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Em Órbita

pela Universidade de Johns Hopkins, Baltimore, o objectivo do FORTIS foi o de explorar os mistérios da radiação ultravioleta que escapa dos confins poeirentos das galáxias utilizando um telescópio seis vezes mais sensível do que os aparelhos utilizados anteriormente. A China anunciou o lançamento de um foguetão-sonda sub-orbital de grande altitude a 13 de Maio atingindo uma altitude de mais (mas na ordem de) de 10.000 km, e possivelmente na ordem dos 30.000 km. O anuncio chinês referia que havia sido levada a cabo uma experiência de libertação de uma nuvem de bário por volta de '1 wan' (10000) km, e que o foguetão havia chegado a uma altitude superior a '1 wan' km, mas não especificou muito mais. O Departamento de Defesa dos Estados Unidos relatou que seguiu o lançamento numa trajectória perto da altitude geossíncrona com uma reentrada 'sobre o Oceano Índico': como a altitude geossíncrona é de 35.780 km, a frase vaga 'perto da altitude geossíncrona' parece implicar mais um apogeu próximo de 30 a 35 mil km do que 10 mil km. Porém, os serviços de inteligência norteamericanos têm sugerido a possibilidade da realização de um teste ASAT na altitude geossíncrona. Para memória futura, a completa declaração da Tenente-coronel Catherine Wilkinson, do Departamento de Defesa, gentilmente cedida pelo Tomotaro Inoue do Kyodo News, é: "Nós detectamos um lançamento a 13 de Maio a partir da China. O lançamento parece estar numa trajectória balística perto da órbita terrestre geossíncrona. Nós detectamos vários objectos durante o voo mas não observamos a inserção de qualquer objecto em órbita e não permanecem no espaço quaisquer objectos associados a este lançamento. Baseados nas observações, determinamos que os objectos reentraram na atmosfera sobre o Oceano Índico. Qualquer questão deverá ser remetida para o governo chinês." O foguetão-sonda parece ter sido lançado numa trajectória inclinada 32º para SE de Xichang (baseado nos NOTAM disponíveis) e segundo os relatos em nasaspaceflight.com, o seu voo foi observado no SE da China e em Hong Kong. A carga científica magnetosférica do Kunpeng-7 transportava uma sonda Langmuir, detectores de partículas, um magnetómetro, e uma experiência de libertação de bário. Devido ao relativamente pouco usual secretismo antecedendo o lançamento, algumas análises realizadas concluíram que esta era uma missão militar. O único grande programa militar anteriormente conhecido que foi lançado desde Xichang em anos recentes, foi o programa do teste anti-satélite; o foguetão-sonda para a missão Kunpeng-7 foi referido como procedendo do CASIC e foi provavelmente uma variante do míssil DF-21 utilizado nesse programa ou o seu primo DF-31. É de facto possível que este lançamento tenha servido para qualificar uma nova variante do lançador destinada a transportar uma carga ASAT de grande altitude - mas não existe qualquer evidência que tal carga foi transportada nesta missão em particular. Este é o voo sub-orbital de maior altitude desde a missão Gravity Probe A em 1946, e possivelmente desde a missão Blue Scout Jr O-2 em 1961. Se o foguetão-sonda atingiu 30.000 km, o seu voo pode ter tido uma duração de 8 a 9 horas e ter impactado no Oceano Índico - movendo-se para Este na primeira hora, e depois para sudoeste à medida que abrandava e era «apanhado» pela rotação da Terra, passando talvez sobre a Malásia e Sumatra, e depois de novo para Este na hora final da descida. Os voos como este podem ser de certa forma descritos como foguetões-sonda, mas o termo mais preciso é 'sonda vertical', que foi utilizado para descrever voos sub-orbitais soviéticos e norte-americanos nos anos 60 e 70. Ao contrário dos típicos voos dos foguetões-sonda ou dos mísseis balísticos intercontinentais, e apesar deste lançamento ser suborbital, possuiu mais do que energia orbital, o que o coloca numa categoria especial; eu atribuo ao lançamento a pseudo-designação oficiosa da 'série U' ('U' de 'uncataloged' ou 'unusual'), 2013-U01. Estimo que o lançamento tenha tido uma energia C3 ('specific binding energy, -GM/a) de pelo menos -42 km^2/s^2 e talvez tanto como -19, (em comparação com um C3 de LEO de cerca de -53 e um GTO C3 de -16; C3>=0 é necessário para a velocidade de escape terrestre). Também penso ser útil caracterizar as órbitas pela sua energia específica total ETOT, ETOT = GM/R (Terra) - GM/2a, que representa a soma da energia cinética e potencial em relação a um ponto inercial no geóide - ETOT é de apenas 2*C3 mais uma constante. Para este lançamento a ETOT foi entre 41 e 53 nestas unidades comparadas com 33 para LEO e 54 para GTO. Por comparação, os voos de foguetõessonda possuem tipicamente valores de C3 = -118, ETOT = 3 e os ICBM têm C3 = -80, ETOT = 21. (ETOT é definido como a soma da energia cinética e potencial no apogeu) A 17 de Maio a agência MDA (Missile Defence Agency) lançou um ARAV-C de dois estágios a partir de Kauai e interceptou-o com um míssil Aegis SM-3. O Pensa-se que o ARAV-C utiliza os motores de combustível sólido Talos e Castor 1. Às 1327UTC do dia 22 de Maio a Força Aérea dos Estados Unidos lançou um míssil balístico intercontinental Minuteman-III na missão GT207GM a partir do silo LF-04 da Base Aérea de Em Órbita – Vol.12 – N.º 137 / Junho de 2013

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Em Órbita n.º 137 - Junho de 2013  

Edição 137 para o Boletim Em Órbita onde encontraremos vários artigos sobre o voo espacial tripulado, sobre os lançamentos orbitais realizad...

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