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A REVISTA DA AGROPECUÁRIA Ano 5 - Nº 17 - 5,00€ abril | maio | junho 2015 (trimestral) Diretor: Nuno Marques www.revista-ruminantes.com

auditorias DE DIAGNÓSTICO PARASITÁRIO Estudo nos nematodes gastrointestinais em ruminantes no Alentejo

PROGRAMA LEITE DE VACAS FELIZES Um investimento no leite dos Açores

forragens

a revista ruminantes organiza 1º concurso nacional


EDITORIAL

Produzir leite único!

edição nº17 abril | maio | junho 2015 Diretor

Com o fim das quotas, a fileira do leite terá mais um desafio pela frente, e uma concorrência ainda maior do leite “global”. Nos Açores, mais ainda do que no Continente, a performance da produção de leite passa a ser um elemento fundamental, porque o isolamento dificulta a contenção do custo e a venda a preços competitivos. Produzir caro e vender o leite ao preço dos outros não parece ser um caminho que se possa percorrer por muito tempo. Por isso, o surgimento de projetos como o recentemente apresentado por uma empresa em S. Miguel, apostando na diferenciação e na certificação dos produtos “made in Açores” faz todo o sentido, na medida em que irá permitir criar valor em toda a cadeia produtiva. A ideia é produzir um leite de qualidade superior baseado num conjunto de premissas que muito poucos lugares, hoje, na Terra, podem oferecer: qualidade das pastagens, bem-estar animal, qualidade e segurança alimentar, produção sustentável e eficiência. Talvez com este modo de produção assente em pastagens características e em muitas horas de pastoreio diárias, que conferem características nutricionais, físicas e químicas singulares ao leite, em conjunto com um marketing forte, se consiga contornar o desafio da viabilidade da produção de leite no futuro. Mas é preciso ir mais longe: o leite produzido hoje, em resultado do maneio, da genética e da alimentação, satisfaz os superiores interesses da indústria tendo em vista a sua valorização no fabrico de novos produtos com maior valor acrescentado? Terá a gordura e a proteína desejadas para produzir mais nata, manteiga e queijo? Terá realmente características distintas resultantes de pastagens naturais? São as respostas a estas e outras perguntas que podem orientar os produtores na tomada de decisões corretas sobre investimentos demasiado importantes num negócio complexo, que não é possível mudar com a velocidade que se deseja. Decidir alterar a genética, as instalações ou o maneio alimentar, traz seguramente investimentos que não devem ser decididos sem um caminho previamente traçado pela indústria. Posto isto, cabe ainda questionar: fará sentido pagar prémios aos produtores insulares em função da quantidade de leite produzido? Ou seria preferível, neste caso, pagar prémios mais altos por um determinado perfil nutricional pré-definido por caderno de encargos que permita diferenciar e criar valor a toda a cadeia produtiva? Não nos devemos esquecer que o argumento utilizado pela indústria para os atuais baixos preços do leite é haver leite em excesso! Ou seja, o produtor recebe um incentivo para produzir mais leite, mas por essa razão baixam-lhe o preço do leite. Não será isto um desperdício e um contrassenso? O exemplo de Itália, em que o leite produzido é pago a um preço bastante superior ao da média europeia, pode ser um modelo de inspiração. Todo o leite aí produzido é usado no fabrico dos famosos queijos italianos, como o Parmesão ou o Gorgonzola entre tantos outros, que são vendidos com grande valor acrescentado, ao passo que o leite normal e corrente vem normalmente do país que naquele momento tem um preço mais interessante. A Revista Ruminantes vai lançar, já no início do Verão, o 1º Concurso Nacional de Forragens, na categoria de silagem de erva. O objetivo desta iniciativa é contribuir para aquilatar e divulgar o nível das silagens feitas cada ano, e incentivar a sua melhoria, já que as forragens são consideradas um fator determinante para a sustentabilidade da produção pecuária de ruminantes. Neste número, fique a saber como nasceu esta ideia e o regulamento do concurso. Participe!

Nuno Marques | nm@revista-ruminantes.com Colaboraram nesta edição Abigail Barbosa; António Cannas; António Moitinho; Aurelien Piron; Bárbara Torres; Carla Azevedo; Carlos Rebelo; Carlos Vouzela; Caroline Canuto; Cidinei Miotto; Diana Pacheco; Francisco Marques; Javier Mateos; João P. Carneiro; João Sousa; José Caiado; José Lobato; Laurent Dussert; Luis Nobre; Luís Queirós; Luísa Soares; Marta Murta; Nuno Sérgio; Paula Soler; Paulo Sousa; Pedro Campos; Pedro Castelo; Philippe Caldier; Ricardo Bexiga; Rita Cabrita; Teresa Moreira; Tiago Salvado; Wilson Lei.

Publicidade e assinaturas Nuno Marques | comercial@revista-ruminantes.com

REDAÇÃO

Inês Ajuda e Maria Luísa Ferrão.

Design e PrÉ-impressão Sílvia Patrão | prepress@revista-ruminantes.com

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Propriedade / Editor Aghorizons, Lda / Nuno Marques Contribuinte nº 510 759 955 Sede: Rua Alexandre Herculano, nº 21, 5º Dto 2780-051 Oeiras Tiragem: 6.000 exemplares Periodicidade: Trimestral Registo nº: 126038 Depósito legal nº: 325298/11 O editor não assume a responsabilidade por conceitos emitidos em artigos assinados, anúncios e imagens, sendo os mesmos da total responsabilidade dos seus autores e das empresas que autorizam a sua publicação. Reprodução proibida sem autorização da Aghorizons, Lda. Alguns autores nesta edição ainda não adotaram o novo acordo ortográfico.

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Nuno Marques

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Índice Alimentação 30 Febre do leite – a prevenção é a chave do sucesso 34 Alternativas na formulação para ruminantes, com base em aminoácidos 46 Novos estudos sobre stress por calor

ENTREVISTA 08 A força da marca Provimi 24 Digestibilidade das fibras é o grande salto

FERTILIZANTES 50 PHYSIOSTART: um poderoso aliado na produção de milho

10 PROGRAMA LEITE DE VACAS FELIZES Um investimento no leite dos Açores

ECONOMIA 38 Observatório de matérias primas 40 Observatório do leite 42 Índice VL e Índice VL – erva

EQUIPAMENTO 72 Novidades de produto

forragens 16 Fatores que influenciam a qualidade das silagens de outono-inverno 21 Regulamento do I Concurso Nacional de Forragens

GENÉTICA 52 Programa da vaca Procross – FAQ’s

PASTAGEns 22 Consociações para forragens

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I CONCURSO NACIONAL FORRAGENS

AUDITORIAS DE DIAGNÓSTICO PARASITÁRIO

Entrevista a José Caiado, responsável do concurso

Um estudo focado nos nematodes gastrointestinais em ruminantes no Alentejo

PROTEÇÃO DE PLANTAS 28 Infestantes na cultura do milho

SAÚDE E BEM-ESTAR ANIMAL 56 Ilha de São Miguel – prevalência de Staphylococcus spp. e Coliformes 66 Dez medidas de biossegurança para a exploração pecuária 68 Bem-estar em animais de produção Realidade portuguesa vs britânica

boletim de assinatura 1 ano, 4 exemplares

dados pessoais

Portugal: 20,00 €

Nome.............................................................................................................................................................................................

Europa: 60,00 €

Morada..........................................................................................................................................................................................

Pagamento • Por transferência bancária: NIB: 0032 0111 0020 0552 3997 7 Enviar comprovativo para o email geral@revista-ruminantes.com • Por cheque: À ordem de Aghorizons, Lda.

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atualidades

Setor dos bovinos de carne é o mais ajudado na União Europeia No âmbito da PAC 2014-2020, os vinte e sete Estados-membros destinaram ajudas ligadas a alguns setores, supostamente, aos mais produtivos de cada país. O setor do gado bovino, vocacionado para a produção de carne, é o mais consensual na medida em que vinte e quatro países decidiram continuar a apoiar esta atividade. Apenas três países que fazem parte da União Europeia, o Chipre, a Irlanda e o Luxemburgo optaram por não conceder ajuda pecuniária ao setor dos bovinos de carne. Falamos de 1.700 milhões de euros, o que se traduz em 42% do total de ajudas destinadas a pagamentos ligados em 2015. O setor dos pequenos ruminantes (ovinos e caprinos) será o terceiro mais apoiado com uma verba na ordem dos 12% em vinte e dois Estados-membros. As vacas de leite também vão receber ajudas, na ordem dos 20%, o que corresponde a mais de 800 mil euros, em dezanove, dos vinte e sete países que integram a União Europeia. Note que a Áustria, a Holanda, a Suécia, a Dinamarca, a Grécia, a Hungria, a Roménia e o Luxemburgo optaram pelo desligamento da ajuda ao setor leiteiro. Já o Reino Unido optou por ajudar a produção de gado de carne bovino e ovino, enquanto em Itália a pecuária também continuará a beneficiar de ajudas diretas, assim como, várias culturas mediterrânicas em que os italianos são fortes, como o azeite, o trigo duro e as leguminosas. Note que a cana-de-açúcar, a chicória e as forragens secas não serão apoiadas em nenhum Estado-membro, ainda que sejam consideradas culturas elegíveis.

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O apoio pecuniário está diretamente ligado com a produção e visa incentivar e premiar a boa gestão e as boas práticas nas explorações agrícolas. Em Portugal, os valores anuais estipulados para uma vaca em aleitamento é de 120€, para uma vaca leiteira é de 82€ e para uma ovelha e uma cabra é de 19€. Estes valores são indicativos uma vez que dependem do número de animais elegíveis candidatos aos prémios. As condições de elegibilidade assentam no cumprimento de várias regras. Para as vacas em aleitamento, o parto deverá ter ocorrido nos últimos 18 meses, tendo como referência todo o período de retenção que começa no dia 1 de fevereiro e termina no dia 31 de julho de cada ano. Terem vocação carne e estarem devidamente identificadas e registadas são mais dois critérios que garantem a elegibilidade, sendo admissível candidatar novilhas, num máximo de 20% das vacas em aleitamento. No que respeita às condições de elegibilidade da ovelha e da cabra, devem permanecer na exploração de 1 de fevereiro até 31 de maio e têm que estar devidamente identificadas e registadas, devendo perfazer um número mínimo de 10 animais por exploração. São elegíveis as fêmeas da espécie ovina e caprina que detenham pelo menos um ano no primeiro dia do período de retenção, ou seja no dia 1 de fevereiro de cada ano. Notamos que, a par do leite, o setor da carne é um dos mais importantes na área da agricultura europeia. A carne de bovino, de ovino e de caprino, de suíno e de aves de capoeira representa cerca de

um quarto do valor total da produção agrícola. Metade das explorações agrícolas comunitárias criam animais e 90% dos agricultores que possuem ruminantes são especializados na produção pecuária. Dada a importância da carne para a economia da Europa, as políticas, destinadas ao setor, tendem a incentivar a produção de carnes seguras e nutritivas, visando satisfazer, de uma forma equilibrada, as necessidades dos consumidores e dos produtores pecuários em articulação com o respeito pelo meio-ambiente.

Maria Luísa Ferrão Fonte: Agrodigital, IFAP, Comissão Europeia

O primeiro ano do Farm Bill Em 2014 entrou em rigor a nova lei Agrícola Americana (Farm Bill 2014). Esta lei acabou com as ajudas diretas ao produtor, independentes do lucro ou produção, fornecendo fins mais diferenciados para os fundos e canalizando-os para um esquema de seguros. No caso dos produtores de leite, estes podiam optar por uma


atualidades

cobertura mínima de 4€ por cerca de 50 kg de leite, podendo ir até ao dobro. No ano passado, Ralph Ichter, consultor das organizações agrícolas francesas nos E.U.A, declarou que estes optariam por coberturas na ordem dos 6 a 7 dólares por 50 kg de leite, o que se traduzia quase no dobro da margem mínima. Na altura em que foi instalada, a política tinha como objetivo aumentar a produtividade das explorações agrícolas, bem como conservar as áreas protegidas (um produtor que cultivasse uma terra virgem, receberia menos subsídios que um que utilizasse terra que já estava a ser utilizada para este fim), incentivar ao trabalho no meio rural (diminuindo o risco e flutuabilidade do mesmo) e estimular determinado tipo de culturas (o governo passou a decidir que culturas seriam mais subsidiadas).

Será que um ano depois da sua implementação o Farm Bill 2014 está a surtir o efeito desejado?

O departamento agrícola Americano publica todos os meses uma história diferente na qual o Farm Bill fez a diferença. A maior parte dessas histórias relaciona-se com novos investimentos tornados possíveis devido às ajudas financeiras e até mesmo de aconselhamento fornecidos pela nova política. O secretário da agricultura Americano, Tom Vilsack, declarou até que este Farm Bill foi intitulado com o “melhor Farm Bill até hoje executado”. No entanto, vários membros do governo americano reconheceram as dificuldades que o programa está a passar na sua implementação e já existem alguns pedidos de reabertura da discussão do programa, com propostas para algumas alterações. Uma das decisões mais contestadas para este ano foi o corte em 16 mil milhões de dólares no seguro das culturas. Associações agrícolas declaram que, numa altura em que o mercado alimentar estão em decadência, este corte poderá prejudicar fortemente o cultivo de matérias-primas.

No que toca ao novo programa de seguros para a produção de leite, cerca de metade dos produtores Americanos (cerca de 23000) participaram no programa, superando as expectativas do governo americano. No entanto, existem alguns problemas associados a este seguro, nomeadamente, tal como ressalva Daniel-Mercier Gouin da Universidade Laval do Québec, caso a margem que o seguro mínimo fornece for suficiente para os produtores produzirem, mesmo em tempos de crise, estes continuarão a produzir em quantidade, e o orçamento do programa não conseguirá suportar o financiamento, porque ultrapassará largamente o orçamento inicialmente estabelecido (400 milhões de dólares para o leite, contra 23 milhões para as culturas). Resta agora esperar que os produtores continuem a aderir ao programa, e ver o crescimento no próximo ano. A próxima fase de inscrições (para o ano de 2016) decorrerá de 1 de julho a 30 de setembro.

O que há de tão DISTINTO no interior? PhysioLick é uma gama de baldes vitamínicos para Ruminantes, desenhada pela InVivo Nutrição e Saúde Animal. Devido à sua inovadora forma de fabrico, os baldes PhysioLick apresentam vantagens como, a preservação do valor nutricional, uma textura resistente a condições climatéricas adversas e uma formulação otimizada e equilibrada. Os baldes PhysioLick vão de encontro aos requisitos dos Ruminantes de acordo com o seu ciclo produtivo, trazendo benefícios aos animais e maiores lucros aos produtores.

Para ruminantes Distribuído por INVIVONSA Portugal, SA

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entrevista

A FORÇA DA MARCA PROVIMI E a VONTADE DA CARGILL EM INVESTIR EM PORTUGAL Entrevista a Cidinei Miotto - Diretor Geral da Provimi. POR RUMINANTES

Cidinei Miotto ocupa, desde maio, o cargo de Diretor Geral da Provimi Portugal. Licenciado em medicina veterinária e com um MBA em Gestão de Empresas, trabalha há mais de 20 anos na indústria de alimentação animal. Iniciou a sua carreira na Nutron, uma empresa do Grupo Cargill no Brasil, onde passou pelos cargos de vendedor, gerente técnicocomercial e, nos últimos quatro anos, com a responsabilidade de diretor- comercial onde liderava uma equipa de mais de 120 pessoas. Em entrevista à Ruminantes, acerca dos objetivos da Provimi Portugal para o futuro e do posicionamento das marcas comercializadas pela Empresa, Cidinei

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Miotto considera que “para enfrentar os desafios atuais do mercado, são necessárias empresas com grande capacidade de inovação, uma equipa de alto nível e respostas rápidas às constantes mudanças, por isso temos a certeza que juntando a força da marca Provimi e a vontade da Cargill em investir em Portugal estamos mais fortes e melhor preparados para vencer.” Ruminantes - Está em Portugal há cerca de 10 meses. Que diferenças encontrou entre o mercado dos alimentos para animais brasileiro e português? Cidinei Miotto - O mercado de rações em Portugal tem apresentado uma redução

de volume nos últimos anos e isto traz um desafio maior para o crescimento das empresas, sendo necessário estratégias diferentes para conseguir ganhar participação de mercado. O mercado brasileiro representa um volume anual de aproximadamente 65 milhões de toneladas de ração e isto atrai muitas empresas aumentando a concorrência. A nossa empresa no Brasil está muito concentrada em entender as necessidades dos clientes e desenvolver soluções que sejam de interesse dos mesmos. Esta experiência ajuda muito no desenvolvimento de uma estratégia vencedora que pretendemos implementar também em Protugal.


entrevista

Que objectivos tem para este seu novo desafio? A Provimi é uma marca fortemente reconhecida no mercado português, pelo que o nosso objetivo é criar condições para reforçar esta perceção. Faremos isso através de várias ações como o lançamento de novos produtos adequados às necessidades existentes, o incremento da parceria com os nossos distribuidores e também com investimentos no desenvolvimento da nossa equipa, que levarão novamente a Provimi à liderança do mercado de rações em Portugal. Para além da experiência de todos os elementos da empresa, contamos ainda com a maior e mais forte rede de distribuição, cuja cobertura abrange todo território nacional e nos ajuda a levar os nossos produtos a todo país. Renovou há um ano a linha rural da Provimi. O que pensa fazer com as linhas de ruminantes? O mercado de ruminantes tem passado por mudanças e os nossos clientes têm enfrentado grandes desafios para otimizar as suas explorações e produzir mais com menor custos. Em resposta a estes desafios estamos trazendo para o mercado uma nova proposta de trabalho com novos produtos que melhor atendem as necessidades dos clientes, o reforço da equipa e as mais modernas ferramentas de trabalho. O setor dos ruminantes tem uma componente muito interessante para as empresas, porque exige que exista um excelente conhecimento do perfil nutricional das forragens existentes na exploração para poder recomendar o alimento concentrado adequado. Isso exige ter boas ferramentas e bons técnicos. Que ferramentas e que formação têm os técnicos da Provimi? Através da plataforma MAX colocamos a disposição dos nossos clientes o que há de mais atual para otimizar dietas de ruminantes. No caso de bovinos de leite, com o DairyMax é possivel simular dietas procurando a melhor rentabilidade para o produtor e não apenas a dieta mais barata. Esta forma inovadora de atuar no mercado coloca a Provimi como uma referência no mercado. Para aproveitar o máximo potencial do DairyMax é necessário introduzir informações precisas das forragens usadas, por isso colocamos a disposição dos nossos clientes análises através de equipamentos

“Para além da experiência de todos os elementos da empresa, contamos ainda com a maior e mais forte rede de distribuição.”

NIR de última geração com curvas de calibração e equações desenvolvidas e atualizadas pela Cargill. Estas equações são construídas com informações de uma grande network mundial, onde são incorporados diariamente dados dos nossos laboratórios, aumentando constantemente a robustez da curva de calibração. Isto dá-nos a garantia da análise local e segurança do resultado baseado numa calibração mundial. É um alto investimento da nossa parte, mas fundamental para garantir o melhor nível de serviço aos nossos clientes. Com o uso destas ferramentas foi possivel uma reformulação completa dos nossos produtos, colocando nas linhas Provilate, Provibeef e Ovipro um equilibrio de nutrientes que possibilitam aos animais expressar o seu mais alto potencial. Para explorações maiores e com necessidades específicas também contaremos com produtos personalizados que serão desenvolvidos pelos nossos técnicos, e produzidos nas nossas fábricas seguindo os mais rigorosos padrões de qualidade. Também fizemos investimentos na nossa equipa, agora maior e com atuação exclusiva em ruminantes, disponibilizámos técnicos altamente capacitados para levar aos nossos clientes soluções com dietas cujo objetivo é aumentar a rentabilidade das explorações, otimizando ao máximo a performance dos animais com o investimentos certos. Normalmente os pequenos ruminantes são descurados pelas empresas. Vai apostar neste setor? Seguindo o exemplo dos bovinos, também estamos atentos ao mercado de pequenos ruminantes. As necessidades dos clientes deste mercado são bastante específicas e possuimos atualmente produtos muito reconhecidos como é o caso do Ovipro. Através da troca de experiências com outras empresas do Grupo Cargill em países com grande experiências nestas

espécies, estamos também reformulando e ampliando a nossa linha de produtos. Seguindo o mesmo raciocínio utilizado na linha dos bovinos, procuramos soluções que permitam a otimização da rentabilidade das explorações. A Provimi utiliza os seus próprios nutrientes e focaliza-se muito mais em nutrientes que em ingredientes. Porquê? Com a incorporação da Provimi na Cargill, somou-se forças e criou-se um gigante banco de dados de ingredientes e nutrientes, que somados dão imensa informação gerada pelos centros de Investigação próprios, permitindo que a Cargill conheça muito melhor os nutrientes de cada um dos ingredientes, e com isso elaborar dietas mais adequadas aos requerimentos dos animais, sem desperdício e aumentando a performance. Este tipo de knowhow somente está disponivel em empresas com foco em Nutrição Animal, como é o caso da Cargill. A Cargill acaba de anunciar um acordo para compra da marca Progado, porque a considera uma passo importante? Desde a aquisição da Provimi, há mais de 3 anos, que a Cargill ocupa uma posição de destaque no mercado de rações em Portugal. Considerando a existência de uma equipa experiente, a capacidade fabril disponível e a atratividade do mercado, a Cargill definiu como ponto estratégico o crescimento no mercado português de alimentos compostos. A compra da marca Progado ainda está dependente da aprovação da Autoridade da Concorrência mas, se aprovada, será uma mais valia na nossa estratégia de atender de forma diferente clientes com necessidades diferentes e aumentar nossa participação no mercado. A Progado vai trabalhar de forma autónoma, o que significa isso? Caso a Autoridade da Concorrência autorize o negócio, o nosso objetivo passa por manter a independência da marca Progado dentro da nossa empresa, garantido a manutenção das fórmulas dos produtos atuais bem como a qualidade e política de preço dos mesmos. Com os colegas da área comercial da Progado, que se juntarão à equipa da Cargill, manter-se-á uma força de vendas dedicada, cujo principal objetivo será a garantia dos acordos existentes com distribuidores e clientes, além da busca de oportunidades de crescimento em conjunto com os mesmos.

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reportagem

Programa Leite de Vacas Felizes

Bel investe no melhor leite, nos Açores por ruminantes

Sobre a bel A Bel é um grupo multinacional de origem francesa que opera a nível mundial no mercado do queijo, há 150 anos, detendo 5 marcas internacionais e mais de 25 marcas locais em 120 países. A Bel Portugal está presente nos mercados de queijo (core business da empresa), leite e manteiga. O mercado de queijo em Portugal representa 56.751 toneladas (volume) e 437 milhões de euros (valor). Lidera o mercado total de queijo em Portugal e conta com uma quota de mercado de 19% (em valor) com as suas marcas estratégicas Limiano, Terra Nostra, A Vaca que ri e Mini Babybel. No principal segmento de mercado, o queijo flamengo, detém a liderança com 34% de quota em volume e 42% em valor, com as duas primeiras marcas do mercado, Limiano e Terra Nostra. A Bel recolhe 40% do leite produzido em S. Miguel, e 70 % do leite que recolhe é transformado, ficando apenas 30 % em venda de leite UHT. A multinacional tem três fábricas em Portugal, duas nos Açores e uma em Vale de Cambra, 500 empregados, e prevê investir mais de sete milhões de euros. O ano passado faturou 130 milhões de euros, mais 7% do que em 2013. A contribuição ao nível do grupo situa-se acima dos 4 milhões de euros

Programa Leite de Vacas Felizes No início deste ano, a multinacional de origem francesa Bel apresentou o Programa Leite de Vacas Felizes, que tem como grande objetivo conseguir que o leite produzido nos Açores seja reconhecido como um leite de qualidade superior, bem como criar valor em toda a cadeia produtiva. Esta iniciativa, que representa um investimento de 7 milhões de euros, envolve cerca de 500 produtores que estarão comprometidos com uma série de boas práticas definidas através de um caderno de

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encargos definido para este fim. A ideia subjacente ao Programa é que os produtores vão progressivamente aderindo às normas definidas, o que lhes permitirá produzir de forma certificada, com vantagens futuras no preço de venda do seu leite. A expetativa da Bel é ter 20% dos produtores certificados em três anos. Foi em torno dos principais desafios que se colocam ao leite açoriano que Ana Cláudia Sá, diretora geral da Bel, fez o ponto da situação alinhando os principais fatores que “obrigam” os Açores a caminhar rapidamente para uma diferenciação cada vez maior dos seus produtos: o recente fim das quotas, o embargo russo, a retração no mercado chinês, a quebra de consumo

interno e o excesso de leite a preços mais competitivos, pedem novas estratégias aos produtores das Ilhas. “Açores, pura naturalidade”. Foi com estas palavras que a diretora geral da Bel resumiu o caminho a seguir que, na opinião da empresa, deve ter por base a diferenciação assente nos fatores que distinguem as condições naturais dos Açores, pela

A EXPETATIVA da Bel é ter 20% dos produtores certificados em três anos


reportagem

A adesão dos produtores a este programa é, na opinião de Eduardo Vasconcelos, “um processo exigente”, mas alcançável. A ideia, como disse, é que vá havendo uma evolução permanente dos produtores até ao nível máximo que corresponderá ao de “produtor de leite de vacas felizes”. As etapas deste processo, que será sempre feito em conjunto com a multinacional para que o produtor saiba os aspetos que tem que ir melhorando, resumem-se em três níveis: • BASE – cumpre um mínimo de boas práticas; • RESPONSÁVEL - cumpre um mínimo de 60% de boas práticas e 60% dos requisitos; • LEITE DE VACAS FELIZES - cumpre um mínimo de 90% de boas práticas e 100% dos requisitos.

positiva, da maioria dos outros lugares do mundo. Um lugar onde, como disse, “as vacas vivem ao ar livre, comem erva fresca como devem, vivem sem stress, livres em comunidade,... uma fotografia que não existe nos outros países da europa, aqui temos vacas livres que pastam forragens de alta qualidade”. A superioridade da matéria-prima será no futuro atestada pelo selo de qualidade “Leite de vacas felizes” com que a Bel comercializará os seus produtos, queijo, manteiga e leite UHT. “Quantos mais formos, mais força terá a marca Açores”, referiu Eduardo Vasconcelos, diretor de Aprovisionamento e Recolha de Leite da Bel. “O Programa Leite de Vacas Felizes é um caminho a ser trilhado pela Bel e por todos os operadores que queiram adotar estas regras de produção.” Este responsável insistiu na criação de valor através da diferenciação dos produtos, e explicou os pilares fundamentais em que assenta o Programa — a pastagem, o bem-estar animal, a qualidade e segurança alimentar, a produção sustentável e a eficiência —, que seguidamente explicou.

Pilares fundamentais do Programa A pastagem

imagem 1 Ana Cláudia Sá, diretora geral da Bel.

marca Terra Nostra rigorosos critérios de qualidade e rastreabilidade, para obter um leite puro e rico. A recolha é assegurada todas as 24 horas, a rastreabilidade vai do produtor ao consumidor, e critérios de qualidade do leite (microbiológicos) mais rigorosos que a legislação.

A produção sustentável

Defendemos as propriedades nutricionais do leite baseadas numa alimentação natural, à base de erva fresca. A pastagem é uma fonte viva de nutrientes, é garantia de um leite mais puro a saudável e como requisito está a permanência de 80% das horas diurnas das “vacas felizes” no pasto.

Salvaguardar os belos recursos naturais dos Açores para as próximas gerações. É fomentada e incentivada a utilização de fontes renováveis, de uma correta utilização dos solos e é exigida uma proteção dos recursos hídricos e a eliminação de modo adequado de resíduos na exploração.

O Bem-estar animal

A eficiência

O ar livre é o habitat natural das vacas, que devem receber todos os cuidados ao seu bem-estar, saúde e higiene. Têm que ter controlos veterinários regulares. “As nossas vacas têm que ser felizes”.

A qualidade e segurança alimentar Compromisso total com os mais

Com mais de 60 anos de história, a marca Terra Nostra simboliza os Açores, a terra que a viu nascer e possui uma oferta composta por queijo, leite e manteiga. Em queijo, Terra Nostra tem uma oferta alargada de queijo flamengo, com bola, barra, fatias e ralado, sendo uma das marcas líderes do mercado total de queijo. Tem também presente no seu portfólio leite UHT, estando presente com as principais variedades: meio gordo, magro e gordo . Já recentemente, a marca lançou também manteiga, garantindo presença numa nova categoria de laticínios.

Defesa do apoio à produtividade e eficiência dos nossos produtores como meio de garantir a sustentabilidade económica das explorações parceiras. É incentivada a modernização, por exemplo com sistemas informáticos adequados, é fornecido suporte técnico e conhecimento através de uma equipa técnica 100% dedicada ao programa.

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reportagem

Exploração Monte Inglês, um modelo a seguir A Bel organizou uma visita a uma exploração modelo, a Monte Inglês, onde o Programa Leite de Vacas Felizes está a ser implementado. Nesta exploração, os animais estão os 365 dias do ano em pastoreio, onde passam cerca de 20 horas por dia. No tempo restante, duas vezes ao dia, estão na sala de ordenha/ estábulo que fica localizada no centro da área de pasto. O leite da ordenha é diariamente transportado para a fábrica. O pastoreio é rotacional, sendo para tal utilizada uma cerca elétrica móvel que é mudada todos os dias para que a erva esteja sempre fresca. No verão, como o crescimento é mais rápido, parte da área é utilizada para produzir milho para silagem.

Para o aquecimento da água foi instalado um sistema ecológico que recupera o calor proveniente do refrigerador. O registo da produção de leite e da quantidade de concentrado, fornecido a cada animal, é assegurado por um chip electrónico que também serve para medir a atividade, alertando para a possibilidade de as vacas poderem estar em cio quando a mesma é superior à media. Eugénio Câmara, dono e gerente do Monte Inglês, referiu que a exploração teve um investimento de cerca de 500 mil euros através de uma ajuda comunitária de cerca de 70%, o que permitiu fazer investimentos na sala de ordenha (16 pontos), em máquinas e em construções. Desta forma, consegue ter mais rigor e precisão na gestão do negócio e fazer parte deste projeto de Leite de Vacas Felizes.

Nome: Eugénio Câmara Localização: Fajã de Cima, Ponta Delgada Efetivo: 170 animais (100 em ordenha) Área: 56 hectares Número de empregados: 3

nota A Ruminantes viajou a convite da BEL.

A HIPRA, enquanto patrocinador Ouro das 7as Jornadas do Hospital Veterinário Muralha de Évora, aposta na inovação

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Produtor Bel

Produção anual: 845.591 litros

As 7as Jornadas organizadas pelo Hospital Veterinário Muralha de Évora (HVME) realizaramse no Évora Hotel durante os dias 6 e 7 de Março, com o objetivo de promover a formação, aprendizagem e troca de experiências entre veterinários e produtores de bovinos de carne. Durante dois dias, a HIPRA patrocinou um conjunto de ações de formação inovadoras para ambos os intervenientes na produção de bovinos de carne, veterinários e produtores. Para o efeito, a HIPRA trouxe a Portugal o conceituado Dr Iñaki Espinosa, numa palestra direcionada para produtores, abordou a temática da medicina de produção falando sobre os ”pontos-chave para optimizar a produtividade em bovinos de carne”.

Adicionalmente, 25 veterinários tiveram a oportunidade única de participar num workshop inovador que abordou as mais inovadoras técnicas de diagnóstico precoce de Doença Respiratória Bovina, desde a toracoscopia ao Boviresp® FTA, uma nova ferramenta de diagnóstico que a HIPRA disponibiliza ao médico veterinário, no âmbito do programa de controlo de patologias associado às vacinas inovadoras que desenvolve e comercializa para a prevenção da DRB. Com esta iniciativa, a HIPRA consolida o seu posicionamento como referência mundial na prevenção da saúde animal.


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* LALSIL® DRY contém L.buchneri NCIMB 40788 (patentada). LALSIL® DRY, LALSIL® PS e LALSIL® CL estão disponíveis com tecnologia HC. Nem todos os produtos estão disponíveis em todos os mercados nem reclamações associadas permitidas em todas as regiões.

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• Adaptado para aplicação de ultra baixo volume, através da Tecnologia High Concentration (HC) - Alta Concentração.

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atualidades

Movimento Enough Um mundo com segurança alimentar é possível

Em 2050, existirão 9 biliões (mil milhões) de pessoas a viver na Terra. A classe média vai crescer nos próximos anos, de 2 para 5 biliões de pessoas. por elanco

Este enorme crescimento em qualidade de vida, terá um impacto também gigantesco sobre a demanda por carne, leite e ovos. Para 2050, a Organização das Nações Unidas prevê um aumento de 60% na demanda por estes produtos de origem animal (carne, leite e ovos). Assim, teremos de produzir mais com menos recursos. Como líder global no desenvolvimento de produtos e serviços que melhoram a saúde, o bemestar e o desempenho dos animais, a Elanco apoia o desenvolvimento e fornecimento de produtos seguros para os consumidores, para os animais e para o meio ambiente.

VISÃO E LIDERANÇA O Movimento Enough é uma iniciativa de caráter inovador cujo objetivo é garantir a nutrição adequada de toda a população mundial, tanto no presente como nas próximas décadas. Para além deste ser um projeto de interesse muito pessoal por parte do Presidente da Elanco - Jeff Simmons (@ JeffSimmons2050), também engloba os pontos de vista de mais 4.000 colaboradores

CLASSE MÉDIA CRESCENTE

3

Biliões Entrarão na classe média

4,8 B

1,8 B

Hoje: 7B

Crescimento mais rápido entre agora e

2050: 9B

2020

Source: FAO, OECD

da Elanco, assim como de milhares de agricultores e produtores, líderes de cadeias de alimentação e consumidores que estão a participar ativamente na luta pela segurança alimentar de amanhã. Reduzir a fome no mundo é uma prioridade fundamental para a visão Elanco. Esta visão é, certamente, conseguida através dos nossos produtos que permitem produzir mais alimentos com menos recursos (alimentos seguros e saudáveis a preços acessíveis). Além disso, a Elanco tem colaborado ativamente com uma parceria com a ONG’s (organizações não-governamentais, sem fins lucrativos) para aumentar o nosso impacto na redução da fome no mundo.

14 abril . maio . junho 2015 Ruminantes

Reduzir a fome no mundo é uma prioridade fundamental para a visão Elanco.

Contudo, este artigo apresenta uma perspetiva diferente sobre a fome e a segurança alimentar. Se no passado nos concentrávamos no caso extremo: a doença causada pela fome e os 870 milhões de pessoas com má-nutrição crónica, agora devemos alargar os nossos horizontes e pensar na segurança dos alimentos a fim de garantir não apenas uma alimentação suficiente para todas as pessoas como também o seu acesso às calorias adequadas, independentemente do país em que se encontrem e da sua condição social.

maior demanda por carne, leite e ovos Nós precisaremos de

60

%

Mais alimentos de origem animal

Source: FAO


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atualidades as

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ESCOLHA E LIVRE COMÉRCIO

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Leite, carne e ovos para todos

A abundância de alimentos limita os distúrbios

acessível

recursos

Melhor alimento, melhores preços

Alimentar mais com menos

no Ma Aumentar o espetro para além da fome permite-nos estabelecer um vínculo mais profundo com a dimensão e alcance do próprio tema. O mundo está a crescer, e a grande velocidade. E não falamos de somar apenas mais pessoas, mas também de somar pessoas com melhores vidas. Segundo algumas estimativas, a classe média a nível mundial aumentará em cerca de 3.000 milhões de pessoas até ao ano de 2050. Todas elas com uma vida melhor. Este é sem dúvida um dos dados mais positivos da próxima década. Contudo, os especialistas dizem que nos encaminhamos para uma crise na qual não haverá suficiente para alimentar tantas pessoas. Acreditam que não teremos suficientes recursos para cultivar produtos suficientes ou desenvolver uma produção pecuária capaz de oferecer uma dieta de qualidade à classe média.

io r p no ote ncial h u ma

INOVAÇÃO A visão da Elanco começa com um mundo em que ninguém se preocupa com a disponibilidade de alimentos. Há menos mortes por fome. Menos doença. Menos obesidade, maior o potencial humano. Carne, leite e ovos estão disponíveis para quem quiser. Vários estudos têm mostrado que o nosso corpo necessita de proteínas animais para o crescimento e desenvolvimento cognitivo. Quando as dietas das crianças são complementadas com carne ou leite, a aprendizagem e os resultados nos testes resultantes melhoram substancialmente. Globalmente, a ingestão recomendada de leite é de dois copos por dia. Se queremos atender a esta necessidade, em 2050, teríamos que recorrer a quase mais 40 milhões de vacas leiteiras extra. A Elanco promove a inovação como uma solução em vez de

el

ho

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s saúde

Menos doenças, fome e obesidade

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adicionar mais vacas. Usando práticas já disponíveis ou em fase de desenvolvimento, as vacas a nível mundial podem aumentar a sua produção em cerca de meio copo por vaca. Isto é suficiente para atender à futura demanda global. A otimização da alimentação, vacinas, controlo de doenças, qualidade de maneio e conforto garante uma produção ainda mais elevada. Além disso, a utilização da inovação pode contribuir em poupanças substanciais de terra, água e alimentos para animais. Não existem registos de efeitos adversos em pessoas que tenham consumido alimentos geneticamente modificados, porém há cerca de 25.000 pessoas que morrem todos os dias devido à desnutrição. Por esta razão, a Elanco centra-se em soluções concretas em vez de cenários hipotéticos que não são baseados na ciência. É importante que a tecnologia como solução seja amplamente mais aceite na sociedade.

Além de inovações para produzir mais com menos, há dois outros pilares importantes da segurança alimentar. Em primeiro lugar, os agricultores devem ter a liberdade de escolher quais os métodos e técnicas que desejam utilizar na sua empresa. Posteriormente, o consumidor deve ser capaz de escolher o alimento que se encaixa o seu orçamento, gosto e necessidades nutricionais. Finalmente, o alimento deve ser produzido em locais onde possa ser produzido de forma barata e sustentável. Sem comércio, isto não é possível. Também é o comércio que se vai certificar de que o alimento vem do lugar certo, das áreas mais produtivas para as menos produtivas. Assim, podemos garantir um futuro com segurança alimentar a nível global.

Está na hora de dizer basta! Ainda estamos a tempo. De atuar. De mudar. É hora de alimentar os 9.000 milhões Junte-se à nossa causa em www.sensibletable.com e participe na discussão através das redes sociais.

Twitter - @Elanco ou @JeffSimmons2050

Juntos podemos fazer a diferença e resolver o problema da segurança alimentar.

ruminantes abril . maio . junho 2015 15


FORRAGENS

LUÍS QUEIRÓS Forage Additives Technical Support Manager Lallemand Animal Nutrition lqueiros@lallemand.com

Fatores que influenciam a

qualidade das silagens de outono - inverno Ultimamente temos debatido com algum pormenor alguns processos que, durante o processo de fermentação, permitem uma melhor preservação da proteína em silagens de outono – inverno, como sejam silagens de erva, consociações, ou outras leguminosas extremes, anuais ou permanentes, como a luzerna. Neste artigo, iremos continuar a abordar o tema, referindo alguns aspetos até agora ainda não aprofundados. Existem três fatores que influenciam dramaticamente a qualidade final da silagem, assim como os processos com os quais devemos ter atenção, principalmente aqueles que respeitam à fermentação da mesma: • Teor em Matéria Seca • Teor em Proteína Bruta • Teor em Açúcares Solúveis

Um compromisso entre qualidade fermentativa, nutricional e produtiva passará por obter silagens com Matérias Secas entre os 30-35%.

Teor em Matéria Seca

Gráfico 1 refere as perdas de Matéria Seca que ocorrem durante o processo de fermentação, mas mais importante ainda, de que forma, local e/ou agentes a promovem. Pormenorizando, verificamos que num corte muito precoce, com Matérias Secas baixas, rondando os 25%, as perdas por efluentes podem ser elevadas, assim como as perdas por produção de gás. Neste caso, a nossa preocupação não se coloca na proliferação de fungos

problemas de estabilidade aeróbia e aquecimento da silagem já se colocam, podendo originar perdas de Matéria Seca elevadas. Um compromisso entre qualidade fermentativa, nutricional e produtiva passará por obter silagens com Matérias Secas entre os 30-35%.

Gráfico 1 Perdas de Matéria Seca de acordo com a Matéria Seca final da Silagem. 25

16 abril . maio . junho 2015 Ruminantes

20

15

Perdas (%)

O teor em Matéria Seca final, após pré-fenação, se não recorrermos ao método de corte direto, influencia, além da concentração em Açúcares Solúveis final da qual falaremos mais à frente neste artigo, o tipo de perdas que poderemos ter durante o processo de fermentação. O

e leveduras, mas sim na contaminação bacteriana, como seja o caso de Enterobactérias e Clostridia, estas últimas responsáveis pela degradação da proteína. Em Matérias Secas elevadas, acima dos 30%, a contaminação por fungos e leveduras já é um ponto a considerar, e aqui os

10

5

0

15%

25%

35%

Matéria Seca Fungos Gás

Efluentes Campo

45%


FORRAGENS

A quantidade de açúcares solúveis circulante na planta depende muito da altura do dia em que procedemos ao corte.

Teor em Açúcares Solúveis

Em Matérias Secas inferiores a 30% a degradação da proteína é uma questão a ter em conta, sendo os agentes principais desta degradação, denominada proteólise, as Clostridia. Estas bactérias são bactérias de solo, e por esse motivo a contaminação da silagem com terra influencia imenso a qualidade da silagem. Podemos tentar evitar essa contaminação efetuando um corte alto da forragem. Na tabela 1, verifica-se a diferença relevante na quantidade de esporos butíricos, advindo destas bactérias, efetuandose um corte baixo, quando comparado com um corte alto. A contaminação é bastante elevada quando efetuamos um corte baixo, neste exemplo de 2 cm, contrariamente a um corte de 10 cm que evita em grande parte essa contaminação.

Uma das questões que se coloca sempre no processo de fermentação é a concentração de açúcares solúveis necessária para que a percentagem de ácidos produzida seja a suficiente, de forma a garantir uma correta preservação da forragem durante o tempo necessário para o seu consumo. Em artigos anteriores já abordámos esta questão, referindo a importância da concentração dos açúcares solúveis através do melhor processo de pré-fenação possível, assim como a utilização de enzimas através da adição de inoculantes que as contenham. Neste artigo vamos então focar a nossa atenção na altura do dia em que se deverá efetuar o corte da forragem em verde. Este ponto é muito importante, pois sabemos

Quadro 1 Contaminação por esporos butíricos com alturas de corte distintas. altura de corte

esporos butíricos (g)

2 cm (baixo)

83000

10 cm (alto)

4000

Gráfico 2 Percentagem de Açúcares Solúveis em períodos distintos do dia e do ano.

3

fotossíntese ocorreu durante algumas horas previamente ao corte. Podemos verificar esse facto no Gráfico 2. Neste gráfico é também notória a maior concentração de açúcares em cortes de Primavera, fruto do maior número de horas de luz e qualidade da forragem, quando comparado com cortes de Verão.

2,5

2

% açucar

Teor em Proteína Bruta

1,5

1

0,5

0

Primavera

Verão

Outono

Manhã Tarde

que uma rápida acidificação da forragem dependente da quantidade de açúcares solúveis, garantindo uma melhor preservação da proteína durante a fase inicial de fermentação. A quantidade de açúcares solúveis circulante na planta depende muito da altura do dia em que procedemos ao corte. O processo fotossintético interfere obviamente nessa concentração, e daí referirmos que um corte ao início da tarde ou após algumas horas de sol e luz aumenta, muitas vezes mais de 4 a 6%, a quantidade de açúcares solúveis circulantes, pois a

Conclusão Uma vez mais, são muitos os fatores que influenciam a qualidade das silagens de OutonoInverno, como sejam as silagens de azevém, tão comuns no nosso país, principalmente em explorações de produção de leite. Ficam aqui mais alguns conceitos que nos parecem importantes, no sentido de melhorarmos cada vez mais as forragens produzidas dentro da exploração, diminuindo em muito os custos de produção de leite e carne.

ruminantes abril . maio . junho 2015 17


atualidades

Seminários CPSU “Qualidade do Leite em Pequenos Ruminantes”

Holstein portuguesas concorrem em Espanha Fruto da iniciativa de um grupo de criadores entusiastas dos concursos, e com o apoio da APCRF, as Frísias portuguesas estiveram representadas num dos concursos de maior prestígio que se realizam em Espanha, o Open Internacional Gandagro, que teve lugar na Galiza em fevereiro. Quase uma década depois, animais portugueses voltaram a atravessar a fronteira para participar num concurso. Desta feita, foram 17 animais propriedade de sete criadores: Encanto Natural, Leonel Barbosa e Vilas Boas e Pereira, de Ponte de Lima; Irmãos Correia da Silva e Matias e Silva, da Póvoa de Varzim; Balazeiro do Sobrado, de Vila do Conde; e Quinta do Rio, de Cantanhede. Para além dos portugueses, competiram criadores da Galiza, Cantábria e Astúrias, num total de cerca de 140 animais e 26 explorações. O julgamento teve a cargo do canadiano Brian Carscadden. Dentro de pista, os resultados obtidos foram bastante positivos, com dois

18 abril . maio . junho 2015 Ruminantes

quartos lugares em vitelas, um quinto lugar em novilhas e um quarto lugar em vacas. O ponto alto esteve reservado para a secção de novilhas de 23 a 26 meses: o animal de nome Ponderosa Stanleycup Alxina ET (que curiosamente nasceu em Espanha), propriedade das explorações Balazeiro do Sobrado e Vilas Boas e Pereira, destacou-se dos demais, fazendo desta forma história. Pela primeira vez, um animal propriedade de criadores portugueses ficou classificado em primeiro lugar num concurso internacional. A participação portuguesa fez-se também notar no concurso de Jovens Preparadores e no concurso de Jovens Manejadores, com 4 criadores nacionais. Parabéns a todos os envolvidos nesta iniciativa, com votos de que esta participação, que a todos nos deve orgulhar, sirva de motivação e incentivo para que num futuro próximo a “Holstein Portugal” marque presença noutros eventos internacionais.

Nos dias 30 e 31 de janeiro realizouse um ciclo de 2 seminários organizados pelo CPSU, com tema “Qualidade do Leite em Pequenos Ruminantes”. Os seminários que tiveram lugar em Castro Verde e em Castelo Branco (ESACB), inicialmente dirigidos a Médicos Veterinários e estudantes de medicina veterinária, suscitaram o interesse de vários profissionais do sector. Este interesse materializou-se em 112 participantes nos dois seminários, muito graças à qualidade das apresentações que abordaram temas tão diversos como os principais agentes etiológicos e técnicas de diagnóstico de mastites, nas apresentações efetuadas pelo Dr. Hélder Quintas, a gestão e maneio de explorações de ovelhas pelo Dr. José Neves e o maneio e as máquinas de ordenha para pequenos ruminantes pelo Dr. André Silva. O Prof. Dr. Dominique Bergonier, convidado pela Hipra, patrocinador dos seminários, abordou os temas do maneio preventivo e das estratégias terapêuticas para as mastites, além de partilhar a sua experiência na realidade francesa. O CPSU gostaria de agradecer a todos os que participaram e colaboraram na organização destes seminários, contribuindo para o sucesso dos mesmos. Contamos convosco em futuros eventos do CPSU.


Concurso

I Concurso Nacional de Forragens José Caiado, médico veterinário, consultor de ruminantes, é o mentor de um projeto que irá ter a sua primeira edição já no verão deste ano. Trata-se do Concurso Nacional de Forragens, que terá como entidade organizadora a Revista Ruminantes, este ano em parceria com as marcas Kuhn, Lallemand e Lusosem. por ruminantes

à produção rentável e sustentável de leite e mesmo de carne. Pensei que seria ideal ter a Revista Ruminantes como entidade organizadora e também meio privilegiado de comunicação com o mercado, e expus a minha ideia ao Nuno Marques. Quais são os objetivos a atingir? Em primeiro lugar, encorajar os agricultores nacionais a melhorarem a qualidade das suas forragens, procurando desta forma contribuir para o reforço da sustentabilidade ambiental e económica da produção pecuária em Portugal. E depois, fazer despertar o aparecimento de uma verdadeira e profissionalizada fileira de produção nacional de forragens. Os patrocinadores do concurso (Kuhn / Lallemand / Lusosem) deste ano aderiram a esta ideia de imediato.

Ruminantes - Como surgiu a ideia de fazer o concurso? José Caiado - Este tipo de concursos tem muita popularidade na América do Norte. Durante uma visita à Feira de Madison (Wisconsin, EUA), há uns anos, vi um stand com as luzernas premiadas num concurso de forragens. Achei a ideia muito interessante, quer pelo conceito, quer do ponto de vista pedagógico a favor do esforço de produção de forragens cada vez melhores. Pensei logo que seria muito apropriado levar a cabo uma iniciativa destas em Portugal. Seria mais uma forma de tentar despertar o interesse na produção de mais e melhores forragens, cuja qualidade atual é um dos maiores factores limitantes, na minha opinião, 20 abril . maio . junho 2015 Ruminantes

Como funciona? Os concorrentes terão que cumprir os requisitos descritos no Regulamento do 1º Concurso Nacional de Forragens. Este ano haverá apenas uma categoria de forragem a concurso: a silagem de erva. As amostras concorrentes serão analisadas laboratorialmente e depois valorizadas por um júri independente nomeado pela Ruminantes. Quem pode concorrer? Os primeiros 120 produtores que fizerem uma pré-inscrição direta através do site da revista em www.revistaruminantes.com. Quanto custa concorrer? O custo é apenas o inerente ao envio por correio ao laboratório ALIP da amostra submetida ao concurso. Cerca de 8 euros por embalagem enviada.

Qual o período de envio das amostras? As amostras devem ser enviadas ou entregues no ALIP nas duas primeiras semanas de junho. É um concurso independente? Porquê? A credibilidade de qualquer concurso joga-se na transparência das suas regras e na independência dos elementos do júri que não poderão ter, obviamente, quaisquer conflitos de interesses. Que pensa fazer com os resultados de todas as análises? Pretendemos criar uma pequena base de dados, estudar os resultados encontrados e publicá-los a seu tempo na Revista. Que ideias tem para o futuro? Duas áreas são prioritárias. Por um lado, utilizar parâmetros de análise laboratorial mais refinados do que aqueles de que dispomos por rotina atualmente no país. Por exemplo, generalizar o uso da chamada digestibilidade in-vitro da fibra. Que é um desafio que aqui deixo aos laboratórios de instituições independentes nacionais, nomeadamente ao ALIP e ao ICBAS, que numa parceria inteligente reúnem, quanto a mim, muitas das valências e condições para poderem vir a constituirse como uma entidade de referência no âmbito da análise avançada de forragens em Portugal. A fileira do leite precisa de um laboratório assim. Não faz sentido continuar a mandar amostras para o estrangeiro quando se procura um serviço de excelência. Por outro lado, queremos aumentar o número de categorias de forragem a concurso, especialmente aquelas que mais potencial de produção e um maior contributo possam dar ao objectivo primordial deste concurso.


Concurso

REGULAMENTO DO 1º CONCURSO NACIONAL DE FORRAGENS DA REVISTA RUMINANTES - 2015 Este concurso idealizado e promovido pela REVISTA RUMINANTES tem como objetivo encorajar os agricultores nacionais a melhorar a qualidade das forragens produzidas, procurando desta forma contribuir para o reforço da sustentabilidade ambiental e económica da produção pecuária em Portugal.

1 - Podem concorrer ao 1º Concurso Nacional de Forragens (doravante “Concurso”) todos os agricultores nacionais, do Continente e Ilhas. A participação está limitada ao envio de apenas uma amostra de forragem produzida pelo agricultor na sua própria exploração agrícola ou agropecuária.

atribuído ao concorrente. A amostra deverá ser imediatamente congelada ou mantida num local frio até à sua imediata expedição pelos CTT (embalagem Mod. L) em correio azul ou verde ou por entrega direta no ALIP (Associação Interprofissional do Leite e Lacticínios, Concurso Nacional de Forragens- Nº (código atribuído) 2 - A participação no Concurso obriga R. do Agreu Nº302, Ordem 4620-471 Lousada). O remetente deve indicar a efetuar uma pré-inscrição através claramente a sua proveniência. de formulário on-line no site da As amostras devem ser enviadas Revista Ruminantes (www.revistaou entregues nas duas primeiras ruminantes.com). A confirmação da semanas de junho. Recomenda-se, participação está limitada às primeiras no caso de envio por CTT, que as 120 inscrições recebidas. Todos os amostras sejam enviadas a uma 2ª participantes serão devidamente ou 3ª feira de forma a melhor garantir notificados por email da sua inscrição, que as mesmas cheguem nas conferida pela atribuição de um código melhores condições de conservação de participante para sua identificação. ao laboratório para posterior análise. 3 - As amostras de silagem a colher A data de envio será controlada por referir-se-ão ao silo resultante de carimbo de correio. um corte de erva do presente ano, 6 - As análises a realizar sobre a designando a forragem a concurso amostra visam avaliar a qualidade como SILAGEM DE ERVA. de conservação e o valor nutritivo da 4 - É permitido o uso de conservantes silagem. no processo de ensilagem. As 7 - A classificação final é obtida amostras de silagem de erva devem através de uma análise sensorial e de ter um teor de matéria seca entre 30 e uma análise bromatológica, com um 50%. A silagem de erva deve mostrar peso, respetivamente, de 30 e 70%. sinais de normal fermentação. As A análise sensorial será efetuada amostras com teores de matéria seca aquando da chegada da amostra fora deste intervalo ou com sinais de ao ALIP e consistirá na avaliação adulteração serão automaticamente da cor, cheiro, tamanho de partícula excluídas do concurso. e presença de bolores ou outros 5 - A amostra deverá preparar-se através da recolha de 1,5-1,8 kg de forragem em saco de plástico limpo, transparente e selado sem ar. A identificação da mesma faz-se por afixação ao plástico de autocolante branco onde deverá obrigatoriamente estar escrito o Código de Inscrição

materiais estranhos ou contaminantes. As amostras serão secas em estufa para determinação da matériaseca (MS), sendo, posteriormente, determinados, por NIR, o pH e os teores em cinzas totais (CT), proteína bruta (PB), fibra de detergente neutro (NDF), fibra de detergente ácido (ADF)

e a digestibilidade da matéria orgânica (DMO). Nas cinco amostras melhor classificadas será, ainda, determinada a digestibilidade verdadeira in vitro da matéria seca (IVTD). A classificação final destas amostras será obtida atribuindo um peso de 70% à classificação obtida anteriormente e 30% à IVTD. 8 - Haverá atribuição de prémios monetários aos primeiro, segundo e terceiro classificados, no montante de 1000€, 700€ e 500€, respetivamente. 9 - Os prémios serão entregues em cerimónia a realizar durante um EVENTO e em DATA a definir, comunicado através da Revista Ruminantes. Para receber o prémio os vencedores do Concurso terão que estar presentes ou informar previamente a Revista Ruminantes da nomeação de um seu representante para esse efeito. 10 - A todos os participantes no concurso será entregue um certificado de participação bem como o resultado da análise laboratorial. 11 - O júri referente ao 1º CNF será constituído por: José Caiado – Revista Ruminantes Ana Lage – ALIP Rita Cabrita – Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar, Universidade do Porto António Moitinho Rodrigues – Escola Superior Agrária – Instituto Politécnico de Castelo Branco As decisões tomadas pelo Júri do Concurso são definitivas e em nenhum caso serão passíveis de recurso.

FICHA DE PRÉ-INSCRIÇÃO (MODELO)

m e m e s o c . a s v e e t r n c a n i ins m u r a t s i v e ww.r

1º CONCURSO NACIONAL DE FORRAGENS Identificação

Nome da Exploração ..................................................................................................................................................................................................................................................... Morada .......................................................................................................................................................................................................................................................................................

Localidade....................................................................... Código Postal........................................................................Área de silagem erva (ha)............................

Pessoa para Contacto....................................................................................................................................................................................................................................................... NIF.................................................................................. TLM......................................................................Email...................................................................................................................

w

Atesto por minha honra que a informação fornecida é a correta , que a amostra foi recolhida de acordo com as condições estabelecidas pelo regulamento e que a amostra pertence ao lote descrito e inscrito.

Assinatura...............................................................................................................................Data............/............/2015

ruminantes abril . maio . junho 2015 21


pastagem

João P. Carneiro Engº Agrónomo EMP/INIAV joao.carneiro@iniav.pt

Oportunidade de fazer

consociações para forragem As melhores soluções para ter alimento vegetal que depois de cortado se administre às diversas espécies pecuárias são as que combinam grande produtividade com a melhor qualidade sob o ponto de vista nutricional. Com um único corte a melhor relação de produtividade e qualidade é próxima da floração, especificamente para os cereais é o estado de maturação pastosa. Por uma questão de oportunidade pode-se cortar ou pastorear uma mistura forrageira durante ou no fim do afilhamento das gramíneas. Em termos de datas corresponde a um corte ou pastoreio de inverno, que tem a vantagem de ter comida para o gado com boa relação qualidade/preço, numa data em que, frequentemente, a disponibilidade de comida nas pastagens e nos pousios é escassa.

Para a decisão entre corte final único ou mais do que um corte Com misturas forrageiras com base em cereais, para algumas variedades, a modalidade de corte único tem valores de produtividade mais altos do que a soma do corte invernal e primaveril. Nuno Moreira (1986), em Vila Real e com aveia, num solo de encosta, obteve produções invernais de matéria seca com valores que variaram entre menos de 0,5 tonelada por hectare até 1,0 tonelada. Num solo de baixa teve, com corte em fevereiro, produção entre 1,0 e 1,5 tonelada por hectare. As produções totais estão apresentadas no quadro 1. O efeito de redução da produção total quando se opta por um corte durante o inverno esbate-se quando

Quadro 1 Valores totais de produção de forragem de aveia, em kg de matéria seca, segundo a natureza do solo e a modalidade de corte*. Natureza do solo

Encosta

Baixa

Modalidade de corte

1º ano

2º ano

Só um ano (o 2º)

Só um corte

8 374

8 357

13 276

Dois cortes

6 782

7 025

9 722

* Adaptado de Moreira (1986)

22 abril . maio . junho 2015 Ruminantes

se faz uma alta densidade de sementeira ou se estabelece uma consociação com plantas com menor precocidade dos primeiros estados do ciclo de vida e com ciclo de vida longo.

Influência das variedades que integram a mistura forrageira A diferença, em termos de produtividade, entre fazer só um corte final ou de fazer dois cortes, um deles no inverno, está muito dependente do estado fenológico no momento do corte; as variedades que estão muito atrasadas no desenvolvimento, em que não são removidos os gomos de crescimento ou meristemas, recrescem bem e não se verifica redução da produção total com o corte de inverno. Como exemplo pode-se referir a cultivar Boa Fé, de aveia. Outro exemplo são os azevéns anuais do tipo não alternativo (designado westerwoldicum), que não têm a possibilidade de espigar quando os dias são curtos. Estas variedades são no entanto as que tendem a ter menor quantidade de forragem disponível no

inverno. Por estes factos com o Programa de Cereais Forrageiros da Estação de Melhoramentos de Plantas (designado Pólo de Elvas, do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária) procura-se obter variedades que, tendo boa produção de folhas no inverno, tenham os meristemas muito baixos, junto ao solo; o corte ou o pastoreio não remove o meristema ou gomo de crescimento principal quando esta atividade ocorre até ao fim do Inverno e elas podem voltar a crescer. Desta forma o corte invernal não afeta marcadamente o crescimento que se dá a seguir e não há uma quebra da produção total. Uma variedade com estas características é o triticale Fronteira, que foi selecionado na Estação de Melhoramento de Plantas. A forragem pode e deve ter na consociação leguminosas. Das ervilhacas a Vicia villosa, designada Ervilhaca das Areias ou Ervilhaca dos Cachos Rôxos, e a Vicia benghalensis, chamada Ervilhaca Vermelha, são opções boas e que têm larga adaptabilidade em Portugal. Tem também boa capacidade produtiva e larga


pastagem

Imagem 1 Consociação de triticale com Vicia villosa com boa proporção dos dois pares.

adaptabilidade o Trevo da Pérsia das Flores Grandes (por vezes designado majus). Esta leguminosa é uma boa escolha quando se quer fazer múltiplos cortes, sabendo que nesta alternativa, nos cortes finais, o cereal irá desaparecer do produto. O efeito de introduzir uma planta com a capacidade de fixar azoto, uma leguminosa, numa consociação com um cereal permite ter maiores garantias de boa produção em relação a situações de baixa fertilidade do solo e diminui as necessidades de adubação azotada, para a mistura no seu conjunto. Nas condições de cultivo mais favoráveis para a aveia, em que se poderia atingir valores da ordem das 12 toneladas de matéria seca por hectare, a consociação com ervilhaca conduz à redução das produções; os resultados experimentais indicam que a ervilhaca na mistura determina, quando as condições são menos favoráveis para a aveia, uma produção de matéria seca mais elevada (Moreira,1986). Importa salientar que as leguminosas permitem que o produto mistura forrageira tenha na sua composição uma riqueza em proteína, cálcio, magnésio e fósforo, maior do que só com as

gramíneas, desde que estes elementos minerais estejam disponíveis no solo. Este fator é interessante na nutrição animal. O efeito benéfico da ervilhaca na mistura é anulado quando se verifica falta de água no solo; em consociação com cereal as leguminosas, com uma raiz com menos capacidade extrativa, têm muito menor capacidade de crescer bem quando a água no solo é limitante; ou seja em condições de grande secura e em consociações forrageiras de cereais com leguminosas, os cereais competem mais para a água do solo do que as leguminosas.

Sementeira e fertilização mineral As opiniões expressas de diversos autores são, quanto à densidade de sementeira,

proporções, de peso (massa), de aveia/ervilhaca desde 3/1 até 3/5. Os resultados de Moreira (1986) apontam para que, abordando a questão de forma global, há vantagem de ter consociada aveia forrageira com ervilhaca numa proporção de 75% de aveia e 25% de ervilhaca, ou seja 3/1. Dos seus resultados só com aveia comprovou-se que num solo com elevada disponibilidade de azoto para a cultura houve apenas resposta positiva para a adubação de cobertura mas não para a adubação de fundo. Em solo com baixa disponibilidade de azoto a cultura respondeu quer à adubação de fundo, quer à adubação de cobertura. Quando se fez a consociação de aveia com ervilhaca, obteve-se o mesmo tipo de resposta à adubação azotada que se tinha encontrado só

com aveia, embora com valores de resposta da produção ao incremento da adubação azotada mais baixos. Considera-se que sob o ponto de vista de utilização dos recursos, como a terra, e da qualidade da forragem, a consociação de gramíneas com leguminosas tem maior eficácia do que só com gramíneas, quando se faz o crescimento em condições ambientais difíceis, desde que as condições difíceis não sejam determinadas por falta de água.

Referência bibliográfica Moreira, N. (2006). A aveia como cultura forrageira. Dissertação para obtenção do grau de Doutor em Engenharia Agrícola na UTAD. Vila Real, 213 pp.

ruminantes abril . maio . junho 2015 23


entrevista

digestibilidade das fibras é o grande salto em termos de avanço tecnológico Entrevistámos António Cannas, responsável de desenvolvimento da linha de produto “milho” na Lusosem, sobre os desenvolvimentos das variedades de milho de silagem da Limagrain (LG). por ruminantes

Ruminantes - Há quantos anos trabalha com o milho de silagem da Lusosem - LG? Que avanços tem verificado ao longo desse tempo? António Cannas - Trabalho há 9 anos na Lusosem com os milhos da marca LG. O meu recrutamento por parte da Lusosem tinha já como objetivo o desenvolvimento da gama LG, inclusive nesta vertente de milhos para silagem. Desde o primeiro momento que senti uma grande especialização da empresa mãe, a Limagrain, na área das silagens. Em todas as discussões internas, o rendimento agronómico não era suficiente para os interlocutores da LG... havia muito mais a explorar nas variedades de milho destinadas a silagem. O “stay-green” é um termo praticamente transversal a

24 abril . maio . junho 2015 Ruminantes

todos os operadores do mercado, mas a digestibilidade das fibras, e em particular a das paredes celulares, é o grande salto em termos de avanço tecnológico que os milhos da marca LG trazem ao mercado português; a Lusosem desde o início que tem divulgado e reforçado estas mensagens no mercado português. A Limagrain foi indiscutivelmente a primeira empresa do mercado a dissociar a investigação dos seus híbridos destinados a silagem, criando uma linha de investigação autónoma que funciona desde 1977. São 38 anos de conhecimento acumulado, com muita colaboração estabelecida com organismos amplamente respeitados como sejam o INRA ou o Institut de L’élevage em França, a University of Agriculture in Kraków na Polónia, a Szent

István University na Hungria, a Deputación de Pontevedra em Espanha, ou ainda a Schothorst Feed Research na Holanda. Que investimentos tem feito a LG nas variedades de milho forrageiro? Em que áreas técnicas mais tem investido? São adaptadas a Portugal? Os investimentos da LG em matéria de milhos destinados à silagem têm sido muito amplos. Tudo começou com o estabelecimento de um “team” dedicado a estudar a fisiologia, comportamento agronómico e valor nutritivo das diferentes variedades. Ao longo dos anos a LG foise progressivamente especializando na mesma medida em que o conhecimento sobre os milhos ia sendo maior, e “musculou-se” com a aquisição de


entrevista

equipamentos, o NIR (Near InfraRed - tecnologia de análises) é um exemplo, mas também a nível laboratorial, trabalhando com marcadores moleculares e com laboratórios próprios em França e na Holanda. Dispõe ainda de explorações de investigação com vacas fistuladas que permitem uma avaliação muito rigorosa da forragem originada pelas suas variedades de milho. Anualmente, a LG submete-se ainda à avaliação do valor nutricional dos seus híbridos por parte do Institut de l’Elevage, em mais de 70 explorações de leite. Portugal é, curiosamente, um país em que a técnica de ensilar está muito bem dominada pelos produtores, mas por outro lado, esses mesmos produtores não estão ainda despertos para uma correta avaliação de uma determinada variedade de milho para silagem. Na realidade, foram conduzidos a valorizar o teor em amido das suas silagens de milho, e esse é apenas um dos fatores a observar numa silagem. As variedades de milho LG têm comprovadamente uma excelente adaptação às nossas necessidades, quer do ponto de vista agronómico, quer nutricional. Recentemente foram lançadas três variedades de alta digestibilidade: o LG 34.90, o LG 30.597 e o LG 30.681, todas elas testadas na Rede Nacional de Ensaios da Lusosem, quer em ensaios estatísticos, quer em vitrines de desenvolvimento. Todo o know-how da empresa LG é “exportado” para Portugal? Sem dúvida que sim! A LG tem demostrado uma enorme cooperação em termos de transferência de know-how para com a Lusosem. Podemos orgulhar-nos de presentemente fazer parte da rede global europeia de ensaios da LG. Da mesma forma que prestamos informações importantes à

LG, a mesma mantém-nos a par do comportamento das diferentes variedades nos restantes núcleos de ensaio. Para além disso, a Lusosem está na primeira linha de desenvolvimento de novas cultivares. Quer isto dizer que quando a investigação anualmente disponibiliza uma nova variedade, a Lusosem em Portugal estará a testá-la em paralelo com o processo de inscrição da mesma no Catálogo Comum de Variedades. Nem só o amido é alvo de análise na importância da silagem. Porquê? O amido encontra-se no grão produzido pela planta, mas este representa apenas 46% do total de matéria seca da planta. Ou seja, mais de 50% da matéria seca de uma planta de milho é constituída por folhas e caules, e tem um imenso potencial energético! Os produtores foram acostumados a olhar para o teor em amido, como se o mesmo fosse a fonte energética de uma silagem de milho. É frequente ouvirmos afirmar que uma boa variedade de milho destinada a grão, é uma boa variedade de silagem. Nada mais errado! Se o produtor pretende plantas “com porte” e aparente biomassa, de nada lhe servem essas características se não aproveitar a enorme fonte energética proporcionada pelos conteúdos celulares e suas paredes. Existe uma tendência para colher as silagens “mais ao seco”. Essa prática permite teores em amido mais elevados, mas também da matéria seca, e analogamente um decréscimo da digestibilidade da fibra. Quando uma silagem é excessivamente rica em amido e de baixa digestibilidade da fibra, existe uma maior atividade das bactérias amilolíticas, as quais promovem um abaixamento do pH para valores que poderão situar-se próximos dos 5,5. A

ruminantes abril . maio . junho 2015 25


entrevista

vaca poderá entrar em acidose. O “mau estar” leva a uma perda de apetite, a produção de leite baixa, poderão surgir problemas nas patas (laminites), e finalmente há um abaixamento do teor em ácido acético no rúmen, que uma vez transformado no fígado é o percursor das matérias gordas do leite... o teor butiroso cai! Pelo contrário, níveis de amido razoáveis (entre os 30 e os 33%) quando conjugados com uma boa digestibilidade da fibra, promovem uma maior atividade das bactérias celulolíticas, bem como estimulam a ruminação. A maior parte das vacas estará a ruminar ao fim de pouco mais de uma hora. Nessa mastigação, a vaca esmaga as fibras vegetais, e corta-as em pedaços mais pequenos e como tal mais expostos à atividade microbiana do rúmen. Outro benefício da ruminação é o da produção de saliva. Uma vaca de 600 kg pode produzir ao longo das 6 a 8 horas de ruminação 160 a 180 litros de saliva, que acabam por ter um importante efeito tampão sobre o pH do rúmen regulando a acidez do mesmo. Resta ainda acrescentar que silagens com maiores teores em matéria seca são mais complicadas de conservar. A compactação torna-se mais difícil, e o aparecimento de bolores é mais frequente. Atrás dos bolores vêm frequentemente micotoxinas, e ultimamente tem-se assistido a algumas circunstâncias em que as vacas têm dificuldade em “pegar” por ação de uma micotoxina denominada Zearalenona. Na Lusosem, em todos os ensaios para avaliação de novas variedades, ou seguimento das atuais, são sempre analisados todos os parâmetros correntes, mas invariavelmente determinamos também o índice DINAG. Este parâmetro é aquele que permite medir a digestibilidade da fibra, sem amido nem glúcidos de origem citoplasmática. No fundo, o índice DINAG diz-nos qual é a parte digestível da NDF - fibra solúvel em detergente neutro (celulose e hemicelulose), e aqui reside a grande diferenciação entre variedades com melhor ou pior aptidão para silagem. Em Portugal não há nenhuma entidade que faça esta análise, pelo que as amostras são reencaminhadas para análise em França, sendo apenas determinado em Portugal o teor em matéria seca. Qual o papel da lenhina na planta e como afeta a digestibilidade? A lenhina é um dos componentes das paredes vegetais. Não tendo qualquer digestibilidade, é integramente expelida

26 abril . maio . junho 2015 Ruminantes

Celulose e Hemicelulose Lenhina Hibrido com paredes celulares medianamente digestíveis

Hibrido com paredes celulares de alta digestibilidade

Bactérias celulolíticas

Celulose e Hemicelulose Degradada entre 20% e 100% pelas bactérias celulolíticas

Lenhina Não digestível Paredes celulares dificilmente degradáveis devido à “barreira” de lenhina

Paredes celulares facilmente degradáveis mesmo com idêntico teor em lenhina

nas fezes. No entanto é um componente essencial à planta, na medida em que lhe dá suporte, e não devemos esquecer que nalgumas circunstâncias registamos plantas de milho com mais de quatro metros de altura. Digamos que a lenhina está para a planta tal como o esqueleto está para os animais. Em variedades com boa aptidão para silagem, e quando colhidas no momento devido, o teor em lenhina deverá rodar os 4% do total de matéria seca. No entanto, à medida que a planta vai envelhecendo, os seus tecidos vão lenhificando exponencialmente reduzindo drasticamente a digestibilidade da fibra, não apenas pela sua simples presença, mas também pela forte ligação existente entre a lenhina e a hemicelulose. Também a forma como a lenhina se dispõe relativamente à celulose e hemicelulose pode condicionar a digestibilidade dos conteúdos celulares. Na figura 1 podemos constatar como duas variedades distintas têm digestibilidades distintas, embora o teor em lenhina de ambas seja semelhante. Porque razão se faz o corte da silagem 25 cm acima do solo? Em que medida beneficia a qualidade da silagem e porquê? Digamos que existem duas razões para que recomendemos que assim seja. Uma delas prende-se com o risco de ao realizar um corte muito rente à superfície do solo serem arrastadas partículas de terra junto com a silagem. Quando tal acontece, ir-seão promover durante a fermentação do silo a formação de ácidos indesejados (ácido butírico). Por outro lado, a presença de lenhina é inferior nas folhas e maior nas canas do milho e, dentro destas, a sua presença é ainda maior na base. Ao eliminar os

Figura 1 Digestibilidade das paredes celulares.

primeiros 25 cm da planta, estamos a melhorar a digestibilidade global do material a ensilar, promovendo dessa forma uma silagem de melhor qualidade para a saúde do rúmen e com melhor teor energético e proteico. A Lusosem /LG têm investido muito em comercializar variedades de milho com elevada digestibilidade da fibra. Porquê? Em apenas duas palavras, tudo se resume à “saúde do Rúmen”! Um rúmen são permite um bem-estar geral do animal e isso refletese na produção. Na realidade os ruminantes, ao contrário dos monogástricos, têm a particularidade de digerir as fibras vegetais. Mas se todos os conteúdos celulares, ou seja, tudo aquilo que se encontra no interior de uma célula (glúcidos, lipídios e proteínas) são totalmente digestíveis, já o mesmo não podemos afirmar das paredes celulares compostas por celulose, hemicelulose e lenhina. Na verdade, a lenhina não é de todo digestível. Mas pelo contrário, a celulose e a hemicelulose podem ser parcialmente digestíveis. A digestibilidade das paredes celulares varia entre os 20% e os 100% da sua representatividade face ao total de matéria seca. Isto é, existem variedades com maior digestibilidade que outras e, como tal, com melhor qualidade da matéria seca ensilada. A Lusosem , desde o início que investe no reforço da relação entre as mensagens digestibilidade da fibra vs qualidade da Silagem, através de diversos meios como reuniões com a fileira, fóruns e comunicação externa.


PROTEÇÃO DE PLANTAS

NUNO SÉRGIO GESTOR DE MARKETING E DESENVOLVIMENTO – SELECTIS nsergio@selectis.pt

INFESTANTES NA CULTURA DO MILHO Um dos grandes obstáculos para a produção mundial de milho é a presença de infestantes na cultura. Estas interferem no seu desenvolvimento através da competição pela água, luz e nutrientes. As infestantes podem diminuir a produtividade e qualidade da cultura, quer por dificultar o seu desenvolvimento, quer por alterar as suas características, além de encarecerem as práticas agrícolas e servirem de hospedeiras para pragas e doenças. É de salientar ainda que a presença de algumas infestantes no milho para silagem pode afetar a alimentação dos bovinos devido à sua toxicidade.

Principais infestantes folha larga Entre as principais espécies de folha larga (dicotiledóneas) destacam-se as seguintes: • Bredos (Amaranthus blitoides); • Catassol (Chenopodium album); • Erva-pessegueira (Polygonum persicaria); • Sempre-noiva (Polygonum aviculare) • Figueira-do-inferno (Datura stramonium); • Erva-moira (Solanum nigrum); • Malvão (Abutilon theophrasti); • Saramago (Raphanus raphanistrum); • Bardana menor (Xanthium spp.); • Labaças (Rumex spp.); • Beldroega (Portulaca oleracea).

28 abril . maio . junho 2015 Ruminantes

folha estreita Em relação às infestantes de folha estreita (gramíneas ou monocotiledóneas) as espécies que mais estão presentes nos campos de milho são: • Milhã pé-de-galo (Echinochloa crusgalli); • Milhã digitada (Digitaria sanguinalis); • Sorgo Bravo (Sorghum halepense), que cada vez surge com mais frequência; • Erva febra ou azevém (Lolium rigidum); • Cabelo de cão (Poa annua); • Pega-saias (Setaria viridis).

ciperáceas Relativamente a infestantes da família das ciperáceas (Cyperaceae), que surgem com muita frequência na cultura do milho, as mais comuns são: • Junça (Cyperus rotundus); • Juncinha (Cyperus esculentus).

As práticas culturais utilizadas na preparação do solo para a sementeira do milho permitem a germinação das infestantes, assim como a incorporação de chorume ou estrume não curtido, de origem bovina, que pode contribuir para a reintrodução de sementes viáveis.

controlo das infestantes O controlo das infestantes tornase essencial nesta cultura e deve compreender a utilização de diferentes estratégias: cultural (rotação de culturas; preparação do solo), mecânica (sacha) e química. O controlo químico deve ser feito de forma cuidada, no momento mais adequado e nas doses recomendadas. A utilização adequada dos herbicidas na cultura do milho permite efetuar o controlo eficaz das infestantes, possibilitando alcançar boas produtividades. A identificação das espécies de infestantes existentes no campo torna-se indispensável para a correta escolha do herbicida. Os herbicidas de pós-emergência apresentam diversas vantagens, nomeadamente: • Flexibilidade na escolha do herbicida adequando a melhor solução e as doses a aplicar em função das espécies presentes e da sua fase de desenvolvimento; • Excelente eficácia sobre as principais infestantes dicotiledóneas (folha larga), gramíneas (folha estreita) e ciperáceas (junças); • Seletividade para a cultura; • Possibilidade de mistura de herbicidas para alargar o espectro de ação; • Degradação no solo sem afetar as culturas seguintes;


PROTEÇÃO DE PLANTAS

• Aplicação localizada; • Possibilidade de numa única passagem controlar as infestantes.

aplicação de herbicidas

Figura 1 Estratégia de Proteção Selectis.

ESTADOS FENOLÓGICOS DO MILHO Sementeira

A aplicação dos herbicidas de pósemergência deve ser efetuada com um desenvolvimento de 4 a 6 folhas do milho, utilizando 300 a 400 L de calda por hectare. Neste caso o volume de calda permite a adequada cobertura das infestantes, evitando o escorrimento. O BONANZA, através da sua ação de contacto e residual com efeito anti-germinativo sobre as infestantes, consegue alcançar o rápido controlo das infestantes de folha larga (incluindo o malvão) e juncinha. A eficácia de WINNER TOP é notória num largo espectro de espécies de folha larga e folha estreita, atuando com sucesso no controlo das espécies como milhãs e sorgo bravo.

1ª Folha

3ª Folha

5ª Folha

7ª Folha

Bonanza Winner Top Sudoku

O SUDOKU está especialmente associado ao controlo de ciperáceas (junça e juncinha), mas o tipo de infestantes suscetíveis é bastante numeroso (infestantes anuais mais comuns: dicotiledóneas e monocotiledóneas incluindo milhãs). Os primeiros sintomas (branqueamento) são visíveis nos 3 dias a seguir à aplicação ocorrendo a destruição total das infestantes em cerca de 15 dias. Possui um efeito antigerminativo nas duas semanas seguintes à aplicação.

O WINNER apresenta uma eficácia bem conhecida sobre as milhãs e sorgo bravo, recomenda-se a aplicação quando as infestantes apresentem 2 a 3 folhas. Deverão ser evitadas as aplicações de herbicidas pós-emergentes em condições de stress para a cultura, principalmente deficiências hídricas e amplitudes térmicas. mais informações: www.selectis.pt

ruminantes abril . maio . junho 2015 29


Alimentação

pedro castelo Engº agrónomo, reagro sa. pedro.castelo@reagro.pt

Febre do leite

prevenção é a chave do sucesso O início da fase de lactação e a continuação da produção de leite conduzem a uma série de adaptações que ocorrem em vacas leiteiras, devido ao aumento significativo das necessidades de nutrientes para a síntese do leite. concentração de cálcio no salgue poderá cair abaixo do limiar crítico podendo ocorrer uma hipocalcemia clínica ou subclínica (febre do leite). A febre do leite é assim, um fator agravante de múltiplos problemas da saúde da vaca no período peri-parto.

O Papel do Cálcio

No período imediatamente antes do parto, grandes quantidades de cálcio são mobilizadas do sangue e utilizadas na glândula mamária para a constituição do colostro, podendo esta quantidade de cálcio ser 8 a 10 vezes superior durante esta fase. As 2 fontes de cálcio do organismo são os ossos (>95%) e o sangue (<5%), sendo o cálcio sanguíneo utilizado instantaneamente enquanto o cálcio ligado aos ossos tem

mobilidade reduzida. Devido ao aumento das necessidades energéticas e de aminoácidos para o colostro e, posteriormente, para a produção de leite, a exigência de cálcio aumenta 2 a 3 vezes quando comparado com a fase antes do parto. Deste modo, uma adaptação metabólica deverá ser feita criteriosamente de forma a suportar este aumento das necessidades de cálcio. Se esta adaptação não for efetuada, a

30 abril . maio . junho 2015 Ruminantes

O cálcio é vital para o tecido esquelético, muscular e para a função nervosa, incluindo a mobilidade gastrointestinal. A menor concentração de cálcio sanguíneo ocorre usualmente 12 a 24 horas antes do parto e, geralmente volta à normalidade 2 a 3 dias após o parto. Para os produtores de leite, hipocalcemia clinica é uma doença reconhecida e, normalmente com uma incidência da ordem dos 5%, sendo os animais mais produtivos aqueles onde esta incidência é maior. No caso das novilhas de primeira lactação este problema raramente ocorre porque produzem menos colostro e leite, e ainda têm capacidade de mobilizar cálcio rapidamente dos ossos. Reinhardt do National Animal Disease Center in Ames (Iowa) encontrou uma

prevalência de hipocalcemia clinica de 1 % em vacas na primeira lactação, 4 % em vacas na segunda lactação, 7 % em vacas na terceira lactação e 10 % em vacas na quarta lactação (estudo efetuado em 1462 vacas Holstein). A concentração de cálcio no sangue é fortemente regulada através do controlo da absorção de cálcio da dieta e libertação ou absorção pelos ossos. Duas hormonas, a paratiroide (PTH) e a 1,25-dihidroxivitamina D, controlam estes processos. Quando a concentração de cálcio decresce no sangue, a PTH é secretada e atua no rim para diminuir a excreção de cálcio na urina. Esta alteração permite um pequeno ajuste na concentração de cálcio sanguíneo. Quando são necessárias grandes quantidades de cálcio, como é o caso da fase da lactação, a PTH atua nos ossos levando à libertação do cálcio para o sangue. Além disto, a PTH atua no rim resultando numa conversão de vitamina D metabólica em 1,25-dihidroxivitamina D3. Depois, esta última regula a absorção de cálcio


Alimentação

do intestino delgado através do transporte ativo. Para que a PTH seja secretada e, efetivamente se ligue ao seu recetor, são necessárias duas condições – magnésio, e sangue ligeiramente menos alcalino. Assim, para prevenir a hipocalcemia (febre do leite) é necessário fornecer uma quantidade suficiente de magnésio na ração em vacas na fase pré-parto e o balanço catião-anião nessa dieta deverá ser negativo (Donna Amaral-Phillips, University of Kentuky).

Hipocalcemia subclínica As vacas com hipocalcemia subclínica não demostram sintomas clínicos, no entanto apresentam uma baixa concentração de cálcio no sangue durante as 24 horas após o parto. Assim, uma forma de saber se as vacas se apresentam em hipocalcemia subclínica é analisar o nível de cálcio no sangue nos primeiros dois dias após o parto. Esta redução de concentração de cálcio no sangue é normalmente acompanhada por um decréscimo acentuado da concentração sanguínea de magnésio e fósforo. As vacas com uma concentração de cálcio sanguíneo abaixo dos 8 mg/dl (2.0 mmol/l) e que não demonstram sinais clínicos são consideradas animais em hipocalcemia subclínica. Sobre este ponto, Reinhardt e outros, no estudo descrito anteriormente com 1462 vacas Holstein, determinaram que 50% das vacas e 25% das novilhas na primeira lactação se encontram em hipocalcemia subclínica.

Hipocalcemia De acordo com os sinais clínicos é possível distinguir 3 fases da febre do leite.

fase 1 A fase 1 da febre do leite dificilmente será observada devido à sua curta duração (menos de 1 hora). Os sintomas observados durante este período incluem a perda de apetite, a excitabilidade, a hipersensibilidade e fraqueza associada a perda de mobilidade dos membros traseiros.

fase 2 Relativamente à fase 2, os sinais clínicos podem durar de 1 a 12 horas. Nesta fase o animal pode deitar-se com a cabeça para o lado ou com a cabeça esticada. Aparentemente o animal está “triste”, sem energia, mostra alguma incoordenação ao andar, e ainda algum tremor muscular. Existem outros sinais que podem ser observados durante esta fase, tais como: trato digestivo inativo, obstipação, a temperatura corporal diminui até temperaturas perto dos 35.5ºC e o batimento cardíaco excede rapidamente os 100 batimentos por minuto.

fase 3 A terceira fase da febre do leite é caracterizada pela inaptidão do animal de repousar e uma perca progressiva de consciência conduzindo ao coma. Os batimentos do coração quase que não se ouvem e o ritmo cardíaco aumenta até 120 batimentos por minuto ou mais. As vacas nesta fase não sobreviverão muitas horas sem tratamento.

Implicações da febre do leite sobre a produtividade A febre do leite (hipocalcemia) tem impacto sobre a saúde dos animais, a futura produção de leite e ainda sobre a reprodução. Existem ainda outros estudos que demonstram que a função imunitária é comprometida em vacas com níveis baixos de concentração de cálcio no sangue. As vacas com níveis baixos de cálcio sanguíneo no primeiro dia após o parto estão mais suscetíveis a ter deslocamentos do abomaso, cetoses e retenção placentária. Alguns estudos demonstraram também uma diminuição de ingestão e ruminação, e por consequência uma elevada concentração de ácidos gordos nãoesterificados (AGNE) após o parto. Vacas com elevada condição corporal no momento do parto (condição corporal > 4) estão mais suscetíveis a desenvolver esteatose hepática (fígado gordo), diminuindo a atividade da vitamina D3 e, por consequência, aumentando a suscetibilidade à hipocalcemia.

Prevenção de febre do leite A prevenção da hipocalcemia deverá ocorrer através da modificação da dieta na fase seca (close up – primeira fase seca; pré-parto – 21 dias antes do parto). Estas alterações permitem preparar o sistema fisiológico para mobilizar cálcio, de forma a estar preparado para o aumento das necessidades deste elemento, aquando da síntese de colostro e leite.

1 - Ração pré-parto (21 dias antes do parto) com baixo teor em cálcio Embora esta prática reduza a incidência de problemas de hipocalcemia, muitas vezes é difícil colocá-la em prática pois nem sempre existe um grupo de animais suficientemente grande nesta fase, que justifique um arraçoamento específico. Em caso de aportes elevados de cálcio antes do parto, a PTH não é ativada no momento do parto e, por consequência o risco de febre do leite aumenta. É também por esta razão que as plantas leguminosas (ricas em cálcio) devem estar rigorosamente excluídas da ração de preparação para o parto (Trevo, luzerna, entre outras).

2 - Ração pré-parto com forragens com baixo teor em potássio A utilização de forragens com baixos níveis de potássio (por exemplo silagem de milho) nas dietas desta fase, pode diminuir a probabilidade de hipocalcemia clinica, mas não de hipocalcemia subclínica.

3 - Ração pré-parto com pouco alimento concentrado (farinha) Limitar o consumo de concentrado de 0,5 a 0,8% do peso vivo (=3,5 a 5,5 kg/ dia/animal)

4 - Balanço aniónico na fase pré-parto O BACA (Balanço Alimentar CatiãoAnião) é uma medida de iões na ração. Numerosos estudos demonstram uma forte relação entre o BACA e a incidência de febre do leite: quanto menor é o BACA, menor é o risco de febre do leite (Gráfico 1). A ração de

ruminantes abril . maio . junho 2015 31


Alimentação

fósforo, magnésio, potássio, sódio, enxofre e cloro (Tabela 1).

Gráfico 1 Relação entre o BACA e a incidência de febre do leite em vacas leiteiras. Incidência de febre do leite (%)

6 - Vitamina D Verificar que as vacas secas recebem uma suplementação em vitamina D compreendida entre 15 000 e 25 000 Unidades Internacionais (UI) por animal e que as vacas em lactação recebem pelo menos 30 000 UI diárias.

7 6 5 4 3 2 1 0

-400

-200

0

200

400

600

800

10000

7 - Fornecimento de cálcio via oral

1200

Suplementação de cálcio após o parto, via oral, tem demonstrado ser uma medida de prevenção da diminuição da concentração de cálcio no sangue. A maioria destes suplementos orais são absorvidos cerca de 30 minutos após a administração e a concentração de cálcio no sangue aumenta nas 4 a 6 horas seguintes.

Baca (mEq/kg MS) Urina (pH) 9

R2 = 0,6407

8,5 8 7,5 7 6,5 6 5,5 5

-400

-200

0

200

400

600

800

10000

1200

Baca (mEq/kg MS)

preparação para o parto deve portanto ter um BACA baixo (se possível <0). Este valor de BACA pode ser diminuído através do aporte de sulfato (ou cloreto) de magnésio (deve haver critério na sua integração, pois estes produtos são de palatibilidade reduzida). A sua avaliação poderá ser feita através do pH urinário das vacas nos dias que antecedem o parto. Normalmente, um pH da urina mais ácido é sinónimo de risco de febre do leite reduzido (objetivo pH < 8). No caso das novilhas não existe grande necessidade de alongar este período de preparação alimentar antes do parto. Esta prática poderá ter consequências negativas, tais como, descalcificação e risco de fraturas ósseas.

5 - Concentração de minerais equilibrada Relativamente aos minerais, nesta fase é fundamental ter atenção aos níveis de cálcio,

Gráfico 2 Relação entre as diferentes doenças durante o período do parto.

Mamite

Cetose

Retenção placentária

Febre do leite Endometrite Deslocamento do abomaso

Problemas de fertilidade

tabela 1 Evolução do peso médio no ensaio (kg) e ganho médio diário final (g) por lote. IÕES MINERAIS

VACAS SECAS

VACAS EM LACTAÇÃO

INRA

NRC

INRA

0,5% / MSI

0,8 a 1,2% / MSI

0,7% / MSI

PO43-

0,3% / MSI

0,4 (<0,8)% / MSI

0,4% / MSI

Mg2+

0,2% / MSI

0,4% / MSI

0,25% / MSI

Na+

0,1% / MSI

0,1% / MSI

0,2% / MSI

Ka+

0,7% / MSI

1% / MSI

1% / MSI

Cl-

0,2% / MSI

< 0,5% / MSI

0,3% / MSI

S(ou SO42-)

0,2% / MSI

0,22 a 0,4% / MSI

0,2% / MSI

Ca2+

MSI - Matéria seca ingerida; NRC - National research Concil; INRA - Institut de la recherce Agronomique

32 abril . maio . junho 2015 Ruminantes

a prevenção é a chave do sucesso e o uso de estratégias alimentares adequadas poderá ajudar a prevenir problemas metabólicos na fase pós-parto

Conclusão Prevenção da hipocalcemia ou febre do leite (baixa concentração de cálcio sanguíneo) na altura do parto, é um importante componente a ter em conta quando se faz um programa alimentar para vacas leiteiras, de forma a obter um bom início de lactação, levando a vacas saudáveis com bons níveis de produção e com uma boa eficiência reprodutiva. Níveis de cálcio adequados são fundamentais para a síntese de colostro e leite, função muscular e nervosa, e imunidade. Animais em hipocalcemia clinica são fáceis de diagnosticar e são já conhecidas inúmeras estratégias de forma a prevenir problemas desta natureza. No entanto, a hipocalcemia subclínica não é de diagnóstico fácil e pode ser um fator importante nos rebanhos com um grau elevado de incidência de desordens metabólicas. Cerca de 50% dos casos de hipocalcemia em vacas leiteiras são subclínicos, não apresentam sintomas aparentes, e só podem ser diagnosticados após análise sanguínea nos primeiros dois dias após o parto (concentração de cálcio no sangue está abaixo de 8,5 md/dl). Para concluir, penso que a prevenção é a chave do sucesso e o uso de estratégias alimentares adequadas poderá ajudar a prevenir problemas metabólicos na fase pós-parto.


alimentação

Novas alternativas na formulação para ruminantes, com base em aminoácidos por Javier Mateos Aguado, Technical Service Manager - Kemin AgriFoods Europa

Efeitos da formulação de rações de vacas leiteiras com base em aminoácidos Um passo importante na formulação de rações para vacas leiteiras é a identificação dos aminoácidos (AA) limitantes na síntese de proteína (NRC 2001 e INRA 1998). Hoje, sabe-se que a Metionina (Met) e a Lisina (Lys) são os principais AA limitantes para a síntese de proteína no leite. Com esta prática maximiza-se a síntese de proteína no leite e a eficácia da utilização dos AA absorvidos (proteína metabolizável, PM).

Parâmetro

Leite

Proteína

MP

0.65

0.74

MMet

0.76

0.81

MLys

0.90

0.90

tabela 2 Coeficiente de correlação (R2) para a produção leiteira e a proteína no leite, quando a proteína (PM), a metionina (MMet) e a lisina metabolizável (MLys) são utilizados como preditores.

Melhoria da produção leiteira: Garthwaite e col (1998) resumiram num trabalho várias experiências publicadas onde se estudava a influência do aumento dos níveis de Lys e Met em rações de vacas leiteiras. O trabalho foi dividido em duas partes. Na primeira parte (A), compararam sete estudos que começavam logo após o parto e continuavam até aos 120 dias de lactação, enquanto que na segunda parte (B), compararam outros cinco estudos que começavam antes do parto. Ambos os estudos demonstraram respostas positivas nos parâmetros leiteiros, ao otimizar as rações em Lys e Met (Tabela 1).

tabela 1 Influência do ajustamento dos níveis de lisina e metionina da ração, na produção e composição do leite, (proteína e gordura).

Melhorar a eficiência de utilização da proteína metabolizável: Recentemente Schwab e outros (2004) apresentaram um estudo onde comparam o uso da PM, além da lisina e metionina metabolizáveis, como preditores da produção e composição do leite (Tabela 2). Os resultados concluíram que formulando apenas por PM e ignorando os AA limitantes reduz-se a precisão da referida formulação. Como resultado, a produção de proteína no leite não é otimizada, reduzindo os lucros resultantes da venda de leite. Mas quando as rações são avaliadas com base nos níveis de lisina e de metionina, não só a PM é melhor utilizada, como também os outros nutrientes, resultando nos efeitos positivos apresentados na tabela 1.

Redução de doenças metabólicas:

A) resumo de sete estudos no início da lactação. B) resumo de cinco estudos incluindo pré-parto (Garthwaite e col, 1998); S.E. - sem efeito

No inicio da lactação, as vacas leiteiras estão em balanço energético negativo e portanto mobilizam as suas reservas de energia (depósitos de gordura), o que pode

Estudo

Produção leite (kg/d)

Proteína no leite (g/d)

Proteína no leite (%)

Gordura no leite (%)

A

+0.67

+80

+0.16

S.E.

B

+2.25

+112

+0.09

+0.1

34 abril . maio . junho 2015 Ruminantes

levar a problemas metabólicos. Quando as rações são calculadas tendo em consideração os AA limitantes, a incidência de problemas metabólicos diminui. Esta diminuição acontece porque, por um lado é necessária menos energia para eliminar o excesso de aminoácidos em forma de ureia, devido a uma melhor utilização da PM, enquanto que por outro lado a metionina intervém no metabolismo do fígado. Como resultado há uma redução da incidência de fígado gordo e cetose.

Melhoria dos parâmetros reprodutivos: Foi demonstrado que ao diminuir os problemas metabólicos e ao melhorar o balanço energético da vaca leiteira, se constata uma influência positiva nos parâmetros reprodutivos. Robert e outros (1996) observaram que os níveis de progesterona aumentavam antes e depois da ovulação, quando as dietas eram formuladas tendo em conta os níveis ótimos de metionina. Isto foi associado a um menor número de inseminações por conceção e a um efeito positivo na implantação do feto. Em condições semelhantes, Thiaucourt (1996) demonstrou, em experiências de campo (53 explorações, 2000 vacas), uma redução no tempo para a primeira inseminação e no intervalo entre partos, de 5 dias (P<0.1).

Efeitos no sistema imunitário: Doenças e outras desordens têm impacto negativo nos resultados produtivos do animal, que estão associados a um sistema imunitário comprometido. Thiaucourt (1996) observou uma redução do número de células somáticas de 50.000/ml ao formular as rações com base em aminoácidos.


alimentação

Objetivos da formulação Rulquin e Verite (1993) desenvolveram o método que se utiliza atualmente para calcular de forma indireta a curva de resposta. Nesse estudo os níveis ótimos de lisina e metionina metabolizável (MLys e MMet) foram estabelecidos a nível prático em 6.8 MLys e 2.2 MMet como % da PM. É importante notar que o primeiro passo é maximizar os níveis de MLys, e depois formular a MMet para manter uma relação 3,1:1. Conseguir os níveis ótimos de aminoácidos nem sempre é fácil (Figura 1) e na prática é quase impossível alcançar esses níveis sem a introdução de uma fonte adequada de metionina sintética. Por outro lado, as fontes de metionina habituais no mercado são maioritariamente degradadas ao nível rúmen, pelo que é necessário uma proteção adequada. Na prática, isto traduz-se na necessidade de disponibilizar durante a formulação, fontes de metionina protegida corretamente valorizadas. Schwab e Ordway (2003) fizeram uma revisão sobre diferentes fontes de metionina presentes no mercado e concluíram que a SmartamineTM (Adisseo, Inc. Antony, France) é o produto que mostra uma maior eficácia quando se fornece Met ao animal. Smartamine TM é uma fonte protegida de Met devido ao encapsulamento sensível ao pH. Os produtos utilizados tradicionalmente na alimentação de monogástricos, tal como hidróxido de metionina análogo (HMB), tem demonstrado que não são fontes adequadas de metionina para os ruminantes.

FIGURA 1 Concentrações de MLys e Mmet em matérias primas para rações de Vacas Leiteiras.

MMet (% PDIE) Ração Equilibrada:

3

MLys >6.8% MMet>2,2%

2,5

Objetivo

2,2

1

6

5

1. Silagem de erva 2. Silagem de milho 3. Proteína de Batata 4. Trigo 5. Milho (grão) 6. Farinha de glúten de milho 7. Farinha de soja 8. Farinha de soja protegida 9. Farinha de colza 10. Farinha de amendoim 11. Luzerna 12. Levedura de cerveja 3

4

4 11

10

9

2

1 3

12

7

8

Falta de MLys e MMet: Reformular a racção e utilizar alimento com MetaSmart 5

6

Falta de MMet: Para equilibrar a ração utilizar alimento com MetaSmart 6,8

7,3

7

8

9

MLys (% PDIE)

O papel do HMBi-MetasmartTM Após o sucesso do SmartamineTM, Adisseo projetou uma nova fonte de metionina mais fácil de utilizar e capaz de resistir à granulação. Essa fonte é o Ester Isopropílico de HMB, conhecida cientificamente com a abreviatura de HMBi, e que é comercializada também em Portugal pela Kemin Portuguesa sob o nome de MetaSmartTM. Em diferentes ensaios realizados pelo INRA Rennes, INRA Nancy, Universidade de New Hempshire e Universidade do estado de Ohio, observaram-se aumentos semelhantes de proteína e gordura no leite formulando com MetaSmartTM como formulando com SmartamineTM. Inúmeros autores (Ordway, 2009; Chen, 2011; Osorio and Loor, 2011; Reading, 2008, 2010; Hillsborough, 2010 e Schothorst, 2011) demostraram a eficácia do MetaSmartTM para formular com base aminoácidos.

Embora inicialmente orientados para demonstrar o aumento de proteína no leite, os estudos mais recentes demostraram que a sua utilização no balanço dos aminoácidos das rações, aumenta também a quantidade de leite e o seu conteúdo em gordura, reduzindo os transtornos metabólicos, melhorando os parâmetros reprodutivos e permitindo reduzir os níveis de proteína na dieta ao melhorar a eficiência proteica da mesma.

As mais recentes investigações do INRA e de outros centros de investigação estão centradas na relação da eficiência proteica vs. balanço de aminoácidos da ração. Estes avanços irão permitir trabalhar com baixos níveis de proteína, melhorando as produções e o estado de saúde do rebanho, com a garantia de que se a ração está corretamente equilibrada em aminoácidos, a margem de segurança é relativamente ampla.

FIGURA 2 Modo de ação do MetaSmartTM

Entrada de MetaSmart

RÚMEN

Absorvido através da parede ruminal

Metionina biodisponível

Retículo

Ativa a fermentação ruminal

Abomaso

Omaso

ruminantes abril . maio . junho 2015 35


alimentação MetaSmartTM duas caraterísticas principais Absorção através da parede do rúmen: A parte éster de MetaSmartTM possibilita que a molécula seja absorvida através da parede do rúmen proporcionando uma biodisponibilidade de 50%. Isto garante uma correta suplementação de MMet.

Ativação do rúmen: Inúmeros estudos demonstraram que os 50% restantes de HMBi são utilizados como substrato para os microrganismos do rúmen, aumentando a fermentação no rúmen, que afeta positivamente a produção leiteira e o conteúdo em gordura da mesma.

Esta forma de atuar em dois sítios diferentes do animal, faz do MetaSmartTM uma fonte de metionina diferente e única no mercado, que permite uma nova maneira de equilibrar os aminoácidos nas rações.

Jornadas veterinárias superam expetativas As 7as Jornadas do Hospital Veterinário Muralha de Évora realizaram-se em março, com lotação esgotada graças à participação de oradores de relevo e de mais de 450 participantes, interessados em conhecer as novas tendências dos setores agropecuário e equino. Consolidando-se como um ponto de encontro de relevância nacional, o evento consistiu num conjunto de seminários e workshops, agrupados em dois temas distintos – Ruminantes e Equinos – orientados segundo duas temáticas essenciais; “Enfrentar o futuro da produção pecuária - Desafios e oportunidades” e “Técnicas de reabilitação equina”. Marcou presença neste evento o Secretário de Estado da Agricultura, José Diogo Albuquerque, falando acerca do futuro da PAC e sobre as novas regras operacionais dos apoios comunitários.

36 abril . maio . junho 2015 Ruminantes

Resumo Uma das causas do atraso na implementação da formulação em AA´s em vacas leiteiras, de acordo com palavras do Dr. Schwab (NRC) e do professor Rulquin (INRA), foi o aparecimento de produtos de imitação no mercado com biodisponibilidades reais muito mais baixas que as refletidas na sua ficha técnica (proteções bypass deficientes), provocando ausência de resultados que por vezes foram atribuídos à própria formulação em aminoácidos, quando realmente era um

problema da qualidade desses produtos. O MetaSmartTM e SmartamineTM são as únicas fontes de metionina protegida para vacas leiteiras de eficácia amplamente comprovada por centros de investigação e universidades, com maior biodisponibilidade do mercado e ótima relação rentabilidade / custo de inclusão, oferecendo a possibilidade de conseguir uma máxima eficácia proteica nas rações de vacas leiteiras formuladas com base em aminoácidos.

O responsável pelo painel de oradores da área Ruminantes (animais de produção), Nuno Prates, destacou a palestra “De produtor a Empresário Pecuário” da autoria de Alcides Torres Júnior, diretor-fundador da SCOT Consultoria, (Brasil), e presidente da Associação dos Profissionais para a Pecuária Sustentável. A convite da MSD Animal Health, este especialista partilhou o seu know-how enquanto analista e consultor de mercados, com atuação nas áreas de pecuária, leite, ovos e cereais. Destaque ainda para a palestra de Sónia Germano, do Núcleo de Reprodução e Fertilidade do Hospital Veterinário Muralha de Évora, sobre “A regra dos 18 meses nos bovinos: problema ou oportunidade?”, assim como para a apresentação sobre “Qualidade das fenossilagens”, da autoria de José Freire da Fertiprado. Igualmente relevante, a palestra “Soluções de Monitorização em Bovinos”, da francesa Medria Technologies, permitiu ficar a par das últimas técnicas revolucionárias de monitorização para ruminantes desenvolvidas pela empresa. Estas técnicas são das mais avançadas para a deteção precoce de eventos de reprodução (cio e partos), alimentação e problemas de saúde animal. Os sensores Medria são colocados nos animais e estão continuamente a medir e analisar os seus dados vitais para informar o seu criador, por SMS, quando um animal específico precisa de atenção. Na sequência da palestra de Eric Manenc, representante da Medria Technologies, o Hospital Veterinário Muralha de Évora irá ficar como representante destas inovações técnicas. No segundo dia das Jornadas, o workshop da Hipra Curso Prático de diagnóstico de SRB em vitelos, que decorreu na Universidade de Évora, Herdade da Mitra, foi igualmente um sucesso com lotação esgotada.


PROTEÍNA BRUTA É COISA DOS ANOS 80. A ciência e a tecnologia mudaram adaptando-se aos novos tempos. E a sua forma de formular, também? Estratégias e formulações nutricionais adequadas frente àquelas já obsoletas, marcam a diferença entre explorações leiteiras, especialmente quando se trata de nutrição proteica. Encontrar a estratégia mais eficaz na formulação, com base em aminoácidos para cada exploração e contexto económico, só se pode fazer com produtos biodisponíveis realmente fiáveis. Para trás ficam os dias em que nos centrávamos somente nos níveis de proteína bruta. Devemos reformular as nossas dietas até alcançar níveis adequados de lisina e metionina com o objectivo de melhorar os custos de produção e a eficiência proteica (rentabilidade da ração), ao mesmo tempo que nos preocupamos pelo meio ambiente. Formular com Smartamine® , MetaSmart® e LysiPEARL ™ permitirá alcançar “grandes rentabilidades”. Reformule as suas dietas. De agora em diante, mais não significa melhor no que diz respeito à proteína bruta.

Dê um passo em frente e formule com aminoácidos. A Kemin pode ajudá-lo. Para mais informação sobre estes produtos, por favor contacte a Kemin Portuguesa Tel + 351 214 157 501 ou +351 916 616 764 www.kemin.com

MetaSmart® is a Trademark of Adisseo France S.A.S.


economia

Sem volatilidade não há negócios

observatório das matérias Primas por paulo costa e sousa

Cereais

38 abril . maio . junho 2015 Ruminantes

compradores estão a hesitar entre tomar já uma decisão ou esperar que aconteça alguma coisa de mais drástico, que lhes dê um claro sinal da opção a tomar, mas provavelmente o único sinal de momento, e até que se saiba algo de mais palpável sobre as próximas colheitas, é um sinal cambial e não de qual a disponibilidade de cereais, que não parece de forma alguma estar em causa, ou sequer numa situação apertada.

Proteínas Quanto às “proteínas”, a soja já teve a tão esperada queda, mas como sempre, há um fator que se atravessa no caminho e impede que o mito da soja barata se concretize, desta vez é o famoso euro/usd. É fácil entender que um preço de bagaço de soja a 380 euros com o euro/usd a 1.06 calculado com o cambio histórico, que nos acompanhou muito tempo, de 1.25 corresponde a 322 euros, ou seja, o efeito da moeda tem um peso de cerca de 60 euros no preço final. Para os meses de verão não se vislumbram grandes variações no preço em usd pelo que mais uma vez estaremos dependentes do que possa fazer o euro/usd para determinar as nossas compras, mas a pensar que a paridade é um cenário possível, os compradores deveriam aproveitar um dia favorável para cobrir mais um pouco.

Evolução do preço de matérias primas

2011 2012 2013 2014

Preços médios semanais no porto de Lisboa de 2011 a 2015

2015

milho €/ton 310 290 270 250 230 210 190 170

5 a 9 Dez

19 a 23 Dez

7 a 11 Nov

21 a 25 Nov

10 a 14 Out

24 a 28 Out

26 a 30 Set

29 a 2 Set

12 a 16 Set

1 a 5 Ago

15 a 19 Ago

4 a 8 Jul

18 a 22 Jul

6 a 10 Jun

20 a 24 Jun

9 a 13 Maio

23 a 27 Maio

11 a 15 Abr

25 a 29 Abr

28 a 1 Abr

12 a 16 Mar

13 a 17 Fev

27 a 2 Mar

30 a 3 Fev

2 a 6 Jan

150 16 a 20 Jan

Para os que se queixam que o mercado de cereais tem excesso de volatilidade, os últimos tempos provam que esse ambiente é propicio para os bons negócios. A quase total imobilidade vem mostrando que sem volatilidade não há negócios e nem sequer há mercado, se os preços não se movem os vendedores e os compradores nunca encontram os interesses. Esse é realmente o formato de mercado em que se vive já há alguns meses, período em que nada aconteceu no mercado de cereais. Os preços em dólares acompanharam a baixa drástica do euro/usd, mas como a moeda ucraniana e russa também se foram desvalorizando, em moeda local o agricultor vai vendendo a preços interessantes, permitindo-lhe baixar o preço em dólares, na mesma proporção em que o euro/ usd baixa. Estes dois efeitos antagónicos, transmitiram uma imobilidade ao mercado, que já de si estava bastante coberto, e retira o incentivo aos compradores e vendedores de fazer grandes coisas, uma vez que o preço não se altera. E assim temos vivido, passaram dois ou três relatórios do USDA onde nada aconteceu, os preços pouco se moveram, e em que as compras a diferido perderam o seu interesse. De facto, percebemos que o mercado de cereais tem sido efetivamente um mercado de moeda, uma vez que em termos de oferta e procura de cereais que pudessem afetar o preço, nada aconteceu de especial. No Mar Negro (nosso principal fornecedor) continua a liquidez de ofertas para os meses mais próximos, sem grande movimento para os meses diferidos, ofertas que vão acompanhando a baixa do euro. De momento, não se vislumbra nada de particular que possa mudar esta situação, mas este ator importante, o euro/usd, seguramente fará sentir o seu peso, se realmente a tendência para a paridade se verificar. Nesse caso, as matérias primas em euros deverão acabar por sentir esse efeito. Assim sendo, para o verão, e acreditando numa situação débil do euro, será prudente aproveitar estes níveis historicamente não muito caros que se verificam, mas tendo consciência que se está realmente tomando muito mais uma posição de moeda do que de cereais. Para a nova colheita vislumbram-se os primeiros preços de trigo que ainda não suscitaram grande interesse por parte dos compradores, o que não é de estranhar – os preços em linha com os da colheita atual e com um prémio importante em relação ao preço do milho, não estimula muito os compradores. No caso dos preços da nova colheita de milho, ainda está tudo em aberto, mas as primeiras cotações acima dos valores de velha colheita não suscitaram nenhum interesse por parte dos compradores. Por isso, e salvo os considerandos anteriores, os


2 a 6 Jan

150

€/ton 350

450

400 300

250

250 200

200 150

100

6 a 10 Jun

23 a 27 Maio

9 a 13 Maio

25 a 29 Abr

11 a 15 Abr

28 a 1 Abr

7 a 11 Nov

5 a 9 Dez 19 a 23 Dez

5 a 9 Dez 19 a 23 Dez

24 a 28 Out

21 a 25 Nov

10 a 14 Out 24 a 28 Out

10 a 14 Out

7 a 11 Nov

26 a 30 Set

26 a 30 Set

21 a 25 Nov

29 a 2 Set 12 a 16 Set

29 a 2 Set 12 a 16 Set

1 a 5 Ago 15 a 19 Ago

1 a 5 Ago 15 a 19 Ago

4 a 8 Jul 18 a 22 Jul

4 a 8 Jul 18 a 22 Jul

20 a 24 Jun

bagaço girassol

20 a 24 Jun

6 a 10 Jun

300

9 a 13 Maio

350

23 a 27 Maio

€/ton

25 a 29 Abr

bagaço colza

11 a 15 Abr

200 12 a 16 Mar

150

28 a 1 Abr

250

12 a 16 Mar

170

13 a 17 Fev

190

27 a 2 Mar

230

27 a 2 Mar

450

30 a 3 Fev

270

13 a 17 Fev

250

30 a 3 Fev

500

16 a 20 Jan

310

2 a 6 Jan

19 a 23 Dez

5 a 9 Dez

21 a 25 Nov

7 a 11 Nov

24 a 28 Out

10 a 14 Out

26 a 30 Set

12 a 16 Set

29 a 2 Set

15 a 19 Ago

1 a 5 Ago

18 a 22 Jul

4 a 8 Jul

20 a 24 Jun

6 a 10 Jun

23 a 27 Maio

9 a 13 Maio

25 a 29 Abr

11 a 15 Abr

28 a 1 Abr

12 a 16 Mar

27 a 2 Mar

13 a 17 Fev

30 a 3 Fev

290

16 a 20 Jan

2 a 6 Jan 16 a 20 Jan

€/ton

2 a 6 Jan

19 a 23 Dez

5 a 9 Dez

21 a 25 Nov

7 a 11 Nov

24 a 28 Out

10 a 14 Out

26 a 30 Set

12 a 16 Set

29 a 2 Set

15 a 19 Ago

1 a 5 Ago

18 a 22 Jul

4 a 8 Jul

20 a 24 Jun

6 a 10 Jun

23 a 27 Maio

9 a 13 Maio

25 a 29 Abr

11 a 15 Abr

28 a 1 Abr

12 a 16 Mar

27 a 2 Mar

13 a 17 Fev

30 a 3 Fev

16 a 20 Jan

cevada bagaço soja 44

€/ton 600 550

400

210 350

300

ruminantes abril . maio . junho 2015 39


economia

observatório do Leite Por Maria Luísa Ferrão Fontes: RABOBANK, AGRIMONEY, THE ECONOMIST, IFCN.

Apesar do fim do regime de gestão de quotas leiteiras na União Europeia, no dia 31 de março, o crescimento da produção de leite estima-se lento no próximo ano. Trata-se de uma perspetiva otimista e conveniente do ponto de vista do preço do leite. Noutra perspetiva e, segundo um artigo publicado na revista The Economist de 21 de fevereiro, intitulado “Letting the cream rise”, a procura de leite e derivados está a aumentar nos mercados emergentes. Na China, a alimentação dos bebés é feita, cada vez mais, à base de fórmulas lácteas e na Rússia observa-se uma crescente procura pelos queijos estrangeiros. Este parece ser um apelo perfeito aos principais países produtores de leite da União Europeia que vão agora poder dar largas à sua capacidade de produção virando-se para novos mercados. Apesar da situação favorável da Europa em matéria de produção de leite é preciso garantir preços competitivos nos mercados internacionais.

União Europeia O sistema de quotas, implementado em 1984, serviu para reduzir o desequilíbrio entre a oferta e a procura no setor, evitando, por um lado, o crescimento da produção leiteira e a existência de excedentes, e permitindo, por outro, a reestruturação da atividade agrícola, uma das mais importantes em praticamente todos os Estados-membros. Com a abolição do sistema de quotas, verifica-se que a produção leiteira fica concentrada no norte da Europa. Sabe-se que a Irlanda tem como objetivo aumentar a sua produção em 50% e que a Holanda, o maior exportador de leite da Europa, poderá produzir mais 20%. Segundo a previsão do diretor do IFCN -Internacional Farm Comparison Network, Torsten Hemme, as exportações para países não pertencentes à União

40 abril . maio . junho 2015 Ruminantes

Europeia vão duplicar até 2024 e a Europa irá ultrapassar a Nova Zelândia na exportação de produtos lácteos nesse mesmo ano. Voltando a um passado recente, notamos que no primeiro trimestre de 2015 o crescimento da produção foi lento. Na Irlanda, os produtores optaram por reduzir o volume de produção, no sentido de evitarem penalizações no período em que o sistema de quotas ainda se encontrava em vigor. Já no final de 2014, os agricultores começaram a abrandar as entregas de leite no sentido de limitarem a imposição sobre excedentes. Verificou-se um aumento de abates bovinos, sobretudo na Polónia, onde se abateram mais 50% das vacas entre setembro e dezembro de 2014 do que no período homólogo do ano anterior. No primeiro trimestre de 2015 o mercado mostrou um abrandamento na redução dos preços dos produtos lácteos, prevendo-se uma estabilização a curto prazo e um aumento nos próximos meses.

Nova Zelândia e EUA A Nova Zelândia e os EUA, o primeiro e o terceiro maiores exportadores de leite do mundo, também esperam poder expandir a sua produção. Os produtores estão cautelosos devido à imprevisibilidade da procura e à volatilidade dos preços que caíram desde 2014. O embargo às importações europeias por parte da Rússia, como forma de retaliar a União Europeia por esta não a ter apoiado no conflito com a Ucrânia, afetou de uma forma aterradora os produtores europeus. E os neozelandeses e os americanos sabem disso e estão agora mais sensibilizados para as variáveis externas que afetam o mercado e que o podem tornar tão vulnerável. Ainda assim, um relatório do Rabobank prevê que a procura global de leite e derivados

aumentará 2% nos próximos cinco anos fruto do crescimento populacional e do aumento do poder de compra esperado, sobretudo, em mercados emergentes como a China e a Índia.

Redução de rebanhos de leite e aumento da produção Segundo a Comissão Europeia, prevê-se uma redução do número de cabeças em 2015 face a 2014. No entanto, a produção de leite irá aumentar. Já no ano passado houve um aumento na produção leiteira de 4%, o que se traduziu em 6,744 kg por cabeça, quantidade que tenderá a subir em 2015, estimando-se que atinja 6,876 kg por animal. O mesmo relatório também prevê nova redução do efetivo leiteiro em 2016 e um aumento na produção de leite, traduzida em 6,968 kg por cabeça. Estamos perante um padrão que tende a replicar-se. No que respeita à entrega de leite para processamento, o crescimento continuará a ser lento. Segundo informação da Comissão Europeia, vai subir apenas 1,2%, o que se traduzirá em 149,4 milhões de toneladas. No xadrez mundial do mercado do leite, de que forma vão os países menos fortes no setor, como é o caso de Portugal, conseguirem sobreviver? Parece que a resposta não é simples. No entanto, Vincent Chatellier do Instituto Nacional de Pesquisa Agrícola de França afirma que uma das medidas pode passar pelo processamento do leite em produtos com preço premium. Já Klaas Johan Osinga da Associação de Agricultores Holandeses acredita que cada Estadomembro tomará medidas no sentido de ajudar os agricultores mais vulneráveis. Será que a Europa continuará a ser uma terra fértil em matéria de produção leiteira? Talvez a resposta possa ser esta. Só o mercado o dirá.


economia

preço do leite standardizado (1) países

leite à produção Preços médios mensais em 2015 meses

teor médio de matéria gorda (%)

teor proteico (%)

preço do leite (€/100kg) janeiro 2015

alemanha

Alois Müller

28,54

35,41

Contin.

Açores

Contin.

Açores

Contin.

Açores

Dinamarca

Arla Foods

29,28

36,98

JANEIRO

0,372

0,349

3,89

3,75

3,31

3,28

Danone

33,71

37,41

FEVEREIRO

0,372

0,350

3,85

3,74

3,31

3,19

Lactalis (Pays de la Loire)

32,70

36,98

MARÇO

0,372

0,349

3,78

3,62

3,33

3,24

França

Inglaterra

Sodiaal

33,59

37,91

Dairy Crest (Davidstow)

35,92

39,13

First Milk

29,11

35,77

Glanbia

30,50

35,09

Kerry

30,09

35,74

Granarolo (North)

41,20

44,59

Irlanda Itália Holanda

DOC Cheese FrieslandCampina

Preço médio leite N. Zelândia EUA

média dos ultimos 12 meses (4)

eur/kg

companhia

(2)

Fonterra EUA

(3)

26,99

33,65

2014

ABRIL

0,391

0,349

3,79

3,64

3,29

3,26

maio

0,346

0,348

3,78

3,60

3,28

3,22

junho

0,343

0,346

3,78

3,63

3,26

3,16

julho

0,328

0,344

3,74

3,67

3,23

3,10 3,07

agosto

0,329

0,343

3,77

3,68

3,25

setembro

0,329

0,348

3,80

3,74

3,28

3,16

outubro

0,339

0,347

3,84

3,72

3,30

3,25 3,27

29,43

37,20

32,13

37,38

Novembro

0,342

0,333

3,82

3,68

3,33

28,20

Dezembro

0,345

0,330

3,87

3,64

3,37

3,21

0,320

0,318

3,85

3,57

3,32

3,16

24,98 34,28

41,14

2015 janeiro

Fonte: LTO (1) Preços sem IVA, pagos ao produtor; Preço do leite de diferentes empresas leiteiras para 4,2% de MG e 3,4 de teor proteico • (2) Média aritmética • (3) Ajustado para 4,2% gordura, 3,4% proteina e contagem de células somáticas 249,999/ml • (4) Inclui o pagamento suplementar mais recente

Fonte: SIMA Gabinete de Planeamento e Políticas

Trate as diarreias dos vitelos

e

reduza o uso de antibióticos Calf Renova restaura a saúde intestinal, usando bactérias benéficas e extratos de plantas como um tratamento efetivo para as diarreias sem recurso a antibióticos. Uma cápsula aos primeiros sinais de distúrbios digestivos promove a ingestão de matéria seca e a integridade intestinal. • Cápsula de fácil administração • Purificação intestinal • Efeito antimicrobiano natural • Tecnologia provada nos EUA

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ruminantes abril . maio . junho 2015 41


economia

ÍNDICE VL e ÍNDICE VL-erva Início de um ciclo menos favorável para a produção de leite? Por António Moitinho Rodrigues, docente/investigador, Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Castelo Branco Carlos Vouzela, docente/investigador, Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores Nuno Marques, revista Ruminantes

Analisamos neste número da Ruminantes os Índices VL e VL - ERVA para os meses de novembro/dezembro de 2014 e janeiro de 2015. Durante este período, o preço do leite pago ao produtor individual no continente baixou 6,4% passando de 0,342 €/kg em novembro para 0,320 €/kg em janeiro. O preço do leite pago ao produtor dos Açores baixou 4,2% passando de 0,333 €/kg para 0,319 €/kg (SIMA, 2015), apesar de não ser o preço generalizado em todas as ilhas, e concretamente na ilha Terceira, que, provavelmente, por inexistência de concorrência fabril o leite está a ser pago a um preço inferior. Os preços pagos em Portugal foram inferiores aos preços médios pagos por kg de leite aos produtores europeus (UE28) que variou entre 0,3436 €/ kg em novembro e 0,3223 €/kg em janeiro (MMO, 2015). Evolução inversa teve o preço das principais matérias-primas utilizadas no fabrico dos alimentos compostos para vacas leiteiras. A título de exemplo, entre novembro e janeiro, os preços

médios mensais do milho grão, cevada, bagaço de soja44, bagaço de colza e bagaço de girassol aumentaram 2,77%, 10,75%, 2,39%, 7,33% e 7,32%, respetivamente. A redução do preço do leite e o aumento dos custos com a alimentação refletiu-se no Índice VL e no Índice VL - ERVA que em janeiro de 2015 foi, respetivamente, de 1,700 e de 2,288. De referir que em janeiro de 2014 o Índice VL havia sido de 1,923 e o Índice VL ERVA de 2,446. Se considerarmos que o valor 1,5 é um valor moderado, representando um negócio saudável, e 2,0 um valor elevado muito favorável para o sucesso económico da exploração (Schröer-Merker et al., 2012), concluímos que os produtores de leite do continente continuam a trabalhar numa zona de conforto financeiro e que os produtores de leite dos Açores continuam a viver momentos favoráveis para o sucesso económico das explorações. De referir, no entanto, que relativamente ao trimestre anterior as condições favoráveis são agora menores.

Evolução do Índice VL e Índive VL-erva de janeiro de 2014 a janeiro de 2015 Os valores são influenciados pela variação mensal do preço do leite pago ao produtor individual do continente (Índice VL) e da Região Autónoma dos Açores (Índice VL-ERVA) e pelas variações mensais do preços de 5 matérias-primas utilizadas na formulação do concentrado e dos outros alimentos que integram o regime alimentar da vaca leiteira tipo. últimos 13 Meses

2014

2015

Índice VL

Índice VL ERVA

janeiro

1,923

2,446

Fevereiro

1,879

2,402

março

1,826

2,329

abril

1,912

2,383

maio

1,750

2,443

junho

1,766

2,476

julho

1,767

2,535

Agosto

1,770

2,521

Setembro

1,815

2,619

Outubro

1,837

2,540

novembro

1,845

2,426

dezembro

1,864

2,406

janeiro

1,700

2,288

Evolução do Índice VL

O Índice VL é influenciado pela variação mensal do preço do leite pago ao produtor no continente e pelas variações mensais dos preços dos alimentos que constituem o regime alimentar da vaca leiteira tipo (concentrado 9,5 kg/dia; silagem de milho 33 kg/dia; palha de cevada 2 kg/dia). Valor do Índice VL

42 abril . maio . junho 2015 Ruminantes

2,0

Valores do Índice VL

DE julho de 2012 A JANEIRO DE 2015

1,5

1,0 julho 2012

Limiar de rentabilidade

janeiro 2015

Negócio saudável

Forte ameaça para a rentabilidade da exploração


economia

Evolução do Índice VL-erva DE julho DE 2013 A JANEIRO DE 2015 O Índice VL – ERVA é influenciado pela variação mensal do preço do leite pago ao produtor na Região Autónoma dos Açores e pelas variações mensais dos preços dos alimentos que constituem o regime alimentar da vaca leiteira tipo (primavera/verão 60 kg/dia de pastagem verde, 10 kg/dia de silagem de erva e de milho, 5,6 kg/dia de concentrado; outono/inverno 47 kg/dia de pastagem verde, 23,3 kg/dia de silagem de erva e de milho, 6,7 kg/dia de concentrado).

notas: Em janeiro de 2015, o preço do leite pago aos produtores do continente foi muito inferior (0,320 €/kg) ao preço pago em janeiro de 2014 (0,372 €/kg). O mesmo ocorreu com o preço pago aos produtores individuais da Região Autónoma dos Açores que passou de 0,349 €/kg em janeiro de 2014 para

Valores do Índice VL Erva

3,0

2,0

1,5

1,0 julho 2013

janeiro 2015

Valor do Índice VL - erva Negócio saudável

0,319 €/kg de leite em janeiro de 2015. O preço médio das 5 principais matériasprimas que entram na formulação do alimento composto teve uma tendência crescente no trimestre em análise; O preço dos alimentos forrageiros utilizados na formulação do regime alimentar não apresentou no trimestre em análise diferença representativa

Limiar de rentabilidade

Forte ameaça para a rentabilidade da exploração

relativamente ao trimestre anterior; Os 3 aspetos anteriores refletem-se no Índice VL e no Índice VL - ERVA que em janeiro de 2015 foi, respetivamente, de 1,700 e 2,288; As condições favoráveis para o sucesso económico das explorações de leite são agora menores do que no trimestre anterior.

Referências Bibliográfia: Não foram incluídas por uma questão de espaço editorial, mas os autores disponíbilizam bastando enviar um email para geral@revista-ruminantes.com.

ruminantes abril . maio . junho 2015 43


publi-reportagem

O GRUPO CCPA prioridade na eficiência das inovações nutricionais Por Philippe Caldier, jornalista freelancer

Grupo CCpa Fundado por produtores em 1966, o Grupo francês CCPA, representado em Portugal pela IBERSAN desde 2002, construiu uma imagem de especialista em nutrição e saúde animal, tanto em França como a nível internacional. Investigação, inovação, diferenciação e serviços são as palavras-chave do grupo independente que, desde setembro de 2014, se afirma sob uma nova identidade.

“Somos especialistas em nutrição e saúde animal, pelo que devemos ser os melhores a fim de respondermos às solicitações dos diferentes mercados.”

O ano de 2014 marca uma verdadeira mudança para o Grupo CCPA (Conseils et Compétences en Productions Animales). A 17 de setembro, o grupo e as suas filiais, anunciam o seu novo logo e assinatura. Com base em valores da empresa e dos seus pontos fortes, a nova assinatura do grupo “GROUPE CCPA, l’expertise nous réunit, l’efficacité vous réussit” tem como objetivo conciliar a imagem do conjunto das empresas do grupo, para uma melhor legibilidade e visibilidade no mundo.

“Euronutrition”, criada com três empresas associadas, constitui uma das maiores estações de investigação privada em nutrição animal da Europa. Conta com 4 estações experimentais, um laboratório, uma fábrica de alimentos e testa mais de 720 regimes alimentares por ano em aves, porcos e coelhos; • Uma rede de explorações de referência de todas as espécies, onde as inovações desenvolvidas são testadas em condições reais de exploração.

Pontos Fortes

Desde há quinze anos que a “phytoexpertise” está no centro do saber-fazer do Grupo CCPA para todas as espécies animais, nomeadamente para os bovinos.

“Somos especialistas em nutrição e saúde animal, pelo que devemos ser os melhores a fim de respondermos às solicitações dos diferentes mercados” afirma Jean-Jacques Blain, Diretor Geral do Grupo CCPA. “A nossa cultura de empresa baseia-se em duas convicções: a necessidade de nos diferenciarmos pela investigação e pela inovação, bem como a proposta de soluções eficientes, validadas desde o laboratório à exploração”.

Para o efeito, o Grupo CCPA tem à sua disposição diversas ferramentas: • Uma unidade de produção que passou de menos de 15 000 t de produtos acabados, aquando do seu arranque em 1993, para 38 000 t em 2014 (50 % aves, 35 % ruminantes e 15 % suínos), tornandose num dos locais mais importantes de produção de pré-misturas e de aditivos na Europa; • O laboratório de análises Deltavit, o qual foi totalmente reestruturado e aumentado, representando um investimento de mais de 1,4 milhões de euros. Trata-se de um dos raros laboratórios franceses privados, dedicados exclusivamente ao setor animal, com a especificidade de trabalhar simultaneamente em nutrição e saúde animal; • A estação experimental de monogástricos

44 abril . maio . junho 2015 Ruminantes

Em matéria de investigação e desenvolvimento, os meios do Grupo CCPA para o setor dos bovinos centram-se em três pilares, de acordo com Emilien Dupuis, Responsável pelo Serviço Ruminantes: • Uma rede de cerca de cinquenta explorações de grandes e pequenos ruminantes onde as inovações desenvolvidas são testadas em condições reais. A esta rede nacional junta-se uma dezena de explorações de referência noutros países da Europa; • Uma parceria com diversos institutos de investigação europeus, como o INRA em França; • A associação GALA: criada e financiada pelo Grupo CCPA, reúne diversos parceiros institucionais ou de investigação para financiamento de trabalhos inovadores na fileira leiteira.

Eficiência Alimentar A melhoria da eficiência alimentar tem sido uma das apostas fortes do Grupo CCPA no que se refere aos ruminantes. Baseada nos quinze anos de “phyto-expertise” e tendo sido objeto de mais de cinquenta publicações


publi-reportagem

científicas, VIVACTIV® é uma solução nutricional inovadora que melhora a eficiência proteica e energética das rações dos ruminantes. Esta técnica permite ganhos de produção leiteira (até 3 litros) ou 70g de GMD para os bovinos em crescimento. Além disso, estas soluções reduzem, as emissões de metano na ordem dos 6%.

Nutrição Saúde Há dez anos que o Grupo CCPA conduz um ambicioso programa de investigação sobre as interacções entre nutrição animal e saúde denominado AXION®. “Nós fomos os pioneiros desta nova abordagem que consiste em estudar as relações entre a nutrição e a resistência dos animais ao seu ambiente. Objetivo: criar animais preservando a sua saúde, limitando ao máximo o recurso aos antibióticos”, afirma Fabrice Robert, responsável pelo serviço R&D do Grupo CCPA.

Programa AXION® O programa AXION® permitiu assim o desenvolvimento de uma gama completa de complementos alimentares AXION®, valorizando os ingredientes vegetais com efeitos biológicos específicos e formulações adaptadas ao estado de saúde dos animais. Um exemplo de um produto desta gama é o AXION® ThermoPlus, cujo objetivo é limitar o impacto do stress térmico nos bovinos

“criar animais preservando a sua saúde, limitando ao máximo o recurso aos antibióticos.” de leite e de carne, tendo como principal benefício a manutenção da ingestão alimentar, conduzindo a uma melhoria da produção leiteira (+ 1 a 2 litros de leite por vaca) e a performances de crescimento (+100 a 200 g de GMD para os bovinos de carne). Um dos últimos produtos criados desta gama, o AXION® Start, destinado às vacas leiteiras, permite otimizar a produção leiteira no arranque da lactação. Este produto é formulado a partir de um extrato de planta cuja valorização é objeto de um registo de patente.

48 % das vendas em exportação O Grupo CCPA está presente no mundo através de muitas filiais: Ibersan em Portugal, Ibersan do Brasil no Brasil, Iframix na República Checa e Nutristar International em diferentes países do mundo. “A exportação passou de menos de 3 % em 1993 para 48 % em 2013, as atividades tiveram um elevado aumento desde 2008, com um alargamento simultâneo do perímetro geográfico e do leque de produtos”, afirma André Thissen, Diretor da Nutristar International. “A investigação e a inovação permitem-nos distinguir-nos no setor da exportação”, acrescenta Jean-Jacques Blain, Diretor Geral do grupo CCPA que o qualifica como “grupo nacional internacionalizado”.

Ibersan em portugal

Números chave

Em Portugal, a IBERSAN intervém em todas as espécies, com uma forte presença nos suínos e ruminantes. “Nós vendemos os nossos produtos diretamente aos industriais de alimentação animal, aos produtores e também aos distribuidores pecuários” explica Sandra Chamusco, diretora da IBERSAN. “Nós trabalhamos há dois anos no eixo da nutrição-saúde e pretendemos continuar a desenvolver a nossa presença no mercado da nutrição animal, em 2015 “ conclui Sandra Chamusco.

• +7 Milhões de toneladas de alimentos produzidos sob a técnica CCPA • Uma presença em mais de 40 países do mundo • Onze empresas • 264 Colaboradores • Orçamento R&D: 3,4 M€ • Um núcleo de R&D de 65 cientistas • Mais de 200 ensaios conduzidos por ano (130 matérias primas testadas e mais de 700 regimes alimentares avaliados) • Uma base de dados de formulação com + de 6 000 matérias-primas e ingredientes e mais de 1 000 nutrientes registados • Um laboratório de investigação e de análises de 1400 m², especializado em nutrição e saúde animal (120 000 análises de matérias primas, alimentos compostos ou pré-misturas por ano) • Mais de 50 publicações científicas internacionais nos últimos 8 anos.

A visão eficiente da nutrição

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ruminantes abril . maio . junho 2015 45


alimentação

Novos estudos sobre stress por calor Novos estudos demonstram que LEVUCELL® SC melhora os resultados zootécnicos e o conforto digestivo das vacas sujeitas a stress por calor moderado. Por Laurent Dussert, Aurelien Piron, Paula Soler.

Os produtores de leite podem ter que pagar um preço muito alto pelo stress por calor, mesmo em climas temperados. A zona de conforto térmico da vaca situa-se nos 5-20ºC e atualmente admite-se inclusivamente que o stress por calor moderado pode afetar a produção de leite e o estado sanitário das vacas(1). O stress por calor, como outros fatores de stress em pecuária, também afeta o equilíbrio e a função ruminal, traduzindo-se numa perda de eficiência na digestão e num aumento do risco de acidose.

Novo estudo Um novo estudo levado a cabo por um investigador da Universidade de Bolonha e apresentado em julho de 2013 na reunião anual da ADSA-ASA(2), confirma os benefícios da levedura viva para ruminantes SC I-1077 (Levucell®SC, Lallemand Animal Nutrition) em condições de Stress (Imagem 1) por calor moderado (a média do

O stress por calor, como outros fatores de stress em pecuária, também afeta o equilíbrio e a função ruminal, traduzindo-se numa perda de eficiência na digestão e num aumento do risco de acidose.

índice de temperatura e de humidade foi de THI=70, mesmo abaixo de 67 que é o limiar do stress por calor, segundo a tabela revista por Burgos and Collier,2011(1)).

Os benefícios confirmados por este estudo são: Em produção de leite: + 6.7% na produção de leite corrigido pela energia, equivalente a 1.7 Kg ECM/dia extra (Gráfico 1).

46 abril . maio . junho 2015 Ruminantes

IMAGEM 1

Mas também no conforto digestivo e na função ruminal. Neste ensaio também se mediram vários indicadores da função ruminal: o pH do rúmen, a atividade de ruminação e a digestão da FND (fibras). O pH do rúmen mediu-se de forma continuada (utilizando bolus de pH ruminal) e a atividade de ruminação controlouse mediante o sistema RuminAct e foi avaliada a digestão da FND (fibras)

GRÁFICO 1 Efeito da suplementação de Levucell®SC nas dietas de vacas de leite em produção de leite corrigida pela energia sob stress por calor moderado (Fustini et al., 2013). Leite Corrigido pela Energia (Kg/dia)

stress por calor

29 +6,5%* 27,8

28 27 26

26,1

25 24 23 22 21 20

Control * p<0,05

Levucell®SC


Levadura específica do rúmen€

O stress afecta negativamente os resultados zootécnicos das vacas Sabia que o stress por calor pode custar-lhe mais de 400¤/vaca/ano?1 As consequências do stress por calor representam perdas importantes na produção de leite (que podem alcançar até 35%) e também problemas relacionados com desequilíbrios no rúmen e na reprodução. O impacto do stress por calor nas vacas leiteiras é determinado pela conjugação de temperatura e humidade. Novas investigações demonstraram que acima de 20ºC e 50% de humidade relativa diminui o conforto das vacas e a produção de leite.2 1 Saint Pierre et al., 2003 - 2 Burgos & Collier, 2011.

Mesmo em condições de stress por calor, LEVUCELL® SC aumenta o potencial da sua ração e os rendimentos sobre os Custos de Alimentação (IOFC) • Produção de leite: +1,1 a 2,4 litros/vaca/dia • Aumenta a Eficácia Alimentar: mais de 7%*, 120 g de leite/ kg MS ingerida • Optimiza o pH do rúmen (menos acidoses). LEVUCELL® SC levedura viva específica para ruminantes, Saccharomyces cerevisiae I-1077, seleccionada no INRA (França). *Marsola et al, ADSA 2010.

www.lallemandanimalnutrition.com Para más información, por favor contacte con su proveedor habitual. Tel: +351 243 329 050 Fax: +351 243 329 055

e Autorizado na União Europeia em bovinos de leite e carne, ovelhas e cabras de leite, cordeiros e cavalos (E1711/4a1711/4b1711).

A Temperatura aumenta…

…LEVUCELL® SC aumenta a produção de leite mesmo no período de stress por calor.


alimentação

Gráfico 2 Correlação entre as condições do meio ambiente e do pH do rúmen a) Variações do índice temperatura-humidade (THI) durante o ensaio. b) Variação do pH do grupo controlo e Levucell SC (Fustini et al., 2013).

85 80 75

THI

70 65 60

pode induzir ao aumento da produção de saliva do animal, ajudando desta forma a manter o pH do rúmen. • A análise da fibra nas fezes também mostrou um aumento da degradação da FND com as leveduras vivas (Levucell®SC), o que também é sinal de melhoria da função do rúmen.

da função ruminal, o qual é corroborado por uma melhoria na degradação da fibra. Isto traduz-se num aumento direto dos rendimentos do produtor (+0,28 €/vaca/dia). A este benefício, também lhe deveremos adicionar o do bem-estar animal (maior conforto, menor risco de acidose e meteorismo…).

55

0

5

10

15

20

Minutos /dia com pH rúmen < 5,8

300 250 200 150 100 50 50 0

5

10

15

20

Fias THI Mean THI Max THI Min THI=68 (threshold)

Control Levucell®SC

nas fezes. Todos estes parâmetros melhoraram com a suplementação com Levucell® SC, o que indica uma diminuição do impacto do stress por calor no conforto digestivo das vacas do grupo suplementado com Levucell®SC: • As vacas deste grupo passaram em média menos tempo com um pH do rúmen abaixo do valor crítico 5,8 (Gráfico 2), enquanto que as do grupo controlo se viram afetadas pelo stress por calor. • No grupo Levucell®SC o número de vacas que passaram mais tempo a

ruminar foi maior, o que é um bom indicador de bem-estar geral e digestivo do animal. Admite-se que uma ruminação óptima seja entre 400-500 min/ dia. Abaixo de 400 min/ dia, pode ser sinal de fraca saúde ruminal e provavelmente de acidose. No ensaio, 65% das vacas do grupo com Levucell®SC alcançaram um tempo de ruminação óptimo (mais de 400 min/dia) enquanto no grupo controlo só o alcançou 52% das vacas, isso significa 25% mais no grupo Levucell®SC. Este aumento da ruminação

48 abril . maio . junho 2015 Ruminantes

conclusão

Este novo estudo complementa o estudo prévio de stress por calor (3), no qual sob condições de stress por calor severo, a levedura viva SC I-1077 tem um impacto positivo na produção de leite e na eficácia alimentar (Gráfico 3). Por outro lado, este estudo também permitiu aprofundar mais o que sucede no interior do rúmen e o impacto sobre o comportamento animal. As conclusões a que se chegou é que melhorou tanto o pH do rúmen como a atividade ruminal, sinais de uma melhoria

A produção de leite pode ser fortemente afetada pelo stress de calor e a recente reavaliação do limiar de stress por calor indica que as vacas leiteiras poderiam ser afetadas antes do que se suspeitava até este momento. O último estudo com levedura viva mostra que, quando se respeitam as boas práticas de maneio (nutrição e instalações pecuárias, …), a ajuda adicional deste modificador natural do rúmen pode beneficiar os produtores de leite, ajudando a gerir e limitar o impacto do stress por calor na função ruminal e no conforto digestivo, com stress por calor severo como moderado.

GRÁFICO 3 Efeito do Levucell®SC na eficiência alimentar sob condições de stress por calor severo (Marsola et al., 2010).

Leite Corrigido pela Energia (ECM)/kg de matéria seca ingerida

50

1,80 1,78*

Notas - Burgos Zimbelman R. and. Collier R.J. Tri-State Dairy Nutrition Conference, April 19 and 20, 2011

1,75

(1)

1,70

(2)

1,65

- Fustini M., Palmonari A., Durand H., Formigoni A., and Grilli E. 2013. Effect of Saccharomyces cerevisiae CNCM I-1077 (Levucell SC) on rumen pH and milk production during heat stress. J. Anim. Sci. Vol. 91, E-Suppl. 2/J. Dairy Sci. Vol. 96, E-Suppl.

1,66

1,60

Control * p=0,05

Levucell®SC

- Marsola R. S., M. Favoreto, F. T. Silvestre, J. H. Shin, A. T. Adesogan, C. R. Staples, and J. E. P. Santos.

(3)


MIcroGranUlado

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Luis Vilhena Nobre Gestor de produto, Fertilizantes lnobre@vitas.pt

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poderoso aliado na produção de milho A campanha de 2014 trouxe novos desafios aos produtores de milho para silagem; 2015 será um ano para mostrarem o seu profissionalismo. De forma resumida destacamos os principais pontos de reflexão para os produtores de milho silagem. como exemplo o seguinte arraçoamento base:

Physiostart

20-22 Kg

de silagem de milho/vaca/dia 8-10 Kg

de ração/vaca/dia 3-5 Kg

de silagem de erva / vaca / dia * A estas quantidades devemos considerar palha à discrição do efetivo e alguns suplementos.

imagem 1 Efeito do Physiostart na emergência de uma seara.

Tensão nos preços do leite A quebra do preço do leite registada no final de 2014 tem preocupado os produtores de leite. No entanto, é um sentimento generalizado que às dificuldades sentidas o agricultor deverá responder com maior profissionalismo, concentrando as suas atenções na rentabilização da sua exploração. Fazendo algumas contas fáceis, surge de imediato a tentação de cortar nos custos. No entanto, é uma certeza adquirida que um corte nos custos acarreta na grande maioria dos casos um corte na produção, logo,

um corte nas receitas. E pior que perdermos pela via da redução do preço, é perdermos também pela via da redução de produção. Ou seja, se somarmos a uma queda do preço uma queda da produção poderemos afirmar que o produtor sofrerá uma dupla perda. Assim, começa a ser unânime a necessidade de aliar de forma equilibrada as duas principais componentes da receita de uma vacaria: preço do leite e produção (e respetivos parâmetros qualitativos).

A importância da silagem de milho no maneio alimentar Como é do conhecimento geral, a silagem de milho, a par de outras forragens, desempenha um papel fundamental numa exploração leiteira. Analisando de forma rápida alguns arraçoamentos, podemos dar

50 abril . maio . junho 2015 Ruminantes

Contudo, com frequência, chegamos aos meses de junho / julho sem silagem de milho, ou a silagem de milho disponível não é suficiente para todo o ano o que nos obriga a fazer uma gestão dos alimentos ao longo do ano com consequências quer ao nível financeiro quer ao nível produtivo. Muitas vezes comentamos que quando acaba o silo de milho e deixamos de o incluir no arraçoamento, sentimos de imediato os

Physiostart

seus efeitos na produção. Daqui se retira facilmente a importância da silagem de milho no sucesso da exploração leiteira. De tal forma é importante que podemos dizer: “Aumentar a produção de um campo de milho significa diminuir os custos de produção da exploração leiteira”.

Nova regulamentação europeia sobre a utilização de inseticidas e as alterações climáticas A nova regulamentação europeia sobre a utilização de inseticidas

imagem 2 Efeito do Physiostart na emergência de uma seara.


FERTILIZAÇÃO

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Physio+ Promove O Physiostart tem na sua composição PHYSIO +, um complexo contendo um extrato obtido a partir de algas pardas e que combina aminopurinas com uma fonte de cálcio (patente Nº 9707222), promovendo:

Germinação mais rápida e concentrada para campos mais precoces e homogéneos

Physiostart

imagem 3 e 4 Efeito do Physiostart na produção final de uma seara.

no tratamento de sementes de milho veio trazer mais uma nova problemática para o agricultor. Com efeito, a campanha passada surgiram problemas graves de fitotoxicidade com inseticidas tendo-se revelado mais complicado o combate a pragas como o alfinete, piolhos, afídios, cigarrinha verde, viroses (via afídios), etc. A juntar a esta problemática temos vindo a sentir alterações climáticas cada vez mais imprevisíveis, que nos provocam dificuldades adicionais, nomeadamente na gestão dos herbicidas pré e pós-emergentes. Basta variarem os teores de humidade no solo para provocar problemas graves com os herbicidas préemergentes. Por outro lado, diminuição de temperatura, chuvas tardias e outros fatores climáticos atrasam o arranque do milho, tornando-o mais lento e heterogéneo, o que dificulta a oportunidade de aplicação dos pós emergentes.

PHYSIOSTART: um micro investimento para um elevado rendimento Perante o quadro traçado anteriormente, o produtor de milho é chamado a revelar todo o seu profissionalismo. Consciente de que há pormenores que fazem a diferença, o Physiostart é hoje reconhecido como o pré-starter microgranulado de excelência pois a sua atuação assenta em caraterísticas únicas que promovem benefícios ímpares.

uma composição mineral muito equilibrada e completa: • 8 % de Azoto (N), na forma amoniacal (NH4+) • 28 % de Fósforo (P2O5 muito solúvel em água) • 23 % de Enxofre (SO3) • 2 % de Zinco (Zn) • 14 % de Cálcio (Ca)

Maior desenvolvimento radicular para uma maior absorção de água e nutrientes Plantas mais vigorosas e resistentes ao stress das fases iniciais: preparação do solo, tratamento inseticida das sementes, presença de herbicidas residuais, pragas de solo, frio, etc Maior rendimento em quantidade e qualidade da forragem

A Timac Agro / Vitas Portugal continua a defender uma busca permanente de novas e mais adequadas soluções para os produtores.

ruminantes abril . maio . junho 2015 51


genética

Programa da Vaca ProCROSS - FAQ’s POR SERVIÇOS TÉCNICOS UGENES

O que é o ProCROSS? ProCROSS é o unico programa de crossbreeding já provado e também testado pelas Universidades que utiliza os melhores touros das raças Holstein, Montbeliard e VikingRed para construir uma vaca de qualidade superior. Sempre ganhei dinheiro com as minhas vacas. Porque devo utilizar o programa ProCROSS? Devido à alta consanguinidade já existente na raça pura Holstein, estes animais têm-se tornado cada vez mais fracos, menos produtivos na vida útil, com fraca reprodução e com menos saúde. O programa da vaca ProCROSS ao utilizar a maximização do vigor híbrido através da utilização das 3 raças, vai melhorar substancialmente a sua robustez, saúde, reprodução e produção na vida útil. O que devemos ter em mente após iniciarmos o programa ProCROSS? Assim que se tiver uma decisão tomada, é muito importante manter e respeitar as regras de utilização do programa ProCROSS. Com a utilização das raças complementares Montbeliarde e VikingRed a fertilidade das Holstein melhora? Sim, melhora substancialmente pois o efeito do vigor híbrido já está presente no embrião. O meu veterinário já me confirmou que os animais Holstein quando estão grávidos com estas raças complementares têm os

embriões mais pequenos. Devo me preocupar? Sim, é correto. Já está confirmado por diversos veterinários que trabalham regularmente com estes animais, mas não deve ser motivo de preocupação, simplesmente o veterinário deve estar alerta nos diagnósticos de gravidez. Já notámos que muitos destes animais alguns meses após a descorna, os cornos tornam a nascer. Qual a justificação? Por experiência já sabemos que todos estes animais são mais tardios. A descorna para ser correta deve ser efetuada entre 2 a 3 semanas mais tarde que o normal dos vitelos puros Holstein. Os vitelos ProCROSS após o desmame têm tendência para se mamarem entre eles? O que devemos fazer para prevenir esta situação? Estes animais cruzados, principalmente os da Montbeliarde, em média são mais pesados que os puros Holstein e por isso têm de beber mais leite. Para se prevenir que se mamem entre eles, é recomendado que bebam as seguintes quantidades: 42 Kg de leite em pó durante 70 dias. Devem ser instalados nos parques dos vitelos diversos jogos de chuchas para eles se entreterem sem incomodar os outros animais. As novilhas apresentam melhor índice corporal para INÍCIO da fase

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reprodutiva? Qual a idade para a 1ª IA? Estes animais cruzados apesar de apresentarem melhores índices de crescimento devem ser inseminados normalmente como nos puros, entre os 13 e 15 meses de Idade. E a gravidez com as ProCROSS? Qual o período de gestação? e os partos como funcionam? Já é sabido que o período de gestação das Montbeliarde é mais longo 7 a 14 dias. Os

Figura 1 Esquema evolução ProCROSS.

animais gestantes com a VikingRed têm um período de gestação normal entre os 277 a 280 dias. Já foi confirmado por muitos produtores e técnicos que os partos das vacas ProCROSS são muito menos problemáticos que nas puras Holstein. Porque devo de utilizar somente touros VikingRed nas Novilhas Holstein Frisias? A raça Sueca Vermelha hoje já denominada VikingRed é de conformação mais ligeira e mais pequena que as Holstein ,daí os partos mais fáceis quando


TESTEMUNHOS DE PRODUTORES SOBRE A VACA PROCROSS “Desde a primeira hora que ouvi falar do Programa Genético ProCross, percebi que iria ser um caso a experimentar na nossa Exploração de produção de leite a fim de melhorar a reprodução e com isto reduzir o Intervalo entre Partos, o que veio a suceder. No caso das nossas novilhas nota-se que a reprodução destes animais da 1ºGeração foi de acordo com as nossas expectativas e destacamse na nossa manada pela bela beleza corporal.”

- Sra.Dores – Exploração do Sr.Alberto Tavares Rodrigues - Bunheiro - Murtosa “Após visita a explorações com ensaios Procross, e ter visualizado os dados técnicos destes grupos de vacas, decidimos optar pelo Crossbreeding a três raças com o objetivo de melhorar a saúde do efetivo, mais propriamente a fertilidade e qualidade dos cascos, sem condicionar a produção. Estes aspectos são particularmente importantes na ordenha robotizada pois a fertilidade esta diretamente ligada à produção, e a qualidade dos cascos esta ligada à disposição à ordenha. Desta forma temos como objetivo alcançar maior numero médio de ordenhas livre, reduzir taxa de refugo e aumentar numero de partos por ano.”

- Gomes Loureiro E Ferreira, LDA - Lavra Matosinhos “Após visita a algumas Explorações no sul de Portugal , decidimos começar a utilizar o Programa Genético Procross, pois queríamos construir Vacas Leiteiras mais rentaveís para o nosso negócio de produção de leite de vaca. Nota-se que o Vigor Híbrido tem impacto logo no início ao nível dos dados Reprodutivos, menor intervalo entre partos, já ao nível da recria estão a parir aos 24 meses em média e os niveis de saúde são superiores, com o bónus de se rentabilizar mais a venda dos machos, principalmente os cruzados com a Raça Montebeliard. Quanto ás vacas em produção, principalmente na 1ºlactação, são identicas ás nossas Holtein Frísias ao nível da produção, tendo contudo melhor qualidade do leite e de já não nos preocuparmos com o início da lactação por motivos do défice energético.”

- Sérgio Andrade – Exploração do Sr.Joaquim Terra Andrade – Oliveira de Azemeis

WWW.PROCROSS.INFO


genética

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Nº de animais

GRÁFICO 1 Evolução rebanho Vacas Holstein.

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Jan 2011 GRÁFICO 2 Evolução rebanho Vacas ProCROSS.

Fev 2011 Mar 2011 Abr 2011 Mai 2011 Jun 2011

Jul 2011 Ago 2011 Set 2011 Out 2011 Nov 2011 Dez 2011

Nº de animais

304

Lact. 3+: Quant... Lact. 2: Quant. t... Lact. 1 : Quant. t... Vitelas: Quant. t...

0

Fev 2014 Mar 2014 Abr 2014 Mai 2014 Jun 2014 Jul 2014 Ago 2014 Set 2014 Out 2014 Nov 2014 Dez 2014 Jan 2015

as novilhas Holstein são inseminadas com VikingRed. Qual a raça a utilizar nas vacas adultas Holstein Frisias? A raça recomendada para se utilizar nas vacas adultas Holstein é a Montbeliarde. Já tenho vários animas cruzados da Montbeliarde em ordenha, mas não gosto muito deles por serem muito nervosos. É normal?

Vários produtores têm afirmado que estes animais cruzados são mais “nervosos” que os Holstein. Mas já sabemos que esta situação não é só sobre os cruzados da Montbeliarde, em geral qualquer animal cruzado tem sempre mais “sangue” que os puros. Os produtores têm que se adaptar e aprender a lidar com as novas caraterísticas destes animais.

Nos robots de ordenha como funcionam estes animais? A vaca ProCROSS está indicada e é funcional em qualquer tipo de instalações e salas de ordenha. O esforço exigido na 3ª ordenha tem o efeito contrário na fertilidade das vacas, originando perdas de rentabilidade. Pelas provas dadas, a melhoria extrema do fator - fertilidade das filhas através do Procross é comum nos diversos estábulos, sendo uma solução zootécnica de rentabilidade.

O QUE TEM O PROCROSS PARA ME OFERECER? QUE TEM O PROCROSS EM OOPARA PROCROSS ME OFERECER? O QUE TEM O PROCROSS E OFERECER? PARA ME OFERECER?

DE

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MÁTICAS

MELHOR FERTILIDADE FERTILIDADE SISTEMA SIMPLES MELHOR

MELHOR FERTILIDADE

A detecção de Cios e as taxas de concepção estão a causar cada vez mais problemas nas explorações de vacas Puras Holstein. A ciência já comprovou que as vacas ProCROSS têm muito melhor fertilidade.

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SISTEMA SIMPLES

ProCROSS têm menos células somáticas que as vacas puras Holstein.

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sabiam os resultados.As vacas ProCROSS Para conseguir que o seu sistema dede Lucro! conseguiram obter mais 30% As vacas ProCROSS são animais corssbreeding seja o mais simples completamente diferentes. Elas MENOS CÉLULAS SOMÁTICAS SATISFAÇÃO NO TRABALHO MENOS CÉLULAS SOMÁTICAS aparentam ter uma melhor capacidade eMELHOR prático deve utilizar as leite mais As vacas que produzem de transformar a forragem em leite. Foi possivel, FERTILIDADE O controle controle das mastites mastites nãoe com é só só facilmente maispela eficiencia,vão dar o resultado que se observou num teste O pela maisnão lucro aoé seu dono.Não só o seu numa exploração em Itália. marcaçõesdas de cores Simplesmente A deteçãoode Cios e asbanco, taxas de mas também a sua familia vai genética, maneio uma grande genética, maneio tem tem uma grande adorar as Vacas PcroCROSS.A vossa vida utilizandoopequenos botões de marcação vai sercada muito maisvez fácil. mais conceção estão a causar infl uência.No entanto vários estudos MAIOR VIDA PRODUTIVA infl uência.No entantoque vários estudos de 3 cores diferentes, devem As vacas ProCROSS têm uma maior vida problemas exploraçõesque de vacas cientifi cos jánas comprovaram os animais produtiva que as Holstein puras.isto cos já comprovaram que os animais cientifi significa menos refugoindicar na exploração o e a Pai de cada uma das Raças.A Puras Holstein. A ciência já comprovou ProCROSS têm menos células somáticas possibilidade dos estabulos crescerem só ProCROSS têm menos células com a sua recria. consanguinidade nunca mais somáticas vai ser um que as as vacas vacas puras ProCROSS têm muito melhor que Holstein. que as vacas puras Holstein. problema. fertilidade.

Já tenho animais da 1ª Geração dos dois cruzamentos em lactação, mas gosto muito mais dos cruzados com a VikingRed, porque são mais parecidos com as Holstein. SISTEMAPorque SIMPLES SISTEMA SIMPLES Para conseguir conseguir que que o o seu seu sistema sistema de de tenho dePara usar também corssbreeding seja seja o o mais mais simples simples corssbreeding e deve e prático prático possivel, possivel, São deve utilizar utilizar as as Montbeliarde? marcações de de cores cores Simplesmente Simplesmente marcações utilizando muito grosseiros e de utilizando pequenos pequenos botões botões de marcação marcação de 3 3 cores cores diferentes, diferentes, que que devem devem de indicar o Pai de cada uma das não gosto nada deles. indicar o Pai de cada uma das Raças.A Raças.A

EFICIÊNCIA ALIMENTAR

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EFICIÊNCIA ALIMENTAR EFICIÊNCIA ALIMENTAR MAIS RENTABILIDADE

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MAIOR VIDA PRODUTIVA

54 abril .

consanguinidade nunca nunca mais mais vai vai ser ser um um consanguinidade problema. problema.

Perco produção ao usar outras raças com menos leite? O Programa Procross visa a rentabilidade dos bovinos de leite, e para tal deve ser usado corretamente após escolha apropriada dos touros das raças complementares que o compõe. A produção de leite na vida útil dos animais ProCROSS é superior aos animais Holstein Puros. (Gráficos 1 e 2)

As vacas ProCROSS têm uma maior vida produtiva que as Holstein puras.isto significa menos refugo na exploração e a maio . junho 2015 Ruminantes possibilidade dos estabulos crescerem só com a sua recria.

vai ser muito mais fácil.

conforme está estabelecido, conseguem sentir o retorno económico da mais valia da utilização do vigor híbrido. Estes produtores estão sempre atentos e a monotorizar diariamente as caraterísticas técnicas / económicas da evolução do seu negócio, como a REPRODUÇÃO, SAÚDE, PRODUÇÃO,TAXAS DE REFUGO, QUALIDADE DO LEITE e também agora e que é de maior importância a SATISFAÇÃO NO TRABALHO, mais tempo disponível para a família e hobbies. Os animais ProCROSS são mais saudáveis? Como funcionam no Pós Parto? Sem dúvida,estes animais têm uma saúde invejável. Devido às suas caraterísticas morfológicas eles não entram em balanço energético negativo após o parto, e por isso todo o ciclo reprodutivo se inicia mais cedo. Os grupos das vacas ProCROSS não necessitam da utilização do PréParto e do Pós Parto. O ProCROSS melhora a qualidade das pernas e pés? Sim, devido à qualidade do osso ser mais pesada e estas raças vermelhas transmitirem muito a características de cascos pretos, melhora muito a qualidade das pernas e pés.


atualidades

1º Encontro Técnico de Produção de Leite Realizou-se no passado dia 3 de Fevereiro em Santa Iria da Azóia, o 1º Encontro Técnico de Produção de Leite, organizado pela Serbuvet. Neste Encontro reuniram-se mais de 200 pessoas, incluindo produtores, veterinários e diversos técnicos de Norte a Sul do Continente, e também dos Açores. Estiveram ainda presentes 22 empresas patrocinadoras, incluindo empresas farmacêuticas, de nutrição, de genética, de desinfetantes e armazenistas. Foram discutidos alguns temas com impacto elevado na produção nacional de leite, incluindo as perspetivas de futuro

do mercado das matérias-primas, os erros mais frequentes na alimentação de vacas leiteiras, ou os planos de controlo de IBR e BVD. Outros temas abordados foram a gestão de recursos humanos em explorações leiteiras, e as perspectivas da nova PAC com impacto no setor leiteiro. Houve ainda uma mesa redonda sobre como adicionar valor ao leite. O evento teve ampla discussão entre a audiência e os oradores, e não menos importante, foi uma boa oportunidade para colegas e amigos se reverem. Este foi o primeiro encontro de uma série que se espera que seja longa.

Empresas do setor alimentar avaliadas quanto à implementação de políticas de bem-estar animal Duas empresas Inglesas (Marks & Spencer e Waitrose) e uma Suiça (Coop Groupe) são as líderes de mercado no que toca a políticas de bem-estar animal. Não houve inclusão de empresas Portuguesas neste estudo. Pelo terceiro ano consecutivo, a Business Benchmark for Animal Welfare (BBFAW) publicou o relatório anual com o ranking das empresas do setor alimentar, em relação à sua gestão das políticas de bem-estar animal. Este ano, 80 empresas foram avaliadas e classificadas entre o escalão 1 (escalão destinado às empresas que apresentam uma atitude de liderança em termos de bem-estar animal), e o escalão 6 (escalão destinado às

PRODUÇÃO LEITEIRA, UM DESAFIO PERMANENTE A Segalab, com o apoio de várias empresas parceiras como a Merial, MSD, Bayer, CEVA, Elanco, Hipra, Vetlima e Zoetis, realizou durante o dia 18 de Março de 2015 o Seminário com o tema “Produção Leiteira: um desafio permanente”. Neste evento, que decorreu no Espaço AGROS, estiveram presentes cerca de 500 produtores e técnicos especializados, destacando-se a presença da Professora Doutora Yolanda Vaz da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV). O Seminário teve como propósito alertar os produtores para patologias emergentes e outras já conhecidas ao nível da sanidade animal. Foi dado também destaque à importância da criação de regulamentos oficiais de suporte aos Programas Nacionais Voluntários de Controlo de IBR e BVD, onde se destaca o Bovicontrol, implementado pela Segalab com o apoio da Agros e da Lacticoop; à semelhança do tem vindo a ocorrer noutros países a EU.

empresas que não têm qualquer tipo de política de bem-estar animal implementada). Grandes empresas como o Burger King, o Starbucks e o El Corte Inglês ficaram aquém das expetativas (escalão 6), refletindo a conclusão geral do estudo que reporta uma imaturidade do bem-estar animal na política empresarial do setor alimentar.

Para mais informações Consultar o estudo completo em: www.bbfaw.com/wp-content/ uploads/2015/02/BBFAW_2014_Report.pdf.

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SAÚDE E BEM-ESTAR ANIMAL

Explorações Leiteiras da Ilha de São Miguel Prevalência de Staphylococcus spp. e Coliformes

Diana Pacheco Aluna finalista Mestrado Integrado Medicina Veterinária. Universidade de Évora

Luísa Soares Médica Veterinária AJAM

A economia dos Açores é baseada na agropecuária, sendo a produção leiteira e os lacticínios o mais importante sector económico. Existem atualmente cerca de 51.684 vacas de aptidão leiteira na ilha de São Miguel e, no ano de 2013, foram entregues nas fábricas do arquipélago dos Açores 536.074.200 litros de leite (Imagem 1). A grande maioria das explorações de bovinos leiteiros nos Açores está dispersa em pequenas parcelas de pastoreio e, uma vez que os animais estão permanentemente na pastagem e a ordenha é realizada recorrendo a máquinas de ordenha móveis, este é um sistema com práticas de maneio muito particulares e características (Imagem 2). O objetivo deste estudo realizado na Ilha de São Miguel foi avaliar a contaminação do leite do tanque com alguns dos principais agentes causadores de mastite - Staphylococcus spp. e Coliformes - e ainda identificar as principais práticas de maneio que contribuem para a presença destes agentes nas explorações leiteiras desta Ilha. No decorrer do mês de Julho de 2014 recolheram-se amostras de leite do tanque em 100 explorações leiteiras

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imagem 1 Explorações leiteiras de São Miguel.

e efetuou-se uma pesquisa através de um questionário que incluía os fatores de risco que podem ser importantes para a ocorrência de Staphylococcus aureus (S. aureus), Staphylococcus coagulase-negativos (SCN) e coliformes nas explorações.

Mastites por Staphylococcus spp. Staphylococcus são atualmente os microrganismos mais frequentemente isolados das glândulas mamárias dos bovinos. No diagnóstico de mastites, os Staphylococcus dividem-se em Staphylococcus coagulasepositivos (sendo o Staphylococcus aureus a bactéria de maior importância) e Staphylococcus coagulase-negativos.


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Staphylococcus aureus É uma das maiores causas de mastites subclínicas, clínicas, recorrentes e crónicas nos bovinos leiteiros. As mastites por S. aureus podem originar um largo espetro de sinais clínicos, desde casos ligeiros sem sinais clínicos a casos extremos que acabam por ser fatais. No entanto, a forma mais frequente e que origina as perdas mais importantes é a forma subclínica de mastite que se carateriza pela ausência de alterações externas a nível do úbere, mas resultando num aumento significativo da contagem de células somáticas (CCS), numa diminuição da produção de leite e, em muitos casos, no refugo precoce do animal. Altamente contagioso, o S. aureus multiplica-se sobretudo nas extremidades dos tetos com lesões causadas por fatores como a incorreta configuração da pulsação e vácuo da máquina de ordenha, a sobreordenha, traumatismos causados por picadas de insetos, entre outros. As infeções disseminam-se entre vacas ou entre quartos durante a ordenha através dos equipamentos da ordenha, das mãos dos ordenhadores, de panos/toalhas utilizados na limpeza e secagem de tetos e partilhados entre vacas, através das tetinas, por meio de insetos e por amamentação cruzada. Relativamente ao tratamento, uma vez que S. aureus são agentes invasivos e que se alojam em áreas profundas da glândula mamária, geralmente com formação de microabscessos, a penetração do antibiótico é geralmente reduzida, o

que dificulta a eliminação deste agente. Além disso, S. aureus são geralmente resistentes a alguns antimicrobianos (especialmente β-lactâmicos). Assim, as taxas de cura das infeções intramamárias (IIM) por S. aureus são baixas, sobretudo quando o tratamento é efetuado durante a lactação.

Staphylococcus coagulase-negativos São parte integrante da microflora da pele do teto e do orifício externo do canal do teto. Todos os fatores que contribuam para a irritação ou lesão da pele do teto originam um aumento do número de SCN nestes locais. O leite do tanque pode ser fortemente contaminado com SCN se os procedimentos da ordenha forem inadequados, a higiene for pobre, se existir irritação ou lesões da pele do teto e ainda se não for realizada a desinfeção dos tetos após a ordenha. A incidência de novas infeções é máxima durante o período seco e antes do parto e a sua prevalência é mais elevada em novilhas no início de lactação. Segundo vários autores, este tipo de mastite nas novilhas poderá prejudicar o desenvolvimento da glândula mamária e, consequentemente, ter um efeito negativo sobre a qualidade do leite e a futura produção de leite. No geral, SCN originam com maior frequência

imagem 2 Ordenha móvel.

As elevadas prevalências encontradas destes agentes apontam para a necessidade de investir em estratégias de prevenção mastites subclínicas que resultam numa diminuição da produção e num aumento da CCS, podendo contudo originar casos de mastites clínicas ligeiras (farrapos). À semelhança do S. aureus, existem casos de mastites por SCN que apresentam resistência aos antibióticos tornando bastante complicado o tratamento das mesmas.

Mastites por Coliformes As mastites por coliformes (Escherichia coli, Klebsiella, Enterobacter) são o exemplo clássico de uma causa ambiental de mastites, principalmente em explorações onde os cuidados de higiene e limpeza são insuficientes. E. coli é o agente ambiental mais prevalente nas explorações e, por isso mesmo o agente ambiental que mais provoca mastites. Está presente nas fezes, no solo, na água e nas camas em elevada quantidade e, a higiene e ventilação insuficientes assim como a sobrelotação animal podem aumentar a sua prevalência. A taxa de novas infeções causada por coliformes é superior durante o período seco e o pico de incidência de mastites clínicas ocorre, na maioria das explorações, imediatamente após o parto. Durante a lactação, as IIM por bactérias coliformes são mais frequentes durante os três primeiros meses e, especialmente, no primeiro mês de lactação. A maioria dos casos de mastite por coliformes origina sinais clínicos ao nível do quarto ou quartos afetados, tais como o aumento local da temperatura, rubor e leite com aspeto aquoso. No entanto, em alguns casos as IIM podem originar mastites hiperagudas (“mamites de aguadilha”) com um quadro sintomatológico generalizado e que pode originar a morte do animal em poucas horas (Imagem 3).

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SAÚDE E BEM-ESTAR ANIMAL

Explorações da Ilha de São Miguel Prevalência de Staphylococcus spp. e Coliformes Todas as amostras de leite foram submetidas a uma análise de PCR em tempo real cujos resultados revelaram a presença de S. aureus em 59 (59%) das 100 explorações, SCN foi detetado na totalidade das amostras (100%), E. coli e outros coliformes (COL) foram detetados em 75% e 35% das explorações, respetivamente (Gráfico 1).

GRÁFICO 1 Prevalência de S. aureus, SCN, E. coli e COL no tanque de explorações da ilha de São Miguel. 120% 100% 80% 60%

sujos a muito sujos, cuja ordem da ordenha era aleatória (vacas com mastite intercaladas com vacas saudáveis) ou explorações onde se verificou ausência de registos, apresentaram uma probabilidade superior de presença de S. aureus no leite do tanque. Verificou-se ainda um aumento da probabilidade de deteção de coliformes em explorações leiteiras com tanques móveis (não refrigerados).

40%

imagem 3 Mamite hiperaguda.

Os resultados deste estudo realçam uma vez mais a importância da aplicação de boas práticas de maneio para a prevenção das mastites na exploração e, consequentemente, para a manutenção da qualidade do leite. A prevenção é a abordagem mais importante e economicamente viável.

20% 0%

S.aureus SCN E.coli COL

resultados Os resultados obtidos neste estudo permitiram verificar que algumas das práticas de maneio contribuíram de forma significativa para os resultados obtidos. Explorações leiteiras nas quais não se utilizavam luvas durante a ordenha, pré-dipping ou água quente no ciclo de lavagem da máquina de ordenha apresentaram maior probabilidade de presença de S. aureus e coliformes no tanque do leite. Explorações cujos animais apresentavam tetos/úberes e caudas

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Prevenção Ambiente • Proporcionar áreas de parto limpas. As pastagens bem drenadas sem grandes acumulações de água e lamas são preferíveis como locais de parto. • Manter as vitelas separadas quer na pastagem quer em viteleiros, que devem ser individuais, a fim de evitar que mamem umas nas outras transmitindo bactérias. • Não alimentar as bezerras lactantes com leite proveniente de vacas com mastite. • Proporcionar um ambiente de alojamento limpo e seco, nunca esquecendo que os locais onde permanecem as vacas secas são tão importantes quanto aqueles onde permanecem as vacas em lactação.

• Controlo dos insetos, responsáveis por traumatismos nas extremidades dos tetos e disseminação das bactérias entre vacas.

Ordenha • Utilização de luvas de latex ou nitrilo durante a ordenha que devem ser mudadas, enxaguadas ou higienizadas quando se encontrarem sujas ou removidas após a ordenha de um animal infetado. • Remover a sujidade dos tetos sem utilizar água sendo o objetivo eliminar a utilização de água de todos os procedimentos da ordenha. • Eliminação dos primeiros 3-4 jatos de leite de cada quarto. • Utilização apropriada de pré e pósdipping de modo a garantir que se abrange todo o teto (ou no mínimo ¾ deste) e num período de tempo suficiente (20-30 segundos).


SAÚDE E BEM-ESTAR ANIMAL

• Antes da colocação das tetinas, deve ser realizada a secagem efetiva dos tetos recorrendo-se à utilização de toalhas de papel individuais, limpas e secas. • Correta colocação, posicionamento e remoção das tetinas, certificar que estas são removidas na altura correta e corrigir de forma rápida os deslizamentos. • As extremidades dos tetos devem ser observadas com frequência a fim de se detetar a presença de fendas e outras lesões. • As vacas com mastite devem ser ordenhadas no final para evitar contaminações cruzadas. • Limpeza, desinfeção e manutenção regular do equipamento da ordenha.

Animais • Aplicação de antibiótico de secagem, sendo este o método mais efetivo para eliminação de infeções já existentes e prevenção de novas infeções durante este período. • Substituição do efetivo com animais

A vacinação surge como uma importante ferramenta adicional num programa de controlo de qualidade do leite

da própria exploração sempre que possível ou, no caso de novilhas e vacas recém-adquiridas, separação e ordenha das mesmas em último até que possam ser realizadas culturas bacteriológicas do seu leite. • Refugo dos casos crónicos sem recuperação. • A otimização da resposta imunitária inespecífica da vaca através de uma boa nutrição, sobretudo através da suplementação com vitamina E e selénio três a quatro semanas antes do parto, é um fator importante na prevenção das mastites. • Vacinação: a otimização da

imunidade específica contra estes agentes é possível através da vacinação. Dois estudos internacionais recentemente publicados no Journal of Dairy Science (Schukken et al., 2014, Bradley et al., 2014) sobre a única vacina para mastites aprovada pela EMA (agência europeia do medicamento) desenvolvida pela HIPRA, evidenciam uma redução efetiva da incidência e duração de IIM por S. aureus e SCN, uma redução da severidade das mastites agudas por coliformes e consequentemente um aumento da produção de leite de 2 litros/vaca/dia, aumento do teor butiroso e teor proteico do leite nos animais vacinados. Os resultados destes estudos apontam a vacinação como uma importante ferramenta adicional dentro de um programa de boas práticas para o controlo da qualidade do leite, com um retorno de 2.6 € por cada euro investido na vacina apenas com o aumento da produção nos animais vacinados.

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SAÚDE E BEM-ESTAR ANIMAL

marta murta Médica Veterinária Hospital Veterinário Muralha de Évora, Departamento de Animais de Produção animaisproducao@hvetmuralha.pt

Auditorias

de diagnóstico parasitário feitas pelo Veterinário O parasitismo por nematodes gastrointestinais é causa de elevadas perdas económicas em animais de produção e alvo das campanhas de profilaxia por toda a Europa.

Análise de risco e medidas de controlo Introdução As consequências do parasitismo podem ser enormes, não apenas devido à diversidade e à diferente recetividade dos hospedeiros, nomeadamente em função da idade, resistência, alimentação ou sistema imune, mas também porque as populações parasitárias apresentam variada patogenicidade, compreendendo desde os parasitas apenas incómodos ou avirulentos até outros de grande virulência, ou muito patogénicos, variando inclusive dentro da mesma espécie (Sanchez Acedo, 2000). Todos os ruminantes albergam parasitas em maior ou menor grau, embora possam existir variações consoante o animal, o tipo de produção (intensiva/ extensiva), o local de pastoreio, as condições climáticas, o maneio da exploração, entre outras. As

Imagem 1 Aplicação de programas profiláticos em rebanhos de ovinos.

infeções por nematodes gastrointestinais podem ser causa de doença nos ruminantes, afetando potencialmente a produção animal e, assim, o rendimento dos proprietários. As consequências das doenças parasitárias dependem da ação dos parasitas presentes no animal. Entre as consequências mais comuns e que estão associadas ao parasitismo estão a

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perda de peso, os ganhos médios diários inferiores, os problemas reprodutivos, a diminuição da produção de leite e da qualidade e quantidade da lã. Este tipo de infeções são ainda um fator potenciador de outras doenças (ex. clostridioses) e nos casos “em que existem graves infestações podem provocar a morte dos animais, sobretudo dos mais jovens. Mesmo nas formas subclínicas (animais parasitados mas sem manifestações clínicas evidentes) as perdas económicas e produtivas

são de igual modo consideráveis. Sendo o parasitismo um problema difícil de erradicar, o seu controlo nas explorações de ruminantes é indispensável para a sobrevivência do setor. Em Portugal, grande parte das ações profiláticas, nomeadamente as desparasitações, resultam do entendimento entre o produtor e o médico veterinário, no âmbito do previsto por cada OPP (Organização de Produtores Pecuários). Estas desparasitações


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estão muitas vezes incluídas nos serviços quotizados com os associados. As medidas de profilaxia da responsabilidade das OPP incluem ações de desparasitação contra endo e ectoparasitas, concentrando-se particularmente nos primeiros e têm como alvo principal o parasitismo por nematodes gastrointestinais.

Estudo Um estudo realizado no Hospital Veterinário Muralha de Évora (HVME) em 2012, com o objetivo de definir o parasitismo das explorações pecuárias sob a responsabilidade do HVME e fazer uma abordagem inicial focada nos nematodes gastrointestinais em ruminantes no Alentejo, tentou conhecer a sua real dispersão e impacto, com vista a otimizar investimentos.

Este estudo envolveu 50 explorações no Alentejo Central. Destas, 20 eram de bovinos, todas em extensivo e de aptidão carne; 15 eram de ovinos (11 aptidão carne, 4 de aptidão leiteira, 13 em regime extensivo); e 15 eram de caprinos (8 de aptidão carne, 1 de cabras anãs e 6 de aptidão leiteira, 13 em regime extensivo). Nenhum efetivo mostrava sinais clínicos de parasitose.

Resumo da Metodologia utilizada Foram feitas recolhas de fezes aos rebanhos de bovinos, ovinos e carpinos nos meses de abril e maio. Colheram-se fezes de 5 animais adultos e 5 animais jovens de cada exploração. As amostras foram analisadas pelo método de flutuação de Willis, pelo método de sedimentação

Percentagem de explorações positivas (%)

Adultos (%)

Jovens (%)

Bovinos

40

10

40

Ovinos

93.3

80

73.33

Caprinos

73.33

73.33

13.33

tabela1 Percentagem de explorações infectadas, no total e por lotes.

natural e pelo método de McMaster para o cálculo do número de ovos excretados por grama de fezes. Das amostras positivas foram efetuadas coproculturas para obtenção de larvas L3 para identificação.

Resutados No caso das explorações de bovinos, 60% não exibiram amostras positivas à presença de nematodes

gastrointestinais, e os adultos encontram-se pouco parasitados com 10% de amostras positivas, e 40% entre os jovens. O género mais comum foi o Haemonchus. Os parasitismos mistos, com dois ou mais parasitas, foram menos relevantes que as parasitoses simples. Relativamente às explorações de ovinos e caprinos, 93.33% e 73.33% estavam infetadas respetivamente, com percentagens de infeção muito semelhantes em adultos (80% e 73.3% respetivamente) e muito discrepantes em jovens (73.3% e 13.3% respetivamente). O género mais comum

Hidratação sem esquecer a nutrição

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foi Ostertagia em ambas as espécies de pequenos ruminantes. No caso dos ovinos, o parasitismo misto é o mais importante, com predomínio do parasitismo com 3 géneros. Também nos caprinos predominaram as infeções mistas, com a participação de 5 géneros. Em nenhuma das amostras foram encontrados ovos de trematodes ou larvas L1 de estrôngilos broncopulmonares. Nenhuma exploração de bovinos apresentou valores de OPG (Ovos por Grama de Fezes), superiores a 350, limiar do que se considera parasitose nesta espécie, facto este que se verificou quer para adultos quer para os jovens. Todas as explorações de bovinos utilizavam ivermectina como desparasitante. Uma das explorações utiliza uma associação de ivermectina com clorsulon, um trematocida. Entre ovinos e caprinos, a associação de closantel com um benzimidazol era a opção mais comum entre as explorações de carne e o febendazol para os ovinos de leite e caprinos, sendo que a escolha do anti-helmíntico é condicionada pela aptidão da exploração.

Discussão Os bovinos apresentaram níveis de parasitismo muito baixos, sendo os resultados observados reflexo da sua própria fisiologia, da ecologia dos parasitas, do maneio ou da eficácia das campanhas de desparasitação. Os bovinos apresentam menor suscetibilidade e imunidade mais duradoura, embora durante o estudo não tenha ficado claro se estes resultados se devem ao maneio, a caraterísticas da espécie ou dos parasitas. Entre ovinos e caprinos, os resultados não são tão claros, uma vez que o maneio é decisivo nos níveis de parasitismo. Observou-se no entanto, um padrão de maior suscetibilidade e menor

resistência dos caprinos e maior resistência dos ovinos ao parasitismo. Resumindo, os bovinos adultos estão muito pouco parasitados, e os jovens, que estão a desenvolver as defesas, mais parasitados. Os ovinos adultos, menos seletivos mas mais resistentes, com níveis parasitários semelhantes aos caprinos adultos, que são mais seletivos mas menos resistentes. Daí a maior infeção dos borregos, mais expostos, pois pastam muito rente ao solo e ainda sem uma resposta imune competente. A menor infeção dos cabritos é resultado do maneio, pois geralmente os cabritos apenas estão junto das mães para mamar, infetando-se menos pelas larvas que eclodem dos ovos que os adultos vão dispersando pelo pasto.

Conclusões Os baixos níveis de parasitismo observados nos bovinos, fazem-nos questionar a necessidade das ações de desparasitação anuais, atualmente implementadas. Em relação aos pequenos ruminantes importa também questionarmo-nos sobre as ações profiláticas, mas neste caso a sua calendarização. É hábito generalizado tratar e mudar de pastagem, mas os estudos recentes recomendam o oposto, mudar de pastagem e tratar. O maneio não condiciona apenas o ciclo de vida dos parasitas e dos animais explorados, aponta-se como a ferramenta mais importante do controlo dos nematodes gastrointestinais, num futuro muito próximo.

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Por tudo o que ficou exposto em cima, torna-se evidente que é necessária uma mudança de mentalidades nos produtores, técnicos e médicos veterinários. Essa mudança deve ser acompanhada de resultados visíveis, que reforcem a ideia inicial de controlo dos parasitas gastrointestinais. A otimização do desempenho dos animais, bovinos e pequenos ruminantes, não estará assegurada se um controlo de parasitas é iniciado no momento errado, num lote errado. Estudos revelam ser mais benéfico para o ambiente e para os animais, não comprometendo a sua produtividade, manter as populações de nematodes gastrointestinais controladas, sem as eliminar totalmente. Esta preocupação, que só surgiu com o aparecimento das resistências anti-helmínticas, tem como objetivo diluir as estirpes resistentes entre as populações suscetíveis, devendo estas últimas ser obviamente preservadas. As desparasitações devem, pois, passar de profiláticas a terapêuticas. Deverá tratar-se apenas os animais quando estão doentes ou quando os níveis de OPG assim

o sugiram, já que a ação repetida de tratamentos anti-helmínticos e a sua longa duração, atrasa a instalação da imunidade nos jovens e degrada a dos animais já imunes. O médico veterinário assume um papel de destaque na assessoria prestada às explorações. E deverá ter como objetivo a implementação práticas de diagnóstico coprológico, antes da acão de saneamento. Estas metodologias conscientemente implementadas, permitirão poupar dinheiro em fármacos anti-helmínticos, e também ganhar tempo no desenvolvimento de eventuais resistências anti-helmínticas, contaminação de produtos de origem animal e do ambiente.

agradecimentos Dr. Lino Tábuas, pela gentileza da cedência dos dados recolhidos durante o seu estágio no Hospital Veterinário Muralha de Évora, e que foram base da sua Tese de Mestrado “Contribuição para a avaliação do parasitismo por nematodes gastrointestinais em ruminantes no Alentejo Central.”.


publi-reportagem

Wilson Lei Food Care – Portugal Beverage;Dairy & Agri KAM Coordinator wilson.lei@SealedAir.com

DEOSAN

75 anos de elevados padrões de higiene 2015 representa um marco significativo para a Deosan - a marca agrícola da Sealed Air Food Care. São 75 anos de apoio a milhares de explorações leiteiras em Portugal e na Europa, com notáveis esforços para produzir leite e de alta qualidade e nas melhores condições sanitárias. Dia após dia temos ajudado milhares de produtores de leite a proteger a produção e a pecuária, garantindo o fornecimento de leite seguro, de qualidade, na cadeia alimentar.

Fundada em 1940, a Deosan foi a primeira marca a comercializar um produto esterilizante, no mercado agrícola do Reino Unido, que era usado para substituir a desinfecção a vapor e com vista a garantir a produção de leite nas melhores condições sanitárias. A nossa ética e compromissos não mudaram desde o primeiro dia em 1940, sempre com o objectivo

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de apoiar e suportar as explorações agrícolas para assim ganharmos o nosso direito de as fornecer, indo muito mais além de produtos de limpeza ou de saúde animal de alta qualidade. O nosso compromisso para continuar neste rumo começa com a introdução de novos produtos químicos de higiene para as explorações leiteiras, que são projetados para combater os novos desafios

bacterianos enfrentados pelo produtor leiteiro moderno, assim como ajudar a prolongar a vida útil dos equipamentos das novas salas de ordenha. Temos presente e reconhecemos a constante necessidade de trabalhar com e para os nossos agricultores. Assim a Deosan desenvolveu uma nova abordagem aos problemas de


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higiene das explorações denominado programa Deosan Farm Intelligence. Este programa pretende encontrar soluções para os problemas existentes fazendo uma auditoria 360º visando a exploração de forma a impulsionar a eficácia e a eficiência através de redução de custos de produção. Esta é a próxima etapa no trabalho com os agricultores: continuar a maximizar os seus lucros da qualidade do leite e detalhar a nossa performance e valor que amarca Deosan adicona à exploração.

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5) Primeira empresa a vender produtos para moscas com efeito residual; 6) Pioneiro na lavagem e pulverização do úbere e a introduzir o primeiro produto desenvolvido especialmente para a pulverização.

Agora e no presente ... 7) O lançamento do programa Deosan Farm Intelligence - a abordagem revolucionária para a higiene das explorações agrícolas; 8) O lanlamento do primeiro produto para os tetos “Dual Active” - Teatfoam Advance; 9) Introdução de um detergente cáustico alcalino especialmente formulado para substituir os pós usados no passado.

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1940 - Deosan (Milton Internacional) 1956 - Diversey 1980 - Diversey (Propriedade de Molston) 1984 - Deosan Ltd (Companhia do Grupo Diversey) 1996 - Unilever 2001 - Johnson Diversey 2009 - Diversey (propriedade da CD & R) 2011 - Sealed Air 2015 - 75 anos da marca Deosan

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10 Dicas...

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DEZ MEDIDAS DE BIOSEGURANÇA PARA A EXPLORAÇÃO PECUÁRIA Por Teresa Moreira

A implementação de medidas de biossegurança numa exploração pecuária tem como principal objetivo tornar a exploração menos permeável à entrada de agentes causadores de doenças infeciosas e a minimização do risco da disseminação destes agentes, na unidade de produção. A biossegurança refere-se à implementação de medidas para manter afastados do ambiente da exploração, agentes causadores de doenças. Na prática, significa a redução do risco de doença infeciosa (causada por bactérias, vírus, fungos ou parasitas) e o contágio entre os animais. Em 1º lugar, deve definir-se uma escala para a classificação dos riscos da exploração em fraco, moderado e elevado, de forma a facilitar a criação de tabelas e implementar medidas de biossegurança com maior eficiência.

01 Protocolo de vacinações Fundamental para limitar o impacto de doenças e aumentar a imunidade na população animal a agentes patogénicos específicos.

03

07

Plano de higienização das instalações

Realização de quarentena

A realizar periodicamente, em todas as áreas da exploração e com a utilização dos produtos adequados, de forma a reduzir a carga microbiana.

08

Antes da entrada na exploração, os animais com origem no exterior, devem ser sujeitos a um período de observação adequado, que permita o despiste de doenças infetocontagiosas.

04 Plano de controlo de pragas Os roedores, pássaros e insetos constituem agentes transmissores de determinadas doenças, daí a importância da existência de um plano de controlo.

05

09

Protocolo de desparasitações Os parasitas são responsáveis diretamente e indiretamente por doenças graves, uma vez que a sua presença favorece a entrada de outros agentes patogénicos.

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Podem funcionar como veículos de propagação de doenças. Relativamente aos visitantes e a colaboradores da exploração, devem ser implementadas medidas para minimizar os riscos (pedilúvio, rodilúvio e trajetos de visita, por exemplo).

Criação de barreiras de higiene na entrada da exploração Como rodilúvios e pedilúvios, como meio para impedir a introdução de fontes potenciais de microorganismos. É útil conhecer o estatuto sanitário das explorações vizinhas e proteger os limites da propriedade.

Controlo da alimentação

Os alimentos podem funcionar como porta de entrada de agentes infeciosos. Relativamente aos alimentos comprados, a exploração deve optar por empresas com HACCP e medidas de autocontrolo implementados. De qualquer forma, devem ser realizadas amostras periódicas. Quanto aos animais em pastoreio, deverá prever-se a rotação das pastagens e cumprir o período de repouso entre a aplicação de fertilizantes orgânicos e minerais.

02

Proprietários Funcionários Visitantes

10 Identificação individual De todos os animais de forma a permitir a sua rápida rastreabilidade.

Referências Bibliográficas

06

Controlo da água Tanto a água utilizada para abeberar os animais como a utilizada na limpeza das instalações devem ser periodicamente analisadas e cumprir os requisitos definidos na lei.

CAP- Boas práticas na exploração pecuária – Confederação dos Agricultores de Portugal, Lisboa,2209 FAO-Guide to Good Dairy Farming Practice – 1 st edition – Roma: Animal Production and Dairy Health Guidelines Camelo, Patrícia Maria Carrão dos Santos– Avaliação dos pré-requisitos ao HACCP em explorações de bovinos de leite com aplicação da metodologia qualitativa da analise de risco- Setembro de 2013-IPCB-ESA


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Bem-estar em animais de produção uma perspetiva portuguesa sobre a realidade britânica POR Carlos Rebelo carlos.jb.rebelo@gmail.com

Imagem 1 Ovelhas Lleyn em regime extensivo, típico sistema de produção (de pequenos ruminantes) no Reino Unido.

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Ter um português a falar de bem-estar animal no Reino Unido, é como ter um britânico a falar de touradas em Portugal. Para eles Portugal é o país do Sol, do fado, do Cristiano Ronaldo e pouco mais. Falando de produção nacional, o vinho do Porto é com alguma naturalidade o produto mais reconhecido neste país, e se puxarmos muito por eles, são capazes de se lembrarem do “Madeira cake”. Mas infelizmente, é tudo. Portugal não é, nem de perto nem de longe, o primeiro país que lhes vem à mente quando se fala de boas práticas agropecuárias que promovam o bem-estar animal. Sobretudo depois de em novembro passado ter sido tornado público o apelo de uma advogada britânica ao boicote ao turismo em Portugal pela forma cruel como são tratados os cavalos em acampamentos de ciganos no Algarve. Por isso é com alguma surpresa que sou recebido, seja em explorações ou conferências, para lhes falar do projeto de bem-estar animal em que estou envolvido. A profissão de médico veterinário é reconhecidamente respeitada no Reino Unido, e popularizada por uma

miríade de programas televisivos que relatam desde o dia-a-dia de veterinários de campo, aos casos mais complicados de clínicos em hospitais de referência. Pelo meio ainda temos programas sobre veterinários que se voluntariam em África, sobre a vida dos profissionais em instituições de proteção dos direitos dos animais, sobre veterinários em jardins zoológicos e até de veterinários de praia! É natural que os espectadores, inundados com tamanha exposição de casos que atentam a saúde animal e onde o papel dos médicos veterinários é essencial na salvaguarda do seu bemestar, elevem a fasquia no grau de exigência das normas de bem-estar animal aplicadas neste país. Essa fasquia é, muitas vezes, exagerada. Mas vamos por partes.

Melhor bem-estar animal do Mundo?

Percurso histórico do bem-estar animal no Reino Unido.

Em 1965 o governo Britânico nomeou uma comissão técnica (liderada pelo professor Roger Brambell) para investigar o bem-estar dos animais mantidos em regimes de produção intensiva. O relatório Brambell resultou num comunicado conhecido como “As 5 liberdades de Brambell”, e ulteriormente na criação do Conselho para o Bem-Estar de Animais de Produção (FAWC). Estabeleceram-se deste modo, as diretrizes que ainda hoje estão na base das recomendações para o bem-estar de todas as espécies animais, e que visam proteger tanto as necessidades fisiológicas como comportamentais dos animais. Mas a ligação deste país ao bem-estar animal não é de agora. A primeira lei nacional para proteger os animais entrou em vigor no Reino Unido em 1835, mas já em 1635 (no parlamento Irlandês) tinha havido uma primeira referência a regras que salvaguardassem os direitos dos animais. Em 1824 foi fundada a Sociedade para a Prevenção da Crueldade em Animais (SPCA), a primeira organização mundial deste género. Através de doações dos seus membros, a


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SPCA continua ainda hoje a ser uma das mais notórias instituições nesta área, usando uma rede de inspetores cujo trabalho inclui identificar os prevaricadores, reunir provas, e comunicá-las às autoridades. Num país com mais de 40 organizações dedicadas ao tema, não admira que este seja um tópico recorrente nos meios de comunicação britânicos.

A visão do povo britânico É evidente o orgulho que os britânicos têm no papel que desempenharam ao longo dos séculos na proteção dos direitos dos animais. Chega por vezes a ser exagerada a maneira como o manifestam. Por mais do que uma vez me foi revelado que não ingerem carne fora do Reino Unido por não acreditarem que os padrões de bem-estar animal sejam sequer aceitáveis quando comparados aos praticados no país deles. É o chamado “vegetarianismo fora de portas”. A maioria dos vegetarianos que encontro não o são por acharem que é mais saudável, mas sim por questões do foro “moral”. Ou seja, há uma priorização da ideologia sobre o prazer. Mas esta moral esbarra nas necessidades dos próprios animais quando se tentam impor ideais como o vegetarianismo na alimentação de gatos e cães, com consequências óbvias e nefastas. O exagero também se estende aos eufemismos usados na linguagem (na alimentação “pork” e “beef” em vez de “pig” e “cow”, nos animais domésticos “dad” ou “mummy” em vez de “owner”), mas sobretudo nas manifestações constantes (muitas vezes mal informadas e injustificadas), seja contra o uso de animais na investigação científica, contra a exportação de animais vivos, ou contra as “selfies”

com animais selvagens. Não é de estranhar, por exemplo, que em 2 dias se tenham reunido no Reino Unido mais de 70000 assinaturas para desclassificar a vencedora do concurso CRUFTS 2015 (a maior exposição canina do Mundo) por esta ter colocado o seu cão no chão, pegando-lhe pelo peito e base da cauda. Com naturalidade, oiço com alguma frequência que os britânicos praticam o melhor bem-estar animal do Mundo. Não duvidam por um segundo que esta é uma verdade inalienável. A nível dos animais de produção, reclamam que têm o maior número de galinhas poedeiras ao ar livre na Europa, que não usam celas e amarras na suinicultura, e que os produtores de bovinos de carne não usam engradados (boxes individuais) nos vitelos como os que se encontram no resto dos países europeus. Mas será mesmo assim? Não nos esqueçamos que este é um país onde ainda há poucos anos havia caça à raposa. Um país onde a obsessão pelo aprimoramento das diferentes raças caninas é tal (para fins de exposição

e concursos), que a criação intensiva e ilegal de cachorrinhos (“puppy farms”), bem como a incidência de problemas respiratórios, oculares e ósseos, aumentaram dramaticamente nos últimos 20 anos. Um país onde ainda hoje se permite que, por motivos religiosos, haja animais conscientes no momento do abate, sem qualquer tipo de atordoamento que evite sofrimento desnecessário. O bem-estar animal praticado no Reino Unido foi reconhecido pela World Animal Protection como sendo o melhor bem-estar animal do Mundo. Contudo,

Imagem 2 A peeira é uma das principais doenças em ovinos no Reino Unido, cuja severidade está associada a dor intensa.

investigadoras suecas da Djurens Rätt, uma organização sueca não-governamental e sem fins lucrativos, concluíram que a Suíça é de longe o país com legislação mais abrangente e adequada a proteger o bemestar animal, seguida da Áustria e Noruega. O Reino Unido ainda está longe em várias matérias, algumas das quais já mencionadas.

Implementação do bem-estar animal em explorações de pequenos e grandes ruminantes: realidade Portuguesa vs. Britânica Falamos de dois países com realidades económicas muito díspares. É natural haver diferenças, não só nos sistemas de produção mais utilizados, como nas filosofias adoptadas para fazer face às dificuldades. Mas de igual modo, os desafios apresentados aos produtores britânicos encontram paralelismo nos que os produtores nacionais enfrentam no seu dia-a-dia. Por exemplo, o stress térmico é um problema a ter em conta no verão português, e as baixas temperaturas são um problema

sério no Inverno britânico. No Reino Unido, a claudicação é um dos problemas mais frequentes em explorações de grandes e pequenos ruminantes. Muitos produtores têm os seus animais em regime extensivo, e como tal sempre que detetam um animal com dificuldades de locomoção, têm que ter recursos logísticos (e vontade) para o irem “apanhar”. Um pouco à semelhança do que ocorre, por exemplo, no Alentejo. Talvez por isso, e possivelmente por não ser vantajoso economicamente para eles, estes produtores

habituam-se à coxeira destes animais e só apanham os que estão realmente em pior situação (são igualmente mais fáceis de apanhar). Com o tempo, acabam até por terem dificuldade em identificar coxeira moderada, exatamente por estarem dessensibilizados a este problema. No outro lado da equação, num estudo publicado sobre as atitudes dos veterinários de gado bovino relativamente à perceção da dor e ao uso de analgésicos nestes animais, revelou-se que apesar da

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crescente utilização deste tipo de fármacos por parte dos clínicos, ainda há um longo caminho a percorrer. Foram encontradas diferenças surpreendentes nos níveis de dor atribuídos pelas mulheres e homens veterinários, e também entre os licenciados de diferentes décadas: as mulheres e recém-licenciados em geral deram notas mais altas, ou seja, níveis mais elevados de dor, para a maioria das condições listadas na pesquisa. Apesar de os analgésicos serem amplamente utilizados entre os profissionais, aqueles que por rotina usam analgésicos são os que geralmente atribuem maiores níveis de dor para os procedimentos. Ou seja, a capacidade de reconhecer a dor parece conduzir ao uso de analgésicos na prática. Em Portugal a utilização de analgésicos em clínica de ruminantes está dependente obviamente da intervenção pretendida pelo médicoveterinário, mas igualmente dos custos associados ao produtor. Devo dizer que pela minha experiência, os produtores com quem trabalhei não rejeitavam a possibilidade do uso de analgésicos, desde que lhes fossem indicados os benefícios associados à despesa total que iriam fazer. E é sobejamente

Imagem 3 Avaliação de dor usando métodos alternativos (termografia).

reconhecido que um animal com dor não tem os mesmos ganhos produtivos que um animal saudável. É igualmente essencial valorizar o esforço do produtor português que, com menos recursos, consegue de forma engenhosa suprir as necessidades dos animais: uma chapa para criar sombra, um carrinho de mão convertido para virar ovelhas e cabras, bidões e recipientes transformados em bebedouros de extensivo, areia para fazer camas… estes são alguns dos exemplos que presenciei antes de vir para o Reino Unido e que demonstram a maneira desembaraçada com que o produtor nacional arranja soluções para melhorar o bemestar dos seus animais. O papel do médico-veterinário é também tentar contribuir para intensificar o interesse do produtor em promover o bemestar na sua exploração. Mas tal como um recente estudo revela, existirão sempre os produtores que ouvem atentamente tudo o que o veterinário lhes diz, os que precisam que o veterinário lhes mostre provas do que diz, e os que não mudam de opinião independentemente do que o veterinário diz ou faz. “A palavras loucas, orelhas moucas”, pensarão estes últimos. Seria no entanto interessante verificar resultados práticos dos conselhos e acções veterinárias em cada um destes 3 grupos de produtores.

A indústria e os papéis desempenhados o produtor, o médico-veterinário, e o consumidor

produtor Sou da opinião que é essencial haver comunicação com os produtores. Mais depressa encontrei situações em que surgiram desentendidos por falta do que por excesso de comunicação, e no Reino Unido vejo muito mais interesse por parte dos médicos-veterinários em explicarem detalhadamente aos produtores a estratégia a usar nas intervenções que fazem, provavelmente também porque têm mais tempo para investir (como falarei mais tarde) ou porque os produtores exigem mais dos seus veterinários. De igual modo, a maioria dos produtores britânicos com quem contactei têm acesso ilimitado à internet, seja nos seus escritórios ou simplesmente nos smartphones/tablets que usam diariamente, realidade bem diferente da portuguesa onde muitos produtores não possuem essa tecnologia ou não têm os animais em zonas cobertas pela rede de Internet. Este fenómeno leva a que em tempo real um produtor possa confirmar (se assim o desejar) e pesquisar as informações veiculadas pelo seu médicoveterinário.

Num mercado reconhecidamente competitivo, os produtores têm que ser como qualquer outro profissional e talvez devido ao desenvolvimento da Internet ou meramente por necessidade, a realidade é que começaram nas últimas décadas, tanto em Portugal como no Reino Unido, a mostrarem um interesse cada vez maior em se atualizarem, ganharem novos conhecimentos e participarem em assembleias ou reuniões para discutirem os seus casos e problemas. Um fenómeno que ocorre actualmente no Reino Unido com produtores de pequenos e grandes ruminantes é a aprendizagem entre pequenos grupos de produtores, mediada por um veterinário que só intervém quando estritamente necessário. Um estudo dinamarquês mostrou que os produtores aprendem de forma mais eficaz e rápida se forem outros produtores com experiências semelhantes a falarem com eles, em vez de um técnico ou consultor que esteja com eles pontualmente. A confiança e respeito mútuos, bem como a similaridade de experiências e objetivos, conduzem a uma melhor comunicação e aprendizagem.

médico-veterinário O mercado é igualmente competitivo para os médicosveterinários portugueses. Num país com apenas 10 milhões de habitantes, é francamente bizarra a existência de 6 cursos de medicina veterinária. Claramente, o mercado português não consegue absorver tanto recém-licenciado, retratado no aumento da emigração jovem e na completa adaptação do veterinário português a novas funções, muitas vezes em nada

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relacionadas com o curso tirado. De salientar que o Reino Unido, com quase 7 vezes mais habitantes (65 milhões), tem apenas mais dois cursos de medicina veterinária (8). A ser proporcional a Portugal, haveria 40 Universidades a formar veterinários britânicos todos os anos! Naturalmente que a competitividade entre veterinários em Portugal se torna incomportável em determinadas alturas, mais ainda quando outros profissionais tentam igualmente entrar neste mercado. Se o produtor português é engenhoso, o médicoveterinário também tem de o ser, havendo uma necessidade de saber (e fazer) de tudo um pouco. No Reino Unido as grandes explorações são normalmente acompanhadas por uma equipa multidisciplinar de veterinários, com valências e especialidades diferentes. Em Portugal as grandes explorações costumam ter um veterinário a tempo inteiro, o que por um lado estreita a relação com o produtor (e diminui-lhe os custos, visto que paga apenas a um profissional) mas por outro perde a capacidade de ter um especialista em diferentes áreas da medicina veterinária. Exemplo disso é no Reino Unido as grandes explorações investirem normalmente em ecógrafos, ou contratarem um médico-veterinário da equipa veterinária que os acompanha que garantidamente só executa diagnósticos por imagiologia, enquanto em Portugal a maioria dos veterinários de campo não possui recursos para adquirir esse equipamento. Devido à alta competitividade e à menor remuneração auferida, o veterinário de campo português vê-se obrigado a ter que visitar 2-3 explorações por dia, muitas vezes num raio superior a 100

km. Dado o tempo que se despende em deslocações, é fundamental que o veterinário invista algum do seu tempo a explicar e mostrar aos produtores e restante pessoal como ter atenção a certos sinais clínicos, para deste modo auxiliá-lo a chegar a um diagnóstico mais rapidamente. O veterinário vê-se assim condicionado geograficamente, e faz menos visitas de emergência (cesarianas e operações de deslocamento de abomaso, por exemplo) que lhe dariam uma receita maior ao fim do dia. No Reino Unido é comum, como disse, haver veterinários diferentes para situações distintas, e como tal (mediante comunicação aos colegas) minimiza-se desta forma o conflito de interesses entre veterinários que acompanham a mesma exploração. Isto até o dia em que existirem 40 Universidades de Medicina Veterinária neste país.

consumidor Um inquérito Eurobarómetro (publicado pela EFSA) relativo às preocupações dos consumidores sobre os riscos relacionados com os alimentos, mostrou que mais de dois terços dos entrevistados no Reino Unido elegeram o bem-estar dos animais de produção como a sua maior preocupação, bem acima de qualquer das outras questões colocadas, incluindo a qualidade e frescura dos alimentos, intoxicações alimentares, resíduos (pesticidas, antibióticos, hormonas ou poluentes), aditivos alimentares, ganho de peso e doenças relacionadas com a dieta. Um outro inquérito sobre as atitudes dos consumidores (publicado pela Direcção-Geral da

Saúde e da Defesa do Consumidor da UE) para o bem-estar dos animais de criação, indicou que 56% dos entrevistados no Reino Unido dizem que estariam dispostos a mudar o seu local habitual de compras para adquirirem produtos “amigos” do bem-estar animal. Ou seja, o consumidor final britânico preocupa-se de tal forma com o bemestar dos animais que come, que está disposto a alterar o seu quotidiano para garantir que não consome produtos que não respeitem os seus princípios éticos. E em Portugal, poderíamos nós transpor este exemplo? Será esta a força motriz capaz de desencadear alterações de fundo na produção portuguesa? Na verdade, as exigências dos consumidores podem ser a principal razão a levar os produtores nacionais a definitivamente assumirem medidas de bem-estar animal nas suas explorações. É inegável o impacto que os consumidores têm nas práticas produtivas, e isso está à vista de todos nos principais supermercados britânicos: mais de 95% da carne de frango ou ovos dispostos nos expositores são provenientes de aves exclusivamente criadas ao ar livre. Os resultados destas pesquisas indicam também que há uma falta de informação clara sobre muitos produtos e que muitos consumidores no Reino Unido não são capazes de tomar decisões informadas no que diz respeito às normas de bem-estar na origem dos produtos que adquirem. É óbvio que o esforço que os produtores fazem para levarem produtos de qualidade ao

consumidor final, implementando níveis elevados de bem-estar animal, tem que encontrar correspondência em toda a cadeia de produção, seja na hora do abate (redução de stress e garantia de dessensibilização dos animais), seja na divulgação e venda ao consumidor (melhor exposição e clara rotulagem dos produtos).

Conclusões Seja em Portugal ou no Reino Unido, contribuem para o bem-estar animal um variado número de fatores, onde todas as partes têm um papel a desempenhar. A manifesta falta de recursos pode estar na base das dificuldades que o produtor português apresenta para não atingir os níveis de bem-estar apresentados no Reino Unido, mas não justifica tudo. Contudo, é imputado ao produtor nacional um protagonismo e uma responsabilidade que, francamente, deveriam ser repartidos por outros intervenientes, em particular o consumidor português que ainda hoje prefere comprar produtos marginalmente mais baratos e de menor qualidade em vez de produtos provenientes de explorações que pratiquem elevados níveis de bem-estar animal. Há, e com toda a certeza, um longo caminho a percorrer e é patente a necessidade que temos em aprender com o exemplo britânico. Mas é igualmente inegável que no Reino Unido há uma exagerada autoestima nesta matéria à qual prescreveria uma boa dose de humildade e bom senso. Várias vezes ao dia, e preferencialmente acompanhadas de um bom vinho tinto. Português, claro.

Nota O autor escreveu este artigo segundo o Antigo Acordo Ortográfico.

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equipamento

Porta automática eletrificada

Monitorização de partos em bovinos Com frequência, nos bovinos um parto é bem ou mal sucedido, dependendo de ter ou não ajuda. Um dispositivo destinado a emitir um alerta quando uma vaca inicia o parto, foi distinguido com um prémio de inovação pela feira britânica Lamma 2015. Os aplicativos Moocall foram concebidos para durar, e moldados para se adaptarem ao rabo do animal. Cada aplicativo dispõe de um sensor wireless que, no caso de detetar sinais de atividade de parto, envia uma mensagem SMS para um número de telemóvel previamente configurado para receber o alerta. Nas palavras de Damien Doherty, um agricultor britânico de Longford, que já usa esta tecnologia, graças ao Moocall pode dormir mais tranquilo e dedicar tempo a outros afazeres durante o dia. “Este produto é muito resistente e bem feito. E alerta com muita antecedência quando um bezerro vai nascer. Permite-me poupar imenso tempo, já que é ele que faz a vigilância por mim. Eu não teria qualquer problema em recomendar este produto”.

Uma porta que funciona por acionamento elétrico e as ordens de abertura e fecho são dadas por um comando não é nenhuma novidade. Mas há na porta desta firma britânica um fator que tem muito interesse. Além de se abrir e voltar a fechar com uma rapidez fora do comum quando comparada com portões normais, o que é importante nas vedações onde há gado, esta porta possui um sistema de eletrificação. Quando se tem uma vedação eletrificada, por norma, ou se interrompe o fio elétrico nas zonas de passagem, o que exige ter um portão resistente e pesado e cujo funcionamento é lento, ou então não se interrompe o fio mas o condutor de um veículo, ou um tratador que se desloque a pé, tem de retirar o fio manualmente para desimpedir a passagem e transpor a cerca, e depois tem de voltar a instalá-lo no mesmo sítio.. A porta Dofygate, ao incluir eletrificação fotovoltaica não só para se mover mas também para manter os animais afastados, resolve dois problemas de uma só vez. Quem ao longo do dia tem de transpor várias vezes vedações onde há gado, pode avaliar o jeito que dá uma porta deste tipo.

App para distribuição de chorume Detetor de metais para misturadores A CAEB aproveitou a EIMA 2014 para apresentar o seu separador magnético para objetos metálicos que possam estar misturados com as rações para os animais. O dispositivo denomina-se Ironless e é ajustável às mais variadas gamas de misturadores existentes no mercado. De design compacto, este equipamento possui três pratos magnéticos rotativos que fazem a deteção e separação de elementos metálicos, que possam causar doenças e danos físicos aos animais de pasto. A zona de descarga [três pratos], com uma enorme capacidade de espalhar e dividir a ração, é outra das mais-valias do Ironless. A taxa de sucesso na identificação de objetos nocivos é, segundo a CAEB, de 90 por cento.

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A aplicação Farm Trailer foi desenvolvida para os produtores agropecuários e prestadores de serviços que espalhem chorume. O operador começa por introduzir algumas informações (superfície da parcela, velocidade de trabalho, quantidade de chorume que se encontra no reboque, etc), e consegue depois obter uma série de outros dados, durante e após a realização da tarefa. Entre esses dados estão a área trabalhada e a área que falta cobrir, a quantidade de nitrogéneo, fósforo e potássio já distribuída, e o cálculo de quanto se poupa ao usar compostos orgânicos em vez de fertilizantes químicos. Evita-se assim a distribuição tanto em quantidade excessiva como em quantidade insuficiente, e monitoriza-se que efeito teve a fertilização orgânica na produção obtida na parcela, de modo a que no futuro se mantenha ou readapte a dose.


equipamento

DLG classifica como “bom” o sensor Krone NIR O sensor móvel Krone NIR mede os níveis de humidade no milho com uma precisão extremamente elevada, segundo revelou o último teste realizado pela DLG* alemã. A DLG testou 32 amostras das colheitas de 2013 e 2014 de milho para silagem. As amostras foram recolhidas em três campos diferentes, com culturas que apresentavam conteúdos diferentes de matéria seca de, respetivamente, 22.2%, 34.5% e 38.5%, a partir da colheita de 32 reboques levada a cabo pelo modelo BIG X 700. No tubo de descarga da ensiladora foram instalados sensores NIR, para medir e registar os níveis de humidade, através de espetroscopia de infravermelhos. Pequenas amostras representativas foram também retiradas de cada reboque e analisadas no laboratório da DLG, utilizando o método oficial de secagem no forno. A comparação dos resultados das 32 análises provenientes do sensor NIR e do forno de secagem revelaram o seguinte: • em 25 pares de amostras os números apresentavam diferenças inferiores a 1%; • em 5 pares de amostras as diferenças encontravam-se no intervalo de 1 a 2%; • em 2 pares de amostras registaram-se diferenças entre 2 e 3%. • em termos absolutos, não houve amostras com desvios acima dos 3%, mas 94% das amostras estavam incluídas na faixa dos 2%. O sistema Krone NIR foi classificado como “bom” pelos testes da DLG. *DLG - (Deutsche Landwirtschafts-Gesellschaft) - Sociedade Alemã de Agricultura.

Para mais informações www.dlg-test.de/tests/6237F.pdf

Espectrómetro portátil na gama Faresin A Faresin passa a comercializar um espectrómetro NIR de infravermelhos desenvolvido pela PoliSpec que, através de uma ligação a um computador, consegue, online e com um software integrado, analisar a alimentação animal. Este instrumento portátil é constituído por uma caixa robusta e por uma pega para a mão. Além da ligação USB e do software integrado para análise do composto da amostra, o aparelho possui ainda ligação Bluetooth. Entre as suas principais aplicações, destaque para forragem, matérias primas, e ração animal em geral. O aparelho é comercializado pela Faresin, como ferramenta complementar à sua gama de misturadores rebocados e automotrizes, equipamentos que também podem equipar com espectrómetros fixos.

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Não deixe de...

FEIRAS AGRISHOW 27 abril a 1 maio de 2015 Ribeirão Preto – S. Paulo - Brasil www.agrishow.com.br/pt

FEIRA NACIONAL AGRICULTURA 6 a 14 de junho 2015 Santarém – Portugal www.feiranacionalagricultura.pt

FIAPE 29 abril a 3 de maio 2015 Estremoz – Portugal www.cm-estremoz.pt

EXPOINTER 29 agosto e 6 setembro 2015 Assis - Porto Alegre - Brasil www.expointer.rs.gov.br

OVIBEJA 29 abril a 3 de maio 2015 Beja – Portugal www.ovibeja.pt

feira de cremona 28 a 31 outubro 2015 Cremona – Itália www.bovinodalatte.it

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Ruminantes 17  

Edição nº17/2015 A revista da Agropecuária

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