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Em Órbita

A carenagem de protecção é separada durante a fase de voo EPC logo que os níveis de fluxo aerodinâmico são suficientemente baixos para não terem impacto na carga. Para a missão VA207, a separação da carenagem ocorreu a uma altitude de 107 km, 197 segundos após o lançamento. A fase de propulsão EPC tem como objectivo uma órbita predeterminada estabelecida em relação a requisitos de segurança e á necessidade de controlar a operação quando o EPC cai de volta para a Terra no Oceano Atlântico. O final da queima do motor Vulcain ocorre quando são atingidas as seguintes características orbitais: apogeu a 172,3 km de altitude, perigeu a -1.064,3 km de altitude, inclinação orbital de 7,2º, argumento do perigeu de -38,3º e longitude do nodo ascendente de 124,2º. Este é o tempo de referência H2 e ocorre a H0+539,2s. O estágio criogénico principal cai então para o Atlântico após a separação, destruindo-se numa reentrada atmosférica a uma altitude entre os 80 km e os 60 km devido às cargas geradas pelo atrito. O estágio deve ser despressurizado para evitar o risco de explosão devido ao sobreaquecimento do hidrogénio residual. Uma válvula lateral do tanque de hidrogénio, actuada por um temporizador que é activado pela separação do EPC, é utilizada para este propósito. Esta força lateral é também utilizada para fazer com que o EPC entre numa rotação, reduzindo assim a dispersão dos detritos originados na reentrada. O ângulo de reentrada do estágio criogénico é de -2,6º e a longitude do ponto de impacto é registada a 4,1º O. O voo do ESC-A tem uma duração de cerca de 16 minutos. Esta fase de voo é finalizada por um comendo enviado pelo OBC, quando o computador estima, a partir de dados calculados pela unidade de orientação inercial, que a órbita alvo foi atingida. Esta é a referência temporal H3 e ocorre a H0+1.497,4s. O propósito da fase balística seguinte é o de: a) orientar o conjunto na direcção requerida para a separação dos dois satélites e na direcção necessária para a separação do adaptador Sylda-5; b) lenta rotação transversal antes da separação do EchoStar-17; c) estabilização nos três eixos espaciais antes da separação da Sylda-5; d) colocar o conjunto numa lenta rotação de 30,7º/s antes da separação do satélite MSG-3; e) separação dos satélites EchoStar-17 e MSG-3, além do adaptador Sylda-5; f) rotação final do conjunto a 45º/s; e g) despressurização do estágio ESC-A (tanques de oxigénio líquido e hidrogénio líquido), precedida de uma fase de despressurização que envolve a abertura simultânea de oito escapes SCAR. Estas operações contribuam para a gestão a curto e médio prazo da distância mútua dos objectos em órbita. A fase balística da missão é composta por 23 fases elementares que incluem a separação do EchoStar-17, a separação da Sylda-5 e a separação do MSG-3.

Lançamento da missão VA207 Integração A 21 de Março de 2012 chegavam ao Porto de Pariacabo, Guiana Francesa, a bordo do navio de carga MN Colibri, vários componentes do foguetão Ariane-5ECA (L563) nomeadamente o estágio criogénico principal, a secção compósita superior (o estágio criogénico superior e a secção de equipamento), o sistema adaptador Sylda e equipamento respectivo, além da carenagem de protecção. Todos estes elementos seriam removidos da embarcação e posteriormente transportados para o Centro Espacial de Kourou. A campanha para o lançamento da missão VA207 teve início a 13 de Abril de 2012 tendo sido no mesmo dia iniciado o processo de integração do foguetão Ariane-5ECA com a colocação do estágio EPC na plataforma móvel de lançamento no interior do edifício BIL (Basic Integration Building), após a sua despressurização. No dia seguinte procedeu-se à transferência dos dois propulsores laterais de combustível sólido EAP, sendo integrados no EPC a 21 de Abril. O sistema compósito superior foi despressurizado e colocado em posição a 25 de Abril e o controlo de síntese do lançador ocorreu dois dias mais tarde. Nesta fase faz-se um controlo de qualidade do lançador que seria aceite pela Arianespace a 29 de Maio. Entretanto, o satélite MSG-3 havia chegado a Kourou a 13 de Abril, enquanto que o satélite Echostar-17 chegava a 10 de Maio. O foguetão Ariane-5ECA era transferido do BIL para o FAB (Final Assembly Building) a 30 de Maio.

Em Órbita – Vol.12 – .º 127 / Agosto de 2012

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Em Órbita n.º 127 - Agosto de 2012  

A edição do Boletim Em Órbita referente ao mês de Agosto de 2012 com vários artigos sobre os lançamentos orbitais não tripulados do mês de J...

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