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Sinopse

Rica, bonita e selvagem, Reagan McKinley tem tudo o que ela precisa... mas nada do que ela quer. Isto é, até que ela passa uma noite quente nos braços do sexy, desenfreado Dare Wilde.

Ela é uma garota presa em um mundo rígido que ela quer desesperadamente escapar, e ele é um artista selvagem com uma atitude, que está determinado em libertá-la — corpo, mente e alma. Mas a vida de Reagan não pertence a ela e Dare não é bem-vindo. Ela não pode incluí-lo em seu estilo de vida cuidadosamente controlado, extremamente público... e ainda assim, ela não pode desistir dele.

Uma paixão compartilhada pela arte - e, cada vez mais, um ao outro será suficiente para mantê-los juntos? Ou será a coisa que, finalmente, os destruirá?


Capítulo Um

E

u

preciso transar. — eu inclinei minha cabeça para trás para que a dose de tequila pudesse queimar o caminho na minha garganta. Era a minha quinta ou sexta da noite, e com o coquetel de comprimidos que eu tinha engolido mais cedo, cada célula do meu corpo pulsava ao ritmo da música batendo nas paredes do clube. Eu estava faminta por contato, cantarolando com a excitação, desejando uma liberação. Isso significava que, eu precisava gozar. Apenas sentir uma pequena porção de... alguma coisa. — Chupe. — Archer inclinou-se sobre o sofá de couro de nossa seção VIP privada e pressionou uma fatia de limão nos meus lábios. Quando eu os separei, ele acrescentou: — Você sabe que eu sempre fico feliz em saciar a sua sede, Reagan. — seus olhos azuis brilhantes inflamados e sua voz profunda pingavam com insinuação, deixando o sorriso no seu rosto esculpido duplamente perverso. Eu fiz uma careta com o forte azedo do limão. Ou talvez porque, por um breve e louco instante eu realmente considerei sua oferta. Archer Huntington Chase III não era uma tentação fácil de ignorar. Com seu cabelo loiro ondulado, traços angulares e um estilo musculoso diretamente


das páginas da GQ1, ele era o sonho molhado de toda mulher. As meninas perdiam o rumo - e as suas calcinhas - nas profundezas do seu olhar gelado. No momento, estava vítreo e desfocado quando ele olhou para mim, mas, sem dúvida, ele estava tão perto de ser uma criatura mítica, como qualquer ser humano de vinte anos de idade poderia estar. Bom demais para ser verdade. Perfeito, na verdade. Mas perfeito não era o que eu queria. Não o que o meu VERDADEIRO eu queria, de qualquer maneira. Acenando com a mão, eu disse: — Nós já passamos por isso antes, Arch. Vezes demais. — se meus pais não o adorassem pra caramba, eu poderia ser capaz de sentir algo por ele. Mas minha vida sexual era a única coisa na minha vida que eles não podiam controlar. A única coisa que eu tinha que era algo semelhante à autonomia. E hoje à noite, a última coisa que eu queria era acabar na cama com alguém que eles aprovavam. Archer passou um braço musculoso no meu ombro e me puxou para ele. — Hey, pelo que me lembro, você e eu sempre nos divertimos juntos. Quando ele trouxe sua boca até a minha, eu endureci. — Pelo que me lembro, estamos sempre chapados. — bem, na verdade, eu não me lembrava dessa parte, mas sabia que tinha que ser verdade. Presa profundamente dentro de uma embriaguez, eu poderia garantir que nunca haveria qualquer espaço para emoções confusas. Eu coloquei minhas mãos em seu peito e empurrei. — Bem, para nossa sorte, estamos chapados agora. — o sorriso de Archer aumentou quando ele levantou dois dedos para nossa garçonete. — Eu não posso acreditar que já faz um ano que saímos. Lembra o que aconteceu naquela noite louca que nós fomos comemorar a sua formatura no verão passado? Eu gemi. — Você quer dizer, lamentar a minha admissão em ciênciamaldita-política na Columbia? — meu pai tinha forçado a graduação para mim.

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GQ (originalmente Gentlemen's Quarterly) é uma revista mensal sobre moda, estilo e cultura para os homens, através de artigos sobre alimentação, cinema, fitness, sexo, música, viagens, desporto, tecnologia e livros.


Assim como ele escolheu todas as minhas eletivas do ensino médio e já estava enfiando folhetos da Harvard Law School2 na minha garganta. — Não, eu não me lembro de nada que se passou naquela semana inteira, Arch. — felizmente. — Você sabe que eu realmente sinto sua falta, certo? — havia algo tenso em sua voz que fez meu peito apertar. Eu não poderia lidar com qualquer tipo de significado mais profundo por trás dessas palavras. — Ah, que seja. Não é como se você estivesse sempre sofrendo por companhia. Você vai me superar, logo que se concentrar em seu brinquedo mais recente. — a cama dele, como a minha, nunca estava vazia. Nossos corações e vidas, por outro lado... bem, tentamos não pensar nisso. Era para isso que os comprimidos e o álcool serviam. Um escape divertido, feliz. Falando nisso... — Eu sei como você pode matar minha sede. — eu disse, inclinando-me tão perto que eu podia ver as manchas prateadas em seus olhos. Meu vestido preto e dourado brilhante cintilou contra sua camisa Armani cinza escura. — Você quer me fazer zumbir inteira? — Porra, sim. — uma lufada de ar escapou dos seus pulmões. — Você cheira tão malditamente bem agora. Diga-me o que você quer, querida. — ele lambeu os lábios, balançando a cabeça. Meus olhos caíram para o saquinho de pó branco sobre a mesa entre nós. O esconderijo dele. — Apenas um pequeno tapa de algo extra. — eu disse, enrolando uma mecha de cabelo em volta do meu dedo. Meus longos, grossos, cachos castanho-dourados o deixavam louco. — Uh-uh. De jeito nenhum. — ele pegou a coca e empurrou-a de volta no bolso. — Por mais que eu queira muito tirar vantagem de você, você está muito fodida para um tiro no momento. Eu estava muito fodida para um monte de coisas. Quando é que isso realmente importou? 2

Faculdade de Direito de Harvard.


Fazendo bico, eu o cutuquei no peito. — E você não é divertido. Nada de Reagan para você esta noite. Ele gemeu. — Ahhh, qual é. Você não sabe o quanto eu te amo, baby girl? — Tanto quanto eu te amo. — eu disse. Então

eu

ri.

Descontroladamente.

Loucamente.

Profundamente.

Histericamente. Até que meu coração doeu. Archer se juntou a mim, o ombro e o braço tremendo contra o meu corpo. Mentirosos. Nós dois. AMOR. Que merda que qualquer um de nós sabe sobre o amor? Eu não confiava no amor. Ele nunca tinha feito nada para mim, além de dar falsa esperança, mascarar uma manipulação e me quebrar. Eu não tinha mais ilusões sobre o amor - eu perdi a minha inocência, há quatro anos. E eu nunca mais seria quebrada novamente. O vazio preenchia cada parte do meu corpo e da minha mente. Mas que porra isso importava? Eu tinha outros meios de realização, menos convencionais. Tomar pílula e ficar alta. Doses de tequila. Foder um estranho. Enterrar a vergonha. Conseguir um 4.0 no GPA3 4.0. Bancar a filha perfeita. Enxague e repita. Eu estava vivendo uma vida de mentira, toda de felicidade artificial e sentimentos falsos. E ninguém sequer notava. Bem, exceto Archer. Mas isso era só porque ele estava no mesmo barco.

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Média na escola.


— Você sabe, você sentirá minha falta quando eu voltar para Harvard na próxima semana. — ele disse. A melancolia nublou seus olhos, mas desta vez não tinha nada a ver comigo. Mesmo que ele já tivesse cumprido uma pena de dois anos, dos quatro do seu programa de negócios no topo da sua turma, sempre haveria um grande pedaço de Archer que desejava que seu pai tivesse permitido que ele pegasse a bolsa de futebol. Mas, é claro, em nosso mundo, os negócios e a política superavam os esportes - superavam todas as malditas coisas. Arte? Sufocada. Liberdade e criatividade? Sufocadas. — Eu não sentirei sua falta, Arch. — eu respondi. — Estarei muito ocupada com a escola. — meu segundo ano começava oficialmente na próxima semana, e enquanto eu temia ter que manter uma média perfeita em cursos em que não tinha interesse, eu estava ansiosa para poder usar os exames semestrais e grupos de estudo como desculpa para os jantares em família. — Além disso, eu não tenho tempo para mais ninguém, além de Nova Iorque. Ela e eu precisamos reacender o nosso caso. Será sujo, áspero e absolutamente incrível. — um verão inteiro passado com os meus pais me deixou desesperada para fugir. Eu estava pronta para agarrar qualquer fresta de liberdade que eu pudesse conseguir. Pelo menos fingir que seria assim. — REEEEAGAN?! — eu quase pulei da cadeira quando o grito atingiu meus ouvidos. Como alguém tão pequena poderia soar alto o suficiente para atravessar o monte de merda que se passava na minha cabeça. — Reagan! Oh, meu Deus! O que você ainda está fazendo aqui, amor?! — Mika Malone - sim, filha do famoso executivo da música Mike Malone - pulou da pista de dança, jogando-se no sofá e convenientemente caindo no colo do Archer. Sua saia preta minúscula subiu, expondo a sua calcinha de renda vermelha, mas ela pareceu não se importar. Ela olhou para mim e sorriu docemente, como só uma grande inimiga disfarçada de longa data poderia. — Você não disse que você estava procurando um gato para garantir que a sua sexta-feira fosse um estrondo? O que aconteceu com esse plano?


Tradução: Por que você está sentada aqui com Archer? Eu o convidei para o clube no Meatpacking District4 para uma prévia exclusiva de uma banda de rock nova e quente que está prestes a explodir. Sozinho. Porque eu queria impressioná-lo com as conexões do meu pai, para que ele finalmente concordasse em me foder. Ele insistiu em trazer você e se recusou a sair do seu lado a noite inteira. Quero você fora de cena para que ele possa finalmente parar de me ignorar. Tipo, ontem. — Estou trabalhando nisso, Mika. — eu disse, devolvendo o sorriso falso. — Eu realmente ofereci meus serviços, mas Reagan se recusa a considerar minha oferta. — Archer sorriu, com seus dentes imaculadamente brancos e perfeitamente retos. Eu me encolhi interiormente, os olhos castanhos escuros de Mika estreitaram-se em minha direção. Antes que qualquer um de nós pudesse dizer alguma coisa, a nossa garçonete voltou. — Aqui está! Divirtam-se! — ela colocou duas doses na nossa frente. Caramba. Pela enésima vez esta noite, Archer tinha esquecido de contar Mika. — Oh. — ela engoliu em seco, seu olhar persistente no álcool que claramente não era para ela. Por um breve instante eu não sabia se ela ia chorar ou jogar alguma coisa em mim. Mas ela não reagiu. Ela ficou terrivelmente silenciosa. — Mika, Arch não tinha certeza do que você gostava de beber então ele pediu uma dose de Patron5. — eu peguei um copo em cada mão e estendi para os dois. — Saúde, pessoal! Por que, no inferno, eu tinha concordado em vir aqui novamente? Certo. Archer ia me abastecer com um saco de comprimidos que eu precisava para passar o próximo semestre, e só concordou em me dar, em troca de uma noite. Mika me olhou desconfiada, mas tomou a dose. — Obrigada. 4

Distrito de Nova Iorque.

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Marca de tequila.


— Hey, M & M, por que você não escolhe um cara para mim? — eu disse. Ela não podia fazer pior do que eu, com todas as eliminações nesta semana. Além disso, isso mostraria que eu não tinha interesse em fazer qualquer coisa com Archer e ela poderia ficar com ele. Ganhava duas vezes. — Sim! Brilhante ideia! — Mika se sentou. — Por que eu não te apresento ao vocalista do No Man’s Land depois da apresentação da banda? O nome dele é Dash e ele é puro sexo. Eu diria para você pular nele antes que ele fique super famoso e cheio de doenças sexualmente transmissíveis. — Tanto faz. — Archer revirou os olhos. — Ele provavelmente já tem gonorreia. — Quando eles estarão livre? Em uma ou duas horas? Minha animação acabará até lá. — eu queria alguém agora. Enquanto eu ainda estivesse consciente. Enquanto ainda havia uma chance de eu sentir alguma coisa independentemente do quão pouco, quão curto, quão falso. — Bem, se você não está disposta a esperar por uma estrela de rock sexy, por que não vai para o cara que está naquela direção, ali? — Mika riu e apontou para um cara baixo, magro vestindo - não é possível - um colete de lã de merda e grandes óculos de aro preto gigantes. Ele estava tentando manter ritmo da música, mas falhava miseravelmente. No momento em que o meu olhar caiu sobre ele, seus olhos se arregalaram e ele tropeçou. Archer estremeceu. — Ouch. — Oh. Meu. Deus. Ele está literalmente sacudindo a língua! — Mika riu. — Que filho da puta. Claramente um safado rico, mas um cachorro, no entanto. — Ele parece um cara legal. — eu disse, com um encolher de ombros. Agradável e manso. Era a coisa mais distante que eu queria. — Só... não é meu tipo. — ninguém neste clube era o meu tipo. Muitos cartões blacks6, ternos de grife, cortes de cabelo caros e idiotas ricos.

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Pessoas com cartões de crédito sem limite.


— Você quer algo mais sofisticado? — perguntou Mika. — Tenho o cara PERFEITO para você! — ela saltou do banco para fazer a varredura da multidão. — Você conhece Richard Emerson, certo? — seus dedos bem cuidados voaram na tela do seu telefone. — Quem? — eu perguntei. — Ele vai para Columbia, também. — disse ela. — Acho que ele está em uma das fraternidades. Dois anos mais velho e super quente. Sem dizer que mamãe e papai são incrivelmente impressionados com ele. Ele tem um camarote perto do palco. Eu mandei uma mensagem para ele vir. Você vai amálo. Merda. Eu já sabia que eu não iria. — Eu não... — RICHAAAARD! Por aqui! — Mika gritou. Merda dupla. Eu gemi interiormente quando vi uma cabeça familiar de cachos castanhos claros deslizar entre a multidão. — Não, Mika! Não ele. Ela acenou com os braços acima da cabeça. — Ei, venha aqui por um segundo! Não, não, não. — Minha amiga Reagan está aqui sozinha e precisa se divertir um pouco. — disse Mika, quando o cara parou na nossa frente. Seus olhos castanhos se arregalaram quando ele me viu. Foda-se. Claro que ele me reconheceu. Da. Última. Semana. — Reagan McKinley! — ele grunhiu meu nome. Neandertal do caralho. — Hey, baby! — ele deslizou para o sofá e passou os braços em volta de mim. — Já voltou para esfregar mais paus tão cedo? Archer endureceu. Eu podia jurar que ouvi seu maxilar cerrar.


— Meus amigos e eu, temos uma suíte na cobertura do hotel há uma quadra daqui. — disse Richard, inclinando-se muito perto. — Quer sair daqui? Eu vou pegar uma ou duas garrafas de Dom7 no bar, e nós podemos... — Eu vou passar. — eu disse. — Mas... e a semana passada? Jesus Cristo. O que tem isso? Tinha sido ruim. Estupidamente ruim. Richard estava muito ansioso e cheio de si. Minha mente tinha desligado logo que ele começou e meu corpo veio logo atrás. Eles relutantemente retornaram somente quando já tinha passado tempo suficiente de fingimento crível - e eu nem mesmo me incomodei em gritar seu nome. Eu nunca gritava o nome de ninguém. Tudo o que eu tinha feito quando Richard finalmente ultrapassou a linha de chegada foi juntar as minhas roupas e sair de fininho do banheiro, de quem quer que fosse a mansão que estávamos. Era culpa dos meus pais. Se eu não tivesse sido forçada a passar o verão na propriedade deles em Hamptons, então, eu não estaria naquela arrecadação de fundos deles, querendo estourar meus miolos, mas em vez disso, acabei transando com um... bem, Pau aleatório. — Desculpe-me. — eu mexi meus ombros, tentando sair do abraço dele, mas ele deve ter pensado que eu estava me esfregando contra ele, e abraçou mais forte. — Oh, sim. Lembro-me deste pequeno corpo sexy. Oh, Deus. — Richard... saia. — eu não conseguia respirar. Minha pele se arrepiou e meu pulso acelerou, enquanto um grito se formou em meu peito.

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Marca de champagne.


— Sai de cima dela! — Archer arrancou as mãos de Richard de mim e o empurrou para o chão. O oxigênio inundou meus pulmões quando levantei. — Eu preciso de... ar. — eu disse, com minha respiração ofegante. — Reagan. — Archer estendeu a mão para mim, mas já era tarde demais. Eu fugi.


Capítulo Dois

E

u não parei de correr

até que eu estivesse em segurança nas portas do banheiro feminino. Debruceime sobre a pia, segurando o balcão de mármore com força enquanto eu tentava recuperar o controle da minha respiração. Por que isso sempre acontece? Mckinleys estão SEMPRE no controle, Reagan. Eu podia ouvir a voz do meu pai. Em alto e bom som. Com desaprovação. A maneira como ele sempre soava. Lutei contra a vontade de agarrar os vidros de creme para as mãos no balcão e esmagá-los contra o espelho na minha frente. Em vez disso, tomei uma respiração profunda e trêmula e joguei um pouco de água no meu rosto. Controle. Sim, sempre. Olhando para o meu reflexo, eu contei até dez, enquanto enxugava a nebulosidade em meus olhos azuis escuros. Meu rímel e delineador não estavam manchados. Eu odiava a sensação de maquiagem pesada, então eu nunca usava muito - mas eu passei os dedos sob os olhos de qualquer maneira, tirando as linhas imaginárias. Alisando meu cabelo, eu me assegurei de que cada mecha estivesse de volta no lugar. McKinleys NUNCA perdem a compostura, Reagan.


Ouvi a descarga e duas meninas risonhas tropeçaram para fora de uma cabine compartilhada e se puseram ao meu lado. Limparam o poderoso pó branco das narinas delas e retocaram a maquiagem enquanto elas fofocavam sobre o No Man’s Land. Morena: — Posso apenas dizer que eu estou doida de amor pelo Dash? Loira: — Oh, meu Deus. Sua voz rouca profunda fala com o meu coração. Morena: — Seu coração? Por favor. A voz dele fala com as minhas partes femininas. Loira: — Bem, veja, é o abdômen dele que faz... A morena cortou quando me deu uma olhada no espelho. — Ameeei seu vestido. — ela falou, enquanto aplicava batom vermelho nos lábios já vibrantes. — O que é isso? Versace? Valentino? — Uh-huh. — eu disse, distraidamente. A amiga dela se inclinou e pegou a minha saia entre os dedos. — Ohh, Valentino da próxima temporada! Legal! Eu balancei a cabeça. Claro. Que seja. Eu tive que usá-lo. Eu teria preferido minhas próprias roupas. — Você está aqui para a Semana de Moda? — ela perguntou. — Não. Escola. Eu ouvia muito essa pergunta nesta época do ano. As pessoas presumiam isso. Equivocadamente. Acho que tinha a ver com meu 1,77 e ser naturalmente magra. — Você poderia totalmente mentir e dizer às pessoas que você está em uma das apresentações. — a morena disse. — Estou em uma agência no centro e há meninas menos afortunadas em nossa lista.


— Isso é muito legal, mas eu estou bem. — a última coisa que eu precisava era de algum agente me dizendo como vestir, onde ir e o que comer. Eu já tinha a minha mãe fazendo isso. Eu amassei a toalha de papel que eu tinha usado para secar meu rosto e joguei no lixo no meu caminho. Esquivei-me através de uma multidão suada, corpos girando, acabei na parte de trás do clube, longe do palco e da seção VIP. Apoiando contra uma parede de mármore lisa, fechei os olhos e inalei. O ar estava abafado e úmido. Meus pulmões protestaram, minha cabeça girou. Eu não queria voltar para Archer, Mika e Dick, mas eu realmente não queria acabar sozinha. Meus dedos deslizaram para a minha bolsa de mão e enrolaram em um cilindro familiar. Apenas sentir o frasco de comprimidos acalmava meus nervos. Eu fiquei lá por não sei quanto tempo, debatendo entre tomar um comprimido, tomar outra dose, ou fazer as duas coisas, garantindo um refresco para a minha mente, foda-se. Como uma pessoa pode ter tanto barulho dentro da cabeça e, ao mesmo tempo, sentir como se estivesse afogando em silêncio? Mas o que eu realmente queria era alguém que pudesse me satisfazer. Sexo ainda contava como entorpecimento mental, certo? Abri os olhos e esquadrinhei os homens ao redor. Hoje realmente não importava onde o dardo fosse atingir. Nenhum deles jamais poderia realmente me dar o que eu precisava. Mas um deles deve ser bom o suficiente para um alívio temporário. Eu não precisava do Sr. Certo. Eu só precisava do Sr. Certo do Momento. Quando me virei em direção ao bar, meus olhos se conectaram com um par de olhos negros e todo o ar deixou meus pulmões rapidamente. Meu coração parou. Sim. Na verdade, parou e pulou uma batida. O olhar intenso do cara bateu em mim. Do outro lado do clube, a cor da sua íris era impossível ver, mas eu tinha certeza de uma coisa. Elas eram escuras. Escuras e selvagens e


poderosas. Ele olhou para mim com coragem, um olhar ousado que fez meu corpo inteiro zumbir e a minha cabeça girar. A temperatura dentro do clube disparou para um ponto mais alto. A batida da música tornou-se um agito maçante com o som da minha pulsação martelando. E a minha visão? O resto do mundo turvou até que tivesse somente ele. Apenas ele. Rosto esculpido, ombros largos, cabelo bagunçado curto tão escuro quanto o pecado. E aqueles olhos. Aqueles malditos olhos. Latentes, pura escuridão. Fiquei encantada e me perdi em suas profundezas. Eu verifiquei o seu olhar procurando pela fome que eu sempre esperava de outros homens, mas ela não estava lá. Seu olhar era diferente de qualquer outro. A maneira como ele me estudava era carnal, embora de um jeito diferente, que eu era incapaz de compreender plenamente. Era como se ele estivesse procurando por algo mais. Como se eu fosse uma obra de arte que ele estivesse avaliando. Tonta com o desejo, eu silenciosamente esperava que ele decidisse que precisava me possuir, tanto que estaria disposto a oferecer algo. Seu olhar deslizou sobre o meu rosto tão lentamente que me fez lembrar de um pincel que desliza através de uma tela. Quando se moveu para baixo do meu corpo, senti esquentar. Insuportavelmente quente. Eu nem sabia quem era ele, mas eu já sofria por ele. Minha pele formigava, implorando para ser tocada. Não apenas por seus olhos, mas muito mais. Suas mãos. Sua boca. Meu corpo queria. Minha mente precisava dele. Olá, Sr. Certo do Momento.


Capítulo Três

V

estido

com

uma

jaqueta de couro preta e jeans escuros, ele era tão diferente dos homens vestidos de ternos e camisas, que poluíam este lugar. Como ele conseguiu passar a corda de veludo e o cão de guarda da equipe de segurança da porta da frente? Então, novamente, o rígido código de vestuário do clube deve ter sido superado por seu corpo extremamente sexy e suas características marcantes. As mulheres esta noite, provavelmente ficariam felizes em entregarem suas calcinhas para ele enquanto ele passava. Inferno, eu estava esperando que ele quisesse a minha. Minha pele inflamou sob seu olhar e eu dei o meu sorriso mais deslumbrante, e comecei a mover meus pés. Cada parte de mim desejava aniquilar a distância, até que não houvesse nada entre nós. Até que estivéssemos respirando o mesmo ar, compartilhando uma única respiração. Mas naquele breve momento, algo mudou. Seus olhos deixaram meu rosto, deslizaram sobre o meu vestido curto, e caíram para o meu salto alto, preto Louboutin. A intensidade deles desapareceu. Foi substituída pelo desinteresse. Ou talvez desgosto. O que quer que fosse, ele se virou. Bem, isso era diferente. Geralmente os homens não conseguiam tirar os olhos de cima de mim.


Mas agora que eu tinha encontrado o que queria, não seria posta para fora tão facilmente. Eu fui até o bar e me sentei em um banco vazio ao lado dele. — O lugar está ocupado. — sua voz era profunda, baixa. Havia um tom áspero que me invadiu, vibrando pelo meu corpo, espalhando calafrios, eriçando sobre a minha pele. Puta merda. — Namorada? — eu disse. Coisas mais importantes primeiro. Caras acompanhados não eram a minha praia. Nunca. — Irmão. — ele respondeu secamente, sem olhar para cima do guardanapo que estava rabiscando. Que diabos? Como poderia alguém olhar do jeito que ele olhou para mim e depois fazer... isso. Que era, absolutamente nada. Mas os McKinleys não eram desistentes. Éramos vencedores. E eu gosto de um desafio. Então, eu fiquei onde estava. Deste ponto, eu tinha uma visão muito melhor do perfil dele. Uma vista perigosamente boa, na verdade. Dolorosamente lindo. Não havia outra maneira de descrevê-lo. Ele era como uma mistura de escultura esculpida toda pintada com uma virilidade robusta que deveria ser preservada em mármore, enquanto, ao mesmo tempo, empunhava uma beleza intocável que só poderia ter sido inventada por um artista. E eu estava perdida o suficiente para imaginar uma exibição dele em um museu ou pendurado em uma parede de uma galeria. De preferência nu. Porra, sim. Eu queria pregá-lo na parede. Uma e outra e outra vez. — Deixe-me te pagar uma bebida. — eu disse. — Eu vou desocupar o lugar quando seu irmão chegar. Seus olhos se estreitaram. Chocolate. Eles eram no fundo, da cor do chocolate. E, assim como chocolate, eles eram perversamente deliciosos. — Você vai me pagar uma bebida? — o riso em sua voz aqueceu meu interior. Progresso!


— Isso mesmo. — eu dei-lhe o meu sorriso mais deslumbrante. — Por minha conta. Apenas me diga o que você quer. Seu olhar caiu para a minha boca e permaneceu lá. Eu podia senti-lo fisicamente deslizando pelos meus lábios, de modo áspero e voraz, isso torturava a minha pele. Cerrando o maxilar, ele virou a cabeça e levantou meio copo de uísque. — Nada, obrigado. Já tenho minha bebida. Eu tenho que ir para casa em breve. Ninguém nunca tinha jogado duro comigo. Especialmente um cara que deixou todo o meu corpo tenso com uma necessidade reprimida. Meu estômago parecia que tinha sido invadido por uma frota de borboletas. Borboletas. Quem no mundo sente borboletas? Pequenas filhas da puta. — Tudo bem. — eu disse. — Então você pode me comprar uma bebida. — Você tem vinte e um anos? — ele perguntou. Eu arqueei uma sobrancelha. — Depende, estamos falando da idade na certidão de nascimento ou idade na identidade falsa? — Menor de idade. — ele balançou a cabeça. — Dezenove. — eu disse. — O que está longe de ser menor de idade, a menos que você seja um agente antidroga. — meus olhos se arregalaram. — Oh, Deus. Você não é um policial, é? — ser presa uma semana antes de começar o meu segundo ano de faculdade. Isso seria algo para os livros. Qualquer restrição não seria nada em comparação com a ira que enfrentaria em casa. — Eu pareço um policial? — Não. — eu disse. Ele não me parecia ser um cara que ficaria em uma delegacia de polícia. De jeito nenhum. Ele praticamente tinha desaprovação dos pais tatuado na testa. E só Deus sabia onde mais. Isso só me fazia gostar mais dele. — Mas talvez você seja um daqueles agentes disfarçados. — eu provoquei. Seus olhos escureceram. — Definitivamente não.


— Bom. Então compre-me uma bebida. Ele me estudou por um momento, então suspirou. — O que você gostaria? E naquele momento eu percebi que nenhuma bebida parecia apetitosa. Nem uma única. Mesmo as guloseimas em minha bolsa não pareciam também. Tudo que eu queria era ele. — Qual o seu nome? — eu falei. — Dare. — Dare? Seu nome é Dare? — que... estranho. E tão incrivelmente apropriado8. — É. — ele deu de ombros. — Pegue-o ou deixe-o. Ah, eu ia aceitar o Dare. Inferno sim. — Sou Reagan. Então ele fez uma coisa que me pegou de surpresa. Seus traços se suavizaram e ele abriu um sorriso quando ele estendeu a mão. — Prazer em conhecê-la, Reagan. — Deus, o jeito que meu nome soou na língua dele me excitou tanto. Eu queria aquela língua em mim. Sério. — Então... O que você gostaria? — Você.

8

Ela diz isso por causa do significado, Dare é traduzido para o português como desafiar, ousar.


Capítulo Quatro

— E

u

não

estou no menu. — o tom brusco voltou à sua voz. — Talvez você esteja. — eu disse. — Só por essa noite. — Eu não sou o que você está procurando, Reagan. Confie em mim. — Você não tem ideia do que eu estou procurando. — eu não tinha ideia do que eu estava procurando. Como ele poderia? Ele deu de ombros. — Você está certa, eu não sei. Mas posso garantir que não sou eu. — O que... — Olha, eu passei pelo seu camarote mais cedo. Eu vi a merda que estavam bebendo, o loiro, o cara formal em cujo colo você estava. Eu não sou seu tipo. — ele disse. — E você não é o meu. Garotas como você simplesmente não são a minha praia. — Garotas como eu? — não estava saindo como eu queria. DE JEITO NENHUM. — Irreais. — ele falou. Suas palavras me atingiram. — Que diabos você quer dizer com irreal?


— Seu sorriso. — Dare disse. — É lindo. De tirar o fôlego, na verdade. Mas... não é real. Eu fiquei tão atordoada que não soube o que fazer. Suas palavras me feriram, mas pior ainda, ele enxergou através de mim. Ele não se enganou como todos os outros. E eu não sabia como lidar com isso, o que fazer depois que ele tão calmamente atirou a verdade na minha cara. Parte de mim queria argumentar. Atingi-lo. A outra parte queria chorar. Mas eu não chorava. Nunca. Nem mesmo - apenas NUNCA. Minhas unhas cravaram em minhas mãos enquanto eu tentava me controlar. As lágrimas que ameaçavam derramar, eu empurrei para a parte de trás dos meus olhos. Mordi o lábio. NÃO. Eu não deixaria esse estranho me ver chorar. Tentei me concentrar em algo positivo. Por que ele não tinha acabado de falar... — Você... me notou? — eu sussurrei. — Mais cedo esta noite? — Você é uma espécie de garota difícil de não notar. — Mas você não gostou do que viu. — não era uma pergunta. Não era nem mesmo uma acusação. Uma simples declaração que fazia meu peito vazio machucar com uma dor maçante. — Não foi isso que eu quis dizer, quando eu disse que você não era o meu tipo. — ele falou. Meu olhar caiu para o bar à minha frente. — Então por que você... Dare colocou os dedos embaixo do meu queixo e redirecionou meus olhos de volta para ele. — O que? — Você olhou para mim como... como se você quisesse... — Desenhar você. — O que? — minha voz era um sussurro ofegante.


— Eu queria desenhar você, Reagan. — ele disse. Por que essas palavras pareciam tão quentes? Eram as coisas mais castas que um cara tinha dito para mim em um clube, mas me abalaram muito. Eu senti disparar direto em meu peito, flutuar para baixo no meu abdômen, deslizar mais e mais, até que afundaram no âmago do meu ser. Ele me aquecia de dentro para fora, fazendo-me esquecer todo o resto. Desenhar você, desenhar você, desenhar você. — Aqui. — Dare empurrou um guardanapo para mim. — Você é um artista? Ele deu de ombros. — Eu sou um pintor de paredes. Olhei para o guardanapo. Olhando de volta para mim era... bem, EU. Um retrato do meu rosto. Uma imagem de tirar o fôlego, diferente de tudo que eu já tinha visto antes. Feita com uma caneta. Em um guardanapo. — Dare... — É apenas um esboço — ele falou. Era... eu não tinha palavras. Incrível? Fabuloso? Inacreditável? Nenhuma palavra faria justiça ao desenho. Eu estudei seu trabalho, me perdi em cada pequeno aspecto do retrato. Era perfeito. Exceto... — O sorriso ficou tão errado - muito feliz. — Licença artística. — ele disse. Eu não podia suportar olhar para aquela menina bonita, muito feliz. Ela não era eu. Não era, de jeito nenhum. Ela era alguém que eu não tinha ideia de como ser. Mas mesmo que o sorriso não fosse meu, merda. Dare não era apenas talentoso. Ele era... — Rex Vogel. Suas sobrancelhas se ergueram. — O que você disse?


Eu balancei minha cabeça. — Há um artista ligeiramente fora do convencional no Queens chamado Rex Vogel. Um gênio, pintor recluso, hippie e louco especializado em nus e retratos únicos de pessoas. Ele é louco e absolutamente incrível e tem um grande bloco de seguidores aqui na cidade. De qualquer forma, o seu estilo... me lembra o dele. Dare se abriu para mim. — Você conhece Rex Vogel? Eu balancei a cabeça. — Eu sou uma grande fã. Além disso, a arte é uma espécie de luz da minha vida. — eu parei e olhei para ele com surpresa. Eu nunca disse isso a ninguém antes. Qualquer um que quisesse ouvir, de qualquer maneira. — Nas galerias de arte me sinto como... em casa. — uma verdadeira casa. — Você é uma artista? — Quem me dera. Não, eu tenho absolutamente nenhum talento, a menos que a habilidade com pincéis e broxas na pintura de parede, conte como um talento. — eu balancei minha cabeça. — É apenas uma daquelas coisas... a gente sempre quer o que não podemos ter, certo? — eu dei de ombros. — Ou neste caso, o que eu não posso fazer. Dare olhou para o meu rosto. O que ele tinha desenhado. Aquele com o sorriso verdadeiro. Então ele levantou a cabeça e nossos olhares se encontraram. — Às vezes, a coisa que nós mais almejamos no mundo é aquela que nunca poderemos ter. — a rouquidão em sua voz me fez estremecer. Ou talvez fossem aquelas palavras malditas. Ficamos em silêncio, olhando nos olhos um do outro até que nossas respirações se sincronizaram. Alguma coisa entre nós mudou. Eu queria desesperadamente estender a mão e tocá-lo. Descobrir o que era aquela alguma coisa. Então eu fiz. Lentamente, cautelosamente, eu virei meu corpo de modo que estávamos frente a frente, os joelhos tocando levemente e coloquei a mão sobre a dele. Seu


maxilar cerrou com o contato, mas ele não se afastou. Em vez disso, ele agarrou a parte inferior da minha cadeira com a mão livre e me puxou para ele deixando meus joelhos firmemente pressionados entre suas coxas separadas. — Reagan... — seus dedos deslizaram sobre os meus ombros nus, enrolando na minha nuca e enfiando no meu cabelo. Oh, Deus. Seus lábios estavam a menos de um centímetro de distância dos meus. E ele cheirava tão malditamente bem. Como o couro e uísque e algo familiar que fazia meu coração pular. Que diabos era isso? Meus cílios baixaram e os olhos desviaram para o brim salpicado de tinta em suas coxas. Cores. As pessoas poderiam cheiram a cor? Porque Dare realmente cheirava. O cheiro de tinta e óleo e terebintina permaneciam em suas roupas e pele, me deixando tonta de desejo. Ele cheirava como a minha coisa mais favorita no mundo inteiro. ARTE. Fechei os olhos e o cheirei. Todo ele. Antes que eu tivesse a chance de abri-los novamente, senti sua boca na minha. Dura, áspera, desejando. Eu separei meus lábios para absorvê-lo, mas ele se afastou. — Merda. Eu não posso fazer isso. — ele passou a mão sobre a boca dele. — E você provavelmente deve voltar para o seu cara. — ele franziu o cenho e parecia que estava prestes a mudar de ideia, mas então ele se levantou. — Prazer em conhecê-la, Reagan. — E o seu irmão? Dare olhou para o palco onde a banda estava se apresentando. — Ele vai ficar bem. — ele jogou um punhado de notas no bar. — Isso vai cobrir a bebida que lhe devo. E então ele desapareceu pela saída lateral. Eu não poderia ter me importado menos com uma bebida no momento.


Capítulo Cinco

— D

are!

Espere! Eu o encontrei em um beco atrás do clube. Ele estava em pé como uma parede de tijolos, e uma motocicleta preta empoleirada entre as pernas. Suas mãos congelaram quando ele estava prestes a colocar seu capacete e sua cabeça virou em minha direção. — Reagan? — suas sobrancelhas ergueram. Eu tentei desesperadamente retardar o meu coração, quando ele olhou para mim, seus lábios se separaram surpresos. O que diabos eu estava fazendo? Eu nunca, em toda a minha vida, tive que correr atrás de um cara. NUNCA. Eu diminuí meus passos e caminhei em direção a ele tão friamente quanto pude. Calma. Os McKinleys eram sempre calmos. Eu estendi o guardanapo. — O seu esboço. — eu disse. — Você esqueceu o seu esboço. Ele olhou para o desenho na minha mão, depois de volta para mim.


— Fique com ele. — Eu não quero o desenho, Dare. — minha voz tinha baixado para quase um sussurro. — Eu quero você. Muito lentamente, ele abaixou o capacete e o deixou descansando entre as pernas. — Eu não sou o que você está procurando. Eu já disse isso. — Sim, você disse. — dei um passo final, acabando com a distância entre nós. — Duas vezes. Dare encolheu quando nossos corpos entraram em contato. Mas ele não se afastou. — Eu não vou dar uma terceira advertência. — ele falou, com os olhos escurecendo perigosamente. Meu pulso martelou em meus ouvidos, conforme pressionei meus quadris contra ele. — Então, não dê. Um músculo em seu maxilar cerrou, e ele respirou forte. — Reagan... — Dare. — eu disse, minha respiração agora estava reduzida, ofegante e irregular. Meu peito doía, mas eu não me importava de não conseguir respirar. Agora, eu precisava dele mais do que precisava de oxigênio. A noite úmida de agosto transbordava de tanta eletricidade Eu quase podia ouvir o ar crepitar ao nosso redor. Algo poderoso e silencioso acontecia entre nós, e ele acabou com a sua mão no meu pescoço. — Foda-se. — ele rosnou, me puxando para ele. Quando ele me beijou, desta vez, a boca não hesitou. Sua língua nem sequer pediu permissão. Forçando meus lábios a separarem, ele empurrou para dentro de mim e o contato ressoou em cada parte minha. Explosões de calor percorreram meu corpo, apertando meu núcleo, enviando ondas de prazer correndo para os lugares que mais precisavam. Ainda sobre a moto, Dare elevou sobre mim, fazendo-me sentir pequena e frágil, enquanto eu estava enrolada em seu abraço. Desequilíbrio de poder, era algo que eu evitava com um homem. Isso me assustava pra caralho. Este


sentimento com ele - e todos os outros sinais de alerta, que esse cara era errado para mim - deveriam ter me colocado para correr. No entanto, só me faziam querer ainda mais. No momento em que seus dedos teceram pelo meu cabelo e sua outra mão encontrou o caminho para o meu quadril, eu entreguei toda a minha sanidade e me perdi nele. Completamente. Totalmente. Desesperadamente. Eu não conseguia ter o suficiente. Meus próprios dedos agarraram seus cabelos bagunçados, enroscando e puxando os fios enquanto eu devolvia o beijo com igual intensidade, deixando-o saber que eu queria mais. Mais dos seus lábios. Mais do seu toque. Mais dele. — Seu gosto... é... doce... pra caralho... — Dare murmurou entre beijos. Sua mão deslizou até a minha cintura para acariciar meu seio, e seu gemido rouco vibrou por mim quando seu polegar roçou meu mamilo. Movendo-se em círculos tortuosamente lentos, ele provocou através do tecido de seda do meu vestido, simultaneamente aceitando cada gemido incontrolável derramado da minha boca. Nunca tirando os lábios dos meus, a outra mão escorregou para a minha coxa. — Vem aqui. — eu senti meu corpo sendo puxado para cima e para o lado enquanto ele gentilmente guiou uma das minhas pernas sobre a moto e para o seu colo, para que eu ficasse cara a cara com ele. — Eu quero você mais perto. E eu queria ficar mais perto, mas antes que eu pudesse dizer isso para Dare, minhas palavras foram consumidas por sua boca. Ele passou os braços em volta da minha cintura e esmagou minhas costelas contra os músculos firmes do seu peito e abdômen, mantendo-me firmemente presa a ele, enquanto ele roubava o ar dos meus pulmões e dominava todos os pensamentos em minha cabeça. Contorcendo em seu colo, eu afundei meus dentes em seu lábio inferior e espalhei minhas pernas, em resposta ao latejar entre as minhas coxas. — Dare... — engoli seco, quando a evidente dureza da sua excitação esfregou em mim. — Eu preciso...


— O que? — ele falou na minha boca. — Mais. — eu ofeguei, amassando meus quadris contra ele. — Você. Gemendo, ele quebrou o beijo e apertou os olhos selvagens, fendas obscuras. Apenas quando pensei que tivesse fodido tudo e quebrado o feitiço, ele entrelaçou as mãos no meu cabelo e puxou minha cabeça para trás, expondo meu pescoço nu. Lambendo a minha pele macia, ele mordiscou minha orelha antes de pressionar sua boca quente na minha orelha e sussurrar: — Hora de ir dar uma volta, Reagan.

Meu corpo inteiro cantarolou em antecipação quando nós entramos no loft de Dare no Brooklyn. No momento em que a porta se fechou, ele me virou e prendeu meu corpo contra o metal sólido, levando o nosso beijo a um nível totalmente novo. A boca dele era áspera e exigente, sua língua ávida pela minha. Tremores de excitação dispararam por mim quando ele arrastou os lábios sobre o meu queixo, no meu pescoço e na minha garganta. Quando ele roçou minha clavícula com os dentes, eu me acabei completamente. Ele era o único pensamento que enchia minha mente, seu toque a única sensação que existia neste momento. Arqueando as costas, agarrei seus cabelos e empurrei meus quadris com mais força contra ele, gemendo enquanto eu pressionava contra a sua dureza. Dare enfiou os dedos sob os joelhos para separar as minhas coxas e levantar minhas pernas para que eu pudesse envolvê-las ao redor da sua cintura. Um gemido escapou dos meus lábios quando o tecido bruto da calça jeans roçou o meu núcleo, minhas unhas cravaram instintivamente nas suas costas. Sua barba roçou minha pele hipersensível, enquanto ele continuou a beijar o meu corpo. Uma mão segurou minha bunda, enquanto a outra deslizou por baixo do meu vestido, cada vez mais perto da queimação entre as minhas


coxas. Minha calcinha estava encharcada, meu desejo por ele estava fora de controle. Não, não era desejo. Necessidade. Eu precisava dele. Ou entraria em combustão espontânea. — Eu quero você fora deste vestido. — ele disse, como se pudesse ler a minha mente. — Agora. — Você primeiro. — uma mão puxou a gola do casaco, forçando o material sobre os ombros enquanto a outra puxou a bainha da sua camiseta preta. Eu mal conseguia movê-las. Merda. Estávamos muito entrelaçados para nos despir com facilidade, por isso os meus dedos deslizaram sob a camisa, muito impacientes para chegar ao seu corpo nu. A suavidade da sua pele quente era um forte contraste com os cumes duros de seu abdômen, e o contato causou formigamento em mim. Ele era tão, tão GOSTOSO. Quando rocei o cós da sua calça jeans com as pontas dos meus dedos, seus músculos contraíram sob o meu toque. Ele xingou baixinho, reivindicando meus lábios com tanta intensidade que eu vi explosões de luz atrás dos meus olhos. O mundo ao nosso redor se tornou um borrão. Nada mais existia exceto nós dois. Dare e eu. Nossa respiração pesada e as batidas sincronizadas dos nossos corações sobre a trilha sonora de gemidos e grunhidos. Abastecidos por pura luxúria, ele nos arrastou mais para dentro do seu apartamento, minhas pernas ainda estavam agarradas a seus quadris, enquanto ele abria o caminho para o que eu esperava que fosse sua cama. Desnecessário. Nossos corpos se chocaram contra a parede de tijolos expostos e pedaços aleatórios do mobiliário, enquanto nossas mãos trabalhavam diligentemente para arrancar cada pedaço de tecido que ainda restava. Dare deixou cair a jaqueta no chão com um baque pesado. Em seguida sua camisa voou sobre sua cabeça. Perdi um dos meus saltos, sabe-se lá onde. O outro sapato conseguiu ficar no meu pé, até que colidimos com um console da mesa.


No momento em que nós tropeçamos para cozinha, Dare estava apenas de jeans. Sem quebrar o nosso beijo, ele me colocou em cima da mesa da sala de jantar e espalhou bem minhas coxas para que pudesse empurrar entre as minhas pernas. Seus dedos engancharam na minha tanga, e com um puxão mais forte, a renda se rasgou. Ele abriu meus joelhos, então deslizou as mãos até minhas coxas, acendendo uma tempestade de arrepios em todos os lugares que ele tocava. Suas grandes mãos subiram, mais alto e mais frenéticas, fazendo meus gemidos crescerem. Com o polegar roçou meu clitóris, eu segurei um suspiro assustado e pressionei meus quadris para ele, deslizando para mais perto da borda da mesa para que o resto de sua mão pudesse ter pleno acesso a mim. — Mais. Por favor, mais. — minhas palavras nadaram entre argumentos e demandas. Ele enfiou dois dedos dentro de mim e gemeu. — Você está tão molhada. Minha cabeça inclinou para trás e ele deslizou sua língua na minha boca, abafando meus gritos enquanto seus dedos começaram a se mover para dentro e para fora. Primeiro lentamente e tortuosamente, em seguida, com velocidade e intensidade até que sua mão pulsou no ritmo exato da palpitação entre as minhas coxas. Ele desceu me beijando até meu peito, a mão livre puxou o corpete do meu vestido, expondo parcialmente meu seio direito. Minha respiração ficou presa na minha garganta, quando a boca acariciou a pele macia. Sua língua moveu ao longo do meu decote, mergulhou mais profundamente sob o tecido de seda, até que seus lábios encontraram meu mamilo. Quando seus dentes começaram a mordiscar e provocar os nervos sensíveis, sua boca e língua trabalhando na cadência dos seus dedos, minha cabeça começou a girar. O certo e o errado, a vida e a morte - nenhuma merda importava. Minhas costas se curvaram quando ele mergulhou mais profundamente em mim com cada impulso, me levando cada vez mais perto do orgasmo, e eu estava desesperada para gozar. Eu mordi seu ombro e ele aumentou seu ritmo


até minhas coxas tremerem. Meus dedos curvaram em uma deliciosa agonia, enquanto todos os nervos do meu corpo enrolavam em preparação para o alívio que eu tão severamente ansiava. Dare continuou a se envolver mais e mais em mim, os dedos bombeavam dentro e fora enquanto sua língua habilmente excitava meu mamilo. Ele estava em todo lugar, movendo-se mais rápido e mais duro a cada lambida, até que eu já não podia dizer onde ele terminava e eu começava. Ondas de prazer bateram em mim quando gozei com um grito gutural. Meu corpo saiu da mesa, amassando contra ele. E havia algo... doce... sobre entrar em colapso nos braços de Dare. Jesus. Eu realmente pensei isso? Esse cara não só estava me deixando fisicamente insana, como claramente estava mexendo com a minha cabeça. Tanto o meu corpo e minha mente estavam tão cheios dele que não tinham espaço para mais nada. Eu só queria existir no presente. Eu não tinha certeza se eu já tinha me sentido assim em toda a minha vida. Querendo me agarrar à viagem, eu coloquei minhas mãos no bolso de trás da calça jeans e cravei os dedos na carne firme da sua bunda para atraí-lo mais pra perto. O calor da sua ereção pressionada contra o meu núcleo nu, estava me deixando louca quando estendi a mão para abrir botão da calça jeans. — Camisinha? — eu sussurrei, urgentemente abrindo o botão. Eu sempre carregava na minha bolsa, mas ela estava em algum lugar no chão, enterrada no meio da trilha de roupas. Não me separaria dele de jeito nenhum para procurála. Dare inclinou o queixo para o outro lado da sala. — Criado-mudo. — então ele me levantou e me levou para sua cama. E tudo pareceu mais lento.


Suas mãos me soltaram, e eu deslizei para frente, centímetro por centímetro até que meus pés tocaram o chão, minhas pernas estavam tremendo, e meu corpo dolorido com a necessidade. — Eu quero você nua. — sua voz era baixa e rouca, provocando arrepios sobre a minha pele. Estendi a mão para o zíper nas costas, mas ele agarrou meu pulso para me impedir. Colocando uma mão no meu quadril, ele lentamente me virou de costas para ele. Seus dedos encontraram o zíper e ele arrastou-o para baixo, tomando seu tempo para fazer todo o caminho até o fim. Meu vestido estava aberto e nossas respirações irregulares eram os únicos sons na sala silenciosa. Sem pressa, ele guiou o vestido pelo meu corpo, deixando o tecido acariciar minha pele. Ele caiu no chão, reunindo aos meus pés em um monte de seda, e eu saí dele. Eu estava prestes a virar e encará-lo quando ele sussurrou: — Espere. — ele colocou o cabelo sobre meu ombro, expondo minhas costas nuas. — Eu quero ver você. — seus dedos deslizaram sobre meu pescoço e parte superior das costas, em seguida, arrastou pela minha espinha e deslizou sobre a curva da minha bunda. — Você inteira. Ele beijou o ombro, depois o outro, fazendo o seu caminho até o meu pescoço e minha orelha. — Você é linda, Reagan. O calor dos lábios dele percorreram meu corpo nu, afundando dentro de mim, enquanto seus dedos alcançavam a parte de trás das minhas coxas. Ele deslizou em direção a dor entre as minhas pernas, e me acariciou suavemente, tirando um gemido de meus lábios. Com a boca bem firme no meu pescoço, ele deslizou suas mãos sobre a minha cintura e o meu estômago, para a frente das minhas coxas. — Tão linda. — ele me virou e explorou minha frente, com os olhos famintos e as mãos ainda mais famintas. Seu olhar permanecia em minha boca e com o polegar seguiu o seu caminho, acariciando a pele inchada. De frente para


trás, de cima e para baixo. Quando eu separei meus lábios e deslizei a minha língua, ele gemeu e pude sentir seu sabor. Enquanto eu sugava, sua respiração acelerou e seus olhos se encheram de desejo. Ele roçou meus lábios mais uma vez quando eu o liberei, e depois, lentamente, deslizou a mão por todo o caminho até a curva do meu peito. Meus mamilos estavam duros, mas quando seus dedos se arrastaram sobre eles, eles ficaram tensos e apertados. Sua mão viajou mais ao sul, patinando sobre minhas costelas, seus dedos arrastaram suavemente através delas como se estivessem memorizando cada osso. As pupilas de Dare estavam tão dilatadas que seus olhos me faziam lembrar a escuridão de piscinas tempestuosas de piche. Piche e luxúria. Todos os seus movimentos eram cuidadosamente calculados e dolorosamente lentos. Eu queria gritar. Meu pulso acelerou até que eu senti como se estivesse gozando. Mais uma vez. Só com um simples toque. Quando a mão dele finalmente mergulhou em meu calor pulsante, eu não consegui aguentar mais. Estendi a mão para o botão de abertura da calça e puxei. Ou melhor, rasguei. O botão estourou, expondo mais dele do que eu tinha previsto. Dare não estava usando NADA por baixo do seu jeans. Aquela deve ter sido a coisa que mais gostei dele no momento. Desci as calças por seus quadris e pelas pernas, tentando não babar nele. Mas ele era diferente de qualquer outro homem que eu tinha estado - em comprimento, músculos e potência. Ele guiou-me para a beira da cama, me abaixando em cima das cobertas quando estendeu a mão para pegar uma pequena embalagem de alumínio do criado-mudo. Ele rasgou o pacote com os dentes e rolou a camisinha com uma mão, enquanto os dedos da outra mão se arrastaram até a minha coxa.


E, assim, o movimento lento deu lugar à fome insaciável de novo. Puxei-o para baixo, esmagando minha boca na dele, não fui capaz de me segurar. Eu queria, não, precisava dele. AGORA. Engoli em seco quando ele entrou em mim, seu comprimento enterrado no fundo, sua espessura me esticou tanto que eu tive que morder o ombro para não gritar. Ele agarrou meus quadris com as mãos, os dedos afundaram na minha carne, quando ele começou a empurrar. Gentilmente, em seguida, mais rápido e mais forte até que eu não conseguia mais pensar. Tudo o que eu podia sentir era ele e o modo como seus músculos ondulavam com cada movimento desenfreado. Eu me perdi completamente nele, permiti que ele me possuísse totalmente. Seu nome era o único pensamento na minha cabeça, a única palavra na ponta da língua quando o orgasmo começou a balançar através de mim. Mas eu segurei o “Dare!” — meu último resquício de controle ainda intacto. Ainda assim, pela primeira vez na minha vida, senti algo quando explodi. Dare puxou meus braços sobre a minha cabeça enquanto eu tremia debaixo dele, seus dedos se ligaram com os meus quando ele apertou minhas mãos no colchão. Ele me beijou como se ele não se cansasse de mim - como se cada beijo o fizesse querer mais cem. Meu clímax desencadeou o dele, fazendo-o gemer e aprofundar o beijo, recusando-se a deixar minhas mãos e meus lábios. Ele não parou de me beijar mesmo depois que ele começou a lenta descida. Na verdade, os seus lábios só ficaram com mais fome quando seus impulsos diminuíram. Sua boca me fez sentir como se eu nunca tivesse sido beijada antes, como se o toque dele durasse uma vida inteira. Seus lábios eram indomáveis, ousados e sem remorso. Depois do que pareceu uma eternidade sob seu calor, ele quebrou o beijo e se afastou para olhar para mim. Só olhar para mim. Sem compromisso. Sem complicações. — Reagan? — ele sussurrou, acalmando seu movimento, mas ainda se recusando a me deixar.


— Mmm? — Você está sorrindo.


Capítulo Seis

O

barulho

das

sirenes me fez acordar assustada. Meus olhos se abriram. Onde diabos eu estava? Luzes vermelhas brilhando através de uma janela aberta à minha direita eram acompanhadas por buzinas e gritos desconexos. Não é o meu apartamento, obviamente. Então, onde exatamente eu estava? E por quê? Alguns segundos se passaram enquanto meu cérebro nebuloso tentou dar sentido ao que me rodeava. As vigas de madeira no teto não eram familiares. Nem o lençol cinza que cobria o meu corpo nu. E, Oh Deus, havia uma figura quente deitada ao meu lado. Em cima de mim, na verdade. O peso do seu braço musculoso parecia tão certo enquanto repousava em meu estômago que eu tive o desejo de fechar os olhos e ficar abraçada nele o resto da noite. O QUE? O nevoeiro dentro da minha mente clareou e tudo de repente veio à tona. O clube. A tequila. As pílulas. E... Dare. Os beijos de Dare. Suas mãos, toque, voz. Seu dom para me fazer esquecer todo o resto no meu mundo fodido. Pelo menos por algumas horas. Mas... Porra. Adormeci em sua cama. Meu corpo disparou quando o meu coração derrapou na ultrapassagem. Eu não fazia isso. NUNCA. Eu não era do tipo que ficava após um caso de uma


noite. E eu com certeza nunca DORMIA com os caras que eu ficava. A regra era sair logo que... bem, eles saíssem. Minha cabeça latejava com uma ressaca familiar - amplificada dez vezes pelo pânico pulsando em meu peito. Olhei para o despertador no criado-mudo. Quatro e quarenta e cinco da manhã. Graças a Deus. Ainda havia uma hora para o amanhecer. Tempo suficiente para escapar despercebida e fingir que eu nunca estive aqui. E, mais importante, para esquecer que esse foi o primeiro cara em quatro anos que me fez sentir algo. Com cuidado, para não acordá-lo, eu levantei o braço do meu estômago e balancei minhas pernas para o lado da cama. Eu tive que sair e não olhar para trás. Mas antes que eu pudesse mover meus pés, eu arrisquei outro olhar para ele. Mesmo em profundo sono, com o maxilar e com a testa um pouco franzida, ele parecia tão seguro de si. Como se sua vida tivesse sentido e propósito. Era... bonito. Ele era lindo. Luar acariciou sua pele lisa, brilhando sobre uma tatuagem de fênix em seu ombro. Quando ele inspirava e expirava, seus músculos se expandiam e contraíam, fazendo com que o pássaro parecesse estar prestes a levantar voo. Hipnotizado pela arte e seu movimento realista, eu estendi a mão, querendo nada mais do que contornar com os meus dedos. Minha mão pairou sobre o corpo de Dare, o seu calor me atraía. Eu não conseguia me afastar, e no instante em que o toquei, um calor percorreu meu corpo. Saltei da cama como uma garota possuída. Hora de ir. Eu rapidamente disquei para o serviço de carro e corri pelo apartamento, recolhendo minhas coisas. Eu nunca tinha ficado tão desesperada para fugir de um lugar. Vestido. Confere! Bolsa? Uhh... merda. Onde diabos estava? SIM! Bom. Primeiro sapato. Segundo. Achei. Calcinha? CALCINHA?! Caramba! Nada nesse momento estranho estava ajudando. Finalmente, eu tive que desistir e ir sem.


A ideia de que eu não tinha feito uma saída rápida, deveria ter me assustado pra caralho. Estranhamente, porém, sabendo que eu tinha deixado para trás um pedaço de mim mesma para Dare teve o efeito oposto. Encheu-me de um calor inexplicável e desconhecido. Quando entrei no meu carro e parti para a Quinta Avenida, percebi que meus lábios se transformaram em um pequeno e secreto sorriso. Pela segunda vez esta noite, foi verdadeiramente genuíno.

— Reagan, você está ao menos ouvindo as palavras saindo da minha boca? — eu era uma especialista em me desligar da voz da minha mãe, mas ela tinha um jeito de acabar com os nervos de qualquer um. — Quantas vezes eu lhe disse para se vestir adequadamente para o café da manhã? Você pensaria que estávamos na merda da Casa Branca, dividindo a mesa com o Presidente, o Papa e a Rainha da Inglaterra. Ou que talvez eu estivesse de camisola com dentes sujos, nós em meu cabelo e os cotovelos sobre a mesa. Não, eu tinha escapado de volta para o apartamento de cobertura dos meus pais a tempo de tomar banho, me vestir e correr para a sala de jantar sem fazer falta. Meu cabelo estava em um coque apertado, eu estava com leggings pretas um casaco de lã azul, e - apesar da minha ressaca - eu estava conseguindo até me sentar firme. Em qualquer outro lugar, eu estaria perfeitamente apresentável. Em Nathaniel e na casa de Olivia McKinley, no entanto, eu estava quebrando regras de etiqueta incontáveis. E tudo isso antes das oito horas da manhã. — Eu realmente gostaria que você voltasse lá para cima e colocasse um pouco de maquiagem. — minha mãe, uma advogada-transformada-emobediente-dona-de-casa-reduzida-a-uma-imagem-em-filantropia, fez um dos seus discursos habituais. — Você parece doente e pálida, Reagan.


Tão feliz por estarmos começando as coisas fáceis, esta manhã. — Eu me sinto bem. Talvez seja a iluminação. — fiz um gesto para a linha de lustres de cristal acima da mesa de grandes dimensões. — Quando foi a última vez que você comprou novos? — ela estava em uma missão de redecorar permanente. Todos os meses, um ambiente. Quando ela fez isso por toda a casa, ela começou tudo de novo. No momento, todos os dois andares superiores eram flagrantemente brancos - paredes, móveis, pisos. Havia tão pouca cor em seu mundo - eu estava grata por voltar para o meu apartamento em Riverside naquela tarde. Eu ansiava por cor como eu precisava de ar. — Não enfrente sua mãe, Reagan. — como presidente do conselho e presidente da McKinley Enterprises, meu pai estava muito ocupado para se importar em quantas vezes minha mãe redecorou a casa. Nem quanto dinheiro ela gastou. Afinal, um quarto de todo o desenvolvimento imobiliário em todo o país contava com negócios da empresa dele. E estava prestes a ser global. — Eu não ouvi você chegar ontem à noite. — minha mãe estreitou os olhos azuis de gelo para mim. — A que horas você voltou do seu encontro com Archer Chase? — Tarde. — eu disse. Graças ao Dare. — Bem, pelo menos é bom ver você sorrir, sem eu ter que lembrá-la, para variar. — ela falou. — Você deve ter tido um momento maravilhoso com Archer. Estamos tão felizes por você ter concordado em vê-lo. A mãe dele me ligou para contar que ela te mandou um vestido exclusivo Valentino para a ocasião. Eu espero que você tenha se lembrado de usá-lo. — Uh-huh. — eu usei. E então eu tirei. Ou bem, Dare o tirou, suas mãos deslizaram sobre minha pele nua quando o vestido escorregou para o chão... — Reagan Allison McKinley. Quantas vezes eu lhe disse que seu pai e eu não vamos tolerar respostas de uma só palavra? Nós não gastamos centenas de milhares de dólares em educação particular para você grunhir.


— Desculpe. — eu disse. Percebendo que era também apenas uma palavra, eu acrescentei. — Peço desculpas. — aí. DUAS palavras. Era difícil acreditar que um tempo atrás, eu fiquei acordada algumas noites esperando que um deles voltasse para casa depois de qualquer reunião de negócios ou evento de caridade que participassem, para me colocar na cama e verificar se haviam monstros debaixo dela. Eu ainda pensava que abraços, beijos e sorrisos era algo que meus pais poderiam descobrir como fazer - com aquelas famílias nos filmes. Eles nunca fizeram. Inferno, eles nem sequer tentaram. — Escreva uma nota de agradecimento adequada para Mallory Chase hoje. — disse minha mãe. — É imperativo. Em breve precisaremos do apoio dos Huntington-Chase no novo empreendimento do seu pai. Um muito importante. Olhei para o meu pai. — Novo empreendimento? Sua empresa será internacional? O que a família Chase tem a ver com isso? Meu pai largou o garfo. — Você saberá sobre isso na sexta à noite, quando seu irmão e sua irmã vierem para uma reunião de família. — Você quer dizer um jantar em família? — eu murmurei. Por que eu me incomodo em corrigi-lo? Os jantares dos McKinley eram operações comerciais. Ele apontou o dedo para mim. — Não se atrase. — então ele limpou a garganta. — Ao longo dos próximos meses - anos, espero - nossa família passará por um caminho de mudanças de vida. Sua mãe e eu esperamos a plena cooperação de todos vocês. — houve uma ênfase no vocês, como se ele quisesse mesmo dizer: eu sei que não preciso me preocupar com Pierce e Quincy, mas VOCÊ, Reagan, melhor se comportar. Ou então. Havia sempre a ameaça de, ou então, com o meu pai. Antes que ele pudesse dizer qualquer outra coisa, seu celular tocou. Limpando a boca com o guardanapo do colo dele, ele olhou para a tela. — Preciso atender isso. — ele falou para a minha mãe, então apontou para a governanta. — Isla, precisarei terminar o café da manhã no meu escritório.


Os lábios da minha mãe afinaram, mas ela não disse nada. Ela nunca dizia. Em vez disso, ela acenou para Isla - que era para a minha mãe: volte com um Martini seco duplo - e voltou sua atenção para mim. — Quais são seus planos para hoje? — Eu pensei em pedir para Louis me levar até Riverside para que eu possa pegar algumas das minhas coisas de volta e me preparar para a escola. — eu disse. Quanto mais rápido eu pudesse sair debaixo do polegar dos meus pais, mais cedo eu seria capaz de respirar novamente. Ela balançou a cabeça. — Você terá que alugar um carro ou dirigir. Louis me deixará no salão. — com um suspiro profundo, ela olhou para o meu cabelo. — Eu realmente gostaria que você concordasse em se juntar a mim. Se cortasse e iluminasse o seu cabelo um pouco, ele ficaria muito melhor. — Não, mãe. Você tem Quincy para isso. — ela e minha irmã mais velha compartilhavam o mesmo tom claro de loiro, e eu não queria fazer parte dessa loucura. Além disso, eu tinha planos de passar parte do dia no La Période Bleue, minha galeria favorita no SoHo. Eu não me incomodei de contar isso para ela, apesar de tudo. Ela não dá a mínima para os meus “pequenos hobbies”. — Depois de ouvir o anúncio do seu pai na sexta-feira, eu acho que você concordará que uma reforma é fundamental. Você é uma linda menina, tão inteligente, mas... Eu desliguei da voz dela e voltei minha atenção para a toranja no meu prato. A liberdade estava tão perto, que eu podia sentir. Eu levei até meus lábios uma colher da polpa rosa brilhante. Que diabos de gosto tinha a liberdade? Minha mente imediatamente pensou, Dare. Eu quase ri alto. Isso não ia acontecer. Eu nunca voltava atrás.


Nunca.


Capítulo Sete

— P

or que

ambos tem que ser hoje à noite? — eu gemi, mais para mim, do que para as duas garotas sentadas à minha mesa no saguão do Learner Hall. Eu tinha um folder da mostra de arte em uma mão e um panfleto de um seminário político na outra. A primeira semana de aulas ainda não tinha acabado, e eu já tinha que escolher entre a paixão e o dever. Quando eu não estava com a cara nos livros, eu estava enfurnada na galeria La Période Bleue. Estar em torno da arte me dava esperança. Ela enchia meu mundo preto e branco de sonhos, com rajadas brilhantes de cor. Sabine Rochard, a dona da galeria, me permitia procurar talentos para ela, porque eu tinha um olho para o talento. Ela me pediu para ir a uma apresentação no Queens esta noite e encontrar alguns artistas em potencial para uma exposição de talentos que aconteceria no final de outubro. E a minha professora de Política Internacional me convidou para fazer uma participação em um seminário sobre táticas do comércio mundial, obrigatório para passar no seu curso. — O verão acabou, Reagan. — minha amiga Carrie pegou o anúncio da apresentação de arte, amassou e jogou em uma lata de lixo próxima. — É hora de voltar à realidade. Penelope tomou um gole do seu café com leite e suspirou. — Por que a realidade tem que ser tão dolorosa?


Eu zombei. — Que diabos você está falando? Você está estudando História da Arte! — Exatamente. — ela disse. — É difícil. E chato. E seco. Alguma vez você já tentou escrever um artigo sobre a influência do impressionismo no Norte da Europa? — O que eu não daria para trocar de lugar com você agora. — eu disse. — Eu ficaria feliz em fazer cada uma dessas tarefas, você sempre se queixa. Claro, meus pais teriam vários argumentos se eu ao menos lhes dissesse que eu pensava na ideia de mudar para, “uma especialização tão frívola”. Palavras deles, não minhas. O olhar verde brilhante de Carrie travou no meu. Ela procurou meus olhos como se estivesse tentando determinar se eu estava brincando ou se eu tinha realmente enlouquecido. — Diga o que quiser, mas seus pais estão certos de empurrá-la em direção à lei, negócios e política. Você é perversamente inteligente, Reagan. Estudar qualquer outra coisa seria um desperdício do seu tempo e talento. Eu gemi. — Estudar qualquer outra coisa seria o céu. — um olhar para o meu livro de Teoria Política fazia a minha cabeça doer. — Bem, se você precisar de algo, ou de uma ajuda nas próximas semanas, me avise. — disse Carrie. — Eu tenho todo um estoque de Ritalina9 do meu irmão. Eu troco suas pílulas há anos - o merdinha tem tomado comprimidos de aspirina, sem ao menos saber. Foi assim que eu passei por todos os meus exames de Economia financeira no ano passado. — Oh, ótimo. Quanto é que os meus pais lhe pagaram para frequentar a escola e ter certeza que eu não desviasse do caminho reto e estreito corporativo do inferno? — eu estava brincando. Eu esperava.

9

Substância química utilizada como fármaco, estimulante leve do sistema nervoso central, com mecanismo de ação ainda não bem elucidado, estruturalmente relacionado com as anfetaminas.


Carrie deu de ombros. — Seus pais estão certos sobre isso. E eles querem ter certeza de que você não vai acabar como essa aqui. — ela acenou para Penelope. — Não vamos nos iludir. Penny com a sua graduação, tem um troféu de esposa sobre ela. — Hey! O que isso quer dizer? — Penelope fez beicinho. Ela abriu a boca para protestar, mas rapidamente fechou-a e explodiu em um ataque de risos. — Bem, na verdade, você está totalmente certa. Mas, desde que o meu marido seja rico e bonito, eu vou bancar alegremente o papel. Somos todas mais inteligentes do que os homens que casamos, de qualquer maneira. Olhe para a minha mãe. Esposa troféu do meu pai, que ganhou seus milhões em acordos de divórcio depois que ele foi pego transando com seu assistente. — O assistente masculino, desta vez! — Carrie riu enquanto as duas se lançaram em uma fofoca detalhada de muitos assuntos do pai de Penelope. E essa foi a minha deixa para desligar. Meu celular vibrou pelo que pareceu ser a centésima vez naquele dia. Mamãe. Claro. Falando no diabo e ela liga. Relutantemente, eu respondi. — Sim? — Reagan, sua irmã acaba de informar que viu você vestida com roupas de brechó. — eu poderia realmente estremecer ao ouvir isso. — Qual é o problema com você? Você está tentando nos envergonhar? Eu olhei para os meus jeans rasgados e sorri. — Chama vintage, mãe. E Olá para você também. Lindo dia, não é? — Eu estou com uma enxaqueca, Reagan. — o que era palavra código para ressaca. — Eu não tenho tempo para seus jogos infantis agora. — ela deu um suspiro exasperado. — Estou ligando porque eu queria discutir sua roupa e joias para o jantar de amanhã. Agora me escute...


Engraçado. Eu queria discutir a melhor combinação de drogas e álcool para passar a noite, então eu não estaria tentada a me esfaquear no olho com um seus preciosos garfos de prata. Ouvindo a sua tagarelice que martelava sobre o jantar de amanhã em casa, eu só podia deduzir que ia ser um grande pé no saco. Ainda mais do que de costume, parecia.

O fato da casa da minha família ser dez graus mais fria do que qualquer outro lugar em todo o mundo era um sinal claro de que algo tinha que estar errado com a gente. Era ainda mais gelada quando Pierce e Quincy estavam lá. Quatro McKinleys perfeitos. E eu. — Eu disse para você chegar na hora, Reagan. — minha mãe disse. — E vestida adequadamente, pelo amor de Deus. Esta é uma das suas roupas “vintage”, eu assumo. Você terá que se trocar e mal há tempo. — a respiração dela estava saindo em pequenos cortes e o aperto em sua taça de Martini era tão forte que os nós dos dedos estavam brancos. — Eu não entendo. — a careta da minha irmã era idêntica à da nossa mãe. Aos vinte e quatro anos era uma cópia da nossa mãe, até os cabelos impecavelmente penteados. — O que deu em você para ir para o Harlem10, de todos os lugares? — o jeito que ela disse - seus lábios perfeitamente brilhantes se curvando - Harlem parecia ser uma espécie de doença. Pela expressão no rosto do seu noivo, Eric, pareceu concordar. — E como é que você acabou ficando coberta de tinta? — Eu falei para você. — eu disse, respirando fundo na tentativa de manter a compostura. — Eu comecei o voluntariado em um abrigo para mulheres na 10

Bairro de Manhattan na cidade de Nova Iorque, conhecido por ser um grande centro cultural e comercial dos afro-americanos.


13211. Minha amiga Sabine doa um monte de material de arte para o centro e ela me perguntou se eu estaria interessada em supervisionar uma aula de arte para as crianças de lá. Pierce bufou. Minha irmã e minha mãe trocaram um olhar. Esse olhar ficou em algum lugar no espectro entre preocupação e perplexidade. — Adolescentes conturbados de alguma maneira? — Quinn perguntou. Revirei os olhos. — Não, Quinn. São legais, crianças amigas que têm interesse em arte, mas não podem se dar ao luxo de ter aulas. — inferno, apesar de suas vidas difíceis, a maioria das crianças no abrigo era provavelmente mais estável do que eu era na idade delas. — Nossa família doa dinheiro mais que suficiente para fundações de caridade, Reagan. — meu pai disse, entrando na sala com os seus habituais três dedos de puro scotch. — Todos os anos, a minha empresa é reconhecida por seus esforços. É completamente desnecessário você percorrer bairros cheios de gangues em busca de ações filantrópicas perigosas. — Perigosas? O que você acha que os meus alunos de sete anos de idade, podem fazer com tintas e pincéis? — eu não podia acreditar. — Além disso, eu não estou fazendo isso para ter reconhecimento. Eu estou fazendo isso porque eu quero. Essas crianças precisam de mim. Elas me valorizam. — ao contrário de todos os outros em minha vida. — Elas provavelmente percebem que são melhores artistas do que sua professora. — disse Pierce. — Eu não estou ensinando a arte, Pierce. Estou apenas dando-lhes a oportunidade de fazer. Quinn balançou a cabeça e riu. Na verdade riu de mim. — Esta é a coisa mais ridícula que você já fez, no entanto, Reagan. — Qual é, Quinn. — Pierce cortou. — Vamos dar uma folga para Reagan. Ela ainda está “se descobrindo”. Em breve, ela vai crescer. — ele se virou para 11

Nomes de rua em NY podem ser números.


mim com um sorriso maroto. — Você vai entender o quão tola e idealista você é, e finalmente, perceber que o mundo pertence a pessoas como nós. Quanto mais cedo você aceitar, mais rápido você pode usar isso a seu favor e começar a viver uma vida real. Uau. Isso foi um chute no estômago. Pierce, de todas as pessoas deveria estar do meu lado. Pelo menos ele costumava estar. Ele tinha ficado muito diferente desde a faculdade de direito. De fato, eu sabia que ele não aproveitava a vida. Ele cheirava mais cocaína do que qualquer um que eu conhecia. Que hipócrita do caralho. — Meu interesse pela arte não é apenas alguma coisa passageira. — eu falei. O olhar cinza do meu pai pousou em mim quando ele balançou a cabeça. — Não importa, Reagan. A partir de agora, eu não quero que você pise naquele lugar sem escolta. — Uma escolta? Você está falando sério? Isso não é o século dezoito. Eu não sou uma princesa. Meu irmão sorriu. — Naquelas roupas sujas, você certamente não é. — aos vinte e sete anos, ele era um advogado figurão sendo preparado para um dia assumir a McKinley Enterprises, e ele estava rindo de mim como se eu fosse uma das suas vadias imbecis. Que seja. Pierce e seus ternos de grife e gravatas perfeitamente amarradas poderiam tomar no cu. — Eu tenho dezenove anos. Eu posso ir aonde eu quiser, sem ninguém segurando a minha mão. — eu disse. Eles não iam tirar isso de mim. — E com certeza vou continuar meu voluntariado no abrigo. — Não em meus carros. — meu pai abaixou a bebida e se levantou em toda sua estatura. Engoli em seco, com meu coração batendo forte. Ninguém cruzava o caminho do meu pai. Ninguém. Mas eu tinha que fazer, sabia que tinha um bom argumento.


— Então eu vou a pé. — eu disse. Eles ofegaram. Cada um deles. Pierce e Quinn ficaram de boca aberta. Eric olhou de soslaio. — A pé? — minha mãe agarrou mais ainda a sua bebida. Eu balancei a cabeça. — Amo caminhar pela cidade. — Nathaniel. — ela sussurrou, virou-se e deu um grande gole. Meu pai estudou meu rosto por alguns segundos longos e meu estômago deu um nó, enquanto eu tentava pensar no que ele poderia fazer para me impedir. Mas depois ele deu um leve aceno de cabeça. Eu realmente ganhei? — Tudo bem. — ele disse. — Você pode ir. Louis vai levá-la toda semana. — ele caminhou até o bar para pegar um pouco mais de bebida. Eu soltei a respiração que estava segurando e tentei manter meu rosto inexpressivo. Por dentro, eu estava dançando porque eu tinha GANHO a porra da discussão. Ele voltou, então, com um sorriso calculado em seu rosto, e acrescentou: — Isso é exatamente o tipo de coisa que a Faculdade de Direito de Harvard vai adorar. Bem pensado, Reagan. Você vai se sobressair no grupo de alunos. E foi assim que ele me arrasou. Como diabos ele sempre consegue fazer isso, transformar minha vitória com se fosse sua? Foda-se. Quinn inclinou a cabeça. — Você acabou de murmurar algo sob sua respiração? — Nope12. — Reagan, a palavra correta é no.

12

Variação informal de no – não.


— Reagan. — minha mãe disse em voz baixa com o maxilar cerrado. Se mais uma pessoa nesta família me chamasse a atenção eu ia estrangular. — Vá se limpar para o jantar. — ela disse que como se estivesse falando com uma criança. — Vou chamar Isla para ajudar e Quincy dará um jeito em seu cabelo. Minha irmã sorriu docemente. — Claro, mamãe. Ao mesmo tempo, eu disse: — Meu cabelo está bom. Ignorando-me, minha mãe ligou para a empregada, em seguida, sussurrou algo para ela que eu não pude ouvir. Tudo o que eu peguei foi o final de conversa: —... e um Valium, por favor. Eu me perguntava se era para ela ou para mim. E assim, eu estava desejando um daqueles malditos garfos.


Capítulo Oito

— R

eagan,

venha conhecer Marcus Finch e Eleanor Bradley. — meu pai disse, uma vez que eu voltei para a sala, vestida com uma saia lápis preta na altura do joelho e uma blusa de seda azul pálido. Parecendo fazer parte. Desempenhando meu papel como esperado. Um homem de meia idade bonito, com cabelos escuros e olhos castanhos quentes, estendeu a mão. — É um prazer, senhorita McKinley. — O prazer é todo meu, Sr. Finch. — eu tive anos de treinamento como uma McKinley. A loira curvilínea ao lado dele apertou minha mão em seguida. — Adorável conhecê-la, senhorita McKinley. — Da mesma forma, Sra. Bradley. Minha mãe sorriu. Talvez tenha sido o pontapé de vodka-Valium que estavam fazendo os cantos dos lábios dela aparecerem. Ou talvez ela estivesse aliviada por eu estar fingindo ser sua filha perfeita, nas roupas perfeitas que ela escolheu, o meu cabelo perfeito caindo nas costas em ondas suaves perfeitas. O que fosse. Não era eu. Não que alguém aqui se importasse com isso. — Nathaniel, Olivia, antes de irmos para a sala de jantar, eu acho que seria melhor compartilhar a notícia com os seus filhos. — disse Marcus.


Meu pai deu um breve aceno de cabeça. — Certamente. Sente-se, Reagan. — ele apontou para o sofá. Eu me sentei entre Quinn e Pierce. — Marcus. — ele disse. — A palavra é toda sua. Eles eram definitivamente do mundo do meu pai. Os fones de ouvido, pastas e tablets. O traje de negócios caro da cabeça aos pés. E a maneira como eles sorriam. Parecia... escorregadio. Eu não tinha um bom pressentimento sobre isso de jeito nenhum. — Pierce, Quincy, Reagan. — Marcus disse — Eu tenho certeza que vocês ficarão muito felizes em saber que seu pai irá anunciar a sua candidatura a prefeito em novembro deste ano. — Prefeito? — Pierce assobiou. — Uau, pai. — Você quer ser prefeito? — eu olhei para o meu pai, medo rastejando sobre a minha pele. — Não. — minha mãe balançou a cabeça. — Ele vai ser prefeito. Você já viu o seu pai falhar? — Falhar não faz parte do meu vocabulário. — o riso falso do meu pai ecoou pela sala e todos se juntaram. Todo mundo, menos eu. Bom Deus. Ele já estava em campanha. — McKinleys nunca falham. — Quinn soou como uma Filha Stepford13, do caralho. — Para ser perfeitamente honesto. — disse Marcus, com um sorriso genuíno em seu rosto. — É exatamente por isso que eu estou mais do que feliz por estar representando seu pai. Vamos construir uma plataforma vencedora

13

Referência ao filme as Esposas de Stepford, filme americano de 1975, ficção científica, se passa no subúrbio americano, Stepforb, que retrata a sociedade machista na década de 70. As “esposas de Stepford” parecem ter sido vítimas de uma lavagem cerebral, onde só vivem em função do bem estar de seus maridos, sempre preocupadíssimas em deixar a casa limpa, o que preparar para o jantar e serem praticamente escravas sexuais.


enraizada na integridade, estabilidade familiar e os velhos e bons valores americanos. Aquilo não podia estar acontecendo. — Eleanor é encarregada da Comissão de Ética, responsável por garantir que executemos uma campanha limpa. — continuou Marcus. — Então, Pierce, Quincy, Reagan, e suponho Eric, bem, desde que você se juntará a esta família, em breve - vamos ter uma conversinha? Eu podia sentir que a pouca liberdade que eu já tinha, ia se esvair. — Você quer saber se nós nos comportamos, não é, Sra. Bradley? — meu irmão apontou seu olhar predatório e ardente sobre Eleanor. — Na sua opinião profissional, tenho sido um bom menino ou...? — ele arqueou uma sobrancelha e mostrou seu sorriso brilhante. Era uma pergunta bastante inocente, mas eu conhecia Pierce. Se meus pais não estivessem aqui, ele terminaria essa frase com algo impertinente ou com um você precisa me espancar. Eleanor tossiu. A propagação do blush vermelho... — Sim... uhh, sim. — um tom carmesim brilhante corou todo o rosto e para baixo do seu peito. — Eu estou aqui para fazer vocês se comportarem. Uhh... quer dizer... o meu trabalho... — ela respirou fundo e tentou novamente. — Meu trabalho é garantir uma campanha ética realizada por todos os membros da família. Seu pai será analisado, é claro. Sua mãe também. Vocês três estão bem na superfície, mas nas próximas semanas, meus investigadores executarão extensas verificações de antecedentes em cada pequena parte das vidas de vocês. Você também, Eric. Meu coração pulou em minha garganta. — Cada parte? — o pânico começou a subir por todo o meu corpo. O que tinha acontecido anos atrás, eles não poderiam descobrir, porque ninguém sabia. Ninguém, exceto meus pais, e eles tinham enterrado esse segredinho sujo. Meus olhos procuraram meu pai. Nada. Ele não se preocupou em olhar pra mim. Mãe? Não. É como se eles ainda não tivessem pensado sobre isso. E


por que eles pensariam? Havíamos passado quatro anos fingindo que nunca tinha acontecido. McKinleys eram hábeis em manter esqueletos trancados dentro dos nossos armários. — Sim, vamos descobrir tudo. — Eleanor assegurou-me como se fosse um pensamento reconfortante. — Pierce tem um DUI14 que precisa desaparecer. — meu pai disse. Um DUI? Um DUI idiota. Meu pai tinha lidado com o que aconteceu comigo exatamente da mesma maneira, como se fosse uma infração que poderia ser facilmente apagada. — Chamarei alguém no escritório do procurador do Estado e ter... — Não. — Eleanor levantou a mão. — Como futuro prefeito de Nova Iorque, você não pode ser visto pedindo favores no sistema legal. Nós pediremos para alguém não envolvido com a campanha cuidar disso. E rapidamente. — ela digitou algo em seu telefone. — Existem mais transgressões que eu deva saber, Pierce? Pierce sorriu e abriu a boca para falar, mas eu chutei sua canela e lancei um olhar mortal. Ele revirou os olhos e disse: — Isso é tudo. — Quincy? Minha irmã franziu os lábios. — Claro que não! E que fique claro, Eric também. O pai dele é o CEO de Truman Inc. Eles não podem arriscar um escândalo. — Uma vez que estamos tratando de você e Eric, Quincy, eu acho que devemos falar sobre datas de casamento. — minha mãe queria falar de casamento? AGORA? 14

Sigla americana para driving under influence: dirigir sob influência, ou seja dirigir sob a influência de qualquer substância entorpecente.


Quinn franziu a testa. — Data de casamento? Vamos nos casar em junho próximo. Nós já enviamos os cartões de reservem-a-data. Minha mãe olhou para o meu pai. — Seu casamento precisa ser em novembro deste ano, pouco tempo depois do anúncio do seu pai. Seria melhor para a campanha, se a família fosse vista publicamente estreitando o relacionamento com os Trumans. Não apenas um compromisso fugaz. Um compromisso total. — Mas... mas... — Quinn gaguejou. — Mas... isso são apenas dois meses! Eu não posso planejar um casamento em apenas dois meses... e meu vestido, o local, os fornecedores... — ela estava à beira das lágrimas. Eu quase me senti mal por ela. Quase. — Seu pai precisa disso, Quincy. — minha mãe disse. — Não está em discussão. Vamos contratar vários coordenadores de casamento para garantir que tudo fique pronto. E bem feito. Parecendo em estado de choque, minha irmã assentiu. — Certo. Eu sei. Claro. — Isso resolve tudo. Maravilhoso. — Eleanor mudou-se para mim. — Então, Reagan? Alguma coisa que devo saber? Fale agora ou terá os investigadores descobrindo seus podres. — ela sorriu e piscou. Meu pai respondeu antes que eu pudesse abrir a boca. — Reagan está bem. — Yep15, esplêndida. — eu disse. Já que você falou. — Yes, Reagan. A palavra é yes. — minha mãe suspirou dramaticamente, o que só me fez querer dizer outra vez. — Filhos do prefeito não falam como degenerados sem instrução. — Yes, Eleanor. Eu estou bem. — eu disse. — Sem casamentos arranjados para mim este ano. 15

Variação informal do yes – sim.


Manchas vermelhas coloriram as bochechas de Quinn. — Pelo menos alguém me ama, Reagan. Pelo menos eu me comporto como uma pessoa respeitável, ao contrário de você que... Marcus pigarreou. — Por que não podemos ter um momento para nos acostumarmos com a notícia, aproveitar o belo jantar que Olivia preparou, e passar por algumas regras de conduta para a família? — ele expressou todos os seus pedidos como se nós realmente tivéssemos uma escolha de assunto. Quinn sentou-se e sorriu presunçosamente para Eric. — Pare de cara feia, Reagan. — minha mãe se inclinou e apertou minha mão na dela, apertando meus dedos. — Sorria. Minha cabeça latejava e meu coração doía, mas eu forcei meus lábios em um sorriso e fingi que estava tudo bem. Como sempre.


Capítulo Nove

N

o momento em que

o jantar acabou, eu pulei no meu carro e dirigi. Eu nem sequer fiquei para a sobremesa. Eu precisava ficar tão longe da minha família quanto pudesse. Meus pais tentaram me convencer a passar a noite, mas eu não suportava a ideia de ficar. Cada segundo que passava dentro das paredes daquele apartamento, sendo informada de que meu futuro seria preenchido com regras e controle mais rígidos, um pequeno pedaço de mim se partia. — A partir de agora, todos vocês precisam ser extremamente vigilantes. — Marcus disse. — Campanhas políticas de hoje dependem fortemente de vídeo de alunos universitários com telefones celulares que tentam promover suas próprias carreiras políticas ao apanhar os candidatos e seus familiares em posições comprometedoras ou provocá-los a dizer coisas prejudiciais. Você estará especialmente vulnerável em Columbia, Reagan. É vital que você fique alerta, e não seja filmada fazendo ou dizendo qualquer coisa que possa ferir a reputação de seu pai. — Isso inclui dizer abertamente seus ideais de filosofia liberal. — meu pai falou. — Temos que apresentar uma frente unida, e meus pontos de vista são os únicos que contam. — nunca houve qualquer democracia em nossa casa, mas pelo menos eu poderia pensar por mim mesma quando saía pela porta. Agora eles queriam me coibir disso também? Hum, não.


Meu pé pressionou o pedal do acelerador com tanta força que eu tinha certeza que minha Mercedes, literalmente, alçaria voo quando me virei para a avenida rumo ao norte. Eu costurei dentro e fora do tráfego, tentando sair da cidade. Eu não sabia onde eu estava indo, eu só sabia que precisava sair. E velocidade. Eu precisava de velocidade. É claro que uma multa era definitivamente contra as regras de Marcus e Eleanor, mas eu não me importava. Até o momento em que eu virei na 95, o latejar na minha cabeça tinha crescido em intensidade. Vida, liberdade e a busca da felicidade? Quão hipócrita era para um futuro prefeito limitar esses mesmos direitos para sua própria filha? No jantar eles tinham discutido a contratação de guarda-costas permanentes para mim, pelo amor de Deus. O que significava que eles saberiam onde eu estava cada segundo do dia. Mais do que agora. Não daria mais para fugir para La Période Bleue. Não teriam mais festas onde quer que eu quisesse. Sem mais caras que não passassem pela avaliação deles. Não teria mais aparência de uma vida real. De qualquer vida. Meus nódulos dos dedos estavam brancos de apertar o volante. Era a única coisa que me mantinha com os pés no chão. De vez em quando, meus olhos se arremessavam para o banco do passageiro, onde minha bolsa preta estava. Eu precisava de algo para tomar. Um pílula, duas... talvez até três. Dirigir sob a influência de comprimidos também era contra as regras, mas até que ponto, porra. A raiva queimava em minhas veias, me fazia querer quebrar tantas regras quanto pudesse. Tudo o que eu queria era que a merda de todo o controle dos meus pais fosse jogado pela privada. Mantendo meus olhos na estrada, eu estendi a mão para abrir minha bolsa. Eu me atrapalhei com as coisas da bolsa, mas não achei nada. Caramba. Onde diabos estava aquele vidro laranja? Meu olhar foi para o porta-luvas. Sim! Eu enfiei lá antes de ir para o jantar porque Quinn gostava de bisbilhotar as minhas coisas.


Eu empurrei meu pé no pedal e desviei de um carro. Alguém buzinou quando eu alcancei o porta-luvas. Outra buzina alta. Meus olhos voaram de volta para a estrada. Luzes traseiras estavam chegando muito rápido, eu desviei para a pista da direita. Uma outra buzina veio da minha direita e eu me virei a tempo de ver o carro que eu estava cortando. Merda. Eu teria que sair da estrada. Por algum milagre, nossos carros não se tocaram, mas isso foi só porque o outro empurrou para fora do caminho, no acostamento, e bateu na cerca de proteção antes de chegar a bater em mim. Eu pisei no freio e saí da estrada. Oh Deus, oh Deus, OH DEUS. O que eu fiz? Eu precisava perder o controle. Eu queria ser livre. Mas não desse jeito. Não às custas da segurança de outra pessoa. Puta que pariu. Eu era a maior clichê do mundo. Eu comecei a tremer enquanto lutava com o cinto de segurança. Eu tinha que sair. Eu tinha que ter certeza que ninguém estava ferido. Quando eu pulei para fora do carro, o outro motorista desceu, despejando uma série de palavrões em voz profunda que teria me assustado pra caralho, se eu não o tivesse reconhecido. — Você está louca? — ele disse, se aproximando. — Você estava dirigindo como uma maldita lunática. Será que você se preocupou em olhar antes de mudar de faixa? Você poderia ter mat... Reagan? — Dare? — ele estava vindo em minha direção. Dare. O cara que eu ainda estava pensando uma semana depois. O cara cujo toque eu não consegui apagar da minha mente e do meu corpo. Eu não podia acreditar nos meus olhos, meus ouvidos.


— Reagan. Puta merda. — ele olhou para o meu rosto, meu corpo, em seguida, olhou para o meu carro. — Você está bem? — Eu estou bem? Sua cabeça está sangrando! Seus dedos roçaram o sangue em sua sobrancelha. — Está tudo bem. — ele disse. — Sem airbag, por isso a minha testa encontrou o volante, mas é apenas um corte superficial. — Você pode ter uma concussão! — Eu estou bem. — dando mais um passo para frente, ele agarrou meus ombros e olhou para mim. — Você está ferida? — Não, nada ferida. Apenas... fodida. — eu olhei para os meus pés. A gravidade da situação bateu em mim. Eu poderia ter matado alguém. Eu poderia ter matado Dare. — Eu sinto muito, Dare. Sinto muito, muito mesmo. — O que diabos você estava fazendo? Era uma pergunta simples. Uma pergunta que eu não tinha resposta. Ainda me recusava a olhar em seus olhos, eu sussurrei: — Eu sinto muito. Isso é tudo culpa minha. — arrisquei uma espiada hesitante para ele. — Você vai chamar a polícia? — o pensamento de todos os problemas que eu poderia me meter, me assustaram pra caramba. O que diabos eu estava pensando? Dare sacudiu a cabeça. — Se nenhum de nós está machucado vamos deixar a polícia de fora. — Você vai me processar? Um pequeno sorriso tocou seus lábios. — Devo processá-la, Reagan? Tomar tudo o que você tem? — ele se inclinou para mim, me prendeu com seu olhar cativante. — Esse não é meu estilo. — A culpa foi minha. E o seu carro... — eu olhei para ele. — Merda.


— Parece que é só um pneu furado e alguns novos amassados. Não é grande coisa. — ele exalou e passou a mão pelo cabelo. — Mas eu não tenho um estepe, então eu preciso chamar um reboque. — Eu vou pagar por isso. — eu disse imediatamente. — E os reparos, é claro. — eu olhei para o carro dele. — Isso poderia ter sido muito pior. — Mas não foi. Nada de pensar nos ‘se’s. — ele balançou a cabeça. — Merdas acontecem. Supere isso. O ar ao nosso redor estava cheio de tensão e a ameaça de uma tempestade que se aproximava. Seus olhos se aqueceram, e eu olhei para seus lábios, instintivamente lambendo os meus. Eu queria tocá-lo novamente. Isso era uma loucura. Ninguém jamais me afetou como ele. De repente eu estava tão feliz que eu tinha tirado ele - de todas as pessoas - da estrada. O quão fodido era isso? — Eu vou esperar o caminhão de reboque com você e lhe dar uma carona para casa. — eu disse, tentando me livrar dos meus pensamentos loucos. Dare sacudiu a cabeça. — Na verdade, eu não vou para casa agora. Eu preciso ir a outro lugar antes. — Oh, tudo bem. — certo. Ele estava dirigindo para longe do Brooklyn. O que significava que eu não poderia voltar e rastejar para cama com ele. O que, na verdade, era uma coisa boa. Porque a última coisa que eu precisava era uma segunda rodada. Mesmo que isso fosse a coisa que eu mais quisesse naquele momento. Limpei a garganta e calei meus pensamentos. — Bem, eu posso leválo, para onde você está indo? Devo-lhe muito. Ele hesitou, e eu percebi o tanto que eu estava sendo idiota agora. Uma garota. Dare ia ver alguma garota. Meu estômago deu um nó só de pensar na sua boca na dela, suas mãos deslizando sobre sua pele, seu corpo musculoso pairando acima dela enquanto ele a arrebatava da mesma forma esmagadora que tinha consumido cada


centímetro meu. Nunca antes eu tinha pensado no que qualquer cara faria depois de nosso encontro. Na verdade, eu fazia tudo ao meu alcance para evitar todos eles. Mas lá estava eu, oferecendo-me para levá-lo onde ele precisava, estupidamente feliz por vê-lo novamente. DE JEITO NENHUM. Eu não era o tipo de garota que fazia um grande negócio por um caso de uma noite. Não significou nada. Dare significou nada. Tentando relaxar, eu disse: — Ou eu posso pagar um táxi. — Não. — ele falou. — Eu vou aceitar a carona. — Sério? — a resposta dele me deixou muito mais feliz do que deveria. Do que era seguro. Dare sorriu. — Contanto que você desacelere essa porra.


Capítulo Dez

Q

uarenta

minutos

depois, dirigindo com excessiva cautela, estacionei o carro na frente de um bangalô em Harrison e desliguei o motor. Como se fosse uma deixa, começou a cair uma chuva. Era isso. Dare ia me deixar por uma menina lá dentro. Coração, conheceu a pontada de ciúmes. — Você vai... uhh... dormir aqui? — eu perguntei em voz baixa. Não interessa, Reagan. — Aqui? — suas sobrancelhas se ergueram. — Eu não tinha planejado isso. Não esta noite. — Ela vai te dar uma carona de volta? — Deus, eu poderia ser mais óbvia? — Quem? — A garota que você vai ver. — eu disse, olhando para as gotas de chuva se formando no para-brisa. Meu tom era indiferente. Como se eu não pudesse me importar menos. Por dentro, era uma outra história. — Ela não é uma garota. — o banco de couro rangeu quando Dare mudou o seu peso. — Ela é uma mulher. É claro que ela é. Meus olhos o encontraram sorrindo.


— Não vou demorar muito. — ele disse, levantando a sua voz em diversão. — Você se importa de esperar por aqui um pouco? — Você quer que eu ESPERE por você? — Você pode esperar por mim ou trabalhar para mim. — ele apontou para o banco de trás onde tinha transferido do seu carro, o que parecia ser a compra de alimentos de um mês. — Eu poderia usar alguma ajuda para transportar aquilo. Além disso, é uma maneira de eu ter certeza que você não volte para a cidade sem... — Sim, sim! Eu entendi. Minha condução é uma merda. — eu bati em seu braço e ri, por um breve momento esquecendo que eu estava com ciúmes da mulher que estava lá dentro. Dare tinha esse efeito em mim. Mesmo sentado na frente da casa da namorada dele. Para cada segundo dos 40 minutos que passamos dirigindo até aqui, ele manteve minha mente tão cheia dele que eu não pensei sobre os acontecimentos desta noite. Nós corremos até a calçada, tentando nos proteger da chuva com os sacos de papel. Sem muito sucesso. No momento em que nós chegamos até a varanda, as quatro sacolas grandes de Dare e as minhas duas menores estavam completamente encharcadas. Ele não se incomodou em tocar a campainha. Em vez disso, ele chutou a porta da frente. — Hey! Abra! Um momento depois, a porta se abriu, revelando uma adolescente em short jeans e uma camiseta sem mangas, longa e solta com as palavras C'est La Vie16 na frente. Ela era alta e extremamente magra, com grandes olhos castanhos que se iluminaram com a visão das sacolas nos braços de Dare. — Dare! — ela jogou os braços em volta do pescoço, quase derrubando as compras dos seus braços. — Porque você demorou tanto? — Alguém tentou me matar. — seus olhos encontraram os meus sobre sua cabeça e ele piscou.

16

É a vida.


A menina se afastou, o horror estampado no seu rosto bonito. — Sério? É por isso que você tem um corte acima da sua sobrancelha? — Nah. — ele balançou a cabeça e riu. — Você não deveria acreditar em tudo que vê. — DARE! — ela gemeu, batendo no peito dele. Forte. — Você não deveria dizer coisas como essa! Especialmente, considerando... — seus olhos encontraram os meus, e ela mordeu o lábio inferior. — Hey! — sua cabeça inclinou para o lado, fazendo com que seu cabelo curto assimétrico parecesse ainda mais torto. — Quem é você? — Por que você não ajuda a levar algumas dessas sacolas para dentro e depois fazemos as apresentações. — Dare disse, passando por ela no corredor. — Dax está aqui? A menina assentiu. — DAAAAX! Dare precisa de você para guardar as compras! — Para AJUDAR a guardar as compras. — ele fez sinal para eu segui-lo até a cozinha, onde ele passou e colocou as sacolas no balcão. — Eu vou pegar o resto das coisas no carro. — ele atirou à menina um olhar de advertência. — Não seja um pé no saco enquanto eu estiver fora, Dalia. Dalia. Interessante. E bonita. Assim como Dare, ela estreitou os olhos para mim e sorriu maliciosamente, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, um cara de cabelos escuros entrou como um furacão na sala. Sim, entrou como um furacão. Todo musculoso e com atitude de adolescente. — Dare está aqui? — ele perguntou, indo direto para as sacolas. — Ele trouxe meu shake de proteína? — Dare e uma garota. — Dalia disse.


— Que garota? — ele virou-se. — Droga, garota! — e ele estava na minha frente antes que eu pudesse piscar, tentando parecer legal. Tive que fazer um esforço para não rir. — Qual o seu nome, baby? — Não está interessada, Dax. — Dalia respondeu por mim. — Mas, falando sério, quem é você? — Eu sou... — uma amiga? Não realmente. Eu não tinha uma definição. — ... apenas Reagan. — Bem, apenas Reagan, eu sou Dalia. — ela disse com um pequeno aceno de mão. Dax pegou minha mão e a beijou. O louco beijou. — E eu sou Dax. — sua voz caiu para um território familiar e charmoso que me lembrou Dare. — O irmão gêmeo de Dalia, menos mal e muito mais sexy. — Não deixe que o sorriso a engane, Reagan. Ambos são igualmente maus. — Dare disse atrás de mim. — Onde está a mamãe? — Dormindo. — Dalia falou. — Ela teve uma dupla jornada ontem que se transformou em uma tripla. Ela mal ficou em casa em dois dias e ela tem que pegar o trem para trabalhar agora. — O que há de errado com o carro dela? Dax zombou. — Você quer dizer, dessa vez? Ele precisa de um novo alternador ou algo igualmente caro. — Por que ela não me contou? — Você conhece a mamãe. — Dalia disse com um encolher de ombros. — Ela sabia que você ia insistir em dar-lhe o seu, mesmo sabendo que você precisa para o trabalho. Ela não queria sobrecarregá-lo. Dax pegou uma maçã e uma banana e comeu os dois ao mesmo tempo, trocando a cada mordida. — Você se importa de emprestar a ela? — ele perguntou com a boca cheia de frutas. — Realmente ajudaria. Além disso, você ainda tem aquele pedaço de merda de moto, certo?


— Ele não pode transportar o seu material de trabalho em uma moto. — Dalia disse. Dare respirou fundo. — Meu carro está na oficina. E estaria por mais uma semana. O mecânico tinha dito que era mais do que apenas o pneu e ele precisaria de algumas peças. — Não se preocupe. Eu vou pensar em alguma coisa. — ele disse. — Eu posso... — eu comecei, mas ele balançou a cabeça para mim. — Eu vou dar um jeito. — repetiu ele, com os olhos em mim. Voltando-se para os gêmeos, ele disse: — Mamãe tem passado bem? — Sim, eu acho que... — o olhar de Dalia mudou para mim. — Ela ainda está participando das reuniões regulares. Dare assentiu. — Bom. Ela está comendo? — a profunda preocupação era visível em sua voz, e eu calmamente limpei minha garganta para me livrar da picada agridoce de emoção que tinha me atravessado. Dalia deu de ombros. — Sim, quando há comida. Suas sobrancelhas se ergueram. — O que diabos isso significa? Eu estoco sempre a geladeira. — Sim, e você já viu Dax? Seu futebol estúpido o faz comer por seis! Como se fosse uma sugestão, Dax pegou outra banana e perguntou — Ei, você conseguiu o shake de proteína que eu queria? — Sim, Hulk. — Dare disse. — Vá devagar com essa porcaria, ok? — Claro que sim, irmão. — E a Nutella? — Dalia vasculhou as sacolas. — Não estava na promoção. — ao ver seus ombros caírem, Dare disse: — Da próxima vez. Eu prometo.


— Isso é o que você disse na semana passada. Dare esfregou a mão sobre o rosto. — O trabalho tem aparecido menos ultimamente. Sempre diminui nesta época do ano, mas vai melhorar em breve e então eu vou te dar dois potes, ok? — Três! — ela disse. — E você diz que eu como muito? — Dax riu. — Daren? — a voz suave de uma mulher chamou pelo corredor. — É você? Dare xingou. — Nós a acordamos. Eu já volto. — Daren? — eu disse. De alguma forma, isso não combinava com ele. — Só minha mãe o chama assim. — disse Dalia. — Ele sempre foi Dare para todos os outros. E, especialmente, desde que nosso pai... — Dalia. — Dax balançou a cabeça. Ele estreitou os olhos para mim, a sua cor dourada idêntica a da sua irmã, tons mais claros que Dare. — O quão bem você realmente conhece o nosso irmão? — Não muito bem. — não muito bem mesmo. — Vocês estão namorando? — ele perguntou. — Não. — definitivamente não. Eu não namorava. — Hmm... — seu comportamento mudou instantaneamente. Ficou mais predatório. — Solteira, hein? Dalia saltou sobre o balcão e cruzou os braços. — Vocês estão transando? Sua pergunta contundente me pegou desprevenida. — Quem? — Meu irmão! — ela riu. — Quem mais? O lado direito da boca de Dax curvou. — Não, mas espero que em breve.


— Deus, não você, Dax! — ela revirou os olhos para ele, então se virou para mim. — Você e Dare estão? Ele nunca trouxe uma garota para casa antes, então eu estou tentando entender exatamente quem você é. — Não, nós não estamos fazendo isso. — eu ri. — Honestamente... eu não sou alguém importante. Dax elevou sobre mim quando aproximou ainda mais o rosto. — Então, se você não está namorando ou pegando o meu irmão, eu vou considerar que você é solteira e procurando um pouco de diversão, certo? — Quantos anos você tem? — eu coloquei a mão no seu peito e ele recuou. Ele se encheu de orgulho. — Dezesseis. Dezessete em poucos meses. Eu sou um junior17. — Bem, eu sou uma estudante de segundo ano. Na faculdade. — E daí? — ele disse com uma piscadela travessa. — Acontece que eu gosto de mulheres mais velhas, mais experientes. — ele estendeu a mão para acariciar a minha bochecha. — Elas são geralmente... — Hey! — antes que eu tivesse a chance de empurrar a mão dele, Dare estava entre nós. Ele agarrou o pulso de Dax, torceu o braço por trás das costas, e colocou-o em um estrangulamento. — Cuidado onde você coloca essas mãos, se você ainda quer ser capaz de jogar futebol amanhã. — soltando-o, ele deu um tapa de brincadeira na parte de trás da cabeça de Dax. — Eu sou apenas seis anos mais jovem do que você. — Dax rosnou e pulou em cima das costas de Dare, tentando derrubá-lo, mas sua bunda encontrou o chão quando Dare o empurrou. — E por que você se preocupa com a minha relação com Reagan? Ela disse que não está com você. Dare passou o olho rapidamente em mim. — Isso não significa que você está autorizado a pegá-la. — o olhar escuro dele fez a minha pele formigar e meu

17

Corresponde ao segundo ano do ensino médio no Brasil.


rosto corar. Eu meio que gostei da ideia dele me reivindicando, mesmo que fosse apenas para afastar seu irmão folgado. Eu tive que desviar o olhar antes de ter uma combustão espontânea. — Dalia, você precisa de ajuda para guardar essas compras? Dalia estreitou os olhos para mim, e então para Dare. — Claro que sim, Apenas Reagan. Meu supersentido me diz que há um pouco mais do que o “apenas” que qualquer um de vocês está admitindo. Dare agarrou seu cotovelo enquanto ela passava. — Escute, eu dei algum dinheiro para mamãe. Certifique-se de que ela vai usar para as passagens de trem. Não em qualquer outra coisa, ok? Ela parece... cansada. — Ela está indo às reuniões, Dare. Eu juro. — Eu sei. — os lábios deles apertaram e ele pareceu encerrar o assunto depois disso. Conseguimos arrumar a maioria das compras antes dele finalmente falar de novo. — E a escola, tudo bem, pessoal? — Sim. — disse Dalia, quando Dax assentiu. — Tudo bem. — Algum formulário que eu precise assinar? Os dois balançaram a cabeça. — Mas é melhor você vir para o nosso jogo de volta. — disse Dax. — Estou começando como QB18 este ano. Nenhum junior na história inteira da escola começou no jogo de volta. — Eu acho que todos os alimentos que você está ingerindo vão fazer bem. — Dare riu e despenteou o cabelo de Dax. Dax socou seu ombro. — Então, você vai vir ou não?

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Quarterback, posição no futebol americano, líder no ataque.


— Eu estarei lá se não tiver que trabalhar. — Dare cruzou os braços sobre o peito e fixou seu olhar sobre eles. — Qualquer coisa que vocês queiram confessar enquanto estou aqui? Dax voltou-se para Dalia com um sorriso cúmplice. — Dalia tem um namoraaaaaaadoooo. Dalia ofegou. — Eu não tenho! — Stephanie Matthews viu você se pegando com Tyler Rodn... — Oh, meu Deus! DAX! — ela bateu no seu braço com força. — Isso é uma mentira! Dare, ele só está dizendo essa merda, porque eu ameacei contar... — Cala a boca, Dalia! Você prometeu que não diria nada a Dare. — Bem, isso foi antes de você começar a falar de Tyler! — Isso é porque Tyler tem fodido ao redor com todas as garotas em nossa escola. Ele é o maior pegador de Harrison High. — Não, eu tenho certeza que esse título desprezível pertence a você! — Dalia gritou, atirando um pano de prato em seu peito. Eu me vi sorrindo como uma tola. Havia algo tão quente e fascinante sobre a briga deles. Mesmo sendo caótica, a troca era repleta de carinho e familiaridade. Quando Pierce, Quinn e eu brigávamos, era frio e calculado com pura intenção de magoar. Dare assobiou e me fez pular. — Tudo bem, chega! — Agora é sério. — disse Dalia, ignorando os olhares de advertência do seu irmão. — Eu acho que Dare precisa saber disso... — NÃO! — Dax praticamente rugiu. — Ele não precisa saber nada sobre aquele idiota.


— Que idiota? — Dare se endireitou e seus olhos escureceram com uma sombra que eu nunca tinha visto antes. — Dalia... alguém está te incomodando? Alguém te machucou? — Não é isso. — ela balançou a cabeça, com foco em um azulejo quebrado sob seu pé. — Um cara tem andado por aí... vigiando a casa. — Papai. — Dare disse, com o rosto em pedra. Dax gemeu. — Deus, por que você tinha que abrir essa boca grande? Não, eu estava errada. Os olhos de Dare podiam sim ficar mais escuros. — Alguém que você reconheça? Ela não olhou para cima. — Não, mas eu estou com medo, Dare. E se ele... — ela não conseguiu terminar a frase. Dare ficou parado assustadoramente, enquanto o silêncio enchia a sala. — A mamãe conhece? — ele finalmente disse. — Não. — Dalia balançou a cabeça. Notei que seus ombros ossudos estavam tremendo. — Ótimo. — Dare assentiu. — Não diga nada para ela. Falo sério. — Nós teremos que mudar de novo? — Dax perguntou, parecendo derrotado com o pensamento. — Eu não sei. Não se preocupe com isso. Eu vou lidar com isso. — Dare passou a mão pelo seu cabelo, seus dedos puxando as raízes. — O que mais? A testa de Dax franziu. — O que mais? — O que mais precisa lidar? — o tom de Dare foi curto e grosso. — Eu tenho que ir, o que mais? — seu corpo cantarolava com a tensão. A brincadeira de antes tinha ido embora.


— Você pode consertar a pia do banheiro? — Dalia disse calmamente. — Ela está vazando de novo e a solução meia boca do Dax foi colocar mais e mais fita adesiva. Dare virou para mim. — Você se importa de esperar mais alguns minutos, Reagan? Se você... — Não. — eu disse um pouco rápido demais. — Nem um pouco. Vá em frente. Na verdade, mesmo tendo em conta a conversa deles, eu não teria me importado de ficar nessa casa para sempre.


Capítulo Onze

V

oltamos

para

o

apartamento de Dare em silêncio. Quarenta minutos, e nada, só o rádio e os pingos de chuva batendo no teto. Embora ele estivesse tentando não mostrar, eu poderia dizer que ele estava preocupado. Sobre o que, eu não sabia, mas eu sabia que tinha algo a ver com o seu pai. Quando parei na frente do pequeno apartamento dele – um pequeno resumido armazém-transformado-em-estúdio-loft - Dare disse: — Obrigado por hoje. Eu balancei minha cabeça. — Confie em mim, você não me deve nenhum agradecimento por nada. Você está sem carro por minha causa. — Sim, bem... — ele deu de ombros. — Estamos quites agora. — Nós não estamos. Você precisa de um carro. O mecânico... — Eu não preciso da sua caridade, Reagan. — ele disse, com os olhos brilhando. — Eu posso lidar com minha própria merda. Chegue em casa segura e tente não matar mais ninguém, ok? — ele abriu a porta e jogou as pernas para fora. — Espere! — eu agarrei o braço dele, não querendo que ele saísse, mas não sabendo como pedir para ele ficar. Eu não fazia isso.


— Reagan. — meu nome foi um adeus. — Você acabou de testemunhar em primeira mão o quão fodida é a minha vida. — ele estendeu a mão em direção ao meu Mercedes vermelho, depois para seu prédio em ruínas. — Vá para casa. — Vá para casa, para cobertura dos meus pais, onde eu pertenço? — eu respondi. — É isso que você quer dizer? — Eu não disse isso. — Você não precisa. — ele não TINHA que falar as palavras literalmente. Seu tom de voz deixou isso perfeitamente claro. — Obrigado pela carona. — ele repetiu antes de se virar para ir embora. — Eu realmente aprecio o gesto de boa vontade. Estamos quites, Reagan. Realmente. Sentei-me no carro, em seguida, engatei a marcha. Comecei a andar um pouco, mas não podia sair assim. Eu não podia simplesmente ir embora. Então, eu parei em um estacionamento local, saí e olhei para o prédio dele. Andei em direção a ele. Em seguida, de volta para o meu carro. E para o prédio novamente. Merda. Não havia nada como estar na chuva na frente da casa de um cara. Um cara que seu cérebro sabia que era errado para você em todos os sentidos, mesmo que, no fundo, você sentisse que era mais certo do que qualquer um que você já conheceu. Eu não era AQUELA garota. Eu não fazia isso. Eu nunca me apeguei, nunca fiquei interessada em alguém. Era sempre apenas um encontro entorpecente induzido por drogas. Exceto Dare, ele não entorpecia a minha mente - ele a acalmava. Fiquei ali, na chuva, na calçada, olhando para a porta.


Porra. Por que ele tem que mexer com as minhas regras experimentadas e verdadeiras? Minha blusa estava encharcada, meu cabelo grudado na minha cara. Eu tinha que tomar uma decisão. Agora. E de preferência sem pensar. Eu coloquei minha mão na maçaneta. A fechadura estava quebrada. Decisão tomada. 3B. Se eu me lembrava corretamente, ele estava no 3B. Eu quase não respirei enquanto subi as escadas sujas. Na frente da sua porta levei um minuto para pensar até ter a coragem de tocar a campainha. Pouco antes do meu dedo encostar nela, a porta se abriu, e Dare ficou olhando para mim, quase como se estivesse aliviado por me ver. — Você pode ter uma concussão. — eu disse. — Eu não vou deixar você sozinho esta noite. Ele observou as minhas roupas encharcadas e o cabelo molhado, estendendo a mão para passar o polegar sobre a umidade no meu lábio inferior. Eu tremi com o contato. — Dare... — Você está tremendo. Entre para se secar. — ele deslizou seus dedos entre os botões da minha camisa e me puxou para dentro, batendo boca com a minha, o beijo tirou o fôlego dos meus pulmões. Nós fizemos nosso caminho através da cozinha, para a sala de estar, os nossos lábios e línguas estavam insaciáveis, o calor me fazia tremer de desejo. O que era esse cara? Como era possível querer alguém tanto assim? Chegamos a um ponto em que colidi com a parte de trás do sofá. Dare estava desabotoando a minha camisa, me segurando firmemente contra seu corpo duro e com a outra mão puxou minha cintura. Ele me puxou ainda mais perto, intensificando o beijo até que tudo o que eu podia sentir era ele. A pulsação dos movimentos da sua língua, a firmeza dos seus músculos, o cheiro


de chuva fresca em sua pele. Perdi-me nele. Queria ficar lá para sempre. Precisávamos um do outro. De repente, ele quebrou o nosso beijo e se afastou. Entrelaçando os dedos no meu cabelo, e procurou meu rosto antes de dizer: — Meu pai é um idiota. Ele fodeu qualquer chance da minha família ter uma vida normal. Seu belo rosto estava retorcido de tanta dor que fez meu coração doer. — Você não tem que dizer nada. Você não tem que explicar. — Não. Você precisa saber onde você está se metendo por estar perto de mim. Minha mãe é viciada há mais tempo do que limpa, e meu pai é um babaca de um traficante de drogas, atualmente cumprindo pena em Rikers por homicídio, embora o bastardo devesse ter sido acusado de assassinato. — Eles não são você. — eu sussurrei. — Seus pais não são você. Você é bom. Ele balançou a cabeça. — Mas eu não fui. Por muito tempo, eu era tão fodido quanto o meu pai. Eu não era bom. — Isso foi antes. Isso não é quem você é agora. Eu mal te conheço e mesmo eu posso ver isso. Ele riu amargamente. — O julgamento ainda está em aberto sobre isso. — Meu pai é um idiota, também. — eu disse. — Ele é rico e poderoso o suficiente para nunca ter sido condenado por qualquer crime. — eu parei, me perguntando se eu deveria compartilhar a única coisa que vinha pressionando a minha mente durante toda a noite. Foda-se. — Ele já matou antes, também. — eu sussurrei. Quatro anos atrás, ele matou um pedaço de mim. — E a sua mãe? — Ela bebe. Ela toma todas essas pílulas. — ela até começou a me dar quando eu tinha quinze anos, porque ninguém pode tolerar ataques histéricos, Reagan. — Ela também é viciada em poder. Dinheiro. E controle.


— Então... — ele me beijou. — Nós dois somos... — ele traçou os lábios sobre minha garganta. — Do mesmo jeito... — ele roçou minha clavícula com os dentes. — Fodidos. Eu coloquei as duas mãos no seu rosto e levantei, em seguida, beijei-o nos lábios. Com força. — Eu duvido. — eu disse. — Sou muito mais fodida do que você. Confie em mim. Ele correu sua boca até o meu maxilar, para o meu pulso e sugou. Primeiro suavemente, depois com mais força, forçando-o a acelerar quando ele rasgou minha camisa. Os botões caíram no piso de madeira. — Isso é porque você não me conhece. — ele disse enquanto puxava a blusa de seda e atirava no chão. — Nem você me conhece. — meu sutiã seguiu minha camisa, liberando meus seios para as suas mãos. E boca. — Não é verdade. — ele apertou, em seguida, tomou um mamilo na boca. — Eu sei que você gosta quando eu faço isso. — mostrando os dentes, ele deu uma mordida suave. Oh, Deus. O contato me fez tremer e esfregar meus quadris contra ele. — Sim. — exalei, enfiando meus dedos em suas costas nuas, forçando-o a se aproximar. — Eu gosto disso. — eu fui recompensada com outra alfinetada. Mais áspera dessa vez. Instintivamente, eu cravei minhas unhas nas costas dele. Nossas respirações estavam vindo com dificuldade agora. Meu sangue aquecido, dançava em minhas veias como uma onda de calor líquido levada às pressas ao pulsar entre as minhas coxas. — E você gosta quando eu faço isso também. — sua mão deslizou pelas minhas costas nuas até a base da minha bunda. Ele apertou e a dor entre as minhas pernas respondeu. — Oh, sim.


— Mas eu não sei como você se sente sobre isso. — ele enterrou o rosto entre meus seios, em seguida, lentamente ficou de joelhos e lambeu seu caminho no meio do meu corpo, sobre o meu estômago. — Então? — ele incentivou quando enfiou os dedos no cós da minha saia. — Gosto. — oh, Deus. — Gosto muito. Colocando as duas mãos em meus quadris, ele me virou e puxou o zíper na parte de trás da minha saia. O tecido estava tão encharcado que não cedia. Porra. — Rasgue. — eu disse. — Parece caro. — Como era a minha blusa. Não são meus. Não são eu. Rasgue. Ele rosnou, se levantou e, com uma mão em cada lado do zíper, puxou minha saia para baixo, rasgando-a ao meio. Então ele deslizou suas mãos até meus quadris, pegou minha calcinha e também rasgou. — Gosto. — eu disse, enquanto eu estava ali completamente nua, meu corpo pulsando em todos os lugares. Eu me inclinei de costas para ele, esfregando minha bunda nele. Um, profundo gemido rouco vibrou através do seu peito, conforme eu roçava na dura protuberância em sua calça jeans. Ele nem esperou que eu ficasse de frente para ele novamente, antes disso ele me inclinou sobre o sofá e deslizou sua mão na minha bunda, apertando minha carne até que seus dedos estavam pairando diretamente acima da minha entrada quente e úmida. — Se bem lembro corretamente, você realmente gosta disso. — ele disse, traçando seus dedos ao longo das minhas dobras, passando para o meu clitóris, depois, lentamente, deslizando-os tão profundamente em mim, que o movimento me fez querer desmoronar ali mesmo. Tudo que eu podia fazer, era gemer.


Ele se inclinou sobre mim e beijou meu ombro nu. — Vou levar esse som doce como um sim. — ele disse com um grunhido rouco quando eu estremeci contra ele. Porra, SIM. — Diga meu nome. Eu balancei minha cabeça, tão sobrecarregada com sentimento que eu não podia falar. Eu não fazia isso. Eu nunca falava o nome de qualquer pessoa durante o sexo. Ele parou de se mover e eu gemi. — Diga meu nome, Reagan. Eu quero o meu nome em seus lábios, em sua mente, quando você gozar. Seus dedos se agitavam em um movimento pulsante, me torturando, com o outro braço me agarrou com força por trás. Muito lentamente, a palma da sua mão deslizou até meu estômago, depois pelo meu corpo até meu peito, o polegar e o indicador provocaram meu mamilo no ritmo dos seus golpes. Minha cabeça girou. Meu corpo estava em chamas. Eu podia senti-lo em todos os lugares, o calor do seu corpo me mantinha quente enquanto eu estava dobrada sobre o sofá, nua e toda molhada. — Mais rápido. — esmaguei meus quadris contra ele, dirigindo seus dedos mais profundamente. — Mais. — Diga meu nome. Ele se acalmou novamente e eu quase gritei. Meu corpo doía por ele, já estava cantando seu nome em todas as células. Eu precisava do orgasmo que só ele poderia me dar. Não doeria nada se eu quebrasse minha própria regra. Eu balancei a cabeça e empurrei meus quadris contra ele novamente. — Dare... — eu disse. — Por favor.


Ele moveu a mão novamente, aumentando o ritmo até que eu estava segurando a parte de trás do sofá e vendo pontos brilhantes por trás dos meus olhos. — Dare... — de repente, parecia tão certo estar gritando seu nome. — Deus, você está tão molhada, Reagan. — Está chovendo. — virei a cabeça para o lado e levei meus braços ao redor da parte de trás do seu pescoço, trazendo sua cabeça para baixo. — É uma tempestade do caralho. — ele sussurrou no meu ouvido, um momento antes da sua boca colidir com a minha. Sua língua e os dedos tomaram o controle de cada centímetro do meu corpo. Ele encheu minha mente, indo até a minha alma. Gemendo seu nome novamente, eu mordi seu lábio inferior, sugando forte e rápido quando eu me deixei levar completamente. Meu coração batia, meus dedos curvaram. Eu me perdi no gosto dele quando eu gozei, soltando minha libertação. — Dare... oh, Deus, Dare! Minhas pernas fraquejaram e meu corpo dobrou quando desmoronei contra o encosto do sofá, frívola e cheia de tanto prazer, que era incomparável até mesmo à droga mais pesada. — Eu gosto. — eu disse, sorrindo. — Eu sei. — sempre muito gentil, Dare me pegou e me girou sobre o sofá, abaixando meu corpo ainda trêmulo sobre as almofadas. Em seguida, ele pulou e deitou-se em cima de mim. Ele cobriu completamente o meu corpo, com os joelhos de cada lado dos meus quadris. Eu tracei minhas mãos sobre seu peitoral, arranhando minhas unhas ao longo dos cumes do seu abdômen. Sua pele era tão lisa e bronzeada, brilhante sob a luz fraca de uma lâmpada de canto solitária. — Você gosta disso? — eu falei. Nós dois podíamos jogar este jogo.


Seus músculos ondularam em resposta enquanto meus dedos bateram no cós de sua calça jeans. — E isso? — eu brinquei com o botão. Ele esfregou seus quadris em mim e gemeu, deixando-me sentir tudo dele. — Vou entender isso como um sólido sim. — eu disse. Um sim muito GRANDE e sólido. Ele enterrou o rosto no meu pescoço para beijar e lamber até o meu peito, e eu deixei por um momento porque oh. Meu. Deus. Mas, então, eu o parei. — Minha vez. — minhas mãos deslizaram em seu jeans, e tudo que eu tocava era pele. Sem boxers. NOVAMENTE. Apenas Dare. O quente, liso, duro Dare. — Eu sou uma grande fã do seu estilo. — eu disse, passando os dedos em torno dele. — E... isso. Definitivamente uma fã. — Jesus, Reagan. — ele disse conforme começava a mover minha mão. Com cada um dos meus golpes, parecia que ele se aquecia ainda mais, todos os seus músculos contraindo enquanto ele gemia o meu nome entre os dentes. — Gosta? Eu não tinha que perguntar. Seu aperto no meu cabelo e seus beijos eram respostas suficientes. — Nós estamos muito além de gostar. — ele resmungou, balançando na minha mão. — Neste momento, estamos no território eu-tenhoque-ter-você. — Eu nunca deixei esse território. — eu disse, aumentando a velocidade da minha mão. — Não assim. — ele falou, de repente, levantando-se de joelhos. — Eu quero você inteira. Mais perto. Mais profundo.


— Eu também. — eu puxei seu jeans sobre seus quadris. A dor entre minhas pernas reacendeu, a excitação e o formigamento aumentaram ao vê-lo em cima de mim, completamente nu e tão pronto. — Criado-mudo? — olhei para a cama. Estava apenas alguns metros de distância, facilmente acessível no conceito aberto de loft, mas agora parecia muito longe. Eu precisava dele agora. Ele balançou a cabeça. — Carteira. — ele pegou sua calça jeans e enfiou a mão no bolso de trás para procurar o preservativo. Vendo meus olhos estreitarem, ele disse: — Eu tinha um encontro. Não deu certo. Por que ouvir isso, me inundou com alívio? Eu sorri para ele. — Ela não era rica o suficiente para você? Dare riu. — Nem de perto rica o suficiente. — ele pegou o pacote da sua carteira e se inclinou para dar um beijo na ponta do meu nariz. — E definitivamente não era teimosa o suficiente. — ele beijou meus lábios. — Quando eu disse a ela que eu não era para ela, ela realmente ouviu e foi para casa. — Sério? — eu estava me importando muito com isso para o meu próprio bem. — Quem faz isso? — Pessoas normais. — ele murmurou, prendendo meu lábio inferior entre os dentes. — Ainda bem que eu não sou normal. — eu disse. — Ainda bem que nem eu. — o ar em torno de nós encheu de tensão quando ele me prendeu com seu olhar escuro. — Talvez seja por isso que é tão bom. — Talvez. Peguei o preservativo dos seus dedos e rolei em cima dele lentamente, fazendo-o gemer em uma doce agonia. Em seguida, ele deslizou entre as minhas pernas e me penetrou, sem perder tempo.


A cada impulso, ele entrava mais e mais profundamente, enchendo-me tão completamente que eu não conseguia mais distinguir entre o seu corpo e o meu. Sua boca fechou em meu mamilo, e ele rodou sua língua ao redor dele, chupando o bico e me fazendo arquear inteira no sofá. Então, ele ficou de joelhos de novo, prendendo as mãos sob as minhas coxas e me trazendo quase completamente para fora das almofadas quando ele aumentou seu ritmo. Ele estava batendo em um lugar tão profundo, sagrado, que eu estava convencida de que ele estava literalmente fodendo cada pensamento do meu cérebro. E - oh, Deus - era a sensação mais libertadora em todo o mundo. Libertadora, maravilhosa e emocionante. — Não. Pare. Por favor. — eu implorei. — Não. Consigo. — nossas palavras foram reduzidas a grunhidos primitivos. Apenas quando eu pensei que não havia maneira de chegar mais perto, nenhum lugar para ir mais fundo, ele deslizou as mãos sob minhas costas e puxou-nos para uma posição sentada, então eu estava montada nele. Oh. Meu. Deus. Sua boca desceu sobre a minha e suas mãos apertaram em volta da minha cintura enquanto ele me guiava para cima e para baixo, impulsionando seus quadris para me encontrar na metade do caminho. Em algum lugar entre o céu e o nirvana, eu ofeguei seu nome uma e outra vez até que eu não consegui mais respirar. Meus dedos eram como garras no seu peito, deslizando até seus bíceps para enterrar na fênix em suas costas. Meu orgasmo veio sem aviso. Meu corpo inteiro não parecia que estava apenas sendo levado ao limite, mas catapultado para o esquecimento. Meu coração parou de bater, meus olhos e ouvidos pararam de funcionar. Eu nunca me senti mais viva na minha vida.


Dare continuou a bater em mim até que seu próprio orgasmo o atravessou. Seu aperto ficou ainda mais forte quando ele passou os braços ao meu redor e me esmagou contra ele. E o “Ree...” que escapou de seus lábios quando ele explodiu dentro de mim, foi o som mais belo do mundo.


Capítulo Doze

—E

u nunca

tive uma menina pra brincar de médico antes. — Dare disse, colocando um beijo suave na minha têmpora. — Embora, eu não tenha certeza que foder seu paciente em coma é recomendado para o tratamento de uma concussão. Eu balancei a cabeça e ri. — Não. Tenho certeza de que o que nós fizemos pode gerar um processo por negligência. Tínhamos tomado banho e estávamos deitados em sua cama, as mãos dele enfiadas debaixo da cabeça, e meu queixo apoiado no peito. — Você realmente tem o sorriso mais bonito. — ele traçou os cantos da minha boca com o dedo. — Honestamente, eu estou surpresa por conseguir fazer isso sem ajuda. Dare procurou meu rosto. — Ajuda? — Bebidas. — eu olhei para o teto. — Comprimidos. Pó. Senti seus músculos do braço endurecerem. — Droga, Ree. — O que? Não me diga que você nunca contou com alguma forma de fuga? — eu perguntei. Quando ele não respondeu, eu apoiei em seu peito nu. — E então? Ele suspirou. — Muitas vezes. E eu paguei um preço alto.


— Reabilitação? — Juvie19. — ele falou, com o maxilar cerrado. — Um ano e meio da minha vida. Desperdiçado. Bem assim. — Oh. — eu ofeguei. — Uau. — Isso é o que acontece quando você é forçado a entrar no negócio da família. Eu praticamente cresci no porão do clube do meu pai. Eu não conhecia outra vida. — Clube? — Clube de strip. — ele disse. — Mas era apenas uma fachada para todas as drogas. — Dare cobriu o rosto com a mão e exalou bruscamente. A tatuagem de cobra preta fazendo um caminho sinuoso em torno do seu bíceps esquerdo parecia mover-se quando ele flexionava. — Jesus. Por que estou dizendo tudo isso? — Confidencialidade médico-paciente. — eu disse. — Ao seu lado, eu pareço uma pobre menininha rica usuária de drogas. Bem clichê. Patético. Embaraçoso. Ele me puxou para mais perto, colocando minha cabeça sob o queixo. — Todos nós temos nossas merdas, não é? — ele murmurou no meu cabelo. — É. — a vida de merda de Dare não era muito diferente da minha. Nós dois tínhamos pais que nos ferravam. Apenas de maneiras diferentes. — Você acabou ficando preso por quê? — falei em seu peito. — Posse? Eu não podia sequer imaginar passar um dia na prisão e muito menos em uma instituição correcional. Mas no meu mundo, isso nunca acontecia. Eu podia senti-lo acenar com a cabeça. — Posse. — ele disse. — Com a intenção de vender. Meu primeiro delito. Eu tinha dezesseis anos. Tinha acabado de tirar a minha licença. Meu primeiro passeio sozinho na minha vida

19

Centro de detenção juvenil.


foi para entregar um carregamento de coca para o meu pai. Ele me usou como um desvio para um negócio ainda maior que estava acontecendo ao mesmo tempo. Eu fui mandado para desviar a atenção. Um menor tinha uma boa chance de se safar se fosse pego. Exceto para o promotor que estava de olho para dar um exemplo para os “jovens problemáticos da cidade”. Assim, peguei uma pena de prisão de 18 meses. Saí dias antes do meu aniversário de dezoito anos. — Deus, Dare. — tudo o que eu queria era envolver meus braços em volta do pescoço dele e afastar a dor. — Eu poderia ter me safado - eles me ofereceram um acordo se eu entregasse o meu pai. Mas não fiz isso. Declarei-me culpado. — Dare disse. — Essa foi a maior merda que eu já fiz. Mas isso me motivou a nunca cometer os mesmos erros novamente. E manter a minha família bem longe do meu pai. — Tão ruim assim? — Harrison é a sexta cidade em quatro anos. Ele sempre nos acha, me batendo pra caralho e alimentando o vício de heroína da minha mãe. A última vez que nos alcançou, acordei alguns dias depois no hospital. Engoli em seco e dei um beijo em suas costelas. Eu não tinha palavras. — Foi assim que eles o pegaram, pelo menos, algum bem resultou disso. Ele foi para a cadeia e estamos relativamente seguros desde então. Minha família está em Harrison há um ano inteiro agora. Mas quem nos encontrou deve estar trabalhando para ele. Eu vou ter que tirá-los daqui novamente. Mais longe dessa vez. — suas mãos passaram no meu cabelo e ele inalou. — Você sabe, que se eu estivesse tentando impressioná-la, eu não estaria dizendo nada disso. Inclinei minha cabeça para que eu pudesse olhar em seus olhos. — Então você não está tentando me impressionar? — Claro que não. — ele falou. — Eu estou tentando te assustar pra caralho. Você não precisa de mim para foder a sua vida.


— Quanto mais você tenta, mais intrigada eu fico. Sim, havia algo seriamente errado comigo.

— Dare? — eu o balancei para acordá-lo quando o alarme do meu telefone tocou às três da manhã — Mmm? — seus olhos se abriram quase que instantaneamente. No quarto, à luz fraca do luar, eles brilhavam como duas pedras escuras. — Só verificando que você ainda está vivo. — eu sussurrei. Eu o tinha acordado a cada hora. Apenas no caso dele ter uma concussão. E também porque cada vez que ele acordava, passávamos mais dez minutos conversando até que ambos dormíamos. — Ainda vivo, doutora. — ele jogou a perna em cima de mim, me puxando para mais perto. — Vivo e muito bem. E, aparentemente, com tesão. Jesus. O cara era insaciável. O que era excitante pra caramba. Eu gemi quando sua mão escorregou debaixo dos lençóis, deslizando todo o caminho até meu quadril para a minha... oh, Deus. Aqueles dedos deviam ser ilegais. — Dare. — eu disse, prendendo a mão dele entre as minhas coxas. — Eu só estou te acordando para ter certeza de que você não entrou em coma. — Bem, eu não entrei. — ele me deu um sorriso malicioso. — Mas eu realmente gostaria de entrar em outra coisa. De novo e de novo e de novo. — Você é mau. — mordi o lábio para não sorrir. — Muito, muito mau.


Seu polegar começou a rodar e eu comecei a pulsar. — Quando é o meu próximo check-up, Ree? — ele perguntou, empurrando minhas coxas. — Ree? Sua mão parou. — Combina com você. Quando você sorri, eu vejo uma Ree, não uma Reagan. Você odeia isso? Eu vou parar. — Não, eu gosto. Muito. — gostava muito. Ninguém nunca tinha me chamado de qualquer coisa, senão Reagan. — Eu sempre quis ter um apelido. — eu enterrei minha cabeça no travesseiro. Eu não podia acreditar o quanto o Ree estava me afetando. Quanto Dare estava me afetando. — Hey, hey... qual o problema? — ele disse, me puxando para ele. Tudo. — Nada. — eu estava gostando dessa festa do pijama mais do que eu pretendia. — Que horas você precisa ir ao trabalho, amanhã? Eu vou me certificar de sair antes. — Cedo. Eu tenho que pegar uma carona com um amigo, então sairei às cinco. — ele falou. — Eu não vou te acordar. Durma. Ok? Eu hesitei, incerta se seria uma boa ideia. — Durma, Ree. Ordens do paciente. — Ok. Pela primeira vez, eu não sairia correndo. E era tudo por causa de Dare.


Capítulo Treze

Q

uando acordei na

manhã seguinte, Dare já tinha saído. Instintivamente, eu estendi a mão para o seu lado da cama e corri minha mão sobre os lençóis amarrotados. Mesmo que o local agora estivesse frio, meu peito encheu de calor. Minha primeira festa do pijama oficial não foi tão ruim assim. Talvez eu pudesse me acostumar com isso. Não, não, não. Isso tinha que ser só uma-vez - bem, agora duas-vezes. Três,

quatro...

cinco,

se

estivéssemos

que

ser

específicos

sobre

os

acontecimentos da noite passada. O ar fresco da manhã atingiu minha pele nua quando saí debaixo das cobertas e caminhei até o banheiro para me limpar. Um simples olhar no espelho confirmou que eu não parecia nada com a menina que tinha se sentado à mesa dos meus pais na noite passada. Meu cabelo estava selvagem e confuso livre foi a palavra que me veio à mente. Minha pele estava mais brilhante e luminosa. Eu sempre fazia piada quando as meninas se gabavam do êxtase póssexo. Era um mito estúpido. É claro que, quando você está esgueirando por uma escada de incêndio, às duas horas da manhã, bêbada pra caramba, não há êxtase. E um monte de coisas que pareciam ser mito. Como orgasmos múltiplos. No entanto, eu não parecia ter problemas nesse departamento quando se tratava de Dare. Tudo o que ele tinha que fazer era olhar para mim e eu ficava instantaneamente molhada. Com um simples toque, ele poderia fazer a minha


frequência cardíaca subir e enviar a minha mente para um delicioso esquecimento. Outras partes dele poderiam me fazer esquecer o meu próprio nome enquanto eu gritava o dele. Cristo. Eu estava sorrindo como uma imbecil. Revirando os olhos para a minha reflexão estupidamente brilhante, eu decidi que tinha coisas melhores para fazer do que admirar meu brilho... como encontrar minhas roupas. É a segunda vez com Dare e uma segunda caçada, mas esta resultou em nada usável. Maldito homem e as suas mãos. Além disso, é condenável a minha incapacidade de manter minhas roupas ao redor dele. Assim, quando eu estava prestes a invadir suas gavetas, notei uma pequena pilha de roupas no balcão, ao lado de uma nota com o meu nome nela. Peguei um par de shorts jeans femininos e uma camiseta masculina cinza escura com pequenas gotas de tinta colorida salpicadas em toda a sua frente, em seguida, li a mensagem. Ree, Sinto muito pela sua saia. Espero que isso ajude. Não se preocupe, os shorts são novos. São de Dalia. (No caso de você estar se perguntando.) PS: Você está por conta própria no campo: roupas íntimas. PPS: Posso sugerir adotar o meu estilo? (Eu te desafio20) -D Vesti a bermuda, em seguida, puxei a camisa sobre a minha cabeça. Ela cheirava a sabão em pó e Dare. O perfume dele enchia o apartamento. Arte. Arte 20

No original dare, fazendo referência ao nome dele.


e sexo. Uma maldita combinação perfeita. Uma pequena janela acima da pia estava entreaberta, mas eu a fechei, querendo ficar com ele - nos segurar - um pouco mais. Dare era diferente de qualquer pessoa que eu já conheci. Diferente dos caras que meus pais empurravam para mim, mas também nada como os bad boys que eu procurava em bares decadentes. Ele era apenas Dare. Puro e simples e tão complicado. O próprio fato de que ele tinha um nome - um que eu associava com mais do que apenas um orgasmo - me assustava pra caralho. Eu nunca me permiti entrar neste tipo de situação. Ficar vulnerável com alguém não era uma opção. Eu tinha passado por esse caminho antes e me arrependi. Levei quatro anos, e uma porrada de sexo, drogas e álcool para tentar esquecer. Exceto que eu nunca esqueci. A dor estava sempre lá, gravada no meu coração, arranhando a minha alma, exceto as duas noites que passei com Dare. Porra. O que diabos eu estava fazendo? Por força do hábito, eu alcancei dentro da minha bolsa e tirei um frasco de comprimidos. Eu balancei um pouco na palma da minha mão, mas quando eu trouxe até os meus lábios, eu vi o meu reflexo na porta do micro-ondas. Minha mão congelou. Eu odiei o que vi. Lentamente abaixei meu braço, eu olhei para o meu rosto. Alerta. Cheio de esperança. Pela primeira vez eu meio que gostava da garota olhando para mim. Ou, pelo menos, eu não me preocupava tanto com ela. Talvez eu não precisasse dos comprimidos. Eu inclinei minha mão e os deixei cair na pia, escorrendo para o ralo. Eu me senti mais leve, de alguma forma. Como se eu tivesse ganhado uma batalha. Não se iluda, Reagan. A voz da minha mãe ecoou na minha cabeça. Isso não é um avanço heroico. Ainda tem o restante do frasco. Você precisa deles. Você sabe que precisa.


Eu abri a tampa e virei o frasco para derramar o conteúdo, mas na última hora mudei de ideia e coloquei no bolso lateral da minha bolsa. Apenas no caso de um dia eu precisar. Eu te falei. Foda-se. Eu balancei a cabeça, tentando tirar isso da minha mente e me concentrar em outra coisa. Olhei para baixo e vi minhas chaves ao lado da minha bolsa. O carro. Dalia tinha dito que Dare precisava de um carro para o trabalho. Mesmo que eu soubesse que ele não queria a minha ajuda, eu não podia ficar parada e deixá-lo se virar quando havia algo que eu pudesse fazer. Facilmente. E quando era minha culpa ele estar nessa situação, para começar. Mas antes que eu fizesse isso, no entanto, eu tinha que fazer uma coisinha. Procurei em três mercearias nas proximidades antes de eu encontrar. Perfeito. E gostoso. De volta para o apartamento de Dare, deixei as chaves do carro e os potes de chocolate gostosos no bar onde a minha muda de roupa tinha sido deixada. Então eu escrevi minha própria nota usando o verso da dele. Dare, A Nutella é para Dalia. (Como um agradecimento pelos shorts.) O carro é para você. Use-o até que o seu fique pronto. (Não é caridade. É a coisa certa a se fazer) PS: Eu estou saindo sem calcinha. -R Eu também incluí o meu número de telefone, sabendo muito bem que ele ia ficar puto por causa do carro. Eu meio que esperava que ele me ligasse. Eu


arrumei a cama e dei uma olhada final no apartamento para me certificar de que não deixei nada para trás. E foi aí que eu notei a arte. Honestamente, eu não tenho ideia por que levei tanto tempo para perceber que o lugar transbordava arte. Não pendurada nas paredes, onde você esperaria, mas sim, por toda parte, que estava forrada com telas encostadas no tijolo exposto. Tipo como se Dare estivesse montando uma mini galeria. Ou talvez tivesse acabado de roubar uma. Folheei alguns dos trabalhos. Se a coleção dele desse qualquer indicação, Dare REALMENTE amava Nova Iorque. Um monte de trabalhos tinha coisas de turistas típicos ao redor da Times Square - esboços de táxis amarelos nas ruas da cidade chuvosa, vários ângulos da Estátua da Liberdade, e coloridas paisagens do Central Park. O trabalho era extremamente bem feito, mesmo que o assunto fosse clichê. No entanto, havia algumas peças escondidas entre o mundano, que realmente me tirou o fôlego. Nus. Não erótico. Apenas... lindo. Por um breve momento, eu pensei que eles eram de Rex Vogel. As imagens eram uma reminiscência da sua técnica. Além disso, Dare o conhecia, por isso não foi difícil deduzir que Dare era fã de seu trabalho. E também de mulheres nuas. Mas este artista em particular, tinha um estilo excepcionalmente diferente. Um pouco mais contemporâneo. Definitivamente mais cru e desenfreado. Poderia a arte ser indomável? Porque essa era a palavra perfeita para descrever isso. Arrepios animados correram através de mim enquanto eu estudava uma em particular. Era de uma jovem japonesa. Seu corpo estava afastado do artista, seu cabelo longo, preto estrategicamente cobrindo-a, de modo que a maioria da


sua nudez era deixada para a imaginação do espectador. A maioria, mas não tudo. E ela estava olhando por cima do ombro, para mim. Era de tirar o fôlego. E eu tinha que saber mais. Mais sobre quem a criou. Eu bati algumas fotos na esperança de que Sabine saberia onde encontrar o artista. Talvez ele ou ela tivesse uma coleção que poderia ser um bom ajuste para a próxima exposição da galeria. Sem mencionar que eu queria ter um. A emoção correu pelo meu corpo acendendo todos os meus sentidos, era semelhante ao que eu tinha experimentado no clube na semana passada com Dare. Mais ou menos como desejar à primeira vista. Eu precisava de mais pinturas. Eu queria ter todas elas. Eu procurei nas telas uma assinatura, finalmente, localizei no canto inferior direito. WILDE. Vai entender. Wilde era indomável. E eu estava na luxúria da arte.


Capítulo Quatorze

—Q

uando

é que você vai vir trabalhar para mim em tempo integral, chérie? — Sabine disse, a cadência do francês coloria suas palavras. Olhei ao redor da galeria e suspirei. — Un jour. — essa era a minha resposta o tempo todo. Um dia. — Bientôt? — e era isso que ela sempre dizia. Logo? — Em breve. — eu esperava. Mas se os meus pais não saíssem do meu caminho, seria nunca. — Você teve a oportunidade de assistir a exibição na quinta-feira à noite? — Sabine perguntou. Culpa me atravessou. — Não. Eu tive que ir para um seminário. Suas sobrancelhas escuras levantaram graciosamente. — Seminário de Arte? — Bem que eu queria. — eu disse. — Seminário chato. — Oh, chérie. Não há tempo suficiente na vida para coisas chatas. — ela estalou a sua decepção, mas rapidamente seguiu com um sorriso brilhante. — Da próxima vez, não seja a pessoa que diz 'bem que eu queria'. Seja aquela a


dizer Oui, bien sûr! Diga sim para tudo e qualquer coisa que te faça sorrir. Oui à la vie. Oui à l'amour. Oui à l'art21. Se alguém pudesse fugir jogando as mãos no ar enquanto recitava ditados, era Sabine Rochard. Com seu cabelo negro puxado em um coque e mantido no lugar com dois pauzinhos verdes, um quimono brilhante e pele luminosa, no mais belo tom de marrom profundo escuro, muitas vezes ela me fazia lembrar da vida, que era uma obra de arte de respirar. — Cante comigo, chérie! — ela gritou e repetiu seu canto. Sim à vida. Sim ao amor. Sim à arte. Eu gemi. — Isso soa como uma ordem, Sabine. Que tal apenas um 'com certeza sim à arte', por enquanto? — retirando meu telefone, eu rolei para as fotos que eu tinha tirado antes. — Eu posso não ter ido à exposição, mas esta manhã eu fui à caça de algo que eu sei que você realmente vai gostar. — Algo que eu realmente vou gostar? — ela se inclinou sobre o meu ombro para espiar a tela. — Eu nunca vi você tão segura de si, Reagan. Há esperança, afinal de contas! Faremos de você uma grande colaboradora da arte, não importa o que seus pais digam. — Vive la résistance22! — eu bombeei meu punho no ar, e depois procurei as fotos que eu tinha tirado no apartamento de Dare. — Você já ouviu falar deste artista por acaso? Wilde? — Wilde? — ela franziu o cenho. — Non. — Mas o trabalho dele parece familiar, não é? Ela piscou, fazendo hmmm e haaa enquanto ia passando as fotos. — Muito bom. Parece um trabalho de Vogel, não? 21

Sim à vida. Sim ao amor. Sim à arte.

22 Resistência Francesa, chamada na França de La Résistance, designa o conjunto de movimentos e redes que durante a Segunda Guerra Mundial, formada por franceses que não aceitavam a submissão do Estado Francês ao poder nazi.


— Foi isso que pensei no início, mas é muito diferente se você estudá-lo cuidadosamente. — eu ampliei a imagem da mulher japonesa. — Olhe para o seu estilo. As cores suaves sobre estes nus são tão únicas. Vogel ama tons de pele vibrantes e é conhecido pelas cores brilhantes que ele usa nos olhos. Nessas imagens, há sempre uma característica que se destaca nitidamente, mas cada vez é outra coisa. Aqui, é o cabelo escuro. Neste outro, as maçãs do rosto altas. Ah, e aqui - os mamilos. — É como se o artista estivesse destacando características mais originais das mulheres. — Suas melhores características. — eu sussurrei, completamente hipnotizada pelas pinturas. — Cada uma dessas modelos é apaixonada por ele. — disse Sabine com naturalidade. — Ou ela. — Como você pode dizer? — Olhe para o jeito que elas estão olhando para nós. Ou melhor, para o artista. É claramente um amor não correspondido. Triste e agridoce. Tão bonito. Você achou alguém impressionante. E poderoso. E talentoso. Homem ou mulher, essa pessoa tem algo especial. — Oh, Deus! Eu poderia passar o dia todo discutindo o trabalho deles, Sabine. Ela assentiu com a cabeça. — Você deve achar o artista para mim, sim? Então vamos discutir isso juntas. Mas como? Espere. Dare tinha que saber quem era o artista, se ele tinha várias pinturas em seu apartamento. — Eu vou encontrá-lo, Sabine. — eu prometi. O que significava que eu teria que ver Dare novamente. Obrigada, pintor misterioso!


Dare ligou um pouco antes das nove naquela noite. Eu tinha acabado de voltar de um café pela rua - ia ser uma longa noite de estudos. — Reagan. — ele disse. Sem sutilezas, sem apelido doce. — Eu cheguei em casa do trabalho e há uma Mercedes vermelha estacionada na frente do meu apartamento. Além disso, um conjunto de chaves do carro no meu balcão. Eu não tenho certeza de que palavra usar, então... que porra é essa? — Deixe-me adivinhar, você odeia a cor? — Reagan. — meu nome era um grunhido em seus lábios. — Isso não é engraçado. Eu não pedi por isso. A última coisa que eu quero de qualquer um especialmente de você - é caridade do caralho. — Mas o seu trabalho. Dalia disse que você não pode... — Isso é problema meu. — ele estava respirando com tanta força que eu praticamente podia sentir sua raiva vibrando através do meu telefone. — Eu disse que nós estávamos quites. Eu não vou colocar você em problemas com a lei ou o seu seguro, então... — Não é por causa disso. — Você não pode simplesmente me dar um carro! — Eu posso. E eu dei! — eu disse. — Dare, eu quebrei o seu. Você precisa de um carro mais do que eu. Eu gosto de andar sempre que posso. E os meus pais têm tantos carros que não podem sequer manter o controle de todos eles. O motorista trará outro para mim amanhã. Aposto qualquer dinheiro que não vão nem saber que esse saiu da garagem. E se souberem, eles não vão se importar. — Fico feliz em ouvir que você tem carros de sobra e dinheiro para apostar, Princesa, mas eu não quero fazer parte disso. — ele disparou de volta.


— Não foi isso que eu quis dizer. Você não está sendo justo. — o Princesa me irritou. Eu não era assim. — Olha, eu sinto muito. Eu estraguei tudo. Eu me senti mal e tentei me redimir das minhas ações estúpidas. Talvez eu não tenha escolhido a melhor maneira, mas eu fiz a única coisa que eu podia. Deixar o carro para você não era para ser um ato malicioso ou caridade do caralho. Eu não fiz isso porque eu queria salvar a minha pele ou até mesmo porque eu fiquei com pena de você, Dare. Eu só pensei que era a coisa certa a fazer. Se isso me torna uma princesa ou uma puta egoísta, então eu vou pegar de volta. Dare ficou em silêncio por um momento. — Merda, Ree. — Esqueça isso. — eu fechei meus olhos e tentei o esquecer o aperto no meu peito. Pare de se importar, Reagan. — Olha, eu sinto muito, mas eu não posso simplesmente usar o seu Mercedes. — ele disse, suavizando sua voz. — Não só porque me sinto mal, mas você já viu o meu apartamento? Esse carro vale mais do que todo o edifício. — Só emprestado até que o seu esteja consertado. — eu disse. — É uma semana, Dare. Apenas uma maldita semana. Ele ficou em silêncio novamente e, em seguida, disse: — Eu acho que sim. — poucos segundos depois, acrescentou: — Obrigado. Vou ficar com ele, vou me certificar... — Agora, sobre a cor. — eu interrompi antes que ele pudesse terminar. — Ha-ha. Você é hilária. — sua voz aqueceu. — O que você vai fazer amanhã à noite? — Além de me alegrar de correr da sua ira? Ele riu. — Naturalmente. — Lição de casa. — eu gemi. — Oh, e tentando encontrar a maneira mais criativa de escapar de uma reunião com os conselheiros políticos do meu pai. — Parece sério.


— É. — muito sério. Eu já estava de saco cheio antes mesmo da reunião começar. — O que você pensa sobre a desculpa ensaiada e verdadeira ‘eu-fuiabduzida-por-aliens’? Ele pensou por um momento. — Muito clichê. — Um assalto no Central Park? — Muito brutal. Mas crível. — ele disse. — Que tal ir para algo mais simples. Como dizer-lhes que você está ocupada demais jantando com um cozinheiro muito talentoso? Eu ri. — Eles nunca acreditariam. Eu não conheço nenhum desses. — Bem, você só sabe atualmente como ele é incrivelmente talentoso em outra coisa. — eu podia ouvir o sorriso travesso de Dare. — Oh, AQUELE cara. — ele era tão incrivelmente talentoso que eu podia sentir meu rosto esquentar com o mero pensamento das coisas que tínhamos feito na noite passada. — Sim, aquele cara que gostaria de agradecer por ter emprestado o seu carro. Eu fiz uma careta. — Eu não posso. Sinto muito. — não era apenas a reunião política. Era Dare. Eu já tinha passado mais tempo com ele do que qualquer outro cara em anos. O que era pior, eu gostava. Eu não queria sair do apartamento dele esta manhã. Jantar. Isso não era uma jogada inteligente. — Bem, se você mudar de ideia, eu vou fazer o meu famoso macarrão com queijo. — ele falou. — Parece simples, mas é uma receita secreta que eu prometo que valerá a pena o seu tempo. — Você realmente vai cozinhar? Sozinho? Com suas próprias mãos?


— Sim, eu dei uma semana de folga para o meu chef. — ele riu. — Não se preocupe, Princesa. Meu jardineiro e empregada doméstica ainda estão aqui. Portanto, se seu motorista... — Mais uma vez, não foi isso que eu quis dizer! — ainda assim, eu não pude deixar de rir. — É só que nunca ninguém se ofereceu para cozinhar para mim. — eu estive em inúmeros encontros em restaurantes elegantes com chefs famosos do mundo, mas cozinhar em casa? Nunca. — Honestamente, eu nunca comi macarrão com queijo. — O que? — ele falou. — Nunca? — Não. — meus pais tinham me alimentado com foie gras23 quando a maioria das crianças comiam macarrão com queijo. — Então está decidido. Você vem. Eu vou mudar a sua vida. Ele já tinha mudado. A emoção correu por mim. Caralho. — Eu tentarei ir. — eu disse, embora soubesse que não deveria. Eu precisava correr enquanto ainda podia. — Dare, eu tenho que, oh, espere! Eu tenho uma pergunta rápida sobre algumas obras de arte em seu apartamento. — Manda. — ele disse. — Há um par de pinturas de nus de alguém chamado Wilde. — Ah, aqueles. — Eu realmente gostaria de saber mais sobre o artista. Dare ficou em silêncio por um momento. — Se você encontrar uma maneira de vir jantar, eu vou garantir que ele venha.

23

Termo que em francês significa "fígado gordo" – é o fígado de um pato ou ganso que foi superalimentado. Junto com as trufas, o foie gras é considerado uma das maiores iguarias da culinária francesa.


— Você realmente faria isso? — Claro. É um trato. Vou até mudar o jantar para as nove horas, para que você tenha algum tempo para ir ao seu encontro político importante, Princesa. — ele limpou a garganta e disse — Vejo você amanhã, Ree. — Amanhã. — eu disse. Amanhã eu estaria a um passo de Wilde. E Dare. De novo.


Capítulo Quinze

D

omingo

à

noite

estava anormalmente quente para setembro - o tipo de noite que inspirava más decisões. Eu terminei meu dever de casa, mas assim que eu coloquei meu vestido lápis Oscar de la Renta, aprovado por minha mãe, de repente eu não conseguia respirar. A lã dava muita coceira e estava quente contra a minha pele, meu Jimmy Choos me fazia sentir como se eu não estivesse em terra firme e o batom vermelho que minha mãe insistiu que eu usasse estava muito escuro, muito. Parecia que eu estava indo para um funeral. Eu me sentia assim, também. Sem pensar nisso, eu tomei a decisão certa em seguida. Lavei o rosto e arranquei o vestido, em seguida, coloquei short jeans, um top sem mangas e sandálias. Muito melhor. Peguei meu telefone, agradeci aos deuses do correio de voz da minha mãe e pedi para ser liberada, alegando que eu tinha estudado a noite toda e estava acordada há 36 horas direto. Eu disse a ela que ia desligar meu telefone e apenas dormiria, então eu ficaria bem para a aula amanhã de manhã, e aquilo eu sabia que ela entenderia, por causa do quão importantes minhas aulas eram para o meu futuro. No momento em que meu táxi parou na frente do complexo de apartamentos de Dare, me senti mais parecida comigo e não me senti nem


remotamente mal por me esquivar dos meus pais. Foda-se debates para prefeito e códigos de conduta e de vídeo que delatavam tudo. Foda-se a pequena Reagan. Espere. Eu realmente queria me foder. Só que não por Marcus e Eleanor. Entretanto, enquanto eu subia os três lances de escadas, eu percebi que não estava vindo para cá apenas pelo sexo. Meu coração batia forte de emoção só de ver Dare. Sim, só de vê-lo. Eu queria saber tudo sobre ele. E eu queria conhecer Wilde. O pensamento de ter em minhas mãos um pouco da sua arte me deixava tonta. Isso era muito melhor do que política. Dare não atendeu de imediato, e eu percebi que cheguei muito cedo. Eu tentei ligar para o número dele e podia ouvir o telefone tocar, sem resposta. Tinha sido estúpido eu aparecer sem avisar. Ele ainda devia estar no trabalho ou na loja. Ou talvez ele tivesse saído para umas bebidas. Assim que eu estava prestes a virar e sair, a porta se abriu e minha respiração engatou quando meu olhar encontrou seu torso nu e molhado. Oláááaááá, músculos. E tattoos. O cabelo escuro, úmido, agarrava em sua testa, bagunçado, que me fez querer correr meus dedos por ele. Sua pele brilhava com as gotas de água que percorriam seu peito e sobre os picos e vales do seu abdômen, desaparecendo no cós da calça jeans de cintura baixa. Na parte superior, alguns botões da sua calça estavam abertos, como se ele não tivesse tido tempo de fechá-los, revelando um triângulo sexy de músculos e deixando muito claro que ele estava sem cueca. Mais uma vez. Segurei cada grama de autocontrole para não lamber os lábios. — Você está adiantada. — ele disse, parecendo satisfeito. — Sinto muito. Eu sei que é apenas sete, mas eu... — eu queria ver você.


— Você estava com fome? — sua voz abaixou para um tom provocante. — De macarrão com queijo? Totalmente. Seu peito vibrou com uma risada profunda e rouca. — Claro. Entre. — ele virou-se para o lado para que eu pudesse passar por ele. — Obrigada. — eu cruzei as mãos sobre meu peito para me impedir de fazer algo estúpido, como estender e correr os dedos sobre aquele sorriso sexy, em seguida, deslizar no peito e no abdômen para - não. Eu parei, porque se eu pensasse sobre isso por muito tempo, eu perderia todo o controle. Dare arrumou seu jeans e puxou um banquinho de bar. — Sente-se. Eu só vou terminar de me enxugar, em seguida, começar a fazer o jantar. — Posso ajudar? — eu disse. Sua boca se curvou. — Com a toalha ou o jantar? E eu realmente pensei sobre isso, porque agora que eu estava aqui tudo o que eu queria era colocar minhas mãos sobre ele novamente. E meus lábios. Deus. Eu estava tão fodida. — Sente-se, Princesa. — ele ordenou. — Eu já volto. No momento em que ele desapareceu no banheiro, fui até as pinturas do Wilde para olhar novamente, e confirmei o que eu já sabia de imediato - o artista cairia perfeitamente bem na La Période Bleue. — Então, você realmente gosta deles? — eu não tinha o ouvido voltar e assustei com sua voz. Ele ficou encostado na parede, com uma camiseta preta esticada sobre o peito. — O pintor ainda vem? Estou morrendo de vontade de conhecê-lo... — algo em seus olhos me fez parar. Eu olhei para a tela. De volta ao Dare. Desci para seus dedos longos e jeans manchados de tinta. De volta até o brilho nos seus olhos. — VOCÊ? Você me disse que era um pintor de casa.


Ele deu de ombros. Apenas deu de ombros como se não fosse grande coisa. — Você é Wilde?! — eu estava em sério perigo de cair dura. — Dare Wilde. — ele falou, estendendo a mão. — Prazer em conhecê-la oficialmente. — Dare, e nunca Daren, certo? A luz em seus olhos esmaeceu conforme seu maxilar cerrou. — Minha mãe é a única pessoa no mundo que pode escapar com Daren. É o nome do meu pai. E ela ainda se apega, porque ela não pode se livrar totalmente desse hábito. — Bem, Dare Wilde. — eu disse, colocando minha mão na sua. — Prazer em conhecê-lo oficialmente, também. Reagan McKinley. — Você parece tão desconfortável em dizer isso. Eu olhei para a pintura ao lado das minhas pernas para que ele não visse o rubor no rosto. — Eu não sei o que me deixa mais desconfortável... o meu nome ou o meu sobrenome. Seus dedos me cutucaram. — Então, que tal eu ficar com Ree? — Eu gosto disso. — acenei minha mão para as pinturas. — Você é realmente bom. Por que você está pintando casas, quando você pode fazer ISSO? Por que você não está gritando aos quatro ventos? Se eu fosse talentosa desse jeito, eu ia querer que o mundo inteiro soubesse. — Ninguém se importa. — ele falou, dando de ombros. — Ser artista nesta cidade não coloca comida na mesa. Especialmente quando você tem três outras pessoas confiando em você. — Então, o que você faz agora? — eu perguntei. — Muito pouco. Agora, certifico-me de que coloquei o tom certo nas paredes dos meus clientes ricos. Ninguém dá a mínima para a arte.


— Eu dou. — eu me virei para encará-lo. — Eu me importo.

— Você quer mexer o molho de queijo enquanto eu faço o macarrão? — Dare perguntou. Eu estava observando-o trabalhar do outro lado do balcão - uma distância segura da comida, mas perto o suficiente para que eu pudesse apreciar a vista. Ele cozinhar para mim era estupidamente sexy. — Eu não sei cozinhar. — eu disse. — Eu não quero estragar tudo. Ele riu. — Há muito pouco que você pode fazer para estragar isso, Ree. Eu balancei a cabeça e levantei os braços em sinal de protesto. — Eu realmente não consigo. Afastando do fogão, ele segurou minhas mãos e me puxou do banco. Ele me trouxe de volta para ficar na frente dele, minhas costas no seu peito. — É fácil. — ele colocou as mãos sobre a minha, nossos dedos entrelaçados. — E eu sou realmente um bom professor. — ele sussurrou em meu ouvido enquanto guiava meus dedos ao redor do cabo da colher de pau. — Segure e mova em círculos. Havia uma tatuagem de um pincel na parte interna do antebraço dele, as cerdas apontando para a palma da mão, e pressionando contra a minha pele quando ele começou a se mover. — Constante e lento. — sua voz acariciou minha orelha e enviou calafrios por mim. — Assim mesmo. Oh, Deus. Mordi o lábio. Cozinhar era sempre assim tão sexy? Ou era apenas o meu professor que tornava tão erótico?


— Então, você realmente nunca cozinhou uma única coisa em sua vida? — ele mordeu minha orelha enquanto falou e eu não pude deixar de gemer. Eu balancei minha cabeça. — É constrangedor, eu sei. Você não tem que dizer nada. O corpo dele vibrou nas minhas costas. — Você está rindo de mim? — Eu estou rindo da situação. Eu não só estou tirando a virgindade do seu macarrão com queijo, mas também da sua culinária. — sua voz ficou baixa e rouca quando ele disse: — É melhor eu fazer desta uma refeição memorável. Eu pressionei minhas costas nele. — Não tenho dúvidas de que será. — Se você continuar falando e não mexendo, o molho vai ferver antes do tempo. — ele bateu na minha bunda de brincadeira, em seguida, foi para o lado e voltou sua atenção para o macarrão. O calor do fogão umedeceu minha pele, o suor passou em meu peito e molhou meu top de algodão e as minhas costas. Dare estendeu a mão para ligar o ventilador em cima da minha cabeça, sua camisa subiu no processo, expondo seu abdômen duro. Ainda mantendo uma mão na colher, eu apontei para ele. — Espere. Eu quero ver isso. Uma sobrancelha levantou e seu rosto se abriu em um sorriso perverso. — Eu vou te mostrar o meu se você me mostrar o seu. — Não isso. — eu disse, rindo. — Sua tatuagem da fênix. Eu estou fascinada com o desenho desde que eu vi pela primeira vez. Eu quero saber a história por trás dela. — então eu olhei para as calças dele. — Ainda podemos jogar esse jogo também. Mais tarde. — estendi a mão e puxei a camisa para cima. — Deixe-me ver. Seus olhos se estreitaram com desconfiança. — Você realmente precisa levantar minha camisa para isso?


— Eu realmente gostaria de admirar a obra de arte. — e todo o corpo dele. — Eu esqueci. Você vive para a arte. — ele sorriu e puxou a camisa sobre a cabeça, virando-se de costas para mim. — Gosta do que vê? Pra caralho, sim. Corri meus olhos nos músculos tensos até seu ombro, e olhei. O pássaro me tirou o fôlego. — É notável. Como ele se parece tão... vivo? — Esse era o ponto. — Dare disse. — Eu o tenho como um símbolo da reencarnação. Começar de novo. Criar uma nova vida a partir das cinzas do antigo. Estendi a mão para tocá-la, meus dedos passaram por uma cicatriz. Eu não tinha notado isso antes. — De onde vem isso? Ele deu de ombros. — Meu pai luta sujo. Meus olhos se arregalaram e eu olhei para ele, não sabia o que dizer. — Oh, Dare... — Acabou. — ele falou. — Eu não vivo no passado. Ele estremeceu um pouco quando eu tracei o contorno da ave com os dedos. — É linda. — Rex fez. — Rex? — Vogel. Ele desenhou para mim. — ele disse como se não fosse grande coisa. Eu fiquei boquiaberta. — Rex Vogel? Você conhece Rex Vogel? Bem o suficiente para que ele desenhasse uma tatuagem para você? Ele acenou com a cabeça. — Eu trabalhei para ele, bem – sob a supervisão dele por um tempo. Ele me ensinou tudo que eu sei. — Vogel não tem aprendizes. — era um fato bem conhecido na indústria.


— Ele fez uma exceção para mim. — Dare falou. — Seu estúdio era ao lado do nosso velho apartamento no Queens. Eu ia lá todos os dias quando eu era criança. Nós nos separamos quando eu me misturei com o trabalho do meu pai. Depois que eu saí do reformatório, implorei para que ele me aceitasse de volta. Ele salvou minha vida. — Incrível. — eu balancei minha cabeça. — Eu não consigo acreditar que eu não percebi que as pinturas eram suas. — eu acho que eu simplesmente não podia imaginar que alguém tão jovem e vamos concordar, perigosamente de boa aparência, também podia ser tão talentoso. Não era justo. Dare riu. — Eu sou apenas um pedaço de carne para você, não é? — ele disse, como se estivesse lendo minha mente. — Um pedaço de carne talentoso. — eu falei. — Você é fascinante. — meu sorriso esmoreceu e meu estômago deu um nó. Eu gostaria de poder dizer o mesmo de mim. Mas a verdade é que eu realmente era apenas um pedaço de carne para Dare. E, pela primeira vez na minha vida eu desejei que pudesse ser mais. As belas mulheres em seus quadros, provavelmente, tinham sido mais. — Você as amou? — eu perguntei. Ele se virou para mim. — Quem? Eu podia sentir o calor fluir em minhas bochechas. — As garotas nas pinturas. — eu disse, focando novamente no molho de queijo. — Minha amiga Sabine disse que você pode ver claramente que elas estão apaixonadas pelo artista. Então, eu estou só pensando se... — pare. Agora. Basta parar. O que eu estava fazendo? Dare me surpreendeu rindo. — É só trabalho, Ree. — Eu sei. — eu murmurei. — Mas é um tipo específico de trabalho. Incrivelmente intimista, um tipo de trabalho erótico. E todas elas são tão lindas. — e Dare era... bem, Dare. — Se eu tivesse que amar todas as mulheres que eu pintei eu seria um cara emocionalmente e fisicamente exausto. — ele disse, ainda sorrindo.


— E a garota com o cabelo comprido, negro? — eu parei de mexer e olhei para ele. Tinha que haver uma história por trás dessa. — Sia? — seus lábios estreitaram. — Ela era mais uma das exceções de Vogel. Uma escultora. Ela foi minha primeira. — seus olhos perderam um pouco o foco. — Ela mudou-se para Amesterdã cerca de um ano atrás. Ela era sua exceção, também? Eu queria perguntar, mas decidi que a pergunta ficaria melhor sem resposta. Todos nós tínhamos nosso passado. Deus conhece o meu e era muito, muito mais escuro do que qualquer coisa que Dare pudesse imaginar. — É só trabalho. — ele falou novamente. — Você não está com ciúmes das garotas nas telas, não é? Porque a única garota que me interessa agora é aquela... que está deixando o molho ferver. — ele pegou a colher que eu acidentalmente abandonei e abaixou o fogo. — Está vendo? Eu disse que seria uma má cozinheira. — eu saí de perto do fogão e me virei para o balcão para procurar meu coquetel habitual de comprimidos na minha bolsa. Dare estava começando a entrar na minha cabeça. FORTE. E eu não podia deixar isso acontecer. — O que você está fazendo? — seus olhos estavam no frasco nas minhas mãos. — Só preciso tomar um. — era demais. Tudo isso. — Você quer um pouco? Os músculos do seu maxilar cerraram quando ele balançou a cabeça. — Você realmente precisa dessa merda para se sentir bem agora? Não. Não era apenas incompreensível, mas tão assustador, que de repente eu estava tremendo. Normalmente eu tomava as pílulas para me sentir melhor. Agora, eu queria NÃO sentir.


— Eu não sei. — eu disse. — Eu estou... — assustada. Confusa. Fodida. Com os comprimidos, eu não tenho que lidar com essas emoções. Num piscar de olhos, Dare estava na minha frente, prendendo minhas costas contra o balcão, sua boca esmagando a minha tão forte que eu não fui capaz de respirar ou pensar. Quando ele quebrou o beijo, eu estava tonta e sem fôlego. — Só por essa noite, deixe-me ser o suficiente, Ree. — ele agarrou a barra da minha camisa e puxou-a sobre a minha cabeça. Seus dedos tecerem pelo meu cabelo enquanto beijava do meu queixo à garganta e até o meu peito. — Diga que eu sou o suficiente. Eu balancei a cabeça. Ele era o suficiente. E isso me assustava pra caralho. Minha cabeça estava girando com a sensação dos lábios dele, mas nós deveríamos estar cozinhando, era o que tínhamos que fazer. — E o macarrão com queijo? — Oh, nós vamos terminá-lo. — ele falou, me girando, então eu fiquei de frente para o fogão. — Na verdade, você vai terminá-lo. Sem desculpas. Então ele desabotoou meu short e lentamente deslizou sua mão na frente, a outra segurando o meu pulso para guiar meus dedos de volta para a colher de pau. — Agora... você vai ser uma boa menina e continuar mexendo enquanto eu... OH. MEU. DEUS.


Capítulo Dezesseis

A

luz do

sol

da

manhã me acordou cedo. Ou talvez fosse o calor do olhar de Dare. Eu senti isso em mim antes mesmo de abrir meus olhos. Foi uma sensação estranha - familiar e enervante. Lentamente abri as pálpebras, o encontrei sentado em uma poltrona ao lado da cama, me observando dormir. Não, não observando. Desenhando. Sobrancelhas juntas e os lábios franzidos em concentração profunda, seu olhar passou rapidamente de mim para o bloco de notas apoiado em seu joelho dobrado. Sua mão se movia sobre a superfície, e o único som no apartamento era do lápis no papel. Para cima e para baixo e para os lados, com cursos longos, arrebatadores. Soava bonito. E quase me fez esquecer onde eu estava. Na cama. Nua. Depois de uma noite de macarrão com queijo e Dare. Meu corpo estava esparramado sobre a cama, os lençóis parcialmente em mim, expondo uma perna, peito inteiro, estômago e parte do osso do quadril. Um braço estava debaixo da minha cabeça, o outro descansava na frente dos meus seios.


Meus seios muito, muito nus. Peguei o lençol. — Não se mova. — a voz de Dare quebrou o silêncio. — Deixe. Você é bonita demais para se esconder. — ele disse, virando o bloco de notas para que eu pudesse ver o seu desenho. — É realmente como você me vê? — eu parecia uma deusa adormecida. A única coisa que mais se destacava era o pequeno sorriso contido no meu rosto. Eu era realmente pacífica no meu sono? — É como você é, Ree. — ele falou antes de voltar ao seu trabalho. — Agora, fique quieta e deixe-me fazer o acabamento. Ele sorriu. Bastardo. Isso não foi um ato falho. Foi uma provocação intencional. E deu certo, caramba. Funcionou muito bem. O formigamento se espalhou pelo meu corpo, intensificando em todos os lugares que seu olhar profundo escuro caía. Agora, Dare era dono de cada parte minha. Com um único olhar maldito, ele fazia meu corpo ganhar vida. Pulsar. Doer. Da cabeça aos pés e todos os lugares secretos no caminho para baixo. De repente eu estava superconsciente de tudo. A maneira como os lençóis estavam contra a minha pele nua, o aperto dos meus mamilos, o pulsar entre as minhas pernas, que imploravam para serem satisfeitos. Quando seu olhar acariciou os bicos e vales de meus seios, eu tive que conter um gemido. Meus mamilos ficaram em picos quase dolorosos e eu o ouvi gemer. Ele viu. Ele sabia o efeito que isso tinha sobre mim. Quando encontrei os seus olhos, eles estavam quentes, eram piscinas negras de desejo e eu tentei fazer tudo para não me contorcer sob os lençóis. Mas eu não podia ficar parada por mais tempo quando eu o vi lambendo os lábios.


Meus olhos prenderam aos dele quando os dedos da minha mão direita desafiadoramente se estenderam para tocar meu peito. Um flash de puro desejo passou pelo rosto de Dare – Eu disse para você não se mexer. — sua voz estava calma, rosnando de desejo, quando ele se ajeitou na cadeira. — Você disse, não disse? — com um levantar rebelde da minha sobrancelha, eu passei minha mão sobre meu mamilo e pelo meu estômago, chegando mais e mais perto da beirada do lençol. O maxilar de Dare apertou. Não, todo o seu corpo se apertou. — Foda-se. — o lápis chegou a um impasse na página quando eu coloquei meus dedos debaixo das cobertas, descendo para tocar a umidade que tinha juntado entre as minhas coxas. Seus olhos escureceram quando ele se inclinou para deslizar o lençol do meu corpo. — Eu quero ver. Oh, Deus. Eu separei minhas pernas, expondo-me para ele conforme deslizava um dedo entre as minhas dobras. Ele gemeu meu nome e quando eu gemi em retorno, ouvi o lápis entre os dedos estalar. — Dare. — eu disse, ofegante — Isso vai arruinar o seu desenho? — Claro que não. — ele se mexeu na cadeira novamente, a protuberância em suas calças forçando o tecido. — Você gosta do que vê? — eu ofeguei. Deslizando uma das mãos na cintura da sua calça, ele me mostrou o quanto. — Espalhe mais os joelhos. — ele lentamente começou a acariciar-se. — Aperte o seu mamilo.


Nunca quebrando o contato visual, eu deixei-o me guiar, esfregando mais rápido e me aventurando mais profundamente, meus quadris dançavam no ritmo dos meus impulsos. Quando eu gritei o nome dele, eu não me importei se todo o edifício me ouviu. Ele fechou os olhos e rosnou, praticamente se lançando em cima de mim. — Foda-se esse negócio de assistir. Eu quero participar. Eu sou um tipo de cara que põe as mãos na obra. — ele abaixou a cabeça entre as minhas pernas. — Ou, boca, neste caso. — eu podia senti-lo sorrir. E então sua língua saiu para lamber meu clitóris inchado e eu perdi todo o controle.


Capítulo Dezessete

A

o

início

de

outubro, Dare foi um elemento permanente em minha vida diária. Quanto mais tempo eu passava com ele, mais fácil era respirar. Eu não tinha mais que forçar o riso ou sorrisos, eles eram reais. Eu nem sequer tinha uma falsa felicidade. Quanto mais livre eu me sentia, mais eu pensava sobre perseguir meus próprios desejos e levantar um dedo médio para as obrigações e planos de meus pais. Escola era levada em banho-maria pela arte. Pela quinta vez em três semanas, eu estava matando um seminário obrigatório por causa de uma exposição. Desta vez, em La Période Bleue. Nós tínhamos reservado para um jovem artista de Nova Jersey que eu descobri em uma esquina. — Essa foi a última das pinturas! — Sabine veio até mim e apertou meu ombro. — Todas as peças de Jessa Tyrell já foram oficialmente vendidas. Graças a você, chérie! — Parabéns. — Dare se inclinou e beijou minha testa. Mesmo depois de quatro semanas, seus lábios ainda acordavam as borboletas no meu estômago. Mas eu já não importava com as pequenas filhas da puta. Eu tinha me acostumado a elas. Tanto que eu esperava que elas estivessem lá para ficar. — Alguma sorte em convencer este a fazer uma mostra para nós? — Sabine acenou para Dare. — Eu ainda estou trabalhando nisso. — eu disse.


Ela apertou meu ombro. — Trabalhe mais. Temos uma exposição daquele artista novo em novembro e Wilde seria perfeito, não? Quando Sabine desapareceu para falar com Jessa, eu me virei para Dare. — O que você diz sobre a colocação de um par de suas peças? — Você realmente acha que eu sou bom o suficiente para fazer isso? — Eu acho que você é incrível. — eu disse. —Talvez você possa até mesmo colocar esse novo em que você está trabalhando. — Eu não sei se consigo terminar até novembro. O trabalho está me ocupando muito agora. — a mãe dele tinha perdido o emprego, há algumas semanas, assim Dare estava fazendo dois turnos. — Sim, a ironia de eu pintar casas de sonho de outras pessoas, em vez de trabalhar no meu sonho não me escapou. A situação de Dare não poderia ser mais diferente da minha. O dinheiro que ele ganhava com seu trabalho nunca parecia ser suficiente, e ele se preocupava quase constantemente com a sua família. A única vez que ele estava completamente em paz era quando trabalhava na nova pintura. Ree Real, ele a chamou. Um original de Wilde. — Você vai, pelo menos, considerar a exposição? — eu perguntei, me aproximando para cheirá-lo. Eu não conseguia ter o suficiente dele. — O mundo precisa da sua arte. Qual é, eu te desafio24. Ele piscou e me deu um de seus sorrisos sombriamente deliciosos. — Você só quer ser a pessoa que descobriu isso, certo? Eu balancei a cabeça. — Em parte. Isso te levaria a outro nível, Dare. Descobrir Jessa foi gratificante. Eu realmente gostaria que essa fosse a minha vida. Minha vida permanentemente feliz.

24

Desafiar significado de Dare.


— Por que não pode ser? — a pergunta não era nova. — Este é o lugar onde você pertence. — Eu sei, mas... — eu fechei meus olhos, isolando as paredes coloridas. — Mas seus pais. Mas o seu dever como uma McKinley. — ele já ouviu o discurso muitas vezes. — E o que mais? — sua voz se tornou forte. — Ah, certo, todos aqueles idiotas ricos com quem você tem que ir a encontros forjados pelo seu pai para manter seus cartões de crédito. — Dare... — Por que não vive sua própria vida? Por que você não fala para eles sobre mim? Se você me deixasse entrar, talvez eu pudesse ajudar. Eles nunca o deixariam entrar. Eu sabia disso por experiência própria. Meu pai destruiria Dare quando soubesse que estávamos namorando. Eu só balancei a cabeça, porque eu não tinha boas respostas para suas perguntas. Dare se afastou de mim, seu maxilar apertado e a dor em seus olhos estavam me matando.

Mais tarde naquela noite, deitamos na cama dele em cima do edredom, completamente vestidos, ele rabiscando em seu caderno com uma mão, enquanto a outra estava caída sobre meu ombro. O ar entre nós pulsava com tensão. Mesmo que ele distraidamente estivesse passando os dedos sobre a minha pele, eu não sentia o calor em seu toque. Ele estava quieto. Assustadoramente. Seu corpo estava aqui, mas sua mente estava tão longe que me fazia sentir falta dele. Eu sabia que ele estava


chateado, mas eu não sabia como atingi-lo, o que dizer, como preencher a lacuna. O silêncio se estendeu entre nós até que eu não pude aguentar mais um minuto. Falei baixinho. — Você não entende como a minha família é. — Eu entendo que eles estão te matando com suas exigências, mas você se recusa a fazer qualquer coisa a respeito disso. É dolorosamente óbvio. — seus olhos endureceram. — Você é muito mais feliz como Ree - a garota sorridente, que veste jeans e camiseta vintage, e organiza uma mostra na galeria sozinha. Reagan McKinley é a pobre menina infeliz, rica, que fode bad boys em clubes apenas para que ela possa se sentir viva. — Uau... — suas palavras me cortaram. — Eu simplesmente não entendo por que você não pode se libertar. Viver a sua própria vida, porra. — Não é tão simples assim. — eu disse, o calor subindo para as minhas bochechas. Havia tanta coisa na minha vida que ele não sabia. Não era tão preto e branco. — Poderia ser. — Eles não me deixarão, Dare. Você não sabe como eles são. — Como eu poderia? Você nunca me apresentou a eles. Porque você tem vergonha de mim. — a raiva crua era evidente, quando ele disse: — Eu sou o seu segredinho sujo. — Você sabe o que? Se é isso que você realmente pensa de mim, então você pode ir se foder. Você está sentado aqui me dizendo o quão bem você me conhece, me julgando, e você ainda tem a coragem de pensar que eu tenho vergonha de VOCÊ? SÉRIO? — eu estava gritando tão alto que ele teve o bom senso de parecer chocado. — Eu tenho vergonha DELES, Dare. Você é a melhor coisa que já me aconteceu. Você é a única pessoa que eu alguma vez quis estar


por mais de uma noite - e cada momento que estou com você só me faz te querer mais. Você não é meu segredinho sujo. Você é tudo que eu quero na minha vida. Se eu acreditasse por um milésimo de segundo que eles o receberiam em seu mundo de merda, que eles sequer tolerariam você lá, eu estaria arrastando sua bunda fantástica para todos os eventos estúpidos de família que eu tenho que ir. Mas eles não vão. Eles fariam tudo ao seu alcance para nos separar, destruir você. É POR ISSO que você nunca os conheceu. É POR ISSO que eu não contei a eles sobre você. Eu não estou escondendo VOCÊ deles - estou escondendo ELES de você. — eu suspirei. — De nós. Ele sentou-se em silêncio atordoado por um momento. — Então nos escolha. — ele finalmente disse. — Por que continuar fazendo os jogos deles? Eu balancei minha cabeça. — É... não é fácil ou simples. Mas eu quero. E eu estou trabalhando nisso, ok? Isso pode ser o suficiente por agora? Ele olhou para mim, então balançou a cabeça lentamente. — Mas só porque você disse que eu tenho uma bunda fantástica. — seus lábios se curvaram para cima, mas a tensão ainda estava no seu maxilar. — Estou falando sério, Dare. — eu dei um soco nas costelas dele, ganhando um sorriso completo. — Eu sei. — ele disse. — Eu sei. E eu sinto muito. — ele me puxou na direção dele e apertou os lábios contra meu cabelo. Em seguida, ele sussurrou, — Ok, eu vou fazer. — Fazer o que? — A exposição. — ele falou. Calmo. Com muito cuidado. — Eu vou fazer a maldita exposição. Eu não conseguia falar, não conseguia me mover pelo que pareceu um minuto inteiro enquanto olhei para ele, atordoada. Então eu o ataquei. — De verdade?! Você vai fazer? — eu estava sentada sobre ele quando eu beijei seus lábios, o queixo, suas bochechas. Então eu parei e afastei para que


pudesse olhar em seus olhos. — Você não está fazendo isso só por mim, não é? Porque nós brigamos? Ele balançou a cabeça. — Eu estou fazendo isso por causa de você. Mas eu estou fazendo isso por mim também. — Obrigada! Estou achando seriamente que vou morrer de felicidade agora mesmo! Além disso, está machucando um pouco o lápis afiado que está na minha bunda. — eu puxei o bloco de notas e um lápis debaixo de mim, me sentindo um pouco culpada por ter amassado a última página do trabalho de Dare. Eu estava prestes a colocar na mesa de cabeceira, quando meus olhos pousaram em seu desenho. Minha respiração ficou presa. — Oh, uau! — era uma fênix. Mais ou menos como a que ele tinha em seu ombro, mas diferente de algum modo, divergia da de Vogel, tinha a cara de Dare. O pássaro de Dare tinha um olhar feminino e bonito. Quase como se fosse desenhado para complementar o seu, enquanto, ao mesmo tempo é completamente único. — Isso daria uma bela tatuagem. — eu sussurrei. Dare seguiu o meu olhar. — Você acha? — É magnífico. — eu encontrei seus olhos. — Você pinta em mim? — eu tirei minha camisa e abri o zíper do meu short, passando pelos meus quadris. Uma vez que eu estava só de calcinha e sutiã, eu me estiquei sobre a cama do meu lado, de frente para ele. Dare acariciou meu quadril nu, lentamente deslizando seus dedos até logo abaixo, onde minhas costelas começavam. — Aqui. — não era uma pergunta. E não precisava ser. Dare conhecia meu corpo melhor do que eu. E ele estava certo. Esse era o local perfeito. Não demorou muito para ele criar. Eu adorava vê-lo trabalhar com toda a paixão e profunda concentração. Era como se ele fosse transportado para outra dimensão, onde só ele, a tela e a pintura existiam. E hoje essa tela era eu.


Foi incrível fazer parte de algo que ele amava com todo o seu coração. Eu podia sentir isso em cada golpe do seu pincel, a cada toque do seu dedo. Eu podia sentir o amor de Dare pela arte por todo o caminho, até os meus ossos. Oh, Deus. As coisas que ele estava fazendo com o meu corpo e coração balançavam meu núcleo. Não era tanto uma experiência sexual, desta vez, era uma profundamente íntima que me davam sensações que eu nunca soube que poderia sentir. E isso me encheu com a sensação mais incrível de calma. Fechei os olhos e o deixei trabalhar. — Ree? — ele falou. — Você está bem? Eu percebi que eu nunca tinha estado tão bem quanto naquele momento. — Sim. — eu disse com um sorriso. Um sorriso VERDADEIRO. Ele levantou-se e trouxe um espelho. Quando ele segurou-o em cima de mim, eu pude ver, tanto seu ombro, como meu quadril. A fênix dele e a minha. Cheguei perto da imagem. — Elas são como as duas partes que se juntam para fazer uma história. — eu disse. — Duas partes. Um inteiro. Dois passados muito diferentes. Um presente. Como nós. Minha voz falhou. — Eu... — eu parei antes que saísse algo que não poderia voltar a trás. Mas se eu fosse capaz de amar, eu amaria este pássaro. Com todo o meu coração. — Obrigada. — eu disse calmamente. — É perfeito. — Perfeitamente imperfeito. — ele sorriu e apontou para um lugar onde a pintura tinha escorrido um pouco.


— Assim como eu. — eu disse, estendendo a mão para ele e puxando-o para cima de mim. Meus lábios procuraram os seus avidamente. Sua língua entrou na minha boca, saboreando-me tão lentamente e profundamente, que fez meus dedos se curvarem e fogos de artifício explodirem atrás das minhas pálpebras. Algo tinha acontecido enquanto ele estava me desenhando que mudou completamente a intensidade entre nós. Nossos beijos eram sempre selvagens e indomáveis, mas agora havia algo mais neles. Algo que eu estava com medo de colocar em uma palavra. Então eu curvei minhas costas, levantando da cama, tentando encostar minha mente, corpo e alma na sua, até que estivessem fundidas em uma só. Duas partes. Um inteiro. Suas mãos movimentaram para baixo, pegaram meus quadris e me firmaram. Ele gemeu quando seus dedos roçaram a minha tatuagem. — Merda, ela vai borrar. Devíamos deixar secar. — Você realmente quer esperar? — enfiei minha mão entre nós, e mergulhei sob o cós da calça jeans para que eu pudesse envolver meus dedos em torno dele. Ele gemeu, pulsando com o meu aperto. — Foda-se. Eu acho que esses lençóis estão destinados a ficar sujos de uma forma ou de outra. — ele ficou de joelhos e enfiou os dedos na minha calcinha. Um momento depois, minha calcinha caiu no chão. Meu sutiã em seguida, então sua camisa e jeans. Peguei uma camisinha da mesa de cabeceira, mas quando me virei para Dare, eu percebi que ele tinha outros planos. — Eu vou te fazer minha. — ele disse, beijando o caminho para os meus seios. — Eu vou te reivindicar, corpo e alma. — seus lábios percorreram meu estômago para o lugar que eu mais precisava dele. — Diga o meu nome. — a ordem veio quando sua língua saiu para lamber a minha dor. — Você é minha.


— ele lambeu novamente, em seguida, fez uma pausa para ir diretamente sobre o meu ponto doce. — Diga, Ree. Eu levantei meus quadris. — Dare, por favor. — Você é minha. Diga que você é minha. — Eu sou sua. Só sua. — eu precisava dele. Agora mesmo. Ele inteiro. Em todos os lugares. Seu sorriso se tornou perverso e seus olhos escureceram de desejo quando ele pressionou sua boca no meu núcleo quente. Ele me provou com uma lambida lenta, deixando minha excitação derreter na sua língua, antes de tomar meu clitóris suavemente entre os dentes e fazer-me gritar de prazer. Eu esqueci como respirar. Como falar. A única linguagem que sobrou, era uma série de gemidos e alguns grunhidos. A boca de Dare era a única coisa que existia no meu mundo. A coisa mais perfeita em todo o universo. Cada mordida acentuada era seguida por uma lambida quente, calmante que deixava minhas entranhas tensas e formigando, conforme minha cabeça ficava fora de controle. Minhas mãos agarraram os lençóis, enquanto ele trabalhava mais e mais em um frenesi febril. Finalmente, com uma última lambida, ele me levou ao orgasmo. Meu corpo estremeceu quando gozei, os impulsos ferozes do prazer me balançaram para as profundezas da minha alma, enquanto eu gritava o nome dele. Dare beijou meu corpo acima, deixando uma trilha ao longo da minha pele. Eu desembrulhei o preservativo e coloquei em cima dele, mas quando ele entrou em mim desta vez, havia algo diferente sobre a forma como nossos corpos se encaixaram. Ele me encheu ainda mais, extinguindo todo tipo de sede que eu nem sabia que eu tinha. Com cada impulso, ele mergulhou mais fundo em uma zona que estava cheia de dor e prazer. O meu coração batia mais rápido, mais forte, mais alto do que já tinha antes, quando eu me agarrei nos seus ombros e envolvi minhas pernas em volta da cintura dele, puxando-o ainda mais perto, até que nos fundimos completamente.


Neste momento, ele era meu e eu era dele. Toda dele. — Eu sou seu, Ree. — ele falou, pouco antes do seu corpo ser invadido com ondas de prazer. Ouvir aquelas palavras me levaram ao orgasmo novamente. Nossos corpos balançaram em um ritmo comum, que apenas nossos corações podiam ouvir, enquanto nos entregávamos a algo que nenhum de nós já tinha experimentado. Pairando diretamente acima de mim, seu sorriso era deslumbrante e quente. Seus olhos encontraram os meus e meu coração falhou uma batida. Havia uma suavidade tranquila neles que eu não esperava ver. — Duas partes. — ele disse em voz baixa. — Um inteiro. E o meu coração se encheu de Dare. Borbulhou e transbordou, derramando para fora do meu corpo, saturando todo o apartamento, o edifício, a cidade. Colorindo o meu mundo todo.


Capítulo Dezoito

— P

or que

você não me deixa arrumar algum espaço para você no meu armário? — Dare disse, por trás da tela onde ele estava dando os toques finais na Ree Real. — Você está dormindo na minha cama toda noite, você está estudando no meu sofá, você está comendo o meu macarrão com queijo e você está se entregando a banhos muito picantes no meu banheiro. Faz sentido você trazer mais algumas roupas. Sem segundas intenções. Não havia nada que eu quisesse mais do que trazer minhas coisas e nunca mais sair. Mas a minha vida fodida nunca tinha sido sobre conseguir o que eu queria, e se eu quisesse sair daquele mundo, precisava dar um passo de cada vez. Lentamente. E começar com algo menor, como mudar minha especialização para a história da arte. Embora o tamanho do passo fosse relativo, para os meus pais, a mudança de Ciência Política para História da Arte não ia parecer pequena. De jeito nenhum. — Ree? — Dare tinha parado de pintar e estava olhando para mim. Olhei para cima, do livro aberto no colo. — Eu vou pensar sobre isso. Talvez depois dos exames semestrais. Seus olhos escureceram. — Você quer dizer, após a eleição para prefeito, certo?


Não. Talvez. Ok, sim. Eu tinha grandes esperanças de que as coisas facilitariam, uma vez que meus pais começassem a fazer campanha. Eles estariam muito focados em ganhar eleitores para conseguirem lidar com o que eles veriam como minha traição à família. Muito distraídos. Eu esperava. Eu abri minha boca para explicar, mas Dare chegou antes de mim. — Esqueça o que eu falei sobre a porra do armário. — ele disse. — Nós já declaramos este apartamento como uma zona livre das eleições, então eu vou mantê-lo assim. O tanto que você precisar, certo? Eu balancei a cabeça, perguntando se para sempre era uma opção.

Conforme novembro e o anúncio de meu pai se aproximavam, sua equipe começou a me seguir sob o pretexto de serem guarda-costas. A cada dia estava ficando mais difícil escapar para Dare despercebida. Então eu me tornei a filha perfeita do lado de fora, indo para todas as minhas aulas, participando de encontros com “filhos e filhas perfeitas” dos amigos dos meus pais, que eram menos perfeitos do que seus pais realmente sabiam. No final do dia, eu corria para os braços de Dare. Ele era a minha salvação. Nunca mais do que esta noite - duas noites antes do grande dia do meu pai. Embora eu ainda tivesse esperança - estúpida - que eu pudesse manter essa parte da minha vida só para mim, as demandas dos meus pais, só iriam aumentar uma vez que a campanha realmente começasse. O tempo estava passando. Em um par de dias, eu seria forçada a escolher entre romper com isso e tentar ter a minha própria vida ou sucumbir aos desejos dos meus pais e ser uma jogadora da equipe deles. Eu não queria mais jogar para a equipe McKinley.


O problema era, eu ainda não tinha descoberto exatamente como sair da lista. E, com toda a honestidade, eu estava com medo das repercussões que eu tinha certeza que viriam quando eu tentasse. — Quer ir ver a exibição no Village na noite de sexta-feira? — Dare perguntou, entrelaçando seus dedos nos meus e levantando minha mão aos lábios. Estávamos deitados entrelaçados, pele com pele, a minha maneira favorita de ficar com ele. Eu gostaria. — Eu não posso. E choveu beijos ao longo dos meus dedos. — Seminário? Eu balancei minha cabeça, fiquei em silêncio. Sexta-feira era a noite de gala de caridade no Met. Meu pai tinha agendado uma conferência com a imprensa, sobre os degraus do museu para anunciar sua candidatura antes do grande jantar. Não tinha como eu não ir por qualquer motivo. Dare mordeu minha clavícula, fazendo-me gritar de rir. Quando ele mordiscou, do pescoço para a minha boca, eu comecei a doer com a necessidade. Eu empurrei minhas preocupações da minha cabeça e tentei me concentrar nele. E as muitas coisas que eu queria fazer com ele agora. Prendendo seu lábio inferior entre meus dentes, eu coloquei minha mão debaixo das cobertas para alcançá-lo. Ele agarrou meus pulsos, me parando. — Eu realmente preciso voltar ao trabalho. — ele disse contra a minha boca. — Você me prometeu que íamos terminar Ree Real esta noite, lembra? A mostra da galeria será em duas semanas e eu preciso do seu sorriso para brilhar. Exatamente assim. — ele traçou meus lábios com a ponta do polegar. Seu toque fez meu coração inchar. Eu beijei seu dedo. Primeiro de leve, depois de colocar a ponta na minha boca e corri a minha língua por sua extensão. Minha boca se fechou sobre ele e eu o chupei. Eu desliguei minha mente e deixei meu corpo assumir.


Os olhos de Dare reviraram, enquanto ele gemeu. — Porra. — ele disse com os dentes cerrados. — Isso não é justo. — Certeza que você não quer trabalhar nesta Ree primeiro? — eu perguntei enquanto rodava a minha língua sobre ele. — E ter esta Ree trabalhando para você? — Não é justo. — sua voz estava rouca de desejo. Ele puxou seu dedo entre meus lábios, agarrou meu cabelo e colidiu seus lábios nos meus. Um beijo duro levou a outro, e eu pensei que eu o tinha exatamente onde eu queria. Mas então ele rolou para longe, puxando o lençol com ele. — Trabalho. — ele falou. — Mas você vai pagar por isso quando eu terminar. — Oh, é melhor que sim. — eu sorri muito e joguei um travesseiro nas costas dele. Ele se virou para mim, com um sorriso sexy gravado em seu rosto. Seus olhos escuros sensuais tomaram conta do meu corpo nu quando ele se inclinou e agarrou meu queixo entre os dedos. — Eu gosto de você, e mais ainda quando você está assim. Quando você está vestindo nada, exceto um sorriso bonito e sexy. — Eu gosto mais de mim assim também. — eu disse — Com você.

Um barulho forte de trovão me acordou no meio da noite. Mas foi o pesadelo que eu estava presa que me deixou tremendo. O sonho nem sequer fazia qualquer sentido. Era como uma alucinação induzida por drogas. Um porão. NÃO. A adega de vinhos. Fria e úmida. Sem luz. Subterrânea e profunda, onde eu não podia ver ou respirar. Mãos em toda parte. Tantas mãos, que eu não podia acompanhá-las. Rasgando e acabando comigo. Cega


com a dor que engolia o meu corpo, eu estava gritando e chorando, mas ninguém podia ouvir. Ninguém QUERIA ouvir. Em seguida, deitada na cama, enquanto minha mãe pressiona um travesseiro no meu rosto até que eu já não podia gritar. Ou respirar. Meus pulmões estavam machucados. Meu pai não podia suportar o barulho e ele me trancou em um quarto branco brilhante. Eu não conseguia escapar. Máquinas apitando me cercavam. E as mãos. Todas aquelas mãos novamente. A dor cegante está de volta e eu estava sendo rasgada. NOVAMENTE. Uma e outra e outra vez. — Ree? — Dare se agitou ao meu lado, com a voz grogue de sono. — Você está bem? Eu estava pressionada contra a cabeceira da cama, meus joelhos dobrados contra o peito. Tentei inspirar, mas nenhum ar entrou em meus pulmões. Minha cabeça girava. Eu estava com frio. Assim, com muito frio. — Não consigo... respirar. — minhas palavras eram suspiros quase inaudíveis. Os olhos de Dare se abriram e ele se levantou. Ele estendeu a mão para envolver seus braços ao meu redor. — Você está tendo outro ataque de pânico? Eu afastei as mãos dele e corri para fora da cama. McKinleys não tem ataques de pânico, Reagan. Era a voz da minha mãe. E se tiverem, eles cuidam deles rapidamente e em silêncio. Foi o terceiro esta semana. E de longe o pior. Com uma respiração ofegante, eu oscilei para o sofá em busca da minha bolsa. Eu precisava de algo para me acalmar e só esperava que estivesse lá. Meu frasco estava no meu apartamento, mas talvez um ou dois comprimidos tivessem caído ou... — Ree. — os pés de Dare tocaram o chão. — Olhe para mim. — eu podia ouvi-lo andando.


Peguei minha bolsa e tirei as coisas. Havia muita coisa aqui. Por que eu carregava tanta porcaria? E por que diabos eu não tinha o que eu precisava, quando eu necessitava, porra? Virei a bolsa de cabeça para baixo e comecei a sacudi-la. Apenas uma. Eu só precisava da porra de uma pílula. — Olhe para mim, Ree! Mãos fortes agarraram meus ombros e tudo ficou mais lento, entrando em foco dolorosamente. — REE! Lentamente, eu me virei. Mesmo em meio à escuridão, eu podia ver a dor em seus olhos. Com um movimento rápido da sua cabeça, ele disse: — Não. — era um aviso, um apelo. — Você não precisa disso. Não, ele estava errado - eu realmente precisava disso. Meu coração estava batendo forte. Uma dose rápida e eu me sentiria melhor. — Tudo o que você precisa está aqui. — ele abriu os braços. — Venha aqui. Mordi meu lábio, ainda tremendo, ainda ofegante. Os comprimidos estavam me chamando. — Deixe-me ser aquele que te faz bem. Deixe-me ser o suficiente. — ele falou. — Eu vou perseguir todos os seus demônios. Eu prometo. Uma promessa. Uma, que eu queria acreditar com todo o meu coração. Sem uma única palavra, eu passei meus braços em volta do pescoço dele, deixando-me levantar em seu abraço forte de volta para a cama. Ele deu um beijo suave na minha testa enquanto me abaixou sobre o colchão, e o ar voltou aos meus pulmões como um assobio.


Ele me deixou por um momento, e então estava de volta, sentado na cama ao meu lado. Ele levantou minha camisa e alisou suas mãos sobre a minha pele. Então eu senti o pincel. Eu me virei para olhar para ele, pincel na mão, em seguida, para o meu lado, onde ele começou a pintar. — O que você está fazendo? — eu sussurrei. — Eu pensei que isso pudesse ajudar. — ele levantou o desenho da fênix. Minha fênix. Calma infiltrou em minha pele com cada golpe do seu pincel, cada gota de tinta. Ela espalhou lentamente através do meu corpo, me enchendo de uma leveza que eu só conhecia com Dare. A fênix dele o fazia se sentir assim? Como se ele fosse forte o suficiente? Como se tudo fosse possível? Esta pintura seria lavada amanhã, mas eu esperava que esse sentimento durasse. Talvez um dia a fênix poderia ter um lugar permanente na minha pele, na minha vida.


Capítulo Dezenove

— O

nde

diabos você estava na noite passada? — meu pai estava esperando dentro do meu apartamento quando fui pegar meu material escolar na manhã seguinte. No. Meu. Apartamento. A última vez que ele esteve aqui foi... NUNCA — Fora. — eu disse, passando por ele para recuperar minha mochila. Meu coração trovejava no meu peito, o pânico crescendo em minha garganta. — Eu estava fora. — Eu fiquei aqui a noite toda. — sua voz estava perigosamente baixa. — Eu esperei por você. Você não atendeu ao telefone. — Eu não sabia que estava de plantão na noite passada. — provavelmente não era a melhor coisa a dizer, mas eu estava muito perto de começar um ataque de pânico. Ele estar aqui não poderia ser bom. — Você deveria estar em casa, Reagan. No apartamento, que eu pago. — O que você precisa? Ele olhou para mim por um instante em silêncio, depois disse: — Você vai romper com tudo.


— O que? — eu balancei a cabeça, sem saber se eu tinha ouvido corretamente, com todo o sangue pulsando nos meus ouvidos. Ele não poderia ter descoberto. De jeito nenhum. — Você me ouviu. Eu não ia fazer isso até depois do evento, mas tem de ser resolvido. Você vai terminar com ele. Dei um passo para trás, ainda balançando a cabeça. — Você nem sequer o conhece. Ele é um artista incrível e uma pessoa incrível. — Eu sei mais sobre ele do que você. — um silêncio mortal arrastou suas palavras. Caralho. Seus investigadores. Meu pulso acelerou, alimentado pela raiva. Dare não era problema dele. — Você anda me seguindo? Tenho 19 anos de idade. Eu posso namorar quem eu quiser. Ele balançou a cabeça friamente. — O que você vai fazer é ficar o mais longe possível desse Daren Wilde. Imediatamente. Fim da discussão. Abri a boca, totalmente preparada para dizer exatamente por que eu não faria isso, mas o uso do nome completo de Dare me parou. — O que você disse? — Você está ciente de que este Daren Rhett Wilde tem uma ficha criminal? Cruzei os braços sobre o peito. — Ele me disse. No reformatório quando ele era criança. Seu pai o colocou. Os arquivos não são todos confidenciais? O sorriso do meu pai era tão frio e duro como gelo. — Nada é confidencial quando você é candidato a um cargo oficial, Reagan. A nossa família tem que ter muito cuidado quando se trata das pessoas que relacionamos. Minha filha não pode ficar pendurada em torno de algum degenerado tatuado. Filho de um assassino condenado por tráfico de drogas. Você sabia que o pai de Daren está cumprindo pena em Rikers?


— SIM. Eu sei. Ele me contou tudo. E é DARE. Seu nome é Dare, porra, não Daren! — meu pulso batia em meus ouvidos. Eu nunca tinha xingado na frente dele antes. — E ele não tem nada a ver com quem seu pai é. Nem eu tinha. — Você está certa, Reagan. Ainda bem que o seu pai pode se certificar que você nunca seja colocada em uma situação em que esses tipos de pessoas possam trazer prejuízos para o seu nome e reputação. — Não é comigo que você está preocupado. — ele provou isso mais de uma vez. — Reagan. — ele se inclinou para frente e abaixou a voz para um silvo ameaçador. — Você não verá este homem novamente. Você não falará com ele. Você não deve voltar para o apartamento do Brooklyn, no meio da noite como uma prostituta qualquer. A filha que eu criei é melhor do que isso. Eu abri minha boca para argumentar, mas ele me cortou. — Se você continuar, ele pode dizer adeus à sua carreira artística e olá para o seu pai. Meu coração despencou no chão. — O pai dele está na cadeia. — Isso pode ser remediado. — ele disse. — Não. — eu balancei minha cabeça, com calafrios na espinha. — Você não pode deixar o pai dele saber onde ele está. Ele quase matou Dare na última vez. — E aquela família dele em Harrison? Aquela mãe viciada desempregada vivendo com dois filhos menores de idade? Como você acha que o Serviço de Proteção à Criança se sentiria encontrando algumas agulhas usadas na casa dela? Lágrimas rolaram dos meus olhos. — Você não faria isso. Mas ele faria. Ele faria. Ele podia.


Seus olhos se estreitaram. — Desafie-me. — Cristo. Este era o jogo dele. Porra de cheque mate. — A escolha é sua. — meu pai se levantou e abotoou o paletó. — Você pode ser uma boa menina e tornar isto muito fácil para todos os envolvidos. Vou te dizer, se você parar de vê-lo, eu me certificarei que o pai dele nunca sinta o gosto da liberdade novamente. — ele sorriu como se estivesse realmente me fazendo um favor. — Ou você pode jogar duro. Independente disso, o resultado será o mesmo. Sem mais Daren Wilde. — ele me deu um olhar duro. — Eu fui claro? Ele nem esperou que eu respondesse. Ele estava passando por mim, mas então ele parou de repente, olhando para mim com os olhos arregalados. Olhei para baixo e pude ver a fênix de Dare aparecendo através do meu top solto. — O QUE É ISSO? Eu podia jurar que senti as paredes do apartamento fecharem. Eu rapidamente puxei a barra da minha camisa para baixo e passei meus braços em volta de mim. — Nada. — Reagan, o que é isso? — suas narinas estavam dilatadas e suas mãos em punhos do seu lado. Meu pai nunca havia colocado a mão em mim. Ele nunca precisou. Ele inspirava medo apenas com a sua voz. Mas agora, eu estava preocupada que isso estivesse prestes a mudar. Seus olhos dilataram em fúria. — Você ficou louca, filha? — Isso não é... — Eu não quero ouvir nenhuma desculpa! — seu rosto se contorceu. Meu pai ficou revoltado. Por causa de um pouco de tinta no meu corpo. — Você deve agradecer à sua estrela da sorte que a sua mãe não está aqui para ver isso. Ela teria um ataque.


A raiva acumulou dentro do meu corpo, transbordou em minha boca. — E então você daria a ela algumas pílulas e seu Martini de costume e tudo estaria bem no mundo McKinley. O tapa atingiu o meu rosto, sem aviso, como o som ecoando no teto do apartamento. Doeu tanto - o tapa em si e o fato de que ele tinha feito isso - que meus olhos lacrimejaram. Eu embalei meu rosto na minha mão, quase sem respirar. — Eu sou o seu pai. Eu lhe dei a vida. Eu lhe dou dinheiro. — seu peito largo subia e descia com cada calça palavra. — Eu não me importo que tipo de fase você acha que está passando agora, mas você não fará nada para desrespeitar essa família. Você está me ouvindo? Você ouve essas palavras saindo da minha boca, Reagan? Eu balancei a cabeça. — Eu não consigo te ouvir! — Sim. — Troque-se. Agora. — ele soltou a ordem como se estivesse falando com um animal. — Eu mandarei alguém levá-la a uma clínica para cuidar disso. Arrepios passaram por cada pedaço da minha pele. Suas palavras queimaram através de mim até que o mundo embaçou e eu não consegui respirar. Lágrimas quentes caíram dos meus olhos. Ele gemeu. — Não seja dramática, Reagan. — É só... uma pintura. — eu disse, com minha voz saindo em um sussurro estrangulado. — O que você está dizendo? Eu não posso ouvi-la. — É... só... pintura. — cada palavra era um suspiro sufocado. — N-não uma tatuagem real. — eu o odiava com cada parte do meu ser. Nada havia mudado ao longo dos últimos quatro anos. Ele ainda dava as ordens. Ainda controlava o que acontecia com o meu corpo, mente e alma.


Deus, eu ia passar mal. Levantei-me e tentei me mover em direção ao banheiro, mas ele bloqueou meu caminho. — Eu não acabei de falar com você. Minhas pernas cederam e eu caí no chão. — O que mais você poderia querer? — Eu quero que você seja como Quincy e Pierce. — ele disse, com sua voz cheia de decepção. Eu não era a filha que eles queriam. Eu nunca tinha sido. Um acidente desde o início. A bile subiu em minha garganta. — Se você apenas me mandasse embora, como você faz com todos os outros inconvenientes. — Pare com isso, Reagan. — sua mão fechou novamente, mas desta vez ele enfiou a mão no bolso das calças. — Levante-se. Você é uma vergonha para si mesma. E a esta família. É melhor você se juntar a nós amanhã à noite. — então ele passou por mim e saiu pela porta. Ouvi o clique fechando atrás dele. Eu me arrastei até o banheiro e vomitei no vaso sanitário. Quando eu consegui levantar, lavei minha boca e olhei um vislumbre do espelho. Olhei para mim mesma por alguns segundos, primeiro não reconhecendo a garota. Seus olhos estavam mortos, sua emoção - esse rosto não se parecia nada como Ree. — Reagan. — eu disse, balançando a cabeça para o meu reflexo. Reagan acenou de volta. Eu abri o armário de remédios. Meu pequeno frasco de comprimidos ali na prateleira, negligenciado por meses. À espera do retorno de Reagan. Bem, ela estava de volta. Eu derramei vários comprimidos na minha mão, engoli a seco, e fiquei anestesiada pelo resto do dia.


Capítulo Vinte

— S

enhoras

e senhores, Nathaniel Forrest McKinley! Meu pai se aproximou do pódio entre aplausos. Ficou claro que a imprensa e o público viam nele o perfeito futuro prefeito - alto e bem vestido, confiante e bem sucedido, poderoso - a família perfeita dele cercando-o. — Sorria, Reagan. — minha mãe sussurrou entre os dentes enquanto acenava. Quando ela apareceu no meu apartamento naquela tarde eu estava deitada na minha cama em um estupor induzido por drogas. Ela nem se deu o trabalho de bater. — Reagan Allison McKinley, como em nome de Deus você pode estar dormindo quando precisamos chegar à conferência de imprensa? — Eu não estava dormindo. — Nós não temos tempo para drama agora, mocinha. — ela apontou um dedo com unha vermelha para mim, então se virou para o meu armário. — De onde é que todas essas roupas... vêm? — a palavra foi dita com nojo. — Onde estão todas as suas roupas, Reagan? Este parece ser o armário de uma vagabunda. — seu peito arfava e eu não teria ficado surpresa se chamas saíssem das suas narinas. — Eu sabia que deveria ter trazido algo para você.


Deitei em minha cama olhando para ela, a vida se esvaindo de mim com o simples pensamento de ter que sofrer com a noite pela frente. — Eu realmente tenho que estar lá? — eu não podia. Apenas não sobrou mais nada de mim. Ela fez sua voz alta e chorosa. — Eu realmente tenho que estar lá? Você não é uma parte desta família? É o seu pai que vai anunciar sua candidatura esta noite? — ela andava de um lado para outro na minha frente, seu terno brilhante Chanel, vermelho impecável, com o cabelo arrumado sem defeito, como a esposa do político perfeito. — Eu não estou me sentindo bem, mãe. — eu disse. — Eu não posso ir realmente hoje à noite. — Eu não me importo se você está morrendo, Reagan. Você ficará vestida e pronta, porque tem um carro esperando lá embaixo. E você fará isso nos próximos 15 minutos. Sua participação nesta conferência de imprensa não está em discussão. Então, agora que eu estava ao lado dela nos degraus do Met, fazendo o papel da filha perfeita, eu estiquei meus lábios para mostrar os meus dentes perfeitos. E me sentia perfeitamente morta por dentro. Eu não tinha dormido desde a visita do meu pai. Eu fui alimentada exclusivamente por remédios. — Ree? — Dare havia dito na noite passada, com a preocupação vincando sua testa, logo que ele me viu. Eu não deveria estar lá, mas eu tinha que dizer adeus. Eu devia isso a ele, não importa o quanto isso fosse me matar. E aconteceu. Isso me matou. Eu entrei no apartamento dele e fiquei no meio do espaço, olhando para o que já não seria a minha vida. Eu respirei - o cheiro de arte, de Dare, de nós, que afetava meus sentidos.


— Qual o problema? — ele disse, olhando para mim da porta, com a mão ainda na maçaneta. — O que aconteceu? Eu olhei para ele, então a dor me tirou o fôlego. Lágrimas ardiam nos meus olhos, mas eu as escondi, enquanto continuava a olhar para ele. Ele fechou a porta e veio até mim. — O que diabos aconteceu? Como eu poderia contar que sua vida estava em perigo? Que toda a sua família poderia se machucar? E tudo por minha causa. — Ree. — ele pegou meu rosto entre as mãos e beijou-me tão docemente. Eu não consegui segurar a barreira entre meu coração e corpo. Uma única lágrima escapou e rolou pelo meu rosto. Seu polegar roçou minha bochecha. — Diga-me, baby. Você está me assustando. Você está bem? Há algo de errado com você? Eu abri minha boca para falar, mas as palavras não saíram. A gravidade da situação foi me batendo com tanta força - esta seria a última vez que eu iria vê-lo. Essa tinha que ser a última vez. Eu comecei a hiperventilar porque eu não conseguia imaginar a vida sem ele. Nós tínhamos apenas começado... havia tantas coisas que eu queria experimentar com ele, tantas coisas que eu precisava dizer e fazer e conquistar. No entanto, aqui estava eu, sentindo todo o nosso futuro se esvaindo. — Venha aqui. — ele me pegou em seus braços, me levou para a cama, e me deitou delicadamente. Em seguida, ele enrolou-se em volta de mim, segurando-me apertado. — Você está segura agora. — ele disse. — Eu não vou deixar nada acontecer com você. Fale comigo. Conforme meu corpo relaxou contra o dele, eu contei tudo. E que tinha que ser assim - que eu não iria deixar nada acontecer com ele. Ou Dax e Dalia. Ou a mãe dele.


— Ele não pode fazer isso. — sua voz era dura, e eu podia sentir a raiva correndo pelo corpo dele. — Ele não pode simplesmente libertar um assassino da prisão. — Você não conhece o meu pai, Dare. — eu disse. — Se ele diz que pode, ele pode. Aquele homem não faz ameaças vazias. Ele ficou em silêncio por alguns minutos, em seguida, disse: — Houve um telefonema. — O que você quer dizer? — A chamada veio da casa de Rikers. Eles não atenderam, mas Dalia me ligou esta tarde logo depois que aconteceu. Senti frio. Um aviso para mim - meu pai tinha feito isso, eu não tinha dúvida. Dare sacudiu a cabeça. — Nós vamos resolver isso. Ele não é intocável, Ree. Eu sei - ele tem dinheiro e conexões - mas isso não significa que ele pode guiar a sua vida. — Você não pode arriscar você e a sua família por mim. — eu sussurrei. — Eu não vou deixar você fazer isso. Eu não mereço. Ele respirou fundo e me virou para ele para ficamos cara a cara. — Isso não é verdade. Você vale pena. Você vale a luta. Você vale... tudo. Eu balancei minha cabeça uma e outra vez. — Eu sou tão fodida, Dare. Cheia de falhas, tão imperfeita, tão... — Eu não quero que você seja perfeita. — seus dedos acariciaram minha bochecha e afastou o cabelo do meu rosto. — Nunca mais. — ele segurou meu rosto. — Todas as mais belas peças de arte têm falhas. Às vezes, isso é exatamente o que as torna sem preço. — ele se inclinou e me beijou, então sussurrou contra meus lábios: — Você não tem preço, Ree.


Perdi-me nele, mesmo sabendo que era errado. Mas eu não podia fugir. Eu precisava dele. Só mais uma vez. Uma última vez dolorosa e de partir o coração. Durante toda a noite eu fiquei ao lado dele, enquanto ele dormia, ouvindo, observando, tentando memorizar tudo sobre ele - seu cheiro, o som da sua respiração, a sensação da sua pele na minha. Saí antes que ele acordasse. Isso me quebrou, levantei da cama dele, enquanto lágrimas escorriam pelo meu rosto. Eu não tinha chorado na noite passada. Mas eu não consegui parar a dor que me envolveu nesta manhã. Não importava que fosse a minha decisão - meu coração não se importava. Isso me quebrou com a mesma facilidade de qualquer maneira. Caminhando lentamente ao redor do apartamento, eu toquei todos os pequenos pedaços de Dare que estavam espalhados por toda a parte. As pinturas que ele havia escolhido para a mostra e que estavam empilhadas ordenadamente contra a parede, e eu as olhei uma última vez. Um soluço sufocado escapou dos meus lábios quando eu cheguei à Ree Real. Ela era tão linda, a garota que ele pintou. Tão feliz. Eu nunca seria aquela garota novamente. Ree tinha ido embora. Meu pai a tinha matado. Só esta casca de pessoa, chamada Reagan, permaneceu. Quando eu estava prestes a sair pela última vez, uma nota sobre o bar me chamou atenção. Eu desdobrei o papel e encontrei o desenho da minha fênix e quatro palavras escritas embaixo, a caligrafia de Dare. Duas partes. Um inteiro. Dobrei-a de novo, meti no bolso e corri para fora do apartamento dele. Uma parte. Uma porra de um grande buraco.


— Aí está você, Reagan! — Quinn encontrou-me sentada do lado de fora, nos degraus do museu. — Mamãe e papai estavam à sua procura por todo o lado. Você nem sequer foi para a nossa mesa, ainda. — Eu não estou com fome. — eu disse, puxando meus joelhos até meu peito. — Você está sujando o seu vestido. E sendo rude. Archer tem te procurado por toda parte. Ele veio todo o caminho de Boston para ser seu acompanhante e você o está ignorando. As pessoas estão começando a perceber sua ausência. Você precisa voltar e ser social. — Eu não estou em um estado de espírito social, Quinn. — Alguma vez esteve? — ela revirou os olhos. — Eu juro, é como se você não fosse apenas um acidente, mas adotada. Eu olhei para ela bruscamente. — McKinleys não têm acidentes. — eu disse. Vadia. — Você é totalmente impossível. — Quinn começou a se afastar, mas depois parou e lentamente se virou. Abriu sua bolsa de mão, fixou um olhar compassivo sobre mim e retirou um frasco de Oxy25. — Aqui. — ela disse, jogando no meu colo. — Engula alguns e, pelo menos, finja que sabe sorrir. E não conte nunca que eu lhe dei algo. — então ela se virou e caminhou de volta para dentro. Estava muito frio, mas eu me sentei lá por mais alguns minutos, meus dedos traçando a tampa do frasco. Então eu enfiei no bolso do casaco e me levantei.

25

Oxycodone” é um opiláceo, analgésico narcótico, usado primeiramente no tratamento da dor. É um dos derivados da morfina.


Talvez houvesse outra maneira. Se Dare me ensinou alguma coisa, foi que poderia haver outro caminho para mim. Talvez...

Archer, meu acompanhante aprovado pelos pais para o jantar de gala, estava com um pequeno grupo de pessoas, uma das quais era a minha mãe. Fantasticamente do caralho. Ele riu alto e bateu nas costas de um cara. Quando ele me viu, seus olhos brilharam e ele acenou para mim. Seu sorriso brilhante me cegou, agravando a minha dor de cabeça, mas eu forcei um sorriso no meu rosto e fui. Quanto mais cedo acabasse esta noite, melhor seria. O cara que Archer e minha mãe estavam conversando, estava de costas para mim, mas algo sobre ele parecia familiar. Muito familiar. Deus, eu esperava que não fosse alguém que eu dormi. Eu simplesmente não estava pronta para isso esta noite. Seu cabelo loiro era um tom mais escuro do que o de Archer e ele era um palmo mais alto. Minha mãe balançou a cabeça quando me aproximei. — Reagan. Que ótimo. — ela estendeu a mão para agarrar o meu braço. Firmemente. Qual era a merda do problema com dela? Eu estava aqui. Estava sorrindo. Eu estava fazendo o papel da filha perfeita, mesmo que o meu vestido marrom não combinasse com o vermelho dela e de Quinn. Mesmo que por dentro eu estivesse cheia de nada, exceto de cinzas de uma fênix outrora viva. — Mãe. — eu disse, rangendo os dentes — Você está machucando meu braço.


— Reagan! Baby girl. — a voz de Archer estava muito alta, muito alegre. — Onde você esteve? Olha quem eu encontrei vagando. Você se lembra de Jackson Fitzgerald, certo? De Crestridge? — ele olhou para Jack. — Você devia ser o que? Três anos à frente de Reagan? O nome tinha sido suficiente para enviar arrepios na minha espinha e me fazer perder a sensação no corpo todo. Mas quando o cara se virou e sorriu para mim - sorriu, porra - parou meu coração e todo o ar fugiu dos meus pulmões. Dei um passo para trás, o sangue do meu rosto foi drenado, a bile subindo na minha garganta. Minha pele se arrepiou. Eu ia passar mal e faria isso no meio do jantar de gala se a minha mãe não soltasse o meu braço. Tentei erguer os dedos dela quando dei mais um passo para trás. — Reagan? — Archer disse, com a preocupação nublando seu rosto. — Você está bem? — Ela está bem. — minha mãe riu falsamente, o estridente tilintar do seu riso, sempre era especial para estas ocasiões. — Ela está apenas... eu acho que ela não comeu ainda. Vou levá-la para comer alguma coisa. Sigam em frente, todos! Nós estamos bem! Seu sorriso estava esticado em seu rosto. Eu pensei que poderia rachar. Assim que estávamos longe de ser ouvidas, ela abaixou a voz e sussurrou para mim com os dentes cerrados. — Jackson é filho do governador. — disse ela. — E você não vai ficar histérica em torno dele, Reagan Allison McKinley. — Ele é... — Eu sei muito bem quem ele é, e isso está tudo no passado. Nós cuidamos disso. Acabou. Não é hora para rancores. Rancores? Ela realmente chamava isso de uma porra de rancor? — Todos nós temos que seguir em frente e começar de novo. — ela falou. — Nós veremos Jackson e sua família várias vezes durante o período de


campanha, e depois que o seu pai se tornar prefeito. E eu espero que você se comporte. Meu pulso batia na minha cabeça e meu estômago revirou. Como ela poderia esperar que eu ficasse na mesma sala com ele? Só de pensar... Oh, Deus. Eu ia passar mal. — Aqui. — ela enfiou alguma coisa na minha mão e fechou o punho em torno dele. — Vá para o banheiro feminino, se acalme, e depois volte para se misturar. Nós ainda temos algumas horas para passar e eu espero que você aja como uma McKinley. Eu tropecei para o banheiro, voei para a primeira cabine e vomitei. Fiquei ali, ofegante, as mãos segurando o assento do vaso sanitário enquanto eu tentava desesperadamente descobrir como eu sobreviveria a isso. Jack. Minha família. Sem Dare. Limpei a boca com as costas da minha mão e, em seguida, olhei para ela. Lentamente, virei e abri os dedos. Valium. Claro. A cura da mamãe para tudo. Saí da cabine e olhei para mim mesma no espelho. Eu tinha ido embora. Não havia mais nada. Nada além de pílulas. Sorri amargamente. As minhas únicas amigas. Sem pensar, coloquei o frasco contra os meus lábios, inclinei a cabeça para trás e deixe escorregar pela garganta. Então eu derramei água em minhas mãos e mandei todas as cápsulas para baixo. A sensação de engoli-las me acalmou. Tudo estava bem. Enfiei a mão no bolso e tirei o frasco que Quinn tinha me dado.


Mais amigas. Por que não? Quanto mais, melhor, certo? Eu esvaziei também. Quando todas tinham ido, eu sorri para o meu reflexo pela última vez. E então eu fui lá para fora.

O ar frio me abordou quando eu empurrei as portas e saí para a noite. Sentia-me bem, mesmo que estivesse tremendo, e eu respirei fundo. E então meus olhos se conectaram com um par familiar de olhos castanhos quentes. Oh, Deus. Ele veio. Ele estava aqui. Meu coração se partiu. Bem no meio. Ele estava sentado na sua moto na parte inferior da escada, com capacete nas mãos, ostentando uma jaqueta de couro e calça jeans pretas. Assim como a noite em que nos conhecemos. Eu queria chorar. Mas McKinleys não choram, certo? Fodam-se os McKinleys. Cada um deles. Caminhei em direção ao Dare, minha cabeça começava a nadar e um sentimento flutuante estava me tomando. Talvez eu voasse para ele, em vez disso. — Ree? — ele falou. Eu sorri. Meu nome soava como o céu em seus lábios. Eu poderia mergulhar nesse som para sempre.


Ele desceu da moto, colocou seu capacete no assento e olhou para mim. Eu desci parcialmente os degraus e depois tropecei. Ele franziu a testa e correu para me pegar. O mundo estava girando tão rápido. — Você está bem? — ele disse, colocando as mãos na minha cintura para me firmar. Eu balancei a cabeça. Eu estava bem. Ele estava aqui. Ele estava aqui? Merda! — O que você está fazendo? — eu perguntei, com as palavras enrolando um pouco. Eu acenei minha mão para o jantar de gala acontecendo atrás de mim quando a calçada começou a se inclinar. Eu sorri tristemente para ele. — Você não pertence a isso aqui, Dare. — Nem você, Ree. — ele disse, e então me puxou para os seus braços. — Você pertence aqui. — ele me envolveu, o seu cheiro e o calor tomando meus sentidos, até que encheu todo o meu mundo. Ele apertou minha mão ao seu coração. — Bem aqui. Duas partes. Um inteiro. Eu passei meus braços em volta do seu corpo forte e ele me puxou para mais perto, me segurou como se nunca fosse me deixar ir. — Venha comigo. — ele falou no meu cabelo. — Você e eu. Minha família. Nós todos vamos desaparecer e nem seu pai nem o meu conseguirão nos encontrar. Eu me inclinei para trás para olhar para seu belo rosto, coloquei minha mão na sua bochecha. Eu gostava deste plano. — Escolha-me, não eles. Escolha-nos, Ree. Inclinei a cabeça e sorri. — Ree? Tentei dizer sim. Sim, por favor. Vamos subir na sua moto e ir agora, mas não deve ter saído bem porque ele parecia confuso.


Ent達o, eu tentei novamente. Mas, ent達o, o mundo estava acabando, Dare estava gritando por socorro, e todas as luzes cintilantes da cidade sumiram.


Capítulo Vinte e Um

O

cheiro

foi

a

primeira coisa que infiltrou na minha consciência. Estéril, antisséptico, incolor. E então o sinal sonoro. Constante. Irritante. Abri os olhos. As paredes brancas e luzes fluorescentes me cercavam. Alguém estava caído no sono na cadeira ao meu lado, seu cabelo loiro estranhamente torto. — Archer? — minha garganta estava seca, os lábios rachados, e minha voz soou áspera e rouca. Meu corpo estava fraco e estranho, como se não me pertencesse mais. Eu me sentia assim uma outra vez, mas eu empurrei essa memória para longe. Como sempre. Archer estava assustado, seus olhos se abriram rapidamente com o som da minha voz. — Puta merda. — ele disse, pegando a minha mão. — Você está acordada, baby girl. Você nos assustou pra caralho. Olhei para ele por alguns minutos, tentando lembrar o que tinha acontecido. Archer pegou seu telefone, bateu na tela algumas vezes, em seguida, guardou-o. A última coisa que eu lembrava era de estar no jantar...


De repente, tudo veio à tona, meus pensamentos confusos montaram uma imagem aterradora. — Reagan? Você está bem? Você ficou muito pálida. Você está passando mal? — Archer alcançou o botão de chamada de enfermagem. Eu balancei minha cabeça. — Quanto tempo fiquei apagada? — Três dias. — ele falou, com a testa franzida. — Eles tiveram que lavar seu estômago e te reanimar porque você teve uma reação muito ruim. Seu corpo basicamente teve que reiniciar. A porta se abriu e minha família foi introduzida por uma enfermeira. A minha mãe com os olhos cheios de lágrimas, de colírio, se eu tivesse que adivinhar. Eu nunca tinha a visto derramar lágrimas reais. Meu pai, com seu silêncio frio. Meu irmão e irmã com os seus: o que diabos aconteceu com você, Reagan? Eu olhei para ver se havia um fotógrafo ou repórter chegando também, porque o desempenho deles como o epítome de uma família amorosa era verdadeiramente digno de Oscar e merecia uma foto. Assim que a enfermeira saiu, minha mãe balançou a cabeça e suspirou. — Agora que ela, obviamente, vai se recuperar da overdose, temos que nos concentrar em recuperar do escândalo da mídia. Bingo. Eu ri alto. Eu não podia acreditar. Era errado pra caralho e tão foda ver os McKinley que se eu não risse, eu definitivamente choraria. — O que é tão engraçado? — Quinn ficou boquiaberta para mim. — Você ficou louca? E isso só me fez rir ainda mais. Archer sorriu para mim, balançando a cabeça. Ele entendia. Ele sabia. — Ela está muito feliz, Quincy. — ele disse. — Qual é o crime em estar feliz por estar vivo?


— Há um crime em tomar drogas. — ela atirou de volta, estreitando os olhos para ele. Eu estava rindo muito em agradecimento por ela ter dado os comprimidos para mim. Porém, aquele pedaço de informação retida poderia tornar-se uma alavanca para uso futuro. Eu a usaria quando fosse preciso. Sempre mantenha o seu arsenal de chantagem bem abastecido. Era uma tradição McKinley. — Ela está acordada? — o grito veio de fora no corredor. Meus olhos voaram para a porta. Dare! — Sinto muito, senhor, mas você não pode ir lá! Só família! Por favor... — Eu tenho que vê-la! Meu coração acelerou, chutando loucamente no meu peito quando ele irrompeu pela porta, com uma jovem enfermeira seguindo de perto. — Ree! — seus olhos estavam vermelhos, como se não tivesse dormido por três dias, com as roupas amarrotadas e seu cabelo uma bagunça. E ele era a coisa mais linda que eu já tinha visto. — Eu sinto muito! — a enfermeira olhou ao redor do quarto, completamente exausta. — Ele só... correu e, em seguida, ele estava aqui, forçando a entrada. Eu não consegui impedi-lo. — Está tudo bem. — eu disse sem pensar. — Está tudo bem. — eu sorri para Dare. Não apenas com meus lábios. Todo o meu coração maldito sorriu para ele. Vê-lo era como voltar para casa. — Você o conhece? — a enfermeira perguntou, olhando do meu rosto sorridente, para os perplexos da minha família. — Está tudo bem ele ficar? Meu pai se moveu para a minha linha de visão, e o olhar duro em seu rosto parou meu coração. Nosso acordo. Eu tinha feito um acordo com ele para parar de ver Dare. Todas as suas ameaças muito reais vieram à tona e eu estremeci.


Ele pegou seu telefone quando seu maxilar endureceu em advertência. — Você conhece este homem, Reagan? — cada palavra foi atirada com ameaça. Dare olhou para o meu pai e para o medo no meu rosto. Ele balançou a cabeça como se quisesse dizer: Fale para eles. Nós vamos ficar bem. Engoli em seco. — Você o conhece? — meu pai pressionou. — Eu... eu... — o meu olhar vacilou entre Dare e meu pai. O único que conseguia me fazer sorrir e o monstro que iria matá-lo se ele tentasse. — Reagan? — meu pai ligou o telefone e começou a percorrer seus contatos. — Reagan? — Archer olhou para mim. — Quem diabos é esse cara? — Algum degenerado de rua. — disse meu pai. — Provavelmente procurando uma dose de morfina para mãe dele. Ou talvez para ele mesmo. Vamos deixar a promotoria decidir. O nome de Dare estava nos meus lábios, o nome que eu costumava dizer para mostrar que ele me pertencia, corpo, mente e alma. Mas agora, com aquele nome, meu pai me possuía. Porque eu não conseguiria fazer isso. Eu não podia deixá-lo, destruir a vida de Dare. Ele já tinha passado por coisas demais para eu foder tudo assim. Desculpe-me, eu fiz o gesto com a boca para Dare, balançando a cabeça. Ele deu um passo para trás. — Ree. — ele disse, a descrença colorindo seu rosto. — Diga a eles. — Cara, recue. — Archer agarrou o ombro de Dare, mas Dare se livrou dele. — Você está perturbando a minha menina. — quando ele alcançou Dare pela segunda vez, Dare empurrou o peito de Archer com tanta força que ele caiu para trás em sua cadeira.


— Reagan, eu vou perguntar uma última vez. — as palavras do meu pai soaram distantes, como se estivesse na extremidade de um túnel. — Você conhece este homem? Sim ou não? Lágrimas quentes rolaram dos meus olhos, mas eu as segurei. Eu balancei a cabeça e murmurei as palavras mais dolorosas que eu já disse em toda a minha vida. — Eu não o conheço. Eu nunca o vi antes. Os ombros de Dare caíram. — Não... Ree... não. — ele cambaleou para trás como se tivesse levado um soco no estômago. — Chame a segurança. — disse minha mãe. Dare ergueu as mãos e deu um passo em direção à porta, e eu vi o vazio de toda sua emoção, com seus olhos completamente mortos. — Não se incomode. Estou indo embora. Ele deu outro passo para trás. E outro. Até que ele estava na porta. Antes dele atravessar, desaparecendo da minha vida para sempre, ele me olhou uma última vez e disse: — Você claramente fez a sua escolha, Reagan. Reagan. Assim, eu era apenas Reagan novamente.


Capítulo Vinte e Dois

E

u fui transferida de

volta para a casa dos meus pais como parte do meu tratamento. Meu pai pagou para eu sair da reabilitação obrigatória, forçando-me a ver um conselheiro, três vezes por semana e me mantinha sob constante supervisão. Eu nunca estava sozinha. Minha “pequena queda que acabou com uma viagem para o hospital”, foi justificada à imprensa como um mau súbito de intoxicação alimentar. Por uma semana inteira havia sérias discussões sobre como o próximo ano seria. Como meus pais controlariam o meu horário. Como eu iria conseguir carona para a escola e só poderia participar de eventos sancionados previamente aprovados. E não estava incluída em nenhum deles. Diziam-me para onde ir, o que fazer, como me vestir, quando comer, tudo que tinha sido meu, foi tirado. E foi aí que eu quebrei. Isso foi um erro - o maior erro da minha vida. Eu tinha feito a escolha errada no hospital.


Quanto mais a minha família tirava de mim, mais eu sabia que eu precisava chegar até Dare e me libertar. Mas ele não estava atendendo ao telefone. Ele não respondia as mensagens. Então eu fiz o papel de filha reformada, tramando a minha fuga, até que eu sabia que eu poderia vê-lo - na mostra de arte. Ele teria que estar lá. Eu explicaria tudo. Tudo - incluindo meu plano de fuga. Eu não usaria o dinheiro dos meus pais - eu tinha economia separada, das comissões que eu ganhei em diversas mostras de arte. Eu só tinha que ir embora. Com Dare. Eu precisava me salvar. Salvar Dare. Nos salvar. E a ira de meu pai? Nós descobriríamos isso juntos. Porque esta não poderia mais ser a minha vida. Não depois da liberdade e da felicidade que eu tinha conhecido com Dare. A vida poderia ser muito mais do que eu jamais imaginei. Poderia ter um significado, com cor e sorrisos reais. Eu queria isso. Valia a pena o risco. No dia da exposição, cada minuto de cada uma das minhas palestras pareciam uma hora lenta e agonizante. Depois da minha última aula, eu convenci Victor - meu guarda-costas do dia - a me levar ao SoHo para um seminário. Felizmente, ele era muito músculo e pouco cérebro. Ele não questionou o por quê. Contanto que ele pudesse manter um olho na minha bunda, literalmente, ele me levava onde quer que eu quisesse ir. No momento em que entramos pela porta da La Période Bleue, meus olhos não puderam deixar de ir direto para o trabalho de Dare. Ele se destacava entre todos os outros. Eu escutei a conversa flutuando sobre como as pessoas amavam suas pinturas. Elas estavam delirantes. Eu estava tão fodidamente orgulhosa dele. E por ele.


Olhei ao redor da galeria, meu coração explodindo, morrendo de vontade de me jogar em seus braços. Mas eu não consegui vê-lo em qualquer lugar. Meus olhos se conectaram com um par de castanhos. — Sabine? Ela balançou a cabeça. — Desculpe, chérie. — ela disse, vindo até mim. — Wilde não apareceu. Olhei ao redor da sala. — Eles estão vendidos? Ela assentiu com a cabeça e sorriu. — Todos eles. Cada um. — ela apontou para o chão atrás do balcão. — Mas eu guardei um para você. O seu favorito, não? Sia. Não. Meu favorito era... Eu olhei para a parede onde seus outros quadros estavam pendurados. Ele não estava aqui. Ree Real não estava aqui. Dare não estava aqui. Ah, não. Não, não, não. Ele não fez isso. Ele não podia. Eu tentei manter minha compostura, embora eu soubesse que isso era o certo. Quando eu lhe entreguei meu cartão de crédito para Sia, eu disse calmamente: — Eu preciso de um favor, Sabine. Vê aquele cara alto, grandalhão ali? — Oui. — ela sorriu. — Diga-me o que fazer. Cinco minutos depois, eu estava em um táxi para o Brooklyn, com esperança, e era a única coisa que ainda me mantinha respirando.


A porta de Dare estava destrancada, as chaves no balcão. Mas o lugar estava vazio, completamente vazio. Como se ninguém nunca tivesse vivido lá. Como se ele não tivesse existido. Acabou. Tudo se foi. Minha cabeça girou. Eu não consegui respirar. Sem Dare. Sem Ree. Não havia mais nós. O número da sua mãe. Eu tinha. Eu rolei pelos meus contatos e pressionei seu nome. O telefone tocou e tocou e tocou. Minhas pernas cederam e eu caí de joelhos. Lágrimas quentes inundaram meus olhos e meu peito parecia que estava sendo cortado e aberto quando olhei ao redor deste espaço tão cheio de memórias e tão vazio de tudo o que eu queria, do único cara que eu amei. Sim, amei. Talvez. Provavelmente. DEFINITIVAMENTE. Sim, era assim o amor. Eu tinha certeza disso. Como a outra pessoa era a sua outra metade. Como se fossem duas partes de um todo. Sem Dare, eu era apenas uma parte quebrada. Uma metade de um coração partido.

Continua...

Untamed untamed #1 victoria green & jinsey reese  

Sinopse: Rica, bonita e selvagem, Reagan McKinley tem tudo o que ela precisa... mas nada do que ela quer. Isto é, até que ela passa uma noit...

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