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Ano 2 - Nº 4 • Eur: 5,00 • Directora: Francisca Gusmão

MERCADO DE GADO LEICAR E APORMOR

Janeiro | Fevereiro | Março 2012 (Trimestral)

NOVIDADES DE EQUIPAMENTOS

// ACTUALIDADES // ENTREVISTAS // PRODUÇÃO ANIMAL // ECONOMIA // EQUIPAMENTOS // FEIRAS // BEM ESTAR ANIMAL // NEGÓCIOS // RUMINARTE // PREÇOS // CONHEÇA A LEI

CONHEÇA A LEI NOVA RUBRICA Site: www.revista-ruminantes.com

www.facebook.com/RevistaRuminantes


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EDITORIAL

O ADEUS AO LEITE DAS NOSSAS VACAS O fim das referidas quotas, como está determinado, certamente virá a representar o fecho de muitas explorações leiteiras, nomeadamente nas regiões Norte e Centro onde se concentra grande parte destas empresas (cerca de 6 mil), assim como na a região Sul e Açores, onde se localizam as restantes 4 mil (num total de 10 mil, segundo o último recenseamento de 2009, do INE). A nova regra assume vertentes altamente preocupantes no tocante a problemas sociais, económicos e ambientais, para além de outros. Problemas sociais: pelo avolumar do desemprego daí resultante, com milhares de famílias envolvidas e um elevado número de empresas e pessoas que indirectamente intervêm na produção. Problemas económicos: pelo aumento de importações de leite. Problemas ambientais: pelo abandono de terras, tornadas baldios, transformando consequentemente a beleza das nossas paisagens em algo desprezível para o turismo nacional e estrangeiro, assim como pela entrada em Portugal de leite de “segunda”, proveniente de outros países, como regra geral tem acontecido. Por último, dirigimos um elogio à nossa Ministra Assunção Cristas, por ser a única a fazer ouvir a sua voz na Europa na defesa da continuação da atribuição de quotas, depois da Polónia e da Espanha terem desistido de lutar por tão nobre causa.

N.G.

fg@revista-ruminantes.com

F. GUSMÃO

A importância da produção de leite no nosso País, que se distingue pelo patriotismo demonstrado pelos criadores nacionais de gado leiteiro que, nos últimos anos, “fazendo das tripas coração”, mal têm ganho para sobreviver —, está agora ameaçada por mais uma medida das muitas que a PAC tem parido durante a sua governação imposta ao longo dos anos em que dissemos adeus à nossa soberania, a favor de quem, por egoísta interesse, dita as regras do jogo. Com efeito, o fim das quotas leiteiras, em nosso desfavor, ao ser imposto pela nova Política Agrícola Comum, deixando de exigir limites à produção, dá largas aos países do Norte da União Europeia, os quais, com muito maior dimensão para o efeito, se irão expandir de uma forma tal que, praticamente vão superar, em condições concorrenciais, os escassos meios de que dispõem os nossos criadores de gado leiteiro. E o leite produzido em Portugal, que representa anualmente um movimento superior a 2 mil milhões de euros e é de uma qualidade ímpar face a muito do leite importado, tanto pelas suas propriedades nutricionais e organoléticas como pela higiene da sua produção, acaba por ficar condenado pelo novo tipo de mercado a que estamos sujeitos, quando afinal é um dos raros produtos alimentares em que somos auto-suficientes. E que, podendo não ser importado, é dos que têm de ser defendidos “com unhas e dentes”, por poderem contribuir para a tão almejada redução do défice orçamental.

Ruminantes • Janeiro | Fevereiro | Março • 2012

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ÍNDICE

FICHA TÉCNICA

ACTUALIDADES

EQUIPAMENTOS

Espanha perdeu 23.000 explorações de gado ovino em cinco anos ..................................6 Produção europeia de carne de ovino e caprino deverá baixar............................................................6 Gelados feitos com leite de cabra..............................6 Agricultura: Salários sobem 6,7% na UE e caem 10,7% em Portugal......................................7 Disponibilidade mundial de lã é a mais baixa em 50 anos .............................................................8 Benefícios do uso de carne de cordeiro.....................8 Licenciamento de explorações pecuárias .................8 Açores produzem bovinos de alta genética .............10 Polpa e casca de laranja na dieta de bovinos .........10 Produção leiteira cresceu nos Açores ......................10 Sobre os limites de células somáticas no leite.........39

BEM-ESTAR ANIMAL Causas de coxeiras em pequenos ruminantes e o seu efeito sobre o bem-estar dos pequenos ruminantes..............................................................54

CONHEÇA A LEI: Prédios rústicos: ser dono sem o ser.......................64

ECONOMIA OBSERVATÓRIO Breves comentários e previsões sobre o mercado de matérias-primas.................................................30 Perspectiva do mercado leiteiro ..............................32

Novidades de equipamento......................................57 Reduzir o tempo e os custos da ordenha ................60 A nova gama New Holland TD5 ...............................63

EDIÇÃO Nº4

JANEIRO | FEVEREIRO | MARÇO 2012

FEIRAS

DIRECTORA

Calendário de feiras .................................................62

PRODUÇÃO

Francisca Gusmão

| fg@revista-ruminantes.com

COLABORARAM NESTA EDIÇÃO

Decida agora o que semear em 2012......................12 Forragens na engorda de novilhos...........................20 A influência dos factores não-nutricionais na produção de leite - A “Prova dos 9” ..................22 Biotina, a vitamina da persistência e da longevidade .......................................................26 Animais protegidos ...................................................40 Alimentação de cabras em regime intensivo à base de concentrado e palha..............................42 Identificação de Lesões de Patas ............................44 Compra de vitelos em leilão? ...................................48 Veterinário em campo: Descargas celulares: Pode a contagem das células somáticas indicar o estado sanitário do úbere? ...............................................................50 Necrópsias: Mortes súbitas podem revelar aspectos importantes? ...........................................52

António Cannas; Ana Vieira; André Preto; António Marques dos Santos; Carla Aguiar; Dana J. Tomlinson; Dário Guerreiro; Eduardo Soares; Ema Roque; Filipe Soares; Francisco Fernandez; George Stilwell; Inês Ajuda; J. M. DeFrain; Jerónimo Pinto; José Campos Oliveira; Luís Queirós; Luís Veiga; Mariana Leitão; Michael T. Socha; Paulo Costa e Sousa; Pedro Torres; Raquel Cortesão; Ricardo F. Diogo; Ruben Mendes

AGRADECIMENTOS João Luís Parreira

FOTO DA CAPA

Herdade do Salvador

PUBLICIDADE

RUMINARTE Arte no campo ..........................................................67

ENTREVISTAS

Américo Rodrigues, Catarina Gusmão | comercial@revista-ruminantes.com

DESIGN E PRE-IMPRESSÃO

SEGURANÇA

Mercados e Leilões de gado ....................................14 Robots de ordenha: Uma nova forma de estar no negócio....................34

Rum nantes

Ana Botelho

Segurança em parques de novilhos.........................66

| prepress@revista-ruminantes.com

ASSINATURAS João Correia

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IMPRESSÃO Peres - SocTip E.N. nº10 - Km 108,3 - Porto Alto 2135-114 Samora Correia

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Europa Europe 60

Resto do Mundo Other Countries 100

1 ano (4 exemplares) 1 year (4 issues) NOME | Name MORADA | Address CÓDIGO POSTAL | C.P. TEL.

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Morada p/ envio | Address: Revista Ruminantes - R. Nelson Pereira Neves, Lj. 1 e 2 • 2670-338 Loures - Portugal

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Ruminantes • Janeiro | Fevereiro | Março • 2012

ESCRITÓRIOS R. Nelson Pereira Neves, Nº1, Lj.1 e 2 - 2670-338 Loures Tel. 219 830 130 | Fax. 219 833 359 | geral@revista-ruminantes.com

PROPRIEDADE / EDITOR Nugon, Lda. / Nuno Gusmão Contribuinte nº: 502 885 203 Sede: Rua São João de Deus, Nº21 2670-371 Loures Tiragem: 8.000 exemplares Periodicidade: Trimestral Registo nº: 126038 Depósito legal nº: 325298/11 O editor não assume a responsabilidade por conceitos emitidos em artigos assinados, textos publicitários e anúncios publicitários, sendo os mesmos da total responsabilidade dos seus autores e das empresas que autorizam a sua publicação. Reprodução proibida sem autorização da NUGON, LDA Site: www.revista-ruminantes.com www.facebook.com/RevistaRuminantes


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ACTUALIDADES

MUNDO

Espanha perdeu 23.000 explorações de gado ovino em cinco anos

Produção europeia de carne de ovino e caprino deverá baixar A produção líquida de carne de ovino e caprino na União Europeia (UE) deverá baixar 2,4% em 2012, para 847.000 toneladas, e em 2011 deverá situar-se nas 868.000 toneladas (-0,8% relativamente a 2010), segundo as últimas previsões da Comissão Europeia (CE). Os dados de Bruxelas indicam que a União Europeia (UE) importará 245.000 toneladas de carne de ovino e caprino em 2012, cerca de 13,9% mais que em 2011, em que as compras comunitárias alcançarão 215.000 toneladas. Quanto às exportações europeias deste tipo de carne, a Comissão prevê que se situem em 14.000 toneladas em 2012 e em 16.000 toneladas em 2011. No referente ao consumo, estima que se situará em 2,1 kg per capita em 2012, cifra similar a 2011 mas inferior aos 2,2 kg registados em 2010.

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F. GUSMÃO

Espanha perdeu 23.000 explorações de ovelhas nos últimos 5 anos, segundo cálculos dos produtores, devido à baixa rentabilidade causada pelo incremento das rações e de outros factores de produção, bem como à quebra do consumo de carne. Assim referiram à agencia de notícias Efe os responsáveis das organizações agrárias Asaja, COAG e UPA, e a interprofissional Interovic. Enquanto isso, a recuperação dos preços de alguns produtos ovinos e da exportação aliviam a situação dum sector em contínua reestruturação, em que as explorações que ficam são cada vez mais produtivas e dimensionadas. A proposta de reforma da PAC, apresentada pela Comissão Europeia a 12 de Outubro, foi abertamente criticada pelas organizações agrárias espanholas por não contemplar a especificidade do sector pecuário espanhol que nem sempre tem terras em condições, para activar as ajudas europeias, que premeiam a dimensão. !

Quanto aos principais destinos do ovino e caprino comunitário, os dados referem que a Turquia se mantém à cabeça com 10.455 ton., seguida da Jordânia, com 2.893 ton., Hong Kong, com 2.365 ton. e Vietname, com 2.114 ton. Entre os abastecedores, a Nova Zelândia figura em destaque como primeiro abastecedor da UE, com 163.214 toneladas, seguida da Austrália, com 14.115 ton., do Chile, com 4.938 ton. e da Argentina com 4.043 ton. !

Gelados feitos com leite de cabra Na província argentina de San Juan abriu recentemente a primeira fábrica de gelados do país feitos a partir de leite de cabra. Trata-se de um projecto piloto público-privado, concebido como uma alternativa de diversificação à produção leiteira caprina da região, em que a recolha, elaboração e comercialização do produto estarão a cargo dos mais de 40

Ruminantes • Janeiro | Fevereiro | Março • 2012

produtores da zona. Se tiver êxito, poderá vir a estender-se a todas as zonas do país onde existam cabras, segundo disse Daniela Gaetano, Coordenadora em San Juan da Lei Caprina. A utilização do leite de cabra, no Verão, para a confecção de gelados é uma saída económica interessante, porque nessa época o rendimento leiteiro é alto, embora a altura em que se vende mais queijo de cabra seja o Inverno. Assim, consegue-se colmatar pelo menos uma parte do desequilíbrio que existia no sector. Os gelados de leite de cabra vão existir em todos os sabores com que se fazem os de leite de vaca, mas serão mais caros em cerca de 20% visto ser mais caro extrair o leite de cabra e o volume ser inferior, já que cada cabra produz de 2 a 2,5 litros diários contra os 35 a 40 litros de uma vaca leiteira. Por outro lado, o leite de cabra possui propriedades que faltam ao de vaca: um dos mais importantes é o seu baixo conteúdo em lactose (-10% que o de vaca), maior concentração de vitaminas A e D, bem como maior quantidade de minerais como potássio, cobre e manganésio. !


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MUNDO

ACTUALIDADES

Agricultura: Salários sobem 6,7% na UE e caem 10,7% em Portugal Os salários dos agricultures europeus subiram uma média de 6,7 por cento em 2011, com Portugal a contrariar a tendência com uma descida de 10,7 por cento. De acordo com dados divulgados pelo gabinete de estatísticas europeu, em Dezembro último as primeiras previsões para o global dos 27 Estados-membros apontam para uma elevação salarial de 6,7 por cento entre 2010 e 2011, inferior aos 12,6 por cento registados na análise entre 2009 e 2010. Pior que Portugal só a Bélgica e Malta, com descidas de 22,5 por cento e 21,2 por cento na média salarial no sector. Em 2011, o valor do rendimento agrícola estimado da UE-27 a preços no produtor terá tido um aumento de 7,5%, principalmente devido a um aumento nos valores

quer da produção agrícola (8,0%) que da produção animal (7,8%) em termos reais. Na produção agrícola, o aumento do valor é devido a uma subida nos preços (5,4%) e no volume (2,5%). Os preços estão a subir para a maioria dos grupos de culturas, excepto nos produtos hortícolas frescos (10,1%), plantas e flores (-1,1%) e azeite (-0,9%). Os maiores aumentos registaramse para os cereais (18,9%), sementes oleaginosas (18,4%), beterraba (3,6%) e vinho (2,3%). Os volumes da maioria dos produtos estão a subir, em especial a beterraba (13,7%), o vinho (4,6%) a batata (4,2%) e as frutas (3,3%). A queda em volume registou-se apenas no azeite e nas plantas e flores (ambos -2,2%). O aumento no valor da produção animal em 2011 é o resultado de um aumento em

ambos ao nível dos preços ao produtor (6,7%) e do volume (1,1%). Os preços aumentaram no leite (9,1%), aves (8,7%), bovinos (8,6%), ovinos e caprinos (6,4%) e suínos (4,3%), e caíram para os ovos (-5,3 %). O volume aumentou para ovinos e caprinos (2,3%), aves (1,9%), bovinos (1,5%) e produção de leite (1,1%) e decresceu ligeiramente para os ovos (-0,9%). Os custos de factores de produção na UE27 (consumo intermédio) deverão subir 9,7% em termos reais, principalmente devido a um aumento dos preços (9,1%). O incremento nos preços dos factores de produção é impulsionado por aumentos nas rações (16,8%), fertilizantes e correctivos de solo (14,6%), energia e lubrificantes (+11,8%), sementes (4,3%) e manutenção de construções (+3,8%). !

Ruminantes • Janeiro | Fevereiro | Março • 2011

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ACTUALIDADES

MUNDO

Disponibilidade mundial de lã é a mais baixa em 50 anos

Benefícios do uso de carne de cordeiro

As baixas produção e oferta mundial de lã tem constituído um dos principais pontos positivos de apoio aos preços da lã nos últimos anos, não se vislumbrando sinais de que a produção vá recuperar no futuro próximo. De acordo com o mais recente relatório para o mercado global da lã, publicado pela Sheep Industry News em Novembro último, as últimas previsões disponíveis dos principais países produtores sugerem que a produção de lã no mundo vai sofrer um ligeiríssimo aumento de 0,7 por cento para 1.112 milhões de kg de peso limpo (ou seja, com remoção de sujidades, matéria vegetal, gordura, etc.). Este leve aumento da produção mundial de lã é principalmente devido ao previsto aumento da produção na Austrália e também na China, na Comunidade de Estados Independentes (CIS), na Índia, na África do Sul, no Reino Unido e no Uruguai. Pelo contrário, a produção deverá cair na Nova Zelândia, na Argentina e nos Estados Unidos da América devido a uma quebra dos efectivos mais baixos de ovelhas combinado com condições sazonais desvantajosas em algumas zonas de cada país.

A carne de cordeiro é, desde há muito tempo, utilizada na confecção de diferentes variedades de pratos. Mas muitas pessoas desprezam o seu consumo por pensarem que esta carne é rica em gordura, desconhecendo as suas propriedades para a saúde. Com efeito, novos estudos mostraram que a gordura que envolve a carne de cordeiro é uma gordura insaturada — o ácido palmitoteico, ácido gordo monoinsaturado também conhecido como ómega 7, conhecido pela sua acção benéfica na redução do colesterol e pelas suas propriedades antimicrobianas. Sendo reconhecida pelo seu elevado valor nutricional e por ser uma boa fonte de zinco e ferro, a carne de cordeiro também é rica no complexo vitamínico B, e especialmente em vitamina B12 Por se tratar de um alimento tão rico e multifacetado, não deverá ser excluído das dietas para redução de peso, já que se trata de uma carne baixa em gordura e com elevado teor de vitaminas e minerais. Sendo um alimento tão antigo, o cordeiro tem, quase como o bacalhau, um sem fim de modos de ser cozinhado. !

Da mesma forma, os stocks de lã crua realizada em países produtores também estão em baixa. Isto significa que a disponibilidade mundial de lã (produção mais stocks) é a mais baixa em 50 anos ou mais. Os preços mundiais da fibra de lã têm retrocedido nos últimos meses devido ao aumento das preocupações macro-económicas, aliado a expectativas de enfraquecimento da procura de fibras e ao aumento da oferta de algodão. A retracção no abastecimento, que resultou no início deste ano em níveis recordes dos preços do algodão, diminuiu. Prevê-se que a produção mundial de algodão em 2011/2012 chegue ao nível mais alto desde 2004/2005, enquanto o consumo deverá crescer apenas moderadamente devido aos ainda relativamente elevados preços do algodão e à concorrência das fibras sintéticas. Como resultado, os preços do algodão caíram mais de metade do nível recorde observado em Março último. No entanto, os preços estabilizaram em níveis bem superiores aos observados em 2009. Os preços das fibras sintéticas têm igualmente estabilizado em níveis bem acima dos de 2009. !

N. MARQUES

Licenciamento de explorações pecuárias

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Ruminantes • Janeiro | Fevereiro | Março • 2012

O Ministério da Agricultura anunciou a prorrogação para 31 de Março de 2013 dos prazos para cumprir formalidades junto da entidade coordenadora, no âmbito do Regime de Exercício da Actividade Pecuária. Se a actividade pecuária já se encontrar licenciada ou autorizada ao abrigo da legislação em vigor do DL 214/2008 de 10 de Novembro, o produtor deverá promover a actualização dos registos das explorações, bem como solicitar a reclassificação das suas actividades pecuárias, com a actualização do cadastro. Os titulares de uma actividade pecuária sem título válido ou actualizado, deverão apresentar pedido de regularização dessa mesma actividade. Mais informações: http://www.gpp.pt !


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ACTUALIDADES

MUNDO

Açores produzem bovinos de alta genética o que considerou ser uma afirmação da alta genética regional no panorama nacional e um recurso que pode ser aproveitado pelos agricultores açorianos. É nesse sentido que a legislação vai ser alterada, para permitir incentivos majorados aos produtores do arquipélago que comprem, na Região, animais para melhoramento genético das suas explorações, apoios que até agora só existiam para a importação de alta genética do continente e do estrangeiro. Nessa ocasião, foi também analisada uma proposta de distribuição de direitos aleitantes para os produtores de carne da Região, em que se privilegiam os agricultores que iniciam a actividade nesta área, nomeadamente os que apresentaram projectos de primeira instalação para a fileira da carne. !

N. MARQUES

O Governo dos Açores vai criar legislação que incentiva a aquisição, por parte dos agricultores açorianos, de bovinos de alta genética produzidos na Região, nomeadamente na área das raças para produção de carne. Numa reunião com o Núcleo de Criadores de Bovinos de Raças de Carne da Ilha Terceira, Noé Rodrigues, Secretário Regional da Agricultura e Florestas, referiu que a iniciativa surge numa altura em que os Açores já produzem animais nados e criados no arquipélago com alta genética, não só no sector da produção de leite, mas também, agora, na fileira da carne. O governante congratulou-se pela recente primeira exportação para o Continente de oito machos da raça Angus, animais reprodutores, (cinco do Faial e três da Terceira),

Produção leiteira cresceu nos Açores A produção de leite nos Açores cresceu 1,7 por cento até Outubro, para um total acumulado de 468 milhões de litros. O volume de leite entregue para transformação nas fábricas da ilha de S. Miguel, que concentram mais de metade da produção leiteira açoriana, aumentou nos primeiros dez meses deste ano de 290 milhões para 298 milhões de litros, face ao período homólogo de 2010. Na ilha Terceira, que detém a segunda maior produção regional, verificou-se também um aumento de leite entregue à indústria, de 117 milhões para 118 milhões. A produção leiteira açoriana, que representa cerca de 30 por cento da nacional, garante matéria prima à principal indústria da região que é, também, o maior exportador do arquipélago. O Governo Regional abriu em Dezembro passado uma nova operação de resgate de quota leiteira que poderá determinar que um em cada dez produtores de leite do arquipélago abandonem a actividade no próximo ano. A produção de leite na União Europeia é regulada por um regime de quotas que estabelece um limite máximo para o volume de leite que cada agricultor pode entregar à indústria, consistindo a operação de resgate lançada pelo Executivo açoriano na tomada de quotas individuais mediante o pagamento de 20 cêntimos por litro dos direitos respectivos.

Polpa e casca de laranja na dieta de bovinos Investigadores do Serviço de Investigação Agrária dos EUA (ARS) efectuaram uma série de estudos para explorar maneiras de reduzir, sem a utilização de antibióticos, os agentes patogénicos alimentares que se encontram nos intestinos dos bovinos destinados à produção de carne. Estudos prévios haviam mostrado que os produtos cítricos fornecem ao gado bovino uma quantidade adequada de fibra e vitaminas, e que os óleos essenciais existentes nesses produtos proporcionam um efeito

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antibiótico natural. Conclusões recentes demonstraram a viabilidade de utilizar a polpa e a casca de citrinos como uma fonte de alimento para estimular a actividade anti-microbiana nos intestinos do gado bovino bem como a compatibilidade desta utilização com as práticas actuais de produção. Os resultados deste estudo foram publicados este ano em 'Foodborne Pathogens and Disease'. !

Ruminantes • Janeiro | Fevereiro | Março • 2012

Segundo a Federação Agrícola dos Açores (FAA), a eventual saída de actividade de 300 dos 3.400 activos afectos ao sector não deverá implicar um abaixamento da produção, podendo, antes, potenciar o seu aumento. "O activo do sector tem vindo a baixar, mas devido ao crescimento das explorações e à qualificação dos produtores temse assistido na região a um aumento da produção", sublinhou o presidente da Jorge Rita (FAA), em declarações sobre o novo resgate. !


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PRODUÇÃO

ALIMENTAÇÃO

Decida agora o que semear em 2012 Sessenta por cento dos produtores nacionais de milho grão e silagem decidem agora o que irão semear nas próximas sementeiras. Baseados em diversos aspectos, desde a produção de massa verde, à produção de grão ou à qualidade nutricional da mesma, o agricultor selecciona os híbridos que, segundo ele, correspondem melhor às suas necessidades. No entanto, será que o agricultor se foca nas características mais importantes e que definem claramente a qualidade de um híbrido para silagem? Agora que a Campanha 2011 está terminada, todos os dados relativamente aos ensaios deste ano estão reunidos para poderem ser fornecidos aos produtores de silagem. Estão então reunidas as condições para abordar quais os factores que mais devem ser valorizados quando se seleccionarem os híbridos para a próxima campanha. Aquilo que mais frequentemente ouvimos os produtores de silagem referirem são factores como a produção dos híbridos/ha, devendo ser feita a conversão para o mesmo valor de matéria seca, o conteúdo em amido da silagem e a digestibilidade da fibra. Para a comparação da produção deve ser tida em consideração a densidade de sementeira, a altura de corte da planta e o teor em amido. O amido é o principal responsável pela energia que a silagem fornece aos animais (65% grão, 10% conteúdos celulares e 25% NDF), e deve por isso ser o primeiro factor a ter em conta e a pesar no momento de decidir qual o híbrido a semear. Mais, a produção de grão tem uma correlação positiva com a M.S. total/ha, o que resulta num aumento também da produção de leite por hectare.

Produção de grão (15,5% de humidade)

Relação entre a produção de grão e a produção de silagem, entre 1997 e 1998 em Winsconsin

O valor de cada 1% de amido é significativo por cada hectare de Silagem de milho que produz HÍBRIDO A HÍBRIDO B Produção Matéria Verde/ha (toneladas)

60

60

% Matéria Seca

35

35

% Amido na silagem de Milho

30

31

Preço Farinha de Milho (€) tonelada

285

CÁLCULOS Toneladas de Amido/ha

6,3

Toneladas de Amido/ha extra produzidos por Híbrido B

6,51 0,21

VALOR LÍQUIDO DO HÍBRIDO B Toneladas de Farinha de Milho necessárias para substituir 1% Amido

0,353

Valor (€)/ha (farinha de milho) pelo amido extra do Híbrido B

100 €

A digestibilidade da fibra (NDFD) é, muitas vezes, sobrevalorizada, no entanto, hoje sabe-se que as diferenças resultam acima de tudo das condições ambientais durante o ciclo vegetativo. O principal desvio na digestibilidade da fibra dá-se entre anos diferentes, e não entre híbridos. Dias longos, noites frescas e clima moderadamente seco promovem as forragens mais digestíveis, já um clima quente e húmido promove forragens de menor qualidade, relativamente à fibra. Ainda correspondente à porção fibrosa da planta temos o NDF e o ADF que são importantes para a formulação de dietas. No entanto, pouco contribuem para a classificação de um híbrido, visto serem apenas valores indicativos da diluição do amido e dos açúcares.

Produção de silagem (t de m.s/acre)

12

Um híbrido que seja superior na produção de grão relativamente a outro, em cerca de 350 kg/ha, será também, numa análise nutricional correspondente, superior em 1% no valor de amido. Atendendo ao preço a que se encontra o grão, a quantidade de farinha de milho necessária para cobrir essa diferença de produção de grão e energia ascende a 100 euros.

Ruminantes • Janeiro | Fevereiro | Março • 2012


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PRODUÇÃO

ALIMENTAÇÃO

Impacto das Condições Ambientais no NDFD demonstrado pelo efeito do stress de humidade nos mesmos híbridos semeados em 2006 (ano húmido) vs. 2007 (ano seco)

Bloco de cor diferente indi ca uma localiz onde o mesm ação de ensa o híbrido foi ios diferente, semeado em ambos os an os Source: Dann Bolinger, Pioneer Dairy Specialist - Michigan

Actualmente, os valores de digestibilidade do amido começam a ser requisitados. Ainda assim não é conhecida qualquer Universidade ou Empresa de sementes que faça esta classificação de forma frequente. O motivo desta ausência de classificação devese, primeiro, ao facto de as diferenças entre digestibilidades de grãos de vitreosidades distintas nas variedades existentes no mercado serem praticamente inexistentes. Em segundo, as diferenças de digestibilidades tornam-se ainda mais insignificantes se tratarmos todos os grãos no ponto óptimo de colheita para silagem. Por fim, o tempo de exposição do grão à fermentação influencia mais que tudo a digestibilidade do amido e, para iguais tempos de fermentação, são sideradas as possíveis diferenças.

Valor % de MS ou de Nutrientes

Composição e Digestibilidade variam com a MS da Silagem

estamos a lançar para o mercado, devem ser feitos um mínimo de 20 ensaios “side-by-side”. A comparação destes híbridos deverá ser feita no mesmo estado de maturação e resultantes de sementes com igual tratamento, semeadas com a mesma população de plantas e cortadas à mesma altura. O resultado de apenas um ensaio, por muito interessante que seja para o dono da parcela em questão, não tem qualquer significado estatístico devido a tudo o que vai variar para as restantes explorações sujeitas a diferentes tipos de compactação de solo, fertilização, tipo de solo, disponibilidade e até mesmo o maneio na lavoura. Rotular uma variedade por apenas um ensaio seria o mesmo que classificar um touro pela performance de apenas uma das suas filhas. Por fim, tenha atenção aos concursos de beleza que muitas vezes se fazem entre variedades. Muitas vezes, nenhum desses “factores estéticos” contribui para avaliar a real qualidade e consistência de um híbrido.

Matéria seca da silagem %

A digestibilidade do amido é sem dúvida um ponto de enorme relevância para quem formula, principalmente no que toca à mudança de silos com um longo período de fermentação para aqueles que foram ensilados recentemente. Agora, na pontuação de híbridos nada influi. Lembre-se, no momento de classificar os seus híbridos peça dados adequados. Estudos efectuados por geneticistas revelam que, para um grau de confiança de cerca de 95% na variedade que

Conte com a Pioneer. Nós estamos sempre por perto.

raquel_cortesao@hotmail.com luis.queiros@pioneer.com

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ENTREVISTA

Mercados e Leilões de gado O avanço das leis a favor da saúde e do bem-estar animal, as novas regulamentações relativas ao ambiente e à segurança, e a exigência crescente de transparência na compra e na venda, foram introduzindo alterações profundas nos mercados de gado. Os mercados tradicionais, existentes em muitas localidades de cariz agrícola, deixaram de poder existir nos moldes primitivos e aqueles que subsistiram tiveram que se adaptar aos novos tempos. Para perceber os actuais requisitos para a comercialização dos animais e as vantagens que os mesmos representam para vendedores e compradores, a Revista Ruminantes entrevistou os responsáveis de duas entidades de referência neste sector, respectivamente, no Sul e no Norte do País: António Marques dos Santos, Presidente da APORMOR (Associação de Produtores de Bovinos, Ovinos e Caprinos da Região de Montemor-o-Novo) e José Campos Oliveira, presidente da LEICAR (Associação de Produtores de Leite e Carne), situada no concelho da Póvoa de Varzim.

“Os agricultores preferem trazer os animais ao leilão porque há transparência no negócio. A venda é sempre feita pelo melhor preço.” António Marques dos Santos, Presidente da APORMOR

Quando é que a Apormor iniciou a actividade? Comemorámos este ano, em Setembro, 21 anos de existência e 16 anos da construção do parque de leilões. No início operávamos com poucos animais num único pavilhão, cerca de 15 a 20 animais por leilão. Hoje, temos uma média de 500 animais por leilão. Qual o raio de acção/influência deste mercado para compradores e vendedores? A Apormor é uma associação sem fins lucrativos, dos seus sócios, embora trabalhe também com não sócios. Actualmente tem uma influência total ao nível do Alentejo. Em termos de compradores, a abrangência é nacional, recebemos a visita de muita gente do Norte.

Qual o objectivo deste mercado e que vantagens tem o produtor? Montemor-o-Novo é um concelho onde predomina a pecuária e portanto faz todo o sentido que aqui exista um mercado de gado. Este mercado torna os negócios

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N. MARQUES

Os nossos vizinhos espanhóis marcam presença no mercado? De vez em quando, mas apenas como compradores, essencialmente vitelos que levam para engordar.


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N. MARQUES

ENTREVISTA

muito mais transparentes, concentra compradores e vendedores, ou seja, sinergias de negócio, com as vantagens que daí resultam. Outra questão muito importante tem a ver com os pagamentos; a Apormor desenvolve sistemas que garantem, sem falhas, o pagamento no próprio dia ou no dia seguinte à realização do leilão, a quem vem cá vender. Chegará o dia em que o preço dos animais é estabelecido em função do custo de produção? Não me parece que chegue o dia em que os agricultores consigam reflectir no preço os verdadeiros custos de produção; na minha opinião a agricultura nos próximos 10 a 20 anos terá que ser subsidiada, de outra forma não conseguirá resistir à concorrência externa, nomeadamente da América do Sul. Qual a periodicidade do leilão e quais as regras para um produtor poder marcar presença no mercado? Temos leilões todas as terças-feiras, excepto pelas alturas do Natal, Páscoa e alguns feriados. Qualquer pessoa que queira trazer animais a leilão, quer seja sócio ou não, deverá telefonar para o secretariado com alguns dias de antecedência; não existe um número mínimo nem máximo de animais, desde que haja lugar. Que tipo de animais e volume médio comercializam por mercado? Em termos médios, leiloamos cerca de 500 animais/semana, ou seja cerca de 25.000/ano. Há períodos do ano em que se vendem mais vacas de refugo, como acontece no final do Verão, antes das primeiras chuvas; outras alturas em que são vitelos, outras são vitelões ou já novilhos… Quem pode comprar animais no mercado? Qualquer pessoa, desde que se registe e cumpra os requisitos estabelecidos pela Apormor. Estamos a ultimar a realização de um regulamento de leilão para todas as acções de entrada e saída de animais, vendas, compras, etc. No futuro, qualquer pessoa que cumpra estas regras, que serão simples para que o leilão seja aberto ao maior numero de intervenientes, poderá comprar. Como fazem a gestão dos animais a vender, de forma a garantir aos compradores que vão encontrar o que precisam?

Publicamos semanalmente, no nosso website (Apormor.pt), a listagem dos animais/lotes/tipo. Esta divulgação é feita à segundafeira, no dia que antecede o leilão, após as 16 horas (quando termina a recepção dos animais que vão a leilão). Qual o prazo médio de pagamento ao produtor? O prazo médio é de um dia, dois no máximo. A partir do momento em que o agricultor passa a factura de venda dos seus animais, nós fazemos a transferência bancária. Isto tem uma enorme vantagem sobre o sistema tradicional, pois os agricultores têm a garantia total de receber e de forma imediata. Quais as vantagens do modelo do leilão sobre o do mercado tradicional? Acho que as vantagens são inúmeras e bem visíveis, aliás o numero de animais a leilão por semana e por ano reflectem isso mesmo. Os agricultores preferem trazer os animais ao leilão porque há transparência no negócio. A venda é sempre feita pelo melhor preço, os compradores muitas vezes entusiasmam-se e atribuem lances sucessivamente superiores. Portanto, acho que as vantagens são muitas, maior transparência, melhores negócios e total garantia de pagamento. Dizem que um mercado só terá sucesso se tiver uma disciplina muito forte, ou seja, se cumprir horários, tiver compradores com dinheiro, lotes homogéneos etc.… isto é imprescindível para atrair bons compradores? Estou completamente de acordo, aliás é quase uma “batalha” semanal disciplinar os intervenientes (compradores e vendedores) no leilão. Temos regras apertadas, até porque somos obrigados pela DGV a cumprir determinados requisitos sanitários, nomeadamente na identificação dos animais que devem obrigatoriamente apresentar um brinco em cada orelha. É fundamental conseguirmos disciplinar as pessoas, vendedores e compradores, para que as coisas possam funcionar melhor, mais rapidamente e com beneficio para todos. Que serviços presta o leilão para fidelizar os clientes? O mais importante, actualmente, é a nossa garantia de pagamento. O seguro de animais, por agora ainda não disponível, está previsto no projecto do regulamento.

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ENTREVISTA

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Quantos empregados tem o leilão? Cerca de 10 pessoas.

Como divulgam os resultados do leilão? Depois do leilão, a mesma listagem publicada na véspera do leilão é novamente publicada no nosso website, já preenchida e terminada com os dados da rematação. Ou seja, à terça-feira cerca das 17 horas toda a informação está já disponível no site. Que tipo de animal pode vir para o mercado? Que requisitos têm de cumprir relativamente ao transporte e bem-estar animal? Relativamente ao transporte, os veículos têm de estar registados pela DGV e aptos para transportar animais em curto ou longo percurso. Têm também de estar lavados, desinfectados ou desinsectizados. No que diz respeito aos animais, têm de ser provenientes de explorações que cumpram as exigências sanitárias actuais e possuir identificação individual adequada. Têm também de estar

em boas condições físicas pois de outra forma podemos impedir a sua entrada no parque. Todas estas situações são por nós rastreadas e relatadas em impressos próprios para futura apreciação. Existe um regulamento sanitário aprovado pela DGV (Direcção Geral de Veterinária) que cumprimos na integra e no qual nos apoiamos para as tomadas de decisão. Caso seja necessário denunciar alguma situação de relevante gravidade, fá-lo-emos de imediato às autoridades competentes. Que perspectivas tem dos leilões para os próximos anos? Vejo que há espaço para todos os intervenientes, leilões, tradicional, “grandes superfícies”. Relativamente a estas, verificamos que existem anos em que têm preços razoáveis e compram bastantes animais, e outros em que não compram e o seu preço não é apelativo e reduzem as suas compras. Portanto eu acho que há espaço para todos, não há nenhuma tendência vincada, temos agricultores que vendem aqui e nas grandes superfícies. !

“O Mercado garante aos compradores que os animais cumprem todos os requisitos da legislação em vigor.” José Campos Oliveira, Presidente da LEICAR

Quando iniciaram a actividade? O Mercado iniciou a sua actividade em Março de 2002. A ideia surgiu do facto de, na região Norte, ao contrário do que acontecia no Sul do país, não existir um espaço no qual fosse possível comercializar animais duma forma legal. O que existia na altura eram as feiras de gado tradicionais, ao ar livre, e que funcionavam ilegalmente. Qual é o raio de acção/influência deste mercado para compradores e vendedores? Os nossos vizinhos espanhóis marcam presença no mercado? Actualmente, podemos considerar que o Mercado de Gado da Leicar tem um raio de acção e influência que abrange todo o país, uma vez que recebemos animais não só do Entre Douro e Minho, mas igualmente de Trás-os-Montes, Beira Litoral, Beira Interior, Alentejo, Ribatejo etc. Inicialmente, funcionava apenas com compradores nacionais, mas dado o grande crescimento, a partir do 4º/5º ano de funcionamento, matadouros e compradores espanhóis começaram a vir comprar animais,. Hoje, no Mercado de Gado da Leicar estão presentes todas as semanas, em média, 8 matadouros espanhóis, o que representa mais de 70% dos animais comercializados no mercado. A entrada de compradores espanhóis significou uma subida substancial do preço pago à produção. Qual o objectivo deste mercado e que vantagens tem para o produtor?

A grande vantagem do Mercado para o produtor foi contribuir para o escoamento de animais de refugo e vitelos das explorações leiteiras. Penso que ainda todos se lembram bem de que, antes da abertura do Mercado de Gado da Leicar, os produtores quase que tinham de “pedir por favor” que lhes levassem os animais, recebendo um valor insignificante. Hoje, por mérito do mercado, a realidade é completamente diferente. Qual a frequência com que se realiza o Mercado e quais as regras para um produtor poder marcar presença no mesmo? O Mercado realiza-se todas as semanas do ano, às segundas e terças-feiras. Qualquer produtor pode frequentá-lo ou utilizá-lo para vender os seus animais, pagando apenas as taxas que estão afixadas por cada animal.

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ENTREVISTA » Que tipos de animais comercializam e qual o volume médio de animais por mercado? Semanalmente, são comercializados, em média, 900 animais, sendo que 70% são animais adultos e 30% são vitelos. Praticamente todos os animais presentes no mercado são vendidos. Quem pode comprar animais no mercado? Qualquer negociante pode fazê-lo. Como fazem a gestão dos animais a vender, por forma a garantir aos compradores que vão encontrar o que precisam? O nosso mercado tem um número de animais muito elevado e isso permite uma grande diversificação de carcaças, o que possibilita que cada comprador possa escolher o que quer comprar.

Que serviços presta o mercado para fidelizar os clientes? A garantia que este mercado dá aos seus clientes é a de que tudo fará para ir de encontro aos interesses de quem vende e de quem compra. Por outro lado, garante que quem aqui compra tem a certeza de levar animais que cumprem todos os requisitos da legislação em vigor. Quantos empregados tem o mercado? Sete pessoas a tempo inteiro e quatro a tempo parcial.

Qual é o prazo médio de pagamento ao produtor? Como se compara com o leilão? O pagamento é efectuado na hora, no acto da compra, seja no mercado, seja na exploração quando é o negociante a comprar ao produtor.

Quais são as perspectivas para os próximos anos? Não são muito animadoras, uma vez que a crise, quer no sector do leite, quer no sector da carne, se tem vindo a acentuar nos últimos 2 anos; só no leite, fecharam mais de 1000 explorações…

Quais as vantagens do mercado sobre o leilão? No meu ponto de vista, não existem vantagens ou desvantagens em qualquer um dos modelos, apenas diferenças. O que acontece no Sul do país é que existe a tradição da venda de animais por leilão, ao passo que no Norte os animais são vendidos pelo sistema de venda directa. Por isso, para que este mercado tenha atingido o sucesso que atingiu, foi necessário implementarmos um sistema de funcionamento que fosse ao encontro da tradição existente na região.

Que tipo de animais pode vir para o mercado? Que tipo de requisitos têm de cumprir relativamente ao transporte e bem-estar animal? Relativamente aos aspectos relacionados com a sanidade, o Mercado tem estatuto “Oficialmente Indemne”, portanto todos os animais que aqui entram têm de ser provenientes de explorações “Oficialmente Indemnes” com provas sanitárias realizadas num período não superior a 12 meses à data da entrada. Têm igualmente de estar de acordo, como acontece neste momento, com o Edital Nº28, relativo à “Língua Azul”. Quanto ao transporte e bem-estar animal, para entrar no mercado, os animais têm de cumprir todos os pontos do Capítulo 1, Anexo 1, Regulamento (CE) 1/2005, do Conselho de 22 de Dezembro de 2004, relativo à aptidão dos animais para transporte. Todos os transportadores têm de apresentar a aprovação do veículo e do transportador. !

Dizem que um mercado só tem sucesso se tiver uma disciplina muito forte, ou seja, se cumprir horários, tiver compradores com dinheiro, lotes homogéneos etc.… isto é imprescindível para atrair bons compradores? Para um Mercado funcionar bem tem, em primeiro lugar, de implementar regras de funcionamento rigorosas, que defendam o interesse tanto de quem vem

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vender e de quem vem comprar. Em segundo lugar, tem de existir um controlo muito rigoroso, por parte dos nossos técnicos responsáveis, relativamente à sanidade, ao bem-estar animal e à aptidão para o transporte.

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PRODUÇÃO

ALIMENTAÇÃO

Forragens na engorda de novilhos Luís Veiga, Engº Zootécnico, REAGRO SA veigaluis@reagro.pt

As engordas tradicionais assumem um sistema clássico de palha à discrição e farinha. Segundo diferentes critérios, regra geral vêem-se alimentos concentrados mais proteicos e mais energéticos nas fases iniciais para nas fases mais adiantadas diminuir a concentração. A palha é muito utilizada servindo quase um propósito de serviços mínimos para o equilíbrio do ecossistema do rúmen. A verdade é que existem alternativas e, mesmo em Portugal, algumas engordas apostam em forragens tais como silagens, feno-silagens e fenos para, em determinados momentos do ciclo, contribuírem para o aporte nutricional total diário. Neste artigo, abordaremos o aspecto da qualidade, quantidade, maneio alimentar e custos relacionados com a forragem em engordas de bovinos. Uma célula vegetal tem essencialmente no seu interior proteínas, açúcares simples, lípidos, amidos e pectinas. A parede celular é composta por hidratos de carbono chamados parietais; são estes: celulose na parte mais exterior, lenhina e hemicelulose. Quanto mais evolui no seu estado vegetativo, maior é a percentagem de parede e menos conteúdo celular. Existem métodos analíticos que permitem aferir a qualidade de uma forragem, esses valores são indispensáveis para avaliar a qualidade da mesma; embora o teor de proteína seja um critério importante, o que verdadeiramente define a qualidade de uma forragem conservada é o seu teor em parede celular sendo que das três fracções, celulose,

lenhina e hemicelulose (imagem 1) a hemicelulose é a mais digestível seguida da celulose e finalmente da lenhina que é quase indigerível. No rúmen ocorrem as fermentações bacterianas que degradam estes hidratos de carbono parietais e os produtos finais dessa digestão são ácidos gordos voláteis que servem de combustível para os gastos de energia. As análises químicas mais importantes são: F.N.D (fibra neutro detergente) que nos dá a percentagem da composição total de um feno em celulose, lenhina e hemicelulose; F.A.D (fibra ácido detergente) que é o resultado da soma da lenhina com a celulose. Para saber a percentagem de hemicelulose, que é o hidrato de carbono parietal mais digestível, devemos subtrair o valor F.A.D pelo resultado de F.N.D. Estas análises são relativamente acessíveis e podem ajudar a tomar decisões importantes. Em Portugal é muito difícil encontrar um bom feno (tabela 1), seja porque as condições climatéricas são por vezes instáveis na época de corte ou muitas vezes porque a atenção dada à cultura não é a melhor. O facto é que é muito raro encontrar fenos de qualidade superior. O mesmo já não é verdade para as raras ocasiões em que encontramos feno-silagens. Estas são regra geral de boa qualidade correspondendo ao perfil indicado na Tabela 1. O facto de se optar por cortar num estado mais precoce da planta faz com que o valor alimentar seja superior; para além disto, a matéria útil por hectare é superior pois os desperdícios relacionados com o corte, secagem, reviramento e enfardamento são substancialmente inferiores. A silagem de milho também é uma possibilidade mas não é fácil encontrar sistemas bem sucedidos que contenham apenas silagem de milho e concentrado, para além de ser uma matéria-prima que não Tabela 1

Imagem 1

Célula vegetal com corte da parede celular Celulose Lenhina Hemicelulose

INTERIOR DA CÉLULA PROTEÍNAS AÇÚCARES LÍPIDOS AMIDOS PECTINAS

Feno Feno Feno Feno Palha gramíneas gramíneas gramíneas silagem de pobre médio bom gramíneas Energia limpa

UFC*

0.31

0.41

0.65

0.73

Proteína bruta

PB*

3.5

8.5

9

10.5

11

Fibra bruta

FB*

42

33

30

28.5

25

Fibra neutro detergente

FND*

79

66

62

58

45

Fibra ácido detergente

FAD*

51

40

35.6

32

27

MS

88

86

86

86

40%

Matéria seca * Valores sobre o seco

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PRODUÇÃO

ALIMENTAÇÃO

é muito abundante no mercado, tratando-se de uma cultura mais técnica que uma pastagem. O Gráfico 1 permite-nos compreender que os animais apresentam uma eficiência alimentar que é máxima ainda durante a fase inicial do seu desenvolvimento. A fase mais indicada para utilizar quantidades superiores e tipos diferentes de forragem é na fase inicial do crescimento (Anderson, 1991). Vários factores afectam a interacção entre tipos de forragem e desempenhos de crescimento. O conforto dos animais e o acesso ao alimento é no entanto a primeira limitação. Deve ser sempre adaptada a alimentação segundo a raça, idade e objectivos de produção específicos. No caso das forragens fermentadas (silagens e feno-silagens), como forma de garantir um aporte alimentar equilibrado de acordo com o arraçoamento predefinido, a mistura completa (em unifeed p.ex.) é a maneira mais aconselhável de fornecer a mistura. Uma mistura que utilize fenosilagem, silagem ou feno em mistura completa com o concentrado

deve, para maximizar as performances, ter uma dimensão compreendida entre 4 e 6 cm (Anderson, 1991). Propomos o exercício teórico de optimizar 2 rações para novilhos em engorda com as características descritas na Tabela 2. Disponibilizando apenas palha como forragem para um cenário e várias forragens num segundo cenário (Tabela 3), embora se trate de um exercício teórico no seu todo é possível verificar que um programa alimentar pode tornar-se mais económico se existir uma oferta de forragens diversa. Existem dois aspectos apenas que gostaria de sublinhar: o primeiro é que a disponibilização de um feno de alguma qualidade fez a palha, com os preços considerados, perder o interesse no arraçoamento; em segundo lugar, mesmo com alguma proteína a menos no segundo cenário os ganhos médios diários limitantes não saem prejudicados. A proteína e energia aportada das forragens acabou por favorecer os custos globais. !

Tabela 2

Gráfico 1

Indicação para engorda Peso entrada

250

Kg

Peso vivo final

665

Kg

Peso Carcassa

400

Kg

Rendimento de Carcassa

60

%

Ganhos Médios Diários alvo

1300

gr

Duração engorda

319

dias

Preço entrada do animal

550

Preço do Kg de Carcassa

3,6

Condições

GMD (IC MS/kg ganho)

Limousine

GMD (kg/dia)

Raça

Efeito da idade sobre a evolução do ganho de peso médio diário (GMD) e índice de consumo (IC) em novilhos de raça frísia (Guilhermet et al. 1980)

Peso vivo (kg)

Arraçoamento Único

Ganho de peso vivo Índice de consumo

Tabela 3

Simulação para 2 cenários de disponibilidade de matérias primas a preços constantes MATÉRIAS PRIMAS Palha Silagem Azevém MS40 PB11 Silagem de Milho MS35 PB6.9 AMD29 Bagaço de Soja 44 Cevada Sêmea de Trigo Milho Feno de Gramíneas pb7.65 ndf57 Núcleo Engordas *

€/Ton**

Disponível para optimizar

Cenário 1 (kg/animal/dia)

Disponível para optimizar

Cenário 2 (kg/animal/dia)

80 60 55 300 210 185 205 110 800

sim não não sim sim sim sim não sim duração (dias) GMD limite (gr) custo/animal/dia (€) custo/Kg carcassa (€)

2,7 — — 1,58 1 0,8 3,6 — 0,38 319 1300 2,11 1,62

sim sim sim sim sim sim sim sim sim duração (dias) GMD limite (gr) custo/animal/dia (€) custo/Kg carcassa (€)

0 5,33 0 0,85 1 0,8 2,85 2,07 0,38 319 1300 2 1,54

custo alimentar total (€)

673

custo alimentar total (€)

638

MS ingerida (kg) MS ingerida/100 Kg PV UFC/Kg MS PDIN PDIE PB (%) Ca (gr) P (gr)

8,96 1,8 0,91 116 116 16 7,81 3,8

MS ingerida (kg) MS ingerida/100 Kg PV UFC/Kg MS PDIN PDIE PB (%) Ca (gr) P (gr)

8,96 1,8 0,91 102 100 15,45 8 3,7

*- núcleo composto por gordura by-pass, bicarbonato de sódio, ureia, cálcio, fósforo e prémix mineral e vitaminico **- preços teóricos de mercado

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PRODUÇÃO

A influência dos factores não-nutricionais na produção de leite

A “Prova dos 9” Pedro Torres, Engº Zootécnico, SAPROGAL, S.A. p.torres@iol.pt

Quando me convidaram a escrever um artigo técnico para esta publicação, além de satisfeito pelo convite, fiquei algo “desassossegado”. “Desassossegado” porque, como “todos” os técnicos de campo, não desenvolvo trabalho científico. Logo, quando me é solicitado este tipo de participações, e não sendo pedido apenas artigo de opinião, tenho sempre de me socorrer de bibliografias, caso contrário corro o risco de, e apesar de bem-intencionado, poder transmitir ideias ou informações erradas a quem lê, pois nem sempre aquilo que pensamos ser correcto na nossa vida prática se revela uma verdade universal. Dada a actual conjuntura de crise geral quis escolher um tema que pudesse, não só conjugar os registos bibliográficos (científicos) com a prática do dia-a-dia, como também pudesse contribuir para ajudar os produtores de leite (pelo menos alguns) a melhorarem efectivamente a rentabilidade económica das suas explorações. Como profissional, desempenho funções de assistência técnica nutricional a explorações de vacas de leite pela Saprogal Portugal, SA, e no decorrer da minha actividade, quer eu quer os meus colegas, somos muitas vezes confrontados com a incapacidade de demonstrar aos produtores (clientes ou não) a efectividade real de algumas medidas, não alimentares, que aconselhamos. Por exemplo, todos achamos ser útil a realização do pedilúvio, mas não é fácil quantificá-lo economicamente durante uma visita de acompanhamento. E, como resultado prático, temos muitas vezes uma reacção de desconfiança da outra parte que muitas vezes acaba por achar que estamos a desculpabilizar a alimentação ou, mais especificamente, a “ração” que vendemos. Sendo o principal mercado da Saprogal Portugal o mercado de vacas de leite, somos uma empresa focada neste sector, e como tal, os primeiros a reconhecer a importância de uma alimentação correcta e equilibrada como instrumento fundamental para o sucesso de uma exploração de leite. Por essa razão, na Saprogal investimos nas pessoas, trabalhando com técnicos com formação científica e prática, e na rastreabilidade dos produtos, desde a matéria-prima ao produto acabado.

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No entanto, o sucesso de uma vacaria não depende única e exclusivamente da assertividade alimentar da mesma. E ainda são inúmeras as falhas elementares que encontramos em muitas das nossas explorações. Muitas vezes porque o produtor não consegue estabelecer, ou até acreditar, que existe uma verdadeira relação de benefício financeiro entre a realização de algumas tarefas e o proveito económico gerado pelas mesmas (em termos práticos, sabemos quantificar economicamente as perdas de uma mamite, mas temos muita dificuldade em quantificar as diferenças produtivas/económicas entre o “fazer a cama” das vacas uma vez por semana ou uma vez de 15 em 15 dias). Por esse motivo, escolhi dar a conhecer um trabalho realizado em Espanha em 2006 e que se intitula: “Associações entre factores não relacionados com a dieta e a produção de leite”,o qual vem demonstrar e provar a real importância que todos os procedimentos não relacionados com a dieta alimentar têm na produtividade das vacas. Neste estudo o “principal” factor capaz de influenciar a produção de leite – a dieta alimentar - é completamente excluído e são estatisticamente quantificados de que maneira “todos” os outros factores são capazes de condicionar a produção de leite e a rentabilidade económica das explorações. É o único trabalho que conheço a fazer esta abordagem de forma tão ampla e tão prática e com conclusões tão facilmente interpretáveis. Ao apresentar este trabalho não pretendo de forma alguma tentar diminuir a importância da alimentação na produtividade das explorações leiteiras, mas sim demonstrar “cientificamente” que, todas as medidas realizadas em beneficio da “vaca” se traduzem em benefício económico para o “dono da vaca”. Posto isto, passo a descrever resumidamente o ensaio, bem como algumas das principais conclusões que se tiraram após a análise dos dados recolhidos:

“Associações entre factores não relacionados com a dieta e a produção de leite” Em 2006, no Nordeste de Espanha e durante 8 meses foi oferecida exactamente a mesma dieta de lactação a 47 explorações de vacas de leite (aproximadamente 3.129 vacas) que partilhavam


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PRODUÇÃO

uma base genética semelhante (genética maioritariamente Canadiana). Existiam inicialmente mais explorações, mas que foram excluídas do ensaio por fornecerem às vacas forragens ou outros aditivos para além do TMR (Total Mixed Ration – Unifeed) definido. O TMR (Tabela 1) era diariamente preparado na “Pirenaica Societat Cooperativa Catalana Limitada” e distribuído uma vez por dia a cada associado. A experiência foi efectuada e acompanhada por 9 pessoas que recolheram uma enorme quantidade de dados sobre os proprietários (nº trabalhadores, horas de trabalho…), sobre os animais (performance reprodutiva, genética…), sobre as instalações (número de cubículos, limpeza…) e sobre o maneio (frequência de alimentação, nº de ordenhas…). Foram ainda recolhidos dados referentes à qualidade química da água bem como se registaram as produções de leite atingidas, assim como os seus parâmetros de qualidade (Tabela 2). Tabela 2

Resumo das observações efectuadas nas 47 explorações submetidas à mesma dieta de produção Gestão

Nº de trabalhadores • Idade do(s) proprietário (s) • Horas de trabalho/ dia • Dias de trabalho/ semana e trabalhador • Investimentos recentes (tractor novo, sala ordenha…) / Planos futuros (vontade de continuar)

Assistência a vitelos

Número de animais • Alimentação de colostro (nº doses, volume…) • Tipo e quantidade de leite (gordo, substituição, taxa de diluição…) • Idade de desmame • Método de desmame (abrupto ou progressivo) • Disponibilidade de forragem (quando foi oferecida a 1ª vez) • Disponibilidade de água (quando foi oferecida a 1ª vez) • Taxa de mortalidade • Método de alojamento (individual vs. grupo)

Assistência a novilhas

Número de animais • Idade na 1ª reprodução • Idade na 1ª parição • Taxa de mortalidade • Taxa de fertilidade

Assistência a vacas secas

Número de animais • Duração do período seco • Animais por grupo • Tratamento de mamites (É feito? Como?) • Gestão meticulosa (É efectuada? Quando?) • Corte dos cascos (com que frequência e quando?)

Assistência a vacas em lactação

Número de animais • Sistema de alojamento • Nº de alojamentos por vaca • Manutenção dos alojamentos • (frequência de limpeza, aspecto geral) • Número de bebedouros por vaca • Espaço na manjedoura por animal • Manutenção do bebedouro • (frequência de lavagem, aspecto geral) • Gestão das manjedouras (procedimento de limpeza, recusas de alimento, ‘feed pushups’, etc.) • Nº de ordenhas diárias • Tempo de ordenha h/dia • Configurações da ordenha (nível de vácuo, tipo de sala de ordenha) • Rotina de ordenha (luvas, toalhas de papel, imersão…) • Taxa de refugo • Razões de refugo • Taxa de fertilidade • Dias de lactação • Dias de lactação na 1ª reprodução • Tratamento dos cascos (frequência e quando)

As explorações encontravam-se todas localizadas num raio de 50 Km, a uma altitude média de 800 m acima do nível do mar, sendo que as temperaturas médias rondavam os 4,6 ºC, 10,9 ºC, 21,4º C e 11,4ºC, respectivamente no Inverno, Primavera, Verão

Tabela 1

Composição em Ingredientes e Nutrientes do TMR fornecido às 47 explorações

Item

Ingrediente, % de MS

Silagem de milho Silagem de triticale Farinha de milho Farinha de soja Feno de luzerna Farinha de cevada Farinha de glúten de milho Polpa de beterraba Sêmea de trigo Vagem de sementes de soja Molasso Farinha de centeio Feno de festuca-dos-prados Bicarbonato de sódio Óleo de palma Sementes de soja extrudidas Cloreto de sódio Prémix minerais-vitaminas Óxido de magnésio Ureia Carbonato de cálcio Nutriente Proteína bruta, % de MS Fibra detergente neutra, % de MS Hidratos de carbono não-fibrosos, % de MS Extracto de éter, % de MS Energia líquida de lactação, Mcal/kg de MS

Composição 26.7 12.9 11.8 10.2 7.2 5.6 5.2 4.5 3.2 3.1 2.5 2.4 2.3 0.8 0.55 0.42 0.33 0.20 0.13 0.13 0.08 16.1 35.8 40.4 3.3 1.62

e Outono. A precipitação anual média rondava os 500 mm. O número médio de vacas por exploração era de 68 (mínimo de 23 vacas e máximo de 232 vacas). A idade média dos proprietários era de 43,6 anos, trabalhando uma média diária de 8,5 horas diárias durante 6,5 dias da semana. Na altura do ensaio 93,6% dos inquiridos respondeu que pretendia continuar com o negócio no futuro e 44,7% tinha recentemente realizado investimentos na exploração. Após a introdução ao ensaio efectuado, passo a expor alguns dos resultados encontrados. Chamo a atenção para o facto de que todos os resultados apresentados têm por base a análise estatística dos dados. Dizem respeito aos valores encontrados neste ensaio, pelo que por vezes poderão contrariar outros estudos. São o resultado das condições encontradas neste estudo e como tal o seu significado poderá ser algumas vezes relativizado.

RESULTADOS Apesar da alimentação das vacas em lactação destas 47 explorações ser exactamente igual, a média de produções de leite oscilou entre os 20,6 e os 33,8 Kg/dia, o que perfaz um diferencial de 13,2 Kg de leite entre explorações (1 Kg leite = 0,97 Litros leite) Que diferenças permitiram tamanha disparidade?

»

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PRODUÇÃO

» DADOS E SUA INTERPRETAÇÃO 87,2 % dos produtores alojavam as vitelas individualmente. As vitelas recebiam uma média de 2,2 doses de colostro com cerca de 2,2 litros cada - Não foi encontrada qualquer relação entre a quantidade de colostro administrado e os índices de mortalidade das vitelas. “Provavelmente o aspecto mais importante é a combinação entre o intervalo de tempo que medeia entre o nascimento e a administração do colostro e a quantidade de colostro administrado” Morin et al., 1997, embora este aspecto não tenha sido avaliado neste estudo. - O índice de mortalidade das vitelas apresentou uma tendência para ser inferior nas explorações que procediam a desmames suaves (1 a 2 semanas) comparando com aquelas em que o faziam abruptamente (Desmame médio: 80,5 dias).

A duração média do período seco foi de 59,3 dias, sendo que 57,5% dos produtores usavam uma dieta de pré-parto durante 11,2 dias - Não foi encontrada neste estudo qualquer relação entre o uso de dieta de pré-parto e a produção de leite. Pode-se presumir que existem vários sistemas de alimentação de pré-parto funcionais. - No entanto, as explorações que utilizavam dietas pré-parto apresentaram taxas de refugo inferiores.

51% das explorações aparavam os cascos das vacas no período seco - Não foi encontrada qualquer relação entre esta medida e a produção de leite. - No entanto foi verificada uma tendência de maior incidência de problemas de patas nas vacarias que não realizavam esta medida no período seco quando em comparação com aquelas que o faziam. Outros estudos (Espejo e Endres, 2007) já tinham demonstrado que a prevalência de problemas de patas é maior nas vacarias em que os cascos são aparados em resposta a problemas, quando com-

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paradas com outras vacarias em que os cascos são aparados por manutenção.

80,9% das explorações faziam pedilúvio pós-ordenha - Apesar de estatisticamente pouco significativa, constatou-se uma maior taxa de refugo por problemas de patas nas explorações onde não se realizava pedilúvio.

Nas vacas em lactação, apesar da dieta ser a mesma, a ingestão variou entre 16,2 a 24,8 kg de MS - As razões para esta variação são atribuídas ao maneio (factor “homem”) e às condições de estabulação das vacas. - Tal como esperado a quantidade de alimento distribuído apresentou uma correlação positiva com a produção de leite. - Dos parâmetros analisados, apenas o rácio entre o nº de cubículos por animal em lactação se correlacionou positivamente com a quantidade de alimento consumida vaca/dia.

59,6% das explorações forneciam alimento suficiente às vacas para garantir “sobras” - Estas explorações apresentaram tendência em produzir mais leite (29,1Kg leite/dia) do que aquelas em que não existíam “sobras” (27,5Kg leite/dia) = + 1,6 Kg leite/dia. - Surpreendentemente não foi encontrada qualquer correlação entre o nº de “cornadis” e espaço à manjedoura com a performance animal, incidência de problemas de patas ou indice de refugo. Este facto poderá ser justificado pelo elevado espaço médio à manjedoura/vaca - 69 cm/animal -, cuja medida é considerada suficiente para não ser limitadora. Grant e Albrigth (2001) concluiram que a dimensão minima por vaca à manjedoura, para ser considerada crítica, são 20 cm/cabeça.

Apenas 10,6% das explorações não empurravam a comida na manjedoura ao longo do dia - O procedimento de empurrar a comida na manjedoura demonstrou ter um impacto positivo na produção de leite (28,9 Kg leite/dia Vs 25,0 Kg leite/dia = + 3,9 kg leite/dia).


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PRODUÇÃO

- Não foi encontrada relação estatística entre o nº de vezes que se empurrava a comida e a produção de leite. Alguns produtores empurravam a comida até 4X/dia enquanto outros apenas o faziam 1X. Parece que o mais importante é que as vacas tenham sempre alimento ao seu alcance (Albright, 1993).

85,1% das explorações possuíam as vacas em cubículos livres (1,1± 0,24 cubículos) - apenas 29% destas explorações possuíam menos de 1 cubículo/vaca - Foi encontrada uma relação positiva entre o nº de cubículos por vaca e a produção de leite. - Foi verificado que, em função do estado de manutenção dos cubículos, a produção de leite oscilava até 38%. A produção de leite é tanto maior quanto melhor o grau de manutenção dos cubículos. - Foi identificada uma relação negativa entre o nº de cubículos/vaca e os índices de refugo. Grant e Albright (2001) reportam que a sobrelotação aparenta reduzir a fertilidade, altera comportamentos de repouso e reduz a actividade ruminal. A sobrelotação tem sido associada ao incremento de problemas de patas (Wierenga e Hopster, 1990) e a redução de tempos de mastigação (Huzzey et al., 2006). Este ensaio demonstra que a sobrelotação tem um impacto negativo na produção de leite mas a sublotação não trás aumentos de produtividade. As diferenças de produtividade, quando compararam apenas explorações com um ou mais cubículos/vaca, não apresentaram variações estatisticamente significativas.

Apenas 19,1% das explorações possuíam grupos isolados para vacas em pós-parto (apesar disso era-lhes fornecida a mesma alimentação) - Apesar de estatisticamente ser pouco significativo, verificouse uma diferença positiva de 1,6 Kg leite/dia para os animais em pós-parto confinados em parques próprios.

55% dos produtores usavam luvas durante a ordenha - Apesar de contraditório com outros estudos, foi verificada uma tendência para menor CCS em produtores que usavam luvas (202,282 cells/ml) face aos que não usavam (266,306 cells/ml). - Como esperado foi detectada uma correlação negativa entre as CCS e a produção de leite.

68,1% dos produtores utilizavam toalhas de papel para limpar/secar os tetos antes de colocarem as tetinas - Produtores que usavam toalhas de papel apresentaram tendência para ter menos CCS (202,485 cells/ml) e maior produção de leite (29,1 Kg/dia) face aos que usavam toalhas de pano (295,392 cells/ml e 27,2 Kg leite/dia).

CONCLUSÕES Perante o resultado encontrado - diferencial de 13,2 Kg de leite entre explorações - e após a observação dos dados, podemos dar como provado que nem só da alimentação se fazem os resultados produtivos/económicos de uma exploração leiteira. Mas, acima de tudo importa reter a mensagem de que existe um benefício económico real na aplicação das boas práticas de trabalho. Contudo, importa realçar que qualquer um dos factores analisados, só por si, terá um modesto contributo para o resultado final. É legitimo concluir que é da conjugação, destas e de outras medidas (todos elas dependentes da decisão do produtor), que se cria o efeito sinérgico que origina as condições óptimas para a produção de leite. Certamente que os produtores com produções de leite mais elevadas serão aqueles que têm as melhores “camas”, mas também serão os que fazem profilaxia aos cascos e provavelmente também serão os que empurram o TMR e provavelmente também serão os com maiores cuidados a nível de fertilidade… Tudo o que proporcione maior grau de conforto e saúde às vacas é naturalmente convertido em leite mais barato. Mais uma vez insisto: tudo o que, na medida do razoável, for feito em benefício do bem-estar da “vaca” traduz-se em benefício económico para o “dono da vaca”. Espero, com a ajuda deste estudo, ter relembrado aos mais esquecidos e demonstrado aos mais incrédulos, que realmente existem ainda (para muitos casos) muitas melhorias que se podem realizar nas explorações com baixos investimentos e que a médio prazo se traduziriam com toda a certeza em melhores resultados económicos. A consciencialização do produtor para o seu papel nos resultados da sua exploração é uma necessidade, uma vez que só assim as explorações/empresas conseguem evoluir e, nesta altura tão difícil, fazer face à crise global. ! Saúde… e Leite no Úbere… Referências: A. Bach, N. Valls, A. Solans, and T. Torrent. 2008. Associations Between Nondietary Factors and Dairy Herd Performance. J. Dairy Sci. 91:3259-3267.

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PRODUÇÃO

ALIMENTAÇÃO

BIOTINA, a vitamina da persistência e da longevidade Carla Aguiar (Directora Técnica da Invivonsa Portugal) e Equipa Técnica da Invivo NSA A componente “firme-service” apresenta-se como um dos pilares fundamentais da Invivonsa Portugal, tendo como objectivo principal fornecer aos clientes apoio abrangente ao nível da sua actividade de forma a tirar dai o melhor resultado técnico e económico. Neste contexto a Invivonsa Portugal está preocupada também na análise e avaliação criteriosa das propostas dos fornecedores, testando e elegendo a utilização de soluções que forneçam resultados efectivos e mais-valias ao produtor quer no aumento da produção quer na rentabilidade. Neste caso foi avaliada a eficácia da Biotina a vários níveis, conjugando a pesquisa bibliográfica com testes ao nível do terreno levados a cabo pela INZO no âmbito do Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento da Invivo NSA em conjugação com a AGRIAL (Cooperativa Agropecuária parceira da Inzo). A Biotina, ou vitamina H é, como muitas vitaminas, um intermediário indispensável no funcionamento das enzimas. A sua acção é particularmente predominante nas numerosas reacções do metabolismo energético, ao nível do fígado e do rúmen. De facto, a Biotina intervém como cofactor na neoglucogénese hepática e na fermentação dos glícidos no rúmen. Os seus efeitos positivos são visíveis na produ-

NO FÍGADO Aumenta a neoglucogénese e a utilização do propionato

BIOTINA

ção leiteira graças a uma melhor persistência e na reprodução e qualidade dos cascos, o que faz da Biotina, a vitamina da persistência leiteira e da longevidade.

O FÍGADO, CENTRAL ENERGÉTICA DO RUMINANTE O fígado é capaz de utilizar todos os nutrientes que chegam pelo sangue (aminoácidos, ácidos gordos) para os transformar em glucose, através de uma série de reacções bioquímicas chamadas neoglucogénese. A neoglucogénese é muito importante para a produção leiteira visto que duas moléculas de glucose dão origem a uma molécula de lactose. A quantidade de lactose sintetizada determina o volume de leite que o animal pode produzir.

BIOTINA E QUALIDADE DOS CASCOS Historicamente, a Biotina é conhecida pelos seus efeitos benéficos sobre a qualidade dos cascos, em particular nos cavalos e bovinos. Inúmeras referências demonstram a sua eficácia na prevenção de lesões da linha branca, da úlcera do casco e de dermatites interdigitais que estão na origem de elevadas taxas de refugo. »

NO RÚMEN: Aumenta formação de propionato a partir dos glucidos

MODO DE ACÇÃO DA BIOTINA A Biotina favorece a produção de C3 (propionato) ao nível do rúmen, e reforça, sobretudo, a neoglucogénese ao nível do fígado. Estas duas principais acções permitem um aumento da produção de glucose pelo fígado e melhoram a produção leiteira. A Biotina é assim a vitamina da persistência leiteira.

NO ÚBERE: Aumenta a síntese da lactose

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BIOTINA AUMENTO DA PRODUÇÃO DE LEITE

NOS CASCOS: Melhora a qualidade da córnea e dos cascos

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PRODUÇÃO

ALIMENTAÇÃO

» Tabela 1

Efeito da suplementação com biotina na melhoria dos problemas de patas

Distl and Schmid (1994)

Úlceras

Erosão do talão

V

V

Midla and Hoblet (1998)

Lesões linha branca

Dermatite digital

Hemorragias do casco

V

V

V

Campbell et al. (2000) Voigt et al. (2000)

Fissuras verticais

V V

Fitzgerald et al. (2001)

V Redução significativa das claudicações e tratamentos antibióticos

Hedges et al. (2001)

V

Bergsten et al. (2001) Twardon et al. 2009

V Melhoria significativa ao nível da incidência de problemas de cascos

As claudicações possuem incidência económica directa no resultado de uma exploração leiteira Segundo um estudo realizado pelo INRA/ENV, o peso económico deste tipo de problemas, representa 6% dos custos veterinários de uma exploração leiteira. Para além disso, os problemas das patas estão muitas vezes na origem de outros distúrbios: os animais tendem a ter dificuldades para se movimentarem, diminuem a ingestão, ficando assim mais propensos ao aparecimento de distúrbios metabólicos como a cetose. Com problemas de cascos, as vacas têm mais dificuldade em exprimirem os sinais de cio, afectando negativamente as performances reprodutivas.

Gráfico 1 (Fonte:INRA/ENV em 205 explorações leiteiras em França)

Impacto Económico das diferentes doenças das vacas leiteiras. Doenças metabólicas digestivas

20%

Doenças associadas parto

15%

Problemas cascos

6%

1%

Distúrbios da reprodução

Parasitismo

20%

Mamites/ células

40%

BIOTINA E PRODUÇÃO DE LEITE Diversos ensaios realizados quer em estações experimentais quer em explorações leiteiras demonstram o efeito positivo da suplementação com biotina na produção de leite. O efeito do aporte da Biotina é ainda mais marcado em animais de alta produção onde o fígado tem um papel predominante, graças à neoglucogénese, na produção de glucose. Os AGV (Ácidos Gordos Voláteis) produzidos pelo rúmen não são suficientes para cobrir as necessidades em energia da vaca. É também o caso no inicio da lactação quando os AGV produzidos são limitados pelo volume reduzido do rúmen devido à gestação.

Explorações Leiteiras

Durante o período de inverno a INZO em parceria com a AGRIAL levou a cabo diversos ensaios com biotina em explorações equipadas com robô de ordenha. Este equipamento permitiu obter um grande número de dados de produção, comparando períodos sem biotina, períodos com biotina e novamente sem biotina.

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Tabela 2 (Fonte: INZO/AGRIAL)

Efeito da suplementação com biotina na produção de leite Biotina (mg/VL/dia)

Nº Vacas no ensaio

Produção leite início ensaio (l)

Efeito Biotina (l)

20

75

28

+1,5

40

70

28

+1

20

28

30

+1

20

43

25

+2

20

45

25

+3

20

43

27

+3

40

47

25

+2

20

37

31

+0,5


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PRODUÇÃO

ALIMENTAÇÃO

Gráfico 2 (Fonte: INZO/AGRIAL)

Efeito da suplementação com biotina na produção de leite Persistência da lactação sem Biotina

litros/dia

Persistência da lactação com Biotina

Sem Biotina

Com Biotina

Sem Biotina

Tabela 3

BIOTINA E REPRODUÇÃO

Estações experimentais

O défice energético é um dos principais factores limitantes da fertilidade. A biotina intervém ao nível do metabolismo energético influenciando favoravelmente as performances reprodutivas.

Efeito da suplementação com biotina na produção de leite

Bonomi et al. (1996) Midla et al. (1998) Bergsten et al. (2001) Fitzgerald et al. 2000) Hedges et al. (2001) Zimerly et al. (2001) Margerison et al. (2002) Majee et al. (2003) Enjalbert et al. (2007)*

Biotina Leite Ganho leite (mg/VL/dia) (kg/VL/dia) (kg/VL/dia) 0 33,6 10 35,1 +1,5 0 38,7 20 39,7 +1,0 0 32,7 20 34,6 +1,9 0 18,0 20 19,0 +1,0 0 23,1 20 23,4 +0,3 0 36,9 10 37,8 +0,9 20 39,7 + 2,8 0 37,2 20 39,2 +2,0 0 37,2 20 38,9 +1,7 0 38,3 20 42,3 +4,0

Gráfico 3

Efeito da suplementação com biotina nos parâmetros reprodutivos Controlo

Parto-1º Cio(d)

Biotina

Parto-1º ins.(d)

Parto-IF.(d)

n inseminações 10

*Em multíparas até às 6 semanas de lactação

CONCLUSÃO

Lean et Rabiee, 2011, fizeram a revisão e análise comparativa de 11 estudos realizados ao longo dos últimos anos, tendo como objectivo avaliar a eficácia da suplementação de biotina em vacas leiteiras, na produção de leite. Desta meta-análise concluíram que a Biotina aumentou a produção de leite em 1,29 kg/vaca/dia (intervalo de confiança de 95% - 0,35 a 2,18 kg), tendo sido observada uma tendência positiva nos teores de proteína e gordura. O efeito da suplementação com biotina na produção de leite foi elevado, e os efeitos na proteína e gordura, apesar de não significantes, são consistentes com a direcção e magnitude da resposta na produção de leite.

Analisando os diferentes estudos realizados quer em estações experimentais quer em explorações leiteiras conclui-se que um fornecimento de 20 mg de biotina por vaca e por dia, traduz-se em: Aumento de produção de 1,5 a 2 kg de leite, em média, sem modificação na sua composição (TB e TP) Efeito positivo na saúde dos cascos Sem efeito na ingestão de matéria seca Melhoria das performances reprodutivas ! Bibliografia disponível sob pedido

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ECONOMIA

OBSERVATÓRIO Breves comentários e previsões sobre o mercado de matérias-primas Paulo Costa e Sousa, Engº Agrónomo Director Comercial da Louis Dreyfus Commodities - Portugal Nota: Os preços e os cenários previstos para a evolução dos mercados de matériasprimas estão sujeitos a muitos imponderáveis e exprimem apenas opiniões profissionais à luz do melhor conhecimento num determinado momento. Assim, a Revista Ruminantes não garante a confirmação e/ou o cumprimento dos preços e previsões feitas sobre os preços das matérias-primas sujeitas à analise do Observatório dos Mercados, não constituindo assim ofertas de compra ou de venda.

CEREAIS Pela primeira vez desde já há algum tempo pudemos disfrutar de alguma calma no mercado de cereais, entendendo calma não no sentido de uma queda abrupta, mas sim no de uma estabilização dos preços. Efectivamente, os preços dos cereais no último mês terão tido relativamente pouca variação contra o que estamos habituados, movendo-se num relativamente curto intervalo abaixo de 200 euros. Além disso, a sua variação tem estado intimamente ligada à flutuação cambial mais do que à sua variação em dólares nas origens. O caso do milho, que para Portugal é o cereal de referência uma vez que o seu consumo é cerca de 75% do total de cereais na alimentação animal, tem tido ultimamente uma fraca volatilidade. A origem principal desta situação está na Ucrânia que segue o seu programa de exportações com regularidade, e onde não tem havido nenhum factor particularmente agressivo a esse programa de modo a provocar alterações substanciais. Algumas compras não habituais feitas por países asiáticos, que habitualmente se abastecem nos EUA, estabeleceram um suporte aos preços, mas a partir daí não se observaram grandes alterações uma vez que a esperada compra de milho por parte da China tarda em aparecer, se é que irá acontecer. Se tudo correr ao ritmo actual, iremos ver milho ucraniano no mercado, praticamente até enlaçar com a colheita de trigo no Verão. Quanto ao trigo tem sofrido alguma solidificação do preço uma vez que, quer da Ucrânia quer da Rússia, o chamado trigo forrageiro parece ter desaparecido em virtude de a maior parte do trigo ter qualidade de moagem. Assim sendo, pensamos que o concurso para importação de trigos de Terceiros países, que se avizinha, dificilmente terá o impacto nos preços que se desejava.

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No caso dos cereais (nas proteínas por maioria de razão) há que estar atento ao factor cambial, uma vez que qualquer pressão sobre o euro condiciona negativamente os preços. Outro sinal a observar será o relatório do departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), do próximo dia 12 de Janeiro, que nos informará quer dos números finais da colheita 2010-2011, bem como dos primeiros números avançados para a colheita seguinte. À laia de conclusão, aparte alguma retenção feita pelos agricultores nas origens, parecem não se vislumbrar muitos sinais particularmente altistas no horizonte dos próximos meses, admitindo que mais tarde ou mais cedo esses cereais deverão começar a ser soltos para o mercado. A procura no mercado EU continua a ser fraca, devido a toda a situação macro-economica, pelo que a oferta parece mais do que equilibrar essa procura, que tarda em se lançar.

PROTEÍNAS Nas proteínas também não parece haver factores que façam subir os preços, avizinhando-se boas colheitas na América do Sul e continuando fraca a procura quer de bagaços quer de óleos. No caso particular de Portugal, algum excesso de oferta de bagaços de girassol e de colza contribuiram para uma depressão nos preços das proteínas em geral. Houve ainda uma mudança curiosa no mercado português, com alteração de fabrico de Biodiesel com base em óleo de soja para óleo de girassol e a consequente diminuição drástica na extracção de óleo de soja por parte de algumas extractoras portuguesas, o que leva a que a importação de bagaço de soja passe de conjuntural para estrutural, ou seja, que Portugal agora necessite em absoluto de importar bagaço de soja, uma vez que a actual produção nacional não cobre as necessidades da indústria de alimentação animal. !


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ECONOMIA » EVOLUÇÃO DO PREÇO MÉDIO DE ALIMENTOS COMPOSTOS PARA ANIMAIS (em Euros/Tonelada) €/ton

Novilhos de engorda

Meses »

€/ton

€/ton

»Fonte: IACA

Borregos de engorda

Meses »

Vacas leiteiras em produção

€/ton

Ovelhas leiteiras em produção

Meses »

Meses »

EVOLUÇÃO DO PREÇO MÉDIO DE MATÉRIAS-PRIMAS (em Euros/Tonelada)

»Fonte: IACA

€/ton

Bagaço de colza

€/ton

Bagaço de soja

€/ton

Cevada

€/ton

Milho

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ECONOMIA

OBSERVATÓRIO Perspectiva do mercado leiteiro Fonte: LTO, SIMA

A produção de leite na UE, Nova Zelândia e Continente americano, de Janeiro a Outubro de 2011, aumentou entre 0,53% (Austrália) e +18,03% (Uruguai) comparado com o mesmo período de 2010. Na Europa de Leste e nos Países Bálticos não houve aumento devido a custos elevados. Fonte: Clal.it

mento do preço do milho ajustou-se à projecção das tendências - Argentina (+14,6), Brasil (+3,32%) e Uruguai (+18%): bons preços do leite à saída da exploração encorajam a produção de leite.

UM PANORAMA DA PRODUÇÃO Oceania

- Nova Zelândia: forte aumento (12,1%) na primeira metade da campanha 2011/12 devido a condições meteorológicas favoráveis e bons preços do leite. - Austrália: (+0,53%), a campanha iniciou a um ritmo lento na primeira metade da campanha sobretudo devido a problemas de crescimento do efectivo.

Europa

- EU-27: (+2,1%) alguns países estão a preparar-se para 2015, altura em que o sistema de quotas será abolido. - Europa de Leste e Países Bálticos: não existe aumento da produção por causa dos preços elevados. - Itália: bom desempenho da produção graças à estabilidade do preço do leite ao nível da exploração.

América

- EUA: (+1.6%) aumento do número de vacas leiteiras e em geral no rendimento médio das vacas, contudo o au-

PRODUÇÃO DE LEITE NA EUROPA

PRODUÇÃO MUNDIAL DE LEITE Janeiro a Agosto 2011

UE-27 - Panorama trienal das entregas de leite

Países exportadores

10.500

Argentina Austrália Brasil Chile Nova Zelândia Ucrânia UE-27 EUA Uruguai

10.000

Países importadores

13.000 12.500

11.500

(e) 6.729 * 5.342 * (e) 10.471 * 1.141 * 7.562 ** 7.698 ** 94.127 ** 66.941 ** 1.085 *

+14,63% +0,53% +3,32% +12,58% +12,10% -2,21% +2,11% +1,59% +18,02%

Japão 4.409 ** -4,70% Rússia 18.974 ** -2,20% México +0,01% (e) estimado — * Milhões de litros — ** Milhares de toneladas

dez

nov

out

set

ago

jul

jun

mai

abr

mar

Entregas

fev

11.000

jan

Tons (‘000)

12.000

± % no mesmo período do ano anterior

Volumes

2009 2010 2011

Fonte: Cial.it; Ismea.0,3

+4,9

+1,5 +1,6 +1,5

32

+2,7

+4,1 +3,6

+1,6

+3,4

+2,6 +2,7 +2,8

+3,0 +0,8 +0,6

+2,2

-0,3 -0,3

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ago ‘11

jul ‘11

jun ‘11

mai ‘11

abr ‘11

mar ‘11

fev’ 11

jan’ 11

dez ‘10

nov ‘10

out ‘10

set ‘10

ago ‘10

jul ‘10

jun ‘10

mai ‘10

abr ‘10

mar ‘10

-2,1 -1,4 fev’ 10

6% 4% 2% 0% -2% -4% -6%

jan’ 10

Evolução em %

UE-27: +2,38% (Janeiro a Agosto 2011 vs. Janeiro a Agosto 2010) UE-27: Entregas de leite (± % no mesmo período do ano anterior)


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ECONOMIA

Preço médio do leite em Outubro 2011 (€2.04 mais do que no ano passado)

Dinamarca

Aria Foods

33,65

36,12

Finlândia

Hãmeenlinnan Osuusmeijeri

43,21

45,25

Bongrain CLE (Basse Normandie)

35,64

34,21

36

Lactalis (Pays de la Loire)

34,50

34,08

34

Sodiaal

34,63

34,00

Danone

34,24

34,40

Dairy Crest (Davidstow)

34,60

31,14

Irlanda Itália Holanda

First Milk

32,46

28,08

Glanbia

33,91

33,69

Kerry

33,82

33,06

Granarolo (North)

40,42

39,85

DOC Kaas

35,83

37,01

Friesland Campina

37,91

37,02

28,98

31,80

32,50

31,49

35,48 33,44

32 30 28

27,66

26

2009 2010 2011

24 22 jan

Inglaterra

euro/ 100 kg

França

38

dez

33,61

nov

33,08

35,16

out

35,01

Nordmilch

set

Humana Milchunion eG

ago

34,65

jul

34,58

34,87

jun

33,22

Alois Muller

mai

Milcobel

Bélgica

abr

Média últimos 12 meses (3)

Companhia

O preço médio calculado do leite para as entregas, em Outubro de 2011, é de €35.48 por 100 kg de leite standard. Isto representa um aumento de 6,1% comparativamente com Setembro de 2010 (+ €2.04). Embora o nível de preço corrente permaneça alto, o aumento de preços estabilizou. Relativamente a Setembro, o preço médio do leite em Outubro diminuiu em €0,68.

mar

Preço do leite (€/100 Kg) OUTUBRO 2011

Países

Alemanha

Fonte: LTO

fev

PREÇO DO LEITE STANDARDIZADO (1)

PREÇO MÉDIO DO LEITE - OUTUBRO (2) Nova Zelândia

Fonterra

E. U. A.

(1) Preços sem IVA, pagos ao produtor; Preço do leite de diferentes empresas leiteiras para 4,2% de MG e 3,4 de teor proteico. (2) Média aritmética (3) Inclui o pagamento suplementar mais recente

» Portugal LEITE À PRODUÇÃO Preços Médios Mensais em 2011 Leite Adquirido a Produtores Individuais Meses

Eur / Kg

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT

0.242 0.247 0.246 0.242 0.241 0.237 0.237 0.237 0.254 0.324

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT

0.242 0.247 0.246 0.242 0.241 0.237 0.237 0.237 0.254 0.318

Teor médio de matéria gorda (%)

Fonte: SIMA Teor proteico (%)

CONTINENTE 4.01 3.96 3.90 3.75 3.70 3.75 3.74 3.79 3.85 3.81

3.16 3.16 3.17 3.14 3.07 3.03 3.02 3.05 3.09 3.22

4.01 3.96 3.90 3.75 3.70 3.75 3.74 3.79 3.85 3.91

3.16 3.16 3.17 3.14 3.07 3.03 3.02 3.05 3.09 3.24

AÇORES

De acordo com o último relatório LTO (Outubro 2011), a produção de leite na UE-27 no período de Janeiro a Agosto de 2011 foi superior em 2,2% comparativamente com o mesmo período de 2010, atingindo aproximadamente 2 milhões de toneladas. Os mercados das matérias primas lácteas estão ainda à procura de uma direcção. Presentemente, existe muita incerteza relativamente aos níveis dos preços correntes e à direcção futura dos preços. O mercado é cauteloso no que se refere ao impacto a longo termo que um abrandamento na actividade económica global poderá ter. O crescimento da produção de leite na Oceânia, bem como na Europa e EUA poderia portanto ser um determinante preponderante nos preços do leite para o próximo ano. Devido ao enfraquecimento da procura doméstica na Europa e nos EUA, haverá maior disponibilidade de leite para exportação. E se a procura mundial abrandar como resultado dum crescimento económico lento no próximo ano, este aumento adicional poderia facilmente pressionar em baixa os preços globais das matérias primas lácteas. De facto, o impacto seria bastante significativo num mercado lácteo pouco activo. Os mercados são geralmente condicionados uma vez que os compradores esperam para ver se os preços descem mais, esperando-se que a situação permaneça sem alterações até ao Natal. Com o aumento sazonal na oferta de leite europeu no Ano Novo, uma recuperação da procura global será necessária, pelo menos na mesma medida do que aconteceu no primeiro trimestre de 2011, para evitar uma acumulação de stocks e o aumento da pressão de baixa nos mercados. A procura do mercado internacional, principalmente da China e da Rússia caiu na segunda metade de 2011. Graças a uma procura forte e constante por parte de outros países chave, como os do Leste asiático, o mercado conseguiu manter-se estável. Contudo, com a China a reduzir as importações de leite em pó inteiro, existem sinais de que a Nova Zelândia pode procurar trocar o leite por manteiga e leite em pó desnatado e poderá aumentar as exportações para a UE. Este facto já desencadeou a quebra nos preços da manteiga. !

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ENTREVISTA

Robots de ordenha

N. MARQUES

Uma nova forma de estar no negócio

N. MARQUES

A Vale de Leandro - Agro-Pecuária Lda.é uma exploração familiar gerida em sociedade pelos irmãos Eduardo e Filipe Soares, por herança de seus pais que já levavam o negócio da criação de bovinos para produção de leite. Para além da pecuária, cultivam 40 hectares para rolos de erva e cerca de 30 hectares para silagem de milho. A mão-de-obra é familiar, à excepção de época de colheita do milho em que recorrem a ajuda externa.

N. MARQUES

Em Março de 2010, introduziram 2 robots de ordenha, um equipamento ainda pouco utilizado no nosso país que, para além de maior rendimento, permite uma melhoria da qualidade de vida dos produtores de leite. A Revista Ruminantes entrevistou os irmãos Soares acerca desta aquisição. Quando introduziu o robot na exploração? Filipe - Temos dois a trabalhar desde Março de 2010. Como foi a transição do sistema tradicional para o robot? Filipe - A transição não foi fácil, houve necessidade de adaptação, quer dos animais quer nossa. Trata-se de uma realidade nova e completamente diferente que obriga a um maneio distinto daquele a que nós e os animais estávamos habituados. As vacas tiveram dificuldade porque não comiam só ração em nenhum ponto específico, ou seja, nem em box de alimentação nem na sala de ordenha. O nosso sistema de alimentação era TMR. No sistema de ordenha robotizado, inicialmente, o grande atractivo para as vacas irem lá voluntariamente é a ração, até que se habituassem a essa rotina levou 3 a 4 meses. É muito importante a vacas iniciarem uma nova lactação com este sistema, para que circulem voluntariamente em pleno.

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Eduardo e Filipe Soares, com o seu pai.

As novilhas também têm problemas de adaptação? Eduardo - As novilhas requerem uma adaptação ligeira, podemos falar em 15 dias para estarem em pleno. Isto deve-se ao facto de não termos na nossa exploração um lote de primíparas para o robot, estas estão misturadas com as vacas adultas, que são sempre vacas dominantes. Assim sendo, as primíparas têm que disputar a entrada no robot; no entanto são estas que melhor se adaptam e mais ordenha fazem, uma vez que nunca conheceram outro sistema de ordenha.


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ENTREVISTA

denha incompleta ou, eventualmente, de uma mamite; esta informação é de fácil consulta, uma vez que o robot nos dá a informação teto a teto. Consultamos a lista de alarmes das vacas em que o leite foi desviado automaticamente pelo robot, quer seja por elevado nível de condutividade, quer seja por sangue no leite. Semanalmente, analisamos os desvios de produção e do consumo de ração. O robot baseia-se em 3 ou 7 dias de média de produção e em função disso estabelece o desvio com que a vaca está. Se ocorrer uma quebra, teremos que averiguar a origem de problema e actuar no sentido da resolução do mesmo. Todos estes dados consultados estão baseados nas configurações introduzidas por nós no sistema. Qual o número médio de ordenhas por dia? De que depende? Filipe – Estamos com uma média de 2,9 ordenhas/vaca/dia dos dois robots. Esta média pode variar em função do número de vacas que temos por cada robot, quanto mais vacas menos ordenhas, é simples e directo. O número de ordenhas depende também da saúde geral da vaca, da fase de lactação (quanto mais leite estiver a produzir mais visitas faz ao robot) e também da apetência que a vaca tem pela ração que é distribuída no robot.

Que sistema de tráfego utiliza (livre; guiado; semi-livre; inverso)? Eduardo - Para as nossas vacas, escolhemos o sistema semi-livre em que os animais têm livre acesso a água, comida e camas, e apenas tem um parque à entrada do robot com portas anti-retorno. Para acederem ao robot, têm que entrar para esse parque e a única saída é pelo robot. Este sistema permite uma total liberdade de escolha dos animais, contudo garantimos que as vacas atrasadas não ficam por ordenhar, ou seja as vacas “teimosas” são encaminhadas por nós até ao parque. Que dados da exploração são frequentemente analisados? Eduardo – A consulta dos dados é feita normalmente no computador do robot ou, em particular, directamente no animal, dependendo da situação. Diariamente consultamos, no computador, as vacas atrasadas, que são aquelas que estão com mais de 12 horas após a última ordenha, que normalmente são as mais velhas e/ou as que estão em fim de lactação, que representam cerca de 10% do efectivo. Estas vacas têm que ser encaminhadas para o parque do robot. Também consultamos a lista de vacas com tetos incompletos, e tentamos perceber a razão, se se trata de uma or-

N. MARQUES

Que recomendações podem fazem a quem planeia adquirir um robot? Eduardo - É preciso ter a consciência que um robot é apenas um meio auxiliar à exploração. Costumamos dizer que, apesar de não ordenharmos vacas, continuamos a ter vacas a serem ordenhadas. É preciso ter sempre isto em consideração. Depois de instalado o robot, recomendamos que é sempre necessário dar tempo aos animais para se adaptarem às novas rotinas, deixá-los conhecer a máquina durante 2 a 3 semanas, a circularem no robot apenas a comer ração.

Com que critério é estabelecido o número de ordenhas? Eduardo – Temos parametrizado para todo o efectivo que a vaca tem permissão de ordenha 4 horas após ter sido ordenhada pela última vez. Dependendo da fase de lactação, da produção e da permissão do robot, a vaca gere o número de visitas que faz ao robot. Temos vacas a fazer 4 ou até 5 ordenhas por dia, outras 2.

Como fazem a secagem das vacas? Filipe – A secagem é feita com 7 meses de gestação. Utilizamos o método de secagem brusca, em que as vacas são separadas do resto do efectivo que está em produção e colocadas num parque em que a alimentação é apenas palha e água à discrição nos dois a três dias antecedentes à secagem prevista. O robot requer uma ração especial? Quem faz a optimização da ração? Eduardo – O granulado deve ser bastante duro, ter um bom aroma e paladar de forma a ser apelativo para as vacas. A ração é especifica para o robot e é desenhada pelos técnicos da NANTA

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ENTREVISTA

que é a longevidade das vacas, todos sabemos que para além da produção é o numero de lactações; quantas mais fizer, mais produção vamos ter. Um dos factores importantes é a protecção dos ligamentos do úbere. E com este sistema, uma vaca de 60 litros dia acaba por estar sobrecarregada com 30 litros ao fim das 12 horas. Ou seja, não sabemos exactamente qual vai ser a longevidade duma vaca, mas em termos teóricos uma vaca vai ter mais uma lactação, o que é significativo para quem quer baixar a taxa de reposição.

N. MARQUES

Com a introdução dos robots, reduziu o número de empregados na exploração? Eduardo – Como a exploração é familiar, não foi necessário reduzir o número de empregados. O tempo livre das horas de ordenha é dedicado a outro tipo de serviços, como consulta dos dados do computador, acompanhamento dos animais para detecção de cios, etc.

O maneio apropriado traz tranquilidade ao efectivo.

que são os que dão apoio nutricional à exploração, pois tem que estar equilibrada com o bolo alimentar do unifeed. A ração do robot e a ração do unifeed são diferentes, mas complementam-se de forma a suprir as necessidades das vacas em lactação. Esta optimização resulta de um trabalho de equipa entre nós e os técnicos da NANTA. A utilização de robot requer um maneio especial? Filipe – Nós trabalhamos de uma forma diferente daquela que trabalhávamos com o sistema de ordenha tradicional. No sistema tradicional tínhamos um lote de média/alta e um lote de baixa produção e recém-paridas. Neste momento existem lotes, mas os de produção são indiferenciados. O robot é que faz a compensação dessas vacas, em função da produção, com mais ou menos ração. No computador do robot temos uma tabela de alimentação em função da produção, quanto mais produção mais ração, claro, até um limite, e também em função do número de dias de lactação. Relativamente ao método actual, existe uma melhor optimização da ração fornecida a cada vaca. Resumindo, o robot para além de uma estação de ordenha, funciona como uma box de alimentação em que cada vaca consome em ração apenas aquilo que está calculado consoante a sua produção. Quanto custa, em média, um robot e em quanto tempo se paga? Eduardo – O investimento não é baixo, ronda os €125.000 por robot, para ordenhar 2000 litros por dia ou 70 vacas. Contabilisticamente amortiza-se em 10 anos, mas para além disso devemos considerar que, com a aquisição deste investimento se podem obter rendimentos acrescidos devidos à dispensa de mão-de-obra (uma vez que não é preciso de ter uma pessoa especifica para as ordenhas); à melhoria da saúde animal (havendo menos mamites e menos despesa de farmácia); a um aumento da produção das vacas de alto potencial no pico da lactação. Filipe – Existe outro factor que é sempre difícil de contabilizar,

Disse que a reposição é cara; compram fora? Filipe – Fora, compramos apenas sémen. Quando eu disse que a reposição é cara, é porque temos uma taxa de refugo tradicionalmente alta, não é um caso específico da nossa exploração mas sim de Portugal. Porque são animais que vivem pouco tempo no campo, estão quase sempre estabulados, em cimento, e são muito explorados com produções altas. Se virmos as médias do contraste, o número de lactações é de 2,1 a 2,4 que são valores baixos. Se pensarmos que em termos teóricos a primeira lactação é para pagar a recria, fica pouco mais de uma lactação para tirar rendimento. Qual é o programa de recria de novilhas de substituição? Eduardo – O nosso principal objectivo quando inseminamos uma novilha, é que ela no futuro possa ser uma vaca com bom porte e boa capacidade de ingestão, para ser uma boa produtora. Para conseguir isso, consideramos que deverão ser inseminadas pela primeira vez aos 15 meses, desde que nesta idade tenham estrutura física para tal.

FICHA TÉCNICA DA EXPLORAÇÃO Raça dos animais

Holstein Frísia

Nº animais

267 cabeças

Nº animais em ordenha

110 vacas

Produção média por vaca

no ano de 2010 a média aos 305 dias foi de 11035 Kg

Qualidade do leite (GB; PB; Contagem células somáticas)

3,8 / 3,26 / 250000

Idade média das vacas

4 anos e 6 meses

Taxa de reposição, superior ao tradicional?

Em termos teóricos será inferior, na prática vamos ver.

Quota leiteira

1 405 339 kg

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Como funciona o pavilhão da recria: Filipe – A recria é toda feita na exploração. Face à dificuldade de vendermos os machos como recém-nascidos, fazemos uma engorda como Vitelão que depois vendemos a negociantes para fornecerem talhos. As fêmeas fazem os primeiros 5 a 7 dias de colostro em biberão, e depois passam para uma máquina onde fazem o sistema de aleitamento artificial totalmente automatizado. Neste sistema de aleitamento o desmame é feito aos 90 dias. A máquina automaticamente, baseada na idade do animal aumenta e diminui a quantidade de leite diária. Temos vitelas a beber até 8 litros por dia no pico do aleitamento. A palha ou feno, ração e água estão sempre disponíveis. A máquina que utilizamos, munida de uma chupeta, faz o leite no momento em que o animal bebe numa boxe, preparando meio litro de cada vez com uma administração de 2 litros por toma, ou seja, o animal que bebe 8 litros tem 4 tomas diárias sendo geridas ao longo do dia. É uma máquina com muito interesse para uma exploração leiteira, porque aproximamos o sistema alimentar das vitelas que é utilizado na natureza, uma vez que a vitela bebe quando quer, a quantidade que quer, ou seja tem um sistema livre e autónomo. No final dos 3 meses, as fêmeas passam para um pavilhão, construído no final de 2009 de raiz para recria. Nesse pavilhão, temos um sistema de boxes de alimentação de ração onde os animais estão identificados por colar e comem a ração de acordo com aquilo que indicamos no computador. Os animais estão distribuídos em 5 lotes, agrupados pela idade. Nestes 5 lotes foi concebido o sistema de cubículos, cornadis, tapetes e alturas de bebedouros em função da idade dos animais. Trata-se de um pavilhão com 8 mts de pé direito, paredes laterais com 1,30 mts e rede. A rede tem um sistema eléctrico que nos permite subir ou descer em função do clima, conseguindo assim recriar o melhor ambiente e conforto para os animais. A alimentação da recria neste pavilhão é feito com palha, rolos de azevém pré-fenado e 1,5 kg de ração por dia, em média, por animal.

N. MARQUES

RECRIA DE NOVILHAS

N. MARQUES

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N. MARQUES

ENTREVISTA

Sistema de aleitamento artificial de vitelos.

VACAS SECAS

Filipe – As vacas secas, juntamente com as novilhas a partir dos 7 meses de gestação estão num só lote, com uma alimentação de palha e silagem de milho misturadas em unifeed e ração que é fornecida também numa boxe de alimentação. Cerca de 21 a 15 dias antes do parto, os animais são colocados num lote de pré-parto onde têm uma alimentação específica para este período, mistura do unifeed das vacas em lactação e ração própria para esta fase. !

Vista geral do pavilhão de recria.

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MUNDO

ACTUALIDADES

Sobre os limites de células somáticas no leite Enquanto na UE o limite máximo de células somáticas no leite é de 400.000 por ml, nos EUA este situa-se nas 750.000. Para perceber que percentagem de explorações de vacas de leite dos EUA que não cumpriam com os standards de células exigidos aos produtores comunitários, o Serviço de Investigação Agrária dos EUA. utilizou vários métodos de análise, assim como dados tanto de vacas convencionais como de vacas da Associação de Melhorias das Vacas de Leite do EUA (DHI pelas siglas em inglês). Os resultados obtidos demonstraram que 16% dos rebanhos dos EUA não cumpririam o standard de contagem de menos de 400.000 células (esta percentagem foi de 7,8% em rebanhos DHI). Em relação aos seus próprios standards (menos de 750.000 células /ml), a percentagem de incumprimento situou-se em 1% (0,9% no caso de rebanhos DHI). O método de frequência segundo o qual um rebanho não cumpria quando houvesse incumprimento em 3 de 5 meses consecutivos, foi o que deu resultados mais elevados, os quais foram inversamente proporcionais à dimensão do rebanho. De acordo com este método, não cumpriam o parâmetro de menos de 400.000 cerca de 19,1% dos rebanhos DHI com menos de 50 vacas. Contudo, o grau de incumprimento foi de 1,1% nos rebanhos com mais de 1000 vacas. Os resultados do estudo, que se publicaram no número de Dezembro do Journal of Dairy Science, recomendam que os produtores da EUA deveriam pôr mais ênfase no controlo da incidência e prevalência das mastites sub-clinicas nos seus rebanhos. O tema dos limites de células somáticas é muito controverso nos EUA e as opiniões estão muito divididas. Os que são a favor do abaixamento do nível alegam que manter um limite tão alto de células poderia trazer repercussões comerciais ao mercado internacional, já que cada vez mais países se opõem a que entrem nos seus mercados produtos lácteos procedentes de leite com níveis superiores a 400.000 células. Portanto, os limites dos EUA deveriam harmonizar-se com os do resto dos grandes produtores mundiais de leite. Pelo contrário, os que se opõem a baixar o limite alegam que o conteúdo de células

somáticas não é um tema que afecte a segurança sanitária do leite. No passado mês de Maio, a associação dos EUA, National Conference on Interstate Milk Shipments (NCIMS), recusou a proposta de reduzir o limite a 400.000 células por ml a partir de 2014, apresentada pelo Conselho Nacional das Mastites, com o apoio da Federação dos Produtores Lácteos. Esta foi a sexta vez em 14 anos, que a proposta não conseguiu avançar. Em 1991, a Confence conseguiu reduzir o limite de

1 milhão de células por ml a 750.000 células/ml, limite que começou a aplicar-se em 2003. O NCIMS é uma organização em que estão representados produtores de leite, indústria, consumidores, inspectores de explorações e indústrias, investigadores e legisladores. A sua missão é analisar as propostas que se lhes apresentam por parte de pessoas ou organizações em relação à segurança do leite. !

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PRODUÇÃO

ALIMENTAÇÃO

Animais protegidos A fase que o sector leiteiro atravessa obriga cada vez mais o produtor de leite a trabalhar no sentido da maior rentabilidade económica da exploração. Isto faz-se não só através da procura de técnicas de produção cada vez mais eficientes e de um maior cuidado na gestão financeira da exploração, mas também através da valorização do produto vendido, o leite. Como sabemos o pagamento do leite está ligado a parâmetros mais relacionados com a alimentação, como os teores butiroso e proteico, mas também a parâmetros relacionados com a saúde de úbere e a higiene do sistema de ordenha. Qualquer penalização que advenha de Contagens de Células Somáticas superiores ao estabelecido afecta consideravelmente a margem de lucro do produtor de leite. Também os indicadores reprodutivos são fundamentais para o sucesso da exploração leiteira, sendo que é fundamental a persecução de intervalos entre partos mais curtos que nos permitam maximizar o potencial produtivo da vaca leiteira. Estudos que reforçam esta análise da problemática produtiva do sector leiteiro, apontam como as maiores causas de refugo das explorações intensivas, em primeiro lugar as mamites, seguidas dos problemas reprodutivos e dos problemas podais. De modo a ir de encontro a esta problemática a Vitas Portugal lançou no passado mês de Outubro o VITAPROTEC, um produto desenvolvido especificamente para fortalecer a capacidade de resistência às agressões exteriores por parte da vaca leiteira. Este produto baseia-se no fornecimento de alguns oligoelementos, vitaminas e extractos vegetais específicos de modo a promover a imunidade do animal e a saúde dos cascos. VITAPROTEC contém elevados níveis de Selénio e Vitamina E, elementos com reconhecido impacto protector a nível das células, estimulando a actividade dos Linfócitos T e que estão correlacionados com a diminuição do número de mamites, metrites e redução dos níveis de células somáticas no leite.

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Impacto da Vitamina E e do Selénio no poder bactericida dos linfócitos

Fonte: J.S.HOGAN et al.1990

Com o intuito de fortalecer o impacto protector de VITAPROTEC, foi desenvolvido um complexo exclusivo de extractos vegetais, o EOMix Protec. Esta especificidade permite potenciar ainda mais o efeito antioxidante da Vitamina E e do Selénio. VITAPROTEC tem na sua composição Zinco sob a forma quelatada, mais absorvível pelo animal. O Zinco revela-se de extrema importância para a regeneração dos tecidos, nomeadamente para o fortalecimento do esfíncter do teto. É fundamental que após a ordenha o esfíncter do teto tenha a capacidade de se fechar, impedindo a entrada de microrganismos patogénicos. Com o intuito de reduzir a ocorrência e a gravidade de problemas podais, VITAPROTEC foi ainda enriquecido com Biotina, uma vitamina que juntamente com o Zinco terá uma acção positiva na redução de problemas podais e da ocorrência de laminites. A Vitas Portugal continua a defender uma busca permanente de novas e mais adequadas soluções para os nossos clientes. Para mais informações e esclarecimentos, não hesite em contactar o técnico Vitas mais próximo de si. !


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PRODUÇÃO

ALIMENTAÇÃO

Alimentação de cabras em regime intensivo à base de concentrado e palha Francisco Fernández, Nutricionista, Dep.Ruminantes Grupo PROVIMI geral@pt.provimi.com

Actualmente, aos desafios tradicionais de qualquer exploração pecuária, produzir mais, melhor e com rentabilidade acrescida, juntam-se um conjunto de preocupações ambientais, pressões sociais e restrições demográficas. Cabe a cada empresário, na sua exploração, encontrar o “seu” ponto de equilibrio e traçar a estratégia mais conveniente para atingir os objectivos a que se propõe. Na Provimi, procuramos incessantemente desenvolver soluções que possam constituir opções válidas nas decisões dos nossos produtores.

sempre selectiva e tem uma marcada tendência a recusar alimentos mesmo se as suas necessidades nutricionais não estejam cobertas. Esta enorme aptidão que tem para seleccionar, permite-lhe transformar uma forragem de qualidade medíocre numa forragem de boa qualidade, sempre e quando o agricultor tolere rejeições em quantidades suficientes (30-50%). No entanto, e ao contrário de quando a cabra está acostumada a um alimento único e homogéneo, dedica pouco tempo a explorar o alimento distribuído e consome-o a grande velocidade, muito maior que a de outros ruminantes (Morand-fehr e col. 1991). Por outro lado, e referindo-nos à digestão da celulose na cabra, a maior degradação da mesma observase nos regimes alimentares em que o alimento concentrado é pobre em amido (15% MS - matéria seca) e a menor degradação nos regimes em que o concentrado é rico nos mesmos (50% MS). Isto sugerenos que nas cabras alimentadas com uma ração de tipo intensivo, o equilíbrio entre glúcidos de lenta e rápida degradação é um elemento essencial para alcançar uma eficácia digestiva óptima das substâncias celulósicas. (Giger Reverdin y col. 1991).

NATUREZA DOS ALIMENTOS E TIPOS DE RAÇÕES CARACTERISTICAS DAS CABRAS LEITEIRAS DE ALTA PRODUÇÃO O comportamento alimentar das cabras apresenta uma série de especificidades que há que ter muito em conta, especialmente nas cabras de alta produção. A cabra, em geral, passa mais tempo que outros ruminantes a eleger o que vai ingerir quando dispõe de um só alimento heterogéneo (como o caso de uma ração unifeed no comedouro). Assim, a partir do momento em que tem a possibilidade de eleger, a sua escolha é

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Os arraçoamentos de cabras, tal como os de outros ruminantes, compõem-se de forragens e concentrados. Por a cabra ser muito sensível à fibrosidade, tal como expressaram Sauvant y col. (1990), é aconselhável que os arraçoamentos de cabras de alta produção de leite apresentem um índice de fibrosidade (tempo de mastigação em minutos por Kg de MS ingerida) superior a 50, o que corresponde a uma proporção de fibra larga não moída de entre 30 e 40% da matéria seca ingerida. Isto, até há algum tempo atrás, caracterizava-se pela proporção forragem/concentrado, mas este parâmetro


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ALIMENTAÇÃO

é impreciso, pois não tem em conta, nem a apresentação física nem o que certos alimentos têm de difícil na classificação como forragens ou como concentrados, como é o caso da polpa de beterraba ou os granulados de luzerna desidratada.

FUNÇÕES E FONTES DE FIBRA A fibra, como um nutriente, contribui para duas funções principais: — O preenchimento do rúmen e o estímulo das contracções ruminais. — A manutenção do pH ruminal através do estimulo da secreção salivar dependente da mastigação e da ruminação. Muitos dos subprodutos vulgarmente utilizados na alimentação são ricos em fibra e podem utilizar-se para substituir parcialmente as forragens do arraçoamento (polpa de beterraba, polpa de citrinos, corn gluten feed, casca de soja,…). No entanto, a fibra não forrageira não tem a mesma capacidade para estimular a ruminação e a secreção salivar. Assim, desenvolveu-se um índice de valorização da capacidade da fibra não forrageira como estimulante da secreção salivar, levando ao conceito de FND-e que se define como a capacidade real da fibra para estimular a ruminação. O valor do FND-e de um alimento depende do tipo, da forma e do tamanho da fibra que possui (todos os alimentos com excepção das gorduras têm um valor de FND-e incluidos no concentrado).

ALIMENTAÇÃO DAS CABRAS COM BASE EM CONCENTRADOS E PALHA Este sistema é baseado no fornecimento à discrição de alimento composto granulado mediante diversos sistemas mecânicos ou tremonhas de acesso voluntario. Que permite uma regulação da ingestão por parte da cabra, junto com palha de boa qualidade. A fibra longa provém exclusivamente da palha, o

PRODUÇÃO

que obriga a que esta seja de boa qualidade, isenta de humidade, fungos, leveduras,… A palha deve estar disponível 24 horas por dia, sendo removida e aproximada dos comedouros 3 vezes por dia, como mínimo. Os nutrientes necessários para a manutenção e a produção de leite são suportados quase por completo pelo concentrado, que deve ser posto à livre disposição pelo menos durante os primeiros meses de lactação para conseguir alcançar o máximo do potencial genético das cabras. Constata-se assim a enorme importância que tem o concentrado estar bem formulado e equilibrado, para evitar os dois problemas principais que se podem verificar nas explorações de gado caprino de alta produção: acidose ruminal e diarreias em lactação. Por outro lado, o referido concentrado inclui todos os aditivos e correctores vitamínicos e minerais, para que não seja necessário o fornecimento de nenhum suplemento. O fornecimento de palha de cereais e de um concentrado com baixo nível de carbo-hidratos não fibrosos à livre disposição evita a enorme capacidade de selecção que têm as cabras, o perigo do aparecimento da acidose láctica ruminal ou de diarreias, ocasionadas pelo amido que aparece no intestino. As quantidades ingeridas pelas cabras no arranque da lactação dependem de dois parâmetros principais: o peso vivo e a produção de leite, que está intimamente ligada à capacidade genética das cabras. Como indicativo, em cabras de 50 Kg de peso vivo, o consumo de concentrado será cerca de 2 kg, sendo o consumo de palha de 0,4 Kg por dia. À medida que a lactação vai avançando, o consumo voluntário vai baixando, contudo o consumo de palha mantém-se devido às necessidades em energia serem menores como consequência da descida da produção de leite. O excesso de energia que consome a cabra no ultimo terço da lactação transforma-se numa recuperação da condição corporal para a lactação seguinte. !

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PRODUÇÃO

SAÚDE ANIMAL

Identificação de Lesões de Patas Dana J. Tomlinson, Ph.D., Michael T. Socha, Ph.D., e J. M. DeFrain, Ph.D. , Zinpro Corporation Tradução / Adaptação: Jerónimo Pinto, Eurocereal S.A.

O guia de Identificação de Lesões de Patas, desenvolvido através de um esforço combinado entre a Zinpro Corp. e o International Lameness Committee, representa o primeiro consenso global para a identificação de lesões podais, a sua correcta designação e a implementação dos seus registos. Adoptandose a mesma terminologia, uniformizada em todo o mundo, será mais fácil e eficaz identificar e avaliar a prevalência e o impacto económico das várias lesões podais. Pontos-chave do poster: - Fácil de usar: é um guia visual prático e intuitivo para ajudar a identificar correctamente 14 lesões de patas em bovinos. - Aplicação Global: adopta uma identificação uniformizada com uma única letra, reconhecida internacionalmente para cada lesão. - O contraste leiteiro funciona mais eficazmente com apenas uma única letra - A prevalência de lesões pode ser mais rigorosamente identificada e avaliada, de forma uniforme em todo o mundo, usando apenas uma letra para cada lesão. - Referência-Cruzada: permite relacionar cada tipo de lesão com zona(s) específica(s) em que essa lesão ocorre, sendo mais eficaz e rigorosa a sua identificação. - Correcta identificação das lesões ajuda a melhorar a compreensão da verdadeira causa de cada lesão, permitindo a implementação de planos de correcção que sejam muito eficazes. - Terminologia alternativa: “também chamada” designação para ajudar a reconhecer outros nomes alternativos também utilizados para designar as lesões. - Categorias Distintas: as lesões são classificadas em infecciosas e não-infecciosas. - A gestão efectiva e eficaz de lesões podais começa por identificar qual a categoria (infecciosa ou não-infecciosa) que é mais prevalente em cada caso - Os planos de acção correctiva/preventiva têm que ser os ajustados a cada caso.

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LESÕES NÃO-INFECCIOSAS SÃO AS MAIS PREVALENTES EM PORTUGAL, PELO QUE PUDEMOS OBSERVAR Lesões podais não-infecciosas incluem úlceras na unha, na sola e no calcanhar, lesões de linha branca, hemorragia da sola, sola dupla, sola delgada e fissuras vertical, horizontal e axial. Tal como nas lesões infecciosas, o desenvolvimento de lesões não-infecciosas é multifactorial. Por exemplo, solas delgadas podem resultar de excessiva remoção pelo tratador/podologista, de os animais terem de caminhar longas distâncias em superfícies abrasivas e/ou de superfícies com excessivo declive, em que o desgaste do casco é superior à sua capacidade de regeneração.

Factores que podem aumentar a incidência de lesões não-infecciosas: 1. Ausência, pouca frequência e/ou incorrecção no aparamento das patas (Raven, 1989; Shearer et al., 2005); 2. Mais de 3 horas por dia passadas de pé no parque de espera da sala de ordenha e/ou demasiado tempo fechado no cornadis da manjedoura (Nordlund et al., 2004); 3. Cubículos mal concebidos, incluindo incorrecto dimensionamento e insuficiente amortecimento e conforto (Anderson, 2005, Cook, 2005); 4. Insuficiente tempo deitado por limitações no acesso aos cubículos, sobrelotação, demasiado tempo passado fora do estábulo, estabulação mal concebida (Cook et al., 2004);

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Não Infecciosas

IDENTIFICAÇÃO DE Lesões de Patas BOVINOS

LESÃO DA LINHA BRANCA (W)

ÚLCERA DA SOLA (U)

HEMORRAGIA DA SOLA (H)

ÚLCERA DA PONTA (T)

UNHA SACA-ROLHAS (C)

Também designada como: separação da linha branca Zonas afectadas: 1, 2, 3

Também designada como: Pododermatite circunscrita Zona afectada: 4

Também designada como: Hematomas na sola Zona afectada: 4, 5, 6

Também designada como: necrose digital /apicalis necrótica Zona afectada: 1

Zona afectada: 7

• em

casos ligeiros ocorre separação na união entre a sola e a parede • em casos graves forma-se abcessos geralmente na união entre o talão, a sola e a parede (zona 3)

• ferida

em carne viva (erosão) na união entre a sola e o talão na face interna da unha posterior externa • costuma ocorrer em ambas as unhas externas

• coloração

vermelha ou azul de ligeira a intensa • não confundir com a coloração escura natural

• coloração

rápido e irregular com curvatura • deslocamento da sola para dentro e para trás • causa dificuldade em caminhar

FISSURA / GRETA HORIZONTAL (G)

FISSURA / GRETA VERTICAL (V)

FISSURA AXIAL (X)

HIPERPLASIA INTERDIGITAL (K)

SOLA DELGADA (Z)

Também designada como: fissura ungular transversal Zonas afectadas: 7, 8

Também designada como: fissura ungular longitudinal Zonas afectadas: 7, 8

Também designada como: fissura axial da parede Zonas afectadas: 11, 12

Também designada como: fibroma / crescimento interdigital Zona afectada: 0

Zonas afectadas: 4, 5

• fissura,

• separação

• sulco

• crescimento

Sintomas habituais:

Sintomas habituais:

greta e até rotura da parede da unha, paralela à linha do pêlo • por stress nutricional / metabólico

Sintomas habituais:

Sintomas habituais:

vertical na face frontal ou lateral da unha • ocorre sobretudo nas unhas dianteiras externas • é a causa mais frequente de dor e coxeira

Sintomas habituais:

Sintomas habituais:

profundo na superfície interna da unha, paralelo à parede frontal • sangramento pode indiciar presença de lesão • coxeira ligeira a severa

Sintomas habituais: • crescimento

Sintomas habituais:

negra, sanguinolenta e/ou ruptura da linha branca na ponta da unha • causada por rotação do osso pedal dentro da unha, pressionando até abaixo da sola, ou adelgaçamento da mesma

Sintomas habituais: • sola

delgada e flexível quando pressionada • insuficiente comprimento do dedo, por desgaste excessivo ou corte exagerado • o comprimento mínimo da unha é 7.5 cm (não aplicável a animais com PV < 400 kg)

Sintomas habituais:

rápido da pele e/ou do tecido entre as unhas, formando uma massa firme • possível infecção secundária com lesão severa

Infecciosas

Zonas da unha

3

EROSÃO DO TALÃO (E)

DERMATITE INTERDIGITAL (I)

FLEMON INTERDIGITAL (F)

Zona afectada: 6

Também designada como: foot rot Zonas afectadas: 0, 10

Também designada como: necrobacilose interdigital Zona afectada: 9

• crescimento

• instabilidade

• destruição

• inflamação

Sintomas habituais: • erosão severa do talão em depressões

irregulares em forma de “v” da unha devido a perda ou dano do tecido córneo, provocando desequilíbrio na distribuição do peso • aumento da dor, com agravamento da erosão

Sintomas habituais:

da pele, com exsudado entre as unhas • contusão do corion e ulceração

EUROCEREAL, S.A. | Estrada da Avessada, 2665-290 Malveira Tel. 219 668 650 | Fax. 219 668 651 | E-mail: eurocereal@eurocereal.pt

9

4

3

7

homogénea por toda a unha, incluindo os dedos acessórios • separação dos dedos • a infecção produz muito mau cheiro • provavelmente os animais têm febre

8

VISTA ABAXIAL (EXTERNA)

5

5

2

1

11

12

VISTA AXIAL (INTERNA)

Abreviaturas das lesões

Sintomas habituais:

Este guia foi desenvolvido conjuntamente por Zinpro Performance Minerals e The International Lameness Committee Fotos de: R. Acuña, C.Bergsten, S. Berry, K. Burgi, L. DeVecchis, A. Gonzalez, P. Greenough, J. Kofler, J. Malmo, R. Pijl, J. Shearer, F. Sutton

6

0

1

Também designada como: Doença de Mortellaro Zonas afectadas: 9, 10 circular, como verruga, vermelho-vivo ou negro, sobre o talão • dificuldades em andar e coxeiras

4 2

DERMATITE DIGITAL (D)

Sintomas habituais:

10

6

C = unha saca-rolhas D = dermatite digital E = erosão do talão F = flemon interdigital G = fissura horizontal H = hemorragia da sola I = dermatite interdigital K = hiperplasia interdigital T = úlcera da ponta U = úlcera da sola V = fissura vertical W = lesão da linha branca X = fissura axial Z = sola delgada

PERFORMANCE MINERALS ®


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PRODUÇÃO

SAÚDE ANIMAL

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5. Factores nutricionais, tais como excesso de energia rapidamente fermentiscível no rúmen, falta de fibra efectiva, excesso de proteina, mistura unifeed pouco homogénea, períodos de alimentação irregulares e inadequada nutrição mineral (Nocek, 1997; Nocek et al., 2000; Cook et al., 2004); 6. Acesso limitado à alimentação por sobrelotação / competição ou por insuficiente espaço de manjedoura (Cook et al., 2004); 7. Problemas metabólicos pós-parto, tais como hipocalcémia (Nocek, 2002; Tomlinson et al., 2004); 8. Pisos que provocam excessivo desgaste dos cascos, tais como declives superiores a 2%, becos com mais de 1.5% de inclinação, pisos incorrectamente riscados, buracos no piso e pavimentos de grelha em mau estado (Cook, 2005; Kloosterman, 2005); 9. Stress de calor, provocando abaixamento do pH do rúmen e levando os animais a passar mais tempo levantados (Cook et al., 2004; Shearer, 2005); 10. Transição abrupta de vaca seca para lactação, tanto em termos nutricionais, como de ambiente (Cook, 2005). Sendo múltiplas as causas de lesões não-infecciosas, identificar correctamente a lesão, bem como registar a

zona em que a lesão ocorre, ajuda a determinar a(s) sua(s) causa(s). Por exemplo, úlceras na unha (zona 5) ocorrem mais frequentemente em animais com solas finas, enquanto úlceras no centro da sola (zona 4) são indicativas de excessivo tempo de pé. As lesões de patas nos bovinos são caras para os produtores, pois reduzem as performances. A efectiva redução de lesões podais só pode ser completamente conseguida se os produtores implementarem um programa para ver a extensão e a gravidade das lesões em todo o efectivo. Locomotion Scoring (pontuação da locomoção) é um excelente meio para atingir este objectivo. Contudo, todas as vacas afectadas por problemas de patas deverão ser examinadas por um tratador qualificado e deve(m) ser identificada(s) a(s) causa(s) dos problemas detectados. Na maioria das situações, é mesmo necessário examinar as patas, pois mais de 90% das lesões que causam desconforto ocorrem nas patas. Todas as lesões detectadas deverão ser registadas, bem como os tratamentos correctivos e preventivos, consoante se trate de lesões infecciosas ou não-infecciosas. A eficácia de todas as medidas tomadas deverá ser continuamente monitorizada com a avaliação “locomotion scoring” e/ou o programa FirstStep. !

Para mais informações, consulte www.zinpro.com e/ou www.eurocereal.pt

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PRODUÇÃO

SAÚDE ANIMAL

Compra de vitelos em leilão? André Pires Preto, Médico Veterinário, Serviços Técnicos MSD Saúde Animal andre.preto@merck.com

s nte os e g s A cio c e nf

Dens id anim ade al

i

Na maioria das situações relacionadas com a compra de animais, o engordador procura as seguintes características: origens distintas; genética heterogénea – trazendo-lhe potenciais produtivos variáveis; estatutos sanitários distintos – não relativamente a doenças de controlo oficial, mas sim doenças que afectam a saúde produtiva dos animais (síndrome Transporte respiratória bovina, etc.); e níveis de preparação para a engorda variáveis: procedimentos de desmame diferentes, sendo a situação mais corrente o desmame seguido de transporte; animais não acostumados a alimentos concentrados, excepto em algumas e am m explorações (ex.: comedouros selectivos). s De O seu trabalho é gerir o risco, quer na selecção e compra destes animais, quer na entrada à engorda. Como é possível ver no fluxograma de acontecimentos, a sequência de eventos que ocorrem na vida do vitelo não o favorecem absolutamente em nada. A questão da compra em leilão acrescenta um risco temporal ao negócio. Por exemplo, no leilão de Montemor-o-Novo, o procedimento normal consiste em entradas à 2º-feira e saídas entre 3ª-feira e 4ª-feira. Logo, está-se a aumentar o perfil de risco, em comparação com a situação em que os animais que são comprados directamente na exploração de vacas. Num parque de leilões/feiras de gado, a mistura de vá-

Desmame

Transporte

Compra

Mu de a dança mbi ente

rias origens durante o tempo que estão nas instalações promove o contacto entre animais e a circulação de agentes infecciosos, potencialmente causadores de pneumonias, ao que acresce o facto de os animais estarem em stress devido a todas as mudanças a que foram sujeitos, tais como: desmame, densidade animal; mistura de animais; mudança de ambiente; transporte. Estamos frente a uma situação de risco sanitário. No entanto, este pode ser colmatado com o uso de boas práticas, em duas fases, quer na exploração de origem, quer na de destino.

Transporte

Ajuntamento de gado Leilão

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Mistura de animais

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Mistura de aimais Mudanças alimentares

Recepção Repouso

Processamento • Identificação • Desparasitação • Vacinação • Metafilaxia


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SAÚDE ANIMAL

1. NA CHEGADA DOS ANIMAIS À ENGORDA, O ENGORDADOR DEVE FAZER USO DAS BOAS PRÁTICAS DE MANEIO, TAIS COMO: • DIA DA CHEGADA (DIA 0): Recepção dos animais: - Correcta identificação dos animais e bons registos de origens – que posteriormente podem ser trabalhados estatisticamente, de modo a associar performances e problemas sanitários. - Alimentação ajustada aos animais a receber. Início de medidas sanitárias: - Utilização de desparasitantes adequados, atenção para uso de fasciolicidas, caso os animais provenham de zonas de fasciolose; - Utilização racional de antibióticos, com uma avaliação correcta do risco, através de critérios como a temperatura, o uso metafilático (“preventivo”) de antibióticos pode justificar-se. Principalmente em animais que provêem de leilões/feiras de gado, pois já poderão estar na fase de incubação da síndrome respiratória – a chamada febre dos transportes. As características do antibiótico a seleccionar, nomeadamente rapidez de actuação, vão ser condicionadas pela necessidade de tratamento de alguns animais com sinais de doença (foto abaixo).

Fotografia tirada a um animal no interior do parque de leilões. (AP)

Programa vacinal: Um programa vacinal deve ser iniciado após o repouso dos animais, de modo a que estes tenham capacidade de resposta imunitária (estima-se um repouso mínimo de 12h). Devemos escolher um esquema adequado à exploração e — não esquecer, cumprir as indicações das vacinas (dose, rappel, via de administração). Avaliação de performances: Somente com uma boa identificação, é possível associar performances sanitárias e produtivas a origens dos animais. Podendo servir como forma de selecção de origens menos problemáticas (menos animais doentes/ mortos) e mais produtivas (maiores ganhos médios diários e menos dias de engorda).

PRODUÇÃO

2. EM RELAÇÃO AO PRODUTOR DE VACAS, ESTE PODE TENTAR VALORIZAR OS SEUS VITELOS AO FORNECER VÁRIAS CARACTERÍSTICAS PRETENDIDAS PELOS ENGORDADORES: Altas performances – elevando o potencial genético da sua vacada base. Sanidade – usando um programa profilático ajustado na sua exploração, e prevenção de grandes excretores, como vitelos permanentemente infectados de BVD (denominados de PIs). Práticas de maneio dos animais ajustadas como: - Desmame dos vitelos pré-transporte, embora condicione o uso de alimentos compostos, aumenta a performance produtiva e sanitária dos animais, como pode ser visto na tabela abaixo. Tabela 1 Impacto do número de dias de desmame antes de entrar numa engorda, na performance sanitária. (dados TRR 2010, relativos a 3 anos de estudo, aproximadamente 600 000 animais) Dias de desmamados < 14 15-21 22-30 31-45 > 45

Percentagem de tratamentos efectuados na engorda 27% 30% 25% 23% 9%

3. EM RELAÇÃO AOS LEILÕES, DE MODO A LIGAREM OS DOIS ELOS DA CADEIA, PODEM EVOLUIR POSITIVAMENTE, NO SENTIDO DE ADICIONAR VALOR À CADEIA, PODENDO CERTIFICAR AS MELHORES EXPLORAÇÕES PARA COMPRA DE ANIMAIS. Existem iniciativas quer a nível dos EUA (VAC45), quer a nível europeu, nomeadamente França, com a iniciativa Broutard Max, que atríbuem um prémio ao animal, caso este cumpra uma série de requisitos sanitários, nomeadamente plano de vacinação pré-venda, sendo que a consequência prática procurada pelos engordadores, a redução de morbilidade e mortalidade dos vitelos na engorda. Em conclusão, a compra de animais em leilão possui riscos; no entanto, esse aumento de riscos não é necessariamente mau, pois caso sujeitemos os animais a um correcto maneio animal, sanitário e nutricional, os resultados irão aparecer. Além de que a evolução natural da fileira bovina, é trabalhar com o máximo de profissionalismo, sendo expectáveis melhores resultados no futuro. !

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PRODUÇÃO

SAÚDE ANIMAL

Descargas celulares Pode a contagem das células somáticas indicar o estado sanitário do úbere? Entrevista pela Revista Ruminantes

Ema Roque, Médica Veterinária com actividade na emavetue@hotmail.com

Ema Roque, licenciada em Medicina Veterinária na Universidade de Évora em 2008, iniciou a sua vida profissional prestando serviços veterinários na área da profilaxia, clínica médica e cirúrgica em bovinos de aptidão leiteira na Associação de Jovens Agricultores Micaelenses (S. Miguel - Açores), onde também participou de um projecto em Qualidade do leite. Actualmente é consultora na ConsulPec – Medicina da Produção (na área da Qualidade do leite) na região sul do país.

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Qual a origem das descargas células somáticas? As células somáticas não são mais do que uma contagem de células presentes no leite. Essas células são constituídas por células epiteliais (células de revestimento do úbere) e glóbulos brancos (células de defesa do organismo). As células epiteliais libertam-se do tecido de revestimento do úbere diariamente. Os glóbulos brancos entram no leite como parte de uma reacção inflamatória, que pode ocorrer devido a infecção ou traumatismo. São os glóbulos brancos que constituem a maior percentagem da contagem de células somáticas, especialmente quando essa contagem é elevada. A contagem de células somáticas é medida em milhares de células por mililitro.

fornece um valor numérico de células somáticas, mas permite saber se esse valor é baixo ou elevado. Na prática, se o resultado for negativo, ou seja, se não houver gelificação o nível de células é baixo. Quanto maior for a positividade no teste (pode-se classificar em 1, 2 e 3 consoante maior ou menor grau de gelificação), maior será a contagem de células somáticas associada a esse quarto. Há grandes vantagens na utilização deste teste: é bastante barato, pode ser realizado durante a ordenha, os resultados são imediatos e dá uma indicação do grau de infecção de cada quarto individualmente. No entanto, a reacção positiva só ocorre a valores superiores a 400.000 células/ml.

Como detectar a presença de células somáticas no leite? Existem vários métodos que permitem ter uma noção do nível de células somáticas no leite. Podem dividir-se em qualitativos e quantitativos. Os quantitativos recorrem a equipamentos próprios (por exemplo, Fotossomatic e DeLaval Cell Counter) e reportam o número de células por mililitro. O contraste leiteiro usa métodos quantitativos e é uma forma de termos acesso à contagem de células somáticas de cada animal. Os qualitativos permitem ter apenas uma ideia da contagem de células somáticas. O mais conhecido é o Teste Californiano de Mastites (ou TCM). Este é um método simples, em que se mistura com o leite um reagente, e cujo resultado é um maior ou menor grau de gelificação. Este método não

Que consequências traz um nível elevado de células somáticas, do ponto de vista económico e de saúde animal? Do ponto de vista económico são vários os impactos de uma contagem de células somáticas elevada. O aumento de células somáticas implica uma diminuição na produção, pois uma vaca com um úbere infectado não consegue produzir a quantidade de leite para a qual está preparada. Existem vários estudos que relacionam o aumento de células somáticas com a quebra da produção. Um exemplo de um estudo canadiano demonstrou que a produção de leite diminui em 2,5% por cada aumento de 100.000 células/ml. Também as indústrias de recolha de leite penalizam os valores acima de certa referência (por exemplo 400.000 células/ml), sendo essa penalização de acordo com cada fábrica de reco-

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SAÚDE ANIMAL

PRODUÇÃO

lha. As perdas associadas às quebras de produção e o risco de uma penalização no preço do leite, causam um tremendo impacto económico negativo na exploração. Do ponto de vista da saúde animal, uma contagem de células elevada indica-nos que os úberes de uma exploração não estão saudáveis. Quanto maior for o número de vacas afectadas, maior será também o risco de novas infecções. Deve funcionar como um sinal de alerta para o produtor tentar descobrir a razão para ter valores elevados. Que recomendações profiláticas pode dar aos produtores? Para manter um valor de contagem de células somáticas baixo é fundamental ter em conta algumas acções a adoptar na exploração. Existem 10 pontos que uma exploração deve ter em conta para evitar problemas (de acordo com uma organização internacional): 1. Definição de objectivos para a saúde do úbere; 2. Manutenção de ambiente limpo, seco e confortável; 3. Rotina de ordenha apropriada; 4. Correcta manutenção e utilização do equipamento de ordenha; 5. Correcta manutenção de registos; 6. Maneio apropriado das mastites clínicas durante a lactação; 7. Maneio apropriado das vacas secas; 8. Manutenção da biossegurança em relação a agentes contagiosos e refugo de vacas cronicamente infectadas; 9. Monitorização regular do estado de saúde do úbere; 10. Revisão periódica do plano de controlo das mastites. Como fazer baixar a Contagem Células Somáticas numa exploração afectada? A identificação do problema terá sempre que ser o primeiro passo. A forma mais eficaz para detectar os problemas passará pela implementação de um programa de qualidade do leite. Ajudar as explorações leiteiras a melhorar ou manter a qualidade do leite produzido, assim como promover a saúde do úbere dos animais, o aumento da produção e a melhor gestão do efectivo são os objectivos de um programa de qualidade do leite. É fundamental que o maneio seja adequado, quer do ponto de vista nutricional, quer na manutenção dos parques. A rotina de ordenha, assim como a sala e a máquina de ordenha devem ser revistas para identificar pontos que possam ser responsáveis pela subida de células somáticas. Um ponto essencial para o bom funcionamento da exploração em relação à qualidade do leite é criar bons registos de mastites. Com bons registos é mais fácil fazer um bom controlo mensal e desta forma ajudar na gestão do efectivo. Os programas de qualidade do leite permitem ir monitorizando mensalmente a exploração para que qualquer alteração seja logo detectada e corrigida a tempo de evitar problemas com consequências mais graves. É recomendável o uso de antibióticos? Em que circunstâncias? O uso de antibióticos deve ser sempre moderado e bem dirigido a situações concretas. O produtor tem sempre que conhecer muito bem quais são os principais agentes causadores de mastite na sua exploração e, com o seu médico veterinário, estabelecer quais os protocolos a adoptar. Para obter taxas de cura mais elevadas é fundamental que a detecção da mastite seja o mais precoce possível para que a eficácia do tratamento seja máxima. Um outro factor a ter em conta será se a situação é adequada ao uso de antibióticos. Mastites não responsivas podem estar asso-

ciadas a agentes que não curam com antibióticos (leveduras, Prototheca spp) ou até situações crónicas em que a taxa de cura é demasiado baixa (Staphylococcus aureus, Streptococcus uberis). Sempre que o produtor tiver alguma dúvida deve aconselhar-se com o seu médico veterinário. O uso de antibiogramas deve ser equacionado mas a sua interpretação deve ser feita com algum cuidado. A informação mais valiosa de um antibiograma é saber quais são os antibióticos aos quais os agentes causadores de mastites são resistentes. Qual a consequência do uso indiscriminado de antibióticos e sua associação com resistências e consequente quebra económica da exploração? O uso indiscriminado de antibióticos tem consequências muito graves. O risco de criarmos resistências tem um impacto negativo, quer na saúde pública, quer economicamente na exploração. As situações de resistência aos antibióticos fazem com que a resposta das vacas ao tratamento seja nula, ou seja, a exploração gasta dinheiro no tratamento mas sem sucesso na cura dos animais. Além do gasto que já teve em antibiótico a tentar tratar um animal, tem que somar também a perda de leite, a consequente perda do quarto afectado ou mesmo do animal e o risco de nova infecção para os outros animais. Para evitar estas situações deve ser bem definida qual a duração do tratamento e esta deve ser sempre respeitada, assim como os protocolos escolhidos. Se estes não forem respeitados podem levar a situações de resistências. Não é aconselhável trocar com frequência o tipo de antibiótico num mesmo tratamento, pois podemos estar a desenvolver situações de resistência na exploração e criar situações de mastites crónicas. !

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PRODUÇÃO

SAÚDE ANIMAL

NECRÓPSIAS

Mortes súbitas podem revelar aspectos importantes? Dário Guerreiro, Médico Veterinário dario_guerreiro@hotmail.com

Por vezes ocorrem mortes de animais, em várias fases de produção, de uma forma mais ou menos súbita (aguda ou hiperaguda) e que ficam sem explicação. Pensamos: “Já não vale a pena chamar o veterinário…”. Ora este pensamento é muito questionável, pois na maioria dos casos estas ocorrências acabam por repetir-se e só ao fim de várias mortes é que nos preocupamos em diagnosticar a sua causa… e aí as perdas já são avultadas. Morte súbita ou aguda é uma situação muito frequente na clínica de campo. A sua origem está habitualmente associada a patologias assintomáticas ou de evolução aguda ou hiperaguda. Por vezes é apenas fruto de negligência do tratador em observar comportamentos anormais do animal, acabando este por morrer. Noutros casos, estão envolvidas causas infecciosas (bactérias, vírus, hemoprotozoários, e outros), mal formações congénitas (cardíacas, do sistema nervoso central, etc.), carências vitamínicas ou de micro-elementos (como o selénio, cobre), intoxicações (alimentos

Vitelo de 1 mês de idade morto devido a uma grave infestação de Toxocara vitulorum

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alterados, micotoxinas). Em todo o caso é fulcral identificar a sua causa para assim ser feita uma boa abordagem terapêutica ao restante efectivo e prevenir maiores perdas económicas. É sempre importante o produtor juntamente com o seu Médico Veterinário assistente não deixarem nenhuma morte por explicar, pois essa baixa no efectivo pode ser “a ponta do iceberg” e quanto mais depressa diagnosticarmos a sua causa, mais rapidamente a corrigimos minimizando as perdas económicas. Na procura de uma justificação para a morte súbita de um animal é essencial concentrarmo-nos na anamnese não só do animal em questão mas de todo o efectivo e também fazer uma observação da exploração e do maneio que nela se pratica. Uma boa anamnese permite-nos saber o estado higio-sanitário dos animais, encontrar situações semelhantes ocorridas no passado e detectar patologias concomitantes. Nem sempre o diagnóstico clínico é suficiente, especialmente nestes casos em que a morte ocorre precocemente. Nos mesmos é fundamental recorrermos à técnica de

Vaca morta devido a endocardite


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SAÚDE ANIMAL

PRODUÇÃO

Leptospirose em bovinos de extensivo, em que é possivel ver a hematuria (urina com sangue). Este diagnóstico foi confirmado laboratorialmente pela presença de leptospiras no globo ocular.

necrópsia, do grego necros = morto, opsis = observar (vulgarmente chamada autópsia, termo utilizado em medicina humana) do cadáver do ou dos animais mortos. Esta técnica é lamentavelmente, muitas vezes negligenciada, mostrando-se no entanto muito útil no diagnóstico ou confirmação da causa de morte, mas também na observação de patologias primárias assintomáticas que associadas a outras patologias culminam na morte súbita do animal. Esta técnica deve ser feita o mais precocemente possível de forma a que a degradação normal do cadáver (autólise) não mascare ou inviabilize o posterior diagnóstico pós-morte. Assim durante o verão deve ser efectuada até 12 horas após a morte do animal. No inverno este intervalo de tempo pode estender-se até às 48 horas. A execução da necrópsia possibilita fazer muitos diagnósticos ou confirmar suspeitas, visto que podem ser detectadas lesões que são específicas e características de certas patologias (isto é patognomónicas) chegando-se assim a um diagnóstico definitivo. Por outro lado, caso ainda subsistam dúvidas após a execução deste procedimento, podemos recolher amostras de vários órgãos e tecidos para posterior análise laboratorial, sendo as mais comuns as análises histopatológicas, microbiológicas (bacteriológicas ou virulógicas) e toxicológicas. Assim é fundamental uma boa coordenação entre o produtor e o seu médico veterinário assistente para que a execução de necrópsias seja uma prática de rotina sempre que ocorre mortalidade sem uma explicação inequívoca. Deve reservar-se o local afastado da abegoaria e outras instalações que alberguem o efectivo. Assim, o mais comum é efectuarse a necrópsia num local afastado, destinado à recolha de cadáveres por parte dos serviços competentes. Deste modo asseguramos que, no caso de doenças infecto-contagiosas, o microorganismo envolvido não se propague facilmente para os restante animais. Por outro lado, o vestuário e restante material utilizado não deve ser utilizado na exploração sem que antes seja devidamente lavado e desinfectado. A execução deste tipo de exame requer a presença de um ou vários médicos veterinários e obedece a uma metodologia concreta e precisa de modo que os procedimentos que constituem a técnica da necrópsia sejam correctamente aplicados. Uma má técnica pode impossibilitar a obtenção do tão esperado diagnóstico ou até inviabilizar a recolha e envio de material para o laboratório, tornando assim inconclusivo todo o processo de diagnóstico. Assim deve se efectuada sempre a necrópsia completa e não apenas aos aparelhos ou sistemas que suspeitamos que estejam afectados. As

surpresas são bastante frequentes! É o que sucede por exemplo em Feedlot, em que se suspeitarmos de patologia respiratória e só efectuarmos a necrópsia ao aparelho respiratório, podemos encontrar lesões pulmonares. No entanto muitas vezes a causa dessas lesões são tromboembolismo devido a ruminites ou a abcessos hepáticos e este diagnósticos só é possível se fizermos a necrópsia completa a toda a cavidade abdominal e não apenas ao tórax. Como já referi anteriormente, no caso de morte súbita é fundamental recorrer à necrópsia do ou dos cadáveres dos animais vitimados. De entre as causas mais comuns de morte súbita podemos destacar as de origem infecciosa: é o caso de Clostridiose, Leptospirose, Carbúnculo Hemático, Enterotoxémias. São também muito frequentes intoxicações por químicos (adubos, pesticidas) ou por plantas infestantes das pastagens (escalracho – sorghum halepenses, entre muitas outras). Podemos ainda referir patologias de origem cardio-vascular: como o enfarte do miocárdio, miocardite séptica, trombose da veia cava caudal; patologias digestivas: úlcera perfurante no abomaso ou noutro segmento do tubo digestivo, reticulopericardite traumática; e patologias metabólicas das quais se destacam as carências nutricionais. Quando estamos perante morte de animais muito jovens há uma grande probabilidade de ser uma patologia congénita (atresia ani, estenose pilórica ou intestinal, etc.). Mas poderá ter outras causas parasitárias, infecciosas, metabólicas, para citar apenas algumas. Por vezes o não uso desta técnica deve-se ao receio de contactar com zoonoses por parte do médico veterinário e também ao facto de poder ser fonte de contágio para os outros animais. Assim, uma forma de contornar este problema será o medico veterinário proteger-se sempre com o uso de luvas e efectuar a necrópsia num local isolado da exploração, longe dos outros animais, como já referi anteriormente. Em suma, apesar de muitas vezes nos depararmos com casos de mortes aparentemente inexplicáveis, devemos sempre que possível procurar a verdadeira causa e neste caso, esta técnica pode tornarse muito útil para conseguir um diagnóstico mais fidedigno. ! Referências Bibliográficas: DIVERS TH, PEEK SF. Rebhum`s Disease of Dairy Catle. 2ªEd. Missouri: Saunders. 2008

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BEM ESTAR ANIMAL

Causas de coxeiras

em pequenos ruminantes e o seu efeito sobre o bem-estar dos pequenos ruminantes Ana Vieira, Inês Ajuda, George Stilwell , AWIN – Animal Welfare Indicators Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade Técnica de Lisboa awinportugal@gmail.com

Neste segundo artigo resultante da colaboração da equipa do AWIN com a Revista Ruminantes decidimos abordar o tema das coxeiras ou claudicações em pequenos ruminantes. Escolhemos este tema uma vez que as claudicações e o sobrecrescimento das unhas, assim como as lesões no úbere e tetos e lesões na pele e prurido, têm vindo a ser identificadas nas explorações de pequenos ruminantes como as principais falhas de bem-estar animal (BEA) (Eze, 2002; Anzuino et al., 2010). No seguimento daquilo que foi discutido no artigo anterior, lembramos que as claudicações incluem-se numa das 5 Liberdades definidas pelo Farm Animal Welfare Council, nomeadamente naquela que refere que os animais devem estar livres de dor, ferimentos e doença e devem-lhes ser garantidas condições de prevenção de doenças, diagnóstico rápido e tratamentos adequados (FAWC, 2011). Mais uma vez, gostaríamos de deixar o desafio aos leitores para que nos sugiram temas que gostariam de ver discutidos. Estamos empenhados em criar um espaço de discussão e esclarecimento de dúvidas que contribua para uma cada vez maior profissionalização do sector de produção de pequenos ruminantes.

AS CLAUDICAÇÕES: UMA QUESTÃO EMERGENTE OU UM PROBLEMA DE SEMPRE? A produção de pequenos ruminantes tem vindo a tornar-se cada vez mais intensiva com recurso ao confinamento dos animais em regime permanente, sujeito a densidades elevadas. O facto de os animais terem cada vez menos acesso ao ambiente exterior reduz o desgaste das unhas que a maior actividade e exercício garantia, ficando os animais dependentes de boas práticas de maneio para fazer face ao sobrecrescimento das mesmas. Outro factor importante a ter em consideração na produção intensiva é que nestes animais, devido à sua dieta com um elevado nível de energia e proteína, as unhas tendem a crescer mais rapidamente (Reilly et al., 2002). De facto, a presença de animais com diferentes níveis de claudicação tem vindo a tornar-se cada vez mais frequente e neste momento estamos perante a situação de, em algumas explorações, isto

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ser considerado como uma vicissitude normal da produção, à qual os produtores apenas dedicam uma atenção esporádica (Eze, 2002). Neste momento não é possível apresentar um valor médio para a prevalência de animais com claudicação nas explorações nacionais. Por estudos realizados noutros países sabemos, no entanto, que este é um problema transversal a diferentes explorações; embora também exista o registo de explorações nas quais este problema praticamente não se coloca (Anzuino et al., 2010). Os valores de prevalência apontados nos diferentes estudos oscilam bastante: Eze (2002) no estudo realizado na Nigéria refere um valor médio de 15%, Mazurek et al. (2007) numa exploração experimental observaram no seu estudo valores indicativos de 12,5% e Christodoulopoulos (2009) referiu para a Grécia o valor de 24%. Por outro lado, Hill et al. (1997) encontraram no seu estudo no Reino Unido uma prevalência média de 9,1%, com uma das explorações do estudo a apresentar valores de 23,4%. É importante referir que uma vez que ainda não foram desenvolvidos sistemas de avaliação da claudicação eficazes, estes valores podem, na realidade, ser muito superiores, uma vez que podemos estar apenas a considerar os animais classificados como mais graves. Devido à grande divergência dos valores apresentados, ao facto de alguns casos poderem passar despercebidos e à possibilidade de existirem explorações em que o problema tem um impacto muito importante sobre o bem-estar e produção, os responsáveis das explorações e os seus médicos veterinários devem ficar cada vez mais atentos a esta problemática.

MAS QUAIS SÃO OS SINAIS DE ALARME? Por definição, as claudicações são andamentos e posturas atípicos caracterizados por afecção de um membro, ou mais, que perde a capacidade de suportar o peso corporal, e que está de uma maneira geral associado a dor no sistema músculo-esquelético (Radostitis et al., 2007). A claudicação pode ainda ser considerada um comportamento compensatório para fazer face à dor que os animais sentem (Bahr, 2008). Existem, no entanto, outros sinais aos quais de deve dedicar atenção. Particularmente, a presença nas explorações de animais que se movimentem de joelhos ou que estejam muito tempo de joelhos;


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BEM ESTAR ANIMAL

Mazurek et al. (2007) demonstrou uma correlação significativa entre as restrições de movimentos e o nível de claudicação. Outros sinais podem ser animais com dificuldades em movimentos transitórios (levantar e deitar), articulações aumentadas em volume (inflamadas), animais com posturas desviantes quando se encontram em pé ou animais que permanecem muito tempo deitados (Reilly et al., 2002; Radostitis et al., 2007). A claudicação é assim um sinal e não uma doença em si, já que, com muito poucas excepções, a coxeira resulta de uma tentativa de reduzir ou evitar a dor resultante do apoio de um ou vários membros. Existem diferentes etiologias, genéticas, físicas por traumatismo e infecciosas, que podem estar na origem destes processos (Smith et al., 2009; Gelasakis et al., 2011). A maior parte das claudicações em pequenos ruminantes está associada a patologia da extremidade distal dos membros. Embora este seja um facto sobre o qual nos falta muita informação, diversos estudos têm vindo a referir que o sobrecrescimento das unhas é a patologia podal mais comum (Reilly et al., 2002). É importante referir que uma porção importante destas claudicações pode ser atribuída a questões ambientais, nutricionais e anatómicas, sendo que a grande maioria pode ser prevenida através de boas práticas de maneio e de um programa adequado de corte funcional das unhas (Reilly et al., 2002).

AS CONDIÇÕES EPIDEMIOLÓGICAS QUE CONTRIBUEM PARA O APARECIMENTO DESTAS AFECÇÕES SÃO: (adaptado de Radostitis et al., 2007) 1. lesões provocadas por pavimento dos parques 2. redução do desgaste por piso pouco abrasivo e falta de exercício. 3. camas persistentemente húmidas e com poucas condições de higiene 4. falhas em termos nutricionais 5. falta de um programa regular de corte funcional das unhas. As unhas dos pequenos ruminantes apresentam menos problemas em ambientes secos (Reilly et al., 2002) (Fig.1). Assim, a incidência deste tipo de afecções aumenta quando a humidade ambiental aumenta e as camas dos animais ficam permanentemente molhadas. Em ovinos a afecção podal mais comum é de origem infecciosa – a peeira (Fig. 2) (Reilly et al., 2002). Caracteriza-se por casos mais ou menos severos de claudicação sendo que a sua prevalência aumenta em ambientes húmidos e quentes. É provocada por uma associação de agentes (Dichelobacter (Bacteroides) nodosus e Fusobacterium necrophorum) e caracteriza-se por lesões visíveis na junção da pele com o estojo córneo da unha, necrose mais ou menos profunda e cheiro pútrido (Radostitis et al., 2007). Por ser uma afecção altamente contagiosa recomendam-se boas práticas de maneio das camas, utilização de pedilúvios que promovam um uma desinfecção, um endurecimento e um fortalecimento das unhas e a utilização de um programa vacinal adequado (apenas quando a incidência de peeira no rebanho é muito elevada e as restantes medidas de prevenção não parecem ser suficientes). Nas cabras mantidas em regime intensivo, as afecções mais

comum parecem ser as lesões provocadas por um crescimento excessivo da unha (Fig.3). Num estudo realizado no Reino Unido 91,2% das cabras leiteiras em regime intensivo apresentavam sobrecrescimento das unhas (Hill et al., 1997). O sobrecrescimento e as claudicações consequentes, são indicadores importante de fraco bem-estar animal e de mau maneio em explorações intensivas de leite.

OUTRAS CAUSAS DE CLAUDICAÇÕES EM PEQUENOS RUMINANTES SÃO: - infecciosas – certos vírus e bactérias podem provocar artrites, sendo consideradas mais importantes aquelas causadas pelo vírus da Artrite-encefalite caprina (CAEV) e por Mycoplasmas (Agaláxia Contagiosa). Geralmente as claudicações fazem parte de uma quadro clínico que pode incluir mastites, pneumonias, - Doenças neurológicas e defeitos anatómicos são responsáveis por casos esporádicos. - Traumas – por agressões entre animais, acidentes ou até devido a injecções de substâncias oleosas (oxitetraciclina) nos músculos dos membros posteriores. - Causas metabólicas e nutricionais – edema das extremidades que surge nos casos de Toxémia de Gestação ou casos de carência em certos minerais (e.g. zinco, selénio).

O QUE FAZER PARA PREVENIR? Relativamente a boas práticas é de referir a importância de manter as camas secas e, quando tal for possível, dar acesso aos animais a um parque de exercício que tenha superfície que possa provocar algum desgaste nas unhas. Uma outra possibilidade é colocar os comedouros e bebedouros sob uma superfície que provoque algum desgaste das unhas. Nas cabras uma outra situação que tem tido alguns resultados é construir ou empilhar material que possa provocar este desgaste (por exemplo, blocos de cimento) para as cabras escalarem e brincarem (Reilly et al., 2002). Uma vez que estas sugestões são muitas vezes difíceis de cumprir na rotina diária das explorações, será sempre importante ter em prática um bom e regular programa de corte funcional das unhas. Não existe uma frequência certa para este controlo, uma vez que este é muito dependente das condições da própria exploração, no entanto, podemos referir como mínimo um corte de unhas semestral dos animais em regime intensivo. As claudicações são um exemplo em que a garantia do bem-estar animal apenas pode ser alcançada através da aplicação de práticas de produção adequadas, que tenham em conta não só a espécie animal em si, mas também os sistemas de produção, as condições climáticas, o alojamento e as metodologias de maneio e de alimentação.

O IMPACTO ECONÓMICO DAS CLAUDICAÇÕES Para além de constituírem um problema em termos de BEA, as claudicações constituem ainda um problema económico importante para as explorações.

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BEM ESTAR ANIMAL » Fig. 2 - Ovelha com caso severo de peeira.

Fig. 1 - Unhas em boas condições de um animal que não apresentava quaisquer sinais de claudicação.

Fig. 3 - Cabra que apresenta deformação severa das unhas.

Vimos no artigo anterior da Revista Ruminantes que animais em que está garantido o bem-estar são mais saudáveis (Horgan & Gavinelli, 2006), e consequentemente mais produtivos, tanto em termos de quantidade como de qualidade. No caso particular das claudicações, as perdas económicas devem-se ao facto que animais que estejam em dor (Fig.4) e tenham dificuldade em se movimentar, acabam por não se alimentarem adequada mente o que conduz a quedas de produtividade (Radostitis et al., 2007). A performance reprodutiva, de machos e fêmeas, é também diminuída e a taxa de refugo aumenta consideravelmente (Eze, 2002; Radostitis et al., 2007). Estudos realizados em cabras demonstram uma relação directa entre a existência de afecções debilitantes, como claudicações por sobrecrescimento das unhas, ou a existência de doenças que afectem a saúde do úbere, e uma redução significativa de produção de leite, assim como da sua qualidade (Jackson & Hackett, 2007; Mazurek et al., 2007; Christodoulopoulos, 2009; Anzuino et al., 2010).

O PROJECTO ANIMAL WELFARE INDICATORS (AWIN) E AS CLAUDICAÇÕES

Fig. 4 - Cabra que apresenta uma postura que denuncia desconforto e dor perante condição de claudicação.

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As claudicações, pelo peso que apresentam a nível das nossas explorações foram consideradas como um objectivo de estudo do projecto AWIN. E consequentemente, as claudicações vão ser consideradas como indicador de BEA na maneira em que afectam a “liberdade dor, ferimentos e doença”, no critério de BEA de ausência de ferimentos e doenças. Quando iniciámos o estudo deste indi-

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cador fomos confrontados com uma grande ausência de informação a este nível em pequenos ruminantes, nomeadamente a falta de um sistema de avaliação eficaz e fiável dos animais com claudicação. A grande maioria dos sistemas em uso (Hill et al., 1997; Anzuino et at., 2010) apenas é clara para os casos mais graves, não permitindo uma detecção precoce dos animais afectados. Desta forma, um dos nossos grandes objectivos passará pelo desenvolvimento de uma escala de avaliação contínua de claudicação que permita a todos os interessados a classificação dos animais segundo o grau de severidade de claudicação. Pretendemos também no AWIN desenvolver conteúdos de formação e informação sobre o tema de forma a divulgarmos de uma forma eficaz os achados do nosso trabalho. Pretendemos ainda avaliar qual a prevalência desta afecção nas nossas explorações, fornecendo a cada produtor uma ferramenta para, de uma forma rápida e eficaz, avaliar este problema (autoavaliação). Um resultado preliminar dos nossos estudos é que a melhor forma de avaliar os animais com claudicação será à saída da ordenha. Além de se conseguir uma melhor visibilidade, o facto de nos parques os animais andarem sob superfícies mais moles pode diminuir o grau de dor e assim a manifestação de claudicação; ao mesmo tempo que oculta determinadas condições, como o sobrecrescimento das unhas. De facto, em alguns estudos verificou-se que para as mesmas explorações e animais, a prevalência de animais identificados com claudicação era superior quando estas eram avaliadas à saída da ordenha, relativamente à classificação dos animais nos parques (Anzuino et al. 2010) Pretendemos depois relacionar este conhecimento com o conceito de dor, percebendo se a dor é uma vertente importante na patogénese das claudicações, de que forma esta se encontra associada aos diferentes níveis da escala que desenvolvemos e se a analgesia deverá ser consi derada como parte essencial do tratamento das claudicações facilitando a recuperação do animal. ! Referências bibliográficas:

Não foram incluídas por uma questão de espaço editorial, mas os autores disponiblizam bastando enviar um email para: awinportugal@gmail.com


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EQUIPAMENTOS

Novidades de equipamento ENFARDADEIRA DE FARDOS CILÍNDRICOS EMBALADORA “ULTIMA” NON-STOP Bernard KRONE GmbH Maschinenfabrik

FENDT CARGO PROFI CARREGADOR FRONTAL AUTOMATIZADO COM MECANISMO DE PESAGEM AGCO GmbH Fendt A gama de funções do carregador frontal é claramente aumentada com a ajuda adicional de tecnologia de sensores, permitindo novas funções. Duas posições finais para os braços e o implemento podem ser pré-selecionadas automaticamente (função de memória), limitando assim a gama de operações. Os resultados obtidos por um sistema integrado de pesagem com sensor de inclinação são documentados. Também possui uma função de vibração, amortecimento dependente da velocidade e amortecimento da posição final. A operação pelo utilizador é totalmente integrada no terminal do tractor.

A produção de fardos cilíndricos é uma operação de colheita exigente, tendo por objectivo a obtenção de um fardo bem formado e compactado, atado e embalado uniformemente. Nos modernos sistemas de embalamento conseguem-se elevados rendimentos, mas existem paragens para o atamento e embalamento dos fardos. Esta inovação Non-Stop permite que as operações de compactação, atamento e embalamento do fardo decorram de forma contínua. O comando inteligente duma câmara com função de enfardamento preliminar possibilita uma operação automática. A automatização alivia o trabalho do operador. A velocidade de deslocação do tractor é adaptada à carga de trabalho da enfardadeira. A produtividade da máquina pode ser aumentada até 50%, o que incrementa a capacidade de utilização da máquina. Conseguem-se maiores rendimentos de trabalho a par com menores custos.

MEDIÇÃO DE CONSTITUINTES PARA COLHEITAS JOHN DEERE HarvestLab e JOHN DEERE Vertrieb A erva e o milho estabeleceram-se como uma matéria-prima para explorações pecuárias e instalações de biogás. Os critérios de facturação até agora utilizados, baseados no rendimento e na matéria seca não são suficientes para se determinar um valor de pagamento que encoraje a produção de qualidade. A tecnologia NIRS e as curvas de calibragem calculadas com rigor permitem determinar, online, durante a colheita, diversos parâmetros como sejam o açúcar, o amido, a proteína, a fibra (ADF, NDF) e as cinzas, mas também a humidade. Estes dados fornecem informação para uma comercialização em função de critérios de qualidade, bem como indicações relativas à técnica de produção. Permite ainda melhorar os processos de ensilagem e de fermentação.

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EQUIPAMENTOS » “SMART KEY” CHAVE ELECTRÓNICA INTELIGENTE NEW HOLLAND Agriculture Equipment Spa A chave convencional foi dotada de um chip-RFID que só permite que o condutor utilize as máquinas para as quais tem permissão. Desta forma, não só os requisitos específicos do seguro (imobilizador) podem ser satisfeitos, como também podem ser atribuídas autorizações específicas para cada utilizador. Assim, cada condutor precisará apenas de uma chave para todas as máquinas, uma chave que pode ser usada mesmo em máquinas que não possuam tecnologia RFID. O veículo assume automaticamente as configurações do condutor específico, armazenadas na chave, e regista a identidade do motorista na documentação de trabalho.

BARREIRA DE CONDUÇÃO DE ANIMAIS FILOBOVIN 30 Naudot SAS - Mazeron

O sistema Filobovin 30 é constituído por um rolo de filme de plástico opaco, com a largura de 1,80 m e 50 m de comprimento. O rolo é munido de um suporte de rolagem adaptado para montagem no engate de 3 pontos dos tractores. Graças a este sistema, um só interveniente pode, de uma forma económica, fácil e rápida, montar uma barreira para canalizar ou limitar a passagem do gado.

AUTO-PESAGEM DOS ANIMAIS France Bovins Croissance

Um passadiço de pesagem para ser colocada em local “obrigatório” de passagem do gado (manjedoura, ponto de água…). Os animais são reconhecidos pela sua marca de identificação e pesados no referido passadiço. Todos os pesos são permanentemente registados e os valores aberrantes são eliminados. Os riscos para o operador, habitualmente ligados à pesagem, são evitados, assim como é eliminado o stress dos animais.

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O DESENSILADOR DISTRIBUIDOR DE FORRAGEM ALTOR 5070 M KUHN

A oferta da Kuhn no que respeita a desensiladores distribuidores de forragem fica enriquecida com a chegada do modelo Altor 5070 M. Esta máquina de 5 m3 é polivalente. A cinemática do braço/gancho permite o acompanhamento da forragem até muito próximo do separador de fardos. O elevador utiliza, assim, toda a capacidade útil da máquina sem accionar o tapete. A capacidade de levantamento de 2.20 toneladas permite carregar rapidamente a silagem de erva. As dimensões interiores do depósito da Altor 5070 M permitem aceitar fardos redondos com qualquer diâmetro e fardos cúbicos até 2,70 metros. O separador de fardos é accionado pelo dispositivo patenteado Polydrive®. A transmissão por correia permite usufruir da potência da turbina beneficiando da embraiagem hidráulica para maior flexibilidade de funcionamento. Torna-se possível a distribuição de fibras longas como o feno ou a silagem pré-seca. De origem, o Altor 5070 M está equipado com uma manga de fardos regulável hidraulicamente para a distribuição da silagem. Esta acompanha o fluxo do produto até ao depósito separando-o do soprador, conseguindo assim um cordão limpo e regular. “O conceito de distribuição da palha em chuveiro permite distribuir a quantidade certa de palha de modo homogéneo por toda a zona de camas. A distância de distribuição da palha é de 18 metros à direita e de 13 metros à esquerda, com a opção Kit boca de descarga a 300 graus.” O Altor 5070 M está preparado para aceitar uma tremonha mis-


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EQUIPAMENTOS

turadora de 575 litros. Verdadeira misturadora com o seu sem-fim agitador de movimento invertido (Mix Control System), os minerais e concentrados são pré-misturados antes de serem injectados na turbina. O Altor 5070 M pode aceitar o dispositivo de pesagem

A empresa Barão & Barão ordenha aproximadamente 400 animais, 3 vezes ao dia numa sala de ordenha com 24 pontos que já tem mais de uma década. O seu efectivo bovino conta com cerca de 900 animais de raça Holstein Frisian, com uma produção média de 11000 litros de leite, em 305 dias.

DIVERSEY INSTALA SISTEMA AUTOMÁTICO DE DESINFECÇÃO DOS TETOS E LAVAGEM DAS TETINAS NA VACARIA BARÃO & BARÃO Em Dezembro de 2011, a Diversey Portugal, instalou na sala de ordenha da vacaria Barão & Barão o sistema ADF (Automatic Disinfection and Flushing). Este sistema que se adapta a qualquer tipo e marca de sala de ordenha, permite automaticamente e na tetina sem o envolvimento do ordenhador, desinfectar os tetos dos animais e automaticamente entre cada animal desinfectar as tetinas para que se encontrem higienizadas aquando da colocação no animal seguinte. Segundo o Sr. António Barão, os principais motivos para ter escolhido a instalação deste sistema na sua vacaria foi deixar de depender do factor humano na desinfecção após a ordenha adicionado ao facto de desinfectar as tetinas entre cada animal. No entanto, após o sistema estar a funcionar, detectou ainda uma satisfação geral dos colaboradores porque não só as tetinas são mais leves e fáceis de colocar como deixou de ser necessário "apertar" o copo de cada vez que se aplicava o produto desinfectante da pós-ordenha nos tetos dos animais.

A Diversey Portugal S.A. é uma empresa fornecedora de soluções de higiene com um grande historial em Portugal na higiene das explorações leiteiras através da marca Deosan. Mais informações contacte: ruben.mendes@diversey.com !

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EQUIPAMENTOS

SALA DE ORDENHA

Reduzir o tempo e os custos da ordenha Ruben Mendes, Diversey Portugal, S.A. ruben.mendes@diversey.com

Um novo sistema automático de desinfecção dos tetos e de lavagem das tetinas pode economizar tempo na sala de ordenha, sem comprometer a qualidade da rotina de ordenha.

Assim atestam os resultados dum estudo de tempose-movimentos realizado pela ADF Milking Ltd. em conjunto com o Dairy Group*, numa série de vacarias no Reino Unido que testaram um novo sistema de desinfecção do úbere pós-ordenha — o sistema ADF. Este sistema desinfecta automaticamente os tetos enquanto as tetinas ainda estão colocadas, assim como as tetinas, imediatamente após a ordenha. A desinfecção do úbere após a ordenha é, comprovadamente, de extrema importância na prevenção de novos casos de mamites subclínicas (Lam et al., 1996). Na maioria das vacarias, o trabalho é intenso e o tempo precioso mas simplificar a rotina da ordenha pode resultar em custos acrescidos. No entanto, já existe uma ferramenta à disposição dos produtores que promete economizar uma quantidade considerável de tempo na sala de ordenha sem comprometer a qualidade e a eficiência do processo. Trata-se do ADF, um sistema automático de imersão e lavagem dos úberes, que tem tido grande sucesso entre os produtores do Reino Unido desde o seu lançamento no Dairy Event em 2005. E não apenas devido aos resultados sobre a saúde do úbere e os benefícios na qualidade do leite. Como refere James Duke, da ADF, "Estamos a receber um grande “feed back” por parte dos utilizadores que referem que o tempo que este sistema permite poupar, contribui para um ambiente mais descontraído na sala de ordenha, beneficiando as vacas e o operador".

NO MOMENTO EXACTO "O sistema ADF automatiza as operações que têm que ser feitas em cada ordenha, no momento certo.” Os resultados do estudo de tempos-e-movimentos efectuado mostram que o ADF permite economizar mais tempo do aquele especificamente atribuído à acção da imersão e lavagem dos úberes. "A redução do tempo

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total da ordenha foi maior que a soma do tempo directamente associado à imersão e lavagem dos úberes", afirmou o especialista em tecnologia de ordenha Ian Ohnstad, que liderou o estudo do Dairy Group. "Se, por exemplo, em cada ordenha se demorar 30 minutos no total para desinfectar todos os tetos e lavar as tetinas manualmente, automatizando o processo poder-se-ia esperar reduzir o tempo de ordenha em 30 minutos. No entanto, em todas as explorações que estudámos verificou-se uma maior redução do tempo de ordenha." (ver tabela abaixo). Exploração A Exploração B Exploração C Exploração D Exploração E

minutos 25 45 15 17 62

"O sistema ADF consegue mais do que uma economia de tempo, porque permite que o trabalhador se concentre nas vacas, e se concentre nas operações que têm que ser feitas em determinado momento", acrescentou James Duke.

PREPARAÇÃO DO ÚBERE "A preparação do úbere, por exemplo, é mais oportuna se for feita logo após a vaca ter entrado na sala de ordenha. Nas salas de ordenha equipadas com o ADF, o operador não se distrai com as vacas que precisam de ser desinfectadas antes de deixarem a sala de ordenha , uma vez que essa operação já está executada. Em média, três horas de ordenha são reduzidas para duas. " O estudo, realizado em cinco explorações, revelou que o tempo de entrada das vacas foi reduzido pela metade: "As vacas são “conduzidas” no seu trajecto para a


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EQUIPAMENTO

EQUIPAMENTOS

SALA DE ORDENHA

sala de ordenha e, a partir daí, o resto da rotina de ordenha é muito mais eficiente e certamente menos stressante. O operador não está dividido entre duas actividades o tempo todo." O processo de imersão dos tetos também é mais "eficiente" — há menos perdas, uma vez que o produto é colocado exactamente onde é necessário, na quantidade e na altura certas. "Esta é uma daquelas situações em que uma máquina é realmente melhor do que um operador humano, e também menos dispendiosa uma vez que o ADF consegue reduzir este valor para valores a rondar os 0,06€/vaca ordenhada e isto contando com produto desinfectante dos tetos, produto desinfectante das tetinas e as tetinas em si trocadas a cada 2000 a 2500 ordenhas", acrescentou Duke. E quanto maior for a sala de ordenha, mais visível é o efeito da instalação do sistema ADF na redução do tempo de ordenha. Nas ordenhas rotativas, este sistema é particularmente útil — e em muitos casos permite dispensar uma segunda pessoa a ordenhar. "Este sistema permite que sejam instaladas salas de ordenha maiores e com mais vacas de leite, evitando problemas relacionados com a necessidade de pessoal extra e outros custos associados." Ian Ohnstad concorda: "É improvável que um operário que leve a cabo uma operação completa de ordenha, seja capaz de utilizar eficazmente 18 pontos de ordenha. "Existem poucas dúvidas de que a automatização da imersão e lavagem dos úberes pode aumentar este valor, mas actualmente não se sabe exactamente em quanto.

James Duke menciona igualmente que, como em qualquer sistema automatizado, os produtores devem revisionar o ADF regularmente para garantir a sua eficácia na imersão e lavagem dos tetos. "Como em qualquer máquina ou equipamento automático, há uma tendência para carregar no botão e esquecer. Aos operadores cabe a responsabilidade de verificar se o ADF, como qualquer outra peça de equipamento na sala, está a funcionar correctamente. Portanto, devem verificar regularmente os úberes das vacas que foram imersos. O ADF é uma ferramenta de valor inestimável — para poupar tempo, dinheiro e a saúde do úbere mas, como qualquer máquina, deve ser cuidadosamente monitorizada", acrescenta.

ORDENHA SEM STRESS Cliff Longlands ordenhou 113 rebanhos leiteiros diferentes — cerca de 34 mil vacas — no Reino Unido e na França durante os últimos sete anos. É um vaqueiro experiente e um grande fã do sistema ADF. "Já ordenhei três rebanhos no Reino Unido com o sistema automático de imersão — todos com efectivos relativamente grandes, com 280, 1.000 e 320 vacas, respectivamente — e realmente economiza-se muito tempo." Actualmente, Longlands trabalha com o sistema ADF numa vacaria com 280 vacas de leite, na localidade de Sevenoaks, numa sala de ordenha 24:24. “Não conseguiria levar a cabo este trabalho sem este sistema. Deixa-nos muito tempo extra para fazer outras coisas na sala de ordenha que são tão vitais para uma boa gestão do rebanho como a ordenha”, referiu. Para além do mais, a atmosfera na sala de ordenha é muito mais calma para as vacas e permite realizar um trabalho mais eficaz e limpo”. ! Dairy Group*: empresa privada de consultoria do sector lácteo.

CONTROLOS REGULARES O sistema é muito simples, uma vez que, de forma automática e em apenas 20 segundos, passa pelas seguintes etapas:

Fim da ordenha - começa o processo

O preventivo aplica-se no teto

O teto está tratado e protegido

Começa o processo de limpeza

O sistema está preparado para o animal seguinte

No fim da ordenha, o vácuo desliga-se e o preventivo é injectado por um pulverizador na parte terminal da tetina.

O produto aplica-se com precisão em volta de todo o teto sendo aplicado quando a tetina é puxada pelo retirador automático.

Segundos depois de terminar a ordenha e assim que as tetinas são removidas, os tetos estão protegidos.

Cada tetina é lavada e desinfectada com impulsos alternados de solução e ar comprimido.

As tetinas estão limpas, desinfectadas e preparadas para a vaca seguinte.

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FEIRAS

NÃO DEIXE DE VISITAR... 25 A 28 DE JANEIRO

14 A 18 DE FEVEREIRO

8 A 10 DE MARÇO

25 FEV. A 4 MARÇO

22 A 25 DE MARÇO

25 a 28 de Janeiro AGROEXPO D. Benito, Espanha As empresas e profissionais mais importantes do sector agro-pecuário, tanto de Espanha como de Portugal, reunem-se na AGROEXPO 2012, que decorrerá de 25 a 28 de Janeiro. A edição de 2011 contou com mais de 410 as empresas expositoras e mais de 60.000 visitantes. www.feval.com

14 a 18 Fevereiro FIMA Saragoça, Espanha A próxima edição da Feira Internacional de Máquinas Agrícolas, FIMA, uma ferramenta fundamental para o comércio no sector, deverá novamente atrair milhares de visitantes - na última edição teve mais de 190.000 visitantes de 50 países em busca da melhor tecnologia. A FIMA é também o ponto de encontro, debate e reflexão em torno do sector primário. www.feriazaragoza.es

8 e 10 de Março GANDAGRO Silleda, Pontevedra, Espanha A GandAgro 2012 pretende ser consolidada nesta segunda edição como uma plataforma de negociação e apresentação dos mais recentes desenvolvimentos destinados à produção agrícola. A primeira edição deste certame, realizado de 4 a 6 de Março de 2010, reuniu 220 expositores de 12 países e 11.478 visitantes. www.semanaverde.es/gandagro

SIA — Salão Internacional da Agricultura 25 Fevereiro a 4 de Março Paris, França Com 1.142 expositores e 4.667 animais em exposição, em 2011, a feira é uma verdadeira janela aberta para a agricultura em toda a sua diversidade. Expoem-se os mais belos exemplares em representação de 360 raças, a gastronomia tipica de França as culturas forrageiras e serviços para a pecuária. www.salon-agriculture.com

AGRO 22 a 25 de Março Braga, Portugal A AGRO vai continuar a apoiar as fileiras mais representativas do sector agrário, quer através da aposta no reforço de divulgação do certame com o consequente aumento do número de visitantes/ compradores quer ainda no contributo para a qualificação dos profissionais agrícolas. Integra tam bém o principal concurso pecuário do país das Raças Autóctones. www.peb.pt

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EQUIPAMENTOS

A nova gama New Holland TD5 A New Holland melhorou e expandiu a gama de tractores TD5 com vista a proporcionar às explorações leiteiras e pecuárias um tractor fiável, a um nível de preço muito competitivo. A série alargada apresenta agora seis modelos: o TD5.65, o TD5.75, o TD5.85 e o TD5.95, bem como os dois novos modelos topo de gama TD5.105 e TD5.115, que proporcionam entre 65 e 113 cv. Segundo Pierre Lahutte, Director de Gestão de Produtos Tractores, “A gama TD5 foi cuidadosamente desenvolvida para satisfazer as exigências deste segmento extremamente competitivo com requisitos específicos. Elementos muito apreciados, como as transmissões mecânicas e a manutenção simplificada, foram associados a uma nova cabina e PowerShuttle hidráulico montado na coluna, que é único neste segmento, com vista a oferecer uma variante moderna num tradicional favorito.”

Destaques: - nova cabina VisionView™: conforto do operador e ergonomia líderes na indústria, numa solução moderna e elegante; - motores mecânicos robustos e eficientes: até 113 cv para a máxima produtividade e eficiência; - PowerShuttle hidráulico mais avançado do segmento: ideal para aplicações de carregador; - opção de ROPS com total conformidade FOPS: segurança excepcional do operador; - compatibilidade com pneus R38 para optimização da produtividade e redução da compactação do solo. A cabina, totalmente nova, assegura um excelente conforto e controlo intuitivo de todas as funções principais do tractor. O design centrado no operador proporciona melhoramentos ergonómicos significativos: todos os controlos principais, incluindo o acelerador de mão e as alavancas de controlo das válvulas hidráulicas remotas foram reposicionados na consola do lado di-

reito, a fim de minimizar a torção e rotação por parte do operador. Adicionalmente, o painel de grande visibilidade, opcional, permite desfrutar de uma área envidraçada total de 5.034 m2, ideal para trabalhos com carregador, proporcionando uma excelente visibilidade ao longo de todo o ciclo de elevação. As seis luzes de trabalho incorporadas na secção traseira do tejadilho, elimina a necessidade de remoção durante os trabalhos em zonas de folhagem suspensa ou em telheiros baixos, permitindo trabalhar em áreas pouco iluminadas.

Ideal para aplicações de carregador O TD5 oferece PowerShuttle hidráulico opcional montado na coluna, para mudanças de direcção em movimento, sem necessidade de utilizar o pedal da embraiagem. Os modelos TD5.85 a TD5.115 beneficiam de mudanças de direcção suaves, perfeitas para aplicações intensivas com carregadores em explorações leiteiras e pecuárias, durante o empilhamento de fardos ou a alimentação do gado. Modelo TD5.65 TD5.75 TD5.85 TD5.95 TD5.105 TD5.115

Potência máxima (cv) 65 72 82 95 106 113

Binário máximo (Nm) 261 295 328 390 425 445


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CONHEÇA A LEI

Prédios rústicos: ser dono sem o ser Ricardo F. Diogo, Advogado www.fladvoga.com

É possível alguém tornar-se proprietário de um prédio rústico sem nunca o ter comprado nem o ter recebido por doação ou por herança? Sim. Basta que tenha a posse do terreno (que o use como se fosse seu dono), de forma pública (conhecida de todos) e pacífica (sem coacção física nem psicológica), durante um determinado período de tempo. A resposta está na figura da «usucapião», prevista na Lei e que pode ser invocada por quem utiliza o terreno e se comporta como se de um verdadeiro proprietário se tratasse. Um caso típico é o de alguém que, não sendo proprietário, utiliza permanentemente o imóvel para habitação ou para semeadura e que o faz de forma pública, à vista de todos e sem que ninguém se oponha. Como a posse pode transmitir-se por via hereditária, é frequente os prédios rústicos encontrarem-se inscritos nos Serviços de Finanças mas não no Registo Predial. É o que acontece quando os herdeiros declaram à Administração Tributária terem recebido um terreno por herança mas não o registam a seu favor na Conservatória do registo Predial. Também não são raras as situações em que os contratos de compra e venda são celebrados por documento particular ou verbalmente, apesar de a lei exigir a celebração de uma escritura pública ou de um documento particular autenticado. Pode também suceder que os proprietários tenham abandonado o prédio e que alguém o tenha ocupado, habitando-o ou cultivando-o durante vários anos como se fosse seu. Ora, por regra, para se registar a aquisição de um terreno é necessário exibir perante as entidades competentes o contrato de compra e venda ou qualquer outro título que justifique a aquisição (uma escritura de doação, uma escritura de partilha etc…). Não dispondo de tal documento, o dono do imóvel não poderá registá-lo como seu. Foi a pensar nestas e noutras dificuldades que o legis-

lador português previu a figura usucapião. Esta forma de aquisição da propriedade permite o seu registo, mesmo que não tenha sido celebrado um contrato válido e desde que alguém se comporte de forma pública e pacífica como verdadeiro proprietário do prédio. A protecção que a Lei concede a quem tem a posse de um imóvel mesmo sem ser proprietário chega ao ponto do possuidor poder intentar uma acção em Tribunal contra quem puser em causa a sua possibilidade de o utilizar, podendo, por exemplo, agir contra quem alterar os marcos ou o impedir de cultivar o terreno. As circunstâncias de a posse ser ou não titulada (isto é, de ter sido ou não fundada em algum contrato, ainda que inválido) ou de boa má-fé (isto é, sem ou com a consciência de se violar direitos de outrem) não prejudicam a possibilidade do possuidor adquirir o prédio por usucapião. Mas são aspectos relevantes para a contagem dos prazos. Se o possuidor dispuser de um título de aquisição (um contrato, ainda que inválido) e o registar, poderá registar a aquisição do imóvel por usucapião ao fim de 10 anos, se estiver de boa fé, ou passados 15, se estiver de má fé. Se não registar o título de aquisição mas apenas a sua mera posse, o possuidor poderá registar a aquisição do imóvel a seu favor ao fim de 5 anos a contar do registo da posse, se estiver de boa fé, ou ao fim de 10, se estiver de má fé.

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CONHEÇA A LEI »

Pode ainda acontecer que quem tem a posse de um terreno não tenha qualquer título nem nunca tenha registado a sua mera posse. Nesse caso, se estiver de boa-fé, a usucapião dá-se após 15 anos a contar da data em que tomou posse do bem, e após 20, no caso da má-fé. O registo da mera posse pode ser requerido desde que esta se inicia. Já o registo da aquisição da propriedade com fundamento na usucapião só pode ser requerido quando se encontrem decorridos os prazos acima referidos e os demais requisitos acima indicados bem como se encontrem cumpridas as obrigações fiscais. Por aqui se vê que a Lei considera que, decorridos aqueles prazos, quem efectivamente utiliza o bem como sendo seu é quem deve ser considerado seu proprietário. Mas, para isso, a usucapião tem de ser invocada. A forma mais comum o fazer inicia-se com uma escritura de justificação notarial. Nessa escritura, o interessado declara os factos e as razões que justificam a aquisição do direito de propriedade fundada usucapião. As declarações do interessado devem ser confirmadas por três testemunhas, que poderão incorrer na prática de um crime de falsas declarações perante oficial público se confirmarem informações falsas. Posteriormente, o notário notificará o proprietário que se encontre inscrito no registo, ou mandará publicar edi-

tais destinados aos seus herdeiros, para que se pronunciem sobre o pedido apresentado pelo possuidor. O notário promove também a publicação de um extracto da escritura de justificação no jornal mais lido na localidade para que, no prazo de 30 dias, algum interessado venha impugnar a escritura pela qual se pretende adquirir o prédio por usucapião. Caso a escritura não seja impugnada nesse prazo, o adquirente deverá preencher e entregar no Serviço de Finanças do local no qual se encontra o imóvel um modelo para liquidação do Imposto do Selo no qual declare que adquiriu o prédio. Uma vez pago o Imposto do Selo devido pela aquisição, o interessado poderá requerer à Conservatória do Registo Predial a inscrição do imóvel a seu favor. Tal pedido deverá ser instruído com a escritura de justificação notarial e com um comprovativo do cumprimento das obrigações fiscais. Deve esclarecer-se que a posse pode ser perdida se outrem a adquirir por mais de um ano. Por este motivo é conveniente que os possuidores manifestem periodicamente, de forma pública e pacífica, a sua posse. Caso contrário, poderá correr-se o risco de a Lei nunca reconhecer o seu ao seu dono. !

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SEGURANÇA

Estudos no Colorado (E.U.A.) durante 10 anos (1997 a 2006) dizem que a falta de experiência é um dos factores que leva a mais acidentes. Trabalhadores com 5 meses de experiância têm duas vezes mais acidentes que os outros. Coices; portões e vedações são as causas mais comuns. Mãos e pulsos são as zonas de lesões mais frequentes.

SEGURANÇA EM PARQUES DE NOVILHOS

FOTOS: N. MARQUES

Procedimentos de segurança – Pontos de prevenção: Encaminhe calmamente o gado, não corra, não grite, nem faça os animais correr. Habitue o gado a ser conduzido por pessoas a pé ou montadas. “Área de risco” (zona de acção do animal – coices,etc), não entre nesta área quando o gado se está a mover para onde quer. Apenas quando os quer fazer andar.

Cuidado com os animais que estão sozinhos. Normalmente são animais que estão ansiosos por se juntar aos outros e portanto têm reacções inesperadas. Mantenha o equipamento em bom estado. Trincos gastos nas mangas são fonte de acidentes. As portas devem oscilar livremente e com trincos que sejam fáceis de trancar e destrancar. Zona de manuseamento do gado devem ter chão anti-deslizante, principalmente nas zonas de maior tráfego, como as mangas, balanças, baias e rampa de carga. Os animais entram em pânico quando escorregam. Rampa de carga, não encha a manga de acesso à rampa de carga. Elimine fontes de distração, como casacos pendurados em cancelas, correntes penduradas, veículos em movimento, reflexos em pisos molhados, ventoinhas, etc. 66

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Fotografia: Ant贸nio Cannas | Modelo: M.L.

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RUMINarte


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Ruminantes 4  

Edição nº4/2012 A revista da agropecuária

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