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Ano 6 - Nº 22 - 5,00€ julho | agosto | setembro 2016 (trimestral) Diretor: Nuno Marques

A REVISTA DA AGROPECUÁRIA

www.revista-ruminantes.com

Utilização de beterraba forrageira em vacas leiteiras

Condicionantes do transporte e do abate no pH da carne de bovino

Avaliação de indicadores de sistemas voluntários de ordenha


EDITORIAL

edição nº22 Julho | Agosto | Setembro 2016

Rendimento Social de Inserção para o leite? Pagar para produzir menos, eis a ideia de alguns líderes europeus para resolver o problema do baixo preço do leite aos produtores. É-me difícil entender esta decisão depois de ter passado os últimos anos a ler e a ouvir que a população vai crescer e que por isso é preciso produzir mais e mais. Cá, quem manda alinha pela mesma estratégia, pôr Portugal a produzir menos leite. E com mensagens tão díspares, não há agricultor que consiga gerir bem o seu negócio. Enquanto a Europa pensa em produzir menos, há quem decida produzir diferenciadamente, com benefício para toda a fileira do leite, incluindo os produtores. É o caso da Bel, nos Açores, que acaba de lançar no mercado o primeiro leite de pastagem, verdadeiramente diferente no sabor e no conceito de produção, e com um preço aos produtores certificados cerca de 10% superior ao do leite convencional. Devemos tentar resolver os nossos problemas começando por aquilo que temos à mão. Pedir à Europa para resolvê-los pode ser sinónimo de ter que esperar muito tempo para obter uma solução que pode não servir a longo prazo. Produzir menos leite representa, seguramente, diminuir estruturas na produção leiteira e pode significar não voltar a conseguir aumentá-las num futuro próximo, pois temos visto quantos produtores verdadeiramente novos aparecem neste negócio. Tendo as explorações leiteiras um passado e um presente difíceis, e um futuro muito pouco risonho — as previsões valem o que valem mas apontam para um preço baixo do leite até meados de 2017 e para uma subida dos preços das matérias primas —, não seria possível fazer mais com a “prata da casa”? No projeto Leite de Vacas Felizes, da Bel, vêem-se aspetos importantes. Os produtores e a indústria acreditam no trabalho que está a ser feito e no seu sucesso; a grande distribuição “deu a mão” e o leite está por todo o sitio; e espero que os consumidores portugueses adiram a este leite nacional. Consumimos produtos de valor acrescentado que vêm de fora, porque será que não os produzimos cá dentro? Compramos cerca de 30% de produtos lácteos no estrangeiro, não seria possível diminuir esse valor? Porque não mudamos as coisas? Será que a indústria portuguesa não consegue criar mais produtos inovadores e/ou “pôr” mais marketing nos produtos que já tem? Não consegue desenvolver nichos de mercado, como seja o leite do dia? Entendo que a grande distribuição poderá estar disponível para se envolver na distribuição de produtos nacionais, porque acabou de o fazer com o leite de pastagem, e sem ela a indústria dificilmente terá sucesso no lançamento de campanhas. Os produtores fazem cada vez melhor o seu trabalho na exploração, mas não se podem esquecer que a maior indústria de lacticínios do país é deles, e que não se devem alhear desta fortíssima “arma” que têm. Assim como se manifestam, e bem, junto dos hipermercados, também devem juntar-se para ajudar a melhorar o que é seu.

Nuno Marques

Diretor

Nuno Marques | nm@revista-ruminantes.com Colaboraram nesta edição Ana Fortunato; Ana Torres; António Cannas; António Carreira Campos; António Martins; António Moitinho; Armindo Martins Blanco-Penedo; Camila Marques; Cantalapiedra; Carlos Vouzela; Cristina Nunes; Deolinda Silva; Eugénia Morgado; Eugénio Tabanez; Fernanda Brito; Francisco Marques; George Stilwell; Helena Tabanez; Henrique Carvalho; Ilídio Martins; João Mateus; João Santos; Joaquim Cerqueira; Joaquim Martins; José Caiado; José Nuno Costa; José Pedro Araújo; Mário Quaresma; Marta Cruz; Martin Dekker; Nuno Castela; Paulo Costa e Sousa; Pedro Castelo; Pedro Pedrosa; Rodrigo Gonçalves; Rui Sousa; Rui Sousa Pereira; Simão Rocha; Teresa Moreira.

Publicidade e assinaturas Nuno Marques | comercial@revista-ruminantes.com

REDAÇÃO

Inês Ajuda, Francisca Gusmão e Joana Silva

Design e PrÉ-impressão Sílvia Patrão | prepress@revista-ruminantes.com

Impressão

Jorge Fernandes, Lda Rua Quinta Conde de Mascarenhas, Nº9, Vale Fetal 2825-259 Charneca da Caparica Tel. 212 548 320

Escritórios

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Propriedade / Editor Aghorizons, Lda / Nuno Marques Contribuinte nº 510 759 955 Sede: Rua Alexandre Herculano, nº 21, 5º Dto 2780-051 Oeiras Tiragem: 6.000 exemplares Periodicidade: Trimestral Registo nº: 126038 Depósito legal nº: 325298/11 O editor não assume a responsabilidade por conceitos emitidos em artigos assinados, anúncios e imagens, sendo os mesmos da total responsabilidade dos seus autores e das empresas que autorizam a sua publicação. Reprodução proibida sem autorização da Aghorizons, Lda. Alguns autores nesta edição ainda não adotaram o novo acordo ortográfico. O “Estatuto Editorial” pode ser consultado no nosso site em: www.revista-ruminantes.com/quem-somos

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ruminantes julho . agosto . setembro 2016 3


Índice Alimentação 24 Stress térmico e reprodução 30 Butirato de sódio para ter as suas vitelas preparadas para um bom arranque 34 Stress por calor em bovinos de carne 44 Em busca do teor correto de amido

ATUALIDADES 08 O primeiro leite de pastagem

ECONOMIA 38 Observatório de matérias primas 40 Observatório do leite 42 Índice VL e Índice VL erva

52

forragens

Avaliação de indicadores de sistemas voluntários de ordenha em vacas leiteiras Se está a pensar investir em sistemas de ordenha robotizada, fique a conhecer alguns resultados que pode esperar para desta forma implementar decisões adequadas de gestão.

10 Depender menos de fontes exteriores à exploração produzindo luzerna em rolos 14 Interpretação de um boletim de análise a uma silagem de erva 22 Forragens de qualidade um alimento essencial

Produção 28 Queijos Fortunato “Melhor dos melhores” 46 Desmistificando a ordenha robotizada em vacas leiteiras

produto

16

58

Utilização de beterraba forrageira em vacas leiteiras

Condicionantes do transporte e do abate no pH da carne de bovino

A beterraba forrageira é um excelente alimento energético que permite reduzir a quantidade de concentrado na ração total dos animais, e apresenta um custo de UFL/ha bastante competitivo quando comparado com outras forragens.

A obtenção de carne de elevada qualidade é o propósito da cadeia de produção. Para isso, é essencial garantir que os animais recebem as melhores condições possíveis durante a fase final do processo de produção.

66 Sala de ordenha, o coração de uma exploração leiteira 68 Automatização da exploração com o Lely Astronaut A3 72 Kuhn SPW 22, uma solução para grandes desafios

SAÚDE E BEM-ESTAR ANIMAL 50 Defender o bem-estar animal na minha exploração faz sentido económico 56 Mamites por Streptococcus uberis, pontos chave onde atuar no período de secagem 62 Vacinação contra mastites

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Pagamento • Por transferência bancária: NIB: 0032 0111 0020 0552 3997 7 Enviar comprovativo para o email geral@revista-ruminantes.com • Por cheque: À ordem de Aghorizons, Lda.

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atualidades

Selecionar geneticamente Vacas mais eficientes

Alltech adquiriu a Keenan, empresa líder em soluções agropecuárias na Irlanda! A Alltech anunciou recentemente a aquisição da empresa irlandesa Keenan, líder em soluções agropecuárias. Esta é a 14ª aquisição global da empresa desde 2011. Seguindo o mesmo ramo de atuação da Alltech, a Keenan oferece soluções abrangentes para agropecuária e nutrição animal, trabalhando na inovação de produtos a partir da combinação de fatores como a tecnologia, pesquisa e fabricação de maquinaria. “Sendo irlandês, é com grande prazer que recebo a Keenan na nossa família, uma vez que juntos podemos proporcionar maior valor aos clientes do sector agropecuário, através da oferta de uma maior variedade de soluções tecnológicas. Trata-se da combinação de duas empresas com um posicionamento internacional nos negócios”, declarou o fundador e presidente da Alltech, Dr. Lyons. “A primazia da Alltech na ciência e o poder de manufatura e know-how tecnológico da Keenan culminam numa fórmula de sucesso para a promoção da maior eficiência na agropecuária e maior rentabilidade para os clientes do sector”, complementou Dr. Lyons. A sede da Keenan permanecerá em Borris, Co. Carlow, Irlanda.

Ao todo, a empresa emprega cerca de 300 pessoas na Irlanda e aproximadamente 5.000 mundialmente. A aquisição tem como objetivo identificar oportunidades de crescimento. Estas oportunidades podem incluir tecnologias e programas nutricionais voltados para a promoção da eficiência alimentar e da saúde dos animais, assim como para a formulação avançada de rações. “A Kennan une-se à Alltech num grande momento”, disse o CEO da Alltech, Alric Blake. “Estamos à procura de vias que permitam uma melhor oferta da Alltech aos agricultores e ao sector pecuário, possibilitando o fornecimento de soluções nutricionais para aqueles que beneficiam diretamente do seu uso, seja na produção animal ou agrícola. A ciência e a tecnologia estão à frente de tudo o que fazemos. Nesta nova jornada ao lado da Keenan reforçamos ainda mais a nossa capacidade de fornecimento de soluções nutricionais no campo”, finaliza Blake.

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6 julho . agosto . setembro 2016 Ruminantes

A Holanda é o segundo país a adicionar a eficiência alimentar ao portfólio de índices genéticos para avaliação de touros leiteiros. Através deste índice é possível saber qual a necessidade energética de produção e manutenção dos touros e da sua prole, podendo assim selecionar animais mais eficientes. O Professor Roel Veerkamp e a sua equipa da Universidade de Wageningen iniciaram um programa de investigação para tentar responder à crescente necessidade de uma produção leiteira mais sustentável e economicamente viável. Uma das grandes barreiras a esta medição estava no facto de ser mais moroso e custoso medir a eficiência alimentar nas explorações, ao contrário de outros índices como a produção de leite. Este indicador e outros como a composição de leite ou a conformação corporal sempre tiveram uma maior acessibilidade, sendo assim mais utilizados nos programas genéticos. Nos últimos anos a quantidade e a qualidade das medidas da função metabólica, como o índice de eficiência alimentar, têm melhorado bastante, permitindo assim que este tipo de indicador possa começar a ser utilizado na avaliação do potencial genético. Em 2009 a equipa de investigação da Universidade de Wageningen efetuou um estudo piloto para demonstrar que havia valor em selecionar animais para estas características. Os resultados do estudo piloto foram bastante positivos, dando origem ao projeto global “Global Dry Matter Initiative”. O principal objetivo do projeto é a recolha global de informação genética quanto à eficiência alimentar em vacas leiteiras, contando com países como o Canadá, a Dinamarca, a Alemanha, os Estados Unidos e a Austrália. O aumento de disponibilidade de informação vinda dos diferentes parceiros do “Global Dry Matter Initiative”, permitirá selecionar animais mais eficientes a nível alimentar para uma futura produção leiteira economicamente viável e mais sustentável.


atualidades

Empresas premiadas pelo elevado nível de bem-estar animal No passado dia 28 de junho, tiveram lugar em Berlim os prémios de bem-estar animal da Compassion in World Farming (CIWF), premiando 41 empresas do sector agroalimentar e beneficiando mais de 85,5 milhões de animais de produção. A CIWF é uma organização não governamental reconhecida como líder internacional em bemestar animal. Foi fundada em 1967 por Peter Roberts, um produtor de leite inglês que estava cada

vez mais preocupado com a industrialização da produção animal. Hoje em dia, a CIWF efetua campanhas para encorajar os legisladores a implementar legislação efetiva para o bemestar animal e também campanhas que eduquem os consumidores sobre a importância e o impacto de diferentes problemas no bem-estar animal dos animais de produção. Um dos programas estratégicos da CIWF é o programa de envolvimento com as empresas do sector agroalimentar. Este programa foi fundado há oito anos e tem como objetivo principal colocar o bem-estar animal no coração da indústria agroalimentar através de um envolvimento positivo. Ao trabalhar em conjunto com o sector agroalimentar, esta equipa pretende elevar os padrões de bemestar animal dos animais na cadeia de fornecimento, desde os produtores até aos supermercados ou retalhistas. Os prémios de bem-estar animal, que este ano tiveram lugar em Berlim, são o culminar desta relação positiva com a indústria, pretendendo assim reconhecer aquelas empresas que já possuem ou que se comprometerem em 5 anos a possuir um nível mais elevado de bem-estar animal, nos seus produtos. Este ano a CIWF atribuiu o primeiro prémio a uma empresa Portuguesa: a Bel Portugal.

Para MAIS INFORMAÇÃO Pode consultar o site da equipa do sector agroalimentar da CIWF: www.compassioninfoodbusiness.com e ler mais sobre o prémio da Bel nesta edição da Ruminantes.

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atualidades

O primeiro Leite de Pastagem com um prémio de mais 10% no preço ao produtor tendência vai para leites mais ricos como o leite gordo com sabor, de animais cujo bem-estar animal é garantido, com transparência da cadeia produtiva, e não para os produtos de baixo preço” diz Ana Cláudia Sá.

Bel Portugal

Na conjuntura económica atual, a Bel Portugal (empresa líder do mercado de queijo, que detém as duas maiores marcas nacionais - Limiano e Terra Nostra) mostra-se positiva em relação ao futuro do sector leiteiro, apostando numa nova marca cujo leite vem exclusivamente de vacas com acesso à pastagem o ano inteiro. Os últimos anos e os que aí vêm não auguram um cenário positivo para o sector leiteiro tanto a nível nacional, como a nível europeu e até a nível mundial. O fim das quotas na Comunidade Europeia levou ao aumento da produção de leite, que em conjunto com o aumento da produção nos Estados Unidos da América e com a diminuição do

Dados do programa Neste programa estão atualmente 34 produtores certificados com uma produção atual de 60.000 litros dia (27 milhões de litros de leite anual), a “linha fabrico”, totalmente independente, tem uma capacidade anual de 35 milhões de litros.

8 julho . agosto . setembro 2016 Ruminantes

consumo e exportação para países como a China, levaram a um aumento do stock de laticínios no mundo e a uma crise no preço do leite, que se deverá manter até meados de 2017. “Os preços atuais põem em risco a rentabilidade da produção leiteira, estamos no limiar da sustentabilidade do sector leiteiro, temos que começar a criar valor” referiu Ana Cláudia Sá, diretora-geral da Bel em Portugal. O segredo está na diferenciação. Em países como Inglaterra, Itália (onde o preço por litro de leite ronda 1 euro por litro) e França (onde o preço por litro de leite ronda os 82 cêntimos), a percentagem de leite diferenciado é muito maior quando comparada com a nacional que é apenas de 20%. Em Portugal o preço médio do leite ao consumidor é um dos mais baixos da Europa, sendo que em 2015 foi de 60 cêntimos por litro e nos primeiros 3 meses de 2016 foi de 50 cêntimos por litro. “A tendência do consumidor é cada vez mais para propostas de produtos naturais, orgânicos, e no norte da Europa a

A Bel Portugal acredita na diferenciação e na valorização do produto, estando a investir 10 milhões de euros até 2018 no “melhor leite do mundo que é produzido nos Açores e é o início de uma nova era no sector leiteiro em Portugal. É uma nova categoria de leite, não é apenas mais uma linha de produção. Os consumidores vão ter a possibilidade de beber leite de pastagem e experimentar a diferença em relação ao “leite convencional”, referiu Ana Cláudia Sá.

A essência do Leite de Pastagem está assente em cinco pilares Pastagem, pastoreio de erva fresca 365 dias por ano; bem-estar animal, implementação de boas práticas em que os animais têm garantido o acesso a pastagem e água fresca 365 dias por ano; qualidade e segurança alimentar a recolha do leite é efetuada apenas de produtores certificados, e o leite é recolhido a frio e embalado em 24 horas, algo que não é comum neste sector, onde o normal são 48 a 72 horas; produção sustentável; e eficiência económica na gestão da exploração. Para garantir uma estrutura sólida e inovadora, o programa está sempre em melhoria constante, contando com protocolos de desenvolvimento estabelecidos com diferentes identidades especialistas nas diversas etapas do processo.


atualidades

O acesso à pastagem é o maior eixo de diferenciação, não só a nível nutricional, como também a nível do bem-estar animal e da sustentabilidade da produção. O acesso à pastagem aumenta o valor nutritivo do leite, melhorando a composição da fração lipídica. A quantidade de Ácidos Gordos Polinsaturados (ómega 3, ómega 6 e CLA) é maior no leite de pastagem do que no leite “convencional”, referiu José António Teixeira, professor na Universidade do Minho. Ao providenciar acesso à pastagem, os animais têm também uma oportunidade única de expressar o seu comportamento natural, fator essencial ao bemestar de qualquer vaca leiteira. Finalmente, uma produção baseada em pastagem é sempre mais sustentável, porque permite aos animais consumirem culturas que não poderiam ser consumidas pelo ser humano (ao contrário de por exemplo milho, ou soja) e o retorno

de matérias essenciais a “uma boa saúde do solo” como o dióxido de carbono, é feito de uma forma mais direta, uma vez que os animais se encontram no pasto. O Leite de Pastagem será vendido no mercado com uma embalagem muito “láctea”, moderna e natural, com uma tampa de origem biológica. Esta embalagem pretende espelhar o produto diferenciado que se encontra no seu interior, cujo preço de referência ao consumidor será de 77 cêntimos, e o preço ao produtor será 10% superior ao preço médio do mercado. Na situação atual em que o valor do leite caiu 8 cêntimos em dois anos (36 cêntimos por litro em 2014 para cerca de 28 cêntimos em 2016) este tipo de projeto é muito importante para o presente e futuro dos produtores, pois representa um valor superior para o leite que produzem e permite-lhes ver um futuro mais risonho que até à data tinha sido difícil de visualizar.

TERRA NOSTRA, o Bem, bem feito O programa, a decorrer há cerca de ano e meio, já foi premiado com uma menção honrosa pela Compassion in World Farming (CIWF). A CIWF é uma organização não governamental reconhecida como líder internacional em bem-estar animal de animais de produção. A menção honrosa Vaca de Ouro da CIWF, reconhece empresas do sector leiteiro que se comprometeram em 5 anos a utilizar um sistema de produção de leite com um nível de bem-estar animal elevado. A Bel Portugal foi premiada este ano por cumprir os requisitos, nomeadamente: acesso à pastagem e a monitorização e redução de problemas de saúde com um grande impacto no bem-estar animal das vacas leiteiras, como a claudicação e as mastites.

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ruminantes julho . agosto . setembro 2016 9


Forragens

Depender menos de fontes exteriores à exploração produzindo

Luzerna em rolos Entrevista a Rui Sousa Pereira por ruminantes

A exploração de António Sousa Pereira está localizada em Viatodos, concelho de Barcelos e é gerida pelo seu filho, Rui Sousa, que tem a responsabilidade de dar seguimento a este negócio de família. “A ideia de fazer luzerna na nossa exploração apareceu quando a soja estava muito cara, e entendemos que seria uma oportunidade para rentabilizar o negócio da produção leite. Tínhamos área disponível e caso conseguíssemos ter boas produções de luzerna por

hectare poderíamos baixar os custos de produção do litro de leite”, contou-nos Rui Sousa. Fazem luzerna há 2 anos e esperam que dure 5 a 6 anos. Atualmente a cultura ocupa uma área de 3,5 hectares (ha) que é utilizada para alimentar as vacas de leite. “Antes de avançar para a luzerna analisei os solos, uma vez que é muito importante conhecer o perfil do solo antes de arrancar. No meu caso os terrenos são arejados (não encharcam) e o pH está nos 6,1. Isto obrigou-me a fazer uma correção do solo

10 julho . agosto . setembro 2016 Ruminantes

com calcário na altura da sementeira, que repito todos os anos quando me é mais oportuno, pois o pH ideal está nos 6,5 ou mais”, disse Rui Sousa.

a 30 kg por hectare. Ao contrário do que já vi noutros sítios, não associei qualquer cereal (azevém ou aveia) à sementeira para evitar as infestantes, apenas luzerna.

Quando começa a cortar a Luzerna? Varia de ano para ano. Este ano, por exemplo, comecei em janeiro. Mas eu diria que entre março e outubro se pode cortar sem problema. O ano passado fiz oito cortes.

Quando semeou? Semeei em abril, penso que seja a melhor altura para o fazer. A temperatura é boa, posso regar se for necessário, embora não tenha regado, nesse mês tenho mais tempo disponível para estar atento. No ano da sementeira ainda fiz quatro cortes.

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Que técnica de sementeira utilizou? Comecei por espalhar o chorume e lavrar, depois preparei a terra como se fosse fazer milho mas semeei luzerna. A sementeira foi realizada com o semeador que utilizo para o azevém e que já tem o rolo “incorporado”. Como são as necessidades de água da luzerna? Normalmente só rego uma vez entre dois cortes, no quarto ou quinto dia após o corte. Pontualmente faço uma segunda rega entre cortes, mas existem zonas das parcelas onde rego muito pouco. Quantos cortes faz por ano? Como avalia se está na altura de fazer o corte? Faço entre cinco e oito cortes, os de maior quantidade de matéria verde e qualidade nutricional são os de julho e agosto. Corto imediatamente antes da floração e quando a luzerna está com 35-40 cm de altura.

tabela 1 Arraçoamento para 66 vacas e produção de 31 litros/vaca/dia, com e sem luzerna. Simulação efetuada pela Cooperativa Agrícola de Barcelos para a exploração de Rui Sousa. 31 litros/vaca/dia

Com Luzerna

Preço/kg (€)

kg/vaca

Total/Vaca (€)

Preço/kg (€)

kg/vaca

Total/Vaca (€)

Silagem de Milho

0,050

40,0

2,0000

0,050

40,0

2,00000

Feno

0,100

1,8

0,1800

0,100

1,6

0,16000

Silagem de Luzerna

0,021

0,0

0,0000

0,021

4,0

0,08400

Pastone

0,190

3,0

0,5700

0,190

3,0

0,57000

0,3527

6,5

2,2926

0,3527

6,0

Mistura 0197 Total/vaca Nº de vacas Poupança com luzerna/vaca

2,11620

5,0426

4,9302

66 0,1124

Poupança por dia/exploração

7,42

Poupança por mês/exploração

222,45

Poupança por ano/exploração

2669,44

tabela 2 Arraçoamento para 66 vacas e produção de 23 litros/vaca/dia, com e sem luzerna. Simulação efetuada pela Cooperativa Agrícola de Barcelos para a exploração de Rui Sousa. 23 litros/vaca/dia

Sem Luzerna

Com Luzerna

Preço/kg (€)

kg/vaca

Total/Vaca (€)

Preço/kg (€)

kg/vaca

Total/Vaca (€)

Silagem de Milho

0,050

40,0

2,0000

0,050

40,0

2,0000

Feno

0,100

1,0

0,1000

0,100

0,7

0,0700

Silagem de Luzerna

0,021

0,0

0,0000

0,021

4,0

0,0840

0,190

3,0

0,5700

0,190

3,0

0,5700

0,3527

4,5

1,5872

0,3527

4,0

1,4108

Pastone Mistura 0197

Em que período do dia corta a luzerna? Sempre que o tempo me deixa, corto perto da hora do almoço. Nos meses de julho e agosto, corto e junto ao meio dia e ainda nessa tarde, mesmo ao final do dia, enrolo (com rolos

Sem Luzerna

Total/vaca Nº de vacas

4,2572

4,1348

66

Poupança com luzerna/vaca

0,1224

Poupança por dia/exploração

8,08

Poupança por mês/exploração

242,25

Poupança por ano/exploração

2907,04

Dados gerais da exploração Área: 26 hectares de regadio Vacas em produção: 66 Total efetivo: 160 (com engorda até aos 12 meses). Alimentação: Luzerna, silagem de erva (apenas na recria), silagem de milho, feno de erva, milho pastone e ração.

LUZERNA ALGUNS DADOS IMPORTANTES MS/ano/ha: 15 a 18 ton SOLO necessário: bem estruturado; arejado e não asfixiante; pH ideal 6,5 ou mais; pH abaixo de 5,5 torna-se um fator limitante. Inoculação de semente: terrenos onde não se cultiva luzerna há 10 anos; terrenos com pH abaixo de 6,5.

12 julho . agosto . setembro 2016 Ruminantes


Forragens

de plástico). Nos meses em que o tempo não me permite fazer isto, corto e junto (no final do dia) no mesmo dia e enrolo passado 24 horas. Até agora ainda não senti necessidade de utilizar inoculantes. Quantas toneladas produz por hectare? Cerca de 48 toneladas (ton) de matéria verde, ou seja cerca de 12 ton de Matéria Seca (MS) por ano e hectare.

Na foto Ana Torres, Rui Sousa e Eugénia Morgado.

Qual é o valor analítico médio da luzerna em rolos? Qual o custo por tonelada? Em relação às amostras que tenho analisado os valores médios são: Matéria Seca (MS) - 24.5%; NDF - 36.7% na MS; Proteína Bruta - 22.23% na MS. O custo médio está nos 21€ por tonelada (0,021 euros/kg).

Como chegou à conclusão que vale apena produzir luzerna? Quanto poupou com a utilização dos rolos de luzerna? No que diz respeito à poupança conseguida com a entrada da luzerna no regime alimentar das vacas leiteiras, não foi possível quantificar ao pormenor esse ganho, pois ao mesmo tempo que entrou a luzerna aconteceram outras mudanças como entrada e saída de dreches, introdução do milho pastone, alterou-se a quantidade de silagem de milho, entre outras. Quantifico a poupança com “vêm menos 6 toneladas de ração por mês”! Mas esta poupança, não é só pela entrada de luzerna, mas também pela entrada do pastone, e por causa da limitação de contrato de entrega de leite que obrigou a baixar o regime alimentar de 31 para 23 litros.

PLANO ALIMENTAR das VACAS EM PRODUÇÃO O plano alimentar da exploração é realizado por Eugénia Morgado, da Cooperativa Agrícola de Barcelos, que simulou para a Ruminantes os regimes alimentares para 31l (tabela 1) e 23l (tabela 2) (com e sem luzerna), onde são assinaladas poupanças anuais de 2670 € e de 2907 €, respetivamente. Tendo em conta a quantidade de luzerna disponível na exploração e para conseguir oferecer luzerna às vacas durante todo o ano, só se considerou a possibilidade de utilizar 4 kg/vaca/dia. Caso se pudesse utilizar uma quantidade maior de luzerna por vaca, a poupança seria ainda mais visível.

ruminantes julho . agosto . setembro 2016 13


Forragens

Interpretação de um Boletim de Análise a uma Silagem de Erva As análises laboratoriais são hoje absolutamente necessárias e decisivas para conhecer e aproveitar todo o valor nutricional contido nas forragens disponíveis numa exploração pecuária. Por este “valor nutricional” entende-se o conjunto de nutrientes que através do metabolismo, o animal aproveita e transforma para produzir leite e carne. POR José Caiado, DVM

Apenas um rigoroso conhecimento da valia nutricional de todos os alimentos contidos na dieta permite a sua melhor otimização técnica e económica, algo que neste preciso momento é indispensável à sustentabilidade e à viabilidade económica do negócio do leite. Se as matérias-primas e os alimentos compostos têm um valor nutricional facilmente controlável e até expectável, já o mesmo não acontece com as forragens; apenas a regular informação laboratorial nos pode ajudar a utilizá-las da melhor forma. Neste aspeto, um grande desafio se coloca aos laboratórios independentes de análises de forragens em Portugal. Precisamos de laboratórios que forneçam um serviço de análise rápido, fiável, preciso e com a informação nutricional tão completa quanto necessária a um total conhecimento das forragens mais usadas nas explorações do nosso país. Os produtores e os técnicos especialistas em nutrição necessitam de uma autêntica “TAC” às forragens para que cada um cumpra profissionalmente a sua parte. Os nutricionistas necessitam de informação rigorosa para fazerem planos de alimentação baseados em arraçoamentos corretos e competitivos. Os produtores pecuários precisam de conhecer bem o significado da informação contida num boletim de análise para que tenham uma correta noção do valor das forragens por si produzidas, das eventuais limitações de qualidade existentes, para estabelecer objetivos de melhoria futura da sua produção forrageira e, também, poderem melhor negociar a compra e venda de

forragens com base no seu real valor económico. Adiante vamos rever ou esclarecer o significado da terminologia utilizada pelo ALIPLaboratório parceiro do CNF- para indicar os resultados analíticos encontrados nas amostras de silagens de erva submetidas ao Concurso Nacional de Forragens2016 e que ao mesmo tempo constituem o conjunto de análises mais correntemente realizadas. Este ano acrescentase ao conjunto de paramêtros analisados em 2015, dois novos, a saber: a Proteína Solúvel e o Azoto Amoniacal. Para cada resultado analítico indicaremos um Valor Alvo (VA) orientativo para as silagens de erva compostas maioritariamente por gramíneas.

do azoto (N) orgânico do alimento, determinado em laboratório. Em geral, assume-se que em média as proteínas têm 16% de N, pelo que o teor em proteína Bruta (PB) é calculado multiplicando o teor em N pelo fator de conversão de 6,25 (1/16 = 6,25). Assim, a fração PB compreende proteína verdadeira (a que é composta por aminoácidos) e o azoto não proteico (NNP) (por exemplo, a ureia e o amoníaco). Os ruminantes, graças à população microbiana do retículo-rúmen, são capazes de utilizar o NNP sintetizando a chamada “proteína microbiana” (e verdadeira) que depois é absorvida no intestino, assimilada para o crescimento e indispensável à produção do leite. VA=16-21%

HUMIDADE

Trata-se daquela fração da proteina bruta que é rapidamente solúvel no meio aquoso do rúmen. É composta por certas proteínas e pelo chamado azoto não proteico (a ureia e o azoto amoniacal) que são muito rapidamente degradadas no rúmen. É utilizada (e fundamental) na síntese da chamada proteína microbiana que é precursora da produção da proteína do leite. A quantidade de proteína solúvel tem uma relação direta com o teor de humidade das forragens, razão pela qual as silagens têm sempre mais PS que os fenos da mesma espécie forrageira. Como regra geral quanto mais humidade, mais proteína solúvel. VA= Pela razões atrás apontadas os valores podem enquadrar-se num amplo espectro entre 20 e 75% da proteína bruta.

É a % de água contida numa amostra de forragem

MATÉRIA-SECA (MS) A MS é igual a 100% - % de humidade contida na amostra. Por MS entende-se tudo aquilo que a amostra contém depois de excluir a água. Na prática inclui a “proteína”, a fibra, a gordura, os minerais, a energia, etc. Para satisfazer as suas necessidades nutricionais, um animal terá que ingerir uma maior quantidade de alimento se este possuir uma menor quantidade de MS, ou seja, se este for mais húmido do que ingeriria se o alimento fosse mais seco. Conhecer com rigor e ao longo do tempo a MS de uma silagem de erva é o mais básico de toda informação necessária sobre os seus nutrientes. VA=30-50%

PROTEÍNA BRUTA (PB) A proteína bruta é calculada a partir

14 julho . agosto . setembro 2016 Ruminantes

PROTEÍNA SOLÚVEL

AZOTO AMONIACAL Expressa, em % da PB, a quantidade de amoníaco produzida pela degradação da proteína. Acaba por ser um elemento avaliador da

conservação da forragem e da sua qualidade. O amoníaco não é uma proteína. Contudo contém azoto que poderá ser utilizado pela população microbiana presente no rúmen para sintetizar proteína microbiana. Aparece muitas vezes classificado como “azoto não proteico” (NPN). VA= < 8 (% PB).

FIBRA BRUTA (FB) É o método histórico usado na determinação da “fibra”. Contudo, a sua determinação não assegura a recuperação de toda a hemicelulose e lenhina existente nas forragens, pelo que não é hoje o método de eleição adequado para avaliar o teor em constituintes da parede celular das forragens. No entanto, ainda é usado na medição legal da fibra nos cereais e alimento compostos (etiquetas). Para a determinação da fibra nas forragens usam-se hoje dois parâmetros sempre presentes nos boletins de análise, a saber: a Fibra Detergente Neutro (vulgarmente designada pela abreviação da sua expressão inglesa como NDF), e a Fibra Detergente Ácido (idem como ADF).

NDF A Fibra do Detergente Neutro compreende os constituintes da parede celular vegetal (excluindo as pectinas), maioritariamente a hemicelulose, a celulose e a lenhina. São eles que dão a rigidez à planta para se manter erguida, e está para esta como o esqueleto para os animais. Constitui a parte fibrosa e de volume da silagem de erva, e aliada ao tamanho de partícula, tem uma influência decisiva na ingestão desta (geralmente quanto maior o seu valor e estrutura, menor a capacidade de ingestão do animal). Um teor em NDF elevado é um sério fator limitante à alta produção


Forragens

de leite e por isso se pretende que na silagem de erva nunca exceda os 50% e se aproxime antes o mais possível dos 40% da MS. VA= 42-50%.

ADF A Fibra do Detergente Ácido corresponde aos constituintes da parede celular com exceção da hemicelulose. A digestibilidade da celulose varia em função do teor de lenhina. Quanto maior for o teor em lenhina da forragem menor é a sua digestibilidade geral bem como a energia disponibilizada ao animal. VA = 24-29%

Gordura Bruta (GB) Engloba todos os constituintes solúveis em solvente orgânico (usualmente éter de petróleo). Assim, como o nome indica (Gordura Bruta), não compreende apenas compostos lipídicos, sendo que nas forragens pode ser sobrestimada pela presença de pigmentos. VA= 3-5%.

Cinzas Totais (CT) expressam o conteúdo inorgânico total da forragem. A amostra é pesada e incinerada em mufla até ficar apenas o resíduo inorgânico. Este parâmetro não serve a formulação mineral, mas dá outras indicações importantes. Por exemplo, cinzas elevadas podem significar muita “terra” na silagem de erva recolhida no campo. Para além de implicar uma diminuição da sua energia, aumenta os riscos de contaminação por esporos dos chamados “clostrídios”, uma família de bactérias muito presente nos solos e que acarreta dois perigos: a produção de ácido butírico que retira palatabilidade à silagem e os riscos de animais mortos por enterotoxémia, risco que existe mesmo em animais vacinados. VA= 9-12%.

Digestibilidade Verdadeira In Vitro da MS É determinada incubando o

alimento seco e moído com inóculo de rúmen (recolhido de animais fistulados no rúmen) e meio nutritivo tamponizado para manutenção do pH e para fornecer nutrientes aos microrganismos do rúmen. Esta medida consiste numa avaliação biológica da qualidade da forragem. As silagens de erva apresentam grande variação da digestibilidade da fibra dada a diversidade de gramíneas utilizadas e o diferente estádio de maturidade. Embora a análise da digestibilidade seja crucial para uma rigorosa valorização energética das forragens, esta não é, ainda, realizada por rotina em Portugal. Adicionalmente, a digestibilidade in vitro participa na determinação do Valor Relativo de uma Forragem, informação útil quando se pretende encontrar o valor correto para a sua transação comercial. Há muitos anos que nos EUA se aponta nas silagens de erva

para um requisito designado pela regra do “20 – 30 – 40”, querendo com isso indicar que se deve lutar por conseguir produzir uma silagem de erva com 20% PB, 30% ADF e 40% NDF. Aproximar a qualidade nutricional das silagens de erva em Portugal, tanto quanto seja possível, desta sequência 2030-40 é um grande desafio para todos quantos estão envolvidos na sua produção e utilização, mas também nos ilustra bem a margem de progressão a que ainda podemos aspirar para manter a sustentabilidade daquela que até hoje tem sido a muito bem-sucedida produção leiteira nacional. O aprofundamento analítico da qualidade das forragens pela introdução de novos parâmetros de análise no Concurso de 2016 procura fazer a apologia da necessidade de possuir análises tão completas quanto possível seguindo as melhores práticas internacionais.

ruminantes julho . agosto . setembro 2016 15


ALIMENTAÇÃO

pedro castelo Engº agrónomo, reagro sa. pedro.castelo@reagro.pt

Utilização de Beterraba Forrageira em Vacas Leiteiras Em Portugal enfrentamos uma crise sentida a variadíssimos níveis e o sector do leite não foge à regra, sendo talvez um dos que merece maior atenção. Assim, cabenos apresentar soluções e alternativas de forma a minimizar o impacto negativo que atravessamos, devido ao preço pago pelo leite aos produtores e à imposição de redução na quantidade de leite entregue.

Vantagens Neste artigo iremos descrever uma alternativa de forragem que pode ser interessante na alimentação de vacas leiteiras – Beterraba Forrageira. Cientificamente conhecida por Beta Vulgaris L., entra no grupo das culturas que em Portugal não têm grande notoriedade mas que em França no início do século XX teve um crescimento acentuado (quase um milhão de hectares em 1938, Donaty, 1987). Originária da Europa Central e da família Chenopodiaceae caracteriza-se por ser um alimento apropriado ao arraçoamento de vários animais, especialmente de ruminantes. Sob o ponto de vista do agricultor, a cultura da beterraba forrageira, embora exija algum conhecimento, apresenta inúmeras vantagens, tais como: 1. Rendimentos elevados e regulares, ou seja, produções entre 80 e 120 toneladas

(ton) por hectare e, consequentemente, 15 a 20 ton de matéria seca (MS); 2. Relativa resistência da cultura a más condições climatéricas em relação a outras culturas forrageiras; 3. Adaptação a vários climas; 4. Possibilidade de total mecanização. A beterraba forrageira é um alimento de grande apetência e com vantagens comprovadas na sua associação com silagem de erva e feno (Vérité, 1970; De Brabander et al 1976; Jans, 1983) e com silagem de milho (Hoden et al, 1988). Valor energético: a digestibilidade é muito elevada, 87 a 90% em ovelhas (Demarquilly, 1972), resultando num valor energético elevado – 1,12 UFL/kg MS. Esta digestibilidade é apenas afetada ligeiramente se os animais ingerirem uma quantidade de matéria seca de beterraba superior a 0,5% do seu peso vivo. Caso o valor de cinzas da beterraba

16 julho . agosto . setembro 2016 Ruminantes

seja superior ao da tabela 1, será conveniente diminuir o seu valor energético. Valor azotado: A degradabilidade teórica do azoto é bastante elevada, apesar de ainda não ser conhecida exatamente o valor, considera-se 0,87 no sistema PDI, ou seja 9 a 11 g de PDIA/ kg de MS. Digestão: Devido ao seu elevado valor em glúcidos rápidos (rapidamente fermentescíveis), às paredes

tabela 1 Valor alimentar (por kg de matéria seca) da beterraba forrageira. Beterraba forrageira rica em MS

Matéria Seca (%)

19

UFL/ kg MS

1,12

UFV / kg MS

1,14

Proteína Bruta g/ kg MS

90

PDIN g/ kg MS

53

PDIE g/ kg MS

88

PDIA g/ kg MS

10

Cinzas (%)

4,4

vegetais de digestão lenta e ao baixo teor em MAT (matéria azotada total) e cinzas, a ingestão de beterraba conduz a uma diminuição da atividade celulolítica no rúmen, resultando num abaixamento do pH ruminal quando a ingestão desta ultrapassa 0,8 % do peso vivo do animal (Vérité et Journet, 1973). Portanto, uma má utilização desta pode dar origem a problemas digestivos e metabólicos.

Conservação Relativamente à conservação, a beterraba forrageira pode ser armazenada em fresco no silo. Sem nenhuma fermentação, as radículas para alimentação animal podem ser conservadas durante 4 a 5 meses de inverno. Deste modo as beterrabas sãs podem ser conservadas muito


ALIMENTAÇÃO

Distribuição

Altura máxima 1,8 m

figura 1 Condicionamento no silo.

No que diz respeito à distribuição, pensamos que deve ser fornecido juntamente com as forragens e concentrado no unifeed devido às suas características nutricionais. Jamais deverá ser distribuído como forragem única, pois o seu efeito sobre as performances de produção apenas se evidencia quando a beterraba é associada a outras forragens pobres

Largura máxima 3 a 4 m

em energia. Teoricamente, pode-se incorporar até 5 kg de MS de beterraba forrageira por dia e animal para o caso de uma ração de vacas leiteiras, mas esta deve ser feita gradualmente (1 kg de MS por semana) e tendo em conta um critério nutricional adequado para evitar riscos de acidose. Ainda sobre a distribuição deste tipo de alimento, é conveniente

que esta esteja limpa (sem a presença de terra e de pedras) para preservação do alimento e da saúde animal. Para que isto seja possível é fundamental realizar a colheita em condições secas, armazenar as beterrabas num silo plano (de cimento preferencialmente) e limpo e, ainda, caso seja necessário, devem ser lavadas antes da distribuição.

ALIMENTAÇÃO À BASE DE BETERRABA FORRAGEIRA Três arroçoamentos possíveis

facilmente, no entanto é conveniente evitar conservar radículas que não estejam em bom estado, isto é, com fissuras (adquiridas durante a colheita) ou que tenham sofrido geadas. Após a colheita, para assegurar uma boa conservação no silo, deve-se evitar o aquecimento e proporcionar uma boa ventilação para que haja libertação de calor e humidade. Assim, existem alguns aspetos importantes (figura 1): a) o silo deverá ser de cimento, de preferência estar no exterior e não deverá exceder os 3 a 4 metros de largura e 1,8 metros de altura; b) as beterrabas não devem estar cobertas antes das primeiras geadas para favorecer uma boa ventilação no início do stock; c) privilegiar um silo longo e estreito.

Esta forragem, além de todas as vantagens descritas anteriormente permite reduzir o aporte de concentrado na ração total dos animais. De seguida iremos apresentar três arraçoamentos possíveis com diferentes tipos de forragem (A – Silagem de milho; B – Silagem de milho + beterraba forrageira; C – Silagem de milho + fenosilagem + beterraba forrageira) adequados para vacas em lote único com uma produção média de 31 litros, considerando que 40% são primíparas e o lote tem 180 dias médios de lactação. Preços

forragens e matérias-primas, considerámos preços atuais de mercado. De acordo com o nosso caderno de encargos para o objetivo de produção definido fizemos os três arraçoamentos (tabela 2). Numa primeira fase podemos afirmar que é possível obter o mesmo

No que diz respeito às forragens considerámos valores que facilmente encontramos em Portugal e o alimento concentrado para cada arraçoamento foi desenhado em função das forragens disponíveis. Em relação aos preços das

nível nutricional a um menor custo com a presença de três forragens (arraçoamento C - Silagem de milho + fenosilagem + beterraba forrageira - 4,20 €/vaca/ dia) quando comparada com silagem de milho e beterraba forrageira (4,22 €/vaca/dia) ou apenas com silagem de

tabela 2 Arraçoamentos com diferentes tipos de forragem.

A - Silagem de milho Custo por Animal/Dia= 4,32 €

(85 €/ton MB)

(201 €/ton MS)

Quantidade Distribuida Preço (€/ton)

Matéria-Prima

Kg

Características Nutricionais (/Kg MS) MS

UFL

10,18

31,00

0,90

MB

MS

32,83

PDIN

PDIE

PDIA

Ca

g

g

g

g

P g

52,00

66,00

18,00

2,20

1,80

Silagem de Milho MS31 PB7 AMD31

40,00

Palha de Cevada

100,00

1,90

1,71

90,00

0,44

24,00

46,00

12,00

3,50

1,00

Massa Cerveja

40,00

7,00

1,89

27,00

0,92

208,43

188,20

135,39

3,15

5,84

Alimento concentrado - Farinha Total

288,15

8,79

7,72

87,84

1,08

187,14

154,67

102,66

15,50

6,56

-

50,52

21,50

42,56

0,93

112,06

107,00

58,25

7,17

3,80

MB – Matéria Bruta; MS – Matéria seca; UFL – Unidade de expressão do valor energético dos alimentos (Unité Forragère Lait). 1 UFL = 1700 Kcal.; Ca – Cálcio; P – Fósforo

ruminantes julho . agosto . setembro 2016 17


ALIMENTAÇÃO

B - Silagem de milho + beterraba forrageira Custo por Animal/Dia= 4,22 €

(74 €/ton MB)

(196 €/ton MS)

Quantidade Distribuida Preço (€/ton)

Matéria-Prima

Kg MB

MS

Características Nutricionais (/Kg MS) MS

UFL

PDIN

PDIE

PDIA

Ca

g

g

g

g

P g

52,00

66,00

18,00

2,20

1,80

Silagem de Milho MS31 PB7 AMD31

40,00

30,46

9,44

31,00

0,90

Palha de Cevada

100,00

2,00

1,80

90,00

0,44

24,00

46,00

12,00

3,50

1,00

Massa Cerveja

40,00

7,00

1,89

27,00

0,92

208,43

188,20

135,39

3,15

5,84

Silagem Forrageira 19MS

25,00

10,00

1,90

19,00

1,12

53,00

88,00

10,00

2,50

1,50

Alimento concentrado - Farinha

311,42

7,31

6,47

88,49

1,06

209,80

165,71

117,36

17,43

7,58

-

56,77

21,50

37,88

0,93

110,96

107,00

56,99

7,00

3,80

P

Total

C - Silagem de milho + fenosilagem + beterraba forrageira Custo por Animal/Dia= 4,20 €

(81 €/ton MB)

(195 €/ton MS)

Quantidade Distribuida Preço (€/ton)

Matéria-Prima

Kg MB

MS

Características Nutricionais (/Kg MS) MS

UFL

PDIN

PDIE

PDIA

Ca

g

g

g

g

g

Silagem de Milho MS31 PB7 AMD31

40,00

21,00

6,51

31,00

0,90

52,00

66,00

18,00

2,20

1,80

Fenosilagem 41MS 13PB

60,00

5,00

2,06

41,10

0,87

101,95

80,63

24,73

4,60

2,30

Palha de Cevada

100,00

1,80

1,61

90,00

0,44

24,00

46,00

12,00

3,50

1,00

Massa Cerveja

40,00

7,00

1,89

27,00

0,92

208,43

188,20

135,39

3,15

5,84

Silagem Forrageira 19MS

25,00

8,00

1,52

19,00

1,12

53,00

88,00

10,00

2,50

1,50

Alimento concentrado - Farinha

266,27

8,97

7,91

88,18

1,04

170,19

144,26

95,67

14,07

6,36

-

51,77

21,50

43,01

0,93

111,92

107,00

56,53

7,00

3,80

Total

milho (4,32 €/vaca/dia). Esta pequena variação conduz a uma diferença entre o arraçoamento menos e o mais dispendioso de 360 € por cada 100 vacas em lactação.

Proteína Relativamente à proteína (tabela 3) verificamos que no arraçoamento C (com silagem de milho, fenosilagem e beterraba forrageira), a quantidade de proteína digestível por dia e por vaca em kg [PDD = MAT (%) x DT (%) x MSI (kg)] é superior, quando comparada com os outros arraçoamentos. Para otimizar o funcionamento do rúmen e a produção de proteínas microbianas, os microrganismos ruminais necessitam de energia fermentescível e de proteína degradável. A proteína bruta (PB) representa a matéria azotada total enquanto a DT representa a proporção

de matéria azotada total degradada no rúmen que contribuirá para a proteossíntese microbiana depois da degradação em amoníaco. A produção de proteínas microbianas no rúmen (PDIM) poderá ser limitada pela energia fermentescível (PDIME) ou pela proteína degradável (PDIMN). Assim, em termos teóricos, o arraçoamento C permite produzir mais proteína digestível, como podemos observar na tabela 3.

tabela 3 Balanço azotado dos arraçoamentos.

Balanço Azotado

PL por PDIN PL por PDIE

Arraçoamento Unidade

A

B

C

Litros

42,73

42,22

42,69

Litros

40,39

40,39

40,39

PDIN

g/Kg MS

112,06

110,96

111,99

PDIE

g/Kg MS

107,00

107,00

107,00

PDIA

g/Kg MS

58,25

56,99

56,53

% MS

15,60

15,60

15,60

%

63,90

64,05

65,55

LYSDI/PDIE

% PDIE

6,48

6,50

6,39

Energia

METDI/PDIE

% PDIE

1,79

1,78

1,83

No que concerne à energia, todos os arraçoamentos têm o mesmo nível energético e permitem produzir a mesma quantidade de leite por vaca e por dia (tabela 4). No entanto, em relação ao valor amido + açúcar e glúcidos rápidos (este último permite avaliar a proporção de energia rapidamente fermentescível no

Proteina Digestível por Dia

Kg/dia

2,14

2,15

2,20

18 julho . agosto . setembro 2016 Ruminantes

Proteina Bruta DT

rúmen necessária à população microbiana), os arraçoamentos B e C apresentam valores mais adequados às vacas que se encontram em início e meio de lactação (figura 2) e, assim, não penalizam a curva de lactação dos animais

resultando num aumento de produção durante a lactação. No caso dos glúcidos rápidos, quando este valor é deficitário existe uma baixa eficácia leiteira e uma baixa atividade ruminal. Já quando estes valores estão em excesso


ALIMENTAÇÃO

figura 2 Recomendações do valor de Glúcidos Rápidos em rações à base de silagem de milho. 17

tabela 4 Balanço energético dos arraçoamentos.

20

Balanço Energético

Arraçoamento

Unidade

A

B

C

Litros

34,43

34,43

34,43

UFL/Kg MS

0,93

0,93

0,93

Amido + Açúcar

% MS

27,00

30,71

30,12

Glúcidos Rápidos

% MS

15,55

18,89

17,34

17

GTD

% MS

50,85

52,10

51,34

Falta de eficácia leiteira

Risco de acidose

Matéria Gorda Bruta

% MS

3,87

3,44

3,50

Baixa atividade ruminal

Diminuição do TB do leite

PL por UFL UFL Carência

Excesso

Vacas em inicio e meio de lactação 14

Carência

Excesso

tabela 5 Balanço de fibrosidade dos arraçoamentos.

Vacas em fim de lactação Balanço Fibrosidade

haverá o risco de acidose e consequentemente da diminuição do teor butiroso (TB) do leite.

Fibrosidade No que diz respeito à fibrosidade (tabela 5), os arraçoamentos apresentam valores bastante aceitáveis de forma a não haver problemas digestivos.

Análise económica Finalmente, uma análise económica torna-se imprescindível para comparar a importância da utilização desta forragem na alimentação de vacas leiteiras. Através da observação da tabela 6 podemos concluir que os arraçoamentos com beterraba forrageira (B e C) a 25 €/ton permitem obter um resultado económico vantajoso de, pelo menos, 4 e 7 €/1000 litros, B e C respetivamente. No entanto, neste benefício está a ser considerado apenas a diferença de preço de cada arraçoamento para a mesma produção, mas como vimos anteriormente em termos energéticos, mais precisamente amido + açúcar e glúcidos rápidos, os lotes com beterraba

forrageira permitem um melhor início de produção e, consequentemente, maior quantidade de leite produzida durante a lactação. Resumindo, a beterraba forrageira permite limitar a compra de concentrado e, ainda, reduzir o custo alimentar por litro de leite produzido. Além deste benefício, as beterrabas modificam a composição da mistura dos ácidos gordos voláteis produzidos ao nível do rúmen. A contribuição da sacarose diminui a produção de ácido acético, beneficiando a produção de ácido butírico (Demarquilly, 1972). Isto explica os resultados obtidos em seis ensaios do INRA (Institut National de la Recherche Agronomique) sobre os efeitos do aporte de 2 a 4 kg (3 em média) de MS de beterraba por dia e uma diminuição média correspondente de 1,7 kg de MS de alimento concentrado. Como resultado, houve uma melhoria da qualidade do leite mantendo-se a produção: aumento do teor butiroso do leite (TB) em 1,1 g/kg e do teor proteico (TP) em 0,85 g/kg.

20 julho . agosto . setembro 2016 Ruminantes

Arraçoamento

Unidade

A

B

C

Fibra Bruta

% MS

18,75

17,96

18,11

NDF

% MS

40,64

38,12

38,34

ADF

% MS

21,18

20,37

20,40

ADL IF

% MS

2,33

2,38

2,37

min / kg MS

35,00

35,00

35,00

tabela 6 Análise económica.

Análise económica

Arraçoamento

Unidade

A

B

C

Custo Total

€/animal

4,32

4,22

4,20

Custo Total/1000 L

€/1000 L

137,24

133,20

130,33

Custo Concentrado

€/animal

2,81

2,56

2,67

Custo Concentrado/1000 L

€/1000 L

89,45

80,60

82,90

Margem Bruta/dia

€/animal

4,49

4,66

4,82

Margem Bruta/1000 L

€/1000 L

142,76

146,80

149,67

Conclusão A beterraba forrageira é um excelente alimento energético para vacas leiteiras. O custo de UFL/ha é bastante competitivo quando comparado com outras forragens. Além das vantagens descritas anteriormente, a beterraba forrageira permite aumentar a autonomia dos produtores, manter o perfil nutricional dos arraçoamentos com vantagens técnico-económicas consumindo menos concentrado e, ainda, melhorar a qualidade do produto obtido (Demond, 1985).

Referências bibliográficas Não foram incluídas por uma questão de espaço editorial, mas o autor disponibiliza bastando enviar um email.


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forragens

Forragens de qualidade Um alimento essencial Martin Dekker, responsável de Exportação da Barenbrug, esteve em Portugal a convite da Lusosem, representante da marca no nosso país, onde visitou várias explorações. A Ruminantes aproveitou para saber como a Barenbrug vê o futuro do mercado das forragens. POR ruminantes

de fibra e proteína. O conceito consiste na utilização de variedades melhoradas de festucas, assegurando uma atividade ótima do rúmen das vacas. Por outro lado, o seu elevado valor nutricional, assegura a produção de leite rico em gordura e proteínas.

Ruminantes - Como antevê a evolução do mercado das forragens no Sul da Europa? Martin Dekker – Os agricultores estão cada vez mais cientes de que uma alimentação animal à base de forragens de gramíneas e leguminosas desempenha um papel cada vez mais importante na produção de leite e de carne. Para expressar todo o seu potencial produtivo, o efetivo pecuário deve ser alimentado com programas nutricionais, onde as forragens de qualidade são uma componente fundamental. As gramíneas e as leguminosas são uma excelente fonte de proteína, tanto do ponto de vista quantitativo como qualitativo. O agricultor pode aumentar os rendimentos obtidos investindo na produção de proteína na sua própria exploração, recorrendo a sementes de elevada qualidade. Considero por isso, que a produção de forragens vai continuar a aumentar, sendo um fator chave o recurso a variedades de elevada qualidade.

FIGURA 1 Martin Dekker a inspecionar o corte da forragem.

O que prevê de inovação nesta área? Para além do aumento da utilização de variedades de espécies anuais, consideramos que a procura de misturas de forragens contendo festuca tende a aumentar. A Barenbrug desenvolveu o NutriFibre, um programa especialmente dedicado aos produtores de leite e carne, no qual as misturas foram selecionadas com base nas necessidades do mercado do Sul da Europa. Este programa está disponível também em Portugal. São variedades resistentes ao calor e à seca, graças ao seu sistema radicular volumoso e profundo. O NutriFibre é uma excelente combinação para obter um elevado teor

22 julho . agosto . setembro 2016 Ruminantes

A crise do leite na Europa favorece a utilização de forragens? Na atual conjuntura de preços baixos do leite, a produção de forragem de elevada qualidade vai ao encontro da necessidade de reduzir custos na exploração. A utilização de variedades de genética superior é um fator chave para um bom rendimento na exploração. Vários estudos demonstram que os agricultores que utilizam maior teor de forragens na ração diária têm um menor custo de produção por litro de leite. Em situações de crise o agricultor tende a retrair-se, comprando o mais barato, no entanto, investir em forragens de qualidade compensará a longo prazo. Utilizando boas variedades facilmente obtemos uma mais-valia de 100€/hectare. Considera que as regras do Greening podem ter um impacto positivo no crescimento do mercado das forragens? As regras do Greening exigem que os agricultores instalem culturas forrageiras ou leguminosas num mínimo de 5% a 10% da área útil da exploração. É por isso provável que esta exigência contribua para o aumento da procura de sementes forrageiras certificadas, embora seja difícil prever até que ponto, pois o agricultor também pode optar por outras culturas. Porque razão as culturas forrageiras são uma opção para o agricultor? Além das vantagens já enumeradas, é preciso dizer que as forragens são a melhor opção do ponto de vista da saúde animal


forragens

FIGURA 2 Azevém cortado no solo.

e da produtividade. Vacas saudáveis produzem mais leite e reduzem os gastos com veterinários. No campo, variedades forrageiras de qualidade proporcionam um excelente teor de matéria seca e um ótimo rendimento em proteína. Além do mais, as forragens são fáceis de cortar e de ensilar. Além de uma boa genética, quais as práticas mais relevantes para obter uma forragem de qualidade? A boa gestão e maneio da cultura permite tirar o máximo potencial das sementes utilizadas. É fundamental preparar o solo de forma adequada e aplicar azoto, potássio e fósforo em quantidades suficientes. A gestão da cultura durante a fase de desenvolvimento, a altura e épocas de corte/ pastoreio e as técnicas de preparação do silo são alguns dos fatores críticos para a produtividade e qualidade da forragem. As variedades e misturas Barenbrug estão bem adaptadas aos solos e clima de Portugal? Enquanto obtentor de sementes, a Barenbrug busca constantemente inovação que gere valor

acrescentado ao agricultor. Possuímos 15 polos de I&D, abarcando as principais regiões edafoclimáticas do planeta. Esta estratégia tem como resultado o desenvolvimento de produtos inovadores e adaptados a cada região. Todas as variedades Barenbrug vendidas em Portugal são previamente testadas em ensaios realizados no país e os resultados são mostrados aos agricultores através de field tours que organizamos em parceria com a Lusosem. Qual a ambição da Barenbrug no mercado português? A Barenbrug está empenhada em ajudar o agricultor a aumentar a produtividade e a qualidade da forragem. Através de um vasto portfólio de sementes de qualidade, misturas de sementes e de tecnologia inovadora trabalhamos diariamente para tornar a produção de gramíneas e leguminosas forrageiras economicamente atrativa e sustentável. As nossas equipas, tal como a Lusosem em Portugal, promovem a introdução de novas variedades e tecnologias e prestam formação, apoio técnico e comercial aos distribuidores. Por último, mas de grande importância, a Lusosem inspira a Barenbrug a desenvolver novas soluções adaptadas aos agricultores portugueses.

ruminantes julho . agosto . setembro 2016 23


Alimentação

Rui Sousa médico veterinário, gestor produto Techmix para Portugal rui@genetica21.pt

Stress térmico e Reprodução Reidratação e recuperação fisiológica como estratégia de mitigação dos efeitos do stress térmico O stress térmico ocorre quando a capacidade de dissipação de calor é excedida pelo conjunto do calor gerado por mecanismos metabólicos internos e calor proveniente de fontes ambientais. A humidade também é um fator contribuinte importante, sendo o Índice de Temperatura e Humidade (ITH) tido como método principal de medida do stress térmico. O impacto económico do stress térmico na produção animal é gigantesco. Só nos EUA estima-se uma perda anual de mil milhões de dólares na produção de leite. Associado às alterações climáticas que prevêem um aumento significativo das temperaturas e dos fenómenos extremos, tornase imperativo um olhar atento para este problema. A vaca leiteira afetada pelo calor inicia uma série de respostas comportamentais e fisiológicas que a ajudam a arrefecer e a mitigar os seus efeitos negativos. Uma das mais importantes é a diminuição da ingestão de matéria seca, que pode levar a um balanço energético negativo com consequências nefastas para o animal. (ver figura 1)

Figura 1 Sequência de efeitos relacionados com o stress térmico.

Diminuição de estradiol

Diminuição de GnRH e LH

Balanço energético negativo

Redução da ingestão matéria seca

• Reduzida expressão do cio • Pobre qualidade oócito

Perdas embrionárias

Infertilidade

Ambiente uterino comprometido

Stress Térmico

Consequências reprodutivas A performance reprodutiva da vaca leiteira diminui durante o período de stress térmico por 3 mecanismos principais: 1. Redução da intensidade

24 julho . agosto . setembro 2016 Ruminantes

do cio - A redução da expressão do cio envolve a redução de atividade de monta (50%) e um menor período de cio. Pode estar relacionada com a menor

produção de hormonas (LH e estradiol) e uma redução de atividade física como forma de limitar o aumento de temperatura. As falhas na deteção do cio podem


Alimentação

chegar aos 80%. 2. Redução da taxa de fertilização - A redução da taxa de fertilização deve-se ao facto de o(s) oócito(s) que iniciarem o seu desenvolvimento durante um período em que a vaca esteja a sofrer os efeitos do stress térmico terem uma fertilidade reduzida 90 a 110 dias mais tarde quando estiverem prontos para a ovulação (outono/início do inverno). Os efeitos prejudiciais do stress térmico na reprodução não acontecem apenas no momento em que esse stress ocorre, prolongamse por vários meses. 3. Comprometimento da sobrevivência do embrião - O embrião

no seu estado inicial é termossensível, no entanto adquire resistência a partir dos cinco dias de idade (estado de mórula). Apesar disso podem ocorrer mortes embrionárias mais tarde, relacionadas com menor fluxo sanguíneo uterino e menor produção e circulação de hormonas indispensáveis ao desenvolvimento embrionário. O défice nutricional contribui para um anestro pós-parto mais prolongado. Existe uma relação inversa entre o balanço energético e o momento em que a atividade ovárica pós-parto é reatada Existem também consequências imunitárias devido ao stress térmico. A incidência de problemas de

saúde como mastites, retenção placentária, metrite ou cetose aumenta significativamente, podendo estar relacionada com o défice energético durante as fases de stress térmico. Estas doenças têm um impacto muito negativo na reprodução.

Figura 1 Vaca com stress térmico.

Durante o Stress Térmico

Arrefeça as suas vacas de dentro para fora

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ruminantes julho . agosto . setembro 2016 25


Alimentação

Bovine Bluelite (BBL)

Figura 2 Vaca com stress térmico.

Arrefecer as vacas de dentro para fora A presença de sistemas de controlo ambiental é essencial para reduzir a magnitude dos efeitos do stress térmico. A presença de sombras e água fresca e limpa disponível é obrigatória. O arrefecimento com sistemas mistos de ventilação e aspersores permitem uma melhor dissipação do calor levando a um abaixamento da temperatura dos animais. No entanto, estes sistemas sozinhos não são suficientes e existe ainda uma grande variedade de ferramentas que permitem mitigar os efeitos do stress térmico. Deve-se encorajar a ingestão de matéria seca, de forma a manter o balanço energético e a atingir os níveis adequados do pH ruminal. O que não deve ser deixado de lado é a hidratação. Deve ser fornecida água limpa e em abundância. Durante períodos de stress térmico uma vaca pode ingerir mais de 100 litros de água por dia. A hidratação apropriada sustenta a saúde celular que é necessária para manter a saúde animal e a reprodução. Outro parâmetro importante é o reequilíbrio eletrolítico. Deve-se ter em conta as perdas de potássio, sódio e magnésio dado serem importantes na regulação hídrica. Alguns elementos como a betaína e a niacina, demonstram ter a capacidade de diminuir a temperatura corporal e devem ser tidos em conta. A betaína é um osmólito chave, que promove a integridade celular e o correto balanço de fluídos.

26 julho . agosto . setembro 2016 Ruminantes

A Techmix, líder no desenvolvimento de produtos de reidratação animal, desenvolveu uma solução nutricional para os momentos de stress térmico, o Bovine Bluelite (BBL). Constitui uma fonte palatável de energia e eletrólitos que fornece o correto reforço nutricional no momento adequado. Promove reidratação, reforça a saúde hídrica celular, mantém o balanço eletrolítico e apoia a saúde reprodutiva das vacas sob os efeitos do stress térmico. Durante o Verão de 2015, foram efetuados ensaios de campo em duas explorações leiteiras em Espanha. O objetivo era documentar os efeitos do BBL em vacas em lactação sob o efeito de stress térmico durante um período extenso de tempo (60 dias, com um ITH máximo médio de 79,1). Em cada exploração foi criado um grupo controlo (sem BBL) e um grupo com BBL, os dois com as mesmas condições nos estábulos. A análise dos resultados mostrou marcadas melhorias na produção de leite (+1,4-1,7 kg/dia) e na taxa de prenhez (+2,8-3,1), tendo sido também registado uma diminuição de 8 a 10 em dias em aberto. Utilizando uma análise económica baseada na Universidade de Wisconsin Madison, o valor económico da melhoria na taxa de prenhez observada varia entre 70 a 83 €/vaca/ano, o que reflete um retorno do investimento muito elevado.

Conclusões Os principais componentes funcionais no Bovine Bluelite foram especificamente adicionados para responderem aos desafios fisiológicos que o corpo da vaca enfrenta durante os efeitos do stress térmico. Os sistemas de controlo ambiental da temperatura são uma importante ajuda durante os períodos de stress térmico, mas apenas as soluções nutricionais como o BBL podem rápida e efetivamente responder às necessidades fisiológicas da vaca. BBL é exatamente o tipo de nutrição que a vaca sob stress térmico necessita, administrada no momento certo.

Referências bibliográficas Não foram incluídas por uma questão de espaço editorial, mas o autor disponibiliza bastando enviar um email.

Melhorar o balanço energético negativo pós-parto, reduzindo a produção de leite No dia 1 de junho o Doutor Pierre Lacasse apresentou no Simpósio Global de Ruminantes da Phileo, uma solução alternativa para o problema do balanço energético negativo no pós-parto em vacas leiteiras. A grande mobilização de energia no começo da lactação leva a uma grande mobilização de reservas corporais (cálcio e fósforo, por exemplo) e pode dar origem a um balanço energético negativo, levando a que os animais se tornem mais suscetíveis a doenças como a cetose ou a lipidose hepática ou até mesmo a mastites. Pierre Lacasse e os seus colegas do Centro de Investigação e Desenvolvimento Sherbrook, no Quebec, estudaram a hipótese de reduzir a produção de leite na primeira semana pós-parto para que a mobilização energética fosse mais gradual. Inicialmente experimentaram reduzir o número de ordenhas nos primeiros 5 dias após o parto para apenas uma, mas isso fez com que estas vacas nunca conseguissem recuperar a curva de lactação normal, quando comparadas com vacas que foram sempre ordenhadas duas vezes desde o primeiro dia de lactação. A segunda experiência baseouse em manter o número de ordenhas desde o início (2 ordenhas por dia), mas reduzir o leite ordenhado nos primeiros cinco dias pós-parto para um terço do normal. Estas vacas, quando comparadas com vacas cujo leite tinha sido retirado na totalidade desde o dia do parto, revelaram melhores perfis metabólicos e imunitários e foram capazes de exibir uma curva semelhante de produção, não prejudicando assim a produção total de leite. Uma vez que a redução de leite ordenhado é efetuada numa altura em que o colostro é produzido, esta não prejudica significativamente o produtor a nível financeiro, sendo mais uma questão de mudança de maneio nos dias imediatamente após o parto.


Produção

QUEIJOS FORTUNATO “MELHOR DOS MELHORES” Entrevista a Henrique Carvalho e Ana Fortunato (sócios gerentes). por ruminantes

Em Tolosa, freguesia do concelho de Nisa, distrito de Portalegre, encontramos a queijaria Queijos Fortunato, um negócio familiar que remonta a várias gerações. Situada num dos maiores núcleos de produção queijeira nacional, tem primado pelos seus produtos de qualidade, já várias vezes premiados. Recentemente, no 6º Concurso Nacional de Queijos Tradicionais Portugueses, viu mais uma vez reconhecido o seu mérito, com a atribuição do prémio ‘Melhor dos Melhores’ ao seu Queijo Curado de Cabra, o qual também recebeu a medalha de Ouro, e com a atribuição da medalha de Prata ao Queijo Curado de Ovelha. A Ruminantes foi conhecer o que de bom se faz neste empreendimento que, para além da queijaria, possui ainda os seus próprios efetivos de ovinos e caprinos, os quais produzem a totalidade do leite utilizado no fabrico de vários produtos.

Como é que este empreendimento começou? A queijaria foi o primeiro empreendimento, há cerca de 30 anos, e tem-se mantido um negócio familiar até hoje. A exploração de ovinos surgiu há 20 anos, não por necessidade de leite, que na altura era abundante, mas por gosto pessoal por parte do meu sogro. O rebanho tem vindo a ser melhorado, nomeadamente em termos de raças utilizadas. Atualmente trabalhamos com três raças: Merina, Saloia, introduzida em 2003 e Lacaune, introduzida em 2012, com o objetivo de melhorar a qualidade final do leite. A tendência no futuro será a substituição das Saloias, para as quais é já difícil encontrar reprodutores, por animais da raça Lacaune. A introdução de caprinos deu-se em 2005, com a necessidade de leite de cabra por parte da queijaria face à grande escassez de explorações de cabras

28 julho . agosto . setembro 2016 Ruminantes

leiteiras na zona. Na altura produzíamos o denominado ‘Queijo Mestiço de Tolosa’, um IGP. Decidimos então investir numa exploração de leite de cabra, em paralelo com a continuidade da exploração de ovinos. Adquirimos 200 animais em Espanha, na altura, e desde então temos continuado a adquirir reprodutores de outros criadores, sempre de raça Murciana, a qual nos dá boas garantias de relação positiva entre quantidade e qualidade do leite em termos de gordura e proteína. Acabam no fundo por ser três empreendimentos distintos: o de ovinos, o de caprinos e a queijaria. Quais os diferentes tipos de queijo que fabricam? Temos essencialmente três tipos de queijo: de cabra, de ovelha e de mistura. Os nossos produtos incluem o queijo curado, queijo fresco, requeijão e o atabefe, obtido pela pasteurização do soro de leite, e conhecido por alguns clientes como ‘leite gordo’. A oferta dos diferentes produtos é constante todo o ano? Sim. Assegurar essa oferta constante foi uma das razões pelas quais optámos pela introdução, há cerca de sete anos, da técnica de inseminação artificial nas ovelhas devido à escassez de reprodutores de raça Saloia. Nas cabras, fazemos lotes de animais a ser cobertos a cada dois meses para assegurarmos uma produção de leite constante ao longo do ano.

Considerando os queijos de ovelha e cabra, quais se têm destacado em termos de vendas? Ambos vendem bem, mas o queijo de cabra tem vendido melhor. Achamos que tal se possa dever à acrescida visibilidade que ganhou com os recentes prémios, bem como ao facto de ter menos gordura, o que parece ser uma preocupação dos consumidores, especialmente nesta altura do verão. O modo de produção tem-se mantido constante ao longo dos anos ou sofreu algumas alterações? Essencialmente sim, temse mantido constante, e as alterações que introduzimos prendem-se com imposições de legislação, como as câmaras para um maior controlo de temperatura e humidade e a proibição de utilização de madeiras. Qual é o plano alimentar dos rebanhos? Decidimos optar, desde 2014, pela utilização dos sistemas Caprikomplet e Ovikomplet, da Nanta, os quais nos permitem assegurar a homogeneidade dos teores de proteína e gordura do leite ao longo do ano. Antes disso utilizávamos o sistema unifeed, mas estávamos dependentes das grandes oscilações das matérias-primas ao longo do ano, não possuíamos condições de armazenamento ideais e o custo de armazenamento durante os meses de verão era bastante elevado, e cerca de 1/3 do produto acabava por se estragar. O custo com a alimentação é para nós mais baixo agora em


Produção

preocupação e cuidados com o produto são maiores, assegurando a manutenção das suas características de qualidade até chegar ao consumidor final.

cerca de 30% com o alimento composto em comparação com o unifeed. Para onde vendem? Qual a vossa rede de distribuição? A venda é feita principalmente no distrito de Portalegre, no qual a procura tem até ultrapassado a oferta. Os prémios que ganhámos recentemente têm-se refletido numa maior procura por parte dos grandes centros urbanos, como Lisboa, Coimbra e Porto, para os quais, num futuro próximo, estamos a pensar alargar a nossa rede de vendas. Trabalhamos com uma transportadora, que por exemplo para alguns clientes que já possuímos em Lisboa, distribui a cada quinzena. Por outro lado, temos uma grande quantidade de clientes que se deslocam diretamente à nossa queijaria, e não temos revendedores. Como tentam chegar a novos clientes e mercados? Já pertencemos a outra geração por isso tentamos a expansão por outros meios, por exemplo através das redes sociais, tão difundidas hoje em dia. Não almejamos chegar a grandes superfícies comerciais, como os hipermercados, preferimos locais de menores dimensões, como os supermercados e algumas pequenas lojas, nos quais sentimos que a

Ganharam recentemente três prémios no 6º Concurso Nacional de Queijos Tradicionais Portugueses. O que diferencia os vossos queijos no mercado? Começará inicialmente pela questão da qualidade da matéria-prima, a qual consideramos ser multifatorial, tendo em conta fatores genéticos, alimentares e de maneio dos animais. A outra questão será o conhecimento e técnica de fabrico transmitidos ao longo de três gerações, e que estão constantemente a ser melhorados. É isso que ambicionamos com os nossos produtos: ter uma boa matéria-prima, o leite, sempre fresco já que o queijo é feito a partir das ordenhas do dia, tirando vantagem da proximidade da queijaria e da exploração. E depois temos a relação muito boa que a minha mulher, a Ana Fortunato, bem como a sua mãe, têm com o produto, são essencialmente elas que fabricam os queijos, seguindo a tradição de várias gerações. Quais são os objetivos para o futuro? O nosso objetivo para o futuro é essencialmente tentar chegar a novos mercados, mantendo sempre os elevados padrões de qualidade pelos quais nos regemos, dando a conhecer o nosso produto a mais pessoas. Assegurar a qualidade do leite está sempre no topo da nossa lista de prioridades, nomeadamente o melhoramento constante em termos de gordura e proteína, o que tem grande importância na queijaria. No que toca à composição do leite de cabra, almejamos chegar a teores de 4% de proteína bruta e 9.5% de extrato seco. Outro dos nossos grandes objetivos para o efetivo caprino é o melhoramento da conformação do úbere, para nos ajudar a tirar ainda melhor partido da raça.

Dados Técnicos da Exploração “Vale das Sebes” Área da exploração: 110 hectares (3 para o efetivo caprino e 107 para o efetivo ovino) Alimentação dos animais: Utilização exclusiva de alimento composto durante todo ano. Número de empregados: 7 (2 na exploração de caprinos, 2 na exploração de ovinos e 3 na queijaria), para além de 4 elementos de mão-de-obra familiar. Raças utilizadas • Ovinos: Merina, Saloia e Lacaune • Caprinos: Murciana Efetivo total • Ovinos: 632 • Caprinos: 527 Número de animais em ordenha • Ovinos: 205 • Caprinos: 333 Número de ordenhas diárias 2 nas cabras e nas ovelhas. Pequena descrição das salas de ordenha Ambas as salas utilizam o sistema de saída rápida, com 24 pontos de ordenha na sala das cabras e 18 na sala das ovelhas. Produção leiteira diária por lote Ovinos • Paridas em novembro - 0,6 l/ovelha/dia • Paridas em janeiro - 1,1 l/ovelha/dia • Paridas em março - 1,3 l/ovelha/dia Caprinos • 1ª barriga: 2,5 l/cabra/dia • Paridas em fevereiro: 2,7 l/cabra/dia • Paridas em abril: 2,2 l/cabra/dia • Paridas em setembro: 1,5 l/cabra/dia Produção leiteira total anual por animal • Ovelha: 231 litros/animal em 2015, num efetivo de 406 adultas • Cabra: 654,89 litros/animal em 2015, num efetivo de 374 adultas Leites • Ovelha: GB(%): 8,43 | PB (%): 4,99 Extrato seco (%): 10,41 • Cabra: GB (%): 6,06 | PB (%): 3,79 Extrato seco (%): 9,30

ruminantes julho . agosto . setembro 2016 29


Alimentação

Butirato de sódio

para ter as suas vitelas preparadas para um bom arranque por Departamento de Ruminantes da Nutriad

A rentabilidade de várias explorações leiteiras foi colocada sob pressão nos últimos anos devido aos baixos preços do leite e ao aumento dos custos com a alimentação. O custo de criar uma vitela e da recria uma novilha até ao primeiro parto pesa muito numa exploração. Este custo foi estimado ser próximo ou igual à rentabilidade que uma vaca de alta produção pode gerar durante as duas primeiras lactações (UE: 60-90€/mês, EUA: 70-110$/mês). Tendo em conta que o número médio de lactações por vaca está agora abaixo das 2,5 para a maioria das explorações modernas, uma cria/recria de sucesso de vitelas saudáveis para substituição tornou-se um fator crucial. O estado de saúde e o progresso do crescimento de um vitelo durante os primeiros 3 meses têm uma enorme influência na longevidade da performance e portanto no retorno sobre o investimento. Quando os problemas de saúde podem ser evitados neste período crítico, isto resultará em menos perdas de vitelos, melhor taxa de crescimento, primeiro parto mais cedo e melhores produções de leite, melhorando as condições das explorações, tornando-as economicamente mais viáveis. Desde a proibição do uso de antibióticos promotores de crescimento (APC) na EU, os ácidos orgânicos receberam

considerável atenção como possíveis alternativas em leites de substituição e no leite inteiro. Além das funções conservantes e bacteriostáticas, reduzindo o pH do leite inteiro ou do leite de substituição, alguns destes ácidos orgânicos, e em particular o ácido butírico, mostraram efeitos fisiológicos benéficos adicionais na saúde intestinal. tabela 1 O efeito do butirato de sódio (0.3%) em leite de substituição e em mistura starter no peso corporal, estado de saúde e desenvolvimento do retículorúmen e da parede do rúmen das vitelas (Gorka et al., 2009).

30 julho . agosto . setembro 2016 Ruminantes

Ácido butírico para um ÓTIMO desenvolvimento do trato intestinal No vitelo pré-ruminante, o alimento líquido (colostro, leite ou leite de substituição) é a mais importante fonte de nutrientes. O alimento líquido ultrapassa o reticulorúmen e entra no abomaso e no intestino delgado, os principais locais de digestão. Em comparação com o leite, o leite de substituição estimula menos o desenvolvimento do abomaso e do intestino delgado, devido à potencial presença de fatores antinutricionais e à falta de substância bioativas normalmente presentes no colostro e no leite (p.ex. hormonas e fatores de crescimento), resultando numa desaceleração do desenvolvimento intestinal.

A suplementação com butirato no leite de substituição reverteu estes efeitos negativos (Gorka et al., 2009). Foi também demonstrado que o butirato aumenta a secreção de enzimas digestivas e é absorvido na porção anterior do intestino delgado em várias ocasiões. O desenvolvimento do rúmen é um fator determinante para o início da ingestão de alimentos sólidos e para a futura performance dos bovinos. Um desenvolvimento precoce e completo da parede do rúmen e das suas papilas é necessário para aumentar a capacidade deste órgão de absorver substratos energéticos produzidos no rúmen, e permite uma ótima performance. Controlo

Butirato de sódio

5 dias de vida

45,3

47,7

NS

12 dias de vida

42,2

47,9

p < 0,10

Peso corporal (Kg)

19 dias de vida

42,8

47,9

p < 0,10

45,6

49,7

p < 0,05

0,3

2

p < 0,10

Dias

26 dias de vida Ganho médio diário de peso Dias com diarreia Condição corporal (escala de 1 (mau) a 5 (muito bom))

1,57

0,14

p = 0,03

4,84

4,94

p = 0,10

49,8

p < 0,01

% dos 4 compartimentos gástricos

Retículo-rúmen

42,6

µm

Comprimento das papilas Diâmetro das papilas

314

516

p < 0,01

150

228

p < 0,01


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Alimentação

Os produtos obtidos da fermentação no rúmen, como os ácidos gordos voláteis (p.ex. ácido butírico e ácido propiónico), são os principais estimulantes do desenvolvimento do epitélio do rúmen. A suplementação com butirato demonstrou estimular o desenvolvimento das papilas do rúmen, sendo que este é a fonte preferencial de energia para as células do epitélio ruminal. (tabela 1)

FIGURA 1 (a, b) Performance e estado de saúde das vitelas de reposição com ou sem butirato de sódio. Respetivamente, Ganho Médio Diário (GMD) com intervalo de 14 dias (a) e estado de saúde das vitelas (b). a) GMD das vitelas Holstein alimentadas com leite inteiro pasteurizado com ou sem 0.2% butirato de sódio (Adimix Pro) 1,100

Controlo

1,000

Adimix Pro

Butirato de sódio como promotor de saúde e de crescimento Os efeitos estimulantes do butirato de sódio tanto nos vitelos pré-ruminantes como nos ruminantes, não só resultam na melhoria da performance (maior disponibilidade de nutrientes), mas também na melhoria do estado de saúde; duas situações que são rotineiramente observadas em vitelos que recebem dietas suplementadas com butirato. O efeito positivo do butirato no crescimento e no índice de conversão surge de forma muito óbvia nas primeiras semanas de vida quando os vitelos são alimentados com leite de substituição, mas parece prolongar os efeitos nas fases seguintes do crescimento da novilha (e potencialmente na vida produtiva da vaca). Nos vitelos recém-nascidos, o

efeito da suplementação com butirato de sódio, tanto no leite de substituição como na ração starter, reduz episódios de diarreia e conduz a um estado de saúde melhorado nas primeiras semanas de vida. A adição de butirato de sódio estimulou o desenvolvimento do rúmen: a proporção do peso do rúmen aumentou tal como o comprimento e diâmetro das papilas do rúmen, aumentando assim a superfície de absorção ruminal (Gorka et al., 2009). Um ensaio numa vacaria moderna na Hungria em 2010 demonstrou que a melhoria na saúde observada em vitelas com butirato de sódio no leite de substituição pode também ser obtida com o leite inteiro. Como se pode observar na figura 1, as diferenças em ganho de peso e estado de

Melhorando a homogeneidade do efetivo Para fins de maneio e subsequentes objetivos de reprodução, a homogeneidade dos grupos de vitelos ao desmame é um parâmetro importante. A variabilidade no peso vivo entre vitelos no ensaio húngaro, como mencionado acima, foi similar em ambos os grupos controlo e 0,2% butirato de sódio durante as primeiras 6 semanas do ensaio. Contudo, daí em diante a variabilidade no peso vivo no grupo controlo mostrou um aumento numérico até 13%, enquanto a variabilidade no grupo tratado com butirato de sódio mostrou uma diminuição numérica até cerca de 7%. A suplementação com butirato de sódio conduziu a um grupo mais homogéneo, com ainda menos vitelos de baixo peso.

GMD, g

0,900 0,800 0,700 0,600 0,500 0,400 0,300

11 set

11 out

25 out

10 nov

23 nov

Período (2 semanas de intervalo desde a nascença)

b) Estado de saúde das vitelas Holstein alimentadas com leite inteiro pasteurizado com ou sem 0.2% butirato (Adimix Pro) 12

11

10

9

8 6

5

4

3

2 0

Dias de tratamentos médicos

saúde foram significativas entre o grupo controlo e o grupo que recebeu butirato de sódio (p<0,05). O peso vivo aos 90 dias de idade foi 3,6 kg superior no grupo que recebeu o butirato de sódio (103,7 e 104,1 kg, respetivamente) (figura

Vitelos tratados (n)

1a). Comparando com o grupo controlo, os dias com tratamento médico e o número de vitelos tratados para distúrbios digestivos ou respiratórios diminuíram para menos de 50% no grupo com butirato de sódio (fig.1b).

Conclusão Em suma, os estudos mostraram repetida e consistentemente que o butirato de sódio é um aditivo de valor para o leite inteiro, para o leite de substituição e/ou para a ração starter para manter as vitelas de substituição saudáveis e para melhorar a sua performance e homogeneidade. O nível geral de melhoria da performance que pode ser esperado a uma dose de 0,2% a 0,3% (da MS) de butirato de sódio é na ordem dos 5%, providenciando uma base para uma vida com um início mais precoce, mais duradoura e mais produtiva da vaca leiteira.

Referências bibliográficas Não foram incluídas por uma questão de espaço editorial, mas é disponibilizada bastando enviar um email para info@tecadi.pt.

32 julho . agosto . setembro 2016 Ruminantes


ALIMENTAÇÃO

Stress por calor em bovinos de carne Durante a adaptação e em períodos de stress por calor, Levucell®SC melhora o pH do rúmen e o crescimento dos novilhos com dietas ricas em amido. por departamento da Lallemand

CONTEXTO

OBJETIVO

O stress por calor é uma problemática muito presente nos ruminantes produtores de leite, contudo nos bovinos destinados à produção de carne os efeitos são menos visíveis, pelo que se dá menos importância a esta problemática. Ainda assim, as perdas por stress de calor em bovinos de carne podem alcançar os 10 kg/ animal/ano. Depois do desmame, os vitelos são transportados numa longa viagem até explorações onde vão ser engordados. Esta longa viagem, em conjunto com a alterações na dieta e a momentos em que a temperatura e a humidade são elevadas (THI elevado), tem um impacto direto na saúde do animal e nos resultados zootécnicos (problemas respiratórios, baixa ingestão, entre outros). Em Itália, este tipo de animais provêm de vários países da Europa e são alimentados com dietas com níveis elevados de amido, para obter carcaças específicas (jovens, rosadas com uma quantidade de gordura limitada). A adaptação à nova dieta fazse normalmente de forma rápida, em explorações de grandes dimensões e pode dar lugar a stress no rúmen.

Avaliar o impacto de LEVUCELL® SC em período stressante: a adaptação alimentar dos novilhos e o stress por calor. Composição da dieta (% MS)

MATERIAL E MÉTODOS

FND

28 %

Local: Exploração Isola della Torre, Itália

PB

13,2 %

Amido

39,4 %

Ano: 2015 Duração: 102 dias

FND - Fibra Neutro Detergente PB- Proteina Bruta

Animais: 54 Vitelos Charoleses de 420kg a 530kg.

Dietas: Silagem de milho 45%, palha 3%, polpa de beterraba 11%, milho grão húmido (pastone) 16%, milho moído 6,5%, sêmea de trigo 5%, 25% Proteína bruta, complementos (incluído mineral) 13,5%. Tratamentos: 1 - Controlo. 2 - Levucell®SC TITAN: 8*109 Unidades Formadoras de Colónias (UFC)/animal/dia (equivalente a 0,8g/animal/dia). Parâmetros: Peso vivo aos 0, 26, 62, 102 dias. pH do rúmen com bolus Smaxtec® em 3 animais/tratamento.

LEVUCELL® SC MELHORA O Ganho Médio Diário EM 10%. Gráfico 1 Diferença do Ganho Média Diário (GMD) entre o grupo controlo e o grupo que recebeu LEVUCELL® SC. 2,3

+17%

+8%

+5%

GMD (kg/d)

2,01

1,9

1,7

2,10

2,08

2,1 2,0

1,8

+10%

2,19

2,2 2,00

1,90

1,85

LEVUCELL® SC permite uma melhor adaptação tendo como resultado um melhor crescimento global.

1,71

1,6 1,5

34 julho . agosto . setembro 2016 Ruminantes

Periodo 1 (0-26d)

Periodo 2 (26-62d)

Periodo 3 (62-102d)

Periodo 3 (62-102d)

Controlo LEVUCELL® SC


- RCS Lallemand 405 720 194 - LSC_ADhp210x297_Port_092015

Não perca nem um grama

LEVUCELL® SC

valoriza o seu alimento e o rendimento da sua exploração LEVUCELL® SC, Saccharomyces cerevisiae CNCM I-1077 : • Aumenta o Crescimento: + 100* a 200* g/animal/dia • Melhora o Índice de Conversão: + 4 a 6% mais peso por kg de alimento ingerido • Optimiza o pH do rumen (menos acidose) e melhora a digestibilidade da fibra * Meta-análisis ADSA,USA, 2009 demonstrado com a estirpe I-1077.

Levedura específica para ruminantes

* Autorizado na União Europeia em bovinos destinados à produção de leite e de carne, ovelhas e cabras de leite, cordeiros e cavalos (E1711/4a1711/4b1711).

www.lallemandanimalnutrition.com Distribuido por :

Tel: +351 243 329 050 - Fax: +351 243 329 055


ALIMENTAÇÃO

LEVUCELL® SC AUMENTA O pH DO RÚMEN …

THI máximo THI médio

Gráfico 2 pH ruminal em THI máximo, médio e mínimo.

No 3º período (62-102 dias) com um elevado índice de temperatura e humidade (THI elevado, stress por calor), o efeito de LEVUCELL® SC é ainda maior: +0,55pt de pH no rúmen (p<0,01).

90

40

pH Rúmen

ph Rúmen

6,4

Controlo

6,2

LEVUCELL® SC

6,0 5,8 5,6

Tabela 1 Diferença de retorno económico entre o grupo control e o grupo com LEVUCELL® SC CONTROLO

LEVUCELL® Sc

1,90

2,10

Rendimento carcaça: 60%, Preço vivo: 1,92 €/kg de carcaça Custo de Levucell®SC: 0,05 €/a/d.

50

6,6

Levucell® SC é um bom produto durante o maneio da alimentação em adaptação e nos períodos de stress por calor. Com um pH mais elevado no rúmen, LEVUCELL® SC permite um melhor crescimento e benefício (tabela 1). Esta prova abre novas portas para os indicadores práticos de eficiência ruminal nas explorações.

3,65 €

60

6,8

LEVUCELL® SC AUMENTA O VOLUME DE NEGÓCIO COM UM ELEVADO RETORNO SOBRE O INVESTIMENTO

Benefício líquido

70

Gráfico 3 Diferenças no pH ruminal ente animais do grupo controlo e animais que consumiram LEVUCELL® SC

A laminite nos cornos é um bom indicador da eficiência do rúmen. Esta inflamação é devida à libertação da histamina no rúmen e nos vasos sanguíneos.

Volume de negócio (€/a/d)

80

30

… COM CONSEQUÊNCIAS POSITIVAS NOS INDICADORES PRÁTICOS

GMD (kg/d)

THI minimo

100

Índice de Temperatura e Humidade (THI)

LEVUCELL®SC aumenta o pH do rúmen em +0,.37pt (p<0,01) e reduz o tempo com pH<5,6 (3 horas para o Controlo versus 1 hora para LEVUCELL® SC; p<0,01) (Gráfico 3).

4,03 € +0,38 €/a/d

5,4 1

6

11

16

21

26

31

36

41

46

51

61

66

71

76

81

86

91

96

101

pH Rúmen

TECADI NA FÁBRICA DE LEVEDURAS DA LALLEMAND - Probióticos no combate ao Stress por Calor A Tecadi promoveu, em conjunto com a Lallemand, uma reunião técnica na fábrica de leveduras da Lallemand em Setúbal. Depois de uma primeira edição realizada há um ano que suscitou muito interesse e curiosidade por parte dos participantes, realizou-se a 2ª edição em abril passado, centrada no tema “Stress por Calor”. Esta visita tinha como tema a minimização do impacto que as altas temperaturas e os dias mais longos têm nos animais, apresentando ferramentas que permitem uma melhoria do conforto e bem-estar animal, com resultados positivos nos parâmetros zootécnicos. Nesta edição estiveram reunidos cerca de 25 participantes, clientes da Tecadi. Realizaram-se comunicações sobre o efeito do “Stress por Calor em bovinos e em suínos”, apresentadas por Manuel Ortigão (Tecadi) e Fernando Bravo de Laguna

36 julho . agosto . setembro 2016 Ruminantes

(Lallemand). Paula Soler e Marta Revuelta (Lallemand), apresentaram “Soluções para combater o stress por calor” em bovinos e suínos com o Levucell SC e Levucell SB. A última comunicação, a cargo de David Saornil (Lallemand) focou-se no tema “Antioxidantes, ferramenta essencial para combater o stress oxidativo”. A título meramente exemplificativo do que é produzir leveduras da Lallemand para a nutrição animal, a reunião incluiu uma visita à fábrica, única no país a produzir fermentos e leveduras para panificação, em que se visualizou todo o processo de produção a partir de uma cultura pura da estirpe Saccharomyces cerevisiae. Finalizouse a reunião com uma prova de vinhos produzidos com as leveduras da Lallemand, seguida por um almoço para partilha de conhecimentos e experiências.


economia

Quando tudo parecia encaminhado para um período longo de preços baixos, eis que...

observatório das matérias primas Por João Santos

farinha de soja 44 chegou a vender-se a pouco mais de 260 euros durante esse período. No entanto, atendendo à colheita recorde que se esperava na Argentina, a expetativa geral era que o mercado ainda poderia descer. Devido a esta expetativa, os fundos estavam com posições muito curtas, tal como muitas casas comerciais. Por outro lado, a instabilidade política no Brasil fez com que os agricultores esperassem para vender na expetativa da desvalorização do Real com a impugnação, mas o Real valorizou-se e os agricultores não venderam, porque receberiam em Reais, logo iriam receber menos pela sua soja. Pela mesma altura, na bacia de produção de soja da Argentina não parava de chover, e o que parecia ser uma colheita recorde de 62 milhões de toneladas (M ton.) acabou por ficar nas 57 M ton. No Brasil, a colheita que esperava superar 100 M ton. acabou por ser de 97 milhões, o que em si é um recorde. Se a isto somarmos um aumento do consumo da China de 80 para 83 M ton. (relatório USDA, de 10

As previsões para o ano de colheita 2016/17 do relatório de Procura&Oferta do Departamento de Agricultura Norte Americano (USDA), de 10 de maio têm vindo a influenciar o mercado e os fundos, levando a aumento dos preços para valores que já não se viam há três ou quatro anos. Por um lado, as chuvas intensas que assolaram a Argentina na altura da colheita da soja, e a seca que se fez sentir no Brasil quando os agricultores se preparavam para semear o milho (Safrinha), por um lado o aumento do consumo de soja na China em 2015/16 e as previsões de aumento em mais de 5 milhões de toneladas em 2016/17 foram os principais fatores que determinaram o volta-face.

Proteínas Entre o final de fevereiro e o início de março, os futuros da farinha de soja desceram aos 260 dólares, um valor como há muito não se via. Se o Euro já tinha estado mais alto e os prémios mais baixos, a verdade é que no Porto de Lisboa a CoLheitas mundiais milhões de tm

14/15

15/16

16/17

319,0

313,3

323,7

77,6

72,3

66,3

24 %

 23 %

 20%

1.008,8

966,4

1011,8

208,2

206,5

205,1

21 %

                22 %

                22 %

SOJA Produção mundial Stocks finais MILHO Produção mundial Stocks finais Fonte: USDA s&d Dez reporte

38 julho . agosto . setembro 2016 Ruminantes

maio) e uma previsão da procura para o ano 2016/17 na ordem das 87 M ton., o stock final mundial em 2015/16 baixaria das 80 M ton. Baseado nesta previsão, o stock mundial em fevereiro estaria nas 72 M ton, e no final de 2016/2017 situar-se-ia nas 66 M ton. Assim sendo, deixaria de haver espaço para as coisas poderem correr mal na colheita de 2016/17 nos EUA e passaríamos a estar dependentes do rendimento por acre ser de 45 ou 48 bushels e de a área semeada ser superior à agora assumida, ou não. Em junho, o preço da farinha de soja rondava 400 euros em Lisboa, mas até onde pode ir? No curto/médio prazo a resposta dependerá de vários fatores: 1. Os agricultores americanos terem semeado mais soja do que a assumida até agora (82,7 mil acres) 2. O rendimento ficar por 46,7 bushels, como o até agora assumido pelo USDA, ou de mais 48 como no ano passado. A área semeada será conhecida no relatório que o USDA publicou dia 30 de junho (Planted Acreage), e a resposta sobre o rendimento está relacionada com o weather market, tendo por corolário os relatórios de S&D do USDA, de 10 de agosto. 3. A China manter o aumento da procura. Sobre este ponto, o que podemos dizer é que hoje os suinicultores chineses estão com margens muito boas e os avicultores estão com margens positivas.

Ainda há muitas “bolas no ar” e os fundos, que ao longo desta subida de futuros acumularam muitos contratos (em fevereiro os fundos tinham mais de 200 mil contratos curtos de soja e agora estão mais de 200 mil contratos de soja largos), não parece que vão largar as posições largas até que estes 3 pontos não estejam claros. A farinha de colza e o bagaço de girassol acompanharam a subida de preço da soja mas em menor dimensão. Em termos de € por ponto de proteína, ficaram mais competitivas, e atendendo a que se esperam colheitas normais ou ligeiramente acima para estas duas culturas, enquanto a soja estiver ao preço atual, é de esperar que se mantenham competitivas em relação ao preço da farinha de soja.

Cereais À semelhança da soja em fevereiro/março, os futuros do milho atingiram o seu valor mais baixo de há vários anos, chegando a transacionar-se em Lisboa por pouco mais de 160 euros. A história do milho é semelhante à da soja, no entanto, neste caso o mais relevante é o impacto que a falta de chuva teve no período da sementeira da Safrinha, e que atualmente se estima numa perda de 6 milhões de toneladas. Por outro lado, quando o agricultor americano começou a semear a sua cultura de verão, entre o final de abril e o início de maio, assistiu à subida da soja


Evolução do preço de matérias primas

2011

Preços médios semanais no porto de Lisboa de 2011 a 2016 milho

2012 2013 2014

bagaço soja 44

2015 2016

€/ton 600

€/ton 310

550

290

500

270

450

250

400

230 350

210

5 a 9 Dez

19 a 23 Dez

7 a 11 Nov

21 a 25 Nov

10 a 14 Out

24 a 28 Out

26 a 30 Set

29 a 2 Set

12 a 16 Set

1 a 5 Ago

15 a 19 Ago

4 a 8 Jul

18 a 22 Jul

6 a 10 Jun

20 a 24 Jun

9 a 13 Maio

23 a 27 Maio

11 a 15 Abr

25 a 29 Abr

28 a 1 Abr

12 a 16 Mar

13 a 17 Fev

27 a 2 Mar

30 a 3 Fev

5 a 9 Dez

19 a 23 Dez

7 a 11 Nov

21 a 25 Nov

10 a 14 Out

24 a 28 Out

26 a 30 Set

29 a 2 Set

12 a 16 Set

1 a 5 Ago

15 a 19 Ago

4 a 8 Jul

18 a 22 Jul

6 a 10 Jun

20 a 24 Jun

9 a 13 Maio

23 a 27 Maio

11 a 15 Abr

25 a 29 Abr

28 a 1 Abr

12 a 16 Mar

13 a 17 Fev

27 a 2 Mar

30 a 3 Fev

2 a 6 Jan

250 200 16 a 20 Jan

170 150

2 a 6 Jan

190

16 a 20 Jan

300

em Chicago (que percentualmente foi superior à do milho) e pode ter decidido, à ultima hora, semear mais soja em detrimento do milho. Assim, se a área semeada de milho nos Estados Unidos for inferior à atualmente esperada pelo USDA terá como repercussão um efeito altista. E como se prevê um aumento do consumo de soja, o mesmo é esperado para o milho: um aumento do consumo mundial, de 2015/16 para 2016/17, de 45 milhões de toneladas. Aumento este que será acompanhado pelo incremento da produção de milho no Mar Negro e dos grandes produtores mundiais dos EUA, do Brasil e da Argentina. Desta forma, acabaremos com um nível de stock mundial muito equivalente ao atual, em 2016/17. O que são boas noticias, embora hoje o preço do milho em Lisboa esteja bem acima dos 190 euros/tm. Para concluir, não faço a mais pequena ideia de qual será a direção do Euro, os stocks mundiais nos cereais estão bem, mas ainda há incertezas sobre o tamanho da colheita do milho, em particular nos Estados Unidos, e na soja é necessário que tudo corra bem na colheita dos Estados Unidos, para que o preço se ajuste em baixa. Assim, o preço da soja nos 260 euros e do trigo e milho nos 160 euros, em Lisboa, são “coisa do passado” e de momento não parece que possamos voltar a esses valores nos próximos 6-9 meses. No entanto nunca se sabe, e assim, para quem não aproveitou e fechou algumas compras de matérias primas quando estas estiveram nos mínimos, a recomendação continua a ser a de manter sempre uma estrutura de custos competitiva e ponderar o racional/oportunidade de fechar margem contra as vendas (a preço fixo) do respetivo produto final.

ruminantes julho . agosto . setembro 2016 39


economia

observatório do Leite Por Inês Ajuda Fontes: Rabobank, LTO, USDA

40 julho . agosto . setembro 2016 Ruminantes

baixos tem vindo a ser o mais longo que o sector presenciou desde 2008. No período 2008-09, os preços mantiveram-se a níveis baixos durante 13 meses e em 2012, quando voltaram atingir valores baixos, estes apenas demoraram 4 meses a voltar a subir. Neste momento os preços já se mantêm baixos há 21 meses (gráfico 1). Apesar deste cenário ainda algo pessimista, os gigantes mundiais do sector leiteiro olham para a descida de produção de leite com um olhar de esperança e como um indicativo de que o mercado leiteiro irá melhorar no próximo ano.

da Rússia à importação de produtos lácteos que originalmente era apenas válido até agosto deste ano. Apesar de ainda não ter sido aprovado, de acordo com o Primeiro Ministro Dmitry Medvedev, o embargo deve prolongar-se pelo menos até ao final de 2017, tendo sido uma proposta já entregue ao Presidente Vladimir Putin. Apesar de haver alguma resistência por parte da UE à continuação das sanções contra a Rússia, foi reportado que os líderes mundiais não irão acabar com as sanções enquanto os acordos de paz com a Ucrânia não estiverem completamente resolvidos. O atual período de preços

Gráfico 1 Preços do leite na União Europeia desde maio 2009 até maio 2016.

6,000

1,400

5,000

1,200 1,000

4,000

800

3,000

600 2,000

400

1,000

200

-

Manteiga

Leite em pó desnatado (LPD)

Emmental

Soro de leite coalhado (SLC)

Mai 16

Nov 15

Mai 15

Mai 14

Nov 14

Nov 13

Mai 13

Nov 12

Nov 11

Mai 12

Mai 11

Mai 10

Nov 10

Nov 09

Mai 09

€/tonelada (manteiga, LDP e Emmental

Nos Estados Unidos é ainda esperada uma maior subida da produção de leite este ano do que a prevista anteriormente. No último relatório de estimativas de oferta e procura globais (maio 2016) o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reviu a sua previsão adicionando 264 milhões de litros de leite extra (aumento de 0.3%) à previsão anterior. A nova previsão indica um aumento de 1659 milhões de litros de leite em relação ao ano passado. O aumento da quantidade de leite previsto até ao final do ano deve-se a um aumento do número de vacas leiteiras e a uma melhoria da sua produção. As importações da China continuam a prejudicar a Nova Zelândia devido a uma diminuição da importação de leite em pó (menos 14% — 300 toneladas para o leite inteiro, e menos 10% — 180 toneladas para o leite desnatado). A importação de leite fluído (maioritariamente leite ultra pasteurizado) subiu 41 % (250 toneladas de leite), fazendo com que o impacto na União Europeia (UE) não fosse tão grande. Prevê-se agora o prolongamento do embargo

€/tonelada de SLC

A Fonterra (cooperativa de produtores de leite neozelandeses) anunciou no passado mês de maio um aumento de 8% ($0.35) no preço por quilo de leite para a época 2016/17 que se iniciou no mês de junho. Este aumento de preço deve-se a um adiantamento de dinheiro aos produtores para facilitar o equilíbrio das suas contas. A Fonterra comunicou que só foi capaz de aumentar o preço pago ao produtor graças a um balanço de contas bastante sólido e equilibrado. Este aumento também teve em vista a previsão da cooperativa de um aumento de preços no início do próximo ano, graças à diminuição de produção que já se faz sentir nas outras regiões do globo. A Comissão Europeia reportou no passado mês de junho uma diminuição da produção para as principais regiões leiteiras europeias. Esta diminuição, apesar de “tímida” (menos 0,4% do que em 2015), representa 350 milhões de litros de leite até ao final de 2016. Em países como a Holanda, a Itália e a Dinamarca, não se esperam diminuições em relação ao ano passado, devido a uma diminuição do número de animais refugados.


economia

preço do leite standardizado (1) países

leite à produção Preços médios mensais em 2015/2016 meses

eur/kg

teor médio de matéria gorda (%)

teor proteico (%)

companhia

preço do leite (€/100kg) abril 2016

média dos ultimos 12 meses (4)

alemanha

Alois Müller

24,64

26,91

Contin.

Açores

Contin.

Açores

Contin.

Dinamarca

Arla Foods

26,79

28,50

ABRIL

0,334

0,306

3,68

3,59

3,24

3,21

Danone

31,12

32,83

maio

0,283

0,306

3,65

3,65

3,21

3,18

Lactalis (Pays de la Loire)

28,03

30,57

junho

0,280

0,305

3,61

3,66

3,26

3,12

Sodiaal

29,93

32,43

julho

0,277

0,289

3,62

3,63

3,17

3,04

Dairy Crest (Davidstow)

23,49

32,29

AGOSTO

0,278

0,290

3,67

3,65

3,16

3,05

Glanbia

22,01

24,76

SETEMBRO

0,281

0,297

3,75

3,78

3,23

3,14

Kerry

23,89

26,73

OUTUBRO

0,283

0,294

3,80

3,89

3,26

3,25

Granarolo (North)

36,35

38,12

NOVEMBRO

0,283

0,293

3,85

3,92

3,26

3,24

DOC Cheese

23,34

25,09

DEZEMBRO

0,282

0,297

3,84

3,92

3,24

3,24

FrieslandCampina

26,27

28,54

JANEIRO

0,283

0,293

3,82

3,88

3,21

3,20

fevereiro

0,277

0,285

3,82

3,70

3,21

3,17

março

0,279

0,281

3,84

3,70

3,24

3,20

abril

0,281

0,278

3,74

3,73

3,21

3,22

França Inglaterra Irlanda Itália Holanda

Preço médio leite N. Zelândia EUA

26,29

29,15

Fonterra

20,32

20,14

EUA (3)

30,55

34,61

(2)

2015

2016

Fonte: LTO (1) Preços sem IVA, pagos ao produtor; Preço do leite de diferentes empresas leiteiras para 4,2% de MG e 3,4 de teor proteico • (2) Média aritmética • (3) Ajustado para 4,2% gordura, 3,4% proteina e contagem de células somáticas 249,999/ml • (4) Inclui o pagamento suplementar mais recente

Açores

Fonte: SIMA Gabinete de Planeamento e Políticas

PROTEÍNA BRUTA É COISA DOS ANOS 80. A ciência e a tecnologia mudaram adaptando-se aos novos tempos. E a sua forma de formular, também se adaptou? Estratégias e formulações nutricionais adequadas frente àquelas já obsoletas, marcam a diferença entre explorações leiteiras, especialmente quando se trata de nutrição proteica. Encontrar a estratégia mais eficaz na formulação com base em aminoácidos para cada exploração e contexto económico, só se pode fazer com aqueles produtos biodisponíveis realmente fiáveis. Para trás ficam os dias em que nos centrávamos somente nos níveis de proteína bruta. Devemos reformular as nossas dietas até alcançar níveis adequados de lisina e metionina com o objectivo de melhorar os custos de produção e a eficiência proteica (rentabilidade da ração), ao mesmo tempo que nos preocupamos pelo meio ambiente. Formular com Smartamine ®, Metasmart ® e LysiPEARL™ permitirá alcançar “grandes rentabilidades”. Reformule as suas dietas. De agora em diante, mais não significa melhor, no que diz respeito à proteína bruta. Para mais informação sobre estes produtos, por favor contacte a Kemin Tel + 351 214 157 501 ou +351 916 616 764 - www.kemin.com MetaSmart® is a Trademark of Adisseo France S.A.S. 2015_advert Smartmilk_port.indd 1

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ruminantes julho . agosto . setembro 2016 41


economia

ÍNDICE VL e ÍNDICE VL-erva “MAIS UM TRIMESTRE E O FUTURO DA PRODUÇÃO DE LEITE NO CONTINENTE PORTUGUÊS CONTINUA EM RISCO” Por António Moitinho Rodrigues, docente/investigador, Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Castelo Branco Carlos Vouzela, docente/investigador, Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores/CITA-A Nuno Marques, revista Ruminantes

Analisamos neste número da Ruminantes os Índices VL e VL - ERVA para o trimestre de fevereiro a abril de 2016. De acordo com os dados do SIMA-GPP (2016) durante o período em análise o preço médio do leite pago aos produtores individuais do continente situou-se entre 0,277 €/kg em fevereiro e 0,281 €/kg em abril (+1,4%), enquanto que o preço médio do leite pago aos produtores individuais da Região Autónoma dos Açores variou entre 0,285 €/ kg em fevereiro e 0,278 €/kg em abril (-2,5%). De acordo com dados do MMO (2016), a média de preços do leite pago ao produtor no período de fevereiro a abril de 2016 continuou a ser inferior em Portugal (0,280 €/kg) quando comparado com a média europeia (UE28) (0,284 €/kg). Os preços médios das principais matériasprimas que entram na formulação dos alimentos compostos utilizados neste trabalho sofreram um aumento durante o trimestre. Esta situação traduziu-se numa variação dos preços dos regimes alimentares de +5,2% no continente e de +4,5% na Região Autónoma dos Açores. A evolução do preço do leite e dos custos da alimentação refletiu-se no Índice VL e no Índice VL - ERVA que em abril de 2016 foi, respetivamente, de 1,587 e de 2,105. De referir que em abril de 2015 o Índice VL havia sido de 1,787 e o Índice VL - ERVA de 2,252. Um índice inferior a 1,5 (valor muito baixo) indica forte ameaça para a rentabilidade da exploração leiteira, um índice entre 1,5 e 2

(valor moderado) indica que a produção de leite é um negócio economicamente viável e um índice maior do que 2 (valor elevado) indica que estamos perante uma situação muito favorável para o sucesso económico da exploração (Schröer-Merker et al., 2012). Durante o trimestre em análise, o Índice VL atingiu o valor mínimo de 1,587 em abril pelo que se pode concluir que os produtores de leite do continente se encontram num momento difícil, muito próximo do limiar da rentabilidade da exploração. A situação tenderá a agravar-se se o preço das matérias primas continuar a aumentar. É de igual forma importante referir que o Índice VL-ERVA reflete uma realidade mais adequada à ilha de S. Miguel, onde, independentemente de a produção de leite ser maior (cerca de 60% da produção leiteira dos Açores), os preços pagos ao produtor são mais elevados do que nas restantes ilhas do Arquipélago, fruto da existência de concorrência entre as várias fábricas de transformação. No futuro, a valorização da qualidade de leite produzido em pastagem iniciada por apenas uma fábrica de transformação na ilha de S. Miguel poderá repercutir-se no aumento do preço do leite ao produtor, o que na realidade não se aplicará às restantes 8 ilhas dos Açores. No entanto, é de louvar esta iniciativa, esperando que a mesma seja seguida por outras fábricas ou cooperativas que incorporem esta mais valia nos preços do leite e dos seus derivados.

Evolução do Índice VL e Índive VL-erva de abril de 2015 a abril de 2016 Os valores são influenciados pela variação mensal do preço do leite pago ao produtor individual do continente (Índice VL) e da Região Autónoma dos Açores (Índice VL - ERVA) e pelas variações mensais do preços de 5 matérias-primas utilizadas na formulação do concentrado e dos outros alimentos que integram o regime alimentar da vaca leiteira tipo. últimos 13 Meses

Índice VL

Índice VL ERVA

abril

1,787

2,252

2015

2016

Maio

1,540

2,285

Junho

1,515

2,272

Julho

1,454

2,098

agosto

1,491

2,099

setembro

1,519

2,168

outubro

1,586

2,206

Novembro

1,565

2,130

Dezembro

1,605

2,227

Janeiro

1,611

2,198

Fevereiro

1,612

2,081

março

1,608

1,813

abril

1,587

2,105

Evolução do Índice VL DE JULHO DE 2012 A ABRIL DE 2016 O Índice VL é influenciado pela variação mensal do preço do leite pago ao produtor no continente e pelas variações mensais dos preços dos alimentos que constituem o regime alimentar da vaca leiteira tipo (concentrado 9,5 kg/ dia; silagem de milho 33 kg/dia; palha de cevada 2 kg/dia).

Valores do Índice VL

2,0

1,5

1,0 julho 2012

Valor do Índice VL

42 julho . agosto . setembro 2016 Ruminantes

Limiar de rentabilidade

janeiro 2016

Negócio saudável

Forte ameaça para a rentabilidade da exploração


economia

Evolução do Índice VL-erva DE JULHO DE 2013 A ABRIL DE 2016 O Índice VL – ERVA é influenciado pela variação mensal do preço do leite pago ao produtor na Região Autónoma dos Açores e pelas variações mensais dos preços dos alimentos que constituem o regime alimentar da vaca leiteira tipo (primavera/verão 60 kg/dia de pastagem verde, 10 kg/dia de silagem de erva e de milho, 5,6 kg/dia de concentrado; outono/inverno 47 kg/dia de pastagem verde, 13,3 kg/dia de silagem de erva e de milho, 6,7 kg/dia de concentrado). O Índice VL-ERVA reflete uma realidade mais adequada à ilha de S. Miguel.

notas: • Relativamente ao mês de abril de 2015, em abril de 2016 o preço do leite pago aos produtores do continente foi inferior em 5,3 cêntimos/kg e aos produtores dos Açores foi inferior em 2,8 cêntimos/kg; • Durante o trimestre, a evolução do preço das principais matérias-primas que entram na formulação dos

Valores do Índice VL Erva

3,0

2,0

1,5

1,0 julho 2013

janeiro 2016

Valor do Índice VL - erva Negócio saudável

alimentos compostos contribuiu para o aumento do preço dos regimes alimentares formulados para o cálculo do Índice VL (+5,2%) e Índice VL – ERVA (+4,5%); • No trimestre em análise os preços dos alimentos forrageiros utilizados na formulação do regime alimentar não apresentaram diferenças representativas relativamente ao

Limiar de rentabilidade

Forte ameaça para a rentabilidade da exploração

trimestre anterior; • A tendência de decida do Índice VL – ERVA, iniciada em dezembro de 2015, foi invertida pela inclusão de maior quantidade de pastagem no regime alimentar das vacas a partir de abril; • Os 3 aspetos anteriores refletemse no Índice VL e no Índice VLERVA que em abril de 2016 foram, respetivamente, de 1,587 e 2,105.

Referências Bibliográfia: Não foram incluídas por uma questão de espaço editorial, mas os autores disponibilizam bastando enviar um email para geral@revista-ruminantes.com.

ruminantes julho . agosto . setembro 2016 43


ALIMENTAÇÃO

Em busca do teor correto de amido O amido é um nutriente sem necessidade nutricional estabelecida, mas é preciso evitar os extremos.

Para que a microflora ruminal se multiplique e prospere é necessário um substrato energético constituído por hidratos de carbono fermentescíveis como os amidos, açúcares, fibra solúvel, NDF digestivel etc. Embora o amido por si só não seja um nutriente com uma necessidade rigorosamente estabelecida, Charles Sniffen (2013) sugere que os seguintes níveis (em percentagem da matéria seca) devem ser aceites na formulação de rações para vacas leiteiras: • Últimos 15-20 dias antes do parto: 16-18%; • De 0 a 21 dias de lactação: 25%; • De 21 a 150 dias de lactação: 25-30%; • Depois de 150 dias em lactação: 18-22%.

Imagem 1 A substituição de parte do amido por forragens geralmente não mantém a produção de leite se a ingestão de energia diminuir. Recomenda-se portanto, a inclusão de uma fonte de açúcares, forragens de boa qualidade e outras fontes de fibra.

Ferrarretto e Shaver, da Universidade de Wisconsin, publicaram em 2014 os resultados de uma meta-análise que compreendia 414 dietas com diferentes percentagens de amido, provenientes de 100 artigos diferentes publicados entre os anos de 2000 e 2011. As categorias de amido foram as seguintes: muito

44 julho . agosto . setembro 2016 Ruminantes

baixo (<18%), médio (24-27%), médio alto (27-30%), alto (30-33%) e muito alto (>33%). Verificaram-se níveis de ingestão de matéria seca inferiores nos grupos que consumiam dietas com teor de amido muito baixo e muito alto. A produção e a percentagem de proteína no leite não foram influenciados pelos diferentes teores de amido, mas a produção de leite corregido para a gordura (fat corrected milk) e a percentagem de gordura no leite foram inferiores nos grupos que recebiam dietas com alto teor de amido. Desta análise concluiu-se ser necessário evitar os extremos em teores de amido nas dietas. Fazer uma substituição de parte de amido com forragens não sustenta a produção de leite se a ingestão de energia total diminuir, portanto é necessário usar forragens de altíssima qualidade, com uma boa fração de NDF digestível. É recomendada a inclusão de 2,5 a 5% de açúcares na dieta (atingindo um nível de açúcares totais de aproximadamente 5-8% da matéria seca). A inclusão de açúcares causa ótimas respostas produtivas, tende a aumentar o pH ruminal - que se mantém por mais tempo em valores superiores a 5,6 - e favorece uma colonização bacteriana mais seletiva no rúmen originando uma melhor digestão da fração de NDF. Na circunstância referida as dietas devem ser balanceadas com níveis de amido iguais ou inferiores a 25% da M.S. Outra recomendação é a de usar outras fontes de fibras solúveis ou muito fermentescíveis como é o caso da casca de soja, da polpa de beterraba, do farelo de trigo, etc.

Nota Artigo original: Rick Grant, “Low starch diets: current research and recommendations” (2015). Traduzido e adaptado da revista italiana “Professione Allevatore, número 15, outubro de 2015.


atualidades

Uso responsável de antibióticos na produção leiteira No passado dia 14 de abril no Institute of Child Health na University College de Londres, a Aliance to Save our Antibiotics em conjunto com a Medact juntaram especialistas de diferentes áreas para discutir a problemática do uso de antibióticos na produção animal com o título: “Antibiotics and Farming: Prescriptions for change” (Os antibióticos e a produção animal: uma prescrição para a mudança). A crescente consciencialização dos consumidores quanto à resistência bacteriana a antibióticos e o aumento dos estudos que apontam para que as causas mais prováveis sejam o mau uso de antibióticos tanto nos humanos como nos animais de produção, levam a que várias entidades que lidam com prescrição de medicamentos para humanos e animas de produção comecem a formular planos de ação para uma correta administração de antibióticos. Um desses casos é a clínica de animais de produção Langford da Universidade de Bristol. Nesta clínica, está em vigor desde 2012 um plano de ação para um uso mais responsável dos antibióticos nas explorações leiteiras. Este plano envolve vários passos que vão desde a educação e treino dos veterinários (responsáveis pela prescrição e por vezes administração dos medicamentos) e produtores (geralmente os responsáveis pela administração correta e

continuação do tratamento), até a um registo melhorado e mais preciso dos tratamentos efetuados. Uma das grandes ações deste plano foi a diminuição não só dos antibióticos em geral, mas dos antibióticos classificados como criticamente importantes pela Organização Mundial de Saúde, tais com as Cefalosporinas de terceira e quarta geração, as Fluoroquinolonas e os Macrólidos. Foram também abordados problemas como a decisão de utilizar antibióticos como primeiro tratamento a efetuar. Para este fim foi implementada uma chave de decisão que ajuda o veterinário a tomar uma decisão mais objetiva quanto à imediata utilização e continuação da utilização de um determinado antibiótico num tratamento. Outra aposta da clínica foi numa maior prevenção de doenças diminuindo os tratamentos reativos. Os primeiros anos em que o plano de ação esteve em vigor revelaram uma redução do uso de antibióticos criticamente importantes em tratamentos intramamários (100 % na secagem e 100 % em vacas em fase produtiva) e uma melhoria geral da saúde dos animais assistidos pelos veterinários da clínica, levando a uma redução da incidência de doenças que requerem a utilização de antibióticos.

Para saber mais sobre a conferência ou esta apresentação em concreto Pode consultar o site www.medact.org/climate-ecology/food/farmingand-antibiotics/alliance-save-antibiotics-medact-conference-2016/

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ruminantes julho . agosto . setembro 2016 45


Produção

DESMISTIFICANDO A ORDENHA ROBOTIZADA EM VACAS CRUZADAS por ruminantes

Localizada em Cantanhede, Coimbra, a Agro-TabanezProdução de Leite Lda., gerida por Eugénio e Helena Tabanez, é um dos casos de sucesso do programa ProCROSS, tirando partido das vantagens do vigor híbrido. Estendendo-se por uma área de 35 hectares, entre terrenos próprios e alugados para a produção de forragens de erva e milho, a exploração conta ainda com um empregado a tempo inteiro, para além dos dois sócios-gerentes. O efetivo leiteiro é constituído por 200 cabeças, com atualmente 95 vacas em produção e 15 secas, para além de 30 novilhas gestantes. O objetivo até ao final do ano será chegar às 120 vacas em

produção, o que lhes permitirá tirar pleno partido da capacidade de ordenha dos robots que utilizam. O leite produzido é recolhido pela Lacticoop - União de Cooperativas de entre Douro e Mondego. Este é um empreendimento a tempo inteiro, ao qual dedicam nunca menos de 10 horas diárias, tempo um pouco reduzido aos fins-desemana e feriados, nos quais não se privam de uma maior flexibilidade de horários. Apesar do intenso trabalho, o contacto constante com os animais é também uma fonte de prazer para os dois gerentes e, dizem, uma relação recíproca, na qual os investimentos e cuidados com os animais se traduzem

46 julho . agosto . setembro 2016 Ruminantes

numa boa produção leiteira, tendo sempre em conta a otimização do bem-estar e tranquilidade do seu efetivo. A qualidade e exigência são dois dos principais pilares do negócio, e uma das razões pelas quais decidiram optar por um sistema de ordenha robotizada, contando atualmente com dois robots. A noção vigente que os sistemas de ordenha robotizada podem não ser os mais adequados para vacas cruzadas não demoveu Eugénio e Helena Tabanez de investirem no vigor híbrido. Numa tentativa de perceber se de facto estes dois fatores são incompatíveis, a Ruminantes deslocou-se à Agro-Tabanez, onde foi recebida por ambos.

Há quanto tempo decidiram investir no vigor híbrido? Enveredámos por este caminho em 2013, mas na altura apenas o aplicámos nas vacas com problemas, numa tentativa de as recuperar e evitar o seu refugo precoce. Esse primeiro investimento causou-nos algum arrependimento, porque gastámos uma quantia considerável de dinheiro em doses de sémen sem resultados positivos, com esses animais acabando mesmo por ser refugados. Apesar desse facto, em 2014 decidimos tentar novamente, desta vez em todo o efetivo e com resultados bastante satisfatórios.


Produção

Porque é que as vossas vacas apresentavam problemas? Estávamos perante um conjunto de problemas reprodutivos, como patologia pós-parto, ineficiência na inseminação e presença de neosporose na exploração, a qual ainda estamos a tentar erradicar. Depois temos a questão da raça Holstein a qual, apesar da boa produção leiteira, parece estar cada vez mais fragilizada em termos de fertilidade. Ao ler sobre os touros apercebemo-nos que o nível de consanguinidade na raça é já muito grande, o que vai afetar negativamente a fertilidade. Durante muito tempo, não se olhou a esse pormenor no sector e agora estamos a pagar isso caro. Que diferenças encontram nos animais cruzados? Os animais cruzados agradamnos em tudo, desde a imagem geral, conformação da carcaça, robustez, resistência e vivacidade, o que também se verifica nos vitelos. Em termos produtivos, o pico da lactação pode não ser tão alto mas, ao longo dos 305 dias, a produção acaba por ser idêntica à das Holstein. São animais dóceis, apesar de mais agitados, e obviamente não descuramos as corretas práticas de abordagem e maneio. Apesar de se movimentarem mais do que as Holstein, passando menos tempo deitadas, não sentimos que as cruzadas ingiram maior quantidade de alimento. Desde quando adotaram o sistema robotizado de ordenha? Em janeiro de 2011. Não tivemos receio que as cruzadas não se adaptassem ao robot quando decidimos investir no ProCROSS. De facto, considerámos que este sistema de ordenha até seria apropriado para as vacas cruzadas, já que a conformação do úbere é mais adequada ao robot e mais uniforme do que nas Holstein, nas quais notávamos que,

após duas ou três lactações, os úberes ficavam mais descaídos, e os tetos por vezes mais juntos. Como se comportam os animais cruzados no robot? Todas as nossas vacas se deslocam bem ao robot apesar de algumas, devido à maior vivacidade que as caracteriza, também estarem mais agitadas no robot. Isso não é impedimento, no entanto, para que sejam corretamente ordenhadas. Não temos nenhuma vaca que não seja ordenhada no robot. As vacas grávidas, por norma, deixam de ir ao robot. Isso também acontece com estes animais? Não, mesmo essas vão voluntariamente, é muito raro termos de incentivar uma vaca a ir ao robot. Esse fenómeno é mais comum próximo do fim da lactação, mas nem nesses casos isso se verifica nos nossos animais. Qual a média de produção diária por vaca? Neste momento estamos com 31-33 litros. Notam diferenças em termos de qualidade do leite? Sim, notamos. As cruzadas raramente apresentam níveis preocupantes de células somáticas, os quais nunca se estendem para além das 200.000 a 500.000 cél/ ml, enquanto nas Holstein chegávamos a ter valores rondando 1 milhão cél/ml. Os teores de gordura e proteína são também ligeiramente mais elevados nas cruzadas. Os dados técnicos destes animais são iguais aos dos Holstein? Por exemplo no que toca ao número de ordenhas diárias? A média são três ordenhas diárias, mas temos altas produtoras que se deslocam cinco e até seis vezes por dia ao robot, o qual faz a própria gestão do intervalo entre ordenhas e do

48 julho . agosto . setembro 2016 Ruminantes

número de ordenhas diárias de cada vaca. Que percentagem do efetivo tem vigor híbrido? Rondará os 20-22% nas produtoras, mas queremos chegar aos 40% até ao final do ano. A grande maioria das novilhas que estão para parir já são cruzadas. Como estamos a renovar o efetivo, vendemos Holstein e compramos novilhas cruzadas, mantendo no entanto alguns animais puros para renovar o cruzamento ProCROSS. Existem diferenças nos animais cruzados em termos de saúde animal? Sim, com o mesmo maneio temos muito menos problemas de saúde nos animais, e a necessidade de intervenções medicamentosas como suplementação com vitaminas e cálcio no pós-parto também diminuiu substancialmente. Em termos de fertilidade, notamos que as cruzadas pegam muito melhor, e facilmente atingem intervalos entre partos de 365 dias. A boa conformação dos animais com carne, dá-nos também um maior retorno se tivermos de os refugar, ao contrário do que acontecia com os Holstein. Notam alguma diferença entre os vitelos puros e cruzados? Os vitelos machos Holstein rendem-nos 40-50 euros com uma a duas semanas de idade. Já os cruzados rendem no mínimo 100-150 euros, sendo vendidos com mais facilidade, até porque a procura por estes animais é maior. Já temos vendido vitelos cruzados ao segundo dia de vida, mas só os vêm buscar por volta dos 10 dias, somos nós que fazemos o encolostramento e a alimentação até essa altura. Que indicadores utilizam para gerir a exploração? Olhamos sempre para o alimento que fica na manjedoura, se os animais ingerirem a quantidade que

lhes foi fornecida é porque está tudo bem. Durante o dia temos o cuidado de observar as vacas que estão a comer, a ser ordenhadas, a ruminar. Também prestamos atenção aos alertas do sistema. No fundo, as nossas maiores preocupações são a saúde do úbere, a alimentação, problemas na ruminação e se houve desvio de leite por parte do sistema do robot. Recomendariam tecnicamente este modelo para a produção de leite na região? Fazendo um balanço geral, consideramos este modelo é muito bom mas que deve ser algo ponderado por cada produtor, tendo em conta as características da sua exploração. Consideram que as expetativas foram cumpridas? Sim, tanto nos robots como no sistema ProCROSS. O único inconveniente é o investimento inicial, muito pesado. Foi algo cuidadosamente ponderado e que na altura era viável mas hoje, na atual conjetura, complicou-se mais e obriga portanto a uma gestão mais apertada.

Dados reprodutivos Vacas Holstein Puras 67 Animais: - Idade (anos) 4,3 - Lactações 2,5 - Dias em aberto 217 - I. Partos 497 - Dias no leite 207 - Média produção 32,9 Kgs - SCC 319000 Grupo Vacas ProCROSS 20 Animais: - Idade (anos) 3,5 - Lactações 2,1 - Dias em aberto 148 - I. Partos 428 - Dias no leite 202 - Média produção 32,2 Kgs - SCC 149000


SAÚDE E BEM-ESTAR ANIMAL

ruminantes saudáveis

George Stilwell Clínica das Espécies Pecuárias Faculdade de Medicina Veterinária – Universidade de Lisboa stilwell@fmv.ulisboa.pt

Defender o bem-estar animal na minha exploração

faz sentido económico Após a Segunda Grande Guerra (1939-1945) ocorreu na Europa uma necessidade extraordinária de alimento para garantir a sobrevivência de uma população social e economicamente devastada. Até este momento a produção animal dependia de pequenas explorações mistas, geridas por membros da mesma família, com animais mantidos em regime extensivo, com baixa necessidade de recursos externos e cujos produtos se destinavam ao consumo local ou regional. Mas a partir dos anos 60 um novo tipo de produção surgiu – o regime intensivo com grande densidade animal, pouca mão-de-obra e baseado num avanço tecnológico e científico sem precedentes. Assim, a economia da produção animal alterou-se completamente. Por exemplo, a genética e a nutrição garantiram altas performances individuais. Por exemplo, antes da Guerra um frango demorava 12 semanas a atingir 1,8 kg enquanto atualmente o faz em 5 semanas. Ao mesmo tempo, a maquinaria, as infraestruturas e a enorme densidade animal conseguida, permitiu que menos pessoas se tivessem de dedicar à produção animal. Poucos agricultores podiam agora alimentar uma população que passou a ser essencialmente urbana. Mais um exemplo – nos anos 40 um agricultor alimentava, em média, 19 pessoas enquanto que atualmente um produtor alimenta, em média, 155 pessoas. No entanto, estas transformações não foram totalmente pacíficas e geraram na sociedade uma preocupação nova

– a forma como os animais eram explorados ou tratados. Os olhos da opinião pública mundial viraram-se para os sistemas intensivos provavelmente após a publicação de um livro com o título “Máquinas animais: a nova indústria das fábricas-quintas” (Ruth Harrison, 1966). Talvez pela primeira vez na história da humanidade os paradigmas da produção animal e a forma com estes podiam afetar o bemestar animal, foram escrutinados.

novo desafio à produção Com o tempo, os consumidores aperceberam-se de alguns dos efeitos negativos da agricultura intensiva e tornaram-se mais informados, sensíveis e críticos. Três razões principais concorreram para isso: a ideia de que a estabulação permanente de grande número de animais não é natural; uma população maioritariamente urbana com poucos conhecimentos do que realmente se passa no “campo”; e uma comunicação social (e redes sociais) que humanizaram os animais de produção. Adicionalmente os retalhistas alteraram as suas exigências de forma a contentar um público mais informado. Em suma, todas estas mudanças desencadearam uma nova visão da sociedade e lançaram um novo desafio à produção – cuidar do bem-estar dos seus animais.

50 julho . agosto . setembro 2016 Ruminantes

futuro da pecuária Entretanto outros fatores entraram na equação, influenciando o futuro da pecuária. Previsões da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) sugerem que as necessidades de produção de carne e leite dupliquem até 2050. Por outro lado, o impacto da agricultura sobre o ambiente atingiu proporções enormes (consumo, poluição e eutrofização da água, degradação dos solos, deflorestação, emissão de gases de efeito estufa…), especialmente graves nalgumas zonas, levando muitos consumidores a procurar produtos orgânicos/biológicos que prometem ter menor impacto sobre a saúde do planeta.

Neste cenário de maiores necessidades de produção associadas a maiores exigências dos consumidores (incluindo preços baixos), onde cabe o bem-estar animal? Será compatível o sucesso económico da exploração com a proteção das condições de vida dos seus animais?

A resposta é clara e tem sido suportada pelas


SAÚDE E BEM-ESTAR ANIMAL

evidências científicas – apenas a produção que garanta o bem-estar e conforto dos seus animais terá hipótese de sobreviver. Vejamos alguns exemplos dessas evidências. Garantia de mercado Uma proporção cada vez maior de consumidores dos países desenvolvidos procura alimentos que satisfaçam os seus principais requisitos que são – saúde e segurança + ética na produção. Produtores que não sejam capazes de oferecer isto ou que não sejam transparentes na forma como produzem, terão dificuldade em manter-se no mercado. Por outro lado, se as produções só forem mantidas com a ajuda de substâncias químicas (e.g. promotores de crescimento, antibióticos, hormonas, etc.), os consumidores irão procurar alternativas mais seguras.

Garantia de rendimento Para demonstrar a correlação entre bem-estar e rendimento na produção irei basear-me no conceito das 5 Liberdades que muitas vezes é utilizado para avaliar e garantir o bem-estar nas explorações de pecuária.

Livre de fome e sede É óbvio que nenhuma exploração terá sucesso quando os seus animais passam fome ou sede. No entanto, a desnutrição é muitas vezes uma realidade menosprezada. Ou seja, na ânsia de grandes produções acabamos por fornecer uma alimentação desequilibrada que até pode mostrar um retorno inicial interessante, mas que acaba por causar danos a longo prazo, diminuindo por exemplo a longevidade do animal ou causando doenças subclínicas. O exemplo típico disto é a redução da concentração de forragens, e especialmente de fibra efetiva, na alimentação das vacas leiteiras. Um estudo (Lindström e outros, 2001) demonstrou que a atividade oral (apreender alimento, mastigar e depois ruminar) estava associado a aumentos de produções e saúde porque se atingem maiores níveis de ocitocina e menores níveis de cortisol. Muitos outros estudos científicos têm demonstrado maior saúde gastrointestinal quando dieta contém altos níveis de fibra.

Livre de doenças e lesões Também estes fatores estão intimamente correlacionados com maiores produções e com produtos de melhor qualidade. Por exemplo, no caso das mastites a evidência da correlação é imediata. Mas o que muitas vezes não nos apercebemos é que mesmo doenças subclínicas têm um impacto enorme no rendimento do animal e na qualidade do seu produto. Por exemplo, a doença respiratória subclínica em vitelos de engorda, que é normalmente insuficientemente tratada, leva a uma redução no ganho de peso diário mas também na qualidade da carcaça. Por outro lado o constante uso de fármacos para compensar más práticas e numa tentativa desesperada de manter a saúde dos animais, leva a alimentos menos seguros e a um aumento das resistências a antimicrobianos, que muito preocupa a sociedade atual. Assim, a prevenção e o tratamento imediato não só previne problemas de bem-estar, mas garante muito melhor rendimento para o produtor.

Livre de stress, medo e ansiedade Estas situações, especialmente nas suas formas crónicas, têm um enorme impacto sobre o sistema imunitário e sobre a reprodução dos nossos animais. As más relações humanoanimal são uma das causas mais frequentes dos estados mentais que se incluem neste grupo. Muitos estudos mostram que boas práticas de maneio correspondem a maiores produções de leite, a crescimento mais rápido, a maiores índices de fertilidade e a leite e carcaças de melhor qualidade. Foi também demonstrado no Brasil que providenciar formação em bem-estar/ comportamento aos tratadores das explorações de engorda conduz a menos problemas no carregamento, transporte e descarregamento de novilhos reduzindo o tempo, a mão-de-obra e as rejeições parciais de carcaças (Paranhos da Costa e outros, 2012). Outro estudo (Lensik e outros, 2001) mostrou que bovinos lidados de forma positiva quando eram pequenos correspondem a novilhos com menor frequência cardíaca, menores níveis de cortisol e mais fáceis de lidar quando transportados para o matadouro.

Livre de dor e desconforto No caso da dor a evidência é extensíssima e irrefutável. Em estudos

por nós conduzidos (Stilwell e outros, 2008 e 2014) foi demonstrado que dar analgésicos a novilhas após o parto, a novilhos após castração e a vacas leiteiras após o tratamento de úlceras da sola, corresponde a maior ingestão de alimento e a maiores produções de leite. Livre para satisfazer necessidades comportamentais – a correlação entre a liberdade para expressar comportamentos naturais e uma melhor performance é talvez a menos clara. O que não quer dizer que não exista. Por exemplo, um trabalho conduzido em Espanha com borregos de engorda intensiva, mostrou que o enriquecimento ambiental dos parques, colocando plataformas altas, rampas e outros dispositivos de madeira e ainda camas de palha, correspondeu a maiores ganhos médios, carcaças mais pesadas e de melhor qualidade (Aguayo-Ulloa e outros, 2014)

Garantia de satisfação Somando a estas razões essencialmente económicas, vem uma que é muitas vezes descurada – sentir-se bem com o que se faz. Nas explorações com práticas amigas dos animais, em que o seu conforto e bem-estar é uma preocupação natural, os tratadores são mais atentos, mais sensíveis e mais rápidos a atuar no sentido de resolver problemas de saúde dos animais a seu cargo. Ou seja, são trabalhadores mais eficazes e rentáveis, os animais mais saudáveis e a conta da farmácia menor. Está, portanto, suficientemente demonstrado que um fraco bem-estar conduz a performances mais baixas ou então obriga à utilização frequente de outros meios (e.g. antimicrobianos) para garantir a saúde e funcionamento adequado dos animais. Isto irá afetar a qualidade, segurança e aceitação final do produto. Ou seja, uma exploração onde a defesa do bem-estar animal não é promovida, o sucesso económico é muito difícil. Sem exceção.

Referências bibliográficas Não foram incluídas por uma questão de espaço editorial, mas o autor disponibiliza bastando enviar um email para stilwell@fmv.ulisboa.pt.

Nota O autor escreveu este artigo segundo o Antigo Acordo Ortográfico.

ruminantes julho . agosto . setembro 2016 51


Saúde e bem-estar animal

Joaquim L. Cerqueira 1, 5

Avaliação de indicadores de sistemas voluntários

de ordenha em vacas leiteiras Introdução Pedro Pedrosa 1

José Pedro Araújo 1, 2 Blanco-Penedo, I 3 Cantalapiedra, J 4 Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Viana do Castelo, Refóios do Lima, 4990-706 Ponte de Lima, Portugal. Email: cerqueira@esa.ipvc.pt 1

Segundo Hogeveen et al. (2004) as principais motivações para a aquisição de sistemas de ordenha robotizada em detrimento da ordenha convencional devem-se aos seguintes fatores: redução da mão-de-obra, melhoria na flexibilidade de horário, maior número de ordenhas por animal/dia (> 2 ordenhas), substituição do operador de ordenha e a necessidade de remodelação do sistema de ordenha. Os sistemas voluntários de ordenha possibilitam que as vacas sejam ordenhadas sem a intervenção humana, através de um robot. Permitem aumentar a frequência de ordenha, que afeta positivamente a produção de leite e poderão ser benéficas para os animais, pois o elevado potencial produtivo da vaca leiteira moderna não se coaduna com a ordenha tradicional, realizada duas vezes ao dia. O acréscimo da produção de leite

2 Centro de Investigação de Montanha (CIMO) – ESA-IPVC, Portugal 3 Subprograma Bienestar Animal, IRTA, Monells, Girona, España 4 Servicio de Ganadería de Lugo. Xunta de Galicia, España 5 Centro de Ciência Animal e Veterinária (CECAV) - UTAD, Portugal

52 julho . agosto . setembro 2016 Ruminantes

associado à instalação da ordenha robotizada poderá resultar num suplemento entre 5 a 20% por vaca. Os aspetos de bem-estar animal prendem-se sobretudo com a alimentação, interação social, desenho das instalações e tráfego dos animais. A implementação de ordenhas robotizadas nas explorações teve um impacto importante para os produtores, na forma como se relacionam com as suas vacas, reduzindo o tempo de contacto físico entre os operadores e os animais na sala de ordenha, enquanto fez aumentar potencialmente os períodos de tempo que os técnicos dispensam na análise de indicadores e relatórios fornecidos pelo equipamento (Owen, 2003). Este tipo de sistemas permite analisar alguns aspetos da saúde da vaca que seriam realizados

IMAGEM 1 Exploração de vacas leiteiras com sistema de ordenha robotizada.


Saúde e bem-estar animal

durante a rotina de ordenha, gerando um conjunto de dados relativos a cada animal de forma individual ou em grupo. Neste sentido, a progressiva modernização a que as explorações leiteiras foram sujeitas, conduziu a modificações ao nível do maneio e da gestão dos efetivos, quando comparados com os sistemas convencionais de produção. As ordenhas robotizadas de tráfego livre possibilitam maior liberdade de escolha dos animais quanto aos seus ritmos diários, repercutindose no seu comportamento e bem-estar animal (Wiktorsson e Sorensen, 2004). A ordenha robotizada permite controlar a frequência de ordenha diária de cada vaca, ajustando-se em cada fase da lactação ao seu nível produtivo, sem acarretar custos adicionais. A produção de leite, a frequência e o intervalo entre ordenhas, são apenas alguns parâmetros passíveis de monitorização na ordenha robotizada, sendo igualmente importantes para alcançar o desempenho produtivo ideal em cada vaca (Gygax et al., 2007). A ordenha robotizada possibilita o registo do peso corporal individual dos animais de forma repetida (a cada ordenha), permitindo identificar problemas, que doutra forma provocariam perdas económicas avultadas, devido à redução da produção de leite e à perda de condição corporal dos animais. Por isso a administração de concentrado na ordenha robotizada revela múltiplos benefícios, incluindo a oportunidade para o produtor suplementar as vacas individualmente de acordo com o seu nível produtivo. E como as vacas respondem a estratégias individuais de alimentação, o ajuste da dieta individual melhora a produção de leite.

Na União Europeia, o projeto Welfare Quality (2004 a 2009) demonstrou que os consumidores estão preocupados com o bem-estar dos animais de produção e que o valor não económico da saúde animal deve ser levado em consideração, visto que se encontra associado a um crescente interesse dos consumidores em aspetos sociais, éticos e de bemestar animal para a obtenção de produtos de qualidade (Hietala et al., 2014). O principal objetivo do presente trabalho consistiu na avaliação de alguns indicadores produtivos em três explorações leiteiras com ordenha robotizada.

PRINCIPAIS RESULTADOS Recolheram-se 100.431 registos de ordenhas de 3 explorações, com um total de 330 vacas em lactação, durante um período experimental de um ano (maio de 2014 a abril de 2015). A análise estatística foi realizada através dos programas Excel 2010 (Microsoft) e SPSS para Windows versão 22 (SPSS. Inc.).

QUADRO 1 Efeito do número lactações no peso vivo das vacas. Número LACTAÇÃO

N

Média (kg) ± DP

1

32825

563,0 a ± 72,3

2e3

54558

638,3 b ± 70

≥4

13048

666,4 c ± 58,3

500

Significância: Total

40

Número LACTAÇÃO

8,8

100431

617,3 ± 79,9

892

13,0

344

Máximo (kg)

1

32825

33,5 a ± 7,8

2

63

23,4

2e3

54558

37,7 b ± 10,7

3

74

28,6

≥4

13048

41,1 c ± 10,2

2

72

24,9

74

27,6

Significância: Total

CV (%)

p < 0,05 100431

36,8 ± 10,1

2

Nas componentes analisadas valores de letra distinta (a≠b≠c) são significativamente diferentes Abreviaturas: N - número de amostras; DP - desvio padrão e CV - coeficiente de variação.

Observaram-se diferenças significativas (P<0,05) entre explorações para a produção média diária de leite. A exploração 1 apresentou uma produção superior (40,8 Kg/ dia) relativamente às restantes. Constatou-se também um efeito da exploração no número de ordenhas diárias, com diferenças (P<0,05), entre todas

15 10 a b c 3,7 3,0 3,3

Exploração 2

11,1

844

Mínimo (kg)

20

Exploração 1

12,8

Média (kg/dia) ± DP

25

Produção diária (kg)

865 892

N

30

0

344 398

QUADRO 2 Efeito do número de lactações na produção diária de leite (kg/dia).

c 34,6

5

CV (%)

Nas componentes analisadas valores de letra distinta (a≠b≠c) são significativamente diferentes Abreviaturas: N - número de amostras; DP - desvio padrão e CV - coeficiente de variação.

a b 40,8 39,8

35

Máximo (kg)

p < 0,05

FIGURA 1 Efeito da exploração na produção de leite e número de ordenhas diárias. Nas componentes analisadas, valores de letra distinta (a≠b≠c) são significativamente diferentes. 45

Mínimo (kg)

Número ordenhas

as explorações. A exploração 1 revelou o número mais elevado de ordenhas/dia (3,7) e a exploração 2 o valor inferior (3,0 ordenhas/dia). Verificou-se que a exploração que apresentou a maior média de ordenhas/ vaca/dia, foi também a que a presentou o maior número de litros/vaca/dia ( Figura 1). Constatou-se um efeito significativo (p<0,05) do número de lactação no peso vivo das vacas, entre todas as lactações. As vacas de primeira lactação revelaram menor peso (563 kg), a contrastar com os animais com quatro ou mais lactações (666,4 kg) (Quadro 1). Observaram-se diferenças significativas (p<0,05) entre lactações na produção diária de leite. Os animais mais jovens apresentaram resultados produtivos inferiores (33,5 kg) comparativamente aos animais com maior número de lactações (41,1 kg) (Quadro 2). Encontraram-se diferenças

Exploração 3 ruminantes julho . agosto . setembro 2016 53


Saúde e bem-estar animal

FIGURA 2 Efeito da fase de lactação na produção diária de leite. Nas componentes analisadas, valores de letra distinta (a≠b≠c) são significativamente diferentes. 50 45

a 40,2

b 43,4

a 40,2

40 c 31,8

Produção diária (kg)

35 30 25 20 15 10 5 0

significativas (P<0,05) da segunda fase de lactação (61 a 120 dias) comparativamente às restantes fases, tendo evidenciado o valor mais elevado (43,4 kg/dia) sendo a quarta fase de lactação a que revelou o valor mais baixo (31,8 kg/dia) (Figura 2). Também foi possível verificar um efeito da exploração na ingestão de concentrado e na quantidade ingerida por cada 100 kg de leite (Quadro 3), com diferenças significativas (p<0,05) entre todas as explorações. Constatou-se que na exploração 1 a ingestão de concentrado por vaca por dia é superior (5,5 kg) relativamente

Ingestão de concentrado VACA/DIA

Concentrado por cada 100 Kg de leite

Exploração

IMAGEM 2 Vaca em processo de ordenha robotizada na fase de ejeção do leite.

à exploração 3 que apresenta o valor mais baixo (4,9 kg). No entanto, a quantidade de concentrado ingerido por cada 100 kg de leite produzido foi superior na exploração 3 (14,1 kg), sendo a exploração com menor eficiência produtiva, tendo em conta o preço mais elevado deste componente na alimentação de vacas leiteiras comparativamente aos restantes, que são normalmente a silagem de milho e a palha.

N

Média (kg) ± DP

1

24336

5,5 ± 1,9

2

13192

5,3 ± 2,2

3

62903

4,9 ± 2,1

Conclusões Os sistemas de ordenha robotizada contribuem para o aumento da produção leiteira, através de um maior número de ordenhas diárias, tornando esta atividade mais sustentável. Simultaneamente proporcionam maior comodidade ao produtor, na perspetiva da diminuição considerável de mão-de-obra nas ordenhas e na flexibilidade de horários. Os sistemas de informação (novas tecnologias) permitem o armazenamento de dados individuais de cada animal, para posterior análise e interpretação de indicadores. Neste estudo a produção diária de leite por exploração oscilou entre 34,6 e 40,8

Mínimo (kg)

Máximo (kg)

a

b

0

12

121 - 180

≥ 181

34,5

Agradecimentos

41,5

Aos produtores de leite com ordenha robotizada que participaram neste estudo e que permitiram a recolha de dados dos sistemas robotizados de ordenha e ao projeto do CECAV com a referência UID/CVT/00772/2013 para o triénio 2015-2017

p < 0,05

Total

100431

5,1±2,1

1

24336

2 3

0

12

13,6 a ± 4,6

2

140

33,8

13192

13,2 b ± 4,3

2

92

32,6

62903

14,1 c ± 4,9

3

117

34,8

140

34,5

Significância:

41,2

p < 0,05 100431

13,9 ± 4,8

2

Nas componentes analisadas valores de letra distinta (a≠b≠c) são significativamente diferentes Abreviaturas: N - número de amostras; DP - desvio padrão e CV - coeficiente de variação.

54 julho . agosto . setembro 2016 Ruminantes

kg, o peso vivo dos animais evidenciou uma tendência crescente (1ª lactação – 563,0 kg vs ≥4ª lactação – 666,4 kg), foi na 2ª fase de lactação que se observou superior produção de leite (43,4 kg/ vaca/dia) e a administração de concentrado registou um valor médio diário de 5,1 kg/vaca. Pensámos que seja do máximo interesse para os produtores ter conhecimento desses resultados para implementar decisões de gestão adequadas. Essa informação permitirá controlar a produção e tornála mais eficiente, através da reprogramação do sistema robotizado de ordenha, nomeadamente na frequência de ordenhas, na distribuição do concentrado e no tráfego dos animais.

CV (%)

42,9

c

Significância:

Total

61 - 120

Fase de Lactação (dias)

QUADRO 3 Efeito da exploração na ingestão de concentrado no sistema voluntário de ordenha. Parâmetro

≥ 60

Referências bibliográficas Não foram incluídas por uma questão de espaço editorial, mas os autores disponibilizam bastando enviar um email para cerqueira@esa.ipvc.pt.


SAÚDE E BEM-ESTAR ANIMAL

Simão Rocha

MAMITES POR Streptococcus uberis

Médico Veterinário, NePhar Farma simao.rocha@nephar.com

PONTOS CHAVE ONDE ATUAR NO PERÍODO DE SECAGEM A incidência de mamites por Streptococcus uberis nos últimos anos tem vindo a aumentar de forma exponencial, sendo neste momento, juntamente com os coliformes, um dos agentes causadores de mamites mais comuns em Portugal e no mundo inteiro. Em 2014, segundo dados da Segalab, quase um quinto dos isolamentos efetuados identificou este agente como causador de mamites.

O agente O agente possui uma série de características que o tornam único, sendo que o facto de possuir mais de 600 estirpes identificadas até aos dias de hoje, o torna de difícil eliminação da exploração, já que todas estas estirpes possuem características diferentes. As diferentes características tornam as estirpes mais ou menos virulentas, podendo haver na mesma exploração várias estirpes, capazes de causar diferentes tipos de mamite, com tempos de duração diferentes e, consequentemente, diferentes taxas de cura. Pelas razões nomeadas anteriormente, existem animais que respondem a um tipo de tratamento e outros, também com identificação positiva do mesmo agente, não responderem a esse mesmo tratamento. Esta é uma das grandes dificuldades que encontrámos numa exploração com Streptococcus uberis, a variabilidade na eficácia dos tratamentos efetuados, havendo um grande número de infeções que evoluem para a cronicidade, exatamente devido a esta dificuldade em tratar. Além da sua heterogeneidade, também as suas propriedades morfológicas tornam o Streptococcus uberis um agente com alta capacidade de adaptação ao

seu hospedeiro: a sua cápsula de ácido hialurónico, que o torna de difícil eliminação pelas células de defesa do organismo, mas também pela sua capacidade de produzir biofilmes, que torna a estirpe capaz de os produzir mais virulenta e causadora de infeção. Depois, seja pela sua alta capacidade de adesão às células, seja pela sua alta velocidade de crescimento, rapidamente invadem o epitélio da glândula mamária, criando uma infeção que resulta em mamite.

Modo de transmissão Este agente, é classificado como ambiental, estando presente um pouco por toda a exploração e sendo transmitido principalmente através das fezes, mas também através das camas onde os animais se deitam, da língua dos animais, que ao se lamberem transmitem facilmente o agente entre eles, ou mesmo através de vetores, como mosquitos ou moscas. O Streptococcus uberis possui também características de agente contagioso, podendo inclusivamente, ser transmitido através da máquina de ordenha, tornando a ordenha um ponto fulcral de atuação, de modo a prevenir a passagem do agente entre animais.

A infeção e o período de secagem Sabe-se que cerca de 56% das infeções

IMAGEM 1 a 2 Exemplos de mau maneio ambiental a nível de camas e parque de vacas secas que contribuem para o aumento de prevalência de S. uberis.

56 julho . agosto . setembro 2016 Ruminantes

por Streptococcus uberis acontece na secagem, e principalmente no seu início (maioritariamente em animais jovens), o que torna este período fundamental para prevenir o seu aparecimento ou então para curar infeções pré-existentes. Na secagem acontecem uma série de eventos como o aumento do número de bactérias nos tetos devido à falta de ordenha, variações no canal do teto (e a capacidade, ou não, que o animal tem de produzir o rolhão de queratina natural, que vai levar ao fecho temporário do canal e consequente entrada de microrganismos) e as variações inerentes aos mecanismos de defesa da própria glândula mamária, que vão estar diminuídos neste período

Pontos chave onde atuar Assim, os pontos chave onde nos devemos concentrar no período de secagem são: maneio ambiental, maneio nutricional e maneio terapêutico. Quanto ao maneio ambiental, a limpeza é fundamental num estábulo acometido por este problema. Seja ele nos cubículos (a utilização de areia para as camas, ou a colocação regular de cal, já que o agente não resiste em ambientes alcalinos), seja nas camas da maternidade (sendo que até o tamanho da palha usada nas camas pode ser determinante, devendo optar-se por palha de tamanho mais grosseiro) ou nos parques de vacas secas (com precauções


SAÚDE E BEM-ESTAR ANIMAL

especiais no inverno e épocas chuvosas, já que a humidade excessiva potencia a transmissão do agente). Também se deve evitar o excesso de animais e ter uma ventilação adequada. Obviamente que todas estas medidas contribuem também para o bem-estar animal, o que vai melhorar o rendimento dos animais, além de estes serem mais resistentes a outros tipos de patologias. No caso do maneio nutricional, devemos fornecer aos animais uma dieta adequada a este período, de modo a evitar os tão famigerados problemas pós-parto, como as hipocalcémias, as cetoses ou as acidoses, que trazem consequências nefastas para a saúde animal e consequentes perdas financeiras. Importante é também a suplementação vitamínica, especialmente com Vitamina E, Selénio e oligoelementos (Cobre, Zinco, Ferro), que vão levar à estimulação do sistema imunitário do animal, que é muito importante é para assegurar o combate às infeções que podem vir a ocorrer. Os objetivos para o terceiro e último ponto são o de usar um antibiótico intramamário específico para a secagem, selante de tetos e um antibiótico injetável que complemente a bisnaga usada e possa dar uma ajuda extra, seja na prevenção do aparecimento de novas infeções no período seco ou no tratamento de infeções presentes na altura da secagem. Quase tão importante como a escolha do antibiótico intramamário, são os cuidados a ter com a sua aplicação. Uma correta aplicação da bisnaga de secagem minimiza uma possível introdução de microrganismos no teto, e consequentemente no úbere. Uma correta limpeza dos tetos antes da aplicação, o uso de pós-dip e manter a vaca de pé pelo menos uma hora após aplicação da bisnaga, são procedimentos fundamentais para que

IMAGEM 3 Exemplo de estábulo com má ventilação.

isso seja conseguido. As vantagens da utilização de selante interno são amplamente conhecidas e comprovadas, podendo reduzir a taxa de novas infeções em mais de 25%. Também a sua correta aplicação é fundamental, sendo o procedimento de limpeza semelhante ao do antibiótico. Uma situação a ter conta é a sua utilização em novilhas, principalmente em explorações onde a taxa de mamites seja particularmente alta em vacas primíparas. Deste modo, estamos a proteger estes animais de novas infeções que poderiam ocorrer nos últimos meses de gestação, levando a que o animal fosse parir já com mamite. Em relação ao antibiótico injetável, os prós superam os contras da sua utilização, especialmente nos casos em que os animais chegam ao período de secagem com infeção. O aumento do custo de tratamento e possível aumento do intervalo de segurança (nestes casos deve sempre fazer-se teste de pesquisa de inibidores no leite antes de começar a aproveitar o mesmo) são as desvantagens deste tipo de tratamento, ultrapassadas pelas vantagens neste tipo de infeções, sobretudo devido à redução nas contagens de células somáticas, e à maior proteção dada aos animais, principalmente àqueles que secaram com mamite. Neste âmbito, os macrólidos são um dos grupos de antibióticos de eleição para utilizar neste tipo de tratamentos, já que apresentam uma excelente difusão na glândula mamária e um tempo de atuação prolongado, principalmente os

de ação longa, como a Tilmicosina. Estas características associadas a propriedades anti-inflamatórias que os mesmos apresentam, trazem grandes vantagens à sua utilização, nomeadamente a redução das CCS, conforme anteriormente falado. Assim, seja como preventivo ao aparecimento de novas infeções, seja como tratamento de infeções pré-existentes, esta é uma arma que pode e deve ser utilizada para melhorarmos a eficácia no tratamento para este tipo de mamites. Como conclusão, este é um problema multifatorial e daí necessitarmos de uma abordagem multifatorial. Ou seja, as causas para o problema são várias, e precisamos de intervir em todas elas, pois se não atuarmos a todos os níveis, o problema vai manter-se na exploração, levando a maiores perdas e a um aumento do refugo de animais infetados. Só uma atuação cuidada a todos os níveis, pode levar a uma diminuição da incidência deste tipo de mamites e consequente melhoria da qualidade do leite.

Referências bibliográficas Não foram incluídas por uma questão de espaço editorial, mas o autor disponibiliza bastando enviar um email.

ruminantes julho . agosto . setembro 2016 57


Saúde e Bem-estar Animal

Cristina Antunes1, 2

Condicionantes do transporte e do abate no pH da carne de bovino

josé Nuno Costa1

Mário Quaresma1

aspetos a considerar

Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade de Lisboa 1

2

Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa

Introdução A obtenção de carne de elevada qualidade é o objetivo principal da cadeia de produção. Contudo, não basta possuir a melhor genética, propiciar as melhores condições para o crescimento e acabamento dos animais, ter um bom maneio alimentar, é também essencial garantir que os animais recebem as melhores condições possíveis durante a fase final do processo de produção, ou seja, durante o transporte para o matadouro e durante o período de espera na abegoaria.

pH O pH da carne é um parâmetro essencial à obtenção de carne de qualidade. Este parâmetro está dependente das reservas de glicogénio presentes no músculo antes do abate (Lensink et al., 2001). Após o abate do animal, o glicogénio muscular é gradualmente convertido em ácido láctico. Por sua vez, a

58 julho . agosto . setembro 2016 Ruminantes

acumulação de ácido láctico é responsável pelo decréscimo do pH da carne, que interfere com um conjunto de propriedades da carne que são de importância fulcral para os consumidores, nomeadamente a cor, a tenrura e a suculência. Um pH baixo (<5,80) diminui a proliferação de bactérias na carcaça, estendendo por isso o seu tempo de comercialização.

Reservas de Glicogénio As reservas de glicogénio muscular pré-abate diminuem devido ao stress a que o animal é sujeito e em resultado de atividade muscular intensa, levando a uma forte estimulação do sistema nervoso simpático, que liberta adrenalina que é responsável por aumentar o batimento cardíaco e estimular a depleção das reservas de glicogénio no músculo (Lensink et al., 2001). Assim, sempre que ocorre uma diminuição do teor de glicogénio pré-abate, a produção de ácido láctico após o abate é escassa, e o pH da carne permanece elevado (pH≥5.8) (Węglarz,


Saúde e Bem-estar Animal

2011; Marenčić et al., 2012). Quando tal acontece, a carne fica escura, seca e firme, conhecida no mercado por carne DFD (Dark, Firm and Dry). A carne DFD é sujeita a depreciação comercial, uma vez que não oferece as características mais apreciadas pelo consumidor e é mais suscetível a deterioração bacteriana (Silva et al., 1999). Pelo exposto, a intensidade de stress a que os animais foram sujeitos durante o transporte, o período de tempo despendido no transporte, as condições de abegoaria, o tempo de espera na abegoaria, a mistura de animais de diferentes proveniências são, apenas alguns dos fatores que podem influenciar a intensidade de stress a que estes animais são sujeitos no período pré-abate.

Parâmetros do estudo Este estudo foi realizado utilizando vitelos da raça Holstein-Frísia (218

animais) e vitelos cruzados de raças de carne (335 animais), contabilizando 394 machos e 159 fêmeas, perfazendo um total de 553 animais. O transporte dos animais para o matadouro ocorreu de duas formas: forma direta, ou seja diretamente da exploração para o matadouro (360 animais) ou forma indireta, que implica paragens para carregar animais de outras explorações (173 animais). Após a chegada ao matadouro, 169 animais foram encaminhados diretamente para o abate (Abate direto), os restantes 384 animais seguiram para a abegoaria, onde permaneceram até serem encaminhados para o abate (Abate indireto). Em cada animal, a medição de pH foi realizada em dois músculos considerados representativos da carcaça, nomeadamente ao nível dorsal (Longissimus thoracis) e na perna (Semitendinosus), perfazendo um total de 1106 medições de pH. Por motivo de simplificação, os valores de pH apresentados neste documento

representam a média aritmética dos valores de pH medidos nos dois músculos.

Resultados e discussão Efeito do transporte O transporte indireto está associado a um pH da carne significativamente mais elevado (5,78) comparativamente ao transporte direto (5,68). Tal facto deve-se ao transporte indireto estar associado a um maior período de exposição a fatores de stress . A distância do transporte, isto é, o número de quilómetros que o veículo realiza até ao matadouro influência de forma significativa o pH da carne. O estudo permitiu verificar que distâncias de transporte até aos 100 km não representavam um efeito significativo sobre o pH da carne (pH médio de 5,67),

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ruminantes julho . agosto . setembro 2016 59


Saúde e Bem-estar Animal

IMAGEM 1 Escala de avaliação da cor da carne de bovino (1C - carne de cor clara; 5 - carne de cor escura - DFD). Adaptado de Australian Meat Processor Corporation.

consumo de glicogénio intermédio, o que pressupõe: 1. adaptação do animal aos fatores que condicionam o stress; 2. distâncias maiores são normalmente realizadas por estradas menos sinuosas o que permite reduzir a intensidade das contrações musculares e dos fatores que originam o stress. enquanto distâncias entre os 101-120 km exerciam um efeito significativo sobre o pH da carne, levando ao seu aumento (5,81). Contudo, distâncias de transporte superiores aos 120 km resultaram num pH intermédio (5,71) ao encontrado em distâncias até aos 100 e entre os 101 e os 120 km. O efeito da distância de transporte parece indicar que distâncias até aos 100 km não resultam num período ou numa intensidade de stress suficiente para influenciar as reservas musculares de glicogénio, mas quando a distância se encontra entre os 101 e os 120 km, o stress a que os animais são sujeitos já condiciona o consumo das reservas de glicogénio presentes ao nível muscular com o consequente aumento do pH da carne. O tempo de transporte é uma variável resultante do tipo de percurso, do tipo de transporte e da distância do transporte, pelo que também ela influência o pH da carne. Transportes com duração igual ou inferior a 60 minutos não influenciam o pH da carne (5,69), enquanto transportes com um intervalo entre 61 e 90 minutos influenciam negativamente o pH da carne (5,83), mas o mesmo não se verifica em viagens com maior duração (91-180 minutos), onde o pH apresentou um valor médio de 5,71. O estudo permitiu verificar que distâncias menores (≤100 km) e tempos de viagem menores (≤60 minutos) não influenciaram o pH da carne. Distâncias entre os 101-120 km ou tempos de viagem entre os 61 e os 90 minutos induziram um significativo aumento do pH da carne. Contudo, distâncias superiores a 120 km ou percursos de duração superiores a 90 minutos resultavam em valores de pH intermédios, sugerindo que um

Efeito do abate Em análise estão os abates diretos (em que os animais chegam ao matadouro e seguem para a linha de abate após 2-4 horas de permanência na abegoaria) e os abates indiretos (onde os animais ficam retidos na abegoaria, durante um período de tempo variável, superior a 12 horas, antes de entrarem na linha de abate). O estudo observou que os animais submetidos a abate direto apresentavam um valor de pH significativamente mais baixo (5,62) e, portanto, mais favorável à qualidade da carne, que os animais submetidos a abate indireto (5,73). A explicação para este facto centra-se muito provavelmente no ambiente da abegoaria, isto é, o confinamento dos animais muitas vezes associado à mistura de animais provenientes de diferentes explorações, a uma elevada densidade animal ou ao ruído são fatores de stress que levam a valores de pH superiores. Outro fator em análise neste estudo foi o tempo de permanência na abegoaria.

O estudo revelou que os animais que permaneceram mais tempo na abegoaria apresentaram valores de pH superiores, sendo que os valores mais elevados de pH foram observados nos animais que permaneceram na abegoaria durante um período de tempo igual ou superior a 17 horas. A exposição continuada a fatores de stress provoca o esgotamento das reservas energéticas (glicogénio) ao nível muscular e consequente aumento do pH da carne.

Conclusão O transporte dos animais para o matadouro não deve ser considerado pelos produtores como um assunto de menor importância, uma vez que pode influenciar negativamente a qualidade da carne, o valor final da carcaça e, por consequência, a rentabilidade do produtor. O estudo permite ainda sugerir que o percurso entre a exploração e o matadouro deve ser selecionado por forma a beneficiar trajetos menos sinuosos. Sempre que não seja possível evitar trajetos demorados e percursos sinuosos é aconselhável escolher a modalidade de abate direto, ou em alternativa organizar o transporte dos animais para que eles permaneçam pouco tempo na abegoaria, para evitar o efeito do stress durante o período de espera na mesma.

Nota O autor escreveu este artigo segundo o Antigo Acordo Ortográfico.

Referências bibliográficas

“A exposição continuada a fatores de stress provoca o esgotamento das reservas energéticas (glicogénio) ao nível muscular e consequente aumento do pH da carne.”

60 julho . agosto . setembro 2016 Ruminantes

Costa, J. N. S. M. L. 2013. Impacto do Transporte e do Tempo de Abegoaria no pH das Carcaças de Vitela, em Condições Comerciais. Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade de Lisboa. Lensink, B. J., X. Fernandez, G. Cozzi, L. Florand, and I. Veissier. 2001. The influence of farmers ’ behavior on calves ’ reactions to transport and quality of veal meat. J. Anim. Sci. Marenčić, D., A. Ivanković, V. Pintić, N. Kelava, and T. Jakopović. 2012. Effect of the transport duration time and season on some physicochemical properties of beef meat. Arch. Tierzucht 55:123–131. Silva, J. A., L. Patarata, and C. Martins. 1999. Influence of ultimate pH on bovine meat tenderness during ageing. Meat Sci. 52:453–459. Węglarz, A. 2011. Effect of pre-slaughter housing of different cattle categories on beef quality. Anim. Sci. Pap. Reports 29:43–52.


* Andrew Bradley et al. An investigation of the efficacy of a polyvalent mastitis vaccine using different vaccination regimens under field conditions in the United Kingdom. J. Dairy Sci. 2015; 98: 1706–1720

SOLICITE AO SEU MÉDICO VETERINÁRIO INFORMAÇÃO ADICIONAL SOBRE COMO INCLUIR A VACINAÇÃO NO SEU PROGRAMA DE PREVENÇÃO DE MASTITES

A Referência em Prevenção na Saúde Animal

Hipra Portugal Arbuset Produtos Farmacêuticos e Sanitários de Uso Animal, Lda. Portela de Mafra e Fontaínha Abrunheira 2665-191 Malveira Portugal Tel (+351) 219 663 450 Fax (+351) 219 663 459 portugal@hipra.com www.hipra.com


SAÚDE E BEM-ESTAR ANIMAL

vacinação contra mastites Publireportagem

INTRODUÇÃO A mastite é uma das doenças mais frequentes e dispendiosas nas explorações leiteiras, sendo o seu controlo uma das maiores lutas para os produtores, existindo hoje em dia um grande número de explorações a sofrerem níveis inaceitáveis desta doença. A base de um programa de saúde do úbere assenta em 4 pilares base: ambiente, máquina de ordenha, rotina de ordenha e animal. Várias estratégias de prevenção são implementadas para minimizar a incidência das mastites clínicas e subclínicas, incluindo otimização da rotina de ordenha, maximização da higiene do úbere, terapias com antibióticos no período de secagem, segregação e refugo das vacas crónicas, etc. (Schukken Y. et al., 2014) A vacinação contra mastites pode ser uma ferramenta útil nos programas de controlo de qualidade de leite. Estudos recentes em situações de campo (Bradley A.J. et al., 2015; Schukken Y. et al., 2014) comprovam que a utilização de uma vacina contra agentes de mastites (S. aureus, SCN, E. coli e coliformes) em combinação com os procedimentos acima descritos, resulta numa diminuição de 55% na prevalência de infeções por S. aureus, diminuição da severidade e refugo (26% para 18%) por mastites tóxicas, 6% de aumento na produção de leite, 5% de aumento nos sólidos totais e um retorno económico do investimento de 2,6€ por cada 1€ investido (com base apenas numa maior produção de leite das vacas vacinadas).

A HIPRA comercializa no nosso país desde 2009, uma vacina para mastites. Vários testemunhos de médicos veterinários e produtores confirmam os resultados positivos decorrentes da sua utilização nas suas explorações.

Fonte: David Rodrigues

Equipa de Gestão da Exploração Leiteira da AJAM/CJA (ilha S. Miguel) “Desde que iniciámos a vacinação para mastites na exploração da AJAM/CJA ganhámos o equivalente a um mês de produção de leite em relação ao ano anterior. A utilização de uma vacina contra S. aureus, SCN, E. coli e coliformes nas nossas vacas possibilitou um aumento significativo da produção de leite devido à diminuição da contagem de células somáticas e menor numero de casos de mastites clínicas”.

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Equipa de Médicos Veterinários da PROLEITE (Oliveira de Azeméis) “Nas explorações onde se revelou pertinente a utilização da vacina Startvac, têm-se obtido resultados positivos, quer pela diminuição de novas infeções, severidade dos casos e C.C.S., quer pela redução do uso de antibióticos, custos com tratamentos e refugo de animais.”


SAÚDE E BEM-ESTAR ANIMAL

Fonte: Unicol

Equipa de Médicos Veterinários da UNICOL (ilha Terceira) “Enquanto médicos veterinários, encaramos a vacinação contra as mamites como mais uma ferramenta a incluir num programa mais vasto de controlo da qualidade do leite. O programa vacinal tem sido recomendado em todos os casos em que pretendemos uma recuperação rápida do efetivo, após correção dos defeitos encontrados no equipamento, rotina de ordenha ou ambiente em que a vaca vive. Na prática verifica-se que a vacina induz uma elevada proteção contra o Staph. aureus e uma redução do número e severidade dos casos clínicos de mamite.”

Jorge Toledo Ávila (ilha Terceira)

JOÃO Coelho Pires (ilha Terceira)

“O maior impacto que verifiquei após o inicio da vacinação contra mastites é a redução do número de casos clínicos por mês e a diminuição do consumo de antibióticos para o tratamento de mastites.”

“Desde que vacinei em fevereiro não utilizei mais nenhum antibiótico para tratar mamites.”

Teresa Moreira (Leicar) “A minha experiência ao longo dos últimos cinco anos de utilização da vacina é superpositiva, sempre que existe uma identificação prévia das bactérias causadoras de mastites para as quais a vacina está indicada. Através da análise dos registos e feedback dos produtores, as vantagens mais evidentes associadas à utilização da vacina são: diminuição do consumo de antibióticos (menor custo), melhor resposta aos tratamentos efetuados, diminuição da incidência de mastites clínicas e subclínicas e consequentemente da contagem das células somáticas (CCS). A implementação de um protocolo de vacinação contra mastites, deve ser ponderada num programa de qualidade de leite que se pretenda eficaz.”

João Luciano Aguiar (Balazar) Luís Pinho (SVA)

Fernanda Assunção (Trofa)

A vacina Startvac é uma ferramenta importante para atingir mais depressa os objetivos num programa de controlo de mastites contagiosas por S. aureus, e, simultaneamente minimizar os sinais clínicos das mastites coliformes. O trabalho conjunto com os produtores que usam a vacina desde há alguns anos, tem demonstrado esta constância de resultados.

Ajudou muito a reduzir os sinais clínicos das mamites e tornaram-se mais fáceis de tratar. Uso há quase 4 anos também para o controlo das mastites contagiosas por (S.) aureus.

António Gomes de Oliveira (Barcelos)

“Utilizo a vacina contra agentes de mastites desde 2012. Desde aí comecei a notar que as mastites ficaram mais fáceis de tratar. Outro aspeto importante é que não posso atrasar a vacinação, da última vez que isso aconteceu, o número de mastites aumentou e gastei muito dinheiro nos tratamentos.”

Desde há 3 anos que uso a Startvac e resolveu bem o problema das mamites (coliformes) ambientais e é para manter. Para mais informação Deolinda Silva Tel. (351) 915 052 335 E-mail: deolinda.silva@hipra.com

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Monobox GEA Um só movimento para uma ordenha perfeita O Monobox apenas necessita de uma colocação para poder realizar toda a sequência de passos de uma boa rotina de ordenha. Num único movimento coloca, estimula, limpa, tira os primeiros jactos de leite, ordenha e aplica o post-dip directamente nos tectos

Os 6 passos da rotina de ordenha automática Monobox 1. Colocação e estimulação Logos após à colocação da tetina começa o processo de estimulação mecânico que prepara o ubre para uma ordenha rápida e com elevados fluxos de leite A estimulação mecânica da GEA reduz as curvas bimodais, desta forma é encurtado o tempo de ordenha e aumenta a produção de leite por animal. 2. Ordenha limpa É feita a limpeza dos tetos seguida de uma secagem, posteriormente são retirados os primeiros jactos de leite O que diferencia o sistema Monobox da GEA de outras máquinas é que desta forma não são necessárias escovas ou qualquer outro equipamento mecânico que possa provocar uma qualquer contaminação dos tetos. Ao realizarmos uma limpeza regular e constante evitamos ordenhar tetos sujos ou molhados.

3. Medição e análise do leite Um conjunto de sensores analisa por teto a temperatura, a cor e a condutividade eléctrica do leite dos primeiros jactos para detectar anomalias ou mamites. De seguida são monitorizados os fluxos de leite e tempos de ordenha de cada teto enquanto se mede o volume de leite produzido. A informação detalha é disponibilizada ao produtor de forma a permitir realizar os ajustes necessários. 4. Ordenha completa, rápida e confortável A ordenha em linha baixa permite trabalhar com baixos níveis de vácuo o que nos dá a garantia de uma ordenha rápida e suave dos tetos. A linha baixa proporciona estabilidade de vácuo e melhores condições para os tetos, coisa que as linhas altas não permitem. Este facto influência de forma positiva a qualidade final do leite ordenhado.

5. Posicionamiento Um braço de ordenha leve e suspenso adapta-se de maneira natural aos movimentos da vaca. Isto evita maus posicionamentos do jogo de ordenha, quedas dos casquilhos, forças negativas e respiros nas tetinas. Caso uma tetina caia, jamais esta poderá tocar o chão até que volte a ser colocada, nem o jogo de ordenha perde o bom posicionamento O curto comprimento das mangueiras de leite proporciona estabilidade e evita flutuações de vácuo.

6. Post Dip e retirada automática Uma vez terminada a ordenha e antes de retirar a tetina, é aplicado directamente em cada teto o produto desinfectante e cosmético. Esta forma de aplicação tão directa permite uma cobertura perfeita e de forma homogénea em todo o teto e uma hidratação mais eficaz..


Qualidade, Produtividade e Flexibilidade. Tudo em um! Módulo profissional de ordenha automática proporciona o máximo rendimento e excelente saúde do rebanho. O novo módulo GEA Monobox herda as vantagens do célebre módulo de ordenha DairyProQ para uma produção de leite de qualidade superior. Toda a rotina de ordenha é realizada dentro de uma só tetina, o que assegura uma ordenha com uma higiene impecável, uma melhor saúde do rebanho e um leite de qualidade premium. GEA Monobox ordenha as suas vacas no momento oportuno e com uma eficiência única.


Produto

Sala de ordenha O coração de uma exploração leiteira Entrevista a António Carreira Campos por ruminantes

onde nasceu, que se inspirou para a escolha do atual modelo de construção, depois de visitar diversas explorações leiteiras. Foi na sua exploração, em Gondifelos, que António Carreira Campos recebeu a Ruminantes, revelando um pouco acerca da sua realidade enquanto produtor de leite, com especial enfoque no sistema de gestão da sala de ordenha e na informação gerada pelos dados aí recolhidos.

Maximizar a eficácia da ordenha e adequá-la à dimensão do efetivo tem sido o principal objetivo de António Carreira Campos, produtor da zona de Famalicão. É com esse objetivo que tem vindo a modernizar a exploração de família e que, há cinco anos, decidiu investir numa sala de ordenha paralela com tecnologia de recolha de dados incorporada (imagem 1). A exploração de António Carreira Campos situa-se em Gondifelos, Famalicão. Possui um efetivo de 230 animais, dos quais 78 estão atualmente em produção, sendo a recria de vitelos outra das vertentes do seu negócio. Nos cerca de 23 hectares que cultiva, almeja melhorar a produção de silagem

Imagem 1 Sala de ordenha paralela com tecnologia de recolha de dados incorporada.

de erva e também introduzir novas forragens, de luzerna ou outras leguminosas, em busca de boas fontes proteicas. A maximização da produção de alimentos de qualidade é, para este produtor, o grande desafio a par da luta constante da redução de custos nos diversos fatores de produção. Na exploração em si, o maior motivo de orgulho é o estábulo, idealizado pelo próprio depois de cuidada investigação (imagem 2). Foi no Canadá, país

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O que é um dia típico para si? A primeira tarefa que realizo de manhã, é a alimentação dos animais. Faço duas ordenhas por dia, uma de manhã e outra à tarde, após as quais analiso os dados do sistema.. Ao visualizar o volume de sessão da ordenha tenho especial interesse em confirmar que está tudo bem, que não existem vacas-problema com doenças como mastites, por exemplo. Gosto igualmente de olhar para os animais, para ver se se encontram bem. Qual considera ser a importância da sala de ordenha numa exploração? A sala de ordenha é talvez a coisa mais importante numa exploração leiteira, o coração da exploração, Foi por esta razão que optei por investir numa ordenha mais adequada à dimensão do meu efetivo, privilegiando o conforto dos animais e a qualidade e eficácia do processo. Asseguro a eficácia da ordenha através da estimulação das vacas, sabendo que elas se sentem confortáveis com o sistema e vêm tranquilamente à ordenha, o que

propicia a libertação do leite. Quando investiu pela última vez numa sala de ordenha? Investi há 5 anos nesta sala. É uma GEA paralela, 8x8, com toda a tecnologia de recolha de dados incorporada. Tenho um sistema de tetinas IQ de quatro vias, reduzindo assim o desperdício de vácuo e assegurando que não há mistura de leite dos vários quartos, minimizando a contaminação em caso de infeção intramamária. Porque optou por esta sala e por esta marca? Optei por esta sala devido à confiança e fiabilidade que associo à marca GEA, a qual prima também pela qualidade dos materiais fornecidos e pela assistência prestada. O facto de ser uma sala paralela aumenta a eficiência de todo o processo de ordenha, permitindo uma excelente visualização da vaca, facilitando não só a ordenha, bem como uma limpeza e desinfeção adequadas.. Com este sistema apenas é necessária uma pessoa na sala, que consegue completar a ordenha em cerca de uma hora e meia. A necessidade que tinha de possuir registos mais completos também me ajudou a optar por esta sala. Que dados recolhe a “sala” e como os gere? A quantidade de dados gerada é muito vasta. Tenho especial interesse em monitorizar de perto os dados reprodutivos, gerados pelo componente intitulado ‘visualização da reprodução’, o qual considero ser a grande maisvalia do sistema (imagem 3). Os alertas do sistema relacionados


Produto

Dados da exploração Localização: Gondifelos Área da exploração: 23 ha Culturas: Milho e consociação de gramíneas e leguminosas Efetivo total: 230 cabeças Nº animais em produção: 78 Nº animais com aptidão leiteira: 90 Mão de obra: 2 pessoas Produção de leite em 2015: 858 000 l Gordura Bruta: 3,7% Proteina Bruta: 3,2% CCS: 160 000 cél/ml

Imagem 2 Estábulo da exploração idealizado por António Carreira Campos.

com a deteção de cios, como o aumento de atividade (cujos registos são descarregados do podómetro) e a condutividade eléctrica do leite, constituem um grande contributo para a gestão reprodutiva. Ao manusear o sistema, e introduzindo o número da vaca, posso avaliar os níveis de atividade nas 24 horas anteriores. Existem padrões definidos e personalizados para a exploração, que nos permitem perceber quando é que o aumento da atividade das vacas é considerado elevado, e compatível com o cio. Isto permite aumentar a eficácia da inseminação, e insemino as vacas passadas 12 a 18 horas desta deteção de cios. Vale a pena referir que cerca de 50 a 60% dos cios são detetados durante a noite, o que reflete a utilidade do sistema. Além disso, todos os dias verifico o número de animais registados, hora de começo e duração da sessão, número de vacas ordenhadas por hora, tempo médio por série, produção total de leite, tempo

de carregamento médio e o tempo médio no último coletor. Se fosse hoje, voltaria a comprar a mesma sala? Sem dúvida. Faz benchmarking com outras explorações? Sim, indiretamente através do apoio técnico que é dado pelo nutricionista, que nos dá indicadores de várias custos de alimentação, enquadrados na nossa região, obtidos de outras explorações leiteiras. Também faço parte de uma Associação Europeia de Produtores de Leite, que compara custos de produção, entre produtores nacionais e produtores europeus. Tenho especial atenção aos índices produtivos (teor butiroso, teor proteico, células somáticas, ureia, etc...) e reprodutivos (intervalo entre partos, média de dias em aberto, intervalo partofecundação, dias em lactação, etc...) e ao custo diário de alimentação por vaca, tendo em conta o leite produzido. O custo alimentar atual varia entre os 4,5 e os 5 euros/vaca/ dia.

alimentar são silagem de erva, silagem de milho, mistura e palha. A silagem de milho fornecida é relativamente constante ao longo do ano, o resto depende do custo das matérias-primas da mistura, as quais atualmente até reduzi, em detrimento da introdução de mais silagem de milho. O normal é uma proporção de 30 kg de silagem de milho, 10 kg de mistura e 2,2 kg de palha picada, a qual compro. Estou agora com 37 kg de silagem de milho, 9,5 kg de mistura e 1,8 kg de palha picada. Tem objetivos anuais definidos? Como os estabelece e com quem partilha essa tarefa? Tenho por hábito reunirme com o nutricionista encarregue do meu efetivo, o qual faz parte de uma equipa

multidisciplinar com apoio veterinário, apesar de eu também ter um veterinário responsável unicamente pela parte clínica. Um dos nossos desafios é a minimização dos custos com a alimentação e estamos a procurar melhorias constantes em termos produtivos e reprodutivos. Como gostaria de ser conhecido enquanto produtor de leite? Como um produtor cuja exploração é eficiente do ponto de vista produtivo, que prima pelo bem-estar e saúde dos seus animais, bem como pela preservação do ambiente.

Imagem 3 Dairy Plan: Visualização da reprodução.

Qual o sistema alimentar que utiliza? As bases da formulação

ruminantes julho . agosto . setembro 2016 67


Produto

Automatização da exploração COM O LELY ASTRONAUT A3

Imagem 1 Joaquim Martins.

A Sociedade Agro-Pecuária Miranda & Martins, exploração leiteira localizada em Courel, Barcelos, é uma entre os poucos milhares de vacarias que restam em Portugal. Numa atividade que continua a enfrentar desafios diários para sobreviver, procura dar continuidade a um empreendimento de produção leiteira iniciado por Joaquim Martins e sua família, há algumas décadas atrás. POR RUMINANTES

Em 2000, aproveitando as condições propícias do mercado, a família cria uma empresa de prestação de serviços, a Maquicourel, que possui atualmente um parque com algumas dezenas de máquinas agrícolas onde se incluem 8 tratores, 6 automotrizes e alfaias, utilizados na prestação de serviços na área agrícola e pecuária a mais de 100 clientes nas regiões norte e centro do país. Numa área de 28 hectares, e entre terras próprias e alugadas na região, produzem também forragens destinadas à alimentação dos animais. Apesar de remontar a 1986, a exploração ganhou o atual nome em 2005, fruto do desejo dos filhos do fundador, Ilídio, António e Armindo Martins, de darem continuidade ao empreendimento familiar. Três anos mais tarde, conjugando a necessidade de renovar o seu sistema de ordenha em espinha de 2x6, já em fim

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de vida, e de reduzir e flexibilizar a mão-de-obra da exploração, decidiram investir no primeiro robot de ordenha. Assim, em 2008, e com um efetivo de 60 animais, adquiriram o robot Lely Astronaut A3 com o qual, além de terem colmatado as necessidades antes mencionadas, conseguiram aumentar a produção média por animal em cerca de 2 litros, mantendo inalterados outros fatores da exploração. Para os irmãos a escolha do equipamento da Lely foi fácil devido ao bom feedback por parte de outros produtores de leite, nomeadamente em França, os quais estavam bastante satisfeitos com os seus equipamentos. Para além disso, eram também os robots desta marca que aparentavam estar mais difundidos aquando das suas visitas a outros países, e o grau de satisfação dos produtores que os utilizavam era mais do que evidente.


Em 2016 e com 70 Lely Astronaut vendidos na região!

! OBRIGADO PELA VOSSA CONFIANÇA NA LELY ! Com mais 6 instalações a decorrer ao longo deste ano, o nosso Sistema Robotizado lely Astronaut está a ordenhar mais de 4.000 vacas nas diferentes explorações. Lely Center São Félix da Marinha 916 454 404 / 915 796 600

EVOLUA. www.lely.com

innovators in agriculture


Produto

Em 2015, com o crescimento do número de animais em produção, já com 70-75 animais em ordenha, decidiram adquirir um segundo robot, desta vez um Lely Astronaut A3 reacondicionado com Garantia Taurus. O facto de terem optado por adquirir um robot usado prende-se com a forte confiança na marca Lely e nos seus equipamentos, nas palavras dos próprios: “A robustez e qualidade de um equipamento reflete-se no dinamismo e força do seu mercado de usados e, no caso da Lely, isto é assegurado pela Garantia Taurus, que nos dá a segurança de comprar um equipamento em perfeito funcionamento e com um ano de garantia. Ao fim de oito anos a trabalhar com o primeiro robot já conhecíamos bem a sua capacidade e isso, conjugado com o elevado valor destes equipamentos mesmo em segunda mão, dá-nos mais segurança para o futuro. Outro aspeto importante é a poupança que sentimos em gastos com água, eletricidade e manutenção. Os custos de manutenção do equipamento, por exemplo, têm sido constantes ao longo do tempo, o que nos permite saber com o que contamos e evitar surpresas”. A introdução do novo robot deu-se em paralelo com a renovação de parte da exploração, a qual levou a um melhoramento das condições de bem-estar do seu efetivo, como se sabe

indissociáveis do aproveitamento do potencial produtivo dos animais. Assim, conseguiram aumentar a capacidade de crescimento até aos 120-130 animais em produção. O aumento de espaço facilita o tráfego livre dos animais, bem como o acesso de vacas jovens e vacas mais débeis aos robots, localizados no mesmo parque de produção. O efeito positivo e sinérgico de todas estas alterações fez-se sentir ao nível da produção, que aumentou de forma sustentável numa média de 2 a 3 litros por animal, atingindo-se facilmente 3 ordenhas diárias. Atualmente com 90 animais em lactação, registam valores médios de produção de 33-34 litros diários por animal, constantes ao longo do ano. Desde 2005, com a criação da sociedade agropecuária, frisam que todos os investimentos feitos foram exclusivamente com recurso a capitais próprios, já que existiam alguns entraves para o acesso a fundos de apoio comunitário. Isto implica obviamente uma gestão económica exigente, e dois dos principais objetivos almejados foram sempre a maximização da eficiência dos investimentos e a rentabilização dos recursos disponíveis, sempre integradas na conjuntura volátil do sector. De facto, não escapam aos tempos desafiantes para o sector leiteiro nacional e, tal como acontece com todos os produtores, o principal fator limitante

Imagem 2 Ilídio, António e Armindo Martins.

é a rentabilidade do negócio, fruto do baixo preço do leite e das limitações à produção. A totalidade do leite produzido na exploração é vendido à AGROS através da Cooperativa Agrícola de Barcelos, a qual também lhes presta outros serviços de apoio. Quanto ao futuro, sentem-se otimistas com a capacidade de crescimento em 25-40% em termos de volume de faturação, sem novos investimentos, trazendo alguma segurança em termos de margem de progressão. Para estes produtores, ao revisitar o passado, o balanço é bastante satisfatório. Terminam o seu relato em nota positiva, algo que muitas vezes nos falta em notícias do sector: “A automatização da exploração permitiu atingir os objetivos estratégicos que tínhamos definido: reduzir a mão-deobra e ter uma ordenha de qualidade sempre garantida, para além de outras ferramentas de gestão cada vez mais essenciais na produção de leite. Isto permitiu-nos libertar tempo para nos dedicarmos a outras atividades, e ajudarnos-á a fazer frente a um presente desafiante e a um futuro incerto, mas com esperança e confiança.”

EQUIPAMENTOS LELY E GARANTIA TAURUS A Lely, empresa holandesa, é líder de mercado de ordenha robotizada. O constante aperfeiçoamento dos seus robots da linha Astronaut, com o lançamento de novos modelos e a maximização da vida útil dos modelos já existentes, abriu portas para o mercado de equipamentos usados. De forma a manter a qualidade pela qual cita reger-se, a Lely criou a Garantia Taurus, a qual assegura que os equipamentos usados passíveis de ser adquiridos foram cuidadosamente limpos, inspecionados e renovados, podendo ser adaptados às necessidades do novo comprador. Para além do menor preço, estes equipamentos possuem garantia de 1 ano após a compra.

70 julho . agosto . setembro 2016 Ruminantes


novidades de produto

Fendt 1050 Vario Tanto músculo como cérebro Qualquer conversa sobre o novo modelo de alta potência da marca alemã começa pelos 500 cv fornecidos pelo motor. Mas atenção, ele é muito mais do que força e peso bruto. A ideia base do Conceito Fendt iD é rentabilizar ao máximo o motor do 1050 Vario a baixos regimes. Ou seja, conseguir o máximo binário para o mínimo consumo específico de combustível, que se traduz em elevadas potências a velocidades baixas. Para este objetivo contribuem todos os componentes do trator. Motor, sistema de refrigeração, transmissão e hidráulicos foram desenhados para o melhor desempenho possível.

Veja mais informação Na revista abolsamia nº 101 https://issuu.com/abolsamia/docs/abolsamia101/70

Citerneo Independentes e fechadas, as cisternas flexíveis Citerneo oferecem volumes de armazenamento de 1 a 1700 m3, para armazenar estrume, ou outros líquidos (fertilizantes, água, entre outros). Instalam-se num dia e duram mais de 20 anos. Para instalar uma cisterna flexível são necessários apenas trabalhos de terraplanagem mínimos, basta uma superfície plana ou em ponta de diamante com uma pendente de 2% coberta com uma cama de areia ou um geotêxtil conveniente. Estas cisternas oferecem a vantagem considerável de manter os odores dos líquidos armazenados e têm um armazenamento que protege da chuva, não sendo por isso necessário sobre dimensionar para as águas pluviais, como acontece com as de céu aberto.

ruminantes julho . agosto . setembro 2016 71


Produto

Kuhn SPW 22, de 2 sem-fins verticais

Uma solução para grandes desafios

A necessidade de aumentar a capacidade de mistura na alimentação das vacas e conseguir um alimento homogéneo e de elevada qualidade, levou a que Luís e Nuno Castela, da Sociedade Agropecuária Casa Castela, concelho de Trofa, tivessem decido investir num novo unifeed automotriz. A escolha recaiu no modelo SPW 22 da Kuhn, com 2 sem-fins verticais, que veio substituir o SP 14, também da Kuhn. A Revista Ruminantes veio assistir à entrega da máquina e saber o porquê desta escolha. por ruminantes

Dados da exploração Localização: Paradela, concelho de Trofa Atividade principal: Produção de leite Área total: 65 hectares, dispersos Culturas: milho, azevém e luzerna, em rotação Efetivo total: 300 Vacas em produção: 118 Produção média de leite/ vaca/ dia: 27 litros Teor butiroso: 3,67% Teor proteico: 3,08%

Que razões levaram a este investimento? Nuno Castela (NC) – O modelo que tínhamos (Kuhn SP 14) já estava a tornar-se pequeno para a dimensão da exploração, precisávamos de aumentar a capacidade de produção de alimento, mas também a rapidez de execução da mistura. Optámos por isso por um modelo maior e com tecnologia mais recente, e a nossa escolha voltou a cair na marca Kuhn por lhe reconhecermos qualidade e estarmos familiarizados com o sistema. Outra razão que nos levou a optar pela marca foi a assistência do representante local, a Reptractor, que é rápida e eficaz, o que é de extrema importância neste tipo de máquinas.

72 julho . agosto . setembro 2016 Ruminantes

Na foto da esquerda para a direita Manuel Ribeiro, Nuno Castela, Simão Campos, Luís Castela, Romain Grelard, Rodrigo Gonçalves, Manuel Baioneta, Avelino Ribeiro.

Que vantagens espera obter? NC - Maior quantidade de alimento misturado de cada vez. Como trabalho com grandes quantidades de forragens em verde, o tamanho do unifeed é importante. Por outro lado, com este motor de 200 cv na cabeça de recolha vai ser mais fácil e perfeito o carregamento da cuba e o corte das forragens no silo. Pelo que vi, a mistura resulta muito mais homogénea e perfeita. Que ingredientes utiliza na alimentação? NC - Silagem de erva e de milho, luzerna em verde e mistura de matérias primas.


Produto

Quais são as principais diferenças entre o modelo Kuhn SPW 22 e aquele que existia na exploração (Kuhn SP 14)? Rodrigo Gonçalves, responsável da assistência pós-venda da Kuhn (RG) – As diferenças estão na capacidade de carga (respetivamente 22 e 14 m3); velocidade de mistura; a precisão do corte (o novo modelo não destrói as fibras); a potência na cabeça de recolha, que passa de 90 cv para 200 cv; a largura do tapete de carregamento que aumenta de 650 mm para 800 mm, tornando o carregamento da cuba muito mais rápido; o motor, fase TIER IIIB em vez d II, é limpo automaticamente sempre que se passa da posição de carregar para descarregar por inversão do sentido do movimento da ventoinha, que “sopra” assim toda a poeira acumulada. A homogeneidade do produto é muito maior, este modelo tem dois sem-fins verticais que levam a um movimento do alimento de baixo para cima e em oito, enquanto o outro era na horizontal. A nível de programação

é totalmente diferente e com muito mais capacidades (pode programar por animal, pelo efetivo todo; para os diferentes lotes de produção...) sendo mais fácil de utilizar porque o ecrã é táctil. Outra grande diferença está no eixo direcional traseiro que tem dois modos de condução, um para reduzir o raio de viragem e outro tipo “caranguejo”, em que os eixos viram em simultâneo para o mesmo lado permitindo com muita facilidade aproximar melhor das laterais do silo. Como explica o facto de esta máquina ter tração traseira? RG – O motor da máquina está na retaguarda o que leva a que 67% do peso esteja assente no eixo traseiro. É por isto que a Kuhn afirma que esta máquina vai onde os outros modelos vão, sem necessitar de tração total. A localização traseira do motor e a tração simples proporcionam maior velocidade e conforto (o operador tem um ambiente mais silencioso).

Principais caraterísticas SPW 22 Capacidade (m3)

22

Tipo de sem-fim

Verticais

Número de sem-fins

2

Tipo de distribuição

À dta. e à esq. (tapete de distribuição transversal)

Tipo de suspensão

Suspensão frontal e traseira

Largura total (m)

2,5

Altura total (m)

3,06

Peso (kg)

14,700

Altura máx. de desensilar (m)

6

Velocidade (km/h)

De 0 a 25

Tipo de transmissão

Hidrostática com duas posições nas rodas traseiras

Potência motora (kW)

181

Potência motor (CV)

247

O modelo SPW 22 Os SPW da KUHN foram concebidos tendo em conta um conjunto de considerações nutricionais de que os animais necessitam: respeito dos índices de fibrosidade, homogeneidade da mistura, qualidade da distribuição.

ruminantes julho . agosto . setembro 2016 73


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74 julho . agosto . setembro 2016 Ruminantes


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Ruminantes 22  

Edição nº22/2016 A revista da Agropecuária

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