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Nº16 JANEIRO 2012

14 entrevidas

Tiago Forjaz O caça-talentos

10 chegadas A nova vida da baixa do Porto 26 ambientes Perder o medo e voar

As empresas têm talento


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editorial DAR ASAS AO TALENTO

S

e o maior recurso de uma empresa são as capacidades dos seus colaboradores, rentabilizar esse capital é nada menos que uma questão de sobrevivência. Ao reconhecer esta evidência, há alguns anos, a ANA iniciou uma caminhada decisiva para os bons resultados que tem tido. E para ser, no futuro, ainda mais competitiva. Tínhamos um bom ponto de partida: a qualidade e a dedicação que sempre caracterizaram os nossos quadros. O desafio era tirar muito mais partido deste ponto forte, em prol não só da ANA como da realização de cada colaborador. Tem sido um trabalho em várias frentes. Passa, por exemplo, por identificar o talento que temos e o que fará falta no futuro. Assim sabemos que competências recrutar, em que formação apostar, e cada colaborador pode orientar o seu próprio desenvolvimento. Passa também por uma orientação para a performance, com sistemas articulados de avaliação, competências, compensação e gestão de carreiras. Outra frente foi o reforço da comunicação interna e das interacções entre áreas, com encontros e projectos multidisciplinares que aumentam a coesão interna e fazem circular experiências e informação – criando um ambiente de que têm emergido novos quadros e líderes. O próximo desafio, já em curso, é criar uma verdadeira cultura de inovação e partilha de conhecimento. Com novas ferramentas tecnológicas, mas sobretudo com uma nova atitude, estamos a envolver toda a empresa no trabalho de debater tendências, trocar informações, gerar ideias e convertê-las em projectos viáveis. Todo este esforço tem dado frutos. Por exemplo, nos últimos anos a ANA multiplicou a sua produtividade, elevando espectacularmente os resultados financeiros sem aumentar o número de colaboradores.

Se o maior recurso de uma empresa são as capacidades dos seus colaboradores, rentabilizar esse capital é nada menos que uma questão de sobrevivência. Esta, no entanto, é uma longa caminhada, na qual apenas demos os primeiros passos. Uma caminhada que a crise não torna mais fácil, até porque nos tira alguns instrumentos para uma boa gestão de pessoas, como a liberdade de recompensar devidamente o desempenho individual. Por outro lado, a crise vem lembrar que a aposta no talento, no conhecimento e na inovação nunca foi tão importante. Este é, assim, um caminho que temos todas as razões para prosseguir.

José Heitor da Fonseca Conselho de Administração da ANA

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_sumário editorial 03

42 Boa boca

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em foco

A gestão do talento é hoje em dia um tema prioritário para as empresas. Na ANA não é diferente e estão em marcha vários projectos de valorização dos seus recursos humanos com uma forte aposta na inovação e de olhos postos no exterior.

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Paris está mais ecológica

chegadas 10 entrevidas 14 inovação 18 insights 22

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FICH A TÉCNIC A

14 O caça talentos

Altura mínima 2 cm

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PROPRIEDADE: ANA - Aeroportos de Portugal SA Rua D - Edifício 120 - Aeroporto de Lisboa 1700-008 Lisboa - Portugal Tel (+351) 218 413 500 - Fax: (+351) 218 404 231 amagazine@ana.pt DIRECÇÃO: Octávia Carrilho PRODUÇÃO: Teresa Magalhães PROJECTO GRÁFICO E EDITORIAL: Hamlet - Comunicação de Marketing entre Empresas Rua Pinheiro Chagas nº17 - 4º 1050-174 Lisboa Tel 213 636 152 hamlet@hamlet.com.pt www.hamlet.com.pt REDACÇÃO: Cláudia Silveira EDIÇÃO: Cláudia Silveira e Jayme Kopke DESIGN: André Remédios FOTOGRAFIA: Um Ponto Quatro Carlos Ramos e Paulo Andrade PUBLICIDADE: Hamlet - Comunicação de Marketing entre Empresas Rua Pinheiro Chagas nº17 - 4º 1050-174 Lisboa Tel 213 636 152 IMPRESSÃO: Projecção, Arte Grafica S.A. Parque Industrial da Abrunheira - Qta. Levi, 1 2710-089 Sintra PERIODICIDADE: Trimestral TIRAGEM: 7500 exemplares DEPÓSITO LEGAL: 273250/08 ISSN: 1646-9097

ambientes

O medo de voar afecta entre 20 a 40% da população adulta e é um problema que acarreta custos financeiros para as companhias aéreas e para os aeroportos. A boa notícia é que é possível aprender a voar sem medo. follow me 30 partidas 34 lifestyle 38 aldeia global 44

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passageiro frequente

Entre Oslo, Paris e Roma, depois de passagens por Caracas e Havana, com alguns imprevistos pelo meio, o actor André Gago mostra nesta crónica porque é tão bom voltar para casa.


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_em foco

O NOSSO TALENTO

A co n v i cç ão d e q u e o ta l e n to es tá e m toda a e m pr e sa l e vo u a A N A a p ôr e m marcha d i v e rsos proje c tos d e va lor i z aç ão d o s s e u s r e c urso s h u ma n o s q u e passam p e l a au to -re f l e x ão, p e lo d e se n vo lv i m e n to e p or u ma fo rt e a p os ta n a i n ovaç ão. Ao co nh e c er e va lo r i z ar o p ot e n c ia l d e c ada co l a b orado r , a e m pr e sa pr e para - s e para o f u t uro, co m u ma at i t ude ma i s ab erta ao e x t er i or .

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trair e reter o talento. Detectar e gerir o talento. Caçar e formar o talento. Expressões comuns hoje em dia quando o tema é a gestão de recursos humanos, ilustram bem a importância que as empresas dão a este assunto. Atrair colaboradores de grande talento e conseguir retê-los sem que optem por ir para a concorrência são, de acordo com um estudo recente da consultora Deloitte sobre Gestão de Talentos, os dois grandes desafios que as empresas enfrentam actualmente em todo o mundo. O modo mais seguro para as empresas se protegerem é através do desenvolvimento de estratégias que as tornem “atraentes para o talento”. O inquérito revela um investimento crescente em iniciativas não directamente relacionadas com a remuneração, como formação e desenvolvimento, comunicação interna, coaching e desenvolvimento cultural. Também em Portugal, a retenção de colaboradoreschave é uma preocupação grande de 87% das empresas que foram inquiridas. Os resultados nacionais revelam que as organizações começam agora a despertar para esta temática, pois estão a tornar-se mais pró-activas na gestão das suas necessidades de talento, através de uma variedade de iniciativas. Ao contrário desta tendência de mercado, focada em “caçar talentos”, a realidade na ANA é bem diferente. Como explica Nuno Ferreira, director de Recursos Humanos, existe uma baixa rotatividade dos colaboradores e podemse contar pelos dedos as pessoas que saíram nos últimos anos. Por isso, a aposta da empresa é na valorização de todo o seu capital humano. “Acreditamos que o talento está na organização e não tanto em determinados elementos”.

Ao contrário da tendência de mercado, focada em “caçar talentos”, a realidade na ANA é bem diferente. Existe uma baixa rotatividade dos colaboradores e podem-se contar pelos dedos as pessoas que saíram nos últimos anos. Por isso, a aposta da empresa é na valorização de todo o seu capital humano.

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A loja Rent-a-Stuff, no Aeroporto de Lisboa, resultou de uma ideia apresentada por colaboradores durante um evento de desenvolvimento de recursos humanos.


O talento ao serviço da empresa A redução dos tempos de viagem e impacto ambiental e o consequente aumento da produtividade são as principais vantagens apontadas ao Webmeeting, um novo sistema de comunicação à distância, desenvolvido por uma equipa da ANA e que vai permitir reduzir, também, os custos de deslocação até 80%. Já está a funcionar e muitas deslocações já foram substituídas por esta nova ferramenta que resultou de uma ideia apresentada por um grupo de colaboradores durante um evento realizado dentro da estratégia de gestão do talento da empresa. Deste evento nasceram outras ideias que estão a caminho de se transformarem em novos produtos ou serviços. A Rent-a-Stuff é outra. Da ideia à prática, tomou a forma de uma loja, no Aeroporto de Lisboa, onde os passageiros podem alugar objectos que são demasiado grandes ou incómodos para transportar em viagem, como carrinhos de bebé ou pranchas de surf. A gestão dos recursos humanos e um melhor aproveitamento do talento têm sido nos últimos anos uma área a que a ANA tem dedicado especial atenção e energia, com o lançamento de um conjunto de iniciativas que pretendem provocar alterações de cultura na empresa.

Vários processos foram alterados. É o caso do novo modelo de carreiras, com sistema de créditos e níveis de maturidade, e a redução de categorias (das actuais 27 para apenas 5), que irá permitir uma maior mobilidade interna e transparência no desenvolvimento de carreiras. A formação, outra aposta forte da ANA (cada colaborador completa uma média de 70 horas/ano, muito acima das 35 obrigatórias por lei), é agora planeada a três anos, com o levantamento das necessidades de formação da empresa e o reforço da avaliação de eficácia. Porque, nota Nuno Ferreira, “fazer formação para cumprir horas não interessa”. Potenciar a inovação, a mudança de mentalidades, analisar tendências e colaborar com o exterior são os objectivos que estão por detrás de tudo o que está acontecer em matéria de recursos humanos na ANA. “Queremos construir uma empresa cujo principal activo seja o conhecimento que detém na sua área de negócio. Queremos ser uma empresa mais aberta ao exterior, mais flexível, queremos conhecer melhor os clientes, fornecedores, parceiros e o exterior de uma forma geral”, diz Nuno Ferreira. Lidando com áreas que não se restringem à operação aeroportuária em sentido restrito, mas abrangem o retalho, a publicidade, parques de estacionamento e imobiliário, a ANA tem dentro de casa um imenso knowhow. Para capitalizar todo esse conhecimento foram criadas ferramentas que pretendem incentivar uma nova atitude e o envolvimento de todos. Observatório, Open Mind e Mercado de Ideias são as faces de uma nova abordagem, inovadora, à gestão do conhecimento. Com o Observatório pretende-se manter os olhos lá fora, observar tendências e absorver o que puder ser útil para a empresa. O Open Mind parte, como nota Nuno Ferreira, da noção de que é do contacto com o exterior que surgem as melhores ideias e, por isso, fomenta esse contacto através de encontros e troca de experiências. O Mercado de Ideias é já uma forma de colocar em prática as ideias dos colaboradores, transformando-as em novos produtos e serviços. Para centralizar esta nova abordagem criou-se uma plataforma electrónica, que recebeu o nome de ANA IN, a que todos os colaboradores já podem aceder e onde podem submeter as suas ideias. Que tipo de ideias? “São propostas que possam melhorar os processos da empresa e são exemplos de como as pessoas podem concretizar o seu talento ao serviço da organização”, explica Nuno Ferreira.

Através da ANA IN, uma plataforma electrónica disponível a toda a empresa, as pessoas podem submeter ideias, responder a desafios e colocar o seu talento ao serviço da ANA.

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_em foco Descobrir o melhor de cada um Para preparar o futuro é fundamental conhecer a empresa no presente. Ou, dito de outra forma, conhecer o talento que actualmente existe dentro da empresa. Foi isso que se pretendeu com o lançamento, no início de 2011, do Capital Humano, um ambicioso projecto que se centra na importância das pessoas para o sucesso da organização. Depois de cinco mil quilómetros percorridos, com passagem por sete aeroportos, entre Açores, Faro, Porto e Lisboa, e 69 sessões que abrangeram 993 colaboradores, a primeira fase do projecto Capital Humano chegou a 95% dos colaboradores. Paula Simões, técnica de recursos humanos, explica que consistiu na realização de workshops, designados EU_SA, com uma forte componente de auto-reflexão, auto-conhecimento e desenvolvimento individual de cada colaborador, tanto pessoal como profissionalmente. Desta primeira fase resultam relatórios individuais para cada colaborador, centrados nos seus pontos fortes e áreas de desenvolvimento, elaborados pela consultora PWC, que está a assessorar a ANA neste projecto. Numa segunda fase foram envolvidas apenas as chefias. Os workshops Líder Coach, dirigidos aos colaboradores responsáveis pelo acompanhamento de equipas no terreno, visam preparar as chefias para acompanhar e orientar as equipas ao longo da implementação dos seus planos de desenvolvimento individual, que correspondem à 3ª e última fase do processo. “O projecto, que equivale ao que habitualmente se designa por gestão do talento nas empresas, recebeu esta designação, mais abrangente, porque reconhecemos que todos têm talento. Pressupomos que o talento está em toda a parte e o que é necessário é descobrir o talento de cada um”, explica Paula Simões. Perceber onde se encontra e de que forma pode ser desenvolvido e aplicado ao serviço da empresa é o grande desafio do Capital Humano.

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Do encontro Pensar! Criar! Agir! que decorreu na vila de Óbidos, resultaram 8 ideias para novos projectos, alguns já em andamento. Como é o caso do Webmeeting, um novo sistema de comunicação à distância desenvolvido por uma equipa da ANA.


UMA ORGANIZAÇÃO POSITIVA

O “chefe ideal” não existe O projecto, que estará terminado no fim de 2012, coloca também uma grande ênfase na importância das chefias no desenvolvimento do potencial dos colaboradores. A importância das chefias é reconhecida não só para garantir que as pessoas possuem as competências certas para a função que desempenham mas também para as manter motivadas e focalizadas nos objectivos da organização. José Bencaleiro, director-geral da empresa de recursos humanos Staton Chase, diz que “o chefe ideal” é coisa que não existe. “O exercício da chefia depende de ‘aspectos situacionais’ como sejam a personalidade do chefe, as características de cada um dos colaboradores e da equipa e a situação em concreto”. Ainda assim, José Bencaleiro salienta três aspectos que considera importantes num chefe. A atitude face ao exercício do poder de chefia é um deles. “Um bom chefe desempenha o seu papel pela positiva, formando, acreditando, apoiando, envolvendo, incentivando, partilhando, reconhecendo e celebrando”. Outro é “dar o exemplo” e, por fim, destaca a importância de uma liderança corajosa: “É a capacidade para enfrentar situações difíceis mostrando posições

firmes sempre que necessário, gerindo com sensibilidade mas sem receios os conflitos dentro da sua equipa. Sem coragem não há liderança”. Perante o actual cenário de crise, que congelou vários instrumentos de gestão dos recursos humanos, como os incentivos e a recompensa do mérito, manter as pessoas motivadas, no terreno, pode ser uma tarefa ainda mais desafiante. Rui Carneiro, responsável por uma equipa de seis pessoas dentro da Direcção de Sistemas e Tecnologias de Informação e Comunicação, responsável por identificar oportunidades na área das tecnologias de informação, afirma que motivar é uma tarefa complexa mas que se consegue realizar “através do reconhecimento das competências e responsabilidade da equipa, e pelo respeito e amizade. Nós enquanto equipa procuramos permanentemente criar um espírito de grupo, companheirismo, interajuda e sempre com muito boa disposição. Rimo-nos imenso e divertimo-nos bastante no trabalho”. A apresentação de desafios é, para Rui Carneiro, outra forma de motivar. “Acredito vivamente que somos motivados pelos desafios e, nesse sentido, procuramos igualmente criar desafios que nos alinhem com as melhoras práticas de mercado”. Também a chefe da Coordenação Nacional de Slots reconhece a importância dos desafios para manter uma equipa motivada e, para isso, nem precisa inventar nada: “O nosso trabalho é um desafio permanente, distribuímos um recurso escasso, temos regras internacionais muito claras e uma constante preocupação de melhoria”, diz Isabel Cysneiros. Outro aspecto que considera fundamental é a partilha, das responsabilidades e também dos louros. “Os nossos objectivos são definidos em grupo, não há objectivos individuais, é o resultado do grupo que conta. Quando alguém atravessa algum momento menos bom, a equipa garante a retaguarda. Isso assegura os nossos compromissos profissionais e acima de tudo fortalece-nos como pessoas”.

Miguel Pina e Cunha, professor catedrático na Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa e estudioso da relação entre as organizações e a sociedade, tem defendido uma ideia da psicologia organizacional que supõe que as organizações são mais capazes quando são maioritariamente positivas. O conceito de Organizações Positivas defende a importância das relações interpessoais e da comunicação na motivação e bem-estar emocional dos colaboradores e o seu impacto no desempenho. O que é uma organização positiva? Uma organização que usa as forças das pessoas para se desenvolver nos planos humano e económico. Uma organização que se imagina segundo princípios humanistas e que deseja pautar a sua acção por princípios que criam valor económico e social. Que enfatiza as forças e não as fraquezas. Que se funda sobre interacções ricas. Que oferece segurança psicológica mas exige desempenho competente e caracter. Para se ter organizações positivas é necessário ter pessoas felizes a trabalhar. Como é que isso se consegue? Proporcionando trabalho com significado e um sentido de progresso. Uma organização positiva oferece significado mas exige dedicação atenta e inteligente. Exige e retribui mais que organizações menos positivas. Qual a importância das pessoas nas empresas hoje em dia? E das chefias? As pessoas são parte vital de uma organização − sempre foram. Mas à medida que o peso do conhecimento aumenta, a importância da componente humana também aumenta. Bons chefes são críticos para estimular a competência dos seus colaboradores. É por isso que ser um bom chefe é hoje mais exigente que no passado. Os papéis e expectativas relativas às chefias aumentam a sua profundidade e alargam o âmbito da liderança. Liderar positivamente é liderar com os outros e não mandar nos outros.

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_chegadas

NOVOS VENTOS NA BAIXA DO PORTO Depois de muito tempo atirada ao abandono e ao esquecimento, a Baixa do Porto assistiu nos últimos anos a um impressionante movimento de revitalização. Comércio alternativo e muita animação nocturna são a âncora desta mudança impulsionada também pela reabilitação urbana.

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oi a primeira rua a ser aberta fora das muralhas fernandinas, no século XVIII, pelo então governador João de Almada e Melo, e dele herdou o nome: Rua do Almada. Conhecida em tempos como “rua dos ferreiros”, é verdade que já conheceu melhores dias mas também é verdade que os ventos começam a soprar em sentido contrário. Assim como por toda a Baixa do Porto. Atraídos pelas rendas baixas e pelos espaços amplos, novos negócios, muitos alternativos, têm aberto portas na Rua do Almada, que em tempos já foi uma das mais movimentadas da cidade. As novas lojas, dirigidas a públicos específicos e alternativos, são na maioria de produtos chamados “retro”. Vestuário, mobiliário, música ou livros são artigos que podem ser facilmente encontrados nas lojas que começaram a surgir há uns oito anos e já representam um roteiro interessante. A Casa Almada é especializada em mobiliário “vintage”; a Louie Louie, paredes meias com a Embaixada Lomográfica do Porto, tem uma invejável colecção de vinis; na Lost Underground é também a música que atrai os visitantes, assim como na Zona 6 que faz gravação de vinis e produção de eventos; a Retro Paradise tem roupa e acessórios enquanto na Maria Vai Com As Outras podemos encontrar um pouco de tudo isto num espaço que é também galeria e café-concerto.

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Foi ali que também a designer Iris Cleto decidiu instalar-se com a sua loja/atelier “Nove Vidas”, onde dá nova vida a velhas peças de mobiliário, objectos de decoração, iluminação, acessórios de moda e joalharia. De acordo com a corrente, também dispõe de um espaço de livros e objectos em segunda mão. A Rua do Almada convida à curiosidade, à busca daquele raro vinil, de uma determinada peça de vestuário “vintage” ou daquele objecto de decoração de décadas idas que vai dar um toque de charme à sala lá de É difícil dizer se terá casa. Abriram-se novos convites partido daqui o fantástico para passear na rua, que convivem movimento de dinamização com os últimos sobreviventes da área das ferragens. que nos últimos anos se É difícil dizer se terá partido estendeu a toda a Baixa daqui o fantástico movimento do Porto. E, na realidade, de dinamização que nos isso pouco importa. O últimos anos se estendeu a importante é que as ruas, toda a Baixa do Porto. E , na antes desertas, têm agora realidade, isso pouco importa. O importante é que as ruas, um movimento que há muito antes desertas, têm agora um não se via por aquelas movimento que há muito não paragens. se via por estas paragens. Quem percorrer a Rua do Rosário de uma ponta à outra vai encontrar desde lojas de antiguidades, decoração e peças de autor, no Artes em Partes ou no Muuda, uma loja japonesa, a Kuri Kuri, outra de produtos biológicos, o Quintal, uma livraria especializada em poesia, filosofia e teatro, a Gato Vadio, ou um atelier e showroom de arquitectura e paisagismo, a Cirurgias Urbanas. Tudo propostas alternativas que convivem pacificamente paredes meias com o comércio tradicional de mercearias ou drogarias.


Os velhos elĂŠctricos voltaram a circular pelas principais artĂŠrias da baixa do Porto.

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_chegadas Onde o comércio tradicional há muito desaparecera abriu-se um novo espaço com prateleiras onde figuram muitos produtos e objectos dos anos 30, 40 e 50 do século passado.

A Vida Portuguesa abriu no Porto em 2009, num prédio onde funcionou em tempos uma das lojas de tecidos mais antigas da cidade.

O Armazém do Chá, com várias áreas, é outro dos endereços que veio dar nova vida à zona da baixa.

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Na esquina da Rua Galeria de Paris com a das Carmelitas, Catarina Portas abriu em 2009 a segunda Vida Portuguesa (depois do Chiado, em Lisboa), num prédio onde funcionava a Matos & Companhia, uma das lojas de tecidos mais antigas do Porto. Onde o comércio tradicional há muito desaparecera abriu-se um novo espaço com prateleiras onde figuram muitos produtos e objectos dos anos 30, 40 e 50 do século passado. Um aspecto curioso é que o movimento não diminui quando o sol se põe, antes pelo contrário. Em vários locais da baixa, em especial nas ruas envolventes aos Clérigos, os bares, cafés e discotecas sucedem-se criando uma vasta zona de diversão nocturna. Há quem diga que, comparada ao Bairro Alto, em Lisboa, a “movida portuense” ganha aos pontos, uma vez que os bares permanecem abertos até às 5h, 6h e as discotecas até às 8h, 8h30. Para andar de bar em bar até de manhã (e conseguir chegar lá) convém seleccionar muito bem os espaços a visitar, pois sendo aleatório corre-se o risco de não sobreviver a uma ou duas ruas. Começar a noite no


Piolho, o mítico café que já fez 100 anos, é um hábito que perdura: bons preços, central e a meio caminho de outras paragens mais desejadas. O Armazém do Chá, na Rua José Falcão, num edifício do século XIX onde em tempos funcionou uma fábrica de torrefacção, é outro dos endereços que veio dar nova vida à zona da Baixa. O espaço aproveita alguns elementos das antigas instalações industriais, que mistura com uma decoração de estilo rústico e mobiliário retro recuperado. Com três andares, distribuise por diferentes áreas: sala de estar com sofás confortáveis, cafetaria para tomar um chá ou uma refeição leve, wine bar com vinho a copo, pista de dança, palco para concertos e zona para exposições. Na Rua de Passos Manuel, colado ao Coliseu do Porto, instalado num antigo cinema, está o Passos Manuel. Aberto em 2004, enquanto no piso térreo há dj sets, a cave tem uma vocação

mais “clubber”. Mais abaixo, atravessando a rua, está o Pitch. Com espaços decorados com bom gosto – bar no piso térreo e discoteca na cave – caiu na lista das prioridades de quem sai à noite desde que abriu, em 2006. Mas é no eixo dos Clérigos que fica o epicentro da reanimada noite do Porto. Na Rua da Galeria de Paris, a mais badalada, há vários bares e, aos fins-de-semana, muita, muita gente na rua. Longe vão já os tempos em que depois das nove da noite as ruas esvaziavam-se e era difícil avistar alguém. A degradação galopante de boa parte dos edifícios, das ruas e do ambiente levou a essa progressiva desertificação da Baixa. A Porto Vivo – Sociedade de Reabilitação Urbana, criada em 2004 com o intuito de combater tanto a degradação dos edifícios como o afastamento das pessoas da Baixa, tem efectuado algumas obras de reabilitação, também no centro histórico da cidade, Património Mundial da UNESCO desde 1996. Para a revitalização da zona contribuiu também que os velhos eléctricos voltassem a circular. Foram reintroduzidas

A Kuri Kuri vende apenas produtos japoneses, como kimonos e papel de origami.

A loja/atelier “Nove Vidas” da designer Iris Cleto, dá nova vida a velhas peças de mobiliário, objectos de decoração, iluminação, acessórios de moda e joalharia.

as linhas 22, entre a Batalha e o Carmo, percorrendo as principais artérias da Baixa, e a 18, que liga a zona ribeirinha ao centro da cidade. O protagonismo perdido em favor de outras zonas da cidade, mais cosmopolitas, como a Boavista ou a Foz, ou mesmo dos concelhos à volta, como Vila Nova de Gaia e Matosinhos, foi definitivamente recuperado e o Porto afirma-se como uma capital europeia, com carácter e vida própria. Não é por acaso que é já uma das cidades mais visitadas da Europa ou que a Lonely Planet a destaca como o quarto melhor destino para 2012. À frente surgem o nordeste dos Estados Unidos (Nova Iorque, Boston e Washington), o Japão e o Tajiquistão.

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_entre vidas

O CAÇADOR DE TALENTOS

Com 38 anos, Tiago Forjaz aplica o seu talento a descobrir o talento dos outros. Criou uma rede de portugueses talentosos espalhados pelo mundo e quer que Portugal se torne atractivo para talentos de todas as nacionalidades. Ecléctico nos gostos e interesses, não afasta a hipótese de enveredar pelo cinema e fazer filmes sobre heróis anónimos.

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ara definir o que é o talento, Tiago Forjaz costuma recorrer à explicação mais simples mas que considera a mais eficaz, a das crianças: “uma coisa que fazemos e de que gostamos”. Se as crianças tiverem razão, podemos assumir que o talento é algo intrínseco, inato e universal. Para o headhunter e consultor de recursos humanos, é também “das coisas mais democráticas que existem, porque todos temos talento”. Quando o tema é o talento, o nome de Tiago Forjaz surge quase instantaneamente. A sua própria experiência de português fora de Portugal e a certeza de que o país é muito mais do que um território delimitado por fronteiras físicas fizeram-no idealizar, e concretizar, um espaço virtual onde os talentos portugueses espalhados pelo mundo se encontram e trocam informações úteis. A rede social The Star Tracker foi criada em 2007 e hoje põe em contacto directo mais de 30 mil portugueses em 125 países. Mais tarde, tornou-se o mentor da Fundação Talento, uma instituição de interesse público cujo objectivo é “identificar e promover o talento português no mundo, contribuindo para um melhor posicionamento e imagem do país”. Mas o grande à vontade com que fala deste assunto vem-lhe dos milhares de entrevistas que já fez, enquanto consultor, com pessoas no mundo das empresas, das carreiras – e não só. Há muita gente que individualmente e por iniciativa própria o procura e lhe pede conselhos. Porque descobrir ou não o “nosso” talento pode significar atravessar a vida sendo, ou não, feliz. “A maior parte das pessoas não mantém um diálogo consigo mesmo sobre o que é o seu talento, mas ainda mais grave é o facto de não perguntarem às pessoas que realmente as conhecem qual é o seu talento. Acredito que é muito difícil ser-se feliz sem nos realizarmos e isso só é possível se soubermos qual o nosso talento”. Não conhecendo as pessoas que lhe chegam ao escritório, Tiago Forjaz explica que há muitas formas de descobrir o talento de uma pessoa e muitas

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_entre vidas “A maior parte das pessoas não mantém um diálogo consigo mesmo sobre o que é o seu talento, mas ainda mais grave é o facto de não perguntarem às pessoas que realmente as conhecem qual é o seu talento. Acredito que é muito difícil ser-se feliz sem nos realizarmos e isso só é possível se soubermos qual o nosso talento”. perspectivas que se podem recolher sobre o talento de alguém. No contexto de uma entrevista, pode recorrer-se à astrologia, à grafologia, às teorias da psicologia… Admite que não prefere nenhuma em especial. “Gosto apenas de manter a curiosidade e observar que consistências existem entre todas elas. Não gosto de ter uma mente arrogante em relação às metodologias e gosto de descolocar as pessoas ao pedirlhes para se abstraírem de si próprias e referirem o que recordam da utilização dessas ferramentas. Diria que todas em conjunto são úteis e nenhuma em particular pode narrar o caleidoscópio de cada um de nós”. Mas se lhe perguntarmos qual é a forma mais fácil não tem dúvidas: perguntar às pessoas que convivem e trabalham com maior proximidade e intimidade com essa pessoa. Tiago Forjaz concorda em absoluto com Ram Charam, que diz que a observação do talento é objectiva: “se cinco pessoas que conhecem bem uma pessoa concordam que ela é criativa, então é porque ela é mesmo criativa”. No final das contas e na grande maioria dos casos, as pessoas que o procuram não andam muito longe do seu talento. Para Tiago Forjaz isto explica-se porque o talento determina não apenas o que fazemos, mas como fazemos uma função. “A função é uma coisa e a missão é outra. Se pensarmos num actor percebemos bem o que é a sua função, mas se pensarmos na comédia ou no drama percebemos que a missão de um actor pode ser fundamentalmente diferente

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da de outro. Se pensarmos no teatro, na televisão ou no cinema percebemos que os mecanismos de motivação e retribuição também determinam o encaixe que é necessário. Na maior parte dos casos, as pessoas não estão encaixadas nos ambientes nem nos contextos que valorizam ou que as valorizam”. Tiago Forjaz distancia-se um pouco da designação habitual que, no léxico empresarial dos recursos humanos, equipara talento a competências. “A palavra competência gera confusões pois poucas pessoas têm clara a diferença entre as competências técnicas e as competências interpessoais. As primeiras adquirem-se e servem para normalizar a contribuição de uma pessoa e as segundas são desenvolvidas e deveriam servir para as pessoas se diferenciarem”. Trocado em miúdos, competências são aquilo que compõem o talento e ser competente significa aplicar o nosso talento para ele gerar valor. Quanto ao que fazer com o talento, há quem defenda que o talento não se gere mas que se explora, ou seja, descobrese. Tiago acredita antes que gerir talento é “procurar optimizar a sincronia e sinergia que se estabelece entre pessoas que trabalham em equipas, procurando extrair o valor da colaboração e não apenas da cooperação”.

A arte urbana de Alexandre Farto (aka “Vhils”) está entre as preferidas de Tiago Forjaz. O seu trabalho está espalhado pelas paredes de cidades como Londres, Moscovo, Bogotá ou Nova Iorque.


E numa conjuntura de crise como a actual tirar o máximo das capacidades de cada um é, para o headhunter, não só necessário como obrigatório porque Portugal não se pode dar ao luxo de ser menos competitivo do que outros países. Um caminho é implementar uma estratégia de gestão do talento baseada no “fluxo” das pessoas e não no “stock” das pessoas. “Temos que assumir que os talentos estão em permanente circulação pelo mundo e que temos de criar mecanismos de atracção e fixação de talentos de todas as nacionalidades. Nem que seja tão simplesmente porque só conseguimos tornar Portugal atractivo para os talentos portugueses voltarem ao seu país se este for tão diverso e interessante como outros países”. Vai mais longe e arrisca que bastariam três cidades com estas características para poder mudar o país. “Acho que vamos a caminho mas devíamos ir mais rápidos e mais seguros. Também a rede Star Tracker, que visualizou como um instrumento vital na gestão dos fluxos migratórios do talento português, é neste momento, sobretudo por falta de apoio das instituições públicas, uma comunidade que considera apenas “reactiva”. Tiago não esconde a tristeza que sente porque considera que, ao contrário do que dizem alguns, a rede não nasceu à frente do seu tempo. “Nós é que ainda estamos muito atrasados na percepção de que não é o nosso país que é grande, mas sim o nosso povo. É um povo de pescadores, um povo nómada, que nunca quebra a ligação com o seu país. Por isso mesmo, somos todos família e somos todos diáspora”. Tiago Forjaz não fala de cor. Nascido em 1972 na África do Sul, passou a infância

Ajudar a encontrar e realizar os talentos dos outros é o que tem movido Tiago Forjaz e o que o mantém realizado. Mas se não fosse isso, acredita que poderia ser feliz de muitas outras maneiras e a fazer muitas outras coisas. em Joanesburgo e sentiu-se muitas vezes descriminado por ser português. Em 1985 veio para Portugal, licenciou-se em Economia na Universidade Lusíada e começou a trabalhar como analista de risco no Banif. Mudou-se depois para Madrid para participar na estratégia de arranque da Michael Page em Portugal e, mais tarde, juntou-se à Heidrick & Struggles como consultor de executive search, especializado em processos de search em senior management e consultoria em gestão de talento em várias áreas, do sector financeiro aos serviços profissionais, indústria e bens de consumo. Foi em 2004 que juntamente com Pedro Brito criou a Jason Associates, uma consultora especializada na gestão de talento, que assessora clientes em decisões estratégicas relacionadas com recursos humanos como gestão de talento, liderança e empreendedorismo. Ajudar a encontrar e realizar os talentos dos outros é o que tem movido Tiago Forjaz e o que, aos 38 anos, o mantém realizado. Mas se não fosse isso, acredita que poderia ser feliz de muitas outras maneiras e a fazer muitas outras coisas. Sempre foi muito ecléctico nos gostos e a falta de interesses não é algo que o aflija. Colecciona arte contemporânea, gosta de livros e revistas, é adepto de um bom charuto (que o ajuda a reflectir), da alta cozinha e de viagens. É viciado em arte urbana e em fotografia e pelo mundo fora tem registado stencils, grafitis e outras instalações, mais ou menos bizarras. Também nunca perde uma oportunidade para entrar em exposições. Outra paixão que descobriu mais recentemente foram os filhos, com quem gosta de brincar e de apreciar os seus talentos. Com o mais novo aprendeu a andar de skate que já se tornou uma actividade fundamental aos fins-de-semana. Como acredita que todos temos vários talentos e várias oportunidades na vida, não se arrepende de ter entrado para a faculdade de economia em vez de se ter tornado realizador de cinema, como era a sua vontade. Aliás, não sabe se não o fará ainda. Já realizou alguns vídeos e até um documentário para a Fundação Calouste Gulbenkian, exactamente sobre migrações e o nomadismo hoje em dia. Mas, diz, se levasse o cinema a sério, faria filmes sobre histórias heróicas de pessoas anónimas. “Provavelmente tentaria misturar o estilo do Clint Eastwood com o do Alejandro Iñarritu. Quem sabe?”.

Para Tiago Forjaz, a fotografia é “vital”. Sempre que viaja, a objectiva é uma fiel companheira pelo mundo fora.

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_inovação

TALENTO PARA INOVAR A inovação é das áreas onde indiscutivelmente o talento mais tem espaço para se afirmar. De um total de 29 projectos de inovação, entre concluídos e em curso na ANA, seleccionámos alguns e fomos saber, junto dos colaboradores envolvidos, de que forma a participação nesses projectos lhes permitiu aproveitar e desenvolver as suas aptidões. Aqui fica a evidência do talento da ANA em busca de soluções inovadoras.

Juntos pelo passageiro

O

objectivo do projecto Acção Integrada de Melhoria do Serviço (AIMS) foi a criação de um modelo de gestão participada para identificar e resolver problemas de funcionamento no Aeroporto de Lisboa. Assentou numa forte componente relacional e humana tendo em vista uma mudança cultural na coabitação entre as diversas entidades que operam no aeroporto: ANA, TAP, Groundforce, SEF e, mais tarde, a Alfândega e os operadores de handling e companhias aéreas. “A participação no AIMS levou-me, por um lado, a aprofundar as minhas capacidades relacionais enquanto crescia a minha percepção das necessidades e dificuldades de relacionamento entre as diversas entidades. Por outro lado, levou-me a aplicar os meus conhecimentos operacionais na criação e gestão de instrumentos de medida de performance”.

Jorge Barreira Divisão de Operações do Aeroporto de Lisboa

Novos serviços para os aeroportos

O Ana Luís Direcção de Estratégia e Marketing Aeroportuário

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projecto ANAWay tem como objectivo desenvolver uma estratégia de relacionamento com o passageiro através de um modelo de gestão e marketing dos serviços. Este trabalho tem sido desenvolvido através de técnicas de “service design” e já se encontram implementados vários serviços que respondem às necessidades identificadas nos vários grupos de passageiros – famílias, executivos e o passageiro comum – e que culminam na marca Living Airport e nas suas várias sub-marcas. “A participação no projecto ANAWay tem-me permitido conhecer as metodologias e técnicas de trabalho do ‘service design’, ao mesmo tempo que tenho desenvolvido capacidades comunicacionais e interpessoais, fundamentais às minhas funções. Este projecto também me ajudou a olhar para os aeroportos através da perspectiva dos passageiros, ganhando uma visão única dos aeroportos e sua gestão. As técnicas de ‘service design’ levaram-me a questionar muito do que é habitualmente tomado como garantido e a olhar para o status quo de uma forma diferente, acabando por encontrar novas formas de trabalhar no dia-a-dia”.


Não mais malas perdidas

O Paulo Oliveira Manutenção Eléctrica do Aeroporto do Porto

projecto Mala Segura teve como objectivo a criação de um software que, embutido no material de uma mala de viagem, permite, através de uma ligação à internet, saber em tempo real a sua localização exacta. Uma etiqueta presente na mala permite, por triangulação de receptores GPS, WSN   e RFID no interior de um edifício, saber a localização exacta da bagagem. As maiores dificuldades foram a inserção da etiqueta no material da mala, devido às altas temperaturas utilizadas no fabrico, assim como a escolha da melhor localização para garantir a leitura pelos receptores. “A minha participação no projecto, que se focou na demonstração do funcionamento, garantiu-me um conhecimento de tecnologias que me eram não desconhecidas mas distantes. Proporcionou-me ainda estar em contacto com o exterior (leia-se, empresas tecnológicas) e o desafio de conciliar os conhecimentos e objectivos da equipa do consórcio com as especificidades de um aeroporto. Para isso, há que perceber as tecnologias e assim aprender”.

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_inovação Handling mais eficaz

O

AAS - Integrated Airport Apron Safety Fleet Management é um projecto do 7º programa quadro comunitário que visa a investigação e desenvolvimento de uma solução de baixo custo para monitorizar e controlar os veículos e equipamentos de handling na área da plataforma. O objectivo é uma gestão mais eficaz das frotas dos handlers e dar aos vários envolvidos nas operações na área da plataforma mais eficiência e segurança. “Os meus conhecimentos técnicos aplicados neste projecto foram complementados com novas aprendizagens, adquiridas pela partilha de informação com os parceiros internacionais e pelo contacto com as mais avançadas soluções e tecnologias existentes no mercado mundial. A conjugação destes factores permite-nos desenvolver e implementar soluções tecnologicamente inovadoras na nossa empresa, tornando-nos mais competitivos – e, consequentemente, também o país – e permitindo que sejamos vistos como uma referência mundial.

Pedro Reis Direcção de Serviços Técnicos

Controlar com segurança

O Nuno Duarte Núcleo de Gestão da Manutenção do Aeroporto de Faro

projecto LocON pretendeu desenvolver uma plataforma de fusão de várias fontes de informação de geo-localização de modo a fornecer serviços de controlo e monitorização de viaturas e pessoas em ambientes exteriores e interiores dos aeroportos. Financiado pelo 7º programa quadro comunitário, o projecto foi realizado por um consórcio europeu formado por institutos de investigação, universidades e empresas, sendo a ANA o parceiro “utilizador final”. Os testes técnico-operacionais e apresentação pública foram realizados no Aeroporto de Faro com grande sucesso. “A participação neste projecto consolidou os meus conhecimentos sobre o estado da arte na investigação científica de ponta, nomeadamente das tecnologias de informação e comunicação, e a rede de conhecimentos entre empresas, institutos e universidades europeias. Permitiu também aprofundar toda a componente técnico-operacional aeroportuária e, principalmente, o conhecimento da regulamentação nacional e europeia de âmbito “safety”. O know-how alcançado enquanto coordenador técnico deste projecto foi ainda uma ajuda muito importante para a participação no projecto GSI Accelerators, onde a ANA se fez representar em Silicon Valley com o seu produto A_GUIDANCE”.

Aprender a gerir a crise

O Marta Teixeira Direcção de Recursos Humanos

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projecto CRISIS - CRitical Incident management training System using an Interactive Simulation environment, é um projecto de pesquisa criado, com financiamento do 7º programa quadro comunitário, para formar gestores de crise nos aeroportos e noutras infra-estruturas de transporte. Deste projecto vai resultar uma ferramenta de formação para dar competências chave aos elementos envolvidos na gestão de crises. A avaliação de fluxos de informação, a coordenação e a comunicação são aspectos prioritários. “Devido à estrutura multinacional da equipa, a participação no CRISIS tem sido uma oportunidade de contactar com outras culturas. Por outro lado, tem-me permitido trabalhar num ambiente de investigação e desenvolvimento em que a concretização é o foco principal. Ao longo do projecto tenho adquirido novos conhecimentos de abordagens e metodologias inovadoras, desenvolvidas e aprofundadas pelos restantes parceiros europeus, na área dos processos de desenvolvimento de competências. As aptidões desenvolvidas neste projecto são também uma mais-valia para o meu trabalho na ANA”.


Sem desperdício

O Vânia Teixeira Direcção de Infra-estruturas Aeronáuticas

ZeroWIN - Zero Waste in Industrial Networks é um projecto europeu de inovação ambiental em que a ANA participa com outros 30 parceiros de 10 países. O projecto, com metas concretas na redução dos consumos e de emissões de gases, assenta no conceito de simbiose industrial, ou seja, na criação de redes industriais onde se partilha informação, serviços, equipamentos e produtos. A empreitada escolhida pela ANA é a ampliação e remodelação da aerogare do Aeroporto de Faro, eleito pelo seu cariz turístico e pela sua localização, dentro da Reserva Natural da Ria Formosa. “As questões associadas à inovação estão agora mais interiorizadas na minha actividade e o despertar para novos assuntos levou-me inclusivamente ao desenvolvimento de uma dissertação de mestrado. Nela, propus-me estudar a aplicação de possíveis relações de simbiose industrial entre empresas com intervenção na área da construção civil, no caso específico do desenvolvimento de infra-estruturas aeroportuárias. Todo o know-how obtido nesse percurso académico teve por base a minha experiência na empresa, sendo que uma das principais conclusões é o impacto que os aeroportos têm nas comunidades e como são determinantes para o desenvolvimento económico, social e ambiental das mesmas”.

Afastar as aves

O

Bird Strike Risk Reduction é um projecto da Agência Espacial Europeia (ESA) que aproveita os conhecimentos adquiridos noutro projecto, o FlySafe, este direccionado para a aviação militar. Cruzando várias fontes de informação (satélites, radar, dados meteorológicos e observação ornitológica, entre outros) pretende criar modelos de comportamento das aves nos aeródromos e zonas circundantes. Ao fornecer também observação e alerta em tempo real da presença de aves nas áreas de aproximação, aterragem e descolagem dos aeroportos civis, aumenta a segurança operacional. “Em representação da ANA, participo no grupo de trabalho Bird Strike Risk Reduction Advisory Board que, quando solicitado pela ESA, contribui na análise das propostas do consórcio escolhido para desenvolver o projecto. O intercâmbio e partilha de informação e conhecimento são, para mim, os vectores mais positivos desta participação. O projecto é muito ambicioso e explora uma área de muito difícil controlo: o comportamento das aves. É que, de facto, o céu ainda é dos pássaros. Os humanos é que interferem no seu espaço”.

João Reis Serviço de Aeródromo do Aeroporto de Lisboa

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_insights

HOTÉIS O EUROPEUS COM BOM RETORNO Numa altura em que tem três hotéis em construção nos principais aeroportos do país, a ANA promoveu com o IPD um encontro sobre investimento imobiliário em hotéis. Os dados indicam que, apesar da recessão, é um investimento com bom retorno.

O hotel do Aeroporto de Lisboa, concessionado à Hotti Hotéis, deverá estar pronto no primeiro trimestre de 2013.

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retorno do imobiliário hoteleiro na Europa em 2010 atingiu uma média de 6,9% (em divisas locais), enquanto no Reino Unido este tipo de activos devolveu, no mesmo período, cerca de 14,9% aos investidores. Já o lucro proveniente do arrendamento foi de 5,5% e o valor de mercado dos activos hoteleiros cresceu 1,3%. Estas são as principais conclusões do “European Hotel Performance Report” realizado pelo IPD (Investment Property Databank) e apresentado pela primeira vez em Portugal durante um encontro promovido em conjunto com a Direcção de Imobiliário da ANA. O evento, que decorreu no Aeroporto de Lisboa, juntou investidores, proprietários e agentes de mercado imobiliário nacional para discutir “O investimento imobiliário em hotéis – performance na Europa e em Portugal”. O relatório, que contempla 373 unidades hoteleiras de nove países num valor de 7,6 mil milhões de euros, pretende aumentar a transparência de um sector relativamente desconhecido para a maioria dos investidores em imobiliário de serviços, também chamado de terciário. Para Tim Smith, director da HVS, uma consultora internacional de hotelaria, os hotéis são encarados como uma classe de investimento desafiante, que requer um conhecimento profundo na avaliação do perfil de risco e retorno. “Esta iniciativa é um primeiro passo para alargar esse conhecimento e, dessa forma, generalizar a aceitação dos hotéis como uma classe de activos de primeira linha”, disse. A performance dos hotéis com contrato de arrendamento tem sido diversificada. A recessão teve efeitos nos valores de investimento, com crescimentos negativos quer em 2008 quer em 2009, apesar de, na maioria dos países, este declínio ter sido menos acentuado do que no mercado de imobiliário terciário em geral. As atractivas taxas de rendibilidade para os activos prime desta classe (os melhores activos, situados nas melhores

localizações, com as melhores condições) explicam o aumento da procura em 2010. Esse aumento foi ainda impulsionado pela maior dificuldade de acesso, na Europa, a activos prime nos sectores imobiliários tradicionais (escritórios, retalho, etc.) e pela estratégia da maioria dos investidores globais em diversificar os seus portfólios e reduzir o risco. Outra conclusão do relatório é o crescimento cada vez maior das cadeias hoteleiras na Europa, notado especialmente no segmento dos hotéis económicos. Marc Socker, Director da Invesco Real Estate, explicou que as cadeias acrescentam valor através da marca, da distribuição e da padronização, tornando os investimentos mais líquidos. “Muitos players do sector hoteleiro encaram o investimento nas cadeias de hotéis como um factor crítico de sucesso. Ao mesmo tempo, os operadores procuram investidores institucionais estáveis como parceiros estratégicos para apoiar os seus planos de expansão internacional”. Com a construção dos hotéis de Lisboa e Porto a avançar em bom ritmo e a construção do hotel de Faro prestes a arrancar, o investimento em hotéis é um tema muito actual e pertinente para a ANA. A Direcção de Imobiliário expôs aos participantes os seus projectos hoteleiros. No conjunto, as três unidades representam uma área bruta de construção acima do solo de 18.000 m2 e um investimento de 27 milhões de euros. Foram também apresentados outros projectos do portfólio da ANA, mostrando que os aeroportos são locais atractivos para o desenvolvimento de projectos imobiliários. Durante o encontro foram ainda actualizados os dados mais recentes do Barómetro IPD/Imométrica, realizado junto dos principais investidores e operadores do mercado imobiliário português, que antecipa retornos positivos também em 2011.


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_insights

A NOVA AEROGARE DE PONTA DELGADA

Quem viajar para o Aeroporto de Ponta Delgada vai ter dificuldade em reconhecer a velha aerogare. Terminado o projecto de ampliação e remodelação da sala de embarque, ao chegar aos Açores o passageiro é surpreendido por um novo espaço, mais luminoso, amplo e confortável.

O

aumento da capacidade de processamento de partidas por hora e uma melhor qualidade do serviço que é prestado aos passageiros foram as principais razões para a recente ampliação e requalificação da sala de embarque do Aeroporto de Ponta Delgada. Com estes melhoramentos a zona da aerogare está agora mais apta para fazer frente ao crescente aumento do tráfego, A sala de embarque foi ampliada em cerca de 30% (de 855 m2 para 1262 m2) graças à utilização da área de processamento de bagagem que fora libertada, já em 2007, pela entrada em funcionamento de uma nova área noutro edifício. O canal de rastreio de passageiros e bagagem de mão também foi alargado e o número de equipamentos passou de três para cinco, permitindo maior fluidez neste processo. Outra grande vantagem operacional foi o aumento das portas de embarque de três para dez, resolvendo assim o principal constrangimento ao trabalho da empresa de handling. Nestas salas foram ainda colocadas novas cabines para controlo de fronteira. Também a área comercial recebeu mais espaço, com destaque para a nova loja Just for Travellers e para a remodelação dos bares e esplanadas, agora mais agradáveis e convidativos. A juntar à expressiva escolha de materiais, cores e iluminação do projecto, a Direcção de Aeroportos dos Açores acrescentou novos elementos de decoração e conforto para os passageiros. O Lugar do Bebé está equipado com mobiliário adequado, brinquedos e micro-ondas, no Kids Corner há videojogos à disposição dos mais novos e há também “chaises longues” e

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televisores que convidam a relaxar um pouco. Mesas de trabalho com alimentação eléctrica para portáteis e internet gratuita através de wi-fi também estão disponíveis para os passageiros.


As melhorias feitas na aerogare trouxeram vantagens significativas à operação da SATA, a companhia aérea mais activa neste aeroporto, que passou a ter opção de embarque simultâneo e melhorou consideravelmente a pontualidade dos voos. Mas o principal beneficiado desta remodelação é o passageiro, cuja satisfação, manifestada na avaliação do ACI-ASQ Survey passou da classificação de 3.89, obtida no segundo trimestre de 2009,

imediatamente antes do início das obras, para 4.14 no período homólogo de 2011. Foi o melhor resultado obtido entre os aeroportos nacionais e o segundo melhor entre 52 aeroportos europeus. A empreitada foi concretizada em três fases, entre 2010 e meados de 2011, e teve um investimento global superior a 5 milhões de euros.

A sala de embarque do Aeroporto de Ponta Delgada foi ampliada em cerca de 30% permitindo o aumento de voos por hora e um melhor serviço ao passageiro. Em baixo, o Lugar do Bebé e o Kids Corner.

© fotografias de Ponta Delgada de: Miguel Rezendes - OPA do AJPII

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_ambientes

QUEM TEM MEDO DE VOAR?

O medo de voar afec ta entre 20 a 40% da popul ação adulta . Além de sérias implic ações na vida de quem sofre da fobia , é um problema que se reflec te na operação aeroportuária , com custos financeiros para as companhias aéreas e para os aeroportos. A boa notícia é que é possível aprender a Voar Sem Medo.

U

m recém-casado, chamemos-lhe António (para o caso pouco interessa), estava já dentro do avião, sentado ao lado da mulher e pouco tempo faltava para que o voo descolasse em direcção a Moçambique. À sua frente, o casal tinha umas semanas de lua-de-mel num destino paradisíaco, em Pemba e na Ilha de Moçambique. Sem dizer nada e sem que nada o fizesse prever, o jovem levantou-se e saiu do avião sem olhar para trás. Ninguém o conseguiu convencer a voltar.

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Comportamentos como este são mais frequentes do que imaginamos. O medo de voar atinge entre 20 a 40% da população adulta, segundo dados do Health Institute of Aviation, uma organização inglesa que trabalha a nível internacional para melhorar as condições de saúde do passageiro aéreo. E embora o tema possa suscitar sorrisos em algumas pessoas, a verdade é que para outras é um problema real com graves implicações na sua vida quotidiana. E também na vida das companhias e dos aeroportos, com atrasos na operação e custos financeiros associados. Cristina Albuquerque é psicóloga clínica e tem mais de 20 anos de experiência na área da aviação tendo sido pioneira no tratamento da fobia de voo em Portugal. No ano passado criou a Voar Sem Medo, um centro especializado no estudo e tratamento da fobia de voo que tem como parceiro a VALK Foundation, fundada na Holanda em 1989 e um dos mais prestigiados centros de investigação e tratamento da aerofobia no mundo. Já perdeu a conta ao número de pessoas que tratou e continua empenhada em mostrar que a aerofobia não é uma condição irreversível. O tratamento é geralmente feito através de terapia Os profissionais recebem formação e possuem experiência e em grupo durante três dias de curso intensivo. Em sensibilidade para lidar com os passageiros aéreos mais ansiosos alternativa, em casos específicos (por questões e para desmistificar medos, prestar esclarecimentos e tirar todas de privacidade ou de inaptidão social do paciente) as dúvidas que inquietam estes passageiros. A vertente técnica do também se pode optar pela terapia individual, programa é muito importante, explica a psicóloga, porque muitas realizada entre 6 a 10 sessões. Em ambas as vezes a fobia deriva da falta de informação, ou seja, de não perceber vertentes a intervenção termina sempre com um os mecanismos que fazem com que toneladas de aço e metal voo “terapêutico”. levantem voo no céu. Além da intervenção psicológica propriamente dita, a Voar Sem Medo conta com Embora o tema possa suscitar sorrisos em algumas pessoas, uma equipa altamente especializada para outras é um problema real com graves implicações na de profissionais da área da aviação: pilotos, especialistas em segurança sua vida. E também na vida das companhias e dos aeroportos, de voo, tripulantes de cabine, com atrasos na operação e custos financeiros associados. técnicos aeroportuários, especialistas O primeiro passo é uma consulta onde é feita uma avaliação em manutenção aeronáutica e controladores de psicológica muito completa e traçado o perfil do paciente. “Importa tráfego aéreo. perceber os motivos da fobia, que não são os mesmos em todos Para isso, celebrou protocolos de cooperação com os casos. Não existem fobias de voo iguais. Cada indivíduo tem a Associação de Pilotos Portugueses de Linha Aérea, uma história pessoal e as suas razões muito particulares para ter a Associação Portuguesa de Tripulantes de Cabine, desenvolvido medo de voar”. a Navegação Aérea de Portugal e, a partir de agora, Apesar da importância do background, a psicóloga reconhece que também com a ANA. “A colaboração do aeroporto, existem traços de carácter comuns a grande parte dos aerofóbicos nomeadamente através do acesso a áreas restritas, – um temperamento controlador, por exemplo. “E se há sítio onde é fundamental na preparação do voo para que o simplesmente não podem controlar nada é dentro de um avião”. primeiro contacto com o aeroporto não seja no dia do voo”, diz Cristina Albuquerque.

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_ambientes

Um grupo, que fez o tratamento da fobia de voo, durante a visita à Torre de Controlo, no Aeroporto de Lisboa.

O tratamento que os media dão aos acidentes de aviação, com a repetição por vezes exaustiva de imagens, também é apontado por Cristina Albuquerque como um facto com impacto muito negativo nas pessoas. “Cada pessoa lida com este tipo de informação de forma diferente. Para algumas, as imagens servem para abrir o baú das memórias negativas, ou seja, lembramse de tudo o que já viram e ouviram sobre acidentes de aviação”. Recorda-se de um antigo paciente que se encontrava em Heathrow pronto para embarcar quando as imagens do 11 de Setembro, recordadas em mais um aniversário da tragédia, passavam nos écrans de televisão. “É o suficiente para que a ansiedade e o medo voltem. Mas na maior parte das vezes basta um telefonema, uma chamada à realidade, e tudo fica bem de novo”. Em situações especiais, a Voar Sem Medo pode também prestar apoio na preparação duma viagem aérea que, apesar de estar agendada e reservada, a pessoa não se sente capaz de fazer. Outra situação relativamente vulgar é os tripulantes dos aviões desenvolverem fobia de voo na sequência de algum episódio relacionado com a profissão. Também nesses casos a Voar Sem Medo pode ajudar. O tratamento da fobia de voo tem uma taxa de sucesso de 95%. Mas embora muita gente passe dos 8 aos 80, isso não acontece com todos. Muitos não ultrapassam a fobia

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Psicóloga clínica, Cristina Albuquerque tem mais de 20 anos de experiência na área da aviação e foi pioneira no tratamento da fobia de voo em Portugal.

Apesar da importância do background, a psicóloga reconhece que existem traços de carácter comuns a grande parte dos aerofóbicos, como um temperamento controlador. “E se há sítio onde simplesmente não podem controlar nada é dentro de um avião”. do dia para a noite, por isso Cristina Albuquerque garante um “follow up” durante dois anos: uma consulta três meses após o tratamento e depois um “check-up”, que pode ser por telefone, de seis em seis meses. A psicóloga, que é também autora do livro “Voar Sem Medo – Um guia prático para voar confiante e descontraído”, desaconselha a estratégia de engolir o medo e, simplesmente, entrar no avião e aguentar ou procurar refúgio nos calmantes ou no álcool. O mais provável é que o medo continue a crescer, se torne insuportável e seja cada vez mais difícil de tratar.

VOAR SEM MEDO Linha Directa para informações e inscrições: 913 282 092  info@voarsemmedo.com www.voarsemmedo.com http://www.facebook.com/voar.semmedo


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WHERE THERE’S A WILL,

THERE’S A WAY Piloto aviador da Forç a Aérea Portuguesa , José Carlos Angeja optou por voar também noutras direcções. Fez busc a e salvamento, investigação de acidentes de aeronaves e nos últimos anos foi director do Aeroporto Internacional de Macau. Sobre os portugueses, diz que têm de acreditar mais em si próprios.

A

temperatura cálida gerada pelo ar condicionado do gabinete, na Direcção de Serviços Técnicos (DSTE), mostra que já sente a falta do clima subtropical. Além da dificuldade em se readaptar ao Inverno português, José Carlos Angeja também ainda não largou a camisa e o casaco sem colarinho, à oriental, um hábito adquirido em Macau, de onde regressou há poucos meses. Atualmente director-adjunto da DSTE e assessor do Conselho de Administração, tem em mãos diversos projetos, nomeadamente o estudo de viabilidade de um centro de treino de socorros no continente. O ex-director do Aeroporto de Macau conduziu até ao fim, durante meses, as negociações que culminaram com a compra da ADA - Administração

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de Aeroportos (detida pela ANA em 49% e pela China National Aviation Corporation em 51%) pela CAM Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau, pondo fim à presença portuguesa no sector da aviação civil em Macau. O consórcio ADA geriu aquela infra-estrutura desde a sua abertura, em 1995, e o acordo entre os dois parceiros previa que o director fosse nomeado pelo sócio português. Apesar da dureza dos últimos meses, José Carlos Angeja, que em 2007 substituiu Carlos Seruca Salgado no cargo, reconhece que foi uma experiência profissional valiosa e que, apesar da dependência directa da CAM, teve oportunidade de imprimir o seu cunho pessoal na gestão do Aeroporto de Macau, nomeadamente com “uma gestão financeira exímia”. “A experiência de trabalhar com pessoas de outras nacionalidades dá-nos tolerância e abre-nos os olhos para realidades diferentes da nossa”, diz, destacando o ritmo e a velocidade com que se fazem as coisas naquela parte do mundo, diferente da Europa onde, por vezes, “a excessiva legislação inibe as empresas de se mexerem mais depressa”.

Para um papa-léguas como José Carlos Angeja, o cargo ofereceu também a valiosa oportunidade de viajar, com a família, por toda a Ásia. “Só não fomos à Coreia de Sul”. Mas viajar e viver fora não foi uma novidade para este piloto aviador da Força Aérea Portuguesa. Desde os 4 anos que queria ser piloto mas, diz, “foi uma segunda escolha porque antes disso queria ser reformado, como o avô, que me levava a passear a todo o lado”. Asmático, de óculos, filho único de uma família humilde, uma carreira na Força Aérea parecia improvável. Quando acabou a Academia da Força Aérea, no entanto, estava entre os primeiros da turma, o que lhe valeu um passe para fazer um curso de pilotagem nos Estados Unidos, onde permaneceu entre 1986 e 1988. De volta a Portugal, integrou a esquadra de busca e salvamento dos Pumas na Base Aérea do Montijo. Em 1990 foi como voluntário para os Açores e durante anos viveu dentro da Base Aérea das Lajes, na ilha da Terceira, convivendo de perto com os militares americanos e servindo muitas vezes como elo com a Força Aérea norte-americana. Estava de alerta quando se deram alguns dos acontecimentos mais dramáticos do arquipélago nos últimos anos, como a derrocada na Ribeira Quente, na ilha de S. Miguel, em 1997, e o sismo no Faial um ano depois. Fez também um curso de investigação de acidentes de aeronaves e durante 9 anos foi membro do Gabinete de Segurança de Voo Militar, colaborando com o Instituto Nacional de Aviação Civil na investigação de vários acidentes. Em 1999 o Governo Regional dos Açores convidou José Carlos Angeja para a Divisão de Operação e Planeamento de Proteção Civil com a incumbência de elaborar um Plano Regional de Emergência. Ao fim de um ano é convidado, também pelo Governo Regional, para director da aerogare civil do Aeroporto da Terceira, com a função de remodelar o terminal. “Como nestas coisas o melhor é perguntar a quem sabe, fui falar com a ANA”, recorda. Aí teve início a colaboração com a gestora aeroportuária. Depois da Terceira passou uns anos em Santa Maria, como director do aeroporto, até que o Conselho de Administração o desafiou a ir para Macau. Após cinco anos fora, veio encontrar “um Portugal diferente, onde reina um clima de indefinição e incerteza em relação a tudo. As pessoas têm muitas questões: até quando, para quê, vai valer a pena?”. Pelas voltas que já deu pelo mundo, José Carlos Angeja não tem dúvidas de que o que se faz em Portugal é tão bom ou melhor do que o que se faz lá fora. “Podemo-nos bater de igual para igual com os outros povos. Temos de acreditar mais em nós”. Ou, tal como dizem os americanos, “Where there’s a will, there’s a way”.

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SEGUINDO O ROADBOOK É ela a responsável por lembrar a cada um dos colaboradores da ANA que está na hora de fazer os exames da medicina do trabalho. Com o seu Datsun 1200, Joana Nascimento, administrativa da Divisão de Saúde Ocupacional, é também uma adepta das provas de regularidade.

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m Portugal, as empresas são obrigadas de Regularidade são provas que exigem um excelente a organizar actividades de segurança, entrosamento entre o piloto e o navegador para manter as higiene e saúde no trabalho para todos os médias horárias pré-estabelecidas e seguir o roteiro até ao seus trabalhadores. A ANA, por ter mais de 400 destino no final da prova. colaboradores, e de acordo com a lei, tem um serviço Nas provas de regularidade, poucos minutos antes da interno que faz parte da sua estrutura e que assegura partida os participantes recebem um “roadbook” com a prevenção dos riscos profissionais e a promoção da informações como as médias horárias de cada troço e o saúde dos trabalhadores. percurso a ser seguido. Como explica Joana Nascimento, Joana Nascimento é administrativa na divisão são provas que exigem perícia, capacidade de cálculo de Saúde Ocupacional (SO) da ANA, onde também e de raciocínio. Fundamentais para os cálculos são o trabalham a tempo inteiro um médico, uma enfermeira cronómetro e o terratrip, um aparelho com dois visores e uma nutricionista, além de outros médicos e pessoal que indicam a distância percorrida desde o início da técnico em regime de prestação de serviço. Até aos prova e as distâncias parciais. 50 anos, os trabalhadores são chamados para o “A melhor parte é a que antecede a prova, é quase como no “check-up” de dois em dois anos e dos 50 em Natal, em que existe aquela curiosidade antes de se abrirem diante os exames têm de ser feitos todos os anos. os presentes. A prova gera muita ansiedade: se vai correr bem, Dependendo das funções exercidas também se o carro se vai portar à altura, se vou conseguir dar o meu pode haver exames intercalares, melhor… É preciso estar com atenção “A mel hor part e explica Joana Nascimento, que é ao ‘roadbook’ e aos tempos para que a é a q u e ant ec ed e responsável por convocar toda a passagem nos controlos intermédios gente para os exames. esteja no minuto correcto, porque a p rova , é q ua se A medição da tensão arterial, somos penalizados quer por atraso, co mo no N atal , e m testes aos olhos, audiograma, quer por antecipação”. qu e e x i s t e aq uel a electrocardiograma, espirometria, Joana elege o Rally Verde Pino cu rios i dad e ant es análises ao sangue, uma entrevista como o seu preferido. Com a d e s e ab rirEM o s com a enfermeira e ainda a consulta duração de 3 dias, é composto por pres en tes . ” médica são basicamente o elenco 19 etapas disputadas ao longo de destes exames periódicos. No SO da 900 km. O prazer que retira das ANA são atendidos também os colaboradores da provas é complementado com o desfrute das paisagens por Portway e os da ANAM que trabalham em Lisboa. onde vão passando e do convívio entre os participantes, Correr atrás dos atrasados e certificar-se de que geralmente enquanto se saboreia a gastronomia das não há absentismo na visita ao médico é também regiões, no final dos encontros. função de Joana Nascimento. No fim de cada Joana, que é patrocinada pelo Clube ANA de Lisboa, processo o médico elabora uma ficha de aptidão que prepara-se para mais uma etapa importante, aquela em é arquivada para futuras consultas. que vai deixar o lugar do lado e agarrar no volante. Como A promoção da saúde e de hábitos saudáveis é as mulheres ainda continuam em número muito inferior – uma área a que o SO dá especial atenção através de geralmente em cerca de 60 equipas que disputam as provas iniciativas e projectos como a desabituação tabágica apenas 2 são compostas por mulheres – o seu objectivo ou o controlo do peso. A distribuição de um cesto de é criar uma equipa estritamente feminina. E o lugar da fruta semanal por todas as direcções e a manutenção navegadora está vago. “Pode ser que apareça alguma colega de um espaço na intranet dedicado à saúde são que goste deste desporto e não se importe de participar em outras das formas encontradas para estimular os provas na zona do litoral oeste”. colaboradores a aderirem a uma vida mais saudável. A mesma atenção e zelo que dedica às funções administrativas Joana põe na função de navegadora, sentada ao lado do pai, no Datsun 1200 de 1974 adquirido a meias e com que correm várias provas na zona do oeste, onde vive a família. A paixão pelos carros herdou-a do pai, que a ensinou a conduzir num baldio aos 10 anos. Antes disso, quando ainda não chegava aos pedais, era ao colo dele que treinava a meter as mudanças. Há dois anos atrás passou a acompanhá-lo nos rallies, sentada ao seu lado, de cronómetro na mão. Apesar da designação de Rally, Joana explica que as provas em que participam não são competições de velocidade mas sim de regularidade. Os Rallies

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PARIS Desde 2009 que o espectáculo de luzes da Torre Eiffel passou de 10 para 5 minutos

é um jardim

Com um ligeiro atraso em relação a outras grandes capitais do mundo, o movimento ecológico chegou a Paris e está para ficar. Veículos não poluentes, mercados biológicos, iluminação de baixo consumo e muitas atracções verdes estão por toda a cidade. A Cidade Luz está mais ecológica.

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epois do Vélib, o Autolib chegou a Paris. No mês passado uma frota de carros eléctricos de aluguer foi posta à disposição dos parisienses e dos turistas, espalhados por cerca de 250 estações. Além de menos poluentes, os pequenos carrinhos azuis devem servir para incentivar o uso de carros partilhados ao invés de cada cidadão levar o seu próprio carro para a cidade. Pode ter chegado com algum atraso, sobretudo se considerarmos algumas das cidades mais ecológicas do mundo, como Vancouver ou Reykjavik, mas o movimento verde está a tomar conta de Paris. Graças em grande parte ao Vélib, um programa de aluguer de bicicletas, e à substituição parcial da sua frota de táxis por carros híbridos, em 2009 a capital francesa alcançou o décimo lugar numa lista das cidades mais verdes da Europa, elaborada pela Siemens e publicada pelas Nações Unidas. Mas o reconhecimento de uma cultura mais ecológica já encontra eco em muitas outras atitudes e iniciativas, a começar pela iluminação da Cidade Luz. No Natal, à semelhança de anos anteriores, a iluminação dos Champs Elysées foi feita com luzes LED, que permitem reduzir o consumo energético em 90 %. E, como nestas coisas o exemplo deve vir de cima, mesmo o ex-libris maior de Paris está mais ecológico: o espectáculo de luzes na Torre Eiffel que de hora a hora deslumbra toda a gente foi reduzido, já em 2009, de 10 para 5 minutos.

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_partidas

© Copyright Poulpy

© Copyright Patrick Blanc

Para os turistas mais conscientes, que querem deixar uma pegada de carbono mais leve, há agências especializadas que ofereceM passeios em veículos híbridos pelos pontos turísticos ecológicos da cidade

perfumes biológicos, isso já vai além da influência do inquilino do Hôtel de Ville. Parece haver uma consciência geral de que a mudança é necessária. Isso sente-se na hotelaria, onde hotéis com uma mentalidade mais sustentável continuam a abrir, enquanto os velhos procuram adaptar as suas instalações tornando-as menos poluentes. É o caso do Gavarni, um pequeno e central hotel de 3 estrelas, aberto desde 1907, que foi o primeiro hotel independente a receber o Ecolabel da União Europeia. Para os turistas mais conscientes, que querem deixar uma pegada de carbono mais leve, há roteiros e agências especializadas como a Ecovisit Paris (ecovisitparis.com), que oferece passeios em veículos híbridos pelos pontos turísticos ecológicos da cidade: os moinhos de vento que produzem energia em Belleville, turbinas de água no rio Sena ou o “Mur Végétal”, um jardim vertical instalado por Patrick Blanc nas paredes do Musée du Quai Branly, um exemplo das várias dezenas de paredes verdes espalhadas por Paris.

O programa Vélib já colocou mais de 10 mil bicicletas nas ruas de Paris.

Muitos dos créditos desta mudança gradual podem ser atribuídos ao presidente da Câmara de Paris. Para desencorajar o uso do automóvel na cidade, Bertrand Delanoë impulsionou o Vélib, que já conta com 10 mil bicicletas, ampliou a rede de eléctricos e, mais recentemente, alargou o horário do metro para mais duas horas aos fins de semana. Foi também durante o seu mandato que mais de 140 parques e jardins deixaram de receber pesticidas. Mas a responsabilidade de Delanoë termina basicamente aí. A profusão de mercados biológicos, de eco-cafés, de lojas de vinho biológico, de restaurantes que apenas usam produtos biológicos e até mesmo de lojas de

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Um jardim vertical nas paredes do Musée du Quai Branly.

Depois há iniciativas mais inusitadas como a instalação de colmeias nos telhados da Ópera Garnier e do Grand Palais. A transformação das abelhas de campestres em urbanas-chic é mais um impulso da cidade, neste caso dos responsáveis pelos monumentos, à luta pela biodiversidade. E o mel, chamado Mel do Grand Palais, parece que não é nada mau. São já centenas as colmeias espalhadas por Paris. A artista Paule Kingleur teve uma ideia um pouco diferente para tornar a sua cidade mais bonita e verde. Num acto a que chamou de “Insurreição Vegetal”, resolveu decorar com mudas de plantas os pinos usados para impedir que os carros estacionem em certas ruas. Os “vasos”, feitos de embalagens de leite e restos de lona de tendas, transformaram cerca de 335 mil pinos em micro jardins. Se para Hemingway Paris era uma festa, hoje é cada vez mais uma festa florida. Foi o que aconteceu há dois anos quando os Champs Elysées se cobriram de verde, durante um fim de semana


© Nature Capitale, a creation by Gad Weil

Com a colaboração de agricultores franceses e de estufas da região, a Nature Capitale concretizou a visão do artista francês Gad Weil de um gigantesco tapete composto por parcelas das diferentes espécies agrícolas e florestais. escaldante em Maio, na primeira edição da Nature Capitale. A iniciativa, que se repetiu este ano em Lyon e está marcada para o ano que vem, no Rio de Janeiro, pretende sensibilizar o mundo para a importância de uma consciência mais ecológica. Com a colaboração de agricultores franceses e de estufas e viveiros da região, concretizou a visão do artista francês Gad Weil de um gigantesco tapete composto por parcelas representativas das diferentes espécies agrícolas e florestais. Coincidindo com o Dia Internacional da Biodiversidade, o evento atraiu dois milhões de pessoas incluindo Nicolas Sarkozy e Carla Bruni, que deram um ar da sua graça passeando descontraidamente pela grande avenida, fechada ao trânsito para a ocasião. Os Champs Elysées transformados num enorme jardim durante a 1ª edição da iniciativa Nature Capitale.

No mês passado uma frota de carros eléctricos foi posta à disposição dos parisienses e dos turistas.

Todos os domingos na Boulevard Raspail, entre as ruas de Cherche Midi e de Rennes, decorre um mercado biológico. Outros muito procurados são os de Batignolles e de Brancusi.

COMO IR Tanto a Ryanair como a Easyjet voam para Paris a partir de Faro, duas vezes por semana. A Ryanair opera às segundas e sextas às 14h45 para o Aeroporto de Beauvais. A Easyjet voa às terças e sábados às 14h55 e 16h05 para o Aeroporto de Orly.

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_lifestyle

CHEGADA SEM SURPRESAS Um dos principais motivos de stress para quem viaja de avião é a bagagem. Nos aeroportos de Lisboa , Porto e Faro há agora um novo serviço de protecção de bagagem que garante um serviço completo e promete uma viagem descansada e sem surpresas.

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Safe Bag não se limita a embrulhar a mala protegendo-a de danos ou aberturas indesejadas, oferece antes um serviço completo: protege a bagagem através do envolvimento em polímero (um plástico biodegradável), rastreia a mala desde a Partida até à Chegada e disponibiliza também um seguro de bagagem. Disponível nos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro, o serviço Safe Bag é uma forma de garantir serenidade ao passageiro durante a viagem e uma chegada sem surpresas desagradáveis. O plástico utilizado é extra resistente, com uma capacidade de dilatação até 300% e ainda 100% reciclável. Ao ser embrulhada a mala fica protegida de aberturas acidentais, da penetração da chuva durante o transporte de e para o avião e também de riscos e estragos na mala. Para garantir que a bagagem não se perde, é colocada na mala uma etiqueta com um número de rastreamento único, que consta no documento de garantia dado ao cliente. Se mesmo assim a mala se perder ou ficar danificada, o seguro da Safe Bag cobre

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o prejuízo mediante um documento da companhia que comprove o extravio da mala. A marca Safe Bag é propriedade da Fly, uma empresa italiana líder de mercado no sector de protecção de bagagem nos aeroportos, em Itália e em França. A Fly está entre as três primeiras de todo o mundo a disponibilizar este serviço e é hoje um modelo de referência tanto na qualidade do serviço como na inovação.


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_lifestyle

UNDERWEAR PRA MOSTRAR O underwear mais irreverente da actualidade chegou ao Aeroporto de Lisboa. Dê uma vista de olhos e perceba porque se diz que a roupa interior da 69Slam foi feita para andar à mostra.

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oupa interior para andar à mostra? Assim de repente vem-nos à ideia aquela moda masculina dos jeans descaídos (para não dizer mais) com os boxers praticamente de fora. E, é só uma opinião, não é uma imagem bonita. Mas do underwear da 69Slam, marca australiana que acaba de chegar ao Aeroporto de Lisboa, percebe-se porque se diz que foi desenhada para ser visível. Com nova e vibrante abordagem à roupa interior, a 69Slam traz consigo uma vivacidade única e estabelece uma “fashion attitude” para aqueles que não receiam expressar a sua individualidade. Há camisas de noite que também são vestidos, tops que se podem usar de dia e na rua, ou calções de banho que ficam bem no dia-a-dia. Os padrões são muito coloridos, excêntricos e irreverentes e vão das flores, caveiras, monstros e deuses hindus aos “comics” e até às posições do Kamasutra. Não se pode dizer que haja limites para a imaginação. O mesmo padrão repete-se nas várias peças e acessórios, o que permite uma conjugação mais fácil. Nascida na Austrália em 2004 e distribuída já em 47 países, esta jovem marca de underwear tornou-se um fenómeno mundial. Quem passar pela Área Restrita de Partidas do Aeroporto de Lisboa não ficará indiferente aos padrões coloridos, sensualidade e irreverência das peças da 69 Slam.

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_lifestyle

BOA BOCA

N o A e r o p o r to d e L i s b oa m a i s d e 2 0 e s pa ço s d e r e s ta u ra ç ão o f e r e c e m u m v e rdad e i r o r ot e i r o gas t r o n ó m i co a q u e m n ão t e m u m m i n u to a p e rd e r m as ta m b é m a q u e m p r e f e r e sa b o r e ar as co i sas b oas co m t e m p o.

P Clocks e Grab&Go, duas marcas que abrem o apetite no Aeroporto de Lisboa.

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ara todas as horas do dia, para todos os gostos e também para todos os bolsos. É assim a oferta de bares, cafés e restaurantes do Aeroporto de Lisboa, com mais de 20 espaços distribuídos entre a zona do food court, as portas de embarque e também nas Chegadas.

Os sabores da gastronomia tradicional portuguesa estão presentes no First Class Café, numa atmosfera sóbria e aconchegante, e no Passeio Antigo, um espaço que recria o ambiente de um bairro tipicamente lisboeta. O Oregano oferece os sabores e temperos mediterrânicos enquanto no Cockpit Bar há uma excelente selecção de vinhos e tapas. O Harrod’s Café marca a presença londrina no food court do aeroporto, com destaque para os suculentos bifes, para serem degustados com tempo. Os espaços para uma refeição rápida também são vários, com destaque para o Connection Food Bar e o Food Gallery, que, além de pizzas, hamburgers e sanduíches, têm também a melhor vista do aeroporto, directamente para a pista. As marcas de todos os dias, que dispensam apresentações, como o McDonalds, a Pizza Hut ou a Pans & Company são outras opções rápidas, quase sempre as preferidas dos mais pequenos. Quando o tempo não dá mesmo para sentar, os passageiros podem optar por levar a comida para o avião. Na Tasty to Go e na Grab & Go há embalagens especiais para levar a refeição. Também as opções mais saudáveis têm o seu espaço no aeroporto. A Air Tasty é um bom exemplo, com saladas leves, sumos e batidos de fruta que não deixam pesos na consciência. Para qualquer hora do dia, para um café ou um pequeno snack, existem as cafetarias como o Spoon Café ou o Slice Café, pequenos oásis no bulício do aeroporto. Mais recentemente abriu as portas o Clocks, cuja ementa tem a assinatura do chefe argentino Chakall. É mais um motivo para saborear a próxima ida ao aeroporto.


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_aldeia global SISTEMA FOTOVOLTAICO PARA DESCONGELAR PISTAS EM TESTE

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nvestigadores da Universidade do Arkansas, nos Estados Unidos, estão a desenvolver uma nova tecnologia anticongelação baseada em energias renováveis. O sistema envolve painéis fotovoltaicos e um bloco de cimento com propriedades condutoras, a colocar no topo das pistas do aeroporto. A ideia é que a energia propagada pelo bloco de cimento impeça a temperatura da superfície da pista de descer abaixo dos 0 graus centígrados, travando assim a formação de gelo e neve.

Há ac tualmente várias abordagens ao problema da formação de gelo nas pistas dos aeroportos. Os métodos existentes incluem tecnologias químicas, eléc tricas e térmicas, mas todos implicam alguma espécie de custo, seja na elec tricidade ou na mão-de-obra para as colocar em prática. O gelo na pista pode ser uma verdadeira dor de cabeça tanto para os operadores aeroportuários como para as companhias aéreas e os passageiros durante o Inverno. É também uma ameaça à segurança das operações. Só nos Estados Unidos, nos últimos 30 anos, foram relatados cerca de 100 incidentes com aeronaves provocados por gelo ou neve na pista.

FOSTER MOSTRA O SEU AEROPORTO PARA O ESTUÁRIO DO TAMISA

empresa de arquitec tura Foster+Partners apresentou recentemente imagens da sua proposta para o futuro Aeroporto do Estuário do Tamisa, a ser construído a cerca de 55 quilómetros do centro de Londres. A construção ou não de um novo aeropor to na região tem sido tema de polémica, com muita gente a perguntar se é realmente necessário este investimento. O presidente da C âmara de Londres, Boris Johnson, é um for te defensor da ideia de um novo aeropor to no sudeste da Inglaterra mas no ano passado o governo bloqueou o plano. Agora, o famoso arquitec to inglês, Norman Foster, revelou imagens e informação da sua proposta para este projec to: um enorme aeroporto com quatro pistas e capacidade para 150 milhões de passageiros por ano. O aeroporto, parte de um complexo de infra-estruturas maior e muito ambicioso, chamado Thames Hub, ficaria situado na ilha de Grain, numa das extremidades da Península de Hoo, entre o rio Tamisa e o rio Medway. Cada pista teria cerca de 4 quilómetros e combinadas iriam permitir que o aeroporto funcionasse 24 horas por dia, uma vez que estaria fora de um perímetro urbano.

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RICHARD BRANSON INAUGURA AEROPORTO ESPACIAL

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entro de pouco tempo, quem tiver dinheiro vai poder viajar ao Novo México, nos EUA, e daí para o espaço. O Spaceport America, a última loucura do patrão da Virgin, Richard Branson, abriu oficialmente em Outubro mas os testes só estarão concluídos no final de 2012, começando os voos depois.

E quem estiver disposto a pagar os 143 mil euros que custa o passeio provavelmente só vai conseguir um lugar lá para 2014 ou 2015, uma vez que já foram vendidos mais de 450 bilhetes. Branson e os seus filhos, Sam e Holly, serão os primeiros a voar no SpaceShipTwo. Na inauguração estiveram mais de 800 convidados que viram os veículos espaciais da Virgin Galactic cruzar os céus e aterrar no Spaceport America, onde a Virgin tem o seu terminal. O objectivo de Branson é recorrer a um número cada vez maior de empresas privadas para potenciar ainda mais as viagens para o espaço. A cerimónia serviu para assinalar também a mudança de nome de Spaceport America para Virgin Galactic Gateway to Space. Desta forma a Virgin dá mais um passo de gigante desde que lançou a pequena editora discográfica com o mesmo nome numa cave em Londres. Daí para cá, a empresa já entrou na operação de comboios, de uma companhia aérea, de ginásios e muitos outros negócios. Sempre ao sabor dos sonhos de Richard Branson.

FRANKFURT COM 4 PISTAS MAS SEM VOOS NOCTURNOS

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o mesmo dia em que inaugurou a quarta pista do Aeroporto de Frankfurt , a Fraport , a empresa gestora do aeroporto, viu-se obrigada a acatar a proibição de voos noc turnos, decretada por um tribunal administrativo da Alemanha. A decisão do tribunal administrativo de Hesse insere-se numa acção interposta por associações de residentes contra os planos de expansão do aeroporto. Até que essa disputa legal seja resolvida por um tribunal superior, não pode haver aterragens, desde 21 de Outubro do ano passado, entre as 23h e as 5h. Neste horário geralmente aterram ou descolam de Frankfurt cerca de 40 voos noc turnos, na sua maioria de carga. Em 2009, o tribunal autorizou a construção da quarta pista, mas considerou que as regras estaduais para os voos noc turnos, que autorizam até 17 voos por noite, não são compatíveis com as leis de ruído. A proibição temporária vigorará até que o tribunal de Leipzig , a mais alta instância administrativa alemã, tome uma decisão final, o que deverá ocorrer no início de 2012.

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A Fraport criticou a decisão, pelos prejuízos que acarreta para as companhias aéreas e empresas de logística e por ser anunciada pouco antes do início do calendário dos voos de inverno, a 30 de Outubro. Após o anúncio da decisão, a Bolsa de Frankfurt registou uma quebra de 2,6% nas acções da companhia aérea alemã Lufthansa e de 1,8% nas da Fraport.


É MELHOR QUANDO ESTÁ MESMO TUDO INCLUÍDO

Com a Brussels Airlines, tudo incluído quer dizer exactamente isso. Não paga taxa de check-in e pode até escolher o seu assento através do check-in online. Também significa o transporte gratuito de 23 kg de bagagem de porão e 6 kg de bagagem de mão. No final é com a Brussels Airlines que faz o melhor negócio.

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_aldeia global AEROPORTOS EUROPEUS PROGRIDEM NA REDUÇÃO DO CARBONO

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Airports Council International (ACI) Europa lançou recentemente um relatório que indica que os grandes hubs aéreos em todo o continente estão a fazer progressos na redução das suas emissões de carbono. Vários aeroportos foram reconhecidos pela primeira vez com o Airport Carbon Accreditation, incluindo Genebra e Roma-Leonardo da Vinci, ambos galardoados com o nível de certificação “Optimização”. O Aeroporto de Heathrow também recebeu o nível de certificação “Optimização”, pelo segundo ano consecutivo. O Aeroporto de Nice Côte d’Azur recebeu aprovação pela fase “Mapeamento” do programa (a mesma em que se encontram os aeroportos da ANA), enquanto os aeroportos suecos de Bromma e Arlanda, em Estocolmo, atingiram o nível mais elevado, “Neutralidade”. Olivier Jankovec, director-geral do ACI Europe, disse que há agora 46 aeroportos

em 17 países credenciados, correspondendo a metade do tráfego de passageiros do continente. “A determinação dos aeroportos em reduzir a sua pegada de carbono está a produzir sérios progressos, como prova o número de aeroportos certificados em cada uma das fases do programa”, disse.

CHINA CONSTRÓI 56 NOVOS AEROPORTOS NOS PRÓXIMOS CINCO ANOS

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China, o país mais populoso do mundo e uma das chamadas “economias emergentes”, vai construir 56 aeroportos durante os próximos cinco anos para expandir a capacidade de transporte, informou um alto funcionário da aviação civil. Li Jiaxiang, director da Administração Estatal de Aviação Civil da China, apontou que o número de aeroportos na China pode ultrapassar os 230 dentro de cinco anos, com uma estimativa de que a frota chegue a ter mais de 4,5 mil aeronaves, o que possibilitará o transporte de 450 milhões de passageiros por ano. “Os investimentos na indústria de aviação da China provavelmente chegarão a 230

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mil milhões de dólares (cerca de 160 mil milhões de euros) nos próximos cinco anos”, disse Li Jiaxiang durante uma conferência nacional sobre a aviação civil, em Guiyang, capital da Província de Guizhou, no sudoeste do país. O investimento chinês na construção de aeroportos aumentou no início do século. De 2005 a 2010, foram construídos 33 novos aeroportos enquanto outros 33 foram renovados ou expandidos, elevando o número total de aeroportos para 175 em 2010. O investimento em infra-estrutura de aviação civil durante o período atingiu perto de 40 mil milhões de dólares (cerca de 29,8 mil milhões de euros), quase o mesmo valor da soma de investimentos dos últimos 25 anos.


INFRAERO AFASTA AVES COM FALCÃO-ROBÔ

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Infraero, a empresa que gere os aeroportos no Brasil, está a testar no Aeroporto de Joinville, no estado de Santa Catarina, um falcão-robô para afastar as aves da pista do aeroporto e assim reduzir as colisões com os aviões. Trata-se na realidade de um aeromodelo, operado por controlo remoto e pintado como um falcão peregrino, que simula o comportamento de uma ave de rapina e faz voos rasantes à pista para espantar os pássaros. Os voos deste robô com asas podem alcançar um raio de até três quilómetros. Desta forma as aves são “ informadas ” de que existe um predador na área e afastam-se. Os primeiros resultados apontaram a diminuição da presença de “quero-queros ” (conhecidos em Portugal como “abibes-do-sul ”), responsáveis por 50% das colisões registadas no ano passado naquele aeroporto. No final da experiência será estudada a viabilidade de usar o robô a tempo inteiro. Tudo indica que sim. Aliás, o mesmo sistema tem vindo a ser utilizado no Aeropor to do Galeão, no Rio de Janeiro, com resultados positivos.

O novo aeroporto de Pequim, actualmente em construção, vai ter 54 km e nove pistas.

A A Magazine agradece a colaboração das seguintes pessoas e entidades na elaboração desta edição: André Gago Actor Cristina Albuquerque Voar sem Medo Iris Cleto Nove Vidas José Bencaleiro Staton Chase Manuela Costa A Vida Portuguesa Miguel Pina e Cunha Professor catedrático na Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa Sérgio Ribeiro Armazém do Chá Tiago Forjaz Fundação Talento NA ANA: Ana Luís Direcção de Estratégia e Marketing Aeroportuário Artur Arnedo ANA Consulting Heitor da Fonseca Conselho de Administração Iolanda Campelo Direcção de Retalho Isabel Cysneiros Coordenação Nacional de Slots João Reis Serviço de Aeródromo do Aeroporto de Lisboa Joana Nascimento Divisão de Saúde Ocupacional Jorge Barreira Direcção do Aeroporto de Lisboa Jorge Nunes Direcção de Imobiliário José Carlos Angeja Director Adjunto dos Serviços Técnicos José Luiz Alves Direcção dos Aeroportos dos Açores Luís Castanho ANA Consulting Marta Teixeira Direcção de Recursos Humanos Nuno Duarte Núcleo de Gestão da Manutenção do Aeroporto de Faro Nuno Ferreira Director de Recursos Humanos Paula Simões Direcção de Recursos Humanos Paulo Oliveira Manutenção Eléctrica do Aeroporto do Porto Pedro Reis Direcção de Serviços Técnicos Rui Carneiro Direcção dos Sistemas e Tecnologias de Informação e Comunicação Vânia Costa Direcção de Infra-estruturas Aeronáuticas

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_passageiro frequente

TERMINAL E

m Oslo, as coisas complicam-se: o voo para Paris está atrasado e eu tenho de apanhar a ligação para Caracas, para participar num telefilme francês. Para mais, aterramos em Orly, e o voo sai de Charles de Gaulle. A navette de ligação arrasta-se pelas auto-estradas, com o aeroporto à vista. Pergunto ao motorista quanto tempo levaremos a completar o circuito: vinte minutos ainda! E o aeroporto ali tão perto. Peço para sair, e galgo a correr os separadores, atravesso as auto-estradas e as vias rápidas, entro no aeroporto encharcado em suor, já com a porta do avião fechada. Por milagre, embarco. Depois de duas semanas em Caracas, e com uma viagem a Havana de permeio, o projecto era regressar fazendo escala de uma semana em Roma e outra em Paris, voltando depois a Lisboa. Problemas familiares obrigam-me a regressar no mesmo dia a casa, apesar de ter bilhetes teoricamente impossíveis de trocar. Mas há uma inusitada animação nesta jornada: já em Roma, depois do voo nocturno, constato que a minha carteira se eclipsou no ar. Foi difícil convencer o responsável italiano a aceitar a troca do bilhete para Paris por uma ida nesse mesmo dia. Cedeu, mediante o pagamento de uma pequena taxa. Explico que a minha carteira desapareceu. Do alto do seu cabelo platinado olha-me com uma daquelas expressões inesquecíveis, que nos fazem sentir a mais no mundo. Embarco, e devoro todos os pequenos-almoços possíveis a bordo. Saciado, chego matinalmente a Paris. De novo a questão: aterrar em Orly e ir para o Charles de Gaulle, explicar que não tenho um tostão para a navette. Em França é feriado, não há como contactar os do cartão de crédito, desbloquear uns francos (estamos em 1998). Não tenho contactos para poder pedir ajuda. Lá me deixam ir. Agora é preciso que o meu bilhete para Lisboa para daí a duas semanas seja aceite para viajar já. Que sim, mas o voo é ao final do dia, e só em cima da hora me dirão se há vagas. Com a fome e o cansaço, as paredes do aeroporto começam a bailar. Ao fim da tarde, chegam os primeiros passageiros para Lisboa. Um deles diz-me qualquer coisa como “Caramba, eu conheço-o da televisão”. Eu respondo: “Ainda bem, porque me podia pagar uma sandes”. Meio desconfiado, deu-me uns trocos para sanduíche e cerveja. Acabei por embarcar. Devorei a comida a bordo, e nunca mais me queixei das ementas.

André Gago

Actor, encenador, professor e autor.

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