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Em Órbita

Estando os sensores colocados na direcção oposta (nomeadamente os sensores responsáveis pelo eixo vertical), o sistema de controlo de voo recebeu informações erradas acerca da posição do foguetão e tentou proceder à sua correcção. Foi esta tentativa que resultou no facto de o veículo ficar descontrolado e posteriormente ao seu despenhamento no solo. Não havendo registos vídeo ou fotográficos da instalação destes sensores, os registos escritos levaram a um jovem técnico que terá colocado os sensores na posição incorrecta, levantando sérias dúvidas relativas ao controlo de qualidade nas diferentes fases de construção e preparação dos lançadores. A montagem incorrecta dos sensores foi simulada pela comissão de investigação a 13 de Julho que determinou ser difícil, mas não impossível a ocorrência de tal instalação pois seria necessário exercer uma força considerável sobre o sensor e utilizar ferramentas e procedimentos não certificados. A própria instalação do sensor levaria a danos físicos na placa onde estaria inserido e que acabaram por ser muito semelhantes aos que foram encontrados nos destroços do foguetão Proton-M. No dia 5 de Agosto de 2013 o governo russo divulgou uma transcrição de um encontro da comissão de investigação ao acidente liderada por Dmitry Rogozin. O principal responsável pela investigação, Alexander Lopatin, referiu que um foguetão Proton para a sua 47ª missão GLONASS havia sido fabricado de acordo com um contrato federal entre o Ministério da Defesa e a GKNPTs Khrunichev assinado a 20 de Março de 2010. Durante a sua produção, um total de 19 autorizações foram emitidas para alterações no desenho standard e na documentação de fabrico do veículo de lançamento. Lopatin reiterou que todas as actividades antes do lançamento decorreram normalmente até 0,4 segundos antes deste ocorrer, quando o algoritmo de voo de emergência foi activado. Por volta dos 6,8 segundos após o sinal de lançamento, a telemetria mostra um aumento brusco no movimento dos mecanismos de orientação nos motores n.º 1, 3, 4 e 6, com os seus actuadores a atingirem ângulos máximos. A T+7,7 segundos de voo, os ângulos das suspensões cardan no eixo de guinada atingiram o ângulo máximo possível de 7,5º. Praticamente desde o princípio do voo, foi observado um processo instável de desvio do ângulo de guinada correcto. A T+12,7 segundos de voo foi emitido um sinal indicador do excesso do máximo ângulo possível, pois o sistema de estabilização do lançador já não era capaz de controlar a guinada. Como resultado, a T+12,733 segundos foi gerado o comando de “falha do veículo lançador”, segundo Lopatin. Posteriormente, Lopatin reiterou que a análise da telemetria havia confirmado que a anomalia no movimento do veículo ao longo do ângulo de guinada havia sido causada por uma operação anormal dos sensores de velocidade angular na unidade de instrumentação PV-301. Seis unidades PV-301 estão colocadas em dois grupos numa plataforma na secção posterior do segundo estágio do foguetão Proton-M. Três unidades são responsáveis pelos movimentos angulares laterais e três unidades são responsáveis pelos movimentos longitudinais da trajectória de voo. Lopatin também confirmou que dois dos três sensores DUS incorrectamente instalados haviam sido identificados após a sua recolha no local de despenho, graças aos restos de tinta vermelha e amarela. O terceiro instrumento não foi identificado de forma positiva devido ao facto de que a sua cobertura de tinta estar demasiado queimada. A comissão recomendou à NPO Technomash para completar uma lista de operações na indústria de foguetões que necessite de registos fotográficos e de documentação vídeo e que adicione as respectivas alterações aos actuais standards de fabrico, conhecidos como OST. A GKNPTs Khrunichev e a NPTs AP foram designadas para modificarem a instrumentação PV-301 e a sua plataforma de fixação para excluir a possibilidade de uma instalação incorrecta. A comissão também requereu a introdução de registo fotográfico e de vídeo dos processos de instalação e a introdução de verificações adicionais das conexões de cabos para os instrumentos.

Em Órbita – Vol.13 – N.º 139 / Agosto de 2013

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Em Órbita 139 Agosto de 2013  

Edição n.º 139 do Boletim Em Órbita para o mês de Agosto de 2013.

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Edição n.º 139 do Boletim Em Órbita para o mês de Agosto de 2013.

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