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Ano 7 - Nº 26 - 5,00€ julho | agosto | setembro 2017 (trimestral) Diretor: Nuno Marques

A REVISTA DA AGROPECUÁRIA

EDIÇÃO DA FOTOGRAFIA FRANCISCO MARQUES

www.revista-ruminantes.com

ORDENHA ROTATIVA EM CABRAS SILAGENS DE MILHO AVALIAÇÃO NUTRICIONAL HOLSTEIN GALEGA CENTRO GENÉTICO


EDITORIAL

PREÇO DO LEITE CONTINUA MAIS ALTO NA EUROPA Na análise periódica que fazemos à rentabilidade da exploração leiteira verificamos que a média de preços do leite pago aos produtores no período de fevereiro a abril continuou a ser muito inferior em Portugal quando comparado com a média europeia (UE28). Esta informação não será novidade para os leitores, como não o será o valor do défice da balança comercial do leite e produtos lácteos que tem variado entre 150 a 250 milhões de euros anuais ao longo dos últimos quinze anos. Estes dados deixam com certeza preocupado qualquer interveniente na fileira do leite, quer se trate de produtores, distribuidores de produtos e serviços para o setor, cooperativas de produtores de leite, indústria de transformação, e a própria grande distribuição que sem leite nacional teria que recorrer em exclusivo a fornecedores externos, algo que não deve ter como objetivo. A verdade é que, apesar do baixo preço do leite continuam a existir produtores de leite e continua a haver investimento no setor. A capacidade que os produtores têm tido para superar estas dificuldades tem vindo essencialmente pelo lado da diminuição dos custos de produção e pelo aumento da produtividade conseguida nas explorações. Isto resulta da sua profissionalização, da excelência dos serviços técnicos (de cooperativas, empresas privadas ou empresários em nome individual) em diferentes áreas — saúde, alimentação reprodução, conservação de forragens... mas também pela diminuição das margens de comercialização dos fatores de produção e serviços que as empresas têm vindo a ser obrigadas a fazer pela concorrência existente num mercado pequeno e muito competitivo, e onde estruturas associativas, como as cooperativas, têm vindo a fazer um excelente e cada vez mais profissional trabalho na compra de qualquer bem ou serviço. Não me parece que neste âmbito haja muitos países a fazer melhor do que nós. Temos bons indicadores produtivos, estruturas produtivas com potencial, excelentes profissionais (produtores e técnicos), e se não temos melhores resultados poderá ser pela desvantagem no clima quando comparado com outros países do norte da europa. Assim sendo, pergunto-me se a estratégia das centrais leiteiras deverá passar por investimentos em imóveis sociais ou em fábricas de alimentos compostos. Será que esses investimentos trarão retornos significativos ao setor produtivo? Será que todos os produtores precisam deles? Será que a estratégia não deveria estar direcionada para acrescentar valor ao leite, produzindo mais iogurtes, bebidas lácteas e queijos, produtos em que somos deficitários? Serão justificáveis os lucros apresentados por alguns operadores quando o setor produtivo definha, como se pode comprovar pelo constante encerramento de explorações? Estas são questões que a nosso ver merecem uma reflexão por parte de todos os operadores envolvidos neste setor para que continuemos a produzir leite em Portugal e para que não aconteça nesta área o mesmo que já aconteceu em tantas outras onde passamos de autossuficientes a dependentes, com as consequências a nível ambiental e económico sobejamente conhecidas. Penso que boa parte da solução estará na devolução aos produtores do valor gerado com a venda do seu leite e no aumento do preço do leite ao produtor para que este possa gerir adequadamente a sua estratégia e rentabilizar a sua própria empresa. O preço do leite continua mais alto na Europa e a devolução aos produtores da mais valia criada pela venda do seu leite ajudaria, por muito pouco que fosse, a diminuir essa diferença. Nuno Marques

EDIÇÃO Nº26 JULHO | AGOSTO | SETEMBRO 2017 DIRETOR

Nuno Marques | nm@revista-ruminantes.com Colaboraram nesta edição Adrian González; Ana Lage; Ana Simões; António Cannas; António Moitinho; Carlos Cruz; Carlos Martinho; Carlos Vouzela; Dargent Figueiredo; Deolinda Silva; George Stilwell; Gonçalo Martins; Jesus Perfecto; Joana Alvernaz; Joana Diniz; João Diogo Pereira; João Marques; José Caiado; Luís Bulhão Martins; Luís Maciel; Luís Queirós; Luís Raposo; Luíza Fernandes; Maurício Santos; Miguel Vieira; Nuno Paulino; Paulo Sousa; Pedro Castelo; Pedro Dinis; Sara Nóbrega; Teresa Moreira; Teresa Santos; Tiago Ramos; Vânia Vaz.

PUBLICIDADE E ASSINATURAS Nuno Marques | comercial@revista-ruminantes.com

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RUMINANTES JULHO . AGOSTO . SETEMBRO 2017 3


ÍNDICE

12 ORDENHA ROTATIVA EM CABRAS MURCIANAS Foi na Herdade do Monte da Aldeia que Luís Bulhão Martins, acompanhado por Ana Simões, técnica responsável pela exploração, recebeu a Ruminantes e partilhou um pouco do seu dia-a-dia, da experiência com a sala de ordenha rotativa e dos objetivos para o futuro.

ALIMENTAÇÃO

54 HOLSTEIN GALEGA, CENTRO GENÉTICO A independência e objetividade do sistema adotado pela Xenética Fontao permitem obter sémen de altíssima qualidade. Viajámos até Fontao, em Lugo - Galiza, para conhecer a empresa e o centro genético, e entrevistámos Maurício Santos, Veterinário Geneticista da XF.

60 SILAGENS DE MILHO AVALIAÇÃO NUTRICIONAL A silagem de milho constitui a forragem de base na generalidade das explorações leiteiras de Portugal Continental, durante grande parte do ano. Ao ser uma excelente fonte de energia, facilmente fermentável, e uma fonte de fibra digestível é um bom alimento para as vacas leiteiras. No entanto, o seu valor nutritivo apresenta uma variação elevada, como iremos constatar ao longo deste artigo.

16 Recria de cabritos, invista hoje para produzir amanhã 20 Ferramentas de avaliação da digestibilidade da dieta 22 Efeitos dos açúcares no pH ruminal 26 Nutrição e produção de gordura láctea 30 Engorda intensiva de bovinos, soluções para melhorar a eficiência produtiva 32 Minimizar as consequências do stress térmico com complementação natural 36 Programa F1 da Mertolenga, interesse técnico e económico

ECONOMIA 44 Observatório de matérias primas 46 Observatório do leite 48 Índice VL e Índice VL erva

FORRAGENS 58 Amostragem de forragens, passo crucial para a qualidade 64 “FEED BEET”: a beterraba imbatível 66 O inoculante que utiliza chega à sua silagem?

GENÉTICA 35 SFKxIDF=IDFxSFK? 50 O sucesso das vacas ProCross na Galiza

OPINIÃO 08 Defesa da produção leiteira em Portugal

PRODUÇÃO 42 Pontos chave no 1º mês de vida das vitelas

PRODUTO 80 Precisão nutricional ao momento 82 FMS – Farm Management Suport 86 Kubota Premium M7171 KVT, 7 meses, 400 horas no “terreno”

SAÚDE E BEM-ESTAR ANIMAL 70 BVD em vacadas de carne 72 O comportamento das cabras domésticas 76 O que sabemos sobre o retorno económico da vacinação para mamites? 78 Plataforma de gestão de bovinos de carne, uma aposta Vetheavy

BOLETIM DE ASSINATURA 1 ANO, 4 EXEMPLARES

DADOS PESSOAIS

Portugal: 20,00 €

Nome.............................................................................................................................................................................................

Europa: 60,00 €

Morada..........................................................................................................................................................................................

Pagamento • Por transferência bancária IBAN: PT50 0269 0111 00200552399 92 Enviar comprovativo para o email geral@revista-ruminantes.com • Por cheque: À ordem de Aghorizons, Lda.

............................................................................................................................................................................................................ CP............................................................................Localidade.............................................................................................. Email.............................................................................................................................................................................................. Tel............................................................................NIF................................................................................................................. Morada para envio: Revista Ruminantes - Rua Alexandre Herculano, nº 21, 5º Dto, 2780-051 Oeiras. RUMINANTES JULHO . AGOSTO . SETEMBRO 2017 5


ATUALIDADES

ALANDIA: UMA NOVA VIDA PARA A LÃ MERINA ALENTEJANA

UMA FERRAMENTA PARA REDUZIR O USO DE ANTIBIÓTICOS Para ajudar os animais a fazer frente a situações de elevado stress como o desmame, transporte, infeções bacterianas, entre outras, a empresa Tecadi apresentou recentemente à indústria uma nova associação de leveduras que promete ajudar a resolver situações causadoras de desequilíbrios na microbiota e depressões das defesas naturais. Mais de 30 participantes da vertente técnica e industrial assistiram, no passado dia 11 de maio, nas instalações da Tecadi, à apresentação da última inovação da Lallemand, por Yannig Le Treut, Médico Veterinário e Diretor Geral

da Lallemand Animal Nutrition. O Yang, nome dado a esta inovação é, segundo a empresa, uma aliança sinérgica entre diferentes estirpes de leveduras inativadas (incluindo Saccharomyces cerevisiae e Cyberlindnera jadinii) coligando e fortificando várias defesas do animal. A Lallemand defende que esta nova ferramenta no campo da nutrição animal comprova que nem todas as estirpes de leveduras são iguais, num momento em que há uma pressão crescente na indústria das rações para a redução do uso de antibióticos.

A IMPORTÂNCIA DA CARNE NA ALIMENTAÇÃO INFANTIL Um estudo de nível nacional levado a cabo no Canadá concluiu recentemente que 70% das mães desconhecem que as necessidades diárias de ferro dos bebés entre os seis e os doze meses de idade é de 11 mg, valor cerca de 40% mais elevado do que as necessidades de um homem adulto. O estudo pretendia elucidar os pais no que toca à inclusão de comidas ricas em ferro – como a carne – na alimentação das crianças. As mães canadenses parecem recorrer a diversas fontes de informação no que toca à alimentação dos seus bebés, como opiniões médicas, revistas, recursos online e familiares, deparando-se com informação por vezes confusa e contraditória. A Health Canada, agência governamental de saúde do país, lançara já em 2012 um conjunto de diretrizes no que toca a este assunto, as quais indicam que devem ser fornecidas às crianças de seis meses de idade carnes vermelhas e brancas, bem como peixe, duas ou mais vezes por dia, todos os dias. Apesar de o ferro estar presente em grande quantidade em outros alimentos que não a carne, esta fornece uma molécula do mineral mais facilmente absorvível pelo organismo, ao mesmo tempo que facilita a absorção de ferro de outras fontes como os vegetais verdes, pão e cereais. Segundo o estudo acima citado, este facto era desconhecido por mais de 50% das mães. Os resultados do estudo foram publicados quase em simultâneo com a ocorrência da World Iron Awareness Week, uma iniciativa da neozelandesa Beef + Lamb, responsável pela promoção do consumo da carne de vaca e borrego no país, e na qual se discutiu a importância da inclusão de níveis adequados de ferro na dieta humana.

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A raça Merino engloba animais distintos com um antepassado comum, produzindo-se assim lã com características semelhantes. Com maior expressividade por terras Alentejanas, distinguem-se dois tipos: Merino Branco e Merino Preto, cuja diferença notória é ao nível da pigmentação. As propriedades que caracterizam a lã merina alentejana fazem com que esta se distinga pela sua maciez e fibras finas, elásticas e homogéneas, possuindo ainda características antibacterianas. Tirando partido desta matéria-prima, Ana Leitão desenvolveu o projeto Alandia, o qual utiliza a lã proveniente de ovinos Merinos Alentejanos no fabrico de luvas de banho – as Alandias. Inteiramente produzidas à mão, são utilizadas tradicionais técnicas como o tricot e o crochet para entrelaçar os fios delicados e puros. Os atributos desta lã propiciam uma experiência relaxante e de extremo conforto, não causando alergias ou irritações cutâneas. Por essa razão, são indicadas para todas as idades - mesmo desde os primeiros tempos de vida – e tipos de pele. São um produto duradouro, ecológico e biodegradável, contribuindo para o bem-estar e equilíbrio da pele através das suas propriedades suavemente esfoliantes, permitindo-lhe uma maior limpeza. Este é um projeto 100% Português - quer em termos de matéria-prima quer em termos de mão-de-obra - que visa dar uma nova vida à lã Alentejana sem esquecer contudo a vertente ecológica.

MAIS INFORMAÇÃO Para saber mais sobre o projeto e seus produtos, convidamo-lo a visitar a página: https://alandiamerina.wixsite.com/alandia Poderá ainda enviar email para o endereço: alandiamerina@gmail.com


OPINIÃO

DEFESA DA PRODUÇÃO LEITEIRA EM PORTUGAL POR MANUEL DARGENT FIGUEIREDO, MÉDICO VETERINÁRIO m.dargent.figueiredo@gmail.com

FIGURA 1 Balança Comercial de Leite e Produtos Lácteos Milhões de Euros 50 0 -50 -100 -150 -200 -250 2015

2013

2014

2011

2012

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2007

2008

2005

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2004

2001

2002

1999

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1998

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1991

1992

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1985

1986

1983

1984

11981

1982

1980

-300

FIGURA 2 Importação e exportação de leite e produtos lácteos. Milhões de Euros

% Adesão à CEE

500

250

pós-quota

600 Introdução do regime de quotas

200

400

150

300 100

200

50

100

0 2015

2012 2012

2013

2011 2011

2014

2010 2010

2013

2009 2009

2014

2007

2008

2007

2005

2006

2203

2004

2001

2002

1999

2000

1997

1998

1995

Importações

2008

Exportações

1996

1993

1994

1991

1992

1989

1990

1987

1988

1985

1986

1983

1984

1982

11981

1980

0

Taxa de cobertura

FIGURA 3 Grau de autoaprovisionamento de leite e derivados. % Adesão à CEE

180

pós-quota

200 Introdução do regime de quotas

160 140 120 100 80 60 40 20

Fonte: INE, L P.

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Queijos

2015

2005

2006

2203

Manteiga

2004

2001

2002

1999

2000

1997

Iogurtes

1998

1995

1996

1993

Leite para consumo público

1994

1991

1992

1989

1990

1987

1988

1985

1986

1983

1984

1982

11981

0 1980

A leitura do Boletim de Estatística e Consumo de Leite, disponível em www.ine.pt (ISBN | 978-98925-0389-9) e publicado em 2016, permite retirar algumas conclusões de relevo. Este é um documento fundamental no entendimento da dificuldade que atravessa hoje em dia a produção nacional de leite. Eventualmente este documento também poderá servir de motivação para uma discussão entre os diversos intervenientes, de modo a encontrar soluções de valor acrescentado à matériaprima produzida por um setor, que tem vindo a demonstrar uma resiliência e adaptação particulares à evolução do(s) mercado(s). Nos últimos quinze anos, a balança comercial de leite e produtos lácteos tem vindo a apresentar um défice de cerca de 150 a 250 milhões de euros, como se comprova pelos dados constantes do boletim acima referido (Figura 1). É interessante constatar que este período de perdas se segue a uma fase de equilíbrio entre importações e exportações que se manteve durante duas décadas, desequilíbrio esse que se inicia com a entrada de Portugal na CEE na década de 90. Em paralelo, e igualmente de forma gráfica e bem clara, observa-se que na década de 90 se acentuou, em valores percentuais, a inversão do rácio entre as importações e exportações, sendo que atualmente o valor das exportações só cobre cerca de 50% do valor importado (Figura 2). O documento do INE apresenta e documenta ainda muitas das razões que levam a este desequilíbrio, entre as quais será meritório destacar o grau de autoaprovisionamento de


OPINIÃO

os profissionais envolvidos em leite e derivados (Figura 3). toda a fileira do leite, indústria Neste gráfico demonstra-se e distribuição debatam estes claramente que Portugal é deficitário nos produtos de maior “indícios macroeconómicos” e, eventualmente, seguindo valor acrescentado (queijo e o exemplo da metodologia iogurte), sendo autossuficiente iniciada por Michael Porter em leite para consumo público e em 1979, se possa inverter a excedentário em manteiga. tendência de perda que se São inúmeras as razões que experiencia há duas décadas, de levaram a este cenário, muitas forma a persuadir o consumidor delas explicadas pela alteração a privilegiar o produto nacional e, de hábitos do consumidor, em paralelo, reduzindo a dívida mas também pela alteração do de Portugal ao exterior. sistema de quotas de produção Considero desde logo de subsequente à entrada na CEE. extrema importância, como Na primeira edição do presente referi na edição anterior da ano da Revista Ruminantes, Revista Ruminantes, salientar procurei identificar alguns que o poder de uma marca dos aspetos que preocupam é o resultado da inovação. o produtor em Portugal, Temos marcas neste setor nomeadamente no que diz que merecem o nosso respeito ao preço da matériaprima base duma tão importante carinho e empenho. indústria - o leite - pago a preços bem concorrenciais em relação à vizinha Espanha e à média NOTA Europeia. O autor escreveu este artigo segundo o Antigo Acordo Ortográfico. Parece-meAF_Imprensa_210x148_Calform.pdf pois importante que 1 21/06/17 10:55

AS CINCO FORÇAS COMPETITIVAS DE PORTER PARA DETERMINAR A RENTABILIDADE DE UMA DADA INDÚSTRIA A LONGO PRAZO (1979): • • • • •

Rivalidade entre os concorrentes; Poder de negociação dos clientes; Poder de negociação dos fornecedores; Ameaça de entrada de novos concorrentes; Ameaça de produtos substitutos. Poder de Barganha dos Fornecedores

Ameaça de Novos Entrantes

RIVALIDADE ENTRE CONCORRENTES

Ameaça de Produtos Substítutos

Poder de Barganha dos Clientes

C

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Monobox GEA Um só movimento para uma ordenha perfeita O Monobox apenas necessita de uma colocação para poder realizar toda a sequência de passos de uma boa rotina de ordenha. Num único movimento coloca, estimula, limpa, tira os primeiros jactos de leite, ordenha e aplica o post-dip directamente nos tectos

Os 6 passos da rotina de ordenha automática Monobox 1. Colocação e estimulação Logos após à colocação da tetina começa o processo de estimulação mecânico que prepara o ubre para uma ordenha rápida e com elevados fluxos de leite A estimulação mecânica da GEA reduz as curvas bimodais, desta forma é encurtado o tempo de ordenha e aumenta a produção de leite por animal. 2. Ordenha limpa É feita a limpeza dos tetos seguida de uma secagem, posteriormente são retirados os primeiros jactos de leite O que diferencia o sistema Monobox da GEA de outras máquinas é que desta forma não são necessárias escovas ou qualquer outro equipamento mecânico que possa provocar uma qualquer contaminação dos tetos. Ao realizarmos uma limpeza regular e constante evitamos ordenhar tetos sujos ou molhados.

3. Medição e análise do leite Um conjunto de sensores analisa por teto a temperatura, a cor e a condutividade eléctrica do leite dos primeiros jactos para detectar anomalias ou mamites. De seguida são monitorizados os fluxos de leite e tempos de ordenha de cada teto enquanto se mede o volume de leite produzido. A informação detalha é disponibilizada ao produtor de forma a permitir realizar os ajustes necessários. 4. Ordenha completa, rápida e confortável A ordenha em linha baixa permite trabalhar com baixos níveis de vácuo o que nos dá a garantia de uma ordenha rápida e suave dos tetos. A linha baixa proporciona estabilidade de vácuo e melhores condições para os tetos, coisa que as linhas altas não permitem. Este facto influência de forma positiva a qualidade final do leite ordenhado.

5. Posicionamiento Um braço de ordenha leve e suspenso adapta-se de maneira natural aos movimentos da vaca. Isto evita maus posicionamentos do jogo de ordenha, quedas dos casquilhos, forças negativas e respiros nas tetinas. Caso uma tetina caia, jamais esta poderá tocar o chão até que volte a ser colocada, nem o jogo de ordenha perde o bom posicionamento O curto comprimento das mangueiras de leite proporciona estabilidade e evita flutuações de vácuo.

6. Post Dip e retirada automática Uma vez terminada a ordenha e antes de retirar a tetina, é aplicado directamente em cada teto o produto desinfectante e cosmético. Esta forma de aplicação tão directa permite uma cobertura perfeita e de forma homogénea em todo o teto e uma hidratação mais eficaz..


Qualidade, Produtividade e Flexibilidade. Tudo em um! Módulo profissional de ordenha automática proporciona o máximo rendimento e excelente saúde do rebanho. O novo módulo GEA Monobox herda as vantagens do célebre módulo de ordenha DairyProQ para uma produção de leite de qualidade superior. Toda a rotina de ordenha é realizada dentro de uma só tetina, o que assegura uma ordenha com uma higiene impecável, uma melhor saúde do rebanho e um leite de qualidade premium. GEA Monobox ordenha as suas vacas no momento oportuno e com uma eficiência única.


PRODUTO

ORDENHA ROTATIVA

FIGURA 1

EM CABRAS MURCIANAS

Foi na Herdade do Monte da Aldeia que Luís Bulhão Martins (LBM) - acompanhado por Ana Simões, técnica responsável pela exploração - recebeu a Ruminantes, e partilhou um pouco daquele que é o seu dia-a-dia, da experiência com a sala de ordenha rotativa e dos objetivos para o futuro. POR RUMINANTES

Inserida na vastidão alentejana, a exploração agrícola familiar que LBM gere tem sido pautada no seu desenvolvimento pelo aproveitamento respeitador dos recursos existentes, e pela manutenção e criação de sistemas de produção compatíveis com a realidade existente. Com uma área importante de pastagem, quase sempre melhorada, em associação com montado de azinho, a vocação é a pecuária extensiva. Na exploração existem bovinos, ovinos, caprinos e porcos alentejanos em montanheira numa perspetiva de produção de qualidade em que a complementaridade das espécies favorece a eficiência do sistema.   A exploração desde há muito que produz cabra serpentina em linha pura. LBM, que é um dos maiores produtores inscritos no livro genealógico, iniciou em 2009 uma nova área de negócio ao montar uma unidade de 1000 cabras murcianas . A exploração foi montada recorrendo ao

investimento em tecnologia e equipamento de desenvolvimento recente, em que se destaca uma sala de ordenha rotativa e os sistemas de monitorização e controlo constante ao efetivo com que foi equipada. Ruminantes - O que representa a produção caprina no volume total de negócio? Tenho atualmente uma atividade muito variada em termos de produtos agrícolas e animais, sendo que as cabras representam cerca de 7-8% do volume total de negócio. Começámos com a raça Serpentina, da qual temos atualmente o maior efetivo existente, compreendendo cerca de 12% do efetivo nacional. É uma raça de dupla aptidão, que se explora de uma maneira mais extensiva, com menores produções leiteiras. Não se presta à intensificação, ao contrário da raça Murciana. Porque optou mais tarde pela raça Murciana? Na altura não existiam muitas hipóteses. Houve sempre a ideia subjacente que iríamos explorar o sistema intensivo de uma forma

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mista, com uma grande parte do dia ao ar livre. As raças elite de aptidão leiteira são a israelita Saanen, bastante maior que a Murciana, e a Parda Alpina. Por proximidade geográfica, optámos pelas espanholas Murcianas. A meu ver, as Murcianas são animais mais pequenos e de fácil maneio, e bem mais agradáveis à vista. Quais são as principais diferenças de maneio entre as cabradas Serpentina e Murciana? O maneio é completamente diferente, uma vez que a capacidade produtiva também o é. As Serpentinas vivem em ambiente extensivo, excetuando os dois períodos de ordenha, de manhã e à tarde, onde passam cerca de duas horas dentro das instalações. São muito pouco suplementadas, e a suplementação serve maioritariamente como incentivo à ordenha. Já as Murcianas passam a maior parte do tempo nas instalações, embora no nosso caso façamos um regime misto de pastoreio e de alimentação distribuída nos parques (figura 1).


PRODUTO

DADOS DA EXPLORAÇÃO Área da Exploração: 215 hectares Nº empregados: 4 + 1 técnica (Ana Simões) (figura 4) Efetivo: 650 cabras em ordenha Alimentação: pastoreio, feno de luzerna e concentrado (70% dos alimentos provêm da exploração) Produção leiteira: 450 l/animal aos 210 dias PB (%): 3,5-3,7 GB (%): 4,8

Como é a taxa de substituição das Murcianas? A taxa de substituição é muito rápida devido às elevadas produções. O número médio de lactações é variável, no entanto a taxa de substituição de um rebanho deste tipo andará à volta dos 20-25%, com uma vida produtiva de 4-5 anos por animal. Evitamos ao máximo comprar animais de fora, sendo essa prática reservada apenas para os machos. Como está distribuído o efetivo das cabras Murcianas? Temos dois lotes, o das mais produtivas e o das menos produtivas. Neste último fazemos uma secagem gradual em que vamos diminuindo a quantidade de alimento disponibilizado, bem como o número de ordenhas. Os lotes estão estabulados durante a noite, saindo para o campo após a ordenha da manhã. A herdade é de uso predominante das cabras, embora no fim da primavera seja repartida com um efetivo bovino que temos nas propriedades circundantes.

Mede a eficiência alimentar? Sim, cada cabra come em média 1,5 kg de ração por cada 2 litros de leite produzido. A quem vende o leite? A duas queijarias de média dimensão aqui da região. A nossa relação prima-se pela transparência e confiança. As queijarias acompanham a variação da qualidade do leite, a qual não é constante ao longo do ano, e são-lhes fornecidos os resultados das análises mensais do leite. Como analisa o interesse do negócio? Usa indicadores? Uso indicadores diários, sendo o melhor a produção leiteira por lote e por animal. Também vigiamos de perto os dados reprodutivos como a prolificidade e o historial de cada animal. Os cabritos são pesados à nascença e identificados tendo em conta as suas mães. Como ainda estamos em fase de expansão do efetivo prescindimos de algum rigor e colocamos todas as fêmeas em reprodução desde que tenham as condições morfológicas adequadas.

temos uma lista de dados como partos, prolificidade, sexo e peso do cabrito, os quais inserimos no sistema, e que otimizam a gestão do efetivo. Temos por exemplo uma lista das cabras ‘top’, de melhor desempenho, que chega atualmente aos 50 animais. Também registamos todos os dados de tratamentos médicos e profiláticos. Partilha essa informação com toda a equipa? Esta informação é inserida no sistema e partilhada com a equipa numa base diária, acaba também por constituir um incentivo à melhoria constante, e percebemos quando estamos a fazer progressos. Falando agora da ordenha. Este sistema é pioneiro em cabras. Que modelo é? É um modelo rotativo de 32 pontos de ordenha da GEA (figura 2 e 3).

Que informação recolhe diariamente do sistema informático? Em termos de produção, é recolhido o número de quilos de leite na ordenha, sendo que também alimentamos o sistema com informação. Por exemplo, em caso de termos uma cabra com mastite, podemos dar indicação ao sistema para que esse animal não seja admitido à ordenha. Por outro lado,

Como é feito o maneio alimentar das cabras secas? É-lhes fornecido um alimento de manutenção, o qual é substituído por ração pré-parto nos últimos dois meses de gestação, na qual incluímos propilenoglicol líquido.

FIGURA 2 e 3 Sala de ordenha, modelo rotativo de 32 pontos de ordenha da GEA.

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PRODUTO

Porque escolheu este tipo de sala de ordenha? Quando pensamos em salas de ordenha, é imprescindível que tenhamos assistência continuada e eficiente. Eu conhecia muito bem a SANILEITE, empresa através da qual tinha adquirido a sala de ordenha das Serpentinas e com a qual estava bastante satisfeito. No que toca a esta sala em particular, e depois de várias visitas a explorações espanholas, vi que a maioria das pessoas estava plenamente satisfeita, e pareceu-me ser a forma mais cómoda de ordenhar, até para o pessoal. O ritmo de ordenha é mais elevado do que noutros tipos de sala, sendo ordenhados 250 a 300 animais por hora. O investimento inicial neste tipo de sala de ordenha é maior? E a manutenção? Sim, o investimento é superior. Ainda assim, este tipo de sala dispensa algumas obras de construção civil que as outras necessitam. Quanto à manutenção, temos de ter uma boa revisão anual, havendo também alguns cuidados de rotina diários. Como é a adaptação dos animais a este tipo de sala? A primeira adaptação durou uma semana, não só com os animais mas com o pessoal. Depois de uma aprendizagem continua, atualmente está tudo de certa forma automatizado e tranquilo, os animais entram calmamente na sala de ordenha. Apenas temos de ensinar as fêmeas mais jovens, mas estas aprendem essencialmente ao imitar as mais velhas, o incentivo da nossa parte é muito reduzido.

Quantos empregados tem na ordenha? Cerca de 2 a 3 pessoas, sendo 3 o ideal. Ajudamos a máquina em determinado tipo de cabras, nas quais temos de dar uma ajuda manual no fim de ordenha. Fale-nos do maneio do cabriteiro. Ao nascimento os cabritos são automaticamente retirados das mães. O umbigo é desinfetado e seco, o cabrito é pesado e é-lhe colocada a coleira com o número de identificação associado ao da mãe. O colostro, pasteurizado, é fornecido ad libitum, sendo ingeridos em média 150 a 200 ml por toma, com três tomas intervaladas 2 a 4 horas. A partir daí vão para os parques onde são ensinados a mamar (figura 5), recebendo o programa profilático ao fim de 3 dias. Há sempre uma vigia constante desde o nascimento, e os animais mais frágeis são separados inicialmente e sujeitos a cuidados redobrados. À terceira semana, começam a comer concentrado e palha, ingerindo a ração de iniciação até ao desmame. Que cuidados têm em termos de saúde animal? A nossa aposta é sobretudo na prevenção, e temos um programa de vacinação bastante rigoroso e abrangente: aos 7 dias vacinamos contra o Ectima Contagioso; aos 20 dias vacinamos contra pasteurelose e clostridioses, com reforço ao dia 41; na fase de engorda administramos um coccidiostático e desparasitamos; aos 4 meses vacinamos contra a paratuberculose, e três semanas depois contra a clamidiose. Uma vez por ano todo o rebanho é ainda vacinado contra a Agaláxia contagiosa. É ainda administrado

PRODUÇÃO DE CABRITOS Sistema reprodutivo: 4 épocas de parto de 1 mês de duração Peso ao nascimento: 1,7 kg (primíparas) a ˃2 kg (multíparas) Idade ao desmame: 60 dias Peso ao desmame: 7-8 kg

FIGURA 5 Sistema de alimentação artificial.

um antibiótico intramamário às cabras secas. Quais são os objetivos para os próximos anos? Pretende vender genética? Prevemos que, nos próximos três a quatro anos, cresçamos 15% ao ano em termos de resultados. Uma cabra que produz 450 litros hoje, para o ano produzirá 500 litros. Estamos ainda com uma grande margem de progressão, há muito espaço para melhoria, algo que também nos incentiva a curto e longo prazo. Por enquanto não pretendemos vender genética, mas existe sempre a ambição de o fazer. O que tem aprendido enquanto produtor ao longo destes oito anos? A evolução tem sido constante, e temo-nos munido de outros conhecimentos e ferramentas. A complexidade do sistema aumenta em paralelo com a intensificação e, para que esta seja bem sucedida e resulte num bom output, é preciso que não existam fatores limitantes. Temos de nos debruçar mais a fundo sobre imensas coisas, sendo a sanidade talvez o fator mais complexo.

FIGURA 4 (Esquerda em cima) Luís B. Martins, Arlindo do Monte, Ana Simões, José Luís Esteves, Maurício Soldado. (Esquerda em baixo ) Deolinda Pinto e Joaquina Raimundo

14 JULHO . AGOSTO . SETEMBRO 2017 RUMINANTES


ALIMENTAÇÃO

RECRIA DE CABRITOS INVISTA HOJE PARA PRODUZIR AMANHÃ A criação dos animais jovens, desde o nascimento até ao começo da sua vida produtiva, deve ser encarada como um investimento necessário e prioritário em qualquer exploração caprina.

LUÍS RAPOSO ENGENHEIRO ZOOTÉCNICO, DEPARTAMENTO RUMINANTES NA REAGRO l.raposo@reagro.pt

FIGURA 1 Fatores de variação de crescimento de cabritas na recria.

Independentemente de querer manter ou procurar aumentar o efetivo, há que tentar melhorar sempre o seu potencial genético e produtivo. Esse deverá ser um entre os diversos objetivos de cada produtor. No entanto, como qualquer investimento, há que procurar também rentabilizá-lo da melhor forma possível, assegurando o melhor crescimento dos animais jovens. Para isso é necessário ter sempre em consideração os vários fatores (Figura 1). As doenças mais frequentes nos cabritos jovens prendem-se essencialmente com motivos associados às condições ambientais e de higiene da própria exploração.

Por esse motivo, é fundamental ter em consideração não só a alimentação do efetivo jovem, mas também as condições ambientais e o estado sanitário da exploração. Há que tomar todas as medidas preventivas e estabelecer um

apertado controlo sanitário da exploração. No âmbito da alimentação, é extremamente relevante a atenção e a importância que lhe é dada ao longo dos vários momentos chave do desenvolvimento e do crescimento dos jovens cabritos.

A IMPORTÂNCIA DA TOMADA DO COLOSTRO

FATORES DE VARIAÇÃO DE CRESCIMENTO NA CRIAÇÃO DE CABRITAS LACTANTES (NASCIMENTO - DESMAME)

Alimentação • • • •

Leite Forragens Concentrados Água

Condições Ambientais • • • •

Temperatura Ventilação Alojamento Outras...

Estado Sanitário • • • •

Profiláxia Diarreias Coccidiose Outras...

Peso Vivo (PV) ao desmame

16 JULHO . AGOSTO . SETEMBRO 2017 RUMINANTES

O colostro da primeira toma após o parto garante a transferência de imunidade da mãe para a cria. É aconselhável o consumo mínimo de 150 g de colostro durante as primeiras 24h, sendo que cada cabrito deverá ser alimentado com o colostro da sua mãe durante os primeiros 2 a 3 dias de vida. Controlar a quantidade e a qualidade do colostro ingerido no primeiro dia é fundamental. Além disso, o aporte de matéria gorda altamente digestível é fundamental para ajudar os jovens cabritos a garantir a manutenção da sua temperatura corporal


ALIMENTAÇÃO

GARANTIR PERMANENTEMENTE ACESSO A ÁGUA LIMPA Logo após os primeiros dias de colostro, há que garantir também aos cabritos a permanente disponibilidade de água limpa, pois além de indispensável na sua hidratação, promove o bom funcionamento e desenvolvimento do rúmen e ajuda a promover a ingestão de fibra e de alimento concentrado (starter).

RENOVAÇÃO DO ALIMENTO DISPONÍVEL Através de várias distribuições diárias, não esquecendo a importância da remoção do alimento recusado.

FASE LÁCTEA Nas primeiras semanas de vida, devido à sua fisiologia digestiva, há que respeitar um correto programa de aleitamento onde o leite (ou alimento lácteo) é a primeira e fundamental fonte proteica e energética para os cabritos. É importante que o leite de substituição cumpra os requisitos nutricionais do cabrito bem como possua uma série de características determinantes: • Respeitar a concentração recomendada pelo fabricante; • Controlar a temperatura; • Garantir o máximo de homogeneidade (ausência de grumos ou partículas).

PROPORCIONAR O ACESSO CONSTANTE A FORRAGENS DE ELEVADA APETÊNCIA FIGURA 2 Programa alimentar para cabritas desde o nascimento até ao desmame. Parto

A IMPORTÂNCIA E O INTERESSE DO ALIMENTO STARTER O desenvolvimento do rúmen é tanto mais rápido quanto maior for o consumo de concentrado e forragem. O interesse do desenvolvimento precoce do rúmen é favorecer maiores crescimentos até à fase de desmame. A distribuição de um alimento sólido (starter) adequado e rico em teor proteico irá estimular não só o aumento do volume do rúmen, como também o início do funcionamento das suas enzimas e bactérias amilolíticas. Por sua vez, a ativação precoce do sistema enzimático promove um melhoramento da digestão e um maior volume ruminal, que leva a uma capacidade de ingestão aumentada. O estímulo ou incentivo à ingestão do starter poderá

ser conseguido através da escolha de matériasprimas e aromas de elevada palatabilidade ou apetência. A escolha dessas matériasprimas pode também ser preponderante para limitar riscos metabólicos, diarreias, ou outros problemas que poderiam influenciar de forma negativa o contínuo crescimento e bom desenvolvimento dos cabritos. A boa gestão da introdução e utilização do alimento starter na dieta, ao longo dos primeiros meses de vida do cabrito, tem também o propósito de reduzir algumas das consequências do stress ao desmame e garantir o crescimento contínuo do cabrito, sendo ainda uma fonte complementar de oligoelementos e vitaminas.

2d

5d

10 d

Desmame

Aleitamento Alimentação

Colostro

Alimento “starter” ad libitum Feno de boa qualidade

REDUÇÃO DO STRESS AO DESMAME O desmame deverá ocorrer apenas e quando o consumo/ ingestão de alimentos sólidos (feno + concentrado) é satisfatório. O desmame é por si só um causador de stress logo à partida, pois é o momento em que o cabrito deixa de ter acesso à dieta láctea que iniciou ao nascimento. No entanto, para atenuar esse efeito, há que promover uma redução gradual da quantidade de leite dispensada ao cabrito durante os últimos dias do aleitamento, para que haja um período de adaptação à mudança do regime alimentar. Em simultâneo, aumentar e promover a ingestão de starter antes do desmame e à medida que se reduz a quantidade de leite. Desmames demasiado tardios não só terão um impacto negativo nos custos como poderão traduzir-se numa engorda excessiva dos animais. Assegurar o acesso e consumo de água é mais uma vez indispensável. Nas figuras 2 e 3 estão representadas algumas sugestões no âmbito da alimentação que poderão ajudar a otimizar o crescimento das cabras jovens, desde o nascimento ao desmame e até à idade do primeiro parto.

RUMINANTES JULHO . AGOSTO . SETEMBRO 2017 17


ALIMENTAÇÃO

FIGURA 3 Programa alimentar para recria das cabritas desde o desmame ao 1º Parto.

1ª Inseminação 7 meses

Desmame

Gestação Último Mês

Início do regime de lactação (Período adaptação)

Alimento de Recria

Alimentação

1º Parto 12 meses

Feno de boa qualidade + Água sempre disponível

DUAS CONDIÇÕES A RESPEITAR PARA OTIMIZAR A FUTURA VIDA PRODUTIVA DA CABRITA 1 - CRESCIMENTOS MÁXIMOS NOS 2 PRIMEIROS MESES DE VIDA • Interesse das pesagens ao nascimento (mínimo = 2,5 kg); • Garantir ganhos médios diários elevados (GMD na ordem das 200g/d); • Cumprimento das metas de crescimento; • Interesse das pesagens ao desmame; É muito importante definir à partida objetivos de

crescimento, pois só assim é possível acompanhar e controlar efetivamente a evolução de peso de cada animal (figura 4). Quaisquer atrasos significativos nesta fase fulcral do crescimento não serão totalmente recuperáveis e comprometerão a futura vida reprodutiva e produtiva da cabra. Animais com melhor peso ao nascimento poderão ter melhor crescimento ao longo dos primeiros meses de vida, atingindo por isso pesos mais elevados quer ao desmame quer à idade

FIGURA 4 Curva de crescimento nos primeiros 7 meses.

45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 1

2

3

4

5

6

de crescimento é primordial e o resultado disso terá impacto no(a): • Capacidade de ingestão dos animais adultos; • Efetivo adulto; • Sucesso na reprodução; • Nível de produção leiteira na primeira lactação.

2 - PESO VIVO (PV) DA CABRA AOS 7 MESES AQUANDO DA 1ª INSEMINAÇÃO

FIGURA 5 Evolução do peso até à 1ª inseminação.

• Interesse das pesagens das cabras aquando da 1ª inseminação; • Identificar cabritas com melhores crescimentos nesta fase inicial. A taxa de sucesso na primeira inseminação é mais elevada quando o peso corporal da cabra é já superior a 50% do seu peso adulto. Desta forma, e sustentado pelas figuras 5 e 6, podemos verificar que numa cabra com 60 kg de peso adulto a taxa de sucesso na primeira inseminação ronda os 85% quando o peso aos 7 meses é 30 kg (figura 6).

Peso vivo (kg)

0

da primeira inseminação. Da mesma forma, animais com crescimentos abaixo dos objetivos serão animais que levarão mais tempo a atingir os pesos desejados, e poderão por isso tornar mais longo o seu período improdutivo.

7

8

Idade (meses) Curvas de crescimento de cabritas com pesos diferentes ao nascimento.

18 JULHO . AGOSTO . SETEMBRO 2017 RUMINANTES

9

Há uma relação direta entre a fase de crescimento (cria e recria das cabritas) e as futuras performances reprodutivas e produtivas da cabra adulta. A otimização dos vários fatores de variação

PESO

60 KG

Idade (meses) PV 1ª Inseminação

70 KG

7

8

7

8

30

32

35

37

FIGURA 6 Relação entre o crescimento e a futura performance reprodutiva. Fertilidade (%) 100%

95%

90%

85%

80%

75% 25

30

35

Peso aos 210 dias (kg)

40


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ALIMENTAÇÃO

FERRAMENTAS DE AVALIAÇÃO DA DIGESTIBILIDADE DA DIETA COMPREENDA A DIGESTIBILIDADE DA DIETA... DEIXE AS FEZES CONTAREM A HISTÓRIA O que é que as fezes das suas vacas lhe podem dizer sobre a digestibilidade dos ingredientes? O rúmen das suas vacas está a funcionar corretamente... haverá acidose? Os ingredientes da dieta das suas vacas estarão corretamente processados? A dieta formulada corresponde à sua atual digestão? As mudanças estão a ter impacto na digestibilidade geral da dieta e na função ruminal? Onde é que obtém respostas para perguntas como estas? Através das ferramentas de avaliação da digestibilidade que lhe apresentamos neste artigo.

20 JULHO . AGOSTO . SETEMBRO 2017 RUMINANTES

CARLOS MARTINHO
 STRATEGIC & TECHNICAL DIRETOR, CARGILL ANIMAL NUTRITION (CAN) carlos_martinho@cargill.com

O QUE SÃO AS FERRAMENTAS DE AVALIAÇÃO DA DIGESTIBILIDADE DA DIETA? Apenas porque uma dieta parece bem no papel, isso não significa que irá ser compatível com o desempenho adequado das vacas. E aí reside o desafio. De facto, o verdadeiro trabalho inicia-se depois da formulação da dieta. Sabe-se que inúmeros fatores podem estar na origem das variações na digestibilidade dos ingredientes. Por exemplo, a sua forma de apresentação ou o seu processamento podem aumentar a taxa de passagem ruminal e afetar a sua digestibilidade. Já a temida acidose tem efeito direto sobre o rúmen, limitando a digestibilidade

das frações fibrosas. Uma meticulosa compreensão dos elementos-chave e das formas específicas para avaliar a digestibilidade da dieta, aumenta a probabilidade de atingir os resultados económicos e o desempenho desejados, através de um fornecimento nutricional mais preciso. As ferramentas de avaliação da dieta – um dos componentes do Rumen Health System, que lhe apresentámos na edição anterior – foram concebidas para fazer isso mesmo, associando a formulação da dieta aos resultados reais em cada vaca.

COMPONENTES-CHAVE DAS FERRAMENTAS DE AVALIAÇÃO DA DIETA MANURE SCREENER - Avaliação visual da dieta e digestão de ingredientes MANURE EVALUATOR - Estima as frações das fezes e a taxa de passagem dos ingredientes RUMEN HEALTH (RH) INDEX - Prevê o impacto da dieta na saúde ruminal SISTEMA MAX® - Transforma a saúde ruminal e as frações de digestibilidade em dietas e produtos personalizados. Estas ferramentas, juntamente com os outros componentes do sistema nutricional, permitem uma fina sintonia entre a dieta das vacas leiteiras e o correto fornecimento de nutrientes, otimizando assim o maneio nutricional dos animais.


ALIMENTAÇÃO

PORQUÊ UTILIZAR AS FERRAMENTAS DE AVALIAÇÃO DE DIGESTIBILIDADE DA DIETA? A digestão numa vaca leiteira é um processo complexo, e os fatores que a influenciam podem variar rapidamente. Esta variação é ainda mais significativa se pensarmos que cada exploração é um caso distinto, e precisa por isso de soluções inovadoras que vão ao encontro das suas necessidades e que acrescentem valor, quer económico quer em termos de poupança de tempo. Através de avaliações simples levadas a cabo com estas ferramentas, em complementaridade com os outros componentes do sistema nutricional, são lançadas as bases para a gestão dos riscos de produção.

Conhecendo melhor estas ferramentas… Tudo começa com a avaliação visual da dieta e da digestão dos ingredientes através do Manure Screener. É surpreendente aquilo que podemos encontrar quando temos objetivos específicos, e os resultados podem orientar-nos na direção certa, levandonos a alterar o processamento dos ingredientes, a modificar a estrutura física da dieta ou a forma como esta é fornecida aos animais. Assim, associando os resultados da

GRÁFICO 1 Avaliação da semente inteira de algodão. Perdas Energéticas – Mcals NEL, Equivalente Leite 1,000

Mcals NEL

0.750

0.500

0.250

0 Pré-Parto

Recém Paridas

Altas

Passagem de Energia

Médias

Baixas

digestibilidade com as características da dieta e os ingredientes que a compõem, pode ser desenvolvido um arraçoamento mais preciso e consistente (Esquema 1). Qual é a percentagem de semente inteira de algodão (silagem de milho ou grão) que surge nas fezes por digerir? De facto, esta é uma situação frequente, e vários fatores, incluindo o consumo de matéria seca, formação de matéria orgânica no rúmen e o tipo de semente de algodão empregue, podem afetar a sua taxa de passagem. E quanto aos outros ingredientes? O simples ato de passar a bota pelas fezes dos animais dá-nos apenas uma ínfima parcela de informação. É aí que entra o Manure Evaluator, o qual permite estimar as diferentes frações fecais e a respetiva taxa de passagem, orientando-nos para uma melhor formulação da dieta (Gráfico 1). E como prever qual será o impacto da dieta na saúde ruminal? Através do rH Index, o qual permite combinar a informação gerada pela análise dos nutrientes com as características físicas da dieta, prevendo assim o impacto sobre o rúmen. Todo este conhecimento acerca da digestibilidade da dieta precisa de ser transformado em algo prático e produtivo, e é aí que entra o sistema MAX®. Este sistema transforma os perfis nutricionais desenvolvidos em arraçoamentos cuidados e produtos feitos à medida. Assim, um único sistema consegue

ESQUEMA 1 Avaliação visual da digestibilidade da dieta.

associar a forma física dos ingredientes e a sua composição nutricional à fermentação ruminal e à performance dos animais, permitindo obter um arraçoamento preciso, consistente e adequado às necessidades de cada produtor.

COMO APLICAR AS FERRAMENTAS DE AVALIAÇÃO DA DIGESTIBILIDADE DA DIETA? Estas ferramentas são desenvolvidas tendo em conta as condições reais de cada exploração, propondo soluções concretas. Ao compreendermos o impacto global da dieta sobre a digestibilidade e a saúde ruminal, estamos a evitar potenciais efeitos negativos sobre a produção e qualidade do leite, salvaguardando os interesses de cada produtor. Este é um sistema que está ao alcance de todos, que se inicia com a análise do atual arraçoamento dos animais através das ferramentas práticas de avaliação logo ao nível da manjedoura, e que culmina com o desenvolvimento de uma solução clara e de vanguarda.

Energia - Equivalente leite

RUMINANTES JULHO . AGOSTO . SETEMBRO 2017 21


ALIMENTAÇÃO

EFEITOS DOS AÇÚCARES NO pH RUMINAL Os açúcares são um princípio nutritivo importante para equilibrar a energia do arraçoamento e atingir um equilíbrio digestivo otimizado. ADRIAN GONZÁLEZ, VETERINÁRIO. NUTRICIONISTA E CONSULTOR PARA BOVINOS DE LEITE EM ESPANHA LUÍZA FERNANDES, VETERINÁRIA. LIQUID PRODUCTS SPECIALIST NA DIVISÃO EUROPEIA DA SUGARPLUS

Na nutrição prática de vacas de leite há dois princípios fundamentais que são repetidos pelos nutricionistas quando conversam entre si ou com os seus clientes: • Alimentar um ruminante é essencialmente alimentar a flora microbiana do rúmen; • Para que a exploração atinja uma produção elevada é necessário obter uma estabilidade digestiva no rúmen. Estes dois aspetos são atingíveis através de um arraçoamento equilibrado porque caso a flora microbiana seja penalizada, temos de lidar com as consequências. Entre os distúrbios digestivos que podem influenciar a flora ruminal a acidose subclínica é o mais frequente. Também denominada de SARA (sub acute ruminal acidosis) esta condição desencadeia problemas como menor produção de leite e mais instável, claudicações, mastites e infertilidade. Considerando que a ecologia ruminal é dinâmica e consequente do tipo de nutrientes e da condição físico-química do licor ruminal, fazendo variar numérica e quantitativamente a população de bactérias no interior do rúmen é importante nutrir a flora microbiana de modo uniforme, fornecendo a cada estirpe o seu nutriente preferido. Se confrontarmos a complexidade do ecossistema ruminal com a heterogeneidade do tipo de hidratos de carbono presentes, dar-nos-emos conta de que é necessário aprofundar o nível de conhecimento para formular corretamente o arraçoamento. A chave é garantir um equilíbrio estável que permita a fermentação de todos os alimentos. Os estudos mais recentes demonstram que os açúcares são

uma grande ajuda para formular arraçoamentos mais balanceados. Basta pensar que no seu estado natural a vaca consome forragens frescas riquíssimas em açúcares simples (mono e dissacáridos). Assim, devemos relembrar que a componente açúcar não é uma novidade na alimentação dos ruminantes. Ao invés, sempre fizeram parte da sua dieta ao longo dos séculos: as vacas a campo de facto consumiam forragem verde jovem que chegava a conter cerca de 15% de açúcares na matéria seca (MS). Atualmente, nas condições da agricultura moderna, as forragens verdes vêm conservadas sob a forma de silagem e para a boa execução deste processo é necessário que a quase totalidade dos açúcares contidos na forragem sejam transformados em ácidos orgânicos (principalmente ácido láctico e ácido acético) que garantirão uma conservação otimizada. A tabela 1 ilustra o conteúdo em açúcares dos alimentos mais utilizados e ilustra o quão mais baixo ele é em relação às necessidades de referência de que mais à frente falaremos. Como podemos facilmente calcular utilizando os dados da tabela, nos arraçoamentos atuais observa-se uma percentagem de açúcar que varia entre os 2,5 e os 3% em MS. Tendo esta observação por base, seria interessante colocar a questão: porque é que atualmente a maior parte das vacas (geneticamente mais avançadas e com maior necessidades

22 JULHO . AGOSTO . SETEMBRO 2017 RUMINANTES

TABELA 1 Conteúdo em açúcares dos alimentos mais utilizados. ALIMENTO

CONTEÚDO MÉDIO EM AÇÚCARES (%MO)

Silagem de milho

0,7

Silagem de luzerna

1,8

Silagem de triticale

1,4

Silagem de centeio

2,0

Silagem de azevém

2,0

Feno de luzerna

5,0

Feno de gramínea perene

7,2

Palha

1,0

Azevém verde

5,1

Farinha de milho

1,6

Trigo

3,2

Cevada

2,3

Farinha de colza

8,3

Farinha de girassol

5,4

Farinha de soja

8,4

Soja

5,6

Linhaça

3,5

Semente de algodão

1,5

Casca de soja

1,5

Casca de trigo

5,1

Polpa de beterraba

5,8

Massa de cerveja

0,9

de energia em comparação com as vacas antigamente a pasto) recebem somente 3% de açúcares no seu arraçoamento? Acreditamos que o antigo conceito de que açúcares sejam sinónimo de acidose ruminal pode ser um dos motivos que explica o receio em aumentar esta percentagem.


ALIMENTAÇÃO

NOVIDADES CIENTÍFICAS SOBRE ESTE TEMA O Efeito dos Açúcares no pH ruminal Desde há muito tempo, a solução mais comum para adicionar açúcar ao arraçoamento baseia-se na utilização de melaço de cana ou de beterraba. Estas duas soluções são tradicionalmente empregues para aumentar a ingestão e para reduzir a seleção na manjedoura (sorting), graças não apenas à sua apetibilidade, mas também à sua capacidade ligante. No entanto, nos últimos anos, foram descobertos efeitos ainda mais positivos da adição de açúcares sobre a flora ruminal: eles são importantes para modelar a fermentação no interior do rúmen. Os açúcares representam uma fonte “imediata” de energia disponível para as bactérias celulolíticas. Estas trabalham assim de forma mais eficiente, permitindo à vaca obter mais energia a partir da fibra e da proteína solúvel. Embora tenham uma taxa de fermentação (KD) muito elevada - o que poderia levar a pensar que a sua ação causa um abaixamento de pH ruminal - os resultados da investigação nos últimos anos demonstram precisamente o contrário, conferindo maior estabilidade a este último. Para iniciar citamos o trabalho de Penner et al., 2009 que compara duas dietas que diferem na adição de 3% de açúcar. Os autores notaram um aumento tanto do pH médio como do pH mínimo diários (tabela 2).

O mesmo autor em 2009 estudou o efeito da adição de açúcares em arraçoamentos para vacas em pós-parto. Também neste trabalho se observaram os mesmos resultados e, além disso, o número de horas em que o pH ruminal era inferior a 5,8 reduziu para metade (tabela 3). Antes deste trabalho, em 2004, Broderick e Radloff compararam uma dieta com 2,6% de açúcares e 10% de açúcares. Não obstante que o conteúdo total de amidos e açúcares fosse superior em relação à dieta controlo, e a produção de AGVs fosse maior na dieta adicionada de açúcares, o pH médio manteve-se SUGARADE_pag_pubblicitaria_PORTOGHESE.pdf

1

31/05/17

09:34

TABELA 4 Comparação de uma dieta com 2,6% e 10% de açúcares. Açúcares Totais (%MS)

2,6

10

Amido (%MS)

31,4

26,1

Amido + Açúcares (%MS)

33

36,1

pH médio

6,07

6,06

AGV mM

112,0

117,0

constante. Estes resultados prova, que é possível fornecer mais energia evitando os efeitos acidogéneos normalmente observados com fontes de amido (tabela 4).

A SOLUÇÃO

PARA O CALOR DO VERÃO!

C

M

Y

CM

TABELA 2 pH em dietas sem e com adição de 3% açúcar.

MY

CY

CMY

SEM ADIÇÃO

COM ADIÇÃO 3%

2,8

5,8

Açúcares (MS)

K

Amido (MS)

18,5

18

pH mínimo

5,44

5,66

pH médio

6,17

6,34

MISTURA DE AÇÚCARES LÍQUIDOS, ÁCIDOS ORGÂNICOS E SAIS MINERAIS

TABELA 3 Efeito da adição de açúcares em arraçoamentos para vacas em pós-parto.

Açúcares (MS)

SEM ADIÇÃO

COM ADIÇÃO

4,5

8,7

Amido (MS)

20,6

18,5

pH médio

5,42

5,62

pH mínimo

6,06

6,21

Duração de pH<5,8(min/d)

322

174

Área de pH<5,8(min/d)

79,4

38,3

ED&F MAN PORTUGAL Av. António Serpa, 23 - 7º Andar, 1050-026 Lisboa Tel. 21 780 1488

RUMINANTES JULHO . AGOSTO . SETEMBRO 2017 23


Em 2011, Martel et al. comparou uma dieta com uma base muito alta de amido com uma dieta com a substituição de 2,5% de amido por igual quantidade de açúcares, incluindo 5% de melaço. Para além do efeito positivo no pH ruminal, notou-se também um aumento da produção de ácido butírico (tabela 5). TABELA 5 Açúcares (%MS)

6,4

8,9

Amido (%MS)

36,3

32,9

pH médio

5,73

5,87

16,7

17,7

46,3

46,9

28,7

27,4

Ácido butírico (mol/100 mol) Ácido acético (mol/100 mol) Ácido propiónico (mol/100 mol)

Mais recentemente também Chibisa et al. 2015 demonstrou que, aumentar em cerca de 5% o açúcar à custa do amido através da utilização de lactose, aportava os efeitos supra descritos e também um ligeiro aumento da produção (tabela 6). TABELA 6 Açúcares (%MS)

3,3

8,1

Amido (%MS)

24,4

19,8

Amido + Açúcares (%MS)

27,7

27,9

pH mínimo

5,52

5,77

pH médio

6,09

6,17

Área de pH <5,8(min/d)

51

43

ECM (energy corrected milk)

40,6

41,3

Todo este trabalho juntamente com outros escritos ao longo dos anos por Chamberlain et al., (1993), Heldt et al., (1999), McCormick et al., (2001) e De Frain et al., (2004), confirma que os açúcares não causam um abaixamento do pH ruminal mas promovem uma estabilização de todo o ambiente ruminal.

COMO EXPLICAR ESTE EFEITO? Resumindo o que os autores anteriormente referidos utilizaram como explicação para os resultados obtidos:

vez que a sua fermentação produz apenas um átomo de hidrogénio em vez de dois, como fazem os ácidos propiónico e acético (Allen, 2016) (Figura 1).

1 – Os açúcares favorecem o desenvolvimento das populações microbianas capazes de degradar o ácido láctico em ácido acético. O ácido láctico é, de facto, um ácido gordo muito forte e a sua acumulação conduz primeiramente a SARA, e, em seguida, a acidose ruminal aguda. Já há muitos anos atrás, Counotte et al., 1981, Scheifinger et al., 1973 e Marounek et al., 1989, demonstraram que a disponibilidade de açúcares simples no rúmen estimula o crescimento de Megasphera Elsdenii e Selenomonas Ruminantium, bactérias especializadas na redução de ácido láctico em ácido acético, funcionando assim como um estabilizador do pH ruminal. De facto, Aikman et al. 2011 utilizaram determinadas estirpes de M. Elsdenii como probiótico em arraçoamentos muito ricos em concentrado, diminuindo a incidência percentual de SARA.

3 – Em 2007 Hall e Weiner demonstraram que as bactérias ruminais podem converter os açúcares em glicogénio e armazenar este último como reserva energética. Este processo pode reduzir a produção instantânea de AGVs evitando assim a queda dos níveis de pH.

2 – Os açúcares ajudam o pH ruminal porque a sua fermentação produz essencialmente ácido butírico (Sun et al., 2015). Este último representa um fator de crescimento e desenvolvimentos das vilosidades ruminais ajudando desta forma à absorção dos AGVs através da mucosa. Também Martel et al., 2011 e Penner (2016) afirmaram que uma absorção mais rápida dos AGVs ajuda a manter o nível de pH mais elevado. Para além disso, o ácido butírico é menos acidogéneo que os outros AGVs uma

FIGURA 1 Fermentação ruminal. 2 acetato

1 esoso

2 propionato 2 piruvato 1 butirrato

Fonte: Allen, 2016

24 JULHO . AGOSTO . SETEMBRO 2017 RUMINANTES

4 – Por fim, quando os açúcares são administrados sob a forma líquida, fazem com que o arraçoamento consumido seja mais homogéneo, reduzindo o efeito de seleção na manjedoura. Desta forma regula-se a fermentação, o pH ruminal mantém-se mais constante e a produção total de saliva aumenta também, favorecendo um maior poder tampão.

CONCLUSÕES PRÁTICAS As últimas diretrizes científicas sugerem-nos um aporte médio de açúcar entre 6 a 8% por kg de matéria seca e um aporte de amido entre os 24 e os 26% de matéria seca por vaca entre os 21 e os 200 dias de lactação (Hoover et al., 2005; Allen 2012 e Formigoni et al.,2015). Podemos afirmar que estes valores garantem uma quantidade de energia de utilização rápida ótima e são indicadores de segurança para o pH ruminal, ajudando na prevenção da SARA. A nível prático, nas situações em que adicionamos açúcares notamos um melhoramento geral dos índices produtivos da qualidade do leite e reflexos positivos na fertilidade, na saúde e no bem-estar dos bovinos. A caracterização dos açúcares mais adaptados a cada finalidade e a cada tipo de arraçoamento, segundo as suas características, permanece assim alvo da investigação.


ALIMENTAÇÃO

NUTRIÇÃO E PRODUÇÃO DE GORDURA LÁCTEA

JOÃO MARQUES

MÉDICO VETERINÁRIO - SERVIÇO TÉCNICO-COMERCIAL, NANTA PORTUGAL joao.marques@nutreco.com

METABOLISMO LIPÍDICO NA VACA LEITEIRA A maioria dos lípidos (gorduras) de origem alimentar sofre duas transformações no rúmen: • HIDRÓLISE DOS GLICEROLÍPIDOS: levando à libertação dos ácidos gordos (AG´s); • BIO-HIDROGENAÇÃO (BH) DOS AG´S INSATURADOS: pela ação de enzimas bacterianas ruminais, convertendo-os em AG´s menos insaturados ou saturados. Embora o nosso conhecimento sobre a relação entre o metabolismo lipídico ruminal e a síntese de gordura láctea tenham progredido significativamente na última década, corrigir problemas relacionados com o TB do leite em explorações

1. Aumento de percursores PUFA Via Normal de Bio-Hidrogenação

É do conhecimento geral que a composição do leite pode ser afetada pela genética, nível de produção, fase da lactação, estado de saúde e idade das vacas, mas também por fatores ambientais (sobretudo temperatura). Contudo, neste artigo irei expor os fatores determinantes da quebra no teor butiroso (TB) do leite, associados à nutrição e ao maneio alimentar das vacas leiteiras.

2. Vias alternativas de BH

Linoleic acid (cis-9, cis-12 18:2)

Rumenic acid (cis-9, trans-11 CLA)

Vaccenic acid (trans-11 18:1)

trans-10, cis-12 CLA

3. Velocidades de BH alteradas

Stearic acid (18:0)

leiteiras permanece uma das tarefas mais desafiantes do nutricionista.

A Gordura Láctea surge através de duas vias principais: 1. A gordura consumida pela vaca ou armazenada no tecido adiposo é absorvida para a corrente sanguínea. A glândula mamária depois transfere essa gordura do sangue para o leite. 2. A glândula mamária pode sintetizar (de novo) cadeias curtas e médias de AG´s, através de compostos absorvidos da corrente sanguínea, que foram produzidos no rúmen através de fermentações bacterianas. Aproximadamente 50% da gordura do leite é sintetizada na glândula mamária e outros 50% vêm diretamente da corrente

26 JULHO . AGOSTO . SETEMBRO 2017 RUMINANTES

trans-10, 18:1

Stearic acid (18:0)

FIGURA 1 Três vias que podem levar à DGL (adaptado de Bauman and Griinari, 2003).

sanguínea. É o balanço entre a ingestão de AG´s (dieta) e da síntese mamária que determina o TB do leite.

A DEPRESSÃO DA GORDURA DO LEITE (DGL) A DGL é caracterizada pela redução da síntese de gordura na glândula mamária. Este fenómeno é definido como um TB no tanque inferior a 3,2% em rebanhos de vacas Holstein-Frísias. É hoje maioritariamente aceite que a DGL resulta da produção de Ácidos Gordos

“Trans” no rúmen devido à biohidrogenação microbiana, por vias alternativas, de Ácidos Gordos Poli-insaturados (PUFA´s). Estes AG´s Trans, mais especificamente o trans-10 e o cis-12 Ácido Linoleico Conjugado (CLA) são absorvidos para a corrente sanguínea e exercem o seu efeito, mesmo a baixas concentrações, diretamente na glândula mamária, onde reduzem significativamente a síntese de gordura pela mesma. Este processo ocorre devido a alterações na flora ruminal. A DGL típica de 3,8% para 3,2% de TB pode ser causada por apenas 1-2 g/ dia de CLA ou compostos semelhantes, que deixam o rúmen e são levados até à glândula mamária (via sanguínea). No geral, não existe apenas um fator responsável isoladamente pela DGL. Esta resulta da interação entre múltiplos fatores alimentares e não alimentares.

Há 3 vias pelas quais este fenómeno pode ocorrer (Figura 1): 1 - ALTERAÇÃO DA QUANTIDADE DE PUFA´S QUE ENTRAM NO RÚMEN: Há um aumento do substrato disponível: alimentação com altos níveis de gorduras insaturadas, como aquelas encontradas em óleos e sementes oleaginosas, bem como em alguns subprodutos como os DDG´s. Alimentos como erva ou milho podem


ALIMENTAÇÃO

também ser fontes importantes de PUFA´s devido à sua composição em AG´s e aos seus altos níveis de inclusão nas dietas. Os AG´s Linoleicos e linolénicos representam a grande maioria dos AG´s encontrados nas forragens e matérias primas usadas em vacas leiteiras, sendo o Ác. Linoleico o PUFA predominante no milho e seus derivados. Como tal, em condições típicas em Portugal, particularmente quando a silagem de milho representa a base forrageira das dietas, as estimativas apontam para que o aporte diário de Ác. Linoleico possa chegar e mesmo ultrapassar os 400-500g/vaca/ dia. Esta quantidade é substrato mais do que suficiente para atingir a presença de PUFA´s requeridos para a DGL . 2 - ALTERAÇÃO DAS VIAS DE BIO-HIDROGENAÇÃO: a DGL tem sido associada com dietas ricas em amidos, pHs ruminais baixos/instáveis, dietas pobres em forragens e ao uso de Monensina na alimentação (proibido na UE). Qualquer destes cenários pode levar ao desvio das vias “normais” de BH, favorecendo vias alternativas potenciadoras de produção de AG´s Trans. 3 - ALTERAÇÃO DAS VELOCIDADES DE BIOHIDROGENAÇÃO DE DETERMINADAS VIAS: é compreensível que alterações na dieta que induzam alterações nas populações microbianas e no ambiente ruminal, possam também alterar as velocidades de bio-hidrogenação das diferentes vias existentes, podendo favorecer as vias produtoras de compostos trans. A experiência indica que a DGL ocorre como resultado de vários fatores associados à dieta e ao maneio e não de apenas um fator isolado.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Não foram incluídas por uma questão de espaço editorial, mas o autor disponibiliza bastando enviar um email.

DICAS NUTRICIONAIS E DE MANEIO PARA OTIMIZAR A PRODUÇÃO DE GORDURA LÁCTEA Como pudemos ver anteriormente, a estabilidade ruminal é o ponto fulcral para a prevenção da DGL, nomeadamente no que se refere às populações microbianas, ao pH e ao fornecimento de nutrientes. Assim, ficam aqui alguns dos pontos a ter em consideração na abordagem a casos deste tipo: LIMITAR AS FONTES DE GORDURA NÃO PROTEGIDAS: limitar todas as fontes de gordura não protegidas (incluindo óleos, oleaginosas e subprodutos de destilação). O uso de suplementos de gordura na alimentação é normalmento efetuado para aumentar a densidade energética alimentar e sustentar a produção de leite elevada. Deve optar-se por AG´s saturados (ex. Palmítico) que são considerados inertes no rúmen. As gorduras ditas by-pass apresentam baixo risco de biohidrogenação ruminal incompleta e de DGL. LIMITAR AMIDOS: limitar os níveis de amidos de acordo com os tipos de cereais usados e o seu processamento, para reduzir as velocidades de fermentação e o abaixamento/oscilações do pH ruminal. O pH ruminal baixo é a alteração do ambiente ruminal que mais contribui para as vias alternativas de BH, pois causa alterações na população microbiana que favorecem essas vias. Contudo, há frequentemente a ideia errónea de que a acidose é um pré-requisito indispensável para a DGL. Aliás, isto não é o que ocorre e, na maioria das situações de DGL, o rúmen goza de excelente saúde ruminal e não existem sinais fiáveis de acidose ruminal. Estes sinais não chegam a existir porque, normalmente, apenas pequenas descidas do pH são suficientes para causar DGL. FORNECER NÍVEIS DE NDF FORRAGEIROS ADEQUADOS: formular com um mínimo de NDF forrageiro para manter uma função ruminal e ruminação adequadas. Em vacas altas produtoras isto é normalmente atingido apenas com forragens de alta qualidade. VIGIAR O TAMANHO DE PARTÍCULA DA MISTURA UNIFEED: A produção leiteira em si não parece ser afetada a curto prazo, mas o TB decresce à medida que diminui o tamanho das partículas forrageiras da dieta. Este efeito está diretamente

28 JULHO . AGOSTO . SETEMBRO 2017 RUMINANTES

associado à diminuição da ruminação e mastigação, e à descida do pH ruminal. PREVENIR A SELEÇÃO ALIMENTAR PELAS VACAS (“RATION SORTING”): para minimizar este efeito, deve assegurar-se que a maioria das partículas de forragem sejam suficientemente processadas de modo a passarem pelos orifícios do crivo superior do Penn State Particle Separator, mas que sejam retidas no segundo crivo, ficando apenas 3-5% da mistura Unifeed no crivo superior. A mistura no crivo superior deve conter poucas ou nenhumas partículas com mais de 5 cm de comprimento. DISTRIBUIR ALIMENTO E APROXIMAR COMIDA MAIS FREQUENTEMENTE: distribuir alimento pelo menos 2 vezes por dia e aproximar o alimento da manjedoura regularmente, contribuem para diminuir drasticamente o comportamento de seleção alimentar. USO DE BICARBONATO E LEVEDURAS: ambos os ingredientes demonstraram melhorar a função ruminal e ajudar a manter o TB do leite, potencialmente através da contenção da extensão das oscilações de pH ruminal após as refeições e/ou das derivadas de maneios alimentares incorretos. OUTROS FATORES: também se sabe que o uso de silagens com fermentações anormais (sobretudo silagens de milho ricas em ácido acético) ou o uso de alimentos contaminados com bolores, podem causar alterações na BH. Contudo, ainda é necessária mais investigação para comprovar definitivamente a relação causa/ efeito destes fatores. Outros aspectos a considerar no futuro como focos de maior atenção são: fatores ambientais (stress por calor), aspectos de maneio (densidade animal) e componentes da dieta que possam ajudar a manter as vias “normais” de BH (ex. Antioxidantes). Caso a sua exploração tenha TB abaixo do desejado e/ou esperado para a sua realidade produtiva, este pode ser provavelmente aumentado utilizando as indicações referidas neste artigo sobre a formulação e o maneio alimentar. Estas indicações devem ser sempre validadas por um retorno económico positivo das medidas a implementar.


Melhore os Ă­ndices produtivos na engorda intensiva dos seus bovinos


ALIMENTAÇÃO

ENGORDA INTENSIVA DE BOVINOS SOLUÇÕES PARA MELHORAR A EFICIÊNCIA PRODUTIVA Os atuais desafios de gestão da exploração intensiva de bovinos de engorda, visando a melhoria da eficiência produtiva, passam necessariamente por minimizar os problemas mais frequentemente identificados pelos produtores pecuários: • PATOLOGIAS RESPIRATÓRIAS, nomeadamente a ocorrência de pneumonias, potenciadas pelo confinamento dos animais e agravadas pela sobrelotação, heterogeneidade dos lotes, temperaturas desajustadas, ventilação deficiente com deterioração da qualidade do ar, etc; • PROBLEMAS DIGESTIVOS, que se estendem, desde dificuldades de adaptação

GONÇALO MARTINS GESTOR DE PRODUTO, ESPECIALIDADES ZOOTÉCNICAS gmartins@vitas.pt

às mudanças de regime alimentar, subaproveitamento da dieta e má absorção dos nutrientes, a situações de doença, reveladas por diarreias causadas principalmente por parasitoses, tais como, coccidioses;

DOIS NOVOS ALIMENTOS MINERAIS DA GAMA TIMAFEED

30 JULHO . AGOSTO . SETEMBRO 2017 RUMINANTES

TIMACALM

Destinado a diminuir as afeções respiratórias e digestivas dos bovinos em regime de engorda intensivo

Destinado a acalmar os animais confinados e a melhorar a digestibilidade da matéria seca do alimento

COMPOSIÇÃO Alimento mineral contendo CALSEAGRIT(2) e extratos de plantas (Cinnamomun cassia, Eucalyptus globulus e Mentha piperita).

• COMPORTAMENTO AGRESSIVO, evidenciado sobretudo nos machos a partir da puberdade, levando a perdas que podem atingir 30% dos nutrientes totais ingeridos pelo animal, e conduzir a competição e potenciais lesões entre os animais que compõe o lote. De uma forma geral, as situações acima referidas resultam em taxas de mortalidade elevadas, no uso excessivo de antibióticos(1) e em atrasos no crescimento dos animais, com menores ganhos médios diários (GMD, g/dia/cab), menores pesos ao abate, maiores índices de conversão (IC, kg ração/kg Peso Vivo) e aumento da idade ao abate. Procurando responder às exigências enfrentadas pelos sistemas produtivos dedicados à engorda intensiva de bovinos, a Vitas Portugal apresenta dois novos alimentos minerais da gama TIMAFEED: TIMARESP e TIMACALM.

TIMARESP

Alimento mineral, contendo CALSEAGRIT(2), extratos de plantas (Crataegus oxyacantha, Passiflora incarnata e Valeriana officinalis) e metabólitos de fermentação de Aspergillus oryzae, Trichoderma viridae e Bacillus subtilis.

MODO DE AÇÃO • Ação imunitária com reforço do sistema fagocitário; • Ação expetorante, mucolítica e descongestionante bronco-pulmonar; • Estímulo da integridade intestinal, fortalecendo as células epiteliais; • Ação anti-infeciosa e antiparasitária, resultando na redução da proliferação de coccídeos por lise das suas membranas.

• Ação sinérgica dos metabólitos de fermentação e aumento da degradação ruminal; • Ação tranquilizante e ansiolítica; • Ação sedativa (sobre o Sistema Nervoso Central, SNC) e antiespasmódica (sobre o sistema nervoso autónomo simpático e parassimpático); • Diminui ritmo cardíaco, melhora a irrigação do miocárdio e o volume sistólico.

RESULTADOS • Vias respiratórias desobstruídas e respiração normal; • Integridade intestinal e correta absorção de nutrientes; • Crescimento favorecido.

• Valorização da dieta (aumento dos ácidos gordos voláteis, AGV, produzidos no rúmen); • Animais tranquilos e menor risco de lesões; • Crescimento favorecido.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS A resistência a antibióticos é considerada um grave risco para a saúde pública pela European Food Safety Authority (EFSA). The European Union summary report on antimicrobial resistance in zoonotic and indicator bacteria from humans, animals and food in 2015. EFSA Journal, Volume 15, Issue 2, Version of Record online: 23 FEB 2017 (disponível em: https://www.efsa.europa.eu/en/efsajournal/ pub/4694). (2) CALSEAGRIT® produto de elevada pureza resultante da micronização do lithothamne (algas calcárias); tem elevado poder tampão e, fornece cálcio, magnésio e oligoelementos de origem marinha. (1)


ALIMENTAÇÃO

RESULTADOS DE 3 ENSAIOS A ação do TIMARESP e TIMACALM foi comprovada por vários ensaios realizados em diferentes países, dos quais partilhamos alguns resultados. ENSAIO TIMARESP Realizado em Espanha, com 16 novilhos de engorda no momento do loteamento (entrada dos animas nos pavilhões) entre os 6 e 8 meses de idade. EFETIVO (CAB)

PESO INICIAL (KG)

PESO FINAL (KG)

Testemunha

8

274

343

TIMARESP

8

271

363

O grupo de novilhos com TIMARESP alcançou maior peso final.

ENSAIO TIMARESP Realizado na Hungria, com 2 lotes de 360 vitelos à engorda. MORTALIDADE

Nº DE TRATAMENTOS ANTIBIÓTICOS

Testemunha (n=360)

23

466

TIMARESP (n=360)

15

125

-35%

-73%

O uso de TIMARESP permitiu reduzir, simultaneamente, a administração de antibióticos e a mortalidade dos vitelos.

ENSAIO TIMACALM Realizado em Espanha, com 82 novilhos cruzados de Bleu Blanc Belge (BBB), com idade de 19 semanas no início do ensaio. TIMACALM

TESTEMUNHA

DIFERENÇA

GMD (g/dia)

1.303

1.157

+146 g/dia

Peso final (kg)

488,2

452,6

+ 35,6 kg

249

259

- 10 dias

Idade ao abate (dias)

A aplicação de TIMACALM durante 35 semanas permitiu aumentar o crescimento e o peso final e reduzir a idade ao abate em novilhos cruzados BBB.

SOLUÇÕES As soluções TIMARESP e TIMACALM foram desenvolvidas a partir de ingredientes de origem natural e, a sua incorporação poderá ser feita na ração diária ou antecipadamente no fabrico do alimento composto, uma vez assegurada uma formulação nutricional adaptada a cada fase da engorda, não estando sujeita a intervalos de segurança.

MAIS INFORMAÇÕES Para mais informações e esclarecimentos, não hesite em contactar o técnico Vitas mais próximo de si.

CÃES DE GUARDA POUCO CONVENCIONAIS A segurança dos rebanhos é uma das grandes prioridades de qualquer produtor de ovinos. Quando esta falha, os resultados podem ser desastrosos. Que o diga Gordon Wyeth, um produtor da região de Sussex, condado Inglês que, este ano, viu 116 das suas fêmeas da raça Romney Marsh Neozelandesa, muitas delas prenhas, morrerem em circunstâncias misteriosas, o que acarretou um prejuízo de cerca de 17 mil libras (mais de 19 mil euros). Após investigação, concluiu-se que a responsável terá sido uma matilha de cães selvagens da zona. Visando evitar perdas futuras, o senhor Wyeth decidiu então reforçar a segurança dos seus rebanhos e, para isso, comprou dois animais de guarda, de seu nome Tom e Jerry. O mais interessante? Estes dois machos não pertencem à espécie canina, mas sim à família dos camelídeos: são duas alpacas. O uso de alpacas como guardadoras de rebanhos não é

de todo uma prática desconhecida, já que se comprovou que estes animais são muito bons nessa tarefa, especialmente durante as épocas de parto, afugentando predadores como raposas e cães. O problema não está só nas mortes ocorridas, mas também nos abortos induzidos pela presença dos predadores, que induzem estados de stress nas fêmeas gestantes. De acordo com a pastora Lizzie Rough, apesar de tímidos junto dos humanos, Tom e Jerry estão sempre bastante atentos aos predadores, e podem mesmo persegui-los e afugentá-los se os considerarem uma ameaça para o rebanho. Tal como os outros camelídeos, as alpacas são animais robustos, inteligentes e gregários, possuindo um grande instinto protetor e uma visão apurada a vários quilómetros de distância. São ainda capazes de emitir um sinal sonoro bastante caraterístico perante uma ameaça, o que pode ajudar a alertar os produtores para a presença de predadores.

RUMINANTES JULHO . AGOSTO . SETEMBRO 2017 31


ALIMENTAÇÃO

MINIMIZAR AS CONSEQUÊNCIAS DO STRESS TÉRMICO COM COMPLEMENTAÇÃO NATURAL

O stress térmico é uma grande preocupação na gestão dos efetivos de ruminantes uma vez que afeta negativamente o bem-estar, as performances e a rentabilidade de uma exploração. POR DEPARTAMENTO TÉCNICO DIN/IBERSAN – GROUPE CCPA

AVALIAÇÃO DO STRESS TÉRMICO

CONSEQUÊNCIAS

O melhor indicador de stress térmico é o Índice de Temperatura e Humidade (THI) As vacas nas explorações leiteiras começam a sofrer de stress térmico quando o THI se encontra acima das 72 unidades. Este nível é alcançado, por exemplo, a uma temperatura de 24° C e uma humidade de 68% (gráfico 1). Acima de 72 unidades de THI, cada unidade de THI adicional causará uma queda de 0,2 kg de leite/vaca.

A figura 1 apresenta o número de dias com um THI > 71 (período: de 1 de maio de 2016 a 30 de setembro de 2016).

Braga 111

Múltiplas consequências do stress térmico

Porto 41

O stress térmico tem várias consequências: • Acima de 71 ° F (22° C) com uma humidade acima de 50%, a ingestão voluntária de alimento diminui, uma vez que este se encontra degradado pela humidade elevada (tabela 1). Para compensar esta queda de consumo de ração, há um aumento na mobilização de reservas corporais.

Lisboa 99

Beja 120

GRÁFICO 1 Diagrama do stress térmico para vacas leiteiras (Burgos Zimbelman and Collier, 2011) Stress térmico baixo THI 68-71 Stress térmico médio THI 72-79 Stress térmico médio a severo THI 80-89 Stress térmico extremo THI 90-99 Morte >THI 99

32 JULHO . AGOSTO . SETEMBRO 2017 RUMINANTES

FIGURA 1 Número de dias com um THI > 71 (período: de 1 de maio de 2016 a 30 de setembro de 2016). Para a cidade de Braga: 2 dados ausentes em junho e 8 dados ausentes em agosto 2016 Dados recolhidos em: www.wunderground.com.


ALIMENTAÇÃO

TABELA 1 Adaptado de “Voluntary feed intake decreases with raising temperatures and humidity” (Garcia and Diaz-Royon, South Dakota University, 2014).

Temperatura (°C)

INGESTÃO DE ALIMENTO (%)

HUMIDADE RELATIVA (%) 50

60

70

80

20

100

100

99

99

22

98

97

97

96

24

96

95

94

93

26

94

92

91

89

28

91

90

82

86

30

89

87

85

83

• Ocorre também uma redistribuição do sangue para a periferia para maximizar a dissipação térmica radiante, enquanto ocorre vasoconstrição no trato gastrointestinal. Consequentemente, as trocas a nível intestinal estão prejudicadas em ambos os sentidos: há menor assimilação de

nutrientes para o sangue e é maior o risco de ocorrência de danos na barreira intestinal. • A respiração ofegante aumenta a frequência cardíaca e excreção de gás carbónico. Para manter o pH sanguíneo, o animal elimina bicarbonatos através do rim, conduzindo a uma acidose metabólica. Adicionalmente,

a redução da salivação aumenta o risco de acidose. • Elevada perda de eletrólitos, através da transpiração. • Vários estudos mostram um aumento do período de anestro após o parto para vacas leiteiras sujeitas a stress térmico, em grande parte devido à falta de ingestão de energia. • Durante o período seco das vacas leiteiras, o stress térmico diminui o peso do vitelo ao nascimento e

compromete a transferência passiva de IgG do colostro e das células com função imuno-mediada durante o período de pré-desmame (Tao, 2012). Todos estes impactos são exponenciados em animais com alto potencial produtivo, uma vez que são particularmente sensíveis às variações de temperatura e higrometria.

NUTRIÇÃO PARA COMBATER OS IMPACTOS DO STRESS TÉRMICO Devido à diversidade de impactos causados por stress térmico, é muito difícil resolvê-lo com um único e exclusivo modo de ação. Entre as opções possíveis, a nutrição pode desempenhar um papel importante.

C

M

Y

CM

MY

CY

CMY

K

RUMINANTES JULHO . AGOSTO . SETEMBRO 2017 33


ALIMENTAÇÃO

Solução nutritiva Axion® Thermoplus A solução nutritiva Axion® Thermoplus incorporada na alimentação, foi desenvolvida para atuar em diferentes casos associados ao clima quente, de forma a manter o desempenho animal através de três maneiras diversas: • Para evitar a queda de consumo alimentar, Axion® Thermoplus, com uma mistura específica de ingredientes alimentares (com aromas e extratos de plantas selecionados), atua sobre a ingestão de matéria seca. Na verdade, os seus componentes ativos estimulam a atividade das enzimas chave que contribuem para a digestibilidade alimentar (amilase, lipase, tripsina e quimotripsina). • A gestão da fração mineral através do uso de Axion® Thermoplus (DCAD, substâncias tampão) também contribui para aumentar o consumo alimentar através de um melhor equilíbrio das necessidades eletrolíticas. Os extratos de plantas promovem também um aumento de produção salivar que dá uma ajuda complementar para a tamponização da dieta. • Extratos vegetais também participam na regulação geral do metabolismo, atuando sobre a redução da frequência cardíaca e temperatura corporal dos animais.

TABELA 2 Aumento de produção de leite durante o stress térmico (CCPA Group, 2016). LOCAL

NÚMERO DE ANIMAIS

GENÉTICA

THI

LEITE –GRUPO DE CONTROLO (L)

LEITE – GRUPO AXION® THERMOPLUS (L)

DIFERENÇA

França

54 Holstein

72

31,2

32,4

+1,2

p<0,05

Vietnam

178 Holstein

82

24,2

25

+0,8

p<0,05

Vietnam

39 Holstein

82

24

25,05

+1,05

p<0,05

México

44 Holstein

72

37

39,05

+2,05

Turquia

20 Holstein

80

28,4

30,19

+1,76

Hungria

632 Holstein

79

29,46

31,73

+2,27

Brasil

175 xZebu

75

30,6

31,6

+1

p<0,05

Brasil

36 xZebu

79

18

19,3

+1,3

p<0,01

RESULTADOS DE CAMPO Explorações leiteiras O grupo CCPA realizou diversos ensaios, testando várias dietas e soluções nutricionais, em diferentes países. Em todos os países foi observado um aumento da produção de leite durante o período quente, para os lotes de animais suplementados com Axion® Thermoplus: de 0,5 a 3 litros mais, dependendo dos resultados obtidos. Mesmo em explorações com um sistema de refrigeração existente (por exemplo no Vietname), constatou-se um aumento com Axion® Thermoplus. Na tabela 2 resumem-se os resultados decorrentes dos ensaios de campo com dois lotes de animais, em diferentes países do mundo. Também é possível reduzir o impacto do stress térmico na produção de pequenos ruminantes. Na verdade, num

outro ensaio com cabras obtiveram-se resultados semelhantes.

Engordas de bovinos Foram realizados, no Brasil, ensaios em engorda de bovinos. Os resultados obtidos mostraram melhores níveis de crescimentos (GMD) assim como melhor índice de conversão alimentar (IC) com Axion® Thermoplus (tabela 3). Além das medidas de carácter nutricional é recomendável controlar e adaptar os sistemas de refrigeração e selecionar o período/ frequência de distribuição do alimento. Com o objetivo de avaliar o nível de risco de stress de calor em explorações, o grupo CCPA também desenvolveu para os produtores uma aplicação para smartphones (iPhone e Android) que avalia o

TABELA 3 Crescimentos durante períodos de stress térmico (CCPA Group, 2012) LOCAL

NÚMERO DE ANIMAIS

PESO AO INÍCIO (KG)

p-VALUE

GMD –GRUPO CONTROLO

GMD - GRUPO AXION® THERMOPLUS

IC – GRUPO CONTROLO

IC - GRUPO AXION® THERMOPLUS

P-VALUE

Brasil

1600

470

1020

1236

9,86

8,17

p<0,05

Brasil

700

400

1775

1845

6,11

5,96

p<0,05

34 JULHO . AGOSTO . SETEMBRO 2017 RUMINANTES

stress térmico intitulado ThermoTool™, que pode ser baixado gratuitamente na Apple Store: https:// itunes.apple.com/us/ app/id981585161 e no Google Play: https://play. google.com/store/apps/ details?id=com.mobizel. thermotool Graças a esta aplicação, os produtores podem antecipar o stress térmico até 5 dias e adaptar rapidamente, se necessário, o maneio geral e nutrição na sua exploração.

NOTAS O autor escreveu este artigo segundo o Antigo Acordo Ortográfico.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Não foram incluídas por uma questão de espaço editorial, mas o autor disponibiliza bastando enviar um email.


GENÉTICA

SFKxIDF=IDFxSFK? POR RUMINANTES

A exploração Quinta do Vale d’Douro, em Ferreira do Alentejo, propriedade de José Manuel Paulino e do seu filho Nuno Paulino, produz e comercializa três raças de ovinos de carne. A raça Ile de France (IDF) foi a pioneira quando, em 1987, José Manuel iniciou a exploração. Mais tarde, quando Nuno se juntou ao negócio, trouxe consigo duas outras raças, a Suffolk (SFK) e a Charolesa. O objetivo? Produzir reprodutores adaptados às nossas condições de produção. Estes reprodutores são vendidos para criadores de raça pura e produtores que se dedicam a fazer cruzamentos industriais, visando melhorar os índices produtivos, rendimento e qualidade de carcaça. Todo o efetivo está inscrito no respetivo livro genealógico da raça. O seu melhoramento é feito através da compra de filhos de machos importados, já nascidos em Portugal, os quais, referem, terão assim ultrapassado a primeira fase

de adaptação ao nosso clima. A venda dos animais é feita a partir dos 4 meses de idade e sem qualquer tipo de dificuldade. Alguns clientes preferem levar os reprodutores muito cedo, de modo a facilitar a sua adaptação à nova exploração, bem como aos terrenos que podem ser bastante divergentes dos que os viram nascer. Nuno Paulino, atualmente com 30 anos, frequentou o curso profissional de técnico de produção agrária em Serpa, e sempre conviveu com ovinos e bovinos, pois o negócio já vem do avô. O seu conhecimento da área levou-o a fazer uma pequena experiência, relatada à Ruminantes: “testar” as mães da raça Suffolk e Ile de France e o desenvolvimento dos seus borregos, com o objetivo de mostrar o resultado final aos seus clientes.

Após cruzamento de seis fêmeas Ile de France com um macho Suffolk e seis fêmeas Suffolk com um carneiro Ile de France, Nuno verificou que os pesos ao nascimento foram semelhantes – cerca de 5,5-6 kg/borrego, todos em partos duplos. As fêmeas Suffolk tiveram maior facilidade de parto e os seus borregos apresentaram maiores taxas de crescimento, principalmente nos primeiros 30 dias. No que toca aos

pesos aos 30 dias, os filhos das ovelhas Ile de France atingiram uma média de 12 kg, enquanto os filhos das Suffolk atingiram uma média de 15 kg, o que demonstra a boa aptidão leiteira das Suffolk. Nem a testagem da qualidade da carne ficou esquecida: na “prova de consumo em família” – para a qual não deve ter sido difícil arranjar voluntários, os borregos das Suffolk apresentaram mais 2,5 kg de peso e menos gordura em comparação com os filhos das Ile de France. Nuno reconhece o pequeno tamanho da amostra selecionada, e frisa que não pretendia chegar a conclusões definitivas. “No entanto”, diz, “penso que estes resultados comprovam a capacidade maternal e leiteira da linha mãe, já que outros fatores – como a alimentação e maneio, foram iguais entre os dois lotes. Adicionalmente, os filhos das fêmeas Suffolk mostraram um temperamento mais calmo, o que também ajuda na obtenção de melhores resultados produtivos.”

CARACTERIZAÇÃO DA EXPLORAÇÃO Área da exploração: 12 hectares Regime de produção: semiextensivo (pastoreio complementado com concentrado e feno) Efetivo: • 25 fêmeas puras Ile de France • 15 fêmeas puras Charolesas

Nuno Paulino

• 20 fêmeas puras Suffolk (linha francesa), foram vendidas e já foram compradas outras tantas.

RUMINANTES JULHO . AGOSTO . SETEMBRO 2017 35


ALIMENTAÇÃO

PROGRAMA F1 DA MERTOLENGA

PEDRO CASTELO

DIRETOR TÉCNICO ZOOPAN pedro.castelo@zoopan.com

INTERESSE TÉCNICO E ECONÓMICO A produção de bovinos em Portugal foi desde sempre uma atividade com grande impacto económico, assumindo maior importância na região do Alentejo.

A produção animal, desde meados do séc. XIV, passou a assumir um papel fundamental no espaço rural português. Devido às nossas características climáticas e fundamentalmente edáficas, caracteriza-se por apresentar várias áreas desfavorecidas em termos agrícolas. Neste contexto, a produção de carne (normalmente em modo extensivo) assume especial importância, sendo que associada à exploração de floresta e à agricultura, são umas das maiores fontes de receita e emprego do nosso País. Relativamente ao peso da produção de bovinos na produção animal, podemos observar através da figura 1, além do interesse do ponto de vista económico, a ocupação da superfície agrícola utilizada (SAU) em Portugal.

TABELA 1 Adaptado do INE, 2009. Recenseamento agrícola. Distribuição dos tipos de ocupação de SAU, pelas diferentes regiões de Portugal OCUPAÇÃO DE S.A.U. POR COMPOSIÇÃO (2009)

Trás-os-Montes

TOTAL S.A.U.

TERRAS ARÁVEIS (HA)

HORTA FAMILIAR (HA)

432.873

101.615

5.030

CULTURAS PASTAGENS PERMANENTES PERMANENTES (HA) (HA)

191.614

134.614

Beira Litoral

125.436

70.547

4.557

33.979

16.353

Beira Interior

337.031

100.001

2.476

74.049

160.505

Ribatejo e Oeste

391.006

166.379

1.944

93.628

129.055

Alentejo

1.956.508

612.176

1.176

221.013

1.122.142

Algarve

88.297

22.327

628

45.007

20.335

Região Autónoma dos Açores

120.412

12.079

521

2.021

105.790

Região Autónoma da Madeira

5.428

2.242

183

2.482

521

36 JULHO . AGOSTO . SETEMBRO 2017 RUMINANTES


ALIMENTAÇÃO

FIGURA 1 Composição da SAU em Portugal (I.N.E. 2011)

FIGURA 2 Efetivo bovino em Portugal (I.N.E.) 1600 1400

31%

1200

49%

1000 800

0%

600 400

19%

200 0 2016

2015

2014

2013

2011

Terras Aráveis

Horta Familiar

Portugal Continental

Norte

Centro

Culturas Permanentes

Pastagens Permanentes

Lisboa e Vale do Tejo

Alentejo

Algarve

Na tabela 1 está representada a distribuição da SAU pelas várias regiões a nível nacional e por diferentes tipos de composição, no ano de 2009. Constata-se que o Alentejo é o detentor da maior concentração de área agrícola utilizada, tanto em terras aráveis e culturas permanentes, como em pastagens permanentes, as quais ocupam a maior proporção de SAU. Na mesma tabela evidencia-se que as pastagens permanentes ocupam mais de metade da SAU do Alentejo, evidenciando a importância da produção animal em sistema extensivo e semi-intensivo nesta região. Relativamente ao efetivo bovino, através da visualização da figura 2, verificamos um aumento consecutivo desde 2013. Em 2016, o efetivo bovino no continente é de 1.358 milhares de cabeças, sendo cerca de 30 % correspondentes a vacas aleitantes (INE). O aumento do número de bovinos

resultou do incremento do efetivo aleitante, particularmente no Alentejo, pois esta região apresenta condições propícias à criação de bovinos em sistema extensivo. A conjuntura da PAC também favoreceu este aumento, devido à possibilidade de conversão de áreas marginais de produção de cereais em quotas (bovinos e ovinos/ caprinos) e o facto de o RPU (Regime de Pagamento Único) ter mantido a ligação das ajudas da produção no caso das vacas aleitantes. Outro aspeto que penso ser importante é o facto do maneio dos bovinos de carne carecer de menos mão-de-obra (e menos especializada) quando comparada com ovinos/caprinos ou bovinos de leite. Além de tudo isto, a exportação de bovinos para Israel (por exemplo) tem influenciado de forma positiva o valor dos vitelos ao desmame. A figura 3 traduz o grau de auto aprovisionamento de carne e o consumo per capita em Portugal. Relativamente à

FIGURA 3 Grau de auto aprovisionamento e consumo humano de Carne em 2012 (INE, 2014).

109,9

103,6

42,9

89,1

40 69,8 30 20

120 100

76

75

80

35,6

57,7

60

16,6

40

10 2,4

0

Carne de ovinos e caprinos

Carne de equídeos

2,7

5,3

0

20 0

Carne de bovinos

Carne de suínos

Consumo humano de carne per capita (kg/hab.)

Carne de ovinos e caprinos

Outras carnes

Miudezas

Grau de auto-aprovisionamento de carne (%)

38 JULHO . AGOSTO . SETEMBRO 2017 RUMINANTES

Auto provisionamento carne (%)

50

Consumo humano (kg/hab.)

2012

2010

2009

2008

2007

carne de bovino, Portugal apenas apresenta um grau de auto aprovisionamento de 57,7%. As carnes de ovinos e caprinos, as miudezas e as outras carnes, apresentam valores muito baixos de consumo, tal como a carne de equinos. Destaca-se ainda nesta figura, que é na carne de aves que somos mais autossuficientes, seguida da carne de suínos, que comparativamente com os outros tipos de carne, é a mais consumida pelos portugueses.

ESTUDO REALIZADO Devido à crescente procura de vitelos e consequentemente ao aumento dos preços dos mesmos, iremos descrever um estudo realizado pela Associação de Criadores de Bovinos Mertolengos (ACBM), demonstrando o interesse técnico e económico do mesmo. Das cerca de trinta mil fêmeas Mertolengas com mais de dois anos em atividade, apenas cerca de dezassete mil são controladas pelo Livro Genealógico, sendo que mais de 50% desta população é explorada em cruzamento. Isto deve-se às boas características da vaca Mertolenga como mãe tais como a facilidade de parto, a capacidade maternal e a rusticidade. Por grande parte do efetivo Mertolengo estar em cruzamento, surgiu a necessidade de criar uma estratégia de valorização da raça para a sua conservação e crescimento. Assim, em 2016, a ACBM lançou uma ação intitulada “Mertolenga Programa F1”, em que a linha materna é a fêmea Mertolenga e a linha paterna um progenitor de raça exótica (Limousine,


ALIMENTAÇÃO

TABELA 2 Arraçoamentos das vacas Mertolengas em fase de lactação.

A - VACAS ALEITANTES EM LACTAÇÃO CUSTO POR ANIMAL/DIA= 0,83 €

(21,17 €/TON MB)

(80,70 €/TON MS)

QUANTIDADE DISTRIBUIDA PREÇO (€/TON)

MATÉRIA-PRIMA

Pastagem Verde 22 MS 15,2 PB

113,63

Farinha Vacas Aleitantes ACBM Total

Kg

CARACTERÍSTICAS NUTRICIONAIS (/KG MS) PDIN

PDIE

PDIA

Ca

g

g

g

g

g

0,83

112,00

97,00

40,00

5,70

3,40

MS

UFL

8,03

22,00

MB

MS

36,51

P

250,00

2,50

2,20

88,02

1,00

100,68

109,37

49,51

15,47

6,40

-

39,01

10,23

26,23

0,87

109,57

99,66

42,05

7,80

4,05

Charolês ou outro). Com este programa pretende-se valorizar indiretamente a vaca Mertolenga, valorizando a produção de fêmeas F1, com o benefício evidente que uma reprodutora deste tipo traz para a fileira nacional dos bovinos de carne. Além disso, o valor comercial dos vitelos ao desmame (resultantes deste cruzamento) é consideravelmente superior quando comparado com vitelos puros Mertolengos. Com a colaboração da Associação de Criadores de Limousine e do Banco Português de Germoplasma Animal, foram cedidas doses de sémen congelado dos touros Licas (Limousine) e Lacaio (Charolês). Em abril de 2016 foram inseminadas um grupo de 12 vacas de pelagem rosilho com 5 anos de idade (três partos registados), do efetivo Mertolengo da ACBM na Herdade dos Souséis de Baixo, em Évora. Este tipo de cruzamento poderá constituir uma alternativa para várias regiões do país, contribuído para o aumento do rendimento das explorações, pois os animais resultantes deste cruzamento apresentam valores de aquisição e crescimentos muito superiores, manifestando assim, o seu vigor híbrido. A nível nutricional fizemos um acompanhamento das vacas tendo em conta a fase reprodutiva, de forma a exprimir o maior potencial genético dos vitelos. Os vitelos a partir dos 3 meses de idade foram suplementados (comedouros seletivos) com uma farinha adaptada a animais até ao desmame. De seguida iremos apresentar o arraçoamento utilizado em vacas Mertolengas na fase de lactação com pastagem de qualidade média, tendo como principal objetivo a produção de

leite de forma a exprimir o potencial genético do vitelo F1. No que diz respeito às forragens considerámos valores de pastagem média na fase de aleitamento e o alimento concentrado foi desenhado em função da pastagem disponível.

Preços Em relação ao preço da forragem, considerámos o preço de mercado (25 €/ ton de matéria seca, ou seja, 113,63 €/ton matéria bruta). De acordo com o nosso caderno de encargos para o objetivo definido, fizemos o arraçoamento (tabela 2). Numa primeira fase podemos afirmar que é possível obter o nível nutricional adequado para vacas Mertolengas em fase de lactação a um preço razoável, quando há disponibilidade de pastagem (0,83 €/vaca/dia).

Proteína Em relação à proteína (tabela 3), o arraçoamento contém um nível de proteína bruta com um nível de produção de proteínas microbianas no rúmen (PDIM), limitada pela energia fermentescível (PDIME) ou pela proteína degradável (PDIMN), e a proteína alimentar não degradada no rúmen e disponível no intestino (PDIA), que permitem uma ótima produção de leite (figura 4).

TABELA 3 Balanço azotado do arraçoamento. BALANÇO AZOTADO

ARRAÇOAMENTO

UNIDADE

A

% MS

15,03

PDIN

g/Kg MS

109,57

PDIE

g/Kg MS

99,66

PDIA

Proteina Bruta

g/Kg MS

42,05

Total PDIN/Animal/dia

g/dia

1121,00

Total PDIE/Animal/dia

g/dia

1020,00

%

80,20

DT

TABELA 4 Balanço energético do arraçoamento. BALANÇO ENERGÉTICO

ARRAÇOAMENTO

UNIDADE

A

UFL/Kg MS

0,87

UF

8,87

Amido + Açucar

% MS

15,69

Glucidos Rápidos

% MS

12,19

Matéria Gorda Bruta

% MS

2,60

UFL Total UFL/Animal/dia

FIGURA 4 Sistema PDI. Proteina Total

Proteina Microbiana Proteina By-pass = PDIM = PDIA

Energia No que concerne à energia, tabela 4, devido à capacidade de ingestão limitada dos animais é necessário concentrar a dieta, por isso o nível energético é elevado. Este nível energético permitiu manter as vacas numa excelente condição corporal na fase de lactação.

Energia

- Leite -TP

RUMINANTES JULHO . AGOSTO . SETEMBRO 2017 39


ALIMENTAÇÃO

CONCLUSÃO

Fibra No que à fibra diz respeito (tabela 5), as paredes vegetais são o substrato privilegiado pelas populações celulolíticas, produtoras de ácido acético (AGV C2), que contribui para a regulação do pH e para a formação do teor butiroso (TB) do leite. O arraçoamento contém níveis de fibra que asseguram o bom funcionamento do rúmen. Na tabela 6, apresentamos os crescimentos dos vitelos até aos 4

TABELA 6 Crescimento dos vitelos até 4 meses de idade. Associação de Criadores de Bovinos de Raça Mertolenga Programa F1. Herdade dos Souséis da Baixo - Évora PN - Peso (kg) ao nascimento - Recolhido no primeiro dia de vida; P90 - Peso (kg) ajustado aos 90 dias; P120 - Peso (kg) ajustado aos 120 dias; Inseminação artificial realizada em Abril de 2016; 12 Mertolengas de pelagem rosilho inseminadas; As vacas têm todas cerca de cinco anos; Este parto foi para todas as vacas o terceiro.

Mãe

Mãe LG

Pai

Entrada

BALANÇO FIBROSIDADE

ARRAÇOAMENTO

UNIDADE

A

Fibra Bruta

% MS

22,14

NDF

% MS

45,57

ADF

% MS

23,08

ADL

% MS

23,08

meses de idade. Como podemos constatar através da análise da tabela 6, é possível obter animais com níveis de crescimento aceitáveis, mesmo com vacas autóctones. Estes vitelos, devido às suas características genéticas, apresentam um valor de mercado muito superior quando comparados com vitelos puros de raças autóctones. Além desta vantagem, as fêmeas F1 quando cruzadas novamente com um macho exótico, apresentam animais F2 com crescimentos semelhantes aos animais exóticos em linha pura. Data Nasc.

Pai SIA

SIA Filho

Genótipo

Sexo

PTW371128

PT819667245

CH x MT

M

Lacaio

PTW371128

PT022074041

CH x MT

M

31/01/17

41

C224-38 Lacaio

PTW371128

PT419667247

CH x MT

F

27/01/17 42

Espingarda C232-38 Lacaio Endiabrada

TABELA 5 Balanço de fibrosidade do arraçoamento.

C213-38

Engenheira C265-38

PN

25/01/17 44

Este sistema de produção com um acompanhamento nutricional das vacas, permite obter vitelos com valores de mercado interessantes, quando são utilizados touros de raças exóticas como é o caso do Charolês ou Limousine. Estas vacas rústicas e bem adaptadas às nossas condições agroclimáticas, produzirão filhos que darão carne de qualidade e com bons níveis de crescimento. As fêmeas resultantes deste cruzamento quando utilizadas para reprodução, apresentam vitelos (F2) com níveis de performance elevados, apresentando necessidades nutricionais menores (custos alimentares mais reduzidos) quando comparadas com vacas exóticas puras. No entanto, para que continue a ocorrer este tipo de cruzamento será sempre necessário a existência de núcleos de seleção e de multiplicação para manter a linha pura.

10/02/17 13/03/17 13/04/17

60

Idade (dias)

P90

12/05/17

Idade (dias)

GMD Nasc-Últ peso

P120

107

1,159

183

97

136

78

150

168

55

98

128

72

150

156

101

1,139

178

56

82

118

76

132

137

105

0,905

151

Licas

PTW402269

PT619667246

L x MT

M

27/01/17 37

54

87

118

76

133

138

105

0,962

152

Eugénia

C247-38

Licas

PTW402269

PT019667249

L x MT

M

28/01/17 36

53

90

126

75

144

154

104

1,135

172

Erótica

C241-38

Licas

PTW402269

PT219667248

L x MT

F

28/01/17 32

49

79

106

75

121

129

104

0,933

144

RESISTÊNCIA AOS ANTIMICROBIANOS: O TEMA QUENTE DA DÉCADA “Os produtores de leite e os Médicos Veterinários devem almejar a cessação do uso de antimicrobianos criticamente importantes até 2020, de modo a minimizar o aumento dos casos de resistência.” Este é o aviso de David Barrett, professor de clínica, produção e reprodução de bovinos da Universidade de Bristol, em Inglaterra, e decorre de um estudo que concluiu que através da implementação e melhoramento contínuo de um plano de maneio nos efetivos bovinos é de facto possível assegurar

a saúde animal em simultâneo com a redução do uso de antimicrobianos. Os antimicrobianos categorizados como “criticamente importantes” englobam moléculas de primeira linha no tratamento de infeções bacterianas humanas e veterinárias, e incluem as fluoroquinolonas e as cefalosporinas de terceira e quarta gerações, estas últimas bastante utilizadas no tratamento de mastites e outras doenças devido ao intervalo de segurança nulo. No entanto, o professor Barrett assegura que é possível diminuir a ocorrência de mastites e claudicações e, em paralelo, melhorar o rendimento leiteiro e a fertilidade, mesmo evitando o uso destas moléculas. Como? Apostando em rigorosos planos de sanidade e monitorizando de perto os efetivos,

40 JULHO . AGOSTO . SETEMBRO 2017 RUMINANTES

ao mesmo tempo que se reduz gradualmente o uso de antimicrobianos na exploração, como se verificou ao longo dos cerca de 4 anos do estudo. Isto não implica, frisa, que se institua uma proibição completa do uso destas moléculas, mas sim que a sua utilização seja reservada para situações excecionais, as quais podem num futuro próximo vir a ser reforçadas por legislação. O professor deixa ainda três conselhos aos produtores: investir e otimizar os programas de maneio, não apostar no uso profilático de antimicrobianos e evitar recorrer às moléculas criticamente importantes. Para isso, produtores e Médicos Veterinários terão de trabalhar em conjunto, não só otimizando a produção mas também preservando a Saúde Pública.


Soluções orientadas à rentabilidade

Produções eficientes Melhores resultados

Tirar o máximo partido dos seus animais é o nosso objetivo comum. Para o conseguirmos é imprescindível otimizar a produção de leite com vacas saudáveis e produzir leite com a máxima quantidade de forragem possível. Só assim podemos aspirar a melhoria da rentabilidade das explorações. O objetivo da De Heus é maximizar os lucros dos seus clientes. Oferecemos soluções nutricionais baseadas na experiência prática e cientíca recolhida em mais de 50 países onde estamos presentes. O nosso know-how, agora disponível em Portugal, é comprovado pelos resultados dos milhares de clientes bem-sucedidos que pelo mundo fora conam em nós.

Alimentos De Heus para Vacas Leiteiras

Produção de Leite Rentável

WWW.DEHEUS.PT


PRODUÇÃO

PONTOS CHAVE NO 1º MÊS DE VIDA DAS VITELAS A sustentabilidade de uma exploração de leite, bem como o sucesso da reposição por animais recriados na própria exploração, depende do maneio das Vitelas no 1º mês de vida. O maneio das vitelas nos primeiros dias de vida é muitas vezes negligenciado. Este descuido contribui para o aumento da mortalidade e favorece o aparecimento de doenças. Se não se contestam as consequências económicas negativas da mortalidade, já as repercussões das doenças no período pós-natal, cuja visibilidade do ponto de vista produtivo está separada por um período de recria de cerca de 2 anos, são muitas vezes menosprezadas, apesar de acarretarem graves perdas produtivas e, por conseguinte, económicas. As vitelas de hoje são as vacas de amanhã, pelo que, uma recria saudável constitui uma base de qualidade para qualquer

exploração leiteira. É fundamental proporcionar às vitelas recém-nascidas, logo desde o 1º dia de vida, elevados índices de bem-estar, que promovam um crescimento ótimo de forma a obter novilhas saudáveis ao parto e com uma condição corporal adequada. Conseguir este objetivo, traduz-se do ponto de vista económico, num elevado retorno do investimento (ROI), o que é amplamente reconhecido por todos, mas cujo caminho para o atingir, apesar de simples, é longo e muitas vezes renegado para 2º plano. De forma sucinta são de seguida apresentadas regras e procedimentos que deverão ser adotados pelos produtores no processo de recria de futuras 3 - Devem ser verificadas e vacas leiteiras. evitadas as correntes de ar. Mais do que o frio, são as correntes PRÉ-PARTO de ar e a humidade umas das principais causas ambientais de patologias respiratórias.

Preparação do viteleiro

TIAGO RAMOS ASSISTENTE TÉCNICO RUMINANTES, DE HEUS NUTRIÇÃO ANIMAL, S.A. tmramos@deheus.com

Os viteleiros podem ser individuais ou coletivos (figura 1). Importa que antes de receberem os recém-nascidos sejam: 1 - Limpos, Lavados, Secos e Desinfetados; Viteleiros individuais são mais facilmente preparados e reduzem a propagação de doenças infeciosas. 2 - A cama deve ser preparada para receber a vitela de forma a que esta se mantenha limpa, seca e confortável; Uma cama feita à base de palha (figura 1) ou serrim seco e isento de odores intensos, cumpre os requisitos pretendidos.

42 JULHO . AGOSTO . SETEMBRO 2017 RUMINANTES

PERI-PARTO 1 - Idealmente deverá existir um local destinado exclusivamente aos partos - maternidade cujas condições de higiene e sanidade descritas para os viteleiros também deverão ser estritamente cumpridas; 2 - Se o parto necessitar de ajuda humana, deverá evitar-se colocar os dedos na boca e narinas da vitela para a estimular a respirar. O recém-nascido vem de um meio estéril e por norma as mãos do operador estão conspurcadas, constituindo uma via direta de contaminação de

FIGURA 1 Viteleiro coletivo com cama de palha.

organismos patogénicos para o animal. Para estimular o início da respiração deverá ser realizada uma massagem vigorosa da região torácica com o neonato na vertical e com a cabeça para baixo, o que também facilita a drenagem de mucos; 3 - Com um pano ou toalha limpa devem-se retirar todos os resíduos de placenta e sujidade da superfície da vitela; 4 - O cordão umbilical deverá ser desinfetado com uma solução desinfetante adequada (por exemplo uma solução iodada). Procedimento muito importante para evitar infeções bacterianas.


PRODUÇÃO

MANEIO ALIMENTAR No primeiro dia e no primeiro mês Devido ao tipo de placenta que os bovinos têm, os fetos não recebem quaisquer anticorpos (Imunoglobulinas) por parte da mãe durante a gestação, razão pela qual nascem completamente desprotegidos. A imunidade só é adquirida, de forma passiva, após o nascimento, pela ingestão do colostro (tabela 1). Daí a importância da administração do mesmo. 1 - Durante muitos anos promoveu-se a ingestão do colostro nas primeiras 48 horas, mas hoje constata-se que os resultados práticos são substancialmente melhores se esta ingestão ocorrer no período imediatamente após o parto (ver tabela 1): • A primeira ingestão do colostro deve ser feita nas primeiras 2 horas de vida; • No final das primeiras 6 horas o recém-nascido deverá ter ingerido entre 2 a 2,5 litros de colostro; • Nas primeiras 12 horas de vida a vitela deve ingerir 4 a 6 litros de colostro, em tomas máximas de 2 litros de cada vez; • O consumo no primeiro dia não deve ficar abaixo dos 10% do peso corporal do vitelo, podendo atingir os 20%. A obrigatoriedade do cumprimento destes procedimentos prende-se com dois fatores fisiológicos incontornáveis: • As células da parede intestinal só são capazes de absorver as imunoglobulinas durante as primeiras horas de vida do vitelo. A sua capacidade de absorção é máxima logo após o nascimento, baixa consideravelmente até as 12 horas e é praticamente nula às 24 horas;

• Os níveis de imunoglobulinas no colostro começam a aumentar 9 dias antes do parto e atingem o seu máximo 2 horas após o parto. São mais elevados na primeira ordenha e vão diminuindo gradualmente entre ordenhas (tabela 1). Se por qualquer razão se tiver que ordenhar uma vaca antes do parto o colostro deverá ser guardado e conservado para posterior administração ao vitelo. 2 - Quer para a administração do colostro quer para a subsequente administração de leite deverão ser utilizados biberons, baldes com tetinas, ou alimentadores automáticos colocados de forma a permitir que durante a ingestão de leite o vitelo permaneça com a cabeça ligeiramente levantada e esticada. Aos equipamentos utilizados deverá ser realizada uma manutenção higiénica periódica - devem ser sempre lavados com água após cada alimentação e desinfetados uma vez ao dia; 3 - Se não for utilizado o leite de vaca, o leite de substituição (mais recomendável por questões higio-sanitárias e de perfil nutricional) deverá ser altamente palatável e de elevada digestibilidade. Numa próxima edição da Revista “Ruminantes” apresentaremos um estudo realizado pela De Heus sobre os resultados produtivos de diferentes modos de alimentação de vitelas com leite de substituição, e cujas conclusões são surpreendentes; 4 - Os animais deverão ter SEMPRE água limpa e fresca à disposição, assim como feno ou palha de excelente qualidade; 5 - A partir dos primeiros dias de vida devem ser fornecidos alimentos “ad libitum” tais

TABELA 1 Composição do colostro em % de matéria seca. HORAS

MS %

PROTEÍNA (%/MS)

GORDURA (%/MS)

GLOBULINAS (%/MS)

0

33,60

65,70

19,40

1,90

12

20,90

65,50

31,10

1,70

24

15,60

45,50

23,10

1,60

60

14,00

35,00

26,40

1,40

como concentrados (starters) de elevada palatibilidade e especificamente formulados para a fase produtiva a que se destinam (encontrará alimentos com este perfil no Programa De Heus de recria de novilhas KALIBER, o qual

será brevemente apresentado na Revista “Ruminantes”). Estes alimentos, além de promoverem o crescimento da vitela constituem também importantes estimuladores do desenvolvimento das papilas ruminais.

CUIDADOS PERMANENTES 1. Manter as camas secas e com baixos teores de material fecal – manutenção periódica; 2. Observar diariamente e várias vezes ao dia (se possível) o estado de alerta dos vitelos. Assim que demonstrem estar mais esmorecidos devese de imediato medir a temperatura. Em caso de temperaturas acima de 39,5°C ou abaixo de 37,5°C, o veterinário assistente deverá ser de imediato contactado de modo a decidir a melhor terapêutica a administrar e/ou agendar consulta; 3. Quando em viteleiros coletivos, e em caso de manifestação de doença, a vitela afetada deverá de imediato ser retirada para um viteleiro individual, com o objetivo de evitar que a doença, que pode ter causa infeciosa, se propague.

CONCLUSÃO Com a implementação destas medidas simples e práticas, evitam-se muitas despesas, tais como: • Medicação e serviços veterinários.; • Compra de novilhas ou vacas para a manutenção do efetivo leiteiro; • Redução das perdas do Pool genético investido na “inseminação”. Além disso, contribuímos para: • Melhor arranque no desenvolvimento e crescimento das vitelas; • Aumento da eficiência alimentar; • Potenciar maior crescimento da fase de puberdade; • Novilhas saudáveis ao parto; • Vacas de leite mais produtivas.

RUMINANTES JULHO . AGOSTO . SETEMBRO 2017 43


ECONOMIA

OBSERVATÓRIO DAS MATÉRIAS PRIMAS POR PAULO COSTA E SOUSA

Cereais Não há dúvida que Até agora, a já habitual notícia o setor pecuário assegura que os números e, em particular, de produção de cereais, quer no hemisfério sul quer no a suinicultura hemisfério norte, irão variar desfrutam entre bons e muito bons a partir de agosto. De facto, atualmente de um até ao momento, do ponto período de forma de vista climatológico e das áreas semeadas, tudo geral favorável. Os aponta nesse sentido. Na preços de matériasArgentina e, em especial, no Brasil, tem-se registado uma primas estão a produção de milho cujos registar baixos números ultrapassaram o históricos e, em esperado há já alguns meses. Nos EUA, no Mar Negro paralelo, observa-se e no Norte da Europa, no um preço da carne caso do trigo - e ainda que com alguns soluços típicos relativamente do “weather market” - tudo elevado. O perpetuar aponta também para uma boa colheita, quer em quantidade desta margem, que quer em qualidade, o que todos sabemos poder ocasionará menos quantidade ser fugaz, é uma ideia de trigo forrageiro. A ser este fenómeno será, desejável. Não sendo assim eventualmente, um suporte fácil fixar o preço ao preço, mas dificilmente o irá fazer disparar para níveis pelo lado da venda muito elevados. No que da carne, poderá ser toca à colheita de milho no mais acessível fazê-lo hemisfério norte, embora ainda nos encontremos a do lado do preço de cerca de um mês da altura compra das matérias- mais crítica, não parece haver até agora más notícias. primas.

O que podemos esperar então nos tempos mais próximos?

O que pode então acontecer quando tudo parece tão bem? Diz o bom senso que é mais provável que piore do que tenhamos uma situação para lá da ideal. Parece prudente, já que a

44 JULHO . AGOSTO . SETEMBRO 2017 RUMINANTES

estes preços a margem se afigura interessante, fixá-la o mais longe que se possa, em detrimento de se especular até ao último cêntimo. É sempre bom recordar que a UE possui um sistema de direitos que define um nível mínimo a uma baixa de preço do milho de países terceiros: o famoso valor de 157 euros CIF para o milho americano. Portanto, se o preço atual não está muito longe e a margem é interessante, para quê apostar os últimos centavos? Esta será uma pergunta que os produtores deverão colocar. Olhando para a questão do ponto de vista da procura, esta parece estar a experienciar uma tímida subida, mas será suficiente para absorver o aumento de produção? Este será provavelmente um fator a ter em conta para se atingir um estado de equilíbrio, de modo a evitar uma quebra drástica. É relevante lembrar que se prevê que o nosso país vizinho venha a ter entre três a quatro milhões toneladas de cereais a menos, o que determinará outras tantas de importação, sobretudo de milho e trigo, produzidos nas mesmas zonas onde Portugal se abastece. Prevêse por isso uma capacidade de certa forma limitada a um abaixamento drástico dos preços.

Proteínas E as proteínas, como vão?

Se a produção é pesada nos cereais, as proteínas levam essa classificação ainda mais longe. A colheita de soja na Argentina e Brasil, bem como a que se avista em outubro nos EUA, parecem ser a perder de vista, fenómeno aliado ainda ao facto de existir alguma depreciação das moedas locais face ao dólar ou ao euro, o que acentua uma diminuição do seu preço em euros. Até ao fim do ano é difícil que vejamos as “sojas” a preços historicamente elevados, e os outros bagaços ajustarão o seu próprio preço a este fenómeno. Assim sendo, tudo aponta para uma navegação à vista, uma vez que um nível de preço mínimo parece não se avistar no horizonte. Olhando para o mercado nacional, uma sobreimportação de racionalidade económica pouco clara, quer de grão quer de farinha, determina uma excedentária oferta local, a qual tem gerado preços de bagaços abaixo da vizinha Espanha. Há que aproveitar a conjuntura atual sem nos precipitarmos nas compras a longo prazo, considerando que o timing ideal está ainda para vir. Em resumo, parece ser prudente pensar na margem no caso dos cereais. Já no que toca às proteínas, a cautela impera, e será benéfico esperar mais um pouco.


EVOLUÇÃO DO PREÇO DE MATÉRIAS PRIMAS PREÇOS MÉDIOS SEMANAIS NO PORTO DE LISBOA DE 2011 A 2017 2015

MILHO

BAGAÇO SOJA 44

2016 2017

€/ton 450

€/ton 200

400

195 190 185

350

180 175

300

170 165

250

160 155 150

7 a 11 Nov

21 a 25 Nov

5 a 9 Dez

19 a 23 Dez

7 a 11 Nov

21 a 25 Nov

5 a 9 Dez

19 a 23 Dez

10 a 14 Out

24 a 28 Out 24 a 28 Out

26 a 30 Set 26 a 30 Set

10 a 14 Out

29 a 2 Set

12 a 16 Set

29 a 2 Set

12 a 16 Set

1 a 5 Ago

15 a 19 Ago

1 a 5 Ago

15 a 19 Ago

4 a 8 Jul

18 a 22 Jul

4 a 8 Jul

18 a 22 Jul

6 a 10 Jun

20 a 24 Jun

6 a 10 Jun

9 a 13 Maio

23 a 27 Maio

11 a 15 Abr

25 a 29 Abr

28 a 1 Abr

12 a 16 Mar

13 a 17 Fev

27 a 2 Mar

30 a 3 Fev

2 a 6 Jan

20 a 24 Jun

BAGAÇO COLZA

16 a 20 Jan

5 a 9 Dez

19 a 23 Dez

7 a 11 Nov

21 a 25 Nov

10 a 14 Out

24 a 28 Out

26 a 30 Set

29 a 2 Set

12 a 16 Set

1 a 5 Ago

15 a 19 Ago

4 a 8 Jul

18 a 22 Jul

6 a 10 Jun

20 a 24 Jun

9 a 13 Maio

23 a 27 Maio

11 a 15 Abr

25 a 29 Abr

28 a 1 Abr

12 a 16 Mar

13 a 17 Fev

27 a 2 Mar

30 a 3 Fev

2 a 6 Jan

16 a 20 Jan

200

BAGAÇO GIRASSOL €/ton 280

€/ton 350

260

330

240

310 200

290 270

180

250

160

210

140

190 120

170

9 a 13 Maio

23 a 27 Maio

25 a 29 Abr

11 a 15 Abr

28 a 1 Abr

12 a 16 Mar

27 a 2 Mar

13 a 17 Fev

30 a 3 Fev

2 a 6 Jan

5 a 9 Dez

19 a 23 Dez

7 a 11 Nov

21 a 25 Nov

24 a 28 Out

10 a 14 Out

26 a 30 Set

29 a 2 Set

12 a 16 Set

1 a 5 Ago

15 a 19 Ago

4 a 8 Jul

18 a 22 Jul

6 a 10 Jun

20 a 24 Jun

9 a 13 Maio

23 a 27 Maio

25 a 29 Abr

11 a 15 Abr

28 a 1 Abr

12 a 16 Mar

27 a 2 Mar

13 a 17 Fev

30 a 3 Fev

2 a 6 Jan

16 a 20 Jan

16 a 20 Jan

100

150

PROTEÍNA BRUTA É COISA DOS ANOS 80. A ciência e a tecnologia mudaram adaptando-se aos novos tempos. E a sua forma de formular, também se adaptou? Estratégias e formulações nutricionais adequadas frente àquelas já obsoletas, marcam a diferença entre explorações leiteiras, especialmente quando se trata de nutrição proteica. Encontrar a estratégia mais eficaz na formulação com base em aminoácidos para cada exploração e contexto económico, só se pode fazer com aqueles produtos biodisponíveis realmente fiáveis. Para trás ficam os dias em que nos centrávamos somente nos níveis de proteína bruta. Devemos reformular as nossas dietas até alcançar níveis adequados de lisina e metionina com o objectivo de melhorar os custos de produção e a eficiência proteica (rentabilidade da ração), ao mesmo tempo que nos preocupamos pelo meio ambiente. Formular com Smartamine ®, Metasmart ® e LysiPEARL™ permitirá alcançar “grandes rentabilidades”. Reformule as suas dietas. De agora em diante, mais não significa melhor, no que diz respeito à proteína bruta. Para mais informação sobre estes produtos, por favor contacte a Kemin Tel + 351 214 157 501 ou +351 916 616 764 - www.kemin.com MetaSmart® is a Trademark of Adisseo France S.A.S. 2015_advert Smartmilk_port.indd 1

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RUMINANTES JULHO . AGOSTO . SETEMBRO 2017 45


ECONOMIA

OBSERVATÓRIO DO LEITE POR JOANA SILVA Fontes: Agriland, Comissão Europeia, LTO, Rabobank, USDA

Parece que finalmente se poderá começar a respirar de alívio: a diminuição sazonal da produção leiteira superou o esperado e levou ao aumento dos preços do leite, o que tem vindo a injetar alguma confiança nos mercados mundiais. As previsões apontam para que a produção leiteira na UE, durante o segundo semestre de 2017, seja 1,5% superior ao mesmo período de 2016. Em paralelo, é esperado para este ano um aumento do rendimento leiteiro na ordem dos 2%, atingindo os 7065 kg/ vaca, e uma redução do efetivo na ordem dos 1,6%, a qual será especialmente notória nos Países Baixos devido à imposição da legislação dos nitratos. O crescimento projetado para a Europa deverá ser suportado pelo gigante chinês, para o qual se prevê um aumento de importações na ordem dos 20% em relação a 2016, o qual se comenta ser devido aos baixos stocks no país. A Nova Zelândia está ainda a recomporse das duas violentas tempestades que assolaram literal e figurativamente os seus mercados, e que vieram deitar por terra as condições de produção acima da média que se viviam no país. As previsões governamentais apontam para uma recuperação na ordem dos 3% na época 2017/18, a qual estará intimamente dependente das condições climatéricas.

Na vizinha Austrália, a produção leiteira no final de abril de 2017 registou uma diminuição de 6.3% em relação ao mesmo mês do ano passado. A manteiga está definitivamente em alta com o sólido aumento da procura por parte dos consumidores, fruto da perceção dos benefícios das gorduras e proteínas lácteas. Na Oceânia, o preço deste bem registou um aumento de mais de 78% em abril deste ano relativamente ao mesmo período do ano passado, valor bastante similar ao registado na UE – 75%. As projeções são para que esta tendência continue estável até ao final do ano, contrastando com o persistentemente baixo valor do leite desnatado. A gestão dos stocks de leite em pó continua a ser um tema quente nos mercados mundiais, com cerca de 22 000 milhões de toneladas aguardando pacientemente desde novembro de 2015. Notícias recentes sugerem que a solução poderá passar pelo redirecionamento para a ajuda humanitária e para a alimentação animal. Independentemente do seu destino, a sua libertação no mercado será rigorosamente controlada, de modo a não ensombrar a ainda tímida recuperação do setor. O certo é que este ‘elefante em pó na sala’ já surtiu,

46 JULHO . AGOSTO . SETEMBRO 2017 RUMINANTES

e continuará a surtir, impacto nos mercados já de si voláteis. Do outro lado do Atlântico, os próximos tempos poderão afigurar-se difíceis para os produtores americanos, resultado da intervenção do governo atual nas suas parcerias comerciais. A diversificação das fontes de importação de modo a diminuir a dependência dos EUA, como tem acontecido com o México, poderá pender negativamente na balança dos produtores, já que o escoamento da produção para mercados internacionais tenderá a abrandar, acarretando a diminuição dos preços locais. De facto, apesar do aumento de exportações ter atingido os 18% no último quadrimestre de 2016, o saldo em 2017 tem sido praticamente nulo. A clara expansão do setor leiteiro no México – especialmente à luz da animosidade com os EUA – tem vindo a captar os olhos de potenciais exportadores. O governo mexicano pretende estabelecer relações comerciais com pelo menos cinco dos dez membros do Tratado Transpacífico, incluindo o Japão, Nova Zelândia e China, bem como com a UE, os quais certamente se prontificarão a estender o tapete vermelho a este potencial parceiro.


ECONOMIA

PREÇO DO LEITE STANDARDIZADO (1) PAÍSES

COMPANHIA

LEITE À PRODUÇÃO PREÇOS MÉDIOS MENSAIS EM 2016/2017 PREÇO DO LEITE (€/100KG) ABRIL 2017

MESES

MÉDIA DOS ULTIMOS 12 MESES (5)

EUR/KG

TEOR MÉDIO DE MATÉRIA GORDA (%)

TEOR PROTEICO (%)

ALEMANHA

Alois Müller

31,82

28,08

Contin.

Açores

Contin.

Açores

Contin.

Açores

DINAMARCA

Arla Foods

34,16

29,25

ABRIL

0,281

0,278

3,74

3,73

3,21

3,22

Danone

33,62

31,61

MAIO

0,277

0,273

3,76

3,73

3,19

3,21

Lactalis (Pays de la Loire)

31,74

29,65

JUNHO

0,277

0,268

3,72

3,76

3,16

3,17

Sodiaal

32,06

32,02

JULHO

0,272

0,265

3,69

3,72

3,12

3,11

31,19

28,13

AGOSTO

0,272

0,261

3,66

3,68

3,13

3,10

FRANÇA INGLATERRA

Dairy Crest (Davidstow)

2016

Glanbia

30,88

23,14

SETEMBRO

0,275

0,264

3,76

3,76

3,18

3,16

Kerry

31,06

25,14

OUTUBRO

0,276

0,269

3,78

3,88

3,25

3,27

ITÁLIA

Granarolo (North)

38,77

37,17

NOVEMBRO

0,284

0,274

3,86

3,90

3,26

3,29

HOLANDA

FrieslandCampina

35,02

29,68

DEZEMBRO

0,298

0,282

3,81

3,85

3,26

3,27

33,03

29,74

JANEIRO

0,288

0,272

3,90

3,78

3,26

3,23

32,84

32,84

FEVEREIRO

0,288

0,272

3,85

3,71

3,23

3,23

MARÇO

0,293

0,275

3,76

3,67

3,21

3,25

ABRIL

0,294

0,273

3,64

3,66

3,23

3,24

IRLANDA

PREÇO MÉDIO LEITE N. ZELÂNDIA EUA

(4)

(2)

Fonterra (3) EUA

35,67

36,19

Fonte: LTO (1) Preços sem IVA pagos ao produtor; Preço do leite de diferentes empresas leiteiras para 4,2% de MG, 3,4% de teor proteico e CCS de 249,999/ml . (2) Média aritmética . (3) Baseado na previsão mais recente . (4) Reportado pela USDA . (5) Inclui o pagamento suplementar mais recente.

2017

Fonte: SIMA Gabinete de Planeamento e Políticas

RUMINANTES JULHO . AGOSTO . SETEMBRO 2017 47


ECONOMIA

ÍNDICE VL e ÍNDICE VL-ERVA “MUITO LENTA A RECUPERAÇÃO DOS PRODUTORES DE LEITE” POR ANTÓNIO MOITINHO RODRIGUES, DOCENTE/INVESTIGADOR, CERNAS-IPCB, ESCOLA SUPERIOR AGRÁRIA DO INSTITUTO POLITÉCNICO DE CASTELO BRANCO, CARLOS VOUZELA, DOCENTE/INVESTIGADOR, IITAA, UNIVERSIDADE DOS AÇORES, R. CAPITÃO JOÃO D’ÁVILA – PICO DA URZE, 9700-042 ANGRA DO HEROÍSMO, AÇORES, PORTUGAL E NUNO MARQUES, REVISTA RUMINANTES

Analisamos neste número da Ruminantes os Índices VL e VL - ERVA para o trimestre de fevereiro a abril de 2017. De acordo com os dados do SIMA-GPP (2017) durante o período em análise o preço médio do leite pago aos produtores individuais do continente situou-se entre 0,288 €/kg em fevereiro e 0,294 €/kg em abril (+2,1%), enquanto que o preço médio do leite pago aos produtores individuais da Região Autónoma dos Açores variou entre 0,272 €/kg em fevereiro e 0,273 €/kg em abril (+0,4%). De acordo com dados fornecidos pelo MMO (2017), a média de preços do leite pago aos produtores no período de fevereiro a abril de 2017 continuou a ser muito inferior em Portugal (0,286 €/kg) quando comparado com a média europeia (UE28) (0,332 €/kg). Em abril de 2017 Portugal, Eslovénia e Lituânia foram os três países da UE28

com preços mais baixos pagos ao produtor, respetivamente 0,287 €/kg, 0,287 €/kg e 0,277 €/kg. Perante este facto, poderá deduzir-se que as organizações que recolhem e transformam o leite em Portugal não têm conseguido criar produtos com valor acrescentado, que permitam pagar melhor à produção, tal como já acontece noutros países da UE28 onde os produtores recebem muito mais por cada kg de leite que produzem. Os preços médios das principais matérias-primas, que entram na formulação dos alimentos compostos utilizados neste trabalho, tiveram uma redução durante o trimestre. Esta situação traduziu-se numa variação dos preços dos regimes alimentares de -4,2% no continente e de -16,9% na Região Autónoma dos Açores. A evolução verificada nos Açores resulta não só da

EVOLUÇÃO DO ÍNDICE VL e ÍNDIVE VL-ERVA DE ABRIL DE 2016 A ABRIL DE 2017 Os valores são influenciados pela variação mensal do preço do leite pago ao produtor individual do continente (Índice VL) e da Região Autónoma dos Açores (Índice VL - ERVA) e pelas variações mensais dos preços de 5 matérias-primas utilizadas na formulação do concentrado e dos alimentos forrageiros que integram o regime alimentar da vaca leiteira tipo. ÚLTIMOS 13 MESES

2016

2017

ÍNDICE VL

ÍNDICE VL ERVA

ABRIL

1,587

2,105

MAIO

1,478

1,929

JUNHO

1,460

1,859

JULHO

1,458

1,874

AGOSTO

1,502

1,895

SETEMBRO

1,541

1,942

OUTUBRO

1,542

1,693

NOVEMBRO

1,564

1,707

DEZEMBRO

1,621

1,740

JANEIRO

1,546

1,663

FEVEREIRO

1,542

1,658

MARÇO

1,606

1,706

ABRIL

1,643

2,003

EVOLUÇÃO DO ÍNDICE VL

O Índice VL é influenciado pela variação mensal do preço do leite pago ao produtor no continente e pelas variações mensais dos preços dos alimentos que constituem o regime alimentar da vaca leiteira tipo (concentrado 9,5 kg/ dia; silagem de milho 33 kg/dia; palha de cevada 2 kg/dia).

2,0

Valores do Índice VL

DE JULHO DE 2012 A ABRIL DE 2017

1,5

1,0 julho 2012

Valor do Índice VL Negócio saudável

48 JULHO . AGOSTO . SETEMBRO 2017 RUMINANTES

abril 2017

Limiar de rentabilidade Forte ameaça para a rentabilidade da exploração


ECONOMIA

EVOLUÇÃO DO ÍNDICE VL-ERVA DE JULHO DE 2013 A ABRIL DE 2017 O Índice VL – ERVA é influenciado pela variação mensal do preço do leite pago ao produtor na Região Autónoma dos Açores e pelas variações mensais dos preços dos alimentos que constituem o regime alimentar da vaca leiteira tipo (primavera/verão 60 kg/dia de pastagem verde, 10 kg/dia de silagem de erva e de milho, 5,6 kg/dia de concentrado; outono/inverno 47 kg/dia de pastagem verde, 13,3 kg/dia de silagem de erva e de milho, 6,7 kg/dia de concentrado).

redução do preço do alimento composto (-5,7%), mas também da alteração do regime alimentar da vaca tipo que passa a incluir, a partir de abril, maior consumo de pastagem e menor consumo de alimento composto e de alimentos conservados. A evolução do preço do leite e dos custos da alimentação refletiu-se no Índice VL e no Índice VL - ERVA que em abril de 2017 foi, respetivamente, de 1,643 e de 2,003. De referir que em abril de 2016 o Índice VL havia sido de 1,587 e o Índice VL - ERVA de 2,105. Um índice inferior a 1,5 indica forte ameaça para a rentabilidade da exploração leiteira, um índice entre 1,5 e 2 indica que a produção de leite é um negócio economicamente viável e um índice maior do que 2 indica que

Valores do Índice VL Erva

3,0

2,0

1,5

1,0 julho 2013

Valor do Índice VL - erva Negócio saudável

estamos perante uma situação muito favorável para o sucesso económico da exploração (Schröer-Merker et al., 2012). Durante o trimestre em análise, o Índice VL atingiu no continente o valor mínimo de 1,542 em fevereiro tendo aumentado para 1,643 em abril pelo que se pode concluir que os produtores de leite no continente se encontram muito próximo do limiar da rentabilidade da exploração. Nos Açores, durante o mesmo período, o Índice VL-ERVA atingiu o valor mais baixo, de 1,658, em fevereiro tendo aumentado para 2,003 em abril. Tal situação, reflete mais a realidade da ilha de S. Miguel onde os preços pagos ao produtor são mais elevados do que nas restantes ilhas do Arquipélago.

A principal feira europeia para os profissionais da Pecuária 2 000 animais 1 500 expositores | 88 000 visitantes

abril 2017

Limiar de rentabilidade

Forte ameaça para a rentabilidade da exploração

NOTAS: Relativamente ao mês de abril de 2016, em abril de 2017 o preço do leite pago aos produtores do continente foi maior em 1,3 cêntimos/kg e aos produtores dos Açores foi menor em 0,5 cêntimos/kg; Durante o trimestre, a evolução do preço das principais matérias-primas que entram na formulação dos alimentos compostos contribuiu para diminuir o preço dos regimes alimentares formulados para o cálculo do Índice VL (-4,2%) e Índice VL – ERVA (-16,9%); No trimestre em análise os preços dos alimentos forrageiros utilizados na formulação do regime alimentar não apresentaram diferenças representativas relativamente ao trimestre anterior; A tendência de descida do Índice VL – ERVA, iniciada em outubro de 2016, foi invertida devido à inclusão de maior quantidade de pastagem no regime alimentar das vacas a partir de abril; Os 3 aspetos anteriores refletem-se no Índice VL e no Índice VL - ERVA que em abril de 2017 foram, respetivamente, de 1,643 e 2,003. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: MMO (2017). European milk market observatory – EU historical prices. http:// ec.europa.eu/agriculture/milk-market-observatory/index_en.htm acesso em 1906-2017. Schröer-Merker, E; Wesseling, K; Nasrollahzadeh, M (2012). Monitoring milk:feed price ratio 1996-2011. In: Chapter 2 – Global monitoring dairy economic indicators 1996-2011, IFCN Dairy Report 2012, Torsten Hemme editor, p 52-53. Published by IFCN Dairy Research Center, Schauenburgerstrate, Germany. SIMA-GPP (2017). Leite à produção - Preços Médios Mensais. Sistema de Informação de Mercados Agrícolas, Gabinete de Planeamento e Políticas. http://www.gpp.pt/ index.php/sima/precos-de-produtos-agricolas, acesso em 19-06-2017.

4|5|6 OUTUBRO

2017 CLERMONT-FERRAND

FRANÇA

RUMINANTES JULHO . AGOSTO . SETEMBRO 2017 49


GENÉTICA

O SUCESSO DAS VACAS PROCROSS NA GALIZA Passados dez anos de introduzir o programa Procross, e já com animais de 4ª geração, Jesus Perfecto, gerente da empresa Perfecto, considera que fez a opção certa: a produção de leite aumentou, e tanto a reprodução como a longevidade dos animais se revelaram melhores. POR RUMINANTES

A Ruminantes foi até à Galiza falar com Jesús Perfecto sobre a sua exploração e a experiência com vacas ProCross. Qual é a situação da produção leiteira na Galiza em comparação com o resto do país? Atualmente, a situação do mercado leiteiro na Galiza está marcada por preços ajustados aos custos de produção. Com os preços baixos dos últimos anos, uma exploração média galega apenas conseguia cobrir os custos de produção, chegando a haver períodos em que podia ter prejuízo. Devido a esta situação financeira foi necessário fazer ajustes de tudo para tornar a exploração rentável

(automatização, aumento da produção, reajuste nos custos, entre outros), para que esta não tivesse que fechar portas. No resto do país as explorações são geralmente maiores, o que as torna mais competitivas pela maior facilidade na redução dos custos fixos. A única vantagem que temos na Galiza, relativamente ao resto de Espanha, é o clima mais fresco, sobretudo no verão, e também a maior disponibilidade de água. Porque decidiu tornar-se produtor de leite? Em casa sempre tivemos vacas e quando acabei os estudos comecei a trabalhar na exploração dos meus pais. Pusemos um robot de

50 JULHO . AGOSTO . SETEMBRO 2017 RUMINANTES

ordenha para os 60 animais que tínhamos e fomos aumentando até aos atuais 220 animais em ordenha. Qual é a coisa que mais gosta de fazer na exploração? Tenho duas coisas em que gosto mais de trabalhar e considero os pilares fundamentais de uma boa exploração: reprodução e alimentação, bem como a genética e as instalações..

melhor produtor? A paciência e a persistência. Estas duas características são primordiais para a gestão de uma exploração leiteira. Qual é o seu maior desafio atualmente como produtor de leite? Otimizar a reprodução para melhorar a média diária de leite por vaca presente.

Estudou para ser produtor de leite? Sim. Fiz o curso de ”técnico superior em explorações agropecuárias” no centro EFA de Fonteboa, Coristanco.

O que o deixa mais orgulhoso na sua exploração? O bom funcionamento das tecnologias que estamos a aplicar e o efeito positivo que estas estão a ter na exploração em geral.

Qual é o traço da sua personalidade que o torna um

Para onde vende o seu leite? Para a Puleva Food.


VikingHolstein muito mais que Holstein As VikingHolstein a sua melhor opção Holstein para o

ProCROSS

A VikingHolstein Transmite • • • • • •

Alta produção Altos Componentes Partos fáceis Saude do Ubere Longevidade Animais de Alta rentabilidade

Alguns dos actuais melhores touros que estão disponiveis • • • • • • • •

VH VH VH VH VH VH VH VH

Bradoc Booth Justus Clark Jaybee Bynke Miracle Boogie

gNTM +40 NTM +32 NTM +29 NTM +26 NTM +25 NTM +18 NTM +17 NTM +15

Para mais informações contacte-nos:

+351 917 534 617

Foto: Christine Massfeller

carlosserra@unigenes.com


GENÉTICA

PERFECTO A Perfecto está localizada em Dumbría, na Corunha, é uma exploração de vacas leiteiras de cariz familiar onde trabalha um casal, dois filhos e mais um empregado. No total tem 450 animais dos quais 220 estão em ordenha, com uma produção média de 40 litros por vaca/dia. Atualmente na exploração cultivam cerca de 100 hectares nos quais fazem uma rotação de erva – milho: colhem dois cortes de erva e depois semeiam 75% com milho.

Quando introduziu o programa ProCross (PC) na sua exploração? Porque escolheu este programa em particular? Começámos por experimentar com 15 animais há dez anos e hoje em dia já temos animais de quarta geração no programa. Escolhemos o programa um pouco por casualidade, mas depois demo-nos conta que tanto a reprodução como a longevidade dos animais eram melhores do que as de qualquer outra raça. Como introduziu o programa PC na sua exploração? Começámos a inseminar com Montbeliarde e de seguida com a Sueca Vermelha. Depois estivemos dois anos a comprar fora. Comprámos cerca de 20 novilhas já com os três cruzamentos, que atualmente estão no terceiro parto. Quais são as principais características deste cruzamento? Longevidade, fertilidade e boa saúde em geral. Todo o efetivo está no programa PC? Desde quando está a 100%? Sim. Estamos a 100% no programa desde 2015.

IMAGEM 2 Estábulo das vacas em produção.

Como define as vacas PC? São animais com facilidade de parto, longevidade, boa fertilidade, boa condição corporal e em geral muito tranquilos. A ordenha é feita por 4 robots. Como é o comportamento destes animais no robot e a sua adaptação? Como compara as vacas PC em relação às de raça pura Holstein? Não existe nenhum tipo de problema. A sua adaptação é muito rápida, mais até que a das suas companheiras Holstein. Têm menos falhas na ordenha, em grande parte devido à sua boa saúde de úbere. As vacas PC são também muito mais voluntárias a ir ao robot, chegando a ir 9 vezes por dia! Como é a saúde destas vacas? O que melhorou em relação ao passado? A saúde é excelente! São animais verdadeiramente fortes e férteis, o que levou a uma melhoria da média de leite por vaca por dia. Classifica estas vacas como animais nervosos? Não, de todo! São tranquilas e carinhosas.

52 JULHO . AGOSTO . SETEMBRO 2017 RUMINANTES

Qual é a produção média da sua exploração? E como se comparam os parâmetros de qualidade do leite das vacas PC com os das Holsteins puras? A média da nossa exploração é de 40,5 litros/vaca/dia, estando as cruzadas com 43 litros/vaca/dia com uma proteína de 3,25% e gordura de 3,80%. Sem dúvida nenhuma que os parâmetros parecem muito melhores do que os da Holstein pura. Qual é o sistema alimentar que utiliza na exploração? Como otimiza a alimentação das suas vacas? Utilizamos o sistema intensivo com carro unifeed. A ração das melhores produtoras

é distribuída no robot de ordenha para uma maior otimização do concentrado. Esta distribuição é feita em função da produção de cada animal. Que tipo de forragens utiliza? Compra a fornecedores externos? Utilizamos forragens próprias. Apenas o concentrado e algum bagaço de cerveja vêm de fornecedores externos. Que indicadores utiliza para gerir a sua exploração? O indicador mais importante é a média de leite por animal

IMAGEM 3 Vaca ProCross.


GENÉTICA

presente. Quando este indicador apresenta um valor elevado os animais encontram-se em boas condições, o que é imprescindível para um bom maneio. Quais são os vossos objetivos anuais? O objetivo é manter uma média de 40 litros/vaca/dia, reduzindo ao máximo os custos sem prejudicar o animal. Para atingirmos este objetivo, o nutricionista e o veterinário de reprodução têm um papel muito importante dentro da nossa exploração. Vê alguma diferença entre os vitelos puros e os cruzados? Qual? Sim, sobretudo nos cruzados com Montbeliarde que são muito mais robustos e têm uma grande energia. Vejo também uma grande melhoria nos úberes e patas destes animais.

Os vitelos resultantes do programa PC têm um preço de venda diferente dos puros? Qual? Sim, principalmente os cruzados com Montbeliarde que podem chegar a ser vendidos pelo dobro do preço dos vitelos puros. Em setembro de 2015 comprou 20 novilhas PC grávidas em Portugal, como se adaptaram à sua exploração? A adaptação foi excelente. Os índices reprodutivos são muito bons, sem falhas nas inseminações e com uma produção de leite muito alta e de muito boa qualidade. Qual a principal vantagem dos animais PC no vosso sistema robotizado de ordenha? E qual a principal desvantagem? As vantagens principais são a atividade e a voluntariedade com que vão ao robot, chegando a passar até 9 vezes ao dia. Desvantagem: até ao momento não encontro nada de mal para dizer acerca destes animais.

RESULTADOS PRODUTIVOS BALANÇO AZOTADO

Total Animais Adultos Idade Média das Vacas Idade Média 1º Parto Taxa de Abate Anual

TOTAL

32 PROCROSS

31/12/2016

26/5/2017

262 5,6 Anos 24,2 Meses 28%

Longevidade ( Partos terminados)

3,4

% 1ºs partos no rebanho

26%

Intervalo Entre Partos

401 Dias

IA / Vaca Grávida

2,1

Taxa detecção Cios

62%

Média Dias 1ª IA

79

Média dias em Aberto

121

Produção leite/Vaca aos 305 Dias (Real)

13.460Kgs

Produção média diária

40,7

43

Proteína %

3,24

3,34

Gordura %

3,55

3,81

Células Somáticas

200 000

152 000

Ordenhas dia vaca

3,5

3,9

Recusas diárias do robot à ordenha

1,8

3

RUMINANTES JULHO . AGOSTO . SETEMBRO 2017 53


GENÉTICA

HOLSTEIN GALEGA

FIGURA 1 Bull station Xenética Fontao.

A independência e objetividade do sistema adotado pela Xenética Fontao permitem obter sémen de altíssima qualidade. POR RUMINANTES

Estabelecida na Comunidade Autónoma da Galiza desde 1990, a Xenética Fontao (XF) é uma empresa dedicada principalmente ao melhoramento genético em bovinos. Ao longo dos anos, tem vindo a desenvolver programas que contribuíram para o aumento das capacidades produtivas das raças exploradas na Galiza. Este desenvolvimento deu-se tanto em quantidade como em qualidade, com medidas destinadas à prestação de apoio técnico, visando melhorar a eficácia e o profissionalismo das

explorações, contribuindo para a sua viabilidade a longo prazo. A XF é representada em Portugal pela Sogenética Lda., e foi a seu convite que viajámos até Fontao, em Lugo - Galiza, para conhecer a empresa e visitar o centro genético. Entrevistámos ainda Maurício Santos, Veterinário Geneticista da XF.

FIGURA 2 Joana Dinis e Maurício Santos.

ENTREVISTA A MAURÍCIO SANTOS, VETERINÁRIO GENETICISTA DA XF Ruminantes – Com que raças trabalham neste centro? Maurício Santos – Trabalhamos maioritariamente com as raças leiteiras Holstein ou Frísia, e com a Rubia Galega para carne. Trabalhamos ainda com outras raças como Limousine e Branco Belga, mas com menor expressão. Qual é a principal característica que diferencia a XF de outras empresas de genética Holstein e porquê? O facto de ser uma sociedade com participação maioritariamente pública faz com que a XF possa oferecer aos produtores sémen procedente de animais de altíssima qualidade genética, a preços muito competitivos. A independência e objetividade do sistema estão também garantidas, já que o centro não intervém em nenhum momento na toma, recolha e tratamento de dados. Quais são os principais objetivos para a seleção de reprodutores? Tentamos selecionar touros jovens com pedigrees distintos, procedentes de famílias de renome a nível internacional, e utilizamos as provas genómicas prévias da base espanhola para a seleção dos animais, ou seja, o índice combinado espanhol ICO. As principais características consideradas são os kg de leite e proteína no campo da produção, morfologia dos úberes e patas e características

54 JULHO . AGOSTO . SETEMBRO 2017 RUMINANTES


GENÉTICA

SÓCIOS REPRODUTORES

de saúde como a contagem de células somáticas, longevidade e fertilidade das filhas. O índice ICO não é estático, e é o setor, representado na CONAFE (Confederação das Associações da Raça Frísia Espanhola), quem decide as suas alterações e ajustes. Quantos touros são testados anualmente? Neste momento, anualmente, temos cerca de 50 a 60 touros em testagem, sendo que em anos anteriores atingimos um máximo de 100 touros. A ferramenta da genómica permite-nos atualmente reduzir o número de touros em testagem e, em paralelo, aumentar não só a qualidade genética dos mesmos mas também a fiabilidade dos dados. Como fazem a recolha de dados para confirmar o melhoramento? Quantos produtores e animais são controlados? Os testes dos sementais são realizados pela CONAFE a partir dos dados recolhidos das suas filhas. Os dados de morfologia – incidindo sobre as vacas ao primeiro parto, são recolhidos anualmente nas explorações pelos classificadores. Já os dados de produção leiteira por vaca são anotados pelas Associações Regionais de controlo leiteiro, sendo enviada para laboratório uma amostra para análise de diferentes parâmetros. Em 2016, a informação oficial da CONAFE em relação ao número de sócios (explorações no livro genealógico da raça Frísia espanhola) e animais atingia os seguintes valores: • Número de explorações sócias do livro genealógico espanhol: 6 500; • Número de reprodutoras (vacas com mais de 2 anos): 494.900; • Número de fêmeas com menos de 2 anos: 257.989;

• Número total de fêmeas no livro genealógico: 752.889. A Galiza possui grande peso no que toca ao livro genealógico da raça Frísia. Ao olhar para os censos de sócios e animais nas suas quatro províncias - Lugo, Corunha, Ourense e Pontevedra, conclui-se que a Galiza engloba 43,6% do total de explorações a nível nacional e 38% das reprodutoras inscritas no livro genealógico nacional, com números semelhantes para o total de animais inscritos no livro da raça. Têm algum polo de produção de embriões? Sim. A empresa possui um laboratório de Fecundação In Vitro (FIV) (figura 4), com Médicos Veterinários devidamente treinados, no qual são cruzadas as jovens fêmeas geneticamente mais interessantes com jovens sementais. Com esta estratégia tentamos reduzir o intervalo geracional e assim potenciar ao máximo o melhoramento genético adquirido. Porque deve um produtor de leite em Portugal optar pela XF na atual situação com baixos preços do leite? O melhoramento genético nunca deve ser “hipotecado” ou abandonado em função dos preços do leite, pois assim compromete-se o futuro da produção pecuária. A XF apresentase como uma das melhores empresas do setor no que toca à relação qualidade/preço, e assumimos desta forma um compromisso não só com o setor mas também com a sociedade em geral. Quais são as outras vantagens competitivas da XF? Que serviços prestam? Além da produção de sémen bovino e do laboratório de FIV, a XF possui ainda um laboratório de genética molecular, o

FIGURA 3 Dados de 30 de novembro de 2016.

qual oferece serviços como: genealogia e identificação genética em bovinos, ovinos e caprinos; rastreabilidade da carne; determinação de anomalias genéticas como o Freemartinismo; identificação de doenças genéticas como a síndrome de Brachyspina, CVM, BLAD, DUMPS, “pé de mula” e hipertrofia muscular; análises das proteínas lácteas K-caseína, β-caseína e β-lactoglobulina; cor da pelagem e predisposição genética ao Scrapie nos ovinos. A última divisão laboratorial desenvolvida na XF relaciona-se com a seleção genómica, através do serviço de genotipagem de SNPs (Single Nucleotide Polymorphisms) nas espécies bovina, ovina, canina e suína. Quais os touros mais influentes no mercado interno e em Portugal? Os touros XACOBEO, TORREL, AMSTERDAM, DELETE e STOP, todos com filhas em produção em Portugal, têm criado um elevado grau de satisfação nos produtores, quer em termos produtivos quer pela boa morfologia das suas filhas. Têm vindo a ser utilizados em Portugal outros touros de destaque, como BARMAN, LEOMARCOS, DURAN, SIGMA e HAPPY, pelo que proximamente veremos também as suas filhas em ação. Têm sémen sexado? Sim, de alguns dos nossos touros. Esses machos são enviados para as instalações da COGENT no Reino Unido, onde permanecem

FIGURA 5 Armonico - Nº 1 Gico em espanha.

RUMINANTES JULHO . AGOSTO . SETEMBRO 2017 55


GENÉTICA

durante algum tempo. As fortes patentes que pesam sobre este produto fazem com que seja economicamente impossível implementar esta tecnologia nas nossas instalações.

americanos (Canadá, USA, México, Brasil, etc.) como europeus de grande importância no mundo Holstein (França, Alemanha, Bélgica, Portugal, Luxemburgo, Suíça, Reino Unido, Polónia, Itália, etc.).

Utilizam os genómicos? Os touros genómicos ocupam já cerca de 60 a 70% do total das nossas vendas, e o futuro é decididamente nesta direção. Esta é uma tendência internacional, e são os produtores que cada vez mais optam por utilizar jovens touros genómicos, devido ao seu maior valor genético. Nós usamo-los como pais da seguinte geração de sementais, e quanto mais destacadas sejam as suas provas genómicas e mais jovens sejam, melhor. Isto seria algo impensável há alguns anos, quando apenas se utilizavam touros testados (com prova de filhas) como linha pai.

Como vê o mercado genético global daqui a 5 anos? É difícil fazer previsões, dada a encruzilhada atual do desaparecimento do sistema de quotas e os preços de leite, que se mantêm cronicamente baixos. Por outro lado, temos ainda o papel das novas tecnologias, entre as quais se inclui a supramencionada genómica, a maior revolução no setor desde a chegada da criopreservação seminal no início do século vinte. Apesar das incertezas, a genómica é uma ferramenta que veio para ficar, e o próximo passo será o seu aperfeiçoamento de forma a aumentar a fiabilidade dos dados gerados e estendê-la a outros fatores de importância económica, como a eficiência alimentar e a resistência a certas doenças.

Que quota de mercado tem A XF em Espanha? Em Espanha, cerca de 55% do mercado está nas mãos de casas de sémen estrangeiras e 45% nas empresas nacionais. Acreditamos que a quota de mercado da XF seja mais ou menos 50% desta última. Fizemos estes cálculos comparando o número de fêmeas nascidas num ano dependendo de quem eram filhas (touros estrangeiros ou nacionais e dentro destes os da XF). Estes dados são fornecidos pela CONAFE nos seus relatórios anuais sobre registos de animais realizados no Livro Genealógico Oficial da raça em Espanha. Em que países está presente? A XF está presente em muitos países a nível internacional graças a touros estrelas com Xacobeo, Dancer, Delete, etc. que têm sido amplamente utilizados tanto em países

FIGURA 4 Laboratório de Fecundação In Vitro.

Há uma discussão crescente sobre como trazer de volta a robustez da raça, afastandose das vacas mais produtivas. O que pensa sobre isto? Em termos gerais, não estou de acordo. A raça Holstein é a raça com maior aptidão leiteira, precedida apenas pela Jersey. É também facilmente manipulável do ponto de vista genético, bastando para isso ver o avanço em termos de volumes de produção registado nas últimas décadas. A alta produção tem vindo a ser associada a problemas metabólicos e reprodutivos, mas que se devem na maior parte das vezes a um maneio deficiente desses animais – especialmente no que toca à alimentação e reprodução, não à produção em si. É certo que a raça Holstein tem graves problemas, como a excessiva consanguinidade de alguns indivíduos, mas creio que a solução

XENÉTICA FONTAO S.A É uma sociedade anónima de carácter maioritariamente público, suportada em 80% pela Junta de Galiza e em 20% pelas Associações de Produtores (FEFRIGA - Federação Frísia Galega e ACRUGA Associação de Criadores da raça Rubia Galega). Assume a gestão do Centro de Seleção e Reprodução Animal da Galiza, o qual conta com 400 touros das raças Holstein, Rubia Galega, BBB e Limousine, alojados nas instalações da XF. Em 1999, criou o Laboratório de Genética Molecular, uma nova unidade para a prestação de serviços mediante a utilização da biotecnologia do ADN nos campos da Sanidade e Produção Agropecuária. No centro trabalham cerca de 25 pessoas, repartidas entre departamentos técnicos, laboratórios, administração e pessoal de estábulos.

Fontao - Esperante Lugo Espanha www.xeneticafontao.com

para os mesmos estará dentro da raça, bem como no profissionalismo e bom trabalho dos nossos criadores e dos seus assessores técnicos Onde estará a XF daqui a 5 anos? Teremos de nos adaptar às possíveis mudanças do setor. A utilização de touros testados é cada vez menor, em contraste com o uso de touros genómicos, e por isso os centros de inseminação terão de mudar o seu foco e considerar se será rentável ter um período de espera de cinco anos para obter provas oficiais de descendência quando a procura do sémen desses touros vai ser seguramente menor do que a dos jovens touros genómicos. Assim, será o mercado e suas características que irão moldar o futuro da XF.

SOGENÉTICA

Comércio de produtos Agro-Pecúarios, Lda.

Genética e Nutrição Animal Comércio de Animais Engª Joana Dinis | Telm: 926 147 169 Email: joanadinis.sogenetica@gmail.com Rua João d’Além, 35 4570-069, Balasar - PVZ

56 JULHO . AGOSTO . SETEMBRO 2017 RUMINANTES


Direção Geral de Alimentação e Veterinária

RESISTÊNCIA AOS ANTIMICROBIANOS Como combater uma séria ameaça à saúde pública e animal

Morrem anualmente na UE 25.000 pessoas

todos os anos na UE com infeções provocadas por bactérias resistentes aos antimicrobianos

ANTIMICROBIANOS são medicamentos que destroem ou inativam micróbios, incluindo as bactérias Os antimicrobianos mais conhecidos são os ANTIBIÓTICOS que são usados para tratar infeções causadas por bactérias

RESISTÊNCIA A ANTIBIÓTICOS significa que as bactérias são menos ou deixam de ser suscetíveis aos antibióticos, ou seja o antibiótico deixa de ser eficaz no tratamento da doença Se não utilizarmos os antibióticos de forma PRUDENTE e desenvolvermos novos tratamentos as infeções comuns podem tornar-se mortais A adopção das estratégias corretas na exploração, reduz os custos de produção e aumenta a rentabilidade da exploração.

ESTRATÉGIAS NA EXPLORAÇÃO UTILIZAR CORRETAMENTE E APENAS O NECESSÁRIO Nos animais doentes, se prescrito e como prescrito pelo Médico Veterinário curso completo do tratamento, durante os dias e as horas recomendadas; respeitar as instruções da literatura ( folheto e rótulo) do medicamento veterinário UTILIZAR O MÍNIMO POSSÍVEL - Plano sanitário adequado (vacinação), Bom maneio e instalações adequadas - medidas corretas de biossegurança e controlo da infeção - Implementação de Boas Práticas

ELIMINAR O USO DESNECESSÁRIO Atenção - Proibida a utilização de antibióticos como promotores de crescimento Não utilizar na prevenção de doenças e nunca em substituição das boas práticas Mais informações em www.dgav.pt


FORRAGENS

AMOSTRAGEM DE FORRAGENS

PASSO CRUCIAL PARA A QUALIDADE! Desde sempre que a Lusosem, nas suas diferentes atividades, trabalha diariamente para colocar à disposição dos agricultores nacionais novas soluções e técnicas, de forma a gerir da melhor forma os recursos de cada exploração assegurando rentabilidade. Atualmente a produção de alimentos na exploração é um fator chave no rendimento das explorações agrícolas. Os milhos, os azevéns e outras espécies forrageiras têm um papel estratégico nas explorações, sendo que a qualidade associada à produtividade assume uma importância crescente. Nesse contexto, a Lusosem disponibiliza um serviço complementar à sua atividade de desenvolvimento e

IMAGEM 1 Perfuração com sonda de rolo de feno-silagem.

comercialização de sementes certificadas (azevéns e milhos entre outras), ligado à qualidade das forragens. A Lusosem dispõe de meios de amostragem das forragens conservadas, quer se trate de silagem de milho, silagem de erva, rolos de feno-silagem ou feno, que uma vez recolhidas são encaminhadas para um laboratório independente que fará a análise nutricional das mesmas. Esta metodologia, permite antecipar o “valor nutricional” das diferentes forragens, facilitando a tarefa de nutricionistas e produtores. Sendo a amostragem efetuada com recurso a uma sonda extensível até três metros,

TABELA 1 Parâmetros de avaliação da Silagem de Milho e Silagem de Erva. SILAGEM DE MILHO

MS

SILAGEM DE ERVA

30% a 33%

35%

Proteína

7%

<20%

Amido

35%

-

NDF

<40%

<40%

ADF

<23%

<30%

Cinzas

<3%

<10%

58 JULHO . AGOSTO . SETEMBRO 2017 RUMINANTES

podemos fazer amostragem de rolos com apenas um metro de sonda, ou amostragem de silos de milho ou de erva até três metros de profundidade em diversos pontos do silo, de forma a obter uma amostragem homogénea e representativa da forragem conservada. No caso dos rolos de feno-silagem, ou de feno, a amostragem é feita por meio de uma perfuração com o máximo de um metro de extensão no rolo, transversalmente ao sentido do enrolamento, de modo a obter uma amostragem das diferentes camadas que compõem o mesmo. Para que a amostra seja representativa,

ANTÓNIO CANNAS DESENVOLVIMENTO TÉCNICO LUSOSEM, S.A. acannas@lusosem.pt

procuramos amostrar 10% dos rolos correspondentes a determinado corte. Já no caso das silagens de milho ou de erva, e atendendo que a forragem é disposta por camadas transversais no silo, dependendo do comprimento do mesmo, são efetuadas no mínimo três amostragens verticais, com maior ou menor profundidade em função da altura dos mesmos. A sonda percorre assim as diferentes camadas sobrepostas, resultando numa amostragem bastante representativa da silagem a analisar. Esta metodologia, para além de facilitar o trabalho de


FORRAGENS

IMAGEM 2 Amostra representativa, composta de sub-amostras da parcela a amostrar.

nutricionistas e produtores, tem ainda a finalidade de dar a conhecer de forma mais consciente a qualidade das forragens que se administram aos animais. Esta informação lança a discussão interativa/ dinâmica sobre a qualidade das forragens e a forma de as poder melhorar. Quando se trata de silagem de milho é frequente presenciarmos colheitas efetuadas tardiamente e com teores de matéria seca elevados. O amido (componente ao qual muitos produtores dão a máxima atenção) está lá, pois existe uma correlação direta com o teor em MS. Porém, com teores em matéria seca superiores a 35%, o amido começa gradualmente a perder digestibilidade e como tal, não é integralmente aproveitado pelos ruminantes, havendo ainda riscos ligados à saúde do rúmen diretamente relacionados com teores em amido demasiado elevados. Por outro lado, à medida que o teor em MS aumenta, baixa o teor em açúcares solúveis, dificultando um rápido abaixamento do pH do silo com a formação de ácido láctico e evitando o aparecimento de fermentações butíricas nefastas. À medida que a MS aumenta, vai-se

produzindo gradualmente uma lenhificação das paredes celulares, reduzindo a digestibilidade da fibra vegetal e dos conteúdos celulares, que podem numa boa silagem representar cerca de 50% da quantidade de energia disponibilizada pela planta. Já no caso das Silagens de Erva, a proteína é o elemento “nobre” e o ideal é que este se encontre acima dos 20%. Mas para tal, é fundamental colher a erva antes que a mesma comece sequerque-seja a espigar. No início do espigamento, a proteína cai facilmente para valores inferiores a 11% e em muitos casos registam-se valores de 7 ou 8% apenas. É fundamental escolher uma variedade bem adaptada e com um ciclo vegetativo suficientemente tardio que impeça que a mesma inicie o espigamento antes de ser possível colher. Um teor em proteína elevado permite numa exploração economizar milhares de euros por ano, quando o recurso a concentrados proteicos (fontes caras de proteína) é necessário. E é esta a finalidade deste serviço de análise de forragens que a Lusosem presta aos seus clientes: produzir mais, mas sobretudo com melhor qualidade.

NOTA O autor escreveu este artigo segundo o Antigo Acordo Ortográfico.

RUMINANTES JULHO . AGOSTO . SETEMBRO 2017 59


FORRAGENS

ANA LAGE CHEFE DE SERVIÇO - ANÁLISE DE ALIMENTOS PARA ANIMAIS ALIP – ASSOCIAÇÃO INTERPROFISSIONAL DO LEITE E LACTICÍNIOS ana.lage@alip.pt

SILAGENS DE MILHO PRODUZIDAS EM PORTUGAL AVALIAÇÃO DA QUALIDADE NUTRICIONAL A silagem de milho constitui a forragem de base na generalidade das explorações leiteiras de Portugal Continental, durante grande parte do ano. Ao ser uma excelente fonte de energia, facilmente fermentável e uma fonte de fibra digestível, é um bom alimento para as vacas leiteiras.

VARIAÇÃO ELEVADA Apesar do conjunto de boas características, o seu valor nutritivo apresenta uma variação elevada, como iremos constatar ao longo deste artigo. Esta enorme variação depende de vários fatores, nomeadamente: o estado de maturação na altura do corte, a variedade das plantas, o clima e as práticas utilizadas no processo de conservação da forragem. Por esta razão, a análise da composição nutricional torna-se fundamental para o nutricionista formular regimes alimentares equilibrados, otimizando a produtividade das vacas com a consequente diminuição de custos.

PRINCIPAIS RESULTADOS Para fazer face a esta necessidade, há 4 anos, a Associação Interprofissional do Leite e Lacticínios (ALIP) integrou a área de análises de alimentos para animais. Para isso investiu num equipamento NIRS – Near Infrared Reflectance Spectroscopy – que permite colocar à disposição dos técnicos e produtores informação analítica de forma rápida e a custo reduzido. Dispondo de um sistema de recolha de amostras diário a nível nacional, é possível ao cliente, colher uma amostra, entregála num dos pontos de recolha e esta chegar ao laboratório no próprio dia. O início da sua análise ocorre nas 24h após a colheita, reduzindo os riscos de deterioração dos alimentos, sejam frescos ou conservados (silagens).

60 JULHO . AGOSTO . SETEMBRO 2017 RUMINANTES

Na tabela 1 estão presentes os parâmetros analíticos que compõem uma análise NIRS às principais forragens (silagens de milho e silagens de erva) utilizadas no país, para alimentação das vacas leiteiras. Do trabalho realizado pelo laboratório, nesta área, apresentamos na tabela 2 os valores médios, mínimos e máximos da composição química de 7758 amostras de silagens de milho analisadas desde a campanha de 2013-14 até à presente (a decorrer), bem como a respetiva variação dentro de cada período de recolha. Por falta de espaço apresentaremos somente alguns dos parâmetros que, em termos práticos, são os que mais condicionam o valor nutritivo da silagem de milho.

TABELA 1 Parâmetros analíticos incluídos na análise NIRS para a silagem de milho e silagem de erva. SILAGEM MILHO

SILAGEM ERVA

Matéria Seca

Matéria Seca

pH

pH

Cinzas

Cinzas

Proteína Bruta

Proteína Bruta

NDF

Proteína Solúvel

ADF

Azoto Amoniacal

Fibra Bruta

NDF

Amido

ADF

DMO

DMO

ENL

ENL

UFL

UFL

UFC

UFC

PDIE

PDIE

PDIN

PDIN

Legenda: NDF – Fibra de detergente neutro; ADF – Fibra de detergente ácido; DMO – Digestibilidade da Matéria Orgânica; ENL Energia Net Leite; UFL - Unidades Forrageiras Leite; UFC - Unidades Forrageiras Carne; PDIE – Proteína Digestível Intestino limitada pela Energia; PDIN – Proteína Digestível Intestino limitada pelo Azoto.


FORRAGENS

TABELA 2 Composição química média das silagens de milho nas campanhas de 2013-14 a 2016-17*.

2013-14

2014-15

2015-16

2016-17*

NDF

MATÉRIA SECA (MS) %

CAMPANHA

AMIDO

DMO

(% na MS)

MÍN

MÉDIA CV(%)

MÁX

MÍN

MÉDIA CV(%)

MÁX

MÍN

MÉDIA CV(%)

MÁX

MÍN

MÉDIA CV(%)

MÁX

24,1

33,8

57,4

32,7

47,0

69,5

11,4

29,6

43,1

55,9

66,7

76,1

21,2

32,9

53,8

31,8

44,6

69,3

15,7

32,9

48,2

50,6

67,6

17,8

32,6

52,4

33,6

44,5

81,2

2,1

31,9

45,4

42,0

68,5

23,0

32,5

48,1

30,2

43,0

64,5

7,5

33,0

49,0

58,6

69,1

11,5

8,0

11,0

16,2

8,5

10,2

14,2

8,3

9,3

8,9

3,8

3,3

13,5

13,7

75,0

75,0

3,2 75,1

2,7

*Campanha a decorrer; MS – Matéria Seca; CV – Coeficiente de Variação.

Valor nutritivo Ao longo dos anos tem-se verificado uma melhoria do valor nutritivo, principalmente nos parâmetros da fibra de detergente neutro (NDF), amido e digestibilidade da matéria orgânica (DMO). Como se pode observar

na tabela 2, as silagens de milho produzidas na última campanha (201617), comparativamente com aquelas produzidas na campanha 2013-14, apresentam teores médios superiores em DMO (69,1% na MS vs. 66,7% na MS) e

em amido (33,0% na MS vs. 29,6% na MS) e valores médios inferiores de NDF (43,0% na MS vs. 47,0% na MS). Esta diminuição no NDF poderá estar relacionada com várias práticas adotadas no processo de ensilagem,

nomeadamente na altura do corte das plantas. Segundo os autores Neylon e Kung, aumentando a altura do corte da planta do milho o valor nutritivo melhora, diminuindo o teor em NDF e aumentando o teor em amido.

RUMINANTES JULHO . AGOSTO . SETEMBRO 2017 61


FORRAGENS

Relativamente à matéria seca (MS) verifica-se que a média encontra-se mais ou menos constante ao longo dos anos, situando-se entre 32,5% e 33,8%. Estes valores demonstram que o objetivo de se conseguir as silagens de milho com MS entre 30 a 35% tem sido atingido. No entanto, a variação entre amostras dentro de cada campanha é grande. Tendo em conta a última campanha (2016-17) verifica-se que o valor médio da MS é de 32,5%, com um coeficiente de variação (CV%) de 9,3%; isto diz-nos que 95% destas silagens apresentaram valores de MS compreendidos entre 26,5% e 38,5%. Trata-se de uma variação considerável que não pode ser ignorada, pois, entre outros efeitos, o teor em MS influencia o processo de conservação e a quantidade de silagem que vai ser ingerida pelas vacas. Continuando a tomar como referência a campanha 2016-17, verifica-se que 95% das amostras apresentaram valores de amido entre

24,0% e 42,0% na MS e valores de NDF entre 35,3% e 50,7% na MS. São variações importantes, dentro da mesma campanha e com as quais devemos contar na altura de formular os regimes alimentares.

Na figura 1 representamos os valores médios anuais da proteína bruta (PB) e das cinzas. Pela sua análise constatamos que as variações entre anos são menores, em termos absolutos, contudo dentro da mesma campanha as variações já apresentam alguma expressão. No caso da PB, 92% das amostras situam-se entre os 6,0 e os 8,0% na MS (Tabela 3). Parece uma variação pequena, mas nas condições atuais em que o preço da suplementação proteica está elevado, a necessidade de se conhecer este valor analítico torna-se importante, para que o nutricionista possa minimizar a utilização destas fontes, sem correr riscos de défice de proteína

7,0 6,0

(% na MS)

5,0 4,0 3,0 2,0 1,0 0

PB

CINZAS

2015-16

Cinzas

*Campanha a decorrer

62 JULHO . AGOSTO . SETEMBRO 2017 RUMINANTES

<6,0

[6,0-7,0[

[7,0-8,0[

≥8,0

5%

49%

43%

3%

<3,0

[3,0-3,5(

[3,5-4,0[

≥4,0

18%

43%

27%

12%

FIGURA 2 Valores médios de pH das silagens de milho. 4.50 4.00 3.50 3.00 2.50 2.00 1.50 1.00 0.50 0 2013-14

2014-15

2016-17*

2015-16

2016-17* *Campanha a decorrer

nas dietas. Os valores de cinzas observados permitem constatar que a maioria das silagens de milho apresenta teores inferiores a 4,0% na MS. No entanto, 12% das amostras indiciam uma eventual contaminação com terra, existindo por isso, possibilidade de melhoria neste parâmetro.

8,0

2014-15

PROTEÍNA BRUTA

Proteína bruta

FIGURA 1 Teores médios em Proteína Bruta (% na MS) e Cinzas (% na MS) das silagens de milho

2013-14

TABELA 3 Percentagem de amostras, por classes, de acordo com o teor em Proteína Bruta e em Cinzas.

pH

Matéria seca

O valor médio do pH das amostras de silagens de milho analisadas (Figura 2) indica que, de um modo geral, estas estão bem conservadas. Isto mostranos que, para além da planta do milho ter uma boa aptidão para ser conservada pelo processo de ensilagem, as técnicas adotadas pelos agricultores, neste processo, estão bem dominadas.

CONCLUSÃO Podemos assim concluir que as silagens de milho produzidas em Portugal apresentam, em média, um valor nutritivo elevado. Porém, face à variação observada entre explorações e dentro da mesma exploração, é de extrema importância analisar a silagem sempre que se abre um novo silo e, em silos de maior dimensão, várias vezes ao longo do seu avanço.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Não foram incluídas por uma questão de espaço editorial, mas o autor disponibiliza bastando enviar um email para ana.lage@alip.pt


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KWS, FEED BEET a nova beterraba forrageira para a alimentação animal

PUBLIREPORTAGEM KWS

A FEED BEET AUMENTA A RENTABILIDADE E A SUSTENTABILIDADE DA PECUÁRIA NACIONAL

“FEED BEET” Sabia que a beterraba é a cultura forrageira com a maior produção em termos de Matéria-Seca por Hectare (MS/ha) e de Energia /Ha nos regadios de Portugal? A energia para lactação e para carne contida num hectare de beterraba (100 t/ha) equivale a 26 000 kg de cevada, cerca de 4500 € aos preços de hoje. Uma regra muito simples é considerarmos que 4 kg de beterraba fresca equivalem a 1 kg de grão de cereal.

A FEED BEET COMO BETERRABA EM FRESCO A sul de Lisboa e no Alentejo, a beterraba pode ser semeada desde Outubro até Março. No Norte e no Centro de Portugal é preferível fazer a sementeira entre Fevereiro e Março. As sementeiras de primavera permitem que se faça arranques escalonados entre Outubro e Março dispondo assim de beterraba fresca ou em pastoreio directo durante todo o inverno.

A BETERRABA IMBATÍVEL Culturas irrigadas

t/ha

MS %

Prot %

MJ/kgMS

MS kg/ha

Prot kg/ha

ENL MJ/ha

Milho forrageiro

60

32,5

7,6

6,44

19 500

4 560

125 580

ENL

pois melhora significativamente Aveia a eficiência 20 27,0 10,2 5,65 5 400 na2produção 040 30 510 forrageira leiteira. Estas variedades foram Beterraba 100 24,0 6,2 8,01 24 000 6 para 200 obter 192 240 desenvolvidas Feed Beet índices elevados de MatériaSeca (MS) com teores de açúcar FEED BEET – AS SUAS CARACTERÍSTICAS BÁSICAS entreNUTRICIONAIS os 13,5 e os 15%. O seu Enquanto nos cereais a Energia procede doenergético Amido, na beterraba ela aporte é muito mais provém do Açúcar. Ambas se equivalem mas a energia proveniente do consistente que o da silagem açúcar é digerida e assimilada mais rápidamente. As novas variedades híbridas de milho. Com efeito o desvioA beterraba tem melhores teores em Cálcio, Sódio, Potássio e Magnésio, de beterraba mas é mais“Feedbeet” baixa em Fósforo. padrão do teor de açúcar nas desenvolvidas pela KWSa qualidade da Ao não conter Lignina, sua Fibra é é de excelente e a “Feedbeet” apenas 2 sua a 3%. também é muito elevada. paraDigestibilidade a alimentação animal A variação do teor de amido na Em dietasa com altas quantidades de concentrados a beterraba melhora a constituem alternativa silagememdefibra milho pode chegar qualidade destas pois aumenta o seu conteúdo de alta qualidade. perfeita para simultaneamente aosdas 12%.dietas Devido sua sua A beterraba melhora a palatabilidadeaté geral sejaà pela conseguir reduzir os custos palatibilidade natural seja por aumentar o teor de ehumidade natural da suculência sabor doce é um comida no casomelhorar da sua utilização em fresco da alimentação, alimento muito palatável que os A beterraba ruminal deve usar-se para substituir a componente energética a fermentação e animais procuram avidamente. equivalente que é veiculada através dos concentrados e dos cereais e não a consequente A altaforragens, produção da cultura por para substituirqualidade a energia fornecida pelas nomeadamente a nutritiva dode leite, sobretudo silagem milho.. hectare, tanto de matéria-seca em explorações leiteiras como de energia metabolizável, com elevado de A FEED BEETconsumo COMO FORRAGEM EM PASTOREIO DIRECTO a cultura fazem da beterraba concentrados. A beterraba mais rentável para alimentação “Feedbeet” contribui de forma animal. A beterraba Feedbeet muito positiva para o chamado contém não apenas um Income Over Feed Cost (IOFC) elevado teor de açúcares como também de fibras solúveis de muito alta digestibilidade, como as pectinas. Estas atuam como fonte de energia e como um tampão natural que contribui para o bom funcionamento

UTILIZAÇÃO DA BETERRABA ENSILADA NA ALIMENTAÇÃO ANIMAL 

No caso das sementeiras de outono estas devem arrancar-se ao longo do verão sendo que a sua conservação em fresco em monte é naturalmente mais problemática. Neste caso a beterraba pode ser ensilada e assim manter a sua conservação ao longo do tempo.

A FEED BEET COMO BETERRABA ENSILADA A beterraba forrageira ensilada conserva todas as suas propriedades, embora para isso se atender ao seguinte:

IMAGEM 2 A beterraba pode ser pastoreada directamente por vacas, ovelhas, cabras e Silagem de beterraba até porcos em extensivo. Existem variedades específicas destinadas ao com feno de ervilhaca. pastoreio directo. Trata-se de variedades que foram desenvolvidas para sobressair mais do solo e assim serem melhor aproveitadas pelos animais. Para isto debe usar-se um “pastor eléctrico” ou controlar o tempo de alimentação dos animais. .

do rúmen e, assim, da saúde IMAGEM 1 ruminal que promove a Máquina para lavar e picar a produção de leite com maiores beterraba. teores de gordura e proteína. Açúcares e pectinas formam assim uma dupla vencedora. durante 4 dias. Na Irlanda A beterraba é também muito os produtores de beterraba rica em betaína e fructoaçucareira reconverteram-se oligossacáridos que atuam como probióticos entéricos, com para a beterraba forrageira. O sucesso da sua utilização é tal efeitos positivos sobre a saúde geral e o bem estar dos animais. que hoje a Irlanda tem mais área cultivada que anteriormente. ASebeterraba serde utilizada a beterrabapode tem mais 5% de terra é necessário lavá-la, já que a terra países, caso típico nosdiversas vai afectar a qualidade da silagem , exactamente da da de formas na e a sanidadeNoutros forma que afecta qualquer outra forragem. Nova Zelãndia, ela é pastada alimentação dos animais. O A beterraba tem uma MS entre 23% e 25%.em Caso seja semi-forrageira fresco diretamentetem no clima acaba por condicionar cerca de 16 %. Portanto é necessário subir a sua MS na silagem até cerca campo. Espanhapoucas é também adeforma escolhida para a sua 30 a 33%, para evitar perdas pelos efluentes queEm se produzem horas depoisNos de se ter picado a beterraba para a ensilar.esta utilização por crescente utilização. países frios do Para atingir o nívelela óptimo de beterraba, podemos rebanhos de ovelhas e cabras. norte de europa podedeserMS da silagem misturar a beterraba com outros productos mais secos como por exemplo: No número anterior desta revista colhida para dar em fresco polpa de beterraba em pelets, destilados secos de cereais( DDG´s), casca de soja, palha picada de cereais, farelo de trigo, etc.

KWS, muito mais do que você imagina O seu consultor Feed Beet: José Caiado, DVM: 912 790 694 www.kws.pt

64 JULHO . AGOSTO . SETEMBRO 2017 RUMINANTES

SEMEANDO O FUTURO DESDE 1856


PUBLIREPORTAGEM KWS

abordámos a sua utilização por esta via. Agora abordaremos a sua utilização de forma conservada através de silagem e diferentes soluções aplicadas a este fim.

Considerações Gerais A ensilagem é uma das soluções disponíveis para conservar a beterraba nas explorações pecuárias permitindo a sua utilização regular ao longo do ano. Contudo, para que a silagem fique bem fermentada e conservada, sempre que a beterraba tenha mais de 5% de terra agarrada, é necessário que antes seja lavada. A terra prejudica a qualidade e a sanidade da silagem, da mesma forma que com qualquer outra forragem. A beterraba “Feedbeet” tem uma MatériaSeca (MS) entre 23 a 25%. A MS da silagem tem de subir até um mínimo de 30 a 33%, de forma a evitar-se as perdas nutritivas pelos efluentes que se começam a produzir poucas horas após a beterraba ter sido processada em pedaços pequenos. Para se atingir o nível ótimo de MS da silagem de beterraba, esta tem que ser misturada com outros produtos muito mais secos, absorventes de humidade, sejam eles outras forragens, como palha ou fenos picados, ou matérias-primas, como por exemplo, polpa de beterraba em pellets, destilados secos de cereais (DDGs), bagaço de soja, semea de trigo, casca de soja, etc.

EXEMPLOS DE SILAGEM DE BETERRABA O Quadro 1 apresenta diversas situações reais utilizadas na elaboração da silagem de beterraba. A decisão sobre o produto a escolher para misturar com a beterraba deve ser discutido com o seu nutricionista pois que para além de considerações ligadas à disponibilidade e custo do investimento deve atender-se também à facilidade com que o produto escolhido ajuda na posterior otimização prática das dietas a fornecer aos seus animais. QUADRO 1 Exemplos de misturas comprovadas com êxito para silagem de beterraba. PRODUTO

KG

%MS

%PB

%FB

UFL/KG

UFC/KG

€/T

€ KG MS

Beterraba

860

23

1,56

2,80

0,28

0,25

35

0,15

Palha

140

91

3,70

36,00

0,39

0,30

30

0,03

Silo bet + Palha

1000

32,5

1,86

7,44

0,30

0,26

34,3

0,14

Beterraba

860

23

1,56

2,80

0,28

0,25

35

0,15

Luzerna

140

91

16,50

24,50

0,67

0,60

95

0,10

Silo bet + Luzerna

100

32,5

3,65

5,83

0,33

0,30

43,4

0,13

Beterraba

854

23

1,56

2,80

0,28

0,25

35

0,15

Soja 44

146

88

45,50

5,00

1,03

1,03

200

0,23

1000

32,5

7,98

3,12

0,39

0,36

59,1

0,18

Beterraba

861

23

1,56

2,80

0,28

0,25

35

0,15

DDGs

139

91,5

27,00

8,00

0,96

0,94

160

0,17

1000

32,5

5,09

3,52

0,37

0,35

52,4

0,16

Silo bet + Soja

Silo bet + DDGs

ACABAR COM O PESADELO DAS SEGUNDAS-FEIRAS

As segundas-feiras são sempre um pesadelo, certo? Errado. Pelo menos é o que assegura a mais recente campanha da Arla Foods UK, subsidiária britânica da empresa de lacticínios dinamarquesa. A campanha, denominada Eat Monday for Breakfast (Coma as Segundas-Feiras ao Pequeno-Almoço), pretende mostrar aos consumidores que, aliando a atitude certa aos benefícios dos lacticínios, o início da semana se pode tornar consideravelmente

menos penoso. A principal ‘arma’ da campanha é um vídeo de cerca de 30 segundos, distribuído pelas televisões nacionais e também no Youtube, ao qual se juntam inúmeros cartazes publicitários. Este tipo de campanha não é de todo desconhecida pela Arla. Já no ano passado foram atingidos bons resultados de consumo dos seus produtos com uma ação de sensibilização semelhante. Segundo Stuart Ibberson, diretor de marketing da marca, esta é uma maneira eficaz de enaltecer as qualidades nutricionais dos lacticínios, juntando-as à relevância do pequeno-almoço como a refeição mais completa e importante do quotidiano. No mercado britânico desde 2015, a Arla Foods UK registou um aumento de volume de vendas de 7.6% no ano passado, o que correspondeu a um crescimento na ordem dos 37 milhões de libras, ultrapassando mesmo marcas sólidas como a Pepsi em mais de 8 milhões de libras. Quem sabe se, em Portugal, inovar os apelos ao consumo de lacticínios não poderia passar por uma campanha similar? Pois, como bem sabemos, por cá também se sofre, e muito, com as segundas-feiras. MAIS INFORMAÇÃO Se quiser espreitar o vídeo promocional da campanha, poderá fazê-lo em: https://www.youtube.com/watch?v=3aZ2Uz1aOQo

RUMINANTES JULHO . AGOSTO . SETEMBRO 2017 65


FORRAGENS

O INOCULANTE QUE UTILIZA CHEGA À SUA SILAGEM? Todos os anos, mais de 60 milhões de toneladas de silagem são tratadas com inoculantes Lallemand.

Viabilidade no topo - Sem HC Viabilidade no fundo - Sem HC Viabilidade no topo - Lasil com HC Viabilidade no fundo - Lasil com HC

GLOBAL CATEGORY MANAGER FORAGE ADDITIVES LALLEMAND ANIMAL NUTRITION lqueiros@lallemand.com

É ALTURA DE QUESTIONARMOS SE O INOCULANTE QUE UTILIZAMOS CHEGA REALMENTE ONDE QUEREMOS, ÀS NOSSAS SILAGENS. A Tecnologia HC (High Concentration), exclusiva dos nossos produtos e presente em todos eles, garante ao produtor que o inoculante que aplica não apenas chega à sua silagem, como chega na concentração, homogeneidade e viabilidade exigidas. A tecnologia HC garante então: • Elevada solubilidade, mesmo em aplicação de baixo volume - até 10 ml/tonelada de silagem tratada; • Baixa sedimentação das bactérias diluídas; • Alta concentração; • Elevada viabilidade.

Baixa Sedimentação Estudos científicos demonstraram que os inoculantes Lalsil, quando produzidos com a tecnologia HC, mantêm ao fim de 24 horas as mesmas populações bacterianas que no início da diluição, quer no topo do tanque de aplicação, quer no fundo, conforme a Figura 1 apresenta. Este fator é de importância elevada, pois mantém assim a homogeneidade de aplicação, assim como a concentração bacteriana em todas as zonas do silo.

FIGURA 1 Relação entre população bacteriana (LAB) por zona e viabilidade geral dos inoculantes com tecnologia HC quando comparados com inoculantes sem a tecnologia HC. Rácio da população de LAB por zona e a sua viabilidade geral

500 400 300 200 100 0

Viabilidade das bactérias contidas nos inoculantes Lalsil Os mesmos ensaios permitiram comprovar a elevada viabilidade dos inoculantes Lalsil, ao demonstrarem que em 24 horas após a diluição, a contagem bacteriana se mantém bastante estável com a tecnologia HC, conforme mostra a Figura 2.

Relatório de sedimentação e viabilidade No sentido de averiguarmos a qualidade dos inoculantes nestes pontos, decidimos, durante os últimos 2 anos, testar diversos produtos disponíveis no mercado, medindo taxas de sedimentação e viabilidade bacterianas. Os resultados, em diversos casos, são surpreendentes.

Viabilidade à diluição

600

Rácio da população medida/viabilidade (%)

A Lallemand é lider do segmento, e isso não apenas nos dá grande orgulho e confiança no trabalho desenvolvido, mas principalmente responsabilidade. O nosso cliente confia na eficácia e excelência dos nossos produtos, e espera de nós um controlo apertado de todas as variáveis que podem limitar os benefícios dos mesmos. Falamos inúmeras vezes das estirpes que utilizamos nos nossos inoculantes, da sua elevada concentração, e da sua especificidade para diferentes forragens. As melhorias nos processos fermentativos, a preservação da qualidade da proteína, o aumento da estabilidade aeróbica e o consequente aumento da recuperação de Matéria Seca, assim como o aumento da digestibilidade da Matéria Orgânica são amplamente conhecidos. Chegou a altura de focarmos a importância que damos ao processo de fabrico e a tudo o que envolve a proteção e transporte das bactérias que desenvolvemos e utilizamos.

LUÍS QUEIRÓS

0

6

12

-100

66 JULHO . AGOSTO . SETEMBRO 2017 RUMINANTES

Tempo (horas)

18

24

A diferença entre a população real bacteriana medida ao longo do tempo varia imenso da população garantida pelo rótulo do mesmo produto. De facto, em alguns inoculantes encontrámos populações garantidas à diluição (valores no rótulo) mais elevadas do que as populações reais. Este facto inviabiliza o efeito máximo dos mesmos, assim como a qualidade final das forragens ensiladas.


A Solução para a estabilidade aeróbica da sua silagem

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FORRAGENS

FIGURA 2 Viabilidade após diluição das bactérias Lalsil, com e sem a tecnologia HC

Sobrevivência real (%)

Sobrevivência real das LAB num inoculante para silagem em suspensão Geral/Topo do reservatório/Fundo do reservatório sem a tecnologia HC 450 400 350 300 250 200 150 100 50 0 -50

0

6

12

18

24

Tempo (horas) Inoculante sem HC - Geral

Inoculante sem HC - Topo

Inoculante sem HC - Fundo

Sobrevivência real das LAB num inoculante para silagem em suspensão Geral/Topo do reservatório/Fundo do reservatório sem a tecnologia HC 120

Sobrevivência real (%)

100 80 60 40 20 0

0

6

12

18

24

Tempo (horas) Inoculante com HC - Geral

Viabilidade ao longo do tempo Ao longo de 24 horas foi medida a viabilidade das bactérias presentes nos mais diversos inoculantes. A Figura 4 revela que alguns deles perdem mais de 25% de viabilidade logo nas primeiras 2 horas após diluição, e que ao fim de 6 horas a viabilidade baixa para os 60%. Estes são valores que preocupam na hora de maximizar a eficiência de utilização. Um ponto interessante também é a representação gráfica da evolução da viabilidade das bactérias ao longo do tempo após diluição, em pontos distintos do tanque de aplicação. Na Figura 5 podemos claramente verificar que o produto analisado, apesar da baixa taxa de sedimentação, perde parte significativa da sua viabilidade logo nas primeiras horas após diluição, quer seja no topo do tanque, quer seja na zona inferior do mesmo.

Inoculante com HC - Topo

Inoculante com HC - Fundo

De uma forma geral, estes pontos aqui referidos interferem imenso na eficácia de utilização dos diversos inoculantes, pelo que deveremos tê-los sempre em consideração na altura de optar pelas melhores soluções. Não há dúvidas que o retorno do investimento de utilização de inoculantes de qualidade é elevado. Porém, esse retorno é muito mais elevado quando utilizamos tecnologias inovadoras como a tecnologia HC, presente nos inoculantes Lalsil. Depois disso, podemos então focar-nos nos outros pontos importantes de diferenciação dos nossos produtos: • Utilização de bactérias homofermentativas, heterofermentativas (L. buchneri), e enzimas, dependendo do teor de Matéria Seca, teor em Proteína Bruta e teor em Açúcares Solúveis;

• Fórmulas específicas para cada tipo de forragem • Utilização de complexos enzimáticos que aumentam a percentagem de açúcares solúveis, quando necessário, e a digestibilidade • A gama Lalsil contém a concentração mais elevada de Lactobacillus buchneri, que foi documentada como sendo a dose mais efetiva na melhoria da estabilidade aeróbica (300000 cfu/g de forragem, para silagem de milho) • Nem todas as estirpes de L. buchneri são iguais – As autoridades europeias (EFSA) testam a eficácia de todos os aditivos na alimentação animal, entre eles os inoculantes • A estirpe de L. buchneri NCIMB 40788, presente na gama Lalsil, foi autorizada para aumentar a estabilidade aeróbica em todas as forragens e todas as condições • Algumas outras estirpes foram apenas

Agora já sabe, na altura de escolher, escolha o mais certo – Inoculantes LALSIL!!

FIGURA 3 Comparação entre população garantida pela marca e população real (CFU/g) de um produto testado (C)

Comparação entre a população real e a garantida pela marca (CFU/g) 3E+11 2,5E+11

Soma da população garantida

2E+11

Soma da população real

1,5E+11 1E+11 5E+10 0

Produto C

0h

48h

100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0

2h

FIGURA 4 Evolução da viabilidade em suspensão ao longo do tempo (h) de um produto testado (C).

Produto C 4h

24h

6h

0h

48h

100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0

2h

FIGURA 5 Evolução da viabilidade geral, no topo e fundo do tanque, ao longo do tempo, após diluição (h) de um produto testado (C). Soma no geral - Sobrevivência real - Produto C (%)

4h

24h

Soma no topo - Sobrevivência real - Produto C (%) Soma no fundo - Sobrevivência real - Produto C (%)

6h

68 JULHO . AGOSTO . SETEMBRO 2017 RUMINANTES

autorizadas para melhorar a fermentação de todas as silagens, MAS NÃO A ESTABILIDADE AERÓBICA.


Bovikalc® Reference 1. McArt and Oetzel. A stochastic estimate of the economic impact of oral calcium supplementation in postparturient dairy cows. J Dairy Sci. 2015 Oct;98:7408-18

Uma nova abordagem para vacas novamente mães.

A análise económica dum estudo, recente, de referência, sugere que dar Bovikalc a todas as vacas recém paridas resulta num retorno económico positivo. Assim o problema de identificar as vacas em risco de hipocalcémia sub-clínicaclínica pode ser eficazmente ultrapassado.

A ABORDAGEM GLOBAL DE GRUPO PARA A HIPOCALCÉMIA.


SAÚDE E BEM-ESTAR ANIMAL

BVD EM VACADAS DE CARNE

IMAGEM 1 João Diogo Pereira, Médico Veterinário.

POR RUMINANTES

A temática do BVD já não é de todo estranha aos leitores da Ruminantes. De facto, muitas são as vezes em que abordamos esta tão nefasta doença, não só pelo seu impacto mas pelo esforço constante que é feito para otimizar o seu controlo. Reflexo disso mesmo, foi recentemente lançada no mercado uma vacina viva inovadora que promove o desenvolvimento de resposta imunitária ativa contra o BVDV-1 e o BVDV-2. Esta vacina confere uma taxa de proteção fetal na ordem dos 100%, não possui propriedades imunossupressoras ou abortivas, nem induz febre, podendo ser administrada em qualquer fase da lactação e gestação, com recurso a uma dose anual, sem reforço e a cada 12, ou mesmo a cada 14 meses. João Diogo Pereira, 33 anos, Médico Veterinário formado em Coimbra, esteve desde muito cedo ligado à produção pecuária, em particular de ovinos da raça Merino da Beira Baixa. Enquanto Médico Veterinário de bovinos e ovinos de aptidão leiteira e de carne, orgulha-se do gosto pela atividade, à qual dedica a sua total disponibilidade. João também aprecia trabalhar no distrito de Castelo Branco, onde a grande casuística lhe dá boas oportunidades de crescimento.

Atualmente trabalha por conta própria na empresa GESTIVET - Soluções & Serviços Veterinários Unipessoal Lda., a qual está também ligada a uma sociedade, Socivete Lda e a duas OPPs, a SANICOBE e a OVIBEIRA, às quais dá assistência como veterinário executor e implementa os programas sanitários em vigor. Foi precisamente sobre a utilização da supramencionada vacina que conversou com a Ruminantes. Qual o controlo reprodutivo mais comum nas explorações de bovinos de carne aqui da região? Há uma pequena percentagem de produtores que se preocupa com o intervalo entre partos (IEP). A maior limitação aqui são os registos, pois só a partir do momento em que temos registos fidedignos é que conseguimos avaliar indicadores. A preocupação com os indicadores reprodutivos é recente, tendo surgido em paralelo com a necessidade de maximizar a rentabilidade das explorações à luz da mudança do prémio por vaca aleitante. Uma das nossas primeiras áreas de investigação foram os problemas de fertilidade, principalmente relacionados com doenças infeciosas.

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Qual, ou quais, foram as principais doenças infeciosas que encontraram? A grande maioria dos problemas são devido à BVD e talvez em menor grau, IBR, Leptospirose e Clamídiose.. Quais são os sinais mais visíveis de BVD nas vacadas de carne? A morte embrionária e os abortos são um fenómeno que nos aponta para BVD mas nem sempre são o sinal mais percetível em vacadas de campo. Ainda para mais, nesta zona temos um grande problema com abutres, os quais “eliminam” qualquer indício de aborto em horas, e atacam mesmo animais vivos. Existem ainda outros sinais, tais como a doença das mucosas, mal formações congénitas como a hidrocefalia, gestações tardias, entre outros pouco especificos. Que impacto produtivo e económico pode ter o BVD nestas vacadas? Um dos sinais de alarme é o elevado intervalo entre partos, não atingindo a meta de um vitelo por vaca/ano. Ao não exponenciar o máximo de uma exploração estamos a contribuir para a perda de rentabilidade. Por exemplo, se tivermos taxas de fertilidade na ordem dos 60%, isso


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implica que em 100 vacas iremos ter apenas 60 vitelos. Fazendo contas, algo como 20000€ ficam por rentabilizar na exploração. Atualmente não estou a par de estudos que se dediquem a estudar o impacto económico do BVD na região. Toda a gente tem a perceção que a doença é parte intrínseca da sua exploração, mas não quantificam o seu impacto. O que diria a um produtor assoberbado por problemas de BVD na sua exploração? Como resolvê-los? Em primeiro lugar, fazer testagem de BVD (Serologias em animais nascidos na exploração entre 9 e 14 meses não vacinadas), posteriormente, interpretar resultados e traçar-se um plano. A identificação de animais persistentemente infetados (PI) é também uma prioridade, pois estes animais atuam como reservatório da doença. A vacinação é sempre a armachave do controlo, em conjunto com a eliminação dos animais PI , isto quando falamos em vacadas de carne. Nunca esquecendo que cada caso, é um caso. Qual tem sido a sua experiência com uma vacina que só precisa de uma dose por ano? É uma vacina “cómoda” para trabalhar. Ter à disposição uma vacina de administração única e com um ano de imunidade agiliza o procedimento e facilita a adesão do produtor. Vacinamos todo o efetivo reprodutor, todos os anos, uma vez ao ano. Porque decidiu passar a recomendar este novo protocolo de vacinação? Dadas as características das explorações da zona, esta vacina ia ao encontro das necessidades dos produtores. O facto de ser uma vacina viva também tem a sua importância, sendo mais ativa do ponto de vista de desenvolvimento de resposta imunitária, além de que abrange as duas estirpes de BVD, aumentando assim a probabilidade de sucesso. Nunca tive receio em recomendar esta vacina viva e inovadora. Existem alguns efeitos adversos no local da injeção ou na qualidade da carne? Na qualidade da carne não. No local da injeção pode haver ligeira tumefação que desaparece em dias.

Tem já alguns resultados de campo da implementação desta vacina? Sim. Numa exploração com cerca de 480 vacas acima dos 24 meses, após vacinação, no primeiro semestre de 2017 comparativamente ao de 2016, nasceram mais 28 vitelos, sendo que este número já compensou economicamente o meu trabalho e os custos associados à vacina. Gostaria de frisar que a época mais forte de partos é o segundo semestre do ano, por isso estamos a contar com resultados ainda melhores neste período. Crê que impedindo o nascimento de animais PI através da vacinação e eliminando os PI pré-existentes se pode chegar a controlar o BVD nesta região? Pode-se reduzir muito drasticamente a ocorrência de BVD. A vacinação tem mesmo de ser o caminho a seguir. Não ganha só quem a aplica: ganham os vizinhos e daqui a uns tempos, os frutos desse trabalho poderão ser colhidos a uma escala muito maior. Por exemplo, as normas comerciais internacionais começam a exigir que os efetivos sejam livres de BVD, sendo a doença também um entrave à exportação.

SOCIEDADE AGRÍCOLA DO PESCAZ S.A. Ladoeiro e Idanha-a-Nova Animais adultos com mais de 14 meses: • Exploração 1: 347 (<24 meses=87 e >15 anos=3) • Exploração 2: 60 (Vacas de Refugo para Engorda e Abate) • Exploração 3: 280 (<24 meses=40 e >15 anos=40) SEM VACINA VIVA PARA BVD Nº VITELOS

2016

2016

1º semestre

2º semestre

Exploração 3

94

165

Exploração 1

92

123

Total

186

288

Nascidos

COM VACINA VIVA PARA BVD Nº VITELOS

Nascidos

2017

2017

1º semestre

2º semestre

Exploração 3

95

x

Exploração 1

119

x

Total DIF no 1º semestre

214

288

28

com vacinação

ÚTEROS ARTIFICIAIS: O PRÓXIMO PASSO DA REPRODUÇÃO ASSISTIDA?

Um grupo de cientistas americanos do Hospital de Crianças de Filadélfia, nos Estados Unidos, conseguiu promover o desenvolvimento de oito borregos prematuros fora do útero materno, uma técnica que poderá vir a ser futuramente utilizada na reprodução assistida humana. Os animais, dos quais o mais resiliente ultrapassou já um ano de idade, foram encubados em “bio sacos” de plástico, os quais se encontravam aquecidos a uma temperatura constante de 39.5ºC e cheios com uma solução eletrolítica similar ao ambiente uterino da ovelha. As trocas de ar, oxigénio e azoto eram asseguradas através de um sistema de tubagens, em paralelo com a circulação de fluido amniótico. O “parto” foi induzido entre os 105 e os 108 dias, de acordo com os protocolos de bem-estar animal exigidos, e alguns borregos foram sacrificados para que se pudesse analisar o seu desenvolvimento até àquela fase, tendo-se concluído que o cérebro, pulmões e outros órgãos estavam já completamente desenvolvidos. A produção de lã também já se tinha iniciado, e alguns animais tinham ainda reflexo de deglutição. As conclusões do estudo foram animadoras, e prevê-se que esta técnica possa vir a ser utilizada em casos de bebés humanos extremamente prematuros (entre as 22 e as 24 semanas de vida), ajudando assim a reduzir a mortalidade no período perinatal.

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RUMINANTES SAUDÁVEIS

GEORGE STILWELL CLÍNICA DAS ESPÉCIES PECUÁRIAS FACULDADE DE MEDICINA VETERINÁRIA – UNIVERSIDADE DE LISBOA stilwell@fmv.ulisboa.pt

As cabras apresentam uma panóplia de comportamentos extremamente complexa, mas também muito variável. Esta variação deve-se à genética (raça), ao ambiente e ao maneio a que são sujeitas. As formas como uma cabra em regime intensivo se comporta é completamente diferente daquele que observamos numa que é mantida numa pequena exploração familiar ou daquela semisilvestre que pasta nas montanhas. No entanto, alguns comportamentos são bastante característicos e comuns à generalidade das cabras domésticas. Vamos aqui fazer uma pequena revisão dos comportamentos mais evidentes. É consensual de que não é possível gerir com sucesso uma exploração se não se conhecer bem os seus animais. É também óbvio que a primeira vertente que temos de conhecer é o comportamento, já que é esta a forma que os animais têm para comunicar connosco, para nos dizer como se sentem, do que precisam e o que não lhes está a correr bem. No entanto, só depois de conhecermos o comportamento natural poderemos reconhecer o de doença (física ou mental), carências etc…

Heiko Georg

O COMPORTAMENTO DAS CABRAS DOMÉSTICAS

FIGURA 1 Formas simples de enriquecimento ambiental podem aumentar saúde e bem-estar de cabras em sistemas intensivos. Fotografia Georg Heiko.

A primeira constatação que se deve fazer é que as nossas cabras não são ovelhas com pêlo. Se isto parece um aviso um pouco parvo para quem já está habituado a tratar de caprinos, não o será para os menos experientes e que eu vejo muitas vezes a fazer a confusão. Se bem que a anatomia e na fisiologia tenham inúmeras características comuns (afinal, as duas espécies são ruminantes estreitamente aparentados), já no comportamento os pontos de contacto são mínimos. A primeira distinção a fazer é que as ovelhas são rapadouras ou “pastadouras” (tradução livre do inglês grazers), ou seja pastam junto ao solo, enquanto que as cabras são seletoras (browsers) procurando o alimento tanto nas plantas mais perto do solo como nos arbustos e árvores. Esta diferença pode ter um significado enorme na saúde e produção

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dos animais já que os caprinos têm uma muito maior capacidade de seleção do que se põe na manjedoura podendo por isso fazer mais facilmente doenças por excesso ou deficit dos componentes da dieta (por exemplo, acidose ruminal). Este comportamento natural também explica porque não devemos entrar num parque de caprinos com papéis ou outros objetos nas mãos ou bolsos – as cabras habilidosa e rapidamente roubam-nos e, se possível, comem-nos.

O COMPORTAMENTO SOCIAL Também no comportamento social há diferenças importantes entre caprinos e ovinos. Se bem que ambas as espécies sejam muito gregárias, os caprinos terão menos problemas em se isolar ou dividir


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o rebanho em pequenos grupos. Esta característica, por exemplo, permite que por vezes as cabras escapem ilesas de ataques de predadores (cães vadios, normalmente) enquanto as ovelhas são massacradas em grande número. O que atrás se disse não quer dizer que as ligações dentro do grupo não sejam fortes. Normalmente existe uma hierarquização bem marcada, mantendo as suas respetivas posições através de ameaças ou mesmo lutas, normalmente sem grande impacto na saúde exceto no caso de conflitos entre machos reprodutores que podem conduzir a graves lesões ou mesmo à morte de um dos competidores. A ascensão na cadeia hierárquica resulta por isso da capacidade do animal em enfrentar o que lhe está acima. Os machos mais novos raramente tentam a sua sorte até estarem bem desenvolvidos, até porque os dominantes estão constantemente a avisá-los através de cabeçadas do flanco ou abdómen. É uma forma preventiva de intimidar potenciais rivais. A forma de lutar, seja entre fêmeas ou entre machos, é o de elevar-se nos membros posteriores e deixarem-se cair sobre o opositor. Normalmente este faz o mesmo e as duas cabeças chocam com alguma violência. É óbvio que aquele animal que possuir cornos terá uma vantagem maior e tenderá a importunar (e lesionar) muito mais os oponentes que não conseguem escapar. É por isso que em sistemas intensivos não deverá haver animais com cornos e outros mochos ou descornados, pois mantê-los juntos é uma forma de incentivar disputas violentas.

O RELACIONAMENTO COM OS HUMANOS Os caprinos em regimes intensivos, habituados à presença humana quase constante, normalmente são muito pouco medrosos aproximando-se de qualquer pessoa e inclusive trincando partes do corpo ou vestuário com um enorme “à-vontade”. Em trabalhos em que estudámos as diferenças de comportamento entre cabras em regime intensivo e regime semiextensivo, percebemos que nas pequenas explorações familiares e baseadas no pastoreio esta confiança é apenas com as pessoas mais familiares, enquanto que nas intensivas e com um muito maior contacto com um muito maior número de pessoas, a aproximação é permitida a qualquer humano. Os caprinos quando pressentem algum perigo ou ameaça, enviam um sinal de alarme que consiste num som parecido com um espirro e por vezes também batem com uma das patas anteriores no chão. Estes ruídos destinam-se a avisar o rebanho para se colocar em sobreaviso, e é curioso observar a reação das coabitantes quando ouvem este espirro que sabem bem distinguir daquele que é produzido por uma cabra com rinite.

A EXPLORAÇÃO DO AMBIENTE

Finalmente um comportamento natural típico dos caprinos é a sua capacidade para trepar e equilibrar-se nos locais mais recônditos e aparentemente inacessíveis.

Esta característica muitas vezes põe-nas a salvo dos ataques dos tais predadores modernos, já que facilmente atingem os ramos altos das oliveiras e outras árvores. Este comportamento é útil em regimes extensivos já que permite aumentar os recursos alimentares disponíveis, enquanto que os ovinos ficam limitados ao que está no solo. Já nos sistemas intensivos pode ser um comportamento aborrecido, já que poderá acabar na fuga dos parques ou, pior, em traumatismos graves após ficarem presas em cercas, cancelas e outros tipos de vedações. Por outro lado, o enriquecimento ambiental com estruturas para as cabras subirem e de onde podem saltar – plataformas de madeira, rochedos… – tem diversas vantagens e já são utilizadas em inúmeras explorações intensivas e semi-intensivas do norte da Europa. Ao fornecer aos animais estas formas de expressarem o seu comportamento natural, as explorações são melhor aceites pelos consumidores e as cabras têm menos problemas de saúde, nomeadamente sobre-crescimento e deformação das unhas. Desta forma são melhores produtoras e exigem muito menos mão-de-obra na aparagem regular das unhas.

ALGUNS COMPORTAMENTOS NÃO NATURAIS E INDESEJADOS

Um dos comportamentos mais indesejados e temidos pelos produtores de leite de cabra é a auto-sucção dos seus animais. É realmente extremamente frustrante e uma potencial causa de enormes prejuízos, possuir no rebanho cabras que mamam todo o leite que produzem entre ordenhas. Este é um comportamento exclusivo (ou pelo menos muito mais comum) em rebanhos criados em sistemas intensivos com uma alimentação altamente energética. Se bem que a causa esteja ainda envolta num grande mistério, sendo provavelmente de origem multifatorial, podemos afirmar que muitos casos estarão relacionados com alterações do comportamento oral. As cabras são ruminantes e como tal aproximadamente

FIGURA 2 Roer barras ou bordas da manjedoura pode ser um comportamento estereotipado resultante da menor necessidade de ruminar que surge quando a fibra efetiva na dieta é reduzida.

RUMINANTES JULHO . AGOSTO . SETEMBRO 2017 73


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50% do seu horário diário estaria, em condições naturais, ocupado com a ruminação. Esta atividade fisiológica é essencial a uma digestão adequada, mas provavelmente também para uma saúde mental. Ou seja, provavelmente está na base de libertação de substâncias que satisfazem instintos, reduzem ansiedade ou mantêm o equilíbrio emocional. Portanto, uma das teorias explicativas sugere que ao reduzirmos a necessidade de ruminar oferecendo alimentos já parcialmente triturados, estamos a deixar vago um tempo de comportamento oral que a cabra tenta ocupar de uma outra forma. Esta hipótese parece ser comprovada por ensaios que reduziram a auto-sucção aumentando a quantidade de fibra efetiva na dieta. Há, obviamente, outras causas para este comportamento se estabelecer. Por exemplo, cabras que abortaram ou cabras após o desmame precoce de cabritos podem fazer auto-sucção, só que geralmente são casos esporádicos e isolados. É também interessante verificar que alguns animais aprendem a realizar a auto-sucção apenas por observarem as coabitantes a fazê-lo. Esta observação foi-me transmitida há alguns anos por um produtor que comprovou que as suas cabras Saanen aprenderam a mamar em si próprias depois de no rebanho entrarem umas dezenas de cabras Murcianas que já o faziam. Outros comportamentos parecidos e provavelmente com a mesma origem são os comportamentos estereotipados. Estes comportamentos são definidos como aqueles que são repetidos frequentemente e num curto espaço de tempo, sem haver uma razão aparente que os justifiquem. O mais comum é abocanhar e morder ou chuchar continuamente uma estrutura do estábulo, como seja as bordas da manjedoura, dos bebedouros ou das

vedações. Nalguns rebanhos notou-se um aumento deste comportamento quando se restringiu a auto-sucção ou se reduziu a proporção de fibra efetiva na dieta. Ou seja, mais uma vez, o animal procurou substitutos para satisfazer a sua necessidade de mover a boca. As cabras são muito curiosas e quando o ambiente em que vivem é demasiado monótono e pobre, têm tendência a procurar distrações. No pasto e montanhas, a cabra teria sempre qualquer área ou objeto para investigar, para além de estar mais tempo a comer ou ruminar, mas nos parques das explorações intensivas as atrações são reduzidas. Sendo assim ocorre frequentemente os animais roerem fios eléctricos, baldes, papéis, trancas, bebedouros… ou ficarem presos em vedações. Estes comportamentos podem ser evitados ou reduzidos através das medidas de enriquecimento ambiental que acima se referiram.

CONCLUSÃO

Aqui apresentámos apenas um pequeno resumo dos comportamentos dos caprinos domésticos europeus. Não fomos, nem conseguiríamos ser em tão poucas páginas, exaustivos, mas esperamos que tenha passado a mensagem de que devemos aprender a ler o que os animais nos dizem através dos comportamentos. Ao conseguirmos fazê-lo seremos melhores produtores e técnicos… tanto com esta como com qualquer outra espécie animal.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Não foram incluídas por uma questão de espaço editorial, mas o autor disponibiliza bastando enviar um email para stilwell@fmv.ulisboa.pt.

NOTA O autor escreveu este artigo segundo o Antigo Acordo Ortográfico.

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O PAPEL DAS MASTITES NA INFERTILIDADE DAS VACAS Um recente estudo levado a cabo pela Universidade do Wisconsin, nos Estados Unidos, concluiu que as mastites podem ter um impacto negativamente significativo na taxa de conceção ao primeiro serviço. O estudo - cuja amostra englobava quatro efetivos leiteiros e um total de mais de 3100 animais -, chegou à conclusão que quando as mastites ocorriam no período de risco reprodutivo, compreendido entre os três dias que antecediam a inseminação artificial e os trinta e dois dias posteriores, a taxa de conceção era drasticamente reduzida. Mas falemos de números: esta redução era de 11.3% na presença de mastites clínicas e de 8.1% aquando da presença de mastites subclínicas, valores que captam logo a atenção, especialmente à luz da conjuntura atual. A investigação foi apresentada numa conferência por Paul Fricke, o qual explicou que quando as vacas desenvolvem mastites, a inflamação dos tecidos leva à formação de prostaglandinas, as quais provocam a regressão do corpo lúteo, uma estrutura endócrina temporária indispensável à manutenção da gestação. Fricke, disse ainda que nenhum produtor conseguirá atingir um excelente grau de fertilidade se tiver problemas de mastite na sua exploração. Por isso, o foco tem de primeiro passar pela redução desta patologia e só depois se podem almejar taxas de conceção verdadeiramente satisfatórias.

SERÁ O LEITE DE PASTAGEM VERDADEIRAMENTE MAIS SAUDÁVEL? Afinal, parece que não. Pelo menos é o que afirma o Doutor Adam Lock, um investigador de renome da Universidade do Michigan, nos Estados Unidos, referindo-se a essa corrente como uma “estratégia de marketing desonesta para com os consumidores”. Uma das razões utilizadas para apresentar o leite de pastagem como ‘mais saudável’ quando em comparação com outros sistemas de produção é o facto de este ser associado a um maior teor de ácidos gordos ómega-3, os quais possuem inúmeros benefícios para a saúde, contribuindo para o bom funcionamento do sistema circulatório e do aparelho cardiovascular. No entanto, de acordo com o Doutor Lock, os teores de ómega-3 do leite são já de si baixos, e as alterações da sua composição devido à alimentação das vacas com pastagem são tão quantitativamente pequenas que acabam por não ser quantificáveis e, consequentemente, não terão um impacto significativo na saúde dos consumidores. Este é um tema que tem vindo a suscitar grandes discussões, e cuja exposição mediática acaba inevitavelmente por surtir efeitos sobre os consumidores e seus hábitos de consumo. Do outro lado da fileira, há ainda quem diga que este tipo de diferenciação entre leites acaba por contribuir para a cisão num setor que devia fazer todos os esforços para se manter numa frente unida. Esta parece ser também a opinião do investigador, o qual defende que o foco deve ser ‘NO’ leite enquanto alimento completo, o qual deve ser promovido através dos seus nutrientes de elevada qualidade e benefícios para a saúde humana.


* Andrew Bradley et al. An investigation of the efficacy of a polyvalent mastitis vaccine using different vaccination regimens under field conditions in the United Kingdom. J. Dairy Sci. 2015; 98: 1706–1720

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A Referência em Prevenção na Saúde Animal

Hipra Portugal Arbuset Produtos Farmacêuticos e Sanitários de Uso Animal, Lda. Portela de Mafra e Fontaínha Abrunheira 2665-191 Malveira Portugal Tel (+351) 219 663 450 Fax (+351) 219 663 459 portugal@hipra.com www.hipra.com


SAÚDE E BEM-ESTAR ANIMAL

O QUE SABEMOS SOBRE O RETORNO ECONÓMICO DA VACINAÇÃO PARA MASTITES? EXPERIÊNCIA DE CAMPO NA ILHA TERCEIRA (AÇORES) A mastite continua a ser uma das doenças mais frequentes e dispendiosas nas explorações leiteiras. O seu controlo é uma das maiores lutas dos produtores, existindo ainda hoje em dia um grande número de explorações a sofrerem níveis inaceitáveis desta doença. A base de um programa de qualidade do leite (PQL) assenta em 4 pilares: ambiente, máquina de ordenha, rotina de ordenha e animal. Várias estratégias de prevenção são implementadas para minimizar a incidência das mastites clínicas e subclínicas, incluindo otimização da rotina de ordenha, maximização da higiene do úbere, terapias com antibióticos no período de secagem, segregação e refugo das vacas crónicas, etc. (7) Hoje em dia considerase que a vacinação contra mastites pode desempenhar um papel importante nos programas de controlo de qualidade de leite. (1;7)

Em Portugal, uma vacina comercial contra agentes de mastites (S. aureus, SCN, E. coli e coliformes) foi lançada em 2009. Desde o lançamento da vacina vários estudos de campo têm sido realizados, comprovando a eficácia da vacinação a vários níveis, quando incluída num programa de qualidade de leite: (3;4;5;6;8) • Diminuição do nº e severidade dos casos de mastites clínicas e subclínicas; • Diminuição da % de novas infeções e animais crónicos; • Redução da utilização de antibióticos (sistémicos e intramamários); • Redução dos custos associados ao consumo de antibióticos; • Redução da Contagem de Células Somáticas (CCS) no tanque de leite e consequente aumento da produção leiteira. Várias perguntas são colocadas quando se aconselha a implementação de um programa vacinal para mastites, sendo uma das mais frequentes:

IMAGEM 1 Exemplo de uma auditoria a uma exploração leiteira.

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DEOLINDA SILVA DIRETORA TÉCNICA E MARKETING HIPRA PORTUGAL deolinda.silva@hipra.com

QUAL O RETORNO ECONÓMICO DO INVESTIMENTO (ROI)? A HIPRA, em 2015, iniciou um programa de acompanhamento técnicoeconómico em algumas explorações leiteiras que iniciaram a vacinação contra mastites, em diferentes áreas geográficas do país (Continente e Açores), no âmbito de um programa de saúde do úbere. O objetivo desde projeto é auxiliar os produtores a iniciar um PQL, demonstrando as mais valias na produtividade e rentabilidade da exploração, e calcular o ROI, tendo em conta, a implementação de um programa de vacinação para mastites. Na ilha Terceira, em parceria com a equipa de médicos veterinários da UNICOL,

foram selecionadas 3 explorações leiteiras que foram monitorizadas durante 1 ano nos 4 pilares dos PQL acima referidos (Imagem 1). As perdas económicas foram calculadas segundo 2 critérios: perdas de produção de leite por mastites subclínicas (grupo das primíparas e multíparas) e perdas de oportunidade de bonificações por qualidade de leite. (2) No estudo da Terceira não foram contabilizados os custos com mastites clínicas. Tal como o gráfico 1 indica, verificou-se uma diminuição das perdas económicas associadas à diminuição de produção leiteira por mastites subclínicas, nas 3 explorações considerando os 2 grupos produtivos.


SAÚDE E BEM-ESTAR ANIMAL

GRÁFICO 1 Comparação das perdas económicas associadas à diminuição da produção de leite devido a mastites subclínicas (Ano -1 e Ano 1: anos anterior e posterior à implementação do PQL e vacinação, respectivamente). 6 841 €

7 000 €

↓ 5 342 € 6 000 €

5 000 € 4 457 € 4 000 €

↓ 1 344 € 3 113 €

3 000 € 2 183 € 2 000 €

↓ 1 407 €

1 499 €

776 €

1 000 € 0€ 1

Ano -1

2

3

Ano 1

GRÁFICO 2 Comparação das perdas económicas associadas às perdas de oportunidade por bonificação devido à qualidade de leite (Ano -1 e Ano 1: anos anterior e posterior à implementação do PQL e vacinação, respectivamente). 30 000 €

25 000 €

↓ 8 820 €

apresentados no gráfico 3. O ROI nas 3 explorações é positivo, tendo-se em média obtido 3,68€ por cada 1€ investido na vacina. É importante referir que o cálculo do ROI neste estudo em particular é conservador, uma vez que por ausência de registos, não foi possivel calcular as perdas económicas e taxa de refugo por mastites clínicas, e a % de redução da utilização de antibióticos e custos associados. A nível nacional, 10 explorações já terminaram 1 ano de colaboração neste projeto, sendo a média de retorno económico ao investimento superior a 4€ por cada 1€ investido na vacinação. A mastite é uma doença multifactorial, e como tal requer uma abordagem abrangente por parte dos médicos veterinários, produtores e demais técnicos que assistem às explorações. A utilização de estratégias de prevenção assentes nos 4 pilares da saúde do úbere é essencial para o sucesso na qualidade de leite. A soma de todas as ações potencia os resultados, tal como diz o Prof. Dr. Ynte Schukken, “a combinação de um bom maneio com a vacinação (1+1=3) ajudará a produzir o melhor leite possível”.

24 464 €

TESTEMUNHO DA EQUIPA DE MÉDICOS VETERINÁRIOS DA UNICOL SOBRE OS RESULTADOS DESTE ESTUDO EM PARCERIA COM A HIPRA “Todas as ilhas do arquipélago dos Açores, e a ilha Terceira em particular, possuem todas as condições para produzirem leite de excelência, único a nível mundial, quer em termos de constituição, quer em termos de características organolépticas e sanitárias. As nossas vacas vivem todo o ano na pastagem, alimentam-se essencialmente de erva e são ordenhadas por máquinas móveis que as acompanham na sua transumância. No futuro próximo, ser ÚNICO e GENUÍNO valerá mais do que toda a tecnologia, automatização e expansão. Embora se tenha progredido muito nos últimos 3 ou 4 anos, ainda temos muito a fazer no que concerne à qualidade de leite, se queremos atingir o nível de perfeição que podemos e devemos ter. A instalação de um serviço de qualidade de leite, que faça o devido acompanhamento das explorações, monitorizando e corrigindo as rotinas de ordenha, os planos de secagem, o refugo das vacas crónicas e os desafinos e erros de concepção das máquinas de ordenha, é um dos nossos grandes objetivos para os próximos tempos. Todo o trabalho de colaboração com a HIPRA, durante o último ano, permitiu-nos perceber que este trabalho de base, acompanhando as ordenhas e estudando os dados do contraste leiteiro, é a base necessária para melhorar o desempenho da exploração e aumentar a sua margem de lucro. Como nos debatemos ainda com muitos agentes contagiosos, nomeadamente Staph. aureus, a implementação da vacinação contra mastites, tem sido feita em muitas explorações com que trabalhamos. A vacinação trimestral tem permitido manter baixos níveis de infeção na manada adulta e, mais importante, manter protegidas as novilhas de 1ª lactação. Tudo indica que, com o tempo, podemos ir aumentando o número de animais sem Staph. aureus e criando as bases para uma manada livre deste agente. A vacina tem sido utilizada como uma ferramenta para acelerar e consolidar a melhoria dos resultados da exploração, sempre apoiada num serviço de qualidade do leite para monitorização e aconselhamento acerca de todos os aspectos que se relacionam com a saúde do úbere.”

20 000 € 15 644 € 15 000 € ↓ 2 544 €

10 000 €

6 779 € 4 235 €

5 000 €

↓ 1 759 €

GRÁFICO 3 Resultados do retorno económico ao investimento comparando as perdas económicas no ano anterior e ano posterior à implementação do PQL e vacinação, considerando o valor investido na vacina das mastites em cada exploração.

6 130 € 4 371 €

6,00 €

5,54 €

5,00 €

0€ 1

Ano -1

2

3

Ano 1

4,00 € 3,51 €

As 3 explorações, no ano após a implementação do PQL e vacinação, sofreram menos penalizações por qualidade de leite (CCS acima dos limites exigidos pela fábrica de leite), tal como demonstra o gráfico 2.

3,00 €

2,01 €

2,00 €

1,00 €

Os resultados do retorno económico ao investimento na vacinação são

0€ 1

2

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Bradley, A.J. et al. 2015. An investigation of the efficacy of a polyvalent mastitis vaccine using different vaccination regimens under field conditions in the United Kingdom. Journal of Dairy Science, Volume 9 (1706 – 1720). 2. Cook, Nigel B.; Nordlund, K. (2004, February). Measuring Milk Quality Losses Using a Modified Goal Form. Published in Proceedings of National Mastitis, Council, Charlotte, North Carolina. 3. Pereira, A. R. (2016). Impact of the use of a mastitis multivalent vaccine: a case study. Published in World Buitaric congres XXVIII. Dublin, Ireland. 4. Pinho, L.; Almeida, I.; Meireles,P.(2016). Case report of the utilization of a polyvalent vaccine for mastitis in the dry period and the milk quality and fertility outcomes. Published in World Buitaric Congress XXVIII. Dublin, Ireland. 5. Ribeiro, C. et al.; (2012). Assement of the use of STARTVAC® vaccine on dairy farm affected by environmental mastitis. Published in STARTVAC Library Nº 5. 6. Roque, E.P.G. (2012). Impacto económico da utilização de STARTVAC® numa exploração leiteira portuguesa. Publicado no World Buitaric Congress XXVII. Lisboa, Portugal. 7. Schukken, Y.H. et al. 2014. Efficacy of vaccination on Staphylococcus aureus and coagulase-negative staphylococci intramammary infection dynamics in 2 dairy herds. Journal of Dairy Science, Volume 97 (5250 – 5264). 8. Sousa, J., Madeira, H, Pereira, A., Niza-Ribeiro, J., Salvado, T., Guix, R. (2012). Resultados de um protocolo de um ano com a vacina startvac® para a mastite: estudo de caso. Publicado no World Buitaric congress XXVII. Lisboa, Portugal.

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SAÚDE E BEM-ESTAR ANIMAL

PLATAFORMA DE GESTÃO DE BOVINOS DE CARNE UMA APOSTA DA VETHEAVY Entrevista a Sara Nóbrega, Médica Veterinária. POR RUMINANTES

consiga estar lá fisicamente, está a par de tudo o que se passa em primeira mão, e tem também um contacto mais estreito com o Veterinário responsável. Queremos tornar as vacadas mais produtivas e identificar quais são os pontos críticos que devem ser melhorados para atingir os objetivos, e esta plataforma facilitará muito essa tarefa. Que tipo de informação pode ser consultada? O produtor entra na página no nosso website e acede aos dados da sua exploração através de uma senha pessoal. Estes dados estão divididos em sete áreas: sanidade, profilaxia, laboratório, reprodução, dum programa para BVD e outro para IBR e a área da clínica.

A Vetheavy, Serviços de Sanidade e Reprodução Animal, Lda., é uma empresa de prestação de serviços veterinários sediada em Évora, focando-se essencialmente em bovinos de carne e ovinos das regiões do Alentejo e Ribatejo. Fundada pelos sócios gerentes e Médicos Veterinários Luís Filipe Roque e Pedro Cabral, comemora em 2017 dez anos de existência. Esta é uma equipa jovem e dedicada, pioneira no serviço de reprodução de efetivos de carne, e que promete revolucionar ainda mais o setor com o lançamento de uma plataforma online, a qual está já disponível numa fase experimental, onde os produtores podem aceder a toda a informação da sua exploração. Sara Nóbrega, Médica Veterinária, concluiu o

curso na Universidade de Évora há sete anos, altura desde a qual se dedica à clínica e reprodução na Vetheavy. É também a responsável pela plataforma, sobre a qual falou à Ruminantes. Ruminantes - Explique-nos como nasceu este projeto? Sara Nóbrega - Notámos uma necessidade de termos acesso a todos os parâmetros de cada exploração nossa cliente numa base de dados única. Assim, desenvolvemos esta plataforma visando possibilitar o acesso a várias áreas – sanidade, profilaxia, reprodução e clínica – num local único, acessível online tanto para o produtor como para o Médico Veterinário. Por enquanto está apenas direcionado para os bovinos de carne, mas há a hipótese futura de estender este serviço aos

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produtores de ovinos. Qualquer produtor pode ter acesso? E existem custos associados? Qualquer produtor pode ser cliente da empresa, tenha ele 20 ou 1000 animais, e apenas os produtores que assim pretenderem podem ter acesso à plataforma, a qual tem um custo anual associado. O que tem o produtor a ganhar com este serviço? Em primeiro lugar, a organização. O programa emite alertas, que dão indicação ao produtor, não só do que se está a passar na exploração mas também de eventos futuros, como ações profiláticas. Em paralelo, todas as intervenções feitas são armazenadas na base de dados. Mesmo que o produtor não

Quem é responsável pela introdução dos dados? Somos nós, o produtor não tem de se preocupar com nada. Se, por exemplo, me deslocar a uma exploração para tratar um animal doente e enviar amostras para análise, tudo isso é incluído no

A EQUIPA VETHEAVY Médicos Veterinários: Filipe Roque, Pedro Cabral, Sara Nóbrega, Filipa Correia e Francisco Santos Silva. Ajudante Veterinário: Alexandre Lobo, João Grenho, Ricardo Poeiras e António Fonseca. Escritório: Teresa Severino, Alexandre Pilrito e Rita Bizarro. MAIS INFORMAÇÃO Para saber mais acerca da Vetheavy e seus serviços pode consultar a página - www.vetheavy.pt


SAÚDE E BEM-ESTAR ANIMAL

sistema, bem como o resultado da análise e seu relatório. Assim, é possível ao produtor e ao veterinário responsável pelo acompanhamento, aceder facilmente a todo o historial dos seus animais. O programa também permite obter listagens? Sim, permite. Podem também ser aplicados vários filtros. As listagens são retiradas da base em formato PDF que pode ser convertido e trabalhado em Excel pelo produtor, no seu próprio computador. O livro de medicamentos é preenchido automaticamente? Sim, o sistema inicial apenas abrangia a clínica e a reprodução, mas foi agora alargado para incluir os livros de medicamentos e intervenções. Estamos constantemente a melhorar e completar o sistema.

O sistema consegue diferenciar entre intervenções curativas e preventivas? Sim, daí a distinção entre as áreas de profilaxia e clínica aquando do acesso à página, o que permite ao produtor perceber o que está a investir em cada uma dessas áreas. Este programa é único no mercado? Existem alguns programas similares. No entanto, não estou a par de algum que atue como equipa veterinária, como nós. Existem alguns indicadoreschave para o produtor? Antes de entrar em cada área, o produtor vê os alertas principais: como está a produtividade da exploração, quais as próximas intervenções e as intervenções mais recentes. São também apresentados gráficos representativos da produção, para que seja percetível de que forma

esta evolui ao longo do tempo. A Vetheavy celebrou este ano o 6º dia aberto, onde foi lançada a plataforma. Porque realizam este dia? Essencialmente para a formação e consciencialização dos nossos clientes. A proximidade e a comunicação com o produtor

FIGURA 2 Sara Nóbrega, Médica Veterinária.

são duas das nossas prioridades, em paralelo com a criação de valor e a sustentabilidade do seu negócio.

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PRODUTO

PRECISÃO NUTRICIONAL AO MOMENTO A análise imediata dos principais parâmetros nutricionais já pode ser feita ao momento, em contínuo, na própria exploração e de forma simples e cómoda, pelo produtor. POR RUMINANTES

A precisão na quantidade de nutrientes disponibilizados aos animais já está ao alcance de qualquer produtor. Através de sistemas simples e portáteis que se aplicam em máquinas, como o reboque unifeed e a picadora de forragens, é possível obter de forma imediata e em contínuo a análise de parâmetros nutricionais como a matéria seca, amido, proteína bruta, ADF, FDN, cinzas e gordura bruta. Estes sistemas, denominados NIR (Near Infra Red), são aparelhos de vários modelos, DINAMICA GENERAL Foi criada em 1990, em Poggio Rusco, Itália, por Andrea Ghiraldi. Está presente em mais de 60 países, cresceu de forma consistente ao longo da sua existência e hoje é um dos principais players mundiais no setor das soluções electrónicas e sensores para a alimentação animal e agricultura. A criação do Precision Feeding e do sistema NIR, para melhorar a eficiência alimentar nas explorações, vieram contribuir para o reconhecimento internacional da empresa.

portáteis, que se podem aplicar em máquinas como o unifeed e a picadora de forragens, com grande utilidade para os produtores e prestadores de serviços. Fabricados pela empresa italiana Dinamica Generale, são representados em Portugal pela empresa Maciel Máquinas Agrícolas.

Controlar ao máximo o alimento Luís Maciel, responsável por este projeto na empresa Maciel Máquinas Agrícolas, explicou à Revista Ruminantes o interesse deste sistema para os produtores, por permitir controlar ao máximo o alimento dos animais e o momento certo para colher as forragens. Os NIR existem em modelos portáteis [X-NIR (imagens 1 e 2) e AgriNIR] ou aplicados em máquinas como unifeeds e picadoras de milho e erva (dg precisionFEEDING). São fornecidos com as “curvas nutricionais padrão da fábrica” de cada ingrediente,

IMAGENS 1 E 2 Modelo Portatil X-NIR. Leitura do valor nutricional utilizando o modelo portátil X-NIR.

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e posteriormente calibrados de acordo com o laboratório de referência de cada cliente. “Com cinco analises realizadas e comparadas com os resultados do laboratório do cliente, é efetuado o ajuste da máquina e já se consegue grande fiabilidade nos resultados do NIR em relação ao do laboratório de referência do cliente. Com custos de gestão baixos, graças a esta configuração rápida e fácil, o agricultor pode obter os resultados em tempo real, sem necessidade de “consumíveis” para realizar a análise. Pode analisar as matérias-primas ainda no campo para determinar o momento certo para a colher, monitorizar as variações e verificar a qualidade da silagem comprada, ajustar o arraçoamento ou monitorizar a consistência da alimentação dada aos animais”, referiu Luís Maciel.

Mais de 50 matériasprimas analisáveis Os acertos na calibração podem ser feitos no local, por um software próprio, ou através da fábrica. O próprio aparelho deteta os valores que estão fora dos limites estipulados e gera uma calibração para corrigir esses valores. Neste momento são mais de 50 matérias-primas que estão disponíveis para análise da matéria seca, amido, proteína bruta, ADF, FDN, cinzas e gordura bruta. Com a aquisição do NIR são fornecidos os perfis nutricionais de três matérias-primas escolhidas pelo cliente. Os ajustamentos na calibração são

feitos gratuitamente, de acordo com o contrato anual de serviço. Com o programa NIR Trace, que acompanha os equipamentos, pode também ter um histórico completo das análises efetuadas, selecionar parâmetros e fazer estatísticas exatas, exportar para Excel ou PDF as referidas análises, criar múltiplos gráficos relativos à evolução dos parâmetros analisados.

Como é feita a otimização nutricional A otimização nutricional no unifeed, com o dg precisionFEEDING, é feita exclusivamente pela matéria seca dos ingredientes que estão a ser carregados, ou seja, se o produtor optar por aceitar as sugestões do software para ajustar o peso a carregar de cada ingrediente, no final a quantidade de matéria seca disponível para cada vaca será aquela que estava programada pelo nutricionista. O NIR analisa continuamente todos os nutrientes de cada ingrediente, contudo a otimização é feita pela matéria seca. O software vai perguntando se o operador quer aceitar as sugestões dele para a correção do peso do ingrediente ou se mantém as pesagens iniciais. No final, como o aparelho tem uma curva nutricional independente do bolo TMR, introduzida previamente mediante as análises realizadas (laboratoriais e NIR), o NIR dá-nos a análise do bolo do TMR acabado de fazer. Normalmente, esta curva é uma das curvas que o cliente escolhe quando compra o aparelho.


PRODUTO

Manutenção e consumíveis Quanto a consumíveis, estes aparelhos gastam muito pouco, apenas lâmpadas e vidros. No contrato anual de serviço estão incluídos uma lâmpada e um vidro por cada ano de contrato. A lâmpada tem uma garantia de 2500 horas de funcionamento, mas a cada

4000 horas é recomendada a sua substituição. De resto, é a energia para carregar o aparelho. Uma grande vantagem dos NIR é que tem as curvas gravadas no próprio aparelho e não no servidor, por isso está disponível sem ser necessário ligar-se à rede. Outra grande vantagem é poder ser calibrado pelo seu laboratório de referência.

TESTEMUNHO de Carlos Cruz, gerente da Agropecuária Gândaras do Sobral, sobre o NIR dg precisionFEEDING no final de 4 semanas de utilização.

Exploração com 125 vacas em ordenha (200 até ao final de 2018) ordenhadas por 2 robots, com 36,5 litros por vaca e por dia, com 3,71% gordura e 3,36% de proteína. Os alimentos utilizados e analisados na exploração são: silagem de milho, silagem de erva, palha, feno de luzerna, bagaço de soja 44, milho pastone e TMR (mistura unifeed). “Investi ao mesmo tempo no aparelho NIR e num unifeed automotriz novo, por isso não sei que parte do benefício vem do NIR, mas vejo uma mistura mais uniforme, as vacas têm uma ruminação mais constante, a quantidade de alimento está muito ajustada ao consumo diário previsto (sobra muito pouco alimento nas manjedouras), as análises nutricionais estão calibradas com o laboratório que eu utilizo e o resultado da análise do TMR acabado de fazer coincide com o sugerido pelo nutricionista. A produção subiu cerca de 2 litros por vaca e dia. O tempo de mistura, com ou sem NIR, é praticamente o mesmo, as sugestões feitas pelo software para carregar mais ou menos de cada ingrediente são fáceis e rápidas de implementar, pois basta “aceitar” no botão que aparece no ecrã. Com o software da empresa, entre várias coisas podem-se fazer análises e gráficos dos perfis nutricionais das matérias primas ao longo dos últimos tempos e o calculo do IOFC (Income Over Feed Cost). Estou bastante satisfeito.”

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PRODUTO

FMS – FARM MANAGEMENT SUPORT APOIO NA GESTÃO DE UMA EXPLORAÇÃO AUTOMATIZADA A transição para a ordenha robotizada não é um processo simples nem de curta duração. Por isso, requer um acompanhamento especializado que permita ao produtor de leite tomar as melhores decisões. Para auxiliar nesta tarefa o Lely Center São Félix da Marinha coloca à disposição dos seus clientes um consultor de apoio à gestão da exploração. Neste artigo iremos falar com mais pormenor das funções do consultor FMS e de que forma a sua presença pode ser positiva na obtenção da máxima rentabilidade. POR PEDRO DINIS E TERESA SANTOS

O CONSULTOR FMS O consultor FMS da Lely dedica-se essencial a: • Visitas regulares de acompanhamento e aconselhamento; • Formação; • Auxilio na consulta e interpretação de dados no programa de gestão Lely T4C (actualizações); • Colaboração com outros consultores da exploração (Nutricionistas, veterinários, etc.) a pedido do cliente. FIGURA 1 T4C InHerd.

Check

Act

Improve

ACOMPANHAMENTO E ACONSELHAMENTO O departamento de FMS da Lely está sempre à disposição do cliente para qualquer necessidade ou eventualidade. Apesar de a fase inicial do arranque ser a mais crítica, o cliente nunca deixa de ser acompanhado mesmo depois de a situação já se encontrar normalizada.

FORMAÇÃO Antes do arranque do robot é dada uma formação ao cliente, onde é explicado o conceito, os objetivos do sistema de ordenha robotizada e o protocolo de arranque. Nesta fase, é igualmente dada formação sobre o

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A inovação ao Seu serviço

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PRODUTO

ENTRE CONSULTORES

programa de gestão Lely T4C, T4C InHerd (aplicação para Smartphone) e sobre pequenas tarefas de manutenção (Figura 1). Depois do arranque os clientes têm a oportunidade de continuar a participar em formações anuais mais avançadas, que têm como objetivo melhorar a capacidade de trabalho do utilizador. Para além disso podem ter planos de visita FMS regulares ao longo do ano.

CONSULTAR E INTERPRETAR DADOS NO T4C Para além de identificar o animal, os transmissores colocados nas vacas (colares) têm também a capacidade de registar informação sobre a ruminação e a atividade (normal ou de longa distância). Depois de analisados os parâmetros, os dados são convertidos em informação útil e facilmente interpretável

FIGURA 2 KPI’s (Indicadores de Desempenho) presentes na página inicial do T4C.

pelo utilizador (Figura 2.) No final do primeiro mês de trabalho do robot de ordenha, é avaliada tanto a adaptação dos animais como a do próprio produtor. Nessa altura, são analisados os parâmetros produtivos (quantidade de leite produzido, número de ordenhas, curva de lactação e alimentação) e zootécnicos, tais como a ruminação, peso, teor de gordura, proteína e lactose,

rácio gordura/proteína, etc. Assim, é possível detetar mais facilmente problemas pós-parto (metrites e hipocalcémias), acidoses, cetoses, deslocamentos do abomaso, entre outros casos (Figura 3 e 4). O consultor FMS está também responsável pela divulgação das atualizações que ocorrem frequentemente no programa.

COLABORAÇÃO

FIGURA 3 Gráfico “Rácio Gordura/Proteína” (indicador de acidose e cetose).

FIGURA 4 Gráfico “Minutos Totais de Ruminação por animal”.

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A colaboração entre consultores da exploração é constantemente promovida pelo departamento de FMS da Lely. Antes do arranque são comuns as reuniões com nutricionistas e veterinários, no sentido de clarificar as alterações introduzidas e discutir as melhores estratégias para o correto funcionamento da exploração. Ultrapassada essa fase, o consultor FMS continua à disposição dos restantes consultores para qualquer dúvida no decorrer do processo. Anualmente são realizadas formações destinadas a todos os interessados, que pretendam manterse atualizados acerca do sistema de ordenha robotizada e de eventuais novidades de gestão no T4C.

CONCLUSÃO O robot de ordenha Lely Astronaut é uma ferramenta de trabalho completa, que fornece informação clara ao seu utilizador sobre como atuar eficazmente nos problemas da exploração. A partilha de experiências e conhecimento entre produtores e consultores, face aos desafios do diaa-dia, é o complemento perfeito desta sintonia entre pessoa e máquina.


PRODUTO

KUBOTA PREMIUM M7171 KVT 7 MESES, 400 HORAS NO “TERRENO”

IMAGEM 1 Kubota Premium 7171 KVT.

Lavrar, semear e andar com a cisterna. O Kubota M7171 foi o trator mais recentemente adquirido para a exploração Agropecuária Irmãos Vieira, para garantir a realização dos trabalhos mais pesados. Passadas 400 horas, entrevistámos o sócio gerente Miguel Vieira para saber como se têm adaptado ao novo trator. POR RUMINANTES

A Agropecuária Irmãos Vieira fica na localidade de Sobral, em Ovar e tem no negócio da produção de leite a sua principal atividade. Atualmente, possui 180 vacas leiteiras em produção num efetivo total de 400 animais. A exploração tem 55 hectares de terra dispersos, onde cultivam milho e azevém para alimentar o gado. A necessidade de um trator com “mais força do que aqueles que tinham em casa” foi a principal razão para a compra do irmão maior da Kubota que ficou responsável pela execução dos trabalhos mais exigentes em tração. Como nos disse Miguel Vieira: “todos os trabalhos mais pesados são feitos com ele, as lavouras, as sementeiras, o trabalho com

a cisterna... É um trator com mais força, mais espontâneo e com mais garra do que os que tínhamos tido. Não contabilizei, mas faço os trabalhos mais rapidamente do que antes. “ A escolha do Kubota M7171 foi principalmente motivada pela boa assistência do concessionário local com quem já trabalha há muito, a empresa Reptractor, tendo em conta que, dada a natureza da exploração, “precisavam de um trator polivalente e com boa manobrabilidade”. Requisitos que, na sua opinião, o trator cumpre bem: “Agarra-se muito bem, tem uma boa tração. Tem boa manobrabilidade, é mais rápido e vira num raio muito pequeno. Tem a dimensão adequada para esta exploração. É um trator

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polivalente.” Destacou a seguir o conforto em operação: “é bastante confortável, não tem ruídos, o motor é muito silencioso e o

isolamento da cabine é bom, o ajuste do banco e do volante são adequados, e a suspensão do banco é boa.”

IMAGEM 2 Miguel Vieira, sócio gerente da Agropecuária Irmãos Vieira.


PRODUTO

ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS KUBOTA M7171 PREMIUM KVT Full Extras com Caixa de Velocidades Variação Contínua MOTOR Motor V6108-CRS-TIEF4, 125 kW/170 hp (97/68 EC), 4 cilindros, 4 válvulas turbocompressor com intercooler, DPF/DOC/SCR, Tier IV, depósito combustível 330 litros, depósito Ad-Blue 38 litros.

TRANSMISSÃO Variação contínua KVT, Velocidade mínima a 2000 rpm 0,01 km/h.

IMAGEM 3 E 4 Cabina do Kubota 7171.

O Kubota M7171 foi o primeiro trator que adquiriram com transmissão de variação contínua, e a experiência tem sido positiva: “efetivamente é uma mais valia, basta acelerar e utilizar o cruise control, não é preciso pôr mudanças e a velocidade vai sempre ajustada ao que está definido.” Também a acessibilidade aos pontos de manutenção do trator foi referida como um ponto a favor. A melhorar é, na sua opinião, a

TDF STANDARD 540/540E/1000/1000E

HIDRÁULICO Centro fechado, bomba 110 l/min, 4 válvulas de controlo eletro-hidráulico

ELEVADOR TRASEIRO Capacidade de elevação traseira 9400 kg; capacidade de elevação à frente 3400 kg.

localização do botão do inversor e do gestor de cabeceiras... E os 3 pontos fortes deste trator? “Conforto, coração e tração.”

PNEUS 650/65R38 atrás, 540/65R28 à frente.

DEPÓSITO 330l gasóleo e 38 l AdBlue.

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ATUALIDADES

CASCOS SAUDÁVEIS COM O NOVO ROBÔ DE LIMPEZA DA LELY A limpeza do chão dos parques de uma vacaria é, como se sabe, um dos fatores mais importantes no maneio de qualquer exploração. De facto, um chão limpo é sinónimo de melhor saúde dos cascos, caudas e úberes. No entanto, existem ainda algumas dificuldades na otimização da limpeza de superfícies sólidas.

Com o objetivo de colmatar essa falha, a Lely desenvolveu o Discovery 120 Collector, um robô de limpeza inovador. Em detrimento de empurrar os dejetos, o robô recolhe-os através de uma bomba de vácuo para um reservatório incorporado e leva-os para um local designado, onde são depositados. De modo a diluir os dejetos,

existe um mecanismo que pulveriza água à frente e atrás do robô. A água é armazenada em dois compartimentos em separado e, à medida que vai sendo gasta, é disponibilizado mais espaço para a recolha de dejetos, assegurando-se assim a “portabilidade” do robô e a consequente tranquilidade dos animais, que não são incomodados pela sua presença. Equipado com um sistema independente de sensores, o uso do Discovery 120 Collector dispensa investimentos em cabos, correntes e outros equipamentos. A presença de menor quantidade de obstáculos nos parques leva a uma menor incidência de patologias como a doença da linha branca, e assegura uma movimentação mais segura dos animais no parque. É ainda relevante salientar que a própria rotina de funcionamento do robô pode ser programada de acordo com a rotina de cada exploração, garantindo-se assim uma solução diferenciada.

GRUPO CCPA VISITA DIN EM PORTUGAL

CLAAS TEM TUTORIAL DE TRATORES EM APP A marca germânica lançou no SIMA 2017 uma app gratuita que explica ao utilizador as várias funções disponíveis na cabine de um trator Claas. A marca alerta que este guia virtual não substitui o manual de utilizador mas fornece respostas sobre o funcionamento da máquina de uma forma prática. A app faz uso da tecnologia de realidade aumentada, para localizar cada comando e apresentar um tutorial, de modo a que os operadores possam retirar o máximo proveito da utilização dos tratores Claas. Por enquanto, está disponível para os modelos Arion e Axion com transmissão CMatic, mas com mais modelos a serem incluídos futuramente. As línguas disponíveis são o alemão, o inglês e o francês.

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Um ano passado após ter sido integrada no Grupo francês especializado em saúde e nutrição animal CCPA, a empresa DIN recebeu visita da estrutura acionista. Em junho passado, o Vice Presidente do Conselho de Administração, o Diretor Geral e a equipa técnica do Grupo CCPA deslocaram-se a Portugal naquela que foi a primeira visita à DIN, após a aquisição em julho do ano passado. Neste encontro foram debatidos e consolidados os objetivos estratégicos do Grupo, nomeadamente no reforço de competências atribuídas à DIN, na consolidação do mercado português e na sua internacionalização. A entrada no Grupo CCPA, referência

no desenvolvimento, investigação e inovação na área da nutrição e saúde animal, presente nos vários continentes, permite solidificar a sua presença no mercado português e crescer no mercado externo, principalmente, em Espanha e nos países de expressão portuguesa como o Brasil. Foram ainda debatidos temas relevantes da nutrição animal como as alternativas ao uso de antibióticos, a eficiência alimentar em prol da competitividade, a segurança alimentar e o bem-estar animal. Esta visita constituiu também uma grande oportunidade para conhecer Portugal, o mercado e a realidade da produção animal no nosso país.


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FORMAÇÃO XX JORNADAS INTERNACIONAIS DE MEDICINA VETERINÁRIA UTAD 14 E 15 DE OUTUBRO 2017 As XX Jornadas Internacionais de Medicina Veterinária da Universidade de Trás-os-Montese-Alto Douro (UTAD) terão lugar nos próximos dias 14 e 15 de outubro. E para marcar a 20ª edição, a AEMV-UTAD decidiu uma vez mais apostar em oradores de qualidade e nos temas que cada vez mais marcam a atualidade médico veterinária. Este ano as Jornadas contarão com duas salas completamente distintas: a sala de ruminantes, cujo tema é Reprodução e Gestão Estratégica, e a sala de novos animais de companhia e selvagens, cujo tema é Doenças Emergentes. O programa das Jornadas já está disponível e as inscrições para o evento já estão abertas. Inscrições: https://aemvutad.wixsite.com/xxjimv.

SOMMET DE L’ÉLEVAGE 4 a 6 outubro 2017 Clermont-Ferrand – França

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Ruminantes 26  

Edição nº26/2017 A revista da Agropecuária

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