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Ano 7 - Nº 25 - 5,00€ abril | maio | junho 2017 (trimestral) Diretor: Nuno Marques

A REVISTA DA AGROPECUÁRIA

www.revista-ruminantes.com

RAÇA SALERS EDIÇÃO DA FOTOGRAFIA ALEXANDRA FREITAS

No coração alentejano

EQUIPAR UMA VACARIA COM 1600 ANIMAIS

MONTBÉLIARDE A ROBUSTEZ DAS RAÇAS LEITEIRAS


EDITORIAL

EDIÇÃO Nº25 ABRIL | MAIO | JUNHO 2017

MELHORAR AS RAÇAS

DIRETOR

Nuno Marques | nm@revista-ruminantes.com

Nesta edição falamos de duas raças de bovinos, a Montbeliarde, de aptidão leiteira, e a Salers, de aptidão cárnica. Da primeira, a propósito de uma viagem que fizemos a França para assistir à apresentação anual da raça, aproveitando para visitar explorações leiteiras e um dos centros de melhoramento genético da Montbeliarde. A esta apresentação, onde tem lugar a eleição do melhor úbere e da melhor vaca, deslocam-se animais selecionados de todas as regiões de França, bem como potenciais compradores de várias regiões do mundo. É um ponto de encontro importante, onde se respira negócio e um grande orgulho na raça que permite divulgar e aumentar significativamente o potencial de venda destes animais. O conhecimento da história e desenvolvimento da raça Montbeliarde mostra-nos que as suas aptidões atuais resultam de um trabalho pensado e bem implementado por todos os intervenientes — produtores, técnicos e “gestores da raça”—, que permite aos produtores poderem contar com bons animais nas suas explorações e vendê-los a bom preço, se for essa a ideia. Para a cooperativa que gere cerca de 90% dos animais desta raça, a Umotest, a exportação é um fator de importância, para o que conta com o apoio de outra entidade, a Coopex que promove a raça contribuindo positivamente para os resultados financeiros da empresa. Sem dúvida, um negócio bem estruturado. A outra raça de que aqui falamos é a Salers, no âmbito de uma reportagem realizada em Portugal com um produtor. É curioso perceber que a Salers tem origem na Península Ibérica e que o seu ponto de partida poderá ter sido o mesmo do da “nossa” Alentejana. A raça está bem adaptada ao extensivo do Alentejo, e está presente nos 5 continentes, em mais de trinta países, mostrando as suas grandes qualidades de adaptação que lhe permitem viver em condições climáticas e geográficas difíceis e variadas, como são os climas frios ou secos... mas sempre com bons resultados produtivos. Uma análise comparativa entre a Salers e a Alentejana, do ponto de vista produtivo e de negócio, levaria certamente a conclusões interessantes. Estes são dois exemplos de raças que têm tido um investimento consistente e pensado para o aumento da rentabilidade económica, não apenas no que concerne à melhoria dos seus índices zootécnicos mas também à divulgação das suas aptidões tendo em vista a expansão para outros mercados.

Nuno Marques

Colaboraram nesta edição Ângela Rabico; António Cannas; António Carvalho; António Moitinho; Carlos Martinho; Carlos Vouzela; Carly Vulders; Carmen Granja; Dargent Figueiredo; Francisco Marques; G. Lammers; George Stilwell; Gert Roothans; Gonçalo Martins; Ivo Carregosa; Joana Diniz; João Santos; Joaquim Cachopas; Joaquim Capoulas; José Alves; José Caiado; Luciano Aguiar; Luís Raposo; Pedro Castelo; Raquel Tomé; Simon J. Timmermans; Teresa Moreira; Teresa Santos; Tiago Ramos; Tristan Gaiffe; Vânia Vazo.

PUBLICIDADE E ASSINATURAS Nuno Marques | comercial@revista-ruminantes.com

REDAÇÃO

Francisca Gusmão, Inês Ajuda e Joana Silva

DESIGN E PRÉ-IMPRESSÃO Sílvia Patrão | prepress@revista-ruminantes.com

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PROPRIEDADE / EDITOR Aghorizons, Lda / Nuno Marques Contribuinte nº 510 759 955 Sede: Rua Alexandre Herculano, nº 21, 5º Dto 2780-051 Oeiras Tiragem: 5.000 exemplares Periodicidade: Trimestral Registo nº: 126038 Depósito legal nº: 325298/11 O editor não assume a responsabilidade por conceitos emitidos em artigos assinados, anúncios e imagens, sendo os mesmos da total responsabilidade dos seus autores e das empresas que autorizam a sua publicação. Reprodução proibida sem autorização da Aghorizons, Lda. Alguns autores nesta edição ainda não adotaram o novo acordo ortográfico. O “Estatuto Editorial” pode ser consultado no nosso site em: www.revista-ruminantes.com/quem-somos Envie-nos as suas crítícas e sugestões para: nm@revista-ruminantes.com WWW.REVISTA-RUMINANTES.COM WWW.FACEBOOK.COM/REVISTARUMINANTES

RUMINANTES ABRIL . MAIO . JUNHO 2017 3


ÍNDICE ALIMENTAÇÃO 18 A importância do primeiro alimento sólido em vitelos 28 Combo Melofeed / Alkosel 32 Micotoxinas, mais vale prevenir do que remediar 34 Acidose ruminal, um distúrbio silencioso 44 Rumen Health System, compreenda a saúde ruminal das suas vacas 50 Produção de leite de cabra, interesse nutricional e económico

ATUALIDADES 09 Como se valoriza e defende a produção

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ECONOMIA

RAÇA SALERS NO CORAÇÃO ALENTEJANO A vaca Salers reúne as condições que uma boa vaca deve ter, quer em linha pura quer em cruzamentos. Joaquim Capoulas, agricultor em Montemor-o-Novo assume-se um aficionado desta raça, “mas essa paixão é tudo menos infundada”, como explicou à Ruminantes.

38 Observatório de matérias primas 40 Observatório do leite 42 Índice VL e Índice VL erva

FORRAGENS 10 Regulamento do concurso nacional de forragens - 2017 26 “FEED BEET”: a beterraba para o pastoreio direto

PRODUÇÃO

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MONTBÉLIARDE, A ROBUSTEZ DAS RAÇAS LEITEIRAS

EQUIPAR UMA VACARIA COM 1600 ANIMAIS

No início deste ano estivemos em Bourgen-Bresse, na zona Este de França, para assistir a uma apresentação nacional da raça Montbéliarde. Aproveitámos a oportunidade para entrevistar Tristan Gaiffe, diretor geral da Umotest Coopex, a união de cooperativas que representa 85% da raça Montbeliarde.

Gert e Marvi Roothans decidiram montar, há 18 anos, o seu negócio de produção de bovinos de leite. Começaram com 200 vacas em ordenha e sem parque de máquinas. Conheça o atual parque de máquinas e a mais recente aquisição – o sistema Schredlage.

16 Alimentação de vacas secas: uma alternativa em bloco 22 Produção de carne “natural” 74 O maneio de bovinos em instalações pecuárias

PRODUTO 66 Investir em conforto e resultados 70 Automatização e saúde do úbere

SAÚDE E BEM-ESTAR ANIMAL 54 Aparagem funcional das unhas de vacas leiteiras 58 Uma vacina inovadora na profilaxia do BVD 60 Tratamento da unha

BOLETIM DE ASSINATURA 1 ANO, 4 EXEMPLARES

DADOS PESSOAIS

Portugal: 20,00 €

Nome.............................................................................................................................................................................................

Europa: 60,00 €

Morada..........................................................................................................................................................................................

Pagamento • Por transferência bancária IBAN: PT50 0269 0111 00200552399 92 Enviar comprovativo para o email geral@revista-ruminantes.com • Por cheque: À ordem de Aghorizons, Lda.

............................................................................................................................................................................................................. CP............................................................................Localidade.............................................................................................. Email.............................................................................................................................................................................................. Tel............................................................................NIF................................................................................................................. Morada para envio: Revista Ruminantes - Rua Alexandre Herculano, nº 21, 5º Dto, 2780-051 Oeiras. RUMINANTES ABRIL . MAIO . JUNHO 2017 5


Monobox GEA Um só movimento para uma ordenha perfeita O Monobox apenas necessita de uma colocação para poder realizar toda a sequência de passos de uma boa rotina de ordenha. Num único movimento coloca, estimula, limpa, tira os primeiros jactos de leite, ordenha e aplica o post-dip directamente nos tectos

Os 6 passos da rotina de ordenha automática Monobox 1. Colocação e estimulação Logos após à colocação da tetina começa o processo de estimulação mecânico que prepara o ubre para uma ordenha rápida e com elevados fluxos de leite A estimulação mecânica da GEA reduz as curvas bimodais, desta forma é encurtado o tempo de ordenha e aumenta a produção de leite por animal. 2. Ordenha limpa É feita a limpeza dos tetos seguida de uma secagem, posteriormente são retirados os primeiros jactos de leite O que diferencia o sistema Monobox da GEA de outras máquinas é que desta forma não são necessárias escovas ou qualquer outro equipamento mecânico que possa provocar uma qualquer contaminação dos tetos. Ao realizarmos uma limpeza regular e constante evitamos ordenhar tetos sujos ou molhados.

3. Medição e análise do leite Um conjunto de sensores analisa por teto a temperatura, a cor e a condutividade eléctrica do leite dos primeiros jactos para detectar anomalias ou mamites. De seguida são monitorizados os fluxos de leite e tempos de ordenha de cada teto enquanto se mede o volume de leite produzido. A informação detalha é disponibilizada ao produtor de forma a permitir realizar os ajustes necessários. 4. Ordenha completa, rápida e confortável A ordenha em linha baixa permite trabalhar com baixos níveis de vácuo o que nos dá a garantia de uma ordenha rápida e suave dos tetos. A linha baixa proporciona estabilidade de vácuo e melhores condições para os tetos, coisa que as linhas altas não permitem. Este facto influência de forma positiva a qualidade final do leite ordenhado.

5. Posicionamiento Um braço de ordenha leve e suspenso adapta-se de maneira natural aos movimentos da vaca. Isto evita maus posicionamentos do jogo de ordenha, quedas dos casquilhos, forças negativas e respiros nas tetinas. Caso uma tetina caia, jamais esta poderá tocar o chão até que volte a ser colocada, nem o jogo de ordenha perde o bom posicionamento O curto comprimento das mangueiras de leite proporciona estabilidade e evita flutuações de vácuo.

6. Post Dip e retirada automática Uma vez terminada a ordenha e antes de retirar a tetina, é aplicado directamente em cada teto o produto desinfectante e cosmético. Esta forma de aplicação tão directa permite uma cobertura perfeita e de forma homogénea em todo o teto e uma hidratação mais eficaz..


Qualidade, Produtividade e Flexibilidade. Tudo em um! Módulo profissional de ordenha automática proporciona o máximo rendimento e excelente saúde do rebanho. O novo módulo GEA Monobox herda as vantagens do célebre módulo de ordenha DairyProQ para uma produção de leite de qualidade superior. Toda a rotina de ordenha é realizada dentro de uma só tetina, o que assegura uma ordenha com uma higiene impecável, uma melhor saúde do rebanho e um leite de qualidade premium. GEA Monobox ordenha as suas vacas no momento oportuno e com uma eficiência única.


ATUALIDADES

EM FRANÇA, CHEGOU ÀS PRATELEIRAS O LEITE DE PREÇO JUSTO O Carrefour, cadeia de hipermercados francesa, apresentou no último trimestre de 2016 um novo produto, presente nos seus 5200 pontos de venda: leite UHT cujo preço fixo foi completamente estabelecido pelos consumidores. Cada litro, vendido a 99 cêntimos, acarreta uma remuneração para o produtor de 39 cêntimos por litro, um aumento de cerca de 25% comparativamente ao valor que normalmente recebem. Este é o primeiro produto da marca “C’est qui le patron?!” (Quem é o chefe?!), que se apresenta como sendo a ‘marca dos consumidores’, os quais têm a palavra final não só no estabelecimento do preço dos produtos mas também nas suas características de produção. Segundo Nicolas Sabanne, um dos fundadores da marca, os consumidores franceses estão dispostos a pagar alguns cêntimos a mais por produtos como o leite, não só para auxiliar os produtores nacionais, mas também para saberem exatamente como são fabricados os produtos que consomem. O princípio

é simples: através de questionários online, os consumidores submetem as características de qualidade que procuram num dado produto e quanto estão dispostos a pagar por elas. No que toca ao leite, mais de 6800 participantes elegeram os critérios que mais pesavam na sua decisão de compra, encontrandose entre eles a sua origem, pagamento ao produtor, alimentação dos animais e tipo de embalagem. Atualmente contribuem para a iniciativa 50 pequenos produtores da região de Ain, cujos efetivos desfrutam de pastagens naturais durante 3 a 6 meses do ano e de forragens produzidas localmente e livres de OGMs. Este não é o único produto concebido pela marca francesa, estando atualmente em desenvolvimento toda uma gama de artigos como sumo de maçã, pizza, iogurtes, manteiga, ovos ou sardinhas enlatadas. MAIS INFORMAÇÃO Consultar o website da marca, disponível em https://lamarqueduconsommateur.com

NOVO INCENTIVO À MELHORIA DA PERFORMANCE DO SETOR OVINO Os produtores de pequenos ruminantes do Reino Unido estão a ser incentivados a participar numa iniciativa do organismo AHDB Beef & Lamb. O projeto Challenge Sheep, ainda numa fase inicial, visa a melhoria da performance das fêmeas ovinas de reposição, focando-se no estudo das consequências da fase de recria na vida produtiva destes animais. A amostra utilizada no estudo compreenderá cerca de 5000 cabeças, cujas explorações de origem serão selecionadas tendo em conta os diferentes sistemas de produção existentes na região. Os produtores participantes, que passarão por um processo de seleção, serão a chave para o sucesso do projeto, o qual exigirá uma vasta recolha de dados ao nível da produção primária, como pesos vivos, condições corporais, prolificidade e performance dos borregos. Esta iniciativa em particular parece ser uma necessidade do setor, como frisa

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Liz Genever, investigadora do AHDB, já que até 20% das fêmeas reprodutoras que entram no efetivo nacional não chegam ao segundo parto, devido a fenómenos de refugo precoce e mortalidade. Fêmeas muito jovens também podem ter impacto negativo na performance do efetivo, já que os seus borregos correm o risco de ficar aquém do expectável em termos de taxas de crescimento. Com uma duração de sete anos, o projeto pretenderá reunir informação considerável no que toca à otimização do maneio das fêmeas reprodutoras, tendo em conta o impacto destes animais na produtividade dos efetivos e rentabilidade das explorações. A informação gerada materializarse-á sob a forma de um conjunto de diretrizes, as quais poderão ser posteriormente utilizadas não só pelos produtores individuais mas também pela indústria.

O PRÓXIMO PASSO NA AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DA CARNE O estudo dos atributos de qualidade da carne, bem como da sua perceção pelos consumidores, é uma das áreas de maior relevo e complexidade do setor. De facto, nas últimas décadas têm sido atingidos resultados surpreendentes em termos de melhoria da tenrura da carne os quais, segundo a investigadora americana Bridget Wasser, permitem agora que o foco desça sobre outras características. O próximo passo, assegura, passará pelo estudo do flavour – a combinação entre sabor e aroma -, fortemente influenciado pelo teor de gorduras, proteínas e hidratos de carbono da carne. As gorduras são específicas de cada espécie, variando entre quantidade e composição de ácidos gordos e, segundo o investigador Phil Bass, é nelas que estão contidos os principais componentes do flavour. O investigador salienta a importância da gordura intramuscular, conhecida como marmoreado, na palatabilidade da carne, sendo um atributo ao qual os consumidores respondem positivamente, daí a sua inclusão e importância no sistema de classificação de carcaças americano. No entanto, a avaliação de características sensoriais como o flavour é complicada pela adição do fator ‘subjetividade’: cada consumidor é um caso. A solução passará então pelo uso de painéis de provadores treinados para detetar, descriminar e descrever atributos sensoriais da carne bovina. Contudo, embora provadores treinados consigam detetar mais facilmente as diferentes subtilezas do flavour, serão os consumidores a ter a palavra final na aceitabilidade da carne e seu sucesso no mercado, através da procura e compra dos produtos desenvolvidos. A melhoria da qualidade da carne em termos de características para além da tenrura, como o flavour, promete então ser o próximo passo no setor, o qual requererá uma parceria entre produtores e investigadores, salienta Bridget Wasser.


OPINIÃO

COMO SE VALORIZA E DEFENDE A PRODUÇÃO POR MANUEL DARGENT FIGUEIREDO, MÉDICO VETERINÁRIO m.dargent.figueiredo@gmail.com

No número anterior da revista Ruminantes procurámos chamar a atenção para a disparidade entre importações e exportações do leite português e seus derivados. A pressão a que está sujeita a produção nacional deve ser encarada seriamente pelos profissionais envolvidos neste setor, e tem de ser contrariada com o recurso a uma adaptação às regras de mercado que muito têm alterado nos últimos anos. Acredito que a valorização da produção nacional depende fundamentalmente do aumento do valor de uma matéria prima que, como demonstrado, não é aproveitada pela indústria nacional. A meu ver, a indústria pouco tem inovado e pouco tem aproveitado a qualidade e esforços introduzidos há mais de meio século na produção de qualidade. O exemplo da marca Vigor (1947!) é um bom exemplo do legado que foi deixado por vários Médicos Veterinários – Inácio dos Santos, Eugénio Tropa, Vieira de Sá, Renano Henriques, entre outros, que nessa altura, completam-se

agora 70 anos, promoveram a qualidade higio-sanitária do leite, a alimentação animal, a ordenha mecânica etc. e deram passos importantes na divulgação e promoção do consumo de leite à população portuguesa. Seria interessante revisitar esta história. Infelizmente quase nada se encontra nos atuais meios de pesquisa. Sinónimo de abandono da marca? Desinteresse dos marketeers da nossa indústria? Não é uma história de sucesso que possa ser continuada, aproveitada para expansão da marca não só em produtos de maior valor mas também na área onde está implantada?

Ainda muitos se lembrarão da imagem e aceitação do ¼ Vigor e dos iogurtes em vidro em toda a zona de Lisboa. O poder de uma marca é o resultado da inovação. Essa inovação e diversificação, tem de ser acarinhada, difundida, adaptada às novas realidades e exigências do consumidor. Deve ser acarinhada por todos os interventores na cadeia de valor. Poderá servir de âncora a outros produtos e serviços, reforçando ainda outras indústrias e distribuição portuguesas e assim servirá também a produção nacional.

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CONCURSO

REGULAMENTO DO CONCURSO NACIONAL DE FORRAGENS DA REVISTA RUMINANTES - 2017 ESTE CONCURSO IDEALIZADO E PROMOVIDO PELA REVISTA RUMINANTES TEM COMO OBJETIVO ENCORAJAR OS AGRICULTORES NACIONAIS A MELHORAR A QUALIDADE DAS FORRAGENS PRODUZIDAS, PROCURANDO DESTA FORMA CONTRIBUIR PARA O REFORÇO DA SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL E ECONÓMICA DA PRODUÇÃO PECUÁRIA EM PORTUGAL.

1 - Podem concorrer ao Concurso Nacional de Forragens 2017 (doravante “Concurso”) todos os agricultores nacionais, do Continente e Ilhas. A participação está limitada ao envio de apenas uma amostra de forragem produzida pelo agricultor na sua própria exploração agrícola ou agropecuária. 2 - A participação no Concurso obriga a efetuar uma pré-inscrição através de formulário on-line no site da Revista Ruminantes (www.revistaruminantes.com). A confirmação da participação está limitada às primeiras 120 inscrições recebidas. Todos os participantes serão devidamente notificados por email da sua inscrição, conferida pela atribuição de um código de participante para sua identificação. 3 - O Júri do CNF reserva-se o direito incontestável de anular durante o processo do concurso qualquer inscrição que lhe suscite dúvidas quanto à desvirtuação do disposto na cláusula primeira deste regulamento. 4 - As amostras de silagem a colher referir-se-ão ao silo resultante de um corte de erva do presente ano, designando a forragem a concurso como SILAGEM DE ERVA. 5 - É permitido o uso de conservantes no processo de ensilagem. As amostras de silagem de erva devem ter um teor de matéria seca entre 25 e 50%. A silagem de erva deve mostrar sinais de normal fermentação. As amostras com teores de matéria seca fora deste intervalo ou com sinais de adulteração serão automaticamente excluídas do concurso. 6 - A amostra deverá preparar-se através da recolha de 1,5-1,8 kg de forragem em saco de plástico limpo,

transparente e selado sem ar. A identificação da mesma faz-se por afixação ao plástico de autocolante branco onde deverá obrigatoriamente estar escrito o Código de Inscrição atribuído ao concorrente. A amostra deverá ser imediatamente congelada ou mantida num local frio até à sua imediata expedição pelos CTT (embalagem Mod. L) em correio azul ou verde ou por entrega direta no ALIP (Associação Interprofissional do Leite e Lacticínios, Concurso Nacional de Forragens- Nº (código atribuído) R. do Agreu Nº302, Ordem 4620-471 Lousada). O remetente deve indicar claramente a sua proveniência. As amostras devem ser enviadas ou entregues nas duas primeiras semanas de julho. Recomenda-se, no caso de envio por CTT, que as amostras sejam enviadas a uma 2ª ou 3ª feira de forma a melhor garantir que as mesmas cheguem nas melhores condições de conservação ao laboratório para posterior análise. A data de envio será controlada por carimbo de correio.

o pH e os teores em Cinzas Totais (CT), Proteína Bruta (PB), Proteína Solúvel (PS), Azoto Amoniacal (AA), Fibra Detergente Neutro (NDF), Fibra Detergente Ácido (ADF) e a digestibilidade da matéria orgânica (DMO). Nas cinco amostras melhor classificadas será, ainda, determinada a digestibilidade verdadeira in vitro da matéria seca (IVTD). A classificação final destas amostras será obtida atribuindo um peso de 70% à classificação obtida anteriormente e 30% à IVTD.

7 - As análises a realizar sobre a amostra visam avaliar a qualidade de conservação e o valor nutritivo da silagem.

11 - A todos os participantes no concurso será entregue um certificado de participação bem como o resultado da análise laboratorial.

8 - A classificação final é obtida através de uma análise sensorial e de uma análise bromatológica, com um peso, respetivamente, de 30 e 70%. A análise sensorial será efetuada aquando da chegada da amostra ao ALIP e consistirá na avaliação da cor, cheiro, tamanho de partícula e presença de bolores ou outros materiais estranhos ou contaminantes. As amostras serão secas em estufa para determinação da matéria-seca (MS), sendo, posteriormente, determinados, por NIR,

12 - O júri referente ao CNF 2017 será constituído por: José Caiado – Revista Ruminantes Ana Lage – ALIP Rita Cabrita – Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar, Universidade do Porto António Moitinho Rodrigues – Escola Superior Agrária – Instituto Politécnico de Castelo Branco

9 - Haverá atribuição de prémios monetários aos primeiro, segundo e terceiro classificados, no montante de 1000€, 700€ e 500€, respetivamente. 10 - Os prémios serão entregues em cerimónia a realizar durante um EVENTO e em DATA a definir, comunicado através da Revista Ruminantes. Para receber o prémio os vencedores do Concurso terão que estar presentes ou informar previamente a Revista Ruminantes da nomeação de um seu representante para esse efeito.

As decisões tomadas pelo Júri do Concurso são definitivas e em nenhum caso serão passíveis de recurso.

FICHA DE PRÉ-INSCRIÇÃO (MODELO)

M E M E S O C . A S V E E T R N C A N I INS M U R A T S I V E W.R

CONCURSO NACIONAL DE FORRAGENS 2017 IDENTIFICAÇÃO

Nome da Exploração ...................................................................................................................................................................................................................................................... Morada ........................................................................................................................................................................................................................................................................................

Localidade....................................................................... Código Postal........................................................................Área de silagem erva (ha)............................

Pessoa para Contacto.......................................................................................................................................................................................................................................................

WW

NIF.................................................................................. TLM......................................................................Email...................................................................................................................

Atesto por minha honra que a informação fornecida é a correta , que a amostra foi recolhida de acordo com as condições estabelecidas pelo regulamento e que a amostra pertence ao lote descrito e inscrito.

Assinatura...............................................................................................................................Data............/............/2017

10 ABRIL . MAIO . JUNHO 2017 RUMINANTES


GENÉTICA

RAÇA SALERS NO CORAÇÃO ALENTEJANO

IMAGEM 1 Vacas Salers (núcleo importado de França).

Entrevista a Joaquim Capoulas POR RUMINANTES

A Monfurado Sociedade Agro-Pecuária Lda., localizada em Santiago do Escoural, Montemor-o-Novo, foi fundada em 1988 pela família Capoulas, e distribuise atualmente entre duas herdades, a Herdade da Filhardeira e a Herdade da Defesa. A família, originária de Manteigas, Serra da Estrela, estabeleceu-se em terras alentejanas há mais de 150 anos, sendo o gosto pela agricultura transmitido até à geração atual, onde encontramos os dois sócios, os irmãos Joaquim e Luís. O apreço pela raça Salers em particular foi também herança familiar, já que o seu pai foi um grande impulsionador da criação da mesma na região. Com a mecanização agrícola nos anos 50 a vaca Alentejana, até aí existente predominantemente para produzir animais de tração, começou a ser cruzada com touros Salers importados de França, começando assim uma nova era de produção de carne. O efetivo, fundado

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com 23 novilhas puras oferecidas pelo pai, é agora constituído por 140 vacas, fruto de uma década de melhoramento genético. Joaquim Capoulas assume-se um aficionado da raça Salers. Essa paixão, no entanto, é tudo menos infundada, como explicou (entusiasticamente) à Ruminantes. Qual é o objetivo da utilização da raça Salers na exploração? A existência de Salers na região remonta há mais de 40 anos. O meu pai sempre me transmitiu esta paixão pela raça, bem como a ideia que as suas características eram de facto as melhores para a nossa zona geográfica. Em 2006 comecei a alterar o efetivo, sendo que na altura também tinha vacas Mertolengas. Importei animais de França com o objetivo de melhorar a vacada, e estou atualmente a aproveitar as condições favoráveis de mercado para vender reprodutores.

Quais são as características da raça Salers que o levam a ser um fã incondicional? A vaca Salers reúne as condições que uma boa vaca deve ter, quer em linha pura quer em cruzamentos: um grande instinto maternal, excelente capacidade leiteira, docilidade e facilidade de parto. Não tenho memória de recorrer a partos assistidos, quer nas vacas exploradas em linha pura, quer nas vacas puras em cruzamento com o charolês, que é o único cruzamento que faço. As vantagens descritas não são apenas fruto da minha apreciação pela raça, mas são demonstráveis pelos registos de que dispomos ao longo de muitos anos. São vacas que se adaptam perfeitamente à nossa região e ao seu clima, que menos problemas me dão e cujos resultados comerciais me satisfazem em pleno.


GENÉTICA

Que animais vende? E para onde? Para além da venda de reprodutores, para os quais a procura aqui na região tem vindo a crescer, vendo animais cruzados F1 de Salers com Charolês para produção de carne. Vendo também para carne, todos os animais puros cujo desempenho no controlo de performance não é satisfatório, face ao apertado critério de seleção. O mercado de reprodutores tem estado mais concentrado no Alentejo, enquanto nos produtos para engorda é mais diversificado. Quais são as características de qualidade da carne destes animais? A carne Salers é muito valorizada em França devido às suas boas características. O marmoreado, decorrente da presença de gordura intramuscular, dá um sabor muito agradável, e é também uma carne muito tenra. Que benefícios acha que esta raça pode trazer quando cruzada com raças autóctones como a raça Alentejana ou Mertolenga? A Salers era, e ainda é, tida como uma boa raça para linha mãe. No entanto, devido à evolução que a raça teve em França, a utilização dos machos como reprodutores já não é só vista em linha pura, mas também em cruzamentos com vacas em que a facilidade de parto não é uma característica evidente. Devido à qualidade da carne e à facilidade de parto que induz, o macho Salers já é utilizado não só para as primeiras barrigas, mas também para as 2ªs, 3ªs, 4ªs... Quanto ao cruzamento com a vaca Alentejana, também uma excelente mãe, é um problema melindroso, dadas as afinidades genéticas entre as raças. E aqui, quero manifestar todo o meu apoio a medidas que incentivem à conservação desse património magnífico que é o bovino da Raça Alentejana.

agrícola, aí sim foi considerada a raça Salers como melhoradora, porque se pretendeu fazer evoluir um animal de trabalho para produção de carne. Aliás, basta olhar para o livro genealógico da raça, onde consta que a origem da Salers não foi em França mas sim na Península Ibérica. Os estudiosos da raça referem que o cruzamento por absorção se praticou muito até ao 25 de abril. Ao fim de três gerações as características da raça ficaram perfeitamente definidas, não saltando à vista nenhumas características de animal híbrido. Portanto, em três gerações, obtemos autênticas vacas Salers. Na sua opinião, porque é que não há mais Salers em Portugal? A maioria dos agricultores mais jovens desconhece a história e implantação desta raça na nossa região, onde era dominante na altura do 25 de abril de 1974, quando se deu a chamada reforma agrária, que alterou completamente o que se vinha fazendo no melhoramento genético do nosso efetivo bovino. Além disso, vigorou durante muitos anos a ideia que ter animais que quanto menos despesa criassem e menos comessem era sinónimo de sucesso. Esta perspetiva devia-se a que, à luz das antigas políticas agrícolas, ter uma vaca produtiva e uma vaca improdutiva ou de baixo rendimento era idêntico em termos de subsídios. Por essas razões, a raça manteve-se restringida a determinados criadores, que com ela já estavam familiarizados. Como faz o maneio geral do efetivo? Tenho os animais separados por

DADOS PRODUTIVOS E REPRODUTIVOS Dados Produtivos • • • •

Peso ao nascimento: 37 kg nos machos e 32 kg nas fêmeas Idade de desmame: 4,5 / 5 meses Peso ao desmame: 220/230 kg nos machos e 210 kg nas fêmeas Peso aos 7 meses (idade controlo): 300 kg nos machos e 270/280 kg nas fêmeas Idade e peso ao abate: 14 meses e 580/600 kg nos Salers puros e 12 meses para os cruzados de Charolês

Dados Reprodutivos • • • •

Taxa de Fertilidade: ≥ 98% IEP médio: < 1 ano (em muitos animais rondará os 11 meses) Idade 1º parto: 29/30 meses Idade 1ª cobrição: 20 meses (pensa reduzir para 18 meses)

IMAGEM 2 Joaquim Capoulas com um touro Salers.

Para si, então, a Salers seria a solução ideal para melhorar a raça Alentejana? Não quero encarar o Salers como melhorador da raça Alentejana, pelo respeito que a raça e os seus criadores me merecem. Também temos de definir o que em genética significa melhorar. Se melhorar significa fixar características raciais então o Salers não é certamente uma raça melhoradora do Alentejano. Nos anos 50-60 do século passado, quando do início da mecanização

RUMINANTES ABRIL . MAIO . JUNHO 2017 13


GENÉTICA

DADOS DA EXPLORAÇÃO Área Total: 750 ha (distribuídos por duas herdades, com 500 e 250 ha) • 40 ha de culturas de regadio, com barragem de 400 000 m3 • 710 ha de floresta com montado, azinho e sobro para pastoreio extensivo Efetivo Bovino: • 170 vacas Salers puras, sendo 90 exploradas em linha pura e 80 em cruzamento com Charolês • 4 touros Salers (2 importados) e 3 Charoleses • 3 vacas cruzadas F1 de Salers com Charolês Forragens: (todas produzidas na exploração, nos 40 ha de regadio) • Silagem de milho • Silagem de azevém • Triticale • Fenos (especialmente em anos com boas primaveras)

núcleos. Possuo um núcleo de animais franceses importados e outro com animais decorrentes de melhoramento feito por mim. Tenho ainda vacas puras que cruzo com o Charolês. Quanto aos futuros reprodutores, aos 10 meses são transferidos para um parque próprio, com outro tipo de alimento, onde são preparados para o extensivo. Qual é o encabeçamento atual? O encabeçamento é baixo, preservo muito o montado. A vaca em geral é um predador do montado jovem e sendo a cortiça o rendimento principal da exploração o encabeçamento nunca é superior a uma vaca para cada quatro hectares. Fornece concentrados? Só nos viteleiros e nos primeiros 3 meses após o desmame, durante o controlo de performance. Como é feito o controlo de performance? Fazemo-lo em todos os animais explorados em linha pura nos 3 meses após o desmame, só sendo selecionados para reprodutores os machos que atinjam ou superem os 1,9 Kg de GMD. Os restantes são vendidos para engordadores ou são engordados na própria exploração para produção de carne. IMAGEM 3 Vaca Salers.

14 ABRIL . MAIO . JUNHO 2017 RUMINANTES

Que custos têm em termos de saúde animal? Para além do saneamento anual, possuímos um programa denominado BovicareTM, no qual controlamos o IBR e o BVD através de vacinação semestral. Obviamente que isto acarreta maiores custos preventivos, mas traz também os seus benefícios. A utilização de antimicrobianos ao longo do ano é muito esporádica, já que também vacinamos contra pasteurelose e enterotoxémias. Não entra nenhum animal novo na exploração que não seja sujeito a quarentena e análise, deposito grande importância nas medidas de biossegurança. Portanto, os principais

custos que temos são profiláticos, não curativos. O que faz diariamente para garantir que o negócio vai bem? Chego todos os dias à exploração às 7h30m, passo uma vista aos núcleos de animais para detetar alguma anormalidade decorrida durante a noite e às 8h pergunto ao vaqueiro como decorreu a tarde do dia anterior. Depois faço o controlo da produção e, em paralelo, vou avaliando os mercados, porque não vale a pena produzir bem e depois vender mal.. Possuo um programa informático no qual são inseridos todos os eventos que ocorrem diariamente na exploração. Depois temos o controlo


GENÉTICA

da vacada no que toca ao comportamento dos animais, mas também em termos mais precisos no computador, se temos animais com atrasos reprodutivos, por exemplo. Estabelece objetivos anuais para a vacada? O nosso objetivo maioritário é omnipresente: a melhoria contínua. Estamos sempre a comparar com o ano anterior, à procura daquilo que pode ser melhorado em termos de maneio animal e alimentar. Qual seria o seu próximo investimento? Neste momento só vou investir em animais de topo, em melhoramento genético, idealmente quando os meus touros atuais atingirem a sua idade de refugo, ou na eventualidade de terem algum problema. Outro caso será se tiver conhecimento da existência de novos animais de top em França, poderei considerar a hipótese de importar mais alguns ou, em alternativa, sémen. Faz trabalho conjunto com técnicos de outras áreas? Estamos sempre em contacto com a associação da raça, e também tenho alguns contactos em França, estou permanentemente interessado em saber o que lá se passa, se existem animais em destaque. Também quanto a pastagens no subcoberto do montado e a forragens produzidas no regadio, tento estar ao corrente de tudo o que seja inovação, para adoptar aquilo que a experiência me aconselha. Se as suas vacas falassem, o que diriam de si? Decerto diriam que sou um bom amigo e ao mesmo tempo um comandante exigente.

Qual é a coisa que mais gosta de fazer na exploração? Todos os dias cá estou, e todos os dias analiso tudo, inclusive coisas que escapam aos funcionários. No meu tempo livre, gosto muito de olhar para os animais. O meu pai apregoava aquilo que chamava a ‘chave do sucesso’ na agricultura: num clima mediterrânico como este, com invernos rigorosos e verões quentes, ser um agricultor de sucesso depende fortemente de se gostar (ou não) daquilo que se faz. Quem gosta é bom agricultor, e o dinheiro que ganha é utilizado para reinvestir na agricultura. Quem não gosta, vai investir o dinheiro que ganhar noutras coisas que verdadeiramente gosta, não na agricultura. Qual é a coisa de que mais se orgulha no que diz respeito à exploração? Para além do efetivo pecuário, a sua complementaridade com a exploração do montado de sobro e azinho e o equilíbrio ambiental assim conseguido. Penso que estamos no caminho certo. Nos animais há uma preferência pela qualidade em detrimento da quantidade. Há criadores que manifestam interesse em ver o que fazemos e é com satisfação que ouvimos opiniões em como esta é uma exploração do futuro e com futuro. Como gostaria de ser conhecido enquanto produtor da raça Salers? Sobretudo como um bom seguidor do meu pai, acrescentando algum valor ao seu trabalho, tentando que a exploração se constitua como uma referência dentro deste sistema agro-florestal.

RUMINANTES ABRIL . MAIO . JUNHO 2017 15


PRODUÇÃO

ALIMENTAÇÃO DE VACAS SECAS: UMA ALTERNATIVA EM BLOCO Entrevista a João Luciano Silva Aguiar. POR RUMINANTES

Existem casos em que a produção leiteira é mais que uma atividade profissional, em que a paixão pela pecuária é transmitida entre gerações. A António Silva Aguiar, batizada com o nome do patriarca da família, é um desses casos. Localizada em Balazar, Póvoa de Varzim, esta é uma exploração em tudo familiar, começando pelos sócios e trabalhadores: pai, três filhos e um genro, todos com mão para o negócio. A herança vem já do avô materno, como explica João Luciano Silva Aguiar. O seu pai, revela, assume as tarefas de contabilidade, delegando nos filhos e genro a parte técnica da gestão diária da exploração. João é produtor de leite por gosto, mas também porque quer dar seguimento ao negócio.

E, apesar de fazer questão de relembrar a conjuntura, longe do ideal, que ainda se vive não se deixa demover. Pois como diz e muito bem, não se pode desanimar à primeira! Há quantos anos trabalha neste sistema? Desde 1996, sempre com genética Holstein. O efetivo tem vindo a crescer nos últimos anos? Sim. Começámos com cerca de 40 vacas e, desde 2011 até hoje, registámos um incremento de 30 animais em produção. Que evolução tem tido em termos de produção de leite? Em 1996 a produção média diária rondava os 23 litros. Hoje estaremos com cerca de 10 litros

16 ABRIL . MAIO . JUNHO 2017 RUMINANTES

a mais. Isso também é fruto do maior controlo que há hoje em dia em termos de produção. No tempo dos meus pais, por exemplo, era comum deixar a natureza seguir o seu curso, independentemente do tempo que demorasse. Qual é o rendimento da vaca mais produtiva da exploração? Rondará os 55 litros diários. Não temos animais com picos de lactação muito altos, mas o rendimento ao longo da lactação tende a manter-se relativamente estável, na casa dos 40 litros. Para onde vende o leite? Para a RacLacticinios, Lda. Investiu alguma coisa na vacaria nos últimos anos? O último investimento foi em

2010, na vacaria em si. A partir daí foram-se fazendo algumas coisas, mas nada de muito significativo. Qual é a coisa que mais gosta de fazer na exploração? Gosto de fazer tudo. Claro está que certas coisas são feitas simplesmente porque são necessárias, o gosto não tem aí papel ativo. Penso que andar no campo dará provavelmente menos dores de cabeça. Na vacaria temos sempre de andar em cima do acontecimento, caso contrário os problemas acumulam-se facilmente. Em termos de genética, tem Holstein puras. Como é que trabalha com o seu fornecedor? Tenho uma relação de profunda confiança com o meu


PRODUÇÃO

IMAGEM 1 Bloco da dieta Block Nutrition.

fornecedor de sémen, e delego totalmente nele a questão da genética do efetivo, já que ele seleciona os touros de acordo com as minhas necessidades e exigências. Almejamos sempre melhorar a produção e a qualidade do leite em termos de gordura e proteína, por exemplo. Faz emparelhamento? Temos muito cuidado na seleção dos touros, para evitar fenómenos de consanguinidade. Prestamos especial atenção à linhagem, sempre com a aposta em touros de qualidade, que nos permitam atingir os nossos objetivos em termos de qualidade de leite e maior vida produtiva. Como é que prepara as vacas para a lactação? Fazendo uma boa secagem. As vacas são transferidas para o parque das secas três a quatro dias antes de serem secas. Aí, vão sendo ordenhadas uma vez por dia e, ao final desses dias, faço a secagem com aplicação de selante. As vacas são então colocadas neste parque aos sete meses de gestação sob uma dieta que consiste numa ração de vacas secas desenvolvida pela  Block Nutrition®, a qual é fornecida durante todo o período de secagem juntamente com palha e água ad libitum. E o que contém essa dieta da Block Nutrition? É uma ração completa para vacas secas, sob a forma de um bloco rígido de 650 quilos. Os animais alimentam-se lambendo e dando pequenas dentadas, numa quantidade de três a quatro quilos por vaca/dia, juntamente com um consumo de oito a nove quilos de palha e água ad

libitum, sendo que a qualidade deste dois últimos elementos influencia a quantidade de cubo consumido. Usa estes cubos há quanto tempo? Começámos há cinco anos. Porque continua a utilizá-los? É algo que já está enraizado no nosso maneio da exploração. Na altura começámos por uma questão prática, já que devido ao nosso pequeno efetivo não compensava recorrer ao Unifeed. No entanto, mesmo com o aumento do efetivo, o sistema ainda funciona muito bem, pelo que optámos por mantê-lo. E como sabe que está a funcionar bem? Temos bons arranques de lactação e não temos grandes problemas de parto. As vacas têm pelagens brilhantes, boa conformação corporal e estão tranquilas e satisfeitas. Temos também a vantagem de poupar tempo e recursos em detrimento de fazer um Unifeed próprio para as vacas secas. Como é feito o arraçoamento do lote de produção? É um arraçoamento indiferenciado, igual para todas as vacas, no qual fornecemos trinta e cinco quilos de silagem de milho, nove quilos de ração e dois quilos de palha, todos misturados num Unifeed.  Reúne com o fornecedor de genética e com o nutricionista ao mesmo tempo? Não, mas com o nutricionista e com o Veterinário sim. Como tem sido a evolução dos seus animais em termos sanitários? Temos algumas mamites e metrites, mas

não em níveis muito preocupantes, e em 2016 tivemos apenas duas cirurgias de deslocamento de abomaso. Não temos grandes custos com tratamentos médicos. Quando surgem animais com problemas frequentes optamos pelo refugo, especialmente porque de momento temos algum excesso de animais nas instalações. Quando chega de manhã à exploração, que indicadores utiliza para saber se está tudo bem com o negócio? Presto atenção ao tanque de leite e percorro as instalações dos animais para ver se está tudo bem em termos comportamentais, para ver se temos vacas caídas e também para detetar vacas em cio. Qual é o seu maior desafio para os próximos tempos? Gostaria de automatizar um pouco mais a gestão da vacaria e controlar os animais com podómetros, algo que acredito que ainda se vai concretizar. Ter registos mais detalhados e de fácil acesso e consulta é também uma das resoluções. Bebe leite? Sim, bebo. Qual é o produto lácteo de que mais gosta? O leite das nossas vacas!

DADOS GERAIS DA EXPLORAÇÃO Área Total: 30 ha (18 dos quais pertencem à família) Efetivo total: 240 cabeças

IMAGEM 2 João Luciano Silva Aguiar na sua exploração em Baltazar, Póvoa de Varzim.

Vacas em lactação: 103 Fêmeas secas: 17 Forragens: azevém, aveia, trevo, triticale e silagem de milho produzidos na exploração. A silagem de milho que produzem não é suficiente, tendo necessidade de comprar.

DADOS PRODUTIVOS Produção leiteira média: 33 l/vaca/dia GB (%): 3,7 PB (%): 3,2 CCS: 100 000 cél./ml

DADOS REPRODUTIVOS Nº de inseminações por fêmea gestante: 2,5

RUMINANTES ABRIL . MAIO . JUNHO 2017 17


ALIMENTAÇÃO

LUÍS RAPOSO ENGENHEIRO ZOOTÉCNICO, DEPARTAMENTO RUMINANTES NA REAGRO l.raposo@reagro.pt

A IMPORTÂNCIA DO PRIMEIRO ALIMENTO SÓLIDO EM VITELOS O primeiro mês de vida de um vitelo é crucial para o correto desenvolvimento do rúmen e preparação do desmame. O vitelo nasce como um préruminante (Drackley, 2008), apresentando um aparelho digestivo semelhante ao dos monogástricos. O rúmen representa cerca de 35% do total dos compartimentos estomacais, e aumenta para cerca de 65% até ao desmame (Figura 1). No entanto, para que essas alterações ocorram, os vitelos precisam de consumir alimentos sólidos adequados. O desenvolvimento ruminal é um fator chave para garantir o sucesso no desmame dos vitelos.

FIGURA 1 Desenvolvimento Ruminal. Primeira semana

3 a 4 meses Esôfago

Goteira

Goteira Piloro

Piloro

Rúmen Omaso

Retículo

Retículo Piloro

Abomaso

DO 1º MÊS AO DESMAME

Consumo Starter

4

Omaso

Abomaso

DESMAME

3

Rúmen

Retículo Abomaso

Consumo Leite

2

Rúmen Omaso

2 kg concentrado

1

Esôfago

Goteira Esôfago

FIGURA 2 Evolução do consumo de alimento.

0

Adulto

5

6

Idade (semana)

18 ABRIL . MAIO . JUNHO 2017 RUMINANTES

7

8

9

Fonte: Techna

A inclusão de um concentrado na dieta de vitelos é importante desde o primeiro mês de idade e até ao desmame, pois irá proporcionar uma ótima transição entre a alimentação à base de leite e a alimentação sólida. De forma a estimular a sua ingestão voluntária há que disponibilizá-lo ao vitelo a partir dos primeiros dias de vida. O consumo será mais notório a partir da terceira semana e vai aumentando até aos 2kg de

alimento por animal e por dia às cerca de 8/9 semanas de vida. Ao mesmo tempo, o consumo de leite diminui lentamente e sensivelmente na mesma proporção até ao desmame (Figura 2). Nesta fase, o alimento lácteo deve ser ajustado de acordo com o peso vivo do animal, o seu estado de saúde e as condições climáticas. O desenvolvimento e a capacidade de absorção das papilas do rúmen são determinados pelas


ALIMENTAÇÃO

Assim, o desmame deve ser baseado na capacidade do vitelo ingerir apenas alimento sólido e não apenas pela sua idade! A melhor forma de combater esta situação é diminuir gradualmente o fornecimento de alimento lácteo aumentando o de alimento concentrado (Figura 4).

FIGURA 4 Evolução do consumo “leite vs concentrado” em função da idade do vitelo.

3000

Concentrado (g/dl)

fermentações dos carbohidratos da dieta, que têm como consequência um aumento nas concentrações de AVG (ácidos gordos voláteis) do rúmen. Este desenvolvimento é essencialmente afetado pela ingestão de alimentos sólidos (Figura 3). No início do segundo mês de vida, o vitelo ingere alimento lácteo e concentrado, sendo a perspetiva adaptar o animal à ingestão de apenas alimento concentrado.

2500 2000 1500 1000 500 0

FIGURA 3 Desenvolvimento das paredes do rúmen.

0

7

14

21

28

35

42

49

56

63

0

7

14

21

28

35

42

49

56

63

9 8 7

Leite (l/dl)

6 5 4 3 2 1 0

6 semanas - Leite + feno

6 semanas - Leite + concentrado

VANTAGENS DOS TRATAMENTOS TÉRMICOS EM ALIMENTOS DE PRIMEIRA IDADE

PORQUÊ MAXIMIZAR O DESEMPENHO NO CRESCIMENTO DURANTE A IDADE JOVEM? GRÁFICO 1 Eficiência alimentar em função da idade.

Os processos de tratamento térmico de algumas matérias-primas são mais uma das formas de valorizar a qualidade dos alimentos de primeira idade para vitelos. Entre estes, podemos destacar as vantagens da floculação e extrusão.

FLOCULAÇÃO

12

IC (kg alimento consumido/ kg GMD)

A maior eficiência alimentar (Índice de Conversão) nestes jovens bovinos acontece nas fases próximas do desmame (Gráfico 1). A ingestão de um concentrado (starter) na fase de desmame é importante e determina os ganhos médios diários no período pósdesmame. Por exemplo, aumentando o consumo do starter ao desmame em cerca de 0,5 kg permitirá um acréscimo de + 350 g nos GMD (Back,2014). É por isso que é muito importante evitar problemas em torno deste período.

Idade (dias)

• Melhoria da digestibilidade do amido (aumento da gelatinização do amido); • Conferir proteção a certos constituintes (proteção das proteínas); • Tornar a gordura mais disponível e preservar o perfil de ácidos gordos • Elevar a qualidade higiénico-sanitária do alimento; • Melhoria da palatabilidade do alimento; • Aumentar a ingestão deste alimento face a um alimento granulado.

10

8

6

4

2

EXTRUSÃO

0 Perto desmame

20 ABRIL . MAIO . JUNHO 2017 RUMINANTES

6 meses

12 meses Fonte: Techna

• • • •

Aumentar a solubilidade do amido no rúmen; Eliminar moléculas ou fatores anti-nutricionais; Desenvolvimento do rúmen; Aumentar a digestibilidade do alimento.


ALIMENTAÇÃO

1200

1150 1100

Saudável Alguns sintomas Sintomas severos

400

1189

1128 1081

350

-108 g Dias

O desmame é a fase de maior stress e a mais propensa à contração de doenças, podendo prejudicar o crescimento dos vitelos bem como o futuro desempenho leiteiro das vitelas. 30% dos problemas ocorrem em vitelos jovens e estes prejuízos traduzem-se em perdas anuais significativas no rendimento de qualquer exploração. Entre esses problemas, há problemas respiratórios e diarreias causados pelo parasitismo. Se nos concentrarmos nos problemas respiratórios, podemos verificar que têm um forte impacto no crescimento e produção de leite. O gráfico 2 evidencia de forma clara o impacto negativo sobre a futura produção de leite quando problemas respiratórios ocorrem ao desmame. Constitui sem dúvida uma perda económica para o produtor. Por exemplo, numa exploração de 100 vacas leiteiras com 30% de animais infetados, representa uma perda económica próxima dos 4000 € / ano. Transpondo o problema para uma exploração de vitelos em regime de engorda, os problemas respiratórios na fase do desmame influenciam da mesma forma negativa o ganho médio diário de peso e aumentam o período de dias de engorda (Gráfico 3). Pela sua importância, a escolha de um primeiro alimento sólido na dieta de vitelos de primeira idade deve ser um detalhe a considerar. A escolha de um alimento completo e de qualidade, à base de componentes devidamente balanceados que satisfaçam e otimizem o crescimento do vitelo, favorece a sua futura vida produtiva e pode fazer a diferença.

GRÁFICO 3 Impacto nas performances durante o período de engorda.

GMD g/dia

PROBLEMAS DURANTE O DESMAME

335

300

1050

250

1000

200

350

+ 59 dias 291

- 108 g GMD traduzem-se num custo de 64 €/ animal 56 % peso carcaça _ 3,5€ / kg carcaça _ 300 dias de engorda. Fonte: Vet Study - Le nouveau praticien vétérinaire, les affections des bovins, 2013 p 24-32

Departamento de Ruminantes UNIDADE INDUSTRIAL Secagem de Cereais • Fabrico de Pré-misturas • Fabrico Núcleos Especialidades Nutricionais • Análises NIR • Extrudidos • Micronizados

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GRÁFICO 2 Impacto da doença respiratória perto do desmame, na produção de leite na primeira lactação. Sem problemas respiratórios Problemas respiratórios

7100

Produção de Leite - 1ª Lactação (L)

7000 6900 6800 6700 6600 6500 -250 L

-433 L

6400 6300 6200 Antes do Desmame

Depois do Desmame

Av. Roma, 15, 2º Esq. 1049-045 Lisboa, Portugal Telm. (+351) 913 911 959 Email: inove.tec@reagro.pt www.reagro.net

RUMINANTES ABRIL . MAIO . JUNHO 2017 21


PRODUÇÃO

PRODUÇÃO DE CARNE “NATURAL” Neste artigo iremos analisar os conceitos atualmente implementados na produção de carne isenta de antibióticos e de hormonas na América do Norte. POR SIMON J. TIMMERMANS DVM, MS (VETERINARY RESEARCH & CONSULTING SERVICE, LLC. MEYER NATURAL FOODS) stimmermans@hughes.net

INDÚSTRIA DA CARNE DE BOVINO DOS EUA A indústria da carne de bovino dos EUA tem um valor de 88 mil milhões de dólares, com cerca de 90 milhões de cabeças de gado. Todos os estados têm produção de carne de bovino, sendo os mais representativos o Texas, o Nebrasca, o Kansas, a Califórnia e Oklahoma. Os estados do sudeste, tais como o Kentucky e a Flórida, contêm muitas explorações com vacas/ vitelos que oscilam entre 10 e 10.000 bovinos. A maioria dos animais são finalizados na região do Middle West, onde estão sedeadas as unidades de engorda e abate. A diversidade da origem, do tamanho e da área geográfica requer que os vitelos sejam reunidos e transportados ao longo de distâncias significativas, o que aumenta o stress a que o animal está sujeito. A Figura 1 ilustra a deslocação dos animais pelos Estados Unidos da América. Esta é uma das explicações para que mais de 90% da produção de carne de bovino seja convencional e utilize antibióticos e hormonas de crescimento. Neste artigo iremos analisar os conceitos atualmente implementados na produção de carne isenta de antibióticos e de hormonas na América do Norte.

FIGURA 1 Deslocação dos animais pelos Estados Unidos da América.

1,000 cabeças: Envios para fora da região Produção de vitelos (dados de 2001) 576 3,110

2,224 6,150

2,699 5,595

51 1,501

187 2,585

834 4,515

907 3,495

1,322 1,765 1,046 2,385

1,873 6,940

Fluxos anuais selecionados/ milhões de cabeças Mexico 0,3 - 0,9 1-2 = Fluxo intra-regional

Fonte: dados certificados Satate (2001) compilados por Economic Research Service, USDA

Os principais objetivos são fornecer uma visão geral: - da produção de bovinos nos Estados Unidos da América, e dos segmentos de mercado; - da produção de carne de bovinos, sem antibióticos e isenta de hormonas (“natural”), alimentados a erva e biológicos; - da gestão da produção de carne de bovino isenta de

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antibióticos e hormonas, da prevenção de doenças e das decisões de tratamento. Nos últimos 10 anos, a produção de carne de bovino de produção biológica, alimentada a erva e “natural” (sem antibióticos, hormonas de crescimento ou subprodutos de animais) tem vindo a crescer

discretamente, 10% a 20% ao ano. A alimentação a erva e a biológica representam os maiores aumentos (Figura 2) apesar dos altos preços recorde e da volatilidade dos custos operacionais e de alimentação. Atualmente, a Meyer Natural Foods controla, com diversas marcas, o maior segmento de mercado destes nichos de mercado.


PRODUÇÃO

clostrídeos, para bactérias causadoras de pneumonias (ex. Pasteurelas). A utilização de desparasitantes também é prática comum. É frequente o adiamento de 48 horas do processamento dos animais após a chegada ao estábulo de alimentação para permitir o descanso e a reidratação.

FIGURA 2 Deslocação dos animais pelos Estados Unidos da América. % DE CARNE DE BOVINO NATURAL E ORGÂNICA VENDIDA (LIBRAS) ENTRE 2011-2016 NOS EUA 160 140

Libras (milhões)

Os incentivos para que os produtores participem nestes nichos de mercado variam desde as convicções pessoais, do acréscimo de valor através da comercialização direta de vitelos, a operações de engorda ou retenção da propriedade para receber um prémio comercial de cumprimento de requisitos específicos. Os prémios variam bastante com os programas especiais, com as condições de mercado e com o rigor da conformidade.

120 100 80

Adicionalmente é necessário garantir: • Higiene: • O parque deve estar limpo e, se possível, seco.

60 40 20 0

2012

2012

Alimentação milho natural

2011

Orgânica

2014

2015

2016

Alimentação erva natural

Fonte: FreshLook Marketing MULO 52 semanas até 20 de março de 2016. Inclui mercearias tradicionais e hipermercados, grandes superfícies e grossistas. Não incluídos: Costco, farmácias e pontos de venda especializados, tais como mercearias independentes.

CARNE DE BOVINO DE PRODUÇÃO BIOLÓGICA Os 3 fatores de sucesso para uma exploração que produza carne de bovino de produção biológica são uma excelente gestão de processos, maneio nutricional e humano. As explorações têm que cumprir auditorias por agências governamentais e/ou organizações independentes de terceiros. Os produtores que apenas tentam obter retorno económico com os prémios comerciais acima referidos, sairão, normalmente, dececionados. Na produção de carne de bovino isenta de antibióticos e hormonas, a assistência veterinária é fundamental e deve estar focada no bem-estar dos animais, na

medicina preventiva e no maneio nutricional adequado. O conceito da melhoria contínua tem que estar sempre presente em todos os setores. A Tabela 1 apresenta os custos de oportunidade das tecnologias que são utilizadas na produção de carne de bovino ao longo da vida do animal. O produtor e o médico veterinário têm de trabalhar em conjunto para minimizar os custos com a utilização de medicamentos (ex. antibióticos, hormonas, etc.) e maximizar os lucros com uma boa gestão. Os pontos-chave neste tipo de produção são a gestão e maneio na aquisição

TABELA 1 Impacto da eliminação de tecnologias farmacêuticas na indústria da produção de carne de bovino. TECNOLOGIA

Promotores de crescimento (implantes)

BREAKEVEN PRICE

COST (S/HEAD)

7.14%

71.28

Anti-parasitários

19.02%

189.81

Promotores de crescimento, antibióticos, ionóforos e Beta-agonistas

12.15%

121.28

Todas as tecnologias

36.63%

365.65

dos animais, a nutrição, a vacinação preventiva, a rastreabilidade, as decisões de tratamentos eficazes, o diagnóstico de causas de mortalidade e a minimização do stress térmico. A aquisição dos animais é um desafio, pois a oferta de animais elegíveis não satisfaz a procura. A maioria dos programas naturais tem normas rígidas que os vitelos devem cumprir como: vacinação prévia, desmame superior a 30 dias, castração e habituação à alimentação em manjedouras. Requisitos em relação à raça e cor do couro variam, entre os diferentes programas. A proibição da utilização de quaisquer antibióticos, subprodutos animais e hormonas de crescimentos durante a maior parte ou toda a vida do vitelo, é exigida pela maioria dos programas. As estratégias de vacinação variam bastante segundo a localização geográfica, a raça, o peso à chegada, o histórico de vacinação e a experiência, podendo ser incluídas vacinas para os principais vírus, para

• Fornecimento de água (adotar medidas para incentivar o consumo): • Água limpa e fresca; • Desinfeção dos bebedouros; • Análise da água para determinar os níveis de sólidos dissolvidos, enxofre, sódio e ferro, de modo a determinar as intervenções com suplementos minerais. • Ração: • Disponibilizar ração palatável no comedouro antes da chegada; • Evitar a sobrealimentação dos vitelos. • Densidade animal adequada: • Depende do tipo de animais, das instalações, do clima e da disponibilidade de espaço no comedouro. Protocolos de gestão das doenças com um mínimo de utilização de antibióticos e com dependência de terapêutica auxiliar, de forma a não desqualificar o animal do respetivo programa, são fundamentais. Um objetivo comum é que 95% dos animais seja abatido sem necessitar de terapêutica antibiótica. O consultor veterinário tem que equilibrar a potencial perda do prémio com a potencial mortalidade,

RUMINANTES ABRIL . MAIO . JUNHO 2017 23


PRODUÇÃO

tendo também em conta o bem-estar dos animais. Sem supervisão veterinária, pode ocorrer a supressão de um tratamento eficaz a animais doentes e em sofrimento, num esforço errado de manter o prémio. Deve ser adotada uma estratégia de diagnóstico precisa para determinar as causas de morbilidade e mortalidade, com o objetivo de ajudar na tomada de decisão dos protocolos preventivos e terapêuticos. O recurso a meios de diagnóstico auxiliares (ex. análises laboratoriais, necrópsias, etc.), nos parques com alta incidência de doença, para determinar as causas bacterianas e víricas subjacentes às doenças,

deve ser prática comum. De facto, os programas naturais constituem oportunidades para a indústria ultrapassar as barreiras tradicionais entre os produtores de vacas/vitelos e os estábulos de alimentação. Os resultados podem ser transmitidos à exploração, e esta rastreabilidade permite aos produtores adaptarem os programas de vacinação e eliminarem a redundância (ex. notificação da exploração quando um vitelo é diagnosticado com uma infeção persistente por DVB). Os dados de desempenho, tais como a qualidade das carcaças e marmorização, estão disponíveis para os produtores determinarem o momento de abate e a seleção genética. Neste tipo de produção

os animais são mais suscetíveis ao stress térmico durante os meses de verão. Os produtores devem reconhecer essa ameaça e incorporar várias medidas de prevenção (longo prazo) e de emergência (curto prazo) para evitar a mortalidade. As estratégias preventivas a curto prazo incluem o reforço do abastecimento de água nos parques, o controlo de moscas, o aumento da área de sombra disponível, a alteração dos horários de alimentação para a noite, a adição de forragem para evitar perturbações do rúmen e evitar todas a atividades desnecessárias para os animais durante o período mais quente do dia. Entre as medidas de emergência a curto prazo inclui-se a pulverização dos animais.

I BOLSA DO SETOR LEITEIRO OVINO E CAPRINO Ressurgiu, passados 14 anos, a I Bolsa Espanhola do setor leiteiro de Ovino e Caprino. Em fevereiro passado, a cidade espanhola de Albacete acolheu o evento que reuniu no mesmo local as seis bolsas regionais que se realizam habitualmente em Espanha. Esta foi uma iniciativa do ITAP (Instituto Técnico Agrário Provincial) patrocinada pela

24 ABRIL . MAIO . JUNHO 2017 RUMINANTES

empresa de nutrição animal Nanta, e contou com a presença de duzentos produtores oriundos de Espanha e Portugal. Antes da abertura da sessão teve lugar uma jornada técnica que abordou temas como: “O mercado do leite de ovelha e cabra”, “A gestão da nutrição e a alimentação em explorações de ovinos e caprinos de leite” e “Modelos para a

CONCLUSÃO A produção de carne sem antibióticos e hormonas de crescimento é um desafio para a indústria da carne de bovino dos Estados Unidos da América. No entanto, existem oportunidades para que os produtores satisfaçam a procura crescente nos nichos de mercado. A capacidade de obter lucros adicionais depende da excelente gestão de todo o ciclo de vida, desde a conceção até ao consumo. Uma gestão superior juntamente com a consultadoria veterinária pode contrariar grande parte da oportunidade económica perdida com os antibióticos e as hormonas de crescimento.

gestão de uma exploração de ovinos e caprinos leiteiros”. Em representação do setor de Bovinos e Ovinos do Ministério da Agricultura de Espanha, Ana Charle analisou a situação e perspetivas deste setor em Espanha, assinalando a necessidade de potenciar a formação e investigação, assim como a comercialização dos queijos e outros produtos derivados do leite destes ruminantes. José Nicolás, responsável de qualidade da Nanta na região de Murcia, e José Maria Bello, chefe de produto de Ovinos e Caprinos da Nanta, falaram sobre a importância da alimentação na produtividade da exploração e na qualidade do leite. O primeiro incidiu especialmente no sistema Nanta para assegurar a qualidade e estabilidade dos produtos comercializados, enquanto que o segundo se centrou no sistema de gestão que a Nanta põe ao serviço dos produtores “Gestimilk”, que permite, mediante a recolha de dados, obter uma informação de valor sobre a exploração, fundamental para a tomada de decisões e para a melhoria continua da produtividade e, portanto da rentabilidade dessas explorações.


KWS, FEED BEET a nova beterraba forrageira para a alimentação animal

PUBLIREPORTAGEM KWS

A FEED BEET AUMENTA A RENTABILIDADE E A SUSTENTABILIDADE DA PECUÁRIA NACIONAL

“FEED BEET” Sabia que a beterraba é a cultura forrageira com a maior produção em termos de Matéria-Seca por Hectare (MS/ha) e de Energia /Ha nos regadios de Portugal? A energia para lactação e para carne contida num hectare de beterraba (100 t/ha) equivale a 26 000 kg de cevada, cerca de 4500 € aos preços de hoje. Uma regra muito simples é considerarmos que 4 kg de beterraba fresca equivalem a 1 kg de grão de cereal.

A FEED BEET COMO BETERRABA EM FRESCO A sul de Lisboa e no Alentejo, a beterraba pode ser semeada desde Outubro até Março. No Norte e no Centro de Portugal é preferível fazer a sementeira entre Fevereiro e Março. As sementeiras de primavera permitem que se faça arranques escalonados entre Outubro e Março dispondo assim de beterraba fresca ou em pastoreio directo durante todo o inverno.

A BETERRABA PARA O PASTOREIO DIRETO Culturas irrigadas

t/ha

MS %

Prot %

MJ/kgMS

MS kg/ha

Prot kg/ha

ENL MJ/ha

Milho forrageiro

60

32,5

7,6

6,44

19 500

4 560

125 580

ENL

elétrica que se vai movendo diariamente. Aveia vídeos 20 27,0 10,2 5,65 5 400 Existem 2 040 30 510 disponíveis na Internet, forrageira nomeadamente no site da KWS, que Beterraba muito 100 24,0 6,2 8,01 24 000 ilustram 6 200 192 240bem este maneio da Feed Beet alimentação em pastoreio. Devido à sua elevada riqueza em açúcares, a FEED BEET – AS SUAS CARACTERÍSTICAS NUTRICIONAIS BÁSICAS introdução da beterraba na alimentação Enquanto nos cereais a Energia procede do Amido, na beterraba ela obriga necessariamente a um período A utilização daAçúcar. beterraba forrageira em mas a energia proveniente do provém do Ambas se equivalem de transição em que se dá a adaptação açúcar direto é digerida assimilada mais rápidamente. pastoreio é aeforma mais rentável e progressiva da flora ruminal à nova A beterraba tem melhores teores em Cálcio, Sódio, Potássio e Magnésio, prática para dela retirar o máximo proveito. No uma caso das sementeiras dieta. Neste período de semana os de outono estas devem arrancar-se ao longo do mas é mais baixa em Fósforo. Esta forma de utilização permite o máximo verão sendo que a sua conservação em fresco em monte é naturalmente de perto. Ao não conter Lignina, a qualidade da sua Fibra éanimais excelentedevem e a suaser observados mais problemática. Neste caso a beterraba pode ser ensilada e assim manter aproveitamento da elevada. forragem Digestibilidade nutricional também é muito A beterraba GERONIMO a suasemeada conservaçãona ao longo do tempo. em verde quecom atinge um teor de Em dietas altas assim quantidades de concentrados a primavera beterraba melhora a permite obter uma pastagem qualidade destas pois aumenta o seu conteúdo em fibra de alta qualidade. proteína de 16%. Os animais podem comer A beterraba melhora a qualidade da FEED BEET COMO BETERRABA ENSILADA energética disponívelAdesde meados A beterraba as melhora palatabilidade geral das dietas seja pela sua perfeitamente folhasada beterraba no dietaconserva e a saúde dos animais A beterraba forrageira ensilada todas ruminal as suas propriedades, do outono até ao início da primavera palatibilidade natural seja por aumentar o teor de humidade natural da para isso se atender A aobeterraba seguinte: possui metade da proteína campo. Aqui temos contudo comida no chegados caso da sua utilização em fresco de seguinte, um períodoembora de 6 meses, tecerAalgumas dos cereais mas um valor energético muito beterraba considerações: deve usar-se para substituir a componente durante energética o qual as pastagens são mais é veiculadade através dos concentradosescassas e dos cereais e nãoexiste uma fonte barata Nemequivalente todas asque variedades beterraba semelhante a estes. A grande diferença é que e não para substituir a energia fornecida pelas forragens, nomeadamente a forrageira são adequadas para pastagem. enquanto nos cereais a energia provém dos de energia. silagem de milho.. Os melhores resultados são obtidos com amidos, na beterraba a energia provém dos açúcares. Daí que seja considerada como um uma variedade semi-forrageira designada Quanto posso economizar com A FEED BEET COMO FORRAGEM EM PASTOREIO DIRECTO como GERONIMO, cujo conteúdo em o pastoreio direto da beterraba? concentrado. Tem maiores teores de Cálcio, matéria-seca (MS) é inferior ao da beterraba Em função da MS da sua raiz podemos Sódio, Potássio e Magnésio e menores em Fósforo. A qualidade da fibra é excelente, já sacarina e em que uma grande parte da raiz considerar que 5 kg desta beterraba que não possui Lignina, e por isso também a fica situada acima do solo. Isto permite que possui a mesma energia (EnL) digestibilidade é muito alta. seja mais facilmente pastada pelos animais. que um kg de um cereal ou de um Em dietas ricas em concentrados, a beterraba Como a beterraba é muito cobiçada concentrado. Os custos variáveis da melhora a sua qualidade através do pelo gado e é imensamente rica em cultura em regadio são cerca de 20 a açúcares o tempo de acesso dos animais 25% superiores aos da cultura do milho. fornecimento de fibra fermentescível de alta à beterraba deve ser bem medido para Contudo ao poupar-se no seu arranque qualidade. A beterraba melhora a palatibilidade geral das dietas sendo uma solução para assegurar o cuidadoso controlo da sua e na sua conservação Se ensilada, ostem mais de a beterraba 5% de terra é necessário lavá-la, já que a terra compensar a utilização ingestão, especialmente por parte dos vai afectar a qualidade e a sanidade da silagemde, subprodutos exactamente da custos acabam por ficarnos praticamente forma que de afecta qualquerpouco outra forragem. palatáveis. A beterraba deve substituir animais em produção intensiva de leite. iguais. Além disso a produção beterraba tem entre 23% e 25%. Caso semi-forrageira igual de seja energia da dieta. tem Um outro A melhor forma de regular a ingestão da energia por hectare da A beterraba é uma MS quantidade cerca de 16 %. Portanto é necessário subir a sua MS na silagem até cerca muito característico da beterraba muito alta e rentabiliza de com beterraba forrageira em pastoreio direto 30 avantagem 33%, para evitar nutriente perdas pelos efluentes que se produzem poucas é a A beterraba pode ser pastoreada directamente por vacas, ovelhas, cabras e horas depois de se ter picado a beterraba para a ensilar. betaína. esta cultura. faz-se através da utilização uma cerca até porcos em extensivo. Existemde variedades específicas destinadas ao

A FORMA MAIS RENTÁVEL PARA ALIMENTAR O GADO COM BETERRABA 

pastoreio directo. Trata-se de variedades que foram desenvolvidas para sobressair mais do solo e assim serem melhor aproveitadas pelos animais. Para isto debe usar-se um “pastor eléctrico” ou controlar o tempo de alimentação dos animais. .

Para atingir o nível óptimo de MS da silagem de beterraba, podemos misturar a beterraba com outros productos mais secos como por exemplo: polpa de beterraba em pelets, destilados secos de cereais( DDG´s), casca de soja, palha picada de cereais, farelo de trigo, etc.

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26 ABRIL . MAIO . JUNHO 2017 RUMINANTES

SEMEANDO O FUTURO DESDE 1856


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A fonte óptima de selénio biodisponível

É um sumo de melão liofilizado naturalmente rico em antioxidantes primários (SOD, catalase)

A combinação destes antioxidantes é a primeira linha de defesa frente ao stress ambiental e fisiológico Stress oxidativo controlado = Resultados zootécnicos optimizados Nem todos os produtos estão disponíveis em todos os mercados nem as alegações associadas permitidas em todas as regiões. Distribuído por Tecadi, Lda α PT5AA02491 Rua Conde da Ribeira Grande, Lote 28 - Edifício Tecadi Zona Industrial | 2005-002 Várzea STR Santarém - Portugal | Tel: +351 243 329 050 LALLEMAND ANIMAL NUTRITION www.lallemandanimalnutrition.com

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PUBLIREPORTAGEM

COMBO MELOFEED/ALKOSEL AUMENTA O EFEITO ANTIOXIDANTE E DIMINUI OS NÍVEIS DE CÉLULAS SOMÁTICAS NAS VACAS LEITEIRAS CONTEXTO Sabe-se que a atividade das enzimas antioxidantes (SOD, GSH-Px, CAT) sofre diminuição por altura do parto e na fase de transição nas vacas leiteiras e aumenta_ durante as primeiras semanas pósparto. Durante o periparto e no início da lactação, as vacas estão assim mais sensíveis ao stress oxidativo, relacionado com o desequilíbrio entre moléculas pró-oxidantes e antioxidantes. As deficiências nas defesas antioxidantes na fase de transição podem contribuir para um aumento da sensibilidade a doenças bem conhecidas, como mastite, metrite, retenção de placenta, etc... Melofeed e Alkosel são portanto de interesse durante os períodos fisiológicos indutores de stress oxidativo, como a transição, com vista a aumentar o efeito antioxidante e a qualidade do leite das vacas leiteiras.

OBJETIVO

MATERIAL E MÉTODO LOCAL: ensaio de campo, Suíça DURAÇÃO: dezembro 2012 – maio 2013 ANIMAIS: 108 vacas de leite (20 vacas de leite para amostras de sangue) TRATAMENTOS: COMBO MELOFEED/ALKOSEL distribuído a 50 g/animal/dia contendo: • MELOFEED: 50 mg/vaca/dia • ALKOSEL: 875 mg/vaca/dia ( = 1.75 mg Se/vaca/dia) • Quelato de Cobre: 96 mg/vaca/dia • Quelato de Zinco : 400 mg/vaca/dia • Polpa de maçã seca PARÂMETROS MEDIDOS: TAS (Estado Antioxidante Total) e células somáticas no leite

Investigar uma suplementação do alimento completo enriquecido com Melofeed e Alkosel quanto ao seu efeito antioxidante e aos níveis de células somáticas das vacas leiteiras.

28 ABRIL . MAIO . JUNHO 2017 RUMINANTES

CONTROLO DO LEITE

Medida do Estado Antioxidante Total (antes e depois de 4 semanas de suplementação com Melofeed/Alkosel


PUBLIREPORTAGEM

RESULTADOS

TAS fornece informação global sobre as defesas antioxidantes. Após 4 semanas com suplementação COMBO MELOFEED/ALKOSEL, o estado antioxidante (TAS) aumentou, em cada vaca leiteira 9% considerando a média (p < 0.001).

Evolução Individual do Estado Antioxidante Total

1.1 1.05

1.01

1

9%

0.95

0,93 0.9 0.85 0.8 Gr io

tte Gl or ia Ca li D in a Ev a Go b Ca i na Go ri ld in a Be lg Bi a sc ot te Gr it D li as te Va l ni lle D iv Et va hi op Co ie pi ne D és iré D e at ch a Gl ar is V iv a

Antes da suplementação com Melofeed/Alkosel Após 4 semanas de suplementação com Melofeed/Alkosel

Estado Antioxidante Total (mmol/L)

COMBO MELOFEED E ALKOSEL AUMENTAM O EFEITO ANTIOXIDANTE

COMBO MELOFEED E ALKOSEL DIMINUEM OS NÍVEIS DE CÉLULAS SOMÁTICAS

O ROI da suplementação com COMBO MELOFEED/ALKOSEL foi calculado em 226 €/dia por cada 100 vacas em lactação. Custo do COMBO MELOFEED/ALKOSEL

10cts/vaca/dia

Rendimento leiteiro

40 cts/kg

Penalização 200-250 000 células

-0.5 cts/kg

Bónus < 100 000 células

0.5 cts/kg

Média de Produção

30 kg/vaca/dia

60 50 40

Bónus

30 20

Sem COMBO MELOFEED/ALKOSEL

Com Melofeed/Alkosel

> 250 000 cells/mL 200-250 000 cells/mL 100-200 000 cells/mL < 100 000 cells/mL

Contagem das Células Somáticas no leite (x 1000/ml) Com COMBO MELOFEED/ALKOSEL

600 500

867

984

-0.79

-0.37

Bónus < 100 000 células

6.91

8.08

Rejeição > 250 000 células

333

216

0

10

539

765

Diferença

70

Sem Melofeed/Alkosel

Penalização 200-250 000 células

Total

Penalização

80

0

Rendimento leiteiro

Custo do COMBO MELOFEED/ALKOSEL

Leite rejeitado

90

10

Rejeição > 250 000 células €/dia

100

% vacas de leite

Com suplementação com COMBO MELOFEED/ALKOSEL, a percentagem de vacas leiteiras: • com menos de 100 000 células/mL aumentou 8% (46% → 54%), • entre 100 e 200 000 células/mL aumentou 5% (21% → 26%), • entre 200 e 250 000 células/mL diminuiu 3% (5% → 2%), • com mais do que 250 000 células/mL diminuiu 10 % (28% → 18%).

226

COMBO MELOFEED/ALKOSEL

400 300 200 100 0

As vacas leiteiras que mais favoravelmente reagiram ao COMBO MELOFEED/ALKOSEL foram as vacas leiteiras em início de lactação (menos de 100 dias).

Março Antes da suplementação com Melofeed/Alkosel

Abril

Maio

Dados baseados em vacas em início de lactação (< 100 dias de leite). Os dados antes da suplementação COMBO MELOFEED/ALKOSEL provêm da média dos controlos de dezembro, janeiro e fevereiro. Sobre a barra está o desvio padrão.

CONCLUSÃO A suplementação COMBO MELOFEED/ALKOSEL enriquecida com Melofeed, Alkosel e quelatos de cobre e zinco melhorou o estado antioxidante das vacas leiteiras após 4 semanas e diminuiu os níveis das células somáticas. O efeito mais positivo foi observado nas vacas de leite em início de lactação, confirmando o efeito benéfico da suplementação com COMBO MELOFEED/ALKOSEL durante o periparto, que é o período fisiológico chave do ciclo produtivo que induz stress oxidativo e deficiências nas defesas antioxidantes.

RUMINANTES ABRIL . MAIO . JUNHO 2017 29


ATUALIDADES

UM LITRO DE LEITE POR DIA…QUE BEM QUE FAZIA!

IV FÓRUM VACAS LEITEIRAS Foi na ilha açoriana de São Miguel que se encontraram, em fevereiro passado, produtores de leite e técnicos do setor em torno do tema “Rentabilidade da Produção de Leite – Estratégias para aumentar o rendimento e a rentabilidade da exploração”. No IV FÓRUM Vacas Leiteiras, promovido pela Finançor Agro-Alimentar SA, foram apresentados vários indicadores de

análise e controlo da rentabilidade das explorações, com especial enfoque para IOFC (Income Over Feed Cost – Margem Bruta) e a sua variação geográfica. Este evento é um complemento à atividade de extensão rural que tem vindo a ser exercida pela Finançor e também uma oportunidade de convívio e partilha de informação e experiências importantes para o setor.

FONTERRA AQUECE O MUNDO DOS SUPLEMENTOS DESPORTIVOS A Fonterra, multinacional de lacticínios neozelandesa, acaba de lançar um novo ingrediente proteico que promete aquecer ainda mais o já escaldante mercado dos suplementos desportivos. Com a garantia de pelo menos mais 10% de proteína do que outros produtos whey já comercializados, este ingrediente de rápida ação destina-se a ser incorporado em bebidas desportivas e barras energéticas. E as vantagens não ficam por aqui: além do elevado teor proteico, apontam-se ainda baixos teores de gorduras, açúcares e hidratos de carbono. De acordo com Neil Fraser, investigador da Fonterra, este produto revela-se uma inovação na área, já que a fonte proteica é isolada da caseína láctea. O investigador realça ainda a importância da proteína enquanto nutriente essencial, assumindo um papel de destaque no crescimento e manutenção de todas as células corporais e, em especial, do músculo, não só de desportistas mas de todos os indivíduos.

30 ABRIL . MAIO . JUNHO 2017 RUMINANTES

Esta é mais uma aposta num setor avaliado em 10 biliões de dólares, valor imponente para o qual contribui o interesse crescente dos consumidores em assumir um estilo de vida saudável – ajudados, claro está, pela exaustiva dedicação dos meios de comunicação a esta temática -, e parece estar a agitar as águas. Os Estados Unidos, líderes do mercado de suplementos desportivos, estarão já a importar este ingrediente, denominado SureProtein™. Os japoneses também querem pôr as mãos na massa, e os ensaios efetuados com o ingrediente parecem ter agradado bastante aos consumidores. A NZMP, marca global de ingredientes lácteos da Fonterra e já líder global no mercado do leite pó, pode então ter em mãos uma espécie de galinha de ovos de ouro (ou de proteína, neste caso), que lhe dará uma proveitosa vantagem competitiva num mercado tão dinâmico como é o da nutrição desportiva.

Uma produtora inglesa ofereceu uma garrafa de leite produzido na sua exploração a Joe Marler, um dos trunfos da seleção inglesa de râguebi. A prenda, bastante original, não foi de todo despropositada, já que o atleta assegura que foi a ingestão diária de mais de um litro de leite, durante as semanas que compreenderam a sua recuperação de uma fratura na perna, que lhe permitiram estar no seu melhor aquando do jogo com a seleção francesa no Torneio das Seis Nações, no passado mês de fevereiro. Avisado com antecedência da intenção da produtora Jo Borroughs (para que não se pensasse que a simpática senhora teria outros sinistros objetivos na manga), foi com um sorriso no rosto que Marler recebeu o seu presente do qual, garantiu em declarações posteriores, desfrutou imensamente. As declarações do atleta não passaram despercebidas, tendo-se tornado um autêntico fenómeno nas redes sociais e na imprensa inglesa, ajudando a dar uma mãozinha ao setor e associando ao consumo de leite benefícios que parecem constituir um incentivo cada vez mais fraco no que toca à procura deste produto por parte dos consumidores. A exploração da família Borroughs possui atualmente 300 vacas em lactação, mas almejam chegar ao dobro com a sua nova sala de ordenha rotativa. Apesar da maioria do leite ser vendido a uma cooperativa, cerca de 500 a 600 litros de leite cru são vendidos no comércio local. A senhora Borroughs já mencionou que a exploração terá um ‘dia aberto’ no dia 11 de junho. Resta saber se Joe Marler vai aproveitar para fazer uma visita e, quem sabe, desfrutar de mais um copinho de leite.


Soluções orientadas à rentabilidade

Produções eficientes Melhores resultados

Tirar o máximo partido dos seus animais é o nosso objetivo comum. Para o conseguirmos é imprescindível otimizar a produção de leite com vacas saudáveis e produzir leite com a máxima quantidade de forragem possível. Só assim podemos aspirar a melhoria da rentabilidade das explorações. O objetivo da De Heus é maximizar os lucros dos seus clientes. Oferecemos soluções nutricionais baseadas na experiência prática e cientíca recolhida em mais de 50 países onde estamos presentes. O nosso know-how, agora disponível em Portugal, é comprovado pelos resultados dos milhares de clientes bem-sucedidos que pelo mundo fora conam em nós.

Alimentos De Heus para Vacas Leiteiras

Produção de Leite Rentável

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ALIMENTAÇÃO

MICOTOXINAS

MAIS VALE PREVENIR DO QUE REMEDIAR As micotoxinas são substâncias tóxicas produzidas por fungos. A sua presença nos alimentos da vaca leiteira e posterior ingestão propiciam a diminuição da performance produtiva e o aparecimento de problemas de saúde, culminando em perdas económicas significativas para os produtores de leite. JOSÉ ALVES ASSISTENTE TÉCNICO RUMINANTES, DE HEUS NUTRIÇÃO ANIMAL, S.A jaalves@deheus.com

TIAGO RAMOS ASSISTENTE TÉCNICO RUMINANTES, DE HEUS NUTRIÇÃO ANIMAL, S.A. tmramos@deheus.com

COMO APARECEM? Perante certas condições, como altas temperaturas ambientais, elevada humidade, pragas nas plantas no campo e presença de oxigénio em forragens conservadas, o desenvolvimento fúngico é potenciado podendo originar a produção de micotoxinas nos alimentos. A contaminação fúngica pode ocorrer antes da colheita das plantas, durante o armazenamento, no transporte, no processamento e até já na manjedoura.

EFEITOS DAS MICOTOXINAS NA VACA LEITEIRA Em comparação com os monogástricos os ruminantes são menos suscetíveis aos efeitos causados pelas micotoxinas uma vez que a flora ruminal tem a capacidade de degradar e inativar algumas. No entanto, devido à complexidade da dieta da vaca leiteira, composta por forragens secas e conservadas e alimentos concentrados, o risco de exposição a uma ampla variedade de micotoxinas aumenta. É reconhecido pela comunidade cientifica que a conjugação de várias

32 ABRIL . MAIO . JUNHO 2017 RUMINANTES

micotoxinas resulta num efeito sinérgico que origina resultados negativos na saúde da vaca leiteira e na sua performance produtiva. A ingestão de grande quantidade de micotoxinas pode causar uma micotoxicose aguda, mas o mais comum é que sejam observados efeitos crónicos originados pelo consumo de quantidades reduzidas ao longo do tempo.

Esses efeitos crónicos podem ser: • Quebra da ingestão • Redução da metabolização dos nutrientes • Alteração da fermentação

ruminal • Imunossupressão • Alterações da reprodução • Distúrbios metabólicos O diagnóstico é difícil, uma vez que os sintomas são inespecíficos e podem ser o resultado de um conjunto de doenças oportunistas. Assim, quando estamos perante casos de quebras de produção geral ou individual, paragem ruminal, células somáticas elevadas, maus índices de fertilidade, podemos e devemos ponderar estarmos perante um caso de micotoxicose no efetivo.

PREVENÇÃO E TRATAMENTO A prevenção da formação de micotoxinas é essencial, pois não existem técnicas para as eliminar dos alimentos ou neutralizar eficazmente.

Uma boa prevenção consiste em: • Implementar boas práticas agrícolas na produção de forragens (a maior parte das micotoxinas encontradas em forragens são produzidas no campo antes da ensilagem); • Realizar a colheita no estado de maturação correto e com níveis de matéria seca e humidade adequados; • Proceder a um enchimento do silo rápido, realizar uma boa compactação e utilizar técnicas e materiais que impeçam a entrada de oxigénio; • Fazer o maneio da frente do silo de forma a que esta fique exposta ao ar o menor tempo possível e retirar do silo os resíduos de silagem rejeitada para evitar novas contaminações; • Armazenamento em local limpo e seco dos fenos e palhas; • Limpeza e manutenção regular dos silos dos alimentos concentrados.


ALIMENTAÇÃO

No entanto, quando os alimentos já estão contaminados devemos fazer o seguinte: • Retirar da alimentação o alimento contaminado. Caso não seja possível a eliminação total, a sua ingestão deve ser reduzida ao mínimo. Podemos diluir a forragem problema numa forragem não contaminada (forragem de boa qualidade); • Nas silagens de milho e erva retirar toda a silagem com bolores e “podres”; • Adicionar adsorventes de micotoxinas na dieta. Estes aditivos atuam no trato digestivo da vaca adsorvendo e/ou neutralizando parcialmente as micotoxinas.

O PERCURSO DAS MICOTOXINAS PRODUÇÃO DE MICOTOXINAS

INGESTÃO

• DEGRADAÇÃO NO RÚMEN • ABSORÇÃO NO INTESTINO DESENVOLVIMENTO DE FUNGOS

• REDUÇÃO DA PRODUTIVIDADE • PROBLEMAS DE SAÚDE

• SUPRESSÃO DA IMUNIDADE • HEPATOTOXICIDADE (DISTÚRBIOS METABÓLICOS) • CITOTOXICIDADE (LESÕES NO INTESTINO, FEZES COM SANGUE)

RUMINANTES ABRIL . MAIO . JUNHO 2017 33


ALIMENTAÇÃO

GONÇALO MARTINS GESTOR DE PRODUTO, ESPECIALIDADES ZOOTÉCNICAS gmartins@vitas.pt

ACIDOSE RUMINAL UM DISTÚRBIO SILENCIOSO

A acidose ruminal é cada vez mais reconhecida como um importante distúrbio nos ruminantes tendo grande impacto na saúde e produção dos animais, levando assim a uma diminuição da sua produtividade. A acidose ruminal é uma indigestão que segue a ingestão excessiva de hidratos de carbono facilmente fermentáveis, sendo um problema frequente em ruminantes com dietas ricas em concentrados. Indica um distúrbio que se manifesta em graus variados, podendo ser aguda (clínica) ou crónica (subclínica).

A ACIDOSE RUMINAL

O desenvolvimento de acidose subclínica e clínica em bovinos envolve uma interação complexa entre o consumo, a composição da dieta, os microrganismos ruminais e o animal. O estabelecimento de um ecossistema ruminal estável em animais sujeitos a dietas ricas em concentrados não é imediato. A introdução de uma dieta com altos níveis de amido altamente fermentável, aumenta a disponibilidade de glicose livre para o rúmen e estimula o crescimento da maioria das bactérias ruminais com consequente aumento da produção de AGVs e diminuição do pH. A competição por substrato normalmente regula a taxa de crescimento das bactérias produtoras de ácido láctico (ex: S. bovis, Lactobacillus spp.), e o número destes microrganismos raramente

ultrapassa 107 células/ml de fluido ruminal. O acúmulo de ácido láctico é evitado pelo aumento do número de bactérias utilizadoras de ácido láctico (Selenomonas spp, Anaerovibrio spp, Megasphaera elsdenii e Propionibacterium spp) e protozoários (Entodinium spp.) no rúmen. Assim, o balanço entre a produção e utilização de ácido láctico é mantido e a sua concentração no fluido ruminal de animais com acidose subclínica raramente excede 10mM. Em alguns casos o distúrbio alimentar é excessivo e a população microbiana apresenta-se instável levando a uma acidose clínica. Nesses animais a competição por substrato não é suficiente para restringir o crescimento de S. bovis o qual pode atingir uma população de 109 células/ ml de fluido ruminal. Nessas condições, a abundância de intermediários glicolíticos promove um desvio no metabolismo do S. bovis com a produção de lactato exacerbando a diminuição do pH ruminal. Quando o pH atinge valores abaixo de 6,0, as bactérias celulolíticas e protozoários são inibidos e quando atinge valores de 5,2 a microflora diversa do rúmen é intensivamente substituída por bactérias tolerantes à acidez como S. bovis e Lactobacillus spp. Consequentemente continua a queda do pH ruminal até que se estabelece uma

monocultura de lactobacilos ácido tolerante. A morte das bactérias gram-negativas leva a liberação de endotoxinas. Além disso, a acidez do conteúdo e o grande aumento na sua osmolaridade, lesam a mucosa ruminal provocando ruminite química e o sequestro de grande quantidade de líquido para o rúmen. O grande desequilíbrio eletrolítico provocado, juntamente com a absorção sanguínea do D-lactato provocam acidose metabólica e desidratação severas. Estes fatores estão diretamente associados à ocorrência de doenças como laminites, ruminites necróticas, abscessos hepáticos, polioencefalomalácia e podem levar o animal à morte.

ACIDOSE CLÍNICA

A acidose clínica ocorre quando grandes quantidades de hidratos de carbono facilmente fermentáveis são consumidos além do que os animais estão acostumados. Ocorre geralmente pelo aumento rápido de concentrados na dieta sem o período de adaptação suficiente mas

FIGURA 1 Consequência metabólica do consumo de hidratos de carbono facilmente fermentáveis sobre o pH ruminal e a população microbiana do rúmen. Notar que na maioria dos animais (seta verde) a diminuição do pH ruminal abaixo de 6,0 não apresenta aumento significativo da população de S. bovis nem da concentração de ácido láctico.

HIDRATOS DE CARBON O FACILMENTE FERMENTÁVEIS

TAXA DE CRESCIMENTO BACTERIANO pH=6,5

HIDRATOS DE CARBONO FERMENTÁVEIS

TAXA DE CRESCIMENTO BACTERIANO

ÁCIDO LÁCTICO

ÁCIDOS GORDOS VOLÁTEIS pH=6,0

BACTS UTILIZADORAS DE ÁCIDO LÁCTICO (M. elsdenii e S. ruminatium)

TAXA DE CRESCIMENTO DE Streptococcus bovis

ÁCIDO LÁCTICO pH=5,0

BACTS UTILIZADORAS DE ÁCIDO LÁCTICO

Lactobacillus spp

ESTASE RUMINAL

ACIDOSE 34 ABRIL . MAIO . JUNHO 2017 RUMINANTES


As soluçþes pArA um controlo eficiente dA Acidose ruminAl


ALIMENTAÇÃO

ACIDOSE SUBCLÍNICA

A acidose subclínica é uma doença associada ao rebanho e não ao indivíduo, os seus sintomas são praticamente impercetíveis mas as suas consequências representam grandes prejuízos em toda a cadeia de produção. A acidose subclínica ocorre quando a formação de AGVs, supera a capacidade de absorção do rúmen, reduzindo o pH entre 5,0 e 5,5, abaixo do nível fisiológico, por períodos prolongados (Figura 2). Durante este período ocorrem mudanças na proporção dos AGVs, aumentando a quantidade de ácido propiónico e butírico em relação ao ácido acético. Esta redução do pH não é suficiente para causar sintomas clínicos mas prejudica o funcionamento do rúmen, levando à diminuição no consumo de alimentos, à quebra da eficiência produtiva e ao aparecimento de diversas doenças.

FIGURA 2 Padrão de fermentação e características do ambiente ruminal relacionadas ao pH do rúmen. Variação fisiológica do pH

Acidose Subclínica

Acidose Aguda

Princ. tampões: AGV (pKa4,7) > AGV não ionizados; > Gram Osmoiaridade periodicamente < 300 mOsmol/L

Princ. tampões: Lactato (pKa3,7) Morte de Gram (defaunação) Osmolaridade permanente >> 300 mOsmol/L

Acetato

70 60 50

AGV mol%

também por diminuição súbita de forragem em animais que estão recebendo concentrado. É causada inicialmente por uma rápida produção e absorção de AGVs levando a uma alteração da população normal dos microrganismos do rúmen e posterior produção de grande quantidade de ácido láctico levando o pH do rúmen abaixo de 5,0. Os animais com acidose lática apresentam depressão, anorexia, cambaleio, desidratação (aumento do hematócrito e proteínas totais sem sinais clínicos de desidratação), atonia ruminal, rúmen repleto de líquido, diarreia, frequência cardíaca aumentada (acima de 100 bpm), temperatura pode estar normal ou alterada, febre em caso de peritonite, abscesso hepático ou outras infeções secundárias, taquipneia, timpanismo crónico. Pode evoluir para trombose de veia cava caudal com êmbolo e abscesso pulmonar.

40 30

Princ. tampões: HCO3 e CO2 Butirato > AGV ionizados; > Gram Osmoiaridade < 300 mOsmol/L Lactato D+L

Propionato 20

pH ideal para

10

atividade celulolitica

0 7

6.5

PRINCIPAIS CONSEQUÊNCIAS DA ACIDOSE SUBCLÍNICA Embora não provoque o aparecimento de sinais clínicos específicos, foi demonstrado que a acidose subclínica tem consequências que são clinicamente detetáveis, mas são diversas e complexas. As agressões causadas pelos ácidos orgânicos à parede ruminal

6.0

5.5

podem levar ao desenvolvimento de paraqueratose, permitindo a entrada de agentes patogénicos na corrente sanguínea, causando inflamações e abscessos pelo corpo do animal, estando também ligadas as laminites. Outras alterações que podem ser relacionadas com a acidose subclínica são: diminuição da produção e do teor butiroso do leite, imunossupressão e timpanismo.

PREVENÇÃO E CONTROLO DA ACIDOSE A prevenção e o controlo da acidose deverá ser feita através de um correto maneio alimentar, o que no caso dos ruminantes, passa por alimentarmos os microrganismos ruminais e, não os animais. Deveremos, assim, ter em atenção os seguintes princípios: • proporcionar níveis de fibra efetiva adequados na dieta, de forma a estimular a ruminação e a produção de saliva, favorecendo o tamponamento do conteúdo ruminal; • garantir o correto tamanho das partículas de fibra, sendo que, partículas muito grandes levam a que a vaca faça uma seleção do alimento e partículas muito pequenas fazem com que a fibra deixe

36 ABRIL . MAIO . JUNHO 2017 RUMINANTES

de cumprir o seu papel na ruminação; • através da utilização do unifeed, realizar a administração de hidratos de carbono altamente fermentáveis em conjunto com a fibra efetiva, promovendo o equilíbrio nos nutrientes que chegam ao rúmen; • assegurar disponibilidade permanente de alimento, dado que, períodos de grande ingestão de alimento seguidos de períodos de baixa ingestão ou ausência de alimento provocam desequilíbrios no ecossistema ruminal; • adicionar aditivos que ajudem a um controlo eficiente do pH ruminal,

5.0

4.5

pH

para que haja uma melhor valorização do alimento e, consequentemente, uma maior produtividade dos animais. A acidose ruminal subclínica é uma doença silenciosa, que afeta a maioria dos efetivos em regime intensivo, tanto leiteiros como de engorda, causando prejuízos aos produtores. A Vitas Portugal na busca permanente de novas e mais adequadas soluções para os nossos clientes, apresenta as soluções TIMADIGEST e CALSEADIGEST+, para um controlo eficaz da acidose ruminal. Para mais informações e esclarecimentos, não hesite em contactar o técnico Vitas mais próximo de si.» FIGURA 3 Imagem da mucosa do retículo e do rúmen com paraqueratose.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Não foram incluídas por uma questão de espaço editorial, mas o autor disponibiliza bastando enviar um email para o autor.


ECONOMIA A DIVERSIDADE DE OPINIÃO ENTRE FUNDOS E AGRICULTORES, POR UM LADO, E A PECUÁRIA POR OUTRO, TEM PARALELISMO NO “COPO MEIO CHEIO OU MEIO VAZIO...”

OBSERVATÓRIO DAS MATÉRIAS PRIMAS POR JOÃO SANTOS

Tudo indica que, em relação ao ano anterior, a América do Sul vai produzir mais 14 milhões de toneladas de soja e, só no Brasil e Argentina mais 32 milhões de toneladas de milho. Adicionalmente, espera-se que sejam produzidas, em relação ao ano anterior, mais 10 milhões de toneladas de outras oleaginosas, como colza, girassol e palma (cerca de mais 5 milhões). Pelo lado da procura, a margem de extração de soja na China está muito baixa, em parte como consequência da redução dos efetivos de suínos e de aves, estas últimas por causa da gripe das aves. Os prémios da farinha de soja nos Estados Unidos estão nos mínimos históricos (diferencial do preço local contra Chicago), o que é um sinal de abundância de farinha neste país produtor de soja. As importações de farinha de soja para a Europa estão a ter uma redução de mais de 15% em relação ao ano passado. O que leva os compradores de soja e de cereais a perguntar onde está a procura para absorver toda esta produção e stocks existentes. A posição dos agricultores e dos fundos

é a de esperar para ver, porque todo este stock irá reduzir substancialmente com um problema meteorológico nalgum dos hemisférios e, com isso, criar tensão no mercado. Esta é, em particular, a justificação para os fundos estarem ainda longos de soja, 98.000 contratos, e os agricultores não estarem a vender ao ritmo esperado as suas colheitas, aproveitando os preços relativamente altos versus a situação de colheitas recorde e stock finais altos um pouco por todo o mundo.

Proteínas Hoje temos farinha de soja em Lisboa a cerca de 340€/tm, isto com o dólar a 1.08. Pouco ou nada sei sobre a evolução futura da taxa de cambio euro/dólar; dito isto, o que podemos dizer em relação à soja? Há um ano, nesta altura começava a chover intensamente na Argentina e essas chuvas inundaram vastas zonas produtoras de soja, justamente quando a soja já estava no ponto de ser colhida. Fazendo fé nas previsões meteorológicas, isto não vai acontecer este ano. Adicionalmente, a colheita

COLHEITAS MUNDIAIS milhões de tm SOJA Produção Mundial Stock finais MILHO Produção Mundial Stock finais

14/15

15/16

16/17

319,0 77,6 24%

312,8 76,6 24%

340,8 82,8 25%

1.008,8 208,2 21%

961,9 210.9 22%

1.049,2 220,7 21%

Fonte: USDA s&d março reporte 38 ABRIL . MAIO . JUNHO 2017 RUMINANTES

argentina ainda está a algumas semanas de começar, os prémios de soja neste país têm vindo a descer paulatinamente semana após semana, e os Estados Unidos ainda continuam a exportar. Assim sendo, se esta é a situação atual na Argentina, como será dentro de um mês/mês e meio, quando estivermos em cima da colheita com todas as fábricas extratoras de soja a trabalhar a plena carga com o grão da nova colheita? Por outro lado, o Brasil já vai com 65% da colheita apanhada e o Estado do Mato Grosso com 95%, e sempre que são conhecidos novos dados sobre os rendimentos, estes são sempre superiores em relação ao ano passado. Assim, e com o aparente abrandamento da expansão da pecuária no maior importador de soja, a China, talvez ainda possamos ver os futuros de Chicago caírem algo mais, tal como os prémios. Também não podemos esquecer que uma vez confirmada a colheita argentina o mercado começará de imediato a olhar para as previsões meteorológicas nos Estados Unidos, ou seja, o famoso “yield”. Antes disso, vamos ter o relatório do USDA, a 31 de março, sobre o inquérito aos agricultores americanos acerca das suas intenções de sementeira para esta primavera, milho ou soja, com um rácio do futuro de novembro da soja sobre o do milho, em dezembro, a 2.6. Para um rendimento que é de apenas metade a favor

do milho, claramente que a tendência será de se manter um aumento da soja. Também é de ter em conta que algumas regiões do Mid-West, atendendo aos preços relativamente baixos do trigo, estão a considerar não semearem trigo de inverno para semearem soja na primavera. Para terminar, as farinhas de colza e girassol estão a marcar passo, e é provável que esta campanha não as vejamos muito correlacionadas com a farinha de soja, em particular se a soja descer, uma vez que já estamos no final do ciclo e pelo lado da extração não há demasiado espaço para que os preços das farinhas possam descer. A continuar a correção em baixa da soja é possível que as farinhas de colza e de girassol se mantenham aos preços atuais.

Cereais Hoje, para as posições mais diferidas, temos o preço do milho em 175€, com o euro a 1.08. Se considerarmos que o ano passado, em determinados momentos, o euro esteve mais alto, e que isso correspondeu aos preços mais baixos do ano em Lisboa, como poderemos ver preços mais baixos por causa dos futuros ou dos prémios? Dito isto, e se em euros já vimos preços mais baixos de milho, em dólares estamos a falar de valores baixos em termos absolutos. Esta realidade tem várias nuances, dependendo do país exportador, pela taxa


EVOLUÇÃO DO PREÇO DE MATÉRIAS PRIMAS

PREÇOS MÉDIOS SEMANAIS NO PORTO DE LISBOA DE 2015 A 2016 2015 MILHO 2016 2017

€/ton 200 195 190 185 180 175 170 165 160 155 7 a 11 Nov

5 a 9 Dez

19 a 23 Dez

5 a 9 Dez

19 a 23 Dez

24 a 28 Out

21 a 25 Nov

10 a 14 Out

24 a 28 Out

10 a 14 Out

7 a 11 Nov

26 a 30 Set 26 a 30 Set

21 a 25 Nov

29 a 2 Set

12 a 16 Set

29 a 2 Set

12 a 16 Set

1 a 5 Ago

15 a 19 Ago

1 a 5 Ago

15 a 19 Ago

4 a 8 Jul

18 a 22 Jul

4 a 8 Jul

18 a 22 Jul

6 a 10 Jun

20 a 24 Jun

6 a 10 Jun

20 a 24 Jun

9 a 13 Maio

23 a 27 Maio

11 a 15 Abr

25 a 29 Abr

28 a 1 Abr

12 a 16 Mar

13 a 17 Fev

27 a 2 Mar

30 a 3 Fev

2 a 6 Jan

16 a 20 Jan

150

BAGAÇO SOJA 44 €/ton 450

400

350

300

250

9 a 13 Maio

23 a 27 Maio

25 a 29 Abr

11 a 15 Abr

28 a 1 Abr

12 a 16 Mar

27 a 2 Mar

13 a 17 Fev

30 a 3 Fev

200 2 a 6 Jan

Para concluir, neste momento temos poucas incertezas em relação à produção do hemisfério sul, dentro de pouco tempo os olhos de quem pensa que os cereais e a soja devem subir começarão a olhar para a incerteza das colheitas de primavera no hemisfério norte. Os que pensam que os produtos devem continuar a corrigir em baixa, estarão a pensar em quem vai comer tamanhas colheitas e stocks, com a China que aparenta

estar a abrandar o seu crescimento anual de consumo, particularmente na soja. Na verdade, a área mundial semeada tem vindo a aumentar de ano para ano, e os rendimentos, de uma forma geral, a manterem-se em contínuo incremento; no Brasil, a área de produção agrícola pode ultrapassar a da pecuária extensiva, passando esta a ser mais intensiva. Também é verdade que já levamos 5 anos de ciclos contínuos de boas colheitas em ambos os hemisférios, ou seja, sem grandes fatores que reduzam de maneira significativa a produção num determinado semestre, e com isso termos um período de stocks em baixa. Dito isto, pode ser que nas próximas semanas continuemos a assistir a uma descida da farinha de soja e no caso dos cereais a uma movimentação ligada a uma evolução favorável do Forex. No entanto, não devemos esquecer que adivinhar ou ter fé em relação à evolução dos preços não é coisa deste mundo, assim temos que ter uma política de compras apropriada tendo em conta a margem gerada com o nosso negócio.

16 a 20 Jan

de câmbio da moeda local contra o dólar, sendo esta uma razão já apontada em edições anteriores desta crónica. Se servir de guia, os fundos a 14 de março estavam curtos, 24.000 contratos de milho, e 101.000 contratos de trigo. Assim, entre os stocks que já vinham da colheita passada, mais o que se espera das colheitas deste ano para o trigo e para milho, em particular para o brutal aumento da produção de milho comparativamente ao ano passado em que o Brasil teve uma colheita pequena, no total estamos a falar de mais 88 milhões, com um incremento dos stock finais de 10.000 tm.

12 BOAS RAZÕES PARA ESCOLHER

FACILIDADE DE PARTOS

ELEVADA RUSTICIDADE

RÁPIDO CRESCIMENTO

PARCEIRO IDEAL EM CRUZAMENTOS CARCAÇAS SEM RIVAL

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ELEVADO RENDIMENTO DE CARNE NOBRE

MEIOS MODERNOS NO TRATAMENTO DE DADOS PECUÁRIOS FERTILIDADE

PRECOCIDADE SEXUAL

QUALIDADES MATERNAIS E LEITEIRAS

TRANSMISSÃO DE GENÉTICA MELHORADORA

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RUMINANTES ABRIL . MAIO . JUNHO 2017 39


ECONOMIA

OBSERVATÓRIO DO LEITE POR JOANA SILVA Fontes: Agrimoney, Comissão Europeia, Fonterra, LTO, Rabobank

À medida que o mercado global mostra indícios de recuperação, 2017 iniciouse com diferentes tendências nos principais mercados mundiais. Na Europa, a diminuição voluntária da produção registada em dezembro passado chegou aos 3,4% em comparação com o mesmo período de 2015, ultrapassando a redução de 2,9% proposta perante Bruxelas. Em paralelo, os preços do leite têm vindo a aumentar, o que poderá constituir um incentivo ao aumento da produção o qual, em concordância com as previsões do passado trimestre, só se deverá verificar no segundo semestre do ano, se bem que de forma algo modesta. No entanto, este aumento pode ainda ser ensombrado pela possibilidade de refugo precoce de mais de 100 000 vacas leiteiras na Holanda devido aos elevados níveis de nitratos, os quais excederam no ano passado o limite máximo estabelecido na UE. Os Estados Unidos arrancaram o ano em força, tendo registado um aumento da produção leiteira na ordem dos 2,7% em janeiro, comparativamente ao mesmo período do ano anterior, em paralelo com o aumento do efetivo

40 ABRIL . MAIO . JUNHO 2017 RUMINANTES

nacional. A par da elevada produção, a procura interna é também bastante alta, em particular no que toca a produtos como o queijo e a manteiga, e tenderá a permanecer assim durante todo o ano. No entanto, parece existir alguma insegurança à luz da recente decisão do Presidente Trump em retirar os Estados Unidos do Tratado Transpacífico de Comércio Livre. As exportações de produtos lácteos são bastante relevantes para a balança financeira dos EUA, tendo atingindo em 2015 cerca de 14% da produção leiteira do país, com o México apresentando-se como o principal mercado de destino. Já na Nova Zelândia, a qual sofre com a combinação entre o impacto de vários anos de baixos preços e as condições climatéricas desfavoráveis vividas no final do ano passado, 2017 está a ser um ano longe do ideal mas, ainda assim, não tão mau quanto era previsto. Em janeiro, as recolhas de leite tiveram um decréscimo de 1% relativamente ao mesmo período de 2016, sendo essa redução de 5% entre junho de 2016 e fins de janeiro de 2017. A balança comercial global poderá beneficiar de um incremento das

importações por parte do gigante chinês, com um aumento de 20% previsto para 2017, devido à diminuição da produção e dos produtos lácteos em stock verificada durante o ano passado. O aumento da taxa de refugo e o encerramento de pequenas e médias explorações do setor apresentam-se como obstáculos ao crescimento da produção doméstica, a qual não deverá crescer mais de 1% durante este ano. Espera-se que, durante a próxima década, o crescimento do setor leiteiro seja bastante moderado estando previsto um aumento de 1.3 milhões de toneladas anuais durante a próxima década na UE, valor ainda assim abaixo dos últimos anos. No entanto, prevêse que, em 2026, a UE lidere a lista de exportadores de produtos lácteos, mesmo com mais de 85% da totalidade da produção destinada ao mercado interno. Apesar das previsões de contínua diminuição da procura de leite, a procura de produtos como o queijo e a manteiga deverá crescer, quer por parte da indústria, quer pelos consumidores domésticos o que, em paralelo com o crescimento populacional, deverá impulsionar o setor.


ECONOMIA

PREÇO DO LEITE STANDARDIZADO (1) PAÍSES

COMPANHIA

LEITE À PRODUÇÃO PREÇOS MÉDIOS MENSAIS EM 2016/2017 PREÇO DO LEITE (€/100KG) JANEIRO 2017

MESES

MÉDIA DOS ULTIMOS 12 MESES (5)

EUR/KG

TEOR MÉDIO DE MATÉRIA GORDA (%)

TEOR PROTEICO (%)

ALEMANHA

Alois Müller

31,82

26,48

Contin.

Açores

Contin.

Açores

Contin.

Açores

DINAMARCA

Arla Foods

33,83

27,46

JANEIRO

0,283

0,293

3,82

3,88

3,21

3,20

Danone

32,59

31,61

FEVEREIRO

0,277

0,285

3,82

3,70

3,21

3,17

FRANÇA

Lactalis (Pays de la Loire)

32,77

29,65

MARÇO

0,279

0,281

3,84

3,70

3,24

3,20

Sodiaal

33,49

30,43

ABRIL

0,281

0,278

3,74

3,73

3,21

3,22

INGLATERRA

Dairy Crest (Davidstow)

31,01

26,70

MAIO

0,277

0,273

3,76

3,73

3,19

3,21

Glanbia

30,88

23.14

JUNHO

0,277

0,268

3,72

3,76

3,16

3,17

Kerry

31,08

24,96

JULHO

0,272

0,265

3,69

3,72

3,12

3,11

Granarolo (North)

36,35

36,67

AGOSTO

0,272

0,261

3,66

3,68

3,13

3,10

IRLANDA ITÁLIA HOLANDA

N. ZELÂNDIA EUA (4)

-

-

SETEMBRO

0,275

0,264

3,76

3,76

3,18

3,16

33,56

27,93

OUTUBRO

0,276

0,269

3,78

3,88

3,25

3,27

NOVEMBRO

0,284

0,274

3,86

3,90

3,26

3,29

Fonterra (3)

33,36

29,28

DEZEMBRO

0,298

0,282

3,81

3,85

3,26

3,27

EUA

39,77

34,64

JANEIRO

0,288

0,272

3,90

3,78

3,26

3,23

DOC Cheese FrieslandCampina

PREÇO MÉDIO LEITE

2016

(2)

Fonte: LTO (1) Preços sem IVA pagos ao produtor; Preço do leite de diferentes empresas leiteiras para 4,2% de MG, 3,4% de teor proteico e CCS de 249,999/ml . (2) Média aritmética . (3) Baseado na previsão mais recente . (4) Reportado pela USDA . (5) Inclui o pagamento suplementar mais recente

2017

Fonte: SIMA Gabinete de Planeamento e Políticas

PROTEÍNA BRUTA É COISA DOS ANOS 80. A ciência e a tecnologia mudaram adaptando-se aos novos tempos. E a sua forma de formular, também se adaptou? Estratégias e formulações nutricionais adequadas frente àquelas já obsoletas, marcam a diferença entre explorações leiteiras, especialmente quando se trata de nutrição proteica. Encontrar a estratégia mais eficaz na formulação com base em aminoácidos para cada exploração e contexto económico, só se pode fazer com aqueles produtos biodisponíveis realmente fiáveis. Para trás ficam os dias em que nos centrávamos somente nos níveis de proteína bruta. Devemos reformular as nossas dietas até alcançar níveis adequados de lisina e metionina com o objectivo de melhorar os custos de produção e a eficiência proteica (rentabilidade da ração), ao mesmo tempo que nos preocupamos pelo meio ambiente. Formular com Smartamine ®, Metasmart ® e LysiPEARL™ permitirá alcançar “grandes rentabilidades”. Reformule as suas dietas. De agora em diante, mais não significa melhor, no que diz respeito à proteína bruta. Para mais informação sobre estes produtos, por favor contacte a Kemin Tel + 351 214 157 501 ou +351 916 616 764 - www.kemin.com MetaSmart® is a Trademark of Adisseo France S.A.S. 2015_advert Smartmilk_port.indd 1

12/06/15 10:57

RUMINANTES ABRIL . MAIO . JUNHO 2017 41


ECONOMIA

ÍNDICE VL e ÍNDICE VL-ERVA “CADA VEZ MAIS DIFÍCIL A VIDA DOS PRODUTORES DE LEITE” POR ANTÓNIO MOITINHO RODRIGUES, DOCENTE/INVESTIGADOR, CERNAS-IPCB, ESCOLA SUPERIOR AGRÁRIA DO INSTITUTO POLITÉCNICO DE CASTELO BRANCO CARLOS VOUZELA, DOCENTE/INVESTIGADOR, IITAA, UNIVERSIDADE DOS AÇORES, R. CAPITÃO JOÃO D’ÁVILA – PICO DA URZE, 9700-042 ANGRA DO HEROÍSMO, AÇORES, PORTUGAL NUNO MARQUES, REVISTA RUMINANTES

Analisamos neste número da Ruminantes os Índices VL e VL-ERVA para o período de novembro de 2016 a janeiro de 2017. De acordo com os dados do SIMA-GPP (2017), durante o trimestre em análise, o preço médio do leite pago aos produtores individuais do continente variou entre 0,284 €/kg em novembro e 0,298 €/kg em dezembro, tendo o preço médio do trimestre sido superior em 5,7% quando comparado com o preço pago pelo leite no trimestre anterior. Na Região Autónoma dos Açores, o preço médio do leite pago aos produtores individuais variou entre 0,282 €/kg em dezembro e 0,272 €/kg em janeiro com preço médio trimestral superior em 4,3% relativamente ao trimestre anterior. Consultando os dados do MMO (2017), verifica-se que a média de preços do leite pago ao produtor no período de novembro de 2016 a janeiro de 2017 foi, mais uma vez, muito inferior em Portugal (0,289 €/kg) quando comparado com a média da UE28 (0,327 €/kg). Relativamente ao trimestre anterior, os preços médios de todas as matériasprimas que entram na formulação dos alimentos compostos utilizados neste trabalho sofreram um aumento. Destacamse o bagaço de girassol (16,3%) e o bagaço de colza (12,6%). Esta evolução provocou um aumento de 4% no preço do alimento composto utilizado para calcular o Índice VL o que influenciou o custo da alimentação da vaca leiteira tipo que aumentou 2,4%. Embora na Região Autónoma dos Açores o preço do alimento composto tenha aumentado apenas 3,3%, como o regime alimentar da

vaca tipo inclui, a partir de setembro, menor consumo de pastagem e maior consumo de alimento composto, coadjuvado com alimentos conservados, ocorreu um aumento de 12,4% no custo total do regime alimentar por comparação com o trimestre anterior. A evolução do preço do leite e dos custos da alimentação refletiu-se no Índice VL e no Índice VL-ERVA que em janeiro de 2017 foi, respetivamente, de 1,546 e de 1,663. De referir que em janeiro de 2016 o Índice VL havia sido de 1,611 e o Índice VLERVA de 2,198. Um índice inferior a 1,5 (valor muito baixo) indica forte ameaça para a rentabilidade da exploração leiteira; um índice entre 1,5 e 2 (valor moderado) indica que a produção de leite é um negócio economicamente viável, tanto mais interessante quanto mais próximo de 2 estiver; um índice maior do que 2 (valor elevado) indica que estamos perante uma situação muito favorável para o sucesso económico da exploração (Schröer-Merker et al., 2012). Durante o trimestre em análise, os Índice VL e VL-ERVA atingiram em janeiro, respetivamente, os valores mínimos de 1,546 e 1,663 pelo que se pode concluir que os produtores de leite do continente e agora, também, os dos Açores estão a atravessar momentos muito difíceis. Ou seja, estão no limiar da rentabilidade económica da exploração, situação que tenderá a agravar-se se os preços do leite pago à produção continuarem muito baixos e se o preço das matérias-primas, que entram na formulação dos alimentos granulados, continuarem a aumentar.

EVOLUÇÃO DO ÍNDICE VL

O Índice VL é influenciado pela variação mensal do preço do leite pago ao produtor no continente e pelas variações mensais dos preços dos alimentos que constituem o regime alimentar da vaca leiteira tipo (concentrado 9,5 kg/ dia; silagem de milho 33 kg/dia; palha de cevada 2 kg/dia). Valor do Índice VL

42 ABRIL . MAIO . JUNHO 2017 RUMINANTES

DE JANEIRO DE 2016 A JANEIRO DE 2017 Os valores são influenciados pela variação mensal do preço do leite pago ao produtor individual do continente (Índice VL) e da Região Autónoma dos Açores (Índice VL-ERVA) e pelas variações mensais dos preços de 5 matérias-primas utilizadas na formulação do concentrado e pelo preço dos outros alimentos que integram o regime alimentar da vaca leiteira tipo. ÚLTIMOS 13 MESES

ÍNDICE VL

ÍNDICE VL ERVA

1,611

2,198

FEVEREIRO

1,612

2,081

MARÇO

1,608

1,813

ABRIL

1,587

2,105

MAIO

1,478

1,929

JUNHO

1,460

1,859

JANEIRO

2016

2017

JULHO

1,458

1,874

AGOSTO

1,502

1,895

SETEMBRO

1,541

1,942

OUTUBRO

1,542

1,693

NOVEMBRO

1,564

1,707

DEZEMBRO

1,621

1,740

JANEIRO

1,546

1,663

2,0

Valores do Índice VL

DE JULHO DE 2012 A JANEIRO DE 2017

EVOLUÇÃO DO ÍNDICE VL e ÍNDIVE VL-ERVA

1,5

1,0 julho 2012

Limiar de rentabilidade

janeiro 2017

Negócio saudável

Forte ameaça para a rentabilidade da exploração


ECONOMIA EVOLUÇÃO DO ÍNDICE VL-ERVA DE JULHO DE 2013 A JANEIRO DE 2017 O Índice VL–ERVA é influenciado pela variação mensal do preço do leite pago ao produtor na Região Autónoma dos Açores e pelas variações mensais dos preços dos alimentos que constituem o regime alimentar da vaca leiteira tipo (primavera/ verão 60 kg/dia de pastagem verde, 10 kg/dia de silagem de erva e de milho, 5,6 kg/dia de concentrado; outono/inverno 47 kg/dia de pastagem verde, 13,3 kg/dia de silagem de erva e de milho, 6,7 kg/dia de concentrado).

Valores do Índice VL Erva

3,0

O Índice VL-ERVA reflete uma realidade mais adequada à ilha de S. Miguel.

NOTAS: • comparando com o mês de janeiro de 2016, em janeiro de 2017 o preço do leite pago aos produtores do continente foi superior em 0,5 cêntimos/kg e o preço do leite pago aos produtores dos Açores foi inferior em 2,1 cêntimos/kg. A política de preços baixos, com valores muito inferiores à média EU28, situação que se mantém desde a primavera de 2015, está a afetar a produção de leite nacional. Consideramos que não havendo alterações a esta política, Portugal tornar-se-á, também, um país dependente da importação de leite, tal como já acontece com muitos outros produtos animais

2,0

1,5

1,0 julho 2013

janeiro 2017

Valor do Índice VL-ERVA Negócio saudável

Limiar de rentabilidade

Forte ameaça para a rentabilidade da exploração

(carne bovina, carne suína, iogurte, queijo,…); • durante o trimestre verificou-se um aumento do preço das principais matérias-primas que entram na formulação dos alimentos compostos. Esta evolução contribuiu para aumentar o custo do regime alimentar utilizado para calcular o Índice VL de tal forma que, em janeiro de 2017, os gastos por dia com a alimentação da vaca tipo foram 29,7 cêntimos mais elevados do que em janeiro de 2016. Também nos Açores, o custo diário da alimentação da vaca tipo utilizada para calcular o Índice VL–ERVA foi 21,1 cêntimos mais caro em janeiro de 2017 do que tinha sido em janeiro de 2016.

• no trimestre em análise os preços dos alimentos forrageiros utilizados na formulação do regime alimentar não apresentaram diferenças representativas relativamente ao trimestre anterior; • as três considerações anteriores refletem-se no Índice VL e no Índice VL-ERVA que em janeiro de 2017 foram, respetivamente, de 1,546 e 1,663; REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: Não foram incluídas por uma questão de espaço editorial, mas os autores disponibilizam bastando enviar um email para geral@revista-ruminantes.com.

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RUMINANTES ABRIL . MAIO . JUNHO 2017 43


ALIMENTAÇÃO

RUMEN HEALTH SYSTEM COMPREENDA A SAÚDE RUMINAL DAS SUAS VACAS, COM PRECISÃO O rúmen das suas vacas está a funcionar corretamente? Que impacto tem a mudança de ingredientes e/ou o seu processamento nas dietas das suas vacas? Estarão as dietas a provocar acidose ruminal? Será que podemos melhorar o desenvolvimento da flora ruminal e a performance dos animais controlando o pH ruminal de forma mais consistente, todos os dias? Estará a equilibrar a fibra proveniente das forragens e subprodutos para garantir a saúde ruminal? Pode ter resposta a todas estas questões utilizando o Cargill Animal Nutrition Rumen Health System, e é disso que vamos falar neste artigo.

O QUE É O “RUMEN HEALTH SYSTEM”? O “Rumen Health System” contém vários componentes, incluindo o Modelo exclusivo da Cargill Animal Nutrition (CAN) para avaliação da função ruminal: o “Rumen Health Index” (rH Index). O objetivo, quando formulamos dietas para vacas leiteiras de alta produção, é maximizar a ingestão energética garantindo simultaneamente as condições ideais no interior do rúmen (pH). O “rH Index” é uma peça chave nesta otimização porque considera tanto os efeitos físicos como os químicos sobre a função ruminal. Antes de maximizarmos a produtividade do animal, devemos maximizar a sua função ruminal. Cada ingrediente

da dieta (forragem, concentrado, subprodutos, minerais, etc.) tem o seu efeito sobre a saúde ruminal, por isso o MAX® System, da CAN, trabalha com base no modelo “rH Index”, para poder estimar os efeitos do arraçoamento na saúde ruminal. O modelo “rH Index” calcula o equilíbrio entre o tamanho da partícula da forragem e do concentrado e o seu processamento, o teor de NDF e a sua digestibilidade, a sua composição em amidos e açúcares, a capacidade tamponizante de todos os ingredientes, além de outros fatores, para chegar à predição do pH ruminal para toda a dieta.

GRAFICO 1 Fatores que afetam o Rumen Health Index.

FATORES POSITIVOS

TEMPO DE MASTIGAÇÃO

+

MOLÉCULAS ALCALINAS

Tamanho da partícula Amónia Estrutura Substâncias Tampão Teor de NDF

FATORES NEGATIVOS

-

PRODUÇÃO DE ÁCIDO + INGESTÃO DE ÁCIDO

= rh

Rumen Health Index

Acidez dos ingredientes Tipo de amidos e açúcares Digestibilidade dos amidos e açúcares

QUE FATORES AFETAM O “RUMEN HEALTH INDEX”?

CARLOS MARTINHO
 STRATEGIC & TECHNICAL DIRETOR, CARGILL ANIMAL NUTRITION (CAN) carlos_martinho@cargill.com

44 ABRIL . MAIO . JUNHO 2017 RUMINANTES

Quando maximizamos a função ruminal, estamos a trabalhar no sentido de maximizar a atividade microbiana. Este procedimento permite-nos extrair a maior quantidade de energia possível dos componentes fibrosos (digestibilidade do NDF) e maximizar a produção de proteína microbiana através da promoção do crescimento dos microrganismos ruminais (aporte de aminoácidos de elevada qualidade). As dietas mais económicas são aquelas que utilizam o rúmen em todo o seu potencial. O nosso trabalho é procurar constantemente formas de melhorar o conhecimento sobre a função ruminal e aporte de nutrientes. O “rH Index” é um componente chave na compreensão deste processo.


ALIMENTAÇÃO

PRINCIPAIS COMPONENTES DO “RUMEN HEALTH SYSTEM” ANÁLISES LABORATORIAIS - Análises precisas da composição nutricional de cada ingrediente que compõe a dieta FERRAMENTAS DE AVALIAÇÃO DA DIETA NO TERRENO - Avaliam com precisão as características físicas de cada ingrediente AUTOCALC® - Sistema que incorpora a avaliação laboratorial e física dos ingredientes no seu perfil nutricional RH INDEX - Estima o impacto da dieta na saúde ruminal MILK FAT INDEX - Efetua uma previsão sobre a evolução do Teor Butiroso do leite MAX® - Sistema que transpõe a função ruminal para arraçoamentos adequados e produtos formulados à medida dos clientes. A combinação destas ferramentas com o modelo exclusivo da CAN, de avaliação das necessidades do animal, são os elementos chave para ajustar a quantidade de nutrientes a fornecer a cada vaca, em determinado período, da forma mais rentável e eficiente.

PORQUE RAZÃO SE DEVE UTILIZAR O “RH INDEX”? Pelo valor acrescido que nos pode dar. Quer pelo valor económico, quer pelo tempo que se poupa a atingir os objetivos ou pela diminuição das preocupações que possamos ter. Cada exploração tem as suas particularidades e o compromisso é “desenhar” e aplicar soluções inovadoras que se enquadrem em cada uma delas. Compreender exaustivamente a estrutura física dos diferentes ingredientes e o seu impacto na função ruminal é difícil. Os resultados pela utilização deste índex poderão ser altamente compensatórios, garantindo uma melhor saúde animal e uma utilização eficiente dos nutrientes da dieta no interior da vaca leiteira.

Para os resultados serem consistentes é necessário que existam: • Análises laboratoriais exatas, elas são o pilar principal de qualquer sistema nutricional. A Cargill tem uma rede mundial de laboratórios dedicada à avaliação e compreensão exaustiva do perfil nutricional dos ingredientes. • Ferramentas de avaliação da dieta no terreno, que avaliem a disponibilidade nutricional dos ingredientes. Permitem medir quantitativamente as diferenças entre as características físicas das forragens e concentrados. Quando uma característica é determinada, é introduzida no sistema AutoCalc® para se poder ajustar o perfil nutricional desse ingrediente. • Um sistema de arraçoamento, MAX®, que vai utilizar este perfil nutricional ajustado para poder formular de forma mais precisa tendo em conta as necessidades do animal. Associar a

forma física do ingrediente, a fermentação ruminal, a quantidade de aminoácidos e a performance animal através de um sistema nutricional, conduz a um arraçoamento mais consistente e eficaz para os seus animais. • Um sistema que atualize os perfis nutricionais dos ingredientes, AutoCalc®: este sistema fornece meios práticos e dinâmicos para poder ajustar mais de 100 nutrientes, incluindo o teor de aminoácidos e aporte de aminoácidos oriundos da proteína microbiana, através de uma análise de nutrientes chave dos ingredientes. Isto é conseguido pelos laboratórios da empresa, que investem muito do seu tempo na elaboração de complexas equações — tendo por base a análise química húmida e os estudos da digestibilidade animal — que atualizam corretamente os perfis nutricionais em tempo real. • Um programa que preveja o impacto da dieta na saúde ruminal - Rumen Health (rH) Index. O “rH Index” permite combinar a informação da análise dos nutrientes com as suas características físicas para poder prever o seu impacto no pH ruminal. Cada ingrediente que a vaca come tem um efeito diferente no pH ruminal. As

TABELA 1 Arraçoamento tipo. DIETA 1

DIETA 2

MATÉRIA ORIGINAL

47,9 kg

47,9 kg

MATÉRIA SECA

21,0 kg

21,0 kg

% FORRAGEM

61,0%

61,0%

eNDF

30,3%

30,3%

0,11

0,19

rH Index pH ruminal

6,01

6,2

Milk Fat Index

0,296

0,372

TB previsto

3,75%

3,90%

forragens de partículas longas estimulam a mastigação, o que aumenta a produção de saliva, o seu afluxo ao rúmen e, consequentemente, a sua tamponização. Os ingredientes com elevado teor de amido fazem diminuir o pH ruminal mas o seu impacto global pode ser diferente mediante alguns fatores físicos como, por exemplo, o seu processamento / moenda. Um pH ruminal muito baixo pode dar origem a uma diminuição da digestibilidade da fibra e consequentes problemas de saúde para os animais. • Um sistema de arraçoamento, MAX®, que utiliza esta informação para formular dietas mais específicas e adequadas tendo em linha de conta o pH ruminal. Este sistema permite associar a análise dos nutrientes, as características físicas dos ingredientes e a performance dos animais recorrendo a um sistema nutricional, que nos conduz a uma dieta mais precisa e consistente para os seus animais.

COMO PODE APLICAR O “RH INDEX”? O “rH Index” não é uma teoria abstrata que funciona apenas num mundo perfeito. Antes pelo contrário , ele está presentemente a funcionar no mundo, a avaliar o impacto das mudanças de ingredientes, a monitorizar o pH ruminal e a criar soluções nutricionais à sua medida. Este sistema está ao seu alcance, basta que permita que os nossos técnicos analisem o atual arraçoamento das suas vacas utilizando as mais recentes informações do “rH Index” e permita que o nosso Sistema MAX® lhe forneça uma solução clara e de vanguarda.

RUMINANTES ABRIL . MAIO . JUNHO 2017 45


GENÉTICA

CENTRO DE CEYZÉRIAT EM NÚMEROS O PROGRAMA DE SELEÇÃO DA RAÇA • Seleção com base no mutualismo • 15.000 criadores, dos quais 2.400 estão ativos no desenvolvimento da genética • 415.500 vacas adultas registadas no livro da raça e contrastadas.

• Núcleo de seleção de fêmeas • “ Genumo” intense • E stação de transferência de embriões • Transferência de embriões na exploração • 800 touros progenitores • 23.000 fêmeas genotipadas por ano

• Uma ambiciosa e precisa escolha de jovens touros • 8 0 jovens touros para difusão de sémen • 200 touros testados na estação • 2000 DNA de vitelos testados nas explorações

AVALIAÇÃO DA PERFORMANCE DOS TOUROS • Cada candidato é selecionado por: • • • • • •

ficiência alimentar E Média crescimento diário Carne Patas e pernas Condição corporal Produção de sémen

• e mais o seu valor genético com Seleção Genómica IMAGEM 1 Centro de Ceyzeriat - Receção dos touros jovens.

MONTBÉLIARDE A ROBUSTEZ DAS RAÇAS LEITEIRAS No início deste ano estivemos em Bourg-en-Bresse, na zona Este de França, para assistir a uma apresentação nacional da raça Montbéliarde, organizada pela Umotest/Coopex. Aproveitámos a oportunidade para visitar explorações de vacas leiteiras na região e o centro de genética de Ceyzériat (um dos três centros da organizaçao Umotest/Coopex Montbéliarde). Entrevistámos também Tristan Gaiffe, diretor geral da Umotest Coopex, a união de cooperativas que representa 85% da raça Montbéliarde. POR RUMINANTES

A apresentação nacional da raça Montbéliarde tem a duração de um dia, e conta com a presença de vacas de toda a França. É um verdadeiro espetáculo da raça, onde todos os produtores presentes vivem com muita emoção o julgamento do juiz. É também uma oportunidade para trocar ideias com os intervenientes deste negócio e promover a raça junto de potenciais compradores estrangeiros.

46 ABRIL . MAIO . JUNHO 2017 RUMINANTES

As explorações são de dimensão média, com maneio, produções e gestão parecidos com o que temos, mas com diferença na aproximação ao mercado, porque produzem leite para queijo e quase toda a agricultura é feita em associativismo, através do GAEC (“Grupo Agrícola Em Conjunto”), ou seja, grupos de 4, 5, 6 agricultores que se associam para reduzirem custos de operação, trabalho... e beneficiarem de redução de impostos.


GENÉTICA

IMAGEM 2 Grupo de filhas de touros Montbéliarde.

do Este, Sudoeste e Centro de França, existindo também alguns focos importantes no Sudoeste e Oeste da Bretanha. Além da presença nacional, a Montbéliarde é exportada para todo o mundo, sendo assim uma das “joias” da indústria da genética francesa.

Tristan Gaiffe é diretor geral do grupo Umotest Coopex desde 2002 e disponibilizou-se para uma entrevista sobre o negócio da cooperativa e da raça Montbéliarde. Ruminantes - Qual é a história da raça Montbéliarde nas últimas décadas? Tristan Gaiffe - A Montbéliarde é o símbolo do lado rural do Franco-Condado mas pode ser encontrada por toda a França e também noutros países, devido ao grande apreço pela sua longevidade e adaptabilidade. A sua história remonta ao século XVIII quando os agricultores de Bernese Oberland (Suíça) vieram instalar-se na região de Montbéliarde, trazendo consigo gado que pertencia à família reprodutiva Pie-Rouge e à linhagem Simmental, que devido a uma seleção metódica ficou rapidamente conhecido. O reconhecimento oficial da raça deu-se em 1889, durante a Exposição Universal em Paris. Hoje em dia, a raça constitui 95% do gado leiteiro do FrancoCondado. Com origens leiteiras e um alto potencial proteico, está também fortemente implementada nas regiões

O que é a Umotest-Coopex? O Grupo Umotest é uma cooperativa constituída por nove cooperativas locais de reprodução através de inseminação artificial e três empresas locais de negociação de gado. A sua missão é selecionar os melhores touros Montbéliarde e produzir sémen congelado para venda no mercado francês e para exportação. A Coopex Montbéliarde, o ramo exportador da cooperativa, é especializada na negociação de novilhas prenhas e sémen em mais de 60 países. O grupo representa 15.000 produtores de leite com Montbéliarde, vendendo um total de 650.000 inseminações artificiais por ano e exportando mais de 7.000 novilhas Montbéliarde por ano. O esquema de reprodução Umotest foi criado como uma cooperativa pelos produtores com vacas Montbéliarde, para contribuir para o seu futuro rebanho a nível genético. Uma vez que são necessários vários esforços para obter a genética ideal, a Umotest tem vindo a inovar nos últimos 45 anos, providenciando uma vasta oferta da melhor genética capaz de se adaptar à diversidade dos sistemas de produção leiteira existentes, que é então exportada pela Coopex Montbéliarde.

outra empresa, localizada na região de Jura, detém 15% do mercado. A Umotest é a única empresa em França a fazer uso das últimas tecnologias em genética: genómica em fêmeas e machos, sémen sexado, fertilização in vitro, controlo de inbreeding e transferência de embriões na exploração. Que serviços oferecem aos vossos clientes? Em França, a maior atividade da empresa é a inseminação artificial, através de uma rede de inseminadores que cobrem todo o território nacional, e efetuam cerca de 95% das 650.000 inseminações efetuadas por ano. Outros serviços oferecidos são: programas de cobrição, ferramentas de deteção de cios, confirmação de gestação e transferências de embriões. Em França, como se posiciona a raça Montbéliarde em relação às outras raças de aptidão leiteira? Número de vacas Montbéliarde em idade produtiva: 670.000 • Incluindo 444.000 com performances leiteiras monitorizadas e 250.000 com performances morfológicas monitorizadas. • 17% é a cota de vacas Montbéliarde na população bovina francesa. • A média de lactação de 2015 (333 dias) foi de 8 444 kg de leite ( 3,87% de teor butiroso e 3,45% de teor proteico).

RAÇA MONTBÉLIARDE O grande potencial proteico leva a que a raça seja usada na produção de certos queijos com certificação de Origem Controlada como o Comté, Saint Nectaire e Tomme de Savoie. A carne é também muito apreciada. A Montbéliarde, com o seu aspeto charmoso, é famosa pelas manchas vermelhas sobre uma pelagem branca. As suas pernas e cabeça são geralmente brancas, tornando mais fácil de reconhecer os animais da raça. Esta vaca robusta e elegante mede cerca de 1,45 metros e pesa entre 600 a 750 kg.

IMAGEM 3 Juvamine, filha do touro Gazeil, melhor úbere do concurso.

IMAGEM 4 Esquerda: Jean-Noël SAINTOT (Presidente Umotest/Coopex - Produtor Montbéliarde) - Direita: Tristan GAIFFE (Diretor Geral Umotest/Coopex).

O que valoriza os touros Umotest quando comparados com os de outras companhias vendedoras de Montbéliarde? O programa de reprodução e inseminação artificial da Umotest corresponde a 85% do mercado francês de Montbéliarde. Apenas

RUMINANTES ABRIL . MAIO . JUNHO 2017 47


GENÉTICA Qual é a representação da empresa nos outros países? Qual é o “top 3” dos países? Temos representação há mais de 40 anos na Suíça, Bélgica, Marrocos e Argélia. Iniciámos atividade nos anos 80 e 90 na Holanda, Reino Unido, Irlanda, República Checa e Itália. No início do ano 2000 alargámos a nossa representação aos Estados Unidos da América (EUA), Rússia e Portugal. Dos países enumerados, o top 3 para venda de sémen é: EUA, Reino Unido e Holanda. No que toca à venda de novilhas: Marrocos, Rússia e Argélia Quantas novilhas são exportadas? São exportadas cerca de 7.200 novilhas por ano Qual é a vossa representação no mercado português e como planeiam desenvolvê-la? A Procross é a nossa ferramenta para desenvolvimento da raça em Portugal, a cargo do Carlos Serra, da Ugenes Lda. O facto de a Montbéliarde estar adaptada ao pasto pode ser um trunfo para a expandir para o mercado açoriano. Qual é a principal imagem de marca que vos diferencia das outras empresas de genética? Quais os principais objetivos da vossa seleção genética? O programa genético da Umotest marca a diferença pelo tamanho da sua representação e pela capacidade de selecionar animais capazes de se adaptarem tanto ao sistema de pastoreio montanhoso do local de origem da raça (região de Jura) como aos sistemas intensivos presentes na zona Ocidental de França, nos EUA, Holanda e até mesmo em Portugal Continental. Quão importante é a investigação e desenvolvimento para a vossa cooperativa? Estamos empenhados a 100% nesse departamento, sendo que os projetos principais são a colheita de dados relativos à saúde dos animais e investigação dos elementos presentes no leite que poderão

dar origem a uma melhor produção de queijo.

como o valor aumentado dos vitelos e vacas refugadas.

Qual foi o foco do melhoramento genético nos últimos anos? A produção de quilos de sólidos, bem como características morfológicas mais saudáveis, tais como uma melhor fertilidade, resistência a mastites e uma longevidade aumentada.

Que outras vantagens competitivas possui a Montbéliarde? Resistência e uma boa condição corporal que levam a: • Melhor fertilidade, que tem um efeito direto no intervalo entre partos, e um menor número de dias em lactação, levando a um melhor índice de conversão de alimentação. • Um aumento da longevidade (mais uma lactação), o que leva a uma diminuição do custo de produção. • Um lucro adicional com os animais vendidos para carne. • Um leite perfeitamente adaptado à produção de queijo.

Como pensa melhorar nos próximos anos? Mantendo os mesmos objetivos e desenvolvendo uma melhor saúde das unhas e conversão de alimentos, bem como um melhoramento do rendimento queijeiro. No que toca ao sémen sexado, qual é a posição da cooperativa? A Coopex e a Umotest foram o primeiro grupo em França a produzir sémen sexado (em 2009). Até hoje, mais de 200.000 amostras de sémen sexado de Montbéliarde são usadas por ano em França e são exportadas. A Montbéliarde é a raça número um em termos de uso de sémen sexado em França, graças ao investimento da Umotest/Coopex. O enorme aumento da utilização de sémen sexado deve-se ao aumento da exportação de novilhas. É também de sublinhar que esta técnica é cada vez mais vista como uma ferramenta de progresso pelos produtores, sendo que o sémen sexado é utilizado em 30% das melhores novilhas e vacas do rebanho francês. Na sua opinião, porque é que a raça Montbéliarde é a melhor opção para os produtores, tendo em conta o atual preço baixo do leite? A Montbéliarde permite baixar os custos de produção (rações mais baratas devido a um maior teor de forragens) e permite obter um preço mais alto do leite devido ao alto teor proteico e baixa contagem de células somáticas. A melhor fertilidade e maior longevidade também contribuem para o baixo custo de produção, assim

48 ABRIL . MAIO . JUNHO 2017 RUMINANTES

Existe uma discussão crescente sobre devolver a robustez às vacas leiteiras com um afastamento das vacas altas produtoras. Qual é a sua opinião quanto a esta tendência? É exatamente essa a filosofia da raça Montbéliarde há mais de 50 anos. Já nos anos 50 existiam vacas Montbéliarde a produzir 9000 litros por lactação e a demonstrar maiores características leiteiras. Foi escolha dos produtores na altura a de não comprometer o vigor e robustez da raça, mantendo a musculatura e condição da mesma. A Montbéliarde pode ter um menor progresso de produção leiteira que outras raças mais especializadas, mas é sem dúvida a raça a apostar no que toca à saúde, fertilidade e longevidade. Como veem o mercado da genética daqui a 5 anos? Vemos um aumento do crossbreeding na produção leiteira. Nós vemos o Procross desenvolver-se muito em diversos países. A consaguinidade está a afetar muitos produtores com a raça Holstein pura, chegando a níveis acima dos 7 % em alguns países - 6,25% dos 7% representam a consaguinidade com o cruzamento com um primo. A longevidade e saúde dos animais

não vão melhorar devido à falta de diversidade. Por estas razões, vemos cada vez mais produtores de leite a realizar crossbreeding e particularmente Procross, uma vez que estas opções podem produzir os efeitos desejados na fertilidade, resistência e longevidade, em apenas uma geração. Onde veem a Coopex Montbéliarde daqui a 5 anos? Hoje em dia a exportação de sémen é igual ao mercado nacional, com mais de 650.000 doses exportadas. Em 5 anos, pensamos que este número irá facilmente duplicar. Como veem a parceria da Coopex Montbéliarde com a Procross? A Procross nasceu nas explorações Californianas através de uma base de dados bastante sólida publicada pela Universidade do Minnesota, que já foi desde então confirmada por vários institutos de investigação em diferentes países Europeus. A combinação das três raças (Holstein, Vermelha Sueca e Montbéliarde) é um sucesso tanto a nível técnico como a nível económico. A Procross representa também uma aliança estratégica entre a Coopex Montbéliarde e a Viking Genetics, sendo a primeira deste género na indústria da inseminação artificial. Para o crescimento da Coopex esta aliança é bastante interessante, representando cerca de 60% das vendas, com expectativas de um crescimento nos próximos anos. A Procross está também a ser desenvolvida em França? A Procross está no mercado Francês através da PASS, que por sua vez pertence à Coopex. A empresa está em constante progresso, na sua maioria em rebanhos com mais de 100 vacas. Estamos a crescer mais de 20% por ano. Segundo os dados dos Instituto Francês de Pecuária (IDELE) as vacas francesas cruzadas com Montbéliarde estão a demonstrar resultados semelhantes às vacas americanas.


PROCROSS

O Único programa de crossbreeding no mundo já provado

A Montbeliarde Transmite

• Condição corporal • Força e Robustez • Longevidade

• Sólidos do Leite • Cascos sólidos

• Alta mobilidade dos animais

Alguns dos actuais melhores touros que estão disponiveis • Elastar

• Crasat

• Camel

ISU 158

ISU 149

ISU 148

• Urbaniste ISU 144

• Ugostar

• Triomphe

• Corsica

• Ulemo

Para mais informações contacte-nos:

ISU 138

ISU 133

ISU 134

ISU 118

+351 917 534 617 - carlosserra@unigenes.com

MONTBELIARDE/HOLSTEIN/VIKING RED VIKING RED/HOLSTEIN/MONTBELIARDE


ALIMENTAÇÃO

PEDRO CASTELO DIRETOR TÉCNICO ZOOPAN pedro.castelo@zoopan.com

PRODUÇÃO DE LEITE DE CABRA

INTERESSE NUTRICIONAL E ECONÓMICO Apesar da maioria do leite consumido ser de vaca, a procura de leite de cabra tem vindo a aumentar na Europa. Esta tendência deve-se ao facto das suas características nutricionais apresentarem algumas vantagens em relação ao leite de vaca: • Rico em proteínas de qualidade, contêm inúmeros aminoácidos essenciais que devem ser considerados na dieta e que nós não temos capacidade de sintetizar. • Um aporte importante de ácidos gordos essenciais. • Rico em cálcio e outros minerais (magnésio, potássio, zinco, iodo, cromo e molibdénio). • Rico em vitaminas A, B, D e E.

com o leite de vaca, como é o caso do ácido butírico (C4), do ácido caprílico (C6), do ácido caproico (C8) e do ácido cáprico (C10). Estes ácidos de cadeia curta e média não são absorvidos

UMA DAS PRINCIPAIS VANTAGENS DO LEITE DE CABRA É A SUA MATÉRIA GORDA, POIS APRESENTA DUAS PARTICULARIDADES: ÁCIDOS GORDOS DE CADEIA CURTA E MÉDIA E GLÓBULOS DE GORDURA PEQUENOS.

O interesse nutricional do leite de cabra não se limita apenas à estrutura da sua matéria gorda. Este é também uma fonte interessante de minerais, vitaminas e energia. Os teores dos nutrientes são ligeiramente mais elevados que no leite de vaca para o cálcio e fósforo e notavelmente superiores em magnésio, potássio e cloro. O nível de selénio é importante pois este mineral apresenta um elevado poder antioxidante. No que concerne às vitaminas, o leite de cabra é rico em vitaminas B1, B2, B3, B5, B6 e B8. A vitamina A de origem alimentar pode ser fornecida sob a forma de retinoides ou sob a forma dos percursores dos retinoides que são os carotenos. Contrariamente aos outros leites, o leite de cabra não contêm carotenos mas unicamente retinoides, conferindo-lhe a sua cor branca característica.

A matéria gorda do leite é constituída por 98% de triglicéridos (a estrutura de triglicéridos é formada por uma molécula de glicerol e três moléculas de ácidos gordos). Esta proporção de ácidos gordos do leite de cabra apresenta o dobro da proporção em ácidos gordos de cadeia curta e média quando comparado

GLÓBULOS DE GORDURA PEQUENOS A matéria gorda do leite está presente sob a forma de glóbulos gordos. O leite de cabra contém uma proporção superior de pequenos glóbulos com diâmetro inferior a 3 µm (63 %) quando comparado com o leite de vaca (43%), contribuindo para uma melhor digestibilidade.

EM PORTUGAL Relativamente a Portugal, os produtos de cabra são dos que mais crescem no mercado nacional de lácteos, apesar de continuarmos a ser deficitários (figura 1). Relativamente ao efetivo caprino, temos assistido a um decréscimo ao longo dos últimos anos tal como podemos observar na figura 2, no entanto acompanhado por um aumento das produções médias por animal (figura 3). FIGURA 1 Auto-aprovisionamento de queijo em Portugal. 80

60

(%)

ÁCIDOS GORDOS

através do sistema circulatório geral como os outros ácidos gordos, vão diretamente para o fígado onde são oxidados, produzindo energia em vez de gordura.

40

20

0 2010

2011

2012

2013

Ano 50 ABRIL . MAIO . JUNHO 2017 RUMINANTES

2014

2015


ALIMENTAÇÃO

DOIS ARRAÇOAMENTOS POSSÍVEIS

FIGURA 2 Efetivo caprino em Portugal.

Efetivo (x 1000)

500

Após demonstrado o interesse do leite de cabra e o nível de produção em Portugal, iremos apresentar dois arraçoamentos possíveis (A– à base de alimento concentrado e palha; B–TMR à base de silagem de milho, silagem de erva e feno) adequados para uma produção de leite com TB – 40 g/l e TP – 34 g/l, considerando um grupo de cabras Saanen com 120 dias de lactação médios e 35 % de primíparas (tabela 1).

400 300

200 100 0 2006

2007

2008

2009

2010

2011

2012

2013

2014

2015

Preços

Ano

Em relação às forragens (silagem de milho e erva, fenosilagem, feno e palha) considerámos valores (preços e níveis nutricionais) que facilmente encontramos em Portugal. No que diz respeito ao alimento concentrado, considerámos preços atuais e matérias-primas disponíveis no mercado com custos de fabrico e margem comercial praticados. De acordo com o nosso caderno de encargos e,

FIGURA 3 Produção de leite de cabra em Portugal.

Produção Leite (x1000 l)

14000 13000 12000 11000 10000 8000 6000 4000 2000 0 2006

2007

2008

2009

2010

2011

2012

2013

2014

2015

Ano

ainda, respeitando os limites de incorporação de matériasprimas utilizadas, para o objetivo de produção e tendo em conta a espécie animal, fizemos dois arraçoamentos diferentes. O alimento concentrado desenhado está adaptado a cada sistema de produção de forma a obter-se o nível nutricional pretendido e o milho em grão seria fornecido na sala de ordenha. O elevado nível de necessidades energéticas

TABELA 1 Arraçoamentos diferentes para cabras de leite.

A - ALIMENTO CONCENTRADO + MILHO + FENOSILAGEM + PALHA CUSTO POR ANIMAL/DIA= 0,78 €

(192 €/TON MB)

(250 €/TON MS)

QUANTIDADE DISTRIBUIDA PREÇO (€/TON)

MATÉRIA-PRIMA

Fenosilagem 40MS 13PB

45,00

Kg

CARACTERÍSTICAS NUTRICIONAIS (/KG MS) PDIN

PDIE

PDIA

Ca

g

g

g

g

g

0,85

103,52

82,52

29,80

4,60

2,30 1,00

MS

UFL

0,40

40,00

MB

MS

1,00

P

Palha

75,00

0,22

0,20

90,00

0,44

24,00

46,00

12,00

3,50

Milho

185,00

0,30

0,26

88,00

1,25

75,98

115,63

56,89

0,29

2,91

Alimento concentrado - Granulado

260,00

2,55

2,26

88,57

0,99

150,32

142,53

91,54

10,90

4,62

-

4,07

3,12

76,67

130,02

126,44

126,44

75,65

8,72

3,95

P

Total

B - ALIMENTO CONCENTRADO + SILAGEM DE MILHO + SILAGEM ERVA + MILHO + FENO + NÚCLEO CUSTO POR ANIMAL/DIA= 0,55 €

(134 €/TON MB)

(232 €/TON MS)

QUANTIDADE DISTRIBUIDA PREÇO (€/TON)

MATÉRIA-PRIMA

Silagem de Milho MS29 PB6,8 AMD30

45,00

Kg

CARACTERÍSTICAS NUTRICIONAIS (/KG MS) PDIN

PDIE

PDIA

Ca

g

g

g

g

g

0,89

41,79

63,91

14,80

2,00

1,80

MS

UFL

0,38

29,00

MB

MS

1,30

Silagem erva 40MS 13,7PB 30FB

40,00

1,00

0,40

40,00

0,81

86,44

68,40

23,29

4,60

2,60

Feno 10,8PB

100,00

0,32

0,28

90,00

0,62

98,25

70,00

24,00

3,90

2,20

Milho

185,00

0,32

0,28

88,00

1,25

75,98

115,63

56,89

0,29

2,91

Alimento concentrado - Granulado

290,00

1,10

0,96

87,59

1,15

192,65

179,93

119,62

3,69

4,65

Núcleo

650,00

0,08

0,08

99,32

0,81

184,67

0,00

0,00

150,89

28,23

-

4,12

2,38

57,96

0,99

125,73

116,22

64,13

8,10

4,14

Total

MB – Matéria Bruta; MS – Matéria seca; UFL – Unidade de expressão do valor energético dos alimentos (Unité Forragère Lait). 1 UFV = 1700 Kcal.; Ca – Cálcio; P – Fósforo

RUMINANTES ABRIL . MAIO . JUNHO 2017 51


ALIMENTAÇÃO

e proteicas das cabras em fase de lactação levam a ter em consideração todos os constituintes de uma forma exata, como é o caso de uma ração total (TMR – Total Mixed Ration) com a presença em maior percentagem de forragem, pois a composição desta pode apresentar uma enorme variação, com o nível de produção diária esperado considerando a raça, o valor de ingestão, os dias de lactação e a percentagem de primíparas, podemos obter facilmente uma média de 4 litros de leite no programa alimentar A e 2,8 litros de leite médios no B. Numa primeira fase podemos afirmar que é possível obter um arraçoamento à base de forragens (B) com um custo alimentar menor (0,55 €/ cabra/dia) quando comparado com o arraçoamento à base de alimento concentrado (0,78 €/cabra/dia). No entanto, devido à ingestão e produção serem superiores no programa alimentar A, o custo por litro de leite produzido é inferior em relação ao programa alimentar B, apesar deste ter um custo alimentar diário menor.

que 35 % dos animais em produção são primíparas, a produção ajustada será menor.

Fibra No que à fibra diz respeito (tabela 4), as paredes vegetais são o substrato privilegiado das populações celulolíticas, produtoras de ácido acético (AGV C2), que contribui à regulação do pH e à formação do teor butiroso (TB) do leite. Ambos os arraçoamentos contêm níveis de fibra que asseguram o bom funcionamento do rúmen.

Análise económica Uma análise económica, considerando apenas os custos alimentares, permitenos comparar dois sistemas de produção diferentes em termos de custo/beneficio. Nesta análise consideramos o preço do leite pago ao produtor de 0,60 €/ litro. Através da observação da tabela 5, verificamos que o arraçoamento A, apesar de apresentar um custo alimentar diário superior, permite obter um resultado económico vantajoso (margem bruta de 406,40 € por cada

1000 litros de leite produzidos), quando comparado com o arraçoamento à base de forragem (403,85 €/1000 l). Assim, considerando uma exploração com 200 cabras em lactação o benefício mensal entre o sistema alimentar A e B é de 2940 €.

TABELA 4 Balanço de fibrosidade dos arraçoamentos. BALANÇO FIBROSIDADE

ARRAÇOAMENTO

UNIDADE

A

B

Fibra Bruta

% MS

19,73

17,32

NDF

% MS

37,36

36,12

ADF

% MS

22,87

20,08

ADL

% MS

3,22

2,43

TABELA 5 Análise económica. ANÁLISE ECONÓMICA

ARRAÇOAMENTO

UNIDADE

A

B

€/animal

0,78

0,55

Proteína

Custo Total

Em relação à proteína (tabela 2), os arraçoamentos contêm o mesmo nível de proteína bruta mas a produção de proteínas microbianas no rúmen (PDIM), limitada pela energia fermentescível (PDIME) ou pela proteína degradável (PDIMN), e a proteína alimentar não degradada no rúmen e disponíveis no intestino (PDIA) são superiores no arraçoamento A, à base de alimento concentrado. No entanto, o valor relativo à proporção de matéria azotada total degradada no rúmen que contribuirá para a proteossintese microbiana depois da degradação em amoníaco – DT – é superior no arraçoamento à base de forragens.

Custo Total/1000 l

€/1000 l

193,96

196,15

Custo Concentrado

€/animal

0,72

0,43

Custo Concentrado/1000 l

€/1000 l

178,66

152,68

Margem bruta/dia

€/animal

1,63

1,14

Margem Bruta/1000 l

€/1000 l

406,40

403,85

Energia No que concerne à energia, tabela 3, devido à menor capacidade de ingestão dos animais submetidos ao programa alimentar à base de forragem (Arraçoamento B) é necessário concentrar a dieta, por isso, o nível energético desta é superior ao do arraçoamento A. Apenas será pertinente referir que em termos de energia seria possível produzir uma maior quantidade diária de leite do que o esperado, mas considerando

52 ABRIL . MAIO . JUNHO 2017 RUMINANTES

TABELA 2 Balanço azotado dos arraçoamentos. BALANÇO AZOTADO

ARRAÇOAMENTO

UNIDADE

A

PL por PDIN

Litros

7,84

5,48

PL por PDIE

Litros

7,59

4,98

PDIN

g/Kg MS

130,02

125,73

PDIE

g/Kg MS

126,44

116,22

PDIA

g/Kg MS

75,65

64,13

Proteina Bruta DT

B

% MS

17,33

17,33

%

59,03

65,52

TABELA 3 Balanço energetico dos arraçoamentos. BALANÇO ENERGÉTICO

ARRAÇOAMENTO

UNIDADE

A

B

Litros

4,55

3,20

UFL/Kg MS

0,96

0,99

Amido + Açucar

% MS

24,91

27,67

Glucidos Rápidos

% MS

14,34

13,65

GTD

% MS

49,07

52,13

Amido By-pass

g/dia

105,20

119,21

PL por UFL UFL

CONCLUSÃO Como conclusão, o leite de cabra e os seus derivados apresentam alguns benefícios para a saúde quando comparados com o leite de vaca, por exemplo. Além disso, somos deficitários na produção de leite de cabra e em termos económicos uma exploração desta natureza pode ser interessante do ponto de vista da rentabilidade. Outro aspeto importante é que um programa alimentar em cabras com alimento concentrado e palha ou feno apresenta uma eficácia alimentar elevada, tornando possível reduzir custos de mão-de-obra e de equipamento. Apesar de tudo, não queria deixar de referir que uma exploração de cabras de leite é muito exigente do ponto de vista técnico.


SAÚDE E BEM-ESTAR ANIMAL

RUMINANTES SAUDÁVEIS

GEORGE STILWELL MÉDICO-VETERINÁRIO DOCENTE DE CLÍNICA DE ESPÉCIES PECUÁRIAS FACULDADE DE MEDICINA VETERINÁRIA UNIVERSIDADE DE LISBOA stilwell@fmv.ulisboa.pt

APARAGEM FUNCIONAL DAS UNHAS DE VACAS LEITEIRAS Por vezes é-me pedido para aplicar protocolos de avaliação de bemestar em vacarias de leite. Essencialmente o objetivo é procurar as causas para produções fracas ou para a incidência demasiado alta de doença, infertilidade, refugo ou mortalidade. Invariavelmente, nestas explorações problema, as claudicações (ou coxeiras) surgem no topo dos indicadores com pior classificação. Sendo a claudicação uma condição com causas multifatoriais, surge sempre a questão – como reduzir a incidência das claudicações sem levar a vacaria à falência com obras e alterações de fundo? A resposta é (quase) sempre a mesma – através de uma boa estratégia de aparagem funcional das unhas.

54 ABRIL . MAIO . JUNHO 2017 RUMINANTES

SERÁ QUE PRECISO DE FAZER APARAGEM FUNCIONAL NA MINHA VACARIA? A minha resposta é um altíssimo SIM. E nem preciso conhecer a exploração. Vários trabalhos demonstram que por cada vaca que o produtor admite que tem a claudicar (ou coxear), há pelo menos 3 a 5 outras com problemas de patas. Ou seja, se o produtor diz que tem 10 vacas em 100 a claudicar, podemos garantir que, na realidade, terá 30 a 50. Podem ser casos mais discretos, mas o que é certo é que mesmo essas são uma fonte de enormes prejuízos pela reduzida produção, baixa fertilidade e má qualidade do leite. Há quem tenha feito o cálculo e avançasse com o valor de 400 euros por caso clínicos de claudicação. Vale a pena prevenir, não vale?

O QUE É APARAGEM FUNCIONAL O estojo córneo das unhas dos bovinos tem um crescimento mais ou menos constante – meio centímetro por mês. Se esta substância córnea for sujeita a um desgaste normal, então temos umas unhas que tenderão a manter uma dimensão e perfil correto. É o que normalmente acontece com vacas de raça de carne em pasto. O pior é quando o crescimento é alterado ou quando o desgaste é insuficiente, pouco constante e/ou desequilibrado. Isso é exatamente o que acontece com as vacas leiteiras estabuladas em regime intensivo e daí a alta prevalência de unhas compridas, altas, desiguais e pouco estáveis, que são fatores predisponentes para doenças e lesões dolorosas e debilitantes, como úlceras da sola e pinça ou Doença da Linha Branca. Não sendo praticável o exercício regular e suficiente para o desbaste natural da unha, terá de ser o tratador a providenciar a remoção daquilo que está a mais. Assim, a aparagem (ou corte) funcional é aquele que

se destina a remover tecido córneo em excesso, a repor o equilíbrio entre a unha exterior e interior, a recuperar os pontos de apoio, a evitar a sobrecarga dos talões e a revelar lesões quando estas ainda se estão a iniciar. Em suma, a aparagem funcional pretende garantir que o peso se distribui equilibradamente pelas superfícies naturais de apoio das duas unhas de cada um dos membros. FIGURA 1 O sobrecrescimento de unhas é uma das principais ameaças ao bem-estar e ao rendimento de vacas leiteiras em produção intensiva.


SAÚDE E BEM-ESTAR ANIMAL

COMO E QUANDO FAZER A APARAGEM FUNCIONAL Começo esta parte sobre a técnica de aparagem por lançar um alerta muito importante: as claudicações podem surgir ou agravar-se por erros na aparagem funcional. A formação e a certeza daquilo que se pretende obter é essencial para o sucesso e para o bem-estar do animal. Não é simplesmente uma questão de ir cortando até “parecer bem”. É sim perceber o que está por dentro do estojo córneo e como essas estruturas se relacionam no sentido de garantir um apoio e um andar confortável. É minha sincera opinião de que ninguém deverá ser autorizado a fazer aparagem funcional de unhas de vacas leiteiras sem primeiro ter obtido formação de qualidade, eventualmente com avaliação final. A primeira questão a decidir é: quando se deve fazer a aparagem funcional? Não é descabido dizer que devemos apontar para duas aparagens por ciclo produtivo de uma vaca leiteira. Os momentos ideais são no momento da secagem e no pico da lactação (90 a 150 dias em leite). Como o ótimo é inimigo do bom, admito que nalgumas vacarias ou nalgumas alturas do ano, seja preferível optar por um só momento do que tentar manter os dois e acabar por não cumprir qualquer um deles. Na minha opinião o momento da secagem é aquele a manter. No entanto deveremos estar atentos a alguns animais que poderão precisar das duas ou mesmo mais intervenções – vacas com cascos deformados, laminite ou com lesões crónicas e vacas com lactações muito prolongadas. E, é claro, vacas que mostrem claudicação acentuada, mas então estamos a falar de aparagem curativa que deve ser feita sob a supervisão de um médico-veterinário.

Dicas úteis Aqui não é o lugar nem este o formato de se explicar como se faz a aparagem funcional, mas poderei avançar com algumas dicas úteis. Quem pretender começar a fazer aparagem funcional nos seus animais deve procurar fazer formação prática que deve ser dada por pessoas experientes. O comprimento da unha desde a coroa (transição da pele para tecido córneo) até à ponta da pinça deve ser, numa vaca Holstein-Frísia adulta, de cerca de 7-8 centímetros. A altura do talão não

56 ABRIL . MAIO . JUNHO 2017 RUMINANTES

deverá exceder os 3,5 a 4 centímetros. Não havendo lesões, as duas unhas devem estar à mesma altura de forma que o peso de distribua uniformemente (normalmente as unhas laterais dos membros posteriores apresentam-se mais altas e suportam grande parte do apoio e peso. Daí também serem as mais frequentemente afetadas por doença ou lesão). Deve-se garantir ainda o arejamento do espaço interdigital através da formação de um boa concavidade da zona axial de ambas as unhas, já que não é nessa zona que se faz o apoio e assim evita-se a acumulação de estrume e material estranho que predispõe a lesões e a infeções da pele interdigital. A primeira condição para se obter sucesso nas aparagens funcionais é trabalhar com material de boa qualidade e a funcionar plenamente. Este material não precisa ser sofisticado e pode incluir apenas facas apropriadas muito bem afiadas, tesouras direitas (tesouras de poda normais podem servir perfeitamente), grosa e, eventualmente, rebarbadora com discos ou lâminas próprias. Depois é preciso ter um tronco funcional e seguro (para humanos e animais). O tronco deve servir apenas para aparagem de unhas e não para outras intervenções mais ou menos dolorosas e causadoras de stress, já que o pior que pode acontecer é a vaca ter medo de entrar no tronco ou estar permanentemente irrequieta enquanto se faz a aparagem.

Eis alguns cuidados a ter quando se contrata fora No caso de não ser alguém “da casa” a proceder à aparagem, devemos manter um olho bem vigilante, pelo menos até termos confiança absoluta nos técnicos contratados. • se forem aparadas mais do que 50-60 animais por dia é de desconfiar que o trabalho não está a ser convenientemente efetuado. A qualidade do corte e o grau de claudicação nos dias posteriores devem ser avaliados. Algumas lesões podem estar a ser desprezadas e o trabalho poderá estar muito dependente de rebarbadoras que não fazem um trabalho completo. • evitar o desbaste excessivo da parede por rebarbadora já que é exatamente na

superfície ventral desta que se deve fazer o apoio. Por vezes à tendência para tentar arredondar os bordos das unhas, fazendo isso à custa da parede ou muralha. Com isso iremos transferir o apoio para a sola, que é bem menos resistente. garantir que os casos de lesões graves ou doenças mais complicadas, estas são referenciadas para tratamento médico-veterinário. Desprezar ou, pelo contrário, intervir sem competência irá perpetuar situações e poderá mesmo inviabilizar uma vaca para o resto da lactação. devemos garantir que o técnico conhece o tipo de piso e das camas usadas e ainda as características do estábulo para onde serão levados os animais após a aparagem. Por exemplo, se forem para locais com piso muito abrasivo deveremos evitar aparar demasiado a sola. garantir que blocos (de madeira ou outros) são colocados na unha contralateral saudável sempre que se preveja momentos muito dolorosos nos dias após a aparagem. evitar a colocação de pensos, ligaduras ou qualquer outro material oclusivo por cima das lesões, mesmo que sangrantes. Se a gravidade da lesão parecer justificar a colocação de penso, é porque deveria ter sido vista por um médico-veterinário que deverá ser chamado a intervir quanto antes.

Se a aparagem funcional entrar para a rotina da exploração, é garantido que os problemas podais irão reduzir-se de uma forma dramática. Este esforço deve manter-se independentemente de outros trabalhos que surjam (e.g. tempo da silagem), já que uma vaca com uma lesão grave poderá manter a claudicação (e dor) de forma permanente. É garantido que todos os minutos e euros dedicados à aparagem funcional das unhas de vacas leiteiras em explorações intensivas, serão recompensados largamente.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Não foram incluídas por uma questão de espaço editorial, mas o autor disponibiliza bastando enviar um email para stilwell@fmv.ulisboa.pt.

NOTA O autor escreveu este artigo segundo o Antigo Acordo Ortográfico.


Bovikalc® Reference 1. McArt and Oetzel. A stochastic estimate of the economic impact of oral calcium supplementation in postparturient dairy cows. J Dairy Sci. 2015 Oct;98:7408-18

Uma nova abordagem para vacas novamente mães.

A análise económica dum estudo, recente, de referência, sugere que dar Bovikalc a todas as vacas recém paridas resulta num retorno económico positivo. Assim o problema de identificar as vacas em risco de hipocalcémia sub-clínicaclínica pode ser eficazmente ultrapassado.

A ABORDAGEM GLOBAL DE GRUPO PARA A HIPOCALCÉMIA.


SAÚDE E BEM-ESTAR ANIMAL

UMA VACINA INOVADORA NA PROFILAXIA DO BVD Acerca dos resultados alcançados pela vacina do BVD, entrevistámos António Carvalho, proprietário da A. Carvalho e J. Carvalho, e Ângela Rabico, a Médica Veterinária responsável sanitária da exploração. POR RUMINANTES

Ruminantes - Que controlo reprodutivo fazem? António Carvalho - Fazemos um controlo detalhado mensalmente. Em termos de recolha de dados, registamos datas de partos, cios, e inseminações. Não temos grande refugo devido a problemas reprodutivos, este é feito maioritariamente devido a restrições em termos de volume de leite que podemos produzir. Quais são os atuais protocolos de vacinação na exploração? Para além da vacinação contra o BVD, utilizamos também, anualmente, uma vacina trivalente contra agentes do complexo da Doença Respiratória Bovina.

Foi recentemente lançada no mercado uma nova arma na luta contra o BVD, uma vacina viva inovadora que promove o desenvolvimento de reposta imunitária ativa contra o BVDV-1 e o BVDV2. Conferindo uma taxa de proteção fetal na ordem dos 100%, não possui propriedades imunossupressoras ou abortivas, nem induz febre, podendo ser administrada em qualquer fase da lactação e gestação. Necessitando de

apenas uma dose anual, sem reforço, pode ser administrada a cada 12, ou mesmo a cada 14 meses. A exploração A. Carvalho & J. Carvalho - Sociedade AgroPecuária Lda., localizada em Minhotães, Barcelos, é uma prova viva dos bons resultados conferidos por esta vacina, como relataram o sócio António Joaquim Costa Carvalho e a Médica Veterinária, responsável sanitária da exploração, à Ruminantes.

58 ABRIL . MAIO . JUNHO 2017 RUMINANTES

Como tem sido a vossa experiência com uma vacina que só precisa de uma dose por ano? O que ganharam com isso? A nível de resultados, estamos a ganhar bastante dinheiro. Anteriormente tínhamos grandes problemas de fertilidade, os quais são agora muito reduzidos, e também notámos uma grande redução em termos de incidência de pneumonias. O maneio é igualmente bastante vantajoso, já que só precisamos de fazer uma única intervenção nos animais. Porque decidiram adotar este novo sistema de vacinação? Os resultados com outras

vacinas não estavam a corresponder às expectativas e, por sugestão da Médica Veterinária que nos dá assistência, decidimos adotar este novo sistema. Tiveram alguns efeitos adversos no local da injeção ou na produção de leite? Não, não tivemos. Os animais reagem bastante bem à vacina e não precisamos de grandes cuidados em termos de temperatura ambiente, por exemplo, aquando da vacinação. Tiveram algum receio de utilizar uma vacina viva e tão inovadora? Não, nunca, dado o grande apoio técnico de que dispomos. De facto, fazemos um balanço bastante positivo da utilização desta vacina na nossa exploração!

CARACTERIZAÇÃO DA EXPLORAÇÃO Área da exploração: 72 hectares Nº empregados: 2 Nº total de animais: 600 Nº vacas em lactação: 280 Produção: 28,6 l/vaca/dia Nº ordenhas diárias: 2 Idade ao 1º parto: 24/25 meses Nº de inseminações por vaca prenha: 2,8 Taxa de aborto: ≤1%


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O TESTEMUNHO DE Ângela Rabico, Médica Veterinária da Cooperativa Agrícola de Barcelos, e responsável sanitária da exploração. Que efeitos provoca o BVD numa exploração como esta? Ângela Rabico - Neste caso concreto sofremos um surto que se pode dizer clássico. Havia baixas de produção pontuais após as quais nunca havia uma recuperação total. Aumentaram muito os problemas infecciosos como as diarreias em vitelos, pneumonias na recria e até mamites. Os índices de fertilidade também vieram muito abaixo. Depois melhorou mas começaram os abortos.

Porque aconselhou a vacinação nesta exploração com uma vacina viva que contivesse as estirpes de BVD tipo 1 e tipo2? Pela tecnologia inovadora desta vacina, o ser viva não me assusta. Aliás, o selo de garantia da autoridade europeia do medicamento e a reputação do laboratório que a sustenta dá-me confiança absoluta. Esta vacina viva, pelas suas características era a que me dava mais garantias de resultados. Quanto ao tipo 1 e tipo 2, cada vez tem

utilizada em explorações que não estejam com tantos problemas, que aí sim, têm a motivação para resolver os problemas. Por vezes é difícil motivar os produtores a apostarem numa boa prevenção. havido mais casos reportados em Espanha e como não há imunidade cruzada é melhor ter proteção contra os dois tipos. Qual é a sua experiência com este tipo de vacinas, vacina viva com estirpes de BVD tipo 1 e tipo2? A minha experiência é boa. Tenho obtido sempre bons resultados nas explorações que tenho aconselhado. Penso que os resultados poderiam ser ainda melhores se a vacina fosse mais

Crê que impedindo o nascimento de animais PI através da vacinação e eliminando os PI préexistentes se pode chegar a controlar o BVD numa região como a que está inserida? Sim. Tenho poucas dúvidas que fazendo bem as coisas, vacinando anualmente vacas e novilhas, controlando os nascimentos e o tanque de leite durante pelo menos um ano com as medidas certas de biossegurança adequadas poderemos obter excelentes resultados.

RUMINANTES ABRIL . MAIO . JUNHO 2017 59


SAÚDE E BEM-ESTAR ANIMAL

TRATAMENTO DA UNHA RESÍDUOS DE ANTIBIÓTICO NO LEITE

As lesões da unha, como é o caso da Dermatite Digital (DD), constituem um acentuado problema nos bovinos de leite, causando frequentemente claudicação. Para o tratamento da DD é usada uma vasta gama de produtos, tanto ao nível do rebanho, como a nível individual, que incluem a aplicação de antibióticos em spray.

CARLY VULDERS REGULATORY AND DEVELOPMENT DEPARTMENT

G. LAMMERS PRODUCT DEVELOPMENT & REGULATORY AFFAIRS

O USO DE ANTIBIÓTICOS O uso de antibióticos em animais de consumo tem vindo a ser cada vez mais regular. Os antibióticos utilizados têm frequentemente de ser administrados por veterinários, sendo o seu uso detalhadamente registado. Contudo, a aplicação desregrada destes

produtos por agricultores e aparadores de unhas, ainda se mostra prática comum em diversos países. Anteriormente assumia-se que os antibióticos aplicados topicamente eram incapazes de passar a barreira cutânea quando administrados na unha. Deste modo, não haveria risco de contaminação do leite por resíduos antibióticos, através da entrada destes na corrente sanguínea. A quantidade de antibióticos permitida no leite, ovos e carne é regulada pelo Limite Máximo de Resíduos (LMR). Sempre que o número de antibióticos se encontrar abaixo do LMR, não são esperados quaisquer efeitos na saúde pública geral. A UE e o Canadá, por exemplo, apresentam um LMR de 100 µg/kg (= 100 ppb) para tetraciclina, um antibiótico utilizado no tratamento de doenças da unha. Após a aplicação de antibióticos é comum a existência de um período de espera antes da utilização do leite para consumo.

ESTUDOS REALIZADOS Num ensaio clínico randomizado, realizado em 1999, tentou investigarse se o tratamento tópico de lesões da unha com oxitetraciclina apresentava

60 ABRIL . MAIO . JUNHO 2017 RUMINANTES

resíduos do antibiótico no leite produzido.1 Este ensaio foi realizado com recurso a cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC). À data não foram detetados quaisquer resíduos. Deu-se, contudo, desde então, uma evolução dos métodos de deteção. No ano de 2015 foi realizado um estudo análogo, usando métodos modernos. Foram tratadas 50 lesões com tetraciclina em pensos ou em pasta.2 As amostras de leite foram analisadas 168 horas após o tratamento, com recurso a immunotest (CHARM ROSA) disponível comercialmente e cromatografia líquida espetrometria de massa (LC-MS). Das 442 amostras de leite, 105 apresentaram resíduos de antibiótico. Das 45 amostras retiradas no primeiro período (8 horas após a aplicação do antibiótico), 5 apresentaram um LMR superior a 100 µg/kg. Este recente estudo demonstra que a aplicação tópica local de antibióticos

FIGURA 1 Antibiograma de penas de galináceos após administração de antibióticos. A zona de inibição visível demonstra claramente a acumulação de antibióticos nas penas.

na unha pode deixar resíduos no leite. Outros estudos levados a cabo em galináceos demonstram que os antibióticos podem alcançar locais inesperados. O instituto holandês RIKILT, por exemplo, analisou penas de galináceos aos quais foram administrados tratamentos com antibióticos à base de enrofloxacina.3,7. O antibiograma das penas analisadas revela uma clara zona de inibição, sendo indicador de acumulação de antibiótico nas mesmas (fig. 1). Estes e outros estudos apresentam evidências de que a exposição de animais a antibióticos leva a que estes compostos manifestem resíduos em tecidos e excrementos (fig. 2). Um inquérito recente a


SAÚDE E BEM-ESTAR ANIMAL

FIGURA 2 Esquema dos canais pelos quais os antibióticos administrados navegam nos animais, acabando por manifestar resíduos em tecidos e excrementos do animal.

veterinários e aparadores de úngulas da American Association of Bovine Practitioners (Associação Americana de Criadores de Bovinos) e da Hoof Trimmers Association (Associação de Aparadores de Unhas), levado a cabo pela Universidade Estatal do Iowa, concluiu que o uso tópico de (oxi)tetraciclinas pode criar resíduos no leite. A administração de antibióticos na unha pode também contaminar outros locais nos membros do animal. Caso o bovino se deite após o tratamento, os membros contaminados podem propagar o antibiótico para os tetos. Observou-se também que os trabalhadores tocam nos membros do animal antes do úbere ser preparado para a ordenha. Estes animais revelaram presença de tetraciclinas no leite. Para além da presença indesejada de antibióticos em bens de consumo como o leite, a utilização excessiva de antibióticos leva ao desenvolvimento de agentes patogénicos

Ingestão

Inalação

Injeção

Boca

Nariz/Boca

Tecido mole

Trato Gastro-Intes<nal

Pulmões

Contacto com a pele

Fluido extracelular (sangue) Circulação geral (sangue e linfa)

Figado

Orgãos Tecido mole

Bílis

Fezes

Rins

Pulmões

Bexiga

Ar expirado

Estruturas secretoras

INTRA REPIDERMA O Intra Repiderma é um spray aerossol não antibiótico baseado em

Pelo/Penas Unhas Pele Osso Suor Leite Saliva

Urina

com resistência a antimicrobianos. Tal facto leva a que os antibióticos se tornem cada vez menos eficazes, não só na medicina animal, como também na medicina humana. Deste modo, salienta-se a importância da pesquisa por alternativas que não envolvam a utilização de antibióticos.

Gordura

cobre e zinco, ao qual não se aplica qualquer LMR, não necessitando desse modo, de qualquer período de espera. O cobre é um bactericida e estimula a formação de novos vasos sanguíneos, o que representa uma fase importante na cicatrização de feridas. O zinco, por sua vez, auxilia a capacidade regenerativa da pele e estimula o crescimento de células epiteliais que formam a sua camada superior. As moléculas de Cu2+ e Zn2+, originalmente inorgânicas, são cobertas (quelação) com uma camada orgânica, concedendo-lhes

propriedades únicas. Num ensaio clínico randomizado a 231 casos severos de DD, em vacas de leite de 7 explorações diferentes, demonstrou-se que o Intra Repiderma apresenta uma taxa de sucesso de 86,8%. Estes números demonstram que, com apenas metade dos tratamentos, o Intra Repiderma apresenta uma eficácia 1,9 vezes superior ao antibiótico em spray.

REFERÊNCIAS Não foram incluídas por uma questão de espaço editorial, mas os autores disponibilizam bastando enviar um email.

Spray para proteção da pele Repiderma

Repiderma

Repiderma

Repiderma

• Forte adesão. Não escorre. • Minerais micronizados. Óptima absorção. • Para uso externo. • Para todas as espécies.

Sem s! iótico ib t n a

IV - Inovação na Pecuária, Lda | M: 913 839 642 | E-mail: geral@iverde.pt | www.intracare.nl

RUMINANTES ABRIL . MAIO . JUNHO 2017 61


PRODUÇÃO

EQUIPAR

IMAGEM 1 Gert Roothans.

UMA VACARIA COM 1600 ANIMAIS E 400 HA DE FORRAGENS POR RUMINANTES

É pela estrada que liga Viana do Alentejo a Alcaçovas que se chega à Herdade do Sobral. No meio da planície alentejana, a herdade limitada a sul pelo rio Xarrama ocupa perto de 400 hectares onde predominam as culturas de milho, azevém e triticale para silagem. Foi aqui que os holandeses Gert e Marvi Roothans decidiram montar, há 18 anos, o seu negócio de produção de bovinos de leite. Começaram com 200 vacas em ordenha e sem parque de máquinas. Hoje, a Roothans Agro Pecuária, Lda. possui um efetivo de 1600 animais, com metade em lactação, e cultiva 398 hectares com predominância para o milho (200 ha), o azevém (241 ha) e o triticale (86 ha)

convertidos em silagem para os animais. Os equipamentos mecanizados estão à medida das necessidades do negócio para permitir realizar todas as atividades “no momento adequado e sem depender de ninguém”, como diz Gert Roothan.

O EFETIVO LEITEIRO Na Roothans Agro Pecuária são ordenhadas 740 vacas com uma sala giratória GEA de 28 pontos (imagem 2). Para fazer as 3 ordenhas diárias, este equipamento, já com 18 anos de vida, trabalha 20 horas por dia. As vacas estão estabuladas, exceto as vacas secas e as novilhas de mais de 8 meses,

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que estão em pastoreio. Atualmente produzem 27.000 litros de leite por dia, com uma produção média diária por vaca de 37 litros. Em 2015 teve a melhor novilha no contraste, e alcançou uma média de 11.459

litros por vaca num efetivo de 721 vacas. Os resultados de 2016 deverão ter superado os do ano anterior. IMAGEM 2 Sala de ordenha giratória GEA Farm Technologies.


PRODUÇÃO

O PARQUE DE MÁQUINAS “Um parque de máquinas ajustado às necessidades do negócio.” É assim que Gert Roothans entende que deve ser, para poder realizar todas as atividades “no momento adequado e sem depender de ninguém.” Ruminantes - Como faz a manutenção das máquinas? Gert Roothans - As dos tratores novos ou que têm muita electrónica são feitas na marca, mas tudo o resto é feito aqui na nossa oficina. Tenho também uma moto 4 para a assistência no campo. Alugar ou comprar uma máquina, como decide? Nós compramos tudo porque no sistema de aluguer nem sempre temos as máquinas quando queremos e nem sempre as operações são bem feitas e com as máquinas em perfeitas condições. Estou convencido de que no meu caso os custos são parecidos, mas desta maneira fico com o serviço feito como quero. Faço muitas horas com as máquinas que tenho, compro normalmente em segunda mão e a manutenção é feita por mim. Que tarefas diárias realiza com as máquinas? O trator que está com o unifeed (imagem 4) e pás carregadoras trabalham todos os dias muitas horas, são tarefas ligadas à alimentação das vacas e à limpeza da exploração. Fazem cerca de 2700 horas por ano cada. As outras máquinas que estão ligadas ao campo fazem menos horas, mas um dos Fendt faz 1500 horas, outro faz 1200, nenhum faz menos de 500 horas.

Tem alguma regra especial para contratar com alugadores? Não, só contrato reboques, e à hora. Que investimentos tem previstos? São máquinas com tecnologia? Até aqui não temos tido a preocupação de tecnologia, mas agora temos um projeto para compra de um kit de GPS, que posso aplicar em diferentes tratores, e com isso implementar maior precisão nas operações de sementeira, adubação... Também comprei um novo espalhador de adubo de 8000 kg com rodos, e um unifeed automotriz. Quando vende os tratores? Ninguém compra tratores velhos, por outro lado estes têm menos electrónica e por isso é mais fácil arranjá-los em casa, “só os vendo porque os empregados não querem andar com eles”, disse, brincando. O Renault tem 23.000 horas e só agora começou a dar alguns problemas.

IMAGEM 3 Zona de armazenamento matérias primas.

PARQUE DE MÁQUINAS TRATORES

• Fendt: 924, 820, 514 • New Holland T7070 (270 cv) • Renault Ares (150 cv)

PÁS CARREGADORAS • Case IH: 721 e 821

GIRATÓRIA • SE Nebogen

PICADORA • New Holland FR9080

PULVERIZADOR AUTOMOTRIZ • Mercedes (com marcadores e computador)

UNIFEEDS • USA Equipment 1100CF, rebocado • Siloking, automotriz

OUTROS EQUIPAMENTOS • • • • • • • • • • •

Gadanheira Kuhn de 9,5 m Junta pasto KRONE de 9 m 2 reboques de 3 eixos 1 reboque de 2 eixos 1 Cisterna de 22 metros cúbicos com chisel atrás 1 Cisterna 11.500 litros com rodas grandes e largas 2 Grades de disco 1 Chisel 5 metros 1 Charrua Kverneland de 4 ferros de cada lado, com rolo 1 Espalhador de adubo 1 Semeador / Rototerra / Rolo

IMAGEM 4 Unifeed.

RUMINANTES ABRIL . MAIO . JUNHO 2017 63


PRODUÇÃO

6

5

SHREDLAGE, UMA TRITURAÇÃO ESPECIAL O baixo teor de gordura do leite foi durante algum tempo uma questão preocupante para Gert Roothans. Depois de três anos a tentar subi-lo para níveis desejáveis, sem resultados, descobriu finalmente a solução que lhe permitiu incrementá-lo para 3,9% (PB - 3,29%). Trata-se de um sistema conhecido por shredlage que em português pode ser traduzido por “trituração”, e que consiste num corte especial da silagem conseguido por um sistema de rolos adaptado numa picadora (imagem 5). Gert adquiriu este sistema antes da última campanha de milho sugestionado pelos bons resultados obtidos nos EUA com este equipamento a nível de gordura do leite e torções do abomaso.

com este sistema? Sim, este sistema faz mais cortes (mais partículas) e faz cortes transversais e longitudinais, com um tamanho maior, com 28mm em vez dos tradicionais 12mm. Os rolos (imagem 6) trabalham a velocidades diferentes, um deles anda 32% mais rápido que o outro e isso permite fazer um trabalho diferente (imagem 7).

Ruminantes - Que picadoras suportam este tipo de processador de grão? Gert Roothans - Qualquer uma, Claas, New Holand, John Deere... Antes de comprar tem que se saber em que máquina se vai utilizar pois existem rolos específicos para cada modelo.

Faz sentido pagar mais por hora de trabalho para utilizar este sistema? Sei que na Alemanha pagam mais 20 a 25€. Penso que pode valer apena se a exploração tiver problemas de baixo teor de gordura no leite ou muitas torções de abomaso.

Consegue perceber por uma simples amostra que a silagem foi cortada

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O número de hectares cortados por hora, com este sistema, é alterado? A velocidade de trabalho é a mesma bem como a área cortada, mas o consumo de gasóleo é mais alto porque a máquina precisa de mais força. Fico com a ideia que este sistema melhora a compactação da silagem nos silos trincheira.

Que efeitos obteve nas suas vacas? As vacas comem mais silagem, o teor de gordura no leite subiu e registei menos torções do abomaso.

7

IMAGEM 5 Shredlage, um sistema de trituração especial. IMAGEM 6 Rolo Shredlage. IMAGEM 7 Silagem milho cortada com o sistema Shredlage.

ACERCA DO SHREDLAGE O Shredlage pode ser uma boa opção para quem quer otimizar ao máximo a utilização de silagem de milho na dieta. É um tipo de silagem que teve origem nos EUA, onde a utilização de processadores de grão distintos, não apenas com rasgos longitudinais, mas também transversais, em forma de favo de mel, veio permitir o aumento do tamanho da partícula até 35 mm, com a mesma ou até melhor qualidade de processamento do grão. Estes rolos permitem não apenas obter um corte de partícula mais longo, juntamente com um processamento de grão bastante eficiente, mas também um corte longitudinal da silagem o que, segundo alguns estudos científicos, permitem um aumento da digestibilidade da fibra com um consequente aumento da capacidade de ingestão.


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PRODUÇÃO

INVESTIR

EM CONFORTO E RESULTADOS Entrevista a Joaquim Cachopas, produtor de leite e queijo na região de Évora. POR RUMINANTES

Joaquim Cachopas nasceu numa família de queijeiros, numa altura em que ainda não era possível o transporte de leite em quantidade. Na sua infância, o queijo fabricava-se apenas nas alturas em que havia mais leite (entre março e maio) e somente nos locais onde este era produzido, aonde os queijeiros se tinham que deslocar. Hoje tudo mudou, tudo menos a “arte” de Joaquim Cachopas que continuou o negócio dos pais nos moldes dos dias de hoje, na Herdade do Monte Novo da

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Silveira. Situada em Aguiar, no distrito de Évora, a exploração ocupa 257 hectares dos quais 60 são de regadio. Atualmente tem 1000 animais, 450 em ordenha, com uma média diária de 26 litros por cabeça. Entrevistado pela Ruminantes, este empresário falou-nos dos investimentos que fez recentemente: uma nova sala de

FIGURA 2 Viteleiro.

FIGURA 1 Sala de ordenha.

ordenha com um “parque de espera” e um viteleiro. Na base desta decisão esteve o objetivo de diminuir os tempos de ordenha, melhorar os resultados produtivos e dar mais conforto aos seus empregados. Mas não só. Para Joaquim Cachopas a qualidade do leite está no topo das prioridades, já que todo o leite produzido na exploração é usado no negócio de produção de queijo próprio: “As vacas têm potencial para produzir mais leite, mas como o nosso objetivo é produzir queijo, o que nos preocupa é ter leite com elevada qualidade; hoje estamos com 4,0% gordura e 3,5% de proteína. Todo o leite aqui produzido vai para a Queijaria Cachopas, por isso a qualidade do leite é tão importante, até em termos de genética estamos a fazer alterações, de forma a ter no futuro a raça Brown Swiss como a raça base da exploração.” Com a produção de alimento também tem preocupações: os animais estão em pastoreio na primavera e fora deste período estão estabulados. “Toda a forragem é produzida na exploração para conseguir o máximo de qualidade”, diz-nos.


PRODUÇÃO

SALA DE ORDENHA 2X20 /40 PARALELA COM 2 MÁQUINAS INDEPENDENTES E UM 3º GRUPO DE VÁCUO DE RESERVA Nº de pontos de ordenha: 40 Nº de vacas em ordenha: 450 Nº operadores: 2 Rendimento vacas / hora: 150 Tempo de ordenha: 3 horas Produção média /vaca: 26 L

QUISEMOS SABER O RESULTADOS DOS PRIMEIROS MESES APÓS O INVESTIMENTO Ruminantes - Qual é o maior desafio como produtor leite? Joaquim Cachopas - Produzir leite com a maior qualidade possível ao menor custo, pensando que estou a produzir leite para a minha queijaria. Para onde vai o seu leite? Vai todo para a minha queijaria, para fabricar queijos com a marca Queijaria Cachopas, que é vendido em grande parte nas grandes distribuições. Investiu há cinco meses atrás numa nova sala de ordenha, num “parque de espera” e num viteleiro. Porquê? Investi numa sala de ordenha paralela 20x20 porque tenho vindo a aumentar o efetivo e a sala anterior era antiga e não tinha as dimensões necessárias para o atual número de vacas em ordenha. Era uma 2x10 em espinha com vasos de vidro. Demorava cerca de 6 horas para ordenhar 350 vacas com duas pessoas, e não registava nenhum tipo de informação sobre as produções dos animais. No viteleiro investi nas instalações, e no sistema de alimentação que pode ser utilizado com leite cru e/ou de substituição, para melhorar os resultados produtivos e diminuir a mão de obra.

O que ganhou com este investimento? Passados 5 meses, estamos a produzir mais 2 litros vaca dia em média. Para mim tem tudo a ver com a sala e com os parques de espera, uma vez que não alterei mais nada na exploração. Repare que estamos a ordenhar em 3 horas (metade do tempo que demorávamos) mais 100 animais do que tínhamos. Por outro lado, começo agora a ter um registo de produção e de outros dados relativos a cada animal. Porque escolheu este tipo de sala? Andei a ver vários, mas acabei por decidir-me por este porque o valor do investimento era inferior quando comparado com ordenhas giratórias, porque queria manter a tipologia do estábulo e o maneio que tenho, e porque a zona de implantação da sala está entre dois edifícios que teriam que ser mantidos. A alternativa poderia ser a sala em espinha, mas esta requer mais espaço. A sala paralela é mais confortável para o animal e para o operador, é mais segura, os animais levam menos tempo a entrar e comportam-se de forma mais tranquila. E esta marca? Optei pela DeLaval porque já a tinha e sempre gostei do material e da assistência, e quando falei com alguns produtores que tinham este modelo de sala todos deram uma opinião positiva.

habituais. O mesmo se passa com as vacas do corredor esquerdo. Costumo dizer que agora não me importo de ir separar os animais, disse rindo. Que resultados está a ter no novo viteleiro? Primeiro diminuí os custos do leite, porque posso utilizar os dois tipos de leite. Reduzi a mortalidade e as diarreias para valores residuais. O crescimento dos vitelos aumentou bastante, o que para mim é importante, porque os vendo a peso por volta dos 7 meses. Foi uma revolução no viteleiro. Quando espera ter este investimento amortizado? Neste tipo de investimento pensamos numa amortização a 10 anos. Mas passado quatros meses, e apesar de ter gasto mais do que esperava, já deu para ver que se tudo correr normalmente posso amortizar em metade do tempo previsto. Estamos com resultados acima dos esperados e ainda não estou a tirar proveito de tudo o que posso, como seja da informação que a sala me pode dar sobre o efetivo. O programa de gestão é simples de utilizar e permite definir listagens com os indicadores que são mais interessantes, bem como os alertas que preciso.

Qual é a manutenção recomendada para esta sala? A substituição de tetinas no período recomendável, normalmente a cada 6 meses ou 2.500 ordenhas e um Serviço Anual Programado para verificar pulsadores e níveis de vácuo. Modificou os parques de espera. Como estão agora? Tenho apenas um lote de vacas em produção, as vacas vão-se dirigindo para a sala de espera onde depois, de forma automática são “empurradas” para a ordenha. As vacas que vão para o lado direito saem depois pela manga do lado direito e aí existe uma porta separadora que permite que as vacas que quero separar passem para um parque especifico, por uma instrução que tenhamos dado ou porque tiveram produções bastante inferiores às FIGURA 3 Joaquim Cahopas.

RUMINANTES ABRIL . MAIO . JUNHO 2017 67


NÃO DEIXE DE...

FEIRAS FIAPE

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SOMMET DE L’ÉLEVAGE

12 a 15 setembro 2017 Rennes – França

4 a 6 outubro 2017 Clermont-Ferrand – França

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27 abril a 1 maio 2017 Estremoz – Portugal

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25 a 28 outubro 2017 Cremona – Itália

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WORLD DAIRY EXPO
“DESIGNER DAIRY” 3 a 7 outubro de 2017 Madison - USA

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SALON DE L’HERBE

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31 maio a 1 junho 2017 Villefranche d’Allier – França

3 a 5 de novembro 2017 Matosinhos - Portugal

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68 ABRIL . MAIO . JUNHO 2017 RUMINANTES


ATUALIDADES

ITALMIX TEM NOVAS INSTALAÇÕES FABRIS A empresa italiana Italmix, especializada no fabrico de reboques misturadores, inaugurou uma unidade fabril que lhe permitirá aumentar a produção e expandir a gama de produtos. No mercado desde 1995, a empresa adquiriu em 2008 a marca Gilioli e um ano mais tarde lançou a sua linha topo de gama, a Matrix. Atualmente, com instalações mais amplas, novas linhas de montagem, robots de soldadura e estufas de acabamento, a capacidade

de produção poderá aumentar até 400 máquinas por ano. Novos projetos contemplam a incorporação de tecnologias inovadoras na gama Matrix que deverá ficar posicionada como marca Premium. A Italmix está atualmente presente em toda a Europa, Japão, África do Sul e Austrália, que confirmam a liderança neste mercado de unifeeds. Apesar do contexto internacional desfavorável a empresa tem crescido nos últimos anos.

AGCO QUER COMPRAR LELY A holding norte-americana AGCO, proprietária de marcas como a Massey Ferguson, a Valtra e a Fendt – anunciou que pretende adquirir a divisão forrageira do fabricante holandês Lely. Relativamente ao negócio, que deverá ficar concluído até ao final do ano, Alexander van der Lely, CEO da empresa, explicou: “A Lely tem a intenção de se focar inteiramente no seu papel de agente de inovação no campo da robotização, dos sensores e dos sistemas de dados para uso em explorações leiteiras”. As fábricas da Lely localizadas na Holanda, onde são produzidas gadanheiras, volta-fenos e encordoadores, deverão encerrar até março de 2018, por serem alfaias que se sobrepõem à gama da Fella, também pertencente ao universo AGCO. As que estão localizadas em território alemão, de onde saem as enfardadeiras e os reboques auto-carregadores, passarão a ser propriedade do Grupo AGCO.

RUMINANTES ABRIL . MAIO . JUNHO 2017 69


PRODUTO

AUTOMATIZAÇÃO E SAÚDE DO UBERE ABORDAGEM PRÁTICA A saúde do úbere está diretamente relacionada com o maneio da exploração leiteira. Problemas a este nível significam quebras na produção de leite e consequentes incrementos nas despesas de tratamento. A automatização veio ajudar a ultrapassar algumas dificuldades e a facilitar a rotina diária de trabalho, sendo vista como uma solução para animais mais saudáveis. Neste artigo abordaremos a questão do maneio do ponto de vista de uma exploração automatizada e da melhor abordagem prática a adotar. POR IVO CARREGOSA E TERESA SANTOS

pastagem. Estes animais devem ser isolados para evitar a propagação da mastite. As moscas são o principal vetor da doença, pelo que devem ser implementadas medidas para minimizar e controlar a exposição dos animais aos insetos. Como prevenção aconselha-se o uso de selantes na extremidade do teto e boas práticas de higiene no processo de secagem.

O MANEIO E AS ESTAÇÕES DO ANO As estações do ano, nomeadamente o verão e o inverno, têm impacto na rotina diária da exploração leiteira, uma vez que os animais respondem distintamente ao frio e ao calor. Nesse sentido, detetar os pontos críticos em ambas as condições é essencial para se agir da forma mais adequada.

um produto que proteja, cure e suavize a pele durante o tempo mais frio e em condições de inverno rigoroso. Deve também ser eficaz no combate às bactérias causadoras de mastite e no aumento da circulação sanguínea, aumentando a resistência natural da pele.

PONTOS CRÍTICOS INVERNO

VERÃO

Desinfetante de tetos É importante o uso de

Mastites de verão Maior incidência em vacas secas e novilhas em

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Stress térmico A zona de conforto térmico de uma vaca encontra-se entre os 13ºC e os 25ºC. Ultrapassado este valor a vaca sofre de stress térmico e o seu estado de saúde e desempenho são afetados. A superlotação não intencional poderá ser uma causa de stress térmico. Esta situação pode ser atenuada através da

colocação de cortinas nas janelas laterais do estábulo. As camas devem ser mantidas frescas, logo o material a ser usado para o efeito deve permitir a circulação de ar e impedir a acumulação de humidade. Os animais devem ter sempre água limpa e fresca à sua disposição. Aumentar a transpiração também é uma forma de manter os animais mais frescos. O pelo deve ser cortado, para permitir uma maior taxa de transpiração. A alimentação deve ser mais frequente e alterada para horas de menos calor, de modo a manter as necessidades nutricionais equilibradas. Desta forma, as vacas também se mantêm deitadas durante as horas de maior calor.

PROCEDIMENTOS PARA TODO O ANO Apesar dos cuidados acrescidos que devem ser tidos em consideração no verão e no inverno, existem procedimentos que devem ser cumpridos ao longo de o todo o ano e não só nos momentos mais críticos. Secar e limpar os cubículos Usar areia ou outro material de cama apropriado. Os cubículos necessitam de ter o tamanho e forma corretas para que as vacas possam adotar posições mais confortáveis e ter úberes limpos. A limpeza deve ser feita pelo menos duas vezes por dia para remover estrume, urina, leite ou qualquer fonte de humidade.


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PRODUTO

Secar e limpar os corredores Raspar o estrume frequentemente (Lely Discovery) e aplicar ventilação. Corredores limpos proporcionam camas mais limpas, para além de contribuir para a redução de doenças infeciosas. Evitar o excesso de pêlos na cauda e no úbere Rapar ou chamuscar os pêlos do úbere e rapar a cauda preferencialmente a cada três meses. Este procedimento também irá ajudar na deteção dos tetos durante a ordenha no robot, diminuindo o tempo de engate e aumentando a eficiência. Escovas Fazer o melhor uso das escovas e do sistema de desinfeção do robot de ordenha Lely Astronaut. As escovas necessitam de ser trocadas regularmente, estando comprovado que o risco de contaminação de vaca para vaca é mínimo se o sistema estiver a funcionar corretamente. Tetinas O tempo de vida das tetinas é determinado pelo número de ordenhas e pela intensidade de utilização. A sua substituição oportuna é de grande importância para a saúde do úbere. É recomendado que as tetinas de silicone sejam substituídas após as 10.000 ordenhas.

AS MASTITES A mastite é uma inflamação do úbere ou de um quarto do mesmo, normalmente causada por bactérias. Dada a dimensão e impacto que esta doença pode ter numa exploração leiteira, não é demais alertar para causas e formas de prevenção. TIPOS DE MASTITE Clinica A mastite clinica é caracterizada por anormalidades claramente visíveis no leite (sangue, grumos, mau cheiro) ou por um úbere/quarto inchado e doloroso. O sistema imunitário reage violentamente, o que leva a uma alta contagem de células somáticas. Um dos possíveis sintomas é a febre, pelo que é recomendado um exame bacteriológico para identificar a causa ou causas. A mastite é geralmente tratada com antibióticos.

Subclínica A mastite subclínica ativa o sistema imunitário e um número limitado de células imunes é enviado para o local da inflamação. Não existem sinais visíveis deste tipo de mastite no aspeto macroscópico do leite ou sintomas de doença na vaca, pelo que apenas pode ser diagnosticada através da contagem de células somáticas (normalmente superior a 200.000) e da condutividade. O exame bacteriológico pode ajudar a encontrar a causa, mas

72 ABRIL . MAIO . JUNHO 2017 RUMINANTES

nem sempre é eficaz, uma vez que somente uma pequena quantidade de microorganismos está presente na mastite subclínica.

para cada quarto. O MQC-C determina a contagem de células somáticas. Em conjunto, estas análises permitem intervenções mais precoces e oportunas.

CAUSAS

No caso dos microorganismos contagiosos é necessário prestar atenção a tudo o que possa ser uma possível fonte de contaminação. As tetinas e escovas do robot Lely Astronaut devem ser substituídas regulamente e a sua desinfeção deve ser a mais eficaz, realizada com os produtos adequados para o efeito. No que diz respeito aos microorganismos ambientais, os procedimentos em relação ao robot Lely Astronaut são os mesmos, sendo também de acrescentar máxima higiene nos cubículos e corredores. Para que estas medidas funcionem o melhor possível, recomenda-se que o produtor trabalhe em conjunto com consultores e veterinários, para que a resposta seja a mais rápida e eficaz possível.

Cerca de 95% das mastites são causadas por microorganismos, no entanto a mastite não é, por definição, causada apenas por micróbios. É sim classificada como um distúrbio multifatorial. Microorganismos contagiosos Este grupo inclui as bactérias que se encontram na pele do úbere e se propagam via animal, tetinas, escovas, panos usados para limpar os tetos e outras superfícies de contacto (incluindo as mãos do ordenhador, no caso de uma ordenha convencional). Nestes casos, a contagem de células somáticas aumenta. Microorganismos ambientais Este tipo de bactérias não necessitam de tecido do úbere para sobreviver e podem ser encontradas no material das camas, no estrume e nos cubículos. Ao serem transferidas destes ambientes podem penetrar na pele do úbere, através de feridas ou de um esfíncter que não se encontra devidamente selado. As más condições de higiene aumentam a probabilidade deste tipo de ocorrências. Agir e prevenir Ao contrário da mastite clinica que é, normalmente, facilmente reconhecível, a mastite subclínica é mais difícil de identificar. O robot de ordenha Lely Astronaut possui instrumentos de medição capazes de identificar desvios antecipadamente: o MQC (Milk Quality Control) regista a condutividade, cor e tempo de ordenha, entre outros,

CONCLUSÃO Cada exploração realiza o maneio mais adequado às suas características, uma vez que não existem duas explorações iguais. No entanto, todos os princípios básicos devem estar presentes, garantindo as condições ideais para a produção de leite e para o bem-estar dos animais. A saúde do úbere é um fator determinante para o correto funcionamento da exploração, relacionandose diretamente com a rentabilidade da mesma. Os microorganismos representam uma ameaça à saúde do úbere e devem ser combatidos não só através do seu extermínio, mas também através da prevenção e do cuidado.


ATUALIDADES

UMA MÃE A QUINTUPLICAR Esta elevada prolificidade parece ser uma característica do efetivo do senhor Heal, bem como desta fêmea em particular. Efetivamente, esta foi a sua terceira gestação e, nas duas anteriores, o número de borregos paridos foi de dois e três, respetivamente. De facto, este parece estar a ser um ano em grande para as Highlanders Neozelandesas, cujos partos triplos e quádruplos têm sido bastante frequentes. Tão ou mais orgulhoso do que a generosa mãe, cujas boas características maternais não passam despercebidas, está o seu produtor, que vê o seu entusiasmo renovado perante tão incrível fenómeno!

DENSIDADE VARIÁVEL

Uma ovelha da raça Highlander conseguiu algo improvável: dar à luz cinco borregos saudáveis, após cruzamento com um macho Texel, contribuindo para aquela que é já uma prolificidade de peso. A proeza ocorreu numa exploração em Somerset, no sudoeste de Inglaterra, e foi uma surpresa para o produtor Tom Heal. A gestação múltipla da ovelha era já conhecida, no entanto o exame ecográfico prévio indicara a presença de (apenas!) quatro borregos. Apesar de ser esperada alguma mortalidade nestes casos, todos os borregos nasceram saudáveis, com pesos entre os 2.75 kg e os 5.20 kg, atingindo a prole uns impressionantes 18.1 kg de peso total.

CONTROLO E MANEIO DA EFICIÊNCIA RUMINAL “Otimizar o rendimento de uma exploração através do maneio do rúmen” foi o tema de um dia de campo organizado em março pela Tecadi e a Lallemand ao abrigo do seu programa Rúmen School. Esta iniciativa teve lugar na exploração leiteira Sociedade Agrícola Gil & Gil, em Maiorca, com a colaboração da Lacticoop. A Rúmen School é um programa teórico e prático dirigido a técnicos da área de nutrição e saúde animal, dedicado a monitorizar, na exploração, o funcionamento do rúmen, a eficiência alimentar e a identificação de possíveis melhorias a introduzir, já que um bom funcionamento do rúmen é fator chave para o lucro na exploração. Participaram neste programa, além dos técnicos da Tecadi e da Lallemand, os proprietários da exploração, o nutricionista da Lacticoop, o médico veterinário assistente da exploração e técnicos de diversas fábricas de alimentos compostos e pré-misturas.

VARIEDADE DKC6903 DKC6752 DKC6631YG DKC6630 DKC6664 DKC6815 DKC6532 DKC6340 DKC6031 DKC6040 DKC5741 DKC5632 DKC5530 DKC5542 DKC5277YG DKC5276 DKC5190 DKC5144 DKC5031 DKC5032YG DKC4608 DKC4795 DKC4796YG DKC4621 DKC4117 DKC3014

FAO RM FAO 600 118 117 116 115 115 115 114 FAO 500 113 110 110 107 106 105 105 FAO 400 102 102 101 101 100 100 FAO 300 98 97 97 96 FAO 200 91 81

A NOVA GERAÇÃO

APTIDÃO SILAGEM GRÃO DUPLA APTIDÃO DUPLA APTIDÃO GRÃO GRÃO GRÃO DUPLA APTIDÃO DUPLA APTIDÃO DUPLA APTIDÃO SILAGEM GRÃO GRÃO SILAGEM GRÃO DUPLA APTIDÃO SILAGEM SILAGEM GRÃO GRÃO SILAGEM GRÃO GRÃO DUPLA APTIDÃO SILAGEM DUPLA APTIDÃO

RUMINANTES ABRIL . MAIO . JUNHO 2017 73


PRODUÇÃO

RAQUEL TOMÉ ENG.ª AGRÓNOMA - TÉCNICA COMERCIAL DA EMPRESA IVERDE - INOVAÇÃO PECUÁRIA

O MANEIO DE BOVINOS

EM INSTALAÇÕES PECUÁRIAS As mangas e os currais são equipamentos e instalações que têm uma importância grande na rotina diária das explorações de bovinos, pelo que devem sempre salvaguardar o bem-estar dos animais, bem como dos operadores.

Um baixo nível de stress é a base para o sucesso do maneio dos animais, contribuindo para uma melhor eficiência do trabalho, assegurando o seu bem-estar e dos operadores. Um bom maneio tem uma importância muito grande na exploração, uma vez que uma boa parte das rotinas da exploração envolvem mobilizar os animais. Estas mobilizações podem ir desde intervenções sanitárias a reprodutivas, a imposições legais como a identificação eletrónica e os rastreios de determinadas doenças. Abortos, falhas de imunidade, traumatismos dos animais e dos operadores, diminuição do rendimento e aumento do tempo das operações são algumas das consequências de mangas e currais inadequados. O bom funcionamento das mangas e currais tem um papel fundamental no bem-estar animal e está fortemente dependente da formação e conhecimento de quem os manuseia, bem como da forma como são construídos e instalados na exploração. Este artigo pretende demonstrar as melhores medidas para que a interação Animais, Instalações e Operadores possa ser a melhor, descrevendo a melhor forma do operador interagir com os animais interpretando e “utilizando” o seu comportamento, e enumerando as principais características para uma melhor construção das instalações.

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A FAMILIARIZAÇÃO DO OPERADOR COM O COMPORTAMENTO ANIMAL O conhecimento do comportamento da espécie por parte dos operadores é essencial a um bom funcionamento da exploração. Muitas vezes o grande impedimento para manter o fluxo continuo de animais através das instalações é o operador. Estar parado no local errado, pressionar de um ângulo incorreto ou simplesmente não dar espaço suficiente para aliviar a pressão, são alguns dos erros mais comuns por não existir um bom conhecimento e interpretação do comportamento da espécie. Por melhores que sejam as instalações, estas não funcionam se não forem utilizadas corretamente.

São quatro os princípios básicos do comportamento dos bovinos que podem ser utilizados para facilitar o maneio, aumentar a velocidade do trabalho, reduzir o stress e aumentar a eficiência: 1º. OS BOVINOS QUEREM ESTAR SEMPRE A VER-NOS É necessário saber como funciona a visão dos bovinos para obter as respostas pretendidas aos movimentos dos operadores. Os bovinos podem ver para todo o lado exceto para trás e um pequeno ponto à sua frente (zonas cegas). O movimento do operador para as zonas cegas leva a que os animais movimentem a cabeça para o local onde sentem o operador. Este movimento pode ser útil se quisermos alterar a direção do movimento ou prejudicial se quisermos que andem em frente. Neste último cenário é importante movimentarmo-nos ao lado do animal, de forma a impedir que se volte num esforço de manter o operador na linha de visão, o que faz com que o animal pare de andar em frente.

2º. OS BOVINOS QUEREM PASSAR À NOSSA VOLTA Este princípio deve ser utilizado de forma a que quando os bovinos passarem em torno do operador se desloquem na direção pretendida. Quando o operador leva a este movimento, o bovino vai sentilo como natural, encarando-o como se fosse “uma ideia sua”.

3º. OS BOVINOS QUEREM ESTAR E VÃO DESLOCAR-SE NA DIREÇÃO DE OUTROS BOVINOS O instinto de rebanho está enraizado nesta espécie. A segurança está no número e os bovinos sabem-no. Para os agrupar devemos sempre começar da frente do rebanho e nunca deixar um animal sozinho.


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4º. O TREINO E A HABITUAÇÃO SÃO MUITO IMPORTANTES O tempo dos gritos e correrias com as vacas tem de passar, uma vez que os maus hábitos e maus comportamentos são rapidamente aprendidos pelos animais. Devemos assegurarnos que as bezerras e as novilhas são corretamente iniciadas, sendo que devem ser treinadas desde o início para que possam aprender que o maneio não é uma má experiência. As primeiras impressões são críticas! Nunca temos uma segunda oportunidade para causar uma boa primeira impressão. Por exemplo, muitas vezes os animais podem estar stressados logo na pastagem, este comportamento deve-se não tanto à pressão exercida na pastagem, mas à antecipação do que vem a seguir: a entrada no curral. Neste e noutros casos a repetição do maneio com baixo nível de stress é fulcral. Aquando da manipulação dos animais é também importante o método que é utilizado na aproximação ao rebanho, criando e aliviando a pressão. Quando os animais fogem o operador deve voltar a aproximar-se da zona de fuga, abrandando e recuando ao menor sinal de defesa dos animais. Se voltarem a fugir, o que provavelmente vão fazer, o operador deve voltar a repetir até que os animais abandonem a passo a sua posição sempre que o operador entra na zona de fuga. Maus hábitos não se resolvem num só dia, pelo que os animais devem ser frequentemente trabalhados na pastagem.

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Tendo como base estes quatro princípios comportamentais, é possível enumerar dez dicas para um maneio eficaz dos bovinos: 1. A ÚNICA FORMA DE TRABALHAR COM GADO RAPIDAMENTE É FAZÊ-LO DEVAGAR. A paciência é uma virtude. As pressas causam inevitavelmente pressão excessiva ou incorreta nos animais, o que poderá causar stress e resultar em reações indesejadas.

2. TRABALHAR DESDE A FRENTE DO REBANHO PARA ENCAMINHAR O GADO NA NOSSA DIREÇÃO. É fácil controlar o gado pela frente se este não tiver medo das pessoas (se os animais tiverem medo temos um longo caminho a percorrer até estarmos capazes de usar métodos de reduzido stress). Trabalhar pela frente ajuda a evitar que o gado queira recuar, pois querem manter-nos no seu campo de visão. Ao deslocarmo-nos para a área da zona de fuga ou para fora dela, ou em ângulo para o ponto de equilíbrio, o gado pode facilmente ser conduzido na direção desejada. A forma como nos aproximamos das zonas de equilíbrio ou de fuga tem impacto na resposta dos animais. Temos de nos recordar que é apenas uma representação genérica e que cada animal reage à nossa posição corporal de forma individual. Os pontos de equilíbrio variam muito e são influenciados pela pressão exercida. Os ângulos e círculos desenhados devem ser determinados pelo operador em relação a cada animal ou rebanho. Não devemos

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esquecer que é extremamente difícil manter-nos nos pontos cegos, uma vez que os animais tentarão imediatamente movimentar a cabeça, o que podemos aproveitar para os deslocar na direção pretendida.

3. APLICAR PRESSÃO QUANDO O GADO TEM ESPAÇO PARA SE DESLOCAR. O sucesso de manusear gado depende também de saber quando e quanta pressão se deve exercer. É tão importante saber aplicar pressão para provocar deslocamento no sentido desejado, como saber o momento em que deve ser aliviada.

4. APLICAR PRESSÃO LATERAL. A pressão deve ser exercida quando nos deslocamos da frente para o lado e não diretamente por trás. A lateral de um bovino é toda a zona desde a ponta do nariz até à tuberosidade caudal. Animais diferentes respondem de maneira diferente. Um bom vaqueiro/operador é aquele que sabe interpretar as ações do gado e antecipa a resposta do animal antes de aplicar a pressão.

5. O GADO DEVE SENTIR-SE CONFORTÁVEL AO SER CONDUZIDO PELO VAQUEIRO/OPERADOR, MANTENDO-SE EM LINHA RETA. Trabalhar pela frente permite ao gado passar por nós sem o assustar ou impedir a passagem. Este princípio simples

permite encurralar, separar e tratar o gado. A paragem abrupta do movimento de um bovino quando tenta passar vai aumentar brutalmente a sua relutância em deslocarse. Deve-se por isso fornecer ao animal tempo e espaço para recuar, aliviando a pressão, afastando-nos ou aproximandonos dele com um movimento simples da nossa posição corporal. Quando nos movimentamos para a frente do ponto de equilíbrio (na zona do ombro do bovino), separamos um animal do grupo, criando dificuldades no controlo dos movimentos dos animais que estão atrás. O segredo está em nos colocarmos numa posição em que os animais se queiram deslocar na direção que pretendemos.

6. EXERCER PRESSÃO POR TRÁS APENAS QUANDO É ESTRITAMENTE NECESSÁRIO. Exercer pressão no ponto cego faz com que os animais se voltem para nos verem. Para conduzir um animal em linha reta, deve-se assumir uma posição atrás do ponto de equilíbrio e apenas de um lado.

7. QUANDO TRABALHAMOS COM GADO DEVEMOS MOVERNOS EM TRIÂNGULOS. Especialmente em mangas, devemos mover-nos em ziguezague para, ao aliviar primeiro a pressão da frente, criarmos de seguida pressão atrás do ponto de equilíbrio, provocando o movimento do animal para a frente. Devemos depois sair da zona de fuga para abrandar ou parar o movimento.

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8. DESLOCARMO-NOS NO MESMO SENTIDO QUE O REBANHO FAZ COM QUE ABRANDEM OU PAREM O MOVIMENTO. Quando nos aproximamos do ponto de equilíbrio os animais abrandam. Se o ultrapassarmos eles param ou invertem o movimento.

9. DESLOCARMO-NOS NO SENTIDO CONTRÁRIO AO MOVIMENTO DOS ANIMAIS FAZ COM QUE INICIEM OU ACELEREM O MOVIMENTO. Isto acontece por estarmos permanentemente a passar para trás do ponto de equilíbrio.

10. O INVESTIMENTO DE TEMPO NO TREINO DO GADO, NÃO É UM DESPERDÍCIO DE TEMPO. Devemos investir algum tempo a treinar os animais manuseando-os mais vezes do que apenas quando é necessário. O objetivo de um operador de gado é criar movimento nos animais e em seguida usar a sua posição para que este movimento tenha o resultado desejado. Quando o gado perde o movimento, cria pressão e torna-se relutante em se deslocar na direção pretendida e acaba por fugir em várias direções. Criar e controlar o movimento é a chave do maneio de baixo stress.

CONSTRUÇÃO DAS INSTALAÇÕES O conhecimento do comportamento animal é também essencial para uma boa instalação e utilização das mangas e currais na exploração. Ao conhecer o comportamento da espécie, é possível selecionar os melhores equipamentos, instalá-los da melhor forma e utilizá-los corretamente. Por exemplo, uma vez que os bovinos se deslocam melhor em direção a espaços abertos, as mangas não devem ser construídas em materiais sólidos, mas sim materiais que permitem aos animais ter uma visão mais alargada do que está à sua frente. Por outro lado, ao utilizar materiais mais sólidos, podemos evitar que os animais se “distraiam” quando estão a ser direcionados.


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As instalações devem estar desenhadas de forma a que o operador se possa posicionar corretamente e manter o fluxo animal do curral para a manga. O curral de acesso à manga deve ser suficiente para albergar um número suficiente de animais para encher a manga. A manga nunca deve ficar vazia sem se voltar a encher o curral de acesso. O tamanho ideal do grupo, dependendo da dimensão do rebanho, vai de 4 a 20 animais. O funil de entrada deve ter a largura de 2 animais adultos o que retira aos animais a impressão de estarem a entrar num beco sem saída. Deve ter pelo menos 4 metros de comprimento a direito. As mangas em curva não têm interferência no fluxo dos animais. O curral de acesso deve também ter cerca de 7 metros de comprimento, pois permite ao operador trabalhar do lado de fora. Se se tiver que trabalhar do lado de dentro quando o operador regressa à sua posição, o fluxo do movimento

do gado diminui ou para, muitas vezes iniciando o movimento de recuar. A entrada do curral de acesso à manga deve estar ao lado da entrada desta, pois os animais tentam fugir por onde entraram. O curral deve ter a dimensão suficiente para permitir fechar a porta antes dos animais iniciarem o movimento de saída (Ver imagem 1 e 2). Outros fatores importantes a ter em conta na construção e instalação são: • Um desenho errado dos cantos faz com que nenhum material de construção seja suficientemente sólido. • Mangas e currais são a barreira de segurança entre animais e pessoas. • É importante usar a luz natural ou artificial para aumentar a capacidade de os animais encontrarem o caminho e a direção em que se devem deslocar.

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NOTA O autor escreveu este artigo segundo o Antigo Acordo Ortográfico.

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NOVIDADES DE PRODUTO

O seu irmão irmão mais novo, o Kuhn SPV Access, distingue-se nomeadamente pelo depósito de 12 а 15 m3 e por uma potência de desensilar de 70 cv em vez dos 100 cv da versão Power.

AUTOMOTRIZ PARA EXPLORAÇÕES MÉDIAS A Kuhn lançou uma nova gama de reboques misturadores automotrizes especificamente dirigida aos produtores de leite com 50 a 120 vacas. Com uma capacidade de 12 а 17 m3, o Kuhn SPV Power foi projetado para

explorações leiteiras com 50 а 120 vacas. É uma máquina de entrada de gama, compacta e muito manobrável. O reservatório, situado entre os dois eixos, permite baixar a máquina em 20 cm, ao contrário das gamas anteriores. O raio de viragem é de 5.7 metros. Ainda existe como opção uma versão mais baixa, e outra de 4 rodas direcionais para permitir um raio de viragem de apenas 5 metros.

O SPV dispõe de pesagem integrada e de um sistema autoreverse sobre o transportador para um bom controlo da quantidade de produto. O transportador grande é capaz de carregar até 2.4 toneladas de milho por minuto mas pode igualmente ser utilizado para feno, fardos de feno ou silagem, beterraba ou batata. O braço permite desensilar até 5 metros de altura e fazer um corte rápido, no silo, com 23 cm. O depósito misturador é composto por apenas um semfim. A mistura pode ser efetuada até 15t/min, a distribuição a 30 t/min e a velocidade de descarga é de 40 t/min. A máquina pode ser utilizada nos corredores de alimentação com largura mínima 3 metros. O eixo traseiro é estreito para não capotar nos sulcos. Este modelo está homologado a 25 km/h em estrada. O motor é John Deere de 4 cilindros desenvolvendo 170 cv a 1700 rpm. A cabine é espaçosa e oferece boa visibilidade. A posto de condução tem um joystick multifunções e integra o terminal VT30 ou VT50.

UNIFFEDS AUTOMOTRIZES PARA GRANDES EXPLORAÇÕES Kuhn SPW Intense Adaptada a explorações de grandes dimensões, a nova gama de reboques misturadores automotrizes da Kuhn tem 2 senfins verticais e desenvolvese em 6 modelos de 14 a 27 m3 de capacidade. A par com uma nova motorização TIER 4F de 225 cv e um dispositivo de gestão do sistema hidráulico através de fresa e senfins de mistura, esta gama traz algum equipamento novo: • espelhos traseiros retráteis que podem ser ajustados a partir da cabine e retraídos para reduzir a largura da máquina em passagens estreitas;

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• balde carregador com semfim para incorporação de melaço e minerais; • porta defletora que fecha e abre automaticamente, conduzindo o fluxo de produto no depósito e reduz o efeito do vento; • para uma melhor manobrabilidade em espaços estreitos, a máquina pode ser equipada com um eixo direcional traseiro. Também novo é o terminal CCI, com ecrã tátil a cores, que centraliza todas as informações relacionadas com o funcionamento e gestão, e a partir da pesagem.


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Ruminantes 25  

Edição nº25/2017 A revista da Agropecuária

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