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Em Órbita

Cronologia Astronáutica (XCII) Por Manuel Montes -1954: É publicado o artigo "A Comparative Analysis of the Performance of Long-Range Hypervelocity Vehicles". Neste trabalho preparado por H. Julian Allen, Alfred J. Eggers, Jr., e Stanford E. Neise, do Centro Ames, são analisados os prós e contras dos veículos de reentrada balísticos, de deslizamento e planadores. Será a base da decisão que irá definir as futuras características aerodinâmicas da primeira nave tripulada americana. -1954: O Dr. U. Stan propõe um foguetão lunar. Funcionaria segundo um curioso princípio: carregado de bombas nucleares no interior de um cilindro, estas explodiriam uma a uma na parte traseira do foguetão. Um sistema deflector aproveitaria o impulso, acelerando a nave para a frente. Trata-se de um claro precedente do futuro projecto militar Orion. -Janeiro de 1954: A RAND Corporation avança na sua proposta de satélite de reconhecimento (Projecto Feed Back). Insinua-se órbita retrógrada de 83 graus, a cerca de 300 milhas náuticas de altitude, permitindo uma vida útil de pelo menos 1 ano. A citada órbita proporcionaria uma cobertura completa da URSS devido aos avanços na precessão de 1 grau diário. Em relação ao foguetão, usaria um sistema de duas etapas, a primeira das quais teria quatro motores, dois destes móveis, e a segunda um só fixo. O satélite utilizaria um sistema de televisão desenvolvido pela RCA, cujas imagens ficariam gravadas em fita magnética e depois seriam transmitidas ao sobrevoar solo amigo. O mesmo veículo poderia usar-se como observatório astronómico, para estudar a atmosfera terrestre o para analisar os raios cósmicos de maneira contínua. -Janeiro de 1954: O crescente peso das bombas termonucleares soviéticas obrigará a aumentar a potência do míssil R-7 para poder impulsionar 5.400 kg a 8.500 km de distância. As principais alterações no desenho inicial deverão produzir-se na área de propulsão. O veículo terá uma massa de 283.000 kg no lançamento e um impulso de 400.000 kg, com o que Glushko se verá obrigado a redefinir os seus objectivos e a substituir os motores RD-105 e 106 (baseados num desenho de alto impulso) por outros mais inovadores, baseados no velho protótipo RD-140. Cada novo motor dos aceleradores (RD-107) terá quatro câmaras de combustão e um impulso de 83.000 kg. Os engenheiros chamar-lhe-ão produto 8D74. Para o estágio central, um RD-108 de características parecidas (8D75) irá desenvolver 75.000 kg de impulso. A existência de várias câmaras de combustão responde à impossibilidade de manter um funcionamento estável numa Sá de maiores dimensões para o impulso requerido. Os RD-107 e 108 começarão a ser definidos com detalhe em Março de 1954. Para o controlo da trajectória do míssil, serão adicionados diversos motores auxiliares (verniers), cada um com um impulso de 2.500 kg. A sua alta fiabilidade fará que no futuro sejam utilizados como base para do desenvolvimento dos sistemas de propulsão de etapas superiores em diversos foguetões espaciais. -15 de Janeiro de 1954: Despega desde White Sands o foguetão-sonda Hermes A-3A número 7. Perde o controlo aos 53 segundos do lançamento. -23 de Janeiro de 1954: Korolev tenta conseguir apoios para a sua ideia de um satélite artificial. Fala com Keldysh para que o esforço seja coordenado entre o centro NII-4 e o Departamento de Física Aplicada. A 7 de Fevereiro, menciona a questão ao ministro Ustinov, que aceita examina-la quando tenha uma proposta formal. -24 de Janeiro de 1954: Eisenhower reconhece perante o Conselho de Segurança Nacional que é difícil determinar o nível de gastos militares devido à falta de informação sobre as capacidades soviéticas. -27 de Janeiro de 1954: É lançado desde Cabo Canaveral o míssil Redstone RS-2. Esta vez, o voo decorre de forma totalmente normal e alcança cerca de 275 km de distância. O veículo supera Mach 5. -10 de Fevereiro de 1954: O Teapot Committee dá a conhecer o seu relatório sobre mísseis. Recomenda-se um programa de choque para construir o quanto antes o primeiro míssil balístico intercontinental americano. O ICBM Atlas, depois dos avanços em matéria de bombas termonucleares, que supuseram uma enorme redução na sua massa, parece mais próximo do que nunca. Já não serão necessários tantos motores no primeiro estágio. Porém, as propostas do comité são tão ambiciosas que se dúvida se a companhia construtora, Convair, pode encarregar-se da tarefa. Espera-se que o veículo operacional esteja pronto em oito anos. O General de Brigada Bernard Schriever encarregar-se-á de dirigir o projecto. Os testes nucleares de 1 de Março reforçarão as possibilidades de êxito do Atlas, já que o menor peso das ogivas e a sua maior potência permitem relaxar a precisão no tiro do míssil. Assim, as dimensiones dos veículos poderão reduzir-se até os 22,5 metros de altura e 3 m de diâmetro. Utilizará três motores. -21 de Fevereiro de 1954: Os franceses lançam o segundo exemplar do seu foguetão-sonda Véronique-NA desde Hamaguir, na Argélia, uma melhoria substancial do Véronique-N. A série, composta por quatro foguetões, contempla o prolongamento do corpo num 1 metro para albergar uma maior quantidade de propergóis, assim como modificações no injector do motor para uma maior estabilidade. Depois do Véronique-NA-15 falhar devido a um defeito no gerador no dia anterior, o NA-14 alcança 135 km de altitude. -Março de 1954: Os novos bombardeiros Mya-4 representam uma ameaça para os Estados Unidos. Por isso, Eisenhower pode ao Scientific Advisory Committee que o aconselhe sobre quais as novas tecnologias que poderão ser empregues para evitar um ataque surpresa. -1 de Março de 1954: A RAND Corporation reúne todos os relatórios produzidos durante o Project Feed Back publica-os em dois volumes, ficando à disposição da US Air Force. A principal recomendação é o início imediato de um programa de reconhecimento Em Órbita – Vol.13 – N.º 141 / Outubro de 2013

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