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PROGRAMA PALAVRA VIVA CARLOS MARTENDAL A ORAÇÃO Bom dia, amigos que às quartas-feiras acompanham Palavra Viva pela Rádio Cultura. Nossa saudação cordial e fraterna também para você que nos ouve no domingo, quando este programa é retransmitido. Que a paz de Jesus reine em nossos corações e que a Mãe Santíssima nos leve nas dobras do seu manto, em mais este dia que a bondade do Pai nos concede. Estava pensando no tema da nossa reflexão de hoje quando meus olhos pousaram de novo numa fotografia simples, simplesmente incomum. É num quarto. Vêem-se ao fundo, na prateleira, um telefone sem fio colocado na base, perto dele um ‘mouse’ e, junto ao ‘mouse’ um pedacinho da tela do computador. Logo à frente, uma cama com travesseiro e colcha. É nesse ambiente que esta aquele menino de cinco-seis anos de idade ajoelhado, tendo ao lado seu cachorro também ajoelhado, de que falei neste programa há três semanas. Ê uma bela cena! Parece que ambos, menino e cachorro, falam, mas, mais que isso, ouvem. São Bento, nos séculos V-VI, ensinava: "A oração é em primeiro lugar um ato de escuta, que depois se deve traduzir em ação concreta". Ao meditar sobre a Transfiguração do Senhor, no Ângelus dominical de 4 de março do ano passado, o Papa Bento XVI afirmou que a oração é “questão de vida ou morte”! Aí está uma verdade profunda, decisiva para nós. Como é valiosa a oração! Na primeira carta aos cristãos de Tessalônica, na Grécia, São Paulo recomenda: “Orai sem cessar” (5,17). Por que “orar continuamente”? “Porque a oração é essencial para o ser humano”, responde Chiara Lubich, a santa mulher que ha três meses partiu para a casa do Pai. E ela prossegue: “Fomos criados segundo a imagem de Deus, como interlocutores, como um “tu” de Deus, capazes de estar numa relação de comunhão com Ele. Portanto, a relação de amizade, o dialogo espontâneo, simples e verdadeiro com Ele – isso é oração - é realidade constitutiva do nosso ser, que torna possível sermos pessoas autênticas, na plena dignidade de filhos e filhas de Deus.” (“Cidade Nova”, janeiro 2008, p. 37) Pois é, meus irmãos: “Criados como um “tu” de Deus, podemos viver em constante relação com Ele, com o coração cheio de amor derramado pelo Espírito Santo e com aquela confidência que se tem diante do próprio Pai: aquela confidência que nos leva a falar freqüentemente com Ele, a expor-lhe todas as nossas coisas, as nossas preocupações, os nossos projetos; confidência que nos faz esperar com impaciência o momento dedicado à oração - entrecortada durante o dia por outros compromissos de trabalho, de família -, para nos colocarmos em contato profundo com Aquele pelo qual temos a certeza de sermos amados”, diz Chiara. E a fundadora dos focolarinos pergunta: “Como podemos orar continuamente, sobretudo quando nos encontramos no corre-corre da vida de cada dia?”. E ela mesma oferece a resposta: “Orar continuamente não significa multiplicar os atos de oração, mas orientar a alma e a vida para Deus, viver cumprindo a Sua vontade: estudar, trabalhar, sofrer, repousar e até morrer por Ele. (...) Então, a nossa vida se transforma numa ação sagrada, e todo o nosso dia se torna uma oração. Pode nos ajudar o fato de oferecer a Deus cada ação realizada, dizendo: “Por ti, Jesus!”; ou então, nas dificuldades: “O que importa? Amar-te importai”. Assim, transformaremos tudo num ato de amor. E a oração será contínua, porque contínuo será o amor.” Neste ano teremos novamente eleições, em 2010 voltaremos às urnas, e assim sucessivamente. Escolhemos nossos candidatos e os partidos. Hoje quero propor-lhes, também eu, um partido, garantindo, solenemente, que nunca se arrependerão de ter apostado nele. Não é um partido qualquer; é o partido: o PTJ! Vocês e eu vamos precisar votar todos os dias, a cada hora, no PTJ. Você já conhecia esse partido? É o “Por Ti, Jesus!”. Sim, o “Por Ti. Jesus!”, dá o PTJ! É o ‘partido da oração’! Quem o escolhe ganha sempre; e o Escolhido, que é Jesus, nunca perde... Mas dá! Dá a vida em abundância, dá Sua amizade.

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Agora, não basta orar... é preciso acreditar. Conta-se que, já faz anos, a seca castigava determinada região do nosso Brasil. Alguém lembrou-se de propor que se fizesse uma novena, pedindo chuva. Proposta feita, proposta aceita. A última das novenas seria na capela do povoado, no domingo à tarde. Pois chegou o último dia da novena. A multidão não coube dentro do pequeno templo, Muitos ficaram fora. E o sol rachava... O padre perguntou: “Quantos de vocês trouxeram sombrinha ou guarda-chuva?” Uns três ou quatro... Então ele disse aquele povo: “Podem ir pra casa, porque não vai chover, não. Se vocês acreditassem no que pedem, teriam vindo preparados para a chuva que viria ao final da novena...”. Então, alguns rezaram o Terço, a grande maioria foi embora, e começou-se uma outra novena, já na segunda-feira. O resto da história vocês conhecem... Na revista “O Milite”, de fevereiro deste ano, Jorge Lorente escreve assim: “Raramente eu consigo ser diferente de Pedro. Às vezes parece que eu ouço Jesus me dizendo: “Vem, acredita, caminha em minha direção!”. Eu chego até a tentar, no entanto, na metade do trajeto vem a dúvida, as ondas bravias do cotidiano me assustam. E eu, então, vacilo e afundo. Essa incerteza me recorda a história de um senhor muito querido na pequena cidade em que morava. Era tido como santo e admirado pela comunidade por sua dedicação à oração e por suas freqüentes demonstrações de fé. Certa vez, como fazia habitualmente, ele caminhava rezando à beira do rio que atravessava a cidade, quando se deparou com um jovem ajoelhado e rezando com muita devoção. Depois de observá-lo por alguns minutos, resolveu perguntar-lhe por que rezava com tanto fervor. Demonstrando muita fé, o jovem explicou-lhe que estava se preparando para atravessar o rio andando sobre as águas, e pedia a proteção de Deus para conseguir realizar seu intento, sem se molhar. Deixando escapar um irônico sorriso, o homem resolveu ficar ali para assistir à cena. Pouco tempo depois, o jovem levantou-se e, sem tirar os sapatos e nem mesmo os documentos do bolso, caminhou tranqüilamente por sobre a água. Sem afundar um milímetro sequer, o jovem chegou seco ao outro lado do rio. Boquiaberto, o senhor presenciou o fato e decidiu fazer o mesmo. Ajoelhou-se e compenetrou-se na oração. Depois de um longo período de meditação, sentiu-se pronto para atravessar o rio. Ainda orando, levantou-se, arregaçou a barra de suas calças, fez o sinal-da-cruz e iniciou a travessia. Porém, mal deu o primeiro passo, foi ao fundo. Segurando-se na margem e engasgando-se com a água que bebera, o senhor gritou para o jovem: “Por que eu fui ao fundo se rezei tanto quanto você?!”. A resposta veio de imediato: “Não basta rezar, é preciso acreditar no poder da oração! No simples fato de levantar a barra de suas calças, o senhor deixou transparecer claramente a sua falta de fé!”. Pois é, não basta rezar, é preciso acreditar! Um dia, falando com os discípulos sobre a fé em Deus e o poder da oração, Jesus declarou: “Todo o que disser a este monte: Levanta-te e lança-te ao mar, se ele não duvidar no seu coração, mas acreditar que sucedera tudo o que disser, ele obterá esse milagre. Por isso, vos digo: Tudo o que pedirdes na oração, crede que o tendes recebido, e ser-vos-á dado.” (Mc 11,23-24). É fantástica esta promessa de Jesus, mais que promessa: garantia. Qual? A de que tudo o que pedirmos na oração, se acreditarmos que vamos ser atendidos, seremos. Assim como acreditarmos. Desde, é claro, que seja, o nosso pedido, de acordo com a vontade do Pai! Esse é o poder da oração I Então, é preciso pedir com confiança. E também com humildade. O autor sagrado escreve lá no livro do Eclesiástico 35,21: “A oração do humilde penetra as nuvens; ele não se consolara, enquanto ela não chegar (a Deus), e não se afastara, enquanto o Altíssimo não puser nela os olhos”. Isso me faz lembrar de uma história muito bonita, da qual não conheço o nome do autor. “Uma pobre mulher morava em uma humilde casinha com sua neta muito doente. Como não tinha dinheiro sequer para levá-la a um médico e vendo que, apesar de seus muitos cuidados e remédios com ervas, a criança piorava a cada dia, resolveu iniciar a caminhada de duas horas até a cidade próxima, em busca de ajuda.

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Chegando ao único hospital público da região, foi aconselhada a voltar para casa e então trazer a neta junto, para que fosse examinada. Quando ia voltando, já desesperada por saber que sua neta não conseguia sequer levantar da cama, a senhora passou em frente a uma igreja e como tinha muita fé em Deus, resolveu pedirLhe ajuda. Ao entrar, encontrou algumas senhoras ajoelhadas no chão, fazendo orações. As senhoras receberam a visitante e, após se inteirarem da história, convidaram-na para se ajoelhar e rezar pela netinha. Depois de quase uma hora de orações, as senhoras já iam se levantando quando a mulher lhes disse: - Eu também gostaria de fazer uma oração. Vendo que se tratava de uma mulher de pouca cultura, as senhoras retrucaram: - Não será necessário. Com nossas orações, sua neta, com certeza, melhorará. Ainda assim, a avó insistiu em orar e começou: - Deus, sou eu! Olha, a minha neta está muito doente. Então, eu gostaria que Você fosse lá curá-la. Deus, Você pega uma caneta que eu vou dizer onde fica. As senhoras estranharam, mas continuaram ouvindo. - Já está com a caneta, Deus? Você vai seguindo o caminho de volta para Belo Horizonte e, quando passar o rio com a ponte, Você entra na segunda estradinha de barro. Não vá errar, tá? As senhoras já estavam se esforçando para não rir, mas ela continuou: - Seguindo mais uns vinte minutinhos tem uma vendinha. Entre na rua depois da mangueira que o meu barraquinho é o último da rua. Pode ir entrando que não tem cachorro. As senhoras começaram a se indignar com a situação. - Olhe, Deus, a porta tá trancada, mas a chave fica embaixo do tapetinho vermelho na entrada. O Senhor pegue a chave, entre e cure a minha netinha, Mas olhe só, Deus, por favor, não se esqueça de colocar a chave de novo embaixo do tapetinho vermelho, senão eu não consigo entrar quando chegar em casa. As senhoras interromperam, considerando ultrajante aquela situação, dizendo que não era assim que se deveria orar, mas que ela poderia ir para casa sossegada, pois elas eram pessoas de muita fé e Deus, com certeza, ouviria suas preces e curaria a menina. A mulher foi para casa um pouco desconsolada, porém, ao entrar em sua casinha, sua neta veio correndo recebê-la. - Querida, você esta de pé! Como é possível?! E a menina explicou: - Eu ouvi um barulho na porta e pensei que era a senhora voltando. Mas, entrou um homem muito alto com um vestido branco no meu quarto e mandou que eu levantasse. Não sei como, eu simplesmente levantei. E, quase chorando, a menina continuou: - Depois ele sorriu, beijou minha testa e disse que tinha que ir embora, mas pediu que eu avisasse a senhora que ele ia deixar a chave embaixo do tapetinho vermelho...” (in “Histórias que tocam o coração”, Guilherme V. Cordeiro, pp. 21-23). É como diz o Eclesiástico, que repito: “A oração do humilde penetra as nuvens; ele não se consolara, não se afastara, enquanto o Altíssimo não puser nela os olhos” (Eclo 35,21). O Altíssimo que se faz pequeno, que se abaixa, que vem ao encontro de nossa miséria como Pai que nos ama! Santa Teresinha do Menino Jesus dizia assim: “Como é grande o poder da oração! Dir-se-ia que é como uma rainha que a todo momento tem livre acesso junto ao rei e que pode obter tudo o que ela lhe solicita”! São Bernardo, que morreu em 1153, depois de um dia cheio de trabalhos retirava-se à sua cela e aí redigia. Eram obras cheias de otimismo e de doçura, entre elas o “Comentário ao Cântico dos cânticos”, que é uma declaração de amor a Nossa Senhora. É dali que tiro este trechinho: “De quanta amargura muitas vezes me livrastes, ó bom Jesus, vindo a mim! Quantas vezes, depois de atormentado pranto, depois de inumeráveis gemidos e soluços, curastes minha chagada consciência com o ungüento de vossa misericórdia e a ungistes com óleo de alegria! Quantas vezes, no início da oração, me vi quase desesperado e, depois dela, saí exultante, audaciosamente seguro do perdão!

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Os que, como eu, são atribulados, estes sabem ser o Senhor Jesus o verdadeiro médico que cura os corações contritos... Quem tal experiência não fez, creia naquele mesmo que disse: ungiu-me o Espírito Santo do Senhor e me enviou a evangelizar os pobres e curar os contritos de coração, Se ainda duvidar, aproxime-se com segurança, faça experiência e, por si mesmo, aprenderá o que significa: misericórdia quero, e não sacrifício.” (in “Intimidade Divina”, p. 619). Que coisa linda: no início da oração estar quase desesperado; depois dela, ficar exultante! E agora, para concluir este nosso momento, uma oração que acho belíssima: a oração da família, composta pelo monge beneditino Dom Marcos Barbosa. Vejam quanta beleza a reveste: “Bem debaixo, Senhor, da tua asa, coloca a nossa casa. Nossa mesa abençoa, e o leito, e o linho, guarda o nosso caminho. Brote, em torno, o jardim frutos e flores, nossa boca, louvores. Conserva pura a fonte de cristal, longe o pecado e o mal. Repele o incêndio, a peste, a inundação, reine a paz e a união. Bem haja na janela o azul do dia, na parede, Maria. Encontre a noite quieta a luz acesa, quente sopa na mesa. Batam à porta o pobre e o viajor, e tu mesmo, Senhor. Tranqüilo seja o sono sob a cruz, que o outro sol conduz.” “Bem debaixo, Senhor, da tua asa, coloca a nossa casa”: podemos fazer deste pedido uma rica jaculatória, repetindo-a muitas vezes ao dia. “Bem debaixo, Senhor, da tua asa, coloca a nossa casa”! Parece ser o eco do salmista, lá no Salmo 16, versículo oitavo: “Guardai-me como a pupila dos olhos, escondei-me à sombra de vossas asas”! Ou o eco da voz de Davi quando fugiu para a caverna, perseguido por Saul: “Ó Deus, abrigo-me à sombra de vossas asas, até que a tormenta passe.” É, meu irmão, “tu que habitas sob a proteção do Altíssimo, que moras à sombra do Onipotente", como rezamos no Salmo 90,1, confia no Senhor. Confia e com humildade pede aquilo de que precisas. Se for da vontade do Pai, a Seu tempo serás atendido. Confia. Confia e pede com humildade, como aquela avó tão simples, tão cristã, tão confiante e humilde lá de Belo Horizonte, cuja história ouvimos há pouco. Deus quer nos atender. “O bom Deus gosta de ser incomodado”, dizia o santo Cura d'Ars! Do CD “Cantando o amor em Cristo”, escutemos, com o Coral do Movimento de Irmãos de Capoeiras, MEU DEUS E MEU TUDO. É uma bela canção! faixa 1 - 3min23s Obrigado, amigos que acompanharam mais esta edição de Palavra Viva pela Rádio Cultura. Até quarta-feira que vem, as 08h30min, e no domingo ao meio-dia, após o Ângelus de Sua Santidade o Papa Bento XVI, se Deus quiser!

Escrito por:

Carlos Martendal programapalavraviva@gmail.com

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Palavra de Vida - Oração