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Em Órbita lançamento. A carenagem de protecção era consistente na sua forma e tamanho com a que havia sido revelada em 1992 no novo lançador que seria cancelado. Tem muitas similaridades com as ogivas russas utilizadas com a Soyuz, mas uma comparação com fotos das ogivas da Soyuz na mesma escala revelam que a ogiva chinesa é muito maior. Em Julho foi anunciado o final dos trabalhos de construção do quarto navio de rasteio Yuan Wang, estando pronto para ser utilizado com os restantes três navios. Em princípios de Agosto surgiram rumores na imprensa asiática da ocorrência de uma explosão de propolente em Jiuquan destinado ao programa espacial tripulado, notícia que foi negada pelas autoridades chinesas poucos dias mais tarde. No entanto a data do primeiro lançamento não tripulado do Projecto 921 foi alterada de Outubro para “algures em 1999” e a data do primeiro voo espacial tripulado foi alterada para 2005. Entretanto a cooperação sino-russa continuava e em Agosto de 1999 na Cidade das Estrelas, numa grande sala situada no segundo andar do Hidrolaboratório, um grupo de 15 a 20 técnicos chineses continuava os seus trabalhos que pareciam associados ao voo de experiências num avião de gravidade-0 e não ao treino para actividades extraveículares. O pessoal responsável pelo Hidrolaboratório era também responsável pelos voos parabólicos. As experiências que seriam transportadas eram da responsabilidade de Qin Yi do Grupo Oriental de Instrumentação Científica e o projecto era administrado na Cidade das Estrelas por Yuri L. Bogoroditsky, Chefe do Departamento de Desenvolvimento Económico Estrangeiro do Centro de Treinos de Cosmonautas Yuri Gagarin. A possibilidade da iminência de um lançamento era assinalada com a partida dos quatro barcos Yuan Wang do seu porto de abrigo. Três das embarcações estavam estacionadas no Hemisfério Sul perto da latitude 35ºS, estando um junto à costa da Namíbia, um a Sudoeste da Austrália e outro a meio do Oceano Pacífico junto da linha internacional de mudança de data. O quarto navio estava estacionado perto da costa Sul do Japão de forma a receber informações e observar o final da fase de lançamento e da fase de recolha da cápsula em caso de uma abortagem do lançamento. Estações de rastreio terrestres estavam localizadas no centro de lançamento em Jiuquan, no Oeste da China, África do Sul e Paquistão. O primeiro teste não tripulado do protótipo do Projecto 921 teve lugar 49 dias após a data prevista de 1 de Outubro de 1999. O Presidente chinês Jiang Zemin baptizou pessoalmente a cápsula espacial chamando-lhe Shenzhou (traduzido de muitas formas para “Barco dos Deuses”, “Barco Divino” ou “Mecanismo Divino”). Imagens do voo permitiram verificar a existência de um novo lançador CZ-2F Chang Zheng-2F, um edifício de montagem vertical, e mostraram a verdadeira configuração da cápsula espacial pela primeira vez. Neste primeiro voo o módulo orbital estava equipado com painéis solares fixos em vez dos painéis solares que se abririam nos voos posteriores. As principais entidades responsáveis pela construção da Shenzhou foram o Instituto Chinês de Pesquisa de Tecnologia de Foguetões (ICPTF) e que é parte da CICAC, o Instituto Chinês de Pesquisa de Tecnologia Espacial (ICPTE) e o ATVES. Também envolvidos no desenho e teste da cápsula espacial estiveram a Academia de Ciências da China e o Ministério de Informação da Indústria. Apesar de vários rumores durante o ano de 2000, o seguinte voo teste da Shenzhou só teve lugar em Janeiro de 2001. Este segundo voo transportou a bordo um macaco, um cão e um coelho, no que se tratou de um teste do sistema de suporte de vida da cápsula. A Shenzhou-2 demonstrou a capacidade de múltiplas activações do seu sistema de propulsão e executou três manobras para a elevação da sua órbita durante o seu voo. Após sete dias em órbita terrestre, o módulo de reentrada e o módulo de serviço separaram-se do módulo orbital. Após a manobra de travagem levada a cabo pelo módulo de serviço, o módulo de reentrada separou-se e aterrou na Mongólia Interior. A ausência total de fotografias após a aterragem levou a especulações acerca do sucesso da recuperação. Mais uma vez o módulo orbital continuou em órbita terrestre levando a cabo experiências em microgravidade.

Em Órbita – Vol.13 – N.º 138 / Julho de 2013

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Em Órbita 138 - Julho de 2013  

Edição do Boletim Em Órbita para o mês de Julho de 2013

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