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Em Órbita

ULA lança WGS-6 Visionada como uma solução intermédia para as comunicações militares, o sistema Wideband Gapfiller Satellites (WGS) acabou por ocupar o seu lugar de direito nos sistemas de comunicações ultra-rápidas para os militares norte-americanos. O lançamento do sexto satélite da série a 8 de Agosto de 2013 vem aumentar e reforçar de forma determinante as potencialidades do sistema. Curiosamente, sendo construído pela Boeing tal como os anteriores satélites da série, este satélite foi pago pelo Ministério da Defesa da Austrália através de um acordo assinado em 2007 no qual acordou a compra do satélite e do seu lançador, além de contribuir para a sustentação dos custos do sistema em troca de uma percentagem das capacidades mundiais de comunicações fornecidas pela constelação WGS. O acordo prolonga-se até 2029.

Os satélites WGS Os satélites WGS são veículos que foram desenvolvidos para aumentar os serviços de comunicações de defesa que são proporcionados pelos satélites DSCS (Defense Satellite Communications System) e pelo Global Broadcasting Service, bem como para proporcionar uma nova capacidade de comunicações em banda Ka em apoio das forças militares norte-americanas nos diferentes teatros de guerra. Em comparação um só satélite WGS é capaz de fornecer a mesma capacidade de largura de banda que a totalidade da constelação de satélites DSCS. O novo sistema é capaz de transmitir informação entre 2,5 Gbits e 3,3 Gbits por segundo, isto é 10 vezes mais rápido do que os satélites DSCS. A necessidade de uma grande quantidade de largura de banda tem vindo a aumentar ao longo dos anos por parte dos militares norteamericanos. Esta necessidade vai desde a transmissão de grandes quantidades de vídeo obtido pelos veículos UAV no Iraque e no Afeganistão, até a uma crescente dependência entre as altas patentes militares na teleconferência em todo o globo. O programa denomina-se Wideband Gapfiller Satellites porque em tempos foi visto como uma capacidade interina entre os satélites DSCS e o sistema Advanced Extremely High-Frequency (AEHF) que irá substituir os satélites Milstar. O sistema WGS é utilizado por todos os serviços militares e é baseado no modelo do satélite comercial Boeing 702. Fontes da Boeing referem que este modelo possui características que permitem ao operador detectar a presença de interferências para assim tomarem contra medidas para preservar as comunicações. Enquanto que os satélites WGS oferecem uma maior protecção contra as interferências em comparação com um satélite comercial típico, não permitem no entanto as capacidades de encriptação da informação dos satélites Milstar. A encriptação dos dados e posterior desencriptação são levadas a cabo pelos terminais terrestres. Os WGS permitem, porém, a transmissão de dados encriptados. O sistema tem muitas aplicações proporcionando serviços essenciais de comunicações para os comandantes no terreno de combate e para as unidades tácticas e permite também o envio de mensagens tais como correio electrónico. Para além de suplantar as comunicações em banda X (os satélites operam na zona dos 500 MHz da banda X e na zona de 1 GHz da banda Ka, encaminhando a informação numa largura de banda instantânea de 4,875 GHz) fornecidas pelos satélites DSCS, os satélites WGS adicionam a flexibilidade das comunicações em banda Ka. A capacidade de cada satélite de encaminhar as comunicações a partir de qualquer destes espectros de frequências para qualquer outro a bordo, é em si uma nova capacidade para os utilizadores militares. No passado as unidades militares tinham dificuldades quando tentavam comunicar com outras unidades utilizando diferentes sistemas. Os satélites WGS ajudam a resolver esses problemas enquanto aumentam as capacidades de todo o sistema, proporcionando uma melhor capacidade de encriptação e uma maior densidade de espectro onde se pode enviar muito mais informação.

Em Órbita – Vol.13 – N.º 140 / Setembro de 2013

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Em Órbita 140 Setembro de 2013  

Edição n.º 140 do Boletim Em Órbita. Nesta edição pode-se encontrar vários artigos sobre os lançamentos orbitais realizados em Agosto de 201...

Em Órbita 140 Setembro de 2013  

Edição n.º 140 do Boletim Em Órbita. Nesta edição pode-se encontrar vários artigos sobre os lançamentos orbitais realizados em Agosto de 201...

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