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Em Órbita O desenvolvimento do projecto teve início em 1992 com os voos de testes a terem início em 1999. O desenvolvimento dos subsistemas da Shenzhou captou os esforços de centenas e centenas de engenheiros e técnicos de mais de 300 organizações em toda a China. A Shenzhou será utilizada para o desenvolvimento das técnicas do voo espacial tripulado (encontro, acoplagem e actividades extraveículares) e mais tarde poderá ser utilizada como veículo de transporte para uma futura estação espacial chinesa e como veículo lunar. O desenvolvimento do barco divino Ao longo dos anos a China foi desenvolvendo as suas técnicas de reentrada de veículos desde a órbita terrestre utilizando trajectórias balísticas. Na década de 60 e 70 do século passado, surgiu o primeiro programa espacial tripulado chinês, o Shuguang-1 que acabou por ser cancelado devido a razões políticas em 1972. Em resultado dos estudos levados a cabo para o programa Shuguang-1 surgiu o programa do satélite de reconhecimento fotográfico FSW-1 com a capacidade de recuperação de cápsulas a partir da órbita terrestre desde 1976. Entretanto, o desenvolvimento de um programa espacial tripulado continuou ao longo dos anos e em 1978 foram obtidas fotografias de astronautas chineses envergando fatos pressurizados em treinos no interior de câmaras de altitude e aos controlos do que parecia ser um cockpit relativamente avançado de um vaivém espacial. Ao mesmo tempo foi criada uma frota de navios destinados à recuperação e recolha de cápsulas no mar. Em Maio de 1980 uma cápsula espacial foi recuperada nas águas do sul do Oceano Pacífico após a realização de um voo suborbital. Porém, e no que deve ter sido um grande revés e frustração para muitos engenheiros espaciais chineses, em Dezembro de 1980 era anunciado por Wang Zhuanshan1 que o programa de voos espaciais tripulados pela China seria adiado devido ao seu elevado custo. Ao longo de uma década foram extremamente escassas as referências a um possível programa espacial tripulado chinês mas em Abril de 1992, o governo chinês decidiu que o custo de um programa espacial tripulado já poderia ser suportado pelo país. O Conselho Estatal decidiu que um veículo espacial tripulado deveria ser lançado no espaço antes do novo milénio de forma a estabelecer a China como uma das grandes potências mundiais. Ao programa espacial tripulado da China seria dada a designação Projecto 921, com a primeira fase a levar a um voo teste de uma cápsula em Outubro de 1999. Um desenho preliminar da cápsula espacial tripulada chinesa foi apresentado à Federação Internacional de Astronáutica em 1992. O desenho era reminiscente da Soyuz, com a cápsula a ter um desenho muito inusual de pêra e com os restantes módulos de serviço e orbital a terem um diâmetro mais pequeno do que a cápsula de reentrada. Para colocar o veículo em órbita foi proposto um novo foguetão lançador que utilizaria como propolentes o oxigénio líquido e o querosene. Esta proposta eliminaria assim a utilização de propolentes tóxicos utilizados no foguetão CZ2E Chang Zheng-2E. Ao se juntar primeiros estágios idênticos iria permitir o transporte de cargas mais pesadas até à órbita terrestre, tal como um laboratório orbital.

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Wang Zhuanshan era então Secretário-geral da Sociedade de Pesquisa Nova China e Engenheiro Chefe do Centro Espacial da Academia de Ciências Chinesa. Em Órbita – Vol.13 – N.º 138 / Julho de 2013

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Profile for Rui Barbosa

Em Órbita 138 - Julho de 2013  

Edição do Boletim Em Órbita para o mês de Julho de 2013

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