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ESTADO BECKETT SINOPSE Um homem com um espelho nas costas passeia com uma mulher. Ela tem um saco de papel de pão enterrado na sua cabeça e uma grande bolsa a tira-colo. Ele a conduz a uma escada espiralada, deixando-a ali sozinha sentada nos degraus. Ela age calmamente como se enxergasse tudo e estivesse fazendo os preparativos preliminares de uma saída ou de uma chegada. São longas paragens em contraste com pequenos movimentos bruscos que dissolvem os estratos temporais e produzem o presente dessa criatura de corpo paradoxal. É uma alusão às avessas a personagem WINNIE de DIAS FELIZES de Samuel Beckett que tem metade do corpo enterrado num monte de terra no primeiro asto e apenas a cabeça de fora e no segundo ato todo o corpo enterrado, movimentando apenas os olhos. As distâncias e as contradições entre a imagem e a ação constituem o motor da performance em que o cômico da superfície vai aos poucos cedendo a violência que se impõe a nós, cada vez que imaginamos o porque da face ocultada de Winnie. A performer trabalha com os olhos vendados para despertar no corpo os seus poderes de hiper-percepção e transformá-lo em máquina de pensar e articular palavras. Cria o presente se relacionando com todos os acontecimentos externos com o que lhe resta de percepção e constrói em si própria esse “fulgor” puro que se extrai do acontecimento como sendo o sentido do acontecimento que só a ele pertence.”(Deleuze, Logique du Sens.) O tempo da performance é marcado pela música eletrônica experimental How to destroy Angels do artista Belga Coil (16:45). No final, Winnie sobe ou desce as escadas e desaparece.

Foto de cena Estado Beckett, escadaria do casarão da UNEI, em Santa Teresa

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Projeto Beckett  

Portofolio de Ruth Mezeck 2011

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