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Em Órbita

Uma análise inicial do problema revelou que os pequenos sistemas de propulsão da Dragon não iniciavam o programa de funcionamento devido a um bloqueio de uma válvula num desses sistemas. No entanto, o problema foi resolvido pelos técnicos da SpaceX e os painéis solares acabariam por se abrir pelas 1650UTC. Com isto, procedeu-se à activação dos sistemas de propulsão e pelas 2210UTC a Dragon executou uma manobra de elevação orbital, transferindo-se para uma órbita com um perigeu a 314 km, apogeu a 340 km e inclinação orbital de 51,7º. Uma segunda manobra seria realizada às 0023UTC do dia 2 de Março transferindo-se para uma órbita com um perigeu a 321 km, apogeu a 404 km e inclinação orbital de 51,7º. Uma nova manobra orbital surgiria pelas 0540 UTC, alterando o perigeu para 332 km e elevando o apogeu para 507 km (nesta altura a ISS encontrava-se numa órbita com um perigeu a 401 km e apogeu a 417 km). A órbita seria ainda posteriormente ajustada pelas 1100 UTC para 430 km de perigeu e 447 km de apogeu. A Dragon chegava a uma distância de 350 metros da ISS às 0840 UTC do dia 3 de Março, aproximando-se ao longo do denominado vector R-bar (a linha imaginária que linha o centro da Terra com a ISS). Esta aproximação levou a Dragon até uma distância de 10 metros, ficando então estacionária em relação à estação espacial. A cápsula não tripulada seria capturada pelo sistema de manipulação remota da ISS às 1031UTC e posteriormente ancorada ao porto de acoplagem CBM nadir do módulo Harmony às 1356UTC.

Aproximando-se da estação espacial internacional À medida que a Dragon persegue a estação espacial internacional, a cápsula irá estabelecer comunicações UHF utilizando a unidade CUCU (COTS Ultrahigh- frequency Communication Unit). Da mesma forma, e utilizando o CCP (Crew Command Panel) a bordo da ISS, a tripulação irá interagir com a Dragon para monitorizar a aproximação. Esta capacidade para a tripulação para enviar comandos para a Dragon é importante durante as fases de aproximação, encontro, separação e partida. Durante a aproximação final à estação, são verificados todos os parâmetros com o Controlo de Missão em Houston e a equipa da SpaceX em Hawthorne para permitir uma queima dos motores da Dragon que trará a cápsula a 250 metros de distância da ISS. Nesta distância, a Dragon começa a utilizar os seus sensores de proximidade compostos por sistemas de observação térmicos e LIDAR. Estes sistemas irão confirmar que a posição e a velocidade da Dragon são precisos ao comparar a imagem LIDAR que a Dragon recebe em relação às imagens térmicas. A equipa de controlo de voo da Dragon em Hawthorne, com o auxílio da equipa de controlo de voo da NASA localizada na International Space Station Flight Control Room no Centro Espacial Johnson, irá comandar a cápsula para se aproximar da estação a partir da sua posição a 250 metros. Após outra consulta entre as duas equipas de controlo, é permitido à Dragon entrar na denominada Keep-Out Sphere (KOS). Este é um círculo imaginário a 200 metros em torno da estação que previne o risco de colisão. A cápsula prossegue então até uma posição a Em Órbita – Vol.13 – .º 135 / Abril de 2013

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Em Órbita n.º 135 - Abril de 2013  

Edição de Abril de 2013 do Boletim Em Órbita: o voo da Soyuz TMA-08M, O olho humano no espaço, Lançadores: custos versus confiabilidade, Lan...

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