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Ano 8 - Nº 31 - 5,00€ outubro | novembro | dezembro 2018 (trimestral) Diretor: Nuno Marques

A REVISTA DA AGROPECUÁRIA

www.revista-ruminantes.com

BEEFMASTER PRODUÇÃO DE AZEVÉM ANUAL

uma raça por explorar

num clima termomediterrânico

VENTILAÇÃO em alojamentos de bovinos de leite

Axion Start: a solução para as células somáticas

“Cows’ fields forever” o sistema de pastagem “ABC” na Irlanda

Inseminação a tempo fixo - explorações mais eficientes

pág. 60

pág. 10

pág. 66


Programa Iceberg

Para uma transição mais segura

Como minimizar os problemas metabólicos e maximizar a saúde na transição?

Dairy Max...

Formulação personalizada para um arranque de lactação tranquilo.

Mamite Hipocalcémia

Fígado Gordo

Torção de abomaso Retenção de placenta Cetose Problemas subclínicos

OS PROBLEMAS DECORRENTES DA FASE DE TRANSIÇÃO, TÊM ORIGEM PROFUNDA. O QUE VEMOS É APENAS A PONTA DO ICEBERG

CARGILL II – NUTRIÇÃO ANIMAL, S.A. Unidade fabril de Alverca: Estrada de Adarse – Apartado 26 2616-953 Alverca do Ribatejo PORTUGAL T: +351 219 589 000 F: +351 219 589 016

Unidade fabril de Ovar: Avenida 16 de Maio – Apartado 26 3884-909 Ovar PORTUGAL T: +351 256 579 000 F: +351 256 579 003


EDITORIAL

Edição nº 31 OUTUBRO | NOVEMBRO | DEZEMBRO 2018 DIRETOR

Nuno Marques | nm@revista-ruminantes.com

Num 31? Este é o editorial da edição nº31. Por coincidência, paira no ar a sensação de que o setor leiteiro está metido num “31”. A produção excessiva de leite dos produtores “associados” da Agros levou a que a empresa tenha implementado um incentivo para o encerramento de explorações e a diminuição da produção de leite. Admito que neste momento não exista alternativa a uma redução da produção, mas continuo com a sensação que se poderia ter feito muito mais por um setor que tem uma empresa com dimensão ibérica. “Não temos dimensão”, é uma queixa frequente em Portugal transversal a quase todos os setores. Neste editorial quero partilhar alguns pensamentos que vou tendo das conversas com produtores de leite e pessoas envolvidas neste setor. Em geral, os agricultores estão dececionados com a forma como as “estruturas” da fileira têm gerido o negócio. Como fator comum a esta deceção está, na opinião de muitos produtores, “a diferença que existe entre o que as pessoas prometem quando se estão a candidatar aos cargos de direção e o que fazem depois de eleitas”. Admitindo que perceção é realidade, os responsáveis do setor têm que entender que muitos produtores não veem com bons olhos esta suposta mudança de atitude nas pessoas que foram eleitas para defender os seus interesses e conduzir a empresa, da qual são fornecedores e “acionistas”. Mesmo que esta mudança de atitude ou de pensamento tenha sido sem intenção de enganar, a verdade é que os seus eleitores precisam de um esclarecimento cabal para poderem continuar a acreditar nas estruturas. As empresas são feitas por pessoas e para que se tornem empresas fortes (grandes não chega) todos os intervenientes têm que remar no mesmo sentido. Para que isto aconteça, é importante que se crie um espírito de confiança entre todos e que não fiquem dúvidas sobre a verdadeira intenção das medidas tomadas pelas chefias. Numa altura em que o setor atravessa um período difícil, os intervenientes querem alguém em quem se revejam, que cuide da Produção, que os trate como cada um gosta de ser tratado, e que seja íntegro, ou seja, que faça aquilo que disse que ia fazer, e caso não consiga, se explique.

Colaboraram nesta edição Abel Veloso; Andreia Amaral; António Cannas; António Moitinho; Arturo Gomez; César Novais; Deolinda Silva; Edgar Vaz; Francisca Moreira; George Stilwell; Hugo Ferreira; Javier Lopez; Joana Luís Monteiro; João Santos; José Alves; José Caiado; José Fragoso de Almeida; Juan Pedro Campillo; Luís Raposo; Paulo Batista; Pedro Castelo; Rui Fortunato; Sandra Dias; Sara Garcia; Teresa Amorim; Teresa Moreira. Agradecimentos Irmãos Ferreira Gomes - Soc Agrícola, Lda

PUBLICIDADE E ASSINATURAS Nuno Marques | comercial@revista-ruminantes.com

REDAÇÃO

Francisca Gusmão; Inês Ajuda; Joana Silva; Margarida Carvalho.

DESIGN E PRÉ-IMPRESSÃO Sílvia Patrão | prepress@revista-ruminantes.com

IMPRESSÃO

Jorge Fernandes, Lda Rua Quinta Conde de Mascarenhas, Nº9, Vale Fetal 2825-259 Charneca da Caparica Tel. 212 548 320

ESCRITÓRIOS

Rua Alexandre Herculano, nº 21, 5º Dto 2780-051 Oeiras Telm. 917 284 954 | geral@revista-ruminantes.com

PROPRIEDADE / EDITOR Aghorizons, Lda / Nuno Marques Contribuinte nº 510 759 955 Sede: Rua Alexandre Herculano, nº 21, 5º Dto 2780-051 Oeiras Tiragem: 5.000 exemplares Periodicidade: Trimestral Registo nº: 126038 Depósito legal nº: 325298/11

Gostava de ver este setor respirar saúde porque são muitas famílias que dele dependem, porque tem muita importância para a manutenção da paisagem e para o ordenamento dos terrenos agrícolas (ainda iremos pagar para limpar os terrenos em “pousio”), porque se encontra gente com paixão pela produção de leite, porque temos excelentes profissionais, e porque temos as estruturas de recolha e comercialização de leite com uma dimensão ibérica que podem ajudar a manter um negócio saudável.

O editor não assume a responsabilidade por conceitos emitidos em artigos assinados, anúncios e imagens, sendo os mesmos da total responsabilidade dos seus autores e das empresas que autorizam a sua publicação.

Fica o pensamento de quem vê de fora, com intenção de dar a conhecer aquilo que é o pensamento de muitos intervenientes neste negócio e que acredita que ainda é possível voltar a produzir mais leite.

O “Estatuto Editorial” pode ser consultado no nosso site em: www.revista-ruminantes.com/quem-somos

Nuno Marques

Reprodução proibida sem autorização da Aghorizons, Lda. Alguns autores nesta edição ainda não adotaram o novo acordo ortográfico.

Envie-nos as suas crítícas e sugestões para: nm@revista-ruminantes.com

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Monobox GEA Um só movimento para uma ordenha perfeita O Monobox apenas necessita de uma colocação para poder realizar toda a sequência de passos de uma boa rotina de ordenha. Num único movimento coloca, estimula, limpa, tira os primeiros jactos de leite, ordenha e aplica o post-dip directamente nos tectos

Os 6 passos da rotina de ordenha automática Monobox 1. Colocação e estimulação Logos após à colocação da tetina começa o processo de estimulação mecânico que prepara o ubre para uma ordenha rápida e com elevados fluxos de leite A estimulação mecânica da GEA reduz as curvas bimodais, desta forma é encurtado o tempo de ordenha e aumenta a produção de leite por animal. 2. Ordenha limpa É feita a limpeza dos tetos seguida de uma secagem, posteriormente são retirados os primeiros jactos de leite O que diferencia o sistema Monobox da GEA de outras máquinas é que desta forma não são necessárias escovas ou qualquer outro equipamento mecânico que possa provocar uma qualquer contaminação dos tetos. Ao realizarmos uma limpeza regular e constante evitamos ordenhar tetos sujos ou molhados.

3. Medição e análise do leite Um conjunto de sensores analisa por teto a temperatura, a cor e a condutividade eléctrica do leite dos primeiros jactos para detectar anomalias ou mamites. De seguida são monitorizados os fluxos de leite e tempos de ordenha de cada teto enquanto se mede o volume de leite produzido. A informação detalha é disponibilizada ao produtor de forma a permitir realizar os ajustes necessários. 4. Ordenha completa, rápida e confortável A ordenha em linha baixa permite trabalhar com baixos níveis de vácuo o que nos dá a garantia de uma ordenha rápida e suave dos tetos. A linha baixa proporciona estabilidade de vácuo e melhores condições para os tetos, coisa que as linhas altas não permitem. Este facto influência de forma positiva a qualidade final do leite ordenhado.

5. Posicionamiento Um braço de ordenha leve e suspenso adapta-se de maneira natural aos movimentos da vaca. Isto evita maus posicionamentos do jogo de ordenha, quedas dos casquilhos, forças negativas e respiros nas tetinas. Caso uma tetina caia, jamais esta poderá tocar o chão até que volte a ser colocada, nem o jogo de ordenha perde o bom posicionamento O curto comprimento das mangueiras de leite proporciona estabilidade e evita flutuações de vácuo.

6. Post Dip e retirada automática Uma vez terminada a ordenha e antes de retirar a tetina, é aplicado directamente em cada teto o produto desinfectante e cosmético. Esta forma de aplicação tão directa permite uma cobertura perfeita e de forma homogénea em todo o teto e uma hidratação mais eficaz..


Qualidade, Produtividade e Flexibilidade. Tudo em um! Módulo profissional de ordenha automática proporciona o máximo rendimento e excelente saúde do rebanho. O novo módulo GEA Monobox herda as vantagens do célebre módulo de ordenha DairyProQ para uma produção de leite de qualidade superior. Toda a rotina de ordenha é realizada dentro de uma só tetina, o que assegura uma ordenha com uma higiene impecável, uma melhor saúde do rebanho e um leite de qualidade premium. GEA Monobox ordenha as suas vacas no momento oportuno e com uma eficiência única.


The Probiotic Pro our future generation

Após exaustivas investigações dentro da extensa colecção de estirpes de leveduras vivas da Lesaffre, o Actisaf® foi selecionado como a solução mais adequada para a produção animal actual. Suportado por rigorosos estudos ciêntificos , este probiótico único utiliza-se actualmente para melhorar a saúde e o desempenho de mais de 100 milhões de animais em todo o mundo . Desde a nutrição animal à nutrição humana, Actisaf® oferece benefícios a todos os níveis da cadeia alimentar. Distribuidor exclusivo para Portugal e Espanha:

Contato em Portugal: Winfarm, Lda Morada: Rua das Begónias N°1 2820-534 Charneca da Caparica Tlm. +351 913 317 235 e-mail: antonio.pratas@winfarm.pt

Actisaf asegura tanto a qualidade do produto final como a sua segurança - estes factores são fundamentais para conseguir uma produção alimentar sustentável.

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ÍNDICE

22 Produção de azevém anual diploide e tetraploide em monoculturas e mistura binária A avaliação da produção e da composição nutricional de duas variedades em condições características de um clima termomediterrânico.

ALIMENTAÇÃO

40 Beefmaster: a raça de bovinos de carne por explorar em Portugal A produção de bovinos de carne requer hoje, mais do que nunca, eficiência. Conheça esta raça que chega do outro lado do Atlântico e que promete ser fértil, possuir boas características maternais e produtivas, robustez e longevidade.

18 Cabras de aptidão leiteira – incorporação de lisina e metionina na dieta 28 O teor de gordura do leite. Porque varia ao longo do ano? 36 Levucell SC conforto digestivo e bemestar 48 Ovinos INRA 401 (La Romane). Análise técnico-económica de uma exploração 60 Axion Start - Uma nova abordagem ao início da lactação e uma nova solução na redução das células somáticas

ECONOMIA 52 Observatório de matérias primas 54 Observatório do leite 56 Índice VL e Índice VL erva 58 Liderança – uma equipa motivada é uma equipa vencedora

FORRAGENS

84 A ventilação nos alojamentos para bovinos de aptidão leiteira O bom planeamento da ventilação pode reduzir custos e aumentar a produtividade. A qualidade do ar vai-se refletir no bem-estar dos animais, saúde e na produtividade.

PRODUÇÃO

16 Princípios básicos de maneio dos silos 26 ADP Nergetic Dynamic S+ Adubação azotada eficiente em pastagens e forragens

GENÉTICA 32 Open Day ProCROSS em Lisboa – “menores custos de alimentação”

10 “Cows’ fields forever”, by Lely Grazing System 90 Produção de cabras leiteiras pela Agropefe

PRODUTO 86 Cow Cooling, o testemunho de quem tem vindo a investir no bem-estar animal 93 Novidades de produto

SAÚDE E BEM-ESTAR ANIMAL 44 A importância da água em vitelos – reidratação 64 Dermatite digital, a visão do especialista em patologia podal 66 Inseminação em tempo fixo, entrevista a Andreia Amaral 70 O que a condição corporal nos pode dizer 74 A importância de implementar um plano vacinal eficaz contra IBR 76 Brucelose em pequenos ruminantes 78 “.. As meninas estão bem”. Outra vez, e (esperamos), para sempre! 82 Biossegurança – a presença de animais de outras espécies na exploração

Boletim de assinatura 1 ANO, 4 EXEMPLARES

DADOS PESSOAIS

Portugal: 20,00 €

Nome.............................................................................................................................................................................................

Europa: 60,00 €

Morada..........................................................................................................................................................................................

Pagamento • Por transferência bancária IBAN: PT50 0269 0111 00200552399 92 Enviar comprovativo para o email geral@revista-ruminantes.com • Por cheque: À ordem de Aghorizons, Lda.

............................................................................................................................................................................................................. CP............................................................................Localidade.............................................................................................. Email.............................................................................................................................................................................................. Tel............................................................................NIF................................................................................................................. Morada para envio: Revista Ruminantes - Rua Alexandre Herculano, nº 21, 5º Dto, 2780-051 Oeiras.

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ATUALIDADES

LATICÍNIOS PODEM REDUZIR A OCORRÊNCIA DE DOENÇA CARDIOVASCULAR De acordo com uma investigação recente, o consumo moderado de laticínios, incluindo os produtos mais ricos em matéria gorda, pode reduzir a ocorrência de doença cardiovascular e mortalidade, em comparação com níveis reduzidos de consumo. O estudo em questão envolveu pessoas de vinte e um países, entre os 35 e os 70 anos, num total de 130 000 participantes. O consumo de laticínios foi registado no início do estudo através de questionários validados em cada país, e cada participante foi seguido durante os nove anos seguintes. Neste período, uma porção era equivalente a: um copo de 244 gramas de leite, 244 gramas de iogurte, uma fatia de queijo de 15 gramas ou uma colher de manteiga de 5 gramas. A América do Norte e a Europa registaram os maiores consumos, com pelo menos 368 gramas diárias. No extremo oposto estavam as regiões sul e sudeste da Ásia, China e África, todas com menos de uma porção total diária. Os participantes foram assim agrupados em quatro grupos: os que não ingeriam nada de laticínios, os que consumiam menos do que uma porção diária, aqueles cujo consumo variava entre uma a duas porções e, por último, os que ingeriam mais do que duas porções. Verificou-se que, em comparação com o grupo que não ingeria laticínios, o grupo de maior ingestão (cerca de três porções diárias) apresentou menores níveis de mortalidade (3,4% versus 5,6%), incluindo mortalidade cardiovascular (0,9% versus 1,6%) e AVC (1,2% versus 2,9%). Apesar de irem ao encontro das conclusões de estudos passados, os resultados obtidos parecem chocar com as recomendações atuais, nas quais é aconselhado o consumo de duas a quatro porções de laticínios magros, devendo evitar-se as versões mais ricas em gordura. Estas recomendações baseiam-se no efeito nefasto das gorduras saturadas sobre um único marcador de doença cardiovascular, o colesterol LDL. No entanto, existe informação científica que aponta efeitos benéficos a algumas gorduras saturadas, sendo que os laticínios contêm outras substâncias nutritivas importantes, como aminoácidos, vitaminas, minerais e probióticos.

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RABOBANK: O MERCADO DA CARNE DE BOVINO NO TERCEIRO TRIMESTRE DE 2018 O relatório do terceiro trimestre do banco holandês Rabobank sobre o mercado de carne de bovino aponta para fortes exportações dos EUA e um aumento da importação pelo Japão e Coreia do Sul. Apesar das incertezas das políticas comerciais, a exportação de carne pelos EUA mantém-se elevada e mesmo com um aumento na produção de proteína, impulsionada maioritariamente pela produção de porco e aves, os preços não baixaram. No entanto especialistas alertam para que estas preocupações possam ser refletidas nos preços referentes à segunda metade do ano. No Brasil, uma diminuição da oferta de bovinos e um forte mercado de exportação contribui para uma subida dos preços da carne de bovino. A China, segundo maior importador de carne de bovino do Brasil, aumentou as suas importações em 44% até ao 8º mês do ano. Também as importações do Japão e Coreia do Sul estão em crescimento alimentado pela abundância dos EUA e

Austrália. Recentemente o Japão autorizou a primeira importação de carne de bovino fresca proveniente da Argentina o que pode ser um bom indicador para o Brasil que está também a tentar entrar neste mercado. O facto de recentemente a China ter registado vários surtos de peste suína africana faz prever a necessidade deste país aumentar a importação de carne de porco e mesmo de carne de bovino em 2019. Já na Europa, a oferta de carne de bovino tem estado em alta devido à seca, aumento do preço dos alimentos para animais, redução do lucro e consequentemente aumento do número de abates. As exportações europeias por seu lado têm registado um decréscimo com a Turquia a dominar, representando 15,5% das exportações. A recente aprovação por parte da China da importação de carne de bovino de países europeus como a França ou a Irlanda pode representar uma oportunidade importante para a Europa.

ARLA PREPARA NOVO CENTRO DE INVESTIGAÇÃO A cooperativa dinamarquesa Arla Foods tem planos para construir um novo centro de investigação com 9000 metros quadrados. Este centro inovador localizar-se-á em Nr. Vium, na Dinamarca, e será morada de uma equipa de cerca de noventa cientistas e investigadores, dedicados à descoberta de novas aplicações para o leite e suas proteínas, bem como na sua capacidade para satisfazer as necessidades alimentares da crescente população mundial. Este não é o primeiro investimento da Arla na área científica: já no ano passado inaugurou o seu Centro de Inovação em Skejby, na Dinamarca, fruto de um investimento de 36,3 milhões de euros. A aposta estratégica na inovação é substanciada pelas palavras de Peder Tuborgh, CEO da cooperativa, que frisa que a Arla “sabe que o leite e seus derivados podem ter um papel importante numa dieta saudável e equilibrada”, e que estão prontos para responder ao desafio de satisfazer as necessidades dos consumidores com

o centro de investigação, no qual irão utilizar “tecnologia de ponta para explorar o leite e a proteína whey em todo o seu potencial enquanto matérias-primas”, culminando no desenvolvimento de novos produtos que vão ao encontro de necessidades nutricionais de grupos específicos de consumidores. Este novo investimento será subsidiário da Arla Foods Ingredients, a empresa que foi pioneira na conversão da proteína whey – antes considerada um subproduto sem grande valor – num produto de alta qualidade utilizado em áreas como a nutrição desportiva, clínica e infantil. Em paralelo, espera-se que o centro atraia a atenção de novos investigadores, que se virão juntar a uma equipa de cerca de setenta profissionais. De entre as tecnologias abordadas serão de destacar métodos de separação e isolamento de compostos específicos e tratamentos térmicos visando o aumento da vida útil dos produtos. A construção deverá iniciar-se no outono de 2019, com abertura prevista para 2021.


ATUALIDADES

ÓLEOS ESSENCIAIS PODERÃO VIR A SUBSTITUIR OS IONÓFOROS NO MANEIO DAS VACAS LEITEIRAS Com a proibição do uso de antimicrobianos nas rações animais enquanto promotores de crescimento, o setor procurou noutras moléculas a solução para aumentar a eficiência energética e a recuperação das vacas no pós-parto. Dessas moléculas destacam-se os aditivos ionóforos, como a Monensina, utilizados para prevenir a ocorrência de acidoses e cetoses e aumentar a eficiência nutricional. Um grupo de investigadores do Brasil e dos Estados Unidos está atualmente a estudar a sua substituição por um óleo essencial, acoplado à enzima amilase, e seus efeitos nos processos digestivos, fermentação ruminal e produção leiteira. Os resultados preliminares indicam que a administração conjunta destas substâncias levou a uma melhoria da concentração ruminal de butirato, acetato e ácidos gordos de cadeia ramificada, com diminuição dos valores de amónia produzidos. Apesar de ainda não se ter provado uma associação entre a sua

administração e um aumento da produção leiteira, poderão existir efeitos benéficos em termos de conteúdo proteico do leite. Os óleos essenciais são compostos aromáticos extraídos de plantas, que apresentam propriedades antimicrobianas e que poderão melhorar a capacidade produtiva das vacas leiteiras. Já a adição de amilase às dietas tem mostrado promover a digestibilidade da dieta, afetando positivamente a produção leiteira. A descoberta de alternativas mais sustentáveis do que os compostos medicamentosos é hoje em dia uma necessidade. Apesar do aumento da procura de leite e derivados a nível mundial, principalmente pelas economias emergentes, o setor enfrenta desafios como a redução da emissão de gases de efeito de estufa, uso concomitante de matériasprimas na alimentação humana e animal e restrições no uso de substâncias como os antimicrobianos.

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PRODUÇÃO

“Cows’ fields forever” by Lely Grazing System

POR TERESA MOREIRA FOTOGRAFIAS DE FRANCISCA MOREIRA

Em 2012 o governo irlandês, através do “Irish Agricultural and Food Development Authorithy” apresentou um estudo no qual demonstrou a possibilidade de aumentar a capacidade produtiva do país, aproveitando o enorme potencial da pastagem. Este

estudo conjugou todos os fatores: o fim das quotas, a descida do preço da carne, reconversão das explorações, utilização das pastagens de forma mais vantajosa do ponto de vista económico e as possibilidades de financiamento aos agricultores.

Se considerarmos a semelhança com o nosso país, uma vez que a Irlanda passou por uma idêntica intervenção troykiana, rapidamente, e com profunda tristeza, percebemos a diferença entre um bom e um mau plano. A convite da Lely, apanhei um voo da Irlandesa Ryanair, com destino a Dublin, para visitar explorações que integram sistemas de ordenha automática (AMS ou robot de ordenha) com a pastagem. Parece um paradoxo? Surpreendentemente, fui recebida em Dublin, capital da Irlanda (do Sul), por um dia de sol e céu azul, muito bonito. As músicas que preparei, folk celta e gaitas de foles, enquanto me imaginava a caminhar no meio da bruma,

IMAGEM 1 Da esquerda para a direita: Pat Farrilly, Bas Von Santen e Sean Callan.

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Sistema de pastagem A-B-C (ABC ROBOTIC GRAZING)

O sistema “ABC Lely Grazing System” foi pensado para assegurar que os animais dispõem de pasto fresco a cada 8h. Esta gestão do terreno, significa menor pressão para a terra e melhor recuperação do pasto entre crescimentos. O acesso aos diferentes padocks é gerido pelo sistema de portas associado aos robots. São ordenhadas segundo a programação efetuada. Se um animal já foi ordenhado, dependendo da hora, ou volta para trás ou é enviada para um novo padock.


PRODUÇÃO

acompanhada pelo mago Merlin e a falar em gaélico sobre a produção de leite com as sacerdotisas, não estavam nada de acordo com a paisagem. U2( claro!), The Corrs, os Kodaline, Damien Rice, os Pogues e muitos outros (sim, porque na Irlanda, músicos, escritores, dramaturgos, pubs e destilarias rivalizam em número com pequenos e grandes ruminantes), avançaram para a nova lista, enquanto bebia uma cerveja e refletia sobre as alterações climáticas. Encontrei a Irlanda envolvida numa seca profunda, não na nebulosidade matinal que esperei. Com uma pluviosidade média anual de 80 mm, não chove há vários meses, e, como invariavelmente acontece, o setor agrícola é o primeiro a sofrer a sintomatologia da seca: menos pasto disponível, utilização dos recursos alimentares de

IMAGEM 2 Da esquerda para a direita: Bas Van Santem, M. Horgan (Pai), M. Horgan (filho) e Sean Callan

inverno, como a silagem de erva, durante o verão, maior consumo de concentrado, sólidos do leite mais baixos e muitas restrições relativas ao consumo de água. As 3 explorações que visitei com os técnicos da Lely, Bas Van Santen e Sean Callan, têm vários denominadores comuns: situam-se geograficamente no condado de Meath, província de Leinster (leste da Irlanda), utilizam o Lely Grazing System ABC e duas foram reconvertidas de carne para leite. A principal razão apontada pelos produtores que visitámos para a utilização deste sistema é a flexibilidade na organização diária do trabalho e a menor necessidade de mão-de-obra. No fim da conversa com Pat Farrilly, proprietário da 1ª exploração que visitámos, pensei ter encontrado o Santo Graal da produção de leite! Os animais vivem em regime extensivo, com direito a algumas das regalias do intensivo. Fazem férias de inverno no estábulo, uma vez que não estão a trabalhar (a maioria não é ordenhada), a primavera, verão e outono no campo. Em termos gerais, os procedimentos nas explorações que utilizam

Pat Farrilly “Not milking, not a bad thing” Localização - Kells Co Meath Pat vem de uma família de agricultores que sempre teve vacas de leite. O principal fator que o levou a mudar para este sistema, e segundo as suas palavras, foi a flexibilidade que o mesmo permite, não só em termos pessoais, mas para os próprios animais. E apesar de 2018 ser, até ao momento, um ano atípico, com menos pasto disponível, o que implica “gastar” as provisões do inverno, não muda de opinião. Os animais sentem a flexibilidade do sistema, passam os meses mais agradáveis na pastagem, e a resposta em termos de produção é muito positiva. Mantém 10% dos partos em novembro, apenas por uma questão de contrato. Número de vacas: 240 em ordenha Raça: está em “Holsteinização” Produção: 5150/vaca/ano Nº Robôs: 4 QUALIDADE DO LEITE Gordura: 4,3 % Proteína: 3,5 % CCS: 150.000 Funcionários: Tempo inteiro - 1 | Metade do horário - 1

Horgan Partnership Localização - Kells Co Meath A Horgan PartnerShip é o correspondente em português a uma sociedade agrícola, neste caso entre pai e filho. Até 2014, Mr. Horgan, o pai, foi produtor de carne, mas em 2015 reconverteu a exploração para a produção de leite. Nesta altura associou-se ao filho, investiram no aumento do nº de animais e começaram a trabalhar no sistema ABC. O primeiro ano foi complicado, tudo era novo, os animais, os robots, o sistema, mas neste momento encontram-se quase em velocidade de cruzeiro. Número de vacas: 180 em ordenha Raça: Holstein x Jersey Produção: 5500 l/vaca/ano Nº Robôs: 3 QUALIDADE DO LEITE Gordura: 4,6 % Proteína: 3,7 % CCS: 195.000 Funcionários: 2

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PRODUÇÃO

Michael and Christine Callan Localização - Kells Co Meath Michael é um produtor bem-disposto, que desistiu da carne e começou a produzir leite. Optou pelo ABC Lely Grazing System, por vários motivos, menor necessidade de mão-de-obra, possibilidade de aumentar o número de animais, conforto dos horários e bem-estar animal. Afirma que o mais importante do programa é o equilíbrio da pastagem, é este segredo para conseguir que os animais vão de forma espontânea até aos robots. A exploração está em crescimento e pretende aumentar o número de animais em ordenha. Número de vacas: 425 em ordenha Raça: segundo as palavras do proprietário, Holstein irlandesa Área: aproximadamente 200h Produção: 5500 l/vaca/ano Nº Robôs: 6 QUALIDADE DO LEITE Gordura: 4,5 % Proteína: 3,5 % CCS: 100.000 Funcionários: Tempo inteiro: 2 | Metade do horário: 3

o sistema ABC são semelhantes. O sistema tem algumas particularidades de funcionamento, os dois pontos chaves são o maneio dos animais e da pastagem. É positivo para a lactação futura permitir que as novilhas e as vacas secas circulem de forma espontânea pelo robô, nos 3 dias anteriores ao parto. Uma das formas de o conseguir é oferecendo pequenas quantidades de concentrado no robot. Em princípio, uma vez ensinadas, não necessitam

de novo treino na lactação seguinte. É igualmente importante dar tempo aos animais para entenderem o sistema. Segundo as palavras

IMAGEM 3 Vista das instalações da exploração de Michael and Christine Callan.

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IMAGEM 4 Da esquerda para a direita: Bas Van Santem, Sean Callan e Michael Callan.

de Michael Cállan, um produtor que reconverteu a exploração de carne para leite, é fundamental “mantermo-nos próximo das vacas, não

olharmos apenas para o computador”. Pelo menos duas vezes por dia, temos de olhar para os animais com “olhos de ver”. É necessário treinar as novilhas na utilização dos robots e após o parto assegurarmos que compreendem o funcionamento das portas. O primeiro ano é o mais difícil. É preciso paciência e força de vontade, para


O novo marco no conforto das vacas

A Lely apresenta o Astronaut A5 O conceito I-flow do Lely Astronaut e o braço Híbrido mantêm um ambiente silencioso e relaxado para as vacas serem ordenhadas. Uma operação silenciosa, com movimentos decisivos e um rápido engate dão ás vacas poucas razões para ficarem nervosas. O seu grande alcance facilita a ordenha de vacas de diferentes tamanhos e mantém bastante espaço á sua volta.

Saiba mais sobre este novo marco na ordenha no seu Lely Center.

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PRODUÇÃO

insistir e persistir nos robots, nas vacas e na pastagem. Em concreto, relativo à pastagem, é necessário conhecer bem as áreas, gerir a alocação e manter a qualidade da erva (azevém) semelhante entre os diferentes padocks, uma vez que estes fatores condicionam a qualidade do leite. Há que pensar as áreas de pasto de maneira a que os animais não sejam forçados a percorrer uma grande distância no momento de irem e voltarem da ordenha (a maior distância que encontrei foram 1,6 km). É muito importante a liberdade de movimentos, devendo existir várias opções de entrada e de saída dos padocks, para estimular as vacas a utilizarem os robots. Os trabalhos de campo resumem-se a fazer silagem de erva, utilizada posteriormente na alimentação durante os meses de inverno. As operações habituais de uma exploração de leite, são adaptadas às particularidades deste género de produção.

PRODUÇÃO

IMAGEM 5 Vaca no momento da ordenha.

Sincronizam cios para que os partos decorram numa janela de tempo de 6 a 8 semanas, de acordo com as singularidades do calendário deste sistema.

Em termos de saúde animal, as explorações visitadas trabalham muito na prevenção, cumprem protocolos vacinais para IBR/BVD/Leptospirose, têm programas de qualidade do leite, com especial atenção ao período de secagem. Outra característica comum é que mantém alguns animais em ordenha durante o inverno, sobretudo para cumprirem

as quotas estabelecidas pelos contratos e porque pontualmente têm necessidade de “ensinar” as novilhas a utilizarem o robot. A incidência de problemas metabólicos e podais é residual. As principais causas de refugo relacionam-se com problemas de qualidade de leite e de fertilidade. As explorações que trabalham neste sistema, são pagas pelo volume, pelos sólidos (gordura e proteína) e qualidade (CCS e microorganismos). O preço mais alto que encontrámos foi 0,39€/ litro, para um custo de produção por litro de leite de aproximadamente 0,13€! Na viagem de regresso ao Porto, pensei: na próxima encarnação quero voltar a ser veterinária… mas na Irlanda!

IMAGEM 6 Exemplo de um padock com animais.

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Um arranque saudável

Plano de recria Kaliber®

Vacas leiteiras saudáveis são o resultado da recria de novilhas saudáveis. O plano de recria Kaliber® é um programa alimentar formulado para garantir o desenvolvimento das vitelas, com saúde e vitalidade, e assim conseguir vacas leiteiras mais saudáveis e com uma vida produtiva mais longa. É disso que depende a sua rentabilidade! Quer saber mais sobre o plano de recria Kaliber®? Entre em contacto com um dos nossos especialistas ou visite deheus.pt

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FORRAGENS

Princípios básicos de maneio dos silos As silagens são uma das fontes de nutrientes mais importantes nos atuais sistemas de produção de leite, proporcionando um alimento rico em energia ou proteína a um custo relativamente baixo. As boas práticas de maneio dos silos são vitais para aproveitar todo o potencial deste recurso, sendo estas uma das várias áreas de intervenção onde o produtor de leite assume um papel preponderante pois é o principal responsável pela qualidade das suas forragens.

CÉSAR NOVAIS GESTOR DE PRODUTO DE RUMINANTES - DE HEUS NUTRIÇÃO ANIMAL, SA cvcorreia@deheus.com

JOSÉ ALVES ASSISTENTE TÉCNICO DE RUMINANTES - DE HEUS NUTRIÇÃO ANIMAL, SA jaalves@deheus.com

A qualidade da silagem está dependente das decisões e práticas de maneio implementadas antes, durante e depois da ensilagem. Podemos dividir o processo de fazer e utilizar silagem em duas fases principais: • A ensilagem • O processo de retirada do silo e distribuição aos animais Neste artigo daremos ênfase à segunda fase, embora para ambas existam um conjunto de potenciais problemas e questões de maneio. A retirada do silo e distribuição da silagem aos animais é o último passo de um longo processo. Um maneio incorreto nesta fase pode comprometer todo o trabalho efetuado anteriormente. Se não forem seguidas algumas recomendações básicas, corre o risco da silagem oferecida FIGURA 1 Exemplo de falta de pressão na parte superior do silo.

16 OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2018 RUMINANTES

aos animais ser de qualidade deficiente, resultando em prejuízos económicos para as explorações. Após a abertura do silo a silagem fica exposta ao ar. Nesta situação os microrganismos aeróbios (aqueles que necessitam de oxigénio para sobreviverem) podem entrar em atividade.

Os fungos e leveduras são os principais responsáveis pelo aquecimento da silagem e pela perda de matéria seca, energia e proteína (ver tabela 1). Os fungos ativos podem ainda, em determinadas condições, produzir micotoxinas com efeitos muito negativos para os animais.

TABELA 1 No quadro abaixo estão descritos os efeitos que podem ser observados quando a silagem apresenta uma temperatura de 10, 20 ou 30ºC acima da temperatura de referência..

+10ºC

+20ºC

+30ºC

Redução da ingestão

-

--

---

Perda de energia

- 7%

- 14%

- 21%

Perda de proteína

- 5%

- 10%

- 15%

Aumento do custo do concentrado

+

++

+++

Diminuição da produção (kg / d)

1-2

2-3

3-5

Saúde / Resistência / Cascos (toxinas)

+/-

-

--

Fonte: L. Whitlock et al, 1999


FORRAGENS

Recomendações básicas de maneio do silo • Só abrir o silo após ter decorrido o período de fermentação adequado (nunca antes de 6 semanas); • Manter sempre a frente do silo com pressão (ex: sacos de areia) para evitar a entrada de oxigénio na parte superior do silo (Fig 1); • Todas as partes de silagem estragadas com aspeto bolorento e apodrecido têm de ser descartadas; • As partes descartadas não podem ser deixadas no chão do silo; • A fatia de silagem a ser retirada do silo diariamente, não deve ser inferior a 20 - 30 cm (1,5 a 2 m por semana); • Deve retirar-se a silagem de forma que a frente do silo

seja mantida lisa, ou seja, não devem ser escavados ´buracos´ ou ´escadas` na frente do silo (Fig 2); • A silagem não deverá ser retirada apenas numa parte da frente do silo, mas sim em toda a sua frente. A largura dos silos tem de ser de acordo com o consumo diário de silagem para que o tempo de exposição desta ao ar seja o menor possível; • O tempo que decorre entre a retirada da silagem e a distribuição na manjedoura deverá ser o menor possível. Em situações de instabilidade da silagem (Fig. 3) ou com temperaturas do ar elevadas deve dividirse a dose diária de alimento em duas vezes.

Conclusão A silagem é um recurso que está sob o controlo do produtor, que decide se esta será, ou não, utilizada com sucesso. O seguimento de recomendações simples de maneio do silo assegura a diminuição de perdas inerentes à exposição ao oxigénio promovendo desta forma uma alimentação com forragem de qualidade.

Referências bibliográficas Freixial, Ricardo e Alpendre, Pedro. 2013. Conservação de Forragens Ensilagem. Universidade de Évora. Lima, J.A. de, Cunha, E.A. 2006. Silagem: Capricho na retirada é fundamental para colocar no cocho silagem de boa qualidade. Keith K. Bolse et al. Silage Management: Five Key Factors. Department of Animal Sciences and Industry, Kansas State University, Manhattan, KS 66506 Whitlock, L. A. 1999. Effect of level of surface spoilage in the diet on feed intake, nutrient digestibilities, and ruminal metabolism in growing steers fed a whole-plant corn silage-based diet. M. S. thesis. Kansas State University, Manhattan.

FIGURA 2 Exemplo de superfície do silo “esburacada” .

FIGURA 3 Silagem instável com temperatura elevada.

RUMINANTES OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2018 17


ALIMENTAÇÃO

Cabras de aptidão leiteira A incorporação de lisina e metionina na dieta aumenta a eficiência energética e proteica A capacidade de aumentar o teor proteico e a caseína em pequenos ruminantes é um objetivo principal de investigadores, nutricionistas e produtores. Desenvolvemse regimes nutricionais de forma a otimizar a capacidade dos ruminantes para sintetizar as proteínas do leite. A biossíntese de proteínas lácteas é um processo complexo com vários passos limitantes. A metionina e a lisina são aminoácidos essenciais e a administração de proteínas microbianas não proporciona as quantidades necessárias para a síntese de proteínas do leite na produção por pequenos ruminantes. A suplementação da dieta com metionina e lisina protegidas da ação do rúmen aumenta a sua biodisponibilidade e melhora a síntese de proteínas do leite nos ruminantes. O uso destes aminoácidos essenciais na nutrição de pequenos ruminantes é escasso, mas é necessário se quisermos maximizar o beneficio e a eficiência da dieta. O objetivo deste trabalho foi estudar o efeito da metionina e da lisina protegidas da ação ruminal sobre o equilíbrio nutritivo e o rendimento da proteína láctea em cabras gestantes.

JAVIER LOPEZ TECHNICAL SALES MANAGER RUMINANTES KEMIN EM ESPANHA E PORTUGAL

Material e métodos O estudo foi realizado na Universidade Politécnica de Valência, na Exploração Experimental do Departamento de Ciência Animal, em Valência (Espanha). Quarenta cabras leiteiras maduras multíparas, Murciano-Granadinas, a meio da lactação (peso vivo entre 41 e 44 kg) foram divididas em 2 grupos homogéneos de 20 cabras em função do peso corporal, produção de leite em lactações anteriores e produção de leite no começo do estudo. Cada grupo foi alojado num curral

separado. Os animais foram alimentados com uma dieta de controlo (C) ou uma dieta de tratamento com aminoácidos (AA), duas vezes por dia. Na dieta de controlo não se juntou lisina e metionina protegidas da ação ruminal. A dieta de tratamento com AA incluiu 8 g de LysiGEM ™ por animal por dia, e 5 g de MetaSmart® Dry AR por animal por dia. De acordo com o Programa de Aminoácidos Kemin isto proporciona 3,5 grama extra de lisina metabolizável e 1,1 grama adicionais de metionina metabolizável em

comparação com a dieta de controlo, e um rácio lisina metionina de 3:2. Os efeitos da inclusão de bypass de metionina e lisina na ingestão, digestibilidade, fermentação ruminal, rendimento do leite, bem como a energia e os equilíbrios C-N, foram analisados com recurso ao software R. Os principais objetivos desta experiência foram: estudar o efeito equilibrador dos aminoácidos sobre a eficiência energética/proteica e a produção de caseína no leite em cabras de leite.

Resultados e discussão O contributo proporcional para a produção de calor (Tabela 1) resultando da oxidação da gordura foi mais elevado na dieta AA do que na dieta C (41% vs. 33%, respetivamente). Estes resultados indicam que metionina e lisina extra na dieta estão associadas a uma maior oxidação de gordura no fígado, que pode contribuir para a redução

18 OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2018 RUMINANTES

TABELA 1 Divisão da energia diária (kJ / kg de BW0.75) durante a lactação segundo o tipo de dieta. Dieta²

Análise estatística EPM³ P-value

C

AA

E. fezes

610

523

16,6

0,011

E. metano

56

67

2,1

0,004

Produção de calor associada à oxidação de gordura

33

41

2,0

0,049

Parâmetro testado¹

¹E.fezes = Energia perdida em fezes, ²E.metano = Energia perdida em metano; C = Controlo, AA = Aminoácidos; ³EPM = Erro padrão da média


LysiGEM™ Smartamine® M MetaSmart® CholiPEARL™ TOXFIN™ Muitas coisas estão a mudar na produção de leite, não só isto... A nutrição leiteira está a mover-se rapidamente. A produção já não é apenas o único objetivo, outros como a saúde, a fertilidade dos animais e o meio ambiente, tornaram-se igualmente importantes. As palavras chave atualmente são: • • • • • • • •

Otimização Eficiência Economia de custos Rendimento Qualidade Fertilidade Saúde Meio ambiente

Devem fazer parte da nossa lingua e ser a nossa meta. A Kemin pretende proporcionar uma nova visão da nutrição, tendo como principal objetivo ser seu parceiro, procurando uma produção sustentável e competitiva, para conseguir obter uma alimentação mais eficiente e rentável. Reveja as suas dietas. A Kemin pode ajudar... Kemin Portuguesa Lda Tel + 351 214 157 500

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TABELA 2 Emissão de metano durante a lactação segundo o tipo de dieta.

C

AA

Análise estatística EPM2 P-value

16,9

19,6

0,67

Dieta1 Parâmetro testado Emissão de metano (g/dia)

0,038

¹C = Controlo; AA = Aminoácidos, ²EPM = Erro padrão da média

TABELA 3 Composição do leite durante a lactação segundo o tipo de dieta.

Parâmetro testado

C

AA

Análise estatística EPM2 P-value

Proteína total (%)

4

4,2

0,06

Proteína verdadeira (%)

3,6

3,8

0,07

0,051

Caseína (%)

2,5

2,8

0,08

0,038

Proteínas do soro (%)

1,04

0,98

0,003

0,005

Azoto não proteico (%)

0,4

0,37

0,002

0,004

Dieta1

0,047

¹C = Controlo; AA = Aminoácidos, ²EPM = Erro padrão da média

TABELA 4 Composição do leite durante a lactação segundo o tipo de dieta.

Parâmetro testado

C

AA

Análise estatística SEM2 P-value

Ureia no leite (mM/L)

13,1

10,2

0,32

0,003

Ureia na urina (mM/L)

397

496

13

0,002

Ureia no plasma (mM/L)

13,6

11,0

0,28

0,002

Dieta1

¹C = Controlo; AA = Aminoácidos, ²SEM = Erro padrão da média

da acumulação de gordura neste órgão. Verificou-se um balanço energético positivo mais elevado para a dieta com AA (retenção de energia). Consequentemente, a eficiência da utilização de energia metabolizável para a produção de leite, após a

correção dos dados para zero retenção energética, foi de 66% na dieta de controlo e 69% na dieta com AA. Estes valores estão alinhados com os valores referidos pelo INRA (2007) (i.e. 62%) e NRC (2007) (i.e. 64%) para pequenos ruminantes. A suplementação

20 OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2018 RUMINANTES

da dieta com LysiGEM™ e MetaSmart® Dry AR melhorou substancialmente a eficiência da utilização de energia metabolizável em 3%. A suplementação da dieta com LysiGEM™ e MetaSmart® Dry AR resultou num aumento de 14% nas emissões diárias de metano de 16,9 para 19,6 g/dia. Este aumento pode ser atribuído a uma maior fermentação e digestibilidade, mas os valores absolutos das emissões são reduzidos quando comparados com aqueles obtidos com dietas à base de forragem. Comparativamente com a dieta de controlo (tabela 3), o teor de proteína bruta (+ 0.2 % e um aumento relativo de 5 %) de caseína (+ 0.3% e um aumento de relativo de 12%) no leite aumentou quando houve suplementação com LysiGEM™ e MetaSmart® Dry AR (dieta AA). Além disso, valores mais baixos de proteína do soro e azoto não proteico foram encontrados na dieta AA vs a dieta C (6 e 7% respetivamente). A inclusão de aminoácidos protegidos da ação ruminal foi benéfica para a síntese proteica pela glândula mamária. A quantidade total de proteína bruta no leite sobre o consumo médio diário foi

mais elevado na dieta AA do que na dieta C (4,2 % vs. 4,0 %, respetivamente). Quando a percentagem de proteína bruta (g/d) foi determinada no consumo diário (g/d), observou-se um rendimento de 21% e 23% para a dieta C e para a dieta AA, respetivamente. A quantidade total de proteína foi calculada e diferenças de 0,26g foram encontradas. Quando o total de proteína verdadeira do leite foi calculado por cabra, a diferença encontrada foi de 0,62g por cabra e dia, mais elevada para o grupo com dieta AA. Esta diferença foi de 3,5g de caseína por cabra por dia. Para compreender o mecanismo de ação do metabolismo do azoto, determinou-se a ureia no leite, plasma e urina (Tabela 4). A ureia é um indicador da eficiência da utilização de proteína da dieta. Quando se verificam valores elevados de ureia no plasma, geralmente verificam-se também no leite e indicam pouca eficiência da proteína microbiana ou excesso de proteína na dieta. No nosso estudo, a ureia no plasma e leite foi 19% e 22% mais baixa na dieta AA do que na dieta C, respetivamente. A excreção de ureia foi mais elevada


ALIMENTAÇÃO

na dieta AA do que na dieta C (20%). Verificou-se uma melhor utilização da proteína na dieta AA do que na dieta C. De acordo com um estudo realizado por Lapierre et al. (2007), a eficiência da utilização da proteína metabolizável não é constante, e varia com a oferta de aminoácidos. De acordo com as recomendações da AFRC (1993), a eficiência estimada da utilização de proteína metabolizável para a lactação foi de 61% para o grupo controlo e 66% para o grupo da dieta com AA. O INRA (2007) obteve valores de 64% e o NRC (2007) de 67%. Consequentemente, a utilização de proteína da dieta aumentou relativamente em 8,2% (SD18-00009).

Conclusões Os benefícios da metionina e lisina bio disponíveis, têm sido provados ao longo dos últimos 20 anos em numerosos estudos em bovinos leiteiros, com efeitos claros na produção, saúde animal e fertilidade. Com este ensaio, demonstramos a importância de cobrir as necessidades de lisina e metionina em cabras de aptidão leiteira. Obtivemos resultados positivos na performance produtiva e no perfil metabólico dos animais alimentados com uma dieta equilibrada, no conteúdo de lisina e metionina, de acordo com o Programa de Amino Ácidos Kemin. • A eficiência da energia metabolizável foi melhorada com o

contributo proporcional metabólico e performance para a produção de calor produtiva, devido a uma decorrente da oxidação da menor quantidade de ureia gordura - um índice indireto no plasma e leite, e mais que permitiu verificar um componentes do leite e aumento da mobilização de caseína, o programa de lípidos. aminoácidos Kemin conduz • Registou-se uma a uma melhor utilização da diminuição de ureia no energia metabólica e proteína, plasma e leite, bem como o que significa maiores lucros melhor eficiência proteica. para o produtor. • Os efeitos no conteúdo • Rações bem balanceadas de caseína no leite neste proporcionam resultados ensaio foram notáveis zootécnicos otimizados, são e economicamente menos dispendiosas, contêm importantes. Conteúdos menos nitrogénio e têm mais elevados de caseína menor impacto ambiental. foram encontrados no leite • Relativamente à industria de dos animais alimentados produção de queijo também com suplementação de a eficiência do queijo é aminoácidos protegidos. aumentada: menos leite Este parâmetro é um necessário para produzir 1kg reconhecido fator chave. de queijo. • Além do melhor status

RUMINANTES OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2018 21


FORRAGENS

Produção de azevém anual diploide e tetraploide em monoculturas e mistura binária POR ABEL VELOSO1, EDGAR VAZ1, JOSÉ FRAGOSO DE ALMEIDA1 E ANTÓNIO MOITINHO RODRIGUES1,2

Introdução A produção de leite em Portugal atravessa momentos difíceis. O preço pago aos produtores é um dos mais baixos da UE tendo atingido em julho de 2018 0,3007 €/kg, menos 2,77 cêntimos do que o valor médio pago aos produtores europeus no mesmo mês (0,3284 €/kg) (MMO, 2018). Os custos de alimentação da vaca leiteira têm um peso importante na formação do preço do leite. Representam 50% e 78,4% do custo total da produção de leite (Alqaisi et al., 2011; Baptista et al., 2012; Sottomayor et al., 2012). Isto significa que para aumentar a rentabilidade da exploração é fundamental reduzir os custos com a alimentação satisfazendo as necessidades nutricionais dos animais utilizando mais forragens produzidas na exploração. Regimes alimentares baseados no pastoreio ou na utilização de forragens produzidas na própria exploração são

1 Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Castelo Branco, Qta da Sra de Mércules, 6001-909 Castelo Branco. 2 CERNAS / IPCB – Centro dos Recursos Naturais, Ambiente e Sociedade / Instituto Politécnico de Castelo Branco

economicamente mais interessantes do que regimes baseados na utilização de concentrados cujo preço o produtor não controla (Alqaisi et al., 2011). O azevém tem sido uma das forragens mais utilizadas na alimentação de vacas leiteiras (Wilson e McDowall, 1966; Tas, 2006; Cooke et al, 2008; Cooke et al, 2009). Esta forragem pode ser fornecida em pastoreio direto, em feno, feno-silagem, silagem ou em regimes mistos com pastoreio e conservação. Também em Portugal, o azevém anual é muito utilizado na formulação de regimes alimentares para vacas leiteiras e a influência favorável que esta forragem tem sobre a composição do leite em ácidos gordos (CLA, ácido linoleico e ácido α-linolénico) é demostrada num artigo de revisão (Kalač e Samková, 2010). Assumindo a importância que o azevém tem na produção leiteira em Portugal pretendeu-se avaliar a produção e a composição nutricional de duas variedades cultivadas em monocultura ou em mistura binária em condições características de um clima Termomediterrânico.

22 OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2018 RUMINANTES

Material e métodos Foram utilizadas duas variedades de azevém: Prompt (cultivar diploide, 2n) e Jivet (cultivar tetraploide, 4n). O ensaio decorreu na Quinta da Sr.ª de Mércules, propriedade agrícola da Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Castelo Branco (ESACB). Pretendeu-se avaliar a produção e a composição nutricional de três culturas de azevém anual: uma variedade diploide; uma variedade tetraploide e uma mistura

binária (diploide:tetraploide 50:50). A fertilização consistiu em 30 kg N/ha (em fundo), mais 30 kg N/ha (em cobertura) aos 83 dias após sementeira (DAS). As análises de solo revelaram não ser necessário aplicar outros nutrientes. Devido às condições climatéricas anormais que ocorreram durante o outono de 2017, com falta de chuva em setembro, outubro e novembro, a mobilização do solo para a instalação


FORRAGENS

FIGURA 1 E 2 Sementeira e rolagem dos talhões de ensaio (15-11-2017).

do ensaio começou a ser feita a 09-11-2017, com sementeira a decorrer a 1511-2017 (Figura 1 e 2). Entre 80 e 82 dias após a sementeira (DAS), os talhões do ensaio foram pastoreados por ovinos (Figura 3). Para estimativa da produção de forragem, a 16-05-2018, 182 DAS, dia anterior à colheita (fase de espigamento médio), procedeu-se ao corte de amostras de azevém em cada um dos talhões (5 pontos de amostragem por talhão, com 0,1 m2 cada um). Cada amostra foi pesada em verde e em seco. Foram determinados os teores em humidade, matéria seca (MS), cinzas, proteína bruta (PB), gordura bruta (GB), fibra em detergente neutro (NDF), fibra em detergente ácido (ADF), lenhina em detergente ácido (ADL). Foi calculado o teor em hidratos de carbono não fibrosos (NFC) e a energia metabolizável (EM). Utilizou-se a ANOVA para comparação dos valores médios (p≤0,05) e o teste de Bonferroni como teste de comparações múltiplas.

Resultados e discussão Por observação direta constatou-se que 182 DAS a variedade de azevém Prompt apresentou porte e dimensões mais reduzidas com caules delgados, folhas mais estreitas e nós menos pronunciados. Pelo contrário, a variedade Jivet apresentou maior desenvolvimento vegetativo, caules maiores e folhas mais compridas e largas. As maiores produções foram obtidas para o azevém tetraploide (45,06 t MV/ha ou 10,26 t MS/ha) e para a mistura binária (44,72 t MV/

GRÁFICO 1 Produção de azevém foragem verde (MV) e forragem seca (MS), para uma densidade de sementeira de 18 kg/ha: azevém 2n Prompt; azevém 4n Jivet; mistura 2n:4n 50:50. MV / ha 25

MS / ha 45,06 MV/ha

25

44,72 MV/ha

10,26 MS/ha

10,54 MS/ha

10

25 8,2 MS/ha

25 25

12

8 25,84 MV/ha

6

25 20 15

4

10

2

5 0

Prompt (n2)

Jivet (n4)

(n2:n4) (50:50)

Prompt (n2)

Jivet (n4)

(n2:n4) (50:50)

FIGURA 3 Talhões de ensaio a serem pastoreados por ovinos (80 a 82 dias após a sementeira).

ha ou 10,54 t MS/ha) tendo a variedade diploide exibido menor produção (25,84 t MV/ ha ou 8,20 t MS/ha) (Gráfico 1). De referir que considerando a produção em verde a variedade tetraploide produziu 1,74 vezes mais forragem do que a variedade diploide embora esta diferença seja menor considerando os valores em MS (1,25 vezes). Lopes et al. (2006) em ensaios realizados na Região Agrária do Entre Douro e Minho encontraram produções de 30 a 40 t

RUMINANTES OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2018 23

0


FORRAGENS

MV/ha com 16 a 18% MS, correspondendo a uma produção de 5 a 7 t MS/ha. Os resultados obtidos no nosso ensaio são superiores aos verificados por aqueles autores, situando-se dentro dos limites observados por Lemus (2017) que, num trabalho recente, analisou as produtividades de 7 variedades de azevéns diploides (variaram entre 8,2 e 17,1 t MS/ha) e de 11 variedades tetraploides (variaram entre 8,6 e 18,9 t MS/ha). Na tabela 1 apresentam-se os valores da composição química dos três tratamentos. Foram encontradas diferenças entre tratamentos (p≤0,05) nos teores médios de MS, GB, cinzas e NFC tendo a cultivar Prompt apresentado à colheita (182 DAS) maiores teores de MS (30,64%MS) e GB (2,87%MS), a cultivar Prompt maior teor em cinzas (9,54%MS) e a mistura binária maior teor em NFC (26,14%MS). Relativamente a todos os outros parâmetros analisados não foram encontradas diferenças significativas entre tratamentos. Contudo, verificou-se que o azevém diploide apresentou valores mais elevados de PB (9,26%MS), NDF (57,05%MS), ADF (35,54%MS) e ADL (5,74%MS) e que a mistura binária apresentou valor mais elevado de EM (11,02 MJ/kgMS).

TABELA 1 Composição em energia metabolizável (EM), proteína bruta (PB), gordura bruta (GB), cinzas, fibra em detergente neutro (NDF), fibra em detergente ácido (ADF), lenhina em detergente ácido (ADL) e hidratos de carbono não fibrosos (NFC) das amostras de azevém Prompt (n=5), Jivet (n=5) e Prompt:Jivet 50:50 (n=5). Os valores assinalados com a mesma letra, não diferem estatisticamente entre tratamentos. Valores de referência para feno e silagem (NRC, 2001).

Azevém

Azevém

Mistura binária

Feno52

Silagem56

Prompt (2n)

Jivet (4n)

2n:4n 50:50

(NRC, 2001)

(NRC, 2001)

MS (%)

30,64a ±0,716

21,98b ±0,772

22,77b ±1,540

83,8

42,0

EM (MJ/kgMS)

10,70a ±0,459

10,93a ±0,170

11,02a ±0,424

8,5

10,7

PB (%MS)

9,26ª ±0,846

8,78a ±0,795

8,61a ±0,814

13,3

16,8

GB (%MS)

2,87a ±0,370

2,38b ±0,171

2,68ab ±0,202

2,5

2,4

Cinzas (%MS)

7,25b ±0,596

9,54a ±0,333

7,78b ±0,557

8,8

8,7

NDF (%MS)

57,05ª ±1,538

55,97a ±3,382

54,78a ±1,601

58,2

57,7

ADF (%MS)

35,54a ±2,742

34,18a ±1,017

33,67a ±2,533

35,2

36,9

ADL (%MS)

5,74 ±1,225

4,75 ±0,469

4,63a ±0,740

6,8

4,3

NFC (%MS)

23,56b ±1,139

23,33b ±2,258

26,14a ±1,500

17,2

14,4

a

Para vacas leiteiras, a mistura binária de azevém Prompt:Jivet (50:50) parece ser uma solução interessante na medida em que esta combinação apresenta produções de MS/ ha ligeiramente superiores e valores de EM e de NFC mais elevados. Os resultados obtidos para EM, GB, cinzas, NDF, ADF e ADL são semelhantes aos referidos pelo NRC (2001) para feno e silagem de azevém (Tabela 1). Pelo contrário, os teores de PB obtidos no ensaio realizado são inferiores enquanto que os teores de NFC são superiores. Sendo o azevém uma gramínea, o menor teor em PB não pode ser considerado um problema

24 OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2018 RUMINANTES

a

uma vez que o baixo teor em PB pode ser compensado pela utilização de forragens de leguminosas, simples ou em consociação. Provavelmente, se a quantidade de adubo azotado tivesse sido maior, ou se o corte tivesse sido mais cedo, teria sido encontrado um valor mais elevado em PB da forragem, sem grande efeito sobre os teores em hidratos de carbono constituintes da parede celular (Peyraud e Astigarraga, 1998). A PB do azevém é rápida e extensamente degradada pela população microbiana o que pode provocar um excesso de amoníaco no rúmen do qual mais de 80% é absorvido pela parede ruminal. Este amoníaco é convertido em ureia no fígado e excretado pela urina, pelo leite e pela saliva. Como resultado, a eficiência de utilização do azoto pelas vacas leiteiras alimentadas com azevém é relativamente baixa, com valores frequentemente abaixo de 0,25 g azoto no leite por g de azoto ingerido (Kolver, 2003; Tas, 2006). Em muitas regiões da Europa, esta reduzida eficiência é considerada como uma grande fonte de poluição do solo e da água. A eficiência de utilização do azoto alimentar por vacas leiteiras alimentadas com azevém pode ser melhorada pela redução da fertilização azotada (Peyraud e Astigarraga, 1998; Valk et al., 2000), pela

substituição parcial do azevém por forragens com PB mais baixa ou pelo aumento do consumo de alimentos compostos ricos em glúcidos facilmente fermentescíveis (Bargo et al., 2003).

Conclusão Da avaliação dos resultados obtidos parece ser possível afirmar que a mistura binária azevém Prompt:Jivet (50:50) é uma solução cultural interessante. Permite maior produção de MS por ha, forragem com mais EM, NFC (p≤0,05) e menos NDF, ADF e ADL. Embora com teores em MS (p≤0,05), PB e GB (p≤0,05) mais elevados, a cultura de azevém diploide da variedade Prompt parece ser a pior solução não só pela menor produção de MS/ha como também pelos valores mais elevados de NDF, ADF e ADL.

Referências bibliográficas Não foram incluídas por uma questão de espaço editorial, mas o autor disponibiliza bastando enviar um email para amrodrig@ipcb.pt.


ATUALIDADES

SOFRE DE ASMA? O LEITE NÃO É SEU INIMIGO Aparentemente, existe a noção que o consumo de leite pode ser prejudicial aos asmáticos. No entanto, um estudo recente vem contrariar esta hipótese, indicando que não existe qualquer impedimento ao consumo de leite por parte de indivíduos com problemas respiratórios. O estudo foi levado a cabo na ala pediátrica de um hospital de Londres, pelo clínico Ian Balfour-Lynn, o qual inicialmente tentou perceber a origem deste aparente mito, que estará relacionado com a textura normal do leite, que pode levar a uma sensação de espessamento da saliva, tornando-a mais difícil de engolir. Isto acontece porque o leite é uma emulsão ou, neste caso, uma suspensão de gordura em água. Quando se misturam com a saliva, as emulsões deixam-na mais espessa e, consequentemente, mais difícil de engolir. Isto não significa que exista um aumento da produção de saliva, o que não acontece, devendo-se sim ao efeito das partículas da emulsão que permanecem na boca e garganta. De acordo com o doutor Balfour-Lynn, é importante que ideias como esta sejam examinadas à luz da ciência, já que o leite é um alimento completo e uma importante fonte de calorias, vitaminas e minerais como o cálcio, especialmente para as crianças e, portanto, o seu consumo deve ser incentivado..

REDUZIR O TEOR DE AÇÚCAR NA INDÚSTRIA LEITEIRA: NOVOS DESAFIOS As tendências de consumo de alimentos são, como se sabe, voláteis. Tão depressa se idolatram certos nutrientes ou alimentos, como se promove a sua exclusão da dieta. A popularidade dos produtos lácteos parece estar a crescer, mas os consumidores atuais exigem produtos mais saudáveis, baixos em calorias, mas que não percam sabor em detrimento dos seus pares tradicionais. E aqui a maior preocupação é o teor de açúcar, cujo consumo em excesso está associado a patologias como a diabetes tipo 2, doença cardiovascular e problemas dentários. Produtos populares como iogurtes, leites com sabores e gelados são muitas vezes ricos em açúcares adicionados. Nos gelados, por exemplo, o sabor tão desejado pelos consumidores é atingido através da adição de 10 a 14% de açúcar, o qual também contribui para a sua cremosidade. As preferências em termos de iogurte também recaem geralmente sobre os mais doces. Já nos leites com sabores, a problemática mais gritante recai sobre os achocolatados, mais ricos em açúcar. O facto de as alternativas mais saudáveis serem também mais caras favorece o consumo de bebidas mais açucaradas. A problemática de reduzir os teores de açúcar do leite e derivados sem afetar negativamente a sua aceitabilidade é um grande desafio, já que o açúcar é importante não só em termos de sabor mas também no que toca à textura, cor e viscosidade. Atualmente, as técnicas mais promissoras incluem a substituição do açúcar por adoçantes sem valor nutricional, naturais ou artificiais, que permitem manter o sabor característico desejável pelos consumidores com aporte calórico nulo. Apesar das dificuldades levantadas pela redução do teor de açúcar nos alimentos, este é um desafio que deve ser enfrentado também pelas empresas do setor leiteiro, visando a melhoria da saúde dos consumidores.

RUMINANTES OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2018 25


FORRAGENS

ADP Nergetic Dynamic S+ Adubação azotada eficiente em pastagens e forragens A atividade pecuária assenta no consumo de pastagens e forragens, entre as quais se destacam as culturas de aveia, azevém, trevos, ervilhaca, milho e sorgo forrageiros. Algumas destas espécies são cultivadas em consociação, sendo as gramíneas, geralmente, mais predominantes que as leguminosas. Os solos em Portugal são, maioritariamente, ácidos e apresentam limitações de fertilidade. Frequentemente, existe baixa disponibilidade de nutrientes essenciais como o azoto, o fósforo e o enxofre, o que limita a produção natural (sem fertilização) de pastagens e forragens, dificultando a exploração racional da atividade pecuária, tanto na vertente de produção de leite como de carne.

As pastagens e forragens, bem geridas, fornecem proteína, energia, minerais e vitaminas em proporções adequadas à nutrição dos herbívoros. Para este efeito, é indispensável a realização de uma correta fertilização. A falta de azoto prejudica a atividade fotossintética das plantas. De facto, o azoto é

o nutriente mais limitante ao seu crescimento, em especial das espécies não leguminosas. Este nutriente é fundamental para o desenvolvimento inicial das plantas, favorecendo o seu rápido crescimento, o afilhamento, o encanamento, a diminuição do aborto floral e a maturação dos grãos.

A ADP Fertilizantes desenvolveu o fertilizante azotado ADP NERGETIC DYNAMIC S+ − DS+, que é a melhor solução para a nutrição de cobertura das pastagens e forragens. Trata-se de um fertilizante da linha ADP NERGETIC DYNAMIC, que reúne adubos únicos no mercado, porque disponibilizam o azoto nas formas nítrica e amoniacal, ambas totalmente protegidas pelo polímero regulador, presente na tecnologia C-PRO. Esta tecnologia baseia-se num polímero regulador que reveste os grânulos e protege todos os nutrientes de perdas por lixiviação, em especial em climas de precipitação ou rega frequentes. O polímero regulador permite também que as raízes acedam ao grânulo de adubo para absorverem os nutrientes.

26 OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2018 RUMINANTES

Desta forma, os nutrientes são libertados lentamente e estão disponíveis para satisfazer as necessidades da cultura durante mais tempo. O adubo ADP NERGETIC DS+ é agronomicamente mais eficiente, pois além de ser o único adubo que protege todos os nutrientes, mantendo-os disponíveis em maiores quantidades para serem absorvidos, é também um adubo completo, com vários nutrientes importantes (azoto, enxofre, cálcio e boro) e entre os quais existem sinergias comprovadas. Salienta-se a sinergia entre o azoto e o enxofre, ou seja, dois elementos nutritivos essenciais para o desenvolvimento das estruturas vegetais, pois ambos são constituintes de aminoácidos, proteínas, ácidos nucleicos, nucleótidos, clorofila, fitohormonas, coenzimas, amidas e aminas, lípidos, etc.

Outros nutrientes importantes são o cálcio e o boro presentes no DS+, que garantem a qualidade das produções, nomeadamente das leguminosas, e a sua boa conservação pós colheita. O cálcio é essencial à estabilidade das paredes celulares, aumentando a resistência das culturas e o boro favorece o crescimento das raízes e o desenvolvimento vegetativo, aumentando simultaneamente a resistência aos ataques fitossanitários. Também entre estes dois nutrientes existe uma sinergia que aumenta a mobilidade de ambos dentro da planta. As sinergias referidas são comprovadas pelo aumento da produção e na boa qualidade nutricional das pastagens e forragens. Na figura 1 apresentam-se os resultados de um ensaio de campo realizado na cultura de azevém, em dois anos

TABELA 1 As composições anunciadas podem sofrer alterações sem aviso prévio.

Cálcio

Enxofre

Boro

Total

Azoto (N) % Nítrico

Amoniacal

CaO) %

(SO3) %

(B) %

24

12

12

5

14

0,05


FORRAGENS

Conclusão o ADP NERGETIC DS+ protege os nutrientes do adubo, rentabilizando o investimento do agricultor ao garantir pastagens e forragens mais produtivas e com um valor nutritivo superior.

FIGURA 1 Extrações de azoto em ensaio de campo de azevém.

Extrações de azoto 120,0

FIGURA 2 Produção de matéria seca em ensaio de campo de azevém.

Produções de matéria seca

+16%

18,0

+17%

16,0 100,0 14,0 80,0 60,0

12,0

t/ha

apresentam na figura 2, e onde se verificam aumentos significativos de produção de matéria seca, com valores de 17 e 6 % no azevém fertilizado com o DS+. Tal acontece porque o azoto constituinte do DS+ está disponível em maior quantidade para ser absorvido.

kg N/ha

consecutivos, onde se verifica que as extrações de azoto são superiores quando se aplica o fertilizante DS+, comparativamente à aplicação de iguais unidades de azoto de um adubo nítricoamoniacal sem a tecnologia C-PRO. Consequentemente as produções também são mais elevadas, como se

+20%

40,0

+6%

8,0 6,0 4,0

20,0 0,0

10,0

2,0 2015

2016

0,0

2015

2016

RUMINANTES OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2018 27


ALIMENTAÇÃO

LUÍS RAPOSO ENGENHEIRO ZOOTÉCNICO, DEPARTAMENTO RUMINANTES NA REAGRO l.raposo@reagro.pt

O teor de gordura do leite Porque varia o teor de gordura do leite ao longo do ano? A capacidade de uma vaca ou de uma cabra produzir gordura no leite é, logo à partida, influenciada pela raça e pela genética de cada animal. Além das diferenças entre raças, podemos verificá-las também entre os diferentes ramos da mesma raça. Da mesma forma, as diferentes estações do ano e a quantidade de horas de luz do dia têm um impacto notável nas variações do índice de gordura do leite. Enquanto os dias mais curtos de inverno são propícios ao aumento da percentagem de gordura, o seu nível tende a cair à medida que o número de horas de luz aumenta nos dias mais longos de verão. À semelhança do que acontece

nas vacas, este efeito é ainda mais notório em caprinos. De facto, a diminuição dos níveis de gordura em caprinos, durante o verão, pode ser tão expressiva a ponto de atingir valores semelhantes ou mesmo inferiores aos do teor de proteína.

Além disso, nos períodos de maior calor há ainda uma redução na ingestão de matéria seca que, associada a uma atividade ruminal mais lenta, afeta diretamente não só o teor em gordura, como a própria produção de leite, diminuindo ambos.

FIGURA 1 Evolução sazonal do teor de gordura do leite ao longo do ano (Instituto Francês de Pecuária).

Mátéria gorda Proteína

2

g/l

Com o aumento das temperaturas médias diárias do ar, à medida que o verão avança, é normal verificar-se um decréscimo do teor de gordura (TB - teor butiroso) do leite. Poderia ser compreensível se alguns produtores se questionassem sobre a eventualidade dos seus animais estarem “mais fracos”, doentes ou a ser devidamente alimentados?! No entanto, regra geral, a redução da gordura no leite entre o mês de abril e o mês de setembro é uma realidade comum em grande parte das explorações leiteiras, sejam elas de bovinos ou de caprinos. Ainda assim, do ponto de vista nutricional, existem algumas formas de tentar limitar essa redução do teor de gordura do leite e o seu impacto na rentabilidade da exploração. Neste artigo, proponho-me a fazer uma síntese sobre alguns dos fatores que influenciam o teor de gordura do leite bem como algumas sugestões para favorecer os níveis desejados.

1 0 -1 -2 jan

feb

mar

abr

mai

jun

jul

ago

set

FIGURA 2 Evolução do teor de gordura durante a lactação (Instituto Francês de Pecuária).

TABELA 1 Variação entre raças de bovinos e caprinos

out

nov

Mátéria gorda Proteína

Produção de leite (kg) Teor de gordura (g/kg) Teor de proteína (g/kg)

8

Prim’ Holstein

8993

39.8

32

6

Montbéliarde

6541

38.9

32.6

5129

36.9

33

Tarentaise

4121

35.6

32.1

Alpine

929

37.8

33.4

Saanen

985

35.9

32.2

Fonte: French Livestock Institute, dados de gravações de leite, 2009

28 OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2018 RUMINANTES

4

g/l

Abondance

2 0 2 -4 -6 0

2

4

6

dez

8

Duração da lactação (em meses)

10


ALIMENTAÇÃO

Ao longo de uma lactação os níveis de gordura também flutuam, ou seja, há uma diminuição acentuada no primeiro mês, estabilizando de um modo crescente até

ao final. Uma vez que a produção de leite diminui à medida que a lactação avança, o teor de gordura vai aumentado devido ao efeito da concentração do leite.

Influência do metabolismo na variação do teor de gordura do leite As variações do teor de gordura no leite poderão dever-se a vários fatores:

*A dieta (abordado mais adiante); Mobilização das reservas corporais; *Enquanto nas vacas leiteiras existem, por diversos motivos, uma maior preocupação em controlar a condição corporal, limitando a perda de peso, nos caprinos há uma maior capacidade ou facilidade em utilizar a gordura corporal para produzir leite com bons níveis de gordura. No entanto, há que assegurar que não se cometem excessos.

fermentações do rúmen *OsAscomponentes da gordura do leite são sintetizados a partir de ácidos gordos voláteis decorrentes das fermentações do rúmen; Duas categorias de ácidos gordos podem ser distinguidas pela sua estrutura química: • Ácidos gordos saturados: óleo hidrogenado/palma; • Ácidos gordos insaturados: óleo de colza, milho, soja ou linho. O rúmen desempenha um papel importante na utilização e valorização da gordura contida na dieta. No entanto, a atividade ruminal pode ser fortemente prejudicada por níveis demasiado elevados de ácidos gordos insaturados.

Em que medida a dieta pode influenciar o teor de gordura do leite? O teor de gordura do leite pode ser influenciado por diferentes situações relacionadas com o regime alimentar. • O pastoreio numa pastagem jovem (por exemplo), pode resultar numa ingestão elevada de ácidos gordos insaturados (AGI), que poderão ter um efeito desestabilizador no rúmen. Esses AGI reduzem a capacidade de produzir ácidos gordos voláteis (AGV) destinados à produção de leite. • O teor de gordura também pode ser afetado por um défice de fibra longa, normalmente destinada a estimular a ruminação. Tanto em bovinos como em

caprinos verificamos aumentos na gordura do leite através da fermentação da fibra. A degradação da celulose pela flora celulolítica do rúmen produz ácido acético (C2), que por sua vez ajuda a aumentar o teor de gordura. Este processo verifica-se em rações ricas em fibra. Promovendo níveis ideais de degradação das fibras no rúmen promove-se o aumento da gordura do leite. • Noutros tipos de arraçoamentos, à base de rações secas, à base de fenos ou de silagem de milho, as quedas do teor de gordura do leite estão associadas à ingestão de altos níveis de amido e açúcares, ou também a uma relação desequilibrada entre proteína/energia. • Caprinos ou bovinos de leite necessitam dum elevado teor de gordura na dieta total durante o início da lactação, no entanto existe diferenças no perfil de gordura consumido. Na verdade, as cabras são capazes de valorizar mais facilmente os ácidos gordos insaturados e isso permite atingir valores de gordura bruta no rúmen superiores e valores mais elevados de AGI na dieta total. Já as vacas leiteiras requerem uma dieta mais degradável quando comparada à das cabras.

RUMINANTES OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2018 29


ALIMENTAÇÃO

Como aumentar o nível de gordura no leite? Várias são as formas para aumentar o teor de gordura no leite e controlar alguns riscos de transtorno metabólico: • Promover transições ligeiras nas mudanças de alimento de forma a preservar a estabilidade microbiana do rúmen e adaptalo de forma gradual a todas as mudanças; • Estimular a ruminação utilizando fibra longa e digestível, promovendo sempre a estabilização do pH ruminal; • Fracionar a distribuição de concentrado em várias porções ao longo do dia também ajuda a evitar um abaixamento demasiado grande do pH ruminal; • Respeitar o tempo de mistura

da ração por forma a preservar a dimensão da componente fibrosa sem a destruir ou fragmentar demasiado. • A incorporação de matériasprimas como o bagaço de girassol, a casca de soja ou a luzerna são boas formas de promover o aumento da gordura no leite. • A incorporação de gordura na dieta total é uma boa alavanca para aumentar o teor de gordura no leite. Suplementar dietas com fontes de gordura protegidas é uma forma interessante de atingir o objetivo. Desta forma concentramos a energia da ração e atingimos níveis mais elevados de UFL através de uma diversificação das formas de energia, limitando o risco acidogénico.

VENDA VIRTUAL DE BOVINOS WAGYU ATINGE VALORES MÉDIOS SUPERIORES A 7000€ POR FÊMEA No dia 30 de junho, compradores online juntaram-se para apostar na genética de topo da raça Wagyo, numa das primeiras vendas virtuais de bovinos da raça. Os animais foram postos a venda sem que os compradores os pudessem ver. Foram vendidas 4 fêmeas pelos valores de médios £6352 (aproximadamente €7,170); 11 embriões pelo valor médio de £869 (cerca de €980) e 70 palhinhas de sémen por em média £78 (€88). Uma seleção de animais de raça pura e primeiros cruzamentos estiveram na disputa na Tynedale Farmers Suite em Hexham e Northern Marts. Os animais puro sangue, lideraram as vendas. No topo das vendas, por 13,000gns, esteve a Delta Wagyu da exploração High Warrendale em Warter, York que foi vendido a um comprador anonimo online. A fêmea foi vendida em conjunto com uma vitela, filha do PeppermillGrove, um touro Australiano, filho do famoso Mayura Itoshigenami Jnr. A seguir, uma novilha puro sangue, Flora da Uprising Properties, Ltd. nascida em Setembro de 2015, atingiu os 4,200gns. Este animal foi valorizado pelas suas características maternais e aptidão leiteira. Apenas dois touros com idades próximas dos três anos foram vendidos e atingiram valores de 3,500gns. Os mesmos compradores adquiriram embriões pelo valor de 1200gns.

30 OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2018 RUMINANTES

Conclusão Parece-me importante reter e focar a importância que os níveis nutricionais e características físicas da ração têm no nível de retenção de gordura no leite. Dessa forma, respeitando algumas das recomendações feitas e utilizando alimentos direcionados para o efeito, é possível evitar a queda ou mesmo aumentar o teor de gordura do leite. Também a interpretação das variações do teor de gordura no leite e a sua relação com o teor proteico poderão ajudar a tirar conclusões muito pertinentes sobre a alimentação do efetivo. Por exemplo, um grande aumento do nível de gordura combinado com uma diminuição do teor proteico poderá ser indicador de um balanço energético negativo. Ainda que estejamos perante níveis aceitáveis de produção é importante não desvalorizar outros indicadores!!!

PRODUTORES DEVEM PROCURAR ALTERNATIVAS AO BICARBONATO DE SÓDIO A diminuição da disponibilidade de dióxido de carbono, componente essencial para a produção de bicarbonato, levou à diminuição da oferta deste sal, e ao aumento significativo dos preços que pode chegar aos 300€/ tonelada. Também o atraso nas novas linhas de produção turcas e interrupções na oferta na Europa e Ásia contribuiu para o agravamento da situação. O bicarbonato de sódio é uma substancia naturalmente presente na saliva dos bovinos e que é utilizada como tampão, para neutralizar a acidez ruminal. Como nem sempre a produção de bicarbonato é suficiente, este sal é também comercializado como suplemento para a alimentação de bovinos. Perante a conjuntura atual, é necessário que os produtores procurem alternativas de forma a preservar a saúde do rúmen. Produtos à base de glicerol podem constituir uma solução, no entanto os preços são também pouco convidativos. Como alternativa estão também disponíveis produtos à base de algas marinhas e misturas de sais tampão. Independentemente da escolha, é importante que os produtores tentem balancear as dietas e o consumo de água, e além disso tenham em consideração as condições climatéricas.


GENÉTICA

Open Day ProCROSS em Lisboa “Menores custos de alimentação - aumente o seu lucro” POR RUMINANTES

No passado mês de julho realizouse em Lisboa o OpenDay ProCROSS. Sob o mote “Menores custos de alimentação – aumente o seu lucro”, este evento trouxe ao nosso país participantes de diversas origens como Espanha, França, Itália, Reino Unido, Holanda, Alemanha e Suécia.

Durante dois dias o programa apresentou os resultados do último estudo realizado pela Universidade do Minnesota sobre eficiência alimentar em vacas ProCROSS. Este encontro consistiu ainda numa visita à exploração do Casal de Quintanelas para que os participantes pudessem absorver a experiência prática desta exploração (ver Testemunho Casal de Quintanelas), e também num colóquio para produtores e técnicos realizado na exploração Agroleite de Canha, no Montijo (figura 3). Como não poderia deixar de ser, a revista Ruminantes esteve presente e foi conhecer os dados apresentados pelo especialista em genética de bovinos leiteiros Les Hans (figura 1).

O estudo Realizou-se ao longo de 3 anos e foi o trabalho de investigação da aluna de doutoramento Dra. Brittany Shonka-Martin. Os animais incluídos foram estritamente Holstein e ProCROSS (Holstein, Montbeliarde, Viking Red). As vacas em estudo pariram a primeira vez entre setembro de 2014 e abril de 2017. O estudo comparou 123 vacas leiteiras de primeira lactação (63 ProCROSS e 60 Holstein) e 80 vacas leiteiras de segunda e terceira lactação (43 ProCROSS e 37 Holstein) avaliando parâmetros como consumo de matéria seca, peso corporal, altura, score de condição corporal e ainda

volume total, gordura e proteína do leite. Todos os animais foram alimentados com a mesma ração duas vezes ao dia. Duas vezes por semana foram recolhidas amostras da ração para determinar o teor de matéria seca. Dados sobre os parâmetros avaliados foram recolhidos entre os dias 4 e 150 da lactação.

Futuras linhas de investigação A empresa divulgou ainda os estudos a concluir este ano em dois grandes temas: 1. Características individuais Produção total durante a vida Valor das vitelas Valor ao abate Custos com saúde ao longo da vida Custos de alimentação 2. Análise do lucro ao longo da vida Lucro (ou perdas) pela vida de cada vaca Lucro por dia na exploração de cada vaca

FIGURA 1 Prof Dr. Les B.Hansen - Geneticista em bovinos leiteiros da Universidade do Minnesota - USA.

32 OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2018 RUMINANTES


GENÉTICA

FIGURA 2 Carlos Duarte e Helder Duarte (Agroleite de Canha), Carlos Serra (Ugenes, Lda) e Stephane Fitamant (ProCROSS)

Resultados CONDIÇÃO CORPORAL As vacas ProCROSS obtiveram melhores resultados no que respeita à condição corporal embora com pesos idênticos aos bovinos Holstein. De acordo com Les Hans “Menores dimensões com melhor condição corporal de forma a melhorar a fertilidade e a saúde são vantagens do ProCROSS” (tabelas 1 e 2). Les Hans relembrou que para além da produtividade, as características físicas pelas quais as Holstein foram sendo selecionadas no passado tiveram um impacto negativo na fertilidade: vacas altas e magras. A condição corporal das vacas ProCROSS advém essencialmente da Montbeliarde.

GORDURA E PROTEÍNA NO LEITE (KG) Não houve diferenças estatisticamente significativas entre os dois grupos genéticos no que respeita a este parâmetro. No entanto, as vacas ProCROSS apresentaram uma maior percentagem de gordura e proteína no leite (tabelas 3 e 4).

TABELA 1 Características físicas das vacas na primeira lactação (dias 4 a 150). Raça Holstein

ProCROSS

Característica

(n=60)

(n=63)

Diferença em rel. à Holstein

Peso (kg)

556

562

+6

Altura garrote (cm)

139,4

135,4

-4,0 **

Altura garupa (cm)

144,3

142,3

-2,0 **

Score de condição corporal

3,20

3,46

+0,26 **

** - p < 0,01 – Diferença significativa

TABELA 2 Características físicas das vacas na segunda e terceira lactações (dias 4 a 150). Raça Holstein

ProCROSS

CONSUMO ALIMENTAR

Característica

(n=37)

(n=43)

Diferença em rel. à Holstein

1ª lactação - As vacas Holstein consumiram mais alimento que as ProCROSS e produziram também mais leite. No entanto, a produção de sólidos totais foi 2kg mais elevada no grupo ProCROSS (tabela 3). 2ª e 3ª lactação: Em média, os animais ProCROSS ingeriram 232kg menos que as Holsteins. Tal como na primeira lactação, as Holstein produziram um maior volume de leite, mas as ProCROSS registaram um valor combinado de gordura e proteína do leite superior em 4kg (tabela 4).

Peso (kg)

644

636

-8

Altura garrote (cm)

143,7

140,2

-3,5 **

Altura garupa (cm)

146,4

145,2

-1,2 **

Score de condição corporal

3,06

3,25

+0,19 **

** - p < 0,01 – Diferença significativa

TABELA 3 Consumo de matéria seca e produção das vacas na primeira lactação (dias 4 a 150). Raça

Consumo de MS (kg)

Volume de leite

Produção de gordura e proteina

Holstein (60)

2948

4770

329

ProCross (63)

2807

4564

331

Diferença

-141 (-4,8%)

-206 (-4,3%)

+2 (+0,5%)

RUMINANTES OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2018 33


GENÉTICA

Conclusões

TABELA 4 Consumo de matéria seca e produção das vacas na segunda e terceira lactação (dias 4 a 150).

As vacas ProCROSS são Raça Consumo de MS (kg) Volume de leite Produção de gordura e proteina economicamente superiores às Holstein devido ao menor Holstein (37) 3592 6636 441 consumo de alimento sem perda ProCross (43) 3360 6264 445 de produção de gordura e proteína Diferença -232 (-6,5%) -372 (5,6%) +4 (+0,9%) no leite. Se considerarmos que frequentemente o leite é pago em função dos sólidos e não • No entanto, as vacas ProCROSS dos líquidos este fator tornaresultantes do cruzamento se uma grande vantagem para de três raças produziram os produtores que com menos menos sólidos do leite nas investimento em alimento primeiras três lactações quando conseguem maiores teores de comparadas com as vacas sólidos. “Os produtores podem Holstein. pensar que vão perder produção se usarem animais cruzados, não é • Este fator foi compensado com Foi com enorme satisfação que recebemos no verdade. Podem perder água, mas elevados níveis de fertilidade: Casal de Quintanelas a visita do “Dia Aberto a produção de gordura e proteína as ProCROSS resultantes Internacional ProCROSS” no passado mês de mantém-se”. do cruzamento de 2 raças julho. tiveram em média menos 12 A diferença calculada para Após 10 anos do programa genético da vaca dias abertos durante as três a eficiência alimentar foi ProCROSS podemos hoje demonstrar com primeiras lactações do que as conservadora uma vez que as vacas Holstein. Já nas ProCross exatidão que foi uma decisão acertada. diferenças nos custos com saúde resultantes do cruzamento A evolução económica da empresa aumentou e fertilidade não foram tidas em de três raças este número consideravelmente apesar das circunstâncias conta. aumentou para uma média de menos favoráveis do mercado do leite, mas com 26 dias a menos do que as a ajuda da melhoria de todos os parâmetros Além das conclusões deste estudo Holstein. reprodutivos e de longevidade foram feitos o professor Les Hans ressalvou • À medida que os cruzamentos significativos progressos no número de animais, também os resultados obtidos ao foram aumentando de dois o que nos permite ser muito mais rentáveis. longo de um estudo comparativo para três e com o aumento do entre vacas ProCROSS e Holstein, número de lactações os custos realizado também na Universidade com a saúde nos animais de Minessota ao longo de 10 anos: cruzados diminuíram.

Exploração Casal de Quintanelas Testemunho

Os nossos resultados

• As vacas ProCROSS resultantes do cruzamento de duas raças produziram mais gordura e proteína do que as vacas Holstein da primeira à quarta lactação.

FIGURA 3 Plateia do colóquio técnico realizado na Agroleite de Canha-Montijo.

REPRODUÇÃO • Taxa de prenhez (ciclo 21 dias) está em níveis médios anuais de 30% • Média anual de vacas adultas grávidas > = 60% • Dias em aberto <= 100 Dias • Intervalo entre Partos 375 Dias (2017) PRODUTIVIDADE • Média anual dias em leite <= 170 dias LONGEVIDADE • 43% Animais com 3 ou mais partos REFUGOS • Média anual de 23% (2017) MORTALIDADES • Total da recria <= 3% (2017) • Total das adultas <= 1,3% (2017) SAÚDE • Custos totais da saúde € 31,7 vaca/ano (2017) SATISFAÇÃO NO TRABALHO • Toda a nossa equipa está muito satisfeita com o desempenho e a facilidade de maneio dos animais ProCROSS.

34 OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2018 RUMINANTES


VikingHolstein muito mais que Holstein As VikingHolstein a sua melhor opção Holstein para o

ProCROSS

A VikingHolstein Transmite • • • • • •

Alta produção Altos Componentes Partos fáceis Saude do Ubere Longevidade Animais de Alta rentabilidade

Alguns dos actuais melhores touros que estão disponiveis • • • • • • • •

VH VH VH VH VH VH VH VH

Bradoc Booth Justus Clark Jaybee Bynke Miracle Boogie

gNTM +40 NTM +32 NTM +29 NTM +26 NTM +25 NTM +18 NTM +17 NTM +15

Para mais informações contacte-nos:

+351 917 534 617

Foto: Christine Massfeller

carlosserra@unigenes.com


PUBLIREPORTAGEM

Conforto Digestivo e Bem-estar

LEVUCELL SC Melhora o Conforto Digestivo e o Comportamento Alimentar dos Ruminantes Contexto

Objetivo

• “O importante não é só o que é dado aos bovinos como alimento, mas também a forma como comem.” T. DeVries, 2014[1]

Avaliar os efeitos do LEVUCELL®SC no comportamento alimentar das vacas em lactação.

Comportamento Alimentar

• O comportamento alimentar influência fortemente a produtividade do animal e o seu bem-estar.

Ambiente Ruminal

Lembrando Eficiência Ruminal

• A frequência de refeições e a quantidade ingerida em cada uma são 2 critérios importantes que têm impacto no pH do rúmen e nas variáveis da eficiência do rúmen. Um ensaio anterior com vacas leiteiras (Bach et al., 2007) mostrou que as leveduras vivas específicas LEVUCELL® SC têm um impacto positivo no seu comportamento alimentar.

Performance

Local: Exploração de

milho e concentrado proteico

pesquisa da Universidade de Guelph (Canadá)

Tratamento:

vacas Holstein em lactação (2 primíparas; 10 multíparas). Delineamento de tipo crossover

Dieta: Silagem de milho, silagem de aveia e trevo vermelho, feno-silagem de gramínea e trevo, pastone de

250

4hr

240 230 220 210

3h20*

200 190 180

Controlo

• 1/ Controlo • 2/ Levucell®SC 20: 10 biliões UFC/vaca/ dia (dose standard: equivalente a 0.5g/vaca/ dia)

Medições: Registos individuais do comportamento alimentar das vacas (sistema RIC), comportamento ruminal e monitorização telemétrica da temperatura do rúmen (bolus); sólidos do leite nos últimos 7 dias de cada período.

36 OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2018 RUMINANTES

LEVUCELL SC

Menor tempo passado com baixo pH ruminal 6.6

Controlo LEVUCELL®

6.4 6.2

Rumen pH

Animais: 2 grupos de 6

Intervalo entre refeições (mn)

Maior frequência de refeições: menor intervalo entre elas

Material e método Período: Dez 2012- Maio 2013 – (períodos de 35 dias de tratamento / delineamento de tipo cross over)

“Efeito das leveduras vivas no comportamento alimentar das vacas leiteiras” Bach et al. [2], demonstrou que as vacas leiteiras alimentadas com leveduras vivas ingerem mais frequentemente e quantidades mais pequenas em cada refeição do que as do grupo controlo e consequentemente têm menor risco de acidose.

6.0 5.8 5.6 Acidose subclínica

5.4 5.2 5.0 0

20

40

60

80

Horas

100

120

140

160


Levucell SC

maximiza a dieta e o rendimento sobre o custo da alimentação Eficácia comprovada da levedura Saccharomyces cerevisiae CNCM I-1077, na estirpe específica para ruminantes seleccionada conjuntamente com o INRA: • Produção de leite: +1.2* a 2.5 litros/vaca/dia • Eficiência alimentar: +5Og* a 120g de leite para cada kg de MSI • Optimiza o pH do rúmen (menos acidose) e melhora a digestibilidade das fibras. * metanálise, ADSA, EUA, 2009 comprovada com UMA estirpe (I-1077), UMA dose recomendada (10 Biliões / dia).

Levedura específica do rúmen€ www.levucellsc.com

Distribuido por : Tel: +351 243 329 050 - Fax: +351 243 329 055

* Autorizado na União Europeia em bovinos de leite e carne, ovelhas e cabras de leite, cordeiros e cavalos (E1711/4a1711/4b1711).

- RCS Lallemand 405 720 194 - 06/2011.

Espremer até à última gota


PUBLIREPORTAGEM

Resultados LEVUCELL SC melhora o padrão alimentar Maior frequência de refeições: + 15%

Menor tamanho de refeição: -10%

Frequência de refeições

Quantidade de alimento/refeição

9.5

4

9.0

8.5 8

3.8 Kgs MS/refeição

refeições/dia

9

7.8

7.5 7

3.8

3.6

3.4 3.4

3.2

Controlo

LEVUCELL SC

P= 0.07

Controlo

LEVUCELL SC

As vacas tenderam a comer com mais frequência, refeições mais pequenas com LEVUCELL SC sem que a ingestão de MS seja afetada (28.5 kg/dia com LEVUCELL®SC vs. 28 kg/dia com controlo; P=022).

P= 0.09

LEVUCELL SC melhora o ambiente ruminal... ... com efeitos positivos nos indicadores da eficiência do rúmen Redução do risco de acidose (a temperatura do rúmen está positivamente relacionada com a acidose; Alzahal et al., 2009).

Maior tempo de ruminação e maior quantidade de gordura no leite corresponde a uma eficiência ruminal otimizada.

Tempo por dia com temperatura do rúmen >38.0ºc 780

min/dia

800

EFICIÊNCIA DO RÚMEN

750

694

700

650

Controlo

LEVUCELL SC

P= 0.06

Conclusão As leveduras vivas específicas para o rúmen LEVUCELL® SC melhoram o comportamento alimentar das vacas leiteiras (refeições mais frequentes e mais pequenas). A redução do risco de acidose e maior teor de gordura no leite são indicadores claros de uma eficiência ruminal melhorada. 1 - DeVries T. J. and Chevaux E. Modification of the feeding behavior of dairy cows through live yeast supplementation. J. Dairy Sci. 2014; 97 :6499–6510 2 - Bach, A., Iglesias, C., and Devant, M. Daily rumen pH pattern of loose-housed dairy cattle as affected by feeding pattern and live yeast supplementation. Anim. Feed Sci. Technol. 2007; 136: 156–163

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Tempo de ruminação Gordura do leite

+5% com LEVUCELL®SC (570 min/dia vs. 545 no controlo; P=0.08)

Comportamento alimentar melhorado (refeições mais frequentes e mais pequenas)

+4.5% com LEVUCELL®SC (3.71% vs. 3.55% no controlo; P=0.09)

Risco de acidose reduzido O círculo (indicadores: menor virtuoso dos temperatura no rúmen; efeitos do LEVUCELL® SC mais gordura no leite)

Maior ruminação Distribuidor: Tecadi, Lda


ATUALIDADES

O LEITE A2 CHEGA ÀS LOJAS WALMART DE 5 ESTADOS NORTE AMERICANOS A 22 de agosto foi anunciada uma parceria entre a a2 Milk Company e a retalhista Walmart. O leite a2 irá estar a venda nas lojas da cadeia Walmart em Nova Iorque, Pensilvânia, Florida, Texas, Maryland e Washington DC. Esta parceria representa a ultima expansão da marca que já em janeiro tinha adicionado 9 estados no nordeste dos EUA à sua distribuição, e que em março começou uma campanha publicitária nacional. De acordo com a empresa, esta é uma alternativa natural para que pessoas que sofrem de desconforto gastrointestinal associado ao consumo de leite possam consumir este alimento. O leite a2, contém exclusivamente a proteína beta-caseína a2, que contrariamente ao que acontece com a beta-caseína a1 presente no leite “normal”, tem uma boa digestibilidade não estando o seu consumo associado aos efeitos adversos e desconforto gastro intestinal frequentemente causados pelo consumo de leite. A literatura sugere que antes dos bovinos serem domesticados o seu leite continha apenas beta-caseína a2. Posteriormente, uma mutação fez com que começassem a produzir beta-caseína a1. Atualmente, no mundo ocidental, devido à seleção genética, a beta-caseína a1 está presente na maior parte dos bovinos o que faz com que o leite “normal” contenha uma mistura das duas proteínas. A empresa a2 Milk Company desenvolveu e patenteou um teste que permite selecionar os animais que produzem exclusivamente leite a2. A venda deste tipo de leite começou na Austrália há 10 anos e foi introduzido pela primeira vez nos EUA em 2015 no estado da Califórnia. Atualmente, o leite a2 pode ser encontrado em mais de 6000 lojas de retalho nos EUA incluindo Wegmans, Stop & Shop, Giant Carlisle, Giant Landover, Whole Foods Market, Market Basket, Sprouts, Safeway, King Soopers, Target, Ralphs, Publix, ShopRite and The Fresh Market. Este leite está também à venda na Nova Zelândia, China e Reino Unido.

SILAGEM: MISTURAR LUZERNA E TREVO-VERMELHO? Segundo um estudo elaborado por investigadores da China e EUA, publicado na revista cientifica Journal of Dairy Science, as silagens que misturam luzerna e trevo vermelho podem ser vantajosas relativamente às silagens que apenas contém luzerna. Numa silagem de luzerna a proteólise que ocorre faz com que os níveis de proteína baixem uma vez que a proteína é degradada em azoto não proteico NPN, aminoácidos livres e NH3-N, representando perdas económicas e um potencial impacto ambiental. De acordo com os investigadores a mistura melhora a qualidade da silagem uma vez que limita a degradação da proteína, estimula a produção de acido láctico e diminui o pH. O estudo realizado demonstrou que à medida que a quantidade de trevo-vermelho presente na silagem aumenta, diminui a degradação da proteína e a atividade da protéase, sem efeitos negativos na qualidade da fermentação. Segundo este estudo o trevo-vermelho deve estar incluído na proporção 50:50 para otimizar os resultados. No entanto, os investigadores reforçam que é necessário mais trabalho de investigação de forma a avaliar a eficiência desta mistura quando integrada na alimentação de bovinos de leite.

DIETAS RICAS EM AMIDO - SUPLEMENTAÇÃO COM AMÍLASE EXÓGENA A longo prazo, a suplementação dos bovinos leiteiros com amílase exógena pode melhorar a eficiência e a produção leiteira dos animais alimentados com dietas ricas em amido. Esta é a conclusão de um estudo publicado na revista cientifica Journal of Dairy Science e realizado por uma equipa de investigadores brasileiros de Minas Gerais. O objetivo deste estudo foi avaliar a suplementação com amílase exógena de animais alimentados com uma dieta com 32% de amido. De acordo com os investigadores, embora a presença de amido na dieta esteja ligada a um aumento da flora ruminal e seja um contributo energético importante para a produção leiteira, o aumento da digestão ruminal de amido pode também estar associado à acidose ruminal dependendo da origem do

amido presente na dieta. A hipótese colocada pelos investigadores foi que a amílase adicionada aumentaria a produção de leite com diminuição da ingestão de matéria seca e aumento de digestibilidade do amido. Este estudo revelou que a suplementação aumentava a produção leiteira, a síntese de lactose e a concentração de glucose enquanto diminuía o consumo de matéria seca. Paralelamente houve uma diminuição da concentração sanguínea de nitrogénio ureico. Os níveis de gordura e proteína do leite não se alteraram com a suplementação. No estudo realizado, os bovinos alimentados com a dieta suplementada comeram menos vezes ao dia, fazendo refeições mais curtas e diminuíram o tempo de ruminação.

RUMINANTES OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2018 39


GENÉTICA

Beefmaster: A raça de bovinos de carne por explorar em Portugal POR RUMINANTES

A produção de bovinos de carne requer hoje, mais do que nunca, eficiência. Num mercado cada vez mais competitivo, com consumidores informados e em busca de produtos diferenciados, está nas mãos dos produtores fazer a diferença.

De entre as raças produtoras de carne, chega do outro lado do Atlântico uma raça que promete ser fértil, possuir boas características maternais e produtivas e ainda assim apresentar sólida robustez e longevidade. Falamos da raça Beefmaster, a qual lhe damos a conhecer nas próximas páginas.

as raças populares da época, sendo que os seus critérios de seleção foram estritamente baseados em características de importância económica. Esse conjunto de características é apelidado de “os seis princípios essenciais”, e é neles que assenta o desenvolvimento da raça Beefmaster.

Os seis princípios essenciais

São eles: • Temperamento • Fertilidade • Peso • Conformação • Resistência • Produção leiteira

O objetivo de Tom Lasater, ainda no século XX, era o desenvolvimento de animais que conseguissem ser mais rentáveis em comparação com

40 OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2018 RUMINANTES

Ao satisfazer todas estas características, produziu-se

uma raça desenhada para a rentabilidade: fêmeas dóceis e férteis, com partos anuais e produção leiteira suficiente para criar um vitelo de alta qualidade, preparado para o desmame em qualquer ambiente. Estabelece-se assim uma raça de carne verdadeiramente única, com o equilíbrio ideal entre boas características maternas e produção de carne.

A raça Beefmaster Nasceu no Texas, em 1931, quando Tom Lasater iniciou um programa de cruzamento que incluía animais Brahman, Hereford e Shorthorn. Bastaram seis anos para que o programa reprodutivo fosse bem-sucedido sem introdução de genética externa. Em 1954, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, reconheceu esta raça como a primeira raça composta americana e, em 1961, fundou-se a organização dos criadores Beefmaster, a BBU (Beefmasters Breeders United). A raça é hoje uma mistura de 50% Bos taurus (Hereford e Shorthorn) e 50% Bos indicus (Nelore, Gir, Guzerat e Brahman).


GENÉTICA

Os seis princípios em pormenor TEMPERAMENTO: trabalhar com animais dóceis diminui os custos de maneio, comercialização, alimentação, reprodução e partos.

FERTILIDADE: esta é a característica mais importante para um produtor, a pedra angular da sua filosofia de trabalho. Vacas que não asseguram um parto por ano não são animais economicamente viáveis. PESO: a importância desta característica é igualmente óbvia. Os produtores vendem quilos de carne, cujo preço de custo influencia muito o lucro obtido. Sendo esta uma característica hereditária, os Beefmasters são selecionados para um índice de conversão otimizado, assegurando uma boa produção com menores custos em alimentação. CONFORMAÇÃO: influencia a seleção dos animais, tendo esta sido direcionada para machos compridos, largos e bem musculados, e para fêmeas com características típicas do seu género, que cumpram os requisitos do mercado.

RESISTÊNCIA: a raça Beefmaster é igualmente selecionada para produzir sob condições ambientais extremas e difíceis e ainda assim assegurar bons índices de natalidade, baixa mortalidade, baixos custos de maneio e alta resistência a doenças e parasitas.

PRODUÇÃO LEITEIRA: é a parceira da genética no ganho de peso dos animais. Quando se perguntava a Tom Lasater qual o tipo de vaca ideal, a resposta era “algo parecido com uma vaca que produz muito leite.”

Adaptabilidade: Uma vantagem indiscutível Devido aos seus seis fundamentos de base, a raça Beefmaster já se estabeleceu como uma das mais versáteis do mundo, e a sua capacidade de se adaptar e prosperar em quase todos os ambientes produtivos, incluindo os inóspitos, está bem documentada. A sua distribuição geográfica vai desde os locais mais acidentados e áridos das explorações em elevada altitude do Oeste dos Estados Unidos, ao inóspito deserto Mexicano, passando pelos destinos tropicais do hemisfério ocidental, onde o calor, humidade e parasitas são abundantes. As regiões mais frias do continente americano também acolhem esta raça, cujo cruzamento predominante com genética inglesa a torna uma das mais rentáveis da indústria de bovinos de carne dos EUA.

A importância de heterose A heterose, ou vigor híbrido, é o meio mais rápido e económico de melhorar a eficiência em todos os níveis de produção, sendo esses resultados particularmente visíveis na raça Beefmaster: a combinação única de 50% Bos indicus e 50% Bos taurus atinge uns impressionantes 63% de nível de retenção do vigor híbrido. Esta repartição genética explica quer a boa produtividade em ambientes quentes, para a qual muito contribui a linha Bos indicus, quer os índices de fertilidade, precocidade reprodutiva e valor de carcaça decorrentes da genética Bos taurus. O cruzamento de touros Beefmaster

com vacas Bos indicus provou ser benéfico em termos de fertilidade, crescimento e qualidade de carcaça, com fêmeas mais prolíficas e vocacionadas para a produção de carne. O afastamento genético de raças europeias faz também com que o vigor híbrido decorrente do cruzamento com raças continentais ou com a raça Angus da América do Norte atinja valores bastante elevados. Apesar do seu tamanho moderado, o cruzamento de animais Beefmaster com outras raças traduz-se em melhorias de fertilidade, eficiência alimentar, características maternais, temperamento, longevidade e produtividade.

RUMINANTES OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2018 41


GENÉTICA

Desempenho e melhoria contínua Apesar das boas características de base, os produtores da raça Beefmaster apostam no melhoramento genético dos seus efetivos, levado a cabo na sua organização – a BBU – na qual se realizam avaliações genéticas que englobam dados de desempenho, eficiência alimentar, utilização de ultrassons e dados de carcaça, tudo com base na avaliação do ADN.

A qualidade da carcaça Os animais Beefmaster produzem carcaças de alta qualidade e tenrura. Nos EUA, a sua carne abastece diversas marcas de renome, cujos clientes exigem carne de qualidade superior. A associação BBU disponibilizouse para efetuar um ensaio de qualidade de carne, realizado na Universidade do Texas entre 1998 e 2001, no qual foram cruzados cinco touros Beefmaster com fêmeas da raça Angus. Investigadores da Universidade do Texas e avaliadores do Departamento Agrícola dos EUA

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monitorizaram a performance dos animais cruzados e as suas características de carcaça, tendo determinado que 72% se qualificaram como “USDA Quality Grade Choice and Prime” e 86% como “ USDA Yield 1”, as classificações mais desejáveis para o marmoreado e o rendimento de carne magra. Desta forma, a combinação de maiores rendimentos de carcaça

Reprodutor “L-Bar en Fuego”.

com a elevada qualidade da carne produzida torna esta raça valiosa para qualquer sistema de produção de carne. Ugenes, Lda Telf: +351 917 534 617 E-Mail: CarlosSerra@unigenes.com


6

MELHORANDO A QUALIDADE DA CARNE GENÉTICA E DESEMPENHO

OS SEIS ESSENCIAIS: Disposição || Conformação Fertilidade || Robustez Peso || Produção De Leite

BENEFÍCIO E DESEMPENHO COMPROVADOS: GANHO DE PESO + EFICIÊNCIA ALIMENTAR A 1ª raça Americana composta (Combinação de 3 Raças)

Bos Indicus x Bos Taurus

(Brahman x Hereford x ShortHorn)

Com máximo de Vigor Hibrido

Beefmaster x Charolais (E6 4) © Isa Beefmasters

BENEFÍCIOS: Facilidade de Partos || Reprodução || Mães Lendárias Alto Crescimento || Resistentes ao Calor e Insetos Eficiência Alimentar || Qualidade da Carcaça Boa adaptação ao Ambiente

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SAÚDE E BEM-ESTAR ANIMAL

A importância da água em vitelos

DVM JC-DAIRY CONSULTING,LDA jose.pires.caiado@gmail.com

PARTE 2: A REIDRATAÇÃO No último número da revista abordámos a importância da água de bebida na hidratação natural dos vitelos, procurando sensibilizar para o seu fornecimento permanente, de forma a que nunca falte água de bebida, sempre limpa e fresca, à disposição dos vitelos. Na segunda parte deste artigo abordaremos a importância da reidratação oral dos vitelos, como solução ideal e prioritária para a estabilização vital de animais desidratados por diferentes causas, nomeadamente pela ocorrência de diarreias que constituem uma das principais causas de morte nos viteleiros.

JOSÉ CAIADO

Causas da desidratação em vitelos Existem várias causas para a desidratação dos vitelos sendo as diarreias a causa mais frequente e com consequências que podem ir da sua debilitação ligeira até à morte. As diarreias podem ser provocadas por causas infeciosas e não infeciosas. As causas infeciosas de diarreia mais frequentes em vitelos são bactérias como E. coli e a Salmonella, vírus como o Rotavírus e o Coronavírus e um protozoário oportunista o Cryptosporidium. Exemplos de causas não infeciosas são o stress térmico e de transporte, as correntes de ar, a baixa temperatura ambiente e problemas associados à administração do colostro. Independentemente do fator causador da diarreia, esta resulta sempre numa perda importante de eletrólitos (ex: sódio e potássio) e de água pelas fezes, podendo diminuir também a ingestão voluntária do leite. É este processo de perdas que causa a desidratação, a acidose metabólica (em que o sangue fica mais ácido do que é o normal), desequilíbrios eletrolíticos marcados por deficiências mais ou menos graves em sódio e/ou potássio, que culminam num balanço energético negativo, causado simultaneamente pelos nutrientes perdidos e pela menor ingestão do

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leite. Estes factos levam a um enfraquecimento progressivo do estado geral do animal que terminará em morte se não se tomarem imediatamente medidas corretivas – a reidratação - que impeçam a irreversibilidade deste processo.

O que é a reidratação oral? A reidratação consiste na administração oral de soluções eletrolíticas (água + “eletrólitos”), que ajudam a restaurar os fluidos corporais, o pH normal do organismo,

e a concentração sanguínea dos iões sódio e potássio. Adicionalmente a estes benefícios vitais para a saúde animal, a reidratação fornece normalmente um suporte básico de energia através de açúcares que são veiculados na água em que os eletrólitos são dissolvidos. Trata-se de uma terapêutica cujo êxito é tanto maior e eficaz quanto mais precocemente é instituída. Isto é, deve-se instituir a reidratação oral com eletrólitos logo que verificamos os primeiros sinais de diarreia ou de desidratação dos vitelos.


SAÚDE E BEM-ESTAR ANIMAL

Existe uma outra razão para agir de imediato: a reidratação oral implica naturalmente que o animal seja capaz de beber voluntariamente ou que possua um reflexo de sucção ativo. Se nos atrasarmos na sua aplicação os vitelos podem chegar a um tal ponto de fraqueza, com a perda do reflexo de sucção, que os impedirá de ingerir os líquidos reidratantes por via oral. Para além disso, a sua rápida utilização pode evitar a administração dos antibióticos geralmente usados no combate à diarreia. Tenho testemunhado como em muitas explorações leiteiras o uso adequado da reidratação oral levou a uma diminuição drástica do uso de antibióticos. Como benefício adicional os produtos usados como fonte de eletrólitos são relativamente baratos. Existe uma grande oferta de produtos deste tipo à venda no mercado, com composições muito diversas o que pode tornar difícil uma escolha correta. Procuraremos adiante dar indicações práticas para uma seleção adequada.

Notas para uma utilização correta dos “eletrólitos” para a reidratação oral

1

Os eletrólitos devem ser sempre dissolvidos em água e nunca no leite. Por comodidade e para diminuir o trabalho, é muito frequente constatar-se nas explorações, a adição errada de eletrólitos ao leite. Há várias razões importantes para não fazer isto: a) por um lado queremos reidratar o animal. É a água que realmente reidrata. Se lhe dermos os eletrólitos no leite, o animal desidratado não vai ingerir mais água. Pretende-se que o organismo animal fique como que “inundado” em água. Isto não será possível se ele não beber muito mais líquidos do que a quantidade que normalmente ingere conjuntamente através do leite que lhe é fornecido e da água do bebedouro; b) por outro lado a junção dos eletrólitos ao leite pode fazer aumentar muito a concentração osmolar do leite e com isto haver uma chamada de água do sangue ao interior do intestino que agravará ainda mais a diarreia e a consequente desidratação. Finalmente, C) porque estes produtos incorporam bicarbonato de sódio na sua composição, eles são concebidos para dar com água de bebida e não com o leite materno ou com leites de substituição. Mais adiante abordaremos o porquê de ser assim.

2

A solução hidratante deve ser dada de forma espaçada, entre as tomas do leite, para aumentar as probabilidades de que o animal ingira o maior volume possível de líquidos. Normalmente as tomas do leite dão-se de manhã e à tarde. Neste caso a primeira administração oral da solução hidratante (“eletrólitos”) seria bem dada por volta do meiodia. Caso pretendamos dar uma segunda dose, então esta deveria ser dada cerca de 2 horas após a toma de leite da tarde.

3

Nunca, por motivo algum, devemos parar com o normal fornecimento do leite aos vitelos. A diarreia faz perder muitos nutrientes, nomeadamente a energia indispensável à vida. A solução hidratante, apesar de rica em glucose/energia, nunca conseguirá compensar a energia que é veiculada pelo leite. Nas diarreias causadas por agentes infeciosos, o vitelo lutará contra a infeção ativando o seu sistema imunitário. Este é um grande consumidor de energia. Toda a energia é pouca para reabilitar o vitelo doente e desidratado. A recuperação (e a salvação) dos animais é muito mais rápida quando a terapia hidratante se acompanha da normal ingestão do leite materno ou de substituição.

Que quantidade deve ser administrada? A quantidade de eletrólitos a administrar a um vitelo desidratado depende obviamente do seu grau de desidratação. O grau de desidratação pode variar geralmente num intervalo entre os 5% (em que não existem sinais clínicos da mesma) e os 10-14% em que o animal se encontra já prostrado, em estado comatoso, sem força sequer para mamar ou colocar de pé e com as extremidades frias. Numa situação limite como esta o animal já não colabora/ bebe e a sua reidratação teria que ser parenteral, através da administração de soro fornecido segundo as indicações do médicoveterinário assistente da exploração. Para ilustrar a questão tomemos como exemplo um vitelo com cerca de 6-8% de desidratação em que se observa um conjunto mais ou menos grave de sinais clínicos como olhos afundados, mucosas da boca secas e perda de elasticidade da pele ao puxão da mesma, e um peso de 40 kgs. Se a desidratação for de 8%, isso significa que o vitelo perdeu 3,2 litros de líquido corporal, ou seja, 40kg x 0,08=3,2kg de peso pelos fluidos perdidos através da diarreia ou por stress térmico. Portanto, para recuperar por assim dizer a água perdida, o vitelo necessita de receber/ absorver 3,2 litros de solução hidratante, para além dos líquidos que normalmente ingere, para se reidratar e assim estabilizar o seu estado geral. Em conclusão, se um animal ingere por dia 6 litros de líquidos, nesta situação necessitaria de ingerir 6+3,2=9,2 litros para repor o seu nível de hidratação corporal.

RUMINANTES OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2018 45


SAÚDE E BEM-ESTAR ANIMAL

Como escolher um produto adequado Existem muitos produtos à base de eletrólitos à venda no mercado e com composições muito variadas. Contudo, nem todos cumprem com os requisitos técnicos adequados para darem lugar a boas soluções reidratantes, destinadas a curar os animais de diarreias. Existem produtos cuja composição acaba por ter um objetivo duplo de curar diarreias e simultaneamente constituir um suplemento nutricional. Isto leva a que perdendo o foco na completa terapia hidratante contra a diarreia, estes produtos acabem por não incorporar todos os nutrientes necessários e em quantidades mínimas eficazes inerentes a uma terapêutica reidratante.

Os “bons eletrólitos” devem cumprir os seguintes quatro requisitos essenciais:

1 2 3 4

Em resumo, quando observamos uma etiqueta referente a um produto do tipo dos chamados “electrólitos”, será um bom indicador encontrar uma descrição da sua composição em que se incluam ingredientes como a dextrose/glucose, cloreto de potássio como fonte de potássio, cloreto de sódio como fonte de sódio e cloro, glicina e um tampão como o bicarbonato, o acetato ou o propionato. O bicarbonato é o tampão mais frequentemente utilizado por ser talvez a opção mais barata embora não a opção perfeita. Na realidade o bicarbonato interfere com a coagulação da caseína do leite ao nível do coagulador e, portanto, com o processo digestivo do leite. Esta é a razão pela qual

todos os produtos que contenham bicarbonato não devem ser misturados com o leite, mas sim com a água e administrados pelo menos duas horas após uma toma de leite pelo vitelo. Muitos produtos são relativamente deficientes em potássio. Um dos sintomas mais frequentes nos vitelos com uma diarreia severa ou crónica é a sua grande fraqueza muscular. Esta deve-se em grande parte à grande perda de potássio pela diarreia. Devemos eleger produtos com uma concentração de potássio, se possível, acima de 2%, por forma a atingir uma concentração adequada na solução hidratante fornecida capaz de revigorar o animal rápida e eficazmente.

Representação visual da percentagem de desidratação em função dos sintomas observados nos vitelos Adaptado de M. A. Wattiaux (2005). Desidratação (%) 0 2

Devem fornecer sódio, potássio e cloro suficientes para rapidamente corrigir as perdas destes iões causadas por uma diarreia ou pelo stress térmico ou de transporte. Devem incluir substâncias que promovam ativamente a absorção intestinal de sódio, potássio e água. É o caso da glucose, glicina, citrato, acetato ou propionato. Devem fornecer substâncias tampão que ajudem a corrigir a acidose metabólica observada nas situações de desidratação. É o caso do bicarbonato, acetato ou proprionato. Devem fornecer uma forma de energia rapidamente biodisponível por forma a rapidamente corrigir o défice energético associado às diarreias. Normalmente usa-se para este fim a dextrose.

46 OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2018 RUMINANTES

4

Enfraquecido 6 8 10 12

Obriga a fluidoterapia intravenosa

Gravemente doente

14

Morto

Conclusão É importante observar atentamente a etiqueta do produto a usar e compreender a sua composição. Como as composições variam bastante, torna-se por vezes difícil comparar produtos ou chegar a conclusões rápidas. É por isso sempre aconselhável a consulta ao seu médico-veterinário assistente para o ajudar na escolha e na correta aplicação destes produtos de forma a controlar a desidratação associada às diarreias.


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Ovinos INRA 401 (La Romane) Análise técnico-económica de uma exploração Herdade da Sancha Velha A Raça Ovina INRA 401 – também conhecida como La Romane – é uma raça sintética, originária do cruzamento de duas raças: Romanov, raça conhecida pela sua prolificidade, e Berrichon du Cher, conhecida pelas suas qualidades cárnicas. Combinando as características destas duas raças, estes ovinos têm uma elevada prolificidade, boas qualidades maternais, rusticidade e qualidades cárnicas. FOTOGRAFIAS DE MARGARIDA CAPELAS

PEDRO CASTELO

SARA GARCIA

DIRETOR TÉCNICO ZOOPAN pedro.castelo@zoopan.com

ENGª ZOOTÉCNICA, TÉCNICO-COMERCIAL ZOOPAN s.garcia@zoopan.com

48 OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2018 RUMINANTES

Durante séculos, diferentes raças de ovinos foram desenvolvidas visando a adaptação a condições locais muito diversificadas. Em muitos casos, a seleção foi pensada visando maioritariamente a facilidade de adaptação a condições climáticas adversas e à utilização de recursos alimentares escassos e incertos. Esta seleção deu origem a raças caracterizadas pela sua rusticidade e, por isso, sendo exploradas em zonas onde a produção alimentar

é escassa e sazonal. No caso dos Ovinos INRA 401, o intuito do seu desenvolvimento prendeu-se com o objectivo de aumentar a prolificidade das raças ovinas francesas, melhorando a sua rusticidade e características de produção de carne, como o crescimento e conformação da carcaça.

Em Portugal O consumo de carne ovina tem sido estável nos últimos 3 anos,


ALIMENTAÇÃO

Nutrição A nível nutricional, fez-se um acompanhamento correto das ovelhas, tendo em conta a sua fase reprodutiva, de forma a exprimir o potencial genético dos borregos. Os borregos foram suplementados com um granulado adaptado à espécie e à fase de crescimento, em comedouros seletivos, a partir das 3 semanas de idade. De seguida, apresenta-se o plano alimentar utilizado nas ovelhas na fase de lactação, com feno de qualidade média e granulado, tendo como principal objetivo

FIGURA 1 Sistema PDI.

GRÁFICO 1 Evolução do efetivo de ovinos em Portugal de 2006 a 2017 (INE – Instituto Nacional de Estatística).

Proteína Total

Proteína Microbiana Proteína By-pass = PDIM = PDIA

Efetivo Ovino

3000 2500

Efetivo (x 1000)

2000 1500 1000

- Leite -TP

Energia

500

2017

2015

2016

2013

2014

2011

2012

2010

2009

2007

2008

0 2006

verificando-se um consumo per capita na ordem dos 2,3 kg por ano (carne de ovino e caprino). No gráfico 1 podemos observar a evolução do efetivo de ovinos em Portugal, entre 2006 e 2017. O efetivo de ovinos, em Portugal, sofreu uma tendência decrescente desde 2006 até 2015, no entanto começa a haver uma inversão da tendência em 2016 e 2017. O presente artigo tem como objetivo demonstrar as performances produtivas acompanhadas numa exploração de Ovinos INRA 401 (Herdade da Sancha Velha), assim como uma breve análise económica, de forma a avaliar o interesse da sua produção.

Ano

matéria seca ingerida pelas ovelhas, pois manteve-se a quantidade de alimento concentrado e os animais esgotam a capacidade de ingestão com feno.

fomentar a produção de leite, e assim, de forma indireta, potenciar a expressão do potencial genético dos borregos. No que diz respeito à forragem, considerámos o valor obtido na análise, e o alimento concentrado foi calculado em função do feno disponível. Em relação ao preço da forragem, considerámos o preço de mercado (100 €/ton de Matéria Bruta). De acordo com o caderno de encargos para o objetivo definido, elaboraram-se 2 arraçoamentos (tabela 1): um para as primeiras 3 semanas após o parto e outro para as 3 semanas seguintes. A diferença entre arraçoamentos prende-se com a

Em relação à proteína (tabela 2), o arraçoamento contém um nível de proteína bruta com um nível de produção de proteínas microbianas no rúmen (PDIM), limitada pela energia fermentescível (PDIME) ou pela proteína degradável (PDIMN), e a proteína alimentar não degradada no rúmen e disponíveis no intestino (PDIA) que permitem uma produção de leite óptima para cada fase de lactação (figura 1).

TABELA 1 Arraçoamentos ovelhas lactação até 6 semanas após o parto.

A - Ovelhas aleitantes em lactação Custo por Animal/Dia= 0,50 € Matéria-Prima

(222,00 €/ton MB) Preço (€/ton)

(250,00 €/ton MS)

Quantidade Distribuida Kg MB

MS

0,80

0,72

Características Nutricionais (/Kg MS) MS

UFL

90,00

0,65

PDIN

PDIE

PDIA

Ca

g

g

g

g

P g

68,00

78,00

29,00

4,50

2,20

Feno 8% PB

100,00

Granulado Ovelhas INRA

290,00

1,45

1,28

88,38

1,07

164,30

150,32

98,41

11,11

4,87

-

2,25

2,00

88,95

0,92

129,65

124,30

73,44

8,73

4,02

P

Total

B - Arraçoamento 4-6 semanas após parto Custo por Animal/Dia= 0,55 € Matéria-Prima

(202,00 €/ton MB) Preço (€/ton)

(227,00 €/ton MS)

Quantidade Distribuida Kg

Características Nutricionais (/Kg MS) PDIN

PDIE

PDIA

Ca

g

g

g

g

g

0,65

68,00

78,00

29,00

4,50

2,20

MS

UFL

1,13

90,00

MB

MS

1,25

Feno 8% PB

100,00

Granulado Ovelhas INRA

290,00

1,45

1,28

88,38

1,07

164,30

150,32

98,41

11,11

4,87

-

2,70

2,41

89,12

0,88

119,28

116,51

65,96

8,02

3,76

Total

RUMINANTES OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2018 49


ALIMENTAÇÃO

No que concerne à energia (tabela 3), devido à capacidade de ingestão limitada dos animais nesta fase, é necessário concentrar a dieta, por isso, o nível energético é elevado. Este nível energético permitiu manter as ovelhas numa excelente condição corporal na fase de lactação. No que à fibra diz respeito (tabela 4), as paredes vegetais são o substrato privilegiado das populações celulolíticas, produtoras de ácido acético (AGV C2), que contribui para a regulação do pH e para a formação do teor butiroso (TB) do leite. Os arraçoamentos contêm níveis de fibra que asseguram o bom funcionamento do rúmen.

TABELA 2 Balanço azotado do arraçoamento.

Balanço Azotado Unidade PL por PDIN PL por PDIE PDIN

litros

TABELA 5 Distribuição da tipologia dos partos por cada grupo de ovelhas.

Arraçoamento A 2,57

Tipo de Parto

100 ovelhas

3º Grupo

Nº Borregos

100 ovelhas

4º Grupo

Nº Borregos

18 ovelhas

2,93

23

12

12

25

25

7

7

45

90

45

90

43

86

10

20

litros

2,44

2,84

Duplo

g/Kg MS

129,65

119,28

Triplo

27

81

40

120

27

81

1

3

5

20

3

12

3

20

0

0

g/Kg MS

124,30

116,51

g/Kg MS

73,44

65,96

Total Nascidos

% MS

17,34

15,76

Mortos em 48h

%

60,67

62,75

Total Vivos

Balanço Energético Unidade

Arraçoamento A

B

litros

1,90

2,38

UFL/Kg MS

0,92

0,88 18,87

Amido + Açucar

% MS

21,67

Glucidos Rápidos

% MS

14,35

12,78

GTD

% MS

45,22

44,14

Amido by pass

g/dia

40,69

40,69

Arraçoamento

Unidade

A

B

Fibra Bruta

% MS

20,64

22,72

NDF

% MS

38,81

42,55

ADF

% MS

23,14

25,22

ADL

% MS

2,81

2,92

50 OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2018 RUMINANTES

234

212

30

13

15

19

1

203

219

193

29

Relativamente ao ensaio, considerouse um grupo de 318 ovelhas INRA 401, das quais se acompanhou a época de partos, que começou a 30 de janeiro. As ovelhas foram separadas em 4 grupos, de forma a ter os lotes de borregos o mais homogéneos possível (figura 2). Na tabela 5 encontra-se a distribuição dos partos pelos 4 grupos de ovelhas, e o número de borregos nascidos, de acordo com o tipo de parto. Em resumo, obteve-se uma taxa de prolificidade 48h após o parto de 2,025 borregos por ovelha, sendo a distribuição dos partos:

TABELA 4 Balanço fibrosidade do arraçoamento.

Balanço Fibrosidade

214

Ensaio

TABELA 3 Balanço energético do arraçoamento.

PL por UFL

Nº Borregos

23

PDIA

UFL

2º Grupo

Simples

PDIE

DT

Nº Borregos

100 ovelhas

B

Quádruplo

Proteína Bruta

1º Grupo

• 21,07% partos simples • 44,97 % partos duplos • 29,87 % partos triplos • 4,09 % partos quádruplos

Análise económica No que diz respeito à análise económica, teve-se em linha de conta apenas o custos alimentares, quer com as ovelhas, quer com os borregos, e também o valor de venda dos animais para recria, reprodução e abate. De acordo com o plano alimentar adaptado à fase de lactação das ovelhas, sabese que tiveram um custo alimentar de 0,50€/ovelha/dia entre o dia do parto e os 22 dias pós parto, e um custo de 0,55 €/ovelha/dia desde o dia 23 até ao dia 44 após o parto, altura em que os borregos foram desmamados. Sabendo quantas ovelhas temos e quantos dias estiveram a ser alimentadas de acordo com cada um dos arraçoamentos adaptados, segue na tabela 6 o resumo dos custos alimentares afetos às ovelhas.


ALIMENTAÇÃO

No que diz respeito aos borregos, em termos de maneio na própria exploração, optou por colocar num parque distinto e com acesso a máquina de aleitamento automático os borregos fruto de partos triplos e quádruplos, de modo a que cada ovelha amamentasse apenas 2 borregos. Assim sendo, considerou-se também o leite em pó gasto durante o período de ensaio, para que a análise seja mais correta. Na tabela 7 seguem os custos alimentares relativos aos borregos (leite em pó consumido e “Granulado Borregos”). Desta forma, e para tornar mais perceptível a análise dos dados, elaborou-se um quadro resumo relativo aos custos alimentares com ovelhas e borregos (tabela 8). Por fim, considerando todas as receitas temos três categorias diferentes: 1) Fêmeas para reprodução; 2) Machos para reprodução; 3) Animais vendidos diretamente para carne. Na fase de engorda houve 2 % de mortalidade, ou seja 13 borregos, obtendo-se um total de 631 animais vendidos em vez dos 644 animais iniciais. O preço médio de venda dos borregos com 23kg de peso vivo foi de 67€/animal, enquanto que para os animais vendidos para reprodução foi de 110€/animal para as fêmeas e 250€/animal relativamente aos machos (tabela 9).

Conclusão Pode concluir-se com a realização do ensaio que, adaptando o plano alimentar das ovelhas à fase da lactação em que se encontram e indo ao encontro das suas necessidades nutricionais específicas, estes animais podem exprimir o seu potencial genético máximo, originando borregos melhores e mais pesados ao desmame, que passarão mais suavemente por esta fase. Tendo em conta apenas os custos alimentares com ovelhas e borregos - 14 218,80 € - e a receita gerada pela venda dos animais - 58 407,00 € pode concluir-se que esta actividade representa sem dúvida, uma mais valia para o produtor. No entanto, é importante referir que existem custos suplementares com mão-de-obra, medicamentos, entre outros.

TABELA 6 Custos alimentares relativos às ovelhas, em cada fase da lactação.

Unidade

Custo/dia

Ovelhas 0-22 dias após parto

0,50

Ovelhas 23-44 dias após parto

0,55

Ovelhas

Dias

Total

318

22

3498,00

318

22

3847,80 7345,80

TABELA 7 Custos alimentares relativos aos borregos.

Unidade

Preço €/kg

Consumo

Total

Leite em pó

kg

2,300

900

2070,00

Granulado Borregos - Iniciação

kg

0,350

2000

700

Granulado Borregos - Engorda

kg

0,285

10000

2850

Granulado Borregos - Recria

kg

0,250

5000

1250 6870,00

TABELA 8 Resumo custos alimentares ovelhas e borregos.

Custo Total Alimentar Borregos € Ovelhas

7345,8

Borregos

6870,00

TOTAL

14215,80

TABELA 9 Receita gerada pela venda dos animais.

Animais

Preço / Animal (€)

Total

Borregos para carne (23 kg)

321

67,00

21507,00

Fêmeas para reprodução

290

110

31900,00

Machos para reprodução

20

250

5000,00

Mortalidade engorda (2%) Total animais

13

0,00

644

58407,00

FIGURA 2 Distribuição dos grupos durante o ensaio.

RUMINANTES OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2018 51


ECONOMIA

Observatório das matérias primas POR JOÃO SANTOS

Missão impossível – Fallout (guerra comercial) No seguimento do último artigo do Observatório das Matérias Primas, continuaremos a falar da sequela da guerra comercial, que tal como todas as outras guerras, todos sabemos como começam, mas ninguém sabe como vai acabar. No entanto esperemos que o vencedor não humilhe o vencido e que o ressentimento não perdure no vencido. Relembrando alguma perspetiva histórica, há dois apontamentos que gostaria de fazer: i) Recuando apenas 200 anos, a China era a primeira economia mundial representando 1/3 do PIB mundial, e se recuarmos 250 anos, o peso da Índia + China na economia mundial era mais do que metade do PIB mundial, pelo que não seria/será a primeira vez na história “recente” que a Ásia, tem mais peso económico que o mundo ocidental. Hoje, o que aparentemente será diferente é que à 250 anos o poderio militar dos Ocidentais, em particular dos ingleses, era suficiente para dominar estes dois países (o Raj e Guerra do Opio, respetivamente)

e mante-los como colónias bem comportadas. Atualmente, não creio que a potência militar dominante tenha a intenção de impor a sua vontade com o poder militar e voltar aos colonialismos do passado. Assim, temos que nos adaptar à nova realidade na qual a Ásia tem atualmente, e vai continuar a ter, mais poder económico e consequentemente o que lá se passa, e o que faz direta ou indiretamente, vai entrar pelas nossas vidas. Seja porque lá se produzem muitos dos produtos que consumimos e que antes produzíamos aqui, seja porque a sua política externa vai deixar de ser pouco visível para passar a ser mais visível, quanto mais não seja para defender os seus interesses económicos. ii) O outro ponto, é que aparentemente os governantes chineses, nomeadamente o partido PCC, que tradicionalmente viam 2-3 jogadas sempre à frente, e eram muito calculistas nos passos que davam, esqueceramse que a mesma tática que os pôs no governo à 70 anos – a

COLHEITAS MUNDIAIS milhões de ton

14/15

15/16

16/17

17/18

Produção Mundial

319

Stocks finais

77,6 24%

18/19

312,8

351,4

336,82

369,3

76,6

96,0

94,74

108,26

24%

27%

28%

29%

1.008,80

961,9

1070,2

1033,6

1069,0

208,2

210,9

227,0

194,2

157,0

21%

22%

21%

19%

15%

SOJA

MILHO Produção Mundial Stocks finais

fonte: USDA s&d relatório de setembro

52 OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2018 RUMINANTES

desestabilização, também pode ser usada por outros, como foi e é o caso da atual administração da Casa Branca, em relação às tarifas de importação e a guerra comercial.

Proteínas O ultimo relatório do USDA sobre o estado da colheita da soja nos States, subiu o rendimento para esta colheita para um valor recorde de 52.8 bsh/acre, havendo até algumas organizações a falar que o rendimento pode ser mais de 53. Neste momento já se começou a colher soja nos States, não havendo já muito que possa por em risco esta colheita. Os olhos estão todos postos na sementeira do Brasil e no impacto que o recente aumento dos impostos na exportação de cereais na Argentina vai ter na futura sementeira e no ritmo de venda dos agricultores argentinos, que se estão a deparar com uma inflação de 60%. É sempre melhor ter um produto que é comercializado em Dólares do que ter Pesos que estão a desvalorizar-se de dia para dia. Assim, e apesar da colheita deste ano na Argentina ter sido 1/3 inferior, devido à seca extrema que sofreu, vemos que a produção mundial neste ano de colheita (2018-19) será 33 milhões de toneladas superior ao ano anterior, e com isso os stocks mundiais continuarão a subir. Em relação à guerra comercial, como era de esperar, a consequência dos direitos de importação de 25% que a China pôs na soja dos States, está a ter as seguintes consequências: I) Ao longo dos últimos meses

vimos os prémios da soja brasileira e argentina ajustarem para refletir o facto da sua origem não ter de pagar esses direitos. Assim, o grão da América do Sul hoje vale +/-70-80usd que o dos States. Nível de paridade para colocar a soja brasileira e argentina um par de dólares mais barata na China, que a soja dos States com os direitos de importação de 25%. II) A formulação de ração, em particular para porcos na China, está a mudar a marchas forçadas, nomeadamente nas empresas de media dimensão que continuavam a ser muito estáticas em termos de incorporação de farinha de soja. Continuando a usar o mesmo nível de incorporação de farinha que nos anos 80, os nutricionistas americanos, que por lá andavam a promover o consumo da soja, recomendavam um mínimo de incorporação de 20%. E estão agora a ajustar ativamente o nível de incorporação de acordo com o preço relativo de todas as matérias primas (otimização). Adicionalmente tudo indica que governo chinês está ativamente a dar orientação para que se reduza o nível de incorporação para os 12%, o que conduziria/á a uma importante redução do consumo de soja. Assim contra os mais de 100 milhões de toneladas que importou em 16/17 o governo chinês estima que a importação no período 2018/19 será de 83.7 milhões. III) A China está a comprar, como nunca o tinha feito nos anos anteriores, toda a farinha de girassol e de colza que consegue no Mar Negro. Este fator tem impacto para a Europa/ Portugal, porque torna os preços da farinha destes dois produtos menos competitiva em Portugal,


ECONOMIA

e, no nosso caso, a formulação em Portugal tenderá a reduzir a incorporação destes dois produtos e aumentar a incorporação de farinha de soja. IV) Já vimos que o nível de stock está muito alto, e que este ano a colheita vai ser fantástica, e que a China não está a comprar soja dos States. Como consequência, o grão de soja americano está muito barato. Se a isto acrescentarmos que a Argentina, a tradicional exportadora de farinha de soja, tem pouco grão, o resultado é que à custa desta situação (preço da soja muito barata nos States), pelo mundo fora, as fábricas de extração de soja estejam a ter boas margens, e os consumidores estejam a beneficiar de farinha de soja relativamente barata, 320€/tm em Lisboa. V) Adicionalmente era de esperar que a colheita reduzida na Argentina conduzisse a que as fábricas neste pais não tivessem soja para trabalhar até ao inicio da colheita do próximo ano. No entanto como a soja dos States está tão barata, conseguem importá-la e exportar a farinha e óleo de forma competitiva. Resultado: um problema aparente de colheita reduzida na Argentina está a tornar-se uma oportunidade. Onde é que isto pode acabar? Até sabermos o tamanho da colheita dos States a opinião geral é que se a China e os States “fizessem as pazes”, Chicago subiria, porque os chineses voltariam a comprar grão de soja nos States. Atualmente como comentado antes, a redução do consumo na China junto com uma colheita enorme nos States, leva a pensar que vamos continuar paulatinamente a ver uma correção em baixa dos preços, à espera do que o “weather market” no Brasil e Argentina nos reservam. De momento, pelo menos no Brasil, tudo indica que se vai plantar uma área recorde, o que já em si é um sinal positivo.

Cereais A guerra comercial, neste caso com a Europa, teve como consequência que o velho continente desde 20 junho, tenha imposto uns direitos de importação no milho dos States

de 25%. Esta tarifa de 25% tem ainda o efeito perverso de obrigar o milho dos States a ficar mais barato para encontrar destinos, o que por sua vez põe em risco a existência de direitos de importação de milho de países terceiros, que é calculado com base no preço do milho dos States. Ou seja, é necessário que a União Europeia altere o método do cálculo destes direitos de importação, para incluir no cálculo a tarifa de 25% que impôs no milho dos States. Assim, hoje o milho dos States é o mais barato, e estamos em risco de entrarem direitos de importação, no entanto não se pode importar por causa da tarifa de 25%. Por outro lado, o norte da Europa e Rússia, não tiveram as melhores condições de tempo para as colheitas de inverno. Consequentemente, a produção destes foi reduzida, em particular no que diz respeito ao trigo e cevada, em que o preço está atualmente claramente acima de 200€/ton em Lisboa, e não se espera que baixe, pelo menos até sabermos como será a próxima campanha, ou seja lá para junho de 2019. Em relação aos preços do milho em Lisboa hoje estamos em geral com todas as posições com milho acima de 170-180€/ton, por isso qualquer valor na banda inferior, não deverá deixar muita margem de erro numa decisão de compra.

Notas finais Temos tempos tumultuosos pela frente. Se adicionarmos os crescentes casos de peste suína no norte da Europa e na China, a guerra comercial que parece que não vir a parar, pelo menos até às eleições de novembro para o Congresso e Senado dos States, temos que redobrar a disciplina e a precaução. Ou seja, o barato hoje pode ser ainda mais barato amanhã e o caro ainda pode ser mais amanhã. Assim, urge continuar a pensar o negócio como um negócio de margem, que só se fecha quando vendemos o nosso leite ou carne, e não quando compramos as matérias primas. Despeço-me com amizade...

RUMINANTES OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2018 53


ECONOMIA

Observatório do Leite POR JOANA SILVA Fontes: Farm Journal’s Milk, Rabobank, The Dairy Site, USD

Entrámos no último trimestre do ano, e é agora tempo de se fazer o balanço entre o que se passou no setor leiteiro a nível global e o que 2019 nos reserva. O crescimento mundial até ao final do ano será modesto, com previsões do Rabobank na ordem dos 0,4%. Apesar da relativa estabilidade no setor leiteiro, alguns mercados vêm-se abalados por fragilidades na confiança dos consumidores, a par de alguma tensão política. Os preços do leite poderão ainda ser abalados pela ameaça do aumento dos custos em alimentação. Na Europa, a instabilidade atmosférica refreou a produção primaveril, que ficou aquém do esperado, e a onda de calor que se seguiu prejudicou ainda mais a génese de lucro. As tendências de consumo são ainda difíceis de definir entre estados membros, com um misto de bons e maus resultados. Para a manteiga, cujos preços têm vindo em defesa do setor – apesar de aquém dos valores históricos de 2017 – e para o queijo, o cenário é mais otimista. Quanto aos stocks já envelhecidos de leite em pó, estes têm sido comercializados com uma taxa de desconto, fruto das incursões

54 OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2018 RUMINANTES

da Comissão Europeia para a sua resolução, situação que se prevê que vá continuar até serem atingidos volumes mais confortáveis. O que poderá demorar, visto que ainda restam 300 000 toneladas. Do outro lado do Atlântico, dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apontam para um abrandamento da produção nos últimos meses de 2018, fruto da ligeira diminuição do número de vacas. As previsões são de uma produção de quase 99 biliões de quilos de leite, valor que fica apenas 1.1% acima dos registados em 2017. Os altos custos com alimentação têm sido outro obstáculo à consolidação das margens de lucro para muitos produtores. A diminuição esperada dos volumes de produção deverá no entanto reverterse em 2019, onde se espera um crescimento na ordem dos 45 milhões de litros de leite em paralelo com um aumento do efetivo, mas também dos stocks de leite em pó. A nível de trocas comerciais, as taxas alfandegárias impostas pelos EUA sobre 200 milhões de dólares de produtos chineses poderão abalar fortemente as trocas comerciais entre estes dois gigantes, o que já se reflete

na previsão de queda das exportações para a China em 2019. Apesar disso, prevê-se que as importações da China descolem nos restantes meses de 2018, ultrapassando valores registados no ano passado, bem como as previsões atuais. Resta saber quem alimentará este aumento de procura. A resposta poderá estar na neozelandesa Fonterra, que anunciou em finais de agosto uma parceria de produção sustentável com a China, promovendo-se a troca de conhecimento científico e investigação no setor, a par de uma via direta de fornecimento do mercado chinês. Aquele que é já o maior exportador de lacticínios mundial pretende triplicar as suas vendas na China, principalmente ao nível de leite pasteurizado e UHT. As perspetivas parecem de facto boas na região da Oceânia: na Austrália e na Nova Zelândia, as condições meteorológicas são animadoras o que, em paralelo com os preços atrativos do leite, se prevê que venha a aumentar a rentabilidade das explorações de ambos os países. As tensões comerciais deverão ensombrar a entrada em 2019. As incertezas acerca das consequências do Brexit continuam a gerar


ECONOMIA

desconforto entre a Europa e o Reino Unido, cujo acesso aos mercados europeus pós-saída ainda não está completamente garantido. Já no México, a imposição de tarifas

retaliatórias sobre queijos americanos dão que falar, e rumores indicam que a Rússia se poderá estar a preparar para um novo embargo, desta vez à Bielorrússia.

Hypred agora é

PREÇO DO LEITE STANDARDIZADO (1) PAÍSES

COMPANHIA

PREÇO DO LEITE (€/100 KG) JULHO 2018

MÉDIA DOS ULTIMOS 12 MESES (5)

ALEMANHA

Alois Müller

31,72

34,34

DINAMARCA

Arla Foods

33,36

34,10

FRANÇA INGLATERRA

Danone

37,13

34,84

Lactalis (Pays de la Loire)

34,35

33,82

Sodiaal

35,05

34,67

Dairy Crest (Davidstow)

31,13

32,39

Glanbia

32,14

33,57

Kerry

33,43

34,24

Granarolo (North)

37,87

39,53

DOC Cheese

Friesland Campina

35,21

36,99

IRLANDA ITÁLIA HOLANDA

PREÇO MÉDIO LEITE N. ZELÂNDIA EUA (4)

Kersia,

Fruto da união de um grupo de empresas de alto nível no setor e

especialistas em biossegurança

(2)

Fonterra (3)

31,34

30,79

EUA

30,74

32,38

Fonte: LTO (1) Preços sem IVA pagos ao produtor; Preço do leite de diferentes empresas leiteiras para 4,2% de MG, 3,4% de teor proteico e CCS de 249,999/ml . (2) Média aritmética . (3) Baseado na previsão mais recente . (4) Reportado pela USDA . (5) Inclui o pagamento suplementar mais recente.

LEITE À PRODUÇÃO PREÇOS MÉDIOS MENSAIS EM 2017/2018 MESES

2017

2018

EUR/KG

TEOR MÉDIO DE MATÉRIA GORDA (%)

TEOR PROTEICO (%)

Contin.

Açores

Contin.

Açores

Contin.

Açores

JULHO

0,309

0,275

3,69

3,68

3,23

3,12

AGOSTO

0,316

0,289

3,77

3,71

3,28

3,15

SETEMBRO

0,323

0,294

3,87

3,78

3,33

3,21

OUTUBRO

0,289

0,274

3,65

3,65

3,19

3,13

NOVEMBRO

0,330

0,298

3,91

3,85

3,35

3,27

DEZEMBRO

0,330

0,307

3,95

3,77

3,35

3,22

JANEIRO

0,317

0,298

3,86

3,73

3,30

3,20

FEVEREIRO

0,318

0,298

3,84

3,71

3,31

3,22

MARÇO

0,305

0,295

3,79

3,70

3,29

3,22

ABRIL

0,318

0,294

3,76

3,66

3,27

3,23

MAIO

0,310

0,291

3,69

3,59

3,23

3,21

JUNHO

0,309

0,290

3,69

3,60

3,19

3,14

JULHO

0,306

0,290

3,63

3,63

3,17

3,12

www.kersia-group.com

Fonte: SIMA Gabinete de Planeamento e Políticas

RUMINANTES OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2018 55


ECONOMIA

Índice VL e Índice VL-ERVA “Continua o mau momento para a produção de leite” ANTÓNIO MOITINHO RODRIGUES, DOCENTE/INVESTIGADOR, ESCOLA SUPERIOR AGRÁRIA DO INSTITUTO POLITÉCNICO DE CASTELO BRANCO CARLOS VOUZELA, DOCENTE/INVESTIGADOR, DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS DA UNIVERSIDADE DOS AÇORES/IITAA NUNO MARQUES, REVISTA RUMINANTES

Foi há exatamente 5 anos atrás que, pela primeira vez em Portugal, foi publicado o Índice VL, pensado para ser um indicador que avalia a rentabilidade da produção de leite muito dependente dos custos com a alimentação (Ruminantes, Ano 3 – N.º 11, outubro de 2013). Ao longo do tempo, a Ruminantes foi monitorizado este indicador de rentabilidade que refletiu momentos bons, menos bons e maus para a produção de leite nacional. Analisamos neste número da Ruminantes os Índices VL e VL - ERVA para o período de maio a julho de 2018. Consultando os dados do SIMA-GPP (2018), durante o trimestre em análise o preço médio do leite pago aos produtores individuais do continente variou entre 0,310 €/kg em maio e 0,306 €/kg em julho. Na Região Autónoma dos Açores o preço médio do leite pago aos produtores individuais

variou entre 0,290 €/kg em maio e junho e 0,291 €/kg em julho. Os dados publicados pelo MMO (2018) permitem verificar que o preço médio do leite pago ao produtor no período de maio a julho de 2018 foi, mais uma vez, muito inferior em Portugal (0,3025 €/kg) quando comparado com a média da UE28 (0,3237 €/kg). A diferença média de -2,12 cêntimos/kg de leite pago em Portugal é determinante para o sucesso económico da exploração significando que, de um modo geral, as organizações que recolhem e transformam o leite em Portugal não conseguem acrescentar valor ao produto leite recorrendo à via mais fácil que é pagar muito mal aos produtores. Os preços médios das principais matérias-primas utilizadas na formulação dos alimentos compostos utilizados neste trabalho tiveram pouca variação

Evolução do Índice VL e Índice VL-erva DE JULHO DE 2017 A JULHO DE 2018 Os valores são influenciados pela variação mensal do preço do leite pago ao produtor individual do continente (Índice VL) e da Região Autónoma dos Açores (Índice VL - ERVA) e pelas variações mensais dos preços de 5 matérias-primas utilizadas na formulação do concentrado e pelo preço dos outros alimentos que integram o regime alimentar da vaca leiteira tipo.

Últimos 13 Meses

2017

2018

Índice VL

Índice VL-ERVA

JULHO

1,635

2,034

AGOSTO

1,791

2,073

SETEMBRO

1,836

2,185

OUTUBRO

1,817

1,814

NOVEMBRO

1,825

1,829

DEZEMBRO

1,785

1,859

JANEIRO

1,765

1,828

FEVEREIRO

1,695

1,767

MARÇO

1,606

1,736

ABRIL

1,659

2,040

MAIO

1,610

2,007

JUNHO

1,637

2,038

JULHO

1,648

2,069

EVOLUÇÃO DO ÍNDICE VL

O Índice VL é influenciado pela variação mensal do preço do leite pago ao produtor no continente e pelas variações mensais dos preços dos alimentos que constituem o regime alimentar da vaca leiteira tipo (concentrado 9,5 kg/ dia; silagem de milho 33 kg/dia; palha de cevada 2 kg/dia).

2,0

Valores do Índice VL

DE JULHO DE 2012 A JULHO DE 2018

1,5

1,0 julho 2012

Valor do Índice VL Negócio saudável

56 OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2018 RUMINANTES

julho 2018

Limiar de rentabilidade Forte ameaça para a rentabilidade da exploração


ECONOMIA

EVOLUÇÃO DO ÍNDICE VL-ERVA DE JULHO DE 2013 A JULHO DE 2018 O Índice VL – ERVA é influenciado pela variação mensal do preço do leite pago ao produtor na Região Autónoma dos Açores e pelas variações mensais dos preços dos alimentos que constituem o regime alimentar da vaca leiteira tipo (primavera/verão 60 kg/dia de pastagem verde, 10 kg/dia de silagem de erva e de milho, 5,6 kg/dia de concentrado; outono/inverno 47 kg/dia de pastagem verde, 13,3 kg/dia de silagem de erva e de milho, 6,7 kg/dia de concentrado).

durante o trimestre. Esta situação traduziu-se numa variação dos custos dos regimes alimentares de –0,4% no continente e de -11,5% na Região Autónoma dos Açores, como consequência da maior utilização de pastagem na alimentação da vaca tipo durante a primavera / verão. A evolução do preço do leite e dos custos da alimentação refletiu-se no Índice VL e no Índice VL - ERVA que em julho de 2018 foi, respetivamente, de 1,648 e de 2,069. De referir que em julho de 2017 o Índice VL havia sido de 1,635 e o Índice VL - ERVA de 2,034. Um índice inferior a 1,5 (valor muito baixo) indica forte ameaça para a rentabilidade da exploração leiteira; um índice entre 1,5 e 2,0 (valor moderado)

Valores do Índice VL Erva

3,0

2,0

1,5

1,0 julho 2013

julho 2018

Valor do Índice VL - erva Negócio saudável

indica que a produção de leite é um negócio economicamente viável; um índice maior do que 2,0 (valor elevado) indica que estamos perante uma situação favorável para o sucesso económico da exploração (Schröer-Merker et al., 2012). Com um Índice VL de 1,648 pode concluir-se que os produtores de leite do continente se encontram muito próximo do limiar de rentabilidade da exploração. Nos Açores, durante o trimestre em análise, o Índice VL-ERVA atingiu o valor mais baixo de 2,007 em maio tendo aumentado para 2,069 em julho. Esta situação reflete melhor a realidade dos produtores da ilha de S. Miguel onde os preços pagos são mais elevados do que nas restantes ilhas do Arquipélago.

Limiar de rentabilidade

Forte ameaça para a rentabilidade da exploração

NOTAS: Comparando com o mês de julho de 2017, o preço do leite pago em julho de 2018 aos produtores do continente e dos Açores foi superior em 1,7 cêntimos/kg; Durante o trimestre em análise não houve variação representativa no preço das matérias-primas que entram na formulação dos alimentos compostos da vaca tipo. No entanto, como entre abril e setembro a quantidade de pastagem que nos Açores entra na alimentação da vaca tipo é maior, verificou-se uma redução do custo total do regime alimentar formulado para calcular o Índice VL – ERVA (-11,5%); No trimestre em análise, a palha, um dos alimentos forrageiros utilizados na formulação do regime alimentar não apresentou variação representativa; As três considerações anteriores refletem-se no Índice VL e no Índice VL ERVA que em julho de 2018 foram, respetivamente, de 1,648 e 2,069.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: MMO (2018). European milk market observatory – EU historical prices. https:// ec.europa.eu/agriculture/market-observatory/milk acesso em 17-09-2018. Schröer-Merker, E; Wesseling, K; Nasrollahzadeh, M (2012). Monitoring milk:feed price ratio 1996-2011. In: Chapter 2 – Global monitoring dairy economic indicators 1996-2011, IFCN Dairy Report 2012, Torsten Hemme editor, p 52-53. Published by IFCN Dairy Research Center, Schauenburgerstrate, Germany. SIMA-GPP (2018). Leite à produção - Preços Médios Mensais. Sistema de Informação de Mercados Agrícolas, Gabinete de Planeamento e Políticas. http://sima.gpp.pt:8080/sima/default/lacteos?la=1&ini=2018 acesso em 17-09-2018.

RUMINANTES OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2018 57


ATUALIDADES

Liderança Uma equipa motivada é uma equipa vencedora POR MARGARIDA CARVALHO

Como em qualquer negócio, a capacidade que um líder tem para motivar os seus colaboradores é fundamental numa exploração agrícola. Cada vez mais é necessário que os produtores adquiram conhecimentos no âmbito da gestão de recursos humanos e da liderança para o sucesso do seu negócio. A ideia de que a capacidade de liderança é algo inato que “ou se tem ou não se tem” está completamente ultrapassada e são cada vez mais os agricultores que procuram formação adicional nestas áreas. Num mundo em que a informação é cada vez mais global, é mais fácil adquirir informação e estratégias que permitem aos produtores melhorar as suas capacidades de liderança. Um bom líder deve ter conhecimento das suas forças e fraquezas bem como as dos seus colaboradores. Uma forma de aprofundar este conhecimento pode passar pela utilização de testes de personalidade, algo que as equipas de recursos humanos de grandes empresas usam frequentemente (ver caixa). A ideia subjacente é não só conhecer melhor os colaboradores como formar equipas mais equilibradas. Contrariamente ao que se pensa, o recrutamento e a fixação de colaboradores, não depende exclusivamente do pacote salarial oferecido. É necessário ganhar consciência que para muitos trabalhadores é tão ou mais importante a perspetiva de progressão, o reconhecimento pelos bons resultados, o bom ambiente no trabalho ou o equilíbrio entre a vida profissional e familiar. Existem vários perfis de liderança que variam consoante a personalidade do líder e também com o momento que a empresa atravessa. No entanto, existem características comuns aos bons líderes que podem ser trabalhadas independentemente do tipo de personalidade:

58 OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2018 RUMINANTES

ATITUDE *POSITIVA Mesmo perante as adversidades é necessário que o líder demonstre uma atitude positiva. O líder deve ser o modelo das atitudes que deseja ver nos seus colaboradores. Deve tratar todos os trabalhadores com respeito e saber ouvir diferentes pontos de vista.

CAPACIDADE DE *COMUNICAÇÃO E HONESTIDADE Um bom líder deve ter a capacidade de explicar as suas decisões e ordens aos colaboradores de uma

forma honesta. É natural que as pessoas se sintam mais motivadas a colaborar quando percebem exatamente o que motiva determinada ação e qual o impacto que a sua colaboração tem para o sucesso do negócio. Devem existir reuniões regulares com os colaboradores. Não é necessário que sejam reuniões demoradas e formais, podendo ser apenas conversas informais de 10 minutos na própria exploração para troca de ideias e dar feedback sobre o trabalho realizado. Quando alguém não está a corresponder ao esperado é importante também saber comunicar com essa pessoa de forma individual e neutra, procurando perceber os motivos e explicando o que se pretende.


ATUALIDADES

*

SENTIDO DE JUSTIÇA E RECONHECIMENTO Ser justo com todos os colaboradores e saber reconhecer um bom trabalho. Dizer “obrigado pela ajuda” ou “parabéns, fez um bom trabalho” são formas simples de demonstrar apreço pelo trabalho dos colaboradores. Neste contexto é importante saber apoiar o crescimento dos colaboradores dando-lhes oportunidades de crescimento e investindo na sua formação. É um investimento que não só motiva o trabalhador como contribui para o melhor desempenho do trabalho pelo que tem um retorno significativo.

*

SABER DELEGAR

ESPÍRITO DE *EQUIPA Ter a capacidade de agregar as pessoas em equipa, pôlas a trabalhar em conjunto para um objetivo comum. Encorajar a partilha dentro da equipa e zelar para que a informação relevante seja partilhada como se pretenda. Um bom líder deve também saber gerir conflitos sempre que necessário.

É impossível na gestão diária de uma exploração em crescimento querer fazer tudo. É fundamental confiar nos colaboradores e saber atribuir-lhes tarefas sem querer ter o controlo absoluto sobre tudo e todos. O líder deve estabelecer objetivos claros bem como um código de boas práticas permitindo aos trabalhadores alguma liberdade na execução das suas tarefas.

CAPACIDADE DE *DESAFIAR, INSPIRAR E MOTIVAR O líder deve ter uma visão inovadora sobre o negócio, partilhando-a com os seus colaboradores, desafiandoos e motivando-os a colaborar na inovação e partilha de ideias.

Testes de

personalidade DOPE 4-bird Atribui uma de 4 aves (pombo, coruja, pavão, águia) à qual estão associadas determinadas características.

Myers-Briggs Type Indicator Os resultados do teste enquadram a pessoa num de 16 tipos de personalidade aos quais corresponde um conjunto de 4 letras (I/E introversão/ extroversão;S/N percepção/intuição;T/F razão/emoção; J/P julgamento/perceção).

TetraMap Atribui um dos 4 elementos – água, terra, fogo e ar.

RUMINANTES OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2018 59


ALIMENTAÇÃO

Axion Start ®

Uma nova abordagem ao início da lactação e uma nova solução na redução das células somáticas POR DEPARTAMENTO DE RUMINANTES DIN,SA/CCPA

Relação entre a inflamação e a produção de leite A CCPA, em colaboração com o INRA (Instituto Nacional

FIGURA 1 Scutellaria Baïcalensis.

60 OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2018 RUMINANTES

FIGURA 2 Relação entre inflamação e produção de leite.

60

50

Leite (kg/dia/vaca)

O investimento na pesquisa de soluções com propriedades específicas que revertem estes processos, permitem ao criador dispor de produtos alternativos aos de síntese existentes no mercado há largos anos. A pesquisa do potencial anti-inflamatório de várias plantas, permitiu à CCPA o desenvolvimento de soluções, de modo a que caminhemos na direção a uma produção animal cada vez mais natural sem se perder eficiência. No momento do parto ocorre uma resposta inflamatória por parte dos animais. Essa inflamação está ligada a uma queda abrupta das reservas de antioxidantes dos animais antes do parto, correlacionando-se assim negativamente com a produção de leite (Robert e Faverdin, 2015). A CCPA realizou diversos estudos para avaliar os efeitos do extrato vegetal de Scutelleria Baïcalensis, com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias reconhecidas, sobre as células da glândula mamária e na produção de leite.

40 30

20

10 -1,50

-1,50

-0,50

0

0,50

100

1,50

100

1,50

Haptoglobina (log) 60

50

Leite (kg/dia/vaca)

A nutrição animal está em constante evolução, sendo cada vez mais eficiente na cobertura das necessidades nutricionais produtivas, assim como na resposta a processos metabólicos normais e espectáveis que comprometem o potencial dos animais.

40 30

20

10 -1,50

-1,50

-0,50

0

0,50

Haptoglobina (log)

Francês para a Pesquisa Agronómica), mediu em duas explorações de vacas leiteiras o stress oxidativo (teste de d-ROM) e o nível de inflamação (haptoglobina) verificados no início de lactação. Verificou-se uma relação inversa e significativa entre a produção de leite e o grau de inflamação


ALIMENTAÇÃO

FIGURA 3 Efeito do extrato da Scutellaria Baïcalensis (AXION ® Start) nas células da glândula mamária.

Efeito nas células da glândula mamária As propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias dos extratos de plantas naturais têm sido estudadas nos últimos anos (GonzalezGallego, 2007; Seven et al., 2011), incluindo a Scutellaria Baïcalensis, pelo seu impacto negativo na produção de

6

4

2

0

FIGURA 4 Efeito do extrato da Scutellaria Baïcalensis (AXION ® Start) na enzima - catalase.

Expressão relativa da catalase

8

% Morte celular

observados no pós-parto. Esta relação encontra-se bem demonstrada na figura 2, onde se pode analisar a relação entre o valor de haptoglobina aos 7 dias pós-parto e a produção às 4 semanas. A variação da haptoglobina após o parto (7 d) explica sensivelmente 15% da variação da produção, na medida em que, apesar do nível de produção das duas explorações ser diferente, a correlação é quase a mesma.

Controlo

Extrato Scutellaria Baïcalensis

Scutellaria Baïcalensis diminuiu a morte celular

citocinas pró-inflamatórias (Liu et al., 2008). Para explicar estas propriedades na glândula mamária, a CCPA realizou no INRA, um ensaio para explicar o impacto dos extratos de Scutellaria Baïcalensis na

8

6

4

2

0

Controlo

Extrato Scutellaria Baïcalensis

Estimulação da produção da catalase permite diminuir o stress oxidativo

cultura de células epiteliais primárias mamárias bovinas. O grande efeito desta planta foi destacado a vários níveis, tais como a viabilidade das células mamárias através de uma diminuição da mortalidade celular e de

proteção contra o stress oxidativo, via aumento de Nrf2 (proteína básica leucina que regula a expressão de proteínas antioxidantes que protegem contra danos oxidativos, desencadeados por lesões e inflamações).

NUTRIÇÃO E SAÚDE ANIMAL

A nossa experiência, a sua eficiência Inovação

Especialista em nutrição e saúde animal, a D.I.N – Desenvolvimento e Inovação Nutricional, S.A. disponibiliza aos seus clientes soluções nutricionais inovadoras cuja conceção se encontra suportada na constante evolução técnica em nutrição animal. A nossa equipa multidisciplinar garante a prestação permanente de serviços técnico – veterinários e laboratoriais indo de encontro às necessidades específicas de cada cliente.

PRRRÉÉÉ-M -MIST IS URAS AS DE VITAM AM MIN INASS E MINEEERA RAIS ISS

Análises Microbiológicas e Físico-químicas

Formulação e Apoio Técnico

Investigação e Desenvolvimento

LLAABO ABOR OORRRAATÓ T RIOO ACREDDDI AAC DITA TADO TA ADO

ESSPPEECI CIA IIAAALLID IDADEES NUTRICCIOONA NAIS IS

D.I.N. Desenvolvimento e Inovação Nutricional, S.A. Zona Industrial da Catraia | Apartado 50 | 3441-909 SANTA COMBA DÃO (Portugal) Tel. (+351) 232 880 020 | Fax. (+351) 232 880 021 | geral@din.pt | www.din.pt

RUMINANTES OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2018 61


ALIMENTAÇÃO

FIGURA 5 Efeito do extrato da Scutellaria Baïcalensis na Nrf2.

FIGURA 6 Modo de ação do Axion ®Start na lactação.

Expressão relativa do Nrf2

0.6 0.5

Proteção Anti-oxidante

0.4

Modulação da resposta inflamatória

Longevidade das células da glândula mamária

Proteção hepática

0.3 Fígado

0.2

Células 0.1 Melhor função hepática 0

Controlo

Melhor resistência

Extrato Scutellaria Baïcalensis

MELHOR PRODUÇÃO DE LEITE

Estimulação da produção da NRF2 o que permite maior proteção celular

O Axion® Start é solução natural patenteada com extratos de Scutellaria Baïcalensis e antioxidantes rigorosamente selecionados (extratos de chá verde e de uva, vitamina C protegida). Quando administrado no início da lactação reduz a oxidação celular e a inflamação, potenciando assim um aumento da produção de leite.

Existem vários ensaios que atestam os benefícios da utilização de Axion® Start. Na figura 7 observam-se os resultados obtidos num ensaio onde um grupo recebeu suplementação com extratos de Scutellaria durante 60 dias. Este ensaio teve como protocolo a distribuição de 24 vacas em dois grupos de acordo com a data esperada de parto, produção de leite, qualidade do leite, paridade na lactação anterior para as multíparas e índices genéticos para primíparas. A dieta tinha como base a silagem de milho e de erva e o concentrado. Além disto, observamos ainda um melhor desempenho reprodutivo (menor número de IA por vaca prenha/fecundada) e redução no valor das células somáticas usando o Axion® Start. O aumento das células somáticas no leite reflete uma resposta imunitária do animal a uma infeção na glândula mamária. Quanto maior for a inflamação da glândula mamária, maior será o número de células somáticas no leite, principalmente de linfócitos. Em Portugal também foram realizados ensaios que comprovam o seu efeito a este nível (Fig.8). Como verificado existe um efeito marcado da suplementação, evidenciado pelos resultados e mesmo com protocolos diferentes.

Conclusão Axion® Start é uma solução com comprovado impacto direto e contínuo na redução de CCS e, em última instância, na produção total de leite sendo, por isso, uma mais valia para todos os ruminantes na fase de produção leiteira.

62 OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2018 RUMINANTES

FIGURA 7 Efeito do extrato da Scutellaria Baïcalensis (AXION ® Start) na produção de leite (0<DL<60). Controlo

Scutellaria

Leite 0-30 dias (kg/vaca/dia)

41,7

42,8

Leite 30-60 dias (kg/vaca/dia)

42,9a

45,9b

Leite 0-60 dias (kg/vaca/dia)

42,3a

44,3b

5

2

47

kg leite/vaca/dia

Modo de ação e efeitos na produção de leite

Mantém a ingestão Promove o anabolismo Redução do stress oxidativo

45 43 41 39 37 35 5

10

20

30

Periodo lactação (dias)

Scutellaria Controlo

40

Problemas sanitários 0-60 dias

dados na mesma linha, com letras diferentes diferem significativamente (p <0,05).

ab

FIGURA 8 Efeito do extrato da Scutellaria Baïcalensis (AXION ® Start) na contagem de células somáticas e dois protocolos diferentes.


SAÚDE E BEM-ESTAR ANIMAL

Dermatite digital A visão do especialista em patologia podal

DR. ARTURO GOMEZ médico veterinário especialista na área, de patologia podal

POR RUMINANTES

Em São Miguel, nos Açores, assistimos a uma sessão prática de podologia com o Dr. Arturo Gomez, médico veterinário especialista nesta área, atualmente ao serviço da Zinpro. Aproveitámos esta oportunidade exclusiva para recolher junto deste especialista, informação sobre uma patologia que tanto afeta os nossos efetivos – a Dermatite Digital.

O que é? “A dermatite digital (DD) é uma infeção podal, comum em explorações de bovinos de carne e de leite. A doença tem início quando a integridade da pele está comprometida e, se não tratada, as lesões provocadas pela mesma podem levar a claudicação severa e debilitante. O impacto causado pela claudicação na performance do animal é vasto e tem custos significativos. Isto inclui uma diminuição da produção leiteira, baixa performance reprodutiva em bovinos de leite, diminuição do apetite e redução do ganho médio diário em bovinos de engorda. Entre os investigadores e a industria a DD é amplamente reconhecida como sendo a doença infeciosa da unha mais prevalente no mundo.”

Como aparece? “Há várias formas através das quais a DD pode ser introduzida numa exploração. A primeira é a introdução de animais infetados na exploração. Outras causas podem ser a falta de higiene ou pedilúvios inadequados. A humidade constante na pele, o trauma físico/químico, podem também conduzir ao aparecimento de infeções. Adicionalmente, carências nutricionais podem também ter um papel relevante e isso pode ser observado em vacas em lactação e bovinos jovens. Vários fatores são necessários

64 OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2018 RUMINANTES

para que ocorra a patologia. Em primeiro lugar a humidade, os ambientes secos não potenciam a ocorrência de dermatite digital. Em segundo lugar, a pele precisa de ter alguma alteração das suas características causada por um tipo de stress físico ou químico. Em terceiro lugar, é necessária a presença de bactérias que causam a doença especialmente Treponema spp. Os animais mais jovens, antes do primeiro parto, são muito sensíveis à doença. Se as condições indicadas estiverem presentes as maiores taxas de infeção podem ser verificadas em novilhas. O correto diagnóstico e controlo da doença em novilhas é crucial para o controlo da doença na exploração.”

Como podemos controlar? “Um maior conhecimento sobre como identificar a presença e a severidade da DD é fundamental para manter a doença sob controlo. A partir do momento em que a doença é introduzida numa exploração, ela espalha-se rapidamente, frequentemente com a prevalência a ultrapassar os 70%. Das vitelas às novilhas e das vacas de lactação às vacas secas, é necessária uma estratégia de prevenção integrada que controle os fatores de risco de forma a permitir o controlo da dermatite digital. Esta estratégia deve incluir o maneio, a higiene e a nutrição.”

Inflamação crónica e dermatite digital “Devemos lembrarnos que a inflamação é uma componente natural e essencial da resposta imune a uma infeção e ou lesão dos tecidos. Ela funciona como uma resposta protetora, promovendo a circulação sanguínea e o recrutamento de células do sistema imunitário ao local da lesão, ajudando assim o animal a eliminar a causa inicial da lesão e conduzindo à recuperação dos tecidos. Enquanto uma resposta inflamatória apropriada é necessária, uma resposta excessiva ou prolongada pode tornarse nociva para o animal. Animais que sofrem de inflamação crónica e prolongada podem verse impedidos no futuro de ter uma resposta imunitária e bemsucedida. Além disso, a inflamação crónica consome nutrientes e energia importantes para outras funções essenciais como o crescimento, ganho de peso, reprodução e produção de leite.”


SAÚDE E BEM-ESTAR ANIMAL

A situação na Europa “A dermatite digital é a doença das unhas mais prevalente na UE assim como no norte de África. A prevalência de explorações afetadas é próxima dos 100% com poucas explorações completamente livres de DD. A prevalência média por exploração varia consideravelmente entre mais de 5% até 90% em vacas adultas. A incidência em novilhas é incerta devido à falta de diagnósticos e comunicação, mas na nossa experiência as explorações podem ter prevalências muito semelhantes à da população adulta. Existem diferenças consideráveis entre os diferentes países, sistemas de produção e idades dos animais. A maior prevalência pode ser encontrada nos países da Europa central e do Norte, com novilhas criadas em confinamento, e em animais em idade reprodutiva ou superior.”

IMAGENS 1 E 2 Sessão prática de podologia com o Dr. Arturo Gomez.

Claudicação e desconforto são uma ameaça ao bem-estar “A claudicação é um sinal claro de que o animal está a sofrer dor e desconforto. Na Zinpro estamos a trabalhar de forma a reduzir de forma mais eficiente a incidência e severidade da claudicação nos bovinos de leite e carne, e mitigar os efeitos adversos da claudicação na saúde dos bovinos. Como resultado, um aumento do bemestar e do retorno económico são objetivos valiosos e atingíveis. Uma gestão eficiente da claudicação aumenta o bem-estar animal e melhora a performance dos animais. A Zinpro, com toda a sua experiência em patologia podal, dispõe de ferramentas líderes de mercado para prevenir, gerir e tratar a claudicação.”

Aparar as unhas – parte da prevenção e tratamento “O tratamento de lesões e o aparar de unhas

são pontos fundamentais num programa de prevenção e tratamento. O tratamento tópico das lesões é importante para reduzir o impacto na produção das vacas afetadas pela doença, mas também para diminuir a probabilidade de disseminação da doença. O aparar de unhas pode ter um duplo benefício, primeiramente serve para corrigir as alterações estruturais causadas pela dermatite digital, em segundo lugar uma técnica correta pode ajudar a prevenir novos casos de doença ao otimizar a higiene das unhas e a saúde da pele da região interdigital. As lesões devem ser tratadas assim que possível. O aparar das unhas deve seguir a técnica holandesa tradicional com especial ênfase na modelação da zona lateral da unha e um correto equilibrio das unhas.”

O papel da nutrição “A formulação de uma suplementação mineral adequada demonstrou ter um impacto significativo na prevenção da dermatite digital. Uma dieta que inclua Zinco, Manganês, Cobre e Iodo da Zinpro, Performance Minerals, demonstrou prevenir cerca de 30% das lesões infeciosas em bovinos adultos e uma redução de 50% da incidência de dermatite digital em jovens novilhas.”

RUMINANTES OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2018 65


Inseminação em tempo fixo

Entrevista a Andreia Amaral, médica veterinária

“No final do dia, gosto de saber que contribuí para que outros sejam bons profissionais.”

POR RUMINANTES

Andreia Amaral é Médica Veterinária, formada no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), da Universidade do Porto, dividiu os estudos e a experiência profissional entre bovinos de leite e equídeos. Os seus horizontes são tudo menos estreitos, tendo passado pela Lander Veterinary Clinic em Turlock, na Califórnia, onde estagiou em clínica e reprodução, e também pela empresa MPL Vet - Medicina de Produção Leiteira Veterinária, Lda, localizada na freguesia da Tocha, em Cantanhede. A paixão pelos cavalos levou-a ainda a Macau e à Austrália e, aquando do seu regresso, trabalhou na NANTA, na área de nutrição animal de bovinos e equinos. Foi em 2005 que assumiu um negócio por conta própria, mudança para a qual, confessa, muito contribuiu a formação sólida que teve e o conhecimento de mercado que

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adquiriu. Quanto aos seus clientes, foram crescendo e difundindo os seus serviços. Atualmente em parceria com outra Médica Veterinária, Catarina Marinho, Andreia trabalha principalmente no maneio reprodutivo de vacas leiteiras, exercendo também funções clinicas e cirúrgicas (bovinos e equinos) e sanidade. Orgulha-se do que faz, e da sua independência de empresas externas. Di-lo com franqueza, a mesma franqueza que pauta a sua relação com os produtores com quem trabalha e com quem fomenta boas parcerias e amizades. Em entrevista à Ruminantes, Andreia partilhou um pouco do seu dia-adia, dos desafios enfrentados e das vantagens do uso sistemático e quase exclusivo de protocolos de inseminação artificial em tempo fixo (IATF) em explorações leiteiras.

Antes de mais vem a pergunta chave: bebe leite? (Risos). Bebo leite e adoro. Compro sempre leite nacional, na maior parte das vezes, meio gordo. Não sou grande apologista de bebidas ditas lactovegetais, ou qualquer tipo de alimentos alternativos quer, neste caso ao leite, ou à carne. Boa resposta. Falando agora da sua atividade profissional, qual é a vossa zona de trabalho? É uma zona algo extensa: Entre Douro e Minho (VC, PV, Famalicão, Braga, Trofa, St. Tirso, Paços de ferreira, Paredes, Penafiel, Felgueiras, Valongo, V.N Gaia), Beira Litoral (zona de Oliveira de Azeméis), Beira Alta (Alvite) e Mogadouro. Para mim e para a Catarina, visto também termos ao nosso encargo a sanidade dos concelhos de Valongo e Gondomar,


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não é nosso objetivo alargar a área de trabalho. Que serviços disponibilizam? Reprodução, clínica (serviço de 24h de emergência), cirurgia, profilaxia de doenças infecto-contagiosas (DIC) e implementação de respetivos protocolos, gestão e análise da performance reprodutiva, aconselhamento técnico e sanidade em animais de produção (bovinos e pequenos ruminantes). Clínica, cirurgia, dentistria e reprodução de equinos, estas últimas em menor escala. A reprodução de bovinos representa a maior fatia do nosso trabalho, ocupando cerca de 70-75% do nosso dia a dia. Como é feita a assistência em termos de reprodução? Numa visita de reprodução há quatro grupos de animais eleitos para exame ginecológico, sempre efetuado com ecógrafo: os animais destinados à secagem, a qual não é feita sem assegurarmos que a vaca está efetivamente cheia; os animais para avaliação ginecológica pós-parto (primeiros 10 a 15 dias após o parto); animais para diagnóstico de gestação e/ ou confirmação de gestação e as novilhas com idade e/ou tamanho para serem inseminadas. Estas visitas são efetuadas mensal ou quinzenalmente, dependendo do tamanho das explorações. No caso de explorações problemáticas, fazemos visitas de reprodução a cada 15 dias. Para nos assessorar, utilizamos um programa de gestão de vacarias, em alguns casos os sistemas implementados na exploração. Fale-nos do protocolo que utiliza. Porquê a escolha? Os protocolos que usamos, variam de exploração para exploração, tendo em conta o número de animais, a mão de obra, experiência, instalações, resultados reprodutivos anteriores (intervalo entre parto – 1ª inseminação, intervalo entre partos, dias em aberto, taxas de conceção, taxa de deteção de cios, etc.) e claro, orçamento. Não nos devemos esquecer que, uma boa deteção de cios regra geral custa menos do que o recurso à terapia hormonal. Há produtores que preferem uma abordagem mais tradicional e, portanto, optam por inseminar os seus animais apenas com cios detetados, recorrendo ao uso de hormonas só em último caso. Na maioria das explorações optamos por fazer uma combinação de inseminação artificial (IA) com base

na deteção de cios e IA em tempo fixo (IATF). Recentemente começamos a usar protocolos única e exclusivamente, com IATF e apenas nos animais em produção, pois nas novilhas, sou a favor de que sejam inseminadas com deteção natural dos cios e só em último caso, se recorra ao uso de hormonas. Em que consistem estes últimos? Os protocolos em que se usa unicamente inseminações em tempo fixo (IATF) consistem em programas e/ou associação dos mesmos (ex.: pre-synch ou outros) com recurso a hormonas (PGF, progesteronas, GnRH, etc). Estes protocolos permitem-nos sincronizar o ciclo éstrico e a ovulação das fêmeas e programar as inseminações para um determinado dia. O objetivo é que a exploração apresente uma maior homogeneidade ao longo do ano, com partos regulares, inseminações e secagens mais repartidas, com menores necessidades de mão-de-obra e maneio reprodutivo mais simples e eficiente. Há quanto tempo utiliza esta técnica? Desde sempre utilizamos estes protocolos, mas associados a IA com cio visualizado. A IATF estava reservada a dois tipos de animais: sem cio visível após o período voluntário de espera ou intervalo parto-1ªinseminação estipulado, ou nos animais diagnosticados vazios. Aproximadamente há 3 anos, iniciámos os protocolos que envolvem apenas uso de IATF, em que não existe a necessidade de observar o animal em cio, ou seja, é feito o programa hormonal, que termina com a inseminação do animal. De momento utilizamos este tipo de protocolos em quatro explorações, variando o tipo de programas consoante as características e necessidades de cada exploração. Quando espera ter dados concretos que reflitam as melhorias? Temos de contar com pelo menos um ano para começarmos a ter dados significativos, apesar de começarmos a ver resultados positivos na fertilidade ao fim de menos tempo, os quais são percecionados pelos próprios produtores. As explorações ficam mais eficientes com estes protocolos em tempo fixo? Sim, ficam. Além do impacto positivo na fertilidade, o facto de (quase) não terem de se preocupar com deteção de cios e diferentes tipos de tratamentos em dias

desfasados, são vários os recursos que se poupam. Os produtores estão recetivos a este tipo de técnica? Quando se trata de utilizar única e sistematicamente programas de IATF, nem por isso. Sabem que têm custos com os tratamentos hormonais e há alguma relutância em inseminar vacas sem ver sinais de cio. Mas lá está, mesmo inseminando vacas com sinais aparentes de cio elas ficam vazias, e muitos produtores não fazem as contas ao que perdem com a fraca deteção de cio e consequentes dias em aberto. A recetividade é ainda menor nestas alturas, em que o preço do leite não é muito apelativo e em que a produção é limitada. Ainda há quem prefira colocar um touro no meio das vacas. Quem faz a introdução de dados no programa de gestão? Somos nós. A primeira coisa que fazemos quando chegamos à exploração é retirar dados de inseminações e partos da última quinzena ou do último mês, bem como as secagens, tipo de protocolo/tratamento usado na inseminação, mortes, vendas, entre outros. Sente que os produtores começam a perceber a importância dos registos deste tipo de informação? Do olhar para os números? Sim, ao fim de pouco tempo gostam de olhar para os seus resultados e entendem a importância de me transmitirem a informação, uma vez que é a única forma de analisar resultados e dados (essencialmente reprodutivos) relativos á exploração e daí tirar conclusões. Aproveita esse facto para definir objetivos anuais com os produtores? Sem dúvida que sim. É muito importante também porque me ajuda a adaptar os protocolos/programas às necessidades de cada um e a perceber o que é preciso melhorar em cada exploração. Que indicadores utiliza para perceber ou melhorar os dados reprodutivos? Idealmente têm de ser indicadores que os produtores entendam de uma forma clara e sem dúvidas, como: intervalo entre partos, dias em aberto, número de inseminações por vaca cheia, percentagem de vacas que ficam cheias à primeira inseminação, etc. Estes últimos são os seus favoritos.

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Que avaliação faz das explorações que acompanha? Desde que comecei a trabalhar até agora, houve sem dúvida, uma evolução bastante positiva na forma de trabalhar dos meus clientes. Desde o empenho no registo de toda a informação útil para a análise de dados da exploração, aos tratamentos reprodutivos, que são feitos de forma correta e atempada e aos investimentos em alta genética. Em paralelo, a profilaxia de DIC e metabólicas, instalações, qualidade do leite; também é cada vez mais uma preocupação dos produtores, reflexo das maiores exigências com a saúde/bem-estar animal e a correta utilização e diminuição do uso de antibióticos. A produção de forragens também evoluiu bastante. Melhor gestão e aproveitamento de todos os seus recursos de forma a tornar, nos tempos difíceis que atravessa o setor, as suas explorações mais rentáveis. Por outro lado, a informação e formação, que lhes chega é maior e melhor, e eles sabem aproveitá-la de forma a tornarem-se cada vez mais e melhores profissionais e mais eficientes. Para isto tudo, orgulho-me,

modéstia à parte (risos), de diariamente contribuir.

metabólicos, qualidade do leite/saúde do úbere, têm igualmente a sua quota-parte.

De que forma consegue contornar os efeitos menos bons de fatores que afetam a reprodução, como a nutrição e maneio? Tento trabalhar em equipa com os nutricionistas e outros técnicos envolvidos na exploração (ex.: inseminadores, técnicos de sémen/emparelhamentos genéticos, qualidade de leite, técnicos de podologia, etc.), reunir-me com eles e com o produtor para juntos encontrarmos soluções.

O que mais gosta na sua profissão? Todas as profissões têm dias bons e menos bons e a minha não é exceção. O bom da minha é quer adoro o que faço. No final do dia, gosto de saber que contribuí para que outros sejam bons profissionais, que queiram saber mais e que exijam mais de si e das suas explorações, que se sintam realizados e com negócios lucrativos e acima de tudo, que tenham animais mais saudáveis e consequentemente mais produtivos! É este o maior desafio, ajudar os produtores a atingir os seus objetivos.

É a favor de uma articulação dinâmica entre os técnicos que trabalham os vários componentes da exploração? Sim, e fomento isso A vulgarmente chamada “reprodução” é o coração da exploração? O sucesso de uma exploração depende de vários fatores, o maneio reprodutivo é apenas um. Mas outros, como a nutrição, bem-estar animal, genética, profilaxia sanitária, prevenção de doenças

Quando tiver mais resultados do seu programa, aceita partilhá-los connosco numa nova entrevista? Claro que sim!

GAV - Gestão e Assistência Veterinária, Lda gav.veterinaria@gmail.com Telm - 914 728 239

MULTI’SPREAD DISTRIBUIDOR DE PALHA O Multi’Spread é um equipamento versátil que pode ser adaptado a um trator com carregador frontal, no engate de três pontos traseiros e em empilhadores telescópicos. Este equipamento consegue espalhar um grande número de produtos leves destinados às camas dos animais e possibilita uma mudança fácil de um produto para o outro. Com o “arco lateral de ejeção” patenteado pela Emily, o ângulo de dispersão da palha pode ser reduzido para apenas 21º. O equipamento tem a possibilidade de desempenhar tarefas de alta precisão para avicultura ou depositar palha nos cubículos de um único lado, ou de ambos os lados ao mesmo tempo, na produção de bovinos de leite, aumentando a produtividade das tarefas.

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SURLOCK GATE LOCK Atualmente, os criadores de bovinos esperam segurança e simplicidade nas suas atividades quotidianas. Na produção animal as barreiras são abertas e fechadas várias vezes por dia. Este é o motivo pelo qual a Jourdain criou o sistema de fecho SURLOCK. Este conceito de bloqueio funciona independentemente da direção de abertura da barreira e pode ser adaptado a todas as barreiras Jourdain. Só é necessário empurrar a barreira para ter um encerramento rápido e seguro. Os animais não conseguem abrir as barreiras o que evita misturas de grupos. O utilizador pode abrir a barreira de forma remota, não tendo que a acompanhar e confirmar que está encerrada, o que torna o trabalho diário muito mais confortável. A gama de flanges e ferragens SURLOCK serão em breve um must-have para todos os produtores de bovinos. MAIS INFORMAÇÃO www.jourdain-group.com


TEMPO DE PROTEGER O PODER DA PREVENÇÃO

PT/BOV/0817/0003

Se é um produtor de ruminantes, não lhe é estranho o desafio de combinar a saúde animal com a produção sustentável de leite ou de carne de qualidade. Atualmente os produtores enfrentam preocupações crescentes com a qualidade dos alimentos e com os métodos de produção, por parte dos consumidores, da distribuição e das empresas processadoras de alimentos. Isso tem naturalmente um impacto no funcionamento de uma exploração moderna. “Tempo de Proteger” é uma iniciativa destinada a apoiar os produtores modernos com informação e partilha de experiências sobre como a vacinação preventiva pode melhorar a produtividade e a saúde animal.

Para mais informação sobre Tempo de Proteger, visite www.timetovaccinate.com


SAÚDE E BEM-ESTAR ANIMAL

Ruminantes saudáveis

O que a condição corporal nos pode dizer Ao contrário do que acontece com humanos, fica bem avaliar a condição corporal dos nossos ruminantes domésticos. Ao classificarmos regularmente a condição corporal dos animais das nossas manadas ou rebanhos, com algum rigor e método, podemos identificar precocemente problemas relacionados com o maneio e/ou o seu estado de saúde.

Como os ruminantes gerem as suas reservas de combustível O tecido adiposo funciona como um depósito de combustível extremamente dinâmico e atento. Na verdade, este tecido, também designada gordura corporal, percebe bem quando é altura de fornecer energia para as múltiplas funções orgânicas e quando é altura de a armazenar, porque circula em excesso. O tecido adiposo acumula combustível essencialmente na forma de triglicéridos (constituído por três moléculas designadas ácidos gordos ligados a um “alicerce” de glicerol), para o fornecer quando as funções do corpo o solicitarem. Nessa altura os ácidos gordos são libertados para a corrente sanguínea por um processo

designado por lipolise (lipo = gordura; lise = degradação), que são aproveitados pelos diversos órgãos, principalmente pelo fígado, para a produção de energia. O mecanismo inverso ocorre quando existe combustível acima do que é necessário e o organismo pretende guardálo para momentos de maior necessidade. Dá-se então a lipogénese, que é fusão dos tais ácidos gordos à molécula de glicerol, pois os triglicéridos são mais estáveis e mais facilmente armazenados. No caso que nos interessa, ruminantes, a alternância entre lipolise e lipogénese está sempre a acontecer ao longo do ciclo produtivo. Por exemplo, após o parto

dos animais leiteiros há uma enorme e repentina necessidade de energia, muitas vezes muito acima daquilo que o alimento consegue proporcionar. Surge então o conhecido Balanço Energético Negativo, que estimula a lipolise ou a mobilização da gordura com a redução da condição corporal ou emagrecimento. No momento inverso do ciclo, ou seja quando o fornecimento de combustível a partir do exterior ultrapassa as necessidades do organismo, interessa guardar o excesso pela lipogénese, com aumento da condição corporal ou engorda. É o que acontece, por exemplo, nas fêmeas gestantes no fim da lactação.

Condição corporal

GEORGE STILWELL MÉDICO-VETERINÁRIO, FACULDADE DE MEDICINA VETERINÁRIA – UNIVERSIDADE DE LISBOA stilwell@fmv.ulisboa.pt

Nota O autor escreveu este artigo segundo o Antigo Acordo Ortográfico.

Condição corporal é a designação mais comum usada na produção animal para expressar a quantidade de gordura armazenada num animal. Por outras palavras, o seu estado de magreza ou de gordura. Como nos humanos, este estado pode ir de emaciado (sem qualquer gordura armazenada) até obeso (com enormes quantidades de gordura armazenada). A Classificação da Condição Corporal (BCS) é uma

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forma fácil, objetiva e bastante exata de estimar as reservas energéticas ou de combustível dos animais. Idealmente deverá ser feita a intervalos regulares, já que mais do que os valores absolutos são as variações que interessam detetar. Existem outras formas de se obter a mesma informação, como a pesagem regular ou a medição (por ultrassons, por exemplo) da camada adiposa em certas zonas corporais, mas nenhuma consegue

cumprir todas as premissas referidas anteriormente. Para que os resultados sejam credíveis e comparáveis é preciso que os sistemas de Classificação da Condição Corporal sejam rigorosos, partilhados e conhecidos de todos. De nada serve comparar classificações cujos critérios variam indiscriminadamente entre avaliadores ou momentos de avaliação. Seriam classificações confusas e controversas com muito


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pouca aplicação prática. No entanto, esta variação realmente existe e faz sentido nalgumas circunstâncias. Por exemplo, varia consoante a espécie, a raça ou mesmo com propósito da avaliação (avaliar estado nutricional, sanitário ou bem-estar animal). Para todos os momentos do ciclo produtivo e para cada espécie existem valores ideais, e que os produtores procuram alcançar para os seus animais. Por exemplo, para uma vaca leiteira Holstein pretende-se que chegue ao parto com uma Classificação de 3,5 ou no máximo 3,75, enquanto que para uma cruzada HolsteinMontbéliard poderemos aceitar 4. Em contraste, no pico da lactação poderá ser aceitável um valor de 2,75 ou 3. É óbvio que há um intervalo de tolerância devido a características individuais, nomeadamente a idade, o nível de produção, a dieta, o temperamento e o historial médico e reprodutivo.

FIGURA 1 Proposta de classificação da condição corporal de ovinos em 4 graus (em “Bem-estar de Ruminantes” G. Stilwell, 2017).

MAGRA BCS 1 A 2 Apófises espinhosas e transversas conseguem ser identificadas sem necessidade de grande pressão. Pontas dos dedos conseguem passar por baixo das extremidades das apófises transversas. Sente-se músculos e gordura a cobrir as vértebras.

GORDA BCS >4 Não se consegue tocar nas apófises transversas e as apófises espinhosas só são palpadas fazendo bastante pressão. Superfície bem convexa sobre as vértebras, percebendo-se que há grande acumulação de gordura.

Classificação da condição corporal em diferentes espécies *A OVINOS avaliação da condição corporal é bastante comum e fiável em ovinos. Normalmente é feita por palpação das vertebras da zona lombar, já que a lã impede a visualização de qualquer sinal de magreza. Na Fig. 1 apresenta-se um exemplo de uma classificação.

FIGURA 2 Proposta AWIN para Classificação da Condição Corporal em cabras de leite. Resumir a classificação a três categorias simplifica muito a avaliação de BEA nas explorações, sem perder a sua validade (adaptado de Vieira et al., 2015).

Condição geral

Muito magra

Ideal

Muito gorda

Estrutura óssea mais ou menos evidente, especialmente as apófises das vértebras

Apófises das vértebras percebem-se mas não são evidentes. costelas pouco visíveis.

Apófises das vértebras e costelas não se vêem. perfil da cabra é redondo, podendo inclusive mostrar grande acumulação de gordura abdominal.

CAPRINOS *Usualmente a Classificação da Condição Corporal em caprinos faz-se por palpação da região lombar por ser a mais conveniente (estrutura anatómica simples e de fácil acesso) e na qual se deposita em último lugar o tecido adiposo subcutâneo. À avaliação deste local normalmente associa-se a palpação da zona esternal. Como nalgumas raças de caprinos se verifica uma enorme deposição de gordura na cavidade abdominal, animais com

Linha da garupa

Côncava

Garupa Descriçao

Extremidades do ilíaco e isquion bem proeminentes. A linha que une a asa do ílion à ponta do isquion é ligeiramente côncava. Pouca gordura e músculo entre osso e pele.

Rectilínia

Convexa.

Extremidades do ilíaco e isquion visíveis mas não proeminentes. A linha que une a asa do ílion à ponta do isquion é retilínea. Há pouca gordura e músculo entre osso e pele.

Extremidades do ilíaco e isquion bem proeminentes. A linha que une a asa do ílion à ponta do isquion é ligeiramente convexa. Há uma grande quantidade de gordura e músculo entre osso e pele.

* as cabras de leite acumulam grandes quantidades de gordura intraabdominal, sendo de difícil avaliação especialmente em cabras com gestação avançada.

EMACIADA BCS<1 Todas as estruturas das vértebras são bem identificadas na palpação. Consegue-se facilmente introduzir os dedos por baixo das apófises transversas. Não há gordura e o musculo é apenas ligeiramente percetível.

IDEAL BCS 2 A 4 Pontas das apófises espinhosas sentem-se com pressão. Dificilmente se sente as apófises transversas. Sentem-se mísculos e gordura a cobrir as vértebras.

reduzido desenvolvimento de gordura lombar/esternal podem, na verdade, não ter uma condição corporal muito baixa. Para uma avaliação rápida e destinada a detetar cabras leiteiras com eventuais problemas que afetem o seu bem-estar, o projecto AWIN desenvolveu em Portugal um sistema visual muito simples e rápido (sem necessidade de conter o animal) de classificar a condição corporal em apenas três categorias: muito magra, normal ou ideal e muito gorda (Fig. 2)

DE LEITE *NasVACAS vacas de leite a Classificação da Condição Corporal faz-se, tipicamente, numa escala de 1 a

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VACAS DE CARNE *Neste grupo de animais há

5, conforme os descritores indicados na Fig. 3. Esta escala muitas vezes é repartida em quartis (0,25) perfazendo cerca de 17 possíveis classificações. A escala mais usual e conhecida é a que se aplica a vacas de raça HolsteinFrísia, tendo que ser revista quando se pretende classificar animais de outras raças leiteiras ou cruzadas. Para estas propomos os critérios apresentados na Tabela 1.

uma enorme variação de sistemas de classificação podendo ser usadas escalas com 5, 9 ou até 12 categorias (muitas vezes ainda divididas em meio ponto). Em www.beefpoint.com. br/escores-de-condicaocorporal-para-gado-decorte-5028 poder-se-á encontrar uma tabela com os critérios primeiro apresentados por Richards et al. em 1986.

Depressão entre a ponta do ísquio e base da cauda

Linha da garupa (vista lateral)

Sacro e asas do ilíaco

Vértebras lombares

Categoria

FIGURA 3 Esquematização dos pontos utilizados para a Classificação da Condição Corporal de vacas leiteiras de raça Holstein-Frísia. Adaptado de Milkpoint Brasil em www.milkpoint.com.br

1

2

3

O que nos pode dizer a condição corporal É obvio que o que a condição corporal de um animal reflete é simplesmente a quantidade de gordura que se encontra, naquele momento, em reserva. O principal fator a fazer variar este valor é o saldo entre a energia que o animal está a consumir e a que está a despender na sua manutenção e produção. Se este saldo é negativo, o animal gastará combustível e emagrece, se é positivo, a tendência é para engordar.

Significados mais habituais para uma baixa ou uma elevada condição corporal: Baixa ou perda de condição corporal * Dispêndio elevado de combustível – o animal não consegue ingerir a quantidade suficiente de alimento para repor a enorme quantidade de energia despendida na produção de leite (essencialmente vacas de leite) ou no crescimento de fetos (essencialmente ovelhas e cabras), sendo necessário recorrer às reservas. Também acontece quando uma linhagem de células tem um desenvolvimento acima do normal, o que acontece, por exemplo, nas neoplasias ou cancros. * Entrada reduzida de combustível – esta situação ocorre quando o alimento é muito pobre (fome por pastagem pobres, suplementos com palhas de arroz ou outras) ou quando o animal não tem apetite. É por isso um sinal de mau maneio ou de doença/dor, normalmente prolongada.

4

5

* Pouco aproveitamento do combustível disponível – ocorre

quando há alterações orgânicas, como falta de dentes, problemas de absorção ou perda de microorganismos do rúmen, que não permitem o aproveitamento integral de alimento, mesmo que de boa qualidade. Por exemplo, animais com paratuberculose podem comer grandes quantidades de bom alimento e mesmo assim perder condição corporal, porque não conseguem absorver os nutrientes.

Elevada condição corporal * Dieta demasiado rica em energia – surge essencialmente quando a ingestão de combustível é superior às necessidades somadas da manutenção e produção. Tudo o que estiver a mais é armazenado. Este efeito pode ser o desejado, como acontece nos animais de engorda, mas também pode ter efeitos negativos sobre a performance (novilhas demasiado gordas apresentam infertilidade) e mesmo predispor a doenças metabólicas (por exemplo, toxemia de gestação, cetose e fígado gordo). Acontece muitas vezes em vacas leiteiras que mantêm uma dieta muito rica quando a produção de leite já é reduzida. Ou seja, estes casos resultam basicamente de erros no maneio alimentar.

TABELA 1 Descritores que permitem classificar a BCS de vacas de raça cruzada ou de raças de duplo propósito, para efeitos de avaliação de bem-estar animal. Zona

Muito magra

Muito gorda

Depressão na base da cauda

Evidente

Base da cauda pouco evidente. Pele em folhos.

Entre asa do ilíaco e vértebras lombares/sagradas

Concavidade evidente

Convexa

Extremidades das apófises transversas

Evidentes.

Não identificáveis. Cobertas por gordura.

Base da cauda, asa do ilíaco, coluna e costelas

Visíveis

Não identificáveis e com camada de gordura subcutânea evidente.

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Mensagem final Perceber qual a condição corporal ideal, saber avaliá-la de forma objetiva e repetir essa classificação regularmente, comparando os valores ao longo do tempo, são práticas fundamentais para uma produção de sucesso, garantindo boas performances enquanto se beneficia a saúde e bem-estar dos animais.


SAUDE E BEM-ESTAR ANIMAL

Importância de implementar um plano vacinal eficaz contra IBR A doença vírica IBR tem sido estudada em inúmeras ocasiões, portanto, a sua etiologia, patologia e vias de transmissão são bem conhecidas dos produtores e técnicos de bovinos. O objetivo deste artigo é rever o impacto negativo de uma infeção pelo vírus IBR em explorações com animais positivos a IBR e analisar os prós e contras de implementar um plano de vacinação eficaz contra esta doença.

DEOLINDA SILVA DIRETORA TÉCNICA E MARKETING HIPRA PORTUGAL

JUAN PEDRO CAMPILLO GESTOR DE PRODUTO HIPRA ESPANHA

A doença IBR é principalmente conhecida pelos sintomas respiratórios em animais jovens e adultos. Portanto, as explorações onde não se observa sintomatologia clínica respiratória, tendem a considerar que a doença está a ser adequadamente controlada. No entanto, esta afirmação não é totalmente correta, porque o impacto negativo do vírus IBR é muito variável. A manifestação da doença pode variar desde clínica e muito severa até à manifestação mais comum, subclínica e pouco percetível (sem sintomas visíveis a ‘olho nu’), dependendo da patogenicidade do vírus e do estado imunitário dos animais. Existem numerosas publicações que alertam para o risco de entrada do vírus em explorações não vacinadas, através de um novo animal infetado. As perdas económicas são muito grandes no caso de um surto da doença. Estão descritas em explorações leiteiras quebras na produção de leite de pelo menos 9,5

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litros/ dia durante a fase de infeção ativa do vírus (Hages et al., 1997), abortos ou reabsorções embrionárias e diminuição da fertilidade (Graham, 2013). O impacto também é importante em engordas, manifestandose principalmente sob a forma respiratória, podendo espalhar-se rapidamente pelo lote, afetando até 80% dos animais e com uma taxa de mortalidade que pode rondar os 20%. Sem dúvida que o setor da pecuária em Portugal está bastante

As perdas económicas são muito grandes no caso do aparecimento de um surto da doença.

consciente do impacto clínico que poderia ocorrer ao não ter os animais vacinados. No entanto, a questão é saber se está ciente das perdas económicas derivadas de uma vacinação menos eficiente, situação em que o vírus pode continuar a circular ativamente na exploração e infetar novos animais. Recentemente, testemunhos de explorações comerciais foram publicados, destacando o impacto produtivo da IBR em explorações leiteiras com animais infetados mas sem manifestação clínica da doença. Redução de até 2,6 litros/dia (comparando animais positivos versus animais negativos à doença, dentro da mesma exploração; Stalham, 2015), menor qualidade de leite (Armengol, 2017) e falhas reprodutivas, são vários exemplos das consequências negativas de ter animais infetados (positivos) na exploração. Não é fácil apresentar um valor monetário das perdas originadas por esta doença, no entanto, um estudo irlandês estabelece


que o custo da IBR numa exploração com 100 vacas leiteiras é superior a 6000€ por ano (Sayers, 2016). A circulação do vírus IBR e existência de animais positivos (infetados) na exploração depende de vários fatores como: maneio geral da exploração e dos animais, tipo de instalações, nutrição, medidas de biossegurança existentes, etc, e obviamente, também da vacinação e respetivo protocolo vacinal utilizado. Em relação a este último fator, a vacinação, quando questionamos a sua eficácia, devemos refletir se o protocolo efetivamente consegue bloquear a circulação do vírus. É sabido que planos vacinais eficazes são aqueles que não só reduzem a sintomatologia clínica, mas também impedem a disseminação do vírus pelo efetivo. Quanto menos animais positivos a IBR tivermos na exploração, menor será a probabilidade de ocorrência de doença, e desta forma, alcançaremos um maior rendimento produtivo por animal. Pode ocorrer que as novas infeções não diminuam,

Quanto menos animais positivos a IBR tivermos na exploração, menor será a probabilidade de ocorrência de doença. mantendo-se na mesma um número significativo de animais positivos a IBR, mesmo que não apresentem sintomas clínicos da doença (Theron et al., 2017; Dispas et al., 2003). Em tal situação, a vacinação poderá não estar a ser totalmente eficaz e não otimizaremos a produção dos animais. De facto, vários países europeus com planos de controlo e erradicação de IBR promovem planos de vacinação semestrais, sendo uma vacina viva preferida a uma vacina morta. Posto isto, sempre que nos propusermos a estabelecer

um plano de vacinação contra a IBR, é importante tentar saber quantos animais positivos (ou % estimada) temos na exploração, como ponto de partida. Em seguida, desenhar um plano de vacinação que permita atingir os 2 objetivos no controlo de IBR: redução dos sintomas clínicos e bloqueio da excreção do vírus pelos animais positivos. Desta forma é possível minimizar o impacto clínico e subclínico descrito anteriormente, prevenindo a ocorrência de novas infeções e diminuindo o nº de animais positivos, indo no sentido da erradicação da doença (Ryputa et al, 2017). Para estimarmos a percentagem de animais positivos a IBR, existem métodos fáceis e rápidos, tanto para uma exploração de leite, como uma amostra do tanque de recolha de leite, como para engordas, com uma recolha de amostras de sangue de 5% dos animais (LABORATÓRIO DIAGNOS, Espanha). Após a implementação de um protocolo vacinal, é essencial monitorizar a evolução da exploração

periodicamente para avaliar se a vacinação e as outras medidas preventivas estão a ser realmente efetivas ou não no controlo da doença. Desta forma poderemos implementar ajustes no programa de prevenção sempre que necessário. Concluindo, o controlo da doença IBR em bovinos depende da execução de um plano de prevenção global na exploração. Este plano deve permitir minimizar o impacto clínico e subclínico da doença, melhorando a produtividade e rentabilidade das explorações. Neste contexto temos que ter a noção que o tipo de protoloco vacinal que for implementado, influenciará o sucesso do controlo da doença, ou seja, a diminuição da ocorrência da doença, a circulação viral e a diminuição do número de animais positivos na exploração.

Nota Para obter informações adicionais sobre os programas de controlo de IBR deverá consultar o médico veterinário assistente da exploração.


SAÚDE E BEM-ESTAR ANIMAL

Brucelose em pequenos ruminantes Um problema de saúde pública com fortes consequências económicas POR MARGARIDA CARVALHO

A brucelose é uma doença transmissível causada por bactérias do género Brucella. É também chamada de febre ondulante ou febre de Malta, por ter sido descoberta pela primeira vez neste país na década de 1850. As diferentes espécies de Brucella tendem

a infetar hospedeiros específicos, no entanto a maioria tem capacidade de infetar diferentes espécies. A bactéria responsável pela doença em pequenos ruminantes é a Brucella melitensis, extremamente importante em Portugal. Além

dos pequenos ruminantes, a brucelose pode afetar bovinos (B.abortus), suínos (B.suis), camelídeos, equinos e canídeos mas também outros ruminantes, alguns mamíferos marinhos e o homem. É um grave problema de saúde pública: dizemos que é uma zoonose uma vez que a doença é transmissível ao homem. Nos animais, esta doença caracteriza-se pela ocorrência de abortos em cabras e ovelhas ou nascimento de animais

fracos. Nos machos também pode ocorrer inflamação dos testículos. Outro sinal que pode aparecer é a inflamação das articulações. No entanto, nem sempre é fácil detetar os sinais de que a doença está presente no rebanho. No ser humano, a doença caracteriza-se pela existência de febre que vai e vem (de onde advém a designação “febre ondulante”), dor de cabeça, sudorese excessiva, fraqueza, tremor e mal-estar geral.

Como ocorre a infeção? As bactérias multiplicamse no útero grávido e saem para o exterior no momento do parto/ aborto juntamente com os líquidos e membranas, permanecendo viáveis nas pastagens e estábulos durante vários meses, sobretudo no inverno. Estas bactérias constituem uma fonte de infeção para outros animais, que as ingerem na pastagem. O leite de fêmeas infetadas e o sémen de machos infetados constituem outras vias de infeção. Os animais podem ainda infetar-se através de lesões cutâneas ou através das mucosas. No ser humano, a doença ocorre com maior

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frequência em pessoas que contactam com animais no decurso da sua profissão (médicos veterinários, trabalhadores de matadouros, tratadores de animais, etc.). A infeção pode ocorrer pelo contacto com as fêmeas infetadas, os recémnascidos, abortos, placenta, líquidos e membranas. As feridas na pele, os olhos e o nariz constituem portas de entrada para a doença. Adicionalmente, o ser humano infeta-se frequentemente pela ingestão de leite que não foi fervido por exemplo pela ingestão de queijo fresco feito a partir de leite cru.


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Porque origina tantas perdas económicas? Além do impacto reprodutivo e as consequentes perdas produtivas, a brucelose é ainda responsável por importantes perdas económicas ao nível do comércio internacional. Apesar da sua distribuição mundial, há muitos países que não têm a doença e que consequentemente impõem fortes restrições comerciais a quem tem a doença.

Controlo

No entanto a luta contra esta doença em pequenos ruminantes começou A brucelose em bovinos, anos antes, em 1953. ovinos, caprinos e suínos Atualmente, os detentores faz parte das doenças de de ovinos e caprinos declaração obrigatória da devem ter as explorações OIE (Organização Mundial licenciadas, todos os animais de Saúde Animal). identificados e proceder Em Portugal, é obrigatório ao rastreio da doença. Este notificar a DGAV (Direção rastreio é efetuado pelas Geral de Alimentação e organizações de produtores Veterinária) e está em vigor pecuários (OPPs). Os animais desde 1991 um plano de que apresentam resultados AF_Imprensa_210x148_Calform.pdf 1 21/06/17 10:55 erradicação da doença. positivos no rastreio são

abatidos pois esta é a única forma de controlar a doença. O estado compensa o produtor pelo abate do animal de forma a minimizar as perdas económicas causadas pela doença. Além deste controlo, existem zonas do país onde devido às maiores percentagens de explorações positivas se aplicam programas especiais de vacinação. A vacina Rev1 é aplicada na conjuntiva ocular dos animais jovens. A vacina protege o animal da doença, e mesmo nos casos em que isso não é possível reduz a excreção da bactéria pelos animais infetados para o ambiente, reduzindo assim a disseminação da doença. Também o controlo da movimentação de animais e os testes pré-movimentação revelam-se ferramentas de extrema importância.

Para o produtor este controlo é fundamental pois permite proteger os seus animais da doença, garantir a qualidade dos seus produtos, evitar perdas económicas e proteger a saúde de todas as pessoas que contactam com o seu rebanho. Assim, além de cumprir rigorosamente as medidas de controlo da doença anteriormente referidas, deve também implementar medidas de biossegurança na sua exploração de forma a impedir a introdução da doença.

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“…As meninas estão bem”. Outra vez, e (esperamos), para sempre! POR TERESA MOREIRA FOTOGRAFIAS – TERESA AMORIM

Também no meio da pecuária existem muitos ruídos e barulhos de fundo, relativos á produção e aos fatores que com ela se relacionam, desde o bem-estar até á nutrição, maneio e saúde animal, passando pelo delineamento e engenharia da exploração.

No meio desta cacofonia, é muito bom encontrar técnicos e proprietários, com o norte bem-definido. A visita que fizemos a duas vacarias, ou explorações de leite, como é correto atualmente chamar, são a materialização das palavras no editorial do número anterior da revista “as meninas estão bem?”. Em qualquer uma das duas explorações visitadas, são as vacas quem tem o poder e é delas a decisão final. Isto implica um profundo e intimo conhecimento dos animais, das suas necessidades e rotinas, da compreensão de que o BEA e saúde estão diretamente relacionados, e que a eficiência da produção é o resultado do correto funcionamento desta engrenagem. Apenas desta forma é possível

produtores e animais construírem relações de mutualismo. Ainda no mesmo ponto de vista, as explorações visitadas são a prova que a intensificação da produção não implica diminuição do bem-estar, ou animais deprimidos e infelizes, argumento por vezes utilizado por quem vive longe do que é realmente a agricultura. A legislação atual relativa á proteção dos animais nos locais de criação, explorações pecuárias, transporte ou abate, existe, é muito concreta e explicita (p. ex.: Directiva 98/58/CEE, DL 64/; DL 155/2008 ;DL 48/2001, Regulamento 1/2005) daí que não exista justificação para que este continue a ser um tópico tão emocional. Basta cumprir a lei … e passar a palavra às vacas.

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Luís Portela Afonso Esposende – 35 vacas em ordenha António Luís Portela, a geração que sucede a Luís Portela na gestão da exploração, tinha obrigatoriamente que fazer alguma coisa relativamente às instalações das vacas em produção e ao bem-estar em geral. Aumentar o espaço era inevitável, mas subsistia a dúvida entre cubículos e cama quente. Após algumas pesquisas, visitas a outras explorações e em conversa com os técnicos da Nutrigenetik, optou pela cama quente. A decisão baseou-se em 2 fatores: o facto de entender que em termos de conforto e bem-estar

animal seria a melhor opção, e para ele próprio a opção com menores custos de manutenção e necessidade de mãode-obra. A venda do estrume a estufas da região (a exploração situa-se numa TABELA 1 Luís Portela Afonso - comparação dos dados produtivos (nº animais/média 305 dias). Nº animais em ordenha

Média/vaca aos 305 dias

2015

34

9208

2018 (maio)

35

10877 (previsão)

CAMA QUENTE Utilizada em tempos antigos, ressurgiu nos últimos anos, como alternativa aos cubículos. Proporciona maior conforto e liberdade de movimentos aos animais, mas está frequentemente relacionada com aumento da incidência de mastites, sobretudo sempre que a manutenção da cama não é feita de forma adequada, que constitui o ponto crítico. Aspetos importantes: espaço e quantidade de palha; os animais devem dispor de fácil acesso para permitir que todas as vacas se deitem sem dificuldade e palha

suficiente para manter a cama seca. É necessário remover a palha e “fazer a cama” frequentemente; as vacas preferem em superfícies limpas e, na verdade, alteram a maneira como caminham quando a altura de estrume tem uma profundidade superior a 5 cm, o que pode conduzir ao aparecimento de laminites. Camas de palha suja tendem a aquecer, proporcionando um ambiente ideal para a proliferação de muitos agentes infeciosos. Existem produtos para a bio higienização da cama que permitem minimizar este inconveniente.


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zona fortemente hortícola) constitui um rendimento adicional. No registo do contraste, as diferenças entre o antes e o depois são evidentes. “Como diz o Eduardo Gens, as vacas não gostam de ferros” conta-nos Luís Portela. “E isso nota-se de muitas formas, por exemplo, não há problemas de cascos ou curvilhões “inchados”, diminuíram as mamites ambientais e nunca mais houve um deslocamento de abomaso. O refugo que faço é forçado, uma vez que estou limitado pelo contrato, caso contrário os meus planos passavam por duplicar o nº de animais” acrescenta. Relativamente à manutenção da cama, António Luís tem dois cuidados básicos, diariamente passa o escarificador e faz a bio-higienização. Como o próprio afirma, “nota-se que os animais sentem que estão mais confortáveis. E isso traduz-se em mais leite”. IMAGEM 1 Da esquerda para a direita: Eduardo Gens – Nutrigenetik, Luís Afonso, Farmer (cão), Fátima Ramalho, Iva Afonso e António Afonso

Fonte de leite Azambuja - 800 vacas em ordenha “Considero-me um sortudo por trabalhar nesta exploração” são as palavras de João Diogo Silva, no final da nossa visita à Fonte de Leite. Acreditamos que sim. Da mesma forma que acreditamos que os animais sentem igualmente a sorte de nascerem e viverem nesta vacaria. Na Fonte de Leite trabalham diretamente 23 pessoas, têm 1650 animais, dos quais 900 vacas, aproximadamente, 830 em ordenha. João Diogo é o responsável pela gestão da vacaria. Susana Sousa tem a seu cargo o viteleiro, a inseminação artificial dos

animais em produção e o registo de toda a informação no software de gestão do efetivo. Jorge Franco é responsável pela recria (a partir dos 5 meses), a inseminação artificial das novilhas e a movimentação de lotes, inclusivamente as vacas secas e posteriormente para a maternidade. O primeiro passo dado em direção ao conforto animal, foi o redimensionamento das camas, em 2009. A partir desse ano, todas as alterações e investimentos foram pensados e executados em função do aumento do conforto e bem-estar animal. Este fio condutor tem permitido, com o passar do

TABELA 2 Fonte de Leite - comparação dos dados produtivos (nº animais/média 305 dias). Nº animais em ordenha

Média/vaca aos 305 dias

2015

721

11 565

2018

798

12 589 (previsão)

tempo, aumentar o número de animais, sem recorrer ao mercado externo (a última aquisição de animais foi efetuada em 2013) e aumentar igualmente a média em leite das vacas. O aumento dos litros de leite, foi a resposta das vacas ao melhor e maior conforto que ao longo dos anos lhes tem sido proporcionado. Para este facto contribuíram inequivocamente alguns pontos-chave da exploração: as camas, o controlo da temperatura ambiente e o viteleiro.

As camas Dos iniciais tapetes até as camas de areia lavada do rio Tejo, pormenor que temos a certeza que os animais muito valorizam (quiçá por vezes algumas das Tágides inspirem as vacas a produzirem mais e melhor leite), é reconhecidamente a primeira alteração determinante no início do processo da melhoria do bem-estar animal. Foi também a mudança que refletiu mais diretamente um retorno económico

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não perder tantos cios, ou diminuir as mortes embrionárias, entre outros efeitos do stress térmico nas vacas leiteiras.

O viteleiro

positivo. Todos os dias as camas são mexidas e semanalmente é feita a reposição.

Os ventiladores Os ventiladores foram instalados primeiro, o sistema “cooling” chegou em 2016, existem em todos os pavilhões, inclusivamente no parque de espera da ordenha, que dispõe de piso com tapete, na ordenha e na maternidade. São, compreensivelmente, muito importantes, sobretudo numa região do país em que durante a primavera e verão,

IMAGEM 3 Jorge Franco, Susana Sousa, João Diogo.

as temperaturas rapidamente atingem os 40ºC. Fizemos esta visita no inicio de junho (estavam aproximadamente 28ºC) e portanto o sistema estava já a funcionar. O verão não é para as vacas, como todos sabemos, a manutenção da temperatura em níveis fisiologicamente confortáveis, permite não perder tantos litros de leite (ainda que inevitavelmente os animais desçam a média),

Foi objeto de alguns melhoramentos: ao nível do telhado, colocação de uma cortina anti-chuva, e, muito importante, dos cuidados intensivos e continuados de uma equipa que sabe que no viteleiro está o futuro da exploração. A pormenorização do trabalho com os vitelos é enorme, desde o planeamento do banco de colostro, organizado pela Susana, até á desinfeção bi-diária das camas, baldes e acessórios, passando pela pesagem dos animais. Resultado? Uma reduzida taxa de mortalidade nos vitelos, que se traduz posteriormente num maior número de animais presentes, sem necessidade de recorrer ao mercado externo à exploração. Acabamos a reportagem da mesma forma que começamos, com as palavras do João Diogo: “A administração da empresa confia nos funcionários, temos todas as condições e autonomia para trabalharmos. Continuam a mostrar vontade de investir, e certamente o bem-estar e conforto animal vão continuar a ser a nossa prioridade, uma vez que os resultados são muito positivos. Da nossa parte continuamos com muita vontade de trabalhar e de mostrar o retorno dos investimentos feitos”.

HIPRA LANÇA A PRIMEIRA E ÚNICA VACINA ESPECÍFICA CONTRA MASTITES CLÍNICAS CAUSADAS POR STREP. UBERIS Nos dias 12 e 14 de setembro, em Ponta Delgada e Vila Nova de Gaia, respetivamente, a HIPRA PORTUGAL apresentou a primeira e única vacina específica contra Streptococcus uberis, com resultados comprovados na redução da incidência das mastites clínicas por este agente em mais de 50%, assim como na redução da utilização de tratamentos antibióticos e perdas de produção de leite associadas. Para os 2 lançamentos, a HIPRA, organizou um evento técnico de referência denominado “Assumir o controlo da Strep. uberis” que contou com a participação de líderes de opinião em qualidade de leite, nacionais e internacionais, que abordaram a temática de acordo com as suas diferentes áreas de

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atuação: Prof. Doutor Luis Pinho (ICBAS, SVA), Prof. Doutor Ricardo Bexiga (FMVULisboa, Serbuvet Lda), Prof. Doutora Tine van Werven (FMV Utrech) e Dr.ª Deolinda Silva (HIPRA PORTUGAL). Nestes 2 eventos estiveram presentes mais de 120 veterinários especializados em vacas leiteiras, que tiveram a oportunidade de atualizar e debater os conhecimentos sobre o problema originado pela mastite clínica originada por esta bactéria, e de como podemos controlar essa patologia que se está a difundir cada vez nas explorações leiteiras a nível mundial, inclusive Portugal, causando uma mastite frustrante.

Associada à nova vacina a HIPRA oferece um inovador serviço de diagnóstico, o UDDERCHECK, ferramenta essencial para o diagnóstico dos principais agentes causadores de mastite no leite de tanque. Com esta inovadora e única vacina, a HIPRA reforça o seu portfolio na área de qualidade de leite, consolidando a sua posição de liderança mundial na prevenção de mastites em bovinos. Equipa HIPRA. Da esquerda para a direita: Nuno Marques, Deolinda Silva, Sandra Santos, Conrad Sala e João Pina.

MAIS INFORMAÇÃO: www.hipra.com


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Biossegurança A presença de animais de outras espécies na exploração POR MARGARIDA CARVALHO, MÉDICA VETERINÁRIA

proporcionar-lhes um ambiente com diferentes espécies animais, aumenta as suas hipóteses de sobrevivência e perpetua a sua presença na exploração. Do ponto de vista da biossegurança, é muito difícil controlar explorações com diferentes espécies. Nestas circunstâncias deve haver um cuidado extremo para afastar fisicamente os animais das diferentes espécies, não partilhar entre eles alimentos e água de bebida, usar equipamentos exclusivos para cada espécie e não permitir a livre circulação de pessoas, veículos e equipamentos entre os alojamentos das diferentes espécies sem que sejam aplicadas medidas de higiene e desinfeção.

Cães e gatos

Infelizmente, a transmissão de doenças infeciosas é um problema complexo uma vez que a mesma é possível entre diferentes espécies. Assim, não basta proteger a exploração no que respeita à aquisição de novos animais ou ao contacto com outros animais da mesma espécie, mas também no contacto com animais de outras espécies. 82 OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2018 RUMINANTES

Esta preocupação estendese a: outros animais de produção, animais de estimação como cães e gatos, roedores, aves, animais selvagens e insetos.

Outros animais de produção Uma vez que a maior parte dos microrganismos tem uma ampla diversidade de potenciais hospedeiros,

Existem algumas doenças que podem ser transmitidas entre os nossos animais de companhia e os animais de produção como bovinos e pequenos ruminantes. É importante evitar o contacto direto entre os animais, mas também o acesso de cães e gatos ao alimento e bebida dos animais de produção. Algumas doenças, nomeadamente doenças parasitárias (como neosporose, sarcocistose, cisticercose), podem ser transmitidas pelas fezes dos cães que ficam nas pastagens pelo que é importante a sua recolha ou mesmo restringir o acesso destes animais à pastagem. Os cães e gatos que habitem na exploração não devem deslocar-se a outras explorações uma vez que podem funcionar como veículo de doenças entre explorações. Além disso, os cães e os gatos da exploração devem estar corretamente vacinados e desparasitados. É importante relembrar que os animais de companhia, pelo contacto mais


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próximo com os seus donos, podem também transmitir algumas doenças dos animais de produção aos seres humanos.

Roedores Os roedores são conhecidos transmissores de doenças infeciosas como a leptospirose. É, por isso, fundamental ter em prática um plano de controlo de roedores. Estes frequentemente contaminam os alimentos dos animais de produção com as suas fezes e urina fazendo-se assim a transmissão de doenças. Para o controlo de roedores é importante que os materiais usados na construção sejam “à prova” de roedores, impedir o acesso a alimentos e água, fazer uma gestão cuidada dos lixos da exploração, tapar eventuais orifícios nos edifícios que possam servir de pontos de entrada, eliminar potenciais esconderijos e ninhos e eliminar as populações existentes. Métodos químicos de prevenção desta praga devem ser aconselhados por profissionais qualificados.

Aves e outros animais selvagens Também algumas aves são capazes de transportar agentes infeciosos como Escherichia coli, Mycobacterium avium, Salmonella spp. ou Campylobacter. Uma vez que geralmente não é possível eliminar totalmente a presença de aves selvagens da exploração é importante fazer o seu controlo e prevenir o contacto com os animais da exploração ou com os alimentos e bebida. Algumas medidas podem ser eficazes neste controlo como: tapar buracos de ninhos, impedir o acesso das aves aos silos, utilização de redes com malha suficientemente pequena que impeça a passagem das aves e verificar as traves dos edifícios para a existência de ninhos e poleiros. Outros animais selvagens são também conhecidos reservatórios de algumas doenças. Relembremos a situação do

COVILHÃ RECEBE JORNADAS TÉCNICAS DE OVINOS ORGANIZADAS PELA SOJAGADO A Sojagado e a Pronutri, marcas através das quais a SORGAL comercializa alimentos compostos para animais, organizaram na passada sexta-feira, dia 14 de setembro, mais uma edição das suas Jornadas Técnicas de Ovinos, que decorreram no TRYP Covilhã Dona Maria Hotel. As Jornadas Técnicas de Ovinos enquadram-se nas Jornadas Técnicas Soja de Portugal, que promovem várias ações, distribuídas pelo País,

contemplando outras áreas de atuação, tais como a Cunicultura, Bovinos de Carne, Bovinos de Leite e Avicultura. O objetivo destes eventos é aproximar a empresa dos produtores, contribuindo para o aporte de informações técnicas que ajudem a melhorar a rentabilidade e a sustentabilidade do setor, priorizando, também, a recolha de inputs e necessidades, que permitam criar soluções inovadoras. Os alimentos compostos para

Reino Unido e a elevada prevalência de tuberculose bovina para a qual muito contribuem os texugos. Também em Portugal o veado e o javali têm dificultado a erradicação desta doença em algumas zonas do país. É importante estar atento a sinais da sua presença, usar vedações que impeçam a entrada destes animais na exploração, não permitir o acesso a alimentos, bloquear os pontos de entrada nos edifícios de alojamento de animais e armazenamento de comida.

Insetos Os insetos, particularmente os voadores, são conhecidos vetores de algumas doenças que afetam os ruminantes. O uso de inseticidas deve obedecer à legislação em vigor e ser feito sob o aconselhamento de profissionais específicos. Para o controlo eficiente dos insetos é necessário conhecer os seus ciclos de vida de forma a interrompê-los. É importante manter uma boa higiene dos estábulos e evitar reservatórios de águas paradas.

avicultura e pecuária são a área de negócio mais antiga do grupo Soja de Portugal, que celebrou recentemente os seus 75 anos, e estão integrados na SORGAL. Com as marcas Sojagado e Pronutri, esta área de negócio conta com duas unidades fabris de produção (Ovar e Pinheiro de Lafões) e um conjunto de técnicos especializados, que apoiam os produtores de todo o país, com as melhores soluções nutricionais, para as diferentes espécies pecuárias. O evento teve início com a apresentação da SORGAL, empresa do Grupo Soja de Portugal – referência no setor da indústria agroalimentar, realizada por José Vieira, médico veterinário e Diretor da área de negócio de Alimentos Compostos. De seguida, decorreu uma palestra sobre a relação da alimentação com a composição do leite de ovelha e influência no desempenho do queijo, orientada pelo prestigiado Javier López, engenheiro e sales manager da Kemin Iberica, empresa de referência no contexto da nutrição animal mundial. O encerramento das Jornadas esteve a cargo Rui Alves, engenheiro zootécnico e diretor adjunto da área de alimentos compostos, que fez uma apresentação das várias soluções de produtos e serviços que a SORGAL disponibiliza para ovinos.

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PRODUTO

A ventilação nos alojamentos para bovinos de aptidão leiteira POR RUMINANTES

O bom planeamento pode reduzir custos e aumentar a produtividade

Um bom sistema de ventilação permite 1

A ventilação é fundamental para garantir a qualidade do ar nos alojamentos para animais. Por sua vez, a qualidade do ar vai-se refletir no bem-estar dos animais, saúde e claro na produtividade. A crescente preocupação com o bem-estar animal reflete-se também na legislação (DL- 64/2000) nomeadamente no que diz respeito às suas condições de alojamento. Embora idealmente a construção dos estábulos e o seu planeamento no que respeita à localização, estrutura e orientação, deva ter em conta as características do local, de forma a tirar partido do fluxo de ar natural, pressão e temperatura, não é obrigatório construir de raiz novos estábulos para assegurar uma boa ventilação. Existem algumas adaptações que podem ser feitas de forma a melhorar a circulação de ar no edifício. É necessário que exista um equilíbrio entre as aberturas para a saída de ar e as aberturas para entrada de ar. Os cálculos para projetar a ventilação dos edifícios destinados ao alojamento de animais têm que ter em conta as características do edifício e o número e tipo de animais a alojar. Atualmente, existem vários sistemas de ventilação disponíveis e empresas

que oferecem soluções à medida das necessidades do produtor. No entanto há alguns fatores base a ter em consideração no que diz respeito à ventilação.

Saída de ar O ar quente produzido pelos animais sobe. Na

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ausência de aberturas que permitam a exaustão, o ar quente acumulado no topo do edifício condensa, pingando novamente. Assim a humidade dentro do estábulo aumenta e cria-se um ambiente propício ao crescimento bacteriano. Há várias formas de desenhar estas saídas de ar através de

Remoção do excesso de calor.

2 Remoção do vapor de água produzido pelos animais nos seus processos fisiológicos de respiração e transpiração.

3 Remoção de microrganismos, gases nocivos e poeiras.

4 Renovação e distribuição uniforme do ar.

5 Adequada velocidade de circulação do ar.


PRODUTO

aberturas no topo do edifício. É importante que estas aberturas sejam desenhadas de forma a impedir a entrada de chuva. Na ausência de vento é a saída de ar pela cumeeira que cria o “efeito chaminé” que força a entrada de ar fresco pelas aberturas laterais do edifício conseguindo assim a sua renovação.

Entrada de ar A área de entrada de ar deve ser no mínimo duas vezes superior à área de saída do ar, e preferencialmente quatro vezes superior. Se não houver entradas de ar suficientes também o ar quente acumulado no edifício terá dificuldade em sair. Regra geral, as entradas de ar situam-se nas laterais do edifício a uma altura superior à altura dos animais. Ao projetar as entradas de ar é necessário ter em consideração a direção mais prevalente do vento uma vez que em dias mais chuvosos pode provocar entrada excessiva de água.

TABELA 1 O índice THI (Thermal Humidity Index) define o nível de stress por calor dos animais através da combinação dos valores de temperatura e humidade.

Não há stress por calor Stress por calor moderado Stress por calor severo Morte dos animais

HUMIDADE RELATIVA (%) TEMPERATURA (ºC) 22ºC 24ºC 26ºC 28ºC 3OºC

com temperaturas acima dos 35ºC na maioria do país. Assim, é importante pensar em sistemas que permitam controlar esta situação e proporcionar as condições de temperatura e humidade adequadas aos animais. Uma boa solução é investir em sistemas de arrefecimento com ventoinhas e água em spray na sala de espera, já que a aplicação de água perto de camas pode ter efeitos negativos a nível microbiológico.

32ºC 34ºC 36ºC

Conclusões

38ºC

1

40ºC

Ventilação forçada Em alguns casos pode ser necessária a instalação de ventilação forçada com recurso a ventoinhas. No entanto, esta instalação deve ser bem planeada e ter em conta os custos de manutenção associados. É importante considerar que as ventoinhas podem funcionar como uma forma de dispersar poeiras e infeções respiratórias, pelo que nem sempre a instalação destes equipamentos é benéfica. A ventilação forçada pode ser instalada de forma a forçar a entrada de ar fresco, como forma de extração de ar ou para efeitos de refrigeração, sendo que estes últimos equipamentos têm um papel importante na melhoria do bem-estar dos animais, com efeitos que se fazem sentir também ao nível da produtividade. Estas ventoinhas de refrigeração são um bom investimento principalmente em países como Portugal onde existe um elevado número de dias por ano em que as condições

de temperatura e humidade potenciam o stress por calor.

Stress por calor Na presença de stress por calor é possível ver um decréscimo na produção leiteira dos animais. As vacas de aptidão leiteira precisam de manter uma temperatura corporal de aproximadamente 38,8ºC. Para este efeito é preciso manter condições ambientais que não perturbem as trocas de calor dos animais com o ambiente. O índice THI (Thermal Humidity Index) foi desenvolvido pela Universidade do Arizona e define o nível de stress por calor dos animais através da combinação dos valores de temperatura e humidade, é possível consultar algumas dessas combinações na tabela 1. É fácil perceber, observando a tabela que frequentemente em Portugal os valores de temperatura e humidade saem da zona de conforto dos animais. Basta pensar em alguns dias que tivemos este verão

A correta ventilação dos alojamentos é fundamental para garantir o bem-estar dos animais e o seu planeamento é essencial.

2 O investimento a fazer nesta área, se bem feito, terá retorno uma vez que se irá refletir ao nível da produtividade dos animais.

3 O tamanho das aberturas tanto de saída como de entrada de ar deve ser calculado tendo em conta as características do edifício, a densidade animal e as características dos animais.

4 Sempre que possível opte por ventilação natural. A ventilação forçada pode ter custos de manutenção significativos e contribuir para a dispersão de doenças respiratórias.

5 Invista em sistemas de arrefecimento dos animais na sala de espera. Em Portugal frequentemente as condições de temperatura e humidade contribuem para o stress por calor pelo que este será seguramente um bom investimento.

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PRODUTO

Cow Cooling

O testemunho de uma exploração que tem vindo a investir no bem-estar animal IMAGEM 1 Humidificação Edstrom com ventiladores verticais DeLaval.

POR RUMINANTES E PAULO BAPTISTA (HARKER XXI, SA)

Como tudo começou Manuel Coelho e Liliana Marques iniciaram a atividade nesta exploração em Sanfins (Paços de Ferreira), em 1998 com 16 animais. Estes animais eram dos seus pais que, entretanto, tinham cessado a vida ativa e abandonado a atividade. A exploração começou com uma vacaria de pequenas dimensões com um sistema de cama quente. Em 2002 aumentou o efetivo para 30 animais e investiu em logettes / camas individuais. No entanto foi em 2009 que deu “o grande salto”, introduziu mais 40 animais na exploração e revestiu a cobertura da vacaria com material isolante que melhorou substancialmente as condições existentes. Posteriormente, em 2014, construiu uma nova vacaria paralela à existente, interligadas entre si, para mais 70 animais.

Dados gerais da exploração Local: Sanfins – Paços de Ferreira Área Agrícola: 35 Hectares Milho e 30 Hectares de Erva Arraçoamento: Silagem de Milho e Erva, Massa de Cerveja, Palha e Concentrados Nº Empregados: 1 Efetivo total: 212 animais Vacas em produção: 110 Vacas secas: 20 Produção Diária: 3.850Kg Gordura: 3,7 Proteína: 3,2 CCS: 250.000

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Equipamento da exploração 2 Escovas Rotativas DeLaval 139 Camas com Tapete em borracha corrido 1 Cortina corta vento na lateral da vacaria Máquina de Ordenha Espinha de Peixe 2x7/14 DeLaval Na vacaria antiga foi aplicado na linha de manjedoura o Sistema de Humidificação Edstrom com 35Mts. e 3 Ventiladores Verticais DeLaval DDF1200 Na vacaria nova, o Sistema de Humidificação Edstrom tem igualmente 35 Metros. e os 3 Ventiladores aplicados são do modelo Horizontal (tipo helicóptero) com diâmetro de 4Mts. CMP.

O investimento em conforto e bem-estar animal Neste momento a exploração dispõe de vários equipamentos de conforto e bem-estar animal (ver caixa ao lado). O investimento neste tipo de equipamentos tem sido uma prioridade na gestão desta exploração. Nas palavras de Manuel Coelho, este investimento tornou-se imprescindível para melhorar a rentabilidade da exploração: “Dado que a produção evolui de forma constante, temos de fazer um forte investimento no conforto dos animais, sabemos assim de antemão que iremos ter um aumento na produção de leite, a longevidade será uma realidade, teremos menos problemas nos cascos e consequentemente uma menor incidência de mamites. Neste momento temos um número maior de camas em relação aos animais estabulados, tudo foi pensado e estruturado para tal, pois além de garantir um maior conforto a todo o efetivo, permite-nos introduzir novos animais caso queiramos aumentar a produção, sem prejuízo dos já existentes.”


PRODUTO

Cow cooling – Benefícios esperados e a amortização investimento Segundo Manuel Coelho “A montagem do Sistema Cow Cooling no início deste ano, veio colmatar uma das lacunas que eram evidentes principalmente na vacaria antiga. Nos meses mais quentes, com frequência verificava que o nº de abortos e mortes devido ao stress por calor eram frequentes. A manjedoura ao final do dia ainda permanecia com comida e a baixa de produção era evidente”. “Neste verão já foi notória a melhoria do conforto térmico dos animais, a produção manteve-se e isso é o garante de uma maior rentabilidade da exploração” relata o agricultor. “Com os dados que já dispomos, pensamos amortizar o investimento feito em dois anos e os animais ganharam um conforto efetivo nos meses mais sensíveis da sua vivência estabulada” acrescenta.

O investimento feito visto por João Marques, nutricionista da exploração (Alimentação Animal NANTA, SA) Em que consistem os sistemas de cooling em explorações de vacas leiteiras? Os sistemas de cooling foram desenvolvidos originalmente, em países “quentes” como única tecnologia capaz de complementar a ventilação no abaixamento efetivo da temperatura corporal dos animais em produção sob condições de stress térmico. O sucesso desta tecnologia tende a estender-se a todos os países com produção leiteira, uma vez que o stress térmico acaba por surgir em todas as latitudes do globo, em maior ou menor extensão. Esta tecnologia, simplificadamente, resumese à submissão dos animais a uma “sudação forçada” que lhes permite

eficazmente reduzir a temperatura corporal. Isto consegue-se através de ciclos alternados (gradualmente mais longos/intensos) de humidificação ativa do dorso dos animais (“duche”) e de evaporação forçada dessa humidade (quente após o contacto com o animal) através de ventilação localizada e consequente dissipação de calor corporal. Inicialmente este sistema foi pensado para ser instalado na sala de espera das ordenhas ou em corredores de confinamento desenhados para esse efeito. Nesta exploração em particular optouse pela instalação do sistema na linha de alimentação dos animais. Esta “adaptação” do sistema original,

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PRODUTO

como em outras explorações também a trabalhar nos mesmos moldes, as quebras de produção ficaram-se pelos 2 litros/vaca/dia. Se observarmos o conjunto dos meses de Junho-JulhoAgosto pudemos registar, nesta exploração um aumento de 1,25 litros/vaca/dia nas produções médias de 2018 face a igual período de 2017. Isto representa, apenas neste trimestre, mais 4000 euros em vendas de leite. Um outro efeito tornou-se também já evidente. Na reprodução, as taxas de conceção destes meses de verão não sofreram ainda as repercussões negativas de verões anteriores. Os dados reprodutivos requerem de mais tempo do que os dados produtivos para serem apurados na sua totalidade e os efeitos do stress térmico

IMAGEM 2 Manuel Coelho e Liliana Marques.

permite alcançar os efeitos desejados embora requeira alguns cuidados. Uma vez que a circulação dos animais é livre, potencialmente, o sistema poderá apenas atuar sobre uma fração do rebanho, limitando em maior ou menor medida os resultados esperados, de acordo com as visitas dos animais à manjedoura ao longo do dia. Para garantir a máxima eficácia deste sistema de cooling sobre a linha de alimentação recomendamos e foram adotados pequenos períodos ao longo do dia (sobretudo após as ordenhas e ao início da tarde) durante os quais os animais são atraídos para a manjedoura pela distribuição de alimento fresco (2 X/dia) e/ou pelo “arrimar” da comida (2-4 X/dia) e em que o sistema é ativado e os animais permanecem trancados nos cornadis por períodos máximos de 15-20

min. Isto permite garantir que todos os animais do rebanho, pelo menos nesses períodos, são submetidos ao sistema de cooling. Durante o resto do dia, ocorre circulação livre. Que melhorias trouxe à exploração? Nesta exploração, o sistema está em funcionamento apenas desde o início do ano, mas os efeitos são já notórios. Concerteza todos se recordarão do 1º fim-desemana de Agosto deste ano, em que se registaram em Portugal Continental temperaturas máximas acima dos 40ºC. Neste período foram generalizadas as quebras de ingestão alimentar dos rebanhos leiteiros com consequentes quebras acentuadas de produção, na ordem dos 4-6 litros/vaca/ dia. Nesta exploração, já com este sistema a funcionar, bem

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IMAGEM 3 Humidificação Edstrom com ventiladores horizontais.

na reprodução tendem a ser observados mais a médio prazo do que a produção leiteira. Contudo, os dados preliminares nesta exploração apontam para fertilidades mensais médias superiores a iguais meses de verão de anos anteriores, dado este já observado em outras explorações que instalaram esta tecnologia. As experiências dos últimos anos com estes sistemas de cooling em algumas explorações do nosso país vêm demonstrando consistentemente que, com necessários ajustes a cada exploração, esta tecnologia é o mais eficaz método de controlo da temperatura corporal das vacas leiteiras em períodos de stress por calor, com os consequentes benefícios daí decorrentes, largamente documentados.


PRODUÇÃO

Produção de cabras leiteiras pela Agropefe Uma aposta na diversificação da área de negócio POR RUMINANTES

No mês de Setembro fomos até à Aldeia das Pias em Ferreira do Zêzere para visitar uma exploração de cabras leiteiras, pertencente à empresa Agropefe. A empresa do setor pecuário Agropefe remonta ao ano 1976 e tem como maior área de negócio a produção de suínos. A exploração que visitamos trata-se de uma reconversão de uma antiga suinicultura que deixou de funcionar por já não ter o espaço necessário. Fomos recebidos pelo diretor-geral da empresa, Hugo Ferreira, o médico veterinário assistente da exploração Rui Fortunato e pela responsável da exploração, Sandra Dias, licenciada em produção animal. Juntos em conversa, deram-nos a conhecer a realidade deste projeto ambicioso.

Fale-nos desta área de negócio, como surgiu a ideia de começar a produzir cabras leiteiras? Hugo Ferreira: O negócio teve inicio em maio 2015 quando recebemos os primeiros animais. O interesse de termos uma produção diferente surgiu como forma de controlar o risco. Ou seja, não termos todo o negócio assente no mesmo tipo de produção animal. Adicionalmente o facto de termos no nosso grupo as Rações Zêzere com uma boa linha de rações de cabras leiteiras foi também um incentivo. Acreditamos que este negócio não está suficientemente explorado, os efetivos médios de cada exploração são pequenos e, por isso, ainda temos oportunidade para otimizar em relação ao que tem sido feito. Concluindo: é uma oportunidade de negócio e por isso investimos.

Em 2018 estão na velocidade de cruzeiro ou pretendem crescer? O que representa esta área de negócio para a empresa? HF: Pretendemos continuar a crescer. Atualmente este negócio representa cerca de 5 ou 6%. O objetivo é atingir pelo menos 15%. Quantas cabras têm em ordenha? HF: Cerca de 450. A raça escolhida foi a Murciana, porquê? HF: O raciocínio foi conseguirmos otimizar ao máximo a produção de leite. Pensamos que esta raça tem boas características. É uma cabra de tamanho reduzido, consumo também reduzido, apesar de não ser a cabra que mais leite produz consegue produções relativamente interessantes para o seu tamanho. Também porque é um leite para produção de queijo mais valorizado do que outras raças que apesar de serem animais de aptidão de leite têm valores mais baixos de proteína, gordura etc. Estes valores influenciam o preço a que vendemos o leite. Como esta distribuído o efetivo? Sandra Dias: Para além das 450 cabras em ordenha há mais 150 secas que vão parir em novembro. São quase 600 cabras no total. Ao nível da recria perto de 530. Como está organizada a exploração? SD: A exploração divide-se em quatro áreas. Cabritos, recria, cabras em produção e secas. Relativamente ao maneio alimentar, como funciona? Rui Fortunato: Uma vez que não temos forragem disponível nem produzida pela empresa é tudo comprado fora. Como é

IMAGEM 1 Parque de cabras.

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PRODUÇÃO

IMAGEM 2 Da esquerda para a direita: Rui Fortunato, Telma Batista, Carla Marques, Sandra Dias e Hugo Ferreira.

uma exploração intensiva focamo-nos na forma de aumentar a produção ao máximo. Pretende-se promover a máxima produção de leite e assim entendemos que o melhor seria optar por apenas ração, concentrado e palha. É assim em todos os diferentes estádios de desenvolvimento desde o cabrito até à cabra em produção. Disponibilizamos uma ração adaptada ao estádio em que estão (produção de leite, secas, pré-parto, recria), complementada com palha. Para os cabritos primeiro consomem o colostro e posteriormente leite de substituição. O desmame é feito aos dois meses. Os animais em produção consomem todos o mesmo alimento? RF: Para os animais em produção temos um alimento único. Vamos alterando a quantidade que damos consoante a produção desse lote, o alimento é o mesmo. Os animais em produção estão separados por lotes de produção? RF: Acima de tudo a separação é feita por datas de parição. Temos 4 grupos, 4 parições ao ano e consoante elas vão fazendo o pico vamos aumentando a ração e depois diminuindo, tentando controlar a condição corporal enquanto elas estão em lactação. Procuramos secar as cabras com uma condição corporal média.

Dados da exploração Número de empregados: 5 Produção média diária (l/animal): 2,0 Ingestão média diária (kg/animal): 1,35 • alta produção: 1,7 • média produção: 1,4 • baixa produção: 1 Produção média diária (l/animal): 2 Eficiência da exploração (l/kg): 1,48 Proteína do leite (%): 3,7 Gordura do leite (%): 4,6 Mortalidade cabritos < 6 meses (%): 10,6 Peso ao desmame (kg): 7/8 Épocas de parto: 4 (3 épocas de um mês e uma de 43 dias – implantes de melatonina)

Onde é dada a ração? RF: A ração é distribuída apenas nos parques de produção. Ou seja não é personalizada, é para o grupo? RF: Exatamente. Resumindo as cabras até aos 4 meses de produção comem ad libitum. A partir dessa fase ajustamos a quantidade de alimento à produção para que elas não fiquem gordas. Que indicadores utilizam para perceber se o maneio alimentar está a funcionar? RF: O principal indicador é a eficiência alimentar. Ou seja é a quantidade de litros de leite produzidos por kg de alimento consumido. Quais as suas responsabilidades aqui enquanto MV? RF: A nossa responsabilidade aqui é a parte técnica alimentar e profilática/ sanitária. A meu ver o grande desafio numa exploração de cabras leiteiras é a sanidade. Acompanho muitas outras explorações pelo país fora e acho que o maior problema é sanitário. Quando o Dr. Hugo nos abordou para fazermos a exploração achámos uma ótima ideia e só pusemos um “se”: se cumprirem exaustivamente o plano profilático proposto. E assim foi! E felizmente até a data não aconteceu nenhum desastre e espero que não venha a acontecer porque o plano sanitário está muito bem.

A quem vendem o leite? HF: Essencialmente a duas queijarias uma mais local e outra de âmbito nacional, já na zona de Lisboa com alguma dimensão. Uma vez que temos carro de transporte, temos a capacidade de fazer a entrega do nosso leite ao cliente. Há pouco falávamos nos teores de proteína e gordura do leite dos animais desta raça. Pagam-lhe por sólidos? HF: Sim, têm uma tabela de objetivos/ valor e bonificações ou penalizações se os valores estiverem acima ou abaixo. Geralmente não temos muitas flutuações. Na sua perspetiva, como tem evoluído a procura por leite de cabra em Portugal? Quais as perspetivas? HF: Penso que é um negócio que tem bastante potencial. Existe procura. No inicio senti alguma dificuldade, o que é normal. Uma coisa interessante que eu notei quando começámos a fazer a prospeção de mercado, e particularmente porque começamos numa altura em que havia muita produção de leite, a “época alta” da produção das cabras de leite: contactava as pessoas e todas me diziam “não, não”... Mas quando eu mencionava a raça dos animais e a diferença no seu leite já queriam ouvir e já começávamos a discutir preços. A partir dessa fase não tenho tido grande dificuldade no escoamento do leite. Claro que gostaríamos sempre que fosse a preços melhores ...

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PRODUÇÃO

Que tipo de informação registam diariamente aqui na exploração? SD: Registamos toda a informação relacionada com tratamentos, vacinações, partos, cobrições, diagonósticos de gestação e outras informações sobre o rebanho.

Quantas cabras ordenham por hora? HF: Ainda não otimizámos o sistema porque estamos com lotes demasiado pequenos o que faz com que tenhamos paragens. Se estivesse sempre a funcionar faríamos provavelmente cerca de 300 por hora.

E a informação mais ligada com a produção é registada automaticamente pela sala de ordenha? HF: Sim, a sala de ordenha dá-nos a produção individual e todo o histórico do animal – por lactação, por dias, por lote. Basicamente toda a informação que se pretende.

Quantas pessoas tem na ordenha? Este fator pesou na escolha do equipamento? HF: Sim pesou, temos atualmente duas pessoas. A mão de obra é também um grande problema das explorações pelo país...

A quantidade de palha e ração que distribui isso é registado diariamente? SF: Tenho noção de quantos kg o animal está a consumir embora não se faça o registo diário. HF: Essa avaliação é feita posteriormente no escritório. Com esses indicadores todos que recebe quais são os indicadores, e a que valores dão mais relevância quando visitam a exploração? HF: Para mim é o que nos dá os litros de leite por cabra por dia. Esse é o primeiro que eu olho. RF: No meu caso a média de litros produzidos por lote.

O investimento neste tipo de sala é maior do que o sistema tradicional? HF: O sistema tradicional requer um maior investimento em termos de construção civil mas a máquina é mais barata. Em termos de manutenção a mesa rotativa implica mais alguma manutenção, mas os postos em si não são muito diferentes por isso será semelhante. A adaptação dos animais a esta sala é complicada? SD: Não. É certo que a primeira semana é mais complicada, mas vão-se habituando. Uma vez que não há ração na sala também não existe nenhum incentivo que não a própria ordenha. Relativamente ao cabriteiro, que mortalidade é que têm e até que idade? Ou seja qual é o período em que tem mais mortalidade? SD: Na primeira semana é que a mortalidade é mais elevada, depois disso só se houver algum surto de doença.

Falando da ordenha, esta sala de ordenha não é muito comum em Portugal. Porque escolheram este sistema? HF: Nós escolhemos este sistema porque achamos que é mais prático, rápido e eficiente. Acima de tudo eficiência, independentemente do valor A mortalidade até ao desmame está em de investimento inicial olhámos para a que valores? eficiência do sistema...e considerámos que SD: Proximo dos 10%, mas também é este é o sistema mais eficiente. muito variável consoante a época do ano. Artes Finais publicidade 185x650mm.pdf 1 28/09/2018 17:17:08

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Conseguimos lotes muito bons de 2/3% e outros não tão bons de 8 ou 9%. A pior altura do ano é quando está frio. No que diz respeito à saúde animal, quais os problemas mais comuns numa exploração deste género? RF: Numa exploração deste género e não no caso desta em particular, identifico 3 problemas muito fortes e muito prevalentes no país. A paratuberculose, a artrite e encefalite caprina e febre Q. Acho que a maioria dos rebanhos são vendidos e trocados entre criadores pelos dois primeiros problemas. Já vi rebanhos e negócios fecharem por causa disso, daí ter alertado logo quando surgiu a ideia desta exploração “Não vamos poupar em vacinas vamos pôr aqui um plano profilático consistente”. E até hoje não temos qualquer sintoma clinico ou comprovação laboratorial de que tenhamos cá esses problemas. Em termos de melhoramento genético qual é o critério? HF: Fazemos a melhor seleção possível mesmo dentro dos nossos animais. Aí o sistema de ordenha ajuda-nos muito a ter essa informação. Quando compramos (só comprámos no inicio) temos o cuidado de ter acesso ao histórico, aos potenciais produtivos daqueles animais. Os machos vamos comprar a Múrcia, a maioria. SD: No caso dos machos olhamos para o histórico das mães em termos de produção. Objetivos para os próximos anos chegar a quantas cabras? HF: Esta exploração tem como objetivo ter cerca de 1000 cabras em produção de leite. Quando atingirmos esse número, faremos uma pausa e uma avaliação, e caso seja viável acredito que continuaremos a abrir novas explorações.


NOVIDADES DE PRODUTO

Tecnologia e Conforto

M7002, melhor e mais eficiente Depois do sucesso do M7001, a Kubota decidiu introduzir vários melhoramentos e atualizações no seu trator para culturas extensivas lançando a nova série M7002, que mantém os 170 cv como potência máxima. A principal inovação do M7002 é uma transmissão Powershift de 6 velocidades em carga num total de 30/15, ou 54/27 em caso de equipar com creeper. O fabricante japonês melhorou também algumas especificações, como o aumento do peso máximo permitido que

vai agora até 11.500 kg ou o rendimento do motor através de um aumento de potência. A velocidade máxima continua nos 50 km/h. Ao nível da gama de pneus, a marca introduziu um 600/60R28 para o eixo dianteiro e um 710/60R38 para o traseiro.

O M7002 apresenta vários desenvolvimentos ao nível tecnológico quando comparado com o seu antecessor. O funcionamento do joystick principal e o aumento de memórias de gestão de cabeceiras HMS são duas melhorias claras introduzidas no novo modelo. Também o sistema de autoguiamento foi aperfeiçoado com a inclusão de novas funcionalidades, como por exemplo, a nova função “salto” que permite a correção da posição da linha com apenas um toque, a possibilidade de visualizar as distâncias da rota definida em centímetros, ou a criação de 20 linhas de guiamento diferentes. Ao nível do conforto, o M7002 revela níveis de ruído e vibração inferiores ao M7001, tendo ainda sido introduzidos melhoramentos na suspensão. O novo assento Deluxe MSG95AL741 é também uma novidade, tal como a introdução de luzes de trabalho LED. Finalmente, é possível instalar retrovisores elétricos e aquecidos, bem como uma luz interna para otimizar a visibilidade quando em trabalho noturno.

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NOVIDADES DE PRODUTO

Há uma linha verde que separa a Fendt do resto mudar, passando também a disponibilizar a gama de menor dimensão, nomeadamente o MS, o MR e o MR Profi. Nas versões maiores, os já referidos PR e XR, a marca introduziu várias melhorias, nomeadamente uma linha para profissionais e a possibilidade de incorporar um afiador de facas.

Enfardadeiras e plastificadores

Para a campanha de 2019 a Fendt apresenta várias novidades na sua linha para erva. Fazemos-lhe um resumo. Gadanheiras e juntadores A Fendt lança finalmente a sua primeira gadanheira de pivot central. Depois da aquisição da Fella, o fabricante alemão de tratores vinha-se mantendo na gama já existente. Considerou agora que chegou o momento de inovar introduzindo uma máquina que não existia até agora: o Slicer TKC com condicionador de dedos e o TRC com condicionador de rolos. Os dois modelos estrão disponíveis com larguras de 3 e 3,5 metros respetivamente. O sistema de suspensão é de molas, similar ao utilizado por vários fabricantes nas gadanheiras frontais. Nos juntadores, a Fendt também inovou o Former, introduzindo um modelo de

“juntamento lateral”. O Former 1502 de rotor duplo pode ser girado para a esquerda ou direita de forma a produzir um ou dois cordões. A largura de trabalho é de 3,60m a 6,30m para um único cordão, ou até 7,00m no modo de cordão duplo.

Katana Para o novo modelo de 2019 da sua ensiladora, o fabricante alemão investiu num novo

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pick-up, o P3003 Maximum, num novo pack Heavy Duty (HD), e criou ainda a opção de um chassis comfort para implementos para milho de maiores dimensões.

Reboques carregadores Desde que a Fendt adquiriu a “linha de verde” da Lely que apenas comercializava o PR e o XR, no que a reboques carregadores diz respeito. A partir de 2019 a situação vai

Rotana. Este é o nome da nova linha de enfardadeiras de fardos redondos. No futuro irá substituir as 1125 F, 2125 F and 2125 F ProFi, complementando as 4160 V and Fendt 4180 V de câmara variável. Para já, os modelos apresentados são a Rotana 130 F e as enfardadeiras/plastificadores Rotana 130 F Combi e Rotana 160 V Combi. A par e como complemento da Rotana, surge também o Fendt Rollector 130. Disponível tanto para enfardadeiras de câmara fixa como variável, com fardos de diâmetros entre os 0,90 e os 1.30 m.


NOVIDADES DE PRODUTO

ROBOT DE ORDENHA LELY ASTRONAUT A5 HYBRID ARM O braço híbrido do Lely Astronaut A5 tem vários pontos de interesse: económico, ambiental, performance, facilidade de utilização e bemestar animal. Com o novo braço híbrido, a conta de eletricidade do produtor diminui 20% (-400€/ano para um robot). A durabilidade do compressor adquirido pelo produtor é multiplicada por 3 (-70% de ar consumido). Pela remoção da maioria das válvulas solenoides do braço, a fiabilidade do Lely Astronaut A5 é melhorada. A energia consumida é reduzida em 20%. É agora possível ordenhar mais duas vacas num Lely Astronaut A5. O produtor pode assim mais facilmente amortizar o

seu investimento ou ter maior flexibilidade na utilização do seu robot de ordenha. Com o novo touch screen, tornase mais fácil para o produtor utilizar o robot diariamente: as tarefas de manutenção diária são fáceis de realizar, não é necessário calibrar o braço pois é feito automaticamente para cada ordenha. A função “primeira ordenha fácil” torna fácil e rápida a sua utilização em novilhas. O braço híbrido da Lely é silencioso e não causa stress aos animais quando se começa a mover. O spray no final da ordenha utiliza agora laser de forma a aumentar a precisão. MAIS INFORMAÇÃO: www.lely.com

PORTAS E TRONCOS DE CONTENÇÃO / MANGAS E GRADES / MANJEDOURAS COMEDOUROS SELETIVOS / BEBEDOUROS / BALANÇAS / EQUIPAMENTOS PARA ENGORDAS +351

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NOVIDADES DE PRODUTO

REBOQUES DE FARDOS FODDER TRANSPORT EQUIPMENT SÉRIE GMD 1021 F A Kuhn apresentou a sua nova gadanheira frontal todo-o-terreno de montanha. O fabricante francês alargou a sua gama de gadanheiras frontais compactas com o lançamento da série GMD 1021 F. Com duas larguras de trabalho disponíveis (GMD 2721 F e a GMD 3121 F), esta é uma máquina bastante compacta e leve (pesa 575kg), adaptando-se de forma perfeita a trabalhos em zonas declivosas. A série GMD 1021 F é portanto, a gadanheira certa para explorações de montanha, adaptando-se perfeitamente ao relevo através do seu sistema que reduz a pressão sobre o solo. Para tal, contribui também uma articulação tipo pêndulo com um alcance de +/- 8°. A barra de corte que equipa a GMD 1021 F é a experimentada Optidisc, conhecida pela sua robustez e ausência de manutenção.

MS AUTOHOFFCLEAN O MS AutoHoffClean associa um colchão de pedilúvio com um produto de limpeza e desinfeção. O colchão está posicionado na saída da sala de ordenha e uma bomba mantem a pressão dos líquidos. O produto de limpeza e desinfeção só sai do colchão sob o peso das patas dos bovinos, proporcionando uma higiene completa dos dígitos. Por outro lado, a superfície do colchão não permite a reabsorção do produto usado. É toda uma nova abordagem de tratamento para a dermatite digital em vacas de leite através de um tratamento automático das unhas e desinfeção do pavimento. A utilização deste produto permite reduzir as claudicações. MAIS INFORMAÇÃO: www.schippers.fr

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Os novos reboques de fardos da Gyrax podem vir equipados com um sistema de barreiras laterais. Estas barreiras têm como objetivo estabilizar a carga na plataforma de uma forma simples, poupando tempo ao utilizador. Este novo equipamento foi objeto de uma patente. A estabilização da carga diminui os riscos de capotagem do reboque e aumenta o conforto da condução. O sistema torna possível a execução de um carregamento seguro independentemente da experiência do utilizador e dispensa-o de subir à carga ou de a amarrar. Na posição de carregamento, as barreiras obrigam a carga a parar na posição correta. O equipamento está desenhado para ser simples, eficiente e assegurar o máximo de segurança para o utilizador. A operação de estabilização da carga é incrivelmente rápida e pode ser feita a partir da posição do condutor. Uma vez que o sistema é telescópico, ele pode ser montado sobre as novas plataformas de forragens Gyrax com extensões deslizantes. Esta função permite ao utilizador alterar o comprimento do reboque enquanto mantem o sistema de barreiras hidráulicas. MAIS INFORMAÇÃO: www.gyrax.fr

AQUACLIM THERMODYNAMIC® FLOOR-COVERING® O AquaClim Thermodynamic é um colchão arrefecido a água para bovinos de leite. Este colchão, da BIORET AGRI possui um sistema patenteado de canais de água que garante um arrefecimento contínuo das vacas. Este sistema está envolvido num colchão de espuma de latex que se adapta morfologicamente a cada vaca aumentando o conforto dos animais enquanto estão deitados, evitando assim pontos de pressão e favorecendo a circulação sanguínea. O colchão AquaClim (disponível desde 2017) ajuda a combater o stress por calor, promovendo a dissipação do calor e permitindo a regulação da temperatura evitando assim o risco de patologias associadas e o impacto do stress por calor na produção leiteira. A nova versão Thermodynamic para além de todos os benefícios do anterior AquaClim recupera o calor para criar energia. O bem-estar animal e a produção leiteira são mantidos com poupança adicional de energia, duplicando assim o benefício para o produtor. Este conceito é semelhante a uma instalação geotérmica à qual chamamos “zootermia”. É um novo conceito de energia alternativa. MAIS INFORMAÇÃO: www.bioret-agri.com


ATUALIDADES

Alltech impulsiona soluções “on farm” em Portugal com nova loja na Póvoa de Varzim O Dia Aberto Alltech, organizado a 14 de setembro, reuniu várias dezenas de clientes e parceiros que se juntaram à equipa da Alltech para inaugurar a primeira loja da empresa em Portugal, localizada na Estela, concelho da Póvoa de Varzim. multinacional, que desde a década de 80 se dedica à investigação e desenvolvimento de soluções para nutrição e saúde vegetal e animal. Os seus produtos, de origem natural, derivam de uma estirpe de levedura - Saccharomyces cerevisiae SP. 1026 – e são usados na prevenção de fungos, bactérias e micotoxinas, entre outros fins, ajudando a promover o crescimento saudável dos animais e das plantas. Na componente vegetal, a Alltech Crop Science dispõe de uma linha de soluções bioestimulantes naturais, à base de derivados de leveduras e pro-bióticos, sem resíduos, para aplicação em todas as culturas. A gama de produtos apoio à decisão para aconselhar Situada no coração da mais atua no estímulo da saúde do solo, os agricultores. É o caso do X-NIR dinâmica zona de produção no incremento da energia das (equipamento de análise rápida à hortícola da região Norte e a plantas para produzir mais e melhor ração animal, com base em raios poucos quilómetros da maior bacia e na sua proteção contra fungos, produtora de leite do país – Póvoa de infravermelhos próximos) ou das bactérias e pragas. Varzim, Barcelos, Vila do Conde –, a termo câmaras (detetam fungos e Na componente animal, fazem nova loja da Alltech, inclui balcão de leveduras nos silos, através de leitura parte do portfólio da Alltech, térmica). aconselhamento e venda ao público, entre outros, produtos derivados «A equipa da Alltech em Portugal armazém e escritórios. da levedura Saccharomyces cresceu e fazia sentido termos A abertura da nova loja está cerevisiae SP. 1026, incorporados uma base no Norte, atendendo alinhada com a estratégia da nas dietas de animais às características das explorações Alltech de trabalhar cada vez mais agrícolas e pecuárias do Entre Douro monogástricos e ruminantes para diretamente com os agricultores, suportar a integridade intestinal e Minho – de pequena dimensão nos seus locais de produção, e melhorar o desempenho geral e geograficamente muito próximas posicionando as soluções face do animal, ou, por exemplo, entre si. Aqui percorremos 50 kms às necessidades diárias das absorventes de micotoxinas para e, rapidamente, visitamos um terço explorações agropecuárias, mistura em rações. da produção nacional de leite», com acompanhamento técnico Mais recentemente, a Alltech exemplifica Francisco Castanheira. permanente. O vereador da Câmara Municipal da adquiriu uma marca de Unifeeds, «A nossa estratégia de soluções “on equipados com sensores que Póvoa de Varzim, Luís Ramos, que farm” consiste em levar a tecnologia garantem a rastreabilidade do esteve presente na inauguração da diretamente às explorações dos arraçoamento, detetando eventuais loja Alltech, congratulou a empresa agricultores e ajudá-los a produzir falhas na execução da dieta por investir neste concelho e de forma mais eficiente e rentável, disponibilizou o «apoio do município prescrita. «O nutricionista faz a usando produtos sem resíduos», fórmula e se houver um erro no para potenciar o trabalho da Alltech afirma Francisco Castanheira, momento da mistura da ração, ele e, com isso, ajudar a horticultura e a responsável da Alltech para a pecuária do concelho a dinamizar-se». é detetado pela nossa central de região Norte de Portugal, onde a recolha de informação na Galiza e é dado um alerta ao nutricionista ou empresa conta com uma equipa de Soluções Alltech ao agricultor. É uma ferramenta que 6 técnicos. O Dia Aberto Alltech visou visa o equilíbrio e a uniformização Por exemplo, nas visitas realizadas também dar a conhecer as várias da dieta animal», explica Francisco às explorações leiteiras, a equipa áreas de negócio desta empresa Castanheira. da Alltech usa ferramentas de

A opinião dos clientes «A importância da parceria entre a Lacticoop e a Alltech advém de utilizarmos cada vez mais minerais orgânicos na dieta das vacas de leite. Estes produtos dão mais vitalidade aos animais e consequentemente maior produção de leite», João Sousa, responsável de misturas da Lacticoop «Trabalhamos com a Alltech desde 1992, ano em que criámos a nossa unidade de produção de misturas. A Alltech é uma das empresas que tem produtos de excelência para a produção de leite, temos conseguido implementar em parceria novas estratégias para melhorar a produção de leite, com muito bons resultados», Ana Gomes, diretora técnica do departamento nutrição animal da Cooperativa Agrícola de Vila do Conde «Somos parceiros da Alltech e é uma relação que prezo muito, dadas as características inovadoras dos produtos que tem lançado no mercado», Francisco Torrinha, diretor técnicocomercial da Matos Mix, fabricante de alimentos para animais «Trabalhamos há alguns anos com produtos Alltech na componente animal e na produção de milho, dão-nos garantia de fiabilidade e melhores resultados em produtividade e qualidade», Artur Castro, Cooperativa Agrícola de Guimarães.

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Modelo: Joana Luís Monteiro (Médica Veterinária) Irmãos Ferreira Gomes - Sociedade Agrícola, Lda. Fotografia: António Cannas


O seu bem estar, a sua rentabilidade O Programa de recria Prima da Nanta melhora a rentabilidade das explorações através do bem estar das vitelas. O Prima trabalha em quatro conceitos essenciais para o bem-estar dos animais: o colostro, a lactação, o desmame e os cuidados a ter nas diferentes variáveis como o meio ambiente, a saúde e ambiente social. O nosso programa oferece benefícios comprovados para o agricultor: maior desenvolvimento das vitelas, melhoria do seu sistema imunitário, redução do stress no desmame, antecipação da primeira inseminação e da idade do primeiro parto, mais produção de leite e maior vida produtiva da vaca. Com o Prima as vitelas são mais felizes e o agricultor também.

nanta@nutreco.com

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Ruminantes 31  

Edição nº31/2018 A revista da Agropecuária

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