um com sua visão pessoal sobre o tema, tendo suas opiniões cruzadas, nos levando a refletir e agir. Se o leitor desejar responder às mesmas perguntas, elas estão em nosso site, e ficarão disponíveis até o lançamento da próxima edição, assim você participa do nosso debate virtual, o qual começa aqui com nossos convidados.

Rosa Maria Rosso do Canto, Diretora Administrativa da Newcolor Ind. e Com. de Etiquetas Ltda.


Fotos ilustrativas SXC

sas que não têm utilidade para mim em lugares apropriados, evitando poluir as ruas.

ROSA MARIA - Desde muito cedo aprendi que temos que conservar o que temos de mais precioso, que é a nossa terra, então, quando assumi a Newcolor Etiquetas em 2002, levei para dentro da empresa esta consciência e desde de lá trabalhamos com materiais recicldados e ecologicamente corretos, entre eles filtro de café, latas de alumínio, caixas de leite, câmaras de pneu, copos descartáveis, papéis reciclados artesanais, etc. A empresa também possui estação de tratamento e reaproveitamento de água e vende tudo o que pode em matéria de resíduos para a indústria de injeção de solas de borracha. Também promovemos campanhas em parcerias com escolas para arrecadação de lixo, como também palestras de conscientização para as crianças e adolescentes.

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ARNALDO JARDIM - Primeiramente, é impor-

MARIA ELIZA - Creio que a consciência ambiental vai além da reciclagem do lixo que produzimos, ela está diretamente ligada aos nossos hábitos de vida. Por exemplo: sempre que compramos

Arnaldo Calil Pereira Jardim, engenheiro civil (Poli/USP), deputado federal (PPS-SP)

Maria Elisa Lutz Sperber, Coordenadora de Gestão da Qualidade/Meio Ambiente da Intelbras S/A

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EDUARDO PAULO - O básico: descarto as coi-

tante destacar a minha atuação parlamentar em relação aos resíduos sólidos. Fui autor da proposta que instituiu a Política Estadual de Resíduos Sólidos, ainda quando era deputado estadual na Assembléia Paulista. Agora, sou coordenador do Grupo de Trabalho suprapartidário responsável por elaborar uma proposta de Política Nacional de Resíduos Sólidos e acabo de entregar o relatório final dos trabalhos e a proposta deverá entrar, em breve, na pauta de votação do Congresso Nacional. Particularmente, institui o princípio da sustentabilidade no meu escritório político em São Paulo, onde fazemos coleta seletiva, que posteriormente é encaminhada para uma entidade filantrópica voltada para o atendimento de crianças com necessidades especiais (a ADERE), utilizamos material de escritório reciclável, trocamos as descargas de válvula por aquelas com tanque acoplado. Dentro em breve, estaremos neutralizando as emissões do mandato e instituindo um programa de eficiência energética.

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Qual atitude cotidiana você tem e que considera como sendo de “consciência ambiental”?

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DEBATE VIRTUAL

“É drástico, mas uma lei de preservação do meio ambiente com punições severas é, a meu ver, a melhor solução” Eduardo Paulo

algum bem é importante perguntar - preciso realmente disso? A empresa que fabricou este bem tem preocupação com o meio ambiente? Como poderei descartá-lo ao fim do uso? O consumo consciente na minha opinião é também fator importante para a preservação do meio ambiente, pois tudo que consumimos tem origem direta ou indiretamente num recurso natural. Quando falamos em consumo de energia elétrica ou água isto parece mais evidente e acabamos não nos atentando que tudo que consumimos é gerado pela natureza de alguma forma.

Que tipo de educação ambiental considera mais eficiente para ser aplicada junto a estudantes de nível superior e que pudessem reverter em algo prático e durável?

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EDUARDO PAULO - É difícil crer que uma pes-

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“A consciência ambiental vai além da reciclagem do lixo, ela está ligada aos nossos hábitos de vida” Maria Elisa

soa de nível superior - supondo que necessite ser educada quanto a questões ambientais -, estando acostumada com os confortos que tem e com as atitudes que toma todo dia, vá ceder e mudar facilmente, pois não só eu como muitos colegas que tive ao longo da vida escolar tivemos aulas de conscientização ambiental e mudamos muito pouco ou nada. É drástico, mas uma lei de preservação do meio ambiente que traga punições severas a quem não a cumprir deve ser, a meu ver, a melhor solução.

ROSA MARIA - Acredito que se os jovens pudessem ter em sua grade curricular uma disciplina relacionada a preservação ambiental, onde pudessem ter contato direto como lixo e a perceber que a transformação deste lixo, além de ecológicamente correto, poderia vir a ser um bom caminho para um negócio, ajudaria bastante, pois as pessoas têm dificuldades em enxergar algo além

de um amontoado de lixo. Mas o que realmente pode mudar esta visão atual de preservação é a conscientização das crianças desde cedo, pois estas captam e entendem com uma velocidade muito maior e cobram muito mais dos adultos uma ética frente ao meio ambiente.

ARNALDO JARDIM - Acredito que a melhor maneira de tratar da educação ambiental com estes alunos está na conscientização de que cada um tem o seu papel na busca da sustentabilidade. Acredito que pudemos buscar mudanças de comportamento, como reduzir a quantidade de lixo gerado, estimular a reutilização de materiais e recursos naturais, além de fortalecer a reciclagem.

MARIA ELIZA - Creio que as universidades poderiam de alguma forma incluir nos currículos atividades ligadas ao meio ambiente e instigar os alunos a desenvolver ações que possam refletir de alguma maneira em uma melhora na condição de vida das pessoas com vistas ao meio ambiente. Estas ações deveriam ser de cunho prático e desta forma seria possível medir se resultado efetivo. Ações em comunidades carentes, projetos de sustentabilidade, entre outros, são ações que podem trazer resultados bastante significativos, principalmente ensinando as pessoas não só dos grandes centros urbanos, mas principalmente pessoas que vivem em zonas rurais e que muitas vezes dependem da terra para sobreviver, que é possível preservar o meio ambiente e viver com dignidade. As instituições de ensino superior podem, inclusive, buscar parcerias com empresas privadas e assim colocar o conhecimento que possuem em prática e ainda melhorar a sociedade contribuindo com o meio em que vivemos.

De quem considera que seja a responsabilidade de coleta dos ­resíduos


Fotos ilustrativas SXC

EDUARDO PAULO - A responsabilidade deve ser de quem causa o dano, direta ou indiretamente. Quanto às maneiras de coletar os resíduos e o destino que devem ter, qualquer atitude que diminua o impacto que é gerado já me parece um bom progresso.

ROSA MARIA - Acredito que ja é hora das nossas indústrias começarem a ter esta preocupação antes mesmo de criar um produto.O governo deve fazer a sua parte, mas é de responsabilidade de cada indústria pensar como, de que forma, onde e quando fazer esta coleta. Sabemos que para alguns materiais existem locais específicos e empresas especializadas para executar este trabalho, mas ainda há muito o que fazer.

possam investir em soluções ecológicas e que tragam resultados na sua produtividade e assegurem sua sustentabilidade financeira.

Tendo como base algum tipo de resíduo industrial, e se pudesse decidir sobre a destinação deste resíduo, qual solução prática e viável daria, em opção ao que já existe? EDUARDO PAULO - Supondo que os resíduos sejam altamente nocivos tanto à natureza quanto ao homem, uma solução seria encontrar novos métodos de produção e materiais menos agressivos sem, é claro, interferir na qualidade do serviço ou produto que se planeja gerar.

Rosa Maria

ROSA MARIA - Existem milhares de resíduos, no meu caso, todo resíduo de material sintético que uso vendo para a indústria calçadista, líquidos são coletados por uma empresa especializada.

gerador deste resíduo. A melhor maneira baseada nas normas e sistema de gestão, considerando essencialmente a forma de transporte e acondicionamento do resíduos e a sua disposição final deverá sempre ser nos aterros licenciados e aptos a receberem os resíduos perigosos.

ARNALDO JARDIM - Todo o esforço deve se dar em reverter o processo produtivo para se produzir mais com menos, atentando para a redução da geração de resíduos no processo industrial. Hoje, o processo de geração de energia a partir de resíduos, o co-processamento, agora, precisamos estar atentos às novas tecnologias que aperfeiçoem o potencial de aproveitamento dos resíduos.

MARIA ELIZA - Creio que a responsabilidade

MARIA ELIZA - O resíduo mais difícil para desti-

sobre estes resíduos não deveria ser unicamente da indústria, mas o poder público também deveria contribuir com opções de reciclagem, parcerias na destinação, incentivo às pesquisas de novas tecnologias mais limpas, que possibilitem a utilização de materiais passíveis de reciclagem e reutilização. Programas de incentivo fiscal também são uma boa opção, para que as empresas

nação são pilhas e baterias. Estes componentes são fundamentais em alguns produtos e sua destinação ainda é bastante onerosa e ambientalmente pouco eficiente, visto que encaminhamos para aterros industriais. O ideal seria a reciclagem dos componentes e desta forma este resíduo acabaria gerando benefício para a empresa e para o meio ambiente.

ARNALDO JARDIM - A responsabilidade é do

“É hora das indústrias começarem a ter preocupação com os resíduos, antes mesmo de criar um produto”

“Todo o esforço deve se dar em reverter o processo produtivo para se produzir mais com menos” Arnaldo Jardim

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industriais de maior impacto na natureza e tidos como perigosos, a exemplo dos gases de alguns motores, baterias e afins? Qual a melhor maneira de coletar? Qual destinação deve ser dada e estes resíduos?

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EVENTOS

Viver em sociedade implica em riscos, minimizá-los ajuda a evitar impactos ambientais

II Fórum de Riscos

Por Susi Guedes

As relações do homem com o meio ambiente costumam ser pauta recorrente em Fóruns organizados pelo mundo, falar com propriedade, ética e imparcialidade sobre o assunto, além de ampliar a maneira de se analisar os riscos em âmbitos distintos, foi destaque no II Fórum de Riscos promovido pelo Bradesco Seguros, ocorrido dia 02 de junho último. O evento contou com palestrantes e debatedores de importância mundial, entre os participantes estavam, Sergio Besserman Vianna- Presidente da Câmara Técnica de Desenvolvimento Sustentável da Prefeitura do Rio de Janeiro e Conselheiro do WWF Brasil, Raquel Rolnik - Arquiteta e Urbanista pela FAU/USP e Relatora da ONU, Stephen Kanitz

- Administrador por Harvard e Articulista da Revista Veja, Vik Muniz – Artista Plástico, Clarissa Lins - Diretora Executiva da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável, André Trigueiro – jornalista da Globo News, Rudolph Giuliani – ExPrefeito de Nova York, além de Lázaro De Mello Brandão – Presidente do Conselho de Administração, Luiz Carlos Trabuco Cappi – Diretor-Presidente, Ricardo Saad Affonso – Diretor-Presidente da Auto/RE; representantes do Bradesco e Bradesco Seguros, promotores do Fórum. Lidar com os riscos em várias esferas de atuação da sociedade é tarefa complexa, e situações e atividades que parecem não ter qualquer relação entre si, se analisadas pelo prisma ambiental acabam se misturando, e ao final percebe-se que são interdependentes, e que uma atitude que

seria considerada individual e isolada pode afetar o todo, isso foi mostrado de forma clara com a escolha de participantes que atuam em áreas distintas entre si, mas em seus posicionamentos miram na mesma direção – PRESERVAÇÃO DO PLANETA. Analisar como os assuntos se entrelaçam, é interessante e leva à reflexão, porque tudo passa pela mesma ponderação. Ao avaliar as formas de agir diante de catástrofes como a terrível experiência do ataque terrorista de 11 de setembro, Rudolph Giuliani coloca a importância

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Divulgação/ Casa da Photo

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Luiz Carlos Trabuco Cappi – Diretor-Presidente, Rudolph Giuliani – Ex-Prefeito de Nova York e Lázaro De Mello Brandão – Presidente do Conselho de Administração - Palestrante e representantes do Bradesco e Bradesco Seguros, promotores do Fórum


Marco Antonio Rossi, Diretor-Presidente do Grupo Bradesco de Seguros e Previdência, discursa sob as vistas de Ricardo Saad, Diretor-Presidente da Bradesco Auto /RE

bientais, na maioria das escolas de administração e economia, estão em matérias eletivas, não estão no currículo”, e pondera ainda que “empresas que enxergam a sustentabilidade como valor, não irão reverter suas agendas em razão da crise”. A opinião é compartilhada por Stephen Kanitz, que se impressiona com a atitude de certas empresas que mudam suas prioridades de acordo com os modismos. “Me preocupa a rapidez como as empresas abandonam temas em busca de atender outros, mais novos, hoje já não se fala em terceiro setor, por exemplo.” André Trigueiro vai ainda mais longe em sua observação do setor empresarial, “Há administradores e economistas hoje que são “analfabetos ambientais, isso é assustador.” As opiniões de todos refletem a preocupação para a necessidade de que algo seja feito e com urgência, e, isso, sabemos vai além da simples conscientização, uma vez que os assuntos ligados ao tema têm sido amplamente discutidos, a hora é de agir, e soluções propostas que ajudem a minimizar os riscos precisam ser analisadas e postas em prática por todos, desde o cidadão comum, até o grande empresário que pode com uma decisão equivocada prejudicar a muitos e com uma análise que leve em conta o planeta, amplificar sua ação em prol de muitos, a começar pelo exemplo de gestão consciente. Associando as declarações de alguns partici-

pantes do Fórum, podemos ter uma percepção atual da urgência de tomada de atitudes e da iniciativa pró-ativa rumo à mudança de mentalidade, e difusão da percepção correta dos riscos assumidos por toda a sociedade caso ações efetivas não tomem forma. O alerta de Sérgio Besserman Viana é contundente “temos 100 meses para conseguirmos aquecimento global de 3ºC, senão podemos ter 7ºC de aquecimento, o que seria uma tragédia para a humanidade, dou uma dica para os investidores: nesse cenário, negócios vão morrer. Irão viver os que não emitirem gases de efeito estufa.” Já Luiz Carlos Trabuco Cappi, afirmou que “o Século 21 mostra a face dos riscos provocados pela mão humana, que afetam a natureza e se transformam em riscos integrados”, enquanto Ricardo Saad lembrou que o evento representou uma quebra de paradigma no mercado brasileiro, ao trazer para o presente soluções que seriam postergadas para o futuro. “Saímos daqui com a visão de que devemos tomar decisões em nossas vidas, nossas empresas e na sociedade para reduzir riscos, mais importante do que mitigar riscos, é criar mecanismos para evitá-los”. O resultado de debates de ideias que fomentem e incentivem atitudes conscientes trazem esperança nas soluções que partam de pessoas, empresas e sociedade para o bem comum, evitando riscos sempre que possível, e assumindo o compromisso de solucionar os inevitáveis.

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“Saímos daqui com a visão de que devemos tomar decisões em nossas vidas, nossas empresas e na sociedade para reduzir riscos”

Divulgação/ Casa da Phot o

de uma sociedade equilibrada para evitar situações que incentivem o terrorismo, tão danoso em suas ações, as quais muitas vezes em sua forma limitada de analisar os fatos, cegamente acabam também por comprometer o meio ambiente, numa sociedade mais justa e igualitária nas oportunidades oferecidas, isso poderia ser evitado ou pelo menos minimizado, e até cita a questão do Biodiesel como uma das tecnologias que podem associar uma ampla solução neste segmento dando mais oportunidades de emprego, sem interferir no equilíbrio natural, ele diz: “O Brasil é referência em energia alternativa: Citei o exemplo do biodiesel quando me candidatei à presidência dos EUA.” No aspecto empresarial, discutiu-se a importância da tomada de decisões que não excluam os investimentos no setor mesmo em tempos de crise, a preocupação dos participantes foi desde a postura do meio acadêmico, até a forma como são tratadas as questões por empresários e dirigentes de empresas públicas e privadas. Segundo Clarissa Lins, o conteúdo acadêmico é muito flexível: “questões sócio-am-

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INVESTIMENTOS

Bolsa Eletrônica de Resíduos

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A Bolsa Eletrônica de Resíduos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) completou sete anos de atividade. Antes, o serviço criado em 1985 não estava disponível eletronicamente. Trata-se de um mecanismo de divulgação gratuito de ofertas de compra, venda e doação de resíduos industriais recicláveis, contando, em média, com 100 acessos diários. O objetivo é dar destinação aos resíduos, reduzir custos e contribuir com o meio ambiente. Para se ter idéia, a região metropolitana produz diariamente 15 mil toneladas de resíduo domiciliar e a indústria faz a sua parte ao criar mecanismos de destinação adequada. Em 16 de abril de 2002, a Bolsa entrou em operação on-line, contabilizando 427 inscritos no ano. Em 2009, alcançou-se a marca de 2.100 empresas inscritas, ou seja, praticamente quintuplicou a procura desde que o serviço começou a ser oferecido pela Fiesp. Vinte e quatro Estados integram a iniciativa. Estão na liderança São Paulo - o interior é mais participativo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná. As transações ocorrem prioritariamente em âmbito regional devido a questões operacionais e logísticas. Os setores que mais procuram a Bolsa são indústrias (46%), recicladores (26%) e intermediários (20%), sendo, em sua maioria, pequenas e micro empresas (41%), médias (12%) e grandes (6%). No balanço da bolsa, 66% dos produtos são ofertados contra 34% dos procurados, entre eles, plásticos, resíduos químicos, metal/metalúrgico, borracha e madeira/mobiliário. Entre as vantagens, há duas de maior impacto: a conscientização de que resíduo não é lixo e sim um subproduto com potencial de comercialização, podendo dar lucro; e a redução de custos diretos de manuseio, armazenamento, transporte e destinação final, o cost avoid, que pesa no negócio. Para se ter idéia do quanto é

dispendioso dar destinação ao resíduo, no aterro o descarte custa de R$150,00 e R$ 300,00 a tonelada; a incineração, de R$ 2.000 a 3.000; e o co-processamento (queima em forno de cimento) de R$ 500 a 600 a tonelada. Outros benefícios da iniciativa da Fiesp são a preservação e a melhoria da qualidade do meio ambiente e da saúde pública, o uso sustentável e racional dos recursos naturais, a valorização do resíduo que passa a ser utilizado como matériaprima de outra empresa ou setor e a minimização de multas e/ou autuações. Uma das conquistas a ser mais do que comemorada é que a Bolsa de Resíduos da Fiesp, como ferramenta, tem ampla aceitação em diversos setores, não só industriais, mas também governamentais e junto a ONGs.

SXC

Completa sete anos de atividade com 2.100 empresas cadastradas e 24 estados participantes

Quintuplica número de empresas cadastradas desde que o serviço é oferecido pela Fiesp

A Mostra Fiesp/Ciesp de Responsabilidade Socioambiental, enquadra-se na política da entidade de apoio à nova economia, tendo meio ambiente e sustentabilidade como eixos temáticos desta edição. A Revolução Industrial, Econômica, Ambiental, Social e Política no Pós-crise Mundial, serão os enfoques principais. Mostra Fiesp/Ciesp de Responsabilidade Socioambiental Quando: 25 a 27 de agosto - Horário: 9h às 18h Local: edifício sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), à Av. Paulista 1.313. Mais informações e inscrições: (11) 3549-4548. cores@fiesp.org.br


VISÃO SOCIAL

Emiliano Milanez Graziano da Silva

Banco de Alimentos cidadania. O primeiro Banco de Alimentos público do país foi criado em 24 de Novembro de 2000, pela prefeitura de Santo André e atende a milhares de pessoas, assistidas por uma centena de instituições sociais. O objetivo principal do projeto é estabelecer uma parceria com empresas doadoras, para arrecadar alimentos que depois de analisados, selecionados, re-embalados e etiquetados possam ser distribuídos O desperdício de alimentos, para entidades previamente que começa no campo e termina cadastradas. O na casa do consumidor, ultrapassa trabalho desenvolvido em Santo 1% do PIB nacional André é uma referência nacional e internacional mesmo sendo uma iniciativa pública. As perdas ocorridas nos supermercados, depósitos de atacadistas e mesmo na indústria, por conta de embalagens danificadas, lotes com curto prazo de validade, problemas de rotulagem ou embalagem, somam milhares de toneladas de alimentos. São produtos, inadequados para a comerEMILIANO MILANEZ cialização, mas sem nenhuma restrição para o GRAZIANO DA SILVA consumo humano que, uma vez doados aos é engenheiro Agronômo, Consultor Especialista da Bancos de Alimentos serão retirados, sem ônus FAO/ONU e UNESCO e também para o doador, e posteriormente distribuídos. O Diretor da Tulipe Consultoria Banco de Alimentos opera essas trocas e garante em Projetos Sustentáveis – a qualidade dos alimentos. www.tulipeconsultoria.com.br Uma das maiores dificuldades encontradas pelos programas de combate ao desperdício e a fome é a questão da responsabilidade Civil e Criminal dos doadores. Essa é a luta dos programas para que o Projeto de Lei denominado Estatuto do Bom Samaritano seja aprovado com urgência. Ele está em tramitação no Congresso Nacional desde 97, recebeu pareceres favoráveis em todas as comissões, não faltando nada para ser colocado em votação. Aprovado propiciará que ao invés de se transformar em chorume, GEE, ou agente de contaminação do solo, os alimentos sejam entregues a quem precisa.

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Todos sabemos que os padrões de consumo da sociedade atual são grandes estimuladores do desperdício. São milhares de produtos e “necessidades” criadas que na sua maioria vão para o lixo, seja pela obsolescência tecnológica ou por serem descartáveis, gerando uma enorme quantidade de lixo destinada aos aterros sanitários ou lixões. O típico mau cheiro dos aterros e lixões é gerado pela matéria orgânica em decomposição, que em boa parte é formada pelo desperdício de alimentos. Assim como papel, vidro, metais, plástico e outros materiais, os alimentos também podem ser reaproveitados, evitando que seu destino final seja o lixo, reduzindo os impactos ambientais de sua decomposição – mau cheiro, chorume, emissão de Gases do Efeito Estufa – GEE e suas conseqüentes contaminações. O desperdício de alimentos, que começa no campo e termina na casa do consumidor, ultrapassa 1% do PIB (Produto Interno Bruto) nacional. Somente em São Paulo, as feiras livres produzem mais de mil toneladas/dia de lixo, composto por frutas, legumes e verduras. Dados da APAS -Associação Paulista de Supermercados- revelam outro número impressionante destas perdas: mais de 1,3 milhão de toneladas por ano que vão diretamente para o lixo. Nos anos 70, um pesquisador alemão calculou que, com o volume de alimentos que o Brasil desperdiçava seria possível alimentar toda a população de seu país. Mas como combater esse problema? Os Bancos de Alimentos surgiram como solução e resposta a essa questão. Criados na década de 60 na cidade de Phoenix-EUA, espalharam-se pela Europa, México e, mais tarde, no Brasil. Os Bancos de Alimentos brasileiros apresentam uma evolução do modelo inicial, até hoje praticado nos EUA. Aliam o trabalho de técnicos na seleção dos alimentos a um trabalho de educação alimentar por meio do aproveitamento integral dos alimentos, consumo consciente e

Divulgação

Projeto Social de potencial ambiental

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