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O primeiro satélite da Coreia do Norte Apesar de proibida pelas Resoluções 1718 e 1874 das Nações Unidas que claramente e de forma inequívoca a impedem de levar a cabo lançamentos que utilizam tecnologia de mísseis balísticos intercontinentais, a Coreia do Norte levou a cabo a 14 de Abril de 2012 o lançamento do satélite Kwangmyongsong-3 (광명성 3호) utilizando o foguetão Unha-3 (은하-3), lendo-se ‘Un-ha’. Merecendo a reprovação por parte da maior parte da comunidade internacional preocupada com o desenvolvimento deste tipo de tecnologia por parte da Coreia do Norte, o lançamento redundaria num embaraçante fracasso segundos após deixar a plataforma de Soahe. O voo terminaria a cerca de T+1m 30s com a explosão do Unha-3 no final da queima do primeiro estágio ou durante a fase de separação entre o primeiro e o segundo estágio. Os destroços do veículo terão atingido uma altitude máxima de 150 km e depois caíram no Mar Amarelo a cerca de 36ºN – 124ºE.

O foguetão Unha-3 A Coreia do Norte está impedida por várias resoluções das Nações Unidas de desenvolver tecnologias que sejam aplicadas no desenvolvimento de mísseis balísticos intercontinentais. Por outro lado, a Coreia do Norte sempre fez tábua rasa dessas resoluções, fazendo salientar o seu direito legítimo ao desenvolvimento destas tecnologias como forma de garantir a sua independência e segurança. Assim, o que é o Unha-3 (은하-3) – um foguetão pacífico ou um míssil ameaçador? Na verdade é um pouco de ambos. Ryu Gum Chol, Director Executivo da Exploração Espacial no Departamento de Tecnologia Espacial da Coreia do Norte, referiu que o Kwangmyongsong-3 pesava somente 100 kg e que para uma arma, este peso seria pouco eficaz. Por outro lado, sublinhou que o lançamento de um míssil balístico intercontinental necessitaria de uma tecnologia mais avançada e que não teria lugar de uma posição fixa. Ora, a referência à massa do Kwangmyongsong-3 como forma de justificar a veia pacífica deste lançador pode levar em erro, pois um míssil balístico de dois estágios baseado no Unha-3 teria uma capacidade de carga muito superior a 100 kg. Sabendo que os Estados Unidos possuem ogivas nucleares com uma massa de cerca de 100 kg e admitindo que a Coreia do Norte ainda não foi capaz de fabricar ogivas deste tipo, logo este míssil desenvolvido a partir do Unha-3 poderá ser utilizado para o transporte destas ogivas mais pesadas. A referência à necessidade de se proceder a um lançamento a partir de uma posição móvel para se justificar a natureza militar de um vector deste tipo, também é enganadora. Tanto a União Soviética (R-7, etc.) como os Estados Unidos (Redstone, Atlas, Titan, etc.) desenvolveram mísseis balísticos intercontinentais que eram lançados a partir de posições fixas. O Unha-3 é um lançador a três estágios com um comprimento de 32 metros e uma massa de cerca de 85.000 kg no lançamento. O primeiro estágio tem um diâmetro de 2,40 metros e um comprimento de 15 metros, o segundo estágio um diâmetro de 1,5 metros e um comprimento de 9,3 metros (valor estimado), e o terceiro estágio um diâmetro de 1,2 metros e um comprimento de 3,7 metros (valor estimado). O compartimento de transporte de carga tem um comprimento de 2 metros. É muito semelhante ao foguetão Unha-2 utilizado em Abril de 2009, com a excepção do terceiro estágio parecer ligeiramente mais alongado. Possivelmente o primeiro estágio está equipado com quatro motores Nodong derivados dos motores Scud, com o segundo estágio a utilizar tecnologia derivada do míssil balístico R-27. Aparentemente o terceiro estágio do Unha-3 é semelhante ao segundo estágio do foguetão iraniano Safir que está equipado com dois motores orientáveis. Todos os estágios do Unha-3 consomem UDMH/N2O4 em vez de UDMH/AK-27 como acontecia com o Unha-2, sendo os motores de maior potência. A força que desenvolve no lançamento será de 1.1312 kN em vez dos 1.137 kN como acontecia com o Unha-2.

Em Órbita – Vol.13 – .º 132 / Janeiro de 2013

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Em Órbita 132 - Janeiro de 2013  

Primeira edição do Boletim Em Órbita para o ano de 2013. Neste número: a missão espacial Soyuz TMA-07M, os lançamentos orbitais realizados e...

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