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Ano 1 - Nº 3 • Eur: 5,00 • Directora: Francisca Gusmão

Outubro | Novembro | Dezembro 2011 (Trimestral)


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EDITORIAL

ALTERNATIVAS á que a esperança é a última a morrer mas limitandonos a fiar na Virgem não resulta, neste infeliz período do tempo que atravessamos, toda a gente capaz de produzir trabalho devia procurar alternativas para superar a carga brutal de encargos a que estamos submetidos. Referimo-nos às pessoas desempregadas, às que estão em vista disso e aos empresários que já estão a investir o dinheiro que ganharam e começam a aperceber-se que a sua empresa, como uma bola de neve a formar-se num crescendo sem fim, vai acabar numa alavanche imparável, limpando-lhe as poupanças ganhas em anos de labor.

J

Quem já não tenha a capacidade para mudar de profissão, pela idade avançada ou por falta de conhecimentos suficientes para cingrar em outro ramo de actividades; quem se capacite que não tem o nível de inteligência capaz de competir e superar os grandes cérebros que dominam no seu sector de negócio; quem não aceite a ideia de procurar outro país para viver, baseando-se em que as histórias com sucesso de quem deu esse passo representam uma gota no oceano, onde os mal sucedidos foram obrigados a voltar, deve enveredar por aproveitar o que mais perto de si está por explorar, a partir do que o nosso país ainda tem para oferecer. Em Portugal, como na maioria dos outros países, há muita gente que nasceu e foi criada no interior e depois migrou para o litoral e para os grandes aglomerados de povoações, pelas enormes diferenças existentes, de então, que ofereciam as grandes cidades. No entretanto, há já em muitas dessas localidades uma série de facilidades que não existiam e que agora concorrem para o desenvolvimento de actividades económicas, face aos melhoramentos desde essa altura aí ocorridos. Escolas, piscinas e campos de desporto, zonas industriais, internet e, entre outras, estradas e autoestradas de acesso. É aqui que muitos dos recursos naturais reaproveitados, depois do abandono obrigatório de uma parte substancial das terras aráveis, podem constituir uma reserva importante de oportunidades para quem pretende fugir à crise, seja pela via da exploração agrícola, agro-pecuária, agro-florestal ou agro-alimentar, seja pelo lado do desenvolvimento turístico, ou através de outros nichos de negócio passíveis de pôr em prática como, por exemplo, a agricultura e a criação de gado biológica.

O aumento da produção da actividade primária, como é comprovado por entidades conhecedoras em economia e por empresários agrícolas e criadores de gado, é a alavanca que pode contribuir para que Portugal baixe o seu nível de défice externo, na medida em que um dos travões à exportação reside na nossa escassa quantidade de oferta, o que por outro lado contribui para uma forte dependência da importação de alimentos. Por mais bizarro que possa parecer, de tal maneira acreditamos no que afirmamos que, em nosso entender, o Governo deveria basear-se no que foi promulgado em 1375 pelo Rei Fernando I de Portugal, ao decretar a Lei das Sesmarias. Para quem já não se lembra do que a História de Portugal nos ensinou (e porque velhos são os trapos…), pelo cabimento actual da referida Lei recordamos, num excerto, do que consta : “A Lei das Sesmarias insere-se num contexto de crise económica que se manifestava há já algumas décadas por toda a Europa” (…) “A lei obrigava os proprietários a cultivar as terras mediante pena de expropriação, ou a atribuição e fixação de um justo e sustentável preço a pagar pelos rendeiros” (…) “A lei procurava aumentar o número de trabalhadores rurais pela compulsão de mendigos, ociosos e vadios que pudessem fazer uso do seu corpo” (…) “Pela sua escassez, a lei pretendia aumentar a produção de cereais e do gado para o combate à crise económica”. Para muitos, nomeadamente para quem já tenha habitação própria e algum terreno para cultivar, o retorno às origens pode ser uma forma de combate ao brutal flagelo do desemprego, à desertificação de determinadas zonas e de contribuir para que o seu país, dos seus filhos e dos seus netos, não venha a ter que mendigar pela Europa e pelo resto do mundo fora. De resto, o regresso às origens já está na ordem do dia: a Energia, tão vital para a Humanidade como o Ar que respiramos e a Água que bebemos, já está a produzir trabalho como antigamente, através das plantas, do vento, do sol e da água.

N.G.

fg@revista-ruminantes.com

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ÍNDICE

FICHA TÉCNICA

ACTUALIDADES

EQUIPAMENTOS

Produtores de leite franceses defendem contratos mais justos ..............................6 Top 20 dos grupos leiteiros no mundo .......................6 A Lactalis é líder mundial ...........................................7 Agronegócio brasileiro com crescimento de 9% ........7 Os “Global Players” na fileira da carne de bovino .....8 Na Índia, o consumo de carne impulsiona produção de milho .................................9 New Holland Agriculture patrocina Campanha de Acção Climática.................................................36 Ano Internacional da Veterinária .............................54

Space 2011 - Novidades seleccionadas ..................56 A nova série MF 7600 da Massey Ferguson............58 John Deere Série 7R, ainda mais completa.............58 Trelleborg lança pneu gigante para tractores...........58 Telescópicos New Holland para a pecuária .............59 New Holland T8: mais potência e produtividade......59

Classificados.............................................................66

PRODUÇÃO DOSSIER MILHO Novos desafios na produção animal ........................14 TimacAgro lança a gama VITACOMPLEX ...............20 A alimentação da vaca seca.....................................35 Sistema OPTIBEEF..................................................42 Pastagens e forragens - Técnicas fundamentais para o sucesso .......................................................44 Veterinário em campo: Coccidiose .......................48 Prevenção das patologias podais ............................50 Lançamento de antibiótico de longa duração ..........52 A agricultura de conservação e a sementeira directa em culturas arvenses ........60

IACA – Assoc. Portuguesa dos Industriais de Alimentos Compostos para Animais

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ASSINATURAS João Correia

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Portugal

Europa Europe

Resto do Mundo Other Countries

20 €

60 €

100 €

NOME | Name MORADA | Address

TEL.

Explorações Agropecuárias de : | José Alberto Chula

Ana Botelho

Cargill compra Provimi por 1500 milhões de euros .12 Cabras, um negócio a explorar ...............................18 Sementeira directa: Testemunho de um agricultor...65

LOCALIDADE | City

AGRADECIMENTOS

DESIGN E PRE-IMPRESSÃO

Segurança na sala de ordenha ................................55

CÓDIGO POSTAL | C.P.

Ana Vieira; António Barão; António Cannas; Carlos Martinho; Carolina Maia; Elisabete Carneiro; George Stilwell; Inês Ajuda; Jerónimo Pinto; Joan Riera; José Freire; José Luís Campos; Luís Queiroz; Luís Veiga; Mário Carvalho; O. Breistma; Paulo Costa e Sousa; Pedro Caramona; Pedro Vacas de Carvalho; Ricardo Freixial; S. Pasteiner; Sílvia Benquerença; Vânia Silva; Y. Acosta Aragón.

Américo Rodrigues, Catarina Gusmão

Arte no campo .........................................................67

ENTREVISTAS

1 ano (4 exemplares) 1 year (4 issues)

Francisca Gusmão

PUBLICIDADE

RUMINARTE

SEGURANÇA

Preços | Prices

DIRECTORA

COLABORARAM NESTA EDIÇÃO

Bem-estar de ruminantes .........................................46

OBSERVATÓRIO Breves comentários e previsões sobre o mercado de matérias-primas ..............................37 Preços do Leite no Mundo .......................................39

OUTUBRO | NOVEMBRO | DEZEMBRO 2011

Calendário de feiras .................................................66

BEM-ESTAR ANIMAL

ECONOMIA

EDIÇÃO Nº3

| fg@revista-ruminantes.com

FEIRAS

NEGÓCIOS

Introdução.................................................................22 Utilização de silagem de milho em pequenos ruminantes.......................................24 As fontes de energia para a produção de leite ........26 Estabilidade aeróbia da silagem ..............................28 Impacto das micotoxinas na qualidade do leite e na saúde das vacas leiteiras...............................32 Jornadas de campo Dekalb 2011.............................34

Rum nantes

PAÍS | Country

EMAIL

Peres - SocTip E.N. nº10 - Km 108,3 - Porto Alto 2135-114 Samora Correia

ESCRITÓRIOS

R. Nelson Pereira Neves, Nº1, Lj.1 e 2 - 2670-338 Loures Tel. 219 830 130 | Fax. 219 833 359 | geral@revista-ruminantes.com

PROPRIEDADE / EDITOR

Nugon, Lda. / Nuno Gusmão Contribuinte nº: 502 885 203 Sede: Rua São João de Deus, Nº21 2670-371 Loures Tiragem: 8.000 exemplares Periodicidade: Trimestral Registo nº: 126038 Depósito legal nº: 325298/11

www.revista-ruminantes.com www.facebook.com/RevistaRuminantes

ASSINATURA | Signature

Morada para envio | Address: Revista Ruminantes - R. Nelson Pereira Neves, Lj. 1 e 2 • 2670-338 Loures - Portugal

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ACTUALIDADES

EMPRESAS

Produtores de leite franceses defendem contratos mais justos

A organização de produtores de leite France MilkBoard apresentou um contrato modelo com termos e condições mais justas para os produtores de leite franceses na feira agrícola SPACE.

A Lei sobre a Modernização da Agricultura (LMA) de 2010 obriga as empresas de laticínios francesas a elaborar contratos de fornecimento de leite cru para os seus agricultores. A intenção desta lei era melhorar a posição dos agricultores perante a indústria de transformação. Mas, segundo comunicado do France MilkBoard*, os contratos

fornecidos aos agricultores pelas indústrias de laticínios não têm tido aceitação por parte dos mesmo uma vez que, até agora, apenas 5% dos agricultores franceses os subscreveram. E isto porque não contêm preços concretos, estipulando apenas os volumes a entregar, e não permitem que os produtores se unam para aumentar o seu poder de negociação. Desta forma, estes contratos serviriam apenas para institucionalizar a dependência dos produtores face às empresas de lacticínios. Reagindo a estas propostas,a organização de produtores France MilkBoard entregou a Bruno Le Maire, Ministro da Agricultura francês, o seu próprio modelo de contrato durante a realização da feira francesa agrícola SPACE em Setembro último. A organização sustenta que, ao contrário dos contratos das empresas de lacticínios, o seu modelo de contrato fortalece os direitos dos produtores de leite. O referido contrato seria assinado por um período de cinco anos, especificaria o volume de oferta e estipularia um preço do leite com base nos custos reais de produção, definidos actualmente nos € 0,412 por litro de leite cru, verificados

anualmente por uma comissão independente. A European MilkBoard felicitou esta iniciativa mas referiu igualmente a necessidade de criação, a longo prazo, de uma agência independente de monitorização do mercado a nível europeu para assegurar uma regulação inteligente do mercado do leite e evitar futuras crises. Segundo uma notícia publicada no site espanhol Agrodigital, o contrato proposto pela France MilkBoard estabeleceria uma série de pontos relativos aos custos de produção os quais teriam que incluir: a) custos correntes de €265/1000 L; b) amortização no valor de €76/1000 L; c) custos derivados dos capitais próprios e das terras em propriedade (€10/1000 L); cargas sociais (€40/1000 L) A soma destes pontos perfaz um total de €492/1000 L aos quais se somariam 5% de margem de segurança. A este valor haveria ainda que descontar €105 relativos a ajudas, preço da carne, vendas dos vitelos, etc, do que resultaria um preço base de €412/1000 L. * France MilkBoard: organização pertencente à European Milk Board, que agrupa associações de produtores de leite e lobbies de agricultores de 12 países

Top 20 dos grupos leiteiros no mundo O volume de negócios acumulado dos 20 líderes mundiais duplicou em pouco mais de uma década. Este aumento explica-se principalmente pelo crescimento de volume; os preços foram aumento de forma moderada. Assistiu-se à chegada de duas empresas chinesas (Mengniu e Yili) que registaram um forte crescimento nos últimos cinco anos, assim como da mexicana Lala. A empresa indiana Amul deverá juntar-se brevemente ao Top 20.

A Lactalis, com a aquisição da Parmalat, alcançou o segundo lugar no grupo dos maiores produtores mundiais.

Fonte: Rabobank (Junho 2011)

6

Nestlé Danone Fonterra Lactalis Friesland Campina Dean Foods Dairy F. of America Arla Foods Kraft Foods Unilever Saputo Meiji Dairies DMK Sodiaal Parmalat Morinaga Milk Industry Bongrain Mengniu Yili Schreiber Food

(1)

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20

Volume de negócios 2010 em milhões de euros (1) = =    =   = =       

Suíça França Nova Zelandia França Holanda EUA EUA Dinamarca, Suécia EUA Holanda, Reino U. Canadá Japão Alemanha França Itália Japão França China China EUA

21,2 12,3 9,1 9,1 8,8 8,2 7,4 6,9 5,3 5,1 4,3 4,1 4 4 3,9 3,8 3,6 3,4 3,3 3

Volume de negócios incluindo as fusões/aquisições realizadas em 2010 e entre Janeiro e Junho de 2011. Estimativas.

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EMPRESAS

A Lactalis é líder mundial

Após a aquisição de 83,3% do capital da Parmalat, a Lactalis tornou-se o segundo grupo leiteiro mundial atrás da Nestlé com um volume de negócios que ultrapassa 14 mil milhões de euros. A complementaridade dos dois grupos é geográfica e funciona também ao nível dos produtos. A Parmalat está presente na América do Sul, na África

do Sul e na Austrália; na sua maioria, zonas onde a Lactalis não está implantada. A Parmalat beneficia da presença da Lactalis na Europa, Médio Oriente e EUA. Só a Ásia está de fora. Com a Parmalat, a Lactalis reforça a sua posição nos mercados do leite de consumo, mas também dos queijos e dos ultra-frescos. O ano 2010 foi o ano de Es-

Agronegócio brasileiro com crescimento de 9% O agronegócio — entendido como o conjunto de negócios relacionados com a agricultura e pecuária no Brasil — deverá terrminar em 2011 com um crescimento de 9% no Produto Interno Bruto do sector, o dobro da expansão esperada para o PIB nacional, de acordo com uma notícia publicada em Agosto último pela América Economia. “Estamos vivendo o maior ciclo de preços altos da história recente. Nunca houve tama-

nha duração de procura maior que a oferta”, afirmou o ex-ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Roberto Rodrigues, coordenador do Centro de Agronegócio da Fundação Getulio Vargas (FGV). A procura internacional de alimentos, impulsionada pelos países emergentes, principalmente a China, e o aumento no poder de compra da classe média brasileira, estão entre os factores apontados como âncoras

ACTUALIDADES

panha para o grupo, com a aquisição de três empresas. O ano de 2011 é o ano italiano. A Lactalis terá desembolsado cerca de 3,7 mil milhões de euros para adquirir a Parmalat, o que deverá fazer subir a sua dívida para aproximadamente 6,6 mil milhões de euros.

para o excelente desempenho do sector. O Ministério da Agricultura espera que as exportações do agronegócio brasileiro ultrapassem US$ 90 biliões em 2011, valor recorde e 18% acima do registado no ano passado. No primeiro semestre, foram embarcados US$ 43,2 biliões, com destaque para o complexo soja – o Brasil é o segundo maior exportador mundial - responsável por US$ 12,7 biliões.


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ACTUALIDADES

EMPRESAS

Fonte: Relatório FranceAgriMer - Agosto 2011

Os “Global Players” na fileira da carne de bovino Americanos e brasileiros nos primeiros lugares De há cerca de 20 anos para cá tem vindo a assistir-se a uma significativa, continuada e crescente concentração na indústria cárnica mundial. Actualmente, os 10 principais grupos industriais são responsáveis por 15% do mercado mundial. Estes grupos são principalmente norte-americanos e brasileiros. Os principais players internacionais no sector das carnes são poucos: menos de dez, americanos ou brasileiros. Na sua maioria, são actualmente multi-espécies, embora tenham mantido uma actividade predominante no seu negócio de origem. Os primeiros grupos europeus (Danish Crown, Vion, Bigard, Doux, LDC ...) estão muito atrás, com uma projecção industrial que raramente ultrapassa as fronteiras da União Europeia em matéria de instalações industriais. A recente constituição de players globais brasileiros no sector da carne tem mudado um pouco a situação. Uma concorrência entre actores brasileiros e americanos nas oportunidades de fusão / aquisição / parceria tornou-se possível. Este clube exclusivo de players tem capacidade para realizar facilmente investimentos em todo o mundo,

desde que os montantes financeiros a investir sejam modestos à escala dos respectivos grupos, mas que possam ser importantes à escala do país em causa (tomada de controlo de um dos principais grupos industriais do país). Com o apoio de bancos ou fundos privados, devido à sua influência internacional, têm capacidade para efectuar aquisições de grande envergadura. Além disso, através das operações de compra / venda, as unidades industriais são propensas a mudar de mãos em alguns anos, como foi o caso do grupo brasileiro Seara, que se tornou americano após a sua aquisição pela Cargill em 2004, e de novo brasileiro ao ser comprado pela Marfrig em 2009. Estes desenvolvimentos recentes não deixam de ter consequências sobre a organização das fileiras, sobre a natureza das relações entre os agentes da fileira a montante e a jusante, sobre os fluxos de carne em todo o mundo, mas também sobre a geopolítica da produções animais. Os governos tornaram-se particularmente vigilantes sobre a posição dominante desses

grupos, que podem adquirir, num curto espaço de tempo, várias empresas importantes. Em 2008, o ministério americano da Justiça impediu a continuação da aquisição pela JBS da Beef Packing Company, o número quatro no sector, considerando que o novo contexto poderia vir a ter potenciais efeitos negativos sobre os preços na fase de produção e consumo. A uma escala global, esses grandes grupos têm um poder significativo na expansão local da produção animal pelas aquisições sucessivas em diferentes continentes. Pela envergadura que possuem na economia agroalimentar mundial, tornaram-se players da geopolítica em detrimento dos governos e estruturas internacionais.

Principais grupos da indústria da carne em todo o mundo

M. ton. 14

Porcos

Bovinos

12

Aves de capoeira

10 8 6 4 2

8

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Hormel

Bachoco

Nanjing yurun Food

Tönnies

Olymel

Doux

People's Food

Shineway/Shuanghui

Perdue

Marfrig

Danish Crown

Vion

Brasil Foods

Cargill

Smithfield Foods

Tyson Foods

Jbs

0

»


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ACTUALIDADES

EMPRESAS

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Principais “global players” no sector da carne Empresas

JBs Tyson Foods Cargill (negócio de carne) Brasil Foods Danish Crown Marfrig Danish Crown Hormel Foods Vion Tönnies Fleisch Bigard LDC Perdue Farms Nanjing Yurun Group Shineway/Shuanghui Bachoco People’s Foods Olymel Doux

Volume de negócios 31,31 28,43 ≈ 15,00 12,91 11,76 9,68 8,05 6,99 6,67 5,70 5,51 3,39 4,60 2,75 2,20 2,12 2,11 2,04 1,86

No início da década de1990, sobretudo nos Estados Unidos, importantes grupos de dimensão internacional surgiram no sector da carne, tais como a Smithfield Foods, a Tyson Foods ou a Cargill. A constituição de grandes grupos brasileiros (JBS, Marfrig, Foods Brasil) teve lugar mais tarde, no início do século XXI. Actualmente, os dez maiores grupos asseguram a comercialização de, aproximadamente, 15% da produção mundial de carne. Muitas vezes, o crescimento externo desses grupos ocorreu através de fusões e aquisições de empresas especializadas no mesmo sector (aquisição de Circle Four Farms, Carroll’s Foods e Murphy

Farms Inc. pela Smithfield Foods na década de 1990, a aquisição do sector de aves da Cargill pela Tyson Foods em 1995 ...). Formaram-se empresas multisectoriais (bovinos, aves, suínos) como a Tyson Foods, JBS, Cargill, Brasil Foods, Smithfield Foods, Marfrig ... presentes em vários continentes, fruto de aquisições múltiplas e por vezes muito variadas. Alguns grupos empresariais, como a Brasil Foods, a Cargill ou a Marfrig detêm uma série de atividades que vão muito além da produção de carne. A Brasil Foods opera actualmente nos sectores das aves, suínos, bovinos, laticínios e alimentos processados, no Brasil e no exterior; A Marfrig nas áreas da conservação de carnes (de bovino, ovino e suíno), frango, couros e produtos transformados, principalmente após a aquisição da Keystone Foods em 2010; a JBs nos sectores alimentar, couro, biodiesel, colagéneo... No ranking mundial dos grandes gruTop 5 de carne de frango

Empresas JBS

M. ton. 3,80

pos do sector das carnes, os dois primeiros grupos europeus, Vion e Danish Crown, ocupam respectivamente a sexto e a sétima posições com cerca de 2 milhões de toneladas abatidas, muito atrás da JBS (11 milhões de toneladas) e da Tyson Foods (9 milhões de toneladas). Por outro lado, a Vion e a Danish Crown, mesmo tendo adquirido empresas de abate de bovinos, mantiveram-se especializadas no abate e corte de carne de porco. As suas atividades limitam-se à União Europeia, particularmente o Norte, (Alemanha, Holanda e Reino Unido no caso da Vion; Dinamarca, Alemanha e Reino Unido para a Danish Crown.) O grupo francês Frangosul, especializado na produção de aves de capoeira e primeiro grupo avícola na Europa, posiciona-se no 12º lugar. O surgimento de grupos chineses (Shineway / Shuanghui, People’s Food e Nanjing Yurun Food), todos virados para a indústria de suínos, é um dos destaques da última década. 

Top 5 de carne de porco

Empresas

M. ton.

Smithfield Foods

3,22

Top 5 de carne de bovino

Empresas

JBS

Tyson Foods

3,51

Danish Crown

2,11

Tyson

Perdue

1,48

Snineway/Shuanghui

1,44

Marfrig

Brasil Foods

Snineway/Shuanghui

2,80 1,30

M. ton. = Milhões de toneladas

Vion

People’s Food

1,58

1,42

Cargill

Smithfield Foods

M. ton. 7,65 3,83 3,18 1,10

0,56

Na Índia, o consumo de carne impulsiona a produção de milho A produção de milho na Índia, o segundo maior produtor da Ásia, poderá duplicar na próxima década, para compensar o aumento da procura de carne e a consequente crescente procura alimentar para o gado doméstico e manter a posição do país como um fornecedor barato para o mercado asiático. A superfície plantada de milho da Índia é a quinta maior do mundo com mais de oito milhões de hectares, mas as suas produtividades estão entre as

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mais baixas - variando de 1 a 4,5 toneladas por hectare, em comparação com a média de 10 toneladas nos Estados Unidos. Ainda que muito baixos, estes valores representam uma melhoria desde o início do século, quando a Índia era um importador líquido de milho. O uso de sementes de alto rendimento aumentou, ajudando a satisfazer a procura interna e permite actualmente disponibilizar 2 a 3 milhões de toneladas para exportação.


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ENTREVISTA

Cargill compra Provimi por 1500 milhões de euros A multinacional americana Cargill, especializada na produção de alimentos e que também opera no segmento da alimentação animal formalizou, em Agosto passado, uma proposta de compra da multinacional Provimi, que detém em Portugal duas fábricas empregando cerca de 160 trabalhadores. A operação, que envolve um montante de 1500 milhões de euros, aguarda apenas a autorização das entidades reguladoras. Detido até aqui pelo fundo de 'private equity' Permira, o grupo Provimi, dedicado à produção de alimentos para animais, facturou 1,6 mil milhões de euros em 2010 e detém 67 unidades fabris, empregando 7000 pessoas na Europa, Ásia, África e América Latina. A Cargill, com sede em Minneapolis (Minesota), é um dos maiores grupos agroalimentares dos Estados Unidos com mais de 130.000 empregados em 63 países. tratégico para a sua nova fase de crescimento. Receber uma proposta da Cargill para adquirir a Provimi representava um resultado altamente atraente neste processo de revisão.

Em entrevista à Revista Ruminantes, Carlos Martinho, Director Comercial da Provimi Iberia, S.A. afirmou considerar a Cargill um parceiro “altamente atraente” para a sua nova fase de crescimento.

O que motivou o Grupo Permira a vender a sua participação na Provimi? - A Provimi iniciou um processo de transformação, que começou há quatro anos e que está agora praticamente concluída. A Provimi estava preparada para a sua próxima fase de crescimento. Há cinco meses atrás, a empresa decidiu realizar uma revisão estratégica do negócio para encontrar o melhor parceiro es-

12

Porque é que a Cargill decidiu comprar a Provimi? - Como é do conhecimento geral, o negócio da Provimi é altamente atractivo porque tem vários negócios internacionais focados na Nutrição Animal, com uma boa posição nos mercados emergentes e de maior valor em produtos com fortes perspectivas de crescimento. A Provimi tem uma qualidade excelente de profissionais e a Cargill aguarda com muita expectativa adicionar o conhecimento, a experiência e a unidade que trazemos para a sua organização. A Provimi oferece à Cargill um passo significativo para a fusão do alto valor agregado e segmentos de especialidades, bem como traz fortes posições dentro da América Latina, Rússia e Ásia. Ambas as empresas têm uma forte cultura com um ênfase em valores fundamentais e nas pessoas. Conhecimento, talento e liderança são as principais razões para a existência deste negócio. A Provimi é uma marca muito forte em todo o mundo e, juntos, seremos a organização mais bem posicionada e líder mundial em nutrição animal. Esta compra será uma boa notícia? - As duas empresas são complementares tanto geograficamente como em actividades de negócio. Ambas têm um forte enfoque em soluções inovadoras de nutrição para atender as necessidades de hoje em termos de sustentabilidade. A Cargill é uma das maiores empresas do mundo privado e oferece à Provimi mais capacidades e mais re-

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ENTREVISTA »

cursos. O compromisso da Cargill com a nutrição animal, a sua dimensão e as vantagens competitivas fazem dela o parceiro ideal para levar os negócios da Provimi para outro nível. A Cargill pode oferecer economias de escala, incluindo acesso a fundos para novas oportunidades de mais investimento, potencial para uma base de produção mais eficiente, acesso a novos mercados e mais oportunidades de crescimento. E está empenhada em investir mais para fazer crescer o negócio da Provimi e proporcionar melhores oportunidades de carreira para as pessoas dentro de uma organização global, incluindo a capacidade de trocar experiências com a sua ampla gama de empresas. A Cargill é uma empresa em que a sustentabilidade e responsabilidade social corporativa estão no topo da agenda, temas que se tornarão ainda mais relevantes no futuro.

Como será feita a integração da Organização Provimi na Cargill? - Após a conclusão do acordo, uma equipa de integração irá desenvolver planos para integrar a Provimi em termos de cultura, estratégia e estrutura na Divisão Cargill Nutrição Animal. O objectivo é, naturalmente, criar uma organização que combine o melhor dos dois mundos. A transacção está condicionada às autoridades reguladoras competentes. Quando é que estará concluída? - Espero que até ao final do ano. Até à conclusão do negócio as duas empresas mantêm-se separadas.

Haverá qualquer fecho de fábricas como resultado dessa transacção? - Nenhuma decisão pode ser tomada antes da conclusão - é muito cedo. Entre a assinatura e a conclusão, temos todos de nos focar em fazer bem o nosso trabalho. Os planos detalhados para a empresa resultante serão desenvolvidos nos meses após a conclusão.

A Provimi está sendo adquirida por uma das maiores empresas privadas do mundo. Não há um risco da marca Provimi simplesmente desaparecer? - Em geral, a gestão da Cargill Nutrição Animal é executada de forma descentralizada, por isso penso que vamos continuar a manter a nossa identidade. A Nutrição Animal é uma das principais unidades de negócio da Cargill e uma das suas divisões com maior crescimento; nesta área, a Provimi já provou que está no caminho certo. Que mensagem deixa aos vossos clientes? - Muito optimismo. Quando podemos ter o melhor dos dois lados só podemos estar optimistas. Esta fusão, como lhe chamo, de pessoas e de conhecimento, vai criar novas expectativas fazendo que cada um de nós dê o seu melhor. A Provimi está fortemente empenhada em investir para o seu crescimento com sucesso a longo prazo e focada em servir melhor o mercado com soluções inovadoras de forma a garantir a sustentabilidade do sector pecuário. Todos juntos seremos melhores. 


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PRODUÇÃO

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ALIMENTAÇÃO

Novos desafios na produção animal Jerónimo Pinto, Engenheiro Agrónomo, Eurocereal SA

jeronimo.pinto@eurocereal.pt

A produção animal em geral e em especial as produções de ruminantes vão enfrentar provavelmente os maiores desafios de sempre. Vão operar-se mais mudanças nos próximos 5 anos do que nos últimos 25.

Para além do sempre necessário esforço constante de melhoria na produtividade e competitividade, passam a colocar-se novos desafios em termos de bemestar e saúde animal, de protecção ambiental, de qualidade e segurança alimentar e, cada vez mais, de diferenciação e valorização através de novos produtos específicos que, além do seu valor alimentar, possam também contribuir para melhorar a saúde e/ou reduzir riscos de ocorrência certas doenças (cardiovasculares, neuro-degenerativas, oncológicas, etc).

Novos desafios envolverão todas as diversas áreas técnico-científicas implicadas na produção animal. No entanto será a área da nutrição e alimentação a que mais deverá contribuir em termos de inovação e de desenvolvimento de novas soluções, não só para permitir a concretização de novos produtos funcionais, mas também para tornar sustentável e economicamente viável uma produção animal inteiramente nova no contexto de novas políticas agrícolas e das novas estratégias energéticas e ambientais.

em novos sistemas de maneio e de gestão e, sobretudo, em cada vez maior eficácia em nutrição e alimentação. Há poucas décadas os frangos atingiam 1,5 kg aos 110 dias de idade com um ICA de 3,5. Hoje atingem 1,5 kg aos 28 dias com ICA 1,7. Em vacas leiteiras, a produtividade anual de 10.000 kg já não é limiar só virtual/inatingível. Esse limiar antes mítico, hoje já é superado por todas as explorações do Top 100 nacional.

Cada vez mais alta produtividade significa maiores necessidades nutricionais dos animais e é cada vez maior o desafio para as satisfazer correctamente e de forma muito bem balanceada em todos os nutrientes necessários.

Altos níveis de produtividade exigem novos conceitos nutricionais – nova “feed pyramid”, “periparto”, nutrição aniónica, aditivos, etc - requerem novos programas de arraçoamento, melhor maneio da alimentação e cada vez menor margem para erros nutricionais, sob pena de se comprometer a saúde metabólica – dos factores mais limitantes na alta produção.

Oportunidades e limitações, inteiramente novas e absolutamente imprevisíveis até há pouco tempo, determinarão toda a produção animal, no contexto de uma nova era inevitavelmente marcada pelos biocombustíveis, pela competição "food-feed-fuel" e pelo despertar das novas economias emergentes (China, Índia, Brasil, etc.) A produtividade animal tem vindo a aumentar contínua/ininterruptamente com a contribuição de avanços em progressos genéticos, em novas tecnologias e equipamentos, em processos de diagnóstico e tratamento,

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ALIMENTAÇÃO

O sistema holandês MINAS (1998) é aplicado obrigatoriamente já em todas as explorações.

BEM-ESTAR E SAÚDE ANIMAL

Bem-estar animal = máxima saúde metabólica

BEM -ESTAR E SAÚDE ANIMAL

MINIMIZAR / PREVENIR DOENÇAS METABÓLICAS » Programa Aniónico = Prevenção de hipocalcémia

OPTIMIZAR AMBIENTE / FUNCIONAMENTO RUMINAL » Balanço Energia Rápida / Proteína Degradável / Fibra Efectiva GERIR/ CONTROLAR A CONDIÇÃO CORPORAL » CC ao longo da Cria / Recria e da Lactação

Bem-estar animal = óptimo ambiente ruminal Em ruminantes, a primeira prioridade será sempre de optimizar o funcionamento ruminal de forma a não só evitar situações de doença (acidose, deslocamentos de abomaso, etc), como também para maximizar a eficácia alimentar, sintetizar nutrientes essenciais e maximizar/melhorar a qualidade da produção.

Saúde Metabólica

Eficácia Alimentar

Ambiente Rumminal

Bem-estar animal = gerir a condição corporal A avaliação sistemática da condição corporal dos animais em cada fase do crescimento e do ciclo de produção é imprescindível para se fazerem os necessários ajustamentos ao programa alimentar, de forma a evitarse tanto a excessiva mobilização de reservas corporais (riscos de cetose e baixa eficácia reprodutiva), como evitar a excessiva deposição de gordura.

PROTECÇÃO AMBIENTAL

PRODUÇÃO

Os animais não são capazes de utilizar 100% dos nutrientes de que dispõem, pelo que parte desses nutrientes é inevitavelmente excretada e susceptível de provocar poluição ambiental. De todo o N que ingerem, os ruminantes só transferem para a sua produção (carne/leite) 25-35%, excretando o resto para o ambiente: A Directiva Europeia 91/676/EEC (nitratos) limita a fertilização anual a 170 kg N/ha. A poluição ambiental, sobretudo por N e P, é uma preocupação crescente que obriga a cada vez maior / melhor gestão dos inputs-outputs.

Quilos de azoto fornecidos, secretado e excretado, e volatilizado durante um dia de lactação 305 por uma vaca de leite produzindo 20.000 lbs. 409 (Consumidos na alimentação)

99 (Excretado no leite)

310 (Excretados no esterco)

59 (Volatilizado com aplicação superficial no campo)

189 (incorporado no solo)

62 (Volatilizado no celeiro e de armazenagem de estrume)

248 (Espalhadas no solo)

A nutrição animal e o maneio alimentar têm grande impacto quantitativo e qualitativo no balanço input - output de nutrientes, pelo que a protecção ambiental implica estratégias nutricionais e alimentares no sentido de: - reduzir desperdícios/sobras de alimentos, ajustando a alimentação ao consumo efectivo. - aumentar a digestibilidade da dieta alimentar, mediante criteriosa selecção de ingredientes (a bio-disponibilidade do P em suínos é de 14% no milho vs 90% nos DDG). Em monogástricos, a enzima fitase aumenta a digestibilidade do P, reduzindo até 33% a sua excreção/poluição (Kornegay & Verstegen, 2001). - aumentar rigor/precisão na determinação das necessidades nutricionais, na valorização dos alimentos e no maneio alimentar (por grupos, por fase de produção, por sexo, etc), para evitar excessos/desperdício de nutrientes. Minimizar o excesso de nutrientes é, assim, um imperativo actual e futuro, mediante: • mais produtividade / menor encabeçamento • maior eficácia na utilização de N, P e K. Ao reduzir a ingestão P alimentar em 0.1%, reduz-se a excreção/poluição de P em 8.3% (Kornegay & Verstegen, 2001). Por cada 1% de redução de proteína bruta, reduz-se em 8% as perdas azotadas (Kerr & Easter, 1995). A maior precisão permitida por novos “tools” hoje disponíveis (NRC 2001, R.C.P., NIR …) permite obter maiores níveis de produção com apenas 16% PB do que com os ex-20% PB… e com a redução de 30% na excreção de N. Reduzir a proteína alimentar ao mínimo necessário para satisfazer as necessidades nutricionais e minimizar a poluição ambiental implica novas estratégias nutricionais: • a síntese de proteína microbiana • maior qualidade, menor custo, menor poluição • PDI’s, RUP/RDP, NFC/RDP… versus PB • “good-by protein – hello aminoacids”

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PRODUÇÃO

ALIMENTAÇÃO

» PROTECÇÃO ANIMAL

MENOR % PB NOS ARRAÇOAMENTOS » Formação por PDI’s ou PD/BP

MAIOR EFICÁCIA NA NUTRIÇÃO PROTEICA » Equilíbrio Proteína Degradável / By-Pass » Sincronia Proteína / Energia » Controlo do teor de UREIA no leite/sangue REDUÇÃO DO ENCABEÇAMENTO » Menor dimensão da recria (Maior vida produtiva e antecipação 1ºparto)

O fósforo (P) é também um factor de poluição, sendo, muitas vezes, sobre-utilizado Estima-se que, em geral, o P é administrado cerca de 20% acima das necessidades, pelo que bastaria a sua administração segundo as mais recentes recomendações, para se reduzir em 25-30% a sua poluição ambiental. A cada vez maiores necessidades nutricionais, não corresponde uma capacidade de ingestão elástica (pelo contrário, quando a vaca tem maiores necessidades, é quando é menor a sua capacidade de ingestão) – o que obriga a cada vez maior concentração nutricional do arraçoamento-global em todos os nutrientes (energia, proteína, vitaminas, minerais). Uma alimentação correctamente balanceada em todos os nutrientes implica: - a correcta determinação das necessidades nutricionais dos animais; - a valorização (quantitativa e qualitativa) de todos os componentes da alimentação; - a minimização de quaisquer carências e excessos nutricionais na alimentação; - a rápida resposta a quaisquer alterações que possam ocorrer. De nada servem os mais modernos e fiáveis programas de cálculo e optimização de arraçoamentos se não se conseguir valorizar correctamente as características nutricionais dos vários componentes do arraçoamento ou se não se reajustar a alimentação sempre que se alterar a quantidade / qualidade de qualquer componente. Sobretudo em relação à silagem de milho, deve ter-se a garantia de que se está a trabalhar com avaliações absolutamente fiáveis e seguras – não se pode formular arraçoamentos correctos com base em avaliações

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nutricionais incorrectas daquele que, quase sempre, é o seu maior componente. Para optimizar o funcionamento ruminal, tem que se garantir o correcto balanço e sincronia na disponibilidade dos nutrientes.

BALANÇO NUTRICIONAL GLOBAL

62,34 Matéria Seca

1,06 UFL

4,94 Gordura Bruta

32,45 Amido +Açucares

32,13 Energia Rápida

3,12 Energ. Ráp. /Prot. Deg.

14,51 Fibra Bruta

17,52 ADF

30,37 NDF

1,06 Energ. Ráp. /NDF

31,89 Prot. Sol. /Prot. Total

0,51 Kg MS /Lt

16,21 Proteína Bruta

4,06 63,56 (PDIN-PDIE) Prot. Deg. /UFL /Prot. Total

Para satisfazer correctamente as necessidades nutricionais de vacas leiteiras com produções cada vez mais elevadas, há que as alimentar de acordo com a filosofia da “Feed Pyramid”:

A PIRÂMIDE ALIMENTAR (RICK LUNDQUIST, 1995) Aditivos Suplementos

Proteínas Bypass

Minerais e vitaminas

Alimentos CNF Grãos Subprodutos

Proteína degradável no rúmen

FORRAGENS FIBRA FÍSICA

“A alimentação desejável é a que forneça os nutrientes necessários à produção/qualidade do leite, maximize o funcionamento do rúmen, optimize o crescimento da microflora ruminal e minimize as perdas de nutrientes para o ambiente” (NRC, 2001).

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ENTREVISTA

CABRAS, UM NEGÓCIO A EXPLORAR Entrevista Ruminantes a António Barão

Sócio-gerente da empresa Barão & Barão Lda.

Aproveitando as sinergias com o negócio de produção de leite de vaca, António Barão, sócio-gerente da empresa Barão & Barão Lda. desenvolveu uma exploração exemplar de cabras de leite, situada no concelho de Benavente, no coração do Ribatejo. Tirando partido da sua longa experiência no maneio de vacas de leite, conta-nos como conseguiu transpor para as cabras o conhecimento que acumulou ao longo de mais de 30 anos de actividade. A Barão & Barão, Lda. é hoje uma referência tanto na bovinicultura como na caprinicultura nacional, com especial relevo para a alta genética que caracteriza todo o seu efectivo animal. Tendo uma vacaria de referência no mundo das vacas, como aparece o negócio das cabras? - Essencialmente pela necessidade de diversificar o

negócio, mas também como uma forma de diluir os encargos fixos da exploração, uma vez que o unifeed, os silos de armazenamento das forragens e outros equipamentos servem para as vacas e também para as ca-

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bras. Mas houve outro motivo. A Barão & Barão, proprietária já na altura de uma fábrica de lacticínios (actualmente desactivada, pela venda da marca comercial) orientada para a produção de queijo de cabra, deparava-se com a falta de leite em determinados períodos do ano, sobretudo desde o Verão até Dezembro. Esta situação representava uma grande dificuldade na negociação com as grandes superfícies, que queriam ter assegurado o fornecimento ao longo de todo o ano. A razão desta escassez devia-se ao facto de existirem mais cabreiros do que caprinicultores. Assim, as cabras pariam naturalmente na Primavera, não havendo qualquer programação de partos para as alturas consideradas ideais. O nosso trabalho passou pela sensibilização dos produtores com vista a conseguir um aprovisionamento de leite mais constante. No ano de 2004, iniciou-se um projecto de diversificação dos produtos produzidos pela Barão & Barão Lda., surgindo a produção de leite de cabra como um dos novos objectivos da estratégia da empresa. Optouse então pela construção de modernas instalações destinadas a um efectivo de 2000 caprinos, das raças Saanen e Alpinas, importados das principais referências mundiais na genética caprina, onde se incluem países como a França e a Holanda. Hoje, a nossa empresa é detentora da maior exploração de caprinos a nível nacional, possuindo uma produção média de 900 litros de leite em 305 dias.

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ENTREVISTA

De que parâmetros produtivos se socorre na avaliação da sua exploração de cabras?

- Para nós é muito importante a produção leite/cabra/dia e cabra/ano. Trabalhamos com raças exóticas, que funcionam exactamente como se fossem vacas, com um período de lactação de 305 dias, e um período seco de 60 dias. A nossa preocupação centrase na produção total de leite e no respectivo nível de proteína, o qual é determinante pela razão do nosso leite ser transformado em queijo. Temos também uma preocupação importante com a fertilidade dos animais, por forma a que possam sincronizar os cios para os períodos que entendemos desejáveis para assegurar a produção de leite quando o mercado precisa. Como é evidente, os padrões de qualidade do leite estão sempre presentes ou seja, o nível de células somáticas, gordura e teores microbianos.

Como faz o maneio alimentar?

- O nosso efectivo caprino é gerido da mesma forma do dos bovinos; os ingredientes e os componentes do arraçoamento total são os mesmos, mas nas devidas proporções e de acordo com as necessidades das cabras. Alimentamos as cabras com unifeed e temo-las separadas por lotes (alta, média e baixa produção, cabras secas, pré-parto; recria). Ou seja, fazemos cerca de 4 arraçoamentos diferentes, em função do estado reprodutivo ou do crescimento.

Qual a importância de produzir as próprias forragens?

- Com cabras exóticas a produção própria é determinante porque, ao contrário da ideia que se tem de que as cabras comem tudo e são rústicas, estas são muito selectivas, e portanto é muito importante a qualidade e a homogeneidade da alimentação ao longo do ano, e principalmente nas forragens. A produção de forragens próprias permite-nos definir a altura ideal de corte em função dos objectivos pretendidos (mais ou menos matéria seca, etc.) e no mercado não existe muita oferta de qualidade.

Quem faz a optimização da alimentação?

- O seguimento dos planos alimentares é assegurado

por Carlos Martinho, técnico da Provimi, mas apoiamo-nos também na experiência de técnicos espanhóis e de visitas a explorações semelhante que nos permitem ir afinando as estratégias.

Vacas e cabras têm maneio igual?

- Têm os mesmos objectivos mas um maneio algo diferente por causa da parte reprodutiva, porque as cabras têm um subproduto que é muito valorizado e que nalguns períodos tem que se ter em consideração, que é o cabrito. O cabrito tem que ser produzido em três épocas por ano, no Natal (maior valor), na Páscoa e nos Santos Populares (menor valor). Por outro lado, temos que fazer um maneio em que os partos ocorram

António Barão, proprietário da empresa Barão & Barão Lda.

de forma a poder abastecer de leite o mercado de acordo com suas necessidades, ou seja, de alguma forma em contra-ciclo com os cabreiros. Também não podemos esquecer que estas raças exóticas só estão sexualmente activas de Agosto a Janeiro, o que obriga a estratégias de sincronização de cios muito diferentes das utilizadas nas vacas.

FICHA TÉCNICA:

• Raça – Saanen e Alpina • Nº animais – 2.000 caprinos adultos • Nº animais em ordenha - 1.400 • Produção média por animal – 900 litros ano • Qualidade leite – TB – 3,8 e PB – 3,3 • Idade média – cerca 4,5 anos • Taxa reposição – cerca de 20% • Nº nascimentos – 1,8 cabritos viáveis por cabra parida

Quais as principais diferenças entre as raças?

“Tenho que ter as duas raças porque tenho clientes de genética para as duas. Claro que para mim seria muito mais cómodo ter uma só, mas nesse caso teria muitas dúvidas em escolher: » A Saanen é uma cabra muito trabalhada geneticamente, tem bons úberes, é uma “vaca pequena”, muito dócil, muito fácil de trabalhar, produz cerca de 20 litros mais em média por ano do que a Alpina; » A Alpina produz os menos 20 litros em média por ano mas tem mais 1 décimo de gordura e de proteína no leite, em termos médios, que a Saanen. A Alpina tem piores úberes, é mais “cabra”, mais arisca, pouco dócil e menos fácil no tratamento.”

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ALIMENTAÇÃO

TimacAgro lança a gama VITACOMPLEX Uma inovadora linha de suplementos nutricionais e especialidades zootécnicas A difícil fase que o sector leiteiro atravessa vem colocar ainda mais ênfase nas questões da produtividade e rentabilidade das explorações leiteiras. É portanto neste momento que a TimacAgro vem lançar uma gama de produtos para complementação nutricional, com especial foco na produção intensiva de leite e nas explorações mais extensivas de animais para carne.

Filial do Grupo Roullier em Portugal, a TimacAgro conta com uma experiência de mais de 30 anos na área da nutrição animal, para além de matérias-primas únicas e exclusivas, como o Calseagrit.

O Calseagrit é uma alga marinha calcária extraída dos mares da costa da Bretanha, que para além de uma fonte de cálcio, magnésio e oligoelementos de altíssima biodisponibilidade, possuí também a capacidade de corrigir o pH do rúmen e de promover o desenvolvimento da microflora ruminal.

CALSEAGRIT:

• Fornecimento de cálcio e magnésio marinhos (algas calcárias) • Efeito tampão (neutraliza a acidez) • Micro-porosidade elevada: efeito nicho para as bactérias ruminais

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A estas matérias-primas foram associados aditivos de última geração, entre os quais extractos vegetais, óleos essenciais e micro-organismos promotores da eficiência ruminal. Esta busca constante pelos últimos e mais eficazes desenvolvimentos tecnológicos em nutrição de ruminantes, aliada à qualidade única das nossas matérias-primas, nomeadamente fontes de cálcio, fósforo e magnésio, asseguram a eficácia das nossas soluções em nutrição de ruminantes.

A gama VITACOMPLEX é composta por quatro alimentos minerais que, para além da complementação mineral e vitamínica, vão ao encontro da necessidade de optimizar a eficiência alimentar dos ruminantes, encarando o animal como um todo e indo de encontro às necessidades dos animais de alta produção. Através da promoção dos parâmetros óptimos de fermentação ruminal e da indução das defesas imunitárias e do bem-estar, procura-se dar as condições para que os animais explanem o potencial das dietas, elemento com cada vez mais peso na despesa das explorações, assim como todo o potencial genético. É já em Outubro que estas novas soluções chegam ao mercado, podendo contactar a vasta rede de técnicos TimacAgro para mais informações.


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MILHO

Sendo o a principal cultura que se está a manusear nesta altura do ano, deixamos aqui nesta rubrica, algumas notas sobre temas importantes desta cultura, como a optimização da sua utilização nos arraçoamentos em ruminantes, cuidados a ter na sua conservação, o uso do milho “Pastone”, etc. O milho constitui, no nosso contexto agrícola, a mais importante cultura arvense, quer associada à produção de silagem, quer à produção de grão. A silagem de milho é uma fonte de fibra de alta qualidade por excelência e é também a forragem com maior produção de energia por hectare. Num período em que os custos de produção da carne e do leite estão a um nível de tal forma alto que compromete seriamente a rentabilidade dos negócios pecuários, a produção e a correcta optimização da utilização de forragem de alta qualidade é muito importante para reduzir os custos de produção. Deixamos também uma nota sobre as áreas de utilização da cultura do milho em Portugal.

450.000 400.000 350.000 300.000 250.000 200.000 150.000 100.000 50.000

0

2005

2006

2007

Anos

Milho Grão

Milho Silagem

Total Milho

2005

114,720

55,639

170,359

2004

154,108

2006

100,783

2008

102,374

2010

81,574

2007 2009

22

2004

99,108 84,678

59,037 54,121 52,837 52,705 51,730 50,914

213,145 154,904 151,945 155,079 136,408 132,488

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Utilização de silagem de milho em pequenos ruminantes Engº Luís Veiga, REAGRO SA veigaluis@reagro.pt

lado permitir boas condições para o processo de fermentação facilitando a compressão e por outro facilitar a ingestão da silagem e contribuir para um processo digestivo equilibrado. De forma geral, o objectivo é ter uma distribuição equilibrada (quadro 1) da dimensão das partículas.

QUADRO 1

Tamanho das partículas (mm)

Distribuição recomendada*

12 a 19

20 – 25%

<8

40 – 45%

> 19

A silagem de milho é resultado de um processo de conservação da planta inteira do milho que se efectua em condições anaeróbias (sem oxigénio). Para a conseguir é necessário cortar a planta em fragmentos que permitam por sua vez a compactação do silo eliminando neste processo o ar entre os fragmentos da planta de milho. Durante o corte no campo é fundamental evitar contaminar a recolha com terra, garantindo para isso uma altura de corte superior a 20 cm. Na fase de elaboração do silo, deve-se evitar o contacto da silagem com material orgânico, como por exemplo terra ou palha e o silo deve ser completamente estanque.

O pH máximo aceite para produzir uma boa silagem de milho é de 4. Uma forma de garantir uma boa acidez no silo é asse-

gurar que a planta tem um alto nível de hidratos de carbono (açúcares) pois o processo de conservação depende de uma fermentação láctica que será tanto mais eficaz quanto maior for o teor em hidratos de carbono. Aí reside uma das grandes dificuldades em fazer uma boa silagem de milho, a decisão da altura de corte determinará de forma inalterável a eficiência deste alimento. A forragem deve ser recolhida quando a matéria seca ronda os 30 a 35% com o grão ainda num estado pastoso, que permita um esmagamento posterior na máquina o que não acontecerá se estiver muito seco e duro. A presença de grãos inteiros é uma perda energética pois muitos destes grãos não serão digeridos no processo digestivo. A compressão do silo deve merecer muita atenção. É neste processo que será garantida a fermentação em condições anaeróbias, orientada assim para um processo láctico, que é o desejável, evitando fermentações anormais e a presença de bolores. A cobertura do silo deve ser feita de forma rápida e eficiente, deve-se utilizar plástico limpo, de preferência novo e que não esteja sujo de terra ou outras substâncias orgânicas. A fixação do plástico mais uma vez não deve ser feita com recurso a terra ou estrume (como infelizmente ainda se vê por vezes) mas sim com recurso a materiais inertes, pneus, areia etc. Sempre que a concentração em açúcares é baixa ou, por exemplo, o corte é efectuado tardiamente recomenda-se a utilização de conservantes. Quando a matéria seca é superior a 40%, a utilização de ácido propiónico ou outros com finalidade semelhante é indicada, evitando-se sobretudo o desenvolvimento de bolores nas zonas mais sensíveis do silo, bem como a multiplicação das muito indesejadas bactérias butíricas. O tamanho de corte das partículas deve, por um

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8 a 12

2 – 7%

25 – 35%

Na primeira parte deste artigo dedicou-se especial atenção a alguns pontos que me parecem fundamentais para compreender um pouco melhor o que é uma silagem de milho e como obtê-la com qualidade, porque por vezes pedem-se arraçoamentos utilizando silagem de milho.

Frequentemente deparamo-nos com silagens que foram mal feitas ou mal conservadas. A utilização de recurso destas silagens que, ou resultaram de uma sobra qualquer ou de uma tentativa falhada, é uma força maior mas na realidade tratar-se-á de um prejuízo algures na cadeia que vai da produção do alimento à venda do produto acabado. Parece evidente mas não é, o primeiro parâmetro a compreender é esse mesmo, uma silagem de milho tem de ser uma matéria-prima de qualidade tal como qualquer outra. Utilizar matérias-primas que estão em condições pouco aceitáveis mesmo tendo um preço unitário muito reduzido, dando assim uma sensação de “bom negócio” acabará por penalizar o produtor.

A utilização de silagem de milho em ovinos e caprinos deve obedecer a algumas regras. Trata-se de um alimento que apresenta um risco sanitário alto de listeriose quando o pH a que ocorreram as fermentações no silo foi alto (superior a 4). Os ovinos e caprinos são particularmente sensíveis a esta doença. Exige-se assim uma atenção redobrada na qualidade da silagem de milho a utilizar em pequenos ruminantes. Outro factor de risco é o contacto com a silagem de roedores que eventualmente estejam contaminados. É um alimento muito fermentescível que tem pouca ou nenhuma aptidão a estimular a ruminação e por isso deve ser considerado um concentrado na sua utilização alimentar. Não dispensa por isso a utilização de alguma percentagem de forragem, quer seja em verde, pré-fenada, feno ou palha. Sendo um alimento pouco proteico e essencialmente energético, deve ser complementado com uma ou mais fontes de proteína; pelo facto de a silagem ser um alimento que estimula bastante as fermentações ruminais, o aporte de proteína deve ser feito em simultâneo e de preferência por fontes de proteína de qualidade como o bagaço de soja, por exemplo.

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DOSSIER MILHO

Uma outra forma de assegurar um equilíbrio na fermentescibilidade da silagem de milho é preceder o fornecimento da silagem de uma fonte de fibra (fenosilagem, feno ou palha) que permita de alguma forma diminuir a capacidade de ingestão posterior, pretendendo-se com isso um consumo da silagem mais lento; a mastigação da fibra longa estimula a produção de saliva que contém bicarbonato, contribuindo assim para um efeito tampão (diminui o risco de acidose aguda) no rúmen e a presença da fibra tende a estabilizar a flora ruminal. Diversificar as fontes de energia é aconselhável, o facto de ser utilizada silagem de milho não significa que não se possa utilizar milho em grão (preferencial) ou farinado. São dois alimentos com processos digestivos diferentes e que podem ser complementares. A cevada é um cereal interessante para complementar este tipo de alimentação e os pequenos ruminantes conseguem tirar partido dos cereais inteiros. Se as quantidades por refeição e por animal não forem muito grandes Os sistemas de utilização de silagem de milho existem mais frequentemente em caprinos, raramente excedem os 3 kg de matéria bruta por animal e dia (cerca de 1kg de matéria seca). Utilizam fontes de forragem como fenos de gramíneas ou de luzerna, na maior parte dos casos à livre disposição dos animais, com várias distribuições por dia estimulando assim a ingestão de fibra longa. Em fases de pré-parto, o limite reduz-se para 1 kg de matéria bruta de silagem de milho.

Fazendo uma simulação para um arraçoamento com as matérias-primas e preços constantes na figura 1, para necessidades* de cabras Saanen de 70 kg peso vivo no pico de lactação, obtemos uma sugestão constante na figura 2. Chama-se a atenção para o cálculo do preço da silagem de milho, pois este deve ser sempre feito na matéria seca e não estimando a matéria bruta. Para obter o valor de 161 €/ton/MS, dividiu-se 50 € por tonelada de matéria bruta (valor teórico que se assumiu para a silagem de milho) por 0.31 (ou seja a correspondência a 31 % de matéria seca efectiva na silagem. Em pré-parto seria recomendável reduzir esta quantidade de silagem para metade, como máximo.

A silagem de milho é de um excelente alimento quando em boas condições que pode ser utilizado em pequenos ruminantes, desde que se respeitem os limites e indicações do nutricionista. A sua utilização está também dependente da componente alimentar ou seja, do modo de distribuição diária e da combinação com outros alimentos. É no entanto fundamental calcular muito bem o preço de interesse da silagem de milho, especialmente em competição com a silagem de erva. Agradecimentos: Dep. de Ruminantes da Techna *- Recomendações TECHNA

(200 a 300 g/animal, por exemplo), o processo de mastigação vai contribuir também para uma ingestão dos amidos mais lenta, maior produção de saliva e consequentemente de bicarbonato endógeno. O aproveitamento do grão é completo se o arraçoamento geral e o modo de distribuição forem correctos, não devendo por isso aparecer grãos inteiros nas fezes. Uma das limitações da silagem de milho para pequenos ruminantes é a sua utilização em pré-parto. Nesta fase os animais tendem a perder capacidade de ingestão causada pelo desenvolvimento fetal que ocupa espaço na cavidade abdominal, devendo por isso ser limitado o acesso à silagem de milho. Esta é também muitas vezes descrita como um alimento que engorda excessivamente na fase seca, sobretudo os ovinos, o que mais tarde pode trazer complicações no parto e problemas metabólicos em arranque de lactação quando a quantidade foi excessiva.

FIGURA 1 Alimento Silagem milho MS31 PB8 AMD31.5 Rmix OC 1000

Carbonato de Ca

Preço €/T MB 1500,00

Milho

Silagem erva gramíneas PB12 MS31 Feno gramíneas 8.6 MAT Cevada+

Bagaço de soja 44 Nutriente

31,00

UFL

0,28

UFV

1,00 0,40

235,00 /kg MS

MS

210,00

0,25

325,00

Amido lento

sim

g

8,40

g g

%

7,10

22,90

9,77

31,50

%

2,11

6,80

%

0,93 5,58

3,00

18,00

0,93

NDF

13,73

44,30

ADL

0,87

2,80

ADF

sim

66,00

Amido by-pass Açúcar

sim

UFV

18,00

Amido solúvel

125,00

0,80

5,58

Matéria gorda bruta

161,00

UFL

PDIA

2,60

sim

0,90

52,00

Proteína bruta

sim

Unidade

100,00

16,12 20,46

0,00 7,29

Carbonato de Ca

/kg MS

PDIN PDIE

sim sim

250,00

Bagaço de colza pb37

Silagem de milho MS31 PB8 AMD31.5

sim

500,00

3,00 0,00

23,50

% g

% % % % % %

GTD

18,23

58,80

UEL

0,33

1,05

UEL

0,00

%

IF

Cinzas brutas MG Rúmen Ca

MG Pass P

AGS Na

12,40 1,18 0,00 0,68 0,00 0,56 0,00 0,07

40,00 3,80 2,20

%

Min % g

0,00

%

0,00

%

1,80 0,23

g g

Alimento

sim sim

80,00

Fosfato bicalcico

Amido

161,00

55,00

NaCl (sal)

Celulose bruta

Preço Utilizado €/T MS

FIGURA 2 KG MB KG MS % / MB 2,79

0,86

55,52%

Rmix OC 1000

0,01

0,01

0,20%

Fosfato Bicalcico

0,01

0,01

0,17

0,02

Milho

0,14

Bagaço de colza pb37

0,15

Feno gramíneas 8.6 MAT

1,00

Cevada+

0,40

Bagaço de soja 44

0,50

Total

5,02

0,02

0,47%

0,12

2,83%

0,85

19,91%

0,44

9,95%

0,13 0,35 2,80

2,99% 7,96%

Nutriente

Ração 0,90

UFL/kg MS

PDIN

116,83

g/kg MS

PDIE

108,00

g/kg MS

PDIA

55,57

g/kg MS

Proteína bruta

16,84

%MS

DT

66,85

%

Celulose bruta

20,34

%MS

Amido + Açúcar

25,17

% MS

Glícidos rápidos

15,14

% MS

GTD

52,05

% MS

Synchropanse

1,35

Ca

7,00

g/ kg MS

P

4,00

g/ kg MS

Ca Dispo

3,03

g/ kg MS

P Dispo

2,80

g/ kg MS

Mg Disponível

0,80

g/ kg MS

MSR4 (kg)l)

1,16

kg/dia

PDJ

0,32

kg/dia

UFL

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Unidade

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As fontes de energia para a produção de leite A silagem de milho é a base da alimentação de bovinos de leite. Fonte de fibra de alta qualidade por excelência, a silagem de milho é também a forragem com maior produção de energia por hectare. Ao produzir silagens de milho de elevada densidade energética, o produtor de leite torna-se mais independente de factores de produção de energia externos à sua exploração, como seja a utilização de farinha de milho. Com a escalada do preço dos cereais, nomeadamente do milho, muitos produtores vêm na incorporação de mais silagem de milho na dieta uma solução, na tentativa de produzir leite a mais baixo custo. Além disso, a utilização de silagem de grão húmido (vulgo Pastone, ou HMC – High Moisture Corn) ou silagem de espigas (vulgo Pastone integral ou HMEC – High Moisture Ear Corn), é cada vez mais vista como uma alternativa viável, e até fundamental, à substituição parcial, ou mesmo total, da farinha de milho.

• Processamento do grão e Comprimento de corte

A UTILIZAÇÃO DE SILAGEM DE MILHO NA DIETA DE BOVINOS DE LEITE

A incorporação de percentagens elevadas de silagem de milho na dieta de bovinos de leite pode, sem dúvida, diminuir os custos de produção de leite. Podemos, inclusivamente, incorporar a silagem de milho na formulação de uma dieta como forragem exclusiva da mesma. Obviamente, a utilização em percentagens elevadas de silagem de milho na dieta obriga a termos atenção a determinados parâmetros que são fundamentais:

• Quantificação da percentagem de amido na dieta

A densidade energética da silagem de milho deverá ser elevada, à custa da produção de amido. A produção de amido é altamente influenciada pela genética do híbrido, pelo que o produtor de leite deverá basear a escolha do híbrido na produção potencial de grão. Além disso, a altura de colheita é essencial. A partir dos 30% de Matéria Seca, a planta de milho tende a ganhar 0,5-1,0% de Matéria Seca por dia, sendo o aumento da percentagem de amido proporcional – 1,0-1,5% de aumento. À partida, poderíamos pensar que 1% de amido numa silagem de milho não representa grande benefício, mas a tabela seguinte indica precisamente o contrário. Seriam necessários pelo menos 100 euros em farinha de milho para compensar a falta de 1% de amido/ha numa silagem de milho. O VALOR DE CADA 1% DE AMIDO É SIGNIFICATIVO POR CADA HECTARE DE SILAGEM DE MILHO QUE PRODUZ Produção Matéria Verde/ha (toneladas)

HÍBRIDO A HÍBRIDO B

% Matéria Seca

% Amido na silagem de Milho

60

60

30

31

35

Preço Farinha de Milho (€) tonelada

285

Toneladas de Amido/ha

6,3

CÁLCULOS

Toneladas de Amido/ha extra produzidos por Híbrido B VALOR LÍQUIDO DO HÍBRIDO B

Toneladas de Farinha de Milho necessárias para substituir 1% Amido Valor (€)/ha (farinha de milho) pelo amido extra do Híbrido B

26

35 -

6,51 0,21 0,353

100,00 €

O processamento do grão da silagem de milho na altura da colheita é essencial para garantir que a flora microbiana do rúmen tenha acesso ao amido. Em vacas de alta produção, onde os tempos de retenção no rúmen são baixos e as taxas de digestão bastante elevadas, não é suficiente apenas um ligeiro toque no grão. De uma forma prática, num volume de silagem de 1 litro não deveríamos encontrar mais do que 3-4 grãos inteiros, por partir.

O comprimento de corte da silagem de milho é essencial, mais ainda quando aumentamos a incorporação desta forragem na dieta. Para garantir que a eficiência da fibra é a adequada (epNDF), deveremos ter em atenção que o comprimento de corte deverá rondar os 14-17 mm, atingindo a máxima fibra efectiva aos 19 mm. A distribuição da mistura (TMR – Total Mixed Ration) na manjedoura é um factor também muito importante, pelo que devemos garantir que não ocorre selecção por parte dos animais, através de uma mistura homogénea e com o teor de Matéria Seca ideal (47-50%).

A UTILIZAÇÃO DE SILAGEM DE GRÃO HÚMIDO E SILAGEM DE ESPIGAS

A utilização de Silagens de Grão Húmido (Pastone de grão) ou Silagens de Espiga (Pastone Integral) é, sem dúvida nenhuma, uma forma vantajosa de diminuir os custos de produção, ainda mais com o preço da farinha de milho bastante elevado, podendo esta ser substituída integralmente.

O Pastone de grão é uma Matéria-prima de elevado valor energético, maior ainda do que a farinha de milho, pelo facto da sua Digestibilidade Ruminal ser maior. Além disso, o preço ao produtor de leite será sempre bastante competitivo. Esta tecnologia pode mesmo ser atractiva para o produtor de grão, que pode decidir comercializar o grão não aos 14% de humidade, mas poupar os custos de secagem, vendendo o grão como silagem de grão húmido. Em termos gerais, no nosso país podemos produzir dois tipos de Pastone – Pastone de Grão e Pastone de Espigas. O Pastone de Grão, como o nome indica, é produzido apenas com o grão, colhido por uma ceifeira debulhadora, e depois triturado conve-

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nientemente. De seguida será conservado da mesma forma que a silagem de milho. Deveremos esperar pela maturação completa do grão, para assegurar a maior produção de amido, e a humidade do grão deverá rondar os 28-32%. Devemos evitar humidades do grão abaixo dos 26%, pela difícil fermentação e utilização posteriores. O Pastone de Espigas é produzido utilizando a espiga completa, brácteas incluídas. Para tal, geralmente utilizamos uma auto motriz de corte de silagem, mas com uma frente de uma ceifeira debulhadora, para “ripar” a espiga. A altura de colheita deverá ser a mesma que para o Pastone de Grão. As diferenças nutricionais para este último revelam-se ao nível da humidade, geralmente 46% mais do que o Pastone de Grão, e pela presença das brácteas e de toda a espiga, deveremos contar com um teor de fibra (NDF) mais elevado e um teor de amido mais baixo (diluído pela fibra). No entanto, esta fibra é de elevada Digestibilidade. Além disso, regra geral, o Pastone de Espigas produzirá cerca de 15 a 20% mais do que o Pastone Grão, por hectare. Estamos a falar de uma matéria-prima de elevado valor biológico, que sofrerá um processo de fermentação idêntico ao da Silagem de Milho. A dificuldade de fermentação prende-se com a baixa percentagem de açúcares, quer no Pastone de Grão, quer no Pastone de Espigas (1-2% na Matéria Seca). Por esse motivo, a utilização de um Inoculante específico para esta cultura, comprovado cientificamente, é essencial. Este deverá garantir uma fermentação rápida, produção equilibrada de Ácido Láctico com Ácido Acético e Propiónico, de forma a aumentarmos a estabilidade aeróbica e diminuirmos as perdas de Matéria Seca, durante a sua utilização.

AUMENTO DA DIGESTIBILIDADE DO AMIDO

Um dos factores nutricionais que devemos ter mais em conta é o facto de que a Digestibilidade Ruminal do Amido do Pastone de Grão ou Pastone de Espigas aumenta, ao longo do tempo de fermentação. Isto ocorre pelo facto de que o amido no grão está envolto por proteínas, denominadas proteínas Zein ou Prolaminas, que no início da fermentação impedem o ataque da flora microbiana. Os ácidos de fermentação quebram as ligações entre a proteína e o amido, por intermédio de um processo de hidrólise ácida, permitindo que este se torne mais disponível ao longo do tempo. Assim sendo, é imprescindível ajustar a formulação da dieta para a percentagem de amido, principalmente quando iniciamos a utilização de um silo novo, e quando passamos para um silo com um período de fermentação mais elevado, sob risco de poderem surgir casos de acidoses ruminais. Como regra geral, podemos admitir que a Digestibilidade Ruminal do amido é de 70% no início do processo de fermentação, aumentando em média 3% por mês, atingindo um plateau ao fim de 150-160 dias. No exemplo da figura, a alteração da digestibilidade levou a que o rúmen do animal ficasse exposto a mais amido, com a mesma quantidade de alimento. Ajustando a dieta para os valores iniciais, podemos diminuir a quantidade de amido da dieta, levando a uma poupança nos custos de produção de leite. Digestibilidade do Amido às 12 horas in vitro no Dairyland Labs comparando uma amostra (congelada) de 60 dias (Inverno) com uma de 120 (Primavera)

RELATÓRIO DE DIGESTIBILIDADE RUMINAL

PROCESSAMENTO DO GRÃO

Tal como na Silagem de Milho, o processamento do grão é fundamental. Podemos averiguar a qualidade do processamento através de uma análise laboratorial ao diâmetro da partícula média do grão. Este método utiliza um conjunto de crivos que tem como objectivo averiguar a percentagem de grão que é de dimensão superior a 4,75 mm. Todas as partículas do grão que sejam inferiores a 4,75 mm estão imediatamente disponíveis para a flora microbiana do rúmen. Idealmente, devemos garantir que 70% do grão seja de menor dimensão que os 4,75 mm de referência.

AVALIAÇÃO DO PROCESSAMENTO DO GRÃO Amido não disponível acima da rede de 4,75mm Este é o método laboratorial Ro-Tap para quantificar o processamento do grão. (Desenvolvimento em parceria por Pioneer, Dave Mertens e Dairyland Labs)

Este é o crivo mais importante, a rede de 4,75mm (0,187 in).

4,75 mm Amido que passa este crivo está mais disponível e é descrito como “processado” ou “% que se passa a rede grosseira” nos resultados laboratoriais

Sieve (mm)

Fiber and starch separations

13

coarse

19

9,5 6,7

4,75

3,35 2,36

coarse

coarse

Amostra 21553 21554

ID Amostra spring HMSC fall HMSC

Mat. Seca

Amido %

72,73

68,02

72,97

Digestabilidade Ruminal do Amido (12 horas)

68,29

85,50 68,10

Numa análise final, a utilização de Pastone de Grão ou Pastone de Espigas, se bem manuseados, aumentam a eficiência alimentar, quando comparados com Farinha de Milho. E com o preço desta última, isso faz toda a diferença.

coarse

coarse / starch sieve medium

Conte com a Pioneer. Nós estamos sempre por perto.

medium

1,18

medium/ peNDF sieve

pan

fine

0,6

Se uma vaca ingere 4,54 kg de MS deste pastone, teoricamente o seu rúmen é exposto a: • 2,09 kg de amido no Inverno, aumentando para 2,59 kg na Primavera.

fine

luis.queiros@pioneer.com

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Estabilidade aeróbia da silagem um tema quente nos dias de hoje Acosta Aragón, Y.; Pasteiner, S. and Breistma, O. Biomin Holding GmbH, Herzogenburg, Austria yunior.acostaaragon@biomin.net

PLANO DE FUNDO

O processo de produção de silagem significa preservar alimentos em condições anaeróbias, promovendo o desenvolvimento de bactérias lácticas (BAL). As BAL produzem ácido láctico por fermentação, originando assim uma diminuição acentuada no pH do material a ser preservado. A velocidade para alcançar esta acidez aumenta e a manutenção das condições anaeróbicas permite manter o material devidamente preservado, com um mínimo de perdas por longos períodos de tempo (meses ou mesmo anos).

Os inoculantes para silagem surgiram durante a década de 1980. Ou seja, estão em uso há mais de 20 anos. A filosofia por trás do desenvolvimento e lançamento de inoculantes para silagem promovia a fermentação láctica através do uso de BAL, basicamente bactérias homofermentativas. No entanto, apesar dos inquestionáveis benefícios cientificamente comprovados que as BAL homofermentativas trazem ao processo de fermentação, a comunidade científica internacional tem observado que as silagens tratadas com estes tipos de inoculantes – de excelente qualidade, a propósito – deterioram-se rapidamente uma vez em contacto com o ar. Porquê? O que pode ser feito para compensar esses efeitos indesejados?

QUANDO É QUE OS PROBLEMAS DA ESTABILIDADE AERÓBIA OCORREM?

Um aspecto fundamental que influencia a estabilidade aeróbia é o acondicionamento da silagem (ou seja, compactação). Quando o acondicionamento é melhorado, a probabilidade de penetração de ar na silagem é consideravelmente reduzida. O acondicionamento está intimamente relacionado com o tamanho das partículas (TP). Quanto maior for o teor de matéria seca do material a ser ensilado, menor deve ser o tamanho da partícula, se o acondicionamento estiver a ser melhorado. Em culturas gramíneas como pastagens, o TP não deve exceder 4 cm. Para silagem de milho é recomendado um TP de 4-7 mm até 1 cm (DLG, 2006). No entanto, o TP correcto é um tema muito controverso e outros autores recomendam um TP maior, por exemplo, de

ESTABILIDADE AERÓBIA: UM CONCEITO

O tempo – em termos de horas ou dias – em que a silagem se mantém estável face a condições aeróbias é chamada a estabilidade aeróbia de silagem. Por outras palavras, quando abrimos o silo, a fim de oferecer a silagem aos animais, esta entra em contacto com o ar.

Figura 1a. — Correcto, corte regular da frente do silo.

A silagem é um material rico em nutrientes. Assim que as condições aeróbias são restabelecidas, e se não estiverem presentes substâncias inibidoras, as leveduras e bolores encontram um meio ideal para crescer. Normalmente, as leveduras são responsáveis pela instabilidade da silagem diante de condições aeróbias. Em 2006, a Sociedade Agrícola Alemã (DLG - Deutsche Gesellschaft für Landwirtschaft), sugeriu que o número crítico de leveduras para que a instabilidade aeróbia ocorresse fosse de um milhão de unidades formadoras de colónia (UFC) por grama de silagem.

Figura 1b

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0,95 e 1,90 cm para milho transformado e não transformado, respectivamente (Schuler, 2000).

Um aspecto adicional a ser considerado a fim de se manter a qualidade nutricional/higiénica da silagem é a quantidade de silagem oferecida por dia aos animais. A taxa de remoção de silagem da frente do silo deve ser de 1,0-1,5 m e de 2,5-3,0 m por semana, no Inverno e no Verão, respectivamente. Em silos de grandes dimensões, a instabilidade aeróbia pode ocorrer porque as camadas de silagem permanecem em contacto com o ar por longos períodos de tempo. Por vezes, longos períodos de tempo decorridos entre a extracção e o consumo animal da silagem, podem também constituir uma situação resultante em instabilidade aeróbia. Apesar disso, nenhuma pesquisa tem sido feita sobre este tema devido a aspectos práticos que envolvem a repetição de tais experiências; numerosos pesquisadores também relacionaram o corte irregular da frente do silo, com crescentes probabilidades para a ocorrência de instabilidade aeróbia (Figs. 1a e 1b). O teor de ácido acético pode afectar a estabilidade aeróbia da silagem. Níveis superiores a 1,5% de ácido acético na silagem são indesejáveis devido ao seu efeito inibidor de leveduras/bolores. No entanto, o teor de ácido acético não deve exceder 3,0%, uma vez que, altas concentrações têm sido relacionadas com questões de palatabilidade.

A instabilidade aeróbia ocorre mais frequentemente em silagem de milho, em comparação com outros tipos de silagem, tais como os preparados com erva ou luzerna. É sabido que a fermentação da silagem de milho – incluindo a planta de milho inteira com grãos (milho e espiga, CCM) e outras modalidades – ocorre quase que totalmente de forma natural, devido aos elevados níveis de açúcar, à baixa capacidade de tamponamento e à presença de abundante microflora epifítica (microflora natural presente nas plantas).

Quanto mais estáveis são as silagens, menores as perdas de matéria seca (7-10% para silagens estáveis até dois dias, para praticamente zero para as silagens estáveis até 7 dias). Acosta et al (2008) encontraram uma correlação altamente negativa (r2= 0.82) entre a estabilidade aeróbia e as perdas de matéria seca, ou seja, quanto menor a estabilidade aeróbia, maiores serão as perdas de matéria seca. Os principais resultados deste trabalho podem ser resumidos como se segue. Note-se que parâmetros com níveis estatisticamente significativos (p<0,05*) ou altamente significativos (p<0,01**) incluem: - Em correlação positiva: Proporção BAL heterofermentativa e homofermentativa no produto; Ácido láctico; Ácido total - Em correlação negativa: Ácido propiónico; Fructose; Etanol.

A interpretação destes resultados do ponto de vista prático, pode ser resumida da seguinte forma: a fim de melhorar a estabilidade aeróbia da silagem, bactérias heterofermentativas devem ser usadas para aumentar a produção de ácido acético e inibir o desenvolvimento do fermento. Dado que a produção de etanol é o resultado do metabolismo do fermento, elevados níveis de etanol significam maiores perdas. Isto explica a correlação positiva entre o etanol e a estabilidade aeróbia.

30

COMO MEDIR A ESTABILIDADE AERÓBIA?

Existem vários métodos diferentes para medir a estabilidade aeróbia: da simples observação organoléptica (palpação) aos métodos de medição da produção de CO2 imputáveis à indesejada fermentação secundária. No entanto, um método amplamente aceite, que pode ser usado em ambas as condições, e que é controlada e prática, é a medição de temperatura. Ambas as fermentações acima mencionadas e as indesejadas fermentações secundárias resultam na decomposição de nutrientes que produzem compostos mais simples (i.e. CO2), através de processos de libertação de calor (reacções exotérmicas). Este calor significa sempre perda de nutrientes. Portanto, devem ser implementadas medidas para evitar a produção de calor. Esta libertação de calor é sempre comparada com a temperatura ambiente. Pode afirmar-se que, quando a diferença entre a temperatura ambiente e a temperatura de silagem é superior em 23ºC, a instabilidade aeróbia ocorre. Essas diferenças podem ser determinadas através de simples termómetros (Fig. 2), termómetros infravermelhos (Fig. 3) ou câmaras térmicas (Fig. 4). Estas últimas permitem uma análise de elevada precisão do local onde o aquecimento está a ocorrer, sua extensão e magnitude (Fig. 5)

Fig. 2 - Termómetro

Fig. 3 - Termómetro de infravermelhos

Fig. 4 - Câmara térmica

Fig. 5 - Distribuição térmica duma silagem

CONCLUSÕES

Melhorar a estabilidade aeróbia da silagem é uma medida importante que conduz a uma melhor preservação dos nutrientes durante o processo de ensilagem. Silagens de forragem envolvem grandes investimentos. Portanto, deve garantir-se que não são danificadas a fim de serem utilizadas da melhor forma pelos animais. Isto pode ser conseguido através de: boas práticas agrícolas, com ênfase no acondicionamento de silagem, e usando inoculantes contendo BAL heterofermentativas que fornecem ácido acético à silagem (1.5-3.0%, DLG, 2006). Referências: - Acosta Aragón, Y.; G. Boeck, A. Klimitsch, G. Schatzmayr, S. Pasteiner (2008): Aerobic stability and silage quality parameters. J. Anim Sci. Vol. 86, E-Suppl. 2/J. Dairy Sci. Vol. 91, E-Suppl. 1 - DLG (Deutsche Gesellschaft für Landwirtschaft, 2006): Praxishandbuch- Futterkonservierung. Silage-bereitung, Siliermittel, Dosiergeräte, Silofolien. 7. Auflage, 2006

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Impacto das micotoxinas na qualidade do leite e na saúde das vacas leiteiras Pedro Caramona, Engº Zootécnico, Alltech Portugal pcaramona@alltech.com

A corrente conjuntura económica exige uma crescente necessidade em compreender os factores que condicionam a eficiência produtiva da exploração. Programas de saúde e nutrição de prevenção, assim como um maneio cuidado, representam pontos fulcrais e de elevado retorno quando se equacionam os factores de produção com maior custo, como a alimentação animal. Na última década, a contaminação de ingredientes e forragens com fungos e micotoxinas tem merecido uma atenção crescente por parte no sector do leite, devido ao impacto económico e de saúde pública significativo que este problema pode constituir.

Zearelanona e Vomitoxina produzidas por fungos da espécie Fusarium (DON) estão documentados como responsáveis por perdas de produtividade e fertilidade em vacas leiteiras. 350 300 250 200 250 150 100 50 0

MICOTOXINAS – DIMENSÃO DO PROBLEMA

A contaminação de diferentes espécies de fungos depende de vários factores como a disponibilidade de substrato, clima e solo podendo ocorrer desde a colheita ao transporte e armazenamento. À medida que se intensifica o recurso a subprodutos na alimentação animal e a utilização de forragens conservadas, a identificação de problemas relacionados com toxicidade por micotoxinas tem vindo a acentuar-se. Do ponto de vista biológico, a elevada produtividade acentuada pelo progresso genético das vacas de alta produção, tornaram os animais mais susceptíveis à contaminação devido ao elevado stress e maior capacidade de ingestão de alimento. As alterações na alimentação como a menor relação forragem/concentrado diminui a actividade das bactérias que degradam as micotoxinas ao nível do rúmen.

METABOLISMO DAS MICOTOXINAS

Micotoxinas são metabólitos secundários produzidos por fungos como mecanismos de defesa natural, através dos quais aumentam a sua competitividade e capacidade de sobrevivência num determinado ecossistema. Especial atenção tem sido atribuída à presença de fungos de espécies como o Aspergillus, Pennicillium e Fusarium os quais, em condições específicas, sintetizam micotoxinas que afectam a saúde e produtividade animal. Para além das Aflatoxinas, produzidas por Aspergillus, os efeitos da

32

333,1

116,3

108,3

79,2

Contagem de células somáticas x 1,000

Controlo 2,5 pm DON 5ppm DON 5 ppm DON + Mycosorb

Acosta et al., 2003

As micotoxinas são facilmente absorvidas no intestino, e metabolizadas em grande extensão pelo organismo. O destino metabólico e a distribuição dos metabólitos nas várias partes do organismo são importantes, podendo representar resíduos em produtos utilizados na alimentação humana.

AFLATOXINA M1 NO LEITE

As Aflatoxinas B1 e B2 (AFB1, AFB2) estão estudadas em maior detalhe no que diz respeito ao seu impacto em ruminantes uma vez que devido às suas propriedades carcinogénicas naturais poderão representar um risco de contaminação do leite e seus derivados, estando identificadas como um potencial risco para a saúde pública. A contaminação com AFM1 do leite resulta da conversão da AFB1 que é metabolizada por enzimas no fígado sendo depois excretada no leite. A união europeia regulamenta que quando a aflatoxina está presente no leite em concentrações superiores a 0,05 ppb ou superior, o leite terá de ser eliminado o que poderá representar perdas económicas consideráveis para o produtor. Os estudos que descrevem esta matéria, revelam que pequenas quantidades de AFB1 aparecem no leite apenas algumas horas depois do consumo de alimento contaminado com AFB1. Após retirar a fonte de contaminação da dieta, leva perto de 48-72 horas até que os níveis de AFM1 no leite retomem a níveis aceitáveis.

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A concentração de AFM1 no leite aumenta proporcionalmente com os níveis de contaminação de AFB1 na dieta. Quando a ingestão deste elemento é feita de forma contínua, a concentração de AFM1 no leite aumenta até se estabelecer um equilíbrio. O rácio da concentração de AFB1 em relação à AFM1 varia com a fonte de contaminação e o nível de produção das vacas que consumiram os alimentos contaminados. Animais que ingiram alimento contendo um nível superior a 20 ppb poderão conter leite que exceda o limite regulamentado. AFM1

Aflatoxina M1 leite (ug)

30 25 20 15 10 5 0

0

5 10 15 20 25 30 35 Aflatoxina B de admissão, (mg/ dia)

40

Van Egmond. 1989

namento dos cereais e forragens sejam feitos de modo apropriado. No caso das silagens é essencial que o maneio do silo seja adequado com especial atenção à altura do corte (evitando a demasiada contaminação do silo com esporos provenientes do solo) e à compactação da silagem mantendo a estabilidade aeróbia e reduzindo o crescimento de fungos durante o processo fermentativo e abertura do silo. No caso do alimento administrado se encontrar contaminado, o maneio nutricional deverá promover a IMS, e antioxidantes como o Selénio e Vitamina E e A, Cu, Zn, Mn deverão ser reforçados para estimular o sistema de defesa e a resposta imunitária. No caso de contaminação, o produtor poderá optar pela eliminação do alimento contaminado ou diluir este ingrediente com um ingrediente não contaminado, recomendando-se neste caso, a aplicação de um capturante de micotoxinas comprovado in vivo. Várias tecnologias estão neste momento no mercado: os adsorventes com base em sílica e os polímeros orgânicos derivados de glucomananos esterificados. Apesar de os adsorventes inorgânicos como as zeolitas, bentonitas, HSCAS e argilas estejam disponíveis a baixo custo, a sua eficácia foi verificada apenas em relação a um número reduzido de micotoxinas e quando aplicados a elevada taxa de aplicação na dieta.

SINTOMAS PRÁTICOS DE CONTAMINAÇÃO

Leite (litros) vaca/ dia

27,00

Efeito Mycosorb na produção de leite

26,50

8 6 4 2 0

Antes Mycosorb

Depois 24h.

Depois 15 dias

Agovino et al., 2007

Em contrapartida, o adsorvente orgânico Mycosorb® da Alltech, devido às suas propriedades físico-químicas e estruturais, possui uma elevada área de adsorção e grande especificidade para um elevado número de micotoxinas. A aplicação Mycosorb® a 10-20 g/vaca/ dia poderá representar uma opção de elevado retorno económico e a sua utilização prática e efectiva na prevenção ou tratamento de toxicidade por micotoxinas.

SUMÁRIO:

26,00 25,50 25,00 24,50 24,00

Efeito do Mycosorb no decréscimo da Aflatoxina

10 Aflatoxina M1 (ng/ Kg)

O diagnóstico de aflatoxicose é por vezes difícil devido à inespecificidade e variação dos sinais clínicos. No entanto, uma elevada concentração de aflatoxinas e/ou prolongada exposição a pequenas doses deste metabólito, poderão causar sinais indicativos de contaminação como: perda de ingestão de matéria seca (IMS); diminuição da produção e qualidade do leite; aumento das células somáticas; diminuição da eficiência de conversão alimentar; aumento da incidência de problemas de saúde no pós-parto e alta produção; diarreia; imunosupressão e letargia; sintomas de acidose; redução da eficiência reprodutiva. Em termos de análise clínica, diversas áreas estão ainda em estudo para determinar e prevenir atempadamente a contaminação com aflatoxinas. Uma vez que os sintomas estão associados a uma depressão do sistema imunitário, os níveis de bilirrubina do soro e de proteína no sangue podem ser utilizados como marcadores.

12

sem Mycosorb

Mycosorb Agovino et al, 2007

A contaminação com Aflatoxina, está associada também a lesões crónicas ou agudas no fígado que estão dependentes do nível e tempo de exposição.

PREVENÇÃO E TRATAMENTO

Um dos critérios mais importantes na redução da ocorrência de contaminação com micotoxinas será assegurar que a colheita e armaze-

» As micotoxinas provocadas por fungos, prevalecem nas forragens e concentrados a níveis que podem ser tóxicos para os animais. » A presença de Aflatoxinas M1 no leite derivada da contaminação das forragens e concentrados pode representar um risco para a saúde humana sendo o seu controle de elevada importância para o sector da produção de leite. » Enquanto níveis elevados de micotoxinas poderão conduzir a efeitos agudos nas vacas leiteiras, níveis mais baixos e constantes de contaminação têm um impacto económico elevado nomeadamente em termos de perdas de produção e impacto na saúde e qualidade do leite. » A prevenção e tratamento com a utilização de capturantes de micotoxinas orgânicos comprovados (Mycosorb®) são eficazes quando a situação de contaminação com micotoxinas é identificada. Para mais informações visite o site da Alltech Portugal: www.alltech.com/portugal e www.knowmycotoxins.com/p

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Jornadas de campo Dekalb 2011 DEKALB/MONSANTO Teve lugar no dia 24 de Agosto mais um Dia de Campo inserido nas Jornadas de Campo DEKALB 2011, que decorreu no coração da região de Entre Douro e Minho. Este Dia de Campo contou com a colaboração da Cooperativa Agrícola de Vila Nova de Famalicão (Fagricoop) e outras Cooperativas Agrícolas da região de Entre Douro e Minho.

Mais de 300 agricultores oriundos da região Norte do país, aceitaram o convite da DEKALB para participarem neste Dia de Campo, onde marcou presença também o responsável de Marketing para a Ibéria da DEKALB. A Jornada começou pela visita ao campo de ensaio de Rates na exploração do Sr Adérito Oliveira, seguindo depois para o campo de ensaio de Fradelos, Vila Nova de Famalicão, na exploração do Sr António Costa e Silva. Terminadas as visitas aos campos, houve um almoço na casa do Sr António, onde entre muita animação, houve tempo para troca de impressões sobre as variedades DEKALB e para disfrutar de um agradável momento de descontração. Os campos de ensaio visitados durante este dia, fazem parte da Rede de Ensaios Oficial DEKALB para variedades de milho silagem. Em 2011 foram semeados mais de 70 ensaios de variedades de milho silagem em todo o país, com especial incidência nas regiões de Entre Douro e Minho e Beira Litoral. Nestes campos de ensaio, é avaliada, sobretudo, a adaptação de cada variedade à região, tendo em conta fatores como o clima, tipo de solos e condução da cultura. De entre as variedades apresentadas nestes ensaios, especial destaque vai para o novo DKC6903, variedade de ciclo 600, que apresentou um ótimo Stay Green e um bom porte. Como de costume, a variedade DKC6040 salientouse pela maçaroca sempre bem rematada e pelo porte folhoso. Desde já, ficam os mais sinceros agradecimentos aos agricultores proprietários das explorações visitadas neste dia de campo, mas também a todos aqueles que colaboram com a DEKALB na realização dos inúmeros campos de ensaio por todo o território (continente e Açores). Agradecimentos também às Cooperativas e entidades que colaboram na organização deste e de todos os outros Dias de Campo realizados, a todas as pessoas que participaram e à fantástica equipa DEKALB que trabalhou árduamente para que este fosse mais um dia de sucesso.

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ALIMENTAÇÃO

PRODUÇÃO

A alimentação da vaca seca UMA DAS FASES MAIS IMPORTANTES NO CICLO PRODUTIVO DA VACA LEITEIRA Elisabete Carneiro - Eng.ª Zootécnica, VETAGRI ALIMENTAR SA,

O SUCESSO DE UMA BOA LACTAÇÃO COMEÇA NO PERÍODO SECO.

OBJECTIVOS DA DIETA ESPECÍFICA PARA VACAS SECAS

Esta fase, extremamente exigente, pode ter um efeito negativo na saúde da vaca, na ingestão de alimento, na produção de leite, levando a perdas económicas na exploração. Problemas metabólicos que resultam de um mau maneio da vaca seca: • Hipocalcémia; • Cetose; • Síndrome do fígado gordo; • Retenção placentária; • Deslocamento do abomaso; • Edema do úbere; • Acidose Ruminal; • Laminites.

Factores-chave a considerar para evitar problemas metabólicos após o parto:

• Observar a condição corporal da vaca e ajustar a energia da dieta se necessário. O ideal é que as vacas mantenham durante o período seco a mesma condição corporal (3 numa escala de 1 a 5). • Efectuar uma correcta alimentação bem equilibrada (energia; proteína; vitaminas e minerais) que cumpra todas as recomendações nutricionais. • Evitar a ingestão de cálcio e fósforo acima dos níveis recomendados. • Limitar o acesso ao sal, para evitar os edemas do úbere. • Colocar os animais em instalações confortáveis e limpas. • Usar alimentos apetentes, evitando os mal conservados e contaminados.

Pretende-se que, através de uma alimentação adequada, a vaca tenha oportunidade de regenerar a glândula mamária e que o sistema digestivo consiga recuperar do stress dos elevados níveis de ingestão da lactação anterior. Recomenda-se um período de secagem de 60 dias, que podemos dividir em 2 etapas.

Etapa 1 - Início da Secagem Esta primeira etapa prolonga-se até 21 dias antes do parto. As vacas devem estar num lote separado das vacas em produção. É nesta fase que ocorre 60 a 65% do crescimento do vitelo e a vaca ganha peso. Para evitar problemas metabólicos o ganho médio de peso diário não deve ultrapassar os 450g/dia. A ingestão da matéria seca pode variar entre 1,8 a 2,5% do peso vivo da vaca. Um exemplo prático de um programa alimentar pode ser por vaca/dia: 6 a 12 kg de silagem de milho com 3 a 4 kg de palha; 2 kg de alimento concentrado e 200g de um corrector vitamínico-mineral de vacas secas. A dieta deverá ter as seguintes características: Proteína Bruta 12 a 13%

UFL/kg 0,7 a 0,8

Cálcio g/kg 4 a 4,5 g

Etapa 2 - Pré-parto É uma fase crítica de preparação para o parto. É necessário fazer a adaptação da flora ruminal para a nova alimentação pós-parto. Aumenta-se o fornecimento de alimentos

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PRODUÇÃO

ALIMENTAÇÃO

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á base de cereais para estimular o crescimento das bactérias que vão degradar dietas mais energéticas. Neste período, a ingestão de matéria seca diminui. De facto, na altura do parto, a ingestão pode ser 15 a 30% inferior à da etapa 1. O vitelo cresce rapidamente e a vaca pode começar a perder peso aumentando risco de cetose por causa da mobilização dos lípidos.

A dieta deve ser alterada: • Corrigir a diminuição da ingestão, aumentando a proteína Bruta para 15 a 16%; • Aplicar sais aniónicos para prevenir a hipocálcemia; • Aplicar niacina; • Aplicar propilenoglicol e/ou propionato de cálcio.

A Vetagri Alimentar SA, tem uma especialidade nutricional especialmente indicada para ruminantes em fase de pré e pós parto:

MILVET® PROTEN

O MILVET® PROTEN é um produto energético com um elevado teor em propilenoglicol, propionato de cálcio, proteína by-pass, vitaminas e oligoelementos.

VANTAGENS:

• Previne a diminuição de apetite associado ao parto. • Prepara a vaca para o início da lactação. • Contém fontes de energia de rápida absorção. • Apresentado em granulado, para melhor aplicação e homogeneidade.

EM CONCLUSÃO:

BENEFÍCIOS:

• Previne a ocorrência de cetoses. • Previne as retenções placentárias. • Previne as mamites no pós-parto. • Estimula e fortalece o sistema imunitário. • Aumenta a produção de leite.

UTILIZAÇÃO:

Aplicar 1 kg por vaca, 10 dias antes e 10 dias depois do parto.

Devemos olhar para o período seco como o arranque de uma nova lactação e não como o fim da anterior, de forma a aumentar a rentabilidade da exploração!

New Holland Agriculture patrocina Campanha de Acção Climática

organizações não governamentais e de chefes de Estado durante a 17ª Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP17), que será realizada de 28 de Novembro a 9 de Dezembro.

A New Holland Agriculture anunciou que será um Patrocinador de Ouro da Recepção da Rede de Acção Climática, realizada pela Acção Climática em parceria com o Programa Ambiental das Nações Unidas (UNEP) e o governo da África do Sul, em Durban, a 2 de Dezembro de 2011. A recepção será o destino principal dos representantes superiores do UNEP, de

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Como parte do patrocínio, a New Holland aparecerá na campanha de Acção Climática, que irá decorrer no website da organização www.climateactionprogramme.org e na sua newsletter até e durante a conferência COP17. Este patrocínio de elevado nível enquadra-se no âmbito do compromisso da New Holland para com o ambiente e na sua visão do papel dos fabricantes de equipamentos agrícolas como elemento essencial para a salvaguarda do ambiente agrícola para as gerações futuras. A marca está empenhada em desenvolver soluções que tornem a exploração agrícola mais eficiente, respeitando simultaneamente o ambiente. Esta é a base para a sua posição de Líder em Energia Limpa, que inclui o seu trabalho pioneiro no âmbito dos biocombustíveis, das tecnologias de emissões reduzidas Tier 4, da biomassa, do tractor de hidrogénio NH2™ e do conceito de Exploração Agrícola Energeticamente Independente.

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ECONOMIA

OBSERVATÓRIO Breves comentários e previsões sobre o mercado de matérias-primas Paulo Costa e Sousa, Engº Agrónomo Director Comercial da Louis Dreyfus Commodities - Portugal Nota: Os preços e os cenários previstos para a evolução dos mercados de matéria primas estão sujeitos a muitos imponderáveis e exprimem apenas opiniões profissionais à luz do melhor conhecimento num determinado momento. Assim a Revista Ruminantes não garante a confirmação e/ou o cumprimento dos preços e previsões feitas sobre os preços das matérias-primas sujeitas à analise do Observatório dos Mercados, não constituindo assim ofertas de compra ou de venda.

CEREAIS

Felizmente para todos os consumidores de cereais, pelo menos num curto prazo se vão avizinhando tempos um pouco melhores do que o primeiro semestre de 2011. Em primeiro lugar, um regime de importação de trigos livres de direitos, da Ucrânia e Rússia, determinaram uns preços convidativos para o trigo durante o Verão; boas colheitas do Norte da Europa bem como do Mar Negro determinaram uns preços francamente interessantes quando comparados com a colheita anterior; por outro lado, como seria de esperar determinaram também uma forte procura, estando os níveis de incorporação muito perto do máximo, ou seja, o trigo é actualmente o cereal mais barato, estando assim de alguma forma o preço suportado por uma procura de volume e portanto não se esperando nenhuma queda muito acentuada.

No caso do milho, apesar dos preços terem vindo a deslizar de algum tempo para cá, acredita-se que ainda poderá sofrer uma queda algo maior. O mesmo fenómeno que pode ser facilmente observado nos campos de milho em Portugal, de uma muito boa colheita em termos de rendimento e qualidade pode também ser observada em toda a Europa, o que determina um incremento na produção Por outro lado, e dado os diferenciais de preço para o trigo, a procura de milho é ainda um pouco baixa estando o seu lugar ocupado pelo trigo, ou seja, para determinar um aumento do consumo o seu diferencial com o trigo terá que estreitar; se pensarmos que o trigo tem pouco potencial de queda, este estreitar deve ser conseguido à custa numa baixa no milho. Além do exposto, a situação macro-económica também tem determinado uma procura mais baixa do que o habitual na Europa, com alguma retracção na produção

de carne, sobretudo nos países do Sul. Assim sendo, num curto prazo tudo parece apontar para uma baixa no milho. E porquê num curto prazo? Os rendimentos esperados nos Estados Unidos são bastante inferiores ao normal e os stocks finais apenas estão acima de uns níveis muito baixos, fundamentalmente à custa de um corte substancial na procura que, caso não se venha a verificar, vai determinar a médio prazo uma falta de oferta no mercado de exportações, falta essa que terá que ser colmatada essencialmente por milho do Mar Negro fazendo assim desaparecer a pressão do excesso. Ou seja, o mercado a médio prazo continua com falta de produção sobretudo para alimentar os destinos asiáticos que parecem passar ao lado destas baixas substanciais na procura.

PROTEÍNAS

No caso das proteínas, espera-se um mercado um pouco mais estável. Os produtores não estarão com as melhores margens de extracção, devido à não muito alta procura de óleos para bio combustíveis, donde se têm refugiado um pouco nas vendas de bagaços. Do ponto de vista da produção, ao contrário do que acontece no milho, não se esperam nenhuns cortes na produção nos Estados Unidos pelo que do lado da oferta não se apresenta nenhuma situação particularmente apertada. Assim sendo, apesar das margens de extracção na Europa não serem muito positivas quando comparadas com as asiáticas, não se vislumbra um incremento no preço dos bagaços devendo este situar-se no mesmo intervalo de preço que vimos observando nos ultimos tempos. Obviamente teremos sempre que estar atentos ao Euro/Dólar que ultimamente não parece muito favoravel ao Euro. Se assim continuar, o impacto sobre as matérias primas especialmente os bagaços, é imediato.

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ECONOMIA »

EVOLUÇÃO DO PREÇO MÉDIO DE ALIMENTOS COMPOSTOS PARA ANIMAIS (em Euros/Tonelada) €/ton

Meses » €/ton

Novilhos de engorda

Vacas leiteiras em produção

€/ton

Meses » €/ton

Borregos de engorda

Ovelhas leiteiras em produção

Meses »

Meses »

EVOLUÇÃO DO PREÇO MÉDIO DE MATÉRIAS-PRIMAS (em Euros/Tonelada)

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»Fonte: IACA

€/ton

Bagaço de colza

€/ton

Bagaço de soja

€/ton

Cevada

€/ton

Milho

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»Fonte: IACA


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ECONOMIA

OBSERVATÓRIO Preços do Leite no Mundo Fonte: LTO, SIMA

2012 - O mercado internacional trará bons e maus momentos e será volátil As perspectivas trimestrais do Rabobank referem que os preços internacionais dos produtos lácteos irão cair como consequência do abrandamento das maiores economias e pelos excedentes que serão lançados no mercado. Segundo este relatório, durante o terceiro trimestre de 2011 houve uma deterioração acentuada da procura nos EUA e na União Europeia que, conjuntamente com as fracas importações da China e da Rússia não permitiu absorver o crescimento forte da oferta por parte dos produtores de leite. Para os últimos meses de 2011, com o aumento do excedente de produção no Hemisfério Norte a coincidir com a época forte no Hemisfério Sul, o relatório prevê um aumento da oferta no mercado internacional. Relativamente aos mercados chave dos EUA e Europa, com as economias em desaceleração e a procura a um ritmo de crescimento lento, prevê-se que o aumento da oferta de leite possa abrandar mas que, tendo em conta os sinais de preços desfasados e a baixa elasticidade da procura, o crescimento na produção possa vir a exceder as necessidades do mercado interno. Como resultado, o Hemisfério Norte irá procurar lançar no mercado internacional mais produção que nos 12

meses anteriores, assim como o Hemisfério Sul, particularmente a Nova Zelândia onde existem fortes expectativas de crescimento sólido da oferta. Ainda que, por um lado o Rabobank espere uma pressão baixista sobre os preços no mercado internacional para o último trimestre do ano, também acredita que os movimentos de preços possam ser limitados. “Muitos compradores que tinham desaparecido do mercado pelos preços altos de 2011 poderão regressar na medida em que os preços voltam a estar mais acessíveis”, assinala o relatório. Se a expectativa de compras fortes por parte da China não se concretizar, a quebra será pior. Por outro lado, condições climáticas adversas podem reduzir a produção de leite no Hemisfério Sul. Com níveis de stocks mundiais de matérias primas muito baixos, falta de forragens em zonas importantes do Estados Unidos e o confronto com eventuais perturbações no mercado internacional de alimentos, os produtores poderiam reduzir a produção. O que reduziria ainda mais a oferta, segundo o relatório do Rabobank, que conclui: “O mercado internacional trará bons e maus momentos e será volátil”.

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ECONOMIA »

Fonte: LTO

PREÇO DO LEITE STANDARDIZADO (*) Países

Companhia

Bélgica

Milcobel

Alemanha

Humana Milchunion eG

Dinamarca Finlândia França Inglaterra Irlanda Itália

Preço do leite (€/100 Kg) JULHO 2011

Média últimos 12 meses (**)

35.36

33.98

34.27

Alois Muller

34.02

Nordmilch

34.17

Aria Foods

Hãmeenlinnan Osuusmeijeri

Bongrain CLE (Basse Normandie)

E. U. A.

37.11

37.08

Dairy Crest (Davidstow)

31.82

Sodiaal

First Milk

37.78 28.85

Glanbia

33.93

Kerry

33.82 40.18

DOC Kaas

35.11

Friesland Campina

36.52

Fonterra

31.82

Preço médio do leite - Julho Nova Zelândia

42.55

Lactalis (Pays de la Loire)

Granarolo (North)

Holanda

35.02

35.58 37.09

34.63 32.54 33.12 35.44 43.95 33.58 33.65 33.42 30.64 27.39 32.72 31.97 38.48 36.26 36.53 34.26 33.05

O preço médio pago pelas principais empresas de lacticínios aos seus produtores em Julho de 2011 foi de € 35,58/100 kg, o que representa um aumento de 11,1% comparativamente com Julho de 2010 (+€ 3,55), de acordo com os números divulgados no início de Agosto pela organização holandesa LTO, últimos dados disponíveis à data de saída desta edição. O preço médio mensal do leite standard em Julho foi o mais elevado desde o ano 2000, secundado pelo valor alcançado em Julho de 2008 em que atingiu € 34,41. Comparativamente com o mês anterior, o preço do leite standard aumentou em € 0,83. Uma grande parte dos preços do leite são mais elevados devido a ajustamentos sazonais, como é o caso das empresas de lacticínios francesas. Os preços de leite standard para todas as empresas de lacticínios francesas aumentaram, variando de € 1,51 a € 2,52. Apenas a Milcobel apresentou um decréscimo no seu preço do leite (menos € 0,52 comparativamente com Junho de 2011). De notar que o preço do leite norte americano Classe III alcançou em Julho de 2011 um novo recorde de € 37,09.

30.55

* Preço do leite de diferentes empresas leiteiras para 4,2% de MG e 3,4 de teor proteico. ** Incluindo os pagamentos suplentares mais recentes.

> Portugal

A LTO* apresenta anualmente um relatório com a revisão dos preços internacionais do leite. Como introdução,

LEITE À PRODUÇÃO

Preços Médios Mensais em 2011 Leite Adquirido a Produtores Individuais Meses

Eur / Kg

Jan

0.313

Mar

0.314

Fev Abr

0.311

Mai

0.309

Jul

0.310

Jun

0.310

Jan

0.301

Mar

0.299

Fev Abr Mai

Jun Jul

40

0.315

0.302 0.295 0.297 0.295 0.292

Fonte: SIMA

Teor médio de matéria gorda (%)

Teor proteico (%)

3.87

3.27

3.79

3.27

CONTINENTE 3.84 3.69 3.63 3.65 3.67

AÇORES

3.28 3.20 3.18 3.18 3.19

3.88

3.21

3.67

3.24

3.80 3.67 3.67 3.66 3.72

3.22 3.24 3.22 3.18 3.13

Siem-Jan Schenck, Presidente do Comité do Leite da Federação Holandesa de Agricultura e Horticultura LTO Netherland, fez uma análise interessante acerca da evolução recente do mercado do leite na Europa. Nesta análise, Schenck deixa uma mensagem importante aos agricultores: “(…) após as fortes quebras nos preços no final de 2008 e início de 2009, 2010 foi um ano de plena recuperação em que a grande e crescente procura por parte de economias emergentes como a China, a Índia e o Brasil contribuíram para esta recuperação em forte medida. Para a indústria europeia de lacticínios, as exportações de queijo para a Rússia foram muito importantes. A Holanda exporta 60% do seu leite, 20% para países fora da UE, e beneficia directamente do crescimento do mercado internacional. Contrariamente às expectativas de alguns, os preços do leite têmse mantido em 2011. Não devemos sobrestimar a importância desta boa notícia, contudo, uma vez que os custos de produção também aumentaram fortemente. O mercado internacional dos cereais é escasso. Os preços do milho na Alemanha e nos países vizinhos aumentaram em consequência de aumentos consideráveis na produção de biogás. Para além disto, o mercado internacional, do qual a Holanda é tão dependente, é cada vez mais sensível a distúrbios de toda a espécie: condições climatéricas, intervenção governamental, especulação e emoção contribuem para flutuações de preços mais abruptas. Nesta altura de incerteza é bom que os agricultores holandeses estejam bem organizados.” *LTO – Federação Holandesa de Agricultura e Horticultura

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PRODUÇÃO

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ALIMENTAÇÃO

Sistema OPTIBEEF O sistema integral de gestão da NANTA para os profissionais da engorda de bovinos J. Riera, Chefe de Produto de Bovinos de Carne Nanta

j.riera@nutreco.com

O negócio de bovinos de carne ganhou complexidade nos últimos anos; a globalização dos mercados internacionais, a nova legislação e a necessidade de mais e melhor informação exigem uma resposta cada vez mais profissional. Optibeef é a resposta da Nanta a estes novos desafios. Optibeef é um conjunto de serviços que a empresa, através dos seus especialistas repartidos por toda a Península Ibérica, põe ao alcance dos profissionais de engorda de bovinos.

Estes serviços cobrem distintos aspectos da produção que se desenvolvem nas áreas da certificação, comercialização, gestão, consultadoria na exploração e, claro, alimentação e nutrição. O sistema Optibeef certifica os novilhos com base em dois cadernos de especificações; Taurus e Taurus Beef, também comercializa os animais com estas especificações. A Nanta também desenvolve cadernos de especificações que se encaixem em programas de marcas locais e regionais. Todas as operações de comercialização estão garantidas directamente pela Nanta. Os aspectos de gestão técnica estão contemplados dentro de um programa de análise que avalia a situação e evolução sanitária e zooténica das explorações. A Nanta conta ainda com manuais de assessoramento sobre maneio, instalações, programas sanitários e bem-estar dos animais. Este artigo aborda a importância de trabalhar de forma eficiente e inovadora na engorda de novilhos. O Sistema Optibeef conta com programas nutricionais personalizados e com o Programa de Nutrição Opticar. Este último está baseado em novos nutrientes e em controladores ruminais de última geração, ambos resultado de anos da investigação para ruminantes na Nutreco nos Países Baixos (RRC – Centro de Investigação de Ruminantes) e foi testado em diferentes parte do mundo onde a Nutreco está presente.

mais, melhora a qualidade da carcaça tanto em rendimento como em coloração e diminui os custos de produção. As bases tecnológicas do Programa OPTICAR, tal como tinhamos dito anteriormente, são duas; novos nutrientes específicos da Nanta e controladores ruminais de origem vegetal.

NUTRIENTES NANTA As linhas de investigação que a Nanta desenvolve em distintas partes do mundo permitem-nos trabalhar com novos nutrientes que maximizam o aproveitamento energético dos ingredientes, e que por sua vez asseguram o controlo do pH a nível do rúmen. Entre eles, destacamos nutrientes como o GlucoNut que assegura a formação de acido propiónico no rúmen. São a fracção de nutrientes que podem ser transformados em glucose no sistema digestivo e metabólico dos ruminantes. Incluem os geradores de ácido propiónico no rúmen, e intestino grosso – propionatos, amido – e também no fígado – ácido láctico, açúcar, glicerol,…. E também a proteína usada na dieta, que pode chegar a cerca de 40%. O cálculo faz-se matematicamente, através de fórmulas de regressão desenvolvidas na RRC. Os factores que influeciam o seu teor são o amido e a sua degradabilidade, a proteína bruta e os açúcares. O ácido propiónico é um dos AGV (ácidos gordos voláteis) que se sintetizam no rúmen a partir da fermentação dos amidos e o principal precursor da glucose, açúcar básico para a obtenção da energia que o novilho necessita para engordar e que, através do fígado, se transforma em glucogénio.

NOVOS NUTRIENTES: GLUCO-NUT

Gluco-NUT: O AGV Propiónico é o precursor da glucose no sangue A glucose converte-se em glucogénio no fígado

PROGRAMA OPTICAR Os objectivos deste novo programa são vários, destacando-se o aumento da segurança contra os processos metabólicos que alteram o funcionamento do rúmen, que optimiza substancialmente os índices zootécnicos de acordo com a capacidade genética dos ani-

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O glucogénio é armazenado no músculo e é o responsável pela maior ou menor oxidação da carne

Glucogénio • Cor rosada + vida comercial

Glucogénio • Cor parda - vida comercial

fig. 1


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ALIMENTAÇÃO

O glucogénio é a forma sob a qual o novilho armazena a energia no músculo. Esta energia é chave no momento do abate, porque permitirá obter uma carcaça óptima em relação à coloração e à durabilidade comercial da carne. (fig. 1) Ao promover a formação do ácido propiónico no rúmen também melhoramos os índices zootécnicos já que o novilho, através do rúmen, assimila melhor a energia; devemos pensar que 80% das necessidades energéticas do animal estão cobertas através dos AGV, sendo o ácido propiónico o AGV mais favorável para atingir o objectivo. (fig.2, abaixo)

PRODUÇÃO

cos dos animais e/ou na qualidade da carcaça e que os seus resultados analíticos sejam constantes e estáveis; há que ter em consideração que os factores que influem nestes aditivos são múltiplos – estado de floração, modo de colheita e manipulação, etc. A mistura de óleos de origem vegetal que incorpora o Opticar actua em diferentes sentidos; tem actividade contra os Gram +, mantém controlado o microbismo e aumenta a resistência do novilho. Um animal mais saudável é sinónimo de melhores custos de produção. Estes óleos também actuam indirectamente como reguladores do pH ruminal graças ao maior tempo de ruminação. (fig.3, abaixo).

SALIVA E TEMPO DE RUMINAÇÃO

120

Eficiência %

100 80

Secreção total de saliva (L//dia)

60 40 20 A saliva secretada depende do tempo de ruminação

0 Acetato

Propionato

Butirato

Outro nutriente importante para o programa OPTICAR da Nanta é o AcidNut que nos permite medir a capacidade de influir no pH do rúmen de cada um dos ingredientes que compõem uma ração. Como o GlucoNut, calcula-se matemáticamente. O AcidNut calcula a produção de ácidos gordos voláteis - acético, propiónico, butírico e ramificados - de cada um dos nutrientes de fermentação rápida da ração como são os açúcares, o amido, a hemicelulose, a celulose e as pectinas. Neste nutriente influem diferentes elementos como os RFC (carbo-hidratos de fermentação rápida). Os RFC são a porção de hidratos de carbono do alimento que são fermentados pelos microorganismos do rúmen nas duas primeiras horas depois da ingestão. Esta porção diferencia-se por sua vez em duas fracções de componentes fermentáveis, as que fermentam muito rápidamente (nos primeiros 15 minutos) e as que fazem no tempo restante até chegar às duas primeiras horas. Outro factor são os TFC (carbohidratos fermentescíveis totais), que são a totalidade dos hidratos de carbono do alimento que são fermentados pelos microorganismos ruminais. Formam parte desta porção o FND, o amido, o açúcar, o ácido láctico e o glicerol. O AcidNut tem como objectivos principais equilibrar todos os ingredientes – cada um deles tem uma capacidade determinada de alterar o pH do rúmen – devendo a mistura de ingredientes dar um valor AcidNut que nos garanta a manutenção do pH ruminal suficientemente alto para garantir o seu perfeito funcionamento. O AcidNut é um nutriente da Nanta que garante a saúde ruminal relativamente às alterações metabólicas. Um animal sem acidose é sinónimo de um novilho que desenvolverá toda a sua capacidade de crescimento e transformação cárnica. O segundo suporte tecnológico do Opticar são os extratos vegetais. A selecção de distintos aditivos de origem vegetal, testados em provas de campo pela Nutreco, faz com que possamos incorporar nos nossos produtos as misturas de óleos essenciais que aportam significativas melhoras zootécnicas. Nos aditivos vegetais procuramos diferentes objectivos, entre eles que tenham uma influência clara nos rendimentos zootécni-

Tempo de ruminação (horas)

Outra das suas vantagens é que funcionam como antioxidantes naturais, de maneira que melhoram a qualidade da carcaça e prolongam a vida útil da carne, e reduzem o stress ao diminuir os efeitos negativos que derivam do stress nutricional, ambiental e fisico. Deste modo, o gado está mais tranquilo e eliminamos os atrasos de crescimento e a oxidação das carcaças derivadas do stress. Existe ainda uma sensível melhora do rendimento metabólico dos novilhos – certos óleos essenciais actuam como promotores de crescimento naturais melhorando o ganho médio diário e os índices de transformação, uma melhor saúde do gado devido a um melhor estado imunitário dos animais e fazendo variar a ordem de deposição da gordura, pelo que aumenta a infiltração e o rendimento final da carcaça.

EFEITO SOBRE O RENDIMENTO DA CARCAÇA Em resumo, o Programa o Opticar é o resultado da união da investigação e desenvolvimento de novos nutrientes e do uso de ingredientes vegetais naturais com o único objectivo de obter a melhor competitividade e o melhor produto. Em definitivo, Opticar é a resposta que hoje o mercado precisa para os bovinos de carne. 80 70

66,0

60 50

56,3

69,3

57,9

40 30 20 10 0

% canal

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Pastagens e forragens Técnicas fundamentais para o sucesso José Freire, Engº Agrónomo, Fertiprado, Lda. jfreire@fertiprado.pt

Os ruminantes desenvolveram durante milhões de anos um sistema digestivo capaz de aproveitar todo o potencial nutritivo da erva. Na bacia mediterrânea existem óptimas condições para a produção de pastagens e forragens de enorme qualidade, ricas em proteína, energia e com elevada digestibilidade.

A rentabilidade das explorações agro-pecuárias depende fortemente dos custos com a alimentação animal, logo, se produzirmos alimentação de qualidade nas nossas próprias explorações, ganhamos independência em relação a factores de produção externos, melhorando os resultados económicos das nossas empresas. Todavia, para que tenhamos êxito com as nossas culturas pratenses e forrageiras, existem algumas normas técnicas simples, que devemos observar.

INSTALAÇÃO Época de sementeira – Em Setembro/Outubro, na altura das primeiras chuvas sempre com a temperatura do solo superior a 16º C.

Preparação do solo – Não são necessárias mobilizações muito profundas, devemos no entanto garantir que a camada superficial fica suficientemente plana e livre de torrões.

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Eleição da mistura a semear – deve ter em conta os seguintes factores: solo (pH, textura, e fertilidade), clima (temperatura e pluviometria), finalidade (corte, pastoreio ou ambos), regime hídrico (sequeiro ou regadio), e outros, como o maneio do efectivo pecuário, a frequência de geadas, a exposição solar e profundidade da camada arável.

Sementeira – A sementeira pode ser feita com qualquer tipo de semeador, inclusivamente com um distribuidor centrífugo. Devemos garantir que a semente não fica enterrada a mais que 1 – 1,5cm de profundidade. Podemos semear pastagens e forragens com sementeira directa desde que consigamos garantir uma sementeira muito superficial e um bom contacto solo-semente. Isto normalmente conseguese semeando com o solo com pouca humidade (ou mesmo seco). Rolagem – Idealmente com um rolo de bicos, esta operação é fundamental para garantir o bom contacto da semente com o solo. Pode ser utilizado um rolo liso desde que não exista risco de compactar excessivamente a crosta superficial, o que impediria a germinação das sementes. As misturas pratenses e forrageiras, normalmente são constituídas por sementes de pequena dimensão. Isto significa que possuem poucas reservas energéticas para vencer grandes obstáculos. Por este motivo é fundamental garantir um bom contacto solo/semente e uma sementeira de muito pouca profundidade (não mais que 1,5 cm).

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PRODUÇÃO

ADUBAÇÃO Adubação de fundo – O macronutriente a observar é o fósforo. Normalmente as misturas ricas em leguminosas fixam azoto mais do que suficiente para garantir o bom desenvolvimento da cultura. É comum utilizar adubos simples só com fósforo, no entanto em sementeiras mais tardias, anos mais frios, ou solos com muito baixa fertilidade poderemos utilizar adubos binários ou ternários com algum azoto que garantam o arranque da cultura. Para efectuar uma adubação correcta, devemos efectuar análises de solo e levar em conta os seus resultados.

Adubação de cobertura – nas pastagens devemos realizar adubações de manutenção com adubos fosfatados, consoante as necessidades da cultura e a disponibilidade deste nutriente no solo. Recomenda-se que se realizem análises de solo de dois em dois anos. Nas culturas forrageiras, muitas vezes não é necessário realizar adubações de cobertura. No entanto em anos mais frios, ou, no caso de culturas multicorte poderemos realizar uma pequena adubação azotada, por forma a optimizar a produção destas misturas.

entram e saem do prado), ou rotacional (o prado é dividido em parcelas e os animais pastoreiam uma de cada vez), sendo que normalmente o melhor aproveitamento é conseguido desta última forma.

APROVEITAMENTO DAS FORRAGENS Existem misturas forrageiras com aptidão para pastoreio, para corte e para ambos os usos. Normalmente as misturas para corte (feno, silagem ou fenossilagem), não devem ser pastoreadas pois parte das espécies que as compõem não têm capacidade de rebrote. A máxima qualidade das forragens é sempre obtida antes da plena floração, pelo que o último corte deve ser efectuado quando se começam a ver as primeiras flores das leguminosas.

MANEIO DAS PASTAGENS PERMANENTES DE SEQUEIRO Nas pastagens permanentes de sequeiro, no ano da instalação, é obrigatório que se reserve a pastagem a partir do inicio da diferenciação floral e até ao momento em que a pastagem se encontre completamente seca. Desta forma garantimos a formação de um bom reservatório de sementes, que garante a longevidade da pastagem. No entanto, também é importante que antes desta altura se realize um aproveitamento com uma elevada carga animal. É o designado corte de limpeza. Este pastoreio não selectivo, permite eliminar as infestantes, melhorando a composição da pastagem. No verão é fundamental que se consuma a pastagem na totalidade, garantindo que o solo fique quase descoberto de resíduos vegetais. Este pastoreio assegura a ressementeira do prado e cria condições óptimas para as novas germinações. Nos anos seguintes as cargas pecuárias devem ser ajustadas à produção do prado. É mais fácil que uma pastagem se degrade por sub-pastoreio do que por sobre-pastoreio. A adubação de manutenção pode ser realizada no final do Verão, principio do Outono.

MANEIO DAS PASTAGENS PERMANENTES DE REGADIO Na composição das pastagens de regadio entram espécies perenes, pelo que não é necessário reservar a floração na primavera. Por serem perenes, o desenvolvimento inicial destas plantas é mais lento, assim é normal que no inicio os níveis de infestação sejam muito elevados. Cortes de limpeza com elevadas cargas animais em curtos períodos são a solução para estas infestações. Estes prados podem ser pastoreados de forma contínua (com os animais permanentemente no prado), intermitente (os animais

Em suma, a sementeira de pastagens e forragens assume-se cada vez mais como a melhor forma de melhorar a rentabilidade das explorações agropecuárias. Existem no entanto alguns riscos que podem condicionar o êxito destas culturas. Cumprir as normas aqui descritas e procurar o aconselhamento técnico adequado é a melhor forma de evitar acidentes culturais e de garantir que as pastagens e forragens cumprem o seu principal objectivo: fornecer uma alimentação animal rica em energia, proteína, com elevada digestibilidade e a baixo custo.

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BEM ESTAR ANIMAL

Bem estar de ruminantes Ana Vieira, Inês Ajuda, George Stilwell , AWIN – Animal Welfare Indicators Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade Técnica de Lisboa

awinportugal@gmail.com

O bem-estar animal é um dos principais tópicos de interesse a nível da produção animal moderna, estando de forma consistente no topo das preocupações levantadas por consumidores e políticos da União Europeia. Prova disto é o facto do bem-estar animal ser parte integrante da política europeia "do prado ao prato" e uma das estratégias prioritárias relacionadas com o desenvolvimento de políticas mais sustentáveis de produção de produtos de origem animal. O QUE É O BEM-ESTAR ANIMAL?

Do ponto de vista científico, o bem-estar animal, particularmente o bem-estar animal das espécies de produção, teve o seu início como área de investigação em 1965, com a publicação do Relatório de Brambell na Grã-Bretanha. Uma vez que o estudo do bem-estar animal inclui interacções a nível do animal-sistema de produção e animal-Homem, existiu desde sempre uma grande colaboração entre as ciências naturais (medicina veterinária, biologia, fisiologia) e sociais (etologia e psicologia comparativa) na investigação deste tema (Carenzi & Verga, 2009). Esta aproximação multidisciplinar levou a que o conceito de bem-estar animal fosse evoluindo ao longo do tempo. Para uma melhor compreensão do conceito é de realçar as seguintes definições: 1) Duncan (1993), "o bem-estar está dependente do que os animais sentem"; 2) Webster (1994), "o bem-estar de um animal é determinado pela sua capacidade de evitar sofrimento e manter performance"; 3) Broom (1996), que apresenta o bem-estar animal como o "estado de um indivíduo no que concerne às suas tentativas de lidar com o ambiente". Por outro lado, esta multidisciplinariedade conduziu a que a definição de bem-estar esteja envolvida por alguma polémica e tenha diferentes interpretações por parte dos consumidores, produtores e políticos (Blokhuis et al, 2008; Quintili and Grifoni, 2004; Vanhonacker et al, 2007). Nesta problemática deveremos ter ainda em linha de conta outros aspectos, como factores económicos, aspectos relativos à praticabilidade da aplicação dos conceitos na realidade das explorações e ainda, aspectos relacionados com preocupações ambientais (Wyss et al, 2004), que muitas vezes introduzem dúvidas na definição de bem-estar animal.

DE QUE FORMA PODEMOS AVALIAR O BEM-ESTAR ANIMAL NAS EXPLORAÇÕES?

Uma das aproximações ao bem-estar animal mais difundidas é aquela que é feita através das "5 Liberdades", que foram apresenta-

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das pela primeira vez no Relatório de Brambell. Estas "liberdades" foram depois adoptadas e revistas pelo Farm Animal Welfare Council, mantendo-se hoje ainda como uma referência para o estudo e avaliação de bem-estar em animais de produção (FAWC, 2011). As "5 Liberdades" identificam os elementos que determinam a percepção de bem-estar pelo próprio animal e definem as condições necessárias para promover esse estado. São elas: 1. Livre de fome e de sede - acesso a água fresca de qualidade e a uma dieta adequada às condições fisiológicas dos animais 2. Livre de desconforto - fornecimento de um ambiente adequado que inclua um abrigo com uma zona de descanso confortável 3. Livre de dor, ferimentos e doença - prevenção de doenças, diagnóstico rápido e tratamentos adequados 4. Liberdade de expressar comportamento normal - fornecimento de espaço adequado, instalações adequadas e a companhia de animais da mesma espécie 5. Livre de stress, medo e ansiedade - assegurando condições e maneio que evitem sofrimento mental.

A par do estabelecimento destas "5 Liberdades" é ainda importante realçar a importância do desenvolvimento de indicadores de bem-estar animal a nível das explorações (indicadores baseados no ambiente ou in-put) e dos próprios animais enquanto indivíduos (indicadores baseados no animal ou out-put). É importante realçar que estes indicadores deverão ter em linha de conta as especificidades próprias de cada sistema de produção e de cada espécie animal. A garantia do bem-estar animal de acordo com estas liberdades apenas pode ser alcançada através da aplicação de práticas de produção adequadas, que tenham em conta não só a espécie animal em si, mas também os sistemas de produção, as condições climáticas, o alojamento e as metodologias de maneio e de alimentação. No entanto, quaisquer que sejam as condições específicas presentes, a avaliação do bem-estar é um procedimento científico e deve incluir aspectos relacionados com a saúde, fisiologia, performance e medidas comportamentais (Comissão Europeia, 2000).

O IMPACTO ECONÓMICO DO BEM-ESTAR ANIMAL

Os conhecimentos actuais demonstram que animais em bem-estar são mais saudáveis (Horgan and Gavinelli, 2006), e consequentemente mais produtivos, tanto em termos de quantidade como de qualidade. Por exemplo, estudos realizados em cabras demonstram uma relação directa entre a existência de afecções debilitantes, como claudicações por sobre-crescimento dos cascos, ou a existência de doenças que afectem a saúde do úbere, e uma redução significativa de produção de leite, assim como da sua qualidade (Jackson & Hac-

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BEM ESTAR ANIMAL

kett, 2007; Mazurek et al., 2007; Anzuino et al., 2011). Além destas considerações, existe ainda uma evidência crescente de que os consumidores associam de forma clara o bem-estar animal aos conceitos de segurança alimentar e qualidade (Viegas et al., 2011). Os consumidores também demonstram de uma forma cada vez mais evidente uma preocupação ética em relação à forma como as espécies de produção são mantidas, podendo inclusive recusarse a comprar produtos resultantes de certas práticas agrícolas. Ainda outro aspecto a ter em linha de conta é legislação, que deve sofrer constante actualização em resposta às novas descobertas científicas e preocupações éticas da sociedade. De facto, desde o ano 2000, a legislação europeia nesta área tem sofrido grandes alterações, ao mesmo tempo que se tem vindo a tornar mais específica sendo de esperar que esta tendência se mantenha ou venha mesmo a aumentar.

duas áreas principais: a) criação de um modelo de certificação de bem-estar nas explorações de pequenos ruminantes através de indicadores validados; b) avaliar o impacto de certas doenças sobre o bem-estar, nomeadamente através da dor.

O PROJECTO ANIMAL WELFARE INDICATORS (AWIN)

O Bem-estar pode ser avaliado através de indicadores exibidos pelos animais

A produção intensiva de caprinos poderá trazer novos problemas de Bem-estar Animal

O Animal Welfare Indicators (AWIN) é um grande projecto europeu que vem na sequência de um outro chamado Welfare Quality. Tal como vimos anteriormente é fundamental o desenvolvimento de indicadores de bem-estar a nível das explorações. Assim, no AWIN iremos estudar os indicadores de bem-estar nas espécies que não foram abordadas pelo projecto anterior, ou seja, os ovinos, caprinos, equídeos (cavalos e burros) e ainda perus. Será ainda um dos principais objectivos do AWIN criar uma plataforma online de ensino e divulgação de temas de bem-estar animal. O AWIN é coordenado pelo Scottish Agriculture College, e envolve 11 parceiros em 10 países (9 na Europa e Brasil). Em Portugal a instituição envolvida é a Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Técnica de Lisboa. A área de estudo em Portugal será a de bem-estar de pequenos ruminantes e principalmente de cabras leiteiras em regime intensivo. Consideramos que esta é uma área de estudo que coloca verdadeiros desafios à produção animal moderna. Assistimos nos nossos dias a uma grande pressão de intensificação a nível deste sistema de produção. Na nossa opinião, há que actuar sobre esta temática a fim de evitar erros cometidos no passado a nível do melhoramento animal (por exemplo, com os bovinos leiteiros), promovendo a sustentabilidade biológica da espécie caprina. Os estudos a serem conduzidos em Portugal irão dividir-se em

No primeiro grupo de estudos pretendemos identificar os sinais que permitirão a produtores, investigadores e avaliadores reconhecer, de forma rápida e prática, problemas de bem-estar a nível das explorações. A validade, repetibilidade e exequibilidade destes indicadores de bem-estar serão testadas em diversas explorações com sistemas de produção e raças diferentes. De seguida o modelo será testado a nível dos outros países europeus. Com este estudo será possível criar as ferramentas necessárias para distinguir as explorações onde o bem-estar animal está garantido, podendo assim comunicar ao consumidor que um determinado produto respeita as normas mais exigentes de respeito pelos animais. O segundo grupo de trabalho estudará a dor em doenças e práticas de rotina como a peeira, laminite, mastites, artrites, descorna etc… Pretende-se com estes estudos perceber se a dor é uma vertente importante na patogenese das doenças e se a analgesia deverá ser considerada como parte essencial do tratamento facilitando a recuperação do animal. Daqui resultarão de certeza benefícios tanto para o animal como para a produção.

O PROJECTO AWIN E A REVISTA RUMINANTES No âmbito do nosso projecto, e em colaboração com a Revista Ruminantes, criámos um espaço onde pretendemos divulgar os nossos trabalhos, assim como outros temas relacionados com a temática do Bem-estar Animal. Acreditamos que a área do bem-estar animal é um tema que deve estar no centro das preocupações dos produtores, das empresas do sector da pecuária, e pretendemos que possam contar com o nosso projecto e equipa para responder às vossas questões e para apresentar soluções que protejam o bem-estar animal ao mesmo tempo que tornam a actividade pecuária mais produtiva.

Referências bibliográficas:

Não foram incluídas por uma questão de espaço editorial, mas os autores disponiblizam bastando enviar um correio para o email.

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PRODUÇÃO

SAÚDE ANIMAL

COCCIDIOSE Doença cosmopolita que atinge ruminantes submetidos aos diferentes tipos de criação Entrevista pela Revista Ruminantes Carolina Maia, Médica Veterinária com actividade na Diessen Serviços Veterinários. carolcrmaia@gmail.com

O que é a coccidiose e onde encontra a sua génese? - A coccidiose é uma doença que ocorre em todo o mundo e cuja etiologia é um protozoário. Um pequeno parasita intracelular. As coccídeas são bastante específicas no que toca ao hospedeiro, o que significa que raramente há infecção cruzada entre ruminantes. Por exemplo entre ovelhas e cabras, ou entre vacas e ovelhas. As espécies mais frequentemente envolvidas nos episódios clínicos são a E. bovis e E. zuernii em bovinos, a E. ahsata, E. bakuensis e E. ovinoidalis em ovinos, E.arloingi, E. alijevi, E. hirci, E. christenseni e E, ninakolhyakimovae no caso dos caprinos. A coccidiose provoca imunidade após infecção e é, por isso, rara em animais adultos. Entre os ruminantes, quais as espécies mais afectadas? - A doença clínica é mais comum em bovinos e em ovinos.

Quais os factores numa exploração que contribuem para a existência desta patologia? - A transmissão da coccidiose é do tipo fecal oral. Os oocistos esporulados que são infectantes provêm de oocistos passados nas fezes de gado com infecções patentes. A humidade e temperaturas frias são favoráveis à esporulação, enquanto o calor e ambientes secos são-lhe detrimentais. Assim, o sistema de produção tem influência directa na disseminação da coccidiose. Em sistemas de exploração intensiva, onde existe alta densidade populacional, a transmissão da doença é mais fácil e há maior quantidade de oocistos. Não é então difícil de perceber, que em explorações leiteiras a coccidiose é mais frequente, ocorre mais

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cedo e com maior severidade. Condições que favoreçam a contaminação por fezes de comedouros e bebedouros facilitam a disseminação da coccidiose. O contágio é também fácil através dos pêlos sujos com fezes quando os vitelos se lambem mutuamente. Áreas sombrias e húmidas como aquelas junto a bebedouros ou camas sujas e molhadas são, tipicamente, importantes fontes de infecção. Em explorações extensivas, a adopção de sistemas mais modernos de produção, essenciais a um aumento na produtividade, parece também ter influência no aparecimento de surtos de coccidiose. A concentração de partos em meses de chuva, concentrando as vacas com os bezerros em pequenas áreas húmidas, e a rotação de pastagens de regadio favorece a disseminação e a manutenção da doença. É de salientar no entanto, que como em tantas outras doenças, factores que causem imunodepressão nos animais aumentam a patogenicidade da coccídea. Daí os típicos surtos pós desmame… Quais os principais sinais clínicos da coccidiose? - Embora em surtos possamos ter animais com sintomatologia aguda, apresentando diarreia profusa com odor fétido, com fezes com muco e sangue, este último escuro; tenesmo e apetite reduzido, o mais comum é uma sintomatologia menos aparatosa. Os animais acometidos apresentam-se desidratados, magros e com o “pêlo feio”. Em casos menos graves apenas é visível uma diarreia moderada sem sinais sistémicos. Muitos casos podem ser subclínicos. Em grupos de vitelos com coccidiose os sinais mais comuns são o estrume mais líquido, pobre condição

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SAÚDE ANIMAL

corporal, taxas de crescimento baixas e má qualidade do pêlo dos animais. Alguns animais do grupo aparecem com a zona perianal, cauda e curvilhões sujos. Apesar de a maior parte (se não todos) dos animais do grupo estar infectada, apenas aqueles com infecção mais severa apresentarão sinais clínicos evidentes. Assim, no caso de serem detectados animais com sinais clínicos, todo o grupo deverá ser considerado infectado e imediatamente tratado. No caso dos vitelos de leite, como já referi, os casos clínicos ocorrem, mais comummente, entre as 8 e as 16 semanas. Esta é a altura em que, na maior parte das explorações, eles são desmamados e agrupados. Ora, ao desmamar e agrupar vitelos anteriormente em alojamento individual induz um enorme stress. Este stress, aliado ao facto de serem juntos num ambiente onde estão favorecidas a contaminação da comida, água e pêlo dos animais, cria uma situação ideal para a coccidiose. Felizmente a mortalidade é baixa, a não ser que o problema seja negligenciado.

Qual o impacto económico desta doença? - No caso de não ser feito um bom controlo da doença as perdas económicas poderão ser enormes. Como disse anteriormente a coccidiose tem um enorme impacto no crescimento dos animais. Todos sabemos que a antiga ideia de que existe o chamado crescimento compensatório é falsa. As consequências no futuro produtivo e reprodutivo dos animais afectados podem ser desastrosas. Os efeitos de atrasos no crescimento dos animais no inicio da sua vida nunca mais são revertidos. Como consequência temos atraso

PRODUÇÃO

da idade à cobrição (e portanto ao primeiro parto). No caso de novilhas de aptidão leiteira teremos menos quilogramas de leite na primeira lactação. No caso de engordas temos os animais a terem de sair mais tarde para o matadouro devido a demorarem mais tempo para atingirem os pesos de carcaça necessários. Penso que a coccidiose está entre as doenças que maiores prejuízos causam à produção de ruminantes. Qual o tratamento e controlo que aconselha? O tratamento da coccidiose passa pela utilização de coccidiostáticos orais que podem ser também utilizados como profilácticos quando a exposição à coccidiose é provável. Entre os coccidiostáticos geralmente recorre-se a ionóforos com várias apresentações comerciais. Em explorações onde a coccidiose está muito presente é comum adicionar-se um ionóforo à ração de forma sistemática em alturas específicas da recria. É importante ter-se em conta os intervalos de segurança destes produtos. A meu ver, os coccidiostáticos usados profilacticamente não deverão, no entanto, ser vistos como meio de controlo da coccidiose. Práticas de maneio que permitem a acumulação de estrume, contaminação da comida e da água por fezes e superpopulação deverão ser corrigidas. Se os animais forem mantidos num ambiente limpo, com instalações feitas de modo a evitar contaminação de comedouros e bebedouros; se as instalações forem limpas regularmente e desinfectadas entre grupos de animais de idades sucessivas, o risco de coccidiose diminui drasticamente.

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PRODUÇÃO

SAÚDE ANIMAL

Prevenção das patologias podais José Luis Campos, Médico Veterinário, Gestor de Produto na Hypred

jcampos@vitas.pt

A produção leiteira de hoje é caracterizada por ser altamente complexa do ponto de vista técnico, interferindo na sua quantidade e qualidade, um sem número de factores de diversas origens. O produtor leiteiro moderno e os técnicos em seu redor têm que estar permanentemente alerta a qualquer pequena alteração que possa surgir no maneio, alimentação, higiene, climatologia, instalações, etc, no sentido de evitar perdas económicas devido à diminuição da produção leiteira, ou alteração da sua qualidade nutricional ou microbiológica.

Vários estudos económicos apontam as Mastites como a patologia com maiores custos económicos numa exploração leiteira. Seguidamente surgem os problemas com a fertilidade e em terceiro lugar os PROBLEMAS PODAIS. Hoje em dia, a prevenção das patologias podais merecem pouca atenção por parte do sector, sendo normal que apenas se tenha preocupação com os cascos aquando da manifestação da doença. No entanto, os custos económicos da não prevenção são altíssimos, podendo conduzir a uma perda total de 450kg de leite produzido por lactação, acrescido dos custos de tratamento, e a um forte aumento dos problemas de fertilidade. Estas perdas económicas podem multiplicar-se, pois em alguns casos o risco de contágio ao restante efectivo é elevado. Para além disto, sabemos que normalmente são as vacas melhores produtoras que sofrem mais de claudicações, principalmente nos primeiros 100 dias pós-parto, e que após um episódio de

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claudicação têm 25% maior probabilidade de voltar a claudicar.

Devemos portanto assumir claramente uma postura preventiva face às patologias podais, investindo numa melhoria de todo o maneio que possa influenciar o desenvolvimento das claudicações e abandonar definitivamente a postura reactiva que acarreta consigo enormes custos. Para uma boa prevenção devemos melhorar o conforto, as instalações e a higiene, fornecer uma alimentação equilibrada, efectuar o corte funcional dos cascos de forma periódica e o usar o pedilúvio. A etiologia das patologias podais pode ser muito diversa, podendo contribuir para o seu desenvolvimento alguns factores como a própria biomecânica dos membros, a alimentação, o clima, as instalações, a higiene, o pastoreio, o clima, a idade, o factor humano, a produção leiteira, período periparto, factores genéticos, a concentração de animais, etc. Cada um destes factores actua isolada ou sinergicamente com outro para provocar ou agravar o desenvolvimento da patologia podal. Um dos mais importantes, é a Higiene. Os cascos devem andar tanto quanto possível em zonas limpas, com pouca carga de matéria orgânica, pois esta para além de macerar e enfraquecer a estrutura do casco, aumenta o risco de dermatites e complicações sépticas. Se considerarmos Afecções Podais primárias a Dermatite, a Dermatite interdigital, o Panarício e a Laminite, podemos verificar que a falta de Higiene é uma das principais causas nas 3 primeiras afecções primárias identificadas. Das restantes afecções possíveis (Úlcera da Sola, Abcesso Podal, Tiloma, Erosão do Talão, etc) a falta de Higiene pode ser um importante factor agravante da situação clínica destas afecções. Estas afecções desenvolvem-se tão mais rapidamente quanto pior a condição física do casco. Cascos com fissuras, moles, e com pouca resistência ao choque tendem a ser mais frequentemente afectados e com maior gravidade. Estes casos surgem quando os cascos estão permanentemente imersos em matéria orgânica ou mesmo em casos de muita humidade, como por exemplo o pastoreio no Inverno. Torna-se assim claro que, para assegurar-

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mos uma boa higiene dos cascos numa exploração leiteira moderna, devemos ter em atenção dois factores: a higiene do espaço, com pouca carga orgânica e uma adequada concentração de animais, e o tratamento do casco, conferindo-lhe resistência e uma adequada limpeza periódica. A utilização do pedilúvio deve ser feita regularmente e a solução nele contida deve ser mudada periodicamente. A sua função deve ser não só conferir resistência ao casco como também desinfectar a superfície. Um pedilúvio que não seja desinfectante poderá estar a contribuir para uma disseminação de microrganismos por todo o efectivo, correndo o risco de multiplicar o número de afecções podais, incorrendo num importante custo económico. O uso de PODOPLUS no pedilúvio é uma solução completa para o tratamento dos cascos, pois tem uma acção de fortalecimento da sua parede e simultaneamente uma forte acção desinfectante, graças à combinação dos seus compostos. Assim, com apenas um composto estamos a endurecer a parede dos cascos e a aumentar a sua higiene geral evitando contágios no efectivo. Os compostos de PODOPLUS, têm simultaneamente uma acção desinfectante, duradoura e penetrante, com efeito cicatrizante e um endurecimento dos cascos, pois combina glutaraldeídos e quaternários de amónio com sulfatos de cobre, zinco e alumínio. Caso a patologia já esteja presente, PODOPLUS pode ser aplicado directamente no casco, por pulverização, garantindo assim uma concentração elevada de PODOPLUS no local exacto da patologia, prevenindo o seu contágio e promovendo a cura rapidamente. Com a aplicação de PODOPLUS estamos prevenir o aparecimento de doenças podais, a melhorar o bem-estar animal e consequentemente a aumentar os resultados económicos da exploração leiteira.


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PRODUÇÃO

SAÚDE ANIMAL

Lançamento de antibiótico de longa duração Controlo da Síndrome Respiratória Bovina MSD Saúde Animal (Comunicado de Imprensa)

A MSD Saúde Animal apresentou, no dia 17 de Setembro de 2011, no Hotel Mirage, em Cascais, o seu novo antibiótico de longa duração, agora disponível em Portugal, para a prevenção e tratamento da Síndrome Respiratória Bovina (SRB). “A SRB tem um impacto mundial no valor de 3 mil milhões de dólares, representando 50% da mortalidade na engorda, e cerca de 30% da mortalidade nas recrias após o desmame”, declarou George Stilwell, Professor da Faculdade de Medicina Veterinária de Lisboa, diante de uma plateia de cerca de 150 médicos veterinários. As perdas de produtividade relacionadas com a SRB não se resumem à morbilidade e mortalidade, há que ter em conta que “os animais com lesões pulmonares não chegam a atingir o seu potencial máximo, reflectindo-se na qualidade da própria carne, sem esquecer todas as questões ligadas ao sofrimento do animal”, explica George Stilwell. Segundo André Preto, Especialista Técnico de Ruminantes da MSD Saúde Animal, o tratamento e a prevenção eficazes da SRB são fundamentais, por um lado, “para proteger os animais e por outro, para manter a sustentabilidade dos criadores, que geralmente não associam a diminuição dos ganhos médios diários

com a presença de patologia nas suas explorações. Isso traduz-se em animais que devido à morbilidade nem sempre visível, não vão ter a performance produtiva normal”.

A SOLUÇÃO – PREVENÇÃO E DIAGNÓSTICO PRECOCE

Apesar dos esforços dos criadores e veterinários, a origem multifactorial da doença (causas ambientais, stress do animal, predisposição morfológica e genética e infecções virais ou bacterianas) dificulta o controlo da SRB, que é geralmente diagnosticado através da temperatura dos animais. No entanto, embora seja o método mais utilizado, não parece ser o mais certeiro, uma vez que “55% dos animais que chegam ao matadouro têm lesões pulmonares”, explica George Stilwell. “Antes ventilar que vacinar” é a citação favorita do Professor, referindo-se às condições deficitárias de algumas explorações, que acabam por ser um factor de grande risco para a proliferação da SRB. Na opinião deste médico veterinário, a solução do problema passa por uma aposta clara na prevenção: “identificar os animais que necessitam de tratamento e tratá-los o mais cedo possível.”

» A equipa da MSD Saúde Animal, em Portugal.

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Aspecto da assistência ao Evento do Lançamento do antibiótico de longa duração.

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PRODUÇÃO

SAÚDE ANIMAL

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VELOCIDADE, LONGA DURAÇÃO E ACTIVIDADE ANTIBACTERIANA

Francis Adriaens, Global Marketing Director, Lung Health, da MSD Saúde Animal, apresentou dois estudos, um de laboratório e outro de campo, onde ficou demonstrado que “a combinação de características do produto, a velocidade, a longa duração e a actividade antibacteriana, faz deste produto o novo paradigma para o tratamento e prevenção da SRB”, explica. Em ensaios comparativos, as concentrações da substância activa deste novo antibiótico no pulmão de bovinos mostraram ser superiores a 1µg/ g, após 28 dias. Por outro lado, este antibiótico de longa acção comporta o menor volume de dose, comparativamente com qualquer tratamento de SRB disponível - 1 mL por 45 kg de peso corporal, sendo que a sua formulação altamente solúvel, específica para bovinos e é fácil de injectar mesmo em baixas temperaturas. Finalmente, os estudos demonstram que o antibiótico de longa acção da MSD Saúde Animal “apresenta também um intervalo de segurança de apenas 47 dias, menor do que qualquer antibiótico para a SRB da mesma categoria”, explica Francis Adriaens.

Ano Internacional da Veterinária ESTE ANO CELEBRA-SE O 250º ANIVERSÁRIO DA PROFISSÃO VETERINÁRIA A profissão veterinária merece hoje, mais do que nunca, ocupar um lugar destacado. Ao garantirem a saúde dos animais, as repercussões da veterinária na agricultura contribuem para o desenvolvimento económico dos países, especialmente nas zonas mais pobres da Terra. Com responsabilidade na detecção dos possíveis riscos sanitários ao longo da cadeia alimentar, os veterinários estão à frente da prevenção e do controlo das doenças dos animais. Para celebrar esta data e lembrar o papel crucial que os veterinários desempenham na vida diária de todos nós, a Organização Mundial de Sanidade Animal (OIE) e a Direcção Geral de Saúde e Protecção dos Consumidores da Comissão Europeia levaram a cabo uma série de iniciativas, entre as quais um concurso fotográfico. As fotos vencedoras foram escolhidas em função da sua relevância relativamente ao tema, originalidade, e qualidades estéticas.

PLATAFORMA DE SAÚDE PULMONAR

O lançamento deste antibiótico de longa duração da MSD Saúde Animal para o controlo da Síndrome Respiratória Bovina, em Portugal, contou com a presença de Fernando Heiderich, Global Director da MSD e responsável máximo da sua divisão de Ruminantes, que explicou que “com o lançamento deste produto, a empresa completa a solução integrada para a Plataforma de Saúde Pulmonar de bovinos que, para além das terapêuticas onde o este antibiótico se inclui, comporta uma série de serviços que permitem que os veterinários e produtores desenvolvam estratégias de gestão da SRB personalizadas”. O que falta então para o controlo da Síndrome Respiratória Bovina? “Prevenção e monitorização”, explica Fernando Heiderich, que encerrou a sessão com um apelo aos colegas médicos veterinários: “A cobertura da vacinação em Portugal está abaixo dos 40%. Vacinem os vossos efectivos!”.

Sobre a MSD Saúde Animal A Merck é hoje líder mundial na área da saúde e trabalha para contribuir para o bem-estar mundial. A MSD Animal Health conhecida como Merck Animal Health nos Estados Unidos e no Canadá, é a unidade de negócios global de Saúde Animal da Merck. A MSD Animal Health oferece a médicos veterinários, produtores, proprietários de animais de companhia e autoridades governamentais a mais ampla variedade de soluções em serviços de gestão de saúde, vacinas e produtos farmacêuticos veterinários. A MSD Animal Health dedica-se a preservar e melhorar a saúde, o bem-estar e o desempenho dos animais, investindo extensivamente em recursos amplos e dinâmicos de I&D e numa rede de fornecimento global e moderna. A MSD Animal Health está presente em mais de 50 países e os seus produtos estão disponíveis em 150 mercados. Para mais informações, visite www.merck-animal-health.com.

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(Autor da foto: Somenath Mukhopadhyay) Foto Vencedora — Índia: Veterinário tratando uma cabra infectada com a peste dos pequenos ruminantes.

(Autor da foto: Bojia Endebu Duguma) Foto distinguida com o Prémio Especial OIE — Etiópia: Grupo de homens reunidos com os seus cajados, enquanto aguardam que os seus burros sejam desparasitados no Donkey Sanctuary (Santuário dos Burros), uma organização benemérita que assiste os burros e mulas da região, onde estes animais são os segundos braços de trabalho do homem.

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SEGURANÇA

SEGURANÇA na sala de ordenha

Limpeza

No primeiro contacto com a vaca para limpeza dos tetos, é muito importante que não a assuste.

A sala de ordenha é um dos locais da exploração onde os acidentes podem ocorrer. Os produtos químicos utilizados para lavagem e limpeza de equipamentos são potencialmente perigosos para os empregados, animais e meio ambiente, se não se tiverem os cuidados necessários na sua utilização e manuseamento.

Produtos químicos

Produtos químicos utilizados na lavagem e limpeza de equipamentos são perigos potenciais para os trabalhadores, animais e ambiente.

Movimentação das vacas

Ajuda na movimentação das vacas – este trabalho é potenciador de riscos, principalmente com novilhas que ainda não estão habituadas. Deve ter em atenção as zonas de “aperto”.

Pedilúvios Nos pedilúvios, frequentemente existentes em algumas áreas do corredor de retorno, os produtos químicos utilizados devem ser manuseados com especial precaução.

Preste especial atenção à abertura e fecho de cancelas e a objectos protuberantes. Tenha igualmente cuidado em não se colocar atrás dos animais pois pode levar um coice.

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EQUIPAMENTOS

Novidades seleccionadas De 13 a 16 de Setembro decorreu em Rennes, França, mais uma edição da reputada feira internacional de agropecuária - o SPACE. Entre os muitos produtos e serviços apresentados este ano, de novo, pelos expositores, um júri constituído por especialistas neste sector seleccionou 54 novidades. Destas, apresentamos as que mais se relacionam com o equipamento utilizável nas explorações de ruminantes, podendo as restantes serem consultadas em www.space.fr. AGRIMAGE

AGID

Assistente de ordenha

O sistema ID_Traite ajuda os produtores de leite na decisão durante a ordenha. Pela utilização da identificação electrónica com os brincos RFID, as vacas são reconhecidas na entrada para a sala de ordenha através de uma antena (ou posto a posto). O seu número, assim como a sua localização são comunicados a um software que exibe esta informação num grande monitor (27"). Ao número da vaca, o criador pode associar informações ou alarmes que serão visualizados alternadamente com o número de localização da vaca. Todas as informações relevantes durante a ordenha estão visivelmente disponíveis e podem ajudar a tomar as decisões correctas. A substituição da máquina de ordenha e a troca de directivas são também automatizadas. O ID_Traite também pode interagir com outro software para exibir informações adicionais úteis. Por extensão, a automação de triagem na saída da sala de ordenha também é muito mais fácil. Este sistema também pode ser usado em salas de ordenha ovinos e caprinos, bem como nas salas de ordenha rotativas.

info@agid.fr www.agid.fr

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Equipamentos para explorações de pequena dimensão

Este sistema permite armazenar até 10 pares de botas ou baldes verticalmente. E os baldes e botas podem ser limpos com água e secas adequadamente. Estando sujeito à corrosão pela água e produtos de limpeza, este equipamento é fabricado em aço 100% inoxidável.

O suporte para baldes e botas oferece vantagens em termos de organização e de qualidade sanitária e permite: - Encontrar os baldes e botas no mesmo lugar, sempre limpos; melhorar a arrumação nos espaços de trabalho, - Melhorar a qualidade sanitária e a limpeza do recipiente mais frequentemente utilizado (o balde); - Limpar regularmente as botas.

DELAVAL

Cilindro de água PRO

O cilindro aquecedor de água Delaval é um aquecedor de água tipo industrial que permite obter uma temperatura de saída de água quente de 95 °C para 250 litros. O seu fabrico em aço inoxidável com revestimento especial de camada única permite-lhe resistir a sobrepressões mecânicas importantes induzidas por temperaturas de aquecimento elevadas. O cilindro também é resistente a todas as agressões químicas potenciais provocadas pela água: esta estabilização do aço permite oferecer modelos sem ânodo de protecção.

O cilindro é baseado num sistema de aquecimento "banho-maria". A resistência é blindada e está inserida num tanque inferior onde a água nunca é renovada. Esta cuba aquece um balão superior, alimentando o circuito de limpeza da máquina de ordenha. Assim, não há risco de depósito de calcário na resistência. O cilindro de água de reservatório duplo da Delaval não tem portanto limitação de uso com águas duras, qualquer que seja o nível de dureza. contact@agrimage.fr www.agrimage.fr

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info.fr@delaval.com www.delavalfrance.fr


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EQUIPAMENTOS

DIVERSEY FRANCE EasyFit Plus

KVERNELAND TAARUP FEEDING Desensiladora cortadora de fardos 850 SL

Nas desensiladoras cortadoras de fardos da Kverneland, o tambor é accionado por uma correia. Sendo desprovido de sistema de embraiagem hidráulica ou eléctrica, quando a turbina arranca o tambor entra em rotação e a forragem entra para a câmara da turbina podendo ocasionar um bloqueamento. Para ultrapassar este problema, a Kverneland desenvolveu o sistema Drum Feed Control. O controlo da forragem é obtido pela abertura/fecho progressivo dum pente rotativo situado sob o tambor. Durante o carregamento da desensiladora, o sistema Drum Feed Control está em posição fechada, o pente colmata o espaço sobre o tambor. O operador acciona a TDF para iniciar a turbina e o tambor (o tambor é accionado directamente pela correia, sem embraiagem). Uma vez atingida a rotação óptima da turbina e do tambor, o operador abre o sistema Drum Feed Control. Seguidamente, basta accionar a correia transportadora para distribuir a forragem.

contact@kvernelandgroup.com www.kvernelandgroup.com

O EasyFit Plus é um equipamento destinado à higiene dos tetos, que tem como principal vantagem juntar três aplicações diferentes num mesmo equipamento de base: uma aplicação para produtos em espuma EasyFit Foam, uma aplicação para produtos espessos EasyFit Thick e uma aplicação para pulverização. O EasyFit Plus. O equipamento funciona com ar comprimido, é fácil de instalar e não constitui qualquer risco eléctrico (electrocução, fogo). É tecnicamente simples e é prático de utilizar. A espuma é criada com a pressão exercida no gatilho da pis-

GARANTIA BVD Profilaxia

GARANTIA BVD (Diarreia Viral Bovina) dos vitelos (controlo por amostra de tecido BVD/TST) é utilizado para vitelos no nascimento. É feito através de uma analise da cartilagem de orelha usando um aplicador de brincos que remove uma pequena amostra de tecido. É útil para: - Vendedores de vitelas de substituição (reprodução) com menos de 8 dias. - Vitelos em todos os rebanhos em aleitamento. - Explorações recentemente contaminadas com o objectivo de diagnóstico precoce. O custo é de 12 € por vitelo. O interesse deste dispositivo para os criadores é a rastreabilidade perfeita, uma resposta prática para os animais que não pode ser garantida por qualquer outro método a um custo acessível.

www.gdsbretagne.fr

tola imediatamente antes da aplicação no teto. O EasyFit Plus é adaptado aos pequenos, médios e grandes rebanhos, porque pode alimentar até nove pistolas com uma linha de distribuição de 40 m. Elimina a movimentação de bidons e de copos, fonte de contaminações e de desperdício de produtos. Requer apenas uma pressão de ar máxima de 6 bar. A montagem pode ser feita pelo agricultor e a manutenção é extremamente simples. Email: eva.rodrigues@diversey.com Site internet: www.diversey.com

LELY FRANCE Lely I-Flow

Durante mais de 30 anos obrigou-se as vacas a recuar para saírem das estações de DAC (Distribuidor Automático de Concentrados). Actualmente, com o conceito Lely I-Flow, as vacas podem entrar e sair do robot Lely de forma natural, isto é, em linha recta sem obstáculos. Lely I-Flow permite que as vacas entrem e saiam naturalmente e mais rapidamente.

A box de ordenha foi avançada no estábulo, permitindo às vacas estarem em contacto permanente com o resto do rebanho, eliminando o stress. O comedouro móvel recolhe após a ordenha e permite assim a saída em linha recta. Esta saída rápida aumenta a velocidade de passagem das vacas pelo robot. Este ganho, estimado em 5 segundos por ordenha, pode levar a um ganho de 15 minutos por dia ou seja, a mais uma vaca ordenhada por dia. O objectivo da Lely é oferecer à vaca uma ordenha o mais natural possível.

france@lely.com www.lely.com

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EQUIPAMENTOS

A nova série MF 7600 da Massey Ferguson

John Deere Série 7R, ainda mais completa

A nova série de tractores MF 7600, apresentada pela Massey Ferguson à imprensa especializada europeia no passado mês de Setembro, segue a mesma linha de imagem da série MF 8600. Oferece quatro novos modelos com motorizações de 6 cilindros e potência compreendida entre 185 e 235 cv. A série MF 7600 três opções de transmissão: Dyna6 Eco, semipowershift ou Dyna-VT de variação continua. Os motores são Agco Sisu Power e3 com Redução Catalítica Selectiva de segunda geração, com gestão da potência disponível (Power Management). A cabina foi completamente redesenhada e proporciona maior visibilidade, mais conforto e mais espaço. Existem três opções relativamente ao nível de equipamento: Essencial, Eficaz e Exclusivo. A Massey Ferguson considera que esta série possui uma excelente relação peso/potência e motores altamente eficientes, numa combinação optima de vantagens para os clientes que procuram um tractor de alta performance para este segmento de mercado. O modelo MF7624 Dyna VT foi um dos tractores nomeados para o concurso europeu Tractor of the Year®. 

A nova série John Deere Serie 7R oferece 5 novos modelos com potências nominais de 230 a 310 cv (169 a 228 Kw) com Gestão Inteligente de Potência segundo a norma 97/68 EC. Os novos motores que equipam a série 7R estão em conformidade com a normativa de níveis de emissões Fase IIIB. O motor PowerTech PVX de 9.0 litros montado nos 3 modelos de maior potência - 7230R, 7260R e 7280R – caracteriza-se por um turbocompressor de geometria variável (VGT), recirculação dos gases de escape refrigerados (EGR) e filtros de escape. Os dois modelos inferiores em potência – 7200R e 7215R – equipam com motor PowerTech PSX de 6,8 litros com dois turboalimentadores em série. Estes tractores oferecem quatro opções de transmissão: PowerQuadPlus com Speed Matching, AutoQuad Plus com as funções FieldCruise e Ecoshift, CommandQuad com Efficiency Manager e a nova transmissão infinitamente variável AutoPowr. Quanto à cabina — Command View II — que equipa esta série, é a mesma que equipa a da série 8R, agora com maior conforto, maior visibilidade e mais 74% de capacidade de iluminação. O júri do concurso Tractor of the Year® nomeou o modelo 7280R desta série como finalista. 

Trelleborg lança pneu gigante para tractores A Trelleborg Wheel Systems apresentará o pneu TM1000 High Power na feira Agritechnica, Alemanha. Com um diâmetro de 2.300 milímetros e uma jante de 46 polegadas, o TM1000 é o maior pneu jamais fabri-

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cado. Este pneu gigante está desenhado para satisfazer os requisitos mais exigentes da nova geração de motores que equipam os tractores mais potentes. Foi submetido a um grande número de provas com a finalidade »

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EQUIPAMENTOS

Telescópicos New Holland para a pecuária

New Holland T8: mais potência e produtividade

A New Holland expandiu a gama LM5000 de empilhadores telescópicos, incluindo dois novos modelos compactos: o LM5020 e o LM5030. Estes proporcionam uma optimização da produtividade, visibilidade a 360° e uma manobrabilidade inigualável, com um raio de viragem extremamente pequeno de apenas 3,4 metros e um pedal modulador; tudo isto integrado numa estrutura super compacta não superior a dois metros de largura e altura. Disponibiliza um fluxo hidráulico até 110 litros por minuto para durações de ciclo reduzidas e um desempenho de elevação de 2,8 toneladas. “O modelo LM5030 é a escolha natural para os criadores de gado que procuram mais potência e capacidade de elevação numa solução ainda mais compacta que o LM5040, afirmou Pierre Lahutte, Director de Tractores, Empilhadores Telescópicos e Gestão de Produtos de Agricultura de Precisão. 

Os tractores da série T8, com uma grande distância entre eixos, são compactos e fáceis de manobrar, estando vocacionados para aplicações exigentes, desde a penetração profunda do solo, cultivo secundário e transporte. A Série T8 da New Holland, também seleccionada como finalista ao Tractor of the Year® (modelo T 8.390) incorpora 4 modelos com potências máximas compreendidas entre 219 e 286 cv. Toda a gama está equipada com a tecnologia SCR em conformidade com a norma Tier 4A e sistema de gestão de potência para disponibilizar mais potencia para a TDF, aplicações hidráulicas e de transporte com um máximo de 49 cv adicionais no modelo T8.390. A caixa de velocidade é totalmente PowerShift™. De acordo com o fabricante, quando comparados com os modelos existentes, compatíveis com as normas Tier 3, os custos operacionais dos novos tractores da Série 8, compatíveis com as normas Tier 4A, foram reduzidos em 17%, graças à moderna tecnologia SCR. O modelo T8.390 está nomeado como finalista do Tractor of the Year®. 

de cumprir os mais ambiciosos objetivos de rendimento tanto no campo como na estrada. No campo. o pneu oferece uma capacidade de tracção entre 5% e 8% maior que os seus competidores, com

uma área de contacto 5% maior a baixa pressão, graças à Tecnologia da Trelleborg BlueTire ™. Em estrada, a baixa resistência ao rolamento possibilita uma poupança no consumo de combustível e uma diminuição das emissões entre 4% e 6% em comparação com a média do mercado, o que proporciona aos agricultores uma poupança até 1.300 euros ao ano. 

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A agricultura de conservação e a sementeira directa em culturas arvenses Benefícios Ricardo Freixial, Professor Auxiliar, Universidade de Évora e Agricultor, rmc@uevora.pt Mário Carvalho, Professor Catedrático, Universidade Évora, mjc@uevora.pt - A plena consciência da insustentabilidade agronómica, ambiental e económica do sistema convencional de instalação de culturas com recurso a sequências de operações de mobilização do solo, por vezes tão longas quanto despropositadas, com elevados custos e de impacto ambiental negativo; - A constatação do processo gradual de empobrecimento dos nossos solos, manifestado sobretudo pela diminuição dos já baixos teores de matéria orgânica e pelo degradar das suas características físicas, químicas e biológicas, com reflexos negativos nas produtividades das culturas; - A impossibilidade face às actuais regras da Política Agrícola Comum (PAC), de manutenção de uma actividade, principalmente no que respeita à produção de culturas arvenses, com elevados custos de produção (no sistema convencional) e com sucessivos abaixamentos quer nos preços do produto final quer nas ajudas às referidas culturas. Remete-nos para a necessidade urgente de repensar, não só a forma de instalação das culturas mas também todo o sistema, até porque: Segundo o International Soil Reference and Information Centre, são perdidos para a agricultura anualmente cerca de 2 mi-

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Cultura arvense em AC/SD

lhões de ha, de entre outras causas, devido à severa degradação dos solos. Durante os últimos 40 anos, 30% dos solos destinados à agricultura (1.5 biliões ha) foram abandonados devido à erosão e sua degradação. O solo agrícola produtivo é um ecossistema não renovável, em perigo. Degrada-se a uma velocidade muito maior que a sua regeneração, que é um processo muito mais lento. São necessários aproximadamente 500 anos para “refazer” 25 mm de solo perdido por erosão. Assim, será pois importante fazer agricultura, procurando manter ou melhorar a fertilidade do solo, de forma que as gerações futuras possam obter produtividades iguais ou superiores às que se obtinham no modo convencional, melhorando a sua qualidade de vida. Este conceito de agricultura de conservação visa inverter o ciclo de degradação associado à instalação de culturas no modo convencional com o recurso à mobilização do solo. Tem como objectivo a recuperação da fertilidade do solo através da melhoria das suas características físicas

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Versão completa do artigo em www.revista-ruminantes.com

(erosão e manutenção ou melhoria da estrutura), químicas (elevação do teor de matéria orgânica) e biológicas (criação e manutenção de condições favoráveis para os organismos do solo). Pretende-se a recuperação da fertilidade dos solos degradados e prejudicados na sua estrutura através da agricultura de conservação, adoptando as praticas fundamentais para o sistema como a sementeira directa, a manutenção de resíduos e a rotação de culturas, para além de outros princípios e praticas acessórias (controlo integrado de infestantes, utilização de tractores leves e aplicação de rodados duplos traseiros, ordenamento do pastoreio, etc.). A natureza mostrou-nos que é possível fazer crescer plantas sem necessidade de mobilizar o solo, com todos os inconvenientes já referidos, pois se não fosse assim os solos virgens não apresentariam qualquer tipo de vegetação. O aparecimento da molécula de “Glifosato”, permitiu a criação de um herbicida total, sistémico e sem acção residual. Nestas condições a preparação do solo com o


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PRODUÇÃO

objectivo de controlar infestantes, deixa de ser uma técnica indispensável e obrigatória. Por outro lado, a possibilidade de dispormos de semeadores (Fotos nºs 4e5) que conseguem semear sem a necessidade de preparação prévia do terreno, vencendo a resistência que o solo oferece e por vezes com quantidades significativas de resíduos, elimina a obrigatoriedade de mobilização do solo, seja para alterar a sua estrutura, incorporar resíduos ou preparar a denominada “cama de sementeira”, indispensável em agricultura com recurso à mobilização do solo, apoiada em semeadores convencionais.

Surge então o conceito de sementeira directa, que poderemos entender como a técnica de instalação de culturas, na qual a única operação mecânica do solo será a abertura de um sulco com profundidade e secção suficientes para a colocação e tapar da semente. Um solo não perturbado mecanicamente não vê a sua estrutura prejudicada, antes a vê melhorada ao longo do tempo e conserva ou aumenta o seu teor de matéria orgânica, pois a taxa de mineralização desta, não é mais aumentada pelo efeito das mobilizações.

A cobertura permanente do solo com una camada de resíduos vegetais (mulch), é de extrema importância para o êxito do sistema de agricultura de conservação/sementeira directa. A manutenção de um coberto permanente de resíduos homogeneamente distribuídos à superfície, protege o solo contra a erosão provocada pelo impacto directo da gota de chuva, ajuda no controlo de infestantes, possui um efeito positivo na conservação da humidade e temperatura do solo, e contribui para a melhoria das características químicas (teor de M.O.), físicas e biológicas do solo. A rotação de culturas é uma prática agronómica importante em todos os sistemas de agricultura. A alternância de culturas de espécies com características distintas ao nível morfológico (sistema radical), ciclo vegetativo (épocas distintas de sementeira e colheita), e ao nível da sua resistência a pragas e doenças, contribui também em agricultura de conservação/sementeira directa, para o aumento da melhoria das características físicas, químicas e biológicas dos solos.

MUDANÇA DE ATITUDE

A mudança com êxito, de sistemas convencionais de instalação de culturas para a

sementeira directa das mesmas, passa naturalmente pelo abandono das operações de mobilização do solo, que conduzem à sua degradação, assim como ao “esquecimento” de toda uma série de conceitos agronómicos errados, que ao longo dos tempos a tentaram fundamentar. A sementeira directa é de facto tão diferente das técnicas convencionais, que o agricultor deve estar preparado para entender novos conceitos sem os quais a mudança se torna muito difícil. A este respeito diremos mesmo que, antes de mudar de técnica de instalação de culturas e de semeador, o agricultor deve antecipadamente mudar de atitude e procurar entender o novo sistema, entendimento sem o qual as hipóteses de êxito serão muito escassas. Poderemos dizer mesmo que o grau de exigência de conhecimentos técnicos, e a obrigatoriedade de acompanhamento em permanência para uma melhor compreensão e capacidade de intervenção no dia-adia da exploração, é incomparavelmente superior à necessária na agricultura convencional e especialmente no período de transição no qual o entendimento do novo sistema é menor, as dúvidas são maiores e portanto o risco de acontecerem erros é também superior.

Benefícios da agricultura de conservação/sementeira directa A AC/SD em comparação com a preparação convencional dos solos, tem efeitos positivos sobre as características químicas, físicas e biológicas do solo, reduzindo drasticamente ou anulando mesmo a erosão e permitindo a sua regeneração natural ao manter ou aumentar os teores de matéria orgânica, o que nos permite classificar estas práticas como agronomicamente sustentadas.

EFEITO DA AC/SD NAS PROPRIEDADES QUÍMICAS DO SOLO

A Sementeira Directa, em comparação com a preparação convencional dos solos, tem efeitos positivos nas propriedades químicas mais importantes do solo. Em Sementeira Directa registam-se maiores valores de matéria orgânica, azoto, fósforo, potássio, cálcio, magnésio, como também maiores valores de pH e maior capacidade de troca catiónica, mas meno-

res teores de aluminio (Derpsch et al.; Crovetto, 1992). O aumento dos teores de M.O. dos solos, tem um papel fundamental no que diz respeito não só à nutrição das plantas, como também pode influenciar positivamente as suas características físicas, ao contribuir para o aumento da estabilidade dos agregados e para o aumento da capacidade de armazenamento e retenção de água. (Fig. 1).

A melhoria da fertilidade do solo conseguida após a consolidação do sistema em AC/SD, pode permitir ao longo do tempo a diminuição na utilização de alguns factores de produção, nomeadamente fertilizantes como o azoto, o que vai contribuir não só para a redução dos custos de produção, mas também para um menor impacto ambiental das actividades, conferindo ao sistema uma maior sustentabilidade económica e ambiental.

EFEITO DA AC/SD NAS PROPRIEDADES FÍSICAS DO SOLO

Comparativamente com o sistema convencional de instalação de culturas com o recurso à mobilização do solo, a Sementeira Directa conduz a uma melhoria da estrutura do solo (Fig. 1).

Fig. 1 – Estrutura melhorada de um solo em AC/SD

Conforme podemos ver nas Fig. 2 e 3, de um solo em sementeira directa há dois

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e nove anos, este sistema facilitou a reestruturação e permitiu o aumento da porosidade biológica do solo, efeitos tão notados quanto maior o número de anos de adopção da técnica.

A observação do perfil do mesmo solo, permite ainda verificar que ocorreu o estabelecimento de uma rede contínua de poros (raízes das plantas e galerias de organismos do solo principalmente minhocas e formigas), ao longo do perfil (Fig. 6), com reflexos imediatos ao nível do crescimento das raízes e consequente aumento do volume de solo explorado por estas, aumento das taxas de infiltração, o que leva a uma drástica redução da erosão, e melhoria no arejamento.

A redução da evaporação da água e a maior resistência às alterações bruscas de temperatura são outros factores dos quais os solos em sementeira directa beneficiam. O aumento da densidade aparente do solo registado em situações de sementeira directa, parece não se traduzir noutras consequências que não seja o aumento da coesão do solo e consequentemente o aumento da sua resistência à penetração dos órgãos activos das máquinas, não colidindo com os aspectos benéficos já apontados. (Derpsch, et al., 1991).

EFEITO DA AC/SD NAS PROPRIEDADES BIOLÓGICAS DO SOLO

A AC/SD permite o aumento da actividade biológica no solo. As Fig. 9 e 10 mostram-nos o aspecto que resulta do incremento da actividade das minhocas num solo, após respectivamente dois e oito anos em sementeira directa.

Fig. 2 e 3 – Porosidade biológica de um solo em AC/SD há dois e nove anos.

As Fig. 4 e 5 do mesmo solo, obtidas também respectivamente com dois e oito anos após a adopção da técnica, mostramnos ainda o significativo aumento da densidade de raízes presentes na mesma profundidade do perfil, que ocorreu ao longo do tempo.

Fig. 4 e 5 – Densidade de raízes num solo em AC/SD há dois e oito anos.

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Fig. 6 – Porosidade contínua no perfil de um solo em AC/SD há dois e oito anos.

A melhoria das características físicas dos solos em AC/SD, traduz-se de imediato numa melhoria da transitabilidade das máquinas no terreno, o que vai não só, alargar o período disponível para a instalação das culturas como ainda permitir o cumprimento atempado do itinerário técnico das mesmas sem danos para o solo nem para aquelas, o que não é possível em agricultura convencional com recurso à mobilização do solo (Fig. 7 e 8).

A manutenção dos subprodutos das culturas, assegura a existência de substâncias orgânicas à superfície que fornecem os alimentos necessários à manutenção e desenvolvimento dos organismos do solo. A inexistência de operações de mobilização do solo em sementeira directa, permite a existência de uma maior actividade biológica, não sendo destruídas as galerias e canais construídos pelos organismos do solo (Fig. 11). Por outro lado, as condições mais favoráveis de humidade, temperatura e arejamento, também possuem um efeito positivo na vida dos organismos no solo. Assim, em AC/SD existem maiores popu-

Fig. 7 e 8 – Aplicação de herbicida em pós-emergência e adubação de cobertura em AC/SD

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ASPECTOS FITOSSANITÁRIOS EM AC/SD

Fig. 9 e 10 – Actividade biológica num solo em AC/SD há dois e oito anos.

lações de minhocas (Fig. 12), artrópodes (acarina, colémbolas, insectos), mais microorganismos (rizóbios, bactérias e actinomicetas)), assim como também fungos e micorrizas (Derpsch, 1981).

Fig. 11 – Galerias e canais construídos pelos organismos do solo

Fig. 12 – Galerias e canais construídos pelos organismos do solo (ex: formigas, minhocas)

O sistema de AC/SD, pode criar condições para o aumento de existência de um maior risco de ocorrência de pragas e doenças, cujos agentes causadores encontram na camada permanente de subprodutos à superfície e na humidade e temperatura, melhor ambiente para a sua reprodução. No entanto, estas condições favorecem também o desenvolvimento de muitos insectos úteis (predadores), pelo que surge um equilíbrio e consequentemente em muitos casos, pode até diminuir a pressão de pragas e doenças, assim como a necessidade do uso de produtos fitossanitários. A rotação de culturas é uma prática que contribui também de uma forma muito importante em AC/SD, para o controlo biológico e integrado de pragas e doenças. A eventual menor pressão de doenças e pragas com a consequente redução na necessidade de utilização de pesticidas, contribui desta forma para uma maior sustentabilidade económica e ambiental das áreas em AC/SD.

ASPECTOS AMBIENTAIS EM AC/SD

A preparação intensa do solo, aumenta a mineralização da matéria orgânica transformando os subprodutos das plantas em dióxido de carbono (CO2), que é libertado para a atmosfera, contribuindo assim para o efeito estufa, isto é, para o aquecimento global do planeta. O carbono do solo é perdido muito rapidamente sob a forma de dióxido de carbono minutos depois de uma mobilização intensa deste (cinco vezes mais que nas parcelas não mobilizadas), em quantidades iguais à quantidade que foi adicionada pelos subprodutos da cultura anterior deixados no terreno. Assim, a perda de carbono do solo (sob a forma de dióxido de carbono - C02), durante as operações de preparação, é o que diminui os níveis de matéria orgânica do solo. A AC/SD, poderá assim compensar parte das emissões mundiais provenientes dos combustíveis fósseis utilizados também na agricultura convencional com recurso à mobilização do solo. A não mobilização do solo em AC/SD, reduz significativamente a erosão hídrica e o escorrimento, o que beneficia a qualidade da água comparativamente com o sistema convencional com recurso à mobilização do solo, no qual os cursos e reservatórios de água recebem não só as partículas arrasta-

das, mas também os produtos resultantes da degradação dos fertilizantes e pesticidas utilizados nas culturas. Assim, os sistemas agro-pecuários em AC/SD, são também do ponto de vista ambiental, sistemas sustentados, contribuindo para a melhoria da qualidade do ar e da água.

EFEITO DA SD SOBRE A BIODIVERSIDADE

A Sementeira Directa, promove a biodiversidade, ao favorecer a actividade biológica no solo. O aumento da actividade biológica nos solos em AC/SD, atrai para estas zonas uma maior diversidade e quantidade de espécies, nomeadamente aves, cujos hábitos e necessidades alimentares se encontram asseguradas com estas práticas (Fig. 13).

Fig. 13 – A biodiversidade em AC/SD.

A sustentabilidade das actividades em AC/SD, bem como a manutenção dos subprodutos das culturas à superfície, permite a criação e a manutenção de habitats que favorecem a permanência de várias espécies, entre elas as aves estepárias (abetarda e sisão) e outras, nomeadamente as cinegéticas.

EFEITO DA SD NOS CUSTOS DE PRODUÇÃO

AAC/SD, contribui para uma redução directa e indirecta dos custos de produção. A sementeira directa ao dispensar as operações de mobilização do solo para a instalação das culturas, reduz as necessidades de tracção (menor dimensionamento do parque de máquinas, maior período de vida útil dos tractores, menores custos de manutenção, etc.), o consumo de combustíveis e as necessidades de mão-de-obra. A melhoria das características químicas, físicas e biológicas do solo, com o aumento da sua fertilidade, vai permitir uma redução na utilização de fertilizantes e pesticidas, o que se traduz numa redução indirecta dos custos de produção. A redução directa e indirecta dos custos de produção que se verifica em AC/SD, conferem ao sistema, sustentabilidade também do ponto de vista económico.

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Após a implantação do sistema de agricultura de conservação/ sementeira directa A sementeira directa é somente uma técnica. É fundamental entender todo o sistema e continuar a utilizar os princípios adoptados, assim como algumas práticas acessórias. Assim, após a mudança (Fig. 14)… sementeira directa sempre!!!

Fig. 16 – Solo nu após queima de subprodutos e espalhamento de palha à superfície.

uma prática acessória a adoptar e a manter, visando a tentativa de aumento do teor de M.O dos solos.

AS PRODUTIVIDADES EM AC/SD

Fig. 14 e 15 – Os riscos de compactação do solo após a mudança.

A sementeira directa não compacta o solo. O trânsito das máquinas é a principal causa da compactação do solo, particularmente quando se utilizam máquinas pesadas (tractores, máquinas de colheita, etc.), com elevadas cargas por eixo e elevadas pressões nos pneus. Estes efeitos são agravados com o solo muito plástico (Fig. 15). Um solo compactado, possui uma reduzida taxa de infiltração e má drenagem. As emergências são prejudicadas, há mau arejamento, o crescimento das raízes é prejudicado, o que não permite um normal desenvolvimento das culturas. A queima dos subprodutos, uma pratica que normalmente é utilizada em agricultura convencional com recurso à mobilização do solo, prejudicando a actividade biológica no solo, não permitindo a contribuição daqueles para o elevar do teor M.O. e deixando o solo nu e exposto à erosão, é em AC/SD, totalmente proibida (Fig. 16). Num solo nu, o impacto directo da gota de chuva, conduz à selagem superficial do solo, com condições para o escorrimento superficial e erosão hídrica. O espalhamento de palhas e moinhas, é

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Não nos parece fundamentada a ideia por vezes erradamente transmitida de que à AC/SD, estão associadas mais baixas produtividades comparativamente com a agricultura convencional com recurso à mobilização do solo para a instalação das culturas (Fig. 17). A melhoria das características físicas, químicas e biológicas dos solos em AC/SD, proporciona melhores condições para o desenvolvimento das culturas, com um aumento esperado das produtividades tão significativo quanto a consolidação do sistema e conseguido eventualmente com uma redução de “inputs”, o que tem benefícios, quer na redução dos custos de produção, quer na redução do impacto ambiental das actividades. Alguns dos benefícios resultantes da adopção da AC/SD, são imediatamente evidentes, enquanto que outros apenas se farão notar a médio e longo prazo (Quadro nº 1). O respeito pelos princípios agronómicos e pelas práticas acessórias, deve ser mantido em todas as fases do processo, que devem portanto ser cumpridas e respeitadas.

Fig. 17 – Trigo mole em AC/SD (H. do Louseiro 2007/2008)

As fases inicial e de transição, são períodos com alguma sensibilidade, quer para o solo e culturas, quer para o agricultor ou o técnico, que perante um novo sistema, não possuem dele o total domínio. O esforço pela análise e entendimento das situações como alternativa ao abandono da AC/SD, é pertinente e indispensável para a consolidação, e após esta, a manutenção deve ser encarada com o mesmo rigor e respeito pelos princípios e práticas. A redução da erosão dos solos e a redução da emissão de gases para a atmosfera (menor consumo de combustíveis e sequestro de carbono), contribuem para a melhoria da qualidade da água e do ar, e assim para um ambiente de melhor qualidade. A redução directa e indirecta dos custos de produção em AC/SD, são aspectos muito importantes na possibilidade de manutenção das actividades e portanto com reflexos na melhoria da qualidade de vida, não só do agricultor, mas também da comunidade em geral. BIBLIOGRAFIA Crovetto, Carlos C.(2002) – Cero Labranza.Trama Impresoras S.A. Chile. Freixial, Ricardo J. Murteira de Carvalho; Carvalho, Mário J. (2004) – “A Sementeira Directa de Culturas Arvenses. Porquê? Uma Experiência no Alentejo”. Vida Rural, Nº 1700, pp 38-40. http://www.rolf-derpsch.com/siembradirecta.htm

Escala de evolução de não mobilização (Quadro 1 – Etapas da transição para a AC/SD) 0 - 10

Fase Inicial

- Reconstrução de agregados - Baixa MO - Baixo resíduos de colheita - Requerido adicional N (mobilização)

5 - 10

TEMPO EM ANOS

Fase de transição

- Aumento MO - Aumento resíduos de colheita - Aumento P - Imob. Nz mín.

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Consolidação

- Alto teor de resíduos - Alto teor de MO - > CEC - >H2O - > Mín. N mobilização - Ciclo nutriente

> 20

Manutenção

- N contínuo e fluxo C - >H2O - Alto ciclo Nutriente - Uso N e P


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ENTREVISTA

Sementeira directa Testemunho de um agricultor Entrevista Ruminantes a Pedro Vacas de Carvalho

Eng.º Agrónomo, responsável pela Herdade da Lobeira pedrovc@iol.pt

A Revista Ruminantes entrevistou Pedro Vacas de Carvalho, responsável pela Herdade da Lobeira, no Ciborro, concelho de Montemor-o-Novo, agricultor experimentado no sistema de sementeira directa em culturas arvenses.

É possivel utilizar sementeira directa na instalação de prados, azevéns e aveia destinadas ao pastoreio?

- Sim, eu utilizo sementeira directa. Este ano vou fazer o ‘Speedmix’ e aveia com esse sistema. Para o fazer, temos que ter as terras em boas condições; por exemplo, a existência de pedras dificulta muito o trabalho do semeador porque este faz muita pressão no solo e pode partir os discos. No entanto as pedras são também uma limitação no sistema convencional. Uma vantagem da sementeira directa é que, uma vez retiradas as pedras, estas não voltam a aparecer no terreno, pois são as mobilizações do solo, particularmente as lavouras, que constantemente trazem novas pedras para a superfície do terreno.

que mobilizar a terra para matar as infestantes e utilizávamos poucos adubos, uma vez que a mobilização do solo acelera a mineralização da matéria orgânica. Hoje em dia com os adubos compostos e com o “Glifosato” é uma alteração significativa. Em sementeira directa é preciso um domínio muito maior na utilização de herbicidas pois se estes actuam mal a sementeira pode perder-se. A adubação tem de ser bem equacionada, particularmente nos primeiros anos, pois a menor mineralização da matéria orgânica do solo pode induzir deficiências que anteriormente não se faziam sentir. No entanto, com o aumento do teor de matéria orgânica a médio prazo, o consumo de adubos pode até reduzir-se. Há também que conhecer bem o funcionamento do semeador e regulá-lo para as diferentes situações do terreno. A rotação de culturas assume uma importância maior na sementeira directa pelo que também deve ser ponderada nestes sistemas. É importante procurar apoio técnico na fase de transição entre o sistema convencional e a sementeira directa. »

Que factores limitam a utilização da sementeira directa?

- A existência de pedras e afloramentos rochosos é sem dúvida uma limitação. Outro factor condicionante são os matos que exigem que se faça uma gradagem prévia uma vez que não são destruidos pela sementeira directa. Devemos também evitar que os animais andem nestas zonas depois das chuvas, pois vão calcar a terra e compactar o solo, dificultando a sementeira. O relevo não tem problema; aliás em terrenos com relevos é preferível fazermos a sementeira directa porque como não mobilizamos a terra há menos risco de erosão.

A decisão de fazer sementeira directa requer alguma preparação do terreno?

- Se o terreno tiver muitos rodados, se for muito irregular, convém fazer uma gradagem para nivelar o solo, porque a sementeira directa não faz o nivelamento.

Os conhecimentos técnicos necessários são muito diferentes dos do sistema convencional?

- É sem dúvida uma grande mudança, aprendemos na escola que é necessário mexer na terra, lavrar fundo. Neste sistema essas operações não têm lugar. Isto só é possível actualmente graças aos herbicidas totais como o “Glifosato”, que mata todas as infestantes. Quando usávamos o sistema convencional, tínhamos

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Quais as razões que o levaram a optar pelo sistema de sementeira directa?

- No meu caso teve a ver com a redução de custos nomeadamente devido ao preço alto do gasóleo que me levou a pensar reduzir custos com as mobilizações. Por outro lado, com a intenção de melhorar a estrutura do solo, porque os tractores e os pivots se atascavam e, sobretudo quando o milho estava alto tinha muito trabalho para desatascá-los.

A sementeira directa exige grande investimento em máquinas?

A produtividade por hectare é semelhante à do sistema tradicional?

- Nos dois ou três primeiros anos há um decréscimo da produtividade. Cheguei a ter quebras de cerca de 10% nalgumas culturas, por exemplo em anos muito chuvosos ou em terras muito pobres em matéria orgânica em que a estrutura do solo era fraca. Nestes casos, o rego aberto pelo semeador não fechava, a água conservava-se dentro do rego e fazia apodrecer as sementes. Depois de dois ou três anos, em anos normais e depois da terra ter adquirido uma melhor estrutura, a produtividade começa a ser igual ou até superior.

- Não, para além do semeador que teremos que comprar ou alugar, os tractores até podem ter menos cavalagem porque os semeadores exigem menos potência que a charrua ou o que o chísel.

Na sua opinião a partir de quantos hectares de sementeira directa se pode justificar comprar um semeador?

- Não tenho essas contas feitas há pouco tempo, mas diria que a partir dos 100-150 ha e se tivermos operadores para as máquinas.

Quanto se poupa com a sementeira directa?

- Eu tinha que fazer sempre uma gradagem, depois fazia chísel com duas passagens e depois fazia uma ou duas gradagens para preparar o solo. Ou seja poupamos três gradagens, que demoravam 3 horas (1hora/ha cada gradagem) e mais 3 horas de chísel, ou seja poupo 6 horas por hectare de trabalho de máquinas.

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Fotografia: Ant贸nio Cannas | Modelo: V.S.

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Ruminantes 3  

Edição nº3/2011 A revista da agropecuária

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