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ANO 9 - Nº 32 - 5,00€ JANEIRO | FEVEREIRO | MARÇO 2019 (TRIMESTRAL) WWW.REVISTA-RUMINANTES.COM

A REVISTA DA AGROPECUÁRIA

IV CONCURSO FORRAGENS

Conheça os vencedores

NOVA ZELÂNDIA

Diferenças na produção de ruminantes

CAMA PARA BOVINOS

Fatores a considerar para uma escolha acertada

ILHA TERCEIRA LEITE, CARNE E CIÊNCIA


EDITORIAL

REVISTA RUMINANTES EDIÇÃO 32 JANEIRO - FEVEREIRO - MARÇO 2019 DIRETOR Nuno Marques nm@revista-ruminantes.com COLABORARAM NESTA EDIÇÃO Abel Veloso, Alexandre Rego, Alfredo Oliva, Ana Lage, António Cannas, António Gomes, António Moitinho, Carlos Vouzela, Célia Rodriguez Gomez, César Novais, Diamantino Lagoa, Emanuel Pascoal, Filipe Duarte, Filipe Maricato, George Stilwell, Helvídio Barcelos, Hette de Vrie, João Diogo Silva, João Marques, Joaquim Gomes, José Azevedo, José Caiado, Luís Raposo, Luís Viveiros, Madalena Rodriguez Gomez, Mário Machado, Pedro Castelo, Simão Rocha, Susana Sousa, Teresa Moreira, Valentina Santos PUBLICIDADE E ASSINATURAS Nuno Marques comercial@revista-ruminantes.com REDAÇÃO Francisca Gusmão, Inês Ajuda, Joana Silva, Margarida

Caro leitor,

O

s Açores, desta vez a Ilha Terceira, em particular, estão em destaque neste primeiro número do ano da Ruminantes. A convite do Paulo Fortuna, da Associação Agrícola da Ilha Terceira, tive a oportunidade de conhecer e entrevistar alguns produtores desta ilha, Na verdade fui cumprir uma promessa que tinha feito comigo mesmo, pois um dos objetivos da Ruminantes é dar a conhecer o que se faz neste setor em Portugal, e a ilha Terceira é sem dúvida uma zona muito importante de produção de leite e carne e, por isso, digna de se conhecer. O objetivo desta viagem foi contactar diferentes negócios, da tradicional produção de leite com ordenha móvel e com ordenha fixa, à produção de carne. Visitei ainda as recentes instalações do Laboratório Regional de Veterinária, que presta um valioso contributo aos produtores no controlo de uma série de fatores relacionados com a saúde animal e na tomada de decisão para melhoria das suas explorações.

Carvalho, Sofia Meneses. DESIGN GRÁFICO E PRÉ-IMPRESSÃO Sofia Marques prepress@revista-ruminantes.com IMPRESSÃO Jorge Fernandes Lda Rua Quinta Conde de Mascarenhas nº9, Vale Fetal 2825-259 Charneca da Caparica Telefone: 212 548 320 ESCRITÓRIOS E REDAÇÃO Rua Alexandre Herculano nº 21, 5º Dto 2780-051 Oeiras Telemóvel: 917 284 954 geral@revista-ruminantes.com PROPRIEDADE/EDITOR

O profissionalismo, a dedicação, a paixão pelo negócio e a simpatia foram uma constante nestas visitas. Trabalhando bem como trabalham, e estando localizados nos Açores, fica sem dúvida a ideia de que os produtores da ilha Terceira merecem ter o seu produto mais bem valorizado e receber um melhor preço pelos produtos que produzem. O preço médio do leite pago ao produtor nos Açores, no primeiro semestre de 2018, foi cerca de 28,5 cêntimos por litro (24 cêntimos no Pico e 31 em S. Miguel), enquanto que a média europeia, até outubro, foi de 34,33 cêntimos por litro. No Índice VL, uma rubrica que publicamos em todas as edições, pode-se ver que o preço médio pago por kg de leite aos produtores da UE28 em agosto, setembro e outubro foi de 0,348 €/kg, e o preço médio do leite pago aos produtores portugueses no mesmo período foi muito inferior (0,303 €/kg), sendo que nos Açores foi de 0,292 €/kg em agosto e 0,300 €/kg em outubro.

Aghorizons, Lda / Nuno Marques Contribuinte nº 510 759 955 Sede: Rua Alexandre Herculano nº 21, 5º Dto. 2780-051 Oeiras GERENTE Nuno Duque Pereira Monteiro Marques DETENTORES DO CAPITAL SOCIAL Nuno Duque Pereira Monteiro Marques (50% participação) Ana Francisca C. P. Botelho de Gusmão Monteiro Marques (50% participação) TIRAGEM 5.000 exemplares PERIODICIDADE Trimestral REGISTO Nº 126038

DEPÓSITO LEGAL Nº 325298/11 O editor não assume a responsabilidade por conceitos emitidos em artigos assinados, anúncios e imagens, sendo os mesmos da total responsabilidade dos seus autores e das empresas que autorizam a sua publicação.

Como se percebe, o preço do leite nos Açores está, de forma continuada, abaixo da média europeia. Cabe questionar: O investimento feito pelo Governo Regional na marca Açores está a resultar? Os produtos da “marca Açores” estão a ser vendidos pelo preço certo? Estará a estratégia de produção de leite para os Açores bem delineada? Sinceramente não sei, mas vejo os produtos açorianos no fim do “ranking” europeu no que ao preço do leite pago ao produtor diz respeito. E também vejo muitos produtos açorianos com preços muito baixos nos supermercados, embalados em marca branca, ficando a ideia de que não se consegue vender a bom preço tudo o que se produz. Seja porque motivo for, e pensando que os produtores terceirenses recebem menos que os 0,300€/kg pagos em outubro nos Açores (este preço é mais representativo do que se passa em S. Miguel), a verdade é que estes produtores poderão vir a passar um período muito difícil nos próximos tempos. Estará a fileira do leite consciente de que o negócio não é interessante para todas as partes, e que isso é motivo suficiente para criar instabilidade?

Reprodução proibida sem a autorização da Aghorizons Lda Alguns autores nesta edição ainda não adotaram o novo acordo ortográfico. O "Estatuto Editorial" pode ser consultado no nosso site em: www.revista-ruminantes.com/estatuto-editorial ENVIE-NOS AS SUAS CRÍTICAS E SUGESTÕES PARA: nm@revista-ruminantes.com WWW.REVISTA-RUMINANTES.COM WWW.FACEBOOK.COM/REVISTARUMINANTES

CONCURSO NACIONAL DE FORRAGENS 2018 O Concurso Nacional de Forragens 2018, promovido pela Ruminantes e divulgado nesta edição, realizou-se no passado mês de novembro e demonstrou, uma vez mais, que, em Portugal, há quem faça silagens de erva próximas da excelência - como é o caso dos três vencedores do concurso. Bom Ano. NUNO MARQUES Diretor

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ÍNDICE DE CONTEÚDOS

ILHA TERCEIRA Leite, Carne e Ciência - Reportagens

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A PRODUÇÃO DE RUMINANTES NA NOVA ZELÂNDIA

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IV CONCURSO NACIONAL DE FORRAGENS

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“O DESCANSO DAS GUERREIRAS” A escolha da cama ideal para bovinos

ALIMENTAÇÃO

ECONOMIA

SAÚDE E BEM-ESTAR ANIMAL

28 Alimentação de vitelos – o que se sabe mas nem sempre se faz!

46 Observatório de matérias primas

8 Laboratório Regional de Veterinária na Ilha Terceira

30 Baldes que contribuem para melhorar a fertilidade e prevenir problemas de patas

48 Observatório do leite 50 Índice VL e índice VL erva

82 Coccidiose em borregos

GENÉTICA

Saúde ruminal – a chave para evitar 88 futuras patologias

38 A figueira-da-índia na alimentação de borregas de substituição

78 Conversão ao ProCROSS: em busca de longevidade e rentabilidade

42 “16.000 euros entre uma forragem de topo e uma mediana”

PRODUÇÃO

52 Maneio alimentar de borregos junto das mães 66 Minerais* na forma de complexos aminoácidos no pós-parto em vacas leiteiras

FORRAGENS

34 A importância da maturidade na qualidade nutricional das silagens de milho

12 Quinta dos Açores - “Um negócio que surgiu à mesa” 16 Quando menos é mais! - Produtor Mário Machado 20 “Os produtores deveriam mandar mais no seu produto” – José Azevedo

O bem-estar animal e a dorem 90 bovinos – o uso de anti inflamatórios em bovinos

PRODUTO 94 Innovabio by TIMAC AGRO – a inovação ao serviço da agricultura 96 biológica 99 LELY VECTOR - um sistema automatico de alimentação Novidades de produto

70 Quando um trabalho em equipa se traduz em melhores resultados ruminantes janeiro .fevereiro .março 2019

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Monobox GEA Um só movimento para uma ordenha perfeita O Monobox apenas necessita de uma colocação para poder realizar toda a sequência de passos de uma boa rotina de ordenha. Num único movimento coloca, estimula, limpa, tira os primeiros jactos de leite, ordenha e aplica o post-dip directamente nos tectos

Os 6 passos da rotina de ordenha automática Monobox 1. Colocação e estimulação Logos após à colocação da tetina começa o processo de estimulação mecânico que prepara o ubre para uma ordenha rápida e com elevados fluxos de leite A estimulação mecânica da GEA reduz as curvas bimodais, desta forma é encurtado o tempo de ordenha e aumenta a produção de leite por animal. 2. Ordenha limpa É feita a limpeza dos tetos seguida de uma secagem, posteriormente são retirados os primeiros jactos de leite O que diferencia o sistema Monobox da GEA de outras máquinas é que desta forma não são necessárias escovas ou qualquer outro equipamento mecânico que possa provocar uma qualquer contaminação dos tetos. Ao realizarmos uma limpeza regular e constante evitamos ordenhar tetos sujos ou molhados.

3. Medição e análise do leite Um conjunto de sensores analisa por teto a temperatura, a cor e a condutividade eléctrica do leite dos primeiros jactos para detectar anomalias ou mamites. De seguida são monitorizados os fluxos de leite e tempos de ordenha de cada teto enquanto se mede o volume de leite produzido. A informação detalha é disponibilizada ao produtor de forma a permitir realizar os ajustes necessários.

4. Ordenha completa, rápida e confortável A ordenha em linha baixa permite trabalhar com baixos níveis de vácuo o que nos dá a garantia de uma ordenha rápida e suave dos tetos. A linha baixa proporciona estabilidade de vácuo e melhores condições para os tetos, coisa que as linhas altas não permitem. Este facto influência de forma positiva a qualidade final do leite ordenhado.

5. Posicionamiento Um braço de ordenha leve e suspenso adapta-se de maneira natural aos movimentos da vaca. Isto evita maus posicionamentos do jogo de ordenha, quedas dos casquilhos, forças negativas e respiros nas tetinas. Caso uma tetina caia, jamais esta poderá tocar o chão até que volte a ser colocada, nem o jogo de ordenha perde o bom posicionamento O curto comprimento das mangueiras de leite proporciona estabilidade e evita flutuações de vácuo.

6. Post Dip e retirada automática Uma vez terminada a ordenha e antes de retirar a tetina, é aplicado directamente em cada teto o produto desinfectante e cosmético. Esta forma de aplicação tão directa permite uma cobertura perfeita e de forma homogénea em todo o teto e uma hidratação mais eficaz..


Qualidade, Produtividade e Flexibilidade. Tudo em um! Módulo profissional de ordenha automática proporciona o máximo rendimento e excelente saúde do rebanho. O novo módulo GEA Monobox herda as vantagens do célebre módulo de ordenha DairyProQ para uma produção de leite de qualidade superior. Toda a rotina de ordenha é realizada dentro de uma só tetina, o que assegura uma ordenha com uma higiene impecável, uma melhor saúde do rebanho e um leite de qualidade premium. GEA Monobox ordenha as suas vacas no momento oportuno e com uma eficiência única.


SAÚDE & BEM-ESTAR

LABORATÓRIO REGIONAL DE VETERINÁRIA NA ILHA TERCEIRA “FAZER MAIS E MELHOR” EM DEFESA DA SAÚDE ANIMAL E SAÚDE PÚBLICA No final do ano passado estivemos reunidos numa entrevista com Valentina Melo dos Santos, gestora de qualidade e diretora do Laboratório Regional de Veterinária (LRV), na Ilha Terceira, instituição onde trabalha há 25 anos. Procurámos saber mais acerca do trabalho desenvolvido, a relação com os produtores e a realidade açoriana e em particular da Ilha Terceira. O que é o que é o LRV e que tipo de trabalho desenvolvem? O Laboratório Regional de Veterinária é uma divisão da Direção de Serviços de Veterinária (DSV) da Direção Regional do Agricultura (DRAg) da Secretaria Regional da Agricultura e Florestas (SRAF). Temos por missão garantir a cobertura, a nível regional, de todos os aspetos relativos à defesa da saúde animal e da saúde pública veterinária, através da execução da Política Sanitária Regional. O Laboratório é composto por várias áreas técnicas, como Bacteriologia Veterinária, Sorologia, Imunologia, Higiene Alimentar, Virologia, Patologia, Química, Parasitologia, Micologia, Reprodução e Qualidade do leite, pelos serviços técnicos e administrativos de apoio, e por grupos de trabalho nas áreas da qualidade, segurança e ambiente. Somos responsáveis pelas análises que se fazem nos Açores no âmbito dos planos de erradicação e vigilância da brucelose bovina, leucose bovina enzoótica e doença de Aujeszky, da

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tuberculose bovina, do plano de vigilância e controlo, das encefalopatias espongiformes transmissíveis (EET), do Programa de Controlo e Erradicação da Diarreia Viral Bovina (BVD), dos programas nacionais de controlo de salmonelas, do plano nacional de pesquisa de resíduos de medicamentos veterinários e contaminantes ambientais para os Açores, do programa oficial de controlo dos alimentos compostos para animais, do programa de autocontrolo do matadouro, do plano de controlo oficial sistemático dos estabelecimentos com venda de alimentos de origem animal, do controlo oficial de Trichinella spp. em músculo de suíno e do plano sanitário apícola da região autónoma dos Açores. Fazemos ainda análises referentes à classificação dos tumores de

bexiga dos bovinos, e variadíssimas outras análises de rotina. Para terem uma ideia no ano de 2017 este Laboratório realizou um total de 1 299 993 análises, sendo 49 dos ensaios realizados acreditados pelo IPAC (Instituto Português da Acreditação). É feito algum trabalho de investigação? Sempre que possível e de interesse para a Região, o LRV colabora e/ou organiza projetos de investigação aplicada, colaborando sempre que solicitado com as instituições de ensino e investigação da região, país, Europa e fora da Europa. Temos feito variadíssimos trabalhos em diversas áreas. Para dar alguns exemplos: “Classificação dos tumores da bexiga

A vontade de fazer mais e melhor, exige sempre equipamentos mais sofisticados e dispendiosos, e formação cada vez mais especializada


Ilha Terceira

em bovinos abatidos nos matadouros da região”, o estudo da “Qualidade microbiológica das areias das praias dos Açores” no âmbito do projeto Bandeira Azul, a participação no "Programa de vigilância da Língua Azul", em colaboração com a Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Técnica de Lisboa, o estudo “Contribuição para a melhoria da qualidade das silagens nos Açores, ou “Estudos epidemiológicos da Leptospirose nos Açores”, entre outros. O mais recente trabalho foi o estudo da soroprevalência da Maedi-Visna e CAEV em pequenos ruminantes nos Açores. Trabalham diretamente com alguma instituição de ensino superior? As parcerias vão sendo feitas conforme as necessidades. Neste momento

estamos a realizar um trabalho de requalificação da Micoteca do LRV, com a colaboração da Micoteca da Universidade do Minho. Colaboramos frequentemente com a Universidade dos Açores. Quais são as maiores dificuldades com que se deparam no dia-a-dia? A vontade de fazer mais e melhor, o que exige sempre equipamentos mais sofisticados e dispendiosos, e formação cada vez mais especializada. Quais os problemas de saúde animal que tem notado serem mais prevalentes nos últimos anos? As doenças causadas por vírus são um problema sempre presente. No LRV apercebemo-nos também da existência de doenças e problemas decorren-

tes do maneio animal deficiente e que poderiam ser evitados. Como avalia a importância dada pelos produtores às questões de saúde animal? Sente que estão sensíveis à importância dos controlos, nomeadamente aos controlos oficiais? Infelizmente ainda não têm a importância que deviam, apesar dos resultados das análises terem vindo a ter um papel cada vez mais importante na tomada de decisão dos produtores. Notamos que os produtores são sensíveis aos controlos, mas não têm a noção dos custos associados, e muitas vezes não dão o devido valor por isso mesmo. A verdade é que quando comparados com os produtores no continente são beneficiados, visto

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SAÚDE & BEM-ESTAR

"Contudo, penso que os produtores ainda não recorrem o suficiente ao laboratório. Os resultados das análises podem e devem contribuir mais na tomada de decisão para melhoria das explorações".

que os produtores do Continente pagam todas as análises. Como é feito o vosso contacto com os produtores? Por vezes esse contacto é direto, outras vezes é realizado através das associações de produtores ou dos Serviços de Desenvolvimento Agrários das diferentes ilhas ou ainda através da DRAg (Direção Regional de Agricultura). O que pensa da realidade da Ilha Terceira relativamente à realidade do arquipélago e à realidade do país? A Região Açores relativamente ao país tem tido um desenvolvimento qualitativo impressionante. A situação da sanidade e da qualidade do que é produzido pode apresentar diferenças dependendo da ilha. Existem ilhas com menos problemas no domínio da Sanidade Animal, outras que pelo facto de existir mais concorrência, e mais exigências de qualidade, isto leva a uma melhoria do produto final. Contudo, penso que os produtores ainda não recorrem o suficiente ao laboratório. Os resultados das análises podem e devem contribuir mais na tomada de

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decisão para melhoria das explorações. Que tipo de intervenções políticas/ económicas poderiam melhorar a situação dos produtores locais e contribuir para a defesa da saúde animal? A construção destas novas instalações do laboratório foi uma medida muito positiva. A melhoria das condições dos matadouros e salas de desmancha é outro exemplo. Acredito que se possa beneficiar também da implementação rigorosa de programas de controlo de qualidade, com avaliações periódicas e estudo dos resultados. Isto é, a verificação e avaliação na prática se o programa trouxe efetivamente melhorias ou não. É preciso avaliar resultados, verificar se os programas foram ou não implementados e se refletem a melhoria da qualidade dos produtos. De uma forma geral, como avalia a qualidade do leite produzido na Ilha Terceira? Temos todo o potencial! A qualidade do leite produzido é cada vez melhor, mas ainda tem margem de progressão. Contribuiu para isso, entre outros fatores, o Plano Oficial de Controlo do leite Cru (PCOL), a classificação das explorações segundo o grau de risco, impedindo as explorações de entregar o leite com contagens de células somáticas elevadas, com resíduos de antibióticos, etc. Isto faz com que a divulgação e os ensinamentos tragam resultados, mas todos têm de ser responsabilizados até às últimas consequências. Toda a cadeia de produção, o produtor que entrega o leite na fábrica, o industrial que o recebe e os serviços oficiais que fiscalizam o processo. Para o bem e para o mal, esperemos que sempre para o bem.


ATUALIDADE

MATERIAL DAS CAMAS

UM DOS FATORES DE RISCO DE MASTITE O material utilizado nas camas das vacas de leite pode aumentar o risco de mastites devido ao desenvolvimento bacteriano, de acordo com a investigadora americana Dra. Sandra Godden. Tipicamente, nos sistemas intensivos, as vacas leiteiras chegam a passar 80% do seu tempo estabuladas, com 12 a 14 horas deitadas caso a cama seja confortável. Este tempo em decúbito leva a que os tetos estejam em contacto direto com a cama, aumentando o risco de mastite caso a contaminação bacteriana seja elevada. A grande maioria das bactérias causadoras de mastite divide-se em dois grupos: ambiental e contagiosa, de acordo com a fonte da infeção. As mastites ambientais

são causadas por bactérias existentes no ambiente, enquanto as contagiosas surgem devido a bactérias encontradas no úbere de outras vacas, sendo transmitidas diretamente entre os animais. Esta diferenciação é importante, já que os dois tipos de mastite exigem maneios específicos, e torna-se fácil compreender o papel significativo das bactérias de origem ambiental na contaminação das camas. Qual é então o material ideal para as camas? O consenso recai sobre a areia “virgem”, nunca utilizada. Sendo um material inorgânico e seco, reduz a probabilidade de desenvolvimento microbiano, como o comprovam vários estudos em que a saúde do úbere é favorecida

em explorações com cama de areia. Fatores relacionados com a acessibilidade, compatibilidade com a exploração ou o preço levam a que muitos produtores optem por outros materiais, como aparas de madeira ou palha. Outras opções são a utilização de areia reciclada, a qual sofre um processo de lavagem e secagem antes de ser novamente usada, ou o aproveitamento dos efluentes sólidos e sua compostagem. Esta última alternativa, no entanto, é rica em matéria orgânica, podendo facilitar a contaminação. Qualquer que seja o material utilizado, os fatores-chave para reduzir o desenvolvimento microbiano são: manter o material o mais seco possível e minimizar a existência de matéria orgânica.


PRODUÇÃO

QUINTA DOS AÇORES

“UM NEGÓCIO QUE SURGIU À MESA” A Quinta dos Açores é um negócio familiar de Helvídio Barcelos. São criadores de bovinos puros da raça Limousine. Têm uma sala de desmancha, uma fábrica de lacticínios produzindo e comercializando o seu próprio leite, queijo, iogurtes e gelados, e ainda um restaurante.

A

Quinta dos Açores é um negócio familiar de Helvídio Barcelos do qual, para além da sua mulher, fazem também já parte as suas três filhas. Telma, médica veterinária, tem a seu cargo principalmente as áreas de reprodução e gestão do setor das carnes. Já Helga é uma das gerentes da empresa com formação em

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engenharia zootécnica, com várias formações na área de lacticínios, setor da empresa ao qual se dedica mais. Por fim, Diana, licenciada em economia e com um mestrado em gestão, acaba por se ocupar mais da área Comercial e Marketing, tendo também a seu cargo a parte da gelataria e restauração. Possuem uma exploração de cerca de 150

vacas em ordenha. São criadores de bovinos puros da raça Limousine. Têm uma sala de desmancha, uma fábrica de lacticínios produzindo e comercializando o seu próprio leite, queijo, iogurtes e gelados, e ainda um restaurante. Na companhia de Helvídio Barcelos fizemos uma visita a este negócio inovador e matámos a nossa curiosidade.


Ilha Terceira

Fale-nos um pouco deste negócio familiar: como começou? Comecei a ter contacto com este setor bastante jovem, desde a idade escolar. O meu pai tinha uma exploração pecuária com 6 vacas para leite e pouco mais. Ainda se lavrava a terra com o arado e com as vacas. E eu naquela idade dizia sempre “nunca vou ser lavrador... para ter uma atividade destas não posso”. Mas acabou por ser diferente. Iniciei esta atividade em 1976, adquiri uma exploração pecuária ao meu sogro com 25 vacas, uma junta de bois, uma carroça e um cavalo. Quando fiz esta aquisição pensei automaticamente que gostaria de revolucionar a industria agropecuária nos Açores. A verdade é que os conhecimentos que tinha eram poucos, vim de um local onde as explorações eram pequenas, com 6 ou 7 vacas, e em que o trabalho era todo feito manualmente. O primeiro investimento que fiz foi um trator porque queria renovar as pastagens. Quando me apercebi tinha feito a minha primeira “asneira”. Tinha comprado um trator para uma exploração de pequenas dimensões que não justificava o investimento. A partir daí fui comprando vacas e aumentando a minha exploração. As preocupações que tive na altura foram não só renovar as pastagens, mas também melhorar a genética. Naquela altura, contei com um apoio de um médico veterinário, diretor dos serviços de desenvolvimento agrário da ilha Terceira (Dr. José Leal Armas), que tinha uma ligação muito forte com a base americana. Através desta base houve uma introdução de sémen proveniente dos EUA, das melhores companhias americanas, que foi utilizado aqui na ilha Terceira. Ainda não se pensava em inseminação no continente português (nem talvez em muitos outros lugares) mas aqui já existia. Assim, comecei a inseminar a 100% a minha exploração e acabei por

melhorar a genética da exploração. Mais tarde, em 1986, fui convidado por uma empresa holandesa para ser representante deles na importação de novilhas. E aí sim, houve um melhoramento genético representativo na ilha. Já se fazia alguma inseminação e partir daí começou-se a intensificar muito mais e iniciou-se a importação de animais de grande qualidade para os Açores. A partir desta fase houve um entusiasmo muito grande, ao ver que os resultados dos animais importados tinham sido muito satisfatórios, mas também porque começou a haver uma camada jovem da sociedade açoriana a interessar-se pela genética. Mais tarde ainda, aparecem as transferências de embriões. A verdade é que hoje os Açores têm um potencial genético muito bom! Atualmente, em termos de produção animal, tenho 170 vacas leiteiras Holstein Frísia, com uma produção relativamente boa (9000 litros/vaca). Paralelamente tenho o núcleo das limousines que adquiri no continente português e em França. Porque é que se interessou pelo setor da carne? Aconteceu na década de 90, mas o interesse já vinha de trás, quando nos anos 70 comecei a trabalhar a exportação de animais vivos e algumas carcaças para o continente e para a Europa no geral. Em 1992 comecei a desmanchar os primeiros animais. Numa determinada altura tivemos que interromper quando surgiram

novas exigências relativamente a homologação das infraestruturas para o abate, que as nossas infraestruturas quer nos Açores quer no continente ainda não tinham. Mais tarde o governo interessou-se plenamente pela requalificação dessas infraestruturas e toda a rede de abate e salas de desmancha foram modificadas. Hoje em dia fazemos não só a carne desmanchada embalada a vácuo, como também já os preparados de carne prontos a cozinhar. E porquê a escolha da raça limousine? Não foi por ser a raça que se adaptasse melhor à região, porque há outras raças que também se adaptam bem. Apareceu a oportunidade de comprar limousine e eu tinha uma queda por esta raça. Através do contacto que tinha com empresários do ramo no continente, e das provas de degustação que fazíamos em conjunto, em que concluíamos com muita frequência que a limousine era uma das melhores carnes que se comia. A charolesa tinha efetivamente bons animais, com uma apresentação comercial excelente, mas a carne tinha menos gordura, o que afetava o sabor. Simultaneamente apareceu a oportunidade de adquirir este núcleo de animais de um só produtor e foi assim que começou. Esta raça tem também uma característica que a valoriza muito: a facilidade dos partos que nos tranquiliza bastante.

A partir desta fase houve um entusiasmo muito grande, ao ver que os resultados dos animais importados tinham sido muito satisfatórios, mas também porque começou a haver uma camada jovem da sociedade açoriana a interessar-se pela genética. ruminantes janeiro .fevereiro .março 2019

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PRODUÇÃO

Como é esse núcleo atualmente? Quais as práticas de maneio e alimentação que tem instituídas? Este núcleo tem atualmente 78 vacas e 158 limousines registadas no total. Os animais estão sempre a campo, e têm à sua disposição 102 hectares com pastagem. Quando existe escassez comem alguma silagem de erva. Conseguimos tirar um vitelo por vaca por ano. Os vitelos são separados aos 6 a 7 meses de idade, são alimentados com ração de forma controlada, uma vez que estamos abrangidos pelo regime de carne certificada dos Açores e o caderno de encargos estabelece um limite de ração por dia (4kg) por animal. Fazemos o acabamento até aos 14/15 meses de idade quando são abatidos com aproximadamente 350kg de carcaça, 7880% de rendimento após a desmancha (relativamente ao peso da carcaça).

CARACTERÍSTICAS DO LEITE

4,0% 3,3%

DE GORDURA

DE PROTEÍNA

Fale-nos um pouco mais sobre este setor das carnes Nas carnes trabalhamos por volta de 400 animais por semana. Uma grande parte vai em carcaça para os diversos destinos, e trabalhamos cá a parte do vitelão que é desmanchado e embalado a vácuo e segue para os clientes. Nos certificados fazemos também o fatiamento. Esta parte foi um projeto muito aliciante que surgiu como ideia em 1997. Fornecemos a carne certificada para as grandes superfícies. Hoje somos provavelmente a segunda carne certificada mais vendida no país e que tem tido uma aceitação muito boa. Para além disso tivemos um trabalho de divulgação com um resultado muito positivo. Em 2012 recebemos o prémio “Projeto Inovação” na área do Skin Pack na Carne dos Açores IGP. Onde compra os touros e qual o critério? Compramos touros com a classificação ouro, atualmente em Portugal. Comprei em França no início da atividade, depois comprei em Portugal continental e mais recentemente até comprei aqui nos Açores. Que percentagem vende como reprodutores? Aproximadamente 10% dos animais. Para as diversas ilhas dos Açores.

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Na sua opinião quais as vantagens dos Açores para a produção de carne? Nos Açores, até ao lançamento da carne certificada, houve alguns problemas. Havia lobbies fortes que impediam o desenvolvimento da carne dos Açores ao nível nacional. Quando o consumidor começou a exigir às grandes superfícies carne dos Açores as coisas modificaram-se. Além disso, numa primeira fase, a carne dos Açores era vendida juntamente com toda a carne nacional perdendo esse “estatuto” de “carne dos Açores”. Depois da carne ser certificada as coisas mudaram completamente. Neste momento a “carne dos Açores” inspira confiança ao consumidor português sendo bastante solicitada. Os Açores têm a vantagem de ter nas suas pastagens CLA e Omega 3 e tudo o que aqui é produzido tem estas duas características. Como caracteriza a exploração em relação à produção de leite? Qual é a sala de ordenha e qual o maneio alimentar efetuado? Como uma exploração onde os animais vivem em liberdade e alimentam-se à base de pastagem. Nas épocas de carência são suplementados com silagem de milho e erva feitas na própria exploração. Temos uma sala de


Ilha Terceira

Neste momento a “carne dos Açores” inspira confiança ao consumidor português sendo bastante solicitada. Os Açores têm a vantagem de ter nas suas pastagens CLA e Omega 3 e tudo o que aqui é produzido tem estas duas características. ordenha em espinha e em construção, temos outra em paralelo. A atual tem 8 pontos, a nova terá 2x12 em paralelo. Optei por este sistema em paralelo por ser o mais rápido, o que é melhor tanto para o pessoal como para os animais. Faço duas ordenhas diárias. Têm feito algum investimento em genética? Qual é o critério? Na Holstein Frísia, continuo a investir em genética, vou a concursos. Uma das preocupações é na parte morfológica, boas patas e o tipo da vaca. E em relação à produção de lacticínios? Começámos com um projeto comparticipado. Os lacticínios foi e é um setor muito conturbado... com excedentes em todo o mundo. E por isso decidimos diversificar a produção para podermos selecionar os melhores e mais rentáveis. Neste momento sabemos o que queremos em termos de lacticínios. Trabalhamos iogurte, queijo e gelados. Fazemos também requeijão para consumo local. O facto de ser consumidor do seu leite alguma vez o fez por em causa a sua produção? Já pensei algumas vezes, por exemplo ,

virar a minha exploração para o regime biológico. Atualmente, e cada vez mais, todos nós temos mais preocupações com a saúde. Em que área de negócio têm maior sucesso, produção de leite ou de carne? A carne é a área com maior volume de negócio. Costuma ver a vacada diariamente? Qual é a sua primeira preocupação? Sim todos os dias, observo diariamente todos os animais para avaliar o seu estado de saúde. O que pensa que os seus animais diriam de si, caso falassem? Bem essa pergunta é um pouco difícil... Mas dou boas condições aos meus animais pelo que penso que tenho uma boa relação com eles (risos). Quando é que aparece este nome “Quinta dos Açores” abrangendo a produção de leite e carne e o fabrico de queijo leite, a marca de carne...? Começámos a pensar neste investimento da Quinta dos Açores em 2004/2005. Iniciámos em 2008, foi um projeto aprovado pela CEE na altura, já com as minhas três filhas. Começámos a pensar como íamos integrar num só projeto toda a parte em que eu tocava naquela altura, e que englobasse a indústria dos lacticínios e carne. Como costumo dizer este é um projeto que “nasceu à mesa”, fruto de discussões familiares sobre o que poderíamos fazer. Quinta dos Açores foi um nome que foi escolhido, abrangendo a indústria dos lacticínios, das carnes e mais tarde a parte de restauração. No fundo conseguem fazer todo o trajeto “do prado ao prato” uma vez que têm também sala de desmancha, fábrica de lacticínios e até restauração? Sente que é uma

vantagem? Sim temos todo um sistema que vai desde a produção primária até ao consumidor final. Penso que seja uma vantagem. Até porque acabamos por conhecer todos os sectores e todas as etapas do negócio. Em relação à vossa produção, qual é a percentagem vendida nos Açores? Na verdade, a maioria da produção que nós temos e que os Açores têm é para exportação. E o restaurante, como surgiu a ideia? Quando construímos as duas unidades fabris, e pensámos na produção de vários produtos em ambas as unidades, pensámos fazer uma sala de degustação de produtos, mas depois no momento do planeamento da obra acabámos por idealizar uma coisa diferente e surgiu a parte da restauração. Tem tido sucesso? Sim. Como caracteriza o cliente típico? Não há um cliente típico. Temos todo o tipo de clientes nacionais e estrangeiros. Consegue apontar a percentagem de produtos próprios utilizados na confeção dos pratos? As carnes e lacticínios são todos nossos, utilizamos também em termos de saladas um produtor biológico aqui da ilha. Temos essa preocupação de adquirir os produtos que não produzimos a produtores regionais. A seu ver, quais são as maiores dificuldades que o setor da produção animal nos Açores atravessa? O maior problema que temos aqui tem a ver com o sistema insular. Pagamos tudo quanto importamos e tudo quanto exportamos. Mas temos também as nossas vantagens aqui nos Açores.

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PRODUÇÃO

MÁRIO ADELINO PEREIRA MACHADO

QUANDO MENOS É MAIS! Conversámos com Mário Adelino Machado, proprietário de uma exploração com 30 vacas em ordenha em pastoreio direto que mantém imaculadamente limpas. Confessando-se feliz com a sua escolha, diz que consegue garantir uma qualidade máxima todo o ano com CMT´s abaixo dos 20 ufc e CCS abaixo das 100 células.

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Ilha Terceira

Pastoreio direto, porquê? Quando anda toda a gente a fazer parques de alimentação o Mário mantém-se no pastoreio direto e ordenha móvel e parece satisfeito... Ao contrário da maioria, em pastoreio direto se calhar tenho mais trabalho porque tem pouca mecanização, mas os custos são menores. Tem as vacas sempre no campo? Sim, as vacas estão sempre no campo, 24 horas por dia, 365 dias por ano. A ordenha móvel é quase todos os dias mudada de sitio, uma vez que as vacas se agrupam à volta da ordenha, deixando lá ficar as fezes e contribuindo desta forma para uniformizar a pastagem. Quantas vacas tem à ordenha? À ordenha temos atualmente 22, o máximo chega a ser 35. Ao todo oscila entre 50 e 70 animais. Os vitelos são vendidos à nascença e algumas das fêmeas também são vendidas. Aproveito algumas novilhas para renovação do efetivo. O número de animais varia consoante a disponibilidade de erva. Qual é a vida útil das suas vacas? Neste momento a mais velha tem à volta de 7 a 8 anos. Já cheguei a ter animais com 14 ou 15. Em média as vacas fazem 3 lactações. As ordenhas são feitas a uma hora certa? Às vezes varia um bocadinho, mas no pico da pastagem em março, abril, maio, eu tento fazer de 12-12h, 5:30/17h30. Agora nesta altura com menos produção de manhã faço por volta das 6h e à tarde 16h30. Há quanto tempo começou este negócio? Desde que me lembro sempre tive esta ligação às vacas, mas o negócio passou

para o meu nome em 2012. O meu avô é que começou com a exploração e o meu pai ainda se lembra do ano em que o meu avô comprou a sua primeira vaca. Qual é o custo que tem por litro de leite produzido, atualmente? O custo atual é cerca de 8 a 9 cêntimos por litro de leite. Neste valor não entra o salário, nem gasóleo, nem o médico veterinário. Entra alimentação, rendas, adubos, forragens e concentrados. No total, em média, 19 a 20 cêntimos por litro se considerarmos todos os fatores. As vacas secas também estão sempre a campo? Sim, todas sempre a campo. Porque é que optou por ordenha móvel? Por causa das parcelas todas que tem? Sim, eu não tenho emparcelamento nem quero... Pelo seguinte: vamos supor se eu estivesse só nesta zona, no verão era muito bom, mas quando chegasse ao inverno seria um problema. Então estou dividido entre zona baixa e zona média alta. Em que de verão as vacas estão mais na zona média alta e de inverno mais na zona baixa. Que tecnologia é que tem na ordenha? Tecnologia (risos...) tem pulsadores... funciona a motor...bomba. Não tenho praticamente tecnologia e exige pouca manutenção. Quantos pontos tem? 6 pontos. Comprou há quanto tempo? Quanto tempo espera utilizar? Comprei em 2013 este equipamento. Há agricultores a utilizar estes sistemas por 20/30 anos, depende do uso e manutenção.

alguma ordem? Por hierarquia. Primeiro as que mandam! As vacas com valores de contagem de células somáticas elevado são as últimas a serem ordenhadas. Quais as características do leite? Em gordura não é muito alta porque é só pastagem, 3,8. A proteína é 3,2 mas varia com a pastagem: de verão como há menos erva verde baixa um bocadinho, agora até março tende a subir chegando a alcançar valores de 3,6 em média. Como é que o clima afeta a produção? O calor afeta mais: as vacas produzem menos, e a pastagem também não tem grande valor nutritivo. Mas no inverno também, dias de muito frio e muita chuva, principalmente chuva e vento, elas comem menos e também produzem menos nesses dias, mas depois volta ao normal. Em termos de qualidade do leite, tem tido bons resultados em relação às contagens de células somáticas e microrganismos totais? Sim, embora nem sempre seja fácil ganhar a pontuação máxima. Estou em

CARACTERIZAÇÃO DA EXPLORAÇÃO LOCALIZAÇÃO Várias parcelas, o total 25ha dos quais 14 pertencem à família. Fontinhas, São Brás, Lage e Doze Ribeiras. Maior parcela tem 7,5ha. Faz pastagem, 3 ha de milho verde por ano. 100 Rolos de erva de pastagem por ano PRODUÇÃO MÉDIA Aos 305 dias 10300 litros Gordura 3,8 Proteina 3,2

Os animais vão para a ordenha por

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PRODUÇÃO

compensa. Não são animais fáceis, são “malcriadas”, estão sempre a revirar a pastagem. Apesar de ser uma raça conhecida por produzir mais gordura e proteína, penso que a relação componentes vs quantidade de leite produzido não é assim tão vantajosa.

dados disponibilizados por este serviço permitem-me relacionar o historial produtivo com a contagem de células somáticas e tomar decisões. A quem vende o leite? Valorizam o facto de ser de pastagem? Vendo à Unicol. Não, não é valorizado por isso. Na verdade, até acaba por ser mais mal pago. O leite de sala de ordenha recebe mais um cêntimo e tal, porque tem os equipamentos de frio.

média com 61.000. Desde 2014 tenho 2 a 3 meses em que não consigo atingir a pontuação máxima. Como consegue esses bons resultados? Pelo efetivo e pela ordenha. Tem que ser uma ordenha cuidada. As vacas têm que estar limpas. Se reparar o rabo delas está aparado por exemplo, é menos uma coisa a sujar os tetos. Estão sempre em cima de pastagem, não tem lama. Passam vários meses em que não tenho uma mamite. Faço o controlo das células somáticas através do serviço de contraste leiteiro prestado pela Associação Agrícola da Ilha Terceira. Os

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Mas consegue vender a melhores preços por causa da qualidade, células somáticas e microrganismos totais? Sim. Só sou penalizado porque não tenho tanque frio. Quais são os problemas de saúde animal que mais o preocupam? Neste momento a neosporose. Tenho agora 10 animais afetados. Ficam destinados ao abate, vou repondo com novilhas. Não insemino estes animais. Ficam só a produzir leite, mas acabou-se a genética delas. Qual o interesse para um sistema de produção como o seu de uma raça como a Jersey? Não quero. Já tive e a meu ver não

Como é feito o maneio reprodutivo na exploração? As vacas são inseminadas a 100%. É difícil cobrir as novilhas por inseminação porque eu vou lá só uma vez ao dia. Por isso acabo por meter o touro. As restantes faço inseminação, não costuma chegar às duas inseminações por vaca. Não me preocupo muito se uma vaca aos três ou quatro meses ainda não fez cio, penso que se não fez é porque ainda não teve condições. As vacas aqui foram selecionadas para aguentar lactações longas sempre a dar leite. A confirmação das gestações faço recorrendo às amostras de leite do contraste através dos diagnósticos de gestação no leite. Planeia aumentar o efetivo? No meu caso o número de animais varia bastante com a pastagem. Qual e a primeira coisa que vê quando chega a exploração? Tento perceber se os animais estão com fome por exemplo. Tem cuidado com os detergentes que utiliza? Sim os detergentes são homologados para a ordenha. O pos dip também. Num sistema de produção como o seu, que indicadores utiliza para saber se o negócio está no bom caminho? No fundo o melhor indicador é o dinheiro na algibeira ao final do mês (risos). Assim diariamente a minha preocupação é tentar ganhar o máximo gastando o mínimo. Pago quase tudo a pronto pagamento por isso sei sempre quanto me sobra ao final do mês.


ATUALIDADE

PORTUGAL TENTA ALCANÇAR MERCADOS ESTRANGEIROS PARA A CARNE BOVINA A Federação Nacional das Associações de Raças Autóctones (FERA) desenvolveu o projecto “Portuguese Beef” com o intuito de promover a carne bovina de raças autóctones portuguesas além-fronteiras. Com a participação em feiras do sector agroalimentar e outras exibições pretende-se divulgar estes produtos e alcançar mercados de países como a Alemanha, o Luxemburgo, a França, o Reino Unido e o Canadá, aumentando a procura por estes produtos portugueses DOP. O projeto irá dar destaque aos territórios onde os animais são criados, com as suas características

naturais e culturais, que conferem um selo de qualidade e autenticidade aos produtos. O “Portuguese Beef” promove especialmente raças as raças Arouquesa, Barrosã, Cachena, Marinhoa, Maronesa, Minhota e Mirandesa. Ao promover estes produtos, o projeto estará adicionalmente a promover as zonas do país de onde são originários. O “Portuguese Beef” é financiado pelo COMPETE 2020 no âmbito do Sistema de Apoio a Ações Coletivas e envolve um investimento de 426.635,00 euros financiado em 80% pelo FEDER.

ESTE PROJECTO, PROMOVE ESPECIALMENTE RAÇAS AS RAÇAS AROUQUESA, BARROSÃ, CACHENA, MARINHOA, MARONESA, MINHOTA E MIRANDESA

80%

É FINANCIADO PELO FEDER


PRODUÇÃO

JOSÉ ANTÓNIO AZEVEDO

“OS PRODUTORES DEVERIAM MANDAR MAIS NO SEU PRODUTO” José António Azevedo é sócio gerente da sociedade agropecuária Irmãos Sozinho & Azevedo e presidente da Associação Agrícola da Ilha Terceira. Quando fomos conhecer a sua exploração, falou-nos do recente investimento numa nova sala de ordenha e parque de alimentação coberto, e deu-nos a sua visão sobre a realidade dos produtores da ilha. Há quanto tempo iniciou este negócio? A sociedade foi constituída em 1998, e iniciou a atividade em 2003, mas esta é já a terceira geração da família. Fale-nos do maneio da exploração. Nesta exploração o dia começa bastante cedo. A primeira ordenha da manhã é feita às 4h da manhã, às 6h/6h30 é distribuído o unifeed dentro do parque de alimentação. Às 8h as vacas leiteiras saem para o pastoreio até às 14h. É um regime de semi-estabulação em que os animais estão em pastoreio entre as 8h e as 14h, voltando depois à

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manjedoura e iniciando a ordenha da tarde às 15h30. Permanecem depois junto da manjedoura e nos cubículos junto do estábulo até ao dia seguinte. Os vitelos são criados nos cubículos até aos 3 meses, depois saem para os parques onde são separados os machos das fêmeas. E a partir dos 6 meses é que vão então para a pastagem, sendo suplementados com ração e fenossilagem. Fale-nos um pouco do maneio alimentar. O maneio alimentar é praticamente igual todo o ano. Mas por exemplo, este

ano, como o verão foi muito seco, alguns vitelos tiveram que ficar apenas com concentrado e fenossilagem porque não havia pastagem. Caso contrário é sempre um misto de manjedoura com 1kg/1,5kg de concentrado, consoante a idade dos animais, e fenossilagem. Há pouco tempo investiu numa sala de ordenha. Porque decidiu investir numa nova sala de ordenha e parque de alimentação coberto? Esta exploração detinha uma sala de ordenha que já estava com cerca de 26 anos de utilização, com 8 pontos de ordenha, em espinha. Tinha sido


Ilha Terceira

adquirida na altura em que o meu pai geria a exploração. Estava projetada para um universo de 60 vacas. Entretanto a exploração já estava a ultrapassar as 100 vacas em produção e o tempo de ordenha era muito longo. Não havia capacidade na manjedoura para todos os animais e decidimos que estava na altura de dar um salto e fazer esse investimento. Iniciámos aqui a ordenha a 18 de janeiro de 2017. Permitiu-nos, em termos de dimensão, ter manjedoura para todos os animais. Ficámos também com um parque que nos permite ir até aos 200 animais em lactação. Neste momento está com 150 logetes montadas, mas tem capacidade de chegar às 200. Anteriormente o parque de alimentação era descoberto e estava dimensionado apenas para 60 animais, o que já estava muito aquém das necessidades. Paralelamente decidimos aproveitar os fundos comunitários que existiam para melhorias em termos de estábulo, de armazenamento de estrume e também no reservatório de água, para fazer o aproveitamento das águas de todos os telhados do estábulo. Conseguimos com isso reduzir a fatura da água e também, no caso do estrume, a fatura com os adubos. Conseguimos também utilizar mais os estrumes na terra, principalmente para a sementeira de milho. Agora, quase dois anos depois desse investimento quais foram as melhorias que teve ao passar para este sistema? Qual a principal vantagem? O primeiro ano foi um ano de adaptação dos animais e também das pessoas. Tivemos que nos adaptar a uma realidade bastante diferente. Mas acima de tudo, o retorno para a exploração traduz-se em menos consumo alimentar, uma vez que atualmente os animais estão uma parte maior do seu dia em repouso no parque coberto e não precisam de consumir tanta energia para se aquecerem. Verificámos realmente uma poupança no que respeita à alimentação. Notámos também uma

redução enorme em termos de tempo de ordenha. Este ano começo a notar alguns resultados positivos na produção de leite, sendo que os animais já estão mais adaptados e a produção já começa a subir. Em 2017 foi um ano de transição no qual não se refletiu ainda este aumento. Qual foi o critério que utilizou na altura de escolher a sala – Sala ordenha DeLaval com 20 pontos de ordenha, paralela open top? Principalmente a forma como os animais ficam acomodados e são ordenhados por trás, tornando-se mais cómodo e seguro para o operador. Um único operador consegue fazer as ordenhas. Em cerca de 1h30 min com um único operador conseguimos fazer a ordenha das 118 vacas. Se tivéssemos dois operadores provavelmente faríamos numa hora. Como pode ser utilizada a informação que lhe dá esta sala? A informação pode ser toda trabalhada num programa informático instalado, desde que nós também a vamos atualizando diariamente com a informação sobre inseminações, partos, entrada e saída de animais... Toda a informação que for integrada no programa está sempre disponível para quando o produtor quiser consultar ou outra empresa qualquer. Atualmente ainda não estamos a utilizar todo o potencial, mas o sistema assim o permite, dando sinais de alerta com variações de produção. Como mede a eficiência da sala? Através do tempo de ordenha? Não vou a esse rigor (do tempo de ordenha), uma vez que com um único operador na sala de ordenha por qualquer motivo podem existir atrasos. Recomenda este sistema a outros produtores? Que balanço faz deste investimento? Estou satisfeito. Há quem prefira um sistema com ração na ordenha. Eu achei

CARACTERIZAÇÃO DA EXPLORAÇÃO SÓCIOS José António Azevedo (41) e Daniel Azevedo (38). ÁREA 100 hectares distribuídos por várias parcelas. A maior parcela tem 32 hectares e situa-se na freguesia de São Sebastião. 43 hectares de silagem de milho 70 hectares de silagem de erva e rolos de fenossilagem. TOTAL DE ANIMAIS aproximadamente 330. 150 vacas leiteiras, 118 à ordenha neste momento. EMPREGADOS Os dois sócios gerentes e um trabalhador a tempo inteiro. Esporadicamente alguma mão de obra requisitada conforme as necessidades. ORDENHAS Duas/dia PRODUÇÃO MÉDIA ANUAL por vaca 9800/10000 litros TEOR DE GORDURA E PROTEÍNA MÉDIA Gordura 3,9% Proteína 3,3% RECRIA A recria de todos os animais nascidos na exploração. As vitelas para reposição de efetivo, os machos são criados e abatidos como vitelão até aos 12 meses.

330

é o número aproximado de animais que existem na exploração

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PRODUÇÃO

de terra tendo em consideração que as terras têm valores diferentes.

que assim os animais ficavam mais calmos. Acho que os animais demoram mais a adaptar-se a este sistema, mas depois de adaptados funciona bem. Voltava a fazer este investimento e se calhar devia tê-lo feito mais cedo. Em termos de saúde animal vê diferenças? É preciso ter em atenção que os animais estão atualmente em condições diferentes daquelas em que estavam na pastagem. É preciso criar um sistema adaptado à densidade média dos animais da exploração. Tem que se ter atenção ao tamanho médio dos animais para se adequar os cubículos e adequar as passagens também. De um modo geral, este estábulo foi já pensado dessa forma. Fiz um estudo exaustivo antes de projetar o estábulo de forma a reduzir os problemas. Fiz pequenas coisas como colocar tapetes para o animal se sentir confortável na manjedoura. Pequenos detalhes que fazem a diferença no dia a dia nos animais que estão no estábulo. Planeia novos investimentos num futuro próximo? Recentemente fizemos investimentos de aquisição de terrenos agrícolas que são um suporte da exploração. Estes são os maiores investimentos que a exploração

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tem vindo a fazer e penso que agora vamos abrandar um bocadinho uma vez que já atingimos uma certa dimensão. Qual e a primeira coisa que faz quando chega a exploração? A primeira coisa que tento fazer é ir ao parque das vacas que estão perto do parto tentar perceber se há alguma com sinais de parto. Depois nas vacas de ordenha se há algumas em cio e se alguma manifesta sinais de doença. Principalmente perceber como estão os animais. Que indicadores utiliza para saber se o negócio está no bom caminho? A primeira coisa que me preocupa é se o leite no tanque desceu por alguma razão que não seja expectável. Se há menos leite no tanque sem uma razão óbvia vou logo tentar perceber o que aconteceu. Em termos anuais, com a contabilidade organizada, ao final do ano faço sempre as contas de quanto consegui tirar de rendimento não por número de animais, mas por cada hectare de terra. Isto porque nos Açores, e principalmente porque estou instalado na bacia leiteira do Paúl onde custa 50.000€ um hectare de terra, e os terrenos alugados também têm custos elevados, temos que os rentabilizar. Cálculo euros por hectare

Tem investido em soluções de bem-estar animal na exploração? Como já referi, ao planear uma construção para os animais há que ter em consideração o seu bem-estar. Mas o investimento físico não é o único que deve ser considerado para um melhor bem-estar animal. Na minha opinião, o bem-estar animal também passa por uma podologia dos animais com frequência prevenindo as manqueiras, ter atenção aos sinais de doença de forma antecipada, administrar a vacinação como forma de prevenção também são formas de atuar no bem-estar animal. Tem ideia do montante que investe em saúde animal, que percentagem é em prevenção e em tratamento? Penso que atualmente o tratamento ainda supera a prevenção, que temos aí ainda uma lacuna. E a verdade é que a prevenção é mais barata do que o tratamento e temos vindo a trabalhar ao contrário. Em termos de doenças o que o preocupa na exploração? Uma coisa que preocupa todos os produtores de leite é a situação das mamites. Embora não seja um problema grave na exploração tenho sempre essa preocupação de tentar evitar as mamites ao máximo. Em segundo plano provavelmente os problemas respiratórios, as pneumonias. Como temos muitas variações de temperatura, é um problema que tentamos estar sempre alerta também, principalmente nos vitelos. Pretende aumentar o número de animais? Eventualmente... Neste momento a exploração já tem dimensão para estar entre as 180/200 vacas em produção. Em


Ilha Terceira

termos de números já ultrapassámos a produção estipulada pela industria que é de 1.090 milhões de litros de leite. Este ano já vamos produzir 1.200 milhões. Temos vindo a crescer apenas com as novilhas que vão entrando do nosso efetivo, não adquirimos animais no exterior. Não estamos a fazer o crescimento com a rapidez que poderia ser feito com um bocadinho de receio das penalizações que poderão advir do excesso de leite. Relativamente ao maneio reprodutivo, como trabalham? Recorre a algum protocolo? Temos um médico veterinário que faz o acompanhamento do maneio

A OPINIÃO DE JOSÉ ANTÓNIO AZEVEDO COMO PRODUTOR E PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO AGRÍCOLA DA ILHA TERCEIRA

reprodutivo na exploração. Vem à exploração de 15 em 15 dias fazer a observação dos animais pós-parto, diagnósticos de gestação, etc. É um dos investimentos feitos na exploração que traz um retorno imediato. São mais vacas a parir, mais vitelos e mais vacas em lactação. Em termos de inseminação fazemos o emparelhamento consoante os ideais que pretendemos. Damos sempre prioridade a pernas e pés, conformação do úbere e sólidos do leite. Temos aproximadamente uma média de 1,8 inseminações por vaca.

Porquê? Porque não aposta mais nas jersey? Durante algum tempo esteve em vigor a ideia de que a jersey seria a vaca ideal para os terrenos dos açores. Nada melhor do que ter alguns exemplares para fazer esse teste, e tentar perceber qual a realidade e a rentabilidade destes animais. Embora goste dos animais penso que não são os mais rentáveis, daí que nunca tenha enveredado por esta raça. E confesso, tenho uma paixão pelas Holstein, penso que são os animais que se adaptam melhor ao meu tipo de terreno.

Quais são as raças que tem? Predominantemente Holstein embora tenha também 3 jersey.

Vão a concursos? Já fomos mais... Mas ainda continuamos a ir e gostamos.

Quais acha que são os problemas maiores que a região e este setor atravessam? Atravessa-se um grande problema no setor neste momento que é o facto de não ser um setor autossustentável pela sua produção, mas pelos apoios que recebe. Automaticamente os produtores não vêm um retorno imediato do seu trabalho. Haveria outra dignidade na forma de trabalhar se os produtores tivessem um rendimento da carne e do leite que produzem. Há muito a fazer! Não há um culpado. Mas deveria haver um trabalho comercial de valorização, passando os produtores a “mandar mais no seu produto”. Neste momento o produtor não estipula o preço a que vende a carne ou o leite: compra tudo ao preço que lhe querem vender e vende tudo ao preço que lhe querem comprar... Não mandamos naquilo que produzimos, não estipulamos preços e temos que fazer as nossas contas em sentido contrário para tentar ter sustentabilidade nas explorações. No caso da ilha Terceira é quase tudo vendido a uma cooperativa, que embora seja dos produtores e liderada por produtores, os produtores “não mandam”. Não é feita uma gestão a pensar na proteção dos produtores. Penso que se parou no tempo na forma como se vende o leite. Não se pode vender como se vendia há 30 anos atrás quando apenas existia leite, queijo e manteiga. Tem que haver inovação. O consumidor é cada vez mais exigente, e devemos ir ao

encontro daquilo que são os hábitos de consumo neste momento. Por vezes basta olhar para os países vizinhos e ver o que eles fizeram em trabalho de inovação, de aproximação ao consumidor mais exigente, que quer saber o que está a consumir e a consumir com outras regras de qualidade. Penso que a indústria nacional e não exclusivamente dos Açores, tem que fazer esse trabalho se não quem sairá a perder é sempre o produtor.

Como caracteriza a produção e os produtores da ilha Terceira? Na minha ótica os produtores da ilha Terceira a produzir aos preços que produzem, há tanto tempo, conseguirem sobreviver e dar uma vida digna à sua família baseada no seu trabalho, apenas com o rendimento proveniente da exploração agrícola, e da forma que têm sido penalizados com baixas de preço, e subida dos fatores de produção...Têm sido uns heróis!

Quais as mais-valias da Ilha Terceira em relação a este setor? Em relação às restantes ilhas dos Açores eu diria que não há uma diferença muito acentuada. Algumas têm terrenos um bocadinho melhores do que outras, mas os modos de produção não são muito diferentes. Em relação ao continente português que é a realidade mais próxima, penso que temos um modo de produção muito mais amigo do ambiente, mais sustentável, com terrenos bastante férteis. Conseguimos ter uma produção de leite e carne a menor custo. A verdade é que os baixos preços a que o leite é pago também nos obrigam a produzir mais barato. Se não é por opção é por obrigação! E claro a imagem de marca do verde dos Açores, do bem-estar animal e uma produção amiga do ambiente tem que ser mais explorada e ser um chavão para alavancar os produtos açorianos.

Que politicas gostaria de ver implementadas na região de forma a apoiar os produtores? Gostava que fossem os produtores a ter uma palavra a dizer junto das cooperativas que são deles. Que os produtores, através dessas mesmas cooperativas, ditassem os objetivos generalizados de valorização e comercialização. Não deveriam ser as grandes superfícies a mandar fazer promoções com o nosso produto, e mandar no preço final vendido ao consumidor. Devíamos ser nós a ter uma palavra sobre o valor a que deveria ser vendido o nosso produto para conseguir que toda a cadeia tivesse a sua sustentabilidade. Devíamos também ter uma palavra mais afincada na forma como os apoios europeus são atribuídos, principalmente os apoios diretos à produção e aos investimentos, de forma a que estes sejam mais direcionados para o que é a realidade e necessidades das explorações.

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SAÚDE E BEM-ESTAR

A PRODUÇÃO DE RUMINANTES

NA NOVA ZELÂNDIA

E TEXTO GEORGE STILWELL MÉDICO-VETERINÁRIO FACULDADE DE MEDICINA VETERINÁRIA – UNIVERSIDADE DE LISBOA FARM SERVICES MASSEY UNIVERSITY

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stou há três meses e ainda ficarei mais três na Nova Zelândia, num misto de retorno ao meu tempo de clínico de campo e de docência universitária. Fui convidado pela Universidade de Massey a lecionar e a prestar assistência a explorações de pecuária, quase sempre na companhia de alunos. Mais ou menos o que faço na minha faculdade em Lisboa... só que agora do outro lado do planeta. Tem sido uma experiência fantástica que vale a pena compartilhar ao longo desta linhas. Muitas coisas são iguais, mas muitas coisas são diferentes. Irei concerteza ganhar e melhorar conhecendo novas formas de trabalhar, assim como os neozelandeses estarão a aprender quando lhes explico como trabalho e como tudo funciona na Europa e em Portugal. Aliás, só ficarem a saber que existe e onde fica Portugal, já é uma mais-valia. Cheguei à Nova Zelândia em setembro, início da primavera. Com as horas de sol a aumentar e uma chuvinha incessante, até se ouvia a erva a crescer. E realmente o que primeiro impressiona quando se chega e atravessa o campo na Nova

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Zelândia é a extensão do verde e a dimensão das manadas e rebanhos que o salpicam de branco, preto e castanho. Na sua maioria, são explorações com imenso terreno, solos muito férteis e muito gado. Mas os animais não estão só nas grandes explorações. Quase toda a gente tem ovelhas ou vitelos ou cabras ou cavalos ou veados ou alpacas, seja porque é assim a vida de um neo-zelandês, seja porque garantem um fornecimento de carne barata e saudável, seja porque vão mantendo a erva aparada...

A PRODUÇÃO DE LEITE DE VACA Comecemos pela produção de leite de vaca. Historicamente é a base, juntamente com a produção de ovinos, do desenvolvimento económico do país e seguramente continua a ser um dos seus grandes pilares. São o 8º produtor mundial de leite de vaca, sendo que exportam 95% da sua produção (principalmente para China, Austrália, EUA, Emirados Arábes e Japão), quase tudo na forma de leite em pó, mas também como manteiga e queijo. Um em cada três dólares que entra devido às exportações, provém


A produção de ruminantes na Nova Zelândia

dos laticínios. Assim, os mais de 5 milhões de vacas leiteiras sustentam uma enorme indústria que emprega diretamente mais de 30.000 pessoas, numa população de pouco mais de 4,5 milhões de habitantes. E o que é diferente da nossa produção? À exceção da produção de leite nos Açores diria que tudo, menos o facto de também contar com animais com quatro patas e um úbere. Primeiro as vacas. São tão mais pequenas. Ou são jerseys ou frísias neozelandesas ou cruzamento das duas, mas dão pela cintura das habituais Holstein-Frísias que os produtores portugueses gostam de criar. É claro que são produtoras bem mais modestas (em média têm lactações abaixo dos 5.000 quilos), não só por causa do tamanho, mas também por fatores relacionados com o maneio, com a alimentação e com a genética. Só que a quantidade de leite não é o objetivo principal do produtor NZ. O que se procura são os sólidos (gordura e proteína), sendo que muitos litros, que não são mais do que água, até são considerados desvantajosos. Transportar leite diluido é caro, principalmente se pensarmos que grande parte dele é para posteriormente desidratar e transformar em pó. A média de sólidos produzidos por lactação é de cerca de 377 quilos, ou seja qualquer coisa como 9% do volume de leite. Depois temos a alimentação. Nos meses em que estarei na NZ o alimento das vacas leiteiras será, quase exclusivamente, erva de pastagem. Algumas explorações poderão eventualmente suplementar os animais com subprodutos, cereais, silagens ou fenos, mas sempre numa infíma parte. No pico do verão e no inverno, serão usadas as silagens de milho e fenosilagens de erva, mas não há dúvida que na NZ o leite nasce da erva. E é isso que o torna competitivo no mercado

mundial, já que o lucro acima dos custos de produção é muito significativo. Não havendo lugar a amortizações ou pagamentos de prestações de dívidas, os custos no dia-a-dia são mínimos. Os trabalhadores são poucos (quase sempre à base de prata da casa), a energia é para a máquina de ordenha e pouco mais, a água é de graça, as instalações e estábulos estão reduzidos ao mínimo essencial... Sobram algumas despesas com fertilizantes, com medicamentos e com veterinários. Mesmo estes últimos custos são bastante reduzidos. Talvez o que me impressionou mais como profissional foi passar o dia a viajar entre dezenas de explorações com 500, 600 ou mais vacas (encabeçamento médio era, em 2015, de 419 vacas) e ter um reduzissimo número de animais para consultar e tratar. Isto não quer dizer que há pouco trabalho para veterinários, antes pelo contrário, mas que este se faz mais à base de intervenções de prevenção e de rotina (ver abaixo). Se esta densidade de animais – adultos e jovens – ocorresse em Portugal, estaríamos o dia inteiro a consultar mastites, claudicações, cetoses, pneumonias, diarreias etc... E a terceira grande diferença tem a ver com a época de partos. Os partos das vacas leiteiras, em 95% das explorações, ocorrem entre julho e setembro, para que o pico da lactação aconteça no momento de maior quantidade de erva e de tempo mais ameno. Isto quer dizer que durante pelo menos dois meses do inverno todas as vacas estão secas, não há ordenha e o trabalho a desenvolver na exploração é mínimo. É um momento de descanso, de quase nenhuma despesa e de se concentrar noutros assuntos e atividades. Tem desvantagens? Sim, talvez e sobre essa discutirei mais abaixo. Há por isso sinais bem evidentes de sustentabilidade na produção de leite. Sustentável porque o que é exigido aos animais e terrenos, parece ser razoável.

Não lhes é pedido que produzam mais do que aquilo que conseguem sem reforço constante e permanente dos recursos. Esta sustentabilidade refletese na ausência de doenças que já referi e na longevidade destes animais que é bem maior do que nas vacas nos regimes muito intensivos É claro que isto resulta do facto de haver muito espaço. Os animais são muitos, mas a densidade nem por isso. Todos os dias as vacas são colocadas em parques novos onde uma imensa quantidade de erva está pronta para as receber. Também os vitelos vivem, quase desde o nascimento, em grandes grupos soltos na pastagem sendo que, até aos dois meses, são alimentados com o leite cru das vacas da exploração. A forma de alimentar os vitelos é original e até engraçada – os produtores levam duas vezes ao dia o leite ao campo numa cisterna redonda circundada de tetinas, atrelada a uma moto-quatro ou carrinha. Logo que ouvem o veículo a chegar os vitelos ocorrem de todo o lado para beber o seu copinho de leite e por isso os neozelandeses baptizaram o conjunto de “a cafetaria”. A presença e abundância de erva encarregar-se-á de os transformar em ruminantes. A exposição ao clima é grande, mas sendo primavera não costuma haver problema e porque estão soltos em manada (não se vê uma corrente ou corda), conseguem abrigarse relativamente bem junto a arbustos e árvores. Num esquema paralelo ao da produção de leite, muitos produtores mantêm os machos a crescer e a engordar também na pastagem – 95% da base da produção de carne de ruminantes na NZ é também a erva e praticamente não é usado concentrado. O crescimento poderá ser mais lento (o abate só se dá depois dos 18-24 meses), mas ocorre ao ritmo natural e saudável de um bovino. Sem lhes pedir demais. Para promover a sustentabilidade

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SAÚDE E BEM-ESTAR

E o que é diferente da nossa produção? À exceção da produção de leite nos Açores diria que tudo, menos o facto de também contar com animais com quatro patas e um úbere. da produção é também preciso ter um clima que esteja pronto para ajudar, principalmente garantindo uma rega fácil e permanente, quando não proveniente do céu que venha dos lençóis freáticos, abundantes e superficiais. E água é qualquer coisa que não falta na NZ. É claro que estes sistemas de produção encerram algumas desvantagens e também dificuldades. A exposição permanente ao clima pode ser importante. Não são raros os casos de queimaduras solares (um tipo de fotossensibilidade favorecido por uma toxina de um fungo que se desenvolve nas pastagens húmidas e frondosas) ou de stress do calor. Também os mais novos podem sofrer se não tiverem forma de se abrigar dos ventos, chuva e frio. É verdade que não estive cá no inverno, mas a observação do comportamento e atitudes destes animais demonstram que os bovinos estão bem preparados para o frio, e a chuva raramente os incomoda. Numa primeira avaliação das manadas com que trabalhei, o aspeto negativo que parecia sobressair em quase todas as explorações era a condição corporal relativamente baixa de muitos animais. Mais uma vez recordo que cheguei quando a época de partos estava a acabar e a produção de leite atingia o seu pico. Uma primeira análise suscitou-me a ideia de que a

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erva não estaria a ser suficiente para suportar a produção de leite que sabemos ser muito exigente em termos energéticos. O vício trazido da Europa levou-me a pensar imediatamente na suplementação com concentrado… muito concentrado. Mas rapidamente percebi que esta condição corporal é a ideal – não permite grandes produções mas também por isso garante uma repartição correta dos recursos. Não é uma magreza doentia, mas um estado de equilíbrio entre o que existe para comer e o que se pode dispensar para a produção de leite. A genética destes animais também não coloca a produção de imensa quantidade de leite como a prioridade nos meses pós-parto. O sinal mais evidente da repartição dos recursos é o percurso ótimo - a grande maioria das vacas fazem cio e ficam novamente gestantes nos dois ou três meses posteriores ao parto. Finalmente, umas palavras sobre as desvantagens (na minha opinião) do sistema de concentração de partos. Porque não se pode arriscar a deixar muitas vacas atrasarem-se, é colocado num enorme esforço na deteção de vacas problema logo após o parto e na sincronização de cio. As vacas são todas vistas por veterinários logo ao primeiro mês para detetar problemas, como endometrites ou quistos, e tratadas com muito antibiótico intra-uterino ou com hormonas. Muitas destas vacas provavelmente resolveriam estas situações clínicas por si só, mas o produtor não quer ou não pode arriscar e por isso pede para tratar todas. Depois, quando se entram pelo segundo mês pós-parto, começam as inseminações. Todas as que não tenham feito cio entretanto, e todas as novilhas que irão ter o seu parto na próxima época, são sincronizadas com auxílio de hormonas. É um trabalho veterinário intensivo com uso maciço de hormonas e dezenas de inseminações por dia. No final, os animais são colocados com

touros para que a cobrição natural garanta não perder os animais que continuam vazios. Por fim, irão seguirse dois meses em que o trabalho será quase exclusivamente fazer o diagnóstico de gestação de todos os animais. As mais valiosas poderão ainda ter uma segunda oportunidade, mas em geral todas as vacas encontradas vazias serão refugadas. Apenas uma nota final com alguns dados que exigem uma reflexão – o impacto sobre o bem-estar animal da inseminação ou cobrição natural. Infelizmente associações e pessoas pouco esclarecidas costumam apontar o dedo à inseminação artificial de vacas como sendo um processo não natural e doloroso para os animais, supostamente em oposição à cobrição com um touro. Sabemos que o incómodo da inseminação artificial é nulo e que pelo contrário, a cobrição é um risco para a fêmeas. Eu próprio, nestas últimas poucas semanas tratei (ou eventualmente eutanasiei) várias vacas e novilhas com lesões músculo-esqueléticas provocadas pela monta de touros. Concluindo: a produção de leite na Nova Zelândia parece ter pernas para andar porque é bem mais lógica. Requer pouco custos e recursos extras, quase não usa alimentos de fora da exploração (pegada de carbono mínima), não leva os animais ao limite das suas capacidades, usa animais geneticamente mais adaptados às condições e, como resultado de tudo isso, agrada mais ao mercado que irá consumir esse leite. Sobre a produção de outros ruminantes também há muito que se lhe diga (e aprenda). Os ovinos estão em primeiro lugar, mas será interessante perceber um pouco sobre a produção de veados (para carne e armações) e alpacas (fibra e carne). Provavelmente estas produções da Nova Zelândia poderão vir a ser alvo de um futuro artigo como este.


ATUALIDADE

BOAS NOTÍCIAS PARA O SETOR LEITEIRO CHINÊS “Crescimento” promete ser a palavra que definirá o setor leiteiro Chinês nos próximos cinco anos, de acordo com as previsões mais recentes. O potencial de crescimento focar-se-á principalmente no leite biológico, iogurte e queijo, com um aumento de mais de 20% neste último, o que se traduz num consumo per capita de 0,23 kg anuais em 2023. Este crescimento promete ser alimentado pela procura por parte de consumidores cada vez mais conhecedores, exigentes e com maior poder de compra, que se voltam agora para produtos diferenciadores e de qualidade extra. A influência ocidental também é grande, com um gosto crescente por produtos de conveniência como as pizas. Em paralelo, a nutrição personalizada é cada vez mais comum, com grupos específicos - como os idosos e os

Hidratação sem esquecer a nutrição

desportistas – voltando-se para produtos como os chamados alimentos funcionais, aos quais são atribuídas propriedades benéficas para a saúde quando consumidos com regularidade e no âmbito de um estilo de vida saudável. Neste período, espera-se que o consumo de leite e derivados registe um aumento de 15 a 20%, com um consumo per capita de leite a chegar aos quarenta litros anuais, igualando países vizinhos como o Japão e a Coreia do Sul. No que toca aos mercados de nutrição infantil, 50% deste aumento será suportado pelas cidades pequenas. Isto traduzir-se-á num aumento de vendas de leite na ordem dos 8%, apontando-se um crescimento de mais de 10% ao ano nas vendas de iogurte e leite biológico. Confirmando-se estas previsões, empresas nacionais como a Yili Group – empresa estatal

líder na produção de lacticínios - e a Mengniu Dairy Company, produtora e distribuidora de lacticínios e gelados, poderão entrar no top cinco da produção leiteira mundial.

20% 10%

é o aumento esperado no consumo de leite e derivados

de crescimento ao ano nas vendas de iogurte e leite biológico


ALIMENTAÇÃO

ALIMENTAÇÃO DE VITELOS O QUE SE SABE MAS NEM SEMPRE SE FAZ!

A

TEXTO SUSANA SOUSA, CARGILL TERRITORY MANAGER RUMINANTS

fase de aleitamento dos vitelos recémnascidos é, como se sabe, uma das fases mais críticas de toda a vida produtiva do animal. Quando se fala particularmente de vitelas, começa nesta fase o desenvolvimento de uma futura vaca leiteira sã e produtiva. O sistema digestivo dos vitelos não está totalmente desenvolvido ao nascer, funcionando como um animal monogástrico (um só estômago). Por este motivo, apenas uma alimentação líquida pode ser feita durante as suas primeiras semanas de vida. Até que o vitelo esteja preparado para uma alimentação sólida deve-se sempre fornecer uma alimentação regrada e que ajude o animal no seu desenvolvimento ruminal e crescimento saudável.

O COLOSTRO E A SUA IMPORTÂNCIA O colostro é a secreção que se obtém apenas na primeira ordenha, porque as ordenhas seguintes, até ao quarto ou quinto dia após o parto, dão origem ao chamado leite de transição. A diferença entre o colostro e os leites de transição prende-se com as características que têm. O colostro não é apenas um alimento nutritivo. É também o responsável pelo fornecimento dos anticorpos que permitirão a defesa da cria recém-nascida, uma vez que os bovinos não possuem a capacidade de os passar pela placenta. Uma quantidade suficiente de colostro, de qualidade adequada, administrada na primeira hora após o nascimento é essencial para garantir que o vitelo tenha a proteção necessária até que o sistema imunológico esteja completamente ativo. Para além de ser importante o colostro ter a temperatura a rondar os 39º C (temperatura corporal), as recomendações das quantidades a administrar aos vitelos são: No 1º dia, 3 a 4 litros, a iniciar na primeira

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hora após o nascimento para que a absorção seja mais eficaz e, no mínimo, 2 litros nas 12 horas seguintes. As tomas não devem ser superiores a 4% do peso corporal para que não se sobrecarregue o abomaso. Exemplo: um vitelo com 40 kg não deve ingerir mais de 1,6 litros. O colostro de melhor qualidade, resulta da primeira ordenha de: Vacas que passaram por um período seco maior que 45 dias; Vacas adultas (3 ou mais partos); Vacas que não tenham passado por doenças infecciosas graves, principalmente mastites. É sempre conveniente analisar a qualidade dos colostros. Sempre que possível, o colostro deve ser armazenado pelo método de congelação e, quando necessário, descongelado em banhomaria. Esta operação é importante para garantir a qualidade do mesmo e impedir a degradação dos seus nutrientes, principalmente dos anticorpos.

LEITE DE SUBSTITUIÇÃO Existem muitos benefícios nutricionais e económicos em utilizar os substitutos de leite. Em condições normais, e num mercado estável, o leite de substituição representa uma


Alimentação de vitelos

alternativa mais barata que o leite integral. Para além desta vantagem, o leite de substituição também providencia uma nutrição consistente entre o intervalo de refeições e ajuda a prevenir a disseminação de doenças que podem ser transmitidas aos vitelos por leite não pasteurizado. Conseguir uma mistura homogénea do leite de substituição é imperativo e requer a monitorização cuidadosa da sua preparação e da temperatura das refeições. Quando é usada água muito quente para misturar o pó, é promovida a separação da gordura e faz com que parte da proteína fique indisponível para a digestão. Se, pelo contrário, a água utilizada for muito fria, o pó não se dissolve rapidamente, o que promove uma mistura excessiva levando também à separação da gordura. O leite de substituição em pó deve ser adicionado a água quente (43º C), bem misturado e depois arrefecido até à temperatura corporal do vitelo (39º C) adicionando água fria. As refeições devem ser duas ou três vezes por dia, mediante as instruções do fabricante do leite de substituição que é utilizado.

ÁGUA E ALIMENTO COMPOSTO “STARTER”

para satisfazer o apetite dos vitelos. Para manter o alimento sempre fresco e apetente, os recipientes (baldes) devem ser verificados diariamente e lavados com regularidade. Deve-se iniciar a adaptação do animal aos alimentos sólidos, para que este desenvolva uma população bacteriana no rúmen, começando assim o seu desenvolvimento da parede ruminal. Esta transição de líquidos para sólidos, envolve alterações morfológicas no trato gastro-intestinal, bem como alterações sistémicas no metabolismo dos compartimentos que o compõe (retículo, rúmen, omaso e abomaso).

DESMAME E TRANSIÇÃO O desmame é um momento muito stressante para os jovens vitelos, mas recorrendo às práticas de alimentação e maneio corretas, esse impacto pode ser minimizado. Independentemente do tempo de desmame, as seguintes diretrizes devem ser seguidas: Os vitelos devem ser desmamados quando estão a consumir pelo menos 1 kg de ração 3 dias seguidos. Em animais mais pequenos e/ou fracos o leite deve ser mantido; Na semana anterior ao desmame, o

leite deve ser oferecido apenas uma vez por dia; Os vitelos devem manter a mesma ração com que foram desmamados, durante pelo menos uma semana após o desmame; Não se deve deslocar o vitelo para um ambiente diferente; Todo o tipo de stress adicional deve ser evitado (Ex.: descorna). É arriscado fazer o desmame dos animais antes da 4ª semana de vida, devendo ser efetuado entre a 5ª e a 8ª semanas. Acima da 8ª semana é dispendioso executá-lo. Para que todas estas dicas possam ser bem sucedidas e o crescimento dos vitelos os transforme em animais produtivos de elevada performance, é também importante que estes animais estejam em locais limpos, secos, livres de correntes de ar e com variações mínimas de temperatura. Em suma, deve ser promovido um ambiente propício para que todas as estratégias alimentares e de maneio atinjam os objetivos do produtor. Para mais informações, contacte um técnico Cargill que lhe indicará qual a melhor solução para a sua exploração.

Deve ser dado o livre acesso a água limpa e potável aos vitelos para incentivar a ingestão de alimento composto “Starter” e, consequentemente, aumentar a taxa de crescimento. Independentemente da escolha de “Starter”, as recomendações alimentares permanecem as mesmas. Para incentivar o consumo de “Starter”, este deverá ser oferecido diariamente em quantidades crescentes a partir dos 3 dias de idade. À medida que o consumo aumenta, deve ser colocado à livre disposição

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PUBLIRREPORTAGEM ZOOMEL FERTI

BALDES QUE CONTRIBUEM PARA MELHORAR A FERTILIDADE E PREVENIR PROBLEMAS DE PATAS

O PEDRO CASTELO, DIRECTOR TÉCNICO ZOOPAN PEDRO.CASTELO@ZOOPAN.COM

ALEXANDRE REGO, TÉCNICO-COMERCIAL DOS AÇORES (ENGº ZOOTECNICO)

30

s Açores, apesar de representarem apenas 2,5% do território português, em termos produtivos contribuem com cerca de 30% da produção total de leite em Portugal. O sistema de gestão da vaca em pastoreio é, para todos os efeitos, um modelo produtivo muito avançado e é capaz de oferecer, a preços competitivos no que diz respeito aos custos alimentares, um produto de elevada qualidade. Normalmente, vacas colocadas em sistema de pastoreio apresentam valores elevados de ureia no leite (>350 ml/l), significando que existe excesso de proteína e/ou défice de glúcidos rápidos fermentescíveis no rúmen. Este elevado teor de ureia no leite e, portanto, no sangue tem como consequência diminuir o pH do meio uterino – reduzindo assim a fertilidade. Além disso, um excesso de proteínas degra-

ruminantes janeiro .fevereiro .março 2019

dáveis no rúmen aumenta necessidade em energia para transformar o amoníaco (NH3) em ureia ao nível do fígado. Cada grama de NH3 que o fígado converte em ureia tem um custo de 7,3 kcal à vaca, situação particularmente prejudicial no caso de vacas com balanço energético negativo. Além disso, a erva verde contem um baixo teor mineral e, por isso, este deverá ser compensado através do alimento concentrado e/ ou suplementos adequados. Normalmente, animais alimentados à base de pastagem podem apresentar os seguintes sintomas: Défice de magnésio Défice de oligo-elementos Défice de cálcio Problemas de hipocalcémia: Febre do Leite


PUBLIRREPORTAGEM ZOOMEL FERTI

FERTILIDADE Cu, Zn, Se, Mn

DESENV. ÓSSEO Mn, Cu

APETITE Zn, Co

DESENV. MUSCULAR Zn, Se

SISTEMA NERVOSO Cu, Zn

PRODUÇÃO DE LEITE Zn

DESNV. EMBRIONÁRIO Cu, Zn, Mn, Se

PELE, SAÚDE E CASCO Zn, Cu e Mn

RESISTÊNCIA DOENÇA Cu, Zn, Mn, Se, I

PÊLO Cu, Zn, Se

Açores, desenhámos um produto (ZOOMEL FERTI + PATAS) constituído por vitaminas e minerais orgânicos de elevada biodisponibilidade, de forma a garantir uma elevada absorção por parte dos animais. Este produto, devido à sua composição de minerais orgânicos (complexos de aminoácidos - quelatos), figura 2, apresenta vantagens em fases de extrema importância na vida de uma vaca leiteira:

1 PERÍODO DE TRANSIÇÃO

FIGURA 1 Importância dos Oligo-elementos.

(INÍCIO DE LACTAÇÃO)

Claudicação: problemas de patas

No entanto, iremos focarmo-nos na importância de melhorar os índices reprodutivos, pois estes não afetam apenas a lactação imediata, mas as futuras lactações. Os principais impactos de uma má reprodução numa exploração são os seguintes:

Infertilidade Redução de apetite Como sabemos, os oligo-elementos (zinco, manganês, selénio, cobre, iodo, cobalto) desempenham inúmeros papéis em diferentes funções do animal (manutenção, reprodução, crescimento, produção). Alguns são essencialmente importantes no desenvolvimento da flora microbiana (cobalto), outros no fortalecimento do seu sistema imunitário (como o selénio e o zinco), mas todos contribuem para uma melhoria das performances zootécnicas.

↓ da % de vacas prenhas às 6 semanas

Aumento do balanço de nutrientes Aumento da Ingestão de alimento (Matéria Seca Ingerida) Aumento da digestão da fibra Melhoria do sistema imunitário Melhoria da qualidade do colostro

2 PERÍODO VACA SECA Reabastecer reservas de minerais Melhoria do sistema imunitário

↑ da % de vacas vazias ↑ dos dias de lactação das vacas em lactação

Reduz a incidência de mastites no final deste período Nutrição do feto

↓ da produção de leite

Melhoria da saúde do vitelo

Tendo como objetivo melhorar as performances das explorações nos

Redução do impacto do stress

3 GESTAÇÃO Aumento da produção de leite Melhoria da saúde do casco

61

Óxido de Zn

Redução de laminites Redução do stress por calor

100

Sulfato de Zn

Aumento do desenvolvimento embrionário

Metionato de Zn

206

Zn Quelado

4 PERÍODO PRÉ-INSEMINAÇÃO

227

Melhoria da eficiência alimentar Reduz os dias da primiera ovulação Aumento da taxa de concepção

Proteinato de Zn

159

da inseminação Aumento das perfomances

0

50

100

150

200

250

Melhoria da qualidade do leite

FIGURA 2 Biodisponibilidade dos quelatos comparados com a forma inorgânica

ruminantes janeiro .fevereiro .março 2019

31


1

3

5

7

11

9

13

15

17

19

21

23

25

27

DIAS DE LACTAÇÃO

PUBLIRREPORTAGEM

FIGURA 3 Corpos cetónicos no sangue.

INO

ORG

3,6 2,8 2,0 1,2 0,4 1

3

5

7

11

9

13

15

DIAS DE LACTAÇÃO

FIGURA 4 Efeito dos minerais orgânicos (quelatos) sobre a qualidade do leite.

INO

ORG

1,8

13% aumento médio de proteína leite

1,4 1,0 0,6

40 ppm Availa - Zn 20 ppm Availa - Mn

0,2 1

3

5

7

11

9

13

15

17

19

21

23

25

27

DIAS DE LACTAÇÃO

inferiores de défice energético. Além disso, também existe uma relação direta entre a utilização de minerais inorgânicos e orgânicos (quelatos de manganês e zinco) na proteína do leite INO produzido, tal como podemos observar na figura 4. Concluindo, a utilização de um produto desta natureza em vacas em pastoreio apresenta vantagens, principalmente sobre a fertilidade, prevenção de problemas metabólicos e, ainda demonstra, um impacto positivo sobre a quantidade e qualidade do leite produzido.

Outro aspeto importante neste sistema de produção é prevenir problemas de cetoses (figura3). Os corpos cetónicos são os marcadores da mobilização de reservas corporais, ou seja, de um défice energético. No sangue o valor de βHB (Betahidroxibutirates) deve estar compreendido entre 0,3 e 0,8 mmol/L. Quando o valor de 3,6 βHB é superior a 1,4 mmol/L de sangue significa que os animais estão em défice energético acentuado. Na figura 3 pode2,8 mos observar que os animais alimentados por zinco, manganês e cobre orgânico 2,0 igual) apresentavam valores (quantidade

A utilização de ZOOMEL FERTI+PATAS apresenta ORG principalmente vantagens sobre a fertilidade, prevenção de problemas metabólicos e demonstra um impacto positivo sobre a quantidade e qualidade do leite produzido.

1,2 32

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0,4 1

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7

9

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15


FORRAGENS

A IMPORTÂNCIA DA MATURIDADE NA QUALIDADE NUTRICIONAL DAS

SILAGENS DE MILHO A

TEXTO ANA LAGE, CHEFE DE SERVIÇO ANÁLISES DE ALIMENTOS PARA ANIMAIS ALIP – ASSOCIAÇÃO INTERPROFISSIONAL DO LEITE E LACTICÍNIOS ANA.LAGE@ALIP.PT

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cultura do milho para silagem tem aumentado bastante, ao longo das últimas décadas em Portugal, bem como em muitas partes do mundo (Khan et al., 2014). As elevadas produções da cultura sob uma vasta variedade de condições ambientais e agronómicas, o alto valor energético e a facilidade de ensilagem são fatores decisivos que tornam este alimento na principal forragem de base dos regimes alimentares para as vacas leiteiras. Por isso, é essencial o conhecimento do seu valor nutritivo para o desenvolvimento de dietas corretamente equilibradas. Na tabela 1, são apresentados os valores médios, mínimos e máximos, da composição química das silagens de milho analisadas no laboratório da Associação Interprofissional do Leite e Lacticínios (ALIP), nas últimas quatro campanhas, bem como a respetiva variação.

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Podemos verificar que o teor em matéria seca (MS) aumentou significativamente da campanha 2016-17 para 2017-18 e 2018-19. O teor em proteína bruta (PB) tem diminuído desde 2015-16 a 2017-18, no entanto, verifica-se um aumento na atual campanha (2018-19) face à anterior. O teor em fibra de detergente neutro (NDF) diminuiu desde 2015-16, variando entre os 44,5% MS e os 42,6% MS. O teor em amido sofreu um aumento significativo desde a campanha de 2015-16 até 2017-18, no entanto verificase uma diminuição significativa na atual campanha (2018-19) face à anterior. Também a digestibilidade da matéria orgânica (DMO) tem aumentado ao longo destes anos, à exceção desta última campanha cujas diferenças não foram significativas. Contudo, tendo em conta os valores mínimos e máximos, bem como a respetiva


A importância da maturidade na qualidade das silagens de milho

TABELA 1 Composição química média das silagens de milho nas campanhas de 2015-16 a 2018-19*.

PB

Matéria Seca Campanha

(%)

Mín

Máx

Mín

CV(%) 2015-16

2016-17

2017-18

2018-19*

17,8

32,6

32,6a

52,4

3,25

34,5b

48,1

3,71

34,1b

Mín

7,13

a

7,09a

53,1

3,95

6,75b

9,26

33,6

3,28

11,1

6,97c

Máx

Mín

44,5

a

DMO

10,39

30,2

43,1c

81,2

2,1

30,8

42,1b

68,4

1,9

33,9

9,2

42,6bc

Mín

31,9

a

Méd

33,0b

65,9

2,2

34,2c

45,4

68,5a

42,0

12,0

8,8

32,2a

75,0

3,2 49,0

69,1b

56,9

75,1

2,7 47,6

69,9c

60,7

12,9 60,2

Máx

CV(%)

13,9

8,6 9,75

Máx

13,5

9,0 10,06

Méd CV(%)

8,3

9,5 49,4

Méd CV(%)

7,5

11,2 22,7

Máx

7,3

9,3 18,5

Méd CV(%)

10,2 20,7

Amido (%MS)

Méd a

NDF

75,9

2,5 43,0

70,0c

59,4

14,2

74,8

2,5

*Campanha a decorrer; MS – Matéria Seca; CV – Coeficiente de Variação; PB – Proteína Bruta; NDF – Fibra de detergente neutro; DMO – Digestibilidade da Matéria Orgânica. a, b, c Valores na mesma coluna com notações diferentes diferem significativamente (p<0.05).

As recomendações indicam que o momento ideal de corte deveria ocorrer quando esta se situa entre 1/2 e 2/3. Contudo, este método não será o mais confiável. Atualmente, é mais frequente recomendar a utilização do teor em MS das plantas para a determinação do momento ideal de corte. Este parâmetro tem uma elevada correlação com a maturidade do milho (Johnson et al., 1999; Khan et al., 2011) apresentando mais fiabilidade do que o avanço da linha de leite. Na Tabela 2, apresenta-se a composição química das silagens de milho produzidas na campanha 2017-18 em função do seu teor em MS.

variação dentro de cada campanha, observamos a existência de uma variabilidade elevada no valor nutritivo destas silagens. Serão vários os fatores que a determinam: o estado de maturação no momento do corte, a variedade das plantas, o clima e as práticas utilizadas no processo de conservação da forragem. No entanto, o estado de maturação no momento do corte será o fator que mais influencia a variação do valor nutritivo da silagem (Johnson et al., 1999; Khan et al., 2012). Normalmente, a determinação do momento ideal de corte das plantas, por parte do agricultor, baseiase na visualização do avanço da linha de leite no grão.

TABELA 2. Efeito da classe de matéria seca (MS) na composição química das silagens de milho (%MS) da campanha 2017-18.

CLASSE DE MS (%) <30

[30-35[

[35-40[

>40 -

Matéria Seca

28,2a ± 1,8

32,8b ± 1,4

37,0c ± 1,4

42,1d ± 2,2

PB

7,12a ± 0,91

6,85b ± 0,57

6,58c ± 0,54

6,37d ± 0,59

NDF

47,2a ± 4,3

42,5b ± 2,8

40,5c ± 2,8

40,0c ± 3,2

Amido

28,5 a ± 9,1

33,5b ± 3,3

36,1c ± 3,2

37,7d ± 3,7

DMO

68,0a ± 2,1

69,8b ± 1,5

70,4c ± 1,5

70,4c ± 1,8

(N; %)

(283; 11%)

(1248; 47%)

(918; 34%)

(217; 8%)

Valores apresentados: média ± desvio padrão; MS – Matéria Seca; PB – Proteína Bruta; NDF – Fibra de detergente neutro; DMO – Digestibilidade da Matéria Orgânica; N – número de amostras. a, b, c, d Valores na mesma linha com notações diferentes diferem significativamente (p<0.05).

ruminantes janeiro .fevereiro .março 2019

35


FORRAGENS

O avanço do estado de maturidade da planta do milho, a partir de determinado teor em MS (38-40%) poderá não corresponder a um aumento considerável do teor em amido, podendo causar efeitos negativos na sua degradabilidade e no desempenho das vacas. Podemos observar que, com o aumento do teor em MS, os teores em PB e NDF diminuem de 7,12 para 6,37% MS e de 47,2 para 40,0% MS, respetivamente e o teor em amido e a DMO aumentam de 28,5 para 37,7% MS e de 68,0 para 70,4% MS, respetivamente. Isto pode ser explicado pela variação da composição morfológica da planta do milho. Com efeito, a composição morfológica evolui até ao estado vítreo do grão. Entre a floração e o estado vítreo, o teor em MS

aumenta regularmente de 14 a 35% (Demarquilly, 1994). Este aumento resulta essencialmente do crescimento da espiga na planta. Durante esta fase aumentam os teores em MS e em amido e diminuem os teores em NDF e PB (Johnson et al., 1999; Khan et al., 2014). O aumento do teor em amido e do teor em MS está relacionado com a deposição de amido nos grãos que, quando atingem a sua maturidade fisiológica, representam cerca de 40 a 50% da MS da planta (Demarquilly, 1994). Pela análise dos resultados das silagens de milho da última campanha completa (2017-18), foi observado que o 50,0 positiva e teor em MS correlacionou-se significativamente com45,0 o teor em amido (Gráfico 1), existindo, no entanto uma 40,0 tendência para a relação quadrática 35,0 (p<0,01; R2=0,381). Esta relação mostra 30,0 que, silagens com maior teor em MS 25,0 são mais ricas em amido. No entanto, a 20,0 partir de determinado teor em MS já não se observa um aumento15,0 considerável 10,0 no teor em amido. Segundo Khan et al. (2014) o teor em amido 5,0das silagens de milho aumenta até um 0,0teor de MS entre 38-40%, ressaltando a prática 15,0 25,0 recomendada de que o momento ideal do corte da planta do milho deva ser

50,0

50,0

45,0

45,0

40,0

40,0

35,0

35,0

30,0

30,0

25,0

25,0

20,0

20,0

15,0

Y= 0,0382x2 + 3,3445x - 35,106 (R2 = 0,381; N = 2666)

10,0 5,0

0,0 15,0

25,0

35,0

45,0

55,0

MS%

GRÁFICO 1. Relação entre o teor em matéria seca (%) e o teor em amido (%MS) das silagens de milho da campanha 2017-18.

50,0 ruminantes janeiro .fevereiro .março 2019 45,0 40,0

Y= 1,0425x + 78,134 (R2 = 0,729; N = 2666)

10,0 5,0

0,0

36

15,0

quando a MS se situar entre os 30 e 35%. Também Demarquilly (1994) refere que este é o momento ótimo de corte, onde a quantidade de MS por hectare é máxima. Além disso, o teor em MS de 33 a 35% é ideal para obter uma boa fermentação e corresponde à máxima ingestão voluntária da silagem pelos animais. Por outro lado, ao longo do desenvolvimento da planta do milho, ou seja, à medida que o teor em MS aumenta, o teor em NDF diminui. Apesar do teor em fibra aumentar com a maturidade, a sua percentagem vai diminuindo na planta inteira do milho. Esta diminuição é devida ao aumento da proporção de espiga em relação às folhas e caule, originando uma diluição dos componentes da parede celular (NDF) na MS. Isto mesmo é traduzido pela correlação negativa e significativa observada entre os teores em NDF e em amido (p<0,01; R2= 0,729; Gráfico 2). O estado de maturidade da planta do milho2 +na altura- 35,106 do corte não só Y= 0,0382x 3,3445x 2 = 0,381; N = 2666) (R influencia o valor nutritivo da silagem obtida, como também afeta a sua digestibilidade e o desempenho animal. Uma revisão45,0 de vários 55,0 trabalhos, 35,0 realizada por Khan et al. (2014), refere MS% aumentos na ingestão de MS, na

20,0

30,0

40,0

50,0

60,0

70,0

NDF (%MS)

GRÁFICO 2. Relação entre o teor em NDF (%MS) e o teor em amido (%MS) das silagens de milho da campanha 2017-18.


A importância da maturidade na qualidade das silagens de milho

produção de leite e no teor proteico do leite com o avanço da maturidade da planta. No entanto, estes aumentos ocorrem quando o teor em MS atinge 35%, verificando-se uma diminuição quando os teores de MS são superiores. O corte em estádios mais avançados de maturidade pode aumentar as perdas de grãos nas fezes e diminuir a digestibilidade do amido. Segundo Peyrat et al. (2016) tanto a degradabilidade ruminal, como a digestibilidade total do amido no trato digestivo diminuem significativamente quando se compara uma silagem cortada num estado de maturidade precoce com outra cortada num estado de maturidade avançado. Isto é devido ao aumento da vitreosidade do grão, que dificulta a degradação do amido por parte da flora ruminal (Correa et al., 2002). A fração que escapa à degradação no rúmen terá a possibilidade de ser digerida na porção posterior do tubo digestivo. Mas, quando se adoptam tamanhos de corte mais longos, bem

como o não esmagamento dos grãos, a probabilidade de aparecerem grãos inteiros – amido – nas fezes aumenta, o que implica uma diminuição apreciável do valor energético destas forragens para a vaca leiteira, em comparação com o seu valor energético potencial. Este facto foi demonstrado por Johnson et al. (1999) onde o processamento mecânico da silagem de milho melhorou a digestibilidade do amido e da fibra.

Deste modo, o estado de maturidade da planta do milho no momento de corte assume grande importância. Deixar avançar esse estado com o objetivo de obter mais MS, e mais amido, nem sempre é vantajoso. A partir de determinado teor em MS (3840%) já não se observa um aumento considerável no teor em amido, podendo até causar efeitos negativos na sua degradabilidade e no desempenho das vacas.


ALIMENTAÇÃO

FIGUEIRA-DA-ÍNDIA

NA ALIMENTAÇÃO DE BORREGAS DE SUBSTITUIÇÃO

A

TEXTO EMANUEL PASCOAL, ESCOLA SUPERIOR AGRÁRIA DO INSTITUTO POLITÉCNICO DE CASTELO BRANCO

TEXTO ABEL VELOSO, ESCOLA SUPERIOR AGRÁRIA DO INSTITUTO POLITÉCNICO DE CASTELO BRANCO

TEXTO ANTÓNIO MOITINHO RODRIGUES, ESCOLA SUPERIOR AGRÁRIA DO INSTITUTO POLITÉCNICO DE CASTELO BRANCO CERNAS-IPCB CENTRO DE ESTUDOS DE RECURSOS NATURAIS, AMBIENTE E SOCIEDADE.

38

figueira da índia (Opuntia ficus-indica (L.) Miller) é uma espécie da família Cactaceae com origem e domesticação no México. Crescendo nas mais diversas condições ecológicas, a figueirada-índia está amplamente distribuída por todo o Mundo (Sáenz et al., 2006). A introdução desta espécie na Península Ibérica ocorreu no final do século XV, após a descoberta da América, espalhando-se posteriormente por toda a bacia do Mediterrâneo (Anderson, 2001). Em Portugal, a figueirada-índia está amplamente naturalizada. É cultivada para produção de frutos comestíveis em solos marginais de zonas com verões quentes e secos. Os cladódios resultantes da poda dos pomares de figueira-daíndia apresentam elevado valor nutricional (Rodrigues et al., 2016). É biomassa que pode ser utilizada como forragem para ruminantes (Reis et al., 2018). Vários autores têm avaliado a utilização dos cladódios como fonte de água (Tegegne et al., 2007; Costa et al., 2009, por exemplo) ou como forragem para a alimentação de ovinos (Rekik et al., 2010; Costa et al., 2012; Rodrigues et al., 2015). Com o presente trabalho pretendeu-se avaliar o efeito que a utilização como forragem de cladódios de cultivares de figueira-da-índia sem espinhos teve sobre a ingestão

ruminantes janeiro .fevereiro .março 2019

alimentar, a ingestão de água, a ingestão de nutrientes e sobre o crescimento de borregas de substituição.

MATERIAL E MÉTODOS O ensaio decorreu durante 63 dias na Quinta da Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Castelo Branco (ESA-IPCB) utilizando-se 16 borregas de raça Merino Branco. Foram criados 2 grupos de 8 animais cada um, homogéneos relativamente ao peso vivo e à idade. Cada grupo foi organizado em quatro subgrupos de 2 borregas cada um e o controlo da ingestão alimentar foi feito para cada um destes subgrupos de

dois animais. Em ambos os grupos foi utilizado feno de consociação (F) como alimento forrageiro base em regime ad libitum controlado. O grupo controlo teve como suplemento alimentar farinha forrageira de milho (FM). O outro grupo teve como suplemento alimentar farinha forrageira de milho mais cladódios de Opuntia "ficus-indica (OFI) sem espinhos (Figura 1). A quantidade de alimentos e de água ingerida por cada grupo foi controlada diariamente e o peso vivo de cada animal foi avaliado semanalmente. Os alimentos forrageiros utilizados foram produzidos na ESAIPCB (feno de consociação e

FIGURA 1 Cladódios de figueira-da-índia sem espinhos utilizados na alimentação das borregas.

TABELA 1. COMPOSIÇÃO QUÍMICA DOS ALIMENTOS UTILIZADOS (%MS). ALIMENTO

MS

CINZAS

PB

NDF

NFC

EM

Figueira-da-índia

5,86

Farinha de milho

87,95

21,45

9,48

20,86

46,56

2,46

1,61

10,31

13,96

70,19

2,82

Feno

88,72

6,11

7,12

66,83

19,14

1,71

MS: matéria seca; PB: proteína bruta; NDF: fibra em detergente neutro; NFC: hidratos de carbono não fibrosos; EM: energia metabolizável (Mcal/kg MS).


Figueira-da-índia

FIGURA 2 Borregas alimentadas com figueira-da-índia, farinha de milho e feno.

A figueira-da-índia apresenta elevado valor nutricional e pode ser utilizada como suplemento alimentar de borregas em crescimento

TABELA 2 INGESTÃO DE ÁGUA, DE MATÉRIA SECA, DE NUTRIENTES E ÍNDICE DE CONVERSÃO ALIMENTAR OBTIDOS POR BORREGAS SUBMETIDAS DURANTE 63 DIAS A DOIS REGIMES ALIMENTARES DIFERENTES; FARINHA FORRAGEIRA DE MILHO MAIS FENO DE CONSOCIAÇÃO (FM+F) E OPUNTIA FICUS-INDICA MAIS FARINHA DE MILHO MAIS FENO (OFI+FM+F).

REGIME ALIMENTAR PARÂMETROS CONTROLADOS

FM+F

OFI+FM+F

Ingestão de água (kg/dia)

1,459 ±0,093

0,277b ±0,038

Ingestão de MS (kg/dia)

0,913a ±0,026

0,872a ±0,037

Ingestão de EM (Mcal/dia)

1,99a ±0,050

1,91a ±0,064

Ingestão de PB (g/dia)

77,36a ±2,007

74,59a ±2,636

Ingestão de NDF (g/dia)

404,60a ±15,935

363,89b ±24,105

Ingestão de NFC (g/dia)

372,93a ±8,097

349,22b ±7,362

Ingestão de cinzas (g/dia)

38,30b ±1,464

67,70a ±2,340

2,18a ±0,013

2,20a ±0,019

Concentração proteica (gPB/kgMS)

84,76a ±0,367

85,54a ±0,560

Índice de conversão (kg MS/kg GPD)

8,51a ±1,535

6,68b ±0,301

Concentração energética (Mcal/kgMS)

a

Notações diferentes na mesma linha indicam diferenças significativas entre médias (p≤0,05); ± desvio padrão.

cladódios de Opuntia ficus-indica). Tal como para a farinha de milho, também para os alimentos forrageiros foi determinada a matéria seca (MS), cinzas, proteína bruta (PB), fibra em detergente neutro (NDF), hidratos de

carbono não fibrosos (NFC) e energia metabolizável (EM) (Tabela 1). Os dois regimes alimentares, farinha de milho + feno (FM+F) e figueirada-índia + farinha de milho + feno (OFI+FM+F) foram calculados para

serem isoenergéticos. As necessidades nutricionais das borregas foram determinadas periodicamente em função da evolução do seu peso vivo (NRC, 2007). Utilizou-se o teste T-Student para comparação dos valores médios (p≤0,05).

RESULTADOS Analisando os resultados relativos à ingestão média diária de nutrientes durante os 63 dias de ensaio (Tabela 2), verificamos que as borregas submetidas ao regime alimentar OFI+FM+F (Figura 2) ingeriram menos água, menos NDF e menos NFC (p≤0,05). Pelo contrário ingeriram significativamente mais sais minerais e obtiveram um índice de conversão alimentar mais baixo do que as borregas submetidas ao regime alimentar FM+F. Não se encontraram diferenças entre os dois tratamentos relativamente a ingestão média diária de MS, de EM e de PB nem relativamente à concentração energética e concentração proteica dos alimentos ingeridos. O menor consumo médio diário de água de bebida nas borregas alimentadas com OFI+FM+F (0,277 kg/ dia ±0,038) (p≤0,05) está de acordo com os resultados obtidos por Tegegne et al. (2007) para regimes alimentares com 20% de OFI. A riqueza de água em OFI poderá ser importante em regiões

ruminantes janeiro .fevereiro .março 2019

39


ALIMENTAÇÃO

TABELA 3 PARÂMETROS DE CRESCIMENTO DAS BORREGAS SUBMETIDAS A DOIS REGIMES ALIMENTARES DIFERENTES FARINHA FORRAGEIRA DE MILHO MAIS FENO DE CONSOCIAÇÃO (FM+F) E OPUNTIA FICUS-INDICA MAIS FARINHA DE MILHO MAIS FENO (OFI+FM+F).

REGIME ALIMENTAR PARÂMETROS CONTROLADOS

Anderson, E. F., 2001. The Cactus Family. Timber Press, Portland, Oregon, USA.

FM+F

OFI+FM+F

Idade final aos 63 dias (dias)

160,3a ±2,872

159,0a ±13,089

PV final aos 63 dias (kg)

27,94b ±1,008

29,50a ±0,623

GPD (0 - 63 dias) (kg/d)

0,110b ±0,020

0,131a ±0,006

Notações diferentes na mesma linha indicam diferenças significativas entre médias (p≤0,05); ± desvio padrão.

FIGURA 3 Curvas de crescimentos das borregas submetidas a dois regimes alimentares diferentes farinha forrageira de milho mais feno de consociação (FM+F) e Opuntia ficus-indica mais farinha de milho mais feno (OFI+FM+F). 31

PESO VIVO (KG)

29,5 29 27,9 27

26,1 25,3

25

24,5 23,9

23 21,3

21,8

23,83 23,3

22,2

21

23,9

22,6

23,7

24,4 24,4

22,9

21,0

17

15

FM + F

PV1

PV2

PV3

PV4

PV6

PV7

PV8

PV9

OFI + FM + F

semiáridas onde os pontos de água para abeberamento dos animais são escassos. No regime alimentar OFI+FM+F a ingestão de OFI correspondeu a 19,7%, a ingestão de FM a 30,4% e a ingestão de F a 49,9% do total de MS ingerida por dia. No regime alimentar FM+F a ingestão de FM correspondeu a 42,6% e a ingestão de F a 57,4% do total de MS ingerida por dia. Ao analisarmos os parâmetros de crescimento (Tabela 3) verificamos que as borregas alimentadas com OFI+FM+F apresentaram um ganho médio diário de peso (GPD) significativamente mais elevado (0,131 kg/dia ±0,006) (p≤0,05) do que as borregas submetidas ao regime alimentar FM+F (0,110 kg/dia ±0,020). Estes resultados são inferiores aos referidos por Costa et al. (2012) para borregos de raça Santa Inês submetidos a um regime alimentar com 25% de OFI,

40

PV5

ruminantes janeiro .fevereiro .março 2019

Costa, R. G., E. M. B. Filho, A. N. Medeiros, P. E. N. Givisiez, R. C. R. E. Queiroga and A. S. S. Melo, 2009. Effects of increasing levels of cactus pear (Opuntia ficus-indica L. Miller) in the diet of dairy goats its contribution as a source of water. Small Ruminant Research, 82: 62-65. NRC, 2007. Nutrient Requirements of Small Ruminants – Sheep, Goats, Cervids, and New World Camelids. National Academic Press, Washington, DC, USA. Reis, C. M. G., L. C. Gazarini, T.F. Fonseca, M. Ribeiro and, 2018. Above-ground biomass estimation of Opuntia ficus-indica (L.) Mill. for forage crop in a Mediterranean environment by using non-destructive methods. Experimental Agriculture, 54: 227-242. Rekik, M., H. Ben Salem, N. Lassoued, H. Chalouati and I. Ben Salem, 2010. Supplementation of Barbarine ewes with spineless cactus (Opuntia ficus-indica f. inermis) cladodes during late gestationearly suckling: effects on mammary secretions, blood metabolites, lamb growth and postpartum ovarian activity. Small Ruminant Research, 90: 53-57.

25,5 24,9

19

PV0

BIBLIOGRAFIA

com 2,28 Mcal/kgMS e com 164,92 gPB/ kgMS. Ao fim dos 63 dias de ensaio o peso vivo foi maior (p≤0,05) nas borregas OFI+FM+F (29,50 kg ±0,623) do que nas borregas FM+F (27,94 kg ±1,008) (Figura 3). Considera-se que a baixa concentração proteica dos dois regimes alimentares OFI+FM+F e FM+F terá afetado o crescimento dos animais.

CONCLUSÕES Concluiu-se que os animais suplementados com 19,7% de cladódios de figueira-da-índia apresentaram um ganho médio diário de peso e um peso vivo final mais elevado (p≤0,05), consumindo diariamente menos água do que o grupo controlo (p≤0,05). Não se encontraram diferenças estatisticamente significativas relativamente às quantidades ingeridas de MS, EM e PB.

Rodrigues, A.M., F.I. Pitacas, C.M.G. Reis, M, Blasco, 2016. Nutritional value of Opuntia ficus-indica cladodes from Portuguese ecotypes. Bulgarian Journal of Agricultural Science, 22(1): 40-45. Rodrigues, A.M., F.I. Pitacas, C.M.G. Reis, 2015. Utilização da figueira-da-índia como alimento para ovelhas em lactação. Ruminantes, 16: 30-31. Sáenz, C., H. Berger, J. Corrales-García, L. Galletti, V. Garcíade-Cortázar, I. Higuera, C. Mondragón, A. Rodríguez-Félix, E. Sepúlveda and M. T. Varnero, 2006. Utilización agroindustrial del nopal. Boletin de Servicios Agrícolas de la FAO, (162). Tegegne, F., C. Kijora and K. Peters, 2007. Study on the optimal level of cactus pear (Opuntia ficus-indica) supplementation to sheep and its contribution as source of water. Small Ruminant Research, 72: 157164.


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ALIMENTAÇÃO

“16.000 EUROS ENTRE UMA FORRAGEM DE TOPO E UMA MEDIANA” Quer ganhar 16.000 € por cada 100 vacas? Pode fazê-lo a produzir silagem de erva de elevada qualidade.

A

TEXTO CÉSAR NOVAIS, GESTOR DE PRODUTO DE RUMINANTES - DE HEUS NUTRIÇÃO ANIMAL, SA CVCORREIA@DEHEUS.COM

Utilizando estes dois exemplos podemos verificar que em apenas 6 kg deste alimento existe uma diferença na energia metabolizável aportada pelas duas silagens de 1506 VEM. Esta é a energia necessária para produzir 3,4 litros de leite.

utilização de forragens de alta qualidade é essencial na obtenção de bons resultados técnico-económicos das explorações leiteiras. A forragem representa normalmente mais de 50% da matéria seca da dieta da vaca leiteira e é uma fonte relativamente barata de proteína e energia. Além disso, tem a importante função de suportar a estrutura física da dieta sendo fundamental para o bom funcionamento ruminal. Nos dias de hoje, existe uma grande variabilidade de qualidade nas silagens de erva em Portugal, por isso o foco na qualidade das forragens é essencial para aumentar a performance das vacas de leite e conseguir produzir leite a um menor custo. De um modo geral uma silagem de erva de melhor qualidade resulta em valores mais elevados de energia, digestibilidade da matéria orgânica (DMO) e açúcares (quadro 1). Consequentemente, estas silagens têm um efeito positivo na ingestão e na digestibilidade das dietas, promovendo uma maior produção de leite por vaca, maior quantidade de sólidos no leite, melhor saúde ruminal e menores níveis de concentrados na dieta. No quadro 1 estão apresentados valores nutritivos por kg referentes a duas silagens de erva de diferente qualidade.

DADOS EXPERIMENTAIS Para avaliar como a qualidade das silagens de erva pode influenciar o custo da alimentação em vacas leiteiras, construímos duas dietas distintas para uma exploração de 100 vacas em produção, com uma média de produção vaca/ dia de 34 litros e uma qualidade de leite de 3,7% de Matéria Gorda e 3,2% de Matéria Proteica. Para cada uma das dietas oferecemos para otimização quantidades livres de matérias primas (para a formulação do alimento concentrado), palha de trigo, uma silagem de milho de média qualidade (37% MS, 7,2% PB, 32 % amido, 21,5 fibra bruta e 0,89 UFL) e silagem de erva. Na dieta 1 (quadro 3) foi oferecida silagem de erva com valores nutritivos iguais àqueles da silagem vencedora do concurso nacional de forragens (quadro 2). Na dieta 2 (quadro 4) foi oferecida silagem de erva com os valores nutritivos médios das análises realizadas pelo laboratório da Associação Interprofissional de Leite e Laticínios – ALIP, no ano de 2017 (quadro 2).

SILAGEM ERVA

VEM

DMO (%)

AÇÚCARES (%)

MELHOR QUALIDADE

995

82,3

16,5

MENOR QUALIDADE

744

66,7

7,2

QUADRO 1 Resultados da base dados da DE HEUS 2017. VEM (Energia net Lactação)

42

ruminantes janeiro .fevereiro .março 2019


“16.000 euros entre uma forragem de topo e uma mediana”

QUADRO 2 RESULTADOS DA ANÁLISE DA SILAGEM DE ERVA VENCEDORA NO CONCURSO NACIONAL DE FORRAGENS E RESULTADOS MÉDIOS DAS ANÁLISES DE SILAGEM DE ERVA EFETUADAS PELO ALIP EM 2018. FONTE: ALIP 2018

MS

PH

CINZAS

PB

PROTEÍNA SOLÚVEL

AZOTO AMONIACAL

NDF

ADF

D.M.O

UFL

FB

VENCEDOR

32

4.13

11.2

22.87

39.4

4.6

39.2

26.1

77.9

0,94

21

MÉDIA ALIP

35,8

4.21

10

11.76

55

8.2

52.7

35.6

62.9

0,75

30.2

QUADRO 3 DIETA 1 (COM SILAGEM ERVA VENCEDORA DO CONCURSO NACIONAL DE FORRAGENS)

TMR OTIMIZAÇÃO

KG.PROD.

KG. MS

REQUERIMENTO

VEM

SDVE

SOEB

21568

2099

200

SFOS

CA

P

MG

127,2

78,6

50,6

INGESTÃO S.E. VENCEDORA

28,9

9,3

8309

839

705

5731

41,6

25,9

13,9

SILAGEM MILHO

12,9

4,8

4421

229

-123

2551

8,6

9,1

6,2

41,8

14,1

-8837

-1032

382

8282

-76,4

-43,6

-30,4

9,8

8,7

10108

1032

-282

5017

97,6

44,3

32,2

51,6

22,7

1271

0

100

13299

20,7

0,8

1,8

106%

100%

Falta excesso SUPLEMENTO COM: MISTURA TMR BALANÇO NORMA

ANÁLISE DE DIETA

500

70

40

215

140

85

155

175

SDVE 92 g/kg MS

50

SOEB 300 g

FCP1 58 g/kg MS

25

180

FCP2 31 g/kg MS

FCH1 210 g/kg MS

120

FCH2 140 g/kg MS

CP 155 g/kg MS

ruminantes janeiro .fevereiro .março 2019

43


ALIMENTAÇÃO

QUADRO 4 DIETA 2 (COM SILAGEM MÉDIA ALIP 2017)

TMR OTIMIZAÇÃO

KG.PROD. KG. 500 70MS

REQUERIMENTO

VEM 40 SDVE 21568

SOEB 215

2099

SFOS 140 CA

200

126,8

P

MG

78,3

50,6

85 INGESTÃO

155

S.E. MÉDIA ALIP

21,7

7,8

SILAGEM MILHO 175 13,4

50 5,0

5299

416

15

4609 25

238 -1444

-11659

Falta excesso

35,1

12,8

SUPLEMENTO COM: SDVE 92 MISTURA TMR 2 g/kg MS

SOEB 300 10,9 g

FCP1 58 9,7 11659 g/kg MS

BALANÇO

46,0

22,5

NORMA

FCP2 31 1444 g/kg MS

0

0

100%

100%

4061

35,0

19,4

11,7

180 -128

2660 120 9,0

9,5

6,5

-313

6720

-49,3

-32,4

FCH1 210 362 5482 g/kg MS 49

-82,4

FCH2 140 102,0 g/kg MS

12202

19,2

CP 155 54,5 33,5 g/kg MS 5,2

1,1

ANÁLISE DE DIETA

500

70

40

215

140

85

155

175

SDVE 93 g/kg MS

50

SOEB 249 g

ANALISE DOS DADOS Analisando as dietas 1 e 2, apresentadas nos quadros 3 e 4, verificamos que a utilização da silagem de erva de melhor qualidade permite uma redução de 1,1 kg de alimento concentrado em relação à dieta com silagem de erva de qualidade inferior. Em ambas as dietas o alimento palha de trigo foi rejeitado devido ao facto de a silagem de erva utilizada

44

ruminantes janeiro .fevereiro .março 2019

FCP1 55 g/kg MS

25

180

FCP2 25 g/kg MS

120

FCH1 185 g/kg MS

aportar os níveis necessários de fibra efetiva. A análise económica das duas soluções evidencia uma vantagem clara da dieta 1. A utilização da silagem de erva de melhor qualidade permitiu obter um custo alimentar de 4,47 euros/vaca/ dia contrastando com os 4,93 euros/ vaca/dia da dieta construída com silagem de erva de qualidade inferior.

FCH2 127 g/kg MS

CP 155 g/kg MS

Consequentemente, o custo por litro de leite da dieta 1 também é inferior em 1 cêntimo ao obtido pela dieta 2. As receitas obtidas serão teoricamente as mesmas uma vez que ambas as dietas foram delineadas para a obtenção da mesma produção e da mesma qualidade de leite. Numa exploração de 100 vacas a diferença apresentada nos custos de


“16.000 euros entre uma forragem de topo e uma mediana”

QUADRO 5 MARGIN MONITOR MILK DA DIETA 1

QUADRO 6 MARGIN MONITOR MILK DA DIETA 2

NOME DO PRODUTOR: TEST FARM SILAGEM ERVA REGIÃO: Norte VACAS EM LACTAÇÃO: 100 LEITE VENDIDO (L/D): 3400 LEITE USADO (L/D): PREÇO DO LEITE (€/L): 34,00

NOME DO PRODUTOR: TEST FARM SILAGEM ERVA REGIÃO: Norte VACAS EM LACTAÇÃO: 100 LEITE VENDIDO (L/D): 3400 LEITE USADO (L/D): PREÇO DO LEITE (€/L): 34,00

CONSULTOR: C. Novais RATION TYPE: TMR DEL: 160 PRODUÇÃO MÉDIA (L/V/D): 34,0 GORDURA (%): 3,70 PROTEÍNA (%): 3,20 PESO VIVO MÉDIA (KG): 600

LOTE

CONSULTOR: C. Novais RATION TYPE: TMR DEL: 160 PRODUÇÃO MÉDIA (L/V/D): 34,0 GORDURA (%): 3,70 PROTEÍNA (%): 3,20 PESO VIVO MÉDIA (KG): 600

LOTE

Número de animais/Lote

100

Número de animais/Lote

100

Produção (l/d)

34,0

Produção (l/d)

34,0

ALIMENTOS (kg/v/d)

KG

ALIMENTOS (kg/v/d)

FORRAGENS

FORRAGENS

S.E. VENCEDORA SILAGEM MILHO

MS% 36

PREÇO €/T

35

MS%

PREÇO €/T

KG

21,7

S.E. VENCEDORA

32

35

28,9

37

45

12,9

88

294

9,8

37

45

13,4

SILAGEM MILHO

89

327

10,9

MISTURA TMR

CONC + SUBP MISTURA TMR

CONC + SUBP

RESULTADOS

RESULTADOS

%Custo Alimentar/receita

43

%Custo Alimentar/receita

39

ROI (€ receita/ € investido)

2,35

ROI (€ receita/ € investido)

2,58

Conc+SubP/LCGP (g/l) 90%

331

Conc+SubP/LCGP (g/l) 90%

294

%Conc+SubP na IMS

43

%Conc+SubP na IMS

38

%Silagem de Milho na IMS

22

%Silagem de Milho na IMS

21

%Silagem Erva na IMS

35

%Silagem Erva na IMS

41

Reff (LCGP / kg IMS)

1,45

Reff (LCGP / kg IMS)

1,44

IMS total (kg/v/d)

22,5

IMS total (kg/v/d)

22,7

IMS Conc + SubP (kg/v/d)

9,7

IMS Conc + SubP (kg/v/d)

8,6

IMS de forragem (kg/v/d)

12,8

IMS de forragem (kg/v/d)

14,1

Receita do Leite (€/v/d)

11,56

Receita do Leite (€/v/d)

11,56

Custo Alimentar (€/v/d)

4,93

Custo Alimentar (€/v/d)

4,47

Custo Alimentar LCGP (€/l)

0,15

Custo Alimentar LCGP (€/l)

0,14

Margem do Leite (€/v/d)

6,63

Margem do Leite (€/v/d)

7,09

alimentação das duas dietas (46 cêntimos/vaca/dia), representa um aumento da margem bruta de 46 euros por dia o que se traduz num ganho de 16.790 euros por ano.

CONCLUSÃO A produção de silagens de erva

de boa qualidade pode ser um fator determinante na viabilidade das nossas explorações. Como se verificou neste exercício prático a utilização de uma silagem de boa qualidade permite aumentar consideravelmente os resultados económicos das explorações leiteiras.

Numa exploração de 100 vacas a diferença apresentada nos custos de alimentação das duas dietas (46 cêntimos/ vaca/dia), representa um aumento da margem bruta de 1.380 euros por mês.

ruminantes janeiro .fevereiro .março 2019

45


ECONOMIA

OBSERVATÓRIO MATÉRIAS-PRIMAS

POR: RUMINANTES

SUBIDA DE PREÇOS MARCOU OS ÚLTIMOS DOIS ANOS

N

dos últimos dois anos: o preço anual médio por tonelada, o preço máximo e mínimo de cada matéria prima. Nos dois últimos anos, os preços das principais matérias primas não tiveram uma variação idêntica, mas a tendência, à exceção do milho, foi de subida. Em 2017 e em 2018, o milho esteve bastante estável em todos os

esta primeira edição de 2019, reunimos os preços médios semanais das principais matérias primas, que temos vindo a publicar ao longo do ano no site (www.revista-ruminantes) e na revista Ruminantes. A informação inclui os preços médios semanais, por tonelada, das principais matérias primas, verificados ao longo

parâmetros apresentados. Já a cevada teve um aumento de 20€/ton no preço médio em 2018. No que às proteínas diz respeito, verificou-se um aumento significativo do preço médio por tonelada das diferentes matérias primas: 27€ no bagaço de soja 44, 18€ no bagaço de colza e 30€ no bagaço de girassol.

PREÇOS MÉDIOS SEMANAIS NO PORTO DE LISBOA 2017-2018 2018

190 190

2017

185 185 180 180

MILHO

175 175 170 170 165 165 160 160 155 155 150 150

jan jan

fev fev

mar mar

abr abr

mai mai

jun jun

jul jul

ago ago

set set

out out

220 220

nov nov

2018

190 190 180 180 170 170 160 160

310 310

46

290 290

270 270 250

fev fev

mar mar

abr abr

ruminantes janeiro .fevereiro .março 2019

mai mai

jun jun

jul jul

ago ago

set set

out out

nov nov

Preço médio

173

176

Preço máximo

183

188

Preço mínimo

165

165

CEVADA

2017

2018

Preço médio

165

185

Preço máximo

176

212

Preço mínimo

160

170

2017

200 200

jan jan

2018

dez dez

210 210

150 150

2017

dez dez


180 180 180 170 170 170 160 160 160 150 150 150

310 310 310 290 290 290 270 270 270 250 250 250 230 230 230 210 210 210 190 190 190 170 170 170 150 150 150

450 450 450 400 400 400 350 350 350 300 300 300 250 250 250 200 200 200

280 280 280 260 260 260 240 240 240 220 220 220 200 200 200 180 180 180 160 160 160 140 140 140 120 120 120 100 100 100

jan jan jan

fev fev fev

mar mar mar

abr abr abr

mai mai mai

jun jun jun

jul jul jul

ago ago ago

set set set

out out out

nov nov nov

2018

dez dez dez

Observatório matérias-primas

2017

BAG COLZA

jan jan jan

fev fev fev

mar mar mar

abr abr abr

mai mai mai

jun jun jun

jul jul jul

ago ago ago

set set set

out out out

nov nov nov

2018

jan jan jan

fev fev fev

mar mar mar

abr abr abr

mai mai mai

jun jun jun

jul jul jul

ago ago ago

set set set

out out out

nov nov nov

2018

jan jan jan

fev fev fev

mar mar mar

abr abr abr

mai mai mai

jun jun jun

jul jul jul

ago ago ago

set set set

out out out

nov nov nov

2017

2018

Preço médio

228

246

Preço máximo

300

300

Preço mínimo

160

190

2017

2018

Preço médio

318

345

Preço máximo

370

405

Preço mínimo

289

314

BAG GIRASSOL

2017

2018

Preço médio

180

210

Preço máximo

240

270

Preço mínimo

140

175

dez dez dez

2017

dez dez dez

BAG SOJA 44

2017

dez dez dez

NUTRIÇÃO E SAÚDE ANIMAL

A nossa experiência, a sua eficiência Inovação

Especialista em nutrição e saúde animal, a D.I.N – Desenvolvimento e Inovação Nutricional, S.A. disponibiliza aos seus clientes soluções nutricionais inovadoras cuja conceção se encontra suportada na constante evolução técnica em nutrição animal. A nossa equipa multidisciplinar garante a prestação permanente de serviços técnico – veterinários e laboratoriais indo de encontro às necessidades específicas de cada cliente.

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ruminantes janeiro .fevereiro .março 2019

47


ECONOMIA

OBSERVATÓRIO LEITE

POR: JOANA SILVA, FONTES: FEED NAVIGATOR, RABOBANK, THE DAIRY SITE, USDA

O

novo ano já nos deu as boas vindas, e com ele chega mais uma edição deste Observatório. Seguindo a tendência que arrancou em 2018, o crescimento da oferta mundial de leite tem vindo a abrandar, o que poderá propiciar um desejado encontro entre esta e uma procura que, por outro lado, se tem mantido estável no seu crescimento. Na Europa, as condições climatéricas desempenharam um importante papel neste abrandamento, com a seca que se fez sentir em países como a Alemanha e França a impactar negativamente a qualidade, preço e disponibilidade de matérias-primas como a silagem. Menos afetados foram o Reino Unido e a Polónia, com aumentos de produção de 0,6% e 2,6%, respetivamente, durante setembro e outubro, comparativamente ao mesmo período do ano anterior. Já a Holanda sofreu com a aplicação da legislação sobre os limites de fosfatos, obrigando ao abate de mais de trinta e oito mil animais produtores no segundo semestre de 2018, o que acarretou um decréscimo de produção de cerca de 5% no período supramencionado. Todos estes fatores apontam para que o início de 2019 seja bastante tímido no que toca a aumentos de produção e margens avantajadas. Por outro lado, os elevadíssimos stocks de leite em pó poderão deixar de constituir um problema ainda este ano. Em 2018 foram vendidas mais de trezentas mil toneladas, com um excedente de “apenas” cento e duas mil toneladas para o presente ano. O abrandamento da produção

48

ruminantes janeiro .fevereiro .março 2019

também se fez sentir do outro lado do Atlântico, com os Estados Unidos a registarem um crescimento anual da produção leiteira de apenas 1% em 2018, o mais baixo desde 2013. Produtos como o queijo e a proteína whey continuam sob pressão por parte das tarifas impostas pelo México e China, prevendo-se uma descida das margens ao nível da exploração. Tendo procurado novos parceiros comerciais, as exportações americanas para as Filipinas e a Indonésia cresceram 47% face ao ano anterior. A aposta dos EUA nas exportações deverá manter-se em 2019, já que a sua, por vezes volátil, procura interna não inspira grande confiança. Na Austrália, a produção continuará ensombrada pela seca que se fez sentir durante 2018, e são muitos os produtores com dificuldades em rentabilizar o negócio face aos altos custos de produção e margens de lucro bem apertadas. Uma das consequências tem sido o aumento da taxa de refugo, a qual subiu 15% entre julho e setembro de 2018, face ao mesmo período do ano anterior. Visivelmente abalado, o setor enfrenta o novo ano com um sentimento agridoce: se por um lado se prevê a tão desejada chuva em algumas regiões, outras ver-se-ão a braços com os meses secos que se avizinham. De forma expectável, as previsões para a época 2018/19 apontam para uma descida de 4% na produção nacional. No entanto, a nível global, algumas regiões contrariam esta tendência. Na América do Sul, o Brasil, a Argentina e o Uruguai acabaram 2018 a crescer em

termos de produção leiteira, em grande parte devido aos preços amigáveis das matérias-primas. No Brasil, as projeções para 2019 apontam para um aumento da procura em paralelo com um crescimento moderado da oferta, sustentado por preços atrativos e menores custos de produção. Impulsionada por condições climatéricas favoráveis e pastos férteis, a Nova Zelândia acabou o ano em força, com um valor recorde de 3 milhões de toneladas de leite em outubro, prevendo-se um aumento tanto da produção nacional como das exportações no primeiro semestre de 2019. Os últimos seis meses do ano deverão ser de perda comparativamente a 2018, já que dificilmente se irão repetir as condições climatéricas que surtiram tamanho efeito benéfico. A China acabou o ano a crescer em produção, mais concretamente 2% face ao ano anterior. As previsões para 2019 apontam para um aumento das importações, o que poderão ser boas notícias para outras potências mundiais. No entanto, o cenário de crescimento económico e as tensões sentidas entre produtores e processadores dificultam a análise daquilo que poderá ser o balanço entre oferta e procura. Outras variáveis em jogo são o preço crescente dos custos com a alimentação e a relação comercial tensa com os EUA. Devido a estas incertezas as previsões atuais são em tudo conservadoras, com baixas expectativas em termos de aumento da produção nacional e uma procura que se deverá manter


Observatório Leite

inalterada, resultando num aumento da necessidade de importações para os 11%, valor que contrasta com os 3 a 4% apontados anteriormente. Em suma, 2019 chega como um ano pouco propício à expansão da produção

leiteira. A redução dos efetivos em vários países e os primeiros passos da Europa pós-quotas e impactos ambientais poderão surtir efeitos bastante diversos. Acresce ainda a incerteza do Brexit, quer para o Reino Unido quer

PREÇO DO LEITE STANDARDIZADO (1)

LEITE À PRODUÇÃO, PREÇOS MÉDIOS MENSAIS EM 2017/2018

COMPANHIA

PREÇO DO LEITE (€/100 KG) OUTUBRO 2018

MÉDIA DOS ULTIMOS 12 MESES (5)

ALEMANHA

Alois Müller

33,95

32,96

DINAMARCA

Arla Foods

35,19

33,62

Danone

34,10

34,97

Lactalis (Pays de la Loire)

35,57

33,82

Sodiaal

33,51

34,77

Dairy Crest (Davidstow)

35,97

32,82

Glanbia

32,21

32,51

Kerry

33,43

33,37

Granarolo (North)

3,87

39,02

DOC Cheese

PAÍSES

FRANÇA INGLATERRA IRLANDA ITÁLIA HOLANDA

PREÇO MÉDIO LEITE

N. ZELÂNDIA EUA (4)

Friesland Campina (2)

37,39

36,19

34,82

34,33

Fonterra (3)

27,87

29,58

EUA

34,20

32,01

FONTE: LTO Preços sem IVA pagos ao produtor; Preço do leite de diferentes empresas leiteiras para 4,2% de MG, 3,4% de teor proteico e CCS de 249-999/ml . (2) Média aritmética . (3) Baseado na previsão mais recente . (4) Reportado pela USDA . (5) Inclui o pagamento suplementar mais recente (1)

para os seus parceiros comerciais. Assistimos hoje a tensões entre algumas das maiores potências comerciais, que trarão decerto consequências para o setor leiteiro. Resta saber quem sairá a ganhar. E a perder.

MESES

EUR/KG Contin.

OUTUBRO 2017

2018

Açores

TEOR MÉDIO DE MATÉRIA GORDA (%) Contin.

TEOR PROTEICO (%)

Açores

Contin.

Açores

0,0,323

0,294

3,87

3,78

3,33

3,21

NOVEMBRO

0,330

0,298

3,91

3,85

3,35

3,27

DEZEMBRO

0,330

0,307

3,95

3,77

3,35

3,22

JANEIRO

0,318

0,298

3,87

3,73

3,31

3,20

FEVEREIRO

0,318

0,298

3,84

3,71

3,31

3,22

MARÇO

0,305

0,295

3,79

3,70

3,29

3,22

ABRIL

0,318

0,294

3,76

3,66

3,27

3,23

MAIO

0,310

0,291

3,69

3,59

3,23

3,21

JUNHO

0,309

0,290

3,69

3,60

3,19

3,14

JULHO

0,306

0,290

3,63

3,63

3,17

3,12

AGOSTO

0,301

0,292

3,64

3,65

3,17

3,12

SETEMBRO

0,303

0,295

3,68

3,68

3,22

3,16

OUTUBRO

0,315

0,300

3,78

3,79

3,29

3,25

FONTE: SIMA Gabinete de Planeamento e Políticas

ruminantes janeiro .fevereiro .março 2019

49


ECONOMIA

ÍNDICE VL E ÍNDICE VL – ERVA

“MANTÉM-SE A INSTABILIDADE NA PRODUÇÃO DE LEITE” ANTÓNIO MOITINHO RODRIGUES, DOCENTE/INVESTIGADOR, ESCOLA SUPERIOR AGRÁRIA DO INSTITUTO POLITÉCNICO DE CASTELO BRANCO CARLOS VOUZELA, DOCENTE/INVESTIGADOR, DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS DA UNIVERSIDADE DOS AÇORES/IITAA NUNO MARQUES, REVISTA RUMINANTES

A

nalisamos neste número da Ruminantes os Índices VL e VL - ERVA para o período de agosto a outubro de 2018. Durante o trimestre em análise, o preço médio do leite pago aos produtores individuais do continente variou entre 0,301 €/kg em agosto e 0,315 €/kg em outubro. Na Região Autónoma dos Açores o preço médio do leite pago aos produtores individuais variou entre 0,292 €/kg em agosto e 0,300 €/kg em outubro (SIMA-GPP, 2018). Quando comparado com o preço médio pago por kg de leite aos produtores da UE28 em agosto, setembro e outubro (0,348 €/kg), o preço médio do leite pago aos produtores portugueses no mesmo período foi muito inferior (0,303 €/kg). Esta grande diferença de 4,5 cêntimos/kg de leite seria funda-

mental para o sucesso económico de qualquer exploração em Portugal. A situação é de tal forma grave que, no mês de outubro de 2018, Portugal integrou o grupo dos 6 países da UE28 com valores mais baixos para o leite pago ao produtor. Considera-se que esta situação que tem vindo a acontecer há vários meses é inaceitável. Relativamente ao trimestre anterior, com exceção da cevada, o preço médio das matérias-primas que entraram na formulação dos alimentos compostos utilizados neste trabalho sofreram uma diminuição. Destacam-se o bagaço de soja (-10,7%) e o bagaço de colza (-15,5%). No continente, a redução do preço das matérias-primas e da palha relativamente ao trimestre anterior provocou uma diminuição no custo da alimentação da vaca leiteira tipo

EVOLUÇÃO DO ÍNDICE VL DE JULHO DE 2012 A OUTUBRO DE 2018

(-4,8%). Na Região Autónoma dos Açores, o preço do alimento composto também diminuiu (-4,6%). No entanto, como a partir de setembro o regime alimentar da vaca tipo inclui menor consumo de pastagem e maior consumo de alimento composto e de alimentos conservados, verificou-se um aumento de 5,4% no custo total do regime alimentar em comparação com o trimestre anterior. Este aumento, também, foi influenciado pelo aumento de preço das silagens de erva e de milho, como consequência das condições climatéricas desfavoráveis à produção de pastagem que ocorreram na Região Autónoma dos Açores (primavera/verão de 2018). A evolução do preço do leite e dos custos da alimentação refletiu-se no Índice VL e no Índice VL - ERVA que em

Valor do Índice VL

Limiar de rentabilidade

Negócio saudável

Forte ameaça para a rentabilidade da exploração

2,0

1,5

1,0

Julho 2012

Outubro 2018

O ÍNDICE VL É INFLUENCIADO PELA VARIAÇÃO MENSAL DO PREÇO DO LEITE PAGO AO PRODUTOR NO CONTINENTE E PELAS VARIAÇÕES MENSAIS DOS PREÇOS DOS ALIMENTOS QUE CONSTITUEM O REGIME ALIMENTAR DA VACA LEITEIRA TIPO (CONCENTRADO 9,5 KG/ DIA; SILAGEM DE MILHO 33 KG/ DIA; PALHA DE CEVADA 2 KG/DIA). 2 1.9

50

ruminantes janeiro .fevereiro .março 2019 1.8

1.7 1.6


1.3 1.2

Índice VL

1.1 1

EVOLUÇÃO DO ÍNDICE VL - ERVA DE JULHO DE 2013 A OUTUBRO DE 2018 O ÍNDICE VL – ERVA É INFLUENCIADO PELA VARIAÇÃO MENSAL DO PREÇO DO LEITE PAGO AO PRODUTOR NA REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES E PELAS VARIAÇÕES MENSAIS DOS PREÇOS DOS ALIMENTOS QUE CONSTITUEM O REGIME ALIMENTAR DA VACA LEITEIRA TIPO (PRIMAVERA/ VERÃO 60 KG/DIA DE PASTAGEM VERDE, 10 KG/DIA DE SILAGEM DE ERVA E DE MILHO, 5,6 KG/DIA DE CONCENTRADO; OUTONO/INVERNO 47 KG/DIA DE PASTAGEM VERDE, 13,3 KG/DIA DE SILAGEM DE ERVA E DE MILHO, 6,7 KG/DIA DE CONCENTRADO).

outubro de 2018 foi, respetivamente, de 1,767 e de 1,792. De referir que em outubro de 2017 o Índice VL havia sido de 1,817 e o Índice VL - ERVA de 1,814. Um índice inferior a 1,5 (valor muito baixo) indica forte ameaça para a rentabilidade da exploração leiteira; um índice entre 1,5 e 2,0 (valor moderado) indica que a produção de leite é um negócio economicamente viável; um índice maior do que 2,0 (valor elevado) indica que estamos perante uma situação muito favorável para o sucesso económico da exploração (Schröer-Merker et al., 2012). Durante o trimestre em análise, o Índice VL atingiu o valor mínimo de 1,651 em agosto e o Índice VL-ERVA o valor mínimo 1,792 em outubro. Pode-se concluir que os produtores de leite do continente e dos Açores se encontram numa situação muito pouco favorável com o rendimento da sua atividade empresarial baixo e muito instável (comportamento yoyo). De realçar que o Índice VL-ERVA reflete mais a realidade da produção de leite da ilha de S. Miguel, que produz cerca de 60% do total de leite dos Açores, o que significa que noutras ilhas do Arquipélago a conjuntura será bastante mais desfavorável.

Valor do Índice VL

Limiar de rentabilidade

Negócio saudável

Forte ameaça para a rentabilidade da exploração

3,0

2,0

1,5

1,0

Julho 2013

NOTAS O preço do leite pago aos produtores do continente, em outubro de 2018, foi menor em 0,8 cênti2.7 mos/kg do que em outubro de 2017;2.6 pelo contrário o valor pago 2.5 aos produtores dos Açores foi maior 2.4em 0,6 cêntimos/kg; Durante 2.3 o trimestre em análise houve uma redução no preço das 2.2 principais matérias-primas que 2.1 entram na formulação dos ali2 mentos compostos. Esta evolução 1.9 contribuiu para reduzir o preço do alimento composto e do regime al1.8 imentar 1.7 formulado para o cálculo do Índice VL; 1.6 Embora nos Açores o preço do 1.5 alimento composto também tenha 1.4 diminuído, como a partir de setembro 1.3 a vaca leiteira tipo passou a ingerir 1.2 menor quantidade de pastagem e as condições cli1.1 matéricas foram pouco favoráveis 1 à produção de silagens de erva e de milho, os custos com a alimentação aumentaram, fazendo com que os empresários agrícolas fossem obrigados a socorrer-se de maior quantidade de concentrados e de reservas forrageiras; As considerações anteriores refletiram-se no Índice VL e no Índice VL - ERVA que em outubro de 2018 foi, respetivamente, de 1,767 e 1,792.

Outubro 2018

ANO

2017

MÊS

ÍNDICE VL

ÍNDICE VL - ERVA

Out

1,817

1,814

Nov

1,825

1,829

Dez

1,785

1,859

Jan

1,765

1,828

Fev

1,695

1,767

Mar

1,606

1,736

Abr

1,659

2,040

Mai

1,610

2,014

Jun

1,637

2,038

Jul

1,648

2,062

Ago

1,651

2,045

Set

1,692

2,104

Out

1,767

1,792

2018

EVOLUÇÃO DO ÍNDICE VL E ÍNDICE VL – ERVA DE OUTUBRO DE 2017 A OUTUBRO DE 2018. OS VALORES SÃO INFLUENCIADOS PELA VARIAÇÃO MENSAL DO PREÇO DO LEITE PAGO AO PRODUTOR INDIVIDUAL DO CONTINENTE (ÍNDICE VL) E DA REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES (ÍNDICE VL - ERVA) E PELAS VARIAÇÕES MENSAIS DOS PREÇOS DE 5 MATÉRIAS-PRIMAS UTILIZADAS NA FORMULAÇÃO DO CONCENTRADO E PELO PREÇO DOS OUTROS ALIMENTOS QUE INTEGRAM O REGIME ALIMENTAR DA VACA LEITEIRA TIPO.

BIBLIOGRAFIA MMO (2018). European milk market observatory – EU historical prices. https://ec.europa.eu/agriculture/market-observatory/milk acesso em 28-12-2018. Schröer-Merker, E; Wesseling, K; Nasrollahzadeh, M (2012). Monitoring milk:feed price ratio 1996-2011. In: Chapter 2 – Global monitoring dairy economic indicators 1996-2011, IFCN Dairy Report 2012, Torsten Hemme editor, p 52-53. Published by IFCN Dairy Research Center, Schauenburgerstrate, Germany. SIMA-GPP (2017). Leite à produção - Preços Médios Mensais. Sistema de Informação de Mercados Agrícolas, Gabinete de Planeamento e Políticas. http://sima.gpp.pt:8080/sima/default/lacteos?la=1&ini=2018 acesso em 28-12-2018.

ruminantes janeiro .fevereiro .março 2019

51


ALIMENTAÇÃO

MANEIO ALIMENTAR DE BORREGOS JUNTO DAS MÃES

N TEXTO LUÍS RAPOSO, ENGENHEIRO ZOOTÉCNICO, DEPARTAMENTO RUMINANTES NA REAGRO L.RAPOSO@REAGRO.PT

52

este artigo proponho-me a apresentar algumas noções técnicas importantes na melhoraria da eficiência produtiva em ovinos. Numa abordagem mais direcionada para a componente nutricional, e num momento cujo preço pago ao produtor tem evoluído de uma forma aparentemente mais favorável, é oportuno focar o tema da alimentação e maneio de borregos junto das mães. A satisfação das necessidades nutritivas do borrego pressupõe a diferenciação das seguintes fases: aleitamento, crescimen-

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to e, nalguns casos, um período de acabamento. No entanto, também é verdade que tudo começa com a suplementação das ovelhas ainda em torno do parto. As semanas que precedem o parto são determinantes para o desempenho futuro dos borregos. Afetarão o seu peso à nascença, o seu vigor, a qualidade do colostro e a capacidade que a ovelha terá para o alimentar (em função da condição corporal, da capacidade de ingestão, etc.). Nos primeiros dias de aleitamento é importante considerar o rápido decréscimo da capa-

cidade de secreção de colostro por parte da ovelha, assim como da absorção de anticorpos pelo borrego, que acontece ao final das primeiras 36 horas após o parto. É o colostro da primeira toma após o parto que garante a transferência de imunidade da ovelha para o borrego. Por este motivo, é fundamental controlar a quantidade e a qualidade do colostro ingerido no primeiro dia. Além disso, o aporte de matéria gorda altamente digestível é fundamental para ajudar os borregos a garantir a manutenção da sua temperatura corporal. Nas primeiras semanas de


Maneio alimentar de borregos junto das mães

vida, devido à sua fisiologia digestiva, o leite é a sua primeira e fundamental fonte proteica e energética. Para que a produção leiteira da ovelha não seja um fator limitante para o crescimento do borrego, a suplementação com alimentos próprios e especialmente formulados às suas necessidades poderá possibilitar a obtenção de melhores resultados. Em paralelo com a fase aleitante, os borregos poderão consumir um total de 3 a 4 kg de alimento iniciador (18% MAT e 0,94 UFV) durante o primeiro mês de vida. A distribuição deste alimento sólido (starter), rico no teor proteico, irá estimular não só o aumento do volume do rúmen como também o início do funcionamento das suas enzimas e bactérias amilolíticas. Por sua vez, a ativação precoce do sistema enzimático promove um melhoramento da digestão, um maior volume ruminal e um aumento da capacidade de ingestão. O desenvolvimento do rúmen será tanto mais rápido quanto maior for o consumo de concentrado e forragem, e o interesse do seu desenvolvimento precoce é favorecer maiores crescimentos até à fase de desmame. O estímulo na ingestão do starter poderá ser conseguido através da escolha de matérias-primas e aromas de elevada palatabilidade e apetência. A escolha dessas matérias-primas pode também ser preponderante para limitar riscos metabólicos, diarreias e outros problemas que podem influenciar de forma negativa o contínuo crescimento e bom desenvolvimento dos borregos. A introdução precoce do alimento starter na dieta do borrego tem também o propósito de reduzir o stress e algumas das suas consequências na fase de desmame, garantindo o crescimento contínuo do borrego e ainda uma fonte complementar de oligoelementos e vitaminas. Particularmente na fase de crescimento, quando o borrego ainda não é um ruminante,

não há a possibilidade de síntese de vitaminas do grupo B, C e K. Já síntese de vitamina A é possível através da ingestão de forragem verde, mas nem sempre é suficiente numa fase de aleitamento, nem compensa as necessidades do rápido crescimento dos borregos, ficando ainda mais agravada em períodos de seca prolongada. Em virtude de possíveis carências expectáveis ao longo do crescimento dos borregos, devem ser consideradas a suplementação conjunta de vit.E e selénio, de cálcio, fósforo e magnésio, de cobalto e vit. B12, de sódio e potássio. Simultaneamente, com o objetivo de suportar a produção de leite por parte das ovelhas lactantes durante as primeiras 6 a 8 semanas após o parto, é importante garantir a sua boa condição corporal. Para esse efeito, as ovelhas poderão ser suplementadas também com recurso a alimentos complementares adequados: 18% MAT e 0,92-0,95 UFL poderão ser bons elementos de referência, dependendo da qualidade da forragem e do número de borregos por ovelha. Por forma a favorecer o bom funcionamento do rúmen, é importante que o perfil proteico seja “suficientemente” degradável.

CRESCIMENTO E ENGORDA DOS BORREGOS As fases de crescimento e engorda dos borregos requerem o uso de programas alimentares adaptados aos objetivos. Quando falamos da recria de futuros reprodutores/as pressupõe diferenças em relação ao crescimento e engorda de borregos para consumo. Em todos os casos, a mudança alimentar deve ser acompanhada por uma transição gradual, uma vez que os borregos não tolerarem mudanças abruptas de alimentos. Além disso, na transição da fase lactante para ruminante, um consumo exagerado de alimentos fibrosos contribuirá para um desenvolvimento exagerado do seu tubo digestivo, que

A engorda intensiva de borregos e o uso de quantidades significativas de amido pode levar a distúrbios metabólicos, pelo que é importante garantir a segurança da dieta sem penalizar a eficiência alimentar dos animais. por sua vez representará um decréscimo do rendimento de carcaça. Durante o seu crescimento, o animal deposita sucessivamente vários tecidos: durante o primeiro mês de vida o borrego desenvolve principalmente o seu esqueleto, seguido pelo desenvolvimento muscular e por último o tecido adiposo é finalmente depositado. Enquanto a fase inicial do crescimento requer níveis mais elevados de proteína e energia, na posterior fase de engorda há que ter em conta que a diminuição dos níveis energéticos ajuda a evitar a deposição exagerada de gordura na carcaça. Sendo certo que a produção de leite por parte da ovelha lactante decresce no decorrer do segundo mês de lactação, os borregos deverão consumir e aumentar gradualmente a ingestão do alimento concentrado desenhado para a fase de crescimento. O teor proteico deverá atingir entre 16 e 17% (dependendo da genética) e o teor energético deverá ser sustentado de forma a permitir um ritmo de crescimento desejável, mas evitando demasiada deposição de gordura. O teor de celulose ajudará a garantir o trânsito para uma melhor eficiência alimentar. A engorda intensiva de borregos e o uso de quantidades

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IN

ALIMENTAÇÃO

A partir dos 10 dias Consumo do 1º alimento sólido (Starter)

EFEITO DO RACIONAMENTO DO ALIMENTO, EM PERÍODO DE ACABAMENTO, NA COLORAÇÃO DA GORDURA

ÃO AÇ I IC

100%

CRESCIMENTO Desde os 30 aos 70 dias Desenvolvimento muscular

Após os 70 dias Deposição de gordura

6%

15%

90% 80%

O

70% T N E M BA ACA

significativas de amido pode levar a distúrbios metabólicos, pelo que é importante garantir a segurança da dieta sem penalizar a eficiência alimentar dos animais. Neste contexto, a aposta em soluções inovadoras permitirá uma melhor valorização da energia da ração.

O ACABAMENTO: RACIONADO OU À VONTADE? Em alguns casos, dependendo dos objetivos, modo de produção ou genética, poder-se-á utilizar um alimento especificamente vocacionado para a fase de acabamento. No entanto, não sendo esta prática aplicável em qualquer exploração, permite que o borrego deposite uma fina e firme camada de gordura desejável e melhore a categoria da carcaça (características da gordura e sua coloração). A coloração da gordura, por exemplo, está relacionada com diferentes fatores como sexo, idade ou raça, mas a alimentação, ou mais propriamente, a estratégia adotada na fase final da engorda de acabamento, também intervém de algum modo (figura1). No acabamento, a distribuição de alimento pode ser racionada para evitar qualquer penalização devido à excessiva engorda dos borregos. Os animais iniciam a fase de acabamento quando o

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ALIMENTO RACIONADO Carcaças conformes

peso médio atinge 80% do peso de abate e durante esta fase os machos serão limitados a cerca de 800-900 g/dia de concentrado. As fêmeas não consumirão mais do que 600-700 g/dia. Quer o alimento seja racionado ou não, é importante avaliar o crescimento dos borregos todas as semanas. As diferenças de peso ou gordura são fortemente penalizantes e podem comprometer a eficiência económica da exploração.

ALIMENTOS COMPLEMENTARES E MATÉRIAS-PRIMAS DE INTERESSE Alimentos complementares permitem construir um alimento completo através da sua mistura com um ou mais cereais disponíveis ao agricultor (por exemplo a cevada). As concentrações são ajustadas (energia, proteína, fibra, minerais e vitaminas) de acordo com a taxa de incorporação desses alimentos complementares na mistura final (desde 30 a 70%). Cevada: é um cereal por excelência para ovinos e a sua incorporação na ração permite uma relação C2/C3 melhor que a do trigo. Essa modificação do perfil de fermentação ruminal possibilita o aumento da firmeza da gordura nas carcaças, que por sua vez será mais

ALIMENTO À VONTADE Carcaças não conformes

firme com cevada inteira do que em comparação com a cevada moída. Polpa de beterraba: interessante na qualidade da carcaça. A sua incorporação permite reduzir alguns defeitos da carcaça nos critérios de resistência da gordura e da sua coloração. Matérias-primas como fonte de fibra: sêmea, luzerna, cascas de proteaginosas, entre outras.

O RISCO DE UROLITÍASE Dietas ricas em cereais aumentam o risco de aparecimento de urolitíase, onde o desequilíbrio nutricional de cálcio e fósforo poderá conduzir à formação de cálculos renais. Os machos são particularmente sensíveis, porque estes cristais ficam bloqueados no processo uretral do penis e não conseguem ser eliminados. O animal fica então incapaz de urinar, reduz sua atividade e a morte pode ocorrer dentro de 24 a 48 horas. Para combater esta patologia é necessário ter em conta os níveis de fósforo e cálcio da dieta, de modo a não exceder uma relação ideal. Poder-se-á também recorrer à utilização de aditivos formulados para reduzir a formação destes cálculos, através da promoção de acidificação da urina (BACA negativo) e aumentando o volume de urina através da estimulação da ingestão de água.


ATUALIDADES

IV CONCURSO NACIONAL DE FORRAGENS

EM PORTUGAL HÁ PRODUTORES DE EXCELÊNCIA, MAS... TEXTO SOFIA MENESES, JORNALISTA

Há sempre um “mas”. A 4ª edição do Concurso Nacional de Forragens (CNF), promovido pela Ruminantes, demonstrou, uma vez mais, que, em Portugal, há quem faça silagens próximas da excelência - como é o caso dos três vencedores do concurso -, mas o valor nutritivo ainda é maioritariamente baixo. Verifica-se uma “ligeira tendência” para melhorar, mas há amostras com pouca proteína e alto teor em cinzas. O debate que precedeu a entrega de prémios foi um campo fértil de conhecimentos, mas a sala tinha muitos lugares vazios. É necessário investir nas boas práticas, para fornecer aos animais uma alimentação saudável, da qual resulte uma melhoria geral do setor e menos custos de produção. Sem mas nem meio mas…

O

CNF/2018 efetuou-se de forma diferente das edições anteriores: em vez de se limitar a analisar as amostras concorrentes, analisou todas as amostras de Silagem de Erva (SE) que entraram, entre 1 de

Ana Lage

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janeiro e 30 de junho, no laboratório da ALIP – Associação Interprofissional de Leite e Lacticínios, bem como, todas as amostras de silagem de luzerna enviadas entre 1 abril e 31 de julho, para o mesmo laboratório. No que

César Novais

respeita à luzerna, o júri decidiu não premiar ninguém, pois as amostras, “além de poucas, não apresentavam qualidade suficiente”, explicou Ana Lage, da ALIP. O anúncio dos vencedores e a entrega


CNF 2018

de prémios de SE decorreu, no dia 7 de novembro, no Campus de Vairão, Vila do Conde, numa sessão que, à semelhança das edições anteriores, teve o propósito de debater, esclarecer, trocar ideias e experiências, de forma a contribuir para a melhoria das silagens, num setor económico cada vez mais exigente e complexo. “O que queremos é qualidade, mais do que quantidade”, frisou Nuno Marques, diretor da Ruminantes, a quem coube dar as boas-vindas e agradecer a todos, em especial ao júri, à ALIP e aos patrocinadores do CNF/2018. Do total de 672 amostras de SE analisadas pela ALIP, 216 foram excluídas, por não terem matéria seca dentro do intervalo do regulamento. As amostras foram analisadas detalhadamente, através do método NIRS (Near-Infrared Reflectance Spectroscopy), método automático que permite resultados em 24 horas, “a custos reduzidos”, segundo informação da ALIP. Ana Lage apresentou o estudo dos resultados das amostras, e deu a conhecer dados comparativos entre os anos 2014 e 2018, interpretando esses resultados. O rigor da análise laboratorial facilitou o trabalho do júri do concurso, constituído por José Caiado (Dairy Consulting), Ana Lage (ALIP), Rita Cabrita (Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar) e António Moitinho Rodrigues (Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Castelo Branco). Desta feita, o primeiro prémio (750 euros - patrocínio da Lallemand) foi para Luís Viveiros, de S. Miguel, Açores, cumprindo-se, pois, pelo segundo ano consecutivo, a “profecia” feita por Paulo Aranha (Grupo Finançor), em 2015, no 1º CNF. “Se houver novamente um concurso na categoria de silagem de erva, os primeiros lugares serão para os Açores”, disse na altura. Recorde-se que já no ano passado, a melhor amostra era proveniente da ilha de S. Miguel.

Luís Viveiros, que tem vindo a concorrer desde a 1ª edição, disse à Ruminantes que nos anos anteriores concorreu de forma individual e não se sentiu tão seguro como desta vez. “Este ano concorri através de uma empresa local, o que me proporcionou um maior controlo prévio das amostras e um trabalho mais minucioso antes de avançar para o concurso. Nota-se a diferença”, comentou. “Sem este acompanhamento, não conseguiria concorrer com tanta segurança e confiança nas amostras apresentadas”. O segundo prémio (500 euros – patrocínio da Lusosem) foi entregue a Diamantino de Jesus Lagoa, produtor do concelho de Palmela, e o terceiro prémio (350 euros – patrocínio Kuhn) foi para a Agro Pecuária Morvifer Agro Pecuária, Lda, de Hette de Vries. José Caiado, da Dairy Consulting, um dos impulsionadores do CNF, elogiou a qualidade das silagens vencedoras, todas elas bem conservadas, com um nível energético alto, boa proteína e uma percentagem de matéria seca (MS) bastante satisfatória. Sobretudo a destacar a primeira e segunda classificadas, respetivamente com 32% e 36% de MS; a terceira apresentava 26,9% de MS. Todas elas capazes de permitir uma boa digestibilidade e de, consequentemente, tornar mais felizes e produtivos os animais que beneficiam deste alimento. José Caiado aplaudiu também o trabalho da ALIP, por este laboratório

“facultar tanta informação importante e útil a toda a fileira”. “Não conheço em Portugal quem nos dê dados laboratoriais independentes com tanta consistência como a ALIP”, realçou.

“GRANDE MARGEM PARA PROGRESSÃO” As informações reveladas por Ana Lage, sobre as amostras de SE de 2014 a 2018, permitiram perceber que, embora em alguns parâmetros, os valores médios sejam bastante bons, existe uma grande (e até preocupante) variação entre os valores mínimos e máximos. Há, por exemplo, amostras com alto teor em cinza e pouca proteína, ou seja, de qualidade manifestamente insuficiente. A matéria seca não variou muito de ano para ano. Houve uma melhoria na fibra detergente neutro (NDF), que desceu de 60% (2014) para 52,7% (2018), o que representa uma melhoria nutricional. Porém, “o valor nutritivo ainda é baixo”, considerou Ana Lage. “Há que insistir na adoção de boas práticas de ensilagem” e que “rentabilizar este recurso”, de forma a “reduzir os custos com a alimentação animal”, defendeu. Sublinhando que há “uma grande margem para progressão”, Ana Lage terminou com uma mensagem otimista: “Estamos a assistir a uma ligeira tendência para melhorar a produção de silagem de erva”.

O anúncio dos vencedores e a entrega de prémios de SE decorreu, no dia 7 de novembro, no Campus de Vairão, Vila do Conde, numa sessão que, à semelhança das edições anteriores, teve o propósito de debater, esclarecer, trocar ideias e experiências, de forma a contribuir para a melhoria das silagens, num setor económico cada vez mais exigente e complexo.

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ATUALIDADES

1º PAINEL

1º Painel

“COMO MELHORAR A DIGESTIBILIDADE DA ERVA”

ADOÇÃO DE BOAS PRÁTICAS EVITA “TRABALHAR PARA AQUECER”

“Como melhorar a digestibilidade da erva” foi o tema do 1º painel, durante o qual José Caiado desafiou Luís Viveiros (vencedor do 4º CNF), Ana Gomes (nutricionista da Cooperativa Agrícola de Vila do Conde) e Manuel Laureano (diretor comercial da Lusosem) a responderem às suas perguntas, de forma a proporcionar um maior conhecimento e sensibilização sobre o assunto. As respostas nem sempre colheram a concordância de todos os presentes na sala, o que deu origem a um debate vivo e enriquecedor, em que cada um pôde falar da sua experiência e aprender com a dos outros. Num ponto todos concordaram: investir na silagem é poupar dinheiro. Não há, porém, receitas únicas e infalíveis. Tudo terá que passar pelo bom conhecimento do terreno, por escolhas adequadas, por um grande cuidado em cada passo do processo de ensilagem e, também, já agora, por um pouco de sorte, para que o clima não provoque estragos depois de um trabalho bem feito…

ACOMPANHAMENTO TÉCNICO DEFICITÁRIO Luís Viveiros explicou algumas das práticas por si usadas na produção da silagem com sementes de azevém. “A qualidade do azevém pode influenciar, mas a boa silagem resulta mais do trabalho no seu conjunto do que da qualidade da semente”. Este ano, o produtor fez dois cortes (antes

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ruminantes janeiro .fevereiro .março 2019

2º Painel

fazia quatro, sem o mesmo sucesso). A amostra enviada a concurso, segundo disse, foi do 2º corte, efetuado entre as 11 e as 13 horas. O corte foi alto, entre 20 e 25 cm. Luís Viveiros explicou que esta opção teve em conta “as características dos terrenos que não são direitos, têm declives, o que propicia a entrada de terra na silagem, se o corte for mais baixo.” Assumidamente provocador, Luís Viveiros criticou os prestadores de serviço: “são do pior que há, salvo

honrosas exceções”. Na sua opinião, “o acompanhamento técnico no terreno é zero. Devia haver acompanhamento. Tudo deve ser bem feito do princípio ao fim, senão, estamos a trabalhar para aquecer.” José Caiado pôs o dedo na ferida: “Se há aconselhamento e acompanhamento por parte dos nutricionistas, para a parte animal, também deveria existir para a parte vegetal, não é assim?” Ana Gomes concordou, mas fez notar que “há


CNF 2018

coisas que não dependem só dos técnicos nutricionistas”, até porque “o estado dos animais vê-se todos os dias, enquanto que o das forragens, só quando se fazem analises, é que se vê o resultado.”

“NUNCA É DEMAIS FALAR DE FORRAGENS” Luís Queiroz (Lallemand), orador no 2º painel, não resistiu a comentar este assunto, mal chegou a sua vez de falar: “Os nutricionistas deixarão de ‘levar na cabeça’ quando houver forragens de excelência. Mas eles não vão a um silo, não sabem o que é uma silagem de milho ou de erva. A maior parte dos nutricionistas só pega na silagem quando esta vai para análise. Não se juntam com o agrónomo para refletir sobre como melhorar

a silagem. É claro que o produtor também tem que ter disponibilidade para ouvir e conversar. Nunca é demais falar de forragens!” A propósito, contou que teve um professor que dizia que “se não conseguirmos produzir uma silagem, não conseguimos produzir nada.” Luís Queiroz não tem dúvidas: “Em Portugal fazem-se as melhores silagens de milho do mundo inteiro”. Mas “quanto à silagem de erva…, estamos formatados para fazer a de azevém”.

CORTE SEM ENTRADA DE TERRA Respondendo a uma pergunta de José Caiado, sobre a digestibilidade da SE, que ainda está abaixo dos valores ideais, Ana Gomes considerou que os melhores resultados se obtêm,

Num ponto todos concordaram: investir na silagem é poupar dinheiro. Não há, porém, receitas únicas e infalíveis. geralmente, no 1º corte, feito entre fevereiro e abril, e defendeu cortes nem demasiado altos, para não prejudicar a compactação do silo, nem demasiado baixos, para impedir a entrada de terra na forragem, diminuindo a energia e aumentando o risco de contaminação por clostrídios.

TEORES MÉDIOS, MÍNIMOS E MÁXIMOS PARA OS DIVERSOS PARÂMETROS DA SILAGEM DE ERVA NOS ANOS DE 2014 A 2018 ANO

MS

Cinzas

PB

% 2014

PS

N-NH3 %N

12,7

4,3

5,33

42,2

43,3

28,3

3,05

36,9

9,6

10,70

60,4

60,0

41,0

3,96

Máximo

87,9

27,6

23,76

82,0

75,1

51,8

5,36

300

Mínimo

12,8

3,8

5,32

42,3

36,9

23,7

3,15

Média Máximo

34,5

9,9

11,72

61,9

56,7

37,5

4,06

88,3

24,3

24,04

84,2

77,5

51,6

5,78

525

Mínimo

8,3

2,9

3,32

38,4

24,7

19,8

3,13

10,0

<2

Média

38,1

10,3

11,57

61,2

56,3

36,1

4,18

53,8

8,0

Máximo

93,2

44,8

27,83

85,0

83,8

52,2

5,93

89,2

1039

Mínimo

12,4

3,2

3,45

Média

36,9

10,5

Máximo

88,5

39,9

Mínimo

31,2

Média Máximo N

18,4 541

36,1

28,0

18,5

2,90

14,5

12,65

64,9

51,8

35,0

4,19

55,4

7,3

27,75

87,78

74,7

49,0

6,82

89,4

43,1

3,8

3,99

40,7

<2

28,0

18,4

3,04

9,2

<2

35,8

10,0

11,76

62,9

52,7

35,6

4,21

55,0

8,2

81,2

40,8

27,29

85,8

77,1

48,4

5,82

89,8

28,3

1320

N 2018 *

PH

Mínimo

N 2017

ADF

Média

N 2016

NDF

%MS

N 2015

DMO

1008

FONTE: ALIP

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ATUALIDADES

"O feno de luzerna é mais uma fonte de fibra do que de proteína”, pois, “embora com alto teor de proteína bruta, tem baixos valores de energia e proteína digestível e baixa digestibilidade da fibra, face ao alto teor de ADF”. César Novais

“SEM ADUBAR NÃO SE VAI LÁ!” Ana Gomes falou também na importância da adubação, pois “quem a faz obtém silagens com melhor proteína bruta”. Uma opinião corroborada por Manuel Laureano, a quem José Caiado perguntou se “haverá vantagens em usar sementes certificadas”. A resposta foi imediata e sem hesitações: “Para mim, uma semente que não é certificada não é uma semente, é um grão”. Logo se levantaram vozes discordantes na assistência, mas Laureano deitou água na fervura: “Uma boa silagem não passa só pela semente, mas também pela adubação. Se se pretender uma proteína de 16 ou 17 %. Sem adubar não se vai lá!”.

NÃO HÁ RECOMENDAÇÕES STANDARD” Contudo, adubar não basta: é também muito importante a escolha da altura de proceder aos cortes (dois ou três), antes do espigamento, e o conjunto de boas práticas, defendeu o orador. “Se houver condições difíceis, é melhor misturar trevo ou outras variedades, mas para escolher é preciso saber quais são as características do terreno. Não há recomendações standard”, concluiu. Um participante na assistência lembrou a imprevisibilidade do clima que, por vezes, ultrapassa todos os cuidados e conhecimentos técnicos: “Quando é preciso fazer o corte, está

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ruminantes janeiro .fevereiro .março 2019

a chover, é uma altura do ano muito instável. Ou então, não chove, os terrenos estão secos e não podemos movimentar as terras, porque se levanta muita poeira e os vizinhos reclamam. Isto é a realidade!”

2º PAINEL LUZERNA PRÓS E CONTRAS A luzerna foi um dos temas a merecer especial atenção neste 4º CNF. A sua utilização divide opiniões, pelo que o debate sobre a mesma assemelhou-se a uma sessão do programa “Prós e Contras”, da RTP. Além de uma comunicação sobre o “Interesse técnico e económico da utilização de luzerna”, apresentada por César Novais, gestor de produto de ruminantes De Heus Portugal, o evento contou também com um 2º painel sobre “Experiência na produção de Luzerna em Portugal – problemas e soluções”, em que intervieram Marco Morais (Timac), Joaquim Teixeira (Maisadour) e Luís Queiroz (Lallemand), sob a moderação de José Caiado. César Novais falou sobre as características da luzerna e disse que esta leguminosa é uma das grandes produções forrageiras a nível mundial. Na África do Sul, por

exemplo, produz-se muita luzerna, “visto que é tolerante à secura”, explicou.

“FONTE DE FIBRA” No entanto, afirmou, o feno de luzerna “é mais uma fonte de fibra do que de proteína”, pois, “embora com alto teor de proteína bruta, tem baixos valores de energia e proteína digestível e baixa digestibilidade da fibra, face ao alto teor de ADF”. O especialista realçou que a luzerna funciona bem em verde, mas colocou reservas quanto à utilização de feno de luzerna. “Depende do preço de mercado, do seu valor nutritivo e das alternativas que estejam disponíveis na exploração”, defendeu. “Não tenho visto silagens de luzerna (SL) com boa qualidade, mas também há poucos a fazê-la”, disse, acrescentando que “a luzerna está muito cara em Portugal, o que limita a sua utilização”. Como é natural e salutar, nem todos os presentes concordaram em absoluto com as palavras de César Novais. Durante o 2º painel, houve quem defendesse com veemência a produção de SL. “Cria bolor facilmente, mas funciona bem”, realçou um elemento do público. “Faz todo o sentido falar da SL, e é tão fácil de fazer como a de milho”, disse uma outra voz na assistência. “Ainda que com menor digestibilidade, tem vantagens noutros parâmetros. Se soubermos aproveitar a altura do dia para fazer o corte, se houver eficiência em todas as ações mecânicas, em termos de colheita, colocação no silo ou em bola e conservação, teremos todas as condições para fazer uma fantástica SL”.

FALTA ÁREA DISPONÍVEL E CONHECIMENTO Joaquim Teixeira (Maisadour) afirmou que um dos principais problemas é a


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maximiza a dieta e o rendimento sobre o custo da alimentação Eficácia comprovada da levedura Saccharomyces cerevisiae CNCM I-1077, na estirpe específica para ruminantes seleccionada conjuntamente com o INRA: • Produção de leite: +1.2* a 2.5 litros/vaca/dia • Eficiência alimentar: +5Og* a 120g de leite para cada kg de MSI • Optimiza o pH do rúmen (menos acidose) e melhora a digestibilidade das fibras. * metanálise, ADSA, EUA, 2009 comprovada com UMA estirpe (I-1077), UMA dose recomendada (10 Biliões / dia).

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Espremer até à última gota


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ATUALIDADES

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VARIAÇÃO E TEOR MÉDIO EM MATÉRIA SECA (%) DE 2014 A 2018 Y = 0.01X + 36.39 / R² = 0.00

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VARIAÇÃO E TEOR MÉDIO EM PROTEÍNA BRUTA (%MS) DE 2014 A 2018 24

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* CAMPANHA A DECORRER

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ATENÇÃO À “DORMÊNCIA”

3 à escolha das variedades, tudo depende dos Quanto terrenos e do clima. No norte do país as variedade têm 0 que estar preparadas para No sul têm que enfrentar ANO 2014 2015o frio.2016 2017 2018* * CAMPANHA DECORRER o calor. Há uma escalaAde avaliação das variedades pela “dormência”, que vai de 1 a 12, sendo que o valor 1 significa que é muito resistente ao frio, e 12, muito resistente ao calor, informou o especialista. Joaquim Teixeira disse que a melhor época para semear luzerna é entre abril e junho, meses em que se devem fazer

100ruminantes

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ANO 2014

2015

* CAMPANHA A DECORRER

falta de superfície para a luzerna. “Ela vai competir com o milho e a área que ocupa é necessária para o milho”. Y = ficam 0,31X + 10,76 / R² = 0.48 Mas as dificuldades, segundo disse, não por aqui: 30 “falta apoio técnico e conhecimento para trabalhar a luzerna”, pois “enquanto a investigação sobre a cultura do 27 milho tem 70 anos, sobre a luzerna tem 30; no milho há 24de 20 empresas, enquanto na luzerna há 3 ou 4.” cerca A cultura de luzerna está ainda no início. “Embora haja 21 quem a trabalhe há 4, 5 anos, a maior parte é em verde ou fenossilagem”, acrescentou Joaquim Teixeira. No Ribatejo, 18 segundo explicou, há produtores a produzir luzerna, que15 veem nela uma oportunidade de baixar os custos. 10,70 11,72 11,57 12,65 11,76 “A produção precisa de temperaturas elevadas e de uma 12 de sol após o corte”. Condições difíceis de conseguir semana no norte 9 do País. Apesar disso, “todos os anos aumenta a percentagem de agricultores com luzerna”.

90

10,70

3

* CAMPANHA A DECORRER

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/ R² = 0.48

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Y = 0,31X + 10,76

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/ R² = 0.48

Y = 1.96X + 61.38 / R² = 0.87

VARIAÇÃO E TEOR MÉDIO EM NDF (%MS) DE 2014 A 2018 Y = 1.96X + 61.38 / R² = 0.87

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Y = 1.96X + 61.38 / R² = 0.87

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ANO 2014 2015 2016 20 FONTE: ALIP * CAMPANHA A DECORRER

2017

90 60 80 50 70 40 60 30 50 20 40 10 30 0

2018*

10 de infestantes e regas. Em anos menos agrestes, cortes também pode ser semeada nos meses de setembro e 0 outubro, acrescentou. ANO 2014 2015 2016 2017 2018* * CAMPANHA DECORRER No que respeita aosAcustos da produção de SL, o orador admitiu que poderá sair mais cara do que a SE ou milho, pois “não é só semear e colher; é necessário fazer análises


CNF 2018

TEOR EM MATÉRIA SECA (%) POR MÊS, EM 2017 E 2018 2017

42

TEOR EM PROTEÍNA BRUTA (%MS) POR MÊS, EM 2017 E 2018 2018

41

41

40

40

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39

38

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37

37

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35 34

35 34

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29

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MÊS

JAN

FEV

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MAR

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MAI

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SET

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NOV

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TEOR EM NDF (%MS) POR MÊS, EM 2017 E 20182017

2018

2017

2018

42 16 41 15 40 14 39 13 38 12 37 36 11 35 10 34 9 33 8 32

2017

42

17

MÊS

FEV

MAR

ABR

MAI

JUN

JUL

AGO

SET

OUT

NOV

DEZ

DIGESTIBILIDADE DA MATÉRIA ORGÂNICA (%MS) POR MÊS, EM 2017 E 2018 2017 2018 2017

42 16 41 15 40 14 39 13 38 12 37

2018

36 11 35 10 34 9 33 8 32

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30 6 29 MÊS

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JAN

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MÊS

FONTE: ALIP

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2017

do 2017e 57solo antes da implantação, acrescentar potássio 17 micronutrientes.” 55

2018 2018

2017

59

2018

bem 2017nas 2018 57 como, evitar chorumes e até o pastoreio direto 17 parcelas destinadas à luzerna. Esta leguminosa levanta 55 16 53 problemas específicos e requer cuidados especiais, pelo 15 51 na opinião de Marco Morais, “não é para todos”. que, 14 49 “Temos excelentes produtores de erva, que não ‘embeiçam’ 13 47 com 12 a luzerna”.

16 53 15 51 14 49 Na 13opinião de Marco Morais, “a luzerna tem potencial, 47 mas 12 não é muito importante”. E passou a explicar porquê: 45 11 duas realidades: no sul produz-se luzerna para fins “Há 43 10 comercias e industriais; no resto do país, há dificuldades 41 9 acrescidas, começando pela acidez dos solos. A luzerna 39 8 37 gosta de solos alcalinos – o teor de cálcio é importante para 7 35 leguminosa. Ora, a maior parte dos solos do país tem esta 6 MÊS JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ JAN FEVácida, MAR mais ABR MAI JUNnos JULsolos AGO de SETprodução OUT NOV de DEZ umaMÊS natureza ainda

45 11 43 10 41 9 Luís 39 Queiroz, por sua vez, considerou que, no país, “temos 8 37 muitas SL de excelência”, apesar das suas particularidades. 7 35 luzerna, temos muita proteína e pouco açúcar. O teor “Na 6 MÊS JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ FEV leguminosas MAR ABR MAI é JUN JUL ao AGO das SET gramíneas, OUT NOV DEZ MÊS JAN das de açúcares inferior

vacas ou com chorumes e estrumes”. Além disso, “a cultura tem que arrancar bem, o que 2017 2018 implica preparar a terra com 2, 3 anos de antecedência -o 78 que não é fácil”. Segundo Marco Morais, tem que haver 2, 3 76 2017 2018 74 de correções, para que o pH tenha níveis satisfatórios, anos 59

o que dificulta a fermentação. Melhoramos se tivermos em atenção o tempo do corte - que terá de ser antes da floração 2017 2018 – e se fizermos uma pré-fenagem. Para ter mais açúcar, 78 não podemos cortar no início da manhã, quando está a 76 2017 2018 74 fotossintetizar. Tem de ser a meio da tarde. Deve-se colocar 59

“PREPARAR TERRENO COM ANTECEDÊNCIA”

72 57 70 55 68

TEOR DE AÇÚCARES INFERIOR

72 57 70 55 68

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53 66 64 51

62 49 60 47 58

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ATUALIDADES

“Não vejo esta sala cheia. Ouvimos aqui, falar muitas pessoas com grandes conhecimentos e experiência. É excelente a oportunidade de as ouvir uma vez por ano. Esta sala deveria estar cheia!” Luís Queiroz

no silo quando houver uma humidade residual e compactar bem.” Queiroz recomendou o uso de inoculantes - “um dos aditivos mais comprovadamente úteis” –, e defendeu que “se tivermos os meios adequados, devemos preferir a silagem à fenossilagem, embora esta possa ser uma boa opção se o agricultor tiver uma boa enfardadeira".

“ESTA SALA DEVERIA ESTAR CHEIA!” Já no final do debate, constatando a ‘boa colheita’ de conhecimento técnico especializado que o mesmo

proporcionou, Luís Queiroz fez um desabafo: “Não vejo esta sala cheia. Ouvimos aqui, falar muitas pessoas com grandes conhecimentos e experiência. É excelente a oportunidade de as ouvir uma vez por ano. Porém, está aqui apenas meia-dúzia de agricultores [força de expressão, uma vez que havia cerca de 40 pessoas na assistência, o que não deixa de ser pouco]. Esta sala deveria estar cheia!” Inconformado com o número de lugares vazios, acrescentou com ironia: “Parece que já sabemos tudo!”

BREVE ENTREVISTA AO VENCEDOR DO IV CNF Que práticas culturais determinaram a qualidade da amostra que apresentou a concurso? Luís Viveiros (LV) - Do conjunto de práticas, destaco o corte da erva antes do espigamento, com 20, 25 centímetros, dadas as caraterísticas do terreno, e uma adubação, não com azoto, mas à base de fósforo e potássio. Em que se reflete uma silagem boa? LV - O que eu noto é que a qualidade da silagem se reflete logo no tanque, isto é, no leite. Quando a quantidade de cinzas é alta, a vaca nem quer olhar para aquilo. Por isso, o corte é muito importante, a adubação é muito importante, ou seja, há um longo processo de práticas muito importantes, desde a colocação da semente na terra até chegar ao animal. O que o leva a participar neste concurso? LV - Acho que este concurso contribui para a qualidade do setor. É muito importante que haja este tipo de eventos e que haja muita participação,

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ruminantes janeiro .fevereiro .março 2019

porque, como foi frisado no colóquio, há muito que melhorar na parte das arvenses e, nesse sentido, a revista Ruminantes tem vindo a fazer um excelente trabalho. Acho que devia haver alguém que desse continuidade a esse trabalho, não na divulgação em si, porque a Ruminantes cumpre bem esse papel, mas sim no trabalho de

campo. Nos Açores, por exemplo, há muitos técnicos e de muita qualidade, mas as próprias empresas canalizam-nos mais para a parte do milho e para a parte genética, do que para as arvenses, em particular o azevém que pode ser um mercado muito interessante, embora também haja outras variedades.


2º CLASSIFICADO CNF 2018

| DIAMANTINO JESUS LAGOA | PALMELA Diamantino e Luís Lagoa com António Cannas (Lusosem)

“Este ano fiz um corte muito cedo, e por isso saiu uma silagem com tanta qualidade”, contou-nos Diamantino Jesus Lagoa quando recebeu o 2º prémio do CNF 2018. Na vacaria, as forragens são todas produzidas na exploração. A qualidade do azevém que produz, diz-nos Diamantino “tem muito a ver com a idade/tamanho com que é cortado, quanto ‘maior’ está, menos qualidade tem a planta”. O corte da amostra que ganhou o segundo lugar foi feito em março. A vacaria nasceu no início dos

anos 80 com 20 vacas importadas. Hoje, o efetivo conta com 450 animais, 230 vacas em ordenha, e uma produção que ronda os 34 litros/vaca/ dia. A exploração conta com 100 hectares, dos quais 60 são de regadio, onde fazem azevém, milho e uma consociação com aveia e ervilhaca. Fora desta zona, em Pegões, têm também 60 hectares (dos quais 15 são de regadio). O azevém é semeado anualmente. Fazem a preparação do terreno com rototerra e depois semeiam com semeador de linhas.

3º CLASSIFICADO CNF 2018 O terceiro prémio do Concurso Nacional de Forragens 2018 (CNF) foi ganho por Hette de Vrie, um produtor de leite holandês que veio dos EUA e estabeleceu o mesmo negócio em Odemira vai para seis anos. A sua empresa — Morvifer — possui cerca de 500 vacas no total, das quais 280 estão em ordenha, de onde obtém uma produção de 30 litros/ vaca/dia. O sistema alimentar baseiase no fornecimento de silagem de milho com unifeed, silagem de erva todo ano, ração e matérias primas. A cultura predominante na exploração, que tem terrenos de areia, é o azevém, feito num pivot de 80 hectares semeado a cada dois anos (mistura de azevém anual e perene, mantida por 2 ou 3 anos). A amostra vencedora é do primeiro ano desta mistura. “É muito importante nesta zona a

“Mondas só quando vêm infestantes com força, caso contrário não se faz nada”, diz. E sementes “só certificadas”. Ao azevém apenas faz 2 cortes, porque nessa terra vai fazer milho e depois fica tarde para semeá-lo. “Este ano fiz um corte muito cedo e por isso saiu uma silagem com tanta qualidade”, afirma Diamantino. “Não corto sempre cedo porque o tempo manda muito nesta decisão. Este corte da amostra que ganhou o segundo lugar foi feito em março. O primeiro corte é sempre para silo trincheira, mas o segundo corte é normalmente para bolas, 35 a 40/ha.

DADOS DA EMPRESA EMPRESA: Diamantino Jesus Lagoa LOCALIZAÇÃO: Pegões EFETIVO 450 vacas (230 em ordenha) PRODUÇÃO 34 litros/vaca/dia

| MORVIFER AGRO PECUÁRIA, LDA | ODEMIRA

terra estar compactada”, refere de Vrie, “porque caso contrário seca muito rapidamente e o azevém não cresce". A adubação fica a cargo do estrume das vacas, ureia, potássio, magnésio e enxofre. Mondas químicas fazemos apenas muito pontualmente quando existem zonas com infestantes.” Em relação aos cortes, diz: “são muitos, no verão e com a utilização do pivot para regar, cortam o azevém cada 3 a 4 semanas. Com o calor é melhor fazer mais cortes e não deixar crescer tanto o azevém. A amostra vencedora é do 1º corte do ano.” E conclui: “No verão cortamos o azevém de manhã e nesse mesmo dia estamos a fazer a silagem, mas quando não está muito calor cortamos da parte da tarde e podemos ter que esperar 2 a 3 dias para ensilar. No silo misturo apenas um pouco de melaço.”

Hette de Vrie no meio dos Irmãos Caldera (Ricardo e Jovani)

DADOS DA EMPRESA EMPRESA: Morvifer LOCALIZAÇÃO: Odemira Nº DE EMPREGADOS: 6 EFETIVO 500 vacas (280 em ordenha) PRODUÇÃO 30 litros/vaca/dia

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ALIMENTAÇÃO

MINERAIS* NA FORMA DE COMPLEXOS AMINOÁCIDOS DEMONSTRAM

BENEFÍCIOS NA FASE PÓS PARTO EM VACAS LEITEIRAS POR SERVIÇO TÉCNICO ZINPRO (BASEADO NO ESTUDO "SUPPLEMENTING DAIRY COWS WITH ZINPRO PERFORMANCE MINERALS® DURING THE TRANSITION PERIOD IMPROVES POSTPARTAL PERFORMANCE"). TRADUZIDO E ADAPTADO POR: MARGARIDA CARVALHO

A

suplementação micro mineral é, muitas vezes, um campo da nutrição desvalorizado. Nos últimos anos as alegações por parte de inúmeras empresas têm vindo a confundir a mensagem sobre a utilidade de minerais de boa qualidade. As designações: mineral orgânico ou quelato, são reconhecidas no mercado, segmentando todos os minerais orgânicos numa categoria comum. Essa categorização é errónea e limitativa no momento do processo de decisão. Os micro-minerais são extraordinariamente importantes em animais de alta produção. Apostar em micro-minerais “orgânicos” só tem sentido se melhorar a forma como são digeridos e ficam disponíveis para as diferentes funções metabólicas e fisiológicas. Um bom mineral orgânico tem de ser um complexo que seja:

posteriormente no trato digestivo. 4. Ter um ligante que seja prioritário no momento da absorção intestinal. No caso dos aminoácidos têm de ser prioritários e relevantes em nutrição.

5. Absorvido na forma de complexo orgânico desde o lumén intestinal ao interior do enterócito. 6. Capaz de demonstrar melhorias dos parâmetros produtivos de forma cientificamente controlada.

1. 100 % Solúvel e 100% quelatado 2. Estável em meio ácido e alcalino, ou seja, não sofrer dissociação entre o agente quelante e o metal em pH’s fisiológicos. 3. Resistente aos processos de fabrico, à temperatura, pressão e interação com outros elementos no saco da pré-mistura e (*) – Os minerais da Zinpro Performance Minerals® são complexos de aminoácidos da soja hidrato definidos na forma de complexo de 1:1, um aminoácido para um metal. Os minerais apresentados neste estudo têm as seguintes aprovações europeias: Availa Zinco® EC No. 2016/1095 3b606, Availa Manganês® EC No.2016/1095 3b504 e Availa Cobre® EC No. 2016/1095 3b406.

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ruminantes janeiro .fevereiro .março 2019


Benefícios na fase pós-parto em vacas leiteiras

7. Rentável do ponto de vista económico. Sem uma prova fiável de cada um dos parâmetros anteriores, investir num mineral orgânico ou quelatado é um simples ato de fé. Há algum tempo que se conhecem efeitos benéficos da suplementação com os micro-minerais orgânicos (AAC), da Zinpro Performance Minerals® (ZPM), em vacas leiteiras em lactação. No entanto, até à data, havia poucos estudos que avaliassem o efeito da suplementação durante o período de transição. É reconhecido que o período de transição é um momento-chave na performance produtiva. Vários estudos indicam que um maneio ou nutrição limitante nesta fase, penaliza, de forma irreversível, a lactação na sua totalidade.

O ESTUDO

37 vacas Holstein foram avaliadas • Um bolo oral com uma mistura no estudo. Sessenta dias antes da de INO (n=21) 40 ppm Zn, 20 secagem (aproximadamente 110 ppm Mn, 5 ppm Cu, e 1 ppm Co dias antes do parto) os animais ZPM de sulfatos INO sob a forma (total tiveram acesso a uma ração comum, 3,4 suplementado de Zn, Mn, Cu suplementada inteiramente com e Co foi 75, 65, 11, and 1 ppm, micro-minerais inorgânicos (INO), do 2,8 respetivamente). dia 110 ao 30 antes do parto. Após esse período até 30 dias de lactacão 2,2 recebeu • AAC, Zinpro Performance (DIM) um grupo de vacas Minerals® (ZPM) (n=16) – uma dieta pré-parto (1,5 Mcal/ 1,6 níveis idênticos de minerais kg MS, 15% PB) e pós-parto (1,76 provenientes dos complexos Mcal/kg MS, 18% PB) parcialmente aminoácidos Availa® Zn, Availa® suplementadas com uma mistura 1 Mn, Availa® Cu, e COPRO®. contendo zinco, manganês e cobre nas quantidades de0,4 40, 20 e 5 no ppm/Kg MS a partir de unha1fonte 3 5 7 Os níveis 9 11de glucose 13 15 sangue foram analisados nos dias -30, -14, de complexos aa-mineral (ZPM, DIAS DE CTAÇÃO

OBJETIVO Com o objetivo de avaliar o efeito

EFEITO DE UM PROGRAMA DE MICRO-MINERAIS NA CONCENTRAÇÃO SANGUÍNEA DE CORPOS CETÓNICOS ZPM

3,4

tratamento) ou a mesma dieta onde a suplementacão foi estritamente a partir de fontes inorgânicas (INO, controle). Para este estudo foi realizado o delineamento em blocos completos aleatórios, sendo atribuídos às vacas dois tratamentos diferentes:

da suplementação de animais neste período com AAC, investigadores da Universidade de Ilinóis, Universidade Sacro Cuore em Piacenza e a Zinpro realizaram um novo estudo experimental.

EFEITO DE UM PROGRAMA DE MICRO-MINERAIS NO TEOR DE PROTEÍNA DO LEITE

INO ZPM

1,6

INO

2,8 1,2

2,2 1,6

0,8 1 0,4

0,4 1

3

5

7

9

11

13

1

15

a Período de tratamento 30 dias antes do parto até 20 dias pós-parto. Tratamento via bolus oral formulado para fornecer adicionalmente 40 ppm Zn, 20 ppm Mn, 5 ppm Cu e 1 ppm Co a partir de sulfatos (INO) ou provenientes dos complexos aminoácidos Availa® Zn, Availa® Mn, Availa® Cu, e COPRO® da ZPM. b Medido usando Precision Xtra ®, Laboratórios Abbott, Chicago, Il, USA z Efeito de tratamento, p <0.05 ZPM

1,6

3

5 7

9

11

13

15

17

19

21

23

27

a

Período de tratamento 30 dias antes do parto até 20 dias pós-parto. Tratamento via bolus oral formulado para fornecer adicionalmente 40 ppm Zn, 20 ppm Mn, 5 ppm Cu e 1 ppm Co a partir de sulfatos (INO) ou provenientes dos complexos ZPM aminoácidos Availa® Zn, Availa® Mn, Availa® Cu, e COPRO® da ZPM.INO 50 z Efeito de tratamento X dia , p <0.05 INO

40 ruminantes janeiro .fevereiro .março 2019

1,2

25

DIAS DE CTAÇÃO

DIAS DE CTAÇÃO

30

67


0,8

ALIMENTAÇÃO

0,4 1

3

5 7

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17

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DIAS DE CTAÇÃO

EFEITO DE UM PROGRAMA DE MICRO-MINERAIS NA PRODUÇÃO DE LEITE ZPM

50

INO

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DIAS DE CTAÇÃO

a

Período de tratamento 30 dias antes do parto até 20 dias pós-parto. Tratamento via bolus oral formulado para fornecer adicionalmente 40 ppm Zn, 20 ppm Mn, 5 ppm Cu e 1 ppm Co a partir de sulfatos (INO) ou provenientes dos complexos aminoácidos Availa® Zn, Availa® Mn, Availa® Cu, e COPRO® da ZPM. z Efeito de tratamento x dia, p< 0,05

3, 15 e 30 DIM. As biópsias hepáticas foram realizadas nos dias −30, −15, 10, and 30 DIM. O β-hidroxibutirato (BHBA) foi medido via Precision Xtra em dias alternados do dia 1 ao dia 15 pós- parto. Os dados foram analisados com recurso ao procedimento “mixed” do software de análise estatística SAS.

RESULTADOS O consumo de matéria seca (DMI) foi mais baixo (p=0,06)

nas vacas suplementadas com AAC. No período pós-parto, quando analisada a interação dieta-tempo, verificou-se uma tendência para um valor de DMI mais elevado, 2kg/dia, nas vacas suplementadas com AAC (p=0,11). Os efeitos tratamento x dia para a produção de leite e teor de proteína do leite foram significativamente mais elevados para os animais suplementados com AAC. Estes produziram aproximadamente mais 3,3 kg/dia de leite e mais 0,14 kg/ dia de proteína durante os primeiros 30 dias de lactação (p< 0,05). O valor de BHBA foi inferior nos animais que consumiram AAC relativamente aos animais que consumiram INO (1,44 vs 2,18 mmol/L), p = 0,02.

CONCLUSÕES Os aumentos na produção leiteira e no teor de proteína observados nos animais que consumiram AAC Zinpro Performance Minerals® podem resultar do efeito benéfico destes micro-minerais orgânicos na ingestão de matéria seca no pós-parto. Um valor mais elevado de BHBA nos animais que consumiram minerais inorgânicos de forma exclusiva sugere a existência de cetose num grau moderado a severo. De uma forma global, a suplementação com micro-minerais orgânicos da Zinpro Performance Minerals® durante o período de transição aumenta a performance da vaca leiteira no pós-parto.

BREVES

ABRANDA O CRESCIMENTO DA PRODUÇÃO DE LEITE NOS MAIORES PRODUTORES MUNDIAIS De acordo com os dados publicados pelo Rabobank, elevados custos de alimentação estão a contribuir para o abrandamento da produção de leite nos 7 maiores produtores mundiais. O impacto destes custos e das margens mais pequenas da produção é agora bastante evidente e, de acordo com os especialistas, irá manter-se em 2019. Os motivos são vários. Em algumas zonas da Europa o verão ficou marcado por cheias e temperaturas elevadas que afetaram plantações e causaram problemas de stress por calor nos efetivos. Já na Austrália, um tempo quente e seco afetou

negativamente as pastagens. Simultaneamente na América do Sul os elevados preços dos cereais estão a esmagar as margens dos produtores. No Brasil a greve dos transportadores no inicio do ano teve também um impacto negativo na produção. Na Argentina a recessão que se faz sentir traduz-se também numa diminuição da procura. Para conseguir manter o crescimento da produção os preços do leite estão agora a subir. O único grande produtor que parece escapar a esta onda de abrandamento é a Nova Zelândia, que devido as condições climáticas favoráveis conseguiu contrariar a tendência. No entanto,

novos regulamentos da alimentação animal podem vir a afetar este país.


Forneça a melhor alimentação durante toda a vida Para um desenvolvimento óptimo o gado leiteiro deve receber uma nutrição adequada com microminerais ao longo de todas as fases da sua vida. É o que na Zinpro chamamos Lifetime Performance ®. Tal como você, preocupamo-nos com o bem-estar, o desempenho e a rentabilidade dos seus animais. Por isso, dedicámos mais de 45 anos a desenvolver os nossos produtos patenteados Performance Minerals® e programas de classe mundial que o ajudam a alcançar os seus objectivos . tudo apoiado pelos nossos princípios dos 5 Rs. Para saber mais sobre Lifetime Performance ® visite zinpro.com/lifetime-performance ou contacte Luis da Veiga através do endereço ldaveiga@zinpro.com

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PRODUÇÃO

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Entrevista a Joaquim Gomes

QUANDO UM TRABALHO EM EQUIPA SE TRADUZ EM

MELHORES RESULTADOS Fomos a Paços de Ferreira conhecer a exploração de leite - Irmãos Ferreira Gomes, de Joaquim e António Gomes. Conversámos com os sócios e também com João Marques, nutricionista da Nanta que acompanha a exploração. Ficámos a conhecer melhor o programa PRIMA, adotado pela exploração, e o impacto que tem tido nesta exploração. Porque são produtores de leite? JG: No fundo seguimos o trabalho da família. O nosso pai sempre foi agricultor. Esta nossa sociedade tem agora 20 anos. Inicialmente começámos com 40 vacas em ordenha. Qual é o principal desafio que têm como produtores leite para os próximos 3 anos? JG: Pretendemos melhorar as instalações e o bem-estar animal e claro, aumentar a produção. Queremos atingir o número máximo de 120 vacas em ordenha, não queremos mais. Queremos ter poucos animais mas bons. Qual é a coisa de que mais vos deixa orgulhosos no que diz respeito à exploração? JG: O que nos deixa mais orgulhosos são os obstáculos que ultrapassámos até chegar a este ponto em que continuamos sempre a tentar melhorar. E as nossas vitelas claro, que são as nossas futuras vacas. E têm orgulho delas porquê? JG: Porque penso que vão produzir mais leite. Da forma que as estamos a criar creio que teremos bons resultados, os estudos assim o dizem!

A quem vendem o leite? JG: Para a empresa Laticínios do Paiva. Trabalham com consultores externos? Quem são estes consultores? JG: Sim, neste momento contamos com o apoio de 3 consultores. Temos a médica veterinária, Andreia Amaral (GAV). O João Marques, nutricionista (Nanta), que também nos ajuda na gestão técnica e económica, o que nos permite ir acompanhando a evolução da empresa. Nas forragens temos a Lusosem e a Dekalb que nos ajudam no campo. Reúnem-se periodicamente com todos e estabelecem objetivos anuais? JG: Sim. Com a Andreia e com o João reunimos todos os meses. Analisamos o que está mal, onde podemos melhorar e claro, propomo-nos a novos objetivos. É fundamental o diálogo entre eles e deles connosco. Qual é o maior desafio a que se propuseram em conjunto, este ano, na exploração? JG: Queremos pôr os animais a parir aos 23 meses e a produzir mais.

E em termos de genética, trabalham com algum programa? JG: Sim, com o Alta Advantage. da Alta Genetics. Estamos neste programa há 4 anos. E o que procuram em termos de genética? AG: Mais produção, mais proteína, patas e durabilidade. A que melhorias têm assistido desde que utilizam este programa? JG: Mais leite, vacas mais uniformes e com melhor produtividade logo na primeira lactação.

Analisamos o que está mal, onde podemos melhorar e claro propomo-nos a novos objetivos. É fundamental o diálogo entre os consultores e deles connosco.

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PRODUÇÃO

altura iniciamos o desmame. E a partir daí até à ordenha como é feita a alimentação? JG: Utilizamos uma ração específica e palha até aos 6 meses de idade. Dos 6 aos 9 meses só comem mistura para vacas de leite e palha (silagem de milho, silagem de erva, ração e massa de cerveja). Dos 9 meses até 15 dias antes do primeiro parto comem silagem de erva e ração. Com quantos meses fazem atualmente o primeiro parto? JG: Neste momento 23 meses e meio. Qual é o critério para a primeira inseminação? JG: Idade e altura.

Relativamente às sementes, o que pedem aos consultores? JG: Pedimos maioritariamente qualidade. Não pedimos grandes quantidades, nós temos muita área disponível, terra não falta, por isso não nos interessa muita quantidade por hectare. Claro que temos um mínimo de 50 toneladas de milho por hectare, para valer a pena. Qual o peso dos vitelos ao nascimento? JG: Os nossos vitelos nascem com 37/38 kg em média. Tem muitos vitelos a nascer ao mesmo tempo? Qual é o segredo? JG: Fazemos inseminação a tempo fixo. Porque optaram por esse sistema? JG: Porque estávamos com alguns problemas há 2/3 anos. As vacas não ficavam gestantes e então optámos por este sistema, e desde então temos tido muito bons resultados. Estávamos com quatro inseminações por vaca cheia e

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agora estamos com duas. Além disso, torna o maneio mais fácil, porque tanto para inseminar como para secar temos uma maior concentração no tempo, podemos fazê-lo por grupos. Como é feita a alimentação dos vitelos? JG: Têm desde o primeiro dia água e ração à disposição. Além disso, ingerem colostro, pelo menos três litros (logo nas primeiras 3 horas após o nascimento). Durante os primeiros três dias ingere leite materno e a partir daí iniciamos o leite em pó. Até aos 10 dias ingerem 7 litros e a partir daí até 10 litros por dia. Para conseguir dar 10 litros é essencial usar um balde com tetina e não um balde normal de forma a evitar a aspiração do leite. A que idade fazem o desmame? JG: Não fazemos pela idade. Fazemos pelo peso, pela altura e pela capacidade de ingestão de concentrado. Quando atingem o dobro do peso com que nasceram e 90 cm de

Porque pesam os animais ao nascimento? JG: Para controlar o desenvolvimento até ao desmame. Sabe-se que o ganho médio diário é máximo nos primeiros meses e pesá-los é uma forma de controlarmos esses ganhos e perceber que resultados estamos a obter com o programa PRIMA (ver caixa). Qual o sistema alimentar utilizado nas vacas? JG: Utilizamos ração com silagem de milho, silagem de erva e massa da cerveja. Tudo no unifeed. As vacas comem todas o mesmo (lote único). Ter boas forragens diminui o custo de produção do leite produzido. O que faz para melhorar a produção e qualidade das suas forragens? JG: Tratar bem delas: ao nível da rega, adubo e colheita na altura certa. Vamos analisando o milho até atingir o nível de amido que precisamos para prever o momento ideal do corte. E em termos da execução da silagem têm alguns cuidados? JG: Sim. Nós trabalhamos com shredlage


O seu bem estar, a sua rentabilidade O Programa de recria Prima da Nanta melhora a rentabilidade das explorações através do bem estar das vitelas. O Prima trabalha em quatro conceitos essenciais para o bem-estar dos animais: o colostro, a lactação, o desmame e os cuidados a ter nas diferentes variáveis como o meio ambiente, a saúde e ambiente social. O nosso programa oferece benefícios comprovados para o agricultor: maior desenvolvimento das vitelas, melhoria do seu sistema imunitário, redução do stress no desmame, antecipação da primeira inseminação e da idade do primeiro parto, mais produção de leite e maior vida produtiva da vaca. Com o Prima as vitelas são mais felizes e o agricultor também.

nanta@nutreco.com


PRODUÇÃO

há 2 anos. O essencial é o aperto. Estive a ler uns artigos, e uma máquina que corte 100 toneladas por hora, precisa de 30 toneladas no silo a apertar. Camadas finas, 10 cm e 30 toneladas em cima para ficar bem compactada. No fundo são 3 tratores, em simultâneo a pisar. O que têm feito ultimamente para melhorar o bem-estar animal na exploração? JG: O último investimento foi o telhado que era muito baixo e o sistema de cooling. Viram resposta? JG: Sim. Vimos resposta ao nível da saúde e bastante ao nível da produção. Isso significa que vão continuar a investir em bem-estar? Quais são os próximos investimentos que têm previstos? JG: Sim. Vamos investir nas camas, cubículos, e tentar criar mais espaço manjedoura. Nós atualmente usamos tapete de borracha com serrim e queremos continuar a investir nestes materiais. Mudamos o serrim de 10 em 10 dias e é este sistema que pretendemos manter, mas queremos aumentar as dimensões dos cubículos porque o tamanho dos animais é grande para as dimensões atuais dos cubículos. Quantos cubículos têm? JG: Perto de 96. Não chegamos a ter um por vaca o que limita um bocado a produção, mas já percebemos que mesmo aumentando as dimensões temos forma de expandir e aumentar o número.

INDICADORES Que indicadores utiliza para gerir a sua exploração? JG: Utilizamos o IOFC (Income Over Feed Cost). Atualmente o nosso é 5,95. Tem melhorado com os investimentos que temos feito quer na silagem, quer na

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genética. Fazem benchmark com outras explorações? JG: Através dos consultores acabamos por fazer comparações com dados de outras vacarias, embora sem saber de quem são os dados. Para si, JM, como se posiciona esta vacaria relativamente às outras com que trabalha? JM: Entre as melhores com que trabalho. Que outros indicadores utiliza para fazer este acompanhamento das vacarias? JM: Vários relacionados com produção (litros/vaca ordenhada; litros/vaca presente), reprodução (DEL, % vacas gestantes, Dias Abertos; PR; %refugo) e alimentação (IMSeca; Índice de Conversão alimentar). Tem objetivos anuais? JM: Sim, definimos alguns objetivos em conjunto. No geral queremos melhorar sempre um bocadinho mais. Não definimos objetivos concretos para o IOFC porque este valor depende de algumas coisas que nós não controlamos, nomeadamente o preço do leite. Obviamente que ao nível dos custos alimentares temos que controlar ao máximo. Este ano percebemos logo a meio do ano que íamos ultrapassar os resultados do ano passado. Quais são as oportunidades de melhoria nesta exploração? JM: Redimensionar o espaço para dar melhores condições aos animais. Mais manjedoura e melhores camas. A ordenha nesta exploração também foi um passo muito importante. Anteriormente demoravam 4h em cada ordenha, o que para os animais e pessoas era inconcebível. Na maioria das vacarias familiares em Portugal a ordenha está sobredimensionada em

Não definimos objetivos concretos para o IOFC porque este valor depende de algumas coisas que nós não controlamos, nomeadamente o preço do leite. Obviamente que ao nível dos custos alimentares temos que controlar ao máximo. relação aos efetivos e esta exploração foi remodelada nesse mesmo sentido. Aqui o objetivo tem vindo a ser aumentar os litros de leite vendidos com o mesmo número de animais, e temos conseguido. Mas não olhamos para o indicador litros/ hora ou litros/ponto de ordenha, porque sabemos que esta ordenha podia levar o dobro dos animais. Em termos de saúde animal, tem ideia dos custos que têm? Onde investem mais, prevenção ou tratamentos? JG: Sim, embora não por patologia. Mas sabemos que atualmente os maiores custos estão na parte da prevenção e não na parte do tratamento. Além disso, investimos também na parte dos tratamentos hormonais por causa da inseminação em tempo fixo. Apesar dos maiores custos globais nestas áreas, quando vamos ver os custos por litro de leite este valor baixou, porque o investimento se traduz num aumento de produtividade. De manhã quando chega aqui, qual é a primeira coisa que vai ver? JG: Vou à sala de partos, ver se pariu alguma vaca e vejo no geral como estão os cubículos e manjedoura para perceber se os animais estão a comer ou não.


Entrevista a Joaquim Gomes

DADOS DA EXPLORAÇÃO LOCALIZAÇÃO Carvalhosa, Paços de Ferreira ÁREA DA EXPLORAÇÃO 35 hectares Nº EMPREGADOS 1 a tempo inteiro e outro parcial e dois sócios (Joaquim e António Gomes). PRODUÇÃO LEITE TOTAL VACARIA/ANO 1600000 litros ano EFETIVO TOTAL 270 Nº VACAS EM ORDENHA 115 PRODUÇÃO LEITEIRA MÉDIA AOS 365 DIAS 11 683 no ultimo mês litros/ vaca

PROGRAMA PRIMA JOÃO MARQUES, NUTRICIONISTA NANTA O que é o programa PRIMA e qual é o objetivo? JM: O programa PRIMA é um programa que pretende adaptar o nível nutricional das vitelas desde o nascimento ao desmame. O objetivo é pegar no nível nutricional base da exploração, que normalmente é baixo, e elevá-lo, maximizando o nível de crescimento dos animais. Não é só “fazer crescer”, mas em primeiro lugar diminuir a idade ao primeiro parto, aumentar a longevidade e sobrevivência em produção e claro aumentar a produção.

começar a inseminar a partir dos 13 meses para tentar obter médias de rebanho de 23 meses ao primeiro parto.

E como é que se consegue isto? JM: O objetivo neste momento é desmamar animais entre 65-70 dias de vida, com ganhos médios diários acima dos 800g por dia e mínimo 90 cm de altura. Isto para depois conseguirmos

E onde é que está o segredo? Fazer com que os animais comam mais ou o alimento melhor do ponto de vista nutricional? JM: As duas coisas. Quantidades elevadas de alimentos com qualidade

A que obriga este programa em termos de pesagens, por exemplo? JM: O programa não “obriga” a ter uma balança. Acabámos por insistir nestas pesagens porque é a única forma de comprovar se estamos a atingir os objetivos. Se não fizermos estas pesagens não podemos trabalhar com valores concretos e aferir se o que estamos a fazer está correto.

PRODUÇÃO MÉDIA DIÁRIA 37 litros/vaca GB (%) 3,49 PB (%) 3,23 CCS 290 cél/ml IDADE MÉDIA AO ABATE 3 partos TAXA DE REFUGO ANUAL 31% TAXA DE SUBSTITUIÇÃO ANUAL 31%

35 Ha 35 Ha 35 Ha DE REGADIO

DE AZEVÉM

DE SILAGEM DE MILHO

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PRODUÇÃO

nutricional também elevada e claro todo o maneio, que está por trás. Este programa obriga a que seja feita uma revisão de todo o maneio, porque sem o maneio adequado aumentar a ingestão não funciona. E as quantidades e maneio têm que ser adequados à realidade de cada exploração claro. Por exemplo, é diferente trabalhar com alimentador automático ou manualmente. Qual é o consumo mínimo de alimento antes de desmamar? JM: Tentamos sempre que as vitelas estejam a ingerir no mínimo 1,5 kg de concentrado (starter) por dia, naqueles dias antes do desmame. Para que os animais não se ressintam muito quando retiramos o leite. O que é expectável em termos de crescimento diário até ao desmame? JM: Cerca de 800g por dia. Mas já tivemos uma vitela cá a fazer quase 1kg por dia só que como média de rebanho 1kg por

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dia não é um valor atingível. Falando em médias de rebanho 800g é um bom valor e atingível. E a partir dessa fase? O que aconselham? JM: O que aconselhamos sempre é a não restringir nutricionalmente os animais. Uma dificuldade que enfrentamos é a tendência dos agricultores de querer introduzir as silagens cedo de mais. Até aos 6 meses o índice de conversão é máximo, e para tirar partido disso não aconselhamos regimes alimentares que se baseiam maioritariamente em alimentos de baixa densidade energética e proteica por unidade de volume, como é o caso das silagens (milho ou erva). Como resumiria este programa? JM: Resumidamente o objetivo é sempre melhorar o aporte nutricional dos animais, quer por via do leite, quer pelos concentrados. Recolher informação para sabermos que está a correr bem e ter muita atenção ao maneio e à sanidade dos animais.

DADOS REPRODUTIVOS IDADE AO PRIMEIRO PARTO 23,6 DIAS À FECUNDAÇÃO 118 dias Nº IA/VACA GESTANTE 2,1 TAXA DE DETEÇÃO DE CIOS 50% TAXA DE FERTILIDADE 35% INTERVALO PARTO 1ª INSEMINAÇÃO 70 dias


ATUALIDADE

PRODUTORES PODERÃO TER NOVA BEBIDA DE ELEIÇÃO

5º ENCONTRO TÉCNICO DE PRODUÇÃO DE LEITE

O frio invernal que ainda se faz sentir convida a beber algo quentinho, especialmente para quem trabalha ao ar livre. A par de alternativas mais convencionais como uma simples chávena de café, chá ou chocolate quente, surge agora uma nova bebida para os mais audazes: café com queijo. “Nova” não é bem a palavra certa, pois esta é uma antiga tradição escandinava. O chamado kaffeostis é prático de fazer: basta colocar pequenos cubos de queijo numa chávena com café. Flutuando no líquido quente, o queijo absorve o café e desenvolve uma textura peculiar, estilo marshmallow. Extremamente popular na Suécia e Finlândia, dois dos países com maior taxa de consumo de café a nível mundial, tem vindo a ganhar seguidores em países como os Estados Unidos, onde rivaliza com o mui comum café com manteiga, no qual se adiciona uma colher de manteiga a uma chávena de café simples, juntamente com uma colher de azeite ou óleo de coco, provocando uma maior sensação de saciedade e energia. Não sabemos dizer se a moda do café com queijo – ou com manteiga – vai pegar em Portugal. Aqui na Ruminantes pode ser que experimentemos. A foto, pelo menos, tem bom aspeto!

Realizar-se-á no próximo dia 8 de fevereiro, uma 6ª feira, o 5º Encontro Técnico de Produção de Leite, organizado pela Serbuvet. Este Encontro terá lugar na Estação Zootécnica Nacional, em Vale de Santarém. Como vem já sendo hábito, serão discutidos temas relevantes para o setor leiteiro, incluindo palestras sobre hipocalcémia, análises e correções de solos ou o panorama da PAC pós-2020 para as explorações leiteiras. Para além das palestras, espera-se que a presença de todos contribua para a partilha de conhecimentos e evolução do setor. As inscrições podem ser feitas através do e-mail geral@serbuvet.com.


GENÉTICA

ENTREVISTA A FILIPE DUARTE

CONVERSÃO AO PROCROSS: EM BUSCA DE LONGEVIDADE E RENTABILIDADE No final de 2018, em plena época festiva, fomos até à vila de Valega (Ovar), visitar a exploração de Filipe Duarte e da sua família. Começaram com o programa ProCROSS há três anos e optaram por converter a totalidade da exploração. Numa conversa, Filipe põe-nos a par deste percurso e conta-nos os resultados que já é capaz de observar. Como e quando começou esta sociedade e que marcos históricos e decisões importantes tomou desde então? Esta exploração começou com os meus pais. Eu e o meu irmão sempre trabalhámos aqui, mas tínhamos outros empregos. Até que chegou uma altura em que os meus pais deixaram de poder e tínhamos que tomar uma decisão. Em janeiro de 2016 formei a sociedade com a minha mãe. Na altura com 40 vacas. Desde então já aumentámos a área, começámos com 12ha e atualmente temos 29ha; aumentámos o número de animais para 60. Inicialmente a exploração só tinha Holstein. Há 3 anos decidiu começar a cruzar o seu efetivo? Porque decidiu “abandonar” as Holstein puras? O principal ponto que me fez mudar e começar a trabalhar a 100% com ProCROSS foi a longevidade dos animais dentro da exploração. Quando tínhamos apenas Holstein acabava por ter frequentemente problemas de patas, mamites, problemas de fertilidade... E não conseguia manter os animais por muito tempo na exploração.

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Que cruzamento faz atualmente? Porquê? Sigo o programa ProCROSS ou seja cruzamento Holstein Frísia, Vermelha Sueca e Montbéliarde. Antes de tomarmos esta decisão ponderámos bastante durante algum tempo. Informámo-nos com outras explorações e só depois decidimos mudar. Que gerações de animais tem na exploração? Tenho muitos animais de primeira geração e apenas dois de segunda. Neste momento todos os animais que tenho para parir já são todos ProCROSS. As últimas novilhas Holstein puras pariram há pouco tempo. Comprou recentemente animais? Onde? Sim, comprei este ano 5 animais. Todas primíparas. Comprei no Casal de Quintanelas. Qual a ordem pelo qual cruza os animais? Depende do animal de que estamos a falar. Se for uma novilha pura Holstein eu, por decisão nossa, cruzo

com Vermelha Sueca para conseguir umas crias mais pequenas e facilitar os partos. A partir dessa fase é como o programa manda. Passado este período de três anos, que ainda é curto, que melhorias viu? São animais que não me trazem tantos problemas de saúde, especialmente problemas de patas. Não posso dizer que tenho uma experiência muito vasta porque de facto ainda passou pouco tempo, mas estou a gostar dos resultados até agora. A quem vende o leite? Vendemos à Proleite, 700 000 litros anuais. Nota diferença na qualidade do leite? Neste momento não porque já temos uma qualidade de leite muito boa, e ainda são poucos animais, não posso dizer que é por esse motivo... Qual o comportamento destes animais ProCROSS? Costuma dizerse que são irrequietos. Na minha opinião são animais fáceis


Entrevista a Filipe Duarte

Nunca pensei que fosse tão rentável principalmente nos machos. Costumo dizer em jeito de brincadeira que no ProCROSS até o refugo é bom!

de trabalhar, são animais dóceis. São ligeiramente mais “vivos” que os outros, gostam de correr, há sempre uma a chatear a outra. E na ordenha, como se comportam? A mesma coisa, são animais mais irrequietos, não que sejam ariscos ou agressivos, mas são de facto mais irrequietos.

Em termos de consumo alimentar, acha que consome mais alimento do que antes? Pelo contrário, a sensação que tenho, e principalmente nas novilhas, é que consomem menos alimento. Com que idade faz a primeira inseminação destes animais? Perto dos 12 meses, 12 meses e meio. Passei a fazer mais cedo com o programa ProCROSS. Com as Holstein não conseguia aos 12 meses a condição corporal que consigo agora com estas novilhas. Assim consigo partos aos 22/23 meses. O que faz com os vitelos machos? Engorda? Tem facilidade em vender? Trato exatamente como as fêmeas. Engordo-os e perto dos 10/11/12 meses vendemos. Depende um bocado da altura do ano. Por vezes temos que atrasar as saídas por causa dos valores da carne.

Já fazia o mesmo com os machos Holstein? Fazia. Depois deixei de fazer porque não era muito rentável. Os machos sim, consumiam muito mais alimento do que estes, e ao vender tornavase pouco rentável até porque não ganham tantos kg de carcaça. Tem mais facilidade em vender então estes animais ProCROSS? Sim, há muito mais procura e vendo-os com um maior peso. Já esperava essa mais-valia? Nunca pensei que fosse tão rentável principalmente nos machos. Costumo dizer em jeito de brincadeira que no ProCROSS até o refugo é bom! Que dados recolhe na sala de ordenha? Os únicos dados que recolho na sala de ordenha são os litros de leite por vaca, contraste leiteiro... Esse

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GENÉTICA

antibióticos. Tem-nos feito mudar muitas coisas.

tipo de coisas. Mas, por enquanto, não é a sala que faz a recolha de dados. Além destes dados, no geral recolho dados relacionados com as inseminações e tratamentos que fazemos.

são os principais problemas que tem tido aqui? Problemas de cascos, por estarem o dia todo no cimento. Costumava ter mamites também, mas neste momento já quase não tenho.

Pensa investir em tecnologia? Sim. Estou a pensar investir numa sala de ordenha nova que já faça recolha de dados automática. Atualmente tenho apenas um programa onde introduzo os dados manualmente.

Em relação a despesas com saúde animal acha então que conseguiu reduzir o valor? Sim, sem dúvida que a fatura agora é mais baixa.

Nas instalações pensa fazer algum investimento? Penso investir sim, de forma a aumentar o bem-estar animal e atingir mais uma lactação por vaca (atualmente fazemos apenas 2,4 lactações). Gostava de investir num sistema de cama quente. Em termos de saúde animal quais

Tem noção nesta fatura do que tem mais peso? Aquilo que gasta com prevenção ou tratamentos? Neste momento deve estar equilibrado. Há um ano atrás posso dizer que era muito superior o valor dos tratamentos. A médica veterinária com que trabalhamos atualmente, Dra Inês Rebelo da Proleite, defende muito a importância da prevenção e aposta na redução da utilização de

DADOS DA EXPLORAÇÃO

Qual é o sistema alimentar que tem? A ração é toda dada no Unifeed, não damos ração na sala de ordenha. Neste momento por vaca damos 30kg de silagem de milho, ½ kg de palha, 7 kg de erva e 10 kg de ração, para produzir 30 litros por vaca. Qual é o indicador que utiliza para perceber se o negócio está a correr bem ou não? Os dias de cada vaca em leite, e a qualidade do leite. Todos os dias vejo isso no programa. Para mim o ideal seria ter médias de 33 litros por vaca com a qualidade de leite que temos neste momento. Atualmente temos 4,13% de gordura, 3.56% de proteína, média anual das células somáticas de 157.000 e cerca de 9.000 contagem microbiana total.

DADOS REPRODUTIVOS

NOME: Agro Cunha e Duarte Lda (sócios Alice Duarte e Filipe Duarte)

IDADE AO PRIMEIRO PARTO: 23 meses

LOCALIZAÇÃO: Vila de Valega, Ovar

IEP (INTERVALO ENTRE PARTOS): 399 dias

ÁREA DA EXPLORAÇÃO: 29 ha

DIAS EM ABERTO: 127 dias

Nº EMPREGADOS: 3

Nº IA/NOVILHA GESTANTE: 1,7

PRODUÇÃO LEITE TOTAL VACARIA/ANO: 700 000 litros

TAXA DE DETEÇÃO DE CIOS: 42%

EFETIVO TOTAL: 162

TAXA DE FERTILIDADE: 55% vacas e 70% novilhas

Nº VACAS EM ORDENHA: 62

INTERVALO PARTO | 1ª INSEMINAÇÃO: 56 dias

PRODUÇÃO LEITEIRA MÉDIA AOS 365 DIAS: 11 000 Litros PRODUÇÃO MÉDIA DIÁRIA: 30 litros/vaca GB (%) 4,13

TAXA DE FERTILIDADE

PB (%) 3,56 CCS: 157 000 cél/ml IDADE MÉDIA AO ABATE: 4,5 anos TAXA DE REFUGO ANUAL: 30%

55%

70%

VACAS

NOVILHAS

TAXA DE SUBSTITUIÇÃO ANUAL: 30%

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PROCROSS

O Único programa de crossbreeding no mundo já provado

A Montbeliarde Transmite

• Condição corporal • Força e Robustez

• Longevidade • Sólidos do Leite • Cascos sólidos • Alta mobilidade dos animais

Alguns dos actuais melhores touros que estão disponiveis • Elastar

• Crasat

• Camel

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SAÚDE & BEM-ESTAR

COCCIDIOSE EM BORREGOS

A gravidade dos sinais clínicos depende de vários fatores como a/as espécie/s do parasita envolvidas, a quantidade de oocistos ingerida pelos animais, idade, stress, higiene e maneio. TEXTO MARGARIDA CARVALHO

O QUE É? A Coccidiose é uma doença parasitária causada pela infeção por parasitas da subclasse Coccidia, e mais frequentemente do género Eimeria. Existe um número elevado de espécies de Eimeria sendo a doença frequentemente causada por infeções conjuntas de mais de uma espécie. A maioria das espécies não causa, por si só, manifestações clinicas da doença. Nos ovinos estão descritas 15 espécies de Eimeria que podem provocar doença, sendo que E. crandallis e E. ovinoida-

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lis são consideradas as espécies mais patogénicas em ovinos e estão associadas ao aparecimento de doença em borregos.

COMO SE INFETAM OS ANIMAIS? As Eimeria têm um ciclo de vida complexo, com diversas fases, algumas das quais ocorrem no exterior e outras no interior do hospedeiro, levando a graves lesões do intestino. Os animais infetam-se pela ingestão de água ou alimento contaminados com oocistos esporulados – o estado

infetante. Os oocistos não esporulados, são expelidos nas fezes dos animais infetados, esporulando no ambiente. Os oocistos podem resistir no ambiente durante mais de um ano numa grande amplitude térmica (entre os -30ºC e os 40ºC). Após a ingestão dos oocistos, dão-se as seguintes fases do ciclo de vida deste parasita durante as quais ocorre a lesão das células intestinais. As lesões na mucosa levam a alterações da função intestinal, perda de sangue, fluidos, proteínas e eletrólitos, originando diarreia.


Coccidiose em borregos

3 PREVENIR FORMAS DE

1. MANEIO

Frequentemente os animais jovens infetam-se ao ingerir os oocistos, que devido a más condições de higiene ficam aderentes aos tetos das mães. Também nos casos em que é feito aleitamento artificial, a infeção é possível pelo contacto com materiais que não foram corretamente higienizados. Os borregos infetados acabam depois por excretar mais oocistos para o ambiente contribuindo para a infeção dos outros.

também anorexia, desidratação e prostração, podendo mesmo culminar na morte do animal. Outras vezes os animais apresentam diarreias crónicas com emaciação progressiva.

COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO? O diagnóstico é geralmente baseado na história e sinais clínicos e na contagem de oocistos nas fezes e avaliação das espécies de Eimeria envolvidas.

COMO SE MANIFESTA?

EXISTE TRATAMENTO?

A gravidade dos sinais clínicos depende de vários fatores como a/as espécie/s do parasita envolvidas, a quantidade de oocistos ingerida pelos animais, idade, stress, higiene e maneio. Enquanto alguns animais podem não apresentar sinais de doença, outros podem apresentar quadros de diarreia aguda acentuada, por vezes sanguinolenta, apresentando

Os animais que apresentam sinais clínicos da doença devem iniciar um tratamento médico de suporte de forma a controlar a diarreia, a desidratação e eventuais infeções secundárias. A administração de produtos anti-coccidias pode também ter resultados positivos, em especial numa fase inicial da doença. Procure sempre o apoio do seu médico veterinário assistente.

Grande parte da prevenção passa pelo maneio. Sobrepopulação e um maneio deficiente, com camas sujas e húmidas e comedouros e bebedouros em locais suscetíveis de contaminação fecal, facilitam o contágio fecal-oral.

Grande parte da prevenção passa pelo maneio. Sobrepopulação e um maneio deficiente, com camas sujas e húmidas e comedouros e bebedouros em locais suscetíveis de contaminação fecal, facilitam o contágio fecal-oral. Assim, é importante manter as instalações corretamente higienizadas e secas, ter atenção ao posicionamento dos comedouros e bebedouros, e evitar grandes grupos de animais no mesmo espaço. Procure manter as camas sempre limpas e secas. Embora os oocistos sejam, no geral, bastante resistentes aos desinfetantes, existem algumas combinações de produtos/concentração que permitem reduzir a sua presença no ambiente. Peça apoio ao médico veterinário assistente na altura de escolher os melhores produtos para limpeza e desinfeção das instalações. Situações de stress e deficiências nutritivas devem também ser evitadas.

2. IMUNIDADE

A ingestão de colostro pelos borregos é uma forma de prevenir a doença, pois através dele recebem os primeiros anticorpos anti-coccidias.

3. FÁRMACOS

Existem no mercado alguns fármacos coccidiostáticos que podem ser utilizados de forma profilática, ajudando a proteger os animais mais suscetíveis. No entanto, é importante ter em mente o possível desenvolvimento de resistências a estes fármacos. Aconselhe-se com o seu médico veterinário.

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SAÚDE & BEM-ESTAR

“O DESCANSO DAS GUERREIRAS”

A ESCOLHA DA CAMA IDEAL PARA BOVINOS TEXTO MARGARIDA CARVALHO

E

stamos no Inverno, esta é oficialmente a estação mais fria do ano. Embora em Portugal possamos, de forma geral, beneficiar de um clima ameno, esta é uma boa altura para refletir sobre as camas que proporcionamos aos nossos animais. Quer seja por uma questão económica, ou por preocupações relativas ao bem-estar animal (que como bem sabemos tanto afetam a produtividade), vamos sempre a tempo de repensar os materiais que usamos e procurar alternativas aos materiais mais tradicionais.

AFINAL O QUE DEVEMOS TER EM CONTA NESTA ESCOLHA? O mercado proporciona atualmente

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vários materiais que podem ser usados, e é importante pesar as suas vantagens e desvantagens na hora de escolher escolher o mais adequado para cada exploração. Quando pensamos em materiais alternativos, existem vários fatores a ter em conta. O preço, tem um peso indiscutível, mas além deste devemos equacionar fatores como a quantidade necessária de material para proporcionar conforto aos animais, facilidade com que as camas são mantidas limpas e secas, disponibilidade do material no mercado e facilidade com que se elimina (ver a check-list). A pensar nestes fatores apresentamos um quadro síntese com alguns dos materiais

CHECK-LIST

PARA A CAMA IDEAL ü Tem um preço competitivo ü Mantém os animais limpos e secos ü É confortável, aumentando o tempo

de repouso dos animais ü É fácil de armazenar ü É fácil de eliminar ü Material não abrasivo ü Não escorregadia ü Boa capacidade de absorção ü Não é favorável ao crescimento

de microrganismos patogénicos


A escolha da cama ideal para bovinos

TIPO

CUSTO (€)*

CAPACIDADE DE ABSORÇÃO

ELIMINAÇÃO

Se não for renovada com regularidade cria um ambiente propicio ao desenvolvimento bacteriano e ao aparecimento de micotoxinas. Pode originar problemas respiratórios. Em quantidades insuficientes sobre cimento aumenta o risco de lesões.

Moderada

Fácil

Moderada

Pode ser espalhado na terra

Boa

Pode causar alterações no pH dos solos

Fraca

Compostagem. O material em boas condições pode ser reutilizado.

Variável

Pode ser difícil de espalhar e aumentar excessivamente os níveis de nitrogenio na terra.

QUANTIDADE

VANTAGENS

DESVANTAGENS

Conforto Boa capacidade de isolamento térmico Capacidade de absorção moderada. É palatável.

PALHA

110€/ton

É preferivel fazer uma cama com alguma altura. Alguma da palha pode ser comida devido à sua palatibilidade

SERRIM

50€/ton

1 tonelada cobre aproximadamente 100-120 m2, a uma altura de 5cm

Conforto e higiene se tiver maneio eficiente.

Tem que ser renovada frequentemente porque a matéria seca diminui à medida que absorve urina. Em condições de humidade podem aparecer bolores.

AREIA

7,5€/ton

7,5-10 kg/vaca/dia

Material Inerte, dificulta a proliferação bacteriana. Em quantidades suficientes proporciona conforto aos animais, aumentando o tempo de repouso e melhorando a produtividade.

Depende do formato dos grãos e da quantidade de areia, podendo ser abrasiva. Pode levar ao desgaste de equipamentos e superfícies.

APARAS DE MADEIRA

16-20€/m3

A altura recomendada é de 10cm

Conforto e higiene se for de boa qualidade

Necessita de condições ideiais de armazenamento. Frequentemente abrasivas se as aparas tiverem formas inadequadas.

PAPEL

50€/ton 100€/ton (dependendo do produto)

2-2,5 kg por cubículo

Fácil de armazenar. Os produtos granulares feitos à base de papel têm uma boa capacidade de absorção.

Geralmente pouco absorvente, os animais ficam frequentemente sujos e molhados. Pode sobreaquecer quando húmido e contribuir para o crescimento bacteriano. Quando molhado fica duro e deve ser removido.

CARBONATO DE CÁLCIO

11,50€ (gramagem grossa), 27€ (gramagem final)

500 g por cubiculo

Não permite o crescimento bacteriano. Pode ser misturado com outros materiais.

Muito alcalino, pode provocar queimaduras. O preço.

Boa

É recomendável avaliar os solos antes de espalhar pois pode alterar significativamente o pH.

CASCAS TRITURADAS

0,72€/m3

1 tonelada cobre aproximadamente 100-120 m2 a uma altura de 5cm

Disponível todo o ano, fácil de eliminar

Devem ser guardadas em locais secos. Deve utilizar-se em conjunto com um produto antibacteriano

Boa

Biodegradável

COLCHÕES

Variável acima de 100€ por metro linear

NA

Muitas novas tecnologias, de boa qualidade, disponiveis no mercado (com água, que ajudam na termorregulação etc). Podem ser combinados com outros produtos.

É preciso ter em conta que estes produtos também se deterioram com o tempo e precisam de ser renovados. Caso contrário tornam-se abrasivos

NA

NA

* Alguns dos valores foram adaptados dos valores praticados noutros países pelo que podem não refletir a realidade portuguesa

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SAÚDE & BEM-ESTAR

OS TESTEMUNHOS CAMA DE SERRIM (CAMA QUENTE) FILIPE MARICATO

CAMA DE AREIA JOÃO DIOGO SILVA

MILKMONDEGO - INVESTIMENTOS AGRÍCOLAS, LDA.

FONTE DE LEITE EXPLORAÇÃO AGRÍCOLA E PECUÁRIA, SA

Fale-nos no sistema que utiliza nos seus estábulos “Aqui fazemos estabulação livre. Nas vacas utilizo cama quente de serrim. Vamos acrescentando sempre material seco de forma a controlar a humidade. Estamos a trabalhar com cerca de quarenta centímetros de altura. De manhã tiramos as vacas para ordenha e mexemos a cama e voltamos a fazer o mesmo ao final do dia. “ E porque não utiliza palha? Não pode utilizar a palha no mesmo sistema? “Continuo a utilizar camas de palha apenas nas novilhas. Os dejetos acabam por ter menos humidade o que faz com que este material funcione com custos inferiores. Podia utilizar também outros materiais para este tipo de cama nas vacas, como a casca de arroz. Devem ser sempre materiais de dimensões reduzidas para permitir arejar a cama, o que não é fácil com a palha.” Já utilizou outro tipo de camas? Há quanto tempo utiliza este processo? “Anteriormente usávamos palha, mas retirávamos toda ao final do dia. Estamos com este processo há pouco tempo, apenas há dois meses.” Já consegue ver alguma vantagem ou não? Que dificuldades tem sentido? “Na teoria conheço as vantagens, na prática ainda é cedo para dizer... O que está a ser mais complicado é sem dúvida controlar a humidade agora a entrar na estação húmida. Este tipo de cama implica um bom controlo da ventilação, temos que ter os estábulos bem ventilados vinte e quatro horas por dia. Sinto que ainda estamos a aprender! Mas para os animais este sistema é excelente. Desapareceram as dermatites, houve uma redução nos problemas podais e em termos de bem-estar animal é muito melhor porque os animais têm mais espaço e liberdade de movimentos.” Ao fim de quanto tempo é que retira todo o material da cama? “Neste sistema costuma fazer-se de seis em seis meses ou de ano a ano. Mas geralmente não se retira tudo, porque o processo depois demora mais a recomeçar. Retira-se metade, e vai se acrescentando material novo. Tendo lá material já decomposto a cama vai começar a funcionar mais depressa. O que ajuda a cama a secar é precisamente a produção de calor destas camas associado à ventilação.”

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Há quanto tempo utilizam camas de areia? Quais os resultados que têm obtido? “Nós utilizamos camas de areia desde 2008, anteriormente usávamos tapetes de borracha. Esta alteração permitiu-nos atingir melhores resultados em termos de conforto e bem-estar animal. Além disso por ser uma matéria inerte, não orgânica, dificulta o desenvolvimento de microrganismos o que reduz a incidência de mamites, em comparação com outros materiais que costumam ser utilizados, como a palha ou o serrim. Também resolvemos os problemas de abcessos nos curvilhões. Como avalia esta opção em termos de custo/beneficio? “Esta opção tem um custo aproximado de 40-45€ por vaca por ano. Até agora este valor tem sido compensado pelos benefícios. O grande problema das camas de areia está relacionado com o desgaste da maquinaria que está associada ao material da ETAR, como as bombas, e os agitadores... Existe também o problema da deposição das areias nas lagoas, para o qual tivemos que pensar num sistema alternativo para que a areia, depois do processo de separação primária, passasse por uma fase de pré-lagoas, para conseguir conter a maior quantidade possível de areia.” Pensa mudar para outros materiais? “Neste momento estamos a estudar outras opções como cama feita à base do estrume através de um processo de fermentação/pasteurização. Esta opção além de ser mais barata vai ser menos exigente em relação à sua eliminação. Talvez haja uma ligeira penalização na higiene quando comparadas às camas de areia, mas quando analisamos os prós e contras será a melhor opção”.

Além disso por ser matéria inerte, não orgânica, dificulta o desenvolvimento de microrganismos o que reduz a incidência de mamites, em comparação com outros materiais que costumam ser utilizados


ATUALIDADE

COW WELFARE LANÇA O NOVO CONCEITO 2020+: MAIOR RENDIMENTO OU GARANTIA DE DEVOLUÇÃO DO DINHEIRO A empresa Cow-Welfare, conhecida pela introdução no mercado do polímero como alternativa aos cubículos e às barreiras de alimentação em ferro, lançou na EuroTier 2018 o novo conceito 2020+ que engloba diferentes produtos, partilha de conhecimento, garantia de resultados e melhoria do bem-estar animal. Com este conceito, a empresa promete aos agricultores um aumento diário de até 4kg de produção de leite por vaca derivado do investimento em soluções de bem-estar animal. Neste conceito entram produtos já bem conhecidos da marca como barreiras de alimentação, cubículos flexíveis, colchões ou soluções de ventilação aos quais se junta uma avaliação do bem-estar a partir da qual se elabora uma garantia de rendimento.

A avaliação do bem-estar envolve áreas como a iluminação, qualidade do ar, claudicação, saúde do úbere, tempo de repouso e alimentação. É com base na garantia que a empresa promete reembolsos caso o agricultor não alcance os objetivos. A garantia de rendimento pode ser aplicada tanto a projetos de renovação como a novas construções. No caso de novas construções, é mais difícil abordar claramente quais melhorias são causadas pelos produtos da Cow-Welfare e quais são as melhorias causadas por outras mudanças. Nestes casos, o foco é o aumento global, medido na quantidade e qualidade do leite. O objetivo comum é aumentar o bem-estar animal e otimizar o potencial de produção das vacas. Este conceito pretende também

alcançar ligações de maior proximidade entre o fabricante, o agricultor e o revendedor. A empresa atribui assim uma importância crucial aos revendedores da marca que têm a seu cargo as avaliações de bem-estar devidamente certificadas. Da parte do agricultor é necessário que esteja disponível para a partilha de informação permitindo uma correta avaliação inicial. O fundador da empresa, Tommy Wollesen afirma que a sua intenção é tornar o investimento em bem-estar animal menos arriscado para o produtor concedendo reembolso de até 40% do montante investido quando os objetivos prometidos pela empresa não são alcançados.

O NOVO CONCEITO 2020+ EXPLICADO POR QUATRO ETAPAS AVALIAÇÃO DE BEM-ESTAR

IMPLEMENTAÇÃO (PERÍODO VARIÁVEL)

PERÍODO DE RESULTADOS (PERÍODO DE LACTAÇÃO)

REEMBOLSO (GARANTIA)

Auditoria às vacas e estábulo (visita ao estábulo)

Acordo

Período de adaptação das vacas

Resultados finais alcançados

Montagem de produtos Acesso aos dados

Otimização da produção Aprovação da montagem

Possível retorno (10% em média por cada litro em falta por vaca)

Resultados da medição

1

2

3

4

VACAS SAUDÁVEIS SÃO VACAS RENTÁVEIS Cow-Welfare FREEDOM FOR COWS

Cow-Welfare Flex Feed (patenteado)

10 anos Garantia

Cow-Welfare Flex Stall (patenteado)

instalado em 1.3 milhões de animais

www.cow-welfare.com - Tel. 91 253 55 93

instalado em 1.6 milhões de animais


SAÚDE & BEM-ESTAR

SAÚDE RUMINAL

A CHAVE PARA EVITAR FUTURAS PATOLOGIAS TEXTO ALFREDO OLIVA, MÉDICO VETERINÁRIO AMBIOTEC BALANCE

É

prática habitual em explorações pecuárias o uso de antibióticos, tanto para fins clínicos como preventivos e infelizmente, na maior parte dos casos, sem critério /indicação do veterinário. Exemplo disto são os tratamentos à entrada dos animais nas explorações, no desmame, na passagem para rações de iniciação ou rações de recria… assim como em qualquer situação de “stress” a que o animal seja sujeito, procurando evitar o desenvolvimento de qualquer germe patogénico no vazio imunológico que surge nestas situações. Sempre me perguntei: Porque é que estamos a tratar animais saudáveis com antibióticos? Porque é que utilizamos estes produtos durante períodos tão longos? Na medicina humana isto não poderia ser mais claro: só se aplica antibioterapia se se fizer o diagnóstico de uma bactéria como agente responsável pela doença. Com isto, só se pretende que seja o paciente a vencer a infeção (quando esta tem origem vírica) e que, quando necessária antibioterapia, o antibiótico faça efeito. O uso de antibióticos não só tem efeitos benéficos, como prejudiciais, originados fundamentalmente pelo uso indevido ou excessivo. Em seres humanos, o uso exacerbado destas substâncias em idades jovens está relacionado com o desenvolvimento de doenças como diabetes, obesidade, infeções intestinais crónicas, doenças autoimunes…

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Em medicina veterinária e, sobretudo, em espécies ruminantes (devido à complexidade do seu sistema digestivo) o mau emprego de antimicrobianos pode provocar desequilíbrios na flora digestiva, pois o antibiótico não faz a distinção entre a flora própria do indivíduo e os agentes patogénicos. Se este desequilíbrio não for corrigido, o animal começa a ter problemas na absorção de nutrientes, diarreias e predisposição para o aparecimento de outras doenças, principalmente de tipo respiratório. Além disso, quando fazemos tratamentos prolongados, não permitimos que o animal possa criar a sua própria flora microbiana, e assim o desenvolvimento desta está subordinado à presença destas substâncias. A isto temos que somar, quando se medica, tanto a ração como a água, situação na qual é realmente difícil ajustar as doses. Quando estas vias de administração são utilizadas, há alturas em que os microrganismos estão em contacto com o antimicrobiano a doses inferiores às terapêuticas ou a doses excessivamente altas. Esta dosagem incorreta leva ao aparecimento em explorações de bactérias multirresistentes que não sucumbem à ação de nenhum antibiótico, ou a combinações deles. Isto pode levar-nos, num futuro não muito distante, a que doenças consideradas menores passem a ser letais, pois não teremos “armas” para lhes fazer frente ou as que tivermos estarão obsoletas e não funcionarão. É um facto mais que comprovado que a flora intestinal é fundamental

para o bom funcionamento do sistema imunitário. Recordemos que, em certas espécies, os microrganismos gastro-intestinais são necessários para a síntese de certas vitaminas, fundamentalmente a B12 e a K, pois o hospedeiro não é capaz de as sintetizar por si próprio. Isto é muito mais importante para os ruminantes, cujo o aparelho digestivo é muito complexo. Até ao dia de hoje, não se conhece a cem por cento a totalidade das espécies de bactérias, leveduras, protozoários que constituem a flora ruminal. Por outro lado, uma grande parte dos órgãos linfoides encontra-se distribuída por todo o intestino, pois é uma das principais vias de entrada de microrganismos potencialmente infeciosos. Assim, porque não trabalhamos com esta base, em vez de nos dedicarmos a tratar animais doentes? Porque não dedicar mais tempo a procurar uma perfeita integridade do sistema digestivo? Porque não procuramos uma forma de dotar o animal das ferramentas necessárias para que possa desenvolver ao máximo a sua imunidade? O aparecimento da doença não é mais que o sinal do fracasso do que estamos a fazer. Sem dúvida há um vasto caminho a percorrer, muitas coisas que aprender, mas é fundamental mudar o conceito de produção animal e focar os nossos esforços na promoção da saúde. Quando falamos com gente mais velha, dizem sempre: “Havia um produto (ninguém sabe o que era) que só com um bocadinho, era suficiente para pa-


Saúde ruminal

rar a diarreia… mas claro, tudo o que é bom deixam de fazer!“ Provavelmente, a explicação para isto é que há 50 anos ainda não se tinham utilizado muitos antibióticos e os níveis de intensificação produtiva eram infinitamente menores e por isso, os animais não eram submetidos aos níveis de “stress” produtivo atuais, e qualquer antibiótico funcionava. Mas isso, hoje em dia, é uma utopia, e acontece precisamente o contrário: cada vez são menos os antibióticos cem por centos eficientes. Para os animais terem uma boa saúde digestiva, existem várias alternativas. As mais frequentemente utilizadas são os probióticos, os prebióticos (que se provêm de plantas se denominam por fitobióticos) e os simbióticos. O termo “prebiótico” inclui uma série de compostos, não digeríveis pelo animal, que melhoram o seu estado sanitário através da estimulação do crescimento e/ou a atividade de determinados microrganismos benéficos do trato digestivo. Por outro lado os probióticos são aditivos alimentares que incluem culturas vivas de uma ou várias espécies microbianas cultivadas artificialmente. Quando são administrados aos animais, provocam efeitos benéficos nos mesmos mediante modificações na população microbiana do seu trato digestivo. Os produtos simbióticos, são os que combinam as duas funções, a do probiótico e a do prebiótico, para obter um efeito sinergético. Os prebióticos mais frequentemente usados são os de origem vegetal (fitobióticos), os efeitos que mais se destacam a nível digestivo são o de servir de substrato para o desenvolvimento de bactéria lácticas (próprias do indivíduo) e criar um ambiente adverso para o desenvolvimento de bactérias tão importantes como o são os Clostrídios e E. coli. Também têm efeito “anti-protozoárico”, controlando a população de coccídeas e de criptoesporídeos. Tudo isto faz com

que se comportem como promotores do crescimento, pois com um intestino saudável o animal aproveita os nutrientes de forma mais eficiente e por isso, melhora o seu índice de conversão. Além disto, o uso de algum destes fitobióticos, em combinação com antibióticos, vulnerabiliza algumas bactérias, que eram imunes ao antibiótico, e potencia o efeito de alguns antimicrobianos. Dentro dos probióticos, os mais populares são as leveduras do género Sacaromyces. Utilizam-se tanto liofilizadas (secoactivas) como vivas, após activação no exterior do animal. Estas poder-se-iam considerar um simbiótico, pois contêm metabolitos próprios da atividade destes organismos (codificam cerca de 340 metabolitos) e são

responsáveis pelo aporte de nutrientes à microbiota ruminal, fazendo com que a sua influência na saúde ruminal seja mais elevada e evidente. O mecanismo de ação é muito mais complexo em ruminantes que em monogástricos. Em ambos, trata-se de fazer o aporte de flora externa que compita com a flora patogénica, mas em ruminantes acresce um efeito estabilizador do rúmen, consumindo o oxigénio e favorecendo o desenvolvimento da flora celulolítica, com o qual, promovemos um melhor aproveitamento das forragens. Portanto, temos ferramentas para prevenir a doença e temos que apostar em potenciar a capacidade do indivíduo para desenvolver respostas imunitárias eficazes.

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SAÚDE & BEM-ESTAR

O BEM-ESTAR ANIMAL E A DOR EM BOVINOS

USO DE ANTI-INFLAMATÓRIOS EM BOVINOS

N

TEXTO SIMÃO ROCHA, MÉDICO VETERINÁRIO,  INOGENVET, SIMAO.ROCHA@INOGEN.PT

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os nossos dias, o tema do bem-estar animal (BEA) é cada vez mais recorrente e os animais têm, aos olhos da maioria das pessoas, um estatuto bem diferente daquele que tinham há algum tempo. Se nos animais de companhia isto parece natural, nas espécies pecuárias também acontece, havendo um número crescente de consumidores que dão mais importância ao tema e que tomam decisões de comprar ou não determinado produto baseadas nessa premissa. Este tema é, portanto, transversal a vários grupos de intervenientes na cadeia de produção, desde os produtores aos consumidores, passando pelos médicos veterinários (MV). Para os MV esta questão é natural, pois faz parte dos seus deveres éticos e deontológicos. Já no caso dos produtores, este conceito pode ser mais difícil de implementar, seja por questões financeiras – custo ou investimento? – ou culturais. Felizmente, a nova geração de

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produtores, apoiada principalmente pelos técnicos (veterinários, nutricionistas, etc.) reconhecem que o BEA tem um alto impacto na produção dos seus animais, traduzindo-se numa maior rentabilidade da sua exploração. Como a dor é um conceito indissociável do BEA, a ausência da mesma é um fator importante para maximizarmos o bem-estar e a produção. É neste contexto que entram os anti-inflamatórios, pois são um dos grupos de fármacos que podemos utilizar para minimizar a dor num animal e permitir que recupere mais rapidamente.

ANTI-INFLAMATÓRIOS EM BOVINOS Os anti-inflamatórios são um dos grupos de fármacos mais usados em Medicina Veterinária, em particular na clínica de animais de produção, sendo os bovinos uma das espécies em que estes produtos mais são utilizados. Para simplificar, os anti-inflamatórios podem ser divididos em dois grandes grupos: os esteróides (vulgarmente designados corticóides) e os não esteróides. Apesar dos primeiros também serem bastante utilizados, focar-se-á este artigo no grupo dos anti-inflamatórios não esteróides (AINEs). Estes têm um efeito analgésico, anti-pirético e anti-inflamatório, podendo ser usados em situações tão diversas como doença respiratória, mamites, problemas músculo-esqueléticos, e podendo ser administrados por várias vias (parenteral ou oral), tornando-os fármacos muito versáteis. Se utilizados corretamente, são bastante seguros, podendo também ser utilizados em conjunto com outros analgésicos ou anestésicos locais. Os AINEs atuam sobre a cascata de inflamação, mais concretamente sobre as enzimas Cicloxigenase (COX), que têm o papel de converter o Ácido Araquidónico em Prostaglandinas (PG), Prostaciclinas e Tromboxano, que são substâncias mediadoras da inflamação. Esta enzima COX tem duas isoformas: as COX 1 e 2, sendo que foi recentemente descoberta uma terceira – COX 3, que se pensa derivar da COX


Uso de anti inflamatórios em bovinos

1. Esta divisão é importante, pois a COX 1 é responsável pela produção de substâncias essenciais ao bom funcionamento do organismo (como a proteção da mucosa gástrica), enquanto a COX 2 está ligada à produção de substâncias ligadas ao processo inflamatório (embora se considere que também pode ter algumas ações positivas para o organismo). É desta ação sobre COX 1 que advém grande parte dos efeitos indesejáveis dos AINEs, principalmente em animais desidratados, com problemas renais ou muito jovens. Assim, este tipo de medicamento deve ser evitado em animais insuficientes cardíacos, renais ou hepáticos.

FLUNIXINA MEGLUMINA

Este é o princípio ativo mais utilizado em bovinos, não só pela grande variedade de nomes comerciais, como também por poder ser usado em múltiplas situações. Atua sobre as COX 1 e 2 e tem um período de atuação rápido, atingindo picos de concentração máxima cerca de 1 hora após a aplicação e com duração de 4-8 horas. Pode ser utilizada em várias situações, desde problemas músculo-esqueléticos, doença respiratória ou endotoxémia (muitas vezes provocada pela chamada mamite de aguadilha). Está registada para administração por via endovenosa (IV). Existe também uma formulação tópica que tem absorção através da pele, que pode ser uma solução interessante para determinado grupo de animais (agressivos, contenção difícil, etc.). O intervalo de segurança (IS) para o leite varia entre 24 e 48 horas e para a carne entre 4 a 8 dias. Os tratamentos não devem exceder os 3 dias consecutivos, sob risco de ocorrerem efeitos indesejáveis, como o aumento do risco de úlceras gástricas, aumentando também o risco de retenção placentária,

Como a dor é um conceito indissociável do BEA, a ausência da mesma é um fator importante para maximizarmos o bem estar e a produção, e é aqui que entram os anti inflamatórios, pois são um dos grupos de fármacos que podemos utilizar para minimizar a dor num animal e permitir que recupere mais rapidamente. daí também não se dever utilizar nas primeiras 36 horas após o parto.

CARPROFENO Este é também um dos princípios ativos mais utilizados em bovinos, sendo aquele com maior tempo de atuação, o que o torna prático, pois apenas temos de o aplicar uma única vez (após este período, se não se verificarem melhorias, pode ser feita uma segunda aplicação). É também um inibidor da COX, sendo preferencial para COX 2, mas o seu mecanismo de ação ainda não é muito bem compreendido, tendo uma inibição na síntese de PG ligeira, o que o torna mais seguro para a mucosa gástrica. Tem uma ação potente a nível da redução da inflamação no tecido pulmonar, podendo também ser usado em problemas locomotores e mamites. Como é um fármaco de ação longa, tem duração de atividade de 72 horas, acontecendo o pico de atividade às 5 horas após administração. Está registado para aplicação subcutânea (SC) ou IV, tendo IS 0 dias para o leite e 21 dias para carne.

CETOPROFENO Este princípio ativo tem já bastantes anos de utilização, sendo também uma molécula bastante versátil, podendo ser usada tanto em doença respiratória, alterações músculo-esqueléticas, endotoxémia ou mamites. A molécula vai atuar mais acima na

cascata de inflamação (figura 1), por via do Ácido Araquidónico, o que vai atuar a nível das COX, mas também sobre a enzima Lipoxigenase, que contribui para a formação de leucotrienos, que, por sua vez, contribuem também para a inflamação. Além desta dupla ação, atua também sobre a Bradiquinina, inibindo-a, o que contribui para diminuir esses mesmos efeitos. Deve-se ter cuidado com a duração do tratamento, que não deve ultrapassar os 3 dias, devido ao risco de ulceração no trato gastro intestinal. Tem grande rapidez de atuação, atingindo o pico de atuação 40 minutos após administração (efeito analgésico a partir dos 15-20 minutos). Esta pode ser IV ou IM, havendo também apresentações orais (apenas com registo para vitelos). O IS é nulo para leite e 2-4 dias para a carne.

MELOXICAM Este AINE atua preferencialmente sobre COX 2, minimizando os efeitos indesejáveis da inibição da COX 1, como úlceras no TGI. Pode ser usado de forma preventiva em procedimentos de rotina, como descornas ou castrações (aplicar 20-30 minutos antes do procedimento), tal como em situações de doença respiratória, mamites, etc.. Ao contrário de outros AINEs, pode ser usado em animais muito jovens, tendo um efeito interessante em vitelos com diarreia, pois além do efeito anti-inflamatório e analgésico, tem um

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SAÚDE & BEM-ESTAR

TABELA 1 resumo das características dos medicamentos

PRINCÍPIO ATIVO

VIA DE ADMINISTRAÇÃO

DIAS DE TRATAMENTO

INTERVALO DE SEGURANÇA

Flunixina Meglumina

IV, tópica

3, pode ser administrado 12-12 h tópico - 1 aplicação

L - 24-48 horas C - 4-8 dias

Carprofeno

IV, SC

1 aplicação pode ser repetida após 72 horas

L - 0 dias C - 21 dias

Cetoprofeno

IV, IM, Oral

3, pode ser administrado 12-12 h

L - 0 dias C - 2-4 dias

Meloxicam

IV, SC

1 aplicação pode ser repetida após 48 horas

L - 0 dias C - 15 dias

Ác. Tolfenâmico

IV, IM

1 aplicação pode ser repetida após 48 horas

L - 0 dias C - 4 dias (IV), 10 dias (IM)

Ác. Acetilsalícilico

Oral

3-5 dias

C - 1 dia

Dipirona

IV, IM

1 aplicação pode ser repetida se sintomas se mantiverem

L - 2 dias C - 12 dias

efeito anti-secretor (leva ao aumento de consistência das fezes), além de proporcionar uma recuperação mais rápida do animal. É um fármaco de aplicação única, podendo haver uma segunda aplicação 48-72 horas mais tarde, se não houver melhorias. A administração pode ser por via SC ou IV. O IS é de 5 dias para o leite e 15 dias para a carne.

ÁCIDO TOLFENÂMICO Também tem ação sobre ambas as COX, podendo ser usado em várias situações, como doença respiratória ou mamites, sendo também de aplicação única, podendo o tratamento ser repetido após 48 horas. Tem uma grande velocidade de atuação, podendo atuar apenas 10 minutos após administração endovenosa, com o máximo de atuação a acontecer 1 hora após administração, e por um período de 24-48 horas. A administração pode ser por via IM ou IV. O IS é nulo para o leite e 4 dias (IV) ou 10 dias (IM) para a carne.

ÁCIDO ACETILSALÍCILICO Conhecemos este princípio ativo pelo nome comercial mais famoso, a Aspirina. Tem efeito anti-inflamatório e anti-pirético, com menor efeito analgésico. Está disponível para administração oral, podendo ser

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FIGURA 1 Cascata de inflamação

FOSFOLÍPIDOS Fosfolipase A2

ÁCIDO ARAQUIDÓNICO

5 - Lipoxigenase

15 - HPETE

5 - HPETE

Lipoxina A Lipoxina B

Leucotrieno A4 (LTA4)

Leucotrieno B4 (LTB4)

Cicloxigenase

PGG2

LTC 4 LTD4 LTE 4

usado em tratamento de grupo, por exemplo em animais com problemas respiratórios (e.g. engordas de vitelos). Não deve ser usado mais do que 5 dias, devido ao risco de ulceração do TGI. É colocado na água de bebida, tendo 1 dia de IS para a carne.

DIPIRONA (METAMIZOL) Esta molécula surge neste artigo, apesar de haver quem não a considere como um AINEs, pois possui um efeito antiinflamatório fraco. Os seus principais efeitos são a atuação a nível do TGI, com efeito espasmolítico (muito útil em situações de cólica) e também efeito anti-pirético. Pensa-se que atua sobre

Peroxidase

PGH2 Tromboxano Prostaciclina Prostaglandina (TxA2) (PGI2) PGE 2

PGF 2

PGD 2

COX 3, uma enzima derivada de COX 1, com um perfil de atuação diferente dos produtos descritos anteriormente (atua principalmente sobre o sistema nervoso central), vindo daí a sua função analgésica. A administração pode ser feita por via IM ou IV, e pode ser repetida se os sintomas se mantiverem. O IS para o leite é de 2 dias e para a carne de 12 dias. Conforme se pode constatar, há um grande número de soluções que podemos usar, o importante é verificar qual a molécula que melhor se adapta a cada situação, consultar sempre o médico veterinário responsável e respeitar sempre as indicações da bula do medicamento.


A EXCELÊNCIA E A INOVAÇÃO AO SERVIÇO DA AGRICULTURA BIOLÓGICA


PRODUTO

VITAS PORTUGAL LANÇA

INNOVABIO BY TIMAC AGRO

A EXCELÊNCIA E A INOVAÇÃO AO SERVIÇO DA AGRICULTURA BIOLÓGICA POR DEPARTAMENTO TÉCNICO TIMAC AGRO.

V

alorizar os ecossistemas, dinamizar as culturas, alimentar a planta e o solo. A agricultura biológica enfrenta hoje o desafio ambicioso de responder às exigências alimentares e à crescente procura dos consumidores. A VITAS Portugal decidiu dar um contributo e lançar um novo conceito inteiramente dedicado aos agricultores biológicos: INNOVABIO by TIMAC AGRO. O SEU KNOW-HOW ESPECIFICO : Criação e fabrico de soluções fertilizantes com alto valor acrescentado Acompanhamento e aconselhamento personalizados OS SEUS COMPROMISSOS: Melhores rendimentos respeitando os ciclos naturais Maior qualidade nutricional das colheitas O bem-estar e a saúde dos animais INNOVABIO by TIMAC AGRO oferece uma gama de fertilizantes, sólidos

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e líquidos, que associam matériasprimas nobres a um aditivo agronómico exclusivo. Estas novas soluções têm funções específicas que permitem ao agricultor biológico responder aos principais problemas com que se depara neste modo de produção. Graças a este conceito, a VITAS Portugal oferece assim aos agricultores biológicos a possibilidade de atuar sobre os diferentes mecanismos indispensáveis ao bom desenvolvimento das culturas, do início ao final do ciclo. Esta nova abordagem permite reforçar o potencial dos processos naturais do solo para otimizar o desenvolvimento da planta e das culturas. Com a INNOVABIO by TIMAC AGRO, a VITAS Portugal pretende dar uma nova força e centralidade à agricultura biológica. Uma equipa especializada (Investigação e Desenvolvimento, rede de técnicos, fábricas com tecnologia adequada) está totalmente dedicada a este desafio ambicioso!

UM CONCEITO ÚNICO E INOVADOR A produção agrícola e a agricultura biológica em particular, funcionam como um conjunto complexo de engrenagens que se ligam entre si e em que cada uma tem um forte impacto no sucesso da seguinte. O mesmo se passa com as plantas e as suas diferentes fases de desenvolvimento: as raízes e a rizosfera têm uma sinergia importante entre si e esta interação afeta diretamente as etapas seguintes do desenvolvimento da planta. A INNOVABIO by TIMAC AGRO pretende dar um contributo no círculo virtuoso dos ecossistemas, consciente de que na agricultura biológica, as funções do solo assumem uma importância acrescida. De forma a garantir o sucesso da produção do ano e de capitalizar as produções dos anos seguintes é importante otimizar o conjunto das várias fases das culturas e assim ganhar o desafio de obter o máximo rendimento com a máxima qualidade das produções.


Innovabio by Timac Agro

GAMAS INNOVABIO "MINERALIZAR E VALORIZAR AS CONTRIBUIÇÕES DO AZOTO ORGÂNICO"

"AUMENTAR O VIGOR DAS CULTURAS E A SUA RESISTÊNCIA AOS STRESSES"

"FERTILIZAR E ESTIMULAR AS CULTURAS PARA OTIMIZAR O SEU CRESCIMENTO"

1 Acelerar a mineralização da

1 Acelerar as primeiras etapas

1 Fornecer um fertilizante

2 Promover o desenvolvimento

2 Nutrir o solo e a planta

matéria orgânica

2 Regular a nitrificação

libertando o azoto nítrico gradualmente de acordo com as necessidades da planta

3 Limitar as perdas de

azoto durante o ciclo de mineralização (desnitrificação, volatilização, lixiviação)

do desenvolvimento da planta da zona radicular

3 Melhorar o vigor das culturas

4 Aumentar o potencial de

resistência das culturas aos stresses

4 Trabalhar a sinergia

Azoto-Fósforo (ao ativar a mineralização do fósforo orgânico, fornece a energia necessária (ATP) à planta para a absorção do nitrato)

1 Melhorar a nutrição e o

orgânico completo e de qualidade

crescimento das plantas, fornecendo bactérias que se associam às raízes

2 Estirpe bacteriana selecionada

para promover o seu desenvolvimento

3 Estimular o desenvolvimento radicular da cultura

4 Melhorar a absorção de

"FIXAR O AZOTO ATMOSFÉRICO E ESTIMULAR O DESENVOLVIMENTO DA CULTURA COM UM FORNECIMENTO DE BACTÉRIAS"

nutrientes para uma colheita de qualidade em quantidade

pela sua eficácia na fixação do azoto atmosférico

3 Estirpe selecionada pela sua

capacidade de implantação rápida num novo ecossistema

4 Estirpe selecionada

pela sua resistência e compatibilidade com o processo de granulação de certos fertilizantes (ex: corretivo calcário como o PHYSIOLITH).

BREVES

PRODUTORES DO REINO UNIDO DIMINUEM O CONSUMO DE ANTIBIÓTICOS No Reino Unido, começa a notar-se uma diminuição na utilização de antibióticos pelos produtores. As vendas de antibióticos baixaram em 18% entre 2016 e 2018 de acordo com os dados publicados pelo DEFRA. Esta descida é ainda mais expressiva no que toca aos antibióticos considerados de importância crítica. A resistência a antibióticos é neste momento uma ameaça à saúde global e acarreta custos elevados para a economia mundial. Falamos de resistência quando os microrganismos que causam infeção conseguem sobreviver à exposição a um antimicrobiano que normalmente os mataria ou impediria o seu crescimento.

veterinários, este decréscimo deve-se fundamentalmente a mais conhecimento, melhorias no maneio e uma aposta na prevenção que deve continuar a ser feita para assegurar a saúde animal e otimizar o uso de antibióticos. Apesar dos bons resultados, e de os produtores no Reino Unido terem das menores taxas de utilização de antibióticos, o governo britânico reconhece que ainda há muito a fazer nesta luta contra a resistência a antibióticos.

Os resultados do Reino Unido são fruto de uma estratégia do governo, lançada em 2013, para reduzir o desenvolvimento e a disseminação das resistências a antibióticos em animais e seres humanos. Desde então, e até 2017, as vendas de antibióticos já desceram 40%. De acordo com Christine Middlemiss, chefe dos serviços

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PRODUTO

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A EXCELÊNCIA E A INOVAÇÃO AO SERVIÇO DA AGRICULTURA BIOLÓGICA POR DEPARTAMENTO TÉCNICO TIMAC AGRO.

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alorizar os ecossistemas, dinamizar as culturas, alimentar a planta e o solo. A agricultura biológica enfrenta hoje o desafio ambicioso de responder às exigências alimentares e à crescente procura dos consumidores. A VITAS Portugal decidiu dar um contributo e lançar um novo conceito inteiramente dedicado aos agricultores biológicos: INNOVABIO by TIMAC AGRO. O SEU KNOW-HOW ESPECIFICO : Criação e fabrico de soluções fertilizantes com alto valor acrescentado Acompanhamento e aconselhamento personalizados OS SEUS COMPROMISSOS: Melhores rendimentos respeitando os ciclos naturais Maior qualidade nutricional das colheitas O bem-estar e a saúde dos animais INNOVABIO by TIMAC AGRO oferece uma gama de fertilizantes,

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sólidos e líquidos, que associam matérias-primas nobres a um aditivo agronómico exclusivo. Estas novas soluções têm funções específicas que permitem ao agricultor biológico responder aos principais problemas com que se depara neste modo de produção. Graças a este conceito, a VITAS Portugal oferece assim aos agricultores biológicos a possibilidade de atuar sobre os diferentes mecanismos indispensáveis ao bom desenvolvimento das culturas, do início ao final do ciclo. Esta nova abordagem permite reforçar o potencial dos processos naturais do solo para otimizar o desenvolvimento da planta e das culturas. Com a INNOVABIO by TIMAC AGRO, a VITAS Portugal pretende dar uma nova força e centralidade à agricultura biológica. Uma equipa especializada (Investigação e Desenvolvimento, rede de técnicos, fábricas com tecnologia adequada) está totalmente dedicada a este desafio ambicioso!

UM CONCEITO ÚNICO E INOVADOR A produção agrícola e a agricultura biológica em particular, funcionam como um conjunto complexo de engrenagens que se ligam entre si e em que cada uma tem um forte impacto no sucesso da seguinte. O mesmo se passa com as plantas e as suas diferentes fases de desenvolvimento: as raízes e a rizosfera têm uma sinergia importante entre si e esta interação afeta diretamente as etapas seguintes do desenvolvimento da planta. A INNOVABIO by TIMAC AGRO pretende dar um contributo no círculo virtuoso dos ecossistemas, consciente de que na agricultura biológica, as funções do solo assumem uma importância acrescida. De forma a garantir o sucesso da produção do ano e de capitalizar as produções dos anos seguintes é importante otimizar o conjunto das várias fases das culturas e assim ganhar o desafio de obter o máximo rendimento com a máxima qualidade das produções.


Innovabio by Timac Agro

GAMAS INNOVABIO "MINERALIZAR E VALORIZAR AS CONTRIBUIÇÕES DO AZOTO ORGÂNICO"

"AUMENTAR O VIGOR DAS CULTURAS E A SUA RESISTÊNCIA AOS STRESSES"

"FERTILIZAR E ESTIMULAR AS CULTURAS PARA OTIMIZAR O SEU CRESCIMENTO"

1 Acelerar a mineralização da

1 Acelerar as primeiras etapas

1 Fornecer um fertilizante

2 Promover o desenvolvimento

2 Nutrir o solo e a planta

matéria orgânica

2 Regular a nitrificação

libertando o azoto nítrico gradualmente de acordo com as necessidades da planta

3 Limitar as perdas de

azoto durante o ciclo de mineralização (desnitrificação, volatilização, lixiviação)

4 Trabalhar a sinergia

Azoto-Fósforo (ao ativar a mineralização do fósforo orgânico, fornece a energia necessária (ATP) à planta para a absorção do nitrato)

do desenvolvimento da planta da zona radicular

3 Melhorar o vigor das culturas

4 Aumentar o potencial de

resistência das culturas aos stresses

1 Melhorar a nutrição e o

orgânico completo e de qualidade

crescimento das plantas, fornecendo bactérias que se associam às raízes

2 Estirpe bacteriana selecionada

para promover o seu desenvolvimento

3 Estimular o desenvolvimento radicular da cultura

4 Melhorar a absorção de

"FIXAR O AZOTO ATMOSFÉRICO E ESTIMULAR O DESENVOLVIMENTO DA CULTURA COM UM FORNECIMENTO DE BACTÉRIAS"

nutrientes para uma colheita de qualidade em quantidade

pela sua eficácia na fixação do azoto atmosférico

3 Estirpe selecionada pela sua

capacidade de implantação rápida num novo ecossistema

4 Estirpe selecionada

pela sua resistência e compatibilidade com o processo de granulação de certos fertilizantes (ex: corretivo calcário como o PHYSIOLITH).

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PRODUTO

LELY VECTOR

SISTEMA AUTOMÁTICO DE ALIMENTAÇÃO PRIMEIRA INSTALAÇÃO NA PENÍNSULA IBÉRICA EM 2019

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epois de numerosas inovações da Lely no campo da ordenha automática, o Lely Vector é o próximo grande passo na automatização de métodos de trabalho dentro da produção de leite e, como tal, tem um impacto equivalente ao do robot de ordenha. O Vector garante que as vacas são alimentadas com grande precisão, de forma consistente e em tempo útil, permitindo que o produtor possa alcançar elevadas produtividades de forma eficiente. Desde a sua introdução em 2012, várias atualizações têm melhorado o sistema automático de alimentação Lely Vector em termos de hardware, software e facilidade de utilização. No

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final de 2018 foi lançada a versão mais recente – o VECTOR II. Esta atualização mais recente oferece aos agricultores mais conhecimento e controlo sobre o processo de alimentação e respectivos resultados. Nesta foi feito um “restyling” para além de alterações de construção que o tornaram mais robusto e durável. Toda a reformulação foi baseada na experiência das instalações em funcionamento e feedback dos produtores.

FLEXÍVEL O sistema garante um fornecimento constante de alimentos de uma forma flexível, 24 horas por dia, 7 dias por semana. O processo é totalmente auto-

matizado e garante a flexibilidade ideal para os agricultores que utilizam o sistema. O Lely Vector permite definir e ajustar a sua estratégia de alimentação para diferentes grupos de animais. Isso resulta na melhoria da saúde animal, na melhoria da eficiência alimentar, e portanto numa óptima produção de leite e carne. Os alimentos são armazenados na “cozinha”; uma área aberta sem quaisquer obstáculos, em que todos os tipos de alimentos podem ser armazenados, cada um no seu próprio local. Dependendo do tamanho da “cozinha”, o alimento pode ser armazenado durante um período de três dias. Isto significa que há alimento suficiente para além


O novo marco na facilidade de utilização

A Lely apresenta o Astronaut A5 Nós olhamos para as vacas e ouvimos os clientes. O nosso interface de utilização redesenhado facilita a ordenha automática. A ordenha de uma vaca pela primeira vez nunca foi tão fácil. O novo braço híbrido é silencioso e decisivo, o que dá conforto para a vaca e para o operador. E por favor, lembre-se da flexibilidade comprovada, economia de mão de obra e alivio físico. É por isso que o Astronaut A5 lhe oferece a melhor forma de ordenhar, a Si e ás suas vacas.

Saiba mais sobre este novo marco na ordenha no seu Lely Center.

www.lely.com

Lely Center São Félix da Marinha Alteiros t +351 227 538 339 e sao-felix-da-marinha@sao.lelycenter.com


PRODUTO

do fim-de-semana, permitindo aos agricultores e às suas famílias desfrutarem de mais tempo livre. Uma tenaz ou garra para captura dos alimentos move-se sobre a “cozinha” para selecionar os alimentos e colocá-los no robot de mistura e alimentação. A tenaz de captura varre toda a área de armazenamento dos alimentos selecionados para uma alimentação específica e recolhe os alimentos a partir do ponto mais alto.

COMO TRABALHA O SISTEMA DE ALIMENTAÇÃO AUTOMÁTICA LELY VECTOR O tempo de mistura e afinação das lâminas de corte pode ser ajustado á dieta para assegurar uma mistura homogénea do alimento

Depois de misturar, o robot de alimentação desloca-se de forma independente para o pavilhão onde será distribuído o alimento ao grupo especifico de animais

FRESCO Os concentrados são fornecidos por diferentes silos e doseadores (sem-fins) que permitem monitorizar as quantidades de ração, estas podem ser estabelecidas e medidas com a máxima precisão. Além disso, pequenas quantidades de sais minerais e aditivos podem ser misturados com os concentrados. Um interface do usuário com ecrã táctil é usado para definir o plano alimentar e a “cozinha”. É também possível programar as dietas consoante os diferentes grupos de animais e exibir uma variedade de relatórios. O sensor de nível de alimentação é uma prova de força tecnológica. O robot sabe exatamente que quantidade de alimento existe na manjedoura e determina quando e onde é necessário alimento, sem ser exigida qualquer intervenção do agricultor. Como existe um fornecimento contínuo de alimentos, não é necessário fazer grandes quantidades, portanto a alimentação é sempre fresca.

ECONÓMICO O Lely Vector economiza dinheiro, trabalho, tempo e energia. Ele usa muito menos energia comparado com outros sistemas de alimentação, sendo portanto mais económica a sua utilização. O Lely Vector também poupa os agricultores de uma série de outros problemas, encher a “cozinha” é tudo o que têm que fazer. Além disso, graças

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A garra recolhe as forragens e outros alimentos dos blocos ou rolos no chão da cozinha. O robot pode também ser fornecido a partir de silos ou outros doseadores.

Pode facilmente controlar a maquina com uma App no telemóvel enquanto monitoriza e altera as definições no programa de gestão Lely T4C

ao sistema de controlo elétrico, o Lely Vector é silencioso e ecológico, não perturbando o homem nem os animais. Dos estudos e trabalhos práticos realizados nos últimos anos após a implementação em explorações de leite (ordenha robotizada e convencional) e carne, destacamos alguns dados: Mais de 60% dos agricultores economizaram tempo (mais de 500 Horas/ ano); 50% dos agricultores tiveram um aumento no crescimento dos seus vitelos em comparação com o grupo control e em 50% a qualidade da carne dos vitelos melhorou; Os agricultores notaram os seus vitelos mais relaxados; Os agricultores com ordenha robotizada tiveram aumento de 5% no número de ordenhas e mais quantidade de leite; Aumentou o consumo do total de matéria seca, especialmente nos animais de baixa hierarquia;

Os agricultores possuem mais flexibilidade para gerir o seu dia; Mais de 85% dos agricultores recomendam o Lely Vector; Para salvaguardar uma implantação e desenvolvimento profissionais na rede de distribuição de Lely Centers, a Lely optou por uma implantação por fases nos diferentes países. O primeiro sistema a ser instalado na península ibérica será em 2019 em Espanha, estando previsto para Portugal no ano seguinte. O Lely Vector é um sistema de alimentação completo e eficiente que permite aos modernos criadores de ruminantes controlarem o seu negócio da melhor forma. Com a invenção deste Robot de Alimentação, a Lely foi a primeira empresa a lançar um sistema eficiente no mercado. O Lely Vector é mais um grande passo na automatização do negócio da produção leiteira e também na criação de outros ruminantes.


NOVIDADES PRODUTO

HAVERÁ UM TAMANHO IDEAL PARA OS RUMINANTES? É a esta questão que um novo projeto de investigação do Colégio Rural Escocês e da empresa AbacusBio International pretende responder. O resultado desejado é que os produtores do Reino Unido consigam determinar o nível de desenvolvimento corporal ótimo em bovinos de carne e ovinos e sua relação com indicadores de fertilidade, de forma a maximizar a sua eficiência de produção. No Reino Unido, a produção de carne destes ruminantes representa um dos pilares da economia agrícola, tendo já sido reconhecida a ligação entre a produtividade dos reprodutores e o lucro das explorações. Atualmente com catorze milhões de ovinos e dois milhões de bovinos, tem-se verificado um aumento do tamanho corporal destes animais, tendência indesejável, já que isto pode implicar um aumento dos custos de produção visto que a idade de abate se tem mantido. Uma das variáveis em estudo é a compreensão dos fatores genéticos envolvidos no crescimento, e a sua relação com a maturidade reprodutiva das fêmeas. A variedade existente entre efetivos de diferentes regiões do Reino Unido será o ponto de partida, e prometem-se resultados para o segundo semestre do ano.

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milhões é o número de ovinos no Reino Unido

milhões é o número de bovinos ruminantes janeiro .fevereiro .março 2019

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NOVIDADES PRODUTO

É EXTREMAMENTE IMPORTANTE NUMA EXPLORAÇÃO REDUZIR OS PROBLEMAS DE SAÚDE DE FORMA A RESPEITAR O BEM-ESTAR ANIMAL, AUMENTAR A PRODUTIVIDADE E OBTER MELHORES RESULTADOS ECONÓMICOS

URBAN VITAL CONTROL COM MEDIÇÃO DE TEMPERATURA 4.0 É sabido que é extremamente importante numa exploração reduzir os problemas de saúde de forma a respeitar o bem-estar animal, aumentar a produtividade e obter melhores resultados económicos. Uma das formas de avaliar o estado de saúde dos animais pode passar por controlar a temperatura dos animais doentes. Até agora, monitorizar a curva de temperatura e a condição geral dos animais tem sido feito com recurso a termómetros simples e anotações em papel. Este método, no entanto, tem limitações especialmente em grandes explorações com vários empregados.

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Para colmatar esta falha o termómetro digital Urban Vital Control tem integrado um leitor RFID e permite a deteção da temperatura rectal e o armazenamento da informação para cada animal, construindo a curva de temperatura e o encaminhando estes dados para outros programas de gestão da exploração. O sistema proporciona também documentação de suporte e um sistema de gestão para a saúde e bem-estar animal podendo inclusivamente gerar alarmes e listas de monitorização. A transferência de dados pode ser feita através de wireless ou via USB.

MS CORUNDUM As unhas suportam o leite! Distúrbios e/ou doenças nas unhas originam problemas de longo termo no bem-estar animal e na produtividade da vaca leiteira. Quanto mais cedo estes problemas forem detetados, mais fácil será tratar as unhas na altura certa. Com o MS Corundum, a Schippers GmbH criou um sistema inovador para a monitorização preventiva e a análise do modelo da unha. À saída da sala de ordenha, a vaca alcança um portão de seleção com identificação animal. Os animais que foram ordenhados imediatamente antes são separados através da porta de seleção e encaminhados para o a. Enquanto a vaca está de pé numa camada de água, as unhas são examinadas no Hoof Scan através de ultrassons e ao mesmo tempo o peso do animal é detetado através de um sistema de pesagem integrado. O sistema de

análise integrado regista a informação e deteta alterações. Após a próxima visita à sala de ordenha os animais assinalados são encaminhados para outra sala onde são tratados. Para este tratamento, os profissionais de podologia têm acesso à informação registada, imagens scan e ao peso dos animais nos seus tablets ou smartphones. Com este sistema inovador é possível pela primeira vez detetar automaticamente alterações da unha e agir de forma preventiva. Com o software integrado, desvios ao modelo “normal” da unha são reconhecidos numa fase inicial contribuindo para o bem-estar dos animais. Em conjunto com todo o sistema de gestão e maneio da exploração isto resulta em menos tratamentos de claudicação, redução do volume de trabalho, maior produção de leite e por fim diminuição dos custos com veterinários e tratamento.


NOVIDADES PRODUTO SISTEMA TOUCHSCREEN DE NOVA GERAÇÃO

DAIRYMASTER

Quanto mais curto for o tempo de ordenha, menor o tempo que os animais têm que ficar na sala de espera – o que é um fator comprovado de redução de claudicação e aumento de bem-estar animal. Em explorações com um carrossel de ordenha, a duração da ordenha está dependente da velocidade do carrossel. Este fator não é fácil de otimizar mesmo para ordenhadores experientes. Isto aplica-se principalmente quando um animal tem que ser tratado durante a ordenha o que implica a paragem do carrossel. No Dairymaster Mission Control, o fabricante Irlandês faz uma aposta num sistema touchscreen de última geração. O sistema OptiCruise, integrado no Dairymaster Mission Control, baseia-se na história produtiva de cada animal, calculando posteriormente a quantidade de leite expectável e contrapondo estes dados com o tempo de ordenha dos animais que já estão a ser ordenhados no carrossel. Com recurso a inteligência artificial e modelos matemáticos, a velocidade do carrossel é otimizada.

, a pioneira, a inovadora.

A ganhanheira de discos mais vendida no mundo

SISTEMA CBS Estima-se que até 50% dos animais de uma exploração de vacas leiteiras possam ter problemas nas suas unhas ou extremidades; os distúrbios locomotores são também a segunda maior causa para perdas. Reconhecer o inicio da claudicação requer um olho treinado e talentoso da parte do produtor. A monitorização regular dos animais necessita de um grande dispêndio de tempo, pode ter uma interpretação subjetiva e resultar em stress acrescido para os animais se estes estiverem que estar parados nos locais de tratamento para follow-ups mais exatos. O sistema de análise automática 3D da dsp-Agrosoft GmbH é utilizado para tirar medidas de forma objectiva e contactless, evitando assim esse stress. O score de condição corporal e o

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score de movimento são registados após cada ordenha. Em explorações maiores isto permite a deteção de anormalidades e o registo de medidas de forma rápida. Este sistema pode ser ligado a um software de gestão da produção. Com a deteção precoce de claudicação, o bem-estar animal na exploração é aumentado e os produtores podem basear as suas decisões relativamente a tratamentos, numa inspeção estandardizada, objetiva e regular dos animais.

50 anos a fornecer aos agricultores as melhores inovações para garantir a qualidade da forragem, a performance e a rentabilidade.

agricultura | pecuária | espaços verdes

Email: divagricola@auto-industrial.pt http://divisaoagricola.autoindustrial.pt

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NÃO DEIXE DE VISITAR

5º ENCONTRO TÉCNICO DE PRODUÇÃO DE LEITE ESTAÇÃO ZOOTÉCNICA NACIONAL QUINTA FONTE BOA VALE DE SANTARÉM 8.FEVEREIRO.2019

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Ruminantes 32  

Edição nº32/2019 A revista da Agropecuária

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