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Voo espacial tripulado Obituário Malcom Scott Carpenter (N. 1 / Maio / 1925 – F. 10 / Outubro / 2013) Um dos originais sete magníficos do Programa Mercury, Malcom Scott Carpenter participou no segundo voo espacial orbital dos Estados Unidos e foi também pioneiro na exploração dos oceanos, tornando-se no primeiro astronauta / aquanauta. O único voo espacial de Carpenter, Mercury-Atlas 7 a 24 de Maio de 1962, teve uma duração de 4 horas 56 minutos e 5 segundos, durante o qual realizou três órbitas da Terra. O voo de John Glenn três meses antes havia provado que um astronauta poderia sobreviver no espaço, então a tarefa de Carpenter seria a de provar que um astronauta poderia trabalhar no espaço. O seu plano de voo estava cheio com experiências científicas que incluíam a observação de sinais luminosos na superfície e a separação de um balão preso por um cabo. Carpenter descobriu os misteriosos pirilampos de John Flenn quando embateu nas paredes da sua cápsula espacial, dando origem a uma nuvem de partículas luminosas. Tentou reproduzir a desorientação relatada pelo cosmonauta soviético Gherman Titov (mais tarde revelado como o primeiro caso de enjoo espacial ou síndrome de adaptação espacial), mas o conseguiu. E transmitiu saudações via rádio – em Castelhano – para os controladores no solo localizados em Guaymas, México. Constantemente distraído e atrasado em relação às suas tarefas previstas para a missão ao longo do voo, Carpenter utilizou muito do combustível de controlo de atitude e foi forçado a executar a ignição dos seus retro-foguetões de forma manual. Foi bem sucedido nesta tarefa, porém um pouco atrasado, levando a que a cápsula Aurora-7 viesse a amarar a mais de 370 km de distância da zona prevista. Carpenter saiu da sua cápsula flutuante para um bote salva-vidas para esperar pelos nadadores salvadores e pelas embarcações de recolha, que começariam a chegar 40 minutos mais tarde. Os minutos de incerteza acerca da sobrevivência de Carpenter criaram um momento de tensão para o programa espacial americano. O repórter da CBS, Walter Cronkite, referiu que temia que a América havia ‘perdido um astronauta’. A performance de Carpenter levou a que não fosse designado para outra missão espacial (surgiram rumores de que o director de voo Christopher Kraft o havia informado de que não haveria de voar mais no espaço). Foi designado para o programa de desenvolvimento do módulo lunar e também trabalhou como assistente executivo do director do Centro Espacial Tripulado. Na Primavera de 1968 Carpenter deixou a NASA para participar no programa Man-in-the-Sea da Marinha dos Estados Unidos e no Verão passou 30 dias a viver e a trabalhar no leito oceânico a bordo do Sealab-II. Carpenter foi o líder de duas das três equipas que passaram um total de 45 dias a uma profundidade de mais de 60 metros. Regressando ao programa espacial, Carpenter era responsável pela ligação com a Marinha norte-americana para o treino de gravidade zero em ambiente subaquático quando sofreu uma lesão num cotovelo num acidente de mota nas Bermudas. Com o seu status de voo sendo mais questionado, Carpenter deixou de vez a equipa de astronautas a 10 de Agosto de 1967. M. Scott Carpenter nasceu a 1 de Maio de 1925, em Boulder – Colorado, e frequentou aí o ensino secundário. Os seus pais separaram-se quando tinha 3 anos de idade e quando a sua mãe foi institucionalizada para tratamento da tuberculose, Carpenter foi criado por uma família amiga. Mais tarde descrever-se-ia como um adolescente de «trato infernal».

Em Órbita – Vol.13 – N.º 142 / Novembro de 2013

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Em Órbita 142 Novembro de 2013  

Edição de Novembro de 2013 com a segunda parte dos artigos sobre os lançamentos orbitais de Setembro de 2013 e os lançamentos de Outubro de...

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