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A REVISTA DA AGROPECUÁRIA Ano 3 - Nº 10 - 5,00€ julho | agosto | setembro 2013 (trimestral) Diretora: Francisca Gusmão www.revista-ruminantes.com

produção uso do espermograma em rebanho de ovinos ECONOMIA perspetivas LEITEIRAS IFCN ENTREVISTA antónio estrela rego Aposta na qualidade do maneio


EDITORIAL

edição nº10 Julho | Agosto | setembro 2013 DiretorA

Francisca Gusmão | fg@revista-ruminantes.com

Acrescentar valor Muito se fala sobre o futuro do leite nos Açores quando acabarem as quotas leiteiras. As opiniões são muitas e quase sempre relacionadas com a necessidade de se aumentarem os subsídios como forma de compensar o isolamento e de equilibrar os custos de produção com o resto da Europa. Sendo difícil adivinhar o impacto do fim das quotas, parece inevitável concluir que os Açores estão “condenados” a produzir leite. Para começar, porque as condições naturais são de facto atraentes. Logo, porque a produção de leite é uma escola, um modo de vida que tem teimado em passar de pais para filhos, como testemunham os concursos de vacas leiteiras participados ativamente por uma maioria de gente jovem. O apego às vacas é evidente e transparece em todas as conversas com os produtores e nos grandes investimentos que se fazem em genética. Por outro lado, a dimensão atual da estrutura produtiva envolvida neste negócio (produtores, genética, instalações, maneio, organizações de produtores, indústria...) leva a pensar que este seja um barco difícil de parar. O esforço e dedicação por parte de produtores e técnicos, a par com o sucesso de venda dos produtos com a marca Açores, indicam que voltar para trás não é o caminho. Não desvalorizando a necessidade de continuar a procurar otimizar o rendimento das explorações leiteiras, pensamos que é na transformação do leite em produtos de valor acrescentado e também numa eficaz promoção que reside o cerne da questão. Pois só assim se conseguirá que a produção e o negócio de leite sejam mais interessantes e menos dependentes de ajudas e de outros fatores.

Nuno Marques

Colaboraram nesta edição Ana Aureliano; Ana Vieira; António Cannas; António E. Rego; António Moitinho; Carlos Flecha; David Catita; Felipe de Almeida; Francisco Marques; George Stilwell; IACA; Pedro Castelo; Inês Ajuda; Isabel Santos; João Vidal; Jorge Rita; José Bello; José Caiado; José Leal da Costa; L. Pissarra; Luís Ponte; Luís Queirós; Luís Veiga; Marta Cruz; Martha d’Andrade; Nuno Marques; Paulo Costa e Sousa; Pedro Castelo; R. d’Orey Branco; Sofia de Menezes; Sónia Germano; Tereza Moreira.

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Américo Rodrigues, Catarina Gusmão | comercial@revista-ruminantes.com

Design e PrÉ-impressão | prepress@revista-ruminantes.com

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Propriedade / Editor Nugon, Lda. / Nuno Gusmão Contribuinte nº 502 885 203 Sede: Rua São João de Deus, Nº21 2670-371 Loures Tiragem: 8.000 exemplares Periodicidade: Trimestral Registo nº: 126038 Depósito legal nº: 325298/11 O editor não assume a responsabilidade por conceitos emitidos em artigos assinados, anúncios e imagens, sendo os mesmos da total responsabilidade dos seus autores e das empresas que autorizam a sua publicação. Reprodução proibida sem autorização da NUGON, LDA. Alguns autores nesta edição ainda não adotaram o novo acordo ortográfico.

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Índice Bem estar animal 58 Encefalite e artrite caprina, o que convém saber

Conheça a lei 72 Contratos: Verbais ou por escrito?

Economia 38 Observatório de matérias primas 40 Observatório do leite 42 Perspetivas IFCN

entrevista 20 Melhorar a fertilidade. Entrevista a Luís Ponte

14

forragem

uso do espermograma em rebanho de ovinos A rentabilidade económica de uma exploração de ovinos (carne/leite) está condicionada pela eficiência reprodutiva do rebanho.

32 Acha que não é necessário inocular a silagem de milho? 36 Acondicionamento da silagem de milho

Mercado 08 A produção de carne de ovino no mundo

Produção 16 Avaliação económica do maneio reprodutivo de uma exploração leiteira 24 A evidência dos resultados na eficiência alimentar e produtividade dos ruminantes 46 Stress térmico em vacas leiteiras 48 Uso de técnicas reprodutivas em vacadas de carne

qualidade

28

64

FORRaGEM

ENTREVISTA

Silagem de sorgo. Uma alternativa forrageira em ovelhas de leite

Exploração agro-pecuária, António Estrela Rego

44 Qualidade da água de bebida para ruminantes

saúde animal 60 Fotossensibilidade ou doença da pele

solos 50 Importância da matéria orgânica no solo

boletim de assinatura 1 ano, 4 exemplares

dados pessoais

Portugal: 20,00 €

Nome.............................................................................................................................................................................................

Europa: 60,00 €

Morada..........................................................................................................................................................................................

Pagamento • Por transferência bancária: NIB: 0038 0000 3933 1181 7719 0 Enviar comprovativo por fax (219 824 083) ou email (contabilidade@abolsamia.pt) • Por cheque: À ordem de NuGon, Lda.

............................................................................................................................................................................................................. CP............................................................................Localidade.............................................................................................. Email.............................................................................................................................................................................................. Tel............................................................................NIF................................................................................................................. Morada para envio: Revista Ruminantes - R. Nelson Pereira Neves, Lojas 1 e 2 - 2670-338 Loures ruminantes julho . agosto . setembro 2013 5


atualidades

Para mais informações Sobre a Divisão de Zootecnia da Lucta: www.lucta.com Sobre Blanca dos Pirineus - www.blancapyrenees.com Agente em Portugal - Manuel Fialho - fialho@lucta.es

programa de investigação para conciliar a ordenha robotizada e a pastagem Lucta investe em investigação de bovinos de leite A Lucta assinou recentemente um acordo de longo prazo de investigação em bovinos de leite com a “Blanca from Pyrennes (Blanca)”, em Espanha. Com um historial de investigação focada nos suínos, a Lucta assume um maior compromisso com a investigação em ruminantes através deste relacionamento. A Blanca é um centro inovador de bovinos de leite, onde a Lucta irá realizar ensaios com o objectivo de melhorar a saúde, o rendimento e a eficiência produtiva das vacas leiteiras. A investigação realizada pela Lucta avaliará, em

termos gerais, a relação entre a ciência sensorial e o comportamento animal, a saúde intestinal e a performance resultante. O complexo Blanca é também composto por vários edifícios e espaços de reunião com equipamentos de última geração que a Lucta utilizará para formação e docência. As instalações também contam com uma moderna exploração de vacas de leite que irá permitir o início imediato dos ensaios. A Lucta é líder mundial em ciências sensoriais e soluções nutricionais relacionadas com a indústria da alimentação animal.

Financiado pela União Europeia, no montante de € 3,1 milhões e envolvendo seis países europeus, o programa visa reabilitar a compatibilidade do robô com a competitividade garantida da pastagem. Introduzida em 1992, a ordenha robotizada conquistou as explorações leiteiras europeias. Em França, em cada três novos sistemas de ordenha instalados, um é robotizado. A supressão da “prisão” é, naturalmente, o principal argumento do robot, acompanhado por um aumento na produção por vaca, devido a um aumento da frequência de ordenha. O registo de dados permitem uma maior monitorização de determinados parâmetros qualitativos (lavagem dos tetos, lipólise), mas mais

importante ainda, uma mudança no sistema de alimentação. Se o robô é incompatível com a prática de pastoreio, reduz significativamente o potencial privando os agricultores da componente mais económica da dieta.

Programa a três anos O programa de investigação europeia Autograssmilk, tem como objetivo desenvolver sistemas para a produção sustentável de leite, combinando a ordenha robotizada e a pastagem. Financiado pela União Europeia, é apoiado pela Irlanda, a Dinamarca, a Suécia, a Holanda, a Bélgica e a França. Os diversos órgãos envolvidos têm três anos para inventariar soluções práticas e torná-lo disponível para os agricultores.

Vasos para plantas em estrume Dois irmãos do Connecticut, nos EUA, possuem uma exploração leiteira com 265 vacas. Em 1997 deram um passo na modernização da atividade e instalaram um digestor de metano que lhes permite obter gás a partir do estrume. No final do processo os líquidos eram incorporados no solo como fertilizante, mas acumulavam sempre um excesso de matéria sólida. Foi procurando dar um novo uso a este sobrante que tiveram a ideia de inventar vasos a partir de estrume ressequido. Surgiram assim os CowPots, vasos amigos

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do ambiente que estão disponíveis em diferentes formas e tamanhos. Estes vasos conservam-se durante meses numa estufa, mas 4 semanas após a plantação decompõem-se e continuam a fertilizar a planta por algum tempo. Segundo os seus inventores os CowPots têm as seguintes vantagens: constituem uma nova aplicação para o estrume dos animais, dispensam os vasos de plástico descartáveis e por serem mais flexíveis beneficiam o desenvolvimento das raízes das plantas.

Fonte: cowpots.com


atualidades

Silagens e ácido linoleico em vacas de leite A Tecadi, Nutrição e Saúde Animal realizou no passado dia 28 de maio, no Évora Hotel, um interessante simpósio sobre “Silagens e ácido linoleico na alimentação da vaca leiteira” no qual participaram 22 produtores de leite das maiores e mais conceituadas explorações nacionais que representavam 4100 vacas leiteiras. Participaram também neste evento, diferentes técnicos assistentes das explorações referidas. Este simpósio mereceu, da parte da assistência, rasgados elogios pelo elevado nível técnico das comunicações, tendo sido realçada a componente prática das mesmas. Para o êxito desta realização, a Tecadi, Lda. recebeu a colaboração das suas representadas Lallemand Animal Nutrition e BASF, com as seguintes comunicações: - A importância da fermentação controlada na execução de silagens de qualidade: 10 regras de ouro. Por Luis Queirós, Lallemand Animal Nutrition; - Overview on the application of conjugates linoleic acid (CLA) in dairy nutrition. Por Robert Ruhele, BASF. - Novos paradigmas da nutrição de ruminantes. Por Jerónimo Pinto, Eurocereal. A sessão de trabalhos foi concluida por Manuel Ortigão, gestor da Tecadi na zona norte, que apresentou os excelentes resultados da aplicação de Lutrell – Combi-CLA, ao longo dos dois últimos anos e meio em explorações nacionais, ficando claramente

demonstrado a contribuição da Luttrel na melhoria de resultados de exploração, quer no incremento da produção de leite, quer a nível reprodutivo, merecendo apreciável interesse da parte da assistência.

ruminantes julho . agosto . setembro 2013 7


MERCADO

A produção de carne de ovino

NO MUNDO

A produção e o mercado de carne de ovino são influenciados pela sazonalidade, pelas pressões económicas dos mercados internos e internacionais, assim como pelos custos de produção, alimentação e outros serviços, incluindo os serviços médico-veterinários.

276 273

54 203

11

64 64

101

2012 Abate UE - 837 000 Consumo UE - 982 000 123 98

Abate (1000 animais)

65 44

69 73

Consumo (1000 animais)

FIGURA 1 - Produção e consumo de carne de ovino na Europa em 2012.

É interessante ver como os grandes produtores e mercados mundiais gerem os seus efetivos e se adaptam às variações das conjeturas económico-sociais. Neste jogo temos três grandes intervenientes esforçando-se para manter a sua produtividade: a Europa, a Oceânia e a América do Sul.

Europa felipe de almeida Médico veterinário felipe.de.almeida1@gmail.com

8 Ruminantes julho . agosto . setembro 2013

O mercado europeu tem sofrido grandes flutuações devido à crise económica generalizada e devido ao clima que não tem sido favorável à produção. Entre os grandes produtores de ovinos na Europa encontram-se o Reino Unido e a Irlanda. O ano de 2011 foi desfavorável para a Irlanda devido a um clima húmido e frio, sofrendo uma contração na produção. Isso, associado à diminuição do consumo e da exportação, fez com que a retenção de animais aumentasse e o abate

diminuísse. Esse retraimento produtivo permitiu um aumento no número de reprodutores de um ano para o outro, e essa “recapitalização” possibilitou um maior número de nascimentos e, consecutivamente, um aumento no número de animais abatidos ao longo do ano, aumentando a produção em 12%. Isso permitiu à Irlanda tornar-se um grande exportador europeu, tendo como principais destinos a França e o Reino Unido. No entanto, existe uma tendência para o redireccionamento dos fluxos de exportação para outros mercados mais rentáveis, como a Alemanha e a Suécia, e

“Hong-Kong absorveu 87% da produção de carne ovina irlandesa em 2012”


MERCADO

também para mercados que, embora menos remuneradores, têm um maior potencial económico, a saber a Ásia. Porém, a Irlanda foi uma exceção à regra, verificando-se que no ano passado a Europa 27 teve um decréscimo na produção, diminuindo também o número de abates. Os países do sul da Europa foram os mais prejudicados, sendo que a crise económica vivida em Espanha, Grécia e Itália fizeram com que a produção, a importação e os efetivos produtores diminuíssem. A Espanha, com 15% da produção ovina europeia, viu sua produção cair. O aumento dos custos de produção /alimentação e os preços, longe dos preços competitivos dos mercados internacionais, resultaram na liquidação do efetivo reprodutor espanhol. Diminuindo-se a importação e os abates, houve um aumento para mais do dobro da exportação de animais adultos. As dificuldades do mercado interno também resultaram numa retenção de animais por mais tempo, logo em carcaças mais pesadas. Fora da zona Euro, o Reino Unido surge

numa posição intermédia. Embora tenha-se verificado uma diminuição da produção em 2012, a recapitalização semelhante à da Irlanda permitiu um abate contínuo de borregos durante Julho e Novembro, fazendo com que possuísse 33% da produção total europeia. Porém, o preço por kg de carcaça é superior a de outros mercados competitivos europeus, resultando numa diminuição da exportação, fazendo com que países como a Irlanda se beneficiem desse buraco comercial. A salvaguarda da produção ovina inglesa é a possibilidade de recorrer aos mercados emergentes asiáticos que, embora não tão rentáveis, consomem um grande volume da produção ovina. Para além do mercado asiático, outras saídas para as exportações europeias são países como a Jordânia, o Líbano, a Líbia, a Tunísia e o Médio Oriente. As alterações de legislação, diminuição de proibições comerciais e, especificamente os regulamentos de bem-estar animal impostos na Austrália, fizeram com que esses países passassem a ser mercados de interesse para a exportação europeia.

Oceânia Do outro lado do mundo, a Nova Zelândia e a Austrália vão ditando algumas regras do jogo económico. A Nova Zelândia melhorando a produtividade numérica de ovinos, aumentou a disponibilidade de animais, incrementando assim o seu papel como grande exportador. O valor das exportações neozelandesas é influenciado pela diminuição do custo de produção e pelo aumento da disponibilidade. Isso associado ao maior preço por kg de carcaça faz com que estes produtores tirem vantagem e maximizem as suas exportações para a Europa. Mesmo assim, as importações europeias de carne de ovino da Nova Zelândia têm vindo a diminuir pelo terceiro ano consecutivo. Isto acontece devido ao intervalo de semanas entre a partida dos produtos até à sua chegada ao país de destino. Assim, este país tira vantagem do potencial económico de novos mercados, a saber a Ásia e o Médio Oriente. A Austrália, no início desta década, conseguiu reconstruir o seu efetivo

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MERCADO Fluxos em crescimento Fluxos em declínio FIGURA 2 Principais fluxos de ovinos no Mediterrâneo. A vermelho estão os fluxos em crescimento e a azul os fluxos em declínio. Reino Unido

Irlanda

Holanda

França

Hungria Roménia Itália

Portugal

Bulgária

Espanha

Grêcia

Turquia

Austrália

Jordânia Tunísia

Líbano Líbia Médio Oriente

reprodutor devido ao bom clima e aos preços recordes da carne ovina. No entanto, em 2012, a seca travou esse crescimento. Consecutivamente, alterouse a política de produção, privilegiando-se a exportação. Mas, tal qual como a Nova Zelândia, a Europa não corresponde ao poder exportador deste país, de modo que ele recorre aos mercados emergentes, principalmente exportando para a China, que duplicou a importação de carne ovina australiana.

o consumo interno. As suas exportações diminuíram imenso no entanto, o abate e o consumo continuam a aumentar ao longo do ano. O Chile por sua vez tem vindo a ver a sua produção diminuir. Contudo, o preço final continua alto fazendo com que a Europa não tenha possibilidade de acompanhar este mercado que se vira agora para a Ásia.

América do Sul

Os custos de produção mantêm-se elevados e os mercados não europeus são cada vez mais competitivos e esmagadores. A Europa cada vez mais vai sentir a pressão dos grandes produtores e exportadores mundiais. Até ao final do ano prevê-se um aumento da importação europeia de carne de ovino vinda principalmente da Oceânia devido aos baixos preços quando comparado com o mercado europeu. A Nova Zelândia e a Austrália assim preveem um aumento do seu efetivo produtor devido ao bom clima deste ano e também às condições económicas favoráveis. Na Europa o cenário é variado. O Sul europeu, nomeadamente a Espanha e a Itália, irão sofrer um retraimento económico e uma diminuição do seu efetivo reprodutor devido à crise económica em que vivem e aos elevados custos com a

Considerando a Mercosur, países como o Uruguai, a Argentina e o Chile têm relevância. O Uruguai devido aos elevados preços dos borregos realizou uma contenção de animais, aumentando o seu efetivo reprodutor em 10%. Com a diminuição do preço da carne, a política económica deste país foi diminuir os abates para não correrem o risco de diminuírem muito o número de reprodutores, mas privilegiam a saída de borregos, tentando tirar partido do grande número de nascimentos observado. Assim, a exportação aumenta e, embora a Europa não tenha disponibilidade de absorver estes produtos, países como o Brasil, a Rússia e a Jordânia tornam-se mercados promissores. A Argentina é um caso à parte visto que a política económica é direcionada para

A produção de carne de ovino em 2013

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alimentação animal. O consumo está a diminuir o que de certo modo faz com que a exportação seja uma via de escoamento da produção. Por outro lado, a Irlanda e o Reino Unido deverão aumentar o seu efetivo reprodutor, o número de abates e a exportação. Devido ao aumento da produção e ao consumo crescente por parte do consumidor, os produtores podem centrarse em produzir para o país e exportar os seus excedentes. Neste cenário a França surge, semelhantemente aos países do sul europeu, em retração de efetivo reprodutor e com carcaças com peso inferior ao expectável devido, principalmente, aos elevados custos de alimentação. Porém, prevê-se que a produção numérica se reponha consequente ao bom clima que o país tem tido. Isso, com o consumo crescente, pode de certo modo estabilizar o mercado. Se o consumo interno absorver a produção, prevê-se que esta se mantenha estável, visto que a exportação para a europa sul e de leste está limitada pela disponibilidade económica dos países. Não temos dados da produção portuguesa, contudo, prevê-se que a situação nacional seja muito semelhante à vivida em Espanha. Os custos de produção /alimentação continuam elevados, sendo que o consumo é sazonal e decrescente. As variações de preços e os mercados extremamente competitivos dificultam as exportações, principalmente tendo em conta que a disponibilidade económica europeia é débil. Os mercados asiáticos e do Médio Oriente podem ser uma saída para o escoamento da produção de carne ovina portuguesa. Porém, é de salientar que não é um mercado extremamente rentável comparado com o mercado europeu. Prescinde-se do valor em detrimento do volume, ou seja, exporta-se maior quantidade mas por um valor inferior. O clima previsto para este ano pode prejudicar a produção, fazendo com que haja retenção de efetivo e diminuição do abate, aumentando assim a necessidade de recorrer-se à importação para responder ao consumo interno do país.


atualidades

primeiro Fórum

Sustaurusvet No dia 30 de maio de 2013 realizou-se o primeiro Fórum Sustaurusvet, com o marcante slogan “Juntos somos carne, separados somos apenas produtores” que juntou em Lisboa mais de uma centena de intervenientes da fileira bovina, proporcionando uma interessante sessão de trabalho, na qual foram apresentadas várias experiências internacionais, nomeadamente do Brasil, de Espanha e de França. Por david catita

O ponto de situação mundial em termos de matérias-primas foi apresentado por vários intervenientes, referindo aspetos interessantes associados à concentração da produção, referindo-se a título de exemplo o caso da soja, cuja produção mundial está concentrada nos Estados Unidos da América, Brasil e Argentina, os quais são responsáveis por mais de 80% da produção mundial. Do lado oposto desta cadeia encontram-se também

os países importadores de soja, em que a China se assume como o maior importador mundial de soja, com mais de 60% do total, seguida da União Europeia, com apenas 11%. As apresentações mostraram, de forma inequívoca, que o mercado das matérias-primas e consequentemente da carne, está fortemente condicionado pelo número limitado de agentes no contexto mundial, que são também fortes exportadores de carne, aspeto que deverá ser ponderado em resultado da nossa quase total dependência de importações de proteína para alimentação do gado em Portugal. Foi também referido que a apetência pela carne de bovino tem vindo a aumentar, em especial junto de mercados emergentes, potenciada pelas especificidades religiosas de alguns países, nomeadamente do Médio Oriente e norte de África, em que a carne de suíno não é admitida, e nos quais o poder

TEXTURA Cedula de Warner Bratzler

de compra da classe média aumenta de forma constante há alguns anos, arrastando consigo uma maior apetência por carnes vermelhas. Foram também bastante interessentes as apresentações associadas à qualidade da carne e às escolhas do consumidor, tendo sido apresentados estudos em que a raça dos animais não é um critério facilmente detetável pelo consumidor, sendo bastante mais detetável a tenrura da carne, observando-se a preferência por carnes geneticamente tenras. É também demonstrada a elevada valorização qualitativa da carne de bovino com processos controlados de maturação, aspeto que deverá ser devidamente ponderado pela fileira nacional da carne, uma vez que em Portugal quase não se realiza maturação da carne de bovino, o que se considerou uma desvantagem competitiva em relação a outros concorrentes estrangeiros no mercado.

ACEITAÇÃO Consumidores 7

4

6 3 5 4

2

3 2

1

1 0

0

Frisona 1 dia

7 dias

Parda 14 dias

Limousine

Blonde

Frisona

Parda

21 dias

Fonte: Apresentação Influências dos sistemas de produção na qualidade da carne de bovino - Dr. Octavio Catalán Rueda - INZAR

12 Ruminantes julho . agosto . setembro 2013

Limousine

Blonde


atualidades

Das diversas apresentações resultou a conclusão, já avançada pelo próprio slogan do fórum, que apenas com a implicação de todo o sector da carne será possível homogeneizar e manter um produto de alta qualidade e alcançar as expectativas dos consumidores. Foi apresentada uma grande cooperativa de Espanha, de nome COVAP, que se encontrava ligada inicialmente aos cereais e ao gado ovino e suíno, passando depois a abranger outras áreas, como as rações e a indústria leiteira, e que implementou mais recentemente um modelo integrado de produção de carne de bovino, em que os diversos agricultores afetos à cooperativa entregam os seus bezerros, ao desmame, sendo a engorda realizada pela cooperativa, numa unidade especificamente destinada para o efeito, cujo pagamento ao agricultor é realizado com base no valor da carcaça do animal, após engorda, e não à chegada à unidade. Esta abordagem integrada tem levado a que os diversos agricultores melhorem a genética das suas vacadas, nomeadamente através da utilização de touros de raças melhoradoras como a Charolesa e a Limousine, uma vez que, como se pode observar nos slides apresentados, apesar de EXEMPLO DE LIQUIDAÇÃO AO SÓCIO

NOVILHO A

NOVILHO B

Peso entrada (Kg)

230

Peso entrada (Kg)

230

Peso Saída (KG)

480

Peso Saída (KG)

560

tempo engorda (dias)

193

tempo engorda (dias)

200

GMD

1,30

GMD

1,65

consumo ração (kg/dia)

8

consumo ração (kg/dia)

8,3

ic

6,2

ic

5,0

rto. carcaça

54%

rto. carcaça

59%

classificação matadouro

R

classificação matadouro

junho

receitas (€)

959,04 receitas (€)

1354,64

custo alimentação (€)

528,82 custo alimentação (€)

567,80

outros custos (€) preço do animal (€)

117,55 313

data abate

U

data abate

novembro

outros custos (€)

120

preço do animal (€)

667

Fonte: Apresentação COVAP - Um Modelo Integral de Produção de Carne de Bovino - Raquel Santos Alcudia

dois animais terem o mesmo peso à entrada, o animal B foi valorizado em mais do dobro do animal A, o que demonstra, de forma clara, a importância da genética certa. A última apresentação, que antecedeu a mesa redonda, foi apresentada pela representante da Interbev, a interprofissional francesa dedicada à fileira da carne bovina, que descreveu em detalhe o funcionamento desta entidade responsável pela organização vertical de um sector, que assim se mantém forte e transparente, resultando em valor acrescentado nos diversos elos desta corrente, e que, como referido, bastaria um elo mais fraco para que toda a fileira se quebrasse. Esta interprofissional francesa, com mais de 30 anos de experiência, na qual participam associação de produtores, cooperativas, comerciantes de gado, grossistas e industriais, matadouros, talhos, marcas de carne, sector da restauração, entre outros, realiza diversas missões, destacando-se a promoção da carne ou derivados, a nível nacional e internacional, mas também a garantia da segurança alimentar, gestão de qualidade dos produtos, bem-estar animal e redução dos impactes ambientais. Foi com base neste exemplo que se partiu para a mesa redonda, tendo sido unânime que a fileira portuguesa da carne de bovino necessita urgentemente de uma interprofissional, que promova a concertação e coordenação dos diversos atores da fileira, uma vez que só assim se poderá ambicionar uma verdadeira evolução positiva, num setor com elevado potencial a nível nacional, mas cuja pressão das grandes potências mundiais, a este nível, apenas poderá ser travada através da união em redor de objetivos comuns, e cujo objetivo primordial seja o reforço sustentado do setor bovino em Portugal, não deixando para trás nenhum dos elos desta corrente. Contudo, um processo deste tipo implica muito trabalho, sendo favorável a existência de um elemento agregador que equilibre as posições das diversas partes envolvidas, tendo sido transmitido este repto ao representante do GPP, Dr. David Gouveia, tendo ficado em aberto quem representaria este papel de moderador e agregador, rumo ao grande objetivo da criação de uma Interprofissional Portuguesa para o Sector Bovino. Em suma, ficou clara a necessidade da criação de uma interprofissional para o sector bovino, ficando porém por decidir quem liderará este trabalhoso processo, de modo a que todos os intervenientes se vejam representados.

ruminantes julho . agosto . setembro 2013 13


PRODUÇÃO

José Miguel Leal da Costa Sócio-Fundador Hospital Veterinário Muralha de Évora. Clínica de Animais de Produção. Núcleo de Reprodução e Fertilidade do Hospital Veterinário Muralha de Évora

Sónia Germano Clínica de Animais de Produção. Núcleo de Reprodução e Fertilidade do Hospital Veterinário Muralha de Évora

uso do espermograma em

rebanho de ovinos A rentabilidade económica de uma exploração de ovinos (carne/leite) está inteiramente dependente da produção de borregos, ou seja, está condicionada pela eficiência reprodutiva do rebanho. Desta forma, a fertilidade é inquestionavelmente uma das características mais importantes a ser considerada nas explorações de ovinos, pelo que, para optimizar os seus lucros é necessário melhorar os índices de fertilidade, ou seja, aumentar a produção e a produtividade da exploração, produzindo borregos com o menor custo possível, em maior número e de maior qualidade. No entanto, para se obter esse sucesso reprodutivo é necessário ter atenção à saúde reprodutiva, não só das fêmeas, como também do macho reprodutor, ou seja, ter presente nas explorações animais férteis.

Macho vs Fêmea Quando se discute a componente “carneiro” isoladamente, conclui-se que a importância da capacidade reprodutiva do macho nos programas

14 Ruminantes julho . agosto . setembro 2013

de reprodução é muito maior do que a fertilidade de qualquer fêmea individualmente, uma vez que o macho: • Cobre um número elevado de fêmeas, tanto nos sistemas de monta natural como na inseminação artificial, condicionando desta forma, a fertilidade global da exploração; • Aporta metade dos seus genes à descendência; • Permite aplicar maior diferencial de selecção que nas fêmeas, tornando-se responsáveis por 70% ou mais do melhoramento genético que se pode conseguir nas características de uma população. Para impedir que os índices de fertilidade da exploração sejam comprometidos e ocasionem perdas de produção com prejuízo para o produtor, torna-se fundamental testar prévia e anualmente os machos reprodutores quanto à sua capacidade reprodutiva através dos exames andrológicos (EA).


PRODUÇÃO

nos exames andrológicos são capazes de suportar um número muito maior de fêmeas durante a época de cobrição); 3º- Comercialização de machos reprodutores. Somente o EA atesta a sua qualidade no momento de compra. Comprar animais para reprodução sem essa avaliação traz um sério risco de comprar um carneiro com baixa fertilidade.

“A Fertilidade do carneiro é imprescindível para o sucesso reprodutivo do rebanho”

Quando devem realizar-se os EA? • Na comercialização de animais, para que se coloquem à venda somente animais comprovadamente eficazes e com certificação do seu potencial reprodutivo; • Na aquisição de animais de preferência 1 mês antes, não só para se adaptarem ao novo ambiente mas também para passarem por um período de quarentena; • Na pré-época de cobrição para avaliar o status reprodutivo dos carneiros, 30 a 45 dias antes, não só para haver mais tempo para se organizar a compra ou reposição de animais quando se faz o refugo de um carneiro reprovado, como também para repetir o exame de algum animal que tenha obtido resultados duvidosos, visto ser o período necessário para a espermatogénese; • Como diagnóstico quando suspeita de algum problema de fertilidade quer no carneiro quer no rebanho; • Para seleção de animais para ingresso em centros de inseminação para recolha e congelamento de sémen; • Determinação da precocidade sexual.

Qual a validade de um EA? Quais os objectivos do Exame Andrológico (EA)? 1º- Detecção e eliminação de carneiros “sub-férteis” e inférteis, cuja presença vai comprometer a fertilidade do rebanho, quer pelo aumento considerável do intervalo entre partos (IEP), quer pelo alargamento da época de cobrição e época de partos, que consequentemente irá diminuir a fertilidade anual com um menor número de borregos desmamados por ovelha e por ano; 2º- Classificar e seleccionar precocemente carneiros com maior potencial reprodutivo (características que são transmitidas à descendência) com melhoras significativas nos ganhos genéticos (malatas filhas destes carneiros são mais precoces e mais férteis) e nos índices zootécnicos do rebanho (carneiros com excelentes resultados

O facto de um carneiro ser considerado apto para reprodução no momento em que este foi avaliado, na maioria das vezes, não nos dá indicação sobre a libido e a capacidade de monta do animal. Os dados do EA deverão ser sempre comparados com a história prévia do carneiro nomeadamente fertilidade em épocas de cobrição anterior e se o carneiro for aprovado no EA teremos então salvaguardada a sua fertilidade nos próximos tempos. O resultado do exame traduz a interpretação obtida à data da sua realização e apenas pode ser indicativo do desempenho do animal no futuro ou contribuir para justificar a sua performance no passado. Qualquer lesão que venha a ocorrer no sistema genital ou processo infeccioso localizado ou generalizado, entre outras causas, podem rapidamente alterar a qualidade espermática de um carneiro. É preciso ter consciência de que o EA

caracteriza o potencial reprodutivo de um carneiro naquele momento. Na ausência de ocorrência de qualquer acidente, os reprodutores sexualmente maduros têm toda a probabilidade de preservar estas qualidades enquanto não atingirem a senilidade (mais que 7 anos). Caso contrário, o exame realizado anteriormente a uma situação que altere o estado de saúde do sistema genital, não pode ser usado para garantir a capacidade fecundante de um reprodutor.

CONCLUSÃO O rendimento económico nas explorações de ovinos (carne/leite) está altamente correlacionado com a reprodução. Desta forma, pretende-se a maximização do número de borregos produzidos por ovelha e por ano, isto é, colocar a fertilidade da exploração num valor que permita a maior rentabilidade económica da exploração. Para isso é importante possuir animais com elevada capacidade reprodutiva, ou seja, não só ter fêmeas mas também machos férteis. A presença de carneiros inférteis e sobretudo de carneiros sub-férteis é altamente prejudicial para o sistema produtivo na medida em que estes animais são, na maioria das vezes, apenas detectados no final da época reprodutiva, quando se verifica que um número elevado de fêmeas não produziu borregos. Daí que a identificação e eliminação precoce destes animais assim como o rigor na escolha dos reprodutores, através da realização dos EA, seja um recurso importantíssimo e indispensável para alcançar e garantir a fertilidade do rebanho aliada ao melhoramento genético do mesmo. Posto isto, não há justificação para não fazer o EA de um reprodutor. O custo de exame é muito pequeno em relação ao preço do animal e à extensão do prejuízo no sistema de produção. Devendo ser um componente de rotina na explorações que tenham um plano reprodutivo definido, tal como a colheita de sangue anual!

ruminantes julho . agosto . setembro 2013 15


PRODUçÃO

Avaliação económica do maneio reprodutivo de uma

exploração leiteira Na realidade atual do setor leiteiro, a eficiência económica das explorações torna-se cada vez mais importante e o desenvolvimento de ferramentas de cálculo, adaptadas à realidade da exploração, que auxiliem a tomada de decisões, é essencial.

fatores Que contribuem para o aumento da rentabilidade Este trabalho teve como objetivo avaliar economicamente o maneio reprodutivo de uma exploração com 293 animais, 130 dos quais são vacas em produção com média produtiva de 35.3L/dia. Nesta exploração a deteção de cios é realizada visualmente, registando-se atualmente um intervalo entre partos

Isabel Santos Médica Veterinária, Cooperativa Agrícola de Vila do Conde isabel.santos@cavc.pt

16 Ruminantes julho . agosto . setembro 2013

Vitelos 2,03€ animal/dia

Novilhas (5-11M) 1,43€ animal/dia

Novilhas (>11M) Vacas secas 0,87€ animal/dia

médio de 422 dias, correspondente a um Intervalo Parto-Conceção (IPC) médio de 142 dias. Como base para o restante estudo, foram determinados os custos alimentares, por lote de animais, para o ano de 2012, usando os preços de aquisição e/ou os custos de produção.

Alta Produção 5,62€ animal/dia

Baixa Produção 4,28€ animal/dia

FIGURA 1 Custos alimentares no ano de 2012.


PRODUÇÃO

CUSTO DE CADA DIA EXTRA NO INTERVALO PARTO-CONCEÇÃO (IPC) Não foram considerados custos extra até aos 85 dias pós parto, estimando depois uma perda diária que foi calculada para os seguintes intervalos de IPC: 85-115 dias; 116-145 dias; 146-175 dias; 176 a 205 dias; 206 a 235 dias e mais de 235 dias pós parto. Para este cálculo foi utilizado um indicador designado por “Fertex” – Fertility Economic Index (Esslemont, 2003; Neto, 2009). Este cálculo considera o diferencial de produção (perda de produção da lactação seguinte

e ganho na lactação atual), diferenças nos custos alimentares e o atraso na obtenção do vitelo. Para calcular as perdas na produção de leite foi gerada a curva de lactação média do efetivo desta exploração, usando um programa informático onde foram introduzidos todos os contrastes de 2012. Com estes dados e os dados registados na exploração através do programa ISALEITE, foi calculado o custo do atraso no IPC, para os intervalos citados anteriormente.

Os resultados obtidos foram os seguintes:

4,03 €/dia

1,61 €/dia

85

115

145

8,81 €/dia

8,16 €/dia

6,21 €/dia

175

205

8,54 €/dia

235

Dias após o parto FIGURA 2 Custo diário do prolongamento do IPC, além dos 85 dias pós-parto.

CUSTO ACUMULADO DO PROLONGAMENTO DO INTERVALO PARTO-CONCEÇÃO (IPC) Foi calculado o custo acumulado do prolongamento do IPC após os 85 dias, considerando o custo acrescido de uma inseminação (IA) extra a cada 21 dias (custo médio de uma IA em 2012 nesta exploração = 26.21€). 107d 2,86€

37,86€

149d 104,37€

86d

198,95€

...d 330,51€

128d

FIGURA 3 Custo acumulado do prolongamento do IPC, além dos 85 dias pós-parto.

...€

170d

PERDA POR REFUGO PRECOCE CUSTO DO REFUGO PRECOCE

1785,65 € - VR

(A) CUSTO TOTAL DE REPOSIÇÃO (novilha 25M)

1461,89 €

Custo de alimentação até aos 25M Custo médio de tratamentos/vitelo Custo de vacinação + desparasitação até aos 25M Custo médio atribuído à IA das novilhas* Outros custos (palha e serrim das camas, mão de obra, …)

854,51 € 8,63 € 18,47 € 80,28 € 500,00 €

(B) PERDAS NA PRODUÇÃO DE LEITE

323,76 €

Produção média nas novilhas (L/dia) Produção média nas multíparas (L/dia) IPC médio (dias) Duração da secagem (dias) Duração da lactação (dias) Preço médio do leite (jul-dez2012)

33,30 € 36,22 € 142,00 € 60,00 € 362,00 € 0,3084 €

(C) DIFERENÇAS NOS CUSTOS ALIMENTARES VACA-NOVILHA

0€ VARIÁVEL

(D) VALOR DE REFUGO DA VACA (VR) * Custo médio de IA nas novilhas em 2012 (41,16€) x nº de IA/novilha gestante (1,8)

O custo do refugo precoce foi calculado como a soma do custo de uma novilha de reposição ao parto (A) com as perdas na produção de leite (B), uma vez que a média produtiva das novilhas é inferior. A este resultado foi descontado o valor

das diferenças alimentares entre os dois animais (C) e o valor de refugo da vaca (D). Estimado o custo do refugo precoce por infertilidade, desenvolveu-se uma ferramenta que permite verificar quando é que o custo de prolongamento do IPC

TABELA 1 Cálculo da perda por refugo precoce.

e das inseminações extra atinge o valor estimado para o refugo. Desta forma, o produtor pode estabelecer um limite a partir do qual não é economicamente compensatório estender o IPC, devendo equacionar o refugo do animal. Esta ferramenta está padronizada para os dados desta exploração, tendo uma variável: o valor a receber pelo animal de refugo. Como se observa no gráfico seguinte, considerando a variável valor de refugo (VR) entre 500€ e 800€, o limite a partir do qual ultrapassamos a perda por refugo com o acumular de custos de prolongamento do IPC varia entre os 248 e os 282 dias pós parto. No entanto, a exploração em causa vende novilhas e, ao utilizar uma novilha para reposição da vaca, perde o valor

ruminantes julho . agosto . setembro 2013 17


PRODUçÃO

1400

282 DEL

1200

GRÁFICO 1 Custo acumulado do prolongamento do IPC em relação à perda por refugo precoce.

1000 248 DEL

Custo (€)

800

600

400

Custo acumulado de prolongamento do IPC

200

Perda por refugo precoce (VR 500€ )

0 86 96 106 116 126 136 146 156 166 176 186 196 206 216 226 236 246 256 266 276 286 296 306

do lucro que teria na venda da novilha a terceiros. Portanto, foi considerada uma segunda variável: a perda por não vender a novilha de substituição. Se considerarmos uma perda de 300-500€ por transferência da novilha para a exploração, e para um VR de 800€, o limite passa a variar entre 282 e os 306 dias pós parto. É importante salientar que, se a vaca não ficar gestante e a opção de refugo ocorrer após este limite, temos uma duplicação da perda estimada. Estas ferramentas devem ser usadas como auxílio à tomada de decisão de forma ponderada, tendo em conta fatores como o valor genético do animal e a disponibilidade de novilhas, entre outros.

Perda por refugo precoce (VR 800€ )

Dias em leite (DEL)

LUCRO VS DURAÇÃO DA LACTAÇÃO (DL) Considerando 4 anos, após o primeiro parto, como a vida útil de uma vaca, foram realizadas simulações de diferentes lactações (305d, 326d, 368d, etc.), considerando os ganhos e os custos associados a cada uma delas, para determinar qual a DL mais rentável no final da vida útil dos animais. Os custos considerados foram apenas os custos acumulados dos dias extra no IPC e as inseminações extra (a cada 21 dias) e os ganhos refletem a produção obtida paga ao preço médio do leite no período em estudo (0.3084€). Esta análise permitiu concluir que a DL mais rentável, para esta exploração, é GRÁFICO 2 Valor acumulado no final dos quatro anos consoante a duração de lactação.

Valor acumulado (4 anos)

15000,00 14500,00 14000,00 13500,00 13000,00 12500,00 12000,00 11500,00 11000,00 10500,00 10000,00

305d

326d

347d

368d

431d

de 326d, podendo resultar num ganho por animal, no final dos 4 anos, de 1125.81€ em relação à situação atual da exploração (362d). No sentido de verificar o impacto que a redução da duração de lactação poderia ter na exploração, foi analisada a incidência de doenças e refugo pós parto, de todos os partos ocorridos no espaço de 4 anos (2009-2012). Estes animais foram divididos em 3 grupos, de acordo com o IPC da lactação anterior: até 115 dias; 116-175 dias e mais de 176 dias pós parto. Verificou-se que não existe diferença estatisticamente significativa (p>0.05) na taxa de refugo e na incidência de doenças, entre animais com DL mais curta e os restantes grupos. No entanto, sendo o pós-parto uma altura crítica para a vaca leiteira de alta produção, calculou-se um custo a atribuir ao risco associado às doenças e ao refugo pós parto, por termos mais um parto na vida útil dos animais. A estimativa deste custo foi obtida, calculando o custo máximo das complicações do pós-parto em 4 anos nesta exploração, cujo valor foi 177,95€ (custo de medicamentos aplicados, intervenção médico-veterinária e perdas por rejeição de leite) e atribuindo um valor de 2000€ à perda em caso de refugo do animal no pós-parto. Se multiplicarmos a soma destes valores

18 Ruminantes julho . agosto . setembro 2013

pelas taxas de refugo da exploração, vamos estimar um custo associado ao risco por haver mais um parto na vida útil do animal. Este valor varia entre 87,93€ (considerando a taxa de refugo nos 90 dias pós-parto com causa relacionada com o parto) e 242,08€ (considerando a taxa de refugo total do efetivo nos 4 anos) ficando ainda longe do valor do retorno estimado no final dos 4 anos.

conclusão Numa exploração leiteira, fatores como o valor genético, a alimentação e as boas práticas de maneio contribuem para o aumento da produtividade da exploração. Atualmente, para garantir a sua viabilidade económica é, cada vez mais necessário, que a tomada de decisões técnicas na exploração seja suportada por estudos económicos. Para esta exploração, a redução do IPC médio poderá aumentar a eficiência produtiva e a rentabilidade da exploração a médio prazo.

Agradecimentos: Exploração agrícola em estudo. Pedro Reis (Associação Agrícola de S. Miguel, CRL); Rita Cabrita (Faculdade de Ciências da Universidade do Porto); Joana Correia, Ana Gomes, Isabel Ramos, André Lopes (Cooperativa Agrícola de Vila do Conde).


entrevista

Melhorar

A fertilidade Sociedade Agro-pecuária Irmãos Italianos - Entrevista a Luís Ponte por ruminantes

A Sociedade Agro-pecuária Irmãos Italianos tem como sócios os irmãos Luís, António e Gabriel. Exploram 137 ha divididos em duas explorações, que se localizam nas Capelas e S. Vicente – S. Miguel - Açores, separadas por 8 km e, com cerca de 270 vacas das quais 225 em produção. Como engordam os vitelos, têm sempre mais de 600 animais no total. A produção de leite é um negócio que vem de família, iniciado pelo pai há 44 anos. Luís é o gerente e trabalha na exploração, enquanto o Gabriel e o António trabalham noutras empresas também dos 3 irmãos. Desde que ficou com a exploração a seu cargo, Luís sempre apostou em genética com vista a construir uma vaca a seu gosto (média

para o grande, com boas pernas e bom úbere). Os concursos são uma paixão, já desde há 28 anos que participa e tem conseguido alguns prémios, como o de Vaca Campeã, Vaca Vice-Campeã, Melhor úbere, Vitela Campeã, Jovem Campeã, melhor apresentador, entre outros. Ruminantes - Quando e porque entrou no Crossbreeding? Luis Ponte - Entrei há 4 anos. Eu andava à procura de um processo que me ajudasse na fertilidade, uma vez que a evolução genética da Holstein tem alguns problemas nesta área da fertilidade. Através da internet, os meus filhos procuraram soluções utilizando outras raças de leite, que era o que eu queria,

20 Ruminantes julho . agosto . setembro 2013

para poder usar as filhas para o leite. De tudo o que leram, chegaram à conclusão que a raça Montbeliard era a mais adequada. Os franceses mandaram-nos falar com o representante em Portugal, o Carlos Serra, uma pessoa amiga. Foi através dele e de visitas a explorações no continente e nos Estados Unidos que entrámos no programa. Este programa permite-lhe manter a Holstein? Sim, comecei por fazer os cruzamentos nas vacas que não ficam cheias, ou seja, depois de inseminar duas ou três vezes com Holstein e não pegarem, ponho então o Montebeliard ou o Vermelho Sueco, e tenho dado continuidade a este processo. No início, mesmo sem saber o


entrevista

que iria nascer, já tinha a garantia de que a vaca inseminada com sémen de ProCross era mantida na exploração. Hoje, passados alguns anos, a percepção que eu tenho é que comem menos, produzem diariamente o mesmo ou mais que as outras, têm melhor fertilidade, raramente têm mamites e são fáceis de tratar. São tratamentos mais curtos e portanto existe menos risco de perda de leite. Quantos animais tem no programa? Não considerando os machos, temos entre as vacas e a recria, mais de 20% das fêmeas. Qual é o grau de satisfação? Estou satisfeito com as produções, com a fertilidade, com a sanidade (quase não têm doenças), mas claro que quem é um homem de concursos tem que olhar de duas formas diferentes para esta situação. Mas no final o que conta é o contraste no fim do mês. Eu vejo que as médias diárias das vacas são iguais ou superiores e tenho muito poucas razões de queixa, não se chama o veterinário, não se dá por elas no dia a dia. Adaptam-se bem à nossa terra. Tem vacas da segunda ou terceira geração? Tenho 5 vitelas/novilhas de segunda geração. E a primeira que vai parir é agora em julho. Já temos muitos animais a serem cobertos com Holstein.

Qual é o seu critério na escolha dos reprodutores nas diferentes raças? Tenho trabalhado com o que há cá no mercado. Tem utilizado sémen sexado nas raças do programa Procross? Não, nunca usei, mesmo sem ser neste programa. Acha que este programa pode trazer vantagens para os produtores açorianos que optem por esta técnica? Porquê? As vantagens são várias, como seja o caso de ter vacas robustas, fortes, boas produtoras e que também dão para carne. Todos aqueles que usam raças de carne nos cruzamentos acabam por perder as fêmeas como possíveis produtoras de leite. Com este sistema aproveitamos as fêmeas para produção de leite e os machos são vendidos como cruzados, todos os animais que saíram foram vendidos como cruzados e com boa carne. Que desvantagens pode ter este programa? Até agora não conheço, mas ainda falta ter os resultados da 2ª e 3ª geração. Aquilo que vi lá fora gostei, mas aqui ainda não posso falar por experiência própria. Estou curioso de ver a “nova” Frísia parida, mas isso ainda vai levar bastante tempo. Numa exploração, o factor económico mais importante é a reprodução? Não é só a reprodução, mas nas

dados produtivos da exploração Vacas Puras: Produção de leite aos 388 dias: 11370 kg, 3.78% de gordura e 3.26% de proteína. Média aos 305 dias: 9441 kg. Produção média diária: 29,30 kgs. Média de lactações do grupo 2.

Vacas Híbridas: VISTA DA EXPLORAÇÃO Capelas

Produção de leite aos 311 dias: 8364 kg, 3.85% de gordura e 3.42% de proteína. Média aos 305 dias: 8021 kg. Produção média diária: 26,90 Kgs (36 Animais em produção com uma lactação em média no grupo)

ruminantes julho . agosto . setembro 2013 21


LUÍS PONTE Um dos 3 sócios da Sociedade Agro-pecuária Irmãos Italianos

ESTÁBULO Pormenor da alimentação

Holstein Frísias provavelmente será, pois as melhores vacas, com melhor genética, são aquelas que não ficam grávidas, e são aquelas que refugo mais. Se não conseguir manter o número de vacas a produzir bem, não vou ter o leite que quero. Mas isto é como uma pescadinha da rabo na boca, preocupo-me com a genética, com a reprodução, mas é igualmente importante a alimentação, ter as melhores forragens... Qual o principal impacto do Vigor Híbrido nas vacas leiteiras? O primeiro foi a fertilidade, depois também vejo vacas mais robustas, mais fortes e com menos problemas. Nunca emagrecem muito após o parto. Quais são as três raças leiteiras que utiliza? Uso a Holstein, Montebeliard e a Sueca Vermelha. Quais os pontos fortes e fracos de cada uma destas raças? Embora não tenha uma opinião bem formada, nas Suecas Vermelhas gosto muito dos úberes, na Montebeliard vejo animais mais fortes, boas produtoras, com úberes bons (não todos, mas sempre com o mesmo formato e produzindo bem).

Verifica alguma alteração em termos de reprodução? Sim, ficam grávidas com muito maior facilidade, não quer dizer que não possa haver repetições, mas muito poucas, e devemos considerar que estamos a inseminar as vacas problemáticas e normalmente elas acabam por ficar gestantes. Posso dizer que fechei o ano anterior com 388 dias de lactação nas Holstein e as cruzadas com 311 dias de lactação. Que dados produtivos tem para comparar as Holstein puras e o programa Procross? O pico de lactação das Holstein é mais alto, mas a persistência das cruzadas é melhor. A produção média diária é praticamente igual. As cruzadas ficam grávidas mais cedo enquanto as Holstein ficam com demasiados dias de lactação, ou seja, as Holstein estão a secar e as cruzadas já estão na nova lactação. Com mais partos no mesmo espaço de tempo, a quantidade de leite no tanque não baixou, até pelo contrário. Nota diferença no campo da saúde animal? Mamites não tenho nas cruzadas, e nas Holstein tinha e tenho. No caso das CCS, embora as explorações que temos

22 Ruminantes julho . agosto . setembro 2013

tenham valores baixos (200 e 300.000) desde há 4 anos, as cruzadas têm valores inferiores. Noto diferença na taxa de refugo, repare que nas cruzadas só ainda refuguei um animal e nas outras esse número é muito superior. Que expectativas tem afinal com este programa? Que as vacas durem mais anos na exploração, menos dinheiro gasto com farmácia e com inseminação. Repare, um animal bom que fique na exploração mais anos, deixa-me mais crias e deixa a possibilidade de dentro de algum tempo poder vender algumas delas. Disse que engordava os vitelos cruzados, tem resultados? Sim, vendo todos como cruzados de carne, tem boa carne e aos 8 a 9 meses de vida, quase todos os animais dão mais de 200 kg de carcaça. Nota diferença na eficiência alimentar destes animais? Não tenho dados concretos, mas a ideia que eu tenho é que são animais que comem menos e produzem como já referi atrás.


CONVITE

MONTBELIARDE / HOLSTEIN / VIKING RED VIKING RED / HOLSTEIN / MONTBELIARDE

3º ENCONTRO EUROPEU DIAS ABERTOS PROCROSS CONFERÊNCIA INTERNACIONAL SOBRE CROSSBREEDING-PORTUGAL 25-26-27 e 30 JULHO 2013 Ugenes-Unipessoal, Lda, VikingGenectics e Coopex Montbliarde têm o prazer de convidar os produtores de leite,técnicos e outras entidades do sector leiteiro nacional que estejam interessados em saber mais sobre o cruzamento de vacas leiteiras e o conceito do Programa ProCross a realizar em Portugal. Este evento visa dar a conhecer as últimas noticias e mostrar os dados científicos em relação ao conceito do programa ProCROSS e promover o encontro entre produtores de vários países para partilharem a sua experiência do conceito ProCROSS. • O Programa da vaca ProCross foi criado para melhorar geneticamente a capacidade das explorações Leiteiras. • As vacas ProCross trabalham mais,gastam menos e vivem mais = Maior Lucro na Vida Produtiva.

INFORMAÇÃO PRÁTICA

Este evento decorrerá entre os Hoteis na Ericeira, e diversas explorações Agricolas de produção Leiteira na Zona do Alentejo, Sabugo-Pero Pinheiro e Açores. O transporte para a visita as Explorações do dia 25 ( 5ªF) está assegurado e custeado pelas três organizações. Inclui também uma refeição a bordo do autocarro. Participação na conferência = taxa de 20 €. Hoteis disponíveis na Ericeira: Opcção Principal: Vila Galé Ericeira, Largo dos Navegantes nº1 2655-320 Ericeira-Portugal, Telf:+351 261 869 900 . Email:ericeira@vilagale.com 2ª Opcção: Beach tour Apartamentos, Rua Mira parque, 2A-B 2665-213 Ericeira-Portugal, Telf:+351 261 860 230 . Email:beachtour@marcolda.pt

PROGRAMA

25 JULHO : VISITA A EXPLORAÇÕES PROCROSS

7:00 9:30

14:30

Partida dos hotéis na Ericeira . Cerca de 2 horas de viagem até Fronteira. Visita à Exploração Agro Pecuária da Tília, Lda em Fronteira. Almoço no autocarro em viagem. Visita à Exploração Agroleite de Canha, Lda - Canha,Pegões.

26 JULHO: CONFERÊNCIA PROCROSS E DIA ABERTO NO CASAL DE QUINTANELAS

8:30

10:15 13:00

Conferência ProCROSS no Hotel Vila Galé Ericeira • Apresentação dos novos resultados do crossbreeding no Minnesota com a apresentação do Prof.Les Hansen, Universidade do Minnesota, USA. • Apresentação técnica dos dados do casal de Quintanelas pelo Eng.António Castanheira. Partida para a Quinta de Casal de Quintanelas, no Sabugo. • Onde será apresentado um grupo de vacas ProCross de 1ª e 2ª geração. Serviço de Almoço / Churrasco oferecido pelas empresas promotoras do evento.

27 JULHO: PONTA DELGADA - AÇORES - CONFERÊNCIA NAS INSTALAÇÕES DA AASM

11:30 13:00

Inicio dos trabalhos apresentados pelos Prof.Les Hansen, Universidade Minnesota-USA • Será apresentado um grupo de vacas ProCross de 1ª Geração. Serviço de Almoço / churrasco oferecido pelas empresas promotoras do evento.

30 JULHO: ILHA TERCEIRA - AÇORES - CONFERÊNCIA NAS INSTALAÇÕES DA UNIVERSIDADE DA ILHA TERCEIRA

11:30

Inicio dos trabalhos apresentados pelos Prof.Les Hansen, Universidade Minnesota-USA • Participação do Prof. Estevam de Matos da Universidade dos Açores.

Agradecemos a confirmação até dia 15 de Julho para: Ugenes-Unipessoal,Lda • Telf: +351 917 534 617 • Email: carlosserra@unigenes.com José Nuno Carvalho • Telf:+351 914 751 386 • Email: znunocarvalho@gmail.com | Paulo Grave • Telf: +351 933 022 169 • Email:pgravesolutions@gmail.com

ruminantes julho . agosto . setembro 2013 23


PRODUÇÃO

A EVIDÊNCIA

DOS RESULTADOS! Luís veiga engº zootécnico, reagro sa. veigaluis@reagro.pt

pedro castelo engº agrónomo, reagro sa. pedro.castelo@reagro.pt

Como é do conhecimento geral, têm havido uma preocupação crescente em aumentar a eficiência alimentar e produtividade dos ruminantes através da manipulação do ecossistema microbiano do rúmen. Além disto, a diminuição da degradação de proteínas dos alimentos no rúmen, a fim de reduzir a excreção de azoto pela urina e emissões de metano tornaram-se importantes alvos no que às preocupações ambientais diz respeito. Antibióticos e outros aditivos sintéticos utilizados na alimentação de animais foram proibidos pela União Europeia desde 2006 (Regulamento 1831/2003/EC). No entanto, outros aditivos também têm a capacidade de modificar o ecossistema microbiano no rúmen. Outros compostos chamados “compostos idênticos naturais” têm surgido da biotecnologia para as mais diversas utilizações. Numerosos compostos bioactivos em produtos derivados de plantas são metabólitos secundários tóxicos produzidos pelas plantas como um mecanismo de defesa contra herbívoros e micróbios invasores. Entre eles, os óleos essenciais (OE), que são conhecidos, entre outros modos de acção, pela sua actividade anti-microbiana, apresentam por isso nos últimos anos uma evolução espectacular em trabalhos de cariz científico publicados regularmente. Um ruminante é um animal que tem a capacidade de gerar uma fracção importante das suas necessidades em vários nutrientes a partir das fermentações realizadas no rúmen. Uma das chaves de sucesso no futuro estará em optimizar a produção endógena de proteína

verdadeira. A forte evolução demográfica mundial e a diminuição da superfície arável são dois factores que levam todos os especialistas a concordarem nos preços altos da proteína de origem vegetal. Estes factos levam cada vez a uma maior necessidade em conseguir uma eficiência alimentar elevada. Tendo como objectivo demonstrar a eficácia de um produto desta natureza nas condições de produção em Portugal, a Reagro, realizou um ensaio na exploração do Vale da Lama (Chamusca). Aproveitando para salientar a disponibilidade e profissionalismo do Sr. Garry que nos concedeu a oportunidade de realizar um teste em condições reais. A possibilidade de aceder a todas as produções individuais com centenas de animais e arraçoamentos fixos foi determinante.

Objectivo do ensaio Este ensaio teve como objectivo verificar a eficiência de um aditivo com capacidades de diminuir a degradação da proteína alimentar no rúmen e de modular a fermentação ruminal no sentido de aumentar a fracção de proteína verdadeira de origem microbiana que transita para o intestino delgado da vaca. Um outro objectivo foi, desconhecendo o arraçoamento em prática, verificar que o produto utilizado em “top feeding”, ou seja por cima do arraçoamento contribuía de forma esclarecedora para melhorar a produção.

O que é o Proteomax 50 O Proteomax 50, é composto por óleos essenciais, sais de oligoelementos e outras matérias-primas a combinação de OE e oligoelementos testados em colaboração com o INRA (Institut National de la Recherche Agronomique). Inicialmente (figura 1) foi efectuado um estudo com o objectivo de verificar o efeito de doses de 8 óleos essenciais no rúmen e estimar padrões de fermentação num sistema, in vitro, FIGURA 1 Estudo de diferentes doses de ingredientes. Curvas Médias de 3 Repetições 1,2 1,0

Efeito << progressivo >>

0,8

Efeito << moderado >>

0,6

Efeito << forte >>

0,4 0,2 0,0 0

24 Ruminantes julho . agosto . setembro 2013

2

4

6

8

10


PRODUÇÃO

1. Modo de acção: controlo de protozoários e modulação das fermentações. bacterianas proteolíticas. 2. Redução significativa da produção de amoníaco no rúmen. 3. Aumento do rácio azoto não amoniacal / azoto total. 4. Aumento das proteínas intestinais. 5. Não perturbação da produção de AGV.

8,0

1,2

7,0

1,0

Ingr. Activo de Novatan Oleo essencial 1

6,0

Produção de Ácido Acético ( teste vs control )

Produção de Amoníaco 12h após a fermentação, mg

Efeito da Dose na Produção de Acído Acético

5,0 4,0 3,0 2,0 0

2

4

6

8

10

12

Ingr.Ingr. Activo de Novatan Activo de OleoNovatan essencial 1 Oleo essencial 1

0,8 0,6 0,4 0,2 0,0 0

2

4

6

Dose do ingrediente activo (nM)

OE2: Efeito na Produção de Amoníaco 1,2

1,2 1,0

Ingr. Activo de Novatan Oleo essencial 2

0,6 0,4 0,2 0,0 0

2

4

6

8

10

12

Efeito da Dose na Produção de Acído Acético

1,0 0,8

8

Dose

Produção de Ácido Acético ( teste vs controlo )

Como considerações gerais sobre o produto podemos concluir o seguinte:

OE1: Efeito na Produção de Amoníaco

Produção relativa de Amoníaco ( teste vs controlo )

após 16 horas com a utilização de um substrato de elevada concentração. A resposta do ecossistema microbiano foi avaliada através da produção dos Ácidos Gordos Voláteis (AGV) e amoníaco para diferentes doses de óleos essenciais. Através da observação dos resultados sobre a produção de amoníaco (figura 2), a sua diminuição de produção no rúmen significa que houve uma redução da degradabilidade das proteínas no rúmen. Na figura 3 verifica-se a ausência de alteração da produção de ácido acético, ficando assim demonstrado que não há nenhuma perturbação da actividade das bactérias celulolíticas. Este ponto é de extrema importância pois a modulação da fermentação inicialmente proposta previa não alterar a fermentação da fibra.

10

Ingr. Activo de Ingr. Activo de Novatan Oleo Novatan essencialOleo 2 essencial 2

0,8 0,6 0,4 0,2 0,0 0

2

4

Dose do ingrediente activo (mM)

6

8

10

Dose

FIGURA 3 Análise da produção de ácido acético.

FIGURA 2 Análise da produção de amoníaco no rúmen.

O Ensaio Em relação ao parque 9, foram efectuadas medições entre os 80 e os 120 dias de lactação. As vacas com o proteomax 50 tiveram uma produção de

leite diária superior 1 litro, como se verifica na figura 5. Além da análise à produção verificámos a qualidade do leite onde conferimos

FIGURA 5 Análise da produção de leite no parque 8.

FIGURA 4 Análise da produção de leite no parque 7.

Parque 8

Parque 7 42,5

42,5 41,5 41,0

40,6

40,5

Litros

42,0

Litros

O ensaio foi conduzido em dois lotes de vacas multíparas (2 ou mais lactações) que se encontravam em início de lactação e que mantiveram a mesma alimentação, pelo menos, 8 dias antes da primeira medição até 45 dias após o final do ensaio. O proteomax 50 foi adicionado no uni-feed (50 gr/vaca/dia) e, por isso, distribuído uniformemente pela manjedoura. Durante o ensaio foram efectuadas medições à produção média diária assim como uma análise química num laboratório acreditado à qualidade do leite. No parque 7, foram comparadas as produções de vacas entre os 25 e os 35 dias de lactação (medição ao DL 25, 30 e 35). Através da Observação da figura 4, podemos verificar que a produção das vacas com o aditivo foi superior 1,6 litros em relação às que não tinham o aditivo na mesma fase de lactação e com a mesma alimentação.

48,0

47,8

47,5 47,0

40,0

46,8

46,5

39,5

46,0

Com Proteomax 50 25<DL<35

Sem Proteomax 50

Com Proteomax 50

Sem Proteomax 50

80<DL<120

ruminantes julho . agosto . setembro 2013 25


PRODUÇÃO

FIGURA 6 Análise da produção segundo a equação de J. Wilmink para 2 grupos tendo em conta a produção às 5 semanas Produção estimada com Proteomax 50 Produção estimada sem Proteomax 50

50,0 45,0 40,0 35,0

Litros

que, tal como nos ensaios científicos descritos anteriormente, apesar do aumento da produção não existe nenhuma variação significativa do TB do leite pois não há nenhuma perturbação na actividade das bactérias celulolíticas, mas em relação ao TP (Teor Proteico) do leite verificou-se um aumento deste parâmetro (facto que fundamenta os dados já conhecidos relativos ao aumento da proteína by-pass, quadro 1).

30,0 25,0 20,0 15,0

QUADRO 1 Análise do leite durante o ensaio.

10,5 5,0

Sem Proteomax 50 Com Proteomax 50

3,69

3,66

TP (% m/m)

3,22

3,29

É sobejamente conhecido que a um pico de lactação mais elevado corresponde uma maior persistência produtiva, através da equação de J. Wilmink (figura 6), verificamos que a adição deste produto em 250 dias tem um custo de 25 € por vaca e o seu benefício é, tendo em conta um preço por litro de 0,32 €, de pelo menos, 103 € /vaca. No entanto, como o leite é pago ao produtor também pela qualidade, temos verificado no plano prático que além deste aumento de produção ocorre um aumento do preço médio do leite pago na exploração. Para observar o chamado efeito de retirada do aditivo, conferimos as produções 45 dias após o fim da suplementação (com a mesma alimentação) onde comparamos as produções para a mesma fase de lactação. Como podemos verificar através da observação da figura 7, vacas entre os 80 e 120 dias de lactação tiveram uma produção média de 1,3 litros superior com o aditivo. Para finalizar, foi efectuada uma análise económica para determinar a vantagem em termos monetários com a utilização deste produto. Considerando o leite pago a 0,32 €/litro e sabendo que o custo do produto é de 0,10 €/vaca/dia, o beneficio através da utilização deste produto é de 0,32 € por animal e por dia (quadro 2).

0 1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

11

Mês de Lactação Equação: J.B.MWilmink 1987, INRA, 2007 PLpot=PL max *n[(1.047-(0.69*EXP(-0.9*sem lact)-(0.0127*sem lact)-(0.50*EXP(-0.12*45-sem G)] COM PTMX 50 - 9700 lts (305 dias) SEM PTMX 50 - 9300 lts (305 dias) DIFERENÇA lts = 400 lts INVESTIMENTO = 250 dias * 50 grs * 0.002 € /gr = 25 € BALANÇO (0,32 €/lt) = (400 lts* 0.32 €) - 25 € = 103 €/VL

QUADRO 2 Análise económica da utilização do Proteomax 50. Grupo

Produção

Preço Leite (€)

Sem Proteomax 50

46,5

0,32

Com Proteomax 50

47,8

0,32

FIGURA 7 Análise de produções 45 dias após o ensaio. Parque 9

48,0

Litros

TB (% m/m)

26 Ruminantes julho . agosto . setembro 2013

47,8

47,5 47,0

46,5

46,5 46,0 45,5

Com Proteomax 50 80<DL<120

Sem Proteomax 50

Custo Proteomax 50 (vaca/dia)

Retorno (Vaca/dia)

0,1

15,20

BenefÍcio Proteomax 50

14,88 0,32

conclusão O ensaio do PROTEOMAX 50 na exploração Vale da Lama permitiu comparar animais nas mesmas condições que foram estudados de forma individual e nas mesmas fases de produção, com alimentações estáveis. Assim podemos concluir que: 1. O Proteomax 50, apesar de ter sido utilizado em “top feeding”, permitiu produções entre 1 e 1,6 litros superiores em vacas até 120 DL. 2. Aumento do TP do leite. 3. Rentabilidade teórica acrescida a preço do leite de 0,32 €/litro de, pelo menos, 103 €/vaca/lactação. 4. Curva de lactação com decréscimo menos acentuado a partir dos 120 DL. 5. Diferencial de rentabilidade de menos 0,32 € por animal e por dia após a retirada do produto.


ruminantes julho . agosto . setembro 2013 27


FORRAGEM

josé maría bello Chefe de Produto Ovino e Caprino Nanta jm.bello@nutreco.com

SILAGEM DE SORGO UMA ALTERNATIVA FORRAGEIRA EM OVELHAS DE LEITE

A situação das matérias primas a nível mundial mudou substancialmente a configuração da produção animal em geral e a do leite de ovelha em particular. Mais que nunca parece ser necessário utilizar estratégias de inovação para poder rentabilizar as explorações através do aumento da eficiência na produção.

SORGO Gramínea anual de origem africana.

O aumento da procura de forragem no arco mediterrânico juntamente com o já mencionado aumento dos custos das forragens (ligada à disponibilidade de água cada vez mais escassa em algumas latitudes) obrigam a repensar a alimentação. O sorgo forrageiro, e mais concretamente a sua silagem, pode ser uma alternativa válida à silagem de milho em algumas zonas, resolvendo o cada vez mais difícil aprovisionamento de forragem de qualidade ligado à produção de leite.

Características e variedades de sorgo O sorgo (Sorghum Bicolor ou Sorgo forrageiro) é uma gramínea anual de origem africana, muito bem adaptada às condições tropicais, de fácil cultivo e adaptada à seca. Esta planta atinge alturas entre 1.75 e 2.50 metros e as suas folhas têm de 60 a 100 centímetros de comprimento e 3 a 5 cm de largura. Têm caules grossos e sólidos. É uma planta muito semelhante à do milho, que se adapta perfeitamente às condições de verão de climas atlânticos.

28 Ruminantes julho . agosto . setembro 2013

TABELA 1 Rendimentos de diferentes variedades e híbridos de sorgo forrageiro. VARIEDADE

HIBRIDAÇÃO

KgMS/Ha

KgMOD/Ha

ANETO

SxP

4,797

2,843

PPS DSM 9-315

SxS

5,215

3,031

NICOL

SxP

5,290

3,152

DIGESTIVO

SxP

5,946

3,530

TEIDE

3,388

SxS

5,988

NECTAR

S

6,041

3,549

PR 855-F

SxP

6,297

3,665

HAY DAY

SxP

6,588

3,884

GRAZER

SxP

6,972

4,114

S - Não híbrido; SxS - Híbrido de sorgo; SxP - Híbrido de sorgo e Erva do Sudão; MS - Matéria Seca; MOD - Matéria Orgânica Digestível. Fonte - ITG Navarra 2008


forragem

Apesar de mais exigente que o milho em temperatura (abaixo dos 10° C paralisa o seu crescimento) e de precisar de água para germinar nas primeiras fases do crescimento, posteriormente o seu poderoso sistema radicular permite-lhe extrair água da reserva útil do solo de forma mais eficiente que o milho. Além disso, ao contrário do milho, o sorgo tem capacidade de rebrotar depois de um corte sempre que as condições climáticas sejam adequadas. Esta planta tem muitas variedades e híbridos. É muito interessante o estudo que a este respeito realizou o ITG de Navarra (Mangado & Azpilicueta, 2008) sobre o rendimento e idoneidade de algumas variedades de sorgo como alternativa a culturas de produção forrageira em zonas de clima atlântico. Na tabela 1 podemos ver os resultados do estudo relativamente a rendimentos por hectare e produção de Matéria Orgânica Digestível (MOD) de cada uma das variedades e híbridos estudados.

Valores nutricionais da silagem de sorgo O Sistema de Nutrição Animal Espanhol (FEDNA) considera várias possibilidades quanto à valorização do sorgo nas Tabelas de Alimentos para a alimentação animal, dependendo do seu teor de matéria seca (MS) o qual está estreitamente ligado ao momento do corte. Na tabela 2 podemos ver o valor nutricional do sorgo que normalmente se utiliza para a formulação de rações. Quanto aos seus conteúdos minerais e ao seu perfil de Ácidos Gordos, ver tabelas 3 e 4. O elevado teor em Ácido Linoleico produz por vezes o cheiro a ranço nos grão utilizados nas rações.

TABELA 2 Valores nutricionais de silagens de sorgo. Silagem Sorgo <20% MS

Silagem Sorgo 20-25% MS

Silagem Sorgo 25-30%MS

Silagem Sorgo 30-35% MS

Silagem Sorgo >35%MS

20

22.5

27.5

32.5

35

MS (%) HumIdade (%)

80

77.5

72.5

67.5

65

Cinzas (%MS)

10.41

8.56

8.66

8.49

8.99

PB (%MS)

11.26

10.17

9.87

9.34

9.63

NH4 (%MS)

0.09

0.03

0.02

0.02

0.02

EE (%MS)

3.41

3.49

3.38

3.3

3.51

FB (%MS)

32.39

31.17

30.13

29.1

29.72

FND (%MS)

60.28

58.32

56.88

55.43

55.78

FAD (%MS)

36.84

35.63

33.94

33.06

33.78

LAD (%MS)

4.17

4.87

5.67

4.6

4.67

Ca (%MS)

0.59

0.59

0.59

0.59

0.59

P (%MS)

0.61

0.61

0.61

0.61

0.61

Mg (%MS)

0.57

0.57

0.57

0.57

0.57

UFL /kg MS

0.66

0.67

0.67

0.65

0.64

UFC /kg MS

0.57

0.58

0.58

0.55

0.54

PDIA (%MS)

25

22

21

20

21

PDIE (%MS)

69

63

61

57

59

PDIN (%MS)

56

55

57

56

56

LYS (%PDIE)

7.32

7.32

7.32

7.32

7.32

MET (%PDIE)

1.75

1.75

1.75

1.75

1.75

Fonte - FEDNA 2004

Fabrico de uma silagem de sorgo O sorgo, geralmente, cresce bem em quase todo o tipo de solos, exceto em solos argilosos com humidade excessiva, pois estes não toleram drenagens deficientes. O solo requer uma boa preparação. Deve ter uma boa reserva de humidade, uma vez que é no momento da germinação que a planta mais precisa de água. A quantidade de semente depende do tipo de sementeira. Normalmente requer o adubo convencional e azotado, inseticidas e herbicidas. Em climas atlânticos e mediterrânicos é costume semear em maio, o primeiro corte é em agosto e o segundo nos finais de

TABELA 3 Conteúdo em minerais da silagem de sorgo.

MINERAL

por Kg/MS

Unidade

4.5

g

C12:0

0.1

2

g

C14:0

0.1

Na

0.2

g

C16:0

3.1

K

17.5

g

C16:1

0.1

Cl

5.5

g

C18:0

0.5

S

1.2

g

C18:1 Ac. oleico

7.3

Mg

2.5

g

C18:2

14.4

Cu

9

mg

C18:3

0.3

Zn

31

mg

Fe

390

mg

Mn

65

mg

Se

0.03

mg

Mo

1.9

mg

Ca P

ÁCIDOS GORDOS

gr/Kg MS

TABELA 4 Perfil de ácidos gordos da silagem de sorgo.

Fonte - RRC Nutreco

ruminantes julho . agosto . setembro 2013 29


forragem

Utilização em arraçoamentos de ovelhas de leite

SEMENTE DE SORGO

setembro. Em alguns países tropicais podem-se chegar a fazer entre 4 a 8 cortes. O momento do corte é muito importante porque, quando o estado vegetativo é muito avançado, a digestibilidade e o valor nutritivo diminuem consideravelmente. Black J. e cols. (Journal of Animal Science, 1980) realizaram um estudo sobre a valorização energética e a digestibilidade dos nutrientes na variedade Sorghum Dekalb FS24 em ovelhas em diversos momentos do corte. Os valores máximos de Energia Bruta obtiveramse no momento vegetativo “leitoso tardio” e a máxima digestibilidade dos nutrientes no princípio da floração. Também não houve diferenças significativas em relação à utilização de alguns aditivos. O tamanho da planta no momento do corte deve ser de pelo menos 50 cm, já que nas primeiras fases do seu desenvolvimento e nos brotos jovens, a planta contém um glicósido cianogénico chamado

“durrina” que pode ser tóxico para o gado, seja em pastoreio ou no aproveitamento da planta em corte. Com o comprimento de 50 cm, não existe risco. A planta, uma vez cortada a 15-20 cm do solo, (ideal com 35% de MS) “pica-se” com comprimentos de partícula de 2 a 5 cm e coloca-se em solo seco, de preferência com desnível para facilitar a drenagem do silo. Devem fazer-se camadas inferiores a 30 cm antes de ser pisadas para retirar o ar. Uma vez compactada a forragem, tapa-se com plástico e coloca-se por cima uma camada de areia de 5 cm de espessura. O silo pode ser aberto a partir dos 30 dias após ter sido coberto. Um metro cúbico de solo contém aproximadamente 600 kg de forragem.

São variados os critérios para o uso de silagem de sorgo em ovelhas de leite: • Qualidade nutricional, estreitamente ligada ao momento do corte (diferentes proporções de caules e folhas). Na tabela 2 e na tabela 5 podem observar essas proporções segundo o momento do corte (no sorgo Granífero). • O possível conteúdo em taninos (variedade de sorgo) ou em glicósidos (momento do corte precoce). • A quantidade de terra (no momento da colheita, humidade no solo, etc.) para uma possível contaminação por Listéria. • A fase de produção do gado a que se fornece. Assim, as nossas recomendações para o emprego desta silagem em ovinos de leite vêm resumidas na tabela 6.

TABELA 6 Valores máximos para a silagem de sorgo em arroçoamentos de ovinos. Kg silagem tal qual /ovelha e dia

ORDENHA

2

AMAMENTAÇÃO

A silagem de sorgo é uma alternativa forrageira para os ovinos de leite em zonas áridas, uma vez que requer menos água do que o milho e, ainda que tenha menos produção forrageira, os seus valores nutricionais são adequados. Existem muitas variedades e híbridos do sorgo. Na Península Ibérica as mais utilizadas são as variedades híbridas com a Erva do Sudão. O momento do corte é fundamental na manutenção dos níveis nutricionais adequados. Existem limitações por cortes excessivamente precoces, devido à possibilidade do conteúdo em glicósidos tóxicos, e também por cortes excessivamente tardios com a consequente perda de valor nutricional. O momento ótimo é no estado leitoso-pastoso, com um conteúdo em matéria seca de 30 a 35%. Ao incorporar-se em dietas de ovelhas leiteiras, devem levarse em conta diversos critérios além do próprio valor nutricional.

2.5

MANUTENÇÃO

1.5

GESTAÇÃO

0.5

RECRÍA

0.5

Fonte: Sº Técnicos NANTA S.A.

GRÃO PASTOSO

GRÃO DURO

% TALO

25.1%

23.2%

% FOLHA

19.9%

12.9%

% PANÍCULA

55.0%

63.9%

30 Ruminantes julho . agosto . setembro 2013

RESUMO E conclusÕES

Fonte: Sorgo granífero

TABELA 5 Composição vegetal da silagem de sorgo.


ruminantes julho . agosto . setembro 2013 31


FORRAGEM

Luís Queirós Forage Additives Technical Support Manager Lallemand Animal Nutrition

Acha que não é necessário inocular

a Silagem de Milho? A realidade revela-nos o oposto – o problema da estabilidade aeróbica! A utilização de um Inoculante na silagem de milho capaz de aumentar a estabilidade aeróbica diminui significativamente as perdas de Matéria Seca.

De uma forma geral, podemos referir que, no processo de ensilagem de qualquer forragem, três parâmetros exercem grande influência na qualidade final da mesma, quer nutricional quer fermentativa: teor de Matéria Seca da

FIGURA 1 Utilização de tecnologia infravermelha (termografia) na detecção de problemas de estabilidade aeróbica em silagens de milho. A vermelho estão representados os focos de maior temperatura.

forragem em verde, de Proteína Bruta (PB) e de Açúcares Solúveis (HCS – Hidratos de Carbono Solúveis). O primeiro exerce influência direta nos últimos dois, sendo que, geralmente, uma fase mais avançada do ciclo de maturação da planta de milho leva a teores um pouco mais baixos de Proteína Bruta e Açúcares Solúveis. Essa influência é bastante mais notória em forragens como erva e luzerna, por exemplo, onde a fase de maturação da planta e consequente teor de Matéria Seca influencia dramaticamente o teor de PB e HCS. É um facto que a cultura de milho para silagem conjuga o melhor de todos os factores: • Matéria Seca geralmente equilibrada (30-37%); • PB em baixa percentagem (6-8%) – este facto leva a uma baixa capacidade tampão da forragem, isto é, uma baixa capacidade da planta em manter o pH inicial, sendo um factor benéfico, pois queremos, durante o processo de fermentação, uma descida rápida do pH; • Teor equilibrado em HCS (6-7%) – o teor de HCS é o suficiente para garantir, em condições ideais, uma correta acidificação da forragem, através da produção de Ácido Láctico, inicialmente, e a posteriori, em caso de aplicação de determinados inoculantes (iremos ver mais à frente), Ácido Acético e Propiónico.

32 Ruminantes julho . agosto . setembro 2013

No entanto, visto que nunca podemos controlar a população epifítica de bactérias, leveduras e fungos que entram juntamente com a planta no silo, a não ser que adicionemos um Inoculante, a mesma apenas terá a capacidade, e caso existam Bactérias produtoras de Ácido Láctico, de produzir este ácido. O Ácido Láctico é realmente muito importante na acidificação rápida da massa forrageira, levando a pH baixo num curto espaço de tempo, assim como um pH terminal reduzido. O problema principal na Silagem de Milho coloca-se, porém, a posteriori, ou seja, após a abertura do silo. A população epifítica não produz Ácido Acético e Ácido Propiónico, agentes anti-fúngicos essenciais para impedirem que, após a abertura do silo, a silagem aqueça, fruto da proliferação microbiana. Torna-se decisivo então a utilização de um inoculante que contenha bactérias capazes de, além de produzirem Ácido Láctico, produzirem também Ácido Acético e Ácido Propiónico. São estes ácidos que permitirão aumentar a estabilidade aeróbica, que é definida como o número de horas que uma determinada silagem se mantem estável após a abertura, sem que aqueça. Quando a temperatura se eleva mais do que dois graus comparativamente à temperatura ambiente, a estabilidade aeróbica termina. Na silagem de milho, as


FORRAGEM

maiores perdas tendem a verificar-se na fase de abertura, daí a importância da aplicação de um inoculante com bactérias heterofermentativas, como é o caso do LALSIL FRESH, que contém o Lactobacillus buchneri. O aumento de temperatura no silo está diretamente ligado às perdas elevadas de Matéria Seca que podem ocorrer. Estas serão tão maiores quanto mais elevada for a temperatura, dependendo também do teor de Matéria Seca da planta.

Control

lb1

lactato, %

6,7d

6,0e

4,9f

Acetato, %

2,2c

3,6b

3,9a

recuperação ms.

95,2

95,1a

94,2b

est. aeróbica, h

24

33

468a

perdas diárias de matéria seca (%) 20% M.S.

30% M.S.

50% M.S.

5

1,6

1,2

0,7

10

3,2

2,3

1,5

15

-

3,5

2,2

20

-

-

2,9

25

-

-

3,7

15ª Conferência Internacional de Silagem, 2009

As perdas de Matéria Seca dão-se, quase na sua exclusividade, às expensas dos constituintes nutritivos mais digestíveis, pelo que, além das perdas de Matéria Seca, a Digestibilidade da Matéria Orgânica será também menor.

TABELA 4 Análise nutricional da silagem de milho, à abertura e fim do silo.

Análise de silagem

ph alcool propileno glicol

aumento de temperatura DIG. MATÉRIA ORGÂNICA (%)

recuperação de EN-L (%)

Fresca

69

75

30-35

67

73

50-60

61

46

70-75

49

19

b

Foi efectuado em 2012/2013 um estudo bastante interessante que revela claramente o efeito benéfico da utilização do Inoculante Lallemand LALSIL FRESH na diminuição das perdas de Matéria Seca. Este estudo foi efectuado em França, numa vacaria de 75 animais, com 139 ha. A silagem de milho referente à campanha de 2012 foi totalmente pesada à entrada dos silos, e à sua abertura e posterior utilização, foi pesada toda a silagem retirada. A renovação da frente do silo foi efectuada de forma adequada, cerca de 15-20 cm por dia, em toda a frente. Mediu-se a densidade da silagem de milho/m3, sendo o seu valor de 210 kg de MS/m3.

matéria seca TABELA 2 Perdas na Digestibilidade da Matéria Orgânica e Recuperação de EN-L, mediante o aumento de temperatura da silagem.

temp. na silagem (ºC)

b

lb2

29 ensaios publicados LB1 ≤ 100,000 Cfu/g LB2 ≥ 100,000 Cfu/g Fonte: Kleinschmit and Kung 2003

TABELA 1 Perdas de Matéria Seca diárias da Silagem, dependendo do teor de Matéria Seca e aumento da temperatura da mesma. Aumento de temperatura na Silagem, acima da temperatura ambiente (ºC)

TABELA 3 Estabilidade aeróbica da Silagem com diferentes concentrações de L. buchneri.

A partir dos 35ºC o valor nutricional decresce. Fonte: Kung et al., 2008

O Inoculante Lallemand LALSIL FRESH, específico para silagem de milho, contém a bactéria patenteada NCIMB 40788 Lactobacillus buchneri, e na concentração de 300.000 CFU/g de forragem. É um facto que a estirpe tem muita importância na escolha de um inoculante, mas no caso desta espécie, a concentração da mesma é também determinante, conforme revela a tabela seguinte. A utilização de uma concentração mais elevada de L. buchneri permite resultados mais consistentes, acima de tudo em condições de ensilagem exigentes.

unidades

abertura silo (02/11/2013)

fim silo (09/01/2013)

G/100G

35,9

33,5

-

4

3,6

G/KG

9,78

11,91

G/100G

2,2

2,4

Leveduras

1G

-

<10

fungos

1G

-

<10

Reduções importantes de Perdas As perdas de Matéria Seca medidas em diversos estudos referem o valor de cerca de 16%, para densidades de 210 kg MS/m3. No entanto, as perdas reais verificadas neste ensaio foram bastante inferiores, situando-se nos 5,9%, revelando os efeitos claros do Inoculante LALSIL FRESH.

Densidade, Kg MS/m3

160

Perdas de MS aos 180 dias, da MS colhida

20,2

192

18,2

210

15,7

255

15,1

285

13,4

340

10,0 Fonte: Ruppel, 1992

ruminantes julho . agosto . setembro 2013 33


FORRAGEM

Recomendações finais

Perdas reais vs Perdas teóricas de Matéria Seca

Entrada de oxigénio

No ensaio, o peso da silagem à colheita foi de 203 tons de MS, e o peso à saída do silo foi de 191 tons de MS, perfazendo uma diferença de 12 tons. A um valor médio de 120 euros/ton. MS de silagem de milho, e com uma diminuição das perdas de Matéria Seca na ordem das 19 toneladas (diferença entre 5,9 e 15,7% de perdas), o agricultor recuperou mais de 2200 euros, sendo este o Retorno do Investimento promovido pelo Inoculante Lallemand LALSIL FRESH. 20 15 10 5 0

Perdas teóricas de MS Perdas reais de MS

instabilidade

Este problema é causado por uma entrada contínua de oxigénio.

Este problema é causado pelo processo de reaquecimento da silagem, por exposição ao ar.

A curto prazo

A curto prazo

• Verifique a cobertura do silo (tape orifícios e ajuste o plástico junto às paredes do silo); • Adicione peso acima do plástico; • Renove diariamente a frente do silo.

• Acelere, se possível, a renovação diária do silo; • Não cubra a face do silo com o plástico; • Mantenha peso no topo do silo, principalmente junto à face de renovação.

A longo prazo (novo silo)

A longo prazo (novo silo)

• Melhore o processo de compactação e cobertura do silo (mais peso, melhor protecção lateral); • Utilize uma barreira de oxigénio; • Utilize um Inoculante específico para a silagem de milho, e que contenha a bactéria L. buchneri na concentração ideal, como o LALSIL FRESH.

• Melhore o processo de compactação e cobertura do silo (mais peso, melhor protecção lateral); • Utilize uma barreira de oxigénio; • Utilize um Inoculante específico para a silagem de milho, e que contenha a bactéria L. buchneri na concentração ideal, como o LALSIL FRESH.

Green Earth: o projeto para um planeta mais verde Muitos anos de experiência e uma extensa pesquisa ensinaram à Barenbrug quais as culturas e misturas que podem contribuir para o uso sustentável e a gestão das gramíneas. A Barenbrug tem feito esforços para criar uma gestão das gramíneas mais sustentável, introduzindo o GreenEarth. A Barenbrug formulou quatro requisitos para as suas misturas de gramíneas GreenEarth. Se não cumprirem esses requisitos

não são elegíveis para receber a marca de qualidade da sustentabilidade GreenEarth. Uma etiqueta GreenEarth significa que a gramínea atinge uma contagem muito elevada em pelo menos um dos seguintes aspectos: • Reduzida utilização de água. • Reduzida utilização de fertilizantes. • Reduzida utilização de herbicidas e fungicidas. • Reduzido corte.

Todas as culturas e misturas com a marca de qualidade GreenEarth foram testadas de forma independente por institutos de pesquisa em todo o mundo. A Barenbrug sabe como as suas variedades crescem com menos água e menos fertilizante, e exatamente o quanto de biomassa que essas variedades produzem. Descobriu-se que entre variedades, há uma diferença significativa na produção de

folhas. Menor produção de folhas resulta em menos cortes. Os produtos Barenbrug com a marca de qualidade GreenEarth incluem Bar Fescue (Plus), Solide, Bar Duo Bent e WaterSaver. No desenvolvimento da GreenEarth, a Barenbrug espera contribuir positivamente para um planeta verde em que as gerações futuras possam ser capazes de continuar a praticar desporto e desfrutar de atividades recreativas.

na Irlanda do Norte. A produção desta gramínea faz parte de um programa de melhoramento que está em curso atualmente a cargo da

AFBI e da Barenbrug. No seu discurso, Johnston diz: “Esta é a primeira vez que uma variedade de gramínea forrageira

A variedade Dromara ganha pontos na Holanda Foi adicionada uma nova variedade de gramínea na Lista de Recomendação Holandesa de 2013. Esta introdução foi anunciada

por David Jonhston, da AFBI, referente à nova tetraploide variedade de azevém perene tardio chamada Dromara, produzida em Loughgall,

34 Ruminantes julho . agosto . setembro 2013


atualidades

proveniente da Irlanda do Norte foi adicionada à Lista Holandesa. Isso abre novos mercados para os nossos programas de melhoramento, especialmente nos países do Benelux. Jonhston continua: “a Dromara define um novo e elevado nível de resistência à ferrugem, a qual é um atributo muito importante, na Holanda. O crescimento de

primavera é excelente, com altos rendimentos totais de forragem de qualidade”. David Johnston concluiu: “Com os custos da alimentação animal em constante alteração, o valor de gramíneas forrageiras de alta qualidade é cada vez mais apreciado pelos agricultores holandeses e isso irá conduzir uma forte demanda comercial para Dromara”.

forragens Barenbrug dominam as Listas de Recomendações oficiais europeias Sempre que uma lista oficial de variedade é publicada, as emoções ficam à flor da pele. Embora se tenha confiança de que as novas variedades, exaustivamente testadas, terão um bom desempenho nos testes oficiais, é importante obter a “confirmação” dos institutos de testes. As variedades da Barenbrug podem ser encontradas na parte superior das listas oficiais em cada segmento importante. Nos últimos anos, essas novas variedades estabeleceram um novo padrão na Europa. O melhor exemplo é o azevém perene, que domina em países como a Alemanha, a Irlanda e a Holanda. A variedade Barpasto, um azevém perene tetraploide tardio, é o número 1 na Alemanha para a produção total e para o primeiro corte. Já na Irlanda, duas variedades diploides tardias, a Drumbo e a Tyrella estão no topo da Lista de Recomendação. A posição da Barenbrug na Holanda é ainda mais esmagadora com a Dromara sendo o azevém tetraploide

número 1 e a Barimero o diplóide número 1. O mesmo desenvolvimento pode ser observado com relação a outras espécies. A nova variedade de festuca alta folheada Bardoux é a que exibe o maior rendimento em França. A Adremo, uma variedade de gramínea forrageira das regiões temperadas, extremamente palatável, foi colocada no topo da lista francesa. Em luzerna, também a posição da Barenbrug é tradicionalmente forte, a nova variedade Artemis supera toda a concorrência. A produção vegetal é um processo a longo prazo, e os primeiros resultados só estão a começar a aparecer agora, porém ainda há muito mais por vir. A história por trás deste sucesso é que os estudos científicos feitos pela Barenbrug implementam novas técnicas e práticas na produção vegetal há longos anos. A Barenbrug tem na sua mira o futuro e tem projetados novos lançamentos de listas oficiais de variedades já nos próximos meses.

ruminantes julho . agosto . setembro 2013 35


forragem

carlos flecha Provimi Iberia - departamento de ruminantes cflecha@pt.provimi.com

Acondicionamento da SILAGEM de MILHO Gestão e resolução de conflitos escrito por Kurt Ruppel, Traduzido e adaptado por Carlos Flecha, Provimi Iberia

Conflito Fazer a silagem de milho antes que ela fique muito seca e sem que chova pois aí fica demasiado húmida. O milho perde-se por chuvadas fora de época ou outros incidentes meteorológicos.

Densidade (lbs de MS/ft2)

MS perdida aos 180 dias (% da MS ensilada)

10

20,2

14

16,8

16

15,1

18

13,4

22

10,0

Fonte: Ruppel, et al. JDS 78:141-153, 1995.

TABELA 1 Perda de matéria seca infuenciada pela densidade da silagem.

É preciso tempo para embalar corretamente a silagem, e o tempo é um bem escasso nos dias de hoje. Compreender tanto o que é necessário para acondicionar corretamente e as consequências de não o fazer é fundamental para resolver o conflito. A penalização para as bolas “frouxas”, por baixa densidade da silagem de milho é dupla: 1. Quebras de quantidade e valor nutritivo; 2. Maior necessidade de espaço para o armazenamento.

Quebras Quando a silagem é feita, o oxigénio é o inimigo. Silagem de milho picada fresca é como um “bombom” de açúcar e outros nutrientes valiosos, que bactérias aeróbicas (os que requerem oxigénio) rapidamente convertem em calor, dióxido de carbono e água através de um processo conhecido como respiração. Conseguir a remoção do oxigénio, na pilha da silagem de milho picada e fresca, tão rápida e eficazmente quanto possível, permite que as bactérias anaeróbicas (que odeiam o oxigénio) da silagem convertam o açúcar em “silagem ácida” e assim permitam a preservação dos restantes nutrientes. Quando o oxigénio permanece na silagem, possibilitamos que seja usado na respiração, cuja consequência são altas quebras do seu valor quantitativo e qualitativo.

36 Ruminantes julho . agosto . setembro 2013

O valor destas quebras é muitas vezes determinado pelas toneladas perdidas vezes o valor da silagem. No entanto, os nutrientes menos valiosos são deixados para trás neste processo. Aqueles que se perdem são os mais valiosos, assim, o valor por tonelada perdido é, na verdade, muito maior do que o valor de todo o milho para silagem. Se tivermos 5.000 ton de silagem de milho, valorizadas a 50 €/ton, uma perda de 7% em MS corresponde a um total de 17.500 €. No entanto, se considerarmos esta perda, em termos dos nutrientes perdidos, que podemos valorizá-los em 200 €/ton, a perda é ainda mais significativa, situa-se em torno dos 70.000 €.

Necessidade de mais espaço para armazenamento O capital necessário para construir blocos ou paredes para armazenar silagem é um investimento significativo. Se considerarmos o valor do investimento por tonelada de silagem armazenada facilmente verificamos que aumenta quando a densidade adequada não é obtida. Continuando a usar, para efeito de cálculo, as nossas 5.000 ton de silagem de milho, se partirmos de um silo com 20 pés (6 metros) de altura e 75 pés (22,8 metros) de largura, para armazenar a nossa silagem com uma


forragem

densidade de Matéria Seca (MS) na ordem das: a. 18 Libras (8,16 kg) por pé cúbico vamos precisar de 130 pés de comprimento (40 metros); b. 15 Libras (6,8 kg) por pé cúbico vamos precisar de 155 pés de comprimento (47 metros); c. 11 Libras (8,16 kg) por pé cúbico vamos precisar de 201 pés de comprimento (61 metros). NOTA: (1 pé cúbico = 0,028 metro cúbico)

Claro que subindo a pilha, ganhando o silo mais em altura, não precisaremos de mais comprimento; contudo estaremos simplesmente a aumentar as perdas proporcionais. Fazer uma pilha sobre outra aumenta as dificuldades, a exposição ao oxigénio, o tempo de armazenamento e reduz a densidade. Como resolver este conflito?

Resolução do conflito Do acima exposto fica claro o interesse em conseguirmos obter silagens com a densidade adequada. Só assim poderemos evitar as perdas provocadas pelas quebras de quantidade, qualidade e pelas necessidades acrescidas de capital para a construção. São três os factores que mais afectam a densidade de silagem: 1. O tempo gasto na compactação e a relação entre o peso do trator e a quantidade de silagem (trazida por carrada) para o silo; 2. A espessura da camada solta de silagem sob as rodas do trator; 3. A altura da pilha da silagem. Na Tabela 2, estas relações bem conhecidas são calculadas para um cenário de enchimento de silo na ordem das 70 ton/hora.

Profundidade silo

camada silagem

trator capacidade de transporte

70K

50K hr-lbs/ton

30K 429

1000

714

8’

6’’

16,3

13,9

11,5

12’

6’’

17,2

14,7

12,0

16’

6’’

18,2

15,5

12,8

8’

12’’

12,1

10,9

9,7

12’

12’’

12,8

11,5

10,2

16’

12’’

13,5

12,1

10,8

Quanto maior for o factor de enchimento, mais diminuto o efeito da camada solta sob as rodas e mais alta a pilha, maior a densidade da silagem alcançada. O número utilizado para descrever o tempo de armazenamento e o peso do trator em relação à velocidade de enchimento é o da silagem hora-libras por tonelada. Se estivermos a usar tratores que possibilitem adicionar carga até 70.000 libras com uma velocidade de enchimento do silo a uma taxa de 70 toneladas por hora, estaremos a conseguir armazenar a silagem a 1.000 horas-libras por tonelada. Na Tabela 2, poderemos ver que se conseguirmos atingir as 1.000 horas-libras por tonelada, poderemos alcançar silagens com densidades de MS mais altas. Com as taxas de enchimento de hoje, é mais viável e comum atingir 800 horas quilos por tonelada no enchimento; sendo razoável, constitui ainda um desafio em muitas situações. Quando ficamos com taxas de enchimento de 100 a 200 ton/hora, é impossível colocar tratores suficiente na pilha para chegar perto das 800 horas-libras por tonelada.

Coordenação dos tratores Quando o ritmo de chegada dos camiões de silagem é de forma a atingir as 700 horas-libras e, queremos evitar que o milho fique em “espera” e exposto a qualquer perigo, pode ser necessário a utilização de 3 a 5 tratores. Tem que se espalhar cada carga finamente e rapidamente, a fim de atingir as densidades de silagem necessárias para evitar sérios custo adicionais à alimentação ao armazenamento. Nas explorações de maior sucesso trabalha-se de modo a espalhar cada carga finamente e rapidamente. Só assim, conseguem atingir as densidades de silagem necessárias para evitar o agravamento adicional dos custos com alimentação e o armazenamento.

TABELA 2 - Densidade de matéria seca. Fonte: Picado a 70 toneladas por hora; adaptado de Muck e Holmes (1999); por Ruppel.

ruminantes julho . agosto . setembro 2013 37


economia

entre a estabilização e a baixa

observatório

De momento, os cereais parecem atravessar um período onde o que seria de esperar está a acontecer. por paulo costa e sousa

A colheita de cereais praganosos está à porta, não havendo por enquanto nenhum motivo especial para preocupações sobre o seu desenrolar. As previsões apontam para uma boa colheita na generalidade dos casos, tanto na Europa de Leste como Ocidental, bem como nos EUA. Se bem que as notícias de mau tempo tenham vindo a ensombrar a Europa Central, tudo parece ainda apontar para um pacífico início de colheita. Na vizinha Espanha, as perspetivas de uma produção de cevada a rondar os 9 milhões de toneladas (em 2012 situou-se abaixo de 6 milhões), a par com uma produção de trigo de 6.5 milhões de toneladas, farão baixar drasticamente as importações de cereais, afrouxando a procura na zona Mediterrânica—, situação da qual Portugal poderá beneficiar. Estamos assim numa situação em que todo o mercado espera o início das colheitas para que essa baixa se possa materializar. Curiosamente, e apesar de tão boas perspetivas, o mercado de

trigo forrageiro para a nova colheita parece ter encontrado desde há algum tempo um patamar, como que tivesse medo de assumir essa boa perspetiva, possivelmente porque a estes preços a procura asiática parece dar um bom suporte. Infelizmente, os padrões de chuva muito perto da colheita podem fazer com que este cenário mude drasticamente, não só em quantidade, mas sobretudo em qualidade; parece uma boa altura para acompanhar muito de perto os boletins meteorológicos das principais zonas de produção e tomar as decisões de compra consoante o desenvolvimento do padrão climático. Quanto à outra estrela do mundo dos cereais, o milho, este também não parece para já afetado. As áreas semeadas, quer nos Estados Unidos quer no resto do mundo, se bem que atrasadas, não parecem ter ficado drasticamente inferiores às esperadas inicialmente, e com a ideia de um Verão ameno, para já nada de particular ameaça o seu bom desempenho. Mais uma

38 Ruminantes julho . agosto . setembro 2013

vez os mercados, apesar de terem tido em consideração este fenómeno, não parecem para já com muita vontade de baixar os preços duma forma radical; a memória que, por vezes é curta, parece desta vez reter as imagens do ano passado; pelo que, apesar de o milho já ter apresentado valores interessantes para a nova colheita, estes parecem de momento estacionados nos mesmos níveis. Nas proteínas, o tão ambicionado preço baixo parece nunca mais chegar. Os embarques difíceis da América do Sul e as excelentes margens de extração pelas empresas locais fazem com que o bagaço importado nunca chegue a preços consonantes com as expetativas. Possivelmente esse dia chegará, mas não está para amanhã. Teremos possivelmente que ver as colheitas do hemisfério Norte, bem como a chegada de bagaços do Leste da Europa, para podermos ver alguma movimentação significativa nestes produtos.


economia

Evolução do preço de matérias primas (em Euros/tonelada) Preços semanais de 14 de março 2011 a 21 de junho 2013

milho

cevada

€/ton

€/ton

17 a 21 de junho

17 a 21 de junho

trigo

bagaço de soja

€/ton

€/ton

17 a 21 de junho

€/ton

bagaço de colza

17 a 21 de junho

€/ton

bagaço de girassol

17 a 21 de junho

17 a 21 de junho

Fonte: www.revista-ruminantes.com

Evolução do preço do preço médio de alimentos compostos para animais (em Euros/tonelada)

vacas leiteiras em produção

novilhos de engorda

€/ton

€/ton

meses

meses

Fonte: IACA

ruminantes julho . agosto . setembro 2013 39


economia

perspetivas do mercado leiteiro

observatório por felipe de almeida Fontes: USDA, INE, CLAL

A produção de leite na Europa atingiu o seu pico sazonal no mês de Maio. Porém, verificou-se que esse valor máximo é mais baixo quando comparado com o mesmo período produtivo do ano passado. Os motivos principais para esse declínio produtivo observado são: as más colheitas de forragens, quer em termos de quantidade, quer em termos de qualidade das culturas forrageiras, os custos elevados com a alimentação animal no que diz respeito ao preço das rações industriais, e o preço do leite. Esses factores não são impulsionantes da produção leiteira. Mais ainda, as condições climáticas, a saber uma primavera com temperaturas baixas e níveis de pluviosidade elevados, atrasou a entrada dos animais nas pastagens e a alimentação com forragens frescas dos animais em produções intensivas. Embora este último trimestre de 2013 não tenha dado indícios de melhorias, é possível uma recuperação da produção leiteira durante o segundo semestre do corrente ano. Pode ser que até ao início do verão a produção de forragem aumente. É expectável que o preço do concentrado e seus componentes sofram uma ligeira

baixa. Todos esses factores em conjunto reúnem as condições para que a produção leiteira europeia cresça, principalmente com o aumento do preço do leite. Ao contrário do observado em anos passados, no primeiro trimestre de 2013 não se verificaram preços de leite reduzidos. Na esperança de melhorias económicas e de um clima favorável, confia-se que a produção leiteira europeia possa aumentar no próximo trimestre. Porém, não se espera que o poder de exportação da Europa siga esse aumento. Os EUA surgem num cenário paralelo ao observado na Europa. A produção de leite americano tem estado estagnada, porém, prevê-se que ocorra um pequeno desenvolvimento, acompanhado sempre pelo declínio sazonal. A Nova Zelândia e a Austrália são grandes exportadores e o declínio da sua produção leiteira, que tem vindo a ocorrer ao longo de vários anos sucessivos, não consegue ser impedida pelo mercado internacional. Muito pelo contrário, verifica-se a mesma tendência em muitos outros grandes mercados exportadores mundiais. Com isso, não se prevê que a Oceânia consiga

40 Ruminantes julho . agosto . setembro 2013

produzir volumes para exportação significativos antes do final de setembro, principalmente devido ao grande impacto das secas que assolam estes países, principalmente a Nova Zelândia. Tendo em conta que, na generalidade mundial, a produção leiteira diminuiu, não é difícil de compreender que apenas é possível um pequeno aumento nas trocas internacionais de produtos lácteos. Tendo em conta que a conjuntura de produção mundial está em declínio e a diminuição do poder exportador dos grandes produtores é de se esperar que os preços dos produtos láteos mantenham-se em altos níveis, pelo menos até ao final do outono.

Portugal Acompanhando o cenário mundial, a produção leiteira em Portugal apresentou decréscimos no segundo trimestre do presente ano. Os custos de produção mantêm-se elevados e o mesmo se passa com os custos relacionados com a alimentação animal. O clima vivido durante esta primavera é, por um lado, preocupante. A pluviosidade


economia

Leite de vaca recolhido ton 180 000 170 000 160 000 150 000 140 000 130 000 mar 11 abr 11 mai 11 jun 11 jul 11 ago 11 nov 11 dez 11 jan 12 fev 12 mar 12 abr 12 mai 12 jun 12 jul 12 ago 12 set 12 out 12 nov 12 dez 12 jan 13 fev 13 mar 13

excessiva foi acompanhada do aumento dos caudais descarregados pelas barragens, provocando várias situações de cheias. Essas ocorrências resultam em atrasos nos trabalhos de preparação dos terrenos para as sementeiras e plantações das culturas de primavera/verão, prevendo-se uma diminuição da área total semeada face a 2012. Por outro lado, essa disponibilidade hídrica e o aumento das temperaturas favoreceu o crescimento de pastagens e de culturas forrageiras. Isso faz com que a utilização de concentrados para a alimentação animal esteja quase e exclusivamente restringidas aos sistemas intensivos, fazendo com que a utilização de palhas, silagens e fenos se encontre dentro da normalidade. Infelizmente, as previsões meteorológicas para os próximos meses não são muito favoráveis. Um tempo frio e húmido pode diminuir a qualidade das forragens e consequentemente provocar um aumento no preço do concentrado, aumentando os custos de produção e travando os avanços produtivos esperados.

Leite de vaca para consumo ton 180 000 170 000

preço do leite standardizado (1) média dos ultimos 12 meses (4)

Milcobel

35,84

31,97

Alois Müller

33,94

31,53

Humana Milchunion eG

33,11

31,5

Nordmilch

33,11

31,44

bélgica

alemanha

Dinamarca Finlândia

França

Arla Foods

33,65

34,46

Hameenlinnan Osuusmeijeri

40,79

44,31

Bongrain CLE (Basse Normandie)

32,94

33,23

Danone

32,80

33,40

Lactalis (Pays de la Loire)

30,59

32,42

Sodiaal

33,48

33,51

Dairy Crest (Davidstow)

32,66

35,35

First Milk

30,72

32,10

Inglaterra

Glanbia

35,04

31,48

Kerry

34,98

31,02

Granarolo (North)

40,24

40,49

Irlanda Itália Holanda

DOC Kaas Friesland Campina

Preço médio leite (2) Suiça

Emmi A.G.

33,23

35,36

34,16

33,95

44,93

46,73

Nova Zelândia

Fonterra

30,33

29,60

EUA

EUA (3)

33,33

34,18

(1) Preços sem IVA, pagos ao produtor; Preço do leite de diferentes empresas leiteiras para 4,2% de MG e 3,4 de teor proteico • (2) Média aritmética (3) Ajustado para 4,2% gordura, 3,4% proteina e contagem de células somáticas 249,999/ml • (4) Inclui o pagamento suplementar mais recente

140 000 130 000

leite à produção Preços médios mensais em 2013 meses

33,57

33,64

Fonte: LTO

150 000

mar 11 abr 11 mai 11 jun 11 jul 11 ago 11 nov 11 dez 11 jan 12 fev 12 mar 12 abr 12 mai 12 jun 12 jul 12 ago 12 set 12 out 12 nov 12 dez 12 jan 13 fev 13 mar 13

preço do leite (€/100kg) abril 2013

2012

companhia

2013

países

160 000

eur/kg

teor médio de matéria gorda (%)

teor proteico (%)

Contin.

Açores

Contin.

Açores

Contin.

Açores

abril

0,318

0,296

3,75

3,61

3,24

3,20

maio

0,,312

0,299

3,71

3,65

3,21

3,19

junho

0,294

0,287

3,66

3,71

3,18

3,11

julho

0,293

0,285

3,65

3,70

3,18

3,09

agosto

0,294

0,290

3,66

3,8

3,19

3,09

setembro

0,288

0,317

3,69

3,87

3,23

3,13

outubro

0,292

0,320

3,78

3,94

3,30

3,17

novembro

0,312

0,324

3,91

3,98

3,37

3,23

dezembro

0,312

0,323

3,91

3,97

3,33

3,20

janeiro

0,320

0,319

3,86

3,88

3,32

3,13

fevereiro

0,321

0,318

3,86

3,78

3,31

3,14

março

0,322

0,316

3,79

3,84

3,32

3,17

abril

0,337

0,312

3,75

3,73

3,27

3,21

Fonte: SIMA Gabinete de Planeamento e Políticas

ruminantes julho . agosto . setembro 2013 41


economia

antónio moitinho rodrigues Investigador do International Farm Comparison Network (IFCN) amrodrig@ipcb.pt

explorações leiteiras

perspetivas pouco animadoras International Farm Comparison Network – Dairy Report 2012 O IFCN (International Farm Comparison Network) é um consórcio internacional criado em 1997, coordenado pelo IFCN Dairy Research Center, centro de investigação ligado à Universidade de Kiel, Alemanha. Inclui investigadores e consultores que desenvolvem a sua atividade na área da produção e transformação de leite. Desde 2000 que publica um relatório anual que caracteriza o setor leiteiro a nível mundial. O IFCN Dairy Report publicado em outubro de 2012 caracteriza a fileira do leite em 91 países representando 97,5% da produção mundial de leite de vaca e de búfala. Portugal faz parte deste consórcio internacional desde 2007 por intermédio do intercâmbio técnico e científico com a Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Castelo Branco.

Países maiores produtores de leite No sentido de tornar comparável a produção de leite entre os diferentes países o IFCN criou um indicador padronizado, o leite corrigido para a energia (ECM), utilizando a fórmula ECM = produção de leite X (0,383 X % de gordura + 0,242 X % de proteína + 0,7832) / 3,1138. O IFCN Dairy Report 2012 estima que em 2011 apenas 62% da produção mundial de leite terá sido

entregue aos processadores de leite. Os restantes 38% foram consumidos nas explorações ou vendidos informalmente. Os 20 países maiores produtores e transformadores de leite representam 77,7% da produção mundial e 78,4% da transformação mundial de leite. Os 5 maiores produtores de leite foram a Índia, os EUA, o Paquistão, a China e o Brasil representando 45,6% da produção mundial de leite. Os 5 países que mais leite processaram em 2011 foram: EUA, Alemanha, China, França e Índia representando 42,7% da transformação mundial de leite.

com implantação internacional que processa 3,0% da produção mundial de leite. Seguem-se a Dairy Farmers of America dos EUA (2,4%), o Groupe Lactalis (Parmalat) de França (2,1%), a Néstle da Suíça (2,1%) e a Dean Foods dos EUA (1,7%).

Custo de produção de leite em 2011 Desde 2000 que o IFCN tem vindo a comparar explorações tipo em todo o mundo. Em 2012 foram analisadas, em termos

Top 20 dos países maiores produtores e transformadores de leite (milhões de toneladas) (IFCN, 2012) Top 20

Empresas que processam mais leite O IFCN Dairy Report 2012 mostra as 20 maiores empresas, em termos de volume de negócios, associadas à transformação do leite. No seu conjunto, aquelas empresas processaram 24% da produção total de leites de vaca e búfala. Verifica-se que 50% das empresas têm origem na Europa, 30% nos EUA/Canadá e 20% noutras regiões do mundo onde se inclui a Nova Zelândia (Oceania). Metade das organizações são cooperativas e a outra metade são empresas privadas. A maior transformadora mundial é a Fonterra Co-operative Group, organização Neozelandesa

42 Ruminantes julho . agosto . setembro 2013

económicos, 171 explorações tipo localizadas em 61 regiões de 51 países. A recolha dos resultados foi feita por investigadores dos diferentes países e por investigadores do IFCN Center em Kiel e a sua validação ocorreu durante a Conferência da IFCN realizada em junho de 2012. Os custos da produção de leite variaram entre 5 USD/100 kg em sistemas extensivos de produção de leite nos Camarões e 100 USD/100 kg numa exploração de média

País

1 India 2 EUA 3 Paquistão 4 China 5 Brasil 6 Alemanha 7 Fed. Russa 8 França 9 N. Zelândia 10 Reino Unido 11 Holanda 12 Turquia 13 Polónia 14 Argentina 15 Itália 16 México 17 Ucrânia 18 Austrália 19 Irão 20 Canadá Produção mundial

Produção de leite (ECM)

Produção de leite

Leite entregue à indústria (ECM)

Leite entregue à indústria

137,5 84,3 41,6 33,9 32,0 31,1 30,1 25,2 21,3 14,1 12,7 12,2 12,0 11,4 11,3 11,1 10,2 9,8 9,8 8,9 721,4

121,2 89,0 35,6 37,4 33,0 30,3 31,7 25,3 18,9 14,1 12,0 12,8 12,1 12,0 11,6 11,1 11,1 9,6 9,7 9,2 708,7

23,0 83,8 1,3 29,2 21,8 30,1 15,5 24,6 21,3 13,8 12,4 6,7 8,9 10,2 10,5 7,7 4,3 9,5 7,2 8,6 447

20,5 88,5 1,1 32,8 22,5 29,3 16,4 24,7 18,9 13,8 11,6 7,1 9,0 10,7 10,8 7,7 4,6 9,3 7,3 8,8 453,2

ECM - leite corrigido para a energia (ECM = produção de leite X (0,383 X % de gordura + 0,242 X % de proteína + 0,7832) / 3,1138).


economia

dimensão na Suíça. A média de custos em todos os países analisados foi de 45 USD/100 kg leite. Os 51 países analisados podem ser agrupados em: 1 - países com custos de produção de leite inferiores a 30 USD/100 kg, Argentina, Chile, Peru, Indonésia, Paquistão e países da África Central; 2 - países com custos entre 30-40 USD/100kg, Oceania, África do Sul, India e alguns países do Norte de África e da Europa de Leste; 3 - países com custos entre 40-50 USD/100 kg, EUA, Brasil, Reino Unido, Irlanda, Marrocos e Tunísia; 4 - países com custos de produção superiores a 50 USD/100 kg, a maior parte dos países da Europa Ocidental também a Polónia, México, Colômbia, Israel, Jordânia, Irão, Turquia, China, Japão e Coreia do Sul. O Dairy Report 2012 refere que em 2011, os custos de produção aumentaram em média 5 USD/100 kg de leite, influenciados pelo aumento em 38% dos custos da alimentação animal, pelos fortes aumentos dos salários dos trabalhadores nos países emergentes e pelos aumentos nos preços da energia e dos fertilizantes. Prevê-se que em 2012, os custos de produção aumentem 5% em relação a 2011 como

consequência dos elevados preços dos alimentos para animais e dos aumentos dos custos da energia e da terra. Como o preço médio mundial do leite caiu 24% entre janeiro a agosto de 2012, em relação ao mesmo período de 2011, perspetivase uma diminuição na rentabilidade das explorações leiteiras durante o ano 2012.

obtido pelo quociente entre o preço do leite e o preço do alimento for inferior a 1,5 significa que a rentabilidade da exploração pode estar ameaçada e se for igual ou inferior a 1 estamos perante um indicador insustentável, altamente desfavorável para o sucesso económico da exploração.

Conclusão

Índice IFCN para os preços do leite e dos alimentos O indicador IFCN para o preço da alimentação é um indicador chave que recorre aos preços de duas matériasprimas muito utilizadas em todo o mundo para a produção de alimentos compostos para vacas leiteiras. O cálculo do preço da alimentação obtém-se para um concentrado tipo com 30% de bagaço de soja e 70% de milho grão. O indicador IFCN para o preço do leite é obtido a partir dos preços do leite em pó desnatado e da manteiga (35%), do preço do queijo e do soro do leite (45%) e do preço do leite em pó (20%). Para o IFCN, o resultado do quociente entre o preço do leite e o preço do alimento deverá ser igual ou superior a 1,5. Se o valor

O Dairy Report 2012 refere que desde julho de 2012 o preço do concentrado foi superior ao preço do leite, originando um índice inferior a 1. Isto significa que, a nível mundial, a economia das explorações leiteiras tem estado sujeitas a uma intensa e insustentável pressão económica, situação que resulta dos elevados preços da soja e do milho no mercado internacional. O mesmo documento sugere que as explorações que utilizam elevados níveis de alimentos concentrados na produção de leite são as mais sensíveis ao aumento dos preços das matérias-primas propondo a maior utilização de forragens produzidas na própria exploração como forma de reduzir os custos da produção de leite.

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QUALIDADE

José Caiado médico veterinário, Dairy consulting jose.pires.caiado@gmail.com

QUALIDADE DA ÁGUA DE BEBIDA

PARA RUMINANTES Que parâmetros de análise pedir ao laboratório ? PARTE 1 A água é um dos nutrientes mais críticos necessários à produção de leite. A água pode limitar a produtividade e a saúde das vacas leiteiras seja porque o maneio do abeberamento é incorreto, seja porque as suas características físico-químicas e bacteriológicas interfiram com o metabolismo animal limitando a performance produtiva. Um estudo muito interessante e recente da Universidade de PennState (EUA) verificou que em 25% das explorações leiteiras a água de bebida tinha pelo menos um problema de qualidade. Os mais frequentes diziam respeito aos teores de sódio, cloretos e sulfatos. E mais importante, concluiu que a produção de leite nas explorações-problema era cerca de 10% mais baixa do que no grupo das explorações cuja água se confirmou ser de boa qualidade. Apesar da sua importância para a produção e para o bem-estar animal a qualidade da água é muitas vezes não equacionada, sujeita a controlo regular, e mesmo esquecida quando surgem problemas. É comum apenas pensarmos na água quando um problema de difícil diagnóstico bate à porta. Todas as explorações pecuárias devem, por imperativo legal, e pelas razões acima expostas, dispor de análises

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atualizadas da água de bebida sempre que esta é proveniente de captações próprias e não da chamada água da rede de distribuição pública destinada ao consumo humano. A atual DGAV ( Direção Geral de Alimentação e Veterinária) editou no final de 2011 um Guia de Boas Práticas intitulado “Água de Qualidade Adequada para Alimentação Animal” e que se encontra disponível em www.dgav.pt . Trata-se de um documento esclarecedor e de grande ajuda destinado a toda a fileira da produção pecuária e cuja consulta recomendamos. Apesar disto verifica-se da nossa prática diária com produtores pecuários observar resultados de análises de água cuja diversidade de parâmetros analisados é grande e, questão mais grave, parâmetros que nem sempre acrescentam valor real a uma correta avaliação da qualidade da água adequada ao abeberamento dos animais. Consultando o referido Guia da DGAV observa-se uma enorme diversidade de parâmetros utilizáveis para o controlo regular da qualidade da água. O Guia não especifica obrigatoriedade para nenhum parâmetro concreto. Caso todos eles fossem solicitados ao laboratório o seu resultado teria um

custo exorbitante e descabido face às necessidades objectivas da produção e nem por isso poderiam ajudar mais que um pacote de parâmetros básicos e focados na espécie animal e/ou modo produtivo em concreto. Coloca-se então em termos práticos a questão de saber qual o conjunto de parâmetros de análise que em termos de custo-benefício melhor ilustram o efetivo controlo da qualidade da água destinada aos ruminantes em geral e darão bom cumprimento ao espirito do legislador. Qual seria por conseguinte o que eu designaria por pacote básico (PB) de parâmetros de análise que nos garante uma informação abrangente, objectiva e fiável da qualidade da água usada numa exploração pecuária de ruminantes? Na tabela ao lado detalha-se uma resposta a esta questão estando a azul os parâmetros incluídos no chamado PB considerado adequado para os ruminantes em geral. Apenas como informação orientativa o PB terá um custo aproximado de 60 € nos laboratórios nacionais privados consultados. O custo aproximado da análise individual ao cálcio, sódio, potássio, magnésio e ao cobre é de cerca de 7€. No caso das vacas leiteiras em


QUALIDADE

concreto e sempre que existam problemas metabólicos de difícil resolução no chamado período de transição pode ser adequado medir e controlar os iões envolvidos na quantificação da chamada Diferença Aniónica-Catiónica da Dieta (DCAD). No caso das explorações de ovinos é recomendável associar ao pedido do PB a determinação do cobre pois a espécie ovina é muito atreita a intoxicações por este elemento.

NOTA *CUSTO: Custo aproximado **DCAD-Diferença Aniónica-Catiónica da Dieta

AVALIAÇÃO DE QUALIDADE DA ÁGUA PARA RUMINANTES PARAMETROS DE QUALIDADE

pH

EFEITOS E/OU PERIGOS PARA A SAÚDE ANIMAL

Perturbações digestivas e da Eficiencia Alimentar

CUSTO*

2

Coliformes Totais UFC/100 ml Não quantificados.Parametro importante para a higiene da ordenha,etc

5.25

E.Coli UFC/100ml

Não quantificados

5.25

Clost. Perfringens UFC/100ml Não quantificados

5.25

Nitratos, ppm

Riscos de Toxicidade e menor fertilidade

7.5

Sulfatos, ppm*

Impacto sobre DCAD** e saúde na vaca em transição.Efeito laxativo

7.15

Cloretos, ppm*

Fezes mais húmidas.Impacto sobre o DCAD e a ingestão de água

7.15

Solidos Dissolvidos TT, ppm

Afecta sabor

4.5

Manganésio ( Mn ), ppm

Afecta sabor podendo reduzir ingestão de água

7.5

Ferro ( Fe ), ppm

Afecta sabor.Bloqueia outros minerais úteis.Depósito em equipamentos

7.5

Cálcio ( Ca ), ppm

Imapcto sobre DCAD.Calcificação de equipamentos

7.15

Potássio ( K ), ppm

Impacto sobre DCAD e saúde na vaca em transição

7.15

Magnésio ( Mg ), ppm

Impacto sobre DCAD e saúde na vaca em transição

7.15

Sódio ( Na ), ppm

Impacto sobre o DCAD.Fezes mais húmidas

7.15

Cobre ( Cu ), ppm

Potencial toxicidade em ovinos e vitelos aleitantes

7.1

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PRODUÇÃO

Stress térmico em vacas leiteiras

Com a chegada do verão e o aumento da temperatura do ar, surgem problemas associados ao stress térmico, que têm um impacto negativo nos parâmetros zootécnicos das explorações, nomeadamente quebras na produção, problemas reprodutivos e doenças metabólicas. por departamento técnico-comercial vitas portugal

Uma das definições de stress térmico é o momento a partir do qual os animais não são capazes de dissipar o calor corporal excessivo de forma a manter a temperatura corporal em valores normais e ocorre quando os animais são expostos a condições ambientais de elevada temperatura/humidade. Os bovinos reagem a estas mudanças através de alterações fisiológicas e comportamentais, como se pode verificar no quadro ao lado.

Consequências do stress térmico As alterações, quer fisiológicas quer comportamentais, têm consequências negativas a nível da performance produtiva e da performance reprodutiva e levam a uma diminuição da imunidade dos animais. A performance produtiva dos animais fica comprometida essencialmente pelo facto de haver uma diminuição da ingestão de matéria seca de 10 a 20%.

• cios pouco evidentes • cios mais curtos ↓ GnRH e LH

↓ Secreção estradiol ↓ taxa fertilização ↓ qualidade embrião

B.E.N.

Ambiente uterino comprometido

Morte embriinária

↓ Ingestão

Stress

Consequências do stress térmico

46 Ruminantes julho . agosto . setembro 2013

alterações fisiológicas e comportamentais NOS BOVINOS

Fisiológicas

Comportamentais

Maior fluxo sanguíneo para a pele

Mais tempo levantados

Menor fluxo sanguíneo para os órgãos internos

Procura de sombra e vento

Aumento da sudorese

Diminuição da ingestão de matéria seca

Aumento da temperatura rectal

Aumento da salivação

Aumento da frequência respiratória

Aumento da ingestão de água

Alteração da fermentação ruminal

Alteração da fermentação ruminal

Havendo produção de calor resultante da fermentação ruminal, a diminuição de ingestão é uma das formas que os animais têm de combater o aumento de temperatura corporal. No entanto este processo leva a que haja diminuição da ruminação e da actividade ruminal, contribuindo assim para uma perca de eficiência alimentar e aumento do risco de acidose ruminal. Este conjunto de factores é responsável por quebras de produção na ordem dos 15 a 25%, chegando a 45% em casos extremos. As elevadas temperaturas também trazem problemas a nível reprodutivo. A diminuição da ingestão e consequente balanço energético negativo, levam a uma diminuição da actividade hormonal, tendo como resultado a diminuição da duração e intensidade dos cios. Para além disso, a acidose metabólica resultante do aumento da frequência respiratória e o aumento do amoníaco sanguíneo resultante da alteração da fermentação ruminal, vão comprometer o ambiente uterino, havendo assim, um aumento de mortes embrionárias. As elevadas temperaturas também comprometem o bom funcionamento do sistema imunitário. Esta diminuição de imunidade leva ao aumento dos valores da contagem de células somáticas, mamites, metrites e problemas de patas. O aumento destes problemas sanitários é ainda potenciado pela utilização de aspersores, que aumenta os valores

de humidade nas explorações, criando assim o ambiente ideal para o aumento da população bacteriana.

As soluções Vitas Portugal De forma a minimizar os efeitos do stress térmico, os investigadores do Grupo Roullier desenvolveram VITACALOR, um alimento mineral da gama VITACOMPLEX. O VITACALOR tem como objectivo combater a diminuição da ingestão de matéria seca e fomentar a eficiência ruminal, para que não haja diminuição dos níveis produtivos e reprodutivos e também para que o sistema imunitário seja estimulado. Na sua composição, o VITACALOR tem um conjunto de substâncias tampão, minerais, antioxidantes, protectores hepáticos, óleos essenciais e extractos de plantas. De forma complementar, a administração de um complexo de vitaminas é fundamental neste período crítico. Assim, o BETAVIT, um complexo de vitaminas, aminoácidos e protectores hepáticos, preenche as maiores necessidades que os animais têm destes elementos quando se encontram em situações de stress. A Vitas Portugal continua a defender uma busca permanente de novas e mais adequadas soluções para os nossos clientes. Para mais informações e esclarecimentos, não hesite em contactar o técnico Vitas mais próximo de si.


atualidades

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PRODUÇÃO

Uso de técnicas reprodutivas

EM Vacadas de carne Cada vez mais se fala do uso de técnicas reprodutivas em vacadas de carne e neste momento muitos produtores questionam-se se vale a pena o investimento. Neste artigo, para além de tentar responder a essa dúvida, vamos também apresentar algumas das técnicas que temos ao nosso alcance, bem como expor um caso prático em que estas foram aplicadas. Exposição de um caso prático

O que é o que O produtor tem a ganhar? D’Orey Branco,R. CIISA, Faculdade de Medicina Veterinária de Lisboa, UTL.

Pissarra, L. Sociedade Veterinária de Coruche

Stilwell, G. CIISA, Faculdade de Medicina Veterinária de Lisboa, UTL. rui.dorey@hotmail.com

Portugal é um país altamente deficitário na produção de carne de bovino, levando a que se importe cerca de 48% da carne que consumimos essencialmente de Espanha, o que nos leva a pensar que há um mercado com margem de progressão por explorar. É portanto urgente produzir mais, o que passa pelo melhoramento das performances reprodutivas dos nossos efectivos de carne. Tal só será possível através de um controlo apertado dos índices reprodutivos, aplicando medidas de maneio reprodutivo, como

48 Ruminantes julho . agosto . setembro 2013

o diagnóstico de gestação precoce, o diagnóstico e tratamento de casos de subfertilidade, o refugo de animais inférteis e a manutenção de registos fiáveis. Para além disso estão hoje já disponíveis várias técnicas reprodutivas, como por exemplo, a sincronização de cios, a inseminação artificial e a transferência de embriões ou a fecundação in vitro, que são uma realidade à disposição do produtor por preços muito acessíveis e com resultados bastante interessantes. O produtor, ao aplicar este tipo de técnicas,


PRODUÇÃO

está a aumentar o número de partos por ano, reduzir os intervalos entre partos, criar sazonalidade de partos e melhorar a genética dos efectivos. Conseguirá também conciliar o início da lactação com a altura de melhores pastagens e descartar animais considerados inaptos reprodutivamente, o que é uma mais-valia para a exploração, pois estes animais estarão a usufruir de um espaço, alimento e água que poderiam ser usados por outros efectivamente produtivos. Com estas técnicas os produtores têm também a possibilidade de trabalhar com lotes de vitelos mais uniformes em idade e peso, o que facilita o maneio e confere um maior poder comercial. Todas estas vantagens traduzem-se em maior ganho financeiro porque passamos a ter mais vitelos por ano, lotes de maior valor comercial e menor número de animais não produtivos. A sincronização de cios consiste na manipulação da cascata de hormonas reprodutivas com o propósito que fazer com que um grupo de fêmeas entre em cio simultaneamente e num momento previsível. Assim, podemos gerir melhor o rácio touro-vacas e até resolver algumas das mais comum patologias reprodutivas, como os quistos ováricos, ou fazer com que vacas que se encontram paradas reprodutivamente (em anestro) iniciem a sua actividade. A inseminação artificial é talvez a técnica reprodutiva mais utilizada, sendo hoje em dia uma actividade de rotina em explorações de leite de bovino ou em explorações de suínos. As suas vantagens são diversas, mas devemos realçar o melhoramento genético, a menor incidência de doenças sexualmente transmissíveis e uma mais fácil gestão da época reprodutiva. No seguimento deste ideal foi desenvolvido um projecto de investigação para sincronização e inseminação artificial a tempo definido, numa parceria entre a Faculdade de Medicina Veterinária (UTL) e a Associação de Criadores de Bovinos de Raça Alentejana, com o propósito de perceber a viabilidade económica da aplicação destas técnicas nas vacadas dos seus associados. Para este estudo, que decorreu entre Setembro de 2012 e Fevereiro de 2013, foram usadas 105 vacas e 78 novilhas de idade superior a 15 meses de Raça Alentejana, de 7 explorações dos concelhos de Portalegre e Elvas. O número de vacas por exploração oscilou entre os 10 e os 50 animais, com maneio e condições da pastagem bastante diferentes, embora todos esses parâmetros fossem sempre considerados aceitáveis.

Numa primeira fase as vacas foram alvo de um exame ginecológico ecográfico para despiste de malformações/patologias, o que conduziu à exclusão de alguns animais. Os animais seleccionados para o estudo foram classificados quanto à condição corporal (bastante variável) e foi-lhes administrado um composto vitamínico e mineral (Vit. A,D,E + selénio). Ao produtor foi pedido para iniciar uma suplementação alimentar (flushing) com tacos de luzerna. Após um período de 10-15 dias, foi iniciado o protocolo (Dia 0) de sincronização com a administração de GnRH (Receptal® - MSD) e a introdução de um dispositivo intra-vaginal (CIDR® - Zoetis ) Cerca de uma semana (Dia 7) mais tarde, foi retirado o dispositivo e administrado PGF2α (Dinolytic® - Zoetis ) e ECG ( Intergonan® - MSD). Quarenta e oito horas (no caso de novilhas) ou 52 horas (no caso das vacas) após retirada do dispositivo intravaginal, foi administrada uma nova dose de GnRH (Receptal® - MSD) e os animais foram inseminados. Decorridos 15 dias do dia da inseminação foi introduzido nas respectivas manadas um toiro de varrimento com o propósito de cobrir as vacas que não ficaram gestantes da I.A. Cerca do dia 60 após a inseminação foi feito um exame ecográfico para diagnóstico de gestação, podendo ser confirmadas as vacas que ficaram gestantes da I.A. ou do toiro. Os valores do diagnóstico de gestação global foram 70,5% (129 vacas gestantes), sendo que 43,5% foram fruto da inseminação e 27% do toiro de varrimento. A taxa de gestação de 70,5% pode ser considerado um excelente resultado tendo em conta que só avaliámos as gestações decorrentes de dois cios (o da IA e o seguinte). Em contraste, os valores de gestação por IA foram bastante discrepantes entre explorações, oscilando entre os 28% e 60%. A razão para estas diferenças deve ser avaliada com cuidado no sentido de perceber o que pode influenciar a fertilidade em grupos tão semelhantes. Interessantemente, verificámos que os casos de menor sucesso de IA apresentavam, à ecografia, tempos de gestações que não coincidiam com as datas de qualquer um dos supostos estros, o que nos leva a suspeitar da ocorrência de reabsorção embrionária. Estas reabsorções embrionárias podem ter múltiplas causas, mas cremos estarem relacionadas com factores de stress, visto estes animais terem sido sujeitos a uma intervenção sanitária dentro de um período crítico para a implantação do embrião

(antes dos 17 dia pós-IA). Um dos maiores sucessos deste estudo foi a eficácia do protocolo de sincronização, já que de um total de 183 animais sincronizados 178 apresentavam-se em cio no momento da IA (97%). Dos cinco animais que não estavam em estro, três estavam na fase de pró-estro, um apresentava sinais de vaginite e apenas um apresentava ováricos atrésicos que não tinham respondido ao tratamento hormonal. Foi possível também confirmar que todos os animais que apresentavam quistos ováricos, quer luteínicos quer foliculares, responderam ao tratamento hormonal tendo aqueles regredido entre os dois exames. Neste momento ainda não é possível apresentar a taxa de gestação no final da época reprodutiva, mas, considerando os valores dos dois primeiros cios, julgamos que aquela andará muito próximo dos 95% de animais gestantes. Os animais que não ficarem gestantes num prazo limitado serão refugados, pois um dos objectivos deste tipo de intervenção é garantir a melhor gestão dos recursos e a manutenção apenas das boas reprodutoras. Concluí-mos, portanto, que é bastante vantajoso para o produtor recorrer a este tipo de programas por forma a extrair mais rentabilidade da sua exploração, mas não só, pois permite também ao produtor ter consciência do real estado produtivo da sua exploração bem como ter um maior controle sobre esta. Foi notório que a aplicação de técnicas reprodutivas em explorações de carne, nomeadamente a sincronização e a inseminação artificial a tempo fixo, permite obter taxas de gestação significativas. Um adequado maneio alimentar, uma prévia avaliação ginecológica e uma correta aplicação do dispositivo permite antecipar boas performances e garante uma quase total ausência de complicações. Os nossos trabalhos sugerem ainda que factores de stress numa fase precoce da gestação podem comprometer o sucesso do protocolo.

Agradecimentos: CIISA - Centro de Investigação Interdisciplinar em Sanidade Animal A.C.B.R.A. - Associação de Bovinos de raça Alentejana Zoetis Portugal MSD Portugal SVC - Sociedade Veterinária de Coruche Fotografia de: Martha d’Andrade

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SOLOS

importância da matéria orgânica no solo Parece um pouco desnecessário relembrar aos agricultores, que lidam no campo, dia a dia, a importância da matéria orgânica no solo, mas infelizmente a fertilidade do solo é um recurso escasso que tem vindo a ser silenciosamente delapidado, e que coloca em risco a longevidade das explorações agrícolas.

david catita criador limousine, serpa - portugal fontecorcho@gmail.com

Comemorou-se recentemente o dia mundial de combate à desertificação, e apesar deste termo ser usado para muitos temas, importa refletir sobre o aspeto que diz respeito à agricultura, a perda de fertilidade que os terrenos agrícolas vão sofrendo com a intensificação das práticas agrícolas. A utilização dos nutrientes do solo não tem sido sustentável, uma vez que as culturas extraem dezenas de nutrientes diferentes e os adubos minerais apenas repõem dois ou três, ou seja, em bom português, estamos a retirar mais do que repomos, o que resulta num desequilíbrio, reduzindo gradualmente a capacidade da terra em responder satisfatoriamente às exigências das culturas. Isto é desertificação agronómica. Comecemos pelo estrume produzido pelos ruminantes, que representa um valioso retorno de nutrientes ao solo. Como se sabe hoje em dia, raras são as vacadas ou os rebanhos que não são desparasitados, e em resultado

50 Ruminantes julho . agosto . setembro 2013

da aplicação da generalidade dos desparasitantes ficam no organismo de cada animal, durante vários meses, substâncias ativas que matam os parasitas, e que são excretadas pelas fezes durante esse período. Estas substâncias, mesmo após a saída do animal, mantêm a sua eficácia, e matam os organismos que são responsáveis pela reciclagem natural dessa matéria orgânica para o interior do solo, entre os quais escaravelhos e minhocas, desde sempre associados à fertilidade, o que se revela altamente negativo. Sem o trabalho desses organismos do solo as fezes ficam intactas á superfície do solo, expostas ao sol, e acabam por oxidar e perder toda a sua riqueza. Se este é o seu caso aqui está a primeira forma de evitar a perda de fertilidade da sua terra. Já existem, hoje em dia, desparasitantes à base de moxidectina, tão ou mais eficazes que os convencionais, mas que não matam os organismos do solo, como escaravelhos e minhocas, permitindo que a reciclagem da matéria orgânica ocorra e que os prados vão sendo adubados naturalmente. Para além desta existem outros tipos de matéria orgânica nas explorações e que podem também ser utilizadas como fertilizantes para promover a produtividade das culturas, reduzindo os custos de adubação. Para produção de um composto orgânico apenas é necessário que se equilibre a relação carbono/azoto, misturando resíduos de origem vegetal, como palhas velhas, folhas de oliveira e restos de culturas, que são ricos em carbono, com resíduos de origem animal, como estrumes, chorumes ou lamas de lagoas de decantação, que são ricos em azoto, possibilitando assim que ocorra a compostagem, em que toda a mistura aquece e se degrada, para que o material resultante esteja estabilizado e


SOLOS

pronto a ser aplicado no solo e absorvido pelas raízes. Com este processo reutilizamse nutrientes que de outra forma se perderiam, poluindo a água ou a atmosfera, e devolvem-se ao solo muitos elementos que não vêm na composição dos adubos, e que são essenciais, como os micronutrientes. A incorporação de matéria orgânica no solo aumenta também a retenção de água e nutrientes, equilibra o pH e a temperatura, facilita o arejamento, aumenta a sua plasticidade, evitando gretas e acima de tudo alimenta a vida do solo, possibilitando a existência de uma numerosa comunidade de microorganismos, que mantêm o solo fértil e aumentam a taxa de reciclagem natural de elementos orgânicos. Por último, e apesar de

existirem muitas formas de reciclar matéria orgânica, e de promover a fixação de carbono e azoto, não poderíamos deixar de referir a instalação de pastagens com leguminosas inoculadas com rhizobium, possibilitando elevadas taxas de fixação de azoto, que é o elemento maioritário do ar, mas que é raro e valioso no solo. Assim, estas leguminosas promovem um aumento considerável da produção de erva e da proteína, uma vez que produzem parte do seu próprio adubo, permitindo também, reduzir ou anular a utilização de adubos azotados, e fixando azoto no solo, que possibilita a degradação de carbono com criação de matéria orgânica, resultando em maior fertilidade. É assim crucial a adoção de estratégias dentro das explorações que promovam a

Agro-indústria

alimentos

Resíduos de culturas Pecuária

fertilização correctivo orgânico

pilha de compostagem

RECICLAGEM DE SUBPRODUTOS E REUTILIZAÇÃO no processo produtivo

utilização eficiente dos seus recursos naturais, reciclando o que tem aproveitamento e reduzindo o que tem de comprar. No futuro apenas existirá um tipo de explorações pecuárias. Serão aquelas que se

preocuparam atempadamente em ser sustentáveis, quer em termos económicos, quer em termos ambientais. Cabe agora a cada agricultor fazer a escolha correta.

ruminantes julho . agosto . setembro 2013 51


atualidades

Concurso Nacional da Raça Limousine O 25º Concurso Nacional da Raça Limousine terá lugar, como habitualmente, na FACECO, Feira das Atividades Culturais e Económicas do Concelho de Odemira, que acontece em S. Teotónio, perto da Zambujeira do Mar, de 19 a 21 de julho. O Concurso Nacional da Raça Limousine é a maior exposição monográfica da raça a nível nacional e decorrerá durante toda a feira reunindo criadores de todo o país, e contando com mais de 160 animais. Neste evento estão organizadas secções de fêmeas e de machos, organizados por idades, que decorrem na sexta e no sábado, realizando-se no domingo os campeonatos gerais, com os dois melhores animais de cada secção, para definição dos campeões e vice-campeões do concurso, bem como o melhor animal de inseminação e o prémio

29º Simpósio Alltech O 29º Simpósio Internacional Anual da Alltech realizou-se no passado mês de Maio, em Lexington, Kentucky, EUA. Sob o tema “Vislumbre: o futuro em 2020” foram apresentadas muitas palestras interessantes que tiveram como temática central o agronegócio e soluções possíveis para superar o desafio de produzir alimentos suficientes para alimentar nove bilhões de pessoas até 2050. Este simpósio foi assistido por 2300 participantes de 72 países diferentes. Um dos temas apresentados referiu-se às mais recentes aplicações de algas na

pecuária e nutrição humana, apresentado por Rebecca Timmons, Diretora Global de Aplicações de Pesquisa e de Qualidade da Alltech. Outro palestrante, Patrick Wall, University College Dublin, na Irlanda, salientou a importância da segurança alimentar na alimentação duma população mundial em crescimento. Por sua vez, Mark Lyons, Vice-Presidente de Assuntos Corporativos da Alltech também destacou a importância da segurança alimentar, partilhando a visão da empresa em ajudar a expandir a produção agrícola na China, onde há muito a

52 Ruminantes julho . agosto . setembro 2013

de família, no qual concorrem conjuntos de cinco animais filhos do mesmo touro Limousine. Todos os animais vão a ringue à arreata, conduzidos por um tratador, demonstrando a elevada docilidade da raça Limousine. Algumas das fêmeas presentes encontram-se paridas, possibilitando aos visitantes confirmarem ao vivo a forte capacidade leiteira das fêmeas e o pequeno tamanho das crias, o que resulta na elevada facilidade de parto da raça Limousine e no rápido crescimento destes formidáveis animais ao longo da sua vida. Não perca o mais importante concurso da raça Limousine em Portugal, e aproveite para disfrutar de uma região fértil em riquezas naturais, como as formidáveis áreas agrícolas, as excecionais praias e a notável gastronomia.

REBECCA TIMMONS

fazer no tema da segurança alimentar e em que a Alltech pretende desempenhar um papel ativo. O fundador e presidente da Alltech, Dr. Pearse Lyons desafiou os delegados a ajudar o agricultor do futuro a usar os recursos, ideias e soluções fornecidos durante o evento deste ano. No total, 175 palestrantes no Simpósio, 20 sessões e 22 jantares temáticos focaram como o agronegócio pode superar o desafio de produzir alimentos suficientes para alimentar três mil milhões de novos moradores urbanos, ou nove bilhões de pessoas no total até 2050.

Para mais informações, incluindo agenda completa com tópicos e palestrantes, visite: www.alltech.com/symposium


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projeto

AnimalChange por david catita

O aumento gradual da consciência ambiental no mundo, em especial no contexto das alterações climáticas e do aquecimento global, tem criado alguma resistência da opinião pública em relação aos ruminantes, em resultado da produção de gás metano, que apresenta um poder potenciador do efeito estufa, vinte vezes superior ao dióxido de carbono. Apesar do metano ser produzido por diversas atividades humanas, entre as quais se incluem a decomposição de lixos e esgotos, a exploração de carvão e gás natural, a queima de biomassa, o cultivo de arroz, entre outros, a produção de metano pelos ruminantes, em especial pelo gado bovino, tem sido usada como arma de arremesso por diversas entidades, importando analisar e desmistificar esta temática, com profundidade. A produção de metano pelos ruminantes resulta do processo de ruminação, saindo pela boca do animal, e não através de flatulência do processo digestivo, como erradamente se possa pensar. A sua produção está naturalmente ligada à tipologia de alimentação, e pode ser minorada com o objetivo de tornar o processo ambientalmente mais favorável. É importante salientar que a atividade pecuária representa um importante sumidouro de carbono, através da incorporação de matéria orgânica no solo, que aumenta a fertilidade deste e consequentemente o sequestro de carbono através da vegetação, resultando num balanço positivo em relação ao metano produzido. É contudo importante aprofundar estas temáticas para que a opinião pública possa ser devidamente esclarecida, evitando a criação de mitos que sejam prejudiciais ao sector dos ruminantes. Surge assim com bastante relevância um Projeto Europeu denominado AnimalChange, que pretende explorar esta temática e proporcionar uma visão esclarecida do futuro do setor da pecuária em função das mudanças climáticas. O projeto AnimalChange pretende assim alcançar os seguintes objetivos: • Reduzir as incertezas sobre as emissões de gases com efeito estufa (GEE) de sistemas pecuários;

• Incluir a variabilidade climática como parte da avaliação de impacte ambiental; • Desenvolver tecnologias de ponta para a mitigação e adaptação às mudanças climáticas; • Avaliar os custos económicos e sociais das atividades envolvidas e da adaptação a cenários de mitigação; • Avaliar a vulnerabilidade dos animais às alterações climáticas e feedbacks sobre as emissões de GEE; • Fornecer apoio direto para a criação de políticas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas para o setor pecuário; • Criar consensos entre as partes interessadas, através da organização de simpósios, formação de cientistas, técnicos e decisores políticos e formando uma rede para divulgação dos avanços científicos obtidos com o AnimalChange. No recente Fórum Sustaurusvet, realizado em Lisboa no passado mês de maio, dedicado a debater o setor bovino nacional, um dos intervenientes brasileiros no evento apresentou um gráfico relativo à diferença na produção de metano por quilograma de carne, entre 1988 e 2007. Importa analisar a utilização falaciosa deste argumento, uma vez que apenas refere a diferença de produção, e não a produção em quantidade absoluta, servindo como forma de promoção da carne de alguns países, junto de um público menos esclarecido. A formação de gases de ruminação no organismo dos animais é menor se a

alimentação for mais rica em ração e menos rica em erva e feno, uma vez que o metano surge, sobretudo, através da digestão, por bactérias archaea, da celulose originária dos alimentos verdes. Assim, é natural que a recente industrialização da produção de bovinos em países como o Brasil, Uruguai, Índia, entre outros, tenha resultado num aumento da alimentação dos bovinos com rações, importando, contudo, avaliar em simultâneo o impacte ambiental das enormes extensões de floresta substituídas por campos de produção de milho e soja, para produção dessas mesmas rações. Em suma, muitos argumentos podem ser levantados nesta importante e atual discussão, importando sublinhar a relevância da criação de um projeto europeu dedicado exclusivamente a esta temática, que deverá ser protegido e apoiado pelas entidades dos diversos países europeus com pecuária, de modo a evitar o aumento da ideia errada de que os ruminantes são prejudiciais para o ambiente, antes que seja tarde de mais. Por último, importa referir que entre as diversas entidades envolvidas neste projeto, apenas existe uma entidade portuguesa, a empresa produtora de sementes Fertiprado, sendo uma das duas únicas empresas privadas a participar neste importante projeto, demonstrando o reconhecimento e o elevado contributo técnico-científico e ambiental que a Fertiprado tem dado, não só à agricultura portuguesa, mas também à agricultura europeia e mundial.

DIFERENÇA NA PRODUÇÃO DE METANO por quilograma de carne (1988-2007)

7,65%

10% 0,31%

5% 0% -5% -10%

-8,87%

-15% -20%

-7,23%

-14,82%

-25% -30%

1,85%

-29,41%

-21,57%

-21,34%

Índia

Canadá

-26,79%

-35%

Brasil

Uruguai

Fonte - Mazza Meyer (2010) - adaptação de dados FAO

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EUA

Argentina Austrália

Nova União Paraguai Zelândia Europeia


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Atualidades

Sobre a cetose subclínica Está demonstrado que a cetose subclínica afeta mais de 30% de vacas leiteiras, com algum grau de diferença entre explorações. As vacas com cetose subclínica ou em risco do seu desenvolvimento, têm mais probabilidades de sofrer de deslocamentos do abomaso, retenção de placenta, metrites, quistos ováricos e por conseguinte, mais possibilidade de serem refugadas. As vacas com cetose subclinica têm menor índice de concepção, intervalos entre partos mais compridos e produzem menos quantidade de leite. As perdas relacionadas com a cetose subclinica podem chegar aos 600€ por vaca afectada.

Inovação na prevenção de cetoses A Elanco lançou no dia 10 de Maio em São Miguel Açores e no dia 24 de Maio no XV Congresso da Associação Portuguesa de Buiatria em Ílhavo uma solução para a prevenção de cetoses em vacas leiteiras. No passado dia 10 de Maio, a Elanco realizou, em São Miguel, no Hotel Marina Atlântico, um Simpósio de Lançamento subordinado ao tema “Cetoses em Vacas de Leite”. Este simpósio contou com a colaboração de vários palestrantes. Na abertura, José Caiado (Médico Veterinário, Nutricionista) abordou o tema da nutrição e saúde no período de transição da vaca, debatendo assuntos como a nutrição versus alimentação, alterações metabólicas na altura do parto, cetose primária e secundária entre outros. Seguidamente, Tiago Teixeira (Médico Veterinário da Elanco) palestrou sobre a problemática da cetose subclínica em vacas leiteiras, o custo da mesma numa exploração e a necessidade de monitorizar e prevenir esta alteração metabólica. Por fim,

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Vanessa Sousa apresentou o Kexxtone®, a nova solução da Elanco para prevenir as cetoses em vacas de leite e novilhas. A cetose nas vacas leiteiras pós-parto pode ser comum, mas muitas vezes os casos subclínicos não se detetam e as consequências resultam em custos dispendiosos. A cetose tem consequências negativas sobre a eficiência reprodutiva, a produção de leite e a saúde das vacas, resultando num custo elevado podendo alcançar os 600€ por vaca afetada. O Kexxtone® é a primeira solução de prescrição médico-veterinária para reduzir a incidência de cetoses nas vacas leiteiras e novilhas, devendo ser administrado como parte do protocolo de maneio das vacas no período de

transição, aproximadamente 3 semanas antes do parto. O Kexxtone® é um bolo intra-ruminal que contém 12 comprimidos de monensina de libertação lenta. Um único bolo atua durante 95 dias protegendo a vaca durante o período mais crítico ao aparecimento de cetose. O Kexxtone® é uma solução que permite controlar todo o período de balanço energético negativo da vaca, reduzindo assim o risco de desenvolvimento de cetose. Nos desafiantes tempos que vivemos atualmente, tornamse estratégicas as decisões que visam a melhoria da competitividade das explorações, nomeadamente através da redução dos custos de produção e da maximização da sua eficiência produtiva.


O que aconteceria se um terço das vacas dos seus produtores tivessem um s€gr€do?

A cetose oculta não se vê, mas existe. Estudos recentes indicam que pode afetar aproximadamente 30% das vacas, inclusive em explorações com um adequado maneio. Enquanto não se manifesta com sintomas visíveis, provoca custos. A cetose oculta é prejudicial para a saúde das vacas, para o rendimento reprodutivo, para a produção de leite e a sua qualidade. Pode trazer custos, desde 250€ até 600 € por vaca. O Keto-Test é uma prova de leite rápida e fácil que ajuda os produtores a controlar esta ameaça oculta na sua exploração. E nós podemos ajudá-lo, dando-lhe recomendações e proporcionando ferramentas para o controlo integral da exploração. Para obter informações acerca da possibilidade em oferecer um serviço de mais valia aos seus produtores, entre em contacto com um representante da Elanco. A etiqueta de Keto-Test contém toda a informação sobre a sua utilização, incluindo as advertências. Leia, compreenda e siga sempre as instruções de manuseamento e a etiqueta. Prevalência de cetose: Macrae, A.I. y col. Prevalence of clinical and subclinical ketosis in UK dairy herds 2006-2011. Congreso Mundial de Buiatría, Lisboa, Portugal, 2012; Auditoria numa exploração da Elanco, 2011, n.º GN4FR110006. Dados arquivados. Redução na quantidade de leite: Ospina 2010. Association between the proportion of sampled transition cows with increased nonesterified fatty acids and ß-hydroxybutyrate and disease incidence, pregnancy rate and milk production at the herd level. J. Dairy Sci. 93:3595-3601. Diminuição da ferilidade: Walsh 2007. The effect of subclinical ketosis in early lactation on reproductive performance of postpartum dairy cows. J. Dairy Sci. 90:2788-2796. Qualidade do leite: Duffield 2000. Subclinical ketosis in lacating dairy cattle. Vet. Clin North Am. Food Anim. Pract. 16:231-253. Risco de reposição: Leblanc 2010. Monitoring metabolic health of dairy cattle in the transition period. J. Reprod. Dev. 56:S29-S35. Deslocamento do abomaso, metrites e cetose clínica: Duffield 2009. Impact of hyperketonemia in early lactation dairy cows on health and production. J. Dairy Sci. 92:571-580. Ovários quísticos: Dohoo 1984. Subclinical ketosis prevalence and associations with production and disease. Can. J. Comp. Med. 48:1-5. Retenção de placenta: Leblanc 2004. Peripartum serum vitamin E, retinol and beta-carotene in dairy cattle and their associations with disease. J. Dairy Sci. 87:609-619. Custos e prevalência: Esslemont, R.J. The Costs of Ketosis in Dairy Cows. Congresso Mundial de Buiatria, Lisboa, Portugal, 2012. Elanco, Keto-Test e a barra diagonal são marcas registadas própias ou autorizadas por Eli Lilly and Company, suas filiais ou afiliados. Keto-Test™ é uma marca registada de Elanco Animal Health. Fabricado por SKK, Japón. © 2012 Elanco Animal Health. WECTLKTO00021 Elanco Lilly Portugal – Produtos Farmacêuticos, Lda. – Rua Cesário Verde, 5 - piso 4 – Linda-a-Pastora – 2790-326 QUEIJAS – Tel.: 21 412 66 40 – Fax: 21 410 99 44 ruminantes julho . agosto . setembro 2013 57


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Encefalite e Artrite Caprina

o que convém saber A Encefalite e Artrite Caprina, mais conhecida por CAE (Caprine Arthritis and Encephalitis) é uma doença que se encontra presente numa grande parte das explorações de caprinos do nosso país e que muitas vezes passa despercebida pelo seu perfil sub-clínico. POR Inês Ajuda, Ana Vieira e George Stilwell AWIN -Animal welfare indicators, Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade técnica de lisboa awinportugal@gmail.com

Neste artigo a equipa AWIN pretende dar-vos a conhecer um pouco mais sobre esta doença e sobre o impacto potencial que pode vir a ter nas vossas explorações.

O Vírus da Encefalite e Artrite Caprina ou CAEV? O CAEV é um tipo de vírus que dá pelo nome de lentivírus que vem do latim lente, que significa lento, devido ao seu período prolongado de incubação. Para além desta particularidade, o CAEV caracteriza-se por uma alta prevalência de infecção inaparente, o envolvimento de vários órgãos e um carácter crónico com vários episódios de agudização. Estas características fazem com que este vírus passe quase despercebido na exploração. De facto, o produtor até pode identificar sinais associados à doença, mas como são esporádicos, variados e isolados, não os associa imediatamente ao CAEV.

Como se manifesta? O CAEV pode ter cinco formas de expressão clinica, para além da forma subclínica: 1. Forma neurológica: Acontece mais frequentemente em cabritos dos 2 aos 6 meses, mas pode ocorrer em qualquer idade. Caracteriza-se por uma disfunção nervosa que dá origem a uma parésia posterior (animal deixa de conseguir utilizar os membros posteriores) e incoordenação, que rapidamente evoluiem para paralisia. 2. Forma pulmonar: Pensa-se que surge em sinergismo com um outro vírus (Caprea visna) e dá origem a uma pneumonia intersticial progressiva, que muitas vezes se expressa por sinais

semelhantes à pneumonia associada à linfadenite caseosa, com dispneia, intolerância ao exercício e tosse após esforço. 3. Forma mamária: Esta forma está associada a uma síndrome designada “síndrome do úbere duro”. Caracteriza-se, tal como o nome indica, por um úbere firme à palpação, com a pele à volta solta, sem edema, sem aumento de temperatura ou outro tipo de lesão. A produção de leite é muito baixa, mas o leite tem um aspecto normal, apresentando apenas um número de células somáticas aumentado. Algumas cabras recuperam gradualmente a produção de leite, enquanto outras acabam por secar, sendo possível a recorrência dos sinais clínicos na lactação seguinte. 4. Forma articular: Esta é a forma mais comum nas explorações caprinas, daí ser o sinal mais vulgarmente associado à doença. Ocorre em cabras a partir da idade de cobrição, geralmente no segundo ano de vida. O início da doença pode ser agudo ou insidioso e o curso clínico da doença apresenta uma grande variação individual. Todas as articulações dos membros podem estar afectadas, bem como a articulação atlanto-occipital, sendo a articulação mais frequentemente atingida a articulação do carpo. Esta forma da doença pode manifestar-se através de sinais subtis como diminuição da frequência de alimentação e dos movimentos, associada a uma dificuldade motora, mas sem alteração das articulações ou, pode manifestar-se por um aparecimento agudo de edema nas articulações, mas sem qualquer sinal indicativo de dor ou restrição de movimentos.

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FIGURA 1 Cabra com dificuldade em movimentar-se.

5. Perda de condição corporal: Pode ser o único sinal ou estar associado aos anteriores. Normalmente corresponde à primeira fase da doença à qual depois se associa a forma pulmonar ou articular. De destacar que a perda de condição corporal é um sinal muito pouco específico, pelo que deve ser feito um bom diagnóstico diferencial antes de se poder confirmar o CAEV como causa da mesma.

Como podemos saber a prevalência da CAE numa exploração? Para a avaliação da prevalência do vírus na exploração, e como primeiro passo num possível programa de erradicação do vírus, há que efectuar um teste ELISA ao tanque de leite da exploração. Após este primeiro passo, e consoante o


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resultado, várias estratégias podem ser adoptadas. No entanto, é importante ter presente durante qualquer programa de erradicação ou de controlo da doença que, apesar da evolução nos testes de diagnóstico, ainda pode existir uma percentagem significativa de falsos negativos (resultados negativos no teste laboratorial, mas que pertencem a animais infectados). Como tal, é essencial a ajuda do veterinário assistente da exploração na criação de um plano de controlo ou erradicação, que possa ser constantemente revisto e adaptado às circunstâncias e resultados.

Devemos erradicar o vírus da exploração? Esta é uma pergunta de difícil resposta, sendo que varia muito de caso para caso. No entanto, tendo em conta a conjuntura actual, o custo de um programa para a erradicação desta doença ou mesmo para o seu controlo, seria provavelmente o que pesaria mais na balança na altura de tomar a decisão de avançar. Como tal, é de extrema importância aferir a prevalência do vírus na exploração já que, no caso de ser muito alta, é muito provável que a erradicação não compense o investimento. Para uma tomada de decisão

racional é necessário fazer uma análise custo-benefício em termos de melhoria na produção de leite (em quantidade e qualidade), na taxa de refugo/mortalidade, eventual interesse na venda de reprodutores e na imagem da exploração em si. Existem ainda poucos dados relativos ao impacto desta doença na produção leiteira, mas num estudo com cabras da raça Granadina-Murciana que foi recentemente publicado (Martinez-Navalón et al, 2013) concluiu-se que havia diferenças até 10% na produção de leite entre os animais que estavam livres da doença e os animais infectados, e na Noruega (estudo ainda não publicado), através de um programa de erradicação desta e outras duas doenças com igual carácter crónico (paratuberculose e linfadenite caseosa) obtiveram-se significativas melhorias na curva de produção leiteira.

Como podemos erradicar a CAE? O programa de controlo ou erradicação deve ser desenhado por uma equipa multidisciplinar liderada pelo médico-veterinário assistente. Após identificação do grau de infecção através da análise do leite do tanque, o plano inclui medidas de maneio

TABELA 1 Medidas a tomar aquando do nascimento dos cabritos para erradicação/controlo do CAEV. Retirar os cabritos às mães assim que nascem, não permitindo que estes mamem nas mães. Nos casos em que não se consegue garantir que tal não aconteceu a cabrita não deve ficar na exploração como reprodutora.

Fornecer colostro pasteurizado, colostro de vaca ou colostro de substituição (em pó) a todos os cabritos, prevenindo assim qualquer tipo de contacto com o colostro de fêmeas infectadas.

Criar os cabritos em instalações sem qualquer contacto com as instalações onde se encontram os adultos e posteriormente, caso haja essa possibilidade, criá-los em parques/ pavilhões livres de vírus. Este último passo pode revelar-se um tanto ao quanto difícil pela disponibilidade de espaço e capacidade financeira para construção de novas instalações.

FIGURA 2 Articulação com edema devido a infecção por CAEV - C. François.

e identificação de animais portadores através de análises sanguíneas. A infecção pelo CAEV dá-se na sua grande maioria por ingestão de leite de animais infectados, havendo uma menor possibilidade de transmissão entre adultos. Posto isto, é de grande importância no controlo desta doença actuar logo no nascimento dos cabritos, não permitindo que a transmissão do vírus se perpetue na exploração (Tabela 1). Outra medida a adoptar, principalmente quando a prevalência é baixa, é um programa de refugo apertado, através do qual, após o rastreio sanguíneo referido anteriormente, se elimina todos os animais positivos. Devido à reduzida sensibilidade dos testes disponíveis, o que significa que teremos sempre uma percentagem relativamente elevada de falsos negativos, os animais deverão ser testados periodicamente até se atingir 100% de negativos. Mesmo após atingir esta meta só poderemos ter uma certeza significativa de ter erradicado a doença após duas colheitas totalmente negativas. De referir ainda a importância de não se comprar animais ou, pelo menos, garantir que estes provenham de explorações indemnes à doença.

A RETER O CAEV é um vírus presente nas explorações de caprinos de Portugal, merecendo atenção por parte dos produtores. O vírus tem impacto na quantidade e qualidade de leite, no crescimento e no bem-estar das cabras. Num programa de erradicação ou controlo da doença é muito importante seguir as regras à risca, caso contrário o vírus continuará a circular na exploração e todo o investimento efectuado será em vão.

Referências: Martínez-Navalón, C., Peris, G., Gómez, E.A., Peris, B., Roche, M.L., Caballero, C., Goyena, E. & Berriatua, E. (2013) Quantitative estimation of the impact of caprine arthritis encephalitis virus infection on milk production by dairy goats. The Veterinary Journal

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João Vidal Médico Veterinário exerce actividade clínica e reprodutiva na Associação Agrícola de São Miguel (AASM) jmrvidal@hotmail.com

Fotossensibilidade

ou doença da pele A Fotossensibilidade caracteriza-se por um excesso de sensibilidade aos raios solares causadas pela interação da luz solar com agentes fotodinâmicos em circulação, resultante da ingestão de certos fármacos, plantas e essencialmente fungos.

É uma patologia que ocorre anualmente em diversas explorações agropecuárias nos Açores, com maior incidência no Verão e início de Outono, atinge várias espécies pecuárias com especial relevo para os bovinos. Como se pode classificar esta patologia? Tendo em conta a sua patogénese as fotossensibilizações podem ser classificadas em primária sem lesão hepática e secundária ou hepatogénea em que ocorre lesão hepática.

A forma secundária ou hepatogénea é a mais importante nas explorações de bovinos nos Açores e resulta essencialmente da ingestão de esporos produzidos por um fungo saprófita (Pithomyces chartarum), contendo uma potente hepatotoxina (Esporodesmina). Esta toxina provoca lesões hepáticas consideráveis como pericolangite e obstrução dos ductos biliares, reduzindo a capacidade do fígado exercer o seu efeito excretor da filoeritrina, principal agente fotodinâmico. A filoeritrina resulta

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da degradação da clorofila (pigmento existente na forragens verdes) no rúmen. Na sequência de disfunção hepática a filoeritrina não é excretada, mantêmse em circulação e atinge a pele, onde desencadeia reações fotoquímicas com ação citotóxica nos tecidos cutâneos e resposta inflamatória aguda da pele. Sendo que a principal micotoxicose é causada pelo fungo Pithomyces chartarum esta patologia vai ser designada como Pitomicotoxicose (Eczema facial) ao longo do restante texto.


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Quais são os fatores de risco? O fungo desenvolve-se principalmente na matéria vegetal morta na base da pastagem. Uma das condições favoráveis para a ocorrência da pitomicotoxicose é o pastoreio intensivo e o facto de os animais comerem as forragens junto ao solo. Em que época do ano ocorre e porquê? As condições ideais para o desenvolvimento dos fungos e produção de esporos, incluem no mínimo três dias consecutivos a uma temperatura mínima no solo de 16ºC e uma humidade superior a 90%. Os meses de Agosto e Setembro são aqueles onde se verificam maior incidência de casos de fotossensibilidade, embora também possam ocorrer em Julho e Outubro dependendo das condições climatéricas. Verões quentes e húmidos são particularmente favoráveis ao aparecimento de inúmeros casos, não só por favorecerem a produção de esporos mas também uma exuberante produção de forragem. Esta maior disponibilidade de forragem leva os agricultores a fornecerem maiores quantidades de produto potencialmente tóxico aos animais (recorrendo menos à suplementação com alimentos ensilados e concentrados), colocando-os mais expostos a ação do fungo. Qual a localização geográfica? A fotossensibilidade ocorre em muitos países, por todos os continentes sempre que existam condições climatéricas para o desenvolvimento do fungo. No entanto, é preciso destacar que em muitas regiões do mundo existem populações de Pithomyces chartarum que não são toxinogénicas enquanto que nos Açores e Nova Zelândia

estas são maioritariamente toxinogénicas. Nos Açores a Pitomicotoxicose não se verifica em todos os locais. Ocorre essencialmente em pastagens de média e elevada altitude e em locais onde exista temperatura e sobretudo humidade elevadas. Em locais baixos e pouco húmidos o fungo não é capaz de se desenvolver. No entanto, nestes locais desenvolve-se outra forma de fotossensibilidade provocada pela ingestão uma planta tóxica (Lantana câmara) que não é mais que uma infestante nestes locais, mas funciona como uma planta ornamental em Portugal e muitos países do sul da Europa. Os sintomas provocados pela ingestão desta planta são muito semelhantes aos da pitomicotoxicose, mas o desfecho é quase sempre fatal. Quais os sintomas? O animal perde o apetite, procura as sombras, apresenta-se muito excitado (escoiceia a barriga, lambe-se, coça-se contra obstáculos), apresenta grande prurido (comichão), a pele nas zonas mais claras e sob incidência directa do sol apresenta-se eritematosa (avermelhada). As narinas, tetos sobretudo a parte externa, o úbere, a vulva, o períneo e a região do dorso são as que apresentam os primeiros sinais visíveis. A zona da barbela por vezes apresenta um edema pronunciado. Numa fase mais avançada as zonas queimadas ficam escuras com a pele ulcerada, muito dura, desidratada, os animais apresentam-se ictéricos urinam muito (urina muito escura), o aborto ocorre frequentemente, numa fase mais avançada a pele solta-se, surgem úlceras nas camadas mais profundas da pele e por fim pode ocorrer a morte.

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saúde animal

JOÃO VIDAL Associação Agrícola de São Miguel.

detetado clinicamente numa exploração, um número muito elevado ou a totalidade dos animais desta exploração estão afetados na forma subclínica.

Quais os grupos de animais mais afectados? Dentro de uma mesma exploração os casos de fotossensibilização podem verificar-se em qualquer animal. No entanto é mais frequente nas vacas secas e novilhas. Estes grupos, normalmente são separados do grupo em produção. Quando separadas, frequentemente deixam de ser alimentadas com concentrados, sendo em muitos casos alimentadas exclusivamente com pastagens por vezes contaminadas. Nestas circunstâncias, durante os períodos críticos podem surgir simultaneamente, na mesma exploração, um elevado número de animais com sintomas de doença. Para agravar a situação, como estes animais não estão em produção, são alimentados apenas uma vez por dia sendo-lhes dada pouca atenção, daí que o diagnóstico normalmente seja feito tardiamente e as consequências sejam potencialmente mais graves. Como se faz o diagnóstico? O diagnóstico é fácil se o agricultor ou o clínico tiverem em consideração a época do ano, as condições climatéricas e as condições de maneio, dado que os sinais clínicos são bastantes exuberantes. Quanto mais cedo for diagnosticada a doença e os animais tratados, melhores são as possibilidades de evitar lesões graves e de cura. É preciso ter em atenção que pode ocorrer um surto, sem sinais clínicos evidentes. Neste caso deve considerar-se a existência da doença na forma subclínica (sem apresentar sinais visíveis). Como já foi referido deve-se fazer o diagnóstico diferencial da Pitomicotoxicose com a intoxicação por Lantana camera.

Este torna-se fácil porque os locais onde se desenvolvem não são coincidentes. Enquanto a primeira ocorre em locais muito húmidos durante um período limitado do ano, a segunda ocorre em locais secos e durante a maior parte do ano. É preciso ainda ter presente que decorre um período de cerca de 10 a 14 dias entre a ingestão do material tóxico e o aparecimento dos primeiros sintomas de fotossensibilidade, ou seja quando o problema é detetado já existem lesões no fígado e vias biliares. Qual o tratamento aconselhado? Consiste essencialmente em proporcionar conforto aos animais, ou seja colocando-os em locais sombrios sem incidência da luz solar. Retirar o alimento potencialmente tóxico, reduzir ou eliminar o consumo de alimentos verdes ricos em clorofila, hidratar o mais possível, administrar anti-inflamatórios e/ou anti-histamínicos, vitaminas lipo e hidrossolúveis. Caso ocorra infeção de pele é necessário administrar antibiótico. Numa fase posterior colocar uma substância que amacie a pele rica em Vit A (e.g. óleo de fígado de bacalhau). Quais as consequências e impacto económico? A fotossensibilidade apresenta um enorme impacto económico numa região como os Açores, onde a atividade económica principal é a produção de leite. É uma patologia caracterizada por uma acentuada perda de peso, atrasos no crescimento, redução na produção de leite, abortos, retenção placentária, doenças metabólicas, deslocamento de abomaso, rejeição de um número muito elevado de carcaças no matadouro, e muitas mortes. No entanto, é preciso ter presente, que por cada caso

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Quais as medidas de prevenção a adotar? Para reduzir a incidência da Fotossensibilidade deve evitar-se a utilização de fertilizantes azotados nas pastagens durante os meses de maior risco, porque uma pastagem azotada é potencialmente mais tóxica. Durante o período crítico deverá fornecer-se silagem a todos os animais, isto é fazer a alimentação depender o menos possível do produto potencialmente tóxico (a erva existente na pastagem). É necessário prestar especial atenção às vacas secas, uma vez que estas para além de possuírem fígados mais suscetíveis, são também submetidas a uma brusca mudança da alimentação (em muitos casos passam a ser alimentadas apenas com pastagem) quando separadas do grupo de lactação. Uma das medidas a tomar rapidamente quando o problema for detetado, é retirar imediatamente os animais desta pastagem. As gramíneas (azevéns) são muito suscetíveis à infestação pelo fungo, ao contrário das leguminosas, pelo que se aconselha, aos agricultores, consociações (azevéns mais trevos), para obter pastos menos perigosos. Uma forma eficaz de proteger os animais da Pitomicotoxicose consiste na administração de zinco nos períodos críticos. Pode ser feita quer através da incorporação de sulfato de zinco na água da bebida (apenas em animais que não estão a produzir leite, visto que o produto reduz a apetência pela água) ou de óxido de zinco em cápsulas de libertação lenta com ação protectora durante cinco semanas. Em qualquer das situações o zinco disponível deve andar à volta de 15-20mg/kg de peso vivo. O zinco atua ligando-se à toxina do fungo Pithomyces chartarum (Esporodesmina), formando quelatos no intestino impedindo a entrada da toxina em circulação. Ultimamente os agricultores, estão mais conhecedores da patologia e das condições em que esta se desenvolve, por isto, recorrem cada vez em maior numero ás medidas preventivas de proteção.


atualidades

contratos com base na volatilidade do mercado em indústrias lácteas Até ao momento, apenas duas empresas inglesas apresentaram um modelo de contrato em que o preço a pagar ao produtor está definido por uma fórmula que reflete a volatilidade do mercado. O código de boas práticas que, no setor lácteo, foi aprovado há alguns meses, recomenda que haja um contrato escrito entre as partes onde venha explícito o preço de venda. Contudo, como se trata de um código de aplicação voluntária, poucas empresas o aplicam. A empresa Müller Wiseman propôs um novo contrato, com inicio a 1 julho e duração de 9 meses, em que o preço do leite ao produtor se calcula trimestralmente com base numa fórmula em que o preço de mercado do leite em pó e da manteiga terão

um peso de 50%. O preço do queijo terá um peso de 25% e os restantes 25% vêm definidos pelo preço que as empresas concorrentes pagam ao produtor. O contrato também prevê que os produtores sejam avisados com um mês de antecedência sobre qualquer variação do preço. A Dairy Crest é a outra indústria láctea que também propôs um contrato de estabelecimento do preço com base numa fórmula. O preço é calculado mensalmente tendo em conta cinco preços chave: da nata, do leite na prateleira, dos alimentos compostos para animais, dos fertilizantes e do gasóleo agrícola. O contrato tem a duração de 12 meses e o produtor pode optar por escolher, com este sistema, 25, 50, 75 ou 100% da sua produção.

suavidade da carne em animais e carcaças Atualmente não existem técnicas simples para avaliar a suavidade da carne. No entanto, desde há vários anos as investigações realizadas permitiram identificar proteínas que são marcadores biológicos da qualidade. Por conseguinte, os investigadores do Instituto francês de investigação agrária (INRA) desenvolveram, com base nestas proteínas marcadoras, um dispositivo que permite ao setor, medir a suavidade da carne a partir duma amostra muscular dum animal vivo ou duma carcaça. Os primeiros resultados do protótipo desenvolvido tem uma fiabilidade de cerca de 75%, de acordo com os investigadores. O protótipo consiste em fixar os anticorpos interessantes numa membrana e hibridizar com os extratos proteicos. Foi desenvolvido pela empresa Protneteomix (Nantes) no âmbito do projeto Phenotend. A ferramenta permite a análise simultânea de 60 amostras em 48 horas e um custo inferior a 20€ por amostra.

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entrevista

EXPLORAÇÃO AGRO-PECUÁRIA

ANTÓNIO ESTRELA REGO Tudo começou em 1987 com um projeto de 1ª instalação, que se caracterizava por aumentar o efetivo de 36 para 60 vacas leiteiras, aquisição de uma ordenha móvel de 4 unidades, 1 trator e alfaias e, uma produção 300 000 litros (5000 litros vaca/ano). Em 2012, com a necessidade de nos tornarmos mais competitivos e melhorar a nossa qualidade de vida, tomámos a decisão de investir no negócio, com aquisição de uma nova sala de ordenha, sistema de alimentação balanceada, sistema de gestão, cancela separadora, medidores

de actividade e sistema de lavagem dos parques com onda de água, com o objectivo de produzir aproximadamente 3000 000 litros. Quando já passaram mais de 12 meses sobre a data dos investimentos realizados, viemos entrevistar António Estrela Rego, Médico Veterinário e proprietário da exploração, sobre os resultados que está a ter com a implementação destes novos sistemas. Ruminantes - Porque decidiu investir no negócio da produção de leite em 2012?

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António Estrela Rego - A alternativa seria reduzir a dimensão da exploração de leite e passar uma boa área dos meus terrenos para a cultura da beterraba, alternativa vantajosa apenas por um periodo limitado, pelo que decidi não abraçar esta hipótese e partir para a alternativa do investimento, visto existirem apoios bastante interessantes ao investimento, que no meu caso foi de 60% mas poderia ter chegado aos 75%. Gosto efetivamente muito desta atividade e sempre tirei lucro dela. Tem sido desde sempre esta a área na qual tenho vindo


entrevista

a investir em termos de conhecimento e me sinto confortável. Um dos investimentos que realizou foi numa sala de ordenha rotativa HBR, porque investiu numa sala de ordenha? E porquê uma rotativa? Investi numa sala de ordenha porque era o que tinha mais necessidade, pois estava a demorar 9 horas por dia para ordenhar as vacas e em consequência disso, os animais permaneciam muitas horas no parque de espera, insatisfeitos, com tendência para queda dos valores da produção e os próprios ordenhadores saturados. Escolhi uma rotativa por várias razões, primeiro porque a rotativa era o único sistema que permitia fazer uma administração de concentrados durante a ordenha. Tenho os animais em pastoreio durante todo o dia, e é precisamente no momento da ordenha que agora com esta rotativa posso fazer uma diferenciação na alimentação em termos de concentrado. A segunda razão foi o facto de permitir ter uma eficiência de mão de obra máxima. De referir, que em termos de eficiência de MO a rotativa vem logo a seguir ao robot. Considero ser este um sistema muito pouco stressante para os animais, porque entra um animal de cada vez, não existindo aquela avalanche de animais a entrar e a sair na ordenha, momentos de muito stress para os animais. E outra razão ainda, foi o facto da comparticipação nesse investimento ser em função da área, ou seja, a comparticipação estar limitada por metro quadrado, e numa ordenha de construção mais compacta, como é o caso de uma lado a lado ou em espinha,

os custos são superiores por metro quadrado ao da rotativa, o que levaria a ultrapassar os montantes máximos elegíveis. Como a rotativa ocupa mais espaço, este problema não ocorreu. Como mede a rentabilidade deste sistema de ordenha? A ordenha passou a demorar metade do tempo, e isso poderia ter-me levado a poupar mão de obra. Tenho atualmente quatro funcionários, dois deles afetos à ordenha. Poderia ter reduzido para três, mas preferi aperfeiçoar o maneio do restante efetivo, vitelas e novilhas, assim como a parte do maneio das forragens. Ou seja, decidi investir na qualidade do maneio geral da exploração em vez de diminuir o número de empregados pelo tempo poupado com este sistema de ordenha. Repare, que com o sistema antigo, o tempo era tanto que se tornava muito cansativo e por vezes, na parte final da ordenha tinha três empregados em vez dos dois habituais. Como permite este sistema de ordenha identificar e separar os animais com menor produção? Quando os animais são ordenhados, se houver uma quebra superior a 20% em relação à media dos últimos 7 dias, há uma lâmpada que acende de forma intermitente para chamar a atenção do ordenhador. Isto permite que o ordenhador toque num botão e dê ordem de separação da vaca na cancela separadora. Esta informação também me chega informaticamente e normalmente o que eu faço é atuar sempre que tenho duas ordenhas consecutivas com quebras de 20% ou superiores. Caso aconteça só numa ordenha, a razão poderá ser pouco importante, como seja o

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entrevista

Caracterização da exploração Área: 190 ha. Produção Forrageira: 55ha de silagem de milho / 60ha de silagem de erva / 75ha de pastoreio.

Regime Alimentar Vitelas criadas em viteleiro até aos 4 meses. 4-9 meses – pastoreio e 3 kg concentrado animal/dia. Restantes novilhas e vacas secas até 15 dias antes do parto, só pasto. Vacas em produção: concentrado na ordenha entre 2 e 14Kg vaca/dia, dependendo da produção; mistura de Unifeed com 5Kg de concentrado, 20Kg de silagem de milho e 10Kg de feno silagem. O restante é pastoreio.

Maneio Alimentar Pelas 5h30m deslocam-se da pastagem onde passaram a noite, para o parque de alimentação que é contíguo à ordenha. Das 6h00m às 8h30m realiza-se a ordenha e pelas 11h00m, as vacas voltam para a pastagem. Às 16h00m voltam novamente ao parque de alimentação começando a 2ª ordenha do dia pelas 16h30m.

sala de ordenha rotativa HBR Sistema muito pouco stressante para os animais.

Qualidade do leite Média diária: 34l /vaca/dia, com 3,9% de gordura e 3,3% de proteína / C.C.S.: 200 000/ml / bacteriologia: < 10 000 u.f.c/ml

António Estrela Rego Médico Veterinário e proprietário da exploração.

caso de uma vaca ter sido ordenhada no fim da ordenha da manhã e voltar a ser no inicio da ordenha da tarde, produzindo pouco leite nesta última, mas na ordenha seguinte já deverá produzir mais leite. No caso da quebra se verificar em duas ordenhas consecutivas, tenho que analizar os gráficos e separar o animal, mas o que é extraordinário é que tudo é feito sem esforço fisico para nós e extremamente natural para o animal, permitindo uma gestão muito mais atempada das patologias que possam existir no efectivo. Outro investimento que realizou foi no sistema de alimentação RF400. Este sistema permite otimizar o custo alimentar? Como? O sistema anterior era baseado no pastoreio e na manjedoura, onde comiam uma mistura feita no unifeed, que era igual para todos os animais. Em pastoreio não é possível ter lotes de altas, médias e baixa produção, e por isso todos os animais comiam o mesmo, levando a que no fim da lactação os animais tivessem engordado, criando assim

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uma despesa desnecessária. Este novo sistema permite que os animais, em cada ordenha, comam entre 1 a 7 kilogramas de ração, com degraus de ajustamento de 50 gramas e portanto o consumo de concentrado na ordenha é em função da produção de leite, ajustado automáticamente pelo programa do computador. A vaca aumenta a produção e o computador acrescenta a dose correspondente de ração, a menos que haja descidas ou subidas muito rápidas, ou seja, superiores em 20% à média dos últimos 7 dias. Nestes casos, o programa informático não aceita o novo nivel de ração e sou eu que tenho que registar novamente no sistema a quantidade correta de ração por animal. Normalmente faço isto 2 vezes por semana para aqueles animais que estão no inicio ou no fim da lactação ou, para aqueles que tiveram qualquer problema que os levou a ter variações abruptas. Posso considerar que de todos os investimentos, foi aquele que me trouxe maior rendimento, maior satisfação. Permitiu-me, independentemente da época do ano, ter sempre as vacas em inicio de


entrevista

lactação com produções altas, coisa que não acontecia no regime anterior, em que chegava o verão e pelas condições climatéricas adversas e forragens com menos qualidade não retirava o máximo potencial destas vacas. Passou a ter menor consumo de ração por mês? Eu poderia ter optado por um menor consumo de ração, mas não fui por esse caminho. Decidi dar a mesma quantidade de ração e ter mais leite. Posso dizer que estou em média com mais 3 a 4 litros de leite vaca/ dia. Claro que todo este aumento de leite referido resulta dos vários investimentos realizados, redução do tempo de ordenha, sistema de alimentação balanceado na ordenha e de um parque de espera mais higienizado (melhor estado de patas dos animais) e todo um processo mais tranquilo.

Investiu no sistema de gestão ALPRO. Em que consiste? Este sistema, possibilita a análise diária no computador vaca a vaca. Existindo alertas, terei que verificar cada um desses animais. Permite-me também, sentado à secretária, separar certos animais, que depois de ordenhados, quando chegam à cancela separadora, são desviados para uma manga onde eu faço a inseminação, o diagnóstico e eventualmente o tratamento caso seja

“Com a necessidade de nos tornarmos mais competitivos tomámos a decisão de investir numa nova sala de ordenha”

necessário. Este programa também serve para fazer a gestão do efetivo, estando tudo ligado de alguma forma à produção de leite por vaca. Este equipamento inclui o sistema medição de actividade para detecção de cios, que ainda não está completamente afinado para as condições de pastoreio que aqui tenho. Os animais vão todos os dias à pastagem, localizada sempre a uma distância diferente do dia anterior, havendo sempre a possibilidade de uma vaca sair da cerca ou por outro motivo qualquer, aparecem alertas no computador de falsos negativos e falsos positivos. Recomendaria estes investimentos a colegas seus? Sim, sem dúvida que recomendo pelas razões já acima referidas. Posso dizer, que no meu caso, prevejo conseguir pagar este investimento em 5 a 6 anos.

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equipamentos

os novos unifeeds Faresin Durante a Feira de Santarém, a Tractorave expôs os reboques unifeeds da sua representada Faresin. A Tractorave é líder de mercado neste segmento de produto, com 74 unidades horizontais/verticais vendidas (17 das quais automotrizes) desde 2008, com uma taxa de penetração de 85% do mercado nacional nas versões automotrizes. Os unifeeds automotrizes

das novas séries Ecomix e Ecomode permitem reduzir o consumo através do aumento da rapidez do ciclo de alimentação da máquina, tanto na fase de transferência como de “desensilagem” e mistura. Caraterísticas inovadoras destas séries:

- a gestão eletrónica da potência, quer para o senfim, quer para a

deslocação da máquina e para a fresa reduz o consumo do motor e aumenta a rapidez de manobra; - utilização de contracone; - suspensão dos eixos com regulação na cabina (só para a EcoMode) ; - posição mais avançada da cabina para aumentar a visibilidade do operador; - equipadas com parachoques posteriores; - tela Heavy Duty para aumentar a visibilidade operativa; - canal de fresagem de 800 mm aumentado para maior transporte de produto; - aumento da altura livre ao solo graças à maior dimensão das rodas;

- bombas hidráulicas de controlo elétrico; - redutores de cócleas e redutores com eixos reforçados. fresa:

- o diâmetro aumentou de ø55 mm para ø75 mm; - a potência aumentou de 130 cv para 150 cv; - o diâmetro do canal da fresa aumentou de 600 para 800 mm, aumentando a velocidade de carga. motor:

- o novo compartimento do motor aumenta a visibilidade lateral; - melhor limpeza, melhor distribuição de pesos e maior estabilidade; - menos ruído.

A séries Ecomode e Ecomix disponibilizam um total de 11 modelos, de 9 a 35m3.

tractorave entrega mais um ecomix Unifeed Faresin Ecomix 220 entregue durante a Feira de Santarém à empresa Pecfont, Lda., da Póvoa do Varzim. Este é o segundo reboque Ecomix que a Tractorave entrega este ano.

Portas Abertas Lely O LELY Center São Félix da Marinha organizou mais uma Jornada de Portas Abertas, agora na Exploração Luis Silva Unipessoal Lda. situada em Lavra no concelho de Matosinhos. Estas jornadas permitem a visita, a todos os interessados e em especial aos produtores de leite, a uma exploração com equipamentos Lely em pleno funcionamento, facilitando o contacto com os mesmos, bem como a interação entre utilizadores finais e troca de experiências. Esta exploração foi alvo de uma reestruturação completa, com a construção de uma nave nova para albergar 80 animais confortavelmente instalados em cubículos

Lely Commodus e camas Lely Compedes, sendo a ordenha e gestão do efectivo automatizada com um Lely ASTRONAUT A4. Faz também parte desta reestruturação um tanque Lely NAUTILUS de 5000L, bem como toda a automatização do processo de lavagem e descarga do leite para permitir um funcionamento ininterrupto 24 horas por dia do processo de ordenha. A presente exploração é um espelho de outras que nos tempos desafiantes que temos vivido se destacam pela vontade de um jovem investir e lutar para assegurar o perpetuar da agricultura e em particular da produção de leite em Portugal. A

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aposta na automatização da ordenha permite uma melhor qualidade de vida bem como níveis de rentabilidade

aumentados. O evento contou com a presença de cerca de 400 pessoas.


Ponto de encontro

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MC RIOS , SA Albergaria-a-Velha T: 234 529 440 . E: geral@mcrios.pt

Feira Agrocomercial em S. Miguel XII Concurso Micaelense da raça Holstein Frísia Decorreu em S. Miguel, entre os dias 31 e 2 junho, o concurso micaelense da raça Holstein Frísia e o VII concurso Juvenil da mesma raça.

Este concurso, que marca sempre presença durante a feira, foi criado para dar um maior enfoque às vacas leiteiras, servindo de montra

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ao excelente trabalho que os produtores micaelenses têm feito em termos de melhoramento genético. “A preocupação da associação

é proporcionar a logística para que o evento se realize, assim como as ferramentas que estão por detrás deste melhoramento, como sejam os serviços


ATUALIDADES

técnicos para inseminação artificial, transferência embrionária, emparelhamentos... A verdade é que hoje existe toda uma mística à volta deste concurso que o projeta para além das ilhas, o que é bastante importante para quem precisa de rentabilizar SAU existente e as explorações leiteiras. A venda de genética para o continente já foi e queremos que seja no futuro uma fonte de receita interessante, já hoje existem campeões nacionais que resultaram da transferências embrionárias de animais dos Açores”, disse Jorge Rita, presidente da associação. O concurso Juvenil tem um papel muito importante na manutenção e paixão dos jovens pelo mundo das vacas de leite, crianças de 4 anos passam os seus animais, criando o gosto pelos

concursos desde pequeninos. Este concurso está aberto a qualquer produtor que queira apresentar os seus animais, permitindo que os produtores se envolvam mais neste setor. A presença de juízes de topo, como foi caso deste ano, em que o juiz canadiano tinha no seu curriculum dois concursos de Madison (maior concurso mundial) e também de Toronto leva a que os melhores animais apareçam a concurso.“ É mesmo considerada por juízes europeus uma das melhores feiras da Europa depois de Cremona, onde estão sempre presentes 4 a 5 animais que poderiam estar em concursos de nível mundial”, diz Jorge Rita. “Temos boa genética, bons animais, bons criadores e essencialmente muita gente com a paixão e entusiasmo pelas vacas.”

“Para o futuro próximo já se pode contar com o parque de exposições, infraestrutura preparada para este tipo de eventos, que permitirá até fazer mais algum concurso de forma diferenciada. Mas o grande objetivo é a internacionalização do concurso da raça Hosltein Frísia, não por via dos animais

que vêm de fora, porque isso é muito difícil, mas sim pelas pessoas que iremos cada vez mais atrair pela visibilidade que teremos na Europa. Para além de confirmar este concurso como um dos melhores concursos nacionais e poder vir a realizar aqui alguns dos concursos nacionais.”

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conheça a lei

Contratos:

Verbais ou por escrito? Drª Sofia Peixoto de Menezes, Advogada estagiária, www.fladvoga.com

No passado, a celebração de negócios jurídicos ocorria usualmente em cerimónias cheias de ritualismos, que variavam de negócio para negócio mas que se revestiam quase sempre de grande complexidade e aparato. Com o decorrer do tempo, com o crescente aumento do número e da complexidade das relações económicas e sociais, o formalismo passou a ser exigido apenas para certos negócios jurídicos e foi reduzido praticamente à exigência de documento escrito, elaborado pelas partes ou por determinadas entidades ou perante estas últimas. Atualmente, a regra é que os negócios jurídicos são válidos independentemente da forma utilizada, isto é, de terem sido ou não escritos. Esta matéria é regulada pelo artigo 219º do Código Civil que dispõe: “A validade da declaração negocial não depende da observância de forma especial, salvo quando a lei a exigir”. Os negócios jurídicos que podem ser celebrados por qualquer meio que exteriorize adequadamente a vontade negocial, independentemente da forma, denominam-se consensuais ou não solenes. Por seu lado, aqueles relativamente aos quais a lei prescreve a necessidade de ser respeitada determinada forma, o acatamento de determinado formalismo ou de determinadas solenidades, são designados por formais ou solenes. Vivemos assim numa era em que a regra

é a dos negócios consensuais ou não solenes. Todavia, isto não impede que as partes possam celebrar por escrito negócios jurídicos a que a lei não imponha a forma escrita. Para além disso, quando a lei prescreve a necessidade de se observar determinado formalismo, designadamente a redução a escrito do negócio e as partes não o fizerem, a declaração negocial é nula, não produzindo o efeito desejado pelos contratantes. Assim sendo, importa referir alguns dos principais contratos formais ou solenes, que, mais dia menos dia, todos acabam por celebrar. Comecemos pelos contratos de arrendamento, rural e urbano, temas já abordados em edições anteriores, e que regulam a cedência e o uso temporários de um bem imóvel, mediante retribuição. O contrato de arrendamento urbano deve ser celebrado por escrito quando as partes acordarem que a sua duração é superior a seis meses. Já o contrato de arrendamento rural é obrigatoriamente reduzido a escrito, independentemente da respetiva duração. A inobservância da redução a escrito destes contratos resulta na sua nulidade. No contrato de trabalho, pelo qual uma pessoa singular se obriga, mediante retribuição, a prestar a sua

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atividade intelectual ou manual a outrem, sob a orientação e autoridade desta, as coisas já se passam de modo diferente. Acertados estes últimos aspetos e verificando-se, por exemplo, uma prestação de trabalho reiterada em local pertencente ao beneficiário dessa prestação, com utilização de equipamentos deste último, num horário determinado e o recebimento periódico de determinada quantia, presume-se que entre as partes vigora um contrato de trabalho sem termo. E isto, mesmo que as partes contratantes, empregador e trabalhador, não tenham escrito o que combinaram nem assinado tal documento. Se estes acordarem em limitar no tempo a duração do contrato de trabalho, colocando-lhe um prazo, ou termo, na atual designação legal, e pretenderem que tal limitação seja legalmente aceite, então o contrato de trabalho deve obedecer à forma escrita e aos demais requisitos que o Código do Trabalho impõe no seu artigo 141.º. Por força da lei, a inobservância da forma escrita num contrato de trabalho a termo importa a sua conversão em contrato de trabalho sem termo. Assim, para termos um contrato de trabalho “para vida” não é necessário escrevê-lo e assiná-lo. Porém, é imprescindível fazê-lo quando se pretende um “contrato de trabalho a prazo.”


conheça a lei

Ainda neste âmbito, valerá a pena referir o regime da relação laboral estabelecida sazonalmente entre agricultores e trabalhadores agrícolas. Neste caso, o vínculo existente entre as partes não tem de obedecer a forma escrita, sendo regulado expressamente pela Convenção Coletiva em vigor à qual ficam obrigados quer o empregador quer o trabalhador. O contrato de compra e venda, que é dos contratos celebrados mais frequentemente ainda que, muitas vezes, as partes nem tenham presente a relevância jurídica das respetivas condutas, é o contrato pelo qual se transmite a propriedade ou outro direito sobre uma coisa mediante o pagamento de um preço. Importa ressalvar que o contrato de compra e venda é legalmente regulado em função do bem que se pretende transmitir e na impossibilidade de serem abordados “todos” os contratos de compra e venda existentes, referem-se os de maior interesse. Comecemos pelo contrato de compra e venda de imóveis. Percebe-se bem que um simples acordo verbal não seria adequado para assegurar a transmissão da propriedade de um prédio, quer pelos montantes envolvidos, quer pela necessidade de se assegurar que as respetivas transações são devidamente ponderadas por comprador e vendedor, quer pela necessidade de se saber a quem os imóveis pertencem em cada momento, ou quem sobre eles detém direitos. E, na verdade, o Código Civil estatui que o contrato de compra e venda de bens imóveis só é válido se for celebrado por escritura pública ou por documento particular autenticado, o que, neste último caso, poderá ser feito, por exemplo, por Advogado, que fica obrigado a promover o registo da transação. A par dos formalismos exigidos para a compra e venda, os imóveis são bens sujeitos a registo predial, que se destina “essencialmente a dar publicidade à situação jurídica dos prédios, tendo em vista a segurança

do comércio jurídico imobiliário.” A falta de observância das formalidades impostas por lei à compra e venda de imóveis resulta na nulidade do negócio e na impossibilidade de registo do ato. Uma vez que para viver para além de “casa” e de “terra” também precisamos de nos deslocar, menciona-se também o contrato de compra e venda automóvel. No rigor da lei, a compra e venda de um automóvel fica perfeita, concluída, com as declarações das partes, não sendo necessário reduzi-las a escrito. Porém, trata-se da transmissão de um bem sujeito a registo e para a realização deste a lei determina o preenchimento e assinatura do Requerimento de Registo Automóvel no qual, para além de requerem a emissão de novo documento de registo, as partes declaram que vendem e compram o automóvel nela identificado. Hoje em dia a Conservatória do Registo Automóvel coloca à disposição dos interessados o formulário de registo que, depois de devidamente preenchido e assinado, deve ser entregue para regularização da situação registral do veículo e consequente emissão de novo Documento Único Automóvel, vulgarmente designado DUA, com a propriedade registada a favor do comprador. Há outras razões para além das relativas ao registo que aconselham que a compra e venda de automóveis seja reduzida a escrito. Desde logo porque existem diversos motivos para que a determinação da data em que a transação do automóvel se concretizou seja muito importante. Pensemos que ela é decisiva para determinar a responsabilidade pelo pagamento de impostos, pela responsabilização por determinadas infrações ou pelos danos causados em determinados acidentes de viação. Para salvaguarda do vendedor, para que este possa com maior facilidade defenderse de situações da responsabilidade de quem lhe comprou o automóvel e não requereu de imediato o registo da

aquisição, o vendedor deve ficar com cópia do modelo de compra e venda utilizado na transação. Ou, então, elaborar e assinar documento no qual se ateste a data e hora da compra e venda e da entrega do automóvel ao seu novo dono. Nos demais contratos de compra e venda, designadamente que tenham por objeto bens não sujeitos a registo, quando celebrados entre sujeitos que não se dediquem ao comércio dos mesmos, a lei não obriga que obedeçam à forma escrita. Contudo, é aconselhável que a transmissão de alguns desses bens seja acompanhada de documento escrito atendendo ao valor dos mesmos e à frequência com que são transacionados. É o caso, por exemplo, de alfaias, pulverizadores, caixas de carga, corta-mato, entre outros, que por vezes são adquiridas a um vizinho amigo que tem mas não usa, não dá nem empresta, mas está disposto a vender. Ora, não sendo estes bens sujeitos a registo, independentemente da seriedade inquestionável das partes, é importante não esquecer que o documento escrito para além de firmar a vontade dos sujeitos sem réstia de dúvidas, permite que o respetivo preço de aquisição seja incluído nas despesas a ter em conta no calculo dos impostos, quer sobre o rendimento de pessoa colectiva ou singular, enquanto sujeito passivo em exercício de atividade agrícola ou pecuária. E temos assim casos em que a obtenção de vantagens fiscais é mais uma razão para se reduzir a escrito a compra e venda realizada. Vimos que há muitos contratos que não precisam de ser escritos e que a regra nesta matéria até é a da consensualidade. Todavia, ao dar-lhes forma escrita as partes podem retirar inúmeras vantagens dos contratos para além de ficar mais claro o que as partes efetivamente esperam uma da outra e de facilitar a prova do que pretenderam contratar. Assim, sempre que possível, contrate por escrito. Não vá o diabo tecê-las!

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Não deixe de...

FEIRAS

formação Curso de maneio de vitelos para produtores Organização - FMV-UTL.

X Feira Agricola do leite - AgroleitE Organizada pela Leicar, vai realizar-se em Rates, Póvoa de Varzim, a X Feira Agrícola do Leite, AGROLEITE 2013, entre 18 e 21 de julho. No evento estarão presentes empresas expositoras de alimentação e nutrição animal, genética, máquinas agrícolas e serviços. O ponto alto do certame será a realização do X Concurso da Raça Holstein-Frísia, a decorrer nos dias 20 e 21 de julho.

Space 10 a 13 setembro Rennes, França www.space.fr

WORLD DAIRY EXPO 2013 “Centre of the Dairy Universe” 1 a 5 outubro Madison, EUA www.worlddairyexpo.com

Pequenos Cursos sobre Grandes Animais Na Faculdade de Medicina Veterinária em Lisboa Dias 12 e 13 de Julho de 2013 Custo da inscrição:100€/pessoa Inscrições e Contactos: Teresa Baltazar.Tel.213652805 TEMAS ABORDADOS Parto e cuidados com o vitelo recém-nascido; Causas de pneumonia; Instalações para vitelos; Diarreias em vitelos; Outros problemas digestivos; Higienização de materiais e instalações; Controlo de diarreias neonatais-perspectiva Merial; Outros problemas em vitelos; Maneio do vitelo doente; Desenvolvimento de vitelos e objectivos recria; Planos vacinais; Colostro e leites de substituição; Discussão de casos práticos. FORMADORES George Stilwell; José Lopes Jorge; Luis Costa; Miguel Saraiva Lima; Ricardo Bexiga.

SOMMET DE L’ELEVAGE 2 a 4 outubro Clermont-Ferrand, França www.sommet-elevage.fr

Feira Cremona International Dairy Cattle Show 24 a 27 outubro Cremona, Itália www.cremonafiere.it

Animal Farming Ukraine 29 a 31 outubro Kiev, Ucrânia www.animalfarmingexpo.com

Agritechnica Hannover 12 a 16 novembro Hannover, Alemanha www.agritechnica.com

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Ruminantes 10  

Edição nº10/2013 A revista da agropecuária

Ruminantes 10  

Edição nº10/2013 A revista da agropecuária

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