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RUMINANTES

040

ANO 11 | 2021 JAN/FEV/MAR (TRIMESTRAL) PREÇO: € 5.00

A REVISTA DA AGROPECUÁRIA WWW.REVISTA-RUMINANTES.COM

FOTOGRAFIA: FRANCISCA GUSMÃO

EXEMPLAR DE OFERTA

Forragens Os vencedores do Concurso Nacional de Forragens 2020

EDIÇÃO ESPECIAL

10 ANOS

Índice VL-Erva

A rentabilidade das explorações de leite dos Açores nos últimos 7 anos

Regenerar o montado Entrevista ao agricultor Frederico Macau

Beterraba forrageira

Uma forma inovadora de produzir carne a baixo custo


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02


EDITORIAL

REVISTA RUMINANTES #40 JANEIRO FEVEREIRO MARÇO 2021

DIRETOR Nuno Marques nm@revista-ruminantes.com

Caro Leitor, Foto NM, Ladoeiro

F

az, nesta edição, dez anos que a revista Ruminantes iniciou o seu projeto. Na altura, o período económico que vivíamos era difícil e o futuro pouco claro. Ainda assim, decidimos avançar, e bem. Passados dez anos, estamos outra vez a viver um período difícil e com um futuro desconhecido. Mas pensamos que sem conhecimento é mais difícil ultrapassar os desafios que aparecem. É por isso que a Ruminantes continua a fazer sentido. Trabalhar e ter sucesso em ambientes adversos é sempre complicado. Para se ultrapassarem tempos difíceis é muito importante ter um propósito em que se acredite, e tentar simplificar os processos. Se assim for, os resultados que ambicionamos têm todas as condições para aparecer. O propósito da Ruminantes é incentivar e distribuir o conhecimento, aproximando a investigação aplicada, das empresas e das instituições científicas, dos produtores e dos técnicos. O objetivo é dar a conhecer "ferramentas" para que a produção nacional possa evoluir e criar o seu espaço. E dar a conhecer o que de bom e diferente se faz no nosso país e lá fora. Com este propósito acreditamos que estamos a contribuir para melhorar e fortalecer o setor agropecuário. Ao longo destes anos, criámos algumas rubricas que entendemos fazerem falta ao setor, em parceria com Escolas e Empresas. Concretamente, o Índice VL, um indicador que mede a rentabilidade das explorações leiteiras, em conjunto com a Escola Superior Agrária de Castelo Branco (ESA) e a Universidade dos Açores. Neste número, apresentamos a análise retrospetiva de 7 anos de trabalho no Índice VL Erva. Também, com o objetivo de promover a qualidade e a utilização de forragens na produção de leite e carne, criámos, em 2015, o Concurso Nacional de Forragens em parceria com o ALIP e com um júri independente do qual fazem parte elementos da Universidade do Porto, da ESAe do próprio ALIP. 30

Criámos ainda outras rubricas inovadoras: o observatório do leite; e o observatório das matérias primas, com projeções de mercado. Semanalmente, no website da Ruminantes, informamos sobre os preços médios das matérias primas. Para o futuro, o propósito da Ruminantes mantém-se: queremos continuar a incentivar e a distribuir conhecimento. Queremos, também, levar a Revista Ruminantes a um número cada vez maior de pessoas. Ao longo dos últimos dez anos, estivemos nos campos, de norte a sul do País, e em várias ilhas dos Açores. Conhecemos muitas histórias de sucesso, de pessoas que construíram negócios capazes de sustentar as suas vidas e as de gerações vindouras. Continuamos a acreditar que a agricultura tem que ser promovida e incentivada, pois qualquer país desenvolvido sem uma agricultura forte, é frágil. Para isso, é importante que os nossos governos percebam, sem ser só no papel, o significado da palavra "sustentabilidade". E que entendam a função insubstituível dos animais nos ecossistemas agro-silvopastoris. Como dizia o presidente norte americano Dwight D. Eisenhower, "A agricultura parece muito fácil quando a nossa charrua é um lápis e estamos a centenas de quilómetros do campo." Há muitas formas de produzir leite e carne, com prós e contras associados. Esses sistemas perdurarão e coexistirão para "alimentar o mundo", por mais ou menos tempo. Não há, contudo, formas instantantâneas de criar paisagens onde o homem não se sinta um estranho e não tenha receio de viver. É por isso que todos devemos ter presente que, quando chegar a altura de passarmos as nossas terras para outros, as passemos em igual ou melhor condição do que as recebemos. Nuno Marques 03

COLABORARAM NESTA EDIÇÃO Ana Lage, Ana Maria Gaspar, André Antunes, António Cannas, António Moitinho, C. Maio, Carlos Vouzela, César Novais, Frederico Macau, George Stilwell, Gilberto Lourenço, H. Rocha, Joana Silva, João Santos, João Valente, Jorge León Muñoz, José Caiado, José Pais, José Pedro Lemos, Luís Capela, Luís Raposo, Luís Silva, Luís Viveiros, Madalena Silva, Magda Fontes, Pedro Castelo, Pedro Nogueira, Rui Pinheiro, Rui Rosa, Tiago Cardeal, Vânia Resende. PUBLICIDADE E ASSINATURAS Nuno Marques comercial@revista-ruminantes.com REDAÇÃO Francisca Gusmão, Inês Ajuda FOTO DA CAPA Francisca Gusmão DESIGN GRÁFICO E PRÉ-IMPRESSÃO Francisca Gusmão fg@revista-ruminantes.com IMPRESSÃO Jorge Fernandes Lda. Rua Quinta Conde de Mascarenhas nº9, Vale Fetal 2825-259 Charneca da Caparica Telefone: 212 548 320 ESCRITÓRIOS E REDAÇÃO Rua Alexandre Herculano nº 21, 5º Dto 2780-051 Oeiras Telemóvel: 917 284 954 geral@revista-ruminantes.com PROPRIEDADE/EDITOR Aghorizons, Lda / Nuno Marques Contribuinte nº 510 759 955 Sede: Rua Alexandre Herculano nº 21, 5º Dto. 2780-051 Oeiras GERENTE Nuno Duque Pereira Monteiro Marques DETENTORES DO CAPITAL SOCIAL Nuno Duque Pereira Monteiro Marques (50% participação) Ana Francisca C. P. Botelho de Gusmão Monteiro Marques (50% participação) TIRAGEM 5.000 exemplares PERIODICIDADE Trimestral REGISTO Nº 126038 DEPÓSITO LEGAL Nº 325298/11 O editor não assume a responsabilidade por conceitos emitidos em artigos assinados, anúncios e imagens, sendo os mesmos da total responsabilidade dos seus autores e das empresas que autorizam a sua publicação. Reprodução proibida sem a autorização da Aghorizons Lda. Alguns autores nesta edição não adotaram o novo acordo ortográfico. O "Estatuto Editorial" pode ser consultado no nosso site em: www.revista-ruminantes.com/estatuto-editorial www.revista-ruminantes.com www.facebook.com/RevistaRuminantes


RUMINANTES FOTOGRAFIA: FRANCISCA GUSMÃO

A REVISTA DA AGROPECUÁRIA WWW.REVISTA-RUMINANTES.COM

Forragens Os vencedores do Concurso Nacional de Forragens 2020

EDIÇÃO ESPECIAL

10 ANOS

Índice VL-Erva

10 040

ANO 10 | 2020 OUT/NOV/DEZ (TRIMESTRAL) PREÇO: € 5.00

EXEMPLAR DE OFERTA

A rentabilidade das explorações de leite dos Açores nos últimos 7 anos

Regenerar o montado Entrevista ao agricultor Frederico Macau

Beterraba forrageira

Uma forma inovadora de produzir carne a baixo custo

ANOS OBRIGADO

A REVISTA RUMINANTES AGRADECE A TODAS AS EMPRESAS QUE ACREDITARAM NESTE PROJETO. SÓ ASSIM NOS É POSSÍVEL FAZER CHEGAR A REVISTA, DE FORMA GRATUITA, AOS PRODUTORES, TÉCNICOS, ESTUDANTES E ESTABELECIMENTOS DE ENSINO. AS EMPRESAS QUE APOIARAM A REVISTA RUMINANTES NESTES 10 ANOS: ZOOPAN • ZOETIS • ZINPRO • XENÉTICA FONTAO • WINFARM • VITAS • VETLIMA • VETHEAVY • VETALMEX • VETAGRI • UGENES • TRACTORES IBÉRICOS •TRACTOMOZ • TRACTOLUSO • TORRE MARCO • TECNIPEC • TECADI • SORGAL • SEMIFI • SELECTIS • SAPROGAL • SAGAR • ROELOFSEN AGRO • REPSOL • REMOLQUES CAÑERO • REAGRO • RACOOP • RAÇÕES ZÊZERE • PROVIMI IBERIA • PROCROSS • PREMIX • PORTALIMPEX • PLURIVET • PIONEER • PHIBRO • O PRADO • NUTRIGENETIK • NUTRIANIMAL • NEWHOLAND • NEPHAR FARM • NAVALKEY • NANTA • MSD • MONSEEDS • MERIAL • MATOSMIX • MATAGRIET • CORBAR • MAISADOUR • MACIEL • LUSOSEM • LALLEMAND BIO • KWS • KERSIA • KEMIN • JOSERA • ISAGRI • INVIVONSA • INPONENTEVERDE • INOVPEC • INDUKERN • IBERSAN • HARKER XXI • GIRAL • GENÉTICA21 • GEA • FORTE • FERTIPRADO • FEIMA • EUROCEREAL • INSTITUTO POLITÉCNICO PORTALEGRE • ENSILADOS RAMASA • LILLY PORTUGAL • ED&F MAN • DLF • DIVERSEY • DIREÇÃO REGIONAL AGRICULTURA (ILHA TERCEIRA) • DIN • DIGIDELTA • DEVELOPMENT ANIMAL NUTRITION • DELAGRO • DE HEUS • COOP. BOM PASTOR • COOP AG UNIÃO SEBASTIANENSE • CEVA • CATAA • CARGILL • BRUNO RIMINI • BAYER PORTUGAL • BAYER CROPSCIENCE • BASF SE • BAGOS E BOLOTAS • AUTO INDUSTRIAL • ASSOC. CRIADORES LIMOUSINE • ARBUSET • ALTEIROS • ALLTECHADITIVOS • ALLEDIER • ALIP • AGROVETE • COMENDA RAMALHÃO • AGROCAMPREST • AGRIANGUS • ADP FERTILIZANTES • AASM. RECEBA GRATUITAMENTE A RUMINANTES, EM SUA CASA. INSCREVA-SE EM WWW.REVISTA-RUMINANTES.COM | TELEMÓVEL 917 284 954. 04


HÁ 10 ANOS A RUMINAR JUNTOS

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#40 | jan. fev. mar. 2021

SUMÁRIO

#40 JANEIRO FEVEREIRO MARÇO 2021

12 CNF 2020 Avaliação do valor nutritivo das forragens

16 CNF 2020 Os premiados desta edição do concurso

22 Beterraba forrageira Produzir carne a baixo custo

28 Açores Produção de leite de cabra

32 Aposta nas Vermelhas Entrevista ao produtor Luís Viveiros

36 Três gerações de cruzadas Parâmetros reprodutivos e produtivos

42 Robot Expert Sistema de Alimentação Inteligente

46 Lacto-iniciador Importância na alimentação de borregos

50 Glucosídeos de esteviol É possível influenciar a apetência?

56 Alimentação de ruminantes A importância dos ácidos orgânicos

58 Um braço, duas boxes Entrevista ao produtor Tiago Cardeal

60 Uma ordenha de raíz Entrevista ao produtor Rui Rosa

64 Agricultura regenerativa Entrevista a Frederico Macau, Herdade do Godeal

74 Por George Stilwell A sustentabilidade da produção de Ruminantes

80 Observatório

Matérias Primas

Mau tempo no canal

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#40 | jan. fev. mar. 2021

SUMÁRIO

82 Observatório do Leite Previsões para a próxima década

84 Índice VL-Erva Rentabilidade das explorações de leite

90 Investigação leiteira Novidades publicadas no Journal of Dairy Science

94 Melhoramento genético O testemunho de 4 produtores em ProCross

96 BovINE News 1º Encontro transnacional Projeto BovINE

102 Eurotier 2021 Prémios Inovação e Prémio Bem-Estar Animal

106 Vacas de leite A importância dos oligoelementos na nutrição

106 Kuhn Aura Unifeed para alimentação autónoma e automotriz

107 Lely Alimentação fresca totalmente automática

107 Fendt E100 Vario Modelo a bateria ainda em desenvolvimento

108 GEA Automatização e transformação digital

109 Ruminarte 10 anos, os melhores momentos

0 ANOS VAMOS CONTINUAR A ENVIAR, GRATUITAMENTE, A REVISTA RUMINANTES. SE AINDA NÃO SE INSCREVEU, FAÇA-O ATRAVÉS DO SITE, EM:

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08


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#40 | jan. fev. mar. 2021

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REVISTA RUMINANTES

CONCURSO NACIONAL DE FORRAGENS

CNF 2020

EM 2020, À SEMELHANÇA DE ANOS ANTERIORES, CONCORRERAM AO CONCURSO NACIONAL DE FORRAGENS (CNF) TODAS AS AMOSTRAS QUE ENTRARAM NA ALIP ENTRE 1 DE JANEIRO E 31 DE JULHO DE 2020. ESTE ANO, O CNF CONTOU COM 3 CATEGORIAS DE FORRAGENS: SILAGEM DE ERVA, SILAGEM DE MILHO E SILAGENS EMERGENTES. 010


Avaliação do valor nutritivo das forragens apresentadas ao Concurso Nacional de Forragens Por: ANA LAGE; ALIP – ASSOCIAÇÃO INTERPROFISSIONAL DO LEITE E LACTICÍNIOS Entrega dos prémios aos produtores das silagens vencedoras Por: REVISTA RUMINANTES Empresas patrocinadoras dos prémios: LALLEMAND, LUSOSEM, KUBOTA

011


#40 | jan. fev. mar. 2021

REVISTA RUMINANTES

AVALIAÇÃO DO VALOR NUTRITIVO DAS FORRAGENS APRESENTADAS AO CNF

D

evido ao clima temperado de Portugal, mediterrânico no continente e oceânico nas ilhas dos Açores e Madeira, existem condições excelentes para a produção de forragem. Contudo, em especial no continente, essas condições ocorrem num determinado período do ano, sendo o restante demasiado seco ou frio para o desenvolvimento das culturas. Por isso, os agricultores e criadores pecuários adotaram técnicas de conservação das forragens produzidas em épocas de excedentes para conseguirem alimentar os animais em épocas de produção mais deficitária. Inicialmente utilizaram a fenação, mas a ocorrência de chuvas imprevistas acabava, demasiadas vezes, por estragar a qualidade nutricional e a palatabilidade da forragem final. Assim sendo, têm vindo a utilizar a técnica de ensilagem para a preservação da qualidade nutricional e da palatabilidade das forragens verdes. As culturas tradicionalmente sujeitas a ensilagem são o milho, semeado na primavera e colhido em finais do verão ou início de outono, e as ervas da cultura de

inverno lançadas à terra após a colheita do milho e colhidas entre março e maio. Os agricultores têm vindo a melhorar a qualidade destas silagens ao longo das campanhas. Os diversos trabalhos acerca da qualidade das silagens produzidas entre nós, baseados na base de dados do laboratório da Associação Interprofissional do Leite e Laticínios (ALIP) são a prova dessa melhoria [1] [2] [3] [4] [5] . Mas também a implementação, por parte da revista Ruminantes, de um Concurso Nacional de Forragens (CNF), destinado a premiar as melhores silagens analisadas pela ALIP, tem contribuído para a divulgação das boas práticas na produção forrageira e para o incentivo à melhoria das mesmas[6]. Tendo em vista a diversificação da fonte forrageira das explorações nacionais, o júri do concurso de 2020 decidiu premiar a silagem de luzerna devido ao número crescente de explorações que a utilizam. Desta forma, através da partilha dos bons exemplos e da indicação do caminho, o CNF poderá dar o seu contributo para a melhoria das forragens utilizadas na alimentação dos nossos animais, gerando mais saúde para eles, maior rentabilidade para as explorações agrícolas e melhor sustentabilidade ambiental da atividade pecuária.

AMOSTRAS CONCORRENTES

ANA LAGE ALIP - Associação Interprofissional do Leite e Lacticínios ana.lage@alip.pt

À semelhança do ano anterior, concorreram ao CNF todas as amostras que entraram na ALIP entre 1 de janeiro e 31 de julho de 2020. Como referido anteriormente, este ano o CNF contou com três categorias de forragens: silagem de erva, silagem de milho e silagens emergentes (no caso, de luzerna). 012

1. SILAGEM DE ERVA

Relativamente à categoria da silagem de erva entraram para concurso 804 amostras. Destas, 224 foram excluídas por não terem a matéria seca (MS) dentro do intervalo (25-50%) imposto pelo regulamento. Para que uma silagem de erva possa ser considerada de elevada qualidade deve ser avaliada em vários parâmetros. No gráfico 1 estão representados os teores médios em MS, proteína bruta (PB), fibra de detergente neutro (NDF), digestibilidade da matéria orgânica (DMO), açúcares totais e cinzas, bem como a amplitude de variação dos mesmos, nas amostras de silagens de erva apresentadas a concurso.

Teor em MS

Podemos observar que existe uma enorme variação em todos os parâmetros analíticos. O teor em MS é aquele que varia mais, com um valor médio de 34,7%, máximo de 79,8% e mínimo de 14,1%. Este parâmetro poderá ser controlado respeitando o momento de corte adequado para as plantas e a duração correta da pré-fenação. Se a silagem estiver demasiado húmida poderão ocorrer perdas de nutrientes no silo, através dos efluentes, e deterioração da palatabilidade da forragem final devido à ocorrência de fermentações butíricas. Pelo contrário, se a silagem estiver demasiado seca dificulta a compactação, afetando negativamente a fermentação e a sua acidificação, prejudicando a estabilidade aeróbica após a abertura do silo.

Teor em PB

Também a PB é um parâmetro importante, pois a silagem de erva poderá


Avaliação do valor nutritivo das forragens apresentadas ao CNF

CONCURSO NACIONAL DE FORRAGENS 2020

ser uma excelente fonte de proteína produzida na exploração, possibilitando uma menor dependência das fontes proteicas externas. Contudo, o teor médio em PB foi de 12,04 %MS, valor baixo e que sugere, na generalidade dos casos, um corte tardio da forragem.

ADF, Açúcares Totais, DMO, etc.), não existiram diferenças estatisticamente significativas (p<0,05). Contudo, o teor em Matéria Seca foi menor em mais de 3 pontos percentuais (-3,17 %) e o teor de Cinzas foi superior em quase 1 ponto percentual (+0,89 %MS). Por isso, concluímos que não se verificou uma evolução favorável na qualidade dessa forragem face ao ano passado. Também se nota um aumento no valor médio das amostras a concurso do Azoto Amoniacal (+0,45 %PB) o que poderá evidenciar uma ligeira deterioração da conservação da proteína da forragem verde no sentido da sua mineralização, o que não é desejável para as silagens de erva. Na tabela 1 também podemos observar os resultados da silagem de erva vencedora. Apresenta um teor em MS de 35,4 %, em PB de 22,20 %MS, em NDF de 35,8 %MS e a DMO de 78,7 %MS, o que lhe confere um elevado valor nutritivo. O teor em cinzas, em proteína solúvel e em azoto amoniacal, apesar de serem superiores à média das silagens apresentadas a concurso, situam-se dentro dos critérios estabelecidos pelo júri do CNF.

Os açúcares desempenham um papel importante no processo fermentativo que ocorre no silo, servindo de substrato para as bactérias. Além disso, a proporção de carbohidratos que não for degradada no processo fermentativo poderá ser utilizada como substrato pelas bactérias existentes no rúmen das vacas.

Teor em NDF

Teor em cinzas

Este corte tardio permite o aumento do teor em NDF por parte das plantas, o qual foi elevado no conjunto das amostras (52,5 %MS). Este teor mais elevado em NDF também inclui uma maior lenhificação das paredes celulares diminuindo a digestibilidade da matéria orgânica (62,5 %MS) e a eficiência do aproveitamento da forragem pelas vacas.

Relativamente às cinzas, verifica-se que o teor médio foi de 10,4 %MS. Neste parâmetro a variação também foi muito elevada, apresentando um teor mínimo de 2,6 %MS e um teor máximo de 19,8 %MS. O teor em cinzas indica a presença de terra na silagem, aumentando o risco de contaminação por bactérias do género Clostridium.

Teor em açúcares totais

Na tabela 1 são apresentadas as médias das silagens de erva do ano 2019 e das amostras apresentadas ao CNF 2020, bem como a composição química da vencedora. Quando comparamos a média das amostras apresentadas ao CNF 2020 com os valores médios de 2019 (tabela 1), constatamos que, para a maioria dos parâmetros analíticos (p/Ex.: PB, NDF,

O teor em açúcares totais nas silagens de erva apresenta uma variação muito elevada, observando-se valores mínimos inferiores a 1,6 %MS e o valor máximo de 29,7 %MS. Esta enorme variação depende de vários fatores, nomeadamente: das plantas que constituíram a forragem inicial, da hora do dia a que foram colhidas e da existência e duração da pré-fenação.

GRÁFICO 1 VALORES MÉDIOS E VARIAÇÃO DOS TEORES EM MATÉRIA SECA (MS), PROTEÍNA BRUTA (PB), FIBRA DE DETERGENTE NEUTRO (NDF), DIGESTIBILIDADE DA MATÉRIA ORGÂNICA (DMO), AÇÚCARES TOTAIS E CINZAS DAS SILAGENS DE ERVA APRESENTADAS AO CNF 2020 100,0 90,0 80,0 70,0 60,0 50,0 40,0 30,00 10,0 0,0

MS

PB

NDF

DMO

Açúcares totais

MS em % e restantes em %MS

Cinzas

TABELA 1 VALORES MÉDIOS DAS SILAGENS DE ERVA DA CAMPANHA 2019, DAS AMOSTRAS APRESENTADAS AO CNF 2020 E DA AMOSTRA VENCEDORA Matéria Seca

pH

Cinzas

Proteína Bruta

Proteína Solúvel

Azoto Amoniacal

NDF

ADF

ADL

Fibra Bruta

Açúcares Totais

DMO

ENL

UFL

UFC

PDIE

PDIN

C2019

37,9a

4,14a

9,5a

11,68a

50,6a

8,5a

53,1a

36,2a

4,8a

30,7a

5,3a

61,8a

1,26a

0,74a

0,65a

5,83a

6,70a

34,7

4,12

10,4

12,04

51,3

8,9

52,5

36,1

5,0

30,5

a

CNF 2020

4,3

62,5

1,26

0,74

0,65

5,86

7,04a

Vencedora

35,4b

4,35b

12,9c

22,20b

57,7b

11,8c

35,8b

25,2b

2,0b

25,0b

2,3b

78,7b

1,58b

0,93b

0,87b

8,67b

13,03b

b

a

b

a

a

b

a

a

a

a

a

a

a

a

a

MS – Matéria Seca; PB – Proteína Bruta; NDF - Fibra de Detergente Neutro; ADF – Fibra de Detergente Ácido; DMO – Digestibilidade da Matéria Orgânica; ENL - Energia Net Leite; UFL - Unidades Forrageiras Leite; UFC - Unidades Forrageiras Carne; PDIE – Proteína Digestível Intestino limitada pela Energia; PDIN – Proteína Digestível Intestino limitada pelo Azoto; a, b, c - Valores na mesma coluna com notações diferentes diferem significativamente (p<0,05).

013


#40 | jan. fev. mar. 2021

REVISTA RUMINANTES

GRÁFICO 2 VALORES MÉDIOS E VARIAÇÃO DOS TEORES EM MATÉRIA SECA (MS), AMIDO, FIBRA DE DETERGENTE NEUTRO (NDF), DIGESTIBILIDADE DA MATÉRIA ORGÂNICA (DMO) E CINZAS DAS SILAGENS DE MILHO APRESENTADAS AO CNF 2020 80,0 70,0 60,0 50,0 40,0 30,0 20,0 10,0 0,0 MS

Amido

NDF

DMO

Cinzas

TABELA 2 VALORES MÉDIOS DAS SILAGENS DE MILHO DA CAMPANHA 2018-19, DAS AMOSTRAS APRESENTADAS AO CNF 2020 E DA AMOSTRA VENCEDORA MS

pH

Cinzas

PB

NDF

ADF

ADL

Amido

FB

DMO

ENL

UFL

UFC

PDIE

PDIN

C2018-19

33,9a

3,84a

3,4a

7,04a

41,9a

25.0a

3,11a

33,8a

20,5a

70.0a

1,57a

0,92a

0,82a

6,68a

4,33a

CNF 2020

34,6b

3,82b

3,6b

7,04a

42,0a

24,9a

3,16b

32,7b

21,3b

70,1b

1,57a

0,92a

0,82a

6,67a

4,33a

Vencedora

37,2

3,73

3,2

7,10

36,6

19,8

2,52

40,7

17,5

74,1

1,69

0,99

0,90

7,03

4,36b

c

c

c

b

b

b

c

c

c

c

b

b

b

b

MS – Matéria Seca; PB – Proteína Bruta; NDF - Fibra de Detergente Neutro; ADF – Fibra de Detergente Ácido; DMO – Digestibilidade da Matéria Orgânica; ENL - Energia Net Leite; UFL - Unidades Forrageiras Leite; UFC - Unidades Forrageiras Carne; PDIE – Proteína Digestível Intestino limitada pela Energia; PDIN – Proteína Digestível Intestino limitada pelo Azoto.; a, b, c - Valores na mesma coluna com notações diferentes diferem significativamente (p<0,05)

2. SILAGEM DE MILHO

Já no que se refere à silagem de milho, esta categoria contou com 1500 amostras a concurso. Na tabela 2 estão presentes os valores médios dos parâmetros analisados na ALIP, referente às amostras no período do concurso e às amostras da campanha anterior (2018-19). No gráfico 2 estão representados os valores médios e a amplitude entre o máximo e o mínimo de alguns daqueles parâmetros analíticos: MS, amido, NDF, DMO e cinzas, das silagens de milho apresentadas a concurso.

Teor em MS

A MS das silagens de milho apresentadas ao CNF 2020 tem um valor médio de 34,6% com um máximo de 44,3% e um mínimo de 21,8 %. Quando comparado com o valor médio da campanha anterior (33,9%), verificamos que, apesar de serem valores muito próximos, estatisticamente, apresentam diferenças significativas (p<0,05). Contudo, estes valores médios situam-se entre os 30 e 35%, intervalo recomendado em [7], por ser o mais benéfico para o processo de conservação e para maximizar a quantidade de silagem ingerida pela vaca.

Teor em amido

O teor em amido é um dos parâmetros mais importantes na silagem de milho, por ser a fonte de energia, característica principal desta forragem. Ao observarmos os teores médios obtidos nas amostras que concorreram ao CNF 2020, verificamos uma diminuição significativa face à campanha de 2018-19 (32,7 %MS vs 33,8 %MS). Além disso, nas amostras a concurso verifica-se uma variação considerável, notando-se um teor mínimo em amido de 9,2 %MS e um teor máximo de 47,9 %MS. Com efeito, é sabido que a composição química da silagem de milho varia devido à influência de vários fatores como o estado de maturação no momento do corte, a variedade das plantas, o clima e o processo de conservação. No entanto, o estado de maturação no momento do corte será aquele que mais influencia a variação do teor em amido. À medida que o estado de maturação da planta do milho avança, aumenta a proporção da espiga em relação ao total da planta. Esta alteração na proporção da espiga origina o aumento dos teores em MS e amido. Por outro lado, a proporção de folhas e caules diminui, originando uma diluição dos componentes fibrosos da planta, e levando à diminuição dos teores em NDF. 014

Teor em NDF

Conforme pode observar-se na tabela 2, as amostras das silagens de milho concorrentes ao CNF 2020, quando comparadas com as da campanha 2018-19, apresentaram, em média, teores em NDF numericamente mais elevados (42,0 %MS vs 41,9 %MS), mas não sendo esta diferença estatisticamente significativa. Note-se ainda que, em termos de variação, foram encontradas amostras com teor em NDF de 32,3 %MS e outras com 56,3 %MS. Portanto, variações que serão, provavelmente, devidas a alturas de corte do caule da planta variáveis e que também terá efeito na digestibilidade da silagem obtida.

Teor em DMO

Apesar da elevada variação nos teores em MS, amido e NDF, atrás referida, a DMO das silagens de milho apresentou uma variação mais reduzida, entre 62,0 %MS e 75,2 %MS. Na realidade, embora a composição morfológica da planta do milho se altere ao longo do seu desenvolvimento e o teor em amido aumente, a digestibilidade do NDF diminui, impossibilitando grande acréscimo na DMO [7].

Teor em cinzas

Relativamente ao teor em cinzas, os valores médios observados mostram que a


Avaliação do valor nutritivo das forragens apresentadas ao CNF

CONCURSO NACIONAL DE FORRAGENS 2020

GRÁFICO 3 VALORES MÉDIOS E VARIAÇÃO DOS TEORES EM MATÉRIA SECA (MS), AMIDO, FIBRA DE DETERGENTE NEUTRO (NDF), DIGESTIBILIDADE DA MATÉRIA ORGÂNICA (DMO) E CINZAS DAS SILAGENS DE MILHO APRESENTADAS AO CNF 2020

TABELA 3 VALORES MÉDIOS DOS PARÂMETROS DAS AMOSTRAS DAS SILAGENS DE LUZERNA APRESENTADAS AO CNF 2020 E DA AMOSTRA VENCEDORA MS

Cinzas

PB

NDF

CNF 2020

36,9a

11,5a

20,50a

41,2a

Vencedora

38,1a

7,8b

26,55b

37,3b

MS – Matéria Seca; PB – Proteína Bruta; NDF - Fibra de Detergente Neutro; a, b - Valores na mesma coluna com notações diferentes diferem significativamente (p<0,05)

MS

Cinzas

maioria das silagens de milho não foram contaminadas com terra, pois apresentam teores em cinzas inferiores a 4 %MS, no entanto foi verificado um aumento significativo no valor deste parâmetro nas amostras concorrentes ao CNF 2020, face às da campanha anterior. Como também podemos observar na tabela 2, a amostra vencedora difere estatisticamente em todos os parâmetros analíticos relativamente à média das amostras do CNF 2020. Apresenta um teor em MS de 37,2%, um teor em amido de 40,7 %MS e um teor em NDF de 36,6 %MS. Face a estes resultados, podemos constatar que estamos perante uma silagem com elevado valor energético.

3. SILAGEM DE LUZERNA

Conforme referido, no CNF 2020 foi avaliada e premiada, pela primeira vez, a melhor forragem emergente sendo, nesta caso, a silagem de luzerna. No período a concurso foram apresentadas 43 amostras e no gráfico 3 são apresentados os resultados médios dos parâmetros analisados.

Teor em MS

Podemos observar que, relativamente ao teor em Matéria Seca o valor médio foi de 36,9%. No entanto, encontramos uma grande variabilidade entre as amostras, sendo o mínimo 17,7% e o máximo 69,2%. Os restantes parâmetros não apresentam ordens de grandeza tão elevadas entre o

PB

NDF

valor mínimo e o valor máximo. O teor em proteína bruta apresenta um valor médio de 20,50 %MS, mas o valor mínimo é 14,23 %MS e o valor máximo é 26,55 %MS. O teor em NDF apresenta o valor médio de 41,2 %MS, com o valor mínimo de 33,9 %MS e o máximo de 53,8 %MS. Já o teor em cinzas tem um valor médio de 11,5 %MS, com o valor máximo de 19,3 %MS e o valor mínimo de 7,3 %MS. Na tabela 3 comparam-se os valores médios das amostras a concurso, com aqueles obtidos pela amostra vencedora. Podemos observar que todos os parâmetros analisados diferem estatisticamente (p<0,05), com exceção do teor em matéria seca que, apesar de numericamente apresentar valores diferentes, estes não diferem significativamente.

CONCLUSÕES

Na apreciação final podemos dizer que a silagem de milho apresenta uma melhoria nalguns parâmetros importantes (mais MS e melhor Digestibilidade da Matéria Orgânica), mas retrocedeu noutros igualmente importantes (menos amido e mais cinzas). Talvez estas variações sejam devidas a condições específicas da colheita, não se prevendo qualquer retrocesso na melhoria da qualidade desta foragem. Por isso, podemos dizer que a produção de silagem de milho é um processo bastante controlado pelos agricultores. Relativamente à silagem de erva, 015

a composição química observada mostra que ainda persistem imensas oportunidades de melhoria para que esta forragem possa ser utilizada convenientemente na alimentação das nossas vacas de alta produção. As boas práticas de ensilagem, nomeadamente o momento do corte e a existência e duração da pré-fenação, bem como o aumento da proporção de leguminosas na forragem a ensilar, podem representar um contributo para melhorar o valor nutritivo das silagens produzidas. Para a silagem de luzerna, os valores obtidos são prometedores, apresentando o teor em proteína elevado e o teor em NDF baixo, quando comparados com os das silagens de erva tradicionais. No entanto, como não estão disponíveis valores médios de campanhas anteriores, não é possível evidenciar o sentido da sua evolução.

BIBLIOGRAFIA

A. Lage, “Silagens de Erva: Avaliação da Qualidade Nutricional,” Ruminantes, vol. 28, pp. 28-30, 2018. [2] A. Lage e M. D. Salgueiro, “Silagens de Erva em Portugal Continental,” Ruminantes, vol. 37, pp. 16-19, 2020. [3] M. D. Salgueiro e A. Lage, “A Variação do Teor em Proteína das Silagens de Milho em Portugal,” Ruminantes, vol. 34, pp. 52-54, 2019. [4] A. Lage, “A Importância da Maturidade na Qualidade Nutricional das Silagens de Milho,” Ruminantes, vol. 32, pp. 34-37, 2019. [5] A. Torres, A. Lage, E. Morgado e S. Azevedo, “Melhores Práticas de Ensilagem da Erva,” A Força da União, vol. 10, pp. 16-20, 2011. [6] A. Lage, “Avaliação do Valor Nutritivo das Forragens Apresentadas ao Concurso Nacional de Forragens 2019,” Ruminantes, vol. 36, pp. 12-15, 2020. [7] C. Demarquilly, “Facteurs de Variation de la Valeur Nutritive du Mais Ensilage.,” Productions Animales, vol. 7, pp. 177-189, 1994. [1]


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REVISTA RUMINANTES

Luís Queirós, da Lallemand, entregou o prémio à Equipa da Sociedade Nacional Rústica.

FORRAGENS | CNF 2020

PRÉMIO SILAGEM DE ERVA PATROCINADOR: LALLEMAND | VENCEDOR: SOC. NACIONAL RÚSTICA

O

INSTALAÇÃO A preparação do terreno para a sementeira depende de fatores como as condições do solo, da cultura anterior (no nosso caso cultura de milho) e da densidade de infetantes. Normalmente, recorre-se à passagem de grades de discos e rototerra. Antes da primeira passagem é efetuado o espalhamento de estrume e o chorume.

produções, cerca de 12,6 MS ton/ha. E poderia, eventualmente, ter sido mais elevada se não tivessem antecipado o corte para não comprometer a sementeira do milho e a própria qualidade da forragem”. A área de regadio é o principal fator limitante à produção de forragem. O segundo fator é a água: “A quantidade e qualidade da água virá a ser um problema, poucas pessoas monitorizam a quantidade e qualidade da água que consomem nas explorações”.

prémio Forragem de Erva, patrocinado pela Lallemand, foi atribuído à empresa Sociedade Nacional Rústica, sediada na Herdade das Pedras Alvas, em Montemor-o-Novo. Está implantada numa área de 225 hectares e é orientada para a produção de leite. Atualmente possui um efetivo 200 vacas Holstein em lactação, que produzem diariamente cerca de 6000 litros. Na entrega do prémio, falámos com Rui Rosa (proprietário e gerente da exploração), Vânia Resende (responsável pela exploração de leite) e Joaquim Velhinho (responsável pela exploração de carne), uma vez que ambas as empresas (leite e carne) trabalham em conjunto, partilhando máquinas e equipamentos agrícolas, por forma a rentabilizar os investimentos. Na sua opinião, esta foi uma das campanhas em que tiveram melhores

SEMENTEIRA O azevém que ganhou o prémio foi semeado em finais outubro, sendo normalmente semeado nesta altura do ano. No entanto, tentamos sempre semear o mais cedo possível devido à intensidade dos cortes. A variedade escolhida foi Pollanum, tetraploide, de ciclo intermédio, variedade de forte afilhamento, que, nesta campanha, deu para efetuar 3 cortes. A sementeira foi feita a lanço com densidade de 45 kg/ha, com uma

AS FORRAGENS Todas as forragens utilizadas na produção de leite são produzidas na herdade: silagem de milho, silagem de azevém e feno. Os 32 ha regados por pivot são utilizados para a produção de silagem de milho e silagem de erva. Para a silagem de azevém, este ano aumentaram a área para mais 20 ha de sequeiro. Da área restante, cerca de 75 ha, de sequeiro, são utilizados para os fenos.

TABELA ERVA PERFIL NUTRICIONAL DA AMOSTRA VENCEDORA DO CNF 2020 Matéria Seca

pH (25ºC)

Cinzas

Proteína Bruta

Proteína Solúvel

Azoto Amoniacal

Fibra NeutroDetergente (NDF)

Fibra Ácido-Detegente (ADF)

Digestibilidade Matéria Orgânica

ENL

Unidades Forrageiras Leite (UFL)

Unidades Forrageiras Carne (UFC)

PDIE

PDIN

Fibra Bruta

Açucares Totais

35,4

4,35

12,9

22,20

57,7

11,8

35,8

25,2

78,7

1,58

0,93

0,87

8,67

13,03

25,0

2,3

016


Prémio Silagem de Erva

CONCURSO NACIONAL DE FORRAGENS 2020

adubação de fundo (Amicote 5,15,5) e de cobertura (Nitrolusal 27%). As quantidades de adubo são efetuadas de acordo com a necessidade da planta e também de acordo com análises de solo. CORTE O primeiro corte, normalmente de limpeza, foi feito em dezembro. O segundo corte, efetuado no final de fevereiro/início de março, foi o corte que recolheu a amostra vencedora. O terceiro e último corte foi realizado em maio, antes da preparação das terras para o milho. “Para efetuar o corte utilizamos uma gadanheira de discos Kverneland. O corte foi realizado de manhã e passado cerca de 5 a 6 horas passamos com o encordoador de erva (Krone de 1 rotor). A instabilidade do tempo é um fator determinante nos “timings” destas atividades. No dia seguinte fizemos os fardos de fenosilagem com uma enfardadeira Kuhn. O pick-up da máquina recolhe e corta a forragem, na câmara é efetuado o rolo que, por sua vez, é envolvido em rede e, posteriormente, é plastificado. Este fardo foi feito com 26 voltas de plastificação, com plástico recomendado pela fabricante. De futuro, pretende-se aumentar o número de voltas de plastificação para 28, de forma a para aumentar a resistência na movimentação do fardo e na própria conservação.” Uma questão importante na obtenção da qualidade da forragem de erva é ainda a altura do corte e enrolamento: “Tentamos fazer a 15cm de altura do chão, para evitar o arrastamento de partículas como terra e pedras”.

Grassilageverteiler Jumbo II

Distribuído por:

ARMAZENAMENTO E CONSERVAÇÃO O primeiro e segundo cortes são armazenados em fardos de fenosilagem, vulgarmente designados por “ bolas”, uma vez que é um processo mais fácil e rápido de concretizar. O terceiro corte é armazenado numa manga plástica. Este corte é feito recorrendo a uma empresa de prestação de serviços, enquanto os dois primeiros são efetuados com máquinas próprias. Nesta exploração, os silos de trincheira são utilizados principalmente para a silagem de milho, pois ainda não existe capacidade de armazenamento para ambas silagens. Utilizam conservantes, específicos para a erva e para o milho: “Conservam o alimento, diminuem a perda de matéria seca e permitem usufruir do maior valor nutricional da planta. Em algum tipo de animais permite uma melhor digestão do alimento”. 017


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REVISTA RUMINANTES

Filipa Setas, Ariana Machado e António Cannas, da Lusosem, entregaram o prémio a Maria Madalena Costa Silva e sua família.

FORRAGENS | CNF 2020

PRÉMIO SILAGEM DE MILHO PATROCINADOR: LUSOSEM | VENCEDOR: MARIA MADALENA COSTA SILVA

M

aria Madalena Costa Silva foi a vencedora do prémio para a melhor forragem de milho do CNF 2020. O seu marido, Luís Silva, gerente do negócio familiar de produção de vacas de leite, em Vila do Conde (Ruminantes, nº 33, pág. 102), contou-nos como conseguem maximizar a produção das suas forragens. Para além do milho para silagem, que ocupa uma área de 22 hectares em sistema de rotação milho-erva, produzem

INSTALAÇÃO Depois de cortar o azevém, aplicam chorume, lavram, aplicam a grade de discos ou a rotorfresa para incorporar os herbicidas e passam novamente a rotorfresa. Seguidamente semeiam com semeador de 4 linhas, 75-80.000 plantas por hectare. Optam por sementes de ciclo longo ou curto, em função dos terrenos. Esta silagem que venceu o prémio enquadra-se nas de ciclos mais longos, de terrenos secos com alguma água. Os milhos que deram esta qualidade de

ainda para a alimentação do gado, silagem de erva, feno de erva e feno de luzerna. A boa qualidade das forragens tem sido, de modo geral, constante, diz-nos Luís Silva. Para isso, contam com a ajuda dos técnicos das empresas que lhes vendem os milhos. Relativamente ao efeito que esta colheita premiada teve no desempenho dos animais, Luís Silva nota que contribuiu para terem “animais mais estáveis”. Avalia o custo de produção por tonelada em cerca de 0,04€/kg (posta em casa).

TABELA ERVA PERFIL NUTRICIONAL DA AMOSTRA VENCEDORA DO CNF 2020 Matéria Seca

pH (25ºC)

Cinzas

Proteína Bruta

Fibra Neutro-Detergente (NDF)

Fibra Ácido-Detergente (ADF)

Lenhina Ácido-Detergente (ADL)

Amido

Fibra Bruta

Digestibilidade Matéria Orgânica

ENL

Unidades Forrageiras Leite (UFL)

Unidades Forrageiras Carne (UFC)

PDIE

PDIN

37,2

3,73

3,2

7,10

36,6

19,8

2,5

40,7

17,5

74,1

1,69

0,99

0,90

7,03

4,36

018


Prémio Silagem de Milho

CONCURSO NACIONAL DE FORRAGENS 2020

A SILAGEM QUE VENCEU O PRÉMIO ENQUADRA-SE NA DOS CICLOS MAIS LONGOS, DE TERRENOS SECOS COM ALGUMA ÁGUA. ESTES MILHOS QUE DERAM ESTA QUALIDADE DE SILAGEM FORAM SEMEADOS MUITO CEDO, EM MARÇO.

silagem foram semeados bastante cedo, em março. A variedade predominante (90%) é Pioneer 600. ADUBAÇÕES E MONDAS Foi aplicado um herbicida pré-emergência e outro de pós- para combater a junça e algum saramago. Nesse ano, não foi feita qualquer adubação. Nos terrenos mais pobres é feita geralmente uma adubação de cobertura e sacha. REGA Esta silagem veio em parte de terrenos regados por gota-a-gota, e outra parte de terrenos não regados, de terras frescas. CORTE A produção de matéria verde por hectare foi de aproximadamente 60 toneladas. O milho foi ensilado em meados de setembro, esteve na terra quase 6 meses. O tempo de ensilagem foi de 1,5 dias. Não foram utilizados inoculantes nem conservantes. MAQUINARIA Utilizou-se uma automotriz Krone, dois reboques e um trator para calcar. Num terreno mais distante, foram usados 5 tratores e uma automotriz JD.O trator que foi usado para pisar o silo tem 210 cv e pesa 10 toneladas. Cada reboque tem 15 toneladas de capacidade.

DADOS DA EXPLORAÇÃO Nome da exploração

Maria Madalena C. Silva

Localização

Malta, Vila do Conde

Nº empregados

2

Vacas em produção

45

Total efetivo

120

Produção média/vaca

31-32 litros

Nº de ordenhas no robot 3 ordenhas/vaca/dia

019


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Entrega do prémio para o vencedor da melhor silagem de luzerna CNF 2020. Da esq. para a dta.: Paulo Vieira, da Tractores Ibéricos, Rafael e Gilberto Lourenço, da Sementinfinita e Samuel Salgado, concessionário Kubota. Espalhador de silagem Reck, modelo Jumbo II, de engate frontal, indicado para tratores com potência a partir de 150 hp. O fabricante disponibiliza rolos de várias larguras, de 2,25m a 3,10 m, com 98 cm de diâmetro.

FORRAGENS | CNF 2020

PRÉMIO SILAGENS EMERGENTES - LUZERNA

A

PATROCINADOR: KUBOTA | VENCEDOR: SEMENTINFINITA AGRO-PECUÁRIA

forragem de luzerna distinguida este ano com o prémio patrocinado pela marca Kubota (Tractores Ibéricos) no contexto do Concurso Nacional de Forragens (CNF 2020) saiu duma exploração situada em Foros de Albergaria, concelho de Alcácer do Sal. Esta exploração, Sementinfinita AgroPecuária, situada na Asseiceira, é gerida por Gilberto Lourenço, com formação e vasta experiência na área agrícola, com a assessoria de sua esposa, socióloga, e de seus filhos mais velhos, um na área das máquinas e ainda no início do seu percurso universitário, e outro, o Rafael, engenheiro agrónomo e responsável pelas sementeiras. A principal atividade da Sementifinita é a produção de leite. Possui um efetivo total de 1200 animais, 550 dos quais em produção, da raça Holstein. A produção média diária é de 18 mil litros e a produção anual de 7 milhões de litros. A exploração abrange uma área total de 180 hectares em regadio, com pivots. As principais forragens produzidas são milho para silagens e azevém, e luzerna em 50 hectares. O custo de produção por tonelada de luzerna é de 30€.

INSTALAÇÃO Na instalação da luzerna foi utlizado um semeador de linhas pneumático, o mesmo que é utilizado para o azevém. A preparação da cama para a sementeira incluiu as operações de lavoura, gradagem e sementeira. Primeiramente foi espalhado o triticale e depois foi semeada a luzerna para uma maior proteção contra as geadas. O valor do pH dos solos das parcelas cultivadas ronda os 7 pelo que, habitualmente, fazem dois corretivos de cálcio por ano, um antes da cultura começar em dormência, e outro depois de começar a produzir. CORTE Por ano, fazem 7 a 9 cortes de luzerna. O melhor corte, diz Rafael “é quando o tempo está a aquecer e há agua suficiente.” O corte que venceu este concurso foi o 3º, do segundo ano da cultura. De acordo com Rafael “Para produzir

bem, a luzerna leva mais água do que o milho.” Em média, produzem 50 a 60 toneladas de matéria verde por hectare/ ano, com rega por pivot. Gilberto e Rafael atribuem a qualidade da silagem deste ano, e do ano anterior, à ausência de infestantes no terreno em que foi feita a sementeira. MÁQUINAS UTILIZADAS As máquinas utilizadas na cultura da luzerna, nesta exploração, incluem gadanheiras, um auto-carregador e ainda um espalhador de silagem Reck. O conjunto trator + espalhador de silagem Reck, com um peso total de cerca de 12 toneladas, assegura a perfeita compactação da silagem ( foto), como explica Rafael: “Cada camião traz 20 toneladas de luzerna e compacta o material durante o tempo que demora até chegar o seguinte, o que leva mais ou menos 1 hora.”

TABELA LUZERNA PERFIL NUTRICIONAL DA AMOSTRA VENCEDORA DO CNF 2020 Matéria Seca

Cinzas

Proteína Bruta

Fibra Neutro-Detergente (NDF)

38,1

7,8

26,55

37,3

020


www.fertiberiatech.com

021


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BETERRABA FORRAGEIRA

BETERRABA FORRAGEIRA

PRODUZIR CARNE A BAIXO CUSTO

DA NOVA ZELÂNDIA PARA PORTUGAL, A BETERRABA FORRAGEIRA EM SISTEMA DE PASTOREIO É UMA ALTERNATIVA MUITO INTERESSANTE PARA A ENGORDA DE NOVILHOS E ESTÁ EM RÁPIDA EXPANSÃO PELO MUNDO. OS ENSAIOS CONTINUAM NO MONTE DA SILVEIRA, EM MALPICA DO TEJO. Por Ruminantes Fotos FG

022


023


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Para determinar a quantidade de alimento a disponibilizar (quanto avançar o fio elétrico que limita a parcela), mede-se a quantidade de matéria seca num metro quadrado, pesa-se a planta inteira, e depois só a raiz, para perceber o peso das raízes (beterrabas) e o das folhas.

João Valente, gerente da herdade Monte da Silveira, continua a fazer ensaios com beterraba forrageira para testar o interesse da cultura como uma alternativa de baixo custo para alimentar vacas aleitantes e novilhos em regime de pastoreio.

F

oi de uma viagem à Nova Zelândia, que fez em 2019 com a empresa KWS, que João Valente, gerente da herdade Monte da Silveira, trouxe a vontade de testar a cultura da beterraba forrageira como base da alimentação das suas vacas aleitantes e novilhos, em regime de pastoreio. O objetivo, tendo por base práticas que contribuíssem para a sustentabilidade/utilização do solo, passava pela redução dos custos com maquinaria e com o armazenamento e conservação da colheita, sem perder de vista a rentabilidade do negócio (vidé Ruminantes, nº 37, pág.8). Várias semelhanças entre as duas regiões, a começar pelo clima, faziam crer numa adaptação favorável às condições edafoclimáticas na exploração, pelo

que, há dois anos, João Valente decidiu implementar o primeiro ensaio de beterraba forrageira, numa parcela de 2 hectares usada quer para acabamento em pastoreio, quer para acabamento com alimentação em unifeed de dois grupos de vacas de refugo. A produção então obtida foi de 100 toneladas de matéria verde com 15% de matéria-seca (MS) por hectare. Os resultados então obtidos foram muito interessantes em termos económicos e promissores para a continuação e aumento da área de cultura a implementar na campanha seguinte. Para confirmar os resultados obtidos e aprofundar o conhecimento relativamente ao custo de alimentação dos animais neste sistema, João Valente instalou em abril de 2020 um outro campo de ensaio, desta vez em 12

024

hectares, e um efetivo de 60 novilhos para uma engorda levada de ponta a ponta em pastoreio direto. No início do passado mês de dezembro, 9 meses após a instalação da cultura, a Ruminantes voltou ao campo de ensaio para falar com João Valente e assistir às medições efetuadas em momento próprio, pelos técnicos da KWS que têm acompanhado desde o seu inicio este projeto. As primeiras conclusões são bastante animadoras: à data, a produção média da cultura está entre 140 a 150 toneladas de matéria verde por hectare com 15% de MS. DESCRIÇÃO DO ENSAIO Seis a sete meses após a sementeira, quando a cultura da beterraba forrageira estava no auge do seu desenvolvimento,


Produzir carne a baixo custo

BETERRABA FORRAGEIRA

Atualmente João Valente fornece um complemento de feno de luzerna (cerca de 1kg de MS por animal/dia. Os resíduos que se deixam para trás têm como objetivo dar um sinal de disponibilidade de alimento ao animal, o que ajuda a que estejam calmos.

DADOS DA EXPLORAÇÃO Sítio

Herdade Monte da Silveira

Localização

Malpica do tejo, concelho de Castelo Branco

Área da parcela cultivada

10+2 hectares

Cultura

beterraba forrageira, 10 ha variedade Geronimo, 2 ha variedade Conviso

Data de sementeira

meados de abril 2020

Nº de animais a campo

60 novilhos de engorda

Raças:

Limousine, Charolês, Salers, Cruzadas

Idade dos animais

entre 5 a 7 meses à entrada no campo

Duração do ensaio

6 a 7 meses, até que todos os novilhos atinjam o peso de saída para o abate.

os animais iniciaram o designado período de transição, recebendo no estábulo uma quantidade progressiva de beterraba durante 1,5 semanas, ao longo das quais se foram adaptando ao alimento. No final desse tempo, foram levados para o parque cultivado onde iriam pastar até ao final da engorda. Diariamente, o fio elétrico que cerca a parcela é deslocado por forma a disponibilizar aos animais uma quantidade de beterraba ad libitum. Assegurando sempre que há uma faixa de cerca de 10 metros de resíduos para trás do fio eléctrico. No momento o consumo ad libitum está calculado em aproximadamente 30 kgs de beterraba/ animal/dia. De abril de 2020 até hoje (11 de dezembro de 2020), que conclusões retirou sobre a adaptação desta cultura à exploração? Realço dois aspetos bastantes positivos: o primeiro foi a resistência da beterraba forrageira a uma queda forte de granizo, um mês após a instalação da cultura. Inicialmente o material vegetativo [ folhas] da cultura ficou muito danificado, dando azo ao crescimento de infestantes. Não obstante, a cultura recuperou rapidamente, prevalecendo após a morte das infestantes. O segundo aspecto foi a produtividade da beterraba. Projetávamos cerca de 100 toneladas de matéria verde/ha, como obtivemos no primeiro ensaio e, das medições feitas hoje, temos 140 a 150 toneladas de matéria verde/ha. Teve algum receio quando trouxe os animais para o campo? Não. Na viagem que fizemos à Nova Zelândia, reportaram-nos diferentes casos, corroborados tanto pelos produtores locais visitados como pelos produtores britânicos, chilenos e argentinos que me acompanhavam. Todos tinham efetuado as transições para a beterraba sempre sem problemas. Fizemos uma transição rigorosa. Os animais foram desmamados, com diferentes idades, porque as parições não estão sincronizadas na exploração. Animais com 5 meses, e outros com 6,5 a 7 meses, de diferentes raças (Limousine, Salers, Charolês, e Cruzados de Salers com Charolês). Vacinámos todo o efetivo animal contra a enterotoxémia. Como foi feita a habituação ao alimento? A habituação foi feita num parque fechado, onde diariamente era 025

introduzida uma quantidade mínima de beterraba por dia. Começámos com 0,5 kg de matéria seca por animal/dia e fomos aumentando as quantidades gradualmente, a cada 48 horas. Introduzimos também o fio elétrico para os habituar. Passado uma semana e meia, os animais vieram diretamente para o campo. Nessa altura, passaram a ter à livre disposição a beterraba e um complemento de cerca de 1 kg de feno de luzerna. Os animais estão neste campo de beterraba há 2,5 meses e têm aqui beterraba para mais 4 meses. Estes animais vão ser feitos de ponta-a-ponta na pastagem. Com 12 a 14 meses de vida, vão para abate. Qual é o peso esperado com este lote de animais, comparando com outro alimentado com ração e palha? Esperamos, com este lote, um ganho médio diário entre 0,9 kg e 1,4 kg/dia, dependendo da genética, do sexo, da idade e do peso vivo com que o animal entrou para consumir a beterraba. Comparativamente com animais alimentados de forma tradicional, estes têm um ganho médio diário um pouco inferior. Porém, o custo de alimentação à base de beterraba/complemento de luzerna é tão mais baixo, que compensa a diferença de ganho médio diário por animal. A movimentação da linha pode ser feita com animais de qualquer raça? Sim, o próprio processo de habituação dos animais antes de virem para o campo, em que estão confinados e lhes levamos a beterraba, e em que são habituados a respeitar a cerca, ajuda a domesticá-los. Quando vêm para o campo, ao movimentarmos a cerca todos os dias, veem-nos. Associando esta ação ao ato de lhes disponibilizar a beterraba. Desta forma, continuamos o adestramento do animal. Com um Mertolengo ou um Alentejano, por exemplo, não sei se será mais ou menos difícil, há que experimentar. Como sabe quanto tem que avançar diariamente o fio eléctrico? Medimos a quantidade de matéria seca num metro quadrado ( foto), pesamos a planta inteira, e depois só a raiz, para perceber o peso das raízes (beterrabas) e o das folhas. Depois, há que ir adaptando às necessidades que


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o animal tem em termos de ingestão de matéria seca, que vão variando ao longo do tempo. Quando os animais estão em alimentação ad libitum, como aqui no campo, movo a linha aproximadamente 2 metros por dia. Controlo a frente disponível pela quantidade de resíduos que estão para trás, tentando deixar aproximadamente uma faixa de 10 metros de resíduos. A frente de ataque ao campo tem de ter um mínimo de 1 metro por animal. Qual a razão de deixar resíduos para trás? Tem como objetivo dar um sinal de disponibilidade de alimento ao animal, o que ajuda a que estejam calmos. Pelos campos que vi na Nova Zelândia, trata-se de uma faixa de cerca de 10 metros de resíduos que se vai controlando, entre o apetite deles e os resíduos que vão ficando para trás. Como dizia durante a viagem na Nova Zelândia o Prof Jim Gibbs [pioneiro mundial no uso da beterraba pastoreada] que nos acompanhava durante as visitas, “keep lots of residuals behind”. Que balanço faz deste sistema? Muito positivo. Pretendo duplicar no futuro a área que tenho atualmente. Dá mais algum alimento? Se o campo de beterraba mantém a folhagem razoavelmente bem desenvolvida e íntegra não é necessário dar nenhum suplemento forrageiro especial. Na verdade a proteína da matéria seca da planta inteira atinge os 13% o que coincide com as necessidades proteicas da engorda. Apenas colocamos uma fonte de fibra longa num comedouro instalado mais atrás. Se as folhas estão pouco desenvolvidas, temos bezerros mais jovens à entrada, ou necessitamos de acelerar o crescimento, é aconselhável ter o cuidado de fornecer uma fonte de fibra longa mais proteica e por isso, atualmente, estou a dar um pouco de feno de luzerna. Cerca de um kilo de MS por animal/dia. A luzerna, como complemento, é a cultura ideal? O ideal é ter um suplemento em que a proteína seja alta. Nós optámos pela luzerna mas o azevém poderá ser uma opção. Pensa poder vir a dar o complemento proteico de forma pastoreada ? Não, em termos financeiros é mais

"O IDEAL É TER UM SUPLEMENTO EM QUE A PROTEÍNA SEJA ALTA. NÓS OPTÁMOS PELA LUZERNA MAS O AZEVÉM PODERÁ SER UMA OPÇÃO." viável disponibilizar esse alimento na manjedoura, temos menos perdas de matéria seca. Onde estão os pontos de água e os complementos? Vão sendo deslocados à medida que a cerca vai avançando, mais ou menos de 15 em 15 dias. Que dificuldades teve? O esquema das cercas elétricas foi o maior desafio, porque em Portugal não estavam habituados a este tipo de implementação. Foi uma obra que foi desenhada entre nós e a empresa que fez a instalação. Para os novilhos, usamos apenas 1 fio eletrificado e outro que é apenas visual. O que recomenda a quem pretender experimentar este sistema? Há que recorrer a técnicos especializados para a instalação e o acompanhamento da cultura porque, como em qualquer outra experiência, não sabemos tudo. Qual foi a produção por hectare? 140 toneladas de matéria verde, o que pode ser considerado um bom valor. Quais foram os custos de instalação por hectare? O custo da beterraba instalada não chega a 2.000 €/ha debaixo de pivot De que área precisa para engordar um novilho neste sistema? A referência, de acordo com a Nova Zelândia, é de 25 novilhos/ha, para um período de 3 meses. Neste caso concreto, a minha expetativa ronda os 2,4 ha de beterraba para 60 novilhos. Neste momento, os animais já consumiram cerca de 1,7 ha e ainda falta um mês de engorda. Os animais entraram com um peso médio de 180 kg e no final do 3º mês deverão ter um peso médio de 280 kg. O custo alimentar por animal durante estes 90 dias é de aproximadamente 37 euros, incluindo a beterraba e excluindo a luzerna. 026

Qual o custo da alimentação, por animal, durante os 3 meses de pastoreio na beterraba? Cada animal come em média 30 kg/ dia de beterraba forrageira + 1 kg/dia de luzerna. Em 90 dias, isto representa um custo por animal de aproximadamente 37€ de beterraba forrageira + 20€ de luzerna, ou seja 57€/animal durante os 3 meses. O valor do kg de peso reposto é de 0,42€/dia. CUSTO POR TONELADA DE MATÉRIA SECA Beterraba

Cevada

102€

236€

ENERGIA IDÊNTICA

ENSAIO COMPARATIVO COM PORCOS ALENTEJANOS Campo de teste com 58 porcos alentejanos, de duas linhagens: Cruzado Duroc e Alentejano Puro. Os animais entraram com um peso médio 106 kg e vão ser engordados até aos 155 kg. O objetivo deste ensaio é comparar a eficácia deste sistema de alimentação com a engorda em montanheira onde se supõe que o animal entre com um peso de médio de 100 a 110 kg, e que em 62 dias (norma de uma montanheira) obtenha um peso médio de saída de 155 kg. Até à data, cada porco repôs em média 27 kgs de peso. Isto em 25 dias de pastoreio direto da beterraba. É importante salientar que estes porcos tinham arganéis colocados, o que de alguma forma ainda os limitava na sua capacidade de ingestão da beterraba. Os porcos demonstram um respeito pela cerca eléctrica ainda maior que os novilhos e o seu comportamento é muito calmo dentro do parque.


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AÇORES | CAPRINOS

A PRODUÇÃO DE LEITE DE CABRA NOS AÇORES

PRETENDEU-SE NESTE ESTUDO AVALIAR AS EXCELENTES CONDIÇÕES EDAFOCLIMÁTICAS DOS AÇORES PARA A PRODUÇÃO DE LEITE DE CABRA, PODENDO-SE ALCANÇAR UMA BOA RENTABILIDADE NESTA ESPÉCIE. A PASTAGEM EXISTENTE, COMO BASE DA ALIMENTAÇÃO, ASSEGURA UMA PRODUÇÃO BASAL QUE PODE SER BASTANTE ATRATIVA. Foto Luís Capela 028


A produção de leite de cabra nos Açores

AÇORES | CAPRINOS

N

LUÍS CAPELA Doutorando na área da reprodução de bovinos Faculdade Medicina Veterinária capelavet@gmail.com

a região dos Açores, não sendo a ilha de São Miguel exceção, verifica-se uma predominância dos efetivos de vacas leiteiras, assumindo os caprinos uma importância residual, descredibilizados e desvalorizados ao longo do tempo por preconceito social. Para além dos testemunhos históricos nesse sentido, pude confirmar esta tendência durante as várias viagens e estágios que realizei na ilha de São Miguel desde 2014. Nessas viagens, ainda longe de pensar que iria realizar o presente trabalho, constatei que eram inúmeros os fatores apontados para que a produção de leite de cabra não se desenvolvesse na região, mas, por falta de argumentação, as conversas eram quase sempre rematadas com "não se dão cá...", o que não deixa de ser um argumento curioso, tendo os caprinos sido introduzidos logo na primeira fase da colonização das ilhas. O clima, muitas vezes usado como "desculpa", quando analisado através da escala climática de Koppen, verifica-se igual ou muito semelhante ao do Reino Unido, de França, de Itália ou do norte da Península Ibéria por exemplo, ou seja, não se afigura um motivo válido. Uma vez que, desde 1960, se verifica uma cada vez maior valorização dos produtos derivados do leite de cabra enquanto produtos gourmet e sustentáveis, talvez seja de não descurar o potencial crescente desta matéria prima. A imagem de uma natureza intocada e de excelente bem-estar para ruminantes de produção que os Açores já conseguiram estabelecer, iria com certeza facilitar a ascensão para a vanguarda nesta área. Convencido de que esta pode ser uma alternativa para as explorações de menor dimensão, economicamente inviáveis, decidido a desmitificar este estigma, decidi retornar e passar seis meses na ilha de São Miguel. Exerci clínica veterinária de espécies pecuárias, conheci todos os atalhos e falei com cada produtor para tentar compreender a gente e a cultura desta magnifica terra. O trabalho decorreu entre setembro e fevereiro de 2018, coincidindo com a época de partos, altura em que previ observar os principais problemas nas explorações por ser a fase mais complexa do ciclo produtivo da espécie caprina. No final, tinha visitado 80% das explorações de caprinos com mais de 10 fêmeas em lactação e perfeito mais de cinco centenas de visitas a explorações de bovinos. Os dados necessários foram recolhidos através dum inquérito, permitindo a caracterização e o posterior tratamento estatístico dos mesmos. As explorações foram divididas em 3 categorias: as intensivas com uma produção superior ou igual a 750 litros/animal/ano, nas quais o efetivo era composto por animais de raças melhoradas para aptidão leiteira, representado 40% do total; as semiintensivas, explorações com uma média produtiva por animal inferior a 750 litros e superior ou igual a 450 litros/ano e um efetivo constituído por animais cruzados de raças melhoradas, representando 30% do total; e as extensivas que se entenderam como 029

aquelas onde o efetivo é de raça indeterminada sem evidenciar um fenótipo de raças melhoradas para aptidão leiteira e produções inferiores a 450 litros/animal/ano, representado também 30% do total. DIMENSÃO e DISPERSÃO As explorações encontram-se dispersas por toda a ilha, maioritariamente a baixa altitude. Existem duas concentrações onde culturalmente existe maior número de capriniculturas; no concelho de Vila Franca do Campo, onde se localiza a maior exploração dos Açores (472 animais) e no concelho da Lagoa. A área média das explorações é de 14 ha ± 24,1 no entanto a mediana é de apenas 1,4 ha. A média é inflacionada por um pequeno número de explorações, visto que 75% das mesmas não atinge os 10 ha. EFETIVO e PRODUTIVIDADE Os efetivos apesar de heterogéneos na sua dimensão, têm em média 46 ±76 animais evidenciando na sua maioria boa genética, possivelmente explicável pela filosofia leiteira da região. A raça Saanen, a mais produtiva no Mundo, é a base de 62,5% das explorações, quer em linha pura, quer cruzada. Em 27,5% das explorações a base do rebanho é de raça Alpina, algumas destas cruzadas com Saanen. Pode-se ainda observar raças com menor expressão, mas também elevada produtividade como a Murciana-Granadina e Toggenburg. Esta genética justifica a considerável produção média diária do efetivo de 2 ± 0,9 l, sendo a duração da lactação de 300 dias em 95% explorações, à semelhança do que se preconiza nas vacas leiteiras. A produção está, como esperado, intimamente relacionada com a intensificação, assim temos uma produção aos 300 dias de 900 l ±109 no intensivo, de 550 l ±74 no semi-intensivo e de 275 l ±58 no extensivo. ALIMENTAÇÃO O maneio nutricional não contempla as fases produtivas em 85% das explorações, penalizando a carteira do produtor. Curiosamente, esta uniformidade nutricional ao longo de todo o ciclo produtivo, utilizada também pelos franceses, pode estar na base da insignificante taxa de toxémia de gestação observada. A quantidade de alimento composto fornecido aumenta com a intensificação, suportando naturalmente o aumento de produtividade, constatando-se que a pastagem/forragem (sem suplementação com alimento composto) possibilita uma produção média por lactação de 1,32 litros/animal/dia. Através duma regressão linear, constatou-se que para uma produção média de 3 l/animal/dia é necessário suplementar com 1,3 kg de alimento composto por dia.


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MANEIO A vida produtiva é em média de 6,1 ±0.9 lactações por animal, uma vez que a produção leiteira aumenta até à 5ª lactação e os animais podem pastar no campo em todos os sistemas, parece adequado, visto facilitar a amortização por cada animal. A descorna é praticada por rotina em 35% das explorações, enquanto que o aparar das unhas se verifica em 65%. Em 80% dos rebanhos não se verifica desinfeção do umbigo nem se assegura habitualmente a ingestão do colostro nos cabritos. A desparasitação, efetuada em 92% das explorações inquiridas, é feita com lactonas macrocíclicas rotineiramente à secagem, sem exames coprológicos associados. A ausência de maneio reprodutivo tem como consequência uma marcada sazonalidade produtiva, o que se reflete negativamente na indústria que quer crescer, uma vez que os produtores não beneficiam dos preços mais aliciantes na época de menor produção. Um melhor maneio reprodutivo, relativamente simples nos caprinos, beneficiaria muito este setor. O MAIOR PROBLEMA ENCONTRADO A colega Viviana Mota referiu, e bem, numa edição anterior, que a recria dos vitelos é o flagelo na produção de bovinos. O mesmo se pode afirmar das explorações de caprinos. O calcanhar de Aquiles é a mortalidade até ao desmame (que ocorre depois dos 3 meses em 87,5% das explorações): deparamo-nos com valores na ordem dos 50%, com explorações onde esse valor é ainda maior! Estes números impossibilitam o aumento dos efetivos, o crescimento das explorações e inflacionam o preço dos animais de reposição, diminuindo, logicamente, a rentabilidade das explorações. Agravase, ainda, pela limitação existente à importação, dado os planos de controlo sanitário vigentes na região. Torna-se, portanto imperativo o estabelecimento de mais e melhores planos profiláticos nesta espécie, o que seria fácil uma vez que a diarreia neonatal e as pneumonias são as principais causas de mortalidade, mas para os quais os produtores parecem não estar ainda sensibilizados. RENTABILIDADE Os parcos registos nas explorações não possibilitaram uma análise económica

aprofundada, no entanto foi possível analisar o rendimento obtido e a despesa de alimentação que representa 80% das despesas numa exploração pecuária. Assim, fez-se apenas essa diferença, salientando que temos a consciência de que não se comtemplou fatores produtivos (mãode-obra, amortização de instalações e terras, equipamentos de ordenha, despesas veterinárias, etc.) mais significativos nos sistemas mais intensivos (Tabela 1). PARA CONCLUIR Espero ter conseguido chamar a atenção para o potencial da espécie, tornando evidente com este trabalho que existem excelentes condições edafoclimáticas para a produção de leite de cabra nos Açores, podendo-se alcançar uma boa rentabilidade nesta espécie. A pastagem existente, como base da alimentação, pode efetivamente proporcionar uma produção basal atrativa e lucrativa. Penso que seria vantajoso o Governo Regional fomentar o desenvolvimento deste setor na região, começar desde já, a investir na formação e sensibilização dos produtores para vacinar os seus efetivos, uma forma expedita de enfrentar o maior problema motor, proporcionando crescimento e rentabilidade. Para isso seria importante que em eventos

públicos, conferências, palestras e feiras agrícolas, existisse uma secção temporal ou física destinada a pequenos ruminantes, fomentando a profissionalização do sector. Numa altura em que os resgates leiteiros são uma realidade, dada a fragilidade da produção bovina da região, esta poderia constituir uma alternativa fácil de implementar, continuando-se na fileira do leite. Saliento que existe inclusivamente na região uma indústria aberta a absorver mais produção e até a inovar, caso esta se torne mais segura e homogénea ao longo do ano. Um bom exemplo é a indústria Iogurteira Yoçor, que já tinha iniciado alguns testes para produzir com leite de cabra, o que desde já congratulo. Relembro que o maior destino do leite é o fabrico de queijo fresco, dado ser uma região insular, investir em produtos com prazo de validade mais alargado, seria mais seguro economicamente. Agradecimentos Ao Serviço de Desenvolvimento Agrário de S. Miguel em particular à Dra. Catarina Oliveira, e ao Dr. Carlos Pinto. Ao prof. Dr. Rui Horta Caldeira pela orientação na dissertação de mestrado. À AASM-CUA, em particular ao Dr. Asthon Chonglong parceiro nestes meses. Nota: leia o trabalho completo em: http://hdl.handle.net/10400.5/14345.

QUADRO 1 RELAÇÃO ENTRE A QUANTIDADE DE ALIMENTO COMPOSTO FORNECIDO AOS ANIMAIS E A PRODUÇÃO MÉDIA DIÁRIA POR LACTAÇÃO 5 Quantidade de leite (l)/animal/dia

Entre os sistemas produtivos, o intensivo faz uso de 834g ±380 de alimento composto, o dobro relativamente ao extensivo (Quadro 1).

4 3 2 1 0

0

500

1000

1500

2000

Alimento composto(g)/animal/dia

TABELA 1 RELAÇÃO ENTRE O RENDIMENTO EM LEITE E AS DESPESAS EM ALIMENTAÇÃO NOS 3 SISTEMAS PRODUTIVOS Rendimento em leite por cabra (€)

Custo de alimentação por animal/ano (€)

Diferença (€)

Intensivo

541,17 ± 65,87

151,80 ± 76,12

409,99 ± 108,52

Semi-intensivo

330,72 ± 44,41

106,53 ± 46,34

210,89 ± 85,04

Extensivo

165,36 ± 35,11

74,89 ± 85,31

71,629 ± 102,89

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GENÉTICA | VACAS DE LEITE

APOSTA NAS VERMELHAS

LUÍS VIVEIROS DIZ-SE "APAIXONADO PELA GENÉTICA". GOSTA DE INVESTIR NA MORFOLOGIA E DE PARTICIPAR NOS CONCURSOS COM OS SEUS MELHORES ANIMAIS. MAS A APOSTA QUE FAZ EM GENÉTICA É TAMBÉM A PENSAR NO FUTURO: "NO NORTE DA EUROPA, APOSTA-SE E PAGA-SE PELOS SÓLIDOS, E NÃO POR LITRO DE LEITE, COMO CÁ. PARA QUE TAL SEJA POSSÍVEL, É PRECISO UMA GENÉTICA DIFERENTE. FOI POR ISSO QUE, HÁ 8 ANOS, DECIDIU APOSTAR NA HOLSTEIN VERMELHA. Por Ruminantes | Fotos Luís Viveiros

L

uís Viveiros iniciou-se como produtor de leite há cerca de 22 anos, na exploração que era do seu pai. Quando pegou no negócio, que continua a contar com a ajuda do seu pai, começou com um projeto de primeira instalação para 30 vacas em produção. Já lá vão 22 anos. Hoje, tem cerca de 70 vacas em regime de semi-estabulação por questões de logística. A exploração está dividida entre a freguesia de Arrifes, onde estão as infraestruturas, e a freguesia das Capelas onde se encontram os terrenos de cultivo.

Porque optou pela semiestabulação? Por razões de conforto e logística, para que eu e o meu pai conseguíssemos fazer sozinhos as operações necessárias na vacaria. Antes tínhamos que deslocar animais, tratar das ordenhas, tanques, bebedouros... para tantas vacas tornavase complicado. Atualmente, as vacas passam a noite no pasto, entre a ordenha da tarde e a da manhã do dia seguinte, ou seja, entre as 20h00 e as 06h00.

032

No início experimentei das duas maneiras, passarem a noite ou o dia na pastagem, mas cheguei à conclusão que elas preferem estar na pastagem à noite. E assim, durante o dia, tenho a possibilidade de fazer todas as operações de corte de silagens, sem ter que me preocupar com a movimentação dos animais. Antes das 6h00, já elas estão junto ao portão para entrar para a ordenha, não é necessário ir buscá-las. Percorrem cerca de 100 metros para chegar ao parque de alimentação que tem os


Aposta nas Vermelhas

GENÉTICA | VACAS DE LEITE

Luís viveiros e seus filhos, Samuel e Guilherme.

"NOS ÚLTIMOS 3 ANOS ENTREI NUMA APOSTA IMPORTANTE (...) NA MORFOLOGIA DO ANIMAL IDEAL DE CONCURSO, SEM NUNCA ESQUECER O PROPÓSITO E O SISTEMA DE PRODUÇÃO QUE TENHO."

Qual é o seu maior desafio na exploração para 2021? Enviar mais um animal para registo na Canadian Dairy Network e conseguir ficar no top europeu ou mesmo mundial. O outro seria subir o preço do leite, mas esse não depende da minha exploração...

DADOS GERAIS DO REBANHO Efetivo total

105

Raças

Holstein e Holstein x Jersey

Nº vacas em ordenha

70

Nº ordenhas/dia

2 (06h00 e 17h30)

Sala de ordenha

8 pontos (tipo móvel)

Tempo ordenha efetivo

1h45m

Produção leiteira média/ vaca aos 305 dias

aprox. 9.500 litros

Nº lactações média/vaca

5

GB (%)

4,46

PB (%)

3,40

CCS

215.000 cél/ml

Intervalo entre partos

370 dias

Nº I.A. vaca adulta gestante

1,5 doses

restos da ordenha da noite anterior e entram progressivamente na ordenha. Por volta das 8h00 já estão todas a tomar o “pequeno-almoço” e com acesso ao parque de cerca de 1 hectare onde passam o tempo até à ordenha da tarde. Qual a área de terreno de que dispõe? Cerca de 30 hectares, metade próprios e a outra metade arrendados. Junto à vacaria temos 5,5 ha. De que consiste a alimentação? Principalmente de forragens, pastagem, silagem de erva e silagem de milho. Este ano experimentei o sorgo forrageiro em 2 ha. Nos terrenos em que semeamos milho, a erva é cortada 2 vezes, nos outros fazemos cerca de 4 cortes, sendo o quarto para feno. Todas as forragens conservadas são dadas no unifeed, juntamente com um suplemento vitamínico e um adsorvente de micotoxinas. Damos ração na ordenha Para onde vai o leite da exploração? Para a Unileite, que o transforma e vende através da LactAçores.

033

Diz-se um apaixonado pela genética. Como a tem gerido? O meu pai tinha vacas de raça Holstein. Eram grandes produtoras mas o leite tinha teores baixos de proteína e gordura. Eu queria alterar isso. A dado momento, recebi a visita dum professor de uma universidade da Califórnia que me sugeriu cruzar as Holstein com animais de raça Jersey. Após 10 anos de cruzamentos, houve muitas mudanças em termos de morfologia do animal: a vaca bonita, boa produtora, desapareceu. Passei a ter animais mais pequenos, mais robustos, com produções de leite mais baixas mas teores de gordura e proteína elevados. Depois, voltei a cruzar com Holstein, e neste momento tenho animais cruzados com produções de cerca de 10.000 litros leite por lactação e com mais de 5,0% de gordura e 4,0% de proteína. Hoje em dia tenho cerca de 40% do efetivo de animais de 3ª e 4ª geração de Jersey cruzadas com Holstein, que são animais pequenos, robustos, resistentes. Os outros 60% do efetivo são Holstein puro. Nos últimos 3 anos entrei numa aposta importante, incentivado pelo médico veterinário Paulo Rodrigues, da Atlantic Genetic, na morfologia do animal ideal de concurso, sem nunca esquecer o propósito e o sistema de produção que tenho.


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Desde quando aposta no melhoramento? Desde há 8 anos. Nessa altura, decidi trabalhar apenas com touros vermelhos Holland Genetics. Por princípio, a vaca Holstein vermelha é mais robusta, com maior produção de gordura e proteína que a preta e branca. Ao dia de hoje, com registo oficial, tenho vacas Holstein Frísia Vermelhas contrastadas a dar mais de 6,0% gordura e 5,0% de proteína, e com 9.500 a 10.000 litros por lactação.

A Agro LV Genetic, de Luís Viveiros, tem cerca de 70 vacas em regime de semi-estabulação.

Porque aposta em genética para ter teores mais elevados de gordura e proteína no leite, se o incentivo atual na forma de pagamento é sobre a quantidade de leite produzido? A pensar no futuro. No norte da Europa aposta-se e paga-se pelos sólidos, e não por litro de leite, como cá. Mas para que essa mudança seja possível é preciso uma genética diferente, e eu estou a trabalhar nela desde há muitos anos. Não nos podemos distrair com este assunto.

últimos decidi comprar embriões que me permitissem dar um salto muito grande em termos de genética, talvez avançar “20 anos” em termos de Portugal. As dadoras de embriões eram canadianas, da Morsan, mas as recetoras estavam aqui e os animais nasceram cá.

Numa sistema de produção em pastoreio, com base em que critérios é feito o melhoramento genético? Para 80% do efetivo, o critério é gordura e proteína do leite, pernas, pés, longevidade e Lifetime Profit Index (LPI). Os outros 20% estão orientados aos concursos. Eu e a minha família gostamos de participar nos concursos. Como a genética nos Açores está num patamar elevado, temos que apostar muito num animal de concurso, ou seja, em morfologia, pernas e pés, úberes. Quando investe em genética para concurso, não está a ir contra a genética ideal para uma exploração rentável? Não, acabam por ser animais quase idênticos aos outros, embora possa haver ligeiras diferenças na produção de leite e no teor de gordura e proteína. São por norma animais mais sensíveis, mais melindrosos. No meu caso, que tenho pastagens em zonas médias e baixas, os animais adaptam-se muito bem. Já se formos para pastagens em altitudes elevadas, não poderei dizer o mesmo. Ou seja, tudo depende das condições da exploração. Como faz o melhoramento? Ao longo destes anos, tenho feito sempre por inseminação artificial, mas nos dois

Quanto pesa, em média, uma vaca adulta da sua exploração? As cruzadas pesam cerca de 450 kg, e as puras cerca de 650kg.

Quantos embriões pegaram? Dos quatro que comprei, dois pegaram. Fruto disso, tenho duas vitelas, uma com 1 ano e outra com 4 meses, com reconhecimento nacional (top 5) e internacional, e são as duas melhores dos Açores. Por inseminação obtive animais que decidi classificar, que ficaram no top 400 a nível nacional. Ainda que o setor não viva um bom momento, conseguir ter animais destes dá algum ânimo para o futuro. Onde é feita a classificação dos animais? Na empresa Canadian Dairy Network, para onde enviamos o material genético (um pedaço de orelha). A classificação é feita com base no material genético enviado, e em todo o repertório do embrião (da dadora dos embriões e do pai...). Depois, essa empresa envia para cada país o respetivo ranking. Tem cuidados especiais com o maneio destes animais? Um mês antes de nascerem, dei uma atenção maior às recetoras, uma vez que o investimento foi avultado. O parto correu bem e todo o processo até ao desmame foi igual a todos os outros, beberam o colostro normalmente, etc. Hoje estão juntas com o resto do efetivo e recebem os mesmos cuidados das outras. 034

Que tipo de genética quer ter no futuro? Quero ter 50% do meu efetivo com animais de topo. O embrião que encomendei já está posicionado para as duas vertentes, produção de leite e animal de concurso (genética). Quero estar nestas duas vertentes, já que acredito que ambas deverão ser rentáveis. A ideia é, no futuro, ter 20% da faturação resultante da venda de genética. Quando se aposta tanto em genética, os custos com a saúde, reprodução, maneio sobem? São compensados com receitas? Depende das condições que proporcionarmos aos animais, se der boas condições aos animais de “genética” e aos cruzados de Jersey que aqui tenho, os gastos são sensivelmente os mesmos. Mas claro que um animal de topo é sempre mais sensível, e um cruzado é sempre mais resistente. A diferença que eu noto bem é ao nível reprodutivo, um animal cruzado pega com a IA aos 55/60 dias e o puro cerca dos 120 dias. Porém, enquanto a cruzada poderá produzir 9.000 litros, a pura irá produzir 12.000 litros . Que indicador utiliza para perceber que o seu negócio está no bom caminho? Utilizo 2 indicadores. Um é a quantidade de concentrado/animal/ dia (6 a 8 kg de concentrado) para 25 a 30 litros de leite, com gordura de 4,2 e proteína de 3,3. Estes valores são típicos de animais rentáveis e com longevidade. O outro é a qualidade das forragens. Sem boas forragens, a produção de leite será difícil. É importante ter boas sementes e fazer as adubações corretas, colher as forragens na altura certa e conservá-las bem. Como gostava de ser conhecido como produtor de leite? Como uma pessoa que lutou e se preocupou pela viabilidade financeira do setor leiteiro em S. Miguel.


Aposta nas Vermelhas

GENÉTICA | VACAS DE LEITE

Se fosse convidado para secretário Regional da Agricultura, conhecendo as dificuldades que o setor atualmente atravessa, quais seriam as primeiras medidas que tomava? 1- Tentaria desligar ao máximo os subsídios da produção de leite, ou seja, o leite seria mais bem pago e os produtores não estariam tão dependentes dos subsídios.

2 – Faria com o leite aquilo que se faz com os bens de primeira necessidade a nível nacional e regional. Ou seja, todos os anos, em janeiro, o preço do leite e do queijo ao consumidor teria o seu preço alterado, como tem, por exemplo, o pão. Integraria o leite e o queijo na lista de bens de primeira necessidade. 3 – Criaria um preço mínimo do leite ao produtor, preço este que estaria

relacionado com o preço de custo de produzir um litro de leite. Pôr a funcionar de outra forma o Centro de Leite e Lacticínios que foi criado há alguns anos. Deveria ser criado um barómetro que servisse de referência para o preço do leite. 4- Implementaria incentivos para produzir sólidos (gordura e proteína do leite) em vez de litros.

RELATÓRIOS DE AVALIAÇÃO GENÉTICA DE DUAS VITELAS COM RECONHECIMENTO NACIONAL, NASCIDAS NA EXPLORAÇÃO DE LUÍS VIVEIROS PROVENIENTES DE EMBRIÕES IMPORTADOS

Vitelas com reconhecimento nacional: Apple Bambi Mel e Apple Miss Red.

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PARÂMETROS REPRODUTIVOS E PRODUTIVOS

3 GERAÇÕES DE VACAS CRUZADAS

AO LONGO DE 10 ANOS, INVESTIGADORES DO DEPARTAMENTO DE CIÊNCIA ANIMAL DA UNIVERSIDADE DO MINNESOTA ANALISARAM DADOS REPRODUTIVOS E PRODUTIVOS DE TRÊS GERAÇÕES DE VACAS LEITEIRAS CRUZADAS, COMPARANDO-AS COM VACAS HOLSTEIN PURAS COMPANHEIRAS DE REBANHO. AS VACAS CRUZADAS NÃO SÓ DEMONSTRARAM MELHORES RESULTADOS NOS PARÂMETROS REPRODUTIVOS, COMO MOSTRARAM ESTAR À ALTURA DAS HOLSTEIN PURAS NO QUE TOCA À PRODUÇÃO DE LEITE. Traduzido e adaptado por

Inês Ajuda, médica veterinária |

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Fotos

Francisco Marques


Parâmetros produtivos e reprodutivos de 3 gerações de vacas cruzadas

GENÉTICA | VACAS DE LEITE

Referências: Para mais informações sobre o artigo e bibliografia, por favor consulte o artigo original: Hazel, A. R., Heins, B. J., & Hansen, L. B. (2020). Fertility and 305-day production of Viking Red-, Montbéliarde-, and Holstein-sired crossbred cows compared with Holstein cows during their first 3 lactations in Minnesota dairy herds. Journal of Dairy Science, 103(9), 8683-8697. https://doi. org/10.3168/jds.2020-18196.

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TABELA 1 CRUZAMENTOS DAS TRÊS GERAÇÕES AO LONGO DO ESTUDO E RESPETIVOS INTERVALOS DE ANOS DO PRIMEIRO PARTO Geração

Cruzamentos*

Datas do 1º parto

Primeira

Fêmeas HO x VR e Fêmeas HO x MO

2010 a 2017

Segunda

Fêmeas VR x MO/HO e Fêmeas MO x VR/HO

2012 a 2017

Terceira

Fêmeas HO x VR/MO/HO e Fêmeas HO x MO/VR/HO

2014 a 2017

* Em todas as geracões, para além dos cruzamentos existia um grupo de Holstein puras companheiras de rebanho.

TABELA 2 PARÂMETROS UTILIZADOS DURANTE O ESTUDO PARA ANALISAR A PERFORMANCE REPRODUTIVA E PRODUTIVA DAS VACAS Parâmetros analisados

Explicação

Índice de conceção na primeira inseminação (FSCR) (%)

Proporção de primeiras inseminações que resultaram em gravidez divididas pelo total de primeiras inseminações durante uma lactação

Índice de conceção total (CR total) (%)

Proporção de inseminações bem-sucedidas divididas por todas as inseminações durante uma lactação

Número de cobrições (n)

Número total de inseminações por lactação, de cada vaca

Dias em aberto (DO) (dias)

Número de dias entre o parto e a conceção. Vacas com DO < 50 foram classificadas como 50 DO e vacas com >250 DO foram classificadas como 250 DO

Produção aos 305 dias (kg)

Esta produção foi calculada utilizando o modelo do “Best Prediction” (BP), desenvolvido pelo laboratório de Genómica e melhoramento da USDA. O BP ajusta os dados da lactação a uma idade constante ao parto. A produção total aos 305 dias para vacas com menos de 305 dias em produção foi projetada.

Produção de proteína mais gordura (kg)

Soma do total de gordura aos 305 dias (kg) e do total de proteína (kg)

038

A

oportunidade de melhorar a fertilidade das vacas leiteiras é uma das principais razões que leva os produtores de leite a adotarem vacas cruzadas, uma vez que, associado a um declínio da fertilidade global, principalmente do rebanho Holstein, os parâmetros reprodutivos do rebanho têm também um grande impacto no lucro da exploração. Nos últimos anos, a fertilidade já começou a ser incluída como critério de seleção genética. No entanto, a heritabilidade das características associadas à fertilidade é baixa, o que leva a um melhoramento moroso destes parâmetros. O cruzamento com outras raças é uma das soluções mais utilizadas para acelerar o melhoramento dos índices reprodutivos da exploração. A heritabilidade das características de fertilidade em vacas cruzadas é mais alta, devido a três razões: -outras raças de leite são superiores na fertilidade às vacas de raça Holstein; - outras raças de leite podem experienciar uma melhoria genética das características de fertilidade mais rápida que as vacas de raça Holstein; - o ganho de vigor híbrido com o cruzamento com outras raças elimina o efeito negativo da crescente consanguinidade na raça Holstein.


Parâmetros produtivos e reprodutivos de 3 gerações de vacas cruzadas

GENÉTICA | VACAS DE LEITE

O ESTUDO Três gerações de vacas provenientes de um cruzamento de Viking Red (VR), Montbéliarde (MB) e Holstein (HO)1 foram comparadas com vacas Holstein puras companheiras de rebanho. O estudo teve início em 2008 e foi efetuado em sete explorações leiteiras comerciais no Minnesota. A colheita de dados acabou no fim de 2017, completando 10 anos de dados recolhidos e posteriormente analisados. Durante este período, três gerações foram analisadas (tabela 1). Durante a colheita de dados, muitas das vacas dos cruzamentos com duas e três raças tiveram oportunidade de completar três lactações. No entanto, as vacas cruzadas da terceira geração, e respetivas HO puras companheiras de rebanho, tiveram oportunidade de completar apenas uma lactação. Este cruzamento está identificado como ProCross pela Vicking Genetics (Randers, Dinamarca) e pela Coopex Montbéliarde (Roulans, França). O objetivo deste estudo foi analisar a produção aos 305 dias e os índices de fertilidade (tabela 2) de vacas resultantes do cruzamento de duas raças (VR x HO e MO x HO) e de três raças (VR x MO/HO e MO x VR/HO) comparando-as com vacas HO puras do mesmo rebanho.

O PROGRAMA DE CRUZAMENTOS UTILIZADO NESTE ESTUDO ESTÁ IDENTIFICADO COMO PROCROSS.

TABELA 3 MÉDIAS ADAPTADAS DOS DIFERENTES PARÂMETROS REPRODUTIVOS MEDIDOS DURANTE O ESTUDO, PARA AS VACAS DA PRIMEIRA E DA SEGUNDA GERAÇÃO, COMPARADAS COM AS HOLSTEIN PURAS COMPANHEIRAS DE REBANHO EQUIVALENTES COMPANHEIRAS DE REBANHO

1ª GERAÇÃO

COMPANHEIRAS DE REBANHO

2ª GERAÇÃO

Holstein puras

Vacas cruzadas de 2 raças

Holstein puras

Vacas cruzadas de 3 raças

37

44**

43

52**

1ª LACTAÇÃO FSCR (%) CR Total (%)

37

43**

41

49**

Nº de cobrições (n)

2,37

2,15**

2,25

1,96**

DO (d)

127

118**

126

111**

29

38**

35

44**

2ª LACTAÇÃO FSCR (%)

31

38**

36

43**

Nº de cobrições (n)

CR Total (%)

2,58

2,22**

2,39

2,13**

DO (d)

139

122**

134

115**

30

36

35

45**

3ª LACTAÇÃO FSCR (%) CR Total (%)

31

36*

33

46**

Nº de cobrições (n)

2,46

2,33

2,35

1,91**

DO (d)

143

129**

134

114

039

As sete explorações estudadas estavam localizadas no sudeste, sudoeste e centro do Minnesota e as vacas estavam em estábulos sem acesso ao pasto, com cubículos com material de cama variado. Todas as vacas eram alimentadas com TMR (Total Mixed Ration). RESULTADOS Nas tabelas 3 e 4 estão representadas as médias para os principais dados recolhidos nas vacas da primeira e segunda geração, comparadas com as Holstein Puras companheiras de rebanho equivalentes. FERTILIDADE As vacas cruzadas de duas raças tiveram melhores resultados em todos os parâmetros recolhidos. Em todas as lactações estas tiveram um FCR superior em 7% e um CR total superior em 6 % (tabela 3). Em relação aos DO as vacas cruzadas de duas raças tiverem uma média de menos 13 dias que as Holstein puras. As vacas cruzadas de três raças, em média, apresentaram grandes vantagens em relação às vacas Holstein puras companheiras de rebanho. Estas vacas cruzadas não só tiveram um FSCR superior (entre 9 a 10%) como também apresentaram um menor número de dias em aberto (entre -15 a - 20 dias). A média de dias em aberto para as vacas cruzadas de 3 raças ao longo das três lactações foi de -16,5 dias , e especificamente na terceira lactação, esta média foi quase 3 semanas mais baixa do que a das Holstein puras. É importante sublinhar que estas diferenças se deram mesmo existindo uma clara melhoria também das Holstein puras equivalentes da segunda geração em comparação com as Holstein puras equivalentes da primeira geração. As vacas da terceira geração não apresentaram resultados com uma diferença significativamente estatística das vacas Holstein puras companheiras de rebanho da segunda geração, durante a primeira lactação (única lactação para a qual os dados foram recolhidos durante o período do estudo). Durante o estudo, as Holstein puras dos 7 rebanhos avaliados, quando comparadas com as médias nacionais, demonstraram resultados melhores,


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o que reforça ainda mais o poder das diferenças significativas que as vacas cruzadas apresentaram no estudo. IDADE AO PARTO E PRODUÇÃO AOS 305 DIAS Na primeira lactação, a proteína, a gordura e a produção de proteína mais gordura foram 2% mais altas para as vacas cruzadas de duas raças quando comparadas com as Holstein companheiras de rebanho. Esta diferença deu-se maioritariamente devido à diferença significativa duma maior produção de proteína e gordura na primeira lactação das cruzadas MOxHO (tabela 4). Na segunda e terceira lactações, as cruzadas de duas raças tiveram valores significativamente superiores de produção de proteína (+ 1% em ambas as lactações). Esta diferença

foi maioritariamente devida a um valor 3% superior na produção de proteína das vacas cruzadas MOxHO (tabela 4). Ao contrário dos resultados das vacas cruzadas de duas raças, as vacas cruzadas de três raças pariram com idades mais novas na primeira, segunda e terceira lactações, quando comparadas com as Holstein puras companheiras de rebanho. Estas vacas cruzadas pariram 12, 21 e 49 dias mais cedo, sucessivamente nas três lactações. Também na produção de proteína mais gordura, as cruzadas de três raças apresentaram resultados contrários às cruzadas de duas raças: as primeiras tiveram uma menor produção durante a primeira (-4%), a segunda (-3%) e a terceira (-4%) lactação quando comparadas com a Holstein puras companheiras de rebanho (tabela 4). Finalmente, as vacas cruzadas da terceira

TABELA 4 MÉDIAS ADAPTADAS DE DIFERENTES PARÂMETROS MEDIDOS DURANTE O ESTUDO, PARA AS VACAS DA PRIMEIRA E DA SEGUNDA GERAÇÃO, COMPARADAS COM AS HOLSTEIN PURAS DA MESMA GERAÇÃO Companheiras de rebanho

1ª geração

Companheiras de rebanho

2ª geração

Holstein puras

Vacas cruzadas de 2 raças

Holstein Puras

Vacas cruzadas de 3 raças

geração apresentaram a menor idade ao primeiro parto das três gerações de vacas cruzadas analisadas no estudo. As vacas cruzadas de terceira geração pariram em média 9 dias mais cedo do que as Holstein puras companheiras de rebanho. CONCLUSÃO Existe uma maior preocupação dos produtores de leite com o declínio dos parâmetros de fertilidade, saúde e longevidade das vacas leiteiras. Adicionalmente, existe agora um maior enfase na minimização das despesas com as vacas (como por exemplo no consumo de comida, no número de inseminações, nos tratamentos e na reposição prematura). Estes fatores levaram a que a composição de raças das vacas de leite a nível mundial se começasse a afastar da tradicional Holstein pura. Os dados deste estudo, que demonstram melhores resultados das vacas cruzadas ao nível da fertilidade e sem grandes perdas ou diferenças na produção, vêm confirmar que esta tendência está a responder às preocupações dos produtores de leite e a ajudá-los a cumprir os novos objetivos.

1ª LACTAÇÃO Vacas (n)

1180

1138

1073

967

Idade ao parto (meses)

23,8

23,8

23,2

22.8**

Leite (kg)

11378

111202*

11803

10736**

Gordura (kg)

420

429**

437

419**

Proteína (kg)

345

353**

358

346**

Gordura + Proteína (kg)

765

782**

795

765**

2ª LACTAÇÃO Vacas (n)

883

904

582

600

Idade ao parto (meses)

36,5

36,4

35,9

35,2**

Leite (kg)

13338

12941**

13551

12463**

Gordura (kg)

478

481

492

470**

Proteína (kg)

408

413*

415

406**

Gordura + Proteína (kg)

887

894

906

876**

3ª LACTAÇÃO Vacas (n)

451

578

228

277

Idade ao parto (meses)

48,9

48,5*

48,5

46,9**

13932

13563**

14295

13018**

Leite (kg) Gordura (kg)

501

501

517

486**

Proteína (kg)

426

432*

435

425**

Gordura + Proteína (kg)

927

934

953

912**

*Diferença significativa (p ≤ 0,05) em relação às Holstein puras da mesma geração ** Diferença significativa (p ≤ 0,01) em relação às Holstein puras da mesma geração

040

NOTA No próximo mês de fevereiro sairá novo artigo sobre este estudo, desta vez referente a uma análise pormenorizada da vida produtiva e rendimento diário durante a vida do animal. A produção diária de gordura e proteína das vacas ao longo das suas vidas é uma medida mais assertiva para comparar as diferenças entre os tipos de raça, do que a produção aos 305 dias. O lucro diário durante o tempo que uma vaca permanece no rebanho deve ser o objetivo dos produtores de leite. A produção diária de gordura e proteína inclui os dias em que as vacas estão secas. Em média, as cruzadas neste estudo tiveram mais dias secas do que as suas companheiras de rebanho HO porque pariram mais vezes durante as suas vidas. No entanto, os partos com mais frequência levaram a que as vacas cruzadas estivessem mais dias, durante as suas vidas, no pico de produção comparativamente com as suas companheiras HO. O estudo completo poderá ser consultado no site da Universidade de Minnesota.


PROGRAMA DE CRUZAMENTOS DE 3 RAÇAS CIENTIFICAMENTE JÁ PROVADO

+33

%*

LUCRO DE VIDA PRODUTIVA

VIKINGRED

PARTO FACIL LONGEVIDADE SAUDE

+10PTS PONTOS NA TAXA DE CONCEÇÃO

-26%

DE CUSTOS DA SAÚDE

+8%

DE EFICIÊNCIA ALIMENTAR

ROBUSTEZ FERTILIDADE ADAPTABILIDADE MONTBELIARDE

PRODUÇÃO SÓLIDOS TAMANHO MÉDIO

+147

DIAS EM PRODUÇÃO

+14% VALOR DE REFUGO

VIKINGHOLSTEIN Fonte : Estudo de 10 anos de comparação de animais ProCROSS com as puras Holstein, pelo Professor Les Hansen da Universidade do Minnesota. * Para mais informação : www.ansci.umn.edu/sites/ansci.umn.edu/files/procross_10-year_study_results_kg_new.pdf

Os touros VikingRed, Montbeliarde e VikingHolstein estão disponíveis no nosso distribuidor Ugenes-Unipessoal,Lda - Rua da Portela “Villa Mós” - Lapa - 2665-617 Venda do Pinheiro - Portugal Email: carlosserra@unigenes.com - Telf: +351 917 534 617


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ALIMENTAÇÃO

SAÚDE

VACA

ROBOT ORDENHA

FREQUÊNCIA ORDENHA

INSTALAÇÕES

ALIMENTAÇÃO | DE HEUS

ROBOT EXPERT - SISTEMA DE ALIMENTAÇÃO INTELIGENTE

NA PERMANENTE PROCURA PELAS MELHORES SOLUÇÕES PARA OS SEUS CLIENTES, A DE HEUS DESENVOLVEU UM SISTEMA DE ALIMENTAÇÃO INTELIGENTE PARA ROBOTS DE ORDENHA. ROBOT EXPERT É UMA SOLUÇÃO COMPLETA E PROFISSIONAL PARA EXPLORAÇÕES DE VACAS DE LEITE E ENGLOBA UM PROCESSO E UM CONJUNTO DE PRODUTOS QUE RESPONDEM AOS NOVOS DESAFIOS COLOCADOS PELA ORDENHA ROBOTIZADA.

A

utilização de robots de ordenha aporta novos desafios, tanto aos produtores como aos técnicos e empresas que prestam apoio às explorações leiteiras. Neste sistema, as interações entre a atividade dos animais, o seu comportamento, a dieta alimentar, a ingestão, a saúde e a produção de leite são bastante complexas. Para se atingir a máxima eficiência e tirar o melhor proveito das ordenhas robotizadas é necessária uma abordagem integrada que otimize as várias dimensões da exploração leiteira.

É, portanto, necessário que o nutricionista assuma um papel que extravasa o conceito estrito da nutrição. Para além da construção de um arraçoamento equilibrado e eficiente, o técnico tem de adquirir competências tecnológicas que lhe permitam assessorar o produtor na utilização segura do seu equipamento. Mas saber mexer em computadores não é suficiente. É preciso adquirir competências a analisar e tratar os dados fornecidos pelos equipamentos. É preciso saber que parâmetros alterar, como alterar e quais as consequências da alteração. 042

Como em qualquer outro equipamento de tecnologia de vanguarda, o robot de ordenha só se justifica economicamente e só exprime todo o seu potencial se o soubermos utilizar e no seu máximo potencial. Mas, esta é uma tarefa que se revela muito difícil e complexa. Tal qual um smartphone de última geração, a maior parte dos utilizadores, e mesmo os mais curiosos, apenas utilizam uma pequena fração das capacidades dos aparelhos resultando no aproveitamento de uma ínfima parte dos seus potenciais benefícios. Nos modernos equipamentos,


RobotExpert - Sistema de alimentação inteligente

ALIMENTAÇÃO | DE HEUS

a performance do meu robot de ordenha? Como analisar e utilizar com eficiência os dados disponibilizados pelo robot de ordenha em meu benefício? Como aumentar o número de visitas ao robot? Como diminuir a mão-de-obra e ir buscar menos vacas para o robot? Que estratégia alimentar seguir com o robot? Qual o objetivo que devo colocar na alimentação da manjedoura? Como parametrizar e otimizar toda a tecnologia trazida pelo robot? Estas e muitas outras perguntas estão permanentemente na cabeça dos produtores.

JOSÉ ALVES Assistente Técnico de Ruminantes De Heus Nutrição Animal, SA jaalves@deheus.com

CÉSAR NOVAIS Gestor de Produto de Ruminantes De Heus Nutrição Animal, SA cvcorreia@deheus.com

onde se incluem os robots de ordenha acontece muitas vezes o mesmo, e o utilizador desconhece as capacidades das máquinas e a forma de as utilizar no seu máximo potencial. E são muitos os pequenos detalhes com enormes repercussões para o resultado final. QUESTÕES IMPORTANTES QUE SE COLOCAM AO PRODUTOR A verdade é que não é fácil utilizar a tecnologia e saber responder a todas as perguntas que se colocam ao proprietário de um robot de ordenha. Como produzir leite de forma económica? Como melhorar

A PROPOSTA DE HEUS Desde o aparecimento deste tipo de tecnologia que a De Heus acredita na mesma como uma solução de futuro para as explorações leiteiras. Por esse motivo, desde há vários anos que investe no estudo desta tecnologia alocando recursos para investigar e desenvolver esta linha de negócio. Com meios próprios ou em parceria com universidades e explorações, aprofunda o conhecimento dos softwares das principais marcas de robots de ordenha no mercado, estuda e desenvolve parametrizações para otimizarem os resultados, cria tabelas próprias e desenvolve soluções inteligentes e integradas que através da análise e tratamento dos dados e da criação de produtos especialmente concebidos procuram fornecer aos clientes as melhores soluções. No final, dá formação e credita os seus técnicos por todo o mundo a trabalharem com este tipo de equipamentos, fornece-lhes as tabelas com os melhores parâmetros para os introduzirem nos computadores dos seus clientes e orienta técnicos e fábricas na construção dos produtos tecnologicamente avançados do ponto de vista industrial e nutricional. Na permanente procura pelas melhores soluções para os seus clientes, a De Heus desenvolveu um Sistema de Alimentação Inteligente para robots de ordenha. RobotExpert é uma solução completa e profissional para explorações de vacas de leite e engloba um processo e um conjunto de produtos que respondem aos novos desafios colocados pela ordenha robotizada. Porquê Sistema de Alimentação Inteligente? Porque é o resultado de um processo que se inicia com a extração e tratamento inteligente dos dados da exploração – Data 043

Mining - e resulta numa solução completa ajustada à exploração, assente em tecnologia nutricional e industrial. O SISTEMA A De Heus a nível global “alimenta” mais de 2.000 robots. Trabalhamos para baixar o número de vacas atrasadas à ordenha, conferir maior estabilidade e melhor saúde do rebanho, diminuir as horas de trabalho e conseguir as melhores produções. O suporte técnico é realizado por técnicos especializados em robots de ordenha. Os estudos realizados e a experiência acumulada comprovam que a abordagem De Heus permite às explorações leiteiras com ordenha robotizada aumentarem a eficiência dos seus processos melhorando a rentabilidade da sua atividade. O processo inicia-se com a análise e reconhecimento da exploração. A reconhecida abordagem De Heus na exploração (“on-farm approach”), aplicada por todo o mundo, e por todos os profissionais De Heus é o garante do levantamento minucioso de todos os dados da exploração, desde as dimensões e tipo de instalações, ao maneio animal e alimentar, genética dos animais, objetivos do produtor, etc. Este procedimento, embora seja muitas vezes encarado como trivial, é fundamental para o sucesso do processo, das fases seguintes e do sistema no geral. I - EXTRAÇÃO E TRATAMENTO INTELIGENTE DOS DADOS DO ROBOT Segue-se a extração e tratamento inteligente dos dados fornecidos pelo robot. Este procedimento é realizado pelos técnicos De Heus recorrendo a um software exclusivo, desenvolvido pela De Heus, compatível com quase todas as marcas de robots de ordenha existentes no mundo, e no qual tem origem o nome RobotExpert. Este software é uma


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ferramenta essencial para o sistema de alimentação inteligente e é onde tudo “verdadeiramente” começa. Permite aos técnicos De Heus analisarem e interpretarem os imensos dados existentes no programa de gestão do robot. Aqui se comprova porque na De Heus somos especialistas em robots de ordenha. Com a ajuda do software RobotExpert os especialistas detetam as debilidades, os erros e as oportunidades de melhoria e preparam as alterações necessárias nas configurações do sistema de ordenha ao nível das tabelas de alimentação, dos parâmetros do alimento concentrado e das permissões de ordenha. É uma tecnologia fundamental para a tomada de decisões na exploração. II - ESTRATÉGIA ALIMENTAR Com o suporte dos dados recolhidos na fase anterior, com base nos resultados das análises das forragens e da sua disponibilidade, do maneio animal e alimentar, tomam-se decisões nutricionais que passam pela construção da dieta de manjedoura adaptada à exploração e aos objetivos do produtor e pela escolha da ração RobotExpert mais adequada para administração aos animais no robot de ordenha. E é nas decisões alimentares e nos alimentos que a De Heus marca novamente a diferença. O plano alimentar do sistema RobotExpert assenta em tecnologia nutricional e industrial específica. O processo de formulação e de fabrico destes alimentos foi estudado e desenhado especificamente para explorações com ordenha robotizada e obriga ao cumprimento de uma série de requisitos. Tecnologia Industrial A adoção de procedimentos industriais e de fabrico desenvolvidos especificamente para os alimentos para robots permitem produzir o alimento mais adequado para este tipo de equipamentos e instalações. Este protocolo específico permite nivelar os produtos num elevado patamar de: • Qualidade - Utilização de matérias primas dedicadas; Protocolo específico de monotorização do fabrico – temperatura e humidade; Protocolo de análise de substâncias indesejáveis e anti nutricionais; • Previsibilidade e Credibilidade Protocolo específico de controlo de qualidade de produto acabado – físico e NIR; Padrões de IDG dedicados e “intolerância” a finos; Protocolo específico

para encomendas/produção/entrega; • Elevada apetência do concentrado - Promove a atividade das vacas incentivando a visita ao robot; Promove a redução de vacas com atraso na ordenha. Tecnologia Nutricional Nutricionalmente, os alimentos para robots de ordenha incorporam tecnologia De Heus através da qual se acrescentam propriedades funcionais que proporcionam benefícios extra aos alimentos. São formulados com base no sistema SFOS (De Heus Synchronised Fermentable Organic Substance) onde são definidos nutrientes e requerimentos nutricionais que medem e equilibram os vários parâmetros da fermentação ruminal com vista à otimização da mesma, sempre através do pressuposto da maximização da ingestão da forragem. Todos os sistemas de nutrição medem a quantidade de proteína degradável no rúmen e a energia fermentescível. Agora, a De Heus, com o sistema SFOS torna possível medir a velocidade da degradação, fração por fração, da proteína e da energia, sendo que é exatamente essa velocidade de degradação que passa a definir as frações dos nutrientes e permite uma nutrição mais precisa, eficaz e saudável, conseguida através da sincronização da energia fermentável e da proteína degradável no rúmen de forma a potenciar o desenvolvimento da flora ruminal. III - PARAMETRIZAÇÃO DO ROBOT DE ORDENHA Nesta fase evidenciam-se as competências digitais dos colaboradores De Heus e coloca-se em prática todo o resultado da investigação, desenvolvimento e formação efetuada pela empresa nesta linha de negócio. Com base na análise da exploração, na análise e tratamento dos dados e na estratégia alimentar inicia-se a terceira fase onde se procede à parametrização do equipamento. Suportado pela formação específica na área e pelas tabelas desenvolvidas pela De Heus, o técnico irá intervir em 3 áreas distintas: 1. Parâmetros do alimento: quantidade máxima de aumento de concentrado por vaca/dia; quantidade máxima de diminuição de concentrado por vaca/ dia; velocidade de administração de concentrado; quantidade máxima de concentrado por refeição; 2. Tabelas de alimentação: especificas para vacas (multíparas) de acordo com 044

a fase da lactação; específicas para novilhas (primíparas) de acordo com a fase da lactação; 3. Permissões de ordenha: de acordo com a fase produtiva dos animais – início, meio e final O resultado do trabalho efetuado nesta fase é absolutamente essencial para o sucesso do processo, mas só é possível como consequência das fases anteriores. Nesta fase fica exposta, de forma evidente, de que forma a tecnologia De Heus é colocada ao serviço do produtor. IV - RESULTADOS E ASSESSORIA CONTÍNUA No final, os resultados produtivos são a consequência de todo o processo descrito anteriormente e que se materializam numa maior vitalidade e longevidade animal, potenciando a produção e a qualidade do leite. A sustentabilidade dos resultados só é possível, a longo prazo, através da assistência e assessoria contínua dos técnicos cuja atualização permanente dos conhecimentos na área é uma garantia da De Heus. Em suma, RobotExpert é a solução completa para explorações com robots de ordenha porque ajuda o produtor a: • Abordar de forma integrada todo o sistema produtivo • Extrair e analisar os dados disponibilizados pelo robot • Sincronizar os dados da exploração com a nutrição e com os dados do robot • Compreender e definir as parametrizações do robot de ordenha • Melhorar o número de visitas e a frequência de ordenha • Facilitar e simplificar o uso da tecnologia disponibilizada • Melhorar o grau de satisfação com o robot e a qualidade de vida do produtor • Aumentar a rentabilidade Experimentar esta abordagem inovadora e tecnologicamente desenvolvida em todas as suas vertentes é o desafio que deixamos aos produtores de leite. Siga a De Heus nas redes sociais (Facebook e LinkedIn) e em deheus.pt. Muito brevemente divulgaremos a data do webinar RobotExpert onde poderá saber mais sobre o Sistema de Alimentação Inteligente De Heus para explorações de vacas leiteiras com robot de ordenha.


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ALIMENTAÇÃO | DE HEUS

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045


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REVISTA RUMINANTES

Durante esta fase, muito exigente, fizeram-se duas pesagens, uma à chegada e outra no final, ao 9º dia do ensaio. Os dados recolhidos foram trabalhados em grupo de forma a aferir o ganho médio diário (GMD) em todo o período.

ALIMENTAÇÃO | OVINOS

O LACTO-INICIADOR NA ALIMENTAÇÃO DE BORREGOS ESTE ESTUDO TEVE COMO OBJETIVO DEMONSTRAR A IMPORTÂNCIA DO FORNECIMENTO DE UM LACTO-INICIADOR EM BORREGOS PROVENIENTES DE OVELHAS DE ZONAS/ÉPOCAS COM DISPONIBILIDADE INSUFICIENTE DE ALIMENTO.

A

s explorações pecuárias devem ser eficientes para gerar uma margem de lucro. A produção ovina não é exceção, sendo a engorda de borregos um passo crucial na criação de valor acrescentado. A chave é maximizar o crescimento e a eficiência alimentar, limitando as perdas. Especialmente a fase de engorda pode envolver algum risco, uma vez que os borregos são sujeitos a diferentes tipos de stress durante a fase de adaptação/ engorda. Estes diferentes tipos de stress podem limitar a sua performance, a eficácia alimentar, levando ao impacto sobre o custo alimentar. Alguns produtos à base de óleos essenciais mostraram efeitos benéficos

Amadeu Soares é dono e gerente da empresa Ambaúrama, centro de recolha/concentração de animais para venda.

046

sobre parâmetros de ruminação em borregos e, consequentemente, sobre as suas performances (Chaves et al, 2008. Neste artigo, descrevemos um estudo realizado em Miranda do Douro, na exploração do produtor Amadeu Soares — Ambaúrama, Centro de recolha/ concentração de animais para venda. O negócio desta exploração está dividido em dois setores: - compra de ovelhas velhas de refugo, engorda das mesmas durante, aproximadamente, um mês, e venda para Espanha, onde são posteriormente enviadas para Itália; - compra de borregos ao desmame (com 6 a 8 semanas de vida) para engorda. Depois desse período são enviados para Espanha para exportação.


O lacto-iniciador na alimentação de borregos

ALIMENTAÇÃO | OVINOS

EFETIVO OVINO O efetivo de ovinos em Portugal sofreu uma tendência decrescente desde 2006 até 2015. No entanto, começou a verificar-se uma inversão desta tendência, desde 2016, em resultado do aumento de procura deste produto para exportação.

3000 2500

Efetivo (x 1000)

2000 1500 1000 500

2019

2017

2018

2016

2014

2015

2013

2011

2012

2010

2009

2007

2008

2006

0

Ano

EFEITO DOS ÓLEOS ESSENCIAIS SOBRE A GESTÃO PARASITÁRIA 2. Reduzir os efeitos sobre a parede intestinal

"ALGUNS PRODUTOS À BASE DE ÓLEOS ESSENCIAIS MOSTRARAM EFEITOS BENÉFICOS SOBRE PARÂMETROS DE RUMINAÇÃO EM BORREGOS E, CONSEQUENTEMENTE, SOBRE AS SUAS PERFORMANCES."

PEDRO CASTELO

Diretor Técnico Zoopan Engº Agrónomo pedro.castelo@zoopan.com

RUI PINHEIRO

Engº Agrónomo rui.pinheiro@zoopan.com

O presente artigo tem como objetivo demonstrar como maximizar as performances de crescimento em borregos provenientes de várias explorações, alguns muito pequenos na fase de desmame (10 kg de peso vivo), com a utilização de um lacto-iniciador formulado para satisfazer as necessidades destes animais. Este lacto-iniciador conta, na sua composição, com a utilização de proteína de origem láctea como principal fonte proteica e de matérias-primas de elevada palatibilidade, uma vez que os animais não estavam habituados a comer alimento concentrado. Além de apresentar todos os níveis nutricionais adequados (como o nível e qualidade de proteína, energia, fibra bruta, vitaminas e minerais sendo alguns deles orgânicos), ainda contém alguns aditivos que podem fazer a diferença: - aditivo à base de leveduras inativas e óleos essenciais. O objetivo deste aditivo é o seguinte: 1) regular o pH ruminal; 2) melhorar a digestibilidade da ração; 3) aumentar a produção de ácido propiónico (C₃H₆O₂) com impacto direto nas performances de crescimento. As leveduras inativas estimulam o consumo de ácido láctico e a produção de ácido acético e propiónico, aumentando assim a produção de ácidos gordos voláteis totais. No que diz respeito aos óleos essenciais selecionados, estes orientam 047

3. Deixar que a imunidade se desenvolva

1. Controlar a ingestão

EFEITO DE UMA SUPLEMENTAÇÃO EM FOS SOBRE A FLORA INTESTINAL 1.1009

1.1006

1.1003

Bifidobactéria

Clostridium

Testemunha FOS

Fonte: Bunce et al.


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TABELA 1 NÍVEL NUTRICIONAL STARTER OVINOS - CARNE MIRANDESA Produto

Proteína Bruta (%)

Gordura Bruta (%)

Fibra Bruta (%)

Vitamina A (x 1000 UI)

Vitamina D3 (x 1000 UI)

Vitamina E (mg)

Starter Ovinos Carne Mirandesa

24

3,15

6,4

13

3

12,5

TABELA 2 PESO DE ENTRADA E SAÍDA DA FASE DE TRANSIÇÃO Nº de animais

Data Entrada

Peso Médio (kg)

Data Saída

Duração (dias)

Peso Médio (kg)

GMD (g)

Mortalidade (Nº)

48

27/10/2020

16,17

05/11/2020

9

18,75

287

0

TABELA 3 PESO DE ENTRADA E SAÍDA DA FASE DE TRANSIÇÃO Consumo médio de alimento (g)

GMD (g)

IC

Preço lacto-iniciador (€/kg)

Custo/kg PV reposto (€)

625

287

2,178

0,600

1,31

as fermentações ruminais de modo a aumentar a produção de ácido propiónico sem perturbar a flora microbiana; - associação de outros óleos essenciais e FOS ( fosfoligossacarídos) que contribuem para: 1) melhorar o conforto respiratório; 2) participar no bom funcionamento dos pulmões; 3) favorecer o funcionamento do sistema imunitário. Foi desenhado um alimento em que a principal fonte de proteína é de origem animal (leite em pó), contendo ainda os aditivos descritos anteriormente e níveis elevados de vitaminas e minerais. No que diz respeito à fibra, utilizou-se a polpa de beterraba e luzerna de elevada qualidade. Em termos de características do produto, o lacto-iniciador fornece: - nível de proteína elevado – 24 % - fontes de fibras de elevada apetência: polpa de beterraba e luzerna; - minerais e oligoelementos, perfeitamente assimiláveis e equilibrados entre si, permitindo responder às necessidades dos animais, em complementação da alimentação base; - zinco: importante para a síntese das proteínas e crescimento; - manganês: importante para a qualidade óssea; - iodo: contribui para o apoio do metabolismo energético; - cobalto: percursor da Vitamina B12 no rúmen, factor de crescimento e de equilíbrio dos microrganismos, indispensável à flora do rúmen para a degradação da celulose; - selénio: importante para a prevenção da oxidação e proteção das membranas celulares; - enxofre: favorece a proteossíntese microbiana; - minerais quelatados: biodisponíveis

para garantir uma absorção e metabolização no organismo mais eficaz; - açúcares: para uma excelente apetência, um bom desenvolvimento da flora do rúmen e uma melhor valorização das forragens (tabela 1). Em rebanhos de ovelhas em lactação, em zonas/períodos onde não existe disponibilidade de pastagem e quando não é fornecido alimento para compensar as carências nutricionais nesta fase mais exigente, assistimos ao desmame de animais subnutridos. Como consequência, ocorrem inúmeros problemas nos borregos no período de desmame e na fase de adaptação à engorda. Esta fase de transição/adaptação pode levar mesmo a níveis de mortalidade elevados. ACOMPANHAMENTO DO CRESCIMENTO DOS BORREGOS DURANTE OS PRIMEIROS 9 DIAS – FASE DE TRANSIÇÃO/ ADAPTAÇÃO Este ensaio contou com o acompanhamento de 48 borregos descendentes de ovelhas de várias explorações locais, onde havia muitos animais subnutridos, devido à carência alimentar das suas progenitoras durante os meses de agosto a outubro. O teste teve início no dia 27 de outubro de 2020 e terminou passados 9 dias, no dia 5 de novembro. Durante esta fase, muito exigente, fizeram-se duas pesagens, uma à chegada e outra no final, ao 9º dia do ensaio. Os dados recolhidos foram trabalhados em grupo de forma a aferir o ganho médio diário (GMD) em todo o período. Relativamente ao programa alimentar utilizado, como descrito anteriormente, os animais foram alimentados com um 048

lacto-iniciador formulado para satisfazer todas as necessidades de adaptação/ crescimento, e palha ad libitum. O resultado, apresentado na tabela 2, demonstra os pesos na fase de adaptação assim como a mortalidade, que foi nula. Em relação à primeira fase pósdesmame, onde habitualmente ocorre um decréscimo de peso, assistimos a um ganho médio diário de 287 g. Devido ao interesse da realização de uma análise técnico-económica, podemos observar na tabela 3 que os animais tiveram um consumo médio diário de lacto-iniciador de 625 g. Atendendo ao crescimento médio, podemos afirmar que o índice de conversão foi de 2,178, ou seja, os animais consumiram 2,178g de alimento para obterem 1 kg de peso vivo. Como o preço do lacto iniciador foi de 0,60 €/kg, o custo por kg de peso vivo reposto foi de 1,31 € (2,178 x 0,60). CONCLUSÃO Neste estudo verificámos que a utilização de um lacto-iniciador específico para borregos poderá ser muito interessante em animais provenientes de ovelhas de regiões/épocas onde não existem forragens disponíveis que, consequentemente, obtêm borregos desmamados precocemente e/ou muito pequenos. Uma vez que o maneio alimentar das ovelhas em fase de lactação não foi, neste caso, efetuado de forma eficiente, um lacto-iniciador para estes borregos é imprescindível por forma a obter um bom desenvolvimento destes após o desmame. Outro aspeto que pensamos ter sido positivo, foi o facto de não ter havido mortalidade mesmo em alguns animais que chegaram muito fracos e subnutridos.


049 RUMINANTES | JAN/FEV/MAR 2020

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É POSSÍVEL INFLUENCIAR A APETÊNCIA? NESTE ESTUDO PRETENDEMOS DEMONSTRAR QUE A UTILIZAÇÃO DE GLICOSÍDEOS DE ESTEVIOL É EFICAZ NA RAÇÃO PARA RUMINANTES. Traduzido e adaptado Ana Maria Gaspar, Vetalmex

050


É possível influenciar a apetência?

ALIMENTAÇÃO | RUMINANTES

P

romover o consumo de ração é um dos objetivos que qualquer nutricionista considera quando formula a dieta, uma vez que se sabe que, em determinados períodos produtivos, o apetite dos animais está abaixo da sua capacidade de ingestão; ou ainda, certos ingredientes pouco palatáveis na ração reduzem o consumo. Para corrigir isto, são frequentemente utilizados os aromas e saborizantes. Dos diferentes tipos de sabores primários enumerados até agora, o mais aceite em todas as espécies animais, especialmente nas iniciações, é o sabor doce. A nível energético, os açúcares (monossacarídeos, dissacarídeos, etc.) estão incluídos na dieta, mas o nível da doçura que se pretende está abaixo do estímulo máximo que pode ser alcançado para uma maior ingestão de ração. Para aumentar o nível de doce, está autorizado o uso de adoçantes sintéticos e naturais, com a diferença de que os adoçantes sintéticos têm algumas limitações na sua utilização, como seja, o nível de inclusão. Iremos explorar neste artigo os diferentes adoçantes sintéticos disponíveis no mercado. SACARINA SÓDICA Produto obtido a partir de um derivado de petróleo por síntese química. É um adoçante que para os humanos tem uma potência 300 vezes maior que a do açúcar, mas que em testes realizados em suínos, foi determinado que a contribuição de doçura percecionada pelo animal é muito menor, por isso, a sua eficácia como apetente diminui. Este produto, que foi utilizado em monogástricos e ruminantes no passado, atualmente só é autorizado em leitões até 4 meses de vida, a 150 ppm no máximo. A sensação que proporciona é muito intensa inicialmente, mas tem o inconveniente de se notar posteriormente um sabor metálico (gosto residual) que diminui o estímulo doce.

JORGE LEÓN MUÑOZ

Product Manager Sensoriais Andrés Pintaluba jleon@pintaluba.com

051

NEOHESPERIDINA DIHIDROCALCONA (NEOHDC) Produto obtido inicialmente da laranja amarga (Citrus aurantium) de onde é extraída a neohesperidose. Esta substância é muito amarga mas, através de um processo químico com hidróxido de potássio, ou outra base forte, e de uma catálise por hidrogenação, torna-se Neohesperidina dihidrocalcona, 340 vezes mais doce que o açúcar e 6 a 8 vezes mais doce do que a sacarina. A NeoHDC não se encontra na natureza, tendo sido descoberta na década de 60 pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos ao pesquisar métodos alternativos para minimizar o sabor amargo em sumos cítricos. Este produto está autorizado para vitelos, borregos, cães e aquacultura, com uma inclusão máxima de 35 ppm. Em suínos, o seu uso é permitido em leitões e porcos de engorda. O doce proporcionado por este produto não é tão potente inicialmente como a sacarina, mas tem mais persistência. Quando se avalia a perceção do doce em suínos, tal como a sacarina, esta perceção é 10 vezes menor do que em humanos. Além disso, o custo de inclusão deste produto é alto. GLICOSÍDEOS DE ESTEVIOL (GS) Obtidos por um processo de extração das folhas da planta Stevia rebaudiana, que por sua vez contém um conjunto de 11 glicosídeos de esteviol isolados e identificados que se potenciam entre si, fornecendo uma doçura em humanos semelhante à da sacarina mas com um leve sabor herbáceo. Estes glicosídeos encontram-se nas folhas da planta em percentagens variáveis, dependendo das condições de crescimento e das técnicas agronómicas, chegando a alcançar até 15% da sua composição (Gilabert e Encinas, 2014). Atualmente, são poucas as empresas que utilizam processos tecnológicos muito avançados para purificar e obter maior concentração destes glicosídeos de esteviol (cerca de 95%), aumentando o seu poder adoçante. Em novembro de 2010, a EFSA autorizou a inclusão deste produto natural doce, proveniente da extração das folhas de estévia "glicosídeos de esteviol" em alimentos para animais de abate com as seguintes características: “Os extratos purificados devem conter pelo menos 95% do esteviósido e/ou rebaudiósidos A (EFSA, 2010).


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Enquanto o doce do esteviósido é 100 a 300 vezes maior que o da sacarose (Lemus Mondaca et al., 2012), o do rebaudiósido A é apenas cerca de 50 a 250 vezes maior. Estes glicosídeos de esteviol (GS) não são absorvidos no trato gastrointestinal, sendo hidrolisados, principalmente por bactérias do filo Bacteroides da microbiota intestinal (Renwick e Tarka, 2008). Num teste realizado pelo departamento de I+D de Andrés Pintaluba, em leitões recémdesmamados, foi observado que um concentrado de esteviol demonstrou ter uma potência 5 vezes maior na perceção do doce, em comparação com o grupo onde se usou uma combinação autorizada de sacarina + neoHDC, aumentando a sua eficácia como estimulante do consumo. Adicionalmente, estudos científicos realizados confirmam que os produtos naturais doces são mais bem captados pelo cérebro dos animais do que os sintéticos (D. Glaser-2000). A perceção do doce dos GS não é muito intensa inicialmente, mas é mais persistente do que os adoçantes sintéticos, aumentando a palatabilidade da ração com o tempo. Nesse sentido, foi planeado outro ensaio em ração inicial para borregos, para avaliar o impacto

TABELA 1 EFEITO DE GS SOBRE OS PARÂMETROS PRODUTIVOS DE BORREGOS RECÉM DESMAMADOS E ALIMENTADOS DURANTE OS PRIMEIROS 11 DIAS APÓS O DESMAME GMD, kg/dia

CMD, kg/dia

IC, kg/kg

Consumo total, kg

Aumento de ingestão

Controlo

0,174

0,110

1,58

1,21

100%

Controlo+adoçante

0,184

0,136

1,35

1,49

123%

FIGURA 1 EFEITO DE GS SOBRE O CONSUMO MEDIO DIÁRIO DE RAÇÃO DE BORREGOS RECÉM DESMAMADOS E ALIMENTADOS DURANTE OS PRIMEIROS 11 DIAS PÓS DESMAME 4,0 3,5

3,21 2,99

3,0

2,75

2,56

2,50

2,5

2,21 2,10

2,00

2,0

1,75

1,65

1,50

1,5 1,0

3,50

3,50

3,36

1,50

1,51

2,10

1,60

1,10

1,11 0,76 0,76

0,5 0,0

1º dia

2º dia

3º dia

4º dia

5º dia

6º dia

7º dia

8º dia

9º dia

10º dia

Consumos Starter (kg/lote) Control + APSABOR 320

Expon. (Control + APSABOR 320)

Control

Expon. (control)

052

11º dia


É possível influenciar a apetência?

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"OS BORREGOS QUE CONSUMIRAM RAÇÃO COM ADOÇANTE DE ESTEVIOL, AUMENTARAM O CONSUMO DEVIDO À MELHORIA DA PALATABILIDADE DA RAÇÃO, GANHANDO MAIS PESO E APRESENTANDO UM MELHOR ÍNDICE DE CONVERSÃO."

do uso do GS como estímulo hedónico para melhorar a palatabilidade da ração durante os primeiros dias. O teste foi realizado numa quinta privada em Portugal, com 272 borregos em final de lactação, com peso médio inicial de 8,13 kg e divididos em 2 lotes. Todos os borregos receberam leite de substituição e ração pré-starter “ad libitum”. O grupo GS recebeu a mesma ração pré-starter + 200 g/ton de um adoçante de glicósideos de esteviol. A duração do ensaio foi de 11 dias e foram avaliados: o consumo médio diário de cada lote, o ganho médio diário e o índice de conversão. Os borregos que consumiram ração com adoçante de esteviol, aumentaram

o consumo devido à melhoria da palatabilidade da ração, ganhando mais peso e apresentando um melhor índice de conversão (tabela 1). Observou-se que os borregos alimentados com GS aumentaram a ingestão 24 horas após o consumo, mantendo a persistência ao longo do tempo. Este mesmo efeito estimulante do consumo também foi evidenciado em bovinos, onde a inclusão de glicosídeos no concentrado fornecido no robot de ordenha a vacas leiteiras, melhorou o consumo. Também em bovinos os glicósideos têm sido úteis quando são feitas alterações à formula, reduzindo a possibilidade de rejeição ou diminuição do consumo. O desmame e o transporte são períodos particularmente stressantes para bezerros na fase de iniciação, afetando o consumo de ração. O efeito hedónico do adoçante aumenta significativamente o consumo de ração durante essas fases, permitindo que os animais recuperem o peso perdido em menos tempo e para a mesma situação de stress. No caso das cabras, que são animais

complicados na alimentação, sabe-se que gostam de doce e por isso a aplicação de GS é uma estratégia com muito sucesso. Concluindo, podemos dizer que a inclusão de glicosídeos de esteviol traz vantagens aquando da sua aplicação em rações, tais como: - proporciona grande intensidade doce; - tem um sabor doce muito agradável e prolongado; - é um produto natural; - é autorizado em todas as espécies animais pela EFSA; - não tem limite de inclusão no alimento; - é estável a altas temperaturas (ponto de fusão 198°C); - é estável em pH entre 3 a 9 a 100°C; - tem elevada solubilidade na água; - não contém calorias; - não fermenta; - potencia os aromas; - tem um custo reduzido de inclusão com bom resultado de rentabilidade; Podemos assim demonstrar, que a utilização de os glicósideos de esteviol é eficaz na ração para ruminantes, sendo vantajoso obter assessoria profissional e adequada para se conseguir um bom equilíbrio de benefício/custo.

Extrato natural de glicosídeos de esteviol aromatizado

ADOÇANTE

ADOÇANTE

APSABOR GS APSABOR 320

APSABOR 300 APSABOR ESTEVIA LÍQUIDO

Aumenta o estímulo doce que os adoçantes sintéticos proporcionam, melhora o efeito hedónico e aumenta a ingestão do alimento Vetalmex - Aditivos Químicos, Lda. Lisboa • Tel. +351 217 81 56 20 • Tm. 936 123 696 amgaspar@vetalmex.com

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ÁCIDOS ORGÂNICOS NA ALIMENTAÇÃO

OS ÁCIDOS ORGÂNICOS TÊM SIDO AMPLAMENTE UTILIZADOS COM O OBJETIVO DE REDUZIR O CRESCIMENTO BACTERIANO E FÚNGICO EM ALIMENTOS DESTINADOS À ALIMENTAÇÃO ANIMAL. Adaptação do artigo "Butitec Plus, mucho mas que una fuente de ácido butírico. Uso de ácidos orgánicos en la alimentación de rumiantes." Autores Irene Cabeza, Carlos Cerdan

O

s ácidos orgânicos geralmente apresentamse na forma de “sais”, oferecendo vantagens funcionais e de manuseamento. Esses sais são menos voláteis e são libertados de forma mais gradual do que em comparação com os ácidos na sua forma livre. O ácido butírico é um ácido orgânico monocarboxílico de cadeia curta e com função antibacteriana. Quando administrado em ruminantes, estimula e regula o crescimento do epitélio ruminal, tanto de forma direta pelo aporte de energia, como de forma indireta pelo seu efeito na secreção de hormonas e fatores de crescimento. Possui um pKa de 4.82, o que garante que no pH fisiológico do intestino delgado se encontrará parcialmente na forma não dissociada. Na sua forma não dissociada o ácido butírico penetra a parede celular e exerce a sua função bactericida. Os efeitos benéficos observados com a suplementação de butiratos foram mais

notórios em animais de primeira idade (antes do desmame). A suplementação com butiratos em pré-starter de vitelos e borregos produz um aumento na longitude das papilas ruminais, um aumento da ingestão pré e pós desmame, e um aumento do Ganho Médio Diário pré-desmame. O ácido fumárico pertence ao grupo dos ácidos di-carboxílicos e exerce uma função acidificante. Por possuir um valor de pKa menor, de 4, dissociar-se-á no tracto gastrointestinal libertando iões H+ e acidificando o meio. O ácido fumárico substituiu geralmente o ácido cítrico nos alimentos, devido ao seu maior poder acidificante em doses mais baixas (1,36 g de ácido cítrico para cada 0,91 g de ácido fumárico). Da mesma forma, a ação antibacteriana do ácido fumárico contra certas bactérias patogênicas (E.coli e S.typhimurium) demonstrou ser superior em comparação com outros ácidos orgânicos (Sandler e Binder et al, 1996). No entanto, os ácidos orgânicos de cadeia curta são rapidamente absorvidos nas 056

partes proximais do trato gastrointestinal, dificultando a sua ação benéfica nas partes distais do intestino. Portanto, a administração desses ácidos orgânicos numa forma protegida, que permita a libertação gradual por todo o trato gastrointestinal, melhoraria a integridade epitelial e, em última instância, a saúde intestinal. QUAL O PAPEL DOS ÓLEOS ESSENCIAIS NA SAÚDE INTESTINAL? Os óleos essenciais são compostos naturais derivados de plantas. Uma boa parte dos princípios ativos dos óleos essenciais são os terpenóides (carvacrol, cinamaldeído, timol ...). Os óleos essenciais têm propriedades antimicrobianas graças a uma tripla ação: - aumentam a permeabilidade da membrana celular das bactérias devido à sua natureza lipofílica, provocando a fuga de constituintes citoplasmáticos e iões; - aumentam a libertação de enzimas


A utilização de ácidos orgânicos na alimentação

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digestivas, reduzindo a quantidade de nutrientes disponíveis para o crescimento bacteriano; - inibem a síntese de proteínas bacterianas e reduzem a motilidade dos flagelos. O timol e o cinamaldeído destacam-se pela sua ação antimicrobiana. A absorção de óleos essenciais orgânicos ocorre principalmente no intestino delgado, graças à ação da lípase pancreática (SI, W., et al. 2005). QUAIS SÃO AS VANTAGENS DA MICROENCAPSULAÇÃO? O encapsulamento por diferentes métodos é uma forma eficaz de proteger os princípios ativos do meio ruminal e de proporcionar vantagens tecnológicas, evitando perdas por evaporação, protegendo os princípios ativos contra os agentes ambientais e permitindo a transformação de produtos líquidos em sólidos, graças ao revestimento lipídico que ocorre na forma sólida à temperatura ambiente. Além disso, evita reações com outros componentes da alimentação. Esta proteção impede que os produtos sejam libertados e absorvidos por completo em níveis proximais do tracto gastrointestinal, permitindo a chegada das moléculas ativas a partes distais do tracto gastrointestinal, onde são libertadas graças à ação da lípase pancreática. Esta é uma condição indispensável para qualquer solução nutricional que tenha como objetivo melhorar a saúde da parede intestinal e atuar contra bactérias patogenias alojadas nas porções distais do intestino. Uma maneira de determinar o grau de proteção que proporciona este tipo de tecnologia frente à degradação ruminal é mediante técnicas in situ e in vivo. A validade da técnica in situ foi contrastada devido à estreita correlação entre os valores de degradabilidade in situ de diferentes alimentos e os valores obtidos

LUÍS RAPOSO

Engenheiro zootécnico Dep.to Ruminantes Reagro l.raposo@reagro.pt

in vivo em animais canulados no rúmen e no duodeno (Madsen e Hvelplund, 1985). Através de algumas destas técnicas de microencapsulação é possível atingir uma proteção altamente eficaz contra a degradação ruminal, alcançando níveis de proteção dos princípios ativos na entrada do duodeno superiores a 70%. EFEITO SINÉRGICO: ÁCIDOS ORGÂNICOS, ÓLEOS ESSENCIAIS E MICROENCAPSULAÇÃO Entre os efeitos benéficos da combinação sinérgica do ácido butírico, ácido fumárico e óleos essenciais ( figura 1), por sua vez submetidos a um processo de microencapsulação numa matriz lipídica, estão as vantagens tecnológicas e funcionais. No caso específico do ácido butírico, a contribuição do butirato não protegido em alimentos sólidos afetará principalmente o rúmen, por serem sais altamente solúveis. Pelo contrário, o uso do butirato microencapsulado (protegido) permite uma exposição mais continuada do epitélio ruminal ao butirato, e permite também que uma parte significativa chegue ao intestino. Por outro lado, a ação direta do butirato sobre o abomaso, fugindo da ação do rúmen, produz um aumento na ingestão de alimentos sólidos nos primeiros dias de vida. O encapsulamento do butirato de cálcio tem sido estudado e mostra ser uma forma eficaz de proteção, proporcionando uma libertação gradual em todo o trato gastrointestinal (Smith et al., 2012, Van Den Borne et al., 2015). O ácido fumárico atua diminuindo o pH do meio. A diminuição do pH no trato gastrointestinal favorecerá por sua vez a ação bactericida do ácido butírico (por aumentar a diferença pH-pKa do meioácido). Esta acidificação do meio favorece as bactérias saprofíticas em detrimento das bactérias patogénicas, pois as condições ideais para o desenvolvimento de bactérias saprofíticas são em pH ácido e as bactérias patogénicas são favorecidas por pH mais alcalino. Tudo isto demonstra a ação sinérgica entre o ácido butírico (bactericida) e o ácido fumárico (bacteriostático e acidificante) bem como o efeito benéfico na saúde intestinal, garantindo a ação bactericida, bacteriostática e antioxidante. LIMITAR O USO DE ANTIBIÓTICOS Uma vez chegados a 2021, creio que é cada vez mais um facto compreendido 057

FIGURA 1 EFEITOS BENÉFICOS DA COMBINAÇÃO SINÉRGICA DO ÁCIDO BUTÍRICO, ÁCIDO FUMÁRICO E ÓLEOS ESSENCIAIS

• Acidificante • Efeito bacteriostático

Ácido fumárico

• Efeito bactericida • Promotor da proliferação de • Efeito bactericida enterócitos • Efeito antioxidante

Butirato de Ca

Cinnamaldehido Carvacrol Timol

EFEITO SINÉRGICO

e aceite pela grande generalidade, que o uso preventivo de antimicrobianos deverá ser limitado a casos especiais, nos quais haja um alto risco de infeção, e quando justificado por um veterinário. Da mesma forma, as prescrições de rações medicadas contendo antibióticos também deverão sempre ser emitidas pelas entidades veterinárias após exame que o justifique como necessário. Este é um caminho que tem sido “trilhado” ao longo dos últimos tempos e que tem permitido grandes progressos no que à saúde pública diz respeito. Evitar sempre que possível os tratamentos coletivos (de um grupo inteiro de animais quando apenas um está doente), deixar de utilizar medicamentos para compensar as más condições de maneio ou as deficiências na criação dos animais (por forma a fazê-los crescer de forma mais rápida) serão medidas cada vez mais defendidas e aceites pela comunidade como “acertadas” e “necessárias”. No âmbito desta temática, cabe-nos também propor soluções que constem como alternativas eficazes frente ao uso de antibióticos. Butytec Plus é um exemplo de aditivo que, recomendando-se aos fabricantes uma inclusão no alimento em dose de 1 kg por tonelada de alimento, e em função da espécie e do estado produtivo dos animais, demostrou ser uma alternativa eficaz ao uso de antibióticos promotores de crescimento, visando a melhoria da saúde intestinal, do bem-estar e da produtividade dos animais.


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Este robot possui um único braço de ordenha para duas boxes, o que permite ordenhar duas vacas ao mesmo tempo.

Tiago Cardeal e seus pais, Adélio Cardeal e Carolina Mendonça.

Carolina Mendonça com a vaca "66".

PRODUÇÃO | VACAS DE LEITE

1 BRAÇO, 2 BOXES

A VACARIA DE TIAGO CARDEAL ADQUIRIU UM ROBOT NOVO: TRATA-SE DE UM EQUIPAMENTO DA MARCA DINAMARQUESA SAC, MODELO RDS FUTURELINE ELITE. A PRINCIPAL DIFERENÇA PARA A MAIORIA DOS EQUIPAMENTOS EQUIVALENTES É O FACTO DE DISPOR DE UM ÚNICO BRAÇO DE ORDENHA PARA DUAS BOXES, PERMITINDO ORDENHAR DUAS VACAS AO MESMO TEMPO. Por Ruminantes | Fotos FG

058


1 braço, 2 boxes

PRODUÇÃO | VACAS DE LEITE

substituição da sala de ordenha que tinha na exploração. Depois de ter analisado várias opções no mercado comprou, em julho passado, um robot SAC, uma marca dinamarquesa dedicada exclusivamente ao fabrico de equipamentos de ordenha . Na exploração, que abrange uma área total de 70 hectares, produz-se forragens de milho em 50 ha, bem como azevém para palha e para feno e silagem de erva na restante área. Na exploração de família, em Soutelo, concelho de Vila Verde, falámos com Tiago Cardeal acerca do investimento recente no robot de ordenha. Em julho investiu num robot. Que sistema tinha antes? Uma sala de ordenha em espinha, 6x6. Quanto tempo levava antes a ordenhar as vacas? Cerca de 1:45 h no processo completo, duas vezes por dia. Como se adaptaram as vacas ao robot? Relativamente bem, embora tenhamos alguns animais que ainda não se adaptaram. Para facilitarmos a adaptação, cerca de 3 semanas antes de o robot começar a ordenhar, as vacas passavam lá só para comerem a ração. Não notámos quebras de produção. A qualidade do leite manteve-se? Nos dois primeiros meses a quantidade de microrganismos disparou, mas depois voltou aos valores normais.

T

iago Cardeal terminou a licenciatura há 3 anos em engenharia agronómica. Habituado desde que nasceu ao negócio de produção de vacas leiteiras dos pais, não hesitou em seguir-lhes as pegadas. Além de dar seguimento ao negócio, quer para já aumentar o efetivo, atualmente de 80 vacas em produção, para os 110 animais. A candidatura a um projeto PDR 2020 permitiu-lhe fazer grandes melhoramentos na exploração, sobretudo no que se refere ao bem-estar animal. No que se refere ao sistema de ordenha, optou pela aquisição de um robot em

Que robot comprou? Optei por um SAC, modelo RDS Futureline Elite. Visitei muitas vacarias para perceber o que existia no mercado. No final, o custo de aquisição mais acessível deste equipamento, e a assistência técnica da Agrovete, na pessoa de Tiago Vilaça, foram os fatores que mais pesaram na decisão. Para além disso, tem custos de manutenção anuais mais baixos do que a concorrência. Que características diferenciam este robot? Por um lado, o facto de ter um braço de ordenha para duas boxes, o que permite ordenhar duas vacas ao mesmo tempo. Desta forma, consigo ordenhar 110 vacas por um preço inferior ao correspondente a 2 robots. Por outro, a simplicidade de operação, e a quantidade de informação 059

"(COM ESTE EQUIPAMENTO) CONSIGO ORDENHAR 110 VACAS POR UM PREÇO INFERIOR AO CORRESPONDENTE A 2 ROBOTS."

fornecida. Este modelo vem equipado com sistema de deteção de cios, ruminação, ingestão de alimento e tempo de inatividade, o que permite controlar e agir profilaticamente no rebanho, reduzindo custos (veterinários e de não-eficiência). Este robot é bastante simples em termos de maneio e software. O sistema de tráfico é livre? Totalmente, os animais podem aceder a uma ou a outra box. Existe apenas uma zona de separação para alguma vaca que precise. Quantas ordenhas faz por vaca? Passei de 2 ordenhas, para 2,7 ao dia de hoje. Quando analisa o investimento no equipamento, analisa a quantidade de leite ordenhado pelo robot ou por vaca? Olho para ambos. Atualmente estamos com uma produção total de 2700 litros/ dia. Mas este equipamento tem capacidade para mais do dobro e estamos a fazer progressos nesse sentido. Estamos a aumentar o efetivo com as nossas próprias novilhas, e também compramos. Outra forma é através da escolha do sémen, onde tenho como principais critérios as patas, os úberes e a velocidade de descarga do leite. O que mudou na alimentação? Continuamos a dar ração no unifeed e, adicionalmente, passámos a dar no robot um concentrado específico fornecido pela Nanta. O custo alimentar mudou com a introdução do robot? Subiu, embora não juntemos tanta ração na mistura do unifeed como antes. As vacas têm uma alimentação de base igual para todas na manjedoura, e são suplementadas de acordo com a sua produção no robot. As que produzem mais estão a comer cerca de 8 kg no robot, para além do alimento que comem do unifeed.


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PRODUÇÃO | VACAS DE LEITE

UMA ORDENHA DE RAÍZ

HÁ CERCA DE 6 MESES, RUI ROSA DECIDIU SUBSTITUIR A SALA DE ORDENHA DA SUA EXPLORAÇÃO. MELHORAR A ANTIGA SALA COMPORTAVA DEMASIADOS INVESTIMENTOS, MAS O EFETIVO ATUAL EXIGIA OUTROS RECURSOS. A DELAVAL FOI A MARCA ESCOLHIDA, FAZENDO JUS AO DITADO "EM EQUIPA QUE GANHA NÃO SE MEXE". TRATA-SE DE UMA SALA COM SAÍDAS RÁPIDAS, PARALELA, DE 20 + 20 PONTOS. FOMOS SABER COMO TEM SIDO A ADAPTAÇÃO AO NOVO EQUIPAMENTO. Por Ruminantes | Fotos Francisco Marques

060


Uma ordenha de raíz

PRODUÇÃO | VACAS DE LEITE

Rui Rosa é propritário e gestor da empresa Sociedade Nacional Rústica, situada em Montemor-o-Novo, na Herdade das Pedras Alvas. Vânia Resende é a responsável da exploração.

E

m julho de 2020 decidiram investir na aquisição de uma nova sala de ordenha. Porquê? A sala de ordenha veio da vacaria que tínhamos em Famões, concelho de Loures. Para além de já ter muitos anos, na altura tínhamos cerca de 140 vacas em ordenha e agora temos 200. Ponderámos entre comprar uma sala nova ou parar a atividade. Melhorar a sala de ordenha antiga não era uma hipótese pois os investimentos eram demasiadamente elevados e o espaço era reduzido.

Que sala de ordenha tinham? Tínhamos uma DeLaval, em espinha, de 8 x 2 pontos, era a sala existente em Famões que foi transferida para a nova herdade. Essa sala estava localizada na parte antiga da vacaria, ainda tinha vasos de vidro para medir a produção leite por animal ordenhado e não dispunha de qualquer componente informática associada. As entradas e saídas de animais eram totalmente normais, de porta, e condicionavam muito o transporte dos animais para a sala. Também não existia parque de espera. Devido a tudo isto, o processo de ordenha, incluindo a limpeza, 061

levava 4h30 por ordenha, ou seja, 9 horas por dia. A sala de ordenha é o coração da exploração? Sim, sem dúvida que é o coração da exploração, é a última fase de um processo muito longo que existe na exploração leiteira. Que aspetos mais valorizam numa sala de ordenha? A qualidade do leite obtido e o tempo de ordenha. Quanto mais curto, melhor, não só para os animais que estão à espera de


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Uma das grandes diferenças desta sala para a anterior está no pré-dipping. Este conjunto de operações, feito pela máquina de limpeza dos tetos, Inclui a lavagem, limpeza e desinfeção. A operação ´´é muito simples, bastando apontar a máquina a cada um dos tetos.

ser ordenhados como para o pessoal que lá trabalha. É uma atividade monótona, que se realiza todos os dias à mesma hora e por isso devemos disponibilizar boas condições a quem a realiza. Outro ponto importante é a quantidade e qualidade da informação que podemos obter, para conseguir tomar melhores decisões de gestão e melhorar a eficiência do processo. Que aspetos analisou para fazer este investimento? Tínhamos claro, desde o início, que queríamos uma sala com saídas rápidas, paralela, de 20 + 20 pontos. A escolha da marca não foi um problema, era uma opção óbvia para nós, já que a ordenha anterior durou muito tempo, sem problemas e com uma boa assistência. Como avalia o desempenho da sala de ordenha até agora? Pelo tempo de ordenha do efetivo, mas não estamos focados apenas nesse

indicador. Há cuidados a ter antes e depois da ordenha, que não são negociáveis e que levam o seu tempo. Atualmente levamos 2 horas/ordenha com o mesmo número de pessoas, por isso sobra mais tempo para outro tipo de trabalhos. Que vantagens tem esta sala ao nível da intervenção dos operadores? Uma grande diferença desta sala para a anterior está no pré-dipping, que é efetuado por uma máquina de limpeza. Esta faz a lavagem, desinfeção e secagem dos tetos, sendo apenas necessário o operador direccionar a máquina para cada um dos tetos. Outra funcionalidade é a ativação dos coletores para ordenhas, basta um ligeiro movimento para começar a trabalhar, não sendo preciso tocar em qualquer botão. A retirada das tetinas também funciona automaticamente, assim que o fluxo de leite diminui, as tetinas são retiradas. Desta forma, não há uma sobrecarga de 062

ordenha dos animais, o que diminui a possibilidade de ocorrência de mamites. A sala antiga, pelo facto de ser bastante manual, requeria muito mais atenção por parte dos operadores. Que tipo de informação e indicadores utilizam no dia-a dia? A quantidade de leite por ordenha e por animal, a hora a que cada vaca foi ordenhada, identificação das vacas não ordenhadas (recebemos um alerta que é bastante importante quando há animais que trocaram de grupo ou quando o portão ficou aberto, por exemplo), a deteção de cios, a atividade dos animais, a condutividade. Que alertas definiram? Os relativos aos animais que “faltaram” à ordenha, aos que estão em cio, aos que estão com queda de produção (-10% do valor obtido na ordenha anterior) e àqueles que estão com uma atividade abaixo do normal.


Uma ordenha de raíz

PRODUÇÃO | VACAS DE LEITE

DADOS GERAIS DO REBANHO

Conhece-se a importância do maneio na pré-ordenha sobre a eficiência de ordenha. Fizeram investimentos nesta área? Sim, fizemos um parque de espera com cancela de aproximação, o que nos fez ganhar muito tempo na ordenha. Temos 4 parques de produção, cada qual com 60 a 80 vacas, em função do nível de produção por animal e por dia. O processo de ordenha passa por ir buscar os animais ao parque de produção e levá-los para o parque de espera. O “pastor” (cancela de aproximação) do parque de espera vai encaminhando as vacas para a ordenha. A produção de leite aumentou com a nova sala? Sim, cerca de 10%. Uma exploração é dinâmica e há sempre várias mudanças a ocorrer simultaneamente. Mas seguramente que o fator determinante para o aumento de produção teve a ver com a mudança da sala de ordenha e com a melhoria decorrente das condições físicas para os animais.

Produção leite total vacaria/ano

2.000.000 litros

A quem vende o leite

Lacticoop

Efetivo total

400

Nº vacas em ordenha

214

Nº ordenhas por dia

2

Tempo de ordenha do efetivo

2h/ordenha

Produção média diária/vaca

30 litros

Nº de lactações médio anual

2,6

GB (%)

3,95

PB (%)

3,57

CCS

220.000 cél/ml

Idade ao 1º parto

23 a 24 meses

IEP (intervalo entre partos)

415 dias

Nº I.A. fêmea gestante

2,4 doses

Em quantos anos pensa ter este investimento amortizado? Gostávamos de amortizar a sala em 8 a 10 anos. A sala e os parques foram dimensionados para termos 300 vacas em produção. Pretendemos aumentar o efetivo de forma gradual. Assim que atingirmos a velocidade de cruzeiro, a amortização será mais rápida. Que indicadores usa para gerir a exploração? Olhamos essencialmente para dois indicadores: diariamente, para a produção diária de leite no tanque; mensalmente, para as despesas. As oscilações diárias da produção de leite dizem-nos que alguma coisa aconteceu, depois começamos a procurar a razão para essa oscilação. Faz benchmark com outras explorações? Sim, principalmente para saber como estamos e em que podemos melhorar. Comparamos a produção média por 063

vaca corrigida aos dias em lactação, os preços de alguns produtos, os parâmetros nutricionais das fórmulas das vacas em produção e a forma como se gere o dia-adia da vacaria.

"O FATOR DETERMINANTE PARA O AUMENTO DE PRODUÇÃO (10%) TEVE A VER COM A MUDANÇA DA SALA DE ORDENHA E COM A MELHORIA DECORRENTE DAS CONDIÇÕES PARA OS ANIMAIS."


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AGRICULTURA REGENERATIVA

À CONQUISTA DO GODEAL Por André Antunes, agricultor e médico veterinário; Ruminantes | Fotos FG

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CONFRONTADO COM UM MONTADO FRAGILIZADO, COM ESCASSO RENOVO, E UMA FRACA COBERTURA DO SOLO, QUE OBRIGAVAM A ELEVADOS INVESTIMENTOS PARA FORNECER O ALIMENTO SUFICIENTE AOS ANIMAIS, FREDERICO MACAU DECIDIU APOSTAR NUMA ABORDAGEM MENOS CONVENCIONAL: “CAPITALIZAR O ATIVO MAIS IMPORTANTE, E GRATUITO, A LUZ SOLAR, E CONVERTÊ-LO EM PRODUÇÃO FORRAGEIRA MÁXIMA, PARA TER A COBERTURA VEGETAL QUE PERMITE MANTER E PRODUZIR ANIMAIS COM MENOS CUSTOS E, SOBRETUDO, QUE REGENERA O SOLO.”

Entrevista a Frederico Macau Herdade do Godeal Montemor-o-Novo

OIÇA O PODCAST EM WWW.REVISTA-RUMINANTES.COM

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Chegámos à Herdade do Godeal às 10 horas da manhã num dia solarengo de final de novembro. À nossa espera estava Frederico Macau, para nos mostrar as intervenções que tem feito na exploração familiar que gere, com o objetivo de capitalizar o seu ativo mais valioso, o solo. Só por essa via, acredita, é possível assegurar a sustentabilidade futura do ecossistema assente no montado de sobro e azinho, o qual permite a rentabilidade do seu negócio de vacas de carne e porco preto.

A

Herdade do Godeal, que abrange uma área de exploração total de 550 hectares de montado, em regime de sequeiro, fica em pleno coração do Alentejo, junto à aldeia do Ciborro, no concelho de Montemor-o-Novo. Aqui, a planície alentejana dá lugar a uma orografia bastante dobrada, e a uma paisagem de serrania com uma elevada densidade de árvores, onde predomina o montado de sobro e azinho, com alguns povoamentos dispersos de pinheiro manso. Do ponto mais alto, assinalado por um marco geodésico, avistam-se planícies e montes sem fim e, em dias de boa visibilidade, a Serra da Estrela. Em 2012, Frederico Macau aceitou o desafio de recuperar a herdade da sua família onde nos últimos 40 anos se fez apenas a extração da cortiça. A sua formação académica não é em agricultura, mas em advocacia, profissão que já exerceu em exclusivo e mantém a tempo parcial. Por “virtudes e circunstâncias do foro sobretudo pessoal, e por vocação”, como nos contou, e perante a oportunidade que a família lhe deu de pegar num projeto de raiz que estava abandonado, aceitou o desafio. “Aproveitámos incentivos à instalação e à produção, e criámos condições para poder arrancar com uma exploração agropecuária assente na produção de bovinos.” A nossa história começa aqui. Perante um montado fragilizado, com escasso renovo e uma fraca cobertura do solo, os animais que pretendíamos ter não dispunham de alimento suficiente, obrigando a investimentos incomportáveis. Para fazer face às circunstâncias, e para “criar condições de manutenção da herdade para as gerações

vindouras, com resultados económicos obrigatórios e necessários”, Frederico decidiu apostar numa abordagem não habitual: “Capitalizar o ativo mais importante e gratuito, a luz solar, e convertê-la em produção forrageira máxima, para ter a cobertura vegetal que permita manter e produzir animais com menos capital e, sobretudo, regenerando o solo.” Este caminho, assente nos princípios da gestão holística e da agricultura regenerativa, começou em 2018. Os resultados já se fazem notar. Que animais produzem? Vacas de carne e porco preto. Nos bovinos, somos produtores e temos uma tendência maioritária para vender animais ao desmame. Nos porcos, compramos animais ao desmame, com ± 2 meses, e fazemos a recria toda até à próxima montanheira, sempre num regime extensivo e a campo. Como caracteriza a exploração? Baseia-se num sistema silvo-agropastoril. Em relação aos solos, temos uma situação dicotómica: uma zona de solos com mais estrutura, ainda que com baixo perfil, mais xistosos, com mais pedra; e uma outra zona, que corresponde a cerca de 40% da propriedade, com solos arenosos. Temos características muito peculiares: é uma propriedade muito dobrada, com uma alta densidade de árvores, com muita pedra e muito irregular. Não temos zonas de planície. É uma paisagem a lembrar mais a Beira Interior. Relativamente aos povoamentos, são aproximadamente 75% sobro, 15% azinho e 10% pinheiro manso. Qual é atualmente o principal fator nos custos de produção? Em ex aequo, mão de obra e alimentação animal. 066

Como define o seu contexto holístico, ou, neste caso, o propósito da empresa? O nosso contexto passa mais por ser uma exploração familiar, de querer otimizar este ativo e criar condições de manutenção do mesmo nas gerações vindouras, com resultados económicos obrigatórios e necessários. Isto com um total respeito pelo solo, apostando na manutenção deste ativo. Ao contrário do que fizemos até certo ponto. Pretendemos, através de técnicas regenerativas, capitalizar o ativo mais importante, o


À conquista do Godeal

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solo, de forma gratuita, ou seja, através da luz solar. Posteriormente o sequestro de carbono é convertido em produção forrageira máxima, para ter uma cobertura do solo que nos permita manter e produzir animais com menos custos, regenerando o solo, o que por sua vez regenera as árvores, fechando o ciclo. Desta forma, saímos todos a ganhar com menos investimento e sobretudo menos risco. Quais são as principais fontes de rendimento da exploração? A venda de animais (bovinos e suínos) e os subsídios. A cortiça, tal como a venda de lenha, caça ou pinha são outros rendimentos mas não estão englobados nos rendimentos das sociedades. Em 2015 passou para o modo de produção biológico. O que mudou desde essa altura, no modo de produção e também nos índices produtivos? Mudámos para modo biológico porque a priori achámos que era um modo de produção mais amigo do ambiente e cuja

sustentabilidade era uma bandeira, e que na nossa exploração fazia todo o sentido. Hoje em dia, não descredibilizando esse modo de produção, acho que é muito mais importante pensar na agricultura regeneradora, do que no “biológico” por si só. Porém, a questão dos subsídios foi um critério ponderado na decisão que tomámos, uma vez que os custos de produção eram mais elevados e os índices de produção eram mais baixos. Os desafios que encontrámos neste modo de produção são maiores. Há menos mercado, tem custos muito mais altos, muitos deles sem uma justificação aparente, e obriga a ser-se muito mais autossustentável, Não só pelos princípios de que se reveste, mas também porque é difícil encontrar no mercado alguns fatores de produção, como forragens ou sementes. Consegue capitalizar os seus produtos devido à certificação “biológico”? Infelizmente não. A mais valia que geramos, o nosso produto, acaba por se diluir e perder no mercado, sem chegar ao

consumidor, uma vez que o segmento para quem vendemos na desmama não o valoriza. É um valor acrescentado que se perde no momento da venda. Talvez com a cada vez maior preocupação do consumidor com a qualidade dos alimentos que ingere e com a forma como são produzidos, estejamos perante uma oportunidade. Os índices produtivos mantiveramse, com a entrada neste sistema? Começámos esta exploração em 2012, e nessa altura estávamos a aumentar o encabeçamento, os investimentos, etc. Por isso, não consigo fazer uma comparação bem feita entre o pré e o pós entrada em modo biológico. Até 2015, ainda não tínhamos o encabeçamento todo. Nós praticamente começámos no biológico. Tendo como prioridade o ambiente e, nomeadamente, a preservação do montado, achámos que o modo de produção biológico era mais uma ferramenta com a qual podíamos perseguir os nossos objetivos.

Frederico Macau, responsável pela gestão da Herdade do Godeal.

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A passagem para o sistema de gestão holística, como critério para a tomada de decisões, foi ditada sobretudo pela necessidade, porque a forma como estávamos a produzir não estava a ir ao encontro das expetativas que tínhamos no início. Foi nessa altura, em 2016, que fizemos um curso com o Kirk Gadzia sobre a gestão holística. Foi um choque de realidade a todos os níveis. Porém, no regresso do curso só encontrávamos dificuldades para aderir a esta abordagem, tudo era um obstáculo. Mas, mais uma vez, a necessidade obrigou-nos a ir para este sistema. A consultoria do Gustavo Alés (presidente da ALEJAB - Asociación de Explotaciones ganaderas de la Península Iberica y Magreb por el Manejo Holístico de los pastos), que esteve uns dias na nossa herdade, foi pedra basilar no arranque daquilo que eu acho que é um processo irreversível. Optou também nessa altura pela não mobilização dos solos. Porquê? Sempre nos preocupámos com o montado e a floresta. Lembro-me de ter assistido a umas conferências sobre a não mobilização dos solos na floresta, e sobre a “memória” das raízes dos sobreiros, e de ter percebido cedo a importância da não mobilização dos solos. Aliás, nesta herdade os solos não foram mobilizados durante 40 anos. Em 2012, durante a instalação dos projetos, mobilizámos os solos da herdade praticamente toda para instalar prados permanentes, mas já com a ideia de que seria uma intervenção única e de que os prados se iriam manter daí para a frente. É verdade que não voltámos a mobilizar os solos, mas os prados não vingaram por várias razões, sendo que a principal foi o facto de os solos estarem numa fase de degradação e não permitiram este salto que quisemos dar. É preciso um longo caminho para que haja uma tendência de perenidade. Em termos de maneio dos animais, o que mudou? E ao nível da alimentação e das forragens? Aquilo que mudou logo na passagem para o sistema regenerativo foi a implementação do conceito de manada, dos animais em constante movimento. Os animais são como outra ferramenta qualquer: bem usada traz mais-valias, mal usada faz mais danos do que as valias que traz. Percebemos rapidamente que, com os animais em constante movimento,

"NO PRIMEIRO ANO, DEIXÁMOS IMEDIATAMENTE DE ADUBAR (COSTUMÁVAMOS FAZER ADUBAÇÕES DE FÓSFORO SOBRETUDO PARA OS SOBREIROS), E DE DESPARASITAR OS ANIMAIS."

tínhamos maiores períodos de descanso entre o pastoreio, e um maior crescimento da erva, e uma melhor distribuição das bostas. Traz melhorias aos pastos, aos animais, às árvores e ao renovo. Esse foi o primeiro choque e impacto. Temos alguns princípios que temos conseguido cumprir, isto é, os animais não estão mais do que 3 dias em cada parque e, no mínimo, só voltam ao mesmo parque passados 90 dias. Temos conseguido mais. A média de período de descanso anda nos 150 dias, há sítios onde conseguimos estar mais de 200 dias sem levar os animais. Continuam a dar alimento à mão? Hoje em dia, com as mudanças que implementámos, suplementamos 70% menos, com mais resultados. Conseguimos aumentar o efetivo em 30% com a mesma área, só com uma gestão diferente dos animais. Qual foi a poupança bruta ao fim do primeiro ano de gestão holística? No primeiro ano, deixámos imediatamente de adubar (costumávamos fazer adubações de fósforo sobretudo para os sobreiros), de desparasitar os animais, e começámos a fazer o pastoreio rotacional. Logo no final desse ano, tivemos uma poupança direta de 42 mil euros. Eliminámos esses custos sem comprometer a produção, aumentando o efetivo, conseguindo ter os animais, à data de hoje, com uma condição corporal melhor do que costumávamos ter e com melhores resultados na fertilidade. O que teve que investir para poupar essa quantia? Sobretudo tempo, em aprendizagem e em aquisição de conhecimentos. Em

068

termos de investimentos físicos e concretos na exploração, investimos apenas em cercas elétricas móveis. O investimento inicial foi de cerca de 1000 euros em rolos de fio e bobines, uma vez que já tínhamos a máquina e cerca elétrica, e cercas eletrificadas na herdade inteira. Porque tínhamos cercas de conversão era fácil puxarmos parques dessas cercas. Imediatamente depois tratámos da rede de distribuição da água, porque cedo percebemos que o pastoreio rotacional só faz sentido se os animais tiverem alimento e água à sua disposição. No primeiro ano, e com essa poupança, percebemos logo a mais valia que isto podia ser. Estes foram os maiores investimentos que fizemos, tirando alguns pontuais, como o distribuidor de silagem que utilizamos para suplementar no verão. Na produção forrageira, o que mudou em termos de quantidade e qualidade? Sobretudo, notámos logo mais quantidade. A qualidade veio através


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desse maior período de descanso que permitiu a algumas espécies não serem sobrepastoreadas e assim as plantas desenvolverem-se até ao fim do ciclo.

Frederico Macau e Rui Charneca, colaborador da exploração.

Sabemos que o favorecimento das espécies pratenses perenes, nomeadamente as autóctones, tem um efeito positivo tanto na resiliência hídrica dos solos (devido ao sistema radicular mais profundo), mas também na qualidade forrageira. Havendo poucos modelos de sucesso nessa temática no contexto mediterrânico, há alguma orientação que siga? As perenes são uma ambição nossa, era um sonho ter aqui um relvado permanente autossustentado, com capacidade de funcionar como uma esponja, ter uma primavera 365 dias por ano. Mas essa é uma fantasia perigosa, não é fácil nem sabemos exatamente como cumprir esse objetivo. Mas sabemos como não se faz. Estas práticas que temos implementado, sobretudo o período de descanso, ajuda à instalação das perenes. Mas é um trabalho difícil, andamos à procura um pouco por tentativa e erro. Há princípios, que pude ver postos em prática numa visita que fiz à Austrália com outros produtores, que hoje em dia percebo serem da maior importância, como a cobertura permanente do solo (entre outros), sobretudo durante o outono que é um período onde por regra chove pouco. O aproveitamento de toda a água é essencial. Se chegarmos ao outono com os solos descobertos sobrepastoreados, promovemos a compactação do solo que vai favorecer a ocorrência de escorrimento e lixiviação imediata. Não conseguimos reter água nenhuma. Por isso, a necessidade de tentar planear o pastoreio por forma a tentar deixar o solo coberto, é essencial. Com base em que critérios faz a avaliação do plano alimentar: pelo peso dos animais ao desmame na venda, pela fertilidade das vacas, pela conformação dos animais? Todos esses índices são utilizados por nós, porque estão todos interligados. Ou seja, a condição corporal da vaca influi naturalmente na fertilidade e no peso do vitelo ao desmame. Insisto na ideia de que a produção animal é uma consequência da forma como gerimos a nossa exploração, ou seja, nós usamos os animais como

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ferramentas que, ainda por cima nos dão um produto que nós vendemos, que é o bezerro. Obviamente que temos a ambição de, com os mesmos recursos, fazer cada vez mais e melhor, e para isso existem muitos fatores determinantes: a disponibilidade alimentar, as alturas de suplementação, entre outras. Temos tudo isto bem definido, nas alturas secas as nossas pastagens são pobres em proteína, e por isso suplementamos para garantir um melhor funcionamento do rúmen; os animais aproveitam melhor a fibra, o pasto seco. Nesta zona o verão começa normalmente em maio e dura até começar a chover, idealmente outubro, ou seja, é uma estação muito comprida em que temos que aproveitar para criar massa, e depois capitalizá-la. A suplementação proteica no verão pode fazer sentido para aproveitar melhor essas pastagens, sem perda de condição corporal dos animais, mantendo a “ferramenta” oleada. Qual é a suplementação proteica? Este ano utilizámos silagem de erva, sobretudo no período do verão. Nos anos anteriores, por comodidade, usámos tacos. Como faz a gestão da carga parasitária dos animais? No primeiro ano, antes de tomar a decisão de deixar de desparasitar, e para tentar justificar e fundamentar as nossas decisões, fizemos uma recolha aleatória de fezes de animais para perceber se havia animais parasitados. Recolhemos mais de 30 amostras e não tivemos um único animal com qualquer tipo de carga parasitária que justificasse desparasitar. O que justificou logo a decisão de deixar de desparasitar. Pelo menos em termos de rebanho, não quer dizer que pontualmente não seja necessário fazê-lo. A Invermectina acabou imediatamente porque é a maior inimiga duns amigos que nós temos que trabalham de forma gratuita na decomposição das bostas, que são os escaravelhos, e que muito contribuem para aumentar os teores de matéria orgânica nos solos. Ao nível da mortalidade e morbilidade por doenças infetocontagiosas, o que mudou? Em termos da profilaxia de doenças infectocontagiosas, houve uma grande evolução desde que deixámos de ter os

animais no mesmo parque mais do que 3 dias. Tínhamos criptosporídeos, diarreias neonatais, e um elevado índice de mortalidade associado a esse fator. Neste sistema de pastoreio, os animais estão sempre a entrar em pastagens novas e a ter acesso a alimentos que não estão contaminados. Esta rotação quebrou o ciclo dos parasitas. Quais são os gastos anuais com serviços veterinários? Cerca de 3000 euros (incluindo a sanidade e serviços de reprodução animal). Houve uma redução substancial no ambulatório, e a taxa de mortalidade diminuiu drasticamente. Em termos de genética, fez algum melhoramento? Acho que a genética é essencial, mas não ao nível da raça, mais do tipo de animal. Sei que características procuro para aquilo que quero fazer e para a forma como quero produzir: a rusticidade, a adaptabilidade, a boa capacidade maternal e a precocidade. Há apuramentos genéticos que conseguem traduzir melhor umas e outras, mas não creio que haja uma raça que me responda a tudo com satisfação. O nosso efetivo é maioritariamente Limousine puro ou com mais de 70% de Limousine. A verdade é que, com este efetivo, tenho animais perfeitamente adaptados a este sistema e com índices ótimos, e tenho outros que não se conseguem adaptar, acho que é um problema de genética mas não tanto ligado à raça. Neste momento, estamos a tentar fazer uma viragem mais ao Angus, por questões de adaptabilidade. Não tenho qualquer comprometimento com alguma raça, mas acredito que pelo menos uma parte

"EM TERMOS DA PROFILAXIA DE DOENÇAS INFETOCONTAGIOSAS, HOUVE UMA GRANDE EVOLUÇÃO DESDE QUE DEIXÁMOS DE TER OS ANIMAIS NO MESMO PARQUE MAIS DO QUE 3 DIAS."

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do Angus pode ser muito interessante para aquilo que fazemos pela sua adaptabilidade forrageira, precocidade e capacidade maternal. Este ano, como noutros em que há muita bolota, a Angus sofre mais, o que não quer dizer que um dia não esteja adaptada. Mesmo dentro do Angus andamos à procura de linhas mais pequenas, mais rústicas, mais precoces, que consigam adaptar-se a esta rotação. Queremos os animais a trabalhar para nós, e não o contrário. Qual a escolha que faz nos touros? Procuramos touros que nos tragam rusticidade, precocidade e docilidade. A docilidade é essencial para se adaptarem com mais facilidade a este sistema. Este ano vamos fazer inseminação artificial com Angus argentinos e uruguaios, que são animais de porte mais baixo, mais precoces, adaptados àquilo que procuramos. Em termos da planificação da parição, qual é a abordagem? Os nossos índices de fertilidade rondam os 83% do efetivo, a taxa de bezerro desmamado ronda os 78%. Temos a época de partos concentrada e, ao fazer isto, aceitamos perder fertilidade. A verdade é que a falta de adaptação de alguns animais vai-se refletir também na fertilidade. É essa seleção que nós tentamos fazer, de forma a não comprometer a estabilidade económica e o nosso objetivo de suplementar o mínimo possível. Até agora, tínhamos uma época de partos que ia de outubro a fevereiromarço, e neste momento queremos encurtá-la e concentrá-la entre dezembro e janeiro. Isto tendo em conta que é na primavera que há maior disponibilidade de pastos e isso reflete-se na condição corporal do animal. Estamos a tentar aproximar-nos desse ciclo natural com o mínimo de perdas económicas possível. Neste momento, quais são os indicadores que permitem nortear a estratégia de investimento? A nossa política de investimento está direta e exclusivamente relacionada com aquilo que pode ter um retorno para a terra. Só equaciono fazer investimentos que tenham um retorno na melhoria do solo, que me ajudem a capitalizar o nosso ativo. Fizemos recentemente uma calagem em 150 hectares.


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"O AUMENTO DE 30% DO EFETIVO NÃO FOI LOGO NO PRIMEIRO ANO, A REDUÇÃO DE CUSTOS É QUE FOI IMEDIATA."

Como mede o retorno dos investimentos que faz no solo? São investimentos comparáveis, se quiser, aos investimentos de fé. Como não sou um homem de fé, não sendo também de ciência, sinto-me tentado a dizer-lhe que este investimento deve ser avaliado a curto, médio e longo prazo. A curto/médio prazo vemos melhorias imediatas quando aumentamos os teores de matéria orgânica, o aparecimento de outras espécies, ou quando investimos em produção forrageira, ressementeira, ou adensamento de prados que necessitem. Depois, há outros que também se podem medir, como o renovo das árvores, a qualidade e quantidade da cortiça e a produção florestal. Ou seja, melhorando o solo, melhoramos toda a produção animal e vegetal. Vê o uso de investimentos como uma oportunidade de preparar uma futura base de recursos resiliente, apostando no capital biológico? A haver investimentos, tem que se começar por aí. Nós somos um exemplo paradigmático do contrário, investimos mais em infraestruturas e maquinaria. Não deixámos de investir no solo porque instalámos prados na herdade inteira, mas tivemos pouco sucesso. Começámos a casa pelo telhado. Aqueles solos não estavam, nem de longe nem de perto, preparados para a instalação de prados permanentes. Referiu que, desde a mudança de gestão houve um aumento do efetivo de 30%, uma diminuição dos custos por animal de cerca de 60% (comparativamente com os piores anos), e uma poupança, logo no

primeiro ano, de aproximadamente 40.000 euros. Os números falam por si. No nosso caso, em concreto, a imediatez dos resultados foi de tal forma clara e evidente que era impossível não continuar neste caminho. O aumento de 30% do efetivo não foi logo no primeiro ano, a redução de custos é que foi imediata. No primeiro ano produzimos menos kg/ha. Isto, em tudo, é um trade off. E esta é uma aprendizagem constante, e como tal também vem com custos, é um caminho que, no meu caso concreto, teve muitas dificuldades. Quando começámos, os animais não respeitavam as cercas elétricas, o que obrigou a uma educação não só nossa como dos próprios animais. Houve quebras de fertilidade nesse primeiro ano (20%) mas, ainda assim, as poupanças foram superiores, e os resultados globais também. Quanto tempo demoraram os animais a habituar-se às cercas? Menos de um ano, embora tenhamos tido animais que nunca se habituaram às cercas, e vivem agora apenas na nossa memória. Ao dia de hoje, teria feito algo de diferente nessa transição? Sim, teria feito de forma mais progressiva. Tem resultados muito interessantes no que respeita à diminuição de índices de mortalidade do renovo no montado de sobro, e sei que relaciona isto com o tipo de pastoreio que faz com os bovinos e com a não mobilização dos solos. Sem dúvida, está tudo interligado, o maneio dos animais, os períodos de descanso, o impacto animal no montado... 071

Consigo ter um maior renovo, mas já tive que refugar touros por partirem árvores. Esta relação causa-efeito não é imediata. Por práticas que já vinham de trás nesta herdade, como a não mobilização dos solos, sempre tivemos uma baixa mortalidade no sobro comparativamente com a média nesta zona. Penso que esta gestão vem ajudar muito o renovo, ou seja, os tempos de descanso sem animais, e o pouco tempo em que estão em cada cerca, ajudam a que as árvores vinguem mais. Mas fazemos também outras práticas, como não fazer logo podas de encaminhamento para não despir as árvores. O montado é um sistema que precisa de ter vida, sem animais é como uma casa vazia. Penso que se pode dizer que a recuperação das funções naturais do solo com o uso de animais, a não mobilização e a preservação das associações micorrízicas, podem ajudar na recuperação do montado. O montado está degradado, em primeiro lugar, pela má forma como tratamos o solo, e pela forma errada como gerimos os animais, porque abandoná-lo é também uma forma de o maltratar. Que conselhos deixa a alguém que esteja a pensar mudar para este sistema? O que posso partilhar da minha experiência é que foi movida pela necessidade, pela observação dos resultados económicos e ambientais a que a nossa forma de trabalhar nos estava a conduzir. A alguém que se encontre numa situação similar, e estiver preocupado com o montado e com a sustentabilidade do negócio a longo prazo, eu aconselho a que espreite alternativas e veja se esta lhe pode interessar. Para mim, este é um caminho que é inegociável à data de hoje, por ser tão óbvio e clarividente. Não discuto os princípios deste sistema mas questiono a forma. Provavelmente, ainda erro mais do que acerto. Por isso, não partilho conselhos, mas tenho todo o gosto em partilhar a experiência e os resultados.


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A sustentabilidade da produção de ruminantes

SUSTENTABILIDADE | RUMINANTES

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O QUE SE DIZ E O QUE SE ESQUECE DE DIZER

A SUSTENTABILIDADE DA PRODUÇÃO DE RUMINANTES

A SUSTENTABILIDADE DA PRODUÇÃO ANIMAL, E ESPECIALMENTE DA PRODUÇÃO DE RUMINANTES, É ATUALMENTE QUESTIONADA POR DIVERSOS SETORES DA SOCIEDADE. A PRIMEIRA GRANDE DECLARAÇÃO A FAZER É QUE A PRODUÇÃO NÃO DEVE, NÃO PODE, ESCONDER A CABEÇA NA AREIA, APELIDANDO AS CONTESTAÇÕES COMO INVENÇÕES DIFUNDIDAS POR FANÁTICOS IGNORANTES, APENAS DEVOTADOS A ACABAR COM A CRIAÇÃO DE ANIMAIS. Foto FG 074


A sustentabilidade da produção de ruminantes

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GEORGE STILWELL

MédicoVeterinário Faculdade Medicina Veterinária Universidade de Lisboa stilwell@fmv.ulisboa.pt

M

uitas questões levantadas atualmente pela sociedade sobre a sustentabilidade da produção animal nascem do progresso dos conhecimentos científicos, da alteração das prioridades éticas dos consumidores, da evolução das condições de saúde do planeta e, talvez, da forma exponencial e desregulada como a produção cresceu desde há 60 anos. Ou seja, são assuntos sérios que têm de ser enfrentados com verdade e transparência. Dito isto, é preciso acrescentar que estes temas tão sérios são oportunisticamente aproveitados e explorados pelos tais setores ignorantes e fundamentalistas. Ora, assim como não devemos enterrar a cabeça na areia, também não a devemos deixar à mercê de chapadas sem a tentar desviar ou ripostar. Daí a necessidade de conhecer a verdade científica que se consegue através da leitura da literatura e estudos publicados por equipas e instituições com alguma credibilidade. Aqui, propomos levantar um pouco o véu. Comecemos por referir que a grande contestação normalmente vem dos setores mais acomodados das sociedades mais desenvolvidas. Ou seja, daqueles que encontram alternativas com relativa facilidade nas grandes cidades e cujas preocupações éticas tendem a ser um pouco mais abrangentes. Mas, como dizia num autocolante que vi há uns anos, cuidado a criticar os agricultores quando se tem o prato bem cheio! Ou seja, em toda a discussão que se faz nunca deveremos esquecer dois pontos essenciais: • a equidade social, que queremos que seja mundialmente proposta e aplicada. Temos de ter cuidado em propor medidas e mudanças que nos parecem muito adequadas… para a nossa maneira mais abonada de viver. • o custo das alternativas. Normalmente os cálculos só levam em conta os custos da produção animal, mas esquecem-se de contabilizar os custos das alternativas que são necessárias para alimentar uma população 075


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mundial crescente. Uma comparação muito atual é o que fazer com a TAP – manter tem um determinado custo, mas quanto custará a sua eliminação? Ao acabar com a empresa não poupamos milhares de euros, mas apenas os gastamos de uma forma diferente. Ao acabar com a produção animal o que fazemos é transferir os custos ambientais e outros, para uma outra produção. Então, avaliemos de uma forma necessariamente resumida, as principais contestações à produção de ruminantes. Percebamos o que é verdade, o que se esquecem de dizer e qual o saldo se optarmos pelas alternativas. Sempre usando o que a Ciência nos informa, de uma forma séria e com a cabeça bem erguida e visível… fora da areia. O IMPACTO AMBIENTAL O grande tema da atualidade é o das alterações climatéricas… e é verdade que é uma urgência a enfrentar, que apenas um tolo poderá menosprezar. É o futuro, não do planeta, como se diz, porque esse continuará feliz e contente independentemente de quem nele habitar, mas da VIDA como a conhecemos. Será que a produção animal representa um papel nesse drama? Sim, claro que representa e, mais uma vez, apenas um tolo o negaria. Mas daí a crucificar a produção de ruminantes como o grande responsável vai um grande passo. Primeiro temos que olhar com seriedade para os números. A Agência Europeia do Ambiente diz-nos que apenas 9,58% dos gases de efeito estufa (GEE) têm origem direta no setor agrícola e que desses apenas 4,32% são devido às emissões de metano pelos ruminantes. De referir que o metano é igualmente produzido nas zonas alagadas, como pauis e campos de arroz, nos aterros sanitários, na extração e processamento de gás e petróleo etc… Ou seja, o papel dos ruminantes é diminuto, se bem que importante. É exatamente por isso que a ciência procura formas de ainda minimizar mais o impacto, através de alterações na alimentação, melhorias no processamento e aproveitamento dos chorumes e estrumes, no melhoramento genético dos animais, no aumento da produtividade e muito mais. Não enterrar a cabeça na areia, mas enfrentar o problema, por mais pequeno que seja. Para mais informação sobre formas que a ciência propõe, vejam a notícia sobre a atividade do projeto BovINE nesta revista. Por exemplo, foi demonstrado

"PARA MAIS INFORMAÇÃO SOBRE FORMAS QUE A CIÊNCIA PROPÕE, VEJAM A NOTÍCIA SOBRE A ATIVIDADE DO PROJETO BovINE NESTA REVISTA."

largamente que por aumentar a produtividade dos nossos animais – através de melhoramentos no bem-estar, nutrição, genética e condições de maneio – podemos reduzir o número de animais sem diminuir a produção. É por isso que na União Europeia se manteve ou aumentou a produção de leite e carne, enquanto se reduzia a emissão de metano em 50%. É também o caso do exemplo das medidas implementadas no Quénia apresentadas pela FAO. Neste programa demonstrouse que o aumento na produtividade devido a medidas sanitárias, melhorias no bem-estar e maneio ou na alimentação, correspondia a uma diminuição na pegada de carbono de 9 a 14% por cada medida implementada. Independentemente das medidas adoptadas, o que não se deve esquecer é contabilizar as alternativas a um sistema de produção no qual os ruminantes ainda representam um papel importante. Lembrando que teremos de alimentar o mesmo número de pessoas, independentemente do sistema, temos obviamente de pensar que os alimentos de origem animal terão de ser substituídos por outros de origem vegetal. E esses são neutros em termos de pegada de carbono? É claro que não, e por isso a contabilidade não pode esquecer parte das parcelas. Um estudo americano chegou à conclusão de que a eliminação total da produção animal com a consequente substituição de sistemas intensivos de produção vegetal resultaria num saldo de apenas 2% de redução na emissão de GEE. E se calhar nem todos os dados apresentados abaixo entraram na equação! A UTILIZAÇÃO DE ÁGUA Uma das frases mais bombásticas que ouvimos na contestação à produção de bovinos é que são precisos milhares de litros de água para produzir cada unidade de carne ou leite. Se bem que isso seja verdade, esquecem-se de explicar como são feitas as contas. O cálculo do consumo de água doce faz-se a partir de três parcelas: - água verde – aquela que cai na forma 076

de chuva e é aproveitada pelos vegetais e que regressa à atmosfera através da evaporação e da respiração das plantas; - a água azul – aquela que compõe os lençóis freáticos ou é armazenada para futuro consumo e que pode ser usada para consumo humano ou para outras atividades humanas; - a água cinzenta – é a que é necessária para dissolver e eliminar a poluição de origem industrial, animal ou humana. Ou seja, se levarmos em conta que mais de 90% da água usada para a produção de ruminantes vem do consumo de vegetais que usam a água verde (e que, de qualquer maneira, voltaria à atmosfera se não fosse consumida), percebemos que o impacto sobre a disponibilidade de água potável que é potencialmente importante para outras utilizações humanas (a tal água azul), é muito menor e ao nível das outras produções agrícolas. A OCUPAÇÃO E SALVAGUARDA DO ESPAÇO RURAL Com perto de 75% da população nos países desenvolvidos a viver ou a mudarse para as grandes cidades, estamos a condenar as zonas rurais ao abandono. Uma das principais consequências é o aumento da frequência de fogos e de área ardida. Não só a produção de ruminantes permite fixar população humana em zonas que de outra forma seriam pouco produtivas, como também se consegue limpar as matas e as florestas do excesso de vegetação mantendo estes animais, que funcionam como autênticos sapadores. Não admira que os principais estudos que procuram explicações para os grandes fogos que assolam anualmente todos os países, incluam no topo da lista a falta de gado a limpar as áreas rurais. Ou seja, ao salvar florestas (sequestradoras de carbono) a produção de ruminantes dá um grande passo atrás na pegada de carbono. A ALIMENTAÇÃO DAS POPULAÇÕES Na sequência da razão anterior, temos que as populações humanas só irão permanecer nas zonas menos férteis – regiões montanhosas, acidentadas, áridas, semidesérticas, alagadas – se estas providenciarem alimentação e qualidade de vida. Está mais do que comprovado de que apenas os ruminantes conseguem transformar a cobertura vegetal com elevados níveis de celulose que cresce nessas zonas, em proteína e nutrientes de elevada qualidade. Assim, grande parte


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da alimentação dos ruminantes nasce e cresce em terrenos desse tipo, enquanto apenas uma minoria é produzida em terrenos que poderiam ser aproveitados para produção vegetal direcionada diretamente para os humanos. Mais, os ruminantes são alimentados (86% da dieta) com foragens, subprodutos, restolho e muitos outros produtos não usados pelos humanos e que, de outra forma, teriam de ser eliminados, provavelmente com gastos enormes de energia e produção de dióxido de carbono (Global Food Security – FAO). Ou seja, sem a produção de ruminantes, todas aquelas regiões que acima referi deixariam de conseguir garantir uma vivência com dignidade das populações humanas. O resultado seria a transferência ainda maior para as cidades ou, no caso de países subdesenvolvidos, a migração em massa, como a que já começámos a testemunhar se bem que ainda numa forma incipiente. O BEM-ESTAR ANIMAL É um dever ético, mas também uma competência produtiva e económica, salvaguardar o bem-estar animal. Afirmo aqui sem hesitação que o bem-estar animal tem de ser um fator de produção eliminatório nos países ditos desenvolvidos. Ou seja, quem não conseguir ou não quiser produzir em consonância com as boas-práticas e as condições propiciadoras de bem-estar, deve ser eliminado da cadeia de produção animal. E nem é apenas por causa da dignidade animal, que temos obrigação de defender, mas porque quem não o fizer está a dar um enorme tiro no seu próprio pé, mas também no pé da produção animal como um todo. Dito isto, convém desmascarar muitos mitos e desinformação que se propaga sem qualquer suporte ou evidência científica. Infelizmente a urbanização e a “disneylização” da população humana leva a que não se perceba o que é produção animal e que se transfira para os animais emoções… que são humanas. A avaliação e certificação do bem-estar animal deve ser continuamente procurada, aplicada e obrigada seja na produção, no transporte ou no abate. Deve haver coragem para forçar atitudes e medidas que garantam o constante bem-estar, mas sem ser necessário ou mesmo desejável a eliminação do uso dos animais pelos humanos. O contrato social com os animais é uma realidade e que pode ser

vantajosa para ambas as partes. Em suma, é possível criar e manter animais de produção com respeito pelo seu bem-estar. OS MALEFÍCIOS PARA A SAÚDE HUMANA Não existem dúvidas de que o excesso de consumo de carne, e, particularmente das chamadas carnes vermelhas, pode ter um impacto negativo na saúde dos humanos. Não existem dúvidas de que o exagero no consumo de qualquer alimento, tem um impacto negativo sobre a saúde dos humanos! Da mesma maneira, poderemos dizer que a carência ou não consumo de certos componentes da dieta de uma animal omnívoro, tem consequências nefastas a curto e a longo prazo. Produtos de origem animal são fonte de proteínas, vitaminas e micronutrientes (vitamina B1, B12, ferro, zinco, colina, l-carnitina, ácido linoleico conjugado, glutatião, taurina e creatina…), facilmente absorvidos. A propaganda e lavagem cerebral dos malefícios da dieta omnívora tem-se suportado, infelizmente, em dados pouco científicos ou mal explicados ou propositadamente incompletos. Por exemplo, os estudos que associam muitas doenças ao consumo de carne comparam populações que são em muitos outros aspectos muito diferentes – pessoas sedentárias, obesas, diabéticas, genética e culturalmente diferentes… que influenciam direta e indiretamente os resultados. Não havendo espaço para alongar, diria apenas que é na moderação e no bom-senso que reside a resposta e não na supressão tout-court de qualquer elemento.

"(…) OS ESTUDOS QUE ASSOCIAM MUITAS DOENÇAS AO CONSUMO DE CARNE COMPARAM POPULAÇÕES QUE SÃO EM MUITOS OUTROS ASPETOS MUITO DIFERENTES – PESSOAS SEDENTÁRIAS, OBESAS, DIABÉTICAS, GENÉTICA E CULTURALMENTE DIFERENTES… QUE INFLUENCIAM DIRETA E INDIRETAMENTE OS RESULTADOS." 077

II PARTE - O CUSTO DAS ALTERNATIVAS Como disse, igualmente importante à crítica quanto à forma e consequências da produção de ruminantes é a avaliação das alternativas. Segue-se uma lista para reflexão. O suporte científico para estas afirmações é amplo e de qualidade, podendo ser consultado para um maior esclarecimento. - Ao eliminar o gado e o seu estrume dos ecossistemas (passagens, montados, serras, matas…) haverá uma enorme perda de biodiversidade e da fertilidade/ consolidação dos solos. A alternativa será o uso de fertilizantes e herbicidas para manter uma produção em terrenos pouco frutíferos ou a transformação em florestas para a produção de madeira (ex. eucalipto intensivo) para as fábricas de celuloses. - Para alimentar uma população crescente e cada vez mais exigente, e ainda compensar a perda produtiva daqueles terrenos referidos acima, será preciso encher os solos férteis com culturas intensivas (veja-se os olivais e amendoais intensivos que por aí prosperam). - Apesar dessa transferência de solos para produção exclusivamente vegetal, há dúvidas se haveria capacidade produtiva suficiente para alimentar uma população a aproximar-se a passos largos dos 9 mil milhões de humanos. - Ao eliminar os produtos de origem natural e biodegradável como o pêlo, o couro ou a lã, e optando pelos sintéticos, iremos encher o planeta com ainda mais micro-plásticos que já inundam os terrenos, oceanos e mesmo organismos. De referir que mais de 35% dos microplásticos que se encontram no ambiente têm origem no vestuário e noutros substitutos dos produtos de origem animal. - Um estudo recente demonstrou que dietas pobres em produtos de origem animal podem causar graves deficiências nutricionais, particularmente no desenvolvimento cognitivo (particularmente grave nos primeiros 1000 dias de vida) e causar outros transtornos a nível SNC, dos sistemas músculo-esquelético e reprodutivo, em pré-adolescentes. A alimentação dos humanos sem produtos de origem animal iria obrigar a recorrer constantemente a produtos químicos e farmacológicos para compensar carências importantes numa dieta de animais omnívoros, como são os humanos.


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A sustentabilidade da produção de ruminantes

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OBSERVATÓRIO DAS MATÉRIAS-PRIMAS

MAU TEMPO NO CANAL

INFELIZMENTE, O CABEÇALHO DESTE OMP (OBSERVATÓRIO DE MATÉRIAS PRIMAS) NÃO É UMA ALUSÃO AO BELO ROMANCE DE NEMÉSIO, MAS SIM A UMA TEMPESTADE PERFEITA: OS CEREAIS E AS OLEAGINOSAS ESTÃO MUITO CAROS, OS OVOS, O LEITE E A CARNE ESTÃO MUITO BARATOS, E NÃO SE VISLUMBRA NO HORIZONTE UMA MELHORIA NAS MARGENS DO NEGÓCIO. OU SEJA, NÃO HÁ INDÍCIOS DE QUE VENHA A VERIFICAR-SE UMA DESCIDA DOS PREÇOS DAS MATÉRIAS PRIMAS E UMA SUBIDA DOS PRODUTOS FINAIS. Por João Santos

C

om os confinamentos que se presenciam e se vislumbram, até a vacinação criar a imunidade de grupo necessária para controlar a Covid-19, dificilmente a procura de ovos, leite e carne aumentará, em particular na Europa. Ou, a haver, será certamente insuficiente, para que haja uma recuperação dos preços. Por outro lado, com a recuperação do consumo na China póscrise da Peste Suína Africana (PSA), o preço dos cereais e das oleaginosas não deverá descer para os níveis a que nos habituámos nos últimos anos. Se já sabíamos que a China importava quase 1/3 da colheita mundial de soja, sabemos agora que nesta campanha vai importar perto de 30 milhões de toneladas de milho, quando há

um ano quase não importava. Esse montante equivale à colheita da Ucrânia, o maior fornecedor de milho da Europa. Vamos então ao detalhe. PROTEÍNAS Desde o último número do OMP, a produção mundial de soja passou de 370 para 361 milhões de toneladas, e os stocks finais passaram de 96 para 84. Em setembro, os preços já estavam em crescendo devido ao aumento de consumo na China, à quebra da produção na Argentina e a uma colheita aquém do esperado nos States. A combinação destes fatores criou uma situação explosiva, com o preço da farinha de soja a tocar os 500€/tm, em Lisboa. A Argentina é o único pais que tem possibilidade de aliviar a tensão mundial, embora não o pretenda fazer porque os seus agricultores não

querem libertar os seus stocks de grão de soja, estimados em 14 milhões de toneladas no início da próxima colheita. Em 2012/2013, os preços, em Lisboa, ultrapassaram os 500€/ ton para a farinha de soja. Nessa altura, os argentinos tinham armazenadas 10 milhões de toneladas. Pelo elevado ritmo das importações que tem realizado, estima-se que a China possa chegar, nesta, campanha aos 102 milhões de toneladas, em comparação com 2018/2019 em que importou 82 milhões de toneladas. Na atual campanha, já carregou 27 milhões dos States, uma das maiores importações de sempre deste país. Estamos a falar de uma recuperação do consumo, em dois anos, de 20 milhões de toneladas, ou seja, ao nível que tinha antes de começar a crise da PSA. Lamento informar que as

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perspetivas de preço não são famosas, e que há muitos pontos negros pelo caminho: temos os States com stocks finais, nesta campanha, criticamente baixos, o que vai implicar que importem grão da América do Sul. A Argentina vai ter uma colheita longe das melhores, 48 milhões de ton, segundo o USDA, quando em anos recentes andava próxima de 56 milhões de ton. O USDA prevê que o Brasil vai ter uma respeitável colheita de 133 milhões, talvez esta seja uma previsão otimista tendo em conta que a região sul teve um tempo muito seco e que a sementeira foi tardia na maioria dos estados. Existe ainda uma incógnita: se as importações da China serão apenas de 102 milhões ou mais elevadas. Do que não há duvida, é que o baixo nível de stocks, que se vai manter por alguns semestres,


Mau tempo no canal

OBSERVATÓRIO DAS MATÉRIAS-PRIMAS

criará uma situação de tensão no curto prazo, mantendo a estrutura de preços invertida. Adicionalmente, e em particular nos States, haverá na campanha de 21/22 uma guerra entre o milho e a soja, uma vez que o milho vai estar muito “tenso” nos próximos meses. Duas palavras para a colza e para o girassol. Ambas continuam a sofrer de uma colheita reduzida na Europa. Adicionalmente, a colza também sofre pelo facto de a China ter voltado a comprar colza no Canadá, não sendo competitiva em preço na Europa. Em consequência, os preços das suas farinhas acompanharam a subida da soja. No caso do girassol, a sua falta faz com que haja pouca disponibilidade de farinha de girassol para o resto da campanha. CEREAIS No seguimento do exposto sobre a “guerra” do milho e da soja, o dilema dos agricultores coloca-se quanto a semear soja ou milho, no hemisfério norte, esta primavera. Hoje, o rácio entre os futuros de novembro da soja e os de dezembro do milho, está em 2.62, um incentivo para que o agricultor semeie mais soja do que milho. No entanto, atendendo à situação critica de stocks que se antevê, é de prever que este rácio vá melhorando a favor do milho. O rendimento por hectare do milho é aproximadamente o dobro do da soja, pelo que o preço tem que compensar a diferença de rendimento. Vamos aos números. A redução feita no mês de janeiro pelo USDA, dos stocks finais de milho nos States, de 8,3 milhões de toneladas para 3,8 milhões, cria uma situação de stocks finais muito crítica que fará com que os futuros de Chicago possam ultrapassar os 600$/bushel. Esta situação não favorece uma transição suave com os fluxos da Safrinha que

este ano deverá chegar umas semanas mais tarde do que o normal. Infelizmente, as más noticias não ficam por aqui, uma vez que a China está num ritmo de importação de milho que a fará chegar aos 27 milhões de toneladas esta campanha, e o USDA só está a reportar 17, pelo que o stock final ainda tem espaço para piorar nos próximos relatórios. Tal como na soja, o caminho tem que passar pela redução da procura de milho, e esta só pode vir das seguintes formas: - pela redução do consumo de carne a nível global (não apostaria nesta opção); - pela redução da procura nos países que não têm possibilidade de comprar a preços altos, ou nos países com elevados custos de produção de leite e carne; - pela redução dos mandatos de etanol para os biocombustíveis. Também não apostaria nesta opção, uma vez que a nova Administração Biden, para agradar ao voto urbano eco e para manter contentes os agricultores do Mid-West, antes apoiantes do Trump, não parece que vá tocar nestes mandatos. Caso altere alguma coisa, irá aumentá-los. Dito isto, a redução da procura seguramente virá pelo segundo ponto. Ter em atenção que não é só o milho que está caro (mais de 230€ em Lisboa), mas também os outros cereais e subprodutos. Pelo que, a redução de consumo de milho a favor destas alternativa é limitada. NOTAS FINAIS Não vamos pensar que esta situação de preços das matéria primas, relativamente muito altos, e os preços da carne/ ovos/leite relativamente baixos, é o fim do mundo. Mas temos que nos preparar para esta situação, já vivida no passado, e encará-la com frontalidade e profissionalismo. Nesse sentido, deixo estas notas: i) O dinheiro é rei, pelo que 081

há que poupar em tudo o que seja possível, evitando gastos não essenciais, ou seja, há que reduzir os custos fixos em tudo o que seja possível, e otimizar os custos variáveis. ii) Parte da solução para que os preços das matérias primas voltem a um valor “normal”, passa por uma redução da procura. É o sinal que o mercado nos está a dar. Para tal, a pecuária tem forçosamente que reduzir o efetivo animal. Assim, a questão que se coloca é perceber até onde se pode reduzir os efetivos, sem comprometer a viabilidade do negócio no médio prazo, quando as margens melhorem. Nesta redução de produção, há que definir quais são os clientes chave que se quer continuar a fornecer. Se for para vender abaixo do preço de custo, que seja ao menos para manter os meus clientes-chave, e não para favorecer aqueles que, por um centavo, vão comprar à concorrência. iii) Por último, há que ter presente que a estrutura de preços vai manter-se invertida durante algum tempo (2 a 3 semestres, pelo menos). Ou seja, com os preços no curto prazo mais altos que nos meses mais distantes. Logo, quanto mais estiver a comprar para as necessidades do mês “spot”, pior estará a comprar do que se estiver a fazer contratos a longo prazo. No entanto, há que ter em atenção que, embora

esteja previsto que os preços se mantenham invertidos, vão continuar a subir e a descer, pelo que se tem que pensar em dois aspetos: - se para o tipo de negócio que tenho faz sentido comprar a longo prazo; - que quantidade comprar e por quantas vezes comprar. Sobre esta última questão há que ter presente que ninguém acerta na altura certa de comprar, pelo que, quanto mais vezes comprar ao longo do ano mais probabilidade tenho de estar a comprar ao preço médio de mercado. Assim, caso faça sentido comprar a longo prazo, pode, por exemplo, usar esta regra: comprar uma vez por mês 1/12 das necessidades dos próximos 2 a 3 semestres. Lembre-se de que não fazer nada e ficar à espera que o mercado volte a oferecer milho a 170€ e farinha de soja a 300€, não é a solução mais responsável. E tenha presente que, com a estrutura atual de preços, ficar à espera do último momento para comprar enquanto a curva de preços estiver invertida, estará a prejudicá-lo. Adicionalmente, se não comprou, pode ser que nos portos não haja mercadoria para vender spot. Para terminar, crie uma metodologia de compra que se adapte ao seu negócio e mantenha a disciplina. Despeço-me com amizade.

QUADRO 1 PRODUÇÃO MUNDIAL E STOCKS FINAIS DE MILHO E SOJA MILHÕES TM

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312,8

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360,3

337,3

361,0

SOJA PRODUÇÃO FINAL STOCKS FINAIS

77,6

76,6

96,0

98,56

111,88

113,1

84,31

24%

24%

27%

29%

31%

34%

23%

PRODUÇÃO FINAL

1008,8

961,9

1070,2

1076,2

1123,3

1112,8

1133,9

STOCKS FINAIS

208,2

210,9

227,0

341,2

320,8

311

283,8

21%

22%

21%

32%

29%

28%

25%

MILHO

Fonte: USDA s&d relatório de janeiro


#40 | jan. fev. mar. 2021

REVISTA RUMINANTES

OBSERVATÓRIO DO LEITE

A PRÓXIMA DÉCADA

BEM-VINDOS A 2021. A META FINAL DE 2020, HÁ MUITO PROMETIDA MAS QUASE UMA MIRAGEM NO DESERTO, FOI TRANSPOSTA. O ANO PASSADO FICARÁ CERTAMENTE IMORTALIZADO NA HISTÓRIA DO SÉCULO XXI, UM ANO EM QUE AS SOCIEDADES MODERNAS VIRAM OS SEUS ALICERCES ABALADOS POR UM INIMIGO INVISÍVEL, UM ANO EM QUE MUITOS FORAM OS SETORES QUE TIVERAM DE PÔR À PROVA A SUA RESILIÊNCIA E DE SE REINVENTAR. Por Joana Silva, Médica Veterinária | Fontes Comissão Europeia, DairyGlobal, Rabobank

O

setor leiteiro foi um deles, e sobreviveu para contar a história. Bem como a Ruminantes, que celebra nesta edição – a número 40 – o seu décimo aniversário. Em jeito de comemoração, como é nosso costume, iremos ver o que nos reservará 2021. Apesar da recém-aprovada vacinação, os efeitos da pandemia Covid-19 continuarão a fazer-se sentir, depois daquela que foi considerada a maior contração da economia mundial de que há registo. No entanto, mesmo com fortes medidas de contenção, que afetaram alguns mercados no curtoprazo, os sistemas de segurança alimentar europeus mostraramse capazes de evitar uma muito temida crise alimentar paralela à crise sanitária. A recessão

económica, no entanto, é bem mais que uma simples ameaça, e ainda é cedo para determinar com certezas a velocidade da sua recuperação. De acordo com o Rabobank, dois fatores serão essenciais para estabilizar a procura nos mercados alimentares: a disponibilização de vacinas e a duração da segunda vaga da pandemia. Igualmente interessante de avaliar serão as tendências de consumo à medida que entramos na nossa nova “normalidade”, com um maior aumento das refeições confecionadas em casa – o que continuará a beneficiar o comércio retalhista – e a aposta no teletrabalho. O panorama político de 2021 também poderá surtir efeitos sobre o setor leiteiro. A Europa aguarda expectante as consequências de um Brexit de difícil acordo e, do outro lado

do Atlântico, teremos de ver de que forma a nova presidência irá atuar sobre o disruptivo legado de Trump no que toca a parcerias comerciais. Uma reaproximação à China, por exemplo, pode significar uma maior concorrência comercial com países como a Nova Zelândia, que tem no mercado chinês a sua maior via de exportação. A Oceânia começa também já a sentir os efeitos da recuperação dos mercados asiáticos que foram bemsucedidos no combate à pandemia, e cuja recuperação económica já se faz sentir ao nível das importações. Durante os próximos anos, o setor leiteiro deverá ser fortemente influenciado pelas estratégias de sustentabilidade adotadas, bem como pelas tendências de procura, que prometem ser bastante

082

variadas. A solidificação do valor nutricional do leite e seus derivados e da importância da sua inclusão numa dieta equilibrada será igualmente um incentivo à procura, prevendo-se que a UE continue a ser o maior exportador mundial destes produtos. A Comissão Europeia prevê que, até 2030, a produção leiteira registe um aumento de 0,6% ao ano, atingindo as 162 milhões de toneladas no início da nova década. A inversão dos mercados para cadeias de produção mais curtas e sistemas de produção local será também uma realidade nos próximos anos. A sustentabilidade será um dos pilares na evolução do setor leiteiro, e será transversal a toda a cadeia de produção, desde a produção primária até às características de acondicionamento dos


A próxima década

OBSERVATÓRIO DO LEITE

produtos finais. Sabemos hoje que os atributos determinantes da compra de produtos de origem animal, como o leite e derivados, incluem a certificação do bem-estar animal nas explorações, e não só as características qualitativas e organolépticas dos produtos finais. O aumento de produtividade das vacas leiteiras deverá levar igualmente a uma menor emissão de gases com efeito de estufa e, em paralelo, o desenvolvimento e otimização de soluções de aproveitamento energético, como o biogás, ajudarão a promover a sustentabilidade ambiental do setor. No que diz respeito ao tamanho do efetivo leiteiro prevê-se que, em 2030, o mesmo possa estar reduzido a 19,2 milhões de cabeças, um decréscimo de 7% face a 2020. Para além das fronteiras do Velho Continente, a produção leiteira ao longo da próxima década deverá registar crescimentos especialmente notórios nas economias em desenvolvimento, em paralelo com uma maior eficiência de processamento, o que irá fortificar a sua capacidade de aprovisionamento interno. No entanto, o crescimento populacional, a massificação urbana e o aumento do poder de compra serão fortes impulsionadores das importações, especialmente de produtos de maior valor acrescentado, que satisfaçam necessidades nutricionais específicas ou certos estilos de vida. Ainda assim, as importações de produtos lácteos deverão cair para as 1,3 milhões de toneladas anuais durante a próxima década, contra 2,3 milhões anuais nos últimos dez anos. Ainda sob o manto de incerteza associado à pandemia que vivemos, muitos serão os desafios que o setor leiteiro terá de enfrentar, e em várias frentes. Mas as crises são igualmente uma oportunidade para a

muitos operadores económicos como restaurantes e hotéis, fortes consumidores de produtos lácteos, se viram obrigados a fechar portas devido ao confinamento geral. Este projeto, denominado SMART-ET, irá assim usar dados recolhidos de vários intervenientes do setor durante a pandemia, de forma a conseguir prever alterações

reinvenção e para solidificar o sucesso futuro. Prova disso é um recente projeto da Universidade de Reading, em Inglaterra, o qual pretende tornar o setor leiteiro mais resiliente em situações extremas que causam alterações súbitas da balança da oferta e da procura, como o que aconteceu no “olho do furacão” da pandemia, em que

súbitas no mercado e a promover uma reorganização rápida e eficaz da cadeia de produção de abastecimento em situações semelhantes, através de ferramentas digitais. Na base deste modelo estará igualmente o estabelecimento de um canal rápido de comunicação entre produtores, distribuidores e fabricantes.

TABELA 1 PREÇO DO LEITE STANDARDIZADO (1) Preço leite (€/100 kg) outubro 2020

Média útimos 12 meses (5)

Países

Companhia

Alemanha

Alois Müller

31.57

31.50

Dinamarca

Arla Foods

32.33

32.48

França

Danone Lactalis (Pays de la Loire) Sodiaal

35.09 33.99 35.79

34.81 34.59 34.71

Inglaterra

Dairy Crest (Davidstow)

31.87

30.72

Irlanda

Glanbia Kerry

31.15 31.70

30.46 31.29

Itália

Granarolo (North)

37.87

38.83

Holanda

DOC Cheese Friesland Campina

33.19

33.69

Nova Zelândia

Fonterra (3)

29.14

30.56

EUA

EUA

45.06

39.95

Preço médio leite(2) (4)

Fonte: LTO; (1) Preços sem IVA pagos ao produtor; Preço do leite de diferentes empresas leiteiras para 4,2% de MG, 3,4% de teor proteico e CCS de 249,999/ml . (2) Média aritmética . (3) Baseado na previsão mais recente (4) Reportado pela USDA . (5) Inclui o pagamento suplementar mais recente.

TABELA 2 LEITE À PRODUÇÃO, PREÇOS MÉDIOS MENSAIS EM 2019/2020

2019

2020

Teor médio de matéria gorda (%)

€/kg

Meses

Teor proteico (%)

Contin.

Açores

Contin.

Açores

Contin.

Açores

outubro

0,315

0,293

3,89

3,82

3,34

3,29

novembro

0,315

0,294

3,93

3,84

3,37

3,32

dezembro

0,314

0,294

3,90

3,83

3,34

3,30

janeiro

0,314

0,297

3,89

3,70

3,34

3,20

fevereiro

0,312

0,289

3,81

3,65

3,28

3,18

março

0,311

0,290

3,78

3,62

3,26

3,18

abril

0,312

0,289

3,78

3,66

3,25

3,20

maio

0,311

0,280

3,74

3,63

3,21

3,17

junho

0,308

0,281

3,67

3,68

3,19

3,17

julho

0,306

0,277

3,68

3,68

3,19

3,13

agosto

0,310

0,273

3,73

3,66

3,18

3,08

setembro

0,313

0,282

3,73

3,75

3,26

3,20

outubro

0,315

0,282

3,90

3,83

3,36

3,22

Fonte: SIMA; Gabinete de Planeamento e Políticas.

083


#40 | jan. fev. mar. 2021

REVISTA RUMINANTES

ÍNDICE VL-ERVA | AÇORES

A RENTABILIDADE DAS EXPLORAÇÕES DE LEITE COM ESTE TRABALHO PRETENDE-SE FAZER A ANÁLISE DA RENTABILIDADE DAS EXPLORAÇÕES DE LEITE NOS AÇORES DURANTE OS ÚLTIMOS 7 ANOS, NO PERÍODO DE JULHO DE 2013 A JULHO DE 2020. 1

Por Rodrigues, A.M.1, Vouzela, C.2 e Marques, N.3 | Fotos A. Moitinho, N. Marques Escola Superior Agrária de Castelo Branco e CERNAS-IPCB, amrodrig@ipcb.pt. | 2 IITAA, Universidade dos Açores | 3 Revista Ruminantes

084


ARentabilidade rentabilidade das das explorações explorações de de leite leite nos nos Açores Açores.

ÍNDICE VL-ERVA

A

s despesas com a alimentação da vaca leiteira representam entre 50% e 71,3% do total dos encargos relacionadas com a produção de 1 kg de leite influenciando a rentabilidade da exploração. Este trabalho pretende evidenciar o efeito que a maior utilização de pastagem na primavera/verão tem sobre o aumento do Índice VL-ERVA (IVLE) e, consequentemente, sobre o aumento da rentabilidade da exploração. O IVLE é o resultado do quociente entre o valor que o produtor açoriano recebe pelo leite que produz e os custos com

a alimentação de uma vaca leiteira tipo. Para satisfazer as necessidades nutricionais diárias desta vaca foram formulados dois regimes alimentares: de primavera/verão (P/V) (60 kg de pastagem, 10 kg de feno-silagem de erva e silagem de milho, 5,6 kg de concentrado); de outono/inverno (O/I) (47 kg de pastagem, 13,3 kg de feno-silagem de erva e silagem de milho, 6,7 kg de concentrado). Para os 84 meses analisados obtiveram-se os seguintes resultados: maior IVLE na P/V (2,146 ±0,191) relativamente ao O/I (1,859±0,132) (p<0,05); tendência para redução do valor do Índice VL-ERVA de

085

julho de 2013 a julho de 2020; redução de custos com alimentação na P/V (2,83 €/ dia ±0,081) relativamente ao O/I (3,35 €/ dia ±0,108) (p<0,05); correlação positiva entre o preço do leite e o IVLE (r=0,584; P<0,01); correlação negativa entre o custo da alimentação e o IVLE (r=-0,648; P<0,01); correlação positiva entre o preço do concentrado e o preço do leite (r=0,669; p<0,01). Concluiu-se que o maior consumo diário de pastagem na P/V e o consequente menor consumo de concentrado e de forragens conservadas permite reduzir custos com a alimentação da vaca e aumentar o IVLE.


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REVISTA RUMINANTES

INTRODUÇÃO As despesas com a alimentação da vaca leiteira têm um forte impacto sobre os custos de produção de leite. Representam entre 50% a 60% do custo total da produção de 1 kg de leite (Alqaisi et al., 2011; Ribas, 1997) podendo subir até aos 68% quando o regime alimentar inclui elevados níveis de concentrados (Buss e Duarte, 2011). Baptista et al. (2012), num trabalho sobre aplicação de medidas de eficiência energética em explorações de bovinos de leite em Portugal, referem valores que variam entre 56,7% e 63,6%. Por sua vez, Sottomayor et al. (2012) ao analisarem resultados de 5 explorações tipo de bovinos de leite localizadas no litoral Norte e Centro de Portugal (LNC), de 3 explorações tipo localizadas no interior Norte e Centro de Portugal (INC) e 3 explorações tipo localizadas no Sul de Portugal, verificaram que o peso dos custos com a alimentação das vacas variaram entre 59,3% no LNC, 65,6% no INC e 71,3% no Sul. Devido ao forte impacto dos custos da alimentação no preço do leite de vaca, uma forma de avaliar a rentabilidade das explorações de vacas leiteiras é relacionar o valor recebido por kg de leite vendido e os custos com a alimentação da vaca. Alguns autores usam o income

over feed costs como forma rápida de avaliar a rentabilidade da exploração (Thanh e Suksombat, 2015; Buza et al., 2014; Hardie et al., 2014). Outros autores (Schröer-Merker et al., 2012 e Wolf, 2010) consideram que o valor obtido a partir do quociente entre a receita do leite e o custo do alimento constituem uma melhor forma de avaliar a rentabilidade da exploração. Através do quociente entre a receite do leite, como principal input, e a despesa com a alimentação, como o principal output, obtém-se um índice que permite avaliar a rentabilidade da exploração através da monitorização da evolução dos preços do leite e da alimentação. De forma simplificada, este indicador de rentabilidade mostra quanto alimento um agricultor pode comprar após vender 1 kg de leite. Quando o índice obtido é igual a 1, significa que o preço que o produtor recebe pelo leite produzido é igual ao custo da alimentação da vaca. Estamos perante um indicador muito desfavorável para o produtor, altamente penalizador para o sucesso económico da exploração já que o negócio apenas paga a alimentação. Se o índice se situar entre 1 e 1,5 estamos perante um valor muito baixo que indica forte ameaça para a rentabilidade da exploração. Quando o valor encontrado é superior a 1,5 e inferior a 2, significa que 086

"AS DESPESAS COM A ALIMENTAÇÃO DA VACA LEITEIRA [...] REPRESENTAM ENTRE 50% A 60% DO CUSTO TOTAL DA PRODUÇÃO DE 1 KG DE LEITE, PODENDO SUBIR ATÉ AOS 68% QUANDO O REGIME ALIMENTAR INCLUI ELEVADOS NÍVEIS DE CONCENTRADOS."

estamos perante um índice moderado. Indica que a produção de leite é um negócio viável. Se o índice for superior a 2, indica que estamos perante um valor elevado, muito favorável para o sucesso económico da exploração (SchröerMerker et al., 2012). O efeito do custo da alimentação sobre o custo total do leite produzido está dependente do sistema de alimentação utilizado (sistema de alimentação baseado no pastoreio ou em forragens produzidas na própria exploração vs sistema de alimentação baseado


Rentabilidade das explorações de leite nos Açores

ÍNDICE VL-ERVA

TABELA 1 NECESSIDADES NUTRICIONAIS DIÁRIAS PARA A VACA TIPO DOS AÇORES (NRC, 2001; AFRC, 1993) Parâmetro

Necessidades diárias

CIMS

≤19 kg MS

EM

≥185 MJ

PB

≥1817 g

RDP

≥1439 g

RUP

≥378 g

NDF

≥6650 g (≥35% CIMS)

NFC

≤8360 g (≤44% CIMS)

[energética]

9,74 MJ/kg CIMS

MS – matéria seca, CIMS – capacidade de ingestão de matéria seca, EM – energia metabolizável, PB – proteína bruta, RDP – proteína degradável no rúmen, RUP – proteína não degradável no rúmen, NDF – fibra em detergente neutro, NFC – hidratos de carbono não fibrosos; [energética] – concentração energética.

na utilização de elevados níveis de concentrado) (Alqaisi et al., 2011). Os preços do leite e de algumas matériasprimas são muito voláteis, podendo apresentar grandes variações ao longo do ano. Estas flutuações podem ter um impacto negativo na rentabilidade das explorações. Se o preço do leite cai e se o preço dos alimentos sobe, a rentabilidade da exploração diminui. Embora a variação destes fatores não ande de “mãos dadas” a sua monitorização é uma forma simples de sabermos como vai o negócio do leite e qual a sua tendência. O produtor individual não pode influenciar o preço do leite nem o das matérias-primas que entram na constituição dos alimentos compostos, mas pode avaliar os regimes alimentares que utiliza e reduzir os custos com a alimentação de todos os animais da exploração. Melhorar a gestão de forragens e pastagens de gramíneas e leguminosas produzidas na própria exploração são opções muito interessantes para os produtores de leite. Além de contribuírem para um regime alimentar mais equilibrado, acrescentam benefícios em termos da gestão/ utilização do estrume produzido pelas vacas (Cherney et al., 2009). Desde outubro de 2013 (Rodrigues et al., 2013) que a revista Ruminantes

(Ruminantes, Ano 3 – N.º 11) tem vindo a publicar o Índice VL. Este indicador pretende refletir a rentabilidade da produção de leite no continente português. A partir de outubro de 2014 (Rodrigues et al., 2014) esta mesma revista (Ruminantes, Ano 4 – N.º 15) passou também a publicar o Índice VLERVA. Este indicador pretende refletir a rentabilidade da exploração de leite na Região Autónoma dos Açores onde a alimentação das vacas está muito dependente das pastagens naturais que existem nos Açores. No atual número da Ruminantes vamos fazer a análise retrospetiva dos 7 anos de avaliação do Índice VL-ERVA (de julho de 2013 a junho de 2020). MATERIAL E MÉTODOS Os produtores de leite devem monitorizar permanentemente a rentabilidade da sua exploração. Como os custos com a alimentação da vaca representam uma elevada percentagem dos custos totais associados ao sistema de produção de leite, é fundamental entender os princípios da alimentação da vaca leiteira, especialmente quando o preço do leite é baixo. Neste trabalho avaliaram-se, para a Região Autónoma dos Açores, 84 meses de preços do leite (€/kg), de preços de matérias-primas 087

(€/kg) e de regimes alimentares (€/ kg), divididos em dois períodos anuais, primavera/verão (abril a setembro) (P/V) e outono/inverno (outubro a março) (O/I). Utilizou-se como indicador de rentabilidade o Índice VL-ERVA (IVLE) calculado a partir de IVLE = €PL / €AV, em que €PL corresponde ao valor que o produtor recebe pela produção média diária de leite por vaca e €AV corresponde ao custo diário da alimentação da vaca. O valor pago pelo leite foi obtido através da consulta à página Web SIMA - Cotações de Produtos Agrícolas (gpp.pt). O custo diário da alimentação teve em consideração os preços das matériasprimas que são divulgados semanalmente pela revista Ruminantes e o preço das forragens na Região Autónoma dos Açores. Considerámos como vaca tipo dos Açores um animal com 580 kg de peso vivo, 168 dias em leite (396 dias intervalo parto-parto; 116 dias intervalo parto inseminação artificial fecundante; secagem 60 dias pré-parto), 20,5 kg de produção média diária de leite com 3,80% de gordura e 3,16% de proteína. Determinámos as necessidades energéticas e proteicas que constam da Tabela 1. Devido à variação na disponibilidade de pastagem que é influenciada pelas


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REVISTA RUMINANTES

FIGURA 1 REPRESENTAÇÃO GRÁFICA DA EVOLUÇÃO DO ÍNDICE VL-ERVA (JULHO DE 2013 A JUNHO DE 2020) 2,700

2,500

2,300

2,100

1,900

1,700

1,500

condições climáticas sazonais dos Açores, foram formulados dois regimes alimentares isoenergéticos. Um regime alimentar de primavera/verão (60 kg/ dia de pastagem verde, 10 kg/dia de silagem de erva e silagem de milho, 5,6 kg/dia de concentrado) e um regime alimentar de outono/inverno (47 kg/dia de pastagem verde, 13,3 kg/dia de silagem de erva e silagem de milho, 6,7 kg/dia de concentrado). O concentrado utilizado foi formulado com milho, bagaço de soja 44, bagaço de girassol, bagaço de colza e cevada (76%) e 24% de outras matérias-primas. Este, tem a seguinte composição química com base na matéria seca: 11,8 MJ/kg MS; 17,1% PB; 4,3% GB; 21,3% NDF; 46,8% NFC; 6,3% cinzas; 11,0% humidade. Tratamento estatístico O tratamento foi efetuado utilizando o software SPSS para um nível de confiança de 95%. Para cada parâmetro foi determinada a média e o desvio padrão da amostra e utilizou-se o teste T-Student. Sempre que necessário, determinaramse os coeficientes de determinação (r2) e correlação de Pearson (r). APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DE RESULTADOS A maior utilização de pastagem na P/V permitiu melhorar a rentabilidade das explorações de leite nesta época do ano. O custo da alimentação diária da vaca tipo foi significativamente mais elevado (p<0,05) no O/I (3,35 €/dia ±0,108) do que na P/V (2,83 €/dia ±0,081) embora o preço médio do leite pago ao produtor

não tenha, do ponto de vista estatístico, variado entre a P/V (0,297 €/kg ±0,026) e o O/I (0,304 €/kg ±0,024). Estes dois fatores associados permitiram verificar que o Índice VL-ERVA foi significativamente maior (p<0,05) na P/V (2,146 ±0,191) do que no O/I (1,859 ±0,132). De acordo com Schröer-Merker et al. (2012), se o índice calculado for superior a 2 indica que estamos perante um valor favorável para o sucesso económico da exploração de leite e se estiver situado entre 1,5 e 2, significa que estamos perante um índice moderado, indicando que a produção de leite é um negócio viável. Ao observar os dados relativos à análise do Índice VL-ERVA, verificamos que na época P/V a rentabilidade é mais elevada e como tal favorável ao sucesso económico das explorações de bovinos de leite. Os custos de produção de pastagem são muito baixos e a maior inclusão deste alimento no regime alimentar permite reduzir os custos diários com a alimentação. Entre julho de 2013 e junho de 2020 identificou-se uma tendência para a redução do valor do Índice VLERVA. Embora os valores calculados tenham sido sempre superiores a 1,5, esta evolução indica uma redução na rentabilidade das explorações de bovinos de leite nos Açores. O Índice VL-ERVA mais elevado foi obtido em setembro de 2014 (2,619) e o mais baixo em fevereiro de 2017 (1,658) (Figura 1), tendo a P/V apresentado sempre valores mais elevado do que o de O/I (Figura 1). Uma vez que tanto o preço do leite e como o custo da alimentação da 088

vaca influenciam o Índice VL-ERVA, determinámos uma correlação positiva entre a evolução do preço do leite e a evolução do Índice VL-ERVA (r=0,584; P<0,01) (maior preço do leite – maior Índice VL-ERVA) e uma correlação negativa entre a evolução do custo da alimentação da vaca com o Índice VLERVA (r=-0,648; P<0,01) (menor preço do alimento – maior Índice VL-ERVA). Um dos objetivos deste trabalho também foi perceber o efeito que o preço do concentrado pode ter sobre o preço do leite. Para esta análise, determinaramse as correlações existentes entre o preço do concentrado utilizado neste trabalho e os preços das cinco principais matérias-primas que entraram na sua formulação. Para os 84 meses em análise determinaram-se correlações positivas entre o preço do concentrado e do milho (r=0,596; p<0,01), da cevada (r=0,512; p<0,01), do bagaço de soja 44 (r=0,916; p<0,01), do bagaço de colza (r=0,739; p<0,01) e do bagaço de girassol (r=0,673; p<0,01) significando que

"A CORRELAÇÃO POSITIVA ENTRE O PREÇO DO CONCENTRADO E O PREÇO DO LEITE (R=0,669; P<0,01), DETERMINADA PARA OS 84 MESES DE ANÁLISE, INDICANOS QUE QUANDO AUMENTA O PREÇO DO CONCENTRADO TAMBÉM AUMENTA O DO LEITE."


Rentabilidade das explorações de leite nos Açores

ÍNDICE VL-ERVA

FIGURA 2 REPRESENTAÇÃO GRÁFICA DA EQUAÇÃO DE REGRESSÃO [PREÇO DO LEITE (€/KG) = -0,015 + 1,027 X PREÇO DO CONCENTRADO] (R2=0,448; P<0,01)

Preço do leite 0,360

0,340

0,320

0,300

0,280

0,260 0,280 0,300 0,320 0,340 0,360

Preço do concentrado (€/kg)

quando aumenta o preço da matériaprima aumenta também o preço do concentrado. Constatou-se, como seria de esperar, que o preço das matériasprimas influenciaram positivamente o preço do concentrado (matérias-primas mais caras - concentrado mais caro). As matérias-primas são adquiridas no mercado internacional a preços que variam quase diariamente pelo que as fábricas de rações têm muita dificuldade em contornar este aspeto. Acerca desta questão, os custos com a alimentação da vaca diminuem quando aumenta a quantidade de alimentos produzidos na própria exploração. Normalmente são alimentos forrageiros cujo preço de produção é muito inferior e o produtor consegue controlar facilmente, apresentando uma interessante relação preço / qualidade nutricional (Rodrigues et al., 2012 e Alqaisi et al., 2011). Ao analisarmos a correlação entre o preço do leite e o preço do concentrado, determinámos o valor r=0,669 (p<0,01). Calculámos a equação de regressão Preço do leite (€/kg) = -0,015 + 1,027 x preço do concentrado, cuja representação gráfica é apresentada na Figura 2. A correlação positiva entre o preço do concentrado e o preço do leite (r=0,669; p<0,01), determinada para os 84 meses de análise, indica-nos que quando aumenta o preço do concentrado também aumenta o do leite (Figura 2). Esta constatação parece-nos no mínimo curiosa. As fábricas de ração, pelo que atrás foi exposto, terão muita dificuldade em controlar o preço a que

compram as matérias-primas pelo que o mais provável é que as entidades que compram o leite façam o ajustamento do preço a pagar ao custo do concentrado, um dos fatores de produção que os produtores de leite não conseguem substituir na totalidade. Dados publicados pelo MMO (2020) permitem constatar que o preço médio do leite pago ao produtor português em outubro de 2020 foi, mais uma vez, muito baixo (0,3037 €/kg) mesmo em comparação com a nossa vizinha Espanha (0,3272 €/kg). Considera-se inadmissível que no mês de outubro de 2020 Portugal tenha, de novo, integrado o lote de países da UE27 com preços mais baixos pagos ao produtor (Portugal 0,3037 €/kg, Hungria 0,2940 €/ kg, Estónia 0,2890 €/kg, Letónia 0,2829 €/kg) e muito mais baixos do que os pagos aos produtores dos 5 países maiores produtores de leite da UE27, com destaque para os preços pagos aos produtores franceses (0,3777 €/kg), italianos (0,3549 €/kg) e holandeses (0,3375 €/kg) (MMO, 2020), países onde há grande tradição na produção de queijo, um produto de maior valor acrescentado. A situação que tem vindo a ocorrer em Portugal desde há vários meses, parece significar que as principais organizações que recolhem e transformam leite em Portugal não conseguem acrescentar valor ao produto leite. Além disso, a grande distribuição parece valorizar muito pouco este produto. Só acrescentando valor ao leite recolhido é que será possível pagar melhor aos produtores, uma questão fundamental para melhorar a rentabilidade das explorações. CONSIDERAÇÕES FINAIS Os resultados obtidos neste trabalho permitem-nos concluir que há uma redução significativa nos custos com a alimentação das vacas na primavera/ verão o que vai influenciar o Índice VL-ERVA que, nesta época do ano, é significativamente mais elevado e favorável para o sucesso económico da exploração de leite. Na primavera/verão há maior consumo de pastagem e menor consumo de concentrado e de forragens conservadas o que contribui para o aumento da rentabilidade da exploração. No entanto, esta situação inverte-se no 089

"A SITUAÇÃO QUE TEM VINDO A OCORRER EM PORTUGAL DESDE HÁ VÁRIOS MESES, PARECE SIGNIFICAR QUE AS PRINCIPAIS ORGANIZAÇÕES QUE RECOLHEM E TRANSFORMAM LEITE EM PORTUGAL NÃO CONSEGUEM ACRESCENTAR VALOR AO PRODUTO LEITE."

outono/inverno altura em que o Índice VL-ERVA é inferior a 2. Determinou-se uma correlação positiva entre a evolução do preço do leite e a evolução do Índice VL-ERVA (maior preço do leite – maior Índice VLERVA) e uma correlação negativa entre a evolução do custo da alimentação com o Índice VL-ERVA (menor preço do concentrado – maior Índice VL-ERVA). Contatou-se que a evolução do preço das cinco matérias-primas utilizadas influenciou positivamente o preço do concentrado formulado para este trabalho (matérias-primas mais caras concentrado mais caro). Para os 84 meses em análise, determinou-se uma correlação positiva (r=0,669; p<0,01) entre o preço do concentrado e o do leite o que indica que quando aumenta o preço do concentrado aumenta o do leite e quando baixa o preço do concentrado baixa o do leite. Os valores publicados pelo Milk Market Observatory em outubro de 2020 mostram que o preço médio do leite pago aos produtores portugueses continua a ser um dos quatro mais baixos da UE27, muito mais baixo do que o preço pago aos produtores de leite de países onde há forte valorização deste produto através da sua transformação em produtos de valor acrescentado. Caso acontecesse o mesmo em Portugal, isto permitiria pagar melhor aos produtores de leite, melhorar o Índice VL-ERVA e, consequentemente, melhorar a rentabilidade das explorações. Referências bibliográficas: consultar o

autor: amrodrig@ipcb.pt


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NOTÍCIAS | VACAS DE LEITE

INVESTIGAÇÃO LEITEIRA O QUE HÁ DE NOVO?

NESTA NOVA RUBRICA A QUE DAMOS INÍCIO, SÃO APRESENTADOS RESUMOS DE TRABALHOS PUBLICADOS NO JOURNAL OF DAIRY SCIENCE. Abordagem académica e aplicada para avaliar a longevidade em vacas leiteiras [Revisão]

PEDRO NOGUEIRA

Engº zootécnico Trouw Nutrition/Shur-Gain Pedro.Nogueira@trouwnutrition.com

ESTA REVISÃO, ESCRITA POR INVESTIGADORES DAS UNIVERSIDADES DE ALBERTA, FLÓRIDA E GUELPH, VISA ESCLARECER A NOÇÃO DE LONGEVIDADE NA INDÚSTRIA DE PRODUÇÃO DE LEITE E FORNECER INFORMAÇÕES SOBRE AS INFLUÊNCIAS QUE AFETAM A VIDA DAS VACAS LEITEIRAS, COMO POR EXEMPLO ASPETOS RELATIVOS AO MANEIO DAS EXPLORAÇÕES E DAS VACAS.

Os autores indicam no artigo que a diminuição do tempo médio de permanência de uma vaca na exploração tem sido uma preocupação crescente na indústria de laticínios. É também mencionado o “Council on Dairy Cattle Breeding”, onde têm sido realizadas bastantes investigações, com foco em fatores genéticos, ambientais e de maneio que afetam o tempo de permanência na exploração, com o objetivo de aumentar a compreensão deste problema e melhorar a lucratividade. O termo longevidade não é fácil de definir, uma vez que a vida das vacas é complexa e muitos fatores contribuem para determinar a verdadeira

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duração da vida produtiva (DVP) de uma vaca, tornando difícil desenvolver objetivos a longo prazo para este parâmetro, específico para cada exploração. É difícil sugerir uma definição única para longevidade para fins de discussões académicas, pois o foco de discussão varia entre os estudos. Ainda assim, é viável padronizar a terminologia utilizada e os autores recomendam as seguintes definições: DVP: a duração da vida produtiva deve ser usada apenas em referência ao tempo de permanência no grupo em lactação, calculado como o número de dias entre o primeiro parto e o abate ou morte.


Investigação leiteira: o que há de novo?

NOTÍCIAS

Vida do Animal (VA): deve ser usada quando se refere ao tempo total que um animal passa na exploração, ao invés do tempo no grupo em lactação, e deve ser medida como o número de dias entre o nascimento e o abate ou morte. Capacidade de permanência: quando se refere à capacidade de uma vaca de evitar o abate, o termo "capacidade de permanência" deve ser usado. No entanto, quando se refere à capacidade de permanecer na exploração até um ponto específico no tempo, o termo “capacidade de sobrevivência” deve ser usado. Capacidade de sobrevivência: O termo "sobrevivência" deve ser usado para descrever a proporção de vacas que sobrevivem até um ponto específico no tempo, e deve ser calculado como o número de vacas que sobreviveram até um determinado ponto no tempo, dividido pelo número de vacas incluídas no grupo de oportunidade. Além disso, o ponto de interesse deve ser incluído na definição (por exemplo, sobrevivência até 48 meses de idade ou sobrevivência até 12 meses de vida produtiva). Os autores enfatizam que é importante reconhecer que algumas vacas são menos eficientes a produzir leite do que outras e que a eficiência da produção da exploração aumenta quando a DVP das vacas menos eficientes, é menor. Vacas melhores devem ser mantidas na exploração, e vacas menos valiosas substituídas. Portanto, uma meta mais realista para a indústria de laticínios é otimizar em vez de aumentar a longevidade ou DVP. Isso pode ser parcialmente alcançado através do uso de testes genómicos para criar apenas as novilhas com o melhor potencial genético. Ou seja, os produtores devem ter como objetivo fazer com que cada vaca alcance a sua capacidade

de desempenho máximo fenotípico, fornecendo um ambiente favorável por meio de maneio ideal (o que também reduz o abate involuntário e muda o abate forçado para o abate económico), para que ela possa atingir o seu potencial genético. Portanto, o objetivo deve ser otimizar a longevidade, ao invés de se maximizar a vida útil. Por sua vez, isto irá maximizar a eficiência geral de produção das explorações leiteiras.

Alimentação com subprodutos de panificação, como substitutos dos grãos, em vacas leiteiras NESTE ARTIGO, ESCRITO POR INVESTIGADORES AUSTRÍACOS, INVESTIGOU-SE O USO DE SUBPRODUTOS DE PANIFICAÇÃO (SP) NA DIETA DE RUMINANTES. É comum usar grãos amiláceos (cereais) como parte da dieta das vacas leiteiras. No entanto, os grãos de cereais são ingredientes comestíveis para humanos e a redução da sua utilização na alimentação de ruminantes tornou-se recentemente mais importante por forma a aumentar a produção líquida de alimentos. Isto pode ajudar a melhorar a sustentabilidade na produção animal. Outro aspeto crítico do uso de grãos na alimentação do gado é que grãos amiláceos estão associados a vários riscos, especialmente distúrbios de fermentação ruminal, como a acidose ruminal subaguda (SARA). Padarias e supermercados geram grandes quantidades de desperdícios de produtos de panificação, principalmente de produtos não vendidos (tais como pão fatiado, croissants, biscoitos, bolos, massas), que não são consumidos em grande parte devido às preferências dos

consumidores por produtos frescos. Os autores referem que, nutricionalmente, estes produtos têm um conteúdo energético ligeiramente superior ao dos grãos amiláceos, e o perfil dos produtos de fermentação ruminal precursores de energia é diferente do dos grãos amiláceos. Por exemplo, embora os subprodutos de panificação (SP) contenham menos amido, estes contêm mais gordura e açúcares, e menos fibras, do que os grãos de cereais originais. Uma das preocupações ao usar SP é que há grandes mudanças químicas que ocorrem durante o cozimento. Isto pode ser um problema do ponto de vista da nutrição de ruminantes, uma vez que tratamentos extensivos (trituração, aquecimento) podem aumentar a degradação do amido no rúmen, podendo afetar o consumo da dieta e criar problemas de saúde ruminal e metabólica. Para este estudo, os autores utilizaram 24 vacas Simental em lactação (149 ± 22,3 dias em leite, com 2.63 ± 1,38 lactações e 756 ± 89,6 kg de peso corporal inicial). As vacas foram alimentadas com uma dieta tipo unifeed contendo uma proporção entre forragem e concentrado de 50:50, durante todo o ensaio. Os investigadores mediram continuamente o consumo de matéria seca e o pH reticuloruminal. Amostras de sangue e leite também foram recolhidas todas as semanas. As análises da dieta mostraram que a inclusão de SP aumentou os teores de extrato etéreo (gordura) e açúcar da dieta, enquanto o amido e a fibra neutro detergente diminuíram. Dados experimentais mostraram que a utilização de SP na dieta aumentou a ingestão de matéria seca. Além disso, as vacas alimentadas com 30% de SP produziram cerca de 4 kg/dia a mais de leite (30,6 L vs 35,1 L) bem como leite corregido pela energia

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(29,4 L vs 34,3 L) do que as vacas de controle (as dietas não eram iso-calóricas, isto é, a dieta com subprodutos de panificação tinha mais energia do que a dieta com cereais). Um resultado interessante foi que vacas alimentadas com 15% de SP tiveram menos tempo em que o pH ruminal estava abaixo de 5,8. Tomados em conjunto, os resultados sugerem que a inclusão de até 30% da SP nas dietas de vacas leiteiras a meio da lactação, mudou o perfil nutricional da dieta à base de amidos para à base de açúcar e gordura, com potencial de melhorar o desempenho e diminuir o risco de acidose ruminal subaguda em vacas leiteiras.

Comparação de duas estratégias alimentares para vacas secas ESTE ARTIGO AJUDA A RESPONDER A UMA PERGUNTA QUE FREQUENTEMENTE OUVIMOS QUANDO CONVERSAMOS COM PRODUTORES DE LEITE: É MELHOR TER DUAS DIETAS PARA VACAS SECAS, VACA SECA E PRÉ-PARTO, OU A MESMA DIETA PARA VACAS SECAS DURANTE TODO O PERÍODO SECO É SUFICIENTE? Os autores elaboraram 3 dietas: uma dieta de baixa energia (BE), alta em fibra, fornecida durante todo o período seco; uma dieta de alta energia (AE) fornecida durante o todo o período seco e uma combinação destas (BE + AE), ou seja, uma dieta de baixa energia fornecida durante o período de vaca seca e uma dieta rica em energia fornecida durante o período de pré-parto. O objetivo era determinar se a dieta de baixa energia fornecida durante todo o período seco melhora o estado metabólico e a produção de vacas leiteiras em comparação com as outras duas. Três grupos de 25 vacas Holstein (com 10 vacas primíparas em cada grupo) foram designados


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para cada uma das 3 dietas, começando a consumir a dieta 60 dias antes da data esperada do parto. Os autores indicam que a alimentação de vacas com energia controlada durante o período seco afeta a saúde peri-parturiente, o consumo de matéria seca pós-parto (CMS) e o desempenho da lactação seguinte. Alguns estudos identificaram que a nutrição durante o início do período seco é mais importante do que a nutrição durante o período de pré-parto para o sucesso da transição. Eles também referem que restringir a quantidade de alimento oferecido às vacas é difícil em sistemas de alojamento em estabulação livre. Vacas agressivas terão ingestão ad libitum, enquanto vacas mais tímidas podem ter ingestão severamente limitada. Isso levou à ideia de incluir palha ou outra forragem volumosa em dietas unifeed, o que é uma boa forma de alimentar as vacas para uma ingestão ad libitum, mas ainda controlando os níveis de ingestão de energia. Os autores afirmam que muitos agricultores continuam a usar uma dieta “steam-up” ou de pré-parto de maior densidade de nutrientes antes do parto com base nas recomendações de nutricionistas, mas que, surpreendentemente, existe pouca evidência em termos de investigação para apoiar essa prática. Por outro lado, programas de vacas secas com uma dieta única e um grupo único têm mérito para explorações de pequeno e médio dimensão que têm dificuldade em criar vários grupos e vários unifeeds diferentes. Além disso, muitas explorações misturam novilhas de primeiro parto com vacas mais velhas, mas poucas pesquisas estão disponíveis para avaliar os resultados nutricionais dessa prática.

Os resultados do estudo confirmam respostas metabólicas geralmente favoráveis em vacas alimentadas com BE durante todo o período seco, em comparação com AE ou BE + AE. Também indicam um aumento no acúmulo de lipídios no fígado e uma maior acetonemia devida à mobilização das reservas corporais em vacas AE, aumentando a probabilidade de fígado gordo e problemas subsequentes. O controle da ingestão de energia das vacas durante o período de seca minimiza o acumulação de lipídios e a acetonemia no fígado pós-parto. Comparado com BE, o tratamento BE + AE neste estudo não beneficiou as vacas de forma apreciável, exceto por pequenos aumentos na gordura do leite. Assim, a inconveniência de se formular uma dieta diferente para um outro grupo não seria justificada por um benefício económico significativo. Na verdade, o aumento prolongado da acumulação de gordura e corpos cetónicos no fígado no pós-parto sugere que essa abordagem pode, na verdade, aumentar o risco metabólico para vacas no pós-parto. Durante o estudo, as vacas primíparas geralmente responderam às dietas da mesma forma que vacas multíparas. A estratégia de alimentação BE + AE não proporcionou nenhum benefício sobre a dieta BE.

Deteção da dermatite digital através da visão computacional, um tema importante COM ESTE ESTUDO, DE INVESTIGADORES DA UNIVERSIDADE DE WISCONSIN, PRETENDEUSE DESENVOLVER E IMPLEMENTAR UMA NOVA FERRAMENTA DE VISÃO COMPUTACIONAL (COMV) 092

PARA IDENTIFICAR LESÕES DE DERMATITE DIGITAL (DD) (TAMBÉM CHAMADA DE MORANGO) NUMA EXPLORAÇÃO COMERCIAL DE PRODUÇÃO DE LEITE. Para isso, os investigadores usaram um banco de dados de 3.500 imagens de lesões DD e treinaram um modelo para esclarecer o que é o estádio M da DD. A dermatite digital é dolorosa, está associada à diminuição da produção de leite, claudicação severa e infertilidade, e é considerada um grande problema de bem-estar animal e produção em vacas leiteiras. Os autores afirmam que a identificação e o tratamento imediato das lesões reduzem a prevalência dentro de uma exploração, mas requerem amplo treinamento dos funcionários, numa indústria que tem uma alta taxa de rotatividade de funcionários. Consequentemente, a deteção de DD é frequentemente inferior ao ideal em explorações leiteiras comerciais. É aqui que a visão computacional (COMV) entra em jogo. Os autores mencionam que os métodos COMV para deteção de doenças, como aqueles usados para reconhecimento facial e de impressões digitais em dispositivos portáteis, se estão a tornar mais comuns na medicina veterinária e fornecem uma oportunidade única para deteção de DD. Se bem que a deteção precoce de DD seja difícil, a visão computacional pode ser usada para melhorar a deteção precoce de DD em explorações leiteiras comerciais. Todas as imagens no banco de dados do estudo foram classificadas para o estágio M por um investigador treinado, usando o sistema de classificação de estágio M DD descrito por Dopfer et al. (1997) e Berry et al. (2012). Com base neste

sistema de classificação, as imagens de vacas em que foi observada pele normal na pata foram classificadas como M0 (unhas saudáveis). As imagens que mostraram lesões DD ulcerativas agudas e ativas ≥20 mm de diâmetro foram classificadas como M2, e as imagens que mostraram lesões crónicas caracterizadas por um epitélio espesso (hiperqueratose) foram classificadas como M4H (unhas afetadas cronicamente). Os autores testaram o sistema numa exploração comercial em tempo real, colocando uma câmara numa ordenha rotativa ao nível das patas, de forma que a câmara obtivesse imagens das patas das vacas enquanto elas passavam a sua frente. Simultaneamente, um investigador treinado, classificou as mesmas vacas. O estudo concluiu que o modelo detetou DD com uma precisão de 88%. Olhando para o futuro, os autores afirmam que um modelo COMV ideal para deteção de DD teria 2 componentes adicionais: expansão do banco de dados de treinamento para incluir mais imagens e aumentar o número de explorações, para maior implementação e aceitação nas explorações. Além disso, um aplicativo para dispositivos portáteis permitiria que produtores comerciais, veterinários, aparadores de cascos e outros profissionais tirassem fotos de lesões DD e obtivessem classificações de estágios M automaticamente, em tempo real. A implementação de ferramentas COMV para deteção de DD oferece uma oportunidade para identificar vacas para tratamento de DD, o que tem o potencial de diminuir a prevalência de DD e melhorar o bem-estar animal em explorações leiteiras comerciais.


A população de gado na UE

NOTÍCIAS

POPULAÇÃO DE GADO, UE, 2010-2019 (index 2010=100 no efetivo) Suínos

Bovinos

Caprinos

Ovinos

A POPULAÇÃO DE GADO NA UE A população pecuária da União Europeia (EU) em dezembro de 2019 (última atualização disponível) estava distribuída da seguinte forma: 143 milhões de suínos, 77 milhões de bovinos, 62 milhões de ovinos* e 12 milhões de cabras*. De um modo geral, os maiores Estados-Membros criavam mais gado: - a Espanha representava 22% dos suínos da UE, 9% dos bovinos da UE, 25% dos ovinos da UE e 23% dos caprinos da UE. - a Alemanha representava 18% dos suínos da UE e 15% dos bovinos da UE. - a França representava 9% dos suínos da UE, 24% dos bovinos da UE e 12% das ovelhas da UE. Alguns outros Estados-Membros eram relativamente especializados: - a Dinamarca representava 9% da população de suínos da UE e os Países Baixos mais 8%. - a Irlanda representava 9% da população bovina da UE. - a Grécia representava 14% da população ovina da UE e 31% da população caprina. Entre 2010 e 2019, houve flutuações na população das

quatro principais categorias de gado. A população de suínos da UE atingiu um pico de quase 146 milhões em 2017, antes de diminuir novamente. Porém, em 2019, o número de suínos ainda era 3% superior ao de 2010. No mesmo período, a população de gado bovino atingiu um pico de quase 80 milhões em 2016 (um aumento de 3% em relação a 2010), antes de diminuir novamente nos três anos seguintes. Em 2019, era cerca de 1% menor do que em 2010. Em contrapartida, entre 2010 e 2019, a população de ovinos e caprinos manteve uma tendência decrescente, caindo 7% e 8%, respetivamente, em 2019 em comparação com 2010. *Os agregados da UE para ovinos/caprinos derivam das séries cronológicas disponíveis, que abrangem os Estados-Membros cujas populações ovinas/caprinas são significativas. Cobrem, respetivamente, 98% e 96% do total da UE (2015). | Fonte: Eurostat; Gráficos: ec.europa. eu/eurostat. 093


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O MELHORAMENTO GENÉTICO NA SUSTENTABILIDADE DAS EXPLORAÇÕES LEITEIRAS

A

TESTEMUNHOS DE 4 PRODUTORES EM PROCROSS

estratégia de cruzamento para produção de leite com três raças iniciou-se nos anos 2000 nos EUA, envolvendo a alternância de uma raça leiteira diferente para cada geração: Holstein, Montbeliarde da Coopex e VikingRed. O efeito da heterose e a combinação de características complementares melhoram a rentabilidade. No passado mês de novembro a ProCROSS organizou um webinar sob o tema "Breeding for Sustainability of Dairy Farming" (« O melhoramento genético na sustentabilidade das explorações leiteiras”). Quatro produtores de leite, que utilizam o ProCROSS há pelo menos uma década, foram convidados a partilhar as suas experiências e a responder a questões dos participantes. Gary Osmundson, da 6-X Dairy Farm em Oakdale, Califórnia, é um dos precursores do ProCROSS nos EUA, tendo iniciado este programa em 1999 com um “pequeno” grupo de 250 vacas. Atualmente, gere uma exploração com 2.200 vacas e 2.350 novilhas, com uma produção média de 38,1 kg de leite/

vaca/dia, com 3,4% de proteína e 4,08% de gordura. O intervalo entre partos é de 13 meses. Confrontado com problemas de rentabilidade na década de 90, tentou sucessivamente diferentes combinações, com Brown Suisse, Ayrshire... até encontrar a Montbéliarde. "Os estudos realizados pela Universidade do Minnesota confirmaram a nossa intuição do interesse em envolver três raças no cruzamento", explicou. Gert Lassen é um produtor dinamarquês de leite biológico, em Ellinglund Økologi, com 340 vacas ProCROSS. Em 2002 aderiu ao programa motivado por problemas de fertilidade e saúde "Estávamos com Holstein na altura, com uma elevada taxa de refugo, e na altura pensei que o crossbreeding nos poderia ajudar a resolver os problemas de fertilidade e saúde do efetivo”. Scott Opitz, produtor de leite do Texas, com 1.500 vacas, também enfrentava problemas de fertilidade quando começou em 2005 com o ProCROSS, "principalmente devido a problemas de retornos dos cios após o parto".

Filippo Peveri, em Noceto, perto de Parma, Itália, é produtor de queijo Parmesão em biológico. Gere o negócio familiar de 95 vacas de leite num sistema de pastoreio, com fortes exigências relacionadas com o cumprimento das especificações da DOP e da agricultura biológica, para abastecer o lucrativo mercado suíço (a partir de 2022 a quantidade máxima de concentrado no arraçoamento diminuirá de 10 para 5%). "Originalmente com Holstein, também tínhamos problemas de infertilidade, por isso tínhamos que comprar novilhas regularmente. Foi isso que nos convenceu a iniciar o programa ProCROSS”. Apesar dos seus diferentes sistemas de produção – as vacas de Gary Osmundson, na Califórnia, são ordenhadas quatro vezes por dia nos primeiros 40 dias de lactação – todos os quatro produtores são unânimes a descrever os benefícios do ProCROSS. É o aspeto geral da saúde que se destaca primeiro nas suas observações. “As dificuldades de parto quase desapareceram, é um verdadeiro conforto para os meus empregados" observa

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Gary Osmundson. Os custos com veterinários e medicamentos caíram drasticamente. Os animais cruzados são mais capazes de suportar o calor do verão. O mesmo vale para Gert Lassen, que estima os custos totais com veterinário, incluído as vacinações, em 50 €/vaca/ ano. "Em agricultura biológica, ter animais mais saudáveis, com uma vida mais longa, é um verdadeiro trunfo, porque temos limitações no uso de antibióticos" destaca. "Lembro-me que as minhas vacas Holstein recémparidas estavam sempre doentes” disse Gert. O mesmo afirma Scott Opitz: “Lembro-me que as minhas vacas recém-paridas estavam sempre doentes" não me arrependo de virar essa página. "A vitalidade dos vitelos melhorou espetacularmente” disse Peveri. A capacidade para se adaptarem à mudança no arraçoamento, quando passamos do pastoreio para o feno e viceversa, também é muito melhor com o ProCROSS”. A melhoria da saúde em geral também se traduz em melhor fertilidade das vacas. "As vacas voltam ao cio com mais facilidade ", disse Gary Osmundson.


NOTÍCIAS

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O PAPEL DOS OLIGOELEMENTOS COMPREENDER O IMPACTO DE NUTRIENTES ESPECÍFICOS NAS TAXAS DE CRESCIMENTO ESTÁ NO CERNE DE UMA NOVA ABORDAGEM DE ARRAÇOAMENTO DE CARNE BOVINA — DIVULGADA NO THE CATTLE SITE EM OUTUBRO PASSADO.

O programa Precision Nutrition Beef permite analisar vários nutrientes exclusivos em detalhe, com o objetivo de ajudar os produtores de carne bovina a melhorar a eficiência da produção. Matt Witt, nutricionista e responsável técnico da Mole Valley Farmers, explica: “A alimentação representa 75 por cento dos custos variáveis de uma exploração. É a maior parte dos custos de produção. Se houver erros, vão custar muito dinheiro. Atualmente, o software de racionamento de carne bovina é limitado, pois olha apenas para o fornecimento total de energia, ao invés de como essa energia é decomposta. Queremos perceber de que forma essa energia é fornecida, olhando para uma série de nutrientes exclusivos. Ao compreender o impacto desses nutrientes essenciais nas taxas de crescimento, podemos, então, projetar dietas para corresponder aos objetivos de crescimento específicos para cada exploração e reduzir o custo por quilo de ganho para esse produtor. ” Precision Nutrition Beef considera uma série de nutrientes específicos. Em última análise,

a performance ideal do animal depende do equilíbrio entre esses nutrientes. Os nutrientes incluem: • Gluco TN – Refere-se aos precursores da glicose que um animal utiliza para obter energia e crescer. • Carboidratos de fermentação rápida (g/kgDM) - Fornece uma visão mais detalhada do fornecimento de energia. • Carboidratos fermentáveis totais (g/kgDM) - A combinação de energia rápida e lenta. • Índice de fibra estrutural - A quantidade de fibra física na dieta. • Carga de ácido (g/kgDM) Esta é uma indicação da saúde ruminal. A análise de uma amostra de dietas de carne bovina mostrou que os níveis elevados de Gluco TN estão relacionados positivamente com a taxa de crescimento. Ao mesmo tempo, o excesso de fibra - levando a um alto Índice de Fibra Estrutural está negativamente relacionado. O equilíbrio apropriado da ração será ditado pelos objetivos individuais de taxa de crescimento da exploração e pela saúde ruminal. Por exemplo, um agricultor que pretenda um crescimento de 1,2 kg por dia precisará de uma dieta com

um equilíbrio diferente, em comparação com outra que visa 1,7 kg por dia. A equipa de especialistas em carne bovina de Mole Valley Farmers está atualmente no processo de validação de diferentes dietas, a fim de estabelecer recomendações de níveis mínimos e máximos para cada nutriente. Isso envolverá trabalhar com dois ou três agricultores que possam medir as taxas de crescimento para testar a relação entre os diferentes nutrientes e o correspondente desempenho. Matt explica: “Queremos um crescimento eficiente e a baixo custo. Temos que saber onde parar de pressionar para não desperdiçar nutrientes e comprometer o desempenho. Por exemplo, incluir demasiado Gluco TN provavelmente fará aumentar muito a carga de ácido. É importante saber onde está esse máximo para evitar causar distúrbios no rúmen ao invés de obter os benefícios decorrentes da glicose extra." Matt afirma que, em última instância, trata-se de ajudar os produtores de carne a melhorar as suas margens.

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A Carnes da Montanha é uma loja online onde poderá encontrar produtos selecionados e diferenciados, com certificação de Denominação de Origem Protegida (DOP) e a garantia do cumprimento de rigorosos critérios de excelência para levar aos seus cozinhados o máximo de frescura e sabor. Territórios únicos originam um “terroir” destinto e exclusivo nos sabores destas carnes. São animais criados em territórios classificados como reserva da Biosfera da UNESCO, Património Agrícola da FAO, Parques Naturais ou o Mosaico Agrícola do Douro e Minho, que lhes conferem caraterísticas organoléticas capazes de agradar aos paladares mais exigentes. Este novo projeto, lançado no passado dia 18 de dezembro, honra o legado nacional, com a garantia da qualidade ímpar de carne 100% portuguesa, cujo sabor inigualável resulta da harmonia entre a natureza e padrões elevados de bem-estar animal, e é alicerçado em três pilares fundamentais: qualidade, inovação e sustentabilidade. Através do website pode adquirir diversos produtos de carne das raças bovinas Barrosã, Cachena, Jarmelista, Maronesa e Minhota, assim como Packs selecionados para melhor se adequarem à sazonalidade e necessidades de cada cliente. Todos os produtos são acondicionados em vácuo, de forma a ser assegurada toda a conformidade, garantindo um serviço de excelência durante todo o processo. A Carnes da Montanha efetua entregas ao domicílio em todo o Portugal Continental. Esta iniciativa pretende apoiar e dinamizar a produção nacional ao incentivar a compra e o consumo de carne 100% portuguesa, proveniente de animais criados por homens e mulheres que respeitam os saberes e ensina- mentos ancestrais dos seus antepassados, onde o equilíbrio entre o homem, natureza e animal é uma forma de vida. Para encomendas: www.carnesdamontanha.pt


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1º ENCONTRO TRANSNACIONAL

PROJECTO BovINE

NA SEGUNDA PARTE DESTA JORNADA EUROPEIA, FORAM APRESENTADAS QUARENTA INOVAÇÕES E NOVE BOAS PRÁTICAS RELACIONADAS COM AS QUATRO GRANDES ÁREAS TEMÁTICAS DEFINIDAS PELO “BOVINE”. CADA UMA VISA DAR RESPOSTA AOS VÁRIOS DESAFIOS QUE OS PRODUTORES EUROPEUS DE CARNE DE BOVINO ATUALMENTE ENFRENTAM. Por Fontes M.1, Lemos J.P.1, Maio C.2, Pais J.3, Rocha H.2, Stilwell G.1 1 – FACULDADE DE MEDICINA DE VETERINÁRIA, UNIVERSIDADE DE LISBOA; 2 – PROMERT – AGRUPAMENTO DE PRODUTORES DE BOVINOS MERTOLENGOS S.A.; 3 – ACBM – ASSOCIAÇÃO DE CRIADORES DE BOVINOS MERTOLENGOS

WWW.BOVINE-EU.NET ESTE PROJECTO TEM O APOIO FINANCEIRO DO PROGRAMA DE INOVAÇÃO E INVESTIGAÇÃO HORIZONTE 2020 DA UNIÃO EUROPEIA, AO ABRIGO DO CONTRATO Nº 862590.

N

o passado dia 1 de dezembro realizou-se, por via digital, o primeiro encontro transnacional BovINE* que teve como anfitrião o coordenador da rede Polaca no projeto, Jerzy Wierzbicki, presidente da Polish Beef Association (PBA). Este encontro transnacional do BovINE baseou-se em cada um dos nove encontros nacionais realizados pelos parceiros do projeto durante as semanas anteriores. O encontro nacional, realizado em Portugal no final de Outubro, envolveu 176 participantes, com a presença de produtores, técnicos e profissionais da área de produção animal, consultores, empresas fornecedoras de serviços ou produtos para bovinos, organizações da produção, associações, entidades da área do ensino, da área da investigação e da administração pública. As restrições impostas pelo Covid19, ironicamente, têm constituído uma oportunidade única para sermos mais inovadores e permitir reunir grupos verdadeiramente amplos. A primeira parte do evento transnacional contou com a presença de oradores relevantes

PROJETO BovINE

ao nível das políticas agrícolas para o setor, incluindo: Janusz Wojciechowski (Comissário Europeu para a Agricultura), Grzegorz Puda (Ministro da Agricultura e do Desenvolvimento Rural da Polónia), Jean Pierre Fleury (Presidente, Grupo de Trabalho para a carne de bovino, Copa Cogeca), Brendan Golden (Presidente, Comité Nacional de Pecuária, Associação de Agricultores Irlandesa), Jacek Zarzecki (Presidente, Associação Polaca de Produtores de Bovinos de Carne), e Jean Francoise Hocquette (Grupo de Referência Científica da Investigação Internacional de Carne 3GF, INRAE, Presidente da EAAP Cattle Commission).** Na segunda parte desta jornada europeia, foram

apresentadas quarenta inovações e nove boas práticas relacionadas com as quatro grandes áreas temáticas definidas pelo “BovINE”. Cada recomendação procura dar resposta a desafios específicos que os produtores europeus de carne de bovino atualmente enfrentam e que incluem entre outras: a claudicação em bovinos de recria e acabamento, redução da mortalidade em vitelos recém-nascidos, redução da pegada de carbono, planeamento económico, e instrumentos de monitorização e recolha de dados nos animais em produção. Do total de informação apresentada, destacamos algumas inovações e boas práticas a seguir descritas.*** 096

*O BovINE é um projeto de rede em toda a União Europeia focado na troca de conhecimento através da sua plataforma (https://hub. bovine-eu.net/login) de arquivo e divulgação de inovações e boas práticas na produção de bovinos de carne, para ajudar a enfrentar os desafios e impulsionar a sua sustentabilidade em quatro áreas essenciais: resiliência socioeconómica; saúde e bem-estar animal; eficiência produtiva e qualidade da carne; sustentabilidade ambiental. Conta com a participação de vinte parceiros de dez países europeus, sendo em Portugal a ACBM – Associação de Criadores de Bovinos Mertolengos, a FMV – Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Lisboa e a Promert – Agrupamento de Produtores de Bovinos Mertolengos S.A., as entidades responsáveis pela execução deste projeto, financiado pelo programa Horizonte 2020 da União Europeia. **Programa disponível em: http://www.bovine-eu.net/ sustainable-beef-farming-ineurope-policy-and-practice/. Vídeo do encontro disponível em: https://www.facebook. com/TopAgrarPolska/ videos/199642885087321. ***Estas e outras inovações e boaspráticas podem ser consultadas em maior detalhe na plataforma de divulgação de conhecimentos do projecto (Knowledge Hub), a partir da página do BovINE (http://www. bovine-eu.net/) ou em https://hub. bovine-eu.net/login.


1º Encontro Transnacional BovINE

INOVAÇÕES E BOAS PRÁTICAS

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INOVAÇÕES E BOAS PRÁTICAS DESTINGUIDAS PELO BovINE ÁREA TEMÁTICA: RESILIÊNCIA SOCIOECONÓMICA Jerzy Wierzbicki Polish Beef Association/BovINE Network Manager POLÓNIA BOA PRÁTICA Rolnikon - Aplicação web para planeamento e registo de dados da exploração Foto 1

• Apoio aos produtores no registo das operações da exploração, organização do seu negócio e preenchimento de documentação oficial. • Arquivo de informação e dados sobre os efetivos pecuários, a área financeira, stocks e parque de máquinas. • Ferramenta criada para os produtores otimizarem a gestão da sua exploração de forma simples e intuitiva. • Uma das maiores plataformas do género na Europa. • Mais de 11.000 utilizadores na Polónia • Cooperação com entidades na área de investigação e do ensino. + info: https://rolnikon.pl

ÁREA TEMÁTICA: SAÚDE E BEM-ESTAR ANIMAL

movimentos lentos ou imóveis durante muito tempo (Síndrome de mau-ajustamento neonatal). • Aplicar apenas após descarte de razões clínicas para o mauajustamento. • Compressão do tórax e posterior libertação. • Reação positiva do vitelo aproximando-se da mãe voluntariamente.

Frank Zerbe FLI – Federal Research Institute for Animal Health BovINE WP4 Leader ALEMANHA INOVAÇÃO Diagnóstico precoce de problemas podais com recurso à termografia Foto 2

ÁREA TEMÁTICA: EFICIÊNCIA PRODUTIVA E QUALIDADE DA CARNE

• Identificação de sinais subclínicos e inflamações antes da manifestação do problema. • Redução de custos com possível tratamento mais cedo. + info: https://kuna.savonia.fi

Virgina Resconi Universidad Zaragoza BovINE WP5 Leader ESPANHA

George Stilwell FMV - Universidade de Lisboa PORTUGAL INOVAÇÃO Uso de compressão torácica (método de Madigan) em vitelos com síndrome de mau-ajustamento neonatal Foto 3 • Aplicado em vitelos com desinteresse pela mãe, com

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INOVAÇÃO Sistema de classificação da qualidade da carne de bovino MSA– Meat Standards AustrÁlia • Animais não sujeitos a stress produzem carne de melhor qualidade. • Produtores e outras entidades da cadeia têm de cumprir as orientações do programa

nas áreas de nutrição, melhoramento genético, bem-estar e saúde animal, e transporte. • Sistema de classificação da carcaça e da carne no matadouro em 10 etapas inclui informação associada à rastreabilidade, área do músculo longissimus dorsi, classificação do grau de ossificação, quantificação da gordura intramuscular e sua distribuição, cor da carne, cor da gordura, espessura da gordura subcutânea, medição do pH e da temperatura no longissimus dorsi. • Todos estes dados são processados e resultam na classificação da carcaça e das suas peças no que respeita à qualidade para consumo. • Esta informação é partilhada com os produtores para que estes possam gerir o seu plano de trabalho e atingir uma classificação superior dos seus produtos. • Cada peça ou corte tem informação no rótulo sobre o método de cozinhar adequado. + info: https://www.mla.com. au/marketing-beef-and-lamb/ meat-standards-australia/#.


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REVISTA RUMINANTES

INOVAÇÃO Ferramentas de monitorização animal Vedação virtual Foto 4 • Gestão do pastoreio mais prática e eficiente. • Redução dos custos associados à utilização de cercas convencionais. • Implementação difícil em algumas áreas. • Exclusão dos animais de áreas ambientalmente sensíveis. + info: https://agersens.com. Sistemas de pesagem automáticos Foto 5 • Deteção de animais doentes. • Recolha do peso individual sem necessitar de levar os animais à balança. • Aumento exponencial do volume de dados e redução de custos. • Ausência de stress por não ser necessário manusear os animais e consequente melhoria dos resultados obtidos.

+ info: https://blog.bosch-si. com/agriculture/connectedagriculture-beefed-upnetworking-in-brazil/

Centro de Testagem da Raça Mertolenga PORTUGAL BOA PRÁTICA Controlo da ingestão individual de alimento Foto 6

• 9 unidades de alimentação RIC Hokofarm para registo da ingestão total diária de alimento por animal • Cálculo do valor genético para o RFI (Residual Feed Intake) e seleção de animais mais eficientes. • Diferenças no valor de RFI individual podem ser um fator importante nos custos de produção e no impacto ambiental. + info: https://hokofarmgroup. com/products/ric2discov

ÁREA TEMÁTICA: SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL

• Relação entre a produção de metano e a eficiência alimentar (RFI).

Riet Desmet ILVO Flanders Research Institute for Agriculture, Fisheries and Food BovINE WP6 Leader BÉLGICA

BOA PRÁTICA Redução da lixiviação de nutrientes para melhorar a qualidade da água

BOA PRÁTICA Estratégias para redução das emissões de metano ADITIVOS QUÍMICOS NA DIETA ALIMENTAR A produção de metano é significativamente afetada pelo teor de incorporação de nitratos na dieta (g/kg MS), pelo tipo de bovino e pela quantidade de matéria seca ingerida (kg/dia). GENÉTICA •Seleção para menor produção de metano. • Relação entre a produção de metano e parâmetros produtivos.

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CULTURAS DE COBERTURA • Sequestro de carbono (2,06 Mg CO2-eq/ha/ano) no balanço dos gases com efeito de estufa. • Aumento da capacidade utilizável do solo e prevenção da erosão do solo. NOVAS TECNOLOGIAS • Agricultura de precisão. Sistemas de monotorização da cultura associados à aplicação diferenciada de adubos e fitofármacos de acordo com as necessidades. INSTALAÇÃO DE PRADOS PERMANENTES • Aumento do sequestro de carbono. • Redução da lixiviação de azoto.


1º Encontro Transnacional BovINE

INOVAÇÕES E BOAS PRÁTICAS

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+ de 10 anos com LELY ASTRONAUT QUE MOTIVOS LEVARAM À COMPRA DO ROBOT EM 2009? Falta de mão-de-obra. O robot na altura era uma novidade e estava há pouco tempo em Portugal, “foi uma aventura na altura e queríamos entrar na onda”. Queríamos melhorar a produção. PASSADOS + DE 10 ANOS, O QUE MUDOU? Na vacaria melhoramos a genética dos animais. O robot funciona melhor hoje em dia, fruto de toda a evolução e melhorias introduzidas pela marca nas máquinas ao longo de todos estes anos. QUE BENEFICIOS TROUXE O LELY ASTRONAUT? Não ser necessário tanta mão-de-obra e a facilidade de horários. ESTÁ SATISFEITO COM A ASSISTÊNCIA TÉCNICA? Foi melhorando com o tempo e hoje estamos bastante satisfeitos com a assistência técnica. COM MAIS DE 10 ANOS, O ROBOT ESTÁ VELHO/ DESATUALIZADO OU ATUALIZADO E COM DESEMPENHO EFICAZ? O robot está bem conservado e atualizado. Tem um desempenho eficaz e tem melhorado ao longo dos anos. VOLTARIA A TOMAR A MESMA DECISÃO? Claro que sim. Irmãos Moreira da Ponte Lda (Cristelo – Barcelos)

QUAIS OS PRÓXIMOS OBJETIVOS PARA A EXPLORAÇÃO? Entrar na reforma e ver se temos seguidores para dar continuidade ao negócio!

+ de 2.320.000 ordenhas realizadas, + de 26 milhões de litros de leite retirados, + de 10 anos a trabalhar 24 horas por dia, 365 dias por ano!!!

QUE MOTIVOS LEVARAM À COMPRA DO ROBOT EM 2008? Falta de mão-de-obra. Ter uma maior rentabilidade da exploração. PASSADOS + DE 10 ANOS, O QUE MUDOU? Verificamos um grande aumento na produção. Temos muito mais informação sobre as vacas (peso, deteção de cios, ruminação). QUE BENEFÍCIOS TROUXE O LELY ASTRONAUT? Mais informação, melhor bem-estar das vacas e menos stress para elas. ESTÁ SATISFEITO COM A ASSISTÊNCIA TÉCNICA? Sim. COM MAIS DE 10 ANOS, O ROBOT ESTÁ VELHO/ DESATUALIZADO OU ATUALIZADO E COM DESEMPENHO EFICAZ? Passado 12 anos o robot está bem conservado, está atualizada e está com um desempenho melhor devido às novas atualizações. VOLTARIA A TOMAR A MESMA DECISÃO? Sim. QUAIS OS PROXIMOS OBJETIVOS PARA A EXPLORAÇÃO? Mudar a posição do robot para um local melhor, e depois pensar num modelo de robot mais recente. Soc. J. Carreira & Filhos, Lda. (Cepões, VISEU)

+ de 525.000 ordenhas realizadas, + de 5,8 milhões de litros de leite retirados, + de 10 anos a trabalhar 24 horas por dia, 365 dias por ano!!!


SOC. CASANOVA UNIPESSOAL, LDA. BARQUEIROS – BARCELOS

O novo marco na facilidade de utilização

A Lely apresenta o Astronaut A5 Nós olhamos para as vacas e ouvimos os clientes. O nosso interface de utilização redesenhado facilita a ordenha automática. A ordenha de uma vaca pela primeira vez nunca foi tão fácil. O novo braço híbrido é silencioso e decisivo, o que dá conforto para a vaca e para o operador. E por favor, lembre-se da flexibilidade comprovada, economia de mão de obra e alivio físico. É por isso que o Astronaut A5 lhe oferece a melhor forma de ordenhar, a Si e ás suas vacas.

Saiba mais sobre este novo marco na ordenha no seu Lely Center.

www.lely.com

Lely Center São Félix da Marinha Alteiros t +351 227 538 339 e sao-felix-da-marinha@sao.lelycenter.com


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PRÉMIOS DE INOVAÇÃO EUROTIER 2021 PRÉMIOS DE INOVAÇÃO E BEM-ESTAR ANIMAL

EUROTIER 2021

DEVIDO AO CONTEXTO PANDÉMICO, A FEIRA BIANUAL EUROTIER DECORRERÁ, DE 9 A 12 DE FEVEREIRO, EM VERSÃO DIGITAL. ENTRETANTO, O COMITÉ DE ESPECIALISTAS INDEPENDENTES NOMEADO PELA DLG (SOCIEDADE AGRÍCOLA ALEMÃ) JÁ DEU A CONHECER AS INOVAÇÕES MERECEDORAS DOS INNOVATION AWARDS (PRÉMIOS DE INOVAÇÃO) E WELFARE AWARD (PRÉMIO DE BEM ESTAR ANIMAL). Traduzido e adaptado por Ruminantes | Fotos Eurotier

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Eurotier 2021

PRÉMIOS INOVAÇÃO E BEM-ESTAR ANIMAL

Prémio de Inovação Ouro

Prémio de Inovação Prata

CASA DE BANHO PARA VACAS HANSKAMP AGROTECH BV A redução das emissões da produção animal está a ganhar cada vez mais importância. Enquanto as medidas a este respeito visaram, durante algum tempo, a remoção de emissões que provinham do ar de exaustão dos estábulos de vacas por algum tempo, o foco atual visa mais reduzir a sua ocorrência tecnicamente ou ao nível do processo, preventivamente, sempre que possível. Os produtores de leite também têm a obrigação de procurar e efetivamente implementar formas para reduzir as emissões de amoníaco. Dos 15 a 20 litros de urina produzidos por uma vaca por dia produz-se um elevado volume de amoníaco. O CowToilet da empresa Hanskamp, com sede na Holanda, é um produto revolucionário que visa resolver esse problema. O sistema inovador consiste numa estação de alimentação

DESINFEÇÃO POR IRRADIAÇÃO UV-C URBAN GMBH & CO. KG

e numa estação de coleta de urina. No final da alimentação, é usado um estímulo externo para acionar o reflexo de micção da vaca, e a urina é coletada. De uma forma até então desconhecida e inteligente, o Hanskamp CowToilet coleta a urina direta e separadamente, da vaca, sem stressar o animal. A formação de amoníaco no chão é reduzida, graças à separação precoce de fezes e urina. Os pisos também permanecem mais limpos, o que tem um impacto positivo tanto na saúde dos cascos quanto na qualidade do ar no estábulo. Além disso, o agricultor pode usar as fezes e a urina, coletadas e armazenadas separadamente, de forma mais específica e apropriada na produção agrícola, ou geração de energia e, assim, aumentar ainda mais a eficiência dos nutrientes. Mais informação em: http://www.hanskamp.nl

A higiene é crítica em todas as populações de gado - entre outras situações, este também é o caso durante a alimentação na criação de bezerros. O risco de transmissão de patógenos de bezerro para bezerro ocorre principalmente durante a alimentação automática. O Alma Pro Hygieneset da URBAN GmbH representa o uso inovador da comprovada irradiação UV-C para reduzir micróbios na área de alimentação de bezerros. A irradiação UV-C, específica em pontos de higiene relevantes do alimentador automático de bezerros tem o objetivo de levar a melhorias significativas em comparação com os conceitos técnicos anteriormente empregues para redução de micróbios. Além da irradiação UV-C da água da caldeira, que garante uma qualidade perfeita da água para misturar a ração do ponto de vista higiénico, a irradiação adicional, monitorizada, do

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teto representa uma grande melhoria. Em intervalos curtos de alimentação entre os bezerros individualmente, o teto e as superfícies de contacto adjacentes são irradiadas, matando, assim, uma infinidade de patógenos durante a operação. O risco de transferência microbiana pelos bezerros também é reduzido graças a esta redução microbiana e à multiplicação reduzida de micróbios. Comparado com outros métodos de higienização disponíveis no mercado, o Alma Pro Hygieneset da URBAN é uma opção segura, particularmente eficiente em termos de recursos, e livre de produtos químicos, para reduzir micróbios na área de comedouros de bezerros. Mais informação em: http://www.urbanonline.de


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Prémio de Inovação Prata

Prémio de Inovação Prata

BARRA DE PULVERIZAÇÃO COM SUPORTE EM TUBO PLÁSTICO MÖSCHA SPREADER

SENSOR BRIX-TS HOLM & LAUE GMBH & CO. KG Uma das áreas mais sensíveis na produção de leite é a criação de vitelos. Os alimentadores automáticos de vitelos têm-se mostrado inestimáveis e garantem uma alimentação compatível com as necessidades dos animais. O leite em pó, e também o leite inteiro em menor grau, costumam ser usados nos comedouros automáticos. Uma combinação de ambos é também possível. Os teores de substâncias secas flutuantes em novos lotes de leite em pó implicam uma verificação e ajuste constantes das configurações básicas dos alimentadores automáticos para obter uma concentração consistente de leite em pó no leite do alimentador e uma ótima qualidade da ração. Na prática, esta importante atividade é ocasionalmente deixada de lado devido a limitações de tempo, já que a concentração do substituto do leite deve

ser ajustada manualmente no alimentador automático após a calibração. O Brix-TS Sensor é um sensor refratómetro eletrónico que foi integrado no tanque de mistura do comedouro automático para vitelos 'Calf Expert'. Este sensor mede e monitoriza continuamente o conteúdo de substância seca do leite de bezerro recém-misturado. Em caso de desvios, o sistema corrige automaticamente a concentração no leite do alimentador. Se for usado leite inteiro, uma concentração consistente de substância seca também pode ser assegurada no alimentador de leite, adicionando leite em pó, se necessário. Com o Sensor Brix-TS, a Holm & Laue apresenta uma solução técnica ao mercado que pode garantir uma alimentação de vitelos continuamente consistente. Mais informação em: http://www.holm-laue.de

Espalhar estrume líquido e resíduos da fermentação próximo do solo e, portanto, com baixas emissões, é muito importante por razões de proteção ambiental e de recursos. Por causa do tamanho e peso das barras, a tecnologia moderna de pulverização atinge com muita frequência os seus limites físicos, especialmente em terrenos acidentados ou mesmo montanhosos em determinadas regiões de pastagens. A barra Möscha Spreader, com tubo de plástico como elemento de construção de suporte, é caracterizada pelo seu design simples e, ao mesmo tempo, extremamente leve. A Möscha alcança pesos de barras mais leves usando tubos de plástico cobertos em vez de totalmente de metal. Este desenvolvimento posterior 104

com outros materiais reduz significativamente o peso da barra dobrável. Desta forma, para além de economizar material e combustível, também se aumentam as possíveis aplicações do sistema: a distribuição precisa de estrume líquido próximo do solo, com uma mangueira de arrasto ou sapata de arrasto acoplada à tecnologia de barra correspondente também pode ser usada em reboques mais leves que requerem menos força de tração, e em terrenos com contornos mais extensos. Mais informação em: http://www.moescha.de


Eurotier 2021

PRÉMIOS INOVAÇÃO E BEM-ESTAR ANIMAL

Prémio de Inovação Prata

Prémio de Inovação Prata

BIORET AGRI LOGETTE CONFORT DELTA X PACK

CALF MONITORING SYSTEM FUTURO FARMING GMBH

A formação de amoníaco nos pisos pode ser reduzida por meio da separação precoce de fezes e urina. Na pecuária leiteira, a urina animal é uma das principais causas das emissões de amoníaco, principalmente quando permanece no chão e em contato com o ar e com as fezes por longos períodos. Na forma do Delta X Pack, a empresa francesa Bioret desenvolveu extensivamente um produto muito interessante que permite que as fezes e a urina no chão de estábulos de gado leiteiro sejam coletadas de forma automática, rápida e fácil e transferidas para áreas de armazenamento separadas. Para conseguir isso, um sistema de correia transportadora contrarotativa foi integrado a um sistema de tapete de borracha com uma pendente de 3%. O sistema de tapete desvia a urina coletada na

calha central para o depósito de líquidos e as fezes dos animais para o depósito de material sólido. A separação rápida e eficaz de fezes e urina é extremamente importante para manter os pisos limpos, para promover a saúde animal e para melhorar o clima do estábulo, bem como o impacto ambiental dos sistemas de estabulação. Mais informação em: http://www.bioret-agri.com Como parte dos EuroTier

Innovation Awards, os produtos que promovem o exercício de padrões de comportamento específicos da espécie e apoiam positivamente a saúde animal são também agraciados com o Animal Welfare Award da DLG, em conjunto com a Associação Alemã de Cirurgiões Veterinários Práticos (bpt). Soluções técnicas que levam a uma melhoria do bem-estar e da saúde animal são, portanto, especificamente destacadas. O ANIMAL WELFARE AWARD 2021 está a ser apresentado para o sistema de monitorização de vitelos da Futuro Farming GmbH, Regensburg. Através da monitorização contínua dos vitelos e feedback rápido para o gestor da exploração, o sistema permite a monitorização eficaz da saúde de cada vitelo individualmente na população. O sistema de deteção precoce de doenças em vitelos é baseado num sensor infravermelho preciso, que economiza energia e, acima de tudo, não é invasivo.

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Este sensor deteta o padrão de comportamento do vitelo. Os dados são avaliados prontamente com IA e um prognóstico para doenças potencialmente em desenvolvimento é produzido. As informações da avaliação são disponibilizadas ao agricultor diretamente por meio de uma aplicação e de uma plataforma online. O tratamento precoce, a monitorização contínua do vitelo e o rápido fornecimento de informações ao criador podem ajudar a amenizar o curso das doenças e a reduzir a mortalidade dos vitelos. É de extrema importância tratar os bezerros rapidamente, principalmente durante os primeiros dias de vida. Este sistema de monitorização pode contribuir diretamente para a proteção do vitelo e da sua saúde e, portanto, pode melhorar significativamente o bem-estar animal. Mais informação em: http://www.futurofarming.com


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ZINPRO | VACAS DE LEITE

NUTRIÇÃO DE OLIGOELEMENTOS Para ajudar a que as vacas leiteiras de elevado mérito genético desenvolvam todo o seu potencial e otimizar a eficiência do efetivo leiteiro, a Zinpro Corporation lançou o Availa®Dairy. Trata-se de uma combinação específica de oligoelementos, altamente disponíveis metabolicamente, capaz de gerar, de acordo com os ensaios realizados, um retorno sobre o investimento de pelo menos 10:1. Com base em ensaios de investigações revistas por especialistas, e ensaios em explorações, o Availa-Dairy reúne as investigações mais recentes da Zinpro sobre as novas recomendações de alimentação com oligoelementos.

Quando fornecido conforme as indicações (0.06% da ingestão de matéria seca (MS)), Availa®Dairy fornece: - 40 mg/kg matéria seca ingerida Zn from Availa®Zn; - 20 mg/kg matéria seca ingerida Mn from Availa®Mn; - 3.5 mg/kg matéria seca ingerida Cu from Availa®Cu. Huw McConochie, nutricionista da Zinpro, explica que os oligoelementos do Availa-Dairy em que o metal está ligado de forma única para certos aminoácidos, são absorvidos com maior eficiência do que os minerais inorgânicos e orgânicos de baixa qualidade que são inativados no intestino. Além disso, uma vez absorvidos, os oligoelementos do Availa-Dairy

Complementamos a nossa GAMA DIOXIDOS

G-Mix Power

são metabolizados de forma mais eficaz pela vaca. “Ao administrar níveis ótimos de oligoelementos altamente disponíveis metabolicamente, o Availa-Dairy permite obter resultados superiores. Em vários ensaios, demonstrou-se que aumenta a produção de leite em 4 %, melhora a eficiência alimentar em 8 %, reforça de forma significativa a saúde do úbere e dos cascos, e aumenta o desempenho reprodutivo”. Availa®Dairy oferece: - aumento da produção de leite: +4%; - maior eficiência alimentar +8% litros de leite/kg alimento MS; - melhora a saúde do úbere -14% contagem células somáticas; - melhor desempenho reprodutivo: 13 dias abertos; +5.5% pontos da taxa prenhez - maior qualidade do colostro e imunidade: +25% IgG no colostro; - melhor saúde dos cascos -35% claudicação. “Estas melhorias, juntamente com uma transição mais suave e com menos problemas, ajudam a otimizar o rendimento geral do efetivo e contribuem para uma cadeia de abastecimento mais sustentável. Em geral, o AvailaDairy pode oferecer um retorno sobre o investimento de pelo menos 10:1”. Mais informação em: www.zinpro.com/availa-dairy.

Golden Mix

Power Blue Mix

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KUHN AURA UNIFEED AUTÓNOMO Resultado de um projeto conceptual do ALFS (Autonomous Livestock Feeding System) iniciado em 2015, a versão final deste unifeed, ainda em fase de protótipo, já ganhou um prémio de inovação na edição digital da exposição francesa Space 2020. Combinando todas as funções de carregamento de silagem, pesagem, mistura, e distribuição do alimento, o Aura fornece uma solução de alimentação totalmente autónoma e automotriz. À semelhança do usado nos atuais misturadores automotrizes, o dispositivo de carregamento frontal extrai a silagem diretamente do silo, para o depósito com capacidade de 3,0 m³. A deslocação no exterior dos edifícios é gerida pela tecnologia GPS RTK combinada com um odómetro. No interior dos edifícios, é assegurada por um sensor Lidar combinado com um odómetro. Alimentado por um motor a diesel de 56hp (42kW), uma opção híbrida estará disponível para permitir que a máquina alimente eletricamente os animais para reduzir as emissões e os níveis de ruído. De acordo uma notícia publicada pela Profi, o Aura opera a uma velocidade máxima de 7,0 km/h na envolvente exterior e de 2,0 km/h durante a alimentação. Adequado para alimentar até 280 vacas leiteiras, o Aura, que tem um peso em vazio de 6,2 ton, poderá chegar ao mercado ainda este ano.


Eurotier 2021

PRÉMIOS INOVAÇÃO E BEM-ESTAR ANIMAL

FENDT E100 VARIO DESENVOLVIMENTO CONTINUA

LELY EXOS

ALIMENTAÇÃO FRESCA TOTALMENTE AUTOMÁTICA

COM ESTE SISTEMA, OS PRODUTORES DE LEITE PODEM UTILIZAR O VALOR NUTRICIONAL DOS ALIMENTOS DE FORMA EFICAZ E PRODUZIR MAIS LEITE DAS PRÓPRIAS PASTAGENS. A Lely lançou o primeiro equipamento para corte, colheita e distribuição de erva fresca totalmente automática, Lely Exos. Com este sistema, os produtores de leite podem utilizar o valor nutricional dos alimentos de forma eficaz e produzir mais leite das próprias pastagens. Esta solução é totalmente compatível com a criação de explorações leiteiras circulares. Permite, além disso, poupar nos custos de mão-de-obra e alimentação. Korstiaan Blokland, diretor de inovação da Lely, disse:

“O Exos é um novo avanço alimentação com pastagem fresca. Um produtor de leite pode agora utilizar melhor as matérias-primas disponíveis. O valor nutricional da erva fresca é 10 a 20% maior que a erva ensilada porque não existe perdas significativas durante a colheita, conservação e alimentação”. Este sistema único baseiase num veículo elétrico que corta, carrega e distribuí a erva de forma autónoma nos estábulos. O Lely Exos fornece erva fresca frequentemente, dia e noite o que melhora

o sabor e a ingestão. A alimentação manual de vacas no estábulo com erva fresca baseia-se no mesmo princípio, mas as opções são limitadas e requerem muito mais trabalho. Este sistema funciona 24 horas por dia, por isso não é limitado por mãode-obra ou tempo. Com o Exos, a Lely está a introduzir uma inovação totalmente compatível com a transição para a agricultura circular sustentável”. Os primeiros protótipos Exos já estão operacionais nas explorações de teste.

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A Fendt diz que o estado de desenvolvimento atual do seu modelo E100 movido a bateria, é encorajador. Este trator, que foi presentado em protótipo na Agritechnica 2017, oferece uma redução significativa na emissão de CO2 e zero emissões. Entretanto, fruto de avaliações com vários utilizadores, o E100 Vario já sofreu algumas atualizações. O supercarregador DC ainda está disponível, mas o trator também equipa agora com um cabo de carregamento para tomadas de 400 V com até 32A. Isso equivale a uma capacidade de carga de cerca de 22kW, permitindo que a bateria seja totalmente carregada em menos de cinco horas. Testado várias vezes em campo com implementos convencionais acionados por tdf, incluindo voltadores de fenos, e reboques misturadores de ração, bem como máquinas acionadas hidraulicamente, o E100 Vario também pode ser usado com um novo kit acionado eletricamente, bem como com acessórios existentes. O plano da marca apontava para ter o trator de 100kW pronto e à venda até 2020 mas o atraso poderá dever-se, segundo várias notícias, ao preço ainda demasiado elevado das baterias.


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GEA | EXPLORAÇÕES LEITEIRAS

AUTOMAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO DIGITAL SÃO TENDÊNCIA

COM ESTE SISTEMA, OS PRODUTORES DE LEITE PODEM UTILIZAR O VALOR NUTRICIONAL DOS ALIMENTOS DE FORMA EFICAZ E PRODUZIR MAIS LEITE DAS PRÓPRIAS PASTAGENS. A GEA, um dos principais especialistas em ordenha do mundo, está a promover uma mudança digital. O grupo tecnológico vê o futuro das explorações leiteiras como um ecossistema digital de sistemas de ordenha automáticos e convencionais que apoiam as tendências para a consolidação das explorações leiteiras com efetivos maiores, bem como a transformação para a automação da produção. Com a ideia da exploração digital, a GEA está a instalar um sistema de suporte digital cujas soluções de software e serviços ajudam, de forma proactiva, os produtores atuais a caminhar para uma produção de leite rentável e sustentável. Uma plataforma digital completamente nova reúne a gestão de efetivos e explorações sob um interface de usuário intuitivo e fácil de usar. TENDÊNCIAS DE AUTOMAÇÃO NA INDUSTRIA DA ORDENHA A tendência de avançar para um sistema produtivo com menos explorações, mais vacas e maior produção por vaca continua em todo o mundo. Ao

mesmo tempo, os produtores estão cada vez mais focados na automação e, nalguns países, os investimentos em robots de ordenha automáticos podem chegar aos 90 % dos casos. A GEA estabeleceu novos standards na ordenha automatizada com a introdução do sistema rotativo de ordenha totalmente automatizado DairyProQ; de seguida o primeiro Monobox; o sistema exclusivo InLinerEverything, e o seu mais recente desenvolvimento é o DairyRobot R9500, com trânsito livre de animais ou tempos de ordenha fixos, box única para explorações pequenas e familiares ou o sistema de box múltipla para explorações com efetivos maiores. No campo da ordenha convencional, as salas de ordenha rotativas GEA DairyRotor e GEA T8900 lideram a sua linha de produtos. GESTÃO INTEGRAL E UNIFORME DO EFETIVO Com a mudança digital, os produtores reconhecem o valor dos dados para melhorar a eficiência das explorações e o bem-estar animal. Para uma

gestão de rebanhos de última geração e orientada ao futuro, a GEA reúne dados de processo, indicadores de rendimento do leite e monitorização do comportamento animal. Em vez de vários programas de software complicados, o software digital oferece acesso uniforme através de um interface intuitivo e fácil de usar. O login pode ser feito no computador ou através da aplicação no telemóvel. Uma visão de todo o sistema permite tanto ao produtor como aos técnicos detetar oportunidades e otimizar os parâmetros de produção. As ferramentas de analise são particularmente valiosas para a monitorização diária e tomada de decisão: os alarmes, as funções de alimentação e os relatórios tornam mais fácil para o produtor gerir a saúde animal num estágio inicial e melhorar as estratégias de alimentação enquanto utiliza os recursos de forma sustentável. DISPONIBILIDADE MÁXIMA PARA O PRODUTOR Os operadores de sistemas de ordenha automatizados

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e convencionais devem poder confiar na fiabilidade dos seus equipamentos e no bem-estar dos seus animais, tendo em vista o crescente tamanho dos efetivos. Os serviços inovadores no portfólio DairyService apontam a uma monitorização proativa do estábulo e ao mesmo tempo colocam em foco os produtos de higiene para o cuidado da saúde do úbere. Os produtores podem escolher entre diferentes níveis de serviço, tornando os custo previsíveis e transparentes. A mesmo tempo, beneficiam de serviços de reparação exclusivos e maior tempo de atividade da máquina. A GEA também está a preparar a sua rede global de distribuidores para serem centros de soluções. Estas equipas técnicas fornecem aos produtores de todo o mundo aconselhamento, apoio e experiência digital para ajudá-los a alcançar a saúde do efetivo e a eficiência operativa na produção de leite. Paralelamente, está a instalar um sistema de gestão interno ao longo da cadeia de serviços que cobre todos os serviços de DairyService desde o produtor até ao distribuidor e à sede.


RUMINARTE | ANTÓNIO CANNAS

OS MELHORES MOMENTOS

NA CELEBRAÇÃO DOS 10 ANOS DA REVISTA RUMINANTES, E DO SEU 40º NÚMERO, DECIDIMOS REPUBLICAR UMA SELEÇÃO DE 10 FOTOGRAFIAS, DA AUTORIA DO FOTÓGRAFO QUE LEVOU DESDE O INÍCIO A RUBRICA RUMINARTE. ESPERAMOS RETOMÁ-LA EM BREVE.

F

oi no final do ano de 2009, que Nuno Marques, Diretor e proprietário da revista Ruminantes, no decurso de um jantar de “velhos” colegas da Cargill me desafiou para fazer a rúbrica “Ruminarte”. De então e até

aos dias de hoje, foram várias as modelos que deram o seu trabalho em prol deste projecto, de forma a que em cada trimestre surgisse uma nova foto que procurámos sempre que fosse o mais diversificada possível. O lema foi o de associar o mundo

rural a um certo glamour! O final da década tem sido marcado pela pandemia de Covid 19 que em nada tem facilitado este trabalho, porém, nesta celebração dos 10 anos da revista Ruminantes, entendemos por bem fazer esta reposição de 109

10 fotos seleccionadas destes 10 anos de trabalho. Bom 2021 a todos, com a promessa de regressarmos com mais fotos e modelos logo que possível! António Cannas


#40 | jan. fev. mar. 2021

REVISTA RUMINANTES

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RUMIN ARTE Fotografia Antรณnio Cannas

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Os melhores momentos

RUMINARTE

1 Mariana Toscano 2 Catarina Martins 3 Ana Ramos 4 Clรกudia Costa 5 Diana Amaro 6 Catarina Pereira 7 Bรกrbara Torres 8 Caroline Ting 9 Camila Marques 10 Samantha Cassi

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O seu bem estar, a sua rentabilidade O Programa de recria Prima da Nanta melhora a rentabilidade das explorações através do bem estar das vitelas. O Prima trabalha em quatro conceitos essenciais para o bem-estar dos animais: o colostro, a lactação, o desmame e os cuidados a ter nas diferentes variáveis como o meio ambiente, a saúde e ambiente social. O nosso programa oferece benefícios comprovados para o agricultor: maior desenvolvimento das vitelas, melhoria do seu sistema imunitário, redução do stress no desmame, antecipação da primeira inseminação e da idade do primeiro parto, mais produção de leite e maior vida produtiva da vaca. Com o Prima as vitelas são mais felizes e o agricultor também.

nanta@nutreco.com


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