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Ano 7 - Nº 24 - 5,00€ janeiro | fevereiro | março 2017 (trimestral) Diretor: Nuno Marques

A REVISTA DA AGROPECUÁRIA

www.revista-ruminantes.com

EUROTIER 2016 Novidades

A Cabra Preta de Montesinho Churra Galega Bragançana

Viagem ao mundo da genética Viking


EDITORIAL

edição nº24 janeiro | fevereiro | março 2017

Viver com a volatilidade

Diretor

Nuno Marques | nm@revista-ruminantes.com

Por esse mundo fora, os preços do leite estão a subir embora continuem abaixo das médias históricas, e tudo indica que este ano poderá ser mais interessante do que o anterior. No segundo semestre de 2016, a produção de leite mundial quebrou e a procura de produtos lácteos na China começou a aumentar, provocando uma tendência de subida do preço do leite. Esta tendência mantém-se para 2017, que assim aparenta ser mais risonho para os produtores de leite. No entanto os agricultores não se devem esquecer que vêm de um ano que deixou seguramente danos consideráveis no seu negócio e que, por outro lado, têm que habituar-se a viver com a volatilidade do preço do leite que hoje sobe, amanhã desce. Por cá, podemos dizer que passámos de aproximadamente 300 mil vacas leiteiras em 2012 para cerca de 243 mil em 2015 e 225 mil (número não oficial) em 2016. Se falarmos em número de explorações, não nos enganaremos muito se dissermos que atualmente pouco ultrapassam as 5 mil. Estas cifras confirmam que as crises relacionadas com a volatilidade do preço, as politicas estabelecidas pela comunidade europeia e a gestão interna do sector do leite têm causado estragos na estrutura produtiva do sector em Portugal. Com o preço do leite a ficar mais interessante, é normal pensar-se em voltar a investir no negócio. Parece-me um raciocínio lógico e que os investimentos devem ser equacionados. Ainda mais se analisarmos alguns dados oficiais relacionados com o preço do leite em Portugal e em Espanha e conseguirmos perceber porque passou o nosso vizinho a pagar um preço mais alto pelo leite a partir de maio de 2015. Não sei o que levou a que isso acontecesse, mas poderá estar aqui uma boa oportunidade para o sector, pois quer dizer que apesar de sermos vizinhos num mercado global, o preço não tem que ser igual nos dois países. Se percebermos o que levou a indústria espanhola a pagar mais pelo leite em Espanha, e tentarmos definir um caminho próprio e com sentido, poderemos também ter um preço mais interessante em Portugal que o “preço global do leite”. Isso seria muito bom para os produtores e iria dar verdadeiro suporte aos investimentos, e bemestar aos produtores de leite.

Colaboraram nesta edição Amândio Carloto, António Cannas, António Moitinho, Carlos Carvalho, Carlos Vouzela, Dargent Figueiredo, David Catita, Filinto Girão Osório, Francisco Marques, George Stilwell, Gonçalo Martins, Ivo Carregosa, Joana Alvernaz, Joana Diniz, João Paisana, Joaquim Cerqueira, Jorge Azevedo, José Caiado, José Pedro Araújo, Manuel Santos, Paulo Sousa, Pedro Castelo, Sandra Campelo, Sara Petersson, Teresa Moreira, Teresa Santos, Tiago Ramos, Vânia Vaz, Vasco Franco.

Publicidade e assinaturas Nuno Marques | comercial@revista-ruminantes.com

REDAÇÃO

Francisca Gusmão, Inês Ajuda e Joana Silva

Design e PrÉ-impressão Sílvia Patrão | prepress@revista-ruminantes.com

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Propriedade / Editor Aghorizons, Lda / Nuno Marques Contribuinte nº 510 759 955 Sede: Rua Alexandre Herculano, nº 21, 5º Dto 2780-051 Oeiras Tiragem: 5.000 exemplares Periodicidade: Trimestral Registo nº: 126038 Depósito legal nº: 325298/11 O editor não assume a responsabilidade por conceitos emitidos em artigos assinados, anúncios e imagens, sendo os mesmos da total responsabilidade dos seus autores e das empresas que autorizam a sua publicação.

Eurotier 2016 Visitámos a Eurotier, em Hanover. Se pensa que já foi tudo inventado, está enganado, nesta feira encontra tudo o que de mais recente foi lançado no mercado e tem a possibilidade de assistir a inúmeras palestras e workshops sobre os mais variados temas do sector animal. Nesta edição da revista pode encontrar algumas das inovações premiadas que selecionámos desta enorme feira. A próxima edição da Feira tem data marcada para novembro de 2018.

Reprodução proibida sem autorização da Aghorizons, Lda. Alguns autores nesta edição ainda não adotaram o novo acordo ortográfico. O “Estatuto Editorial” pode ser consultado no nosso site em: www.revista-ruminantes.com/quem-somos

BOM ANO!

Nuno Marques

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ruminantes Janeiro . fevereiro . março 2017 3


Soluções orientadas à rentabilidade

Produções eficientes Melhores resultados

Tirar o máximo partido dos seus animais é o nosso objetivo comum. Para o conseguirmos é imprescindível otimizar a produção de leite com vacas saudáveis e produzir leite com a máxima quantidade de forragem possível. Só assim podemos aspirar a melhoria da rentabilidade das explorações. O objetivo da De Heus é maximizar os lucros dos seus clientes. Oferecemos soluções nutricionais baseadas na experiência prática e cientíca recolhida em mais de 50 países onde estamos presentes. O nosso know-how, agora disponível em Portugal, é comprovado pelos resultados dos milhares de clientes bem-sucedidos que pelo mundo fora conam em nós.

Alimentos De Heus para Vacas Leiteiras

Produção de Leite Rentável

WWW.DEHEUS.PT


Índice Alimentação 18 24 30 40

Impacto da nutrição sobre o teor celular A adição de 6-8% de açúcares líquidos QUALIX, 100% Inovação, 0% melaço Deslocamento de abomaso, como prevenir?

ATUALIDADES 08 Indústria leiteira nacional é pouco competitiva 14 Produzir melhor, jornadas técnicas de bovinos de leite 32 Período de retenção antes do verão

ECONOMIA

10 Viagem ao mundo da genética Viking A VikingGenetics é a maior empresa escandinava de genética com 95% de quota de mercado. Convidados por esta empresa, viajámos até à Dinamarca para conhecer a filosofia por detrás deste projeto: o melhoramento genético a pensar na saúde animal e na redução de custos.

34 Observatório de matérias primas 36 Observatório do leite 38 Índice VL e Índice VL erva

forragens 44 Gestão de pastoreio, uma abordagem prática 62 “FEED BEET”: a nova beterraba forrageira para a alimentação animal

Produção 42 Cruzamento Merina X Suffolk: Uma aposta ganha

produto 60 Dairy XL 72 O que se ganha com uma sala de ordenha nova

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64

A Cabra Preta de Montesinho - Churra Galega Bragançana

EUROTIER 2016 NOVIDADES

Conheça as características desta raça, o trabalho que foi desenvolvido ao longo dos últimos anos e as perspetivas futuras.

Conheça nesta edição algumas das novidades que foram apresentadas na maior feira de agropecuária, a Eurotier, que decorreu em novembro passado em Hannover, na Alemanha.

SAÚDE E BEM-ESTAR ANIMAL 48 Avaliação de indicadores produtivos e de bem-estar animal em oito explorações de vacas leiteiras 52 Hipocalcémias: revisão da terapêutica 54 10 Dicas – Democratização da genética 56 Porque não quero vacas obesas na minha exploração leiteira

boletim de assinatura 1 ano, 4 exemplares

dados pessoais

Portugal: 20,00 €

Nome.............................................................................................................................................................................................

Europa: 60,00 €

Morada..........................................................................................................................................................................................

Pagamento • Por transferência bancária IBAN: PT50 0269 0111 00200552399 92 Enviar comprovativo para o email geral@revista-ruminantes.com • Por cheque: À ordem de Aghorizons, Lda.

............................................................................................................................................................................................................. CP............................................................................Localidade.............................................................................................. Email.............................................................................................................................................................................................. Tel............................................................................NIF................................................................................................................. Morada para envio: Revista Ruminantes - Rua Alexandre Herculano, nº 21, 5º Dto, 2780-051 Oeiras. ruminantes Janeiro . fevereiro . março 2017 5


Monobox GEA Um só movimento para uma ordenha perfeita O Monobox apenas necessita de uma colocação para poder realizar toda a sequência de passos de uma boa rotina de ordenha. Num único movimento coloca, estimula, limpa, tira os primeiros jactos de leite, ordenha e aplica o post-dip directamente nos tectos

Os 6 passos da rotina de ordenha automática Monobox 1. Colocação e estimulação Logos após à colocação da tetina começa o processo de estimulação mecânico que prepara o ubre para uma ordenha rápida e com elevados fluxos de leite A estimulação mecânica da GEA reduz as curvas bimodais, desta forma é encurtado o tempo de ordenha e aumenta a produção de leite por animal. 2. Ordenha limpa É feita a limpeza dos tetos seguida de uma secagem, posteriormente são retirados os primeiros jactos de leite O que diferencia o sistema Monobox da GEA de outras máquinas é que desta forma não são necessárias escovas ou qualquer outro equipamento mecânico que possa provocar uma qualquer contaminação dos tetos. Ao realizarmos uma limpeza regular e constante evitamos ordenhar tetos sujos ou molhados.

3. Medição e análise do leite Um conjunto de sensores analisa por teto a temperatura, a cor e a condutividade eléctrica do leite dos primeiros jactos para detectar anomalias ou mamites. De seguida são monitorizados os fluxos de leite e tempos de ordenha de cada teto enquanto se mede o volume de leite produzido. A informação detalha é disponibilizada ao produtor de forma a permitir realizar os ajustes necessários. 4. Ordenha completa, rápida e confortável A ordenha em linha baixa permite trabalhar com baixos níveis de vácuo o que nos dá a garantia de uma ordenha rápida e suave dos tetos. A linha baixa proporciona estabilidade de vácuo e melhores condições para os tetos, coisa que as linhas altas não permitem. Este facto influência de forma positiva a qualidade final do leite ordenhado.

5. Posicionamiento Um braço de ordenha leve e suspenso adapta-se de maneira natural aos movimentos da vaca. Isto evita maus posicionamentos do jogo de ordenha, quedas dos casquilhos, forças negativas e respiros nas tetinas. Caso uma tetina caia, jamais esta poderá tocar o chão até que volte a ser colocada, nem o jogo de ordenha perde o bom posicionamento O curto comprimento das mangueiras de leite proporciona estabilidade e evita flutuações de vácuo.

6. Post Dip e retirada automática Uma vez terminada a ordenha e antes de retirar a tetina, é aplicado directamente em cada teto o produto desinfectante e cosmético. Esta forma de aplicação tão directa permite uma cobertura perfeita e de forma homogénea em todo o teto e uma hidratação mais eficaz..


Qualidade, Produtividade e Flexibilidade. Tudo em um! Módulo profissional de ordenha automática proporciona o máximo rendimento e excelente saúde do rebanho. O novo módulo GEA Monobox herda as vantagens do célebre módulo de ordenha DairyProQ para uma produção de leite de qualidade superior. Toda a rotina de ordenha é realizada dentro de uma só tetina, o que assegura uma ordenha com uma higiene impecável, uma melhor saúde do rebanho e um leite de qualidade premium. GEA Monobox ordenha as suas vacas no momento oportuno e com uma eficiência única.


opinião

Indústria leiteira nacional é pouco competitiva por Manuel Dargent Figueiredo, Médico Veterinário

A leitura do Boletim do SIMA é sempre uma boa fonte de informação sobre preços no mercado português do leite, bem como da sua situação relativamente aos restantes mercados Europeus. Comparando Portugal (PT) com Espanha (ES) e os 28 países da União Europeia (UE28) (gráfico 1), é possível concluir-se:

TABELA 1 Comércio internacional - janeiro a setembro Entradas Produto

Saídas 2016

2015

Leite/Natas em natureza

83 375

93 985

95 879

163 744

-11,3

-41,4

Leite/Natas concentrados

14 480

13 063

14 284

13 559

10,8

5,3

Iogurte e Quefir

98 624

104 629

8 561

10 197

-5,7

-16,0

6 751

6 899

14 531

11 803

-2,1

23,1

39 474

36 273

6 581

6 051

8,8

8,8

8 192

8 862

14 158

15 139

-7,6

-6,5

250 896

263 712

153 994

220 492

-4,9

-30,2

Manteiga Queijo e Requeijão Soro de leite TOTAL

• Até março de 2015 os preços de PT estavam equilibrados com os de ES, bem como com a média dos UE28. • Após um pico em abril de 2015, os preços nesse ano em PT foram sempre inferiores às outras duas referências • De abril a agosto de 2016 verifica-se uma baixa significativa dos preços médios na UE28, com uma

recuperação substancial, a partir de julho, não verificada em PT. Interessante é ver, no boletim do Comércio Internacional (tabela 1), a evolução em toneladas dos movimentos do Comércio Internacional, em que se constata uma perda significativa dos valores entre as entradas e saídas. Esta perda demonstra uma falta de performance e inovação do

35,00

2015 Portugal 2016 Portugal

2015 Espanha 2016 Espanha

2015 UE28 2016 UE28

EUR / 100kg

32,50

30,00

27,50

25,00

jan

fev

mar

Var. % 2016/2015 Saídas

2015

GRÁFICO 1 Preços do Leite à Produção na U.E.

22,50

Var. % 2016/2015 Entradas

2016

abr

mai

jun

jul

ago

set

out

nov

dez Fonte: CE

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sector transformador nacional, bem como do nosso comércio e das nossas estruturas produtivas. O conteúdo deste Boletim, deveria pois ser objeto de alguma análise e debate profundo pelos diversos agentes no sector, nomeadamente no que diz respeito aos quadros em destaque. Qual é a responsabilidade e impacto do sector retalhista português, um dos sectores mais apontados como causa da difícil situação atual da produção? Que consequências ou que peso tem a deslocalização da transformação das grandes marcas transformadoras de leite em produtos de mais valia – iogurte, queijos e outros derivados. Há algum plano de ação, nomeadamente das nossas estruturas produtivas (simultaneamente transformadoras) para alterar este panorama?


GENÉTICA

Viagem ao mundo da genética Viking MELHORAMENTO GENÉTICO a pensar na saúde animal e na redução de custos Por ruminantes

A filosofia por detrás do projeto A VG acredita que uma vaca saudável é uma vaca económica para o agricultor, uma vaca que é de alta produção, tem parições regulares e fáceis, permanece saudável e tem uma conformação funcional. Desde o início que a empresa baseia o melhoramento genético na saúde animal pois acredita que os problemas de saúde levam muito provavelmente a quebras de produção. Por outro lado, as necessidades de novilhas de reposição diminuem com o aumento da saúde animal permitindo, entre outras coisas, ter mais vacas cruzadas com raças de carne para assim vender vitelos a um

Convidados pela VikingGenetics (VG), viajámos até à Dinamarca para conhecer o quartel general da empresa neste país, localizado na cidade portuária de Randers, na península da Jutlândia. Para além dos escritórios, as instalações incluem um laboratório de sémen sexado, e uma “bull station” onde é feita a recolha de sémen. Foi na sede dinamarquesa da VG que entrevistámos Sara Petersson, Diretora Comercial.

imagem 1 Bull station da VikingGenetics.

A Empresa A VikingGenetics é propriedade das cooperativas VikingDanmark, Växa Sverige e Faba, respetivamente localizadas na Dinamarca, Suécia e Finlândia. Em 2005 estas três entidades decidiram unir esforços em prol do melhoramento e comercialização das genéticas Holstein, Vermelha e Jersey, e em 2016 contavam já com um total de 589.000 vacas puras Holstein, 240.000 vermelhas e 70.000 Jersey. Cerca de 25 mil agricultores dinamarqueses, suecos e finlandeses participam diretamente nos objetivos de melhoramento em cooperação com a direção da empresa e os investigadores.

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imagem 2 Vacas rentáveis que cortam nos custos.


GENÉTICA

O ÍNDICE NÓRDICO DE MÉRITO TOTAL Na VG utilizam um índice chamado NTM (Nordic Total Merit), que combina 13 parâmetros diferentes com impacto económico positivo para o produtor. Produção: • Índice de rendimento = quantidade + sólidos • Crescimento dos machos Saúde:

preço superior. Durante a conferência de imprensa, na feira Agromek, Rex Clausager, CEO da VG, enfatizou a importância que a empresa dá à saúde animal e também a importância cada vez maior dos mercados externos. Nos três países de origem, a empresa detém 95% do mercado. Lars Nielsen, diretor de melhoramento genético da VG, falou sobre os novos índices orientados à redução de custos – doenças das unhas; distúrbios metabólicos; problemas de fertilidade; mastites clínicas; outras doenças. A VG possui um sistema de registo de dados onde 90% de todas as vacas contribuem com informações. Veterinários, aparadores de úngulas, técnicos e outros

• • • • • • • •

IMAGEM 3 A VG produz sêmen convencional e sexado (X-Vik). Este último permite obter benefícios como seja: • 90% de garantia feminina • Excelentes resultados de fertilidade • Muitas novilhas para vender ou substituir vacas e aumentar o seu rebanho • Partos fáceis • Maior rentabilidade

Fertilidade das filhas Partos do touro Partos da mãe Sobrevivência dos vitelos Saúde do úbere Outras doenças Longevidade Saúde das úngulas

Conformação: • Corpo • Patas e pernas • Úbere

parceiros contribuem para a mesma base de dados, possibilitando a criação de índices de saúde e saúde das unhas. Trata-se de um sistema de registo que permite fazer o melhoramento baseado nas Mastites, na Saúde das Úngulas e a Sobrevivência de Animais Jovens.

VikingGenetics em números 900.000 vacas leiteiras de raça pura registadas 240 touros de raça leiteira em programa de testes todos os anos

“Ninguém está sequer ao nosso nível!” Entrevista a Sara Petersson, Diretora Comercial da VikingGenetics O que é a VikingGenetics e como está implementada nos diferentes países? A VikingGenetics (VG) é a empresa número um em IA (Inseminação Artificial) na Suécia, Dinamarca e Finlândia. Somos responsáveis pela seleção nacional e pelo desenvolvimento de programas de melhoramento. Trabalhamos principalmente com três raças leiteiras, Holstein, VikingRed (Vermelha Sueca, Ayrshire Finlandês, Vermelha Dinamarquesa) e Jersey.

A VG tem produção em três países: Suécia, Dinamarca e Finlândia e 165 empregados. O número de touros é agora inferior a 1000 em consequência da entrada na era genómica. Atualmente, temos uma empresa comercial na Austrália e uma a começar no Reino Unido. Nos três países de origem, as empresas responsáveis pela IA, serviço de aconselhamento e reprodução — Viking Danmark, Växa Sverige e FABA — são responsáveis pelas vendas e são também proprietárias da VG.

50 países onde está presente; 95% da quota do mercado na Dinamarca, Finlândia e Suécia 165 empregados em 4 países

Qual é o departamento mais importante na empresa? Tratando-se de uma empresa de genética, poderia dizer que é o departamento de genética, mas estamos a caminhar para uma situação em que as exportações e as vendas estão cada vez mais em foco. Ao mesmo tempo, nenhum departamento é uma ilha – todos são importantes para se atingirem bons resultados. Qual a principal característica que diferencia a VG de outras empresas genéticas?

Oferecemos três raças leiteiras competitivas: Viking Holstein, Viking Red e Viking Jersey. A Viking Red é especial para a VG e a nossa Jersey tem um padrão internacional muito elevado. O foco nos índices de saúde é comum a todas as raças para produzir a vaca mais económica - uma vaca que não é apenas de alto rendimento (os países VG estão no topo em produção na Europa) mas é também robusta, saudável e que fornece retorno financeiro. Combinamos isto com o índice

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GENÉTICA

imagem 4 Sara Petersson.

problemas nos rebanhos e menores gastos com doenças. Para além disso, as vacas Viking são também muito eficientes para a produção.

Nordic Total Merit no qual os índices estão orientados a um valor económico. Uma unidade NTM é equivalente a 10 €/vaca/ano. Outra oferta única da VG é o ProCross, um cruzamento rotativo de três raças com Holstein, Viking Red e Montbeliarde, com valor comprovado em todo o mundo, especialmente nos EUA.

de dados nacional utilizada para a avaliação da genética. Os registos de doenças são regulares e os veterinários são responsáveis pelos registos, o que confere uma elevada precisão a esta base de dados. Outro exemplo é a saúde das úngulas – o nosso índice é baseado em 4 milhões de registos feitos por aparadores das úngulas - ninguém está sequer ao nosso nível!

Qual o grau de compromisso da VG com a Pesquisa e Desenvolvimento (R&D)? Investimos 6% da nossa receita em R&D com enfoque nos índices que têm mais impacto económico para o produtor de leite, os índices de saúde. Atualmente, as principais áreas prioritárias são a eficiência de alimentação e as emissões de gases, a qualidade do leite, os dados dos sistemas de ordenha automática (AMS), o cruzamento e a reprodução.

Por que é que acha que a VG é a melhor opção para um agricultor, na situação atual de baixos preços do leite? Porque nós concentramonos em vacas que também representam “economia de custos” - que criam menos

Outras empresas também afirmam ter os melhores índices de saúde. Como é que a VG lida com isso? Nós dispomos de uma base mais sólida do que qualquer outra empresa. 90% das nossas vacas contribuem com dados para uma base

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Como se processa a cooperação comercial e técnica com outras empresas de genética em todo o mundo? A VG faz parte do grupo Eurogenomic. Tem uma cooperação ímpar com a Coopex Montbeliarde em França, através da empresa conjunta ProCross. Esta empresa comercializa o comprovado conceito de cruzamento progressivo no cruzamento de raças de leite incluindo a Holstein, a Viking Red e a Montbeliarde. Em quantos países é que a VG está presente? Em aproximadamente 50. As raças principais para os mercados de exportação são a VikingRed e a Jersey, mas a Holstein tem crescido e atualmente têm as três a mesma dimensão. Como vê o mercado global daqui a 5 anos? Ainda mais competitivo. O nome do touro individualmente vai tornarse menos importante, ao

contrário dos conceitos e das estratégias de seleção que terão mais peso. O crossbreeding vai ser mais comum. E a VG? A VG será um dos players internacionais mais importantes no mundo da genética, na frente de desenvolvimento de índices de saúde e de outros novos índices de importância económica. Existe uma discussão sobre se se deve trazer de volta a robustez às raças em detrimento das altas produções. Qual é a sua opinião? O preferível será uma combinação; a VG provou que isso é possível com o Index Total (NTM) que leva em conta os índices importantes e simultaneamente as correlações entre eles. Isto tem permitido não só o progresso genético em indicadores como a saúde do úbere, como se refletiu também na redução de tratamentos de mastites. Lembre-se que as vacas na Dinamarca, Suécia e Finlândia são também as mais produtivas da Europa. O ProCross é um produto genético da Viking Red e da raça francesa Montbeliard. Como vê o futuro do ProCross? Acredito que o ProCross será o principal conceito de cruzamento e, ao mesmo tempo, acredito que o cruzamento de raças será cada vez mais comum. Não ficaria surpreendida se o ProCross vier a deter 1015% do mercado total em muitos dos principais países produtores de leite nos próximos 5 a 10 anos.

imagem 4 Touro raça VikingRed.


ProCROSS

O Único programa de crossbreeding no mundo já provado A VikingRed Transmite • • • • •

Partos muito fáceis Execelente saúde do casco Muito boas caracteristicas de saúde Execelente saúde do ubere Altas produções Alguns dos actuais melhores touros que estão disponiveis • • • • • •

VR Hammer VR Tuomi VR Flame Pell-Pers Gunnarstorp V Föske

NTM NTM NTM NTM NTM NTM

+25 +19 +18 +13 +12 +10

Para mais informações contacte-nos:

+351 917 534 617

Foto: Elly Geverink

carlosserra@unigenes.com


atualidades

PRODUZIR MELHOR Jornadas Técnicas de Bovinos de Leite

IMAGEM 1 Da esquerda para a direita: Pedro Nogueira, Leonel Leal e António Santana.

No passado mês de novembro decorreu na Exponor, em Matosinhos, o AGRI Milk Show, uma feira internacional de promoção do sector leiteiro. Face à conjetura difícil que ainda se vive, o evento procurou dar a conhecer o que de bom se faz na produção leiteira a nível global, e como os produtores podem maximizar a eficiência de produção e, em paralelo, reduzir os custos numa tentativa de galvanizar um sector do qual o desânimo se tem vindo a tornar um conceito indissociável. A NANTA organizou uma sessão especialmente dedicada a esta temática, presidida pelo seu Diretor Regional. Foi com entusiasmo que António Santana saudou a sala cheia, reflexo, diz, do interesse dos produtores em progredir e elevar o seu conhecimento e eficiência num sector de extrema importância para a produção nacional. Foi com igual veemência que apresentou os dois palestrantes do Grupo Nutreco, os Engenheiros Zootécnicos Leonel Leal e Pedro Nogueira.

o efeito da programação metabólica em vitelas na futura produção de leite Atualmente dedicado à investigação na Holanda, Leonel Leal debruçou-se sobre um tema pelo qual tem particular apreço: o efeito da programação metabólica em vitelas na futura produção de leite. Este esclareceu, procurando amenizar possíveis desconfianças face à estranheza da expressão que, não é nada mais, nada menos do que perceber como o maneio das vitelas nos primeiros meses de vida se pode refletir na sua produção futura. O seu principal objetivo, salienta, não será a apresentação de respostas definitivas, mas sim levar os presentes a questionar as práticas de recria implementadas nas suas explorações. O que é então a programação metabólica? Nas palavras deste investigador, é uma adaptação a um estímulo, alterando constantemente a fisiologia de um organismo, e que se continua a expressar mesmo na ausência desse estímulo. Ou seja, para a mesma base genética, dois animais

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podem ter desenvolvimentos distintos consoante os estímulos a que são expostos, por exemplo, se forem criados em explorações diferentes. Apesar de esquecida, a componente ambiental tem um peso muito forte na maximização da produção: para que o potencial genético se expresse, temos de fornecer as condições ambientais ideais. E que condições são essas? Em primeiro lugar, frisa Leonel Leal, está o colostro e seu maneio, a refeição mais importante de uma vaca em toda a sua vida produtiva. Com um grande efeito no desenvolvimento fisiológico dos animais, possui a vantagem de ser gratuito, estando à disposição em todas as explorações. O truque será então saber utilizá-lo da melhor forma, tirando o máximo partido das suas propriedades nutricionais e imunológicas. Sempre acompanhado de estudos científicos que sustentam a mensagem que quer passar, apresenta os resultados de um estudo em que a dois grupos de vitelas foram administrados 2 e 4 litros de colostro, respetivamente, e no qual se verificou que as vitelas alimentadas com 4 litros tiveram um maior crescimento até ao desmame, uma maior taxa de sobrevivência na 1ª e 2ª lactações e uma produção leiteira cerca de 1000kg maior do que o grupo alimentado com menor quantidade de colostro. Estabelecendo um paralelismo entre as condições naturais de aleitamento e a realidade das explorações leiteiras modernas, Leonel Leal mostrou que, no geral, as tomas de leite raramente se aproximam da frequência de amamentação natural (5 a 6 vezes por dia), a qual propicia uma maior digestibilidade da dieta, os tempos por toma são bastante mais reduzidos face ao que se verificaria naturalmente (5 a 10 minutos) e que consequentemente o volume de leite ingerido é bastante menor (16-24% do peso vivo em condições naturais versus 8-10% do peso vivo na maioria das explorações). E se é verdade que almejar atingir estes valores nas explorações atuais pode ser considerado algo utópico, o ideal passará


atualidades

IMAGEM 2

então por encontrar uma solução de compromisso entre o sistema de produção e a fisiologia do animal. E por falar em fisiologia, o investigador chamou a atenção para a ênfase erroneamente colocada no aporte de concentrado nas dietas dos vitelos nas primeiras duas a três semanas de vida: por não terem ainda o rúmen suficientemente desenvolvido, os animais não vão conseguir aproveitar o starter mesmo se a sua qualidade for elevada. Resultado? Fome e seus respetivos sinais: vocalizações frequentes, competição e permanência em pé, o que leva a uma perda de eficiência alimentar. Estabelecidos então os benefícios do correto maneio do colostro e da alimentação até ao desmame, Leonel Leal debruçou-se sobre o projeto que tem atualmente em mãos: perceber os motivos pelos quais, do ponto de vista fisiológico, novilhas que crescem mais rápido até ao desmame têm produções maiores na primeira lactação. Reportando um estudo no qual participou, em que foram comparadas as performances de crescimento e aspetos fisiológicos de dois grupos de vitelas aos quais foram dadas duas tomas diárias de 2 e 4,5 litros, respetivamente, revelou que, ao 54º dia, os animais que receberam maior quantidade de leite pesavam em média 83kg, mais 22kg do que os do outro grupo. Havia ainda uma outra diferença surpreendente: a glândula mamária do grupo controlo pesava cerca de 75g, contrastando com os 340 g do grupo com alimentação aumentada, no qual o parênquima da glândula, tecido funcional envolvido na produção de leite, era 4 vezes mais desenvolvido. Há ainda uma outra vantagem, bastante

atrativa, nos programas de aleitamento aumentado: a redução da idade ao 1º parto. Dado o elevado custo de recria de novilhas transversal a todas as explorações, reduzir a idade ao 1º parto em 1 a 2 meses constitui uma grande vantagem económica que, em alguns casos, pode fazer a diferença entre receita e prejuízo. Esta, refere, é uma das principais ferramentas utilizada pelos produtores holandeses para combater os baixos preços de leite pagos ao produtor. Decorridos mais de 40 minutos de palestra, Leonel Leal reúne as condições necessárias para responder à pergunta que deixara no ar: como é que, dando mais leite às vitelas, diminuímos o custo de recria? Simples. Porque adiantamos a idade ao 1º parto, diminuindo os custos com animais sem retorno produtivo. Quais são então as mensagens que quer deixar? O consumo adequado de colostro e sua relação com a saúde e crescimento da futura novilha; as vantagens dos programas de

O consumo adequado de colostro e sua relação com a saúde e crescimento da futura novilha; as vantagens dos programas de aleitamento acelerado no crescimento, idade ao 1º parto e rendimento da primeira lactação. Conselhos valiosos para os presentes.

16 Janeiro . fevereiro . março 2017 Ruminantes

aleitamento acelerado no crescimento, idade ao 1º parto e rendimento da primeira lactação. Conselhos valiosos para os presentes. Tão valiosos quanto o teor de gordura do leite produzido no Canadá, mas já lá vamos. Do outro lado do Atlântico, Pedro Nogueira trouxe consigo uma pequena amostra do que é a produção de leite no Canadá. Com cerca de 1 milhão de vacas, distribuídas por 12 000 explorações, essencialmente nas províncias de Ontário e do Québec, o sector leiteiro tem grande importância na economia do país, e segue a tendência geral da diminuição do número de explorações e vacas em paralelo com o aumento de produção por vaca. Atualmente o número médio de vacas por exploração ronda as 83, com uma produção média de 10 000 litros. O Canadá contrasta no entanto com a realidade europeia num pontochave: o sector ainda é abrangido por um regime de quotas, no qual existe uma comissão responsável pela definição do preço do leite, controlo da oferta e limite às importações. Como? Através da seleção aleatória de um grupo de explorações nacionais (em 2015 foram 240), nas quais é feita uma análise detalhada de todos os custos da exploração, sendo também atribuída uma taxa de remuneração ao produtor, a qual reflete a valorização da sua gestão e trabalho na exploração (em 2015 esse valor foi de 41 dólares por hora de trabalho). Voltando à questão da gordura, tudo é aferido tendo em conta os seus valores. Quando se menciona que uma exploração tem 100kg de gordura, isso significa que pode produzir 100kg de gordura por dia, independentemente do número de vacas e seu rendimento leiteiro. O alto valor das quotas - em setembro de 2016, 1kg de gordura chegava a atingir os 31 000 euros, embora em certas províncias esse valor não ultrapasse os 17 200 euros - faz com que exista um significativo grau de endividamento entre os produtores, e desencoraja os produtores jovens a enveredarem pelo sector, os quais se viram para outras produções como o leite de cabra, o qual tem elevada procura e não possui regime de quotas no país.


atualidades

IMAGEM 3

promovendo o que de bom se faz e trabalhando a negligenciada imagem do sector, de modo a demonstrar que se consegue produzir leite nacional com qualidade e excelência. E se a coletividade é um requisito para o sucesso, esta iniciativa terá primeiro de partir dos produtores individuais. O futuro é incerto? É. Mas isso não o torna impossível. Mãos à obra.

Outra diferença marcante, refere Pedro Nogueira, é a mobilização dos produtores para melhorarem a imagem do sector junto dos consumidores, com a criação de um programa de classificação das vacas tendo em conta lesões que comprometem o seu bemestar, e cujas sanções podem ir desde advertências até ao encerramento das

explorações. As campanhas visando a sensibilização das populações para a importância do sector na economia rural são também cada vez mais frequentes. É ainda nesta nota que António Santana finaliza a proveitosa sessão: é essencial que, para assegurar a sustentabilidade da produção leiteira em Portugal, esta seja levada até ao consumidor,

é essencial que, para assegurar a sustentabilidade da produção leiteira em Portugal, esta seja levada até ao consumidor.

cujos habitantes torcem secretamente pela luz verde do Guinness. E não é para menos: com um metro e noventa e cinco de altura e 1043 kg de peso, Danniel poderá muito bem seguir as passadas igualmente impressionantes de Blossom. Os números de peso (passe a redundância), não se ficam por aqui. O dono de Danniel, Ken Farley,

revela que a sua dieta diária comporta uns impressionantes 45 kg de feno, 2.2 kg de concentrado e 454 litros de água, quatro vezes mais do que os restantes animais da exploração. E desengane-se quem ache que, devido ao seu tamanho, o novilho deve ser observado apenas de longe, já que o produtor revela igualmente que Danniel é em tudo semelhante a um cachorrinho de tamanho XL. Um cachorrinho especialmente poluente, no entanto, com 68 kg diários de fezes produzidas. De acordo com o Dr. Darren Todd da Holstein UK, o facto de Danniel ser um novilho - os quais têm geralmente um período de crescimento mais prolongado -, conjugado com o facto de ser um animal da linha americana Holstein podem ajudar a explicar o seu impressionante tamanho, sendo estes animais geralmente mais altos do que os das linhas europeias. Resta-nos então esperar ansiosamente, juntamente com os habitantes de Eureka, o veredito do Livro Guinness dos Recordes. Enquanto isso, Danniel continuará a sua tranquila vida enquanto animal de estimação do seu orgulhoso (e visivelmente mais baixo) dono.

DANNIEL: O GIGANTE GENTIL Poderá estar encontrado o novo detentor do recorde do Guinness para o bovino mais alto do mundo, prezado lugar que se encontra inocupado desde a morte da vaca Blossom, do alto do seu metro e noventa, em 2015. O candidato em destaque é Danniel, um novilho Holstein californiano residente próximo da curiosa cidade de Eureka,

ruminantes Janeiro . fevereiro . março 2017 17


Alimentação

pedro castelo Diretor técnico Zoopan pedro.castelo@zoopan.com

Impacto da Nutrição sobre o Teor Celular As mamites e o teor de células somáticas do leite, reagrupadas sobre o tema “saúde do úbere”, são dois dos principais fatores de eficácia técnica e económica em explorações de ruminantes. É necessário conhecer a origem, os fatores de variação e os meios a implementar de forma a reduzir os efeitos. Iremos abordar o impacto que a nutrição pode ter neste parâmetro.

São consideradas mamites clínicas quando a inflamação da glândula mamária é acompanhada por uma modificação do aspeto do leite e/ou do tecido mamário (endurecimento, aquecimento, dor, edema,…); neste caso o sistema imunitário reage fortemente. Este tipo de mamite pode ser acompanhado de

outros sinais clínicos como, por exemplo, febre do leite e redução de apetite. Normalmente as mamites são de origem infeciosa, mas podem também ter outras origens (mecânica, química,..).

Mamites subclínicas Uma mamite subclínica é também uma inflamação de um ou mais quartos do úbere, mas sem alterações

figura 1 Efeito do número e fase de lactação sobre o teor celular do leite.

Teor celular (x1000 células/ml)

250

Primiparas 2ª Lactação 3ª Lactação 4ª e seguintes Lactações

225 200 175 150 125 100 75 50 0-30 Dias

90-120 Dias

180-210 Dias

270-350 Dias

18 Janeiro . fevereiro . março 2017 Ruminantes

figura 2 Evolução da frequência de mamites ao longo do ano. Incidências de mamites clinicas em 2011 (base 100 = julho).

Indice Relativo (base 100 = Julho)

Mamites clínicas

300 250 200 150 100 50 0 Jan

Fev

Mar

Abr

do leite nem do aspeto do úbere. Neste caso o sistema imunitário reage de forma mais ligeira. Os valores destes teores não são regulares ao longo da lactação, tal como podemos observar através da figura 1. Após o parto, são necessárias várias semanas para o úbere ter um estado sanitário estável. Relativamente ao teor celular, este é geralmente mais baixo durante o pico de lactação e depois vai ficando mais

Mai

Jun

Jul

Ago

Set

Out

Nov

Dez

acentuado à medida que os dias de lactação vão aumentado. Existe ainda um efeito da época do ano, ou seja, a incidência de mamites é mais forte no período do inverno (mais humidade) quando comparado com o verão (figura. 2). Outro aspeto importante relativo à «saúde do úbere» é que esta é a principal causa de refugo de uma vaca, seguido da fertilidade, tal como mostra a figura 3.


Alimentação

figura 3 Principais causas de reforma de vacas leiteiras.

figura 4 Efeito das mamites sobre a reprodução.

Intervalo Parto - 1 IA Intervalo Parto - IA Fec IA / Gestação

Outras causas especificas

14,1

Não especifico

17,3

300

Doenças

Dias

5,3 Saúde Úbere

1,8

200

85

30,7

1,6

77

150

75 1,4

68

100

1,2

50 Fertilidade

0

21,9

Existem inúmeros fatores a ter em consideração quando se fala em teores de células somáticas em vacas de leite. No entanto, nesta edição iremos focar-nos sobretudo os critérios nutricionais e o seu impacto sobre estes teores.

1,0 Vacas Saudáveis

Mamites Clínicas

Mamites Sub-clínicas

Equilíbrio Energia/Azoto Uma alimentação equilibrada é indispensável para ajudar os animais a ultrapassar os períodos mais sensíveis. Este equilíbrio entre azoto e energia permitirá o desenvolvimento da flora ruminal e satisfazer as necessidades dos animais na fase em que se encontram. Além disso, os desequilíbrios nutricionais são a origem de problemas metabólicos como é o caso da acidose ou cetose. A acidose ruminal pode ser a consequência de algumas práticas como, transições alimentares rápidas, excesso de glúcidos rapidamente fermentescíveis no

figura 5 Frequência de acidose durante a lactação. 40 35

% de casos de acidose

Existe ainda uma correlação direta entre a ocorrência de mamites e a reprodução (as duas principais causas de refugo de vacas), tal como podemos observar na figura 4. De acordo com um estudo realizado por Schrick (2001), vacas com mamites clínicas tem um intervalo de parto - 1ª Inseminação Artificial 9 dias superior quando comparado com vacas sãs. Assim, o intervalo parto – IAF (Inseminação Artificial Fecundante) é 25 dias superior e, ainda, são necessárias mais 0,5 inseminações para obter uma gestação. Estes dados têm grandes repercussões económicas numa exploração.

Número IA / Gestação

2,0

250

Locomoção

5,6

108

300

5,1

Produção

2,2

110

30 25 20 15 10 5 0 1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

11

12

Mês de lactação

rúmen (amido degradável), falta de fibra e a falta de estrutura desta (fibra efetiva). Normalmente 40% dos casos de acidose ocorrem no primeiro mês de lactação, como mostra a figura 5 (GRÖHN e BRUSS, 1990). De forma a prevenir a acidose deve existir um

bom nível de fibrosidade da ração e o conjunto de nutrientes degradados no rúmen nas primeiras 4 horas (MSR4) não deverá exceder os 10 kg por vaca. Além disto, uma visualização das fezes, a interpretação dos valores dos teores butiroso (TB) e proteico (TP) e a sua

figura 6 Quantidade de matéria seca degradada nas primeiras 4 horas (MSR4). 10 kg/VL/dia

Assegurar o fornecimento de matéria seca degradada nas primeiras 4 horas (MSR4)

Acidose Queda do TB Diminuição de eficácia leiteira Desordens metabolicas

MSR4

ruminantes Janeiro . fevereiro . março 2017 19


Alimentação

17

16 13,4

14 12

% lactações

10 8 6,1 6 4

3,5

2 0 Primiparas

Multiparas

Diminuição de peso < 5% Diminuição de peso < 15%

relação, permitem ajudar a agir sobre a formulação a fim de evitar acidoses. (figura 6) A cetose é outro problema metabólico que poderá ocorrer em vacas leiteiras normalmente em início de lactação, quando existe uma mobilização de reservas corporais devido ao balanco energético negativo (figura 7). O animal mobiliza as suas reservas corporais que produzem ácidos gordos não esterificados (AGNE) e

20 Janeiro . fevereiro . março 2017 Ruminantes

290

290

270 250 230

228

210 190 170 150

Sem existência de novas infeções Novas infeções no início de lactação (n=16)

AGNE >0,2 mmol 0,2mmol<AGNE<0,4mmol >0,4mmol

14 12 10 8 6 4 2 0

Aporte Proteico

Um correto aporte proteico é outro parâmetro a ter em consideração, pois permite um bom desenvolvimento da flora do rúmen e satisfaz as necessidades do animal. Um aporte proteico baixo reduz o funcionamento do rúmen, mas o contrário (aporte excessivo) pode levar a uma acumulação de amoníaco no rúmen com efeito toxico sobre a flora ruminal. O valor de ureia no leite ajuda-nos a compreender o equilíbrio entre energia/proteína da ração.

310

figura 10 Frequência de problemas em função do teor de AGNE no sangue.

% de vacas

18

β-hidroxibutiratos (β-HB). Normalmente existe uma correlação direta entre a diminuição da condição corporal e o aumento da frequência de contagem celulares (figura 8). O défice energético acentuado em início de lactação é também uma das causas do deslocamento do abomaso e alterações imunitárias, tornando o animal mais frágil face às agressões ambientais.

Edema Úbere

Deslocamento do abomaso

figura 11 Capacidade dos neutrófilos em função do teor de MAT da ração. 82,5 82,0

% Bactericida

figura 8 Relação entre a diminuição de peso e as células somáticas.

figura 9 Relação entre a concentração sanguínea em AGNE e o aparecimento de novas infeções mamárias.

% lactações

É difícil mostrar uma relação direta entre uma taxa celular elevada e rações elevadas em proteínas (MAT). Contudo, ensaios demonstraram que rações com 20 % de MAT têm um impacto negativo sobre a capacidade dos neutrófilos (defesa celular contra a invasão de microrganismos) a destruir as bactérias quando comparados com rações de 16% de MAT, figura 11. A capacidade dos neutrófilos também é afetada por rações ricas em proteínas solúveis (MARCHI L, 2010). Além disto, um aporte excessivo de proteína dá origem a fezes mais líquidas, com um impacto mais negativo sobre a contaminação ambiental.

figura 7 Vacas em balanço energético negativo.

81,5 81,0 80,5 80,0 79,5 16% MAT

20% MAT com B. Soja

20% MAT com Ureia

Desordens imunitárias


Alimentação

As vacas leiteiras de alta produção são submetidas a diferentes stresses fisiológicos e ambientais tornando-as mais frágeis, dai ser imprescindível um correto aporte de minerais, vitaminas e oligoelementos

Cálcio e Fósforo O fósforo desempenha um papel central no metabolismo energético, por isso, a não cobertura das necessidades deste mineral tem um impacto negativo sobre a valorização da energia ingerida. Quanto ao cálcio, este situa-se 99% no esqueleto mas também tem algumas funções de mecanismo fisiológico importantes, tais como: contração muscular e a coagulação (Meschy, 2010). Existem ainda alguns trabalhos que evocam as suas implicações em reações imunitárias e ativação de células imunitárias (Underwood e Suttle, 1999). Segundo Curtis et al (1983), os problemas relacionados com o parto tais como, retenção placentária, cetose e mamites estão ligadas a problemas de hipocalcémia.

Minerais e a tonicidade do esfíncter dos tetos O esfíncter tem um papel importante na proteção contra as bactérias. Como as forragens utilizadas não cobrem na totalidade as necessidades de minerais e oligoelementos, uma suplementação torna-se imprescindível (figura 12). Relativamente à proteção do canal do esfíncter, é feita naturalmente por uma camada de queratina que impede as bactérias de aceder ao interior da glândula mamária. O zinco é um oligoelemento importante também neste aspeto, pois participa na regeneração da queratina e aumento das defesas imunitárias. Cerca de 40% da queratina do esfíncter é retirada na ordenha (Kellog et al, 2004 ) e por isso, a síntese rápida desta através da suplementação com zinco permite proteger mais

figura 12 Cobertura das necessidades de alguns minerais consoante o tipo de forragem.

70 60 50 40 30 20

350 300

Produção de queratina

298

250 171

200 150 100 50 0

Testemunha Lote suplementado

Mineral

Cu,Zn

Sistema imunitário

Mg, Cu, Zn, Mn

Poder antioxidante

Se, Zn, Cu

Edema mamário

Na, Cl, K

Stress oxidativo

infeções (Durand et al, 2013). A suplementação em vitamina E e selénio permite diminuir o stress oxidativo que ocorre quando as vacas estão em cetose (Sahoo et al, 2019). O selénio é um antioxidante utilizado em alimentação animal para reforçar a resistência a células e melhorar a saúde da glândula mamária (figura 15).

Ao longo da vida das vacas existem pontos marcantes de períodos de stress, como é o caso do parto, pico de lactação, desequilíbrios alimentares e variações climáticas relevantes. Estes stresses tornam o animal mais sensível a problemas e

figura 14 Redução do stress oxidativo com a suplementação de Vit E e selénio.

Testemunha Lote Suplementado (se e Vit E)

3,0

UA / mg Hemoglobina

90 80

figura 13 Efeito do aporte de zinco sobre a contagem celular.

Quadro 1 Minerais e oligoelementos presentes em sistemas enzimáticos.

Pastagem Silagem Milho Silagem erva

100

Necessidades (%)

eficazmente a glândula mamária (Jones et al, 1995). Além deste, os minerais e oligoelementos estão presentes em numerosos sistemas enzimáticos indispensáveis para ajudar o animal de agressões externas, tal como podemos observar no quadro 1.

Contagem celular (x1000/ml)

Complementação mineral e vitamínica

2,5 2,0

2,4 1,9 1,7

1,5

1,3

2,4 0,9

1,0 0,5

10

0,0

0 Cu

Zn

Se

MDA

SOD

CAT

ruminantes Janeiro . fevereiro . março 2017 21


Alimentação

Concentração celular no leite (x10007ml)

figura 15 Evolução do teor celular em função da quantidade de selénio no sangue. 400 350 300 250 200 150 0,060

0,70

0,080

0,090

0,100

Concentração no plasma de selénio (ug7ml)

Outas situações de risco - Micotoxinas De uma maneira geral, todas as situações ou combinações de risco colocam o metabolismo e o sistema imunitário do animal à prova e favorecem o

aparecimento de infeções.

Micotoxinas Existe atualmente na literatura um número considerável e impressionante de informações sobre as

micotoxinas na alimentação animal. No entanto, este é um tema de elevada complexidade, pois muitos fatores podem interagir a fim de produzir efeitos nefastos e de difícil quantificação da sua toxicidade. No entanto, são bem reconhecidos os efeitos das micotoxinas na saúde, produtividade e rentabilidade das explorações. Micotoxinas são substâncias químicas tóxicas produzidas por fungos que surgem quando certas condições de temperatura e humidade estão reunidas. Existem vários tipos de micotoxinas: tricotecenos, desoxinivalenol (DON), Zearalenona (ZEA), fumonisinas (FB), aflatoxinas (AFB) ou ocratoxinas. O consumo de uma ração contaminada com micotoxinas leva a uma redução da ingestão e, consequentemente, uma diminuição das performances da vaca. As micotoxinas afetam também a capacidade do

sistema imunitário de produzir imunoglobulinas para proteger o organismo dos agressores. Existe uma vasta informação sobre os efeitos e sintomas das micotoxinas em animais, resultado de inúmeros ensaios, pesquisas científicas e laboratoriais. De seguida iremos resumir os efeitos das micotoxinas em ruminantes (quadro 2).

Conclusão Em conclusão, é evidente que a nutrição de ruminantes e as micotoxinas (entre muitos outros fatores, tais como, a higiene da sala de ordenha, os tratamentos, o refugo das vacas, a fase seca, etc.) podem ser responsáveis pelo número elevado de células somáticas no leite e percas económicas importantes em produção animal.

Quadro 2 Efeito das micotoxinas em ruminantes.

Micotoxina

Efeitos

Sinais/simtomas

Efeito carcinogénico

Elevada incidência de cancro em animais expostos

Imunossupressão

Funções do sistema imunitário suprimidas, diminuindo a resistência a agentes infeciosos

Decréscimo performance

Diminuição da ingestão de alimentos e, consequentemente diminuição da produção (leite ou carne)

Efeito hepatológico

Danos no fígado

Efeito gastro-intestinal

Função do rúmen prejudicada: * Diminuição da digestão da celulose * Formação de AGV (Ácidos Gordos Voláteis) * Proteólises e motilidade do rúmen Diarreia

Resíduos

Resíduos (M1) presentes no leite

Efeitos reprodutivos

Diminuição da eficiência reprodutiva

Imunosupressão

Funções do sistema imunitário são suprimidas, diminuindo a resistência a agentes infeciosos

Decréscimo performance

Diminuição da ingestão de alimento e, consequentemente diminuição da produção (leite ou carne)

Efeito gastro-intestinal

Função do rúmen prejudicada: * Diminuição da digestão da celulose * Formação de AGV (Ácidos Gordos Voláteis) * Proteólises e motilidade do rúmen Diarreia

Efeito hepatopoiético

Hemorragias

Efeito dérmico

Inflamação da boca, lesões

Efeito neurotóxico

Agitação

Aflatoxina

Tricotecenos

Infertilidade

Zearalenona

Efeitos reprodutivos

Diminuição das taxas de concepção Aumento do teto Secreções do úbere

Decréscimo performance

22 Janeiro . fevereiro . março 2017 Ruminantes

Diminuição da produção de leite


ALIMENTAÇÃO

Filinto Girão Osório Engenheiro Zootécnico na Sugarplus filinto.girao@edfman.pt

A adição de 6-8% de açúcares líquidos

ajuda a melhorar a quantidade e qualidade do leite A utilização de açúcares tem vindo a ganhar adeptos no mundo inteiro e os sistemas de nutrição mais recentes quantificam as necessidades em açúcares e os benefícios por si aportados.

figura 1 Joaquim Cachopas, gerente da Queijaria Cachopas.

A promoção de uma maior ingestão de matéria seca aliada à maior eficiência do rúmen tem demonstrado os seus benefícios na qualidade e quantidade de leite produzidas por cada animal. A SUGARPLUS, líder mundial de alimentos líquidos ricos em açúcares, tem demonstrado em Portugal o sucesso da incorporação de açúcares em dietas de vacas leiteiras. Uma prova viva do sucesso da incorporação de açúcares líquidos é a Queijaria Cachopas, que nasceu há cerca de 50 anos e tem produzido uma variada gama de queijos desde os queijos frescos, branco, queijo de vaca (mistura), puro de ovelha, o almece (soro de leite de ovelha) e o requeijão.

A utilização dos alimentos líquidos SUGARPLUS teve início em abril 2016, na Queijaria Cachopas, com a sua introdução na dieta das 150 novilhas. Os benefícios, pouco tempo depois, foram óbvios: melhor condição corporal, maiores índices de fertilidade, inseminações mais cedo, melhor aspeto da pelagem das novilhas e uma melhor eficiência ruminal. Nas vacas de produção a utilização do PROMEL iniciou-se em junho, no período de maior calor. Ao contrário da já expectável quebra de produção durante o verão, esta não se verificou, observando-se mesmo um ligeiro aumento de produção nos meses de maior calor. Em outubro, com a estabilização da temperatura ambiente, os benefícios estenderam-se ao nível da qualidade do leite com aumentos de 0,56 pontos no Teor Butiroso do leite e 0,35 pontos no Teor Proteico acompanhados de um aumento de produção associado de 3kg/ vaca/dia. No âmbito deste aumento de qualidade verificou-se um aumento do rendimento em queijo. Joaquim Cachopas relatou-nos que por esta altura do ano esperaria uma subida de 8% para 10% no rendimento queijeiro, mas que com a utilização dos alimentos líquidos SUGARPLUS o rendimento aumentou para uns surpreendentes 12,5%. Tendo

24 Janeiro . fevereiro . março 2017 Ruminantes

em conta que mensalmente a Queijaria Cachopas, com as suas 360 vacas, produz aproximadamente 270 toneladas de leite e costumava fazer 27 ton de queijo, o um aumento de 2,5 pontos percentuais no rendimento significa uma produção de queijos e derivados de mais 216 kg por dia. Foi notório o aumento da apetência para o alimento e o consequente consumo de matéria seca que justificam o observado aumento de produção. Não tendo havido outras alterações à dieta, senão a utilização dos açúcares líquidos, como referido nos nossos artigos anteriores, estes trouxeram ao rúmen uma estabilidade do pH e da sua microflora que melhoraram a fermentação ruminal e justificam o claro melhoramento de qualidade do leite.

Perfil da Exploração Leiteira Queijaria Cachopas: Joaquim Cachopas Localização: Évora Nutricionista: João Maláca Efetivo total: 800 animais Efetivo em produção: 360 animais Melhoramentos

jun

out

Quantidade Média

22 kg/vaca/dia

25 kg/vaca/dia

TB

3,27

3,83

TP

3,03

3,38

8%

12,5%

Rendimento queijo

Utilização de Alimentos líquidos: Novilhas em recria: 2kg/cabeça/dia Vacas de produção: 1,6kg/cabeça/dia


atualidades

Aumente até aos 6% de açúcares na matéria seca da dieta e aumente a produção das suas vacas!

Melhora o rendimento Aumenta a produção Melhora a qualidade do leite

FONTERRA: EXPANSÃO DIFERENCIADA NO MERCADO CHINÊS A neozelandesa Fonterra lançou recentemente uma nova linha de leites diferenciados da marca Anchor no mercado chinês, beneficiando da elevada procura pelos seus consumidores no que toca aos produtos lácteos provenientes da Austrália e Nova Zelândia, fruto da elevada confiança e qualidade associadas à produção leiteira destes dois países. A Anchor está já fortemente enraizada no mercado chinês com a sua linha de produtos UHT, a qual está atualmente a ser reformulada em termos de apresentação comercial dos seus produtos. As condições favoráveis de mercado permitiram agora o lançamento de dois novos leites diferenciados: o LiveUp, com 50% mais proteína do que o leite UHT padrão, chegando aos 5,7 grama por 100 mL, e o NaturalUp, elaborado com leite orgânico fresco da Nova Zelândia, em conformidade com os padrões exigidos pelo mercado asiático. Ambos os leites, os quais

são totalmente produzidos e embalados na Nova Zelândia, já se encontram disponíveis para aquisição online, sendo que se prevê a presença física do LiveUp nas prateleiras chinesas já nos próximos meses. A boa receção deste tipo de produtos por parte do mercado chinês, com 73% dos consumidores dispostos a pagar um preço premium – o que ultrapassa em 12% a média global -, reflete o grau de exigência e esclarecimento por parte dos consumidores chineses no que toca à aquisição de produtos lácteos, revela um estudo do Boston Consulting Group. Os esforços investidos no desenvolvimento deste tipo de produtos revela que ainda existem oportunidades de diferenciação a explorar pelo sector leiteiro, e poderá permitir a diferentes produtores e cooperativas o fortalecimento da sua posição num mercado cada vez mais global e competitivo.

Redução do pó e da escolha dos animais nos comedouros

Diminuição do risco de acidose ruminal

Fonte de energia imediata

Aumento da ingestão de matéria seca

www.edfman.com

Melhora a digestibilidade da fibra

Av Antonio Serpa, 23-7º 1050-026 Lisboa Telef: +351 21 7801488 Fax: +351 21 7965230 Email: lisbon@edfman.com

ruminantes Janeiro . fevereiro . março 2017 25


GENÉTICA

Cabra Preta de Montesinho

IMAGEM 1 Pastoreio de percurso.

Churra Galega Bragançana INTRODUÇÃO

Amândio Carloto secretário técnico da raça amandiocarloto@sapo.pt

ANCRAS Associação Nacional de Caprinicultores da Raça Serrana Zona Industrial de Mirandela Rua D, Lote 5 I
5370-327 Mirandela
Apartado 82 - EC Mirandela geral@ancras.pt www.ancras.pt

Com a implementação, em janeiro de 1998, do Registo Zootécnico da Raça Caprina Bravia, fomo-nos deparando, nas zonas mais remotas do nordeste transmontano, com caprinos cujas características morfológicas não se enquadravam em nenhuma das raças reconhecidas, bem como no dizer das populações, ancestrais na região e no passado dominantes. Por isso, com a colaboração do Parque Natural de Montesinho, fizemos um levantamento inicial em 1999 a que se seguiu outro em 2004 (imagem 3) já com o apoio da Direção Geral de Veterinária. Durante os levantamentos localizaram-se e caracterizaram-se morfo-funcionalmente estes animais. De um levantamento para o outro denotou-se uma grande diminuição do número de criadores e dos efetivos, assim como uma crescente descaracterização resultante da introdução de chibos de outras proveniências. Recolheram-se, em treze rebanhos, amostras de sangue e pêlo a trinta e seis animais considerados representativos. Destas amostras foi extraído ADN, submetido a análise de polimorfismos genéticos, utilizando

26 Janeiro . fevereiro . março 2017 Ruminantes

um conjunto de vinte e cinco microssatélites escolhidos no painel recomendado pela FAO/ ISAG como descrito por Bruno de Sousa et al. (2010). Foi a primeira raça portuguesa a incluir este procedimento no seu processo de reconhecimento, apesar da espécie caprina, à semelhança da ovina, ser das que apresenta uma menor diferenciação entre raças, justificável historicamente pela transumância e troca de animais entre explorações. O estudo apresentou uma elevada diversidade genética com um número médio de alelos superior à média das restantes raças. Segundo o Dr. Luís Telo da Gama esta população demonstrou características que a diferenciam das restantes raças caprinas portuguesas, o que levou ao seu reconhecimento, no final de 2009 e ao arranque do Registo Zootécnico da Raça Caprina Preta de Montesinho no início de 2010, o ano internacional da biodiversidade, o que poderia ser um bom augúrio para os primeiros passos no sentido de evitar a extinção da mais ameaçada raça caprina portuguesa. Iniciou-se assim, a 3 de março de 2010, o registo zootécnico dos animais no Parque Biológico de Vinhais (imagem 4), instituição que sempre demonstrou interesse pela raça.


GENÉTICA

ORIGEM, HISTÓRIA E EVOLUÇÃO Esta população caprina tem vindo, ao longo dos tempos a desaparecer, devido por um lado à desertificação e envelhecimento das populações da região e por outro pela demora no acesso às ajudas que tornaram mais fácil a sua preservação. Até ao seu reconhecimento, enquanto raça autóctone, os criadores não puderam beneficiar de apoio à Biodiversidade o que contribuiu para o abandono, à não exploração em linha pura ou mesmo à opção por outra raça, que por via dos subsídios se tornava mais atrativa.

Fêmeas

Gráfico 1 Evolução CPM

Machos

1289

Nº de Animais no LGA

O seu nome oficial (Cabra Preta de Montesinho) relaciona a sua cor característica com o Parque Natural de Montesinho, um símbolo importante da nossa região, onde era designada como a cabra antiga, galega, bragançana ou preta.

967

645

322

0

2010

2011

2012

2013

base de secção triangular, lisos, dirigidos para trás em forma de sabre, com hastes paralelas ou ligeiramente divergentes. Bastantes exemplares inermes. Barba predominante nos machos.

Tronco

Estatura mediana, de pelagem preta a castanha muito escura, com pêlos curtos, lisos muitas vezes brilhantes (imagem 2).

Cabeça

Membros

Aspeto Geral

Média, comprida, de perfil rectilíneo, fronte estreita e ligeiramente abaulada; chanfro largo e rectilíneo, focinho fino; boca pequena e lábios finos; orelhas compridas frequentemente semi-pendentes por vezes horizontais, cornos pequenos, com

2015

2016

Ano (31 Dez)

Pescoço comprido, mal musculado, bordos rectilíneos com ou sem brincos; linha dorso-lombar quase direita; dorso e rins descarnados e rectilíneos; garupa descaída; cauda curta. Tronco ligeiramente arqueado; abdómen regularmente desenvolvido; úbere bem desenvolvido de mamas cónicas, com tetos grandes pouco destacados, pendentes ou ligeiramente dirigidos para a frente.

PADRÃO DA RAÇA

2014

ÁREA GEOGRÁFICA Nordeste de Portugal, nomeadamente, nos concelhos de Bragança (17 criadores), Vinhais (4 criadores), Amarante (2 criadores), Vimioso (1 criador), Santa Marta de Penaguião (1 criador) e Carrazeda de Ansiães (1 criador). Outrora ocupava também os concelhos de Macedo de Cavaleiros e Alfândega da Fé. Emblema maior desta região e solar da raça é o Parque Natural de Montesinho, que se lhe encontra associado até no nome (gráfico 2). Gráfico 2 CPM

Finos, resistentes, com unhas pequenas e rijas.

IMAGEM 2 Fêmea adulta.

ruminantes Janeiro . fevereiro . março 2017 27


GENÉTICA

IMAGEM 3 Levantamento 2004 - Caracterização.

IMAGEM 4 Parque Biológico de Vinhais.

CENSUS ATUAIS

SISTEMAS DE EXPLORAÇÃO

O facto de, nos anos a seguir ao seu reconhecimento, não ter havido novas candidaturas às medidas Agroambientais provocou diminuição das expectativas e abrandamento na adesão ao Registo Zootécnico. Mesmo assim, aderiram já vinte e seis criadores com um efetivo de sessenta e três chibos e mil cento e vinte cabras (gráfico 1).

Historicamente, existiram duas formas de explorar estes animais, uma mais virada para a produção de carne com os animais de menor corpulência nos rebanhos, por vezes comunitários, que em pastoreio de percurso (imagem 1) obtinham alimento nas zonas mais elevadas e pobres, e uma outra nas áreas mais férteis visando também a obtenção de leite em animais de maior porte e boa capacidade leiteira. A não existência, nestas áreas, de redes de escoamento e transformação do produto dificultou de tal forma a viabilidade, que os animais da raça acabaram por desaparecer. Alguns dos animais eram ainda criados em número muito reduzido perto das habitações, funcionando como a “vaca leiteira dos pobres”. Ainda hoje, subsistem pequenos núcleos, integradas em rebanhos de ovinos normalmente da Raça Churra Galega Bragançana, essencialmente, pela sua capacidade leiteira.

IMAGEM 5 Identificação electrónica.

CARATERÍSTICAS PRODUTIVAS E REPRODUTIVAS Devido ao facto de o Registo Zootécnico da raça estar em implementação, ainda não dispomos de dados relativos a esta raça, da qual se obtinha um cabrito muito apreciado localmente e do qual se destacava a cor clara das suas carnes. Relativamente à sua produção leiteira, vários produtores afirmam-na capaz de atingir níveis de produção semelhantes à Cabra Serrana.

DESENVOLVIMENTO/MELHORAMENTO E PERSPETIVAS FUTURAS Espera-se que a integração dos criadores na ANCRAS, beneficiando da experiência e estrutura da associação (imagem 5); a implementação do seu Registo Zootécnico e a realização de novos contratos, nas medidas Agroambientais, permitam inverter o delapidar rápido deste património genético. Nesse sentido, foram adquiridos animais e enviados para o Banco de Germoplasma Animal, onde se conservam quinhentas e trinta e sete doses de sémen.

28 Janeiro . fevereiro . março 2017 Ruminantes


100% INOVADOR 0% MELAÇO

mix

3.0

A SOLUÇÃO PARA MELHORAR A PERFORMANCE DO SEU EFETIVO PECUÁRIO.


Alimentação

Gonçalo Martins Gestor de Produto, Especialidades Zootécnicas gmartins@vitas.pt

QUALIX

100% Inovação, 0% Melaço Os ruminantes são herbívoros que possuem um sistema de fermentação pré-gástrico: o Rúmen. A fermentação ruminal é possível graças a bactérias anaeróbias, protozoários e fungos, que produzem enzimas de forma a digerir os hidratos de carbono, proteínas e lípidos da matéria vegetal ingerida, trazendo como vantagens ao animal a valorização de alimentos de baixa qualidade nutricional. No entanto a fermentação ruminal tem aspetos menos positivos que têm influência no rendimento dos animais, como perdas de energia (devido à

mix

3.0

produção de metano e ao calor gerado pela fermentação) e perdas de proteína (produção de amoníaco pela fermentação dos compostos azotados da dieta). Existem três possibilidades de melhorar o funcionamento do rúmen e ajudar o ruminante a melhorar a pré-digestão: 1. Melhorar a digestão no rúmen pelo aumento da digestibilidade dos componentes das rações. 2. Fornecer os nutrientes que serão utilizados com maior eficácia pelo ruminante. 3. Evitar fermentações desnecessárias que consomem nutrientes e conduzem a perdas.

Mix 3.0 Uma inovação Roullier Com a criação do Centro Mundial de Inovação (CMI) o grupo Roullier deu um passo gigante na centralização de toda a investigação científica do grupo, permitindo uma maior proximidade de grande parte da equipa científica e consequentemente, um maior número de projetos e uma maior celeridade na obtenção de resultados. Assim, em 2016 surgiu a primeira especificidade

para a nutrição animal 100% desenvolvida pelo grupo Roullier, resultado da investigação do departamento de produção animal no CMI. Mix 3.0, uma inovação, do Centro Mundial de Inovação, é uma tecnologia única e exclusiva Timac AGRO.

Esta especificidade desenvolvida pelo CMI é constituída por 3 componentes ativos no rúmen, por um processo patenteado, proveniente de processos de fermentação e destilação:

O Suporte Inovador da complementação nutricional

Fração Proteica

• Uma conceção do Centro Mundial de Inovação do grupo Roullier. • Uma tecnologia inovadora e exclusiva Timac AGRO • O Potenciador da performance nutricional

Proteína de alto valor, proveniente de gérmen de cereais e de leveduras, com importante fração bypass, levando a uma menor produção de amoníaco.

Fração Carbohidratos

TRÊS EFEITOS RUMINO-ESTIMULANTES

Proveniente de carbohidratos complexos reduz as perturbações ruminais e apresenta efeito pré biótico.

Melhor digestão do alimento Maior eficiência das fermentações Melhor eficácia proteica 1. Um complexo de matérias primas derivadas de processos de fermentação e destilação. 2. Três frações orgânicas de elevado valor nutricional. 3. Uma fonte pré-biótica que estimula a atividade das bactérias pró-bióticas.

30 Janeiro . fevereiro . março 2017 Ruminantes

N

Fração Lipídica Proveniente de sementes de cereais e linho, rico em ácidos gordos insaturados, com a presença de ómega 3 e 6.


Alimentação

Uma extensa investigação, bem como uma exaustiva testagem, permitiram atingir os objetivos a que a equipa de investigadores do CMI se tinha proposto, descobrir uma especificidade que melhorasse o funcionamento do rúmen, nomeadamente na melhoria da digestão e na diminuição das perdas.

Os ensaios feitos in vitro e in vivo, demonstraram que o Mix 3.0: 1. Melhora a digestão da matéria seca e da fibra, aumentando a eficiência digestiva. 2. Aumenta a produção de ácido propiónico (C3), disponibilizando assim, mais energia para o animal. 3. Diminui a produção de amoníaco no rúmen, disponibilizando, mais proteína para o animal. 4. Diminui a produção de metano e gás total, reduzindo o desperdício energético da fermentação ruminal.

Para além destes efeitos os componentes do Mix 3.0, têm uma ação sobre o metabolismo e saúde do ruminante.

O mix 3.0 e QUALIX O Mix 3.0 é um suplemento nutricional inteligente, que combina os benefícios da fermentação e da destilação e que serve de suporte a uma nova gama de alimentos minerais… QUALIX O grupo Roullier desenvolveu quatro referências de baldes minerais, de forma a responder às exigências dos produtores: QUALIX GREEN, QUALIX RUBY, QUALIX YELLOW e QUALIX INDIGO A Vitas Portugal continua a defender uma busca permanente de novas e mais adequadas soluções para os nossos clientes. Para mais informações e esclarecimentos, não hesite em contactar o técnico Vitas mais próximo de si.

Otimização do crescimento e da fertilidade 1. Suporte do crescimento ósseo e muscular 2. Melhoramento da reprodução e da fertilidade 3. Gestão do risco de parasitoses 4. Ruminação / Valorização da dieta V-Phyt

OLIGO VIT quelatos de Cu-Zn-Mn

Valorização da fibra forrageira 1. Valorização da fibra forrageira 2. Manutenção da função ruminal (estímulo da aasalivação e controlo do pH ruminal) 3. Gestão do risco de parasitoses 4. Ruminação / Valorização da dieta

V-Phyt

EOMIX

Valorização da proteína forrageira 1. Valorização da proteína forrageira 2. Diminuição da problemática ligada ao excesso de aaazoto solúvel (diarreias, morte embrionária,...) 3. Gestão do risco de parasitoses 4. Integridade do fígado V-Phyt

FIX’N

Preparação para o parto 1. Diminuição da frequência de hipocalcémias 2. Estímulo do sistema imunitário da fêmea e do feto 3. Vitalidade do recém-nascido 4. Melhor funcionamento hepático OLIGO VIT cloreto de colina

baca

negativo

ruminantes Janeiro . fevereiro . março 2017 31


atualidades

Período de retenção antes do verão Por David Catita - criador limousine - fontecorcho@gmail.com

Com o ano de 2017 chega uma importante alteração legislativa, com efeitos práticos nas explorações de bovinos nacionais.

Até 2016 inclusive, as ajudas aos bovinicultores nacionais eram atribuídas no formato de um valor financeiro (quota de vaca) por cada bovino fêmea que estivesse presente em cada exploração entre dia 1 de fevereiro e o dia 31 de julho, denominandose este intervalo de tempo como “período de retenção”, já que durante o mesmo o bovinicultor estava obrigado a reter os animais na sua exploração, podendo movimentá-los ou vendê-los apenas após o seu término. No entanto, após analisar com profundidade as implicações destas datas, a Associação de Criadores Limousine (ACL) constatou que este período não se encontrava devidamente adaptado à realidade portuguesa, já que este

terminava em pleno verão, o que para a generalidade das regiões de Portugal coincide com o período de menor disponibilidade alimentar e de condições climatéricas extremas. Associado à menor disponibilidade de alimento no campo, os animais encontram-se num estado corporal inferior aquando do término do período de retenção em Portugal. Consequentemente há um prejuízo associado para os bovinicultores nacionais, uma vez que no final do período de retenção, muitos bovinicultores realizam renovações nas vacadas, refugando os animais mais velhos ou menos produtivos. Este aspeto também é relevante para o mercado de novilhas reprodutoras, já

32 Janeiro . fevereiro . março 2017 Ruminantes

que algumas delas cumprem o período de retenção na exploração antes da sua venda, e a descida dos preços de mercado da carne afeta negativamente o seu valor de venda. A ACL, em conversa com um criador Limousine com explorações em Portugal e em Espanha, constatou ainda que em Espanha o período de retenção termina mais cedo, em abril. O mercado ibérico de bovinos responde a essa situação de forma clara, observando-se uma redução gradual do preço dos bovinos em resultado da entrada massiva de animais no mercado (gráficos 1 e 2), o que agrava a situação dos bovinicultores portugueses, confrontados com um menor valor de mercado no momento da venda dos seus

animais (final do período de retenção em Portugal). Após a análise da situação nacional, a ACL elaborou uma proposta de alteração do período de retenção em Portugal que enviou para as associações de raças bovinas nacionais e obteve a concordância das associações da raça Brava (Toiros de Lide), da raça Alentejana, raça Charolesa, raça Mertolenga, raça Preta, raça Maronesa, raça Aberdeen-Angus, raça Minhota, raça Barrosã, raça Blonde d’Aquitaine, raça Cachena, raça Garvonesa, raça Mirandesa e raça Jarmelista. A ACL enviou também esta proposta para a Federação Nacional de Associações de Bovinicultores (FEPABO), para a Federação Portuguesa de Raças Autóctones (FERA), para a Associação Nacional de Engordadores de Bovinos (ANEB) e para o Núcleo de Criadores de Raças de Carne da Ilha Terceira (Açores) os quais apoiaram formalmente esta iniciativa. A ACL apresentou ainda esta proposta à Confederação de Agricultores de Portugal (CAP) que a acolheu e apoiou de forma muito interessada e profissional, levando-a ao Conselho de Pecuária da CAP, realizado em junho de 2016, onde foi debatida e aprovada. Assim, com o apoio determinante da CAP, a ACL


atualidades

Gráfico 1 Evolução anual dos preços de carne de bovino em Espanha em 2014. Setas indicam o término do período de retenção em Espanha e em Portugal. 3,25 3,00

EUROS / kg vivo

2,75 2,50 2,25 2,00 1,75

1,25

Portugal

Espanha

1,50

Se t.

O ut .

No v.

De z.

Se t.

O ut .

No v.

De z.

Ag o.

Ju l.

Ju n.

M ai.

Ab r.

M ar .

Fe v.

Ja n.

1,00

Gráfico 2 Evolução anual dos preços de carne de bovino em Espanha em 2015. Setas indicam o término do período de retenção em Espanha e em Portugal 3,25 3,00

2,50 2,25 2,00 1,75

1,25

Portugal

Espanha

1,50

apresentou às entidades oficiais nacionais uma proposta formal para alteração das datas associadas ao período de retenção para bovinos em Portugal, denominada “Período de retenção antes do verão”. A proposta contou assim com uma esmagadora representação do sector bovino extensivo nacional, e propôs a alteração do período de retenção dos bovinos em Portugal para o período

Ag o.

Ju l.

Ju n.

M ai.

Ab r.

M ar .

Fe v.

1,00

Ja n.

EUROS / kg vivo

2,75

de 1 de janeiro até 30 de abril, terminando num bom momento para as explorações e para os seus animais. Neste contexto, e com grande satisfação da ACL e de todas as associações e entidades que apoiaram esta iniciativa, foi publicado pelo Ministério da Agricultura o Despacho nº 11-B/2016 de 31 de outubro, que veio alterar o período de retenção, no que diz respeito aos pagamentos ligados aos animais, tal como tinha

sido solicitado pelo sector da pecuária. Ao abrigo do Regulamento EU nº 1307/2013 que estabelece a possibilidade de revisão nacional no âmbito dos regimes do apoio associado, com efeitos a partir de 2017, e com o objetivo de focar a obrigação de retenção dos animais no período de maior disponibilidade forrageira, as entidades oficiais nacionais consideraram adequado

alterar os períodos de retenção para as espécies de efetivos bovinos, ovinos e caprinos, no sentido da sua antecipação e redução. Neste sentido, o despacho do gabinete do Ministro da Agricultura estabelece que, a partir de 2017, se considere período de retenção o período compreendido entre 1 de janeiro e 30 de abril de cada ano, para bovinos, ovinos e caprinos. Assim, a partir de agora, no final do período de retenção, mais concretamente em maio, as explorações estarão em plena primavera, num pico de disponibilidade alimentar e consequentemente de bom estado corporal dos animais, de onde resultarão benefícios claros e inequívocos para os bovinicultores nacionais, quer na venda de animais que pretendam refugar, quer na venda de novilhas que pretendam vender. Dos resultados deste processo coroado de sucesso, importa destacar que a melhoria contínua no sector agrícola pode ser uma realidade, desde que todos os intervenientes se envolvam e participem construtivamente. Começando pelos agricultores, passando pelas associações que fazem ecoar a sua voz, pelas confederações que as representam, e finalmente pelas entidades oficiais nacionais e europeias que devem demonstrar a abertura necessária para ajustar as políticas à realidade de cada país, como aconteceu neste caso. O sincero obrigado da Limousine a todos os que participaram neste processo. Doravante o período de retenção é antes do verão!

ruminantes Janeiro . fevereiro . março 2017 33


economia

observatório das matérias primas Por Paulo Costa e Sousa

Navegação à vista e um bom “timming” Mais uma vez as matérias primas encontram-se numa encruzilhada, numa espécie de contrassenso, uma realidade que engana. A interpretação clássica de boas ou más colheitas parece ter cada vez menos peso, ou menos lógica.

produção, diminuindo assim a oferta.

Mas, porque é que não estão? Ou será que estão? Um dos fatores mais importantes na travagem desta descida será certamente o valor do dólar. É bom não esquecer que uma diferença entre 1,04 e 1,14 na relação euro/dólar corresponde sensivelmente a 15 euros por tonelada no valor do milho, e a cerca do dobro no valor da soja. E o valor de 1,14 não só não está muito distante mas foi o nível que muitos analistas puseram como mínimo no caso de uma vitória de Donald Trump nas eleições de novembro passado. Aparte este fator, as valorizações de algumas moedas de países produtores faz com que o agricultor retenha mais

O número de fatores que influenciam o mercado dão ideia de estarem a aumentar fazendo com que o peso relativo de cada um seja menor. Estamos no terceiro ano de colheitas recorde em muitos locais importantes, os stocks estão reconstruídos e poderão mesmo ser considerados altos, as matérias primas deveriam estar a preços historicamente baixos.

Mas voltemos ás colheitas: nos últimos tempos parece que o peso da boa colheita é “mais verdadeiro” junto da própria colheita, mas com o passar do tempo os mercados como que esquecem o peso da mesma até que se aproxima outra. Se realmente é assim e como estamos ainda algo longe de outra colheita, os preços entraram numa certa letargia. Mesmo assim, e caso não se verifique nenhuma catástrofe nos próximos números para as colheitas sul americanas, que são as que se seguem, o peso desta sucessão de

Evolução do preço de matérias primas

2011

Preços médios semanais no porto de Lisboa de 2011 a 2016

2012 2013 2014 2015

milho

2016

bagaço soja 44 €/ton 600

€/ton 310

550

290

500

270

450

250

400

230 350

210

34 Janeiro . fevereiro . março 2017 Ruminantes

5 a 9 Dez

19 a 23 Dez

7 a 11 Nov

21 a 25 Nov

10 a 14 Out

24 a 28 Out

26 a 30 Set

29 a 2 Set

12 a 16 Set

1 a 5 Ago

15 a 19 Ago

4 a 8 Jul

18 a 22 Jul

6 a 10 Jun

20 a 24 Jun

9 a 13 Maio

23 a 27 Maio

11 a 15 Abr

25 a 29 Abr

28 a 1 Abr

12 a 16 Mar

13 a 17 Fev

27 a 2 Mar

30 a 3 Fev

5 a 9 Dez

19 a 23 Dez

7 a 11 Nov

21 a 25 Nov

10 a 14 Out

24 a 28 Out

26 a 30 Set

29 a 2 Set

12 a 16 Set

1 a 5 Ago

15 a 19 Ago

4 a 8 Jul

18 a 22 Jul

6 a 10 Jun

20 a 24 Jun

9 a 13 Maio

23 a 27 Maio

11 a 15 Abr

25 a 29 Abr

28 a 1 Abr

12 a 16 Mar

13 a 17 Fev

27 a 2 Mar

30 a 3 Fev

2 a 6 Jan

250 200 16 a 20 Jan

170 150

2 a 6 Jan

190

16 a 20 Jan

300


boas colheitas deveria fazer sentir-se, o que abriria boas perspetivas para os meses de verão, quer nos cereais quer nas sojas. No nosso entender, alguma paciência nas coberturas dos meses de verão poderiam dar-nos preços mais favoráveis, isto se o nosso omnipresente companheiro dólar não pregar nenhuma partida. Até agora, não parece vir nenhum sinal de alarme da América do Sul, ou da colheita de trigo europeia mas, como é sabido, ainda estamos longe do fim. Assim sendo, a navegação à vista e a escolha de um bom “timming” poderão ser uma tática prudente. Parece estar agora também em moda as compras a um diferido muito largo. Gostaríamos de salientar um aspeto desta decisão: nela pesa apenas uma coisa, preço histórico, nada mais. Não temos a mais leve ideia do que pode acontecer até lá. Se o comprador puder fixar a sua margem vendendo produto acabado, entende-se o raciocínio, caso contrário pode acontecer que esta decisão se assemelhe muito a uma ida a um casino, e tal como no casino em geral são raros os finais felizes, as compras são algo mais sério que não deveriam ser deixadas à sorte ou azar.

bagaço colza €/ton 450

400

350

300

250

200

7 a 11 Nov

5 a 9 Dez

19 a 23 Dez

5 a 9 Dez

19 a 23 Dez

24 a 28 Out

21 a 25 Nov

10 a 14 Out

24 a 28 Out

10 a 14 Out

7 a 11 Nov

26 a 30 Set 26 a 30 Set

21 a 25 Nov

29 a 2 Set

12 a 16 Set

29 a 2 Set

12 a 16 Set

1 a 5 Ago

15 a 19 Ago

1 a 5 Ago

4 a 8 Jul

18 a 22 Jul

4 a 8 Jul

18 a 22 Jul

15 a 19 Ago

6 a 10 Jun

20 a 24 Jun

6 a 10 Jun

20 a 24 Jun

9 a 13 Maio

23 a 27 Maio

11 a 15 Abr

25 a 29 Abr

28 a 1 Abr

12 a 16 Mar

13 a 17 Fev

27 a 2 Mar

30 a 3 Fev

2 a 6 Jan

16 a 20 Jan

150

bagaço girassol €/ton 350

300

250

200

150

9 a 13 Maio

23 a 27 Maio

25 a 29 Abr

11 a 15 Abr

28 a 1 Abr

12 a 16 Mar

27 a 2 Mar

13 a 17 Fev

30 a 3 Fev

2 a 6 Jan

16 a 20 Jan

100

ruminantes Janeiro . fevereiro . março 2017 35


economia

observatório do Leite POR JOANA SILVA Fontes: Agrimoney, Comissão Europeia, Fonterra, LTO, Rabobank

2016 foi um ano que tão depressa não será esquecido, e muitos são os motivos para tal. O sector do leite será certamente um deles, resultado da infeliz convergência de fatores como o embargo russo e a diminuição da procura por parte do gigante chinês, em paralelo com o aumento sem precedentes da produção leiteira, para o qual muito contribuíram a extinção das quotas a nível europeu e as condições climatéricas favoráveis. A negra conjetura daí recorrente, com o preço do leite cru na UE a atingir os 25,7€/100 kg em julho deste ano, o valor mais baixo desde 2009, levou à intervenção da Comissão Europeia. Esta colocou um travão à produção que tem levado a uma redução do output do sector, a qual atingiu os 1,9% em agosto do presente ano e se espera que alcance 1 milhão de toneladas no último semestre de 2016. Em outubro a recuperação algo tardia do preço do leite na UE atingiu os 28,3€/100 kg, ainda assim um valor 20% inferior à média dos últimos cinco

anos. A Nova Zelândia e a Austrália têm também contribuído para a diminuição global dos volumes de produção devido às adversas condições climatéricas, tendo registado quebras na quantidade de leite recolhido em outubro na ordem dos 8 e 10%, respetivamente. O aumento do preço do leite deve no entanto ser visto com alguma cautela, salienta o holandês Rabobank, já que se deve essencialmente a uma diminuição da oferta e não a um aumento da procura. Esta fragilidade poderá constituir um entrave à recuperação do preço do leite, em paralelo com a existência de significativos stocks a nível global, os quais estarão cerca de 6.7 milhões de toneladas acima dos valores normais. Os analistas caracterizam 2017 como um ano que terá duas faces, iniciandose com um declínio na produção leiteira a nível europeu. As estimativas apontam para que no próximo ano as entregas de leite registem um parco aumento de 0,3%, o valor mais baixo em oito anos, em comparação com o aumento de

36 Janeiro . fevereiro . março 2017 Ruminantes

1,1% previsto para 2016 e 2,5% verificado em 2015. Em oposição, o início da recuperação de maiores volumes de produção, previsto para o segundo semestre de 2017, estará dependente do sucesso das medidas agora em vigor. O panorama mundial aponta também para um menor crescimento do sector leiteiro e seus mercados quando em comparação com anos anteriores, ao qual estão subjacentes fatores como a incapacidade da expansão da produção na Nova Zelândia devido à indisponibilidade terrestre. Quanto ao mercado americano, o aumento da procura interna e a força renovada do dólar poderão levar a que os Estados Unidos recuem da primeira linha de competitividade no mercado internacional. Existem ainda novas incertezas sobre a mesa, como os resultados do Brexit e das recentes eleições americanas e respetivas implicações comerciais, para as quais os olhos da Europa terão inevitavelmente de se virar.


economia

preço do leite standardizado (1) países

leite à produção Preços médios mensais em 2015/2016

companhia

preço do leite (€/100kg) outubro 2016

média dos ultimos 12 meses (5)

alemanha

Alois Müller

28,60

25.49

Dinamarca

Arla Foods

27,72

26.68

Danone

31,79

31.19

Lactalis (Pays de la Loire)

30,36

Sodiaal

30,40

Dairy Crest (Davidstow) Glanbia

França Inglaterra Irlanda

EUA (4)

teor médio de matéria gorda (%)

teor proteico (%)

Contin.

Açores

Contin.

Açores

Contin.

OUTUBRO

0,283

0,294

3,80

3,89

3,26

3,25

NOVEMBRO

0,283

0,293

3,85

3,92

3,26

3,24

29.15

DEZEMBRO

0,282

0,297

3,84

3,92

3,24

3,24

30.57

JANEIRO

0,283

0,293

3,82

3,88

3,21

3,20

27,39

27.51

fevereiro

0,277

0,285

3,82

3,70

3,21

3,17

26,97

22.61

março

0,279

0,281

3,84

3,70

3,24

3,20

2015

Açores

Kerry

28,22

24.59

abril

0,281

0,278

3,74

3,73

3,21

3,22

36,35

37.15

MAIO

0,277

0,273

3,76

3,73

3,19

3,21

DOC Cheese

25,48

23.22

JUNHO

0,277

0,268

3,72

3,76

3,16

3,17

FrieslandCampina

28,37

26.61

JULHO

0,272

0,265

3,69

3,72

3,12

3,11

AGOSTO

0,272

0,261

3,66

3,68

3,13

3,10

Preço médio leite N. Zelândia

eur/kg

Granarolo (North)

Itália Holanda

meses

(2)

2016

Fonterra (3)

32,31

24.21

SETEMBRO

0,275

0,264

3,76

3,76

3,18

3,16

EUA

33,74

33.24

OUTUBRO

0,276

0,269

3,78

3,88

3,25

3,27

Fonte: LTO (1) Preços sem IVA pagos ao produtor; Preço do leite de diferentes empresas leiteiras para 4,2% de MG, 3,4% de teor proteico e CCS de 249,999/ml . (2) Média aritmética . (3) Baseado na previsão mais recente . (4) Reportado pela USDA . (5) Inclui o pagamento suplementar mais recente.

Fonte: SIMA Gabinete de Planeamento e Políticas

PROTEÍNA BRUTA É COISA DOS ANOS 80. A ciência e a tecnologia mudaram adaptando-se aos novos tempos. E a sua forma de formular, também se adaptou? Estratégias e formulações nutricionais adequadas frente àquelas já obsoletas, marcam a diferença entre explorações leiteiras, especialmente quando se trata de nutrição proteica. Encontrar a estratégia mais eficaz na formulação com base em aminoácidos para cada exploração e contexto económico, só se pode fazer com aqueles produtos biodisponíveis realmente fiáveis. Para trás ficam os dias em que nos centrávamos somente nos níveis de proteína bruta. Devemos reformular as nossas dietas até alcançar níveis adequados de lisina e metionina com o objectivo de melhorar os custos de produção e a eficiência proteica (rentabilidade da ração), ao mesmo tempo que nos preocupamos pelo meio ambiente. Formular com Smartamine ®, Metasmart ® e LysiPEARL™ permitirá alcançar “grandes rentabilidades”. Reformule as suas dietas. De agora em diante, mais não significa melhor, no que diz respeito à proteína bruta. Para mais informação sobre estes produtos, por favor contacte a Kemin Tel + 351 214 157 501 ou +351 916 616 764 - www.kemin.com MetaSmart® is a Trademark of Adisseo France S.A.S. 2015_advert Smartmilk_port.indd 1

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ruminantes Janeiro . fevereiro . março 2017 37


economia

ÍNDICE VL e ÍNDICE VL-erva “CONTINUA DIFÍCIL A VIDA DOS PRODUTORES DE LEITE EM PORTUGAL” Por António Moitinho Rodrigues, docente/investigador, Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Castelo Branco Carlos Vouzela, docente/investigador, Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores/CITA-A Nuno Marques, revista Ruminantes

Analisamos neste número da Ruminantes os Índices VL e VL - ERVA para o período de agosto a outubro de 2016. De acordo com os dados do SIMA-GPP (2016), durante o trimestre em análise, o preço médio do leite pago aos produtores individuais do continente variou entre 0,272 €/kg em agosto e 0,276 €/kg em outubro tendo o preço médio do trimestre sido inferior em 0,4% relativamente ao preço médio pago pelo leite no trimestre anterior. Na Região Autónoma dos Açores o preço médio do leite pago aos produtores individuais variou entre 0,261 €/kg em agosto e 0,269 €/ kg em outubro com preço médio trimestral inferior em 1,5% relativamente ao trimestre anterior. De acordo com dados do MMO (2016), a média de preços do leite pago ao produtor no período de agosto a outubro de 2016 foi, mais uma vez, inferior em Portugal (0,271 €/kg) quando comparado com a média da UE28 (0,280 €/kg). Relativamente ao trimestre anterior, os preços médios de todas as matérias-primas que entram na formulação dos alimentos compostos utilizados neste trabalho sofreram uma redução. Destacam-se o bagaço de soja44 (-15,7%) e o bagaço de colza (-6,9%). Esta evolução provocou uma redução no preço do alimento composto no continente (-7,1%) com repercussão favorável para os produtores no custo total da alimentação da vaca leiteira tipo, originando uma diminuição de 4,4%. Embora na Região Autónoma dos Açores o preço do alimento composto também tenha diminuído (-6,3%), como a partir de setembro o regime alimentar da vaca tipo inclui menor consumo

de pastagem e maior consumo de alimento composto e de alimentos conservados, verificou-se um aumento de 1,3% no custo total do regime alimentar por comparação com o trimestre anterior. A evolução do preço do leite e dos custos da alimentação refletiu-se no Índice VL e no Índice VL - ERVA que em outubro de 2016 foi, respetivamente, de 1,542 e de 1,693. De referir que em outubro de 2015 o Índice VL havia sido de 1,586 e o Índice VL - ERVA de 2,206. Um índice inferior a 1,5 (valor muito baixo) indica forte ameaça para a rentabilidade da exploração leiteira; um índice entre 1,5 e 2,0 (valor moderado) indica que a produção de leite é um negócio economicamente viável; um índice maior do que 2,0 (valor elevado) indica que estamos perante uma situação muito favorável para o sucesso económico da exploração (Schröer-Merker et al., 2012). Durante o trimestre em análise, o Índice VL atingiu o valor mínimo de 1,541 pelo que se pode concluir que os produtores de leite do continente se encontram num momento difícil. Estão no limiar da rentabilidade económica da exploração, situação que tenderá a agravar-se se continuarem muito baixos os preços do leite pago à produção e se os preços das matérias-primas, que entram na formulação dos alimentos granulados aumentarem. É importante referir que o Índice VL-ERVA (1,693 em outubro) reflete mais a realidade da ilha de S. Miguel que produz cerca de 60% do total de leite dos Açores onde, em média, é pago ao produtor a um preço mais elevado pela existência de maior concorrência entre a indústria transformadora.

Evolução do Índice VL

de outubro de 2015 a outubro de 2016 Os valores são influenciados pela variação mensal do preço do leite pago ao produtor individual do continente (Índice VL) e da Região Autónoma dos Açores (Índice VL - ERVA) e pelas variações mensais dos preços de 5 matérias-primas utilizadas na formulação do concentrado e pelo preço dos outros alimentos que integram o regime alimentar da vaca leiteira tipo. últimos 13 Meses outubro 2015

Índice VL ERVA

1,586

2,206

Novembro

1,565

2,130

Dezembro

1,605

2,227

1,611

2,198

Fevereiro

1,612

2,081

março

1,608

1,813

abril

1,587

2,105

Maio

1,478

1,929

junho

1,460

1,859

Janeiro

2016

Índice VL

julho

1,458

1,874

agosto

1,502

1,895

setembro

1,541

1,942

outubro

1,542

1,693

2,0

Valores do Índice VL

DE JULHO DE 2012 A OUTUBRO DE 2016 O Índice VL é influenciado pela variação mensal do preço do leite pago ao produtor no continente e pelas variações mensais dos preços dos alimentos que constituem o regime alimentar da vaca leiteira tipo (concentrado 9,5 kg/ dia; silagem de milho 33 kg/dia; palha de cevada 2 kg/dia). Valor do Índice VL

Evolução do Índice VL e Índive VL-erva

1,5

1,0 julho 2012

Limiar de rentabilidade

38 Janeiro . fevereiro . março 2017 Ruminantes

outubro 2016

Negócio saudável

Forte ameaça para a rentabilidade da exploração


economia

Evolução do Índice VL-erva DE JULHO DE 2013 A OUTUBRO DE 2016 O Índice VL – ERVA é influenciado pela variação mensal do preço do leite pago ao produtor na Região Autónoma dos Açores e pelas variações mensais dos preços dos alimentos que constituem o regime alimentar da vaca leiteira tipo (primavera/ verão 60 kg/dia de pastagem verde, 10 kg/dia de silagem de erva e de milho, 5,6 kg/dia de concentrado; outono/inverno 47 kg/dia de pastagem verde, 13,3 kg/dia de silagem de erva e de milho, 6,7 kg/dia de concentrado). O Índice VL-ERVA reflete uma realidade mais adequada à ilha de S. Miguel.

notas: • comparando com o mês de outubro de 2015, o preço do leite pago em outubro de 2016 aos produtores do continente foi inferior em 0,7 cêntimos/kg e aos produtores dos Açores foi inferior em 2,5 cêntimos/kg. A política de preços baixos, situação que se mantém desde a primavera de 2015, está a afetar a produção de leite nacional. Não havendo alterações a esta política, Portugal tornar-se-á um país dependente da importação de leite, o que já acontece com muitos outros produtos animais; • durante o trimestre houve uma redução do preço das

Valores do Índice VL Erva

3,0

2,0

1,5

1,0 julho 2013

outubro 2016

Valor do Índice VL - erva Negócio saudável

Limiar de rentabilidade

Forte ameaça para a rentabilidade da exploração

principais matérias-primas que entram na formulação dos alimentos compostos. Esta evolução contribuiu para reduzir os preços não só do alimento composto como também do regime alimentar formulado para o cálculo do Índice VL (-1,2% entre agosto e outubro). Embora o preço do alimento composto formulado também tenha baixado nos Açores, o preço da alimentação para calcular o Índice VL – ERVA aumentou 15,5% entre agosto e outubro. Esta situação ficou a dever-se ao aumento do consumo de alimentos forrageiros conservados em consequência do menor consumo de pastagem fresca que ocorre a partir de setembro;

• no trimestre em análise os preços dos alimentos forrageiros utilizados na formulação do regime alimentar não apresentaram diferenças representativas relativamente ao trimestre anterior; • as três considerações anteriores refletem-se no Índice VL e no Índice VL - ERVA que em outubro de 2016 foram, respetivamente, de 1,542 e 1,693. Referências BIBLIOGRÁFICAS: Não foram incluídas por uma questão de espaço editorial, mas os autores disponibilizam bastando enviar um email para geral@revista-ruminantes.com.

ruminantes Janeiro . fevereiro . março 2017 39


alimentação

Tiago Ramos Assistente Técnico Ruminantes, De Heus Nutrição Animal, S.A. tmramos@deheus.com

Deslocamento de abomaso - como prevenir? O deslocamento de abomaso (DA) é umas das principais doenças do trato digestivo nas vacas leiteiras, ocorrendo principalmente nas primeiras semanas do pós-parto. Este distúrbio é responsável por significativas perdas económicas (foto 1). Estas perdas traduzem-se não só nos custos de tratamento mas também na perda de quilos de leite produzidos aos 305 dias pelos animais afetados e pelo aumento da taxa de reposição, devido às percas pontuais de alguns animais por morte ou refugo. Assim, dado as dificuldades económicas que o sector leiteiro em Portugal enfrenta, é fundamental apostar na prevenção do DA. Para tal é essencial adotar medidas que promovam a redução da sua incidência. No decorrer do meu dia-a-dia como técnico assistente da De Deus, Nutrição Animal S.A tenho-me deparado com várias situações nas explorações que aumentam o risco de DA e nas quais podemos e devemos intervir, conjuntamente com medidas que reduzam o risco de DA.

O que é o DA?

controláveis são: • O maneio alimentar; • O período seco e de transição; • O surgimento de doenças concomitantes principalmente no pós-parto.

Pontos chave de controlo Maneio Alimentar

acumulação de gás e liquido no seu interior. Assim, um deficiente esvaziamento gástrico somado a um aumento da produção de gás oriundo da digestão, são os fatores chave no seu desenvolvimento. Estes dois fatores surgem com maior frequência após o parto, por ser uma fase em que ocorrem grandes mudanças no maneio alimentar e alterações fisiológicas inerentes ao parto. Habitualmente descreve-se o maneio alimentar como sendo o principal fator predisponente, no entanto este aparenta ser apenas a ponta do icebergue, pois existem muitos outros que também promovem o desenvolvimento de DA.

O deslocamento de abomaso caracteriza-se pela dilatação e deslocação do abomaso para uma posição topográfica anormal. Este deslocamento deve-se sobretudo à

40 Janeiro . fevereiro . março 2017 Ruminantes

FOTO 1 Resolução cirúrgica de um deslocamento de abomaso.

Fatores como a predisposição genética, idade, estações do ano, alterações do sistema nervoso autónomo, maneio do período seco e de transição e a presença de doenças concomitantes são igualmente fatores promotores de DA. Todos estes influenciam de alguma forma a motilidade do abomaso e/ou o aumento da produção de gás oriundo de uma anormal fermentação ruminal. Porém os mais facilmente e rapidamente

Esquema 1 Representa um corte transversal de uma vaca, onde 1 representa a fração gasosa do rúmen o 2 a fração solida e 3 a fração liquida. O 4 representa o abomaso.

O maneio alimentar é o que mais facilmente se pode alterar ou ajustar. Ao longo das ultimas décadas verificou-se um aumento da produtividade das vacas leiteiras, tendo sido necessário aumentar a densidade energética da dieta o que originou uma maior ocorrência de DA. Em grande parte deveu-se à introdução da silagem de milho como alimento base da dieta, em conjunto com o alimento concentrado e, simultaneamente, à redução dos valores de fibra para potenciar a produção leiteira. No entanto, é essencial ter níveis mínimos de fibra (FB e NDF), caso contrário, a fermentação ruminal não ocorre adequadamente. Outro fator a ter em consideração é o tamanho efetivo da partícula dos alimentos (granulometria), principalmente em dietas TMR (alimentos todos misturados em reboques misturadores). O tamanho da partícula é fundamental para potenciar a ruminação e a correta


alimentação

estratificação ruminal. A principal fonte de fibra de elevada granulometria é feita através da introdução de palha, sendo o seu comprimento mais importante do que propriamente a sua quantidade (varia entre 1 a 2 kg). O tamanho ideal da palha deverá ser entre 5 a 8 cm (ver foto 2). Um erro muito comum é triturar excessivamente a palha. No entanto, um tamanho excessivo também é prejudicial, pois permite às vacas escolher o alimento. Outro fator importante a ter em conta é o bolo alimentar ser homogéneo, para que as proporções dos alimentos não variem ao longo da manjedoura. Esta variação leva a que algumas vacas comam mais silagem e ração e outras comam mais palha. O tempo de mistura deve então ser rigorosamente controlado, bem como o estado em que se encontra o reboque misturador “unifeed”. As dietas não TMR (dietas não misturadas) potenciam o distúrbio ruminal, pois há maior variação de ingestão alimentos ao longo do dia, o que implica alterações de fermentação ruminal. Um nível ideal de FB e NDF, uma adequada estrutura do bolo e um correto balanço entre fibra, energia e proteína são fatores simples mas fundamentais para o equilibro ruminal, promovendo uma correta estratificação ruminal como demonstra o esquema 1.

Período seco e transição Durante estes períodos a vaca leiteira sofre grandes alterações fisiológicas e de maneio alimentar, sendo fulcral equilibrar o balanço nutricional. Um desequilibro nestas fases origina problemas como aumento excessivo da condição corporal (C.C), hipocalcémia, retenção placentária, metrite e cetose. Todos estes fatores potenciam o DA. Para tal, é fundamental ter em atenção os 3 aspetos seguintes:

• Condição corporal média no periodo seco - No período seco é necessário obter uma condição corporal ideal ao parto e ajustar o aporte de nutrientes, principalmente vitaminas e minerais. No momento do parto a condição corporal ideal situa-se entre os 2,75 e 3,25, numa escala de 1 a 5 (1 corresponde a vacas magras e 5 vacas gordas). Esta condição corporal média é essencial para compensar as necessidades nutricionais e proporcionar um parto sem dificuldades. Lembro que vacas muito gordas tem maior tendência a desenvolver cetose e partos distócicos, os quais podem levar a retenção placentária e posteriormente a metrite. Uma condição corporal excessiva normalmente ocorre de duas formas: vacas que terminam a lactação com uma elevada condição corporal ou quando a dieta é muito rica em energia durante este período. Por outro lado, caso haja vacas muito magras no final da lactação é fundamental a recuperação de alguma condição corporal no período seco, de forma a fazer face às necessidades nutricionais do pós-parto. Quanto ao balanço de nutrientes, dietas muito ricas em cálcio (por exemplo dietas ricas em silagem de erva) são desaconselhadas dado que estas promovem uma baixa mobilização do cálcio em torno do parto originando hipocalcémia clínica ou subclínica. • Criar um período de transição. A mudança da dieta da vaca seca para a vaca em lactação deve ser o mais gradual possível. No período seco a dieta tem um nível elevado de fibra e baixo em energia, enquanto que durante a lactação as dietas são muito ricas em energia e mais pobres em fibra. Durante as primeiras semanas de lactação o rúmen ainda não está totalmente adaptado a

dietas com elevados teores de energia. Assim a criação de um lote de transição nas explorações de maiores dimensões ou o incremento gradual da quantidade de dieta de lactação nas vacas no pré-parto (8 dias antes do parto) e o aumento gradual do alimento concentrado no pós-parto são boas medidas para o normal funcionamento do rúmen, evitando assim distúrbios na fermentação causadores do DA. • Ter em atenção o balanço energético negativo no pós-parto. Este balanço negativo é originado pelas grandes necessidades metabólicas induzidas pelo inicio da lactação. Para o evitar é

FOTO 2 Estrutura grosseira de um bolo alimentar com o tamanho da palha entre 5 a 8cm.

necessário proporcionar uma dieta equilibrada em nutrientes face às necessidades produtivas. Dietas mal formuladas ou pobres em energia promovem o balanço energético negativo. Este por sua vez promove uma elevada perda de condição corporal culminando normalmente em cetose. A cetose pode ter origem numa falta de nutrientes ou por sobrecarga hepática de triglicerídeos oriundos da elevada mobilização das reservas corporais.

Doenças concomitantes Doenças como hipocalcémia, retenção placentária, metrite e cetose estão associadas ao desencadeamento do DA. Estas doenças características do pós-parto induzem quebra na ingestão e reduzem a motilidade gástrica, potenciando a acumulação de líquidos e gases no interior do abomaso. Esta acumulação causa a dilação do abomaso, que associada à perda do efeito de lastro do rúmen desencadeia o DA. Por isso, nesta fase é de extrema importância evitar desequilíbrios na dieta que posteriormente induzem doenças concomitantes.

Conclusão Todos os fatores que promovam uma correta fermentação ruminal e estimulem a motilidade gástrica, contribuem para um decréscimo da incidência do DA. Com a implementação de algumas medidas podemos facilmente reduzir a sua ocorrência. Apesar destas medidas serem trabalhosas e implicarem pequenas alterações de maneio, minimizam as perdas económicas o que aumenta o lucro anual.

ruminantes Janeiro . fevereiro . março 2017 41


produção

CRUZAMENTO MERINA X SUFFOLK

IMAGEM 1 Manuel Santos e Sebastião Pardal Águia .

UMA APOSTA GANHA Entrevista a Manuel dos Santos Por ruminantes

Manuel dos Santos tem um gosto especial pela ovinicultura. A melhor porva disso é a sua dedicação à atividade apesar dos seus 85 anos. Estabeleceu-se como produtor de ovinos nos anos 80, na Lourinhã. O seu interesse pela raça Suffolk vem também dessa altura, tendo-se focado inicialmente na genética e venda de animais em linha pura, com 150 fêmeas. Apesar das boas características dos borregos Suffolk, decidiu enveredar por cruzamentos com ovelhas Merinas, dos quais resultaram borregos de elevada qualidade e procura, que se ajustam

mais às particularidades do mercado nacional. Esses cruzamentos perduram ainda hoje, mas a paisagem é agora diferente. É em Montemor-o-Novo, em pleno Alentejo, que recebe a Ruminantes, na Herdade da Negracha e Fonte Santa, e partilha a sua experiência com estas raças. Ruminantes - Há quanto tempo se instalou aqui no Alentejo? Manuel dos Santos – Vim para aqui em 1996. Na altura trouxe comigo um rebanho de Merinas, bem como alguns machos Ile-de-France, pois

42 Janeiro . fevereiro . março 2017 Ruminantes

tinha entretanto vendido o rebanho de Suffolk e respetivos cruzamentos a um bom preço. No entanto, decidi regressar ao cruzamento de Merinas com Suffolk, pelo que comprei alguns carneiros dessa raça, perto de Peniche, e deitei mãos à obra. Existem duas linhas de Suffolk - A francesa e a inglesa - Qual utiliza? Comecei com a linha francesa, a qual ainda mantenho. Os consumidores valorizam este cruzamento com Suffolk? Sim. O rendimento de carcaça é maior e esta tem melhor

qualidade e menor quantidade de gordura, pelo que os compradores a valorizam. Qual é o principal mercado? Tenho vários compradores regulares, os quais geralmente compram os animais ainda vivos e os levam por sua vez para abate. Com que idade vende os animais? E com que peso? Os últimos animais que vendi rondavam os 4 meses e os 35 kg, mas prefiro vendê-los por volta dos 3 meses, com 28/30 kg. Estabelece o preço ao peso? Não, estableço à unidade.


produção

No entanto, gosto de me ir informando acerca dos preços em leilão, por exemplo. A quem compra os machos puros Suffolk? Atualmente tenho fornecedores regulares em Casa Branca, mas os primeiros animais vieram de perto da Barragem de São Domingos em Peniche. O que procura quando compra machos? Deposito especial atenção na conformação, nos aprumos e obviamente nas características reprodutivas, como o perímetro testicular. Tem alguns cuidados especiais quando os introduz no efetivo? Faço uma introdução gradual da dieta no que toca ao fornecimento de ração. Como é o programa alimentar ao longo do ano? A base é a pastagem, conjugada com um bom feno. No entanto, incluo ração na dieta dos machos, e na das fêmeas durante as fases críticas, como

IMAGEM 2 Borregos cruzados na pastagem com as mães.

IMAGEM 3 Rebanho de Merinas x Suffolk. .

as primeiras parições de setembro, na qual necessitam de suplementação com ração para terem leite suficiente para os borregos. Como faz o maneio reprodutivo? Mantenho os machos separados das fêmeas, juntoos apenas durante as épocas de cobrição. As épocas são delineadas tendo em conta a maior procura de borregos em certas alturas do ano, como por exemplo na Páscoa.

Qual o rácio macho/fêmeas na altura da cobrição? 1 macho para 30 fêmeas. Como são os machos em termos de sazonalidade reprodutiva? Existe alguma sazonalidade. Há alturas do ano em que eles demonstram parco interesse pelas fêmeas. Tem problemas de partos na exploração? Não, nem tenho história de distócias no meu rebanho, sendo que os partos costumam decorrer sem problemas. Acrescento ainda que também não tenho história de problemas podais nos meus animais.

Como é o temperamento das ovelhas cruzadas? São tranquilas e de fácil maneio. Além disso, o cruzamento torna-as mais rústicas e com as úngulas mais resistentes. Recomenda este cruzamento? Vivamente. As melhorias são evidentes em termos de conformação dos borregos e qualidade da sua carne. Se as suas ovelhas falassem, o que diriam de si? Isso é difícil de dizer, visto que elas são bem mais comunicativas com o pastor, mas creio que diriam que as trato bem!

Caracterização da Exploração Área: 465 ha de prados permanentes em montado Empregados: 2 (sendo um deles o pastor) Ovelhas: 1300, entre Merinas puras e cruzadas Carneiros: 20 Suffolk + 20 cruzados (Geração F3) Esquema reprodutivo: 3 partos em 2 anos Prolificidade: 1.5 borregos/ovelha

ruminantes Janeiro . fevereiro . março 2017 43


Forragens

Gestão de Pastoreio Uma abordagem prática Por Departamento Técnico da Agrovete – sede@agrovete.pt

O pastoreio tem mais que se lhe diga que apenas colocar os animais no pasto. A pastagem como recurso e o seu consumo pelos animais fazem parte de um sistema muito maior e mais complexo, e devem ser geridas como tal. O planeamento do pastoreio permite ao agricultor ter uma abordagem organizada quanto à gestão do solo, planta, animais e recursos humanos disponíveis na exploração. As taxas de crescimento de erva e o seu consumo pelos animais não são constantes ao longo do ano, nem se mantêm inalteradas de ano para ano. É por esta razão que o planeamento do pastoreio é essencial para ir de encontro ao equilíbrio entre a disponibilidade de alimento e o seu consumo. O desequilíbrio entre estas duas variáveis levará inevitavelmente à ineficiência e aos prejuízos económicos consequentes. Entre os benefícios de uma correta gestão das forragens,

incluem-se o aumento do número de dias de pastoreio por hectare (ha) com um aumento da sua eficiência, graças ao ajustamento entre a disponibilidade de alimento e o seu consumo. Adicionalmente, o planeamento permite precaver períodos secos, que obrigam a suplementar os animais com outros alimentos, muitas vezes vindos do exterior da propriedade. Quando existe um

imagem 2 Leitura de corrente no cercado móvel.

44 Janeiro . fevereiro . março 2017 Ruminantes

plano e se monitoriza de perto o seu desenrolar, os ajustamentos serão feitos sempre mais atempadamente. A elaboração de um plano de pastoreio exige bastante pesquisa e organização. A primeira coisa a fazer é determinar qual o potencial de produção de pastagem e o respetivo encabeçamento. Sabemos à partida que podemos produzir pastagem

durante um período limitado de tempo, mas idealmente o objetivo seria tentar estender este período aos doze meses do ano. De seguida, o produtor deve analisar a dimensão e tipo do seu efetivo pecuário ao longo do ano. Mais uma vez, o objetivo é adaptar a política de produção à disponibilidade de alimento prevista. Como é óbvio, estes cálculos são feitos com base em médias de anos anteriores, pelo que se deve prevenir a possibilidade de as condições serem mais desfavoráveis, como acontecerá num ano de seca anormal. O sistema de pastoreio pode ser definido como a maneira de conduzir os animais na pastagem, de forma a proporcionar-lhes uma dieta que lhes permita explorar da melhor forma o seu potencial


Forragens

produtivo, com vista à obtenção do máximo de produto animal por unidade de área pastoreada e por unidade de tempo. Idealmente, isto deve ser conseguido sem colocar em causa a renovação das pastagens. Nas nossas condições climatéricas, o pastoreio rotacional adequa-se principalmente a pastagens de regadio, podendo no entanto ser praticado no sequeiro, principalmente durante o período de erva mais abundante. Neste sistema os animais pastam num determinado parque durante um determinado período, deixando-o depois em descanso até que este se tenha regenerado, repetindo-se este procedimento pelos restantes parques da exploração. Neste sistema os tempos de descanso devem ser de forma a permitirem que a pastagem

rebrote até que seja possível um novo pastoreio. Os tempos de pastoreios devem ser curtos, não ultrapassando os 3 dias, havendo quem faça pastoreios de apenas algumas horas. Os períodos de pastoreio e de descanso podem variar

consoante a qualidade da forragem, de parcela para parcela, ou durante as épocas do ano devido às diferentes taxas de crescimento. Os períodos de descanso são principalmente influenciados pela intensidade do pastoreio

anterior e pela altura mínima da erva que se pretende, sendo que a época do ano em que decorre a rotação tem aqui uma importância fulcral. No nosso clima, os períodos de descanso do prado, consoante a época, podem ir de 21 dias a 45 dias.

Um caso prático Sociedade Agrícola Fonte do Prior Joaquim Mira, responsável pela Sociedade Agrícola Fonte do Prior, começou a utilizar sistemas de pastoreio rotacional em 2014. Na altura, recentemente convertidos para Modo de Produção Biológico com as condicionantes alimentares próprias deste modo de produção, e devido a um encabeçamento bastante

elevado, viu-se obrigado a encontrar soluções para responder às necessidades alimentares da vacada. A solução encontrada foi experimentar o pastoreio rotacional! Num pivot de 12 ha, semeado a 17 de setembro com uma mistura para cortes sucessivos, o primeiro corte, de limpeza, foi efetuado por 50 novilhas e dois touros num

parque de 1,2 ha. Para surpresa do agricultor a área revelou-se demasiado grande para os 52 animais que, mesmo não pastoreando na totalidade o prado, acabaram por passar 3 dias nesse mesmo parque. Isto levou a que a área dos parques seguintes fosse de cerca de 0,5 ha, para um pastoreio de 2 dias. Na primavera o agricultor chegou a ter 290 cabeças

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ruminantes Janeiro . fevereiro . março 2017 45


Forragens

cercas da exploração, o agricultor tem praticamente todos os parques interiores da exploração divididos com cercas

elétricas fixas com 3 fiadas de arame. Nas cercas exteriores, apesar de serem de rede, tem uma fiada elétrica de proteção.

A importância das vedações na gestão de pastoreio

normais (CN) em 1,5 ha/dia. O ano passado este sistema de pastoreio foi utilizado de novembro de 2015 a junho de 2016. No final deste período ainda foi possível fazer uma sementeira de milho e, noutro pivot em que se utilizou o mesmo sistema de pastoreio, foi produzido girassol para silagem. Joaquim Mira ressalva que o maneio deste sistema relativamente à área de cada parque, dias de pastoreio/ repouso dos parques, decisão de entrada ou não no pivot após dias de chuva, depende um pouco da observação diária e do bom senso. Todos os dias, de manhã, se abre a porta para os animais acederem aos parques, retirando-os no final do dia para uma área onde pernoitam. Têm sempre acesso a palha à descrição e água. Este ano, o pivot está a ser dividido em parques de 0,5 ha, que cerca de 50 CN pastoreiam por cada dois dias, permitindo um período de descanso de 48 dias. Com este sistema, o agricultor estima que, até meados de junho, os animais consigam fazer 4 cortes no pivot. Tendo em consideração as contas do ano anterior, a alimentação animal neste sistema é bastante mais económica se compararmos com a suplementação. Em relação a necessidades de mão-de-obra, o agricultor refere que a operacionalização do sistema é bastante fácil e

imagem 3 Imagem aérea do pivot.

demora apenas 15 a 30 minutos por parque/dia. Na opinião de Joaquim Mira, este sistema é bastante mais barato que a suplementação, permite um melhor aproveitamento das áreas de pastoreio conjugando o regadio com o sequeiro, promove uma fertilização natural com o consequente aumento da matéria orgânica do solo, e com a habituação diária os animais tornam-se muito mais doceis, facilitando o maneio. Para além disso há que contabilizar as poupanças inerentes ao facto de não haver custos com corte e conservação de forragens. Fora dos pivots, nas restantes

46 Janeiro . fevereiro . março 2017 Ruminantes

imagem 4 Fotografia aérea de parque de pastoreio.

As cercas elétricas revolucionaram as técnicas de gestão de pastoreio. Sistemas de cercados fixos ou amovíveis são hoje muito utilizados para subdividir pastagens, permitindo um pastoreio mais eficaz, uma vez que mantêm a erva fresca, curta e mais palatável, o que leva a melhorias na produtividade animal. No caso concreto do pastoreio rotacional, pretende-se uma vedação fácil de instalar, amovível, de baixo custo e com uma eficácia muito elevada, de forma a evitar que os animais ultrapassem os limites do parque. É aqui que as vedações eletrificadas se revelam de máxima utilidade. Efetivamente, são a forma mais barata, eficaz e portátil de fazer as vedações temporárias necessárias a um sistema de pastoreio rotacional. Através da utilização de postes móveis, enroladores de fio ou corda e de eletrificadoras solares, é possível fazer qualquer divisão de parques que se pretenda, sem que seja necessário comprometer a operacionalidade da parcela. A Gallagher aconselha o sistema de pastoreio rotacional como a melhor forma de obter

a máxima produtividade da pastagem. Como benefícios principais deste sistema podemos apontar aumentos consideráveis de eficácia na produção de erva e na manutenção da mesma, assim como a flexibilidade de adaptação da área de pastagem que é permitida pelo uso de cercas elétricas móveis. A subdivisão dos parques e a utilização de uma elevada densidade animal garante que a pastagem é cortada uniformemente até à altura residual ótima, o que contribui significativamente para a eliminação de infestantes e para a renovação de um pasto vigoroso com altos níveis proteicos e energéticos. A utilização de vedações eletrificadas móveis permite ao produtor adaptar o tamanho dos parques por forma a poder maximizar o seu aproveitamento. As cercas elétricas Gallagher garantem uma contenção segura dos animais e são a opção mais económica. A Gallagher oferece soluções para todas as espécies e tipos de produção, inclusivamente para a proteção de culturas contra a devastação causada por animais selvagens, como os Javalis. A Agrovete, na qualidade de representante em Portugal da Gallagher, marca líder mundial em cercados eletrificados, tem como objetivo oferecer aos seus clientes as melhores soluções para as vedações das suas propriedades e culturas.

Agradecimentos Joaquim Mira, Sociedade Agrícola Fonte do Prior Nuno Silveiro, Filmagens Aéreas


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Saúde e bem-estar animal

Joaquim L. Cerqueira 1, 2

Avaliação de indicadores produtivos

e de bem-estar animal em oito explorações de vacas leiteiras do concelho de Vila do Conde Carlos F. Carvalho 1

Introdução

Sandra Campelo 3

A intensificação e especialização tecnológica da produção de bovinos leiteiros na última década é uma realidade inquestionável. A diminuição do número de explorações e o incremento de dimensão das mesmas, está associada à redução da mão-de-obra, obrigando à reorganização dimensional dos espaços ocupados pelos animais, garantindo a sua máxima produtividade no respeito pelas exigências de conforto e bem-estar

José Pedro Araújo 1, 4 1 Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Viana do Castelo, Refóios do Lima, 4990-706 Ponte de Lima, Portugal. Email: cerqueira@esa.ipvc.pt 2 Centro de Ciência Animal e Veterinária (CECAV) - UTAD, Quinta de Prados, 5000-801 Vila Real, Portugal. 3 NutriGenetik, Rua Rio Este, nº 20, 4480-297 Junqueira, Vila do Conde, Portugal 4 Centro de Investigação de Montanha (CIMO) - ESAIPVC, Portugal

48 Janeiro . fevereiro . março 2017 Ruminantes

animal. É fundamental garantir a existência de locais de descanso limpos e confortáveis para todos os animais, prevenindo comportamentos errantes de descanso nos corredores de passagem, que se encontram normalmente mais sujos, e que fomentam o risco de infeção da glândula mamária e o aparecimento de mastites. Por isso é imprescindível realizar diariamente a limpeza dos corredores do estábulo e dos cubículos, assim como dotar a superfície de descanso das vacas nos cubículos (camas) de materiais capazes de garantir

o seu conforto e prevenção do aparecimento de doenças e lesões corporais. As superfícies dos cubículos apresentam uma elevada diversidade de materiais, devendo evitar-se o cubículo de base nua, pois uma cama confortável apresenta um índice de utilização elevado por parte dos animais, contribuindo para o seu bem-estar. Brenninkmeyer et al. (2013) observaram menor número de lesões no curvilhão em vacas

IMAGEM 1 Cubículos com divisórias no piso e com revestimento da superfície da cama.


Saúde e bem-estar animal

QUADRO 1 Indicadores das oito explorações alvo de estudo. Indicadores

N

Média±DP

Mínimo

Máximo

CV (%)

Produção diária por vaca (kg)

617

33,9±8,6

9,5

66,3

25,4

Lactação (Nº)

617

2,9±1,2

1

7

41,4

Dias em lactação

617

166,4±114,2

6

925

68,6

Contagem de células somáticas (cél/mlx1000)

617

136,8±328,8

4

3569

240,4

Contagem total microrganismos (UFC/mlx1000)

617

12,5±6,1

4

25

51,3

Contagem de coliformes nos cubículos (UFC/g)

16

87,4±116,7

1

320

133,5

pH no material de revestimento dos cubículos

16

9,5±0,8

9

11

8,4

Os dados foram analisados através do programa Excel 2010 (Microsoft) e SPSS para Windows versão 22 (SPSS. Inc.). Os resultados encontram-se organizados por indicadores produtivos, de qualidade do leite e bem-estar das vacas leiteiras. A produção média diária de leite por vaca nas explorações estudadas foi de 33,9±8,6 kg, com um valor médio de lactações de 2,9±1,2 com 166,4±114,2 dias de lactação (Quadro 1). No que se refere à qualidade do leite, a contagem média de células somáticas foi de 136.800±328.800 cél/ ml e a contagem total

PRINCIPAIS RESULTADOS Este estudo foi realizado através de visitas a explorações leiteiras do concelho de Vila do Conde, no período de fevereiro a junho de 2016. Classificouse a higiene dos animais através da metodologia de Cook (2002) e as lesões do curvilhão em 617 vacas leiteiras em fase de lactação por intermédio do sistema proposto por Regula et al. (2004). A contagem de coliformes das camas dos cubículos efetuou-se no Laboratório Interprofissional do Leite e Lacticínios (ALIP).

FIGURA 1 Valores médios da produção diária de leite nas 8 explorações alvo de estudo. 45

41,5

40 32,5

35

Produção diária (kg)

alojadas em cubículos de cama profunda, em comparação com espaços contendo material vestigial. O conforto do cubículo para vacas leiteiras deve ser melhorado para evitar lesões do curvilhão e, assim melhorar o bem-estar das vacas nas suas diferentes perspetivas. As lesões no curvilhão poderão ser causadas por pressão local elevada e prolongada em superfícies duras e abrasivas. Em concordância com isso, verificou-se que a qualidade da área de descanso em termos de suavidade e fricção está associada à frequência e à gravidade das lesões em estudos epidemiológicos (Lombard et al., 2010; Potterton et al., 2011). O Inerconfort é uma gama de produtos destinados à higiene animal, sendo uma mistura de matériasprimas absorventes de origem vegetal e mineral, podendo conter ainda um desinfetante biodegradável amplamente usado como germicida no combate a bactérias, vírus e fungos, a cloramina T. Tem como objetivo manter os animais num meio saudável e livre de agentes externos nocivos, assegurando condições ótimas de higiene no estábulo. Neutraliza a humidade das camas e reduz o risco de mastites e de contaminação bacteriana do úbere, tornando a cama mais seca e confortável. O principal objetivo deste trabalho consistiu na avaliação da higiene corporal e estado do curvilhão das vacas leiteiras, registo e análise da produtividade e qualidade do leite e ainda análise bacteriológica do material da cama dos cubículos.

30

35,9

35,3

31,5

32,9

33,4

28,9

25 20 15 10 5 0 1

2

3

4

5

6

7

8

de microrganismos de 12.500±6.100 UFC/ml. Nos parâmetros relacionados com a qualidade da cama dos animais obteve-se uma contagem média de coliformes de 87,4±116,7 UFC/g e um pH de 9,5±0,8. Nos últimos 20 anos, o valor total da produção de leite subiu 34%, apesar do enorme aumento do preço das matérias-primas e da progressiva diminuição do preço pago ao produtor por litro de leite (GPP, 2015). Todas as explorações estudadas revelaram uma produção média diária superior a 30 kg/vaca, à exceção da 1, com 28,9 kg/ vaca/dia. A exploração 5 destacou-se das restantes ao ultrapassar a barreira dos 40 kg, revelando valores na ordem de 41,5 kg/vaca/dia (figura 1). A qualidade do leite é uma prioridade das explorações leiteiras, nomeadamente porque o pagamento ao produtor é baseado neste indicador, esperando os consumidores um alto nível de qualidade e segurança dos produtos lácteos comercializados.

Explorações

ruminantes Janeiro . fevereiro . março 2017 49


Saúde e bem-estar animal

FIGURA 2 Valores médios da CCS nas 8 explorações alvo de estudo (x1000 cél/ml). 200

182,1

100

180

164,7 155,7

160

93

90

90

153,3

144

140

80 70

123,6

Animais %

111,6

120 100 80

63,8

60

58

60 50 40

35

30

40

20

20 0 1

2

3

5

4

6

7

Explorações

Para a contagem de células somáticas (CCS) verificou-se que todas as explorações tinham um valor médio inferior a 200.000 cél/ml, tendo a exploração 1 revelado o valor mais elevado (182.100 cél/ml) e a 3 o valor mais baixo (63.800 cél/ml) (figura 2). A região corporal que revelou maior grau de sujidade foram as pernas (90% - grau 2), seguidas pela coxa e flanco. O úbere revelou ser a região mais limpa (93% - grau 1). Podese referir que os animais avaliados apresentavamse limpos, com apenas 7% - grau 3 para a coxa e flanco, 6,5% - grau 3 para as pernas, e não se observaram animais com grau 3 ou 4 para a região do úbere (figura 3). Seis explorações apresentaram valores elevados (>95%) para a pontuação 1 de lesões no curvilhão, à exceção das explorações 7 e 8, onde os valores rondaram os 75,7 e 48,9%, respetivamente. Na exploração 8 a maioria dos animais revelou pontuação 2 (51,1%) (figura 4). As explorações 7 e 8 não utilizaram nenhum

0

0

8

1

Úbere

produto da gama Inerconfort, tendo sido caraterizadas como explorações controlo. Verificou-se a existência de diferenças significativas (P<0,001) entre os tipos de produtos utilizados no período da manhã para a contagem de coliformes, à exceção dos produtos 50-50 grosso relativamente ao 5050 fino plus. Para o período da tarde os resultados foram semelhantes, não se tendo observado diferenças entre o produto 50-50 grosso e o

7 6,5

7

3,5

10

2

Coxa/Flanco

3

Pernas

controlo, tendo no geral os valores da tarde revelado contagens mais elevadas. O produto 50-50 fino plus obteve valores inferiores de contagem de coliformes para ambos os períodos, ou seja 0,8 e 1,5 UFC/g de manhã e à tarde respetivamente (quadro 2).

encontram-se fortemente interligados com a higiene das vacas, a saúde do úbere (CCS) e as lesões no curvilhão, revelando-se fatores cruciais para o bem-estar e saúde animal, refletindo-se na qualidade do leite produzido. Encontraram-se diferenças significativas (P<0,001) entre o tipo de produto aplicado nas camas dos animais para a contagem de coliformes, sendo que o produto 50-50 fino plus demarcou-se de todos, apresentando valores muito

Conclusões Parâmetros como o desenho e tipo de cama dos cubículos

FIGURA 4 Frequência dos animais para a pontuação de lesões no curvilhão nas 8 explorações alvo de estudo.

120 97,1

98,7

100,0

97,0

100,0

98,9

100

Pontuação das lesões no curvilhão:

75,7

80

Animais %

CCS(cél/ml)x1000

FIGURA 3 Frequência dos animais nas diferentes pontuações de higiene no úbere, coxa/flanco e pernas.

60

51,1 48,9

2

40

3

21,4 20 1,3 0

1

1

50 Janeiro . fevereiro . março 2017 Ruminantes

1,4 1,4 2

1,1

3,0 3

4

Exploração

5

6

2,9 7

8


Saúde e bem-estar animal

reduzidos na contagem de coliformes. Da totalidade dos animais avaliados em termos de lesões no curvilhão, 89,6% obtiveram pontuação 1, não evidenciando qualquer tipo de lesão. Os restantes 10% de animais com algum tipo de lesão é justificado fundamentalmente pela frequência mais elevada de animais com pontuações 2 e 3, ocorrendo nas duas explorações controlo (7 e 8), que não utilizaram nenhum tipo de produto da gama do Inerconfort. Em termos gerais, a exploração 3 foi a que evidenciou melhores resultados, com uma produção média de leite por vaca elevada (35,3 kg) utilizando o produto 50-50 grosso nas camas dos animais.

QUADRO 2 Influência do tipo de produto da cama dos animais na contagem de coliformes. Período

Manhã

Produto

Média±DP

Mínimo

Máximo

CV (%)

50-50 fino

23,7a±24,2

0,7

49,0

102,1

50-50 grosso

4,4b±0,0

4,4

4,4

0,0

50-50 fino plus

0,8 ±0,0

0,8

0,8

0,0

70-30 fino

301,1c±14,5

290,0

320,0

4,8

controlo

46,1d±5,2

37,0

49,0

11,3

87,4±116,7

0,7

320

133,5

50-50 fino

162,0a±145,3

10,0

30,0

89,7

50-50 grosso

bc

22,0 ±0,0

22,0

22,0

0,0

1,5b±0,0

1,5

1,5

0,0

70-30 fino

432,2d±29,1

410,0

470,0

6,7

controlo

30,8c±10,3

25,0

49,0

33,4

1,5

470,0

121,3

Sig. Total

50-50 fino plus Tarde AGRADECIMENTOS Aos produtores de leite que participaram neste estudo e aos projetos do CECAV com as referências UID/CVT/00772/2013 e UID/ CVT/00772/2016, financiados pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), para o triénio 2015-2017. .

Sig. Total

b

***

*** 147,1±178,5

Sig.: Nível de significância: a≠b≠c≠d para P<0,001 (***)

A Alltech® abre novas portas com a aquisição da KEENAN Com a aquisição da KEENAN a Alltech pretende oferecer um serviço completo aos produtores permitindo melhorar a eficiência e qualidade da nutrição animal. A força combinada da Alltech e da KEENAN reforça a inovação e a tecnologia de ponta apoiadas por extensas pesquisas, oferecendo soluções à medida dos nossos clientes para aumentar a rentabilidade nas explorações. A chave para este novo foco é a tecnologia InTouch, um help desk e avaliação “ao vivo”, que inclui aconselhamento especializado de nutricionistas. O InTouch é uma oferta de serviço único, que garante que os animais atinjam o seu potencial de desempenho diário. Em cooperação com a Intel, a tecnologia InTouch automatiza a troca de dados e melhora a análise nutricional, fornecendo soluções para os agricultores de todo o mundo. Com a KEENAN a juntar-se à Alltech, a equipa de engenharia da KEENAN estará pronta para lançar outros produtos inovadores, concebidos para satisfazer as necessidades dos clientes, com maior rapidez e capacidade de manipular diferentes tipos de forragens.

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ruminantes Janeiro . fevereiro . março 2017 51


Saúde e bem-estar animal

HIPOCALCÉMIAS: REVISÃO DA TERAPÊUTICA

Médico Veterinário vascojarafranco@gmail.com

João Paisana Médico Veterinário da Agro-Pecuária Afonso Paisana, Lda. paisana.j@gmail.com

52 Janeiro . fevereiro . março 2017 Ruminantes

dificuldade em manter os níveis de cálcio dentro do intervalo normal. De facto, o risco de desenvolvimento de hipocalcémia clínica parece ter um acréscimo de 9% a cada lactação. Prevê-se que a hipocalcémia sub-clínica afete aproximadamente 50% das vacas com mais do que uma lactação, enquanto a incidência de hipocalcémia clínica rondará os 6,17%. Geralmente, apenas os casos de hipocalcémia clínica são alvo de tratamento, já que os sinais de hipocalcémia subclínica passam despercebidos. No entanto, caso se observem sinais e a vaca ainda se encontre de pé, aconselhase a administração de uma forma de cálcio oral, sendo contraindicado o cálcio endovenoso. Por outro lado, o tratamento mais utilizado para a hipocalcémia clínica, quando

a vaca se encontra caída, passa pela administração intravenosa lenta de 500 mL de gluconato de cálcio. Embora na literatura estejam descritos tratamentos através da administração de cálcio por via subcutânea e intramuscular, estas não são as formas de administração mais aconselháveis, visto serem lesivas para os tecidos, podendo levar ao desenvolvimento de abcessos, e proporcionarem uma disponibilização irregular de cálcio. Após a administração do tratamento ocorre um pico de cálcio no sangue cujos valores, passadas 12 horas, podem regredir para valores de hipocalcémia, situação ilustrada na figura 2. Tal facto explica a frustração, tantas vezes sentida, de ver uma vaca que já foi

FIGURA 1 Concentração plasmática total de Ca antes e após o parto (adaptada de Oetzel, 2013). 10,0

9,0

Total de Ca no Plasma, mg/dl

Vasco J. Franco

A hipocalcémia, conhecida coloquialmente como ‘Febre do Leite’, é uma das patologias de maior relevo no periparto, período durante o qual as vacas leiteiras experienciam significativas alterações a nível metabólico. De facto, a transição de gestante e não-lactante para não-gestante e lactante é muitas vezes uma experiência desastrosa para a vaca. Uma das razões para tal é a quantidade massiva de cálcio necessário para a produção de leite e, principalmente, de colostro no início da lactação, o que coloca em causa os níveis normais de cálcio sanguíneo da vaca, que se situam entre os 8,5 e os 10,0 mg/dL. As alterações daí decorrentes podem ser de natureza ligeira, provocando fenómenos de hipocalcémia sub-clínica, com valores compreendidos entre os 5,5 e os 8,0 mg/ dL, ou mais severas, levando ao desenvolvimento de hipocalcémia clínica, na qual os valores de cálcio se encontram geralmente abaixo dos 5,5 mg/dL e a vaca se encontra deitada e abatida. O comprometimento do equilíbrio dos níveis de cálcio acarreta também consequências indiretas para a saúde da vaca, aumentando os casos de distócia, prolapso uterino, retenção placentária, metrite, mastite e infertilidade. A oscilação dos níveis de cálcio no periparto está ilustrada na figura 1. A idade é um fator influente na origem da hipocalcémia, sendo que vacas mais velhas, principalmente a partir da terceira lactação, têm grande

8,0

7,0

6,0

5,0

Vacas com hipocalcémia clínica Vacas sem hipocalcémia clínica

4,0

-7 -6 -5 -4 -3 -2 -1 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 Dias relativos para o Parto


Saúde e bem-estar animal

FIGURA 2 Efeito do tratamento de cálcio endovenoso com 10,8g de cálcio elementar na concentração total de cálcio sérico (adaptada de Oetzel, 2013). 24 Perto toxicidade cardíaca Resposta da calcitonina (para mobilização do Ca) 20

Total Ca plasma, mg/dl

sujeita a tratamento voltar a manifestar sinais de hipocalcémia clínica, sendo incapaz de se levantar. De forma a evitar esta recorrência, deve ser administrada simultaneamente à terapia endovenosa uma forma de cálcio oral, a qual evitará a queda dos níveis de cálcio sanguíneo nas 12 horas posteriores. Dada a sua importância, a prevenção de fenómenos de hipocalcémia clínica (vaca caída) e sub-clínica (forma assintomática), merece um lugar de destaque. Existem diversos protocolos recomendados, sendo os mais comummente utilizados a administração de dietas pobres em cálcio no período seco, dietas aniónicas, administração de vitamina D e administração de cálcio por via oral, a qual, na maioria dos programas preventivos, se encontra distribuída uniformemente por três a quatro doses durante o período compreendido entre as 12-24 horas antes do parto e as 24 horas pósparto. A administração de vitamina D, no entanto, é desaconselhada por duas razões: a proximidade entre a dose terapêutica e a dose tóxica e o facto de causar dependência, uma vez que a vaca passa a necessitar destas administrações de forma a manter os níveis normais de cálcio. A maioria das explorações já aplica, a nível alimentar, um dos dois primeiros protocolos acima referidos. Contudo, a incidência de hipocalcémia subclínica pode, como supramencionado, atingir os 50%, com valores no que toca à hipocalcémia clínica na ordem dos 6%. Consequentemente, cada vez mais explorações complementam o protocolo existente com a

16 Hipocalcémia novamente 12 Cálcio normal no Sangue (8,5 a 10 mg/dl)

8

4

0

-4

0

4

8 12 Horas após tratamento

administração de cálcio oral pós-parto. Tendo essa prática em conta, foi realizado um estudo no qual se pretendiam avaliar os efeitos de um protocolo de prevenção da hipocalcémia no qual estava incluída a administração de dois bolus orais de cálcio Bovikalc® após o parto, avaliando os níveis de cálcio das vacas em estudo. Tendo como base uma exploração onde o protocolo preventivo passava pela administração sistemática de cálcio endovenoso pós-parto, foram criados dois grupos: um grupo sujeito apenas ao protocolo habitual e outro no qual este foi complementado com dois bolus orais de cálcio Bovikalc®, igualmente após o parto. Em paralelo, foram recolhidas amostras sanguíneas imediatamente após o parto, antes da administração das doses de cálcio, e decorridas 24 horas após a administração. Aquando da análise das amostras, verificou-se que ocorreu uma descida acentuada dos níveis de cálcio nos animais aos quais não foi administrado cálcio por via oral, contrariamente ao

16

20

24

que se verificou no grupo complementado, resultados que se encontram em concordância com a literatura existente. Decorre atualmente um ensaio clínico com vista à identificação do protocolo mais adequado de administração de bolus orais de cálcio, nomeadamente no que toca ao timing de administração e ao número

de doses necessárias, de forma a maximizar o efeito preventivo desta prática. Embora a título individual a hipocalcémia clínica acarrete maiores encargos financeiros, quando consideramos a exploração a hipocalcémia subclínica torna-se mais dispendiosa, visto afetar uma percentagem muito maior da população, o que salienta a importância da aplicação de um protocolo eficaz de prevenção das hipocalcémias. Por outro lado, a grande diferença no número de casos entre explorações reflete a capacidade de controlar os casos que ocorrem, e torna pertinente o controlo periódico dos níveis de cálcio.

Referências bibliográficas Não foram incluídas por uma questão de espaço editorial, mas os autores disponibilizam bastando enviar um email.

Pontos-Chave • Para o tratamento eficaz da hipocalcémia clínica não é suficiente a administração de cálcio endovenoso, sendo recomendada a administração simultânea de cálcio oral. • A hipocalcémia sub-clínica pode ser reduzida com uma forma oral de cálcio. • A hipocalcémia sub-clínica é particularmente dispendiosa pois, apesar da ausência de sinais, afeta uma maior percentagem da população e predispõe a diversas patologias. • Ao prevenir a hipocalcémia sub-clínica são também prevenidos fenómenos de hipocalcémia clínica, deslocamento de abomaso, distócias, mastites e metrites. • É recomendada a análise regular dos níveis de cálcio a grupos de 12 vacas por exploração.

ruminantes Janeiro . fevereiro . março 2017 53


10 Dicas...

SAÚDE E BEM-ESTAR ANIMAL

DEMOCRATIZAÇÃO DA GENÉTICA Por Joana Diniz – Engª zootécnica – Sogenética - joanadinis.sogenetica@gmail.com Teresa Moreira – Médica. Veterinária – mtereza.mor@gmail.com

Á semelhança de muitas outras coisas, a genética está totalmente democratizada. Atualmente qualquer agricultor, em qualquer parte do mundo, tem acesso ao que na generalidade se chama “genética” de qualquer ponto do planeta. Vivemos no futuro… e é por essa razão que por vezes é bom retornarmos “à base”, revermos conceitos e utilizarmos o potencial da genética sempre no sentido positivo.

01 Conheça as suas vacas! Determine os pontos fracos e fortes dos animais. Ainda que a classificação dos animais seja feita de uma forma “mais caseira”, determinar 3 características positivas e 3 negativas das fêmeas da exploração é fundamental na hora de optar entre o sémen do touro A ou B.

02 Conheça os pais das suas vacas E, se não for pedir muito, a árvore genealógica dos animais. Esta é a única forma de não agravar a consanguinidade. Se tiver possibilidade, utilize um programa de emparelhamentos.

04

03 Defina objetivos Diz a sabedoria popular que é impossível termos o melhor de dois mundos. No entanto, a genética, se utilizada de forma correta, pode ser a exceção que confirma a regra!

05

Mantenha-se focado

A oferta é enorme e muito diversificada, e por vezes corre-se o risco de ficar “perdido” por excesso de informação. Não se afaste dos objetivos definidos, apenas desta forma é possível direcionar a genética da exploração para o fim pretendido.

06

Retorno do investimento da genética

A genética nunca será um gasto supérfluo, ou uma extravagância. Utilizada de forma correta é sempre um investimento garantido, e do qual depende todo o futuro da exploração. Boa genética não significa utilizar o sémen mais caro, mas aquele que permite de facto melhorar os animais da exploração.

54 Janeiro . fevereiro . março 2017 Ruminantes

Conjugue os objetivos da sua exploração com o que pede o mercado e encontre novas oportunidades

Gordura ou proteína? Qual tipo de proteína? O que são animais com genótipo AA ou BB? Não antevendo uma solução única para a crise do sector leiteiro, existem novos nichos de mercado que podem e devem ser trabalhados. Na Austrália, o leite A2 representa 10% do mercado atual e em média os produtores recebem o dobro por litro, relativamente ao leite convencional. Os animais com genótipo BB produzem leite com melhor rendimento para o fabrico de queijo, a título de exemplo das inúmeras possibilidades atuais.

07 O Ambiente A recria, a alimentação, as instalações e todos os fatores que podem ser incluídos no ambiente, condicionam a expressão dos genes, o que significa que o retorno do investimento em genética pode ser nulo se o maneio não for adequado.


SAÚDE E BEM-ESTAR ANIMAL

08

A democratização da genética passa igualmente por podermos decidir se queremos um macho ou uma fêmea O sémen sexado constitui um fantástico avanço, se não esquecermos os princípios básicos da sua utilização.

09

Para além da inseminação artificial

Existem novas técnicas que, podem e devem ser utilizadas, sem preconceitos. A utilização de touros genómicos, a genotipagem dos animais da vacaria, a transferência de embriões, a fertilização in vitro, permitem rapidamente transformar uma exploração ou mesmo toda uma região e disseminar a grande velocidade animais geneticamente superiores. A seleção genética permite aumentos importantes na quantidade e qualidade do leite e em conjunto com a genotipagem possibilita a identificação de animais portadores de genótipos específicos que melhorem características mais interessantes.

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E o futuro?

Clonagem? Será possível “encher uma vacaria” com cópias do nosso animal preferido? Acreditamos que é muito provável. Ainda assim, e apesar de todas as técnicas, estratégias, avanços..., as vacas hão-de sempre gostar de regressar ao campo, à pastagem e serem felizes!

SÉMEN SEXADO

ruminantes Janeiro . fevereiro . março 2017 55


SAÚDE E BEM-ESTAR ANIMAL

ruminantes saudáveis

George Stilwell Clínica das Espécies Pecuárias Faculdade de Medicina Veterinária – Universidade de Lisboa stilwell@fmv.ulisboa.pt

Porque não quero vacas obesas na minha exploração leiteira A vaca leiteira moderna é uma atleta de alta competição. Assim como aos nossos atletas olímpicos deveremos dar condições para que regressem das provas com medalhas, também para as vacas são exigidos certos requisitos para que possam cumprir o que a sua genética promete. Uma dessas exigências é uma alimentação rica, nutritiva e equilibrada. Só que sem exageros. É óbvio que um animal não tem capacidade para decidir quando é que a sua condição corporal está a ultrapassar o ideal. Nós próprios – animais conscientes e racionais – às vezes temos dificuldade em o fazer. No caso das vacas leiteiras a conjunção de quatro fatores podem levar a que essa condição corporal ultrapasse o desejável – alimento altamente energético na manjedoura, bom estado de saúde, enorme apetite e uma redução na produção diária de leite. Esta conjunção é especialmente frequente nas vacas no fim da lactação principalmente quando demoraram bastante tempo a ficar gestantes. É nesta altura que surgem as vacas

obesas. Aquelas que não se quer numa exploração bem gerida. Como dizia, a vaca leiteira é uma autêntica atleta de alta competição da pecuária. Esta constatação deve ser uma fonte de preocupações e cuidados já que corresponde a um constante estado de stress metabólico e a ameaças à saúde e bem-estar da vaca. Ela, como qualquer atleta, precisa de bons treinadores para cumprir e sobreviver. Uma das formas de mostrar o tipo de exigência de que estamos a falar é comparar com os desportistas humanos. Todos os organismos vivos têm as suas necessidades de manutenção em termos de energia. Esse valor (normalmente expresso em megajoules – MJ) é o que é preciso gastar para respirar, mover e garantir as restantes funções básicas. Depois temos as chamadas necessidades produtivas que são aquelas que o animal precisa para as funções que vão para além do “apenas” sobreviver. As exigências para estas atividades extras são normalmente expressas pela proporção acima das necessidades de manutenção. Por exemplo, para uma vaca leiteira com 650 kg as necessidades de manutenção são na ordem dos 66 MJ, mas as de produção (40 litros; 4% gordura) já são de 272 MJ, ou seja, 4 vezes as necessidades básicas. Agora comparemos isso com outros produtores ou atletas – uma galinha a produzir um ovo por dia gasta mais 1,74 MJ do que a manutenção e um ciclista na prova de montanha da Volta à França, cerca de 2,9 MJ a mais do que

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se estivesse em Paris a dormir a sesta. Nada que se compare com uma superprodutora de leite. Para manter este nível de gastos é óbvio que temos de proporcionar o combustível, o que normalmente o produtor consegue com o arraçoamento bem estudado. Mas o pior é quando as necessidades de manutenção adicionadas às da produção são bastantes inferiores ao que a vaca consome. Nestes casos o animal irá armazenar os excessos na forma de tecido adiposos (gordura) e temos então uma vaca obesa.

As vacas obesas são um problema? Porquê? Sabemos que para uma vaca Holstein a condição corporal ideal varia entre os 2,5 e os 3,75. Atenção: estes valores noutras raças ou em cruzamentos podem ser muito diferentes. O valor de 3,75 é aquele que se procura no momento da secagem e que deve ser mantido durante os 50 a 60 dias em que a vaca não está a produzir leite. Estar a “compor” a condição corporal durante a secagem é perigoso, caro e muitas vezes pouco exequível principalmente quando se têm parques com muitos animais. Assim, o objetivo será não deixar a vaca engordar no final da lactação. Para isso convém garantir que a vaca fique gestante num tempo relativamente


SAÚDE E BEM-ESTAR ANIMAL

curto após o parto (idealmente menos de 3 a 4 meses) e que a dieta seja adaptada às várias fases da lactação. Mas qual o problema de ter vacas mais gordinhas na manada? Os depósitos de gordura, não serão uma segurança para os momentos de maiores necessidades, como os que ocorrem no início da lactação? Nada mais errado. Vejamos porquê. As vacas gordas (acima dos tais 3,5 a 3,75): • Têm maiores dificuldades no parto, devido a acumulação de gordura em volta do canal obstétrico • Têm vitelos maiores e por isso mais predispostos a distócias. • Têm maior propensão a fazer lacerações vaginais e hemorragias no parto. • Pelos motivos que abaixo se irão descrever, há redução do apetite e da quantidade de matéria seca ingerida. • Há maior predisposição a fazer hipocalcémia, síndrome de vaca caída, cetose e fígado gordo. • Relacionado com os anteriores, existe maior grau de imunodepressão pósparto e menor fertilidade no ciclo seguinte (os metabolitos da gordura, como por exemplo os ácidos gordos mobilizados, afectam a qualidade dos oócitos e reduzem a viabilidade dos embriões. • O metabolismo da gordura leva a um stress oxidativo que conduz à morte celular. • As doenças infecciosas (por exemplo as mastites tóxicas) são mais frequentes e graves nas vacas obesas. A explicação para os efeitos negativos da acumulação de gordura, é bastante complexa e ainda mal definida em certos aspetos. No entanto convém apontar alguns fatores que estão por detrás de toda a cascata de acontecimentos que invariavelmente acabam por levar ao mau rendimento, à doença ou mesmo à morte, que caracteriza a vida das vacas obesas. Genética – há uma predisposição ainda pouco estudada, e que leva certas linhagens genéticas a engordar mais facilmente. Também essas linhagens apresentam maior facilidade em mobilizar energia do tecido adiposo, Tipo de gordura – a gordura visceral ocupa a cavidade abdominal e circunda os órgãos que aí se encontra. A gordura

subcutânea está essencialmente por debaixo da pele. A classificação que fazemos em vida da condição corporal apenas reflete a quantidade de gordura subcutânea. A visceral é praticamente “invisível”. Estes dois tipos de gordura são metabolizados a ritmos e formas diferentes. A gordura visceral parece estar mais relacionada com os problemas e doenças que acima se referiram, provavelmente devido à proximidade do fígado. “preguiça” – uma vaca muito pesada terá maiores dificuldades (vontade?) em se levantar e deslocar. Assim, quando o apetite não é muito (como, por exemplo, no pós-parto), a tendência é o animal ficar deitado em vez de se dirigir à manjedoura. começa-se a perceber atualmente que o tecido adiposo também tem uma ação hormonal. Ou seja, também produz substâncias que vão influenciar o metabolismo e comportamento dos animais. A leptina é uma dessas hormonas que é produzida pelos adipócitos (células da gordura). A leptina está envolvida no metabolismo da gordura favorecendo a sua mobilização ao mesmo tempo que reduz o apetite. Ou seja, quanto mais gordura existir mais leptina é produzida, mais gordura é mobilizada e menor é o apetite do animal. outras hormonas produzidas pela gordura visceral são hormonas pró-inflamatórias (interleuquinas) que promovem inflamação e bloqueiam a insulina1. Ou seja, vacas gordas fazem maiores e mais frequentes inflamações e por isso perdem o apetite mais facilmente.

O que podemos fazer? • Torna-se óbvio que o grande objectivo é conseguir que a vaca fique gestante dentro do prazo aceitável de forma a que não esteja a acumular energia, na forma de gordura, quando a produção de leite já não a exige. É por isso essencial ter um bom acompanhamento e monitorização dos indicies reprodutivos. • De seguida é preciso ter um arraçoamento adequando às várias fases do ciclo produtivo de forma

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a não estar a “alimentar” as reservas de gordura numa fase em que as necessidades são mais reduzidas. • Tradicionalmente sugere-se monitorizar a Condição Corporal ao longo da lactação. Assim evita-se os extremos e pode-se atuar mais atempadamente. No entanto, e como já vimos, a classificação da condição corporal pode não refletir o que realmente se passa com o animal (por exemplo, grande acumulação de gordura visceral) e, por outro lado, quando se identifica animais obesos já poderá ser tarde para inverter o processo. • É portanto mais lógico atuar sobre os fatores de risco alteráveis, nomeadamente: • evitar dietas demasiado ricas em energia no pré-parto já que estas: 1. vão reduzir a capacidade da insulina em inibir a mobilização de gordura. 2. vão favorecer e acelerar a mobilização pós-parto. 3. vão reduzir o apetite pós-parto 4. vão encher o abdómen de gordura, reduzindo o espaço para o rúmen encher.

conclusão Em conclusão podemos dizer que ter vacas obesas é um grande risco para a saúde e bem-estar dos animais e ainda para o rendimento da exploração. Uma vez detetada uma vaca obesa é muito difícil travar o processo e levá-la a perder peso (as vacas não são amigas de jogging). Assim, os grandes objetivos são: garantir lactações com o tempo adequado através de bons programas de monitorização reprodutiva e ter um programa nutricional adequado à produção e tempo de gestação dos animais. a insulina é uma hormona essencial para utilização da glucose pelas células. Não existindo ação da insulina, o organismo recorre a outras fontes de energia como a gordura.

(1)

Referências bibliográficas Não foram incluídas por uma questão de espaço editorial, mas o autor disponibiliza bastando enviar um email para stilwell@fmv.ulisboa.pt.

Nota O autor escreveu este artigo segundo o Antigo Acordo Ortográfico.


A inovação ao Seu serviço

www.lely.com

innovators in agriculture


produto

DAIRY XL

Princípios de uma exploração leiteira dade Lely O conceito da Lely para explorações com mais de 8XL robots ordenha.

Se

Vacinação

Tratamento de cascos 2

Desenhado em torno das 9 fases da vaca para gerir o seu ciclo de lactação.

POR Ivo Carregosa e Teresa Santos icarregosa@alteiros.pt

Diagnóstico de gestação

No verão de 2016, recebemos a visita de um consultor internacional do departamento Dairy XL da Lely. Nesta viagem foi incluída a visita a algumas explorações para partilha de experiências relacionadas com explorações de maior dimensão e procura de soluções cada vez mais adequadas às necessidades dos produtores envolvidos neste tipo de negócio em constante desenvolvimento.

Neste artigo iremos falar um pouco sobre o conceito Lely em explorações com mais de 8 robots de ordenha e alguns dos seus casos de sucesso.

A

AS VACAS NÃO TÊM TEMPO As vacas têm de produzir leite por isso deveríamos deixá-las à vontade para o fazer! As vacas devem permanecer nos seus grupos dedicados e temos de trabalhar em torno delas.

2 - Trabalhar em torno da vaca DXL15002-Dairy XL Principles bord-1189x841-JDV.indd 1

PRINCÍPIOS DAIRY XL O departamento Dairy XL da Lely procura a melhor forma de incorporar a automatização no negócio das grandes explorações leiteiras. Este conceito baseia-se nas nove intervenções realizadas na vaca para gerir o seu ciclo de lactação (secagem, tratamento das unhas 1 e 2, parto, recém-paridas, primeira ordenha, inseminação, diagnóstico de gestação e vacinação), e também em três princípios chave:

1 - A vaca não tem tempo

As vacas têm de produzir leite, por isso devem estar confortáveis para o fazer, enquanto permanecem no grupo que lhes é dedicado. Ao maximizarmos o tempo de produção, diminuímos o stress e aumentamos a longevidade dos animais.

O estábulo modelo que apresentamos é o mais indicado para vacas e pessoas (figura 1). Cada secção encontra-se focada para uma fase específica da gestão do ciclo de lactação da vaca. É criado um ambiente de trabalho agradável, que permite gerir e cuidar de cada animal de forma individual e aprazível. O modelo de estábulo Lely para explorações XL inclui 3 pavilhões distintos: dois focados para a ordenha e áreas de tratamento e o terceiro que

B

C

ORGANIZE A MÃO-DE-OBRA EM TORNO DA VACA O estábulo modelo é excelente para as vacas e as pessoas. Cada parte do desenho foca-se numa parte Figura 1 específica da gestão do ciclo de lactação da vaca. Modelo de estábulo Lely para Foi criado um ambiente de trabalho agradável, gerindo explorações XL. o rebanho e cuidando das vacas individualmente de forma aprazível.

funciona como estábulo de transição, que abrange as vacas secas, preparação para o parto, zona de parto sem stress e novilhas.

3 - Uma gestão focada aumenta a eficiência

Todas as principais atividades da exploração devem ter rotinas e procedimentos padronizados, no sentido de permitirem uma gestão eficaz de meios e pessoas. Tal eficácia origina uma produção de leite cada vez mais otimizada e maiores lucros para a exploração.

T4C O COMPLEMENTO PERFEITO Uma vacaria de grandes dimensões exige que cada interveniente na sua rotina diária compreenda as suas responsabilidades e as suas tarefas, de modo a conseguir executá-las o melhor possível. O programa de gestão Lely T4C permite concentrar a atenção nas vacas que realmente necessitam de supervisão, o que representa uma vantagem ainda maior em grandes efetivos. Com o T4C inHerd poderá visualizar todas as funções do T4C sem necessitar de se dirigir ao computador, usando para isso um

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O FOCO Rotinas e padrão p aos gesto Rotinas d originam os lucros


produto

Figura 2 Verificar, atuar e melhorar com o T4C (inHerd).

smartphone. Esta forma de gestão à distância pode ser também utilizada pelos consultores das explorações (por exemplo, nutricionistas e/ ou veterinários), mediante autorização, o que é vantajoso para o acompanhamento diário das questões mais importantes e da resolução rápida de eventuais problemas (figura 2).

EXEMPLOS DE SUCESSO Ganaderia Etxeberri

Landrynoise, St.-Albert

Osterland Agrar GmbH

Navarra, Spain

Quebec, Canadá

Frohburg, Alemanha

No ano 2000, a Ganaderia Etxeberri arrancou com quatro robots Lely Astronaut A2 e mais tarde, em 2005, foram colocados mais dois de modelo semelhante. Quatro anos depois, a exploração mudou para o modelo A3 Next e em 2011 foi instalado o oitavo e último robot. Esta exploração tem cerca de 580 animais e emprega 14 funcionários.

A exploração Landrynoise foi criada em 1960 e é neste momento gerida pelos irmãos Landry, que a transpuseram para uma automatização em grande escala. A principal razão deste investimento foi o aumento do número de ordenhas diárias, a flexibilidade e a diminuição da dependência de mão-de-obra externa. Esta exploração tem um efetivo de 1.100 vacas ordenhadas por 19 robots Lely Astronaut, tendo sido instalados os primeiros robots em 2003.

Esta exploração com cerca de 2.500 vacas, é a maior empresa do mundo com ordenha robotizada, com 44 robots Lely Astronaut, distribuídos por seis pavilhões distintos. O último robot foi instalado em 2015, sendo que o conceito Dairy XL da Lely juntamente com a boa experiência com a marca foram questões decisivas na escolha.

Agrargesellschaft Ruppendorf AG

AS Peetri Põld ja Piim

Ruppendorf, Alemanha

Peetri, Estónia

Esta exploração, construída no período da antiga Alemanha de Leste, pode parecer um pouco ultrapassada à primeira vista. No entanto, o seu interior, revela a mais alta tecnologia com 21 robots de ordenha Lely Astronaut. A decisão de optar pela Lely caiu sobre os vastos anos de experiência da empresa e sobre o seu sistema de comprovada confiança. O primeiro robot foi instalado em 2012 e a este seguiram-se mais vinte, no sentido de garantir a ordenha a cerca de 1.100 animais.

A exploração Peetri foi construída em 2012 e é composta por 3 estábulos distintos. Cada estábulo tem capacidade para um máximo de 500 vacas e está dividido em 4 grupos. Existem dois robots Lely Astronaut A4 por cada lote de vacas. No estábulo central encontrase a recria e as vacas secas, enquanto que nos restantes ficam as produtoras. O efetivo tem cerca de 2.000 animais e para a ordenha existem 17 robots Lely Astronaut.

CONCLUSÃO A experiência de mais de 20 anos com produtores de leite permitiu à Lely aperfeiçoar e orientar estratégias, no sentido de conectar pessoas, animais e tecnologia. Este sucesso tem como base a confiança que lhe é depositada em todo o mundo, sejam negócios de pequena, média ou grande dimensão. A Lely oferece um sistema de produção de leite perfeitamente equilibrado em torno da ordenha robotizada e da rotina diária das explorações. A adaptação por completo às necessidades de gestão e maneio pode ser uma realidade, quando simplificamos o trabalho do produtor e o tráfego das vacas.

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PUBLIREPORTAGEM KWS

“FEED BEET” a nova beterraba forrageira para a alimentação animal A FEED BEET AUMENTA A RENTABILIDADE E A SUSTENTABILIDADE DA PECUÁRIA NACIONAL

• A beterraba deve usar-se para substituir a componente energética equivalente que é veiculada através dos concentrados e dos cereais e não para substituir a energia fornecida pelas forragens, nomeadamente a silagem de milho.

Sabia que a beterraba é a cultura forrageira com a maior produção em termos de Matéria-Seca por hectare (MS/ha) e de Energia /ha nos regadios de Portugal? A energia para lactação e para carne contida num hectare de beterraba (100 t/ha) equivale a 26.000 kg de cevada, cerca de 4.500 € aos preços de hoje. Uma regra muito simples é considerarmos que 4 kg de beterraba fresca equivalem a 1 kg de grão de cereal.

A beterraba pode ser pastoreada diretamente por vacas, ovelhas, cabras e até porcos em extensivo. Existem variedades específicas destinadas ao pastoreio direto. Trata-se de variedades que foram desenvolvidas para sobressair mais do solo e assim serem melhor aproveitadas pelos animais. Para isto deve usar-se um “pastor eléctrico” ou controlar o tempo de alimentação dos animais.

FEED BEET As suas características nutricionais básicas • Enquanto nos cereais a Energia procede do Amido, na beterraba ela provém do Açúcar. Ambas se equivalem mas a energia proveniente do açúcar é digerida e assimilada mais rapidamente. • A beterraba tem melhores teores em Cálcio, Sódio, Potássio e Magnésio, mas é mais baixa em Fósforo. • Ao não conter Lignina, a qualidade da sua Fibra é excelente e a sua Digestibilidade também é muito elevada. • Em dietas com altas quantidades de concentrados a beterraba melhora a qualidade destas pois aumenta o seu conteúdo em fibra de alta qualidade. • A beterraba melhora a palatabilidade geral das dietas seja pela sua palatibilidade natural seja por aumentar o teor de humidade natural da comida no caso da sua utilização em fresco

A FEED BEET como forragem em pastoreio direto

A FEED BEET como beterraba em fresco A sul de Lisboa e no Alentejo, a beterraba pode ser semeada desde outubro até março. No norte e no centro de Portugal é preferível fazer a sementeira entre fevereiro e março. As sementeiras de primavera permitem que se faça arranques

Consultor Feed Beet: José Caiado, DVM: 912 790 694 62 Janeiro . fevereiro . março 2017 Ruminantes

escalonados entre outubro e março dispondo assim de beterraba fresca ou em pastoreio direto durante todo o inverno. No caso das sementeiras de outono estas devem arrancar-se ao longo do verão sendo que a sua conservação em fresco em monte é naturalmente mais problemática. Neste caso a beterraba pode ser ensilada e assim manter a sua conservação ao longo do tempo.

A FEED BEET como beterraba ensilada A beterraba forrageira ensilada conserva todas as suas propriedades, embora para isso se atender ao seguinte: • Se a beterraba tem mais de 5% de terra é necessário lavá-la, já que a terra nos vai afetar a qualidade e a sanidade da silagem , exatamente da forma que afeta qualquer outra forragem. • A beterraba tem uma MS entre 23% e 25%. Caso seja semi-forrageira tem cerca de 16 %. Portanto é necessário subir a sua MS na silagem até cerca de 30 a 33%, para evitar perdas pelos efluentes que se produzem poucas horas depois de se ter picado a beterraba para a ensilar. • Para atingir o nível ótimo de MS da silagem de beterraba, podemos misturar a beterraba com outros produtos mais secos como por exemplo: polpa de beterraba em pellets, destilados secos de cereais (DDG´s), casca de soja, palha picada de cereais, farelo de trigo, etc.


KWS, FEED BEET a nova beterraba forrageira para a alimentação animal

A FEED BEET AUMENTA A RENTABILIDADE E A SUSTENTABILIDADE DA PECUÁRIA NACIONAL que a beterraba é a cultura forrageira com a maior produção em termos OSabia MERCADO GLOBAL de Matéria-Seca por Hectare (MS/ha) e de Energia DA /Ha nos regadios de Portugal? A energia para lactação e para carne contida num hectare de beterraba (100 t/ha) equivale a 26 000 kg de cevada, cerca de 4500 € aos CARNE EM preços de hoje. Uma regra2017: muito simplesALEGRAM-SE é considerarmos que 4 kg de beterraba fresca equivalem a 1 kg de grão de cereal. OS CONSUMIDORES Culturas irrigadas

t/ha

MS %

Prot %

ENL

MJ/kgMS

MS kg/ha

Prot kg/ha

ENL MJ/ha

O novo ano trará bem como as incertezas Milho 60 os 32,5 7,6 6,44 19toca 500 às 4 560 125 580 boas notícias para no que trocas forrageiro consumidores de carne comerciais com países como Aveia 20 27,0 5,65 5 400 2 040 30 510 os forrageira quais, de acordo com 10,2 a China e o México, podem as recentes previsões revelar-se um obstáculo à Beterraba 100 24,0 6,2 8,01 24 000da 6produção. 200 192 240 doFeed holandês Rabobank, expansão Beet poderão beneficiar com E se os consumidores a tendência da descida parecem ter motivo de FEED BEETdeste – AS SUAS NUTRICIONAIS BÁSICAS de preços bemCARACTERÍSTICAS a regozijo no ano que Enquanto nos cereais a Energia procede do Amido, na nívelprovém global. Para essa agora se inicia, a beterraba pressãoela do Açúcar. Ambas se equivalem mas a energia proveniente do conjuntura contribuirá a intensifica-se do lado dos açúcar é digerida e assimilada mais rápidamente. elevada oferta antevista os quais terão A beterraba tem melhores teores em produtores, Cálcio, Sódio, Potássio e Magnésio, é mais baixa em Fósforo. paramas 2017, associada a uma de se esforçar por conservar Ao não competitividade conter Lignina, a qualidade da suas sua Fibra é excelente e a sua crescente e as margens de lucro. Digestibilidade também é muito elevada. complexidade do mercado. Numa realidade em que Em dietas com altas quantidades de concentrados a beterraba melhora a No panorama internacional, conceitos como a utilização qualidade destas pois aumenta o seu conteúdo em fibra de alta qualidade. as previsões degeral antimicrobianos a sua A beterraba apontam melhora a palatabilidade das dietas seja epela natural seja por aumentar o teor de natural da parapalatibilidade uma continuada emissão dehumidade gases de estufa comida no caso da sua utilização em fresco hegemonia da China se tornam indissociáveis A beterraba deve usar-se para substituir a componente energética enquanto importador de através dos daconcentrados produçãoepecuária, equivalente que é veiculada dos cereais bem e não para energia fornecida como pelas forragens, nomeadamente carne desubstituir porco, acujos valores do vocabulário dos a silagem de milho.. históricos atingidos em 2016 consumidores, focar-se deverão manter-se ao longo nestas problemáticas poderá A FEED BEET COMO FORRAGEM EM PASTOREIO DIRECTO deste ano. Boas notícias ser uma oportunidade a para a UE e para os Estados agarrar pelo sector primário. Unidos, os principais Face às características fornecedores de carne de do mercado atual, no porco do mercado asiático, qual a descoberta de no qual são igualmente fatores de diferenciação esperados grandes volumes é cada vez mais rara, de importações de carne de encontrar uma solução bovino e aves. As previsões de compromisso entre as de aumento de produção recentes preocupações nos EUA, no entanto, são dos consumidores e a algo ensombradas pela otimização da produção será realidade atualmente vivida certamente um ingredienteno país: a força do dólar, chave para o sucesso. 

A beterraba pode ser pastoreada directamente por vacas, ovelhas, cabras e até porcos em extensivo. Existem variedades específicas destinadas ao pastoreio directo. Trata-se de variedades que foram desenvolvidas para sobressair mais do solo e assim serem melhor aproveitadas pelos animais. Para isto debe usar-se um “pastor eléctrico” ou controlar o tempo de alimentação dos animais. .

atualidades

A FEED BEET COMO BETERRABA EM FRESCO A sul de Lisboa e no Alentejo, a beterraba pode ser semeada desde Outubro até Março. No Norte e no Centro de Portugal é preferível fazer a sementeira entre Fevereiro e Março.

EXCESSO DE NITRATOS LEVA AO REFUGO MASSIVO NO As sementeiras de primavera permitem que se faça arranques escalonados entre Outubro e Março dispondo assim de beterraba fresca ou em pastoreio directoSECTOR durante todo o inverno.LEITEIRO HOLANDÊS O governo holandês estará a planear o refugo de 175 000 vacas leiteiras, o que equivalerá a um corte na produção leiteira do país de 750 000 toneladas. Esta redução de 11% no efetivo nacional surge na consequência dos níveis de nitratos terem excedido o limite máximo estabelecido pela Diretiva dos Nitratos da UE, criada em 1991, e cujo objetivo é a proteção da qualidade das águas a nível europeu, evitando a sua poluição pelos nitratos de origem agrícola. Caso não proceda à redução dos valores de nitratos estimados, este estado membro poderá ser alvo de pesadas coimas, facto que levou o governo a entregar No caso das sementeiras de outono estas devem arrancar-se ao longo do a proposta de refugo massivo à Comissão Europeia, verão sendo que a sua conservação em fresco em monte é naturalmente a qual inclui um pacote de ajuda produtores mais problemática. Neste caso a beterraba pode seraos ensilada e assim manter a sua conservação longo tempo. de euros. estimado ao em 50domilhões Espera-se que esta redução no efetivo holandês não A FEED BEET COMO BETERRABA ENSILADA passe despercebida no resto do continente, e poderá A beterraba forrageira ensilada conserva todas as suas propriedades, impulsionar os preços do leite na UE. Entre abril e embora para isso se atender ao seguinte: agosto de 2016, as entregas de leite na UE25 caíram 6.3%, tendo sido esta quebra de apenas 1.33% nos Países Baixos, fruto dos investimentos nacionais na indústria leiteira. De facto, os elevados volumes de produção holandeses e irlandeses são tidos como elementos-chave na génese da recente crise leiteira, a pior dos últimos 30 anos. Dada a sua magnitude, a proposta de refugo terá certamente repercussões a nível da produção leiteira do país, as quais dependerão da abordagem levada a cabo pelo sector, refere Luke Crossman, analista da AHDB Dairy do Reino Unido. Esta é uma questão sensível, já que os interesses holandeses e da Comissão Europeia poderão colidir: enquanto o governo holandês terá interesse em suavizar a implementação Se desta a beterraba tem mais de 5% de terra é necessário lavá-la,por já que a terra medida através da sua distribuição um nos vai afectar a qualidade e a sanidade da silagem , exactamente da período mais alargado de tempo, a Comissão inclinarforma que afecta qualquer outra forragem. se-á certamente para23% uma implementação célere tem e A beterraba tem uma MS entre e 25%. Caso seja semi-forrageira cerca de 16 %. Portanto é necessário subir a sua MS na silagem até cerca pungente.

de 30 a 33%, para evitar perdas pelos efluentes que se produzem poucas horas depois de se ter picado a beterraba para a ensilar.

Para atingir o nível óptimo de MS da silagem de beterraba, podemos misturar a beterraba com outros productos mais secos como por exemplo: polpa de beterraba em pelets, destilados secos de cereais( DDG´s), casca de soja, palha picada de cereais, farelo de trigo, etc.

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SEMEANDO O FUTURO DESDE 1856

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novidades de produto

NOVIDADES DE PRODUTO

EUROTIER 2016 Se está convencido que já foi tudo inventado, reserve uns dias em novembro de 2018 para visitar a EuroTier, em Hannover, Alemanha. Com 163 mil visitantes na edição de 2016 (36 mil estrangeiros) e mais de 2.600 expositores, a EuroTier é a feira líder na Europa para o sector pecuário. Aos visitantes, além de proporcionar a oportunidade de contactar com o que de mais recente existe em tecnologia, oferece ainda a possibilidade de assistir a inúmeras palestras, pequenos workshops e uma saudável troca de informações entre agricultores e técnicos das mais variadas origens. Para quem vai de Portugal até Hannover, a Eurotier é a prova de que afinal o coração da pecuária continua a bater a bom ritmo. Este ano, na EuroTier, uma área-chave de desenvolvimento foram as tecnologias da criação de vitelos e da ordenha. Foram desenvolvidas algumas soluções muito inovadoras no crescimento dos vitelos, que permitem preservar melhor os componentes essenciais do leite ao mesmo tempo que otimizam a higiene, promovendo a saúde e a gestão dos animais individuais e melhorando o bem-estar dos vitelos e das novilhas. Para além disso, torna-se cada vez mais importante recolher e fazer um uso holístico dos dados ao longo de todo o ciclo de vida útil dos animais incluindo, por exemplo, dados relacionados com a identificação dos animais, dados de sensores sobre o comportamento e/ou monitorização da saúde e a localização dos animais quer no interior, quer no exterior das instalações. A “visualização” das necessidades dos vitelos é claramente prioritária e está refletida em várias soluções inovadoras. Mais inovações foram apresentadas no que respeita ao tópico da água, quer para a água de beber, como por exemplo monitorização contínua da qualidade da água e alertas em caso de falta de água, quer para a água utilizada na limpeza e desinfeção, como por exemplo análise automática dos processos de limpeza e soluções que facilitam a limpeza. Uma outra tendência diz respeito à área das técnicas de sensores precisos para a monitorização contínua da qualidade do ar. Mostramos-lhe aqui algumas das novidades apresentadas na Eurotier.

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DeLaval Cleaning Analysis – DCA DeLaval International AB, Tumba, Suécia

DeLaval Cleaning Analysis (DCA) é uma nova ferramenta de engenharia de sistemas totalmente automática, que permite que a eficácia e eficiência dos processos de limpeza térmica e mecânica dos sistemas de ordenha sejam monitorizadas e medidas com base num algoritmo próprio (patente pendente). Os dados recolhidos permitem que os níveis de vácuo, volumes de água e concentrações da solução de limpeza sejam ajustados de forma individual e otimizada para garantir que cada sistema de ordenha é corretamente limpo. A monitorização precisa do desempenho de limpeza pode ajudar a prevenir o aumento das contagens microbianas no leite fornecido. Isso por sua vez ajuda a manter a qualidade do leite consistentemente elevada e previne reduções forçadas dos preços em caso de inconformidade com os limites. Veja mais informação www.delavalcorporate.com

H2O Alert BeKoSENSE, Genderen, Países Baixos

O monitor da qualidade da água H2O Alert apresenta sensores que permitem que a qualidade da água de beber dos animais seja constantemente monitorizada. O sistema de monitorização é ligado a uma app que transfere os dados para sistemas móveis em tempo real e aciona alarmes quando necessário. Os valores medidos, os resultados das análises da qualidade da água e as temperaturas da água de limpeza em sistemas de ordenha (tanques e linhas de leite) são também continuamente armazenados e documentados. Isso assegura que os agricultores têm acesso constante a dados relevantes para análise dos seus negócios e documentação de conformidade ao longo de toda a cadeia de produção.

Veja mais informação www.bekosense.com


novidades de produto

Tapetes TARSA para vacas Gummiwerk KRAIBURG Elastik GmbH & Co. KG, Tittmoning, Alemanha

Os tapetes TARSA para vacas na zona de conforto, desenvolvidos pela Gummiwerk KRAIBURG Elastik, consistem em três camadas feitas de diferentes compostos de borracha e espuma e incluem zonas com diferentes graus de suavidade. Uma inovação particularmente notável é a zona társica totalmente redesenhada na parte traseira dos tapetes, que é formada por segmentos semi-esféricos ocos feitos a partir de borracha virgem de alta qualidade para fornecer mais elasticidade e flexibilidade. O material foi especialmente concebido para uma excelente durabilidade. A estrutura única dos tapetes assegura também que o máximo de material de cama possível fica retido na zona társica, onde produz boas propriedades de secagem. As vacas conseguem descansar as suas articulações társicas com o mínimo de pressão, enquanto os sulcos do tapete, que permanecem cheios de material de cama, fornecem ventilação. Veja mais informação www.kraiburg-elastik.com Veja mais informação www.smartbow.at

Eartag LIFE Smartbow GmbH, Weibern, Áustria

Eartag LIFE é um sistema de marcas auriculares para bovinos, que também pode ser utilizado para fins de identificação oficial dos animais, localização em tempo real e monitorização da saúde dos animais. As marcas auriculares leves podem ser utilizadas nos vitelos desde o seu nascimento, permitindo que os dados sejam, pela primeira vez, recolhidos ao longo de todo o ciclo de vida dos animais, facilmente, desde

o nascimento até ao abate. Os animais individuais podem ser localizados através de LEDs integrados, mesmo quando façam parte de grupos maiores, quer no interior, quer no exterior. O sistema poupa tempo aos criadores no que respeita a monitorização de comportamentos, tarefas gerais de criação animal e garantia da qualidade, fornecendo por isso benefícios em todo o espectro das operações de criação de bovinos.

CLIP-ON AKROH Industries B.V., Zwolle, Países Baixos

Os números de identificação do CLIP-ON da AKROH Industries fazem com que seja significativamente mais fácil colocar, alterar, substituir ou remover os números de identificação visual das coleiras das vacas. Isso resulta em menor stress para os animais, uma vez que pode até nem ser necessário prender as vacas para assegurar que mantêm a cabeça quieta. Os benefícios para os utilizadores incluem menor esforço e tempo, assim como a opção adicional de incluir facilmente códigos de cor na identificação visual. Veja mais informação www.akroh.com

Spray para proteção da pele Repiderma

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• Forte adesão. Não escorre. • Minerais micronizados. Óptima absorção. • Para uso externo. • Para todas as espécies.

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IV - Inovação na Pecuária, Lda | M: 913 839 642 | E-mail: geral@iverde.pt | www.intracare.nl

ruminantes Janeiro . fevereiro . março 2017 65


novidades de produto

Wicky WASSERBAUER GmbH Fütterungssysteme, Waldneukirchen, Áustria

CUDDLE BOX

A cobertura de silagem Wicky, desenvolvida pela Wasserbauer GmbH, apresenta uma nova abordagem para enrolar automaticamente as películas de cobertura em silos móveis, mesmo com películas de diferentes formatos e tamanhos. Esta nova solução minimiza o risco de queda de pessoas nas extremidades do silo, uma vez que as redes, sacos de areia e outros objetos colocados sobre as películas de cobertura podem ser removidos muito antes. Para além disso, ajuda a manter a elevada qualidade da silagem ao prevenir problemas como o aquecimento secundário superficial ou aves a alimentarem-se da silagem. Outras características notáveis incluem um telecomando para ativação e controlo do motor a bateria e a capacidade de utilizar películas de silagem convencional sem necessidade de qualquer adaptação especial ao sistema Wicky.

SPINDER B.V., Harkema, Países Baixos

A CUDDLE BOX da Spinder fornece um sistema que garante um acesso fácil e seguro entre as vacas progenitoras e os seus vitelos, bem como entre os criadores de gado e as vacas progenitoras, de forma a otimizar o bem-estar dos vitelos recém-nascidos. A secção frontal da CUDDLE BOX inclui uma caixa de plástico, na qual os vitelos recém-nascidos podem ser mantidos seguros e limpos, permitindo ao mesmo tempo que as vacas tenham acesso aos seus vitelos através das grades para a cabeça. Os criadores também conseguem aceder e até ordenhar as vacas dentro da CUDDLE BOX, de forma fácil e segura.

Veja mais informação www.spinder.nl

Smart Calf System

Veja mais informação www.wasserbauer.at

Förster-Technik, Engen, Alemanha

O sistema Smart Calf System da Förster-Technik oferece uma gama abrangente de módulos para a monitorização de vitelos, quer de forma contínua ao longo do dia, quer diretamente quando ingerem leite ou água. O Smart Calf System recolhe dados importantes para a monitorização da saúde dos vitelos diretamente a partir dos animais, incluindo dados sobre a atividade e comportamento de embate dos vitelos nos tetos. Pela primeira vez, o sistema incorpora um módulo de fluxo de trabalho com indicador LED na fita de pescoço Smart Neckband, o que facilita a rápida localização dos animais para a monitorização. As ações realizadas com os vitelos podem então ser confirmadas, utilizando um interruptor resistente diretamente na Smart Neckband, e enviadas para o sistema de gestão de nível superior. Veja mais informação www.foerster-technik.de

66 Janeiro . fevereiro . março 2017 Ruminantes


novidades de produto

READY to Feed Optical Mix Control Bernard van Lengerich Maschinenfabrik GmbH & Co. KG, Emsbüren, Alemanha

Milchtaxi 4.0 (Táxi do Leite) Holm & Laue GmbH & Co. KG, Westerrönfeld, Alemanha

O Milchtaxi 4.0 da Holm & Laue permite, pela primeira vez, que os vitelos sejam alimentados de acordo com curvas de alimentação adequadas à idade, mesmo que os vitelos estejam alojados em estábulos individuais. O número de cada estábulo é automaticamente reconhecido através de Smart IDs e os vitelos são então alimentados com leite de acordo com as suas curvas de alimentação individuais, bastando para isso pressionar um botão. O Milchtaxi 4.0 transmite o seu atual estado operacional, ou seja, nível de enchimento e temperatura do recipiente de leite e processos em curso como aquecimento e pasteurização, ao computador da exploração através da app CalfGuide baseada em Wi-Fi, para a manutenção de registos completos.

Veja mais informação www.holm-laue.de

VISIOMIX Dinamica Generale S.p.A., Poggio Rusco (MN), Itália

O VISIOMIX da Dinamica Generale é um sistema que trabalha com tecnologias de análise e processamento de imagens assistidas por computador para registar e avaliar alterações estruturais nas misturas de ração dentro dos reboques misturadores de ração TMR, em tempo real, durante o processo de mistura. Assim, o novo sistema VISIOMIX permite que as alterações estruturais indesejadas

sejam identificadas durante o processo de mistura, permitindo que os utilizadores reajam ajustando a duração do processo de mistura ou adicionando mais componentes estruturais à ração.

Veja mais informação www.dinamicagenerale.com

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O V-READY to Feed Optical Mix Control da Bernard van Lengerich é um sistema de medição óptica que emprega tecnologia de análise e processamento de imagens assistida por computador para avaliar a homogeneidade das misturas de ração nas misturadoras de ração TMR durante o processo de mistura, com os resultados visualmente apresentados aos utilizadores através de um sistema de “semáforo”. Este novo sistema dá aos utilizadores uma indicação da homogeneidade

das misturas de ração em tempo real durante o processo de mistura, o que permite normalizar e otimizar de forma objetiva os tempos de mistura e a qualidade. Isso por sua vez evita a seleção da ração pelas vacas, reduz as alterações indesejadas na estrutura da ração causadas pelo processo de mistura e minimiza o consumo de energia..

Veja mais informação www.bvl-group.de


novidades de produto

Pistola EASY!Force para lavadoras de alta pressão de água quente e fria Alfred Kärcher Vertriebs GmbH, Winnenden, Alemanha

Ao utilizar a pistola de limpeza de alta pressão EASY!Force, a palma da mão pressiona o gatilho na direção da pega da pistola para ativar o fluxo de água. Assim que a alavanca de segurança da pistola EASY!Force é libertada, a força da mão e do dedo apenas é necessária brevemente para operar a pistola. Isso reduz a fadiga e o risco de lesão durante aplicações prolongadas.

Veja mais informação www.kaercher.de

Triomatic T40 com novo sistema de corte Trioliet B.V., Oldenzaal, Países Baixos

A Trioliet B.V. desenvolveu um novo sistema de corte pioneiro com lâminas de corte rotativas para utilizar na remoção de silagem. Combinado com a Nova Edição do Triomatic T40, este sistema permite remover a forragem de fardos ou blocos de silagem com a mínima libertação de resíduo de silagem, para assegurar que as perdas de qualidade devido a aquecimento secundário são minimizadas. Para além disso, o sistema mantém em grande medida a estrutura da forragem removida e permite que a forragem seja removida com maior precisão num intervalo de +/- 2 kg. A Trioliet indica os baixos requisitos de manutenção e energia como benefícios adicionais do seu produto inovador.

Veja mais informação www.vvm-techtrade.de

ruminantes Janeiro . fevereiro . março 2017 69


novidades de produto

Novo sistema de cobertura da carga da Joskin Os reboques para silagem da linha Silo-Pace podem agora dispor de um novo sistema para cobertura da carga. Este sistema Dual-Cover é constituído por duas redes que se sobrepõem. Fixadas nas laterais do compartimento de carga, as redes perfazem uma rotação de 270° para permitir a operação de enchimento do reboque, e são acionadas por comando hidráulico a partir da cabine do trator. Esta cobertura pode também ser aplicada nos reboques monocoque da linha Drakkar.

Novo pulverizador Kuhn Lexis rebocado A Kuhn lançou o novo pulverizador rebocado Lexis, que em termos de especificações se situa na sua gama abaixo das linhas Metris e Oceanis. As barras em alumínio, mais leves do que as barras em aço, tornam este pulverizador mais ligeiro, o que contribui para proteger a estrutura do solo ao trabalhar em zonas mais alagadas. Além disso, é um material mais resistente ao contacto com os produtos químicos, o que aponta para uma mais longa vida útil.

QuattroLink da Kverneland gadanheiras com suspensão As gadanheiras condicionadoras da Kverneland passam a estar disponíveis com um inovador conceito de suspensão inspirado nos automóveis de competição. Através da tecnologia QuattroLink, a secção de corte está ligada a um braço de transporte por via de quatro braços que a mantêm suspensa e em modo flutuante. Este conceito de suspensão apresenta um curso total de 700 mm e permite não só manter constante a pressão sobre o solo, mas também uma constante adaptação aos contornos do terreno, o que aponta para a possibilidade

de gadanhar a velocidades de avanço mais altas. A pensar num armazenamento seguro e que não ocupe muito espaço, possui um apoio para ficar parqueada na vertical. É também na vertical que esta alfaia é deslocada em modo de transporte, permitindo desta forma uma melhor distribuição de peso. No modelo 3336 MT Vario, com uma unidade de corte, a largura de trabalho é de 3,60 m. No modelo 53100 MT Vario, com duas unidades de corte, e destinada a trabalhar em conjunto com uma gadanheira frontal, a largura de trabalho pode atingir os 10,20 m.

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As barras podem ir dos 18 aos 24 m e estão equipadas com o sistema de suspensão Trapezia (de molas) ou Equilibra (molas pendulares independentes em cada um dos lados). O depósito tem capacidade para 3000 litros, e um desenho que proporciona um baixo centro de gravidade e uma boa estabilidade independentemente do nível de carga. A largura de via é ajustável dos 1,5 aos 2,25 m, e o peso em vazio com uma barra de 24 m é de 2054 kg.


produto

O que se ganha com uma sala de ordenha nova Vale a pena investir numa sala de ordenha nova? Fomos a Fradelos, em Famalicão, falar com Jorge Azevedo, gerente da empresa Aromas da Planície, sobre os resultados do investimento numa nova sala de ordenha. POR RUMINANTES

“Nunca pensei ter este nível de resultados, estão muito acima das minhas expetativas iniciais quando planeei este investimento.” neste estábulo introduzimos as boxes de alimentação para poder suplementar as vacas que estão com produções elevadas, o espaço por vaca aumentou e a qualidade das camas subiu bastante. Nas antigas instalações, alimentávamos as vacas na sala de ordenha. A qualidade do leite melhorou, mas relaciono mais essa melhoria com as boxes de alimentação e com o facto de a ração ser distribuída ao longo do dia em vez de duas vezes por dia”. Há cerca de ano e meio, Jorge Azevedo decidiu investir na aquisição de um estábulo e uma sala de ordenha novos. A antiguidade das instalações e do equipamento foram as razões de peso que levaram o gerente da exploração de vacas leiteiras Aromas da Planície a tomar a decisão de avançar com o investimento. A sala de ordenha que tiveram durante os últimos 20 anos era em espinha, de 6 vasos para 12 animais. Enquanto 6 vacas eram lavadas, 6 eram ordenhadas. “Tivemos esta ordenha vinte anos e nos últimos tempos eram necessárias 2h30m para ordenhar os 90 animais”, contou-nos Jorge Azevedo. A nova sala de ordenha é uma GEA em espinha a ordenhar por trás, com 20 pontos (imagem 1). O novo estábulo, conta-nos, “tem um parque de espera com um tocador das vacas, o que facilita muito a entrada dos animais na ordenha.

Imagem 1 Nova sala de ordenha GEA.

Com este sistema demoramos 1h15m a ordenhar 100 animais. Tem também retiradores automáticos que representam uma maior comodidade para nós e para os animais”.

Resultados

Acerca dos resultados deste investimento, Jorge Azevedo não tem dúvidas: “Podemos dizer que houve um aumento quase imediato da produção média do estábulo de 29 para os 34 litros vaca dia. As vacas que já pariram nas novas instalações aumentaram muito a sua produção média com um consumo inferior de ração. Convém dizer que

72 Janeiro . fevereiro . março 2017 Ruminantes

Mas para o gerente desta exploração, os ganhos foram em muitas frentes: agora precisa de menos pessoas para realizar a ordenha e o tempo de trabalho é claramente inferior, para além de terem reduzido muito a incidência de mamites: “Diminuímos muito o nível de mamites, antes tínhamos 5 a 7% das vacas com mamites e agora ordenhamos 105 vacas e não temos nenhuma. Nesta sala consigo ver a vacaria toda; deteto com mais facilidade os cios porque o registo de dados desta sala permite medir a condutividade eléctrica do leite e existem alertas para as vacas que diminuíram a produção de leite e que têm mamites”. Acrescenta: “Melhorei os resultados significativamente, tenho mais qualidade de vida e sinto o negócio muito mais controlado. Posso não assistir a uma ordenha, mas quando regresso à exploração e vejo os dados recolhidos consigo perceber o que se passou.”


Não deixe de...

FEIRAS Salon International de l´Agriculture 25 fevereiro a 5 março 2017 Paris - França www.salon-agriculture.com

formação SERBUVET organiza 3º Encontro Técnico de Produção de Leite 17 de fevereiro Hotel Tryp Lisboa Aeroporto

FIGAN 28 a 31 de março 2017 Saragoça - Espanha www.feriazaragoza.com/fima_agricola.aspx

Irá realizar-se no próximo dia 17 de fevereiro, o 3º Encontro Técnico de Produção de Leite, promovido pela SERBUVET. No Hotel Tryp Lisboa Aeroporto, onde este evento terá lugar, contará com várias palestras de cariz técnico dedicadas aos seguintes temas: Produção e utilização de silagem de luzerna, Atualizações sobre Técnica de Inseminação Artificial, Objetivos Reprodutivos, Hipocalcémia, entre outras. Haverá ainda uma Mesa Redonda sobre o futuro da produção de leite nacional, com representantes continentais e açorianos, do lado da produção, da indústria e do sector político. Espera-se que, tal como em anos anteriores, a formação e discussão de questões relevantes para a sustentabilidade do sector leiteiro em Portugal sejam ainda o ponto de partida para o encontro e convívio de colegas e amigos. Mais informações: Para fazer parte do Encontro como participante individual ou como empresa patrocinadora contacte a Serbuvet. E-mail: serbuvet@gmail.com / Telefone: 961 061 464.

Salon de l’herbe 31 maio a 1 junho 2017 Villefranche d’Allier – França www.salonherbe.com

SPACE 12 a 15 setembro 2017 Rennes – França www.space.fr

World Dairy Expo
“Designer Dairy” 3 a 7 outubro de 2017 Madison - USA www.worlddairyexpo.com

SOMMET DE L’ÉLEVAGE 4 a 6 outubro 2017 Clermont-Ferrand – França www.sommet-elevage.fr

9as Jornadas do Hospital Veterinário Muralha de Évora 10 e 11 de Março Évorahotel, Évora A nona edição das Jornadas do Hospital Veterinário Muralha de Évora (HVME) irá decorrer nos dias 10 e 11 de Março, no ÉvoraHotel. Consideradas já como uma referência nacional nas áreas de bovinos e equinos, estas jornadas consolidam-se a cada ano pelo seu sucesso e como ponto de encontro entre criadores, produtores e médicos veterinários. A realização das Jornadas resulta da parceria entre o HVME e a Equimuralha que, ano após ano, têm elevado o padrão de qualidade do evento. As Jornadas são também um espaço de convívio e troca de experiências entre os produtores e técnicos, onde todos os participantes podem aprender novas formas de trabalhar. Desde a sua primeira edição em 2009, tem-se verificado um aumento do número de participantes, com a lotação de cerca de 500 participantes nas 8º edição que se realizou em março de 2016. Este ano, o tema será centrado nas “novas tendências na produção” - Sala Equinos. Na sala dos Ruminantes o programa versará sobre diversas áreas: doença e profilaxia, nutrição, comercialização, resistência a antibióticos. Terão também lugar várias palestras de Pequenos Ruminantes. Mais informações: T: +351 266 77 12 32 | M: +351 93 77 12 311 E: jornadas.hvme@gmail.com www.hvetmuralha.pt

Fiera Internazionale del Bovino da Latte 25 a 28 outubro 2017 Cremona – Itália www.bovinodalatte.it

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Ruminantes 24  

Edição nº24/2017 A revista da Agropecuária

Ruminantes 24  

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