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ANO 9 - Nº 34 - 5,00€ JULHO | AGOSTO | SETEMBRO 2019 (TRIMESTRAL) WWW.REVISTA-RUMINANTES.COM

A REVISTA DA AGROPECUÁRIA

Produzir ovinos de carne com tecnologia Entrevista a Rui Lynce

BETERRABA FORRAGEIRA

ORDENHA GIRATÓRIA

SINCRONIZAÇÃO DA OVULAÇÃO

Como utilizar na alimentação animal

Uma solução em ovinos de leite

Para aumentar a eficiência reprodutiva


EDITORIAL

REVISTA RUMINANTES EDIÇÃO 34

JULHO - AGOSTO - SETEMBRO 2019 DIRETOR Nuno Marques nm@revista-ruminantes.com COLABORARAM NESTA EDIÇÃO Ana Lage, André Cruz, António Cannas, António José Fonseca, António Moitinho, Carlos Martinho, Carlos Vouzela, Carsten Dammert, César Novais, Chris Ashworth, Deolinda Silva, Diogo Ribeiro, Emanuel Garcia, Fátima Reis, George Stilwell, Inês Mexia de Almeida, Javier Lopez, Joana Silva, João Bengala Freire, João Carlos Correia, João Diogo Ferreira, João Santos, José Alves, José Carlos Correia, José Freire, Luís Raposo, Manuel Salgueiro, Mário Quaresma, Pedro Castelo, Ramon Armengol, Rui Lynce, Teresa Moreira, Victor Cabrera.

Caro leitor,

Francisca Gusmão, Inês Ajuda, Margarida Carvalho

N

FOTOGRAFIA DE CAPA

capacidade de tomar melhores decisões.

Mafalda Pereira

Quando a tecnologia de recolha de dados e gestão de informação é posta ao serviço

DESIGN GRÁFICO E PRÉ-IMPRESSÃO

do “extensivo” é muito bom para quem tem que gerir o negócio. O maneio em

Ruminantes

condições de extensivo é complicado, nem sempre tem “precisão”, exige muita

AGRADECIMENTOS José Alberto Chula & Fº. Lda. PUBLICIDADE E ASSINATURAS Nuno Marques comercial@revista-ruminantes.com REDAÇÃO

prepress@revista-ruminantes.com IMPRESSÃO Jorge Fernandes Lda

esta edição vai encontrar artigos relacionados com tecnologia e ferramentas de gestão de efetivos. Dou aqui nota de alguns apontamentos que estão relacionados com a utilização de tecnologia na recolha de informação em ovinos carne e leite, bovinos de carne e pastagens.

O aumento de dados disponíveis e o seu tratamento poderão dar aos utilizadores uma

mão-de-obra... e é pouco cómodo para os agricultores e animais. A gestão nestas condições acaba, por vezes, por ser feita à “distância”, maioritariamente com

Rua Quinta Conde de Mascarenhas nº9, Vale Fetal

base na perceção (este ou aquele animal é bom, ou é bonito!), e sem critérios

2825-259 Charneca da Caparica

bem definidos (quando, por exemplo, um animal muda de parque e se torna difícil

Telefone: 212 548 320 ESCRITÓRIOS E REDAÇÃO Rua Alexandre Herculano nº 21, 5º Dto

separá-lo, adiamos o seu tratamento). O investimento em mangas “tecnológicas”, de que falamos neste número, permite não só recolher dados e informação (no

2780-051 Oeiras

início talvez em “demasia”!), como também conhecer cada um dos nossos animais

Telemóvel: 917 284 954

e tomar decisões mais acertadas sobre o percurso dos mesmos na exploração

geral@revista-ruminantes.com PROPRIEDADE/EDITOR Aghorizons, Lda / Nuno Marques

(Refugo? Guardo para reprodutor?...), pois estes equipamentos permitem um maneio simples de todos os animais, facilitando a gestão prática dos animais no terreno.

Contribuinte nº 510 759 955

São equipamentos que custam algum dinheiro mas que a melhoria dos resultados

Sede: Rua Alexandre Herculano nº 21, 5º Dto.

produtivos do efetivo permite que se paguem em poucos anos dependendo, claro,

2780-051 Oeiras GERENTE Nuno Duque Pereira Monteiro Marques DETENTORES DO CAPITAL SOCIAL Nuno Duque Pereira Monteiro Marques (50% participação)

do tamanho do efetivo. Permitem diminuir os custos através de uma gestão “à medida”, com redução de empregados e, por outro lado, aumentar as receitas através de uma seleção muito mais criteriosa das reprodutoras, para obter mais borregos, e mais pesados, por ovelha...

Ana Francisca C. P. Botelho de Gusmão Monteiro Marques

No que se refere à tecnologia associada às pastagens chamamos a atenção para

(50% participação)

importância de ter um mapa de “nutrientes” (proteico, energético...) da herdade,

TIRAGEM 5.000 exemplares

que permitirá aumentar a eficiência dos fatores de produção da pastagem, ou seja,

PERIODICIDADE Trimestral REGISTO Nº 126038

ressemear ou adubar apenas nos sítios em que é necessário.

DEPÓSITO LEGAL Nº 325298/11 O editor não assume a responsabilidade por conceitos emitidos em artigos assinados, anúncios e imagens, sendo os mesmos da total responsabilidade dos seus autores e das empresas que autorizam a sua publicação.

Por fim, quero lembrar que a possibilidade de se inscrever no Concurso Nacional de Forragens termina no final deste mês de julho. Se tiver interesse, pode consultar o regulamento no site da revista (www.revista-ruminantes.com) ou na edição anterior.

Reprodução proibida sem a autorização da Aghorizons Lda. Alguns autores nesta edição não adotaram o novo acordo ortográfico.

Boas férias.

O "Estatuto Editorial" pode ser consultado no nosso site em: www.revista-ruminantes.com/estatuto-editorial ENVIE-NOS AS SUAS CRÍTICAS E SUGESTÕES PARA: nm@revista-ruminantes.com WWW.REVISTA-RUMINANTES.COM

NUNO MARQUES

WWW.FACEBOOK.COM/REVISTARUMINANTES

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abril . maio . junho 2019

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Alívio das zonas de calor


ÍNDICE DE CONTEÚDOS

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PRODUZIR COM TECNOLOGIA

ENTREVISTA A RUI LYNCE

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ALIMENTAÇÃO 18 22 28 32

A importância da saúde ruminal Influência da alimentação proteica na reprodução Efeito de um aditivo sobre as performances de borregos de engorda Programa Kaliber, monitorização e avaliação do crescimento das novilhas 36 Micro-minerais orgânicos ajudam no combate à infeção pelo vírus da rinotraqueíte bovina 38 O verão já chegou e as nossas vacas sabem-no! 46 Stress térmico, como ajudar as suas vacas

ECONOMIA 40 42 44 92

Observatório de matérias primas Observatório do leite Índice VL e Índice VL erva Um cérebro virtual para a gestão da informação recolhida nas explorações

FORRAGENS 50 Em que basear a avaliação de uma silagem de milho 52 A variação do teor em proteína das silagens de milho em Portugal

SINCRONIZAÇÃO DA OVULAÇÃO

CONSEQUÊNCIAS DO AUMENTO DA PRODUÇÃO LEITEIRA NA RAÇA HOLSTEIN-FRÍSIA

BETERRABA FORRAGEIRA

UTILIZAÇÃO NA ALIMENTAÇÃO ANIMAL

OPINIÃO 60 Difícil vai ser comer um bom bife e comprar um litro de leite de qualidade

PRODUÇÃO 16 62 80

Começar com 8 vacas, história de um negócio na Ilha de S. Miguel Mudar de rumo com ProCROSS Agriangus aposta em áreas complementares

PRODUTO 6 Novidades de produto 84 Ganhar tempo com a ordenha

SAÚDE E BEM-ESTAR ANIMAL 66 Leptospirose bovina 68 A produção de ruminantes na Nova Zelândia 72 Vírus sincicial respiratório bovino, influência na doença respiratória bovina 78 Saúde e segurança na exploração, porque ser produtor não é um trabalho leve...

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PRODUTO

SINALIZAÇÃO DA CERCA DE ALIMENTAÇÃO A sinalização de cerca de alimentação, da SPINDER B.V., é uma solução inteligente para a monitorização eletrónica do mecanismo de fecho de cercas de alimentação. Se a alavanca de bloqueio automático das cercas for ajustada para a posição de “fixação”, um sensor com acesso à rede internet regista essa ação e transmite esse estado de comutação para um servidor compatível por meio de uma rede sem fio de curto alcance. Este servidor monitoriza o tempo durante o qual o estado de bloqueio permanece inalterado nas cercas de alimentação e alerta a pessoa responsável através de uma lâmpada de advertência, de um sinal acústico e de uma mensagem instantânea para o smartphone. Através de uma aplicação especial, o gestor da exploração pode ver as mensagens de status da cerca de alimentação em tempo real e, se necessário, administrar temporariamente o modo de monitorização e alerta ou dar instruções aos funcionários para libertarem a fixação do fecho das cercas de alimentação.

BIG DATA AO SERVIÇO DO PRODUTOR Atualmente, geramos milhares de dados nas mais diversas atividades, e a produção animal não é exceção. No entanto, frequentemente os dados que geramos têm pouca ou nenhuma utilidade para o produtor. A tecnologia SomaDetect, com o seu sensor do leite, pretende dar ao produtor acesso a informação num formato que possa ser utilizado para melhorar a produção. Estes sensores dão informação sobre o leite e o estado de saúde de cada vaca (mastites, cetoses, estado reprodutivo) em cada ordenha, em alguns segundos. Com estes dados na mão, os produtores podem tomar decisões informadas e trabalhar no sentido de produzir leite de melhor qualidade com uma especial atenção à saúde dos seus animais. Este projeto da startup americana que participou no Pearce

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Lyons Accelerator, foi apresentado na conferência da Alltech–One no passado mês de maio. De acordo com a empresa, os sensores são aplicados nas linhas de ordenha não alterando em nada o processo nem o produto final. Os dados são agregados de forma a dar ao produtor uma visão completa, em vez de pontos dispersos no tempo. Este sistema pode, por exemplo, ajudar um produtor a tomar decisões relativamente à alimentação dos animais detetando o impacto que estas têm na qualidade do leite e na saúde dos animais. Nesta fase, o grupo trabalha com dados recolhidos de 5000 animais que pretende expandir até 20.000 no final do ano. O objetivo é ter o produto no mercado dos EUA e no Canadá em 2020.

ALIMENTADOR DE COLOSTRO ESPECIAL Um fornecimento rápido de colostro após o nascimento pode ser o passo mais importante na vida de uma vaca. Na prática, existem uma série de medidas temporárias para temperar o colostro previamente refrigerado ou congelado. No entanto, alguns bezerros recusam-no por ter esfriado demasiadamente. O All-In-One Colostrum Feeder, da Martin Förster GmbH, consiste num recipiente equipado com uma tampa com uma alça e uma teta para beber. A inovação reside na tampa de recipiente adicional, com um tubo de aço inoxidável integrado, que é imerso no recipiente. Este dispositivo permite que o primeiro leite fresco seja levado à temperatura ideal de consumo de forma rápida, mas suave, por um jato de água quente. A pasteurização do primeiro leite e o arrefecimento subsequente do bebedouro à temperatura desejada são possíveis, para além de se poder congelar o recipiente equipado com o tubo em espiral de aço inoxidável referido.


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PRODUÇÃO

ENTREVISTA A RUI LYNCE

PRODUZIR COM TECNOLOGIA Na Herdade Couto dos Carvalhos, em Idanha-a-Nova, visitámos uma exploração de ovinos para carne com cerca de 2700 animais, entre cruzamentos industriais e animais das raças Merino Alemão e Suffolk. Rui Lynce, gestor do negócio, mostrou-nos as ferramentas que utiliza para lhe facilitar o dia-a-dia e ter um conhecimento global da exploração. FOTOGRAFIAS RUMINANTES E MAFALDA PEREIRA

Rui Lynce apresentou-se assim: "Sou agricultor, lavrador, gestor... Atualmente, 100% do meu trabalho é agricultura. Iniciei este projeto em Idanha-a-Nova após um desafio do meu sogro. No entanto, também venho de uma família de agricultores. O meu avô já era o maior produtor de arroz em Alcácer e quando na escola perguntavam o que gostava de ser quando fosse grande, respondia sempre “agricultor”. A minha formação esteve sempre mais ligada aos cavalos, mas devido a um problema na coluna tive que parar. Trabalhava muito com a parte reprodutiva do cavalo lusitano e acabei por adaptar esse trabalho a este desafio. Quando comecei aqui, não percebia de ovelhas. A primeira coisa que fiz foi ir para Espanha, com a Nanta, onde estive três dias a visitar as melhores e as piores explorações com diferentes abordagens ao nível do maneio, da genética e da alimentação. Depois, tentei aplicar o que tinha visto de mais positivo na exploração." Como descreve o seu negócio? É uma exploração de ovinos como principal negócio, e temos também a produção de forragens como complemento. Dentro dos ovinos, temos duas áreas diferentes de atividade, a genética e o cruzamento industrial. A parte de genética, com as raças Merino Alemão e Suffolk, começou pela

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necessidade de melhorar o rebanho, para ter reprodutores para mim. Entretanto, comecámos a ter excedente e atualmente vendemos também reprodutores, mas seleciono os animais que quero para nós de acordo com as características que pretendo. Temos atualmente 100 ovelhas Merino Alemão e 10 Suffolk que pretendo aumentar rapidamente para 100. Depois temos os cruzamentos industriais para vender borregos. Claro que tudo isto é trabalhoso e exige muita

dedicação! Temos problemas com mãode-obra com frequência, mas como a minha disponibilidade é inteiramente para isto, todos os dias, de manhã à noite,continua a funcionar bem. O que gosta mais de fazer na exploração? Gosto muito da parte reprodutiva e da genética. E gosto também da fase de acompanhar o crescimento dos animais.


Produzir com tecnologia

O que é um dia típico para si, qual a sua primeira preocupação quando chega? Típico é vir à manga e passar as ovelhas no pedilúvio. Assim que chego vou logo ver os animais que estão aqui na parte reprodutiva e à parte dos borregos para ver se está tudo bem, se há animais doentes. Qual o seu desafio, agora, enquanto produtor? Produzir o mesmo número de animais ou mais, mas com menos custos. No fundo manter ou reduzir a despesa, mas com melhores resultados. Com o investimento na manga, por exemplo, já reduzi a mão-de-obra em duas pessoas. Tem muitos animais e poucos empregados, qual é o segredo para uma gestão controlada? A tecnologia facilita bastante, o software de gestão e o facto de termos a manga,

para além do maneio que usamos, com muitos parques de diferentes dimensões. O contacto que temos diariamente com os animais também faz com que eles se tornem mais dóceis. Eu costumo dizer que os animais não são racionais, mas educam-se. Adicionalmente, a alimentação faz também diferença, um animal que chegue à manga bem nutrido irá ter um comportamento mais calmo. Os cães de rebanho também nos ajudam bastante no maneio; as ovelhas têm-lhes respeito mas não entram em stress, como por vezes se vê com o pastor; temos cães pastores border collie e temos também para guarda, cães Serra da Estrela que dormem com os rebanhos. Que investimento considera ter sido mais rentável para a exploração? O software e a manga aumentam muito a rentabilidade. Já trabalho com manga há 6/7 anos e com programas de software. Quando apareceu a identificação eletrónica quis logo adquirir porque

percebi que seria uma mais-valia. Os números não serem bons é um motivo para refugar um animal? Antigamente olhava para uma ovelha e dizia “esta ovelha é muito boa”, gostava muito dela por ser bonita. Atualmente, quando quero saber se a ovelha é boa, primeiro vou abrir o computador para ver os números. Já não me enganam por serem bonitas.

DADOS DA EXPLORAÇÃO Localização Idanha-a-Nova Área total 1500 ha Área de regadio 600 ha Empregados 12 Total de animais cc 2700 Animais adultos 2600 F. reprod. e 60 M. Nº animais/empregado 850 Nº borregos/ovelha 1,75 Peso médio ao nascimento 3,8 kg Peso médio (6-7 semanas) 14 a 18 kg Peso ao desmame 30kg aos 90/100dias

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PRODUÇÃO

desmamo por volta dos três meses e, além da feno-silagem e de andarem nos prados, faço também um acompanhamento com ração. São os únicos animais que comem ração, mas nem sempre é necessário. Que forragens utiliza? Utilizo trevo e ervilhaca. Gosto muito de ervilhaca. Há quem faça luzerna nesta região, mas eu acho muito sensível para este clima e estes solos.

Disse-me que em relação aos animais cruzados vende a preço fixo o ano todo, acha que é um bom negócio? Para mim é, porque dá-me estabilidade financeira. Todos os meses faturamos, todos os meses vendemos borregos. Vendo os borregos para o centro de engorda aqui para o Fundão, para o Paulo Brito que tem protocolo com a Jerónimo Martins. Já temos uma relação comercial de confiança que nos permite ter alguma flexibilidade ao nível dos pagamentos de ambas as partes, são sete anos a trabalhar em conjunto. Que cruzamento “industrial” costuma fazer e porquê essas raças? Começou com merino da Beira Baixa, depois comprámos um rebanho de 1500 ovelhas Merino Alentejano que já tinham algum cruzamento com Merino Alemão. Cruzámos depois estas fêmeas com Suffolk e Merino Alemão. Relativamente ao Merino da Beira Baixa que havia na exploração inicialmente, não quero ser mal interpretado, é uma ótima raça para alguém que tenha uma propriedade só de sequeiro e que tenha mato para limpar. Os borregos que têm, por ano pagam o ordenado do pastor, mantêm o terreno limpo, mas não é suficiente para quem se quer dedicar à produção de ovinos. As raças autóctones portuguesas

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de carne, no meu entender, perderam o caminho e não foram desenvolvidas para produzir mais e dar rentabilidade económica. Qual é o critério para cruzar com uma ou outra raça? Porquê duas raças e não só uma? O objetivo é ter um grande núcleo de fêmeas quase puras de Merino Alemão e depois cruzar com Suffolk. Estou agora à espera dos resultados de um cruzamento que fiz entre animais puros das duas raças. As fêmeas que nascem destes cruzamentos com Merino Alemão, salvo raras exceções, fico com elas para o futuro efetivo da exploração.

Qual o maneio reprodutivo que faz? Costumam pesar todos os animais? Desmamo aos 45 dias. Os animais que ficam, permanecem junto das mães até perto dos três meses. Entre os 9 meses e 1 ano de idade começo a juntá-las no grupo da cobrição. O primeiro parto varia normalmente entre 1 ano e 2 meses, ou 1 ano e meio. Após o desmame aos 45 dias faço a secagem e, posteriormente, são novamente cobertas. Nos animais puros faço o desmame mais tarde, aos 3 meses. Em relação à pesagem, pesamos todos os animais puros, e os restantes por amostragem. Quais os problemas de saúde animal que mais o preocupam? Tenho aqui alguns problemas de pieira, por causa do regadio. É o que mais me preocupa.

Qual a vantagem deste cruzamento? Quem irá ganhar com isso, o produtor ou o centro de engorda? Ganhamos todos. Eu, como produtor, consigo fazer o desmame mais cedo. O centro de engorda tem menos custos com estes animais porque atingem o peso de abate mais rápido. Por isso, ao reduzir estes custos, consigo também negociar melhor o meu produto. Temos uma relação de proximidade.

E onde investe o dinheiro nesta área, na prevenção ou tratamento? Na prevenção. Faço 4 desparasitações por ano e tenho atenção às vacinações, fazendo duas a três ao ano.

Que maneio alimentar tem? É extensivo, prados, e depois temos fenosilagem. Na recria altero um bocado,

Acha que o valor pago nesta área é um valor justo? O valor de mercado não é um valor justo,

Que indicadores utiliza para perceber que o negócio está a correr bem? O principal indicador é a faturação (risos). Guio-me pela faturação anual porque este negócio tem picos.


Produzir com tecnologia

As raças autóctones portuguesas de carne, no meu entender, perderam o caminho, não foram desenvolvidas para produzir mais e dar rentabilidade económica. nem nos ovinos nem nas outras áreas da produção agrícola. Se não fossem as ajudas comunitárias, dificilmente poderia haver produtos aos preços que temos. Estas ajudas têm vantagens e desvantagens. Por um lado, dão alguma estabilidade a quem não quer trabalhar tanto. Por outro lado, também

nos limitam porque existem muitas condicionantes. A seu ver, como está posicionada a carne de ovino na distribuição em Portugal? Acho que está num valor baixo. Principalmente nas épocas típicas do Natal e da Páscoa em que as grandes superfícies colocam estes produtos em promoção. Nós trabalhamos muito mal o marketing. Comparativamente com os espanhóis, por exemplo. Ainda há muita margem para melhorar a promoção d a carne de ovino. Como vê o futuro dos ovinos na Europa? O consumo, segundo os números que tenho acompanhado, está a crescer. A produção está a diminuir.

Portanto,diria que está no bom caminho? Não necessariamente. Porque se não divulgamos esta produção, começa a haver menos conhecimento e não se aumenta o consumo. Por isso, para mim é preocupante a redução do efetivo que está a acontecer na Europa. Talvez esteja relacionada com uma maior necessidade de mão-de-obra na produção comparativamente com os bovinos. Por outro lado, a classe médica tem vindo a aconselhar cada vez mais a carne de borrego porque é a gordura animal menos saturada. Tanto que é a primeira carne que se deve dar às crianças. O consumo está a aumentar bastante. Acho que existem boas perspetivas, se apoiadas na modernização da produção.

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PRODUÇÃO

A TECNOLOGIA NA EXPLORAÇÃO Uma manga de maneio, um programa de gestão desenhado à medida, e a identificação eletrónica dos animais, são as ferramentas tecnológicas que Rui Lynce não dispensa para o ajudar na gestão. “As minhas raízes estão na produção de equinos onde se trabalha em pequena escala, com 30, 40 animais. Quando tenho um desafio com 3000 animais, preciso de tecnologia para saber o que se está a passar. Permite-me reduzir custos e mão-de-obra, e também a probabilidade de existirem erros, já que se bem programadas as máquinas não erram.” Foi este desafio que levou Rui Lynce a decidir pela aquisição duma manga Gallagher à Agrovete: “Para as pesagens, ou quando preciso de fazer uma intervenção para separar os animais em grupos com diferentes critérios: parir, vacinar, com resultados negativos na ecografia… esta tecnologia permite-me um milhão de opções. Na prática, ajudame a saber os animais que parem e os

que não parem, os que parem e o animal se vende, ou os animais cujos filhos aproveitamos para recria. Por exemplo, eu aqui quero aumentar o número de animais por parto. No cruzamento industrial, o objetivo é ter dois borregos por ovelha sem aumentar os custos com alimentação e mão-deobra. Estes cruzamentos que fazemos têm muita rusticidade de Merino e a parir a dois facilmente afilham os dois filhos. No nosso sistema, as ovelhas parem, são postas num parque e ficam um dia em vigilância; depois passam para um parque onde estão três dias para ver se desafilham ou não, e depois juntam-se ao grupo. Faço grupos de parições de 15 dias. Isto permite-me reduzir mão-de-obra a separar os borregos para os grupos de venda. Temos brincos com cores consoante os grupos, em que cada animal tem um número que permite através do software associar o borrego à mãe. Por vezes, há algum borrego que não atingiu o tamanho necessário e aí passamo-lo para outro grupo. Mas só de olhar para ele, pelo brinco, já sabemos que vem de um grupo anterior. Quais as principais características deste equipamento? É uma manga que permite a presença de apenas um operador desde que os animais já estejam habituados pelo maneio. Esta manga tem também um comando à distância que facilita bastante e reduz o stress dos animais e a mão-deobra. Sou fã da marca, acho que tem uma enorme qualidade e resistência: já vi vídeos onde se vêem carros a passar por cima destes equipamentos, em que os

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Produzir com tecnologia

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PRODUÇÃO

recria, e para a parte reprodutiva e separação de grupos. Também uso para vacinações, sanidade e sincronizações. Tal como está, consigo criar três grupos, mas se comprar outro módulo posso ficar com cinco ou seis grupos.

põem no meio do fogo, e eles continuam a funcionar. Que outras funcionalidades tem? Permite-me passar até 700 ovelhas por hora. É portátil, podemos mudá-la de sítio. É feita em fibra de carbono e por isso mais leve, embora resistente. Está preparada para estar à chuva. Uso-a muito para fazer seleção de pesos da WEZOOT: APRESENTAÇÃO GÁFICA DE DADOS DA EXPLORAÇÃO

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Utiliza o Software Wezoot. Porquê? Em primeiro lugar, porque fala a nossa língua: é português, feito em Portugal. Tem uma boa assistência porque tem uma equipa de programadores atrás disto a tempo inteiro. Tenho o telefone direto dos programadores que me vêm visitar uma vez por ano para compreenderem o maneio e conhecerem a realidade, para poderem ajudar quando existe um problema. Neste programa, consigo acompanhar tudo o que diz respeito a reprodução, crescimento, sanidade, consigo exportar dados para excel, e interagir com a plataforma do IFAP. Eu uso bastante,

mas acho que não utilizo nem 10% do potencial deste software. Tem ainda um perfil para carne, para leite, e um para quem só faz raças puras onde podemos introduzir o livro genealógico e dar nomes aos animais. É um software sempre em atualização conforme as necessidades dos produtores. Conseguiu reduzir custos com a utilização deste software? Para começar, reduzi duas pessoas de mão-de-obra. E aumentei o número de partos. Tenho a certeza que o investimento já está pago. Estamos a falar de um investimento de que ordem? Se tivermos em conta o investimento com a manga, podemos apontar para uns dezassete mil euros. O tempo em que se paga depende do perfil da exploração, do produtor e do número de animais.


Produzir com tecnologia

MERINO ALEMÃO E SUFFOLK "O objetivo é ter um grande núcleo de fêmeas quase puras de merino alemão e depois cruzá-las com Suffolk." Como caracteriza os seus merino alemão? São muito parecidos ao merino tradicional porque o tronco é o mesmo. A grande diferença reside numa maior taxa de crescimento. Na primeira parição até fiquei desiludido inicialmente porque parem uns borregos muito pequeninos com três a quatro quilogramas e eu até pensei “fui eu gastar dinheiro e afinal ainda são piores”. Mas com quinze dias já têm oito ou dez quilogramas. Ou seja, têm também a vantagem da facilidade de partos pelo peso ao nascimento. Quando andei à procura para comprar e fui visitar explorações com a associação espanhola, achei que tinham muito pouco osso e que isso seria um defeito, mas na verdade é uma vantagem para os partos e para o rendimento das carcaças. Para cruzamento industrial dá cruzamentos fantásticos. São muito boas mães. O maneio que fazemos destes animais puros é ligeiramente diferente, temos mais cuidados porque também são animais com outro valor acrescentado. O objetivo é fazer três partos em dois anos. Como faz a seleção destes animais, o que procura? Procuro partos duplos e curvas de crescimento rápidas. Peso-os à nascença e uma vez por semana. Também dou atenção à mortalidade dos filhos. E os animais suffolk? Tenho há um ano, a linha inglesa. Fui buscar genética dos concursos, genética do top do Reino Unido, estou agora à espera dos resultados, ainda tenho pouca experiencia. Quais os seus objetivos de seleção destas raças para o próximo ano? Nas raças puras gostava de andar aí nas 100-150 e nas 2000 cruzadas, mais ou menos. Manga Gallagher - www.agrovete.pt • Software Wezoot - www.wezoot.com

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PRODUÇÃO

COMEÇAR COM 8 VACAS

A HISTÓRIA DE UM NEGÓCIO NA ILHA DE S. MIGUEL TEXTO MARIA TERESA MOREIRA, MÉDICA VETERINÁRIA

F

oi em São Pedro-Nordeste, na Ilha açoriana de São Miguel, que conhecemos José Correia. À data de hoje possui uma exploração de vacas de leite com 270 animais em regime de estabulação e está nos seus planos a informatização a gestão do seu negócio para torná-lo mais rentável. Quando tudo começou, eram só 8 vacas. Em 1981, ano em que se casou, o pai de José Carlos Medeiros Correia ofereceulhe 8 vacas como presente de casamento. Durante anos, ele e a sua esposa, e mais tarde o filho, trabalharam, investiram e a exploração cresceu até às 270 cabeças atuais. O que torna a história desta exploração diferente da maioria são, em primeiro lugar, as pessoas, que entenderam que se queriam ser produtores de leite, teriam de fazer diferente. Em 1981 não era ainda comum em S. Miguel estabular as vacas e não ter ordenha móvel, no entanto, José compreendeu o que o rodeava e concluiu que esta seria a única solução viável para o crescimento da exploração. A primeira obra realizada foi a construção de um pavilhão para as 8 vacas e para a máquina de ordenha, que rapidamente se tornou pequeno e levou a novos investimentos. José fez tudo com os seus próprios meios, sem recorrer a financiamentos, subsídios ou projetos, embora não critique quem recorre a este tipo de apoios. Ao longo do tempo, que em S. Miguel passa mais devagar, a manada foi crescendo e aumentando a sua produtividade, até chegar às atuais 110 vacas em ordenha. Paralelamente, tem uma engorda que abastece os dois talhos que abriu há já

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ruminantes julho .agosto .setembro 2019

José Carlos Correia, Viviana Mota, médica veterinária e João Carlos Correia.

alguns anos para escoar os machos e o refugo da exploração, para estar menos dependente das oscilações do preço da carne. Tem planos para o futuro? Os nossos planos passam por alguns investimentos importantes para a gestão da vacaria. Estamos a pensar em comprar podómetros e apostar na informatização da gestão. Continuamos a dar ração na ordenha (uma parte também no unifeed), e ponderamos alterar este ponto. Dependendo dos resultados do ano de 2019, tomaremos as nossas decisões. E em termos gerais? Pretendemos manter o número médio de animais em ordenha. Neste momento trabalho eu, o João (meu filho) e um

funcionário a tempo inteiro, como tal não é possível fazermos muito mais. Como foram estes anos? De trabalho, sobretudo, mas também de satisfação pelo dever cumprido e por uma aposta que continuamos a ganhar, apesar do esforço que é produzir leite nos Açores. Eu e a minha mulher começámos com 8 vacas e trabalhámos muito para construirmos tudo isto. Neste momento como funciona a gestão da exploração? Na totalidade cultivamos 35 hectares, dos quais 22 são de milho e os restantes de erva e pasto. Antes as vacas tinham o cabanão mas íam dormir à pastagem. Fechámos as vacas há cerca de 5 anos, quando contruímos o novo pavilhão. As vacas secas e as novilhas na altura


A história de um negócio na ilha de S. Miguel

DADOS DA EXPLORAÇÃO • Nº total de animais 270 • Nº de vacas em lactação 110

novilhas e vacas secas. Também é ela que entregamos a parte clinica da exploração, e tudo o que se relaciona com a saúde dos nossos animais.

Os nossos planos passam por alguns investimentos importantes para a gestão da vacaria. Estamos a pensar em comprar podómetros e apostar na informatização da gestão.

• Produção 32 litros/vaca/dia • Teor de gordura 3.4 • Teor de proteína 3.9 • CCS 200.00 • Contagem microbiana 5 • Inseminações Sémen Holstein (Semenzoo e Ascol) • Intervalo entre partos 162 dias

da cobrição saem para o pasto. Temos também uma exploração de engorda, para fornecimentos dos dois talhos. E relativamente aos animais? Semanalmente, a Drª Viviana Mota, médica veterinária assistente da exploração, faz as visitas de reprodução e nesta altura faz um rastreio a todos os outros animais, vitelos,

Como é produzir leite nos Açores? Pagamos para produzir, uma vez que muitos dos fatores de produção têm origem fora dos Açores, e pagamos novamente para colocar o leite nos mercados “extra-ilhas”. Isto aumenta os custos de produção, e apesar das excepcionais características do nosso leite, este continua a ser mal pago. Aqui na exploração, como temos refrigeração, recebemos mais, mas mesmo assim não é suficiente. Vendemos o leite à Unileite e trabalhamos, em termos de acompanhamento nutricional, com a Associação Agrícola de S. Miguel.

O que é mais lucrativo, a carne ou o leite? Não consigo responder com exatidão, mas posso afirmar que qualquer um dos dois é mal pago. Se tivesse oportunidade de voltar atrás no tempo? Faria tudo igual.

ORANGE DAYS OU DEMONSTRAÇÕES KUBOTA A empresa Tractores Ibéricos, importadora para Portugal da marca Kubota, organizou mais um programa de demonstrações em campo, denominado Orange Days, que este ano se realizou no passado mês de maio, em Beja. As centenas de agricultores de todas as regiões do país puderam experimentar e desfrutar de todo o potencial das novidades da marca japonesa, tanto dos tratores como das alfaias Kubota. O propósito do Orange Days é que todos os interessados possam conhecer a gama de tratores e alfaias da marca nipónica, que conta com uma gama cada vez mais completa de tratores, que já se aproxima dos 200 CV, e de uma gama de alfaias desenvolvida pela Kverneland em resultado da aquisição por parte da Kubota.

ruminantes julho .agosto .setembro 2019

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ALIMENTAÇÃO

A IMPORTÂNCIA DA SAÚDE RUMINAL A utilização de alimentos que estimulem e alimentem a população microbiana do rúmen ajudará a aumentar a ingestão voluntária de alimento e, dessa forma, a melhorar a capacidade de obtenção de energia.

C LUÍS RAPOSO ENGENHEIRO ZOOTÉCNICO DEPARTAMENTO RUMINANTES DA REAGRO L.RAPOSO@REAGRO.PT

om o objetivo de promover a saúde ruminal das diferentes espécies ruminantes de maior interesse zootécnico, especialmente nas fases mais críticas da sua fase produtiva, existem hoje importantes ferramentas nutricionais úteis para melhorar o consumo de matéria seca e a sua digestibilidade. A utilização de alimentos que estimulem e alimentem a população microbiana do rúmen ajudará a aumentar a ingestão voluntária de alimento e, dessa forma, a melhorar a capacidade de obtenção de energia. Entendemos como fases críticas (ou mais sensíveis) os períodos de mudanças alimentares mais bruscas, o desmame de animais jovens, ou o período seco e pré-parto.

PERÍODO SECO E PRÉ-PARTO O período seco e o pré-parto em vacas, ovelhas e cabras leiteiras são as fases mais importantes do ciclo de lactação. Durante estas fases, acontecem: - a regeneração dos úberes para a lactação seguinte; - importantes mudanças de alimentação; - diminuição da capacidade de ingestão por redução do espaço disponível no rúmen; - grande desenvolvimento do feto, correspondente ao último terço de gestação; - mudanças metabólicas e hormonais. Por estes motivos, a existência

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ruminantes julho . agosto . setembro 2019

de carências ou perturbações da normalidade durante o período seco terão um efeito negativo sobre a saúde da vaca/ovelha ou cabra e da sua produção de leite após o parto. É sabido que a quantidade de alimento ingerido durante o período seco é um fator decisivo para reduzir o défice energético após o parto (balanço energético negativo). O balanço energético negativo não está relacionado com a quantidade de leite produzida nem com a sua qualidade, mas deve-se sim a uma diminuição na ingestão de matéria seca num momento cujas necessidades aumentam exponencialmente. Convém por isso controlar a condição corporal do animal através de uma boa composição da ração e apostar num maneio que garanta e estimule o aumento da ingestão de matéria seca. Os resultados esperados serão uma redução ao mínimo do aparecimento dos problemas periparto e das patologias metabólicas, melhores resultados reprodutivos e o aumento do rendimento no arranque da lactação (devido ao maior consumo de matéria seca durante os dias de pré-parto).

DESMAME Outro período importante a ter em conta é o desmame do efetivo de reposição (vitelas, borregas ou cabritas). A mudança de alimentação ocasiona normalmente transtornos digestivos (diarreias), sendo também recorrentes


A importância da saúde ruminal

nesse período problemas respiratórios. Os problemas respiratórios nestes animais são particularmente comuns e mais prevalentes no outono/inverno, especialmente quando os animais estão estabulados. Recomenda-se por isso incorporar na sua dieta um reforço com óleos essenciais (de mentol e eucalipto), leveduras, vitaminas e minerais essenciais que, em conjunto e de uma forma natural, estimulam o sistema imunitário, o consumo precoce de alimentos concentrados e forragens e consequentemente o desenvolvimento do rúmen.

ENGORDA No seguimento do ponto anterior mas considerando agora o especial interesse em animais de engorda, é primordial garantir um rúmen saudável para favorecer uma boa transição da fase lactante para o arranque da engorda. Desta forma consegue-se uma ingestão mais precoce de matéria seca e evitam-se (prevenindo) eventuais picos de acidoses, situações de timpanismo ou outras desordens metabólicas. Seja durante as primeiras semanas de engorda seja novamente nas últimas semanas (acabamento) ambos são períodos críticos e de elevado stress.

CRYSTALYX TRAZ BENEFÍCIOS AO NOSSO EFETIVO Aumenta a ingestão de matéria seca, através de um rúmen mais estimulado Melhora a digestibilidade e absorção de nutrientes da ração, favorecendo a emulsão das partículas no líquido ruminal devido à ação dos ésteres de sacarose Estimula a salivação, tamponando o pH do rúmen

Reforça a imunidade, derivado ao seu conteúdo em oligoelementos de alta qualidade Previne alterações metabólicas (cetoses, toxemia de gestação…) Aporta energia e uma grande quantidade de nutrientes Contribui para manter uma condição corporal óptima para o arranque da lactação

PROVA CIENTÍFICA LEVADA A CABO EM VACAS DE LEITE (GRÉCIA, UNIV. TESSALÓNICA)

Desenvolvimento da fertilidade

77

139

CONTROLO

71

CRYSTALYX®

0

419

104 100

384 200

300

400

Dias de lactação

Intervalo desde o parto até à primeira inseminação Dias em aberto (intervalo parto-conceção) Intervalo entre partos (calculado)

ruminantes julho . agosto . setembro 2019

19


ALIMENTAÇÃO

PROVA DE CAMPO LEVADA A CABO NUM GRUPO DE 242 OVELHAS DE LEITE ASSAF DIVIDIDO EM DOIS LOTES DE 121 OVELHAS (ESPANHA) PRODUÇÃO (L/Ovelha/dia)

CONTROLO

CRYSTALYX

2,90

2,90

Gordura (%)

6,19

6,35

Proteína (%)

4,84

4,90

Lactose (%)

4,86

4,90

* Dados obtidos durante 119 dias, entre 11 junho e 7 outubro

QUALIDADE

Extrato (%)

16,85

17,12

RCS (x1000/ml)

860,17

883,20

Ureia (mg/l)

647,99

611,07

Acetona (mM/l)

0,29

0,24

BHB (mM/l)

0,20

0,17

* Dados obtidos de 5 controlos leiteiros entre 23 junho e 26 outubro

PROVA DE CAMPO LEVADA A CABO EM NOVILHOS DE ENGORDA LIMOUSINE (ESPANHA) Num grupo de 72 novilhos, foram feitos dois lotes de 36 novilhos (lote controlo VS lote suplementado com Crystalyx) durante os primeiros 85 dias após entrada na engorda.

Kg 2,00

239 g

66 g

1,95 1,90

LOTE CRYSTALYX

1,85

LOTE CRYSTALYX LOTE CONTROLO

1,80

Numa fase pós-desmame e início de engorda, o desenvolvimento e funcionamento do rúmen são cruciais na obtenção dos melhores resultados produtivos. Os vários ensaios feitos nestas fases são demonstrativos das vantagens e benefícios da saúde ruminal e da estimulação do desenvolvimento da flora microbiana do rúmen: melhores índices de conversão e melhores ganhos médios diários, em especial no arranque da engorda. Conclusão: Prevenir é sempre mais económico do que curar!

1,75 1,70 1,65 1,60

Kg 1,85 LOTE CONTROLO

1,80

107 g

1,75

1,55

LOTE CRYSTALYX

1,70

1,50 GMD (dia 47) kg/novilho/dia

GMD (dia 85) kg/novilho/dia

1,65 1,60

LOTE CONTROLO

1,55 1,50

Lote

GMD kg/novilho/dia (dia 47)

GMD kg/novilho/dia (dia 85)

Lote Controlo

1,681

1,848

Lote Crystalyx

1,920

1,914

O consumo de Crystalyx no total dos 85 dias foi 1,25kg/novilho.

20

ruminantes julho . agosto . setembro 2019

GMD kg/novilho/dia (dia 41)

Lote

GMD kg/novilho/dia (dia 41)

Lote Controlo

1,688

Lote Crystalyx

1,795


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ALIMENTAÇÃO

INFLUÊNCIA DA ALIMENTAÇÃO PROTEICA NA REPRODUÇÃO

Q JAVIER LOPEZ TECHNICAL SALES MANAGER RUMINANTES KEMIN EM ESPANHA E PORTUGAL

uando numa exploração aparecem dados reprodutivos pouco satisfatórios, focamo-nos com muita frequência na alimentação. Dentro deste campo são vários os aspetos que assinalamos como possíveis responsáveis do problema. Estes aspetos podem dividir-se em dois grupos: a) Qualidade microbiológica (fungos, bactérias) e micotoxinas b) Deficiências nutricionais Dentro do segundo grupo prestamos muita atenção à energia ou à carência de alguns minerais e vitaminas relacionados diretamente com a reprodução. Como nutricionistas, quando nos confrontamos com um desafio deste tipo, geralmente verificamos os níveis destes nutrientes e, em bastantes casos, verificamos que superam os requisitos de forma “segura”. No entanto, existem outros nutrientes, como os aminoácidos, que geralmente não relacionamos diretamente com o êxito reprodutivo.

INTRODUÇÃO Os aminoácidos (AA) são a única fonte utilizável de nitrogénio para o animal. São as unidades químicas ou elementos constituintes das proteínas que, contrariamente aos outros nutrientes, contêm nitrogénio (N). São biomoléculas formadas por Carbono (C), Hidrogénio (H), Oxigénio (O) e Enxofre (S). Existem 20 AA que se podem dividir em AA Essenciais (aqueles que não podem ser sintetizados pelo animal em quantidade suficiente) e AA Não Essenciais. As vacas têm requisitos individuais de cada AA em função do seu peso, nível produtivo, etc. Podemos estar a administrar uma quantidade de proteína

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ruminantes julho . agosto . setembro 2019

bruta elevada e ainda assim não cobrir os requisitos de alguns AA. Ao mesmo tempo, o animal sofrerá um desgaste energético para expulsar sob a forma de ureia os outros AA que possam estar em excesso. Além de fundamentais para a síntese de proteínas, os aminoácidos são precursores de outros compostos nitrogenados e têm muitas outras funções no organismo (ex.: A lisina intervém na formação da carnitina, essencial para fornecer energia ao organismo). Além disso, cada aminoácido tem funções biológicas próprias, algumas delas relacionadas com a função reprodutiva.

PERDAS EMBRIONÁRIAS Na realidade, os maus dados reprodutivos não se devem somente a uma falha na fertilização, de facto, a maioria das vacas “estiveram grávidas”, o que na realidade acontece é que sofrem perdas embrionárias por diferentes motivos. Estudos realizados nos EUA atribuem médias de 0,9% de perdas embrionárias diárias nos primeiros 50 dias de gestação (Gráfico 1). A nível alimentar, a nutrição proteica tem um papel importante, seja por excesso, com os problemas que isto acarreta, ou por não cobrir os requisitos de alguns AA que têm um papel fundamental na viabilidade dos embriões. Esta influência da nutrição na reprodução começa antes do parto, já que o crescimento do folículo começa nesta etapa e o status nutricional nesta fase vai ter uma clara influência no êxito reprodutivo (Gráfico 2).


O efeito da suplementação com metionina ou lisina protegidas

Nesta fase peri parto poderíamos dividir a influência dos AA na reprodução em dois grupos: -balanço proteico negativo. - influência de determinados AA no estado sanitário do animal

BALANÇO PROTEICO NEGATIVO

Proteínas dos tecidos

Enzimas

Proteínas dos Proteínas mensageiros dos recetores

Conjuntivo Epitelial Muscular Nervoso

Em muitas ocasiões no pós-parto falamos de balanço energético negativo, mas não menos importante que este é o balanço proteico negativo. A concentração de certos aminoácidos, como a metionina, no plasma sanguíneo diminui drasticamente nas três ultimas semanas antes do parto e não recupera o nível basal até aos 28 DEL (Gráficos 3 e 4).

Proteínas dos canais iónicos

Proteínas do leite

Proteínas do sangue

Albuminas Globulinas Fibrinogénio Proteínas reguladoras Fatores coagulação

Síntese de proteínas

Glucose

Regulação do metabolismo

AMINOÁCIDOS

Compostos NPN

Energia

Energia

Bases nitrogenadas Creatinina/Creatina Histamina Poliaminas, etc.

Gordura

GRÁFICO 1: PERDAS EMBRIONÁRIAS E FETAIS DESDE A CONCEÇÃO ATÉ AO PARTO 100 80

17%

FALHAS NA FERTILIZAÇÃO

60 Nº de vacas prenhes

33

100

37%

23%

FALHA EMBRIONÁRIA PÓS BLASTOCISTO

20

13%

FALHA EMBRIONÁRIA TARDIA

4%

6% FALHAS DO FALHAS MEIO AO INICIO E MEIO DO FINAL DO PERÍODO FETAL PERÍODO FETAL

0 IA

Fert.

d 5-7

Menor gasto energético por excreção de ureia (menor PB necessária e menor desaminação). Aumento da IMS com metionina no pré e no pós-parto (Osorio,2013; Zhou et al., 2016). Gliconeogénese (Met) (Loor, 2017). Aporte de aminoácidos limitantes (Lis e Met). Durante o pós-parto o que denominamos BPN (baixo peso ao nascimento) na realidade é um défice de AA. Estimular a eliminação oxidativa de NEFA (ácidos gordos não esterificados) (como a carnitina e as Lis e Met). Aumento na produção de carnitina (Lis e Met). Oxidação de ácidos gordos para produzir energia. Incorporação de NEFA nas mitocôndrias.

INFLUÊNCIA DE DETERMINADOS AA NO ESTADO SANITÁRIO DO ANIMAL

FALHAS NA CLIVAGEM

40

INFLUÊNCIA DOS AA NO BALANÇO PROTEICO E ENERGÉTICO NEGATIVO

d28

d28

d75

Termo

(Hansen, Rev Bras ReprodAnim 2011)

Aporte de NEFA ao fígado. Biossíntese de colina (Met). Síntese de VLDL (Met): Expulsão da gordura do fígado (Luchini,2014). A metionina é um substrato para a síntese de glutatião, que é um dos antioxidantes mais potentes.

ruminantes julho . agosto . setembro 2019

23


ALIMENTAÇÃO

GRÁFICO 2: O CRESCIMENTO DO FOLÍCULO COMEÇA ANTES DO PARTO Calvina = d 0

A metionina é necessária para a proliferação de linfócitos (WBC) (Solder & Holden, 1999); também aumenta a capacidade de matar dos neutrófilos (Osorio et al., 2013).

VWP = 70 d Pico de LH

Destaque dos foliculos subordinados

pré-ovulatório

ovulação

dominante antral

55 dias

2-3 dias

1 dia

42 dias Início do crescimento

secundário

primário folículo primordial

Crescimento folicular > 100 dias (Hansen, 2013)

32

Lis (mmol/L)

Met (mmol/L)

GRÁFICOS 3 E 4: BALANÇO PROTEICO NEGATIVO

30 28 26

120 100 80

24 22

60

20 18

-21

-14

-7

1

17

7 10 14

40

28 21

-21

-14

-7

1

Dia do período peri parto

17

7 10 14

28 21

(Zhou et al, 2016)

TABELA 1: RESULTADOS DUM ESTUDO REALIZADO COM SUPLEMENTAÇÃO DE METIONINA NO PERI PARTO, NOS PRINCIPAIS PARÂMETROS REPRODUTIVOS CONTROLO

RPM (2)

P-VALUE

Dias até ao primeiro estro

52,7

30,0

<0,01

Dias até à primeira IA

78,0

50,5

0,01

Dias até a conceção

173,0

137,0

0,06

Serviços por conceção

3,1

2,8

0,69

Dias em aberto

142,7

106,2

0,04

Intervalo entre partos (dias)

421,3

386,8

0,06

Visibilidade dos sinais de cio (1)

2,61

1,96

0,09

(1) Score de visibilidade dos sinais de estro: 1. recetividade e monta evidente; 2. Recetividade e monta pouco evidentes; 3. Sem sinais de recetividade e monta. (2) RPM - Grupo suplementado com metionina protegida da ação ruminal.

24

ruminantes julho . agosto . setembro 2019

Na Tabela 1 apresentam-se os resultados de um estudo realizado com suplementação de metionina no peri-parto, nos principais parâmetros reprodutivos. Estes aspetos que temos citados sobre a influência dos aminoácidos na reprodução estão circunscritos ao peri-parto, no entanto existem vários estudos que relacionam o aumento da suplementação de diferentes aminoácidos com o êxito reprodutivo. Num estudo realizado na Universidade de Wisconsin, com mais de 300 animais, as perdas embrionárias em animais múltiparos, entre os dias 28 a 61 pós IA diferiram de 19,6% a 6,1% em animais suplementados com metionina (Gráfico 5). No mesmo estudo observou-se uma diferença significativa no tamanho do embrião e da vesicula amniótica no dia 33 entre vacas suplementadas com metionina e o grupo controlo. Concretamente o tamanho do embrião foi em média 209,3mm³ em vacas suplementadas, enquanto que no grupo controlo a média foi de 160,5mm³. Quanto ao tamanho médio da vesícula amniótica no grupo metionina foi de 592,1mm³, enquanto que no grupo controlo foi de 472,3mm³. Esta diferença de tamanho está diretamente relacionada com a viabilidade do embrião. Estes dados estão relacionados com estudos de Penagaricano em 2013 em que se concluiu que nos animais suplementados com uma dose de metionina se expressava com maior clareza um gene que influencia no metabolismo lipídico do embrião. Em diferentes trabalhos de Gao et al, 2009 e Groebner et al, em 2011 foram estudadas as concentrações dos


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ALIMENTAÇÃO

diferentes aminoácidos no oviduto, útero e plasma sanguíneo no momento de alongamento do embrião (dia 18 do ciclo) e concluiu-se que as concentrações de certos AA eram muito maiores no oviduto e útero do que no plasma sanguíneo, o que demonstra um “sequestro” dos mesmos para funções reprodutivas. Outra conclusão significativa foi que as vacas que finalmente ficaram gestantes

tinham concentrações de lisina, metionina e histidina no útero mais de 10 vezes superiores às que não ficaram gestantes. Isto é de uma importância extrema já que estes três aminoácidos são limitantes para a produção de leite e é precisamente no momento em que a vaca esta a chegar ao pico da lactação que queremos que fique gestante (Tabela 2).

GRÁFICO 5: PERDAS EMBRIONÁRIAS EM ANIMAIS MÚLTIPAROS, ENTRE OS DIAS 28 A 61 PÓS IA

19,6 12,8

14,6

6,1

Primíparas

Multíparas

(Toledo et al.)

TABELA 2: CONCENTRAÇÃO DE AMINOÁCIDOS NOS FLUIDOS DO OVIDUTO, ÚTERO E PLASMA SANGUÍNEO. Amino -ácido

26

Oviduto (µM)

Plasma (µM)

Uterina (µM)

Oviduto/ Plasma,%

Útero /Plasma,%

Aumento no útero grávido

Ala

592,2

252,52

353,07

235

156

2,87X

Arg

133,3

94,50

193,87

141

196

7,58X

Asn

41,0

19,60

72,17

209

357

5,50X

Asp

135,5

6,72

120,80

2016

2059

4,93X

Gln

194,7

236,80

208,57

82

89

4,06X

Glu

346,3

62,12

217,63

558

341

3,45X

Gly

1557,6

680,88

1215,73

229

183

1,24X

His

68,8

57,04

109,23

121

195

11,48X

He

87,6

86,10

94,10

102

103

7,06X

Leu

192,2

154,72

201,03

124

121

4v41X

Lys

223,7

105,34

2019,23

212

176

14,39X

Met

39,8

24,88

40,40

160

201

12,39X

Phe

68,1

38.42

75,50

177

175

7,31X

Ser

172,7

85,54

252,73

201

301

2,52X

Tau

49,4

47,34

440,03

104

783

1,09X

Thr

162,6

133,60

144,60

122

96

3,29X

Trp

36,1

27,52

38,40

131

134

4,99X

Tyr

54,4

25,62

63,73

212

227

5,30X

Val

181,4

170,04

19247

107

106

4,63X

ruminantes julho . agosto . setembro 2019

RESUMO DOS AMINOÁCIOS FUNCIONAIS EM REPRODUÇÃO A arginina é fundamental para manter o fluxo sanguíneo uterino e a eficiência reprodutiva (Kwon et al., 2004). A metionina tem um papel fundamental no desenvolvimento do embrião bovino desde a mórula até ao blastocisto (Ikeda et al., 2012). A metionina tem um papel fundamental nas etapas de desenvolvimento do folículo e do embrião numa fase inicial, modificando o epigenoma do embrião. Os genes modificam-se e não se expressam da mesma forma devido à adição de grupos metilo ao ADN das células (Wiltbank, Toledo, Shaver, Lobos, Follerndorf, Luchini, Carballom Baez and Suousa, 2014). O aumento dos níveis de metionina na dieta materna alterou a expressão genética (metilação de ADN), inibe a expressão de determinados genes até a etapa de desenvolvimento apropriada. Muitos desses genes desativados durante o desenvolvimento embrionário estão relacionados com funções imunes fundamentais para a evolução da gravidez e a função imunitária normal depois do nascimento (Penagaricano, 2013).

PARÂMETROS ANALISADOS EM DIVERSOS TRABALHOS DE CAMPO Melhor involução uterina aos 45 dias pós-parto (Lis ye Met)(Robert et al.,.1996) Níveis mais altos de Lis e Met em dietas resultaram em níveis mais altos de progesterona antes e 5 dias depois da ovulação. Níveis altos de progesterona favorecem a implantação do embrião (Robert et al., 1996). Rações com níveis mais altos de Lis e Met reduzem o intervalo P-1ªIA e P-P em 5 dias. (53 explorações, 2000 vacas) (Thiacourt, 1996). Nota - A bibliografia consultada pode ser obtida a pedido através do e-mail do autor: Javier.lopez@kemin.com


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ALIMENTAÇÃO

EFEITO DE UM ADITIVO SOBRE AS PERFORMANCES DE BORREGOS DE ENGORDA O presente artigo pretende demonstrar como maximizar as performances de crescimento em borregos utilizando um aditivo à base de leveduras inativas e óleos essenciais que tem por objetivos regular o pH ruminal, melhorar a digestibilidade da ração e aumentar a produção de ácido propiónico.

D PEDRO CASTELO DIRETOR TÉCNICO ZOOPAN PEDRO.CASTELO@ZOOPAN.COM

DIOGO RIBEIRO TÉCNICO COMERCIAL ZOOPAN DIOGO.RIBEIRO@ZOOPAN.COM

escrevemos um estudo realizado na Station Experimentale du CIIRPO que confirma o interesse de uma solução à base de óleos essenciais na otimização do desempenho da engorda de ovinos. O presente artigo tem como objetivo demonstrar como maximizar as performances de crescimento em borregos com a utilização de um aditivo à base de leveduras inativas e óleos essenciais. O objetivo deste aditivo é o seguinte: 1) regular o pH ruminal; 2) melhorar a digestibilidade da ração; 3) aumentar a produção de ácido propiónico (C3) com impacto direto nas performances de crescimento. As leveduras inativas estimulam o consumo de ácido láctico e a produção de ácido acético e propiónico aumentando, assim, a produção de ácidos gordos voláteis totais. No que diz respeito aos óleos essenciais selecionados, estes orientam as fermentações ruminais de modo a aumentar a produção de C3 (ácido propiónico) sem perturbar a flora microbiana.

ENGORDA, UMA FASE DELICADA As explorações pecuárias devem ser eficientes para gerar uma margem de lucro, e como tal, a produção ovina não é exceção sendo a engorda de borregos um passo crucial na criação de valor

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acrescentado. A chave é maximizar o crescimento e a eficiência alimentar, limitando as perdas. A fase de engorda pode envolver algum risco. Os borregos estão sujeitos a diferentes fases de stress, que podem ter um impacto negativo no seu desempenho, eficiência alimentar e margem de custo de alimentos.

UMA COMPARAÇÃO ENTRE TRÊS LOTES DE BORREGOS COM DIFERENTES PROGRAMAS ALIMENTARES Este ensaio ocorreu durante três meses com borregos descendentes de fêmeas Ile de France /Romanov x machos Texel. Foram separados 3 lotes de 30 borregos cada (21 dias de idade) em grupos o mais homogéneos possível (peso aos 21 dias, peso de nascença, tamanho da ninhada, condição corporal das ovelhas, ...). Cada lote recebeu uma dieta específica: TESTEMUNHA: Alimento com 17% de MAT, 35% Amido + Açúcar, 8,5% Fibra Bruta, valores sobre a matéria bruta do alimento. LOTE 1: Alimento com características idênticas suplementado com aditivo à base de óleos essenciais. LOTE 2: alimento "re-otimizado" de acordo com a matriz do aditivo adicionado à base de óleos essenciais. É de notar que a dose da solução aditiva foi idêntica entre o lote 1 e o lote 2. Durante este ensaio, os animais


Efeito de um aditivo sobre as performances de borregos de engorda

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ALIMENTAÇÃO

GMD dos borregos (g/dia)

T

L1

L2

370 360 350 340 330 320 310 21 dias até ao desmame

21 dias até ao abate

GRÁFICO 1: GANHOS MÉDIOS DIÁRIOS DOS ANIMAIS DURANTE O ENSAIO

T

Índice de Conversão (IC)

L1

L2

2,50

2,00

1,50

1,00

21 dias até ao desmame

21 dias até ao abate

GRÁFICO 2: ÍNDICE DE CONVERSÃO ALIMENTAR DURANTE O ENSAIO

satisfazer a procura do mercado em causa, mas aqueles que receberam o programa alimentar suplementado com óleos essenciais eram mais jovens (107 ou 111 dias contra 113 dias do lote testemunha). O aditivo utilizado melhorou o desempenho do crescimento dos borregos ao longo de todo o teste: O ganho médio diário (GMD) aumentou de 28 para 33 g / dia pela dieta em comparação com o lote testemunha e o lote até ao abate. A partir do desmame (70-80 dias de idade), notamos que as diferenças aumentaram, pois o leite materno desapareceu e o alimento concentrado representou o único alimento, juntamente com palha como forragem. Distúrbios metabólicos podem ter aparecido no lote testemunha, resultando em stress que poderá ter limitado o desempenho. Os índices de conversão mostraram desvios acentuados ao longo de todo o ensaio, tal como podemos observar na figura 2. Os programas alimentares foram mais eficientes com a utilização deste aditivo à base de leveduras inativas e óleos essenciais e, consequentemente, com índices de conversão alimentar inferiores. Por outro lado, as dietas não afetaram as classificações de carcaça, particularmente em termos de conformação, gordura e cor.

CONCLUSÃO tiveram palha à descrição e água sempre disponível. Os 3 lotes foram conduzidos durante os mesmos dias e no mesmo edifício. Os borregos foram pesados a cada 15 dias, sendo realizada uma dupla pesagem ao desmame (70 a 80 dias de idade), e antes da partida para o matadouro. A quantidade de alimento distibuída também foi contabilizada, assim como o alimento que sobrava. O abate foi definido para atingir pesos

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de carcaça de 18 kg para machos e 16 kg para fêmeas. As carcaças foram classificadas individualmente em um terço da classe. A cor e o comportamento da gordura foram anotados 72 horas após o abate.

DIFERENÇAS NOS 3 PROGRAMAS ALIMENTARES Os borregos foram abatidos com peso semelhante (38 kg vivos em média) para

Os resultados confirmam a capacidade dos óleos essenciais em melhorar as performances de crescimento durante a engorda de borregos. Esta melhoria foi evidente mesmo comparando com um lote testemunha com boas performances. Num cotexto de produção intensiva, este ganho de crescimento pode ser valorizado por uma redução da duração de engorda (para um peso de carcaça idêntico).


Efeito de um aditivo sobre as performances de borregos de engorda

CONSUMO DE CARNE OVINA EM PORTUGAL

Efetivo ovino 370 3000

Efetivo (x 1000)

2500 2000 1500 1000 500 Ano 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017

Em Portugal, o consumo de carne ovina tem sido estável nos últimos 3 anos, verificando-se um consumo per capita da ordem dos 2,3 kg por ano (carne de ovino e caprino). No gráfico seguinte (gráfico 3) podemos observar a evolução do efetivo de ovinos em Portugal, entre 2006 e 2017. O efetivo de ovinos, em Portugal, sofreu uma tendência decrescente desde 2006 até 2015, no entanto começa a haver uma inversão da tendência em 2016 e 2017, resultado do aumento de procura deste produto para exportação. Os borregos são sujeitos a diferentes fontes de stress durante a fase de engorda, que pode limitar a sua performance, eficácia alimentar e impacto sobre o custo alimentar. Alguns produtos à base de óleos essenciais mostraram efeitos benéficos sobre parâmetros de ruminação em borregos e, consequentemente, sobre as suas performances (Chaves et al, 2008).

GRÁFICO 3 EVOLUÇÃO DO EFETIVO DE OVINOS EM PORTUGAL DE 2006 A 2017 (INE – INSTITUTO NACIONAL DE ESTATÍSTICA)

BREVES PUBLICADA REVISÃO DA FOLHA DE BALANÇO DA UTILIZAÇÃO DE PROTEÍNA NA ALIMENTAÇÃO ANIMAL NA UE No passado mês de maio, a comissão europeia publicou uma nova revisão da folha de balanço da utilização de proteína na alimentação animal na UE. Nesta publicação são incluídos pela primeira vez dados sobre as forragens. As forragens como a erva ou a silagem de milho são a maior fonte proteica na alimentação animal e representam 45% do total da utilização de alimentos para animais na

União Europeia que é autossuficiente na produção deste tipo de alimentos. Por outro lado, as farinhas de oleaginosas fornecem quase ¼ do total das proteínas alimentares, mas a UE produz apenas 26% do que consome em alimentos provenientes da soja ou colza. Quando se tem em conta o total de alimentos para animais utilizados, cerca de 80% é produzido dentro da União. O comissário

europeu Hogen afirmou que o relatório “reflete o compromisso da Comissão em melhorar a transparência do mercado do setor das proteínas tal como noutros setores” acrescentando que “o setor é vital para o sucesso da nossa agricultura e que a melhoria na transparência do mercado favorece o estudo das dinâmicas do mesmo permitindo uma resposta adequada da parte dos vários agentes”.

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ALIMENTAÇÃO

PROGRAMA KALIBER

MONITORIZAÇÃO E AVALIAÇÃO DO CRESCIMENTO DAS NOVILHAS O Programa de Recria Kaliber consiste num conjunto de alimentos especificamente desenhados para as diferentes fases de crescimento das novilhas, que enquadrados numa série de regras de maneio permitem aos animais expressar o seu potencial genético, evitar a deposição de gordura e garantir a melhor condição corporal ao primeiro parto.

A

CÉSAR NOVAIS GESTOR DE PRODUTO RUMINANTES DE HEUS NUTRIÇÃO ANIMAL S.A. CVCORREIA@DEHEUS.COM

recria das novilhas representa cerca de 20% dos custos de uma exploração leiteira, valor este que só é recuperado a meio da segunda lactação. Significa que o investimento realizado em novilhas com idade ao primeiro parto de 24 meses será recuperado aos 42 meses de idade. Se considerarmos uma idade ao primeiro parto de 30 meses o custo de recria da novilha só será recuperado aos 52 meses de idade. Para se assegurar a rentabilidade da exploração leiteira é fundamental conseguir animais bem recriados que tenham o primeiro parto aos 24 meses com condição corporal adequada e os objetivos de crescimento atingidos. Em 2013, num estudo realizado pela

CRV e que envolveu 1.050 animais, foi demonstrado que as novilhas recriadas com o programa Kaliber produzem até mais 1.500 kg de leite nas 3 primeiras lactações por comparação com novilhas recriadas com base noutros programas. De forma a avaliar a eficácia do programa Kaliber em Portugal, a equipa de Ruminantes da De Heus realizou, de outubro de 2018 a abril do corrente ano, um processo de monitorização do crescimento de novilhas em 50 explorações leiteiras localizadas nas regiões do EntreDouro e Minho e Beira Litoral. Este trabalho permitiu comparar o crescimento de novilhas das explorações que usam o programa

O QUE DEVEMOS PROCURAR NUMA NOVILHA? JOSÉ ALVES ASSISTENTE TÉCNICO DE RUMINANTES DE HEUS NUTRIÇÃO ANIMAL S.A. JAALVES@DEHEUS.COM

ANDRÉ CRUZ ESTAGIÁRIO DE HEUS NUTRIÇÃO ANIMAL S.A.

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Um arranque saudável

Plano de recria Kaliber®

Vacas leiteiras saudáveis são o resultado da recria de novilhas saudáveis. O plano de recria Kaliber® é um programa alimentar formulado para garantir o desenvolvimento das vitelas, com saúde e vitalidade, e assim conseguir vacas leiteiras mais saudáveis e com uma vida produtiva mais longa. É disso que depende a sua rentabilidade! Quer saber mais sobre o plano de recria Kaliber®? Entre em contacto com um dos nossos especialistas ou visite deheus.pt

WWW.DEHEUS.PT


ALIMENTAÇÃO

FIGURA 1: AVALIAÇÃO DO CRESCIMENTO Posicionamento correto da fita de pesagem Posicionamento correto da vara de medição

Perímetro torácico

Cernelha

leiteiras do Entre-Douro e Minho e Beira Litoral, o Programa de Recria Kaliber é eficaz permitindo um crescimento superior dos animais assim recriados atingindo os objetivos de crescimento recomendados pelo Programa de Recria Kaliber da De Heus.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS • Guide to dairy heifer rearing and lifetime productivity. Disponível em: www.agriland.ie/farming-news/guide-dairyheifer-rearing-lifetime-productivity/ • Jud Heinrichs, Coleen M. Jones, Monitoring Dairy Heifer Growth. Disponível em: https://extension.psu.edu/ monitoring-dairy-heifer-growth.

65"

GRÁFICO 1: ALTURA À CERNELHA

140

Nível

OUTROS PROGRAMAS KALIBER

25"

Leitura da altura

120

Aproximação da vara de medição

34

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cm

100

80

1,5 - 3 MESES

5 - 7 MESES

13 - 16 MESES

23 - 26 MESES

GRÁFICO2: PESO VIVO ESTIMADO 550 OUTROS PROGRAMAS OUTROS PROGRAMAS KALIBER KALIBER

450

350

250

150

kg

Kaliber com novilhas de explorações que usam outros programas. A avaliação do crescimento foi efetuada através de duas medições (figura 1). A altura à cernelha foi medida com uma régua em forma de L invertido e o perímetro torácico foi medido com uma fita métrica tendo-se estimado a partir destes valores o peso vivo dos animais utilizando uma tabela de conversão. Os animais foram escolhidos aleatoriamente, tendo sido o único critério de seleção o grupo de idades pretendido para efetuar o estudo. Foram medidos pelo menos 5 animais em cada grupo de idades por exploração. No total foram efetuadas 2010 medições. Os resultados obtidos estão representados nos gráficos 1 e 2. Para cada intervalo de idades considerado os animais recriados com o Programa Kaliber apresentaram uma altura à cernelha e um peso vivo estimados superiores aos animais alimentados com base noutros programas. Os resultados do estudo permitem concluir que nas condições de campo que se encontram as novilhas nas explorações

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1,5 - 3 MESES

5 - 7 MESES

13 - 16 MESES

23 - 26 MESES


ALIMENTAÇÃO

MICRO-MINERAIS ORGÂNICOS AJUDAM NO COMBATE À INFEÇÃO PELO VÍRUS DA RINOTRAQUEÍTE BOVINA CHRIS ASHWORTH, GLOBAL RNS SPECIES LEADER – BEEF, ZINPRO CORPORATION

É

estimado que as perdas económicas relacionadas com doença respiratória bovina (DRB) se situem entre os 800 e os 900 milhões de dólares anuais, às quais se somam 110 milhões anuais no tratamento de animais doentes. Além disso, estudos demonstram que 80% da mortalidade em vitelos nas engordas comerciais nos Estados Unidos deve-se a DRB. Estas são perdas significativas para a indústria de produção de carne de bovino e para os produtores individuais. Suplementar a alimentação dos bovinos com micro-minerais pode ajudar a aumentar a resistência e a resposta imunitária a infeções que conduzem à doença respiratória bovina.

MICRO-MINERAIS AJUDAM A CONTROLAR A RESPOSTA INFLAMATÓRIA Os produtores de carne devem estar atentos ao sistema imunitário dos seus animais. Infeções respiratórias podem destruir o epitélio de revestimento do trato respiratório superior, permitindo aos agentes patogénicos a entrada no trato respiratório inferior. Quando isto ocorre, pode resultar numa resposta inflamatória prolongada que pode levar a um reduzido ganho de peso, um menor índice de conversão alimentar e um aumento da mortalidade. Para ajudar a perceber como os microminerais podem ajudar no controlo da resposta inflamatória à DRB e ajudar a combater o vírus da rinotraqueite bovina (IBRv), a Zinpro, em conjunto com a Texas Agricultural Experiment Station e a North Carolina State University,

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realizaram um estudo no sentido de determinar o efeito dos micro-minerais na prevenção das infeções por IBRv.

O ESTUDO Foram incluídos quarenta vitelos no estudo. As mães destes vitelos foram divididas pelo peso em dois grupos e cada grupo foi dividido em subgrupos aos quais foi atribuído um de dois suplementos minerais contendo zinco e manganês – da Zinpro Performance Minerals ou zinco e manganês inorgânico – dos 100 dias antes do parto até ao desmame. Os vitelos nasceram em janeiro e foi feito o desmame em agosto com uma média de peso corporal de 266kg. Foram posteriormente enviados de Raleigh na Carolina do Norte para a engorda na Texas A&M University research feedlot em Bushland. Nesta engorda, os vitelos não foram

vacinados contra o IBRv e manteve-se a mesma fonte de minerais que já tinha sido utilizada nas suas mães durante a gravidez. Os vitelos receberam os micro-minerais administrados numa dieta completa durante 28 dias (fase de stress), sendo posteriormente expostos à estirpe Cooper do vírus IBR (fase IBRv) no dia 29. A suplementação micromineral incorporada na dieta foi feita nas seguintes proporções: 1. complexos Orgânicos da Zinpro: 50 ppm Zn e 40 ppm Mn; 2. micro-minerais inorgânicos: 50 ppm Zn e 40 ppm Mn; Complexos Orgânicos da Zinpro: Redução do impacto do Stress Enquanto o peso ao nascimento dos vitelos no grupo suplementado com os complexos orgânicos da Zinpro não diferiu do peso ao nascimento do grupo suplementado com micro-minerais


Os micro-minerais orgâncios na rinotraqueíte bovina

Suplementar a alimentação dos bovinos com micro-minerais pode ajudar a aumentar a resistência e a resposta imunitária a infeções que conduzem à doença respiratória bovina. inorgânicos, à chegada à engorda, os vitelos das fêmeas alimentadas com complexos orgânicos da Zinpro eram 17kg mais pesados que os das fêmeas suplementadas com micro-minerais inorgânicos. Além disso, os vitelos suplementados com os complexos orgânicos da Zinpro estavam 8,7% mais pesados ao 28º dia após a viagem. Isto significa que os vitelos alimentados com os complexos orgânicos da Zinpro tiveram uma maior ingestão de matéria seca (IMS) ao final dos primeiros 28 dias na engorda, de 8.5 kg comparada com os 7,6 kg do outro grupo. Isto demonstra

que os complexos orgânicos da Zinpro, recebidos através da mãe, ajudaram os vitelos a lidar melhor com o stress da viagem e a adaptação ao novo ambiente. Complexos orgânicos da Zinpro: limitam o impacto da exposição ao IBRv Durante a exposição ao virus IBR, os vitelos alimentados com complexos orgânicos da Zinpro tiveram 20% de diminuição na ingestão de matéria seca enquanto os vitelos alimentados com micro-minerais inorgânicos tiveram uma descida de 49,9%. Verificou-se também que os vitelos alimentados

com os complexos orgânicos da Zinpro tiveram uma menor diminuição geral do peso corporal – perdendo peso corporal em apenas seis dias comparados com os dez dias dos vitelos alimentados com os micro-minerais inorgânicos. Os vitelos alimentados com complexos orgânicos da Zinpro apresentaram também temperaturas rectais inferiores durante a exposição ao vírus.

CONCLUSÃO A suplementação com Zinpro Performance Minerals, incluindo ZINPRO® metionina de zinco e MANPRO® manganês metionina, durante o último trimestre de gestação e após o desmame, pode ajudar a limitar o impacto do stress e da exposição a doenças respiratórias. Para aprender mais sobre o controlo da inflamação e de IBR com recurso à suplementação com Zinpro Performance Minerals contacte um representante da marca e visite EssentialFeed.zinpro.com.

BREVES

MAIOR INCLUSÃO DE ERVA NA DIETA DE VACAS DE LEITE REDUZ EFEITOS NEGATIVOS NO AMBIENTE Um novo estudo revela que a inclusão de mais erva na alimentação de bovinos de leite aumenta o sequestro de carbono nos solos, ajudando a diminuir o impacto negativo sobre a biodiversidade. O estudo, elaborado por equipas de investigação de vários países, foi publicado no “Journal of Cleaner Production”, teve como objetivo incorporar informação sobre o carbono nos solos, biodiversidade e ecotoxicidade numa avaliação de impacto ambiental de sistemas de produção de leite convencionais e biológicos. Tal como estudos

anteriores, este estudo demonstrou, ao avaliar as alterações climáticas, eutrofização e acidificação, que a produção biológica tem um impacto semelhante ou ligeiramente inferior à produção convencional. No entanto, a utilização de terra é maior no sistema de produção biológica. A inclusão das alterações de carbono nos solos diminuiu o potencial de aquecimento global em 5-18%, maioritariamente em sistemas biológicos com uma elevada inclusão de erva na alimentação. Quando comparado o impacto dos sistemas de produção biológico e convencional na

ecotoxicidade, biodiversidade e destruição de recursos, concluiu-se que a produção biológica tem um impacto mais baixo (2%, 33% e 20% do impacto da produção convencional para cada categoria). O estudo reforçou a importância de incluir estas categorias de avaliação na comparação do impacto ambiental dos diferentes sistemas de produção e deu enfase à importância da inclusão de erva na alimentação dos bovinos de leite como forma de diminuir o impacto negativo da produção sobre a biodiversidade.

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ALIMENTAÇÃO

O VERÃO JÁ CHEGOU, E AS NOSSAS VACAS SABEM-NO!

O uso do Dairy Cooler, embora não substituindo o uso de tecnologias como ventiladores, chuveiros, etc., permite que as vacas arrefeçam por dentro e passem o tempo quente de uma forma mais suave. POR: EQUIPA TÉCNICA CARGILL II - NUTRIÇÃO ANIMAL

V

acas de pé, agrupadas num local no estábulo, respiração acelerada, quebras de ingestão, consumo elevado de água, são algumas das formas das nossas vacas nos dizerem que não estão confortáveis e que o verão chegou. Quem está bem como calor que se faz sentir e com um rúmen a produzir calor dentro de si próprio?! A chegada das altas temperaturas que se fazem sentir dentro dos estábulos, são, como todos sabemos, uma das principais causas de quebra de produção, o que impacta toda a lactação. É também uma época em que a fertilidade fica completamente abalada pois é frequente e esperado que os cios sejam curtos e

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silenciosos, as taxas de conceção baixem muito, surjam gestações instáveis e as vacas estejam em constante stress. Fomo-nos habituando a estas circunstâncias, e ano após ano afirmamos que “é fruto da época”! Apesar deste problema ser coincidente com o período de maior trabalho no campo (regas e colheita do milho), acreditamos que o problema é inevitável. Para fazer face a este inconveniente, a Cargill coloca novamente ao seu dispor a tecnologia Dairy Cooler que tem sido um sucesso desde 2011 por todo o mundo: dos EUA ao Canadá, passando por Itália, Brasil... até chegar a Portugal em 2018. Os produtores que deram o primeiro

passo sentiram a diferença! É com agrado que partilhamos os resultados verificados nessas vacarias. Performance produtiva Observámos que a produção anual se manteve e as vacas se apresentaram mais estáveis e com menores quebras durante o verão. Mesmo nos picos de calor de 44ºC que ocorreram, em apenas sete dias as vacas estavam com a produção habitual (figura 1). A vacaria A manteve a produção estável todo o ano. O produtor comentou “as vacas voltaram à produção em apenas uma semana”.


Dairy Cooler

Performance Reprodutiva Um dos pontos mais difíceis de avaliar, mas que maior impacto tem na produção leiteira é a fertilidade. Mesmo nas alturas de maior calor, verificámos uma melhoria significativa nas taxas de prenhez, que consiste em “número de vacas prenhas/ número de vacas disponíveis para inseminar” (figura 2). Este é um indicador chave para o sucesso e futuro da vacaria. O produtor comentou: “as vacas anteciparam as parições para abril e maio, o que demonstra que a fertilidade foi ótima no ano passado”. Performance Imunitária Nos períodos de maior calor, há de uma forma geral uma maior predisposição a doenças e estados de maior debilidade dos animais, devendo-se a uma diminuição das defesas do organismo. Com o uso do Dairy Cooler, observámos uma melhoria da imunidade e maior resistência a doenças, por diminuição do stress térmico a que as vacas estão sujeitas.

LITROS TANQUE DIÁRIOS 5500

35

5000

30

4500

25

4000

20

3500

15

3000

10

2500

5

2000 jan18 fev18 mar18 abr18 mai18 jun18 jul18 ago18 set18 out18 nov18 dez18

T ºC

Vacaria A

0

Vacaria B

VACARIA A: MANTEVE A PRODUÇÃO NO TANQUE ESTABILIZADA TODO O ANO. VACARIA B: VIU A PRODUÇÃO DIÁRIA CAIR DURANTE O VERÃO E MANTEVE-SE BAIXA ATÉ AO FIM DO ANO.

Exemplo: uma vacaria com 100 vacas em produção com uma quebra idêntica, no 2º semestre perderia aproximadamente 35.000,00€. Relativamente à fertilidade, por ano, cada vaca não prenha custa 200,00€ (mais 60 dias em aberto e 8% de refugo por infertilidade) o que no efetivo de 100 vacas seriam 20.000,00€.

TAXAS DE PRENHEZ 2017 vs 2018

30

25

20

Para quem já utiliza sistemas de arrefecimento, o Dairy Cooler permite amplificar os benefícios destes e ter ainda melhores resultados. Para quem não tem sistemas de arrefecimento, o uso do Dairy Cooler, (embora não substituindo, o uso de tecnologias como ventiladores, chuveiros, etc.), permite que as vacas arrefeçam por dentro e passem esta fase de uma forma mais suave. O Dairy Cooler não é uma miragem, os produtores que deram o primeiro passo são prova disso mesmo. O objetivo da Cargill é dar a conhecer esta tecnologia a todos os produtores dando assim uma oportunidade às suas vacas e contribuindo para o aumento do leite e da fertilidade, já neste verão.

15

10

5

0 jun

ago

jul

T ºC média mensal

Taxa de prenhez 2017

set

Taxa de prenhez 2018

MESES

TAXA PRENHEZ 2017 (%)

TAXA PRENHEZ 2018 (%)

2018 VS 2017 (%)

UTILIZOU DAIRY COOLER?

JUNHO

26.5

27.5

3.5

JULHO

8.8

24.5

178.8

AGOSTO

11.4

20.3

78.0

SIM

SETEMBRO

11.7

14.4

23.2

NÃO

NÃO SIM

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ECONOMIA

OBSERVATÓRIO MATÉRIAS-PRIMAS

POR: JOÃO SANTOS

O PODER DA INFORMAÇÃO Se alguma coisa marcou o mercado desde o último Observatório de Matérias Primas, foi o excesso de chuva no Mid-West dos Estados Unidos, que atrasou a sementeira de milho e de soja, e o goteio de informação sobre o impacto da peste suína africana na China, e um pouco por todo o Extremo Oriente.

P

elo meio, tivemos a confirmação da excelente colheita de milho e de soja na América do Sul, pelo que os maus presságios do início do ano para esta região não se materializaram. Donde, se no lado da oferta temos potencialmente menos oferta nesta primeira campanha dos Estados Unidos, no lado da procura temos menos procura pelo feito devastador que a peste suína está a ter na China. Vamos então dissecar estas questões.

PROTEÍNAS

A informação é escassa, mas parece que há uma redução dos efetivos de porcos na China de cerca 23%, em relação ao mesmo período do ano passado. A suportar estes números temos que as importações de soja pela China também desceram uns bons 10% em relação ao ano anterior. Consequentemente, não há dúvida que houve uma redução no

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consumo chinês, que se compararmos com os ritmos de crescimento do consumo/importações de soja pela China, dos anos anteriores com incrementos de mais de 10% anuais, hoje estamos longe dessa realidade. Não sou nem pretendo ser um especialista em saúde animal, mas atendendo à dificuldade em erradicar a peste suína africana, por muito que as autoridades sanitárias da China nos surpreendam, é difícil acreditar que esta questão demore menos que vários anos a ser resolvida. Para termos ponto de comparação, temos que ter em conta que a China, antes do início da crise, tinha metade dos efetivos mundiais de porcos. Acompanhando o pingar de informação vinda da China, o preço da farinha de soja vinha na sua onda descendente até meados de maio. Chegando a estar na casa dos 290 €/tm…. E como sempre há algo que faz quebrar a tendência do mercado, neste caso foi a chuva

que, semana após semana, de forma intensa, caiu no Mid-West dos Estados Unidos. Assim desde meados de maio os preços de soja foram paulatinamente subindo, até chegarem aos 330€/tm. Em particular, os fundos que estavam muito curtos começaram a reduzir os curtos, e os agricultores deixaram de vender, ao mesmo tempo que não podiam entrar nos campos para semear. Hoje estamos na terceira semana de junho, temos 77% da sementeira feita, quando a média dos anos anteriores é de 90% por esta altura. Não é ainda grave, uma vez que até ao final de junho, vamos a tempo de plantar soja nos States. Apesar disso, quanto mais tarde for plantada, mais importante será o tempo ser benigno durante o verão, e há que ter presente os riscos inerentes às geadas do outono. No sentido de suportar o dito antes, vemos que as projeções do USDA para a campanha de 19/20 ainda mantêm um stock final a níveis recordes, o que dá espaço a que possamos assistir a uma


Observatório matérias-primas

redução do rendimento da soja e da área plantada nos States sem grandes alarmismos. Em particular, pelo dito antes, é difícil ver que a China recupere o consumo para os níveis anteriores num futuro próximo. Assim, temos que ir seguindo o “weather market” com atenção, mas de momento, aparentemente, os preços atuais não têm razão de ser. Na colza temos duas realidades, por um lado o tempo não foi o ideal no norte da Europa, sendo de esperar uma menor colheita na Europa, por outro lado o Canadá está com excesso de canola, uma vez que por causa da Sra. Meng Wanzhou (cfo da Huawei, presa pelo Canadá a pedido dos Estados Unidos, que aguarda a decisão sobre a sua extradição), a China, como retaliação, proibiu a importação de canola, e com isso o Canadá não sabe o que lhe fazer. No entanto, a questão na Europa é o que a procura de biodiesel não é famosa, pelo que em teoria poderia haver margem para extrair colza, e a farinha estar barata, no entanto como entre a teoria e a prática por vezes há diferenças, a perspetiva é que a farinha de colza, tudo indica, há de continuar sobre os 230/240€ em Lisboa. Em relação ao girassol, ainda se está a semear, pelo que é cedo para comentar, no entanto tudo indica que se vai repetir o que aconteceu o ano passado, com um preço da farinha de girassol relativamente alto, comparativamente com as outras proteínas.

CEREAIS

As chuvas de que falámos antes, nos Estados Unidos, aparentemente não tiveram impacto na colheita de trigo, já vamos com 10% colhido e nas restantes regiões produtoras de trigo a campanha está a correr bem, pelo que se espera abundância, tanto no Mar Negro como no norte da Europa; assim vamos ter muita concorrência dos países

exportadores. Em relação ao milho, se nos Estados Unidos vamos ter uma colheita menor, ou porque foi plantada menos área, por causa das chuvas intensas de maio e junho, ou porque o rendimento será menor devido a que grande parte do milho foi plantado com um mês de atraso em relação ao normal, correndo entre outros perigos o da geada no final de setembro/outubro. A potencial menor colheita americana em termos de TM parcialmente será compensada pela excelente safra e safrinha no Brasil. Não nos podemos esquecer que o impacto da peste suína africana na redução dos efetivos de porcos na China também é dado como justificação para a redução de consumo de milho na China, uma vez que para aves e porcos, por cada tonelada de soja temos duas de milho, (aos preços atuais dos cereais). Donde, se a meados de maio tínhamos o milho em Lisboa a volta dos 167, hoje temos uns bons 20 euros acima. Assim, a pergunta será se é justificação suficiente a possível redução da próxima colheita do milho americano, e a resposta será provavelmente não, mas vamos ter que esperar para meados de setembro, e ver qual é que vai ser o rendimento da colheita americana para o mercado voltar a ajustar.

NOTAS FINAIS

Há períodos em que o melhor é esperar, e é justamente isso que parece ser adequado para este momento antes de retomar as compras a deferido de farinha de soja e cereais. Nos dias de hoje parece que se tornou norma a desinformação, seja porque motivos seja: ou porque, ninguém se lembra de ter aprovado créditos ruinosos na city Lisboeta, ou porque o Sr. Trump necessita dos votos dos agricultores do Mid-West para ser reeleito, e devido a isso interferir na forma como o seu governo informa o mercado, ou porque o Sr. Xi omite informação precisa sobre o efeito real da peste suína africana na China, atendendo à importância da carne de porco na dieta chinesa (inflação). Assim, sobre o manto diáfano da fantasia, esconde-se a nudez forte da verdade, ou será ao contrário que dizia o nosso querido Eça que disto sabia muito. E com isto não falei da guerra comercial, ela está ai, mas o número fino das toneladas para a formação do preço, hoje é menos relevante do que o “weather market” que temos pela frente este verão. No entanto as eleições nos States são em 2020, e o Sr Trump necessita dos votos do Mid-West. Despeço-me com amizade...

PRODUÇÃO MUNDIAL E STOCKS FINAIS DE MILHO E SOJA 14/15

15/16

16/17

17/18

18/19

19/20

SOJA

319

312,8

351,4

340,47

360,1

355,4

PRODUÇÃO MUNDIAL

77,6

76,6

96,0

98,56

112,8

112,66

STOCK FINAIS

24%

24%

27%

29%

31%

32%

1008,80

961,9

1070,2

1076,2

1120,5

1099,2

PRODUÇÃO MUNDIAL

208,2

210,9

227,0

341,2

325,4

290,5

STOCK FINAIS

21%

22%

21%

32%

29%

26%

MILHÕES DE TM

MILHO

FONTE: USDA e relatório de junho

ruminantes julho . agosto . setembro 2019

41


ECONOMIA

OBSERVATÓRIO LEITE POR: JOANA SILVA, FONTES: AHDB, CME GROUP, FARM JOURNAL’S MILK, USDA, VOX MEDIA

Ao longo deste ano os preços do leite têm-se mantido estáveis, navegando na onda da forte procura e de uma oferta mais débil em crescimento. Para este segundo semestre a conjuntura é mais animadora: a descida sazonal da produção, aliada a boas condições climatéricas e indicadores económicos favoráveis, poderão contribuir para a consolidação de preços mais atrativos. Na Europa, este foi um ano que se iniciou a descer – 1,2% mais precisamente – face ao ano anterior, com perdas especialmente significativas na Holanda (-5%), França (-3%) e Alemanha (-2%), com melhorias pouco visíveis com o passar do tempo. No fecho do semestre, os países da Europa ocidental registaram produções aquém do esperado, com diminuições de 1,9% na Alemanha em maio face ao mesmo mês do ano anterior, e de 1% em França no mesmo período, com resultados mais positivos no Reino Unido, Irlanda e Itália. A leste, a Polónia destaca-se como o maior produtor da região até agora, seguida por outros países com resultados positivos este ano: República Checa, Estónia, Lituânia, Hungria e Roménia. Nos Estados Unidos, as previsões mais recentes têm vindo a consolidar a teoria que se aproxima uma melhoria nos preços do leite. Com volumes de produção abaixo das expectativas devido ao menor rendimento leiteiro e número de animais produtores, as previsões para 2020 apontam já para um decréscimo da produção. Para isto contribuirão também os custos de produção mais elevados, uma ameaça à margem de

42

ruminantes julho . agosto . setembro 2019

lucro dos produtores e um forte travão ao reforço dos efetivos e do seu rendimento. As explorações de maior dimensão, localizadas predominantemente na zona Oeste, têm contribuído para que as explorações de pequena e média dimensão se vejam engolidas pelas dificuldades do setor, tendência a agravar-se. Por outro lado, respira-se agora de alívio com o fim das taxas alfandegárias impostas ao México pelo Presidente Trump, devido a um (quiçá) débil acordo com o país vizinho para que este reforce ainda mais o controlo das suas fronteiras. Na Nova Zelândia, a produção leiteira no primeiro trimestre deste ano foi 8,3% inferior ao mesmo período do ano anterior, em grande parte devido à seca que assolou a região. Num cenário ainda mais negativo encontra-se a vizinha Austrália, com uma produção 10,6% abaixo do ano passado. Na Argentina, uma das cinco regiões-chave de produção e exportação leiteira mundiais, a produção no primeiro trimestre de 2019 perdeu cerca de 8% face ao ano passado. Esta tendência de declínio arrasta-se desde dezembro de 2018, em paralelo com as temperaturas elevadas e as cheias que têm assolado o país. A China, grande jogador no tabuleiro do setor leiteiro, atingiu nos primeiros quatro meses do ano um valor histórico no que toca a importações em comparação com o mesmo período dos três anos anteriores. O aumento face a 2018 é de 18%, o que se traduz em mais 145 mil toneladas de bens transacionados. Até abril, as importações

de leite em pó registaram um aumento de mais de 30%, em paralelo com mais 33% de leite em natureza. A alimentar esta voracidade poderão estar as importações mais comedidas do ano passado, as quais tiveram um incremento de apenas 7% face a 2017. O aumento significativo da procura pelos chineses é explicado – em parte – pelo seu maior poder de compra, que registou, em média, um aumento de 6,6% em 2018. Mas nem tudo são boas notícias para as exportações, e os produtores de leite e derivados têm agora mais uma potencial dor de cabeça, que nos chega de longe: o surto de Peste Suína Africana que assola o mercado asiático. Com cerca de 440 milhões de cabeças, a China detém mais de metade de todos os suínos do planeta, os quais alimenta – entre outras coisas – com proteína whey. A doença já terá dizimado mais de 1,2 milhões de animais, o que tem contribuído para a diminuição das importações desta proteína. De notar que esta doença, apesar de não ser transmissível aos humanos, acarreta perdas significativas com a morte e o refugo dos animais, o que abala não só a sustentabilidade do negócio dos produtores mas também a disponibilidade dos seus produtos para os consumidores. A diminuição da carne de porco disponível devido ao abate dos animais doentes poderá, segundo alguns especialistas, levar a um aumento da procura de outras fontes de proteína animal, nomeadamente leite e derivados. Veremos como se farão sentir os efeitos desta e de outras variáveis.


Observatório Leite

PREÇO DO LEITE STANDARDIZADO (1)

LEITE À PRODUÇÃO, PREÇOS MÉDIOS MENSAIS EM 2018/2019

COMPANHIA

PREÇO DO LEITE (€/100 KG) JANEIRO 2019

MÉDIA DOS ULTIMOS 12 MESES (5)

ALEMANHA

Alois Müller

31,72

33,15

DINAMARCA

Arla Foods

32,47

32,48

Danone

34,37

34,49

Lactalis (Pays de la Loire)

34,50

Sodiaal Dairy Crest (Davidstow)

PAÍSES

FRANÇA

INGLATERRA

TEOR PROTEICO (%)

Contin.

Açores

Contin.

Açores

Contin.

Açores

ABRIL

0,318

0,294

3,76

3,66

3,27

3,23

MAIO

0,310

0,291

3,69

3,59

3,23

3,21

34,56

JUNHO

0,309

0,290

3,69

3,60

3,19

3,14

34,09

34,93

JULHO

0,306

0,290

3,63

3,63

3,17

3,12

30,93

32,66

0,301

0,292

3,64

3,65

3,17

3,12

2018 AGOSTO

30,68

31,83

SETEMBRO

0,303

0,295

3,68

3,68

3,22

3,16

31,41

32,39

OUTUBRO

0,315

0,300

3,78

3,79

3,29

3,25

Granarolo (North)

38,84

37,96

NOVEMBRO

0,324

0,307

3,95

3,87

3,35

3,29

DOC Cheese

DEZEMBRO

0,323

0,308

3,91

3,85

3,33

3,26

Friesland Campina

35,48

35,66

JANEIRO

0,318

0,297

3,92

3,73

3,34

3,20

FEVEREIRO

0,328

0,296

3,89

3,68

3,30

3,20

MARÇO

0,312

0,291

3,82

3,59

3,29

3,20

ABRIL

0,314

0,290

3,77

3,65

3,29

3,23

(2)

N. ZELÂNDIA EUA

TEOR MÉDIO DE MAT. GORDA (%)

Kerry

ITÁLIA

PREÇO MÉDIO LEITE

EUR/KG

Glanbia

IRLANDA

HOLANDA

MESES

Fonterra

(3)

EUA

(4)

29,43

29,02

35,89

32,78

2019

FONTE: LTO - (1) Preços sem IVA pagos ao produtor; Preço do leite de diferentes empresas leiteiras para 4,2% de MG, 3,4% de teor proteico e CCS de 249,999/ml . (2) Média aritmética . (3) Baseado na previsão mais recente . (4) Reportado pela USDA . (5) Inclui o pagamento suplementar mais recente.

FONTE: SIMA - Gabinete de Planeamento e Políticas

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ECONOMIA

ÍNDICE VL E ÍNDICE VL – ERVA

MANTÉM-SE BAIXO O PREÇO DO LEITE PAGO À PRODUÇÃO ANTÓNIO MOITINHO RODRIGUES, DOCENTE/INVESTIGADOR, ESCOLA SUPERIOR AGRÁRIA DO INSTITUTO POLITÉCNICO DE CASTELO BRANCO CARLOS VOUZELA, DOCENTE/INVESTIGADOR, DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS DA UNIVERSIDADE DOS AÇORES/IITAA NUNO MARQUES, REVISTA RUMINANTES

A

nalisamos neste número da Ruminantes os Índices VL e VL - ERVA para o período de fevereiro a abril de 2019. Analisando os dados do SIMA-GPP (2019) durante o trimestre em análise, verifica-se que o preço médio do leite pago aos produtores individuais do continente variou entre 0,328 €/kg em fevereiro e 0,312 €/kg em março. Na Região Autónoma dos Açores o preço médio do leite pago aos produtores individuais variou entre 0,296 €/kg em fevereiro e 0,290 €/kg em abril. Os dados publicados pelo MMO (2019) permitem verificar que o preço médio do leite pago ao produtor no período de

fevereiro a abril de 2019 foi, mais uma vez, muito inferior em Portugal (0,3095 €/kg) quando comparado com a média da UE28 (0,3454 €/kg). Se em Portugal o leite fosse pago ao preço médio da UE28 (0,3454 €/kg), os 3,59 cêntimos/kg a mais relativamente à situação atual, permitiriam que as explorações tivessem maior rentabilidade e contribuiriam para a sustentabilidade da produção de leite português. No mês de abril de 2019 Portugal integrou o lote de 6 países da UE com os preços mais baixos pagos ao produtor (Portugal 0,3060 €/kg, Letónia 0,3026 €/kg, Roménia 0,3022 €/kg, Lituânia 0,3014 €/kg e Bulgária 0,2996 €/ kg). Esta situação tem-se vindo a manter

ÍNDICE VL JULHO 2012 A ABRIL 2019

nos últimos meses o que se considera inaceitável. Relativamente ao trimestre anterior, todas a matérias-primas que entraram na formulação dos alimentos compostos utilizados neste trabalho sofreram uma redução média de 2,9%. A diminuição de preços variou entre -5,9% na cevada e -1,3% no milho. A variação do preço das matérias-primas provocou uma redução de -0,9% no custo da alimentação da vaca leiteira tipo no continente (diminuição de 1,5% no preço do alimento composto). Embora na Região Autónoma dos Açores o preço do alimento composto tenha diminuído apenas -1,4%, o regime

Negócio saudável

Limiar de rentabilidade

Forte ameaça para a rentabilidade da exploração

2.0 1.9 1.8 1.7 1.6

1.4

abril 2019

jan. 2019

jan. 2018

jan. 2017

jan. 2016

jan. 2015

jan. 2014

1.2

jan. 2013

1.3

jul. 2012

Valor do Índice VL

1.5

O ÍNDICE VL É INFLUENCIADO PELA VARIAÇÃO MENSAL DO PREÇO DO LEITE PAGO AO PRODUTOR NO CONTINENTE E PELAS VARIAÇÕES MENSAIS DOS PREÇOS DOS ALIMENTOS QUE CONSTITUEM O REGIME ALIMENTAR DA VACA LEITEIRA TIPO (CONCENTRADO 9,5 KG/ DIA; SILAGEM DE MILHO 33 KG/DIA; PALHA DE CEVADA 2 KG/DIA).

44

ruminantes julho . agosto . setembro 2019


Índice VL

ÍNDICE VL-ERVA JULHO 2013 A ABRIL 2019

2.6

Limiar de rentabilidade

Forte ameaça para a rentabilidade da exploração

2.5 2.4 2.3 2.2 2.1 2.0 1.9 1.8 1.7 1.6 1.5 1.4 1.3 1.2 1.1

alimentar da vaca tipo nos Açores diminuiu 6,2% como consequência do maior consumo de pastagem a partir do mês de abril. A evolução do preço do leite e dos custos da alimentação refletiu-se no Índice VL e no Índice VL - ERVA que, em abril de 2019 foi, respetivamente, de 1,757 e de 2,080. De referir que em abril de 2018 o Índice VL havia sido de 1,659 e o Índice VL - ERVA de 2,040. Um índice inferior a 1,5 (valor muito baixo) indica forte ameaça para a rentabilidade da exploração leiteira; um índice entre 1,5 e 2,0 (valor moderado) indica que a produção de leite é um negócio economicamente viável; um índice maior do que 2,0 (valor elevado) indica que estamos perante uma situação favorável para o sucesso económico da exploração (Schröer-Merker et al., 2012). Durante o trimestre em análise, o Índice VL atingiu o valor mínimo de 1,746 e o Índice VL-Erva o valor mínimo 1,742, em ambos os casos durante o mês de março de 2018. Pode-se concluir que, passado um ano, os produtores de leite do continente e dos Açores se encontram numa situação idêntica àquela em que estavam em abril de 2018. De realçar que o Índice VL-ERVA reflete a realidade da produção de leite muito mais favorável da ilha de S. Miguel que produz cerca de 60% do total de leite dos Açores.

NOTAS - Comparando com o mês de abril de 2018, o preço do leite pago em abril de 2019 aos produtores do continente e dos Açores foi, em ambos os casos, inferior em 0,4 cêntimos/kg. - Durante o trimestre em análise houve uma diminuição do preço de todas as matérias-primas que entram na formulação dos alimentos compostos. Esta evolução contribuiu para reduzir os preços, não só do alimento composto como também do regime alimentar formulado para o cálculo do Índice VL e do Índice VL-erva; - No trimestre em análise, o preço dos alimentos forrageiros utilizados na formulação do regime alimentar manteve-se constante; - As três considerações anteriores refletem-se nos Índice VL e Índice VL - ERVA que em abril de 2019 foram, respetivamente, de 1,757 e de 2,080. Bibliografia MMO (2019). European milk market observatory – EU historical prices. https://ec.europa.eu/agriculture/marketobservatory/milk acesso em 25-06-2019. Schröer-Merker, E; Wesseling, K; Nasrollahzadeh, M (2012). Monitoring milk:feed price ratio 1996-2011. In: Chapter 2 – Global monitoring dairy economic indicators 1996-2011, IFCN Dairy Report 2012, Torsten Hemme editor, p 52-53. Published by IFCN Dairy Research Center, Schauenburgerstrate, Germany. SIMA-GPP (2019). Leite à produção - Preços Médios Mensais. Sistema de Informação de Mercados Agrícolas, Gabinete de Planeamento e Políticas. http://sima.gpp. pt:8080/sima/default/lacteos acesso em 25-06-2019.

jan. 2019

abr. 2019

jan. 2018

jan. 2017

jan. 2016

jan. 2015

jan. 2014

1.0 jul. 2013

Valor do Índice VL

O ÍNDICE VL–ERVA É INFLUENCIADO PELA VARIAÇÃO MENSAL DO PREÇO DO LEITE PAGO AO PRODUTOR NA REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES E PELAS VARIAÇÕES MENSAIS DOS PREÇOS DOS ALIMENTOS QUE CONSTITUEM O REGIME ALIMENTAR DA VACA LEITEIRA TIPO (PRIMAVERA/ VERÃO 60 KG/DIA DE PASTAGEM VERDE, 10 KG/DIA DE SILAGEM DE ERVA E DE MILHO, 5,6 KG/DIA DE CONCENTRADO; OUTONO/INVERNO 47 KG/DIA DE PASTAGEM VERDE, 13,3 KG/DIA DE SILAGEM DE ERVA E DE MILHO, 6,7 KG/DIA DE CONCENTRADO).

Negócio saudável

2.7

EVOLUÇÃO ÍNDICE VL E ÍNDICE VL–ERVA ABRIL 2018 A ABRIL 2019 OS VALORES SÃO INFLUENCIADOS PELA VARIAÇÃO MENSAL DO PREÇO DO LEITE PAGO AO PRODUTOR INDIVIDUAL DO CONTINENTE (ÍNDICE VL) E DA REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES (ÍNDICE VL - ERVA) E PELAS VARIAÇÕES MENSAIS DOS PREÇOS DE 5 MATÉRIAS-PRIMAS UTILIZADAS NA FORMULAÇÃO DO CONCENTRADO E PELO PREÇO DOS OUTROS ALIMENTOS QUE INTEGRAM O REGIME ALIMENTAR DA VACA LEITEIRA TIPO.

Mês

Índice VL

Índice VL - ERVA

abr 18

1,659

2,040

mai 18

1,610

2,014

jun 18

1,637

2,038

jul 18

1,648

2,062

ago 18

1,651

2,045

set 18

1,692

2,104

out 18

1,767

1,792

nov 18

1,802

1,823

dez 18

1,783

1,826

jan 19

1,761

1,767

fev 19

1,831

1,768

mar 19

1,746

1,742

abr 19

1,757

2,080

ruminantes julho . agosto . setembro 2019

45


ALIMENTAÇÃO

STRESS TÉRMICO, COMO AJUDAR AS SUAS VACAS?

NÃO DEIXE QUE AS ONDAS DE CALOR SAZONAIS AFETEM A RENTABILIDADE DO SEU REBANHO

CARLOS MARTINHO RUMINANT TECHNICAL MANAGER CMARTINHO@ALLTECH.COM

O stress térmico, normalmente, vem com o Verão e traduz-se num custo substancial na saúde e produtividade do rebanho. As vacas manifestam stress por calor de várias formas, e o impacto pode ser observado tanto a curto como a longo prazo. Compreender o stress térmico é fundamental para os produtores que trabalham em climas mais quentes e húmidos. Existem práticas de maneio e estratégias de alimentação para ajudar os produtores a minimizar o stress por calor.

• Diminuem a função imunitária • Têm uma diminuição da eficiência da fermentação ruminal

O QUE DETERMINA A GRAVIDADE DO STRESS TÉRMICO?

• Diminuição: - intensidade e duração do cio - taxa de fertilidade - crescimento do folículo ovárico • Aumento precoce da morte embrionária

- Factores associados à vaca (tamanho, produção de leite, etc. - Temperatura e humidade relativa - Grau de arrefecimento que ocorre durante a noite - Duração do período de stress térmico - Ventilação e fluxo de ar - Disponibilidade de água - Comprimento do pêlo da pelagem

COMO RESPONDEM AS VACAS AO STRESS PELO CALOR? • Procuram áreas de sombra • Reduzem a sua atividade • Aumentam a ingestão de água (se disponível) • Reduzem a ingestão de matéria seca (25,5 °C) • Aumentam a temperatura corporal (39 °C) • Aumentam as frequências respiratórias (> 70 / m) • Têm alterações hormonais

46

ruminantes julho . agosto . setembro 2019

O QUE ACONTECE À PRODUÇÃO DE LEITE? • Pode diminuir 10% a 25% ou mais devido a: - mais energia utilizada na manutenção - menos energia para as funções produtivas - menor consumo de matéria seca - alterações no aproveitamento de nutrientes

E QUANTO À REPRODUÇÃO?

ESTRATÉGIAS DE ALIMENTAÇÃO DE VERÃO A Alltech está empenhada na saúde e nas inovações da nutrição das vacas leiteiras e apresenta uma estratégia de alimentação durante o período de verão para estimular o consumo, melhorar a qualidade dos alimentos e a saúde dos animais. Como?

1

Alimentar as vacas com uma dieta mais concentrada e estabilizar a função do rúmen para promover a ingestão de matéria seca. OPTISYNC® – Proteína de nova geração • Fonte concentrada de azoto não proteico


Não deixe que os seus lucros sequem neste verão!

O stress por calor pode representar uma queda significativa na produção de leite (10-25% ou mais), distúrbios de saúde e fertilidade, devido à ingestão reduzida e adsorção deficiente de nutrientes, levam a perdas significativas na produção.

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ALIMENTAÇÃO

de liberação lenta que ajuda a fornecer um nível constante e consistente de Azoto ao rúmen • Cria um ambiente para otimizar o metabolismo do azoto ruminal, a sincronização de nutrientes e a eficiência microbiana. • Suporta a produção e os componentes do leite, a função ruminal e a digestão da fibra. MODO DE UTILIZAÇÃO: Na ração ou unifeed, fornecer entre 50 a 100 gr por vaca por dia. YEA-SACC® 1026 – Cultura Viva de Leveduras • Promove o consumo de matéria seca. • Aumenta o fornecimento de proteína do rúmen. • Evita grandes variações no pH, mantendo a flora ruminal constantemente ativos, o que acelera a digestão e a rotatividade do rúmen, permitindo uma maior ingestão. MODO DE UTILIZAÇÃO: Vacas leiteiras/secas: 1 grama por vaca por dia.

2

Gerir os alimentos da exploração O aquecimento dos ingredientes da alimentação, resultam em crescimento de fungos e carga de toxinas. MOLD-ZAP® - Mistura de ácidos orgânicos • O ingrediente CHAVE é o ácido propiónico que inibe o desenvolvimento de fungos e leveduras selvagens. • Não é corrosivo, não é volátil e é seguro. • Produto ideal para implementação durante o risco de aquecimento TMR (Unifeed). MODO DE UTILIZAÇÃO: Aplicar no Unifeed 1 a 2 kg por ton de alimento

48

ruminantes julho . agosto . setembro 2019

3

Gerir a qualidade do leite e a saúde do úbere O aumento da carga bacteriana ambiental pode afetar significativamente a qualidade do leite e a saúde do úbere. SEL-PLEX® - Selénio Orgânico • Ajuda a manter o sistema de defesa natural do corpo. • Suporta função reprodutiva normal. • Suporta a saúde do úbere e pós-parto. MODO DE UTILIZAÇÃO: Alimentar para permitir 0,30 ppm de selénio adicionado. Ficha de produto disponível mediante solicitação. BIOPLEX® - Minerais Orgânicos Protegidos – Zn, Cu, Mn • Melhor absorvido, armazenado e utilizado pelo animal do que as fontes minerais inorgânicas. • Reforça o status mineral, o que leva a ótima saúde geral, estado imunológico e função reprodutiva no animal. • Mantém a qualidade do leite mesmo durante períodos de aumento da carga bacteriana. MODO DE UTILIZAÇÃO: 3-5 gramas por vaca por dia.

BOAS PRÁTICAS DE MANEIO A IMPLEMENTAR • Proporcionar sombra • Bebedouros com água limpa e fresca • Alimentar durante as horas mais frescas • Observar a inconsistência das fezes • Garantir acesso ao alimento • Usar aspersores e ventiladores • Proporcionar camas confortáveis para as vacas se deitarem • Reduzir nº de vacas em pé • Não fechar as vacas durante o período de mais calor (meio-dia) Na ALLTECH acreditamos que ao melhorar a eficiência da produção, podemos aumentar a rentabilidade económica do produtor de uma forma mais sustentável. O nosso objetivo é oferecer aos nossos clientes uma vantagem competitiva no mercado.

CONFERÊNCIA DE IDEIAS ALLTECH DEBATEU DESAFIOS GLOBAIS DA AGRICULTURA E PECUÁRIA A

Conferência de Ideias da Alltech ONE” - juntou 3500 participantes de 68 países, incluindo Portugal, num grande debate sobre as soluções para os desafios globais da agricultura e da pecuária. De 19 a 21 de maio, em Lexington, Kentucky, nos EUA, decorreram mais de 60 sessões sobre bovinos de carne e de leite, aves, suínos, aquacultura e culturas agrícolas. Esta conferência realiza-se anualmente e congrega um painel de prestigiados oradores. A ONE é também o local onde novas gerações de cientistas e empresários apresentam ideias e projetos inovadores. Inserido no programa da conferência, o “Pearse Lyons Accelerator” reúne start-ups da área agroalimentar, às quais dá formação intensiva e a oportunidade de contactar com potenciais investidores. Jovens cientistas da área das Ciências Agrárias são anualmente premiados. Este ano, a vencedora da competição Alltech Young Scientist (AYS) foi Deeksha Shetty, estudante na Universidade de Saskatchewan, no Canadá, com uma investigação intitulada “Papel do fator sigma RpoE e dois componentes dos sistemas Cpx, na formação de biofilme das subespécies enterica serovar Enteritidis de Salmonella enterica”. «Temos orgulho em premiar a próxima geração de cientistas e os jornalistas da área agrícola. Hoje mais do que nunca é importante apoiar estes jovens líderes e as suas carreiras profissionais, dando-lhes visibilidade a nível global (...)», afirmou Mark Lyons, presidente e CEO da Alltech.


LUSOSEM E LG IBÉRICA UNIDAS NA PAIXÃO PELO MILHO A Lusosem representa há vários anos as variedades de milho LG em Portugal e recentemente iniciou uma colaboração mais próxima com a LG Ibérica. Esta parceria garante uma resposta ainda mais eficaz com soluções ajustadas às especificidades do mercado português de milho para grão e silagem. A LG é obtentora de variedades de milho híbrido há mais de 40 anos e a chave do seu sucesso é a dedicação em exclusivo à investigação de sementes através de programas de base internacional, mas com atuação local, respondendo às necessidades de cada zona agroclimática. Ao unir-se à Lusosem, beneficia do profundo conhecimento que esta empresa tem do mercado agrícola português e do intenso trabalho de campo que realiza junto dos agricultores nacionais. O milho é uma das principais culturas de regadio na Península Ibérica, ocupando cerca de 650 mil hectares, contribuindo para a criação de emprego e desenvolvimento socioeconómico. Este ano, a Lusosem e LG Ibérica organizaram e participaram em vários eventos para partilha de conhecimento técnico com o mercado nacional e divulgação das novidades do catálogo de milho LG. Das novidades destacam-se sementes com a tecnologia STARCOVER, que consiste em aplicar dois compostos naturais – um extrato de planta e uma bactéria viva que atuam de forma sinérgica estimulando um maior crescimento das raízes do milho e garantindo uma emergência mais segura das plantas. Focadas também na cultura do milho para silagem, que representa 41% da área de milho em Portugal, participaram ainda em eventos em Portugal e Espanha dedicados a esta temática. Para a Lusosem a partilha de conhecimento com todos os intervenientes do setor agropecuário, desde fornecedores a clientes, passando pelas entidades públicas e privadas que trabalham em prol da Inovação na Agricultura e Pecuária, é uma forma de estar que faz parte do seu ADN.

PARTICIPAÇÃO CONJUNTA DA LUSOSEM E DA LG IBÉRICA NA FEIRA INTERNACIONAL AGROEXO, EM DON BENITO

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FORRAGENS

EM QUE BASEAR A AVALIAÇÃO DE UMA SILAGEM DE MILHO TEXTO ANTÓNIO CANNAS, ENGENHEIRO AGRÓNOMO

RESPONSÁVEL DE DESENVOLVIMENTO DA LINHA DE PRODUTO MILHO, LUSOSEM, ACANNAS@LUSOSEM.PT

O

s produtores de leite utilizam a silagem de milho essencialmente como fonte energética visto esta ser a forma menos onerosa de obtenção de energia. No quadro ao lado, é estimado o custo por unidade energética (UFL) para a silagem de milho em comparação com a farinha de milho, normalmente utilizada como suplemento energético. Para a obtenção destes valores, foi estimado um custo por ha de silagem de milho de 1500€ com uma produtividade de 60 TM/ha. Ao longo de mais de 4 meses, o produtor prepara o solo, fertiliza, monda, executa tratamentos contra pragas ou doenças (quando necessário) e rega, sendo a decisão de apenas um dia determinante para obter uma forragem da melhor qualidade destinada a alimentar o seu efetivo ao longo de meses.

A escolha da variedade a semear deverá observar os seguintes critérios: De ordem agronómica • ciclo adequado à data de sementeira; • ciclo adequado às condições climatéricas (altitude e temperatura); • variedade adaptada ao regime hídrico da zona; • tolerância genética a pragas ou doenças que afetem a região; • tolerância à acama especialmente em zonas de risco (litoral e ilhas);

• produtividade de matéria seca (MS); • vigor de arranque (ter em atenção a sementeira direta). De ordem nutricional • bom stay-green; • fibra de boa digestibilidade; • boa densidade energética com equilíbrio entre fibras e amido; • boa palatabilidade; • tipo de endosperma desejado (farináceo ou vítreo).

GRÁFICO 1: ESTIMATIVA DE CUSTO POR UNIDADE ENERGÉTICA (UFL) PARA A SILAGEM DE MILHO EM COMPARAÇÃO COM A FARINHA DE MILHO

Custo/ton (€)

%MS

MS/TM

UFL/kg MS

UFL/TM

Custo/UFL (€)

Farinha de milho

200

86

8.60

1.17

1006.2

0.20

Silagem de milho

25

33

330

0.30

297

0.08

GRÁFICO 1: COMO VARIAM OS PARÂMETROS NUTRICIONAIS DA PLANTA DE MILHO APÓS A FLORAÇÃO 90

% da MS Amido degradável no rúmen

80 70 60

NDF DNDF

50 40 30 20 10

AS PROT AMIDO

0

FLORAÇÃO

30 32 33 35 38 40 % MS da planta

SIGLAS: Açúcares solúveis (AS); Proteína (PROT); Fibra insolúvel em detergente neutro (NDF); Digestibilidade do NDF (DNDF)

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Em que basear a avaliação de uma silagem de milho?

Uma vez chegado o momento da colheita, o “alvo” do produtor deverá ser o de obter uma silagem com 32 a 35% MS. Não existindo formas simplificadas de no próprio campo determinar a MS das plantas, torna-se imperativa uma cuidadosa observação das maçarocas e sobretudo da “linha de leite” que separa o endosperma leitoso da parte cerosa e vítrea do mesmo. Esta observação é indispensável na medida em que existem variedades com elevado stay-green nas quais o grão já está próximo do “ponto negro” e a planta ainda se mantém verde. Para assegurar o melhor momento de colheita possível, o grão deve encontrar-se entre um dos seguintes estádios: três níveis de amido distintos (1/3 vítreo, 1/3 ceroso e 1/3 em leite); 50% do grão vítreo. Se o produtor assegurar a colheita no momento adequado, terá seguramente uma silagem de mais fácil conservação e com melhor qualidade das suas fibras e do seu amido.

COMO INTERPRETAR O GRÁFICO 1? 1. Açúcares solúveis (AS) São indispensáveis para uma boa fermentação do silo, sendo responsáveis por uma rápida descida do pH. Após a floração, o teor em AS vai gradualmente diminuindo. 2. Proteína (PROT) O seu teor é sempre decrescente após a floração. Na fase de colheita, a % de proteína sobre a MS deverá rondar os 7%, + ou – 1 ponto percentual. 3. Amido Tem um acréscimo gradual e constante após a floração. Ter em conta a que perda de fermentescibilidade ruminal obriga a um processamento minucioso do grão sob pena de o mesmo vir a ser identificado nas fezes.

Variabilidade na lenhificação de diferentes tecidos parênquima*, fibras, veias condutoras

Linha: Rácio [superfície vermelha/(superfícies azul + vermelha)] (vermelha= lenhificada, azul= não lenhificada)

Linha de milho nº1 = 0.73

Linha de milho nº2 = 0,57

Linha de milho nº3 = 0.15

4. Amido degradável no rúmen Após os 27% de MS, o amido vai perdendo a sua fermentescibilidade no rúmen. Este processo é mais acentuado para além dos 35% MS. 5. Fibra insolúvel em detergente neutro (NDF) As partes verdes da planta contêm um NDF que ronda os 65% enquanto que o do grão se situa pelos 12%. Assim sendo, o teor global de NDF da planta vai gradualmente diminuindo por efeito de “diluição” do grão. 6. Digestibilidade do NDF (DNDF) A digestibilidade da fibra é inversamente proporcional ao teor em MS, acentuando-se esta quebra de forma mais acentuada após os 35% de MS. As fibras são compostas por celulose (ADF-ADL) digestível entre 20 e 80%; hemicelulose (NDF-ADF) igualmente digestível entre os 20 e os 80% e lenhina (ADL), esta última totalmente indigestível. A maior ou menor digestibilidade destes carboidratos, chamados estruturais, faz com que uma silagem de milho tenha igualmente uma maior ou menor densidade energética, podendo chegar a 50% a quantidade de energia disponibilizada pela fibra. Já o amido, também chamado de carboidrato não estrutural, representa o complementar de fornecimento de energia.

LENHINA HEMICELULOSE

EXISTEM VARIEDADES COM MELHOR DIGESTIBILIDADE DA FIBRA QUE OUTRAS? Existem sim! A digestibilidade da fibra não está necessariamente relacionada com o teor em lenhina, mas sim na forma como os feixes de lenhina se dispõem em torno das restantes fibras da planta. Quando essa disposição tem uma forma “tubular”, o acesso às fibras digestíveis por parte dos microorganismos do rúmen responsáveis pela hidrólise das mesmas é dificultado e parte da fibra acaba por ser expelida pelas fezes sem ter sido assimilada. Por outro lado, é importante que o corte da silagem tenha uma dimensão não inferior a 12mm. Quando a vaca ingere a forragem, as partículas de maior dimensão mantêmse à superfície do fluido ruminal e por ação mecânica sobre as papilas ruminais, levam o rúmen a contrair provocando a ruminação. Ao ruminar, a vaca não só segrega enormes quantidades de saliva (substância tampão importante na prevenção de acidoses), como através da mastigação, desagrega a fibra deixando-a mais exposta à atividade das bactérias celulolíticas do rúmen. Não basear a avaliação de uma silagem apenas no teor em amido, dando especial atenção à digestibilidade da fibra e à quantidade de energia por esta fornecida é importante para manter a conservação do rúmen em especial em vacas de leite, as quais se pretende que atinjam 3 ou mais lactações. Nota: o autor escreveu o artigo pelo antigo acordo ortográfico.

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FORRAGENS

A VARIAÇÃO DO TEOR EM PROTEÍNA DAS SILAGENS DE MILHO EM PORTUGAL

D ANA LAGE CHEFE DE SERVIÇO ANÁLISES DE ALIMENTOS PARA ANIMAIS ALIP – ASSOCIAÇÃO INTERPROFISSIONAL DO LEITE E LACTICÍNIOS ANA.LAGE@ALIP.PT

MANUEL D. SALGUEIRO NUTRICIONISTA NA UCANORTE XXI – ALIMENTAÇÃO ANIMAL DIOGO.SALGUEIRO@UCANORTE.PT

esde 1877, com a publicação dos princípios da ensilagem da planta do milho (Goffart, 1877), que esta forragem tem vindo a ser utilizada na alimentação animal. É comum, nas regiões do mundo onde esta cultura é possível, observar a relação da produção deste alimento com a pecuária, em especial aquela ligada à produção leiteira. A facilidade da ensilagem, o elevado teor de energia e a disponibilidade para fornecer fibra efetiva (peNDF) em dietas de elevada densidade nutricional, necessárias às vacas leiteiras de alto potencial genético, transformaram esta forragem no alimento líder para a sua alimentação. Por isso, a participação nestas dietas é elevada, representando frequentemente mais de metade da matéria seca ingerida diariamente por estes animais. Deste modo, é ainda mais importante produzir silagens com boas condições higio-sanitárias e nutricionalmente adequadas.

A SILAGEM DE MILHO EM PORTUGAL Presente em Portugal desde o século XVI, inicialmente, o milho fornecia o grão para a alimentação humana, sendo a cana e o folhelho das espigas utilizados na alimentação dos animais ou para “estrar” as suas camas (Diasda-Silva e Salgueiro, 1998). Desde meados do século passado, esta cultura passou a fornecer a totalidade da planta para a produção de silagem destinada à alimentação do gado (Ramos, 2018). Atualmente a Associação Interprofissional do Leite e Lacticínios (ALIP) dispõe de uma base de dados que engloba 20 campanhas completas

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estando a 21ª a decorrer. O Gráfico 1 apresenta a evolução dos teores de quatro nutrientes nas amostras de silagens de milho analisadas, de acordo com bibliografia publicada (Lage, et al., 2011) (Lage, 2017) (Lage, 2019). Verificámos uma evolução crescente nos teores em matéria seca e amido e uma evolução decrescente no teor em Fibra de Detergente Neutro (NDF). Esta evolução poderá evidenciar uma maior proporção de espiga relativamente ao total da planta, decorrente de um corte num estádio vegetativo mais avançado (Demarquilly, 1994). Foi uma evolução desejável porque permitiu aumentar a densidade energética da silagem e a sua ingestibilidade por parte das vacas. Nos dias de hoje, nas explorações leiteiras com maneio alimentar mais apurado, é comum as vacas ingerirem diariamente, para além do alimento concentrado e da palha, 38 a 42 kg de silagem de milho, valor impensável há 20 anos atrás. Contudo, podemos observar que o teor em proteína bruta (PB) tem vindo a diminuir mais acentuadamente, a partir da campanha de 2011/12. Se valorizarmos os custos atuais da proteína das principais fontes vegetais (Torell e Balliette, 1999) este decréscimo implica custos mais elevados com a alimentação das vacas. Considerando o decréscimo ocorrido entre a campanha de 2012/13 e a campanha de 2017/18 (-0,56 %PB na MS) podemos concluir que, para manter o teor em PB da dieta, a complementação de cada tonelada de silagem fresca produzida ficou mais cara 1,53€. Por essa razão é importante inverter esta tendência de descida do teor em proteína das silagens de milho. Não será somente um trabalho do agricultor, mas também


A variação do teor em proteína das silagens de milho em Portugal

dos seus conselheiros, em especial daqueles dedicados à área agrícola.

FATORES DE VARIAÇÃO DO TEOR EM PROTEÍNA NA PLANTA DE MILHO Analisando a evolução da qualidade das silagens de milho ao longo das campanhas, será lógico pensar que esta descida do teor em PB poderá resultar da alteração genética da planta do milho no sentido de produzir mais espiga. Contudo, apesar da componente genética das plantas ser um fator que pode interferir com o valor nutritivo da silagem de milho (Barrière e Argillier, 1998), analisando os dados de outros laboratórios (Gráfico 2) observamos que, noutros locais, o decréscimo não é tão acentuado, ou não chega mesmo a ocorrer. Obviamente que existe a possibilidade das diferentes metodologias de análise entre os laboratórios introduzirem fatores de variação nos resultados. Mas a correlação

existente entre os resultados gerados pelos métodos utilizados é muito elevada e, na prática, essas diferenças apresentarão pouca importância (Marcó, et al., 2002) (Simonne, et al., 1997) (Thompson, et al., 2002). A qualidade nutricional das plantas (incluindo o teor em PB) também depende das práticas culturais utilizadas e das condições ambientais a que a cultura é sujeita. A necessidade da forragem para alimentar os animais, e o propósito de minimizar as perdas de nutrientes, diminuindo deste modo a poluição, leva os agricultores a aumentarem a densidade da sementeira. No Entre Douro e Minho, 60% dos agricultores que produzem silagem de milho utilizam sementeiras com densidades superiores a 80.000 plantas por hectare (Ribeiro, 2016). O aumento da densidade de sementeira até às 100.000 plantas por hectare maximiza a produção de matéria seca e diminui

Foto 1: A falta de água afeta o desenvolvimento das plantas e a captação dos nutrientes no solo. as perdas de nutrientes por lixiviação (Cusicanqui e Lauer, 1999) (Bosch, et al., 2006). No entanto, também diminui o teor em PB das plantas (Cusicanqui e Lauer, 1999), provavelmente devido à maior captação de azoto e, eventualmente, à menor disponibilidade deste nutriente no solo.

GRÁFICO 1: EVOLUÇÃO DOS TEORES DE QUATRO NUTRIENTES NAS AMOSTRAS DE SILAGENS DE MILHO ANALISADAS Amido

9.00

Proteína Bruta

8.80

5.80

26.0

5.60

24.0

5.40

22.0

5.20

20.0

5.00 C2 01 8-

C2 01 7-

C2 01 6-

C2 01 5-

C2 01 4-

C2 01 3-

C2 01 2-

C2 01 1-

C2 01 0-

C2 00 9-

C2 00 8-

C2 00 6-

C2 00 5-

C2 00 4-

C2 00 3-

C2 00 2-

C2 00 1-

C2 00 0-

C1 99 9-

C2 00 7-

Campanha Campanha

19 *

6.00

28.0

18

30.0

17

6.20

16

6.40

32.0

15

6.60

34.0

14

36.0

13

6.80

12

7.00

38.0

11

40.0

10

7.20

09

7.40

42.0

08

44.0

07

7.60

06

7.80

46.0

05

48.0

04

8.00

03

8.20

50.0

02

52.0

01

8.40

00

8.60

54.0

99

56.0

C1 99 8-

Teor em MS (%), NDF e Amido (%MS)

Teor em Matéria Seca (%), NDF e Amido (%MS)

58.0

NDF

Teor em PB (%MS)

Matéria Seca

Teor em PB (%MS)

60.0

(*) Campanha a decorrer

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FORRAGENS

A aplicação de azoto promove mais produção de biomassa e influencia diretamente a composição das proteínas através dos seus aminoácidos (Maheswari, et al., 2017). Trabalhos mais recentes mostraram que uma maior disponibilidade de azoto para as plantas permite utilizar sementeiras com densidades mais elevadas, mantendo o teor em PB da forragem (Boomsma, et al., 2009)(Ferreira, et al., 2014). Além disso, se essa disponibilidade de azoto ocorrer em momentos específicos da cultura, permite maior eficiência da utilização deste nutriente, diminuindo possíveis perdas para o ambiente (Hammad, et al., 2018). É largamente reconhecido que a cultura do milho necessita de grandes quantidades de água para mostrar todo o seu potencial produtivo. Quando a

disponibilidade de água é limitada, as plantas poderão não conseguir captar o azoto do solo com a sua capacidade máxima, permitindo que este seja lixiviado (Djaman, et al., 2013). Deste modo, diminui a eficiência de utilização deste nutriente e o crescimento e desenvolvimento é prejudicado (Foto 1) levando a uma menor deposição de azoto nas plantas (Djaman, et al., 2013). Por isso, é evidente a necessidade de implementar estratégias de maneio da cultura que tenham em consideração a necessidade de fertilização do solo, mas também as necessidades hídricas que asseguram a correta utilização desses nutrientes. Atualmente existe tecnologia destinada a fornecer informação do estado de uma cultura e das suas necessidades. Apesar da Agricultura de Precisão ser bem conhecida pelos

agricultores em geral, a sua adoção continua muito restrita (Braga e Aguiar Pinto, 2011). Mais do que nunca, os agricultores que se dedicam à produção de silagem deverão apoiarse nos seus conselheiros técnicos para identificarem as práticas culturais mais adequadas para as suas propriedades. Em conjunto, deverão procurar soluções técnicas e tecnológicas que permitam maximizar a produtividade e qualidade da cultura, mas também proteger o ambiente e reduzir os custos de produção. Desta forma, poderemos continuar a melhorar a qualidade das silagens de milho, produzindo um alimento mais nutritivo, com menos custos de suplementação e mais adequado para as nossas vacas. Nota: Referências bibliográficas disponibilizadas sob solicitação.

GRÁFICO 2: TEOR MÉDIO EM PROTEÍNA BRUTA, AO LONGO DAS CAMPANHAS, EM TRÊS LABORATÓRIOS (ALIP, DAIRYLAND E DAIRY ONE) 9.00 8.80 8.60 8.40 Y = 0.0076X + 8.3257 R² = 0.0075

8.20

Proteína Bruta (%MS)

8.00 7.80 7.60 y = -0.036x + 7.4218 R² = 0.1966

7.40 7.20 7.00 6.80 6.60 6.40 6.20

ALIP-pt

DAIRYLAND-us

DAIRY ONE-us

Tendência (ALIP)

Tendência (DL)

Tendência (DO)

y= -0,0603x + 7,3212 R²= 0,2603

6.00 C2011-12

C2012-13

C2013-14

C2014-15

C2015-16 Campanha

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C2016-17

C2017-18

C2018-19


PRODUÇÃO

COM A ENTREVISTA A EMANUEL GARCIA, A KWS DARÁ INÍCIO A UM CONJUNTO DE TESTEMUNHOS SOBRE A CULTURA DA BETERRABA FORRAGEIRA NOS AÇORES E OS RESULTADOS OBTIDOS PELA SUA UTILIZAÇÃO NA ALIMENTAÇÃO ANIMAL. EMANUEL GARCIA É UM PRODUTOR DE LEITE DA ILHA DE S MIGUEL QUE EXPERIMENTOU CULTIVAR PELA PRIMEIRA VEZ A BETERRABA FORRAGEIRA HIBRIDA DA KWS EM 2017. NESTA ENTREVISTA DÁ-NOS A SUA OPINIÃO SOBRE O INTERESSE DA CULTURA E OS RESULTADOS OBTIDOS ATÉ AGORA.

UTILIZAÇÃO DA BETERRABA FORRAGEIRA NA ALIMENTAÇÃO ANIMAL POR: SERVIÇOS TÉCNICOS KWS

O que o levou a querer experimentar a beterraba forrageira na alimentação do seu efetivo leiteiro? Pretendia arranjar uma nova fonte de energia para a dieta de bovinos que fosse mais além da silagem de milho (a única fonte de energia produzida na maioria das explorações pecuárias em Portugal). Algo que me substituísse mais ração, mas que levasse a um melhor leite e, consequentemente, reduzisse os custos de alimentação. Quanta área semeou? Quais foram as variedades de semente de beterraba forrageira utilizadas? Em 2017, quando cultivei a beterraba forrageira pela primeira vez, fiz cerca de 0,5 ha da variedade de média matéria seca "Geronimo". Em 2018, a área total foi de 2 ha, a dividir por três variedades, todas elas KWS. Destas, cultivei 0,5 ha da variedade "Gerty", 0,8 ha da "Lactimo" e 0,7 da "Geronimo". Pretendeu-se assim testar uma variedade de alto teor de matéria seca ("Gerty") e outra nova de médio teor ("Lactimo"). Quando semeou? E quando colheu? Em 2018, a sementeira foi realizada a 29 de março de 2018, para todas as variedades. Cerca de 15 dias mais tarde do que o ano passado, face às condições meteorológicas adversas e às condições do terreno, que provocaram este atraso. O ideal seria semear até 15 de março. Note-se que quanto mais se atrasar

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a sementeira depois de 15 de março, menor o potencial produtivo. A colheita iniciou-se a 02 de agosto. Cerca de um mês mais cedo do que o ano anterior. Não porque houvesse necessidade de alimentar ou porque a cultura tivesse atingido a sua maturação, mas porque tive que testar no campo, a pá carregadora de beterraba que construí aqui numa serralharia local. Até quando colheu? Como foi realizada esta colheita? A colheita iniciou-se a 2 de agosto e decorreu até janeiro passado. Fui colhendo à medida que necessitava. Em 2018 adquiri uma pá carregadora. Serve para acoplar ao carregador frontal do trator. É um balde ripado, semelhante aos que existem para juntar pedras dos campos lavrados. É muito utilizado na

Nova Zelândia para abrir os campos de beterraba. O principio é deixar cair a terra pelo ripado e ficar com a beterraba o mais limpa possível. É uma alfaia muito simples e relativamente barata, mas ao mesmo tempo, muito eficaz. Qual o custo real da cultura em 2018? Qual a produção estimada por hectare? A Tabela 1 demonstra o custo real da cultura, em comparação com a cultura do milho forrageiro, na Ilha de S. Miguel, Açores, tendo em conta os preços médios de mercado praticados pelos fornecedores de bens e dos prestadores de serviços agrícolas no ano 2018. Até à presente data, a beterraba forrageira não está elegível para subsídio comunitário de apoio ás superfícies de culturas arvenses.


Utilização da beterraba forrageira na alimentação animal

No caso do milho, este subsídio na campanha de 2018, foi cerca de 500€/ha. As tonelagens por hectare de beterraba referem-se sempre a beterraba integral (raízes e folhas). As tonelagens de silagem de milho referem-se a cortes médios de 30 cm de restolho. Ambas as culturas são cultivadas em ambientes de sequeiro, tal como são todas as culturas forrageiras cultivadas na Região Autónoma dos Açores. Esta tabela limita-se a uma mera demonstração, não tendo como objetivo descobrir qual a melhor ou a pior forragem, ou a mais barata ou cara. Como tem sido aplicada a beterraba na alimentação da sua exploração leiteira? A beterraba, tem sido utilizada de 2 formas: Na alimentação das vacas leiteiras e das novilhas estabuladas através do "unifeed" e na alimentação de vacas secas e novilhas gestantes diretamente no campo. Como fica a mistura da beterraba em unifeed? Quais os cuidados a ter? O "unifeed" é uma excelente máquina para triturar e misturar beterraba. No entanto, existem alguns cuidados a ter. Ordem de incorporação: deve ser o primeiro ingrediente a entrar na mistura ou pelo menos o segundo, no caso do primeiro ser o concentrado. Isto de forma a otimizar o contacto das navalhas com a beterraba. Note-se que em mistura unifeed a beterraba deve estar o máximo triturada de forma a que o gado não selecione o alimento. Se não for assim, os animais vão tender a revirar e procurar apenas a beterraba para comer e isto pode trazer problemas metabólicos. Limpeza: neste caso a beterraba deverá estar o mais limpa possível de terra e de pedras. Não é necessário lavar a beterraba em condições normais. Basta que fique apenas com a terra residual que está presa às raízes. No entanto, a sua lavagem é recomendada no caso de a beterraba ter sido arrancada debaixo ou

TABELA 1: CUSTO REAL DA CULTURA, EM COMPARAÇÃO COM A CULTURA DO MILHO FORRAGEIRO, NA ILHA DE S. MIGUEL, AÇORES, TENDO EM CONTA OS PREÇOS MÉDIOS DE MERCADO PRATICADOS PELOS FORNECEDORES DE BENS E DOS PRESTADORES DE SERVIÇOS AGRÍCOLAS NO ANO 2018

MILHO FORRAGEIRO

BETERRABA FORRAGEIRA

(30%MS)

colhida com carregador frontal do trator (16% MS)

Custos Variáveis em €/ha

1215

1205

Consumos Total €/ ha

610

835

Semente

250

250

Fertilizantes

260

200

Fitossanitários

100

385

Maquinaria Total €/ha

605

370

Charrua

90

90

Rototerra

60

60

Cisterna Estrume

30

30

Semeador

50

50

Espalhador Adubo

15

15

Pulverizador

25

75

Automotoriz ensiladora

280

0

Colhedora Beterraba

0

0

Trator Compactador

20

0

Plástico e Mão de obra de silo

35

0

Carregador Frontal

0

50

Custos Variáveis em €/ha com subsídio

715€ (500€/ha subsidio)

1205€ (0€/ha subsidio)

Produção Matéria fresca ton/ha

65

135 (raízes+folhas)

Produção Matéria seca ton/ha

20

22

8 tons(silagem com 30% amido)

17tons(8 kg beterraba fresca com folhas=1kg farinha milho)

Equivalente em farinha milho € (200€/ton PVP)

1600

3400

Custo de produção por ton Matéria Fresca €/ton

11

8.9

0.036

0.055

-

0.032

Equivalente em farinha milho (75%Amido) - ton/ha

Custo da matéria seca €/kg MS Custo matéria seca se fosse subsidiada a 500€/ha como o milho forrageiro

logo após fortes chuvadas. A presença de lama é uma potencial fonte de propagação de microrganismos do tipo dos clostrídios. Note-se que também não é recomendado cultivar beterraba em solos argilosos, tanto pelo problema da sujidade, como pelas condições operacionais das máquinas, que durante o Inverno, poderão ficar sem meios para trabalhar. Quais os resultados observados da sua utilização na alimentação dos seus animais? De uma forma geral, todas as classes

de gado podem comer beterraba, à exceção das vitelas dos 0 aos 6 meses. Sendo a beterraba forrageira uma fonte de energia sob a forma de açucares simples e de fibra de alta digestibilidade, o gado, desde as novilhas ate às vacas leiteiras de alta produção, responde muito bem aos arraçoamentos feitos com este alimento. No caso das novilhas estabuladas, consegue-se ganhos de peso e de crescimento muito interessantes, sem qualquer tipo de concentrado.

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PRODUÇÃO

O mesmo se passa com o gado a campo, como as vacas secas e novilhas gestantes, que dispensam qualquer tipo de ração. Isto, claro, se os restantes ingredientes volumosos que fazem parte da dieta satisfizerem as suas restantes necessidades nutricionais.

EXEMPLO DE DIETAS (INGREDIENTES POR ORDEM DECRESCENTE DE INCORPORAÇÃO) Mistura "unifeed" para novilhas dos 6 aos 15 meses: • Feno silagem de azevém • Silagem de milho • Beterraba • Palha • Bloco Mineral Para novilhas gestantes e vacas secas a campo: • Pastagem à descrição • Feno/Palha ( sempre que se verifique falta de fibra na pastagem) • Beterraba • Bloco mineral Relativamente às vacas leiteiras em produção, regista-se um aumento dos teores de gordura e proteína, e um ligeiro aumento de volume do leite produzido. Note-se que os arraçoamentos são feitos para objetivos de 30 litros, isoenergéticos. Este ano, aumentou-se a quantidade disponibilizada de beterraba a estes animais para quase o limite de incorporação. São cerca de 20 Kg por cabeça contra os 10 Kg por cabeça do ano passado. Os teores de gordura são de 4.4% e de proteína de 3.4% com produções médias diárias a variarem entre 29-31 l/vaca. Quanto ao concentrado, houve menor gasto e mais barato. Mistura "unifeed" para vacas leiteiras: • Feno silagem de Azevém • Feno silagem de Luzerna • Silagem de Milho • Beterraba • Palha • Concentrado

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Verificou alguma alteração na saúde das suas vacas leiteiras pela utilização de 20 kg de beterraba fresca na dieta? Verificámos que durante o período em que a beterraba esteve a ser fornecida na dieta nunca ocorreram casos de cetose. O que é perfeitamente explicável, devido ao fato de estarem a entrar mais açucares simples/rápidos na dieta, nomeadamente a sacarose. Porém, existe sempre um fantasma no ar, que é a contaminação por clostrídeos. Segundo a bibliografia existente sobre o assunto, existe este risco sempre que seja administrada beterraba ou outros alimentos forrageiros fortemente contaminados com terra / lama. No entanto, o produtor pode-se prevenir facilmente contra esta doença, seja através da limpeza do alimento, seja através da vacinação. Note-se que esta doença é quase sempre de desfecho fatal, mas nunca tive esta ocorrência nos meus animais, mesmo sem nunca ter vacinado. A experiência com a utilização destas novas variedades de beterraba tem sido economicamente vantajosa? Sim, sem qualquer dúvida. Os dados apresentados na caixa de texto ao lado pretendem demonstrar os ganhos reais com o cultivo de 1 hectare de beterraba forrageira, tendo em conta a poupança de farinha de milho (concentrado), mais os ganhos qualitativos registados com a venda do leite.

GANHOS REAIS GANHOS COM A POUPANÇA DE CONCENTRADO • Custo em produzir 1 ha de beterraba forrageira para ser carregada com pá do trator: 1205€ • Produção: 135ton/ha (raízes + folhas) • Consumo: 1200 kg/dia (20 kg/cabeça) • Dias para consumir 1 ha: 112 • Nº de vacas em produção: 60 • Custo da farinha de milho: 0,2€/ kg • Equivalente energético de farinha de milho: 2,5kg (1 kg de farinha milho = 8 kg de beterraba integral) POUPANÇA DE FARINHA DE MILHO 2,5x0,2x60x112= 3360€ GANHOS QUALITATIVOS COM A VENDA DO LEITE • Teor de Gordura: 4,4% • Teor de Proteína: 3,4% • CCS «200 • CMT «10 • Preço do litro de leite: 0,322€/l (Preço base mais todos os bónus (12/2018)) • Aumento de 1 litro de média diária por animal • Dias em consumo: 112 • Vacas em produção: 60 60x1x112= 6720 l x 0,322€/l= 2163€ LUCRO 3360€+2163€-1205€ = 4313€/ha


Utilização da beterraba forrageira na alimentação animal

Acha que a beterraba pode ajudar à sustentabilidade económica da produção pecuária nos Açores? Sim. A beterraba forrageira é uma cultura que produz muito bem aqui nos nossos solos e muito adaptada ao nosso clima. De igual forma como produzia bem a sua “irmã” beterraba sacarina, destinado ao processamento industrial do açúcar e álcool. Indústria esta que já encerrou cá, não pela inviabilidade da cultura, mas por outros motivos relacionados com a performance industrial e com a conjuntura mundial do comércio do açúcar. É muito importante que se sigam todas as recomendações, desde a instalação da cultura até ao fornecimento aos animais, de forma a não ter problemas e maximizar o seu potencial económico. A beterraba forrageira insere-se numa

categoria de forragens chamadas “forragens concentradas”, ou seja, substituem diretamente concentrado. Numa região, onde todo o concentrado é adquirido fora, ou seja, através de importação de países terceiros, faz todo o sentido aumentarmos cada vez mais a nossa independência face a estes custos altos de importação e até de muita imprevisibilidade. O sector da carne também deverá olhar para a beterraba forrageira, uma vez que esta permite fazer acabamentos bastante mais baratos, como já exemplificado Um cálculo simples e bastante elucidativo sobre o impacto direto que este cultivo teria na economia regional é o seguinte: Se, por hipótese, 100.000 vacas aqui da região consumissem apenas 5 Kg de beterraba forrageira do tipo Gerty,

O setor da carne também deverá olhar para a beterraba forrageira, uma vez que esta permite fazer acabamentos bastante mais baratos. o que é equivalente a cerca de 1Kg de farinha de milho, num ano reduziríamos a importação em cerca de 36.500 toneladas de milho. Falando em Euros, tendo em conta que a farinha de milho é comercializada a cerca de 230€/ton (PVP jun. 2019), representaria uma poupança de 8.395.000€ para o setor leiteiro açoriano.

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OPINIÃO

DIFÍCIL VAI SER COMER UM BOM BIFE E COMPRAR UM LITRO DE LEITE DE QUALIDADE JOSÉ FREIRE, FERTIPRADO, JFREIRE@FERTIPRADO.COM

A

s campanhas de comunicação contra o consumo de carne e de leite e contra a produção de bovinos em geral, não serão mais que uma macro estratégia política para gerir os recursos do planeta de acordo com os crescentes hábitos de consumo da população mundial. Como sabemos, os grandes países asiáticos estão a sofrer uma natural mudança social, onde a classe média aumenta a um ritmo acelerado, o que, dada as elevadas densidades populacionais, significa que todos os anos há milhões de novos consumidores de proteínas de qualidade, entre as quais a carne e o leite. Até 2030, o conjunto da classe média da China e da Índia ultrapassará os 1,3 mil milhões de pessoas. Será um mercado de consumo maior que o dos EUA e da Europa juntos. Algo semelhante, mas em menor escala, está a acontecer nalguns Países do norte de África e do Médio Oriente, o que devido à proximidade geográfica tem já hoje um impacto no mercado de exportações português. Já não são notícia os barcos que saem de Portugal carregados de bovinos e ovinos com destino a estes países, enquanto que por cá as prateleiras dos supermercados são dominadas por carne importada da qual apenas sabemos qual o país de origem se acreditarmos no que está escrito na etiqueta. Desconhecemos o modo de produção, desconhecemos o controlo

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de qualidade, desconhecemos o controlo sanitário, desconhecemos as qualidades organoléticas, enfim, da sua origem apenas conhecemos o nome do país. Em teoria, o consumidor português não estará disposto a pagar o diferencial de preço e por consequência as grandes superfícies também não. Mas estarão os consumidores Portugueses bem informados? O que é que os consumidores do Médio Oriente e do norte de África estão a valorizar? A bacia mediterrânea tem condições excecionais para a produção de carne e de leite. Temos em grande parte do território condições para que os animais pastoreiem 365 dias por ano, sem necessidade de serem encerrados em estábulos. Os animais vivem em plena liberdade, socialmente em manada, sem qualquer tipo de stress. Como herbívoros que são, a base da sua alimentação é a erva e não os alimentos concentrados feitos à base de matérias primas das quais Portugal é importador líquido, como milho e a soja. O nosso clima permite que se alimentem de pastagens e forragens de qualidade, i.e., biodiversas e ricas em leguminosas. Deste modo de vida e deste tipo de alimentação resultam produtos animais – carne, leite e derivados - facilmente diferenciáveis pelos seus valores. São produtos mais saudáveis, naturalmente mais ricos em vitaminas, minerais e ómega 3, são produtos com um potencial organolético superior, são

Temos em grande parte do território condições para que os animais pastoreiem 365 dias por ano, sem necessidade de serem encerrados em estábulos. produtos provenientes de um modo de produção que respeita os animais, amigo do ambiente, que sequestra CO2, melhora o solo e os aquíferos, aumenta a biodiversidade e protege a floresta. Consigamos nós informar melhor os consumidores portugueses ou não, a boa notícia é que a produção não será suficiente para satisfazer a parte do mercado mundial que está disposta a pagar esta diferenciação dos nossos produtos. Isto é só por si garantia de um futuro próspero para os produtores nacionais. A má notícia é para os “bons garfos” nativos, como eu, que teremos mais dificuldade em encontrar aquele bom bife, ou em levar para casa o tal leite da pastagem de que tanto gostamos.


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PRODUÇÃO

MUDAR DE RUMO COM PROCROSS TEXTO E FOTOS RUMINANTES

Num dia quente do mês de maio, fomos a Espinhel conhecer a exploração de Álvaro Soares e Rui Carvalho. Foi Fátima Reis, esposa de Álvaro, que nos recebeu e contou como a introdução do ProCROSS veio alterar o rumo da exploração.

H

á quanto tempo está neste negócio? Desde 1994, o meu marido sempre teve vacas de leite, mas nesta altura trabalhava como administrativa numa empresa. Só em 2007, quando esta empresa foi adquirida, é que foi necessário dar apoio e fiz a opção de trabalhar nas vacarias a tempo inteiro. Numa primeira fase ajudava apenas na parte administrativa e mais tarde comecei também a dar apoio na vacaria. A quem vendem o leite? À Lacticoop. Como é feito o maneio da exploração? Aqui trabalhamos em estabulação

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permanente, exceto no período seco em que os animais estão no campo. A recria é feita em duas outras empresas de recria com quem temos parceria, as vitelas saem aos 4 meses e voltam quando estão cheias. Temos dois parques de produção, um para as altas produtoras, com cerca de 90 animais, outro para as baixas produtoras, com aproximadamente 50, com sistemas alimentares diferentes. Temos ainda um terceiro parque para o pós-parto para podermos manter os animais sob uma maior vigilância nesta fase. Relativamente à alimentação, utilizamos o Unifeed com silagem de milho, erva, palha e massa de cerveja.

Atualmente o seu efetivo não é todo Holstein, porquê? Neste momento, temos 33% de animais em produção ProCROSS. Aceitámos um desafio feito pelo Carlos Serra da Ugenes,Lda. em colaboração com o Paulo Grave porque estávamos com alguns problemas de saúde animal. Fazíamos o refugo dos animais muito cedo para os nossos objetivos. Tínhamos 1.9 de lactações em média, que é um valor muito baixo, e daí surgiu a necessidade de alterar o rumo da exploração. Foi uma mudança ponderada! Quando se tem Holstein é-se um bocadinho aficionado da raça e foi preciso abrir a mentalidade a esse nível. Fomos ver algumas explorações e os testemunhos


Mudar de rumo com ProCROSS

ÁLVARO SOARES E RUI CARVALHO, SÓCIOS GERENTES DA EXPLORAÇÃO

problemas de claudicação com tanta frequência. São animais que nos estão a “sair mais baratos” pelo que poupamos em tratamentos. Diminuímos também o número de inseminações por vaca o que também nos traz alguma vantagem. Relativamente à longevidade, pareceme também que os resultados serão positivos, mas ainda estamos numa fase muito precoce para tirar conclusões a esse respeito.

que obtivemos foram bastante positivos pelo que decidimos arriscar e avançar. Estamos há 5 anos a inseminar, não começámos logo os cruzamentos nas primeiras inseminações, só se não pegasse à segunda ou à terceira. Neste momento, já colocamos na primeira inseminação em quase todo o efetivo.

que será inseminada com Holstein.

Pensou cruzar com outras raças ou isso nunca foi questão? Não, não! Escolhemos este percurso.

Da sua experiência, que alterações observa? Essencialmente melhorias na saúde animal. São animais mais rústicos, que não têm tantos problemas de mamites, com descargas muito mais baixas que as dos outros animais. Não temos

Que gerações já tem aqui na exploração? Já temos uma nascida da terceira geração

Que cruzamento faz atualmente? Cruzamos com a Sueca Vermelha e a Montbéliarde. Costumamos começar nas novilhas pela Sueca Vermelha porque os partos são mais fáceis, e nas vacas inseminamos primeiro com Montbéliard.

Os animais ProCROSS são irrequietos? Como se comportam na ordenha? Temos de tudo. Tanto nos animais Holstein como nos ProCROSS existem animais que chegam à ordenha muito irrequietos. O que costumamos fazer é pô-las à ordenha juntamente com as altas produtoras e estabelece-se uma hierarquia que acaba por as acalmar. Parece-lhe que são animais que comem mais? No viteleiro parece-me que sim, mas na fase adulta já não. Com que idade faz a primeira inseminação destes animais? Nota diferença em relação às Holstein? Normalmente a partir dos 13 meses. A média de idade ao primeiro parto é de 24,9 meses. Geralmente, devido à conformação conseguimos inseminar estes animais ligeiramente mais cedo do que as Holstein.

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PRODUÇÃO

os animais e houve uma melhoria substancial. Gasta mais dinheiro com a prevenção ou com tratamentos? Neste momento sem dúvida com a prevenção, posso dizer-lhe que cerca de 80% é gasto em prevenção.

Relativamente à carne, estes animais ProCROSS têm um valor comercial maior? Só têm um valor comercial maior porque atingem um maior peso mais depressa. Ao nível do valor por kg é exatamente a mesma coisa. Vendemos estes animais como vitela, até aos 8 meses, ou como vitelão entre os 8 meses e 1 ano. Como compara o crescimento destes animais no primeiro ano de vida relativamente a outras raças? Até aos 8 meses não noto grande diferença, no entanto a partir daí noto que eles começam a aumentar de peso mais rápido e aí, sim, é muito diferente dos Holstein. Em relação à saúde animal, quais são os seus 2 principais problemas? Gostava de alcançar melhores resultados ao nível da fertilidade. Além disso, tivemos no passado muitos problemas de mamites. No entanto, há cerca de três anos começámos a vacinar

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Qual é, a seu ver, a importância de investir em bem estar animal? Acha que é um investimento com retorno financeiro rápido? Sem dúvida! Penso que o bemestar animal é uma das coisas essenciais numa exploração. Temos feito alguns investimentos nesse sentido, nomeadamente nas ventoinhas. Precisávamos de investir muito mais, mas neste momento financeiramente não é possível. Tudo o que nos foi possível fazer, fizemos, nomeadamente ao nível da ventilação e camas. Temos atualmente colchões cobertos com serrim misturado com calcário. Precisamos mudar o telhado por causa do calor que se faz sentir nos meses de verão, pois os sistemas de ventilação e nebulização que temos não são suficientes. Mas será um investimento para o futuro.

EXPLORAÇÃO Nome: Soc. Agrícola Agriespinhelense, Lda. Localização: Espinhel / Águeda Área da exploração: 100 ha (silagem de milho e grão em cerca de 90 ha e alguma área de regadio e sequeiro) Nº empregados: 4 Espaço: 180 (110 logetes nas altas produtoras e 70 nas baixas produtoras e pós parto)

REBANHO Produção leite total vacaria/ano: 10 084 litros Efetivo total: 325 animais Nº vacas em ordenha: 150 Nº de lactação média anual: 2,1 Produção média diária: 32,5 litros GB (%): 3,7 PB (%): 3,4 CCS: 190 cél/ml 20 Taxa de refugo anual: 31% Taxa de substituição anual: 31% Distribuição efetivo adulto por raças ProCROSS: 35%; Holstein Frísia: 65%

REPRODUÇÃO Idade média ao abate: 5,1 anos Idade ao 1º parto: 24,9 IEP (previsto): 417

Que indicadores utiliza para perceber se o negócio está a correr bem? Os mais imediatos são, obviamente, a produção de leite e a qualidade. Paralelamente, vamos sempre trabalhando a parte reprodutiva que é também muito importante. Claro que depois existem outros, os custos alimentares estão sempre a ser contabilizados e trabalhados em conjunto com o nutricionista.

DEA (dias em aberto): 137

O que mais gosta de fazer na exploração? Gosto de toda a gestão animal. De acompanhar o médico veterinário, controlar os períodos secos dos animais etc. Apesar de ter começado pela parte administrativa financeira, que continua a meu cargo, estou cada vez mais rendida à parte animal.

Lactações

Nº I.A. vaca adulta gestante: 3,1 doses vacas Holstein vs. 2,1 ProCROSS Taxa deteção de cios: 65% Período espera voluntário: 60 dias % Vacas adultas gestantes: 65%

DADOS PRODUTIVOS E REPRODUTIVOS

DEA

ProCROSS

Holstein Frísia

1,7/3,2 anos

2,9/4,7 anos

103

134

DEL

175

214

Kg/Dia

32,6

34,2

TG

3,33

3,49

TP

3,48

3,57

CCS

104

259

IEP

386

409


VikingHolstein muito mais que Holstein As VikingHolstein a sua melhor opção Holstein para o

ProCROSS

A VikingHolstein Transmite • • • • • •

Alta produção Altos Componentes Partos fáceis Saude do Ubere Longevidade Animais de Alta rentabilidade

Alguns dos actuais melhores touros que estão disponiveis • • • • • • • •

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Foto: Christine Massfeller

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SAÚDE & BEM-ESTAR

LEPTOSPIROSE BOVINA Uma doença importante não só pelo impacto económico que tem nas explorações, mas também pelo seu potencial zoonótico. TEXTO MARGARIDA CARVALHO

que existam condições ideais de humidade, temperatura e pH para que as leptospiras sobrevivam no ambiente. Climas quentes e húmidos e pH neutros favorecem a sobrevivência deste agente fora dos hospedeiros.

Foto por Yunu Dinata, Unsplash

SINAIS E SINTOMAS

A

leptospirose é uma doença bacteriana causada por espiroquetas pertencentes ao complexo Leptospira interrogans sensu lato (s.l.). É uma zoonose, o que significa que pode infetar o homem. Além dos seres humanos pode também infetar outros mamíferos domésticos e selvagens e já foi isolada em repteis e aves. Existem mais de duas centenas de serovares patogénicas e pelo menos cinco de que podem afetar os bovinos. Esta doença está distribuída um pouco por todo o mundo. No entanto, é mais frequente em países com climas tropicais, uma vez que estas bactérias apresentam uma maior taxa de sobrevivência em climas quentes e húmidos. Nos bovinos a doença está associada a quadros de infertilidade, aborto e quebras na produção de leite. Felizmente é uma doença que tem tratamento, sendo sensível a grande parte dos antibióticos.

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TRANSMISSÃO Os roedores são o principal agente de transmissão da doença podendo transmiti-la aos animais de produção, ao cão e ao homem. No entanto, também os bovinos, ovinos e outras espécies podem funcionar como hospedeiros de manutenção de alguns serovares. A urina de animais infetados constitui o principal meio de infeção. Frequentemente as leptospiras entram no organismo dos animais através de lesões da pele e das mucosas ou através da pele amolecida após contacto prolongado com água. No entanto, a transmissão também é possível por contacto sexual, de mães para filhos e através do contacto com produtos resultantes do aborto. A infeção pode ocorrer de forma direta, entre animais, mas é mais frequente que ocorra de forma indireta pelo contacto com solos, águas e materiais contaminados com urina de outros animais infetados. Para que este tipo de infeção indireta ocorra, é necessário

A infeção tem manifestações clínicas variáveis e é frequentemente subclínica. Alguns dos sinais da doença que podem ocorrer em bovinos são: Quebra de produção de leite e úbere flácido Febre Presença de sangue na urina Icterícia Perda de apetite Infertilidade Aborto e nados mortos Nascimento de vitelos fracos

PREVENÇÃO A prevenção da doença é importante como forma de reduzir as perdas económicas e reduzir as infeções em seres humanos (ver quadro). A prevenção da doença no efetivo bovino assenta em medidas higiosanitárias e profiláticas como: Controlo de roedores (ex.: desratização, impedir o acesso a alimentos, edifícios que impeçam o acesso de roedores, melhoria geral das condições de higiene) Evitar o acesso a cursos de água. Evitar misturar gado bovino com outros animais, nomeadamente ovinos que podem ser portadores assintomáticos da doença.


Leptospirose bovina

Evitar a entrada de novos animais na exploração e quando necessária submeter os animais a quarentena. Evitar a utilização de touros para cobrição. Implementação de um programa de vacinação sob aconselhamento do médico veterinário assistente já que o programa de vacinação deve ser adaptado à realidade de cada exploração. Tratamento dos animais infetados – com antimicrobianos prescritos pelo médico veterinário assistente.

POTENCIAL ZOONÓTICO Pessoas que contactam diariamente com animais no decurso da sua atividade profissional são as mais frequentemente infetadas. A infeção dos seres humanos ocorre através de aerossóis, contacto direto com urina dos animais infetados ou indireto através de água contaminada que entra no organismo através da pele e mucosas. Trabalhadores de explorações onde a doença se encontre presente devem instituir medidas que previnam a infeção como a utilização de vestuário e calçado de proteção, luvas de latex, óculos e máscaras de proteção. As manifestações clinicas da doença nos seres humanos são muito variáveis bem como a sua gravidade. A doença pode ser assintomática, outras vezes é confundida com uma gripe, mas pode também chegar ao ponto de causar falência de vários órgãos e até a morte. Um diagnóstico precoce é importante para o sucesso do tratamento.

BREVES A EFICIÊNCIA ALIMENTAR INFLUENCIA A SUSTENTABILIDADE DA PRODUÇÃO

OS PRODUTORES IRLANDESES PEDEM UMA MELHOR ROTULAGEM DAS RAÇÕES

EM FRANÇA, OS DADOS DO CONTROLO LEITEIRO DE CAPRINOS REVELAM 964 KG EM 319 DIAS

Um estudo realizado pela Virginia Tech revelou que um aumento da eficiência alimentar na produção leiteira beneficia também a utilização da terra e da água, bem como a emissão de gases com efeito de estufa. Assim, os nutricionistas têm também um importante papel no que toca à sustentabilidade da produção. Este estudo pretendeu também desmistificar algumas ideias sobre a produção animal “amiga do ambiente” e evidenciar o papel da investigação na área da nutrição animal na sustentabilidade da mesma. Com esse objetivo, procurou construir um modelo otimizado de dieta para perceber como é que uma melhor utilização de energia e proteína pode reduzir estes fatores com impacto ambiental. Foi demonstrado um impacto ambiental significativo com o aumento da eficiência alimentar. Além disso, concluiu-se que à medida que há uma melhoria na eficiência alimentar, os custos no investimento na diminuição do impacto ambiental diminuem.

Na Irlanda, a associação que representa os produtores de leite pediu ao ministério da agricultura um novo regulamento da rotulagem dos alimentos para animais, que torne obrigatório para as fábricas de ração declarar a porção de proteína digerível no intestino (PDI). Segundo Lorcan Mcbee, presidente da Irish Creamery Milk Suppliers´Association, os produtores precisam de um melhor indicador por forma a conseguirem reduzir os custos e o impacto ambiental da dieta escolhida. Usar a proteína bruta como único indicador do valor proteico de uma ração, não tendo em conta a sua qualidade ou digestibilidade, é um conceito obsoleto e um erro que frequentemente leva a um excesso de azoto na dieta sem atingir o nível de produtividade desejável. A declaração da PDI na rotulagem dos alimentos para animais, juntamente com a formulação de rações com menor teor de proteína bruta, foram indicados por Mcbee como medidas importantes para reduzir os gases com efeito de estufa, por serem fórmulas de diminuem os níveis de azoto presentes na produção de leite”.

O Idele (L’Institut de L’Elevage) publicou recentemente dados sobre o controlo leiteiro em diferentes espécies referentes ao ano 2018, onde revela o crescimento da produção de leite nos caprinos. Nesta espécie, a produção média por cabra em cada lactação cresceu 11kg relativamente ao ano passado. Também a duração do período de lactação aumentou, passando para 319 dias. Em 2018, o número de cabras ativas no controlo leiteiro foi de 385.006 animais o que conduziu a 6671 lactações suplementares. Estes números representam um aumento de 2,5% relativamente a 2017, atingindo o valor de 256.095 lactações em 2018. Houve também um ligeiro aumento (0,4%) das primíparas que representam um terço dos efetivos (33% das lactações). Relativamente às raças, as Alpinas e Saanens representam 96,8% das lactações. O teor proteico do leite manteve-se estável nos 33 g/kg e o teor butiroso sofreu um ligeiro aumento alcançando um valor de 37,1 g/kg. O relatório completo do controlo leiteiro francês pode ser consultado em www.idele.fr.

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SAÚDE E BEM-ESTAR

A PRODUÇÃO DE RUMINANTES

NA NOVA ZELÂNDIA 2ª PARTE

TEXTO E FOTOS GEORGE STILWELL MÉDICO-VETERINÁRIO FACULDADE DE MEDICINA VETERINÁRIA – UNIVERSIDADE DE LISBOA

E

stive a lecionar e exercer clínica durante 6 meses na Universidade de Massey na cidade de Palmerston North. Aprendi e refleti muito sobre a sustentabilidade da produção pecuária num planeta cansado que tem mostrado uma crescente dificuldade em arranjar espaço e paciência para a nossa espécie. Já expus no artigo anterior (Ruminantes 32, pág.24) algumas dessas preocupações a propósito da produção de bovinos de leite. Hoje proponho falar um pouco sobre a produção de ovinos e sobre uma outra produção de ruminantes.

FARM SERVICES MASSEY UNIVERSITY

A PRODUÇÃO DE OVINOS Estão por todo o lado. É o que apetece dizer quando pensamos em ovelhas na Nova Zelândia. A população total de ovinos deve rondar os 35 milhões, num país com não mais de 4,5 milhões de humanos. Ainda ficamos mais pasmados quando ficamos a saber que atualmente são apenas metade do que existia naqueles vales e montanhas nos finais dos anos 80. Neste momento cerca de 15.000 explorações exportam mais de 24 milhões de carcaças de borrego (mutton e lamb), tornando a Nova Zelândia no maior exportador de carne de ovino do mundo. Os problemas de bem-estar no transporte marítimo não acontecem, ao contrário do que sucede na Austrália, porque é tudo exportado na forma de carcaça para a China, Japão, EUA e Europa (Grã-Bretanha, França, Bélgica e Alemanha). As primeiras ovelhas foram levadas para a Nova Zelândia entre 1773 e 1777, depois de se ter começado a desbravar um terreno densamente coberto por

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floresta de fetos e árvores gigantescas. De referir que estas ilhas albergam mais de 200 espécies de fetos sendo que quase metade não ocorre em mais lado nenhum do mundo. Há fetos com mais de 10 metros de altura e outros com poucos milímetros. Voltemos à produção de ovinos. O decréscimo da população deveu-se a alterações de mercado, mas também à eliminação dos subsídios à produção. A partir da última década do século 20 deixou de ser rentável manter ovinos não produtivos e por isso a população baixou para metade, apesar da produção de borrego se ter mantido ou até ter aumentado ligeiramente. Uma outra razão, mais recente, foi o decréscimo do valor da lã, que reduziu muito a rentabilidade. Atualmente é difícil arranjar mercado para as 220.000 toneladas de lã tosquiada cada ano. A principal raça, contabilizando mais de 60% do efetivo nacional, é o Romney Neozelandês, descendente dos indivíduos de raça Marsh Romney trazidos de Inglaterra. Esta raça acabou por suplantar os Merinos, introduzidos vindos da Austrália onde são predominantes, devido ao facto de associarem excelentes carcaças a uma lã superior e por se terem adaptado melhor ao clima húmido e terreno acidentado. A prolificidade (1,7) é também uma razão para a preferência. Neste momento os merinos encontram-se essencialmente na ilha sul. E como é a produção vista por um médico-veterinário europeu? A noção que se tem no início é que é caótica e muito pouco regulada. Há ovelhas por todo o lado, mas há poucos ou nenhuns registos. Confesso que acho


A produção de ruminantes na Nova Zelândia

que nenhum pastor sabe bem quantas ovelhas tem e ainda menos onde é que elas estão. Mas claro que isto é só uma caricatura, porque há excelentes produtores e profissionais. Em termos clínicos notei que muito poucos animais são apresentados ao médico-veterinário para tratar, mas provavelmente porque há pouco interesse em investir no tratamento dos animais individuais pouco valiosos. A exceção são os machos reprodutores, que frequentemente eram assistidos. Os partos ocorrem essencialmente entre julho e setembro (fim do invernoinício da primavera), mas ao contrário do que acontece, por exemplo, na Grã-Bretanha em que na época curta de partos as ovelhas são estabuladas e supervisionadas de forma apertada, na Nova Zelândia os partos ocorrem no campo com pouca ou nenhuma vigilância. Por essa razão a mortalidade no periparto é bastante elevada - 14% em partos simples, 16% em duplos e 29% em triplos, segundo uma estimativa mais recente. Para além da mortalidade dos borregos recém-nascidos, o outro grande entrave à produção é o parasitismo gastrointestinal. Aqui os neozelandeses são um pouco parecidos connosco – usam e abusam da desparasitação, o que logicamente conduziu rapidamente ao estabelecimento de resistências dos parasitas. A intensidade da desparasitação é, talvez, ainda maior do que em Portugal, chegando a ser feita a cada 3 semanas em borregos até à idade de abate. É notório que este é um assunto que preocupa as organizações de produtores e os serviços oficiais, já que são bastante frequentes e intensas as campanhas de sensibilização e as ações de formação no sentido de reverter a situação através de melhor gestão das pastagens, de redução da densidade animal e de utilização de métodos alternativos. A investigação científica também é agora muito mais intensa nesta área, porque já perceberam como

não é sustentável, nem económica, a forma como têm lidado com este problema. Os outros casos clínicos que surgem são os habituais em qualquer produção de ovinos e principalmente nestas condições de pastoreio com erva sempre verde: fotossensibilidade (ou eczema facial), leptospirose, enterotoxemias, miíases, timpanismo, prolapsos vaginais, etc. No sentido de prevenir e melhor atuar sobre algumas destas ameaças à saúde dos animais, há uma colaboração muito próxima entre as empresas de assistência veterinária, incluindo os serviços de apoio da universidade em que trabalhei. Isso implica a contagem regular de ovos de parasitas, a contagem de esporos do fungo que causa a fotossensibilidade nas pastagens e a colocação de bolos ruminais de zinco, a vacinação contra clostridioses e leptospirose, etc.

A OUTRA PRODUÇÃO A par da abundante e profusa produção clássica de ruminantes, há ainda uma quantidade enorme de animais produzidos de forma amadora. Os neozelandeses chamam a estas explorações “Lifestyle blocks”, que poderíamos traduzir por propriedades semirrurais ou quintas caseiras. A área ocupada vai dos 0,4 aos 30 hectares. O objetivo é produzir animais para consumo próprio, mas também para venda de carne a talhos e casas. Alguns apenas mantêm os animais como pets, dando aos proprietários a ideia de que vivem numa quinta. O Governo incentiva esta produção porque é uma forma de manter as zonas rurais ocupadas, os terrenos limpos, a vigilância de fogos eficaz. Neste intuito de viver em harmonia com a Natureza com produção animal extensiva muitos

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SAÚDE E BEM-ESTAR

A população total de ovinos deve rondar os 35 milhões, num país com não mais de 4,5 milhões de humanos. destes agricultores acabam por replantar e manter com orgulho zonas com vegetação e fauna autóctone. O número de animais e o tipo de relação dos proprietários com eles é muito diversa, mas no total acabam por ter um enorme peso na economia – alimentação (rações), assistência veterinária, ocupação e preço das terras, concorrência à indústria da carne… O último recenseamento (2015) revelou que existem cerca de 140.000 (101.000 na Ilha Norte e 39.000 na Ilha Sul) desses “produtores” que colocam no mercado mais de 350 milhões de dólares neozelandeses (cerca de 200 milhões de euros). Isto é bastante superior ao valor

BREVES

de carne de bovina exportada pela NZ. As espécies utilizadas são também muito diversas. Para além das mais habituais galinhas, patos e cavalos, todas estas explorações têm vários vitelos/novilhos, ovinos, caprinos, veados ou alpacas. Ou, como é mais habitual, um ou dois indivíduos de cada espécie. Grande parte destes produtores são completamente amadores e só vão ganhando alguma experiência à medida que os anos passam. O maiores problema desta produção é o desconhecimento das boas práticas, quer de nutrição, quer de sanidade. Também sabem pouco sobre comportamento natural e bemestar das diferentes espécies, podendo não reconhecer sinais de doenças. É por isso que os casos mais estranhos, graves ou engraçados aos quais prestei assistência durante o tempo que lá estive, foram nestas explorações. Todos os dias tínhamos na clínica ou visitámos nas propriedades destes “agricultores” vitelos, borregos e cabritos com indigestões por má qualidade do leite ou frequência irregular das refeições, partos difíceis de alpacas e cabras, obesidade

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NOTA: O autor escreveu este artigo pelo antigo acordo ortográfico.

SAQUETAS DE CHÁ PODEM TRANSFORMAR AGRICULTORES EM CIENTISTAS Alguns agricultores já utilizam um método simples e barato de medir a decomposição das plantas nos solos, utilizando pouco mais do que saquetas de chá e uma balança. Este método desenvolvido por cientistas provenientes de vários institutos (University of Utrecht, Umeå University, The Netherlands Institute of Ecology e a Austrian Agency for Health and Food Safety Ltd) consiste em enterrar saquetas de chá (Chá verde e Rooibos) e recolhe-las três meses mais tarde. Durante este período irá acontecer

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em bodes (um deles pesava 110 quilos!), para além de doenças ridículas ou facilmente prevenidas por vacinações, boa alimentação e bom maneio, como peeira, diarreias, pneumonias, timpanismos, abcessos, miíases… Foram portanto uns meses de intenso trabalho, mas fonte de uma enorme satisfação pessoal e profissional. Encontrei na Nova Zelândia pessoas extremamente simpáticas, abertas e acolhedoras mas provavelmente a sua maior qualidade é a forma simples como veem e lidam com os assuntos. Confiam plenamente uns nos outros e colaboram de bom grado para que o assunto seja resolvido, mesmo que não seja o SEU problema. Tudo é visto não como um grande problema para o qual se tem de pensar soluções complexas e difíceis, mas como qualquer coisa que se vai resolver depressa e bem. Sem complicações… Tenho saudades da Nova Zelândia.

uma decomposição do chá que será representativa do que acontece com outras plantas no solo. Por todo o mundo, crianças em idade escolar e outros cidadãos começam a utilizar o método e a recolher e submeter dados que permitirão alimentar o projeto de forma a construir um mapa global sobre os solos, permitindo significativos avanços na investigação nestas áreas. Este projeto pretende também testar relações entre o ambiente e a taxa de decomposição a nível global.


Flexibilidade...

A Referência em Prevenção na Saúde Animal HIPRA PORTUGAL Portela de Mafra e Fontainha, Abrunheira 2665-191 Malveira, Portugal Tel.: (+351) 219 663 450 · Fax: (+351) 219 663 459 · portugal@hipra.com · www.hipra.com

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SAÚDE E BEM-ESTAR

VÍRUS SINCICIAL RESPIRATÓRIO BOVINO INFLUÊNCIA NA DOENÇA RESPIRATÓRIA BOVINA TEXTO RAMON ARMENGOL I GELONCH | DVM, PHD | PROFESSOR ASSOCIADO, DEPARTAMENTO DE CIÊNCIA ANIMAL| FACULDADE DE CIÊNCIA ANIMAL E VETERINÁRIA UNIVERSIDADE DE LLEIDA | LLEIDAVET, S.L.P BOVINE ADVISORS | TRADUZIDO E ADAPTADO POR DEOLINDA SILVA | FOTOS HIPRA

suscetíveis à doença causada por este vírus (Harrisson et al., 1985).

TRANSMISSÃO

O

vírus sincicial respiratório bovino (BRSV) é um dos vírus mais frequentes em casos de doença respiratória, juntamente com outros, tal como o herpes vírus bovino e o vírus parainfluenza-3. Estes agentes virais, em conjunto com outros agentes patogénicos, principalmente bactérias (Pasteurella Multocida, Mannheimia haemolytica, Histophilus Somni) e micoplasmas (Mycoplasma bovis) são os principais agentes patogénicos responsáveis pelas pneumonias em bovinos. No entanto, alguns destes agentes patogénicos fazem parte do microbioma normal da cavidade nasal dos bovinos e apenas causarão doença se outros fatores originarem a sua “migração” para as vias respiratórias inferiores do trato respiratório. O BRSV foi isolado pela primeira vez em 1970 e é considerado um dos

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principais agentes patogénicos da doença respiratória bovina (DRB). A presença e a relevância do BRSV estão bem documentadas e são bem conhecidas a nível mundial. Como um dos principais agentes da DRB, pode ser considerado um importante responsável por elevadas perdas económicas nas explorações, causando mortalidade e elevadas taxas de doença com um impacto bem conhecido na futura vida produtiva dos animais afetados, e nos custos em medicamentos e serviços veterinários. Direta ou indiretamente, o BRSV pode desencadear surtos de doença respiratória em diferentes sistemas de produção, quer de bovinos de carne, quer de vacas de leite (Baker et al., 1986; Lehmukuhl et al., 1977; Bryson et al., 1979; Collins et al. 1988). Embora as pneumonias causadas pelo BRSV sejam frequentes no primeiro ano de vida, os animais adultos também são

A principal via de transmissão do BRSV é via aérea, mas também é possível através de contacto direto (“nariz a nariz”). O seu período de incubação é de 2 a 8 dias. Os fatores de risco para surtos de BRSV são idênticos aos do complexo da doença respiratória, mas o stress, a sobrelotação animal, a ausência de vacinação e as alterações climáticas repentinas parecem ter especial impacto. O BRSV pode fazer parte da flora normal do trato respiratório superior dos bovinos. Quando surgem determinadas condições ambientais, como alterações climatéricas abruptas, má ventilação das instalações, sobrelotação, mau estado nutricional e altas cargas de vírus no ambiente, o BRSV pode infetar e colonizar as células do trato respiratório. Neste caso, estas células perdem a sua função normal e chegam mesmo a morrer. Além disso, a infeção viral causa uma reação inflamatória significativa. Esta perda da função celular e a reação inflamatória irão conduzir a uma perigosa dificuldade do transporte de oxigénio e danificar o tecido pulmonar.

DIAGNÓSTICO A nível clínico, o diagnóstico de um surto de BRD causado por BRSV é complicado. Embora a experiência do veterinário possa ajudar a orientar o diagnóstico, os sinais clínicos são comuns aos observados em qualquer caso de pneumonia que possa ser causado por outros agentes patogénicos:


Vírus sincicial respiratório bovino

febre alta, corrimento ocular, descarga nasal, tosse, dispneia (dificuldade em respirar), depressão e anorexia (falta de apetite). É por esta razão que o diagnóstico laboratorial e a necrópsia (exame do cadáver) são importantes para um diagnóstico definitivo. Existem diferentes técnicas laboratoriais capazes de identificar o BRSV e úteis ao nível do terreno: de especial relevo é a imunohistoquímica do tecido pulmonar, a rtRT-PCR (pesquisa de DNA ou RNA viral) como técnica padrão em esfregaços de exsudado nasofaríngeo profundo, lavagens pulmonares ou em amostras de tecido pulmonar. Deve ter-se precaução se for utilizada uma vacina intranasal, porque a técnica rtRT-PCR pode detetar o vírus da vacina durante um período de 14 a 28 dias após a vacinação nas secreções nasais. As serologias (análises de sangue), podem ser úteis para demonstrar contacto com o vírus, detetando anticorpos, nas explorações onde não foi aplicada a vacinação. Se os animais forem muito jovens (< 3 meses) ou tiverem sido vacinados contra o BRSV, os resultados das análises podem ser confusos, já que a técnica não consegue diferenciar entre os anticorpos derivados dos vírus do terreno, os anticorpos maternos ou os anticorpos derivados da vacinação.

TRATAMENTO O tratamento dos animais doentes deve basear-se nos cuidados gerais da doença, evitando a sua exposição a climatologia adversa e a ventilação insuficiente. O suporte com fluidos e eletrólitos (soro) é extremamente importante para a cura total e bem-sucedida do animal. É recomendado o tratamento da febre e da inflamação com anti-inflamatórios não esteroides. A utilização de corticosteroides pode ser útil em casos mais grave. A utilização de antibióticos deve limitar-se apenas a quando houver suspeita de envolvimento bacteriano no processo. Em qualquer caso, a utilização

de fármacos deve ser sempre receitada pelo médico veterinário.

PREVENÇÃO A nível preventivo, os nossos esforços devem centrar-se em dois pontos: Condições ambientais e de maneio que minimizem o risco de infeção por BRSV: minimizar as alterações repentinas nas condições climáticas, evitar a sobrelotação, boa ventilação e máxima redução do stress. Assegurar um bom estado nutricional e de hidratação também é um fator crucial para que o animal tenha uma boa saúde e capacidade para reagir a agentes patogénicos como o BRSV. Maximizar a imunidade: os anticorpos maternos obtidos através da ingestão de colostro são extremamente importantes para garantir o estado imunitário do vitelo recém-nascido. No entanto, parece que o nível de anticorpos maternos contra BRSV diminui rapidamente nos vitelos jovens. Assim, a transferência materna de anticorpos não é suficiente para proteger os vitelos jovens de infeções por BRSV. Além da transferência materna de anticorpos, a maximização da imunidade local, especialmente na mucosa do trato respiratório numa idade precoce, tem de ser uma prioridade. Um pontochave será assegurar o bom estado das barreiras físicas. Idealmente, esta mucosa nasal tem de estar coberta por uma camada de muco que permita “capturar” todas as partículas externas presentes no ar (pó, vírus e bactérias) e que entram pelas narinas. Por sua vez, as células ciliadas que são cobertas por este muco têm de conseguir “movê-lo” para o exterior e expeli-lo do trato respiratório. Este fenómeno de recolha de partículas e expulsão normal do muco só ocorrerá de forma eficaz se o vitelo for saudável, em temperaturas controláveis e, extremamente importante, se estiver bem hidratado. Relativamente à

imunidade adquirida (vacinação), o nosso esforço principal deve ser estimular o tecido linfoide local (mucosa do nariz) do trato respiratório superior, de forma a garantir um nível elevado e rápido de anticorpos locais contra o BRSV (IgA). Vários estudos notificam que uma boa estratégia de vacinação é crucial para atingir este resultado. Existem diferentes estratégias de vacinação contra o BRSV há vários anos, com base em vacinas vivas ou inativadas aplicadas por via intranasal ou intramuscular/subcutânea. Estudos indicam que uma das abordagens indicadas é a vacinação intranasal com vacinas vivas numa idade precoce (Hill et al., 2012; Osman et al., 2018). Estas vacinas são as que apresentam maior capacidade de estimular o tecido linfático associado à nasofaringe do vitelo, alcançando níveis de anticorpos ideais na mucosa (imunidade local). Alguns estudos notificaram que os anticorpos maternos não bloqueiam a indução de uma resposta imunológica após a vacinação intranasal (Hill et al., 2012). A eficácia de uma vacinação contra BRSV numa fase precoce é cada vez mais aceite. O que não é claro é a duração desta imunidade gerada após a vacinação, que é reportada durante algumas semanas. Assim, no sentido de alcançar uma proteção eficaz através da vacinação, é extremamente importante seguir o folheto do fabricante e as orientações de vacinação recomendadas. É essencial compreender que os resultados de uma vacinação dependerão do estado nutricional e da hidratação dos animais e do seu nível de stress. Assim, é muito importante não esquecer que não se deve vacinar animais que já estejam doentes ou em condições de saúde debilitada, já que os resultados podem ser bastante fracos ou inexistentes, podendo mesmo agravar a doença dos vitelos.

NOTA: Para informações adicionais sobre programas de prevenção e vacinação contra a doença respiratória deverá consultar o médico veterinário da exploração.

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SAÚDE E BEM-ESTAR

SINCRONIZAÇÃO DA OVULAÇÃO CONSEQUÊNCIAS DO AUMENTO DA PRODUÇÃO LEITEIRA EM BOVINOS DA RAÇA HOLSTEIN-FRÍSIA

N INÊS MEXIA DE ALMEIDA ENGª. ZOOTÉCNICA MONTE DO PASTO

as últimas décadas, verificou-se um aumento da produtividade dos bovinos leiteiros, consequência da combinação de vários fatores, como sejam: a seleção genética dos animais; o melhor maneio; a melhor nutrição; a maior preocupação com o bem-estar animal. No entanto, o aumento de produtividade leiteira condicionou uma significativa diminuição da eficiência reprodutiva dos bovinos leiteiros.

QUEBRA DE EFICIÊNCIA REPRODUTIVA E VIABILIDADE ECONÓMICA DA EXPLORAÇÃO MÁRIO QUARESMA FACULDADE DE MEDICINA VETERINÁRIA, UNIVERSIDADE DE LISBOA

CARSTEN DAMMERT MÉDICO VETERINÁRIO DE RUMINANTES

A fertilidade das vacas leiteiras é crucial para a viabilidade económica das explorações, tendo em conta que a venda do leite representa a principal entrada de dinheiro na exploração (e que, para a produção de leite, é necessário que a vaca tenha uma gestação de termo). Portanto, a infertilidade e a subfertilidade contribuem de forma muito significativa para a diminuição da eficiência produtiva de uma exploração leiteira e contribuem negativamente para a rentabilidade da exploração, e provocam um desgaste psicológico nos produtores de leite, podendo mesmo pôr em causa a viabilidade económica da exploração.

SINCRONIZAÇÃO DA OVULAÇÃO

JOÃO BENGALA FREIRE INST. SUPERIOR AGRONOMIA UNIVERSIDADE DE LISBOA

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O aumento do tamanho médio das explorações e a crescente utilização de vacas de elevada produção leiteira, com comportamento de cio menos evidente, exigem a implementação de técnicas de índole reprodutiva e

de maneio que permitam inverter a perda de fertilidade que se observa nas vacas leiteiras de alta produção. Neste contexto, o conhecimento da fisiologia da reprodução dos bovinos é essencial. Essa competência permitiu o desenvolvimento e a implementação de programas de sincronização da ovulação, que são, hoje em dia, utilizados em muitas explorações de bovinos leiteiros com o objetivo de aumentar a eficiência reprodutiva /produtiva das vacas leiteiras. Estes programas consistem na aplicação de hormonas, como a Gonadotropin-releasing hormone (GnRH), a progesterona ou os seus análogos sintéticos, e a Prostaglandina F2α (PGF2α) ou os seus análogos sintéticos. Estes programas permitem a sincronização do desenvolvimento folicular, o controlo da luteólise e o controlo do momento da ovulação; permitindo assim a inseminação artificial a tempo fixo, isto é, eliminando a necessidade de deteção de cio. Para além da eliminação da necessidade de deteção do cio, esta estratégia de maneio reprodutivo apresenta ainda como vantagens: 1) diminuição do intervalo entre o parto e a primeira inseminação; 2) diminuição do intervalo entre o parto e a conceção; e, consequentemente, 3) diminuição do intervalo entre partos. Assim sendo, há um importante benefício económico resultante da sua aplicação. Tendo em conta esta temática, apresentamos aqui os principais resultados de um estudo, realizado numa exploração de bovinos leiteiros,


Sincronização da ovulação

com o objetivo de avaliar os efeitos da introdução de um programa de ressincronização (Resynch), na eficiência reprodutiva do efetivo.

DESCRIÇÃO DO PROGRAMA DE RESYNCH USADO NA EXPLORAÇÃO Na exploração em causa, sem qualquer sistema complementar de deteção de cio, foi utilizado o programa ilustrado na Figura 1. Todas as vacas elegíveis foram sujeitas a inseminação artificial (IA) após a deteção de cio visual. A todas as vacas inseminadas foi administrada uma dose de GnRH, 23 a 29 dias após a IA, com o objetivo de induzir a ovulação de um folículo dominante presente. O diagnóstico de gestação (DG), com recurso a um ecógrafo, foi realizado uma semana mais tarde, dias 30-36 após a IA. As vacas com diagnóstico de gestação (DG) positivo continuaram a sua gestação, sem nenhuma intervenção. As vacas com diagnóstico de gestação negativo, e que apresentem um corpo lúteo funcional, continuam no

programa de ressincronização. A estas vacas é administrada uma dose de PGF2α no momento do diagnóstico de gestação (o que induz a luteólise) e é a administração da dose de GnRH cerca de 56 horas depois, o que induz a ovulação sincronizada. Isto permite a inseminação a tempo fixo (sem a necessidade de deteção de cios) 16 horas após a administração da GnRH, ou seja, são inseminadas 3

dias após o diagnóstico de gestação, independentemente da manifestação do comportamento de cio (Figura 1).

RESULTADOS E DISCUSSÃO INTERVALO ENTRE O DIAGNÓSTICO DE GESTAÇÃO E A PRIMEIRA INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL A introdução do programa de Resynch

FIGURA 1 Esquema de Resynch utilizado na exploração

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SAÚDE E BEM-ESTAR

significativo na redução do intervalo entre o diagnóstico de gestação negativo e a inseminação artificial fecundante [49 dias vs. 27 dias (Figura 2)]. O programa de ressincronização utilizado neste estudo permitiu uma taxa de conceção de 41% na primeira inseminação artificial após o diagnóstico de gestação. Sendo assim possível observar melhorias da fertilidade dos animais associadas com o Resynch.

CONCLUSÃO

A realização deste estudo permite concluir que a aplicação do Resynch contribuiu positivamente para a melhoria da eficiência reprodutiva da exploração,

INTERVALO ENTRE O DIAGNÓSTICO DE GESTAÇÃO E A INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL FECUNDANTE

40 30 20

S/ Resynch

49

50

30

C/ Resynch 27

13

10 0

PROJETO RUMMUNITY O projeto RUMMUNITY encerrou as suas atividades com um seminário intitulado “A falha na transferência da imunidade passiva em vitelos de carne”. O evento contou com a presença de cerca de 70 participantes. O projeto irá ainda representar o Instituto Politécnico de Portalegre no TECH@PORTUGAL, um evento organizado pela Agência Nacional de Inovação (ANI), que terá lugar no dia 4 de julho no Centro de Congressos da Alfândega do Porto. Futuramente, a equipa pretende continuar a trabalhar no desenvolvimento de soluções que ajudem os produtores a reduzir a mortalidade até ao desmame nos seus efetivos, quer através de serviços prestados aos produtores (centrifugação e congelação de plasma, formações práticas, etc.), quer através do aprofundamento do conhecimento sobre o impacto da mortalidade dos vitelos nas explorações da região.

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NOTA: Um especial agradecimento ao Sr. José Alberto Chula, por ter aberto as portas da sua exploração, e a todos os trabalhadores da mesma, que permitiram a realização deste estudo.

60

De forma semelhante ao intervalo anterior, o Resynch teve um impacto

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uma vez que se observou uma diminuição: 1) do intervalo entre o diagnóstico de gestação negativo e a primeira inseminação artificial subsequente; e 2) do intervalo entre o diagnóstico de gestação negativo e a inseminação artificial fecundante. É importante ressalvar que os resultados obtidos são referentes à exploração no seu todo, não tendo havido comparação com um grupo de animais controlo.

FIGURA 2 Diminuição dos intervalos em estudo sem e com a introdução do Resynch na exploração (p<0,0001), antes da utilização do Resynch e da ecografia (S/Resynch) e após (C/Resynch). DG – diagnóstico de gestação; IA1 – primeira inseminação artificial após o diagnóstico de gestação negativo IAF – inseminação artificial fecundante.

Dias

na exploração, em paralelo com a introdução da ecografia como método auxiliar para o DG, teve um impacto significativo na redução do intervalo entre o diagnóstico de gestação negativo e a primeira inseminação artificial subsequente. Este intervalo passou de uma média de 30 dias, nos 5 anos anteriores à introdução do Resynch, para 13 dias, no primeiro ano de aplicação deste programa (Figura 2). A diminuição do intervalo era expectável, tendo em conta que os animais que iniciam o programa de ressincronização são inseminados 3 dias após o diagnóstico de gestação. Contudo, o intervalo médio entre o diagnóstico de gestação negativo e a primeira inseminação artificial subsequente é superior ao esperado, o que se explica pelo facto deste protocolo apenas ser aplicável às vacas não gestantes que apresentem um corpo lúteo funcional (e este intervalo foi calculado para todo o efetivo leiteiro da exploração). A ausência de corpo lúteo no momento do diagnóstico de gestação, ou outras patologias ováricas e reprodutivas, impede que estas vacas sejam elegíveis para iniciar o programa (Figura 2).

DG - IA1

DG - IAF


SAÚDE & BEM-ESTAR

SAÚDE E SEGURANÇA NA EXPLORAÇÃO PORQUE SER PRODUTOR NÃO É UM TRABALHO LEVE TEXTO MARGARIDA CARVALHO

Analise os riscos Cada exploração tem as suas particularidades. É fundamental conhecer os potenciais perigos da sua exploração de forma a evitar acidentes. Faça uma avaliação de risco cuidadosa para que depois seja possível a gestão dos mesmos. Para esse fim é necessária uma análise cautelosa dos espaços e de todas as operações realizadas na exploração.

Siga estes passos

O

trabalho agrícola e em particular a produção animal, é uma atividade profissional de risco elevado. São diversos os perigos a que quem trabalha neste setor está exposto, e estão presentes em diferentes atividades como o maneio dos animais, a manipulação de substâncias perigosas, a operação de máquinas, entre outras tarefas que fazem parte do quotidiano de uma exploração. Assim, para o sucesso do negócio o foco não deve ser exclusivamente a produtividade, a saúde animal ou os resultados financeiros. É importante ter em conta a segurança de todos os trabalhadores e outras pessoas que frequentem a exploração.

ESTEJA A PAR DA LEGISLAÇÃO EM VIGOR

Informe-se sobre a legislação que se aplica ao seu negócio e tenha em consideração que por vezes há atualizações. Lembre-se que garantir a segurança dos seus trabalhadores é uma obrigação legal.

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O DIA-A-DIA Para além dos acidentes, as próprias atividades do dia-a-dia podem resultar em prejuízo para a saúde. Numa exploração é frequente a exposição a zoonoses e alergénios, a manipulação de substâncias perigosas, levantamento de cargas pesadas, condições de temperatura e humidade pouco adequadas, ruído excessivo, etc. Pense em todas estas situações, de que forma pode contribuir para reduzir o dano provocado na saúde? Existem e tem ao seu dispor equipamentos de proteção? Conheça também eventuais problemas de saúde dos seus colaboradores e tenha isso em consideração ao distribuir as tarefas. É muito frequente que a exploração seja também a morada do produtor e da sua família. Nesse caso é necessário englobar também todo o agregado familiar na análise de risco. Dê particular importância às crianças que por terem uma diferente perceção dos perigos são frequentemente vitimas de acidentes.

üFaça o levantamento de todos os perigos com que se pode deparar no decurso das várias atividades. Pode ser útil elaborar um fluxograma de cada atividade. üOs perigos detetados podem ser retirados da exploração? üQuem está exposto? üQual a probabilidade e a gravidade associadas a estes perigos? üDe acordo com a resposta à pergunta anterior atribua uma escala numérica a cada situação e dê prioridade às situações de maior risco. üDefina medidas claras de prevenção e proteção face a estas situações e APLIQUE-AS. üControle e acompanhe as medidas definidas junto de todos os envolvidos. ü Lembre-se que é um processo constante, é necessário fazer a revisão e atualização desta avaliação. Perigo vs Risco: As duas palavras são por vezes utilizadas como sinónimos. No entanto, de uma forma simplista podemos definir o perigo como algo com potencial de causar dano. Já o conceito de risco está associado à probabilidade e consequências da ocorrência de um perigo e está ligado a um grau de incerteza.


Saúde e segurança na exploração

MANEIO DE ANIMAIS Garanta a máxima atenção e cuidado no maneio dos animais. Utilize equipamento de contenção sempre que possível para garantir a segurança dos operadores nas tarefas diárias. Os animais são imprevisíveis, e como numa tarefa diária, pode ocorrer um acidente. No entanto, importa lembrar que todos os equipamentos utilizados na contenção dos animais devem respeitar o seu bem-estar.

ESTEJA A PAR DA LEGISLAÇÃO EM VIGOR Informe-se sobre as substâncias químicas utilizadas na exploração. Certifique-se que todos os produtos que utiliza, nomeadamente os pesticidas, são aprovados pelas entidades competentes (ex.: DGAV no caso dos fitofarmacêuticos). Familiarize-se com as

instruções de aplicação dos produtos e todos os símbolos de segurança da rotulagem. Saiba o que fazer em caso de derramamento. Utilize sempre o equipamento individual de proteção recomendado. Os produtos químicos podem entrar no organismo de diversas formas: pele e mucosas, ocular, ingestão e inalação; lembre-se disso quando manipular estes produtos. Mantenha os produtos arrumados, em local próprio para o efeito, fechado, afastado dos animais e fora do acesso das crianças.

MANUTENÇÃO Edifícios, veículos, equipamentos, maquinaria... Por vezes é fácil esquecer que o tempo passa também por eles e que da falta de manutenção podem advir riscos para quem os utiliza. Fazer um calendário com dias para verificação

e manutenção de cada um destes itens pode ser uma solução útil.

FORMAÇÃO A formação é essencial como medida de segurança. Quer seja no manobrar de máquinas e equipamentos ou no maneio dos animais, insista para que todos os envolvidos nestas atividades façam formação. Conhecer os perigos inerentes às atividades é meio caminho andado na prevenção de acidentes.

PRIMEIROS-SOCORROS Tenha disponível na exploração materiais de primeiros socorros e mantenha afixado em local visível os seguintes números de telefone: - Serviço de emergências (112), Serviços de saúde locais (centros de saúde, hospitais), Saúde 24, CIAV, Proteção civil, Bombeiros.

JORNADAS TÉCNICAS DA DIN A DIN – Desenvolvimento e Inovação Nutricional, realizou no final de maio as II Jornadas Técnicas, no Montebelo Aguieira Lake Resort, em Mortágua. O evento reuniu produtores, parceiros, clientes e especialistas nacionais e estrangeiros, num total de quase 100 participantes. Ao longo de dois dias, foram partilhadas informações técnicas, esclarecidas questões e apresentados estudos desenvolvidos pela empresa que fabrica e comercializa pré-misturas e alimentos compostos para animais na fase de iniciação. No primeiro dia do evento, José Almeida falou sobre ideias e desafios de liderança seguindo-se uma atividade de team building. No segundo dia, os trabalhos começaram com a intervenção de Iara Martins, da AICEP, intitulada ‘Comprar a Portugal – Fileira Agroalimentar’. Posteriormente, Inês Almeida e José Manuel Costa da DGAV abordaram a utilização de biocidas para a desinfeção da água de bebida para animais, bem como o fabrico, colocação no mercado e utilização de alimentos medicamentosos: estratégias para mitigar o impacto na RAM (Resistência aos

Agentes Microbianos). Os participantes assistiram ainda à palestra de Andres Donadeu, da Tervalis (Espanha), sobre os métodos mais recentes e perspetivas para a produção livre de antibióticos, e de Elizabeth Schwegler, do Instituto Federal Catarinense, Brasil, sobre o stress térmico em vacas leiteiras. Da DIN, Sara Ferreira apresentou o

“presente e o futuro do controlo de qualidade” e João Moreira explicou a importância da ordem de incorporação de aditivos ao nível de oxidação de vitaminas. Para a direção da empresa, este é um evento importante, pois permite “a partilha de informação, a apresentação de estudos e uma aproximação dos clientes à empresa”.

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PRODUÇÃO

AGRIANGUS APOSTA EM ÁREAS COMPLEMENTARES TEXTO RUMINANTES

Voltámos a entrevistar João Diogo Ferreira, médico veterinário, fundador e diretor da Agriangus. Passados quatro anos, quisemos conhecer outro lado desta empresa de referência na área da seleção da raça Aberdeen-Angus: o comércio de instalações e equipamentos de maneio.

Como médico veterinário e produtor de bovinos, quais os equipamentos de maneio que considera fundamentais numa exploração? Em primeiro lugar será importante saber o enquadramento da exploração, existem criadores que, pela sua dimensão, não têm possibilidade

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J. D. Ferreira

Foi entrevistado para a edição 16 da Ruminantes, em janeiro de 2015, sobre o negócio da seleção da raça Aberdeen-Angus. O que se passou daí para cá com a empresa? Desde a entrevista de 2015, a Agriangus tem crescido e evoluído, a paixão pela raça é cada vez maior e os resultados são a prova de que as nossas convicções foram certeiras. Continuamos a investir muito em genética e o efetivo continua a aumentar, em vez das 60 fêmeas puras já excedemos as 200, em 4 propriedades diferentes. Temos neste momento em vista a criação de uma linha exclusivamente dedicada à seleção de animais com maior potencial para o “marbling” (gordura intramuscular). O conhecimento adquirido nos últimos anos possibilitou-nos também diversificar a oferta, abrangendo atualmente o comércio e apoio na projeção de instalações de maneio mais eficientes, uma área de que gostamos genuinamente.

Utilização de tronco de contenção.


Agriangus aposta em áreas complementares

A profissionalização do setor exige um maior rigor de maneio. A seu ver, em que momentos é imprescindível a passagem à manga? O setor da carne possui um nível de profissionalismo muito baixo, a grande maioria das explorações não possui épocas de reprodução definidas e o controlo dos principais índices zootécnicos simplesmente não existe. O aumento das atividades de maneio está assim implícito quando se pretende profissionalizar uma exploração. O número de vezes e a altura em que os animais vão à manga depende muito do objetivo de cada criador, no caso

de existirem épocas reprodutivas bem definidas será pertinente avaliar as vacas antes, o que permitirá vacinar contra agentes com tropismo reprodutivo e eventualmente excluir algumas fêmeas problema. Outra altura na qual as vacas devem ir à manga é durante a época de cobrição para avaliar o desempenho reprodutivo, onde se poderá intercalar uma desparasitação ou a vacinação dos bezerros. O desmame dos bezerros será outra ocasião, nesta altura já deverá ter terminado a época de cobrição, permitindo determinar a taxa de gestação do efetivo (palpação/ecografia) e o peso à desmama. Neste aspeto somos suspeitos porque as nossas vacas vão à manga pelo menos uma vez por mês. Qual o investimento necessário mínimo, e de que forma pode o investimento em equipamento de contenção melhorar o rendimento da exploração? O investimento maior é sem dúvida a mudança de hábitos e a motivação necessária para levar a cabo todas estas tarefas. Uma balança boa pode até custar mais de 2 mil euros e um tronco mais de 5 mil. Na realidade, a maioria dos equipamentos agrícolas das explorações

J. D. Ferreira

A grande maioria das explorações de carne continua a não fazer pesagens frequentes dos seus grupos de maneio. Como referiu anteriormente, considera este elemento essencial para aferir o rumo da exploração? Sem dúvida! Duma forma simples, como sabemos se fizemos a escolha certa no

macho reprodutor, naquela “nova ração” ou até num prado melhorado, sem pesar os animais? É necessário saber se estamos no caminho certo e as pesagens são uma ferramenta imprescindível. A própria administração de fármacos é otimizada, deixando de administrar “a olho”. Costumo dizer que gerir uma exploração de carne sem balança é como conduzir um carro sem painel de instrumentos. Como se sentiria se não soubesse ao certo a sua velocidade, autonomia ou a temperatura do motor?

J. D. Ferreira

e eventualmente nem se justificará qualquer investimento em instalações sofisticadas. Por outro lado, considero que qualquer exploração com mais de 50 vacas, para além da manga convencional deverá possuir uma balança (sem ela nunca saberão em que direção seguem) e um método de contenção, idealmente um tronco ou “Squeeze Chute” (independentemente da marca ou modelo) para que possam efetuar com facilidade e segurança todas atividades, como diagnósticos de gestação, vacinações ou outro tipo de ações de maneio. Existem pormenores como as entradas circulares (idealmente com 135º), entradas para palpação ou as válvulas antirretorno, que podem ser fabricadas com custos marginais na própria exploração e que representam uma mudança drástica na facilidade de maneio do gado.

Laterais rebatíveis em tronco de contenção, possibilitando o acesso a todas as partes do animal.

Alguns modelos de balança permitem ter acesso direto ao histórico do animal e do grupo, permitindo uma rápida tomada de decisão.

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J. D. Ferreira

J. D. Ferreira

PRODUÇÃO

Maneio reprodutivo efetuado com segurança e rapidez utilizando um tronco de contenção.

As válvulas anti-retorno evitam a necessidade de utilização de paus, reduzindo o risco e a mão-de-obra.

custam mais do que isso e alguns são usados apenas meia dúzia de vezes. O retorno deste tipo de investimentos prende-se principalmente com a facilidade, segurança e rigor no maneio, o que se traduz na redução de mão-de-obra.

A formação e sensibilização dos intervenientes é sem dúvida mais importante que qualquer investimento em instalações. Qualquer pessoa que tenha um computador com acesso à internet pode passar horas a aprender com os vídeos dos “Mestres” do maneio e bem-estar. Não é preciso dominar o inglês, nem qualquer outro idioma para comunicar com o gado, trata-se de os interpretar e de nos fazermos entender. Vendo alguns vídeos é altamente percetível o que nos tentam transmitir e muito fácil de pôr em prática. Desafio o leitor a assistir aos “espetáculos” que a lenda viva Temple Grandin dará em 2020 em Portugal (templegrandinshow.com), estou certo que mudará a forma como veem o maneio de gado.

Quais as vantagens do maneio “animal a animal” utilizando um tronco de contenção? No maneio “animal a animal” feito através de troncos de contenção, cada animal é imobilizado individualmente no final da manga, onde lhe é efetuada a tarefa zootécnica em causa, quer seja uma vacina ou uma palpação. Esta metodologia é utilizada pelos países com os efetivos mais numerosos do mundo há vastas décadas. Ao contrário da prática corrente de encher a manga e ir trabalhando caminhando ao longo dela com os animais bem apertados, permite dedicar toda a atenção animal por animal. Enquanto contidos em segurança, poderá aplicar-se a terapêutica/profilaxia corretamente, mantendo todo o equipamento no mesmo local. Para além disso, e caso o equipamento de contenção esteja equipado com balança, permitirá a

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pesagem e/ou a dosagem correta do fármaco que se está a utilizar. As vantagens serão gritantes se falarmos nos momentos em que há necessidade de fazer uma intervenção individual, como é o caso dum parto, duma cesariana ou até dum simples afilhamento. Onde se devem posicionar este tipo de equipamentos na exploração? Quando se desenha um curral e se pensa na sua localização, há que ter em conta diversos aspetos como a crença dos animais e a facilidade de os conduzir, os acessos, a existência de água e eletricidade e a compatibilidade com o esquema de biossegurança da exploração, dado que é um local muitas vezes frequentado por entidades externas à exploração. Para garantir a serenidade do gado, o bem-estar animal e a segurança dos operadores é necessário que se criem condições de maneio, sendo a formação ainda mais relevante que as instalações. Como podem os produtores adquirir formação complementar nesta área do maneio?

Existem várias “correntes” no que toca ao maneio de gado, como por exemplo a da Temple Grandin ou Bud Williams. É importante interpretar o comportamento dos animais e a própria exploração, por forma a utilizar algumas destas teorias para desenhar ou melhorar as instalações existentes? Sim, sem dúvida. Enquanto uns


Agriangus aposta em áreas complementares

defendem o bloqueio visual (laterais cobertas) e estruturas em curva outros preferem estruturas mais angulares e abertas, onde se pode manter o contacto visual com os animais. Será essencial conhecer um pouco de cada filosofia e tentar aplicar na própria exploração, com as instalações existentes. Muitas vezes, são estas experiências que nos ensinam e nos mostram pequenas alterações que podemos fazer nos nossos currais para melhorar a sua eficiência. Todos os autores destas correntes são brilhantes, devemos reter o melhor que cada um tem para nos ensinar e aceitar as suas divergências ideológicas. Existem, sim, vários aspetos transversais, como o tipo de piso (não deverá ser escorregadio) e a iluminação. Carregamento de gado utilizando uma entrada circular de 135º com porta anti-retorno.

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PRODUTO

ENTREVISTA A ANTÓNIO JOSÉ FONSECA

GANHAR TEMPO COM A ORDENHA

Pela mão de António José Fonseca, gestor da exploração 4Quintas, da CEAP, conhecemos o percurso da empresa nos últimos 10 anos, os principais desafios e o novo investimento numa sala de ordenha giratória, a primeira do tipo a ser utilizada em ovinos em Portugal. FOTOGRAFIAS RUMINANTES

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Ganhar tempo com a ordenha

A

ntónio José Fonseca (Tozé) apresentou-se assim: "Nasci e fui e criado na região de Celorico da Beira, numa aldeia chamada Vale de Azares. Formei-me na área de informática, mas houve uma altura em que percebi que a agricultura era o meu objetivo, o que eu realmente queria fazer da minha vida profissional. Fiz então diferentes formações na área agrícola em diversas áreas: pecuária, agricultura biológica, ovinos, caprinos, olival, vinha e alimentação de ruminantes…. Mais tarde, há cerca de 10 anos, surgiu a oportunidade de assumir a gestão desta exploração, a convite do seu proprietário." O que mais gosta de fazer na exploração? A parte mais desafiante desta atividade é mesmo conseguir ser polivalente e saber fazer um pouco de tudo. Não há nada específico que eu mais goste de fazer, gosto da operação das máquinas, mas não abdico do contacto com os animais. O que é um dia típico para si? É quando ao final do dia penso que consegui executar cerca de dez profissões diferentes. Ser pastor, ordenhador, tratorista, zootécnico... tudo. De que mais se orgulha nesta exploração e do seu trabalho ao longo destes anos? De continuar a ser fiel e grato a quem me deu a oportunidade de concretizar um dos meus sonhos. A evolução da exploração é resultado de um juntar de vontades. A minha vontade enquanto mais jovem de fazer evoluir a empresa e de introduzir tecnologia. E a vontade do proprietário, que demonstrou recetividade a tudo isso. A modernização nas instalações é sem dúvida um ponto notável. Qual é o maior desafio da exploração? Atualmente, é estabilizar toda

a produção e a rotina nas novas instalações. Introduzimos um novo conceito, um novo processo, que é novidade tanto para mim como para toda a estrutura da empresa. Conseguirmos estabilizar o processo e em simultâneo aumentarmos o número de animais, creio ser esse o grande objetivo. Como começou este negócio? Esta empresa foi fundada há vinte e cinco anos. Inicialmente tinha um núcleo de ovelhas bordaleiras serra da estrela para produção de queijo em queijaria própria. Como disse anteriormente esta empresa parte de uma vontade do proprietário em introduzir tecnologia e novos métodos na produção de leite de ovinos na região, dignificando a figura do agricultor, do produtor e da queijeira. Mais tarde, no final dos anos 90, foi introduzido o primeiro núcleo de ovelhas lacaune. Desde esse momento, nunca mais parámos com o desenvolvimento genético da lacaune até abandonarmos completamente a bordaleira perto do ano 2000. Durante alguns anos continuámos a produção de queijo, sempre com leite próprio. Há cerca de três anos, dada a construção das novas instalações, e com os problemas de mão-de-obra na região, decidimos abandonar a produção de queijo e dedicarmo-nos inteiramente à venda do leite. Como é feito o maneio alimentar da exploração? Somos autossuficientes em forragens. Temos o tradicional azevém e temos também cereais, como aveia, cevada,basicamente tudo para fazer uma forragem completa.Utilizamos Muito pouco grão. Temos os prados permanentes e vinte e cinco hectares de luzerna para feno. No passado, durante muitos anos, trabalhámos com alimento concentrado. Durante alguns anos produzimos a nossa própria alimentação, seguindo a nossa

DADOS DA EXPLORAÇÃO • Exploração 4 quintas • Área total 410 ha - Pastoreio e produção de forragem 220ha - A quinta onde estão os animais em ordenha tem cerca de 80 hectares – sala de ordenha, instalações, 20 hectares de regadio. • Nº de animais 1150 (cc 450 em ordenha) • Características do leite jan. fev. mar. GB 9,00 8,63 7,35 PB 5,36 5,33 5,20 Lactose 5,31 5,35 5,24 • Mortalidade dos borregos (até ao 10º dia) verão 3% Inverno 8%

própria receita. Por diversos motivos, há um ano e meio passámos a comprar. Temos vários métodos de alimentação. A ração na sala de ordenha acaba por ser só um chamariz para os animais irem à ordenha e para estarem mais tranquilos na primeira fase da mesma. A maior parte da alimentação é colocada no tapete. No geral, a alimentação é feita em função da produção e dos valores que pretendemos ou não atingir. A quem vende o leite? É pago em função da quantidade ou da qualidade? Tenho vendido à empresa Lacticôa, em Vila Franca das Naves, para queijo. Felizmente, o proprietário dessa empresa é uma pessoa que nos percebe e gere a sua empresa no sentido de valorizar os dois ângulos – quantidade e qualidade. E é dessa forma que o nosso leite é valorizado.

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PRODUTO

Porquê lacaune e não outra raça? Logo no inicio da empresa, percebemos que o sucesso estava limitado se continuassemos com a bordaleira Serra da Estrela. A dimensão e a estrutura da empresa obrigaram à introdução de uma nova raça de ovelhas. Na altura a escolha recaiu sobre a lacaune por ter um leite que pelas suas características se aproxima mais do leite da bordaleira, o que se iria refletir na nossa produção de queijo. Atualmente mantemos a raça pela qualidade do leite, já que o destino da nossa produção é a indústria do queijo. Para isso, é necessário um leite com estas características. E o maneio dos animais em lactação? Na primavera e no verão dormem no ovil, são ordenhadas de manhã, vão fazer pastoreio, recolhem à tarde para a ordenha e pernoitam no ovil. No Inverno passam a maior parte do tempo estabuladas, pois o tempo não permite que saiam. Os lotes de pré e pós parto estão estabulados. E em relação aos borregos? Qual a média por ovelha? A nossa média está em 1,5 borregos por ovelha. A taxa de substituição anda à volta dos 25%. Os borregos são retirados da mãe aos quatro dias. Passam para a parte do aleitamento artificial. Normalmente os machos de carne são retirados da exploração entre os 21 e 25 dias. Paralelamente, temos o processo de recria das fêmeas em estabulação. Que dados recolhe diariamente sobre a produção? A produção em tempo real, o final individual de cada animal ao nível da produção diária, e a produção total de todo o lote de produção. Temos um outro registo, para o desenvolvimento genético que pretendemos fazer, em que usamos um sistema de classificação dos animais de uma a cinco estrelas e é com base nesses dados que estabelecemos as cobrições e os refugos.

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Como surgiu o investimento na sala de ordenha giratória? Esta é uma sala giratória de 32 pontos da GEA. Em ovelhas, a primeira em Portugal. Está aqui em funcionamento há quatro meses. Surgiu de uma ideia que trouxemos de França. O principal motivo, além da modernização, é a eficiência. Reduz imenso o tempo de ordenha. Além disso, o próprio software associado à sala contribuiu muito para esta escolha. O facto de ser giratória está relacionado com a redução de mão-deobra. Duas pessoas fazem a ordenha de forma muito tranquila. Há uma melhoria de todo o funcionamento de uma forma geral com destaque para uma entrada muito facilitada e contínua dos animais. Numa sala convencional existem tempos mortos, que são os tempos em que as ovelhas saem e entram. Esta sala, desde que entra a primeira ovelha, até à última, não pára. Com as 450 ovelhas que ordenhamos neste momento, noutro tipo de sala perderíamos no mínimo duas horas e meia duas vezes ao dia e com três pessoas. Atualmente, estamos a demorar uma hora e dez minutos com menos uma pessoa. Mesmo assim, acho que só estamos a utilizar 20-30% do seu potencial. Esta máquina tem capacidade para fazer setecentas e cinquenta ovelhas em hora e meia. Qual é o mínimo de animais que justifica o investimento numa sala deste tipo? O ideal é nunca ter menos de oitocentas ovelhas à ordenha, de forma permanente, nos 12 meses do ano. Esse é o número que pretendemos atingir. Que tipo de informação espera extrair da sala quando estiver a usar todo o seu potencial? Esta sala, no fundo, vem contribuir para um conhecimento mais profundo sobre os nossos animais, nomeadamente para o controlo genético que é algo que pretendemos desenvolver na exploração.

Como é a adaptação dos animais a uma sala rotativa? A adaptação é complicada nos primeiros dias, mas de forma geral, ao final de cinco dias os animais estão completamente adaptados. Tem alimentação na sala de ordenha para facilitar o processo, pretende continuar? Sim, ao contrário de muitas opiniões, é algo que não pensamos abdicar. Os animais ficam mais tranquilos no primeiro contacto, quando se coloca a tetina o que também facilita o trabalho ao operador. Tem onze empregados na exploração, todos eles ligados ao setor animal? Todos são polivalentes, e todos têm capacidade para o maneio dos animais. No fundo, existem três pessoas mais vocacionadas para o maneio, e um médico veterinário permanente. As restantes pessoas estão maioritariamente alocadas às máquinas, à operação agrícola e à manutenção da exploração, assim como, ao olival que é outra actividade da empresa, produção de azeitona e azeite e também à área de turismo rural. Aqui, tentamos sempre que possível fazer tudo com recursos próprios. Mesmo as instalações tiveram muito do nosso envolvimento. Em termos de saúde animal, quais os problemas mais frequentes? Temos casos pontuais de doença como qualquer exploração desta dimensão, mas investimos muito em bem-estar e em saúde animal. Trabalhamos com o conceito de prevenção e não tanto de tratamento. Na prevenção fazemos por exemplo um mapa de desparasitação muito completo. Quando surgem problemas é maioritariamente nos borregos e não tanto nos animais adultos.


Tânia Gomes assegura

a amamentação dos Ganhar tempo com aborregos ordenha recém-nascidos

António José Fonseca, gestor da exploração 4Quintas

Sala rotativa de 32 pontos, da GEA, com capacidade para ordenhar setecentas e cinquenta ovelhas em hora e meia

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GEA DairyRobot R9500

Excecionalmente eficiente como monobox ou multibox: ordenha automatizada a qualquer momento

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O braço de ordenha adapta-se facilmente aos movimentos naturais da vaca. Isso evita o mau posicionamento do jogo de ordenha, quedas e respirações. Se uma tetina cai, ela nunca toca o chão é rapidamente recolocada, e nunca se perde o bom posicionamento das ressaltantes tetinas. As mangueiras de leite curtas proporcionam estabilidade e evitam flutuações de vácuo.


NOTÍCIAS

SEMINÁRIO PLURIVET “ESTRATÉGIAS PARA AUMENTAR A LONGEVIDADE EM VACAS LEITEIRAS” E “O IMPACTO DO ENCABEÇAMENTO E DA CARGA INSTANTÂNEA NA UTILIZAÇÃO DA PASTAGEM POR BOVINOS”. ESTES FORAM OS TEMAS ABORDADOS POR DOIS ESPECIALISTAS EM PRODUÇÃO ANIMAL, RICARDO BEXIGA E CANCELA D’ABREU, ORADORES EM MAIS UM SEMINÁRIO DA PLURIVET POR OCASIÃO DA FEIRA NACIONAL DE AGRICULTURA.

Prof. Dr. Ricardo Bexiga

Estratégias para aumentar a longevidade em vacas leiteiras Ricardo Bexiga começou por referir um dos aspetos relacionados com a longevidade e com o impacto da imagem do leite na população: “Se a taxa de refugo é maior, precisamos de ter mais animais para a mesma produção e por isso o custo ambiental é mais alto”. Em Portugal, referiu, 5 anos é a idade média à saída da exploração, estando a taxa de refugo nos 36%. Algo semelhante com o que se passa na Suécia, EUA e Finlândia. Assim, uma vaca que pariu com 24 meses tem vida produtiva de 33 meses (menos se tirarmos período seco). O impacto do refugo involuntário, de acordo com o especialista, representa perdas económicas e doenças que levam ao refugo com custos associados. Por exemplo, na mamite clínica o custo é de

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118€, na coxeira 299€, na metrite 236€, no deslocamento de abomaso à esquerda 573€ e na hipocalcémia 221€. As principais causas de refugo apontadas foram as mastites e outros problemas do úbere (30%), problemas reprodutivos (24%), patologia podal (11%) e baixa produção (9%). “A reprodução é com frequência a primeira razão para refugar vacas nas nossas explorações. E porque falha a reprodução? Entre várias razões pelo balanço energético negativo, endometrite, alterações nos ovidutos... O que de facto podemos fazer para corrigir? Calcular indicadores para a nossa vacaria, se os indicadores se afastam muito dos valores-alvo, investigar. Normalmente o problema é multifatorial”, afirmou Bexiga. O período de transição (geralmente um momento de balanço energético negativo, com impacto reprodutivo) e os fatores que podem contribuir positivamente para o mesmo foi um tema a que Ricardo Bexiga deu realce: “Alguns fatores ajudam no sucesso da transição, como o espaço de manjedoura (76cm por vaca de comprimento de manjedoura), a disponibilidade de espaço no pré-parto, que deve ter em consideração a distribuição não uniforme de partos ao longo do ano (140% do espaço para número médio de partos por semana); camas profundas, soltas e com sobra, e evitar mudanças de parque...”. Terminando, referiu-se ao problema que representam as coxeiras: “Não é exagero se dissermos que em qualquer altura, 1/3

das vacas leiteiras no mundo está coxa. A propósito da longevidade lançou também a questão " Será a genética a solução? A heritabilidade é baixa para a longevidade". Como conclusões, destacou: - as vacas leiteiras vivem em média 5 anos em muitas partes do globo; - a pouca longevidade tem consequências no bem-estar animal, no meio ambiente, na biossegurança, e na economia da vacaria; - podemos tomar medidas para reduzir o refugo involuntário; - podemos tratar mamites clínicas com AINE (anti-inflamatórios não esteroides), melhoram a condição da vaca e reduzem o refugo principalmente por razões reprodutivas; - alguns protocolos hormonais conseguem melhorar a fertilidade das vacas com problemas; - o período de transição sem problemas é provavelmente o mais importante para a reprodução e não só; - espaço para comerem, conforto para se deitarem e arrefecimento são fatores importantes para um período de transição sem problemas; - as vacas ficam coxas mais frequentemente por passarem pouco tempo deitadas; - há coxeiras irreversíveis devido a formação de novo osso; - a genética pode ajudar, mas o progresso é demasiado lento; - o crossbreeding aumenta a longevidade mas diminui a produção ao longo da vida.


Seminário Plurivet

constrangimentos às decisões (vaqueiro vs. gestor, subsídio à vaca aleitante, cercas existentes, disponibilidades de pontos de água, condições de solo /barros no inverno...), Cancela d’Abreu reforçou a importância de se utilizar cada vez mais a informação à disposição, através da monitorização da pastagem (diretamente, fotografias, sensores, satélites) dos animais (sensores: GPS, acelerómetros, imagens) e do pastoreio (diretamente, com fotografias, com sensores). A reunião e a integração destes dados em mapas (ex.: distribuição de proteína bruta ou energia numa pastagem) permitem o melhoramento setorial da pastagem. A monitorização é essencial para utilizar melhor as pastagens e aumentar a sua eficiência de utilização, permitindo conseguir ganhos significativos com redução de custos.

Prof. Dr. Cancela d'Abreu.

O impacto do encabeçamento e da carga instantânea na utilização da pastagem por bovinos Cancela de Abreu introduziu o tema do impacto do encabeçamento e da carga instantânea na utilização da pastagem por bovinos com uma breve revisão aos conceitos de Encabeçamento (cabeça normal/unidade de área); Capacidade de carga (pastagem vs. animal): proteína da pastagem/ha vs. necessidades da cabeça normal; Pressão de pastoreio (animais vs. pastagem). - Encabeçamento: baseia-se no histórico, é pouco flexível, muito utilizado pelas diretivas, afeta o rendimento, a sustentabilidade e é uma medida pouco precisa. - Capacidade de carga: é variável ao longo do ano, depende da qualidade e quantidade da pastagem, do tipo de animal, e refere-se a um período de tempo (1 animal/ha x 25 dias ou 25 animais/ha x 1 dia). - Pressão do pastoreio: está relacionada com a carga instantânea e é variável no tempo e no espaço, dependo da época do ano e da produção de biomassa. Finalmente, considerou vários cenários obre as decisões a tomar para um determinado número de animais: Investir na pastagem? Investir na produtividade animal individual? Investir na produtividade animal por área? Face a vários

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ECONOMIA

UM CÉREBRO VIRTUAL

PARA GESTÃO DA INFORMAÇÃO RECOLHIDA NAS EXPLORAÇÕES

A

TEXTO VICTOR CABRERA Ph.D, CONSULTOR MUNDIAL EM BOVINOS DE LEITE PROFESSOR NA UNIVERSIDADE WISCONSIN NOS USA

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tualmente os produtores de leite são “inundados” com dados. Empresas de inseminação, associações de criadores, entre outros, atualizam continuamente os produtores com novas informações. Para além deste tipo de informação, as previsões meteorológicas, os preços das matérias-primas e a legislação podem mudar frequentemente, deixando os produtores ainda com mais factos e valores para gerir. Todos esses dados têm pouco valor se não forem transformados em informações úteis. É sobre este assunto que se vai basear a formação que vou dar a produtores e consultores em Portugal, no mês de novembro. A nossa equipa na Universidade de Wisconsin-Madison está a desenvolver um projeto que tem como objetivo a organização de daos em grupos, aplicando a inteligência artificial para simular o mesmo tipo de raciocínio que um gestor de exploração bem-sucedido usaria. Investigadores dos departamentos de computação e ciência de bovinos de leite estão a trabalhar num projeto virtual que tem vindo a compilar fluxos de dados de três explorações bem geridas no sul de Wisconsin. Chamámos a esse projeto o "Cérebro Virtual da Exploração Leiteira". Começámos por ver o que o gestor decidia fazer com os dados e, em seguida, verificámos o que nosso sistema sugeria como potencialmente a melhor decisão. Todos os dados recolhidos na exploração e provenientes de outras fontes fora desta são armazenados em tempo real, no armazem de dados dum servidor na Universidade Wisconsin-Madison (Wisconsin Institute for Discovery ),

Figura 1. Dados de cerca de 4000 vacas foram recolhidos durante vários meses. Na Conferência de Negócios do PDPW (Dairy Professional Developement Organization), em 2018, sobressaiu o impacto que a sobrecarga de informações está a ter sobre os produtores de leite. Os investigadores deste “Cérebro Virtual das Explorações de Leite” apresentaram a sua visão aos participantes e efetuaram um questionário para melhor entender as suas necessidades em relação à análise de dados. Cerca de 91% dos participantes classificaram a integração de dados como "importante" ou "muito importante". Este Cérebro Virtual apresenta dados em painéis visuais em tempo real, permitindo que os gestores detetem mudanças e imediatamente instituam medidas corretivas ou melhorias. Além disso, o armazém de dados simplifica os cálculos demorados, reunindo os dados e “pensando” como um gestor de uma exploração, tomando decisões astutas. A maioria dos participantes entrevistados - 83% - relataram que eficiência alimentar e o milk income eram melhores indicadores-chave dos resultados das decisões administrativas, que o custo da alimentação. A eficiência alimentar, definida como leite produzido dividido pela quantidade de matéria seca consumida, é calculada integrando dados recolhidos por três sistemas separados - informações da ordenha diária registadas pelo software do sistema de ordenha,quantidade de matéria seca ingerida pelo software de monitorização de alimentação e a informação (daily-pen) disponibilizada pelo software de gestão da exploração. Da mesma forma, o IOFC (Income Over Feed Cost) é calculado pela integração dos


Um cérebro virtual para gestão das explorações

"Os utilizadores do “Cérebro Virtual” podem observar e correlacionar a produção diária de leite de uma vaca e compará-la com a produção diária de leite ao nível do efetivo durante um período de tempo selecionado. dados da composição do leite de três fontes separadas - o banco de dados da indústria de leite, um banco de dados económico externo e um software de monitorização da ração. À medida que os investigadores foram utilizando o programa, descobriram informações interessantes sobre estratégias de gestão que são geralmente aceites como padrão. Dos participantes entrevistados, 88% indicaram que a sua estratégia primária para o agrupamento de vacas leiteiras é determinada pelo número de partos ou altura da lactação. No entanto, os dados mostraram que quando as vacas foram agrupadas por exigências nutricionais ou eficiência à ordenha, se observaram melhorias na saúde do efetivo, na produtividade e na formulação da dieta, enquanto os custos de alimentação e as emissões diminuíram. Atualmente, os utilizadores do “Cérebro Virtual” podem observar e correlacionar a produção diária de leite de uma vaca e compará-la com a produção diária de leite ao nível do efetivo durante um período de tempo selecionado. Os utilizadores podem posteriormente integrar esses dados com eventos de saúde e reprodução ou outros fatores de gestão, para analisar o impacto dos mesmos na produção de leite. Do total de participantes, 58% relataram que as suas decisões de refugo se baseiam principalmente na reprodução, enquanto 39% apontaram a produção como um fator primário de refugo.

PROCESSAMENTO DO LEITE • Preço atual • Composição do leite

DADOS ECONÓMICOS • Preço da gordura • Preço da proteína

ARMAZÉM DE DADOS DA EXPLORAÇÃO

MONITORIZAÇÃO DA ALIMENTAÇÃO • Ingestão de matéria seca • Dieta • Custo da alimentação

SAÚDE DO EFETIVO • Saúde • Reprodução • Produção • Movimentos

INFORMAÇÃO DIÁRIA • Resultados diários • Total de leite produzido

SISTEMA DE ORDENHA • Produção de leite por vaca/grupo • Duração da ordenha • Fluxo de animais • Condutividade do leite GENÉTICA • Índice de performance • Mérito genético

FIGURA 1 - ILUSTRAÇÃO DA COMPLEXIDADE DE UMA ARMAZÉM DE DADOS VIRTUAL COM DIVERSAS FONTES DE INFORMAÇÃO, DENTRO E FORA DA EXPLORAÇÃO.

Se classificar os dados é uma tarefa monumental, aplicar a inteligência artificial para chegar a uma ação lógica é, com certeza, outra. A colaboração dos produtores neste projeto da Universidade de Wisconsin-Madison é imperativa para que se continue a avançar em direção ao objetivo final: poupar ao produtor incontáveis horas de cálculo e interpretação de dados. O desenvolvimento de algoritmos que analisam o que está a acontecer nas explorações, é uma das muitas tarefas que os cientistas da computação desempenham no projeto Cérebro Virtual. Ao descobrir que acontecimentos resultam em que resultados, a equipa inteira pode criar um programa que prevê com maior precisão os resultados potenciais de uma ampla gama de decisões administrativas diárias. À medida que o projeto passa pelas etapas de garantir que o protótipo online venha a estar amplamente disponível, os pesquisadores esperam também

criar uma aplicação otimizada para dispositivos móveis. Entretanto, os produtores de leite interessados têm ainda a oportunidade de se envolver. Em novembro de 2019, estarei em Portugal para dar uma formação chamada "micro-DairyMBA", em parceria com a start-up FarmIN, um programa intensivo de gestão e decisões económicas em explorações leiteiras” - onde iremos abordar a tomada de decisões. Nesta formação vamos também ter a possibilidade de ouvir a opinião de um expert Israelita, Steven Rosen, professor de gestão e nutricionista de cerca de 25% das explorações de Israel, que nos irá dar uma visão alargada da gestão de topo nas vacarias de leite israelitas. MAIS INFORMAÇÕES SOBRE O MICRO-DAIRYMBA PARTE 1: 1 E 2 DE NOV. 2019 PARTE 2: 21, 22 E 23 DE NOV. 2019 LOCALIZAÇÃO: TOMAR WEB: FARMIN-TRAININGS.COM EMAIL: FARMIN@FARMIN-TRAININGS.NET TEL:+351 914793351

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Hannover, Alemanha, 10 a 16 novembro www.agritechnica.com

CURSO INTENSIVO DE GESTÃO E DECISÃO ECONÓMICA EM EXPLORAÇÕES LEITEIRAS ORGANIZAÇÃO DA START-UP

FORMADORES Victor Cabrera Ph.D Consultor Mundial em Bovinos de leite • Professor na Universidade Wisconsin nos USA • Aficionado por ferramentas práticas, fáceis de usar na gestão de explorações • Desenvolveu mais de 40 ferramentas de gestão leiteira • Distinguido com mais de 5 prémios

Cremona, Itália, 23 a 26 outubro www.fierezootecnichecr.it

PROGRAMA 1 e 2 nov. • Indicadores económicos • Alcançando o lucro máximo • A visão sobre Israel • Gestão Ambiental • Diferentes formas de instalação • Indicadores de Saúde • Minimizando o stress metabólico • Uma vista de olhos na nutrição Israelita • Leite e saúde do úbere • Novas tecnologias • Engordar antes do abate? • O que fazer com excesso de novilhas?

21, 22 e 23 nov. • Ferramentas de apoio à decisão • A função da produção • Encaixando a curva de lactação • A melhor gestação para... • Maximizando o retorno sobre o preço da alimentação • O valor real dos alimentos • FeedVal Toom • Agrupando as vacas em função da nutrição • Ferramenta da estruturação • A suplementação de concentrado ótima • (Re)formulação da dieta

Mais informações: Tomar | Parte 1: 1 e 2 de novembro 2019 | Parte 2: 21, 22 e 23 de novembro 2019 www.farmin-trainings.com | farmin@farmin-trainings.net | Preço: 750€ (+IVA) até 1 de agosto, 900€ (+IVA) até 29 de setembro

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ruminantes julho . agosto . setembro 2019

21, 22 e 23 nov. (contin.) Decisões de reposição • O valor da "Cow tool" • O valor do rebanho e o valor da reprodução • Estrutura do efetivo e reposição • O valor de programas reprodutivos • UW-Cornell Dairy Repro$ (ferrramenta) • A ferramenta do sémen de carne •


O seu bem estar, a sua rentabilidade O Programa de recria Prima da Nanta melhora a rentabilidade das explorações através do bem estar das vitelas. O Prima trabalha em quatro conceitos essenciais para o bem-estar dos animais: o colostro, a lactação, o desmame e os cuidados a ter nas diferentes variáveis como o meio ambiente, a saúde e ambiente social. O nosso programa oferece benefícios comprovados para o agricultor: maior desenvolvimento das vitelas, melhoria do seu sistema imunitário, redução do stress no desmame, antecipação da primeira inseminação e da idade do primeiro parto, mais produção de leite e maior vida produtiva da vaca. Com o Prima as vitelas são mais felizes e o agricultor também.

nanta@nutreco.com

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Ruminantes 34  

Edição nº34/2019 A revista da Agropecuária

Ruminantes 34  

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