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Em Órbita Os primeiros satélites Chuangxin (‘Inovação’) a serem colocados em órbita eram pequenos micro-satélites experimentais de telecomunicações que foram desenhados e construídos pela Academia Chinesa de Ciências. Por seu lado, os satélites Shiyan Weixing são usualmente utilizados para testar novas tecnologias, bem como os satélites Shijian (‘Prática’) são utilizados para demonstração tecnológica. O primeiro satélite desta série, o CX-1 Chuangxin-1 (28058 2003-049B) foi colocado em órbita às 0316UTC do dia 21 de Outubro de 2003 juntamente com o satélite CBERS-2 ‘ZY-1B Ziyuan-1B’ (28057 2003-049A) a bordo do foguetão CZ-4B Chang Zheng-4B (Y4) lançado a partir do Complexo de Lançamento LC7 do Centro de Lançamento de Satélites de Taiyuan. O satélite teve como objectivo ser uma plataforma de demonstração tecnológica para a comunicação de dados no campo do tráfego rodoviário e transportes, controlo de cheias e secas, estudos hidrológicos, meteorologia, monitorização de fogos florestais, monitorização de terramotos e outros serviços. O desenvolvimento do projecto foi dirigido pelo Centro de Engenharia da Xangai para Micro-satélites da Academia de Ciências da China. Operando numa órbita a cerca de 800 km de altitude, o satélite recolhia e armazenava pequenas mensagens enviadas a partir de estações terrestres e posteriormente enviava essas mensagens para o centro de processamento de dados. Satélites semelhantes foram lançados a 2 de Novembro de 2008 e 20 de Novembro de 2011. O Chuangxin-1 (2) (33434 2008-056B) foi lançado às 0015:03,909UTC juntamente com o satélite SW-3 Shiyan Weixing-3 (33433 2008-056A) a bordo do foguetão CZ-2D Chang Zheng-2D (Y12) a partir da Plataforma de Lançamento 603 do Complexo de Lançamento LC43 do Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan. Deste mesmo local foi lançado o Chuangxin-1 (3) (37930 2011-068A) juntamente com o satélite SY-4 Shiyan Wexing-4 (37931 2011-068B). O lançamento teve lugar às 0015:04,609UTC. Para além da parca designação de ‘satélite tecnológico’, as autoridades chinesas não referiram qual é a missão do CX-3 Chuangxin3. No entanto, é de admitir que a sua missão seja distinta dos três satélites anteriores com designações semelhantes devido à alteração de numeração e a não continuação da sequência anterior. O satélite SJ-15 Shijian-15, construído pela Academia de Tecnologia Espacial de Xangai (SAST) irá escrutinar a órbita terrestre por detritos orbitais. O satélite finalmente atinge a órbita terrestre após 8 anos de desenvolvimento. O satélite poderá estar capacitado de capacidades de detecção orbital semelhantes às que teriam sido testadas nos anos 80 e 90 pelos Estados Unidos. Vários satélites de demonstração tecnológica com missões não relacionadas entre si, foram lançados utilizando a designação Shijian (‘Prática’). Construído pela DFH Satellites Corp., uma afiliada da Corporação de Tecnologia e Ciência Aeroespacial da China, o satélite SW-7 Shiyan Weixing-7 transporta um protótipo de um sistema de manipulação remota (braço-robot) que se encontra em desenvolvimento e que no futuro derivara num sistema que será utilizado na estação espacial modular chinesa. O satélite irá também testar um sistema de compressão de imagens e sua combinação num só sinal para transmissão através de um único meio. Operações em órbita A análise dos parâmetros orbitais do Shiyan-7 e do Chuangxing-3, leva a crer que ambos os satélites devem estar a executar uma missão conjunta com os dois veículos a aproximarem-se e a afastarem-se. Este padrão manteve-se durante vários dias, até que 18 de Agosto o satélite Shiyan-7 aproximou-se do satélite SJ-7 Shijian-7 (28737 2005-024A) que foi lançado a 5 de Julho de 2005 pelo foguetão CZ-2D Chang Zheng-2D (Y6) a partir do Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan. A própria história do satélite SJ-7 está povoada de alterações orbitais seguidas de longos períodos de decaimento orbital. A sua última manobra foi realizada em Janeiro de 2013, tendo vindo a perder altitude desde então. As manobras entre os satélites Shiyan-7 e Chuangxin-3 tiveram início a 1 de Agosto quando o satélite Chuangxin-3 se encontrava a cerca de 2.000 km «atrás» do satélite Shiyan-7. De notar que o satélite Chuangxin-3 não tem capacidade de manobra e que todas as alterações orbitais são realizadas pelo satélite Shiyan-7. Após iniciar as manobras a 1 de Agosto, o satélite Shiyan-7 passava a cerca de 3 km de distância do Chuengxin-3 a 6 de Agosto. Porém, a 9 de Agosto o satélite iria realizar uma série de manobras quando se encontrava a 970 km atrás do Chuengxing-3. Utilizando duas queimas do seu motor, o satélite iria baixar para uma órbita com uma altitude média de 650 km, encontrando-se 20 km abaixo do Chuangxin-3. Uma outra manobra iria diminuir a velocidade relativa entre os dois satélites, com o Shiyan-7 a elevar a sua órbita ligeiramente. Por volta das 1815UTC, os dois satélites estavam a voar em formação com o satélite Shiyan-7 a perseguir o Chuangxin-3 a uma distância inferior a 10 km. Os dois satélites teriam a maior aproximação a 10 de Agosto com o Shiyan-7 a passar a menos de 2 km de distância do satélite Chuangxin-3. Após esta aproximação, os dois satélites iriam afastar-se um do outro nas respectivas órbitas, mas a 16 de Agosto o Shiyan-7 executava uma nova manobra reduzindo a sua altitude em 150 km atingindo uma órbita circular de 500 km de altitude. Nesta altura, esperava-se que fosse executada uma nova aproximação entre os dois satélites com o Shiyan-7 a viajar em frente do Chuangxin-3. Porém, a 18 de Agosto o Shiyan-7 executa uma fantástica aproximação surpresa ao satélite Shijian-7, chegando a estar a poucas centenas de metros um do outro quando ambos os satélites se encontravam numa órbita comum perigeu a 565 km de altitude e apogeu a 610 km de altitude. A distância entre os dois satélites seria aumentada para 4 km no dia 19 de Agosto, continuando a afastar-se nos dias seguintes. Os verdadeiros objectivos destas manobras não serão certamente conhecidos num futuro próximo, mas estes desenvolvimentos só vêm mais uma vez provar que a China encontra-se de vento em popa no desenvolvimento das tecnologias espaciais e que no futuro será de esperar um considerável aumento da actividade espacial chinesa.

Em Órbita – Vol.13 – N.º 139 / Agosto de 2013

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Em Órbita 139 Agosto de 2013  

Edição n.º 139 do Boletim Em Órbita para o mês de Agosto de 2013.

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Edição n.º 139 do Boletim Em Órbita para o mês de Agosto de 2013.

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