Page 52

Em Órbita

Lançadores: custos versus confiabilidade Por André Mileski No início de Março de 2013, a companhia australiana NBN (8ational Broadband 8etwork) assinou um contrato com a europeia Arianespace para o lançamento de seus dois primeiros satélites geoestacionários de comunicações, negócio que, segundo a imprensa australiana, alcança o montante de 300 milhões de dólares. A notícia é interessante por revelar, ainda que sem confirmação oficial, os custos de lançamentos, informação geralmente guardada a "sete chaves" por seu carácter comercial estratégico. Reconhecidamente mais cara que seus concorrentes, fato é que mesmo operadoras novas têm optado por se apoiar na fiabilidade do Ariane-5, que já somou quase 60 lançamentos consecutivos bem sucedidos. Falhas em lançamentos e os consequentes atrasos em missões nos manifestos trazem enormes prejuízos às empresas de comunicações, daí a importância e necessidade de se buscar a máxima segurança possível no transporte de um satélite até sua órbita. Os últimos contratos assinados pela Arianespace indicam o excelente momento pelo qual passa a operadora. A empresa se consolidou na posição de líder no mercado, num momento em que seus concorrentes directos também passam por sérios problemas de fiabilidade (falhas em missões dos lançadores russos Proton e Zenit 3SL). Desde o início de 2013, a Arianespace assinou sete novos contratos para lançamento, sendo vários deles envolvendo mais de um satélite. As recentes falhas em lançadores russos, como as do Proton (duas em 2012, e três num período de 16 meses) e do Zenit 3SL, da Sea Launch (Fevereiro de 2013) têm beneficiado fortemente a companhia europeia. No período de Janeiro de 2012 a Abril de 2013, a Arianespace assinou 17 contratos, contra apenas duas da ILS, operadora do Proton. Nota-se, portanto, que a a segurança tem um sido um critério primordial no processo de escolha pelos operadores. Observe-se ainda que a segurança no lançamento tem dois componentes principais: o primeiro é a segurança física, da integridade do próprio satélite, susceptível de ser destruído numa falha de lançamento; o outro componente é a segurança em termos de cronograma, algo que também precisa ser apreciado num processo de definição de lançador, uma vez que falhas costumam gerar a suspensão dos manifestos de lançamento até que as razões sejam identificadas e corrigidas. Em Fevereiro, durante o evento Satellite 2013, em Washington (DC), nos EUA, foi anunciada uma violenta redução dos preços de frete do Proton, consequência de sua nova realidade em termos de fiabilidade. Tais diferenças, aliás, são reflectidas nos valores dos seguros pagos em cada lançamento, que actualmente alcançam o dobro num comparativo entre o Ariane-5 e o Proton (o seguro de um lançamento a bordo de um Ariane-5 varia de 6% a 7% do preço do satélite, frente a 13% ou mais em um Proton). Mesmo com a redução do preço, é de se notar o perfil de clientes que hoje contratam o Proton: empresas de comunicações em situação financeira mais crítica (caso da Satmex, por exemplo), em que cada dólar economizado faz diferença, ainda que em detrimento da segurança, e grandes operadoras de satélites, que contam com extensa frotas de satélites e que muitas vezes não contratam seguros nos lançamentos em razão de terem meios próprios de gestão de riscos. Tais operadoras, aliás, costumam contratar lançamentos com todos os players activos no mercado. Dentro deste contexto, será interessante acompanhar as decisões relacionadas aos programas de satélites actualmente em fase de finalização no Brasil, tanto no âmbito privado, com operadores inserindo novas capacidades (banda Ka) para atender a forte demanda a ser gerada com os grandes eventos (Copa do Mundo e Jogos Olímpicos), como no governamental, com o programa do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC). Em Órbita – Vol.13 – .º 135 / Abril de 2013

51

Profile for Rui Barbosa

Em Órbita n.º 135 - Abril de 2013  

Edição de Abril de 2013 do Boletim Em Órbita: o voo da Soyuz TMA-08M, O olho humano no espaço, Lançadores: custos versus confiabilidade, Lan...

Em Órbita n.º 135 - Abril de 2013  

Edição de Abril de 2013 do Boletim Em Órbita: o voo da Soyuz TMA-08M, O olho humano no espaço, Lançadores: custos versus confiabilidade, Lan...

Advertisement