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Ano 7 - Nº 27 - 5,00€ outubro | novembro | dezembro 2017 (trimestral) Diretor: Nuno Marques

A REVISTA DA AGROPECUÁRIA

www.revista-ruminantes.com

LIMOUSINE

CONCURSO NACIONAL DE FORRAGENS

Carne de qualidade a sul do país

INDICADORES DE PERFORMANCE de uma exploração leiteira

FOTO FILIPA FROIS | EDIÇÃO FRANCISCO MARQUES

Evolução do valor nutritivo


EDITORIAL

“Não se faz pecuária de amanhã pensando como ontem”

EDIÇÃO Nº27

Li em tempos um artigo que dizia “Não se faz pecuária de amanhã pensando como ontem”. Na verdade estou totalmente de acordo, se nos últimos 30 anos tivéssemos andado a pensar como ontem, ainda estaríamos a produzir 4500 litros de leite por vaca e ano, a velocidade de crescimento dos novilhos seria muito inferior ao que se consegue atualmente, os índices de conversão nas engordas seriam mais altos, a mortalidade nas engordas de borregos seria muito mais elevada...

Colaboraram nesta edição Alexandre Mourato; André Moreno; André Oliveira; António Amaral; António Cannas; António Godinho; António Moitinho; Carlos Martinho; Carlos Vouzela; César Novais; Cláudia Costa; Deolinda Silva; Duarte Viegas; Eduardo Soares; Élson Coelho; Filipa Frois; Francisco Marques; George Stilwell; Gert Glob Lassen; Gonçalo Fernandes; Helga Machado; João Paisana; João Santos; Joaquim Cerqueira; José Caiado; José Pedro Araújo; Luís Figueiredo; Luís Raposo; Luiza Fernandes; Luíza Fernandes; Pedro Castelo; Pedro Castro; Rui Martins; Rui Sousa; Sara Garcia; Szilvia Orosz; Teresa Moreira; Vitor Duarte.

Hoje em dia, a tecnologia ao dispor dos produtores e técnicos é imensa, com possibilidade de recolha de muitos dados, precisos, disponíveis no momento, que se podem transformar em indicadores preciosos da exploração, para os produtores fazerem uma gestão otimizada e profissional dos ativos que têm e do seu negócio. Nesta edição, encontra testemunhos de produtores que falam sobre a medição automática da condição corporal das vacas de leite através de uma câmara localizada a seguir ao robot de ordenha, da utilização de um NIR portátil que permite ter a avaliação nutricional imediata das forragens e ingredientes existentes na exploração; e também novidades de produto, muitas delas ligadas ao aumento de produtividade e à melhor gestão e controlo do negócio e de todas as operações que fazem parte do processo de produção. Entrevistámos um produtor que engorda e comercializa carne de novilho sobre o que pensa fazer para melhorar os resultados produtivos; para além de um sistema de produção controlado com pesagens frequentes, está a investir em genética de qualidade para disponibilizar aos produtores que habitualmente lhe vendem os vitelos. Outro produtor com quem falámos utiliza sémen congelado de alto potencial genético na inseminação das suas ovelhas. Pelo terceiro ano consecutivo, a Revista Ruminantes organiza o Concurso Nacional de Forragens na categoria Silagem de Erva. No início deste concurso, definimos como objetivo “contribuir para aquilatar e divulgar o nível das silagens feitas cada ano, e incentivar a sua melhoria”, uma vez que as forragens são consideradas um fator determinante para a sustentabilidade da produção pecuária de ruminantes. Neste número, damos-lhe a conhecer a avaliação dos resultados das análises realizadas nestes três primeiros anos. Por último, damos agora início à rubrica “Alimento do trimestre” que nesta edição é dedicada à manteiga. A ideia é lembrar como surgiram os alimentos na dieta humana e fazer um ponto de situação sobre o que dizem os trabalhos científicos publicados até hoje acerca dos mesmos para a nossa saúde. Para que, quando à volta de uma mesa começarem a dizer que este ou aquele alimento tem contraindicações, saiba apontar também os seus benefícios. Estamos numa época em que a comunicação se faz de forma tão rápida e fácil como nunca, em que a difusão de opiniões infundamentadas (ao serviço de interesses vários) em conjunto com a falta de conhecimento dos consumidores é capaz de diabolizar alimentos importantes do ponto de vista nutricional que sempre fizeram parte da alimentação humana. Com grave prejuízo para a indústria nacional e para os produtores. Nuno Marques

OUTUBRO | NOVEMBRO | DEZEMBRO 2017 DIRETOR

Nuno Marques | nm@revista-ruminantes.com

Agradecimentos Barão & Barão, Lda

PUBLICIDADE E ASSINATURAS Nuno Marques | comercial@revista-ruminantes.com

REDAÇÃO

Francisca Gusmão; Inês Ajuda; Joana Silva.

DESIGN E PRÉ-IMPRESSÃO Sílvia Patrão | prepress@revista-ruminantes.com

IMPRESSÃO

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PROPRIEDADE / EDITOR Aghorizons, Lda / Nuno Marques Contribuinte nº 510 759 955 Sede: Rua Alexandre Herculano, nº 21, 5º Dto 2780-051 Oeiras Tiragem: 5.000 exemplares Periodicidade: Trimestral Registo nº: 126038 Depósito legal nº: 325298/11 O editor não assume a responsabilidade por conceitos emitidos em artigos assinados, anúncios e imagens, sendo os mesmos da total responsabilidade dos seus autores e das empresas que autorizam a sua publicação. Reprodução proibida sem autorização da Aghorizons, Lda. Alguns autores nesta edição ainda não adotaram o novo acordo ortográfico. O “Estatuto Editorial” pode ser consultado no nosso site em: www.revista-ruminantes.com/quem-somos Envie-nos as suas crítícas e sugestões para: nm@revista-ruminantes.com WWW.REVISTA-RUMINANTES.COM WWW.FACEBOOK.COM/REVISTARUMINANTES RUMINANTES OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2017 3


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ÍNDICE

10 LIMOUSINE: CARNE DE QUALIDADE A SUL DO PAÍS A Ruminantes foi até Messines, onde Duarte Viegas, um dos sócios da empresa Algartalhos e André Moreno, responsável da exploração, nos deram a conhecer o negócio da engorda de bovinos e o seu novo projeto de venda de reprodutores Limousine na exploração.

ALIMENTAÇÃO

36 CONCURSO NACIONAL DE FORRAGENS - EVOLUÇÃO DO VALOR NUTRITIVO Este artigo pretende apresentar e comparar com outros resultados publicados, os valores obtidos para as amostras de feno-silagem de erva analisadas no Laboratório da Associação Interprofissional do Leite e Lacticínios (ALIP), durante os 3 primeiros anos do Concurso Nacional de Forragens.

50 INDICADORES DE PERFORMANCE DE UMA EXPLORAÇÃO LEITEIRA Com a evolução do setor leiteiro e o constante crescimento das explorações são necessárias melhores e mais eficazes ferramentas para suportar todas as decisões. O desafio neste artigo é, com um número limitado de índices, poder fazer uma avaliação preliminar do estado da exploração.

FORRAGENS

14 Índice crioscópico do leite 18 Levucell SC - Melhora a performance dos novilhos Angus 20 Avaliação pormenorizada dos ingredientes da dieta 24 Probióticos na alimentação de vitelas de raça Holstein Frísia 28 Plano de recria de novilhas Kaliber 32 Características da fermentação ruminal in vitro de diferentes tipos de açúcares 46 Vacas em regime extensivo, interesse económico em reduzir a mortalidade pré-desmame dos vitelos e o período entre partos. 54 A importância da recria das futuras produtoras de leite

ATUALIDADES 22 Manteiga: heroína ou vilã?

31 Uso do centeio híbrido KWS como forragem

GENÉTICA 58 Procross em modo biológico por terras dinamarquesas 62 Sémen congelado em ovelhas Suffolk

PRODUÇÃO 66 A construção de um modelo de avaliação económica

PRODUTO 80 Medindo a condição corporal na ordenha 84 S.A.Christensen & CO., uma representação Agrovete 85 Novidades de produto

SAÚDE E BEM-ESTAR ANIMAL

ECONOMIA 40 Observatório de matérias primas 42 Observatório do leite 44 Índice VL e Índice VL erva

70 Prevenção de hipocalcemia 72 Vacinação contra a pneumonia bacteriana 74 ADS de Estremoz, para além da sanidade 78 O que o estado do pêlo nos pode dizer

BOLETIM DE ASSINATURA 1 ANO, 4 EXEMPLARES

DADOS PESSOAIS

Portugal: 20,00 €

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Europa: 60,00 €

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Pagamento • Por transferência bancária IBAN: PT50 0269 0111 00200552399 92 Enviar comprovativo para o email geral@revista-ruminantes.com • Por cheque: À ordem de Aghorizons, Lda.

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Monobox GEA Um só movimento para uma ordenha perfeita O Monobox apenas necessita de uma colocação para poder realizar toda a sequência de passos de uma boa rotina de ordenha. Num único movimento coloca, estimula, limpa, tira os primeiros jactos de leite, ordenha e aplica o post-dip directamente nos tectos

Os 6 passos da rotina de ordenha automática Monobox 1. Colocação e estimulação Logos após à colocação da tetina começa o processo de estimulação mecânico que prepara o ubre para uma ordenha rápida e com elevados fluxos de leite A estimulação mecânica da GEA reduz as curvas bimodais, desta forma é encurtado o tempo de ordenha e aumenta a produção de leite por animal. 2. Ordenha limpa É feita a limpeza dos tetos seguida de uma secagem, posteriormente são retirados os primeiros jactos de leite O que diferencia o sistema Monobox da GEA de outras máquinas é que desta forma não são necessárias escovas ou qualquer outro equipamento mecânico que possa provocar uma qualquer contaminação dos tetos. Ao realizarmos uma limpeza regular e constante evitamos ordenhar tetos sujos ou molhados.

3. Medição e análise do leite Um conjunto de sensores analisa por teto a temperatura, a cor e a condutividade eléctrica do leite dos primeiros jactos para detectar anomalias ou mamites. De seguida são monitorizados os fluxos de leite e tempos de ordenha de cada teto enquanto se mede o volume de leite produzido. A informação detalha é disponibilizada ao produtor de forma a permitir realizar os ajustes necessários. 4. Ordenha completa, rápida e confortável A ordenha em linha baixa permite trabalhar com baixos níveis de vácuo o que nos dá a garantia de uma ordenha rápida e suave dos tetos. A linha baixa proporciona estabilidade de vácuo e melhores condições para os tetos, coisa que as linhas altas não permitem. Este facto influência de forma positiva a qualidade final do leite ordenhado.

5. Posicionamiento Um braço de ordenha leve e suspenso adapta-se de maneira natural aos movimentos da vaca. Isto evita maus posicionamentos do jogo de ordenha, quedas dos casquilhos, forças negativas e respiros nas tetinas. Caso uma tetina caia, jamais esta poderá tocar o chão até que volte a ser colocada, nem o jogo de ordenha perde o bom posicionamento O curto comprimento das mangueiras de leite proporciona estabilidade e evita flutuações de vácuo.

6. Post Dip e retirada automática Uma vez terminada a ordenha e antes de retirar a tetina, é aplicado directamente em cada teto o produto desinfectante e cosmético. Esta forma de aplicação tão directa permite uma cobertura perfeita e de forma homogénea em todo o teto e uma hidratação mais eficaz..


Qualidade, Produtividade e Flexibilidade. Tudo em um! Módulo profissional de ordenha automática proporciona o máximo rendimento e excelente saúde do rebanho. O novo módulo GEA Monobox herda as vantagens do célebre módulo de ordenha DairyProQ para uma produção de leite de qualidade superior. Toda a rotina de ordenha é realizada dentro de uma só tetina, o que assegura uma ordenha com uma higiene impecável, uma melhor saúde do rebanho e um leite de qualidade premium. GEA Monobox ordenha as suas vacas no momento oportuno e com uma eficiência única.


ATUALIDADES

O QUE LHE DIZEM AS SUAS VACAS? GOSTARIA DE SABER?

BEM ESTAR ANIMAL E PERSPETIVAS DE VALORIZAÇÃO DE BOVINOS Durante a feira Agrosemana, que teve lugar em setembro passado, a UCADESA, em colaboração com a Escola Superior Agrária de Ponte de Lima do Instituto Politécnico de Viana do Castelo e com a Direção Geral de Alimentação e Veterinária, organizaram um workshop sobre “Bem estar animal e perspetivas de valorização de bovinos”. As apresentações focaram-se nos seguintes temas: Requisitos legais e Indicadores de bem estar em bovino; Ética, qualidade dos produtos e opinião do consumidor; e Relevância da informação dos indicadores de bem-estar em vacas leiteiras. A apresentação pública do manual de Boas Práticas sobre bem-estar em bovinos, por António Ferreira (UCADESA) foi um dos pontos fortes deste encontro, onde ainda houve tempo para um debate entre técnicos e produtores. Esta discussão de ideias centrou-se na importância do bem estar dos animais para o aumento da rentabilidade da exploração e na necessidade de mais apoio ao investimento nas instalações pecuárias. Do ponto de vista técnico foi reforçado o interesse em desenvolver uma base de dados sobre indicadores de bem estar. O ”Manual de boas práticas em BEA” é vocacionado para bovinos leiteiros, principalmente em regimes estabulados, com o objetivo de divulgar por técnicos e produtores as boas praticas nesta área e alguns indicadores cientificamente aceites na obtenção de informação credível sobre o Bem Estar em bovinos.

Se as suas vacas falassem, o que diriam de si? Talvez esta pergunta lhe seja familiar. E talvez consigamos saber a resposta exata num futuro próximo. É isto que Alexandra Green, uma estudante de doutoramento da Universidade de Sidney, se compromete a tentar fazer. A investigadora está atualmente a estudar as diferentes vocalizações das novilhas de vacarias de leite, numa tentativa de as associar a comportamentos distintos e perceber o seu significado. As descobertas iniciais incidiram sobre o efeito do distanciamento social de um animal sobre o timbre das suas vocalizações. Ao afastar uma novilha do seu grupo durante trinta minutos, mantendo-se ainda o contacto visual entre animais, Alexandra constatou que o tom de vocalização da novilha era mais baixo e grave, o que revelava um baixo nível de stress. Por oposição, quando os animais

se encontram em situações de excitação ou stress as vocalizações aumentam em termos de frequência e duração, e o timbre torna-se mais alto e agudo. Os produtores de leite da região parecem estar bastante interessados no estudo e seus resultados. O desejo de ver as suas vacas saudáveis e felizes prende-se também com o maior interesse e nível de conhecimento dos consumidores no que diz respeito a boas práticas de produção. Alexandra também crê que a sua investigação possa vir a constituir uma ferramenta de auxílio no maneio dos animais. Ao ‘mapear’ os diferentes tipos de vocalizações e seus significados, os produtores poderão eventualmente ser capazes de monitorizar o comportamento dos seus animais a nível individual, assegurando o seu completo bem-estar e otimizando assim a produção.

A MOLÉCULA DA FERTILIDADE Um grupo de investigadores da empresa Inprenha Biotecnologia, sediada no estado de São Paulo, Brasil, alega ter descoberto uma molécula capaz de aumentar as taxas de fertilidade e a prolificidade bovinas e, em paralelo, reduzir a mortalidade embrionária. A molécula, inovadora no mercado, foi já testada no Brasil e na União Europeia, e surge no culminar de um estudo de nove anos visando o aumento da fertilidade e eficiência reprodutiva das espécies de animais domésticos. Durante o estudo, os investigadores depararamse com um artigo científico acerca de uma proteína recombinante com propriedades imunomoduladoras e anti-inflamatórias, proteína esta que estava já a ser produzida na Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto e utilizada em ensaios clínicos de tratamento de Doença das Chagas e de dengue. Unindo esforços, os dois grupos de investigadores concluíram que a molécula era igualmente capaz de promover o aumento da taxa de implantação embrionária bovina,

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tendo entretanto patenteado não só a molécula mas o seu processo de purificação. Mais recentemente, a Inprenha investiu na produção em larga-escala de modo a ser capaz de responder à procura não só nacional mas também externa. A utilização da molécula não visa o tratamento de doenças reprodutivas ou problemas de fertilidade, mas sim o aumento da eficiência reprodutiva em animais férteis sujeitos a inseminação artificial ou transferência de embriões. A administração é feita diretamente no útero – no dia da inseminação ou até sete dias depois -, para que haja contacto direto com o endométrio. Até à data, foram já realizadas mais de 10 000 inseminações com administração concomitante da molécula, envolvendo diferentes raças e efetivos, e todos os vitelos resultantes nasceram saudáveis. Atualmente, a empresa consegue produzir cerca de 70 000 doses anuais, mas espera-se que este valor duplique após licenciamento.


ATUALIDADES

UM PEQUENO MILAGRE GESTACIONAL Uma vaca cruzada de Simmental, que se pensava ser um animal freemartin, desafiou todas as probabilidades e deu à luz os seus sétimo, oitavo e nono vitelos. Este é um acontecimento raro mesmo em circunstâncias normais, e foi com grande surpresa que o produtor John Drake recebeu os trigémeos, filhos de uma fêmea que

nasceu de parto gemelar com um vitelo macho. O fenómeno do freemartinismo ocorre quando há gestação gemelar de animais de sexos distintos, na qual a membrana placentar é compartilhada entre os fetos e, consequentemente, existe uma troca de fluidos e antigénios entre eles. A influência da testosterona do vitelo macho sobre a

fêmea faz com que os ovários desta não se desenvolvam completamente e, por essa razão, cerca de 92% das vitelas provenientes destas gestações são inférteis. Dado esse facto, John Drake nunca deu especial atenção à convivência do seu touro com esta fêmea. Convivência esta que se revelou frutífera logo no primeiro encontro, após o qual, em 2013, a então novilha pariu o seu primeiro par de gémeos. Cruzada com um touro Hereford, a já apelidada “vaca maravilha” teve de seguida dois partos singulares – em 2014 e 2015 -, seguindo-se um segundo par de gémeos em 2016 e, este ano, um belo trio de vitelos. Esta surpresa foi ainda exacerbada pelo facto de, aquando do diagnóstico de gestação, só ter sido identificado um vitelo, apesar da grande dimensão da futura mãe deixar todos na dúvida. Acrescente-se ainda que a vaca nunca precisou de assistência em nenhum dos partos, e possui fortes instintos maternais. “Vaca maravilha”, sim senhora!

12 BOAS RAZÕES PARA ESCOLHER

FACILIDADE DE PARTOS

ELEVADA RUSTICIDADE

RÁPIDO CRESCIMENTO

PARCEIRO IDEAL EM CRUZAMENTOS CARCAÇAS SEM RIVAL

GRANDE DOCILIDADE

ELEVADO RENDIMENTO DE CARNE NOBRE

MEIOS MODERNOS NO TRATAMENTO DE DADOS PECUÁRIOS FERTILIDADE

PRECOCIDADE SEXUAL

QUALIDADES MATERNAIS E LEITEIRAS

TRANSMISSÃO DE GENÉTICA MELHORADORA

www.limousineportugal.com

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PRODUÇÃO

Limousine: carne de qualidade a sul do país

IMAGEM 1 André Moreno e António Correia com um reprodutor puro Limousine.

A Ruminantes foi até Messines, onde Duarte Viegas, um dos sócios da empresa Algartalhos, e André Moreno responsável da exploração, nos deram a conhecer o negócio da engorda de bovinos e o seu novo projeto de venda de reprodutores Limousine na exploração. POR RUMINANTES

A Algartalhos Supermercados Lda., localizada em São Bartolomeu de Messines - Silves, iniciou a sua atividade em 1994 com talhos de exploração própria, crescendo em 1996 para uma rede de supermercados, a qual conta já com vinte estabelecimentos espalhados pelo Algarve. Em 2011, com o objetivo de abastecer a rede de talhos e garantir aos seus clientes uma carne diferenciada e de grande qualidade durante todo o ano, foi comprada a “herdade de Messines” e iniciado o negócio de engorda de bovinos. Este é um empreendimento que remonta há pelo menos três gerações, mas que não se fica por aqui. Em 2014, a paixão pela raça Limousine levou à criação de animais Limousine em linha pura para venda de reprodutores.

A aposta nesta raça, asseguram os dois entrevistados, está mais do que ganha, e a prova disso são as carcaças de qualidade que podem ser encontradas nos seus supermercados. Que raças são utilizadas na exploração? DV – No passado experimentámos outras raças, mas atualmente a nossa preferência recai sobre a Limousine. Utilizamos por isso animais em linha pura e cruzados de Limousine. Que características vos fazem preferir a raça Limousine? DV - Sem qualquer dúvida podemos referir o crescimento precoce, o Ganho Médio Diário (GMD), a conformação da carcaça e a qualidade da carne.

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O que vos fez entrar no negócio de reprodutores Limousine? DV - Sempre gostámos de gado bovino na família e, desde que me lembro, tanto o meu pai como o meu avô possuíam engordas. Após termos comprado a exploração, pensámos em adquirir um núcleo puro Limousine para produzir reprodutores capazes de melhorar as vacadas dos nossos fornecedores de vitelos. Queríamos, de certa forma, ter um papel fundamental a longo prazo nos resultados de melhoramento genético destes animais. Resumindo, por gosto e paixão. Qual é a primeira coisa feita ao chegar à exploração? AM - Inicio o dia dando uma volta ao efetivo e confirmando se existe algum


PRODUÇÃO

problema ocorrido durante a noite que eventualmente possa ter escapado. Tenho ainda o cuidado de verificar se existe algum animal doente e se todos os sistemas de alimentação automática, bem como bebedouros, estão a funcionar.

Como é feito o maneio alimentar dos animais? DV – Os animais são alimentados com palha e ração, sendo que esta última varia em função do período de crescimento em que se encontram.

Como é feito o maneio da exploração desde a entrada dos animais? DV - Os animais são rececionados e pesados assim que chegam às nossas instalações. De seguida, passam por uma quarentena que dura cerca de um mês, após a qual são encaminhados para os vários parques de crescimento e engorda. São sempre feitas três pesagens: à chegada à exploração, à entrada dos parques de crescimento e engorda e à saída.

Quais os indicadores que um engordador de bovinos utiliza para saber se o negócio está no bom caminho? AM - Utilizamos, essencialmente, três indicadores: o GMD, que pode chegar a 1,7 kg/dia; o rendimento de carcaça, com percentagens na ordem dos 60-62% para os machos e 57-58% para as fêmeas, e o consumo de ração, que em média é de cerca de 7-8 kg/dia para animais entre os 6 e os 14 meses de idade.

Existe algum tipo de comportamento animal evidenciado na exploração? AM - Confrontamo-nos com alguns problemas de hierarquização nos parques, principalmente quando temos grupos de animais heterogéneos em termos de tamanho e idade. Este tipo de situação nem sempre é facilmente percetível, só com a pesagem dos animais. Os animais maiores tendem a comer mais comparativamente aos mais pequenos, mas tentamos ao máximo ter lotes homogéneos.

Porque abatem os animais aos 14 meses de idade? AM – A idade ao abate está relacionada com o peso de carcaça que queremos nos nossos talhos sendo que, para alguns, já se tornam animais muito grandes. Trabalhamos com pesos de carcaça de aproximadamente 400 kg, mas a maior parte dos supermercados prefere até pesos inferiores. Todos os animais da exploração, quando abatidos, vão para os vossos talhos? AM – Praticamente sim, mais de 90%.

Dados gerais da exploração Nome da empresa: Algartalhos Supermercados Lda. Área da Exploração: 3 hectares Nº de empregados: 3 (Duarte Viegas – sócio da exploração; André Moreno – responsável da exploração; António Correia – trabalhador na exploração) Capacidade de alojamento: 500 animais Efetivo: 400 animais Idade e peso vivo inicial: 6-7 meses; 240 a 250 kg Idade e peso vivo ao abate: 14 meses; 720 kg Índice de Conversão (IC): entre 4 e 5 Nº de animais abatidos: 16-20 / semana (com 14 meses de idade)

IMAGEM 2 Animais em quarentena.

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PRODUÇÃO

Quais são os grandes desafios futuros para a raça pura Limousine? Na nossa opinião, continuar o seu desenvolvimento e produzir melhores fêmeas, já que a linha mãe é muito importante nesta raça. É fácil criar animais com uma boa conformação, já que esta é a aptidão da raça. O que se torna difícil para um criador de linha pura é a reposição e criação da linha materna. Podemos comprar um bom touro mas, se temos vacas cruzadas este não irá fazer milagres.

IMAGEM 3 Vacas Limousine com as crias.

Quais são as características da carne que comercializam mais apreciadas pelos consumidores? E quais as peças mais vendidas? DV - As peças mais vendidas são os bifes, sendo que os consumidores privilegiam carne limpa, sem gordura e com uma cor rosada. Acreditam que, ao produzir Limousine, possuem uma maior valorização da carne relativamente ao preço de mercado? DV - Sim, isto porque a percentagem de carne versus osso na raça Limousine é superior. Por exemplo, uma carcaça de 300 kg depois de limpa dará cerca de 200 kg de carne e 80 a 90 kg de osso. Numa raça como o Charolês a percentagem de osso aumenta devido à sua espessura mas, com a Limousine, temos mais rendimento na desossa porque o osso é mais fino. De facto, a finesa do osso tem sido muito importante nesta raça, e é algo que temos vindo a trabalhar. O que diferencia a Limousine de outras raças de aptidão cárnica? AM – Apesar de a ingestão alimentar ser semelhante, a Limousine possui melhor GMD e cresce mais relativamente a outras raças. O rendimento de carcaça atinge valores entre os 60-62% nos machos sendo que, noutras raças ultrapassar a fasquia dos 57% torna-se complicado. Também se destaca a precocidade - que nos leva a abater os animais mais cedo - e a sua conformação.

Que cuidados têm, na exploração, em termos de saúde animal? AM - Todos os animais que entram na exploração são desparasitados e vacinados contra clostridioses, IBR, BVD e pasteurelose. Passado um mês é feito um rappel para clostridioses e pasteurelose e, ao fim de seis meses, se o animal ainda estiver na exploração, é feita a desparasitação e vacinação contra IBR. Basicamente, de seis em seis meses desparasitamos e vacinamos os animais. Que percentagem do dinheiro gasto em saúde animal é preventiva e interventiva? AM – A prevenção representa mais de 90% do custo total com sanidade, garantindo-se assim o bem-estar animal. Pelo contrário, a ação meramente interventiva põe em causa os índices produtivos dos animais e o seu bem-estar, pelo que queremos sempre minimizá-la. Qual é a percentagem de mortalidade na exploração? AM - A mortalidade está entre os 1-2%. Tende a ser mais alta em alturas específicas do ano, principalmente com a transição das estações quentes e frias, onde existem grandes oscilações de temperatura. O que vos deixa mais orgulhosos na exploração? DV - A seleção dos animais, que é feita pelo meu pai - proprietário da empresa quando comprados a campo. Acreditamos que a seleção é primordial para se obterem boas carcaças e bom GMD. Quanto a este parâmetro, estamos muito orgulhosos do nosso registo acima de 1,7 kg de peso vivo por dia.

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Que conselhos dão a um produtor que esteja numa fase inicial deste tipo de negócio? AM - Ter muito cuidado na aquisição dos animais e na raça que pretende adquirir, proporcionar uma ração de qualidade, ter um bom plano de sanidade, promover o bem-estar animal e recorrer, sempre, aos cuidados preventivos de saúde.

QUAIS AS VANTAGENS PARA UM PRODUTOR AO PERTENCER À ASSOCIAÇÃO CRIADORES LIMOUSINE (ACL)? André Moreno - A ACL ajudanos a realizar as pesagens trimestrais na exploração, a fazer a avaliação morfológica dos vitelos do desmame até à fase adulta, a perceber quais são os melhores e os piores animais na exploração e os que devem ser selecionados para a reposição do efetivo. Tudo isto é efetuado através do tratamento de dados recolhidos pela associação. O facto de ser uma entidade externa a fazer este tipo de serviço, faz com que haja um maior controlo da performance dos animais, o que permite ao produtor saber quais são as características mais expressivas de cada um. Acrescente-se ainda a benéfica divulgação da raça.


ALIMENTAÇÃO

ANTÓNIO GODINHO ASSISTÊNCIA TÉCNICA RUMINANTES – SOJAGADO antonio.godinho@sojadeportugal.pt

Índice Crioscópico do leite “E quando de repente quase todos se lembram de acrescentar água…” Este é um tema polémico que gera sempre grande controvérsia, por ser um parâmetro várias vezes mal interpretado. As implicações económicas poderão ser significativas, sendo que há quem saia bonificado ou penalizado nas diferentes interpretações. Pretende-se com este artigo prestar alguns esclarecimentos relativamente a este parâmetro.

ÍNDICE CRIOSCÓPICO, O QUE É? O Índice Crioscópico é um parâmetro que indica a diminuição do ponto de congelação de um líquido, provocado pela adição de um soluto não volátil. Transpondo esta definição para o caso específico do leite, o Índice Crioscópico corresponde ao seu ponto de congelação ou mais corretamente, ao seu ponto de fusão. Este ponto de fusão designa a temperatura à qual uma substância passa do estado sólido ao estado líquido, sendo essa temperatura a necessária para que a mesma substância solidifique, ou seja, para que passe do estado líquido ao estado sólido.

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Qual a sua utilidade? O Índice Crioscópico (ponto de congelação) do leite é um indicador importante da sua qualidade. Foi um parâmetro adotado pela indústria de lacticínios há já alguns anos e que visa detetar se ocorreu adição de água ao leite (deliberadamente ou acidentalmente), e em caso afirmativo permitir determinar qual a quantidade adicionada.

Como é calculado? O processo é relativamente simples e calcula-se através da medição da temperatura a que a amostra de leite congela. A partir desse valor estabelece-se uma comparação com o valor determinado como ponto de congelação padrão, normalmente -0,520ºC. Chamo à atenção que este valor se encontra regulamentado, e que a obtenção de valores acima do mesmo (mais próximos de 0ºC) conduz normalmente a penalizações no preço do leite. Esta penalização parte do pressuposto que existe uma adição de água para diluição do leite, pressuposto esse que nem sempre se verifica.


ALIMENTAÇÃO

Como pode variar o ponto de congelação do leite? A água pura congela a 0ºC. No caso de lhe ser adicionado algum sólido solúvel não volátil (ex. sal), a temperatura de congelação já não será de 0ºC, mas baixará para temperaturas negativas. Situação semelhante ocorre com o leite. Sendo este constituído por 87% de água e 13% de constituintes sólidos (gordura, proteína, lactose e minerais), quanto maior for a quantidade destes constituintes sólidos, mais negativa será a sua temperatura de congelação. Atenção contudo ao seguinte; se por um lado um aumento da água no leite leva a uma diluição dos seus constituintes sólidos (gordura, proteína, lactose e minerais), aproximando o ponto de congelação do leite ao do da água, por outro lado quando o ponto de congelação do leite se encontra em valores muito negativos relativamente aos normais, isso levantará outro tipo de suspeitas (por exemplo contaminação por produtos não autorizados como detergentes, antibióticos, conservantes, etc.).

Outros fatores que interferem no ponto de congelação do leite: O ponto de congelação do leite de vaca é relativamente constante, contudo, podem ocorrer desvios que nada têm a ver com a adição de água nem com contaminações com resíduos de substâncias indesejáveis. São vários os investigadores que alertam para o facto de existirem outros fatores que afetam o ponto de congelação , tais como a própria composição do leite. Variações nesta podem influenciar o ponto de congelação através dos seus componentes que exercem atividade sobre a pressão osmótica, isto para além das causadas por fatores de ordem fisiológica. Iremos de seguida explorar alguns desses fatores: 1. A raça influencia o ponto de congelação do leite na medida em que raças de maior produção produzem maior quantidade de componentes sólidos no total da

lactação, mas menor quantidade destes por litro de leite. A sazonalidade parece influenciar o ponto de congelação do leite devido à influência das alterações alimentares e das temperaturas ocorridas ao longo do ano. De uma maneira geral, os períodos de primavera e de verão são aqueles em que se verificam pontos de congelação mais altos.

TABELA 1 Valores considerados padrão para o Índice Crioscópico em diferentes países.

PAÍS

IC PADRÃO (°C)

Alemanha

< -0,515

Áustria

< -0,515

Itália

< -0,528

Holanda

< -0,521

Suíça

< -0,515

2. Na fase de lactação, principalmente nos primeiros 100 dias que correspondem ao período de maior produção de leite, o ponto de congelação tende para valores mais elevados.

Reino Unido

< -0,520

Dinamarca

< -0,520

Suécia

< -0,520

3. Em termos alimentares, dietas deficitárias ou desequilibradas em energia, em matérias azotadas ou quando a eficiência de utilização da proteína for baixa, conduzem a variações no ponto de congelação do leite aproximando-o dos 0ºC. Situação semelhante ocorre quando os níveis de lactose, proteína e ureia no leite se encontram baixos. 4. A ingestão de grandes quantidades de água nos períodos que antecedem as ordenhas também parecem aumentar o ponto de congelação do leite. Estes são alguns dos fatores que provocam alterações no ponto de congelação do leite e do seu valor de índice crioscópico, alterações estas que conduzem a penalizações no preço do leite, sem que se tenham verificado adições de água ou de resíduos de substâncias indesejáveis. Desta forma, torna-se necessário clarificar e balizar os valores considerados como normais para o ponto de congelação do leite, já que na grande maioria das situações de penalização não ocorre qualquer tipo de adulteração do leite. Prova disso, são os diferentes valores designados como “valores padrão” para o índice crioscópico adotados por diversos países, não sendo invulgar alguns deles adotarem diferentes valores padrão que variam de comprador para comprador (tabela 1).

16 OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2017 RUMINANTES

Noruega

< -0,505

Polónia

< -0,540 -> -0,570

Letónia

< -0,494 -> -0,640

Chipre

< -0,512

Rep.Checa

< -0,530

Eslováquia

< -0,520

Portugal

< -0,518 -> -0,520

EUA

< -0,512 -> -0,550

Brasil

< -0,512 -> -0,550

CONCLUSÃO Apesar de o Índice Crioscópico do leite ser utilizado por parte da indústria de lacticínios para detetar a adição de água ou de substâncias indesejáveis (deliberadamente ou por acidente), existem outros fatores que influenciam negativamente este parâmetro. Tal ocorre essencialmente nos efetivos de alta produção ou em efetivos cuja produção ocorre em zonas desfavoráveis, e onde os recursos alimentares não favorecem o aumento de determinados constituintes sólidos do leite. Por outras palavras, os atuais valores considerados como valores padrão estão desajustados. Em virtude das implicações económicas que estes valores desajustados provocam, e face à produção atual, deverão ser realizados estudos que visem encontrar soluções plausíveis, estabelecendo uma correta definição dos limites aceites como normais e anormais para os níveis e estado de produção atuais.


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Não perca nem um grama

LEVUCELL® SC

valoriza o seu alimento e o rendimento da sua exploração LEVUCELL® SC, Saccharomyces cerevisiae CNCM I-1077 : • Aumenta o Crescimento: + 100* a 200* g/animal/dia • Melhora o Índice de Conversão: + 4 a 6% mais peso por kg de alimento ingerido • Optimiza o pH do rumen (menos acidose) e melhora a digestibilidade da fibra * Meta-análisis ADSA,USA, 2009 demonstrado com a estirpe I-1077.

Levedura específica para ruminantes

* Autorizado na União Europeia em bovinos destinados à produção de leite e de carne, ovelhas e cabras de leite, cordeiros e cavalos (E1711/4a1711/4b1711).

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PUBLIREPORTAGEM

LEVUCELL SC

Melhora a performance dos novilhos Angus de carne alimentados com granulados ricos em amido Lembrando Meta-análise sobre eficiência alimentar Em condições sem stress, em múltiplas experiências (16 ensaios, 7.125 animais), Levucell SC (na dose de 8 biliões de unidades formadoras de colónias (UFC)/ cabeça/dia) reduziu significativamente o Índice de Conversão com e sem monensina (-3%).

6,32a

7,2

-3%

Control

6,40d

Levucell SC

c

6,6

6,4

6,13b

Levucell SC

Os novilhos de engorda são normalmente alimentados com dietas ricas em amidos, até cerca de 90% de concentrado, com alto risco de acidose. Este alto risco de acidose resulta frequentemente em redução do crescimento e da eficiência alimentar, o que reduz a relação do lucro

sobre os custos alimentares. Levucell SC é uma solução bem conhecida que aumenta a eficiência ruminal o que leva à melhoria da performance dos animais.

6,61

6,8

-3%

Control

CONTEXTO

FCR

7,0

Sem monensina

Com monensina

OBJETIVO

Avaliar o impacto do LEVUCELL SC na performance dos novilhos de engorda.

MATERIAL E MÉTODO Local: Universidade Politécnica, Dep. de Produção Animal, Madrid, Espanha

Animais: 39 novilhos Angus alimentados durante 209 dias (PV arranque=155 ±25.11 Kg ) divididos em 2 grupos (Controlo, LEVUCELL SC)

Dieta: • Palha triga (1.5 kg/d) + Ração granulada (7.4 kg MS/d) : • 60% Grão milho, 13% DDG’s, 9.1% Sêmea de trigo, 5% Palmiste, 2.6% Trigo, 2.9% Casca de soja, 2.2%

• Óleo de palma, 2.2% Carbonato de cálcio, 1% Melaço de cana, 0.8% Bicarbonato de sódio, 0.5% Ureia, 0.4% Sal, 0.3% Premix

Tratamento:

Bolus ruminais Smaxtec®

• 1/ Controlo • 2/ LEVUCELL SC10 ME Titan: 8 biliões UFC/cabeça/dia

Parâmetros: Consumo diário individual de concentrado, peso diário individual, pH ruminal usando bolus Smaxtec® em 3 animais/tratamento (durante os últimos 60 dias)

18 OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2017 RUMINANTES

VALORES NUTRICIONAIS DA DIETA TOTAL (%) Fibra Bruta

5.4

Proteína Bruta

12.6

Amido

42.8


PUBLIREPORTAGEM

RESULTADOS LEVUCELL SC MELHORA O GANHO MÉDIO DIÁRIO DE PESO E O ÍNDICE DE CONVERSÃO GMD de Peso

Índice de Conversão 4.94

1.61

5

1.60

(Ingestão kg MS/ kg PV Ganho)

1.60 1.59

(kg/d)

1.58

+3.2%

1.57 1.56 1.55

1.55 1.54

*p<0.0 5

4.9

- 7.1%*

4.8 4.7

4.59b 4.6 4.5

1.53 1.52

4.4

Control

Levucell SC

Control

Levucell SC

LEVUCELL SC MELHORA O AMBIENTE RUMINAL... ... COM EFEITOS POSITIVOS NO pH E NOS PARÂMETROS DE ATIVIDADE COMPORTAMENTO Aumenta o número de ALIMENTAR animais a comer palha: 8.3% vs. 3.5% para o grupo controlo

Reduz o tempo passado com pH ruminal baixo (entre 5.6 e 5.8). O tempo passado a um pH<5.6 diminui 1.6 horas/dia com LEVUCELL SC.

CONTROLO

LEVUCELL SC

Tempo c/ pH<5.6 (h/d)

5.6a

4.0b

Tempo c/ pH<5.8 (h/d)

8.5a

7.5b

pH médio diário

5.95

5.99

pH mínimo

5.15c

5.22d

pH máximo

6.59c

6.64d

ATIVIDADE DE RUMINAÇÃO Melhora a % de animais ruminando deitados 8% vs. 7% para o grupo controlo Melhora a taxa de ruminação 56 vs. 44 mastigações/ciclo no grupo controlo

a, b: p-valor <0,05 c, d: p-valor <0.10

LEVUCELL SC AUMENTA O LUCRO SOBRE O CUSTO ALIMENTAR (IOFC) EM 0.17€/ANIMAL/ /DIA CONTROLO

LEVUCELL SC

ADG total (kg/d)

1.55

1.60

FCR total

4.94

4.59

IOFC (€)

3.51

3.68

Netprofit

+0,17 €/an./d

CONCLUSÃO

* com um preço da carne de 3.20€/kg, um custo alimentar de 0.19#/kg MS e um custo do LEVUCELL SC de 0,06€/ cabela/dia

Em novilhos de engorda, LEVUCELL SC melhora o Crescimento e o Índice de Conversão, aumenta o lucro IOFC em 0.17€/cabeça/dia. O lucro IOFC está relacionado de perto com o desenvolvimento e a estabilização do pH ruminal como se vê no grupo suplementado com LEVUCELL SC. Nem todos os produtos estão disponíveis em todos os mercados nem todos os argumentos associados estão autorizados em todas as regiões.

RUMINANTES OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2017 19


ALIMENTAÇÃO

Avaliação pormenorizada dos ingredientes da dieta RETIRE O MELHOR PARTIDO DOS SEUS INGREDIENTES, DE FORMA RÁPIDA E EFICAZ O tamanho da sua partícula de forragem é demasiado curto … ou longo? Os cereais estão processados para maximizar o seu potencial energético? Está a ajustar o conteúdo energético dos seus ingredientes com base nas suas características físicas? Consegue melhorar a produtividade dos seus animais recorrendo a um maior processamento? Que impacto têm as características físicas dos seus ingredientes no pH ruminal? Não precisa de ir mais longe para obter respostas a estas questões. As ferramentas de avaliação dos ingredientes, que lhe apresentamos neste artigo, vão esclarecê-lo.

CARLOS MARTINHO
 STRATEGIC & TECHNICAL DIRETOR, CARGILL ANIMAL NUTRITION (CAN) carlos_martinho@cargill.com

O QUE SÃO AS FERRAMENTAS DE AVALIAÇÃO DOS INGREDIENTES? Os ingredientes da dieta contribuem em muito para variações no seu negócio. Variações essas que ocorrem devido à época de cultivo, localização dos terrenos, colheita e sistemas de armazenamento, alterações de processamento, sistemas de alimentação e fontes de ingredientes. Todos esses fatores alteram a digestibilidade dos nutrientes e, em última instância, a produtividade animal. Desta forma, a compreensão e adequada medição

20 OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2017 RUMINANTES

dos ingredientes da dieta aumentam a probabilidade de sucesso produtivo e económico. As ferramentas de avaliação dos ingredientes – mais um dos componentes do Rumen Health System, que lhe temos vindo a dar a conhecer – foram concebidas para medir as características físicas dos ingredientes e transformá-las em informação nutricional mais precisa, permitindo assim otimizar a formulação de arraçoamentos.

COMPONENTES-CHAVE DAS FERRAMENTAS DE AVALIAÇÃO DA DIETA SEPARADOR DE PARTÍCULAS - Mede o tamanho das partículas forrageiras e grãos INDICADOR DA DUREZA DO GRÃO - Mede a dureza do grão de milho nas silagens SISTEMA AUTOCALC® - incorpora a avaliação laboratorial e física dos ingredientes no seu perfil nutricional SISTEMA MAX™ - Efetua a ligação entre as características físicas dos ingredientes, a formulação do arraçoamento e a suplementação nutricional aos animais. Estas ferramentas, em complementaridade com outros componentes do sistema nutricional (NEL 3x, aminoácidos digestíveis, NDF digestível, frações de hidratos de carbono) permitem otimizar o maneio nutricional das suas vacas.


ALIMENTAÇÃO

PORQUÊ UTILIZAR AS FERRAMENTAS DE AVALIAÇÃO DOS INGREDIENTES? Comecemos pelo tamanho da partícula dos ingredientes, e sua avaliação através do Separador de Partículas (Figura 1 e 2), o qual permite medir quantitativamente as diferenças no tamanho das partículas de cereais e forragens. Após a sua determinação, o valor é introduzido no Sistema AutoCalc® de forma a ajustar o perfil nutricional desse ingrediente. Posteriormente, o Sistema MAX™ poderá utilizar o perfil nutricional ajustado na formulação de arraçoamentos mais precisos. Consegue-se assim associar a forma física do ingrediente, o seu perfil nutricional e a produtividade Como pode a dureza do grão de milho influenciar a produtividade? É bastante comum encontrar estes grãos nas fezes das vacas e, frequentemente, a sua presença é consequência direta do excesso de dureza na silagem. O processamento do grão pode ser benéfico, mas como podemos quantificar a dureza dos grãos de milho da silagem já armazenada? Através do Indicador de Dureza do Grão, o qual também avalia a disponibilidade de amido nos grãos de milho (Figura 3). Após a sua determinação, o valor da dureza é introduzido no Sistema AutoCalc® e utilizado pelo Sistema MAX™, sendo também contabilizado na formulação da dieta. E quanto à densidade dos grãos extrudidos e sua influência na produtividade? Sabe-se que o processo de extrusão a vapor aumenta a quantidade de amido gelatinizado nos grãos de cereais, o qual é mais facilmente digerido pelas vacas. No entanto, os seus níveis podem variar consoante o processo de extrusão a vapor utilizado. É aí que entra o Indicador de Densidade (Figura 4), o qual permite medir quantitativamente as diferenças na densidade dos grãos de cereais extrudidos a vapor e avaliar a disponibilidade de amido nos mesmos. Estas diferenças são

1

3

2

ESQUEMA 1 Ferramentas de campo para avaliação das dietas. 4

também contabilizadas pelos Sistemas AutoCalc® e MAX™ aquando da formulação da dieta.

Estes dois sistemas, apresentados em edições anteriores, permitem então não só a recolha de dados e execução de ajustamentos relacionados com o perfil nutricional dos ingredientes (Sistema AutoCalc®), mas também a sua materialização em soluções concretas e personalizadas, tendo em conta as características de cada exploração (Sistema MAX™). É assim possível associar num só sistema a forma física dos ingredientes e sua composição nutricional, a fermentação ruminal e a performance animal.

COMO APLICAR AS FERRAMENTAS DE AVALIAÇÃO DOS INGREDIENTES? Estas ferramentas não são desenhadas para permanecerem num universo teórico, mas sim visando a sua aplicação prática nas nossas explorações. Através das diferentes áreas de intervenção, o sistema consegue providenciar uma análise holística do maneio nutricional das explorações, avaliando o impacto da mudança de ingredientes, monitorizando o pH ruminal e ajudando a compreender a relação entre nutrição e produtividade. Esta avaliação concisa, feita diretamente no terreno, atua como uma ferramenta de auxílio aos produtores, ajudando a minimizar as perdas quantitativas e qualitativas em explorações leiteiras. Como? Recolhendo e tratando os dados-chave em cada exploração, e transformando-os numa solução clara, personalizada e de vanguarda.

RUMINANTES OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2017 21


ALIMENTO DO TRIMESTRE

Manteiga: heroína ou vilã? A manteiga não é de todo um alimento desconhecido. Barrada no pão quentinho, utilizada em pastelaria ou na cozinha de requinte, a sua história tem acompanhado a nossa desde há muito tempo. E por “muito” entenda-se “mesmo muito”: dez mil anos, mais coisa menos coisa. Sim, leu bem. POR JOANA SILVA

De facto, a descoberta da manteiga terá sido feita por volta da mesma altura em que o Homem iniciou a domesticação de animais. Imagine o cenário: um pastor – de ovelhas ou cabras, visto que a domesticação bovina veio mais tarde – carregando um recipiente, feito de couro, no qual o leite sofre uma ligeira fermentação. O recipiente é carregado às suas costas, ou sobre o dorso de um animal de carga. O caminho é longo, acidentado, e o recipiente balança, balança, balança, até que… voilà! Nasce, acidentalmente, um novo alimento. Não é possível precisar quando é que o fabrico da manteiga começou a ser propositado, mas existem registos arqueológicos do processo com mais de 4500 anos. Os Egípcios conferiamlhe poderes medicinais, e os Romanos utilizavamna como cosmético ou bálsamo para feridas. Os Celtas enterravam barris de manteiga em terrenos lodosos, onde permanecia durante anos, não só para

consumo humano mas para ser oferecida como tributo a deuses pagãos. Terá sido introduzida na Europa através da Escandinávia, sendo uma forte moeda de troca entre comerciantes do século XII. Já no século XVIII, Portugal era um dos principais importadores de manteiga, proveniente da Irlanda e, um século mais tarde, não só auxiliava o seu fabrico nas outras potências europeias como amplificava a sua produção interna, a qual atingiu o auge no século XX.

Nos últimos anos, este alimento rico em história (e não só), foi visto como um inimigo da dieta saudável mas, recentemente, o seu consumo tem vindo a aumentar de forma sólida, e muitas são as vozes que se levantam a seu favor.

Mas o que dizem os estudos publicados? A “demonização” da manteiga terá começado em 1955, quando o Dr. Ancel Keys, um fisiologista americano, apresentou

na Organização Mundial da Saúde a sua hipótese lipídica, a qual defendia existir uma relação direta entre a gordura saturada da dieta e o aumento dos níveis de colesterol e doença cardíaca. No entanto, ao estudar a dieta americana no início do século XX, o Dr. Weston Price documentou que o consumo anual de manteiga per capita era de cerca de 8 kg, com menos de 10% de incidência de doença cardíaca. Já atualmente, com menos de 2 kg per capita, os níveis de

Há mais de 4500 anos... EGÍPCIOS

ROMANOS

CELTAS

Conferiam poderes medicinais à manteiga.

Utilizavam a manteiga como cosmético ou bálsamo para feridas.

Enterravam barris de manteiga para consumo humano mas tambem para ser oferecida como tributo a deuses pagãos.

22 OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2017 RUMINANTES


ALIMENTO DO TRIMESTRE

1

COLHER POR DIA DE MANTEIGA diminui em 4% o risco de desenvolvimento de diabetes tipo 2 ESTUDO LEVADO A CABO PELA DRA. LAURA PIMPIN E COLEGAS EM 2016.

doença cardíaca atingiram o seu máximo histórico. Será então a manteiga a vilã que assumimos ser? Investigações recentes parecem sugerir que não. Um estudo levado a cabo pela Dra. Laura Pimpin e colegas (2016) concluiu que o consumo de manteiga apresentava uma relação muito fraca com o aumento de doença cardíaca e risco de morte. A ingestão diária de uma colher de sopa de manteiga aparentava ainda estar associada a uma diminuição de 4% do risco

de desenvolvimento de diabetes tipo 2. Um outro estudo de 2016, conduzido pelo Dr. Christopher E. Ramsden e colegas, contesta a teoria até então vigente de que a substituição das gorduras saturadas da dieta por óleos vegetais diminuiria a probabilidade de ocorrência de doença cardíaca. De facto, os investigadores concluíram que, embora o consumo de óleos vegetais diminuísse os valores séricos de colesterol, isto não se traduzia num menor risco de mortalidade. Paradoxalmente, os participantes do estudo com maiores reduções de colesterol eram justamente os que apresentavam maior risco de mortalidade. Qual parece ser então a mensagem deixada pela comunidade científica? É impossível simplesmente rotular a manteiga como “heroína” ou “vilã”. É preciso olhar para a dieta como um todo, sendo o seu consumo apenas mais uma das escolhas com as quais nos deparamos no caminho para um regime alimentar saudável. Por isso, quando lhe apetecer aquela torradinha, se calhar não precisa de se penitenciar tanto…

MANTEIGA OU MARGARINA? Mais uma vez, não existem verdades absolutas, mas a informação científica disponível indica que as gorduras trans presentes na margarina contribuem para o aumento do “mau colesterol” (LDL) e, paralelamente, para a diminuição do “bom colesterol” (HDL). Já as gorduras saturadas da manteiga parecem promover o aumento do LDL mas sem efeitos negativos sobre o HDL.

A manteiga possui ainda outras propriedades nutricionais interessantes É uma fonte de vitaminas A, D e K, as quais podem ajudar a prevenir problemas dentários e contribuem para uma visão e pele saudáveis, sendo igualmente benéficas para a saúde sexual; possui também minerais como o cálcio – indispensável para ossos e dentes saudáveis – e o cobre, zinco e manganês, poderosos antioxidantes; é uma fonte de ácidos gordos, como o CLA e o butirato, que estimulam o metabolismo e o sistema imunitário e ajudam a manter a saúde digestiva; possui um balanço ideal de ómegas 3 e 6 e contribui ainda para a saúde da tiroide.

RUMINANTES OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2017 23


ALIMENTAÇÃO

JOAQUIM L. CERQUEIRA 1, 2

Probióticos na alimentação de vitelas da raça Holstein Frísia INTRODUÇÃO

ÉLSON COELHO 1

RUI SOUSA 3

As primeiras semanas de vida do vitelo são críticas para o estabelecimento de um sistema imunitário vigoroso e para o seu desenvolvimento saudável. Uma alimentação inicial adequada é fundamental para o desenvolvimento do vitelo (Murray e Leslie, 2013). As primeiras 24 horas de vida são cruciais, não só por entrar em contacto com microrganismos e condições ambientais adversas, mas também pela alteração na alimentação, que deixa de

ser provida pelo cordão umbilical (Gomes, 1998). O espaço disponível deve ser suficiente para que o vitelo possa manifestar os comportamentos essenciais à sua sobrevivência e bem-estar, como alimentação, descanso, exercício e comportamentos eliminatórios. A cama deve ser confortável e de material adequado ao clima da região. A superfície em que o vitelo descansa deve permitir o escoamento e ser mantida permanentemente limpa e seca. Estas caraterísticas fundamentais podem ser avaliadas através da

observação da higiene dos flancos e pernas do vitelo e de lesões na pele e articulações. Os vitelos recém-nascidos devem ser alojados em boxes individuais ou em grupos pequenos, permitindo uma observação mais fácil de cada indivíduo, e mais tarde transferidos para parques em grupos maiores (Stull e Reynolds, 2008). Nas primeiras horas de vida dos vitelos o colostro é essencial devido à sua ação laxante e também por ser fonte de imunidade passiva. É através desta que se consegue diminuir

IMAGEM 1 Vitelas da raça Holstein Frisia alojadas em grupo com cama de palha.

JOSÉ PEDRO ARAÚJO 1, 4 1 ESCOLA SUPERIOR AGRÁRIA DO INSTITUTO POLITÉCNICO DE VIANA DO CASTELO, REFÓIOS DO LIMA, 4990-706 PONTE DE LIMA, PORTUGAL. EMAIL: cerqueira@esa.ipvc.pt 2 CENTRO DE CIÊNCIA ANIMAL E VETERINÁRIA (CECAV) - UTAD, QUINTA DE PRADOS, 5000-801 VILA REAL, PORTUGAL. 3 GENÉTICA 21, LDA, AVENIDA DE JORGE REIS, EDIFÍCIO GLADYS, Nº 1835, 4760-692 OUTIZ - VILA NOVA DE FAMALICÃO, PORTUGAL. 4 CENTRO DE INVESTIGAÇÃO DE MONTANHA (CIMO) - ESAIPVC, PORTUGAL

24 OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2017 RUMINANTES


ALIMENTAÇÃO

a duração e severidade das doenças e as taxas de mortalidade, e aumentar as taxas de crescimento e as produções leiteiras no futuro. Posteriormente, o maneio alimentar realiza-se em três fases, nas quais ocorre a transição de uma alimentação restringida ao leite, para a alimentação baseada apenas em alimentos sólidos, acompanhando-se assim a evolução do sistema digestivo do vitelo durante o seu crescimento (Rydell, 2003). Os primeiros dias de vida do vitelo e o período de desmame são épocas críticas, nas quais existem evidências dos benefícios da utilização dos probióticos como suplemento alimentar. Entre os benefícios salientam-se a redução da ocorrência de diarreias, o acréscimo do ganho médio diário, a

prevenção de acidoses ruminais, a proteção do hospedeiro contra infeções intestinais, a estimulação do sistema imunitário, a exclusão competitiva de agentes patogénicos e o aumento do consumo de matéria seca (Pedroso, 2014). O objetivo deste estudo consistiu em demonstrar o efeito da suplementação de probióticos na alimentação diária de vitelas na ingestão de alimento, no ganho médio diário e na incidência de diarreias.

PRINCIPAIS RESULTADOS Este estudo foi realizado em quatro explorações leiteiras situadas nos concelhos de Barcelos e Ponte de Lima, no período de março a

agosto de 2016. Em duas explorações utilizou-se o probiótico e as outras duas serviram de controlo. Para determinar o peso dos animais e o seu crescimento ao longo do estudo procedeu-se à recolha do Perímetro Torácico (PT) em 24 vitelos (fêmeas) da raça Holstein Frísia, seis vitelas em cada exploração. O peso vivo foi obtido através da fórmula referenciada por Garcia et al. (2009), em que: PV = 78,4139 - 2,35177 x PT + 0,0244963 x PT2. O produto utilizado no estudo foi o Calf RD (Figura 1) desenvolvido pela empresa TechMix, e disponibilizado pela empresa Genetica 21, Lda, tendo como principais aditivos probióticos as bactérias do género Enterococcus e Bacillus. Cada vitela consumiu quatro gramas deste

FIGURA 1 Embalagem de probiótico Calf RD

produto diariamente numa das tomas, administrado juntamente com o leite de substituição. Os dados foram analisados através do programa Excel 2010 (Microsoft) e SPSS para Windows versão 22 (SPSS. Inc.).

Trate as diarreias dos vitelos

e

reduza o uso de antibióticos Calf Renova restaura a saúde intestinal, usando bactérias benéficas e extratos de plantas como um tratamento efetivo para as diarreias sem recurso a antibióticos. Uma cápsula aos primeiros sinais de distúrbios digestivos promove a ingestão de matéria seca e a integridade intestinal. • Cápsula de fácil administração • Purificação intestinal • Efeito antimicrobiano natural • Tecnologia provada nos EUA

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RUMINANTES OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2017 25


ALIMENTAÇÃO

QUADRO 1 Estatística descritiva dos diferentes parâmetros em estudo. PARÂMETROS

N

ALIMENTO INGERIDO (DIA)

MÉDIA±DP

MÍNIMO

MÁXIMO

CV (%)

1440

5,42±1,12

0,49

7,29

20,6

PN (KG)

24

49,35±4,76

42,57

57,34

9,6

PV 30 (KG)

16

65,04±9,18

53,71

83,20

14,1

PV 60 (KG)

24

88,46±12,14

69,39

110,15

13,7

GMD (KG/DIA) 0-60 DIAS

24

0,65±0,16

0,35

0,93

24,3

0-30 DIAS

16

0,52±0,20

0,21

0,82

37,5

30-60 dias

16

0,77±0,24

0,46

1,38

31,4

Legenda: PN - Peso ao nascimento; PV30 - Peso vivo aos 30 dias; PV60 - Peso vivo aos 60 dias; GMD 0-60 - Ganho médio diário no período em estudo; GMD0-30 - Ganho médio diário dos 0 aos 30 dias; GMD30-60 - Ganho médio diário dos 30 aos 60 dias; CV= Coeficiente de variação.

Os resultados globais deste trabalho são descriminados por indicadores de alimento ingerido, peso ao nascimento, peso vivo e ganho médio diário para diferentes idades (Quadro 1). Na análise global dos resultados verificou-se que a quantidade média de alimento ingerido (leite de substituição e concentrado) foi de 5,42±1,12 kg/dia. Observou-se um valor médio de peso ao nascimento (PN) de 49,35±4,76 kg, sendo o peso vivo aos 30 dias

QUADRO 2 Efeito dos probióticos na quantidade de alimento ingerido e nos pesos vivos. PARÂMETROS (KG)

ALIMENTO INGERIDO

GRUPO

N

MÉDIA±DP

MÍNIMO

MÁXIMO

Probiótico

720

a

5,54 ±1,13

0,98

7,03

20,39

Controlo

720

5,30b±1,09

0,49

7,29

20,63

1440

5,42±1,12

0,49

7,29

20,62

Probiótico

7

73,35a±6,77

63,14

83,20

9,23

Controlo

9

58,58b±4,03

53,71

65,17

6,88

TOTAL

16

65,04±9,18

53,71

83,20

14,11

Probiótico

12

97,92a±9,46

80,78

110,15

9,66

Controlo

12

78,99b±4,81

69,39

85,68

6,08

24

88,46±12,14

69,39

110,15

13,72

Sig.

***

TOTAL

PV 30 DIAS

PV 60 DIAS

CV (%)

Sig.

***

Sig.

***

TOTAL

Sig.: Nível de significância: a≠b para p<0,001(***)

QUADRO 3 Efeito do probiótico no ganho médio diário das vitelas. PARÂMETROS (KG/DIA)

GMD 0-60 DIAS

GMD 0-30 DIAS

GMD 30-60 DIAS

GRUPO

N

MÉDIA±DP

Probiótico Controlo

6

a

0,77 ±0,13

6

0,53b±0,07

Sig.

MÍNIMO

MÁXIMO

CV(%)

0,51

0,93

16,55

0,35

0,60

14,01

24,30

***

TOTAL

12

0,65±0,16

0,35

0,93

Probiótico

7

0,68a±013

0,45

0,82

18,63

Controlo

9

0,39b±0,14

0,21

0,61

34,67

0,82

37,50

Sig.

***

TOTAL

16

0,52±0,20

0,21

Probiótico

7

0,93a±0,27

0,62

1,38

29,46

Controlo

9

0,65b±0,11

0,46

0,77

16,57

0,46

1,38

31,43

Sig. TOTAL

*** 16

0,77±0,24

Sig.: Nível de significância: a≠b para p<0,001(***)

26 OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2017 RUMINANTES

(PV30) de 65,04±9,18 kg e aos 60 dias (PV60) de 88,46±12,14 kg. Os ganhos médios diários (GMD) para 0-60 dias, 0-30 dias e 30-60 dias foram de 0,65±0,16 kg; 0,52±0,20 kg e 0,77±0,24 kg (Quadro 1). Registaramse diferenças significativas (p<0,001) para a quantidade de alimento ingerido, tendose obtido um valor inferior no grupo controlo (5,30±1,09 kg) comparativamente ao grupo com probiótico (5,54±1,13 kg). Para os pesos vivos também se observaram diferenças (p<0,001), sempre com valores mais elevados nas vitelas alimentadas com probiótico. Aos 30 dias de vida registaram-se valores mais elevados no grupo com probióticos (73,35±6,77 kg) do que no grupo controlo (58,58±4,03 kg). Aos 60 dias de idade o grupo probiótico obteve peso de 97,92±9,46 kg, enquanto o controlo registou 78,99±4,81 kg (Quadro 2). Constataram-se diferenças significativas (p<0,001) para todos os intervalos de idade nos ganhos médios diários das vitelas, entre o grupo probiótico relativamente ao controlo. Em todos os intervalos de idade o grupo com probiótico manifestou superioridade de peso comparativamente ao controlo. A diferença de ganho de peso entre grupos variou entre 0,24 kg/dia no GMD 0-60 e 0,28 kg nos restantes períodos (Quadro 3). Nas explorações que recorreram à utilização de probióticos na alimentação das suas vitelas, o GMD estimado foi de 0,759 kg/dia, com um peso ao nascimento de 48,27 kg. A correlação entre a idade dos animais e o seu peso vivo foi muito elevada (0,912) (Figura 1). Nas explorações controlo obteve-se elevada correlação (0,931) entre a idade e o peso vivo dos animais, com GMD estimado de 0,536 kg/dia, para um peso vivo


ALIMENTAÇÃO

ao nascimento de 44,79 kg (Figura 2).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS García L.I., Vázquez Ferreño, M.A., Fernández Calviño, E., Vidal Galego, L. e García L.M.T. (2009). Previsión del Peso Vivo en animales Holstein mediante barimetria: equaciones de predicción simples y múltiples. AIDA, XIII Jornadas sobre Producción Animal, Tomo II, 469-471.

Relativamente à ocorrência de diarreias, saliente-se que se observou maior incidência nas explorações controlo (83,3% dos animais em estudo) em relação às explorações que utilizaram probióticos (66,7%), e também se observou maior prevalência nas explorações controlo (41,7%) comparativamente às explorações com probióticos (16,7%).

Gomes, A.L. (1998). A criação de vitelos. Relatório final de curso. Escola Superior Agrária de Coimbra. Murray, C.F. e Leslie, K.E. (2013). Newborn calf vitality: Risk factors, characteristics, assessment, resulting outcomes and strategies for improvement. Vet. J., 198, 322-328. Pedroso, A.M. (2014). Uso de Probióticos na Alimentação de Bovinos Leiteiros. MilkPoint. Site: http://www.milkpoint.pt/ seccao-tecnica/forragens-pastagens/usode-probioticos-na-alimentacao-de-bovinosleiteiros-88805n.aspx. Consultado em Outubro de 2016.

CONCLUSÕES

Rydell, J. (2003). A Guide to Dairy Calf Feeding and Management, Optimizing Rumen Development and Effective Weaning. Bovine Alliance on Management and Nutrition.

Os resultados obtidos neste estudo indicam que a incorporação de probióticos na alimentação de vitelas pode trazer benefícios para as mesmas, aumentando a ingestão de alimento, revelando melhores ganhos médios diários por dia e menor incidência de diarreias, traduzindo-se em vantagens económicas para as explorações leiteiras.

Stull, C. e Reynolds, J. (2008). Calf welfare. Veterinary Clinics of North American Food Animal Practice, 24, 191-203.

AGRADECIMENTOS Aos produtores de leite que participaram neste estudo e aos projetos do CECAV com as referências UID/CVT/00772/2013 e UID/CVT/00772/2016, financiados pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), para o triénio 2015-2017.

FIGURA 1 GMD das vitelas nas explorações com utilização de probiótico. Probióticos

120,0

Peso vivo (kg)

110,0

y = 0,7597x + 48,274 R = 0,912

100,0 90,0 80,0 70,0 60,0 50,0 40,0

0

10

20

30

40

50

60

40

50

60

Idade (dias)

Peso vivo (kg)

FIGURA 2 GMD das vitelas nas explorações controlo.

90,0 85,0 80,0 75,0 70,0 65,0 60,0 55,0 50,0 45,0 40,0

Controlo y = 0,5362x + 44,799 R² = 0,931

0

10

20

30

Idade (dias)

CARNE AMERICANA REGRESSA A XANGAI 14 ANOS DEPOIS Em setembro, depois de um interregno de catorze anos, Xangai voltou a receber carne de vaca importada dos Estados Unidos, o que marcou a normalização da importação em larga-escala no que toca a este produto. O carregamento - o qual pesava mais de quinze toneladas e foi entregue por via marítima estava avaliado em cerca de 300 000 dólares, quantia que terá incentivado a celeridade do processo de aprovação. A reabertura dos canais comerciais tinha já sido iniciada em junho deste ano, mas apenas com receção da carne por via aérea o que, para além de aumentar fortemente os custos, não conseguia satisfazer a procura dos consumidores. Entre janeiro e julho, Xangai importou cerca de 144 000 toneladas de carne bovina provenientes do Brasil, Austrália, Uruguai e Nova Zelândia. Estes são números impressionantes numa cidade que também impressiona, não fosse Xangai a maior cidade da República Popular da China e uma das maiores metrópoles do mundo, ultrapassando os vinte e quatro milhões de habitantes. Em 2016, as importações de carne de vaca da China chegaram aos 2.5 biliões de dólares, mesmo com um consumo per capita baixo quando em comparação com países como os Estados Unidos e a Austrália. A reabertura do mercado chinês à carne bovina americana é um dos primeiros resultados concretos do plano comercial de cem dias celebrado entre as duas potências em maio, e vem acabar com a interdição implantada em 2003 devido à preocupação com a BSE.

FORMANDO PASTORES PARA O SÉCULO XXI Foi recentemente inaugurada em Castuera, um município da província de Badajoz, a Escola de Pastores, a qual pretende formar pastores para o século XXI, assegurando a continuidade de um ofício antigo e de grande relevo geracional. Com um custo de 165 000 euros, esta nova escola é mais uma aposta na formação agrária da região de Badajoz. O objetivo? Formar pastores com maior preparação e valências técnicas, já que o setor de produção animal tem bastante peso na região, especialmente no que toca a efetivos ovinos, os quais totalizam cerca de 3.5 milhões de cabeças em 11 700 explorações. As exportações têm também vindo a assumir um papel cada vez mais relevante na economia da comunidade autónoma da Extremadura, com 25% da carne produzida sendo destinada aos mercados em França, Itália e Médio Oriente. A confiança destes importadores neste nosso mercado vizinho é sólida, sustentada pela qualidade da carne e, sem dúvida, pelo estatuto livre de Brucelose que ostenta, para o qual contribuiu em muito a parceria desenvolvida entre os produtores e a administração da Extremadura, bem como o investimento em rigorosos protocolos sanitários. A sanidade dos rebanhos será o futuro, defendeu Begoña García, ministra do Meio Ambiente e Rural, Políticas Agrícolas e Território, aquando da inauguração da Escola de Pastores. Isto porque permitirá não só assegurar o crescimento em mercados internacionais mas também obter uma maior visibilidade no que toca a denominações de origem.

RUMINANTES OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2017 27


ALIMENTAÇÃO

Plano de recria de novilhas Kaliber Novilhas recriadas com o Plano de Recria Kaliber, desenvolvido pela De Heus, são novilhas que produzem 1.500 quilos de leite a mais nas 3 primeiras lactações. A atenção dada às vacas leiteiras contrasta, na maioria das situações, com a falta de atenção que é dada à recria das novilhas. Produtores que desvalorizam a criação das novilhas não podem esperar que os seus animais exprimam o seu máximo potencial genético. A De Heus está altamente focada na fase de cria e recria das futuras vacas leiteiras e na melhoria da rentabilidade do negócio dos seus clientes. Para tal, desenvolveu um programa alimentar especificamente dedicado a este período da vida dos animais. O Plano de Recria Kaliber consiste num conjunto de alimentos especificamente formulados para as diferentes fases de crescimento das novilhas e que, enquadrados numa série de regras de maneio, permitem aos animais expressar

CÉSAR NOVAIS GESTOR DE PRODUTO DE RUMINANTES - DE HEUS NUTRIÇÃO ANIMAL, SA cvcorreia@deheus.com

o seu potencial genético, evitar a deposição de gordura e garantir a melhor condição corporal ao primeiro parto que se deve realizar aos 24 meses e com 570 Kg P.V. pós parto.

Será que novilhas alimentadas de forma convencional apresentam boas performances produtivas quando o primeiro parto acontece aos 24 meses? A De Heus efetuou estudos para responder a esta e outras perguntas. Os sistemas convencionais de alimentação de novilhas funcionam há muitos anos, mas o crescente aumento dos custos de produção leva a que animais recriados desta forma não consigam atingir as metas pretendidas. “Em muitas explorações as novilhas são negligenciadas do ponto de vista alimentar e de maneio. Como resultado, a média de idade ao primeiro parto é superior a 26 meses”, refere Edwin van Werven, Especialista de Alimentação de Jovens Animais De Heus. A nossa experiência na De Heus, demostra que, a causa mais evidente para a falta de dedicação ao processo de recria das novilhas consiste na incapacidade de se quantificarem as perdas económicas e produtivas da recria das novilhas de forma convencional. A comparação entre os resultados das diferentes práticas alimentares é possível

28 OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2017 RUMINANTES

porque, no inicio do milénio, a De Heus começou a estudar diferentes sistemas de alimentação com base no seu Plano de Recria Kaliber. Foram acompanhados 2.000 animais - 37 produtores de leite - aos quais foram administrados diferentes tipos de planos alimentares. Os dados foram recolhidos através da informação disponibilizada por parceiros e através de entrevistas aos proprietários das explorações. O estudo permitiu concluir que novilhas com o primeiro parto aos 24 meses produzem mais leite e com mais sólidos (gordura e proteína). Novilhas com partos tardios (>25 meses) produzem mais leite mas com concentrações de sólidos inferiores. “Os resultados também demostram que novilhas com o primeiro parto antes dos 22 meses não são desejáveis, porque a perda de produção é muito significativa”, diz Van den Hengel, Gestor de Projeto Internacional da De Heus.

Colostro e desmame influência na idade ao 1º parto No processo de análise dos diferentes planos alimentares a De Heus utilizou um grande volume de dados para determinar o resultado do momento do fornecimento do colostro. “Uma vitela alimentada com colostro até duas horas após o nascimento apresenta em média uma idade ao primeiro parto inferior em duas semanas, quando comparada com animais cujo colostro só foi fornecido após

as 2 primeiras horas pós-parto”. O momento do desmame tem um impacto ainda maior na idade ao primeiro parto. Os animais que são desmamados no prazo de oito semanas parem em média aos 24,1 meses. Se o momento de desmame for superior a nove semanas, o parto médio acontece aos 25,7 meses. “A vitela cresce muito mais rápido consumindo forragens e concentrados do que alimentada com leite”. Quanto mais tempo a vitela for alimentada à base de leite mais difícil se torna o desmame. Animais alimentados até muito tardiamente com leite apresentam o rúmen subdesenvolvido, o que dificulta a transição para a alimentação sólida. Um ensaio realizado na Holanda em 2013, em 1050 animais em produção, permitiu verificar que nas 3 primeiras lactações as novilhas recriadas com o Plano de Recria Kaliber produziram mais 1.500 Kg de leite, por comparação com novilhas alimentadas com outros programas alimentares (Gráfico 1). Apesar de muitas explorações no estudo conseguirem atingir o 1º parto aos 24 meses, os animais, não tendo sido corretamente alimentados, apresentam crescimentos e proporções desadequadas à idade e à função. Esta disparidade implica elevados crescimentos durante a 1ª lactação, penalizando a produção de leite. Este facto verificou-se no estudo, conforme se pode visualizar no Gráfico 1. O plano de recria Kaliber está desde o inicio do segundo semestre de 2017 disponível


Um arranque saudável

Plano de recria Kaliber®

Vacas leiteiras saudáveis são o resultado da recria de novilhas saudáveis. O plano de recria Kaliber® é um programa alimentar formulado para garantir o desenvolvimento das vitelas, com saúde e vitalidade, e assim conseguir vacas leiteiras mais saudáveis e com uma vida produtiva mais longa. É disso que depende a sua rentabilidade! Quer saber mais sobre o plano de recria Kaliber®? Entre em contacto com um dos nossos especialistas ou visite deheus.pt

WWW.DEHEUS.PT


ALIMENTAÇÃO

para os criadores nacionais. Estão a ser estabelecidas parcerias estratégicas com criadores profissionais de novilhas, de forma a que, também em Portugal, se possa

fazer o acompanhamento dos resultados produtivos das novilhas Kaliber por comparação com animais alimentados com outros programas alimentares.

GRÁFICO 1 10,000

Kaliber Sem Kaliber Estudo baseado em 1050 animais. Dados provenientes de CRV, 2013.

COMO CONSEGUIR NOVILHAS KALIBER (“CALIBRADAS”)? FASE INICIAL (0-5 MESES)

O objetivo desta etapa é assegurar um bom arranque e alcançar rapidamente um elevado crescimento diário durante o período de alimentação láctea. É crucial fornecer colostro de alta qualidade, rapidamente e em quantidade. Posteriormente recomenda-se a utilização do leite de substituição especialmente desenhado para esta fase do programa de recria - Kaliber Lacto. Desde os primeiros dias de vida as vitelas devem ser estimuladas à ingestão de alimentos sólidos concentrados altamente palatáveis – Kaliber Starter. A partir da segunda semana deverão ser introduzidas as forragens de elevada qualidade. Manter água limpa e fresca à livre disposição das vitelas. O Kaliber Starter garante o desenvolvimento adequado da parede do rúmen e das suas papilas. A De Heus recomenda o desmame às 8 semanas de idade quando as vitelas ingerem pelo menos 2 kg de Kaliber

Starter e pesam pelo menos 75 kg. O alimento concentrado seguinte deverá ser selecionado de acordo com a dieta base. Para esse efeito a De Heus disponibiliza a gama Kaliber Junior, produtos cuja administração deve ser iniciada 3-4 semanas após o desmame. No final deste período, as vitelas deverão ingerir entre 2 a 3 Kg de Kaliber Junior (no máximo).

FASE JOVEM (5-8 MESES)

Esta é a fase produtiva com maior potencial de crescimento. As vitelas podem ganhar até um quilograma por dia. Animais que não exprimam nesta fase o seu potencial de crescimento comprometem o objetivo final do programa. Um dos aspetos mais importantes neste período é conseguir garantir a ingestão, por parte das vitelas, de proteína digestível e de energia, de forma balanceada, garantindo um elevado crescimento muscular e ósseo. Aos seis meses as vitelas devem pesar 200 kg.

kg de leite

9,000

8,000

7,000

6,000 1

2

A silagem de milho apenas deve representar 35% da ingestão da matéria seca (MS). O fornecimento de elevadas quantidades de alimentos energéticos poderá comprometer o regular crescimento e promover a acumulação de gordura prejudicial ao desenvolvimento da vitela.

FASE PUBERDADE (8-14 MESES)

Mantem-se a importância do desenvolvimento estrutural da novilha sem deposição de gordura. No final desta fase as novilhas devem pesar 400 kg e estarão preparadas para a inseminação. O fator decisivo é a combinação entre o peso, a condição corporal (CC) e a estrutura do corpo. Continua a ser determinante o balanço do aporte nutricional e, em função da dieta base, o alimento concentrado deverá ser selecionado na gama Kaliber Senior. Se nesta fase for utilizada silagem de milho, esta deverá ser restringida a um máximo de 15% da MS ingerida.

FASE GESTAÇÃO (14-24 MESES)

As novilhas podem ser inseminadas no início desta etapa. Reforça-se novamente

30 OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2017 RUMINANTES

3

Lactação

a necessidade dum elevado crescimento sem deposição de gordura. A CC deve ser de cerca de 2,75 pontos. Novilhas bem desenvolvidas são bastante grandes e capazes de fornecer crias saudáveis. Após o parto devem pesar 570 kg. Recomendam-se dietas com elevados níveis de ingestão de forragem e preferencialmente sem recurso à utilização de silagem de milho. Numa novilha devidamente “calibrada” (Kaliber) as costelas e a linha dorsal devem ser visíveis. Recomenda-se promover o exercício físico dos animais nesta fase de modo a aumentar a circulação sanguínea e impedir deposição de gordura.

CONCLUSÃO Em todo o processo de recria das novilhas é crucial garantir o correto aporte de proteína e energia, bem como o correto balanceamento entre elas. Por esse motivo, a De Heus aposta no desenvolvimento técnico dos produtos da gama Kaliber, bem como no apoio e incentivo aos produtores de forma a aumentarem o grau de profissionalização desta fase produtiva, e assim garantirem melhores performances produtivas e económicas.


PUBLIREPORTAGEM KWS

Uso do centeio híbrido kws como forragem VANTAGENS DO CENTEIO HÍBRIDO FRENTE AO CENTEIO REGIONAL E A OUTROS CEREAIS FORRAGEIROS Poderá ser uma surpresa para muitos produtores, mas o centeio híbrido poderá ser a cultura de que andavam à procura. Oferece uma oportunidade para melhorar a rotação de culturas e aliviar a carga de trabalho sazonal, já que se semeia mais cedo e com doses baixas, para além de ser menos exigente em fertilizantes, tratamentos, água e solos. O centeio híbrido é um cereal de ciclo longo, mais longo que o dos centeios convencionais, do triticale ou dos cereais usados habitualmente como forragens, o que faz com que para a mesma data de corte, se encontre mais verde, com mais proteína e melhor digestibilidade. Isto permite também planificar melhor as ceifas , começando eventualmente por outras forragens e terminando com o

centeio híbrido. O centeio é o cereal mais rústico de todos, e o centeio híbrido mantém essa característica. É isto que lhe permite ser o cereal com os melhores resultados produtivos em solos pobres, arenosos e ácidos. Mas a alta produtividade do centeio híbrido torna-o também adequado em bons terrenos, em regadios ou solos com pH mais altos. O centeio híbrido, utilizado como forragem, produz mais quilos/ha, para além de melhorar a digestibilidade e o teor em proteína em relação aos centeios convencionais. Sendo semeado cedo, no final de setembro ou no ínicio de outubro, basta utilizar cerca de

60 a 75 kg de semente/hectare. económica das explorações agroDiversificar as forragens pecuárias, quer para a alimentação produzidas é uma estratégia dos animais. útil quer para a rentabilidade

DIVERSIFICAR O MANEIO DAS FORRAGENS O centeio híbrido pode ajudar a diversificar e facilitar o maneio das forragens, tendo em conta que: • Em todas as forragens os cortes precoces têm mais % de proteína que os cortes tardios. • Os cortes tardios levam a maior produção de MS/ha que os cortes precoces. • Devemos começar as sementeiras pelo centeio híbrido e terminar pelas mais tardias como o azevém ou outros cereais • Iniciar o corte de forragens precoces pelo azevém. O centeio híbrido, proporcionando uma forragem de boa qualidade associada a boas produções de matéria seca e de proteína/ha, adapta-se muito bem a solos pobres e a condições de sequeiro.

Ceifa Precoce, Mirandela 2017 CeifaCeifa Precoce, Mirandela 2017 2017 Precoce, Mirandela

Ceifa Ceifa Tardia, Mirandela 2017 2017 Ceifa Tardia, Mirandela 2017 Tardia, Mirandela

140

140

160

160 140

120

120

140

140 120

100 100

100

120

120 100

80 80

80

100

100 80

60 60

60

80

80 60

40 40

40

60

40 60

20 20

20

40

20 40

0 0

0 20 Centeio Centeio Aveia CenteioCenteio CenteioCenteioCevada CevadaCevada Aveia Aveia Híbrido Normal Normal HíbridoHíbridoNormal kg MS/ha kg MS/ha kg MS/ha

kg PB/ha ENL/ha ENL/ha kg PB/ha ENL/ha kg PB/ha

MS = MatériaSeca, PB = Proteína Bruta, ENL = Energia Líquida de Lactação em Mcal/ha. Valores em % relativa sobre a média do campo.

0 20 Centeio Cevada Aveia CenteioCenteioCenteio CenteioCenteio CevadaCevada Aveia Aveia Normal HíbridoHíbridoNormal Normal kg kg kgMS/ha MS/ha kg PB/ha kgPB/ha PB/haENL/haENL/ha ENL/ha kg MS/ha

Ensaio de forragens na Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Carvalhais, Mirandela, Portugal 2016-2017. O centeio híbrido KWS GATANO possui a maior produção de Proteína Bruta, tanto em cortes precoces como em cortes tardios, em parte devido ao seu ciclo mais longo. Em cortes precoces apenas o centeio “regional” , não híbrido, produz mais matéria seca/ha, mas com menos proteína. Em cortes intermédios ou tardios, o Centeio Híbrido KWS é a melhor opção.

RUMINANTES OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2017 31


ALIMENTAÇÃO

Características da fermentação ruminal in vitro de diferentes tipos de açúcares REVISÃO EXTRAÍDA DA REVISTA HÍRLEVÉL (HUNGRIA, JUNHO 2016), POR LUIZA FERNANDES E SZILVIA OROSZ. *

INTRODUÇÃO Os açúcares desempenham um papel importante nos processos de fermentação do rúmen e são reconhecidamente mais rapidamente degradáveis no rúmen que outras fontes de carboidratos como o amido. Entretanto, a taxa real de fermentação dos diferentes tipos açúcares ainda não foi totalmente definida. No modelo CNCPS (Cornell Net Carbohydrate and Protein System) a taxa de fermentação de açúcares simples foi inicialmente fixada em 300-500% h-1, porém mais recentemente (Lanzas et al., 2007) foi dramaticamente reduzida para 40-60% h-1, com base em resultados in vitro obtidos por Molina (2002) por incubação de açúcares em combinação com uma fonte de fibra. O modelo ainda não distingue claramente as diferentes taxas de fermentação de diferentes tipos de açúcares, mas alguns autores já publicaram algo sobre o tema. Em 1969, Czerkawski e Brekenridge encontraram maior fermentescibilidade da glicose em comparação com galactose, xilose e ribose. Sutton observou uma maior produção de VFA (Ácidos Gordos Voláteis) derivados da glicose, frutose e sacarose em comparação com galactose, xilose e arabinose quando o inóculo do rúmen

foi obtido a partir de vacas alimentadas com uma dieta de forragem elevada. Ainda no mesmo estudo, o mesmo não se verificou quando foi administrada uma dieta com alto teor em concentrado aos animais doadores. Bond et al. (1998) relataram uma menor taxa de crescimento de S. bovis em lactose versus glicose. Também Heldt et al. (1999) encontraram diferentes proporções de VFA entre monossacarídeos e sacarose, quando incubados in vitro com baixos níveis de proteína degradável. Estes resultados sugerem uma interação entre açúcares e disponibilidade de uma fonte de aminoácidos (Gráfico 1).

OBJETIVO

TRATAMENTOS

Este estudo teve como objetivo avaliar a fermentescibilidade de alguns açúcares solúveis, naturais e sintéticos. A produção de gás in vitro e VFA a partir de glicose, frutose, xilose, galactose, sacarose, lactose e arabinose foi medida num ensaio de incubação de 24 horas, usando fluído ruminal de novilhas adaptadas (ADAPT) ou não adaptadas (N ADAPT) a açúcares adicionais na dieta. A produção de gás dos mesmos açúcares foi ainda avaliada num ensaio de incubação de 72 h com fluído ruminal não adaptado.

Diferentes tipos de açúcares foram avaliados quanto à sua fermentescibilidade microbiana. O inóculo ruminal foi obtido 6 h após a refeição matinal de quatro novilhas canuladas no rúmen e alimentadas com ração com base em feno e concentrado (85:15, base Matéria Seca (DM). A alimentação das novilhas continha 12,62% de PB, 51,96% de FND, 5,21% de amido e 4,43 % de açúcares, de acordo com DM.

GRÁFICO 1 Taxas de degradação dos diferentes tipos de carboidratos.

120 100 80 60 40 20 0 Fermentação Rápida

Açúcar

Amido

32 OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2017 RUMINANTES

Tempo (intervalo de 30 mins)

Fibra

Fermentação Lenta

• Ensaio 1: fermentação in vitro de curta duração: os substratos foram inoculados com fluído ruminal obtido a partir de 4 novilhas leiteiras adaptadas ou não adaptadas à ingestão de açúcares adicionais. A incubação durou 24 h e a pressão do gás foi medida às 1, 2, 3, 4, 5, 7, 9, 12, 20 e 24 h após a inoculação. • Ensaio 2: fermentação in vitro duradoura: os mesmos substratos foram incubados com fluído ruminal das mesmas novilhas previamente não adaptadas aos açúcares. A fermentação foi realizada como no Ensaio 1, mas foi prolongada para 72 h com leituras adicionais às 36, 48 e 72 h após a inoculação.


ALIMENTAÇÃO

RESULTADOS Ensaio 1: fermentação in vitro de curta duração Os dados dos volumes de gás produzidos em 3h, 9h e 24h são mostrados na Tabela 1. Os resultados obtidos mostram claramente diferenças nos padrões de fermentação entre os diferentes açúcares. A glicose, frutose e sacarose produziram os maiores volumes de gás (100-110 ml/g) enquanto os açúcares do tipo pentose (5 átomos de carbono) produziram menores volumes de gás após 3 h de fermentação (38-50ml/g). As diferenças atribuíveis ao inóculo foram mais evidentes durante a primeira parte da fermentação, às 3 e 9 h, mas tendem a diminuir às 24h. Não se encontraram diferenças significativas entre ADAPT e N ADAPT em nenhuma altura do

ensaio. As concentrações de VFA após 24 h de fermentação in vitro de diferentes açúcares com diferentes fontes de inóculo são mostradas na Tabela 2. Comparando mono- e dissacarídeos, não foi possível identificar qualquer diferença clara nas percentagens molares de VFA medidas. Contudo, houve diferença na percentagem de produção de ácido butírico quando comparámos açúcares do tipo hexoses como glicose, frutose e sacarose (20,2 a 20,5%) com outros do tipo pentose (12 a 17%)

Aumente até aos 6% de açúcares na matéria seca da dieta e aumente a produção das suas vacas!

Melhora o rendimento Aumenta a produção Melhora a qualidade do leite

A adaptação aos açúcares não influenciou as concentrações de VFA.

TABELA 1 Produção de gás in vitro (ml/g DM) obtidas após 3, 9 e 24 h de fermentação dos diferentes açúcares incubados com inóculo ruminal. 3H

Glucose (monossacárido, 6 átomos de carbono) Frutose (monossacárido, 6 átomos de carbono)

9H

24H

N ADAPT

ADAPT

N ADAPT

ADAPT

N ADAPT

ADAPT

110

106

278

275

339

333

105

99

280

276

340

343

Xilose (C5)

38

38

212

224

330

339

Galactose (C5)

43

42

250

256

334

345

Arabinose (C5)

50

51

240

235

340

331

106

116

274

264

337

325

34

32

211

225

321

312

Sacarose (dissacárido, derivado da beterraba: glicose + frutose)

Lactose (dissacárido contido no leite: glicose + galactose)

Redução do pó e da escolha dos animais nos comedouros

Diminuição do risco de acidose ruminal

Fonte de energia imediata

Aumento da ingestão de matéria seca

TABELA 2 Percentagens molares de VFA (%: mmol / 100 mmol de VFA totais) após 24 h de fermentação in vitro de diferentes açúcares com diferentes inóculos ruminais.

Melhora a digestibilidade da fibra

GLUCOSE FRUTOSE XILOSE GALACTOSE ARABINOSE SACAROSE LACTOSE

Ácido Acético %

ADAPT

47,4

47,3

52,9

50,1

53,1

47,3

53,8

Ácido Propiónico ADAPT %

27,0

27,4

29,6

27,4

28,9

28,6

29,0

Ácido Butírico %

20,5

20,3

12,7

17,1

12,8

20,2

12,3

www.edfman.com ADAPT

Av Antonio Serpa, 23-7º 1050-026 Lisboa Telef: +351 21 7801488 Fax: +351 21 7965230 Email: lisbon@edfman.com

RUMINANTES OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2017 33


ALIMENTAÇÃO

Ensaio 2: Fermentação de longa duração No Ensaio 2, foi realizada a fermentação in vitro de 72 h com inóculo ruminal de novilhas não adaptadas para obter uma melhor estimativa dos parâmetros cinéticos da produção de gás. Os resultados são apresentados na Tabela 3. Com base no efeito não significativo da adaptação animal ao consumo de açúcares na produção de gás e na realização incompleta de um patamar definido observado no Ensaio 1, realizou-se uma incubação mais longa (72h) com

DISCUSSÃO

os mesmos substratos e usando um inóculo ruminal de animais não adaptados. A taxa de fermentação para glicose e frutose foi de 10%/h; enquanto a da sacarose foi estatisticamente mais baixa (9,83%/h). Arabinose, xilose e galactose tiveram taxas semelhantes (uma média de 7,05%/h). A maior taxa de fermentação encontrada para a glicose, frutose e sacarose corresponde a expectativas de relatos bibliográficos anteriores.

TABELA 3 Parâmetros de curva de produção de gás de diferentes açúcares incubados com fluído ruminal tamponado durante 72 h. PRODUÇÕES DE GÁS POTENCIAIS, ml/g

TAXA DE FERMENTAÇÃO, %/h

Glucose

372

10,42

Frutose

368

10,57

Xilose

378

6,79

Galactose

374

7,22

Arabinose

386

7,18

Sacarose

368

9,83

Lactose

379

6,08

ZINPRO CORPORATION NOMEIA UM NOVO GESTOR NACIONAL

A Zinpro Corporation, empresa americana líder de mercado na suplementação mineral de animais de produção, nomeou recentemente um novo gestor nacional para a sua filial ibérica. O escolhido foi Luís da Veiga, o qual contribuirá assim para o desenvolvimento da rede de vendas dos Minerais de Performance da Zinpro® e assumirá as funções de coordenação dos departamentos técnico, comercial e de marketing a partir de Barcelona. Luís da Veiga possui um mestrado em nutrição, conferido pela Universidade da Borgonha, em França, ao qual se junta a sua formação em engenharia zootécnica obtida na Universidade dos Açores.

34 OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2017 RUMINANTES

Nas primeiras 3h de fermentação ruminal os açúcares do tipo hexoses mostraram-se muito mais utilizáveis por comparação com os açúcares do tipo pentose. O tipo de açúcar também afetou as proporções de VFA provenientes de sua utilização microbiana. A maior produção de ácido butírico derivada dos açúcares com 6 átomos de carbono poderia estar relacionada com uma maior eficiência ruminal, visto que este ácido gordo é um importante fator de crescimento para as papilas ruminais, promovendo maior absorção geral de energia a nível ruminal. Além da diferença entre hexoses e pentoses, os monossacáridos em geral também se mostraram mais fermentescíveis no rúmen, por comparação com os dissacáridos glucose e frutose, apresentando as maiores taxas de produção de gás (10,57% h-1 e 10,42% h-1, respetivamente). Fica claro, portanto, que existe uma grande diferença nos produtos e taxas de fermentação entre diferentes tipos de açúcares. Mais estudos seriam necessários para mais bem definir estas diferenças e proporcionar ferramentas de maior precisão para formulação de dietas para ruminantes.

NOTA * Original: Sadek Ahmed1, Andrea Minuti1, Paolo Bani1 (2013) In Vitro Rumen Fermentation Characteristics of Some Naturally Occurring and Synthetic Sugars. 1Instituto di Zootecnica, Università Cattolica del Sacro Cuore, Piacenza, Itália. Italian Journal of Animal Science, 2013; Volume 12:e57, 359-365 pp.

De acordo com Michael Bain, gestor de vendas das filiais europeia e sulafricana, a nomeação é mais do que justificada, dada a extensa experiência de Luís da Veiga na área da nutrição animal, bem como o seu amplo conhecimento do mercado no qual a empresa atua. A sua formação e perícia técnica serão igualmente importantes na cooperação com clientes e parceiros, assegurando a melhoria do bem-estar e performance dos seus animais. Antes da sua integração na Zinpro, Luís da Veiga trabalhou durante vários anos enquanto gestor regional de vendas numa empresa de produção de proteína funcional, sendo responsável pela região

sul da Europa. Assumiu ainda o cargo de gerente de negócios sénior durante oito anos numa empresa de nutrição portuguesa, nos setores dos ruminantes e dos suínos. O novo gestor assumirá as funções previamente ocupadas pelo Médico Veterinário Paco Fernandez Lopez-Brea, o qual foi recentemente promovido a gestor da área avícola na Europa, Rússia e África do Sul. Líder no mercado da nutrição mineral, a Zinpro tem como premissa assegurar aos seus clientes produtos de qualidade, ferramentas de formação e conhecimentos técnicos, auxiliando-os assim na otimização da performance e rentabilidade dos seus negócios.


FORRAGENS

Concurso Nacional de Forragens

Evolução do valor nutritivo das forragens apresentadas a concurso POR ANTÓNIO MOITINHO RODRIGUES - ESCOLA SUPERIOR AGRÁRIA DO INSTITUTO POLITÉCNICO DE CASTELO BRANCO, CERNAS-IPCB; NUNO MARQUES - REVISTA RUMINANTES E JOSÉ CAIADO - DAIRY CONSULTING

Introdução Em Portugal, tal como noutros países da União Europeia, as fortes dificuldades financeiras que o setor do leite tem vindo a viver obriga a que os produtores tenham que optar por sistemas de produção cada vez mais eficientes. Alguns estudos feitos no nosso país indicam que os custos com a alimentação da vaca representam 56,7% a 71,3% do total de custos associados à produção de um kg de leite (Baptista et al., 2012; Sottomayor et al., 2012). Só o adequado maneio alimentar das vacas leiteiras, formulando ao mínimo custo mas satisfazendo todas as necessidades nutricionais do animal, pode ser a chave do êxito da exploração. A proporção do custo da alimentação sobre o custo total do leite produzido está dependente do sistema

de alimentação utilizado, se baseado no pastoreio ou em forragens produzidas na própria exploração (menor custo), se baseado na utilização de elevados níveis de concentrado cujo preço o

“EXCLUINDO O PH E O TEOR EM CINZAS, QUE AUMENTARAM ENTRE 2015 E 2017, TODOS OS OUTROS PARÂMETROS TÊM TIDO UMA EVOLUÇÃO FAVORÁVEL NO SENTIDO DO AUMENTO DA QUALIDADE NUTRICIONAL DA FORRAGEM.”

produtor não controla (maior custo) (Alqaisi et al., 2011). Assumindo que a maior utilização de forragens de boa qualidade (gramíneas e leguminosas) é uma boa opção para a alimentação de vacas leiteiras e ciente das dificuldades que os produtores de leite atravessam a Revista Ruminantes, com o apoio de outras organizações, dinamiza o Concurso Nacional de Forragens (CNF). Com esta iniciativa pretende-se conhecer e valorizar a qualidade das forragens, sob a forma de feno-silagem de erva, produzidas nas explorações em Portugal. Com este trabalho pretendeuse apresentar e comparar com outros resultados publicados os valores obtidos para as amostras de feno-silagem de erva analisadas no Laboratório da Associação Interprofissional do Leite e Lacticínios (ALIP), durante os 3 primeiros anos do Concurso Nacional de Forragens (2015, 2016 e 2017).

Métodos No laboratório da ALIP foram analisadas as 77 amostras de feno-silagem de erva que foram enviadas para o CNF: 38 amostras em 2015; 32 amostras em 2016; 7 amostras em 2017. A matéria seca das amostras (MS) foi determinada pelo método LIPP071 (Ed.2) e os parâmetros pH (25°C), cinzas, proteína bruta (PB), proteína solúvel (PS), azoto amoniacal (N-NH3), fibra em detergente neutro (NDF), fibra em detergente ácido (ADF) e energia Net leite (ENL) foram determinados por NIR, método LIPP107 (Ed.1) (LIPP – procedimento interno do Laboratório e Ed. – edição do procedimento).

36 OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2017 RUMINANTES


FORRAGENS

TABELA 1 Quadro resumo com os resultados médios obtidos para as 77 amostras de feno-silagem de erva analisadas pelo ALIP no âmbito das três primeiras edições do CNF. ANO

MS (%)

pH

CINZAS (%MS)

PB (%MS)

PS (%N)

N-NH3 (%N)

NDF (%MS)

ADF (%MS)

DMO (%MS)

ENL (Mcal/kgMS)

2015 (n=38)

35,1a±10,8

4,16b±0,48

11,85b±1,68

14,6b±3,76

-

-

49,2a±6,04

32,1a±3,93

70,1b±6,46

1,43b±0,15

2016 (n=32)

38,7a±7,59

4,27ab±0,32

11,91b±1,18

19,1a±5,17

56,3±7,18

9,4±2,33

46,4a±7,19

30,1a±3,90

72,5b±6,52

1,46ab±0,14

2017 (n=7)

40,4a±8,75

4,57a±0,31

13,33a±1,73

19,0a±4,35

62,9±9,37

9,4±2,50

40,2b±4,19

26,6b±1,93

78,7a±1,75

1,57a±0,07

Média

37,1±9,51

4,24±0,42

12,01±1,54

16,9±4,95

57,5±7,92

9,4±2,33

47,2±6,86

30,8±4,09

71,9±6,63

1,45±0,14

Alimento 61

47,1

-

9,1

18,0

-

-

49,9

31,8

-

1,31

a, b - notações diferentes na mesma coluna indicam diferenças estatisticamente significativas entre médias (p≤0,05); ± desvio padrão; MS – matéria seca; pH – concentração hidrogeniónica; PB – proteína bruta; PS – proteína solúvel; N-NH3 – azoto amoniacal; NDF – fibra em detergente neutro; ADF – fibra em detergente ácido; EML – energia Net leite; alimento 61 – silagem de mistura de gramíneas e leguminosas (<51% NDF) (NRC, 2001).

Com exceção do pH, da PS e do N-NH3 todos os outros resultados foram comparados por ano e com os valores do alimento 61 – silagem de mistura de gramíneas e leguminosas com menos de 51% NDF - que consta da Tabela 15.1 do NRC (2001). Os valores atribuídos ao alimento 61 correspondem ao resultado médio de 18 amostras. Para cada um dos parâmetros analisados foi determinada a média e o desvio padrão (±) e foi efetuada uma análise de variância (ANOVA) (nível de significância 0,05%), utilizandose o teste de Tukey como teste de comparações múltiplas.

Os resultados médios anuais e totais das amostras analisadas são apresentados na tabela 1. Relativamente ao teor em MS das

amostras, verifica-se um aumento não significativo daquele parâmetro entre 2015 e 2017, com o valor médio de 37,1% MS ±9,51 para os três anos. No entanto, em 2017, o valor médio obtido foi de 40,4% ±8,75, valor que se aproxima dos 47,1% referidos pelo NRC (2001) para silagens do mesmo tipo. Cerca de 61% das amostras apresentaram teores de MS superiores a 35%. Ao analisarmos os resultados de pH das amostras observa-se um aumento daquele parâmetro entre 2015 e 2017. Obteve-se o valor médio de 4,24 ±0,42 para os três anos analisados. O valor obtido no ano 2017 (4,57 ±0,31), foi significativamente mais elevado (p≤0,05) do que o valor obtido em 2015. McDonald et al. (2011) consideram o pH≤4,6 como adequado para boa conservação da silagem de erva.

FIGURA 1 Representação gráfica da evolução do teor em PB (%MS) das amostras de feno-silagem analisadas.

FIGURA 2 Representação gráfica dos teores em NDF e ADF (%MS) das amostras de feno-silagem analisadas.

Resultados e discussão

25

60 19,1

20

15

19,0

50

49,2

46,4 40,2

40

14,6

32,1

30,1

30 10

20

5

0

26,6

10

2015

2016

2017

0

2015 NDF

38 OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2017 RUMINANTES

2016 ADF

2017

Os resultados obtidos para o teor em cinzas evidenciam um aumento significativo daquele parâmetro entre 2015 e 2017. Obteve-se o valor médio de 12,01%MS ±1,54 para os três anos. Em 2017, o teor em cinzas (13,33%MS ±1,73) foi significativamente mais elevado (p≤0,05) do que os valores obtidos em 2015 e 2016 e muito mais elevado do que os 9,10%MS referidos pelo NRC (2001) para silagens do mesmo tipo. Ao analisarmos os resultados do teor em PB verificamos que desde 2015 tem havido um aumento significativo (p≤0,05) o que se considera um bom indicador (Figura 1). O valor médio obtido para os 3 anos em análise foi de 16,9%MS ±4,95. Em 2016 e 2017 os valores de PB foram de 19,1%MS ±5,17 e 19,0%MS ±4,35, respetivamente, tendo sido mais elevados do que os 18,0%MS referidos pelo NRC (2001) para silagens do mesmo tipo. O teor médio de PS foi de 57,5%N ±7,92 para os dois anos em que este parâmetro foi analisado. Relativamente ao N-NH3, verifica-se que o valor médio obtido para os 2 anos analisados foi de 9,4%N ±2,33 não havendo diferenças entre 2016 e 2017. Estes valores são inferiores aos 13%N referidos por McDonald et al. (2011) para silagens de erva. Ao observarmos os resultados obtidos para o teor em NDF das amostras, verificamos que tem havido uma redução daquele parâmetro desde 2015 (Figura 2). O valor médio obtido para os 3 anos foi de 47,2%MS ±6,86. Em 2017 o valor de NDF foi de 40,2%MS ±4,19 significativamente menor (p≤0,05) do que os valores obtidos para os anos


FORRAGENS

anteriores e muito menor do que o NDF de 49,9%MS referido pelo NRC (2001) para silagens do mesmo tipo. Relativamente ao teor em ADF das amostras verificase que desde 2015 ocorre uma redução daquele parâmetro (Figura 2). O valor médio obtido para os 3 anos foi de 30,8%MS ±4,09. Em 2017 o valor de NDF foi de 26,6%MS ±1,93 significativamente menor (p≤0,05) do que os valores obtidos para os anos anteriores e menor do que o NDF de 31,8%MS referido pelo NRC (2001) para silagens do mesmo tipo. Desde 2015 que tem havido um aumento da DMO nas amostras de silagem analisadas o que se pode considerar um bom indicador. O valor médio obtido para os 3 anos foi de 71,9%MS ±6,63 tendo sido, em 2017, significativamente maior (78,7%MS ±1,75) (p≤0,05) do que os resultados obtidos para os anos anteriores. A ENL das amostras tem vindo a aumentar desde 2015. O valor médio para os 3 anos em análise foi de 1,45 Mcal/kgMS ±0,14. Em 2016 e 2017 os valores de ENL foram de 1,46 Mcal/kgMS ±0,14 e 1,57 Mcal/kgMS ±0,07, respetivamente, tendo sido mais elevados do que o valor de 1,31 Mcal/kgMS referidos pelo NRC (2001). Cerca de 86% das amostras analisadas apresentaram um valor de ENL superior a 1,3 Mcal/kgMS.

Considerações finais Da avaliação dos resultados obtidos nas três primeiras edições do CNF parece ser possível afirmar que o Concurso tem tido um papel didático junto dos produtores de feno-silagem

de erva. Excluindo o pH e o teor em cinzas, que aumentaram entre 2015 e 2017, todos os outros parâmetros têm tido uma evolução favorável no sentido do aumento da qualidade nutricional da forragem. O NDF e ADF têm vindo a diminuir enquanto que MS, PB, DMO e ENL têm vindo a aumentar. Embora alguns agricultores cortem a forragem antes do início do espigamento das gramíneas, parece-nos que a maioria dos produtores tem vindo a efetuar o corte ligeiramente mais tarde com o objetivo de obter maior produção de matéria seca por hectare, sem comprometer a composição nutricional do feno-silagem.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Alqaisi, O., Steglich, J., Ndambi, A., Hemme, T. 2011. Feeding systems: an assessment of dairy competitiveness. In: IFCN Dairy Report 2011, Torsten Hemme editor, p 174-175. Published by IFCN Dairy Research Center, Schauenburgerstrate, Germany. Baptista, F., Murcho, D., Silva, L.L., Marques, C. 2012. Energy efficiency measures in Portuguese Dairy Cows production. In: Meyer-Aurich et al. Economic and environmental analysis of energy efficiency measures in agriculture. Case Studies and trade offs. AGREE Project Deliverable 3.1., pp 58-62. McDonald, P., Edwards, R.A., Greenhalgh, J.F.D., Morgan, C.A., Sinclair, L.A., Wilkinson, R.G. 2011. Animal Nutrition. Seventh Edition, Prentice Hall, Pearson, London, U.K. NRC. 2001. Nutrient requirements of dairy cattle. Seventh Revised Edition, National Research Council, Washington, USA. Sottomayor, M., Costa, L., Ferreira, M.P. 2012. Impacto da Reforma da PAC Pós - 2013 no Setor do Leite em Portugal Relatório 6.07.2012. Estudo elaborado para FENALAC pelo CEGEA da Universidade Católica Portuguesa.

AGRADECIMENTOS Ao ALIP pelo apoio dado ao CNF.

RUMINANTES OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2017 39


ECONOMIA

Observatório DAS MATÉRIAS PRIMAS POR JOÃO SANTOS

De junho a novembro é a época dos furacões no Golfo do México, e sempre foi assim ... De junho a novembro, e em particular de agosto a outubro, a formação de furacões e tempestades tropicais no Golfo do México é uma constante. Quando o homem começou a dedicar-se à agricultura, na Mesopotâmia, já era assim. Este é um fenómeno que tem impacto no preço do petróleo uma vez que, por questões de segurança, nessas alturas as plataformas no Golfo do México são evacuadas podendo ter como consequência uma redução na oferta de petróleo. Mas o impacto nas colheitas de milho e soja nos EUA é muito reduzido ou inexistente, estas ocorrências fazem parte das condições meteorológicas normais. Dito isto, se em junho o mercado ficou “nervoso” com a falta de chuva nas planícies dos EUA, em julho e agosto o “weather market” foi benigno e choveu onde fazia falta, nas regiões onde a chuva foi menos que a desejada a temperatura ajudou, e a humidade do solo evitou males maiores. Pelo menos, é o que dizem os últimos números do USDA, que em maio apontavam para um

rendimento por acre de 49 bushels para a soja, subindo até 49,9 bushels em setembro. No sul dos EUA a soja já começou a ser ceifada e agora há que estar atento aos rendimentos reais, mas as informações ainda são poucas e divergem. No entanto no nordeste, onde a colheita é mais tardia, tem chovido, sendo que ainda seja possível alguma melhoria dos rendimentos nesta zona, que era a que mais necessitava de chuva. No milho já sabíamos que a área semeada nos EUA seria menor que a de outros anos com uma passagem de área a favor da soja; no entanto, a falta de chuva em junho, afinal, não baixou muito o rendimento. E embora este rendimento tenha sido menor que no ano passado, a projeção do USDA aponta agora para 169,9 bushels/acre (174,6 o ano passado), esta redução nos EUA foi em certa medida compensada com o incremento da produção noutras regiões, em particular no Brasil. Por isso, não temos motivos para alarme e tudo indica que vamos continuar num período de preços de matérias primas relativamente baixos.

Proteínas Em retrospetiva, e analisando

COLHEITAS MUNDIAIS milhões de tm SOJA Produção Mundial Stock finais MILHO Produção Mundial Stock finais

14/15

15/16

16/17

17/18

319,0 77,6 24%

312,8 76,6 24%

351,4 96,0 27%

340,8 97,53 29%

1.008,8 208,2 21%

961,9 210.9 22%

1.070,2 227,0 21%

1.032,6 202,5 20%

Fonte: USDA s&d setembro reporte

40 OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2017 RUMINANTES

os fluxos das diferentes matérias-primas, vemos hoje que o incremento de consumo de carne na China nos últimos anos levou a um incremento da procura de soja por parte deste país. Por outro lado, a decisão da China de não importar DDG’s dos EUA fez com que, mesmo com um consumo per-capita de carne a abrandar, o consumo de soja tenha continuado a aumentar de forma espetacular, esperando-se para este ano um incremento de 8-9% de consumo de farinha de soja e importações de quase 100 milhões de toneladas de grão de soja. Algo repetido, e muito falado há várias campanhas, é a mudança de hábitos de venda dos agricultores um pouco por todos os países exportadores. Cada um tem as suas especificidades locais, como a inflação, a taxa de câmbio da moeda local, eleições, etc., mas o que é comum a todos é que vamos já para 5 a 6 anos sem problemas de maior de produção e os agricultores estão capitalizados, investiram na armazenagem, e deixaram de vender o grosso da sua colheita durante a campanha. Vão vendendo ao longo do ano, criando uma situação de escassez ou de falta de abundância contínua, o que faz com que traders e fábricas tenham que concorrer entre si agressivamente pelo pouco que está disponível para carregar os navios ou para ter as fábricas a trabalhar, no caso da soja. Isto apesar de haver mega produções e de os agricultores terem dificuldade de armazenar. A “pergunta de um milhão de dólares” é quando é que vai haver pressão de colheita/oferta

e se esta alguma vez vai chegar. Dito isto, estamos com preços relativamente baixos de farinha de soja em Lisboa, na casa dos 290€/tonelada para a farinha de baixa proteína. Mas, infelizmente, na cadeia de valor não parece que as fábricas extratoras estejam a fazer muito dinheiro, uma vez que a abundância de soja nos países de origem é suficiente para trabalharem “all year round” a plena capacidade, a par com as fábricas dos países de destino, estando o mercado inundado de farinha. Donde tudo indica que, ou o grão desce ou dificilmente iremos poder ver um patamar mais baixo de farinha. Claro está que temos que ter uma ajuda do ” weather market”, neste caso boas condições para a sementeira no Brasil, e os agricultores têm que vender o que têm a um ritmo mais acelerado. Olhando para a tabela anexa, vemos que caminhamos para ter uns stocks finais na casa de um terço da produção mundial.

Cereais O milho em Lisboa está a ser oferecido sobre os 167€/tonelada e para o ano que vem está a tocar os 170€. Se considerarmos que há direitos de importação de 10,53€/tonelada e se os pudéssemos tirar com um golpe de magia, a conta seria fácil de fazer. O trigo forrageiro e a cevada estão ligeiramente acima dos 170€. Ou seja, não é o preço elevado dos cereais que impede que a pecuária seja competitiva (oleaginosas incluídas). O dito para a soja em relação à bonança dos últimos anos aplica-se aos cereais, com a vantagem de os cereais serem plantados em mais zonas do planeta, pelo que há maior diversificação de


PREÇOS MÉDIOS SEMANAIS NO PORTO DE LISBOA DE 2011 A 2017 2015 2016

MILHO

2017

€/ton 200 195 190 185 180 175 170 165 160 155 7 a 11 Nov

5 a 9 Dez

19 a 23 Dez

5 a 9 Dez

19 a 23 Dez

24 a 28 Out

21 a 25 Nov

10 a 14 Out

24 a 28 Out

10 a 14 Out

7 a 11 Nov

26 a 30 Set 26 a 30 Set

21 a 25 Nov

29 a 2 Set

12 a 16 Set

29 a 2 Set

12 a 16 Set

1 a 5 Ago

15 a 19 Ago

1 a 5 Ago

15 a 19 Ago

4 a 8 Jul

18 a 22 Jul

4 a 8 Jul

18 a 22 Jul

6 a 10 Jun

20 a 24 Jun

6 a 10 Jun

20 a 24 Jun

9 a 13 Maio

23 a 27 Maio

11 a 15 Abr

25 a 29 Abr

28 a 1 Abr

12 a 16 Mar

13 a 17 Fev

27 a 2 Mar

30 a 3 Fev

2 a 6 Jan

150 16 a 20 Jan

BAGAÇO SOJA 44 €/ton 450

400

350

300

250

9 a 13 Maio

23 a 27 Maio

25 a 29 Abr

11 a 15 Abr

28 a 1 Abr

12 a 16 Mar

27 a 2 Mar

13 a 17 Fev

200 30 a 3 Fev

Nestas considerações, o meu conselho vai sempre no sentido de pensar a pecuária como um negócio de margem, e para isso é necessário ter uma política de compras que vise fechar margem e reduzir riscos. Donde, não é por parecer que os preços estão relativamente baixos que se deve comprar tudo e mais alguma coisa. Temos também que olhar para fechar a margem com a venda do produto que temos, caso contrário é melhor não comprar muito à frente, em particular na situação atual em que de momento não há motivos para alarme. Também dá a sensação que já estamos há demasiado tempo com pouca volatilidade de preços, o que não é propriamente bom, uma vez que se coloca a toda a fileira no mesmo patamar de preços, obrigando os produtores a centrarem-se na redução de custos de produção e a gerirem ativamente a sua capacidade de produção. Despeço-me com amizade.

EVOLUÇÃO DO PREÇO DE MATÉRIAS PRIMAS

2 a 6 Jan

Notas finais

16 a 20 Jan

origens e por isso menos risco de, se algo correr mal numa zona, automaticamente implicar um aumento significativo dos preços. Assim, e com alterações significativas no complexo dos cereais, temos o Brasil a produzir 98 milhões de toneladas, algo impensável há um par de anos, e a FSU a produzir 137 milhões, quase tanto como a Europa da PAC. No trigo os stocks finais continuam com tendência para aumentar. E tendo em conta as alterações no biodiesel europeu, vamos ver se os agricultores do norte da europa não vão reduzir a área plantada de colza em favor do trigo/cevada. No que respeita ao milho, deveremos assistir a uma redução da produção mundial como resultado de preços baixos onde os agricultores do Brasil e EUA vão preferir plantar mais soja. Concluindo, continua a haver muito milho. O preço do milho está num patamar muito baixo, as notícias que façam descer Chicago ou subir o euro não são necessariamente boas para o preço do milho em Lisboa porque os direitos de importação são calculados com base no preço em euros/tonelada do milho dos EUA colocado na Europa.

C

M

Y

CM

MY

CY

CMY

K

RUMINANTES OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2017 41


ECONOMIA

Observatório DO LEITE POR JOANA SILVA Fontes: Agrimoney, Fonterra, USDA

O último trimestre do ano já bateu à porta, e começa a ser altura de refletir acerca do que se passou no sector leiteiro em 2017, bem como estender o olhar ao ano que se aproxima. Na UE, dados de maio agora publicados apontam para uma produção estacionária comparativamente ao mesmo mês do ano passado, mas com uma descida na ordem dos 2% em relação aos doze meses anteriores. Esta tendência refletese nos seus dois maiores produtores, a Alemanha e a França, com diminuições de 2% e 3%, respetivamente. Na Nova Zelândia, a produção leiteira no mês de junho registou um aumento de 21% relativamente ao mesmo mês de 2016, tendo descido 1% em comparação com os doze meses anteriores. Na vizinha Austrália a quebra atingiu os 8% em contraste com o mesmo período do ano passado, fruto de um inverno e primavera chuvosos. Do outro lado do Atlântico, os EUA registaram um aumento de produção de 2% em junho comparativamente ao mesmo mês do ano passado, aumento idêntico em comparação com os últimos doze meses. O sector leiteiro americano tem beneficiado com a forte procura interna nos últimos dois anos, especialmente

no que toca a queijo – com um aumento per capita de 2 a 3% – e manteiga, a qual tem vindo a tornar-se a principal fonte de gordura presente na cozinha dos consumidores. A manteiga continua portanto a dar que falar, e grande era a expectativa antes do primeiro leilão de setembro da Global Dairy Trade (GDT). A Europa saiu vencedora na guerra dos preços, acentuando-se a disparidade entre mercados, tendo-se registado em leilão um aumento de 3.8% face a meados de agosto, com 5,954 US$/tonelada. Esta disparidade marca também o mercado interno, com a Irlanda a lançar sinais de alerta face a preços que se encontram 200 €/tonelada abaixo da média europeia. A força da manteiga na UE parece ser sustentada pela relutância dos retalhistas em aumentar o preço deste bem junto dos consumidores. Este aumento, no entanto, pode vir a concretizar-se a curto prazo, devido à pressão exercida pelos preços superiores praticados a nível grossista. No mercado do leite em pó as incertezas mantêm-se, e na GDT assistiu-se a uma quebra de preço de 1,6% desde agosto, com 3.100 US$/tonelada. Também aqui a Europa leva vantagem, acentuando-se

42 OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2017 RUMINANTES

o fosso em relação a mercados como o da Nova Zelândia, o principal exportador deste produto. Dada a valorização da gordura durante o ano, os preços do leite em pó desnatado registaram em 2017 uma desvalorização de 12% na GDT e de 4% na UE, esta última ajudada pelo aumento na ordem dos 50% das exportações para a Argélia. A China continua a ter grande relevo no mercado das importações, com um aumento de 27% em junho deste ano comparativamente ao mesmo mês do ano passado, particularmente de produtos como o queijo e manteiga, reflexo da mudança de hábitos de consumo nos grandes centros urbanos. Os bons ventos que se vão sentindo tenderão a manter-se até ao final do ano, com o queijo e a manteiga a impulsionar o aumento dos preços. E o que nos reservará 2018? Ainda muito se passará até lá, mas as previsões atuais apontam para o crescimento da produção leiteira mundial, com a recuperação dos preços do leite tendo já atingido os 20% nos mercados europeus. No entanto, não se poderá fazer vista grossa às incertezas como o Brexit e suas consequências comerciais a nível global.


ECONOMIA

PREÇO DO LEITE STANDARDIZADO (1) PAÍSES

LEITE À PRODUÇÃO PREÇOS MÉDIOS MENSAIS EM 2016/2017 MESES

TEOR MÉDIO DE MATÉRIA GORDA (%)

TEOR PROTEICO (%)

PREÇO DO LEITE (€/100 KG) JULHO 2017

ALEMANHA

Alois Müller

37,27

31,25

Contin.

Açores

Contin.

Açores

Contin.

DINAMARCA

Arla Foods

34,55

31,35

JULHO

0,272

0,265

3,69

3,72

3,12

3,11

Danone

35,65

32,87

AGOSTO

0,272

0,261

3,66

3,68

3,13

3,10

Lactalis (Pays de la Loire)

33,85

31,81

SETEMBRO

0,275

0,264

3,76

3,76

3,18

3,16

Sodiaal

35,11

32,07

OUTUBRO

0,276

0,269

3,78

3,88

3,25

3,27

Dairy Crest (Davidstow)

30,13

29,77

NOVEMBRO

0,284

0,274

3,86

3,90

3,26

3,29

Glanbia

33,85

29,98

DEZEMBRO

0,298

0,282

3,81

3,85

3,26

3,27

Kerry

34,42

30,41

JANEIRO

0,288

0,272

3,90

3,78

3,26

3,23

Granarolo (North)

30,41

37,17

FEVEREIRO

0,288

0,272

3,85

3,71

3,23

3,23

?

?

MARÇO

0,293

0,275

3,76

3,67

3,21

3,25

34,42

30,41

ABRIL

0,294

0,273

3,64

3,66

3,23

3,24

MAIO

0,292

0,273

3,60

3,69

3,23

3,22

Fonterra (3)

33,98

33,29

JUNHO

0,292

0,276

3,63

3,66

3,18

3,18

EUA

34,25

37,28

JULHO

0,289

0,274

3,65

3,65

3,19

3,13

FRANÇA INGLATERRA IRLANDA ITÁLIA HOLANDA

DOC Cheese Friesland Campina

PREÇO MÉDIO LEITE N. ZELÂNDIA EUA (4)

MÉDIA DOS ULTIMOS 12 MESES (5)

EUR/KG

COMPANHIA

2017

(2)

Fonte: LTO (1) Preços sem IVA pagos ao produtor; Preço do leite de diferentes empresas leiteiras para 4,2% de MG, 3,4% de teor proteico e CCS de 249,999/ml . (2) Média aritmética . (3) Baseado na previsão mais recente . (4) Reportado pela USDA . (5) Inclui o pagamento suplementar mais recente.

Açores

Fonte: SIMA Gabinete de Planeamento e Políticas

PROTEÍNA BRUTA É COISA DOS ANOS 80. A ciência e a tecnologia mudaram adaptando-se aos novos tempos. E a sua forma de formular, também se adaptou? Estratégias e formulações nutricionais adequadas frente àquelas já obsoletas, marcam a diferença entre explorações leiteiras, especialmente quando se trata de nutrição proteica. Encontrar a estratégia mais eficaz na formulação com base em aminoácidos para cada exploração e contexto económico, só se pode fazer com aqueles produtos biodisponíveis realmente fiáveis. Para trás ficam os dias em que nos centrávamos somente nos níveis de proteína bruta. Devemos reformular as nossas dietas até alcançar níveis adequados de lisina e metionina com o objectivo de melhorar os custos de produção e a eficiência proteica (rentabilidade da ração), ao mesmo tempo que nos preocupamos pelo meio ambiente. Formular com Smartamine ®, Metasmart ® e LysiPEARL™ permitirá alcançar “grandes rentabilidades”. Reformule as suas dietas. De agora em diante, mais não significa melhor, no que diz respeito à proteína bruta. Para mais informação sobre estes produtos, por favor contacte a Kemin Tel + 351 214 157 501 ou +351 916 616 764 - www.kemin.com MetaSmart® is a Trademark of Adisseo France S.A.S. 2015_advert Smartmilk_port.indd 1

12/06/15 10:57

RUMINANTES OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2017 43


ECONOMIA

Índice VL e Índice VL-ERVA “CONTINUA LENTA A RECUPERAÇÃO DOS PRODUTORES PORTUGUESES” POR ANTÓNIO MOITINHO RODRIGUES, DOCENTE/INVESTIGADOR, CERNAS-IPCB, ESCOLA SUPERIOR AGRÁRIA DO INSTITUTO POLITÉCNICO DE CASTELO BRANCO; CARLOS VOUZELA, DOCENTE/INVESTIGADOR, IITAA, UNIVERSIDADE DOS AÇORES, R. CAPITÃO JOÃO D’ÁVILA – PICO DA URZE, 9700-042 ANGRA DO HEROÍSMO, AÇORES, PORTUGAL E NUNO MARQUES, REVISTA RUMINANTES

Analisamos neste número da Ruminantes os Índices VL e VL - ERVA para o trimestre de maio a julho de 2017. Consultando os dados do SIMA-GPP (2017) durante o período em análise, verifica-se que o preço médio pago pelo leite aos produtores individuais do continente se situou entre 0,292 €/ kg em maio e 0,289 €/kg em julho (-0,9%), enquanto que o preço médio pago aos produtores individuais da Região Autónoma dos Açores apresentou uma evolução favorável tendo variado entre 0,273 €/kg em maio e 0,274 €/kg em julho (+0,4%). Analisando os dados fornecidos pelo MMO (2017) para o mesmo período de maio a julho de 2017, a média de preços do leite pago aos produtores continuou a ser muito inferior em Portugal (0,287

€/kg) quando comparado com a média da União Europeia (UE28) (0,334 €/ kg). Por incrível que pareça, em julho de 2017, só os produtores da Roménia (0,267 €/kg) e da Lituânia (0,277 €/kg) receberam menos pelo leite que as sua vacas produziram. Perante este facto, parece poder afirmar-se que, salvo raras exceções, as organizações (cooperativas e empresas privadas) que recolhem e transformam o leite em Portugal continuam a não conseguir acrescentar valor ao produto leite, recorrendo à via mais fácil que é pagar mal aos produtores. Os preços médios das principais matérias-primas utilizadas na formulação dos alimentos compostos utilizados neste trabalho tiveram pouca variação durante o trimestre. Esta situação traduziu-se numa variação dos custos dos

EVOLUÇÃO DO ÍNDICE VL e ÍNDICE VL-ERVA JULHO DE 2016 A JULHO DE 2017 Os valores são influenciados pela variação mensal do preço do leite pago ao produtor individual do continente (Índice VL) e da Região Autónoma dos Açores (Índice VL - ERVA) e pelas variações mensais dos preços de 5 matérias-primas utilizadas na formulação do concentrado e dos alimentos forrageiros que integram o regime alimentar da vaca leiteira tipo. ÚLTIMOS 13 MESES

2016

2017

ÍNDICE VL

ÍNDICE VL ERVA

JULHO

1,458

1,874

AGOSTO

1,502

1,895

SETEMBRO

1,541

1,942

OUTUBRO

1,542

1,693

NOVEMBRO

1,564

1,707

DEZEMBRO

1,621

1,740

JANEIRO

1,546

1,663

FEVEREIRO

1,542

1,658

MARÇO

1,606

1,706

ABRIL

1,643

2,003

MAIO

1,660

2,024

JUNHO

1,664

2,053

JULHO

1,635

2,034

EVOLUÇÃO DO ÍNDICE VL

O Índice VL é influenciado pela variação mensal do preço do leite pago ao produtor no continente e pelas variações mensais dos preços dos alimentos que constituem o regime alimentar da vaca leiteira tipo (concentrado 9,5 kg/ dia; silagem de milho 33 kg/dia; palha de cevada 2 kg/dia).

2,0

Valores do Índice VL

DE JULHO DE 2012 A JULHO DE 2017

1,5

1,0 julho 2012

Valor do Índice VL Negócio saudável

44 OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2017 RUMINANTES

julho 2017

Limiar de rentabilidade Forte ameaça para a rentabilidade da exploração


ECONOMIA

EVOLUÇÃO DO ÍNDICE VL-ERVA DE JULHO DE 2013 A JULHO DE 2017 O Índice VL – ERVA é influenciado pela variação mensal do preço do leite pago ao produtor na Região Autónoma dos Açores e pelas variações mensais dos preços dos alimentos que constituem o regime alimentar da vaca leiteira tipo (primavera/verão 60 kg/dia de pastagem verde, 10 kg/dia de silagem de erva e de milho, 5,6 kg/dia de concentrado; outono/inverno 47 kg/dia de pastagem verde, 13,3 kg/dia de silagem de erva e de milho, 6,7 kg/dia de concentrado).

regimes alimentares de 0,6% no continente e de -0,1% na Região Autónoma dos Açores. A evolução do preço do leite e dos custos da alimentação refletiu-se no Índice VL e no Índice VL - ERVA que em julho de 2017 foi, respetivamente, de 1,635 e de 2,034. De referir que em julho de 2016 o Índice VL havia sido de 1,458 e o Índice VL - ERVA de 1,874. Um índice inferior a 1,5 indica forte ameaça para a rentabilidade da exploração leiteira, um índice entre 1,5 e 2 indica que a produção de leite é um negócio economicamente viável e um índice maior do que 2 indica que estamos perante uma situação muito favorável para a exploração (SchröerMerker et al., 2012). Durante o

Valores do Índice VL Erva

3,0

2,0

1,5

1,0 julho 2013

julho 2017

Valor do Índice VL - erva Negócio saudável

trimestre em análise o Índice VL atingiu no continente o valor mínimo de 1,635, em julho. Assim, pode-se concluir que os produtores de leite no continente se encontram muito próximo do limiar de rentabilidade da exploração e que está a ser lenta a recuperação para Índices VL mais elevados. Nos Açores, durante o mesmo período, o Índice VL-ERVA atingiu o valor mais baixo de 2,024 em maio, tendo aumentado para 2,034 em julho. Esta situação reflete melhor a realidade dos produtores da ilha de S. Miguel, local com maior produção leiteira, onde os preços pagos são mais elevados do que nas restantes ilhas do Arquipélago.

Limiar de rentabilidade

Forte ameaça para a rentabilidade da exploração

NOTAS: Relativamente ao mês de julho de 2016, em julho de 2017 o preço do leite pago aos produtores do continente foi maior em 1,7 cêntimos/kg e aos produtores dos Açores foi maior em 0,9 cêntimos/kg; Durante o trimestre em análise, e relativamente ao trimestre anterior, não houve variação representativa no preço das principais matérias-primas que entram na formulação dos alimentos compostos formulados. Verificou-se uma situação idêntica no preço dos alimentos forrageiros utilizados na formulação do regime alimentar; Os aspetos referidos anteriormente refletiram-se no Índice VL e no Índice VL ERVA que em julho de 2017 foram, respetivamente, de 1,635 e 2,034; REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: MMO (2017). European milk market observatory – EU historical prices. http:// ec.europa.eu/agriculture/milk-market-observatory/index_en.htm acesso em 20-09-2017. Schröer-Merker, E; Wesseling, K; Nasrollahzadeh, M (2012). Monitoring milk:feed price ratio 1996-2011. In: Chapter 2 – Global monitoring dairy economic indicators 1996-2011, IFCN Dairy Report 2012, Torsten Hemme editor, p 52-53. Published by IFCN Dairy Research Center, Schauenburgerstrate, Germany. SIMA-GPP (2017). Leite à produção - Preços Médios Mensais. Sistema de Informação de Mercados Agrícolas, Gabinete de Planeamento e Políticas. http:// www.gpp.pt/index.php/sima/precos-de-produtos-agricolas, acesso em 20-092017.

RUMINANTES OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2017 45


ALIMENTAÇÃO

LUÍS RAPOSO ENGENHEIRO ZOOTÉCNICO, DEPARTAMENTO RUMINANTES NA REAGRO l.raposo@reagro.pt

Vacas em regime extensivo Interesse económico em reduzir a mortalidade pré-desmame dos vitelos e o período entre partos.

A produção de bovinos de carne em regime extensivo visa o aproveitamento de todos os recursos disponíveis, de forma a garantir a manutenção da fêmea (reprodutora) em condições de produtividade adequadas e ao mais baixo custo possível (Rodrigues, 1998). Na maioria das explorações de bovinos em regime extensivo, verificamos que as vacas de raças autóctones são preferidas e esta escolha deve-se compreensivelmente às suas boas características naturais de elevada rusticidade e adaptação ao meio ambiente, facilidade de parto e boa aptidão maternal, boa capacidade leiteira, elevada longevidade, bons índices de fecundidade e de fertilidade

e, por fim mas não menos importante, apresentarem bons intervalos entre partos. O âmbito deste artigo visa focar e enfatizar a importância, em particular, das perdas de eficiência económica provocadas pela mortalidade pré-desmame dos vitelos e pelos elevados intervalos de dias entre partos (IEP). O bom maneio alimentar é outro dos fatores decisivos para rentabilizar a produção e maximizar o lucro duma exploração, pois os seus custos têm um enorme peso e devem ser minimizados de uma forma eficiente e sustentável, por forma a não comprometer também o rendimento dos animais. Neste âmbito, a tentativa de uma relação permanente

46 OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2017 RUMINANTES

entre a nutrição e os restantes fatores decisivos possibilita uma boa gestão da exploração e permite a criação de um programa alimentar bem estruturado. No mesmo contexto, e por forma otimizar a gestão e os custos, podemos suplementar os animais de uma forma estratégica, apenas em momentos pontuais e de particular importância. Seguindo os mesmos critérios de gestão de qualquer outra empresa, devemos também na gestão duma exploração de bovinos em regime extensivo procurar sempre rentabilidade económica. Assim, sabendo à partida que na melhor das hipóteses iremos produzir um vitelo desmamando por cada

vaca e por ano, este deverá ser o nosso objetivo. Produzir mais vitelos minimizando a mortalidade pré-desmame e reduzindo ao máximo o intervalo entre partos (IEP), são fatores chave para aumentar a rentabilidade da exploração e ambos têm um impacto direto no rendimento atribuído por vaca. Podemos considerar 369 dias como um IEP desejável. Agir sobre estes 2 indicadores, minimizando a duração dos períodos improdutivos de cada vaca e aumentando o número de vitelos desmamados por vaca e por ano, constituem o desafio a enfrentar para aumentar a competitividade da exploração!!!

ALGUMAS DAS PRÁTICAS UTILIZADAS PARA ATINGIR OS VALORES DESEJÁVEIS: 1 - Preparar as vacas antes dos partos Vacas em boa condição corporal no momento do parto recomeçam a “ciclar” mais precocemente e apresentam o cio mais cedo. Desta forma conseguem-se maiores índices de conceção. Para que possam ser feitas as devidas correções nutricionais é aconselhável a avaliação da condição corporal das vacas durante o último terço da

gestação. Um mês antes dos partos é importante garantir que a dieta está adequada às necessidades e desta forma será mais fácil que cada animal atinja a condição corporal desejada no momento do parto. Na fase anterior ao parto (8 e 9º mês de gestação) é importante não esquecer que devido à gestação a capacidade de ingestão das vacas está mais reduzida, no entanto por esse mesmo


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um parceiro


ALIMENTAÇÃO

TABELA 1 Exemplo de recomendação nutricional para vacas em fase pré-parto. MS INGERIDA (KG)

UFL

PDI (g)

Fim de Gestação 8º e 9º mês

10

6,5 (0,70/kg MS)

600 (70/kg MS)

Parto

11,5

8 (0,75/kg MS)

800 (70/kg MS)

FIGURA 3 Variação da percentagem de ocorrência de metrites e da taxa de sucesso na inseminação após parto, em função das dificuldades associadas ao parto.

20

30 25

15

% Metrites

% partos assistidos

25

10 5

0

2

2,5

3

3,5

4

11 - 12

4,5

68

27,1

64,6

65

21,6

20

62

15 10

59 10,4

58,4

56

54,9

5

53

0

50

Condição corporal ao parto Fonte: Réseau Cristal

Parto Parto Parto difícil fácil assistido (± cesariana)

Taxa fertilidade 1ª IA

FIGURA 1 Importância da condição corporal ao parto.

MAT (%)

% Metrites

maior tenderá a ser o número de dias até ao parto seguinte. No que toca ao IEP é importante referir que existe naturalmente alguma variação em função das diferentes raças. Além disso, o IEP é normalmente superior nas vacas primíparas. Nas figuras 2 a 4 estão visíveis as consequências de partos difíceis ou que requeiram assistência. Nesses casos, quanto mais complicados forem os partos maior será a ocorrência de metrites e mais reduzida a taxa de sucesso na inseminação seguinte ao parto (Fig.3). Da mesma forma, quanto mais complicados forem os partos maior será a taxa de mortalidade dos vitelos pré-desmame. (Fig.4)

% Taxa de sucesso da 1ª inseminação Fonte: VALLET et al.

+41 Dias

445

436

Intervalo entre partos

435 425

+10 Dias

415 405 395

401

405

395

385 375 365

1

2

3

4

Condições de parto Fácil

Muito Difícil

FIGURA 4 Efeito das dificuldades associadas ao parto na mortalidade dos vitelos. % mortalidade antes do desmame

FIGURA 2 Aumento do número de dias do IEP em função das dificuldades no parto.

30

Partos difíceis: mortalidade x 5

25

24

3

4

20 15 10 6

5

5 0

1

2

Condições de parto Fácil

Fonte: MIDATEST, 2011

motivo as suas necessidades são elevadas (Tabela 1). O ajuste do aporte nutricional da dieta permitirá evitar a eventual perda de peso provocada pelo decréscimo da ingestão voluntária. Como resultado de uma preparação adequada, teremos partos mais fáceis, com menor ocorrência de problemas e, se possível, sem necessidade da intervenção humana.

23

Muito Difícil Fonte: MIDATEST

Há claramente uma relação direta entre a dieta pré-parto e a condição corporal das vacas aquando do parto, pois um excesso de magreza ou obesidade nesta altura são normalmente sinónimo de dificuldades (Fig. 1). Consequentemente, estas dificuldades tendem a fazer crescer o número de dias do IEP (Fig.2). Quanto mais complicadas forem as parições

48 OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2017 RUMINANTES

2 – O Parto Após o parto é absolutamente primordial valorizar a importância da tomada do colostro e do impacto que isso terá na sobrevivência e princípio de vida do vitelo. Um colostro de qualidade (>10 g/l de imunoglobulinas), tomado atempadamente e nas quantidades mínimas exigidas (7-10% do peso do vitelo à nascença), poderá ter um grande impacto na redução da mortalidade do vitelo prédesmame (Fig. 5). A transferência passiva de imunidade, da vaca para o vitelo, através do colostro está relacionada com o efeito da ingestão de uma quantidade mínima de imunoglobulinas (IgG) por parte do vitelo. A transferência de IgG da vaca para o vitelo será reflexo da qualidade do colostro e do volume ingerido, sendo tanto mais efetiva quanto mais rico

em IgG for o colostro. É importante reter que a qualidade do colostro está muito associada à qualidade da dieta das vacas gestantes, sendo por isso aconselhável repensar a estratégia quando a qualidade do colostro é recorrentemente fraca.

3 – Pós-parto Após o parto aumenta a capacidade de ingestão da vaca e aumentam as suas necessidades para a produção de leite. O objetivo é promover não só a produção de leite mas também a sua qualidade nutricional, pois isso permitirá o crescimento e desenvolvimento saudável do vitelo, bem como o aumento da sua vitalidade e resistência contra as patologias. No entanto, há que evitar a perda de peso e de condição corporal, que prejudicam não só a lactação e o crescimento do vitelo como reduz as chances de sucesso na inseminação e gestação seguintes. Para atingir o objetivo dum reduzido intervalo entre partos há que promover rapidamente a nova gestação. O estado nutricional da vaca no pós-parto está entre os fatores que mais impacto têm sobre a reprodução e a fertilidade. Além de aumentar a probabilidade de ovulação, estaremos a assegurar ainda a lactação, o metabolismo basal e as necessidades para a atividade diária. Isto é ainda mais evidente nas fêmeas primíparas, pois ainda somam a necessidade energética para completar o seu próprio crescimento, com o crescimento do feto pré-parto, a lactação


ALIMENTAÇÃO

(%) Bezerros sobreviventes

FIGURA 5 Relação entre a qualidade do colostro e a taxa de mortalidade do vitelo

100

MORTALIDADE = 4 %

96 92

> 10 g/l < 10 g/l

88 84 80

MORTALIDADE = 20 % 20

1

40

60

Idade, em dias Fonte: Dracket, 2000.

TABELA 2 Exemplo de recomendação nutricional para vacas em fase de início de lactação. MS INGERIDA (KG)

UFL

PDI (g)

Inicio de Lactação

13

11 (0,70/kg MS)

1000 (70/kg MS)

Periodo de reprodução

14

11,5 (0,75/kg MS)

1200 (70/kg MS)

FIGURA 6 A condição corporal no pós-parto e a sua Influência no sucesso da gestação.

Taxa de gestação (%)

30 25 20 15 10 5 0

Magro

MAT (%)

12 - 14

vacas mal alimentadas já após o parto. Sendo esta uma situação muito comum, é importante reter que esta situação poderá prolongarse por períodos mais ou menos longos quando as vacas se apresentam demasiado magras e continuam mal alimentadas. Na alimentação pós-parto é primordial manter a condição corporal constante mantendo a boa condição física da manada (Tabela 2).

Bom estado

Estado Corporal no momento do tratamento Fonte: GRIMARD et al., 2003

e a recuperação do sistema reprodutor no pós-parto (Reis, 2010). Por outro lado, uma nutrição deficiente desde o parto à inseminação seguinte pode reduzir a fertilidade ao primeiro serviço (Fig. 6). A má condição corporal ao parto atrasa o primeiro ciclo e pode agravar-se em

CONCLUSÃO Uma dieta adequada durante o período reprodutivo e sem problemas durante as suas várias fases conduz ao sucesso reprodutivo, reduz as taxas de mortalidade dos vitelos e permite o controlo de um intervalo entre partos desejável.

RUMINANTES OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2017 49


ECONOMIA

LUÍS FIGUEIREDO MÉDICO VETERINÁRIO NA SVA luisfigueiredo@sva.pt

Indicadores de performance De uma exploração leiteira Com a evolução do setor leiteiro e o constante crescimento das explorações são necessárias melhores e mais eficazes ferramentas para suportar todas as decisões. O crescente foco na área económica conduz à necessidade cada vez maior de se ter uma visão global e precisa da produção e da operacionalidade da exploração. Áreas como a produção, reprodução, alimentação e saúde, são analisadas em tempo real pelo encarregado da exploração (Frandsen, 2013). O grande desafio é compilar informação de várias áreas distintas (por exemplo reprodução, alimentação) e conseguir ter uma leitura global de toda a atividade da exploração. Os indicadores chave de

performance (key performance indicators, KPI) são a informação que nos permitirá avaliar a performance, apoiar a tomada de decisões e promover a mudança em cada área da exploração, diariamente (Roenfeldt, 2011). A informação deve seguir um processo com 4 etapas: recolha, análise, interpretação e ação (Fuhrmann, 2006). Cada KPI deve ser acompanhado de uma definição. Por exemplo, se utilizarmos hipocalcemias como indicador de maneio do período de transição, podemos definir o indicador como “o número de

multíparas que desenvolveram sinais clínicos ou subclínicos de hipocalcemia”. A definição permite que todos saibam o que o indicador é. Depois é necessário definir um numerador e um denominador. O numerador é o que está a ser medido, o denominador diz-nos sobre que período de tempo ou grupo de animais a medida está a ser feita. A definição numerador e denominador assegura que o indicador é medido sempre da mesma forma e reportado sempre da mesma maneira (Roenfeldt, 2011).

Como selecionar um KPI: (Roenfeldt, 2011) • Objetivos de performance para cada área da exploração. • Não deve ter natureza histórica. Devem ser baseados em informação em tempo real, dando uma perspetiva imediata do que está a ser estudado. Por exemplo, KPI’s históricos incluem intervalo entre partos e dias abertos médios. Melhores indicadores para a área reprodutiva incluem: percentagem de vacas gestantes aos 125 dias em leite (DEL), taxa de deteção de cios ou taxa de prenhez.

Resumindo, os indicadores chave de performance devem: (Fuhrmann, 2006) • Ter um número reduzido de medições estratégicas; • Ser representativos das diferentes áreas da exploração;

50 OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2017 RUMINANTES


ECONOMIA

• Ser representativos da performance geral; • Ser medidos e monitorizados frequentemente.

• % de reposição >13 meses: percentagem de reposição no período reprodutivo em relação ao conjunto da reposição. Nº de Novilhas >13 meses / Nº animais reposição

INDICADORES CHAVE DE PERFORMANCE O trabalho de assessoria na área de gestão técnica e económica de explorações leiteiras, desenvolvido nos últimos anos, assenta numa constante obtenção, análise e interpretação de índices que suportam toda a tomada de decisões. Sendo impossível caracterizá-los todos neste artigo, seguimos com uma seleção que achamos ser representativa das diferentes áreas da exploração leiteira:

Efetivo • Vacas totais: nº médio de vacas adultas (vacas com pelo menos um parto) presentes na exploração, num período determinado. • % de vacas em produção: percentagem de vacas adultas em produção num período determinado. É um ponto de referência da produtividade real dos animais da exploração. Quanto maior a %, mais eficiente será a exploração. Nº de Vacas ordenhadas / Nº Vacas presentes x 100

• Média de lactações: número médio de lactações de todos os animais adultos presentes. ∑ Nº de lactação / Nº de Vacas OBSERVAÇÃO: este dado não se refere à longevidade das vacas.

• % Reposição /Vacas adultas: percentagem de animais de reposição em relação ao efetivo adulto. INFORMAÇÃO MUITO ÚTIL PARA: 1. Prever a evolução do censo e a produção da exploração 2. Realizar previsões técnicas (partos, inseminações) e económicas 3. Facilitar cálculos de índices de eficiências ou ineficiências reprodutivas.

Taxa de deteção de cios = nº de vacas inseminadas / nº de vacas elegíveis para serem inseminadas Taxa de conceção = nº de vacas gestantes / nº de vacas inseminadas

x 100

Outra grande vantagem da utilização de KPIs é a possibilidade de podermos fazer uma avaliação comparativa, benchmarking, entre diferentes explorações de dimensões semelhantes, mesma localização geográfica e sistemas de maneio idênticos (Nebel, 2013).

Taxa de prenhez = Taxa de deteção de cios X Taxa de conceção

Produção/Produtividade • Picos de produção: a obtenção deste dado não é muito homogénea para todas as explorações, devido às diferentes fontes de informação (contraste leiteiro/interface sala de ordenha), à periodicidade (mensal, diária) ou ao próprio cálculo. Por isso, a comparação somente será possível entre informação obtida da mesma forma. Trata-se da quantidade máxima produzida (litros) em qualquer dia (DEL) da presente lactação, diferenciando claramente as vacas e as novilhas pelas peculiaridades da curva de lactação. Nas explorações onde a única medida individual de leite é obtida pelo contraste, é avaliada a média do leite produzido por todas as vacas e novilhas compreendidas entre os 45 e os 100 DEL, à data do contraste. • Leite vendido por vaca presente/ ano: leite efetivamente vendido (≠ de produzido), no período de um ano civil, dividido pelo número médio de animais adultos presentes na exploração (nesse mesmo ano).

Reprodutivo • Intervalo parto – conceção: média de dias entre o parto e a conceção de todos os animais confirmados gestantes. Processam-se os dados de todos os animais ativos no dia da análise e sempre desde o início do último período reprodutivo de cada animal. • % Vacas problema (>150 DEL NDG): percentagem de vacas com mais de 150 DEL e não confirmadas gestantes, em relação a todos os animais com mais de 50 DEL (ou o período voluntário de espera definido). • Média de dias em leite: média de dias entre o parto e a data de análise de todos os animais em produção. • % Vacas gestantes: percentagem de vacas confirmadas gestantes no dia da análise em relação ao efetivo total. Inclui as vacas secas. • Taxa de prenhez (Pregnancy Rate): percentagem de vacas que ficaram gestantes num determinado espaço de tempo (21 dias, normalmente) após o período voluntário de espera.

• Idade ao 1º parto (projetada): período de tempo, expresso em meses, entre o nascimento e o parto de todas as novilhas gestantes no momento da análise.

Saúde • % Vacas eliminadas com <100 DEL: percentagem de animais mortos ou eliminados antes dos 100 DEL. Todas as eliminações antes dos 100 DEL são involuntárias e são um indicador do maneio do período de transição. Nº de animais eliminados <100 DEL / Nº de animais eliminados

• Contagem de Células Somáticas (no tanque): média aritmética do cálculo mensal CCS no tanque, obtida a partir da informação fornecida pelo laboratório. • % de Mastites: percentagem de casos de mastites clínicas. Nº de mastites clínicas / Nº de animais em ordenha X 100

Alimentação • Ingestão de Matéria Seca (MS) (kg): média da quantidade de matéria seca ingerida por animal num determinado período. Peso total do unifeed X % de Matéria seca do bolo alimentar / Nº total de vacas em lactação

• Índice de conversão (L/kg de MS): quantidade de litros produzidos por cada kg de MS ingerido Leite total do tanque (dia) / kg de MS distribuídos no unifeed

Económico • Custo alimentação vacas produção/L de leite produzido: custo por litro do bolo alimentar das vacas em produção Custo total dos alimentos introduzidos no unifeed (dia) / Leite vendido (dia)

• Número de litros / Trabalhador / dia: quantidade de leite vendido por cada horário completo de trabalho (8 horas diárias) Nº de litros vendidos / Nº de trabalhadores (horários completos)

A escolha dos índices a monitorizar poderia ser, certamente, diferente e bastante mais

RUMINANTES OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2017 51


ECONOMIA

exaustiva. Aquando da necessidade de estudar pormenorizadamente alguma área da exploração, novos índices devem ser gerados e acompanhados ao longo do tempo. O desafio era, com um número limitado de índices, podermos fazer uma avaliação preliminar do estado da exploração. Este tipo de avaliação transmite-nos informação real que pode ser utilizada pelo produtor, pelos técnicos assistentes, por fornecedores ou até pelas instituições bancárias, com o objetivo sempre presente de melhorar a performance técnica, mas principalmente económica da exploração, suportando a boa tomada de decisões.

de trabalho da exploração. Ao longo deste tempo várias decisões foram sendo tomadas, sempre apoiadas nos índices gerados, com o objetivo de minimizar as limitações produtivas e de saúde do efetivo. De forma resumida e cronológica referimos algumas medidas tomadas (KPI a avaliar):

Na Tabela 1 vemos representados 4 anos

• 2013: introdução da 3ª ordenha (leite

• 2009: introdução de um programa de assessoria em Qualidade do Leite e alteração dos protocolos hormonais reprodutivos (taxa de mastites e intervalo parto – conceção) • 2011: novo parque de vacas secas e alteração de protocolos pós-parto (picos de produção)

2009

2011

2013

2015

EFETIVO

Vacas Totais (nº)

Além das melhorias nos resultados técnicos, podemos ver que, economicamente, de uma forma muito redutora e analisando apenas os dois índices presentes na Tabela 1, há uma diminuição do principal custo variável, a alimentação dos animais de produção, assim como de um dos principais custos fixos, a mão-de-obra.

CONCLUSÃO

TABELA 1 Resultados de uma exploração do Entre-Douro e Minho. Fonte SVA. INDICADORES

vendido/vaca presente) • 2015: alteração de todo o maneio alimentar (índice de conversão)

O registo e a monitorização de indicadores chave de performance, mais ou menos exaustivos, são uma ferramenta base de trabalho para qualquer exploração leiteira, que nos permite: • Conhecer com critério unificado os resultados técnicos das explorações

49

56

61

71

% Vacas em Produção

87%

90%

90%

90%

Média de Lactações (nº)

2,39

2,20

2,28

2,38

% Reposição/Vacas adultas

94%

84%

81%

73%

• Dados de uso obrigatório no planeamento técnico e económico dos resultados das explorações leiteiras

51%

50%

51%

50%

• Comparar exercícios da exploração

Picos Vacas (45-100DEL) (L)

40,4

42,2

44,4

50,8

• Comparar explorações com segurança e fiabilidade

Picos Novilhas (45-100DEL) (L)

32,0

33,2

35,2

40,5

Leite vendido/vaca presente/ano (L)

9.110

10.435

11.584

13.021

Intervalo Parto - Conceção (dias)

150

127

119

114

% Vacas Problema (>150DEL NDG)

15%

13%

14%

15%

% Reposição > 13 meses PRODUÇÃO/PRODUTIVIDADE

REPRODUTIVO

DEL médios % Vacas Gestantes Taxa de Prenhez % (mensal)* Idade ao 1º Parto (meses)

175

172

174

175

47%

52%

52%

50%

18,2%

9,7%

10,1%

11,1%

25,6

24,3

24,5

24

28%

30%

44%

29%

SAÚDE

% Vacas Eliminadas < 100 DEL CCS no tanque (x1000) % de Mastites

201

192

123

137

63,0%

23,9%

9,8%

7,0%

19,84

21,54

22,8

23,05

1,44

1,47

1,55

1,71

ALIMENTAÇÃO

Ingestão de MS (kg) Índice de conversão (L/kg MS) ECONÓMICO

Custo Alimentação Vacas Produção (€/L)

NR

NR

0,152

0,135

Nº Litros Trabalhador/dia (L)

614

796

780

1015

*o cálculo de taxa de prenhez, realizado através do programa informático da exploração, não é fidedigno. L – litros MS – matéria seca DEL – dias em leite NDG – não diagnosticadas gestantes NR – não registado

52 OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2017 RUMINANTES

• Substituir as sensações ou perceções subjetivas pelo conhecimento quantitativo e objetivo • Dispor de informação histórica, útil para contrastar os diferentes exercícios e recordar, facilmente, a efémera memória histórica de produtores e técnicos.

“NÃO SE CONTROLA O QUE NÃO SE MEDE, NÃO SE MEDE O QUE NÃO SE DEFINE, NÃO SE DEFINE O QUE NÃO SE ENTENDE, OU SEJA, NÃO HÁ SUCESSO NO QUE NÃO SE CONTROLA“ (adaptado de W. Edwards Deming)


A inovação ao Seu serviço

www.lely.com

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ALIMENTAÇÃO

A importância da recria das futuras produtoras de leite A condução e o maneio das novilhas de hoje influenciam as performances técnicas e económicas das explorações leiteiras de amanhã. Como tal, iremos apresentar neste artigo um estudo prático realizado em Portugal, sendo esta análise focada apenas nos crescimentos de vitelas em recria até aos 2 meses de idade. Aproveitamos para agradecer ao Jack e Miriam (APECO – Herdade das Coelheirinhas), pela disponibilidade e simpatia que sempre demonstraram durante a realização de todo o ensaio.

INTRODUÇÃO O custo da recria de uma novilha contribui de forma significativa sobre o custo de renovação e a sua viabilidade. No entanto, o custo pode variar consideravelmente

devido à disponibilidade e qualidade das forragens e alimentos, como podemos observar na gráfico 1. O programa alimentar desenhado para as novilhas deve respeitar o potencial de produção e ter como objetivo maximizar a longevidade da futura vaca. Existem várias práticas diferentes na exploração e no que toca à alimentação, para preparação de uma boa “carreira leiteira”, pelo que as escolhas devem ser adaptadas ao sistema de cada exploração. No entanto, nós sugerimos um bom conhecimento do desenvolvimento das novilhas, de forma a ser realizada a primeira inseminação entre os 14-16 meses de idade com uma condição corporal adequada. Deste modo, o primeiro parto será, aproximadamente, aos 24 meses de idade, podendo o produtor aproveitar as vantagens produtivas demonstradas na gráfico 2.

nosso alimento de iniciação para os vitelos (FLOCO-START) cereais em flocos, uma vez que o tratamento térmico a que as matérias-primas são submetidas permite aumentar a digestibilidade e a qualidade higiénica das mesmas (Journal of Dairy Science Vol 90 No. 6, 2007). Este alimento é também constituído por alguns aditivos que contribuem para a prevenção de problemas respiratórios e para a gestão dos parasitas, nesta fase mais crítica do vitelo jovem. Como podemos observar na gráfico 3, existe uma forte relação entre o impacto de uma patologia respiratória e a produtividade.

GRÁFICO 2 A relação entre a idade do parto e a produtividade. O parto precoce melhora a produção e a longevidade das vacas 26898

1140 2.8

Devido à grande importância, numa exploração de leite, da realização de um correto maneio da recria e do seu impacto sobre a produtividade futura e consequente beneficio económico, desenhámos um alimento de iniciação para vitelos até aos 2 meses de idade. Além da preocupação habitual de satisfazer todos os parâmetros nutricionais de forma a obter o melhor resultado zootécnico, adicionámos ao

24431

1034

Produção Leite (kg)

Duração da vida produtiva (dias)

Parto tardio (33 Meses)

Custo de produção da novilha (Apenas custos alimentares) € 1800

1683€

1600 1340€

1400 1200

1059€

1000 800 600

SARA GARCIA ENGª ZOOTÉCNICA, DEPARTAMENTO TÉCNICOCOMERCIAL

400

0

1/4 Superior

54 OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2017 RUMINANTES

Médio

1/4 Inferior

Parto precoce (24 Meses)

1800 1600 1400

-250 L

1200

-433 L

1000 800 600 400 200 0

Antes Desmame

200

Número de Lactações

GRÁFICO 3 Impacto de uma patologia respiratória sobre a performance em lactação, antes e após o desmame. Reprodução Leiteira - 1ª Lactação (Litros)

PEDRO CASTELO DIRETOR TÉCNICO ZOOPAN pedro.castelo@zoopan.com

GRÁFICO 1 Custo de produção por novilha (€) para os diferentes grupos – grupo com custo superior, inferior e médio.

2.6

Testemunha

Após Desmame Problemas Respiratórios


ALIMENTAÇÃO

Estes aditivos contêm compostos com eficácia comprovada em: 1. Melhorar o conforto respiratório: a. Estímulo da ação antibacteriana b. Contribuição para a redução da tosse 2. Participar no bom funcionamento dos pulmões a. Ajuda na secreção de mucos 3. Favorecer o funcionamento do sistema imunitário. a. Uma resposta imunitária rápida b. Minimiza os problemas do trato respiratório

ÂMBITO Foi estabelecido um protocolo de ensaio entre a ZOOPAN – Produtos Pecuários, S.A. e a APECO – Herdade das Coelheirinhas, com o objetivo de testar os crescimentos de vitelas em recria, sujeitas a 3 regimes alimentares diferentes. A comparação destes regimes alimentares foi testada de forma a concluir qual o regime que permite obter melhores crescimentos, garantindo um bom desenvolvimento esquelético das futuras reprodutoras, proporcionando uma boa recria e consequentemente, uma idade de entrada à reprodução inferior.

MÉTODO EXPERIMENTAL Estabeleceu-se que a partir da data do início do ensaio – 17/03/2017 – todas as vitelas fêmeas nascidas na exploração fariam parte do ensaio, até se chegar a 7 animais por grupo (devido ao número de partos previstos para o período em que decorreria o ensaio). Apesar desta previsão, os grupos acabaram por ficar constituídos da seguinte forma: • Grupo TESTEMUNHA 1: 6 animais • Grupo TESTEMUNHA 2: 7 animais • Grupo FLOCO-START: 8 animais O Grupo TESTEMUNHA 1 acabou por ficar constituído por 6 animais, uma vez que um dos animais inicialmente colocado no grupo era macho e não fêmea como declarado inicialmente. O Grupo FLOCO-START ficou com 8

animais apenas por ter sido o último grupo a ser formado e de se querer aproveitar mais um animal para recolher dados e enriquecer o ensaio. A composição nutricional dos três regimes alimentares utilizados durante o ensaio, encontra-se descrita na tabela 1. A escolha das vitelas por grupo foi feita de forma completamente aleatória e realizada por uma pessoa externa sem nenhum interesse comercial. De forma a não interferir com a logística humana e de maneio da exploração, optou-se por utilizar o perímetro torácico como indicador técnico a analisar. O perímetro torácico foi recolhido através de uma fita métrica (em centímetros), pelo contorno medido à volta do tronco, imediatamente atrás das espáduas, estando o animal em pé e com a cabeça levantada. Após se recolher o perímetro torácico em centímetros, o mesmo era convertido em Kg de Peso Vivo, através da equação de Garcia et al, 2009, citados por Paço, S. M., 2014: PV= 78,4139-2,35177xPT+0,0244963xPT2 Em que: PV – Peso Vivo (Kg) PT – Perímetro Torácico (cm)

Durante o ensaio eram recolhidas 3 medidas do perímetro torácico das vitelas: PTn – Perímetro Torácico ao Nascimento PTi – Perímetro Torácico Inicial PTf – Perímetro Torácico Final Sendo que, o PTi corresponde à medição do perímetro torácico da vitela ao 3º dia de vida, altura em que inicia o programa alimentar proposto, e o PTf corresponde ao 63º dia de vida da vitela, isto é, 60 dias após ter iniciado o programa alimentar proposto.

RESULTADOS Na Tabela 2, são apresentados os resultados obtidos durante o ensaio, agrupados de acordo com o regime alimentar a que as vitelas foram submetidas – Grupo TESTEMUNHA 1, Grupo TESTEMUNHA 2 e Grupo FlocoStart - de forma a tornar mais objetiva a sua leitura e análise. Para todos os animais em ensaio foi calculada também a variação entre o peso inicial e o peso final, bem como o ganho médio diário, de acordo com a data de nascimento e a data da última

TABELA 1 Composição nutricional de cada um dos regimes alimentares utilizados durante o ensaio. TESTEMUNHA 1

TESTEMUNHA 2

FLOCO-START

Proteína Bruta (%)

19,0

16,6

17

Gordura Bruta (%)

2,8

3,7

3

Fibra Bruta (%)

7,0

14,6

6

Cinzas (%) Sódio (%)

7,2

8,6

6,5

0,25

0,64

0,27

Cálcio (%)

1,02

1,0

Fósforo (%)

0,37

0,5

Magnésio (%)

0,34

0,2

Cobalto (mg/Kg)

0,79

2

0,5

Cobre (mg/Kg)

15

20

20

Iodo (mg/Kg)

1,5

2

0,98

Ferro (mg/Kg)

41

200

Manganês (mg/Kg)

130

40

75

Selénio (mg/Kg)

0,3

0,3

0,3

Zinco (mg/Kg)

130

50

100

Vitamina A (UI/Kg)

10000

10000

10000

Vitamina D3 (UI/Kg)

2000

2000

1500

Vitamina E (UI/Kg)

20

27

40

medição. Este valor está representado em quilogramas (Kg). Será nestes valores que será baseada a discussão dos resultados, para que os crescimentos possam ser comparáveis entre grupos. Há ainda a referir que durante todo o ensaio foi visível (apesar de não ser mensurável) a maior vitalidade e saúde geral das vitelas no grupo FLOCO-START, especialmente quando comparadas com as vitelas dos outros grupos. As medições negativas do Perímetro Torácico entre a data de introdução do alimento e o nascimento podem atribuirse ao facto de as vitelas perderem algum peso após o nascimento.

DISCUSSÃO DE RESULTADOS Após recolha de todas as medições e posterior conversão para Kg de Peso Vivo, optou-se por apresentar os dados sob a forma de média aritmética, como se pode verificar pelo gráfico 4. Através do gráfico pode verificar-se que entre cada regime alimentar existem diferenças ao nível dos crescimentos das vitelas, aqui analisados à luz dos pesos vivos das mesmas. As vitelas do Grupo TESTEMUNHA1 obtiveram, em média, variações de peso entre o início e o final do ensaio na ordem dos 30,72Kg. Por sua vez, as vitelas do

RUMINANTES OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2017 55


ALIMENTAÇÃO

Grupo TESTEMUNHA 2 demonstraram em média uma variação de 34,72Kg, e por fim, as fêmeas do Grupo FLOCO-START demonstraram uma média de variação de peso final – peso inicial de 38,44Kg. Para além do cálculo dos valores de variação peso final – peso inicial, foi também calculado o Ganho Médio Diário (GMD), em Kg, para cada um dos grupos

CONCLUSÕES

presentes no ensaio. Através do gráfico 5 podem ser analisados esses crescimentos diários. Da análise do gráfico 5, pode verificar-se que os resultados em termos de Ganhos Médios Diários foram todos acima dos 0,500 Kg, sendo de 0,529 Kg no Grupo TESTEMUNHA 1, 0,538 Kg no Grupo TESTEMUNHA 2 e de 0,649 Kg no Grupo FLOCO-START.

Após a análise dos resultados, pode concluir-se que as vitelas alimentadas no Grupo FLOCO-START foram as que obtiveram, em média, maiores crescimentos durante o período de ensaio (0,649 Kg/dia), enquanto as vitelas do Grupo TESTEMUNHA 1 foram as que obtiveram os ganhos médios diários inferiores, em média 0,529 Kg/dia. De forma a que o ensaio seja enriquecido com mais dados e mais informação foi também sugerido ao produtor que a vida produtiva das vitelas utilizadas no ensaio seja acompanhada, de forma a recolher informações como: data à 1ª Inseminação Artificial (IA), data do 1º parto e produção em litros de leite à 1ª lactação. Com estes dados será possível aferir qual a influência que os três regimes alimentares poderão ter, tanto no início de vida das fêmeas como na sua vida produtiva e reprodutiva. Seria também enriquecedor conseguir repetir o ensaio noutra exploração, onde o número de animais em cada grupo pudesse ser superior.

GRÁFICO 4 Representação gráfica, em forma de média aritmética, da variação de peso entre o início e o final do ensaio (em Kg). GRÁFICO 5 Representação gráfica, em forma de média aritmética, dos Ganhos Médios Diários de cada Grupo (em Kg).

45 38,44 40 34,72 35

[VALUE]

0,700

0,649

30 0,600 25

0,538

0,529

0,500

20

0,400

15

0,300

10

0,200

5

0,100

0

0,000 Testemunha 1

Testemunha 2

Testemunha 1

Floco-start

Testemunha 2

Floco-start

PESO DATA INTR. ALIMENTO (KG)

VARIAÇÃO PINICIAL-PESO INTR. ALIMENTO (KG)

MEDIÇÃO FINAL ENSAIO (CM)

PESO FINAL ENSAIO (KG)

VARIAÇÃO MED FINAL - MED INICIAL (CM)

VARIAÇÃO PFINAL-PINICIAL (KG)

GANHO MÉDIO DIÁRIO (KG)

37,28

TESTEMUNHA 1

80

47,05

7,00

9,77

96

78,40

16,00

31,35

0,65

19/05/17

63

74

38,52

TESTEMUNHA 1

77

42,57

3,00

4,04

94

73,80

17,00

31,23

0,57

19/05/17

62

17034 28/04/17

82

50,28

TESTEMUNHA 1

86

57,34

4,00

7,05

100

88,20

14,00

30,86

0,57

03/07/17

66

17037

10/05/17

81

48,64

TESTEMUNHA 1

82

50,28

1,00

1,64

101

90,77

19,00

40,49

0,65

14/07/17

65

17036

10/05/17

84

53,71

TESTEMUNHA 1

83

51,97

-1,00

-1,74

98

83,20

15,00

31,23

0,45

14/07/17

65

17038

11/05/17

79

45,51

TESTEMUNHA 1

78

44,01

-1,00

-1,49

89

63,14

11,00

19,13

0,28

14/07/17

64

17021

60

DIAS DE VIDA

MEDIÇÃO DATA INTR. ALIMENTO (CM)

73

18/03/17

DATA MED FINAL

GRUPO

17/03/17

17019

VARIAÇÃO PTORÁC. INTR. ALIMENTO PTORÁC. INICIAL (CM)

MEDIÇÃO NASCIMENTO (CM)

17018

Nº DE CASA

DATA DE NASCIMENTO

PESO NASCIMENTO (KG)

TABELA 2 Apresentação dos resultados obtidos, com identificação das vitelas presentes no ensaio (nº de casa), regime alimentar a que foram sujeitas e respetivas medições de Perímetro Torácico (cm) e conversão em Peso Vivo (Kg).

20/03/17

79

45,51

TESTEMUNHA 2

82

50,28

3,00

4,78

96

78,40

14,00

28,12

0,55

19/05/17

17022 25/03/17

83

51,97

TESTEMUNHA 2

81

48,64

-2,00

-3,33

98

83,20

17,00

34,56

0,48

29/05/17

65

17023 28/03/17

79

45,51

TESTEMUNHA 2

80

47,05

1,00

1,54

94

73,80

14,00

26,75

0,46

29/05/17

62

17029 08/04/17

83

51,97

TESTEMUNHA 2

84

53,71

1,00

1,74

106

104,37

22,00

50,66

0,73

19/06/17

72

17028 08/04/17

80

47,05

TESTEMUNHA 2

81

48,64

1,00

1,59

96

78,40

15,00

29,76

0,44

19/06/17

72 71

17031

09/04/17

81

48,64

TESTEMUNHA 2

82

50,28

1,00

1,64

100

88,20

18,00

37,92

0,56

19/06/17

17030 09/04/17

76

41,17

TESTEMUNHA 2

79

45,51

3,00

4,34

97

80,78

18,00

35,27

0,56

19/06/17

71

17025 02/04/17

81

48,64

FLOCO-START

81

48,64

0,00

0,00

101

90,77

20,00

42,13

0,65

06/06/17

65

17026 03/04/17

76

41,17

FLOCO-START

79

45,51

3,00

4,34

100

88,20

21,00

42,69

0,73

06/06/17

64

17027 03/04/17

76

41,17

FLOCO-START

80

47,05

4,00

5,88

93

71,57

13,00

24,52

0,47

06/06/17

64

17032

21/04/17

78

44,01

FLOCO-START

80

47,05

2,00

3,04

100

88,20

20,00

41,15

0,72

21/06/17

61

17033

28/04/17

81

48,64

FLOCO-START

84

53,71

3,00

5,07

104

98,78

20,00

45,07

0,76

03/07/17

66

17039

12/05/17

79

45,51

FLOCO-START

81

48,64

2,00

3,14

99

85,68

18,00

37,04

0,64

14/07/17

63

17040 13/05/17

81

48,64

FLOCO-START

83

51,97

2,00

3,33

101

90,77

18,00

38,80

0,68

14/07/17

62

17041

82

50,28

FLOCO-START

80

47,05

-2,00

-3,23

98

83,20

18,00

36,15

0,53

14/07/17

62

13/05/17

56 OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2017 RUMINANTES


GENÉTICA

Procross em modo biológico por terras dinamarquesas

IMAGEM 1 Gert Glob Lassen.

Entrevista a Gert Glob Lassen POR RUMINANTES

A Dinamarca possui atualmente uma posição bem consolidada no setor leiteiro, posição essa que remonta há várias centenas de anos. Com as boas condições edafoclimáticas do território, alimentos como o leite, queijo e manteiga estão profundamente enraizados nos hábitos de consumo dos dinamarqueses. E não só, já que os produtos lácteos constituem mais de 20% do total de exportações agrícolas do país, o qual regista uma produção anual na ordem dos 4.7 biliões de quilos de leite. Gert Glob Lassen é um apaixonado pelo setor desde os seus tempos de infância, e hoje encabeça a sua própria exploração leiteira em modo biológico, acerca do qual recebeu formação específica.

Apesar de reconhecer que o setor não atravessa uma fase fácil, estando sob pressão por parte da banca, revela que existe um otimismo crescente entre os produtores. Foi com agrado que partilhou a sua experiência com a Ruminantes, e nos explicou porque investiu no cruzamento ProCross. Ruminantes - O que mais gosta de fazer na exploração? E quantas horas trabalha? Gosto muito da ordenha, e também da sementeira de novas colheitas. Passo cerca de 50 a 80 horas por semana na exploração. Qual considera ser o traço de personalidade que o torna num melhor produtor? O meu grau de planeamento

58 OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2017 RUMINANTES

das tarefas diárias da exploração, visando sempre melhorar a eficiência produtiva. Qual tem sido o maior desafio este ano? O tempo tem estado muito frio, e o Verão bastante húmido. Para onde vende o leite? O leite é vendido à JBJ-OST, uma pequena cooperativa que engloba 27 produtores. Todo o leite recolhido é utilizado no fabrico de queijo, direcionado principalmente para o mercado interno. Quando introduziu o programa ProCross na sua exploração? E porque escolheu este programa em particular? Em 2002. Sabia que seria o programa certo para obter

animais com as características que desejava. Quais são as principais vantagens deste cruzamento? Permite-nos obter produções altas, boa conformação e bons aprumos, bons índices reprodutivos, grande longevidade e saúde robusta em geral. Nota alguma diferença entre os vitelos puros e cruzados? Tenho a perceção que os vitelos cruzados são mais robustos ao nascimento e que têm melhores taxas de crescimento. Os vitelos cruzados trazem lucro acrescido aquando da sua venda? Sim, obtemos cerca de 30 euros de lucro extra por vitelo.


ProCROSS

O Único programa de crossbreeding no mundo já provado A VikingRed Transmite • • • • •

Partos muito fáceis Execelente saúde do casco Muito boas caracteristicas de saúde Execelente saúde do ubere Altas produções Alguns dos actuais melhores touros que estão disponiveis • • • • • •

VR Hammer VR Tuomi VR Flame Pell-Pers Gunnarstorp V Föske

NTM NTM NTM NTM NTM NTM

+25 +19 +18 +13 +12 +10

Para mais informações contacte-nos:

+351 917 534 617

Foto: Elly Geverink

carlosserra@unigenes.com


GENÉTICA

Que percentagem do seu efetivo tem vigor híbrido? Está a pensar aumentá-la? Não consigo precisar a percentagem atual, mas estamos a tentar mantê-la o mais elevada possível, utilizando o programa da VikingGenetics®. O que diferencia os animais cruzados das restantes raças presentes no mercado dinamarquês? O cruzamento permite reunir características desejáveis das várias raças, resultando numa vaca com boa produção e excelente saúde. Como descreveria sucintamente as vacas ProCross? São animais de maneio fácil e com grande potencial produtivo. Como é a adaptação delas à pastagem? A adaptação é fácil, precisamos apenas de adequar a pastagem ao tamanho do efetivo. Quais são as vantagens deste cruzamento em termos de custos de saúde? O nosso custo total com despesas veterinárias e medicamentos no ano passado foi de menos de 50 euros por vaca, incluindo práticas de descorna e vacinações. Que tipo de sala de ordenha tem? Possuo uma ordenha rotativa de 28 pontos.

Como é que estas vacas se comportam na sala de ordenha? Muito bem, têm um temperamento calmo, nada nervoso. Qual é a produção leiteira média na sua exploração? Estamos com uma produção de 12 000 kg de leite ECM (4,0% de gordura e 3,4% de proteína). E no que diz respeito à qualidade do leite? A contagem de células somáticas (CCS) é de 160 000 cél./ml. Considera que estes valores são semelhantes aos obtidos com vacas Holstein ou Vermelha Sueca em linha pura? Considero que sim, já que estes valores estão intimamente dependentes de práticas de maneio, nutrição e alojamento. Que sistema alimentar usa? Utilizo o Sistema Unifeed (TMR). Que tipo de forragens utiliza? Silagem de erva/trevo, centeio, concentrado proteico (proteína degradável no rúmen, girassol e soja). Que indicadores produtivos usa na gestão da exploração? Eficiência alimentar, CCS, kg leite produzido/kg de matéria seca. Define objetivos anuais? Quais? Almejamos atingir os 12 500 kg

Dados gerais da exploração Área da exploração: 520 hectares Nº empregados: 4 Efetivo: 325 vacas em produção e 200 novilhas Produção leiteira média aos 365 dias: 12 000 litros/vaca Produção média diária: 36 litros/vaca GB (%): 4,00 PB (%): 3,4 CCS: 160 000 cél/ml Idade média ao abate: 5,1 anos Taxa de refugo anual: 21% Taxa de substituição anual: 21%

Dados Reprodutivos Idade ao primeiro parto: 24,5 meses IEP: 380 dias Nº IA/vaca gestante: 2.5 Taxa de deteção de cios: 68% Taxa de fertilidade: 48% Intervalo parto - 1ª inseminação: 84 dias (objetivo de chegar aos 80) Nº médio de dias em aberto: 103

de leite ECM por vaca, mantendo uma taxa de substituição de 20-25% e os custos veterinários abaixo dos 50 euros por animal. Como estabelece esses objetivos? E com quem? Os objetivos resultam de um esforço conjunto entre todos os empregados e colaboradores.

IMAGEM 2 Vacas Procoss perfeitamente adaptadas a um regime biológico.

60 OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2017 RUMINANTES

Faz benchmarking com outras explorações? Sim. Pretende fazer investimentos num futuro próximo? Sim, iremos construir um novo viteleiro e investiremos também em novas camas para as novilhas e vacas secas. Qual é a coisa de que mais se orgulha na sua exploração? O facto de vacas criadas em regime biológico, bem como as respetivas pastagens, atingirem um tão bom grau de produção.


ATUALIDADES

LELY CENTER SÃO FÉLIX DA MARINHA ORGANIZA PORTAS ABERTAS No passado mês agosto, o Lely Center São Félix da Marinha organizou mais uma Jornada de Portas Abertas, agora na exploração de António Balazeiro, Quinta do Ral, situada na freguesia da Junqueira no concelho de Vila do Conde. A exploração conta sempre com 160 a 170 animais em produção e médias de produção superiores a 36 litros vaca dia. Está equipada com três robots Lely Astronaut A4 e um tanque Nautilus N14, dois deles instalados há 20 meses e o terceiro há cerca de ano e meio quando a ordenha ficou toda automatizada. Esta exploração é um espelho de outras, que decidiram investir na automatização devido à falta de mão de obra e à necessidade de renovação, para fazer face aos desafios do futuro. A jornada de Portas Abertas permite a visita, por parte de todos os interessados e em especial os produtores de leite a uma exploração com equipamentos Lely em pleno funcionamento, permitindo a interação entre estes para partilha de experiências. O evento teve um grande sucesso e contou com a presença de mais de 500 visitantes.

RUMINANTES OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2017 61


GENÉTICA

Sémen congelado em ovelhas Suffolk Subindo a pirâmide genética

O que têm em comum os quatro sócios que compõem a sociedade “Quinta da Malhada Ovinos Suffolk”, em Évora? O gosto pela produção ovina, na qual almejam distinguirse enquanto criadores de genética de topo. E formação não lhes falta, não fossem Vítor Duarte, Alexandre Mourato e Rui Martins médicos veterinários e António Amaral enfermeiro veterinário. POR RUMINANTES FOTOGRAFIAS DE ANTÓNIO AMARAL E MADALENA HENRIQUES DA SILVA

Este é um projeto que se iniciou há dois anos, com António e Alexandre. Vítor juntou-se mais tarde, trazendo consigo a exploração, alguns animais e o desejo de enveredar pela área, e Rui consolidou a sociedade, à qual se juntou há três meses. O objetivo é claro: vender reprodutores puros da raça Suffolk recorrendo a genética de topo. Ponderam ainda entrar no mercado dos Texel em linha pura, e eventualmente pensar em cruzamentos entre as duas raças, algo que admitem ser apenas uma ponderação a

longo prazo. Foi em Évora que António e Vítor receberam a Ruminantes, e nos contaram um pouco mais acerca desde projeto e seus objetivos. Ruminantes - Utilizam a raça Suffolk. O que vos levou a preferir a linha inglesa? Os animais desta linha têm melhores taxas de crescimento e melhores pesos ao desmame, quando em comparação com a linha francesa, o que nos agrada. Quanto à raça em si, a Suffolk apresenta melhor qualidade de

62 OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2017 RUMINANTES

carne quando em comparação com outras raças, sendo carne mais magra e desejada. Porque optaram pela Inseminação (IA) com sémen congelado? Optámos pelo sémen congelado porque queríamos ter acesso imediato a genética de topo, à qual não conseguiríamos ter acesso utilizando sémen fresco. A utilização de palhetas de sémen congelado permite-nos dar esse salto e utilizar genética ao nível de países como a Escócia e a Irlanda, sem ter de

comprar animais. Temos de ter em conta que alguns carneiros chegam aos 30 000 euros, o que constitui um grande investimento, considerando não só os custos de aquisição mas a probabilidade de ocorrência de doença e até mortalidade. Já uma palheta custa entre 20 a 25 euros, algumas chegando aos 35 euros, dependendo do macho. Que cuidados tiveram aquando da compra do sémen? O principal critério foi o emparelhamento. Procurámos


GENÉTICA

minimizar a consanguinidade e manter certas características do nosso agrado. Duas das fêmeas foram selecionadas com base no seu pedigree, e o sémen também foi escolhido já com vista ao emparelhamento. Outra fêmea, por exemplo, precisava de algumas melhorias em termos de aptidões cárnicas, e portanto escolhemos um carneiro com características especialmente desejáveis nessa área. No total utilizámos sémen de três carneiros distintos para oito fêmeas. O fornecedor foi o mesmo? Não, comprámos genética na Holanda e em Espanha, de machos escoceses e holandeses. Qual foi o processo de inseminação que utilizaram? Dada a utilização de sémen congelado, a inseminação foi feita por laparoscopia, com deposição direta no útero, a qual permite uma taxa de sucesso superior. A inseminação resultou de uma parceria com o Professor Carlos Bettencourt, o qual tem já bastante experiência na área, principalmente ao nível de caprinos. A manipulação do laparoscópio e a técnica de inseminação exigem formação

IMAGEM 2 E 3 A insuflar o abdómen e a observar o útero.

IMAGEM 4 Macas de imobilização.

específica, para não falar do acesso ao laparoscópio em si e a outros instrumentos, cujos valores são bastante avultados. Podem descrever-nos o procedimento? O primeiro passo é a sincronização de cios. Após a remoção das esponjas hormonais as ovelhas são colocadas em jejum durante 24 horas e, antes do procedimento, são deitadas e imobilizadas em macas, de modo a garantir o acesso ao abdómen, e a zona de incisão é dessensibilizada com recurso a anestesia local. São feitas duas pequenas incisões para as pinças do laparoscópio e insufla-se o abdómen de modo a permitir o acesso aos cornos uterinos, nos quais se faz uma pequena perfuração e deposição do sémen. O pós-cirúrgico é simples, as incisões são fechadas com recurso a agrafos e as ovelhas são deixadas em observação durante 24 horas. Têm alguma ideia da relação custo/benefício utilizando esta técnica reprodutiva? Ainda não, estamos numa fase muito precoce. As oito ovelhas foram inseminadas no dia 29 de julho, com confirmação da gestação em finais de agosto.

64 OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2017 RUMINANTES

Quais eram as vossas expetativas em termos de sucesso, e que resultados obtiveram? Tendo em conta este tipo de inseminação em ovinos, teríamos ficado satisfeitos com uma taxa de gestação de 33%. Os resultados, no entanto, surpreenderam-nos pela positiva, e tivemos uma taxa de gestação de 50%, com quatro ovelhas gestantes em oito inseminadas. E vão repetir? Provavelmente sim, esta é a forma mais rápida de se alcançar o topo da pirâmide no que toca a genética. Como é feito o maneio dos animais da exploração até à sua venda? O desmame é feito entre os 3,5 e os 4 meses. Se houver

mercado, vendemos logo ao desmame. Há interesse em vender os machos mais cedo, já que não temos como objetivo ficar com nenhum. No que toca às borregas, é sempre desejável ver como é o seu desenvolvimento, há animais que podem parecer menos capazes mas que, por volta dos 6 meses desabrocham, e até podemos ter interesse em ficar com elas. Fazemos uma seleção de acordo com as características que nos interessam, e estamos agora também de olho em concursos. Existem muitos criadores de Suffolk em Portugal, mais de 50. Porque devem escolher-vos como fornecedores desta raça? Em primeiro lugar porque usamos sémen de elevada qualidade genética, ao qual a maior parte dos produtores


GENÉTICA

não tem acesso. Para além disso, não deixamos nenhum cruzamento ao acaso, estudamos atentamente todos os emparelhamentos e genética disponível. Como pensam promover a venda destes animais? A publicidade é indispensável, e estamos a apostar em feiras e concursos, o que nos permitirá aumentar a visibilidade.

puros e cruzados. É importante considerar a adaptação da linha inglesa em Portugal, a qual ainda está a decorrer. Ao cruzarmos com animais nascidos cá, a descendência irá provavelmente ganhar uma certa adaptação, mas ao fim de cinco anos poderá ainda não ser suficiente para ter como objetivo a linha industrial. Em suma, queremos abranger os dois mercados mas tentar obter mais rusticidade antes de investir a sério na linha industrial.

Que mercados gostariam de atingir daqui a cinco anos? Dada a utilização da nossa No quinto ano poderão genética de topo, o principal estar a vender quantos foco de mercado serão outros reprodutores? produtores. No entanto, estamos também a fazer alguns Poderemos estar a vender na ordem dos vinte reprodutores cruzamentos com ovelhas nãoao ano. As fêmeas vendemSuffolk para ver o que resulta se a partir dos 350-400 do cruzamento industrial e euros, e os machos a partir para conseguirmos apresentar dos 450-500 euros. Isto os resultados em termos de é muito influenciado índices produtivos de animais AF_Imprensa_210x148_Calform.pdf 1 21/06/17 10:55 pelos

Dados gerais da exploração Área da exploração: cerca de 8 hectares Nº empregados: 4 sócios Efetivo: 9 fêmeas adultas (com o objetivo de chegar às 20 fêmeas), 3 de reposição, 2 machos adultos, 2 borregos para leilão. Alimentação: concentrado, suplementado com luzerna em granulado e feno.

Dados reprodutivos Peso ao nascimento: 3 kg (gémeos); 3,5-5,5 kg (parto singular) Idade ao desmame: 3,5-4 meses Peso ao desmame: 30-35 kg

resultados do leilão, que acabam por ser um valor base para o resto do ano. Este ano, por exemplo, vendemos um dos nossos machos por 570 euros em leilão. O mercado também varia, influenciado pela procura e oferta.

Como gostariam de ser conhecidos enquanto produtores? Esperamos vir a ser reconhecidos como criadores de raça pura de topo, com bons resultados e recomendações, com clientes satisfeitos.

C

M

Y

CM

MY

CY

CMY

K

RUMINANTES OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2017 65


PRODUÇÃO

ANDRÉ OLIVEIRA TECHNICAL SALES MANAGER NA ALLTECH PORTUGAL acoliveira@alltech.com

A construção de um modelo de avaliação económica A portabilidade do sistema de análise NIR e a tomada de decisão na exploração. Com o aumento da competitividade do setor primário, particularmente nas explorações de vacas para a produção de leite, tem crescido a necessidade de comparar explorações e fazer Benchmarking (processo contínuo de comparação entre os concorrentes de um mercado). Este processo permite a construção de uma base de dados que compara processos e práticas de empresas bem estabelecidas no mercado, não sendo tão indicado para empresas que estejam na fase de arranque ou investimento. Para implementar o processo de Benchmarking é necessário definir o modelo e recolher dados no campo.

No caso do negócio do leite a análise deve centrar-se no seu ativo mais importante, as vacas leiteiras. As diferenças de análise começam quanto à consideração de “animal no ativo” ou “animal em vida útil”. Se uns consideram ativo económico o animal a partir do momento que se torna capital ativo valioso para o produtor (ativo circulante), ou seja, a partir da 1ª inseminação confirmada, outros preferem retirar este ativo da equação, considerando somente as vacas secas e em produção.

Definir o modelo de avaliação económica A maior parte dos modelos de análise derivam ou são uma adaptação do índice ATR (Asset Turnover Ratio) dos Estados Unidos da América e visa a maior produção por animal no ativo em permanência nas instalações.

Na Alltech acreditamos ser possível gerir, medir e comparar explorações com base na produtividade e longevidade dos animais. De facto, grande parte das explorações em Portugal têm algumas ou até muitas restrições de área, produzem e querem continuar a produzir forragens e silagens para auto consumo e querem também continuar a recriar as suas novilhas de reposição, porque acreditam estarem mais adaptadas às condições

MODELO ALLTECH

ATR = ( LEITE - VENDA ATIVOS )/ TOTAL de ATIVOS X 100 Hilty, B., 2008

FIGURA 1 Fatores que influenciam o retorno de capital investido (Turnover).

REPRODUÇÃO

TURN OVER retorno do capital investido SANIDADE

ALIMENTAÇÃO

físicas de sanidade e de maneio da mesma. Muitos produtores, nomeadamente os produtores Alltech, acreditam que é possível produzir com alta performance e alta produtividade, não abdicando do prolongamento da vida útil dos seus animais. Na prática devemos considerar

TABELA 1 Exemplo de uma análise efectuada com o NIR portátil a uma Silagem de milho % MATÉRIA SECA(MS) Nº DA AMOSTRA

DATA DA ANÁLISE

NOME

MS

AMIDO

PROTEÍNA BRUTA

ADF

NDF

CINZAS

GORDURA BRUTA

6

13/02/2017

Silagem de Milho

30,9

31,9

7,2

22,9

44,1

2,6

2,9

171

21/04/2017

Silagem de Milho

33,1

30,5

7,1

22,2

41,7

2,9

3,0

448

25/08/2017

Silagem de Milho

33,7

34,2

7,2

23,8

40,1

3,5

3,1

475

08/09/2017

Silagem de Milho

32,2

32,0

7,4

26,5

44,3

3,9

2,9

32,5

32,1

7,2

23,9

42,5

3,2

3,0

Análise do historial

média

66 OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2017 RUMINANTES


PRODUÇÃO

TABELA 2 Exemplo de uma análise efetuada com o NIR portátil a um TMR. % MATÉRIA SECA(MS) Nº DA AMOSTRA

DATA DA ANÁLISE

NOME

4

03/02/2017

8

13/02/2017

23

16/02/2017

MS

AMIDO

PROTEÍNA BRUTA

ADF

NDF

CINZAS

GORDURA BRUTA

TMR

46,8

24,0

15,0

TMR

44,0

26,4

15,7

18,4

34,1

6,2

3,5

17,9

33,0

6,2

TMR

43,8

26,4

3,7

17,0

19,7

34,6

6,8

4,4

38

02/03/2017

TMR

43,7

23,9

16,3

20,2

36,1

6,8

3,7

100

31/03/2017

TMR

41,6

28,4

17,3

17,5

32,6

6,6

4,6

104

03/04/2017

TMR

45,4

25,8

17,4

18,3

32,5

6,8

4,6

145

17/04/2017

TMR

45,5

24,7

17,0

19,0

33,9

7,0

4,3

177

21/04/2017

TMR

45,9

23,5

17,3

19,1

34,0

7,3

4,3

202

28/04/2017

TMR

46,6

25,4

17,0

19,9

34,7

7,3

4,8

199

28/04/2017

TMR

51,2

23,6

15,3

19,3

35,2

7,1

3,7

247

15/05/2017

TMR

46,5

29,4

15,6

16,4

31,7

6,2

4,1

264

18/05/2017

TMR

44,7

25,4

17,1

18,4

33,3

6,7

4,5 3,6

262

18/05/2017

TMR

45,4

25,1

15,8

18,8

35,5

6,8

269

29/05/2017

TMR

40,3

28,8

17,5

17,6

32,7

7,0

4,3

287

08/06/2017

TMR

42,6

26,5

16,7

18,8

35,4

6,7

4,0

319

14/06/2017

TMR

43,8

25,5

16,7

19,0

35,7

7,0

3,8

318

14/06/2017

TMR

45,6

26,2

16,6

19,4

35,8

7,1

4,2

330

22/06/2017

TMR

42,3

27,4

17,6

18,0

33,6

6,9

4,9

328

22/06/2017

TMR

42,0

27,2

17,7

17,4

32,4

6,7

4,5

337

26/06/2017

TMR

44,4

26,5

17,9

17,6

32,4

7,0

4,8

363

30/06/2017

TMR

43,5

26,1

17,4

19,6

34,8

7,2

4,7

374

12/07/2017

TMR

42,3

28,0

16,4

17,5

33,8

6,6

4,2

389

24/07/2017

TMR

47,1

25,7

16,2

18,0

34,0

6,4

4,1

432

09/08/2017

TMR

45,3

24,6

17,0

18,5

33,8

6,9

4,3

453

25/08/2017

TMR

42,7

24,9

17,2

18,7

34,3

7,1

4,3

451

25/08/2017

TMR

43,0

27,0

15,9

18,6

35,6

6,6

3,8

469

01/09/2017

TMR

45,2

26,8

16,5

18,5

33,6

6,7

4,3

08/09/2017

TMR

44,2

24,5

16,5

18 ,1

33,1

6,6

4,3

44,5

26,0

16,7

18,5

34,0

6,8

4,2

Histórico da Análise

média

o que é melhor para cada caso, se ter mais litros por lactação ou mais lactações por vaca:

decisivamente a manter e melhorar a rentabilidade do mesmo. O sistema NIR portátil é uma ferramenta que utiliza radiação infravermelha para 30000 Litros = 3 lactações X 10000 litros medir os diferentes componentes na 30000 Litros = 2,5 lactações X 12000 litros alimentação dos animais diretamente na exploração (tabelas 1 e 2). Este aparelho Para além do número de litros produzidos permite identificar alterações bruscas na digestibilidade das forragens, contribuindo e para que a exploração tenha o máximo de retorno no capital investido assim para uma monitorização mais (turnover) há que monitorizar e ajustar a precisa da alimentação na exploração (gráfico 1) e do seu impacto no turnover da alimentação, a sanidade e a reprodução mesma. (figura 1).

Monitorização da alimentação através da recolha de dados no campo com o sistema NIR portátil A Alltech aderiu desde a primeira hora ao sistema NIR portátil por considerar que trazer o melhor da tecnologia laboratorial diretamente ao campo vai definir o futuro do negócio e ajudar

A análise mais fácil e rápida do alimento permite: • Efetuar ajustes na alimentação rapidamente, tornando a performance dos animais mais uniforme e mais emparelhada com a performance esperada; • Monitorizar a eficiência alimentar na sua componente energética e ajustá-la aos dias em leite do lote ou rebanho (gráfico2);

68 OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2017 RUMINANTES

GRÁFICO 1 Monitorização da matéria seca no TMR no período de fevereiro a setembro de 2017. 53 51 49 47 45 43 41 39 37 35 % matéria seca do TMR


PRODUÇÃO

• Controlar os custos de produção diretamente nas fontes proteicas com o programa de eficiência proteica Alltech (gráfico 3). GRÁFICO 2 Monitorização do índice de eficiência alimentar de acordo com os dias de produção de leite e eficiência alimentar esperada.

Analisadores portáteis NIR

Índices de Eficiência Alimentar

A nova fronteira da agricultura de precisão

1.90 1.80

1.70 1.60

1.50 1.40

1.30

abril

março

fevereiro

janeiro

dezembro

outubro

novembro

agosto

setembro

julho

junho

abril

maio

março

fevereiro

janeiro

dezembro

outubro

novembro

setembro

1.20

A Alltech foi a primeira a acreditar no Xnir, hoje já não imagino trabalhar sem ele. Eng.º André Oliveira - Alltech Portugal

Eficiência Alimentar Energética

Tinha muitas reservas quanto à fiabilidade do Xnir, mas em pouco tempo fiquei convencido e agora utilizo diariamente. Eng.º André Lopes - Coop. Agríc. de Vila do Conde

EA em função dos dias em leite EA esperada

AgriNIR™ O seu laboratório NIR portátil

GRÁFICO 3 Protéina bruta (gramas) por litro de leite, real e esperada.

X-NIR™ Analisador NIR portátil

PB gramas por litro leite 110

105

100

95

90

85

abril

março

fevereiro

janeiro

dezembro

outubro

novembro

agosto

setembro

julho

junho

maio

abril

março

fevereiro

janeiro

dezembro

novembro

outubro

setembro

80

PB de produção gramas por litro de leite PB esperada por litro leite

CONCLUSÃO

A tecnologia está cada vez mais disponível e portátil, pelo que pode ser levada diretamente onde faz falta, ao campo. Em conclusão, através da monitorização da alimentação (um dos fatores chave para um melhor turnover) é possível identificar o histórico da exploração

e definir objetivos com metas claras para a mesma, definidas tanto pelo gerente como pelo consultor. Estas ferramentas permitem-nos ainda desenvolver modelos económicos sustentáveis, baseados tanto na produtividade como na saúde animal, valores intrínsecos aos programas e serviços da Alltech.

Trav. Cruz da Pedra nº 4/6 - Ap.53 - Lijó 4754-909 Barcelos • maciel.lda.comercial@gmail.com Escritório: Telf. (+351) 253 808 420

RUMINANTES OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2017 69


SAÚDE E BEM-ESTAR ANIMAL

Prevenção de hipocalcemia Comparação de três protocolos de prevenção de hipocalcemia com bolos intra-ruminais de cálcio em bovinos de leite.

de 334 US$. O cálcio (Ca) é fundamental para a contração do músculo liso e esquelético, assim como também para a função imunitária, pelo que a hipocalcemia puerperal (HP) tem um impacto bastante considerável na performance produtiva do animal. Este impacto manifesta-se no PEDRO CASTRO aumento da probabilidade da MÉDICO VETERINÁRIO pedrofilipesilvacastro@gmail.com incidência de algumas doenças, como cetose, deslocamento de abomaso, mastite, metrite e fígado gordo, afetando também a fertilidade da vaca. As alterações fisiológicas induzidas no animal, pela entrada no período seco e a diminuição da capacidade de ingestão devido ao crescimento do feto, são fatores que potenciam a hipocalcemia puerperal (HP). JOÃO PAISANA Esta é considerada uma MÉDICO VETERINÁRIO patologia metabólico-nutricional, AGRO-PECUÁRIA AFONSO onde há um decréscimo na PAISANA, SERBUVET concentração de Ca plasmático paisana.j@serbuvet.com até às 72 horas pós-parto, pois em condições normais a concentração mínima de cálcio A maioria dos bovinos com no sangue deverá ser atingida aptidão leiteira passam por até às 24 horas pós-parto. algum grau de hipocalcemia. Uma vez que a hipocalcemia De acordo com estudos realizados nos EUA a incidência é uma consequência de uma falha fisiológica do de hipocalcemia subclínica em vacas leiteiras multíparas ronda organismo na adaptação ao pós-parto, a correção artificial os 50%, começando a ser um da calcemia, através de problema a partir da segunda lactação. A grande questão está soluções intravenosas, deve na capacidade dos mecanismos ser somente utilizada em casos graves de HP clínica. A de homeostasia do cálcio contrariarem este estado, sendo solução ideal é a prevenção, utilizando estratégias como que, quando isto não acontece suplementação em Ca ou prosseguem para um estado planos nutricionais formulados mais grave de hipocalcemia, especificamente para animais que se torna num sério em pré-parto, como dietas problema para o animal e para o produtor. Cada caso clínico de aniónicas ou com teores vaca caída nos EUA custa cerca reduzidos de Ca. Para o nosso trabalho foram

70 OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2017 RUMINANTES

selecionadas todas as vacas multíparas com data prevista de parto entre setembro de 2016 e janeiro de 2017. Estas foram divididas por 4 grupos, tendo em conta o número de lactações como evidencia a tabela 1. Cada grupo foi sujeito a um protocolo diferente. Ao grupo Z não foi realizado qualquer procedimento; ao grupo B1 administrou-se um bolo intra-ruminal assim que possível, após o parto; ao grupo B11 foram administrados um bolo intra-ruminal assim que possível após o parto, e outro bolo no dia seguinte de manhã após a ordenha; por fim, ao grupo B2 administraram-se dois bolos intra-ruminais assim que possível, após o parto. Foram colhidas amostras de sangue a todos os animais assim que possível após o parto, sempre antes da administração dos bolos intra-ruminais, e nos dois dias seguintes de manhã após a ordenha. A primeira amostra (0h) foi colhida após o parto, quando este foi assistido, ou após a ordenha da manhã após o parto; a segunda amostra (24h) foi colhida após a ordenha da manhã do dia seguinte após o parto;

a terceira amostra (48h) foi colhida após a ordenha da manhã do segundo dia após o parto. Os intervalos entre as colheitas das amostras e as administrações dos bolos de cálcio foram constantes em todos os grupos, nos três momentos. Os bolos utilizados apresentam como nome comercial Bovikalc®. Cada bolo pesa cerca de 192 g contendo 43g de Ca na forma de cloreto de cálcio (71%) e de sulfato de cálcio (29%). Apesar da descida de Ca às 24h no grupo Z não ter significância estatística (p=1,000), está de acordo com estudos realizados por Goff (2014) onde descreve que a concentração sérica mínima de Ca ocorre entre as 12 e 24h pós parto. Esta descida deve-se, provavelmente, ao facto do animal no início do período pós-parto ser refratário e não reagir ao estímulo provocado pela PTH, hormona responsável pela subida dos níveis de Ca no sangue. Por sinal, os animais deste grupo não foram sujeitos a nenhuma administração de Ca. Não existem diferenças significativas, nos três

TABELA 1 Distribuição dos animais que compõem a amostra pelos diferentes grupos e respetivo nº de lactações e raça. GRUPO

Nº DE ANIMAIS POR GRUPO CONSOANTE O Nº DE LACTAÇÕES 3

4

TOTAL ANIMAIS

1

2

5

6

Z

10

8

5

B1

9

6

5

3

1

0

27

3

1

1

25

B11

10

7

5

3

1

0

26

B2

9

8

4

4

1

0

26


SAÚDE E BEM-ESTAR ANIMAL

TABELA 2 Descritivos das médias de cálcio por grupo em cada momento de recolha, bem como o desvio padrão de cada situação. GRUPO

N

MÉDIA

DESVIOPADRÃO

0 horas

Z

19

6,862

0,242

B2

21

6,470

0,230

B11

19

6,503

0,242

24 horas

48 horas

B1

21

6,628

0,230

Total

80

6,612

1,046

Z

19

6,775

0,230

B2

21

7,070

0,219

B11

19

7,033

0,230

B1

21

7,213

0,219

Total

80

7,029

0,997

Z

19

7,616

0,208

B2

21

7,530

0,198

B11

19

7,721

0,208

B1

21

7,505

0,198

Total

80

7,589

0,895

momentos de análise, entre os 4 grupos (anova, F(3,76)=0,047; p=0,986), contudo existem diferenças significativas nas medições dos níveis de cálcio intragrupo (anova; F(2,152)= 40,861; p=0,000). O grupo B2 foi o que teve uma diferença maior (p=0,601) no período entre as 0h e as 24h, 0,601 mg/ dl. É neste período que se encontra o período mais crítico da hipocalcemia: entre as 12h e as 24h pós-parto. Assim, o protocolo B2 seria o mais vantajoso por exigir menos manipulações do animal; contudo, o custo da prevenção será igual ao do protocolo do grupo B11, e as diferenças de Ca entre grupos não são significativas (p=0,986) contudo, a baixa significância estatística (p=0,047) do grupo B2 no período das 24h ás 48 h desvaloriza-o em relação ao B11. Verificou-se um aumento nos valores médios de cálcio entre as 24h e as 48h em todos os grupos mas, somente

Media de cálcio por grupo em função do momento de medição 7,75

7,50

Cálcio (mg/dl)

CÁLCIO (mg/dl)

GRÁFICO 1 Valores médios de cálcio em cada momento de recolha.

7,25

7,00

6,75

6,50

0 horas

Z B2

B11 B1

ocorre no grupo B11, com uma diferença de 1,218 mg/dl e a menor no grupo Z (0,754 mg/ dl). Esta diferença entre os grupos Z e B11 é facilmente compreensível, pois as vacas do grupo B11 tiveram duas administrações de bolos intraruminais, em dois momentos diferentes após o parto.

TABELA 3 Diferenças de médias de cálcio entre os momentos de medição.

Z (n=19)

B2 (n=21)

B11 (n=19)

B1 (n=21)

48 horas

Grupo

os aumentos observados nos grupos Z, B2 e B11 são estatisticamente significativos (p<0,05). Em todos os grupos, observou-se uma diferença significativa entre os valores médios de cálcio às 0 horas e às 48 horas (p<0,05), onde a maior diferença observada

GRUPO

24 horas Medição de Cálcio

MOMENTO DE MEDIÇÃO DE CÁLCIO

DIFERENÇA DE MÉDIAS

p

0 horas

24 horas

-0,087

1

24 horas

48 horas

0,841

0

0 horas

48 horas

0,754

0,019

0 horas

24 horas

0,601

0,006

24 horas

48 horas

0,46

0,047

0 horas

48 horas

1,06

0

0 horas

24 horas

0,531

0,026

24 horas

48 horas

0,688

0,002

0 horas

48 horas

1,218

0

0 horas

24 horas

0,586

0,008

24 horas

48 horas

0,292

0,361

0 horas

48 horas

0,878

0,003

CONCLUINDO Apesar de não existir uma diferença significativa (p=0,986) entre os grupos, verificou-se que o protocolo utilizado no grupo B11 foi o que elevou mais os níveis de cálcio até ás 48h, estando de acordo com as recomendações atuais do fabricante do Bovikalc®. Por outro lado, o protocolo aplicado ao grupo B2 também poderá ser uma solução interessante, por implicar menos manipulações e levar a um aumento maior dos níveis de Ca, no período mais crítico (até às 24h), como é possível constatar pela tabela 3.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Não foram incluídas por uma questão de espaço editorial, mas os autores disponibilizam bastando enviar um email.

RUMINANTES OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2017 71


SAÚDE E BEM-ESTAR ANIMAL

Vacinação contra a pneumonia bacteriana Ensaio em condições de campo numa exploração leiteira em Portugal A doença respiratória bovina (DRB), comummente chamada de pneumonia, é uma das doenças mais importantes e frequentes nas explorações leiteiras. Esta doença é responsável por graves perdas económicas, devido ao seu impacto negativo no crescimento, na fertilidade, na produção leiteira e longevidade das novilhas de reposição4.

Os custos por animal podem ascender até 110,8€ (DEFRA/ ADAS, 2008), dos quais 44,32€ são considerados custos diretos (tratamentos e mortes) e 66,38€ custos indiretos (atrasos de crescimento, mão-de-obra extra, etc.). A DRB tem causa multifatorial, ou seja, resulta da interação negativa de vários fatores2, 3, 4: • Agentes infeciosos: vírus e bactérias, e muito raramente fungos e parasitas. Os principais vírus envolvidos são o BRSV (Vírus Sincicial Respiratório Bovino), o IBR (Vírus da Rinotraqueíte Infecciosa Bovina), o BVD (Vírus da Diarreia Víral Bovina) e o PI-3 (Parainfluenza). As bactérias mais comuns são as Pasteurellas (Mannheimia haemolytica, Pasteurella multocida, Histophilus somni) e o Mycoplasma bovis, sendo as infeções bacterianas secundárias responsáveis pelo agravamento da doença e consequente morte do animal; • Fatores ambientais geradores de stress, que causam a depressão das defesas do animal, relacionados com as condições atmosféricas e instalações;

DEOLINDA SILVA DIRETORA TÉCNICA E MARKETING HIPRA PORTUGAL deolinda.silva@hipra.com

• Fatores relacionados com o próprio animal e seu maneio que favorecem o aparecimento da doença (anatomia, conforto e bemestar animal, nutrição, etc). Um programa de controlo da DRB deve ter em conta

72 OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2017 RUMINANTES

os vários fatores envolvidos, sendo importante considerar, por um lado, o meio ambiente e maneio, e por outro os agentes infeciosos mais comuns. Segundo Gorden, as medidas preventivas de pneumonias em vitelos devem promover o desenvolvimento e manutenção de um sistema imunitário robusto, através do fornecimento de colostro de boa qualidade, de um maneio nutricional equilibrado, de medidas de biossegurança e ventilação e programas vacinais adequados. A vacinação é uma ferramenta extremamente útil que temos disponível para prevenir o impacto clínico e económico associado à doença, reduzindo

a incidência e severidade de casos de pneumonia, os custos associados aos tratamentos e mortalidade. No Fórum Europeu de Buiatria 2017, que decorreu entre os dias 4 e 6 de outubro em Bilbao (Espanha), foi apresentado um poster sobre um ensaio em condições de campo realizado numa exploração leiteira do norte de Portugal, cujo objetivo foi demonstrar a eficácia de uma vacina comercial contra Histophilus somni e leucotoxóide de Mannheimia haemolytica no controlo de surtos respiratórios nos animais da recria leiteira, mais especificamente na redução do número de tratamentos e da mortalidade.

ESTUDO REALIZADO O estudo foi realizado numa exploração leiteira com um efetivo de 240 animais (Golden Dairyfarm Agro-Pecuária, Lda. – Barcelos), com historial de ocorrência de surtos de doença respiratória durante os meses de Inverno, com alta morbilidade (nº animais doentes) e mortalidade. A exploração já tinha implementado um protocolo vacinal com uma vacina multivalente contra os vírus BRSV, IBR, BVD e PI-3 em todo o efetivo desde 2007, iniciando a vacinação em animais a partir de 1 mês de idade. Presumia-se que estes surtos de pneumonias teriam origem bacteriana. Setenta vitelos de diversas

idades inferiores a 1 ano foram vacinados com uma vacina comercial contra leucotoxóide Mannheimia haemolytica e Histophilus somni de acordo com o protocolo vacinal recomendado (2 doses com 21 dias de intervalo por via subcutânea), antes do período de risco de doença respiratória naquela exploração (meses de Inverno). Realizou-se uma análise comparativa do número de tratamentos e mortes de animais devido a DRB, em igual período, no ano antes e após a vacinação para pneumonias de origem bacteriana. Os meses considerados na análise foram dezembro, janeiro, fevereiro e março.


SAÚDE E BEM-ESTAR ANIMAL

OBTIVERAM-SE OS SEGUINTES RESULTADOS

Testemunhos

1. Número de animais tratados Ocorreu uma redução de 91% no número de animais tratados, nos 4 meses após a vacinação, comparando com igual período de ano anterior (4 animais tratados versus 48 animais tratados no ano anterior) (Gráfico 1). GRÁFICO 1 Nº de animais tratados antes e após a vacinação, respetivamente, dezembro de 2015 a março de 2016 versus dezembro de 2016 a março de 2017. Nº de animais tratados

A doença respiratória bovina é uma doença que afeta muitas das explorações em que prestamos os nossos serviços, nomeadamente, ao nível da recria nas explorações leiteiras. A sua grande incidência na recria provoca grandes perdas económicas para a exploração, pois esses animais são fundamentais no futuro da reposição do efetivo. De forma a diminuir a ocorrência de doença respiratória sugerimos a prevenção através de um programa de vacinação adequado. A vacinação para H. somni e leucotoxóide de M. haemolytica tem-se revelado uma mais-valia, reduzindo o número de casos clínicos, diminuindo a mortalidade, levando a um menor consumo de medicamentos e consequentemente menos custos para a exploração.

18 16

16 14 12

12 10

11 9

8 6 4

2

2

Equipa veterinária Dr.ª Maria Ângela Rabiço

2 0

0

0 dezembro

janeiro

fevereiro

março

Antes vacinação (dez. 2015 a mar. 2016) Após vacinação (dez. 2016 a mar. 2017)

2. Número de mortes devido a DRB O número de mortes devido a DRB diminuiu de 17 no ano anterior para 0 no ano pós-vacinação (Gráfico 2). GRÁFICO 2 Total de mortes por DRB, antes e após a vacinação, respetivamente, dezembro de 2015 a março de 2016 versus dezembro de 2016 a março de 2017.

Dr.ª Elizabete Rosmaninho Pereira (Golden Dairyfarm Agro-Pecuária, lda.) Na minha exploração a implementação da vacina para H. somni e leucotoxóide de M. haemolytica na recria foi muito útil, na medida em que houve um decréscimo acentuado da mortalidade e animais tratados.

Nº de mortes devido a DRB 12

CONCLUSÃO

11

10

8

6

4

2

3 2 1 0

0

0

0

0 dezembro

janeiro

fevereiro

Antes vacinação (dez. 2015 a mar. 2016) Após vacinação (dez. 2016 a mar. 2017)

março

Após a análise dos resultados, concluiu-se que a adição da vacinação contra leucotoxóide de M. haemolytica e H. somni ao programa vacinal da exploração, foi eficaz na redução da morbilidade, mortalidade e número de tratamentos devidos a doença respiratória na recria leiteira.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Gorden P. J., 2010. Vet Clin Food Anim 26: 243-259 2. Griffin D. et al., 2010. Vet Clin Food Anim 26: 381-394 3. McGuirk S. M., 2008. Vet Clin Food Anim 24: 139-153 4. Panciera R. J. et al., 2010 Vet Clin Food Anim 26: 191-241

AGRADECIMENTOS A HIPRA e a autora gostariam de agradecer à Dr.ª Dulce Filipe (Equipa Veterinária Dr.ª Maria Ângela Rabiço) e à Dr.ª Elizabete Rosmaninho Pereira (Golden Dairyfarm Agro-Pecuária, Lda.) pela colaboração prestada na realização deste ensaio e artigo.

RUMINANTES OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2017 73


SAÚDE E BEM-ESTAR ANIMAL

ADS de Estremoz para além da sanidade Coordenador do ADS desde janeiro de 2014, o Gonçalo Fernandes – Médico Veterinário licenciado pela Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Évora – falou à Ruminantes acerca do dia-a-dia do ADS, serviços prestados aos sócios e da forte aposta na formação dos seus associados. POR RUMINANTES

ADS prende-se com atividades como o rastreio de doenças de carácter obrigatório (Brucelose, Tuberculose, Leucose e Língua Azul), promoção de serviços de vacinação e desparasitação, serviços de I-Digital e SNIRA e venda de medicamentos veterinários. Desde 2014 que começámos a tentar inovar, e aí surgiu o programa VITINDEME.

Fundado a 7 de julho de 1988, o Agrupamento de Defesa Sanitária (ADS) de Estremoz zela diariamente pela saúde dos efetivos bovinos, ovinos e caprinos dos seus associados, os quais se estendem pelos concelhos de Estremoz, Évora, Arraiolos, Borba, Redondo, Sousel e Vila Viçosa. Atualmente com 1309 sócios e um efetivo total de 55 000 bovinos e 120 000 pequenos ruminantes, o ADS conta ainda com doze funcionários, excluindo as brigadas de veterinários com as quais colabora. Ruminantes - Como está dividido o ADS? O ADS está dividido em três partes: a de apoio ao produtor, a de apoio veterinário e a farmácia

FIGURA 1 Gonçalo Fernandes, coordenador do ADS de Estremoz.

veterinária. Em termos de apoio veterinário temos mais de 50 brigadas no campo, as quais fazem as recolhas de sangue e provas da tuberculina e exercem também ações de vacinação e desparasitação. As amostras recolhidas são trazidas para o ADS, e reencaminhadas para o laboratório de Évora. Na farmácia, a qual abriu em 2010, vendemos medicamentos de uso veterinário a produtores e médicos veterinários. Que serviços são prestados aos sócios? A pedra basilar dos serviços do

74 OUTUBRO . NOVEMBRO . DEZEMBRO 2017 RUMINANTES

Fale-nos acerca desse programa. É um programa de carácter voluntário dirigido ao controlo de IBR, BVD e Campilobacter, e no qual atuamos em parceria com a Faculdade de Medicina Veterinária de Lisboa. A adesão ao programa ronda os 20%, mas tem vindo a aumentar. Começámos por fazer uma pesquisa acerca da ocorrência e impacto económico destas doenças insidiosas e pouco estudadas – tendo sido pioneiros em efetivos de carne, e temos tido bons resultados. Fizemos inclusivamente uma seleção de sete produtores, os quais vamos acompanhar em termos de implementação e resultados do programa, começando em setembro. Como estão em termos de focos de doença? Estamos atualmente a atravessar uma fase de grande

estabilidade, com apenas dois focos de brucelose em bovinos. Possuem uma sala de formação. Sentem uma grande procura por parte dos produtores? Que tipo de assuntos são geralmente focados? Ministramos cursos de carácter obrigatório, como por exemplo acerca do uso de fitofármacos e materiais como motosserras. Também fazemos divulgação de serviços, formação de veterinários e também de associados, nos quais sentimos um grande interesse e procura no que toca a formação. Desenvolveram recentemente o Projeto RUMIGEST. Quais foram os objetivos subjacentes à criação do projeto? O principal objetivo foi dar apoio direto aos produtores, os quais manifestavam alguma dificuldade na gestão dos efetivos em termos de organização dos sistemas de identificação animal, número exato de animais e sua concordância com os números que constam na base de dados oficial. Criámos então dois programas, o RUMIGEST Bovinos e o RUMIGEST Ovinos. Os programas começaram a funcionar dia 1 de julho com grande procura. Contam já com mais de 40 explorações aderentes, quase todas de ovinos.


SAÚDE E BEM-ESTAR ANIMAL

Que tipo de serviços são prestados no âmbito do RUMIGEST? A única coisa que o produtor precisa de fazer é fornecer-nos os dados de nascimento dos seus animais. A partir daí o ADS faz o registo, emite passaportes, lida com a movimentação animal e com mortes e desaparecimentos. Assumimos também a gestão do livro de medicamentos veterinários das explorações, bem como a recolha de resíduos de medicamentos das explorações e emissão da respetiva declaração. Também prestamos apoio aquando de fiscalizações. No final do ano, para os bovinos, fazemos ainda um relatório com o intervalo entre partos e uma lista de possíveis animais para refugo. Já nos ovinos, fazemos uma deslocação anual à exploração para cruzarmos os dados recolhidos no campo em termos de número de cabeças e o que está registado no I-Digital, de forma a garantir uma concordância perfeita e evitar penalizações.

Como pode ser feita a adesão ao projeto? Tem de se ser sócio do ADS, para termos acesso aos dados da exploração. A inscrição é feita nas nossas instalações, havendo um módico custo anual para o produtor, pago por cabeça.

Desenvolveram, em 2016, as 1as Jornadas do ADS de Estremoz, estando já prevista uma segunda edição em 2018. Porque decidiram apostar neste tipo de iniciativa? Constatámos que não existiam na zona iniciativas deste género, de extrema importância para os produtores, entre os quais existia também bastante interesse. Fizemos então quatro dias de jornadas com uma forte componente prática, a qual incluiu exames andrológicos. Tivemos inclusive oradores argentinos e espanhóis, e total colaboração da Câmara Municipal. A forte adesão que registámos, em conjunto com o desejo de promover o sucesso e competitividade dos nossos associados, levaram-nos a apostar numa segunda edição, prevista para fevereiro de 2018, com dois dias de jornadas e algumas sessões exclusivas para veterinários. Vamos ter um dia de bovinos e um de ovinos, incluindo testemunhos de produtores modelo, com bons resultados no que toca à gestão das suas explorações.

FIGURA 2 Na foto Fernando Fernandes (Chefe de Serviços), Marta Barreira (Técnica Administrativa) e Joaquim Fernandes (Produtor e associado do ADS).

FIGURA 3 Leitura da identificação electrónica em ovinos.

Qual considera ser a “chave do sucesso” dos bons produtores? Os bons produtores estão sempre a par do que se passa nas suas explorações, estão fisicamente presentes e vigiam tudo de perto, começando pela sanidade. Muitos assumem já as funções de vaqueiro, executando eles próprios as tarefas inerentes ao maneio da exploração. Que áreas considera serem de máximo interesse para os produtores e nas quais poderão existir maiores lacunas? Excluindo a sanidade, considero a existência de registos de maior importância, sem a qual se torna impossível apostar em outras áreas como a nutrição e a reprodução. Existem alguns produtores bastante avançados nesta área, mas há ainda muitas lacunas. A reprodução é também uma área indispensável para a viabilidade e sucesso de qualquer exploração. Já a prevenção de doenças vai ser o futuro, sobretudo à luz do uso cada vez mais restrito de substâncias como os antimicrobianos. Quais são os problemas mais frequentes nas explorações, e

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SAÚDE E BEM-ESTAR ANIMAL

Que indicadores utilizam para perceber a “química” entre o ADS e seus sócios? O número de sócios e animais tem estado a aumentar e, em paralelo, em quatro anos tivemos muito poucas mudanças para outros ADSs. Temos também tido muita procura por parte dos produtores, o que nos obrigou a fazer duas parcerias em Évora (AJASUL) e Arraiolos (COOPAR) para estarmos mais perto dos nossos associados e manter uma boa prestação de serviço aos mesmos.

FIGURA 4 Registo automático da leitura para correção no idigital.

que têm maior impacto na sua rentabilidade? Os problemas de sanidade estão sempre em destaque, e o foco deve abranger não só as doenças de controlo obrigatório mas também

doenças insidiosas como o IBR, BVD e Campilobacter, as quais têm pesadas implicações a nível de rentabilidade económica da exploração. Considero também que as explorações têm de ser geridas mais em termos de números e otimização de negócio, algo que falta aos nossos produtores, não só contar cabeças mas também quilos de carne produzidos.

DO PRADO AO PRATO… E AO SMARTPHONE A rastreabilidade dos produtos alimentares é um dos assuntos quentes da década, alimentado pela crescente preocupação dos consumidores. A pensar nisso, foi desenvolvida no Reino Unido uma tecnologia-piloto que permite aos consumidores descobrir as origens e os pontos de passagem dos alimentos que adquirem. Ainda numa fase, inicial, e aplicada apenas a um bacon de origem biológica, a tecnologia utiliza um software semelhante ao disponível na rede de metro do Reino Unido, onde os passageiros conseguem pagar a tarifa de transporte deslizando o telemóvel sobre um sensor. Com esta nova tecnologia, os consumidores conseguem não só acompanhar a “viagem” dos alimentos através da cadeia de produção, mas também verificar as suas certificações orgânicas e critérios de qualidade, acompanhar um mapa do seu percurso e até visualizar fotografias da exploração de origem da matéria-prima. Esta parece ser uma ideia com futuro visto que, num estudo recente levado a cabo no Reino Unido, a transparência no que toca à origem e fabrico dos produtos alimentares é cada vez mais uma exigência dos consumidores, sendo que 70% dos mesmos se opuseram veemente contra a existência de informação incorreta no rótulo dos produtos por eles adquiridos. Num outro estudo, oito em cada dez consumidores exigiam saber os tipos de sistemas de produção nos quais produtos como a carne e os lacticínios eram produzidos. Este tipo de ferramenta trará vantagens também para o lado dos produtores, os quais conseguirão assegurar a rastreabilidade dos seus produtos de forma prática e assim estreitar a relação com os consumidores.

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Define objetivos anuais? Quais? Em termos de sanidade, o foco primordial de qualquer ADS, almejamos sempre a execução em 100% dos efetivos. Em paralelo, procuramos a inovação constante, e todos os anos lançamos um programa focado nas necessidades dos produtores e aumento de produtividade. No próximo ano iremos apostar em exames andrológicos, através de uma parceria com a Universidade de Évora. Existem grandes falhas em termos de execução destes exames, os quais muitas vezes não são realizados ou são mal realizados. Isto será o resultado de um esforço conjunto e de padrões estabelecidos, para que seja feito de modo homogéneo e standardizado.

FARÁ O HÁBITO O PRODUTOR? A vitória do Brexit tem feito correr muita tinta nas páginas da imprensa, e as consequências da sua concretização têm sido exaustivamente analisadas até…bom, até à própria imagem dos produtores, pelos vistos. De acordo com Joanna Price, vice-presidente da Royal Agricultural University, a produção agrícola tem de deixar de lado a sua imagem mais rústica de modo a atrair talento e investimentos de origens externas ao setor, o que será mais do que necessário perante a ameaça do Brexit, a qual compara ao desafio posterior à conclusão da Segunda Guerra Mundial. De facto, é comumente aceite no setor que são necessárias mudanças para que a agricultura seja vista como uma carreira de primeira opção por um público mais alargado, já que muitos são

os produtores de gerações mais velhas que sentem dificuldades em encontrar sucessores para o negócio. As declarações da Professora Price foram recebidas com opiniões distintas: se, por um lado, muitos são aqueles que asseguram que a indumentária dos produtores será o menor dos problemas – salientando a importância de educar os consumidores para os investimentos feitos em termos de saúde ambiental e produção sustentável – outros concordam com a vice-presidente. Neste último grupo salienta-se a análise metafórica que deve ser feita à “indumentária” da maioria dos produtores, focando-se sim num setor demasiado homogéneo e com tendência a “fugir” de vias menos tradicionais. E, casacos de tweed à parte, não nos dará isso algo em que pensar?


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SAÚDE E BEM-ESTAR ANIMAL

RUMINANTES SAUDÁVEIS

GEORGE STILWELL MÉDICO-VETERINÁRIO, FACULDADE DE MEDICINA VETERINÁRIA – UNIVERSIDADE DE LISBOA stilwell@fmv.ulisboa.pt

O que o estado do pêlo nos pode dizer O estado do pêlo e da pele dos ruminantes pode ser fonte de informações muitíssimos úteis para o produtor e para o veterinário. Por vezes é no pêlo que se encontram os primeiros e mais importantes sinais de uma série de doenças, tanto locais como sistémicas, ou de carências nutritivas. Também nos pode dar informações sobre o maneio, o ambiente e mesmo do estado mental dos animais. Para além disso os sinais do pêlo e da pele são fáceis e imediatamente observáveis, mesmo à distância. Por todas estas razões vale a pena aprender a ler e a interpretar o que o pêlo nos diz.

Para se poder retirar alguma informação fiável a partir do aspeto do pêlo, é preciso conhecer bem as suas características no seu estado normal e saudável. Isto não é assim tão fácil de fazer pois varia bastante entre espécies e mesmo entre raças. No caso dos ovinos, por exemplo, é o estado da lã que mais interessa avaliar, já que a pele normalmente não é muito visível. Como características gerais queremos que a lã esteja bem aderente, de aspeto homogéneo, de tamanho uniforme e apresentando algum brilho, resultante da fina camada de gordura que cobre as fibras. No caso dos bovinos e caprinos, o pêlo deve ser bem acamado, brilhante, de cor uniforme, de tamanho adequado (depende de vários fatores, nomeadamente a temperatura ambiental), cobrindo uniformemente as diversas zonas do corpo. Sendo estas as características de um pêlo saudável percebese quais são os sinais que procuramos avaliar: falta de integridade ou homogeneidade e alterações de cor, brilho e tamanho. Também a disposição do pêlo (exemplo, eriçado, arrepiado, hirto) pode ser demonstrativo de algumas condições, como stress ou frio. O pêlo para ser saudável tem de provir de folículos pilosos saudáveis, o que apenas acontece se houver um aporte adequado de aminoácidos, minerais e vitaminas essenciais, para além de uma vascularização eficiente que

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FIGURA 1 Doenças genéticas podem causar perda de pêlo generalizada a partir de uma certa idade. Nesta caso, Síndrome do Vitelo Careca.

garanta a chegada ao local destas matérias-primas. E claro, é precisa a energia suficiente para garantir o crescimento e renovação. Um produtor com experiência normalmente deteta estas alterações mesmo quando ainda são muito subtis. É bastante habitual produtores pedirem o apoio dos médicos-veterinários

apenas porque perceberam que um animal não estava bem pelo estado do pêlo – baço, eriçado, coloração estranha, perda de integridade ou mesmo queda excessiva. As alterações do pêlo normalmente surgem como ação direta da causa sobre os folículos pilosos ou sobre a pele que lhes dá suporte, mas podem também ser provocadas pelo próprio animal. Este último caso ocorre, por exemplo, quando existe prurido (comichão) ou dor intensa que leva o animal a coçar-se violentamente.

AS PRINCIPAIS CAUSAS DE ALTERAÇÕES NO PÊLO DE RUMINANTES Como referimos acima, o estado do pêlo pode ser o reflexo de problemas sistémicos - alteração da vascularização, carência de nutrientes, circulação de substâncias tóxicas e nocivas etc… Isto significa que o estado do pêlo é apenas um pormenor de todo um quadro clínico mais ou menos complexo. Mas é geralmente o sinal


SAÚDE E BEM-ESTAR ANIMAL

mais visível e evidente e por isso o primeiro a ser notado.

Alguns exemplos: 1. A carência em cobre altera o crescimento e renovação do pêlo, para além de lhe dar um tom acastanhado e baço. Outras carências de minerais e vitaminas que afetam mais ou menos diretamente a saúde do pêlo são: cobalto, iodo, selénio, zinco, vitamina A e biotina. As carências podem ser alimentares, mas também podem resultar de doenças metabólicas (por exemplo, deficiência nalguma enzima), oncológicas, espoliadoras (por exemplo, parasitas gastrointestinais), digestivas ou congénitas (neste caso as alterações do pêlo são evidentes quase desde o nascimento) (Figura 1). É essencialmente porque são acompanhadas de carências importantes, que o pêlo de animais com doenças crónicas ou parasitárias mostra alterações significativas, podendo mesmo ser um dos sinais mais evidentes. 2. Por outro lado, o excesso de certos minerais pode também exercer uma ação direta e muito evidente sobre os folículos pilosos. É o caso de intoxicações por selénio FIGURA 2 A diarreia e más camas podem justificar a perda completa de pêlo no períneo, membros posteriores e zona ventral. Neste caso o animal foi retirado das más condições onde se encontrava.

ou iodo, para além de alguns metais pesados. 3. Certas substâncias tóxicas podem acumular-se sob a derme tornando-a especialmente sensível à ação dos fotões da luz (substâncias fotossensibilizantes) (Figura 4). Como resultado a pele parece numa primeira fase escaldada e depois perde a sua integridade, havendo queda de pêlo, etc… Estas substâncias podem existir em plantas tóxicas (fotossensibilização primária) ou resultarem de problemas hepáticos, durante os quais o fígado perde a sua capacidade de metabolizar componentes das células vegetais que têm estas propriedades. Nestes casos as lesões são quase exclusivamente limitadas às zonas sem pigmentação, o que ajuda no diagnóstico. 4. Doenças infeciosas que sejam acompanhadas de febres altas, podem levar à produção de metabolitos que matam os folículos pilosos (eflúvio). É a razão porque alguns animais perdem o pêlo ou lã depois de fazerem, por exemplo, pneumonias ou mastites. 5. São ainda exemplos de doenças com ação sobre a pele e o pêlo as alérgicas e as doenças autoimunes que podem ter ação direta, ou indireta através do intenso prurido que causam. Um outro grande grupo de alterações do pêlo e pele

FIGURA 4 Substâncias fotosensiblizadoras de origem vegetal podem conduzir a lesões das zonas não pigmentadas. Fotografia Sara Salgado.

são os causados pela ação local de seres vivos (ácaros, insetos, fungos ou bactérias). Normalmente causam elevado prurido havendo uma mistura de alterações diretas pelo agente com aquelas provocadas pelo ato de se coçar (pode mesmo haver automutilação). Os casos mais vulgares nos ruminantes são a sarna (de vários tipos, mas especialmente grave dos ovinos dando origem à doença que se conhece por ronha), os piolhos, os fungos (e.g. tinha e outros dermatofitos - figura 3), e as dermatites bacterianas. Finalmente temos as perdas ou alterações do aspeto do pêlo por ação ambiental. Por exemplo, más camas (húmidas e conspurcadas por fezes e urina) têm uma ação direta e muito evidente sobre a pele e folículos pilosos levando à morte destes (figura 2).

Assim, nalgumas explorações em que as condições de higiene não são as mais apropriadas, vemos vitelos com a pele da zona ventral e períneo completamente desnudada (como se tivesse sido rapada). Outra causa externa ao animal é a escorrência de fezes líquidas e ácidas (como as que acontecem nas diarreias de animais ainda a beber leite) pelo períneo e pelos membros posteriores, dando também a ideia do animal ter sido barbeado com uma lâmina muito eficaz. Em todos estes casos o diagnóstico etiológico é essencial já que muitas alterações são facilmente reversíveis, mas apenas se a causa for combatida.

CONCLUSÃO

Temos então que olhar com atenção o pêlo e pele dos nossos animais, perceber as suas alterações, mesmo que subtis, e saber interpretar o que vemos. É uma forma de identificar precocemente animais doentes ou com problemas de bem-estar, garantindo assim melhor e mais pronta assistência. Todos lucramos quando percebemos o que o pêlo nos está a dizer.

NOTA O autor escreveu este artigo segundo o Antigo Acordo Ortográfico.

FIGURA 3 Lesão por fungos (dermatofitos).

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PRODUTO

Medindo a condição corporal na ordenha Entrevista a Eduardo Soares da exploração Vale Leandro – Agro-Pecuária Lda. POR RUMINANTES

A exploração Vale Leandro – Agro-Pecuária Lda. já não é estranha aos leitores da Ruminantes. Estávamos em 2012 – e na quarta edição da revista – quando Eduardo Soares nos recebeu, juntamente com o seu irmão Filipe, e nos relataram a sua experiência com robots de ordenha, ainda pouco difundidos no nosso país. Essa realidade é agora bastante diferente, e a evolução também se fez sentir na exploração: na altura com dois robots e 110 vacas em ordenha, conta atualmente com 145 vacas em ordenha (com 80 animais para parir no último trimestre do ano) e produções acima dos 11 000 litros aos 305

dias, destinadas à Agros. A conjuntura negra que o setor atravessou levou a que os irmãos tivessem de se habituar a produzir leite a baixo custo, aumentando por isso os volumes de produção, em paralelo com o investimento na ampliação das instalações e da aquisição de um novo robot de ordenha, este último com uma câmara de medição da condição corporal associada. Eduardo fala dos seus animais com apreço e não duvida que, caso falassem, as suas vacas expressariam o seu contentamento por fazerem parte do negócio de família. Cinco anos e meio depois, foi de novo na sua exploração que nos recebeu,

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“A TECNOLOGIA É UMA FERRAMENTA QUE NOS PERMITE TRABALHAR DE FORMA MAIS PROFISSIONAL E OBJETIVA, PROGRAMANDO O NOSSO FUTURO”

Que tipos de tecnologia utilizam na exploração, e porquê? Além dos robots de ordenha, temos uma máquina de aleitamento de substituição para os vitelos – adquirida em 2008 – a trabalhar com grande sucesso: reduzimos a taxa de mortalidade para níveis quase residuais e atingimos um GMD superior ao da alimentação com balde, com ingestão de oito litros por dia. Além disso, conseguimos monitorizar melhor as vitelas porque o sistema nos permite obter os consumos diários e velocidade de alimentação.

para nos falar um pouco acerca dos mais recentes investimentos.

Porque decidem investir em tecnologia? É uma boa pergunta. A


Venha celebrar connosco os 20 anos de ordenha robotizada DeLaval VMS™ muito mais que um Robot de Ordenha

Gerd Horsink Horsink farm, Alemanha

Bastien Rocher Farm Animat 53, França

Sofia Eriksson Farm Eriksson, Finlândia

www.harker.com.pt | info@harker.com.pt Para comemorar este aniversário, a DeLaval está a abrir as portas de mais de 200 explorações com Robot de Ordenha na Europa. Em Portugal será no próximo mês de Outubro!! Informe-se com os nossos técnicos e visite-nos.


PRODUÇÃO

tecnologia é uma ferramenta que nos permite trabalhar de forma mais profissional e objetiva, programando o nosso futuro. Fale-nos um pouco acerca dos investimentos mais recentes. No final de 2016 adquirimos um terceiro robot de ordenha, com uma câmara de indicação da condição corporal, a Camara BCS – Body Score Condition da DeLaval e, em março, comprámos um novo Unifeed automotriz, um conceito diferente de misturadora. Apesar dessa mudança, o regime alimentar mantém-se. Como funciona a câmara? E onde se localiza? A câmara está localizada à saída do robot. A vaca entra na unidade de ordenha, é ordenhada e, quando sai, a câmara avalia automaticamente a sua condição corporal, mesmo em movimento. Como os animais são ordenhados três vezes ao dia, a câmara avalia a sua condição corporal nestas três alturas e executa um gráfico. A classificação é de um a cinco, segundo o modelo tradicional.

“SE UM ANIMAL ESTIVER PERSISTENTEMENTE ACIMA OU ABAIXO DOS VALORES IDEAIS, TOMAMOS A DECISÃO DE AJUSTAR O REGIME ALIMENTAR”

insere. Se um animal estiver persistentemente acima ou abaixo dos valores ideais, tomamos a decisão de ajustar o regime alimentar. O terceiro robot trouxe algumas mudanças em termos de maneio dos animais? Após a compra do novo robot dividimos a vacaria: os

Como se interpretam os resultados gerados? Após as medições, o sistema fornece-nos uma curva padrão de condição corporal com um intervalo de valores, indicando o máximo e mínimo de condição corporal e o valor em que o animal deveria estar naquela fase da lactação. As medições de cada animal surgem como pontos neste gráfico, e podemos perceber em que intervalo de valores se

IMAGEM 2 Exemplo Fotografia 3D.

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outros dois robots estão num parque e o novo robot está noutro, mais concretamente no das primíparas. A nível de arranque no pós-parto, as primíparas adaptam-se muito melhor ao robot e à nova rotina, não há tantos problemas de hierarquias. E que vantagens trouxe? Sendo um investimento bastante recente, com cerca de um mês, ainda não conseguimos percecionar todas as valências da câmara. Em termos de dados úteis que podem ser recolhidos, fica aqui um exemplo: se temos uma vaca a ganhar condição corporal, esta pode não estar a atingir a produção desejada, ou estar a ingerir demasiado alimento para a sua produção. Podemos

então tomar a decisão de alterar a quantidade de alimento fornecido a esse animal e otimizar assim a sua produção. Que resultados a longo prazo esperam obter com a utilização desta ferramenta? A otimização da produção, com benefícios também no maneio nutricional. Ao minimizarmos a existência de vacas com excesso de peso estaremos a otimizar a saúde dos animais, apesar de este não ser um problema de grande relevo na exploração.

IMAGEM 3 Câmara BCS.


PRODUTO

Secar uma vaca com uma condição corporal de 4-4,5 significa que essa vaca vai ter uma condição corporal muito alta durante o período seco, acumulando gorduras no fígado e ocasionando problemas no pós-parto. Com esta ferramenta conseguimos monitorizar a condição corporal ao longo da lactação e evitar precocemente estes problemas, com vantagens também a nível reprodutivo. Ao fim de quantos anos pensam ter o investimento amortizado? Cerca de quinze anos do ponto de vista financeiro mas, tendo em conta as vantagens da sua utilização, talvez até mais rapidamente. Têm por hábito reunir a vossa equipa de técnicos, nutricionista e médico veterinário para analisar os dados gerados? É comum haver uma reunião para a harmonização dos objetivos a planear para os meses seguintes, contando com a presença dos trabalhadores, médico veterinário responsável pela reprodução e médico veterinário que nos dá o apoio nutricional. Ultimamente também temos reunido com a equipa que dá assistência ao robot e o médico veterinário assistente. Observam diariamente os animais? Na rotina do maneio diário, fazemos a limpeza e renovação dos bebedouros e a limpeza e alisamento das camas de areia de manhã e à noite. Nessas alturas observamos os animais para ver se temos manqueiras ou outros problemas. Por outro

IMAGEM 4 Gráfico de análise individual.

Em pormenor A CÂMARA BCS BODY CONDITION SCORE

lado, o computador fornecenos informação completa acerca do efetivo - como o índice de deteção de mastites - a qual podemos consultar. Embora apliquemos um programa de sincronização de cios para inseminação, também estamos atentos a eventuais vacas em cio, além de as monitorizarmos no pósparto. Que indicadores utilizam para gerir a exploração? No início do dia prestamos logo atenção à existência de sobras nos alimentadores. Também analisamos a informação da curva de lactação e eventuais variações, existência de vacas incompletas e vacas com excesso de horas de leite. O veterinário responsável pela gestão nutricional tem um programa que permite avaliar a eficiência alimentar e trabalhar esses dados. Qual é o grande desafio da exploração, tendo em conta o ano que termina e o que se aproxima? Sermos sempre competitivos, inovadores e eficientes. Competitivos porque estamos

Ana Paiva, técnica da Harker XXI, fala-nos em pormenor acerca desta ferramenta. Após medição automática da condição corporal à saída da ordenha - Câmara BCS, o sistema apresenta os valores individuais para cada animal: - A nível gráfico, são exibidas as curvas padrão de condição corporal ao longo da lactação, como base, e à medida que se registam medições, estas são assinaladas, permitindo uma análise rápida do estado do animal. É ainda possível associar as curvas de produção média de consumo alimentar e eventos reprodutivos; - Sob a forma de listagem, onde rapidamente se verificam alterações da condição corporal face às medidas anteriores, através de um sistema de setas que registam a evolução do animal e, a cada 0,25 casas decimais, é feita a marcação da variação. Numa perspectiva global, estão disponíveis relatórios onde as vacas são agrupadas em intervalos de produção, por exemplo, dos 0 aos 50 dias pós-parto, gerando-se uma listagem dos animais em cada fase e respectivas pontuações médias de condição corporal, bem como a pontuação ideal para aquela fase da lactação. O sistema da exploração está a realizar as leituras com base na tabela classificativa para a morfologia de vacas Holstein, mas existem vários modelos programáveis de acordo com a raça utilizada. numa Europa aberta, e há sempre países a conseguir produzir mais barato que nós. Temos de estar preparados para as variações do leite pago à produção, para nos podermos adaptar às diferentes condições de pagamento. Eficientes porque temos de ter vacas rentáveis

e às quais consigamos proporcionar todas as condições de bem-estar e boa produção, começando logo pela qualidade do alimento e água e pelo conforto nas camas e parques. Inovadores porque fazemos questão de trabalhar sempre com tecnologia de ponta.

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PUBLIREPORTAGEM

S.A.Christensen & CO., uma representação Agrovete A Agrovete, parceiro exclusivo para o território português da S.A.Christensen & CO., está cada vez mais focada no fortalecimento desta relação de muitas décadas. A qualidade, eficiência e fiabilidade das soluções SAC fizeram dela uma das referências no sector das máquinas de ordenha em todo o país. Com olhos no futuro, continuamos a aconselhar e instalar as nossas unidades de ordenha, com o objetivo de fazer cumprir o lema do fabricante dinamarquês, ou seja, privilegiando a qualidade do leite e o conforto da vaca e do

ordenhador. No último ano instalámos várias unidades de ordenha, tanto em clientes novos – e a quem agradecemos pela confiança que em nós depositam – como em clientes que já utilizavam sistemas SAC e que, precisamente por saberem do que se trata, voltaram a investir na SAC para um novo ciclo da sua exploração. Deixamos alguns exemplos das últimas novidades:

ANTÓNIO MANUEL MACHADO NETO (FAMALICÃO) • • • • • •

20 pontos de ordenha Sistema paralelo saída rápida rotativo 20 IDC3 (medidor aprovado pelo ICAR) 130 Colares com deteção de Cios Software de gestão do efetivo (Saturnos) Ecrã tátil na sala ordenha

Sistema paralelo de saída rápida, desenvolvido para vacas pequenas e normais que garante uma ordenha fácil e segura para todos os intervenientes. Pesebre rotativo de saída SAC, com rotação rápida até atingir a posição horizontal, onde espera por um período de tempo determinado, e depois lenta e forte, permite ajustar os animais para maior conforto do ordenhador. Com este sistema a ordenha torna-se mais segura, rápida e eficiente. Ecrã tátil, criado para permitir um fácil acesso à base de dados e uma visão geral da ordenha, facilitando o acesso a todos os animais em ordenha e a dados tais como: médias de produção, alertas de atividade e alimentação entre outros. Está preparado para ligar até quatro câmaras que apresentem pontos críticos do estábulo.

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SOC. AGRO PEC. IRMÃOS SENRA E PEIXOTO, LDA (BARCELOS) • • • • • • •

20 pontos de ordenha Sistema paralelo saída rápida rotativo. 20 IDC2 -indicador de mastites (medidor, retirador e pulsador) 130 colares com deteção de Cios Software de gestão do efetivo (Saturnos). 3 Estações de alimentação SAC FDS3 Bomba de vácuo UNIPUMP (seca)

Bomba de vácuo UNIPUMP, amiga do ambiente e isenta de óleo. Como trabalha sem consumir óleo (existe óleo apenas na caixa de engrenagem), o ar expelido pela bomba é respirável e pode ser aproveitado para o aquecimento. Vem incluída uma caixa de sonorização que minimiza o ruído da bomba. Principais vantagens: amiga do ambiente, ar expelido pode ser aproveitado, pouco ruído e não consome óleo.

Estação de alimentação FDS3, nova estação de alimentação SAC com design aberto que faz com que os animais mantenham o contacto com o resto da manada enquanto ingerem o concentrado. Graças a um sistema doseador único, nenhum concentrado é desperdiçado. Equipado com porta traseira (opcional) permite que todos os animais ingiram o concentrado de forma segura e sem interferência de animais mais agressivos. Pode ser equipada com doseador líquido e outros dois tipos de concentrado.

NUNO MANUEL GOMES FIGUEIREDO (BARCELOS) • • • • •

14 pontos de ordenha Sistema espinha 60º 14 IDC2 - indicador de mastites (medidor, retirador e pulsador) 70 brincos HDX Software de gestão do efetivo (Saturnos)

Sistema espinha 60º, sistema simples que permite salvaguardar espaço através da aproximação dos animais. Permite que a ordenha seja feita tanto lateralmente como na parte traseira. Sistema de ordenha fácil e com custos relativamente baixos.


NOVIDADES DE PRODUTO

UMA NOVA FERRAMENTA NA DETEÇÃO DE MASTITES Acabadinho de chegar ao mercado, o Dairy Health Check Device promete revolucionar o diagnóstico precoce de mastites, permitindo não só obter leituras de Contagem de Células Somáticas (CCS) - com 97.7% de precisão-, mas também a diferenciação entre dois dos principais

agentes etiológicos desta patologia, as bactérias Staphylococcus aureus e Streptococcus uberis. E tudo isto no espaço de dois minutos. Este leitor, desenvolvido no Canadá e validado pela universidade de Guelph, em Ontário, contém uma pipeta descartável, na qual é colocada a amostra

de leite e realizada a leitura. A CCS é depois exibida no ecrã do dispositivo e, através da análise do padrão de glóbulos brancos, a diferenciação entre os dois agentes bacterianos é também feita automaticamente. A utilidade do Dairy Health Check Device abrange duas grandes vertentes. Por um lado, permitirá a deteção de mastites subclínicas e, adicionalmente, auxiliará o produtor a identificar animais elegíveis para secagem e tratamento precoce com base nos valores de células somáticas e nos registos existentes na exploração. O preço do aparelho rondará os mil e oitocentos euros, incluindo um conjunto de setenta e duas pipetas descartáveis. Cada conjunto extra de pipetas será vendido por cento e catorze euros. Para o próximo ano está ainda previsto o lançamento de um dispositivo semelhante para o diagnóstico de cetoses.

SYMETER: OTIMIZANDO A COMPACTAÇÃO DA SILAGEM

NOVO DOSEADOR DA HANSKAMP PARA CONCENTRADO CASEIRO Cada vez mais produtores apostam em equipamentos que lhes permitem fazer os seus próprios concentrados. No entanto, obter uma mistura homogénea a nível da exploração nem sempre é fácil, o que complica a sua distribuição, principalmente em espaços húmidos como salas de ordenha. Visando ajudar os produtores a ultrapassar esta dificuldade, a Hanskamp Agrotech desenvolveu o PipeFeeder FarmMix, um doseador automático que tem em conta as particularidades dos concentrados produzidos na exploração, os quais são geralmente muito farinhentos e não se deslocam facilmente através dos equipamentos já existentes. A inovação da Hanskamp consiste num sistema em espiral que agita o concentrado no doseador e impede que este fique bloqueado. Este doseador segue a linha do PipeFeeder 1.0., e a sua tecnologia inovadora assegura uma distribuição de concentrado precisa e sem perdas, adaptando-se a qualquer tipo de sala e robots de ordenha. VEJA MAIS INFORMAÇÃO www.hanskamp.fr

A Vitalac, especialista em nutrição e saúde animal, lançou recentemente o Symeter, uma ferramenta que permite otimizar a compactação das silagens de milho e erva em silos do tipo trincheira. Este dispositivo inovador controla a compactação em tempo real através de um sensor instalado no fundo do silo, e transmite a informação de forma instantânea ao operador de ensilagem através de um suporte móvel como um smartphone ou tablet. A informação é apresentada sob a forma de um mapa, o qual indica o nível de compactação em

todas as zonas do silo, assegurando que esta é feita de forma homogénea. É sabido que uma boa compactação é vital para assegurar a conservação da silagem e minimizar as perdas de produto. Uma silagem bem preservada é por sua vez sinónimo de uma boa produção, sendo melhor aproveitada pelos animais e contribuindo também para a sua saúde.

VEJA MAIS INFORMAÇÃO www.vitalac.eu

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NOVIDADES DE PRODUTO

SBC SCRAPER: PARQUES LIMPOS E DINHEIRO NO BOLSO A francesa GM Elevage lançou recentemente um novo equipamento de limpeza de parques – o SBC Scraper. Este é um raspador de face dupla, com lâminas metálicas à frente, visando a remoção dos detritos de maior dimensão, e escovas especiais na retaguarda de modo a assegurar uma limpeza completa. A inovação do sistema prende-se com o facto de o funcionamento das duas faces ser independente, o que facilita o acompanhamento das irregularidades do pavimento. A otimização da limpeza dos

parques, com redução de detritos e amónia nos corredores e consequente diminuição da contaminação microbiana, permite manter as vacas mais limpas e saudáveis. Em comparação com um sistema de limpeza convencional – o qual atua, em média, dez vezes por dia – o SBC Scraper promete obter melhores resultados com apenas sete passagens diárias e 30% menos de dispêndio de energia, desgaste do equipamento e risco de lesão das vacas.

VEJA MAIS INFORMAÇÃO www.gm-elevage.fr

ICOWNECT: UMA NOVA FERRAMENTA DE GESTÃO NUTRICIONAL

GESTÃO DA EXPLORAÇÃO À DISTÂNCIA DE UM CLIQUE Os avanços tecnológicos estão cada vez mais presentes nas explorações, e muitos são já os produtores que supervisionam o negócio à distância. A pensar neles, a Luda Farm, empresa sueca, lançou um conjunto de software e equipamento de última geração que permite aos produtores aceder ao que se passa na sua exploração à distância e em tempo real. Esta plataforma, denominada My.Luda.Farm, recolhe informação através de sensores e câmaras espalhados pela exploração e permite ao produtor controlar remotamente certos equipamentos apenas com recurso a um telefone, tablet ou computador. O produtor consegue inclusivamente verificar a integridade de estruturas como cercas e aferir níveis de combustível de equipamentos. A plataforma possui ainda um sistema automático de notificações e alarmes, os quais podem ser associados a câmaras em particular, por exemplo. Incluída na plataforma está também a aplicação Luda.ToDo, a qual permite aos produtores criar e partilhar tarefas com os seus colaboradores e, inclusivamente, atribuir uma tarefa em particular de acordo com a proximidade do trabalhador a um dado sensor. VEJA MAIS INFORMAÇÃO www.luda.farm

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Os custos com a alimentação ocupam uma larga fatia do orçamento de qualquer exploração e, por essa razão, é imperativo manter um controlo preciso dos indicadores económicos relacionados com a nutrição animal. De modo a facilitar esse controlo, a Ivache – Vital Concept lançou o iCownect, um módulo de nutrição que permite calcular o custo diário com a alimentação por lotes em efetivos bovinos leiteiros e de carne, ajudando os produtores a otimizar o maneio nutricional dos seus animais através do fornecimento de informação de base para a tomada de decisões. Esta plataforma inovadora VEJA MAIS INFORMAÇÃO www.icownect.com

estabelece ainda uma colaboração entre o produtor e os conselheiros disponibilizados pela empresa, os quais também auxiliam na introdução de dados na conta online do produtor. O cálculo dos custos com alimentação em tempo real é sempre baseado em informação recolhida na exploração – como os níveis de produção e ingestão de alimento – e feito de forma automática, exigindo muito pouca intervenção por parte do produtor.


NOVIDADES DE PRODUTO

II JORNADAS DA RAÇA SUFFOLK Os primeiros resultados da estação de testagem e melhoramento genético de machos da raça Suffolk foram apresentados pela Apormor, a entidade gestora do livro genealógico daquela raça, durante as II Jornadas Técnicas para Criadores de ovinos da raça Suffolk que se realizaram a 2 de setembro, na Expomor (Montemor-o-Novo). Numa fase de arranque, onde se verificam os primeiros passos no que diz respeito à valorização da raça, a Associação acredita no seu potencial, comprometendo-se com

o melhoramento genético da mesma e apoio técnico aos produtores. Os resultados apresentados pelo INIAV e pela Universidade de Évora, no que diz respeito ao GMD de peso, crescimento, consumo de alimentos, espessura da gordura subcutânea e profundidade do músculo, foram positivos. No entanto, de acordo com os autores as conclusões foram ainda pouco expressivas pelo facto de a amostragem testada ser relativamente pequena (n=4). A associação espera que para o ano haja maior disponibilidade de animais em teste com o objetivo de encontrar animais com maior variabilidade para diversas características e onde as diferenças sejam mais expressivas, contando com a ajuda e adesão dos produtores para a realização deste tipo de trabalhos. A associação apela para o trabalho em conjunto entre profissionais e criadores para fornecerem os seus dados à Associação (declarações de cobrições e nascimentos), pois a avaliação genética só poderá ter interesse para uma raça como esta se, efetivamente, se dispuser de informação suficiente e se houver representatividade dos efetivos.

SMARTTURN OTIMIZAÇÃO DAS MANOBRAS DE VOLTA DE CABECEIRA HOLMER MASCHINENBAU, EM CONJUNTO COM REICHHARDT GMBH CONTROL TECHNOLOGY À medida que as variedades de milho modernas e de alto rendimento atingem alturas de crescimento de 4,0 m e mais, os operadores de ensiladoras queixam-se da sensação de estarem a conduzir as suas máquinas “contra uma parede de plantas de milho” durante todo o dia. A Krone desenvolveu uma funcionalidade, nova em ensiladoras — LiftCab — que permite aos operadores elevar totalmente a cabina até 70 cm. Este recurso não só reduz a tensão do operador como possibilita uma visão geral conveniente da cultura e da frota de colheita. O espaço sob a cabina também permite fácil acesso aos pontos de serviço e manutenção.

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NOVIDADES DE PRODUTO

LEVELTUNER - MAIOR SEGURANÇA NAS DESLOCAÇÕES COM CISTERNAS DE CHORUME

e100 VARIO TRATOR A BATERIA

LANDMASCHINEN WIENHOFF

AGCO, FENDT

O centro de gravidade varia muito nas cisternas de chorume quando estas estão equipadas com aplicadores diferentes, de diferentes pesos. Isso também afeta a carga da barra de puxo. Como resultado, esta pode rapidamente tornar-se negativa nas deslocações em vazio – situação responsável por acidentes graves em estradas públicas quando os operadores se esquecem de fixar os engates de bola. Nas cisternas de chorume multi-eixos, o LevelTuner altera automaticamente a pressão do ar dentro dos foles no eixo dianteiro, ajustando-a em relação à carga da barra de puxo que é medida pelo sistema de suspensão da mesma. Desta forma, a carga da barra de puxo é sempre adequada e a estabilidade na estrada aumenta. Além disso, o sistema garante que a tração em campo seja sempre suficiente durante o espalhamento à medida que o tanque está sendo esvaziado. Ao contrário das opções existentes (por exemplo, eixos de largura variável), este sistema de deslocamento do centro da gravidade opera automaticamente sem a intervenção do operador.

As bicicletas e os automóveis movidos a eletricidade estão cada vez mais implementados no mercado, mas até ao momento a tecnologia não está disponível para veículos comerciais. Isto atribui-se ao desafio de desenvolver tecnologia de baterias de alto desempenho que se adapte às necessidades. O trator e100 Vario a bateria foi desenvolvido para desempenhar uma ampla gama de aplicações. Usando o grupo motopropulsor de um modelo Vario de 50kW, substitui o motor de combustão, os sistemas de escape, ar e combustível e o radiador por um bloco de bateria, um motor elétrico compacto e um sistema de controlo elétrico. A bateria de alta tensão, de 100kWh, é carregada rapidamente e armazena energia suficiente para trabalhar por quatro horas com uma carga de trabalho média. Um inovador sistema de gestão térmica que compreende uma bomba de calor garante o controlo eficiente da temperatura da cabina. A bateria de pilhas também pode servir como armazenamento intermédio para a energia gerada na exploração. Esta modificação não afeta a adequação do trator a qualquer tipo de alfaia. Por não produzir gases de escape e ser muito silenciosa, é ideal para uso em edifícios e também para trabalhos de transporte nas cidades.

VARIOPULL - DISTRIBUIÇÃO DO PESO OTIMIZADA AGCO, FENDT A distribuição do peso sobre os eixos traseiro e dianteiro do trator é definida pela carga da barra de puxo, a força da barra de puxo, a lastragem e o reforço de tração quando instalado. Com uma alfaia específica engatada, a distribuição de peso é sempre a mesma. O VarioPull altera o ponto de engate da alfaia - em movimento, num plano horizontal, trazendo-o a uma distância flexível de até 80 cm do eixo traseiro do trator. À medida que o ponto de engate se aproxima do eixo traseiro, a distribuição do peso é otimizada e a estabilidade em estrada aumenta. Por exemplo, o operador pode deslocar o engate mais para a traseira para criar mais espaço para a barra de puxo para fazer as cabeceiras. O sistema permite que os operadores reduzam o peso da frente e, portanto, o peso do trator, o que, por sua vez, aumenta a economia de combustível e protege o solo.

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GLANBIA PROPÕE PREÇO FIXO AOS PRODUTORES DE LEITE A Glanbia, a maior processadora de leite irlandesa, apresentou recentemente uma nova proposta aos produtores nacionais: durante cinco anos, estará disposta a pagar um preço fixo por litro de leite, com a possibilidade de compensação extra para os produtores que optem por comprar as suas forragens e concentrados à companhia. Sobre a


NOVIDADES DE PRODUTO

mesa está um valor de 31 cêntimos por litro, com valores base de 3.6% de gordura e 3.3% de proteína. Os produtores que adiram ao esquema alimentar usufruirão ainda de uma compensação de 2 a 3 cêntimos por litro de leite, dependente da quantidade produzida e da quantidade de alimentação composta utilizada. A ICMSA, organização independente de produtores irlandeses, recebeu a proposta com algumas reservas. Embora vejam com bons olhos este tipo de esquema – o qual pode ajudar os produtores em tempos de maior volatilidade de preços – o descontentamento é marcado no que toca à compra rígida de alimentos compostos a qual, apesar de voluntária, poderá colocar os produtores que não aderirem em clara desvantagem. Pat McCormack, vice-presidente do ICMSA, acrescenta ainda que esta condição poderá ser difícil de cumprir, já que os produtores compram os seus alimentos a diferentes fontes tendo em conta a qualidade das matériasprimas e a competitividade dos preços. Por outro lado, muitos produtores têm fornecedores fixos, nos quais têm depositado a sua confiança durante anos, e estarão muito relutantes em aderir à proposta. O preço oferecido tem também sido alvo de discussão, tendo em conta que permanecerá constante durante cinco anos, e especialmente à luz dos bons ventos que se têm vindo a sentir no setor. Do lado da Glanbia, a proposta é vista como bastante vantajosa para os produtores na conjuntura atual, marcada pela instabilidade política e económica. Destacam-se ainda os benefícios em termos de rastreabilidade e garantia de qualidade dos lacticínios produzidos, provenientes de animais alimentados com matérias-primas nacionais.

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a pioneira, a inovadora.

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NOVIDADE

MASCHINENFABRIK BERNARD À medida que as variedades de milho modernas e de alto rendimento atingem alturas de crescimento de 4,0 m e mais, os operadores de ensiladoras queixam-se da sensação de estarem a conduzir as suas máquinas “contra uma parede de plantas de milho” durante todo o dia. A Krone desenvolveu uma funcionalidade, nova em ensiladoras — LiftCab — que permite aos operadores elevar totalmente a cabina até 70 cm. Este recurso não só reduz a tensão do operador como possibilita uma visão geral conveniente da cultura e da frota de colheita. O espaço sob a cabina também permite fácil acesso aos pontos de serviço e manutenção.

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ERRATA Nº 26 “Silagens de milho produzidas em Portugal” No número 26 da Ruminantes, no artigo Silagens de milho produzidas em Portugal, (página 62, terceira coluna, linha 9), escrevemos por lapso “existindo por isso uma melhoria neste parâmetro”, em vez de, conforme o texto original, “existindo por isso, possibilidade de melhoria neste parâmetro.”

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Ruminantes 27  

Edição nº27/2017 A revista da Agropecuária

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