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Turismo

Hoje EM DIA

PÁGINA 1- BELO HORIZONTE, QUINTA-FEIRA, 17/11/2011

EDITOR: PAULO LEONARDO - 3236-8067 - turismo@hojeemdia.com.br

Ilhade Marajó

HEITOR REALI

Marca registrada: antiga cerâmica marajoara descoberta em escavações

Um tesouro que o brasileiro precisa conhecer

ELEMARA DUARTE

Praia fluvial em Marajó: com 40 quilômetros entre uma margem e outra, o Rio Pará parece um mar AGÊNCIA PARÁ

S

O voo colorido dos guarás, uma das muitas espécies de aves que habitam Marajó

ELEMARA DUARTE eduarte@hojeemdia.com.br

OURE (PA) – A ilha de Marajó não é um “lugar comum”, muito menos “um lugar qualquer”, pedindo licença a Gilberto Gil, autor da canção “Vamos Fugir”, em que cita o mágico lugar no extremo norte brasileiro. A maior ilha f luviomarinha do mundo, por esse título apenas, já se mostra única, e mesmo assim ainda não foi “descoberta” pelos turistas brasileiros. Muito longe? Nem tanto. Há voos diretos saindo de várias capitais brasileiras para Belém, entre elas Belo Horizonte. Da capital paraense chega-se à ilha em duas horas em um pequeno navio, ou em 30 minutos por avião. Em Marajó, os rios chegam a ter a 40 quilômetros de uma margem à outra. Parecem mar, com direito a ondas, dunas e igarapés nas margens. Pela proximidade com o oceano Atlântico, esses rios, o maior deles também chamado Pará, sofrem a inf luência das marés, outra curiosidade para deixar qualquer pessoa com a pulga atrás da orelha. Mas a explicação é simples: na cheia, as águas correm para dentro do continente, e na vazante, para fora – tudo em um inter valo de horas. É dali que sai a mais saudável parte do cardápio dos habitantes da ilha: os peixes, que podem ser apreciados com açaí descaroçado na hora. E tempo é algo que corre manso no lugar. A dica é permanecer na

ilha por pelo menos três noites. Não apenas para “bater cartão” em todos passeios, mas para entrar na energia de tranquilidade de Marajó. Pelas cidades pequenas e seguras, com pouco mais de 20 mil habitantes, há boa e acolhedora infraestrutura de pousadas. Ali, quase não há carros. Búfalos mansos pastam em algumas ruas. Estas vias, largas e planas, numa extensão geográfica da Planície Amazônica, são um convite para boas pedaladas no f im de tarde – não se preocupe, as pousadas alugam bicicletas por diárias justas. Não há vida mais saudável que esta: uma espécie de spa natural: “no stress”, comida light, esporte ao ar livre. A ilha é a mais importante do arquipélago que também se chama Marajó, que vem da palavra tupi “Mbara-yó”, ou “barreira do mar”. Deste nome deriva ainda a cerâmica “marajoara”, produzida na região até hoje de forma artesanal, com matérias primas nativas da beira dos gigantes rios, como os primeiros habitantes indígenas faziam. O cartão-postal que o Pará ainda não distribuiu para os turistas brasileiros está à disposição, mesmo que esteja em debate a divisão do Estado. Em dezembro, os paraenses decidem, em plebiscito, se a parte “mais rica” paraense será um novo Estado. Marajó não entra na partilha: vai continuar lá em cima, incomum pela própria natureza, passando a ser uma Unidade Federativa, administrada diretamente pela Governo Federal. Leia mais nas páginas 2 e 3.


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2 Turismo FLAVYA MUTRAN / DIVULGAÇÃO

Vista de uma das praias da Ilha de Marajó: os rios dessa região podem ter margens tão distantes que chegam a se comportar como mar

AsimpáticaSoure,a‘capital’doMarajó Cidade foi planejada por Aarão Reis, o mesmo que concebeu Belo Horizonte: traçado lembra um tabuleiro de xadrez EMARA DUARTE eduart@hojeemdia.com.br

Se mineiro gosta é de praia, em Marajó elas aparecem às margens dos rios, que se comportam como mar. Entenda essa imagem de praia com água salobra, ou seja, água doce misturada com água salgada, que conserva uma cor verde-dourada, mas muitolimpa.Sãoáreastranquilas, com dunas e cercadas de igarapés.Na marébaixa,emalgumas delas, como é o caso da bucólica Praia do Pesqueiro, formam-se pequenas piscinas naturais ao longo de mais de um quilômetrode areia. Na ilha, o melhor é se hospedar em Soure – considerada a capital do arquipélago de Marajó, onde há mais serviços disponíveis,como bancos,correios, restaurantes, padarias e lojas. Dali, o acesso às praias pode ser feito por meio de bicicleta,táxioucompequenascaminhadas atravessando pequenas vilas. Nestes lugarejos, osmoradorespreservamosaudável e gentil costume, infelizmente abolido das grandes cidades, de cumprimentar quem quer que seja que passe em suasportas. Outra opção de hospedagem é em Salvaterra, que reúne poucas pousadas com praias privativas. De Salvaterra a Soure, é preciso pegar uma balsa para uma travessia de 10 minutos. Passageiros a pé não pagam, apenas veículos. Entretanto, a melhor dica para curtir Marajó é contratar guias nas agências de Belém,

que também disponibilizam o transporte de ida e volta, não apenasàspraias,masaosdestinos de ecoturismo e roteiros históricos da época da ocupação dosjesuítas. Lembre-se de que a maior parte desses passeios é feita em áreas selvagens. Portanto, nadadedarumadeIndianaJones para querer desbravar tudosozinho.Opacote,compasseios incluídos durante dois dias, saiapartir deR$ 300.

Muitos passeios são feitos em áreas selvagens, portanto não dê uma de Indiana Jones por lá Soure foi projetada por Aarão Reis, engenheiro e arquiteto paraense que também planejou Belo Horizonte. Mais curioso ainda é se deparar, em um final de tarde, com um obelisco em concreto no meio de uma pracinha. Ilusão de ótica provocada pelo calor? Não é o “Pirulito” da Praça Sete. É apenas um monumento em tamanho menor, que homenageia o centenário da Independência do Brasil. A cidade tem ruas largas e, a exemplo de Belém, também possui imponentes mangueiras plantadas ao longo de-

las. Essas grandes árvores não estão ali por acaso. Somadas ao vento, que é comum na ilha, suas sombras dão um alívio refrescante para os recorrentes 35 graus centígrados, em média, da temperatura mais que tropical.

ELEMARA DUARTE

Apitorescapraia dePesqueiro Para chegar a Pesqueiro, estando em Soure ou Salvaterra, é preciso carro. Uma das praias mais belas da região fica em Soure, mas a cerca de 8 quilômetros do centro desta cidade. O local é também uma vila de pescadores, como indica o nome, e mantém uma reserva extrativista. Ali só podem ser construídas casinhas de madeira, conforme determinação da prefeitura. Também pudera: a maré já deixou algumas delas debaixo d’água. Problema do homem, que tem que se adaptar. Mas os moradores da ilha não se irritam com isso. Habitante da pequena vila próxima da praia, João Faria, o “Martelo”, não pensa em sair dali. “Sou pescador aqui há 60 anos”, diz, despreocupado, enquanto calafeta frestas do seu velho barco com tiras de estopa embebidas com zarcão. Quando a maré baixa, forma-se uma faixa de areia perolada e firme de mais de 1 quilômetro de largura e cerca de 3 quilômetros de extensão. Centenas de pássaros, incluindo alguns guarás com suas penas avermelhadas, garças e biguás, aproveitam para estacionar seus bandos e catar alimentos na areia.

Tome a vacina contra febre amarela Alguns cuidados são importantes para quem quer conhecer Marajó confortavelmente. Vacina contra febre amarela é recomendada, mas dez dias antes de embarcar para a Amazônia. A vacina precisa deste período para fazer efeito e quem a recebe estará imune por um período de dez anos. Para os passeios, a sugestão é ter sua bagagem mais leve possível, devidamente etiquetada. Esteja preparado para carregar sua própria bagagem.Água,capadechuva,chapéuouboné,óculosdesol,roupas leves, preferencialmente de material sintético para caminhadas e ciclismo. Roupas debanho, tênisconfortávelpara caminhada e calçado para atividadesdeágua;protetorsolar; repelente contra insetos; seus medicamentos habituais, e claro, a indispensável câmerafotográfica. Empresas que fazem pacotes com traslado e passeio em Marajó: www.rumonorte.tur.br (pacotes mais completos e passeios tradicionais e especiais); w w w. valeverdet urismo.com.br (passeios tradicionais).

Piscinas naturais na areia da Barra Velha O “pirulito” da cidade de Soure, planejada por Aarão Reis

ELEMARA DUARTE

INFORMAÇÕES IMPORTANTES Antes de ir para Marajó, é importante reservar uma estadia na ida e uma outra estadia no retorno em algum hotel de Belém. Além de poder conhecer a cidade, a medida é importante para que o turista não fique horas no aeroporto até o momento do voo, caso os horários do navio ou do táxi aéreo entre o arquipélago e o continente sejam em períodos muito diferentes. Voo Direto para Belém - Azul Linhas Aéreas, voo 4190, saída BH (Confins), às 23h34, com chegada em Belém à 1h30, diariamente. Voos com escala para Belém - A TAM e a GOL só fazem o trecho BH/Belém com escala (São Paulo ou Brasília) e a Trip também. - TRIP: Voo 3226/5317, partida BH (Confins) às 22h20, escala em Salvador. Chegada em Belém às 02h15, diariamente.

Na Praia Grande, em Marajó, o rio tem ondas e os surfistas aproveitam para praticar seu esporte

Navio para viagem

Belém/Marajó (Porto em Salvaterra) Arapari Navegação – Tel.: (91) 3242-1870 e 3241-4977 Obs.: A passagem custa cerca de R$ 16 por pessoa (para chegar a Soure, é preciso pegar um ônibus. A passagem custa em torno de R$ 10) Táxi aéreo para voos Belém/Marajó (Soure) - Stilus Taxi aéreo – Tel.: (91) 3254-5151 www.stilustaxiaéreo.com.br - Brabo Táxi Aéreo - Tel.: (91) 3233-4884 www.brabotaxiaereo.com.br - Soure Táxi Aéreo – Tel.: (91) 3233-4986 Tel: (91) 3233-4986 - Heiss Taxi Aéreo – Tel.: (91) 32440715 www.voeheiss.com.br Obs.: A média de preço é de R$ 1.000,00 para 2 pessoas.

Outra preciosidade de Soure é Barra Velha. A região chama a atenção pelas gigantescas raízes aéreas dos mangueiros. Mais próxima do centro da cidade, seu acesso é feito a pé por uma ponte de madeira, passando por cima do mangue. As piscinas naturais são formadas na areia pelo movimento das marés, porém, a faixa de areia até a água é um pouco menor que a de Pesqueiro. Em Salvaterra, a Praia Grande é uma das mais populares. Ali é possível avistar a imensidão de água do rio Pará. Não se vê a outra margem. Em alguns pontos, a distância entre uma margem e outra chega a 40 quilômetros. É rio, mas se comporta como mar. Ondas de até 1,5 metro chegam a se formar em algumas épocas do ano. Alguns surfistas se aproveitam disso. Barra Velha, Pesqueiro, Praia Grande entre outras praias da ilha, possuem infraestrutura de restaurantes, que servem basicamente comidas com frutos do mar ou com carne de búfalo e acompanhamentos. (E.D.)


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Turismo 3

AsdeliciosasiguariasehistóriasdeMarajó A culinária, à base de peixes da região e carne de búfalo, é farta e saborosa. Informalidade é a marca registrada FOTOS ELEMARA DUARTE

O sapoti é uma das frutas típicas da ilha de Marajó. A manga também está presente por todo lado ELEMARA DUARTE eduarte@hojeemdia.com.br

Maria Helena Lima, a “Elenita”, recebe todos os clientes com um abraço afetuoso no seu restaurante a beira-rio, em Soure. Além de boa comida, Elenita faz questão de recepcionar os turistas como se fossem da família. Sentir-se em casa no restaurante da sua pousada é fácil. Difícil é arredar o pé dali depois do almoço e deixar para trás as fantásticas histórias que conta a belenense radicada na ilha há cerca de duas décadas. “Costumo brincar que a minha pousada é cinco estrelas: eu, meu marido (o não menos simpático Sr. Lima) e meus três filhos”, anuncia, enquan-

to traz da cozinha um generoso prato de filé de búfalo à moda. Preciosidade da cozinha “elenista” é também a farofa amarela, crocante e saborosa, ótima para acompanhar um belo filé de dourada. Farofa de acompanhamento vai, comida boa vem, e o Rio Paracauary desce, aos pés dos fregueses, sob o deque onde está o restaurante. Quando menos se espera, o rio se movimenta em sentido contrário – influência do Rio Pará, que deságua no mar, a mais de 50 quilômetros dali. Elenita conta que a pousada foi construída onde antigamente existia um quilombo. Elenita estampa nos olhos a mesma alegria e liberdade dos antigos moradores.

Elenita estampa no rosto a mesma alegria e liberdade dos antigos moradores da ilha de Marajó Tira as sandálias para pisar naquele chão. Abraça as árvores. “Tenho muito respeito por isso daqui”, diz, emocionada. Às margens do rio, de onde vem grande parte dos ingredientes de sua cozinha, ela contempla as águas. No meio da mata, o restau-

‘Forasteiros’instalaram pousadase hotéisna ilha

O Hotel Casarão Amazônia segue fielmente a dobradinha “boa hospedagem mais boa comida” Marajó recebeu moradores que vieram de longe no passado, mas ainda é motivo de encantamento de muitos forasteiros. Seguindo o roteiro-dobradinha “boa hospedagem mais boa comida”, outra dica é o Hotel Casarão Amazônia. O pequeno hotel está instalado em um charmoso casarão do século XVIII, no centro de Soure. Os “forasteiros” em questão são italianos, que visitaram a ilha e se apaixonaram pelo lugar. Para manter a tradição do país da bota, o hotel mantém uma pizzaria com forno a lenha – boa pedida para a noite na cidade. Em Salvaterra, na Pousada dos Guarás, uma das mais tradicionais, há também restaurante com comidas regionais. Para visitar os restauran-

tes, lanchonetes da ilha, leve dinheiro vivo para fazer os pagamentos. A maior parte deles não dispõe de “maquininhas” para débito ou crédito. Mas não se preocupe em levar grandes fortunas nos bolsos. As refeições com acompanhamento, que servem duas pessoas até se fartarem ficam em torno de R$ 30. Bebidas à parte. Os cremes à base de frutas típicas da região, em alguns locais, são servidos como cortesia. Alguns hotéis também disponibilizam passeios em búfalos e de barco, junto aos igarapés.

Passeios a pé ou sobre búfalos Nestas regiões, de onde são catados caranguejos servidos nos restaurantes, o es-

plendor da natureza é obrigatório de ser admirado. Estes passeios custam em média R$ 80, com acompanhamento de guias e materiais de segurança como coletes salva-vidas. Porém, é preciso saber nas recepções das pousadas os horários em que a maré está alta, para que o passeio se torne mais completo e sem problemas – em período do dia com a maré baixa, o trajeto é feito a pé ou todo sobre os búfalos. Um cuidado prático que faz lembrar de um das termos pelo qual os habitantes marajoaras eram conhecidos: “o povo das águas”. Contatos: www.paracauary.com.br, www.hotelcasarao.com e www.pousadadosguaras.com.br.

O casal Antônio e Dete, do Paraíso Verde: o filhote grelhado é um dos pratos campeões rante Paraíso Verde faz jus ao nome. Mais um empreendimento familiar, como a maioria dos comerciantes da ilha. O casal Antônio e Dete – no comando da cozinha, da recepção dos fregueses e do frescor das matérias-primas – criaram o local com poucas interferências nas árvores já existentes no lote. Filhote grelhado, peixe da região, que pelo tamanho não tem nada de filhote está entre os mais pedidos. O cinco “mega” pedaços fazem deduzir o tamanho do bicho, que pode chegar a um metro de comprimento. O restaurante ainda serve pratos à base de caranguejo. Dete estava preocupada com sua participação na exposição agropecuária que

aconteceria na cidade. “Vou ser jurada do ‘frito no vaqueiro’. Carne de boi ou búfalo cozida na gordura. É uma delícia”. A cozinheira diz que o prato era feito por vaqueiros, que o levavam nas comitivas. No final, depois de comer “como rei”, de brinde, um refrescante “Creme de Mangaba” – a fruta é batida com creme de leite e gelada como sorvete.

A dica: pupunha no café da manhã Médico nutricionista há mais de 10 anos, com atuação e paixão por Marajó, onde nasceu, Sandro Vilaça explica que as frutas da região dão tudo o que o organismo humano precisa. “Pupunha é esta

fruta aqui. Ela é cozida com água e sal e comemos no café da manhã”, indica. O nutricionista diz que chegou a fazer um estágio em BH, no Atlético Mineiro, onde incorporou alguns produtos típicos paraenses na alimentação de alguns atletas, como o açaí. Em Marajó, a frutinha negra – badaladíssima no Sudeste brasileiro – é encontrada por todo lugar. O pacotinho com aproximadamente um litro da poupa, sem congelar, sai a R$ 5, aproximadamente. Na ilha, mas também em Belém, usa-se o açaí com farinha, como se fosse um pirão, com peixe ou desjejum. “Açaí com açúcar é coisa de vocês, lá em BH”, brinca Vilaça.


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4 Turismo GUIA DO VIAJANTE COMPANHIAS AÉREAS

AEROLINEAS ARG. - (31) 3224-3766 AEROMEXICO - (11) 3253-3888 AEROSUR (Bolívia) - (11) 3214-0484 AIR CANADA - (31) 2515-8455 ALITALIA - (11) 2171-7610 e 0800-770-2344 ALL NIPPON AIRWAYS - (11) 2246-8600 AMERICAN AIRLINES - 0300-789-7778 e (31) 3238-7200 AIR FRANCE - 0800-880-3131 e 4003-9977 AVIANCA - 4004-4040 (capitais) e 0300-789-8160 AZUL - 4003-1118 (capitais e regiões metropolitanas) e (31) 3689-2692 (Confins) BRITISH AIRWAYS - 0300-789-6140 e 4004-4440 COPA AIRLINES 0800-771-2672 e (11) 3549-2672 CONTINENTAL- 0800-702-7500 DELTA - 0800-881-2121 e 4003-2121 EMIRATES - (11) 5503-5000 GOL/VARIG - 0300-115-2121 IBERIA - (11) 3257-6711 JAPAN AIRLINES - (11) 3175-2266 (SP) KLM - 0800-880-1818 e 4003-1888 LAN - 0800-761-0056 e (31) 3029-1750/1755 LUFTHANSA - (11) 3048-5800 PANTANAL - 0800-12-5833, (32) 3216-3300 (Juiz de Fora), (34) 3319-9495 (Uberaba) e (11) 3040-3900 (SP) PASSAREDO - (31) 3222-2578 PLUNA - (11) 3231-2822, (11) 3711-9158 ou 0800-892-3080 QATAR AIRWAYS (11) 2367-2146 / (11) 2368-2146 SINGAPORE AIRLINES (11) 4305-3507 e (11) 4305-5783 SOUTH AFRICAN AIRWAYS (11) 3065-5115 (SP) SWISS - (31) 3238-7100 TAM - 4002-5700, 0800-570-5700, (31) 3349-5500 (loja), (31) 3490-2277 (Pampulha) e (31) 3689-2233 (Confins) TAP AIR PORTUGAL 0300-210-6060 e (31) 3213-1611 TRIP - 3003-8747 ou 0300-789-8747 TURKISH AIRLINES - (11) 3371-9600 (loja) e (11) 2445-4661 (Guarulhos) UNITED AIRLINES - 0800-16-2323 U.S. AIRWAYS - 0800-761-1114 WEBJET - 0300-210-1234 INFRAERO - (31) 3490-2020 (Pampulha) (31) 3689-2130 (Confins)

TRANSPORTE RODOVIÁRIO RODOVIÁRIA DE BH - 3271-3000 ÁGUIA BRANCA - 3271-7332 ALCINO G. COTTA - 3201-8149 ARCOS - 3272-0046 ATUAL - 3271-8793 e 3272-6104 B.P.A. TRANSPORTES - 3212-7595 CAMPO BELO- 3201-7856 COMETA - 4004-9600 DUQUE DE CAXIAS - 3271-2575 GARDÊNIA - 0800-30-2000 e 3495-1010 GONTIJO - 2104-6300 ITAPEMIRIM - 0800-723-2121 e 0800-701-7002 ITAÚNA - 3201-8120 MOTTA - 3201-7332 PÁSSARO LIVRE - 3201-2770 PÁSSARO VERDE - 3421-5191 PLUMA - 3272-0046 PENHA- 0800-646-2122 PRESIDENTE - 3201-1591 REAL EXPRESSO - 3201-7287 SANDRA - 3201-2927 SANTA FÉ - 3271-0086 SANTA MARIA - 3201-4186 e (37) 3212-7241 (Bom Despacho) SÃO GERALDO (INTER.) - 2104-6300 SÃO GERALDO (MINAS) - 3212-6301 SARITUR - 3272-8525 SERRO - 3201-9662 SERTANEJA - 3201-2604 SETELAGOANO - 3271-8609 TEIXEIRA - 3201-3087 TRANSBRASILIANA - 3271-2575 TRANSIMÃO - 3201-9451 TRANSMOREIRA - 3201-6961 TRANSNORTE - 3396-5631 UNIÃO - 3201-5691 UNIDA MANSUR FILHOS - 3272-5102 UNIR - 3271-1335 ÚTIL - (21) 3907-9600/9000 (RJ)

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TÁXI

Cerâmicamarajoara:umaarteque simbolizaaalmaeavidadeumpovo O antigo processo de fabricação permite que as cores sejam preservadas para sempre ELEMARA DUARTE

ELEMARA DUARTE eduarte@hojeemdia.com.br

Entrar no ateliê de cerâmica dos artesãos Carlos e Rosângela Amaral é como fazer uma viagem no passado para conhecer de costumes artísticos centenários. Em uma casa simples, com um cômodo na entrada para a oficina, vão se mostrando mágicas da natureza à ser viço da arte. A mais curiosa dessas mágicas é a cor das peças. O casal é um dos poucos na ilha que tentam manter o modo milenar de produção das peças. Depois de modelada, a peça recebe uma demão de um esmalte encontrado próximo das praias de rio em Marajó, o argilito, mas apenas no período de seca. Eles raspam a pedra que varia em tons grenás, misturam com água, aplicam sobre a cerâmica e com dentes e pedaços de ossos de animais dão o polimento. Depois das peças serem queimadas no forno, a cor não sai mais. Prova disso são as peças encontradas em sítios arqueológicos em grande parte da ilha.

Desenhos na forma de complicados labirintos Com esses mesmos pedaços de ossos, os artesãos também desenham a “grega marajoara”, outra característica direta da cerâmica da ilha. Estes desenhos variam entre abstratos, como se fossem labirintos, e também fazem representações de animais e

Por toda a ilha de Marajó, o turista encontra ateliês informais, em que o povo local produz a cerâmica com as antigas técnicas

Com pedaços de ossos, os artesãos desenham a ‘grega marajoara’, como se fossem labirintos

insetos, tudo com um significado mágico por trás. O sapo, segundo Rosângela, simboliza saúde ao casal.

Arte repleta de simbologismos Rosângela explica algumas das peças, uma espécie de vaso com formato de sapo, quando deitado, usado em ce-

A artesã Rosângela Amaral tem muitas histórias para contar

Ronaldo Guedes se inspira nas técnicas dos antigos índios, de mais de cinco séculos atrás

PASSEAR EM BÚFALO É OBRIGATÓRIO ELEMARA DUARTE

E MAIS

Caderno de Turismo - HOJE EM DIA Rua Padre Rolim 652 - BH - M (31) 3236-8067 3236-8076

Marajó. Hoje, com a pequena oficina em Soure, o casal consegue manter as tradições e ainda viver com a sua arte. A fase mais estudada da cerâmica marajoara original, feita pelos antigos índios, se refere ao período entre os anos de 400 e 1400, ou seja, até pouco antes da chegada dos portugueses ao litoral brasileiro.

FOTOS ELEMARA DUARTE

LIGUE TÁXI 3421-3434 e 0800-301414 COOMOTÁXI - 3418-2020 BH TÁXI - 3215-8081 COOPERTÁXI - 3421-2424 COOPERTRAMO - 3454-5757 TAXIBEL - 3442-8977

ABAV-MG - (31) 3213-3433 e 3213-2285 ABIH-MG - (31) 3222-1276, 3222-5940 e 3273-2514 ABRASEL-MG - (31) 3282-5533 AMETUR (TURISMO RURAL) (31) 3275-2139 e 3292-4157 (fax) BELOTUR - (31) 3277-9703 e 3277-9705 BRAZTOA-SP - (11) 3259-9500 BH CONVENTION BUREAU (31) 3261-2547 e 3213-5405 INSTITUTO ESTRADA REAL (31) 3241-7166 SECRETARIA DE ESTADO DE TURISMO - (31) 3270-8501 e (31) 3270-8502 SENAC-MG - 0800-314440 SINDETUR/MG - 3271-7198 SKAL INTERNACIONAL BH (31) 3281-7655 e 3287-8101

rimônias de casamento. O vasinho, chamado de “Cumaru”, tem dois furos por onde se colocava água e a partir dali o noivo bebia de um lado e a noiva do outro. “A peça simboliza a união do casal”, explica. Carlos aprendeu a criar as cerâmicas com a avó, descendente da tribo aruã, que existiu até por volta de 1700, em

Os búfalos foram introduzidos no território brasileiro no final do século XIX, e esse trabalho começou justamente pela ilha de Marajó – daí a quantidade desses animais perambulando pela rua ou criados

em grandes fazendas. Apesar do aspecto aparentemente ameaçador e da fama de bravo que vem dos seus irmãos africanos, o búfalo de Marajó é extremamente dócil e domesticável.

Jovemartesãodailha seinspiranosantigos Se no ateliê de Amaral, a tradição é a sua busca constante, na casa de artesanato do jovem escultor Ronaldo Guedes a meta é a criatividade a partir dos conhecimentos antigos. Ele cria peças com inspiração nas gregas, mas também com madeira e sementes da região. O artista, que também vive em Soure, ministra pequenos cursos de artesanato de um a dois dias na sua oficina. “A pessoa quer saber como são feitas as peças. Mas tem alguns turistas que gostam mesmo é de colocar a sua energia no barro, tirar o estresse durante a criação”, explica. Informações pelo e-mail artemarajo@hotmail.com. A cultura marajoara começou a ser estudada desde o final do século XIX, quando

viajantes naturalistas tomaram conhecimento da cerâmica funerária da ilha. Há estudos arqueológicos que defendem que a cultura marajoara originou-se localmente, a partir de um processo de mudança cultural que ocorreu entre as comunidades que já habitavam a Ilha desde há 3.500 anos. Em outros estudos, datações radiocarbônicas estimam que a expansão foi maior no século XIV. Não existem mais tribos em Marajó. A suspeita é de que esses povos migraram para outras regiões ou mesmo, de que se autoeliminaram. Alguns artesãos lamentam que não haja empenho governamental para preservar os achados dos sítios arqueológicos. (E.D.)

Ilha de Marajo, um tesouro que o Brasil precisa conhecer  
Ilha de Marajo, um tesouro que o Brasil precisa conhecer  

Materia publicada no Jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte, no dia 17/11/2011.