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Em Órbita Estas surpresas tiveram de ser encontradas pelos tripulantes e este processo foi todo registado para posteriormente ser possível se fazer a análise da sua capacidade de resolver problemas deste tipo nas condições de ausência de peso. A 22 de Junho a atitude do complexo orbital foi alterada de forma manual. O sistema de controlo do Tiangong-1 foi activado por Liu Wang antes de se proceder ao teste de três tipos distintos de posicionamento. Segunda acoplagem Num mundo onde a informação está disponível à distância de um clique, o controlo de informação por parte das autoridades espaciais chinesas dificultou em mundo a análise desta missão. Verificamos um regresso ao estilo dos anos 60 e 70 nos quais os observadores internacionais tentavam adivinhar e prever os próximos passos espaciais da União Soviética. Tal como então, os nomes da tripulação, a hora do lançamento e o programa de actividades, foram sendo descobertos aos poucos e aos poucos confirmados pela China. A informação oficial começou a surgir nas horas antes do lançamento e as autoridades revelaram no global três objectivos principais para a Shenzhou-9. O primeiro objectivo foi estabelecido como a necessidade de validar a tecnologia das manobras de aproximação, encontro e acoplagem em órbita e pela primeira vez verificar a possibilidade da realização de manobras de aproximação, encontro e acoplagem de forma manual. O segundo objectivo foi a verificação por parte da tripulação do bom funcionamento de todos os sistemas a bordo do Tiangong-1 e verificar que o laboratório orbital seria capaz de manter a vida humana em órbita. Ao entrar no módulo a tripulação teve de obter numerosas medições incluindo a pressão atmosférica a bordo, capacidade de oxigénio, temperatura do ar e humidade, etc. O terceiro objectivo da missão foi definido como o regresso bem sucedido da primeira mulher chinesa no espaço. Alguns dias antes do início da missão, pensava-se que a Shenzhou-9 iria permanecer acoplada ao Tiangong-1 durante a maior parte do período no qual permanecesse em órbita. Alguns dias antes surgiram rumores sobre a possibilidade de da ocorrência de uma segunda acoplagem ao módulo orbital, mas desta vez conduzida de forma manual. Antes de ingressarem no interior da Shenzhou-9, os três elementos da tripulação prepararam o Tiangong-1 para o modo de voo independente para o pouco provável caso de não conseguirem proceder a uma nova acoplagem ou no caso de surgir um regresso de emergência à Terra. Após estes procedimentos, também usuais em situações semelhantes na estação espacial internacional, a tripulação entrou na Shenzhou-9 e envergou os seus fatos espaciais pressurizados, seis dias após a primeira acoplagem. A separação automática entre os dois veículos deu início, às 0308UTC do dia 24 de Junho, a uma série de eventos que decorreriam nas horas seguintes. Em primeiro lugar, a Shenzhou-9 afastou-se até uma distância de 400 metros antes de iniciar uma aproximação até 140 metros, mantendo esta distância durante alguns minutos. Até esta fase todos os procedimentos foram realizados de forma automática. A equipa de controlo no solo, e após analisar todos os parâmetros quer da Shenzhou-9 quer do Tiangong-1, deu luz verde para a aproximação manual que foi controlada por Liu Wang que activou o controlo manual às 0438UTC e aproximou-se a partir das 0442UTC até dos 140 metros até uma curta paragem a 30 metros. O controlo da Shenzhou-9 foi feito utilizando dois dispositivos de comando implantados nas laterais do assento ocupado por Liu Wang. O dispositivo do lado direito controlava a sua atitude, enquanto que o dispositivo do lado esquerdo controlava o movimento da Shenzhou-9 ao longo dos três eixos espaciais incluindo a aceleração, travagem, e translação horizontal e vertical. 55

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Em Órbita n.º 128 - Setembro de 2012  

Edição do Boletim Em Órbita para Setembro de 2012. Nesta edição podemos encontrar um artigo sobre a missão Shenzhou-9 e um outro sobre a mis...

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