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Em Órbita

Cronologia Astronáutica (LXXXVIII) Por Manuel Montes -Princípios de 1953: A Pilotless Aircraft Research Division da NACA norte-americana dá um passo em frente ma futura evolução dos foguetões-sonda. O centro une o míssil guiado Nike-I com um motor sólido Deacon para formar a combinação Nike/Deacon. O veículo poderá alcançar 111 km de altitude com uma carga útil de 23 quilogramas. A aplicação de motores de impulso inicial a foguetões ou mísseis existentes permitirá incrementar o alcance dos foguetões-sonda. -1953: Rocketdyne inicia o programa REAP (Rocket Engine Advancement Program). Mediante melhoras constantes de produtos anteriores, especialmente dos motores criados para os mísseis Redstone e Navaho, a empresa colocará prontos os que serão utilizados no futuro por sistemas que necessitarão um impulso muito maior. EM Março, por exemplo, iniciam-se os trabalhos preliminares em torno de um motor capaz de gerar 1 milhão de libras de impulso. -1953: Eugene Sänger desenvolve o conceito de foguetão de anti-matéria. A matéria e a anti-matéria aniquilam-se mutuamente quando entram em contacto, proporcionando uma enorme quantidade de energia que seria aproveitada para solucionar o problema das inesgotáveis demandas da viagem interestelar. O grande dilema é como produzir e armazenar a anti-matéria, que não pode interactuar com o que a rodeia sem desencadear o mencionado processo. -Janeiro de 1953: A Army Ordnance começa a pensar no sucessor do míssil guiado Corporal e encarrega estudos sobre o que se chamará Sergeant. A diferença do primeiro, estará propulsionado por propolentes sólidos, derivados do veículo experimental RVA-10. Também se aproveitará a experiência obtida durante o desenvolvimento de um pequeno míssil sólido chamado Loki, uma tentativa de adaptar a tecnologia alemã da Segunda Guerra Mundial utilizada no míssil antiaéreo Taifun. Tanto o Loki, cujos testes se iniciarão em 1951, como o Sergeant, serão mais adiante propostos para terem um papel nos planos iniciais de colocação de um satélite em órbita. -Janeiro de 1953: Os trabalhos de Leghorn (Beacon Hill) que chamaram a atenção do coronel Bernard A. Schriver e que propiciaram em Agosto de 1951 um encargo sobre o reconhecimento aéreo, supõem a publicação de um documento chamado “Development Planning Objective” (DPO). Este relatório propõe a utilização de balões de grande altitude, bem como de aviões ligeiros e satélites, para a espionagem da União Soviética. Porém, os esforços para desenvolver um satélite de reconhecimento ainda não avançam como alguns desejariam. A chegada de Dwight D. Eisenhower à presidência, este mesmo mês, as consequências da sua política de mísseis, irão alterar um pouco as coisas. -31 de Janeiro de 1953: Quando ainda não se sabia que opção era a mais conveniente para transportar cargas atómicas (míssil balístico ou de cruzeiro), o NII-88 iniciou a 30 de Outubro de 1950 um estudo sobre este último. Surgiu assim um desenho semelhante ao Navaho norte-americano, isto é, um veículo de dois estágios, o primeiro equipado com um motor de foguetão potente e o segundo com um motor ramjet. Perante a falta de disponibilidade de um motor de foguetão bastante potente (até 165 toneladas), Korolev propôs a 16 de Janeiro de 1952 o desenvolvimento de um modelo experimental chamado EKR (Míssil Alado Experimental). Utilizaria o motor de foguetão S2.253 do míssil R-11 e um ramjet baseado nos estudos efectuados anteriormente para o bombardeiro antipodal de Sänger-Bredt (RD-040, encomendado ao OKB-670 de Bondaryuk). A 31 de Janeiro de 1953 é assinado o plano para o desenvolvimento do EKR. -1 de Fevereiro de 1953: A base de Camp Cooke, na Califórnia, é reactivada. Irá se converter no futuro centro de lançamentos de Vandenberg. -11 de Fevereiro de 1953: O programa experimental Hermes segue em diante. Os A-2 (RTV-A-10) são grandes mísseis de combustível sólido, o primeiro dos quais é lançado com êxito desde Cabo Canaveral. Outro, com menos sorte, despega a 4 de Março. Os dois últimos partirão a 25 do mesmo mês. -13 de Fevereiro de 1953: Na URSS, é cancelado o míssil R-3, é aprovado o programa de ensaios do R-5, finalizam-se os programas de investigação N1, N2 e N3, e iniciam-se outros dois novos (T1 e T2). O T1 consiste no desenho dos planos de um míssil ICBM, enquanto que o T2 encarregar-se-á de desenvolver o míssil de cruzeiro EKR como base para um veículo definitivo. O OKB-1 de Korolev será encarregado de ambos os programas. Depois de dois anos de cálculos preliminares sobre as suas características, fica definida a estrutura geral do ICBM: o veículo possuirá quatro aceleradores (as unidades ou blocos B, V, G e D, seguindo a ordem alfabética russa), os quais rodearão uma unidade central A. Os cinco blocos entrarão em ignição em terra e de forma simultânea, enquanto que os laterais serão desprendidos uma vez esgotados os seus propergóis, aos 2 minutos do lançamento, deixando que o único bloco central continue acelerando até aos 5 minutos e meio. Com uma massa inicial na decolagem prevista de 200 toneladas, o denominado R-6 poderá enviar 3 toneladas de carga (a ogiva nuclear) a 7 ou 8.000 quilómetros de distância. Para a propulsão, Glushko propõe os motores RD-105 (55 toneladas de impulso) para os aceleradores e RD-106 (53 toneladas) para o núcleo. Ambos consumirão oxigénio líquido como comburente e querosene como combustível. -13 de Fevereiro de 1953: Inicia-se o desenvolvimento do míssil soviético R-12, empreendido pelo grupo de trabalho de Yangel (futuro OKB-586). O R-12 (8A63), que será colocado em silos em Kapustin Yar e cujo primeiro voo de ensaio se efectuará em Junho de 1957, será a base sobre a que se construirá o mais pequeno lançador espacial da URSS, o denominado Kosmos-2. Utiliza um motor RD-214.

Em Órbita – Vol.13 – .º 136 / Maio de 2013

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Em Órbita n.º 136 - Maio de 2013  

Edição de Maio de 2013 para o Boletim Em Órbita. Para além da habituais secções, nesta edição temos um artigo sobre a 32ª actividade extrave...

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