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Em Órbita

Sete hora e meia antes do lançamento, o Falcon-9 e a cápsula Dragon são activadas – os sistemas são activados e os computadores são ligados. A cerca de quatro horas do lançamento, inicia-se o processo de abastecimento – primeiro, o oxigénio líquido seguido do querosene RP-1. O vapor que se observa a sair do veículo durante a contagem decrescente é o oxigénio gasoso que está a ser ventilado dos tanques, e esta é a razão pela qual o abastecimento de oxigénio líquido é levado a cabo até quase ao final da contagem decrescente. A contagem final tem início a T-10m 30s, altura na qual todos os sistemas operam de forma autónoma. Após consultar o Controlo de Missão em Houston, Texas, e a equipa de lançamento em Hawthorne, Califórnia, o director de lançamento dá a luz verde final a T2m 30s. O oficial da Força Aérea dos Estados Unidos confirma que o espaço aéreo está disponível para o lançamento e um minuto antes do lançamento dá-se a activação do computador de voo. A activação do sistema de supressão de ondas sónicas por inundação da plataforma de lançamento, denominado ‘Niágara’, é activado a T-55s. A plataforma é inundada por água proveniente de 53 tubeiras de água. O sistema é desactivado a T-20s. Os nove motores Merlin do primeiro estágio entram em ignição a T-3s e o computador ordena a libertação do foguetão a T-0s. O lançamento do Falcon-9 v1.0 (F-4) teve lugar às 0035:07UTC do dia 8 de Outubro de 2012.

A T+1m 10s o Falcon-9 atinge a velocidade supersónica. O veículo passa pela área de máxima pressão dinâmica – MaxQ – dez segundos mais tarde. Este é o ponto no qual o stress mecânico no veículo atinge o seu máximo devido à combinação da sua velocidade e resistência criada pela atmosfera terrestre. A cerca de T+2m 30s, termina a queima de dois dos nove motores do primeiro estágio para assim reduzir a aceleração do foguetão. (A sua massa tem vindo constantemente a diminuir devido ao consumo de propolente ao longo do lançamento) Neste ponto, o Falcon-9 está a cerca de 90 km de altitude e a viajar a uma velocidade dez vezes superior á do som. Os restantes motores irão terminar as suas queimas poucos segundos depois. Cinco segundos após MECO ocorre a separação entre o primeiro e o segundo estágio. Sete segundos mais tarde o motor Merlin do segundo estágio entra em ignição durante 6 minutos e 14 segundos para colocar a cápsula Dragon em órbita terrestre. Após se separar do segundo estágio às 1519UTC, a Dragon entra numa órbita com um perigeu a 199 km, apogeu a 323 km e inclinação orbital de 51,7º. De seguida, as coberturas dos painéis solares deveriam ter-se separado às 1522UTC, porém tal não aconteceu. Esta separação é fundamental para que os painéis solares se abram e possam gerar electricidade para o veículo (apesar de este conter energia suficiente armazenada nas baterias internas para as suas operações de voo).

Em Órbita – Vol.13 – .º 135 / Abril de 2013

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Em Órbita n.º 135 - Abril de 2013  

Edição de Abril de 2013 do Boletim Em Órbita: o voo da Soyuz TMA-08M, O olho humano no espaço, Lançadores: custos versus confiabilidade, Lan...

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