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Milene Emídio e a magia de “O Vestido” “Diz-me uma coisa filha, acreditas em magia?” - é sob este mote que Milene Emídio apresenta o seu livro “O Vestido”. Publicado pela primeira vez em 2007, o conto apresenta-nos a história de Inês, uma jovem que irá embarcar numa autêntica viagem ao passado. Mas quem se esconde por detrás de “O Vestido”? Conheça a autora que concebeu esta narrativa fantástica, cuja continuação não deve tardar a chegar ao público.

Olá, Milene! Conta-nos a história do livro “O Vestido”. Quando o escreveste? Foi escrito entre 2002 e 2006, começando por ser um projecto académico e terminando na sua primeira edição, em 2007. Devido a divergências com a editora em questão, revi o conto, corrigi e actualizei e optei por uma publicação print-on-demand. “O Vestido” é, portanto, um pequeno conto paranormal, com muito de mim e que teve a felicidade de conhecer pessoas para além destas paredes. Porquê um conto paranormal? O que te atrai nesse universo fantástico? Fantasia sempre foi o meu género de eleição para ler, sempre gostei das possibilidades, da criatividade, do ir mais além. Quando comecei a escrever queria que fosse algo dentro do género que me fazia sentir bem, queria algo verdadeiramente meu e ao mesmo tempo algo que eu gostasse de ler caso não tivesse sido eu a escrever a história. Logo, a decisão só podia ser uma: escrever algo dentro do género fantástico. O subgénero paranormal surgiu com o desenvolver da própria história. Que feedback tens recebido dos leitores em relação ao teu livro? Até agora tem sido positivo, no geral. Umas opiniões mais entusiastas que outras, mas no seu total, quem leu gostou, ou pela temática, ou pelas personagens, ou pela narração ou todos os elementos juntos. Foram apontados alguns erros, algumas sugestões (alguns destes aspectos foram tidos em conta aquando a reedição, outros já vieram à posteriori). A única pessoa que até agora apontou não ter gostado (sei apenas pelo Goodreads), atribuiu uma estrela à leitura, mas não teceu qualquer comentário do porquê da nota, se por não gostar de contos, daquele conto especificamente... Sei apenas que não gostou. Imagina que estás neste momento a promover o teu livro perante uma plateia cheia de gente. O que lhes dirias sobre “O Vestido” para os convencer a ler o teu conto? Não sei se sou a melhor pessoa para vender o meu próprio produto; em apresentações faço um pequeno resumo, sem incluir spoilers, e tento captar o público através das questões levantadas no próprio conto, as dúvidas de Inês, se a magia é ou não real, se haverá ou não fantasmas. Normalmente este tipo de questões faz, pelo menos, nascer um pontinho de curiosidade que pode, ou não, levar o leitor a querer adquirir a obra e, consequentemente, a lê-la. Mas sou franca ao ponto de os salvaguardar que é apenas um conto, e, como tal, pequeno e de narrativa rápida e limpa. “O Vestido” já tem quatro aninhos. O que tens feito em termos literários desde então? Escrevi a continuação que me levou tanto ou mais tempo que o primeiro lolol, mas tem mais páginas, a narrativa é um bocadinho mais pausada (mas não muito) e a própria história é mais complexa. Foi para test reading em Janeiro e agora está a aguardar que eu lhe pegue e lhe dê a limpeza e o brilho finais. Entretanto comecei também um 3º trabalho que não vai ser conto. Tenho feito muita pesquisa, tenho delineado aquilo que quero (mapa, 1


tempo, personagens, enredo, etc) tudo muito por alto. Faltava-me o tempo e a motivação para escrever, agora que tenho tempo de sobra, a ver vamos se a motivação regressa para terminar “O Feitiço da Moura” e dar um começo como deve ser ao projecto que ainda não tem nome. Uma das queixas que oiço frequentemente da parte de autores portugueses prende-se com a disponibilidade (ou falta dela) das editoras. Achas que, em parte, essa é uma das razões que contribui para a falta de motivação que por vezes atinge jovens escritores como tu mesma? Boa parte das editoras, as maiores pelo menos, funcionam como empresas que são e, como tal, olham ao lucro imediato ou quase imediato que podem ter com as edições que fazem. Daí a grande aposta em autores estrangeiros, podem sempre publicitar que foi best-seller em N países ou no seu país de origem e esse facto vai levar os leitores a terem boas referências, logo, a comprar. No caso de autores portugueses, podem ocorrer diversos cenários: ou se construiu nome numa altura em que as editoras e o público eram substancialmente menos numerosos, logo os primeiros têm um CV que fala por eles (bom ou mau, deixo a apreciação para a crítica e para os leitores); há aqueles que têm efectivamente editores que apostam neles (podem acreditar verdadeiramente no trabalho do autor, ou podem ter uma margem de lucro satisfatória para se permitirem correr o risco), há aqueles que pelo teor das histórias é venda certa (casos de histórias baseadas em casos televisivos e reality shows), há quem insista até ter uma oportunidade, etc. Ser-se recusado efectivamente quebra a motivação, por mais que uma pessoa afirme "escrevo porque gosto", e é uma afirmação correcta, o facto de se obter recusas por parte de editores faz com que uma pequena peça do puzzle da vida de autor fique em falta e como tal, o trabalho nunca ficará completo. No meu caso concreto, as recusas quebraram um pouco, mas não a totalidade, dado que tive uma resposta positiva, não sabia na altura o que sei agora, mas contou para não desmotivar. E em relação ao “Feitiço da Moura”? Tendo em conta as “aprendizagens” que mencionaste, tencionas continuar a tentar a tua sorte junto de editoras ou tencionas enveredar novamente pelo Print-on-demand? “O Feitiço da Moura” vai ser print-on-demand pelo simples facto de ser um conto e ser a continuação do primeiro. Faz sentido a edição ser padronizada. Além de que editar contos em Portugal não é fácil, é um género que, a meu ver, não é muito apreciado e, em alturas de crise, as pessoas não vão dar por um livro de 100 páginas o mesmo que pagam por romances de 200, 300, 600 ou até mesmo 900. O terceiro projecto, esse sim, vai percorrer tudo o que tiver de percorrer. Para terminar, que balanço fazes da tua carreira enquanto escritora e o que gostarias que o futuro te reservasse? Não posso chamar carreira ao percurso que tenho tido. É preciso mais que um conto editado, um no forno e o esboço de algo mais para se ser um Autor. Posso dizer que foi um percurso de auto-conhecimento com alegrias e tristezas e muita aprendizagem. Futuro... Espero poder um dia chamar este mesmo percurso de carreira. Através de que endereços podemos continuar a seguir o teu trabalho? http://mileneemidio.blog.pt/ http://www.facebook.com/milene.emidio http://www.goodreads.com/book/show/11694472-o-vestido

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Milene Emídio and the magic of “O Vestido” “Tell me something, child; do you believe in magic?" – It is under this motto that Milene Emídio presents her book “O Vestido” ("The Dress" in English). First published in 2007, the tale presents us the story of Inês, a girl who will embark on an authentic journey into the past. But who hides behind "O Vestido"? Meet the author who conceived this fantastic story, which continuation should come out soon.

Hello, Milene! Tell us the story of “O Vestido”. When did you write it? It was written between 2002 and 2006, starting by being an academic project and ending in its first edition, in 2007. Due to disagreements with the publisher, I reviewed the story, corrected and updated it, and chose to publish it by print-on-demand. Therefore, “O Vestido” is a paranormal short story, with a lot of me, and it was fortunated to meet people beyond these walls. Why a paranormal tale? What attracts you in this fantastic universe? Fantasy has always been my favorite genre for reading; I always liked the possibilities, the creativity, and to go further. When I started writing, I wanted it to be something of that kind, that made me feel good. I wanted something really mine and, at the same time, something that I would like to read if the story wasn’t written by me. Therefore, the decision could only be one: to write something in the fantastic genre. The paranormal subgenre emerged with the development of story itself. What feedback have you received from readers concearning your book? So far they have been positive overall. Some reviews were more enthusiastic than others, but in general who read it, liked it; the theme, the characters, the story or all the elements together. I was pointed out some mistakes, I got some suggestions (some of which were taken into account when the new edition came out; others came later). The only person who didn’t like it so far (and I know it only by Goodreads) rated it one star, but she didn’t comment why such note; if because she doesn’t like short stories or specifically that story... I only know that she didn’t like it. Imagine you’re currently promoting your book to an audience. What would you say to them about "O Vestido" to convince them to read your story? I don’t know if I'm the best person to sell my own product. In presentations I do a short summary - not including spoilers - and I try to capture the public through the issues raised in the story itself, like the doubts of Inês, if magic is real or not, whether there are ghosts... Usually this sort of questions rises at least a bit of curiosity that may (or may not) lead the reader to want to get the work and, consequently, read it. But I’m frank to the point of warning them that this is just a tale, and as such it’s a small, quick and clean narrative. What have you done in literary terms since “O Vestido”? I wrote its continuation, which took me as much time or even longer than the first tale, lolol. But it has more pages, the narrative is a bit more paused (but not too much), and the story is more complex. It went for test reading in January and now is waiting for me to grab it and give it the final clean and bright. Meantine I also started a 3rd work that will not be a tale. I have done lots of research, I have outlined the main items of what I want (map, time, characters, plot, etc). I lacked the time and motivation to write; now that I have

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enough time, let's see if the motivation returns to finish “O Feitiço da Moura” and give a proper start to the project that still has no title. One complaint I often hear on the part of Portuguese authors is related to the availability (or lack of it) of the publishers. Do you think that, in part, this is one reason that contributes to the lack of motivation that sometimes reaches young writers like yourself? Much of the publishers, the best knowns at least, act as the enterprises they are; this way, they look at the immediate or almost immediate profit they can get from publishing a book. Hence the big bet on foreign authors: they can always advertise that it was best seller in N countries or in their country of origin, and that fact will give readers good references and lead them to purchase. In the case of Portuguese authors, several scenarios can occur: either their name was built at a time when publishers and the public were substantially less numerous, therefore they have a CV that speaks for them (good or bad, I let the criticism and appreciation for the readers); there are those who actually have publishers who bet on them (they truly believe in the work of the author, or may have a satisfactory profit margin to allow themselves to take the risk); there are those who, for the content of the stories, the selling is granted (that’s the case of stories based on tv stories or reality shows); there are those who insist until they have a chance, etc. Being refused effectively breaks the motivation the more one person says "I write, because I like to"; it’s a correct statement, but the fact of being rejected by publishers makes a small piece of the puzzle of the author’s life be missing, and as such the work will never be complete. In my case, refusals broke me a little, but not at all since I had a positive response at the time, although I didn’t know what I know now; still it didn’t discourage me. What about “O Feitiço da Moura”? Taking into account the "learnings" you mentioned, will you continue to try your luck with publishers or do you intend to bet on Print-on-demand again? "O Feitiço da Moura” will be print-on-demand for the simple fact that it’s a tale and the continuation of the first one. It makes sense to be a standard edition. Aside from the fact that’s not easy to publish tales in Portugal, it is a genre that, in my point of view, is not widely appreciated, and in times of crisis people won’t pay for a book of 100 pages the same as for novels of 200, 300, 600 or even 900 pages. The third project, that one yes, it will go through all it has to. Finally, what assessment do you make of your career as a writer and what would you like the future to keep in store for you? I can’t call a career to this journey of mine. It takes more than a published tale, one in the oven, and the outline of something else to be an Author. I can say it was a journey of selfknowledge, with joys and sorrows, and much learning. Future... I hope to one day call a career to this path. How can we follow your work? http://mileneemidio.blog.pt/ http://www.facebook.com/milene.emidio http://www.goodreads.com/book/show/11694472-o-vestido

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Sinopse | Synopsis

Um vestido, um espelho e uma cigana surgem repentinamente na vida de Inês abrindo-lhe a porta a uma vida que até então desconhecia. Nesta viagem sente-se atraída pelo bosque que a chama insistentemente, mas cedo percebe que o chamamento tem outra fonte bem mais obscura. Mortes e segredos acabam por enredá-la levando-a a uma inevitável conclusão: a salvação da Herdade está apenas e só nas suas mãos. Resta-lhe descobrir como. Porém, não esperava conhecer Diogo…

A dress, a mirror and a gypsy suddenly appear in the life of Inês, opening the door to a life unknown to her until then. On this trip she feels attracted by the woods that call her insistently, but soon she realizes that the call has another source much more obscure. Death and secrets eventually caught her up, leading to an inevitable conclusion: the salvation of the homestead is simply and only in her hands. She just has to discover how to do it. However, she didn’t expect to meet Diogo...

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Crítica | Review Link: http://www.goodreads.com/review/show/223218589

Li as últimas páginas de “O Vestido” no dia 10 de Dezembro de 2011. Numa escala de uma a cinco, dou-lhe quatro estrelas. Não me vou alongar em críticas. Uma vez que se trata de um livro escrito por uma antiga colega de faculdade, receio perder um pouco a imparcialidade, por isso vou ser breve. Digo apenas que foi bom ler um livro que me fez lembrar as histórias de Marion Zimmer Bradley (as quais já não leio há algum tempo), com invocação dos elementos e da deusa, realização de rituais, etc. Em suma, gostei do género literário adoptado pela Milene. Quanto ao que menos me agradou… bem, é o mesmo que não agrada em livros pequenos. Como as narrativas são curtas, por vezes tenho a sensação que se anda depressa demais e que as coisas quase que são forçadas. Não estou a dizer que é um defeito do livro da Milene; é simplesmente a sensação com que fico quando leio histórias que não são tão extensas. Também não é preciso que um livro tenha mais páginas que uma lista telefónica! Simplesmente gosto que as coisas demorem o seu tempo e não se apressem – é uma questão de gosto pessoal e mais nada. Ah! Eis algo interessante: as personagens têm nomes portugueses! O que é nacional também é bom =)

I read the last pages of “O Vestido” ("The Dress" in English) on December 10, 2011. On a scale of one to five, I rate it four stars. I will not dwell on my review. Since this is a book written by an old college friend, I’m afraid I might lose some of my imparciality, so I'll be brief. I’ll just say it was good to read a book that reminded me of the stories by Marion Zimmer Bradley (which I haven’t read in a while), with the invocation of the elements and the goddess, performing rituals, etc. In short, I liked the literary genre adopted by Milene. As for what I liked the least... well, it’s the same as in any small books. As the stories are short, sometimes I feel it goes too fast and that things are almost forced. I'm not saying it is a defect of Milene’s book; it’s simply the feeling I get when I read stories that are not so extensive. Book don’t have to have more pages than a phone list eighter! I just like things to take time and not to rush - it's a matter of personal taste and nothing else. Oh! Here's something interesting: the characters have Portuguese names! What’s national is good too =)

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Entrevista Milene Emídio  

Interview to Milene Emídio

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