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EDITORIAL

GESTÃO DOS NUTRIENTES EM TEMPO DE CRISE Não vale apena esconder aquilo que é óbvio, a produção de leite na Europa, e mais especificamente em Portugal, vive um período difícil que, ao que tudo indica, se vai prolongar. Este período de dificuldades resultou de diversos fatores: - do posicionamento do preço do leite a valores pouco interessantes por excesso de produção mundial, com todas as zonas do globo a apresentarem crescimento na produção nos últimos tempos; - do elevado preço dos fatores de produção (que deverá manter-se), nomeadamente das matérias primas essenciais para complementar as forragens existentes em cada exploração — milho, trigo, soja e correspondentes subprodutos —, motivado essencialmente por secas inesperadas nos EUA e pelo aumento da procura; - do aumento do custo das forragens devido à seca na Península Ibérica, que se prevê que condicione a disponibilidade até à próxima campanha; - e, ainda, do custo da energia, afetada pelos valores recorde atingidos pelo petróleo, não se prevendo que a situação deva mudar nos próximos anos dada a procura cada vez maior por parte de economias em crescimento como a China, o Brasil, a Índia e o Médio Oriente. Uma coisa é certa, todos estes fatores influenciam negativamente a rentabilidade das explorações de leite, cujas margens ficam cada vez mais curtas, levando muitos produtores, principalmente aqueles que tentam manter a tradição familiar, a sentirem-se empurrados para fora do negócio, por politicas globais ou mesmo do próprio País. Uma vez que não se afigura possível alterar o preço do leite ou dos fatores de produção, dado que os mesmos resultam da relação entre oferta e procura “mundiais”, da especulação e dos “monopólios”…só nos resta tentar perceber se a gestão da nossa própria exploração está otimizada, ou seja, se os custos de produção são os mínimos possíveis. Os custos com a alimentação atingiram níveis sem precedentes. A alimentação representa atualmente mais de 75% dos custos de produção de leite. A chave para o sucesso dos produtores depende da sua capacidade de gerir da melhor forma os recursos alimentares disponíveis. A otimização da alimentação será sempre uma ajuda importante para baixar os custos de produção e consequentemente melhorar os resultados económicos da exploração. Será que o arraçoamento que utilizamos está adequado às produções que temos e perfeitamente otimizado para as forragens e concentrados de que dispomos?

A otimização do sistema alimentar pode ser conseguida por diferentes formas, nomeadamente através de arraçoamentos específicos para cada lote de produção em vez de um arraçoamento único da exploração, e pela confirmação de que as quantidades de cada alimento previstas no arraçoamento são efetivamente aquelas que os animais estão a ingerir. Antes de tudo é, no entanto, necessário avaliar com a máxima precisão, a quantidade e qualidade de nutrientes que temos disponíveis na exploração. Os animais não se alimentam das matérias primas em si (azevém, luzerna ou milho), mas sim dos nutrientes (proteína, gordura, etc) que estes alimentos contêm e da sua disponibilidade para o animal. É portanto muito importante fazer uma análise correta das forragens produzidas ou adquiridas, em que exista uma avaliação pormenorizada dos nutrientes existentes e da sua digestibilidade para a produção de leite, para se conseguir fazer um bom arraçoamento para o lote de vacas em questão, em que se utilizem corretamente (nem por excesso, nem por defeito) os nutrientes “em stock” na exploração. Os nutrientes devem ser geridos como qualquer outro fator de produção (adubo sementes, gasóleo …), ou seja, com o máximo rigor. A sua gestão é uma tarefa muito importante dentro de uma exploração, que deve ser feita por empresas com ferramentas tecnológicas de otimização (laboratórios de análises e programas de arraçoamento) que permitam aos seus técnicos disponibilizar um serviço de aconselhamento ao produtor, para este poder tomar uma decisão que leve a uma melhor gestão dos custos alimentares, qualidade do leite, produtividade… Depois, basta fazer o seguimento dos objetivos traçados e do arraçoamento definido. Será que estamos a dar aquilo que estava previsto? As vacas estão a comer tudo? A gestão dos nutrientes em tempos de crise não vai resolver tudo, mas pode ser mais uma ajuda para minimizar os estragos já existentes. Tentar prever o preço do milho, do combustível, ou do leite num futuro próximo ou distante é jogo de ninguém, mas a produção de leite é uma especialidade cujo sucesso está dependente das decisões dos produtores de leite - grandes e pequenos.

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Francisca Gusmão

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ÍNDICE

FICHA TÉCNICA

ACTUALIDADES

EQUIPAMENTOS

Great Taste Awards 2012 premeia queijo de Castelo Branco ....................................................6 Elanco tem novo responsável para o negócio de Ruminantes na Península Ibérica........................6 Robots de ordenha crescem em França ....................6 Empresa Ugenes realiza colóquio sobre Procross.....7 Sistema Kempen, novo e melhorado..........................8 Kempen tem nova página web ...................................8 Novo teste de sangue para a BSE no horizonte ........8 O Top-20 das empresas de laticínios .......................18 EuroTier - As principais tendências ..........................22 Animais portugueses arrecadam prémios no 3º Concurso Ibérico Limousine..........................47

Panorama dos sensores na produção de bovinos ...58 Recuperar a palha miúda .........................................59 Sistemas de gestão na produção de leite ................60 Destaques SPACE 2012...........................................62

CONHEÇA A LEI: Arrendamento Rural..................................................64

ECONOMIA OBSERVATÓRIO Breves comentários e previsões sobre o mercado de matérias-primas .................................................38 Perspectiva do mercado leiteiro ...............................40 Visão geral do mercado da carne bovina .................42

ENTREVISTAS Crossbreeding - Vigor Híbrido, funcionalidade e rentabilidade ........................................................10 Para onde vão evoluir as forragens..........................20

Calendário de feiras..................................................66

Como rentabilizar a exploração de leite ...................22 Compensa produzir forragens de alto nível nutricional?..............................................................44

PRODUÇÃO Sistema Kempen.......................................................16 Uma chave para a rentabilidade ..............................24 O Impacto da Qualidade Nutricional da Silagem de Milho no custo de formulação de dietas para bovinos de leite.......................................................28 Preciane, para uma melhor utilização da silagem de milho na alimentação de bovinos leiteiros.........30 Gestão da contaminação por micotoxinas em matérias-primas e alimentos para animais.......32 A importância do teor de gordura e proteína do leite para optimizar a produção......................................36 Recria de novilhas - Qual o desenvolvimento corporal ideal? ........................................................46 Bovinicultura extensiva - Estamos a começar ou a acabar?...........................................................48 Maneio Neonatal Saúde do vitelo - parte II ..............52 Podologia bovina - Como se previnem as principais patologias ..........................................56

Fotografia do mês.....................................................67

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COLABORARAM NESTA EDIÇÃO

OPINIÃO

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EDIÇÃO Nº7

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FEIRAS

BEM-ESTAR ANIMAL Ecografia em pequenos ruminantes .........................50

Rum nantes

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PROPRIEDADE / EDITOR

Nugon, Lda. / Nuno Gusmão Contribuinte nº: 502 885 203 Sede: Rua São João de Deus, Nº21 2670-371 Loures Tiragem: 8.000 exemplares Periodicidade: Trimestral Registo nº: 126038 Depósito legal nº: 325298/11

• O editor não assume a responsabilidade por conceitos emitidos em artigos assinados, textos publicitários e anúncios publicitários, sendo os mesmos da total responsabilidade dos seus autores e das empresas que autorizam a sua publicação. •Reprodução proibida sem autorização da NUGON, LDA

• Alguns autores nesta edição já adotaram o novo acordo ortográfico.

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ACTUALIDADES

MUNDO

Great Taste Awards 2012 premeia queijo de Castelo Branco

O queijo de Castelo Branco DOP "Sabores da Idanha" mereceu uma medalha de Ouro no concurso internacional Great Taste Awards 2012 que decorreu este mês em Inglaterra. Este concurso, reconhecido internacionalmente, é organizado pelo Guild of Fine Food que premeia os produtos de especialidade/gourmet, à semelhança da atribuição de estrelas Michelin à excelência na gastronomia e restauração. O Great TasteAwards tem sido descrito como os "Óscares" do mundo dos produtos alimentares. Este ano contou com a participação de 8.800 produtos a concurso, avaliados em provas cegas por um júri de mais de 300 especialistas. Os queijos da Cooperativa de Produtores de Queijos da Beira Baixa são conhecidos a nível nacional e a qualidade e excelência dos seus produtos é cada vez mais reconhecida a nível nacional e internacional. A Cooperativa de Produtores de Queijos da Beira Baixa tem participado, desde 2010, em concursos nacionais de queijos e em 2011 par-

ticipou pela primeira vez num concurso internacional tendo conquistado a medalha de Ouro com o Queijo Amarelo da Beira Baixa DOP "Sabores da Idanha" no World Cheese Awards 2011, Inglaterra. Este ano, a Cooperativa de Produtores de Queijos da Beira Baixa viu toda a sua gama de queijos e requeijões com denominação de origem protegida conquistar um pleno de Ouro com 6 medalhas no Concurso Nacional de Queijos Tradicionais Portugueses com Nomes Qualificados, em Santarém, no âmbito da Feira Nacional de Agricultura. Recentemente, a Cooperativa de Produtores de Queijos da Beira Baixa arrecadou um 4º lugar no concurso International Cheese Awards, Inglaterra, na categoria de Best New Dairy Praduct com o produto Bombom de queijo "Sweet Cheese" desenvolvido em parceria com a Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril. x

Elanco tem novo responsável para o negócio de Ruminantes na Península Ibérica Tiago Teixeira é o novo responsável de negócio de Ruminantes da Elanco para Espanha e Portugal. Tiago Teixeira é licenciado em Medicina Veterinária pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e trabalhou durante alguns anos como clínico de bovinos na região norte do país. Durante esse tempo, foi também

assistente na mesma Universidade onde se licenciou, atividade essa que exerceu durante mais de três anos. Em 2007, ingressou numa Multinacional Farmaceutica americana, onde ocupou varios cargos até finais de 2009, quando foi nomeado Director de Negócios de Ruminantes, cargo que ocupou até finais de Junho de 2012. Desde Jullho deste ano, é o novo Business Unit Manager de Ruminantes para a Península Ibérica, tendo sido contratado no seguimento de uma forte aposta da Elanco na área dos Ruminantes, onde se espera um grande crescimiento e uma solidificação desta área de negócio nos próximos anos. x

Robots de ordenha crescem em França

A evolução do número de explorações aderentes ao controlo leiteiro e que possuem um robot de ordenha cresceu duma forma exponencial desde o início do ano 2000, apenas com uma ligeira inflexão em 2009 devido à crise do setor do leite. No final de 2011, existiam 1.866 explorações equipadas, o dobro das que existia em 2008, e o triplo das de 2007. Entre estas, 76% possuía um estábulo, 23% tinha dois estábulos e apenas 1% tinha três ou mais. Em 2011, em França, menos de 70% das explorações leiteiras tinham aderido ao controlo de desempenho oficial. Extrapolando os números anteriores, estima-se que cerca de 2.800 explorações (4% das explorações leiteiras francesas) estavam equipadas com, pelo menos, um robot de ordenha, representando no total cerca de 3.500 robots no mercado francês. De acordo com algumas fontes (De Koning, 2012),o número de explorações que possuía um robot no mundo, em 2011, é estimado em 12.700. Estima-se que o Mercado francês represente aproximadamente 15% do mercado mundial. x

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Fonte: Institut de l’Elèvage

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MUNDO

ACTUALIDADES

Empresa Ugenes realiza colóquio sobre Procross

Em julho passado, a empresa Ugenes organizou um dia aberto seguido de colóquio técnico sobre a vaca Procross. O Procross na produção de leite não é novidade mas é um tema que tem vindo a ser abordado com maior insistência nos últimos tempos, pois tem demonstrado em muitos casos respostas positivas nas explorações aderentes a esta técnica. Envolve cruzamentos entre diferentes raças de leite com o objetivo de melhorar a produção e a saúde da exploração, bem como os aspectos morfológicos e funcionais. As raças que se destacam são a Holstein, Vermelha Sueca e a Montbeliarde. Durante a jornada, foram visitadas as explorações do Sr. Alexandre A. Cunha no Sabugo e também a exploração do Sr. Diamantino Lagoa nos Olhos de Água, concelho de Palmela, para os produtores poderem verificar a qualidade dos animais e trocar impressões técnicas com os proprietários. No final do dia foi promovido, no restaurante Gaspachinho, na Moita do Ribatejo, um colóquio técnico apresentado por Carlos Serra e Eng. António Castanheira, seguido de um jantar. Carlos Serra é da opinião que os diferentes cruzamentos são alternativas para fugir à consanguinidade que existe dentro da raça Holstein e são uma forma de juntar numa só vaca o que existe de melhor na linha do leite. x

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ACTUALIDADES

MUNDO

Sistema Kempen, novo e melhorado

A Nanta lançou no mercado português o seu novo e melhorado Sistema Kempen para a alimentação das vacas de leite. O Kempen é um sistema de alimentação para vacas em lactação que consiste no fornecimento de um concentrado granulado e de uma forragem palatável. É uma opção muito interessante para melhorar a rentabilidade da exploração e encarar melhor os tempos de crise. A gama é composta por três produtos adaptados tanto às necessidades de produção como à disponibilidade de forragem. O benefício mais evidente com o novo Sistema Kempen é o aumento de produção de leite por vaca. Pode chegar até 40% mais elevada que com o sistema de alimentação tradicional, ainda que diminua o teor em gordura e mantenha estável o teor em proteína.

Esta maior produção de leite é possível porque a ingestão de matéria seca total, até ao pico de produção é superior a 4 Kg por dia, face ao sistema de alimentação tradicional. Outros benefícios são igualmente importantes: a facilidade de trabalho, a economia de mão-de-obra, a simplicidade de sistema que evita a ocorrência de erros, a melhoria da saúde e fertilidade das vacas, a diminuição de stress nas vacas no momento de ir para o comedouro, uma ração mais consistente e equilibrada ao longo do ano e um baixo investimento. O sistema Kempen dá às vacas todos os nutrientes necessários para favorecer uma elevada produção de leite, alta fertilidade e um bom estado de saúde. Mais informação em www.kempen.pt x

Kempen tem nova página web

Para apoiar o lançamento do novo Sistema Kempen, a Nanta publicou a sua nova web www.kempen.pt. Este novo dominio online está orientado, exclusivamente, a dar informação sobre as possibilidades do sistema aumentar a produção de leite e diminuir o trabalho diário na exploração. Na nova página encontrará informação corporativa sobre o Kempen, a sua história e a inovação que contribui para a produção leiteira. Outra secção inclui também informação do novo sistema, os seus produtos, em que consiste e a sua viabilidade nas explorações. Na web os produtores também poderão informar-se sobre a possibilidade que têm para avaliar a viabilidade do sistema na sua exploração, graças à Auditoria Kempen. A Nanta, através da sua rede de técnicos, põe à sua disposição algumas ferramentas de auditoria para fazer uma boa análise se o Kempen pode ser a solução para melhorar a sua produção. Mais informação em www.kempen.pt x

Novo teste de sangue para a BSE no horizonte

Uma descoberta recente feita por investigadores médicos da Universidade de Melbourne, na Austrália, pode fazer com que um simples exame de sangue baste para detetar a doença de Creutzfeldt-Jakob e a encefalopatia espongiforme bovina (BSE). De acordo com um comunicado publicado em setembro passado, utilizando uma sequenciação genética recentemente disponível, os investigadores descobriram que as células infetadas com priões (o agente infeccioso responsável por estas doenças) libertam partículas que contêm "genes de assinatura facilmente reconhecidos”.

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O Professor Andrew Hill, do departamento de bioquímica e biologia molecular no Instituto Bio21 da Universidade de Melbourne disse que essas partículas viajam na corrente sanguínea, tornando possível um diagnóstico através duma análise ao sangue. A pesquisa já foi publicada na revista Oxford University Press Research Nucleic Acids. O autor principal deste estudo, Shayne Bellingham disse que a descoberta também pode ajudar a detetar outras doenças neurodegenerativas humanas, como Alzheimer e Parkinson:"Este é um campo novo, onde podemos testar as condições no cérebro e em todo o corpo, sem ser invasivo". O teste dos investigadores genéticos centrou-se numa forma de célula descarga chamada exossoma. Se os exossomas foram infetados com priões (agente patogénico que causa a doença de Creutzfeldt-Jakob e BSE), transportavam uma assinatura específica de pequenos genes (microRNAs). x

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ENTREVISTA

Crossbreeding Vigor Híbrido, funcionalidade e rentabilidade

Alexandre Arriaga e Cunha valoriza o VIGOR HÍBRIDO para maximizar a rentabilidade da sua exploração Leiteira.

O Casal de Quintanelas, situado no Sabugo, PeroPinheiro, concelho de Sintra, é, desde há muitos anos, considerado uma exploração de referência devido à manada de alta genética Holstein de que é detentora. O negócio começou em 1957 pela mão de José Manuel Arriaga e Cunha, um verdadeiro aficionado da vaca “eficiente”. Entrevistámos Alexandre Arriaga e Cunha, que nos contou o que está a fazer para melhorar as caraterísticas do seu efetivo, através do projeto Crossbreeding(*).

Em Quintanelas cultivam-se cerca de 260 hectares para produção de forragem. Desses, 100 estão em prado permanente, pois é a única forma de tirar partido de solos finos e pobres, que difi-

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cultam a mobilização. Na restante área, de solos basálticos, produz-se azevém anual para ensilar. O efetivo conta com cerca de 230 vacas em ordenha, com uma média anual de 11.500 l/vaca. São cerca de 500 cabeças no total, sendo toda a recria feita no Casal de Quintanelas. As vacas estão em regime de estabulação livre com cubículos, e as vitelas até aos 2 anos de idade estão na pastagem durante uma boa parte do ano, com ministração diária de concentrado. A exploração emprega 10 funcionários, dos quais 8 habitam na área social da empresa. A última vaca que entrou na exploração foi em 1967, data a partir da qual se fecharam as portas à entrada de novos animais e toda a seleção passou a ser feita com recurso a sémen importado. Quais as razões que o levaram a optar pelo Crossbreeding? A partir de determinada altura foram surgindo diversos problemas no efetivo, com muitos animais a adoecerem, a não recuperarem e a morrerem sem razão aparente. Foram aparecendo cada

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ENTREVISTA vez mais casos de vacas coxas e mamites, entre outras maleitas, apesar de o nosso maneio ser bom. As vacas passaram a apresentar uma dificuldade enorme no pós-parto e a adaptação à lactação foi-se tornando cada vez pior, com as estatísticas da reprodução a entrarem no encarnado. Parecia que estávamos a lidar com vacas de cristal, pois todos os dias deparávamos com problemas inesperados, causadores de despesas de farmácia incomportáveis. Instalámos até a regra de que todas as vacas Holstein, a seguir ao parto seriam entubadas e ser-lhes-ia (ainda é) ministrada uma solução eletrolítica enriquecida com propilenoglicol para que a transição para a lactação fosse facilitada, para além de que lhes seria ministrado cálcio subcutâneo mesmo sem apresentarem sinais de estarem a precisar de acompanhamento medicamentoso. Entretanto, íamos falando com amigos e colegas de profissão que nos iam relatando (continuam a fazê-lo) problemas semelhantes nas suas explorações. Atribuímos esta crescente fraqueza dos animais à consanguinidade. Começámos então a procurar uma solução para esse impasse e, através do nosso amigo de longa data, o Carlos Serra, tomámos conhecimento do projeto “Procross”, implementado e desenvolvido nos EUA, pela Universidade do Minnesota, através do conhecido geneticista Les Hansen, que procura as melhores raças para cruzar com a Holstein Friesian para lhe devolver a resistência e a longevidade há muito perdidas, sem comprometer a sua tão famosa e cobiçada produtividade. Quando teve início este novo projecto de Crossbreeding? No dia 19 de Julho de 2007 chegaram ao Casal de Quintanelas as primeiras doses das raças Montbéliarde e Vermelho Sueco. A primeira vitela cruzada nasceu no dia 11 de Maio de 2008.

O que pode dizer-nos sobre o seu grau de satisfação, até ao momento? Desde que começámos com o Crossbreeding até aparecerem os primeiros produtos senti-me bastante desconfortável. Pensei estar, eventualmente, a destruir uma manada de alta genética que tinha recebido do meu pai, com quem trabalhei 10 anos. Mas, quando os primeiros animais começaram a nascer, invadiu-me um entusiasmo que até aí nunca tinha sentido, fruto da sensação de estar a contribuir para deixar uma impressão digital conducente a uma mudança radical de rumo na empresa. Acredito que esse novo rumo nos vai voltar a colocar no caminho do sucesso, o que torna esse entusiasmo realista. Não vejo, neste momento, alternativa ao Crossbreeding para ultrapassar o impasse da falta de vigor da raça pura Hostein, pois a conjuntura económica impede que esperemos que a solução surja de dentro da raça, através de uma seleção mais virada para a longevidade e menos para a produtividade. No nosso caso, decidi não ficar à espera e arrepiar caminho.

Quantas gerações de animais de raças cruzadas possui? Já estão a nascer os animais da 3ª geração, embora continuem a nascer animais da 1ª e da 2ª. Temos 3 bonitas vitelas da 3ª geração às quais eu chamo Holstein com Vigor Híbrido (VH).

Como têm sido as lactações das vacas que resultam destes cruzamentos? As produções por lactação são altas, mas o que conta é a produção em vida. No pico da lactação, as cruzadas não dão tanto leite como as Holstein mas não perdem tanto peso, manifestam cio mais cedo, são mais férteis e, enquanto que a maioria das

Holstein ainda está a lutar por se livrar do balanço energético negativo em que entra após o parto, já a maioria das cruzadas está com um novo vitelo no ventre, a produzir bom leite e em excelente condição corporal. Temos uma vaca que no dia em que fez 2 anos já estava cheia para a 2ª lactação. Vai parir pela 4ª vez ainda em 2012 e fez 4 anos no dia 9 de julho último. Quando fizer 5 anos de vida, estará potencialmente pronta para parir pela 5ª vez. Deu onze toneladas de leite na 2ª barriga, nos 227 dias dessa lactação. E, como esta, há muitas à espera de vez para se revelarem, assim acredito! A 1ª vez que esta vaca foi inseminada após o 1º parto, tinha 39 dias de parida. Vai para a 4ª lactação, e foi inseminada 4 vezes até hoje.

Que critérios de escolha segue para os reprodutores das diferentes raças? Exatamente os mesmos que sempre segui para a raça Holstein. Procurar os melhores touros de cada raça é, na minha opinião, a melhor forma de construir progresso. Durante o período em que trabalhámos com a raça pura Holstein, sempre escolhi os reprodutores com base no seu Net Merit (**), para cujo cálculo é tida em conta a longevidade das filhas, e não olhando apenas para o fator produtividade. O tipo de vaca e a sua durabilidade sempre foi algo a que dei a maior importância. Eu nunca escolhi touros para dar filhas que apenas produzissem muito leite. Procuro desde sempre touros que produzam filhas que maximizem o lucro económico da exploração, não só através da produtividade, como através da longevidade e consequente produção de descendência. Mesmo assim, fomos como que “empurrados” para o Crossbreeding pois, dentro da raça pura, tornou-se muito difícil não ser atingido pelas consequências nefastas da generalizada consanguinidade. Usa sémen sexado? Não, nunca usei.

Que consequências mais visíveis do Vigor Híbrido tem observado nas suas vacas? Poucos minutos após o nascimento, os vitelos procuram avidamente o úbere da mãe para mamar, coisa que os Holstein já pouco fazem. As vitelas cruzadas são mais difíceis de imobilizar pois têm muito mais vigor. Quando entramos no viteleiro, reparamos que são as que correm e saltam mais e, sobretudo, são as que estão mais gordas. As Holstein puras estão no geral mais magras, sujeitas à mesma alimentação e ao mesmo maneio, em qualquer faixa etária. Quando adoecem, a recuperação é mais lenta. Parecem também menos felizes. As cruzadas geralmente têm bons cascos, fazem cios mais exuberantes e têm melhores taxas de sucesso na inseminação. O que mais salta à vista nestas vacas é a boa adaptação à lactação no pós-parto. A seguir ao parto, uma altura problemática para qualquer vaca, levantam-se mais rapidamente, vão-se menos abaixo e adoecem muito menos que as Holstein. Não perdem tanto peso e, por sistema, não recebem eletrólitos, propilenoglicol ou cálcio a seguir ao parto, salvo se adoecerem efetivamente. As Holstein perdem bastante peso, as Suecas perdem ligeiramente, e as Montbéliard não perdem praticamente nada. Na minha opinião, 90% dos problemas das vacas Holstein derivam do facto de estarem muito tempo em balanço energético negativo, devido à quebra do apetite na fase inicial da lactação.

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Sabemos que optou pelo Crossbreeding de três raças leiteiras. Quais são e como se aplica? A base de trabalho é Holstein, como sabe. Através do Carlos Serra, tivemos acesso a toda a informação elucidativa do correto funcionamento do projeto “Procross”, que temos cumprido com toda a fidelidade. Começámos por usar Montbéliard nas vacas e Vermelho Sueco nas vitelas, devido à maior facilidade de partos desta raça. Ao princípio, estávamos receosos de que uma novilha Holstein inseminada com Montbéliard tivesse dificuldade em parir, mas agora já não temos problema nenhum em aplicar um touro Montbéliard numa vitela, mesmo Sueca, pois utilizamos touros criteriosamente escolhidos para aplicação em vitelas. O que é, de facto, difícil é retirar de dentro de uma vaca ou novilha uma cria Holstein porque, devido ao show business, que incentivou e desenvolveu a criação de animais muito estilizados, as vacas foram ficando com espáduas muito altas (tipo cavalos) o que dificulta a passagem de uma cria pelo canal da bacia da mãe. Eu tenho visto várias vezes um homem sozinho a tirar de dentro de uma vaca um vitelo Montbéliard enorme, à mão, sem a ajuda do forceps. Isso deixou de ser possível fazer-se com uma cria Holstein, mesmo de tamanho médio, já desde há muito tempo. Da sua experiência, que aspetos de realce encontra nas novas raças utilizadas no Crossbreeding? Destacaria a robustez e uma grande “vontade” de dar leite na Montbéliard. São vacas muito resistentes, que não precisam de ser “levadas ao colo”. É isto que eu considero uma vaca com interesse. São vacas funcionais. Finalmente estamos a conseguir criar vacas que pegam quando são inseminadas, que não estão sempre coxas, com mamites ou com qualquer outro tipo de doença, que respondem bem aos tratamentos, que não passam a vida a dar-nos a sensação de que o nosso maneio é insuficiente, que se aguentam e que funcionam bem com as 3 ordenhas. Em relação à Vermelha Sueca, destacaria a saúde dos cascos, que muitas vezes são pretos, a saúde dos úberes e a facilidade de partos. É uma vaca mais Holsteiinizada na sua conformação.

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Ao lado dos animais destas duas raças, as vacas Holstein parecem flores de estufa... Numa vacaria no Estado do Wisconsin (EUA) com 8 anos de Crossbreeding, vi as vacas a dirigirem-se à sala de ordenha a galope e a regressarem ao estábulo nesse mesmo passo, de caudas no ar, cheias de alegria, em chão de cimento. As Holstein, há muito tempo que não as vejo com essa atitude.

Qual a melhoria registada até agora na sua exploração, no que diz respeito à performance reprodutiva obtida através do programa Crossbreeding? Penso que essa informação ficará bem resumida no quadro em anexo, que mostra os principais parâmetros: Holstein: Cruzadas Holstein: Cruzadas: Holstein: Cruzadas: Holstein: Cruzadas:

Dias de lactação Produção média por dia (litros) Dias em aberto Número de vacas

218 178 33.80 35.90 141 108 94 104

Nestes 5 anos de Crossbreeding já atingimos objetivos muito importantes relacionados com a reprodução, nomeadamente no intervalo entre partos, que num passado recente chegou a estar acima dos 450 dias e neste momento está nos 408, e nos dias em aberto, que chegaram a ultrapassar os 170 e agora estão nos 130; a nossa percentagem de pegas à primeira inseminação está nos 35% (18% à segunda inseminação e 47% com 3 ou mais inseminações). Nenhum destes parâmetros esteve assim com vacas Holstein, a não ser quando a média do estábulo era de 7.000 ou 8.000 litros por vaca.

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ENTREVISTA

Em termos de saúde animal, tem notado alguma diferença desde que optou pelo Crossbreeding? Tudo o que são mamites, células somáticas, nados mortos, taxa de refugo, melhorou com o Crossbreeding. O Vigor Híbrido trouxe mais saúde, mais resistência, mas também maior dificuldade de maneio, pois agora temos vacas com mais força e mais rebeldes. São em quase tudo muito diferentes daquelas a que estávamos habituados. Comenta-se que a produção das vacas cruzadas é inferior à das vacas Holstein puras... Quando aderimos a este projeto, o nosso objetivo não era aumentar a produção, mas obter vacas mais resistentes, que dessem menos problemas e durassem mais tempo, sem comprometerem a produção. De acordo com as nossas estatísticas, a produção das cruzadas está 2 l/vaca/dia acima da das Holstein, pelo facto de estarem mais vezes que estas na rota ascendente da lactação, pois, com maior fertilidade, parem mais vezes. Que diferenças nota ao nível da qualidade do leite? Segundo as análises realizadas, o leite tem-se mantido sem alterações consideráveis, comparativamente com a época pré-Crossbreeding e, embora não esperemos diferenças significativas no leite da 1ª geração de cruzadas, esperamos na 2ª geração um leite mais rico em componentes.

Existe alguma diferença entre o valor de venda do refugo Holstein e o cruzado? Ainda não tenho refugo de cruzadas suficiente a ponto de poder dizer isso, mas a sua conformação assim promete e os nossos compradores de vacas de refugo têm dado sinais de pagarem mais, principalmente pelas Montbéliard. Percebe-se que a apetência é grande...

Atendendo à conjuntura económica em que vivemos, com o preço da alimentação elevado, nota alguma diferença ao nível da eficiência alimentar entre as vacas puras Holstein e as vacas cruzadas? As vacas cruzadas governam-se com menos, parecem mais eficientes na conversão. Se formos ver as vitelas que estão sujeitas à mesma alimentação e ao mesmo maneio, vemos as cruzadas com uma conformação que eu considero excelente, mas as Holstein estão, regra geral, mais magras. Em adultas isso nota-se particularmente na primeira fase da lactação.

Normalmente afirma-se que, para a Holstein pura a idade para a primeira cobrição se situa aos 13 meses com um peso de 370 kg. Em relação às novilhas cruzadas essa meta é idêntica? Geralmente inseminamos as vitelas com cerca de 60% do peso em adulto. Com as Vermelhas Suecas, por uma questão de prudência, uma vez que têm que ser inseminadas com Montbéliard e não lhes queremos criar dificuldades de parto, esperamos mais um pouco por elas, até terem perto de 400 kg de peso vivo, pois não nos podemos esquecer de que o touro Montbéliard é enorme. A verdade é que os problemas de parto têm sido praticamente nulos. Com as vitelas Holstein e Montbéliard, que são inseminadas com Vermelho Sueco chegamos a servi-las aos 11 meses, se tiverem tamanho, o que acontece frequentemente. Como encara alguns artigos que aparecem na imprensa, detratores desta nova genética? Se tiverem sido escritos por entidades que vendem sémen da raça

pura Holstein, dou-lhes o respetivo e prudente desconto. Se forem artigos com uma base científica credível, com certeza que os leio com toda a atenção e disponibilidade para registar tudo o que de inovador consiga assimilar. Mas ainda não me apareceu nenhum a dizer mal disto e que eu considerasse digno de registo.

Sendo um produtor reconhecido por ter uma genética pura Holstein de tão alto nível, não receou que as coisas pudessem não correr como esperava, pelo facto de passar para o Crossbreeding? Receei muito e foi muito difícil tomar esta decisão, foi mesmo uma das decisões mais difíceis que tomei até hoje. Mas estudei o problema, rodeei-me dos meus 3 conselheiros habituais e o projeto acabou por ser aprovado por unanimidade, pois não havia alternativa. Se dentro da raça pura já se conseguem obter com facilidade vacas a produzir 70 ou 80 litros de leite por dia, é natural que dentro de algum tempo também se consigam obter vacas que durem 10 anos a produzir, mas isso vai talvez demorar tempo demais e até lá muitas explorações vão passar por um verdadeiro pesadelo, se entretanto não aderirem ao Crossbreeding. Era o que nos estava acontecer, estávamos num beco sem saída e o Casal de Quintanelas é, não convém esquecer, uma empresa com fins lucrativos, logo não dá para brincar nem com a raça pura nem com o Crossbreeding. Passados estes anos, o que digo é que só faz sentido chamar “alta genética” a uma manada de vacas leiteiras se ela der dinheiro a ganhar ao proprietário. Só se for rentável é que uma manada merece o rótulo de “alta genética”. Se não pagar as contas é “baixa genética”. É suposto a vaca “tomar conta” do seu dono e não precisar que seja ele a tomar conta dela para lá dos limites do razoável. Só faz sentido criar Holsteins de raça pura num ambiente em que haja um excelente mercado de procura de reprodutores e em que o seu valor económico seja compensador, que é o contrário da atual conjuntura. Vendi muitos vitelos Holstein de “Alta Genética” por € 50 ao mesmo tempo que estavam a pagar € 100 pelos cruzados de Montbéliard! O meu entusiasmo por este projeto leva-me a acreditar que agora é que estou a construir uma manada de Alta Genética!

Os machos dos cruzamentos têm sido vendidos por um valor superior aos Holstein? Neste momento, todos os nossos vitelos estão a ser vendidos ao Pingo Doce e o preço pago, em termos relativos, é o mesmo para todos. Mas, antes desta situação, vendíamos os cruzados de Montbéliard pelo dobro dos Holstein. »

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ENTREVISTA »

Quando aderimos a este projeto, o nosso objetivo não era aumentar a produção, mas obter vacas mais resistentes, que dessem menos problemas e durassem mais tempo sem comprometerem a produção. Que inconvenientes encontra no Crossbreeding? Este projeto tem 4 situações desfavoráveis que é importante apontar. A 1ª é uma tendência muito grande das vitelas para mamarem umas nas outras, o que, para uma exploração que faça a recria das vitelas longe dos olhos de alguém que seja responsável pelo maneio, pode ser um verdadeiro flagelo pois, quando parem, aparecem com mamites geralmente graves ou mesmo com quartos secos. As vitelas têm que ser observadas regularmente para serem despistados os casos de mama. O 2º aspeto desvantajoso tem a ver com o facto de as vitelas cruzadas serem muito mais gregárias que as Holstein, por isso, quando é preciso separar uma,

é necessária a intervenção de mais pessoas. Estes animais são também mais agressivos, o que obriga a estar mais vigilante, pois chegam mesmo a “investir” em certas situações, como na altura do parto. São animais que não gostam nada de levar injeções e que manifestam esse desprazer inequivocamente. Esta é a 3ª desvantagem do programa. A 4ª desvantagem reside no facto de se perder um pouco da homogeneidade do efetivo, pois, para além de os animais diferirem em tamanho e cor, aparecem por vezes úberes dececionantes, mas são casos pontuais. Este facto é o que me preocupa menos pois não me importo nada de perder alguma homogeneidade para ganhar longevidade, vida produtiva, saúde e rentabilidade no meu efetivo.

Quais são os seus objetivos futuros? Abrir uma nova entrada de receitas na empresa através da venda de novilhas, passar o número de ordenhas de três para duas, obter mais lactações por vaca e produzir mais leite. Os animais cruzados dão menos leite que os Holstein no pico da lactação, mas, como têm maior fertilidade, acabam por estar mais vezes na fase ascendente da lactação e por produzir mais leite em vida. Acredito que consiga alcançar estes 4 objetivos entre os 6 e os 7 anos após a implementação deste projeto, ou seja, entre Outubro de 2013 e Março de 2014. x

(*) Crossbreeding – Seleção por cruzamento; (**) Net Merit – Mede a rentabilidade do animal durante a vida produtiva. É um índice genético que simplifica o processo de seleção de touros reprodutores com base no seu mérito genético para uma combinação de características economicamente importantes.

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PRODUÇÃO

ALIMENTAÇÃO

Sistema Kempen Aumenta a produção de leite de forma rentável e com menos trabalho Manuel Rondón, Dairy Product Manager Nanta S.A. m.rondon@nutreco.com

Os ruminantes estão biologicamente desenhados para transformarem as forragens e matérias primas com alto teor em fibra, em produtos de alta qualidade como a carne e o leite. As forragens são a base sobre a qual se sustentam nutricionalmente os arraçoamentos para as vacas leiteiras, jogando um papel fundamental na maximização da ingestão de matéria seca, no estímulo da mastigação e na promoção de uma ótima fermentação microbiana no rúmen, criando um ambiente ruminal saudável. A qualidade e quantidade das forragens com que se alimentam as vacas leiteiras está diretamente relacionada com a produção de leite, com os custos de alimentação e com a rentabilidade da exploração.

Na maioria das explorações leiteiras, estas forragens são produzidas na própria exploração e o produtor tenta maximizar a sua incorporação nas dietas para conseguir um menor custo de alimentação. Mas há razões que justificam diminuir a sua incorporação nos arraçoamentos, e que podem resumir-se nas seguintes: - quando se pretende maximizar a produção de leite; - quando a qualidade da forragem varia muito; - quando os preços de compra da forragem são muito altos comparados com a qualidade; - quando a disponibilidade de forragem ou terra para cultivá-la é excessivamente cara; - quando se quer simplificar os trabalhos agrícolas; - quando se dispõe de pouca mão-de-obra.

A Nanta desenvolveu um sistema de alimentação chamado Sistema Kempen que fornece soluções para os problemas referidos anteriormente e que atende às expetativas daqueles produtores que tenham necessidade de diminuir a inclusão de forragens nas dietas e/ou queiram maximizar a produção de leite das suas vacas. O Sistema Kempen é um conceito único e inovador para a alimentação do gado bovino em lactação. Foi desenvolvido conjuntamente pela Nanta e pela NUTRECO em 2002 e testado no Centro de

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Investigação de Ruminantes (RRC) da NUTRECO em Boxmeer, Holanda. Este sistema permite às vacas em lactação o livre acesso a dois tipos de alimentos: uma forragem palatável e um concentrado granulado especialmente formulado para este sistema, chamado Kempen GRASS ou Kempen SUPER (dependendo se a exploração dispõe de fenosilagem de erva ou silagem de milho). O concentrado Kempen tem um diâmetro específico e é composto por ingredientes cuidadosamente selecionados que favorecem uma alta produção de leite, uma elevada fertilidade e um ambiente ruminal seguro e eficiente. O concentrado é fornecido através de um comedouro especial Kempen que faz com que a ingestão seja uniforme ao longo do dia. Graças ao design especial do comedouro Kempen, a vaca leiteira apenas pode consumir uma quantidade limitada de grânulos por minuto o que, junto com uma elevada produção de saliva conduz a um ambiente ruminal saudável. Até 5 vacas podem comer ao mesmo tempo e é necessário um comedouro por cada 20-25 vacas em lactação, evitando o trabalho de rotina de alimentar as vacas diariamente. As vacas visitam o comedouro Kempen entre 9-10 vezes / dia e consomem entre 18 e 21 kg de Kempen Grass (com fenosilagem de erva ou feno de aveia), ou entre 14 e 16 kg de Kempen Súper (com silagem de milho). As vacas auto-regulam a quantidade de concentrado que ingerem e a fibra que comem, dependendo da sua produção de leite.

Centro de Investigação de Ruminantes (RRC) da NUTRECO em Boxmeer.

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ALIMENTAÇÃO

A INVESTIGAÇÃO NO RRC DA NUTRECO E A EXPERIÊNCIA DA NANTA NO CAMPO, TÊM DEMONSTRADO QUE O SISTEMA KEMPEN:

- Incrementa a produção de leite. O incremento da produção de leite por vaca pode chegar a cerca de 40% mais que com o sistema unifeed tradicional, o que diminui o teor de gordura no leite, e mantém estável o teor da proteína. Este aumento da produção é possível porque o consumo de matéria seca total até ao pico de produção é 4 kg mais por dia que com o sistema de alimentação tradicional, atingindo as vacas picos de produção mais altos e uma maior persistência na curva de lactação. Este efeito é muito maior em novilhas de primeiro parto que não sofrem as agressões das vacas multíparas para comer. - Aumenta a produção de ácidos gordos voláteis (AGV). O perfil de AGV obtido é equivalente ao de uma dieta rica em hidratos de carbono estruturais. Os AGV são a primeira fonte de energia para a vaca em lactação. Altos níveis de AGV produzem um estado energético mais alto, o que resulta num aumento da produção de leite e numa menor perda da condição corporal.

- Aumenta o rácio acetato/propionato. O rácio acetato/propionato para o Sistema Kempen é superior em comparação com outras dietas similares em termos da relação forragem/concentrado. Este rácio é um indicador da saúde do rúmen e indica uma maior sobrevivência das bactérias que digerem a fibra (bactérias celulolíticas) (Tabela 1). A relação de AGV 65-21-14 (acetato-propionato-butirato) encontrada no Sistema Kempen (com 75% de concentrado) é semelhante à relação descrita para as dietas com alta inclusão de forragens (70-20-10).

Tabela 1: Diferentes valores de AGV (mM) como resultado de diferentes dietas Acetato Propionato Butirato Valerato Total AGV 78,9 52,4 19,6 NR 161,5 82,8 35,2 22,5 NR 144,9 48,76 21,98 11,37 NR 83,33 53,4 29,3 11,2 1,52 104,5 62,5 26,8 14,2 1,7 114,3 109,5 36,4 23,6 2,43 179,9

A:P 1,6 2,45 2,24 1,95 2,4 3,05

Dieta HMCFS DCCS GDC HCNB HCWB Kempen

Autor Krause, 2002 Krause, 2002 Alvarez, 2001 Khorasani, 2001 Khoranasi, 2001 Nutreco

PRODUÇÃO

de matéria seca por dia do que o sistema tradicional, portanto ingerem mais energia por dia. Isto é devido à densidade da dieta e à ingestão controlada do granulado Kempen. Na primeira semana depois do parto, o consumo de concentrado Kempen aumenta rapidamente até aos 15 kg, o que garante que as vacas tenham um menor balanço energético negativo.

- Reduz a quantidade de trabalho na exploração e poupa custos. Com o Sistema Kempen estima-se que o produtor poupe aproximadamente 35% do trabalho. Gasta menos tempo com a alimentação dos animais e realiza menos tarefas para a produção das forragens, com a consequente diminuição nos custos de amortização e reparação das máquinas e combustíveis. Conclusões A alimentação das vacas leiteiras com dietas baixas em forragens e altas em concentrado é uma alternativa viável para as explorações leiteiras em que a quantidade e qualidade das suas forragens seja muito variável, ou a sua disponibilidade seja limitada, ou o seu preço demasiado alto. Este tipo de arraçoamentos não compromete a saúde das vacas e melhora a produção de leite de forma significativa, permitindo às vacas expressar a sua máxima predisposição genética para a alta produção de leite a partir de um melhor aproveitamento do concentrado. No contexto atual, em que o preço do leite é muito baixo, o Sistema Kempen pode ser a maneira pela qual as explorações leiteiras possam incrementar ainda mais os níveis de produção das suas vacas, diluir os custos operacionais e melhorar a sua rentabilidade. A maior produção de leite por vaca e a poupança nos custos de mão-de-obra e maquinaria, mais do que compensam o maior custo com a alimentação. x

HMCFS: Pastone e silagem de milho com corte fino. DCCS: Farinha de milho moagem fina e silagem de milho com corte grosseiro. GDC: Erva e farinha de milho grosseira. HCNB: Relação. F: C 75:25 sem búfer. HCWB: Relação. F: C 75:25 com búfer. NR: não relatado.

- Não afeta a saúde ruminal. Graças à composição específica do concentrado Kempen, as vacas aumentam os níveis de bactérias celulolíticas e apresentam níveis similares de bactérias amilolíticas, em comparação com animais alimentados com sistemas convencionais. Os investigadores do RRC da NUTRECO concluíram que o pH ruminal não é afetado e o risco de acidose permanece inalterado. Num trabalho recente de Craininx para a Universidade de Gante (Bélgica) chegou-se à conclusão de que o Sistema Kempen não aumenta o risco de acidose ruminal com base no estudo dos ácidos gordos do leite e medições de pH em vacas fistuladas. - Reduz o balanço energético negativo (BEN). As vacas alimentadas com o Sistema Kempen consomem entre 1 e 2 kg mais

Comedouro especial Kempen.

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ACTUALIDADES

MUNDO

O Top-20 das empresas de laticínios O relatório mais recente do Rabobank sobre as maiores empresas de laticínios no mundo destaca a contínua onda de fusões e aquisições e as tensões entre o passado e o futuro da indústria leiteira. Os lugares de topo da lista são ainda ocupados por empresas do mundo desenvolvido, ao passo que as perspetivas de crescimento se encontram além das fronteiras da OCDE. A capacidade destas empresas responderem às dinâmicas dos mercados globais determinará as suas perspetivas de sobrevivência e o seu sucesso futuro. LISTAGEM – As empresas leiteiras no Top-20

Da observação da listagem acima pode-se concluir que a Nestlé e a Danone continuam nos lugares de topo e que 18 das 20 empresas são as mesmas de há um ano. Contudo, o relatório também mostra algumas alterações significativas. A Lactalis continua a subir: com o crescimento contínuo das vendas e a aquisição da Parmalat e da Skanemejerier, passou da terceira para a quarta posição, colada com a Danone. Mas os maiores avanços da tabela foram protagonizados pelos gigantes chineses. Tendo entrado para os Top-20 pela primeira vez em 2010, a Yili subiu 4 posições para 15ª e a Mengiu avançou 2 posições para 16ª. Apesar do avanço das empresas chinesas, a lista das 20 maiores empresas leiteiras continua a ser dominada pelas que estão sediadas em países da OCDE. Nestes mercados tradicionais, o crescimento deverá abrandar nos próximos cinco anos, uma vez que a indústria enfrenta tempos difíceis em termos económicos e demográficos, elevados níveis de consumo de produtos lácteos, consumidores com excesso de peso e preocupações com os custos. Por oposição, mercados emergentes como a China, o Sudeste Asiático, a Índia e a América

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Empresa

País

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20

1 2 4 3 5 7 6 8 9 12 10 11 13 14 19 18 17 -20 --

Nestlé Danone Lactalis Fonterra FrieslandCampina Dairy Farmers of América Dean Foods Arla Foods Kraft Foods Meiji Unilever* Saputo DMK Sodiaal* Yili Mengniu Bongrain Müller* Schreiber Foods* Land O’Lakes

Suíça França França Nova Zelândia Holanda EUA EUA Dinamarca/Suécia EUA Japão Holanda/R. Unido Canadá Alemanha França China China França Alemanha EUA EUA

* Estimativa

Volume negócios leiteiros, 2011 biliões de EUR 18.6 14.0 13.5 11.3 9.7 9.3 8.4 7.4 5.5 5.3 5.2 4.9 4.6 4.4 4.2 4.2 4.0 3.3 3.2 3.1

Fonte: Rabobank, 2012

Latina deverão aumentar bem as vendas. Estas dinâmicas têm vindo a desenvolver-se desde há algum tempo, e muitas das maiores empresas leiteiras têm trabalhado para sobreviver e prosperar neste mercado inconstante. A maior parte tem investido na aquisição de produtos, marcas e competências que lhes permita expandirem-se para outras áreas do negócio e para países em desenvolvimento. Atualmente, 16 das 20 maiores empresas leiteiras têm investimentos em fábricas na Ásia e/ou na América Latina. A maioria das empresas deste Top-20 adquiriu outras companhias ou realizou joint ventures para fortalecer a sua posição. As movimentações mais significativas incluíram: - Aquisição pela Nestlé do negócio de nutrição da Pfizer; a aquisição da Parmalat pela Lactalis; a aquisição da Alasca MilK, nas Filipinas, pela Friesland Campina; a proposta de fusão da Arla com a Milk Link no Reino Unido, e a Milch-Union Hocheifel na Alemanha; a aquisição pela empresa Saputo (sediada no Canadá) do fabricante de queijo norte americano DCI; a aquisição, pela Müller, da Robert Wiseman Dairies no Reino Unido e a joint venture com a PepsiCo nos EUA. x

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ENTREVISTA

Para onde vão evoluir as forragens

Fundada há 22 anos, a Fertiprado é uma empresa dedicada ao mundo das pastagens e forragens. Com sede em Vaiamonte, no Alentejo, a empresa é líder de mercado em Portugal, atuando também em Espanha, Itália e, desde há dois anos, no Uruguai. Baseia o seu crescimento numa forte aposta na qualidade, na Investigação e Desenvolvimento e no melhoramento contínuo das suas misturas pratenses e forrageiras. É também produtora de sementes, atividade que tem vindo a ampliar. Em entrevista à Ruminantes, João Paulo Crespo, diretor geral da Fertiprado, expôs a sua visão sobre o mercado das forragens no nosso país. Qual a importância das sementes utilizadas em território nacional serem melhoradas em Portugal? Portugal é um país muito rico em genética vegetal, existindo muitas variedades desenvolvidas e registadas noutros países, cuja proveniência genética é de Portugal. Isto é assim pelas condições de solo e clima muito diversas, um verdadeiro mosaico geológico, climatérico e de biodiversidade vegetal, de onde podemos extrair novas linhas, apurá-las, cruzá-las e seleccioná-las, de forma a obter as novas variedades. Isto representa muitos anos de trabalho e de persistência.

A Produção de sementes forrageiras é uma nova actividade? Começamos a multiplicação de semente “resgatando” para o mercado um conjunto de variedades obtidas pelo INIA e que passamos a multiplicar. Foi o primeiro passo, já lá vão 10 anos. De aí para cá, temos vindo a aprender e a melhorar os procedimentos, os

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protocolos técnicos e os conhecimentos sobre as necessidades das culturas, sendo hoje uma actividade importante na Fertiprado. Exportamos uma parte importante das sementes que produzimos e queremos ampliar a área de produção que neste momento ronda os 600 ha, maioritariamente em regadio.

Como consegue a Fertiprado garantir a adaptação das sementes às características edafo-climáticas das regiões de clima mediterrâneo? A região do mediterrâneo é por si mesma, feita de muitas realidades, em função dos solos, das temperaturas e dos regimes de precipitação médios das regiões. É preciso conhecer bem todas estas variantes e conjugá-las com outras – como as necessidades dos animais e das próprias explorações - para ter sucesso e satisfazer os clientes. É um trabalho de responsabilidade, construído num histórico de 22 anos de aprendizagem e de ensinamento reciproco, entre a equipa técnica da empresa e os clientes. Temos uma grande diversidade de espécies e variedades com as quais criamos as misturas Fertiprado. É preciso conhecer e aplicar bem os produtos. O êxito também passa pela forma de sementeira, fertilização e maneio.

Como medem a eficácia (valor teórico previsto comparado com o valor real) dos produtos no terreno? Temos muitos protocolos de avaliação da produtividade da pastagem e do valor da forragem. Nem sempre é muito fácil medir a produção e utilização das pastagens, a não ser pelo número de diárias de pastoreio que a parcela permite ao longo do ano. Temos metodologias simples, que já validámos na Herdade dos Esquerdos e que deveremos partilhar com os nossos clientes. Quanto à avaliação qualitativa e quantitativa das forragens, existem muitos produtores a fazê-lo e a Fertiprado tem nesta matéria uma experiencia grande. Trabalhamos com diversos laboratórios. É quase sempre notória a elevada proteína das nossas misturas.

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ENTREVISTA

“A região do mediterrâneo é por si mesma, feita de muitas realidades, em função dos solos, das temperaturas e dos regimes de precipitação médios das regiões. É preciso conhecer bem todas estas variantes e conjugá-las com outras – como as necessidades dos animais e das próprias explorações.”

Para onde caminha o desenvolvimento dos novos produtos (mais proteína, mais digestibilidade, maior resistência à seca…)? No desenvolvimento de novas variedades, os caminhos são muitos, até porque queremos melhorar os nossos produtos a diferentes níveis. Creio que o sistema pecuário de leite, mais intensivo, requer mais proteína para reduzir o peso da suplementação com soja. O extensivo irá contar nos próximos anos com novas variedades, sejam da Fertiprado, sejam de parceiros de outros países. O processo de avaliação da melhoria das nossas pastagens e forragens é contínuo e dinâmico. Actuamos em várias linhas para responder a várias necessidades.

Que serviços presta a Fertiprado aos seus clientes, do ponto de vista agronómico e nutricional? A Fertiprado trabalha em diversas regiões e sistemas de produção. Buscamos servir o cliente de acordo com as suas necessidades, tipo de exploração, e sempre de acordo com a sua vontade. O país agrícola é feito de muitas formas de exploração, cada uma com vantagens e dificuldades próprias. Tal como os solos e o clima, o país agrícola e pecuário é um mosaico. Tentamos aplicar aquela máxima “conhecer global, agir no local”. É um trabalho da equipa técnica e comercial, muito gratificante e cremos que importante.

Vê a situação do preço do leite e das matérias-primas em geral na Europa como uma oportunidade para as forragens? Caminha para o ruminante voltar a ser herbívoro! Mais erva, mais forragem e menos ração. O preço das matérias primas cuja tendência à alta é uma inevitabilidade, pelo aumento da população mundial e dos custos da energia, obrigará a que a produção de carne e de leite se centrem na exploração de solos piores, onde a rentabilidade agrícola é baixa, mas onde se podem obter rendimentos na produção animal a baixo custo. Creio que a tendência para o animal comer mais forragem e pastagem está para ficar.

Qual importância do extensivo alentejano junto ao Alqueva para a produção de forragens de qualidade? Penso que a expansão dos perímetros de rega do Alqueva vai ter um impacto positivo da região. Parece que os custos da rega tenderão a subir!! Há muitos tipos de culturas de regadio, com consumos de água muito variados. É claro que o apoio do regadio no Alentejo é de uma grande importância, sendo fácil intensificar as produções forrageiras de apoio aos regimes pecuários extensivos. Creio que permitirá a expansão da produção forrageira, em paralelo com outras culturas, segundo a região e a vocação do agricultor. Abrem-se sem dúvida mais alternativas e isso é bom. A Fertiprado vai alargar a sua produção de semente para essa zona. Temos apostado no regadio do Caia em Elvas e também nalguns parceiros com barragens particulares, aquelas onde o risco de não haver água é maior. Queremos contar com maior regularidade de água e o Alqueva tem boas reservas. Uma vantagem muito grande mesmo com a água mais cara, a rega estratégica nas culturas anuais de outono inverno, forrageiras e outras, permite ganhos de produtividade muito importantes.

A luzerna em Portugal que futuro tem? A luzerna é muitas vezes chamada de “rainha das forragens”. De facto é, sempre que o solo é bom, profundo, bem drenado, de ph neutro a alcalino. Há poucos solos assim em Portugal e são normalmente utilizados em produção de grão. Produz-se pouca luzerna em Portugal e quem produz ganha dinheiro. O preço do feno de luzerna acompanha a evolução da soja e a procura é grande. Em termos económicos, a luzerna é uma cultura muito interessante, com baixo custo de manutenção e com muitas colheitas ao longo do ano e do ciclo da cultura. Importante é escolher bem a variedade, ter a semente bem inoculada e cumprir os procedimentos técnicos, que a rentabilidade da cultura bem o merece. x

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OPINIÃO

Como rentabilizar a exploração de leite Na sequência do último número voltámos a questionar dois intervenientes no sector do leite sobre as medidas a implementar na exploração. NUM CENÁRIO EM QUE SE PERSPECTIVA UM BAIXO PREÇO DO LEITE AO LONGO DO ANO E A CONTINUAÇÃO DO PREÇO ELEVADO DOS ALIMENTOS (CONCENTRADOS E FORRAGENS), QUESTIONÁMOS DOIS PERITOS NA MATÉRIA ACERCA DAS MEDIDAS DE GESTÃO QUE PRECONIZAM PARA ENFRENTAR ESTES TEMPOS MENOS FÁCEIS. António Mira da Fonseca ICBAS Universidade do Porto

Esta pergunta é de difícil resposta – também se não fosse não valeria a pena colocá-la! Os produtores de leite têm de ser resilientes. Esta será, porventura, a resposta do politicamente correto dos nossos dias!...Apesar de não concordar de todo, penso que também têm de ser – embora, para mim, fundamental é, mesmo, serem inteligentes! Isto porque se, por um lado, há problemas circunstanciais de que a cotação altíssima do preço dos fatores de produção, em particular das matérias-primas utilizadas no fabrico dos alimentos compostos (rações) é o exemplo máximo, e o preço do leite pago ao produtor é, no contexto, extremamente baixo; por outro, há outros problemas, graves, como de ordenamento de território (onde nunca ninguém quis ou ousou mexer!) – que se traduzem numa estrutura da propriedade atual desajustada, com perdas económicas altamente significativas –, bem como de falta de visão, de anos, de muitas organizações.

Este problema exige respostas de contexto e, sobretudo, respostas estruturais. Haja vontade! Tenham, pelo menos, os produtores de leite, a coragem e a hombridade para mudar, bem como para apoiar quem está disposto a tentar, de forma séria, fazer diferente. Falando, agora, de nutrição e alimentação (a área de que mais gosto), tenho que afirmar, neste momento e a título de exemplo, que as vacas não têm, obrigatoriamente, de comer bagaço de soja. Não, não têm! E, mais, dado a soja ser uma fonte proteica por excelência, até para humanos, no limite e sendo fundamentalista, não a deveriam ingerir!... As vacas são ruminantes e, aqui para não correr o risco de ser acusado de populista, cito o que há muito escrevi na introdução dum capítulo da minha tese de doutoramento (em 1997): “ As particularidades do sistema digestivo dos ruminantes permitem, porém, que estes animais utilizem, ainda que indiretamente, constituintes alimentares indisponíveis para outras espécies. Com efeito, a associação simbiótica estabelecida com os microrganismos do rúmen possibilita que os glúcidos estruturais das plantas – compostos re-

As principais tendências

A EuroTier, que se realizará em Hanover (Alemanha), de 13 a 16 de novembro, representa o maior mercado, tanto a nível europeu, como mundial, de novidades para maquinaria agrícola, equipamentos e factores de produção, bem como para a gestão da pecuária profissional. Este ano, com 300 novidades apresentadas por um total de 182 expositores de 23 países, a EuroTier atingiu um recorde absoluto. Este ano surgirão muitos desenvolvimentos inovadores no campo da criação de gado. No que diz respeito à alimentação, as novidades são evidentes, tanto na en-

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silagem como nos equipamentos de descarga dos alimentos, como ainda nos sistemas para a rápida determinação do valor da alimentação dos animais. Uma outra área de foco reside em soluções que, por um lado, melhoram substancialmente a monitorização da condição e saúde do animal e, por outro, ligam e coordenam o controlo, a regulação e processos de trabalho no estábulo do gado leiteiro, bem como ajudam a visualizar e monitorizar estes mesmos processos. Para além disto, são também apresentadas soluções que permitem uma maior automatização e padronização na comunicação de dados entre

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a exploração e parceiros externos. No campo da ordenha mecânica, as novidades não atingiram ainda os limites no que diz respeito a maquinaria moderna e equipamento de mungição, e a ordenha total ou parcialmente automática está em contínuo crescimento. Tal aplica-se igualmente à utilização de informação àcerca dos ingredientes do leite para monitorização sanitária através de equipamento de análises instalado na exploração. No campo da criação de gado, as novidades que monitorizam o nascimento, o mais automaticamente possível, são cada vez mais significativas. x


OPINIÃO

fratários à atuação das enzimas dos animais superiores – representem uma das principais fontes de energia dos ruminantes e que compostos azotados não proteicos sejam utilizados como fontes de proteína. Esta característica coloca os ruminantes numa posição muito vantajosa dentro dos sistemas de produção animal, dado que permite explorar fontes alimentares não utilizáveis em alimentação humana e de animais monogástricos.”

Ou seja: há outras matérias-primas alternativas e conceptualmente mais lógicas ao bagaço de soja, apesar dos seus preços estarem a acompanhar, infelizmente, em alta o preço desta matéria-prima. Os nutricionistas não podem ter medo. Há que fazer, e bem, as contas. Mas, quem as faz? Enfim, “vamos indo e vamos vendo” ou, digo eu, vamos indo e fazendo? x

Garry Mainprize Sócio Gerente de Vale da Lama, Responsável pela Produçao Leiteira e Agrícola

Com os baixos preços do leite e os altos custos da alimentação, temos que ser mais eficientes em todas as áreas e implementar mudanças. De seguida, e sem ser por ordem de importância, descrevo algumas das medidas que tomamos na exploração. Usar tanta forragem da exploração quanto possível e conseguir produzi-la com a maior qualidade possível. Não cortar nos custos variáveis das forragens produzidas para poupar dinheiro. Investir em boas sementes, fertilizantes, bem como colher e ensilar as forragens no adequado grau de maturidade das plantas. Não esquecer que é o trator, no silo, que controla a qualidade da forragem colhida, e não o corta-forragens. Gastar o tempo necessário no silo, a compactar e a encher corretamente por forma a diminuir tanto quanto possível o desperdício. Investir em equipamento de irrigação, de forma a produzir tanta forragem quanto possível na exploração e assim reduzir ao máximo a compra de concentrados ou matérias primas. Ser eficiente na gestão diária da alimentação. Saber o que cada vaca ou novilha comerá, bem como o custo e a quantidade de cada alimento, tarefa executada 365 dias por ano pelas 7 horas da manhã. Precisamos desta informação para sermos eficientes na alimentação de todos os animais. Afinal de contas, é o maior custo de produção da exploração.

É preciso olhar com mais frequência para a produção média por grupos e respectivos dias em leite, torna-se vital mudar de grupo os animais de acordo com estes critérios. Isto também se aplica à recria. Eu tenho diferentes dietas ajustadas para as novilhas desde o desmame até ao parto aos 23,6 meses de vida em média, por forma a que cada grupo coma apenas o que é necessário para a sua fase de crescimento. Evitar ao máximo o desperdício de matéria seca, tanto ao nível da mangedoura como na boca dos silos das diferentes forragens. Fazer análises a todas as forragens numa base semanal, pois podemos ter grandes variações nos silos devido às forragens crescidas em diferentes tipos de solos, o que altera a sua qualidade final nos silos. Eu acho que este é um procedimento vital para ajustarmos as diferentes dietas às variações de qualidade forrageira. Desde há vários anos a esta parte que peço às fábricas de rações para me recolherem amostras das forragens. Isto tem-me ajudado a controlar mais eficientemente a alimentação dos meus animais e a poupar muito dinheiro.

Em suma, eu acho que temos de ser mais profissionais e eficientes que nunca em todas as áreas da exploração, tanto na produção como na reprodução e, muito especialmente, ter cuidado com a qualidade das forragens, não apenas durante o seu desenvolvimento mas também durante a sua ensilagem e armazenagem. x

Ruminantes • Outubro | Novembro | Dezembro • 2012

23


PRODUÇÃO

ALIMENTAÇÃO

Uma chave para a rentabilidade Reformular para obter o maior valor das forragens da sua exploração por Sylvie Andrieu, Responsável Técnica do Departamento de Ruminantes a nível Europeu, Alltech

Agora, se lhe perguntar o motivo pelo qual não acrescenta mais energia, ele provavelmente responderá que não é possível adicionar mais cereais ou outras fontes energéticas à dieta, sem reduzir o fornecimento de forragem o que, em última análise, conduziria a sérios riscos de acidose. Este é, de facto, o desafio do nutricionista: fornecer os nutrientes necessários à produção, saúde e reprodução das vacas leiteiras e, ao mesmo tempo, garantir que a dieta fornece uma estrutura de fibra suficiente para estimular a ruminação e assegurar uma saudável função ruminal. Em suma, isto implica a utilização de muitos cereais ou concentrados e grandes quantidades de forragem que, infelizmente, não são tão ricos em energia e proteína como os concentrados. Estes têm sido desde sempre objetivos conflituosos e a função do nutricionista é: decidir qual é o limite de ingestão de forragem, jogando sempre pelo seguro em termos de acidose. O desafio de aumentar a forragem, mantendo simultaneamente a mesma densidade de nutrientes, foi alvo de recente destaque, tendo sido desenvolvido pela Alltech um novo produto que permite resolver o problema. O novo produto, chamado Optigen é uma fonte de libertação controlada de ureia, com uma curva de degradação ruminal que demonstrou ser bastante semelhante às fontes de proteína vegetal, tais como a farinha de soja. Como se trata de uma fonte de azoto altamente concentrada (41% de azoto, 256% de proteína equivalente), 100 g permitem obter uma quantidade de proteína equivalente a 800 g de farinha de soja, preservando ainda padrões de degradação semelhantes. Deste modo, são criadas novas possibilidades de formulação aos nutricionistas, uma vez que a inclusão de Optigen nas dietas liberta mais capacidade de ingestão, o que permite o uso adicional de mais forragens na alimentação. Uma maior quantidade de forragem na dieta é claramente benéfica para a função ruminal, devido à estrutura da dieta, mas ainda assim é necessário fermentar a fração da fibra no rúmen, para que o respetivo valor nutritivo seja benéfico para a vaca leiteira.

24

Uma das frações mais variáveis na forragem para a digestibilidade é a fibra, uma vez que pode variar entre 40% em forragens de qualidade muito fraca e 85% nas melhores forragens. Estas variações de digestibilidade estão nitidamente ligadas à maturidade da forragem e ao tipo de fibra associado (NDF, ADF e ADL), mas a atividade da microflora ruminal também desempenha um papel significativo. Um parâmetro importante é a quantidade de proteína disponível para o próprio crescimento das bactérias ruminais. Em particular, as bactérias celulolíticas têm um requisito específico e exclusivo para NNP (azoto não-proteico) ou fontes de amoníaco (CPMDairy). Deste modo, é fundamental fornecer fontes de azoto às bactérias para assegurar a sua própria alimentação adequada, para que a fermentação das fibras seja eficaz. Um fornecimento regular é igualmente necessário, na medida em que as bactérias ruminais só conseguem captar um montante máximo de azoto por unidade de tempo. As bactérias conseguem processar o excesso mas não a insuficiência de nutrientes: em caso de excesso, o azoto excessivo será metabolizado em ureia mas, no caso de insuficiência, as bactérias celulolíticas ficarão privadas em fontes de azoto o que, por sua vez, pode diminuir temporariamente a respetiva eficácia do seu crescimento. Alimentar com fontes alternativas de azoto, como o Optigen podem, por conseguinte, assegurar um nível de amoníaco mais constante no rúmen (Fig. 1). Figura 1. Concentração de amoníaco no rúmen após ingestão: libertação de amoníaco da dieta padrão (ureia) ou do Optigen (Adaptação de Lykos et al., 1997): Dieta Optigen

Dieta Standard

18

Amoníaco no rúmen mg/dl

Se perguntar a um nutricionista qual a parte do arraçoamento que ele gostaria de aumentar, se pudesse, na dieta de uma vaca leiteira, existe uma forte possibilidade de a resposta ser ‘energia’. Faz sentido, pois o défice energético é inevitável durante o período inicial de lactação, tendo um impacto negativo direto na imunidade e no desempenho reprodutivo futuro.

16 14 12

Excesso

10

Excesso

Concentração de requisitos de amoníaco necessário para as bactérias no rúmen Défice

8 6

Défice

4 2 0

Ruminantes • Outubro | Novembro | Dezembro • 2012

0

3

6

9

12

15

Horas após a ração da manhã

18

21

24


PRODUÇÃO

ALIMENTAÇÃO

Num ensaio realizado na Universidade Harper Adams no Reino Unido, em que se alimentaram vacas leiteiras com um nível elevado de silagem de milho através da inclusão de Optigen, como substituição parcial de farinha de soja e colza, foram monitorizadas as eficiências energéticas e do azoto. As vacas alimentadas com Optigen revelaram uma maior eficiência de azoto, o que reflecte o facto de as bactérias ruminais captarem o azoto de forma mais eficaz a partir do Optigen, em comparação com o controlo, uma vez que é libertado de forma muito constante ao longo do tempo. Além disso, num ensaio realizado na Universidade Federal de Lavras no Brasil, os investigadores observaram o efeito da fonte de azoto nos níveis médios de azoto ureico no plasma (PUN), como também o tempo passado acima do valor de limite tóxico de 21 mg/dl. Embora não tenham sido observadas diferenças significativas nos níveis médios diários entre os diferentes grupos de vacas, o tempo com azoto ureico no plasma (PUN) acima de 21 mg/dl revelou um aumento de 41 e 46 minutos no caso do Optigen e das dietas de controlo (fontes de proteína vegetal), respetivamente, e de 105 minutos no caso duma dieta contendo ureia. No ensaio do Reino Unido, juntamente com uma maior eficiência de azoto, a eficiência energética foi também melhorada significativamente. De facto, este resultado quase atingiu o valor de um, indicando que a ingestão energética foi praticamente transferida na íntegra para a produção de leite e aumento de peso, revelando claramente a existência de condições ideais de fermentação ruminal (Tabela 1).

Tabela 1. Eficiências de azoto e energéticas de dietas de controlo e de Optigen dadas a vacas leiteiras Controlo

Optigen

P-value

Ingestão (g/d)

619

581

<0.001

Azoto - produção de leite (g/d)

165

162

0.427

Eficiência de azoto

0,267

0,281

0,002

Ingestão ME (MJ/d)

275

264

0.067

Produção ME (MJ/d)

251

262

0.155

Eficiência ME

0.914

0.997

<0.001

Azoto

Energia

Este efeito é também claramente evidente ao nível da exploração leiteira: num ensaio de campo em grande escala realizado na Polónia em 2009, sob a supervisão de investigadores da Universidade de Cracóvia, a introdução de Optigen, de forma semelhante à descrita anteriormente, resultou numa resposta de 1,6 kg/dia de leite, sem qualquer alteração na condição corporal. Ao analisar as partículas não digeridas presentes no estrume, observou-se uma clara diminuição das partículas de maior dimensão, a favor das partículas mais pequenas (consulte as imagens de controlo e Optigen, respectivamente).

26

Análise fecal da dieta de controlo

Análise fecal da dieta Optigen

Menos partículas não digeridas refletem mais energia libertada pela dieta, especialmente por parte da forragem, o que resulta na produção adicional de leite ou no aumento de peso corporal, de acordo com a partição de energia e fase fisiológica dos animais. A possibilidade de aumentar a eficiência do azoto através da utilização de Optigen expande ainda mais os limites da nutrição proteica: se o azoto de Optigen é captado mais eficazmente pelas bactérias ruminais e transformado em biomassa microbiana adicional, por que não utilizar esta característica para diminuir o fornecimento total de azoto alimentar? Isto pode ser aplicado em situações de escassez de recursos proteicos e consequente cenário de preços muito elevados (como o vivido atualmente) ou, simplesmente, para diminuir a excreção de azoto e, assim, a poluição ambiental. Os investigadores da Universidade de Penn State estudaram a diminuição do fornecimento de proteína bruta de 16 para 15,5%, aumentando simultaneamente a quantidade de forragem dada às vacas ao longo da introdução de Optigen. O Optigen substituiu parcialmente a farinha de colza e a farinha de soja. Isto resultou no aumento da eficiência de azoto (de 28,8 a 30,8%, respectivamente, no grupo de controlo e Optigen) juntamente com uma maior produção de leite no grupo de Optigen (41,6 vs. 40,5 kg/dia) sem qualquer alteração na condição corporal. Isto resultou num Income Over Feed Cost-IOFC (receita menos custo de alimentação) de €0,42/dia (preços do leite e alimentação média na Europa), indicando assim que as inovações reais podem tornar compatíveis os resultados do desempenho produtivo, da proteção ambiental e dos resultados financeiros.

CONCLUSÃO

As fontes inovadoras de azoto como o Optigen podem ajudar a resolver o desafio diário dos nutricionistas: conceber dietas mais saudáveis através de um maior fornecimento de forragem, sem reduzir a densidade de nutrientes e, em última análise, o desempenho produtivo. Abre também novos caminhos para os produtores de leite, ajudando-os a obter eficiências de azoto mais elevadas num clima onde se prevê, num futuro próximo, que as políticas públicas o vão exigir. E por último, e por demais importante neste momento, ajudar os produtores de leite a diminuir o custo da alimentação dos seus animais. x

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PRODUÇÃO

ALIMENTAÇÃO

O Impacto da Qualidade Nutricional da Silagem de Milho no custo de formulação de dietas para bovinos de leite Nunca antes o controlo de custos e a diminuição do custo de produção de leite foram tão importantes.

Na situação dificílima que a produção de leite nacional atravessa actualmente, parece-nos que faz todo o sentido abordarmos o impacto que a qualidade da silagem de milho tem nos custos totais de alimentação de um efectivo leiteiro. Além disso, estamos já a entrar na fase de colheita de silagem de milho, e as decisões tomadas agora vão influenciar decisivamente os custos de produção de leite no próximo ano. Abordando o tema da forma mais prática possível, quisemos cal-

Silagem de Milho A

Alimentação Base

Matéria Seca

35%

Proteína Bruta

7,5%

Matéria Seca

35%

Proteína Bruta

6,5%

Amido

Silagem de Milho B Amido

28

27%

33%

cular esse mesmo impacto, e contámos com a colaboração e co-autoria, neste artigo, do colega Eng. Abílio Pompeu, que, utilizando diversas qualidades nutricionais de silagem de milho, elaborou um conjunto de dietas, habituais no nosso sistema de produção, aferindo os custos alimentares, para um efectivo de 80 animais. Partindo de uma Dieta base constituída por 28 kg de Silagem de Milho, 1,3 kg de palha e 12 kg de concentrado, e um efectivo com produções médias de 30 litros/dia, e ingestão diária de 22 kg de Matéria Seca, averiguámos a alteração do custo do concentrado, mediante a diferença de qualidade nutricional da silagem de milho, principalmente no que respeitava à percentagem de amido. Assim, podemos verificar nas tabelas abaixo os cálculos efectuados.

Dieta Alimentar

Silagem de Milho Palha

Concentrado

Dieta Alimentar

Silagem de Milho Palha

Concentrado

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28 Kg

1,3 Kg

12 Kg 28 Kg

1,3 Kg

12 Kg

Composição do Concentrado/kg UFL

0,98

Proteína Bruta 24

Custo concentrado A (€/ton.)

Composição do Concentrado/kg UFL

0,92

Proteína Bruta 24,8

Custo concentrado B (€/ton.)

Amido 21

373 Amido 16,1

347


ALIMENTAÇÃO

Cálculo Económico Diferenças Silagem AeB Diferença Vaca/dia 0,312 €

PRODUÇÃO

€/Kg

Silagem Milho 27% amido Silagem Milho 33% amido

0,05

28

0,115

1,3

0,05

Palha

Concentrado A

0,373

Concentrado B

0,347

Total kg

A

€/Vaca/dia

12

41,3

6,026

€/litro

0,2009

Diferença 80 vacas/mês 750 €

Para idêntica produção de leite estimada, o custo do concentrado (concentrado A) necessário para se adaptar a uma silagem de 27% de amido (silagem A) é 26 euros mais elevado do que o concentrado (concentrado B) necessário para se adaptar a uma silagem de 33% de amido (silagem B). Obviamente, a eficiência alimentar da dieta contendo a silagem e concentrado B é mais elevada, o que numa exploração de 80 animais representa uma poupança média de 750 euros. No aspecto agronómico, a diferença da percentagem de amido entre as duas silagens poderá ser obtida por duas vias: a genética do híbrido e a época de colheita. Neste caso particular, a diferença prende-se com a genética do híbrido, pois a Matéria Seca das duas Silagens é idêntica. • O estado de maturação à colheita tem um impacto dramático no valor nutricional de cada híbrido. • O aumento do conteúdo em grão (amido) é o principal responsável pela melhoria de qualidade. Fontes de Energia na Silagem de milho • 65% grão • 10% conteúdos celulares • 25% NDF (fibra)

Estamos então perante um caso em que uma variedade, nas mesmas condições agronómicas, e para a mesma data de colheita, produz mais 6% de amido. Esta diferença na percentagem de amido representa aproximadamente mais 2000 kg de grão/ha, na silagem de milho B. Esta é a razão pela qual, na Pioneer, valorizamos de forma preponderante a produção de grão! No entanto, não podemos deixar de passar uma mensagem ao produtor de leite, agora que se aproximam as colheitas: • Não deite a perder todo o investimento na cultura do milho dos últimos meses; • Valorize a qualidade da silagem de milho, colhendo na melhor altura possível;

B 28

1,3

12

41,3

5,714

0,1905

• A maturação ideal da silagem de milho situa-se entre os 3237% de Matéria Seca – esta fase garante-lhe a maior produção de Matéria Seca, aliada a elevadas produções de grão, e em situações normais, elevada qualidade da fibra; • Por dia, em média, podemos ganhar no campo, mais de 1% de amido na silagem de milho. Relembre os cálculos que efectuámos acima! • Em caso de dúvida, contacte o seu Especialista em Forragens Pioneer. • Humidade e maturação ideal: – Auxilia na eliminação do oxigénio na massa silageira; – Fornece Hidratos de Carbono Solúveis (açucares) para uma correcta fermentação; – Os valores absolutos dependem do tipo de armazenamento, capacidade de compactação e capacidade de processamento de grão. • Sugestões – O grão de milho deve estar entre 1/2 - 2/3 da linha de leite e a humidade total de toda a planta deve encontrar-se entre os 60-68% dependendo do tipo de armazenamento; – Estados de maturação mais avançados originarão níveis de amido mais elevados mas torna o adequado processamento do grão crítico. x

Conte com a Pioneer. Nós estamos sempre por perto.

Departamento Técnico de Nutrição Animal Pioneer

luis.queiros@pioneer.com raquel.cortesao@pioneer.com Nutriconsult, LDA - abiliopts@sapo.pt

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PRODUÇÃO

ALIMENTAÇÃO

Preciane para uma melhor utilização da silagem de milho na alimentação de bovinos leiteiros Carlos Flecha, Provimi Iberia - Departamento de ruminantes

cflecha@pt.provimi.com

Evolução das rações

Silagem Milho (kg MS) Amido % Ingestão amido (g/dia)

FORRAGENS

CONCENTRADOS

Concentrado (25% Amido) Concentrado (65% Amido) Amido ingerido (g/dia)

Amido total (g/dia)

Equivalente grão (kg)

1990

2010

13.5 28 3780

16 35 5600

3 kg 750

2 kg 1300

4530 7

+ 50% em 20 anos

6900 11

Quadro 1 – Evolução da ingestão de amido nas dietas das VLAP

PRECIANE – A INFORMAÇÃO

Conscientes da importância de avaliar adequadamente o conteúdo nutricional da silagem de milho, na Provimi (Cargill) desenvolvemos um serviço exclusivo – a análise Preciane.

30

A rede Provimi NIR (Cargill) é líder mundial na análise de matérias-primas e forragens. A calibração NIR é baseada nas informações fornecidas pela atual rede NIR, com instrumentos em todo o mundo. A sua precisão é assegurada pelas suas equações exclusivas e pela constante atualização do respetivo banco de dados. Preciane é uma avaliação nutricional da silagem de milho, combinando a tecnologia NIR com o poder e a experiência da rede mundial da Provimi (Cargill). Assim, em tempo útil, poderemos aceder a um conjunto de informação que nos auxiliará a, com maior segurança e rigor, procedermos à otimização das dietas alimentares das VLAP: 1) Parâmetros Padrão São aqueles que obtemos através da análise química normal (via húmida) ou pelo método NIR padrão; teores de matéria seca, amido, açúcar, cinzas, proteína e fibra bruta. 2) Degradabilidade do Amido no rúmen A análise Preciane proporciona-nos informação da quantidade de amido by-pass fornecida pela silagem de milho. Este parâmetro, é diretamente influenciado pelo teor de matéria seca ao ensilar, pelo tempo de armazenamento e pela genética da planta.

Conforme podemos observar no Quadro 2, existe uma relação entre a degradação do amido no rúmen com o tempo de armazenagem da silagem e o respetivo teor de MS na colheita. Em silagens com teores de MS médios entre os 30% e os 34%, o efeito do tempo de armazenagem no teor de amido degradável é muito acentuado. 110

Amido Bypass (gr/kg MS)

Na maioria dos países, a silagem de milho é a forragem húmida mais utilizada em rações para vacas leiteiras de alta produção (VLAP). Atualmente, pode representar, quanto ao fornecimento de nutrientes ao animal, até 75% da energia e até 40% da proteína. Uma variação no valor nutritivo da silagem de milho tem um impacto significativo sobre o valor da ração total; é vital dispor de uma ferramenta que permita avaliar a qualidade nutricional e potenciar o seu uso mais adequado. Em consequência da evolução nas cultivares do milho, ao longo dos últimos 20 anos temos assistido a um aumento das quantidades de amido disponibilizadas pelas silagens de milho. O conhecimento detalhado da sua qualidade nutricional é uma peça chave na otimização da alimentação das VLAP.

90 80 70 60

75

84 65

58

50 40

100

97

100

MS 1 (<30)

<45 dias

80

73 61

48

MS 2 (30-34)

45 a 90 dias

Fonte: Provimi research France

90 a 135 dias

MS 3 (>34)

Quadro 2 – Efeito do tempo de armazenagem e do teor de MS no amido by-pass

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98 96

> de 250 dias


ALIMENTAÇÃO Para estimar a degradabilidade do amido, é fundamental o conhecimento individual em cada silagem e não estar dependente das tabelas ou dos dados históricos.

3) Degradabilidade da Fibra Neutro Detergente (NDF) Nas rações completas para vacas leiteiras, o conhecimento da quantidade de NDF e da sua degradabilidade é fundamental na previsão da capacidade de ingestão de matéria seca dos animais. Degrabilidade da NDF às 48 h 75.000 70.000

%

65.000 60.000 55.000 50.000

PRODUÇÃO

CONCLUSÕES

Nas explorações de bovinos de leite do nosso país, a silagem de milho, é um elemento presente na maior parte das rações dos seus animais. Para o nutricionista é fundamental um maior e melhor conhecimento dos parâmetros nutricionais das silagens de milho. O Preciane disponibiliza, em tempo útil, para além da informação dos ditos «parâmetros normais», importantes informações qualitativas sobre a degradabilidade do amido e da NDF. Esta informação extraordinária, completa os nossos conhecimentos da silagem de milho, permite extrair-lhe todas as vantagens e obter os melhores resultados com o menor custo de produção. Agora, mais do que nunca, com os preços das matérias-primas que se estão verificando, é de importância vital. x TEST

45.000 40.000

amostra Silagem milho Provimi, 2012

Quadro 3 – Variação da degradabilidade da NDF (Fibra Neutro Detergente) às 48h.

É o melhor conhecimento da degradabilidade da NDF que nos vai permitir desenhar uma ração, maximizando o consumo e equilibrando os níveis de forragem e concentrado.

Matéria seca Proteína bruta Fibra bruta Fibra ácido detergente Fibra neutro detergente Grasa bruta (hidrólisis) Cenizas brutas Almidón FND Degradable Cálcio Fósforo Magnésio Potássio

Resultados analíticos UNIDADES

% % % % % % % % % FND % % % %

Eficácia digestiva

RESULTADOS 32.69 8.60 18.08 21.65 40.78 3.01 3.32 29.55 57.38 0.24 0.19 0.14 1.53

Total tract NDF digestibility response (% unit)

20 15 10 5 0 -5

Valorização Nutrição

-10 -15

-4

-2

0

2

4

DMI response (kg/d)

6

8

TEST

Amido By-Pass

10

Fonte: Oba and Allen, 1999

Quadro 4 – Relação entre a degradação da Fibra Neutro Detergente (NDF) e a Ingestão de Matéria Seca (DMI)

UNIDADES g/kg

RESULTADOS 86.15

Amido By-Pass

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PRODUÇÃO

ALIMENTAÇÃO

Gestão da contaminação por micotoxinas em matérias-primas e alimentos para animais Erwan Leroux , Chefe de Produto – Aditivos, NEOVIA, empresa do grupo INVIVO NSA As micotoxinas são bem conhecidas pelos seus vários efeitos adversos. Podem ter efeito carcinogénico, suprimir o sistema imunitário, afetar negativamente a reprodução e reduzir a performance produtiva das aves. São produzidas por diversas espécies de fungos que possuem capacidade de crescer na maioria das matérias-primas utilizadas em alimentação animal, tanto no campo como na armazenagem. Hoje, mais de 300 micotoxinas diferentes foram identificadas mas só aproximadamente 40 foram estudadas em aves. Para reduzir, tanto quanto possível, os riscos das micotoxinas, a gestão das matérias-primas para alimentação animal tem que ser realizada de uma forma completa. Este artigo refere diferentes pontos estratégicos que têm que ser abordados para uma gestão eficaz deste problema, assim como o suporte técnico disponível para produtores de alimentos e para produtores pecuários.

A AMOSTRAGEM

Princípios gerais O desafio da amostragem é numa amostra de menos de 1 kg ter uma representação fiel da contaminação por micotoxinas presente em várias toneladas. Num lote de alimento com várias toneladas, têm que ser retiradas diversas amostras de diferentes partes por forma a ter uma boa representatividade. Estas amostras, denominadas de amostras elementares, são depois todas misturadas de forma homogénea, formando uma amostra global com vários kg. Desta amostra global é finalmente retirada uma amostra com 500 g que é enviada para o laboratório como sendo representativa do lote. Análise a micotoxinas, com a melhor representatividade possível do lote

Lote

Amostras Amostra global

Amostra teste

Figura 1: Abordagem geral numa análise a micotoxinas

Número de amostras A legislação Europeia (CE 401/2006) define o número exato de amostras elementares que têm que ser recolhidas e, no caso de análise a micotoxinas, este número depende do peso do lote do alimento (ver tabela 1). Este método permite obter uma amostra final (amostra teste) com boa representatividade para ser analisada

Erro total num procedimento analítico para micotoxinas. O método de amostragem é definido tendo em conta a redução do erro total numa análise a micotoxinas. Esta não é a única fonte de erro, mas é conhecida como sendo a mais importante. Assim, es-

32

Tabela 1: Número de amostras em função do peso do lote

Peso lote

< 50 kg 50 - 500 kg 500 kg - 1 T 1T-3T 3 T - 10 T 10 T - 20 T 20 T - 50 T Peso lote

N.º de amostras Peso de cada amos- Amostra global elementares tra elementar 3 300 g 1 kg 5 200 g 1 kg 10 100 g 1 kg 20 100 g 2 kg 40 100 g 4 kg 60 100 g 6 kg 100 100 g 10 kg

Sub-lote

50 T - 300 T 100 T 300 T - 1500 T 3 Sub-lote > 1500 T 500 T

N.º de amostras elementares por sub-lote 100 100 100

Peso de cada amostra elementar 100 g 100 g 100 g

Amostra teste 500 g 500 g 500 g 500 g 500 g 500 g 500 g

Amostra global 10 kg 10 kg 10 kg

Amostra teste 500 g 500 g 500 g

tima-se que o método de amostragem na descarga do navio, fábrica ou exploração representem 90% do erro (mesmo respeitando o definido no Regulamento CE 401/2006). O método de amostragem no laboratório pode representar 8% desse erro e a imprecisão ligada ao método de análise parece representar somente 2% do erro total. Figura 2: Erro total numa análise a micotoxinas

Erro total

Lote

Erro Erro na prep. amostragem amostra Amostra

Preparação

Erro analítico

Análise

Na prática? O Regulamento CE 401/2006 fornece recomendações, mas no “terreno”, pode ser muito difícil seguir estas recomendações. Adicionalmente, o número de amostras requerido pode ser impraticável. Na chegada do navio Na chegada ao porto, o Regulamento 401/2006 recomenda uma análise por cada 100 toneladas para um tamanho de lote até 500 toneladas, de seguida uma análise por cada 250 toneladas até 1,000 toneladas e depois cada 500 acima das 1,000 toneladas. Para cada análise, o número de amostras elementares deve ser próximo de 100 com 100 gramas cada. Este número de amostras é impossível de alcançar na prática. Simplificando, deve ser feita uma amostra por cada camião carregado, que depois de misturadas vão constituir a amostra global daquele lote. Amostragem na chegada à exploração / fábrica Na chegada à exploração ou à fábrica podem ser usados diferentes métodos de amostragem dependendo da situação e do tipo de material a analisar. Se a matéria-prima estiver acondicionada em

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ALIMENTAÇÃO

PRODUÇÃO

sacos (um camião completo de 24 toneladas terá aproximadamente 500 sacos), deve ser recolhida uma amostra de 100 g por cada 50 sacos. Caso a matéria-prima seja entregue a granel, a amostra pode ser preparada através de um dos diferentes métodos: • Pode ser utilizada uma sonda no reboque (ver foto 1) de forma a recolher amostras de pelo menos 10 pontos do reboque (100 g cada), estas amostras devem depois ser misturadas para constituir uma amostra global. • Durante a descarga do reboque (ver foto 2), recolher 10 subamostras (100 g cada) para depois serem misturadas. • Quando a matéria-prima é transportada para os silos por meios mecânicos (ver foto 3) pode ser feito um pequeno buraco (diâmetro de aproximadamente 1.0 centímetro) para recolha contínua de amostras.

Foto 1: sonda no reboque

Foto 2: amostragem durante a descarga

Foto 3: Transporte de matérias-primas

Amostragem durante a alimentação dos animais Em explorações de aves ou suínos as amostras de alimento podem ser retiradas diretamente dos comedouros ou do circuito. Devem ser recolhidas diversas amostras (pelo menos 10) de diferentes pontos ou comedouros. Estas amostras são depois misturadas para formar uma amostra global. Também no caso dos ruminantes, quando não existe carro unifeed, devem ser retiradas várias amostras ao longo da manjedoura; segue-se a mesma regra referida acima, recolher pelo menos 10 amostras em diferentes pontos que depois são misturadas para formar a amostra global. No caso da exploração dispor de um carro unifeed, deve ser recolhida uma amostra de cada carro no final da mistura; estas são depois misturadas para formar a amostra global. No entanto, convém referir que todos estes métodos são adaptáveis a cada situação em concreto. Cada caso deve ser analisado para se decidir qual o método de amostragem mais eficiente e representativo.

INTERPRETAÇÃO DE RESULTADOS

É importante possuir o máximo de informação sobre cada micotoxina, por forma a prever o seu efeito nos animais e em que níveis. De forma minuciosa, 43 micotoxinas e metabolitos (tabela 2 pág. seguinte) são rotineiramente analisados pela NEOVIA em cada amostra que lhe chega, pois só assim é capaz de emitir um diagnóstico preciso e específico. Para cada tipo de micotoxina, os seus efeitos diferem dependendo da espécie, idade, sexo e estado sanitário dos animais, em conjugação com a duração da exposição e nível de contaminação. Adicionalmente, na maioria das vezes, está presente na matériaprima ou no alimento mais do que uma micotoxina, ocorrendo policontaminação. Nestas alturas, podem ser encontrados efeitos sinérgicos entre as diferentes micotoxinas presentes.

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PRODUÇÃO »

ALIMENTAÇÃO

Para diferentes localizações geográficas e/ou áreas climáticas, os centros de monitorização de micotoxinas estão ligados a parceiros locais, isto permite que a situação local seja bem definida e melhor gerida. Tabela 2: Micotoxinas e metabolitos analisados pela NEOVIA

Família dos TRICOTECENOS tipo A T-2 toxina • HT-2 toxin • T-2 tetraol T-2 triol • DAS ou Diacetoxyscirpenol 15 acetoxy scirpenol ou MAS • Verrucarol Família dos TRICOTECENOS tipo B Deoxynivalenol or DON (ou « vomitoxina ») DOM-1 (metabolito do DON) • Nivalenol Fusarenon X 15 ac DON ou 15-O-acetyl 4 - Deoxynivalenol 3 ac DON ou 3-acetylDeoxynivalenol Família dos TRICOTECENOS tipo D Roridin A • Verrucarin A Família dos ZEARALENONA e metabolitos Zearalenona • alpha Zearalanol beta Zearalanol • alpha Zearalenol beta Zearalenol Família das FUMONISINAS Fumonisin B1 • Fumonisin B2 • Fumonisin B3 Outras moleculas produzidas por Fusarium sp Moniliformin

Família das toxinas ALTERNARIA Acido Tenuazonic Família dos ERGOT ALCALOIDES Ergocornine • Ergocristine • Ergocryptine Ergometrine • Ergosine • Ergotamine Família das OCHRATOXINAS Ochratoxina A • Ochratoxina B Ochratoxina alpha Família das AFLATOXINAS Aflatoxina B1(¹) • Aflatoxina B2(¹) Aflatoxina G1(¹) • Aflatoxina G2(¹) Família das TOXINAS TREMORGENES Penitrem A • Verruculogen Outras moléculas Citrinina • Patulina • Ácido Cyclopiazonico Strerigmatocystina

PLANO DE AÇÃO

Contaminação de uma matéria-prima Para as matérias-primas com maior taxa de inclusão no alimento, os lotes devem ser armazenados de acordo com o risco de contaminação por micotoxinas – ou em silos dedicados a esta matéria-prima em concreto ou em sacos bem identificados. O nível de inclusão de matérias–primas contaminadas deve ser adaptado tendo em conta as micotoxinas e as espécies alvo, o seu sexo e idade, a duração da exposição e finalmente condições particulares como padrões de higiene e temperatura. Uma gestão integrada da formulação tendo em conta a contaminação com micotoxinas dever ser posta em prática para maximizar a proteção dos animais. Tabela 3: Valores LD50 para uma contaminação com Aflatoxina B1 Espécies Pato (1 dia) Coelho Porco Gato Truta Cão Ovelha Cobaia Frango Ratazana Rato

LD50 (ppm) 0,46 0,50 0,56 0,78 0,81 1,00 1,50 2,00 6,65 7,00 10,00

Autores Patterson, 1973 ; Galtier P. et al., 2005 Patterson, 1973 ; Galtier P. et al., 2005 Patterson, 1973 ; Galtier P. et al., 2005 Patterson, 1973 Patterson, 1973 Patterson, 1973 Patterson, 1973 ; Galtier P. et al., 2005 Galtier P. et al., 2005 Smith and Hamilton, 1970 ; Patterson, 1973 Galtier P. et al., 2005 Galtier P. et al., 2005

De acordo com os valores LD50 (Dose Letal para 50% dos animais) disponíveis na literatura científica, é possível saber a sensibilidade do animal às diferentes micotoxinas. Para a Aflatoxina B1, os valores representados na tabela 3 demonstram enormes diferenças de sensibilidade entre as diferentes espécies. Por exemplo, os patos são 15 vezes mais sensíveis que os frangos. No caso de contaminação com zearalenona, os efeitos vão ser diferentes de acordo com o sexo. Contaminação do alimento Mesmo que uma gestão eficaz das matérias-primas reduza o risco

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da contaminação com micotoxinas, não temos ainda uma garantia total para evitar os seus feitos adversos. Assim, é recomendada a utilização de um produto anti-micotoxinas que seja validado e adaptado em situações mais problemáticas. Mas o que é exatamente um produto anti-micotoxinas validado e adaptado? Para o combate às micotoxinas, existem diferentes tipos de produtos, desde os simples adsorventes até às soluções completas antimicotoxinas.

Simples Adsorventes Os produtos designados como “adsorventes” possuem capacidades para adsorver micotoxinas permitindo a eliminação da micotoxina ligada, via fezes. Algumas substâncias, como os silicatos, carvão e derivados de glucanos são conhecidos como tendo capacidades adsorventes. No entanto, a capacidade adsorvente destes produtos é altamente variável. O ideal é os produtos serem avaliados em modelos ‘in vivo’, fornecendo resultados fidedignos (em oposição aos modelos ‘in vitro’ que somente podem ser utilizados como método de triagem inicial mas mesmo assim apresentado um numero elevado de resultados falsos positivos ou falsos negativos). Para avaliação dos produtos anti-micotoxinas, a NEOVIA criou um original modelo ‘in vivo’, utilizando patos jovens, baseado na taxa de proteína plasmática desses animais como biomarcador para a contaminação com Aflatoxina. Adsorventes altamente eficientes foram selecionados utilizando este modelo, o que levou à criação de uma gama comercial de produtos. A eficácia desses produtos foi também validada por instituições a nível internacional como o LAMIC no Brasil. Soluções completas anti-micotoxinas É conhecido que a maioria dos adsorventes têm somente uma ação nas micotoxinas polares (como as aflatoxinas). Para as micotoxinas não polares (tricotecenos), estes produtos de forma isolada não terão qualquer efeito. Adicionalmente à simples adsorção, outras ações, quer nas micotoxinas quer no próprio animal, podem ajudar a contrariar os efeitos adversos das micotoxinas nos animais. Como exemplo, a NEOVIA desenvolveu uma solução completa e original (baseada num adsorvente complementado com outros produtos) capaz de estimular as formas naturais do animal reagir e se desintoxicar (estimulação de enzimas especificas) de uma contaminação com micotoxinas. Estimulação do sistema imunitário e antioxidantes complementam as ações descritas atrás, de forma a combater o bem conhecido efeito depressivo do sistema imunitário e pro-oxidante da maior parte das micotoxinas.

CONCLUSÃO

A gestão do risco da contaminação por micotoxinas é um assunto muito abrangente. Inclui um programa dedicado à armazenagem das matérias-primas, definição de métodos de amostragem para futura análise e um conhecimento científico e completo dos efeitos das micotoxinas nos animais. Adicionalmente, a utilização de uma solução anti-micotoxinas, completa e validada, é essencial tendo como base um correto aconselhamento da forma e dose de incorporação por forma a obter nos animais os efeitos esperados. x

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PRODUÇÃO

ALIMENTAÇÃO

A importância do teor de gordura e proteína do leite para optimizar a produção. Luís Veiga, Engº Zootécnico, REAGRO SA

Pedro Castelo, Engº Agrónomo, REAGRO SA

veigaluis@reagro.pt

Uma forma de se verificar a eficiência e equílibrio alimentar e nutricional é através da observação dos valores do Teor Butiroso (TB) e do Teor Proteico (TP) no leite, pois poderão tirar-se conclusões muito importantes no que diz respeito ao maneio alimentar. Além disso, o leite pago aos produtores também é influênciado por estes parâmetros. Assim, iremos neste artigo descrever a origem dos valores de TB e TP no leite, assim como justificar a relação entre eles.

TP - Teor Proteico do Leite

As proteínas são sintetizadas ao nível do úbere a partir dos aminoácidos presentes no sangue. Em caso de hipoglicémia (ausência de açúcar no sangue) uma parte destes aminoácidos podem ser afastados, via fígado, para a síntese de glucose (neoglicogénese a partir de aminoácidos). Este fenómeno pode conduzir a uma diminuição da síntese de proteínas ao nível do úbere e, por consequência, a uma diminuição do TP. Assim se explica porque é que o TP é mais influenciado pelo nível energético da ração do que pelo nível proteico.

TB – Teor Butiroso: as suas origens

Ácidos gordos curtos e médios: Estes ácidos gordos são sintetizados ao longo de fermentações ruminais e contêm 2 ou 4 átomos de carbono (ácido acético C2 e ácido butírico C4). O ácido acético é o produto da degradação da celulose pela flora celulolítica e é abundante no caso de uma ração rica em fibra. Enquanto o ácido butírico resulta da degradação dos açúcares. Ácidos gordos médios e longos: Estes ácidos gordos provêm da mobilização de reservas corporais e pelo resto de absorção intestinal de lípidos alimentares.

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O Teor Butiroso é sensível a diversos fatores, tais como: nível de ácido acético e do ácido butírico que chega ao úbere, intensidade da mobilização de reservas corporais e absorção de lípidos intestinais. É conveniente fazer uma interpretação destes parâmetros em simultâneo para prever a evolução do TB. Na figura seguinte, está esquematizada resumidamente a origem do TB e TP.

C4 C.Cét.

C2

Fígado

Glicerol

tecido adiposo

Sangue

Muitas vezes escondidos por uma produção de nível aceitável, estão valores anormais de teor de gordura e proteína do leite. Hoje é possível caracterizar bastantes aspetos do metabolismo da vaca de alta produção com os resultados do nível de proteína e gordura do leite. Não devem por isso ser aceitáveis sobre um longo período de tempo valores fora de parâmetros de normalidade. A vida produtiva da vaca e sobretudo a sua longevidade podem ser condicionadas por uma persistente desvalorização destes parâmetros.

pedro.castelo@reagro.pt

AGNE Triglycérides

Glucose

C3 Ácido Láctico

Amino Ácidos

Energia Ubere

Ácidos Gordos

Glycérol

Triglicéridos (TB)

Glucose Lactose

(TP) Proteínas

Fig. 1: Origem do teor butiroso e do teor proteico no leite

Análise dos Teores descritos anteriormente na exploração

Os valores de TB e TP variam consoante a raça e a fase de lactação em que se encontram as vacas. Para determinar os teores normais de uma exploração mal conhecida, um dos poucos meios práticos de estudar é verificar os teores médios dos meses e ver os anos antecedentes. Os TB e TP devem sempre ser relacionados com a quantidade de leite produzido, com a fase de lactação e o número de lactação.

TP – Teor Proteico no leite

O TP é elevado durante a primeira semana de lactação (fase de colostro) baixando progressivamente e atingindo o seu valor mais baixo no pico da lactação. De seguida, voltará a aumentar depois de 100 a 120 dias de lactação. No início de lactação, este valor de TP baixo está associado a uma sub-alimentação energética caraterística desta fase e também a um risco de cetose. O TP não está

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ALIMENTAÇÃO muito ligado aos aportes proteicos. Somente os aminoácidos essenciais (metionina e lisina, principalmente) digestíveis sobretudo ao nível intestinal podem ter um efeito sobre o TP. O valor médio da Raça Holstein situa-se perto de 32 g/l. Jan Fev +0.82 +0.5 1 -1.3

2 -2.6

Mar 0

Variação do TP ao longo do Ano Abr Mai Jun Jul Ago Set -0.5 -0.85 -1 -0.85 -0.5 0

Out Nov Dez +0.5 +0.85 +1

Variação do TP em função do mês médio de lactação 3 4 5 6 7 8 9 10 -2.1 -1.3 -0.4 +0.4 +1.2 +2 +2.8 +3.5

11 +4.35

Principais factores de variação do Teor Proteico • A raça: + ou – 2,5 g/litro de leite • A fase de lactação: + ou – 3 g/litro de leite • A época: + ou – 2 g/litro • A natureza do regime: + ou – 2,5 g/litro de leite • Os erros do arraçoamento: + ou – 5 g/litro de leite

PRODUÇÃO

Principais factores de variação do Teor Proteico • A raça: + ou – 5 g/litro de leite • A fase de lactação: + ou – 4 g/litro de leite • A época: + ou – 4 g/litro • A natureza do regime: + ou – 7 g/litro de leite • Os erros do arraçoamento: + ou – 10 g/litro de leite Fonte: Institut de l’Élevage

Interpretação dos resultados da exploração

No quadro seguinte iremos descrever a justificação teórica da relação entre os valores de TB e TP. Para analisar o equilíbrio da ração e a sua eficácia alimentar, é conveniente observar os teores anormais. De acordo com esta análise existem duas alternativas: défice energético ou acidose no rúmen.

Fonte: Institut de l’Élevage

2 1 0

Os seguintes valores podem ser propostos para vacas Holstein:

-1 -2 8 6 4 2 0

-2 -4

1

2

3

4

5

6

7

8

9

10 11

TB – Teor Butiroso ou Teor de Matéria Gorda no leite

O TB, ao contrário, tende a ser elevado no inicio de lactação devido à mobilização de reservas gordas da vaca em resposta ao balanço energético negativo característico deste período. Assim, é evidente que a vaca tenha reservas corporais suficientes para esta mobilização em inicio de lactação. O TB decresce desde o parto até atingir o mínimo no pico de lactação, onde de seguida voltará a aumentar até ao final de lactação. O valor médio da raça Holstein situa-se entre 40 e 42 g/l.

• TP < 28 : défice energético • TP < 28 e TB>TP + 16 : défice energético com forte mobilização. • TB < 36 : sub-acidose • TP > TB : acidose comprovada A análise TB/TP é também um elemento interessante a tomar em consideração. A relação entre estes dois parâmetros deve-se situar entre 1,2 e 1,4. Quando o resultado é inferior a 1 estamos perante uma situação de acidose do rúmen, enquanto para valores superiores a 1,5 podemos suspeitar de um défice energético associado a uma mobilização de reservas corporais. Nestas situações é importante fazer correcções práticas no arraçoamento e/ou no maneio alimentar. A evolução recente nas tecnologias levou a que seja possível determinar através da composição dos ácidos gordos a eficiência global da produção. Num próximo artigo abordaremos o método que é utilizado para, em complemento das análises clássicas melhorar a precisão do diagnóstico de equilíbrio e rentabilidade alimentar. Para concluir, a análise criteriosa destes valores (TB e TP, assim como a sua relação) permite-nos avaliar a produção, a sua eficiência e equilíbrio. É um instrumento fundamental para fazer modificações nos arraçoamentos, e melhorar a eficiência alimentar. x

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ECONOMIA

OBSERVATÓRIO Breves comentários e previsões sobre o mercado de matérias-primas Paulo Costa e Sousa Engº. Agrónomo - Director Comercial da Louis Dreyfus Commodities - Portugal

Nota: Os preços e os cenários previstos para a evolução dos mercados de matérias- primas estão sujeitos a muitos imponderáveis e exprimem apenas opiniões profissionais à luz do melhor conhecimento num determinado momento. Assim, a Revista Ruminantes não garante a confirmação e/ou o cumprimento dos preços e previsões feitas sobre os preços das matérias-primas sujeitas à analise do Observatório dos Mercados, não constituindo assim ofertas de compra ou de venda.

DIZ-SE QUE DEPOIS DA TEMPESTADE VEM A BONANÇA, E ASSIM FOI…

Neste momento parece vislumbrar-se algum raio de esperança. Estamos em plena colheita do milho, depois de uma fraca colheita de trigo, os preços já atingiram níveis recorde mas já recuaram para valores mais reduzidos, e estamos agora numa espécie de encruzilhada. É bom termos presente que, em geral a colheita de cereais foi má e que isso se deveria refletir nos preços, mais tarde ou mais cedo. Nesta altura, estamos influenciados pela pressão habitual da colheita, o que parece favorecer uma boa oportunidade de compra, tendo presente estas duas realidades.

No caso do trigo, o cenário parece estar escrito: preços acima dos valores médios dos últimos tempos e durante os próximos largos meses. Já para o milho, haverá que tomar decisões. Felizmente, uma boa parte da indústria portuguesa de alimentos compostos para animais fez as suas compras até Janeiro, numa altura em que pairava um cenário baixista que se veio a revelar em sentido totalmente oposto. Assim sendo, cabe agora decidir as compras para os primeiros meses do ano que vem. Teremos que ponderar estes dois fatores antagónicos — pressão de colheita e uma má colheita — juntamente com um terceiro fator, a possibilidade da UE importar milho sul americano, mais provavelmente, brasileiro. Os dois primeiros fatores lutam entre si para estabelecer um nível aceitável para vender e comprar, mas sabemos que quando passar esta pressão vendedora, habitual na época da colheita, a realidade de uma má colheita deverá voltar a fazer-se sentir. Poderão colar-se dois cenários: será esse efeito amenizado pela entrada de milho sul americano na UE, ou teremos que contar apenas com o milho comunitário e ucraniano? Atualmente, a importação de milho sul americano está dependente da autorização, por Bruxelas, do evento transgénico MIR 162 que se poderá encontrar nesta origem. Essa autorização parecia um tema mais ou menos pacífico, pensando-se que deveria sair a curto prazo. Ultimamente, têm vindo a lume alguns artigos científicos

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colocando novamente a questão da utilização de milhos transgénicos na alimentação, parecendo fazer com que aquilo era porventura consensual entre os Estados-membros agora o pareça francamente menos. Se Bruxelas adiar, ou simplesmente não autorizar esse evento e a consequente entrada de milho sul americano, a EU terá que ir à Ucrânia colmatar essa falta, o que faria com certeza disparar o preço do milho ucraniano. Mais uma vez existem decisões políticas que estão a condicionar, de alguma forma, o mercado, que tem que tomar as suas decisões de compra. Se devemos contar com a decisão positiva e atempada de Bruxelas, ou não, para o nosso abastecimento, depende da postura arriscada ou conservadora de cada comprador.

No que toca às proteínas, depois de preços históricos verdadeiramente elevados observamos um período de alguma acalmia. A colheita americana parece estar a ser melhor do que se previa, o euro/dólar atingiram valores que já não víamos há algum tempo, mas se será acalmia ou oportunidade de compra, essa é a grande pergunta. Nos últimos tempos, qualquer valor abaixo do normal constitui uma oportunidade de compra mais do que uma baixa sustentada nos preços, possivelmente a maior parte das vezes esta será a regra até uma colheita sul americana normal. x

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ECONOMIA »

Evolução do preço médio de alimentos compostos para animais (em Euros/Tonelada) Fonte: IACA €/ton

Novilhos de engorda

Borregos de engorda

€/ton

Meses

€/ton

Vacas leiteiras em produção

Meses

Ovelhas leiteiras em produção

€/ton

Meses

Evolução do preço médio de matérias-primas (em Euros/Tonelada) €/ton

Bagaço de colza

€/ton

Cevada

€/ton

€/ton

Meses Fonte: IACA

Bagaço de soja

Milho

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ECONOMIA

OBSERVATÓRIO Perspectivas do mercado leiteiro Fontes: IFCN, LTO, SIMA

Um relatório recente da USDA (United States Department of Agriculture) divulga algumas ideias interessantes acerca das tendências do mercado mundial de laticínios. Após um período de dois anos em que os preços internacionais se mantiveram relativamente elevados, os produtores de leite da maioria dos países exportadores (EUA, EU-27, Austrália e Nova Zelândia) aumentaram as suas produções de leite. LEITE DE VACA - 1.000 CABEÇAS Nº de vacas de leite América do Norte Canadá México EUA Sub-total América do Sul Argentina Brasil Sub-total União Europeia-27 Ex-URSS Rússia Ucrânia Sub-total Ásia do Sul Índia

Ásia China Japão Sub-total Oceânia Austrália Nova Zelândia Sub-total TOTAL Paises Selec.

2007

2008

2009

995 6,010 9,189 16,194

985 6,204 9,315 16,504

979 6,400 9,203 16,582

981 6,480 9,119 16,580

987 6,400 9,194 16,581

993 6,400 9,232 16,625

2,150 15,925 18,075 24,178

2,150 16,700 18,850 24,176

2,100 17,200 19,300 24,192

2,100 17,600 19,700 23,566

2,150 18,200 20,350 23,122

2,200 18,600 20,800 22,800

9,910 3,221 13,131

9,800 3,096 12,896

9,530 2,856 12,386 42,600

8,858 2,736 11,594

43,600

8,650 2,631 11,281

44,900

8,580 2,560 11,140

46,200

8,755 871 9,626

8,575 862 9,437

7,115 848 7,963

7,320 830 8,150

7,620 805 8,425

8,000 815 8,815

1,800 4,163 5,963

1,640 4,200 5,840

1,676 4,597 6,273

1,596 4,680 6,276

1,620 4,810 6,430

1,650 4,890 6,540

38,000

38,500

2010 (p) 2011 (f) 2012

125,167 126,203 129,296 129,466 131,089 132,920

(p) Preliminar • (f) Previsões

40

Fonte: USDA

As condições meteorológicas na Oceânia também foram importantes já que as condições foram ideias para o crescimento das pastagens e a abundância de precipitação veio compensar os efeitos da seca. Como consequência, a produção de leite entre os principais exportadores subiu cerca de 2% em 2011, prevendo-se que cresça o mesmo valor em 2012. Recorde-se que entre 2007 e 2010 a produção média de leite nestes países cresceu apenas 1% anualmente. Fonte: USDA

1.000 TONELADAS MÉTRICAS Prod. leite líquido América do Norte Canadá México EUA Sub-total América do Sul Argentina Brasil Sub-total UE-27 Ex-URSS Rússia Ucrânia Sub-total Ásia do Sul Índia

Ásia China Japão Sub-total Oceânia Austrália Nova Zelandia Sub-total TOTAL Paises Selec.

2007

2008

2010 (p) 2011 (f) 2012

8,212 8,270 8,280 8,350 8,400 8,450 10,657 10,907 10,866 11,033 10,743 10,813 84,211 86,174 85,880 87,474 88,568 90,975 103,080 105,351 105,026 106,857 107,711 110,238 9,550 10,010 10,350 10,600 11,990 12,830 26,750 27,820 28,795 29,948 30,610 31,300 36,300 37,830 39,145 40,548 42,600 44,130 132,604 133,848 133,700 135,472 138,219 140,000 32,200 11,997 44,197

32,500 11,524 44,024

32,600 11,370 43,970

31,847 10,977 42,824

31,742 10,800 42,542

32,100 10,550 42,650

35,252 8,007 43,259

34,300 7,982 42,282

28,445 7,910 36,355

29,300 7,721 37,021

30,700 7,474 38,174

32,350 7,590 39,940

9,500 15,918 25,418

9,500 15,580 25,080

9,326 16,983 26,309

9,327 17,173 26,500

9,562 18,965 28,527

10,000 19,874 29,874

42,890

44,500

48,160

50,300

52,500

55,000

427,748 432,915 432,665 439,522 450,273 461,832

(p) Preliminar • (f) Previsões

Ruminantes • Outubro | Novembro | Dezembro • 2012

2009


ECONOMIA Este crescimento traduziu-se num aumento acentuado dos abastecimentos exportáveis fazendo descer os preços na primeira metade deste ano. Para além disto, as importações por parte de importadores-chave dos mercados da Ásia e do Norte de África perderam expressividade. A Algéria, por exemplo, comprador de peso de leite em pó, deverá reduzir as suas importações em 2012 em cerca de 13%, para 285.000 toneladas. No entanto, os mercados de produtos lácteos parecem ter atingido alguma estabilidade. Os preços internacionais parecem ter atingido um equilíbrio, embora a níveis relativamente baixos. Condições climáticas adversas podem, no entanto, alterar o panorama. Nos EUA, a seca tem afetado seriamente as principais regiões produtoras de milho e o rácio alimentação/produção de leite — um indicador da rentabilidade da produção — ficou no nível mais baixo desde o início de 1980. Os produtores de leite estão a ficar espremidos entre preços baixos e custos de alimentação elevados.

Companhia

Bélgica

Milcobel

Alemanha

Humana Milchunion eG

Dinamarca Finlândia França

Alois Müller Nordmilch

Arla Foods

Hameenlinnan Osuusmeijeri

Bongrain CLE (Basse Normandie) Danone

Lactalis (Pays de la Loire) Sodiaal

Inglaterra Irlanda Itália Holanda

Dairy Crest (Davidstow) First Milk Glanbia Kerry

Granarolo (North) DOC Kaas

Friesland Campina

PREÇO MÉDIO DO LEITE - JULHO (2) Suiça

Nova Zelândia EUA

Emmi A.G.

Preço Média do leite últimos (€/100 Kg) JULHO 12 meses (4) 2012

27.45

31.16

28.08

32.24

28.49 28.23 30.96 41.28 35.30 35.70 35.27 36.20 35.52 32.23 28.46 29.08 40.24 29.19 31.23 32.52 48.80

LEITE À PRODUÇÃO

Preços Médios Mensais de julho 2011 a julho 2012 Leite Adquirido a Produtores Individuais. x Meses

33.09 32.27

Eur / Kg

Teor médio de matéria gorda Teor proteico (%) (%)

Contin. Açores Contin. Açores Contin. Açores

julho

0.310

0.292

3.67

3.72

3.19

3.13

setembro

0.322

0.314

3.79

3.91

3.24

3.19

34.08

novembro

0.325

34.05

janeiro

34.34

agosto

44.06 34.32 34.49

2011

Países

Fonte: LTO

» Portugal

outubro

34.37

dezembro

31.07

fevereiro

32.03 31.52 40.96 35.14 35.86 34.41 47.67

Fonterra

27.47

28.87

EUA (3)

33.44

32.32

março

2012

PREÇO DO LEITE STANDARDIZADO

(1)

Assim, para 2013 prevê-se que a produção de leite nos EUA não registe um crescimento significativo. Na Oceânia, os efeitos do fenómeno atmosférico “El Niño” poderão vir a provocar falta de precipitação o que, a confirmar-se poderá afetar a produção de leite na Austrália. Um outro fator relaciona-se com as importações. O cenário é misto porém, alguns compradores como a China deverão importar volumes significativos. Apesar de um abrandamento no crescimento das importações de leite em pó inteiro, as importações de leite em pó desnatado deverão disparar cerca de 65% em 2012. O consumo interno chinês deverá manter-se alto, impulsionado pelo crescimento económico. A par desta situação, mantém-se a falta de confiança na integridade da cadeia de fornecimento de produtos lácteos. Consequentemente, as importações totais de leite em pó da China para 2012 deverão sofrer um aumento de 14% atingindo 512 mil toneladas.

abril

maio

junho julho

0.311

0.324 0.324 0.324 0.322

0.296 0.318 0.321 0.315 0.312 0.311

0.315

0.296

0.312

0.299

0.318 0.294 0.293

0.296 0.287 0.285

3.73 3.81 3.86 3.84 3.81 3.83 3.74 3.75 3.71 3.66 3.65

3.76 3.91 3.93 3.78 3.67 3.63 3.63 3.61 3.65 3.71 3.70

3.21 3.22 3.30 3.28 3.26 3.25 3.25 3.24 3.21 3.18 3.18

3.10 3.24 3.28 3.20 3.16 3.17 3.20 3.20 3.19 3.11

3.09

Fonte: SIMA

(1) Preços sem IVA, pagos ao produtor; Preço do leite de diferentes empresas leiteiras para 4,2% de MG e 3,4 de teor proteico • (2) Média aritmética (3) Ajustado para 4,2% gordura, 3,4% proteina e contagem de células somáticas 249,999/ml • (4) Inclui o pagamento suplementar mais recente

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ECONOMIA

Visão geral do mercado da carne bovina O Índice Global de Preços do Gado do Rabobank caiu 7% no 3º trimestre, em comparação com os níveis do primeiro, devido principalmente ao enfraquecimento da procura, conjuntamente com um dólar americano mais forte. A nível global, a oferta de carne bovina continuou escassa, uma vez que o Brasil foi o único importante produtor que teve um crescimento significativo na produção. As condições económicas globais poderão conter o aumento dos preços. A procura nos mercados ocidentais, que representam 70% do consumo total de carne bovina mundial, tem continuado a crescer a um ritmo lento em resultado do fraco crescimento do emprego e do baixo rendimento real disponível. Este cenário não deverá melhorar em breve, uma vez que os últimos indicadores macroeconómicos mostraram sinais de enfraquecimento nos Estados Unidos e na zona Euro.

Dietas à base de cereais e farinha de soja, para a produção de frango e suínos, poderão constituir uma vantagem de custo para os produtores globais de carne bovina no médio prazo. Quedas na produção de carne de frango são prováveis, motivadas por margens negativas, devido ao aumento no custo da alimentação animal. À medida que aumenta o preço do frango, poderá haver benefícios para a indústria de carne bovina, uma vez que os preços se aproximam, possibilitando uma mudança da procura em direção à carne bovina.

UNIÃO EUROPEIA

O rebanho bovino está em queda desde 2008, a uma taxa de 1,1% ao ano em média (-1,8% para vacas leiteiras) e essa tendência deverá persistir no curto prazo. Em 2012, a produção de carne bovina e de vitelo da UE deverá reduzir significantemente (-3,5% com relação a 2011) e permanecer sem mudanças em 2013 (+0,1%). Devido à oferta escassa, os preços da carne bovina da UE deverão manter-se em níveis recordes durante 2012. Quanto ao comércio, a fraca procura doméstica e as variações da taxa de câmbio poderão conduzir a um declínio nas importações de carne bovina da UE em 2012 (5,8%), seguido por uma estabilização em 2013, apesar da disponibilidade limitada de carne bovina na UE, e uma recuperação gradual da produção nos principais fornecedores do Mercosul (depois de uma redução significante no rebanho nos anos anteriores). Por outro lado, a tendência das exportações de carne bovina da UE é serem direcionadas pela escassez na oferta doméstica, o que determinaria uma capacidade significativamente reduzida de exportação para 2012 e para o próximo ano. Como consequência, a UE mudaria a sua posição comercial líquida e, depois de um excedente comercial excecional registado em 2011, tornar-se-ia novamente num importador líquido de carne bovina em volume, em 2012

42

Fontes: Rabobank, Banco Nacional da Austrália (NAB), Comissão Europeia

e em 2013. Os altos preços da carne bovina e a fraca procura interna poderão levar a uma queda no consumo de carne bovina e de vitelo em 2012, seguida por uma estabilização em 2013. Esta previsão é baseada na hipótese dum desenvolvimento económico global favorável em 2012 e 2013, particularmente em grandes países emergentes, resultando, assim, numa procura significativa para as exportações da UE. Por outro lado, o crescimento económico na UE deverá ser frágil, principalmente em certos Estados Membros, o que geralmente se traduz num declínio no consumo de carnes.

Perante esse cenário, as previsões económicas globais e para a UE continuam sujeitas a incertezas. Em particular, a possível evolução das dificuldades económicas e financeiras na Zona do Euro deverá ter uma influência sobre a procura de produtos agrícolas (devido às mudanças na renda disponível e às taxas de desemprego) e sobre a oferta (disponibilidade de créditos), bem como sobre o fluxo comercial (taxas de câmbio) e preços. Além disso, a sustentabilidade de uma procura forte no mercado mundial liderada pela China e outros países do Sudeste da Ásia, bem como do Médio Oriente, pode ser questionada considerando as recentes revisões em baixa no desempenho económico esperado nesses países. Finalmente, a evolução dos preços para fatores de produção agrícolas (energia, fertilizantes, alimentos animais, etc) também representa um fator de incerteza.

Para a produção de proteínas, as estimativas estão dependentes das condições climáticas durante a estação de produção e colheita, que podem consideravelmente alterar os rendimentos. As estimativas apresentadas são baseadas em informações disponíveis até meados junho de 2012.

BRASIL

No terceiro e no quarto trimestres, os preços do gado deverão refletir um período sazonal (período seco) de declínio da oferta no Brasil e uma recuperação dos níveis do segundo trimestre. Essa recuperação dependerá, em grande parte, da disponibilidade de animais dos parques de engorda, uma vez que estes representam cerca de 35 a 40% do número total de bovinos abatidos sob o sistema formal de inspeção, entre setembro e novembro. Este ano, a oferta dos parques de engorda pode não crescer tanto quando o esperado no começo do ano, devido ao aumento nos preços da farinha de soja e do milho, combinado com o atual baixo preço em futuros do gado. O suporte adicional aos preços da carne bovina virá da aceleração da economia brasileira, após a desaceleração na primeira metade de 2012, e da redução da oferta de frango após a recente quebra da produção de pintos do dia. As exportações também deverão manter-se altas, em consequência do Real desvalorizado e da retoma das vendas ao Irão que aumentaram 242% de maio a junho.

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ECONOMIA

Fig.6 - Preços de carne bovina na UE Euro/Kg/Cwe

4.25

CWE= equivalente peso carcaça

4.00 3.75 3.50 3.25 3.00 2.75

Jan Fev. Mar

média 2003-2009

Abr Mai Jun

2010

Jul

Ago Set

2011

Out Nov Dez

2012

Fig.7 - Números de abates por categoria na UE 12,000 10,000 8,000 6,000 4,000 2,000 2009

Vacas

2010

2011

Novilhos

Boios e Touros Bezerros e novilhos

2011 Jan-Abr

2012 Jan-ABr

Balanço geral de carne bovina e de vitelo da UE-27

Produção bruta local

Importações vivos

Exportações vivos

2009 7982

1

61

1000t peso carcaça

2010 2011e 8239

0

116

8206

0

156

2012f 7906

0

140

% variação

2013f 10/09 11/10 12/11 13/12 7900

-3.7

-0.1

0 -88.1 -14.8 -30.1

0.0

130

3.2

90.4

-0.4

34.5 -10.0

-7.1 0.1

Produção líquida

7923

8124

8050

7766

7771

2.5

-0.9

-3.5

da UE - 12

824

818

803

752

768

-0.8

-1.9

-6.3

da UE - 15 Importações de carne

Exportações carne

7098

359

91

7306

320 255

7248

287 331

7014

270 204

7002

200 179.0

8190

8188

8006

7831

7841

da UE - 15

397

399

400

402

403

da UE - 12

Consumo per capita (Kg)

500 103

16.4

502 103

16.3

e = estimativa, f = previsão

503 103

15.9

504 103

15.5

2.9

-0.8

270 -11.0 -10.3

Consumo

População (milhão)

A volatilidade caracteriza o mercado pecuário dos Estados Unidos. O baixo preço da carne, e o alto preço das matérias primas que levou a uma liquidação das manadas associada às condições extremas de seca que se fizeram sentir, não permitem determinar o grau de dificuldade por que virão a passar os produtores de carne. Sabese que, em muitas zonas, estes tiveram que recorrer ao feno e à suplementação da alimentação para estender o período de pastagem. Também se sabe que as engordas superaram as previsões, mas deverão declinar fortemente na segunda metade do ano. Em resultado da retirada antecipada do gado das pastagens, a oferta de gado de engorda no quarto trimestre deverá aumentar ligeiramente face ao esperado originalmente. Também em 2013, a oferta deverá ser afetada pelas condições acima referidas.

AUSTRÁLIA

1000 cabeças

0

ESTADOS UNIDOS

506 103

15.5

0.0 0.3 0.4

-0.1 -0.3

Fonte: Comissão Europeia

-3.2

-0.2

-5.8

0.0

29.6 -38.2 -2.2 0.3 0.4

-0.2 -2.5

-2.2 0.3 0.4

-0.1 -2.4

2.2

-2.2 0.1 0.3 0.3

-0.1 -0.1

Os dois últimos anos mais chuvosos, já registados, suportaram os esforços de reconstrução do rebanho que progrediu mais rápido que o esperado. Paralelamente, os exportadores têm conquistado aumentos nas vendas, com o surgimento de novos mercados devido ao impacto de redução do rebanho bovino em importantes exportadores, de acordo com relatório rural do Banco Nacional da Austrália (NAB). A expansão do rebanho bovino australiano mantém-se. De acordo com estimativas do Meat and Livestock Australia (MLA), o rebanho bovino australiano alcançou 29,6 milhões de cabeças no final de junho de 2012, cerca de 3,8% mais que no ano anterior. As condições favoráveis permitiram que os produtores mantivessem os seus rebanhos. Para o futuro, a produção de carne bovina australiana deverá aumentar. Recentes previsões do MLA apontam para que produção de carne bovina australiana aumente 2,5% em 2012 e mais 3,3% em 2013.

ARGENTINA

Os abates na Argentina continuam a aumentar ano após ano. No total, os abates nos primeiros cinco meses do ano cresceram 8% face ao mesmo período de 2011. Durante o mesmo período, o consumo local de carne bovina absorveu todo o aumento da produção, enquanto as exportações continuaram diminuir. Com um consumo per capita anual de 57,8 quilos, a participação local na oferta total aumentou para 92,6% em comparação com 89,5% no mesmo período do ano anterior. As exportações caíram 31% para os primeiros cinco meses de 2012, devido principalmente aos altos preços e a uma taxa de câmbio desfavorável que, em conjunto com um aumento de 15% na tarifa de exportação, tornaram o mercado doméstico relativamente mais atrativo. Para a segunda metade do ano, o Rabobank espera que a oferta aumente sazonalmente, embora a procura doméstica deva contrair-se. Até agora, o consumo doméstico tem sido resistente à elevada inflação dos preços ao consumidor, mas a desaceleração na atividade económica deverá tornar-se mais evidente na segunda metade do ano com repercussões no consumo. Por outro lado, considerando a necessidade por ganhos cambiais estrangeiros, o Governo argentino acelerou o processo de distribuição da cota Hilton no próximo ano, o que poderá aumentar as exportações na segunda metade do ano como resultado. x

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OPINIÃO

Compensa produzir forragens de alto nível nutricional?

A “Sociedade Bracamonte”, situa-se perto de Arraiolos, na localidade da Igrejinha. A herdade conta com 420 hectares, onde está localizada uma exploração de vacas leite com 1800 animais, 1000 dos quais atualmente em produção.

Relativamente à escolha do fornecedor de sementes de forragem para a sua exploração, o seu proprietário e gerente,Ymke Heida diz valorizar o preço, a qualidade e a produtividade das mesmas. Na escolha da variedade, os seus critérios de seleção baseiam-se na relação qualidade/preço e na adaptação à zona e ao tipo de terreno. As forragens que mais utiliza são milho (Agrano Cruiser); azevém (Barleite/Barspectra) e luzerna (Dorine), pela rentabilidade que consegue obter, controlada regularmente através de análises, e também pela quantidade e qualidade do leite obtida. A “Sociedade Bracamonte” recorre habitualmente aos serviços de nutricionistas e técnicos especializados para o aconselhamento agronómico, bem como a laboratórios específicos para a análise das forragens. Ymke Heida considera que a valorização nutricional das forragens é fundamental para se otimizar o arraçoamento para as vacas e que esta deve ser conseguida quer ao nível proteico, quer energético, para que se possam reduzir as matérias primas (nomeadamente a soja) que estão atualmente a preços muito elevados. Para o gerente da Bracamonte, o futuro das explorações de leite passa por uma aposta mais virada para as forragens de alto valor

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Numa altura em que o agricultor pouca influência tem sobre os preços de mercado, é muito importante tirar o máximo rendimento dos produtos adquiridos, em particular das forragens usadas na alimentação do gado.

qualitativo produzidas na exploração, em detrimento dos concentrados: “há que produzir cada vez mais forragens com maior valor nutricional e em maior quantidade, para que se possam reduzir os concentrados e, logo, os preços de produção. Ymke Heida não antevê um bom futuro para as explorações de vacas de leite sem área para produzir forragens, devido ao elevado custo das matériasprimas/concentrados. A exploração Herdade Nave do Grou situa-se em Arronches, Portalegre e, com uma superfície de 96 hectares dedicase à produção de bovinos da raça Limousine. Neste momento, encontram-se 75 vacas em reprodução e a maioria das crias são vendidas como reprodutoras. A herdade dispõe de um prado permanente com 15 ha, regado por pivot, do qual parte está semeado com Barleite 4. É aqui que o gado mais novo pasta durante o Verão.

Na escolha de um fornecedor de sementes, Willem Carp, proprietário e gerente da exploração considera, para além do preço e da qualidade das sementes, o suporte técnico por parte dos fornecedores como um fator bastante importante na tomada de decisão: “Para satisfação nossa, há já algum tempo que também usamos semente de azevéns da Barenbrug. Em 2010, seguindo o concelho de um técnico do nosso fornecedor, decidimos semear parte do prado

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OPINIÃO

A Ruminantes recolheu o testemunho de dois produtores de vacas de leite sobre a forma como encaram esta questão e as medidas que põem em prática por forma a aumentar a produtividade do seu negócio.

permanente com Barleite 4.” Na escolha da variedade da semente, Willem Carp recorre a uma mistura de trevos de festucas “de muito boa qualidade” que consegue obter numa área regada da exploração e que utiliza especialmente para a produção de silagem e feno. Para usar como pasto considera, no entanto, que esta mistura tem proteína a mais e, como tal, recorre ao Barleite 4 para conseguir um melhor equilíbrio entre energia e proteína. As forragens utilizadas nesta herdade são o prado permanente em regadio e, no sequeiro, o azevém e misturas para silagem ou feno. Relativamente à rentabilidade das variedades usadas na exploração, Willem Carp é da opinião que, devido á irregularidade do clima em Portugal é muito difícil encontrar uma forma precisa de medição. Para além disso, considera que ainda é cedo para tirar conclusões, uma vez que só utilizam o Barleite 4 há um ano “porque neste Verão de 2012 o prado não foi regado, devido à falta de água.” Para o aconselhamento técnico, a Herdade Nave do Grou trabalha atualmente com a empresa Reagro. Sobre a importância da valorização nutricional das forragens na otimização do arraçoamento para as vacas, Willem Carp é da opinião que, devido aos preços elevados da matéria prima, cada vez compensa mais tentar produzir forragens de alto nível nutricional, na própria exploração, em vez de dar concentrados. Refere também que o mesmo se aplica às explorações de vacas aleitantes. x

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PRODUÇÃO

Recria de novilhas Qual o desenvolvimento corporal ideal? Luis Marques, Consultor em vacas de leite

luismiguelfmarques@gmail.com

A taxa de substituição duma exploração leiteira é, em média, de 25 a 30%. Para se conseguir manter o mesmo número de animais a produzir leite, a entrada de animais novos pode acontecer quer através da compra de animais noutras explorações, quer da recria das vitelas nascidas na exploração. Esta última hipótese tem como vantagem o facto de limitar os riscos sanitários da exploração e contribuir para uma contenção dos custos de produção. Esta contenção de custos só será uma realidade se fizermos uma recria dos animais com boa genética e com o maneio certo. Caso contrário, estamos a ter despesa para pôr em produção animais com pouco potencial genético ou, para animais com potencial mas que ficaram limitados por um incorreto desenvolvimento inicial. Devemos por isso estar alerta para os parâmetros de crescimento (peso e altura) ideais, para avaliar se tudo está a correr dentro do previsto. O desenvolvimento das novilhas de substituição depende de vários fatores, tais como a nutrição, o maneio, o meio ambiente e a prevenção em relação ao aparecimento de doenças. Os fatores enumerados estão interligados e são diretamente responsáveis pelo crescimento das novilhas. Uma novilha bem recriada tem que ter peso, estatura e condição corporal apropriadas. Tabela orientativa do desenvolvimento corporal (peso e altura consoante os meses de vida)

MESES 1 3 6 8 10 12 15 18 20 22 23 24

PESO (KGS) 60 – 73 100 – 120 165 – 195 210 - 245 255 - 295 300 - 345 365 - 417 420 - 482 456 - 525 490 - 560 503 - 575 520 - 590

ALTURA (CM) 80 -85 90 – 95 101 -107 108 - 113 115 - 119 119 - 123 123 - 129 130 - 132 130 - 135 131 - 136 132 - 137 134 - 139

Um dos fatores importantes para se conseguirem os objetivos acima descritos ao menor custo é desenvolver precocemente o rúmen. Em termos nutricionais, é imprescindível obter um rácio ideal de aminoácidos. A quantidade, a qualidade e a disponibilidade dos mesmos têm que ser tidas em consideração na preparação de uma

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dieta. Principalmente aqueles que são limitantes nesta fase, como a lisina, a metionina e a treonina. Quando mal balanceados, os aminoácidos reduzem a “performance do crescimento”. Outros nutrientes a considerar na formulação nesta fase do crescimento são a fibra digestível e o tipo de amido. A idade ideal para o primeiro parto será entre os 22 - 24 meses. A novilha é inseminada pelos 13 - 15 meses de vida e deverá ter um peso corporal que ronde os 350- 375 Kg. Quando verificamos um atraso na idade ao primeiro parto, normalmente a causa está associada a uma alimentação deficitária, sobretudo após os 7 meses de vida, onde muitas vezes fazemos um maneio errado, alimentando as novilhas com os “restos de manjedoura” das vacas em lactação, onde provavelmente a quantidade de nutrientes fornecida às novilhas não é suficiente para as suas necessidades. A falta de nutrientes leva a uma diminuição do ganho de peso médio diário, colocando em risco todo o potencial genético da novilha, e levando a uma produção de leite inferior quando esta entrar em produção. Contabilizar a ingestão e adaptar a quantidade de alimento ao peso dos animais é imprescindível. Concluindo, existe uma correlação entre o peso da novilha e a média dos quilos de leite produzidos. Vamos reflectir sobre estes assuntos e procurar constantemente acções que melhorem a rentabilidade das explorações. x

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PORTUGAL

ACTUALIDADES

Animais portugueses arrecadam prémios no 3º Concurso Ibérico Limousine A enorme adaptação da raça bovina Limousine aos países mediterrânicos, observada na última década, conjugada com alterações de maneio que privilegiem animais mais produtivos e autónomos, tem resultado num crescimento contínuo e sustentado da raça Limousine, atravessando atualmente uma das suas fases mais prósperas. Esta evolução tem sido inequívoca em Portugal, assumindo a raça Limousine uma posição cimeira no panorama pecuário nacional, alicerçada numa enorme qualidade genética dos criadores nacionais. Neste contexto, e no âmbito das comemorações dos 25 anos da Federação Espanhola da Raça Limousine, foi lançado o repto à Associação Portuguesa de Criadores Limousine para a realização do terceiro Concurso Ibérico da Raça Limousine, pela primeira vez neste século, que teve lugar no passado dia 10 de Setembro de 2012, na importante Feira Agrícola de Salamanca, em Espanha. A representação portuguesa, apesar de contar apenas com 19 animais de seis criadores, 10% dos animais Limousine presente no certame, não passou despercebida aos milhares de visitantes desta Feira, que reuniu criadores de toda a península. A pesagem de todos os animais Limousine, no início da feira, destacou de imediato a representação portuguesa, a qual foi premiada com o macho e a fêmea mais pesados da Feira, com o macho Don Ruan alcançando os 1600kg e a vaca Carinhosa com 1130kg. No contexto do Concurso Ibérico Limousine as qualidades maternais das vacas Limousine portuguesas não passaram despercebidas ao Júri italiano presente, não tendo tido dúvidas ao atribuir o título de

Na foto: o criador José Maria Pacheco dos Reis, o Dr. Sales Henriques, da DGV, a vaca campeã ibérica Camomila e o seu filho Hortelão.

vaca campeã Limousine da Península Ibérica à vaca portuguesa Camomila, do criador José Maria Pacheco dos Reis. Ao longo de todas as secções, os animais foram recolhendo prémios, de entre os quais se destacam a melhor novilha, a melhor vaca adulta e o melhor touro, na secção de touros adultos. O título de campeão ibérico foi atribuído ao animal que já tinha ganho o concurso de Espanha, tratando-se de um animal com grande preparação mas que claramente não se encontrava no campo a cobrir, como acontecia com os touros portugueses, tendo sido elogiada a aptidão funcional de todos os animais portugueses. x

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PRODUÇÃO

Bovinicultura extensiva Estamos a começar ou a acabar? David Catita, Criador Limousine, Serpa – Portugal

fontecorcho@gmail.com

No futuro só restará um tipo de explorações, as que se preocuparam atempadamente em melhorar o seu desempenho pecuário. Todas as outras estão condenadas à extinção, mais tarde ou mais cedo.

Por mais que nos custe admitir, a bovinicultura extensiva em Portugal precisa ainda de evoluir e de reforçar o seu profissionalismo. Não que seja diferente noutros países, mas a realidade nacional merece a nossa análise aprofundada, já que noutras atividades agrícolas somos bastante profissionais e competentes, sendo geralmente proporcional ao retorno financeiro, sendo inegável o potencial económico desta atividade, em que Portugal ainda é francamente deficitário e em que o mercado tem muita margem para crescer. Este aspeto é ainda reforçado pelo aumento da produção nacional de forragens de qualidade, no regadio de Alqueva, que reduzirá, em larga escala, os custos de alimentação do gado bovino. Como em qualquer negócio, ser criador de gado implica a avaliação concreta e permanente dos custos e proveitos da atividade, assim como das medidas de gestão que podem melhorar o desempenho da exploração, o que nem sempre é feito. Olhando retrospetivamente para a bovinicultura, a facilidade em construir vedações em rede reduziu as necessidades de pessoal, retirando de junto dos animais um elemento fundamental, que acautelava muitas ocorrências e se traduzia num incremento de docilidade. A opção por bovinos representa também uma facilitação de maneio, uma vez que o número de animais por exploração é menor em comparação com ovinos, caprinos ou suínos. Deste conjunto de facilidades pode resultar uma noção distorcida da realidade, que produzir bezerros é só comprar as vacas e pô-las a pastar, mas esta abordagem é perigosa e pode colocar em risco todo o investimento importando, por isso, estar muito atento aos pontos-chave, que não podem ser negligenciados em nenhum momento. Em primeiro lugar, importa potenciar a produção na-

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tural de erva, reduzindo o pastoreio e possibilitando a recarga de sementes no final da primavera —um custo facilmente amortizável, em especial com valores de ração tão elevados como atualmente —, com o objetivo de reduzir a necessidade de sementeiras melhoradoras dos prados que implicam um investimento. O que resultará, a médio prazo, na redução dos custos com forragens e ração. Em segundo lugar, importa garantir a total eficiência dos machos reprodutores duma vacada, passando a mesma pelo maneio reprodutivo definido e pela quantidade e qualidade de reprodutores a eleger. De uma forma sucinta, um touro é os animais que produz e todo o trabalho que um touro realiza numa exploração é rendimento para o seu dono, resultando óbvio que não é rentável poupar em touros, nem em quantidade nem no momento da sua aquisição, uma vez que são rentabilizáveis durante mais de seis anos, e como tal, diz o ditado, “quem se veste de ruim pano, veste-se duas vezes ao ano”. O valor de aquisição de um touro deve ser exatamente a soma do valor de um bezerro por ano durante os anos em que o touro esteja no ativo. Conta simples. Em termos de maneio reprodutivo, pode ser favorável retirar os touros das vacadas durante os períodos que evitem os nascimentos durante os meses mais rigorosos em termos climáticos, seja o inverno ou o verão. Com este procedimento é também possível obter lotes de bezerros mais homogéneos, em virtude da concentração de partos. Caso se pretenda que o touro acompanhe as vacas todo o ano, importa colocar abrigos para os animais mais jovens e fornecer alguma alimentação em comedouros seletivos ou num simples redondel de grades, seja ração ou feno, o que facilitará também a fase de desmame.

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PRODUÇÃO Em termos de número de vacas por touro, não deve ser ultrapassado o rácio de 40 vacas por touro, caso aquele esteja com elas todo o ano. Caso se pretenda concentrar a época de cobrição, que exige um esforço maior aos machos, a proporção deverá estar entre 20 e 30 vacas por touro. Naturalmente que um touro menos desgastado dura mais tempo, compensando a sua menor produtividade. Ainda no contexto dos machos, resta referir a qualidade. Seja qual for a raça selecionada importa garantir que se trata de um reprodutor puro certificado, cuja genealogia seja conhecida, possibilitando assim a avaliação das suas qualidades genéticas, como a precocidade, capacidade de crescimento, rusticidade e facilidade de partos, que representam 50% do valor dos animais a produzir. A determinação da consanguinidade com as fêmeas da exploração, que resultam em prejuízos produtivos que importa evitar, só é possível com animais certificados. Por último, as fêmeas, a base de toda a exploração, que muitas vezes são negligenciadas. A sua avaliação deve ser permanente, em especial na avaliação do intervalo entre partos, que deve ser medido em dias, e não em anos. Uma vaca deve produzir um bezerro de 360 em 360 dias. Este aspeto implica que o bovinicultor mantenha os dados das vacas atualizados, marcando numa simples folha as diferenças, em dias, realizadas por cada vaca. Desta verificação podem ser detetados problemas clínicos de abortos precoces, de baixa fertilidade dos touros ou das vacas, erros de maneio alimentar, entre outros aspetos muitas vezes difíceis de observar. O maneio alimentar das vacas deve ser naturalmente favorável ao seu bom estado, sendo de evitar a abordagem tipo concertina, deixando as vacas chegar a

uma condição corporal muito baixa, que resulta na maior suscetibilidade a patologias potencialmente prejudiciais a toda a vacada as quais, uma vez instaladas, podem ser virtualmente impossíveis de erradicar. Parecendo óbvio, importa sublinhar que uma vaca deve andar bem alimentada todo o ano, com especial enfoque para o período de crescimento e de aleitamento, uma vez que os produtos de uma vaca bem alimentada são seguramente melhores que os de uma vaca débil, já que não há milagres em termos de obtenção de nutrientes para a alimentação, e as vacas não comem pedras, nem terra, nem madeira, apesar do que possa ser apregoado por alguns intervenientes menos esclarecidos do setor pecuário. A capacidade de conversão dos alimentos que uma vaca ingere, transformando-os em carne ou em leite, varia de animal para animal e de raça para raça, sendo por isso fundamental a seleção e avaliação genética, com o objetivo de escolher os melhores animais e as raças mais eficientes, e que esses sejam os animais do futuro da exploração. A entrada das vacas à cobrição deve ser realizada quando o seu desenvolvimento estiver avançado, por volta dos dois anos, de modo a não comprometer a sua vida futura. Nas vacas devem ser observadas e selecionadas as melhores bacias, à frente e atrás, que é por elas que têm de passar os bezerros, e este momento é fulcral para o sucesso da exploração. As diferentes raças existentes em Portugal, quer as autóctones, quer as melhoradoras, ocupam o seu lugar no panorama pecuário nacional, que diz muito da sua adaptação à tipologia de explorações nacionais, sendo naturalmente importante adaptar cada raça às condições de cada região. A escolha da raça é simples. Devem ser animais que nasçam pequenos e com facilidade, e que cresçam rápido e com um índice de conversão de 4 a 5 (4 a 5 kg de ração para cada kg de carne reposta), que tenham capacidade de ser animais grandes em adultos, que apresentem boa conformação cárnica suportada em osso fino, de onde resulta o rendimento de carne. Neste contexto, é fundamental tornar as vacadas produtivas e economicamente sustentáveis, reduzindo a dependência das ajudas comunitárias, uma vez que estas acabarão por partir, mais tarde ou mais cedo, mas os agricultores ficarão. A introdução de machos melhoradores que possam produzir melhores bezerros, tirando partido do vigor híbrido resultante do cruzamento entre raças diferentes, é uma boa opção, não devendo ser descurada a pureza dos reprodutores que se vai atenuando com os anos, em virtude da incorporação da sua genética na vacada. Em suma, tudo o que desejo para os meus animais desejo também para os animais de cada leitor. O maior sucesso, expresso em produtividade e longevidade, não se deixando iludir por modas ou conselhos menos esclarecidos, e procurando sempre as justificações de cada opção, confiando que nelas reside a força de cada agricultor. x

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BEM ESTAR ANIMAL

Ecografia em pequenos ruminantes Inês Ajuda, Ana Vieira, George Stilwell, AWIN – Animal Welfare Indicators Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade Técnica de Lisboa

awinportugal@gmail.com

Nas últimas décadas, temos assistido a uma evolução da utilização da ecografia em pequenos ruminantes. Esta técnica foi referida a primeira vez para diagnóstico de gestação em pequenos ruminantes no ano de 1983 e utilizada pela primeira vez nos machos em 1988.

Passados quase 30 anos, a ecografia deixou de ser apenas utilizada em raças específicas de ovinos e caprinos, como raças autóctones em vias de extinção cujo aumento urgente do efectivo requer meios auxiliares na gestão reprodutiva, ou em animais de elevado valor genético e cujo valor da descendência é elevado, para passar a ser utilizada frequentemente e como uma ferramenta praticamente indispensável no diagnóstico de gestação rotineiro. Devido ao facto de o aparelho de ecografia ter deixado de ser uma peça inconveniente de transportar e cara, para passar a ter uns meros 20 centímetros de altura, dois quilos de peso (ou até menos) e um preço mais económico, e o facto de a própria técnica ser fácil e não invasiva, a sua utilização foi amplamente difundida.

Em Portugal, estamos ainda numa fase inicial da divulgação desta técnica. Por um lado, embora a ecografia possa ser considerada como uma técnica fácil de executar, não dispensa uma formação adequada e exigente dos utilizadores. De facto, é necessário um conhecimento profundo dos fundamentos físicos e tecnológicos envolvidos na formação das imagens, assim como um exigente conhecimento da anatomia, que depois possa permitir uma interpretação diagnóstica correcta. Por outro, uma parte considerável dos produtores pecuários ainda não está desperto para as vantagens da utilização da ecografia nas suas explorações. Com o avançar do tempo, a ecografia deixou de ser apenas um método de diagnóstico de gestação e de doenças ligadas a esta, como a hidrometra, para passar a ser também um método de avaliação da fertilidade e de certas patologias. No que diz respeito à fertilidade, esta avaliação pode ser realizada tanto em fêmeas como em machos, no auxílio à programação da época reprodutiva. No diagnóstico de outras patologias, a ecografia é cada vez mais utilizada em doenças do foro pulmonar ou da glândula mamária. Ao longo deste artigo vamos apresentar as potencialidades deste aparelho nos pequenos ruminantes, percebendo como podemos utilizá-lo, não só para melhorar a gestão da exploração, mas também para garantir melhor bem-estar animal.

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UTILIZAÇÃO DO ECÓGRAFO NA REPRODUÇÃO

Esta área foi a peregrina na utilização do ecógrafo nos pequenos ruminantes, principalmente a nível do diagnóstico de gestação. O diagnóstico pode ser efectuado por duas técnicas diferentes: transabdominal (Fig. 1) ou transretal, cujas principais características são apresentadas na Tabela 1. A técnica mais utilizada pelos médicos veterinários na exploração é a transabdominal, não só pela facilidade de utilização, mas também porque na maioria das explorações portuguesas a reprodução é maioritariamente efectuada por monta natural, pelo que não se sabe o tempo exacto de gestação, o que leva a que o diagnóstico de gestação tenha de ser efectuado mais tarde, para que o exame de grupo possa ser mais rentável, não compensando então um diagnóstico precoce da gestação. É importante sublinhar que, ao utilizar o diagnóstico transrectal é possível efectuar mais cedo um diagnóstico de gestação, permitindo reintegrar mais rapidamente o animal não gestante no grupo para nova cobrição ou, caso o produtor assim decida, enviá-lo para refugo.

Fig.1 - Local de posicionamento do ecógrafo (circulo preto) para ecografia transabdominal. Como se pode verificar na figura, é possível efectuar a ecografia na sala de ordenha.

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BEM ESTAR ANIMAL

Tabela 1 - Características dos dois métodos de ecografia utilizados em pequenos ruminantes (transabdominal e transretal) Bem-estar animal

Material necessário Sonda (MHz)

Tempo mínimo para visualização da gestação

Transabdominal

Transretal

Ecógrafo

Ecógrafo + adaptador

Menos invasivo, podendo ser efectuado na sala de ordenha, logo menos stressante para o animal e melhor para o seu bem-estar 3,5 a 5 MHz

Cerca de 25-30 dias

Tempo óptimo para contagem de fetos

Cerca dos 40 a 55 dias

Avaliação do trato reprodutivo de fêmeas não prenhas e de machos

Não é utilizado em fêmeas não prenhas. É utilizado na avaliação dos testículos.

Praticabilidade

Mais rápido e fácil de manusear tanto o aparelho como os animais.

Mais invasivo e é necessária uma maior contenção, pelo que afecta mais o bem-estar do animal. 5 a 7,5 MHz

Cerca de 16 dias nas cabras Cerca de 19 dias nas ovelhas Cerca de 27 a 30 dias

Não é tão rápido e prático, mas permite um diagnóstico mais cedo da gestação.

É utilizado em fêmeas não prenhas. Utilizado para avaliação de glândulas acessórias do trato reprodutivo masculino.

A contagem de fetos é outra das funções do ecógrafo, o que se pode revelar extremamente útil para que se possa dividir os animais em grupos de, por exemplo, fêmeas com apenas um feto e fêmeas com dois ou mais fetos, e posteriormente, principalmente no último trimestre da gestação, efectuar uma nutrição mais direccionada, apostando assim na prevenção de doenças como a toxémia de gestação. Esta contagem é também útil para um melhor planeamento da época de partos.

Outra utilidade do ecógrafo na reprodução é a avaliação da saúde do trato reprodutivo. Nas fêmeas, este método pode revelarse rentável em animais de grande valor genético utilizando a ecografia transretal para avaliar tanto os ovários (detecção de quistos ou inactividade ovárica), como o útero (diagnóstico de metrites, piómetra, etc.). No entanto, é nos machos que este revela a sua grande utilidade, permitindo poupar muito dinheiro à exploração ao diagnosticar precocemente uma baixa de fertilidade dos bodes ou carneiros. A ecografia é então utilizada como um complemento ao exame clínico do macho, auxiliando no diagnóstico de patologias como a orquite ou a epididimite. É possível também, através da ecografia transretal, examinar as glândulas acessórias, como as glândulas vesicais e as glândulas bulbouretrais.

Com três operadores para conter os animais e movê-los para o local onde se efectuará a ecografia, um médico-veterinário experiente consegue (utilizando a ecografia transabdominal) efectuar cerca de 500 diagnósticos de gestação por hora ou cerca de 350 contagens de fetos por hora.

OUTRAS POSSIBILIDADES DE UTILIZAÇÃO DO ECÓGRAFO

Apesar de ser na reprodução que a utilização deste aparelho se destaca e está mais desenvolvida, existem ainda outras aplicações possíveis. Uma delas são as patologias pulmonares, em que este aparelho pode complementar a auscultação pulmonar, auxiliando não só no diagnóstico mais preciso da patologia, mas também na classificação da sua gravidade e posteriormente na decisão de tratamento ou eutanásia do animal. Outra utilidade, ainda muito embrionária, é o exame ecográfico dos linfonodos da glândula mamária para uma detecção mais precisa e mais precoce das mastites. Ambas as utilizações poderão vir a auxiliar a gestão da exploração, a rentabilização do ecógrafo e a melhoria do bem-estar dos animais da exploração, ao serem tomadas decisões rápidas e mais correctas quanto à saúde do efectivo. Mensagens a não esquecer: - Todas estas aplicações da ecografia são perfeitamente enquadráveis na exploração, mas requerem sempre um médico veterinário treinado na área de ecografia, para que possam ser executadas correctamente - Para uma boa gestão reprodutiva da sua exploração, é indispensável reunir-se com o seu médico veterinário assistente e desenhar um plano no qual deve ser incluído o diagnóstico de gestação por ecografia e exame dos machos antes da época reprodutiva; - A contagem de fetos pode ser bastante proveitosa, não só para planear a época de partos, mas também para ajudar na prevenção de doenças ligadas à gestação, como a toxémia de gestação; - O ecógrafo não é só um instrumento de auxílio à gestão, mas também à melhoria do bem-estar dos animais da exploração.

Exemplo de utilização do ecógrafo na gestão do diagnóstico de gestação numa exploração em que os machos são colocados no parque para cobrição das fêmeas durante 2 meses:

1º Ecografia de diagnóstico de gestação: 10 dias antes de retirar o macho (ovelhas/cabras no máximo com 50 dias de gestação, o que permite a contagem de fetos) 2º Ecografia de diagnóstico de gestação: 40 dias após retirar os machos. Esta segunda fase irá abranger apenas as fêmeas cuja confirmação de gestação foi duvidosa ou negativa na primeira fase, ou seja fêmeas com menos de 25-30 dias de gestação, logo não detectável pelo ecógrafo transabdominal, ou que foram cobertas após o primeiro diagnóstico de gestação. Nesta fase encontrar-seão fêmeas entre os 40 e os cerca de 80 dias de gestação, sendo possível na maioria dos casos efectuar a contagem dos fetos. Nota: cada caso é um caso, por isso à que contactar o veterinário assistente da exploração e em conjunto com ele desenvolver o protocolo mais adequado.

Imagem de ecografia de um feto de uma cabra com aproximadamente 3 cm (cerca de 40 dias) (http://blunderosa.com/) Bibliografia: Gonzalez- Bulnes, A.; Pallares, P. & Vazquez, MI, 2010. Ultrasonographic imaging in small ruminant reproduction. Reprod Dom Anim 45 (Suppl. 2), 9-20 Scott, P. , Collie, D., McGorum, B. & Sargison, N., 2009. Relationship between thoracic auscultation and lung pathology detected by ultrasonography in sheep. Vet J , 186(1), 53-7.

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PRODUÇÃO

SAÚDE ANIMAL

Maneio Neonatal Saúde do vitelo - parte II André Pires Preto, Médico Veterinário, Serviços Técnicos MSD Saúde Animal

andre.preto@merck.com

Na sequência do artigo anterior referente à saúde neonatal e os fatores relacionados com o maneio da fêmea-gestante, e como podemos influenciar positivamente a saúde do vitelo/vitela, neste artigo vamos referenciar alguns procedimentos que devemos ter em conta para melhorar resultados. 1 – PARTO

Embora o parto tenha influência sanitária em relação aos dois envolvidos, neste artigo, vamos referir as consequências/medidas que afetam diretamente o produto do parto – o vitelo. Vários estudos referem que a ocorrência de dificuldades durante o parto, e com isso o prolongamento da fase de expulsão do feto, causa acidose fetal, consequentemente reduz a eficácia da absorção de colostro. Outra problemática em relação ao processo do parto, a higiene, pois é nestes primeiros momentos em que existe exposição do vitelo aos agentes microbianos existentes na exploração. A infeção por E.coli, pode dar-se por via oro-nasal, ao desimpedirmos as vias respiratórias sem a correta desinfeção das mãos/uso de luvas.

Figura 1 – Desinfeção de umbigo. (w3)

A outra via de entrada direta de agentes infecciosos é o umbigo, sendo a sua desinfeção um procedimento muito simples, que consiste na aplicação de um produto que possua duas características: • Dessecante – de modo a promover a rápida secagem do que resta do cordão umbilical • Desinfetante – para que elimine as formas viáveis de agentes que podem “subir” pelo cordão umbilical e provocar uma infe-

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ção do umbigo (onfaloflebite), com consequências posteriores gravosas, como peritonite, poliartrite. Os derivados de iodo como a “antiga” tintura de iodo, a iodopovidona, a clorexidina, podem ser utilizados para este uso. Alerta: É necessário ter em atenção que as soluções à base de iodo não são todas iguais, pois o post-dip da ordenha, não possui a concentração de iodo adequada e além disso possui substâncias emolientes para amaciar a pele dos tetos, logo não irá ter o efeito dessecante pretendido no umbigo. A correta assistência ao parto não cessa apenas no procedimento de extração do vitelo, mas sim, no que podemos fazer para que o vitelo venha saudável e se mantenha saudável. A desinfeção de umbigo é simples e quando entra na rotina é mais um passo para melhorar a nossa exploração.

2 – AGENTES INFECCIOSOS

Assim que se dá o nascimento existe contacto externo com a mãe, mas também com o meio ambiente, além de começar a colonização de agentes infeciosos, estes vão ser responsáveis pela estimulação imunitária do vitelo, que irá, se tiver capacidade, responder positivamente e resistir à “invasão”. Alguns dos agentes são mais preocupantes do que outros, e no caso dos cuidados neonatais, podemos reduzir a algumas principais, sendo causadoras de diarreia neonatal, que é considerada a principal causa de mortalidade entre as 24h e o mês de vida (Doll, K., 2002). Os principais agentes são: • Escherichia coli – a maior parte das vezes conhecida apenas por “coli”. Existem várias estirpes que podem provocar diferentes sintomatologias (desde apenas toxemia e morte, a diarreias profusas seguidas de desidratação e perda do animal). • Rotavírus – possui uma elevada resistência no meio ambiente, havendo trabalhos que referem que pode manter-se viável por 6 meses no meio ambiente. • Coronavírus – além de pertencer ao complexo diarreico, é por vezes detectado em surtos pneumónicos em recrias/engordas. • Cryptosporidium parvum – este parasita possui também uma capacidade brutal de resistência no meio ambiente. • E.coli • Salmonella spp. Bactérias

• Rotavírus • Coronavírus Vírus

• Cryptosporidium parvum • Eimeria spp. Parasitas

Figura 2 – Grupos principais de agentes infeciosos que provocam diarreias neonatais.

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PRODUÇÃO

SAÚDE ANIMAL

Figura 3 – A utilização de kits de diagnóstico rápido na exploração. Neste caso estavam presentes os seguintes agentes (E.coli + Rotavírus + Cryptosporidium parvum)

Reconhecendo que os agentes infeciosos não podem ser eliminados totalmente, temos pois que identificar quais estão presentes, através de ferramentas disponíveis na exploração através do Médico Veterinário, como por exemplo, testes de diagnóstico de agentes infecciosos de uso na exploração (ver figura 2). Estas ferramentas de diagnóstico permitem identificar quais os agentes presentes e posteriormente implementar medidas específicas de controlo adaptadas à realidade da exploração.

Figura 6 – Gráfico da eficácia de absorção do colostro ao longo das primeiras 24h do vitelo. (Adaptado de Margueritte, J. et all 2001 e Fernandez, F. et all 2000)

% de absorção

los frísios recém-nascidos “atrapalhados” à procura do teto, ou vitelos de carne “pesadões” que não se levantam durante as primeiras horas. • Qualidade do colostro – o colostro produzido nem sempre é da mesma qualidade (ver revista Ruminantes anterior). • Volume de colostro – o número a ter em conta é aproximadamente 10% do peso vivo, nas primeiras 6 horas de vida. Do “lado” do vitelo apenas podemos avaliar a capacidade de absorção (ver figura 7) e depois implementar melhorias caso sejam necessárias.

»

100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0

50% de absorção às 6h pós-parto

0

2

4 6

8 10 12 14 16 18 20 22 24 Horas de vida

E abordar a sua presença de vários modos, sendo o fundamental a prevenção, quer esta passe pelo maneio higiénico da exploração com medidas de desinfeção, quer passe pela via de aumentar a imunidade específica relacionada com estes agentes.

Figura 7 – Avaliação da absorção do colostro por via indireta, por avaliação de proteínas totais antes dos 5 dias de vida. Linha vermelha representa o limiar de absorção mínima, podendo verificar-se que os três animais estariam mal encolostrados. (A. Preto, 2012)

5 – ABORDAGEM INTEGRADA AO CONTROLO

Figura 4 – Exemplo de medidas de higienização, na exploração retratada os baldes são desengordurados e desinfetados duas vezes ao dia (agradecimentos ao produtor – sr. Henriques)

3 – QUALIDADE DO COLOSTRO

O colostro é a fonte fundamental de imunidade que os bovinos podem usufruir, sendo que é imunidade transferida da mãe para o vitelo, é necessário que a mãe esteja em perfeitas condições para produzir um colostro de qualidade. Qualidade que pode ser medida, sendo um procedimento mais fácil no caso das vacas leiteiras.

4 – ABSORÇÃO DO COLOSTRO

Figura 5 - colostrómetro

Podemos considerar vários pontos principais para o bom desempenho dessa fonte de imunidade natural: • Tempo de ingestão do colostro – o decorrer do tempo afeta negativamente a capacidade de absorção do colostro (ver figura 6). • Via de absorção – a forma de ingestão natural é considerada a mais eficiente, tem é que existir, pois, quem não observou vite-

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O quinto passo definitivo será o da abordagem integrada ao controlo das diarreias neonatais. Ao longo deste artigo “Maneio neonatal - Saúde do vitelo – partes I e II”, espero ter agregado quase todas as valências a que nos referimos aquando da problemática multifatorial que pode afetar a Saúde neonatal, (excluindo a alimentação de substituição). Na exploração devemos abordar questões económicas, como o custo por tratamento de casos clínicos, alguns autores que estimam custos de 68 a 140€ por vitelo afetado, e sendo que nestes custos não incluem as perdas futuras, como por exemplo: • Atraso no crescimento – até dois meses de atraso na 1ª inseminação; • Perdas de potencial genético – devido à mortalidade. Mas neste sentido será relevante avaliar o impacto das medidas de controlo sobre os custos que elas possuem. Utilizando medidas hígio-sanitárias fundamentalmente direcionadas à prevenção. No entanto, esta medidas a implementar devem ser decididas em conjunto com o seu médico veterinário assistente, pois é ele quem conhece a sua exploração sanitariamente, que possui ferramentas de diagnóstico de agentes, avaliação de qualidade e absorção do colostro, além de que conhece quais os procedimentos sanitários (higiene e profilaxia) adaptados à sua exploração. A MSD – Saúde Animal, trabalha em conjunto com os Médicos veterinários no sentido de fornecer ferramentas válidas de abordagem a esta problemática e desenvolveu o 5STEP – programa integrado de controlo de diarreias neonatais, informe-se junto do seu Médico veterinário. x

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PRODUÇÃO

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Podologia bovina Como se previnem as principais patologias Entrevista pela Revista Ruminantes

Richard Touret

fincape2010@gmail.com

Richard Touret licenciou-se em medicina veterinária pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em 2002 e estagiou em clínica de bovinos leiteiros na ilha Terceira (Açores). Durante 8 anos, trabalhou com espécies pecuárias em várias zonas do país ao serviço do Estado, cooperativas e serviços privados. Desde 2009, tem vindo a especializar-se na área da podologia bovina, frequentando cursos e seminários no nosso país e no estrangeiro. Em 2010, adquiriu um tronco hidráulico ANKA e criou um serviço (finca-pé_Podologia e bem-estar animal) exclusivamente dedicado ao recorte preventivo e curativo de unhas de bovinos e ao aconselhamento e realização de ações de formação sobre saúde podal e bem-estar animal. Quais foram os motivos que o fizeram optar pela vertente da clínica de campo, nem sempre associada aos médicos veterinários? Durante o meu estágio em clínica de bovinos leiteiros, constatei que existia uma lacuna nesta área de trabalho com falta de profissionais competentes e que seria uma oportunidade para os veterinários, já que praticamente tudo ainda estava à espera de ser feito. Quando nos comparamos com outros países, verificamos precisamente isso. Em Itália, por exemplo, existem mais de 50 veterinários dedicados à podologia. Quando comecei a fazer clínica de bovinos, senti muitas vezes que os produtores me encaravam como uma despesa incómoda. Era difícil demonstrar resultados. Percebi que em termos profissionais, no futuro seria importante a especialização para oferecer um serviço que os produtores considerassem verdadeiramente parceiro da sua atividade. Quando ativado um plano de saúde podal numa exploração, são impressionantes os resultados obtidos num curto espaço de tempo. Quais as principais dificuldades que encontrou? Resistência por parte dos produtores em ativar as medidas preventivas adequadas como principal arma na gestão da saúde podal dos animais. Também, em muitos casos, existe dificuldade em abandonar práticas antigas, muitas vezes danosas, pela familiaridade que muitos produtores desenvolvem com alguns “casqueiros”. O facto de existir falta de profissionalismo e rigor em muitos serviços prestados resulta, em muitos casos, da incapacidade dos produtores serem exigentes por não saberem bem distinguir um mau de um bom trabalho. É preciso discutir o estado da exploração de uma forma contínua e informar duma forma objetiva e leal os pro-

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dutores para que estes possam tomar as decisões corretas e consigam desenvolver todo o potencial dos seus animais. Por outro lado, confirmo que os produtores subestimam em larga medida (alguns estudos apontam para 50%) o número de animais coxos na sua exploração. Isto torna o trabalho mais difícil, pois ninguém quer tratar o que não consegue ver.

Do ponto de vista do agricultor, quais as vantagens de entregar este trabalho a um médico veterinário? Nos últimos anos, os produtores começaram finalmente a perceber que a função de um veterinário não é somente a de “apagar fogos” e que as suas competências adequadamente desenvolvidas são um verdadeiro investimento com resultados à vista, ao invés de uma despesa. Tal como já existem veterinários exclusivamente dedicados à qualidade do leite, maneio reprodutivo ou nutrição, outras áreas tais como a podologia e a recria bovina devem, no meu entender, seguir este mesmo percurso de especialização. Nós, veterinários, somos escutados quando entra leite no tanque ou quando os animais crescem mais depressa e mais saudáveis. E é esse serviço, focado em mostrar resultados, que nos diferencia e que devemos procurar oferecer. É conhecida a importância da saúde do casco, sobretudo para as vacas leiteiras, para a manutenção do bem-estar animal. Na sua opinião, quais os principais procedimentos que os agricultores podem levar a cabo para que as patologias podais não sejam a principal causa de refugo, como acontece neste momento? Atualmente dispomos de conhecimentos e recursos suficientes para que não seja assim. Não existem remédios milagrosos. A solução passa por corrigir vários aspetos do maneio animal que, so-

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SAÚDE ANIMAL

PRODUÇÃO

mados, fazem a diferença. Dentre estes, destacaria alguns: - os animais devem ser observados diariamente, procurando-se sinais de coxeira (tal como se faz com a deteção de cios) e tratados imediatamente de forma agressiva. Para isso, deve existir um tronco na exploração que permita a uma pessoa sozinha, de forma rápida e eficiente, inspecionar um animal logo que exista uma suspeita; - todas as lesões devem ser registadas, para que qualquer pessoa possa saber o que se passa na manada e se poderem tomar decisões; - deve-se garantir que as patas estejam secas e limpas e utilizar o pedilúvio de forma regular. Desta forma diminui-se a exposição das patas à ação do chorume e reduz-se a propagação de doenças infecciosas; - é também importante garantir uma equilibrada distribuição de peso nas unhas. Devem cortar-se as unhas de todos os animais adultos mais ou menos 2 vezes por ano e assegurar que os animais se deitem fácil e confortavelmente pelo menos 12 horas por dia para não existirem stress e sobrecarga de peso em zonas da unha; - um bom maneio durante o período de transição que evite uma perda brusca de condição corporal é fundamental para não expor os animais a coxeiras; A minha experiência pessoal vai-me dizendo que, apesar da nutrição ser muito importante na saúde das patas, é muitas vezes apontada pelos produtores, erradamente, como principal causa de coxeiras. As instalações, a higiene ou o conforto animal podem ser também elementos decisivos. x

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EQUIPAMENTOS

Panorama dos sensores na produção de bovinos Com o surgimento da produção animal de precisão e a utilização de TIC (tecnologias de informação e comunicação) em agricultura, a utilização de sensores tem vindo a crescer. Quer seja em instalações agrícolas, quer nas salas de ordenha, robots de ordenha ou diretamente nos animais, os sensores medem os parâmetros zootécnicos e respondem a diferentes necessidades que visam aliviar as tarefas diárias, facilitar a gestão individual das vacas ou prevenir problemas sanitários Nas explorações pecuárias, os sensores podem ter diversas funções: - acionar ou dirigir um automatismo, sem produzir dados utilizáveis para a gestão do efetivo (por exemplo, a câmara ou o laser permitindo situar o úbere da vaca num robot de ordenha); - automatizar uma ação possível de ser realizada manualmente medidor de leite, pesagem da quantidade de alimento ingerido); - medir novos parâmetros não detetáveis pelo olho humano ou

Panorama dos principais sensores e sua utilização

Gestão principal

dificilmente mensuráveis (temperatura ruminal, composição do leite, atividade da vaca, etc.).

Com base em diversas tecnologias, estes diferentes instrumentos podem no geral medir os seguintes parâmetros: - fisiológicos no próprio animal (produção de leite, consumo alimentar, temperaturas corporais); - biológicos nos seus produtos (composição do leite, características físico-químicas do leite, presença de hormonas); - comportamentais (deslocação, atividade, comportamento alimentar, ruminação). Os dados obtidos são seguidamente valorizados seja para a gestão quotidiana do efetivo (alimentação), seja para a deteção precoce de problemas sanitários ou de episódios específicos (mamites, problemas metabólicos, partos, cios). x

Instrumento/Sensor

Medição

Localização

Indicadores principais

Acelerómetro

Atividade do animal

Pescoço (patas em certos casos)

Cios, problemas de saúde

Analisador de progesterona Termómetro vaginal

Progesterona no leite

Robot de ordenha ou instrumento portátil

Cios, diagnóstico de gestação

Temperatura vaginal

Canal vaginal

Partos

Giroscópio caudal

Posição da cauda

Cauda do animal

Partos

Sensor de pressão

Contrações uterinas

Faixa abdominal

Partos

Condutímetro

Conditividade

Contadores de leite Condutímetros robots ou instrumentos portáteis

Mamites

Contador celular

Células somáticas

Mamites

Analisador de leite

Enzima LDH

Robots, salas de ordenha ou instrumento portátil Robots de ordenha

Bolus Ruminal (termómetro) Sensor de pressão

pH ruminal

Rúmen

Problemas infecciosos, atividade alimentar

Pressão pelas patas

Estábulo

Claudicação

Alimentação/ Bolus Ruminal Problemas (medição do pH) metabólicos Analisador de leite

pH ruminal

Rúmen

Problemas metabólicos

Proteína BHB

Robots de ordenha

Microfone

Tempos de ruminação

Pescoço

Cetoses, problemas metabólicos secundários Problemas sanitários, partos

Analisador de leite

Ureia

Robots de ordenha

Analisador de leite

TB, TP, lactose

Robots e salas de ordenha

DAC, DAL

Quantidade ingerida

Estábulo

Imagiologia numérica

Indicação do estado corporal Peso vivo

Reprodução

Saúde

Podómetro

Balança Performances Contador de leite Imagiologia numérica

Atividade do animal

Patas

Robots, saída sala de ordenha, portas de triagem Produção de leite, tempos e Robots ou salas de ordenha débito de ordenha Medições

Fonte: Chambre Régionale d’Agriculture de Bretagne

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Cios, problemas de saúde

Observações

Identificação eletrónica inclusa Identificação eletrónica inclusa em certos casos

Condutividade frequentemente combinada com outros parâmetros (temperatura, produção, intervenção de ordenha, côr)

Mamites

Diagnóstico de ração, equilíbrio em proteínas Diagnóstico de ração, cetoses e acidoses, qualidade do produto Nível de ingestão do animal, problemas sanitários Mobilização das reservas corporais Problemas metabólicos, mobilização das reservas, ingestão, GMQ Nível de produção, performances de ordenha, problemas sanitários Indicações de pontuação

Em desenvolvimento

Em desenvolvimento

Frequentemente combinada com a atividade

Em desenvolvimento

Em desenvolvimento


EQUIPAMENTOS

EQUIPAMENTOS

Recuperar a palha miúda Fará sentido, do ponto de vista económico e ambiental, recuperá-la?

Fará sentido, do ponto de vista económico e ambiental, recuperar a palha miúda? Em determinadas zonas de França utiliza-se cada vez mais um equipamento, instalado na parte de trás da ceifeira debulhadora, que permite recolher a pragana, a palha miúda e as sementes de ervas daninhas.

Habitualmente deixada no campo, a palha miúda será recolhida numa caixa e depositada num extremo do campo (parcela). As caixas, com uma capacidade entre 10 a 22m3, têm uma autonomia muito variável, em função da largura de corte, em média de 15 minutos. Os rendimentos da palha miúda, que variam entre 1,5 a 2,3 ton/ha, dependem do rendimento da planta e do tipo de ceifeira. Podem oscilar com as condições de recolha, especialmente com a humidade. O interesse deste aproveitamento é duplo. Por um lado permite reduzir a pressão das ervas daninhas e portanto a utilização de herbicidas. Por outro, valoriza um resíduo que de outra forma era desperdiçado. Estudos realizados indicam que os grãos das ervas daninhas são recuperados em cerca de 97% no palha miúda. A sua “exportação” permite reduzir a proliferação das ervas “más” e diminuir os custos das mondas. Um método que tem especial interesse em agricultura biológica e no sistema de não mobilização para diminuir o risco de competição da cultura com as ervas daninhas. Em função da sua futura utilização e do transporte utilizado, a palha miúda pode ser condicionada sob diferentes formas para a sua valorização: granel, fardos comprimidos, briquetes …). A palha miúda pode ser valorizada de diferentes formas: combustível, metanização, alimentação do gado, agro-materiais.

Fonte: Chambres d’Agriculture des Vosges

Rico em fibras e “facilitador” da digestão dos ruminantes, este produto é interessante na exploração de bovinos graças à sua apetência. A sua utilização para camas não é desprezível, dado o seu poder absorvente ser superior ao de uma palha clássica (2.5 para a palha miúda de trigo contra 2.1 para a palha de trigo). Consultado sobre esta questão pela Ruminantes, Emmanuel David, Diretor do Departamento de Ruminantes da Techna França, disse: “A «palha miúda» é pouco corrente e pouco utilizada em alimentação animal, sendo a maioria das vezes deixada nos campos e enterrada. É composta de resíduos de palha, do invólucros que envolvem os grãos de cereal e de partes (caules, sementes) de ervas daninhas e, por isso, a sua qualidade muito variável, devendo ser analisada. O seu interesse depende muito da qualidade e da regularidade embora, em quantidade limitada, possa ser usada para fornecer celulose em arraçoamentos de risco. Deve-se ter atenção uma vez que a palha miúda fornecerá celulose mas acrescentará pouco valor nutricional e pouca fibra. Deve-se também verificar se não contém plantas tóxicas.” x CDER

Matéria seca (%)

Matéria azotada total (%) Celulose bruta (%) Amido (%)

Palha miúda de cereais

Palha de cereais

Palha miúda de colza

Palha de colza

5.45

3.5

12

3.3

31.4

43

37.5

38.5

4.65

4.0

0

0

88.5

87

87.8

88.0

Fonte: Chambre d’Agriculture Vosges

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EQUIPAMENTOS

Sistemas de gestão na produção de leite João Martinho, Diretor Comercial, Harker Sumner, SA

joao.martinho@harker.com.pt

Hoje, existem ferramentas de gestão muito eficientes que simplificam o funcionamento diário de uma exploração de leite, analisando as ocorrências a todo o momento e proporcionando informação essencial para a planificação a médio e longo prazo. Através da recolha, combinação e análise dos dados de forma automática e precisa, sobre cada animal do rebanho, disponibilizam uma informação clara que ajuda na tomada de decisões certas e em tempo útil.

cio – para as poder separar. Controlam o Duovac por fluxo para obter uma saída do leite mais completa, suave e mais rápida.

Medidores de leite MM27BC: é essencial manter o registo diário do leite, para além de detetar a presença de sangue no leite e alterações na condutividade. Os medidores de leite controlam a entrada de ar nas camisas, as velocidades de fluxo, o rendimento da ordenha medido pela produção de leite, a velocidade e o tempo de ordenha de cada vaca.

QUALIDADE DO LEITE

Ordenha, Qualidade do leite, Refrigeração do leite, Reprodução e Saúde das vacas, Alimentação, Conforto e Estrumes são as áreas abrangidas por estas ferramentas.

O programa que processa toda esta informação consiste num sistema modular que integra uma extensa base de dados com informação exaustiva sobre estas áreas (onde se inclui o HERDNAVIGATOR), com informação gráfica clara, relatórios, listas de ações e diagramas fáceis de interpretar.

Permite o seguimento em tempo real da qualidade do leite, de cada vaca, com separação automática quando ultrapassa os parâmetros pré-definidos. Disponibiliza alarmes através do telemóvel, indicando a razão do desvio do leite. O Contador de células online OCC permite uma supervisão proativa diária do nível de células somáticas de cada vaca, em cada ordenha. Pode-se beneficiar da deteção atempada de mamites para efetuar um controlo eficaz e económico do combate às mesmas.

REFRIGERAÇÃO DO LEITE

Controla todo o processo de refrigeração, limpeza e eficiência energética. Permite o controlo de todas as sequências de refrigeração e lavagem com registo dos tempos, temperaturas do leite e água, volumes do leite e detergentes doseados, com alarmes em caso de anomalias.

REPRODUÇÃO ORDENHA

Os Controladores do Ponto de Ordenha MP580/680 ajudam a otimizar a saúde e a produtividade do rebanho, com dados precisos sobre cada vaca, registando os dados de forma automática: procedimentos da ordenha, seguimento dos protocolos da mesma e medição de resultados. Mostram o nº da vaca, a produção de leite e se a vaca necessita de atenção. Durante a ordenha, identificam as vacas potencialmente problemáticas – com pouca produção, com problemas de saúde (sangue no leite ou elevada condutividade) e que entram em

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Conhecer o momento exato para inseminar é cada vez mais um fator chave para reduzir o intervalo entre partos. Com os dados recebidos pelo Medidor de Atividade e armazenados 24 horas no Tag para evitar perdas de informação, deteta-se quando uma vaca está em cio e recebem-se alertas automáticos sobre o momento exato de inse-

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EQUIPAMENTOS minação. O sistema pode programar a separação destas vacas de forma automática. Também deteta a baixa atividade e alerta para possíveis enfermidades ou infeções, permitindo atuar com rapidez para melhorar a saúde das vacas. Com os relatórios de reprodução e os gráficos disponíveis, pode-se analisar os dados e tomar as decisões certas.

SAÚDE DO REBANHO

Sistemas efetivos de pré-alarme da saúde do rebanho controlam e analisam todos os indicadores chave, para dar uma imagem clara do estado de saúde de cada animal, avisando dos possíveis problemas de saúde, permitindo o seu diagnóstico e tratamento atempado. Qualquer redução de atividade, diminuição da produção de leite e de ingestão de alimento, ou perda de peso identifica vacas com eventuais problemas de saúde. O sistema regista todas as enfermidades, a sua duração e tratamento, para obter informação das tendências de saúde tanto da cada vaca, como do rebanho em conjunto. No módulo de visita do veterinário, possibilita a preparação das visitas programadas, a listagem impressa com relação completa dos dados do animal a tratar e o registo rápido e preciso dos resultados do controlo efetuado. Sistema de pesagem automático AWS 100: permite dispor de informação diária sobre o peso das vacas, para melhorar a gestão do rebanho. Pode-se atuar rápido sobre as tendências de peso para prevenir perdas desnecessárias do rendimento das vacas e da eficiência do rebanho. Analisa as tendências, transforma os dados em informação útil da gestão do peso, cria gráficos, tabelas para identificar as vacas do rebanho ou do grupo que não apresentam um bom rendimento, identifica os desvios de peso, os índices de Condição Corporal e tendências médias, compara as tendências de peso individuais com as do grupo e permite tomadas de decisão com base em informação rigorosa. Portas Separadoras DSG 10: permitem saber com que frequência temos de separar as vacas. Esta é uma tarefa que requer muita mão de obra e muito stress nos animais, mas que as Portas Separadoras, controladas pelo sistema de gestão ALPRO, tornam muito mais fácil. Com um alto rendimento, acionadas por ar comprimido ou vácuo que pode ir até cinco direções de separação.

ALIMENTAÇÃO

A alimentação representa cerca de 50% do custo da produção de leite. Ao otimizar a ingestão de alimento, o pH do rúmen permanece mais estável, reduzindo os possíveis problemas metabólicos e melhorando tanto o índice de condição corporal como o rendimento reprodutivo. A alimentação pode ser distribuída na Sala de Ordenha com rações individuais permitindo, durante a ordenha, ajustar o alimento de cada vaca (muito utilizado nos Açores) com o sistema de pastoreio. A distribuição do alimento na estabulação livre, fora da sala de ordenha, permite ajustá-lo ao longo do ciclo da lactação para maximizar a produção de leite. As Estações de Alimentação podem distribuir até quatro tipos de alimentos diferentes, incluindo minerais e aditivos líquidos. O “algoritmo de qualificação contínuo” garante a distribuição correta da dose de ração completa ao longo do dia e favorece as visitas frequentes às estações, sem stress. O Sistema de Mistura Total TMR está ligado também ao ALPRO permitindo estabelecer a melhor combinação entre o Unifeed e as Estações de Alimentação. O sistema analisa a produção de leite e, através das tabelas de alimentação ajusta, de forma automática, a alimentação das diferentes vacas. Tudo isto começando pela preparação automática dos arraçoamentos, com análises do alimento on-line – Sistema Optifeeding DeLaval totalmente automatizado minimizando os desperdícios e custos, maximizando a nutrição e o rendimento.

CONFORTO

A criação de um ambiente ótimo para as vacas é possível com sistemas de ventilação e cortinas corta-vento automatizadas, que respondam ao tempo e ao clima e libertem os níveis elevados de humidade e gases do estábulo. O controlo automático da iluminação também aumenta a produtividade dos operadores e das vacas, pois as vacas em lactação necessitam de um nível ótimo de 16 horas de luz com 180 luxes de brilho para produzir mais leite e melhorar a fertilidade.

ESTRUMES

Com a gestão otimizada dos nutrientes, recolha automática dos dejetos e processamento dos estrumes.

O Robot de Ordenha VMS assim como a Rotativa Robotizada AMR entretanto apresentada pela DeLaval, permitem uma gestão ainda mais proativa, pois utilizam outras tecnologias já disponíveis, baseadas em câmaras de infravermelhos, ferramentas de diagnóstico e algoritmos, que permitem a recolha de mais informação para as tomadas de decisão. O objetivo de uma gestão inteligente consiste em facilitar aos produtores de leite ideias e tecnologias inovadoras, já disponíveis, que lhes permite um futuro com maior produtividade, sustentabilidade e rentabilidade – Smart Farming. x

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EQUIPAMENTOS

NOVIDADES

Destaques SPACE 2012 JOSKIN - DRAKKAR REBOQUE DE TRANSPORTE

KVERNELAND COMANDO À DISTÂNCIA DE REBOQUE MISTURADOR

O Drakkar é um reboque de transporte em que a caixa está equipada com paredes sintéticas rigidas, com uma esteira inferior de material sintético e flexível mas muito resistente, causando como que uma parede móvel frontal impermeável. No processo de descarga o tapete é enrolado num tambor por debaixo do compartimento de descarga: o material é descargado literalmente sem pressão para fora da caixa e a parede frontal impede-o de cair para a frente. Uma vez que o tapete esteja enrolado, a caixa está completamente vazia e limpa e pronta para uma próxima utilização. Esta concepção permite ter uma estrutura de caixa reduzida para uma capacidade de carga maior. A Joskin é representada em Portugal pela empresa Forte, Lda.

O grupo Kverneland projetou o Siloking Wireless, que consiste num sistema de comando sem fios da pesagem, para o misturador vertical Siloking. O comando permite controlar as funções hidráulicas da máquina e a balança, graças a uma caixa montada na cabina do trator e outra no carregador. Todas as informações referente às pesagens, funções hidráulicas e ajustes da máquina estão armazenadas numa caixa preta montada no misturador. Um software de transferência de dados permite criar as rações directamente no PC, transferindo-as de seguida para a tremonha do misturador. É também possivel obter um histórico dos tempos de carga, descarga e quantidades carregadas.

VÉLITEX FORRAGENS BEM PROTEGIDAS

FARMCLEAN AUTOMOTRIZ DE LIMPEZA DE CUBÍCULOS

Para substituir a tradicional lona de cobertura da silagem em polietileno, a Vélitex concebeu o sistema Vélitex silagem. Este inclui um filme que faz barreira ao oxigénio em Evoh de 45 mícron, que é coberto por uma tela de proteção contra os UV e agressões exteriores. O conjunto é mantido pelos lastros específicos colocados nos bordos (Silobags). A Vélitex propõe ainda o Subtex, uma tela em polipropileno ligeiro e respirável para proteger os fardos redondos (feno ou palha) e as beterrabas forrageiras. É resistente ao vento e tem uma vida útil de 5 anos.

A FarmClean é uma pequena automotriz que permite limpar a palha seca dos cubículos. Na parte dianteira da máquina está montada uma escova regulável em altura – com possibilidade de ajustar um raspador de ripas – e uma tremonha (de 720 l ou 1440 l) para aplicação em todos os tipos de cama. A LimeBox permite a pulverização de produtos em pó, para a desinfeção e secagem das camas. Equipada com um motor diesel Kubota de 3 cilindros e 24 CV e um sistema hidrostático, o FarmClean é muito prático e tem um raio de viragem muito curto.

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NOVIDADES

HYPRED HIGIENE DE TRATAMENTO

A Hypred propõe dois sistemas automatizados dedicados à higiene de ordenha: o Quick Spray System, um aparelho de pulverização do teto que funciona sobre o vácuo do equipamento de ordenha; e o Perfo Dose, concebido para facilitar a desinfeção dos tubos das máquinas de ordenha. Este é fornecido sobre a forma de kit, com uma bomba doseadora ligada à água da torneira que permite uma preparação automática da solução desinfetante Perfo Grif e três pistolas de aplicação. A Hypred é representada no nosso país pela Vitas Portugal.

BIOMIN PRÉBIOTICOS

EQUIPAMENTOS

LALLEMAND O MÁXIMO EM EFICÁCIA ALIMENTAR

O Rumen School é um programa de auditoria de explorações proposto pela empresa Lalleman, que avalia e otimiza a eficácia ruminal das vacas leiteiras a partir dum conjunto de critérios para observação e medição de sinais visíveis complementares. Paralelamente, a Lallemend propõe uma nova solução antioxidante de origem vegetal (à base de melão), complementar do selénio orgânico Alkosel (R), bem como uma gama de conservantes para silagem de milho, sendo o Lalsil (R) Combo indicado para o milho grão húmido e o Lalsil (R) Fresh para o milho inteiro. Ambos estão disponíveis com a tecnologia HC (Alta Concentração), para os aplicadores de baixo volume. A Lallemand é representada em Portugal pela empresa Tecadi.

GÈNES DIFFUSION SISTEMA DE VEL BOX

A Biomin apresentou o Levabon(R) Rumen E, uma especialidade com leveduras (S.cerevisae) autolisadas, concebidas para aumentar a eficácia alimentar, graças a um equilibrio da microflora e a um funcionamento do rúmen optimizado. A Biomin é representada em Portugal pela empresaVetlima.

A Gènes Diffusion propõe um sistema automático de deteção de partos, com base na medição da temperatura, por uma sonda vaginal à prova de água. A transmissão das informações faz-se por ondas rádio, da antena até ao interface Vel Box. A informação sobre o início do parto é de seguida transmitida ao criador através dum alerta SMS no seu telemóvel. O criador pode consultar a partir de qualquer local com acesso á internet as curvas de temperatura e modificar o estado dos sensores.

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CONHEÇA A LEI

ARRENDAMENTO RURAL Drª Sofia Peixoto de Menezes, Advogada Estagiária

www.fladvoga.com

O Decreto-lei nº 294/2009, de 13 de Outubro, veio trazer um novo regime ao arrendamento rural. Com ele, e conforme resulta do respectivo preâmbulo, o legislador pretendeu, para além de “agregar a regulamentação relativa ao arrendamento de prédios rústicos dispersa por vários diplomas”, “melhorar a estrutura das explorações agrícolas e florestais com vista à sua viabilização económica e à utilização das terras agrícolas, contrariando a tendência para o seu abandono.” Para este objectivo, e conforme também se pode ler em tal preâmbulo, o legislador propôs-se “dinamizar o mercado de arrendamento da terra e facilitar a sua mobilização produtiva, com vista à promoção do aumento da dimensão física e económica das explorações agrícolas, assegurando a sua sustentabilidade económica, social e ambiental. Neste sentido, são promovidas alterações conducentes à flexibilização do mercado do arrendamento, privilegiando o acordo entre as partes contratantes.” O novo regime de arrendamento rural aplica-se obrigatoriamente e integralmente a todos os contratos celebrados após o dia 11 de Janeiro de 2010. Relativamente aos contratos já existentes, em regra, o novo regime aplica-se a partir do fim do prazo do contrato, ou da sua renovação em curso. Há também necessidade de, na renovação do contrato, modificar os termos do mesmo de forma a que este passe a seguir o regime previsto neste novo Decreto-lei.

O arrendamento pode revestir uma de três modalidades conforme a natureza do prédio e o fim a que se destina: Urbano, rural e misto.

A Lei define arrendamento como o contrato pelo qual uma das partes – o senhorio - se obriga a proporcionar à outra – inquilino - o gozo temporário de uma coisa imóvel, mediante retribuição.

Ocupamo-nos agora do arrendamento rural: Tratase do contrato pelo qual uma das partes – senhorio - se obriga a proporcionar à outra – arrendatário

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ou rendeiro - o gozo temporário de prédio rústico para fins agrícolas, florestais ou outras actividades de produção de bens ou serviços associados à agricultura, à pecuária ou à floresta.

O arrendamento rural pode ser de um dos seguintes tipos: a) Arrendamento agrícola: cedência do gozo total ou parcial de prédios rústicos para fins agrícolas; b) Arrendamento de campanha: cedência do gozo total ou parcial de prédios rústicos para efeitos de exploração de uma ou mais culturas de natureza sazonal; c) Arrendamento florestal: cedência do gozo total ou parcial de prédios rústicos para fins de exploração florestal.

Na falta de indicação do tipo de contrato de arrendamento rural, presume-se que se trata de arrendamento agrícola.

O contrato de arrendamento rural tem por objecto prédios rústicos. O Código Civil português define prédio rústico como “uma parte delimitada do solo e as construções nele existentes que não tenham autonomia económica.” Por outras palavras, são prédios rústicos os imóveis que possuam, obrigatoriamente, uma ou mais áreas destinadas exclusivamente à exploração agrícola, florestal ou pecuária, áreas que podem ter construções destinadas habitualmente aos fins próprios da exploração normal dos mesmos. O contrato de arrendamento rural pode ter por objecto, para além da terra, as construções e infra-estruturas destinadas, habitualmente, aos fins próprios da exploração normal e regular dos prédios locados, designadamente, a habitação do arrendatário e o desenvolvimento de outras actividades económicas associadas à agricultura e à floresta, desde que as partes - senhorio e rendeiro – o declarem expressamente no contrato. O contrato pode também abranger as máquinas e equipamentos, devendo, neste caso, ser ane-

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CONHEÇA A LEI xado ao contrato um inventário dos mesmos com indicação do respectivo estado de conservação e funcionalidade.

O arrendamento rural pode, igualmente, integrar a transmissão de direitos de produção e direitos a apoios financeiros no âmbito da política agrícola comum, sem prejuízo da respectiva conformidade com a legislação relativa à transmissão desses direitos. É o caso dos subsídios europeus destinados à produção de determinada cultura, que se citam a título de exemplo. E uma vez que é o arrendatário que se candidata à campanha, fará sentido que tal benefício lhe seja adjudicado a si e não ao senhorio, dono do terreno. O contrato de arrendamento rural é obrigatoriamente reduzido a escrito, devendo conter a identificação completa do senhorio e do rendeiro, a indicação do número de identificação fiscal e respectivas moradas de residência ou sede social, a identificação completa do prédio ou prédios objecto do arrendamento, o valor estipulado para a renda, a indicação da data de celebração e, caso existam bens móveis que façam parte integrante do contrato, um anexo contendo a sua descrição detalhada, designadamente no que respeita ao seu estado de conservação e funcionalidade. Apesar de não estar sujeito a registo e da sua celebração estar isenta do imposto de selo e de qualquer outro imposto ou taxa, compete ao senhorio, no prazo de 30 dias a contar da data de celebração, sob pena de incorrer em infracção tributária, entregar o original do contrato de arrendamento rural nos serviços de finanças da sua residência ou sede social que o comunicará às entidades competentes. Como já referido, os contratos de arrendamento rural podem ser do tipo agrícola, florestal e de campanha: Os contratos relativos a arrendamentos agrícolas são celebrados por um prazo mínimo de sete anos. É este o prazo a ter em conta quando as partes não fixam o seu prazo de vigência. Enquanto o contrato não for denunciado, ou não ocorra alguma das restantes formas

de cessação, renova-se automaticamente por sucessivos períodos de sete anos. Os arrendamentos florestais, por seu lado, não podem ser celebrados por prazo inferior a 7 nem superior a 70 anos sendo estes limites aplicados mesmo que o senhorio e o rendeiro acordem noutros limites. Por último, temos os arrendamentos de campanha que não podem ser celebrados por prazos superiores a seis anos. Se as partes fixarem um prazo superior, este considera-se reduzido a seis anos. Caso senhorio e rendeiro não tenham fixado prazo ao contrato, presume-se celebrado por um ano.

Os contratos de arrendamento florestal e de campanha não se renovam automaticamente a não ser que o senhorio e o rendeiro o digam expressamente no contrato.

É permitida a alteração da data da cessação do contrato quando: a) o rendeiro fizer, com autorização do senhorio, investimentos de desenvolvimento, melhoria ou reconversão cultural ou obras de beneficiação do prédio; ou b) quando no decurso de um contrato de arrendamento agrícola ou florestal, ocorram circunstâncias imprevistos e anormais, alheias a qualquer das partes que causem como calamidades climáticas, inundações, acidentes geológicos e ecológicos, incêndios, alheios a qualquer das partes, que causem a perda de mais de um terço das plantações das culturas permanentes ou da plantação florestal explorada e ponham seriamente em causa o retorno económico dessa exploração.

A alteração da data de cessação do contrato pode ter lugar por iniciativa do rendeiro e tem de ser reduzida a escrito.

O novo regime do arrendamento rural proíbe o subarrendamento, tema que desenvolveremos em próximo artigo juntamente com outros que julgamos de interesse relevante. x

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FEIRAS

Não deixe de visitar... 25 A 28 DE OUTUBRO

FEIRA DE CREMONA

Cremona - Itália

A feira internacional de vacas de leite de Cremona celebra a sua 67ª edição este ano. A última edição reuniu 847 expositores, dos quais 17% estrangeiros, 56 convenções e seminários e mais de 75 mil visitantes. Reconhecida pela sua especialização na fileira do leite, esta grande feira continua a representar uma excelente oportunidade de encontro e de troca de informações e experiências para todos os profissionais deste sector. www.cremonafiere.it

A

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7 A 11 DE NOVEMBRO

EIMA Bolonha - Itália

A Feira de máquinas e equipamentos agrícolas de Bolonha, uma das mais importantes da Europa do setor, vai realizar-se em novembro próximo, entre os dias 7 e 11. Com uma superfície de exposição de mais de 103 mil m2 e cerca de 1.600 expositores, esta grande exposição de equipamentos, serviços e soluções, que atualmente se realiza a cada dois anos, é local de visita obrigatório para quem precisa de ficar a par das novidades em mecanização aplicada aos mais diversos setores da agricultura e da agro-pecuária, floresta e componentes. www.eima.it

13 A 16 DE NOVEMBRO

EUROTIER Hannover - Alemanha

A EuroTier - Exposição Internacional da DLG de Produção Animal e Técnicas de Gestão – vai ser o ponto de convergência dos profissionais da produção animal, de 13 a 16 de novembro. No Parque de Exposições de Hannover, Alemanha, a EuroTier apresentará uma vez mais as novas tendências e inovações nos setores de criação animal — bovinos, suinos, caprinos e aves, bem como em bioenergia e a aquicultura, gestão e prestação de serviços. São separados 1.900 expositores e 140 mil visitantes, naquele que é considerado como uma das feiras mais importantes dedicada à produção animal, na Europa. www.eurotier.com

na Agroglobal

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Ruminantes 7  

Edição nº7/2012 A revista da agropecuária

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