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Em Órbita

Para muitos a missão da SZ-9 Shenzhou-9 é o culminar de um longo processo evolutivo por parte do programa espacial tripulado da República Popular da China. Ao longo dos últimos anos, a China foi desenvolvendo o seu programa espacial conseguindo ultrapassar de forma cadenciada todas as metas necessárias para o estabelecimento num futuro próximo de uma presença permanente em órbita terrestre. Até aqui, foram conseguidos todos os passos essenciais para o lançamento e utilização de pequenos módulos orbitais. Com o lançamento do módulo TG-1 Tiangong-1 e da SZ-8 Shenzhou-8 em 2011 e a posterior acoplagem automática entre estes dois veículos, abriu-se o caminho para a realização de uma missão semelhante com a Shenzhou-9, mas desta vez contendo uma tripulação a bordo. Sendo um programa secreto, a selecção de mulheres para o seu corpo de yuangyuans não passaria despercebida ao mundo ocidental por muito tempo e foi só uma questão de poucos meses para que as identidades das possíveis seleccionadas acabassem por surgir. A missão da Shenzhou-9 fica assim também marcada pelo primeiro voo espacial de uma chinesa e todos crêem que as mulheres da república popular poderão vir a ter um papel muito para além da simples propaganda no programa espacial chinês.

Shenzhou, o divino barco dos deuses A Shenzhou-9 é o primeiro veículo da segunda fase de desenvolvimento dos veículos Shenzhou cuja construção é baseada nas tecnologias desenvolvidas e testadas anteriormente tendo como objectivo as missões aos módulos TianGong-1 (2012), TG-2 TianGong-2 (2013 / 2015) e TG-3 (2015 / 2020). Uma silhueta conhecida Quando pela primeira vez se olha para a figura da cápsula espacial tripulada chinesa Shenzhou, a primeira impressões que nos vem à memória é a sua semelhança com a cápsula espacial russa Soyuz. Porém, uma apreciação do veículo com mais atenção leva-nos a encontrar diferenças entre os dois modelos: as Shenzhou são maiores e a sua tecnologia de construção muito mais avançada. Tal como a Soyuz, a Shenzhou é composta por um módulo orbital situado na frente do veículo, um módulo de reentrada e um módulo de serviço posterior. No entanto, ao contrário da Soyuz, o módulo orbital está equipado com dois painéis solares, um sistema de propulsão autónomo e um sistema de controlo, permitindo assim a capacidade de voo autónomo após se separar do resto do veículo. O programa Shenzhou recebeu fundos relativamente limitados se comparados com projectos equivalentes levados a cabo na antiga União Soviética (e mesmo na actual Rússia) e nos Estados Unidos. Em resultado, o desenvolvimento do projecto foi-se arrastando ao longo dos anos devido a factores económicos no complicado sistema financeiro chinês. O desenvolvimento do projecto teve início em 1992 com os voos de testes a terem início em 1999. O desenvolvimento dos subsistemas da Shenzhou captou os esforços de centenas e centenas de engenheiros e técnicos de mais de 300 organizações em toda a China.

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Em Órbita n.º 128 - Setembro de 2012  

Edição do Boletim Em Órbita para Setembro de 2012. Nesta edição podemos encontrar um artigo sobre a missão Shenzhou-9 e um outro sobre a mis...

Em Órbita n.º 128 - Setembro de 2012  

Edição do Boletim Em Órbita para Setembro de 2012. Nesta edição podemos encontrar um artigo sobre a missão Shenzhou-9 e um outro sobre a mis...

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