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EDITORIAL

TENTAR FAZER MAIS E MELHOR

cabamos por ter que gerir as mais diversas situações, desde as tarefas do dia-a-dia, ao orçamento familiar, à carreira profissional ou ao negócio em que trabalhamos. Em todas elas, e ainda mais em alturas de crise económica, é preciso aprender a aproveitar ao máximo e da melhor forma os recursos de que podemos dispor. O que, na prática, se traduz por tentar fazer mais e melhor, se possível com menos.

A

É disso que se trata quando se fala em eficiência versus eficácia em gestão, conceitos que têm, na realidade, significados diferentes, e que nem sempre vão “de mão dada”. A saber: Eficiência tem a ver com a forma como determinada actividade é realizada e com os meios usados na sua concretização, (matérias-primas, pessoas, dinheiro e tempo), e eficácia traduz-se na obtenção dos resultados pretendidos. Assim, para ser eficiente e eficaz, um gestor deve equacionar se os resultados que obtem são os melhores possíveis e se os processos que aplica são os mais adequados para a obtenção dos mesmos. Tal como no futebol o resultado dum jogo se define numa pequena parte pelo factor sorte mas, no essencial, pela estratégia definida pelo treinador e pelo desempenho de cada um dos jogadores e da equipa como um todo, também na pecuária os resultados do negócio podem melhorar se não perdermos de vista o “golo” — vender ao melhor preço — e a estratégia — produzir da forma mais económica. Será que estamos a produzir o leite ou a carne da forma mais barata? Será que a comercialização daquilo que produzimos pode ainda ser melhorada? Comparemos duas situações que coexistem na produção de leite em Portugal. Na primeira, o leite é vendido pelo

produtor directamente à industria leiteira que, depois de embalado o vende à distribuição. Na segunda, o leite produzido é vendido a uma cooperativa, que depois o vende a uma união de cooperativas e depois a uma empresa SA.; e esta, por fim, a uma grande superfície. Ambas as vias são eficazes se partirmos do princípio que o objectivo é vender o leite ao melhor preço possível. Já a eficiência é diferente nos dois casos, pois um deles pressupõe duas etapas suplementares. Será que este processo não pode ser tornado mais eficiente? Será que o produtor não pode ver o seu resultado melhorado vendendo mais caro ou produzindo mais barato, considerando que não tem que pagar as outras duas “etapas”? Partindo do princípio que o preço de venda do leite à grande superfície é estabelecido por esta e que não será diferente nos dois casos, então poderemos pensar que os recursos envolvidos num deles (3 etapas contra 1) são maiores e, consequentemente, o preço pago ao produtor não pode ser o mesmo. Ou então, terão que existir outras ajudas que nos penalizam a todos. Ambas as situações atrás referidas poderão ter a mesma eficácia, mas não, concerteza, a mesma eficiência. A importância da aplicação destes conceitos aplica-se a muitas outras situações do dia-a-dia das empresas, como sejam a gestão do parque de máquinas, a gestão do tempo (programação das tarefas a executar no tempo previsto e com hora marcada), ou a recolha de dados para se poderem tomar decisões de gestão. Tentar equacionar aquilo que fazemos e como fazemos, não custa e pode valer a pena. Francisca Gusmão

Ruminantes • Abril | Maio | Junho • 2012

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ÍNDICE

FICHA TÉCNICA

ACTUALIDADES

ENTREVISTAS

Termina conflito com os EUA devido à carne com hormonas.........................................................6 Leite europeu não prejudicará sector lácteo neozelandês .................................................6 UE e EUA prevêem aumentos nos preços da carne e do gado vacuno .........................................7 Vem aí uma crise alimentar?......................................8 Seca na UE preocupante para as culturas ...............8 Alltech investe no “Caminho para um Futuro Rentável” ..............................................................10 Gama NantaMilk ......................................................10 Concurso Nacional de Jovens Reprodutores Limousine .............................................................11 JadisAdditiva, Aprolep e Bovisul em manhã de campo...............................................................19 Agrometeorologia: uma importante ferramenta na gestão..................36 Mlone Days 2012: Simpósio Internacional sobre ordenha automática...............................................39 Doença de Schmallemberg detectada numa exploração de ovinos/caprinos na Andaluzia........42 Valorfito apresenta resultados positivos em 2011 ....42

BEM-ESTAR ANIMAL Toxémia de gestação em pequenos ruminantes......46

CONHEÇA A LEI: Servidão de passagem: prédios dominantes e prédios servientes ..............................................64

LUZERNA: O testemunho de um produtor ..............12

EDIÇÃO Nº5

EQUIPAMENTOS Novidades de equipamento................................60, 61 MedWins: 2012 será um bom ano para o mercado das máquinas agrícolas ........................................62

FEIRAS

ABRIL | MAIO | JUNHO 2012

DIRECTORA

Francisca Gusmão

| fg@revista-ruminantes.com

COLABORARAM NESTA EDIÇÃO

Calendário de feiras .................................................63 Feira da Trofa ...........................................................63

PRODUÇÃO Controlo de fermentação ruminal - AMAFERM........14 A silagem de erva complementa a silagem de milho? ..............................................16 Minerais de fundos marinhos da Islândia.................20 Maior rentabilidade na produção extensiva..............24 Programa Alltech 37 - Inovador programa de análise de micotoxinas ao serviço da pecuária ....................26 Sistema COMPLET, conceito alimentar alternativo?............................................................40 O amido na alimentação dos bovinos de leite .........44 “Schmallemberg” Nova ameaça aos ruminantes ....52 Binómio IBR e BVD ..................................................54 Pontuação da locomoção .........................................58 Veterinário em campo: Agalactia Contagiosa..............................................50

RUMINARTE

Álvaro Soares; Ana Vieira; Ana Vilela; André Preto; António Cannas; António Ramos; Carlos Flecha; Cecília Gomes; George Stilwell; IACA; Inês Ajuda; Jacqueline Wijbenga; Jerónimo Pinto; João Mateus; João Sobral; José Alberto Chula; José Caiado; Luís Queirós; Luís Veiga; Madalena Miguel; Marcelino Balazeiro; Marco Pinto; Paulo Costa e Sousa; Paulo Mendes; Pedro Almeida; Pedro Caramona; Pedro Castelo; Pedro Rocha; Pedro Torres; Pedro Vacas de Carvalho; Vanessa Jorge.

AGRADECIMENTOS

Visoleite – Agricultura e Pecuária, Lda. Paulo Santos Agrosoares, Lda.

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Américo Rodrigues, Catarina Gusmão | comercial@revista-ruminantes.com

DESIGN E PRE-IMPRESSÃO Ana Botelho

| prepress@revista-ruminantes.com

ASSINATURAS

ECONOMIA

Arte no campo ..........................................................67

OBSERVATÓRIO Breves comentários e previsões sobre o mercado de matérias-primas.................................................30 Perspectiva do mercado leiteiro ..............................32 Análise do mercado do leite na UE..........................33

SEGURANÇA

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Portugal 20

1 ano (4 exemplares) 1 year (4 issues)

Europa Europe 60

Resto do Mundo Other Countries 100

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Nugon, Lda. / Nuno Gusmão Contribuinte nº: 502 885 203 Sede: Rua São João de Deus, Nº21 2670-371 Loures Tiragem: 8.000 exemplares Periodicidade: Trimestral Registo nº: 126038 Depósito legal nº: 325298/11

• O editor não assume a responsabilidade por conceitos emitidos em artigos assinados, textos publicitários e anúncios publicitários, sendo os mesmos da total responsabilidade dos seus autores e das empresas que autorizam a sua publicação.

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Rum nantes

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• Alguns autores nesta edição já adoptaram o novo acordo ortográfico. Site: www.revista-ruminantes.com www.facebook.com/RevistaRuminantes


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ACTUALIDADES

MUNDO

Termina conflito com os EUA devido à carne com hormonas

O Parlamento Europeu aprovou, em Março último, uma série de concessões que visam pôr fim a 20 anos de contencioso com os Estados Unidos e com o Canadá devido à comercialização de carne de vaca com hormonas. O acordo permite à UE manter o veto às importações deste tipo de carne, em troca do aumento da quota de importação de carne de alta qualidade dos EUA e do Canadá. O conflito devido à carne de vaca com hormonas afectou as relações comerciais transatlânticas desde 1988, altura em que a UE proibiu a importação de carne de vaca tratada com hormonas de crescimento. Em 1996, os EUA e o Canadá, os países mais afectados por esta decisão, levaram o caso à Organização Mundial de Comércio

(OMC), que se posicionou a favor destes países, autorizando-os a impor sanções à UE (em forma de tarifas aduaneiras) num valor de 116,8 milhões de dólares e 11,3 milhões de dólares canadianos. O acordo agora aprovado aumentará a quota de carne de qualidade importada pela UE em 48.200 toneladas. Os EUA e o Canadá, por sua parte, já suspenderam as sanções que mantinham contra os produtos europeus incluídos numa lista negra, em represália pelo embargo da UE, e que originaram prejuízos em 26 Estados-membros (todos, menos o Reino Unido) na ordem dos 250 milhões de dólares, segundo preços de hoje. "Esta antiga disputa comercial acaba hoje, finalmente. Trata-se de uma resolução

favorável para a UE. O Parlamento tomou uma decisão que permitirá à indústria agrícola europeia planificar com maior antecedência e estreitar laços comerciais transatlânticos", afirmou a deputada alemã Godelieve Quisthoudt-Rowohl (PPE). O relatório foi aprovado por 650 votos a favor, 11 contra e 11 abstenções e o acordo já foi apoiado pelo Conselho, pelo que o aumento das importações entrará em vigor já em Agosto. Os principais beneficiários da eliminação das sanções são a Itália (o acordo beneficiará o país em 99 milhões de dólares), a Polónia (25 milhões de dólares), a Grécia e Irlanda (24 milhões cada), a Alemanha e Dinamarca (19 milhões cada), a França (13 milhões) e a Espanha (9 milhões). x

Leite europeu não prejudicará sector lácteo neozelandês

O sector lácteo da Nova Zelândia não deverá ser afectado em relação ao volume estimado de 9 mil milhões de litros de leite adicionais que deverão "inundar" o mercado global assim que as quotas leiteiras de produção da Europa forem totalmente removidas em 2015, de acordo com o analista do sector lácteo do Rabobank, Kevin Bellamy. As previsões do Rabobank indicam que quando as quotas forem totalmente removidas, um volume adicional de 9 mil milhões de litros de leite será produzido anualmente na Europa. "Dessa produção estima-se que 3,6 mil milhões de litros

serão absorvidos por uma procura adicional fora do território da União Europeia. Embora o restante deva encontrar espaço nos mercados de exportação, esses deverão ser mercados como o Médio Oriente e a Rússia, e não os principais mercados de exportação da Nova Zelândia, que são o Sudeste Asiático e a China".

Kevin Bellamy considera que o papel das quotas na contenção da produção de leite na UE tem sido algo sobrestimado. "As quotas não são actualmente uma limitação na maioria das regiões da UE, com muitas áreas a produzirem abaixo das

quantidades das suas quotas, devido a outros factores limitantes", onde se incluem a disponibilidade limitada de terras agrícolas, os altos custos financeiros, as restrições ambientais e as guerras de preços na distribuição (reduzindo as margens dos produtores) que introduziram diminuições no preço do leite.

"Não há razão para que isso mude como resultado do desmantelamento do regime de quotas. O que veremos é a produção de leite a mudar de regiões menos eficientes de produção no sul e leste da Europa, para o norte e o oeste, onde a produção aumentará se os incentivos de preços permanecerem suficientemente altos".

Nos países com mais potencial para aumentar a sua oferta de leite incluem-se a Dinamarca, a França (oeste), o Reino Unido, a Irlanda, a Holanda e a Alemanha (norte). Kevin Bellamy referiu que o custo de produção de leite na Europa deverá diminuir, à medida que a oferta de leite muda de áreas menos favoráveis e a consolidação ao nível das explorações alcança um determinada economia de escala. x

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MUNDO

ACTUALIDADES

UE e EUA prevêem aumentos nos preços da carne e do gado vacuno A União Europeia juntou-se aos EUA na previsão do aumento dos preços da carne e dos animais, estimando que também haverá uma queda na produção da carne, tanto em 2012 como em 2013, tendo em conta que muitos produtores reduziram os seus efectivos. A produção de carne na União Europeia, o terceiro maior produtor mundial, cairá 3,7% para 8.06 milhões de toneladas este ano, e mais 0,7% em 2013, referiu a Comissão Europeia. As quebras, as primeiras desde 2009, não serão tão gravosas pela continuação da procura de animais vivos, dos quais a Rússia e a Turquia são grandes compradores, bem como pelo impacto da redução do número de novilhas abatidas – futuros reprodutores, o que indica um potencial incremento dos efectivos. O fornecimento "limitado" de carne e bovinos de engorda significa que "os preços de carcaças de todas as categorias e de ani-

mais vivos deverão manter-se elevados durante todo o ano de 2012", como referido no relatório. Também deverá fazer com a que a UE torne a ser um importador líquido, com importações que deverão subir 10,5% para 316.000 toneladas, como consequência da escassa disponibilidade interna, e reflectindo também uma recuperação das importações da América do Sul. Apesar de a Argentina, Brasil e Uruguai serem historicamente exportadores fortes, as suas exportações caíram no ano passado, em grande parte graças à crescente procura doméstica, mas também refletindo uma contracção da produção própria que se seguiu, na Argentina, a três anos de abate do efectivo devido à seca. As previsões da UE, em Março passado, ecoam as do Departamento de Agricultura dos EUA, prevendo uma quebra de 4% na produção de carne bovina para 11.4 milhões de toneladas este ano, e sinalizando que

Produção

Balanço da carne de vaca e vitela, 2012 e (variação anual) - U.E.

Importações

Exportações Consumo

Consumo per capita

Produção

8.063 milhões de ton.

316.000 ton.

+10,5%

7.996 milhões de ton.

-2,2%

235.000 ton. 15,9 kg

Balanço da carne de vaca e vitela, 2012 e (variação anual) - E.U.A.

Importações

Exportações

-3,7%

11.385 ton.

1.256 milhões de ton. 948,008 ton.

-29%

-2,5%

-4%

-0,8% +2%

uma nova descida será provável também em 2013, provocada pela continuação da diminuição do efectivo de vacas de carne.x Fonte: CE. A produção inclui 148.000 ton. de carne de novilho de animais vivos.


ACTUALIDADES

MUNDO

Vem aí uma crise alimentar?

O governo britânico encomendou um estudo de prospectiva, sobre o futuro da agricultura e do sector alimentar, para conhecer as linhas de mudança que estão em curso a nível mundial e entender em que medida elas afectarão o país. O estudo foi realizado por uma equipa de especialistas liderada por Charles Godfray, que deu em Março último, uma conferência em Lisboa a convite da Fundação Calouste Gulbenkian.

A promoção deste debate em Portugal é muito oportuna pois os indicadores por cá são preocupantes. Não só a população agrícola é das mais envelhecidas da UE, o que compromete a continuidade, como estamos muito dependentes do exterior a nível alimentar. Segundo o livro ‘Portugal Rural – A Oportunidade’, recentemente publicado, “importamos 80% dos alimentos que comemos”. No caso britânico a importação de alimentos ronda os 40%. Apenas 20% de auto-suficiência em Portugal é um valor que põe seriamente em causa a nossa segurança alimentar, além de acentuar o défice da balança comercial. No

que respeita aos produtos alimentares, o défice aumentou 23,7% entre 1999 e 2009, segundo o INE.

A nível global, de acordo com a FAO, para dar resposta à procura de alimentos gerada pelo crescimento da população, que se prevê que atinja os 9 mil milhões a meio do século, e à crescente procura de uma classe média cada vez mais numerosa nos países em desenvolvimento, a produção de alimentos tem de aumentar em 50% até 2030 e tem de duplicar até 2050.

Segundo Godfray, a necessidade de produzir mais irá aumentar a competição por água, por solos férteis, e por energia. E essa pressão põe em risco a biodiversidade, e aumenta a emissão de poluentes se seguirmos o modelo de produção actual. A nível climático os fenómenos extremos tendem a ser mais frequentes, o que afecta as culturas. Há uma combinação de factores a encaminhar-nos para uma tempestade perfeita que tornará mais caros os alimentos que consumimos.

por: Dr. João Sobral

Para a evitar, Godfray diz que precisamos de alterar a nossa dieta, o que passa essencialmente por consumir menos carne, evoluir na recuperação de solos degradados, e colocar a segurança alimentar no primeiro plano da agenda política. Os solos disponíveis são limitados e o desafio é conseguir produzir mais, no mesmo espaço, com menos água, com menor consumo de energia, e com respeito pelo ambiente. Isso apela a uma aliança entre o que conhecemos hoje com novos contributos da ciência.

A sua análise vem mostrar que o sistema alimentar não é sustentável tal como funciona hoje, e necessita de ser completamente repensado. O mundo tem de antecipar soluções agora para que uma crise alimentar não aconteça no futuro. O risco de não agir antecipadamente pode ser muito alto porque “se falharmos na alimentação, falhamos em tudo”. Esta recomendação adequa-se especialmente a Portugal porque estamos muito expostos a condicionamentos externos. Garantir mais auto-suficiência alimentar é uma necessidade urgente. x

Seca na UE preocupante para as culturas

A Strategie Grains, empresa especialista em análises e previsões da indústria de cereais, divulgou no seu último relatório, publicado no site Agrimoney.com, uma crescente preocupação com as culturas europeias devido às condições meteorológicas atípicas que se fizeram sentir este inverno, ao mesmo tempo que reviu em baixa as estimativas das colheitas de cereal na região. Segundo a fonte citada, o relatório adverte que "com uma grave seca já a afectar Espanha e Portugal e com outros países da Europa ocidental a enfrentar avisos de seca, a perspectiva do tempo é preocupante". E prorroga uma série de advertências sobre o risco para as culturas causados por um período de seca, realçando que existem zonas da Península Ibérica sem chuva desde novembro, e que a importante região produtora de cereais de East Anglia, no Reino Unido, sofreu o Inverno mais rigoroso de que há registo. Com efeito, refere, uma faixa que vai desde a Noruega através do leste do Reino Unido, França, Espanha e Portugal recebeu menos de 25% da chuva normal que em Fevereiro, segundo os dados meteorológicos

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oficiais norte-americanos. Grande parte da Alemanha também recebeu menos de 50% da precipitação normal, o que coloca em perigo as colheitas de trigo dos três principais estados produtores da Europa. De acordo com as previsões da Strategie Grains para a campanha do trigo mole na União Europeia, publicadas nessa notícia, espera-se uma quebra de 1,6 milhões de toneladas para 131.1milhões de toneladas devido à onda de frio que prejudicou as culturas, nomeadamente em França e na

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Alemanha, em Fevereiro. Para a cevada, a Strategie Grains reviu em baixa a sua estimativa de colheita em 1,2 milhões de toneladas, para 53,4 milhões de toneladas. E para o milho, prevê um aumento da produção de 2.0 milhões de toneladas para 64.6 milhões de toneladas. A produção de grãos total foi estimada em 288,3 milhões de toneladas, uma quebra de 900.000 toneladas sobre os números de fevereiro, mas representando um aumento de 3,4 milhões toneladas no ano. x


ACTUALIDADES

MUNDO

Alltech investe no “Caminho para um Futuro Rentável” O mundo está a mudar. E muito rapidamente. A tecnologia está em constante evolução, as economias já não são estáveis, o clima está a mudar, e os governos em todo o mundo estão a elaborar novas regulamentações com o objetivo de reduzir a emissão de gases de efeito estufa. As expectativas da indústria na agricultura mudaram muito. Nos meios de comunicação social, termos como "sustentabilidade" e "pegada de carbono” são cada vez mais empregues. Simultaneamente, a população está a aumentar e a procura por produtos agrícolas não pára de crescer. Em resposta a estas mudanças, a Alltech apresentou no passado dia 12 de Março, o 26th European Lecture Tour – Reinventar a Tecnologia do Amanhã: o Caminho para um Futuro Rentável, no Hotel Real Oeiras, que contou com mais de 70 pessoas de toda a indústria. Este programa centrou-se na adaptação a um mundo em mudança através de novas tecnologias e de uma comunicação mais eficiente, proporcionando uma perspectiva global de como a indústria de alimentos compostos para animais pode determinar o futuro. Paulo Rezende, da Alltech EUA realçou, na sua intervenção, a necessidade de mudar a

percepção pública negativa da agricultura, e o empenho da Alltech em ajudar a indústria comunicando com os consumidores através das suas diferentes plataformas: as redes sociais e a Alltech Ag Rede; as iniciativas educacionais como o Kidzone Alltech e o Programa Alltech Jovem Cientista; e o patrocínio dos Alltech FEI World Equestrian Games 2014 ™. Fernando Rutz, da Alltech Brasil, falou sobre o tema Nutrição Programada e a importância da nutrigenómica na melhoria da qualidade da carne. Disse ainda que a abordagem da Nutrição Programada da Alltech vê

Gama NantaMilk

Os animais jovens são muito sensíveis e, por isso, a precisão é muito importante no seu maneio. Sendo o leite de substituição de vital importância, a Nanta desenhou a sua gama de leites de substituição para conseguir a maior digestibilidade e o melhor consumo da ração. A Nanta considera que esta é a base para se conseguir que os animais cresçam saudáveis e sãos durante este período da sua vida. Os alimentos NantaMilk para animais jovens são fabricados com uma grande atenção, e todas as fórmulas são testadas antes de serem colocadas no mercado. Os ingredientes líquidos são elaborados mediante procedimentos próprios de tecnologia de secagem por aspersão. Tanto a fabricação dos leites de substituição, como a selecção rigorosa de matérias primas e a qualidade do produto final são garantidas pelos próprios padrões de qualidade da empresa.

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Ruminantes • Abril | Maio | Junho • 2012

o animal no seu total ciclo de vida e usa uma alimentação específica e estratégias de alimentação de gestão para gerir o crescimento e melhorar a qualidade do produto. Marc Larousse, da Alltech França, reflectiu sobre o desafio que enfrenta a indústria de produção de alimentos compostos para animais, face a uma população mundial em crescimento. “Precisamos encontrar o equilíbrio para a produção de alimento rentável e sustentável, e para a protecção dos recursos, enquanto satisfazemos as exigências dos consumidores para uma alimentação segura e rastreável.” x

A linha NantaMilk é fabricada com uma tecnologia especial que consegue dotar o produto de propriedades únicas, pondo especial atenção nos seguintes pontos: mistura das matérias primas em líquido; processo de pasteurização; homogeneização da gordura; secagem em spray. A incorporação da gordura na forma de spray é muito importante, porque a mesma é mais solúvel na água e mais digestível.

A gama NantaMilk para vitelos compõe-se de três produtos, NantaMilk Platino, NantaMilk Oro e NantaMilk Bronce e inclui desde leites com elevado nível de leite spray (56% de leite desnatado) até leite tipo “0”. Apresenta-se em sacos de 25 e 10 Kg, conforme os produtos.x


MUNDO

ACTUALIDADES

LIMOUSINE

Este ano, o Concurso Nacional de Jovens Reprodutores Limousine realizarse-á a 29 de Abril, domingo, em Beja, na Ovibeja, a grande feira do Sul.

Este importante evento, que avalia animais Limousine de criadores de todo o País, com idades entre os 8 e os 20 meses, contará com dezenas de animais a concurso, nas diversas classes. No concurso, os animais são conduzidos ao ringue, com cabresto, e avaliados conjuntamente com todos os presentes na mesma classe etária. Este evento é o segundo mais importante da raça Limousine em Portugal, dando importantes pistas para os futuros campeões e campeãs, e para as linhas genéticas mais interessantes.

A Ovibeja conta anualmente com uma importante presença da raça Limousine, com dezenas de animais adultos, que desfi-

lam diariamente na feira, demonstrando as suas qualidades e a sua docilidade. Neste certame, a Associação Portuguesa de Criadores Limousine apresentará ainda uma ex-

posição fotográfica, um filme sobre a raça e uma homenagem ao maioral de gado. Para mais pormenores, não deixe de consultar www.limousineportugal.com.


ENTREVISTA

LUZERNA O testemunho de um produtor A luzerna (Medicago sativa) é uma cultura que tem expressão notável em várias regiões do Mundo — estima-se uma superfície total de 32 milhões de hectares — em zonas com condições climáticas semelhantes às nossas.

Os EUA detêm mais de 60% da produção mundial e a União Europeia (UE) cerca de 13%. Na UE, a Itália, a França e a Espanha são os maiores produtores, com mais de 80% da quantidade produzida. Portugal apresenta valores insignificantes de produção no contexto europeu.

Portugal importou em 2004, mais de 67 mil toneladas de luzerna seca (INE, 2005), o que, com uma produção média de 15 ton/ha/ano, corresponderia a uma área de cultivo de aproximadamente 4.485 ha. Como se sabe, Portugal, apresenta uma orientação pecuária na exploração das suas terras agrícolas. Tem

actualmente grandes efectivos animais por exploração e verificou-se acréscimo da área cultivada com culturas forrageiras. A luzerna é, sob o ponto de vista do potencial de produção, uma cultura extraordinária, com uma produção de 20 a 22 ton/ha/ano de matéria seca, apresentando múltiplos usos (feno, silagem, luzerna desidratada e pastoreio directo), com uma elevada qualidade e palatabilidade, cerca de 18 a 20% de proteína bruta e 60 a 70% de digestibilidade (Lloveras et al 1998; Katic et al 2003). Tem a possibilidade de produzir forragem em quantidade e qualidade, com base num sistema sustentável e não agressor do ambiente uma vez que não necessita da aplicação de azoto; incrementa a fertilidade do solo e regenera-o devido ao seu profundo raizame que tem a possibilidade de reciclar nutrientes de camadas profundas; limita a erosão do solo por ser uma cultura plurianual; contribui favoravelmente para a nidificação de certas aves; é grande fixadora de carbono; e contribui para a beleza da paisagem (ASAJA, 2003).

Álvaro Soares é proprietário da Agropecuária Irmãos Soares, Lda., uma empresa agro-pecuária situada em Óis da Ribeira, no concelho de Águeda. Como actividade principal, gere uma exploração com 100 vacas em produção, 8 hectares de luzerna e 30 hectares de milho. Em entrevista à Ruminantes, Álvaro Soares contou que começou a cultivar luzerna há cerca de 8 anos para complementar a alimentação do seu efectivo, e que os bons resultados obtidos o fazem continuar a apostar nesta cultura.

Álvaro Soares, proprietário da Agropecuária Irmãos Soares, Lda.

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Ruminantes • Abril | Maio | Junho • 2012

Quantos cortes faz por ano? Fazemos em média 6 a 7 cortes. O primeiro, de limpeza, é feito em Fevereiro/ Março, dependendo do ano. E depois, quase todos os meses cortamos até Setembro/Outubro.


ENTREVISTA

Que técnicas de sementeira e adubação utiliza? Utilizamos o sistema de sementeira directa. Temos um semeador para o milho e outro para sementes como a aveia, trevos, luzerna, azevém, etc. Não precisamos de nenhuma máquina específica para as operações a realizar com a luzerna.

Combate as infestantes? Caso a sementeira seja feita, como já referi, misturada com a aveia, não necessitamos de combater as infestantes. Só por uma vez, ao longo destes anos, tivemos que o fazer.

Como chegou à conclusão de que vale a pena produzir luzerna? Porque é uma planta que se dá bem aqui nos nossos terrenos e é rica em proteína. Antes tinhamos milhos e azevém com trevo, mas apenas dava 2 cortes, enquanto a luzerna produz mais.

Corte de limpeza

A cultura é feita em regadio ou sequeiro? São 4 a 5 ha regados, o resto é sequeiro. Ambas com a mesma variedade de luzerna, Vénus.

De que apoio técnico se socorre? No início tivemos diversos apoios, mas agora baseamo-nos na experiência que fomos adquirindo. Por exemplo, quando fazemos sementeiras misturamos aveia com a luzerna, porque a aveia “enche a terra” mais rápido e assim evita muitas infestantes; quando fazemos o primeiro corte a aveia vem misturada com a luzerna, mas como depois a aveia já não rebenta, a luzerna fica limpa nos outros cortes. Quantos anos lhe dura o campo de luzerna? Na teoria, falam em 7 anos, mas aqui, ao fim do 5º ano já começa a fracassar.

Quando semeia? Depende do ano, eu diria que a luzerna nesta zona dá para semear quase todo o ano, desde que o terreno tenha humidade. Mas o melhor período talvez seja Outubro/Novembro, e depois a partir de Março.

A produção está dentro do esperado? Se o terreno estiver bem preenchido com

luzerna, dá sempre 8 a 9 fardos por hectare. São fardos de aproximadamente 800 Kg e 50% humidade. Ou seja, 6500 a 7000 kg por corte e por hectare.

Qual é o valor analítico da forragem em cada corte? Varia muito? Depende do corte, nós fazemos 2 cortes com luzerna mais pequena, alternado com outro corte com a luzerna maior (com mais de 20% de flor), para que possa ganhar mais raiz e instalar-se melhor. Em função do tipo de corte, o valor varia entre os 18 e 22% PB (proteína bruta). A humidade nos rolos é de aproximadamente 40/50%.

Como compara a necessidade de água da luzerna com a de outras culturas? Comparando com o milho, que é a outra cultura que fazemos, precisa de menos água. Por exemplo, temos umas terras de sequeiro que dão sempre 4 cortes de luzerna, mas o milho não dá nada nessas mesmas terras, sem água. Que tipos de solos têm? São solos com o pH entre 5,5 e 6. Deviam ter mais, entre 6,5 e 7, por isso todos os anos fazemos uma correcção com calcário.

Como avalia se está na altura de fazer o corte? Quando o campo está com 15 a 20% de floração, é altura de cortar.

Como armazena a luzerna? Em fardos de rolo plastificados. Quando está frio, cortamos num dia, juntamos no dia seguinte e enfardamos no outro, ou seja, no total são 2 a 3 dias. No Verão, para não perder a folha, cortamos de manhã e enfardamos à tarde.

Usa inoculantes? Utilizamos sempre inoculantes para este tipo de fardos. Penso que é imprescindível, a qualidade da forragem é superior, o valor nutritivo da luzerna, como a proteína, conserva-se muito mais. Não recomendo fazer sem inoculantes.

Depósito de inoculante

Ruminantes • Abril | Maio | Junho • 2012

13


PRODUÇÃO

ALIMENTAÇÃO

Controlo da Fermentação Ruminal – AMAFERM Carlos Flecha, Provimi Iberia - Departamento de ruminantes

cflecha@pt.provimi.com

Cada vez mais, como forma de melhor controlar as fermentações ruminais, recorremos aos aditivos microbianos já disponíveis no mercado e sem qualquer tipo de limitação legal ou zootécnica. Deste grupo – aditivos microbianos -, para além das leveduras (Saccharomyces cervisiae nas suas diversas formas de apresentação), os fungos, nomeadamente o Aspergillus orizae, têm assumido particular destaque, atenção e estudo.

FUNGOS RUMINAIS – A SUA IMPORTÂNCIA NA DIGESTÃO DA FIBRA

Os Fungos Ruminais (FR) estão na origem do processo digestivo da fibra no rúmen; constituem o grupo de microorganismos responsável pelo ataque inicial. Com a sua acção de perfuração e penetração na fibra da dieta ruminal, multiplicam os pontos de rotura, quebram ligações e promovem o aumento das superfícies de contacto (Figura 1). Assim, facilitam o trabalho das bactérias celulolíticas ruminais e propiciam melhores condições para a digestão das fibras.

Os FR, embora quantitativamente pouco significativos, são fundamentais do ponto de vista estratégico: • Desempenham o papel principal na rotura das li-

Figura 1 - Capacidade de penetração de um fungo na fibra - Visualização do efeito do AMAFERM

Figura 2 - Efeito dos Fungos Ruminais na ingestão de Materia Seca das ovelhas (kg/(dia)

Nota:Pré-tratamento – ingestão normal(1,97 kg MS/dia) Sem Fungos - após esterilização dos fungos ruminais (1,40 kg MS/dia) Com Fungos – após reintrodução da população de Fungos Ruminais (1,93 kg MS/dia)

Dieta com AMAFERM:

1.40

Com fungos

14

Ruminantes • Abril | Maio | Junho • 2012

1.97

1.93 Ingestão, kgMS

Dieta controlo:

gações lenhina-hemicelulose, os FR crescem e desenvolvem-se nesses espaços quebrando as barreiras físicas e possibilitando mais e melhores pontos de contacto para a acção bacteriana (figura 1); • Abrem caminho para uma actividade celulolíticahemicelulolítica mais potente e eficaz, os FR são importantes produtores de enzimas chave catalizadoras da lise das ligações lenhina/hemicelulose (ligações éster); • Melhoram a degradação da fibra o que resulta no incremento do contéudo energético da ração; • Aumentam a capacidade de ingestão de matéria seca com reflexos correspondentes na produção. (Figura 2)

Sem fungos

Pré-tratamento


ALIMENTAÇÃO

PRODUÇÃO

AMAFERM – ADITIVO NATURAL PARA ALIMENTAÇÃO ANIMAL

Resulta da fermentação controlada do fungo Aspergillus oryzae. Assegura o fornecimento dos nutrientes essenciais aos FR e potencia a sua capacidade de digerir completamente a fibra da dieta e os seus respectivos componentes. Maior velocidade de trânsito ruminal e de ingestão de matéria seca, “per si”, justificam um aumento da produção (leite e carne).

Com o AMAFERM - Aspergillus oryzae – também verificamos uma importante redução da concentração de ácido láctico ruminal com a consequente estabilização do pH e do risco de acidoses (figura 3). Este mecanismo de acção resulta do estímulo à presença e à actividade das bactérias fermentadoras do lactato (Megasphaera elsdenii, Selenomonas ruminantium) em grande parte originado da fermentação ruminal dos amidos (figura 4 e 5).

Figura 3 - Efeito do Aspergillus oryzae na regulação do pH ruminal

pH Ruminal

7.05

Control

RESUMO DE ENSAIOS AMAFERM Vacas leiteiras - 17 ensaios

AO

Efeito do AMAFERM no incremento da produção de leite (%) (incremento médio 4,3%)

6.95

14 Incremento Produção %

10

6.75

0

2

4

Tempo após alimentação (horas)

Absorvancia (600nm)

0,70

0,60

6 5,3

0,30 0,20

Control

0,10 4

8

5,9 5,8 3,8

3,5

4,1

4,6

1 2 3 4 5 6 7 8

4,4

5,5

5,3

0,6 0,4

0,3

43%

1,5

9 10 11 12 13 14 15 16 17

Engordas de vitelos - 6 ensaios

12 16 Tempo (horas)

20

3,94

24

Efeito do AMAFERM (AO) no ganho médio diário (kg) 2,1 1,8 1,5 1,2 0,9

0

AO

1,1

1,2

1,37 1,28 0,98

0,69

1

2

1,04

0,55 0,58

0,45

0,3

AO

Control

1,72 1,59

0,6

2,01

Control

4,7

2

0,40

Figura 5 - Efeito do Aspergillus oryzae na utilização de lactato pelo Megasphaera elsdenii Utilização Lactato, mmol/mg/min

4

0

AO

0,50

9,1

8

6

Figura 4 - Efeito do Aspergillus oryzae no crescimento do Selenomonas ruminantium

0,00

11,8

12

6.85

3

4

5

6

Ruminantes • Abril | Maio | Junho • 2012

15


PRODUÇÃO

ALIMENTAÇÃO

Alimentação de vacas leiteiras A silagem de erva complementa a silagem de milho? Luís Veiga, Engº Zootécnico, REAGRO SA veigaluis@reagro.pt

Pedro Castelo, Engº Agrónomo, REAGRO SA pedro.castelo@reagro.pt

Portugal apresenta algumas limitações à gestão forrageira para alimentação animal. As características do solo, a disponibilidade de água e a variabilidade climática obrigam a uma gestão cuidada das produções forrageiras por forma a otimizar produtividade e qualidade nutricional. Comparamos aqui um arraçoamento com e sem silagem de erva a preços correntes, abordando quer numa perspetiva nutricional quer económica.

ADF

ADL

Figura 1

16

Ruminantes • Abril | Maio | Junho • 2012

35

IF (min/kg MS)

um

NDF

Recomendações IF

m ni

Hemicelulose Celulose Lenhina

De seguida iremos apresentar dois arraçoamentos possíveis (A- Silagem de Milho + Silagem de Erva; B- Silagem de milho) adequados para um grupo de vacas em início de lactação com uma produção de 45 litros. No que diz respeito às características nutricionais das silagens, consideramos valores que regularmente se encontram em Portugal. Quanto aos preços das matérias-primas consideramos preços atuais de mercado, apresentados na tabela 1. De acordo com o nosso caderno de encargos para o objectivo de produção definido, fizemos dois arraçoamentos com as mesmas características nutricionais (tabela 1). Numa primeira análise, podemos afirmar que é possível obter os mesmos níveis nutricionais a menor custo com silagem de erva (5,26 €/vaca/dia) do que sem esta (5,42 €/vaca/dia). »

Mi

No que diz respeito aos valores nutricionais, a silagem de erva é menos energética que a silagem de milho, no entanto apresenta uma composição da estrutura vegetal de qualidade superior à silagem de milho. Uma valorização racional da produção forrageira implica uma recolha precoce, quando a planta se encontra na fase vegetativa onde o valor nutritivo é mais elevado, ou seja, a época ideal de corte varia com a época da cultura, a variedade vegetal e o estado de maturação da planta para o ano em causa. Na última edição foi abordada a constituição da parede celular, por isso falaremos apenas de critérios relacionados com a ingestão e digestibilidade da fibra. A parede celular das plantas é composta no essencial por três frações: hemicelulose, celulose e lenhina. A principal função destes componentes é dar estrutura à planta, sendo a sua composição percentual e total alterada ao longo da vida da planta. Existem três critérios analíticos que nos dão a composição real destes hidratos de carbono estruturais:

NDF (fibra neutro detergente) é o somatório da hemicelulose, celulose e lenhina; ADF (fibra ácido detergente) é a soma de celulose e lenhina e finalmente ADL (lenhina ácido detergente) que corresponde a uma porção indigestível pelos ruminantes e que evolui com o estado vegetativo da planta (figura 1). O NDF reflete a ingestibilidade da ração, ou seja, a hemicelulose rapidamente digerida. O ADF ilustra a fibrosidade e a digestibilidade da ração, ou seja, ADF elevado = elevada proporção de lenhina = menor digestibilidade. Mas, para melhor compreender a fibrosidade da ração, convem ter em conta um critério complementar denominado Índice de Fibrosidade (I.F.) (figura 2). O I. F. permite compreender a estrutura da ração total. Este critério toma em consideração a estrutura física das fibras para favorecer a ruminação e a salivação. O I.F. caracteriza o tempo de ingestão e de ruminação de 1 kg de matéria seca (exprime-se em minutos por kg de matéria seca). Considerando todos os pontos de formulação, poderá ser interessante numa ração à base de silagem de milho utilizar silagem de erva de forma a tornar uma ração mais segura (menos acidogénica). A sua utilização deve ser limitada, 10-15 kg no máximo, para não diluir o arraçoamento do pinto de vista energético. A silagem de erva é um alimento muito palatável que contribui também para favorecer a ingestão por esta via.

Baixo

• Falta de Fibra • Diminuição do pH ruminal • Risco de acidose Figura 2

m mu rti p O

40

Elevado

• Excesso de fibrosidade • Desconcentração energética • Trânsito lento


PRODUÇÃO

ALIMENTAÇÃO

No que concerne ao balanço proteico na tabela 2, verificamos que no arraçoamento A, a proteína teoricamente degradável no rúmen (DT – determinada in sacco através do método de saquetas de nylon em vacas fistuladas) está dentro dos limites ótimos, (tabela 2) enquanto no outro arraçoamento está no limite inferior de 60%. A DT representa a proporção da Matéria Azotada Total degradada no rúmen que contribuirá para a proteosíntese microbioana depois da degradação em amoníaco. Relativamente à proteína digestível por dia (PDD), esta representa a quantidade total aportada por dia de proteínas degradáveis a nível ruminal. Também no caso A, este valor está mais adequado para vacas em início de lactação (PDD=2,64 Kg/dia) em relação ao caso B.

Relativamente à energia, ambos os arraçoamentos têm o mesmo nível energético e permitem produzir a mesma quantidade de leite por vaca e por dia (tabela 3).

A silagem de erva quando é de qualidade proporciona, pela sua estrutura vegetal, um bom funcionamento do rúmen. As paredes vegetais são o substrato das bactérias celulolíticas que produzem ácido acético ao longo das fermentações ruminais (ácido Gordos Voláteis, C2) que contribuem para a regulação do pH e à formação do TB (teor Butiroso) do leite. Como podemos observar na tabela 4, no primeiro caso, o pH do rúmen (calculado por uma equação que relaciona o NDF da ração, o amido degradável no rúmen, a »

»

Tabela 1 - Dois arraçoamentos com as mesmas características nutricionais Custo por Animal/Dia= 5,26 €

Silagem de Milho PB8 AMD30

9.00

3.15

35.00

0.85

74.00

68.00

20.00

4.60

2.60

PL por PDIE

5.20

Litros

0.75

%

% PDIE

Proteina Digestível por Dia

Kg/dia

METDI/PDIE

% PDIE

86.00 88.00 88.50 99.26 47.95

0.62 1.26 1.20 0.94 0.70 0.97

55.00 76.16

70.00 115.70

24.00 56.98

371.59

256.82

196.59

66.63

171.94

188.06

248.59 119.85

162.71 112.72

109.60 62.81

3.90 0.29 3.41

10.06

163.25 8.00

2.20 2.91 6.82

11.30

20.48 4.21

(218 € / ton MS)

MS

Caracteristicas Nutricionais (/Kg MS)

UFL

PDIN

PDIE

PDIA

Ca

P

g

g

g

g

g

31.00

0.90

52.00

66.00

18.00

2.20

1.80

220

5.70

4.90

86.00

1.26

76.16

115.70

56.98

0.29

2.91

3.80

3.42

3.39

2.98

2.85

2.52

0.80

0.79

49.54

24.84

Arraçoamento A

B

54.1

51.98 115.8

50.36 62.81

LYSDI/PDIE

MS

90.00

10.23

g/Kg MS

DT

Kg

MB

PDIA

% MS

B

Quantidade Distribuida

119.85

Proteina Bruta

0.74

24.84

(109 € / ton MB)

g/Kg MS g/Kg MS

2.21

51.81

PDIN PDIE

3.30

2.50

580

Litros

4.47

3.75

230

Unidade

2.25

33.00

310

PL por PDIN

2.50

50

B. Soja 44

Tabela 2

18

35

100

Total

g

1.80

Feno Azevém PB8

Nucleo VL 45 Litros

P

g

2.20

Preço (€/ton)

B. Colza

Ca

g

18.00

580

Milho

PDIA

g

66.00

230

Silagem de Milho PB8 AMD30

PDIE

g

52.00

B. Colza

Matéria-Prima

PDIN

0.90

310

Custo por Animal/Dia= 5,42 €

UFL

31.00

220

Total

MS

8.72

Milho

Nucleo VL 45 Litros

MS

28.11

100

B. Soja 44

Kg

MB

(212 € / ton MS)

Características Nutricionais (/Kg MS)

50

Feno Azevém PB8

Silagem Azevém PB11

A

Quantidade Distribuída

Preço (€/ton)

Matéria-Prima

Balanço Azotado

(101 € / ton MB)

112.72

50.03 112.1 62.3

17.23

16.72

6.73

6.71

61.73 1.83 2.64

60.01 1.84 2.49

Ruminantes • Abril | Maio | Junho • 2012

90.00 88.00 88.50 99.26 50.16

0.62 1.20 0.94 0.70 0.97

55.00

70.00

371.59

256.82

196.59

66.63

171.94

188.06

248.59 115.80

162.71 112.10

Tabela 3

Balanço Energético

PL por UFL UFL Amido + Açucar Glucidos Rápidos GTD Matéria Gorda Bruta

Tabela 4 Balanço no Rúmen Forragem Concentrado Syncropanse Ph MSR4 MSR4 (Kg/dia)

24.00

Unidade Litros UFL/Kg MS % MS % MS % MS % MS Unidade % MS % MS % MS Kg/dia

109.60 62.30

3.90 3.41

10.06

163.25 8.05

2.20 6.82

11.30

20.48 4.21

Arraçoamento A B 45 45 0.97 0.97 28.48 31.18 13.71 14.61 50.79 51.86 3.35 3.51 Arraçoamento A B 56.81 54.93 43.19 45.07 1.29 1.46 6.12 6.07 40.58 39.53 10.08 9.82


ALIMENTAÇÃO

percentagem de concentrado na ração e a quantidade de factor tampão) e o índice de fibrosidade são, significativamente, melhores do que no arraçoamento sem silagem de erva. Dentro da análise económica (tabela 6), comparando estes dois tipos de arraçoamentos, podemos concluir que a silagem de erva (arraçoamento A), para além de proporcionar um melhor conforto das vacas de alta produção principalmente no rúmen (quando comparado com outro sem a presença desta, Arraçoamento B), também permite obter resultados económicos vantajosos, que a preços correntes são de, aproximadamente, 3,5 €/1000 litros. Para finalizar, para além de ser importante uma boa formulação para determinados objectivos, é fundamental uma composição física adequada da ração completa para que seja optimizada a sua valorização por parte do animal. Esta granulometria está relacionada com a superfície de degradação das partículas que constituem a ração, logo tem efeito sobre a velocidade do trânsito da ração e sobre a sua digestibilidade. Em primeiro lugar, é fundamental ter uma granulometria adequada na silagem de milho, pois esta tem um forte impacto sobre a granulometria da ração global. Em relação à mistura completa, as fibras incorporadas na ração (feno ou palha) permitem aumentar a parte de partículas superiores a 19 mm. Para além disto, é fundamental limitar as partículas com menos de 8 mm a menos de 50% do total. Na tabela 7 apresentaremos a granulometria adequada para a silagem de milho e diferentes tipos de ração, que permite obter melhores resultados zootécnicos. x

Tabela 5

PRODUÇÃO

Balanço de Fibrosidade

Fibra bruta

17.21

% MS

19.38

18.9

min/Kg MS

38.28

% MS

ADL Tabela 6

Análise económica

Unidade €/animal €/1000 L €/animal €/1000 L €/animal €/1000 L

Custo Total Custo Total/1000 L Custo Concentrado Custo Concentrado/1000 L Margem bruta Margem Bruta/1000 L

Silagem de Ração completa à base milho (%) de silagem de milho (%)

2-7

5 - 10

12 a 19 mm

20 - 25

20 - 25

> 8 mm

40 - 45

45 - 50

8 a 12 mm

35.7

% MS

IF

25 - 35

B

17.45

ADF

> 19 mm

A

% MS

NDF

Tabela 7

Arraçoamento

Unidade

1.29

34.81 1.62

35.48

Arraçoamento

A 5.26 116.87 3.32 73.69 9.14 203.13

B 5.42 120.39 3.43 76.19 8.98 199.61

Ração completa à base de silagem de milho e de erva (%)

20 - 25

20 - 25 15 - 20 15 - 20 40 - 45

JadisAdditiva, Aprolep e Bovisul em manhã de campo Em Fevereiro último, realizou-se em Benavente, na exploração agro-pecuária de Barão & Barão, uma manhã de campo organizada pela JaddisAdditiva em colaboração com a Aprolep e a Bovisul Associação. António B. (Barão & Barão), Josien Kapma (Agrolep) e Susana Silva (Vivaleite), deram as boas vindas aos cerca de 40 produtores e técnicos que compareceram a esta reunião. António Barão falou acerca da sua expe-

riência de utilização do novo sistema ADF Milking, instalado há dois meses na sua exploração. A este propósito, referiu que “o erro humano é minimizado” e que, “durante este período as incidências de mamites diminuíram cerca de 50%”. A demonstração do sistema automático de desinfecção de tetos e lavagem de tetinas – ADF Milking – apresentado na edição nº4 da Revista Ruminantes, esteve a cargo de Ruben Mendes, técnico da Diversey Portu-

gal, que também apresentou os cálculos económicos que deram suporte ao investimento neste sistema, o qual é compatível com qualquer marca de sala de ordenha. Já nas instalações da Bovisul, a Jadisadditiva — empresa holandesa que comercializa aditivos para o mundo agro-pecuário —, apresentou dois dos seus produtos, o Acid Buf e o Dril.Li Extra. O Acid Buf é um promotor da eficiência do rúmen, 100% natural, proveniente de algas marinhas, que tem como objectivo manter o pH do rúmen entre 5,5 e 6,2, aumentar a produção total de AGV e fornecer minerais biológicos disponíveis. O Dril.Li Extra, é um desinfectante em pó para explorações pecuárias, que pode ser aplicado directamente no solo, ou pulverizado. Esta apresentação esteve a cargo de Etienne Van Regenmortel, director comercial da Jadisadditiva e de Willem de Bruijin da Giral, distribuidor para Portugal dos produtos da JadisAdditiva. No final houve um pequeno debate, seguido de um almoço convívio. x

Ruminantes • Abril | Maio | Junho • 2012

19

»


PRODUÇÃO

ALIMENTAÇÃO

Minerais de fundos marinhos da Islândia Jacqueline Wijbenga A empresa irlandesa Celtic Sea Minerals, é fabricante e distribuidora do condicionador/buffer do rúmen ‘Acid Buf’, que contem cálcio e magnésio bio-disponível. O Acid Buf é colhido na Irlanda, e desde 2009 também ao largo da costa da Islândia. Ao longo dos anos, a investigação sobre o Acid Buf tem sido focada no desenvolvimento do produto para aplicação em dietas de vacas leiteiras e, mais recentemente, em suínos e aves. Em termos de aplicação em dietas de vacas leiteiras, o Acid Buf é diferente de outros buffers, como por exemplo o bicarbonato de sódio. “A diferença reside na sua origem natural, nomeadamente as algas marinhas calcáreas, e a sua estrutura que o torna altamente reactivo às cargas de ácido e à regulação do pH no rúmen, levando à bio-disponibilidade do cálcio e magnésio” de acordo com Derek Foster, International Marketing Manager da Celtic Sea Minerals. a Celtic Sea Minerals. O local de colheita está situado debaixo de um dos muitos fiordes não poluídos, que possui previsivelmente, mais de três milhões de toneladas de algas marinhas calcáreas para colheita.

Embora a produção seja mantida na Irlanda, uma segunda unidade foi construída na Islândia em 2009 para responder à crescente procura mundial. Ao longo dos últimos 5 anos, esta procura tem crescido ao ritmo de 20 a 25% por ano.

O sector das pescas na Islândia é uma importante fonte de receitas, mas nos últimos anos enfrentou uma série de dificuldades que levaram o governo islandês a procurar alternativas e fontes de rendimento sustentáveis. A Celtic Sea Minerals e o governo islandês entraram em conversações que conduziram à selecção de um local de colheita e à emissão de uma licença para

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Ruminantes • Abril | Maio | Junho • 2012

As operações de colheita na Islandia foram atribuidas em outsourcing a uma empresa local. Na Irlanda, a Celtic Sea Minerals utilizava as suas próprias embarcações de colheita e estava limitada à capacidade de 150 toneladas por dia, enquanto que através da empresa local na Islandia a capacidade aumentou fortemente para 5000 ton por semana. A fábrica islandesa está situada na vila piscatória de Borgarnes onde, após a colheita, a matéria prima é processada. O primeiro passo é a lavagem em três etapas, seguida por um intensivo processo de secagem. A matéria prima é depois moída e ensacada em big-bag de 1 tonelada. O Acid Buf é depois carregado em navios, em lotes de 3.000 toneladas e transportado para as instalações da empresa irlandesa em Casteltownbere.

PRODUÇÃO SUSTENTÁVEL

Quer na Irlanda quer na Islândia, a licença para colher algas marinhas calcárias é regulada por normas estritas. A Celtic Sea Minerals é regularmente auditada por ambos os governos no que respeita ao cumprimento destas normas bem como ao respeito pelas leis ambientais. “Por termos consciência da sensibilidade do sector em que actuamos, praticamos uma abordagem próactiva para uma produção sustentável. Para além das auditorias governamentais, a empresa também suporta a


PRODUÇÃO

ALIMENTAÇÃO

sua própria empresa de auditorias. A auditoria externa inclui a medição da matéria prima disponível e o efeito das nossas actividades no ambiente”, referiu Foster. Esta abordagem pró-activa é também uma exigência em termos do sector alimentar humano. “A matériaprima também é processada e refinada para ter qualidade alimentar humana e fornecida às empresas consumidoras, como a Pepsi e a Amway. Estas empresas têm códigos ambientais apertados que têm que ser respeitados pelos seus fornecedores”. A inspecção da Amway em conjunto com as normas ambientais atribuiu uma ‘classificação prata’ à Celtic Sea Minerals. “Estamos muito orgulhosos disso porque até agora nem único fornecedor Amway foi premiado com ouro.”

A estrutura de favo de mel da matéria prima do qual o Acid Buf é feito, contribui para um aumento da capacidade de tamponamento.

MERCADOS EM CRESCIMENTO

O Acid Buf encontra-se em 41 países, através de uma rede de distribuição mundial. A maioria do produto é aplicado na dieta das vacas leiteiras. Para a Celtic Sea Minerals, os mercados em crescimento são principalmente a América do Sul, a Ásia e a China em particular. “Até à pouco tempo mantivemo-nos afastados da China principalmente como resultado de não estarmos na posição de podermos fornecer no caso de o mercado chinês se desenvolver de acordo com o seu potencial; actualmente, como aumentámos a capacidade de produção na Islândia seremos certamente capazes de ir ao encontro do enorme potencial da China.” Para além do mercado das vacas leiteiras, a Celtic Sea Minerals também identificou um interesse crescente para o Acid Buf na alimentação de suínos e aves e reservou fundos de pesquisa para esse objectivo. Segundo Foster, “nas vacas de leite o Acid Buf condiciona o rúmen através de uma capacidade aumentada e prolongada de tamponamento, reduzindo a incidência de acidoses ruminais subagudas (SARA) e ainda de acidoses, levando ao aumento da produção de leite.

OBJECTIVOS

“O Acid Buf tem que conquistar e manter o reconhecimento como marca. Sempre que um nutricionista considerar a utilização de um um buffer para o rumen, o Acid Buf tem que ser o condicionador/buffer para o rumen de referencia” referiu Foster. O cálcio e o magnésio no Acid Buf são ambos altamente solúveis e por isso completamente disponibilizados para o animal. “ O Acid Buf possui 30% cálcio (Ca) e 5,5% de magnésio (Mg). Quando se fornece a taxa de inclusão recomendada de 80 gr de Acid Buf/vaca/dia, está a disponibilizar-se à vaca 30 gr de cálcio (Ca) e aproximadamente 4 gr de magnésio (Mg)”. A disponibilidade do cálcio e do magnésio no Acid Buf pode assim substituir, em parte, as fontes habituais destes nutrientes na dieta. Na Holanda, esta es-

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Ruminantes • Abril | Maio | Junho • 2012

O Acid Buf distingue-se pela sua origem natural: algas marinhas calcárias.

A maioria do Acid Buf vendido é utilizado na alimentação de vacas leiteiras com aplicação crescente na alimentação dos porcos e das aves.

tratégia de substituição parcial está a ser seguida por uma série de fábricas de rações. Para sublinhar a solubilidade de determinados minerais, a Celtic Sea Minerals desenvolveu pesquisas na solubilidade de diferentes fontes de magnésio em todas as partes do mundo. Resultados recentes mostram que a solubilidade pode variar entre 3% e 50%. Este estudo evidencia a importância da bio-disponibilidade do cálcio e do magnésio no Acid Buf. A Celtic Sea Minerals vai continuar a direccionar a investigação nesta linha. Quadro 1 - Composição e dose de Acid Buf Cálcio 30% Magnésio 5,5%

Doses recomendadas: Vacas de leite durante a lactação Vacas de leite, transição e período seco Ovelhas e cabras

50-80gr por vaca/dia 40-50gr por vaca/dia 15-30gr por animal/dia


PRODUÇÃO

ALIMENTAÇÃO

Maior rentabilidade na produção extensiva Departamento Técnico Comercial Timac Agro \ Vitas Portugal

A seca extrema que atinge Portugal neste momento está a criar enormes dificuldades ao sector pecuário. A escassez e a baixa qualidade das pastagens existentes têm um enorme efeito sobre os índices produtivos nos animais em regime extensivo. Em condições normais, as pastagens em Portugal podem cobrir 40-50% das necessidades nutritivas dos animais, sendo o restante complementado através de outras forragens, alimentos compostos e alimentos minerais, principalmente nas alturas do ano em que há escassez ou baixa qualidade das pastagens. A não complementação da alimentação dos animais levará a baixas rentabilidades e o que observamos muitas vezes são animais que sofrem carências de variados nutrientes a maior parte do ano, animais jovens subnutridos desde o nascimento e desempenhos reprodutivos e produtivos deficientes

A Vitas Portugal, enquanto filial do Grupo Roullier em Portugal, conta com uma experiência de mais de 30 anos na área da nutrição animal e ao longo da sua história tem sempre desenvolvido produtos que vão de encontro às necessidades das diferentes fileiras da produção animal.

Com o intuito de ir ao encontro das necessidades dos animais em regime extensivo a Vitas lançou VITABEEF, um produto desenvolvido especificamente para suprir as carências em minerais, vitaminas e oligoelementos que estes animais apresentam.

VITABEEF contém CALSEAGRIT uma alga marinha calcária extraídas dos mares da Bretanha, que para além de uma fonte de cálcio, magnésio e oligoelementos de altíssima biodisponibilidade, possui também a capacidade de corrigir o pH do rúmen e de promover o desenvolvimento da microflora ruminal. Na sua composição também está PHORUM, um complexo de macrominerais que permite uma maior bio-

24

Ruminantes • Abril | Maio | Junho • 2012

disponibilidade de magnésio e fósforo. VITABEEF apresenta fontes de cálcio e fósforo para promover o crescimento dos animais, magnésio para uma regulação nervosa adequada e enxofre como promotor da síntese proteica do rúmen. Na composição de VITABEEF existem também vitaminas e oligoelementos, de modo a proporcionar ao animal uma maior proteção imunitária, uma melhoria da fertilidade e uma estimulação do crescimento. VITABEEF apresenta-se como um alimento mineral com o suporte vitamínico-mineral adequado para uma otimização dos índices reprodutivos, bem como um crescimento rápido e equilibrado, indo também ao encontro da necessidade de otimizar a eficiência alimentar dos ruminantes. A Vitas Portugal continua a defender uma busca permanente de novas e mais adequadas soluções para os seus clientes. Para mais informações e esclarecimentos, não hesite em contactar o técnico Vitas mais próximo de si. x


PRODUÇÃO

ALIMENTAÇÃO

Programa Alltech 37 O Inovador Programa de Análise de Micotoxinas ao Serviço da Pecuária Pedro Caramona, Engº Zootécnico, Alltech Portugal pcaramona@alltech.com

O enorme esforço de investigação no tema de micotoxinas nos últimos anos leva a que hoje tenhamos informação mais precisa sobre a sua natureza, ocorrência e impacto na produção animal. Reconhecidamente, a presença de micotoxinas representa um risco permanente devido ao elevado nível de contaminação de matérias-primas e forragens com fungos considerados toxinogénicos que, em condições ambientais e de conservação específicas, estão associados à biossíntese de micotoxinas. Um importante fator limitante da verificação do problema em ruminantes é a ausência de métodos analíticos mais abrangentes que nos permitam identificar e caracterizar um maior número de micotoxinas assim como a sua presença em alimentos complexos como são o caso das silagens e dos concentrados na alimentação de vacas leiteiras. A aplicação de novas tecnologias e métodos analíticos mais precisos poderá ser utilizada como método para melhor entender e monitorizar níveis de micotoxinas presentes em ingredientes e forragens, permitindo uma estimativa da análise do risco mais abrangente e o desenvolvimento de estratégias nutricionais mais eficazes. AVALIAÇÃO DE MICOTOXINAS

Com base nos métodos analíticos disponíveis, a literatura científica faz referência à presença de cerca de 500 micotoxinas conhecidas. Contudo na prática, as análises laboratoriais apenas pesquisam um pequeno grupo (7 micotoxinas) onde o impacto na saúde animal é reconhecido. O facto de algumas micotoxinas potenciarem efeitos sobre produtos na indústria alimentar, levou a União Europeia a implementar regulamentação específica no caso da Aflatoxina pelos reconhecidos efeitos carcinogénicos e hepatotóxicos, e em 2006 estender diretivas preventivas no caso das micotoxinas DON, T2, HT-2, Fumonisinas, ZEA and Ochratoxin do tipo A. Na Europa, métodos comuns como a cromatografia de camada fina (TLC) e testes ELISA são geralmente utilizados na análise e avaliação de contaminação de ingredientes e forragens. Embora os métodos descritos sejam acessíveis e de rápida resposta, os mesmos não permitem uma completa caracterização do risco de contaminação podendo apenas ser considerados indicadores de uma fração do problema derivado da presença simultânea de grupos de micotoxinas, interação entre micotoxinas ou micotoxinas conjugadas onde estes testes não são aplicáveis.

26

Ruminantes • Abril | Maio | Junho • 2012

Uma vez que uma espécie de fungo toxinogénica pode produzir várias toxinas, e várias espécies de fungos podem em dada altura estar presentes num ingrediente ou forragem, será de esperar que um número substancialmente maior de micotoxinas esteja presente em relação às micotoxinas que serão detetadas pelos comuns métodos de análise descritos. Entender o problema de contaminação com micotoxinas de um modo mais abrangente é importante e tem obviamente vantagens associadas.

O PROGRAMA “37+” DA ALLTECH

O objetivo inicial deste programa foi avaliar amostras de ingredientes e forragens para a alimentação animal de várias regiões da Europa para uma multitude de micotoxinas, utilizando um sistema de cromatografia líquida de performance elevada (UPLC-MS/MS) conjugada com espectroscopia de massa, e uma metodologia desenvolvida no centro de investigação global da Alltech em Nicholasville, KY, EUA. Esta metodologia representa um avanço muito significativo comparado com outros métodos analíticos comercialmente disponíveis que tem por alvo a identificação e quantificação de um expectro mais abran-


PRODUÇÃO

ALIMENTAÇÃO

gente de micotoxinas. Por outro lado este método permite também determinar de uma forma concreta matrizes complexas como alimentos completos ou silagens, assim como assistir no desenvolvimento de tecnologias inovadoras para contrariar os efeitos negativos de um maior número de micotoxinas ou uma nova geração de adsorventes de micotoxinas.

ANÁLISE DAS AMOSTRAS UE:

Cento e quatro amostras, colhidas em várias regiões da Europa de forma representativa, da colheita de 2011, foram sujeitas a análise para 38 micotoxinas (Tabela 1). O critério para seleção destas micotoxinas inclui a sua prevalência, e a reconhecida toxicidade em animais. Tabela 1 - Lista de micotoxinas testadas e grupo específico Micotoxinas

Aflatoxina B1, B2, G1, & G2 (4) Ocratoxina A & B (2)

T-2 toxina, DAS, HT-2 toxina, Neosolaniol (4)

DON, 3-acetyl DON, 15-acetyl DON, Nivalenol, Fusarenona-X, DON conjugado (6) Fumonisina B1, B2, & B3 (3)

Zearalenona, α-zearalenol, β-zearalenol and Zearalanona (4)

Grupo de Micotoxinas Aflatoxinas

Ocratoxinas

Tipo A Tricotecenos Tipo B Tricotecenos Fumonisinas Zearalenona

Patulina, Roquefortine C, àcido Penicillico, Micotoxinas do Penicillium ácido Mycophenolic, Gliotoxina, Sterigmatocistina, (Micotoxinas de silagem) Verruculogen, Wortmannin, (8) 2-bromo-alpha-ergocryptina, Ergocornina, Ergometrina, Ergotamina, Lysergol, Methylergonovina (6) Alternariol (1)

Ergot Toxinas Alternaria

RESULTADOS

Apenas 11 amostras de 104 testadas apresentaram valores abaixo do limite de deteção para todas as micotoxinas testadas. 89,5% das amostras testadas apresentaram níveis acima dos limites de quantificação. Tricotecenos Tipo B foram detetados em 70% das amostras, seguido por Fumonisinas (46%), Tricotecenos Tipo A (22%) e micotoxinas associadas com Penicillium (22%) (Tabela 2, Figura 2). Aflatoxinas, ocratoxinas, Ergot e zearalenona foram detectados entre 4 e 16% das amostras testadas. A presença de tricotecenos do tipo B era esperada devido às condições de clima temperado na Europa, favorecendo o crescimento de espécies de fungos do tipo Fusarium. Ticotercenos A e micotoxinas produzidas por Penicillium que são também comuns para algumas regiões da Europa (especialmente Europa de Leste). Milho, silagem de milho, silagem de erva, DDGS, cevada, trigo e predominantemente contaminado com tricotecenos Tipo B e fumonisinas (Tabela 2). Enquanto silagem de trigo estava contaminado com Tricotecenos B e micotoxinas produzidas por Penicillium. Alguns sintomas associados com o grupo predomi-

28

Ruminantes • Abril | Maio | Junho • 2012

nante de micotoxinas encontradas em ruminantes estão relacionados com perdas de ingestão de matéria seca (pronunciada com transição de silos) e produção, aumento de problemas metabólicos como casos de cetoses e DA’s podem aumentar (a diarreia pode ser profusa em alguns animais afetados), e aumento do número de mastites como indicativo da diminuição de imunidade.

AMOSTRAGEM EM PORTUGAL

Como parte do programa “37+”, amostras de silagem de milho foram recolhidas na região Norte de Portugal mostrando um padrão bem semelhante à média das amostras europeias. Fumonosinas e Tricotercenos tipo B (DON) foram encontradas em 100% e 50%, respetivamente. Enquanto apenas uma pequena fracção da amostragem mostrou a presença de Aflatoxinas. Cerca de 75% das amostras colhidas em Portugal apresentou duas ou mais micotoxinas por amostra. Estas descobertas poderão explicar a necessidade de analisar ingredientes e silagens para uma multiplicidade de micotoxinas e não limitada à análise de aflatoxinas como é prática corrente em ruminantes. O desenvolvimento de uma base de dados local, com a ajuda do sistema “37+”, poderá ajudar os produtores na perceção da contribuição de micotoxinas nas dietas a partir dos vários ingredientes utilizados, ajudar na determinação do risco de contaminação e no desenvolvimento de métodos de prevenção e de controlo apropriados.

MIKO DAIRY

O controlo e a redução do impacto de micotoxinas necessita de uma solução integrada. Com esta perspetiva, a Alltech desenvolveu o programa MIKO Dairy de apoio para produtores, um programa com base em princípios PCC (HACCP) para identificação e controle de áreas de risco e quantificação de pontos críticos em explorações onde fungos podem prosperar e a produção de micotoxinas pode ocorrer. O objetivo do programa MIKO para vacarias será aumentar a produtividade de explorações e sistemas de produção com o foco de melhorar a saúde animal e a performance de toda a cadeia produtiva.

CONCLUSÕES

Use o programa Alltech “37+” criado para que possamos ter uma ideia mais abrangente sobre o perfil de micotoxinas dos alimentos utilizados na europa. A presença de uma multiplicidade de micotoxinas é um fenomeno comum na indústria e poderá levar a um aumento do risco para a saúde e desempenho animal. A implementação de um programa de identificação de análise de pontos críticos com base em limites críticos como o programa MIKO, poderá contribuir para uma abordagem integrada de controlo dos desafios de micotoxinas presentes em Portugal.


ALIMENTAÇÃO

Tabela 2 - Resultados por amostra

PRODUÇÃO

Amostras

AF

OA

Tipo B

Tipo A

Fumonisinas

ZEA

Toxinas Penicillium

Ergot

Média, ppb

Máxima, ppb

14

957

0.4

760

48

1,039

47

179

16

% Positiva

12

0

Máxima, ppb

24

0

% Positiva

13

0

Máxima, ppb

22

0

% Positiva

23

0

Máxima, ppb

7

0

% Positiva

13

Milho

Média, ppb

4

12

2

Cevada

Média, ppb

Média, ppb DDGS

% Positiva

Média, ppb

7

29

102

12

45

0

957

0

7

Máxima, ppb

Silagem de Milho % Positiva

Média, ppb

Silagem de Erva % Positiva

Média, ppb

0

104

0

5

Máxima, ppb

Silagem de Grão de Mliho

0

0

Máxima, ppb

0

0

Média, ppb

0

88

50

1,167

5,736

1,647

59

18

18

18

16,656

1,167

46

3

63

13

63

13

25

4

2,108

84

0

140

516

552

77

15

38

31

15

8

1,991

27

110

139

4

4

71

0

57

43

21

7

3,215

0

2,279

269

105

28

36

0

656

2,638

0

5

0

5

0

9

31

0

64

18

737 100

27

90 9

3,164

5

49

1,271

70

5

10

1,467

104

836

560

73

20

7

0

5,905

88

34

0

360

5,474

5

786

42

10

2

PORTUGAL

Amostragem inicial de Silagem de Milho em Vila do Conde % Amostras Silagem Positivas Micotoxinas Portugal

Series1

12

2,676

3

69

60

28

0

AF = Aflatoxinas, OA = ocratoxinas, Tipo A = Tipo A tricotecenos, Tipo B = Tipo B tricotecenos, ZEA= zearalanona

100% 80% 60% 40% 20% 0%

9

104

749

0

22

58

1,761

0

% Positiva

1,731

333

0

5

5,923

16

40,000

41

238

511

3

111

Máxima, ppb

59

0

46

1,731

1,028

0

1

22

5,923

0

4

Trigo

70

80

10

0

1

0

22

2

282

0

0

0

33

7

983

110

5,736

1,647

Figura 2 - Percentagem de Amostra Positivas de Micotoxinas

70 60

Aflatoxina 13%

Tipo B Tricho Tipo A Tricho Fumonisina (DON) (T-2, HT- 2) 50%

25% 75%

25%

100%

Número de toxinas numa só amostra

Apenas 1 toxina > 2 toxinas

Patulina, Gliotoxina 25%

50 40 30 20 10 0

Tipo B

Fumonisina

Tipo A Micotoxinas Penicillium

ZEA

AF

Ergot

Ruminantes • Abril | Maio | Junho • 2012

OA

29


ECONOMIA

OBSERVATÓRIO Breves comentários e previsões sobre o mercado de matérias-primas Paulo Costa e Sousa Engº. Agrónomo - Director Comercial da Louis Dreyfus Commodities - Portugal Nota: Os preços e os cenários previstos para a evolução dos mercados de matériasprimas estão sujeitos a muitos imponderáveis e exprimem apenas opiniões profissionais à luz do melhor conhecimento num determinado momento. Assim, a Revista Ruminantes não garante a confirmação e/ou o cumprimento dos preços e previsões feitas sobre os preços das matérias-primas sujeitas à analise do Observatório dos Mercados, não constituindo assim ofertas de compra ou de venda.

O QUE SE ESPERA DO MERCADO DE MATÉRIAS PRIMAS PARA O SEGUNDO TRIMESTRE ? Infelizmente o panorama não parece muito brilhante em relação a baixas de preços.

Começando pelo milho: estamos restringidos a 3 origens possíveis, que na prática se configuram numa só, a Ucrânia. Os milhos de origens francesa, romena e búlgara, quer pelos prémios de qualidade que alguns mercados pagam, quer por uma menor quantidade disponível não são, habitualmente, opção para Portugal. Estamos, assim, dependentes da quantidade que a Ucrânia tem ainda para exportar. Sabendo que até ao fim de Março as exportações terão atingido cerca de 8.600.000 de toneladas e contando que as exportações totais se vão situar próximo das 13.000.000 de toneladas, faltam assim aproximadamente 4.500.000 ton. para exportar nos próximos 6 meses até à próxima colheita, ou seja entre Abril e Setembro, o que é manifestamente insuficiente para a procura comunitária, do Norte de África e da Ásia. Considerando que o milho americano se encontra a cerca de mais $35 para os mercados asiáticos e do Norte de África, é fácil imaginar qual poderá ser a margem de progressão do milho ucraniano.

Quanto ao trigo da colheita actual, uma vez terminada a quota de importação de países terceiros, a quantidade disponível também não parece muito importante, pelo que não se vislumbra nem uma substancial melhoria de preço, nem uma liquidez muito grande. Quanto à nova colheita de trigo, que se avizinha, um acumular de notícias um pouco por toda a parte sobre quebras importantes, quer de área, quer de produção, estão a pôr o mercado de trigos da nova colheita sob

30

Ruminantes • Abril | Maio | Junho • 2012

bastante pressão, pelo que o mercado respondeu, no último mês, com uma subida de cerca de 10/12 euros. A juntar a este facto, uma quebra de produção na Ucrânia apontada para 40%, fará com que a alternativa de importação de países terceiros seja um caso mais difícil que o habitual.

As notícias sobre a próxima colheita de milho são as únicas que têm algum carácter de aumento substancial, apontando-se para uma área semeada recorde em vários pontos, começando pelos EUA e acabando na Ucrânia. Mas a história do milho ainda agora começou a ser contada e, se o mercado de trigo estiver sobre pressão altista, é normal que a isto corresponda também um aumento substancial do consumo de milho, seu habitual substituto nestes casos.

Assim, e como já vem sendo infelizmente habitual, o panorama que se vislumbra quando são apontadas quebras de produção não é o melhor, a não ser que os fenómenos climáticos se invertam drasticamente, ou os consumidores de grande volume como a China ou o Norte de África cortem as importações.

O caso das proteínas ainda é menos brilhante, uma vez que se aponta para menos produção de soja na América do Sul, cortes na produção de colza na Europa e menor área de soja a semear nos EUA em detrimento do milho. Tudo isto concorre para a subida substancial das proteínas que se tem verificado e que não se vislumbra que possa atenuar drasticamente nos próximos tempos. x


ECONOMIA »

EVOLUÇÃO DO PREÇO MÉDIO DE ALIMENTOS COMPOSTOS PARA ANIMAIS (em Euros/Tonelada)

»Fonte: IACA

€/ton

Novilhos de engorda

€/ton

Borregos de engorda

€/ton

Vacas leiteiras em produção

€/ton

Ovelhas leiteiras em produção

EVOLUÇÃO DO PREÇO MÉDIO DE MATÉRIAS-PRIMAS (em Euros/Tonelada) €/ton

Bagaço de colza

€/ton

Cevada

€/ton

Bagaço de soja

€/ton

Milho

Ruminantes • Abril | Maio | Junho • 2012

»Fonte: IACA

31


ECONOMIA

OBSERVATÓRIO Perspectiva do mercado leiteiro Fontes: LTO, Rabobank, SIMA

TENDÊNCIA E PANORAMA DO MERCADO INTERNACIONAL NOVEMBRO 2011 A JANEIRO 2012 Fonte: Rabobank – relatório trimestral do leite

Nos primeiros meses de 2012, os preços internacionais dos produtos lácteos baixaram, no geral, entre 3% e 8%. Condições climáticas invulgarmente boas na maior parte das regiões aumentaram o impacto dos elevados preços à produção, impossibilitando a absorção dos excedentes de produção por parte dos consumidores na Europa ocidental, ainda que tenha havido uma procura internacional sólida. A baixa probabilidade do mercado global do leite ser capaz de evitar uma tendência de quebra nos preços durante o primeiro trimestre, desapareceu com o inverno excepcionalmente suave que se fez sentir no hemisfério norte, garantindo que a produção de leite, já balizada pelos preços elevados, tenha superado as necessidades da procura, globalmente fracas.

O mercado deverá continuar a lutar para equilibrar os níveis de preços actuais ao longo do segundo trimestre. Fora dos EUA, os agricultores na maior parte das regiões ainda irão sentir uma quebra significativa no preço do leite, sendo já tarde para controlar o crescimento da produção durante a primavera no hemisfério Norte.

Quanto ao consumo, vai permanecer fraco nas principais regiões exportadoras, com alguma quebra do preço dos produtos lácteos motivada por um fraco crescimento económico e pelo aumento do preço dos combustíveis.

Influências positivas para o mercado - Alterações climáticas no hemisfério Norte durante o pico da primavera podem reduzir os excedentes esperados. - Um novo aumento do preço das rações provocaria uma substancial pressão adicional nos produtores dos EUA e um novo abrandamento do crescimento da produção. - A Venezuela, um dos principais importadores de produtos lácteos, poderá aumentar as compras para programas locais antes das eleições de Outubro.

32

Ruminantes • Abril | Maio | Junho • 2012

Influências negativas para o mercado - Rupturas no fornecimento de petróleo do Médio Oriente afiguram-se como um risco que poderia provocar um pico no preço do petróleo que poria em risco a recuperação económica global. - Um reagravamento da crise económica europeia continua a ser uma possibilidade. - Condições climáticas favoráveis durante a primavera no hemisfério Norte provocarão um aumento dos excedentes de produção.

ANÁLISE DA PRODUÇÃO POR REGIÕES EUA A produção de leite continuou a registar uma tendência de crescimento nos primeiros meses do ano. A produção aumentou 3,4% relativamente ao ano anterior, liderada pela Califórnia (+6,6%). Este crescimento deveu-se sobretudo ao aumento das colheitas, ao preço elevado do leite e ao custo das rações, que permitiu aos produtores melhorarem a alimentação dos animais.

Nova Zelândia Impulsionada por condições de crescimento excepcionais, aumento das explorações e preços do leite elevados, a produção ultrapassou em muito os níveis atingidos no ano passado (até 9,4%).

Austrália A produção ultrapassou bastante os níveis do ano anterior nos últimos meses, devido ao alto preço do leite


ECONOMIA

que incentivou os produtores; à interessante relação entre o preço do leite e das rações, e à grande disponibilidade de água. A produção nacional aumentou 5,6% em Janeiro comparativamente com Janeiro de 2010.

Argentina A Argentina fechou 2011 da mesma forma que começou, com um aumento da produção de 11% no quarto trimestre. Em Janeiro deste ano, a produção aumentou 13% (um aumento de 30% em apenas 2 anos), em grande parte devido à interessante relação entre o preço do leite e das rações.

Brasil O Brasil foi o único país exportador que registou uma contracção na produção de leite no início do ano. Os preços do leite, já alinhados pelos preços mundiais, registaram novas subidas devido a quebras na produção, motivadas em parte pela subida do preço das rações.

Crescimento da produção de leite nos principais países exportadores — Variação percentual em períodos homológos UE

Janeiro’12

Novembro’11 a Janeiro’12

3.4

2.7

EUA NZ

Austrália

2.7 9.0 5.6

2.3 9.4 5

Argentina

13.4

12.1

Total

3.6

3.2

Brasil

-1

-1.2

Fonte: Rabobank

ANÁLISE DO MERCADO DO LEITE NA UE Fonte: LTO Nederland relatório de 2 Março de 2012

A produção de leite na UE 27 no ano civil de 2011 foi 2,1% mais elevada (±2,8 milhões de toneladas), comparativamente com o mesmo período de 2010. Na maioria dos mercados, o sentimento geral foi mais negativo nas últimas semanas, devido à volatilidade dos mercados cambiais, ao ambiente económico instável e a perspectivas de crescimento económico lento para este ano. Contudo, os principais factores responsáveis pela presente orientação do mercado são o aumento da produção de leite além das expectativas, e atrasos nas encomendas dos países tradicionalmente importadores.

Estas são as principais razões que justificam um abrandamento dos preços. Um novo aumento sazonal no fornecimento de leite europeu deverá ser acompanhado por um crescimento da procura global, para evitar uma acumulação de stocks e uma maior pressão de quebra nos mercados. Apesar de o crescimento da produção de leite poder abrandar devido ao alcance dos limites das quotas em alguns países, não é garantido que isto aconteça porque os produtores continuarão a responder aos preços ainda altos do leite. Também à escala mundial, a produção de

Preços anuais de leite na UE (2011 comparado com 2010) As médias de preços nacionais são de fonte mista; algumas referem-se a leite standardizado e outras a leite com conteúdo real de gordura e proteína. Fonte: LTO

Preço médio do leite em 2010

Preço médio do leite em 2011

54 50 46 42 em € / 100 kg

38 34 30 26 22 18 Países

14

Ruminantes • Abril | Maio | Junho • 2012

33


ECONOMIA

Fonte: Eurostat, Fevereiro 2012

Entregas mensais de leite na UE 27 13.000

Fonte: Eurostat, Fevereiro 2012

12.500 12.000 11.500 11.000 10.500

Entregas de leite na Europa (em %) (Janeiro a Dezembro 2011 comparativamente com Janeiro a Dezembro 2010)

-8,0% a -6,0% -6,0% a -4,0% -4,0% a -2,0% -2,0% a 0,0% 0,0% a +2,0% +2,0% a +4,0% +4,0% a +6,0% +6,0% a +8,0%

34

Ruminantes • Abril | Maio | Junho • 2012

Dez

Nov

Out

Set

Ago

Jul

Jun

Mai

Abr

Mar

Fev

10.000 Jan

1000 ton.

leite está a exceder as expectativas. Provavelmente, haverá mais leite disponível para a exportação mundial. Presentemente, os observadores de mercados estão concentrados na produção de leite, por isso a evolução do preço corrente será mais condicionada pela produção nos próximos meses. De facto, o mercado parece mais sensível a alterações na produção do que na procura. No geral, o mercado encontra-se calmo e os compradores têm mantido uma atitude de “esperar para ver”. Também o mercado mundial de matérias primas lácteas tem estado relativamente tranquilo e os preços baixaram nas últimas semanas de Fevereiro.


ECONOMIA

Irlanda Itália Holanda

E. U. A.

34.55

34.72

32.13

First Milk

31.90

29.24

Kerry

33.82

33.70

Glanbia

Granarolo (North)

DOC Kaas

Friesland Campina Fonterra

33.91

34.11

41.64

40.57

35.42

37.31

33.70 34.71 32.12

32.45

37.53 35.31 31.05

33.29

(1) Preços sem IVA, pagos ao produtor; Preço do leite de diferentes empresas leiteiras para 4,2% de MG e 3,4 de teor proteico. (2) Média aritmética (3) Ajustado para 4,2% gordura, 3,4% proteina e contagem de células somáticas 249,999/ml. (4) Inclui o pagamento suplementar mais recente

EUA: MUITOS PRODUTORES AINDA HESITAM SOBRE GESTÃO DE RISCOS

Desde há alguns anos, os produtores de leite e cooperativas dos EUA podem comercializar o leite em mercados futuros, através de uma ferramenta utilizada para gerir o risco da volatilidade dos preços de mercado. Se os preços futuros (que representam uma expectativa do mercado) estiverem adequados, um produtor poderá vender o seu risco, garantindo o recebimento desse valor (se o preço subir, ele deixa de ganhar dinheiro; se cair, deixa de perder). Apesar da atractividade dessa ferramenta num ambiente de alta volatilidade de preços, poucos produtores estão a utilizá-la, na maioria dos casos por entenderem que é demasiadamente dispendiosa e/ou complicada de usar. Relativamente ao interesse desta ferramenta, Tiffany LaMendola, a directora de consultoria e gestão de riscos da empresa norte americana considera que a mesma "é uma ferramenta que pode ser usada para evitar um desastre". LaMendola enfatizou a importância dos produtores decidirem antes da hora o risco que podem ou querem correr. "Antes de se entrar no caminho da gestão de riscos, tem que se decidir quais os riscos que são significativos para cada produtor. Para alguns, a prioridade número um é não perder os grandes aumentos dos preços do leite. Para outros, é não deixar a actividade quando os tempos estão menos positivos".

€ /100 kg

26 24 22

Dez

Dairy Crest (Davidstow)

35.65

34.41

28

Nov

34.32

34.15

34.50

Out

35.38

Sodiaal

35.36

30

Set

Lactalis (Pays de la Loire)

Bongrain CLE (Basse Normandie)

36,28

Ago

44.27

33,45

Jul

41.29

Arla Foods

32

Jun

Hãmeenlinnan Osuusmeijeri

34

Mai

33,84

36

Abr

34,08

32.19

Preço médio do leite - JANeiro (2) Nova Zelândia

32.04

34.32

Nordmilch

Danone

Inglaterra

34.92

32.17

Mar

França

33.45

38

Fev

Dinamarca

Finlândia

Humana Milchunion eG

média últimos 12 meses (4)

Jan

Alemanha

Milcobel

Alois Muller

Preço do leite (€/100 Kg) JANeiro 2012

Fonte: LTO, Março 2012

O preço médio calculado do leite das entregas efectuadas em Janeiro de 2012 é de €34.71 por 100 Kg de leite standard. Este valor representa uma subida de 4,4% comparativamente com Janeiro de 2010 (+ €1,47). Comparado com Dezembro de 2011, o précio medio de Janeiro teve um aumento ligeiro de € 0.14.

» Portugal

LEITE À PRODUÇÃO

Preços Médios Mensais em 2011 e Janeiro 2012 Leite Adquirido a Produtores Individuais Fonte: SIMA meses

eur / Kg

teor médio de matéria gorda (%)

teor proteico (%)

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ JAN. 2012

0.313 0.315 0.314 0.311 0.309 0.310 0.310 0.311 0.322 0.324 0.325 0.324 0.325

3.87 3.84 3.79 3.69 3.63 3.65 3.67 3.73 3.79 3.81 3.86 3.84 3.81

3.27 3.28 3.27 3.20 3.18 3.18 3.19 3.21 3.24 3.22 3.30 3.28 3.26

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ JAN. 2012

0.301 0.302 0.299 0.295 0.297 0.295 0.292 0.296 0.314 0.318 0.321 0.315 0.312

3.88 3.80 3.67 3.67 3.67 3.66 3.72 3.76 3.91 3.91 3.93 3.78 3.67

3.21 3.22 3.24 3.24 3.22 3.18 3.13 3.10 3.19 3.24 3.28 3.20 3.16

2011

Bélgica

Companhia

2011

Países

Preço médio do leite em Janeiro 2012 (€1.47 /100 Kg mais que em Janeiro de 2011)

Fonte: LTO

PREÇO DO LEITE STANDARDIZADO (1)

CoNtiNeNte

AçoreS

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ACTUALIDADES

MUNDO

Agrometeorologia, uma ferramenta importante na gestão Madalena Miguel, Eng.ª Zootécnica É frequente ouvir-se dizer que o tempo está mais inconstante. E, na verdade, períodos de seca prolongada, chuvas fortes e inesperadas, temperaturas muito altas ou baixas, fazem-se cada vez mais sentir fora da época, prejudicando os trabalhos do campo. Não obstante, a agropecuária moderna exige um crescente controlo sobre um número cada vez maior de factores para ser rentável. A informação climática e meteorológica pode desempenhar um papel fundamental para a redução de custos e do risco de insucesso do negócio. “Não conheço nenhum agricultor que não veja as previsões do estado do tempo”, conta-nos Pedro Vacas de Carvalho, gestor agrícola e pecuário da Herdade da Lobeira, “(…) os serviços de aviso prévios asseguram que cada agricultor possa reagir a tempo e assim tomar medidas específicas nas suas áreas de cultivo”. Na prática, actualmente os agricultores podem ter à sua disposição um conjunto de informação, mais ou menos completa, baseada quer em dados recolhidos por estações meteorológicas (ver caixa em rodapé), quer em previsões obtidas através de canais de informação como a televisão, a internet e os jornais.

A INFLUÊNCIA DO CLIMA NA PECUÁRIA Segundo Ana de Mira Geraldo (*), o clima pode afectar a produção animal de quatro formas: mudanças na alimentação dos animais – através da disponibilidade de grãos e dos preços; impactos sobre as pastagens, produção de forragem e qualidade das mesmas; mudanças na distribuição de doenças animais e de pragas; e efeitos directos do tempo e eventos extremos sobre a saúde animal, crescimento e reprodução. Perante uma alteração climática, os animais respondem através de mudanças comportamentais, respostas neuroendócrinas e fisiológicas, de modo a manter a homeostasia. Os factores climáticos, em especial a temperatura ambiente, não sendo constantes vão influenciar significativamente o desempenho produtivo e reprodutivo dos animais domésticos (De Rensis & Scaramuzzi, 2003). A sua influência manifesta-se

principalmente pela baixa taxa de gestação e elevada mortalidade embrionária (Gwasdauskas, 1985; UribeVelásquez et al., 2001; De Rensis & Scaramuzzi, 2003; Jordan, 2003). Já em 2003, nos EUA as perdas económicas da produção animal devido ao stress térmico, se situavam entre 1,69 e 2,36 bilhões de dólares – dos quais 897 a 1500 milhões ocorriam na produção leiteira, 370 milhões na produção da carne, 299 a 316 milhões na suinicultura, e 128 a 165 milhões na avicultura (St-Pierre et al.) Um estudo realizado na Universidade dos Açores, relativo ao ano de 2008, concluiu que a humidade e calor característicos do verão da região, afectam negativamente o desempenho reprodutivo de vacas leiteiras, avaliado por mortalidade embrionária – este parâmetro atingiu um valor de 51% no verão, quase o dobro do valor observado para o período de inverno (Geraldo et al., 2010).

(*) Doutoranda em Qualidade e Produtividade Animal Laboratório de Biometeorologia e Etologia – LABE, Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos, Universidade de São Paulo.

PREVER O TEMPO E ANTECIPAR DECISÕES

As estações meteorológicas têm provado ser uma excelente ferramenta para a tomada de decisões: ajudam a estabelecer horários de irrigação, a evitar a incidência de doenças e a prever a produção. Embora não existam estatísticas oficiais, os especialistas estimam que existam entre 60 a 75 mil estações meteorológicas agrícolas no mundo, das quais apenas 25% operam em redes. Os EUA são líderes na utilização desta tecnologia, tanto em termos de oferta como de procura. No entanto, algumas empresas europeias estão a desempenhar um papel cada vez mais importante neste mercado.

Sites de marcas de estações meteorológicas mais vendidas em Portugal: • http://pessl.metos.at/joomla • www.adcom.at • http://www.specmeters.com/weather-monitoring/weather-stations/2000-full-stations/?F_Sort=11

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MUNDO

Existem várias associações, agrupamentos de produtores e agricultores individuais que possuem estações meteorológicas próprias. A empresa Bayer, reconhecendo a importância crescente deste produto, oferece aos clientes mediante a troca de “pontos” a possibilidade de aquisição deste equipamento. O portal InfoAgro, disponibilizado pelo COTH (Centro Operativo e Tecnológico Hortofrutícola Português) permite a actualização do cadastro de 22 estações meteorológicas instaladas na região do Ribatejo, Oeste e dos respectivos dados meteorológicos diários (temperaturas máxima e mínima, precipitação e outras), a visualização de mapas que são gerados dinamicamente no momento da consulta e a criação e divulgação de boletins de avisos agrometeorológicos para culturas específicas. Outra fonte de informação largamente utilizada pelos agricultores é o AgriCast Boletim Meteorológico para agricultura desenvolvido pela Syngenta Meteo com estações meteorológicas de norte a sul de Portugal. O projecto SAGRA (Sistema Agrometeorológico para a Gestão da Rega no Alentejo) conta actualmente com uma rede de 14 estações meteorológicas automáticas. António Ramos, sócio da empresa Aquagri, empresa que fornece estações meteorológicas, referiu à Revista Ruminantes que existe uma preocupação crescente com a fiabilidade dos dados climáticos e que, por isso, os empresários agrícolas decidem investir em estações meteorológicas em detrimento de serviços fornecidos por sites de previsão meteorológica. Alguns produtores de milho, por exemplo, alugam as estações meteorológicas pelo tempo da campanha, durante a qual os dados recolhidos pela estação são enviados automaticamente para um servidor que alerta o responsável técnico da exploração através de SMS. A Pessl Instruments GmbH, fabricante das estações meteorológicas telecomunicantes iMetos, e a empresa suíça Meteoblue, especializada no desenvolvimento de ferramentas de previsão do tempo, criaram em conjunto um novo serviço “imétéo AG”, baseado na Internet, que fornece aos seus subscritores previsões meteorológicas à escala local e específicas para um local determinado, numa base horária. Para poderem utilizar o serviço de previsão micrometeorológica “imétéo AG”, os subscritores precisam de adquirir uma estação iMetos. Os dados ambientais recolhidos por esta estação são transmitidos via GPRS à base de dados www.fieldclimate.com, e as previsões meteorológicas são então ajustadas automaticamente em função destes dados locais. Através deste serviço, os agricultores podem também receber avisos relativos a previsões de pragas, necessidades de irrigação, ocorrência de geadas, etc. Este tipo de serviços integrados são ferramentas cada vez mais utilizadas pelos gestores das explorações agrícolas para a tomada de decisões em tempo real e na programação das mesmas. Existem estações meteorológicas dos mais variados preços, entre uma ampla gama de produtos, desde 600.00 €, com uma enorme possibilidade de aplicações. O preço depende sempre do objectivo do agricultor (o número de sensores determina o valor do equipamento), e de outros factores como a acessibilidade dos dados, a fiabilidade dos equipamentos, e a assistência técnica. Quanto às previsões meteorológicas, os agricultores utili-

ACTUALIDADES

zam diversas fontes de informação, quase exclusivamente serviços disponibilizados online, maioritariamente gratuitos. Da consulta que fizemos, a maioria dos que consultam serviços gratuitos não recorrem ao uso exclusivo de uma ferramenta mas consultam várias fontes.

Na opinião de...

Marcelino Balazeiro (na foto ao lado), proprietário de uma exploração de vacas de leite em Bagunde, Vila do Conde, disse à Ruminantes que utiliza preferencialmente três fontes. Entre a Meteo SIC, o Jornal de Notícias e o site Windguru.cz, recolhe os dados que lhe permitem decidir sobre as decisões a tomar.

Pedro Torres, técnico da Saprogal, aconselha que quando a temperatura desce a valores críticos, a concentração do leite de substituição deve ser aumentada.

Pedro Almeida, agricultor, refere que actividade agrícola relacionada com a fenação e qualidade do feno depende da planificação da actividade: “deve-se enfardar somente quando o feno tem humidade suficiente para evitar a queda de folha, mas não o suficiente para o desenvolvimento de fungos. Usualmente, enfardo à noite depois da queda do orvalho se ter iniciado, para isso utilizo a previsão de curto prazo da temperatura do ponto de orvalho”.

José Alberto Chula (na foto ao lado), empresário de uma exploração de vacas leiteiras alerta que “os animais mais jovens são mais sensíveis às baixas temperaturas, os vitelos têm necessidades especiais nesta fase do seu desenvolvimento”.

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ACTUALIDADES

MUNDO

Na opinião de... Relativamente à influência da meteorologia na sementeira, Paulo Mendes, técnico da empresa Maïsadour chama a atenção para o factor do momento da sementeira como de extrema importância para o rendimento final da cultura do milho para grão ou silagem. “Todos temos a perfeita consciência que existe uma diferença de rendimento na mesma parcela quando esta é semeada em Abril ou, porventura por questões meteorológicas, só pode ser semeada em finais de Maio. Deste modo, a informação e previsão meteorológica torna-se uma ferramenta importante para o agricultor, ele sabe que tem uma oportunidade de entrar nos seus campos o mais rapidamente possível para, no final, obter os melhores rendimentos diminuindo também os custos energéticos

Pedro Rocha, técnico da agroCampRest, disse à Ruminantes, a propósito dos aspectos que condicionam o controlo de infestantes nas culturas: “ um dos factores que mais condicionam a produção são as infestantes. A utilização de herbicidas no controlo de infestantes torna-se, portanto, uma necessidade, no sentido de libertar a cultura da competição das ervas, no que diz respeito à luz, água e nutrientes. Para que os herbicidas exerçam um efeito fitotóxico nas infestantes, é necessário que penetrem na cutícula, uma camada cerosa repelente da água e que cobre toda a superfície da planta. Têm depois que entrar nos feixes vasculares para chegarem aos locais de crescimento activo, onde vão actuar. A eficácia dos herbicidas é afectada por diversos factores que influenciam a translocação destes compostos na planta. A ab-

no balanço final da cultura. Poderemos referir dois factores que podem condicionar a oportunidade de sementeira: a temperatura, do solo e da atmosfera, e a previsão de chuva. Quanto ao factor temperatura, refiro que em geral no nosso clima atlântico a probabilidade de ocorrência de geadas fortes nos meses de sementeira é muito baixa, sabendo que a própria semente de milho, quando o vigor ao frio (cold test) é elevado resiste a temperaturas de germinação de 6 graus. Por outro lado, o factor chuva pode tornar mais complicada a época de sementeira, pois podem ocorrer quadras de elevada precipitação que transportam a data de sementeira para mais tarde, obrigando a determinadas mudanças nas operações culturais.”

sorção dos herbicidas pelas plantas é influenciada, tanto física como biologicamente, pela temperatura e pela humidade relativa do ar. Com a diminuição da humidade relativa do ar e/ou com o aumento da temperatura, as gotas da pulverização secam mais rapidamente e a absorção do produto diminui significativamente, afectando o desempenho biológico. A presença de orvalho causa reduções na actividade dos produtos, principalmente a menores doses e maiores volumes de calda, dificultando a permanência do herbicida na folha e ajudando ao escorrimento da gota. Também a ocorrência de precipitação antes de se dar a absorção do herbicida, inviabiliza a sua actuação, na medida em que provoca a lavagem da substância activa. Para que os herbicidas actuem, as plantas

devem estar em pleno desenvolvimento, de modo a que o metabolismo da cultura permita a desintoxicação e o das infestantes a actuação das substâncias activas. Deve, portanto, haver condições de temperatura e humidade necessárias ao normal desenvolvimento das plantas. Na ausência de uma destas condições o metabolismo das plantas é diminuído e, consequentemente, a actuação dos herbicidas. As condições climatéricas que se fizeram sentir neste Outono-Inverno, temperaturas baixas e ausência de precipitação, para além de não favorecerem o normal desenvolvimento das culturas, foram também prejudiciais à actuação dos herbicidas. As infestantes vêem o seu metabolismo reduzido e estão “endurecidas”, dificultando o seu controlo.”

Sites úteis: • http://www.yr.no • http://www.meteoblue.com • http://www.meteo.pt • http://www.windguru.cz/pt/ (bom para zonas perto do mar)

• http://ready.arl.noaa.gov/READYcmet.php • www.wetterzentrale.de • http://ibermeteo.com (serviço pago) • http://infoagro.cothn.pt/portal • http://www.weather.com

• http://www.syngenta.com/country/pt/pt/informacao_e_servicos/metereologia/Pages/Metereologia.aspx

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MUNDO

ACTUALIDADES

MIone Days 2012: Simpósio internacional sobre ordenha automática A GEA Farm Technologies organizou, no início de Fevereiro passado, pela primeira vez, um simpósio especializado sobre ordenha automática. O objectivo do evento foi a troca de opiniões com especialistas do sector, assessores, responsáveis de negócio e órgãos de imprensa sobre futuros desafios e soluções em ordenha automática. O impacto foi muito positivo: 160 participantes de 16 países aceitaram o convite para comparecer em Bönen, e assim confirmar a actualidade do tema. O ponto essencial do primeiro dia foi constituído pelas conferências especializadas em questões sobre o futuro proporcionado pela ordenha automática - automatização ajustada à prática, gestão inteligente do rebanho e sequências operacionais eficientes.

Jan Harms, do Instituto Regional de Agricultura da Baviera, informou que actualmente na Alemanha, cerca de metade dos novos investimentos no âmbito dos sistemas de ordenha se destinam a robots de ordenha. A sua

conclusão foi que com o sistema de ordenha automático, as exigências para o produtor de leite seriam ainda mais complexas, na medida em que a gestão de informação, o tempo e a qualidade iriam assumir ainda maior preponderância. Desta forma, os fabricantes poderiam tornar-se num apoio aos produtores de leite no processamento da informação, interligações e na formação profissional.

«O MIone é uma revolução técnica de que estamos convencidos a cem por cento», é a opinão do Dr. Ulrich Hüllmann, Director executivo de GEA Farm Technologies, sobre o robot de ordenha MIone. Esta afirmação foi corroborada por Christian Müller, Director de Automatic Milking Solutions da GEA, com uma apresentação especializada sobre o sistema multibox MIone. Müller explicou, mediante distintos conceitos de estábulo, o princípio do centro de ordenha, que responde especialmente aos requisitos das vacas com necessidades especiais. Porque estes animais, que representam

cerca de 20% de um rebanho, geram cerca de 80% do trabalho.

Em dois relatórios práticos elaborados pelo Centro Especializado Hufnagel da GEA e o produtor sueco Mikael Elström, fez-se referência ao amplo conceito de serviço e rendimento laboral. «O MIone permite-me poupar cerca de 3000 horas de trabalho por ano», disse Elström. O primeiro dia fechou com uma visita à fábrica, enquanto o segundo dia serviu para os convidados da GEA Farm Technologies se familiarizarem com a imagem do MIone. Visitaram três explorações em cada uma das quais se aplica um conceito de estábulo diferente. Isso mostra a flexibilidade com que é possível ajustar um robot de ordenha às necessidades individuais e a critérios de crescimento das explorações. Algo que também comprova que o MIone representa uma inovação tecnológica de vanguarda com amplas possibilidades de utilização.x


PRODUÇÃO

ALIMENTAÇÃO

Sistema COMPLET, conceito alimentar alternativo? João Mateus, Engº Zootécnico, NANTA S.A.

jm.martins@nutreco.com

Na base deste sistema está uma alimentação de ovinos em produção, com palha e alimento concentrado granulado, ambos à discrição, sem a utlização de nenhum equipamento especifico. O segredo está no concentrado - OVICOMPLET – que é baseado num conceito nutricional, para ovinos de leite de alta produção, desenhado e investigado pela NANTA e pelo RRC (Ruminant Research Center).

As dietas de ovinos de leite na Peninsula Ibérica, baseiam-se habitualmente em fenos de diversas variedades e em pastagens, que em muitas ocasiões, são de baixa qualidade nutricional e apetência, penalizando a produção e a qualidade do leite, e por consequência, a rentabilidade das explorações. 220 200 180 160 140 120 100 80 60 40 20

550

500

Desvio de qualidade de forragens - Proteína

Feno Luzerna

Luzerna DH

Feno Aveia

Feno Erva

Feno Azevém

Silagem Erva

Silagem Milho

Desvio de qualidade de forragens - FND

450

300

40

Resultados Sistema Complet Caprino

Sistema (média)

Complet

Normal

Cabras (nº médio)

494

525

Exploração (L)

Cabra em produção (L)

250

150

O sistema COMPLET garante grande estabilidade e segurança ao rúmen dos animais, através de uma dieta de maior equilíbrio nutricional e de maior uniformidade na alimentação ao longo do dia, semanas e meses, pois está sempre disponível para o animal (à discrição) e os alimentos não sofrem grande variabilidade na sua composição, evitando assim alterações no rúmen. Este sistema permite que a alimentação seja à discrição, e com isto reduzir significativamente a mão de obra necessária na exploração para alimentar as ovelhas, que em determinadas alturas pode ter grande interesse. Já implantado em explorações de caprinos, o sistema apresenta-se com bons resultados e bem aceite pelos cerca 150 produtores que o utilizam. Foram estes dados que fizeram avançar para ensaios de campo em ovinos de leite, com diferentes raças e sistemas de produção.

Cabra presente (L)

400

350

200

Para além disso, existem situações cada vez mais frequentes no mercado de forragens, em que estas alcançam preços de venda muito elevados. Nessas alturas, será mais rentável um sistema alimentar que assegure a cobertura das necessidades nutricionais das ovelhas através dos alimentos concentrados e da palha. Porque o custo da alimentação, por litro de leite produzido, será inferior.

Feno Luzerna

Feno Aveia

Feno Erva

Feno Azevém

Silagem Erva

Silagem Milho

Ruminantes • Abril | Maio | Junho • 2012

92341 474 675

83486 463 688

Gordura (%)

5,41

5,37

Eficiência (%)

72,4

70,1

Proteína (%)

3,65

3,61


ALIMENTAÇÃO

Ensaios Realizados

• PALENCIA - Raça LACAUNE de alta produção, com efectivo de 2000 animais. Ensaio comparativo com UNIFEED durante os meses estivais. Tutelado por RRC.

PRODUÇÃO

A curva de lactação atingiu um pico de produção maior e prolongou-se por mais tempo, o que poderá estar relacionado com a capacidade de ingestão que foi cerca de 10% superior no sistema COMPLET.

• SALAMANCA - Raça ASSAF. Exploração familiar com 400 animais de alta produção (dados GESTIMILK). Ano 2010. Lote de alta produção sem dados comparativos, de animais alimentados com outro sistema de alimentação em simultâneo. Meses de verão. Tutelado por RRC.

• LEON - Raça ASSAF de alta produção, exploração de 400 animais utilizada pelo CSIC de León como exploração experimental. Dieta testemunho UNIFEED COMERCIAL (OVILAC INTEGRAL F-2500; NANTA). Primavera 2011. Tutelado por CSIC de León.

A análise dos ensaios foi realizada pelo CSIC de León. Os estudos estatísticos e a elaboração das conclusões foram realizados pelo RRC. Todos os ensaios mostraram a SEGURANÇA E ESTABILIDADE do sistema. Parâmetro

Mistura Ovi Complet

Prod. leite (g/dia)

Prod. gordura (g/dia)

130,83

0,055

247,54

274,4

0,152

N.S.

2,43

0,961

N.S.

0,074

N.S.

Prod. sólidos totais (g/dia)

397,26

450,82

85,07

83,87

Peso vivo (kg) Rumen pH

2,42 5,92

Control

3500

N.S.

113,23

143,6

127,33

CCS (cel./ml)

0,34

0,053

Prod. lactose (g/dia)

Prod. caseína (g/dia)

Signif.

2891,7

134,3

Prod. proteína (g/dia)

P

2472,2

150,1

5,88

0,05

0,098 0,721

++ ++ ++ +

N.S.

OviComplet

3000 2500 2000 1500

0

8

15 19 Produção de Leite (g/dia)

22

* P < 0.10 ** P < 0.05 31

ANÁLISE DE RESULTADOS

Nos ensaios efectuados conseguiram-se resultados zootécnicos relevantes com diferenças significativas e com interesse económico. Ao nível da produção, obteve-se cerca de 10% mais de leite produzido face ao sistema utilizado nas explorações, melhores resultados na produção de proteína do leite, e cerca de 5% mais de extracto queijeiro. Não se registaram diferenças significativas na produção de gordura, na caseína, na CCS, no Peso Vivo e no pH do rúmen. Este último dado é de realçar, pois seria onde o sistema poderia ter maior risco, e tal não se verificou.

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PRODUÇÃO

ALIMENTAÇÃO

MANEIO E CONSUMOS ESPERADOS

O granulado pode ser fornecido na tremonha, no comedouro ou em tapete de alimentação. Os animais deverão sempre ter OVICOMPLET à discrição, a não ser no final da lactação ou pela condição corporal estar elevada. Para além do granulado, deverão ter também sempre palha e água à discrição. A gama é composta por dois produtos, o OVICOMPLET e o OVICOMPLET BASIC. Este ultimo para ser utilizado em lotes de baixa produção ou no final da lactação, para prevenção de elevada condição corporal. O concentrado deverá ser introduzido no final da dieta de pré-parto, misturando 0,2kg com o concentrado de pré-parto (Inogest ou Inogest Plus). Ter sempre atenção à condição corporal, principalmente no final da lactação.

Após os ensaios feito, os consumos esperados são: PICO DE LACTAÇÃO - 1,1Kg OVICOMPLET/Litro de leite - Palha – 0.5 a 0.7Kg (valor estimado)

FINAL DE LACTAÇÃO - 0,75Kg OVICOMPLET BASIC – manutenção (70Kg PV) - 0,80Kg OVICOMPLET BASIC/Litro de leite - Palha – 0,5 a 0,7Kg (valor estimado)

Em resumo, o sistema COMPLET é recomendado para situações em que seja mais rentável que o sistema actualmente utilizado em cada uma das explorações. Este sistema permite baixar o investimento em compra, armazenamento e produção de forragens que normalmente obrigam a ter o capital “parado” muitos meses (semear, crescer, cortar, armazenar as forragens). Permite reduzir a mão-de-obra numa exploração, pois apenas há que garantir que os animais tenham concentrado e palha à discrição. Mesmo não sendo um sistema para todas as explorações, pelas razões técnicas e económicas apresentadas, torna-se interessante para o lote de animais de alta produção, pois irá sempre cobrir as necessidades nutricionais dos animais potenciando a sua capacidade leiteira. Em qualquer dos casos a equipa técnica da Nanta deverá sempre avaliar a situação antes da sua implementação.

O sistema de alimentação OVICOMPLET, mostrou-se ser muito seguro do ponto de vista ruminal e metabólico. Mostrando uma boa persistência na curva de lactação, diminuindo o balanço energético negativo do pico da lactação, e como consequência menos oscilação de peso das ovelhas ao longo da lactação. Este sistema, face ao tradicional, aumentou a produção de leite e de extracto queijeiro, o que será vantajoso também para as queijarias. x

Espanha - Doença de Schmallemberg detectada numa exploração de ovinos/caprinos na Andaluzia No dia 6 de Março de 2012, os serviços oficiais veterinários da Andaluzia puseram-se em contacto com a Subdirección General de Sanidad y Higiene Animal e Trazabilidad para comunicar a suspeita da presença do vírus de Schmallemberg (SBV) numa exploração situada em Hinojosa del Duque, Córdoba. A notificação de suspeita deveu-se à aparição de um caso de aborto ovino com malformações e lesões compatíveis com a presença do vírus de Schmallemberg. Depois desta notificação, e da implementação das normas neste tipo de situações, visita dos mé-

dicos veterinários oficiais, recolha de amostras e envio para o laboratório de referência, dia 12 de Março, o Laboratório Central de Veterinária de Algete comunicou que as amostras deram resultado positivo mediante a técnica de PCR. O MAGRAMA notificou oficialmente a detecção do foco, tanto à Comissão Europeia como à OIE (Org. Mundial de Saúde Animal). MEDIDAS ADOPTADAS Desde a data de suspeita que se implementaram as seguintes medidas, segundo o plano de contingência elaborado para estas

Valorfito apresenta resultados positivos em 2011

O Valorfito – sistema integrado de gestão de embalagens e resíduos em agricultura, recolheu e valorizou mais de 237 toneladas de resíduos de embalagens de produtos fitofarmacêuticos, na campanha de 2011. Este valor representa um crescimento de 7,4% face ao ano anterior. A esmagadora maioria destes resíduos, constituídos por matérias plásticas, foi valorizada para reciclagem. No que respeita ao número de centros de recepção com recolha, também se verificou um crescimento, em linha com o que se tem verificado em anos anteriores, situando-se actual-

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mente em mais de 650 centros. Os resultados demonstram que a estratégia seguida tem gerado resposta positiva por parte dos utilizadores finais – agricultores -, mostrando que se encontram cada vez mais sensibilizados para o cumprimento da legislação, bem como das boas práticas agrícolas e ambientais.

SOBRE O VALORFITO O sistema Valorfito surgiu em 2005 após a aprovação do licenciamento por parte da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), com o objectivo de proceder à recolha dos resíduos de

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situações: • investigação epidemiológica • censo de ovinos e caprinos presentes na exploração • visita à exploração para necropsia e recolha de amostras do animal abortado. Como medidas complementares a estas, aumentou-se a vigilância nas explorações próximas de ovinos, caprinos e bovinos. De acordo com a política actual seguida nos Estados membros já afectados e as orientações emanadas pela Comissão Europeia, não se prevê a adopção de medidas de movimentos depois da detecção da enfermidade. x

embalagens primárias de produtos fitomarcêuticos e sua gestão final, encaminhando-as para as estações de tratamento e valorização energética. O sistema permite que os produtores agrícolas possam dar o destino correcto aos resíduos dos produtos fitofarmacêuticos que geram nas suas explorações, cumprindo a legislação em vigor nesta matéria. O sistema Valorfito é gerido pela Sigeru, Lda., uma empresa participada pela Anipla – Assoc. Nac.da Indústria para a Protecção das Plantas – e pela Groquifar – Assoc. de Grossistas de Produtos Químicos e Farmacêuticos. x

»


ELE TAMBÉM

O QUER

PURO GEA Farm Technologies

Novo UVPure: Purificador de leite UVPure é um sistema único no mercado, que purifica o leite destinado à recria graças ao seu sistema de higienização por raios ultravioletas, que mantêm a qualidade nutritiva do leite: elimina 99% dos agentes patogénicos sem alterar o nivel de proteínas, vitaminas e imunoglobulinas.

O sistema UVPure consegue higienizar o leite de forma rápida e eficaz: em média demora menos 62% que o tanque pasteurizador para tratar o mesmo volume de leite e com um consumo de electricidade 92% inferior. UVPure é fácil de operar e administrar: os sistemas estão equipados para regular a temperatura de administração do leite e controlar automáticamente o tempo de higienização em função do volume de leite introduzido; os processos de acondicionamento e lavagem são completamente automáticos. Despeje o conteúdo e pronto! Leite materno 4L Gordura Proteína

g

148 132

%

3,70 3,30

Leites de substituição 4L (80g pó/L) Gordura Proteína

g

64 64

%

20 20

UVPure aproveita o leite residual impróprio para consumo humano. UVPure permite higienizar colostro mantendo o nível de imunoglobulinas acima de 95%, sendo muito mais eficaz que os pasteurizadores habituais, que apenas chegam aos 50%. Diluição 1 kg leite em pó / 7,3 litros de água Número de animais lactantes

30

Custo do leite em pó/kg

2€

Litros consumo/animal/dia Custo leite em pó/L

Total custo leite em pó/dia

Total custo leite residual/dia

4

0,24 € 28,8 € 0€

% retenção lgG após 30 minutos

95%

90%

85%

80% 75% 70% 65% 60% 55% 50%

Pasteuri. CALOR

UV Pure

O resultado da higienização do leite e colostro com UVPure tem mostrado nos Estados Unidos uma menor mortalidade e melhor peso ao desmame no periodo de recria. A quantidade de gordura e proteína contida no leite materno é mais do dobro sem contar com a qualidade, que é superior à dos leites de substituição.

A opinião do nosso cliente: “UVPure permite-nos aproveitar o leite proveniente de vacas com mamites, que anteriormente tinhamos que deitar fora; desta forma poupamos muito dinheiro em leite de substituição. Também nos dá confiança saber que seguimos o ciclo biológico de uma forma mais aproximada, já que os nossos vitelos bebem leite 100% de vaca. O inconveniente que tinha este leite é que estava muito contaminado com bactérias (as que produzem mamites), mas com o “UVPure”, reduzimos a carga bacteriana a menos de 20.000 ufc/ml. Isto foi o que nos disseram quando nós trouxemos o processador, mas nós analizamos várias amostras de leite antes e depois do processamento, e confirmámos que assim era. Desta forma, estamos confiantes que estamos a dar aos vitelos um leite de qualidade, tanto nutritivo como higiénico.” Francisco Sebastian, Veterinário de SAT More, Espanha.

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PRODUÇÃO

ALIMENTAÇÃO

O amido na alimentação dos bovinos de leite Já aqui falámos, num dos artigos anteriores, das fontes de energia necessárias para a produção de leite, assim como de alguns factores que influenciam a sua disponibilidade, principalmente a nível ruminal. Vamos debater neste artigo, mais aprofundadamente, os factores que influenciam a digestibilidade ruminal do amido.

O AMIDO COMO FONTE DE ENERGIA

Na realidade, o amido não é um nutriente requerido em termos nutricionais, nem para os animais, nem mesmo para a flora microbiana do rúmen. O que esta necessita é de uma fonte de hidratos de carbono fermentescíveis, como fonte de energia para o crescimento e síntese de proteína microbiana. Isto pode ser fornecido por diversos componentes: • Amido • Açúcares • Pectinas • Fibra digestível

O que um bovino de leite necessita realmente é de glucose. Estes conseguem obtê-la através de: • Ácido Propiónico absorvido do rúmen, pelo fígado; • Amido by-pass digerido no intestino delgado • Na realidade, energeticamente mais eficiente (não existem perdas por produção de metano, etc.) • Não promove crescimento microbiano quando digerido nos intestinos. Não serve nada mais do que glucose?

Figura 1 – Molécula de Glucose

Utilizamos o amido como fonte energética na formulação de dietas principalmente por dois motivos: • É a fonte mais barata de Energia (ENl) • É a fonte de energia principal em muitas matérias-primas

O amido é de facto, o maior “armazém” de glucanos do mundo, e é o maior constituinte dos grãos maduros (70% na Matéria Seca). É constituído por dois polímeros, a amilose e a amilopectina. Podemos considerar, em média, que um bovino de leite consegue digerir entre 85 a 99% do amido que ingere, no tracto digestivo total.

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Existem porém determinados factores que influenciam a Digestibilidade Total do mesmo, e também o local dessa mesma digestão, se a nível ruminal, se a nível intestinal. De uma forma simplificada, são 3 os factores que diminuem a digestibilidade do amido: • Fermentação do amido (e duração da fermentação) versus farinha de milho • Dimensão da partícula do grão • Características do grão - Vitreosidade

FERMENTAÇÃO DO AMIDO EM SILAGEM DE MILHO OU PASTONE VS FARINHA DE MILHO

Este factor foi já debatido num artigo anteriormente publicado nesta Revista, no entanto nunca é demais recordar. O facto da farinha de milho ser originada do grão já no seu estado final de maturação, chamado ponto negro, colhido a 14% de humidade, leva a uma matéria-prima estática, ou seja, inalterável na digestibilidade do amido. No entanto, no caso de amido proveniente de silagem de milho ou pastone, além da Digestibilidade Total poder ser diferente da farinha de milho, o local de digestão também é claramente distinto (Tabela 1). Além disso, a fermentação efecTabela 1 - Digestibilidade do amido

Farinha de milho

Ruminal

Partida

Moída

21

18

69

Pós-Ruminal

Tracto-digestivo Total

78

90 96 Impacto da moagem

Owens et al. 985

Grão com humidade Silagem ou Pastone 86 7

93

tuada na silagem de milho ou pastone, promove, com o tempo, um aumento da Digestibilidade Ruminal do amido, através da hidrólise ácida que os ácidos de fermentação promovem nas ligações existentes entre a prolamina (proteínas do grão) e os grânulos de amido, aumentando a sua disponibilidade para a flora ruminal microbiana (Figuras 2 e 3). Digestibilidade do amido às 12 horas in vitro no Dairyland Labs comparando uma amostra (congelada) de 60 dias (Inverno) com uma de 120 (Primavera)

Relatório de Digestibilidade Ruminal Se uma vaca ingere 4,54 kg de MS deste pastone, teoricamente o seu rúmen é exposto a: • 2,09 kg de amido no Inverno, aumentando para 2,59 kg na Primavera

Amostra ID Amostra Mat. seca Amido % Digestib. Ruminal do amido (12 h.) 21553 21554

spring HMSC fall HMSC

72,73

72,797

68,02 68,29

85,50 68,10

Fig.2 - Efeito da fermentação na digestibilidade ruminal do amido


100 Maior humidade aumenta a digestibilidade in situ 80

x

x 35% x

60

x

40 20

x

x x

x

24%

Pastone com 24% de humidade é um alimento "seguro" mas abdicamos da eficiência alimentar que Pastone com elevada humidade nos pode dar.

Dry Rolled

28 dias de ensilagem VS ensilagem de apenas 60 dias 28% recon - 30% higher 30% HMC - 8% higher 35% recon - 14% higher

0 0

30%

28%

56

112

168

224

280

336

Fig.3 - Alteração da digestibilidade ruminal do amido ao longo do tempo de fermentação no silo

DIMENSÃO DA PARTÍCULA DO GRÃO

A dimensão da partícula do grão influencia decisivamente a Digestibilidade Ruminal do Amido, quer sob a forma de farinha de milho, quer sob a forma de Silagem de Milho ou Pastone. Na Tabela 2 verificamos o efeito da dimensão da partícula sob a Digestibilidade Ruminal do Amido, em farinha de milho. É notório o aumento da Digestibilidade Ruminal do Amido com partículas de Tabela 2 - Efeito da dimensão da partícula na digestibilidade ruminal do amido Partido Partido pequenas partículas Moído Processado termicamente Steam Flaked

Média da dimensão da partícula (microns)

Digestibilidade Ruminal do Amido (%)

2577

53,3

4308 686

2896

44,6 64,5 75,4

menor dimensão. Na Silagem de Milho ocorre a mesma situação, sendo que a situação ideal é que pelo menos 70% de todo o grão tenha uma dimensão inferior a 4,75 mm.

CARACTERÍSTICAS DO GRÃO – VITREOSIDADE

No que respeita às características do grão, é normal classificarmos o mesmo como dentado ou soft, e flint ou vítreo. A vitreosidade de um grão é determinada pelas proteínas existentes e pelas suas ligações com outros constituintes, como o amido. As proteínas que envolvem o amido consistem em prolaminas, como as proteínas zein e outras (albuminas, globulinas, gluteínas). As prolaminas são as proteínas que envolvem o amido de

Dentado

Perdas ruminais e intestinais de amido 100

392

Período de ensilagem (dias)

Tipo de grão

PRODUÇÃO

maior interesse nutricional, porque sabemos hoje que interferem determinantemente na digestibilidade do amido. As prolaminas tendencialmente estão presentes em maior quantidade no endosperma vítreo, quando comparado com o endosperma dentado, daí a ideia que a Digestibilidade Ruminal e até Total do Amido é influenciada negativamente pela maior vitreosidade do grão. No que respeita à farinha de milho, a vitreosidade do grão influencia negativamente a Digestibilidade Ruminal do Amido,

Amido digerido %

Digestibilidade da MS in situ , %

ALIMENTAÇÃO

90 80 70 60 Moenda fina aumenta a digestibilidade do amido em maior percentagem em variedades mais vítreas do que as dentadas

50 40 30

40

50

60

70

Fig.4 - Digestibilidade do amido mediante a vitreosidade e dimensão da partícula

razão pela qual a maior parte dos nutricionistas prefere farinha de milho bem moída, de forma a garantir uma Digestibilidade elevada. Em moendas finas, a Digestibilidade Ruminal do Amido em variedades mais vítreas é bastante semelhante à de variedades mais dentadas, como demonstra a Figura 4. Na Silagem de Milho e Pastone, pelo facto de procedermos à colheita bastante mais cedo do que para colheita de grão, e também pela fermentação efectuada aquando do processo de ensilagem, assim como o correcto processamento do grão, a diferença entre variedades mais vítreas e dentadas no que respeita à Digestibilidade Ruminal do Amido é praticamente anulada, não sendo hoje em dia já, um problema importante a ter em conta.

CONCLUSÃO

Principalmente os Nutricionistas devem ter em conta 4 pontos: 4 Optimização da quantidade de amido; 4Ajuste da dieta mediante as taxas de digestão do amido; 4Monitorização constante e eficiente do processamento do grão e tamanho da partícula, na Silagem de Milho, Pastone e Farinha de Milho; 4Ajuste da Digestibilidade Ruminal do Amido consoante o tempo de fermentação no silo, para a Silagem de Milho e Pastone.

Conte com a Pioneer. Nós estamos sempre por perto. Vítreo

luis.queiros@pioneer.com

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BEM ESTAR ANIMAL

Toxémia de gestação em pequenos ruminantes Inês Ajuda, Ana Vieira, George Stilwell , AWIN – Animal Welfare Indicators Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade Técnica de Lisboa

awinportugal@gmail.com

É cada vez mais consensual que muitas doenças de animais poderiam beneficiar de uma recuperação mais rápida se o tratamento incluísse a atenuação da dor. Um dos objectivos do projecto AWIN é estudar a dor ligada às várias doenças de pequenos ruminantes e tentar perceber até que ponto o seu combate é benéfico para o animal e para a economia da exploração. No contacto com diversos produtores percebemos que ainda existem muitas dúvidas e incertezas acerca da toxémia de gestação, como tal decidimos desenvolver este tema. Mais uma vez, gostaríamos de apelar aos leitores para que sugerissem temas a abordar nestes pequenos artigos. Estamos abertos a qualquer tipo de sugestão, dúvida ou discussão, que possa auxiliar no desenvolvimento de um renovado e mais eficiente sector de produção de pequenos ruminantes. O QUE É A TOXÉMIA DE GESTAÇÃO?

A toxémia de gestação é uma doença metabólica comum nas explorações leiteiras intensivas podendo também representar um problema grave nas explorações extensivas em épocas de partos quando as pastagens são muito pobres, como por exemplo em momentos de seca prolongada. Esta é uma doença do período pré-parto (mais ou menos seis semanas antes do parto), quase sempre limitada a fêmeas com gestações gemelares, e que resulta de uma incapacidade da fêmea gerir adequadamente as suas necessidades energéticas. Os factores que conduzem a este desequilíbrio energético são diversos e tanto podem ocorrer em animais com uma condição corporal alta como naqueles demasiado magros, sendo portanto um problema de sobrenutrição ou subnutrição (Smith e Sherman, 1994).

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PORQUE É QUE OS ANIMAIS COM CONDIÇÃO CORPORAL MAIS BAIXA E MAIS ALTA SÃO OS MAIS AFECTADOS?

A toxémia de gestação é uma forma de cetose que ocorre porque a fêmea não consegue suprir as necessidades em glucose (energia) dos fetos na última fase da gestação apenas com o alimento que ingere, iniciando uma mobilização das reservas corporais através de um processo designado neoglucogénese. Esta mobilização excessiva de gordura que deveria ser metabolizada no fígado dá origem a uma lipidose ou esteatose hepática (mais comummente chamada de “fígado gordo”), tornando-se um problema grave quando os produtos dela resultantes, como os corpos cetónicos, começam a exceder a capacidade de eliminação do organismo, acumulando-se na circulação sanguínea.

PORQUE É QUE A FÊMEA DEIXA DE CONSEGUIR SUPRIR AS NECESSIDADES ENERGÉTICAS DO FETO?

Como já se referiu existem vários factores que podem impedir que as necessidades energéticas dos fetos sejam supridas apenas através do alimento consumido pela mãe:

Subnutrição – o alimento que a mãe consome não é suficiente em quantidade e/ou qualidade nutritiva. Sobrenutrição – o animal obeso acumula muita gordura abdominal (especialmente em caprinos) que leva a uma compressão dos compartimentos gástricos, reduzindo a capacidade de ingestão. Número de fetos – quanto maior o número de fetos, maior a exigência nutricional, maior o espaço ocupado e a compressão dos compartimentos gástricos, e maior é o esforço do fígado para eliminar todos produtos do metabolismo fetal. Aumento das necessidades energéticas do feto – na última fase de gestação o crescimento do feto sofre um aumento substancial (80% do crescimento ocorre nas últimas 6 semanas de gestação) o que leva também a que as suas necessidades energéticas se tornem muito maiores. Factores fisiológicos – nas espécies ovina e caprina os fetos mantêm a capacidade de transferir glucose do


BEM ESTAR ANIMAL

sangue da mãe através da placenta, mesmo quando os níveis de glicémia maternos são muito baixos. Ou seja, os fetos mantêm um elevado ritmo de crescimento independentemente das carências energéticas da mãe. O culminar de todos estes factores colocam a mãe em desequilíbrio energético levando à cetose que dá origem ao conjunto de sinais clínicos que caracterizam a toxémia de gestação.

Compressão dos compartimentos gástricos pelos fetos no final da gestação Esófago Rumen

Abomaso

Omaso Reticulo

QUAIS SÃO OS SINAIS MAIS COMUNS DE UMA FÊMEA COM TOXÉMIA DE GESTAÇÃO?

A designação “toxémia” é enganadora já que não existem propriamente toxinas em circulação. O nome provém, provavelmente, das primeiras descrições da doença já que o quadro clínico assemelha-se àquele que se encontraria numa verdadeira toxémia. Os sinais de toxémia de gestação são algo vagos e pouco específicos. Inicialmente o animal tem movimentos mais lentos, tanto a caminhar como a levantarse, isola-se, diminui a ingestão de alimento e apresenta olhos “mortiços”. Posteriormente pode surgir edema dos membros (mais comum nos membros posteriores), ranger de dentes, fraqueza generalizada e mesmo sinais neurológicos evidentes como pescoço estendido e levantado (stargazing ou “olhar as estrelas”), cegueira, perda do reflexo de ameaça (verificado aproximando a mão rapidamente do olho do animal como que ameaçando-o), nistagmus (movimentos oculares involuntários oscilatórios, rítmicos e repetitivos), ataxia (falta de coordenação dos movimentos), tremores e eventualmente coma. À medida que a acidose que acompanha a cetose piora, pode também observar-se um aumento da frequência respiratória.

COMO TRATAR A TOXÉMIA DE GESTAÇÃO?

Apesar de ser possível tratar casos de toxémia de gestação, a sua cura é morosa e por vezes frustrante. O sucesso depende muito do diagnóstico precoce e por isso é essencial uma boa e contínua observação dos animais em risco (fêmeas na fase final da gestação). Existem alguns exames, como as tiras para detecção de corpos cetónicos na urina ou no sangue, que podem confirmar o diagnóstico. No hálito de alguns animais poderá ser possível detectar um odor cetónico. Neste artigo, apenas iremos referir o maneio (alimentar e outro) dos animais doentes já que o tratamento médico será sempre da responsabilidade de um médico-veterinário. No entanto, deixamos o alerta para a provável necessidade de combater a dor e desconforto nestes animais, já que qualquer factor que reduza a vontade de comer é mais um passo para a irreversibilidade do processo. O interesse de proporcionar um maior conforto aos animais afectados por toxémia de gestação é exactamente um dos temas de investigação do nosso grupo de trabalho no projecto AWIN. O tratamento de um animal que ainda conserva algum apetite, inclui a oferta de uma forragem de qualidade altamente palatável e um concentrado altamente energético, uma vez que devido ao reduzido apetite a dieta tem de suprir as necessidades através de uma menor quantidade de alimento. Para o animal que já não come, pode ser tentada a alimentação forçada e a administração de percursores da glucose por via oral. Em certos casos poderá ser necessário provocar o parto, ou proceder a uma cesariana no intuito de salvar a mãe e crias. Para todos os casos, deverá ser proporcionado um parque com boa cama, protegido de intempéries e com fácil acesso ao alimento e água. Deve-se ainda evitar manter as fêmeas doentes em locais onde tenham de disputar a comida, seja porque existem animais mais agressivos, seja porque existe sobredensidade animal.

COMO PREVENIR A TOXÉMIA DE GESTAÇÃO?

A prevenção é sem dúvida a maneira mais económica e mais correcta de encarar esta doença. Existem várias vertentes que devem ser incluídas num programa de prevenção da toxémia de gestação:

• Nutrição e alimentação. É de extrema importância fornecer uma forragem de qualidade, principalmente na última fase da gestação, de modo a que esta possua uma elevada quantidade de nutrientes numa menor quantidade de alimento. Ao mesmo tempo deve ser fornecido um concentrado altamente energético, para que sejam satisfeitas todas as necessidades extra de uma fêmea no final da gestação. Na Tabela podemos verificar que no final da gestação os requerimentos nutricionais em alguns casos passam quase para o dobro, ao mesmo tempo que a capacidade de ingestão de alimento diminui consideravelmente. »

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BEM ESTAR ANIMAL Tabela de necessidades nutricionais da cabra leiteira sugerida pelo Committee on Animal Nutrition, National Research Council (1981)

»

Informação nutricional

TDN (Nutrientes digest. totais) (g) Energia digestível (Kcal)

Energia metabolizável (Kcal) Proteína total (g)

Proteína digerível (g) Cálcio (g)

Potássio (g)

Manutenção Requerimentos extra (cabra 70 kg) do final da gestação

682

397

3010

1740

96

82

2450

1420

66 4

2,8

57 2

1,4

Vitamina A (Unidades Intern. - UI)

1800

1100

Matéria Seca (kg) (Se 1 Kg = 2000 Kcal)

1,23

0,71

1,02

0,59

Vitamina D (UI)

Matéria Seca (kg) (Se 1 kg = 2400 Kcal)

369

213

• Exercício físico - Privilegiar o exercício das cabras gestantes pelo menos 2 a 3 horas por dia, evitando assim que estas aumentem demasiado a sua condição corporal. É também importante providenciar-lhes este exercício quando não estão gestantes, já que assim é possível manter uma condição corporal adequada mesmo no momento da cobrição. • Competição por comida - Minimizar a competição por comida, certificando-se que as cabras menos dominantes ou submissas têm acesso a toda a comida de que necessitam. Isto pode ser conseguido separando-as das mais dominantes, diminuindo a densidade, aumentando a quantidade de comida fornecida ou aumentando espaço na manjedoura. O ideal é existir comida na manjedoura durante as 24 horas do dia. • Conforto - Maximizar o conforto da cabra gestante fornecendo camas secas e altas em parques com ventilação e espaço adequado. • Maneio animal - Separação das fêmeas por número de fetos: animais com dois ou mais fetos, tal como já discutido no presente artigo, correm um maior risco de compressão dos compartimentos gástricos comprometendo a ingestão, para além do facto de que o aumento das exigências energéticas por parte dos fetos é muito maior. Deve ser dada mais atenção à alimentação destes animais, garantindo a melhor forragem e uma quantidade adequada de concentrado.

Quando surgem casos de toxémia de gestação, deve ser imediatamente revisto o programa alimentar de forma a detectar falhas precocemente. O mesmo deve ser feito quando se mudam matérias-primas, tipo de forragens, ou se percebe que há redução na qualidade das mesmas.

O BEM ESTAR ANIMAL E A TOXÉMIA DE GESTAÇÃO.

Uma das cinco liberdades já referida em artigos anteriores é: “Livre de dor, lesões e doença” sendo esta a

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principal liberdade ameaçada quando a toxémia de gestação surge. A pesquisa sobre o melhor tratamento para esta doença tem evoluído nos últimos anos e num estudo recente foi demonstrado que a utilização de fármacos anti-inflamatórios e analgésicos melhorava as hipóteses de sobrevivência (Zamir et al., 2009). Esta nova descoberta em conjunto com o grupo de sinais que acompanham esta doença, deixam a descoberto a possibilidade da dor/desconforto ter um papel preponderante no desenrolar da toxémia de gestação. Um dos objectivos do projecto AWIN é aferir exactamente que papel é esse e de que maneira o controlo da dor pode ajudar na recuperação das fêmeas gestantes com toxémia.

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MENSAGENS A NÃO ESQUECER

- A toxémia de gestação resulta de um desequilíbrio energético e surge em fêmeas nas últimas 6 semanas de gestações gemelares. Pode tanto afectar animais magros com fome, como animais obesos sobre-alimentados. - Não é possível ter como objectivo um rebanho sem um único caso de toxémia, ela estará sempre presente, mas é função do produtor tomar todas as medidas para reduzir a sua prevalência. - A prevenção passa por um programa alimentar adequado e um maneio dos animais gestantes correcto. - Uma cabra ou ovelha obesa na fase final da gestação não deve baixar de condição corporal sendo que se deve providenciar uma dieta rica em energia de modo a que ela supra as suas necessidades nutricionais e do(s) seu(s) feto(s), apesar da diminuição da capacidade de ingestão. - A prevenção é sem dúvida a solução mais benéfica, económica e amiga do bem-estar animal.

Bibliografia:

National Research Council. (1981). Nutrient requirements of goats. Washington, DC: National Academies Press Smith, M. & Sherman, D. (1994) Goat Medicine. Lea and Febiger. USA Vieira, A., Ajuda, I. & Stilwell, G. (2011). Bem-estar de ruminantes. Ruminantes, 2: 46-47. Zamir S., Rozov A. & Gootwine, E. (2009) Treatment of pregnancy toxaemia in sheep with flunixin meglumine. Vet Rec, 165: 265-6.


PRODUÇÃO

SAÚDE ANIMAL

Agalactia Contagiosa Entrevista pela Revista Ruminantes

Marco Pinto, Médico Veterinário com actividade na vetsaoluis@gmail.com

Marco Silva Pinto licenciado na Faculdade de Medicina Veterinária na Universidade Técnica de Lisboa. Exerce a sua vida profissional na zona demarcada do Queijo de Azeitão desde 2001.

AGALACTIA (também chamada agalaxia) CONTAGIOSA, é umas das enfermidades mais importantes devido ao impacto económico que pode causar em explorações de pequenos ruminantes, quer pelas perdas imediatas que provoca na produção leiteira bem como pelas perdas a médio prazo devido à alta percentagem de fibrose glandular que vai prejudicar a capacidade leiteira para o resto da vida útil do animal. É uma doença de notificação compulsória para o MAPA? A micoplasmose ovina / caprina não é considerada de declaração obrigatória nem a nível nacional nem a nível comunitário.

Afecta ovinos e caprinos? Ambos os sexos? Qual a idade do animal mais vulnerável? Ovinos e caprinos são afectados, embora nos ovinos apenas esteja normalmente presente o mycoplasma agalactiae e nos caprinos esteja presente, para além deste, também o mycoplasma capricolum. Apesar dos agentes acima descritos serem os mais prevalentes, podem ocorrer outros micoplasmas em ambas as espécies com manifestações clínicas semelhantes à agalaxia contagiosa. Ambos os sexos são atingidos, embora nos machos apenas ocorra a forma articular e ocular. Os animais podem ser contagiados em qualquer idade, embora a doença seja mais exuberante em borregas ou chibas primíparas no decurso da lactação.

Como se transmite? Qual é a forma de contágio? O contágio ocorre via digestiva (borregos a mamar), via mamária (ovelhas em lactação) ou por contacto estreito entre animais. A transmissão horizontal por con-

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tacto entre os animais, ou através da ordenha, faz com que a doença se espalhe rapidamente no rebanho. Também pode ocorrer contaminação do ambiente do ovil (aerossóis) mas essa via só é importante para outros micoplasmas que não o agalactiae.

Qual é o quadro clínico característico? Existem três tipos de sintomas que podem ou não estar presentes ao mesmo tempo no animal: Mamite com grande hipertermia do úbere e secreção láctea francamente diminuída. Na fase inicial inflamatória aguda, o leite sai coagulado numa “aguadilha” característica. Depois desta fase, pode evoluir para uma secreção aparentemente normal mas sempre com altas contagens celulares. Artrite que evolui muito desfavoravelmente, normalmente com incapacitação permanente da articulação. Conjuntivite / Queratite, muitas vezes é o primeiro sinal de alerta.

Como se faz o diagnóstico da doença? Que material clínico se utiliza para o diagnóstico laboratorial? O leite é o melhor material biológico para evidenciar o micoplasma. Também se podem utilizar zaragatoas oculares de animais com queratite.


SAÚDE ANIMAL

Que tratamentos clínicos existem? O resultado do tratamento é variável dependendo da forma e intensidade do quadro clínico. Mamite – os quadros suaves a moderados respondem bem a tetraciclinas ou espiramicinas associados a anti-inflamatórios. O quadros graves com pouco sucesso no tratamento. Artrite – fraca resposta ao tratamento. Conjuntivite / Queratite – responde muito bem à aplicação tópica de tetraciclinas em preparações oculares.

Recomenda a utilização de vacinas comerciais ou de rebanho? Porquê? Como profilaxia vacinal base recomendo as vacinas comerciais em excipiente oleoso, pois a resposta vacinal é mais segura e previsível. Em rebanhos problema em que as vacinas comerciais não conseguem diminuir o propagar da doença no rebanho, vale a pena isolar o micoplasma em questão e elaborar uma auto-vacina.

Qual é o tempo de irradicação da exploração? Que medidas prófilacticas se podem e devem adoptar para evitar a doença? Uma vez instalada a doença no rebanho nunca se consegue a erradicação completa dado que os portadores crónicos são muitas vezes assintomáticos e garantem a permanência do agente na exploração. O objectivo é atingir um patamar de estabilidade / imu-

PRODUÇÃO

nidade que permita que a percentagem de animais com lesões sub-clínicas seja tolerável. O factor determinante será evitar a introdução do agente em rebanhos indemes. Este objectivo é atingido através de quarentenas criteriosas de animais novos, acompanhada de medidas metafiláticas apropriadas. Deve também estar instituído um protocolo vacinal apropriado que preveja os agentes desta doença.

O leite do rebanho contaminado pode ser comercializado? Se sim que impacto pode ter no queijo? Desde que segregado o leite dos animais com patologia do úbere, o restante leite pode ser transformado mesmo em cru embora seja de esperar um grande aumento na descarga celular média do rebanho. Alguns produtores de queijo referem alterações do rendimento do leite em rebanhos acometidos de agalaxia mas esta alegação carece ainda de sustentação técnica.

Que influência economica tem numa exploração? No ano de entrada na exploração esta patologia pode acarretar graves perdas económicas em leite; animais refugados precocemente; e despesas de tratamento. O conjunto destes factores pode ser de tal forma gravoso que leva à inviabilização económica da exploração. Se instituídas as medidas necessárias (principalmente refugo de animais acometidos pela doença) a exploração volta a estar equilibrada em um a dois anos. x


PRODUÇÃO

SAÚDE ANIMAL

“Schmallemberg” Nova ameaça aos ruminantes José Caiado, Médico veterinário, Dairy Consulting

jose.pires.caiado@gmail.com

Em Novembro de 2011 foi identificada na Alemanha uma nova doença que rapidamente alastrou para os países vizinhos Holanda, Bélgica, o norte da França e também para o Reino Unido e a Itália. O aparecimento desta doença causou alarme e houve mesmo um investigador britânico especializado em doenças emergentes que considerou que a doença poderia vir a arruinar a industria ovina do Reino Unido tal foi a sequência de explorações de ovinos afectadas num curto espaço de tempo. Ainda que a doença não tenha sido até agora declarada em Portugal é muito possível que ela possa vir a surgir atendendo a que possui características epidemiologicas de disseminação semelhantes à da nossa infelizmente bem conhecida doença da Língua Azul. Adiante damos conta daquilo que até ao momento se conhece desta nova doença e do ponto da situação referente à possibilidade de aparecimento de uma vacina que possa proteger o nosso efectivo pecuário

A CAUSA DA DOENÇA DE SCHMALLENBERG

Sabe-se já que a doença é causada por um vírus – vírus de Schmallenberg – que recebeu o nome da cidade alemã mais próxima do local onde pela primeira vez a doença foi identificada como uma nova entidade. Foi também na Alemanha que primeiramente se isolou o vírus em laboratório e se provou a sua ligação com a nova doença. Trata-se de um tipo de vírus nunca antes encontrado na Europa e que, tal como o vírus da Língua Azul, é também disseminado por mosquitos. Terá chegado ao continente europeu no verão passado. Estudos realizados concluiram que se trata de um vírus que pertence ao mesmo grupo do chamado vírus de Akabane, en-

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contrado no Japão, Austrália e Israel, e que apenas infecta os ruminantes (bovinos, ovinos e caprinos) não infectando o ser humano. Na verdade o Centro Europeu para a Prevenção e o Controlo das Doenças disse ser improvável que o vírus causasse doença em seres humanos. Da mesma opinião é a Agência Europeia de Segurança Alimentar.

SINTOMAS E LESÕES

Até agora a doença manifestou-se através de duas formas diferentes. A primeira, observada em vacas e vitelos, caracteriza-se por febre, diminuição da produção de leite, diarreia grave e em alguns casos, abortos. A outra forma manifesta-se por deformações congénitas nas extremidades, hidrocefalia e torcicolos nos borregos recém-nascidos e muitos abortos.

PAÍSES AFECTADOS

Até agora a doença foi detectada em explorações pecuárias na Alemanha, Holanda, Bélgica, França, Reino Unido e Itália. Desde a sua detecção na Alemanha já se assistiu a ondas de abortos em ovinos em todos estes países. É curioso notar que as regiões onde esta doença apareceu no norte da Europa coincidem com as mesmas onde em 2007 apareceu a Língua Azul. A grande maioria das explorações afectadas é de ovinos e o número de exploraçoes reportadas com a doença continua a crescer. Em 7 de Fevereiro passado

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SAÚDE ANIMAL

PRODUÇÃO

havia contabilizadas 393 explorações infectadas sendo a sua larga maioria de ovinos, 368 – ainda que houvesse 15 de caprinos e 10 de bovinos.

PREVENÇÃO

Não existe para já uma vacina contra o vírus ou um qualquer tratamento específico para controlar a doença. Os investigadores que estudam o vírus já tiveram reuniões para discutir formas de prevenir esta doença. Neste momento, três laboratórios estão já a testar vacinas candidatas cuja aprovação rápida pelas Autoridades Oficiais Europeias poderá ajudar a evitar a disseminação da doença pelo resto do continente europeu, nomeadamente pelo sul da Europa. O rápido desenvolvimento de uma vacina e a sua aprovação pelas autoridades europeias é factor-chave para controlar a doença, tal como o foi em 2010 para conseguir o controlo da Doença da Língua Azul na Europa.

Para além do desenvolvimento acelerado de vacinas acima referido, o laboratório holandês de Lelystade está a desenvolver testes de anticorpos que ajudem à

identificação de animais infectados e a um rigoroso diagnóstico da doença.

Até agora as autoridades sanitárias europeias parecem ter tido uma colaboração eficaz na coordenação da resposta a esta doença, o que ajudará também no controlo da sua disseminação pelo Sul da Europa ainda imune a esta doença, caso de Portugal onde esta ainda não foi reportada. x

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PRODUÇÃO

SAÚDE ANIMAL

IBR e BVD André Pires Preto, Médico Veterinário, Serviços Técnicos MSD Saúde Animal

andre.preto@merck.com

O binómio BVD-IBR tem sido, ao longo dos anos, uma das maiores preocupações sanitárias das explorações de bovinos, quer por parte dos Médico Veterinários, quer por parte dos produtores. Estas duas patologias são reconhecidas por interagir com dois sistemas importantes dos bovinos, o reprodutivo e o respiratório, que podem reduzir a performance animal, logo o retorno económico da exploração. IMPACTO E FATORES-CHAVE

O impacto conjunto é desconhecido, no entanto, existe alguma bibliografia que avalia o impacto individual de cada um dos vírus nas explorações bovinas.

BVD – existem referências que associam perdas na ordem dos 50 a 100€ por vaca, por ano (Heuer et al, 2007; Stott et al, 2003), perdas essas associadas a diferentes interações do vírus do BVD com os bovinos de uma exploração: • Implicações reprodutivas (descritas em detalhe na caixa relativa ao Impacto do BVD na reprodução); • Imunossupressão - que pode despoletar maior predisposição para ocorrência de outras doenças (mastites, pneumonias, diarreias neonatais, etc.); • Por último, a manutenção do agente na exploração com a criação de animais PI (persistentemente infetados), que ao longo de toda a sua vida, vão excretar vírus e contaminar o ambiente. (observar Fig.1).

IBR – valores entre 17 e 42€ por animal, por ano, estão disponíveis na bibliografia (van Schaik et al, 2001; Hage, 1998; Wiseman, 1979). A afeção respiratória é dos principais sinais clínicos visíveis nos animais, sendo que por vezes é acompanhado por queratites e corrimentos lacrimais purulentos (ver figura 2). O aumento da ocorrência de pneumonias em cerca de 10%, e conse-

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BVDV IBR

quentemente o aumento do custos por pneumonias de contaminação bacteriana. Quanto à afeção do sistema reprodutivo, o BHV-1 pode provocar abortos entre 4-6 meses, ocorrendo normalmente até 100 dias após os sinais clínicos iniciais.

O fator-chave da infeção por BHV-1 (vulgo IBR) é que um animal que seja infetado tem 99% de probabilidades de ficar infetado para toda a sua vida (latência). Ou

Pré-fecundação

Gestação – ao longo da gestação, pode existir aborto devido a infeção por BVD

Vírus da diarreia vírica bovina Semelhantes: vírus da Peste Suína Clássica (Suinos); Border-disease (Ovinos)

Rinotraqueíte infeciosa bovina, lesão associada à infeção pelo BHV-1 (herpesvírus bovino tipo-1) Semelhantes: vírus do herpes labial (Humano); vírus da Doença de Aujeszky (Suínos)

seja, em períodos de imunossupressão (parto, stress extremos, alguns fármacos), poderá reativar a excreção viral.

O que é importante recordar é que a avaliação do impacto total destas duas doenças nas explorações é bastante complexa, e muitas vezes subavaliada, pois perdas de potencial genético, aumento dos custos associados a alimentação (no caso de engordas), e aumentos da ocorrência de outras

Efeito

Consequências

Baixa qualidade dos folículos

Infertilidade: Repetidoras, baixa taxa à 1ª inseminação

Mortalidade embrionária – Infeção no início da gestação (1-21 dias)

Redução de 57% na taxa de conceção (Virakul, 1988)

Ação deletéria sobre os gâmetas (óvulo e espermatozoides) Alteração das curvas padrão de estimulação hormonal

Vitelos PIs – Infeção até 120 dias de gestação Alterações congénitas – entre 100 e 210 dias Vitelos infetados no fim da gestação

Nascimento de vitelo infetado in utero, persistentemente infetado e excretor permanente de vírus – também conhecidos como PI (asseguram continuidade do vírus na exploração) Alterações no desenvolvimento dos vitelos (articulares, cerebelares, oculares) – diminuição da viabilidade dos vitelos Animais com baixa imunidade ao nascimento

Tabela 1 – Implicações da infeção por BVD no desempenho reprodutivo dos bovinos. Verificar que existe influência tanto em machos, como fêmeas.

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BOVI070IMARI12


PRODUÇÃO

SAÚDE ANIMAL

doenças, como mastites e pneumonias, e os efeitos a médio-longo prazo são dificilmente contabilizadas. Além de que devemos ter em atenção que em explorações naïf, ou seja, que nunca tiveram a circulação destes vírus, a ocorrência de surtos pode ter consequências desastrosas (exemplo disso são taxas de abortos de até 45%, relacionados com BHV-1).

DISTRIBUIÇÃO

A distribuição mundial destes dois vírus, sobrepõe-se bastante. A nível da Europa, como se pode observar na figura 3, existem países que já atingiram o nível de erradicação para o IBR e BVD, nomeadamente os países escandinavos, em conjunto com mais alguns países/regiões como Alemanha, Suíça, Áustria, Itália e França. Mas os esforços de erradicação do IBR, foram mais rápidos e efetivos, devido à sua inclusão nas antigas listagens da OIE, e existência de legislação europeia (64/432 EEC) que limitava a circulação animal de animais portadores. Dados nacionais, por Niza-Ribeiro, indicam que na região do Entre Douro e Minho, aproximadamente 35% das explorações podem ter tido contacto com um animal PI (persistentemente infetado pelo vírus do BVD). Algumas vezes, esses PI foram adquiridos, como novilhas de reposição. Um exemplo de alerta é o da Irlanda, em que se verificaram 80% de explorações positivas a anticorpos (Graham, 2011), sendo que, segundo as autoridades, apenas 6% das explorações utilizam vacina para esse agente.

Figura 1 - Dois vitelos nascidos no mesmo dia, sendo que o vitelo da esquerda é um vitelo PI. Atenção que nem todos os animais PIs são necessariamente diferenciados de animais saudáveis, dependendo fatores como maneio, estirpe viral, entre outros (S. Alenius).

CONTROLO

nar a suas consequências negativas e aumento de animais afetados. Neste caso específico, controlo de BVD e IBR, atuar sobre os dois pontos-chave das doenças, presença/formação de PI e existência de animais infetados latentemente para toda a vida, respetivamente. 4. Monitorizar adequadamente o estatuto sanitário da exploração.

O controlo de qualquer doença infectocontagiosa numa exploração deve basearse em vários princípios fundamentais: 1. Conhecimento da doença: Qual a importância económica da doença nas explorações bovinas, tanto de carne, como de leite? Qual a probabilidade de entrada do agente na exploração? 2. Avaliação do estatuto da exploração: Existe ou não circulação viral? Está a impactar negativamente a exploração? 3. Ferramentas de controlo: Para o caso de não existir na exploração, como prevenir a sua introdução. Se está presente, como prevenir/elimi-

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Figura 2 – Sinais clínicos de infeção por BHV-1. Verificar espessamento/crostas na região nasal, opacidade do olho (bilateral) e corrimento lacrimal seropurulento. (agradecimentos ao colega José Mira). Livre, não-UE

Livre, membro UE

Parcialmente livre (Blozano)

Erradicação compulsiva (Nac.)

Erradicação/ legislação local Sem programa nacional, programas regionais/privados Sem programa nacional, nem regional

Figura 3 – Situação do controlo da infeção por BHV-1 (IBR) a nível europeu. Em Portugal, existem dois programas de controlo de IBR, um privado (Segalab) e outro financiado a nível regional (R.A. Açores).

Alguns comentários em relação ao estabelecimento de um plano de controlo/erradicação:

• Medidas de Biossegurança A densidade de explorações nalgumas zonas do país é extremamente elevada,

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além de que algumas instalações não estão suficientemente adaptadas para medidas de biossegurança, como: 1. Controlo de entradas, pessoas e veículos (ex: camião de recolha de leite, ou da recolha de cadáveres); 2. Instalações de recria afastadas dos animais em gestação – caso exista o nascimento de um animal PI, este pode facilmente entrar em contacto com uma vaca em gestação, e potencialmente desenvolver um novo PI (continuidade do vírus na exploração) – dificuldade acrescida para explorações de carne, em que o vitelo PI convive com a sua mãe e com outras vacas, que possam estar num período suscetível à formação de novos PIs;


SAÚDE ANIMAL

3. Instalações de quarentena – quer para animais de compra, quer para animais que foram a exposições/concursos/feiras de gado; No entanto estas supostas falhas podem ser colmatadas com a implementação de algumas destas medidas: 4. Controlar todas as aquisições de animais (incluindo fetos), com testes serológicos à entrada e, se possível, certificados de origem; 5. Controlar as aquisições de sémen e de embriões; 6. Caso levem animais a feiras devem fazer uso de um programa profilático adaptado à realidade da exploração e específico para o controlo dos pontos-chave (no caso específico do BVD, impedir que possa existir infeção do feto); 7. Implementar medidas de higiene adequadas (mudas de roupa entre visitas a explorações) e planos de desinsectização, pois as moscas picadoras podem ser vetores de várias patologias (entre as quais o BVD).

• Redução/eliminação da presença do agente: A redução da presença do BVD numa exploração deve assentar na identificação e eliminação dos animais PIs, pois a sua presença é uma fonte contínua de multiplicação e excreção viral. Tal como um risco continuado de possibilidade de vacas gestantes estarem em contacto com o vírus, logo formação de novos PIs. No caso do IBR, a existência de animais latentes, que podem entrar em períodos de reativação e aumentar a excreção de vírus na exploração, devemos ter precaução com a existência de animais que podem estar negativos ao teste de anticorpos, mas serem animais portadores, tal como acontece com o herpes labial humano, podemos ser portadores e sermos seronegativos aos testes. Em situações de stress, “dispara” a excreção. O diagnóstico para estes dois agentes pode fazer-se de vários modos (serologias, PCRs) e sobre várias amostras (sangue, leite de tanque, zaragatoas nasais), sendo que deve fazer-se um esquema de sanidade ativa e monitorização da evolução da (não) circulação do agente. Assim que exista identificação de um animal positivo (PI de BVD ou de um portador de IBR), este deve ter como destino o sacrifício, no entanto, nem sempre acontece. No caso de ser um produtor que cumpra os pontos 3 e 4 das medidas de biossegurança, este animal não irá entrar na sua exploração. Quando compramos animais, não os compramos apenas fisicamente, mas também as

PRODUÇÃO

Plano de controlo e erradicação - BVD Impedir a entrada do BVD Biossegurança: • Nas entradas • Exposições/feiras • Quarentena • Monitorização

Reduzir a sensibilidade dos animais ao BVD Medidas preventivas: • Bem-estar • Nutrição • Vacinação (protecção fetal)

Eliminar o BVD Eliminação do BVD: • Higiene • Identificação de animais PI • Eliminação dos PIs

Figura 4 – Exemplo de esquema de controlo do BVD na exploração. Tendo em conta que teremos que controlar o fator-chave (animais Persistentemente Infetados). No caso do IBR, seria prevenir a ocorrência de surtos, e prevenir novas infeções, por redução da carga infeciosa na exploração, com recurso a vacinação (incluindo jovens) e possível eliminação de animais positivos.

doenças das quais são portadores. Exemplos que os produtores de bovinos de leite, conhecem do passado, com mastites subclínicas por S. aureus, e que os produtores de bovinos de carne devem estar alerta. Especialmente devido à recente vaga de importação de animais, que tendo o exemplo da Irlanda com 80% de explorações positivas a IBR, pode aumentar o perfil de risco da exploração. No entanto, não é a importação o risco principal, mas sim a existência nas explorações um baixo nível de controlo sanitário frente a doenças produtivas, consideradas "não oficiais".

• Redução da sensibilidade ao agente: Um plano de controlo terá que partir do pressuposto de fornecer ferramentas aos animais, para que estes consigam “fazer frente” aos agentes. Neste ponto podemos incluir uma boa alimentação, bem-estar animal (condições de estabulação, densidade animal adequada, etc.), mas também auxiliar na resposta dos animais antes e depois da infeção, nomeadamente a vacinação. BVD - A vacinação dos animais, para BVD, faz-se há muito, sendo que existem a nível mundial cerca de 160 vacinas registadas para este efeito (sendo que não estão todas disponíveis em Portugal). Contudo nem todas partem do pressuposto essencial que é a proteção fetal, impedindo a infeção do vitelo no útero materno, e que este não irá excretar vírus para o exterior para toda a sua vida. É o que se chama a “chave do jogo”. É pois por essa diferença que, apenas a partir do momento que se começaram a utilizar vacinas que conferem proteção fetal, passou a existir uma redução significativa de novos animais infetados (incidência) e da circulação de vírus nas explorações (prevalência)

(Wolfgang Klee, 2010 - comunicação oral). Neste momento, apenas existe em Portugal uma vacina que pode quebrar o ciclo de permanência do agente na exploração. IBR – O uso de vacinas marcadas, que possibilitam a diferenciação de animais infetados de animais vacinados, proporcionam a monitorização do estatuto real da exploração. Contudo existem outras características que devem ser avaliadas, em conjunto com o Médico Veterinário, no sentido de controlar e reduzir expressão clínica, a possibilidade de reativação e a ocorrência de surtos (uso de vacinas vivas vs. vacinas inactivadas). Caso se pretenda entrar num plano de erradicação, a estratégia terá que estar finamente delineada com o seu Médico Veterinário e com o laboratório de diagnóstico, e se for possível com todo o sector. Um esquema de erradicação/controlo poderá passar por várias opções, que devem ser avaliadas, quer do ponto de vista dos resultados, quer do ponto de vista financeiro, mas acima de tudo do ponto de vista de eficiência produtiva da exploração em causa. Em síntese, estas duas doenças são de uma importância extrema na produção de bovinos. Produzem perdas de eficácia reprodutiva e financeira das explorações, tanto a nível mundial, como a nível nacional. Existem 3 medidas gerais a tomar – biossegurança, prevenção e eliminação da doença, sendo que existem várias ferramentas diferenciadas, nomeadamente diagnóstico da doença nas explorações, bem como possibilidades de execução de um plano de controlo/erradicação, normalmente incluindo medidas de profilaxia vacinal. O melhor contacto para avaliar e o ajudar a tomar a melhor decisão é o seu Médico Veterinário. x Nota: Bibliografia disponível para consulta.

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PRODUÇÃO

SAÚDE ANIMAL

Pontuação da Locomoção Adaptação: Jerónimo Pinto, Eurocereal S.A. A pontuação da locomoção (locomotion scoring) é um sistema que é generalizadamente utilizado para identificar e quantificar a incidência dos problemas de coxeiras em explorações de bovinos.

Utilizando uma escala de 5 pontos para indicar a severidade das coxeiras nos bovinos, a pontuação da locomoção é baseada na observação dos animais, parados e em andamento, dando especial atenção à curvatura da linha dorsal do animal.

Trata-se de um sistema muito intuitivo e fácil de aprender e de implementar. É muito eficaz na detecção precoce de problemas de patas e é muito útil para monitorizar cada animal individualmente e globalmente todo o efectivo quanto à incidência e severidade desses problemas. A observação dos animais deve ser feita em superfície nivelada e plana. A pontuação da locomoção é feita com base no arqueamento da linha dorsal dos animais, parados e em andamento, conforme o guia de referência no poster anexo: Pontuação

Descrição

1

normal

2 3 4 5

58

coxeira ligeira

coxeira moderada coxeira

coxeira severa

Linha dorsal parada

Linha dorsal em andamento

Coxeira

direita

não

direita

arqueada

não

arqueada

arqueada

s/n

arqueada

arqueada

sim

arqueada

arqueada

sim

direita

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Trabalhos de investigação indicam significativas perdas em vacas leiteiras com o agravamento da sua pontuação da locomoção: Pontuação da Locomoção

% redução vs pontuação #1

Ingestão MS

Produção Leiteira

3

5

2

1

4

7

3

0

17

36

16

5

Pontuação da Locomoção

% vacas

2

22%

1 3 4 5

Fonte: P.H.Robinson, University of California

62% 8% 7% 1%

Com um efectivo sem grandes problemas de coxeiras (apenas 8% das vacas com pontuações 4-5), numa exploração leiteira com 200 vacas foram contabilizadas perdas em produção de leite superiores a 12.000 €/ano.

Além de perdas em produção, animais que tenham pontuações de locomoção entre 3 e 5 têm 8 vezes maior probabilidade de refugo antecipado e 15 vezes mais problemas de fertilidade.

Assim, é importante que os animais com pontuação de locomoção acima de 3 inclusive sejam observados e tratados logo que possível. x


PONTUAÇÃO DA LOCOMOÇÃO PONTUAÇÃO DA LOCOMOÇÃO Descrição Clínica: NORMAL Descrição: Animal pára e caminha normalmente. Animal Parado: linha dorsal direita

Animal a Andar: linha dorsal direita

Animal Parado: linha dorsal direita

Animal a Andar: linha dorsal arqueada

Animal Parado: linha dorsal arqueada

Animal a Andar: linha dorsal arqueada

Animal Parado: linha dorsal arqueada

Animal a Andar: linha dorsal arqueada

Animal Parado: linha dorsal arqueada

Animal a Andar: linha dorsal arqueada

PONTUAÇÃO DA LOCOMOÇÃO Descrição Clínica: COXEIRA LIGEIRA

Descrição: Animal pára com a linha dorsal direita, mas arqueia-a ligeiramente quando caminha. O passo é anormal.

PONTUAÇÃO DA LOCOMOÇÃO Descrição Clínica: COXEIRA MODERADA

Descrição: Animal pára e caminha arqueando a linha dorsal. Passadas curtas com uma ou mais patas.

PONTUAÇÃO DA LOCOMOÇÃO Descrição Clínica: COXEIRA

Descrição: Animal pára e caminha arqueando a linha dorsal. Protege uma ou mais patas.

PONTUAÇÃO DA LOCOMOÇÃO Descrição Clínica: COXEIRA SEVERA

Descrição: Animal pára e caminha arqueando a linha dorsal e tem grandes dificuldades em apoiar-se em uma ou mais patas.

Adaptado de Sprecher, D.J.; Hostetler, D.E.; Kaneene, J.B. 1997. Theriogenology 47:1178-1187 e contribuição de Cook, N.B., Universidade de Wisconsin.

EUROCEREAL, S.A. | Estrada da Avessada, 2665-290 Malveira Tel. 219 668 650 | Fax. 219 668 651 | E-mail: eurocereal@eurocereal.pt

PERFORMANCE MINERALS ®


EQUIPAMENTOS

Novidades de equipamento SENSORES DE MEDIÇÃO DA TEMPERATURA DA SILAGEM

JOHN DEERE HARVESTLAB, UM LABORATÓRIO EM CAMPO

O especialista dinamarquês em sensores de biomassa, desenvolveu um dispositivo de avaliação da qualidade da silagem através da medição da temperatura do silo. Com um tamanho pouco maior que uma bola de ténis, cada sensor formado por materiais compósitos é distribuído pela camada superior da silagem (15 cm de profundidade), de acordo com um espaçamento de 3 a 4 metros. Trinta sensores cobrem cerca de 500 m2 de silo. Cada um deles analisa a evolução da temperatura da zona do silo em que se situa, informações baseadas na localização que são transmitidas por radiofrequências a uma caixa instalada nas proximidades. Esta última envia a informação a um servidor Internet pelo qual o agricultor acede à cartografia do seu silo de silagem. As indicações permitirlhe-ão estimar a qualidade da conservação da ensilagem. Os sensores são suficientemente resistentes para passar dentro de um misturador e são posteriormente recuperados nas manjedouras. A sua dimensão evita qualquer risco de ingestão pelas vacas.

O HarvestLab da John Deere permite a detecção precisa de substâncias contidas em produtos de forragem picada, frescos e ensilados. Consiste num sensor móvel, que pode ser utilizado para a medição tanto na picadora de campo como de maneira independente, capaz de proporcionar os resultados de medição em questão de segundos situado na boca de descarga da picadora de forragem automotriz John Deere, tem como função recolher automaticamente milhares de amostras da cultura para determinar, de forma representativa e precisa, o conteúdo de matéria seca da mesma enquanto está a colher. As informações relativas à colheita, tais como o conteúdo de humidade, o rendimento, os dados de passagem do material e o rendimento da cultura por parcela, hectare ou reboque são apresentadas no monitor GreenStar 2600, localizado na cabina da máquina. Estes dados podem ser impressos (para o seu registo ou para informação dos clientes) com a impressora a bordo opcional, permitindo dispor ao agricultor, instantaneamente, de um documento que reflecte o trabalho realizado.

www.senssilage.info

GESTÃO DA RAÇÃO NO SMARTPHONE

O construtor alemão BVL propõe um sistema de gestão da ração base através da utilização de um smartphone. O Dairy Feeder TMR Pilot combina um gestor de software de rebanhos (efectivos) instalado num PC do escritório, uma aplicação para o smart-phone e um processo de comunicação sem fios

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www.johndeere.com

sobre o misturador. O smartphone torna-se o interface de gestão da ração que pode controlar a misturadora num raio de 100 metros por ligação bluetooth. Um portal na internet também permite fazer o download de dados úteis para calcular as rações. www.bvl-group.de


EQUIPAMENTOS

LACTIVATOR REALTIME: NOVO SISTEMA DE DETECÇÃO DO CIO

A empresa Nedap Agri lançou um novo sistema de detecção do cio denominado Lactivator RealTime. A particularidade deste sistema consiste em fornecer informação actualizada sobre o melhor momento de inseminação de uma vaca, em qualquer altura e em qualquer lugar. Os cios podem agora ser monitorizados em qualquer local da exploração, 24 horas por dia e 7 dias por semana, uma vez que este novo sistema consegue detectar o cio a grandes distâncias, até 50 metros da antena. Como resultado, conseguem-se melhores parâmetros de fertilidade. Em suma, com o Lactivator RealTime os criadores conseguem atingir intervalos entre partos, mais curtos, menores custos de inseminação e mais vitelos. A monitorização a grandes distâncias oferece uma vantagem adicional para os criadores de gado leiteiro que utilizam robôs de ordenha. Agora, já não estão dependentes das alturas em que as vacas visitam o robô de ordenha. O Lactivator RealTime também ajuda os criadores que pretendem acompanhar os animais mais jovens noutros edifícios da exploração. Também inclui a função de conectividade móvel, permitindo a sua utilização com dispositivos como smartphones e tablets. www.nedap-agri.com

FENDT APRESENTA CARREGADOR INTELIGENTE

NEW HOLLAND T5: O TRACTOR IDEAL NA PECUÁRIA

A série T5 apresenta uma nova cabina VisionView™, mais ergonómica e um tecto de abrir transparente que assegura uma visibilidade perfeita do carregador em todas as condições operacionais. Toda a gama está equipada com novos motores F5C Common Rail turbo de 3,4 litros FPT, com tecnologia de Recirculação de Gases de Escape Refrigerada para conformidade com as normas Tier 4A e reserva de binário melhorada em 51%. É possível ajustar de forma simples e rápida três configurações de agressividade num PowerShuttle montado na coluna ergonómica, consoante a actividade a desempenhar. O sistema hidráulico foi redesenhado, e proporciona um excelente desempenho no segmento de até 127 litros/ minuto de fluxo combinado. A bomba da direcção debita um máximo de 43 litros/minuto, permitindo assegurar que a direcção permaneça ultra- leve, mesmo durante trabalhos intensivos com carregador. A gama T5 foi concebida a pensar em carregadores, e é totalmente compatível com o carregador 700TL da New Holland equipado de fábrica. A capacidade máxima de elevação melhorada para 1850 kg, quando associada ao fluxo hidráulico máximo de até 80 litros/minuto, assegura ciclos rápidos para uma maior produtividade. O engate frontal modular semi-integrado e TDF opcional são ideiais para aplicações de palha e forragem com gadanheiras montadas na dianteira, com uma capacidade de elevação de 1840 kg. Modelo

Potência máx. (cv)

Binário máx. (Nm)

Aumento binário (%)

T5.105

107

444

49%

T5.95

T5.115

99

114

407 461

51% 44%

O carregador Cargo Pro da Fendt distingue-se por possuir um sistema de pesagem integrado. É possível contabilizar as cargas à unidade ou na totalidade. O utilizador também pode carregar uma carga predeterminada ou documentar a carga efectuada. Um modo de sacudimento permite despegar os materiais pegajosos do balde. A suspensão do carregador é activada automaticamente em função da velocidade de deslocação. Para além disto, um dispositivo amortecedor evita eventuais transbordos. Outros sensores, dissimulados no braço permitem todas as novas funções. Os parâmetros são controláveis a partir da cabina do tractor. www.fendt.com

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EQUIPAMENTOS

2012 será um bom ano para o mercado europeu de máquinas agrícolas Durante a FIMA, teve lugar a segunda edição da conferência MedWinds, organizada pela ANSEMAT (associação espanhola de maquinaria agropecuaria, florestal e de espacios verdes) e pela Feira de Saragoça. Neste encontro, participaram os executivos das principais empresas multinacionais fabricantes de máquinas e equipamentos agricolas, que apresentaram as suas ideias sobre a situação presente e futura do negócio. A primeira intervenção coube a Gilles Dryancour, presidente do CEMA (associação europeia de fabricantes de maquinaria agrícola), que prevê que o ano de 2012 vai continuar a mostrar-se favorável para o mercado europeu de equipamentos agrícolas, devido ao crescimento da população mundial e ao consequente aumento da procura de alimentos. Gerd Wiesendorfer, analista da VDMA (associação alemã de máquinas agrícolas), partilha esta opinião. Não obstante, realça a tendência de comportamento oposta do mercado de máquinas agrícolas dos países do norte da UE, relativamente à maioria dos países do sul, bem como o forte potencial do mercado da Europa central, encabeçados pela Polónia e a Roménia. Concretamente para o mercado de tractores, as estimativas mais

recentes da VDMA mostram uma forte liderança da França e da Alemanha, que cresceu em 2011 em ambos os países após a quebra generalizada em 2009 e 2010 motivada pela crise na economia. Na Europa do Sul, o acesso ao financiamento continua a constituir um obstáculo ao crescimento do mercado e para os fabricantes. O fabrico global de máquinas agrícolas, por seu lado, atingiu o valor recorde de 83 biliões de euros em 2011, valor que deverá manter-se também este ano, de acordo com estimativas da VDMA (gráfico 1). Com efeito, as expectativas de crescimento da indústria europeia de máquinas agrícolas são comuns a todos os sectores, como se pode observar no gráfico 2.

A fechar a conferência, numa mesa redonda participada por executivos do CEMA, AGCO, Claas, Kuhn, New Holland e Same Deutz-Fahr, foram discutidos alguns dos problemas que afectam a economia agrícola e a mecanização da zona mediterrânica. A seca e a gestão da água foram destacados como factores importantes, a par com algumas questões legislativas relacionadas com a mecanização que afetam a competitividade das empresas. x

Gráfico 1 - Produção de máquinas agrícolas estabelece novos recordes em 2011

Gráfico 2 - Expectativas de crescimento dominam todos os sectores da indústria europeia de maquinaria agrícola

Desenvolvimento da produção mundial entre EUR e USD

O que esperamos do nosso volume de negócios nos próximos 6 meses:

EUR

USD

120

60

80

77

53

71

69

16%

92

88

66

83

69

21%

33% 38%

40

42%

20%

0

0% 2007

67%

67%

Equipamento agropecuária

Componentes

20%

47%

20

2006

33%

36%

40%

2005

33%

37%

55 60%

62

crescer

16%

100% 80%

63

61

permanecem inalteradas

120%

100

80

diminuir

108

108

105

2008

2009

2010

2011e

Ruminantes • Abril | Maio | Junho • 2012

2012e

Total Indústria

Equip. mobilização de solos

48%

Equip. colheita e tractores

47%

Equip. municipais jardins/relvados


FEIRAS

Não deixe de visitar... 30 DE ABRIL A 4 DE MAIO

Agrishow Ribeirão Preto - Brasil

O bom momento da agricultura brasileira já está a garantir um aumento nos números e atracções da AGRISHOW 2012. Os expositores subiram de 755, na edição anterior para 780, neste ano, o que representou um crescimento de cerca de 11% na área de exposição. Entre as áreas que mais cresceram, destaque para agricultura de precisão. De acordo com o director do evento, José Danghesi, a AGRISHOW deste ano deve movimentar ainda mais negócios que a edição anterior. www.agrishow.com.br

23 A 24 DE MAIO

Salon de l’erbe Le Creusot - França

O Salon de l’herbe acontece em 40 hectares de demonstrações, onde os visitantes podem assistir a demonstrações dinâmicas dos equipamentos, observar lotes de ensaio, “colecções” forrageiras, etc. Esta grande feira ao ar livre privilegia a divulgação de informação “ao vivo” que permite ser usada directamente pelo criador. Este evento reúne especialistas nacionais, fornecedores e organismos oficiais ligados a esta cultura. www.salonherbe.com

2 A 10 DE JUNHO

Feira Nacional da Agricultura Santarém - Portugal

Nesta edição da Feira de Santarém, será dado destaque à vertente da promoção do consumo de produtos portugueses. Distribuídas por várias zonas, destacam-se também as áreas dedicadas à exposição e venda de maquinaria e de equipamentos agrícolas, de outros produtos e serviços para a agricultura e sectores afins, exposições e concursos de pecuária. www.cnema.pt

27 A 30 DE JULHO

La Foire de Libramont Libramont – Bélgica

A Feira agricola, florestal e agro-alimentar de Libramont é uma enorme exposição ao ar livre que acolhe cada ano cerca de 200.000 visitantes e 1500 expositores. A feira de Libramont apresenta um panorama excepcional da ruralidade, abordando os seus numerosos aspectos: a mecanização, a pecuária, a floresta, a agro-alimentação, a horticultura, ou ainda a investigação, a educação e a cultura. www.foiredelibramont.be

Feira Anual da Trofa, ponto de encontro do sector agro-pecuário

Ultrapassando a fasquia dos 100 mil visitantes, realizou-se entre os dias 2 e 4 de Março mais uma edição da Feira da Trofa. Este certame, promovido pela Junta de Freguesia de S. Martinho de Bougado contou com o apoio da Câmara Municipal da Trofa de forma a promover esta área agropecuária existente no concelho bem como em toda a zona norte. A feira teve a sua primeira edição em 1946, é considerada actualmente como uma das mais importantes do sector. Tosquia do (garrote) animal para realçar mais ainda a beleza, já de si natural.

Stand da Invivo NSA.

Tem vindo a registar um crescimento sustentável nestes últimos anos, quer no aumento de visitantes quer no de expositores.

Como já é tradição, a Feira Anual da Trofa reuniu o que de melhor o concelho tem para oferecer a nível da agropecuária. Assim, decorreu o 10º Concurso da raça Holstein Frísia da Trofa, o 4º Concurso de Preparadores e Manejadores da Raça Holstein Frísia, e os Concursos Pecuários das Raças Minhota, Arouquesa e Barrosã.

Simultaneamente, e ganhando grande destaque e importância de ano para ano, a festa equestre não foi esquecida nesta 66ª edição da Feira Anual, tendo decorrido Concursos de Modelo e Andamentos, Cavalhadas, Atrelagem, Horse Papel, Garraiada, Desfile da Confraria do Cavalo, Gala da Confraria do Cavalo e provas a contar para o campeonato regional do Norte de Equitação de trabalho – prova de ensino, prova de maneabilidade e prova de velocidade. x

António Santana e Manuel Ferreira.

Stand da Monsanto.

Pedro Torres e João Lobo.

Carlos Martinho.

Ruminantes • Abril | Maio | Junho • 2012

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CONHEÇA A LEI

Servidão de Passagem: Prédios dominantes e prédios servientes Drª Ana Vilela, Advogada

www.fladvoga.com

Seguramente, já terão ouvido falar na expressão: «Servidão de Passagem». Trata-se, como a própria palavra «servidão» indica, de um encargo de natureza excepcional, que é imposto num prédio, dito serviente, em proveito exclusivo de outro, dito dominante. A servidão de passagem é um dos tipos de servidões prediais já que para além dela existem outras como sejam a servidão de presa, de aqueduto e de escoamento. Na prática, porém, a «servidão de passagem» acaba por ter maior destaque quer pela sua frequência prática quer ainda pela sua importância económica. Importa, todavia, saber exactamente do que se trata, a que situações se aplica, como se constitui e como se extingue.

Pois bem, a servidão de passagem existe quando nos deparamos com um prédio encravado, isto é, um prédio que não tem comunicação com a via pública (entendida esta como uma estrada, um caminho, uma rua, uma travessa ou uma praça pública) ou que não tem condições que permitam estabelecê-la sem excessivo incómodo ou dispêndio.

No primeiro caso, ou seja, quando o prédio não tem efectivamente acesso directo à via pública, fala-se em encrave absoluto. No segundo caso, fala-se em encrave relativo, pois, em abstracto, o prédio até poderá ter comunicação com via pública, contudo, ou essa comunicação revela-se insuficiente para as suas necessidades normais ou só poderá ser assegurada através de obras cujo custo seria manifestamente desproporcionado às vantagens

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que o prédio oferece. Em qualquer destes cenários, de encrave absoluto ou relativo, a lei confere ao dono do prédio encravado a faculdade de constituir uma servidão sobre determinado prédio vizinho, independentemente da vontade do dono deste. E, se para alcançar a via pública, for necessário atravessar dois ou mais prédios, sobre todos eles recairá a servidão legal de passagem.

Há, todavia, que ter conta que «a passagem deve ser concedida através do prédio ou prédios que sofram menor prejuízo, e pelo modo e lugar menos inconvenientes para os prédios onerados.» Estamos, pois, perante verdadeiras restrições de vizinhança motivadas por interesses particulares. Note-se que, se o encrave, absoluto ou relativo, for voluntário, ou seja, for provocado, sem justo motivo, pelo proprietário, estas servidões só poderão ser constituídas mediante o pagamento de uma indemnização agravada.

Mas como se constituem estas servidões?

Para além de poderem ser impostas por decisão judicial ou administrativa, estas servidões podem ser constituídas voluntariamente por contrato, testamento, usucapião ou destinação do pai de família.

Ruminantes • Abril | Maio | Junho • 2012

No caso da constituição por contrato o que sucede é que o proprietário do prédio encravado negoceia directamente a passagem com o proprietário do prédio por onde ela irá ser exercida, podendo as partes estipular ou não um preço. A especificidade da constituição da servidão de passagem por contrato reside no facto de o contrato ter que ser formalizado por escritura pública ou por documento particular autenticado, fruto de incidir sobre um bem imóvel.

A servidão de passagem poderá também nascer de um testamento, nomeadamente quando o testador a constitui sobre um prédio que pertence à respectiva herança, seja ela a favor de prédio de terceiro, seja a favor de prédio por ele deixado a terceiro.

Já as servidões que se constituem por usucapião ou por destinação do pai de família, que, na prática, são as mais frequentes, levantam alguns problemas. As servidões constituem-se por usucapião quando, durante um determinado período, que pode variar entre 15 ou 20 anos, alguém atravessou o prédio vizinho, que confronta com a via pública, à vista de toda a gente, sem oposição de quem quer que fosse, de forma contínua, constituindo a única forma de acesso à via pública, e isto sem que exista qualquer negócio entre o proprietário do prédio dito dominante e o proprietário do prédio dito serviente.

E constituem-se por destinação do pai de família quando entre dois prédios per-


CONHEÇA A LEI

tencentes à mesma pessoa existe já uma relação de serventia e, posteriormente, um desses prédios (o encravado) passa a pertencer a outra pessoa (fruto de uma partilha, de uma doação etc…). Mas, num caso ou noutro, as servidões têm que se revelar por «sinais visíveis ou permanentes.».

Com efeito, não se revelando por sinais visíveis ou permanentes, as servidões de passagem não se poderão constituir por usucapião ou por destinação do pai de família.

E o que são estes sinais visíveis ou permanentes?

São sinais materiais visíveis e permanentes perceptíveis à vista de qualquer pessoa que passe no local onde se encontra a servidão de passagem.

Tal sucederá, por exemplo, quando se torna visível no prédio serviente (aquele que se atravessa para se ter acesso a caminho público) a existência de um caminho, uma passagem, marcada pelo constante pisoteio de rodados de veículos, sendo que, se essas marcas de rodados existirem há mais de 20 anos poderá dizer-se que se constituiu uma servidão de passagem por usucapião.

Se não se formarem estes sinais visíveis e permanentes, como sucederá no caso do proprietário do prédio encravado atravessar o prédio serviente ora por um local ora através de outro local, não deixando sinais materiais dessa passagem em nenhum dos locais que atravessa, por mais anos que passem, não se constituirá qualquer servidão de passagem por usucapião ou destinação do pai de família.

Em suma, os sinais visíveis e permanentes reveladores da servidão devem, só por si, de forma inequívoca, quer para os donos dos prédios envolvidos, quer para terceiros, sem margem para quaisquer dúvidas, denunciar essa relação de servidão entre os prédios, por forma a que, contemplando-os, outra não possa ser a conclusão de que um dos prédios “presta” um serviço ao outro.

E como se extinguem as servidões de passagem?

A lei enumera várias causas extintivas, designadamente, a reunião dos dois prédios, serviente e dominante, no domínio da mesma pessoa, o não uso da servidão durante vinte anos, qualquer que seja o motivo desse não uso, a aquisição, por usucapião, da liberdade do prédio, pela renúncia ou ainda pelo decurso do prazo, se as servidões tiverem sido constituídas temporariamente.

Quanto às servidões constituídas por usucapião para além de se poderem extinguir pela aquisição da liberdade do prédio, o que implica que haja, por parte

do proprietário do prédio serviente, oposição ao exercício da servidão, poderão igualmente ser declaradas extintas pelo tribunal, a requerimento do proprietário do prédio serviente, se se mostrarem desnecessárias ao prédio dominante. Acresce que, os proprietários de quintas muradas, quintais, jardins ou terreiros adjacentes a prédios urbanos podem sempre subtrair-se ao encargo de ceder passagem, adquirindo o prédio encravado pelo seu justo valor sendo que, inexistindo acordo quanto a este “justo valor”, o preço será fixado pelos Tribunais. E, se forem dois ou mais os proprietários interessados, abrir-se-á licitação entre eles, revertendo o excesso para o vendedor. De assinalar, como nota final, é ainda o direito de preferência do proprietário onerado com a servidão de passagem (prédio serviente) na venda do prédio dito dominante. x

Ruminantes • Abril | Maio | Junho • 2012

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SEGURANÇA Entre as muitas normas de segurança que exige a utilização de um carregador frontal, que recomendamos que os utilizadores leiam com cuidado os manuais das respectivas máquinas, deixamos aqui algumas normas relevantes:

• ANTES DO TRABALHO • EM ESTRADA • EM TRABALHO • APÓS O TRABALHO

FOTOS: N. MARQUES A. BOTELHO

O USO DO CARREGADOR FRONTAL Procedimentos de segurança: ANTES DO TRABALHO Não utilize o carregador frontal para operações de elevação que requeiram a presença de pessoas junto da carga elevada. Prenda os pedais de travão, um ao outro. Nunca os utilize separados se um carregador frontal estiver montado. Assegure-se que todos os elementos hidráulicos – especialmente tubagens – não vão ser danificados por partes em movimento.

EM TRABALHO

EM ESTRADA

Bloqueie (torneira ou botão de bloqueio) hidráulicos ao conduzir em estrada ou quando estacionar o tractor, de modo a que o carregador frontal não possa baixar. Se necessário, reduza a altura do elevador quando passar por baixo de pontes ou fios aéreos.

Atenção à velocidade máxima com o carregador frontal: - 25 km/hora em estrada e 10 km/hora em trabalhos de carregamentos.

Familiarize-se com a área a trabalhar e com o terreno. Mantenha a distância de segurança de fios eléctricos. A área de trabalho deve estar bem iluminada.

Não se aproxime de carregadores frontais em posição elevada, nem cargas soltas.

Nunca carregue nem transporte pessoas.

Não conduza na transversal num declive, com carga elevada.

Baixe as cargas, particularmente com fardos e com paletes carregadas, para evitar que tombem sobre si.

Nunca carregue várias cargas (fardos/paletes) empilhadas umas nas outras.

APÓS O TRABALHO

Sempre que sair do assento do condutor deve baixar o carregador frontal até ao chão.

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Ruminantes • Abril | Maio | Junho • 2012


Fotografia: Ant贸nio Cannas | Modelo: C.G.


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Ruminantes 5  

Edição nº5/2012 A revista da agropecuária

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